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Numero do processo: 10510.002063/2002-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003.
Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa de ofício, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art. 18.
Tal dispositivo seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN).
Numero da decisão: 9303-004.676
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003. Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa de ofício, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art. 18. Tal dispositivo seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 20 63 /2 00 2- 74 Fl. 618DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 220200.064 da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFICIO. Cabível lançamento de oficio de valores informados em DCTF como compensados com créditos advindos de processo administrativo julgado definitivamente na esfera administrativa cuja decisão não reconheceu o direito creditório pleiteado pela contribuinte: MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Não há de ser aplicada multa de oficio aos lançamentos de valores informados em DCTF, indevidamente compensados em virtude de lei posterior mais benéfica. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, em síntese, que: Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10510.002063/200274 Acórdão n.º 9303004.676 CSRFT3 Fl. 619 3 · A MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, e alterações posteriores, não trouxe hipótese de eliminação da multa de ofício para os casos de falta de recolhimento e declaração inexata; · Na espécie, descabese falar em retroatividade benigna. Requer, assim, o reconhecimento que não houve retroatividade benigna e a incidência da multa de ofício qualificada prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Em Despacho às fls. 499/501, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial: 1. Recordando que: · O Auto de Infração trata de falta de recolhimento da Cofins relativa aos 3º e 4º trimestres de 1997; · Sendo assim, presentou impugnação aduzindo que não se tratava de falta de recolhimento, mas compensação com crédito do Finsocial conquistados pelo Mandado de Segurança 96.0043817 – transitado em julgado; · A DRJ exonerou somente a multa de ofício; · Foi apresentado Recurso Voluntário trazendo novamente a ocorrência do transito em julgado reconhecendo o direito à compensação do Finsocial recolhido acima de 0,5%; · O Conselho de Contribuintes anulou a decisão de primeira instância, pois o sujeito passivo não havia sido intimado para manifestarse acerca do relatório de diligência fiscal efetuada à época; · Foi efetuado Auto de Infração Complementar, demonstrando que a primeira autuação foi oriunda de revisão de DCTF e que o sujeito passivo supostamente informou que não possuía os documentos solicitados quando da sua intimação para evidenciar a base de cálculo do Demonstrativo de Crédito do Finsocial e que os créditos Fl. 620DF CARF MF 4 já haviam sido objeto de análise no Processo Administrativo 10510.200062/9918; · O sujeito passivo apresentou impugnação expondo que havia decisão transitada em julgado, que foi entregue todos os documentos necessários para se calcular a base de cálculo do Finsocial e que era indevida a multa de ofício; · Foi emitida decisão expondo ser cabível o lançamento quando se constata que os débitos informados em DCTF foram vinculados a créditos constantes de processo administrativo indeferido e ser correta a aplicação de multa de ofício quando se constata a compensação indevida; · O sujeito passivo trouxe, entre outros, então que a decisão judicial garante o direito a compensação e que toda a documentação foi juntada para corroborar a composição do crédito; · Houve decisão exarando ser cabível o lançamento de ofício de valores informados em DCTF como compensados com créditos advindos de processo administrativo julgado definitivamente na esfera administrativa cuja decisão não reconheceu o direito creditório pleiteado; 2. Trazendo que as decisões judiciais garantiram o direito à devolução do Finsocial recolhido em alíquota superior a 0,5% para todo o período em que vigeram as Leis 7.689/88, 7.797/88, 7.849/89 e 8.147/90 para o período de setembro/89 a março/92, bem como o direito de promover a compensação desse Finsocial com a Cofins devidamente corrigido e com a inserção dos expurgos inflacionários devidos. Por fim, requer o sujeito passivo que seja parcialmente reformado o Acórdão para que seja declarada a ofensa ao ato jurídico perfeito em decorrência do trânsito em julgado da decisão que concedeu, integralmente, o direito de compensar os créditos de Finsocial recolhidos acima da alíquota de 0,5%, relativos aos períodos de setembro/89 a março/92, devidamente corrigidos com a inclusão dos expurgos inflacionários, com débitos da Cofins. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo contra o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, invocando, de per si, ser correta a aplicação do Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10510.002063/200274 Acórdão n.º 9303004.676 CSRFT3 Fl. 620 5 instituto da retroatividade benigna para se afastar a multa de ofício, em respeito à evolução legislativa demonstrada pelo art. 18 da Lei 10.833/03. Em Despacho às fls. 599/600, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, considerando ter sido constatado pelo Presidente da Câmara que as situações fáticas sopesadas pelos Colegiados quando da prolação dos acórdãos confrontados foram distintas – o que se impediu a comparação para o fim de se estabelecer a divergência de interpretação a que alude o art. 67 do RICARF. Em Despacho à fl. 601, foi mantido integralmente o Despacho do Presidente da Câmara que negou seguimento ao recurso especial de divergência interposto. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O que concordo com a manifestação dada em Despacho às fls. 499/501. Ventiladas tais considerações, vêse que a lide traz a discussão acerca da aplicabilidade ou não da multa de ofício no caso vertente. Para melhor elucidar a questão, importante trazer que se trata de Auto de Infração objetivando a cobrança da Cofins relativa aos períodos de julho a dezembro/97 – fruto de auditoria interna de DCTF – na qual restou constatada falta de recolhimento da contribuição por não terem sido confirmados os créditos vinculados aos débitos sob o argumento de que o processo inexiste no Profisc. O que, por conseguinte, depreendendose da análise dos autos do processo, a compensação feita com tais créditos foi considerada indevida. Fl. 622DF CARF MF 6 Quanto à essa discussão, importante aprofundar as questões de direito antes de se direcionar o entendimento de que no caso em comento seria cabível a multa de ofício, em respeito à hipótese trazida pelo art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 e art. 90 da MP 2.15835/01: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]” “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Eis que resta esclarecer se no lançamento de ofício seria aplicável a multa disposta no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, quando ocorrer o indeferimento da compensação. O que é importante trazer que o caso vertente não se trata de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, ou o crédito ser de natureza não tributária ou que tenha sido caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. O art. 18 da MP n° 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/03, previu, a priori, que o lançamento de ofício decorrente de diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação, seria cabível na hipótese em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio – infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10510.002063/200274 Acórdão n.º 9303004.676 CSRFT3 Fl. 621 7 Tal como explicitou a exposição de motivos dessa MP: “15. O art. 18 limita a aplicação do lançamento de ofício, de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, à cobrança de multa isolada sobre o débito indevidamente compensado nas hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Sendo assim, com o advento da MP 135/03, a não homologação da compensação decorrente de crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal, ou com crédito de natureza não tributária (compensação não declarada), estava sujeita à multa prevista no art. 18 da MP, independentemente de ser ou não decorrente de prática de fraude ou conluio do sujeito passivo. Posteriormente, com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03 de conversão da MP 135/03, vêse que tal dispositivo sofreu alteração em sua redação – passando a estabelecer: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” Foi suprimida, conforme exposto, da redação original as hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal e o crédito for de natureza nãotributária – para a imputação da multa no lançamento de ofício. Fl. 624DF CARF MF 8 Dessa forma, a hipótese de lançamento de ofício e de aplicação da respectiva multa para autuações decorrentes de compensações indevidas, passou a ter aplicação ainda mais restrita, qual seja, apenas para os casos em que se comprovasse a falsidade da declaração do sujeito passivo, além das hipóteses de compensações "não declaradas". A restrição das hipóteses para a aplicação da multa nos lançamentos de ofício não as conduziu automaticamente à aplicação da multa tratada no art. 44 da Lei 9.430/96 – eis que esse dispositivo traz a regra geral – que não seria aplicável aos casos de compensação – como nunca foi. Com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03, houve apenas a restrição da aplicação da multa no lançamento de ofício para aqueles casos de não homologação de compensação sem comprovação de falsidade da declaração. Continuando, importante lembrar que a MP 135/03 convertida na Lei 10.833/03, que trouxe novo regramento legal para as compensações, também, dispôs sobre a operacionalização a ser observada mediante entrega da "DComp", estabelecendo, inclusive em seu art. 17 – que, por sua vez, alterou o art. 74 da Lei 9.430/96 que tal declaração constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Dessa forma, vêse que com a constituição da DCOMP em confissão de dívida, perdeuse o sentido a aplicação da multa por descumprimento da obrigação tributária – por exemplo, entrega da DCTF com inexatidão quando identificada irregularidade na compensação sem comprovação de falsidade nas informações. O que afastaria a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Com efeito, é de se clarificar que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 trata do lançamento de ofício – como regra geral, não alcançando as hipóteses de compensação referendadas no caput do art. 18 da Lei 10.833/03 que faz referência aos lançamentos de ofício de que trata o art. 90 da MP 2.15835/01. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10510.002063/200274 Acórdão n.º 9303004.676 CSRFT3 Fl. 622 9 Ora, o art. 90 da MP trata especificamente do lançamento de ofício das "diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 18 da Lei 10.833/03 para os casos de lançamento de ofício de tributos declarados – tal como foi na DCTF. Eis que prevê processo administrativo próprio. Dessa forma, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". O que, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Fl. 626DF CARF MF 10 Com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa de ofício – considerando a redação do art. 18 da Lei 10.833/03 com a redação dada pela Lei 11.488/07. Assevera ainda a própria DRJ a aplicação desse entendimento. O que, para melhor elucidar, trago algumas ementas de outros acórdãos das delegacias de julgamento nesse sentido: “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1653421 de 05 de Dezembro de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833, DE 2003. Com a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, não cabe mais imposição de multa, excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, em face da retroatividade benigna (ex vi alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: 01/09/1997 a 30/09/1997” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO 6 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1615182 de 23 de Outubro de 2007 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10510.002063/200274 Acórdão n.º 9303004.676 CSRFT3 Fl. 623 11 11.051/04, deve ser excluída a multa de ofício imposta. Período de apuração: 01/02/2002 a 31/05/2002, 01/08/2002 a 30/04/2003 “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1644304 de 28 de Fevereiro de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FORTALEZA 4 º TURMA ACÓRDÃO Nº 0823210 de 10 de Abril de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, cancelase a multa de ofício Fl. 628DF CARF MF 12 aplicada. Anocalendário: 01/01/1997 a 31/12/1997” Proveitoso também trazer no mesmo sentido parte da ementa da Solução de Consulta Cosit Interna nº 3, de 08 de janeiro de 2004: “Nos julgamentos dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo”. Sendo assim, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001098/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2006
IOF. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. MUTUANTE.
Na operação de mútuo, o mutuante é o responsável tributário pelo recolhimento do IOF devido, nos termos do artigo 5º, III do Decreto 6306/2007, não havendo que se falar em solidariedade em relação aos tomadores do crédito ou em mera função de retenção do tributo devido pelo contribuinte.
MULTA. NÃO CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de sanção legal por ofensa ao princípio do não confisco.
Numero da decisão: 3402-003.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael Bastos Martins, OAB/RJ nº 152.605.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2006 IOF. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. MUTUANTE. Na operação de mútuo, o mutuante é o responsável tributário pelo recolhimento do IOF devido, nos termos do artigo 5º, III do Decreto 6306/2007, não havendo que se falar em solidariedade em relação aos tomadores do crédito ou em mera função de retenção do tributo devido pelo contribuinte. MULTA. NÃO CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de sanção legal por ofensa ao princípio do não confisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael Bastos Martins, OAB/RJ nº 152.605. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. MUTUANTE. Na operação de mútuo, o mutuante é o responsável tributário pelo recolhimento do IOF devido, nos termos do artigo 5º, III do Decreto 6306/2007, não havendo que se falar em solidariedade em relação aos tomadores do crédito ou em mera função de retenção do tributo devido pelo contribuinte. MULTA. NÃO CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de sanção legal por ofensa ao princípio do não confisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael Bastos Martins, OAB/RJ nº 152.605. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 10 98 /2 00 9- 91 Fl. 330DF CARF MF 2 Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para exigir imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF) e multa de ofício, sob fundamento de ausência de recolhimento do valor sobre as "operações de mútuo em conta corrente" (sic) ocorridas entre a Recorrente e as empresas CEL Participações S/A CELPAR, Centro Educacional da Lagoa, Melhor Papel Papelaria e Livraria Ltda e Centro Educacional da Lagoa Tecnologia Ltda. Irresignada, a Recorrente apresentou Impugnação alegando: i) Inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 9.779/99 e incompatibilidade a Lei 5143/66; ii) natureza confiscatória das sanções aplicadas. A impugnação foi julgada improcedente, em razão de órgãos de julgamentos administrativos não poderem deixar de aplicar lei sob fundamento de inconstitucionalidade. Irresignada, apresentou Recurso Voluntário, em 25/02/2012, alegando ilegalidade da solidariedade passiva tributária aplicada à mutuante e mutuárias e reiterou a confiscatoriedade das sanções aplicadas. Em 06/05/2015, a Recorrente apresentou "aditamento ao Recurso Voluntário", trazendo novos fundamentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo, tendo em vista que a ciência se deu em 26/01/2012 e o protocolo do mesmo em 25/02/2012. Estão igualmente atendidos os demais requisitos de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Quanto ao "aditamento do Recurso Voluntário" protocolado em 06/05/2015 mais de 3 anos após o término do prazo para apresentação do recurso o mesmo não deve ser conhecido em razão de sua flagrante intempestividade, que opera a preclusão temporal, como também pela preclusão consumativa, tendo tido sua faculdade de recorrer utilizada anteriormente, não havendo no regramento do processo administrativo qualquer previsão de aditamento. Além disso, compulsando o referido aditamento, verifico que não consta qualquer alegação de questão de ordem pública, imune à preclusão, que possa ser conhecida de ofício por este Colegiado. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 12898.001098/200991 Acórdão n.º 3402003.990 S3C4T2 Fl. 3 3 Quanto às questões ventiladas no Recurso Voluntário, de pronto se verifica que a questão relativa à "solidariedade tributária" não foi ventilada na Impugnação, atraindo a aplicação do art. 17 do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Todavia, por se tratar a sujeição passiva de questão de ordem pública, analisarei o argumento do Recorrente, que alegou ser sua responsabilidade seria de meramente reter e recolher o tributo devido pela tomadora de crédito, repassandoo ao Erário, estando o fiscal instituindo uma "solidariedade" não prevista em lei. Vejamos os arts. 4º e 5º do RIOF: Art.4o Contribuintes do IOF são as pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (Lei no 8.894, de 1994, art. 3o, inciso I, e Lei no 9.532, de 1997, art. 58). Parágrafo único.No caso de alienação de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo a empresas de factoring, contribuinte é o alienante pessoa física ou jurídica. Dos Responsáveis Art.5o São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: I as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito (DecretoLei nº 1.783, de 1980, art. 3º, inciso I); II as empresas de factoring adquirentes do direito creditório, nas hipóteses da alínea “b” do inciso I do art. 2o (Lei nº 9.532, de 1997, art. 58, § 1º); III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13, § 2º). Diante da dicção legal, resta absolutamente claro que a Recorrente não é mero agente de retenção, mas sim responsável tributário, amoldandose à configuração de sujeito passivo da exação, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 332DF CARF MF 4 Portanto, aquele que detém a obrigação de pagar o tributo é o responsável, por força de lei, não havendo que se equiparar a situação, por exemplo, àquela do Imposto de Renda retido na fonte, em que a fonte pagadora fará mera retenção a título de antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. Tampouco há que se falar em solidariedade, visto que o responsável é aquele que a lei atribui a obrigação de pagar, em substituição àquele que realizou a conduta descrita na hipótese de incidência tributária. Portanto, plenamente legal a cobrança do IOF da mutuante, com fundamento no art. 5º, III do Regulamento do IOF (Decreto 6306/2007). Rejeito, pois, tal argumento do Recorrente. No que concerne à suposta violação ao princípio constitucional do não confisco, o seu exame se insere na questão da impossibilidade de o julgador administrativo se manifestar sobre a constitucionalidade de lei no caso a lei que embasou o lançamento das multas de ofício. Devese aplicar, no caso, a Súmula CARF nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não pode este Colegiado se manifestar sobre tal questão, devendo o pretensão ser julgada insubsistente. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.002797/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Não há que se falar em nulidade do auto de infração uma vez que o procedimento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta e tempestiva.
IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO.
Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. A norma que concede suspensão do IPI, por constituir benefício fiscal, deve ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa.
IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. CONDIÇÕES
A suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratando-se de providência da alçada da indústria, ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade do auto de infração uma vez que o procedimento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta e tempestiva. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. A norma que concede suspensão do IPI, por constituir benefício fiscal, deve ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. CONDIÇÕES A suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratando-se de providência da alçada da indústria, ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade do auto de infração uma vez que o procedimento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta e tempestiva. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. A norma que concede suspensão do IPI, por constituir benefício fiscal, deve ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. CONDIÇÕES A suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria, ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 27 97 /2 00 6- 52 Fl. 2255DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente litígio decorre de processo de Auto de Infração (fls. 05/39), lavrado contra a Recorrente, mediante o qual foi lançado Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI), referente ao período de janeiro/2002 a dezembro/2004, no valor de R$ 428.405,42 (incluídos principal, multa e juros), em função de descumprimento das condições da suspensão pelo remetente do produto vendas às empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 07/24 dos autos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: "(...) Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte apuramos que em todas as suas vendas às empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação, do período de janeiro/2002 a dezembro/2004, os produtos saíram do estabelecimento industrial com suspensão do IPI, com base no artigo 40 do Decreto nº 2.637/98 (até 12/2002) e no artigo 42 do Decreto n° 4.544/2002 (a partir 01/2003), que dispõem: (...) Portanto, a SUSPENSÃO DO IPI está CONDICIONADA à remessa direta dos produtos vendidos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria, ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com a obrigatoriedade de remessa direta a embarque ou a recinto alfandegado que o Estado consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que os mesmos, vendidos para exportação, venham a ser Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 13830.002797/200652 Acórdão n.º 3402003.879 S3C4T2 Fl. 2.256 3 comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço das empresas exportadoras, infringindo a determinação legal. Descumprida a condição legal, recai sobre o estabelecimento industrial a responsabilidade sobre os tributos que deixaram de ser recolhidos: IPI, PIS e COFINS. Cientificada em 20/12/2006 (fl. 06) a interessada apresentou, tempestivamente, em 19/01/2007, impugnação (fls. 2.174/2.182) na qual alega, em síntese que: a) “De inicio, a autuada impugna a forma como foi calculado o IPI, mormente no tocante às definições dos valores por unidade em relação às classes de valores adotadas pelo auto de infração, sequer tendo sido indicado precisamente, no particular, o enquadramento legal que orientou a autuação, tudo de molde a impedir o exercício da ampla defesa e do contraditório, direitos estes resguardados pela Constituição Federal e que não podem ser olvidados (...)”;. b) “Ao contrário do que apregoa o auto de infração, a lei não impõe como condição para a obtenção dos favores fiscais que na exportação indireta tenham de ser, os produtos vendidos com a finalidade de exportação, remetidos diretamente a embarque de exportação ou a recinto alfandegário”; c) “A bem da verdade, a lei de regência da matéria apenas prevê,em nível de exceção, a possibilidade (e não imposição) de exportação por via de remessa pelo estabelecimento industrial, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, sem diferenciar, quanto as empresas exportadores adquirentes, empresa trading de empresa "não trading”; d) “Com efeito, o RIPI não impôs que somente os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para o embarque de exportação, ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, é que devem ser considerados para o fim especifico de exportação”; e) “Ao contrário, o que a legislação ressalva é que, no caso de a empresa exportadora adquirente ordenar ao estabelecimento industrial vendedor, que a mercadoria a ser exportada seja entregue diretamente no embarque de exportação ou no recinto alfandegado, ao invés de ser entregue no seu depósito, ainda assim não fica descaracterizada a exportação indireta”; f) “Seria inadmissível que uma mesma operação de exportação indireta pudesse ser, ao mesmo tempo, regular perante a legislação tributária do ICMS, e irregular frente à legislação do IPI, tendo em vista que o fato gerador é comum aos tributos federais e estaduais” Fl. 2257DF CARF MF 4 g) “Portanto, quanto aos tributos que não incidiram na saída destinada à exportação indireta, a definição da responsabilidade tributária deve se guiar pelo disposto no art. 39, § 3°, da Lei n° 9.532/97, c.c. art. 7°, da Lei n° 10.637/2002, e art. 9°, da Lei n° 10.833/2003, de forma que tal responsabilidade é exclusiva da empresa comercial exportadora, mormente quando não há comprovação da existência de conluio, simulação ou fraude envolvendo a indústria, situação esta que, seguramente, não é a versada nestes autos, haja vista que não foi imposta A impugnante multa alguma por infração qualificada.”; h) “Diante do enfoque jurídico acima abordado, as suspeitas trazidas pela fiscalização em relação a algumas das empresas exportadoras que transacionaram com a impugnante, não autorizam a exigência do IPI e a imposição de multa de oficio, principalmente porque as suspeitas levantadas não guardam nexo de causalidade algum em face da impugnante, que nada tem a ver com as supostas fraudes que teriam sido perpetradas por terceiros”; Ao final, requer que a impugnação seja recebida e julgada procedente, para efeito de julgar insubsistente o auto de infração de IPI, determinandose, por via de conseqüência, que seja o mesmo arquivado. É o relatório. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos pela DRJ em Belém (PR) primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 2.204/2.211): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. Constatada a ocorrência da infração, calculado o montante do tributo e/ou contribuição devido, identificado o sujeito passivo, com clara descrição dos fatos e enquadramento legal, abrindose o prazo legal para impugnação, perfeitamente se mostram atendidos os princípios constitucionais da legalidade, da ampla defesa e do contraditório. IPI. SUSPENSÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A norma que concede suspensão do IPI, por constituir benefício fiscal, deve ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificado do Acórdão nº 0123.297, em 21/05/2012, conforme AR às fls. 2.217. Encaminhou Recurso Voluntário (fls. 2.218/2.237), por via postal em 20/06/2012 (envelope às fls. 2.238/2.239), o qual foi recepcionado e protocolado em 22/06/2012. Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 13830.002797/200652 Acórdão n.º 3402003.879 S3C4T2 Fl. 2.257 5 Assim, a Recorrente interpõe o presente Recurso Voluntário, reiterando todos os argumentos de sua impugnação e que se encontram desta forma sintetizados: que a operação de exportação indireta consiste na venda de produtos destinados à exportação, os quais saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, trading companies ou qualquer outra empresa habilitada a operar com o comércio exterior; os estabelecimentos industriais ou comerciais ao venderem seus produtos para empresas comerciais exportadoras com o fim especifico de exportação, poderão efetuar esta operação com a suspensão do IPI, de acordo com o artigo 42, inciso V, alínea a do Decreto nº 4.544/2002, vigente à época, c/c art. 39, I e II, §§ lº e 2º da Lei nº 9.532, de 1997; é fato que não se discute que as mercadorias tiveram como fim a exportação. O que se discute é o fato da entrega da mercadoria não ter ocorrido diretamente no embarque ou no recinto alfandegado, e sim na empresa exportadora; entender que a saída suspensa aplicarseia tão somente às receitas de exportação, sem nelas incluir as receitas proveniente de uma exportação indireta seria um contra senso, pois acabaria por ser tributada receita decorrente de uma exportação, quando o espírito da norma é exatamente o de conceder vantagens a quem as realiza; se a remessa direta a embarque ou recinto alfandegado (art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532/97) tem por escopo dificultar desvios na destinação dos produtos, evitando que esses produtos vendidos para exportação venham a ser indevidamente comercializados no mercado interno, não existem elementos nos autos que sinalizem esta hipótese; caso se considerem devidos os tributos que não incidiram na saída destinada à exportação indireta, a responsabilidade tributária deve se guiar pelo disposto no artigo 39, § 3º, da Lei nº 9.532/97, c/c artigo 7º, da Lei nº 10.637/02 e artigo 9º, da Lei 10.833/03, de forma que tal responsabilidade é exclusiva da empresa comercial exportadora, mormente quando não há comprovação da existência de fraude envolvendo a indústria; não é possível imputarlhe máfé, pelo contrário, diligenciou sempre com claro propósito. Assim, não há subsunção do fato ao tipo previsto no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, sendo o caso de, ao menos, reduzirse a multa aplicada. No caso, a multa aplicada foi de 75% do valor do imposto, materializando o caráter confiscatório, vedado constitucionalmente, em que pesem as conclusões da decisão guerreada. Ao final, pede anulação do auto de infração e para exercício de seu direito constitucional à ampla defesa, requer sejalhe deferida sustentação oral, intimandose para tanto o subscritor da presente em seu escritório comercial. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 2259DF CARF MF 6 1 Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2 Nulidade do lançamento Assevera em sua impugnação e reiterado em seu recurso, que "(...)De inicio, a autuada impugna a forma como foi calculado o IPI, mormente no tocante às definições dos valores por unidade em relação às classes de valores adotadas pelo auto de infração, sequer tendo sido indicado precisamente, no particular, o enquadramento legal que orientou a autuação, tudo de molde a impedir o exercício da ampla defesa e do contraditório, direitos estes resguardados pela Constituição Federal e que não podem ser olvidados (...)”. Neste aspecto, subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto, uma vez que da leitura dos dispositivos legais transcritos (art. 10, 59, 60 e 61 do Decreto nº 70.235/1972), depreendese que não cabem os questionamentos do Recorrente acerca da validade do procedimento fiscal. Não há nele vício que comprometa o lançamento. É cediço que o auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. No caso, ao contrário do que entende a Recorrente, o auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelos artigos citados. A Recorrente teve conhecimento não só de tudo o que contém o auto de infração e partes integrantes, mas também do processo como um todo, pois lhe foi oportunizada vista dos autos e cópias de todos os termos lavrados no curso na ação fiscal. Assim, tendo o contribuinte ingressado com a impugnação, demonstrando de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal, e não havendo no auto de infração quaisquer imperfeições ou presunções técnicas capazes de viciar a exigência. Portanto, não procede a argüição de nulidade e cerceamento do direito de defesa. 3. MÉRITO Das Vendas realizadas com fim específico de Exportação Alega a Recorrente em seu recurso que "(...) a exportação direta consiste na operação em que o produto exportado é faturado pelo próprio produtor ao importador. Nesta modalidade, o produto exportado é isento do IPI, e não ocorre a incidência do ICMS. Beneficiase também dos créditos fiscais incidentes sobre os insumos utilizados no processo produtivo. Há, ainda, a chamada operação de "exportação indireta", consiste na venda de produtos destinados à exportação, os quais saem do estabelecimento industrial ou comercial remetente, para empresas comerciais exportadoras, trading companies ou qualquer outra empresa habilitada a operar com o comércio exterior. Os estabelecimentos industriais ou comerciais, ao venderem seus produtos para empresas comerciais exportadoras Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 13830.002797/200652 Acórdão n.º 3402003.879 S3C4T2 Fl. 2.258 7 com o fim específico de exportação, devem efetuar esta operação com a suspensão do IPI, de acordo com o artigo 42, inciso V, alínea "a", do Decreto nº 4.544/02". A Recorrente aborda também em seu recurso, dispositivos legais e constitucionais, excertos doutrinários, que julga suficientes e necessários em defesa da tese de que a não incidência do IPI, quando vender seus produtos para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, devem efetuar esta operação com a suspensão do IPI, de acordo com o artigo 42, inciso V, alínea a do Decreto nº 4.544/02. Aponta também, premissas que diz consistirem de aspectos não controvertidos no caso concreto os quais seriam capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que a Recorrente realizou a exportação, mesmo que de forma indireta, por meio da venda com fim específico. Entende que o objetivo do legislador foi desonerar as operações de exportação, aí incluídas as exportações diretas operação entre o produtor local e o adquirente alienígena, sediado no estrangeiro e as exportações indiretas operações "triangulares", envolvendo o produtor local, uma empresa exportadora intermediária e o adquirente alienígena situado noutro país. Pois bem. As notas fiscais objeto deste Auto de Infração e as respectivas quantidades de produtos, valores, estão discriminadas, nas planilhas de fls.1.565 a 1.578 e 1.596/1.609, apresentadas ao contribuinte junto aos Termos de Constatação Fiscal n° 001 (fl. 1.559/1.564) e nº 002 (1.593/1.595), respectivamente. Consta do auto de infração que a Recorrente foi cientificada das apurações fiscais através do Termo de Constatação Fiscal n° 001, onde apontouse não só a infração ao artigo 42 do Regulamento do IPI, como também outras irregularidades encontradas na análise dos documentos apresentados, relativos às vendas às comerciais exportadoras. Vejase: a) Despachos de exportação cancelados por expiração de prazo e apresentando indícios de fraude, conforme análise da Inspetoria da Receita Federal de Corumbá. b) Notas Fiscais de vendas As comerciais exportadoras que o contribuinte não apresentou despachos de exportação. c) Despacho de exportação com número inválido no sistema SISCOMEX. d) Número de comprovante de exportação (DSE) não encontrado no SISCOMEX. e) Despachos de exportação cancelados no SISCOMEX. f) Despachos que supostamente teriam sido efetuados através do aeroporto do Rio de Janeiro e que, no curso das fiscalizações realizadas pela Delegacia da Receita Federal de Foz do Iguaçu nas empresas comerciais exportadoras, constatouse junto As empresas aéreas que os conhecimentos de transportes correspondentes não constam nos sistemas operações e contábil das empresas aéreas, sendo que as series numéricas desses conhecimentos de transportes nunca foram distribuídas pelas mesmas. Esses elementos demonstram que os documentos apresentados não são idôneos e descaracterizam as exportações. g) Empresas comerciais exportadoras, destinatárias de produtos do contribuinte, consideradas INAPTAS pela Receita Federal pela pratica irregular de operações de comercio exterior ou inexistente de fato. Fl. 2261DF CARF MF 8 Em sua resposta, a Recorrente informou ao Fisco, que (fl. 1.579): 1. Com respeito aos itens "1", "2" e "3" do termo de constatação fiscal n°. 0001, é de se ressaltar que a Lei n°. 9.532/1997, em seu artigo 39, inciso I, não condiciona a suspensão do IPI dos produtos destinados à exportação remessa direta dos produtos vendidos a embarque de exportação ou a recinto alfandegário" Quanto as outras irregularidades apontadas pela fiscalização, declarou que para que possa se posicionar, garantido o contraditório, fazse necessário oportunizar à análise da contribuinte os documentos pertinentes, pois os mesmos, ao que tudo indica, são unilaterais da RFB e desconhecidos da Recorrente. A fiscalização, então, emitiu o Termo de Constatação Fiscal n° 002, encaminhando os documentos relacionados às irregularidades apuradas pela fiscalização. No entanto, a Recorrente não apresentou suas justificativas até o final do procedimento fiscal. Diante dos fatos apontados, o Fisco constatou que a CANINHA ONCINHA, descumpriu o disposto no artigo 42, inciso V, alínea "a", parágrafo 1°, do Decreto n° 4.544/2002 RIPI (e correlato no Decreto n° 2.637/98), bem como o artigo 39, inciso I, parágrafo 2°, da Lei n° 9.532, de 1997, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, para avaliar se as operações de venda efetuadas pelo “produtorvendedor” (Recorrente CANINHA ONCINHA) estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se examinar as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. O benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do art. 149, da CF) para as operações de exportação, como sugere a recorrente, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o art. 40 do Decreto nº 2.637/98 e o art. 42 do Decreto nº 4.544/2002, assim dispõem: (grifei) DECRETO N° 4.544/2002: "Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados A exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) §1° No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 13830.002797/200652 Acórdão n.º 3402003.879 S3C4T2 Fl. 2.259 9 diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art.39, § 2°). Destacase que os dispositivos acima citados, regulamentaram o art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifouse). (...) Para melhor deslinde da questão tratado nestes autos, manifestouse a Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit nº 8, de 25 de agosto de 2004, da qual transcrevo na sequência vários excertos, que foram adaptados ao caso por este Conselheiro, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999. Pois bem. Observase que o art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ao falar em empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei nº 1.248, de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso tudo, e da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre no art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos Fl. 2263DF CARF MF 10 chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tãosomente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no art. 2º do citado DecretoLei nº 1.248, de 1972, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria no 438, de 26 de maio de 1992, do MF; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução no 1.928, de 26 de maio de 1992, do Banco Central do Brasil. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeita se às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 e legislação complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo nº 42, de 1975, reconhecia que o DecretoLei no 1.248, de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o seguinte: “[...] 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei no 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8o do Decreto no 64.833/69 e no artigo 7o, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra.” Assim sendo, no caso desses autos, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deverá remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei no 1.248, de 1972 (trading), ela (a indústria) poderá enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o art. 14 da IN SRF nº 241, de 2002, por sua conta e ordem. Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 13830.002797/200652 Acórdão n.º 3402003.879 S3C4T2 Fl. 2.260 11 A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo art. 39, §2o, da Lei no 9.532, de 1997, não deixa margem de dúvidas. Vejase (grifei). Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...). § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Nesse sentido, o art. 42, §1º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (já transcrito), que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001. Foi o art. 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (art. 40, inc. VI e § 2º, do Decreto no 2.637, de 1998 (RIPI/1998), e art. 42, inc. V e § 2º, do Decreto no 4.544, de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço das empresas exportadoras, infringindo a determinação legal. Em fim, não pode prosperar a argumentação da Recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como pretende a Recorrente. Da Responsabilidade pelos tributos suspensos Aduz a Recorrente que "(...) caso se considerem devidos os tributos que não incidiram na saída destinada à exportação indireta, a responsabilidade tributária deve se guiar pelo disposto no artigo 39, § 3º, da Lei nº 9.532/97, c/c. artigo 7º, da Lei 10.637/02 e Fl. 2265DF CARF MF 12 artigo 9º., da Lei 10.833/03, de forma que tal responsabilidade é exclusiva da empresa comercial exportadora, mormente quando não há comprovação da existência de fraude envolvendo a indústria". Como já abordado neste voto, a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída do produto da indústria, tratandose de providência da alçada desta, ainda que por conta e ordem da comercial exportadora. A condição não é cumprida quando, por exemplo, os produtos vendidos são retirados pela própria comercial exportadora, hipótese em que são exigíveis os tributos incidentes sobre a operação. E responde por eles a indústria, na qualidade de contribuinte, como decorre do art. 9º, § 1º, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação do art. 37, inciso II, da Lei nº 9.532, de 1997, com os acréscimos legais cabíveis. Vejase: "Art. 9° Salvo disposição expressa de lei, as isenções do imposto se referem ao produto e não ao respectivo produtor ou adquirente. § 1° Se a imunidade, a isenção ou a suspensão for condicionada à destinação do produto, a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a imunidade, a isenção ou a suspensão não existissem." Como se vê, a empresa comercial exportadora, nessa hipótese, vai ser responsável pelo uso que der aos produtos adquiridos se exportálos, incidirá a imunidade do art. 153, § 3º, inciso III, da Constituição da República; se revendêlos no mercado interno, incidirá o IPI. Portanto, é relevante destacar que somente cumprindo as condições expostas, que o “produtorvendedor” irá cumprir os requisitos necessários para configurar o “fim específico de exportação”. Tanto é assim que, ao proceder conforme as normas descritas, a responsabilidade sobre quaisquer créditos tributários passa a ser da empresa comercial exportadora que adquiriu as mercadorias (conforme preconizado pelo art. 231 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 4.543/de 2002, vigente à época dos fatos). Assim, do contrário, caso não proceda da forma prescrita, o “produtor vendedor”, no caso a CANINHAS ONCINHA LTDA, permanece responsável pelos créditos tributários relativos aos tributos (no caso o IPI) que deixaram de ser apurados e recolhidos, incidentes sobre a venda efetuada à comercial exportadora. Da alegada boa fé, inconstitucionalidade, caráter confiscatório e redução da multa Argumenta em seu recurso que "(...) não é possível imputarlhe máfé. Pelo contrário, ela diligenciou sempre com claro propósito. Assim, não há subsunção do fato ao tipo previsto no inciso I do artigo 44, da Lei 9.430/96, sendo o caso de, ao menos, reduzirse a multa aplicada. No caso, a multa aplicada é de 75% do valor do imposto, materializando o caráter confiscatório, vedado constitucionalmente, em que pesem as conclusões da decisão guerreada. E continua à fl. 1.052, onde admite que "(...) embora possa existir certa irregularidade, o caso concreto é peculiar, diante de todas as razões e elementos fáticos já descritos ... Permeando que houve a legalidade, transparência e boa fé". Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 13830.002797/200652 Acórdão n.º 3402003.879 S3C4T2 Fl. 2.261 13 É cediço que nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A multa aplicada decorre do cumprimento à Lei, através da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, a imputação de multa de ofício sobre créditos apurados de ofício, sendo incabível a exclusão da mesma, exceto nos casos legalmente previstos. Portanto, quanto a solicitação da redução da multa de ofício ( de 75% para 20%), não merece guarida por falta de previsão legal, uma vez que a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 44, I, determinou este percentual, e portanto entendo correta a manutenção desta multa de ofício para o caso nos autos aqui tratados. Quanto à pugnada inconstitucionalidade da multa no patamar de 75%, por ter, no entender da recorrente, natureza confiscatória, a questão não comporta dissensão. Como dito acima, a Lei determinou este percentual. Estando tal lei vigendo, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade. Portanto, tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da sustentação oral e da intimação Requer, para exercício de seu direito constitucional à ampla defesa, que seja lhe deferida sustentação oral, intimandose para tanto o subscritor da presente em seu escritório comercial. Quanto a solicitação de sustentação oral efetuado pela Recorrente, tal procedimento se encontra previsto nos itens II e III do artigo 58, do Regimento Interno deste CARF (RICARF), o que garante este direito. Por outro lado, deve ser indeferido o pedido para que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono da causa administrativa, pois, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra via com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendose a decisão recorrida em todos os seus termos. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 2267DF CARF MF 14 Waldir Navarro Bezerra Fl. 2268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721027/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis Embargos de Declaração para suprimir contradição e suprir omissão de acórdão.
Os Embargos são acolhidos apenas para integrar os fundamentos eivados de contradição e/ou omissos, quando as contradições e as omissões constatadas não tiverem o condão alterar a decisão embargada.
Numero da decisão: 1401-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão embargado, SEM EFEITOS INFRINGENTES, apenas alterando a parte dispositiva para espelhar adequadamente o que ficou decidido na sessão de dezembro de 2015, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis Embargos de Declaração para suprimir contradição e suprir omissão de acórdão. Os Embargos são acolhidos apenas para integrar os fundamentos eivados de contradição e/ou omissos, quando as contradições e as omissões constatadas não tiverem o condão alterar a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão embargado, SEM EFEITOS INFRINGENTES, apenas alterando a parte dispositiva para espelhar adequadamente o que ficou decidido na sessão de dezembro de 2015, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 27 /2 01 3- 91 Fl. 5468DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela empresa MONDEO COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA contra a decisão proferida no Acórdão nº 1401 001.439 (fls. 5.419/5.432), de 09 de dezembro de 2015, que, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso em parte, em face da preclusão e, na parte conhecida, negou provimento ao recurso, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, negou provimento em relação ao anocalendário de 2008; e b) por maioria de votos, negou provimento em relação ao ano calendário de 2009. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Livia De Carli Germano. Abaixo, reproduzo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008, 2009. IRPJ ARBITRAMENTO NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES – CABIMENTO. O imposto devido no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO Anocalendário: 2008, 2009 Multa de Oficio. Qualificada. Aplicabilidade A prática, reiterada, de subtrair ao conhecimento da Fazenda Pública as Receitas de sua própria atividade econômica e, consequentemente, de declarar tributos e contribuições federais em montantes muito inferiores aos devidos, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento da contribuinte, sendo aplicável a qualificação da multa de oficio de 150%. Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa SELIC. A partir de abril de 1995, sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados com base na taxa SELIC (Sumula CARF n° 4). Ainda no Acórdão ora embargado, a decisão foi assim descrita: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em parte, em face da preclusão e, na parte conhecida, NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação ao anocalendário de 2008; e b) por maioria de votos, NEGAR provimento em relação ao anocalendário de 2009. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Livia De Carli Germano. (gn) Fl. 5469DF CARF MF Processo nº 19515.721027/201391 Acórdão n.º 1401001.781 S1C4T1 Fl. 5.469 3 O auto de infração trata do lançamento do IRPJ e CSLL (lucro arbitrado) e a contribuição para o PIS e a COFINS (regime cumulativo), dos anos de 2008 e 2009, em decorrência de exclusão da embargante do SIMPLES NACIONAL, por excesso de receita em relação ao limite legal no ano de 2007, que gerou efeitos a partir de 01 de janeiro de 2008. A referida exclusão se deu por meio do Ato Declaratório Executivo ADE DERAT/DIORT/EQRES nº 03/2013. Em seu arrazoado (fls. 5.448), sustenta a ora embargante que, no r. Acórdão, houve contradição e omissão sobre dois pontos. É de se observar, entretanto, que os argumentos que geraram as alegadas contradição e omissão somente foram trazidos pela ora embargante em sede de Recurso Voluntário. Nos Embargos, pugnou pelo que segue: a) Corrija a CONTRADIÇÃO apontada entre o resultado do julgamento e o teor do voto condutor, fazendo constar no acórdão que a alegação de erro na apuração de base de cálculo em relação ao ano de 2009 foi conhecida e contou com votos favoráveis, embora tenha sido rejeitada por maioria. b) supra a OMISSÃO descrita, manifestandose sobre a alegação de ilegalidade na apuração do PIS e COFINS suscitada no recurso voluntário. Assim, pugna pelo conhecimento e posterior provimento dos embargos interpostos. Na análise de admissibilidade de embargos, assim me manifestei: Contradição Aparentemente, a parte não conhecida (por preclusão) do recurso voluntário trata da "Arguição inovadora – Alegação de erro na apuração da base de cálculo dos tributos referentes ao anocalendário de 2009", em que a embargante pleiteou pela necessidade de ato de exclusão do simples também para o ano de 2009, uma vez que o ADE de exclusão do simples somente teria validade para o anocalendário subseqüente ao ano em que apurou excesso de receita em relação ao limite legal, que, no caso concreto, somente teria efeitos para o anocalendário de 2008. Entretanto, segundo a embargante, a matéria acima foi conhecida pela turma, apesar de ter sido negado provimento quanto a este ponto, por maioria de votos, conforme se observa da leitura de trecho dos Embargos de Declaração propostos: 17. E foi nesse ponto que se deu o erro na apuração da base de cálculo arguida no RV, já que, não tendo sido excluída do Simples para o ano de 2009, caberia à fiscalização apurar os tributos supostamente devidos nesse ano observando a sistemática de apuração do Simples Nacional. 18. No entanto, apesar da ilegalidade na apuração da base de cálculo do tributo, no dia da sessão de julgamento, após acalorado debate, houve pedido de vista em mesa para específica avaliação dessa questão, sendo a sessão retomada após intervalo. 19. Depois de retomada a sessão, os d. conselheiros CONHECERAM da alegação de erro na base de cálculo em Fl. 5470DF CARF MF 4 relação ao ano de 2009, apesar de, por maioria, teremna rejeitado no mérito, conforme consta na síntese do resultado de julgamento: (...) Com efeito, em análise do voto condutor do Acórdão ora embargado, verifica se que houve contradição e/ou omissão quanto ao destacado no item "a" acima, como se pode observar: 1 Houve contradição na decisão caso a turma tenha decidido por reconhecer a "Arguição inovadora – Alegação de erro na apuração da base de cálculo dos tributos referentes ao anocalendário de 2009", mas tenha negado provimento por maioria, pelo fato da decisão conter a redação "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em parte, em face da preclusão..."; ou 2 Houve omissão no voto condutor da decisão caso a turma realmente tenha entendido que a alegação "Arguição inovadora – Alegação de erro na apuração da base de cálculo dos tributos referentes ao anocalendário de 2009" tenha precluído, não a conhecendo por conseguinte, e a redação "b) por maioria de votos, NEGAR provimento em relação ao anocalendário de 2009" se refira a outro argumento alegado pela empresa. Omissão Sustenta a embargante que a turma não enfrentou argüição quanto à necessidade de "Exclusão de receitas de comercialização de mercadorias com tributação monofásica, substituída, isenta e alíquota zero da base de cálculo do PIS e da COFINS" no Acórdão embargado. (...) Outrossim, verificase que o disposto no argumento trazido no item "b" acima pode ter sido omitido no Acórdão ora embargado, a não ser que este argumento não tenha sido reconhecido em razão da preclusão. Nesse sentido, posso concluir que o Acórdão 1401001.439 foi contraditório e/ou omisso quanto aos argumentos suscitados pela Embargante, cujos pedidos reproduzo novamente abaixo: a) Corrija a CONTRADIÇÃO apontada entre o resultado do julgamento e o teor do voto condutor, fazendo constar no acórdão que a alegação de erro na apuração de base de cálculo em relação ao ano de 2009 foi conhecida e contou com votos favoráveis, embora tenha sido rejeitada por maioria. b) supra a OMISSÃO descrita, manifestandose sobre a alegação de ilegalidade na apuração do PIS e COFINS suscitada no recurso voluntário. Com base nesse pronunciamento, o Presidente desta Turma proferiu despacho admitindo os embargos. É o Relatório. Fl. 5471DF CARF MF Processo nº 19515.721027/201391 Acórdão n.º 1401001.781 S1C4T1 Fl. 5.470 5 Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator Os embargos foram opostos tempestivamente e deles tomo conhecimento. Em sessão do dia 09/12/2015, foi proferida decisão no presente processo administrativo, consubstanciada no Acórdão 1401001.439, em que, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso em parte, em face da preclusão e, na parte conhecida, negou provimento ao recurso nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao anocalendário de 2008; e b) por maioria de votos, negar provimento em relação ao anocalendário de 2009. A Embargante alega que há contradição e omissão no acórdão recorrido. Contradição erro na base de cálculo de 2009 Aponta que o acórdão é contraditório pelo fato de não haver sido mencionado no voto condutor que houve reconhecimento por parte dos conselheiros de que houve erro na apuração do ano de 2009 e contou com votos favoráveis, embora tenha sido rejeitada pela maioria. Isto porque, segundo a Embargante, os conselheiros haviam reconhecido a matéria, por entenderem não preclusa, entretanto, negaram provimento ao recurso voluntário por maioria de votos. Como não participei da sessão que julgou o presente caso, enxergo as seguintes situações quanto a este ponto: 1) Caso a turma tenha decidido conforme a Embargante justifica a contradição apontada, o que ocorreu foi que o Relator, assim como os demais conselheiros, reconheceram a matéria recorrida, por unanimidade, mas não deram provimento ao recurso, por maioria. Entretanto, em seu voto deveria constar o reconhecimento da matéria, o que não ocorreu. Veja o trecho do voto: Arguição inovadora – Alegação de erro na apuração da base de cálculo dos tributos referentes ao anocalendário de 2009 Conforme relatado, a contribuinte (ora recorrente), de maneira inovadora, arguiu a ocorrência de erro na apuração da base de calculo dos tributos referentes ao anocalendário de 2009. Apesar de tal alegação não ter sido apresentada em fases processuais anteriores, a recorrente sustentou que a mesma poderia ser conhecida por este colegiado, por se tratar de matéria de ordem publica. Não assiste razão a recorrente. Eventuais erros na apuração da base de calculo de tributos obviamente não se constituem matérias de ordem publica, razão pela qual alegações inovadoras dessa Fl. 5472DF CARF MF 6 natureza não podem ser conhecidas por este colegiado, por se tratar de matéria preclusa. Assim sendo, não conheço da presente parcela do recurso voluntário. Caso a Embargante estivesse correta, o que vislumbro é que o Relator não tenha incorrido em erro na parte expositiva do voto, mas sim no próprio voto condutor em que propôs afastar a alegação de erro na base de cálculo de 2009 por restar caracterizada a preclusão. Isto porque, por hipótese, caso o Relator tivesse mantido entendimento pelo não reconhecimento da matéria, mas que tivesse sido vencido pela turma julgadora, necessariamente haveria de ser designado um redator para lavrar o voto vencedor quanto a este ponto, o que também não ocorreu. Assim sendo, nesta primeira hipótese, deveria ser alterado o voto condutor do Relator no Acórdão para fazer constar o reconhecimento da matéria e, consequentemente, fazer constar que foi negado provimento ao Recurso Voluntário. 2) Alternativamente a isso, posso conjeturar que a parte expositiva não representa o que realmente tenha ocorrido na sessão de julgamento. Para isso, vislumbro situação em que a maioria dos conselheiros não tenha reconhecido a matéria, por preclusão, mas os 3 (três) conselheiros vencidos (Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Livia De Carli Germano) teriam votado pelo reconhecimento de ofício da matéria e, por hipótese, em um segundo momento, votariam por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a necessidade de se emitir um Ato Declaratório de Exclusão do Simples para cada anocalendário. Nessa segunda hipótese, a parte expositiva deveria ser alterada para fazer constar que o erro na base de cálculo de 2009 foi matéria não conhecida pela turma, por maioria de votos. Omissão alegação de ilegalidade na apuração do Pis e da Cofins Quanto ao segundo ponto levantado, alega a Embargante que o voto condutor do Acórdão recorrido é omisso em relação à alegada tributação monofásica do PIS e da COFINS que possuiriam incidência concentrada em etapas anteriores, ou então alíquota zero. Repisese que tal argumento apenas surgiu por ocasião do Recurso Voluntário, ou seja, não houve a discussão sobre as alegadas operações por ocasião da Impugnação e do Acórdão proferido pela DRJ. Embora esteja disposto no título que trata do erro na apuração da base de cálculo de 2009, a decisão recorrida mencionou, ainda que de forma tangencial, que “eventuais erros na apuração da base de cálculo de tributos obviamente não se constituem matérias de ordem pública, razão pela qual alegações inovadoras dessa natureza não podem ser conhecidas por este colegiado, por se tratar de matéria preclusa”. Ou seja, o novo argumento em relação ao PIS e à COFINS, por terem sido argumentados apenas por ocasião do Recurso Voluntário, estariam abrangidos pela preclusão nos termos do voto vencedor. Além disso, na parte expositiva, há menção ao não reconhecimento de determinada matéria, por unanimidade de votos, que entendo contemplar a matéria aqui trazida. Fl. 5473DF CARF MF Processo nº 19515.721027/201391 Acórdão n.º 1401001.781 S1C4T1 Fl. 5.471 7 Nesse sentido, posso concluir que a proposta do Relator de não reconhecimento da matéria aqui discutida foi acompanhada por todos os demais conselheiros, apesar de não constar no voto de forma mais aclarada. Não obstante, como medida de oportunizar às partes do processo administrativo fiscal informação substancial, entendo que deverá constar no Acórdão recorrido que, por unanimidade de votos, a matéria aqui discutida não foi conhecida por estar preclusa. Julgamento dos Embargos Levado a julgamento na sessão de 14/02/2017, a turma afirmou, quanto à "Contradição erro na base de cálculo de 2009", que a situação 2 acima é a que foi votada na sessão de 09 de dezembro de 2015 (Acórdão nº 1401001.439), que julgou o Recurso Voluntário da outrora Recorrente. Repetindo, a maioria dos conselheiros da turma entendeu que a matéria que trata da necessidade de se emitir um Ato Declaratório de Exclusão do Simples para cada ano calendário, que foi trazida somente no Recurso Voluntário, não deveria ser reconhecida, por preclusão. Na ocasião do julgamento do Acórdão, foram vencidos os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Livia De Carli Germano, que votaram pelo reconhecimento de ofício da matéria. Desta forma, a parte expositiva do Acórdão foi contraditória, devendo ser corrigida. Quanto à "Omissão alegação de ilegalidade na apuração do Pis e da Cofins", a turma afirmou que, na sessão de 09 de dezembro de 2015 (Acórdão nº 1401 001.439) ficou decidido, por unanimidade de votos, que a matéria trazida somente no Recurso Voluntário não merecia ser reconhecida, por preclusão. Dessa maneira, devese alterar a parte expositiva do voto, fazendo constar que ambas as matérias discutidas aqui nestes Embargos não foram reconhecidas pela turma, sendo uma por maioria de votos (Contradição erro na base de cálculo de 2009) e a outra por unanimidade de votos (Omissão alegação de ilegalidade na apuração do Pis e da Cofins). Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos declaratórios para rerratificar o Acórdão embargado, SEM EFEITOS INFRINGENTES, apenas alterando a parte dispositiva para espelhar adequadamente o que ficou decidido na sessão de dezembro de 2015, nos termos do voto do relator. Assim, proponho a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto ao arbitramento em relação à alegação de falta de Ato Declaratório de Exclusão para o ano de 2009 (erro na base de cálculo de 2009), por preclusão. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Livia De Carli Germano, por entenderem que a matéria deveria ser reconhecida de ofício. Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto à Fl. 5474DF CARF MF 8 alegação de ilegalidade na apuração do PIS e COFINS, por preclusão, e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos. (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 5475DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004385/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.843
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente Resolução.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 333/343, lavrado em 28/12/2007, com ciência da contribuinte na mesma data, totalizando o crédito tributário de R$ 5.748.544,40. Segundo a descrição dos fatos de fls. 335/343 e o termo de verificação fiscal de fls. 316/322, no período de janeiro a dezembro de 2002, houve falta de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e alíquota menor do imposto. Foram constatadas as seguintes irregularidades: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 38 5/ 20 07 -9 7 Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.843 S3C2T1 Fl. 3 2 1. Os produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso tiveram sua alíquota de IPI alterada de 5% para 10% pelo Decreto nº 4.070 de 28/12/2001, porém, a empresa efetuou a mudança de alíquota nas saídas dos produtos somente a partir de 01/02/2002, o que gerou falta de lançamento de IPI durante o mês de janeiro de 2002; 2. A contribuinte, no período de janeiro a dezembro de 2002, adota classificação fiscal incorreta para os produtos Proderm Emulsão, Nutraplus Creme e Nutraplus Loção, classificados no código 3004.90.99 da TIPI, alíquota de 0%, destinada a outros medicamentos, e para os produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção, classificados no código 3004.90.26, alíquota de 0%, destinada a outros medicamentos contendo ácido láctico, seus sais ou seus ésteres, ácido diiodofenilocético, ácido fumárico, seus sais ou seus ésteres, ou fenofibrato; tais produtos caracterizamse como preparações cosméticas/cremes hidratantes, destinados aos cuidados da pele, e classificamse no código 3304.99.10, alíquota de 20%, com base da Nota 1 d) do Capítulo 30 e Nota 3 do Capítulo 33 da TIPI. Considerandose que houve insuficiência de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com alíquotas inferiores devido a erros de classificação fiscal, foi lavrado o competente auto de infração. Por já haver consulta sobre a classificação fiscal de outro produto semelhante fabricado pela própria autuada, o produto Nutraderm, que concluiu pela classificação no código 3304.99.10, a fiscalização entendeu que houve erro deliberado com o intuito de redução do tributo, o que resultou na aplicação da multa qualificada de 150%. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 346/423, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. O auto de infração é nulo for falta de motivação, já que o autuante não esclareceu o que o levou a concluir pela ausência de finalidades profilática, terapêutica ou paliativa dos produtos, que levaria a classificação fiscal para a posição 3004; tal fato impediu a impugnante de exercer plenamente o seu direito de defesa; 2. O auto de infração é nulo por vício de motivação pela inconsistência da fundamentação; 3. Os produtos Proderm, Lactrex e Nutraplus possuem as propriedades profiláticas e curativas que atendem a definição de medicamento estabelecida pelo art. 4º, inciso II, da Lei nº 5.991/73; 4. A ANVISA reconheceu que o produto Proderm Emulsão possui finalidades profiláticas ou terapêuticas, certificando, em 24/04/1985, que deve ser considerado um medicamento e não um cosmético; além disso, de forma rotineira, a ANVISA tem classificado como medicamento produtos que possuam o triclosano, como é o caso do Proderm; 5. Apresenta Parecer de fls. 475/481 sobre o Proderm, elaborado pela Profa. Dra Maria Valéria Robles Velasco, membro da Câmara Técnica Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.843 S3C2T1 Fl. 4 3 de Cosméticos da ANVISA que conclui que o produto é um medicamento a ser classificado no Capítulo 3004 (sic) da TIPI; 6. O mesmo entendimento deve ser aplicado aos produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção conforme Resolução da ANVISA e Parecer de fls. 482/495 elaborado pela mesma Profa. Dra. Maria Valéria Robles Velasco; 7. A mesma conclusão serve para os produtos Nutraplus Creme e Nutraplus Loção de acordo com o Relatório Técnico de fls. 496/507, que considerou os produtos como medicamentos classificáveis na posição 3003.90.99; 8. Caso os produtos possam ser classificados em duas ou mais posições, deve prevalecer a posição mais específica, com prescreve a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado 3 a); 9. Classificar os produtos na posição 3304.99.90 da TIPI implica em violar o princípio da seletividade aplicável ao IPI, tributando produtos de inegável importância à alíquota de 20%; 10. Não tendo a autuada agido com dolo, operouse a decadência, com a conseqüente extinção dos créditos tributários, em conformidade com a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional; 11. Em relação à diferença de alíquota para os produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso no mês de janeiro de 2002, o lançamento também foi atingido pela decadência, e para esta parte do lançamento não há qualquer alegação de prática de fraude ou dolo pela autuada; 12. Não fica comprovado o dolo por parte da impugnante para fraudar o fisco, uma vez que a própria contribuinte forneceu todos os dados que foram utilizados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração; não havendo dolo, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador, e a multa aplicada deve ser reduzida para 75%; 13. O fisco vem acolhendo de forma tácita e expressa a classificação fiscal adotada pela impugnante há mais de cinco anos, e a mudança de critério jurídico tem que respeitar o disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional; 14. É vedado ao fisco exigir a multa e os juros de mora em razão do art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN, 15. Falece competência à Delegacia de Julgamento para alterar os fundamentos fáticos ou de direito constantes do auto de infração, sendo necessário reconhecer os vícios e anular o auto de infração. Por fim, requer que as publicações sejam realizadas em nome do advogado. O pleito foi parcialmente deferido no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1419.707 de 02/07/2008, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.843 S3C2T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 a 20/12/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte impugnar todas razões de fato e de direito elencadas no auto de infração. DECADÊNCIA. Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODERM EMULSÃO. O Proderm Emulsão, produto hidratante para evitar a irritação da pele do bebê, caracterizase como preparação para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificandose no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NUTRAPLUS CREME E NUTRAPLUS LOÇÃO. Os produtos Nutraplus Creme e Nutraplus Loção, hidratantes indicados para peles ásperas e secas, caracterizamse como preparações para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificandose no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LACTREX CREME E LACTREX LOÇÃO. Os produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção, hidratantes indicados para peles ásperas e secas, caracterizamse como preparações para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificandose no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. MULTA DE 150%. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo motivação expressa para a multa por infração qualificada, infligese a multa de 75% pela mera falta de lançamento ou recolhimento. Lançamento Procedente em Parte Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.843 S3C2T1 Fl. 6 5 Referida decisão afastou a aplicação da multa qualificada e apresenta recurso de ofício nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Submetido à neste Colegiado, no enfrentamento de preliminar de decadência suscitada pela recorrente, o processo foi convertido EM DILIGÊNCIA, através da Resolução de n° 3201000.681, de 28/04/2016 (fls. 1.03/1.035), nos termos abaixo: A Recorrente alega extinto, pela decadência, o direito do Fisco. No caso em exame, os períodos de apuração do imposto vão de janeiro a dezembro de 2002. Tratase de IPI lançado em face da saída, do estabelecimento industrial, de produtos fabricados e comercializados pela Recorrente com alíquota inferior às devidas. Segundo a própria fiscalização consignou no Termo de Verificação Fiscal, houve lançamento do IPI quanto aos produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso, mas não se atestou se houve recolhimentos do imposto nos períodos de apuração mencionados. Esse dado, como se sabe, é fundamental para o deslinde da questão. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem ateste se houve recolhimentos de IPI nos períodos de apuração a que se referem os autos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Realizada a diligência, a Unidade de Origem emitiu o Relatório (fls. 1.109/1.111) inserindo o resultado da consulta obtida nos sistemas informatizados da RFB, com a identificação dos recolhimentos de IPI, no período de apuração relativo ao ano de 2002, com os extratos de pagamento individualizados (fls. 1.037/1.108). Cientificada da diligência, a contribuinte veio aos autos e aduziu restar comprovado a existência de pagamentos integrais relativos ao IPI nos períodos de apuração objeto de autuação fiscal. Por oportuno, ratificou seu pedido de reconhecimento de decadência do crédito tributário relativo ao período de 10/01/2002 a 20/12/2002, com fundamento no art.150, § 4º, do CTN. O conselheiro Relator original do Processo encontrase temporária e justificadamente ausente deste Colegiado, cabendo a mim, em razão de novo sorteio, a Relatoria para prosseguimento do julgamento. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.843 S3C2T1 Fl. 7 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator A diligência realizada não exauriu totalmente seu objeto, qual seja, a informação de existência ou não de pagamentos antecipados de IPI em todos os decênios em que houvera lançamento do imposto. Evidenciado no julgamento em que se converteu em diligência a imprescindibilidade de tal informação para o deslinde da questão, entendo como necessário o enfrentamento dessa matéria (pagamentos antecipados) antes de julgar a preliminar e o recurso de ofício. A recorrente defende que na data da ciência do auto de infração (28/12/2007) já teria decaído o direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 28/12/2002. O lançamento referese ao período de apuração entre 01/01/2002 e 20/12/2002. Fundamenta seus argumentos na inexistência de ação com dolo, fraude ou simulação, como reconheceu o julgamento de 1ª instância, o que acarreta a aplicação do § 4º, do art. 150 do CTN para a contagem do prazo de decadência, para todos os valores lançados. Em breve apanhado há de se analisar a decadência como fato extintivo do direito do Fisco lançar, ainda que este Colegiado não venha decidila neste momento. Regra geral, a decadência do direito do fisco lançar, nos casos de lançamento por homologação, é contado a partir da data do pagamento, ainda que parcial, ao qual o contribuinte está obrigado nesta modalidade segundo o preceito do art. 150, § 4º do CTN. A exceção, que implica a aplicação da regra estabelecida no art. 173, I, faz deslocar o prazo inicial de decadência para o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia o fisco lançar. Operase diante de duas situações fáticas: (i) a inexistência absoluta da antecipação do pagamento (nada fora pago), e (ii) a prática pelo contribuinte de dolo, fraude ou simulação da qual resulte o desconhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador. As duas situações são independentes, porém, passíveis de ocorrerem simultaneamente. A eventual prática de dolo, fraude ou simulação, que acarretaria a aplicação da regra estabelecido no art. 173, I, foi afastada no julgamento a quo. Resta, portanto, a verificação da outra condição, qual seja, a existência de pagamento, ainda que parcial, relativamente aos fatos que ensejaram lançamento de ofício. Tal verificação motivou o Colegiado, na sessão de 28/04/2016, a converter o julgamento em diligência para a Unidade da RFB atestar a existência de recolhimento do IPI nos períodos de apuração a que se referem os autos. A sistemática de apuração do IPI permite que seja considerado pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.843 S3C2T1 Fl. 8 7 saldo a recolher". É o que prescreve o art 111, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 1998 (Decreto nº 2.637/1998), vigente à época, in verbis: Art. 111. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 190 e 191 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 966, art. 150 e § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. No relatório elaborado pela Delegacia da RFB constam informações (fls. 1.109/1.111), e extratos de DARF (1.037/1.108), que foram identificados recolhimentos de IPI, relativos a alguns períodos decendiais de apuração no ano de 2002, sob os códigos de receita 1097 (que à época correspondia ao IPI de todos os produtos, exceto automóveis, bebidas e alguns tipos de cigarro) e 1038 (correspondente à importação de bens e produtos). Somente o código 1097 referese ao imposto sobre produtos industrializados no estabelecimento da contribuinte; este, portanto, será objeto de análise. A Ficha 22 Apuração do Saldo do IPI da DIPJ/2003 (fls. 87/88) traz consignado a apuração do IPI, em cada um dos três decênios, nos meses do ano de 2002. A verificação quanto à existência ou não de pagamento (efetivo) fazse por meio do confronto do saldo do IPI (Ficha 22 da DIPJ), apurado por período (decênio), com o respectivo recolhimento que consta do Relatório de diligência no código 1097, na hipótese de saldo devedor. De outro modo, a apuração de saldo credor em algum período será considerada pagamento, por aplicação do art. 111, parágrafo único, inciso III do RIPI/98. A tabela construída apresenta em suas colunas o saldo decendial apurado (devedor ou credor), pagamento no código 1097, se houver, na hipótese de saldo devedor apurado e os valores lançados de ofício. Decênio Período apuração Saldo apurado devedor credor Pagamento Data arrecadação Lançamento produtos A Lançamentos produtos B 1º /Jan_2002 10/01/2002 11.997,23 credor sd credor 336,46 2º /Jan_2002 20/01/2002 13.707,09 credor sd credor 730,72 3.431,90 3º /Jan_2002 31/01/2002 71.078,47 devedor 71.078,47 08/02/2002 3.301,68 44.302,38 1º /Fev_2002 10/02/2002 9.040,47 credor sd credor 4.552,97 2º /Fev_2002 20/02/2002 26.751,15 devedor 26.751,15 28/02/2002 17.516,32 3º /Fev_2002 28/02/2002 76.150,52 devedor 76.150,52 08/03/2002 66.914,37 1º /Mar_2002 10/03/2002 8.694,74 devedor 8.694,74 20/03/2002 6.618,72 2.821,30 2º /Mar_2002 20/03/2002 42.633,81 devedor 39.812,51 28/03/2002 40.879,58 3º /Mar_2002 31/03/2002 97.711,73 devedor 97.711,73 10/04/2002 69.663,37 1º /Abr_2002 10/04/2002 7.496,22 credor sd credor 20.114,76 Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.843 S3C2T1 Fl. 9 8 Decênio Período apuração Saldo apurado devedor credor Pagamento Data arrecadação Lançamento produtos A Lançamentos produtos B 2º /Abr_2002 20/04/2002 23.121,75 devedor zero 43.362,97 3º /Abr_2002 30/04/2002 80.394,88 devedor 80.394,88 10/05/2002 80.419,96 1º /Maio_2002 10/05/2002 28.083,24 devedor 28.083,24 20/05/2002 34.013,77 2º /Maio_2002 20/05/2002 35.055,25 devedor 35.055,25 31/05/2002 44.446,23 3º /Maio_2002 31/05/2001 102.931,19 devedor 102.931,19 10/06/2002 93.377,25 1º /Jun_2002 10/06/2002 29.467,64 devedor 29.467,64 20/06/2002 55.350,45 2º /Jun_2002 20/06/2002 52.798,68 devedor 52.798,68 28/06/2002 57.191,20 3º /Jun_2002 30/06/2002 135.148,50 devedor 135.148,50 10/07/2002 110.108,58 1º /Jul_2002 10/07/2002 192,25 devedor 192,25 19/07/2002 18.111,96 2º /Jul_2002 20/07/2002 124.141,67 devedor 124.141,67 31/07/2002 70.185,71 3º /Jul_2002 31/07/2002 166.205,91 devedor 166.205,91 09/08/2002 70.626,29 1º /Ago_2002 10/08/2002 44.221,33 devedor 44.221,33 20/08/2002 33.682,09 2º /Ago_2002 20/08/2002 80.681,43 devedor 80.681,43 30/08/2002 37.227,31 3º /Ago_2002 31/08/2002 164.554,82 devedor 164.554,82 10/09/2002 76.087,44 1º /Set_2002 10/09/2002 44.029,97 devedor 44.029,97 20/09/2002 37.765,00 2º /Set_2002 20/09/2002 91.996,54 devedor 91.996,54 30/09/2002 72.559,01 3º /Set_2002 30/09/2002 118.852,52 devedor 118.852,52 10/10/2002 53.707,54 1º /Out_2002 10/10/2002 51.672,37 devedor 51.672,37 18/10/2002 34.966,91 2º /Out_2002 20/10/2002 86.124,65 devedor 86.124,55 31/10/2002 37.923,07 3º /Out_2002 31/10/2002 145.287,34 devedor 145.287,34 08/11/2002 69.050,23 1º /Nov_2002 10/11/2002 113.674,55 devedor 113.674,55 20/11/2002 58.954,63 2º /Nov_2002 20/11/2002 225.669,00 devedor 225.669,00 29/11/2002 50.168,96 3º /Nov_2002 30/11/2002 51.756,48 devedor 51.756,48 10/12/2002 83.396,96 1º /Dez_2002 10/12/2002 102.243,76 devedor 102.243,76 20/12/2002 61.442,30 2º /Dez_2002 20/12/2002 152.718,00 devedor 152.718,00 30/12/2002 49.560,89 3º /Dez_2002 31/12/2002 433,43 devedor 433,43 10/01/2003 1.708.017,89 Produtos A Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso Produtos B Proderm Emulsão, Nutraplus Creme, Nutraplus ou Mutraplus Loção, Lactex Loção e Lactex Creme Analisando o quadro constatase a inexistência de pagamento no 2º decênio de abril/2002, apuração em 20/04/2002, que apresentou saldo devedor no valor de R$ 23.121,75. Tal se deve em razão do Relatório de diligência não indicar pagamento no período, corroborado pela ausência do "extrato de pagamento" extraídos dos sistemas informatizados da RFB. Contudo, tal constatação revelase precária. A recorrente apresentou cópias dos DARFs de pagamento do IPI nos periodos decendiais de 2002 (fls. 977/1.002) juntamente com seu recurso voluntário em 18/09/2009 (fl. 837) e, dentre eles, se encontra o referente ao 2º decênio de abril de 2002, no valor de R$ 23.121,75, recolhido em 30/04/2002, segundo sua autenticação mecânica, conforme cópia da imagem: Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.843 S3C2T1 Fl. 10 9 Assim, em homenagem ao princípio da verdade material resta indispensável a confirmação do recolhimento do valor apontado no DARF nos sistemas de pagamento da RFB. Ante todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em nova diligência para que a Unidade de Origem: 1. Realize os procedimentos destinados a confirmar o pagamento consignado no DARF em referência, nos termos da legislação vigente, em especial da Portaria CODAC nº 89, de 19/07/2013, inclusive com as providências de que trata o art. 8º na hipótese da necessária verificação física da via original do DARF, precedida da intimação ao contribuinte para sua apresentação; 2. Concluída a diligência, elabore relatório acompanhado dos documentos que confirmem ou não o pagamento; 3. Cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, exclusivamente em relação ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 1144DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.003494/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2003
TEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO.
Comprovada a tempestividade da impugnação, os autos devem retornar ao órgão julgador de primeira instância, para prosseguimento do julgamento.
Numero da decisão: 1803-001.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de intempestividade, devendo os autos retornarem à Delegacia de Julgamento a fim de ser conhecida a impugnação.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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IMPUGNAÇÃO. Comprovada a tempestividade da impugnação, os autos devem retornar ao órgão julgador de primeira instância, para prosseguimento do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de intempestividade, devendo os autos retornarem à Delegacia de Julgamento a fim de ser conhecida a impugnação. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 579DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13603.003494/200711 Acórdão n.º 180301.076 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra a empresa anteriormente identificada foram lavrados os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de fls. 03/08 e 09/12, nos montantes totais de R$ 87.400,32 e R$ 35.402,88, respectivamente. Os lançamentos decorreram da constatação de omissão de receitas operacionais, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/20. Cientificada nos próprios Autos de Infração em 17/10/2007, fls. 03 e 09, a empresa apresentou impugnação de fls.420/430, acompanhada da documentação de fls.431/511, com carimbo de recepção datado de 19 de novembro de 2007, fls. 420. Preliminarmente, sobre a tempestividade da impugnação, a autuada diz: "Recebido o auto de infração em 17 de outubro passado, iniciou se o prazo em 18 de outubro, terminando no dia 16 de novembro, sextafeira e recesso do expediente neste Órgão, portanto sendo prorrogado automaticamente ao próximo dia útil, dia 19 de novembro, segunda feira. Assim, apresentada esta impugnação hoje, dia 14 de novembro, é ela absolutamente tempestiva, à luz do art. 5°, caput e seu parágrafo único do Decreto 70.235172. " No mérito a impugnante alega que não se enquadra em nenhuma das hipóteses de exclusão do Simples e que erro na apresentação da DIPJ/2004 não é suficiente para justificar a exclusão do contribuinte do sistema simplificado de tributação. Conforme Despacho de fls. 514/515, o processo retornou à Repartição de origem para que fosse confirmada ou não a afirmação contida na defesa transcrita acima de que houve recesso no dia 16 de novembro de 2007 no órgão de origem do processo. Foi solicitado que se desse ciência à empresa do Despacho e da resposta da unidade, reabrindose prazo para sua manifestação. Às fls. 516, consta a Comunicação 32/2009/ARF/BET da titular da Repartição de origem do processo para a interessada, encaminhando o Despacho citado no parágrafo anterior e esclarecendo que o dia 16 de novembro foi dia de expediente normal. Fl. 580DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13603.003494/200711 Acórdão n.º 180301.076 S1TE03 Fl. 3 3 Enviada a Comunicação em questão para o endereço da pessoa jurídica, a correspondência retornou com a informação de destinatário desconhecido, fls. 517 — verso. Providenciouse intimação por edital, fls 518. Sem que houvesse manifestação por parte da contribuinte dentro do prazo legal, o processo retornou para esta Delegacia de Julgamento.” A Delegacia de Julgamento não conheceu da impugnação, com base nos seguintes fundamentos: a) Alegou que o prazo findaria em 16 de novembro de 2007, uma sextafeira, mas como teria havido recesso na Repartição, o prazo final teria sido transferido para o dia 19 de novembro, uma segunda feira. Embora tenha dito que estaria entregando a impugnação dia 14 de novembro, na realidade a entrega foi feita no dia 19 do mesmo mês, como dito acima. b) A ciência, como visto, foi em 17/10/2007, uma quartafeira. O termo de início da contagem do prazo foi o dia 18 seguinte, uma quintafeira. Assim, o 30° (trigésimo) dia, o prazo final, ocorreu em 16 de novembro, uma sextafeira, dia de expediente normal na repartição. c) A Portaria do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão n° 740, de 27 de dezembro de 2006, que divulgou os dias de feriado nacional e de ponto facultativo no ano de 2007, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, não previu nem feriado nem ponto facultativo para o dia 16 de novembro de 2007. d) Da mesma forma, conforme esclarecido no Despacho de fls. 516, a legislação do município da Repartição de origem também não estabeleceu feriado nem ponto facultativo para o dia 16/11/2007. Foi dia de expediente normal na Agência da Receita Federal do Brasil em Betim. A Manifestação de Inconformidade só foi entregue no dia 19 de novembro, uma segundafeira, portanto intempestiva. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A Comunicação n° 32/2009/ARF/BET, dando ciência à empresa do despacho de fls. 515/516 foi enviada para o endereço Av. Edmeia Mattos Lazzarotti, 1.655 — Loja 187 — Bairro Angola — Betim — MG CEP: 32632090, que nunca pertenceu ao contribuinte. b) Requer com fundamentos no art. 59, II do Decreto 70235/72, a nulidade da intimação contida nessa comunicação, bem como dos demais atos realizados posteriormente e, por conseqüência, reabrindose o prazo de 30 (trinta) dias disponibilizado naquela oportunidade a então Impugnante, devolvendose toda a matéria à Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Belo Horizonte/MG para sua apreciação, sob pena Fl. 581DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13603.003494/200711 Acórdão n.º 180301.076 S1TE03 Fl. 4 4 de restar configurada a supressão de instância e consequente cerceamento do amplo direito de defesa do contribuinte. c) É indiscutível ainda a nulidade do Edital no 044/2008, afixado em 29.09.2009, que procedeu à malfadada comunicação por força do mesmo artigo 59 do Decreto 70235172, que torna mulo todo e qualquer ato, daquele em diante. Inclusive, digase de passagem, o Edital acima se referiu à Comunicação 23/2009/ARF/BET, constituindo mais um equívoco por parte da Administração Pública que diretamente prejudica a defesa do contribuinte, sendo mais um motivo para ser anulado. d) No mérito, reitera as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 06/04/2010 (AR de fls. 524). O recurso foi protocolado em 05/05/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Não há como negar as afirmações da recorrente sobre a invalidade da intimação por edital. Conforme listagem abaixo, verificase que praticamente todos os atos foram realizados no endereço Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu: • Termo de intimação fiscal por via postal – AR com recebimento em 22/05/2007. Endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 35). • Termo de intimação fiscal por via postal – AR com recebimento em 29/06/2007. Endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 38). • Termo de intimação fiscal por via postal – AR com recebimento em 02/07/2007. Endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 41). • Termo de intimação fiscal por via postal – AR com recebimento em 26/07/2007. Endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 44). • Termo de intimação fiscal por via postal – AR com recebimento em 16/08/2007. Endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 47). • Ciência pessoal do auto de infração – 17/10/2007. Endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 9). • Tela dos sistemas da RFB. Endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 48/53). Fl. 582DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13603.003494/200711 Acórdão n.º 180301.076 S1TE03 Fl. 5 5 • Contrato social. Claúsula segunda endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 438). • Ciência da decisão recorrida por via postal – AR com recebimento em 06/04/2010. Endereço da contribuinte: Rua Limoeiro, 556 – Bairro Imbiruçu (fls. 524) O único ato em que consta o endereço Av. Edmeia Mattos Lazzarotti, 1.655 Loja 187 – Bairro Angola, é o da intimação do Despacho n° 162, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte — MG (fls. 516/518). A correspondência foi devolvida com o campo “desconhecido” assinalado. A intimação por edital só pode ser efetuada quando resultar improfícuo um dos meios indicados no art. 23, in verbis: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Redação do inciso III e das letras dada pelo art. 113 da Lei nº 11.196/2005). § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.” Se a intimação por via postal foi enviada a endereço equivocado, não é válida a intimação por edital, sendo integralmente procedentes as alegações da recorrente. A invalidade da intimação por edital para manifestação sobre diligência solicitada pelo órgão julgador de primeira instância constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72. A decisão poderia ser no sentido de anular a decisão de primeira instância. No entanto, há um outro aspecto que merece ser analisado. Fl. 583DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13603.003494/200711 Acórdão n.º 180301.076 S1TE03 Fl. 6 6 A Delegacia de Julgamento não conheceu da impugnação por julgála intempestiva: “A Portaria do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão n° 740, de 27 de dezembro de 2006, que divulgou os dias de feriado nacional e de ponto facultativo no ano de 2007, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, não previu nem feriado nem ponto facultativo para o dia 16 de novembro de 2007. Da mesma forma, conforme esclarecido no Despacho de fls. 516, a legislação do município da Repartição de origem também não estabeleceu feriado nem ponto facultativo para o dia 16/11/2007. Foi dia de expediente normal na Agência da Receita Federal do Brasil em Betim.” Houve equívoco da repartição de origem ao afirmar que não havia sido estabelecido ponto facultativo no dia 16/11/2007. A Portaria n° 669/2007, considerou, excepcionalmente, o dia 16 de novembro de 2007, como ponto facultativo no âmbito da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, alusivo à comemoracão do Dia do Servidor Público federal. Assim, a impugnação foi tempestiva, devendo ser reformada a decisão de primeira instância. O § 3° do art. 59, do Decreto n° 70.235/1972 assim dispõe: “Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Em que pese, a questão a ser decidida a favor do sujeito passivo ainda não seja uma questão de mérito, é inegável que a decisão recorrida merece ser reformada quanto a questão da tempestividade. Em outras palavras, deve ser dado provimento ao recurso quanto à preliminar de tempestividade da impugnação. A decisão recorrida analisou a questão, e por isto não pode ser anulada. No entanto, deve ser reformada. Ante todo o exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de intempestividade, devendo os autos retornarem à Delegacia de Julgamento a fim de ser conhecida a impugnação. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 584DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13603.003494/200711 Acórdão n.º 180301.076 S1TE03 Fl. 7 7 Fl. 585DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900299/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.299
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
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COMPENSAÇÃO. Recorrente AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 02 99 /2 00 9- 61 Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10675.900299/200961 Acórdão n.º 3401003.299 S3C4T1 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida das contribuições (Cofins e PIS) sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.104, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.296, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/200972, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.296): "Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: 'Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10675.900299/200961 Acórdão n.º 3401003.299 S3C4T1 Fl. 4 3 Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que 'procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.' Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10675.900299/200961 Acórdão n.º 3401003.299 S3C4T1 Fl. 5 4 Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que a informação fiscal coligida nestes autos (fls. 1233/1234), da mesma forma que no caso do paradigma, também atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica se igualmente aos processos do PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 1245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000034/2010-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.
A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a exigência relativa à sub-rogação da produção rural e determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento e o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial em menor extensão. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a exigência relativa à subrogação da produção rural e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 00 34 /2 01 0- 79 Fl. 236DF CARF MF 2 determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento e o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial em menor extensão. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase do Debcad nº 37.219.3374, por meio do qual são exigidas contribuições previdenciárias devidas a Terceiros, incidentes sobre a folha de pagamento, bem como as devidas ao SENAR, incidentes sobre a aquisição de produtores rurais pessoas físicas. Em sessão plenária de 14/08/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403002.235 (fls. 179 a 194), assim ementado: "Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. É devida a contribuição ao INCRA, inclusive pelas empresas urbanas, em razão do julgamento do REsp 977.058, submetido a sistemática do art. 543C do CPC, a qual vincula a sua aplicação por este Conselho, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário nº 363.852, face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei nº. 8.212/91combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991, cujo inconstitucionalidade foi reconhecida em decisão plenária do Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 9202005.320 CSRFT2 Fl. 237 3 STF, razão pela qual não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4 MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da autuação as verbas referentes à aquisição de produção rural de pessoas físicas assim como determinar o recálculo da multa de mora, conforme art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa." O processo foi encaminhado à PGFN em 14/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 195). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 28/11/2013, o que foi feito em 26/11/2013 (fls. 196 a 217), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 218. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir as seguintes matérias: aplicabilidade do artigo 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 18/08/2014 (fls. 220 a 225). Relativamente à primeira matéria, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: da análise da ementa do julgado é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição, à luz do art. 195, § 4º, da Constituição; Fl. 238DF CARF MF 4 nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, § 4º, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC nº 20/1998), uma vez que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei nº 8.540/92; sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária; aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional nº 20 de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195; portanto, como a Lei nº 8.540, de1992, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212, de 1991, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição tudo na forma do pedido inicial (...)"; o fundamento jurídico adotado pelo acórdão citado como basilar da decisão ora hostilizada demonstra, às escâncaras, que apenas foi abordada no julgamento a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 conferida pela Lei nº 8.540, de 1992; noutros termos, a Lei nº 8.540, editada em 1992, alterou o artigo 25 da Lei nº 8.212/91; o dispositivo modificou a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural; apenas essa lei Lei nº 8.540, de 1992 foi objeto da decisão proferida no RE nº 596.177/RS, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade; ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição; portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física; com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício; nesse sentido, acerca do tema há o recente posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007.70.03.0049589/PR, que Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 9202005.320 CSRFT2 Fl. 238 5 declarou a constitucionalidade dessa norma e, consequentemente, a constitucionalidade da cobrança da contribuição rural após 2001: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. 1 A jurisprudência é uníssona no sentido de reconhecer a legitimidade ativa ad causam da empresa adquirente/consumidora/consignatária e da cooperativa para discutir a legalidade da contribuição para o Funrural. 2 O substituto tributário carece de legitimidade para compensar ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele suportado. 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." logo, nesse ponto da subrogação, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256/2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; dessa forma, não foi declarada a inconstitucionalidade da subrogação após a edição da lei nova (Lei nº 10.256/2001) a que se referiu o Relator em seu pronunciamento constante do acórdão a que faz referência a decisão hostilizada (RE nº 363.852/MG); como é possível perceber da leitura do citado acórdão proferido pela Suprema Corte, a subrogação em si mesma considerada não foi declarada inconstitucional; o referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei nº 10.256/2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional; vejase que, no RE nº 363.852/MG, o Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da vigência das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97 sob a égide (após) da Emenda Constitucional nº 20/98, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário; Fl. 240DF CARF MF 6 a Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a redação dada pelas leis ordinárias posteriores à Emenda Constitucional nº 20/98 porque estas também não integravam o objeto processual delimitado na petição inicial, dentre as quais se insere a Lei nº 10.256/2001 que fundamentou o lançamento; logo, invocado o art. 62, inciso I, do RICARF, era e é nesses precisos limites nos quais deveria gizarse o julgado ora hostilizado; nesse teor, vejase que a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, já sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, já decidiu sobre os estreitos limites do controle de constitucionalidade efetivado na via incidental: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003. REGIME DA CUMULATIVIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DECISÃO DO STF. REVOGAÇÃO EXPRESSA DO ART. 3º, § 1º, LEI N° 9.718/98 PELA LEI N° 11.941, de 28/05/2009. Não promulgada ainda resolução do Senado Federal estendendo a todos os contribuintes os efeitos de decisão do STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições, é de se aplicar a lei ainda em vigor à época da ocorrência dos períodos de apuração, qual seja, de que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, alegada a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de profissão regulamentada. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte.” (acórdão nº 340100387, processo administrativo nº 10580.011972/200351). delineado esse contexto, no qual ainda não superada a divergência jurídica na seara judicial, uma vez que a União vem defendendo a possibilidade e a constitucionalidade do instituto da subrogação diante do advento da Lei nº 10.256/2001, mesmo após o RE nº 363.852/MG, o que inclusive já foi acatado por diversos órgãos julgadores do Poder Judiciário, como é o caso do TRF da 4ª Região, não poderia o Colegiado valerse do disposto no art. 62, inciso I, do Ricarf; registrese que não se olvida a existência de repercussão geral sobre o tema, Recurso Extraordinário nº 596.177, porém não há no Ricarf qualquer norma que autorize o Colegiado, mediante dedução, presunção, ilação ou interpretação a entender pela inconstitucionalidade desta ou daquela norma, esse mister cabe ao Poder Judiciário; Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 9202005.320 CSRFT2 Fl. 239 7 como se vê, nada a agasalhar o entendimento ventilado na decisão recorrida que estribou seu posicionamento no art. 62, inciso I, do Ricarf e não utilizou o entendimento ventilado no acórdão proferido pelo STF no RE nº 363.852/MG como mero subsídio; assim, ainda que se valendo do disposto no art. 62A do Ricarf, o CARF deve aterse aos estritos limites objetivos da demanda, não sendo lícito fazer ilações para, mediante interpretação extensiva, alcançar situações não previstas, não alijadas pela pecha de inconstitucionalidade e assim declaradas pelo Poder incumbido pela Constituição Federal de tal mister; tal situação se revela ainda de maior gravidade quando se constata que a decisão utilizada como parâmetro de referência foi tomada em controle incidental de constitucionalidade, com efeitos inter partes, portanto, antes da edição de Resolução pelo Senado Federal; logo, por todas as razões acima expostas, impõese a reforma do aresto, de forma a restabelecer a decisão de primeira instância, mantendose o lançamento em sua integralidade. Quanto à segunda matéria arguida aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 a Fazenda Nacional pede que, ao invés de aplicarse o art. 35, caput da Lei nº 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, da mesma lei, que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento de seu recurso. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (informação de fls. 233/234). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase do Debcad nº 37.219.3374, por meio do qual são exigidas contribuições previdenciárias devidas a Terceiros, incidentes sobre a folha de pagamento, bem como as devidas ao SENAR, incidentes sobre a aquisição de produtores rurais pessoas físicas. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: aplicabilidade do artigo 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001; e Fl. 242DF CARF MF 8 aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Quanto à primeira matéria, de plano esclareçase que os valores são referentes ao período de 01/01/2007 a 31/10/2008, portanto exigidos já sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual até o momento não paira qualquer restrição acerca de sua constitucionalidade. Assim, de plano não há como sequer discutirse a suposta inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, em face de determinação expressa da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda que se pudesse discutir a constitucionalidade de dispositivo legal vigente e não declarado inconstitucional pelo STF o que se admite apenas para argumentar a decisão no RE nº 363.852/MG não deixa dúvidas acerca da impossibilidade de estenderse à Lei nº 10.256, de 2001, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98, a inconstitucionalidade declarada em relação ao art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, como se naquela assentada o Excelso Pretório tivesse condenado o instituto da substituição tributária da contribuição previdenciária do produtor agrícola de forma ampla, estendendo seus efeitos a legislação superveniente, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98. Esclareçase que no Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, discutiuse a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pelas Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, apenas quanto à sua extensão ao empregador rural pessoa física. Nesse passo, decidiuse que tal inovação não encontrava respaldo na Carta Magna, até a Emenda Constitucional 20/98. Referido precedente foi adotado em regime de repercussão geral, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa a seguir se transcreve: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Com a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, editada já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, passaram a ser devidas as contribuições sociais a cargo do Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 9202005.320 CSRFT2 Fl. 240 9 empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1%, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos assinalados no art. 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela lei superveniente. No presente caso, repitase que o período objeto da autuação encontrase integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256, de 2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, já que ela decorre diretamente da nova norma inserida no ordenamento jurídico, e não dos enunciados das Leis nºs 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997, declarados inconstitucionais pelo STF. Destarte, a exigência pela sistemática de subrogação, descrita no art. 30, IV, da Lei nº 8212, de 1991, também encontrase devidamente amparada pela legislação, já que o Supremo Tribunal Federal não se pronunciou acerca de eventual vício de inconstitucionalidade a maculála. Confirase o voto do Min. Marco Aurélio: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Com efeito, a referência ao termo “subrogação”, e ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91”, somente teve lugar na conclusão do acórdão, quando o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate. Por fim, ressaltese que a exigência das contribuições do adquirente, consumidor, consignatário ou cooperativa, foi determinada pelo inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212, de 1991, que não foi questionado ou mesmo mencionado na declaração de inconstitucionalidade proferida no RE nº 363.852/MG, permanecendo vigente e eficaz, inclusive em relação ao empregador rural pessoa física, após a publicação da Lei nº 10.256, de 2001, portanto produzindo todos os efeitos jurídicos. Corroborando o entendimento de que a inconstitucionalidade de que se trata não se estendeu à Lei nº 10.256, de 2001, como aventou o acórdão recorrido, colacionase a ementa dos Embargos de Declaração no RE n° 596.177/RS: "Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE Fl. 244DF CARF MF 10 OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: 'Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador' (fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado.' (RE 596.177 ED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 17/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe‑ 226 DIVULG 14‑ 11‑ 2013 PUBLIC 18‑ 11‑ 2013)" Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Relativamente à segunda matéria suscitada aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 9202005.320 CSRFT2 Fl. 241 11 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 246DF CARF MF 12 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 9202005.320 CSRFT2 Fl. 242 13 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 248DF CARF MF 14 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 9202005.320 CSRFT2 Fl. 243 15 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 250DF CARF MF 16 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, seguindo a jurisprudência do CARF, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, no que tange à segunda matéria, para rever a aplicação da retroatividade da multa, conforme a seguir. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para restabelecer a exigência relativa à sub rogação da produção rural e determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.906272/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 62 72 /2 01 3- 11 Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.946, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.906272/201311 Acórdão n.º 3201000.478 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000403/2003-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (DITR). APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. DECLARAÇÃO COM IMPOSTO DEVIDO. MULTA DE MORA X MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA CONCOMITANTE.
A penalidade prevista nos arts. 7º e 9º, da Lei n.º 9.393, de 1996, incide quando ocorrer à falta de apresentação de Declaração de Imposto Territorial Rural (DITR) ou a sua apresentação fora do prazo fixado. Em se tratando de lançamento formalizado segundo o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 (lançamento de ofício), sobre o montante do imposto apurado, cabe tão somente a aplicação da multa específica para lançamento de ofício. Impossibilidade da simultânea incidência de ambos os gravames.
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (DITR). APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. DECLARAÇÃO COM IMPOSTO DEVIDO.
No caso de apresentação espontânea da Declaração de Imposto Territorial Rural (DITR) fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais).
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.237
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 210.781,62, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - Multa por atraso na entrega da Declaração
Nome do relator: Nelson Mallmann
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APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. DECLARAÇÃO COM IMPOSTO DEVIDO. MULTA DE MORA X MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA CONCOMITANTE. A penalidade prevista nos arts. 7º e 9º, da Lei n.º 9.393, de 1996, incide quando ocorrer à falta de apresentação de Declaração de Imposto Territorial Rural (DITR) ou a sua apresentação fora do prazo fixado. Em se tratando de lançamento formalizado segundo o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 (lançamento de ofício), sobre o montante do imposto apurado, cabe tão somente a aplicação da multa específica para lançamento de ofício. Impossibilidade da simultânea incidência de ambos os gravames. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (DITR). APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. DECLARAÇÃO COM IMPOSTO DEVIDO. No caso de apresentação espontânea da Declaração de Imposto Territorial Rural (DITR) fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 210.781,62, nos termos do voto do Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN 2 Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 11041.000403/200340 Acórdão n.º 220201.237 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório MARIA LILÁ MACEDO MASCARENHAS, contribuinte inscrita no CPF 953.173.68049, com domicílio fiscal na cidade de Porto Alegre Estado do Rio Grande do Sul, na Rua Luciana de Abreu, nº 417 – Bairro Moinhos de Vento, jurisdicionado, para fins administrativos de ITR (NIRF 2.630.7162 – imóvel denominado fazenda Cerrito, localizado no município de Santana do Livramento RS), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santana do Livramento RS, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 68/72, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 81/82. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 01/07/2003, o Auto de Infração (fls. 05), com ciência, em 08/07/2003, conforme se constata às fls. 65, exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 17.512,00 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Multa por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 1998. Infração capitulada nos artigos 6º ao 9º, da Lei nº 9.393, de 1996. Em sua peça impugnatória de fls. 01/02, apresentada, tempestivamente, em 06/08/2003, a contribuinte se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que na data de 17/08/1999, entregamos a DECLARAÇÃO DO ITR, EXERCÍCIO 1998, protocolado na IRF de Bagé RS sob o número 10110518. A entrega do ITR/98 (DL47/DIAC) fora do prazo estabelecido, previsto na Lei 9.393/96, foi devido a não conclusão em tempo das Atividades Técnicas Agronômicas que envolveram a elaboração de Mapas topográficos, Mapas de Uso, Levantamentos Fisiográficos, Laudos, Coleta de dados para Implantação de Projeto Técnico de Exploração e o preenchimento de formulários cadastrais; que conforme o "campo 05" do Auto de infração "A entrega da declaração fora do prazo enseja aplicação da multa por atraso na entrega de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto devido, ainda que integralmente pago, ressalvado o valor mínimo de RR 50,00 fixado em lei"; que a entrega do ITR/98, fora do prazo é prevista na Lei 9.393/96. Considerando que o valor do imposto está sendo objeto de contestação, a aplicação da multa devido ao atraso de entrega de um por cento ao mês sobre o imposto que já está integralmente pago somente será possível após a apreciação da Impugnação do Auto de Infração anterior; que é este, em síntese, o ponto de discordância apontado nesta impugnação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN 4 Julgamento em Campo Grande MS decide julgar procedente o lançamento mantendo o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o prazo para entrega da declaração do ITR do Exercício 1998 inicialmente era de 21 de agosto a 21 de setembro de 1998, conforme a Instrução Normativa SRF n° 56/1998. A Instrução Normativa SRF n° 118, de 07/1011998 prorrogou para o dia 13/11/1998; que, posteriormente, por força da Instrução Normativa 136, de 20 de novembro de 1998, o prazo final para entrega da DITR, foi prorrogado para 30/11/1998; que, logo, o lançamento foi legal e corretamente efetuado, pois, a DITR/1998 foi apresentada fora do prazo legalmente previsto. O questionamento da interessada tem como principal argumento o fato da existência de impugnação objeto de defesa anterior, relativo ao Auto de Infração nº 12/1010100/387158, a qual se encontra inserida no processo 11007.001218/200216. Entretanto, aquele processo diz respeito ao ITR lançado de oficio, acrescido de multa por informação incorreta na declaração e juros de mora; ou seja, trata de outro assunto e, diferentemente do entendimento da impugnante, tem fato gerador diverso ao que aqui está se analisando, pois, enquanto aqueles autos tratam da obrigação principal, este se refere ao cumprimento, fora do prazo, de obrigação acessória; que a contribuinte, além de entregar com atraso sua declaração, objeto deste processo, as informações nela constante estavam incorretas; que o auto de infração constante do processo n° 11007.001218/200216 foi lavrado em virtude de a contribuinte ter prestado informações incorretas na DIAT do exercício de 1998, ou seja, excluiu da área tributável a área de preservação permanente, sem o Ato Declaratório Ambiental — ADA, do Ibama. De acordo com a descrição dos fatos constante daquele Auto de Infração, a contribuinte providenciou o ADA intempestivamente, ou seja, 18/08/1999; que como visto na disposição legal que trata da multa por atraso, a mesma será calculada a razão de um por cento ao mês ou fração de atraso, aplicada sobre o imposto devido, não podendo ser inferior a R$ 50,00. No Demonstrativo de Apuração da Multa, constante do Auto de Infração, a declaração foi entregue em 29/07/1999, com 08 meses de atraso, sendo calculada à razão de 8% sobre o valor lançado através do Auto de Infração (processo n° 11007.001218/200216), ou seja. R$ 218.900,61 x 8% R$ 17.512,00; que evidentemente, houvesse sido julgado parcialmente procedente o lançamento de oficio do principal, a multa aqui questionada estaria sujeita a novo cálculo com base no valor remanescente daquela autuação, ou, com base no valor apurado pela contribuinte, se julgado improcedente, ou, ainda, seria no valor mínimo de R$ 50,00, se o valor encontrado fosse inferior a esta importância. Entretanto, como o lançamento suplementar não foi modificado, por falta de documentos comprobatórios, a base de cálculo da multa em pauta é o valor do principal, corretamente apurado pela fiscalização, e, assim, correto também está o valor da multa aqui discutida. Após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 19/12/2005, o recorrente interpôs, tempestivamente (05/01/2006), o recurso voluntário de fls. 81/82, instruído pelos documentos de fls. 83/91, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 11041.000403/200340 Acórdão n.º 220201.237 S2C2T2 Fl. 3 5 Na Sessão de Julgamento de 07 de novembro de 2007 RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem para que a autoridade administrativa de origem apense este processo ao de n° 11007.001218/200216 para que sejam julgados simultaneamente, ou se já existe resultado prolatado, que se observe tal resultado na condução deste. Em 09 de junho de 2008 a Repartição de Origem cumpre o solicitado, conforme disposto na Resolução n° 3021.427 de 07/11/2007 da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, e junta as fls. 103/132 o resultado prolatado no processo 11007.001218/200216 (Acórdão 30133.319 de 19/10/2006 da 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Recurso Especial de Divergência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional de 15/03/2007 e Despacho n° 1178.132818 de 03/08/2007 da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes). É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN 6 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. A discussão restringese ao lançamento de ofício para se exigir multa por atraso na entrega da declaração do imposto sobre a propriedade territorial rural — ITR, Exercício 1998, no valor total de R$ 17.512,00, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob nº 2.630.7162 – imóvel denominado fazenda Cerrito, localizado no município de Santana do Livramento – RS. É de se ressaltar, que a multa aplicada tem como base de cálculo o ITR apurado de ofício, através do processo nº 11007.001218/200215, no valor de R$ 210.781,62, acrescido do valor do imposto apurado pelo contribuinte de RS 8.118,98, a razão de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o total do imposto apurado (218.900,60 x 0,08 = 17.512,00). Convém, ainda, esclarecer, que o processo no qual se apurou o imposto de ofício foi julgado no então Terceiro Conselho de Contribuintes, em 19/10/2006, através do Acórdão nº 30133.319, verbis: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural VER Exercício: 1998 Ementa: ITR — EXERCÍCIO 1998. — ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL — ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE — COMPROVAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR nos casos de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, teve vigência apenas a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 170 da Lei & 6.938/81, na redação do art. 1 da Lei nº 10.165/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Inconformado a recorrente apresenta o seu recurso voluntário onde alega, principalmente, que a Declaração do ITR/1998, realmente, foi entregue com atraso de 08 (onze) meses o que proporcionaria uma multa de 8 % (vinte e quatro por cento) face o estabelecido na Lei 9.393, 1996. Porém, entende, que o valor da multa, se for o caso, deve incidir sobre o valor do imposto, inicialmente, declarado e não sobre o valor do imposto lançado de ofício. Entendo, que a razão esta com a suplicante, e mesmo que não fosse argüida a questão é de ressaltar que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle interno da legalidade do lançamento e, para tanto, se faz necessário proceder a uma análise mais detalhada se está correto o lançamento da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 11041.000403/200340 Acórdão n.º 220201.237 S2C2T2 Fl. 4 7 Multa de mora por Atraso na Entrega da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, calculada na base de 1% ao mês ou fração sobre o ITR apurado de ofício. Ou seja, seria possível a incidência da multa de ofício e da multa por atraso na entrega da DITR, sobre a mesma base de cálculo apurado de ofício? Para que se faça a justiça fiscal e se mantenha a jurisprudência formada nesta turma de julgamento, deve ser excluída a multa de mora pelo atraso na entrega da DITR cobrada concomitantemente com a multa de lançamento de ofício, já que foram aplicadas, sobre o mesmo fato gerador, as seguintes penalidades: a) multa de lançamento de ofício; e b) multa de mora pelo atraso na entrega da DITR. Notase nos autos às fls. 05 e 36, que a multa de mora incidiu sobre o mesmo fato gerador da multa de lançamento de ofício, acrescido do imposto declarado pela recorrente e nos termos do artigo 7º, I, § 1º do Decreto n.º 70.235, de 1972, o primeiro ato praticado por iniciativa do fisco, formalmente cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária, exclui a espontaneidade e, consequentemente, cabível é a penalidade prevista no artigo 44, incisos, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, o Auto de Infração deverá conter entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável. A entrega do formulário utilizado para declaração do ITR, no caso em pauta, se traduz como formalidade que não gera qualquer outra conseqüência em termos de apenação do contribuinte, vez que independentemente da sua efetivação, o crédito tributário apurado de ofício seria gravado com a penalidade específica para a hipótese de lançamento de ofício. Como é sabido, a multa de mora tem natureza indenizatória, visa essencialmente recompor, ainda que parcialmente, o patrimônio do Estado pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária e a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, é uma pena de natureza tributária. A denominada multa de ofício é aplicada, de um modo geral, quando a autoridade fiscal lançadora, no exercício da atividade de controle das bases de cálculos dos impostos e contribuições, se depara com situação concreta da qual resulte falta de pagamento ou insuficiência no recolhimento do tributo devido. Vale dizer, a penalidade tem lugar quando o lançamento tributário é efetivado por haver o contribuinte deixado de cumprir a obrigação principal, e dessa omissão, voluntário ou não, resulte falta ou insuficiência no recolhimento de impostos ou contribuições devidos. Assim, quando se trata de lançamento de ofício, efetuado em razão de irregularidades constatadas pela autoridade fiscal lançadora, descabe a aplicação da multa de mora pela apresentação fora do prazo da Declaração Anual de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Urbana (DITR), prevista no artigo 8º da Lei n° 9.393, de 1996, sobre a mesma base de cálculo apurado de ofício. Não há, portanto, como prevalecer à multa de mora aplicada pelo atraso na entrega do formulário da DITR, na forma como fundamentada a exigência. Ou seja, se faz necessário a exclusão da base de cálculo da exigência da multa o valor do imposto lançado de ofício, mantendose como base de cálculo da multa, tão somente, o imposto declarado pela recorrente. Com base na Lei n° 9.393/1996 o ITR passou a ser lançado por homologação, cabendo ao contribuinte apurar o imposto, através de declaração. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN 8 Especificamente quanto à obrigatoriedade de apresentação anual da DITR (Documento de Informação e Apuração do ITR — DIAT), sua previsão consta do art. 8° dessa Lei: Art. 8° O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. A data final para a entrega da DITR, no exercício de 1998, de acordo com o artigo (mico, da Instrução Normativa SRF n° 136/1998 foi 30 de novembro daquele ano: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista ambigüidade de informações, quanto ao prazo final para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, veiculadas nos meios oficiais de divulgação da Secretaria da Receita Federal, resolve. Artigo único. A entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, relativa ao exercício de 1998, a que se refere a Instrução Normativa n° 056, de 22 de junho de 1998, poderá ser efetuada até o dia 30 de novembro de 1998. Descumprido o prazo, há penalidade cujo fundamento legal encontrase no art. 90, da Lei n°9393/1996: Art. 9° A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7°, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Para o cálculo do valor, o art. 9° faz remissão ao art. 7°, da mesma Lei: Art. 7° No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Assim, é de se excluir da base de cálculo da multa por atraso na entrega da DITR o valor do imposto lançado em concomitância com a multa de lançamento de ofício, observando que a penalidade prevista no artigo 8º, da Lei nº 9.393, de 1996, incide quando ocorrer à falta de apresentação da DITR ou a sua apresentação fora do prazo fixado, tendo por base de cálculo o imposto devido declarado. Em se tratando de lançamento formalizado segundo o disposto no artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996, cabe tão somente a aplicação da multa específica para lançamento de ofício. Impossibilidade da simultânea incidência de ambos os gravames. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 210.781,62. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 11041.000403/200340 Acórdão n.º 220201.237 S2C2T2 Fl. 5 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº. 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220201.237. Brasília/DF, 16 de junho de 2011 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 17/06/2011 por NELSON MALLMANN
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