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Numero do processo: 11020.903280/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.616
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 32 80 /2 01 2- 30 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 048.988. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 8 7 diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 9 8 § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 10 9 A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 11 10 “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 12 11 CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 13 12 declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 14 13 seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 16 15 a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 17 16 Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.004767/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Não viola direito de defesa a decisão que indefere pedido de produção de provas, demonstradas procrastinatórias.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
Não viola direito de defesa a consulta pelo relator a sistema informatizado da Receita Federal do Brasil na busca da verdade material, desde que dela não resulte agravamento da exigência, e que tenha sido regularmente intimado o sujeito passivo a se manifestar acerca dos fatos que influíram na formação da convicção.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. RECEITA BRUTA OMITIDA. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não viola a legalidade nem a vinculação necessária ao lançamento prevista no art. 142 a apuração das receitas omitidas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com base em operações por conta alheia
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. ARBITRAMENTO DA RECEITA OMITIDA.
É correto o arbitramento realizado com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo titular se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com
base em operações por conta alheia.
MULTA QUALIFICADA.
A conduta de prestar declaração de rendimentos com vultosas diferenças entre os valores declarados e apurados, sendo um dos exercícios objeto de declaração de inatividade, autoriza a exasperação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-000.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Não viola direito de defesa a decisão que indefere pedido de produção de provas, demonstradas procrastinatórias. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Não viola direito de defesa a consulta pelo relator a sistema informatizado da Receita Federal do Brasil na busca da verdade material, desde que dela não resulte agravamento da exigência, e que tenha sido regularmente intimado o sujeito passivo a se manifestar acerca dos fatos que influíram na formação da convicção. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. RECEITA BRUTA OMITIDA. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não viola a legalidade nem a vinculação necessária ao lançamento prevista no art. 142 a apuração das receitas omitidas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com base em operações por conta alheia OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. ARBITRAMENTO DA RECEITA OMITIDA. É correto o arbitramento realizado com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo titular se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com base em operações por conta alheia. MULTA QUALIFICADA. A conduta de prestar declaração de rendimentos com vultosas diferenças entre os valores declarados e apurados, sendo um dos exercícios objeto de declaração de inatividade, autoriza a exasperação da multa de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2179; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.986 1 1.985 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.004767/200715 Recurso nº 168.278 Voluntário Acórdão nº 130200.935 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2012 Matéria LUCRO ARBITRADO Recorrente LEXXON REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Não viola direito de defesa a decisão que indefere pedido de produção de provas, demonstradas procrastinatórias. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Não viola direito de defesa a consulta pelo relator a sistema informatizado da Receita Federal do Brasil na busca da verdade material, desde que dela não resulte agravamento da exigência, e que tenha sido regularmente intimado o sujeito passivo a se manifestar acerca dos fatos que influíram na formação da convicção. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. RECEITA BRUTA OMITIDA. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não viola a legalidade nem a vinculação necessária ao lançamento prevista no art. 142 a apuração das receitas omitidas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com base em operações por conta alheia OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. ARBITRAMENTO DA RECEITA OMITIDA. É correto o arbitramento realizado com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo titular se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram Fl. 2117DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.987 2 justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com base em operações por conta alheia. MULTA QUALIFICADA. A conduta de prestar declaração de rendimentos com vultosas diferenças entre os valores declarados e apurados, sendo um dos exercícios objeto de declaração de inatividade, autoriza a exasperação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Cristiane Silva Costa, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez e Márcio Rodrigo Frizzo. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2118DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.988 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/CTA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DOCUMENTOS RETIDOS PARA INSTRUIR INQUERITO E PROCESSO CRIME. Descabe o argumento de impossibilidade de defesa por terem sido retidos documentos pela polícia e integrarem processo crime, dado que aos litigantes em processo judicial ou administrativo e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, o que implica em que têm direito ao acesso às provas, bastando fazer o devido requerimento, e porque a autuada já havia requerido e obtido documentos junto ao órgão. ATIVIDADE DE REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. A execução de compra, pagamento, retirada, carregamento, venda, distribuição, cobrança das vendas e recebimento das receitas em suas próprias contas bancárias repassando a outras empresas, emissoras das notas fiscais, uma margem de lucro prefixada independente da liquidez dos títulos de cobrança emitidos ou da apuração de lucros ou prejuízos, conseqüentemente assumindo os riscos da atividade, caracterizam a atividade de revenda ou distribuição de combustíveis, mesmo a empresa não estando autorizada para tal pelo órgão competente. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Indeferese a realização de perícia requerida, quando evidentemente desnecessária e meramente procrastinatória. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 2119DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.989 4 A Lei nº 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto devido trimestralmente no decorrer do ano calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte, optante pelo lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa no qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, Cofins e CSLL. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Mantémse a multa qualificada relativa a lançamento fiscal que exige impostos e contribuições arbitrados com base em receitas omitidas, identificadas a partir de depósitos/créditos em contas bancárias de titularidade da contribuinte, cuja origem esta não consegue comprovar serem relativas a somente comissões de representação, conforme alega, e não da atividade clandestina de distribuição de álcool combustível, como se evidencia dos documentos acostados e contexto em que ocorreu a autuação, e para a qual a empresa que não tem a necessária autorização. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o processo dos autos de infração de fls. 1.492/1.555, no qual foi efetuado o arbitramento do lucro, com base legal nº art. 530, III do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), porque a contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos que compunham a sua escrituração, mesmo intimada; exigemse: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, R$ 355.529,22 devido às infrações: a. omissão de receitas de revenda de álcool etílico hidratado para fins carburantes AEHC, relativamente aos fatos geradores assinalados, sendo a base Fl. 2120DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.990 5 legal os arts. 532 e 537 do RIR de 1999, c/c o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; b. diferenças de imposto relativas a receitas declaradas como de representação comercial, sendo que, na realidade, tratamse de receitas de revenda de álcool combustível, relativamente aos mesmos fatos geradores, sendo a base legal o art. 532 do RIR de 1999 c/c o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; b) contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, R$ 245.929,93, devido às infrações: a. omissão de receitas de revenda de álcool e insuficiência de recolhimento pelo fato de a contribuição devida sobre revenda de álcool carburante ser devida com alíquotas diferenciadas, em relação ao período de 01/01/2002 a 31/12/2004, com base legal nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2º, I e 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 art. 2º, 5º, I e 6º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 21 de julho de 2000; arts. 2º, I, a e parágrafo único, 3º, 10, 22, 39 e 53, I do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; c) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, R$ 1.135.320,97, devido às infrações: a. insuficiência de recolhimento, pelo fato de a Cofins sobre revenda de álcool carburante ser devida com alíquotas diferenciadas, em relação ao período de 01/01/2002 a 31/12/2004, e em relação à omissão de receitas de revenda de álcool, com base legal nos art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000; arts. 2º, II, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 53, I do Decreto nº 4.524, de 2002; d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, R$ 181.920,83, devido às infrações: a. diferenças relativas a receitas declaradas como de representação comercial, sendo que, na realidade, tratamse de receitas de revenda de álcool combustível, relativamente aos mesmos fatos geradores, sendo a base legal os art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 19 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 29 de junho de 1999, e reedições; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; b. omissão de receitas de revenda de álcool combustível, relativamente aos fatos geradores assinalados, sendo a base legal os art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; arts. 19 e 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 6º da MP nº 1.858, de 1999, e reedições; art. 37 da Lei nº 10.637 de 2002; e) foi aplicada a multa de ofício de 150% (qualificada) do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996, sobre as exigências, porque a empresa, cadastrada como representante comercial, na realidade atuava como distribuidora de combustíveis, praticando atos lesivos ao fisco caracterizados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 2. Às fls. 1.492/1.501, o Termo de Verificação Fiscal descreve os procedimentos e detalha as infrações autuadas e, às fls.1.502/1.503, estão demonstradas as bases de cálculo dos lançamentos. Fl. 2121DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.991 6 3. Foi formalizado, em decorrência da presente autuação o processo nº 10950.004768/200751 de Representação Fiscal p/ Fins Penais IRPJ . 4. Cientificada em 27/09/2007, fls. 1.501, 1.512, 1.525, 1.537 e 1.550, a interessada apresentou, tempestivamente, em 26/10/2007, a impugnação de fls. 1.559/1599 e 1.602/1.614, por meio de seu procurador, fls. 1.616/1.617, acompanhada dos documentos de fls. 1.618/1.730. 5. Ressalta que entregou espontaneamente os extratos de movimentação bancária de sua titularidade e, intimada a esclarecer a origem dos recursos, informou que atuava na representação comercial de combustíveis e que agenciava álcool combustível vendido por inúmeras distribuidoras habilitadas no mercado, principalmente a Petrotiba Petróleo Ltda e a Camacuã Transportes de Petróleo Ltda, entre 2002 e 2004, na sua zona de atuação, conforme contratos que entregou à fiscalização onde, conforme cláusula quarta e parágrafo primeiro, cabia à autuada gerir os recursos advindos das vendas promovidas em nome das distribuidoras, executando a cobrança junto aos postos revendedores; que, como esses pagamentos eram recebidos pela autuada, também os depósitos eram realizados na conta corrente de titularidade desta, conforme expressa autorização contratual; que, para evitar dupla incidência da CPMF (dado que a margem de lucro operacional das distribuidoras é notoriamente pequena), boa parte dos valores que recebia dos postos de combustíveis era utilizada para pagar a fornecedora de álcool Usina Goioerê (que remetia o produto para as distribuidoras), mas tais pagamentos eram realizados em nome e por conta das distribuidoras representadas, com expressa autorização destas; o saldo remanescente era repassado mensalmente às distribuidoras, havendo somente a retenção das comissões a que tinha direito. 6. Em suma, afirma que a movimentação financeira da acusada decorre de vendas que agenciou e de pagamentos à usina fornecedora em nome e por conta das distribuidoras contratantes, sendo tais operações estritamente de acordo com a atividade de representação comercial, nos termos do Código Civil Brasileiro e da legislação que rege a matéria. 7. Reclama que a fiscalização concluiu que a litigante atua como distribuidora de combustível com base na identificação da empresa como Lexus Combustíveis no sistema CNPJ e com base em parte dos documentos que o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos Nurse da Secretaria de Segurança Pública do Paraná apreendeu e que foram encaminhados à RFB, para exame pela fiscalização e, em conseqüência, autuou a interessada exigindolhe impostos e contribuições devidos como distribuidora de combustíveis, aplicandolhe ainda multa qualificada, em face da presença dos requisitos inseridos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. 8. Afirma que a autuação é improcedente e pleiteia preliminarmente a nulidade ao argumento de enquadramento jurídico diverso da atividade comercial da contribuinte, carecendo de provas a classificação da empresa como distribuidora de álcool combustível em vez de representante comercial e prestadora de serviços. 9. Reclama que, ante a inexistência de escrituração regular da autuada, os fiscais não se limitaram a arbitrar a receita omitida pela empresa com base nos depósitos bancários, mas lhe imputaram atividade estranha ao seu objeto social, dessa forma alterando a base de cálculo, que eram as comissões sobre vendas intermediadas, para as receitas de vendas dos combustíveis. 10. Assevera que tal alteração é ilegal, fulcrada somente em elementos de prova circunstanciais e contrária a todas as evidências colhidas pela própria fiscalização nos autos; transcreve os arts. 532 e 537 do RIR de 1999 c/c o art. 42 da Fl. 2122DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.992 7 Lei nº 9.430, de 1996, e destaca que nenhum desses comandos autoriza a qualificação discricionária das operações e atividades da empresa autuada, portanto, sendo a atividade administrativa subordinada aos princípios da tipicidade e legalidade, o auto de infração extrapolou os limites da discricionariedade delegados ao fiscal autuante. 11. Argumenta que todos os registros da real atividade desenvolvida pela empresa, CNPJ, declarações, evidenciam a atividade de agenciamento. 12. Portanto deve ser declarada nula a autuação por falta de descrição da matéria tributável e de capitulação legal, conforme arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. 13. A par da ilegalidade, impugna também o critério de arbitramento utilizado, alegando falta de motivação e prova da atividade que lhe foi imputada, resumida pelo fiscal da seguinte forma: “elementos constantes desta Relação (Alfa) que foram numerados e rubricados pela auditoria da DRF/MaringáPr, que também os agrupou em pastas, demonstram de maneira inequívoca que a empresa em tela, de fato, funcionava como distribuidora de combustível...”, estando ausentes qualquer menção à prova ou provas que demonstrem a atividade, ou o nexo causal entre a prova e o fato imputado à contribuinte, qualquer exposição que concilie os documentos e a qualificação imputada, apesar da extensão dos documentos carreados aos autos. 14. Portanto, inequívoca a ausência de fundamentação, de descrição do fato e da indicação da disposição legal infringida e da penalidade aplicável. 15. Para respaldar seus argumentos, descreve que as atividades de distribuição e de agenciamento são muito semelhantes, portanto, a desqualificação da empresa como representante deveria ter sido precedida de todas as cautelas necessárias, dado que a tributação é completamente distinta. 16. Sobre as atividades de distribuição e de agenciamento (representação comercial), informa serem reguladas pelo art. 710 do Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e Lei nº 4.886, de 1965, caracterizandose a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada; transcreve autor que afirma que o distribuidor é comerciante autônomo negociando por sua conta e risco, que compra o produto e o comercializa com exclusividade, auferindo lucro na atividade; já o agente ou representante comercial, mesmo exclusivo, vende a mercadoria de outrem, por conta e no interesse deste, ou seja, é um representante. 17. Em resumo, o distribuidor compra e vende os bens por conta própria, ou seja, de sua própria titularidade, aufere lucro decorrente da diferença entre o preço de aquisição e o de revenda, a propriedade do bem passa do fabricante ao distribuidor e, depois, ao terceiro adquirente; o representante comercial intermedeia negócios, seu faturamento consiste na comissão (percentual) sobre o valor do negócio agenciado e vende bem de propriedade de terceiros; o representante exerce atividades atinentes à venda e a atividade pode incluir os poderes de mandato mercantil, porém não assume o risco do negócio, ocorrendo toda sua atuação em nome e por conta do representado. 18. Ressalta que, sendo o representante comercial um vendedor dos produtos, participa diretamente dos negócios de compra e venda, sendolhe delegados poderes de mandato e gestão, portanto, a mera participação da autuada na compra e venda de combustíveis não a caracteriza uma distribuidora de combustíveis, sendo necessário Fl. 2123DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.993 8 que a fiscalização demonstrasse que a contribuinte adquiriu os combustíveis e os revendeu aos postos revendedores. 19. Aduz que a afirmativa fiscal de que a litigante atuou na venda de álcool é incontroversa, dado que atuou na qualidade de representante comercial das distribuidoras, residindo aí o erro da fiscalização ao presumir que tais vendas caracterizam a distribuição. 20. Complementa que não seria possível ser praticada pela autuada a atividade de distribuição porque, do ponto de vista jurídico, nenhuma empresa poderia exercêla sem a autorização da Agência Nacional de Petróleo – ANP (conforme determinou a Lei nº 9.478, de 1997), que homologa o registro de distribuidoras e tem autoridade para cancelar a autorização, nos termos da Portaria ANP nº 202, de 1999; assevera que se trata de setor intensamente fiscalizado e nenhuma empresa pode atuar como distribuidora sem o dito registro, o que a impediria de sequer obter inscrições cadastrais perante os Fiscos Estadual e Federal; e questiona de que forma poderia a autuada operar como distribuidora se é expressamente vedado às usinas e refinarias, que são os fornecedores, vender combustíveis sem a autorização da ANP e inscrição estadual. 21. Conclui que os documentos da “relação Alfa”, citados pelo fiscal como comprobatórios da prática pela interessada da atividade de revenda, na realidade, evidenciam que a autuada intermediou a compra do produto junto às usinas, bem como as vendas aos postos revendedores, em nome e por conta das distribuidoras, sendo evidente que a fiscalização não logrou demonstrar que a autuada exerceu a atividade que lhe é imputada, ou seja, que tenha comprado o álcool das usinas e o revendido aos postos por sua própria conta e risco; em síntese, a conclusão fiscal carece de provas. 22. Reconhece que o fato de a autuada não ter contabilidade autoriza o arbitramento, mas não a desclassificação da atividade de representante comercial que exerce; e o arbitramento visa a fixação da base de cálculo sobre o qual incidirá a exação tributária, não podendo servir como penalidade, ao alterar a base imponível – comissões, para uma base maior – receitas de venda; cita jurisprudência, o Parecer Normativo nº 23, de 1978 e o art. 539, I do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1994 (Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994). 23. Aduz que está pacificado que qualquer lançamento baseado pura e simplesmente na movimentação bruta da conta corrente é nulo, dado que deve ser vinculado à verdade material, não bastando ao fisco meramente somar os depósitos para apurar a base tributável, sem estabelecer nexo entre os depósitos e a receita supostamente auferida, e cita acórdão de 1995. 24. Afirma que a fiscalização dispunha de documentos que lhe permitiam aprofundarse na análise sem precisar recorrer à presunção legal dos depósitos bancários; que a fiscalização efetuou somente uma análise superficial dos documentos da “relação Alfa”, sem fundamentar porque desclassificou a atividade da autuada; que o fato de os documentos se reportarem ao sócio da autuada não pode servir de prova de que a empresa exerceu a distribuição e nenhum dos documentos mencionados evidencia que a Lexxon tenha adquirido álcool combustível, mas sim que intermediou: a) todos os documentos da “relação Alfa” indicam que a autuada atuou sempre em nome e por conta de distribuidoras habilitadas pela ANP, que as operações de compra e venda foram devidamente contabilizadas por quem é devido, ou seja, pela usina fornecedora e pelas distribuidoras: Fl. 2124DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.994 9 a. na Pasta 01: em cada operação contida nos relatórios de clientes/produtos consta menção à operação fiscal atinente ao produto, vinculando cada venda às notas fiscais das distribuidoras representadas, o que prova que a titularidade do produto não é da contribuinte; b. na Pasta 02: constam comprovantes de pagamentos e pedidos de álcool, relações de retirada e correspondências da DCP Distribuidora e Com de Petróleo Ltda e da Petrotiba Petróleo Ltda; a venda efetuada pela usina foi destinada às distribuidoras pois em cada correspondência consta “estamos enviando comprovante de DEPÓSITO no banco (...) referente a pagamento de álcool hidratado no valor (...) em nome da distribuidora (...)”, o que evidencia que o álcool foi adquirido pelas distribuidoras, atuando a interessada como mera intermediária; na mesma pasta, inúmeras solicitações de venda emitidas pela Central Paranaense de Álcool Ltda, onde constam expressamente os dados dos compradores: DCP e Petrotiba; c. na Pasta 03: em todas as relações de retirada de álcool observase o vínculo da operação de retirada com as distribuidoras Camacuã, Petrotiba, TicPetro (outro nome da Sercom); e também as relações de carregamento; na fl. 34, relação de vendas de álcool hidratado pela Usina Goioerê em favor e por conta das distribuidoras Petrotiba, TicPetro (Sercom), Camacuã e Sercom (TicPetro); d. na Pasta 04: idem; e. na Pasta 05: relatórios de carregamento direcionados às distribuidoras e nenhum documento acusando a compra de álcool, da usina, pela Lexxon; f. na Pasta 06: às fls. 2/10, no relatório de estoque dos postos revendedores, para cada operação, consta a expressa menção à operação fiscal atinente a cada produto, documentos esses que retratam a contabilização pelas distribuidoras representadas e evidenciam que as operações de vendas realizadas com a intermediação da Lexxon foram devidamente registradas por aquelas e, inevitavelmente e obrigatoriamente, prestadas à fiscalização estadual e federal; às fls. 11/42, os boletins de entrega de álcool pelas usinas às distribuidoras não exteriorizam que a Lexxon adquirisse o produto; g. na Pasta 07: um pedido de compra intermediado pela Lexxon; h. na Pasta 08: nos relatórios de movimento de estoques, destacamse os postos combustíveis e as notas fiscais de vendas, todas das empresas distribuidoras; i. na Pasta 09: fluxo de caixa de vendas das usinas para as distribuidoras Ocidental, Oil Petro e Idasa Distribuidora de Petróleo Ltda, depósitos para aquisição de álcool em nome e por conta da distribuidora Petrotiba; o projeto de representação junto a uma distribuidora de Manaus, não implementado, de 1999, é irrelevante para a presente apuração; j. na Pasta 10: relação de devedores por cliente e produto, estando todos esses valores a receber atrelados às notas fiscais de fornecimento das distribuidoras; k. na Pasta 11: correspondências da Nurce e a relação dos documentos retidos. 25. Aduz que o nome fantasia da empresa Lexus Combustíveis (alterado depois para Lexxon), mencionado pela fiscalização, não é prova de que a interessada exercesse a distribuição e os contratos de distribuição que anexa regulam perfeitamente a atividade da autuada, mormente a cláusula quarta e parágrafo único, onde se delegou à autuada a execução e gestão das vendas e dos recursos advindos das vendas agenciadas; explica que tal pacto se deu porque as distribuidoras estavam Fl. 2125DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.995 10 à época com restrições no Serasa e em outro serviço de proteção ao crédito e, dada a proximidade da Lexxon com os postos revendedores, esta tinha maior facilidade de cobrar e receber os pagamentos das faturas e, para evitar o trânsito de cheques, por questão de segurança e por causa das citadas restrições, os cheques eram depositados na conta da Lexxon, até mesmo por uma questão de terceirização de serviços, pois a Lexxon geriu os recursos das distribuidoras a quem tinha o dever de prestar contas; finalmente, para evitar dupla incidência da CPMF, por solicitação das distribuidoras, a Lexxon realizava os pagamentos do álcool retirado nas usinas, em favor das representadas. 26. Apresenta certidão do sistema fazendário estadual que atesta que a autuada não era habilitada para a compra e venda de combustíveis, sequer possuindo cadastro ICMS para tal. 27. No mérito, aponta erro na base de cálculo da receita omitida e pleiteia a correta apuração à luz dos critérios legais de arbitramento. 28. Reitera que ocorreu majoração do tributo dada a apuração da receita omitida com base nos depósitos bancários e que não reflete o faturamento da empresa; afirma que a própria fiscalização reconhece que os depósitos advém de vendas de álcool agenciadas pela autuada, resumindose o erro na quantificação dos depósitos como receita, quando, na verdade, serviriam apenas para averiguar o volume de vendas agenciadas e em relação às quais a autuada auferiu comissões. 29. Invoca o art. 42, § 5º da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de que, quando provado que os valores depositados/creditados pertencem a terceiro, a determinação da receita será efetuada em relação a esse terceiro na condição de efetivo titular da conta bancária; afirma que a movimentação financeira em exame acusa repasses às usinas e às distribuidoras, conforme restará demonstrado na apuração probatória produzida. 30. Em síntese, a receita conhecida imposta na autuação é inválida e a base de cálculo está equivocada, devendo a correta apuração ser feita com base nas comissões auferidas pela contribuinte e cabe à fiscalização utilizar a metodologia da lei conforme os arts. 284, 285, 286, 535, do RIR de 1999, relativos a critérios de arbitramento, que transcreve; e ainda que o art. 288 do RIR, de 1999, e o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, determinam que, verificada a omissão de receita, o valor do imposto deverá ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão; acresce que a correta análise da movimentação financeira disponibilizada infirma inúmeros lançamentos em débito (retiradas), além dos depósitos apurados no lançamento, destacandose as retiradas destinadas às usinas fornecedoras de álcool e às distribuidoras contratantes. 31. Acusa que ocorreu bis in idem na medida em que, diante da declaração expressa das empresas, contida em documentos fiscais, as operações foram inevitavelmente contabilizadas e sujeitas à tributação e, uma vez declaradas ao fisco, a exigência contida na presente autuação configura duplicidade de cobrança sobre os mesmos fatos geradores. 32. Explica que, conforme demonstrará a análise dos extratos, a principal cliente da autuada era Petrotiba e se esta ofereceu os resultados dessas vendas à tributação, então a exigência sobre os mesmos fatos geradores, na presente autuação, configura dupla incidência de tributos; e o mesmo se aplica em relação às empresas Camacuã, TicPetro (ou Sercom), DCP e demais distribuidoras representadas pela autuada; requer que se traga à colação as declarações de Imposto de Renda, as Fl. 2126DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.996 11 Declarações FiscoContábeis e eventuais lançamentos e autos de infração dessas empresas, a fim de que se analise o bis in idem. 33. Rechaça a aplicação da multa qualificada ao argumento de ausência de tipicidade, dada a inexistência de provas de que a autuada tivesse, deliberadamente, ocultado a ocorrência de fato gerador objeto da presente análise, afirmando que disponibilizou espontaneamente, os extratos bancários, só não entregando mais documentos por causa da ação da Nurce, em cujo poder se acham todos os documentos da empresa, o que dificultou a defesa prévia e agora a defesa administrativa. 34. Requer a produção de provas tendo em vista a verdade material, para complementar as já existentes nos autos e que evidenciam que a litigante atuou como representante e não como distribuidora: a. Requer a expedição de ofício à distribuidoras Petrotiba CNPJ 74.068.388/000107, DCP CNPJ 00.826.662/000387, Camacuã CNPJ 75.150.264/000100 e Sercom (TicPetro) CNPJ 95.954.681/000133 a fim de que confirmem as vendas realizadas aos postos relacionados nas Pastas 01, 08 e 10 da “relação Alfa”, mediante cópias das notas fiscais, dos livros Registro de Saídas ou arquivos magnéticos entregues à Receita Estadual; b. Que sejam trazidos à colação cópias da DCTF dos anos 2001 a 2004, DIPJ, ou, na inexistência destes, cópias de processos administrativos fiscais, autos de infração em relação a essas distribuidoras; c. Expedição de ofício às usinas de álcool Central Paranaense de Álcool Ltda – CPA Trading Ltda CNPJ 05.203.519/000190, Usina de Açúcar e Álcool Goioerê Ltda CNPJ 77.264.224/000216, Cooperativa Agroindustrial Nova Produtiva CNPJ 03.345.641/000338, Cocamar Cooperativa Agroindustrial CNPJ 79.114.450/0004 08 e CoopcanaCooperativa Regional de Produtores de Cana Ltda CNPJ 78.340.270/000210, para que informem à fiscalização se em algum momento procederam à venda de álcool combustível em favor da Lexxon, e que forneçam a relação dos produtos intermediados pela mesma no período objeto da presente autuação; d. Requer 120 (cento e vinte) dias para anexar ao processo as informações financeiras individualizadas atinentes aos pagamentos e transferências destinadas às usinas (para demonstrar nexo entre o pagamento e a aquisição de álcool destinado às distribuidoras) e às distribuidoras (para demonstrar que o lucro auferido na atividade de distribuição foi destinado às distribuidoras); e. Requer a expedição de ofício à ANP indagando se a autuada possuía ou possui registro e autorização para a atividade de distribuição de combustíveis; f. Requer a juntada de novos documentos que se encontram em poder do Nurce e que comprovam depósitos efetuados em favor das distribuidoras, para complementar os que já se encontram nos autos, sendo que negar essa diligência implica em nulidade da autuação, porque evidencia a falta de análise integral dos elementos de prova disponíveis; g. Requer a produção de nova prova técnica pericial dos extratos de movimentação financeira, depois da comprovação das retiradas destinadas às usinas de álcool e distribuidoras; indica os peritos, fl. 1.612, e os quesitos que relaciona à fl. 1.613. Fl. 2127DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.997 12 35. Esta DRJ/CTA solicitou a diligência de fl. 1.802, cumprida pela DRF em Maringá, fls. 1.806/1.885, cientificada à autuada em 08/07/2008, fl. 1.885, que se manifestou, tempestivamente, em 06/08/2008, afirmando que os documentos anexados em função da diligência não demonstram que tenha atuado como distribuidora, mas, pelo contrário, evidenciam que a autoridade policial sempre se dirigiu à autuada e seu sócio, como representante das distribuidoras envolvidas no inquérito policial, o que é corroborado pelos depoimentos dos sócios destas. 36. Que tal fato é comprovado pelo documento de fl. 58 (sic) do anexo (na verdade, fl. 1.863 do processo, na qual está anotado “Anexo 6”), onde consta autorização firmada pela Petrotiba Ltda ao sócio da autuada para representar, em nome da outorgante Petrotiba, os negócios referentes à trading de álcool. 37. Diz que as afirmativas das autoridades policiais e indiciados no inquérito não servem de prova contra a autuada, devido à presunção de inocência prevista em cláusula pétrea da Constituição Federal, não sendo razoável considerar como prova depoimentos de partes envolvidas dado que é notório o interesse de tais partes em afastar de si a suspeita da autoria do delito investigado. 38. Mas que, o conjunto probatório representado pelo anexo formalizado neste processo milita em favor de ser a autuada representante das distribuidoras envolvidas no inquérito e se, absolutamente nenhuma prova de que a autuada exercia a atividade de distribuidora existe, então a autuação é improcedente, em face da nulidade do fato gerador, base de cálculo e alíquota arbitrados neste processo. 39. Reitera o pedido de provas, prova pericial e diligências requeridas junto às distribuidoras, a fim de averiguar se estas foram autuadas, ou se as operações indevidamente arbitradas nos presente processo restaram contabilizadas e os impostos recolhidos pelas representadas da impugnante. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: Preliminarmente, (a) a decisão recorrida é nula (art. 59, II, Decreto nº 70.235/72) por indeferir provas requeridas pela recorrente sem justificativa aceitável. Ressalta que o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 inverteu o ônus da prova com relação aos créditos em conta e com relação à sua atividade de representante comercial e não de distribuidor (conforme autuada), restando a ela produzir provas para infirmar as conclusões da fiscalização. O indeferimento da perícia requerida cerceou a defesa da recorrente, vez que seria ela necessária para analisar as movimentações financeiras, ante os documentos carreados aos autos, bem como aqueles que adviriam das demais solicitações feitas pela recorrente e que restaram rejeitadas; (b) ao apreciar novos documentos trazidos ao processo (DCTF e DIPJ) sem prévia intimação do contribuinte para sobre eles se manifestar, o colegiado a quo provocou cerceamento do direito de defesa, pois, uma vez já instalada a fase litigiosa era obrigatória tal prévia intimação; Fl. 2128DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.998 13 (c) a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a desqualificação da atividade do contribuinte, com o conseqüente arbitramento dos créditos em conta. Afinal, o próprio julgado admite, como também consignado pela fiscalização, que a recorrente atuou como representante comercial, mas também como distribuidora, não se sabendo quais as proporções em que isso se deu. Assim, há violação à legalidade e à vinculação do ato administrativo à norma; No mérito, (d) O arbitramento qualifica a recorrente como distribuidora de combustíveis de fato, enquadrando os créditos em conta como decorrentes da venda de álcool combustível, alterando os critérios de cálculo do tributo, pois a base de cálculo é imposta sobre as vendas dos produtos e não sobre as comissões de vendas intermediadas. A base superficial em que se baseia tal fato reside na superficialidade de notícias da imprensa e documentos afetos ao procedimento policial investigatório. Quanto às notícias de imprensa, não se prestam a provar qualquer fato, vez que vinculadas a fontes e opiniões que não podem ser meramente acatadas sem antes se proceder à sua correta averiguação. Já quanto aos documentos oriundos do inquérito policial, somente podem ser adotados após trânsito em julgado no Poder Judiciário, especialmente quanto aos depoimentos prestados no inquérito, pois é óbvio que as pessoas ouvidas, envolvidas com a comercialização do álcool, também estavam sendo investigadas ou indiciadas naquele feito. É inimaginável que os sócios das distribuidoras confirmassem a sonegação de tributos, sendo aceitável crer que posicionaramse no sentido de negar autoria. Mas por outro lado, os documentos vindos do inquérito policial demonstram que a atividade exercida pela recorrente é a de agenciamento e não de distribuição, porque em todos os documentos se observa que os atos da recorrente eram realizados em nome e por conta de distribuidoras de combustíveis, devidamente habilitadas perante a ANP para o exercício da atividade. Os documentos oriundos das pastas que compõem a chamada relação Alfa demonstram que as atividades eram vinculadas às distribuidoras de combustíveis. Os contratos de representação juntados têm cláusula prevendo a delegação à autuada da gestão dos recursos advindos das vendas agenciadas. Não deteve a disposição das mercadorias negociadas, condição que diferencia a representação da distribuição, nos termos do art. 710 do Novo Código Civil e Lei nº 4.886/65. A contradição existente pela existência da cláusula del credere não invalida o raciocínio de que atuava como representante, porque é usual, mesmo ilegal, a inserção desta cláusula, impondo esta responsabilidade ao representante, face a subordinação e hipossuficiência do representante face aos representados. A listagem de vendas de fls.295/307, que contém na coluna do representante a informação “VDVenda Direta” não evidencia que atuava como distribuidora, só porque tais vendas foram diretas. Isto se dá porque o produto era vendido diretamente da usina às distribuidoras, sem intermediação dos vendedores da usina. O mercado de combustíveis é regulado pela Lei nº 9.748/97 que delegou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) poderes para regular e autorizar o exercício da atividade Fl. 2129DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.999 14 de distribuição de combustíveis (exercido com a Portaria nº 202/99). Sem a autorização e registro desse órgão nenhuma empresa pode operar neste ramo, pois não obteria as inscrições cadastrais perante a Fazenda Estadual e Federal. Assim, não poderia ter atuado dessa forma, pois os fornecedores não poderiamlhe vender combustíveis. (e) A recorrente alega ter disponibilizado todos os documentos e informações que dispunha, não havendo provas que ocultou deliberadamente fato gerador. Não se verificou, também, ato seu que caracterize fraude, ocultação ou atitude dolosa que configure crime contra a ordem tributária. Subiram os autos a este colegiado, que na sessão de julgamento de 30/03/2011 decidiu por unanimidade converter o julgamento em diligência, para que a recorrente pudesse se manifestar quanto às consultas de ofício efetuadas pelo relator do julgado de primeiro grau nos sistemas informatizados da Receita Federal, acolhendo argüição da defesa que entendia que ao apreciar novos documentos trazidos ao processo (DCTF e DIPJ) sem prévia intimação do contribuinte para sobre eles se manifestar, o colegiado a quo havia provocado cerceamento do direito de defesa, pois, uma vez já instalada a fase litigiosa era obrigatória tal prévia intimação. Embora não houvesse indicado a recorrente quais as DCTF e DIPJ a que se referia em sua manifestação, entendese que faz referência às consultas às DCTF e DIPJ que o próprio relator efetuou, para formar sua convicção no que diz respeito às solicitações de diligência para produção de provas junto a terceiros. Tais consultas encontramse concluídas pelo ilustre relator nos itens 50 a 53 (abaixo reproduzidos): 50. Atendendo ao requerido pela autuada, verificaramse as DIPJ da Petrotiba, fls. 1.749/1.757, empresa que a autuada indica como sua principal representada; temse que informou zero receitas de venda de álcool nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, zero compras e zero estoques; e os únicos débitos declarados em DCTF foram alguns de IRRF, conforme fls. 1.786/1.788, não se identificando declaração de quaisquer outros débitos, muito menos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, nem 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS, de onde se tem que a acusação de bis in idem, porque a “representada” teria declarado as mesmas receitas que ora são exigidas da Lexxon, não procede, bem como tornando dispensável que se requeira à mesma a confirmação de que vendia álcool aos postos distribuidores; quanto a autuações, não se localizou auto de infração relativo ao período, somente notificação de cobrança de IRPJ, fl. 1.894. 51. A DCP Distribuidora e Comércio de Petróleo Ltda, fls. 1.764/1.770, declarou zero receitas de álcool etílico em 2002, 2003 e 2004; informou em DCTF débitos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, e 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS, somente nos 1º e 2º trimestres 2003; não declarou qualquer débito em DCTF para o ano de 2004, fls. 1.789/1.793. Localizaramse dois autos de infração, IRPJ, um deles objeto do acórdão DRJ 07.10481, de 2007, referente a omissão de receitas com base em depósitos bancários não esclarecidos recebidos em contas Fl. 2130DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.000 15 pertencentes à DCP e o outro não impugnado, referente ao ano calendário 2002, fls. 1.898/1.899. 52. As DIPJ da Camacuã, fls. 1.749/1.757, informam vendas de álcool etílico hidratado para fins carburantes nos anos de 2002, 2003 e 2004; declarou em DCTF débitos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, e 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS em 2002 e 2003; não constam quaisquer débitos declarados em DCTF para o anocalendário 2004, fls. 1.783/1.785. Localizouse auto de infração de IRPJ referente a períodos que abrangem a presente autuação inclusive, que se encontra na Procuradoria da Fazenda Nacional em Guarapuava, fls. 1.895/1.986, não consta que tenha sido julgado por DRJ e ao que tudo indica, não foi impugnado. 53. A Sercom ou TicPetro, fls. 1.771/1.776, consignou nas DIPJ dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 que não apurava Pis/Pasep e Cofins a alíquotas diferenciadas, declarando a revenda de mercadorias comuns, mas não de combustíveis; declarou débitos 6912 PIS NAO CUMULATIVO (LEI 10.637/02) e 2172 – Cofins, em 2003; não declarou 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, nem 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS em nenhum dos períodos analisados e não declarou quaisquer débitos em DCTF em 2004, conforme fls. 1.794/1.797. Não se localizaram autos de infração para o período, fl. 1.897. A Agência da Receita Federal em Campo Mourão enviou a intimação nº 179/2011, a qual foi, todavia, devolvida pela ECT. A intimação foi realizada, assim, por edital e o processo foi devolvido a esta turma, sem manifestação da recorrente. É o relatório. Fl. 2131DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.001 16 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Já analisados os requisitos de admissibilidade quando da primeira assentada, passo desde logo à análise das alegações recursais. Das Preliminares (a) Negativa injustificada a pedido de produção de provas Sustenta a recorrente ser nula decisão recorrida, nos termos do art. 59, II, Decreto nº 70.235/72, por indeferir provas requeridas pela recorrente sem justificativa aceitável. Ressalta que o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 inverteu o ônus da prova com relação aos créditos em conta e com relação à sua atividade de representante comercial e não de distribuidor (conforme autuada), restando a ela produzir provas para infirmar as conclusões da fiscalização. A turma de julgamento da DRJ de fato rechaçou os pedidos feitos. Quanto ao pedido para que fossem obtidos documentos apreendidos por Mandado de Busca e Apreensão junto ao Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos da Polícia Estadual do Paraná (Nurce), aduziu que cabe à interessada obter as provas do que alega, além de que, a Constituição lhe garante o acesso aos documentos se necessários à sua defesa, mediante pedido de cópia ao Nurce ou à Justiça, onde se encontra o processo crime. Salientese, todavia, que consoante fl.1490, a fiscalização havia disponibilizado, por meio de Termo de Intimação, todos os elementos e documentos apreendidos pelo Nurce/Polícia Estadual e posteriormente enviados à Receita Federal. No que tange aos pedidos para que a RFB oficiasse as usinas de álcool Central Paranaense de Álcool Ltda – CPA Trading Ltda, Usina de Açúcar e Álcool Goioerê Ltda, Cooperativa Agroindustrial Nova Produtiva, Cocamar Cooperativa Agroindustrial e CoopcanaCooperativa Regional de Produtores de Cana Ltda, para que informassem à fiscalização se em algum momento procederam à venda de álcool combustível em favor da Lexxon, e que fornecessem a relação dos produtos intermediados pela mesma, no período objeto da presente autuação, assim se posicionou: No que tange à Goioerê, temse que foi lavrada autuação exigindo IRPJ, Pis, Cofins e CSLL relativa aos anoscalendário 2001, 2002, 2003, 2004, processo nº 10950.002693/200693, por omissão de receita correspondente à saída de álcool etílico hidratado carburante sem emissão de nota fiscal, nos seguintes totais, infração essa não impugnada pela autuada, que apenas impugnou outros itens da autuação; também foram lavrados autos pelo mesmo motivo relativos a CIDE e IPI, processos nº 77.264.224/000135 e 10950.002690/200650; por isso, essa usina dificilmente poderá comprovar que não vendeu álcool carburante para a Lexxon. Fl. 2132DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.002 17 Temse à fl. 1.777, informações acerca da CPA Trading S/A, constituída em 11/07/2002, iniciando as operações em junho de 2003, com o objetivo de compra, para fim específico de exportação e compra para revenda de álcool etílico a granel, para fins carburantes entre outros, tratandose de um intermediário. Quanto às demais usinas, cabe à autuada providenciar os comprovantes, para provar o alegado. Aduzase que foi realizada diligência junto àquele órgão e obtidos novos documentos, fls. 1.806/1.885, que incluem, fl. 1.865, “Autorização” em 23/08/2006 de Luiz Fernandes Correia, para que o contador que qualifica o represente e efetue a retirada de computadores e demais documentos das empresas das quais é sócio, Terra Diesel Ltda e Lexxon Representações Comerciais Ltda, apreendidos pelo Nurce em operação realizada em, Campo Mourão em 2004, o que demonstra não haver qualquer restrição ao acesso pela Lexxus ou seu sócio, aos documentos apreendidos; também, no que se refere ao Inquérito nº 8/2004, nada impede de ter vista e mesmo obter as provas desejadas, em face do disposto no art. 5º, LV da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988. Relativamente ao pedido de concessão de 120 dias para apresentação de documentos, assim se manifestou a DRJ: A data deste julgamento ocorre em agosto/2008, tendo sido a impugnação onde consta a petição supra protocolizada em 26/10/2007, já tendo decorrido o prazo requerido para a apresentação de tais documentos adicionais, mas nada foi apresentado. No que tange ao pedido feito para que as distribuidoras Petrotiba, DCP, Camacuã, Sercon, fossem intimadas a apresentar as notas fiscais de venda aos postos revendedores relacionados na documentação "Alfa" presente no processo, assim se manifestou a DRJ: Atendendo ao requerido pela autuada, verificaramse as DIPJ da Petrotiba, fls. 1.749/1.757, empresa que a autuada indica como sua principal representada; temse que informou zero receitas de venda de álcool nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, zero compras e zero estoques; e os únicos débitos declarados em DCTF foram alguns de IRRF, conforme fls. 1.786/1.788, não se identificando declaração de quaisquer outros débitos, muito menos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, nem 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS, de onde se tem que a acusação de bis in idem, porque a “representada” teria declarado as mesmas receitas que ora são exigidas da Lexxon, não procede, bem como tornando dispensável que se requeira à mesma a confirmação de que vendia álcool aos postos distribuidores; quanto a autuações, não se localizou auto de infração relativo ao período, somente notificação de cobrança de IRPJ, fl. 1.894. Fl. 2133DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.003 18 A DCP Distribuidora e Comércio de Petróleo Ltda, fls. 1.764/1.770, declarou zero receitas de álcool etílico em 2002, 2003 e 2004; informou em DCTF débitos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, e 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS, somente nos 1º e 2º trimestres 2003; não declarou qualquer débito em DCTF para o ano de 2004, fls. 1.789/1.793. Localizaramse dois autos de infração, IRPJ, um deles objeto do acórdão DRJ 07.10481, de 2007, referente a omissão de receitas com base em depósitos bancários não esclarecidos recebidos em contas pertencentes à DCP e o outro não impugnado, referente ao ano calendário 2002, fls. 1.898/1.899. As DIPJ da Camacuã, fls. 1.749/1.757, informam vendas de álcool etílico hidratado para fins carburantes nos anos de 2002, 2003 e 2004; declarou em DCTF débitos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, e 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS em 2002 e 2003; não constam quaisquer débitos declarados em DCTF para o anocalendário 2004, fls. 1.783/1.785. Localizouse auto de infração de IRPJ referente a períodos que abrangem a presente autuação inclusive, que se encontra na Procuradoria da Fazenda Nacional em Guarapuava, fls. 1.895/1.986, não consta que tenha sido julgado por DRJ e ao que tudo indica, não foi impugnado. A Sercom ou TicPetro, fls. 1.771/1.776, consignou nas DIPJ dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 que não apurava Pis/Pasep e Cofins a alíquotas diferenciadas, declarando a revenda de mercadorias comuns, mas não de combustíveis; declarou débitos 6912 PIS NAO CUMULATIVO (LEI 10.637/02) e 2172 – Cofins, em 2003; não declarou 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, nem 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS em nenhum dos períodos analisados e não declarou quaisquer débitos em DCTF em 2004, conforme fls. 1.794/1.797. Não se localizaram autos de infração para o período, fl. 1.897. Assim, das distribuidoras examinadas, somente a Camacuã declarou receitas de venda de álcool combustível, e mesmo assim nenhum débito declarou em DCTF em 2004; as demais nem isso. No que tange às autuações da Camacuã e DCP citadas, temse que não consta dos presentes autos que os depósitos nas contas bancárias de titularidade da autuada tivessem sido reconhecidos como de terceiros a justificar que os mesmos valores de depósitos lastreassem lançamentos fiscais contra aquelas distribuidoras e se as distribuidoras autorizadas emitiram notas fiscais e não declararam receitas, nem tributos correspondentes como já se evidenciou, deve a interessada correlacionar cada depósitos recebido com a respectiva nota fiscal emitida pela distribuidora autuada, para respaldar a acusação de dupla cobrança de tributos sobre as mesmas receitas. A litigante requer que a RFB oficie as distribuidoras a fim de que confirmem as vendas realizadas aos postos relacionados nas Pastas 01, 08 e 10 da “relação Alfa”, mediante cópias das notas fiscais, dos livros Registro de Saídas ou arquivos magnéticos Fl. 2134DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.004 19 entregues à Receita Estadual – ora, qual o empecilho da litigante em obter esses documentos junto às suas representadas, de quem alega (e apresenta cópias de contratos) era plenipotenciária? O interesse em não ser classificada como distribuidora se deve, à parte da falta de autorização legal para a atividade, ao fato de a tributação ser concentrada nas distribuidoras; no caso do PIS e Cofins, as alíquotas são respectivamente 1,46% e 6,74%, incidentes sobre a receita bruta. Destaquemse ainda as notícias publicadas acerca da ação do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) no Estado do Paraná, relativos a sonegação de ICMS, em que a fraude consistia em vender álcool combustível direto da usina para os postos, com notas fiscais de empresas que não recolhem ICMS, nem PIS, nem Cofins nem IRPJ, sendo o produto carregado na destilaria e colocado diretamente nos postos, sem passar pelas distribuidoras, e onde se destaca que o problema é que as distribuidoras são o elo da cadeia tributária em que ocorre o recolhimento do ICMS, fls. 1.733/1.739; nesse noticiário, as distribuidoras citadas pela autuada estão destacadas, além da própria autuada e da usina Goioerê, principal fornecedora de álcool combustível retirado e transportado até os postos sem passar pela distribuidora autorizada, fl. 1.734: IMPOSTOS –Esquema que envolvia notas frias funcionava em diversas cidades do Paraná. Postos compravam álcool direto de usina, sem pagar alíquota pelo produto (...) Esquema: O suposto esquema de fraudes consiste em vender álcool hidratado (usado por veículos automotores) direto da usina para os postos, com notas fiscais de empresas que não recolhem o ICMS, além de tributos federais (PIS, Cofins e Imposto de Renda). O produto seria carregado na destilaria e colocado diretamente nos postos, sem passar pelas distribuidoras. O problema é que as distribuidoras são o elo da cadeia tributária em que ocorre o recolhimento do ICMS. Segundo especialistas do setor, as empresas pagavam R$ 0,02 a mais por cada litro de álcool comprado nesse esquema. Em troca sonegavam o imposto. (...) Segundo o delegado (...) titular do Nurce em Maringá, “a rede de sonegação de impostos no comércio varejista é formada por cinco distribuidoras e pela destilaria de Goioerê.“ As distribuidoras seriam a Distribuidora Camacuã (Guarapuava – PR) a DCP Distribuidora e Transporte de Petróleo (Itajaí – PR (sic)), a Petrotiba (Araucária – PR), a Geraes Distribuidora de Petróleo Fl. 2135DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.005 20 (Paulínia – SP), a TicPetro (Araucária – PR) e a Usina de Açúcar e Álcool Goioerê (região de Goioerê – PR. (...) Em Campo Mourão, o delegado (...) visitou seis distribuidoras, sendo que cinco funcionavam em salas comerciais de um mesmo prédio. Ele apreendeu documentos, computadores e notas fiscais em branco. Parte do material estava no escritório Lexus Combustíveis Ltda, representante da Petrotiba Petróleo Ltda.” (Grifou se.) Destaquemse também as informações de que Secretaria Adjunta de Fiscalização do Estado do Rio de Janeiro editou Portaria em 03/08/2006, declarando inidôneos notas fiscais e selos de fiscalização emitidos em nome da distribuidora Petrotiba; a Portaria SAF nº 225 de 11/11/2006, de mesmo teor; a notícia de adulteração de combustíveis pela Petrotiba no estado do Rio de Janeiro, onde foi interditada, fls. 1.736/1.741; destaquese ainda a informação veiculada no Sindicombustíveis, fl. 1.736: Mesmo banidas do mercado, várias distribuidoras continuam abordando revendedores em seus postos (...) oferecendo produtos, sempre a preço baixo. Essas empresas já tiveram o cadastro de pessoa jurídica cassado na ANP. Mas continuam agindo no mercado paralelo, adquirindo combustível irregularmente e, obviamente, sem o recolhimento dos obrigatórios 31% de ICMS. As empresas irregulares apresentam aos revendedores notas fiscais fraudulentas, nas quais aparece como registrado o pagamento do imposto aos cofres do Estado. À fl. 1.741, extrato de processo em que a Petrotiba, pleiteia normalização da sua inscrição estadual, em Santa Catarina. Às fls. 1.742/1.744, extrato do Processo Crime nº 2005.0004286 4, referente à infração sonegação fiscal, Inquérito Policial nº 008/04, onde são indiciado(s)/réu(s) os sócios da Petrotiba, Camacuã, Lexxon e Sercom ou TicPetro, entre outros. Às fls. 1.745/1.748, a relação das empresas com registro e autorização revogados de 2000 a 2007 pela Superintendência de Abastecimento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP onde está relacionada a Petrotiba Petróleo Ltda, CNPJ 74.068.388/000107, com a data de publicação do cancelamento em 26/07/2005; constam como autorizadas até 02/2008, a Camacuã, a Sercom e, atuando com autorização por força de decisão judicial em face da ANP, a DCP; o que responde ao item e requerido pela impugnante de que a RFB envie ofício à ANP indagando se a autuada possuía ou possui registro e autorização para a atividade de distribuição de combustíveis – não possui, e o registro da sua principal “representada” Petrotiba foi cancelado. Resumindo, apenas a Camacuã declarou vendas de álcool combustível (em 2002 e 2003, mas não em 2004), as demais, Fl. 2136DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.006 21 não; cabe à autuada provar que os depósitos recebidos em suas contas eram receitas das citadas distribuidoras; não há prova nos autos que aquelas compravam e vendiam o álcool retirado pela autuada das usinas, e cujos estoques controlava, e o qual vendia, recebia, depositava o produto da venda em suas próprias contas correntes bancárias e efetuava o pagamento das usinas fornecedoras, a partir dessas mesmas contas, e o fato de a autuada não ter a autorização devida não é prova da não atuação como distribuidora, como se evidencia desta análise e do contexto descrito, bem como dos elementos que se discute adiante. Analisando os longos termos da manifestação, vêse que o órgão a quo, por evidente, face aos resultados de pronto obtidos da análise dos pífios dados informados por tais distribuidoras quanto à sua movimentação comercial e reforçados pelo modus operandi da recorrente noticiados (que, como visto, laborava às escondidas, fazendo com que parecesse que a operação fosse realizada sem sua interferência) verificou que não resultariam profícuos os procedimentos, indeferindoos, assim. O pedido para realização de perícia relativa aos extratos de movimentação financeira, depois da comprovação das retiradas destinadas às usinas de álcool e distribuidoras também foi indeferido, porque, no entender do voto condutor, Não é razoável a pretensão da contribuinte de transferir para eventual perícia a função que é sua, de ter mantido a sua contabilidade em ordem e demonstrar o alegado. O que fica claro, contudo, é que, à míngua de alegações convincentes, a contribuinte está pretendendo transferir ao seu perito a atribuição – privativa deste Colegiado e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda – de julgar o lançamento. Ora, julgar se, em face da legislação vigente, a contribuinte está ou não sujeita a esse encargo é atribuição destes colegiados. Caso a impugnante entenda que seu perito tenha razões capazes de influir na formação do convencimento desta Turma, que as inclua em sua impugnação. Nada justifica, contudo, realizar uma perícia para conhecer a opinião pessoal de determinado cidadão, seja ele perito ou não. De fato, a perícia de toda a movimentação financeira de 03 anoscalendário, importa em nova fiscalização, dada a amplitude dos exames, que, aliás, a nada chegariam, especialmente por não ter oferecido a recorrente qualquer prova para as intimações que questionavam a origem dos recursos, nada levando a crer que passasse, então, a têlos. De forma geral, vejo que todas as provas requeridas destinamse a ampliar demasiadamente o procedimento, para alcançar inúmeros agentes e fatos, e decerto, a nada levariam, exceto a procrastinação indefinida, esta sim, em evidente descompasso com os princípios da eficiência e razoável duração do processo que devem nortear os julgamentos administrativos. Fl. 2137DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.007 22 Desta forma, entendo que as razões pelas quais a turma de julgamento negou seguimento aos pedidos feitos não encobre o fato de que estão analisados e seus indeferimentos motivados, o que, a meu ver, afasta o cerceamento do direito de defesa. Há um fato que merece, neste momento, toda atenção: a recorrente, durante todo procedimento fiscal, e mesmo onerada com a inversão do ônus da prova promovida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, não produziu provas. Omitiuse. Posteriormente, durante o contencioso administrativo, decidese a mobilizar a Administração em seu favor, para que esta busque terceiros, e através deles produza as provas para a defesa da recorrente, provas estas que não foram apresentadas exatamente por descumprimento de obrigação acessória de escriturar livros, guardálos, e apresentálos quando requerido, mantendo em arquivo os documentos que lhe dão suporte. Afinal, se é verdade que foi surpreendida por apreensão de documentos, lastreada em Mandado de Busca e Apreensão, também é verdade que nomeou representante para retirálos junto à autoridade policial. Porém, não acostou qualquer documento que demonstrasse pedido de obtenção de qualquer documento apreendido, bem como a recusa no atendimento da pretensão. Certo, pois, que novamente se omitiu no seu dever de produzir provas, especialmente porque onerada com a inversão do ônus da prova. Neste sentido, sou, pois pelo acerto do quanto decidido em primeira instância, posicionandome contra a preliminar de cerceamento do direito de defesa. (b) Apreciação de novos documentos e manifestação da recorrente Aduz a recorrente que ao apreciar novos documentos trazidos ao processo (DCTF e DIPJ) sem prévia intimação do contribuinte para sobre eles se manifestar, o colegiado a quo provocou cerceamento do direito de defesa, pois, uma vez já instalada a fase litigiosa era obrigatória tal prévia intimação. Embora não indique quais as DCTF e DIPJ a que se refere, é certo que se refere às consultas às DCTF e DIPJ que o próprio relator efetuou, para formar sua convicção no que diz respeito às solicitações de diligência para produção de provas junto a terceiros. Quanto a este ponto é de se ressaltar que: a) das pesquisas efetuadas não resultou qualquer agravamento da situação da recorrente, exceto pela formação de convicção do julgador quanto à sua desnecessidade. Não causaram, porém, nenhum ônus adicional ao crédito já lançado; b) a realização de pesquisas pelo julgador tem função de dar cumprimento a à busca da verdade material. Neste caso, em especial, também concorreu para a eficiência e a razoável duração do processo. Por fim, este colegiado supriu qualquer possibilidade de cerceamento de defesa, com a conversão do julgamento em diligência para obter a manifestação da recorrente quanto a tais elementos, ato logo demonstrado infrutífero dado que não pode ser encontrada no seu domicílio tributário de eleição, que é de sua livre escolha, nos termos do art.127 do CTN. Não houve, também, manifestação após intimação por edital. De se concluir, destarte, pela manutenção do quanto decidido. (c) Desqualificação da atividade do contribuinte Fl. 2138DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.008 23 Vem afirmado pela combativa manifestação da recorrente que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a desqualificação da atividade do contribuinte, com o conseqüente arbitramento dos créditos em conta. Afinal, o próprio julgado admite, como também consignado pela fiscalização, que a recorrente atuou como representante comercial, mas também como distribuidora, não se sabendo quais as proporções em que isso se deu. Assim, há violação à legalidade e à vinculação do ato administrativo à norma. A questão se verte para a análise do art. 44 da Lei nº 4.506/64, verbis: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; Desta forma, conforme entende, ao operar como representante comercial autônomo, sua receita bruta seria de serviços, e compreenderia o resultado auferido nas operações de conta alheia e não o produto da venda de bens. E embora seja bem possível que o resultado, acaso considerada a modalidade que melhor lhe apraz, sejalhe desfavorável, posto que o coeficiente a ser aplicado saltaria de 9,6% para 38,4%, questiona a legalidade de tal agir, posto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 equipara os créditos em conta cuja origem não foi justificada pelo seu titular a receitas omitidas e não ao resultado auferido nas operações de conta alheia. Contudo, analisando o caso vertente à luz das normas acima, vêse que: a) o resultado auferido nas operações de conta alheia é denominado receita (bruta operacional) pelo caput do art. 44 da Lei nº 4.506/64; b) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estipula tratamento diferenciado para o caso de operações em conta alheia no seu §2º (abaixo transcrito); porém, para que ele tenha aplicabilidade, é necessário que o sujeito passivo cumpra com seu dever de prestar informações sobre a origem dos recursos, o que não se verificou neste caso, senão se veja: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. c) conseqüentemente, concluo que embora os créditos que foram objeto de autuação acaso fosse procedente a fundamentação da recorrente (o que não logrou provar) possam não corresponder aos resultados auferidos nas operações de conta alheia, ela não cumpriu com o dever que a Lei lhe atribuiu para desonerarse da imputação integral, não restando outra alternativa à autoridade senão considerar os créditos como receita omitida. Conforme bem asseverado no acórdão recorrido, sendo o ônus da prova da recorrente, prescinde de produzir provas adicionais a autoridade para concluir pela omissão de receita, nos termos dos art. 333 e 334 do CPC, abaixo reproduzidos, uma vez demonstrado o fato indiciário (em favor do qual milita presunção legal de veracidade): Fl. 2139DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.009 24 Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Houvesse no caso vertente certeza quanto à situação alegada pelo sujeito passivo – de que atuou como representante comercial e não como distribuidor – entendo que seria possível inibir a eficácia do art. 42 da Lei nº 9.430/96 com base na violação ao conceito de renda, pela evidente tributação de quantum excedente ao acréscimo patrimonial auferido. No entanto, ela não existe nestes autos, sendo que tal caminho é truncado pelas regras do próprio direito. Afinal, alegar sem provar equivale a não alegar. E a alegação da recorrente, quanto à sua atividade não restou demonstrada. Assim, na dúvida, o art. 42 oferece caminho seguro para a tributação da omissão constatada, estando a prova bem constituída (fato indiciário demonstrado e não infirmado). Vejamos alguns elementos dos autos que nos permitem assim sentenciar: a) as declarações da recorrente são pífias frente a sua movimentação financeira, havendo, inclusive, declaração de inatividade relativa ao anocalendário de 2004, em que sua movimentação financeira aproximase de R$3,5 milhões de reais (fl. 1500); b) a recorrente executava a cobrança das vendas aos clientes finais (postos de combustível), sendo, inclusive, responsável pelo inadimplemento, vez que, contrariamente ao que dispõe a Lei nº 4.886/65 (que regula a atividade de representante comercial autônomo), era estipulada a cláusula del credere nos contratos firmados por ela; c) a Lexxon (ela própria) retirava o álcool das usinas e o entregava aos postos revendedores para consumo, operando com veículos de carga; d) Relativamente a seus representados: sua principal representada (segundo ela própria), a Petrotiba, informou zero receitas de venda de álcool nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, zero compras e zero estoques; A DCP Distribuidora e Comércio de Petróleo Ltda, fls. 1.764/1.770, declarou zero receitas de álcool etílico em 2002, 2003 e 2004; quanto à Camacuã, não constam quaisquer débitos declarados em DCTF para o anocalendário 2004; A Sercom ou TicPetro, consignou nas DIPJ dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 que não apurava Pis/Pasep e Cofins a alíquotas diferenciadas, declarando a revenda de mercadorias comuns, mas não de combustíveis (conforme itens 50 a 53 do acórdão recorrido); e) No que tange às autuações da Camacuã e DCP citadas, temse que não consta dos presentes autos que os depósitos nas contas bancárias de titularidade da autuada tivessem sido reconhecidos como de terceiros a justificar que os mesmos valores de depósitos lastreassem lançamentos fiscais contra aquelas distribuidoras e se as distribuidoras autorizadas emitiram notas fiscais e não declararam receitas, nem tributos correspondentes como já se evidenciou, deve a interessada correlacionar cada depósitos recebido com a respectiva nota fiscal emitida pela distribuidora autuada, para respaldar a acusação de dupla cobrança de tributos sobre as mesmas receitas (item 55 do acórdão recorrido); Fl. 2140DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.010 25 f) A Secretaria Adjunta de Fiscalização do Estado do Rio de Janeiro editou Portaria em 03/08/2006, declarando inidôneas notas fiscais e selos de fiscalização emitidos em nome da distribuidora Petrotiba. Adicionado a isto está o fato de que foram apreendidos notas fiscais em branco da Petrotiba na Lexxon (fl.822). Segundo relatório elaborado pelo delegado de polícia do Nurce, Francisco Catita, as notas eram preenchidas se exigidas pelo posto de combustível, cliente final (registrese aqui, por oportuno, que não podiam ser de emissão da recorrente, que não possuía registro na ANP. É importante ressaltar este fato porque o sustentáculo da defesa é a inexistência de comprovante de aquisição das mercadorias. Mas, se não há materialização da aquisição das mercadorias, também é de se dizer que assim o foi porque não seria possível realizar metade da operação nos termos da lei e a outra metade à sua margem. Ou seja, se a Lexxon não formalizava a compra de mercadorias é porque não as poderia vender, tudo levando a crer que adquiria as mercadorias e as revendia ou sem documentação ou com documentação de favor); g) Afirmase no voto condutor que os elementos de prova apreendidos pelo Nurce comprovam a emissão de pedidos, a aquisição de álcool e pagamento às usinas, a venda de álcool a postos de combustíveis, com equipe de vendedores comissionados, a retirada com veículos próprios ou contratados (já que pagava a transportadoras e controlava os carregamentos, os veículos e os motoristas), carregamento, distribuição e cobrança do álcool vendido aos postos e, finalmente, o depósito dos recebimentos nas contas bancárias em exame, o que, digase de passagem, não é negado pela autuada; evidenciase que realizava a emissão das notas de pelos menos algumas das distribuidoras, como a Petrotiba e Camacuã e que a Terra Diesel (e que não é distribuidora autorizada), da qual Luiz Fernandes Correia também é sócio, já que estavam em poder da autuada blocos de notas fiscais em branco dessas empresas. h) o documento de fls.889 que retrata fluxo de caixa da recorrente indica na coluna “compra” aqueles de quem se efetuou a compra e na coluna “venda” para quem ela foi feita, sendo mais um elemento de convicção de que controlava toda a cadeia; i) no contrato de fl. 827, a Lexxon consta como vendedora, sendo comprador “Sebastião Gil”, e devendo a mercadoria ser retirada na usina Goioerê Ltda; j) os contratos de representação comercial apresentados pela recorrente demonstram um acordo de vontades, acaso considerados; porém nada dizem do relacionamento comercial contínuo e prolongado que se deu no decorrer dos anoscalendário de 2002 a 2004, uma vez que os documentos comerciais e fiscais não foram carreados aos autos, os quais, se harmonizados, poderiam fornecer indicativo mais seguro no sentido do que alega. Consoante acima alertado, tais elementos não os colijo para efeito de provar que a recorrente não exercia a representação comercial e sim a distribuição de fato dos combustíveis, mas para demonstrar que há fortes indícios de que agia como distribuidor, e que não restou demonstrado o contrário, o que, a meu ver, basta para endossar a legalidade do procedimento e sua conformidade com o art. 142 do CTN. Fl. 2141DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.011 26 Do mérito (d) Depósitos bancários de origem não comprovada – lançamento insubsistente Sustenta a recorrente que o arbitramento qualifica a recorrente como distribuidora de combustíveis de fato, enquadrando os créditos em conta como decorrentes da venda de álcool combustível, alterando os critérios de cálculo do tributo, pois a base de cálculo é imposta sobre as vendas dos produtos e não sobre as comissões de vendas intermediadas. A base superficial em que se baseia tal fato reside na superficialidade de notícias da imprensa e documentos afetos ao procedimento policial investigatório. Neste ponto, verte seus argumentos no sentido de demonstrar a insubsistência do auto de infração, uma vez que, segundo aduz, está o lançamento calcado sobre o fato de que atuou como distribuidor e não como representante comercial. Em seu favor cita que os documentos oriundos das pastas que compõem a chamada relação Alfa demonstram que as atividades eram vinculadas às distribuidoras de combustíveis; os contratos de representação juntados têm cláusula prevendo a delegação à autuada da gestão dos recursos advindos das vendas agenciadas; não deteve a disposição das mercadorias negociadas, condição que diferencia a representação da distribuição, nos termos do art. 710 do Novo Código Civil e Lei nº 4.886/65; a contradição existente pela existência da cláusula del credere não invalida o raciocínio de que atuava como representante, porque é usual, mesmo ilegal, a inserção desta cláusula, impondo esta responsabilidade ao representante, face a subordinação e hipossuficiência do representante face aos representados; a listagem de vendas de fls.295/307, que contém na coluna do representante a informação “VDVenda Direta” não evidencia que atuava como distribuidora, só porque tais vendas foram diretas. Isto se dá porque o produto era vendido diretamente da usina às distribuidoras, sem intermediação dos vendedores da usina; o mercado de combustíveis é regulado pela Lei nº 9.748/97 que delegou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) poderes para regular e autorizar o exercício da atividade de distribuição de combustíveis (exercido com a Portaria nº 202/99). Sem a autorização e registro desse órgão nenhuma empresa pode operar neste ramo, pois não obteria as inscrições cadastrais perante a Fazenda Estadual e Federal. Assim, não poderia ter atuado dessa forma, pois os fornecedores não poderiamlhe vender combustíveis. Para não ser repetitivo, em vista do quanto analisado no item anterior, apenas ressalto a conclusão a que cheguei, de que em vista dos elementos em sentido contrário, que não são poucos, não é possível chegarse à conclusão de que, conforme afirma, agiu como representante comercial, havendo fortes indícios que militam em sentido oposto. Desta forma, como não infirmou o fato indiciário, demonstrando a origem dos créditos em conta corrente, não é possível ser albergado pela regra do §2º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Também não fica mitigado o conceito de renda, exatamente por não ter logrado provar que praticava de fato o objeto social de representação comercial, ônus que lhe cabia. Assim, conforme concluí acima, inexiste violação à legalidade ou à vinculação necessária do ato de lançamento. Com base nas receitas omitidas, foi efetuado o lançamento com base no critério do lucro arbitrado, baseado na alíquota mais favorável de 9,6%, concernente à revenda de mercadorias. Fl. 2142DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.012 27 Tal procedimento foi executado porque a recorrente, durante o procedimento fiscal não apresentou livros e documentos que compunham sua escrituração, mesmo intimada, nos termos do art. 530, III, do RIR/99, o que está de acordo com o preceito legal. Com efeito, no caso concreto não havia qualquer outra possibilidade de aferimento do resultado, senão com base no método empregado. Sou, portanto, pela manutenção do lançamento. (e) Multa qualificada A recorrente alega ter disponibilizado todos os documentos e informações que dispunha, não havendo provas que ocultou deliberadamente fato gerador. Não se verificou, também, ato seu que caracterize fraude, ocultação ou atitude dolosa que configure crime contra a ordem tributária. Não foi esse o entendimento do colegiado a quo, baseado no voto condutor que decidiu pelo acerto da multa exasperada diante do fato de que a Lexxon participava de um esquema para sonegação de impostos, o que torna forçoso a aplicação da multa qualificada Compulsando os autos verifiquei, ainda, os seguintes elementos: a) o esquema do qual tomava parte a recorrente foi assim descrito na imprensa, após a deflagração da operação policial que desarticulou o esquema: O Nurce (Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos), em parceria com a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) do Ministério Público Estadual, fez uma megaoperação para cumprir mais de quarenta mandados de prisão e busca e apreensão na região Noroeste do Paraná, na manhã desta terça feira (19). O trabalho reuniu cerca de 50 policiais civis e militares, além de representantes da PIC, que prenderam 12 pessoas acusadas de envolvimento com adulteração de combustíveis e sonegação fiscal, entre outros. Há cinco meses, a equipe investigava crimes de sonegação de impostos, adulteração de combustíveis, formação de quadrilha, falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro entre postos de combustíveis, distribuidoras e usinas de álcool. Postos de gasolina, escritórios e residências de empresários foram revistados para encontrar notas fiscais e extratos bancários que comprovassem os crimes. Computadores, caixas e pacotes com diversos documentos foram apreendidos. As buscas e apreensões foram realizadas em Maringá, no escritório autorizado da distribuidora Camacuã Transportes de Petróleo Ltda., no escritório autorizado da DCP Distribuidora e Comércio de Petróleo Ltda, em escritório de vendedores varejistas. Em Campo Mourão foi investigado o escritório Lexus Combustíveis Ltda, representante da Petrotiba Petróleo Ltda. Em Moreira Sales, próximo à cidade de Goiocerê foi vistoriada a usina de Açúcar e Álcool Goiocerê Ltda. e em Londrina, Fl. 2143DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.013 28 alguns escritórios de distribuidoras, inclusive de São Paulo.Todo material apreendido foi encaminhado à Receita Estadual. Fraude — De acordo com as denúncias as distribuidoras de combustíveis da região de Maringá comprariam o álcool das usinas com nota fiscais subfaturadas, ou seja, declaravam valores inferiores, para pagar menor impostos. Além disso elas manteriam escritórios regionais, que compravam o combustível das usinas e enviavam diretamente para os postos, sem passar pela base da distribuidora, onde o combustível deveria passar pelo controle de qualidade. Com o bloco de notas fiscais em mãos, os representantes das distribuidoras fariam a venda do álcool diretamente para os postos, muitas vezes subfaturando a venda, para, assim, conseguir lucro maior. b) às fls. 1812, o relatório elaborado pelo Nurce, demonstra que o sócio da recorrente, Luiz Fernandes, não só tinha conhecimento de que participava de ilícito como também agia para obstar a produção de provas. Vejase o trecho relatado: A concorrência da Usina: As interceptações telefônicas ainda remetem a uma outra situação. Algumas compras de álcool são feitas sem que a Usina emita nota fiscal para a distribuidora. Neste trabalho somente foi possível identificar que a Usina de Açúcar e Álcool Goioerê Ltda, localizada na cidade de Goioerê PR participa ativamente do esquema noticiado, em conluio com a distribuidora PETROTIBA, em estreitas e escusas parcerias para a prática da sonegação fiscal. Numa das ligações telefônicas interceptadas Luiz Fernandes lembrou Sueli, funcionária de seu escritório, que deveria fazer o cruzamento das informações dos relatórios da usina com o deles, já que, segundo ele, a segurança do negocio dependeria da conformidade das informações, a fim de que o esquema não seja detectado. c) às fls. 1817, prossegue o relatório, com as conclusões finais obtidas: A SAGAE PERON REPRESENTAÇAO COMERCIAL LTDA, LEXUS COMBUSTIVEIS LTDA, PETROTIBA DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA, e a USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL GOIOERÊ LTDA representam nessa estrutura uma quadrilha estável e sólida, formada para o cometimento de ilícitos penais contra a ordem tributária e econômica na seara de combustíveis; d) às fls. 1835, no depoimento de Afonso Seiji Sagae, é por ele afirmado que no escritório de Campo Mourão ligados a distribuidora PETROTIBA, além do escritório de representação LEXUS, o proprietário Luiz Fernandes Correia também possui a TERRADIESEL, que é uma TRR, tendo como sócio nesta empresa Jorge Farina; quando contacta com este escritório sempre fala com a pessoa de Francisco que é funcionário da empresa e só essa com quem negocia; enfim, todos que participam deste processo são cientes das irregularidades, nelas incluindo as distribuidoras PETROTIBA, o escritório LEXUS, a Fl. 2144DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.014 29 distribuidora CAMACUÃ e seu escritório de representação em Maringá, a DCP e seu escritório de representação em Maringá e os donos de postos revendedores, os quais se beneficiam financeiramente desta prática; dentre as usinas, a única que sabe apontar como vendedora de álcool sem nota fiscal é a usina GOIOERÊ, que tem acordo com o escritório LEXUS; quanto as notas fiscais, pode dizer que estas são expedidas pelo escritório LEXUS, quando se refere a PETROTIBA e quanto às demais distribuidoras referidas não sabe por onde as notas são emitidas. Este depoimento foi confirmado pelo de Paulo Guilherme Paes Perón, às fls. 1839/1840. Às fls. 1487, o depoente Francisco Carlos Teodoro, auxiliar administrativo, afirma que todas as Distribuidoras representadas por Luiz Fernandes passavam uma tabela escalonada de preços que variava desde a venda a ser feita com nota cheia (mais cara) até a venda sem nota (mais barata) Por fim, às fls.1861, relata o investigador Marcos Assis Gonçalves Concluise que, apesar de responder a Inquérito Policial n.008/2004 junto ao Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos, LUIZ FERNANDO e as empresas TERRA DIESEL e PETROTIBA continuam a atuar de forma desleal, irregular, clandestina e ilícita junto ao comércio de derivados de Petróleo e Álcool, causando transtorno e prejuízo a empresas devidamente constituídas e "recolhedoras" de impostos. Não fosse bastante tal enxurrada de elementos em sentido único, verificouse neste caso a prestação de declarações de rendimentos em diversos anoscalendário com valores bastante inferiores àqueles efetivamente lançados. Num dos anoscalendário inclusive, conforme já se mencionou, foi prestada declaração de inatividade. A prestação de declaração de rendimentos com valores inferiores àqueles efetivamente percebidos denota intenção de subtrair do conhecimento da Administração fatos geradores ocorridos, autorizando a qualificação da multa de ofício. Correta, assim, aplicação da multa qualificada ao caso. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 04 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 2145DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.015 30 Fl. 2146DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE ANDRADE em 30/07/2012 12:09:50. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE ANDRADE em 30/07/2012. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 07/08/2012 e EDUARDO DE ANDRADE em 30/07/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.1018.09282.P8XC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: C2C396DC56130A1B3763BD0D7C02C0998A681A11 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10950.004767/2007-15. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10821.000634/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
Numero da decisão: 2402-006.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente EDWARD CHARLES KARPINSKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 06 34 /2 00 6- 56 Fl. 153DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 10ª Tuma da DRJ/SP1, consubstanciada no Acórdão nº 1729.409 (fls. 121/126) de 07 de janeiro de 2009, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da decisão recorrida, temse que: Contra o contribuinte foi lavrado, em 14/12/2006, o Auto de Infração de fls. 81 e seguintes, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física devido por: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditado em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatado no Termo de Verificação de fls. 76 e seguintes. Os valores lançados correspondem ao exercício de 2002, anocalendário 2001, constituindose em crédito tributário no montante de R$ 82.744,32, dos quais R$ 35.572,66 corresponderam a imposto, R$ 24.429,49 a multa proporcional e R$ 25.742,17 a juros de mora calculados até 30/11/2006. A ação fiscal originouse do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização nº 08.1.27.00006000881, para verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte no período de 01/2001 a 12/2001. Os valores lançados, constantes do Auto de Infração, Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativo, são relativos a 17/09/2001. O presente lançamento de oficio decorreu da apuração, em procedimento fiscal, de infrações à legislação tributária, conforme discriminado pela autoridade lançadora às fl.76 e seguintes. Sem prejuízo da leitura integral, destacase: (fl. 76) "0 procedimento instaurado teve origem no Memorando Circular Cofis/Gab n°2005/00726, de 14/06/2005 que encaminhou às Regiões Fiscais relação dos contribuintes identificados como ordenantes, remetentes e/ou beneficiários das operações financeiras realizadas nas Instituições Financeiras Merchants Bank, MTB Hudson bank, dentre outros. Foi recebida pela Delegacia da Receita Federal em São Sebastião, através da SRRF/8ªRF/Difis, representações fiscais em meio eletrônico, encaminhada pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF n° 463/2004 onde foi identificada operação financeira no exterior no anocalendário de 2001, na qual o contribuinte aparece como beneficiário de divisas, originadas no Brasil, através das contas/subcontas mantidas/administradas em instituições financeiras dos Estados Unidos, no caso MTB Hudson Bank. (..) Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10821.000634/200656 Acórdão n.º 2402006.545 S2C4T2 Fl. 3 3 3. Procedimentos Fiscais. Preliminarmente salientamos que o contribuinte encontrase omisso de entrega de declarações no período em referência, tendo apresentado declaração de isento nos exercícios de 1998 e 2005, somente. (...) Ressaltamos contudo que recebemos documento assinado por Jonas Erich Möller, que declara não ter poderes para atendimento, (..). Anexa, ainda, várias cópias, naõ autenticadas, de documentos que não fazem relação ou comprovam a remessa de dinheiro efetuada à revelia do Sistema Financeiro Brasileiro. (...) 4. Análise dos Fatos. (..) Entretanto levanos a conclusão de que tais operações forma de fato praticas pelo fiscalizado, ou seja, o fiscalizado obteve crédito em conta depósito, no exterior, de valores remetidos do Brasil, à revelia do Sistema Financeiro Nacional." O contribuinte apresentou impugnação as fls.85 e seguintes. Alega, sem prejuízo da leitura integral da impugnação, em síntese, que: 1 a origem do numerário é a venda de apartamento localizado no Rio de Janeiro/RJ, pertencente ao seu cônjuge Ely Soares C. Ribeiro, que fez remessa em seu favor. 2 faria prova da venda do apartamento com a documentação juntada. Observa que o valor de venda em 13/08/2001 (R$100.000,00) foi recebido em espécie por exigência da vendedora do imóvel, Sra. Ely. 3 não caberia a tributação, em razão do fato de que a remessa é fruto do numerário obtido com a venda do apartamento e destinada ao cônjuge do contribuinte. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo sob fundamento, em síntese, de que, no presente caso, por se tratar de valor vultoso, a comprovação de sua origem deveria ser plena e satisfatória, o que não foi alcançado pelo sujeito passivo no caso vertente. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/02/2009, o recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 134 / 141) em 26/02/2009, por meio do qual reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Fl. 155DF CARF MF 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Conforme consta no relatório supra, contra o contribuinte foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Registrese, pela sua importância que, o lançamento que deu origem ao presente PAF teve origem no Memorando Circular Cofis/Gab nº 2005/00726, de 4/06/2005 que encaminhou para as Regiões Fiscais relação dos contribuintes identificados como ordenantes, remetentes e/ou beneficiários das operações financeiras realizadas nas Instituições Financeiras Merchants Bank, MTB Hudson Bank, dentre outros, conforme descrição dos fatos constante no Termo de Verificação de Infração (fls. 83 e seguintes). Assim foi que o contribuinte, por meio do Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 20/11/2006, foi intimado para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recursos remetidos para o exterior em 17/09/2001, no valor de US$ 50.300,00. Em reposta à intimação da autoridade administrativa fiscal, o Sr. Jonas Erich Möller, por meio do expediente de fls. 68, informou que: Conforme cópia do espelho bancário do MTB Hudson Bank, quem enviou o numerário foi a Sra. Ely Soares Ribeiro (CPF n°038.918.28772), esposa do Sr. Edward Charles Karpinski, (CPF nº 454.708.55953), americano; Conforme cópia do IRPF 2002/2001 da Sra. Ely, constante na base de dados da Secretaria da Receita Federal, que a mesma possuía um apartamento no Rio de Janeiro/RJ e que na época vendeu o mesmo por cerca de R$ 160 mil, como a Sra. Ely e o Sr. Edward não residem no Brasil, enviaram este numerário para o exterior, afim de suprir gastos com saúde e manutenção; Tais informações são prestadas com base no fato de que Jonas Erich Möller (CPF 557.698.29915), mesmo não tendo poderes para responder à intimação do Fisco, foi contador da Sr. Ely e tinha conhecimento sobre a origem dos recursos objeto da remessa. Neste contexto, a Fiscalização concluiu que os fatos relatados consolidam a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, conforme preconiza o art. 42, da Lei n° 9.430/96, in verbis: "Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, cujo titular, devidamente intimado, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nestas operações”. Na impugnação apresentada e também no recurso voluntário, o sujeito passivo se limitou a reiterar a afirmação de que os recursos identificados pela fiscalização tiveram origem na venda de um imóvel de sua cônjuge localizado no Rio de Janeiro/RJ. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10821.000634/200656 Acórdão n.º 2402006.545 S2C4T2 Fl. 4 5 Com vistas a comprovar suas alegações, traz aos autos os mesmos documentos outrora apresentados para a fiscalização pelo Sr. Jonas Erich Möller, a saber: (i) cópia parcial da DIRPF/2001, AnoCalendário 2000 da Sra. Ely Soares (cônjuge do Recorrente) (fls. 102 e 103); e (ii) cópia de Certidão do 5º Ofício do Registro de Imóveis, referente ao imóvel ali descrito, na qual se verifica que a Sra. Ely Soares vendeu o referido imóvel em 13/08/2001, pelo valor de R$ 100.000,00. Da análise dos fatos e documentos apresentados, verificase que razão não assiste ao Recorrente. Isto porque, apesar de terem certa coerência fática e cronológica, os argumentos e documentos apresentados pelo Recorrente possuem fragilidades que conduz à conclusão pela procedência do lançamento fiscal. Vejamos: * Na cópia parcial da DIRPF/2001, AnoCalendário 2000 da Sra. Ely Soares, não há uma perfeita identificação do imóvel, constando, apenas, há seguinte descrição: “apartamento no Rio de Janeiro”, pelo que não é possível vinculálo ao imóvel objeto da Certidão do 5º Ofício do Registro de Imóveis. * Na cópia parcial da DIRPF/2001, AnoCalendário 2000 da Sra. Ely Soares, o imóvel de sua propriedade no Rio de Janeiro foi declarado no valor de R$ 200.000,00, sendo que: o Sr. Jonas Erich Möller, contador da Sra. Ely Soares, informou que a venda do imóvel foi realizada por cerca de R$ 160.000,00; na Certidão do 5º Ofício do Registro de Imóveis, referente ao imóvel ali descrito, verificase que a Sra. Ely Soares vendeu o referido imóvel em 13/08/2001, pelo valor de R$ 100.000,00; como se vê, não há uma coincidência de valores entre as informações e documentos apresentados; * Não foram trazidos aos autos outros documentos, tais como: (i) a DIRPF/2002, AnoCalendário 2001 da Sra Ely Soares, na qual, em tese, deveria estar declarada a venda do imóvel em questão, (ii) o Contrato de Compra e Venda referente à venda do referido imóvel, contendo: preço, forma de pagamento, dentre outras informações. Fl. 157DF CARF MF 6 * Não foram trazidos aos autos extratos bancários da remessa dos recursos para o exterior, para a conta da qual se originou a transferência em favor do contribuinte (NAKIA HOLDINGS, INC;3RD FL., EURO C ANAD1AN CENTRE,;NASSAU, BAHAMAS, conforme extrato de fls. 07). * O valor de R$ 100.000,00 (venda do imóvel), convertidos em dólares em 17/09/2001 (data da operação de transferência) equivale à quantia de US$ 37.482,66, conforme Resultado da Conversão de fls. 119. Não se trata, como alega o Recorrente, de perfeita correlação. Tratase, em verdade, de um diferença de mais de US$ 12.500,00, entre o crédito identificado em favor do sujeito passivo (US$ 50.000,00) e o valor correspondente à venda do imóvel na data da operação (US$ 37.482,66). * Informa o Recorrente que o pagamento pela venda do imóvel de deu em espécie, o que não se afigura razoável, considerando o valor da operação de R$ 100.000,00. Como se vê, os esclarecimentos e documentos apresentados pelo contribuinte com vistas a comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta no exterior padecem de fragilidades, não servindo, pois, como meios de prova. No presente caso, em verdade, exceto pela certidão do 5° Ofício do Registro de Imóveis, que registra a alienação de apartamento na cidade do Rio de Janeiro cm 13/08/2001, inexiste qualquer outro elemento que demonstre a origem dos US$ 50.300,00. Dessa forma, não tendo o Recorrente comprovado a origem do depósito bancário efetuado de forma satisfatória por meio de documentação hábil e idônea, concluise pela manutenção da decisão recorrida em todos os seus termos. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.000600/2010-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1526.233, da 4ª Turma da DRJ/SDR, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o Ato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 06 00 /2 01 0- 09 Fl. 34DF CARF MF 2 Declaratório Executivo (ADE) DRF/ITA n° 417422, de 01/09/2010 (fl. 09), que impôs a exclusão do Simples Nacional, a partir de 01/01/2011, posto que a ora recorrente possui débitos, com exigibilidade não suspensa, conforme listados no próprio ADE. A interessada tomou ciência do feito em 22/09/2010, de acordo com cópia do AR à fl. 15. Em 22/10/2010 apresentou a contestação de folhas iniciais, alegando, em suma, que os débitos constantes no ADE foram regularizados por meio de parcelamento previsto na Lei 11.241, de 2009, segundo cópia do recibo de transmissão do pedido em 23/06/2010 (fl.08), razão pela qual solicita a revisão da exclusão de oficio. A recorrente tomou ciência da decisão em 04/04/2011 e apresentou o seu recurso voluntário em 04/05/2011. É o breve relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário tempestivo. e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alegou que: · a decisão da DRJ teve por base a Portaria PGFN/RFB 6/2009, art. 1°, § 3°; · defende que a Lei 11.941/09 não alija os débitos do Simples Nacionaldo parcelamento; · que a referida portaria cria regra não prevista em lei e, portanto, é inconstitucional (art. 5°, inciso II, da Constituição Federal CF); · baseia o seu entendimento, também, no art. 97, do Código Tributário Nacional; · menciona que: Assim, Portaria não pode modificar disposição de Lei (REsp n° 60644/PR, 2a Turma, Rei. Min. ANTÓNIO DE PADUA RIBEIRO, DJ de1310511996; REsp n°78785/PR, 1 11 Turma, Rei. Min. H UMBERTO GOMES DE BARROS, DJ de 0410311996, REsp n° 52900/RS, 2a Turma, Rei. Min. JOSÉ DE JESUS FILHO, DJ de 21/11/1994); · conclui, requerendo: A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência Ato Declaratório Executivo DRF/ITA n°. 417422, espera e requer a recorrente seja acolhido a presente recurso para o fim de assim ser decidido, MANTÊLA ENQUADRADA NO SIMPLES NACIONAL, acolhendo, para tanto o parcelamento aderido regularmente, da Lei n°. 11.941 /2009. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10508.000600/201009 Acórdão n.º 1001000.781 S1C0T1 Fl. 3 3 Requerendo, outrossim, o EFEITO SUSPENSIVO (art. 33 do Decreto. 70.23511972), para que mantenha Recorrente no Simples Nacional até julgamento final deste recurso. De fato, como menciona a recorrente, em seu recurso, a decisão da DRJ foi baseada no art.1°, § 3°; da Portaria conjunta PGFN/RFB 6/2009, a qual peço a devida vênia para reproduzir: A manifestante transmitiu pedido de parcelamento na forma da Lei n 11.241, de 2009, conforme cópia do recibo à fl. 10. Ocorre, porém, que os débitos do Simples Nacional não são alcançados pela referida forma de parcelamento, conforme dispõe o § 3 da Portaria Conjunta PGFN/RFB 6, de 22 de julho de 2009, in verbis: ... Registrese que os débitos do Simples Federal, de que trata a Lei ri 9.317, de 1996, esses sim, podem ser incluídos no parcelamento da Lei ri 11.941, de 2009, haja vista que são originários de tributos de competência da União e administrados pela Secretaria da Receita Federal. No caso do Simples Nacional a situação é diferente, pois o referido sistema envolve tributos de competência da União, Distrito Federal, estados e municípios. Sendo assim, os benefícios da Lei n2 11.941, de 2009, não se aplicam ao Simples Nacional, eis que é vedado à União promover redução de crédito tributário cuja competência para instituição pertença aos estados, municípios e Distrito Federal, conforme dispõe o art. 151, inciso III, do CTN. Desse modo, não há previsão legal para concessão de parcelamento de débitos relativos ao Simples Nacional. Restando comprovado no sistema SIVEX que os débitos motivadores do ADE ainda não foram regularizados, conforme tela "Consulta débitos após prazo para regularização", à fl. 20, mantémse a exclusão de oficio do Simples Nacional. A recorrente alega a inconstitucionalidade da norma. Entretanto, entendo irrelevante o argumento, aliás, a própria DRJ detalhou as razões da impossibilidade de inclusão dos débitos, em epígrafe, no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. Vêse, com base na tela (fl 20) que os débitos continuavam pendentes de regularização, portanto, fica evidente que não foram incluídos no parcelamento, como alega a recorrente. A Lei Complementar 123/2006, no artigo 17, inciso V, dispõe que: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fl. 36DF CARF MF 4 Como restou configurada a situação acima, é de manterse a exclusão imposta o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/ITA n° 417422, de 01/09/2010. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000014/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 01 4/ 20 10 -1 8 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12571.000014/201018 Resolução nº 3301000.710 S3C3T1 Fl. 166 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 12571.000014/201018 Resolução nº 3301000.710 S3C3T1 Fl. 167 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721181/2011-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. ATENDIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. Somente se caracteriza como anacrônico o paradigma proferido antes da edição da norma legal utilizada como fundamento principal no acórdão recorrido, sendo irrelevante a eventual menção a atos legais apenas como reforço à tese defendida.
EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO.
Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, cuja utilização precípua seja no transporte de pessoas ou cargas.
BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. PLATAFORMA.
Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores, a alíquota do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, no caso de receita de afretamento de plataforma utilizada na perfuração de poços de petróleo, não era reduzida a zero.
Numero da decisão: 9202-007.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a Declaração de Voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. ATENDIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. Somente se caracteriza como anacrônico o paradigma proferido antes da edição da norma legal utilizada como fundamento principal no acórdão recorrido, sendo irrelevante a eventual menção a atos legais apenas como reforço à tese defendida. EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO. Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, cuja utilização precípua seja no transporte de pessoas ou cargas. BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. PLATAFORMA. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores, a alíquota do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, no caso de receita de afretamento de plataforma utilizada na perfuração de poços de petróleo, não era reduzida a zero. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a Declaração de Voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 81 /2 01 1- 81 Fl. 1570DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre remessas ao exterior, a título de pagamento de afretamento de plataformas marítimas utilizadas na perfuração de poços de petróleo. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 664 a 688, a autuada firmou, em 28/10/2005, contrato com a empresa Pride Foramer SAS, domiciliada na França, para afretamento de uma sonda de perfuração semisubmersível, Pride South Atlantic. Em sessão plenária de 09/02/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402005.676 (fls. 1.440 a 1.458), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, no caso de receitas de afretamentos de, dentre outros, embarcações marítimas, aprovados pelas autoridades competentes. EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO. Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, que transporte pessoas ou cargas. Artigo 2º, da Lei 9.537/97 EMBARCAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Compete ao beneficiado comprovar que o contrato de afretamento incidiu sobre embarcação para fazer jus ao correlato benefício fiscal.” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e por maioria darlhe provimento, Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.571 3 vencido o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho." O processo foi encaminhado à PGFN em 19/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.459) e, em 14/07/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.460 a 1.473 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.474), com fundamento no artigo 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a incidência de IRRF sobre pagamento por afretamento de plataforma. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 28/07/2017 (fls. 1.477 a 1.483). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: o artigo 1º da Lei 9.481, de 1997, que reduziu a zero a alíquota do IRRF incidente sobre determinadas operações, dispõe o seguinte: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Destaque da Recorrente) a referida lei não cuidou de delimitar o conceito de embarcação, para fins do benefício tributário concedido, e diante de tal lacuna o intérprete deve buscar o conceito em outras fontes, como dicionários, glossários, normas técnicas ou mesmo em outros diplomas legais; a autoridade fiscal elegeu a definição contida na Lei 9.537, de 1997, que regulamenta a segurança do tráfego aquaviário, e assim dispõe: Art. 2° Para os efeitos desta Lei, ficam estabelecidos os seguintes conceitos e definições: V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; XIV Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo; Fl. 1572DF CARF MF 4 consultandose o dicionário eletrônico Houaiss, é possível extrair conceito semelhante, embora menos rígido e detalhado: Embarcação: (...) 2 Rubrica: termo de marinha. qualquer estrutura flutuante destinada ao transporte de pessoal e/ou carga. 2.1 Rubrica: termo de marinha. qualquer meio flutuante de pequeno porte. segundo tais conceitos, os bens objeto de afretamento se caracterizariam como plataformas, e não embarcações, e sob esta ótica não fariam jus à alíquota zero acima referida; com efeito, para se caracterizar uma embarcação, nos termos da Lei nº 9.537, de 1997, é imprescindível que seja destinada ao transporte de cargas ou pessoas, mesmo quando se trate de plataforma flutuante; quando se destina, precipuamente, às atividades relacionadas com a pesquisa, exploração ou explotação, o bem se caracteriza como plataforma stricto sensu; a Contribuinte, por sua vez, entende que “se a lei tributária não se referiu a uma definição contida em lei especifica e identificada, outros elementos devem ser utilizados para a correta identificação do conceito jurídico, de modo a justificar o enquadramento das plataformas em seu contexto”; neste sentido, defende que devem ser consideradas outras normas, que permitiriam equiparar plataformas a embarcações: NORMAM 01 Item 0117 2) Plataforma em movimentação entre locações da mesma área situação em que a embarcação se desloca geralmente em viagem de curta duração, numa área entre regiões da mesma estrutura geológica; e 3) Plataforma em estacionamento, posicionada sob ferros ou em posicionamento dinâmico, em operação de pesquisa ou exploração situação em que a embarcação permanece, normalmente, por longos períodos em operação de pesquisa ou exploração de petróleo. Item 0201 As plataformas móveis são consideradas embarcações, estando sujeitas à inscrição e/ou registro. As plataformas fixas, quando rebocadas, são consideradas embarcações, estando, também, sujeitas a inscrição e/ou registro. Lei 2.180/54 Art . 10. O Tribunal Marítimo exercerá jurisdição sobre: (...) m) ilhas artificiais, instalações estruturas, bem como embarcações de qualquer nacionalidade empregadas em operações relacionadas com pesquisa científica marinha, Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.572 5 prospecção, exploração, produção, armazenamento e beneficiamento dos recursos naturais, nas águas interiores, no mar territorial, na zona econômica exclusiva e na plataforma continental brasileiros, respeitados os acordos bilaterais ou multilaterais firmados pelo País e as normas do Direito Internacional. (Incluído pela Lei nº 9.578, de 1997) Lei 9.966/00 Art. 2º Para os efeitos desta Lei são estabelecidas as seguintes definições: (...) V – navio: embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes; (Destaques da Fazenda Nacional) na busca pelo propósito da redução a zero da alíquota do IRRF pelo art. 1º da Lei 9.481, de 1997, cumpre, inicialmente, analisar o inciso I, em cotejo com os demais incisos do mesmo artigo, na esperança de que este cotejo lance alguma luz sobre, por exemplo, o setor ou o tipo de atividade econômica que se pretendeu beneficiar com a medida; entretanto, o que se vê é que os incisos I a XII abrangem atividades bastante díspares e pontuais, cuja única característica comum é que implicam em remessa de rendimentos ao exterior; mais profícua, porém, é a análise meticulosa do texto do próprio inciso I, em si considerado, e o referido dispositivo abrange “receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias”; ao agrupar as receitas de fretes, afretamentos, aluguéis e arrendamentos de embarcações, com pagamentos referentes a containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias, o dispositivo legal transmite claros sinais de que seu escopo se relaciona efetivamente com a atividade de transporte, seja de cargas, seja de pessoas; apesar de não ser determinante, a impressão de que o legislador tinha em mente o conceito da Lei 9.537, de 1997, é fortalecida pelo fato de que esse diploma (que legiferou sobre o conceito de embarcação) foi sancionado em 11/12/1997, apenas um dia depois da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, que transformou o benefício da alíquota zero para o afretamento de embarcações de temporário (válido apenas para o anocalendário de 1997) para definitivo (vide artigo 1º, da Lei 9.481, de 1997, que teve a redação alterada pelo art. 20, da Lei 9.532, de 1997); não socorre a autuada o fato de o bem por ela alugado ter a função subsidiária de transportar a sua tripulação e os materiais usados nas pesquisas sísmicas; quando as definições de embarcação acima expostas enumeram como característica básica a propriedade de flutuar transportando pessoas ou cargas, estão obviamente se referindo às funções precípuas dessas estruturas flutuantes, sendo uma referência justamente àquilo que as diferencia das demais estruturas; Fl. 1574DF CARF MF 6 entretanto, para que um objeto flutuante possa ser definido como embarcação, ele deve ter o transporte de pessoas e/ou coisas como função preponderante, e isso definitivamente não ocorre em relação aos bens em apreço, cuja função é a realização de perfurações para a pesquisa e a lavra de petróleo; portanto, considerando que o conceito de embarcação como sendo uma estrutura flutuante destinada ao transporte de pessoas e/ou carga é mais adequado à finalidade que se depreende do art. 1º, inciso I, da Lei 9.481, de 1997, concluise que os rendimentos dos bens afretados/alugados pela autuada não estão submetidos à alíquota zero, por não corresponderem a embarcação. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 08/08/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.488), a Contribuinte ofereceu, em 23/08/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1.489), as Contrarrazões de fls. 1.491 a 1.530, contendo os seguintes argumentos: Da impropriedade do Acórdão nº 10614.432 como paradigma conforme se verifica da ementa do referido acórdão, este é inadequado para fins de demonstração de divergência jurisprudencial, na medida em que (i) não trata da mesma situação específica daquela abordada no acórdão recorrido e (ii) referese a arcabouço normativo diverso daquele do presente caso (paradigma anacrônico); ‐ de fato, há divergência fundamental entre os dois casos que justificou inclusive a adoção, no suposto acórdão paradigma, de tese que não possui qualquer relação com a presente discussão, já que o argumento determinante para manutenção da autuação, no caso do paradigma nº 10614.432, diz respeito ao fato de as remessas para remuneração do afretamento das embarcações terem sido destinadas a beneficiário residente em país com regime de tributação favorecida; assim, o próprio voto vencedor afirma, em relação à possibilidade de plataformas serem ou não tidas como embarcações, que a referida discussão seria dispensável à solução da lide (fls. 37 do acórdão nº 10614.432), já que, com base no artigo 8º, da Lei nº 9.779, de 1999, a alíquota zero do IRF não se aplicaria à remessas para o exterior referentes a afretamento de embarcação, quando o beneficiário está localizado em país de tributação favorecida, portanto, irrelevante no paradigma a caracterização ou não das plataformas como embarcação, mas tal não é o caso do acórdão recorrido; nesse passo, devese observar que somente se configura a divergência necessária para admissão de Recurso Especial quando o acórdão recorrido e o acórdão paradigma adotam soluções diversas em face de situações idênticas, e nitidamente não é esse o caso em tela, vez que o paradigma utilizado pela Recorrente apoiouse em fundamento diverso da matéria ora sob discussão (conceituação de plataforma como embarcação), considerandoa, ainda, irrelevante, vez que não influenciaria no resultado daquele julgamento; no acórdão apontado como paradigma, o dispositivo determinante para resolução da controvérsia foi o art. 8º, da Lei nº 9.779, de 1999; mais do que isso, naquele caso é expressamente afirmada a irrelevância do artigo 1º, da Lei nº 9.481, de 1997; Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.573 7 embora a recorrente tenha afirmado ter havido interpretação divergente apenas em relação ao art. 1º, da Lei nº 9.481, de 1997, art. 2º, V e XIV, da Lei nº 9.537, de 1997, art. 10, “m”, da Lei nº 2.180, de 1954, e art. 2º da Lei nº 9.966, de 2000, a verdade é que o acórdão recorrido trouxe farta fundamentação legal que vai muito além dos aludidos dispositivos; dentre as normas não mencionadas no Recurso Especial, mas utilizadas pelo acórdão recorrido para corroborar seu posicionamento, encontrase o Parecer n° 023/06, anexo ao Ofício n° 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, que não estava em vigor à época em que prolatado o acórdão utilizado pela Recorrente como paradigma; também não estava em vigor, àquela época, a Lei nº 13.043, de 2014, que alterou o supratranscrito artigo 1º, § 2º, inciso II, da Lei 9.481, de 1997, para reconhecer de forma literal a aplicação da alíquota zero do IRF ao afretamento de unidades “com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda)”, ainda que não sejam exclusiva nem primordialmente destinadas ao transporte de pessoas e coisas, são consideradas embarcações; da mesma forma, ainda não havia sido editada a Solução de Consulta COSIT nº 12/2015, também já transcrita anteriormente, na qual a própria Receita Federal do Brasil afirmou, de forma expressa, que unidades semissubmersíveis – como é o caso da embarcação “Pride South Atlantic”, objeto do presente processo – são espécie do gênero embarcação; a edição de Solução de Consulta na qual a própria Receita Federal do Brasil reconhece que as unidades semissubmersíveis – como a “Pride South Atlantic” – são consideradas embarcações, a vigência da Lei nº 13.043, de 2014, que também deixou tal fato expresso, e a emissão de parecer da parte da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil no mesmo sentido tornam o contexto atual completamente diferente daquele que existia à época da prolação do acórdão paradigma; Da impropriedade do Acórdão nº 3403002.702 como paradigma ocorre que, novamente, a simples análise da ementa do referido acórdão demonstra que ele é inadequado para fins de demonstração de divergência jurisprudencial, na medida em que trata de matéria completamente diversa daquela discutida neste autos e que, apesar de ser menos remoto que o outro acórdão utilizado como paradigma, também se mostra anacrônico; com efeito, o aludido paradigma tem como controvérsia a “bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (navios sonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita”; em outras palavras, o acórdão paradigma trata da desconsideração do contrato de afretamento para tratálo como prestação de serviços, enquanto, no caso em análise, já houve expressa manifestação de ambas instâncias administrativas quanto a existência de contrato de afretamento, sendo que a controvérsia está limitada ao conceito de embarcação; Fl. 1576DF CARF MF 8 até mesmo o tributo em discussão nos dois casos é diverso, pois como se sabe, discutese no presente caso a incidência de IRRF sobre as remessas de valores relativos a contrato de afretamento celebrado entre a Contribuinte e a empresa estrangeira Pride Foramer SAS; já no paradigma o tributo controvertido é a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre remessas financeiras ao exterior; de fato, esse paradigma reflete o posicionamento adotado em sessão de julgamento datada de 29/01/2014, sendo que, após tal data entrou em vigor a Lei nº 13.043, de 13/11/2014, que, como visto, reconheceu de forma literal a sujeição à alíquota zero do IRRF de afretamento internacional de unidades “com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda)”, ainda que não sejam exclusiva nem primordialmente destinadas ao transporte de pessoas e coisas, são consideradas embarcações; também a Solução de Consulta COSIT 12/2015, na qual a própria RFB afirma que unidades semissubmersíveis são consideradas espécie do gênero embarcação, foi editada posteriormente à prolação do aludido acórdão paradigma; como bem esclarecido pelo Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, na realidade não há dissídio jurisprudencial, mas apenas decisões inseridas em contextos normativos distintos. Do mérito a embarcação “Pride South Atlantic” também se destina ao transporte de pessoal e/ou carga, apenas não tem essa funcionalidade como fim precípuo; a definição trazida pelo dicionário eletrônico Houaiss não é, de forma alguma, compatível com a conclusão da Recorrente, visto que em nenhum momento a aludida definição se refere ao “transporte de pessoal e/ou carga” como fim precípuo, como pretende fazer crer a Recorrente que, na realidade, parece querer “interpretar a interpretação” do dicionário acerca do sentido do termo embarcação; basta fazer referência ao esclarecimento explícito do artigo 106 da Lei nº 13.043, de 2014, no sentido de que é possível que uma embarcação não tenha finalidade precípua de transporte de pessoas ou coisas, mas sim uso nas atividades de exploração, desenvolvimento ou produção de petróleo e gás; tratase de Contrato de Afretamento ajustado na modalidade por tempo (time charter), já que o pagamento foi ajustado com base em valores diários, tendo sido a embarcação disponibilizada armada e tripulada; tendo sido pacificado tal fato, tornase incontroverso que a embarcação em tela é capaz de transportar pessoas e coisas, ainda que o transporte não seja a sua finalidade precípua ou exclusiva; nesse passo, a discussão passa a ser unicamente sobre a necessidade de que a Unidade Pride South Atlantic seja destinada exclusiva ou precipuamente para o transporte de pessoas ou coisas para que possa ser considerada uma embarcação; ocorre que essa interpretação não apenas se mostra incompatível com a definição trazida pela Lei nº 9.537, de 1997, como levaria a uma interpretação contraditória e absurda de seu artigo 2º, no qual são fornecidos os conceitos de embarcação (inciso V) e plataforma (inciso XIV); Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.574 9 ‐ em síntese, alegou a Recorrente que uma plataforma pode ser uma embarcação, desde que usada exclusivamente ou primordialmente para transporte de pessoas ou cargas, no entanto, tal interpretação é de rigor impossível, já que pela definição da própria Lei nº 9.537, de 1997, a plataforma deve ser destinada primordialmente não para transporte de pessoas ou cargas, mas para as “atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo”; assim, a única interpretação possível da referida lei é de que uma plataforma será qualificada também como uma embarcação se, além de sua destinação para as atividades de exploração de recursos do mar, da plataforma continental e seu subsolo, for “suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas”; nesse passo, conforme já mencionado nestes autos, o TRF2, por unanimidade de votos, entendeu que plataformas móveis, tal como a plataforma semi submersível Pride South Atlantic, estão enquadradas no conceito de embarcação, e sustentou, inclusive, que “a destinação para o transporte de pessoas ou cargas não constitui elemento essencial para o enquadramento das plataformas móveis no conceito de embarcação, impondose, deste modo, o reconhecimento da subsunção destas na alíquota zero do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte”; no mesmo sentido, ao julgar o Recurso Extraordinário 76.133RJ, em que se discutia a aplicação de isenção do IPI às plataformas autoelevatórias para perfuração submarina, o STF conceituouas como espécie do gênero embarcação para fins tributários; no voto vencedor, o Ministro Antonio Neder afirma que, se as autoridades competentes – no caso o antigo Ministério da Marinha, atual Marinha do Brasil – definiram e classificaram plataforma como embarcação, não poderia o Fisco, assim, desclassificála; como se sabe, é exatamente o que ocorreu no caso em tela, uma vez que o RIR/99, em seu art. 691, I, determina expressamente a necessidade de liberação por autoridades competentes para o afretamento de embarcações, sendo certo que a Contribuinte está respaldada pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, que exerce poder de polícia sobre as plataformas e editou a NORMAM 01, na qual são adotados como sinônimos os termos plataforma e embarcação inúmeras vezes; a Lei nº 2.180, de 1954, que dispõe sobre o Tribunal Marítimo, estabelece em seu art. 10, "m", que na esfera de atuação do tribunal, embarcação também é conceito compreensivo das plataformas marítimas; de forma semelhante dispõe a Lei nº 9.966, de 2000, que, em seu art. 2º, inciso V, desvincula o conceito de embarcação do qualificativo "transporte de pessoas ou coisas"; conforme exaustivamente demonstrado, embarcação e plataforma devem ser tidas como gênero e espécie, respectivamente, e por este motivo, estão inseridas no âmbito de aplicação da alíquota zero do IRRF prevista no artigo 691, I, do RIR/99; a força dos fundamentos aqui expostos é tamanha que, como já visto, a própria RFB, ao interpretar o aludido dispositivo quando da edição da Solução de Consulta COSIT 12/2015, afirmou que unidades semissubmersíveis são espécie do gênero embarcação. Fl. 1578DF CARF MF 10 não subsiste, assim, qualquer espaço para controvérsia no caso em tela, sob pena inclusive de comportamento contraditório (venire contra factum proprium) da parte da Recorrente. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional ou, caso assim não se entenda, o acolhimento de suas razões, para que seja mantido o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre remessas ao exterior, a título de pagamento de afretamento de plataformas marítimas utilizadas na perfuração de poços de petróleo. Conforme Termo de Verificação Fiscal, a autuada firmou contrato com a empresa Pride Foramer SAS, domiciliada na França, para afretamento de uma sonda de perfuração semisubmersível, Pride South Atlantic. O Colegiado recorrido deu provimento ao Recurso Voluntário, enquadrando no conceito de embarcação as plataformas marítimas em tela, o que resultou na aplicação da alíquota zero quando da remessa dos pagamentos ao exterior. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa discutir a incidência de IRRF sobre pagamento por afretamento de plataforma, sob o pressuposto de que, para que possa ser considerada uma embarcação, a plataforma deve ser destinada exclusiva ou precipuamente ao transporte de pessoas ou coisas. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial, alegando que os paradigmas indicados pela Fazenda Nacional Acórdãos nºs 10614.432 e 3403002.702 não se prestariam à demonstração da divergência jurisprudencial. Quanto ao paradigma representado pelo Acórdão nº 10614.432, a Contribuinte alega que, embora esse julgado tenha "ventilado alguns comentários" acerca do conceito de plataforma e embarcação, o seu fundamento teria sido o fato de as remessas para remuneração do afretamento das embarcações serem destinadas a beneficiário residente em país com regime de tributação favorecida (art. 8º da Lei nº 9.779, de 1999). Ademais, alega tratarse de paradigma anacrônico, por ser anterior ao Parecer n° 023/06, anexo ao Ofício n° 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, citado no acórdão recorrido, à Lei nº 13.043, de 2014 e à Solução de Consulta COSIT nº 12/2015. Quanto ao primeiro argumento, apesar de a ementa do paradigma induzir à conclusão de que a questão da conceituação de plataforma como embarcação não teria sido relevante, este foi um dos dois fundamentos considerados igualmente aptos a decidir o litígio. Ressaltese que, embora a Contribuinte assevere que o paradigma dedicou apenas "alguns comentários" a este fundamento, compulsandose esse julgado constatase que o tema foi tratado da pág. 35 a 53, ou seja, quase vinte folhas, abordando a interpretação das Lei nºs 9.481, de 1997, 9.537, de 1997, NORMAM 01/2000, Parecer CST n° 145/71, RE 76.133, de 1974, do STF, Parecer SLTN n° 68/70 e Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, todos tratados no acórdão recorrido. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.575 11 Confirmando que a questão da conceituação da plataforma como embarcação constituiu fundamento apto a resolver o litígio no paradigma representado pelo Acórdão nº 10614.432, trazse à colação o Acórdão nº 920201.545, de 10/05/2011, por meio do qual não se conheceu do Recurso Especial daquela Contribuinte exatamente porque não foi apresentado paradigma acerca dessa matéria, considerada como autônoma e apta a decidir a lide. Confirase a ementa do Acórdão nº 920201.545: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. A decisão recorrida manteve o auto de infração com base em dois fundamentos jurídicos: i) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%; e ii) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 a operação passou a ser tributada independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações. A peça do recurso especial nada se referiu ao primeiro fundamento jurídico, qual seja, o de que plataformas petrolíferas não são embarcações, limitouse, ao revés, a impugnar a matéria relativa ocorrência da tributação independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações, por entender ter havido alteração da fundamentação da exigência. É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Súmula n. º 283 do Supremo Tribunal Federal. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso especial não conhecido" (grifei) Assim, não há dúvida de que a questão da conceituação das plataformas como embarcações constituiu fundamento apto, por si só, a manter a decisão do acórdão paradigma, de sorte que o fato de tratar de outra matéria não o torna inservível a demonstrar a divergência. Quanto à alegação de anacronismo do paradigma representado pelo Acórdão nº 10614.432, esclareçase que paradigma anacrônico é aquele proferido em contexto normativo substancialmente diverso daquele que orientou o recorrido, ou seja, ao paradigma seria impossível interpretar de forma diversa a norma que fundamentou o recorrido, simplesmente porque tal norma ainda não existia à época da prolação do paradigma. Nesse passo, obviamente que a norma em questão é aquela que exerceu papel preponderante na tomada de decisão no acórdão recorrido, sem a qual a lide não teria aquele desfecho. Fl. 1580DF CARF MF 12 No presente caso, repitase que as normas básicas que fundamentaram o acórdão recorrido Lei nºs 9.481 e 9.537, ambas de 1997, e NORMAM 01/2000 e outras também abordadas como reforço no julgado guerreado Parecer CST n° 145/71, RE 76.133, de 1974, do STF, Parecer SLTN n° 68/70 e Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias também foram tratadas no paradigma. Quanto ao fato de o paradigma ser anterior ao Parecer n° 023/06, anexo ao Ofício n° 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, citado no acórdão recorrido, tal fato somente tornaria o paradigma anacrônico se dito parecer tivesse exercido papel preponderante na tomada de decisão no acórdão recorrido. Entretanto, esse, como tantos outros pareceres, foram citados no acórdão recorrido apenas como reforço à interpretação conferida às Leis nºs 9.481 e 9.537, ambas de 1997. No que tange à Lei nº 13.043, de 2014 e à Solução de Consulta COSIT nº 12/2015, estas sequer foram citadas no acórdão recorrido, portanto não lhe serviram de fundamento, daí a irrelevância quanto ao fato de o paradigma ser anterior a elas. Destarte, o paradigma representado pelo Acórdão nº 10614.432 é plenamente apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Quanto ao segundo paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 3403002.702, de 29/01/2014 a Contribuinte alega, em sede de Contrarrazões, que referido julgado trata de matéria diversa da discutida no recorrido, além de ser anacrônico, por ser anterior à edição da Lei nº 13.043, de 13/11/2014, e à Solução de Consulta COSIT 12/2015 . No que tange à diversidade de matérias, com efeito, o paradigma trata de exigência da CIDE, enquanto que o acórdão recorrido aborda o IRRF. Entretanto, a divergência está sendo demonstrada em relação à conceituação de plataformas utilizadas em exploração de petróleo, se poderiam ou não ser classificadas como embarcações. Nesse particular, a legislação cuja interpretação diversa está sendo demonstrada nada tem a ver com esse ou aquele tributo, funcionando, no presente caso, como normas genéricas. Confirase o ponto de divergência apontado pela Fazenda Nacional, bem como os respectivos trechos dos julgados cotejados: Acórdão recorrido "Na hipótese dos autos, o acórdão recorrido firmou entendimento no sentido de que as plataformas utilizadas pela contribuinte se inserem no conceito de embarcação. Para tanto, o colegiado considerou desnecessário para o enquadramento no conceito, a exigência quanto ao transporte de cargas ou pessoas. Eis trecho do julgado: No artigo 11, o mesmo Decreto n° 87.648/82 trazia a definição de "embarcação mercante", estas sim e apenas estas caracterizadas pela destinação ao comércio marítimo, a evidenciar de forma cabal que no conceito de "embarcação" a finalidade é irrelevante. Mais tarde, o artigo 10 do Decreto n° 87.648/82 assim passou definir embarcação: "O termo ´embarcação´, para efeito deste Regulamento, significa qualquer construção, capaz de transportar pessoas ou coisas, suscetível de se locomover na água por meios próprios ou não". De acordo com esse novo conceito, além de ser suscetível de se locomover na água por meios próprios ou não, a embarcação deverá ser "capaz de transportar coisas ou pessoas", não significando isso que necessariamente deva ser utilizada nessa finalidade, bastando que tenha capacidade para tal. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.576 13 (...) À luz da legislação citada, a destinação final para o transporte de pessoas ou cargas não é elemento essencial do conceito legal de embarcação, bastando para tanto a capacidade de transportálas. (...) É falha a conclusão de que somente as embarcações destinadas ao transporte de coisas e pessoas fariam jus ao benefício ao argumento de que o legislador teve por objetivo incentivar o comércio exterior, porque se assim fosse não teria sentido que os navios de transporte de pessoas, em especial os de turismo e recreio, fizessem jus ao benefício porque não se pode afirmar que estão operando no comércio exterior. Não menos falha é a conclusão no sentido de que a Lei 9.539/97 no art. 2º, V ao definir embarcação, estaria restringindo o conceito no sentido de que qualquer construção, inclusive as plataformas, deve ter por finalidade o transporte de pessoas/cargas para que sejam consideradas embarcação, porque não existe plataforma que tenha por finalidade o transporte de pessoas/cargas, embora elas tenham essa capacidade e efetivamente transportem equipamentos de toda a espécie e pessoas quando estão navegando. (destaques da Recorrente) Paradigma Acórdão 3403002.702 "De tudo que até aqui se registrou – conceitos técnicos, definições legais, interpretação jurisprudencial, penso ter ficado evidente que as unidades petrolíferas de que se trata não se confundem com embarcações. Embarcações são destinadas ao transporte de pessoas e/ou carga sobre ou sob a água. As plataformas são instalações ou estruturas marítimas para as atividades relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação de recursos petrolíferos. Eventualmente, até se locomovem na água, mas jamais se destinarão ao transporte de pessoas ou coisas. A recorrente louvouse no Parecer nº 023/06, anexo ao Ofício nº 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, item 31, para asseverar que “...a natureza jurídica da plataforma móvel é de uma embarcação especial...”. Há de se convir que essa interpretação sucumbe diante da própria definição legal. Ademais, a NORMAN 01DPC14, aprovada pela Portaria nº 9, de 11 de fevereiro de 2000, estabelece no item 3, letra "b", que se aplicam as definições constantes do art. 2° da Lei nº 9.537, de 1997. Ou seja, não há contradição entre o entendimento da Autoridade Marítima e a referida lei. A obrigatoriedade de registro no órgão marítimo competente tampouco tem o condão de transformar em embarcações as plataformas móveis, os barcosfaróis, bóias de amarração, as bóias de sinalização ou quaisquer outras estruturas flutuantes. (destaques da Recorrente) Fl. 1582DF CARF MF 14 Ao final do cotejo, a Fazenda Nacional assim conclui: “Há identidade fática entre o acórdão proferido pela e. Câmara a quo e os acórdãos paradigmas, eis que conferiram interpretação diversa ao conceito de embarcação. O acórdão recorrido considerou prescindível o transporte de pessoas ou cargas para enquadramento do objeto na definição de embarcação, o que ensejou a possibilidade de usufruir de benefício fiscal relativo ao IRRF. Por outro lado, os acórdãos paradigmas entenderam necessário o preenchimento da finalidade relativa ao transporte de pessoas ou cargas expressamente disposta no inciso V, do art. 2º, da Lei 9.537/97, de modo que não poderia o navio de pesquisa ser considerado embarcação e, portanto, mostrase devido o recolhimento do referido imposto.” Com efeito, a alegada divergência jurisprudencial restou demonstrada, relativamente à caracterização da estrutura em análise como embarcação. No caso do acórdão recorrido, o transporte de pessoas ou cargas não foi considerado relevante para tal caracterização. Já nos acórdãos paradigmas, ao contrário, considerouse o transporte de pessoas ou cargas como requisito essencial para a conceituação de embarcação. Quanto ao segundo argumento, no sentido de que o paradigma seria anacrônico por ser anterior à Lei nº 13.043, de 2014 e à Solução de Consulta Cosit nº 12, de 2015, repitase que o acórdão recorrido em momento algum utilizou tais atos em sua fundamentação. Ademais, ainda que o paradigma fosse posterior a esses atos, ele não os utilizaria, por tratarem, esses sim, de IRRF, tributo que não está sendo exigido no paradigma. Repitase que a divergência jurisprudencial diz respeito à conceituação de plataforma/embarcação, que não está atrelada a nenhum tributo em particular. Em tempo, registrese que o relator desse segundo paradigma traz à colação, para corroborar o seu entendimento acerca da impossibilidade de conceituação de plataforma como embarcação, trechos de decisão judicial proferida no processo que tratou de IRRF, que coincidentemente é o primeiro paradigma, Acórdão nº 10614.432, o que demonstra a total irrelevância do tributo, em face da discussão sobre a conceituação do equipamento. Assim, não há qualquer óbice ao aproveitamento desse segundo julgado como paradigma. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinarlhe o mérito. A autuação, abarcando fatos geradores de 2007 e 2008, foi levada a cabo com base nos artigos 682, 717, 691, inciso I, todos do RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999; e na Lei nº 9.537, de 1997. Quanto aos artigos do RIR/1999, estes assim dispõem: "Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); (...) Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.577 15 Art. 691. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses (Lei nº 9.481, de 1997, art. 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 20): I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (...) Art. 717. Compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário (DecretoLei nº 5.844, de 1943, arts. 99 e 100 e Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, § 1º)." Assim, para o que interessa no presente processo, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores 2007 e 2008 previa alíquota zero apenas para os contratos de aluguel ou arrendamento de embarcações marítimas ou fluviais. Destarte, o cerne da controvérsia é a caracterização da estrutura objeto do contrato de arrendamento ora analisado se embarcação ou não. Nesse passo, a Lei nº 9.537, de 1997, que dispõe sobre segurança do tráfego aquaviário, assim dispõe: "Art. 2° Para os efeitos desta Lei, ficam estabelecidos os seguintes conceitos e definições: (...) V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; (...) XIV Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo;" No presente caso, é incontroverso que a estrutura objeto dos contratos é uma plataforma caracterizada como sonda semisubmersível para perfuração de poços de petróleo e, conforme as definições acima, as plataformas somente se caracterizam como embarcações quando utilizadas no transporte de pessoas ou cargas. Claro está que essa atividade de transporte não se afigura como apenas uma probabilidade mas sim se exige que a atividade precípua da estrutura seja o transporte, o que não é o caso da estrutura ora analisada, utilizada na perfuração de poços de petróleo. Aliás, consta do Termo de Verificação Fiscal que, em 06/07/2011, a própria Contribuinte declarou, em resposta a intimação, que algumas das remessas haviam sido feitas com retenção de IRRF, porém sem a incidência da CIDE, assim justificando: Fl. 1584DF CARF MF 16 "A Entidade entende que há incidência do imposto de renda na fonte nas remessas a título de aluguel de equipamento e plataforma, por não estarem isentas, ou reduzidas à alíquota zero, conforme os artigos 690 e 691 do DecretoLei (sic) nº 3.000/00, respectivamente." (grifei) Nesse contexto fáticonormativo, não há como considerar a aplicação de alíquota zero, uma vez que a plataforma sonda semisubmersível em questão não pode ser classificada como embarcação, por não ter como utilização precípua o transporte de pessoas ou cargas, mas sim a perfuração de poços de petróleo. Assim, a despeito dos argumentos constantes do voto vencedor do acórdão recorrido, bem como das alegações trazidas em sede de Contrarrazões, não é necessário sequer recorrer a definições fora da legislação citada no Auto de Infração. Com efeito, o art. 2º, da Lei nº 9.537, de 1997, ao inserir as plataformas em dois incisos em separado, especificando em cada um deles a atividade que deveria ser considerada para efeito de classificação como embarcação ou plataforma, obviamente pretendeu que a classificação levasse em conta essa atividade, do contrário os dois incisos teriam sido unificados, com todos os tipos de plataformas considerados como embarcação, independentemente de sua utilização. Nesse passo, somente pode ser considerada como embarcação a plataforma cuja atividade precípua seja o transporte de pessoas ou cargas. Aliás, a exigência no sentido de que a plataforma se locomova, bem como a ressalva de que a plataforma fixa somente pode ser considerada embarcação quando rebocada, não deixa dúvidas acerca da atividade de transporte. Seguindo essa lógica, foi alocada em outro inciso e classificada apenas como plataforma (e não como embarcação) a estrutura cuja atividade precípua não é o transporte/locomoção e sim a "pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar", como é o caso do equipamento ora analisado. Ainda em sede de Contrarrazões, a Contribuinte reitera que haveria outros diplomas legais a serem analisados, que confirmariam a tese no sentido de que a plataforma em questão seria classificável como embarcação. Tais argumentos já foram brilhantemente espancados no voto vencido do Ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que ora reitero como minhas razões: "NORMAN 01/2000 Para fundamentar o recurso, o sujeito passivo lançou mão dos seguintes dispositivos desta norma editada pelas autoridade marítimas: Item 0117 2) Plataforma em movimentação entre locações da mesma área situação em que a embarcação se desloca geralmente em viagem de curta duração, numa área entre regiões da mesma estrutura geológica; e 3) Plataforma em estacionamento, posicionada sob ferros ou em posicionamento dinâmico, em operação de pesquisa ou exploração situação em que a embarcação permanece, normalmente, por longos períodos em operação de pesquisa ou exploração de petróleo. Item 0201 Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.578 17 As plataformas móveis são consideradas embarcações, estando sujeitas à inscrição e/ou registro. As plataformas fixas, quando rebocadas, são consideradas embarcações, estando, também, sujeitas a inscrição e/ou registro. É importante observar que as normas devem ser interpretadas no contexto em que se aplicam. Nesse sentido, observase que no "Item 117" o termo "embarcação" é utilizado numa acepção que apenas reforça a idéia expressa acima, ou seja, a plataforma pode ser considerada embarcação apenas no sentido estrito de indicar sua locomoção como forma de viabilizar a sua operação em outro ponto do mar, jamais no sentido de indicar a sua utilização como transportadora de pessoas ou coisas. Por outro lado, a equiparação de plataforma a embarcação no sentido de determinar a sua sujeição ao registro no órgão competente também não tem o condão de dar a plataforma uma conceituação distinta daquela presente na Lei n.º 9.537/1997, que dispõe sobre a segurança do tráfico aquaviário em águas sob a jurisdição nacional. Até porque esta regra em razão do princípio da hierarquia normativa não poderia se sobrepor à Lei. Nesse sentido vejase que a própria NORMAN 01/2000 prevê sua submissão aos conceitos do art. 2.º da Lei n.º 9.537/1997: " 3 DEFINIÇÕES a) Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita à inscrição na Autoridade Marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; b) Navegação em mar aberto a realizada em águas marítimas consideradas desabrigadas; e c) Aplicamse as definições constantes do Artigo 2º da Lei nº 9.537 de 11/12/1997 que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário (LESTA) e sua regulamentação (Decreto nº 2.596 de 18/05/1998 RLESTA)." Lei n.º 2.180/1954 Desta norma que dispõe sobre Tribunal Marítimo, órgão, autônomo, auxiliar do Poder Judiciário, vinculado ao Ministério da Marinha e com jurisdição em todo o território nacional, a recorrente extrai o seguinte dispositivo: Art . 10. O Tribunal Marítimo exercerá jurisdição sôbre: (...) m) ilhas artificiais, instalações estruturas, bem como embarcações de qualquer nacionalidade empregadas em operações relacionadas com pesquisa científica marinha, prospecção, exploração, produção, armazenamento e beneficiamento dos recursos naturais, nas águas interiores, no Fl. 1586DF CARF MF 18 mar territorial, na zona econômica exclusiva e na plataforma continental brasileiros, respeitados os acordos bilaterais ou multilaterais firmados pelo País e as normas do Direito Internacional. (Incluído pela Lei nº 9.578, de 1997) Também não vejo como esse dispositivo possa inserir as plataformas na conceito de 'embarcação' acima fixado. O texto legal apenas menciona que as embarcações que se relacionem à pesquisa, exploração ou produção dos recursos naturais do mar estão sujeiras à jurisdição do Tribunal Marítimo. Não está aí taxativamente alguma disposição no sentido de que as plataformas encontramse inseridas no conceito de 'embarcação', mas mesmo que assim se entenda, o contexto da Lei é apenas no sentido de indicar que as estruturas flutuantes utilizadas na pesquisa e exploração marítimas encontramse no escopo específico desta lei, nada mais. Observese que não é salutar para interpretação que queremos chegar, a utilização de trechos normativos isolados, longe do contexto de conceituar 'embarcação' para fins tributários. Lei 9.966/2000 Desta Lei que, dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional, a recorrente foi buscar o art. 2.º para dar força a sua tese. Art. 2º Para os efeitos desta Lei são estabelecidas as seguintes definições: (...) V – navio: embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes; Menciona que tal dispositivo, ao criar definições para o conceito de 'embarcação' e 'navio', tal como fez a Lei n.º 9.537/1997, por se tratar de lei posterior teria disposto sobre o mesmo tema e, desta forma, revogado a norma anterior, desvinculando absolutamente do conceito de "embarcação" o qualificativo 'transporte de pessoas ou coisas', bastando para tanto que possua o atributo de flutuar. Acerca desse argumento, concordo plenamente com o que ficou assentado no voto condutor do acórdão recorrido. Primeiramente há se ter em conta que o contexto normativo da Lei de 2000 é tratar de prevenção de acidentes que posam lançar produtos poluentes no meio aquático, ou seja, sua finalidade é bem mais restrita de que a Lei n.º 9.537/1997, que dispõe sobre a segurança do tráfico aquaviário em águas sob a jurisdição nacional. Ademais, o seu artigo 2º., não definiu 'embarcação', mas sim, 'navio', como sendo embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes. Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.579 19 Verificase, por outro lado, que a Lei nº.9966, de 2000, no seu artigo 2º. não inovou quanto ao conceito de 'embarcação', cuidando tão somente da definição de 'navio' e nos que diz respeito à conceituação de plataforma reproduziu o texto da Lei n.º 9.537/1997, como se pode ver: “VI – plataformas: instalação ou estrutura, fixa ou móvel, localizada em águas sob jurisdição nacional, destinada a atividade direta ou indiretamente relacionada com a pesquisa e a lavra de recursos minerais oriundos do leito das águas interiores ou de seu subsolo, ou do mar, da plataforma continental ou de seu subsolo; (...)” De se concluir que a Lei 9.966/2000 não revogou as definições que se encontram na Lei nº. 9.537/97." Com efeito, a Lei nº 9.966, de 2000, em seu art. 2º, fornece a definição de plataforma, diferenciandoa inclusive da definição de navio, exatamente como o faz a Lei nº Lei nº 9.537, de 1997, relativamente a embarcação: "Art. 2o Para os efeitos desta Lei são estabelecidas as seguintes definições: (...) V – navio: embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes; VI – plataformas: instalação ou estrutura, fixa ou móvel, localizada em águas sob jurisdição nacional, destinada a atividade direta ou indiretamente relacionada com a pesquisa e a lavra de recursos minerais oriundos do leito das águas interiores ou de seu subsolo, ou do mar, da plataforma continental ou de seu subsolo;" Quanto ao restante dos atos legais citados pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, e no voto vencedor, tratase de manifestações anteriores à vigência da Lei nº 9.537, de 1997, ou atos infralegais, que não podem ser soprepostos à própria lei. Ademais, as decisões judiciais citadas, ainda que se referissem à legislação ora aplicada, não possuem força vinculante para o CARF. Relativamete à Lei nº 13.043, de 2014, citada pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, esta é posterior à ocorrência dos fatos geradores, o que inviabiliza a sua eventual aplicação, a teor do art. 144 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN): Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. E lembrese que, a teor do art. 111 do CTN, esse tipo de dispositivo tem de ser interpretado literalmente. Da mesma forma, a Solução de Consulta Cosit nº 12, de 09/02/2015, é inaplicável ao presente caso, já que interpreta a Lei nº 13.043, de 2014, e não a legislação que Fl. 1588DF CARF MF 20 fundamenta o presente voto. Aliás, dita Solução de Consulta deixa patente que a possibilidade de aplicarse alíquota zero nos contratos de afretamento da plataforma em tela, utilizada na exploração de petróleo, somente passou a ser possível com a edição da Lei nº 13.043, de 2014. Nesse passo, esse ato interpretativo descarta expressamente essa interpretação quanto à legislação vigente ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora tratados (2007 e 2008). Confirase trechos da Solução de Consulta Cosit nº 12, de 2015: "12. Sobre a matéria consultada é importante destacar que a legislação, objeto da consulta, foi modificada pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que alterou o art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, inserindo o §2º, que passou a admitir expressamente a alíquota zero de IRRF para remessas para o exterior em contraprestação ao afretamento de embarcações utilizadas na exploração de petróleo: (...) 13. Desse modo, a consulta deverá ser solucionada de acordo com legislação vigente e deverá restringirse a analisar o enquadramento das plataformas semissubmersíveis como embarcações e a utilização ou não de sistemas flutuantes ou tipo sonda para fins de limite da parcela relativa ao contrato de afretamento das plataformas em relação ao do valor global do contrato, que envolver simultaneamente a de prestação de serviço de operação dessas plataformas. (grifei) Finalmente, registrese que, quando do início do presente julgamento, na reunião de agosto de 2018, em sede de memorial, a Contribuinte mencionou o art. 3º da Lei nº 13.586, de 28/12/2017, que teria estabelecido a alíquota zero para o equipamento em tela com efeitos retroativos, transcrevendo em nota de rodapé apenas o caput do dispositivo. Entretanto, longe de demonstrar o direito ao benefício, a leitura completa do citado artigo, mormente do seu § 1º, não deixa dúvidas acerca da inexistência de direito à alíquota zero, por ocasião do momento de ocorrência dos fatos geradores ora tratados (2007 e 2008). Confirase a redação do at. 3º da Lei nº 13.586, de 2017, na sua integralidade: "Art. 3o Aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, aplicase o disposto nos §§ 2º e 12 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e a pessoa jurídica poderá recolher a diferença devida de imposto sobre a renda na fonte, acrescida de juros de mora, no mês de janeiro de 2018, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício. § 1o Para fazer jus ao tratamento previsto no caput deste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável das ações administrativas e judiciais que tenham por objeto os débitos de que trata este artigo e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se fundem as referidas ações. § 2o A desistência de que trata o § 1o deste artigo poderá ser parcial, desde que o débito objeto da desistência seja passível de distinção dos demais débitos discutidos no processo administrativo ou judicial. § 3o É facultado o pagamento do débito consolidado de que trata o caput deste artigo em até doze parcelas mensais, iguais e Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.580 21 sucessivas, e a primeira parcela será vencível em 31 de janeiro de 2018 e as demais, no último dia útil dos meses subsequentes. § 4o As parcelas a que se refere o § 3o deste artigo serão acrescidas de juros equivalentes: I à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir de 1o de fevereiro de 2018 até o último dia do mês anterior ao do pagamento; e II de 1% (um por cento), no mês do pagamento. § 5o Na hipótese de incorporação, de fusão ou de cisão ou de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação, as parcelas vincendas devem ser pagas até o último dia útil do mês subsequente ao do evento. § 6o A extinção da ação nos termos do disposto no § 1o deste artigo dispensa o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. § 7o O disposto no caput deste artigo não se aplica às embarcações utilizadas na navegação de apoio marítimo, definida na Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997, as quais se encontram expressamente excepcionadas do disposto nos §§ 2º E 9º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agostode 1997, conforme o disposto no § 10 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000431/2004-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Aplicação da Súmula CARF 91 ao caso.
Numero da decisão: 9101-003.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à DRF de origem.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo(Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF 91 ao caso.
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Aplicação da Súmula CARF 91 ao caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos autos à DRF de origem. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 04 31 /2 00 4- 51 Fl. 614DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo(Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte Nacional diante do acórdão nº 180200.667, onde se entendeu que no caso de tributos lançados por homologação, a extinção do crédito tributário dáse na data do pagamento antecipado. Portanto, o termo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Na origem tratase o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 0102, protocolada em 20/10/2004, onde o Contribuinte pretende compensar débitos de CSLL lançados de oficio (processo n° 11030.001840/200491), períodos de apuração 09/1999 e 12/1999, nos valores de R$2.998,17 e R$23.821,33, respectivamente, informando um crédito de R$30.977,45, referente a pagamento a maior ou indevido de IRPJ, efetuado em 30/07/1999 . Ao analisar a compensação a DRF, concluiu que ocorreu a decadência do direito de pedir restituição, já que o pedido foi posterior a 05 anos do pagamento. Apresentada Manifestação de Inconformidade a DRJ manteve a decisão da DRF. Desse modo foi apresentado o competente Recurso Voluntário, que culminou na decisão antes mencionada, que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fato gerador: 30/06/1999 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para pleitear a restituição/compensação de valor dito pago indevidamente ou em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos 165 e 168, do Código Tributário Nacional. No caso de tributos lançados por homologação, a extinção do crédito tributário dáse na data do pagamento antecipado. Portanto, o termo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Cientificado da decisão o Contribuinte embargos de declaração que foram improvidos. Tempestivamente, posteriormente apresenta Recurso Especial de divergência, assentado o entendimento de que, nos pedidos formulados até a edição da Lei Complementar n° 118/05, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13027.000431/200451 Acórdão n.º 9101003.696 CSRFT1 Fl. 729 3 O Recurso do Contribuinte foi admitido pelo despacho do então presidente da Câmara. A Fazenda, devidamente cientificada informa que não apresentaria contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre o conhecimento do Recurso, não há reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade. O Contribuinte traz dois paradigmas claros no sentido da tese que apresenta, no sentido de que o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador, para pedidos anteriores a Lei Complemtentar 118. No mérito, importante destacar que tal matéria já foi sumulada pelo CARF. Clara, portanto, a aplicação ao caso da Súmula CARF 91, que assim dispõe: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Nesse contexto, por configurar clara situação de aplicação da súmula, entendo que deve ser acolhido o pedido do Contribuinte. Destaquese, entretanto, que os demais elementos constantes do processo não foram analisados, de modo que o processo deve retornar à DRF para novo julgamento, considerando não haver a decadência no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902875/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Relatório
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Relatório
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Numero do processo: 13804.001085/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO EM SUFICIÊNCIA.
Comprovada, por meio de diligência determinada especificamente para esta finalidade, a existência de créditos presumidos de IPI nos termos da Lei n° 9.363/1996 em suficiência, merece reconhecimento o encontro de contas pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, acolhendo resultado de diligência efetuada pela fiscalização.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, acolhendo resultado de diligência efetuada pela fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO EM SUFICIÊNCIA. Comprovada, por meio de diligência determinada especificamente para esta finalidade, a existência de créditos presumidos de IPI nos termos da Lei n° 9.363/1996 em suficiência, merece reconhecimento o encontro de contas pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, acolhendo resultado de diligência efetuada pela fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 10 85 /2 00 3- 91 Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.679 2 1. Tratase do despacho decisório nº 140/2008, situado às fls. 1.604 a 1.606, que deferiu parcialmente a declaração de compensação protocolada em 27/02/2003, situada à fl. 3, que visava ressarcir crédito presumido de IPI, no montante de R$ 2.981.353,71, e compensálo com débitos de IRPJ e de CSL no valor de R$ 424.927,33. O valor do crédito pleiteado, segundo informado pela contribuinte, era oriundo de: (i) o ressarcimento de crédito presumido do IPI, nos termos da Lei n° 9.363/1996, no valor de R$ 2.972.545,92, e (ii) o saldo credor do IPI de que trata a Lei n° 9.779/99, no valor de R$ 8.807,79, ambos referentes ao 4º trimestre de 2002 (período de apuração). A autoridade fiscal reconheceu apenas o valor de valor de R$ 239.262,84, não reconhecendo crédito presumido que se refira a período de apuração diverso do 4° trimestre de 2002 com base no § 4° do Art. 4° da Portaria MF n° 38/1997 e também com base no art. 1° do Decreto n° 20.910/1932, constatando que o pedido foi realizado a destempo, vez que os períodos de 01/1998 até o 3° trimestre de 2000 já se encontravam prescritos. 2. Em 17/07/2008, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, situada às fls. 1.557 a 1.569, na qual argumentou, em síntese, que: (i) ao preencher a declaração, por escusável equívoco de digitação, foi, na primeira folha do conjunto declaratório, registrado que o direito creditório da empresa correspondia a valor apurado, tão somente, no 4° trimestre de 2002, quando, na verdade, era referente aos anos 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, conforme se depreende do agrupamento declaratório/reivindicatório da homologação dos créditos e as provas documentais, préconstituídas, abarcando os períodos de 1998 a 2002; (ii) o erro formal e escusável é irrelevante para apreciação de materialidade envolvida, tendo restado superado, tanto que não foi sequer considerada pela autoridade fiscal por ocasião da apuração do crédito presumido de IPI, como comprova a relação de documentos entregues em 25/04/2006, havendo, ainda, no mesmo sentido, o Termo de Intimação Fiscal o Termo de Encerramento de Diligência, sendo que o primeiro, datado de 25/01/2008, requereu rol documental abrangendo o período de 1998 a 2002, e o segundo, datado de 10/04/2008, reconheceu, em favor da signatária, o crédito de R$ 2.972.545,95, acumulado desde janeiro de 1998; (iii) o despacho decisório ignorou robusta realidade factual e documental, tendo incorrido em contradição ao afirmar ser impossível saber que o valor informado abrangia direitos creditórios anteriores a 2002; (iv) o documento firmado pela ora recorrente não podia ser entendido como “Declaração Retificadora” substitutiva daquela protocolizada em 2003, uma vez que se tratou de documento com caráter meramente esclarecedor, sem sequer alterar o quantum vindicado, quer incluindo ou debitando valores, restringindose a explicar o que já restava materialmente evidenciado, requerendo, ao final, que a totalidade dos créditos presumidos do IPI seja homologada e, logo, sejam deferidas as compensações em apreço. 3. Em 23/09/2008, foi proferido o Despacho nº 140/2008, situado às fls. 1.604 a 1.606, por parte da Auditora Fiscal Lourdes Maria Carvalho Tavares, que, por verificar a existência de omissão do despacho decisório, em virtude de não ter havido apreciação do pedido referente ao saldo credor do IPI, determinouse a diligência para que a unidade: (i) analisasse o ressarcimento do saldo credor do IPI (art. 11 da Lei n° 9. 779/99) pleiteado no valor de R$ 8.807,79, identificando o período de apuração a que se referia, uma vez que houvera, até aquele momento, apreciação apenas do crédito presumido do IPI; (ii) consolidasse, em relatório circunstanciado, as informações prestadas e apresentasse quaisquer outras informações e documentos que considerasse úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do feito. 4. Em resposta, a unidade de origem emitiu a Informação SEORT/DRF/BEL n° 0608, de 12/11/2009, situada às fls. 1.611 a 1.612, na qual concluiu que Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.680 3 “não cabe nos autos a análise do ressarcimento do saldo credor do IPI (art. 11 da Lei n” 9.779/99) inicialmente pleiteado, no valor de R$ 8.807,79, nem a identificação do período a que se refere”. Tal conclusão se deve ao fato de que, inicialmente, a contribuinte apresentou o Pedido de Ressarcimento situado à fl. 03, pleiteando (i) o ressarcimento de crédito presumido do IPI, nos termos da Lei n. ° 9.363/1996, no valor de R$ 2.972.545,92, e (ii) o saldo credor do IPI de que trata a Lei n° 9.779/99, no valor de R$ 8.807,79, ambos referentes ao 4° trimestre de 2002. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 32 e 33), a contribuinte apresentou petição recepcionada pela autoridade fiscal a destempo como um novo pedido, que, nas palavras da informação prestada pela Unidade, "complementa o inicial, amplia o objeto de análise deste processo no que diz respeito ao período de apuração, mas, por outro lado, toma claro o crédito realmente pleiteado, uma vez que o próprio interessado assevera" que o ressarcimento em apreço se refere a Crédito Presumido de IPI calculado com base na Lei n° 9.363/1996 no valor de R$ 2.972.545,92 (item i), nada tendo a reivindicar a respeito do saldo credor de IPI no valor de R$ 8.807,79 (item ii). 5. Em 17/12/2009, a contribuinte protocolou petição situada às fls. 1.615 a 1.617, esclarecendo que, em prol da celeridade, nada tem a reivindicar a respeito do saldo credor de IPI no valor de R$ 8.807,79, "(...) o que faz para evitar novas diligências e análises (...) que fatalmente obstaculizariam a solução final da causa, e não porque anui com as razões expendidas pelo auditor fiscal (...), passando a ter como objetivo único o crédito presumido de IPI (...) no montante de R$ 2.972.545,95 (...) para, assim, proceder às suas compensações e/ou ressarcimentos". 6. Em 18/02/2010, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0116.337, situado às fls. 1.644 a 1.651, de relatoria da AuditoraFiscal Lourdes Maria Carvalho Tavares, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/ 12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada, conforme art. 17 do Decreto n. 70.235/72. IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. TRIMESTRECALENDÁRIO. O ressarcimento autorizado pelo artigo 1 1 da Lei n° 9.779/1999 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções autorizadas na legislação, o contribuinte poderá requerer ao Fisco, de forma definitiva, o ressarcimento dos referidos créditos ou compensálos. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.681 4 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. A contribuinte foi pessoalmente intimada em 10/03/2010, em conformidade com a aposição de ciência firmada sobre a Comunicação nº 0311/2010, situada à fl. 1.652 e, em 07/04/2010, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 1.655 a 1.664, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Verificase, a partir da leitura da brevíssima decisão recorrida, que o julgador a quo entendeu que o ressarcimento em apreço se vincula à condição de o titular da pretensão apresentar escrituração e controles efetivados por trimestrecalendário que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, bem como que apresente documentação hábil a conferir suporte a sua escrita, enquadrandose a recorrente na hipótese do § 2º do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002. 10. Assim, remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput do dispositivo em referência, poderá a contribuinte requerer, de forma definitiva (ou seja, de uma única vez), o ressarcimento dos referidos créditos, bem como compensálos na forma prevista no artigo 21 da prefalada norma. Com esse intuito é o formulário “Ressarcimento de IPI” (anexo da IN SRF n° 210/2002) apresenta o campo “trimestre de apuração”, e não “trimestre de utilização”. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.682 5 11. Com base em tais premissas, passa à apreciação do caso concreto e, na espécie, a contribuinte teria indicado como período do crédito o 4° trimestre de 2002, conforme declaração de compensação situada à fl. 3, protocolado em 27/02/2003 12. Contudo, a empresa, desde a primeira manifestação nos autos, decorrente de resposta a intimação a ela dirigida em 25/01/2008, informa que o valor do crédito pleiteado se refere ao montante acumulado no período de janeiro/1998 a dezembro/2002. em conformidade com petição situada à fl. 34: Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.683 6 13. No entendimento da decisão recorrida, tal hipótese não se encontraria abrangida pela legislação de regência, que dispõe que o pedido de ressarcimento será apresentado por trimestrecalendário, vedação que se justificaria pela necessidade de efetivo controle da Administração. 14. Em nenhum momento a decisão se volta a avaliar o direito substantivo da recorrente, bastandolhe afirmar que o pedido realizado em desconformidade com o desígnio da instrução normativa seria bastante para se proceder à negativa do crédito vindicado. 15. O pedido merece análise menos superficial, sendo possível a superação do rigor formal zelosamente defendido pelo julgador de primeiro piso caso efetivamente comprovado o direito pleiteado pela contribuinte, detentora do ônus probatório, como aliás pacificamente tem se posicionado este colegiado, o que obriga um retorno à vexata quæstio de acordo com as especificidades do caso concreto. 16. Em primeiro lugar, coube, segundo a decisão situada à fl. 23, a decisão à unidade de Belém, onde se localizava o estabelecimento produtor do crédito pleiteado. Por este motivo, o Seort/Belém proferiu o Despacho nº 310/2004, situado à fl. 23, que, do reconhecimento de sua competência, determinou o encaminhamento do caso ao SEFIS para as diligências que se fizessem necessárias. 17. Naquilo que efetivamente interessa ao deslinde do presente feito, o procedimento fiscal concluiu expressamente pela apuração de crédito presumido de IPI no valor acumulado total de R$ 2.972.545,95, referente ao período de janeiro/1998 a dezembro/2002, conforme se depreende da leitura do termo de encerramento de diligência situado às fls. 216 a 218. 18. Há de se observar, ademais, que o período de apuração indicado pela contribuinte (Janeiro de 1998 a Dezembro de 2002), é justamente aquele discriminado pela própria unidade em diligência realizada justamente para a apuração do crédito requerido, conforme abaixo se recorta do próprio termo de encerramento de diligência: Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.684 7 19. Conforme asseverou a unidade, à fl. 1.542, "(...) quando o contribuinte apresentou o requerimento inaugural (fl. 03), indicando o período de apuração '4 trimestre de 2002', não se poderia jamais inferir que se tratasse de valor acumulado, em que estariam incluídos créditos de IPI apurados desde 1998" e, logo, o requerimento contemplava única e exclusivamente o período referente ao 4º trimestre/2002: "Nessa linha de raciocínio, sustentando que no pedido inaugural da empresa constava, na capa do processo, apenas o “4º trimestre de 2002” – e, conseqüentemente, que o pleito inicial não contemplava créditos diversos do crédito referente ao 4º trimestre de 2002; bem como que a RFB jamais poderia inferir que se tratasse de valor acumulado, em que estariam incluídos créditos de IPI apurados desde 1998 – o Auditor Fiscal invocou um esclarecimento feito pela ELDORADO EXPORTAÇÃO E SERVIÇOS quanto ao período de apuração do crédito e o classificou como um novo pedido, que teria o caráter de complementar o inicial" (seleção e grifos nossos). 20. Assim, sem considerar os créditos acumulados desde 1998, considerando apenas o crédito referente ao último trimestre de 2002, a autoridade fiscal concluiu pelo valor de apenas R$ 239.262,84: Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.685 8 21. Considerou, ainda, a decisão em referência, que o pedido havia sido formulado em 30/01/2008, quando do protocolo, por parte da contribuinte, da petição situada à fl. 34, que informou sobre a entrega de arquivos em meio magnético de posição fiscal referentes aos anoscalendário de 1998 a 2002, motivo pelo qual, aplicandose a disposição do Decreto nº 20.910/1932, considerandose o prazo de 5 anos para se pleitear o ressarcimento do IPI, o pedido da contribuinte, formulado em 2008, teria superado o lustro prescricional, o que margeia a contrariedade, pois ou se reconhece que o pedido se restringiu ao 4º trimestre de 2002, ou se analisa, de maneira prioritária, pois prejudicial, a validade do instrumento retificador. 22. Observese, ademais, que a contribuinte apenas traz a lume a documentação referente a 1998 no ano de 2008 porque a intimação ocorreu neste ano; não houvesse um trâmite de meia década na Receita Federal para a análise da declaração de compensação de 2003, a petição da contribuinte teria sido entregue em momento anterior e, logo, não haveria que se falar em prescrição. 23. O que deve ser respondido é: qual é o momento do encontro de contas? E a resposta se encontra na redução a termo materializada pelo documento de compensação situado à fl. 2, i.e., em 27/02/2008: Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.686 9 24. Em outras palavras, em que pese atualmente muito se falar a respeito do dever de colaboração por parte dos particulares, com o qual concordamos, há de reconhecer também a necessidade da abertura de diálogo como forma de aproximar e amadurecer institucionalmente a relação entre o Fisco e os Contribuintes. Observese que uma simples intimação para prestação de esclarecimentos em data posterior a 27/02/2003 seria bastante para evitarem 15 anos de contencioso, que é o tempo de duração do presente processo. Não se desloca com esta afirmação o ônus probatório: superase, a bem da verdade, o formalismo excessivo para se solicitar um esclarecimento. 25. Observese, neste sentido, que sentido nenhum haveria em a contribuinte protocolar a sua Declaração de Compensação com cópia dos Termos de Abertura e de Encerramento dos Livros de Registro de IPI, do período de 1998 a 2002, de modo a justificar o total do crédito apresentado e vinculandoo a sua origem, caso sua pretensão se limitasse à última tríade do ano de 2002. 26. Por outro lado, o que se observa é que a própria unidade, mostrando se plenamente ciente da intenção da ora recorrente, em 25/01/2008 (data anterior, portanto, à suposta "retificação" da contribuinte), determinou à contribuinte a documentação fiscal referente ao período de janeiro/1998 a dezembro/2002, conforme termo de intimação situado à fl. 32: 27. Assim, absolutamente equivocado é o entendimento da decisão recorrida de considerar a petição situada à fl. 34, protocolada pela contribuinte em resposta à intimação acima recortada, como instrumento retificador. A petição, a bem da verdade, em nada inova ou adiciona, mas apenas esclarece e reforça que a declaração situada às fls. 02 e 03, Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.687 10 referese ao crédito de IPI acumulado de 1998 ao último trimestre de 2002, e não apenas ao crédito do último trimestre de 2002, o que é repetido pela contribuinte, consistentemente, em todas as oportunidades em que falou no processo até o presente momento. 28. Desnecessário se faz, ainda, convertese o presente feito em diligência, uma vez que a apuração do crédito presumido de IPI referente ao período de janeiro/1998 a dezembro/2002, já foi realizada, conforme termo de encerramento de diligência firmado em 10/04/2008, lavrado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil ANTONIO MARCELINO P. NETO, situado às fls. 216 a 219, que apurou crédito presumido de IPI no valor acumulado de R$ 2.972.545,95, ligeiramente abaixo, portanto, dos R$ 2.981.353,71 pleiteados, diferença que motiva o provimento parcial, e não integral do recurso: 29. Assim, não havendo notícia de fatos supervenientes aptos a alterar o quadro fáticonormativo em apreço, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para acolher o resultado do termo de encerramento de diligência situado às fls. 216 a 219, nos seu iguais e precisos termos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1687DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.914141/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESSARCIMENTO DE IPI. SOBRESTAMENTO ATÉ JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Desnecessário o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa, por inexistência de relação de prejudicialidade.
Numero da decisão: 3401-005.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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SOBRESTAMENTO ATÉ JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Desnecessário o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa, por inexistência de relação de prejudicialidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 41 41 /2 01 2- 34 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10830.914141/201234 Acórdão n.º 3401005.348 S3C4T1 Fl. 291 2 Relatório 1. Transcrevo, abaixo, por fidedigno, o relatório elaborado pela decisão recorrida: Tratase de processo de controles de pedido de ressarcimento do IPI do 3º trimestre de 2008, PER/DCOMP 06742.94119.280410.1.5.016904, no valor de R$ 286.755,75. Conforme informação fiscal de fls. 160 a 161, que embasou o despacho decisório de fls. 164, não foi reconhecido nenhum crédito, tendo em vista que em procedimento de fiscalização, fls. 140 a 159, foram lançados débitos superiores ao créditos então escriturado pela interessada. CIentificada em 02/04/2013 (fl. 167), a interessada apresentou, em 11/04/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 169 a 175, na qual, em síntese, requer o apensamento do presente processo ao processo 10830.720724/201387, que controla o auto de infração relativo ao mesmo período de apuração do ressarcimento aqui em discussão, ou, alternativamente, o sobrestamento do presente processo até o desfecho do processo citado 2. Em 12/07/2016, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1461.860, situado às fls. 263 a 266, de relatoria do AuditorFiscal Luiz Fernando de Gobbi Porto, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO DE IPI. SOBRESTAMENTO ATÉ JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. A contribuinte, intimada da decisão em 05/10/2016, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10830.914141/201234 Acórdão n.º 3401005.348 S3C4T1 Fl. 292 3 Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 270, interpôs, em 28/10/2016, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 271, recurso voluntário, situado às fls. 272 a 280, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevese, abaixo, trecho da decisão a quo que se refere ao único argumento objetado pela contribuinte recorrente em suas razões recursais dirigidas tanto à primeira como a esta segunda instância administrativa: Inicialmente, necessário apontar que a interessada não ataca o mérito do indeferimento do ressarcimento pleiteado, limitando se a pleitear a juntada por apensação deste processo ao processo 10830.720724/201387 ou, alternativamente o sobrestamento deste processo até o desfecho final daquele processo. Assim, são aplicáveis ao caso concreto as disposições do art.17 do Decreto Lei n° 70.235/1972 c/c art. 74, §11 da Lei 9.430/1996, não sendo instaurado o litígio administrativo quanto a tais pontos. Quanto ao requerimento de juntada por apensação deste processo ao processo 10830.720724/201387, que controla lançamento de ofício relativo ao mesmo período de apuração, cumpre apontar que a situação concreta não se enquadra nas hipóteses da Portaria RFB n° 666/2008, que, embora revogada, rege os casos de apensação de processo protocolados em sua vigência, e assim estipula em seu art. 2º: (...) No que se refere ao pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo tal pleito também e ser atendido nesta instância administrativa de julgamento, por falta de previsão legal para tal procedimento, uma vez que o Decreto nº Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10830.914141/201234 Acórdão n.º 3401005.348 S3C4T1 Fl. 293 4 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não autoriza a pretendida suspensão do trâmite processual. Frisese, por oportuno, que o processo administrativo é regido por princípios, dentre os quais, o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final (art. 2º, inciso XII, da Lei nº 9.784/99). Assim, não pode a autoridade administrativa proceder ao sobrestamento de processo com litígio regularmente instaurado pela apresentação de impugnação. A função precípua da Administração é o controle da legalidade do ato administrativo, controle esse que somente se consuma quando o processo houver logrado transpor todos os escalões da esfera administrativa. Assim, também sob esse enfoque, é desejável que o processo tenha o seu curso normal até a decisão final. (...) Ante o exposto, deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do presente processo, prosseguindose no julgamento da impugnação apresentada pela interessada. Importa dizer que, embora indeferidos os pleitos da interessada, nesta mesma sessão de julgamento o processo administrativo 10830.720724/201387 será julgado, com voto deste relator pela total improcedência da impugnação, o que implica na correção do indeferimento do ressarcimento pleiteado nestes autos. 6. Observese que o reconhecimento da vinculação por conexão dos processos é uma faculdade, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), e não um mandamento imperativo. 7. Não se vislumbra, ademais, relação de prejudicialidade externa do presente feito com relação ao julgamento que se desbordará do Processo 10830.720724/2013 87, que controla lançamento de ofício, que justifique o sobrestamento, o que, digase, redundaria em verdadeiro non liquet caso assim resolvesse este colegiado. 8. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.914141/201234 Acórdão n.º 3401005.348 S3C4T1 Fl. 294 5 Fl. 294DF CARF MF
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