Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,246)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10640.900677/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO ALEGADO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Nos casos de restituição/compensação, em que cabe à contribuinte comprovar ser detentora do crédito que utiliza - fato constitutivo de seu direito - não há como reconhecer o direito à compensação sem que se faça a comprovação da existência do crédito informado na DCTF retificadora.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda..
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO ALEGADO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Nos casos de restituição/compensação, em que cabe à contribuinte comprovar ser detentora do crédito que utiliza - fato constitutivo de seu direito - não há como reconhecer o direito à compensação sem que se faça a comprovação da existência do crédito informado na DCTF retificadora. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10640.900677/2006-61
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5351050
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.113
nome_arquivo_s : Decisao_10640900677200661.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10640900677200661_5351050.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5471408
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816039108608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1818; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 169 1 168 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.900677/200661 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.113 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PIS/PASEP. PER/DCOMP Recorrente LIBRA AUTO PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO ALEGADO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Nos casos de restituição/compensação, em que cabe à contribuinte comprovar ser detentora do crédito que utiliza fato constitutivo de seu direito não há como reconhecer o direito à compensação sem que se faça a comprovação da existência do crédito informado na DCTF retificadora. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório elaborado pela SAORTDRF Juiz de Fora/MG, o qual passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 06 77 /2 00 6- 61 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 “A empresa acima identificada transmitiu a DCOMP nº. 33734.45778.040803.1.3.047581 visando à compensação de débitos próprios com crédito do PIS oriundo de pagamento a maior, decorrente da arrecadação (DARF) em 15/01/2003, no valor de R$ 3.381,30 (fls.01/07). Segundo o despacho decisório eletrônico anexado às fls.13, a compensação foi não homologada em razão da inexistência do crédito informado na DCOMP, vez que integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a pretendida compensação. Na manifestação de inconformidade a interessada alega que apresentou retificadoras da DIPJ e da DCTF, em 13/12/2007, alterando o débito do PIS (crédito da DCOMP) de R$ 349,90 para R$ 1.633,80, liberando crédito para ser utilizado na compensação. Por meio do Acórdão n° 0919.303, da 2ª Turma da DRJ/JFA/MG, datado de 14/05/2008, a manifestação de inconformidade foi indeferida, sob o fundamento de que as retificações (DIPJ e DCTF) ocorreram em datas posteriores à ciência da não homologação da compensação (30/11/2007), conforme docs. fls.84/85. Por sua vez o CARF, na Resolução n° 3202000.036 — 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, datada de 01/06/2011 (fls.105/106), converteu o julgamento em diligência para que [fosse] analisada a retificação da DCTF efetuada pelo sujeito passivo, e se o mesmo [teria] direito ao crédito alegado, bem como a possibilidade de compensação com seus débitos.” Em cumprimento à diligência requerida por esta Turma julgadora, a SAORT remeteu os autos à SAFIS/DRFJuiz de Fora/MG para que, com base nos livros e documentos fiscais mantidos pela empresa, fosse apurado o valor devido a titulo de PIS, em relação ao período de apuração de dezembro/2002, e fosse confrontado tal valor com o pagamento efetuado em 15/01/2003, a fim de se determinar o saldo credor porventura existente. Elaborado Relatório da Diligência, constante às efls. 159/165, foram os autos remetidos a este Colegiado, para proceder ao julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Da diligência requerida, para verificação da existência do saldo credor alegado pela recorrente, temse que não foi possível apurar o alegado crédito referente ao PIS/PASEP de dezembro/2002, visto que a própria contribuinte, à efl. 123, informou que não mais possuía as Notas Fiscais de venda referentes ao período, tendo sido descartadas após cinco anos, mesmo estando o crédito tributário em litígio nestes autos. Diante da inexistência da documentação, não foi possível à autoridade fiscal concluir pela existência do referido crédito: “No Termo de Inicio de Diligência Fiscal (fls. 109 e 110), além dos livros contábeis, foram solicitados ao sujeito passivo a apresentação, em relação ao mês de dezembro de 2002, das notas fiscais de vendas, de planilha com a memória de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.900677/200661 Acórdão n.º 3202001.113 S3C2T2 Fl. 170 3 cálculo da Cofins e PIS/Pasep com a relação das notas fiscais de vendas e identificação das vendas de mercadorias sujeitas a alíquotas diferenciadas, de planilha com a discriminação das notas fiscais de entrada que geraram créditos de PIS/Pasep e dessas próprias notas fiscais de entrada. Em resposta à intimação (fl. 111), o contribuinte respondeu que não possui as notas fiscais requeridas, pois elas foram descartadas após o prazo legal de cinco anos. Também não possui a discriminação das notas fiscais referentes aos produtos com alíquota diferenciada e a relação das notas fiscais de entrada. Embora a empresa tenha declarado, por meio da DIPJ retificadora, que parte de sua receita vinculase ao comércio de mercadorias com alíquota diferenciada de PIS/Pasep (alíquota zero), pelo fato dela não possuir nem as notas fiscais de saída e nem a discriminação ou o detalhamento contábil das vendas com alíquota diferenciada, não foi possível ao AuditorFiscal verificar a natureza dessas vendas que teriam beneficio tributário. Além disso, em função de não possuir as notas fiscais de entrada e nem mesmo a relação dessas notas não houve como conferir o cálculo dos créditos de PIS/Pasep efetuados pela empresa. Em razão do exposto, concluise que não foi possível à fiscalização verificar qual é a real base de cálculo dos débitos e créditos da contribuição para o PIS/Pasep e o valor efetivamente devido deste tributo. Em conseqüência, também ficou inviável verificar a legitimidade do saldo credor compensado pelo sujeito passivo.” (destaques não constantes do original) Assim, como no caso em questão caberia à recorrente comprovar ser detentora do crédito que alega, fato constitutivo de seu direito, diante da falta de prova da existência do crédito informado pela recorrente na DCTF retificadora, não há como atenderlhe o pleito formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 170DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725040/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2006
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA.
É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral.
Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante integral do tributo.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo na legislação processual pátria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2006 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA. É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral. Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante integral do tributo. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo na legislação processual pátria. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.725040/2010-90
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351422
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.400
nome_arquivo_s : Decisao_10680725040201090.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10680725040201090_5351422.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5475635
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816041205760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 295 1 294 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.725040/201090 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.400 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ANUÊNIOS Recorrente CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2006 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA. É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral. Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante integral do tributo. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo na legislação processual pátria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 40 /2 01 0- 90 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.725040/201090 Acórdão n.º 2401003.400 S2C4T1 Fl. 296 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 02 44.663 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.273.6009. O crédito em questão referese às contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o relato do fisco, os fatos geradores contemplados no lançamento foram remunerações pagas ou creditadas pela empresa aos seus segurados sob a rubrica “Anuênio Indenizado” e não consideradas pela mesma como base de cálculo de contribuição previdenciária. Entendeu o fisco que a parcela em questão, a qual a empresa entendia como indenizatória, não se enquadrava nas hipóteses legais de exclusão do saláriodecontribuição, por isso deveria ser tributada. Informase ainda que o contribuinte pleiteia judicialmente a não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre as remunerações pagas a seus segurados empregados sob o título de “Anuênio Indenizado” por meio da Ação Judicial nº 2006.38.000218396 e efetuou os respectivos depósitos judiciais das contribuições sociais previdenciárias impugnadas. O crédito, portanto, foi constituído para prevenir a decadência. Foi verificada a formação de Grupo Econômico com as empresas CEMIG Distribuição S/A (CNPJ 06.981.180/000116) e Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG (CNPJ 17.155.730/000164). Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 98/100 e 101/103, com ciência em 21/12/10. Apresentada a defesa, a DRJ declarou procedente o lançamento, eximindose de apreciar o mérito da questão, uma vez que houvera renúncia ao contencioso administrativo, motivada pelo ajuizamento da ação de inexistência da relação jurídicotributária concernente à incidência de contribuições sociais sobre a verba sob comento. A exclusão da solidariedade pretendida pelas empresas arroladas no polo passivo não foi acatada em primeira instância. Inconformadas com a decisão, mais uma vez as empresas arroladas como devedoras comparecem ao processo para apresentar recurso voluntário único, no qual inicialmente defendem a sua tempestividade e passam a relatar fatos do andamento processual. Alegam que não caberia o lançamento para prevenir a decadência, uma vez que os valores lançados encontramse depositados judicialmente e o lançamento já teria sido efetuado com os depósitos, os quais estão à disposição do Judiciário. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A empresa não incorreu em mora, defendem, posto que efetuou os depósitos no prazo de vencimento do tributo, não sendo procedentes os acréscimos de multa e juros lançados. Afirma que o simples fato das empresas integrarem grupo econômico não é suficiente para criar o vínculo de solidariedade pretendido pelo fisco, para tal é imprescindível que haja a perfeita demonstração de que houve a prática conjunta do fato gerador ou mesmo interesse das empresas na situação que dá ensejo à obrigação tributária. Essa interpretação está em consonância com o entendimento majoritário do Superior Tribunal de Justiça – STJ. Sustenta que o inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 é inconstitucional, por afronta direta ao art. 146, III, “b” da Constituição Federal. Ao final, requer o conhecimento e provimento integral do recurso e que as notificações, intimações e comunicações sejam realizadas em nome do seu patrono. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.725040/201090 Acórdão n.º 2401003.400 S2C4T1 Fl. 297 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Lançamento para prevenir a decadência – cabimento Inicialmente cabe destacar que em consulta ao sítio do TRF da 1.ª Região, em 07/02/2014, verifiquei que o processo n. 2006.38.00.0218396, referido no relatório fiscal, não teve trânsito em julgado. As recorrentes alegam que não caberia o lançamento para prevenir a decadência, posto que os depósitos já haviam sido efetuados, o que corresponderia à constituição do crédito. Nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa com o depósito do montante integral do tributo. Por força de tal dispositivo legal, fica o fisco impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança judicial, tais como a inscrição do crédito tributário em dívida ativa ou o ajuizamento de execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. Acerca dessa questão o entendimento prevalente no Egrégio Superior Tribunal de Justiça é o de que não há impedimento para que a Fazenda, mesmo diante de provimento judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, efetue o lançamento para prevenir a decadência. É o que se pode ver desse julgado: "TRIBUTÁRIO.EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 05/09/2005). Assim, mesmo ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão do depósito do tributo, inexiste óbice legal para a constituição do crédito tributário visando à prevenção da decadência. Esse entendimento também se encontra consagrado na jurisprudência do CARF como se pode ver do Acórdão n. 2403002.041, assim ementado: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ART. . 150, § 4º do CTN. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial). AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS QUANDO REALIZADO DEPÓSITO JUDICIAL NO VALOR INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. (...) Outro aspecto que deve ser ressaltado foi o argumento muito bem lançado na decisão a quo, o qual a constituição do crédito em razão da possibilidade dos depósitos não se transformarem em renda para fazenda nacional. Vejamos o que foi dito: “A legislação em vigor à época da lavratura determinava que, mesmo quando a matéria estivesse sendo discutida judicialmente, excetuandose os casos de liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN, conforme prevê o artigo 1. do Decreto 2.346, de 10/10/1997, havendo ou não depósito judicial, os créditos deveriam ser lançados em sua integralidade a fim de evitar que os valores das contribuições fossem atingidos pelo instituto da decadência. Isto porque, o depósito efetuado, à ordem e disposição do Juízo, embora suspenda a exigibilidade do crédito, consoante o disposto no artigo 151 do CTN, não é garantia plena de transformação em pagamento definitivo, em caso de decisão favorável ao Fisco, pois não pode ser descartada a possibilidade da reversão dos valores depositados a favor do contribuinte, mediante ordem da autoridade judicial, a qualquer momento da Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.725040/201090 Acórdão n.º 2401003.400 S2C4T1 Fl. 298 7 discussão judicial, havendo também a hipótese de encerramento da ação sem julgamento do mérito. Portanto, correto o procedimento fiscal que apurou o valor devido, mesmo tendo havido depósito judicial.” (grifos originais) Assim, cabível o lançamento para prevenir a decadência. Responsabilidade Solidária As empresas colocadas pelo fisco no polo passivo na condição de devedoras solidárias buscam afastar esse encargo inicialmente suscitando a inconstitucionalidade formal do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, sob a alegação de que a extensão da responsabilidade tributária a terceiros somente poderia ser veiculada por lei complementar, em atenção ao que dispõe o art. 146, III, da Carta Magna. Para enfrentar essa alegação é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Diante do exposto, vejome impossibilitado de enfrentar a alegação de inconstitucionalidade do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Para afastar a solidariedade as recorrentes também alegaram que não se vincularam aos fatos geradores, conforme art. 124 do CTN, descabendo a responsabilização solidária firmada pela auditoria fiscal. Pois bem, a responsabilidade solidária está prevista no CTN, que no seu art. 124 assim determina: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A Lei de Custeio da Seguridade Social (Lei n.º 8.212/1991) estabelece o vínculo de solidariedade para as empresas integrantes de grupo econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.725040/201090 Acórdão n.º 2401003.400 S2C4T1 Fl. 299 9 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Verificase de acordo com o texto acima que ocorre a solidariedade nas situações em que se configure a formação de grupo econômico, seja ele de fato ou de direito. A existência do grupo econômico não foi questionada pelas empresas, sendo fato incontroverso. Portanto, percebese, assim, que na situação dos autos a solidariedade decorre da lei, sendo descabida a pretensão das recorrentes de se livrarem do cumprimento das obrigações previdenciárias, posto que alcançadas pelas disposições do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Exclusão da Multa e dos Juros O pedido da exclusão dos acréscimos legais aplicados ao lançamento deve ser atendido. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo é no sentido de que no lançamento efetuado para prevenir a decadência em razão da existência de depósito do montante integral do tributo não é cabível a inclusão de juros e multa. Tenho seguido o mesmo entendimento do acórdão n. 2403001.485 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/08/2001 PREVIDENCIÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA.INDEVIDOS A súmula n° 5 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF pacificou a questão dos juros de mora, no sentido de que existindo depósito no montante integral são indevidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. No que diz respeito a multa de mora, o comando do § 2º do artigo 63 da Lei n° 9.430/96 aduz que: “ Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, (..) A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição”. CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA. O depósito é garantia do pagamento do tributo, com destino vinculado à decisão que vier a transitar em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Intimação do Advogado Indeferese, finalmente, o requerimento formulado pela impugnante para que as intimações e notificações sejam encaminhadas ao procurador subscritor da impugnação. Da análise da legislação que rege o processo administrativo fiscal, observase a ausência de disposição legal a autorizar a ciência do procurador, devendo a intimação via postal ser encaminhada diretamente ao domicílio tributário do sujeito passivo, nos moldes do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (grifo não original) Conclusão Voto por indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000311/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 22/02/2006
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO.
A contradição entre o acórdão e o texto da ementa deve ser sanado para melhor compreensão do entendimento da turma, o que contribui para a segurança jurídica e ampla defesa das partes.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 22/02/2006 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. A contradição entre o acórdão e o texto da ementa deve ser sanado para melhor compreensão do entendimento da turma, o que contribui para a segurança jurídica e ampla defesa das partes. Embargos Acolhidos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 17460.000311/2007-39
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364625
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.011
nome_arquivo_s : Decisao_17460000311200739.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 17460000311200739_5364625.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5550754
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816047497216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1449; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 167 1 166 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17460.000311/200739 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402004.011 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2014 Matéria ERRO MATERIAL Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ANDREA'S FOOD COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 22/02/2006 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. A contradição entre o acórdão e o texto da ementa deve ser sanado para melhor compreensão do entendimento da turma, o que contribui para a segurança jurídica e ampla defesa das partes. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 03 11 /2 00 7- 39 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pela delegacia de São José do Rio Preto/SP contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Os embargos foram a mim distribuídos pelo fato de que o relator original não mais fazer parte deste colegiado. Alega o embargante que a parte dispositiva do acórdão é no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, quando deveria constar dar provimento, conforme a ementa. É o Relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000311/200739 Acórdão n.º 2402004.011 S2C4T2 Fl. 168 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos, e portanto, passo a examinálos. De fato, o acórdão reconheceu a decadência do crédito tributário, porém na parte dispositiva, por equívoco, constou voto por “negar provimento ao recurso...”, quando seria “dar provimento ao recurso voluntário”. O saneamento do acórdão tem por finalidade a melhor compreensão do entendimento da turma e, eventualmente, para a interposição dos recursos cabíveis Assim, voto pelo acolhimento dos embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000242/2006-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005.2006
INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-001.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER do recurso face à intempestividade.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005.2006 INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13052.000242/2006-33
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357773
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.199
nome_arquivo_s : Decisao_13052000242200633.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 13052000242200633_5357773.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER do recurso face à intempestividade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5511147
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816052740096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 205 1 204 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13052.000242/200633 Recurso nº 163.668 Voluntário Acórdão nº 1401001.199 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2014 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente MCG INDÚSTRIA DE CALÇADOS LTDA. Recorrida DRJSANTA MARIARS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005.2006 INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER do recurso face à intempestividade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 02 42 /2 00 6- 33 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000242/200633 Acórdão n.º 1401001.199 S1C4T1 Fl. 206 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 187.635, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa MariaRS. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “Versa o presente processo sobre Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição social sobre o Lucro Líquido (fls. 0415), exigindo as importâncias de R$ 355.478,51 a título de IRPJ e de R$ 127.777,22 de CSLL, acrescidas de juros de mora, calculados pela taxa SELIC, e da multa de ofício de 75%, referentes aos fatos geradores (trimestrais) apurados em 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006 e 30/06/2006. A autuação decorre da falta de adição integral das receitas de crédito presumido de IPI e de transferências/cessões de créditos de ICMS para terceiros (outras pessoas jurídicas) à base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme detalhamento e planilha dos valores tributados constante do Relatório da Ação Fiscal (fls. 1725). Base legal da autuação: IRPJ arts. 521, 518, 519 e 224 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99); CSLL art.2º e §§, da Lei nº 7.689, de 1988, art. 19 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, inciso II e parágrafo único da MP nº 1.991, de 1999, art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002, art. 29, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. Cientificado do lançamento em 25/09/2006, o contribuinte, por meio de seu advogado (procuração às fls.114 e 154), apresenta em 23/10/2006, as impugnações de fls. 85 a 164, fazendo, em síntese, as alegações a seguir, sob os seguintes títulos: Razões da impugnação Os autos de infração devem ser anulados, tendo em vista os argumentos apresentados. Matéria de fundo Com referência à cessão de créditos do ICMS, a fiscalização está equivocada, porque tais valores não são receitas para fins tributáveis. É a recuperação de crédito fiscal escriturado e lançado na contabilidade sob o título “impostos a recuperar”. Quando o valor é recebido, a interessada registra no caixa. Assim, não ocorre qualquer alteração na situação líquida da sociedade, em face da simples troca de posição no ativo. Sob esse título, também são analisadas questões sobre a exoneração das exportações, desenvolvimento econômico das nações e a situação da empresas exportadoras. Acrescenta a seguinte observação: como duas faces da mesma moeda Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000242/200633 Acórdão n.º 1401001.199 S1C4T1 Fl. 207 3 não podem comportar, no anverso, a legitimidade de considerar como custo ou despesa, o ICMS pago nas operações anteriores de aquisição de mercadorias e serviços exportados; no reverso, de considerar o ressarcimento como renda ou receita não operacional. Referindose ao crédito presumido de IPI, a impugnante também alega que o valor decorre meramente de registros contábeis. Ele representa técnica de contabilização para adequação entre débitos e créditos. Ao concluir esse título, a defesa registra que não cabe tributação sobre seus efeitos, pois se tratam de créditos meramente escriturais. O objetivo da norma constitucional Depois de citar dispositivos da Constituição Federal, diz que não é lógico nem razoável a incidência do Imposto de Renda e CSLL sobre o ICMS recuperado, bem como sobre o crédito presumido de IPI. O princípio da capacidade contributiva e o da isonomia Em resumo, a defesa entende que, no caso dos autos, inexiste receita, mas tão somente a recuperação do crédito escriturado. Ocorrendo a tributação dessa receita, ocorre uma “fraude” ao princípio constitucional da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, da CF). Além disso, diz a impugnante, a desobediência a esse princípio implicaria também o tratamento desigual entre contribuintes que se encontram na mesma situação jurídicotributária, ferindo desse modo o postulado da igualdade inserto no art. 150, II, da CF. Registra também que o CTN (art. 43, itens I e II) definiu renda como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e proventos de qualquer natureza como os acréscimos não compreendidos no conceito de renda. O CTN adotou o conceito de renda acréscimo. Assim sem acréscimo patrimonial, não há renda, nem proventos. A questão da CSLL Diz a defesa que a base de cálculo tem as mesmas normas de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, conseqüentemente, sofre a idêntica injuridicidade cometida nas tributações do IRPJ, COFINS e PIS. Da utilização da taxa SELIC A impugnante também contesta a o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC. Depois de analisar os dispositivos legais vinculados ao assunto, citar doutrina e jurisprudência, alega que emprego dos juros moratórios com base na SELIC deve ser restrito às obrigações privadas. Essa conclusão decorreria do mandamento contido no art. 161, § 1º, do CTN, ou seja, os juros moratórios incidentes em obrigações tributárias não poderá ser superior à taxa de 1%. Diz também que, de acordo com o art. 192, § 3º, da CF, exigir juros de mora superiores a 12% ao ano, o Estado está cometendo crime de usura. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000242/200633 Acórdão n.º 1401001.199 S1C4T1 Fl. 208 4 Conclui ser incontestável o direito de utilizar os juros de mora de 1% ao mês para atualização de sues débitos, pois a taxa SELIC possui natureza remuneratória, e sua utilização desobedece a regra contida nos arts. 161, § 1º, do CTN e 192, § 3º, da CF. COFINS e PIS A defesa também apresenta argumentos referentes a COFINS e PIS, no entanto, essas questões não fazem parte do presente processo. Por isso, não há relato da impugnação apresentada sobre esses assuntos. Conclusão Diz a impugnante que os créditos recuperados não podem ser atingidos e tributados com a incidência do art. 43 do CTN, pois não há resultado positivo. Desta forma, não tem dúvida acerca da imunidade e isenção da receitas produtos de exportação. Acrescenta que as recuperações de créditos são resultantes da realização de vendas de mercadorias para o exterior, e o entendimento do Fisco não pode afastar as regras de imunidade e isenção dessas receitas. Ao final, requer: a) que o auto de infração seja anulado, por não se enquadrar nos ditames da lei pertinente; b) a efetivação de perícia, visando confrontar a documentação e elementos levantados pela Receita Federal com os registros contábeis e demais documentos não analisados pelo Fisco. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento. PERÍCIA CONTÁBIL Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade e da inconstitucionalidade de dispositivos legais, por se tratar de matéria de competência privativa do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000242/200633 Acórdão n.º 1401001.199 S1C4T1 Fl. 209 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS E CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. DEMAIS RECEITAS Para efeito de tributação do IRPJ, consideramse demais receitas os valores auferidos com a cessão de créditos de ICMS a terceiros e com o crédito presumido do IPI. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS E CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. As receitas provenientes de cessão de créditos de ICMS e decorrentes de créditos presumidos do IPI integram a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O Recurso Voluntário é intempestivo e por isto não pode ser conhecido, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Embora dos autos não conste o termo de perempção a noticiar a intempestividade, verifico, preliminarmente, que o Recurso foi interposto fora do prazo de trintas dias, contados a partir da decisão de primeira instância. Também da conta da intempestividade o despacho de fls. 202. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 183 referente à Intimação nº 027/2007 (fl. 178), como consignado expressamente nele , a ciência ocorreu em 17/10/2007, uma quartafeira, tendo o prazo de 30(trinta) dias começado a contar em 18/10/2007 e findado em 16/11/2007, uma sextafeira.. Porém, o Recurso somente foi protocolizado em 22/11/2007, conforme o carimbo de protocolo na fl. 185, 6(seis) dias depois do prazo regulamentar previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000242/200633 Acórdão n.º 1401001.199 S1C4T1 Fl. 210 6 Outrossim, a recorrente não traz nenhum argumento que infirme essa conclusão, silenciandose a esse respeito Pelo exposto, voto no sentido NÃO CONHECER do recurso, face à intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10711.007307/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 13/12/2002
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NOVA. COISA JULGADA. APRECIAÇÃO EX OFFICIO.
A suposta violação da coisa julgada é tema conhecível ex officio ou em grau de recurso. A coisa julgada pressupõe a tríplice identidade: de partes, causa de pedir e pedido, o que não ocorre no caso dos autos.
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NOVA. IMUNIDADE JURISDICIONAL. ILEGITIMIDADE. APRECIAÇÃO EX OFFICIO. CONVENÇÃO DE VIENA. ART. 98 DO CTN.
O art. 43, item 1, do Decretos nº 61.078/67, que incorporou a Convenção de Viena ao ordenamento jurídico interno, torna o recorrente, na qualidade de consulado representante de Estado estrangeiro, imune a atuação de autoridades administrativas e judiciais, não sendo possível ao CARF afastar essa norma jurídica para exigir o pagamento de multa, por intempestividade no cumprimento do regime especial de admissão temporária. Jurisprudência dominante do STF.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário .
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/12/2002 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NOVA. COISA JULGADA. APRECIAÇÃO EX OFFICIO. A suposta violação da coisa julgada é tema conhecível ex officio ou em grau de recurso. A coisa julgada pressupõe a tríplice identidade: de partes, causa de pedir e pedido, o que não ocorre no caso dos autos. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NOVA. IMUNIDADE JURISDICIONAL. ILEGITIMIDADE. APRECIAÇÃO EX OFFICIO. CONVENÇÃO DE VIENA. ART. 98 DO CTN. O art. 43, item 1, do Decretos nº 61.078/67, que incorporou a Convenção de Viena ao ordenamento jurídico interno, torna o recorrente, na qualidade de consulado representante de Estado estrangeiro, imune a atuação de autoridades administrativas e judiciais, não sendo possível ao CARF afastar essa norma jurídica para exigir o pagamento de multa, por intempestividade no cumprimento do regime especial de admissão temporária. Jurisprudência dominante do STF. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10711.007307/2007-53
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357777
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.078
nome_arquivo_s : Decisao_10711007307200753.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10711007307200753_5357777.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário . Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5511806
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816056934400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 131 1 130 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.007307/200753 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.078 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria CONSULADO. IMUNIDADE JURISDICIONAL. Recorrente CONSULADO GERAL DA FRANÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/12/2002 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NOVA. COISA JULGADA. APRECIAÇÃO EX OFFICIO. A suposta violação da coisa julgada é tema conhecível ex officio ou em grau de recurso. A coisa julgada pressupõe a tríplice identidade: de partes, causa de pedir e pedido, o que não ocorre no caso dos autos. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NOVA. IMUNIDADE JURISDICIONAL. ILEGITIMIDADE. APRECIAÇÃO EX OFFICIO. CONVENÇÃO DE VIENA. ART. 98 DO CTN. O art. 43, item 1, do Decretos nº 61.078/67, que incorporou a Convenção de Viena ao ordenamento jurídico interno, torna o recorrente, na qualidade de consulado representante de Estado estrangeiro, imune a atuação de autoridades administrativas e judiciais, não sendo possível ao CARF afastar essa norma jurídica para exigir o pagamento de multa, por intempestividade no cumprimento do regime especial de admissão temporária. Jurisprudência dominante do STF. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 73 07 /2 00 7- 53 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Por bem transcrever o histórico da presente controvérsia, passo a transcrever parte do relatório da DRJ: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para a exigência 1; multa pelo não retorno ao exterior, no prazo fixado, de bens ingressados no País sob o regime aduaneiro especial de Admissão temporária, capitulada no art. 521, II, alínea "b" dc Regulamento Aduaneiro/1985 (Decreto n.° 91.030/85), no valor de R$986,19. Relata a fiscalização que foi concedido o regime de Admissão Temporária à interessada acima qualificada para a mercadoria importada através da DSI n.° 2002/0003338 de 13/12/2002 (fls. 07), tendo a mesma firmado o Termo de Responsabilidade n.° 631/200; (fls. 10), com vigência até 15/11/2003. No dia 17/11/2003 a interessada requereu a autorização para reexportação dos citados bens, através da DSE n.° 0206/03. Relata a fiscalização que iniciou os procedimentos com vistas à execução do termo de responsabilidade, além da presente exigência da multa pelo não retorno no praza fixado dos bens exportados. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 21/22, alegando que protocolou seu pedido de reexportação no dia 17/11/2003, primeiro dia útil imediatamente após o vencimento do termo (fls. 25). Alega que as mercadorias foram reexportadas conforme DSE n.° MP 0206/03 e BL n.° MSCUSR 202629 (fls. 24). Requer impugnação do Auto de Infração. Inconformada com a autuação, a empresa apresentou impugnação de fls. 21/22, alegando que protocolou seu pedido de reexportação no dia 17/11/2003, primeiro dia útil imediatamente após o vencimento do termo (fls. 25). Defende, ainda, que a multa deve ser exonerada, uma vez que as mercadorias foram reexportadas, conforme DSE n.° MP 0206/03 e BL n.° MSCUSR 202629, datado de 28/11/2003 (fls. 24). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.007307/200753 Acórdão n.º 3202001.078 S3C2T2 Fl. 132 3 Apreciando a defesa da empresa, a DRJ julgou procedente o lançamento (fls. 102 e ss.), pois a interessada não reexportou as mercadorias até 15/11/2003 prazo fixado na concessão do regime de Admissão Temporária, sendo cabível, na sua ótica, a multa prevista no art. 521 do Decreto nº 91.030/1985. Confirase: A exigência da multa em comento se deu por não ter a interessada beneficiária do regime de Admissão Temporária, retornado as mercadorias ao exterior no praza fixado na concessão do regime. Assim dispõe o art. 521 do Decreto n.° 91.030/85: Art. 521. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decretolei nº 37, de 1966, art. 106) : (...) 11— de 50% (cinqüenta por cento): b) pelo nãoretorno ao exterior, no prazo fixado. de bens ingressados no País sol o regime de admissão temporária; (...) Da leitura cima se depreende que se a mercadoria admitida temporariamente não tiver sido devolvida ao exterior dentro do prazo fixado para sua permanência no país, incidirá a multa tratada, independentemente de seu efetivo retorno ao exterior. Conforme se depreende dos documentos e informações constantes do processo, a interessada acima qualificada importou mercadorias sob regime de Admissão Temporária, tendo como prazo para adoção das medidas extintivas do regime a data de 15/11/2003 e somente requereu a sua reexportação em 17/11/2003. Ressaltese que o BL foi emitido somente em 28/11/2003, o que corrobora a intempestividade da medida extintiva do regime em apreço. Por esta razão, é procedente o lançamento da multa pelo descumprimento do prazo para aplicação do regime de Admissão Temporária. Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual defende, exclusivamente, argumento novo, consubstanciado na alegação de que a cobrança da multa viola sua imunidade jurisdicional e a coisa julgada a seu favor, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no Ag.Reg. . na Ação Cível Originária nº 6452, e pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, na Remessa Exofficio na Ação Cível nº 2006.51.01.526 1930 (fls. 109 e ss.). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recursos Voluntário é tempestivo, sendo apropriada sua apreciação. A autuação sob julgamento exige o pagamento da multa prevista no art. 521 do Decreto nº 91.030/1985, pelo fato de o Recorrente não ter reexportado as mercadorias até 15/11/2003 prazo fixado na concessão do regime especial de Admissão Temporária, sendo cabível, na sua ótica, a multa. Conforme destacado no Relatório do presente voto, a recorrente inovou em seu recurso voluntário, ao trazer exclusivamente matéria que não fez parte de sua impugnação ao auto de infração. A princípio, as matérias não impugnadas encontramse preclusas, à luz do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Todavia, como se trata de tema conhecível ex officio, relativo à suposta violação da coisa julgada e à imunidade jurisdicional, passo a examinar o assunto. A coisa julgada pressupõe a tríplice identidade: de partes, causa de pedir e pedido. Primeiramente, observo que a Remessa Exofficio na Ação Cível nº 2006.51.01.526 1930 diz respeito ao julgamento de execução fiscal, proposta contra o Consulado ora recorrente, objetivando o pagamento de imposto de importação devido em conseqüência da não observância do prazo de reexportação no regime de admissão temporária. O colendo TRF/2 manteve a sentença que extingui a execução fiscal, por ilegitimidade passiva, decorrente da imunidade jurisdicional. Eis a parte essencial do acórdão judicial: Tratase de apelação cível interposta pela UNIÃO FEDERAL/FAZENDA NACIONAL em lace de sentença, às I1s.12/13, que extinguiu a execução fiscal ajuizada pelo ora apelante, com base nos artigos 284, 295 e 267, VI , todos do CPC, tendo em vista que a exeqüente permaneceu inerte, no que diz respeito aos despachos judiciais,determinando que emendasse a inicial, porque o CONSULADO GERAL DA FRANÇA não possui personalidade jurídica própria. Alega o apelante, em seu recurso, às fls.16/22, que o Consulado Geral ela França é parte legítima para figurar no pólo passivo da presente execução fiscal, que objetiva a cobrança de créditos ele imposto ele importação, originados do descumprimento ele prazo para reexportação ele produtos importados sob regime ele admissão temporária. [...] O cerne da questão examinada nos presentes autos é, na verdade, a possibilidade de submeterse Estado Estrangeiro, no caso, representado pelo Consulado Geral da França, à Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.007307/200753 Acórdão n.º 3202001.078 S3C2T2 Fl. 133 5 jurisdição brasileira, com vistas à cobrança de tributos através de execução fiscal promovida pela União Federal/Fazenda Nacional. Imperioso reconhecer que, na presente hipótese, não há como submeter o apelado à jurisdição local. Impende mencionar que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, concluída em 1.961, promulgada pelo Decretolei n° 48.295, de 27/03/1968 9 foi incorporada ao direito positivo brasileiro, e suas normas gozam de plena validade e eficácia, devendo ser observadas pelos agentes públicos. [...] Isto posto, nego seguimento à apelação, com fulcro tio artigo 557, Caput, do CPC, devendo ser mantida a extinção da presente execução fiscal. Decorrido, in albis, o prazo recursal, remetamse os autos à Vara ele origens, com baixa na distribuição. Como se vê, a Remessa Exofficio na Ação Cível nº 2006.51.01.526 1930 trata de execução fiscal, que exige do Consulado imposto de importação, em decorrência do descumprimento do regime especial da admissão temporária. Enquanto que o lançamento ora analisado diz respeito à multa, discutida no âmbito do procedimento administrativo fiscal, devida em função do descumprimento do regime especial da admissão temporária. Nesse contexto, percebese que, embora haja identidade de partes, o pedido e a causa de pedir da indigitada execução fiscal são diversos da discussão travada no auto de infração sob exame, não sendo possível falar que este viola a coisa julgada ali sedimentada. O mesmo sucede no Ag.Reg . na Ação Cível Originária nº 6452 (fl. 112), em cuja ementa se lê o seguinte: EMENTA: Ação Cível Originária. 2. Execução Fiscal contra Estado estrangeiro. Imunidade de jurisdição. Precedentes. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.(ACOAgR 645, GILMAR MENDES, STF.) Ao teor de sua ementa e em consulta ao sítio do STF, constatei que o acórdão da Suprema Corte, também, trata de execução fiscal, que pressupõe dívida ativa inscrita e constituição definitiva do crédito tributário. Apesar de a execução fiscal, julgada pelo STF, exigir o mesmo tipo de multa, constante do auto de infração impugnado, observo, porém, que a querela judicial se refere a outro regime de admissão temporária, igualmente, descumprido pelo Recorrente, diverso daquele objeto do presente caso, onde sequer houve definitividade do crédito tributário, diante da inequívoca pendência de discussão administrativa. Confirase o Relatório do douto aresto, exarado pelo Supremo Tribunal Federal no Ag.Reg . na Ação Cível Originária nº 6452: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Dessa maneira, não há que se falar em violação à coisa julgada, proferida no Ag.Reg . na Ação Cível Originária nº 6452, dado que inexiste identidade entre causa de pedir e pedido entre a questão judicial e a presente discussão administrativa. Por essa razão, nego provimento ao recurso voluntário nessa parte. Quanto a alegação de imunidade jurisdicional do Recorrente, na qualidade de representante do Estado estrangeiro, entendo que esse tema também é de ordem pública, tendo em vista que redunda em ilegitimidade passiva do autuado. As Convenções de Viena de 1961 (servidor diplomático) e 1963 (serviço consular), estão devidamente incorporadas ao direito positivo doméstico, pelos Decretos nºs 56.435/65 e 61.078/67. Especificamente importante para o deslinde da presente controvérsia administrativa é o art. dispõe o art. 43, item 1, do Decretos nº 61.078/67: ARTIGO 43º Imunidade de Jurisdição 1. Os funcionários consulares e os empregados consulares não estão sujeitos à Jurisdição das autoridades judiciárias e administrativas do Estado receptor pelos atos realizados no exercício das funções consulares. 2. As disposições do parágrafo 1 do presente artigo não se aplicarão entretanto no caso de ação civil: a) que resulte de contrato que o funcionário ou empregado consular não tiver realizado implícita ou explicitamente como agente do Estado que envia; ou b) que seja proposta por terceiro como consequência de danos causados por acidente de veículo, navio ou aeronave, ocorrido no Estado receptor O art. 43, item 1, do Decretos nº 61.078/67, que incorporou a Convenção de Viena ao ordenamento jurídico interno, torna o recorrente, na qualidade de consulado representante de Estado estrangeiro, imune a atuação de autoridades administrativas e judiciais, Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.007307/200753 Acórdão n.º 3202001.078 S3C2T2 Fl. 134 7 não sendo possível ao CARF afastar essa norma jurídica para exigir o pagamento de multa, por intempestividade no cumprimento do regime especial de admissão temporária. Numa interpretação sistemática, entendo que o art. 43, item 1, do Decretos nº 61.078/67 prevalece sobre a disposição contida no art. 521 do Decreto nº 91.030/1985, principalmente considerando que o art. 98 do CTN dispõe que “os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha”. Ademais, sentido algum teria manter a autuação, quando o STF tem reiteradamente extinguido execuções judiciais, em ações originárias promovidas pela União contra Consulados ou Estados Estrangeiros. Comungo do entendimento do Pleno do STF, exarado em sucessivos acórdãos (alguns, inclusive, como visto, decididos em prol do ora Recorrente), de que a imunidade jurisdicional do Estado estrangeiro é absoluta, nos termos da Convenção de Viena de 1961 e 1963. Nesse sentido, colhase recente julgado do STF, de 2013, no qual o Min. CELSO DE MELLO se rende a posição dominante do ilustre Colegiado sobre o assunto: EMENTA: EXECUÇÃO JUDICIAL CONTRA ESTADO ESTRANGEIRO. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (CF, art. 102, I, “e”). IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO (imunidade à jurisdição cognitiva) E IMUNIDADE DE EXECUÇÃO (imunidade à jurisdição executiva). O “STATUS QUAESTIONIS” NA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRECEDENTES. DOUTRINA. PREVALÊNCIA DO ENTENDIMENTO NO SENTIDO DA IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DE EXECUÇÃO JUDICIAL CONTRA ESTADOS ESTRANGEIROS, EXCETO NA HIPÓTESE DE EXPRESSA RENÚNCIA, POR ELES, A ESSA PRERROGATIVA DE ORDEM JURÍDICA. POSIÇÃO PESSOAL DO RELATOR (MINISTRO CELSO DE MELLO), QUE ENTENDE VIÁVEL A EXECUÇÃO CONTRA ESTADOS ESTRANGEIROS, DESDE QUE OS ATOS DE CONSTRIÇÃO JUDICIAL RECAIAM SOBRE BENS QUE NÃO GUARDEM VINCULAÇÃO ESPECÍFICA COM A ATIVIDADE DIPLOMÁTICA E/OU CONSULAR. OBSERVÂNCIA, NO CASO, PELO RELATOR, DO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. JULGAMENTO DA CAUSA NOS TERMOS DA JURISPRUDÊNCIA PREDOMINANTE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PROCESSO DE EXECUÇÃO DECLARADO EXTINTO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. [...] VOTO [...] Observo que essa diretriz jurisprudencial vem orientando as decisões proferidas, no âmbito desta Corte, a propósito de idêntica questão (ACO 623/SP, Rel. Min. MOREIRA ALVES – Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 ACO 672/SP, Rel. Min. NELSON JOBIM – ACO 673/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO – ACO 691/SP, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE – ACO 800/SP, Rel. Min. GILMAR MENDES – ACO 1.446/RJ, Rel. Min. ELLEN GRACIE – ACO 1.450/RJ, Rel. Min. EROS GRAU, v.g.). Vale destacar, por relevante, neste ponto, que, o Supremo Tribunal Federal, mesmo com nova composição, tem adotado idêntica compreensão em torno da matéria, reconhecendo, por isso mesmo, a impossibilidade jurídica de se promover execução judicial contra representações diplomáticas e/ou consulares de Estados estrangeiros (AI 597.817/RJ, Rel. Min. DIAS TOFFOLI – AI 743.826/RJ, Rel. Min. ROSA WEBER – ARE 678.785/SP, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, v.g.). Em consequência da orientação que tem prevalecido no Supremo Tribunal Federal, e embora reafirmando respeitosa divergência, devo ajustar a minha compreensão da matéria ao princípio da colegialidade, considerados os inúmeros precedentes que a prática jurisprudencial desta Corte já estabeleceu no tema. Sendo assim, pelas razões expostas, considerando, ainda, a orientação jurisprudencial prevalecente nesta Suprema Corte, notadamente os julgamentos plenários da ACO 633AgR/SP e da ACO 645AgR/SP e com ressalva da posição pessoal que externei em decisão proferida na ACO 526/SP, de que sou Relator, julgo extinto este processo de execução, sem resolução de mérito. Arquivemse os presentes autos. [AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 709 SÃO PAULO] Na esteira da jurisprudência dominante e plenária do STF e por força do art. 43, item 1, do Decretos nº 61.078/67, acolho o recurso voluntário para reconhecer a ilegitimidade passiva do recorrente. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o auto de infração, em virtude da imunidade jurisdicional do autuado. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911142/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.911142/2012-18
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352344
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.339
nome_arquivo_s : Decisao_10920911142201218.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10920911142201218_5352344.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5483606
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816074760192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.911142/201218 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.339 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Recorrente LOJAS HIRT LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 42 /2 01 2- 18 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911142/201218 Acórdão n.º 3801003.339 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911142/201218 Acórdão n.º 3801003.339 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911142/201218 Acórdão n.º 3801003.339 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911142/201218 Acórdão n.º 3801003.339 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911142/201218 Acórdão n.º 3801003.339 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911142/201218 Acórdão n.º 3801003.339 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911142/201218 Acórdão n.º 3801003.339 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911142/201218 Acórdão n.º 3801003.339 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 17747.004288/2006-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 13/12/2006
VISTORIA ADUANEIRA. TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA
O registro da ocorrência de roubo em Boletim de Ocorrência perante a autoridade policial é insuficiente para a exclusão de responsabilidade tributária. Em decorrência da falta de comprovação de força maior, pelo interessado, mantém-se a sua responsabilidade pela falta de mercadorias apurada em procedimento de vistoria aduaneira.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 13/12/2006 VISTORIA ADUANEIRA. TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA O registro da ocorrência de roubo em Boletim de Ocorrência perante a autoridade policial é insuficiente para a exclusão de responsabilidade tributária. Em decorrência da falta de comprovação de força maior, pelo interessado, mantém-se a sua responsabilidade pela falta de mercadorias apurada em procedimento de vistoria aduaneira. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 17747.004288/2006-64
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354767
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.539
nome_arquivo_s : Decisao_17747004288200664.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
nome_arquivo_pdf_s : 17747004288200664_5354767.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5499081
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816082100224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 128 1 127 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17747.004288/200664 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.539 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 Matéria AI PIS E COFINS IMPORTAÇÃO Recorrente TRANSPORTADORA PADRE DONIZETTI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 13/12/2006 VISTORIA ADUANEIRA. TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA O registro da ocorrência de roubo em Boletim de Ocorrência perante a autoridade policial é insuficiente para a exclusão de responsabilidade tributária. Em decorrência da falta de comprovação de força maior, pelo interessado, mantémse a sua responsabilidade pela falta de mercadorias apurada em procedimento de vistoria aduaneira. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 74 7. 00 42 88 /2 00 6- 64 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 112 a 123) apresentado em 16 de abril de 2012 contra o Acórdão nº 1.757.736, de 23 de fevereiro de 2012, proferido pela 1 ª Turma da DRJ/SP2 (efls. 84 a 92), cientificado em 19 de março de 2012, por meio da Intimação nº: GAC 014/2012, que, relativamente a auto de infração de PIS Importação e Cofins – Importação, relativo a fato gerador da data do lançamento (13 de dezembro de 2006), lançado em face de roubo de carga em trânsito aduaneiro, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/12/2006 VISTORIA ADUANEIRA. TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA O registro da ocorrência de roubo em Boletim de Ocorrência perante a autoridade policial não é suficiente para a exclusão de responsabilidade tributária. Na falta de comprovação de força maior, pelo interessado, sua responsabilidade pela falta de mercadorias apurada em procedimento de vistoria aduaneira não pode ser excluída, a teor do art. 595 do Decreto nº 4.543 , de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento Aduaneiro), com as alterações do Decreto nº 4.765, de 24 de junho de 2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Os autos de infração foram lavrados em 13 de dezembro de 2006, de acordo com os termos de efls. 1 a 12. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “Trata o presente processo de Auto de Infração referente a infrações relacionadas ao extravio de mercadorias em trânsito aduaneiro, apuradas em procedimento de vistoria aduaneira. Os valores ora exigidos são os constantes da tabela abaixo: Valores em Reais (R$) COFINS – fls. 01/05 PIS / PASEP – fls. 06/12 Contribui ção 54.440,51 11.819,32 Total geral ............................................. 66.259,83 O texto do Auto de Infração, lavrado em 13/12/2006, é abaixo transcrito (parcialmente): ‘001 – FALTA / INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS E PIS/PASEP NA IMPORTAÇÃO – DATA LANÇAMENTO Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 17747.004288/200664 Acórdão n.º 3302002.539 S3C3T2 Fl. 129 3 Em face de roubo de mercadorias submetidas ao regime de trânsito aduaneiro, Declaração de Trânsito Aduaneiro nº 06/02074488, realizouse a pedido do importador LG ELETRONICS DE SÃO PAULO LTDA., CNPJ nº 01.166.372/000155, o procedimento de Vistoria Aduaneira através do processo 17747002.309/200615, com o intuito de apurar a extensão da falta e apurar a responsabilidade tributária respectiva, nos termos do art. 581 do RA. Na vistoria realizada, constatouse a falta de 31 pallets manifestados, contendo no total 2216 peças de mercadorias. Segundo informado através do Boletim de Ocorrência 006972/2006, da 01 Delegacia de Polícia de Guarulhos, na data de 17/06/2006, o veículo placa CQH 5369, juntamente com o reboque BTR 2891, que transportava o contêiner MOFU 062673, foram objeto de roubo enquanto transportavam mercadorias em regime de trânsito aduaneiro, Declaração de Trânsito Aduaneiro nº 06/02074488, do Porto de Santos ao Porto Seco Universal, em Jacareí / SP. Posteriormente, tanto o veículo transportador quanto o reboque foram localizados, dando entrada no Porto Seco Universal em 20/06/2006 sem o lacre de segurança do contêiner e com indícios de falta de mercadorias. Dispõe o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 12, de 31 de março de 2004, em seu artigo único, que “o roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro, com as alterações do Decreto nº 4.765, de 24 de junho de 2003, tendo em vista não atender, cumulativamente, às condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade.” Sendo assim, com fulcro no disposto no art. 4º, inciso II, c/c/ art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.865/2004, cobrase do transportador nacional, empresa Transportadora Padre Donizete Ltda., CNPJ nº 49.601.610/000130, a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) que incidiria sobre as mercadorias faltantes. “ Demonstrativos: Mercadoria roubada: 2.216 um. Dispositivo de Cristal Líquido (LCD) LM 170E01. NCM: 9013.80.10 Alíquota do I.I. = 0 %. Alíquota do I.P.I. = 5 %. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Alíquota COFINS = 7,6 %. Alíquota PIS = 1,65 %. Taxa do Dólar em 13/12/2006 : R$ 2,1384. Valor CFR da mercadoria faltante : 2.216 x US$ 120,00 x R$ 2,1384 = R$ 568.643,32. Diferença apurada no COFINS : R$ 54.440,51 Diferença apurada no PIS /PASEP : R$ 11.819,32’. O Auto menciona que o importador (LG Eletronics de São Paulo Ltda.) solicitou vistoria aduaneira, durante a qual foi constatado falta de mercadorias. O processo da vistoria é o de nº 17747.002.309/200615, sendo que, inicialmente, não foi anexado ao presente o relatório de conclusão da vistoria. Ciente da teor do Auto, acima transcrito, o interessado apresentou sua Impugnação às fls. 36/49, sendo suas principais alegações: 01 – Ilegitimidade passiva , pois entende que o que está sendo dela exigido é uma penalidade disfarçada de tributo. Portanto, o sujeito passivo é o importador. Considerase unicamente pessoa jurídica contratada para realizar o transporte de mercadorias de um ponto a outro no território nacional, a mando da importadora. Não é ela que importa mercadorias. A importadora é que assumiu os riscos do transporte, tanto que contratou seguro para a carga com a UNIBANCOS AIG SEGUROS. 02 – No procedimento de vistoria aduaneira, formalizada pelo processo n. 17747002.309/200615, também não se apurou responsabilidade decorrente de conduta da transportadora. 03 – Foi vítima de um roubo de carga, para o qual não contribuiu nem deu causa, motivo que afasta qualquer responsabilidade que lhe pudesse ser imputada. Entende que o roubo da carga exclui a responsabilidade do transportador, por tipificar caso fortuito ou força maior. 04 – A Lei n. 11.442, de 05/01/2007, em seu art. 12, inciso V, preceitua que o transportador é liberado de sua responsabilidade se houver contratação de seguro pelo contratante do serviço de transporte, na forma do inciso I do artigo 13 da referida Lei. 05 – Questiona o cálculo das contribuições, sob a alegação de que a base de cálculo dessas contribuições de R$ 568.643,32. A exigência da COFINS estaria limitada ao valor de R$ 43.216,90 (R$ 568.643,32 x 7,6%), e não o valor majorado de R$ 54.440,51. Da mesma forma, o valor da contribuição do PIS Importação seria de R$ 9.382,62, e não o valor de R$ 11.819,32, conforme consta no Auto de Infração. Conversão do julgamento em diligência. Para análise do pleito, constatouse que o processo encontrava se insuficientemente instruído. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 17747.004288/200664 Acórdão n.º 3302002.539 S3C3T2 Fl. 130 5 Não fora juntado ao presente o processo de vistoria aduaneira, de nº 17747002.309/200615, além do que o interessado questionava, em sua peça impugnatória, os cálculos das contribuições. Diante do exposto, foi o julgamento convertido em diligência, retornando o processo retornasse à Unidade preparadora (DRF DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP ), para que: a)fosse apensado ao presente o PAF nº 17747002.309/200615, relativo à Vistoria Aduaneira mencionada anteriormente; b) fosse objeto de manifestação por parte da autoridade fiscal o alegado equívoco no cálculo das contribuições (v. Resolução nº 171.012, de 13 de abril de 2011). Após encerramento das diligências acima, o processo retornou a esta DRJ/SPOII, para julgamento. Foi apensado ao presente processo o de nº 17747002.309/200615, relativo à vistoria aduaneira (Relatório da Vistoria às fls. 35/38) , e houve manifestação da autoridade fiscal competente quanto ao cálculo das contribuições (v. fls. 82).” A DRJ considerou que, quanto à preliminar, no procedimento de vistoria aduaneira, formalizada pelo processo nº 17747002.309/200615, foi apurada a responsabilidade decorrente de conduta da transportadora e.se comprovada sua responsabilidade pela falta de mercadorias, descabe a alegação de ilegitimidade passiva. E, no mérito ressalta que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 12, de 31/03/2004, em seu artigo único, estabelece que “o roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro, com as alterações do Decreto nº 4.765, de 24 de junho de 2003, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade.”. Quanto à correção dos cálculos, acata as informações prestadas pela unidade, quando da diligência. A contribuinte, irresignada, apresenta recurso voluntário focando seus argumentos na questão das excludentes de responsabilidade, onde, em síntese, alega que: 1) o Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 atribui a responsabilidade ao transportador pelo o trânsito não concluído, porém esta responsabilidade é subjetiva; 2) a não conclusão do trânsito aduaneiro se deveu ao roubo a mão armada, conforme comprovado pelo boletim de ocorrência e pela recuperação do veículo pela autoridade policial e que não deu causa ao roubo,o qual se enquadra no contexto da excludente por força maior ou caso fortuito;(expõe a fundamentação desse entendimento, citando precedentes do CARF); Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 3) Cita que no Acórdão 30331.800, o relator , fazendo referência à eficácia do Boletim de Ocorrência, evidencia ser inadmissível que o Poder Público tome liminarmente como duvidosa a declaração prestada à polícia; Conclui pedindo que torne insubsistentes os autos de infração. Na forma regimental, o processo foi distribuído a esta Conselheira para relatar. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, dele se conhece. Como relatado, a lide versa sobre a exigência de crédito tributário ( PIS e Cofins na importação), lançado em razão do extravio de mercadoria em trânsito aduaneiro que supostamente fora objeto de roubo, conforme consta do Boletim de Ocorrência 006972/2006, da 01 Delegacia de Polícia de Guarulhos, na data de 17/06/2006. Constatase que nesta fase recursal o sujeito passivo (responsável tributário) não mais alega a Preliminar de Ilegitimidade Passiva. Pelo o contrário, reconhece que o Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 atribui a responsabilidade ao transportador pelo o trânsito não concluído, quando assim se manifestou: “É certo que o Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 atribui a responsabilidade ao transportador pelo o trânsito não concluído, porém esta responsabilidade é subjetiva(...)”. Igualmente, o sujeito passivo não mais argúi erro de cálculos nos valores lançados. Desta forma, não havendo mais litígio sobre a legitimidade do sujeito passivo e sobre os cálculos, passase à análise de mérito. Consoante consta do processo de vistoria nº 17747002.309/200615 a este apensado, é inconteste que tanto o veículo transportador quanto o reboque foram localizados, dando entrada no Porto Seco Universal em 20/06/2006 sem o lacre de segurança do contêiner e com falta de mercadorias. Tal fato subsumese às regras contidas nos art. 41 e 60 do Decretolei n º 37, de 18 de novembro de 1966, reproduzidas nos art. 591 e 592 do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 20021 1 “Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei nº 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei nº 37, de 1966, art. 41): I substituição de mercadoria após o embarque; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 17747.004288/200664 Acórdão n.º 3302002.539 S3C3T2 Fl. 131 7 “Decreto –lei nº 37/66 Dispõe sobre o imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências (...) Art.41 Para efeitos fiscais, os transportadores respondem pelo conteúdo dos volumes, quando: I ficar apurado ter havido, após o embarque, substituição de mercadoria; II houver falta de mercadoria em volume descarregado com indícios de violação; (...) Art.60 Considerarseá, para efeitos fiscais: I dano ou avaria qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; II extravio toda e qualquer falta de mercadoria.( Vide Medida Provisória nº 320, de 2006 ) ( Vide Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010 ) Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos.( Vide Medida Provisória nº 320, de 2006 ) “ Pretende a recorrente excluir a sua responsabilidade tributária sob a alegação de que o Roubo à mão armada, comprovado pelo o Boletim de Ocorrência 006972/2006 e pela recuperação do veículo pela autoridade policial, enquadrase como excludente de responsabilidade por força maior ou caso fortuito. Improcede tal alegação. O Boletim de Ocorrência é documento declaratório, de emissão particular junto à autoridade policial, visando formalizar uma noticia criminis, ou seja, a redução a termo da comunicação de um crime. Contudo, como documento declaratório, de emissão particular, a sua exibição não constitui meio de prova, podendo ser considerado como procedimento probatório. Isto porque não basta apenas exibilo.Mister se faz comprovar o seu conteúdo O boletim em si prova apenas a comunicação de um crime e não a sua ocorrência. A sua exibição faz prova apenas de sua formação. II extravio de mercadoria em volume descarregado com indício de violação; (...).” Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Os fatos declarados devem ser provados pela contribuinte, consoante art. 368 do CPC2 Tal matéria já foi objeto de julgamento nesta turma, por meio do Acórdão nº 3302002.266 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 20 de agosto de 2013, no qual, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário, tendo o ilustre relator, o Conselheiro Walber José da Silva, explicitado sobre essa questão, nos seguintes termos: “Cabe esclarecer que Boletim de Ocorrência nada mais é do que a formalização de uma noticia criminis, ou seja, a redução a termo da comunicação de um crime. O boletim em si prova apenas a comunicação de um crime e não a sua ocorrência. Tanto isso é verdade que a comunicação de um crime pode provocar (nem sempre isso ocorre, como parece ter sido o caso) a instauração de um inquérito policial, precisamente com o objetivo de apurar se houve crime e quais foram os seus autores. Como todo registro de uma declaração, o boletim de ocorrência é assinado pelo declarante e feito sob sua responsabilidade administrativa, civil e criminal em relação à veracidade do seu conteúdo. Existe até mesmo uma figura penal específica para incriminar a conduta de quem comunica falsamente a ocorrência de um crime (art. 340 do Código Penal), demonstrando claramente a possibilidade de um boletim de ocorrência não representar a verdade. O fato da autoridade policial ter lavrado o Boletim não representa de maneira nenhuma que ela aceitou como verdadeira a comunicação da ocorrência do crime, que ainda deve ser apurada. Além disso, é dever da autoridade policial registrar toda e qualquer comunicação de crime que lhe for feita.” Convém registrar, ainda, que o Acórdão nº 30332.629, proferido pela E. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o qual foi citado pela recorrente com o intuito de reforçar seus argumentos de que o Boletim de Ocorrência é circunstância excludente de responsabilidade, foi objeto de Recurso Especial interposto pela PGFN e cujo julgamento proferido pela CSRF por meio do Acórdão nº 0306.052, de 08 de setembro de 2008, deu provimento ao recurso especial, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES REGIME DE TRÂNSITO ADUANEIRO. EXTRAVIO DE MERCADORIAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Boletim de ocorrência não é prova conclusiva quanto ao roubo de carga, mas de sua comunicação à autoridade policial. A não conclusão do trânsito aduaneiro, em razão do extravio de mercadorias, torna exigível os tributos e seus acréscimos moratórios, além de multa prevista no Regulamento Aduaneiro. Recurso especial provido”. 2 CPC Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 17747.004288/200664 Acórdão n.º 3302002.539 S3C3T2 Fl. 132 9 Assim sendo, verificase a ocorrência dos respectivos fatos geradores do PIS Importação e da CofinsImportação, devendo os mesmos serem exigidos, por força do disposto nos arts. 1º, 4º, II, e 6º, II, da Lei nº 10.865/04. 3 3 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004 Dispõe sobre a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e a Contribuição para o financiamento da Seguridade Social incidentes sobre a importação de bens e serviços e dá outras providências. CAPÍTULO II DO FATO GERADOR Art. 4º. Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: I na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de bens constantes de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; (...) CAPÍTULO III DO SUJEITO PASSIVO Art. 6º. São responsáveis solidários: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 CONCLUSÃO De acordo com a fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora I o adquirente de bens estrangeiros, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; II o transportador, quando transportar bens procedentes do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000403/2002-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS DECLARADOS COM TÍTULO JUDICIAL QUE, NA OCASIÃO, NÃO AMPARAVA A COMPENSAÇÃO VISLUMBRADA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE.
Legítima a lavratura de auto de infração para exigência de débitos declarados em DCTF vinculados a ação judicial não transitada em julgado e que não amparava a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.310
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS DECLARADOS COM TÍTULO JUDICIAL QUE, NA OCASIÃO, NÃO AMPARAVA A COMPENSAÇÃO VISLUMBRADA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE. Legítima a lavratura de auto de infração para exigência de débitos declarados em DCTF vinculados a ação judicial não transitada em julgado e que não amparava a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13639.000403/2002-74
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5367242
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.310
nome_arquivo_s : Decisao_13639000403200274.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 13639000403200274_5367242.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5561021
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816090488832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13639.000403/200274 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.310 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria Impugnação DCTF Auto de Infração Recorrente Inpa Indústria de Embalagens Santana S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula nº 11 do CARF, “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS DECLARADOS COM TÍTULO JUDICIAL QUE, NA OCASIÃO, NÃO AMPARAVA A COMPENSAÇÃO VISLUMBRADA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE. Legítima a lavratura de auto de infração para exigência de débitos declarados em DCTF vinculados a ação judicial não transitada em julgado e que não amparava a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 04 03 /2 00 2- 74 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 79/83 – fls. 96/100 do arquivo anexado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, conheceu em parte da impugnação para darlhe parcial provimento, tendo sido mantido o lançamento de R$ 153.287,17 contra a interessada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. Não se conhece da impugnação na parte em que o pedido e seus fundamentos forem idênticos àqueles formulados pelo contribuinte em ação judicial, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A lavratura do auto de infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: Em decorrência de auditoria interna procedida junto à contribuinte, foi lavrado Auto de Infração de fl. 23, relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 1997, exigindolhe o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 408.228,60, sendo R$ 153.287,17 a título de PIS. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13639.000403/200274 Acórdão n.º 3802003.310 S3TE02 Fl. 122 3 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante da peça fiscal, o lançamento, relativo aos 3° e 4° trimestres do anocalendário 1997, decorreu da falta de pagamento da contribuição, motivada por informação em DCTF de compensação cuja vinculação não restou confirmada. Inconformada com a imposição, a contribuinte ingressou com impugnação, alegando, em síntese: 1) que impetrou ação ordinária n° 94.01044767 pleiteando a declaração do direito de recolher o PIS na forma e alíquotas previstas na LC 07/70; 2) com respaldo no art. 66 e parágrafos da Lei 8383/1991, procedeu à compensação com débitos do próprio PIS. Cita ainda a IN SRF 32/97; 3) impropriedade da aplicação da Taxa Selic. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 27/01/2011 (fls. 89). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 25/02/2011 (fls. 90), o recurso voluntário de fls. 90/106, onde ressalta o seguinte: a) que deveria ser reconhecida a superveniência da prescrição intercorrente do processo administrativo, em razão do decurso de mais de 8 anos entre o protocolo da impugnação (em 09/07/2002) e a ciência do contribuinte acerca da decisão que julgou o recurso (proferida em 26/01/2011); b) que a recorrente, amparada em decisão judicial que reconheceu como indevidos os recolhimentos do PIS realizados na sistemática dos Decretos leis nos 2.445/88 e 2.449/88, procedeu à compensação dos créditos correspondentes com débitos do próprio PIS de competência de julho a dezembro de 1997; c) que a compensação foi realizada em conformidade com as exigências legais vigentes à época (1998), que “não impunham qualquer procedimento específico por parte do contribuinte”; d) que a compensação instituída pelo artigo 66 da Lei nº 8.383/91 seria diferente da que cuida o artigo 170 do CTN, uma vez que a primeira é feita no âmbito do lançamento por homologação; ademais, os efeitos jurídicos de uma e de outra seriam diversos, “pois o pagamento e a compensação promovidos no lançamento por homologação não tem o condão de extinguir o crédito tributário, porque sujeitos a condição resolutória, qual seja, a homologação [...], sob pena de ocorrer a homologação tácita [...]”; e) assim, “a compensação delineada pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91 atribui à Contribuinte o direito subjetivo de compensar o que pagou indevidamente [...], cumprindolhe apurar o quantum indevidamente pago, creditandose em sua escrita fiscal, já corrigido, de sorte a ressarcirse dos prejuízos pretéritos. Estando certo [de] que o pagamento indevido ocorreu, é imperioso o reconhecimento da legitimidade das compensações efetuadas pela ora recorrente [...]”. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Diante do exposto, requer a reclamante seja julgado improcedente o lançamento, com o correspondente cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da Admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do argumento em defesa da prescrição intercorrente Quanto à alegada caracterização de prescrição intercorrente, tal questão já está pacificada no âmbito do CARF, sendo, inclusive, objeto da Súmula nº 11 deste Conselho, segundo a qual “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Inerente à súmula em tela, é expressamente vedado aos conselheiros do CARF negarem sua observação, a teor do disposto no § 4° do artigo 72 do Anexo II do RICARF (Portaria MF nº 256/09), segundo o qual “as súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF”. Diante das razões acima expostas, não há como acolher a tese da recorrente em defesa da prescrição intercorrente. Da legitimidade do lançamento formalizado para exigência dos débitos tributários em aberto declarados em DCTF Extraise dos autos que a razão para a formalização do lançamento contra a recorrente, relativo ao PIS declarado em DCTF no 3° e 4° trimestres do anocalendário 1997, decorreu da não confirmação do crédito objeto do processo judicial informado pela suplicante. Com efeito, o artigo 90 da Medida Provisória no 2.15835, referenciado no citado artigo 18 da Lei no 10.833/2003, prescreve o lançamento de ofício das diferenças apuradas em declarações prestadas pelo sujeito passivo, “[...] decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. A formalização do crédito tributário pelo lançamento, mesmo diante da existência de ação judicial onde se discute a exigibilidade do crédito tributário, está em sintonia com o artigo 142 do CTN, como, aliás, leciona James Marins: O poderdever que imprime aos órgãos administrativos tributários a obrigação de realizar o lançamento através da autuação tem como motor a necessidade de paralisação da fluência do prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional e em outras leis esparsas, que corre contra o espaço de tempo hábil conferido à autoridade fazendária para que exerça seu poderdever de formalizar a obrigação tributária com seu correspectivo crédito. Ademais disso, se se tratar de discussão judicial de crédito já formalizado (lançado) apontase o risco de prescrição que milita contra o Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13639.000403/200274 Acórdão n.º 3802003.310 S3TE02 Fl. 123 5 direito da Fazenda Pública em lançar mão dos instrumentos processuais previstos para o exercício judicial do crédito tributário exeqüível. Nesse tema são de ser adequadamente relevadas as lições clássicas do grande mestre Aliomar Baleeiro: “corre prazo de decadência da obrigação tributária, insuscetível de interrupção, desde qualquer das duas hipóteses do art. 173, mas, se for constituído o crédito tributário correspondente a tal obrigação, passa a correr, daí por diante, o prazo de prescrição, já agora desse crédito. Desde sua constituição definitiva (art. 141) é que passará a marcar os dias contra o fisco, salvo se for interrompido por uma das quatro causas eficientes e taxativas, já vistas no parágrafo único do mesmo art. 174. [Suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Revista de Direito Tributário. 910/924, São Paulo, RT, 1979] Com efeito, no nosso regime de Direito positivo consubstanciado no Código Tributário Nacional fazse impostergável o poderdever da Administração Fazendária em formalizar o crédito tributário, impondo imperativamente à autoridade fiscal (sob pena de responsabilidade funcional) a obrigação de observar o prazo decadencial previsto em lei para a realização do lançamento (dever de não perpetuar dúvidas ou inseguranças), sob pena de que venha a não mais poder realizálo validamente por padecer de caducidade. Assim, não só a Administração Fazendária pode como deve formalizar o crédito em discussão (lançar), sob pena de decadência do direito de fazê lo, mesmo estando em curso a ação judicial de natureza preventiva (anterior ao lançamento) com o condão de suspender a exigibilidade do crédito (seja por depósito, caução, ou por qualquer decisão judicial para tanto eficiente, liminar, sentença ou acórdão). Deve formalizálo, porém, apenas e unicamente para a precípua finalidade de obstar a decadência. Não é lícito ao Fisco, indo além da mera formalização do crédito, registrar eventuais penalidades ou intentar cobrá lo promovendo a inscrição em dívida ativa e aforando a respectiva execução judicial, pois o crédito encontrase em estado de suspensão de sua exigibilidade. Ademais disso, se a suspensão decorrer de ordem judicial, caracterizado estaria seu descumprimento com as penalidades daí decorrentes. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: (administrativo e judicial). São Paulo: Dialética. 2005. p. 221223) Evidentemente, o que for decidido na ação judicial deverá ser cumprido por parte da autoridade administrativa que jurisdiciona o sujeito passivo, momento em que o crédito tributário constituído poderá, inclusive, ser integralmente quitado acaso seja demonstrado que o crédito judicial seja equivalente ou superior ao débito tributário. Tal questão, contudo, não é objeto de discussão nesta seara, que se restringe à análise da legitimidade do lançamento em vista da não comprovação da vinculação indicada na DCTF pelo sujeito passivo à época. Nesse diapasão, temse que a decisão judicial de primeira instância julgou procedente em parte o pedido da reclamante “[...] para determinar a repetição dos valores pagos a maior [...]”, tendo julgado “improcedente o pedido de compensação do indébito” (vide Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 fls. 56). Ademais, não consta dos autos nenhuma informação acerca de eventual trânsito em julgado da sentença ou de sua reforma. Diante disso, bem como do teor da decisão de primeira instância, correto o entendimento da unidade preparadora, já que não era possível a realização de qualquer compensação em vista da inexistência de créditos líquidos e certos em favor da interessada. É o que se extrai do artigo 170 do CTN, c/c o artigo 66 da Lei nº 8.383/91, que, diferentemente do que sugere o sujeito passivo, exige, sim, seja demonstrada a liquidez e a certeza do crédito, eis que tal está implícito nos conceitos de “pagamento indevido ou a maior de tributos”. Legítimo, pois, o direito de o Fisco exigir os débitos em aberto. Os créditos eventualmente reconhecidos em favor do sujeito passivo por força de decisão judicial poderão ser compensados com os débitos tributários legitimamente constituídos por meio do lançamento de ofício, conforme já ressaltado. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 22 de julho de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.012134/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.572
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JORGE LUIZ DONATO
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.012134/2008-10
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351421
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-000.572
nome_arquivo_s : Decisao_10830012134200810.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10830012134200810_5351421.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JORGE LUIZ DONATO RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5475634
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816108314624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.012134/200810 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 2202000.572 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de fevereiro de 2014 Assunto IRRF Recorrentes JORGE LUIZ DONATO FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JORGE LUIZ DONATO RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 13 4/ 20 08 -1 0 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, JORGE LUIZ DONATO, foi lavrado o auto de infração de fls. 02/06, acompanhado dos demonstrativos de fls. 07/09 e do termo de verificação fiscal de fls. 11/21, além do demonstrativo de valores de fls. 22/89, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas dos anos calendário de 2003 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 978.272,11. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 a 05, a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada – omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do presente Auto de Infração. Fatos geradores, valores tributáveis e enquadramento legal as fls. 04/05. Consta do citado Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/21 que: o fiscalizado tomou ciência em 09.09.2008, do termo de início de ação fiscal, tendo sido intimado, dentre outros, a apresentar os comprovantes de rendimentos, recebidos a qualquer título, com discriminação mensal; em 13.10.2008, o fiscalizado recebeu a intimação fiscal n.º 02, intimando o a informar qual o percentual de sues rendimentos na conta mantida na instituição Banco Itaú, ag. 0316, contas 47789 e 14015; em resposta, apresentou em 23.10.2008, documento no qual afirmou que nos anos fiscalizados seus rendimentos não transitaram por estas contas; mediante intimação fiscal n.º 03, o fiscalizado foi intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a proveniência dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas contas bancárias relacionadas, tendolhe sido fornecido planilha intitulada “Demonstrativo de Valores – Extrato Bancário/Extrato da Movimentação Financeira – que, de forma individualizada, discriminam os valores creditados, por data e crédito; em 21.11.2008, o fiscalizado afirmou através de documento levado ao protocolo desta Delegacia, que “...como já informado inúmeras vezes pelo seu irmão João Carlos Donato, as contas fiscalizadas são de titularidade da pessoa jurídica Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. Segundo ainda seu irmão, todos os documentos necessários para prova da titularidade da conta já foram apresentados mais de uma vez a essa fiscalização.” Por último, informou novamente que “o percentual de seus rendimentos nas referidas contas é ZERO”. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 4 3 o contribuinte foi cotitular das contas 47789 e 14015, mantidas na agência 0316 do Banco Itaú. Nessas contas, os outros cotitulares eram o Senhor João Carlos Donato e o Senhor Aldomir Donato. Intimado inicialmente o Senhor João Carlos Donato afirmou que os valores depositados nestas contas correntes estavam relacionados a negócios efetuados por pessoa jurídica na qual figurava como sócio. No entanto, deixou de apresentar a esta fiscalização prova irrefutável de sua alegação, restringindose a apresentar alguns contratos celebrados pela empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda., CNPJ 04.810.614/000190, e alguns comprovantes de pagamento destes contratos; o Senhor João Carlos Donato não logrou êxito em demonstrar a origem (e respectiva tributação) dos depósitos bancários efetuados nas contas bancárias 47789 e 14015, nas quais era titular juntamente com o ora fiscalizado; com relação ao percentual de participação em cada uma das contas, o fiscalizado informou que era zero; por este motivo, foi obedecida a legislação que determina que na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares (art. 58 da Lei n.º 10.637/02, que acrescentou o § 6º ao art. 42 da Lei n.º 9.430/96 e art. 1º, § 2º da IN SRF n.º 246/02); o Senhor João Carlos Donato apresentou cópias de alguns cheques no intuito de demonstrar que os depósitos efetuados nas contas 47789 e 14015, cujos titulares são pessoas físicas, referiamse a pagamentos efetuados pelos compradores de unidades residenciais da empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda.; tomemos como exemplo o contrato celebrado entre a referida empresa e os compradores Francisco Assis Del Bianco e Sandra Maria Castan Del Bianco. O instrumento de compra e venda reza que o preço é de R$ 63.000,00. O fiscalizado anexou dois cheques, um de R$ 3.000,00 do próprio comprador (Francisco Assis Del Bianco) e outro de R$ 60.000,00 de um senhor que sequer figura no contrato (Warleynilson Silva da Costa). Ou seja, justamente o cheque de maior valor não pertence ao comprador e é desta forma que pretende o fiscalizado elidir a presunção que milita contra si; nos poucos exemplos trazidos pelo Senhor João Carlos Donato, ou os contratantes não são os mesmos que emitem os cheques ou os valores não coincidem com os estampados nos respectivos contratos; intimado, o fiscalizado não apresentou a composição da receita mensal da pessoa jurídica, que segundo ele, teria ofertado os rendimentos à tributação. O livro Diário da pessoa jurídica traz a rubrica “Receitas da venda de unidades imobiliárias” resumida por mês. Admitese a escritura resumida no livro Diário, desde que utilizados livros auxiliares para registros individualizados que permitam sua perfeita verificação; Ou seja, não é possível verificar se o cheque “a” ou “b” compôs a receita de determinado mês da empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. Tal Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 5 4 verificação somente seria viabilizada com o cotejo de todos os cheques e demais ingressos que compuseram a receita mensal; ademais, conforme pode ser verificado no quadro a fl.17, existe uma enorme discrepância entre o valor movimentado nas contas n.º 47.789 e 14.015, ambas do Itaú e o valor informado no Livro Diário da empresa, o que serve para afastar de vez a alegação do fiscalizado quanto à utilização destas contas correntes para movimentar recursos exclusivos de pessoa jurídica; um outro dado que chama a atenção é a existência de cinco sócios na empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda., sendo que dois deles, justamente os sócios gerentes (os senhores Dejanir José Thomé e Pedro Motta), não figuravam como cotitulares das contas 47.789 e 14.015, o que vem contrariar os argumentos trazidos pelo fiscalizado de que se tratam de recursos movimentados pela empresa em questão; por outro lado, verificase no quadro a fl. 18, a discrepância entre o total de rendimentos declarados pelo fiscalizados e o total movimentado nas contas bancárias sob exame: diante das constatações acima, fica o fiscalizado sujeito a lançamento de ofício. Cientificado do lançamento em 08/12/2008 (fl. 366), o contribuinte apresentou, em 07/01/2009, a impugnação de fls. 376 a 406, por intermédio de procurador (procuração a fl. 407), acompanhada dos documentos de fls. 409/482, alegando: preliminarmente, nulidade por estar o sigilo bancário sob reserva do Judiciário. O acesso às contas bancárias estava sob a denominada reserva de jurisdição, o que significa dizer que o alcance dessas informações só podia ser autorizado pelo Poder Judiciário. Transcreve doutrina sob o tema; nulidade: ausência de motivação para uso dos extratos. Cita o art. 2º do Decreto n.º 3.724/2001, para dizer que o acesso aos extratos bancários depende de motivação, ou seja, o Fisco precisaria demonstrar a existência de outros indícios que pudessem acenar para a prática de sonegação, dentre as 11 hipóteses que configuram as denominadas “informações indispensáveis”, única condição para autorizar o acesso aos extratos bancários. O autuante utilizou as informações bancárias sem demonstrar porque as considerava “indispensáveis”; erro na determinação do momento do fato gerador o § 1º, do art. 42, da Lei n.º 9.430/96 é claro ao determinar que os valores tidos como receita ou rendimentos auferidos pelo contribuinte deverão ser apurados mensalmente. Se a lei manda considerar os depósitos não comprovados como rendimentos auferidos “no mês do crédito efetuado pela instituição financeira”, é imperativo reconhecer que, considerados os respectivos meses, decaiu o direito do Fisco de constituir crédito tributário sobre depósitos bancários efetuados há mais de cinco anos; nulidade – conta corrente conjunta – o origem e titularidade dos depósitos foi lastreada em documento de terceiros, sem a participação do impugnante. Ora, o fiscalizado é acusado de ser titular de depósitos de origem não comprovada, de omitir rendimentos porque um terceiro não logrou êxito em provar o contrário? Talvez o d. Agente Fiscal tenha se confundido com a linguagem por insistir na informação sobre percentual dos rendimentos, ora Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 6 5 como exposto antes, todo os rendimentos declarados foram depositados na conta ora questionada; Se a lei manda imputar, proporcionalmente, a cada titular das contas de depósito ou de investimento os valores dos depósitos não comprovados, inferese que todos os co titulares devem ser intimados a se manifestar sobre a origem dos recursos que transitaram nas contas mantidas em conjunto, procedimento esse que não foi observado pela autoridade autuante; Erro na eleição do sujeito passivo – depósitos bancários relativos à pessoa jurídica previamente informada à fiscalização – a presunção legal esculpida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 não alcança a titularidade dos valores movimentados, apenas considera depósitos cuja origem não seja justificada como renda, sem, contudo, autorizar a presunção de sua titularidade; No caso ora em julgamento, desde a primeira resposta acerca da origem dos valores depositados nas contas n.º 140159 e 477890, foi informado à fiscalização tratarse de valores referentes a operações comerciais (vendas de lotes) da pessoa jurídica Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. De fato, a citada empresa não possuía conta corrente em seu nome e por isso praticava todas as suas operações através das contas n.º 140159 e 477890; Para fins de aplicação da presunção de renda contida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, quando a movimentação dos valores em conta bancária é de terceira pessoa, a esta (no caso, a Jardim América) deve ser atribuída a titularidade dos valores ali depositados. Cita julgado do Conselho de Contribuintes; Uma vez demonstrado o verdadeiro titular dos depósitos bancários pelo contribuinte sob fiscalização, é ônus do Fisco desconstituir esse fato. É preciso registrar que foram entregues à fiscalização elementos, que por si só, sustentam a titularidade dos valores pela pessoa jurídica, quais sejam: a) pagamentos das taxas condominiais dos lotes a serem vendidos pela empresa – conforme documentos juntados as fls. 311/322, lista contendo os valores devidos (por quadra e lote) e recibo de depósito em benefício da Associação dos Proprietários do Residencial Jardim América. Ora, tais valores têm a natureza de taxa condominial. É evidente que somente a pessoa jurídica Jardim América é que é responsável por esses pagamentos dos lotes que ainda não haviam sido vendidos; b) contratos de venda e compra de lotes com pagamento nas contas correntes n.º 140159 e 477890. – além do exemplo de contrato de venda e compra de lotes trazidos pela fiscalização, foram entregues outros contratos e depósitos em que há perfeita coincidência entre datas e valores. Vejamse os demais documentos juntados: b1) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Cláudio Leite Pinto e Marina Alda Leite, no valor de R$ 59.000,00, pagos da seguinte forma: (i) R$ 11.800,00 pagos com um único cheque depositado em 15/01/2003 – fl. 130 dos autos; (ii) R$ 11.800,00 pagos em um único cheque nominal a empresa Jardim América;(iii) R$ 11.800,00 pagos com dois cheques Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 7 6 no valor de R$ 5.900,00 em 13/05/2003. É possível identificar um dos depósitos nas fls. 132 dos autos (o outro cheque deve ter sido depositado em conjunto com outros valores); b2) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Heraul Stella, no valor de R$ 61.859,19 pagos em parcelas de R$ 10.309,86. É possível identificar nos extratos constantes dos autos três depósitos coincidentes em datas e valores, nos dias 13/05/2003 (fl. 132), 30/05/2003 (fl. 132) e 10/07/2003 (fl. 134); b3) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Sérgio Gandini, no valor de R$ 69.000,00, pagos de forma parcelada. O valor acordado foi depositado na conta 47.7890 em quatro parcelas da seguinte forma: (i) R$ 5.000,00 (dois cheques de R$ 2.500,00) depositados conforme recibo; (ii) R$ 18.000,00 (cheques prédatados para dezembro de 2005) conforme recibo; (iii) R$ 23.000,00 (cheques de terceiros) pagos em 03 de janeiro de 2006 conforme recibo; c) movimentação de títulos e cobranças – cumpre registrar que a grande soma de títulos movimentados (na conta 47.7890 ultrapassa a cifra de 900 lançamentos enquanto a conta n.º 140159 atinge mais de 90), é indício para atestar a titularidade dos depósitos para a qual não existe presunção (presunção é só para omissão de receitas). MÉRITO – os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos – a presunção legal de omissão de rendimentos encontra sérios obstáculos técnicos para a sua instituição e concreção. É evidente que a presunção não surge do olimpo: ela deve resultar sempre da experiência, da observação dos fatos na ordem natural das coisas. Cita doutrina a inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/96, única norma que sustenta o lançamento tributário, uma vez que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. A Súmula 182, do extinto TRF, demonstra quanto é precipitada a tentativa de ser elevar os simples depósitos ao plano da presunção de rendimentos omitidos; É inquestionável que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, vez que não é a operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial da mesma; Desconsideração das sobras de recursos do mês anterior – apurado pelo Fisco como tributável um valor no mês de janeiro, esse valor deveria ser excluído da tributação no mês de fevereiro, e assim sucessivamente, uma vez que a origem dos recursos movimentados no mês subseqüente estaria comprovada pelos valores apurados e tributados pelo Fisco no mês anterior, a exemplo da metodologia utilizada pelo Fisco na apuração de suposto acréscimo patrimonial; Da comprovação da origem dos depósitos – tomando como base a planilha fornecida pelo próprio fiscal, anexa ao auto de infração, sob a rubrica Demonstrativos de Valores, vejase os seguintes itens que jamais deveriam ter sido considerados como valores de origem não comprovada: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 8 7 1) resgate de aplicações financeiras dentre os valores considerados via presunção como rendimentos omitidos na conta n.º 47.7890 estão diversos lançamentos a crédito sob a rubrica Resgate de Aplicações Financeiras. Ora, tais lançamentos são meras transferências patrimoniais que não representam ingresso, quanto mais renda. As fls. 396/399, estão listados os valores e as datas relativas ao resgate de aplicações financeiras; 2) redução do saldo devedor – dentre os lançamentos a crédito na conta 47.7890 tomados como renda constam valores que, de fato, não ingressaram no patrimônio do impugnante. A redução do saldo devedor nada mais é do que o registro no extrato da concessão de um empréstimo (costumeiramente chamado de limite especial) que não é renda. A fl. 402, consta o demonstrativo das reduções de saldo devedor; 3) estornos bancários – os estornos efetuados pelo banco não foram excluídos. A fl. 403, encontrase a lista dos estornos de lançamentos; 4) cheques devolvidos – foram considerados depósitos de origem não comprovada e tributados como rendimentos omitidos, valores que se referem à devolução de cheques. As fls. 404/405 constam as listas de cheques devolvidos/depósitos estornados. Não se pode tributar valores que não ingressaram de falto na contacorrente do impugnante; dispensa de comprovação de pequenos depósitos – inexistência de valores a serem tributados – excluídos os valores apontados como indevidos e somados os depósitos de valor individual inferior aos R$ 12.000,00 em cada conta bancária, constatase que a soma global (de cada ano) não ultrapassa os R$ 80.000,00. Dessa forma, é patente a necessidade de exclusão de tais valores; Por fim, questiona a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício e requer o reconhecimento da nulidade do lançamento de ofício. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003, 2004 PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA USO DOS EXTRATOS. Não é exigida a demonstração da indispensabilidade dos extratos bancários, quando estes são solicitados pela fiscalização diretamente ao contribuinte. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. DECADÊNCIA. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 9 8 A partir do ano calendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, do ajuste anual estabelecido pela Lei nº 8.134/90, razão pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo titular de fato das contas bancárias em que se baseou a autuação, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA DO MÊS ANTERIOR. A sistemática de apuração de omissão de rendimentos por meio de depósitos bancários prevê a análise individualizada dos mesmos, não podendo a receita tributada em um mês ser considerada como disponibilidade financeira do mês seguinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE DE TRIBUTAÇÃO. Devem ser mantidos na autuação, os créditos bancários de valor inferior a R$ 12.000,00, uma vez que a soma desses depósitos, nos anos calendário de 2003 e 2004, superou o montante de R$ 80.000,00, considerando se, para efeito de cálculo desse limite anual, os créditos efetuados em todas as contas de depósito ou de investimento, cuja titularidade seja do contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se constituem em normas Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 10 9 gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquele objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após análise da autoridade de primeira instância parte do lançamento foi afastada: Em relação ao resgate de aplicações financeiras constantes da conta n.º 47.7890 constatouse serem procedentes as alegações do contribuinte, foram excluídos da tributação os valores referentes a 1/3 dos resgates de aplicações financeiras constantes dos demonstrativos de fls. 396/399, os quais totalizam R$ 61.225,84 no ano calendário 2003 (1/3 de R$ 183.677,52) e R$ 11.563,32 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 34.689,97). Foram excluídos da tributação os valores referentes a redução do saldo devedor, discriminados a fl. 402, que totalizam R$ 6.702,17 no ano calendário 2004, na proporção de 1/3, ou seja, foi excluída a importância de R$ 2.234,06. Os valores listados a fl. 403 referentes à conta 47.7890 foram excluídos da tributação, por serem depósitos/créditos estornados na mesma data em que se deu o depósito. Além desses, há mais um depósito a ser excluído, referente a crédito posteriormente estornado. É o depósito efetuado em 27/02/2004, no valor de R$ 16.149,35. Assim, foi excluída da tributação no ano calendário 2004 a importância de R$ 33.270,38, correspondente a 1/3 do somatório dos valores estornados na conta n.º 47.7890 (R$ 99.811,15). Em relação aos cheques devolvidos, temos que em relação à conta n.º 47.7890, dos depósitos cujos cheques foram devolvidos, dois valores não foram incluídos no Demonstrativo de Valores, quer sejam, o depósito no valor de R$ 67,57 efetuado em 16/09/2003 e o depósito no valor de R$ 1.000,00 efetuado em 23/01/2003. Todos os demais valores listados pelo contribuinte as fls. 404 e 405 foram excluídos da tributação, totalizando R$ 1.280,21 no ano calendário 2003 (1/3 de R$ 3.840,63) e R$ 7.617,02 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 22.851,06). Já em relação à conta n.º 14.0159, os valores a serem a serem excluídos são os referentes aos depósitos efetuados em 30/05/2003, no valor de R$ 45,33 (fl. 282), 30/06/2003, no valor de R$ 4,94 (fl. 287) e em 31/03/2004, no valor de R$ 45,71 (fl. 326). Cabe esclarecer que o valor de R$ 3.200,00 de 15/04/2003 não foi incluído pela fiscalização entre os depósitos tributados. Assim, deve ser excluída da tributação a importância de R$ 16,76 (1/3 de R$ 50,27) no ano calendário 2003 e R$ 15,24 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 45,71) e não os valores de R$ 2.096,20, R$ 30.431,70, R$ 4.798,20 e R$ 3.200,00 informados no quadro de fl. 405. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 11 10 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Preliminarmente nulidade pela quebra do sigilo bancário; Pelo erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador; Da nulidade da conta corrente conjunta; Do erro na eleição do sujeito passivo; De que os depósito bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos; Da selic que não pode incidir sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Resolução nº 2202000.572 S2C2T2 Fl. 12 11 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário está dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Nos casos os laudos elaborados demonstraram que a conta corrente bancária possuía mais de um titular, neste contexto, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários. Na realidade a prévia intimação aos titulares de contas conjuntas, uma vez que apresentem declaração anual de ajuste em separado, constitui inafastável exigência de lei, por influenciar diretamente a base material da presunção legal. A intimação a apenas um titular, ainda que todos sob procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorálo em presunção de não justificativa, por todos, da origem dos créditos bancários, sendo que a própria renda já é presumida. No caso concreto percebese de acordo com o TVF ás fls. 14, que os Srs. João Carlos Donato e Aldomir Donato são cotitulares da conta objeto da autuação. Não há provas nos autos de que a Srs. João Carlos Donato e Aldomir Donato foram intimado a prestar os esclarecimentos sobre a referida movimentação bancária. Presumese que sim, uma vez que segundo consta no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, os depósitos bancários teriam sido divididos entre a recorrente e seus cotitulares. A recorrente em seu recurso pede nulidade do auto de infração em função de irregular intimação de cotitulares. Cabe registrar os efeitos da Súmula CARF No. 29. Diante dos fatos, tendo em vista o cenário descrito nos autos, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem anexe ao processo a prova de que a Srs. João Carlos Donato e Aldomir Donato foram regularmente intimados a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinatura digital) Antonio Lopo Martinez Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000551/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
Ementa:
IRPF. SIGILO BANCÁRIO. LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 18/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 Ementa: IRPF. SIGILO BANCÁRIO. LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.000551/2005-13
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366655
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.410
nome_arquivo_s : Decisao_18471000551200513.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 18471000551200513_5366655.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 18/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5559906
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816117751808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000551/200513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.410 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente MARCELO DA SILVA VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 Ementa: IRPF. SIGILO BANCÁRIO. LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 51 /2 00 5- 13 Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 18/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2000 e 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 1496/1499, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.050.896,60, calculado até 29/04/2005. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: OS FATOS. Inicialmente, o Impugnante narra os fatos, transcrevendo trechos das autuação. DAS RAZÕES DE DEFESA. Antes de qualquer consideração, o sujeito passivo levanta a preliminar de nulidade do lançamento por quebra do seu sigilo fiscal, com a adoção retroativa da Lei nº 10.174/2001, sem autorização judicial. No mérito, já durante o curso do procedimento fiscal ficou claro que o Impugnante e Júlio César da Silva Vieira, seu irmão e sócio, exploravam a atividade de compra e venda de cartões telefônicos da TelemarTelecomunicações do Rio de Janeiro S/A, fato comprovado pela apresentação de fichas de arrecadação (FA) e notas fiscais (NF) que ora acostamos, por amostragem, aos Demonstrativos da Movimentação das Contas Bancárias e Justificativa da Origem. A própria fiscalização apurou junto a Telemar NorteLeste S/A, a veracidade dessas informações consignando expressamente em seu Relatório Fiscal. No entanto, não quis aprofundar a sua investigação na busca da verdade material que de ofício lhe cumpria. A prova que beneficiava o sujeito passivo foi simplesmente arquivada em dossiê da Difis. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000551/200513 Acórdão n.º 2201002.410 S2C2T1 Fl. 3 3 O autuante ladeou as provas que demonstravam a veracidade dos esclarecimentos prestado pelo contribuinte, fazendo tábua rasa ao disposto no § 1º, do art. 79, do Decretolei nº 5.844/43. Esta, por si só, já é uma razão bastante para que o lançamento seja declarado improcedente. Em relação às constas mantidas no Sudameris S/A, esclarece que essas, como era comum na época inflacionária em que vivíamos, operavam da seguinte maneira. Os depósitos iam para a conta poupança vinculada à contacorrente e as retiradas se faziam através desta. Essas contas bancárias eram conjuntas e de intensa movimentação, a indicar simultaneamente a existência de operações comerciais e de uma sociedade de fato. O contribuinte explica que havia uma sociedade de fato com o seu irmão. Nesse sentido, o lançamento deveria ter recaído na sociedade fato que os irmãos formavam, e não nas pessoas físicas. Esclarece que essa sociedade de fato, em sua atividade, comprova e revendia cartões telefônicos com uma margem mínima de lucratividade, em torno de, no máximo 2,5%, incidente sobre o valor do cartão telefônico. Salienta que era vasta a rede de Minidistribuidores e de Pontos de Venda, como consta do DOC Nº I. No DOC Nº II, juntamse as fichas de seus clientesminidistribuidores que revendiam os cartões telefônicos para os Pontos de Venda. Defende que as provas das origens dos depósitos eram os pagamentos de cartões telefônicos revendidos. Os depósitos resultavam de operações comerciais da sociedade de fato que os sóciosirmãos mantinham. E isso ocorria não somente em relação às contas do Banco Sudameris, mas também nas do Banco Itaú, embora essas contas não fossem conjuntas. Em suma, o Impugnante sustenta que a não tributação da sociedade de fato, levou a erro na identificação do sujeito passivo. Todavia, caso não se entenda assim, preliminarmente, o lançamento também não deve prosperar por erro na identificação do período base, segundo dispõe o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. O Fisco deveria ter tributado mensalmente os depósitos bancários e, por via de conseqüência, a importância tributada em cada mês serviria para justificar, até às suas forças, os depósitos dos meses seguintes. E isso independente de o valor ser sacado ou não. Tratase de importância já tributada, e isso é o que interessa. O Impugnante juntou demonstrativos dos depósitos efetuados em suas contascorrentes bancárias, esclarecendo e justificando cada aporte relacionado pelo autuante. Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O Impugnante postula, ainda, que a parcela dos depósitos tributados numa mês serve justificar os recursos depositados no mês seguinte, e assim sucessivamente. O PEDIDO. Pelas razões expostas, o Impugnante espera seja acolhida a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, ou, alternativamente, seja acolhida a preliminar de erro na identificação do período base, ou ainda, no mérito, declarada a improcedência do lançamento. A 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou parcialmente procedente a Impugnação, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Preliminar. Ilegitimidade passiva. Rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva, quando no auto de infração está devidamente identificado como contribuinte, o titular da conta bancária onde foram levantados depósitos bancários de origens não comprovadas. Segundo os termos da lei, no caso de depósito bancário de origem não comprova, a omissão de rendimento ou de receita será atribuída ao titular, de direito ou de fato (nesse caso, havendo interposição de pessoa), da conta bancária objeto do procedimento fiscal. Nulidade. Interesse de agir. Segundo o princípio processual do interesse de agir, o sujeito passivo não pode argüir a nulidade a que tenha dado causa. Aplicação da Lei no Tempo. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos. A Lei nº 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Princípios. Verdade Material. Livre Apreciação Motivada da Prova pelo Julgador. Provada nos autos a existência de sociedade de fato (cujo objeto era a revenda de cartões telefônicos adquiridos da Telemar), entre o contribuinte e o seu irmão, ambos tributados na pessoa física, é preciso considerar como ajustes nas bases de cálculo levantadas pela Fiscalização, os repasses efetuados pelo contribuinte à Telemar, relativamente às compras de cartões telefônicos, especialmente em função dos princípios da verdade Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000551/200513 Acórdão n.º 2201002.410 S2C2T1 Fl. 4 5 material e o da livre convicção motivada do julgador, na apreciação da prova. Depósitos Bancários. Cheques Devolvidos. Devem ser excluídos do lançamento os débitos identificados nos extratos bancários com histórico de devolução de cheques depositados, cujos valores correspondentes compuseram o levantamento fiscal como créditos de origem não comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de primeira instância, Marcelo da Silva Vieira apresenta, tempestivamente, Recurso Voluntário, conforme Despacho de fl. 2059, sustentando, essencialmente, verbis: Preliminares 1 O procedimento fiscal foi rigorosamente nulo de fato e de direito, jamais poderia, como fez, o Sr. auditor fiscal, quebrar o sigilo bancário do recorrente retroativamente, com base na lei 10.174/11, promulgada após o procedimento fiscal! Sem qualquer autorização judicial, procedimento exigível por ocasião da fiscalização. 2 Também está claro nestes autos a existência de SOCIEDADE DE FATO entre o recorrente e seu irmão Júlio Cesar da Silva Vieira, fato este incontroverso como se destaca da decisão recorrida, causando o procedimento fiscal, NULIDADE ABSOLUTA. O levantamento foi feito "a la Gordaça" sem o cuidado necessário na verificação das provas carreadas pelo recorrente, "passando batido" no disposto no § 1º do art. 79 de Decreto Lei 5844/43. 3 Também irregular e totalmente ilegal o julgamento procedido pela DRJ de Belo Horizonte! Data Vênia a autuação e o contribuinte, ora recorrente são do Rio de Janeiro, sendo a portaria da SRF n° 167/2008 inconstitucional por não respeitados os princípios da localidade, representando na prática, verdadeiro cerceamento da defesa, com a transferência física do local de julgamento. Mérito O negócio do recorrente e de seu irmão, como já se disse, em sociedade de fato, consistia em comprar "cartões telefônicos" da TELEMAR e revendêlos com mínima margem de lucro. A prova dos autos demonstra que, portanto, a grande parte, a maioria absoluta dos depósitos eram apenas transitórios, isto é, valores recebidos pelos irmãos e repassados para a TELEMAR para atendimento da "cota deferida" para ambos. Entendase, a TELEMAR trabalha com cotas, isto é, destina a cada Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 intermediário (recorrente) determinado número de cartões que se obriga a vendêlos no mercado. É preciso aceitar que depósitos em conta nem sempre, representam "renda" ou similar, e no caso sub censura a própria fiscalização verificou a origem dos depósitos, inclusive estando no processo todos os documentos fiscais emitidos pela TELEMAR, que atende o Termo de Intimação de fls. 1.487/88 com os esclarecimentos de fls. 1491. (...) Como está evidente, as alegações do recorrente estão sobejamente comprovadas, curioso que, apenas parte das mesmas foram aceitas, como aceitas foram as devoluções de cheques que eram reapresentados e a fiscalização praticou um autêntico "bis in idem" e cobrou em duplicata dos depósitos (!) Aditivo ao Recurso Voluntário ... autoridades julgadoras, ao apreciarem a Impugnação feita ao lançamento, por assim dizer, refizeram o lançamento originalmente feito pela DRF Rio de Janeiro, sob o argumento de que a base de cálculo do citado lançamento deveria ser retificada. Ao fazêlo, as autoridades julgadoras de primeira instância introduziram matéria nova no lançamento, matéria esta que não consta no auto de infração lavrado pela DRF Rio de Janeiro. Não há que se falar, em razão disso, em matéria preclusa relativamente aos argumentos de defesa a seguir tecidos nestas razões aditivas, uma vez que surgiram eles deste novo entendimento dado pela autoridade julgadora às questões que envolvem de perto o lançamento original. Vêse, portanto, que está caracterizada a situação descrita no parágrafo quarto alínea "h" do art. 16 do Decreto no. 70.235, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, "verbis": (...) ... a autoridade julgadora de primeira instância aceitou a existência de pelo menos dois itens suscitados na Impugnação, a saber: (1) a existência de uma sociedade de fato, celebrada entre os dois irmãos pessoas físicas autuadas, e (2) a existência de uma receita proveniente da revenda dos cartões telefônicos. Ressalvese ainda, por oportuno, que as autoridades julgadoras não tem dúvida quanto à existência da citada sociedade de fato entre os irmãos, conforme consta na última ementa do Acórdão. (...) 5. Resta provado, ainda, que as receitas tributadas pela fiscalização decorreram da revenda dos cartões telefônicos adquiridos à Telemar, ou seja, ainda que não tenham sido tributadas, não podem ser consideradas receitas de origem não comprovada. Sobre elas, obviamente, não se aplica a presunção legal contida no inciso I do parágrafo primeiro do art. 42 da Lei nº. 9430, de 1996, uma vez que a sua origem é conhecida e comprovada nos autos, conforme confessa a própria autoridade julgadora. Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000551/200513 Acórdão n.º 2201002.410 S2C2T1 Fl. 5 7 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anos calendário 2000 e 2001. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as preliminares aventadas pelo recorrente. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário, impende registrar que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no § 3 º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Em relação ao uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, assim como a retroatividade das normas citadas, este Órgão Administrativo já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) Dessarte, correto o afastamento do sigilo bancário perpetrado pela autoridade fiscal. Sobre a alegação de que foi irregular e totalmente ilegal o julgamento procedido pela DRJ de Belo Horizonte/MG, penso que a queixa do recorrente devese dirigir à Portaria SRF n° 167/2008, que transferiu o julgamento do processo para a DRJ de Belo Horizonte (Despacho de fl. 2021). Ocorre que a competência para tanto está prevista no inciso XXVI do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007. Vejase: DAS ATRIBUIÇÕES DOS DIRIGENTES Seção I Das Atribuições Específicas Art. 224. Ao Secretário da Receita Federal do Brasil incumbe: (...) Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 XXVI transferir processos administrativos fiscais entre as DRJ; (grifei) Assim, não vislumbro, nesse aspecto, nenhum vício que macule a decisão da 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG. Quanto à alegação de nulidade absoluta do auto de infração, em razão do não reconhecimento de que havia uma sociedade de fato entre o recorrente e seu irmão, Júlio Cesar da Silva Vieira, entendo, pois, que a questão se confunde com o mérito e com ele será tratada. No mérito, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481/1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637/2002, assim dispõe, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional1. Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que “... a sociedade de fato consistia em comprar "cartões telefônicos" da Telemar e revendêlos com mínima margem de lucro (...) a prova dos autos demonstra que (...) a maioria absoluta dos depósitos eram apenas transitórios, isto é, valores recebidos pelos irmãos e repassados para a Telemar (...) curioso que, apenas parte das mesmas foram aceitas, como aceitas foram as devoluções de cheques que eram reapresentados e a fiscalização praticou um autêntico "bis in idem" e cobrou em duplicata dos depósitos”. Assevera o contribuinte no Termo Aditivo ao Recurso Voluntário que “... a autoridade julgadora de primeira instância aceitou a existência (...) de uma sociedade de fato, celebrada entre os dois irmãos pessoas físicas autuadas, e (2) a existência de uma receita proveniente da revenda dos cartões telefônicos (...) ou seja, ainda que não tenham sido tributadas, não podem ser consideradas receitas de origem não comprovada. Sobre elas, obviamente, não se aplica a presunção legal contida no inciso I do parágrafo primeiro do art. 42 da Lei no. 9430, de 1996, uma vez que a sua origem é conhecida e comprovada nos autos, conforme confessa a própria autoridade julgadora”. Do exposto, verificase que o recorrente se apega ao julgamento de primeira instância que entendeu que as informações e provas juntadas pelo contribuinte no curso da ação 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000551/200513 Acórdão n.º 2201002.410 S2C2T1 Fl. 6 9 fiscal e na defesa apresentada, demonstrariam a existência da sociedade de fato entre os irmãos, Marcelo da Silva Vieira (ora, recorrente) e Julio César da Silva Viera, cujo objeto seria a revenda de cartões telefônicos. Após os argumentos apresentados na Impugnação, no cotejo com as provas dos autos, a autoridade recorrida efetuou a dedução da base de cálculo dos valores repassados à Telemar (fls. 1.487/1.488), especialmente quanto às contas corrente e de poupança mantidas em conjunto com Júlio César da Silva Vieira no Banco Sudameris. Além do mais, procedeu a autoridade singular a exclusão dos cheques devolvidos. Na ocasião, ressalvou o relator que “... há veementes indícios convergentes, como a manutenção das citadas contas conjuntas no Banco Sudameris S/A, onde, fundamentalmente, ocorriam os depósitos dos cheques recebidos nos diversos pontos de vendas mantidos pelos empresários”. Assim, em que pese alegue o contribuinte que a autoridade recorrida excluiu da base de cálculo os valores repassados à Telemar, em razão dos negócios efetuados pela sociedade de fato do autuado, isso não significa dizer que todo o crédito havido no movimento bancário do contribuinte se refere a essa atividade. No caso que aqui se apresenta deve o recorrente estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidência de data e valor, não cabendo, dessa feita, a afirmação de que a origem de todos os créditos advém da revenda dos cartões telefônicos. Não se pode perder de vista que na apreciação da prova a autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) Ressaltese que não houve qualquer irregularidade no recálculo da base de cálculo efetuada pela autoridade julgadora a quo, fundamentalmente porque a súplica partiu do próprio recorrente. Ademais, o art. 145 do CTN prevê a alteração do lançamento pela autoridade julgadora: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; (...) Portanto, não há qualquer reparo a ser feito ao lançamento. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
