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Numero do processo: 11330.001328/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 2202-004.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: WALTIR DE CARVALHO
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
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APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 28 /2 00 7- 11 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11330.001328/200711 Acórdão n.º 2202004.493 S2C2T2 Fl. 129 2 Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 23/08/2007 para constituir crédito tributário referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, períodos de apuração 01/01/1999 a 31/12/1999. O Contribuinte, cientificado da autuação em 23/08/2007, interpôs impugnação, levando a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I (DRJ/RJ01) a proferir o Acórdão nº 1217.526 10ª Turma DRJ/RJ01 (fls. 95/101), de 17/12/2007, onde os membros daquele colegiado julgaram improcedente a defesa apresentada. Em face do referido acórdão, o Contribuinte, irresignado, interpôs Recurso Voluntário de fls. 106/121, ora em julgamento. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo e adoto o relatório da DRJ de origem: "DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.115.7960 CFL 69 consolidado em 23/08/2007) lavrado contra a empresa acima identificada, no montante de RS 717,00. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 12), a empresa deixou de informar em GFIP o salário maternidade pago às seguradas empregadas em gozo de licença maternidade no período de 01/1999 a 12/1999, infringindo o artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, atualizada pela Lei 9.528/1997, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4o , do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. 3. A multa aplicada, foi apurada conforme previsto no artigo 32, § 6, da Lei n° 8.212/1991, acrescentado pela Lei 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso III, e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 13/14). 4. Não foram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, conforme discriminado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. DA IMPUGNAÇÃO 5. A interessada manifestouse (fls. 21/62), alegando em síntese que: Das Preliminares Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11330.001328/200711 Acórdão n.º 2202004.493 S2C2T2 Fl. 130 3 Da decadência 5.1. O Código Tributário Nacional CTN prevê duas regras, uma geral, outra específica, acerca do prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar o lançamento (artigos 173 inciso I e 150 § 4 ° ) ; 5.2. A auditoria fiscal constatou que o impugnante elaborou GFIP sem as informações sobre salário maternidade pago às seguradas empregadas em gozo de licença maternidade, para o período de 01/1999 a 12/1999; 5.3. Desta forma podemos concluir que resta operada a decadência, uma vez que o lançamento foi realizado depois de mais 08 (oito) anos, considerando os fatos geradores relativos ao ano de 1999; Da necessidade de Lei Complementar e da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991 5.4. Se a Constituição Federal de 1988 reservou à Lei Complementar a competência para disciplinar matéria atinente à decadência tributária e se a Lei 5.172/1966 (CTN), recepcionada como Lei Complementar, estabelece prazo decadencial de 05 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, e se as contribuições sociais são espécies de tributos, a Lei Ordinária 8.212/1991 não poderia ter cuidado da matéria, muito menos de forma diversa; 5.5. Em recentíssimo julgado, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991, no julgamento do AI em Resp n° 616.348 MG (2003/02290040); Do mérito 5.6. Informa que j á realizou todas as retificações, objeto deste Auto de Infração; 5.7. Requer sejam acolhidas as prejudiciais para reconhecer a decadência e a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991, declarando nula a sanção imposta; 5.8. Requer relevação da multa uma vez que: corrigiu a falta até o prazo final para impugnação; pediu a relevação dentro do prazo de impugnação; é primário e não houve circunstância agravante, solicitando o seu arquivamento. 6. É o Relatório." Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte reafirma que já se operou a decadência para a constituição do crédito tributário lançado no auto de infração combatido. Quanto ao mérito, argumenta, novamente, que já realizou todas as retificações de GFIP, objeto do Auto de Infração, tendo requerido a relevação da multa dentro do prazo de impugnação. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11330.001328/200711 Acórdão n.º 2202004.493 S2C2T2 Fl. 131 4 É o relatório Voto Conselheiro Waltir de Carvalho Relator O recurso voluntário é tempestivo, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da decadência. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal (CF), o Supremo Tribunal Federal (STF) pode editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública nas esferas federal, estadual e municipal. Observese, inclusive, que o próprio RICARF (Portaria MF nº 343, de 2015) amoldouse a tal vinculação obrigatória, conforme previsto na alínea "a" do inciso II, § 1º do art. 62 de seu Anexo II. No tocante ao prazo decadencial do direito do Fisco de constituir as contribuições sociais previdenciárias, foi publicada, em 20/06/2008, a seguinte súmula do STF: Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. No precedente representativo da Súmula, o RE nº 556.664, julgado em 12/06/2008, foi explicitado pelo relator Ministro Gilmar Mendes que "o Fisco está impedido, fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN, de exigir as contribuições da seguridade social". Portanto, o prazo decadencial que rege o lançamento dessas contribuições segue as normas insculpidas no Código Tributário Nacional (CTN), no § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos. Ainda que o Recorrente não tenha invocado, em sua defesa, a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, por força de sua vinculação obrigatória, deverseá analisar o presente caso à luz do comando normativo por ela veiculado. No caso em tela, a autuação versa sobre fatos geradores compreendidos entre 01/01/1999 a 31/12/1999, e a ciência ao contribuinte do lançamento deuse em 23/08/2007 (fls. 03). Adotamos a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que, havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º, CTN. Nesse sentido a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62, § 1º, II, "b", RICARF. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11330.001328/200711 Acórdão n.º 2202004.493 S2C2T2 Fl. 132 5 Contudo, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em homologação de pagamento, razão pela qual aplicase a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Sabendose que, no caso, o período verificado está compreendido entre 01/1999 a 12/1999 e que a ora Recorrente foi intimada do Auto de Infração em 23/08/2007, verificase que estão decadentes as contribuições apuradas em sua totalidade, uma vez que anteriores a 12/2001. Portanto, quando lavrada a NFLD, já havia se escoado o prazo para o exercício do direito do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento de ofício. Por consequência, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário veiculado no presente processo, dandose provimento ao recurso voluntário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001057/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003
SITUAÇÃO EXCLUDENTE
Comprovado que a pessoa jurídica se enquadra em uma das
situações excludentes impostas pela norma que rege o Simples, é
de se manter os efeitos do Ato Declaratório.
EXCLUSÃO AO SIMPLES. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.
O tratamento tributário simplificado e favorecido das
microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as
normas constantes da Lei n° 9.841, de 05 de outubro de 1999.
LEI REVOGADA. APLICABILIDADE
A legislação aplicável ao Simples se afere por lei vigente ao
tempo do fato gerador, eis que a legislação tributária aplicase
a fatos geradores futuros e pendentes, somente retroagindo
quando for interpretativa, ou que deixa de definir ato como
infração, ou contrário à exigência de ação ou omissão, ou
cominar penalidade menos severa.
Numero da decisão: 1301-000.637
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003 SITUAÇÃO EXCLUDENTE Comprovado que a pessoa jurídica se enquadra em uma das situações excludentes impostas pela norma que rege o Simples, é de se manter os efeitos do Ato Declaratório. EXCLUSÃO AO SIMPLES. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei n° 9.841, de 05 de outubro de 1999. LEI REVOGADA. APLICABILIDADE A legislação aplicável ao Simples se afere por lei vigente ao tempo do fato gerador, eis que a legislação tributária aplicase a fatos geradores futuros e pendentes, somente retroagindo quando for interpretativa, ou que deixa de definir ato como infração, ou contrário à exigência de ação ou omissão, ou cominar penalidade menos severa.
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EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SITUAÇÃO EXCLUDENTE Comprovado que a pessoa jurídica se enquadra em uma das situações excludentes impostas pela norma que rege o Simples, é de se manter os efeitos do Ato Declaratório. EXCLUSÃO AO SIMPLES. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei n° 9.841, de 05 de outubro de 1999. LEI REVOGADA. APLICABILIDADE A legislação aplicável ao Simples se afere por lei vigente ao tempo do fato gerador, eis que a legislação tributária aplicase a fatos geradores futuros e pendentes, somente retroagindo quando for interpretativa, ou que deixa de definir ato como infração, ou contrário à exigência de ação ou omissão, ou cominar penalidade menos severa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 2 (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 3 Relatório Cuidase de recurso impetrado por Soft & Soft do Brasil Ltda. EPP, contra a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, que julgou procedente o ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos a partir de 01/12/2003. A exclusão da contribuinte deuse mediante emissão do Ato Declaratório Executivo n° 555.098, de 02 de agosto de 2004, do Delegado da Receita Federal em Joinville SC, informando como causa o fato de ter como sócio uma outra pessoa jurídica, hipótese de vedação prevista no artigo 9°, inciso XIV, da Lei n° 9.317, de 1996. Em sua manifestação de inconformidade a interessada alegou não ser verdadeira a imputação da autoridade fiscal, de que participa como sócia da empresa Fibrasca Química Têxtil Ltda., uma vez que os sócios daquela empresa são estranhos ao seu quadro societário, e que seu nome também não consta como sócia daquela empresa. Afirmou que mesmo que restasse caracterizada sua participação como sócia da empresa Fibrasca, sua exclusão não poderia prosperar, uma vez que a Lei n° 9.841, de 1999, não faz qualquer restrição nesse sentido. Observou existir incongruência entre o limite de receita previsto na Lei n° 9.317 e aquele estipulado na Lei 9.841 (Estatuto da Pequena Empresa), entendendo que o limite a ser observado deve ser este último, por se tratar de norma especial, que tacitamente teria revogado o artigo 2° da Lei no 9.317, de 1996. Comentou sobre os limites previstos na Lei Complementar n° 123, de 2006 e pede que seus efeitos retroajam para beneficiála, tendo como fundamentação legal o disposto nos artigos 106, 109, 110 e 111 do Código Tributário Nacional. Postulou pela aplicação do limite previsto no Estatuto das Pequenas Empresas, e discorda do efeito retroativo do ato declaratório de exclusão, alegando que houve inércia por parte da autoridade fiscal, sendo injusta a cobrança de tributos por outra sistemática de apuração, entendendo que sua exclusão só pode gerar efeitos a partir da ciência do ato. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba indeferiu a manifestação de inconformidade e manteve a exclusão em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SITUAÇÃO EXCLUDENTE Comprovado que a pessoa jurídica se enquadra em uma das situações excludentes impostas pela norma que rege o Simples, é de se manter os efeitos do ato declaratório. EXCLUSÃO AO SIMPLES. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 4 O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei n° 9.841, de 5 de outubro de 1999. EXCLUSÃO POR AFRONTA AO INCISO XIV DO ARTIGO 9°. EFEITOS Quando restar caracterizado que a pessoa jurídica deixou de promover a exclusão obrigatória do Simples, por participar como sócia em outra pessoa jurídica, a autoridade fiscal a excluirá de ofício e os efeitos se operarão a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que restou caracterizada a situação impeditiva. LEI REVOGADA. APLICABILIDADE A legislação aplicável ao Simples se afere por lei vigente ao tempo do fato gerador, eis que a legislação tributária aplicase a fatos geradores futuros e pendentes, somente retroagindo quando for interpretativa, deixar de definir ato como infração, ou contrário à exigência de ação ou omissão, ou cominar penalidade menos severa. OBRIGAÇÕES APÓS A EXCLUSÃO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Ciente da decisão em 10 de setembro de 2009 (fl.93), a interessada ingressou com recurso em 13 de outubro seguinte. Alega que a Lei Complementar 123/2006 (que instituiu o Simples Nacional), revogou a Lei 9.317/96 (Simples Federal), mencionando que o inciso IV do § 4º do seu art. 3º, dispõe que não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na referida Lei Complementar a pessoa jurídica: IV cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo. Afirma ser aplicável retroativamente a LC 123/2006, conforme determinação contida no art. 106, CTN, e ainda no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução ao Código Civil. Alega que o art. 106 do CTN dispõe que a lei nova alcança momento anterior a fim de beneficiar o contribuinte, o que serviria de base para seu enquadramento no Simples Nacional, com fundamento no art. 3º, § 4º, inciso IV, da Lei Complementar. Aduz que também em virtude do princípio da verdade real deve ser admitido seu enquadramento no Simples, pois não somente a Recorrente é empresa de pequeno porte (EPP), como também não teve, nem mesmo tem, participação societária na empresa Fibrasca Química Têxtil Ltda. superior a 10%. Requer, afinal, que o Conselho reforme a decisão que manteve sua exclusão do regime tributário simplificado nos moldes do ADE DRF/JOI n° 555.098, ordenando seja de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 5 imediato reintegrada a tal regime, sem prejuízo do pagamento de seus tributos conforme dita a Lei 9.317/96, até os fatos geradores de 30/06/2007, e a partir de 01/07/2007, nos termos da Lei Complementar n. 123/2006. Alternativamente, caso seja outro o entendimento deste Conselho, pede que os efeitos da exclusão operem somente a partir da edição do ADE, ou seja, a partir de 02/08/2004, retornando em favor da Recorrente a opção pelo Simples Federal a partir de 01/01/2005 até 30/06/2007. Também alternativamente requer sejam utilizados como compensação em favor da Recorrente todos os valores apurados pelo Auditor Fiscal no Discriminativo Analítico de Débito, onde constam discriminados os valores do INSS patronal a razão de 28,8%, calculados sobre a folha de salários da ora Recorrente do período de 02/2003 a 13/2006, valores estes obtidos pelo Fiscal por ocasião da fiscalização da empresa Fibrasca Química Têxtil Ltda., CNPJ 80.662.315/000133, considerando esta solidária à ora Recorrente. Diz que “Tal pedido se funda no fato de que neste mês de outubro de 2009, a referida empresa Fibrasca Química Têxtil Ltda. irá proceder ao pagamento do referido INSS patronal da empresa ora Recorrente do período supra citado, nos termos da Lei 11.941/09, fazendo com que esta, portanto, tenha um crédito sob tal rubrica perante a Receita Federal do Brasil que administra as receitas previdenciárias”. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 6 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme consta do Ato Declaratório guerreado, a interessada optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno PorteSIMPLES em 11/12/2002, e foi excluída a partir de 1º de dezembro de 2003, por ter se materializado situação excludente representada pela participação no capital de outra pessoa jurídica (CNPJ 80.662.315/000133), evento ocorrido em 04/11/2003. Inicialmente é de se registrar que, em razão do mandamento contido no art. 144 do Código Tributário Nacional, na verificação dos créditos tributários dos contribuintes, a autoridade deve se reportar à legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. À época dos fatos, a legislação de regência vigorava com a seguinte redação: Lei 9.317/96 Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIV que participe do capital de outra pessoa jurídica, ressalvados os investimentos provenientes de incentivos fiscais efetuados antes da vigência da Lei n° 7.256, de 27 de novembro de 1984, quando se tratar de microempresa, ou antes da vigência desta Lei, quando se tratar de empresa de pequeno porte; (...) Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 7 (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subsequente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º \9 Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Carreando os autos verificase que a participação societária da Recorrente na empresa Fibrasca Química Textil Ltda. CNPJ n° 80.662.315/000133 , está devidamente demonstrada, mediante registros contidos nos dados cadastrais daquela empresa registrados nos sistemas informatizados da Receita Federal (fl. 88), que registram a participação da Soft & Soft do Brasil Ltda., no período de 04 de novembro de 2003 a 04 de outubro de 2004. Nos termos do art. 13, inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.317/96, a empresa estava obrigada a promover alteração cadastral para exclusão do sistema. Não o tendo feito, a exclusão foi procedida de ofício, em cumprimento ao art. 14, inciso I, da Lei 9.317/96, com efeitos a partir de 1º de dezembro de 2003, como determinava o art. 15, inciso II, do referido mandamento legal. A interessada se reporta à Lei nº 9.481/1999, que instituiu o Estatuto das Micro e Pequenas Empresas. O art. 1º da Lei nº 9.481/1999, assegurou às microempresas e empresas de pequeno porte o tratamento jurídico tributário em conformidade com o que dispõe a Lei nº 9.317/06. E o art. 10 da Lei nº 9.964, de 2000, esclareceu: Art. 10. O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei n° 9.841, de 5 de outubro de 1999. Portanto, o ato administrativo da exclusão observou rigorosamente a lei em vigor, descabendo invocar aplicação retroativa das alterações com base no art. 106, inciso II, do CTN, eis que não está em causa legislação definidora de infração ou penalidade. Da mesma forma, impertinente socorrerse da legislação do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), não só por ser posterior aos fatos, mas também por dispor expressamente quanto à entrada em vigor, a saber: “Art.88. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, ressalvado o regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte, que entra em vigor em 1o de julho de 2007. Art.89. Ficam revogadas, a partir de 1o de julho de 2007, a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999.” Descabe, outrossim, invocar sua aplicação retroativa, com fundamento no art. 106, inciso II, do CTN, eis que não está em causa legislação definidora de infração ou penalidade. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 8 De se notar ainda que não cabe a este Colegiado decidir sobre requerimento de utilização, como compensação em favor da Recorrente, do INSS patronal a razão de 28,8%, calculados sobre a folha de salários da ora Recorrente do período de 02/2003 a 12/2006, obtidos por ocasião da fiscalização da empresa Fibrasca Química Têxtil Ltda., por encontrarse fora dos limites da lide, escapando à competência deste CARF para tal mister. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10830.000048/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos à pessoa física a título de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, não serão tributados pelo imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Do mesmo modo em relação ao adicional de 1/3 incidente sobre essa verba, pois, por sua natureza acessória, deve seguir a regra da não tributação do principal.
Numero da decisão: 2402-006.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. Recorrente MAURÍCIO JOSÉ CARDOSO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos à pessoa física a título de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, não serão tributados pelo imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Do mesmo modo em relação ao adicional de 1/3 incidente sobre essa verba, pois, por sua natureza acessória, deve seguir a regra da não tributação do principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 00 48 /2 01 0- 89 Fl. 91DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 21ª Tuma da DRJ/RJ1, consubstanciada no Acórdão nº 1265.449, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. O recorrente teve contra si lavrada a Notificação de Lançamento (NL) do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 21 a 25), que apurou um imposto suplementar de R$ 4.025,32, a ser acrescido dos juros de mora e da multa de ofício, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2005, anocalendário de 2004, tendo ocorrido o indeferimento prévio de SRL (fls. 29 e 26). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento foi apurada a infração de Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 14.637,52, com IRRF de R$ 0,00, referente à fonte pagadora Wyeth Indústria e Farmacêutica Ltda. Em sede de impugnação, o sujeito passivo aduziu, em síntese, que após apurar um imposto a pagar na DAA original de R$ 5.155,84 (fls. 12), quitado em 06 parcelas, conforme DARFs de fls. 16 a 18, retificou sua DAA para excluir da Base de Cálculo o Abono Pecuniário de Férias, resultando num imposto a pagar de R$ 1.130,52, o que lhe dá um direito à restituição da diferença de R$ 4.025,32. Informa que a divergência de valores foi verificada em virtude da fonte pagadora não ter efetuado a retificação da DIRF correspondente. Com vistas a comprovar o quanto alegado, o recorrente trouxe aos autos, naquela oportunidade, Demonstrativo de fls 31 e respectivos Comunicados Internos de fls. 32/33 e 34/35 – emitidos pela fonte pagadora informando que: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10830.000048/201089 Acórdão n.º 2402006.325 S2C4T2 Fl. 3 3 · Em conformidade com a InstruçãoNormativa N° 936 divulgada em 06/05/2009 pela Secretaria da Receita Federal, referente a isenção do Imposto de Renda sobre o Abono de Férias (dias vendidos), colocamos a disposição dos funcionários Ativos através do link: http://ibwlarsc01/rh/CONSULTAT020ABONOW020FERI4S.xls . um sistema de consulta aos valores recebidos a título de Abono de Férias referente aos anos base de 2004, 2005, 2006 e 2007, para auxiliar.na Retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, contendo também na aba de Instruções, todas as informações para realizar as Retificações; · A Wyeth não fará Retificações nas Dirfs dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, pois a Instrução Normativa não determina a Obrigatoriedade deste Procedimento; e · A instrução normativa que define que não deve haver retenção de IR sobre o abono pecuniário (10 dias de férias vendidos) retroagiu a 2004. Desta forma, todas as pessoas que venderam 10 dias de férias entre 2004 e 2008 podem, se assim o desejarem, fazer uma declaração de renda retificadora para receber de volta este desconto. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, tendo concluído, em síntese, que o documento apresentado pelo contribuinte à fl. 13 não pode ser aceito para comprovar suas alegações. Primeiro porque não há qualquer indicação do seu emitente, a sua data ou outro dado que permita confirmar sua autenticidade. Não há como sequer vinculálo aos e mails de fls. 14 e 15 apresentados. Segundo, que não há como saber a data da retenção supostamente indevida de forma a verificar o disposto no art. 4° da Instrução Normativa RFB nº 936/09. Cientificado, o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário (fls. 54 / 65), por meio do qual reiterou os termos da impugnação apresentada, destacando os fatos e documentos hábeis a afastar toda e qualquer dúvida sobre a inexistência de Imposto de Renda a pagar, haja vista a ocorrência do pagamento do abono pecuniário ao Recorrente pelo seu empregador. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Analisando as informações constantes no processo, verificase que o contribuinte retificou sua DIRPF do ano base 2004, excluindo dos rendimentos tributáveis valores recebidos à título de abono pecuniário de férias, o que levou a existência de restituição de IR, considerando que, na sua DAA, o contribuinte tinha apurado e quitado um IR a pagar superior àquele apurado após o referido ajuste. A fiscalização, confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, apurou omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 14.637,52, resultando em um imposto suplementar no montante de R$ 4.25,32. Aduz o recorrente, desde a impugnação apresentada, que a suposta omissão se refere a valores recebidos a título de abono pecuniário de férias. Sobre a matéria, o art. 1º da IN RFB nº 936, de 05 de maio de 2009, dispõe expressamente que os valores pagos a pessoa física a título de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, não serão tributados pelo imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Outrossim, conforme consignado na própria decisão recorrida, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, baseandose no art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.140, de 2006, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 16/11/2006, e do Ato Declaratório PGFN nº 6, de 16/11/2006, publicado no DOU de 17/11/2006, dispensou a apresentação de contestação, a interposição de recursos e autorizou a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda sobre o abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943”. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10830.000048/201089 Acórdão n.º 2402006.325 S2C4T2 Fl. 4 5 A DRJ, embora reconheça que sobre os valores pagos a título de abono pecuniário de férias não incide o IR (e nem poderia ser diferente o entendimento do órgão julgador de piso neste particular), manteve a exigência fiscal sob o fundamento de que o documento apresentado pelo contribuinte – memória de cálculo /demonstrativo dos valores recebidos a título de abono de férias não pode ser aceito para comprovar suas alegações. Primeiro porque não há qualquer indicação do seu emitente, a sua data ou outro dado que permita confirmar sua autenticidade. Não há como sequer vinculálo aos emails de fls. 14 e 15 apresentados. Segundo, que não há como saber a data da retenção supostamente indevida de forma a verificar o disposto no art. 4° da Instrução Normativa RFB nº 936/09. Com vistas a afastar as premissas nas quais se embasou a DRJ, o recorrente trouxe aos autos os seguintes documentos, incluindo aqueles apresentados por ocasião da Solicitação da Revisão do Lançamento: · Memória de Cálculo / Demonstrativo dos valores recebidos a título de Abono Pecuniário de férias (fls. 31); · Comunicados Internos de fls. 32/33 e 34/35 – emitidos pela fonte pagadora informando que: ü Em conformidade com a InstruçãoNormativa N° 936 divulgada em 06/05/2009 pela Secretaria da Receita Federal, referente a isenção do Imposto de Renda sobre o Abono de Férias (dias vendidos), colocamos a disposição dos funcionários Ativos através do link: http://ibwlarsc01/rh/CONSULTAT020ABONOW020FERI4S.xls . um sistema de consulta aos valores recebidos a título de Abono de Férias referente aos anos base de 2004, 2005, 2006 e 2007, para auxiliar.na Retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, contendo também na aba de Instruções, todas as informações para realizar as Retificações; ü A Wyeth não fará Retificações nas Dirfs dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, pois a Instrução Normativa não determina a Obrigatoriedade deste Procedimento; e ü A instrução normativa que define que não deve haver retenção de IR sobre o abono pecuniário (10 dias de férias vendidos) retroagiu a 2004. Desta forma, todas as pessoas que venderam 10 dias de férias entre 2004 e 2008 podem, se assim o desejarem, fazer uma declaração de renda retificadora para receber de volta este desconto. · Comprovante de dados cadastrais do Recorrente emitidos pela fonte pagadora, evidenciando o gozo e a venda de férias em 2004 (fls. 72); · Holerite evidenciando o recebimento do abono pecuniário em 2004 no exato valor apontado como divergente pela fiscalização (fls. 74); Fl. 95DF CARF MF 6 · Declaração da fonte pagadora, em papel timbrado com carimbo, CNPJ, endereço e assinatura de preposto, informando a concessão de férias e recebimento do abono pecuniário entre os anos de 2004 a 2007 (fls. 76). Registrese, ainda, que, à fl. 05 dos presentes autos, consta o Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, referente à Notificação de Lançamento 2006/608425473292103, por meio da qual a própria Unidade de Origem deferiu o pedido de retificação de lançamento formulado pelo contribuinte, nos seguintes termos: Nos trabalhos de revisão de oficio do lançamento objeto da notificação acima identificada, foram analisados os documentos e esclarecimentos apresentados com a SRL, restando comprovados os valores informados pelo contribuinte. Desta forma, para todos os efeitos legais, fica cancelada a notificação de lançamento objeto da SRL Assim, em face dos esclarecimentos e documentos apresentados, podese concluir que o recorrente logrou comprovar que os rendimentos indicados como omitidos, no montante de R$ 14.637,52, referese, de fato, ao abono pecuniário de férias (R$ 10.978,14) e ao adicional de 1/3 incidente sobre essa verba (R$ 3.659,38), não tributáveis pelo imposto de renda. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908963/2012-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado
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PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 89 63 /2 01 2- 21 Fl. 199DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 4ªTurma da DRJ/BSB: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 23110.83997.220611.1.3.042407, transmitida eletronicamente em 22/06/2011, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 05/11/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 30.248,63. Cientificado dessa decisão em 19/11/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/12/2012, manifestação de inconformidade à fl. 11 a 15, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte esclarece que teria cometido um equívoco no preenchimento da DCTF original referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Acrescenta a DCTF foi retificada após a data da entrega do PER/DCOMP objeto dos autos, de modo que não evidenciou a situação de prejuízo da empresa no período. Conclui que a DCTF, a DIPJ e o PER/DCOMP continham Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10380.908963/201221 Acórdão n.º 3001000.371 S3C0T1 Fl. 3 3 informações divergentes, o que acabou por ocasionar o indeferimento do crédito tributário pleiteado. Enfatiza que possui o crédito e, no intuito de comprovar seus argumento, anexa aos autos cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, bem como documentos contábeis (Balancete de Verificação), que servem de prova do prejuízo fiscal apurado no período. Informa, também, que os dados declarados na a DIPJ do período, transmitida antes do recebimento do Despacho Decisório, estão corretos. Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente processo seja devolvido a fim de que seja realiza diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência do crédito decorrente de CSLL. No voto, a DRJ/Brasília informou que: (...) a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. E, finalmente, votou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. No Recurso Voluntário, a Recorrente, além de repetir as alegações da Manifestação de Inconformidade, atentou para duas questões: 1. A decisão da DRJ/BSB teria se equivocado porque (itens 10 e 11 do RV): A origem do crédito em discussão é COFINS e não CSSL, como consta na decisão recorrida: Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente Fl. 201DF CARF MF 4 processo seja devolvido a fim de que seja realizada diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência de crédito decorrente de CSLL. 2. A decisão da DRJ não teria feito a melhor aplicação do direito ao caso porque (itens 12 e 13 do RV): Conforme se infere da leitura do Acórdão ora guerreado, temos que o indeferimento sob análise fundamentouse na inexistência de provas suficientes que atestem a legitimidade da compensação realizada pela Recorrente por meio do n° 23110.83997.220611.1.3.42407. Todavia, entendemos que a decisão proferida não fez a melhor aplicação do direito à matéria sob análise, tendo em vista que o crédito utilizado pela Recorrente dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal, já que se trata de crédito decorrente de pagamento de DARF realizado em duplicidade, conforme será demonstrado a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, inclusive o limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente cabe a análise da alegação da Recorrrente de que houve equívoco na decisão da DRJ, ao confundir COFINS com CSLL. Verificase que na ementa do acórdão do tribunal a quo está claro o assunto: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS". No mesmo caminho, o relatório da 4ª Turma da DRJ/Brasília também se refere a "créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins". Pode, apenas ter ocorrido, um equívoco no final do relatório, quando da colocação da sigla CSLL em vez de COFINS. Entretanto, casos de contradição entre a decisão Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10380.908963/201221 Acórdão n.º 3001000.371 S3C0T1 Fl. 4 5 e seus fundamentos deveriam ser atacados no próprio tribunal a quo, por intermédio de Embargos de Declaração. O Recurso Voluntário não é o instrumento adequado para trazer à discussão eventual contradição na decisão da DRJ. De qualquer forma, pela leitura integral do acórdão percebese que, no caso, houve mero erro de digitação, incapaz de obscurecer o entendiemnto do leitor de que a decisão foi sobre assunto referente à COFINS. Assim, nessa questão, não cabe razão ao Recorrente. Quanto à "dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal" por parte do contribuinte, também entendo que não lhe cabe razão. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua defesa com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF): Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao Fl. 203DF CARF MF 6 sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9 º, § 3º). No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria havido um equívoco no preenchimento da DCTF entregue originalmente referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. A declaração do contribuinte em DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10380.908963/201221 Acórdão n.º 3001000.371 S3C0T1 Fl. 5 7 Finalmente, quanto ao pedido de diligência, cabe esclarecer que a realização de diligência ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de esclarecimentos considerados obscuros no processo. No caso em análise, tais motivos são inexistentes, haja vista que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Assim, nos termos do art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência, por considerálo prescindível para o julgamento da lide. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902120/2008-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
PROVA. APRESENTAÇÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação (primeira instância processual), precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que confirmada uma das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto 70235/72.
Numero da decisão: 1001-000.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. PROVA. APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação (primeira instância processual), precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que confirmada uma das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto 70235/72.
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PROVA. APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação (primeira instância processual), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que confirmada uma das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto 70235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 21 20 /2 00 8- 15 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10480.902120/200815 Acórdão n.º 1001000.693 S1C0T1 Fl. 106 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 49 a 96) interposto contra o Acórdão nº 1133.790, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (fls. 39 a 44), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendario: 2003 ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório Eletrônico da DRF/Recife/PE, exarado na PER/DCOMP n° 01253.85238.130504.1.3.042355, de 13/05/2004, por pagamento indevido ou a maior. 2. Conforme consta do despacho "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão no PER/DCOM: 6.787,34. A partir das características do DARF discriminado no Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10480.902120/200815 Acórdão n.º 1001000.693 S1C0T1 Fl. 107 3 PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". 3. Diante da inexistência do crédito, não foi homologada a compensação declarada. 4. Cientificada de tal negativa em 04/06/2008 conforme "AR", de fl. 34, a contribuinte, por seu representante legal, apresentou manifestação de inconformidade, fl. 10, na data de 04/07/2008, em que contesta o indeferimento com as seguintes razões, em síntese: 4 . 1 0 débito reivindicado por essa Delegacia é decorrente de crédito do Imposto de Renda PJ, informado no PER/DCOMP de n° 01253.85238.130504.1.3.042355, utilizado por nossa empresa, como compensação de tributo; 4.2 ocorre que quando da transmissão do referido PER/DCOMP, não procedemos à retificação da DCTF, relativo ao 1 o trimestre de 2004, onde seria visualizado o crédito do referido tributo; 4.3 desta feita, visando a consistência do crédito, formulamos a entrega da DCTF retificadora, conforme recibo de transmissão em anexo, a fim de que seja homologada a compensação reivindicada através do PER/DCOMP supra mencionado; 4.4 solicitamos a baixa do processo acima, improcedente pela existência do crédito utilizado, quando da quitação de débito, a título de Imposto de Renda PJ." Sobreveio decisão de primeira instância indeferindo a Manifestação de Inconformidade, em síntese, sob o argumento de que a retificação da DCTF só foi realizada após o despacho decisório e sem a comprovação do erro que a justificou. Inconformada, a Recorrente apresentou o presente Recurso alegando que: a entrega da DCTF retificadora posterior ao Despacho Decisório não inibe o seu direito ao crédito; e explica a origem dos valores que visa compensa bem como apresenta os comprovantes de pagamentos e livros fiscais que o subsidiariam. É o relatório. Voto Vencido Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10480.902120/200815 Acórdão n.º 1001000.693 S1C0T1 Fl. 108 4 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como relatado, a decisão de piso apontou o fato de a Recorrente não ter apresentado a Retificação da DCTF que constituiria o seu direito creditório em momento anterior ao despacho decisório. Ora, devese dizer que não há óbice algum para que a retificação da DCTF tenha se dado em momento posterior. A retificação da DCTF não é normal formal absoluta que possa se sobrepor a própria materialidade do direito creditório. Sem possuir as informações da DCTF retificadora, não há como dizer que o Despacho Decisório foi elaborado de forma equivocada, mas também não se pode dizer que a apresentação posterior, por ocasião da Manifestação de Inconformidade, não poderia produzir neste etapa os fins a que se propõe. Entendimento diverso causaria um engessamento do processo, sobrepondo a formalidade exagerada à própria realidade dos fatos. Não por acaso, a própria Administração Fazendária já admitiu essa hipótese ao se debruçar sob o tema no Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, do qual extraio as seguintes conclusões: 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. 22. Por todo o exposto, concluise: (...) b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; Superada esta questão, cumpre tratar da comprovação do direito creditório pela Recorrente. Conforme narrado pela Recorrente, a origem da controvérsia se refere à apuração tributária referente ao 4º Trimestre de 2003. Conforme consta de sua apuração (fls. 78) o montante total a pagar a título de IRPJ no período foi de R$ 42.900,00. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10480.902120/200815 Acórdão n.º 1001000.693 S1C0T1 Fl. 109 5 O pagamento desta quantia devida seria composto por 04 recolhimentos através de guia DARF: A primeira parcela, com vencimento para 30/01/04, no valor de R$ 13.574,67; e a terceira parcela, com vencimento para 31/03/04, no valor de R$ 14.662,66; foram recolhidas regularmente nas datas de 29/12/03 e 19/02/04, respectivamente, conforme comprovantes de arrecadação de fls. 72 e 74. Por outro lado, a segunda parcela, com vencimento na data de 27/02/04, no valor de R$ 7.875,33, foi recolhida em data de 30/01/04, no valor superior de R$ 14.662,67, conforme comprovante de arrecadação de fl. 73. Notese que a diferença entre o valor devido na segunda parcela e o valor efetivamente recolhido corresponde a exatamente o valor que seria devida na quarta e última parcela, R$ 6.787,34. O que se extrai destas considerações é que, em verdade, o contribuinte pagou o equivalente a duas parcelas por ocasião do pagamento de uma só. Importa, também, ressaltar que a soma dos três recolhimentos realizados totalizam o montante total devido de R$ 42.900,00, ou seja, o débito fora integralmente quitado. Uma vez percebido o equívoco o Contribuinte tentou reparálo por meio da presente DCOMP, tentando reverter o excedente da segunda parcela para a quitação da quarta parcela devida. Na prática, esta compensação se prestaria basicamente para a correção dos registros fiscais, vez que o débito fora quitado até antecipadamente. Outrossim, resta explicada as conclusões do Despacho Decisório que negou a compensação sob o argumento de que os valores oriundos da segunda DARF estariam totalmente alocados, vez que a soma dos valores correspondem ao débito do período. Sem as informações que só vieram após o Despacho Decisório, em especial a retificação da DCTF, não era de se exigir que a autoridade fiscal tivesse outra decisão. Contudo, agora que os fatos foram esclarecidos e comprovados, há de se homologar a compensação pleiteada. Em face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente reforma da decisão de origem para determinar a homologação da Declaração de Compensação objeto dos presentes autos. É como voto. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10480.902120/200815 Acórdão n.º 1001000.693 S1C0T1 Fl. 110 6 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor A manifestação de inconformidade (efl. 13) apresentada à primeira instância alegava erro na DCTF válida, mas não trouxe na ocasião as razões ou provas deste alegado erro. Em conseqüência, uma das razões do indeferimento da manifestação de inconformidade pela DRJ foi de que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, que vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (cf. art. 147 § 1° da Lei n° 5.172/66 CTN). Ou seja, a retificação apresentada na DCTF veio desacompanhada de comprovação do erro em que se fundava. Assim dispôs a decisão de primeira instância (efl. 43): 16. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(cf. art. 147 § 1 o da Lei n° 5.172/66 CTN). 17. Como dito anteriormente a retificação apresentada na DCTF, além de ser apresentada após o Despacho Decisório, veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde. 18. Por oportuno, mesmo que a solicitação de retificação da declaração tivesse sido apresentada antes do recebimento do Despacho Decisório, teria de ser acompanhada da prova. 19. Podese afirmar que é um direito da contribuinte apresentar as provas que julgar necessárias para reforçar seu ponto de vista. No entanto, o Decreto n° 70.235/72, com as alterações promovidas pelo artigo 1 o da Lei n° 8.748/93, estabelece parâmetros a serem observados na apresentação dessas provas. Desta forma, esta comprovação não pode tentar ser trazida de forma originária no Recurso Voluntário (segunda instância processual), por força do art. 16 do Decreto 70.235/72, que prescreve que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (primeira instância processual), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que confirmada uma das hipóteses presentes em seu § 4°. Portanto, voto por negar provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10480.902120/200815 Acórdão n.º 1001000.693 S1C0T1 Fl. 111 7 Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000158/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
INOCORRÊNCIA.
O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de pagamento a destempo de débito declarado em DCTF. Sua caracterização depende da notícia de infração nova, até então desconhecida do Fisco, o que não é o caso dos autos.
Numero da decisão: 1301-000.539
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de pagamento a destempo de débito declarado em DCTF. Sua caracterização depende da notícia de infração nova, até então desconhecida do Fisco, o que não é o caso dos autos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de pagamento a destempo de débito declarado em DCTF. Sua caracterização depende da notícia de infração nova, até então desconhecida do Fisco, o que não é o caso dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.000158/200764 Acórdão n.º 130100.539 S1C3T1 Fl. 65 2 Relatório VENCETEX BEBIDAS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1422.281, de 19/02/2009, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância descreve o ocorrido de maneira sucinta, porém precisa, pelo que peço vênia para transcrevêlo. Em decorrência de auditoria interna de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), contra a contribuinte acima qualificada lançouse multa moratória de R$1.016,60, que incidiu sobre recolhimento extemporâneo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de entidades não financeiras, obrigadas à apuração do lucro real com balanço trimestral, código de receita 0220, relativa ao quarto trimestre do anocalendário de 2000, cujo vencimento deuse em 31/01/2001. Descrição dos fatos, bem assim da base legal que sustentou a imposição tributária achamse registrados no auto de infração respectivo (fls. 09/14/). Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/07, instruída com cópia do contrato social, em que alega seu direito aos benefícios do instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) em face de que os recolhimentos foram efetuados voluntariamente. Escorouse em jurisprudência administrativa e jurisdicional. Escorouse em jurisprudência administrativa e jurisdicional. A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1422.281, de 19/02/2009 (fls. 45/48), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Ciente da decisão de primeira instância em 22/05/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 50, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/06/2009 conforme carimbo de recepção à folha 51. No recurso interposto (fls. 53/57), em apertada síntese, a interessada protesta, amparada no art. 138 do CTN e em jurisprudência administrativa que colaciona, pelo Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.000158/200764 Acórdão n.º 130100.539 S1C3T1 Fl. 66 3 descabimento da multa de mora em sua situação em que “pagou o tributo declarado em DCTF, depois do vencimento e da entrega da declaração, pagando, ainda os juros de mora devidos”. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da aplicabilidade, ou não, do instituto da denúncia espontânea, do qual trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, ao pagamento extemporâneo de débito tributário declarado em DCTF, acompanhado de juros de mora, mas não da multa moratória. Eis o dispositivo legal em comento: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Tratase de matéria tormentosa, que tem sido objeto de discussão tanto nos colegiados administrativos quanto no Poder Judiciário, admitindo diversas correntes interpretativas. Filiome à linha que defende que o instituto da denúncia espontânea está relacionado a fato desconhecido da administração tributária, fato ocultado pelo sujeito passivo no campo da incidência tributária e que posteriormente é levado ao conhecimento do Fisco, revelando detalhes da apuração do tributo, estando aí contidos dois elementos distintos: a notícia da infração cometida e o recolhimento do tributo acrescido dos encargos moratórios. No caso concreto, o débito sobre o qual incidiu a multa ora discutida foi de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ – código 0220) com vencimento em 31/01/2001, da competência do quarto trimestre de 2000. O pagamento correspondente, sem a multa de mora, foi feito em 28/03/2001 (vide demonstrativo à fl. 11). Ora, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, para o qual incumbe ao contribuinte o dever de apurar o valor devido e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e, mais ainda, cumprir a obrigação acessória de declarar o valor devido em DCTF e DIPJ, é certo que o débito era de conhecimento da autoridade tributária, o que se confirma pelo fato de que a autuação se originou a partir de auditoria interna em DCTF. Não se há de falar, portanto, em qualquer “notícia da infração”, de matéria nova, anteriormente oculta. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.000158/200764 Acórdão n.º 130100.539 S1C3T1 Fl. 67 4 O alcance da denúncia espontânea não deve ser tão amplo que sirva para anistiar, de forma geral e indiscriminada, a inadimplência das obrigações tributárias, mas tão somente para estimular que sejam trazidas ao conhecimento do Fisco infrações que lhe eram anteriormente desconhecidas, o que não é o caso. Finalmente, o pedido de aplicação do art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941/2009, com fundamento no princípio da retroatividade benigna, não pode ser atendido, visto que aquelas disposições se aplicam tão somente ao regime especial de parcelamento de que trata aquela lei. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.005502/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2003 e 2004
LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS. CABIMENTO.
É cabível o arbitramento do lucro do sujeito passivo que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
AUTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL
A procedência do lançamento do IRPJ implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente.
LUCRO ARBITRADO. PIS E COFINS INCIDÊNCIA CUMULATIVA.
As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado continuam apurando o PIS e a COFINS pelo regime cumulativo.
MULTA QUALIFICADA – DESCABIMENTO Não restando comprovada nos autos condutas que evidenciam o intuito de impedir o conhecimento da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal tributária, é de se reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, e, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC.
Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso
concreto, a ausência nos autos de prova da existência de declaração (DIPJ) com a apuração de tributo devido (IRPJ, CSLL e PIS) foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita aplicando-se a regra do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 1301-000.598
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Valmir Sandri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Edwal
Casoni de Paula Fernandes Junior. Por unanimidade, os membros da Turma decidem reduzir para 75% a multa qualificada com relação à Cofins e ao Pis/Pasep, e acolher a preliminar de decadência da Cofins relativa aos fatos geradores até agosto de 2003.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS. CABIMENTO. É cabível o arbitramento do lucro do sujeito passivo que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. AUTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL A procedência do lançamento do IRPJ implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. LUCRO ARBITRADO. PIS E COFINS INCIDÊNCIA CUMULATIVA. As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado continuam apurando o PIS e a COFINS pelo regime cumulativo. MULTA QUALIFICADA – DESCABIMENTO Não restando comprovadaS nos autos condutas que evidenciam o intuito de impedir o conhecimento da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal tributária, é de se reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a ausência nos autos de prova da existência de declaração (DIPJ) com a apuração de tributo devido (IRPJ, CSLL e PIS) foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita aplicandose a regra do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Valmir Sandri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Por unanimidade, os membros da Turma decidem reduzir para 75% a multa qualificada com relação à Cofins e ao Pis/Pasep, e acolher a preliminar de decadência da Cofins relativa aos fatos geradores até agosto de 2003. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.005502/200811 Acórdão n.º 1301000.598 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido, a saber: “A contribuinte acima identificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 89.773.403,44, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), multas e acréscimos legais. 2. Termo de Verificação Fiscal (fls. 678 a 687) relata, em síntese, o seguinte: 2.1 O contribuinte apresentou as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativas aos exercícios de 2005 e 2004, pelo Lucro Real Anual. 2.2 Constam das declarações informações relativas a receitas de exportação, vendas no mercado interno e devoluções. 2.3 Dos dados dos sistemas informatizados da SRF, obtidos a partir das Declaração da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira verificouse que o contribuinte manteve doze (12) estabelecimentos, incluindo a matriz. Os estabelecimentos com n° de CNPJ. final 0001, 0003, 0007, 0008, 0009 e 0010 estão localizados no Estado de São Paulo. Os estabelecimentos 0002 e 0004 estão localizados no Estado de Goiás, o 0005 em Tocantins, o 0006 no Distrito Federal (Brasília), o 0011 no Paraná e o 0012 em Mato Grosso do Sul. 2.4 Foram solicitadas informações aos Fiscos Estaduais a respeito das GIAs apresentadas pela fiscalizada, havendo as seguintes manifestações dos Estados: Tocantins (Oficio SEFAZ/SGT N° 253/2007, Distrito Federal (Oficio N° 10 I 7/2007SUREC/SEF)3, São Paulo Oficio DEAT N° 1.143/2007), Mato Grosso do Sul (Ofícios/SAT N°471/2007 e N° 104/2008) e Goiás (Oficio N°050/2007 (PROSET). 2.5 No que se refere às informações do PIS e da COFINS, há duas situações: a) A DIPJ do Exercício de 2004 (anocalendário 2003) apresenta em branco as fichas pertinentes as informações do PIS e da COFINS. Assim, não estão preenchidas as fichas 20 Apuração dos Créditos do PIS/PASEP Regime NãoCumulativo; 21 Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP Regime NãoCumulativo; e 26A Cálculo da COF1NS Regime Cumulativo. As informações constantes da DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais não são condizentes com as da DIPJ e as do Demonstrativo de Apuração de Créditos fornecido pela fiscalizada, em resposta ao Termo de Intimação lavrado em 21/08/2008. b) A DIPJ do Exercício de 2005 (anocalendário 2004) apresenta as fichas 20, 21, 24 Apuração dos Créditos da COF1NS Regime NãoCumulativo e 25 Cálculo da COFINS NãoCumulativo preenchidas. Os valores informados são compatíveis com a DACON. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 2.6 Quanto aos livros comerciais e fiscais, os livros diário e razão não foram apresentados. Quanto aos livros registro de entradas e de saídas de mercadorias e livro registro de inventário, a fiscalizada apresentou os relacionados no termo de retenção lavrado em 30/07/2007. 2.7 Intimado regularmente, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal, com ciência via postal em 27/08/2008, o contribuinte não comprovou a Receita da Exportação, bem como as isenções e exclusões da Base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, dos anoscalendário de 2003 e 2004, informadas em DIPJ e DACON. 2.8 Ficou caracterizada a inércia da fiscalizada em relação à apresentação dos elementos solicitados, assim como dos demais itens requisitados no Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 02, restando pois o arbitramento do lucro para os anoscalendário de 2003 e 2004. 2.9 A ação fiscal teve inicio em 24/06/2008, onde o contribuinte foi regularmente intimado, através do Termo de Inicio de Fiscalização, a apresentar os livros comerciais e fiscais, inclusive o livro diário e razão. A mesma solicitação foi reiterada pelo menos em duas ocasiões, no Temo de Constatação e Intimação Fiscal n° 02, em 27/02/2008 e através do Termo de Constatação e Intimação, com ciência via postal em 27/08/2008. Como não foram apresentados os livros comerciais e fiscais, foi efetuado o arbitramento do lucro, na forma do artigo 530, inciso III do RIR/1999. 2.10 Quanto ao valor tributável, a base de cálculo para o arbitramento, no que se refere ao IRPJ e CSLL, são as receitas da atividade e demais receitas apuradas, conforme segue: a) para o anocalendário de 2003 são os valores discriminados mês a mês na carta resposta do contribuinte, em resposta ao Termo de Constatação e Intimação lavrado em 21/08/2008 (ciência em 27/0812008); b) para o anocalendário de 2004 são os valores informados na DACON e DIPJ (fichas 20, 21, 24 Apuração dos Créditos da COFINS Regime NãoCumulativo, e 25 Cálculo da COFINS Regime NãoCumulativo); c) o percentual para a determinação do lucro arbitrado é de 9,6%, aplicado para as receitas de vendas, visto que o ramo de atividade da fiscalizada é comercial, e de 100% para as demais receitas. 2.11 O valor tributável relativo às Contribuições ao PIS e à COFINS, como o contribuinte não apresentou nenhum dos elementos requisitados, inclusive a escrituração comercial e fiscal, existe uma mudança na estrutura da determinação das Contribuições. 2.12 A determinação da incidência do PIS e da COFINS, originalmente apurada pela pessoa jurídica no regime nãocumulativo, em razão da opção de apuração do Imposto de Renda com base no lucro real, formalizada e demonstrada através da entrega da DCTF e DIPJ passa, em função do arbitramento de oficio do Imposto de Renda, a ser devida no regime Cumulativo no período do arbitramento, e não enseja a possibilidade de serem aproveitados os valores relativos a créditos próprios do regime nãocumulativo apurados pela pessoa jurídica. 2.13 O contribuinte apresentou DCTF nos quatro trimestres de 2003 e 2004, informando os débitos à COFINS, código 2172, para o período de janeiro/2003 a janeiro/2004. Para o PIS, dentro da sistemática introduzida do PIS nãocumulativo, não foi informado Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.005502/200811 Acórdão n.º 1301000.598 S1C3T1 Fl. 3 5 nenhum débito no período de 2003 e 2004. O mesmo para a COFINS, para o período de fevereiro/2004 em diante. 2.14 O PIS nãocumulativo, introduzido pela Lei n" 10.637/2002 e a COFINS nãocumulativa, introduzida pela Lei n° 10.833/2003, é de regime obrigatório para as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real, sendo a alíquota de 1,65% e 7,65% respectivamente. Nas empresas tributadas com base no Lucro Presumido e Arbitrado foi mantida a mesma estrutura de incidência cumulativa, à alíquota de 0,65% e 3% respectivamente. 2.15 Foram aproveitados de oficio os valores pagos e/ou declarados em DCTF espontaneamente pela pessoa jurídica, no regime cumulativo (COFINS de janeiro/2003 a janeiro/2004). 3. Com relação a Representação Fiscal para Fins Penais, o Termo de Verificação Fiscal informa o seguinte: 3.1 O contribuinte informou na DIPJ do Exercício de 2004 anocalendário 2003 valores em branco nas fichas pertinentes às informações do PIS e da COFINS. Assim, tanto as informações dos créditos quanto àquelas referentes à apuração das Contribuições fichas 20 Apuração dos Créditos do PIS/PASEP Regime NãoCumulativo, 21 Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP Regime NãoCumulativo, e 26 A Cálculo da COFINS Regime Cumulativo não estão preenchidas. 3.2 De outro lado as informações constantes da DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais não são condizentes com àquelas constantes na DIPJ e as informadas no Demonstrativo de Apuração de Créditos, fornecido pela fiscalizada no decorrer destes trabalhos. 3.3 O art. 6° da IN n° 387/2004, que instituiu a DACON, dispõe que a omissão de informações ou a prestação de informações falsas no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais configura hipótese de crime contra a ordem tributária. 3.4 Ao omitir informações ou prestar declaração falsa, o contribuinte incorre, em tese, no tipo penal prescrito no art. 2°, inciso I, da Lei n° 8.137/1990. Portanto, foi formalizada REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com o agravamento da multa de oficio aplicada para os valores do PIS e da COFINS do período de 2003. 4. Foram lavrados, em 15/09/2008, com ciência em 18/09/2008, os seguintes autos de infração: 4.1 do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fls. 694 a 698), com o fundamento legal nos artigos 27,I e 42 da Lei n° 9430/1996 e nos artigos 530, III; 532 e 536 do RIR/1999. 4.2 PIS (fls. 705 a 708) com fundamento nos artigos 1° e 3° da Lei Complementar 07 de 07/09/1970; artigos 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10,22 e 51 do Decreto n" 4.524/2002; 4.3 da Cofins (fls. 715 a 718) com fundamento nos artigos 2°, inciso II e parágrafo Único, 3o., 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 4.4 da CSLL (fls. 725 a 729) com fundamento no artigo 2° e seus parágrafos da Lei 7.689 de 15/12/1988; artigo 20 da Lei n° 9.249/1995, artigo 29 da Lei n° 9430/1996 e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. 5. Em 17/10/2008 a empresa apresentou, por seu representante, impugnação (fls. 733 a 739), alegando, em síntese: 5.1 que a ação fiscal é improcedente, primeiramente, em razão da decadência que alcança todas as parcelas anteriores a 18/09/2003, tanto do IRPJ, quanto das contribuições sociais, em razão do que prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF; 5.2 que a respeito ao IRPJ e à CSLL o arbitramento teve base na receita conhecida do contribuinte, extraída das DIPJs apresentadas e relativas aos exercícios 2004 e 2005, anos calendário 2003 e 2004, respectivamente; 5.3 que muito embora, no curso da ação fiscal não tenha apresentado os livros fiscais e mercantis com a observância de seus requisitos extrínsecos, na realidade, disponibilizou toda a documentação e informações, convergentes com o conteúdo dos resultados apurados nos períodos acima referidos; 5.4 que a jurisprudência administrativa tem pontificado que o arbitramento é medida extrema e que só se justifica na absoluta e total impossibilidade de apuração do lucro real, base normal do imposto de renda da pessoa jurídica; 5.5 que quanto ao PIS e à COFINS, é considerado para efeito de tributação, o regime cumulativo, ao pressuposto de que em função do arbitramento inexiste possibilidade de aproveitamento dos créditos próprios do regime nãocumulativo, apurados pela pessoa jurídica; 5.6 que nesse particular, de igual forma, não procede a ação fiscal, pois a impossibilidade ditada na legislação, de aproveitamento dos créditos próprios do regime não cumulativo é determinada para a hipótese em que o resultado, por arbitramento, decorre de opção do próprio contribuinte; 5.7 que o arbitramento se deu, não por opção do contribuinte, mas pela modalidade ex officio, não estando essa modalidade estabelecido na finalidade do conteúdo da disposição legal que prescreve a impossibilidade de aproveitamento dos créditos próprios do regime nãocumulativo e do recolhimento propriamente dito, pelo regime nãocumulativo; 5.8 que não bastasse, incidem as contribuições sobre receitas de exportação elencadas no próprio Relatório Fiscal; 5.9 que não procede, ainda, a qualificadora da multa ex officio, relativamente à COFINS e PIS do anocalendário de 2003; 5.10 que a base, para o fundamento da qualificadora, como consta do relatório anexo ao auto de infração, assentase no fato de que nas DIPIs, nas fichas pertinentes às informações do PIS e da COFINS, nada foi preenchido e que, ainda, relativamente à esse período, os valores informados na DACON não seriam condizentes com a DIPJ, entretanto, parece óbvio que se a DIPJ, nas fichas pertinentes as informações do PIS e da COFINS estavam em branco,por certo que não seriam condizentes com as DACONs apresentadas e com os valores nelas informados; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.005502/200811 Acórdão n.º 1301000.598 S1C3T1 Fl. 4 7 5.11 que, todavia, não se considerou que a base, tanto do PIS, quanto da COFINS, é a receita bruta, integralmente declarada nas DIPJs apresentadas, do que revela absoluta ausência dos pressupostos que ensejariam a qualificadora; 5.12 que, se ao apresentar as DIPJs, o contribuinte não oculta a receita bruta, base normal do PIS e da COFINS, mesmo que tenha apresentado as DACONs com valores representativos de contribuições diferentes da efetivamente devida pela incidência da alíquota sobre a base de cálculo, o que se verifica, em verdade, é uma mera declaração inexata, tendo em vista a absoluta ausência de dolo, fraude ou simulação, comprovada pela declaração incontroversa da receita bruta apresentada.” A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPOI) analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1620.791, de 19/03/2009, considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. NÃOATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. CABIMENTO. É cabível o arbitramento do lucro do sujeito passivo que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DECADÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO DE OFICIO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004 INCIDÊNCIA CUMULATIVA. LUCRO ARBITRADO. Segundo a legislação tributária pertinente, as regras da nãocumulatividade somente alcançam as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado continuam apurando a Cofins pelo regime cumulativo. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração da multa de oficio, consubstanciadas pela tentativa de retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador do tributo, é de se manter a multa de oficio de 150% . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004 INCIDÊNCIA CUMULATIVA. LUCRO ARBITRADO. Segundo a legislação tributária pertinente, as regras da nãocumulatividade somente alcançam as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado continuam apurando a contribuição para o PIS pelo regime cumulativo. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração da multa de ofício, consubstanciadas pela tentativa de retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador do tributo, é de se manter a multa de oficio de 150% . É o relatório. Passo ao voto. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.005502/200811 Acórdão n.º 1301000.598 S1C3T1 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Recurso tempestivo e assente na legislação atinente. Dele conheço. A autuada requer a insubsistência da ação fiscal, argüindo como tema preliminar de sua peça recursal a decadência para as competências anteriores a 18/09/2003, tanto dos impostos quanto das contribuições, no mérito insiste na reforma dos lançamentos no que tange às exigências do IRPJ e CSLL resultantes de arbitramento , tão somente pela ocorrência de fato impeditivo do cumprimento da apresentação dos livros fiscais e mercantis no decorrer da ação fiscal. Por fim insurgese com relação a multa de ofício de 150%. Consoante se vê do detalhado “Termo de Constatação Fiscal”, a matéria em litígio no presente processo, gira em torno da exigência do IRPJ e, por decorrência, da CSLL, resultante do arbitramento do lucro para os anocalendário de 2003 e 2004, tendo em vista que regularmente intimado o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração (art. 530, III, do RIR/1999). A fiscalização arbitrou seu lucro com base na receita informada aos Fiscos Estaduais somadas às demais receitas informadas na DIPJ. Primeiro e quanto a alegação de que a omissão pela não apresentação do quanto solicitado nos termos da intimação foi motivado pela apreensão dos livros fiscais e mercantis, como também todos os seus computadores e arquivos magnéticos, pela Polícia Federal, reitero minha convicção relatada no voto com relação a mesma pessoa jurídica e referente ao ano calendário de 2002 (processo 19515.003969/200745), da qual transcrevo o seguinte trecho: “Quanto ao argumento da recorrente no sentido de que “é insubsistente a ação fiscal resultante de arbitramento da pessoa jurídica que deixou de apresentar os livros fiscais e mercantis solicitados no curso da ação fiscal, unicamente por motivo de força maior, impeditivo do cumprimento da obrigação que lhe corresponde, da apresentação dos livros referidos”, não pode ser acolhida por absoluta falta de prova nesse sentido. No particular incumbiria à interessada após intimada nos meses de junho, julho e agosto de 2008, ter obtido declaração ou certidão da Polícia Federal, o que jamais ocorreu, apenas sustenta em sua linha de defesa que “bastava à Receita Federal requisitar os referidos documentos que se encontravam com outro órgão federal, a Polícia Federal. No caso, nenhum termo de apreensão e/ou qualquer outro documento fora apresentado sobre o fato. Resta claro que faltou demonstrar de forma efetiva e com elementos de prova calcada em documentação hábil e idônea as suas afirmações. Portanto, diante da não apresentação dos Livros Comerciais e Fiscais obrigatórios, sem qualquer justificativa comprovada, agiu corretamente a autoridade autuante em lançar o IRPJ e CSLL. Cabe esclarecer que a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de acordo com o lucro arbitrado não é penalidade, sanção ou regime de exceção, mas simplesmente método de apuração; isto é tão verdadeiro que o próprio contribuinte pode optar por esta forma de tributação se conhecida a receita bruta, (art. 530, I e III e art. 531 do RIR/1999, transcritos no voto combatido). Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Convém salientar que o contribuinte apresentou DCTF nos quatro trimestres de 2003 e 2004, informando os débitos à COFINS, código 2172, para o período de janeiro/2003 a janeiro/2004. Para o PIS, dentro da sistemática introduzida do PIS não cumulativo, não foi informado nenhum débito no período de 2003 e 2004. O mesmo para a COFINS, para o período de fevereiro/2004 em diante. Foram aproveitados de oficio os valores pagos e/ou declarados em DCTF espontaneamente pela pessoa jurídica, no regime cumulativo (COFINS de janeiro/2003 a janeiro/2004). Também, no presente caso, consta do Relatório Fiscal, que a contribuinte devidamente intimada não logrou comprovar a Receita da Exportação, bem como as isenções e exclusões da Base de Cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, dos anos calendário de 2003 e 2004, e mais, na DIPJ ano calendário 2003, apresenta em branco as fichas pertinentes às informações do PIS e da COFINS, bem como as informações constantes da DACON não são condizentes com àquelas constantes na DIPJ e as informadas no Demonstrativo de Apuração de Créditos fornecidos pela própria fiscalizada. Razão pela qual a multa de ofício restou majorada em 150%. Especificamente com relação ao PIS e COFINS, aduz, a recorrente: “O arbitramento, como consta do próprio trabalho fiscal, assentouse na receita bruta conhecida, como declarada em DIPJ. Essa mesma DIPJ, cujas fichas destinadas às informações do PIS e da COFINS, nada foi preenchido. A receita bruta, todavia, considerada para efeito de arbitramento, é a mesma que serve de base tanto para a COFINS, quanto para o PIS. Sem dúvida, que tendo declarado a totalidade de sua receita bruta, base normal da COFINS e do PIS, por certo que a não preencher as fichas pertinentes às suas informações, não estaria pretendendo ocultar sua incidência, pela razão evidente de que, referidos tributos incidem precisamente sobre a receita considerada legitima e sem qualquer questionamento.” A multa aplicada de 150%, teve como base legal o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, que a seguir transcrevo em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Observese que a Lei n° 11.884/2007 introduziu alterações na redação do art. 44, acima, pelo que a multa de 150% passou a ser prevista pelo § 1°, e não mais pelo inciso II. As hipóteses de sua aplicação, no entanto, restaram inalteradas, sempre que presente alguma das situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Em particular, o art. 71 trata da sonegação, relevante para o assunto aqui discutido: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.005502/200811 Acórdão n.º 1301000.598 S1C3T1 Fl. 6 11 Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Conforme dispõe o texto legal, a multa qualificada somente se pode aplicar na presença de situação dolosa, do intuito deliberado de ocultar ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade Tributária da ocorrência do fato gerador. E é das circunstâncias e da conduta adotada pelo contribuinte em cada caso concreto que se há de extrair os elementos que permitirão concluir pela correção ou não da multa aplicada. No presente caso, não vislumbro a caracterização de fraude por parte do contribuinte com relação aos valores do PIS e COFINS do ano de 2003, pelo fato da constatação que houve omissão de valores nas DIPJs e informações inexatas nas DACON. Em que pese constar valores declarados em DCTF para a COFINS de janeiro/2003 a janeiro/2004, com valores apurados e recolhidos bem inferiores aos declarados, para as receitas de exportação, bem como das isenções e exclusões da base de cálculo das contribuições, e nada declarado nas DCTF com relação ao PIS, deixa claro que os valores foram declarados na DACON. Em síntese, sobre o questionamento quanto à multa de oficio de 150%, voto no sentido de que seja reduzida ao percentual de 75%. Por fim, insiste a recorrente em sua alegação quanto à ocorrência da decadência para os fatos geradores anteriores a 18/09/2003, com relação a COFINS, forte nas disposições do art. 150, § 4º, do CTN, haja vista declaração de débitos em DCTF. Neste ponto adoto a linha de raciocínio do ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha em recente voto, nesta Turma”, do qual transcrevo alguns excertos: A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A, no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010). Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.005502/200811 Acórdão n.º 1301000.598 S1C3T1 Fl. 7 13 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De se ver, portanto, de que forma essa decisão deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. No caso concreto, tratase de tributos para os quais a lei claramente estipula o dever de antecipar a exação. No entanto, compulsando os autos, não encontro prova inequívoca de que esse dever tenha sido cumprido. Por outro lado, há ainda outra circunstância admitida na decisão em comento capaz de levar o prazo decadencial para as regras do art. 150, § 4º. É o fato de existir declaração prévia do débito. E desta vez, em parte, o exame dos autos se mostra favorável, às pretensões da recorrente; constatase confissão de débito declarada em DCTF com relação, tão somente a COFINS, fato este, inclusive, confirmado no recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Nos termos da decisão do STJ que deve ser reproduzida por este Colegiado, tenho que a circunstância verificada quanto à existência de declaração prévia do débito é suficiente para fazer com que o regramento aplicável à contagem do prazo decadencial seja aquele do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, neste casos, o dies a quo deve ser considerado como a data da ocorrência do fato gerador. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Portanto, forçoso concluir, com relação a exação da COFINS, pois declarada em DCTF, pelo reconhecimento da decadência relativa aos fatos geradores até agosto de 2003, inclsive, haja visto que a ciência do lançamento se deu em 27/08/2008. Já com relação às demais exações (IRPJ, CSLL e PIS/Pasep) não constatado nos autos prova de pagamentos antecipados e inexistindo declaração prévia de débitos, nos termos do exposto acima, aplicase às disposições do art. 173, I, do CTN pelo que afasto a preliminar de decadência. Por todo o exposto, reconheço a decadência, com relação à COFINS para os fatos geradores até agosto de 2003, inclusive, afasto a preliminar de decadência suscitada com relação ao IRPJ, CSLL e PIS/Pasep, e, no mérito, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10909.720201/2015-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/01/2013
MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE
Quando da lavratura do auto de infração, os tributos incidentes na operação sob análise não estavam com a exigibilidade suspensa, cabível, portanto, a exigência de juros de mora e multa de ofício.
Numero da decisão: 3302-005.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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POSSIBILIDADE Quando da lavratura do auto de infração, os tributos incidentes na operação sob análise não estavam com a exigibilidade suspensa, cabível, portanto, a exigência de juros de mora e multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 02 01 /2 01 5- 41 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10909.720201/201541 Acórdão n.º 3302005.610 S3C3T2 Fl. 108 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 8286: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado (fls. 03/08), que, combinado com o Despacho Decisório de fls. 75/79, trata da exigência do crédito tributário no valor de R$ 83.167,44 relativo à multa de ofício vinculada ao IPI Importação, em decorrência do registro da Declaração de Importação nº 13/00842654, em 14/01/2013, a fim de nacionalizar um veículo automotor BMW X6 XDRIVE 501, chassi 5UXFG8C52DL591902. Relata a auditoria que o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 501059086.2012.404.7208/SC, no intuito de obter provimento jurisdicional para reconhecer a inexigibilidade do IPI, no caso de importação de veículo para uso próprio, por ferir o princípio da nãocumulatividade previsto no art. 153, §3º, inciso II da Constituição Federal de 1988. Informa que a sentença de 1º grau reconheceu a inexigibilidade do IPI sobre a importação do veículo, porém, tal decisão foi reformada em Acórdão do TRF 4ª Região. Atualmente o mérito da ação encontrase sobrestado aguardando julgamento de paradigma pelo STF e STJ. Regularmente cientificado do lançamento (fl. 70), em 09/01/2015, o autuado apresentou impugnação tempestiva (fls. 55/67), na qual, em síntese: Alega que a segurança está plenamente concedida, sendo inexigível o IPI neste momento, amparado pelo art. 151, inciso IV do CTN, pois não se pode cobrar a exação que estiver sub judice, levandose em conta a Repercussão Geral da questão já reconhecida pelo STF. Apresenta argumentos sobre a não incidência do IPI na importação de automóvel por pessoa física para uso próprio. Aduz que a multa de ofício não é aplicável ao caso em concreto, uma vez que, no momento do desembaraço aduaneiro, estava amparado por liminar e, após, por sentença favorável ao não recolhimento do IPI. E estando suspensa a exigibilidade do tributo, na forma do art. 151, inciso IV do CTN, não há que se falar em lançamento da multa de ofício em posterior cobrança administrativa, na forma do art. 63 da Lei 9.430/96, e atentandose ao art. 112 do CTN. Requer seja cancelado o débito fiscal ou que seja declarada inexigível a multa aplicada ao caso. Em 07 de maio de 2015, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/01/2013 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário na ocasião do lançamento, cabe a exigência da multa de ofício. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10909.720201/201541 Acórdão n.º 3302005.610 S3C3T2 Fl. 109 3 Intimada da decisão em 28.05.2015 (fls.90), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 03.06.2015 (fls. 9298), alegando, em síntese, que a multa de ofício é inaplicável ao presente caso, considerando que, quando do desembaraço da mercadoria a Recorrente esta munida de decisão judicial autorizando a retirada da mercadoria sem o recolhimento do imposto. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 28.05.2015 (fls.90) e protocolou Recurso Voluntário em 03.06.2015 (fls. 9298), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito O presente litígio versa sobre a exigibilidade da multa de ofício vinculada ao IPIImportação cobrado no PA nº 10909.723018/201417 que, foi declarada a definitividade da exação relativa ao IPI por ocorrência da concomitância parcial, das vias judicial e administrativa, pela discussão da mesma matéria. Em relação a multa de ofício, alega a Recorrente que estando os tributos objeto do auto de infração com a exigibilidade suspensa, não está caracterizada qualquer mora do contribuinte, sendo inexigível a cobrança de multa de ofício. Pois bem. O artigo 63 da Lei n.º 9.430/1996 dispõe acerca da não imposição da multa de ofício nos casos que indica. Tal dispositivo, está assim redigido: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10909.720201/201541 Acórdão n.º 3302005.610 S3C3T2 Fl. 110 4 até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Como se percebe, o dispositivo determina a não imposição da multa de ofício quando do lançamento de ofício, naqueles casos em que o contribuinte, por deter um provimento jurisdicional, mesmo que temporário ou ainda não definitivo (dentre aqueles indicados nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN), adota uma conduta contrária ao entendimento da Administração Tributária. À evidência, por detrás do dispositivo está a idéia de que aquele contribuinte que age com base em provimento judicial (mesmo que temporário ou resultante de cognição sumária), não age à margem das normas jurídicas. Com base nisso, há que se ter como incluída dentro dos limites do dispositivo, não apenas as situações especificamente postas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN (a concessão de medida liminar em mandado de segurança e a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial), mas também a decisão em mandado de segurança (sentença) que reconhece o direito pleiteado pelo sujeito passivo. E diz se isso, como já antes se ressaltou, porque não se pode dizer que esteja agindo unilateralmente e em detrimento das normas jurídicas, aquele que pauta sua conduta em provimento judicial passível de adoção imediata (como é o caso, em regra, da sentença em mandado de segurança). Diante deste quadro, há que se concluir, portanto, que a contribuinte, ao tempo da autuação ocorrida 09.01.2015, já não detinha provimento judicial que determinava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, posto que a sentença de 1º grau, que lhe concedeu a segurança pleiteada, já tinha sido reformada pelo Acórdão do TRF 4ª Região, em sessão de 05.08.2013, que deu provimento a apelação da União e à remessa oficial, e cuja intimação eletrônica ao contribuinte foi confirmada em 22/08/2013 (fls. 40/52 e 73). Portanto, quando da lavratura do auto de infração, os tributos incidentes na operação sob análise não estavam com a exigibilidade suspensa, cabível, portanto, a exigência de multa de ofício. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004863/2001-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998
ADMISSIBILIDADE. DECISÃO RECORRIDA CONFORME SÚMULA CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Não cabe recurso de acórdão que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998 ADMISSIBILIDADE. DECISÃO RECORRIDA CONFORME SÚMULA CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso de acórdão que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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DECISÃO RECORRIDA CONFORME SÚMULA CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso de acórdão que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 48 63 /2 00 1- 11 Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 3 2 conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida no Acórdão nº 1103000.510 (fls. 1.597 e segs.), pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03 de agosto de 2011, pelo qual o Colegiado, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de Lancaster Participações e Empreendimentos Turísticos Ltda., relativo a saldo credor de IRPJ, nas quantias de R$ 4.884,93 do anocalendário de 1995; R$ 636,43 do ano calendário de 1996; R$ 19,14 do anocalendário de 1997 e R$ 200.318,87 do anocalendário de 1998 e referente a saldo credor de CSLL do anocalendário de 1998 na importância de R$ 12.519,50, como também, a favor de Confeitaria Lancaster Ltda., por conta de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995, no valor de R$ 1.217,33, seguindose a homologação das compensações decorrentes. Assim, verificase que o processo cuida de direito creditório reconhecido em parte pela DRJ/Curitiba e ampliado pelo acórdão recorrido, a partir de saldos negativos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos anoscalendário de 1995 a 1998. Em consequência, foram parcialmente homologadas as compensações com débitos desses mesmos tributos relativos a antecipações (estimativas) e quotas devidas pelo regime de tributação pelo lucro presumido, bem assim de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), apuradas nos períodos de fevereiro de 2002 a julho de 2005. O pedido original de restituição se deu em meio físico (papel) e foi protocolado em 17/07/2001, com o objetivo de repetir o valor de R$ 252.301,35, sendo: a) R$ 246.795,86 de imposto de renda pago mediante DARF; b) R$ 43.370,77 de imposto de renda retido na fonte relativo a receitas de comissões, aluguéis e aplicações financeiras e c) R$ 72.898,14 de contribuição social sobre o lucro paga em DARF, deduzidos das quantias de R$ 89.607,25 (IRPJ) e R$ 21.156,27 (CSLL) por apontadas compensações efetuadas anteriormente. A interessada informou, ainda, que lhe cabiam, a título de juros de mora, o montante de R$ 303.928,89, calculados até a data do pedido. O pedido de restituição foi feito em nome próprio, mas o quantum indicado também incluía parcela de empresa incorporada pelo contribuinte em janeiro de 2000 (Confeitaria Lancaster Ltda.). Houve, ainda, outros pedidos de compensação apresentados em meio físico, assim como declarações de compensação eletrônicas transmitidas pela internet. O despacho decisório da delegacia de origem processou os pedidos separadamente, para as duas pessoas jurídicas mencionadas, e reconheceu parte do direito Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 4 3 creditório pleiteado, alocando os saldos negativos, ano a ano, da seguinte forma (conforme relato da decisão recorrida): Anocalendário de 1995 IRPJ (Lancaster Participações) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 57.063,02, encontram comprovações em efetivos pagamentos, fl. 978; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 14.548,43, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 1.555,95 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 971/977; c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 47.491,47 enunciado na DIPJ de fl. 979v. foi reduzido para R$ 34.498,99 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado pela contribuinte no adimplemento de estimativas do anocalendário subsequente por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 980/982, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de abril a julho de 1996 e parcialmente a do mês de agosto de 1996. IRPJ (Confeitaria Lancaster) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 24.930,80, encontram comprovações em efetivos pagamentos, fl. 1.069; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 1.069,51, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 647,73 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 1.062/1.068; c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 26.540,31 enunciado na DIPJ de fl. 132 foi reduzido para R$ 25.578,53 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 5 4 utilizado pela contribuinte no adimplemento de estimativas dos anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.070/1.074, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de abril a dezembro de 1996 e janeiro a junho de 1997 e ainda parcialmente a do mês de julho de 1997. CSLL (Confeitaria Lancaster) a) as antecipações da contribuição (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 19.705,66, encontram comprovações em efetivos pagamentos, fl. 1.085; b) em decorrência, o saldo negativo enunciado na DIPJ de fl. 135, neste exato valor, foi confirmado. Contudo, não houve o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado pela contribuinte no adimplemento de estimativas dos anos calendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.086/1.090, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas de CSLL dos meses de abril a dezembro de 1996 e janeiro a junho de 1997, além de parte do mês de julho de 1997. Consignou o decisório, também, que ainda remanescessem saldos negativos desse período encontrariamse decaídos em razão do decurso do prazo de 5 (cinco) anos para a repetição, nos moldes do artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005 e Decreto nº 20.910, de 1932. Anocalendário de 1996 IRPJ (Lancaster Participações) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 97.566,76, encontram comprovação até a quantia de R$ 83.748,57, sendo a importância de R$ 49.249,58 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.001v., e R$ 34.498,99 (R$ 39.287,93 com atualização e juros) pela utilização, via compensação direta, do saldo negativo do anocalendário de 1995, dissertado anteriormente; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 12.866,10, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 8.652,50 por constar em Declarações de Imposto de Renda Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 6 5 Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 983/1.001; c) já a dedução do imposto anual sob o título de “demais compensações de imposto de renda” indicada na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pela quantia de R$ 15.940,04 não se confirma porque excede o limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento Pessoa Jurídica (MAJUR); d) em decorrência, o saldo negativo de R$ 120.170,11 enunciado na DIPJ de fl. 388 foi reduzido para R$ 90.987,22 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.002/1.005, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de março, abril, junho, julho (parcialmente), agosto e setembro de 1997 e dos meses de março, outubro e dezembro de 1998. Consignouse, também, que nesse anocalendário não mais cabia corrigir monetariamente as antecipações, equivocadamente levadas a efeito pela contribuinte em sua planilha de fl. 597. IRPJ (Confeitaria Lancaster) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 21.144,56, encontram comprovação da quantia de R$ 21.547,74, até mesmo superior ao declarado, sendo o valor de R$ 5.540,09 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.079, e a importância de R$ 16.047,65 pela utilização, via compensação direta, de parte do saldo negativo do anocalendário de 1995, dissertado anteriormente; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 2.344,28, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 300,69 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 1.075/1.078; c) já as deduções do imposto anual sob os títulos de “saldo de IR a compensar apurado em períodos anteriores” e “demais compensações de imposto de renda” indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelas quantias de R$ 14.983,68 e R$ 443,21 não se confirmam porque excedem o limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 7 6 inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento Pessoa Jurídica (MAJUR); d) em decorrência, o saldo negativo de R$ 38.915,73 enunciado na DIPJ de fl. 153 foi reduzido para R$ 21.888,43 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.080/1.089, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de julho a dezembro de 1997 e dos meses de janeiro (parcialmente), fevereiro, março, outubro e dezembro de 1998. CSLL (Lancaster Participações) a) as antecipações da contribuição (estimativas) e demais compensações indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 25.060,32, encontram comprovações em efetivos pagamentos, fl. 1.052; b) em decorrência, o saldo negativo de R$ 14.067,43 enunciado na DIPJ de fl. 396 foi confirmado. Contudo, não houve o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional nesta importância ante a apuração deste saldo credor ter sido parcialmente utilizado pela contribuinte no adimplemento de estimativas do anocalendário subsequente por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiu se, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.053/1.055, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas de CSLL dos meses de março a julho de 1997, dezembro de 1998 e setembro de 1999, bem como, que ainda remanesce o saldo de R$ 1.247,65. CSLL (Confeitaria Lancaster) a) as antecipações da contribuição (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 18.386,55, encontram comprovação da quantia de R$ 18.397,30, até mesmo superior ao declarado, sendo o valor de R$ 4.442,81 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.091, e a importância de R$ 13.954,49 pela utilização, via compensação direta, de parte do saldo negativo do anocalendário de 1995; b) já as deduções da contribuição anual sob os títulos de “saldo de CSL a compensar apurado em períodos anteriores” e “demais compensações de contribuição social” indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelas quantias de R$ 10.552,34 e R$ 10,73 não se confirmam porque excedem o limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento Pessoa Jurídica (MAJUR); Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 8 7 c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 28.949,62 enunciado na DIPJ de fl. 161 foi reduzido para R$ 18.397,30 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional nesta importância ante a apuração deste saldo credor ter sido parcialmente utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiu se, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.092/1.097, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas da CSLL dos meses de julho a dezembro de 1997 e janeiro a março, outubro e dezembro de 1998, bem como, que ainda remanesce o saldo de R$ 286,28. Anocalendário de 1997 IRPJ (Lancaster Participações) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 166.636,29, encontram comprovação da quantia R$ 177.230,78, até mesmo superior ao declarado, sendo o valor de R$ 80.744,78 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.025, e a importância de R$ 90.987,22 (R$ 96.486,00 com juros) pela utilização, via compensação direta, de parte do saldo negativo do anocalendário de 1996; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 6.901,60, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 4.208,46 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 1.006/1024; c) já as deduções do imposto anual sob os títulos de “compensações de pagamentos indevidos ou a maior” e “saldos negativos de períodos anteriores” indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelas quantias de R$ 35.084,69 e R$ 2.639,90 não se confirmam porque excedem o limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento Pessoa Jurídica (MAJUR); d) em decorrência, o saldo negativo de R$ 211.262,48 enunciado na DIPJ de fl. 415 foi reduzido para R$ 181.439,24 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.026/1.028, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 9 8 débitos de estimativas do IRPJ dos meses de março a dezembro de 1998 e ainda parcialmente a do mês de janeiro de 1999. CSLL (Lancaster Participações) a) as antecipações da contribuição (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 27.412,49, encontram comprovação sendo a quantia de R$ 20.096,95 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.056, e o remanescente pela utilização, via compensação direta, de parte do saldo negativo do anocalendário de 1996; b) já as deduções da contribuição anual sob os títulos de “compensações de pagamentos indevidos ou a maior” e “saldos negativos de períodos anteriores” indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelas quantias de R$ 6.751,95 e R$ 344,18 não se confirmam porque excedem ao limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento Pessoa Jurídica (MAJUR); c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 34.508,62 enunciado na DIPJ de fl. 428 foi reduzido para R$ 27.412,49 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.057/1.060, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas de CSLL dos meses de março a dezembro de 1998 e janeiro e fevereiro de 1999. Anocalendário de 1998 IRPJ (Lancaster Participações) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 245.151,48, encontram comprovação de R$ 243.835,18, sendo a quantia de R$ 28.584,21 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.049, e na importância de R$ 181.439,24 (R$ 215.250,97 com juros) pela utilização, via compensação direta, de parte dos saldos negativos dos anos calendário de 1996 e 1997; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 3.590,37, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 3.615,87 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 1.029/1048; Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 10 9 c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 230.218,00 enunciado na DIPJ de fl. 461 foi reduzido para R$ 228.901,70 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional nesta importância ante a apuração deste saldo credor ter sido parcialmente utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiu se, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.050/1.051, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de março de 1999 e setembro de 2000 e que ainda remanesce o saldo de R$ 213.736,82. Entrementes, ainda assim não houve o reconhecimento de direito creditório nesta quantia ante a interpretação de que a Requerente teria peticionado tão somente a importância de R$ 28.584,21. CSLL (Lancaster Participações) a) as antecipações da contribuição (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 41.230,85, encontram comprovação de R$ 31.564,28, sendo a quantia de R$ 4.599,08 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.061, e na importância de R$ 26.965,20 pela utilização, via compensação direta, de parte dos saldos negativos dos anoscalendário de 1996 e 1997; b) em decorrência, o saldo negativo de R$ 26.785,15 enunciado na DIPJ de fl. 483 foi reduzido para R$ 17.118,58 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional desta importância ante a interpretação de que a Requerente teria peticionado tão somente a quantia de R$ 4.599,08. Em razão de todo esse arcabouço decidiu a autoridade fiscal pela existência de efetivos créditos a favor de Lancaster Participações, a título de saldo negativo de IRPJ na ordem de R$ 28.584,21 (anocalendário de 1998) e de saldo negativo de CSLL na importância de R$ 1.247,65 (anocalendário de 1996) e R$ 4.599,08 (anocalendário de 1998) e crédito a favor de Confeitaria Lancaster por conta de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1996 na quantia de R$ 286,28, a serem corrigidos/atualizados segundo a legislação de regência. Em consequência, deferiu/homologou as compensações com débitos de PIS e COFINS dos períodos de dezembro de 2001 e janeiro, fevereiro e março de 2002, fls. 1.098/1.105. Irresignada com o despacho, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: o crédito pretendido leva em conta a integralidade dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados entre os anos de 1995 a 1998 segundo as declarações de rendimentos apresentadas, além das cópias dos DARFs e dos livros “razão” e “diário”; Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 11 10 foram os bancos que efetuaram retenções de IRRF e que alguns comprovantes seguem em anexo, porém, tendo em vista a omissão dessas fontes pagadoras cabem diligências junto às mesmas; as retenções foram comprovadas pela escrita contábil e que o entendimento fiscal de que somente os informes de rendimentos a tanto se prestam não é válido, pois o artigo 923 do Regulamento do Imposto de Renda se expressa no sentido de que a escrituração faz prova a favor do contribuinte; refuta o entendimento de decadência do direito de repetição do saldo negativo do anocalendário de 1995 porque integralmente compensado com estimativas devidas em 1996 e 1997, ou seja, em menos de dois anos do início da contagem do prazo decadencial; contesta o entendimento fiscal de ineficácia das exclusões indicadas nas declarações anuais (saldo de IR a compensar apurado em períodos anteriores, demais compensações de imposto de renda, e similares); Em complemento, trouxe informações individualizadas sobre cada valor, por anocalendário, tributo e empresa (sucedida e sucessora). A 1a Turma da DRJ/Curitiba, por unanimidade de votos, ratificou o entendimento do despacho decisório e julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 1.238). Com a ciência da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repisou os argumentos já apresentados, acrescentando o argumento de que a "sistemática de retenção do imposto de renda na fonte, embora eficiente como meio de combate à sonegação, na medida em que transfere a obrigação do recolhimento para a fonte pagadora do rendimento, representa riscos para a administração e contribuintes, em especial quando a retentora deixa de declarar a DIRF e fornecer os respectivos comprovantes anuais de rendimentos, hipótese que ocorreu no caso e daí a necessidade de diligências, não podendo a Recorrente pagar pela falta cometida por outras empresas". Aduz, ainda, que a administração não poderia ignorar os créditos existentes em seu favor e que em relação às outras empresas incorporadas (Hotel Savoy e Hotel Lancaster) a autoridade fiscal não teve o cuidado de explorar os respectivos créditos, derivados de retenções de imposto de renda na fonte. Pondera que não foram tecidas considerações sobre os acréscimos legais que devem ser somados ao crédito a compensar e que há valores efetivamente pagos ou compensados em determinados meses que devem ser compreendidos como pagamentos a maior, já que superiores às dívidas daqueles períodos. Posteriormente, ingressou com petição solicitando a juntada das cópias dos requerimentos endereçados às instituições financeiras, assim como diversos informes de rendimentos. Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 12 11 Em 16 de dezembro de 2010 a 2a Turma da 1a Câmara apreciou o caso e decidiu converter o julgamento em diligência, para que a autoridade competente analisasse os informes de rendimentos trazidos após a apresentação do recurso voluntário. Em cumprimento à diligência foi elaborada a Informação Fiscal de fls. 1.541 e seguintes, na qual foram analisados individualmente todos os documentos colacionados ao processo. Na sessão de 03 de agosto de 2011 a 3a Turma da 1a Câmara decidiu, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário da interessada para reconhecer o direito creditório de Lancaster Participações e Empreendimentos Turísticos Ltda., relativo ao saldo credor de IRPJ, nas quantias de R$ 4.884,93 do anocalendário de 1995; R$ 636,43 do anocalendário de 1996: R$ 19,14 do anocalendário de 1997 e R$ 200.318,87 do anocalendário de 1998 e referente a saldo credor de CSLL do anocalendário de 1998 na importância de R$ 12.519,50, como também a favor de Confeitaria Lancaster Ltda., por conta de saldo negativo de 1RPJ do anocalendário de 1995, no valor de R$ 1.217,33, seguindose a homologação das compensações decorrentes. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente. Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 13 12 Com a ciência da decisão a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 1.575 e seguintes), sob o argumento de que o acórdão não aplicou ao caso o disposto nos art.s 165 e 168 do CTN, assim como o art. 3o da Lei Complementar nº 118, de 2005, por entender que, apesar de constar no art. 168, I, do CTN que o direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (que se dá com o pagamento antecipado, consoante dispõe o art. 156 do CTN), o voto condutor do acórdão não o aplicou, conforme se constata da fl. 1527. Aduz a Fazenda Nacional que "a lei é clara e à câmara ou turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é dado afastar a aplicação da lei, o que somente poderia se dar pela sua declaração de inconstitucionalidade, mister que lhe é expressamente vedado pelo art. 62 do RICARF". Apresenta como paradigmas os seguintes acórdãos: ACÓRDÃO N° 10808.747 SALDO NEGATIVO IRPJ E CSLL COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O saldo negativo do IRPJ e da CSLL, somente podem ser compensados com tributos dentro do prazo legal de 05(cinco) anos de acordo com o inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional. Assim opera a decadência do direito desta compensação/restituição após o decurso do prazo a partir do fato gerador, eis que se trata de tributos autolançados pagos antecipadamente conforme § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. A Lei Complementar n°118 de 09/02/2005, no artigo 3° deixou claro que a restituição prevista no artigo 168 inciso I do Código Tributário Nacional deve levar em consideração para fins de estabelecer o prazo limite do direito ao pedido, que a extinção do crédito tributário ocorre, no momento do pagamento antecipado. (destaque da recorrente) ACÓRDÃO N° 0400.337 IRRF RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA O prazo decadencial para a compensação/restituição de tributos, regra geral, tem inicio na data da extinção do crédito tributário (pagamento) e se extingue após 5 (cinco) anos. O recurso especial foi admitido mediante despacho de fls. 1.877, que deu seguimento à matéria "afastamento da decadência do direito do contribuinte de compensar o saldo negativo de IRPJ e CSLL referente ao anocalendário de 1995". O interessado, por seu turno, apresentou contrarrazões ao recurso fazendário (fls. 1.885) apontando que a insurgência fazendária encontraria óbice na Súmula Carf nº 91. Pede que seja negado conhecimento ao recurso especial ou, caso conhecido, seja improvido. É o relatório. Voto Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 14 13 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 1.877, e o contribuinte, em contrarrazões, questiona o seu conhecimento, apontando que o recurso fazendário contraria entendimento firmado na Súmula nº 91 do Carf. Cabenos, assim, analisar a possibilidade de conhecimento desse recurso. Com efeito, o art. 67 do RICARF dispõe que: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. § 2º Para efeito da aplicação do caput, entendese que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. [...] § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e [...] (grifamos) Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 15 14 No caso dos autos, aduz a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido discrepa de decisões do antigo Conselho de Contribuintes, no sentido de que o saldo negativo do IRPJ e da CSLL somente podem ser compensados com tributos dentro do prazo de cinco anos, de acordo com o que estabelece o inciso I do art. 168 do CTN. Defende que o art. 3o da Lei Complementar nº 118, de 2005, deixou claro que a restituição prevista no art. 168, inciso I, deve levar em consideração que a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado, que seria o dies a quo para a contagem do prazo decadencial do pedido de restituição. Apresenta acórdãos paradigmas que decidiram nesse sentido. Ocorre que a matéria em questão já foi objeto de intensa discussão no judiciário, com reflexos diretos neste Conselho, o que ensejou a publicação da Súmula nº 91: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Um dos acórdãos que serviu de paradigma para a elaboração da Súmula foi o de nº 9900000.728, de 2012, em que o Pleno do Conselho, ao analisar recurso extraordinário fazendário em tudo semelhante ao que aqui se verifica, entendeu, por unanimidade de votos, pela não ocorrência de prescrição, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tãosomente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 9101003.632 CSRFT1 Fl. 16 15 protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Tratase de entendimento atualmente pacífico e sumulado em favor do prazo de 10 (dez) anos para os pedidos anteriores à produção de efeitos da Lei Complementar nº 118, de 2005. Diante disso, no caso dos autos, ainda que uma pequena parte dos créditos relacionados aos saldos devedores de IRPJ e CSLL relacionese ao ano calendário de 1995, verificase que o pedido de restituição/compensação foi formulado em 2001, razão pela qual não há de se falar em prescrição. Portanto, nos termos regimentais, não há como conhecer o recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, devendo prevalecer o entendimento firmado no acórdão recorrido que está de acordo com o teor da Súmula CARF nº 91. Ante o exposto, voto por não conhecer o recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1904DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.914107/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 41 07 /2 00 9- 79 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 284DF CARF MF
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