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Numero do processo: 10980.724613/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2011
SOBRESTAMENTO DO FEITO. IMPOSSIBILIDADE.
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, inexistindo Lei ou previsão regimental que autorize seu sobrestamento a fim de aguardar decisão definitiva de mérito na esfera judicial.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma.
MULTA ISOLADA 150%. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA GFIP.
Ficando comprovado que o autuado inseriu informações falsas em sua GFIP, utilizando créditos de origem incerta para realizar compensação tributária, deve ser aplicada a multa isolada de 150%, conforme dispõe o §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28).
Numero da decisão: 2202-005.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2011 SOBRESTAMENTO DO FEITO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, inexistindo Lei ou previsão regimental que autorize seu sobrestamento a fim de aguardar decisão definitiva de mérito na esfera judicial. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma. MULTA ISOLADA 150%. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA GFIP. Ficando comprovado que o autuado inseriu informações falsas em sua GFIP, utilizando créditos de origem incerta para realizar compensação tributária, deve ser aplicada a multa isolada de 150%, conforme dispõe o §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28).
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IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, inexistindo Lei ou previsão regimental que autorize seu sobrestamento a fim de aguardar decisão definitiva de mérito na esfera judicial. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma. MULTA ISOLADA 150%. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA GFIP. Ficando comprovado que o autuado inseriu informações falsas em sua GFIP, utilizando créditos de origem incerta para realizar compensação tributária, deve ser aplicada a multa isolada de 150%, conforme dispõe o §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 13 /2 01 3- 26 Fl. 553DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela CONSTRUTORA TRIUNFO S/A – e pelos responsáveis solidários: TCE TRIUNFO COMERCIO E ENGENHARIA LTDA., TRIUNFO HOLDING DE CONSTRUÇÕES LTDA. E ACCIONA TRIUNFO CONSTRUÇÕES LTDA.) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), que acolheu parcialmente a impugnação apresentada para retificar a cobrança, relativa à multa isolada, fixada em 150% (cento e cinquenta por cento), em razão de “compensação indevida com falsidade da declaração”. Transcrevo, no que importa, os motivos declinados para proceder a retificação: [O] lançamento efetuado por meio do citado AI 51.036.5922 (comprot 10980.723914/201332), foi retificado na competência 04/2010, sob o levantamento CA2COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO ANTERIOR, de R$ 576.251,49 para R$ 469.876,18. Sendo o processo 10980.723914/201332 conexo com o presente, de nº 10980.723613/201326, os valores do principal retificados terão reflexos na multa isolada aplicada, uma vez que serviram de base de cálculo para sua aplicação. Desta forma, considerando a retificação procedida na competência 04/2010 acima detalhada; considerando que a multa isolada é aplicada nas competências de entrega das GFIP e não nas competências das GFIP a que pertencem as informações (conforme cálculos demonstrados no Anexo X, às fls. 60/61 do presente processo); e conjugando as informações do citado Anexo X com as informações do Anexo VII, consolidadas no Quadro 3 supra, o presente lançamento deverá ser retificado (...). – f. 436, sublinhas deste voto. Intimada do acórdão, a recorrente apresentou recurso voluntário (f. 475/550), replicando as razões declinadas em sede de impugnação, que podem ser assim sumarizadas: I –A nulidade do auto de infração, que deveria ter sido “(...) claro, nítido, autoexplicável, coerente e exato na descrição dos fatos, em seus fundamentos legais, e, especialmente, deve[ria] estar devidamente embasado em provas(...)” (f. 480). Acrescenta ainda ter havido colisão com os princípios do contraditório e ampla defesa. II – O sobrestamento do feito até o deslinde do Recurso Extraordinário de nº 640.452/RO, ao argumento de que no foi reconhecida a repercussão geral acerca do caráter confiscatório das multas; Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10980.724613/201326 Acórdão n.º 2202005.387 S2C2T2 Fl. 554 3 III – A inaplicabilidade do disposto no art. 170A do CTN, eis versa sobre “(...) outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o crédito tributário (já constituído, portanto) (...)” (f. 523). IV– A não incidência da contribuição previdenciária sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, sobre o salário maternidade, sobre as férias gozadas e sobre o adicional de férias de 1/3 (um terço). V – A inaplicabilidade da multa isolada, seja pelo seu caráter confiscatório, seja pela inexistência de máfé ou indícios de falsidade. VI – A inaplicabilidade da SELIC sobre a multa de ofício cominada. VII – A necessidade de obstar o prosseguimento da Representação Fiscal para Fins Penais. Ao final, requereu que i)não fosse incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, ao saláriomaternidade, às férias gozadas e ao adicional de férias de 1/3 (um terço); ii) fosse o feito sobrestado; iii) fosse chancelada a compensação ultimada; iv) fosse afastada a aplicação da taxa SELIC; e v) fosse considerada inaplicável a multa isolada. Pugnaram ainda pela realização das intimações em nome do patrono da causa, pela realização de sustentação oral e pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Difiro a aferição do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade para após delimitar a controvérsia travada nos presentes autos. Conforme já narrado, em razão de “compensação com falsidade da declaração” foi lavrado auto de infração para a exigência da multa isolada de 150%, com amparo no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Do escrutínio das razões recursais notase que foram replicadas as mesmas razões declinadas para promoção da defesa relativa à obrigação principal, que abriga crédito referente às glosas de compensações indevidas e declaradas em GFIP das competências 02/2009, 05/2009, 09/2009, 12/2009, décimoterceiro salário de 2009, 03 a 10/2010, 12/2010, 02/2011 e 11/2011. Fl. 555DF CARF MF 4 Por não guardarem pertinência com a matéria ora discutida, conheço parcialmente do recurso, apenas para aferir a (in)aplicabilidade da multa isolada, objeto da autuação, presentes os pressupostos de admissibilidade. Antes de passar à análise das preliminares, mister apreciar alguns pleitos da recorrente. Em primeiro lugar, despiciendo o requerimento de atribuição de efeito suspensivo ao recurso administrativo, eis que automaticamente concedido, por força do disposto no inc. III do art. 151 do CTN, bem em atenção ao comando do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Quanto ao pedido de realização de sustentação oral, registro que inexiste óbice para que seja ultimada em sede recursal, desde que respeitado o disposto no art. 58 do Regimento Interno deste eg. Conselho. Por fim, em relação ao pleito de que sejam as intimações realizadas em nome me patrono, tanto as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Federal quanto as que integram o RICARF não preveem tal possibilidade, razão pela qual o pedido há de ser rejeitado. De acordo com o disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, e não ao procurador da causa. I – DAS PRELIMINARES I.1 – DOSOBRESTAMENTO DO FEITO Conforme relatado, pleiteou a suspensão deste julgamento, sob a alegação de que foi reconhecida a repercussão geral do Recurso Extraordinário de nº 640.452/RO, que versa sobre a confiscatoriedade das multas por descumprimento de obrigações tributárias. O processo administrativo é regido por regras e princípios, cuja observância é mandatória. Dentre elas está a determinação de “impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados”, prevista no inc. XII, parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito desta Administração Pública Federal. O Regimento Interno deste Conselho tampouco prevê a possibilidade de sobrestamento do feito a fim de aguardar deslinde de controvérsia na esfera judicial, que poderia, em tese, influenciar no desfecho deste julgamento.Calha anotar que, ainda quea Portaria MF nº 545 de 2013 não tivesserevogado os §§1º e 2º art. 62A do RICARF, sequer foi proferida ordem de sobrestamento no mencionado recurso extraordinário. Rejeito, com essas considerações, a preliminar. I.2 – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Conforme relatado, pleiteia o reconhecimento da nulidade do auto de infração ao argumento de não ter sido, em síntese, escorreitamente motivado, o que teria inviabilizado o exercício do contraditório e ampla defesa. Todavia, observase que, no auto de infração, estão explicitadas as razões para a aplicação da multa. Confirase: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10980.724613/201326 Acórdão n.º 2202005.387 S2C2T2 Fl. 555 5 DO CÁLCULO DA MULTA Informa que o cálculo da multa segue o que dispõe o Parágrafo 10 do Artigo 89 da Lei nº 8.212/1991 na redação da Lei nº 11.941/2009, que determina que em casos de falsidade de declaração no tocante à compensação, seja aplicado sobre o valor de cada compensação indevida, o dobro do percentual previsto no Inciso I do caput do Artigo 44 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996, o que resultou na aplicação do percentual de 150% sobre o valor de cada compensação indevida. Registra que a partir das informações das competências, estabelecimentos incluindo as obras, e valores relativos às compensações indevidas de GFIP das tabelas do Anexo I – colunas “A”, “F” e “H” – e do Anexo II – colunas “A”, “B” e “E” a tabela do Anexo V, associa estas informações aos números de cadastro de CNPJ a que estão atrelados estes estabelecimentos e obras nas GFIP da empresa – coluna “C” da tabela do Anexo V. No Anexo X (fls. 60/61), na coluna “D” detalha as competências em que as GFIP foram entregues,em que houve as declarações com falsidade; na coluna “G” discrimina os totais de valores compensados indevidamente; e na coluna “H”, os valores correspondentes à multa isolada de 150% incidente sobre o valor de cada compensação indevida. Informa que, considerandose todos os estabelecimentos e todas as competências, o total de multas atinge R$ 7.794.579,00. Esclarece que nos sistemas da Receita Federal do Brasil, estão lançados os valores totais mensais de multas da coluna “H”, considerandose as competências de entrega das GFIP (coluna “D”) e não as competências das GFIP a que pertencem a informações (coluna “A”). DOS ELEMENTOS EXAMINADOS E DAS INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES Registra que durante a ação fiscal foram analisados os seguintes documentos: GFIP, GPS, estatuto social, atas de eleição do núcleo gestor da empresa, documentos da empresa com esclarecimentos aos termos de intimação, petição inicial e sentença judicial referentes ao Mandado de Segurança n° 2009.70.00.0053058PR, notas fiscais de prestação de serviços e dados pertinentes à empresa e constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Tendo em vista a prática, EM TESE, de crime de sonegação de contribuições previdenciárias conforme disposto no Artigo 168 A, caput e Parágrafo 1º, Artigo 337 A, Inciso I, ambos do Decretolei nº 2848 de 7/12/1940, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais – COMPROT nº 10980723.915/201387, a ser encaminhada ao Ministério Público da União. Entretanto, esta permanecerá sobrestada até o trâmite final na esfera administrativa, dos autos de infração lavrados na ação fiscal(fls. 17/18). Não há que se falar, pois, em cerceamento de defesa, inclusive porque, a recorrente demonstra ter pleno conhecimento de quais infrações lhes estavam sendo imputadas, o que lhes permitiu contraditar cada uma delas. Fl. 557DF CARF MF 6 Falhou, portanto, em demonstrar que o lançamento foi feito ao arrepio dos requisitos incrustados no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 ou que tenham ocorrido quaisquer das causas de nulidade prevista no art. 59 daquele mesmo diploma. Rejeito, pois, as alegações de nulidade. II – MÉRITO: DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA FIXADA EM 150% Conforme relatado,o presente processo tem como objeto a exigência de multa de 150% por compensação indevida com falsidade de declaração em GFIP. A respeito da penalidade pecuniária imposta, eis a previsão da Lei nº 8.812/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (sublinhas deste voto) Observase que, para que seja aplicada a multa, não basta que tenha havido compensação indevida, sendo necessária, ainda, a comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. É plenamente possível, pois, que a glosa das compensações não seja acompanhada da exigência de multa. Cabe avaliar, portanto, se houve, ou não, falsidade apta a ensejar a cobrança da multa qualificada. Transcrevo alguns excertos extraídos do relatório fiscal, de modo a aclarar os motivos que ensejaram a aplicação da multa isolada: Em relação às competências 02/2009 e 05/2009, a empresa alegou no documento de 25/01/2003 – item 1 que os valores compensados a maior do que os retidos foram provenientes de retenções não compensadas de notas fiscais emitidas anteriormente ao período fiscalizado. No entanto, constatouse que parte do crédito já havia sido compensado nas GFIP das competências de emissão destas notas fiscais. (…) Com referência à competência 06/2010, a compensação a maior deveuse aos créditos relativos ao Mandado de Segurança no 2009.70.00.0053058PR da Seção Judiciária do Paraná, os quais não procedem segundo maiores explicações no subitem 10.1 adiante. (…) Com relação à competência 10/2010, houve duplicidade de compensação de retenção de nota fiscal. As informações da coluna “I” justificam a glosa da compensação. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10980.724613/201326 Acórdão n.º 2202005.387 S2C2T2 Fl. 556 7 Competências 05/2010 a 09/2010 compensações oriundas de Processo Judicial – casos em que na coluna “D” há a informação “Mandado de Segurança no 2009.70.00.0053058 da Seção Judiciária do Paraná”: (…) Em anexo cópia de parte dos autos do processo judicial, em que se pode observar que a sentença prolatada em primeira instância em 16/04/2009 reconheceu apenas a procedência do pedido quanto à não incidência das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de adicional do terço constitucional de férias e de férias indenizadas. No entanto pode ser verificado que na petição inicial o que a empresa pleiteou foi, na verdade, o afastamento das contribuições incidentes sobre as férias gozadas. Valores de férias indenizadas não foram objeto de contribuições. Após apelação por parte da empresa, em segunda instância foi proferida sentença datada de 05/04/2010 que reconheceu a procedência do pedido da empresa também quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores relativos a auxíliodoença pagos nos quinze primeiros dias de afastamento dos segurados. Quanto a férias gozadas e a auxílioacidente não há nas duas sentenças o reconhecimento da procedência do pedido. Mesmo assim a empresa incluiu as contribuições incidentes sobre estas duas verbas no cálculo do total dos créditos que repercutiram nas compensações. (…) Competência 03/2010 compensações em relação às quais na coluna “D” há a informação “Retenção de notas fiscais – Secretaria Especial dos Portos” : parte dos créditos resultou de retenções de notas fiscais emitidas no período fiscalizado e não compensadas nas GFIP pertinentes e parte foi resultante de recolhimentos a maior efetuados pela empresa através de GPS segundo o documento da empresa de 23/04/2013 – item 4. A tabela do Anexo VI demonstra que para parte destas compensações não havia mais saldos de créditos devido ao cálculo do montante correto que deveria ser compensado considerandose a inclusão de juros. A tabela demonstra ainda que os créditos oriundos de GPS pagas a maior não procedem, uma vez que os recolhimentos foram na verdade efetuados por empresas tomadoras de serviços e se trataram de retenções de notas fiscais já compensadas pela empresa. (…) Competências 09/2009, 10/2009, décimoterceiro salário de 2009, 05/2010 – compensações para as quais na coluna “D” há a informação “Retenções de notas fiscais. Período anterior ao fiscalizado” – igualmente ao destacado no subitem 12.1, parte dos créditos já havia sido compensada nas GFIP dos meses de emissão das notas fiscais. (f. 8/17; sublinhas deste voto). Malgrado insista a recorrente na desnecessidade do trânsito um julgado para que seja ultimada a compensação, o próprio TRF4, ao apreciar o reexame necessário e o recurso de apelação, frisou que “(...) o indébito pode ser objeto de compensação (...), respeitando o disposto no art. 170A do CTN” (f. 233; sublinhas deste voto). De toda sorte, nem foi esse o motivo da negativa da compensação. Conforme já narrado, “quanto a férias Fl. 559DF CARF MF 8 gozadas e a auxílioacidente não há nas duas sentenças o reconhecimento da procedência do pedido”, e a despeito disso, foi ultimada a compensação. Não desconheço ser a qualificação da multa matéria palpitante neste Conselho, entretanto, no presente caso, entendo que, optou o ora recorrente por inserir informações falsas em GFIP (créditos compensados em duplicidade, compensação a maior, compensação de verbas sequer excluídas pelo Poder Judiciário no bojo do mandado de segurança impetrado, .), aproveitandose de créditos inexistentes, já anteriormente aproveitados ou não dotados de certeza e liquidez. Todas essas condutas apenas comprovam, a meu aviso, o dolo de minorar o valor recolhido aos cofres públicos. Não me parece carecer de reparos o acórdão recorrido que, em igual sentido, conclui que [d]o conjunto fático e legal examinados emerge a convicção de que a defendente incorreu em dolo, assumindo o risco ao fazer inserir em suas GFIP compensações não amparadas em lei, com o intuito de reduzir o valor devido, materializandose a hipótese prevista no § 10, do artigo 89, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, dispositivo acima transcrito, razão pela qual deve ser mantida a multa qualificada de 150% aplicada. (f. 454; sublinhas deste voto) Por fim, o argumento da vedação constitucional da utilização de tributos com efeitos de confisco, ao seu turno, esbarra no verbete sumular de nº 2 deste Conselho. De toda sorte, apesar de ser cônscia de que o exc. Supremo Tribunal Federal estendeu a vedação prevista no inc. IV do art. 150 da CR/88 às multas de natureza tributária, registro que multas e tributos são ontológica e teleologicamente distintos. Isto porque, em primeiro lugar, a multa é sempre uma sanção de ato ilícito, ao passo que tributo jamais poderá sêlo; em segundo lugar, os tributos são a fonte precípua – e imprescindível – para o financiamento do aparato estatal, enquanto as multas são receitas extraordinárias, auferidas em caráter excepcional, cuja função é desestimular comportamentos tidos como indesejáveis. Assim, ao meu aviso, considerando as peculiaridades fáticas do caso concreto já fartamente relatadas, a multa cominada no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento) sequer poderia ser rotulada desarrazoada e/ou desproporcional, uma vez que evidente que as informações desprovidas de veracidade inseridas o foram com o desiderato único de minorar a base de cálculo das contribuições. Mantenho, pois, a multa aplicada. III – DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A recorrente afirma que, [a]dotando conduta totalmente arbitrária, o Sr. Auditor Fiscal informou que lavrou Representação Fiscal para Fins Penais [...]” (f. 537) e pleiteia seja “(...) seu seguimento obstado de plano” (f. 538). Este Conselho, por força do disposto no verbete sumular de nº 28, não detém competência para “(...) se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.” Registro apenas que, seja em observância ao disposto na revogada Portaria RFB nº 2.439/10, seja em atenção ao previsto na atual Portaria RFB nº 1.750/18, constitui dever do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil fazer a representação fiscal para fins penais sempre que identificar fatos que configuram, em tese, crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social. Rejeito, pois, o pedido formulado. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10980.724613/201326 Acórdão n.º 2202005.387 S2C2T2 Fl. 557 9 VI – CONCLUSÃO Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.006988/2008-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO.
A dedução com despesas médicas é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2001-001.385
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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COMPROVAÇÃO. A dedução com despesas médicas é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2007, ano-calendário de 2006, em que foram glosadas deduções indevidas de despesas com contribuição á previdência privada, referentes a supostos pagamentos feitos a Eletros Saúde, no valor de R$ 12.506,82, por falta de comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Conforme se extrai do acórdão da DRJ Rio de Janeiro (II)/RJ (fl. 35 e segs.), o contribuinte entregou impugnação na qual alega que as despesas médicas com o plano de saúde da ELETROS (cód. 11) foram declaradas indevidamente como despesas com previdência privada (cód. 13), e anexa comprovantes emitidos pela ELETROS (fls. 17/19). Após análise, a DRJ considerou os documentos insuficientes para comprovar as despesas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 69 88 /2 00 8- 81 Fl. 57DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.385 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.006988/2008-81 Do texto do acórdão: "Não havendo prejuízo ao Fisco quanto à classificação equivocada dessa despesa, passemos a analisar os documentos apresentados. Os comprovantes anexados emitidos pela ELETROS informam despesas com plano de saúde nos valores de R$ 9.811,55 (fl. 17) e de R$ 2.695,27 (fls. 19), totalizando exatamente o valor glosado. Porém, verificamos que a despesa de R$ 2.695 se refere à beneficiária Regina Claudia Scaramel – CPF 035.531.557-28, que não foi elencada como sua dependente (fl. 25), não podendo assim sua despesa ser considerada dedutível na DIRPF do Interessado, a teor do inc. II do § 1º do art. 80. Ademais, Regina Claudia entregou DIRPF própria para esse mesmo exercício, onde devem ser declaradas as deduções a que faz jus. Em relação à despesa de R$ 9.811,55, verificamos que o documento não traz nenhuma informação acerca do(s) beneficiário(s) do(s) plano(s) de saúde e do(s) valor(es) a ele(s) correspondente(s), podendo, inclusive, a despesa de R$ 2.695,27 da não dependente estar incluso nesse total. Assim, não havendo como se precisar que tal valor se refira a plano de saúde do titular e de seus dependentes, consideramo-la também indedutível." A turma julgadora da DRJ concluiu então pela total improcedência da impugnação e consequente manutenção da glosa efetuadas pelo Fisco. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de fl. 46 e segs. ao qual anexa declaração do plano de saúde na qual se esclarece os beneficiários e os valores pagos a eles correspondentes. Ao final requer revisão parcial do lançamento, quanto a parcela de R$ 9.611,55, referente à cota familiar. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. Preclusão Inicialmente cabe delimitar o alcance da matéria que sobe para análise e julgamento nesta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em sede de recurso voluntário. O contribuinte foi autuado pela autoridade fiscal com o lançamento do crédito tributário do IRPF que decorreu de glosa de dedução indevida a título de contribuição à previdência privada no valor de R$ 12.506,82, por falta de comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Em sede de impugnação, a turma julgadora da DRJ/RJ(II) verificou tratar-se na verdade de despesas médicas equivocadamente informadas sob o código de previdência privada, e manteve as glosas em sua totalidade, por não ter sido possível determinar, da documentação acostada, os reais beneficiários do plano de saúde. Fl. 58DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.385 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.006988/2008-81 Em recurso voluntário, o contribuinte recorre contra parte da glosa, no valor de R$ 9.811,55, referente à cota familiar do plano de saúde, não apresentando defesa quanto à glosa de R$ 2.695,27, relativa à beneficiária Regina Claudia Scaramello, não declarada em sua DIRPF 2007 como dependente. Desta forma, a glosa de R$ 2.695,27 referente à despesa médica relacionada a Regina Claudia torna-se matéria preclusa, e não mais será objeto de avaliação em sede de julgamento administrativo. Mérito Passo então à análise da questão posta, qual seja, se os informes fornecidos por Fundação Eletrobrás de Securidade Social (fls. 17/19) trazidos em primeira instância por ocasião da impugnação somados à declaração de Eletros Saúde (fl.48) anexada ao recurso voluntário são suficientes para provar o alegado, para fins de sua utilização pelo contribuinte como dedução da base de cálculo do IRPF na declaração de ajuste anual. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Ainda do Decreto nª 3.000/99: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III-limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas-CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica-CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Do primeiro dispositivo acima transcrito, a autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar elementos de convicção da efetiva realização, bem como da natureza da despesa que se pretende deduzir. Assim, é lícito ao Fisco exigir, a seu critério, elementos comprobatórios das despesas, caso haja indícios que levem a questionamentos da efetividade da prestação dos serviços, de a quem foram prestados ou sobre quem assumiu seu ônus. A não apresentação dos elementos solicitados, ou sua não aceitação como hábeis e idôneos, pode ensejar a glosa dos valores deduzidos. Trata-se o IRPF apurado na declaração de ajuste anual de um dos tributos para os quais ocorre o denominado lançamento por homologação, vale dizer, aquele em que o sujeito passivo tem o dever de apurar, declarar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade tributária. O pagamento assim antecipado extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Cabe nesse caso ao contribuinte apurar os rendimentos tributáveis e, caso queira, deduzir as despesas da natureza e nos limites que a lei lhe faculta, para então estabelecer a base de cálculo do imposto. Fl. 59DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.385 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.006988/2008-81 Como regra, não são dedutíveis da base de cálculo do IRPF as despesas gerais do contribuinte, quer sejam necessárias, indispensáveis ou meramente úteis, como aluguel do imóvel em que reside, alimentação, lazer, pagamento de aulas de idiomas estrangeiros, e uma infinidade de outras. As despesas dedutíveis são, em verdade, exceções que o legislador entendeu por conceder, atendidas determinados limites e condições. Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. É certo também que no curso da ação fiscal, deve o auditor responsável intimar com clareza o contribuinte fiscalizado sobre que elementos devem ser apresentados para análise dos fatos a serem apurados, descrevendo-os de forma a perfeitamente identificá-los. Posteriormente, caso a autoridade fiscal conclua pelo lançamento do crédito tributário, deve apresentar a descrição clara e objetiva dos fatos e das infrações cometidas que ensejaram a apuração do mesmo. Isso para que o contribuinte possa, caso queira, exercer plenamente seu direito de defesa. No caso em análise, conforme já relatado, o contribuinte foi autuado pela autoridade fiscal com o lançamento do crédito tributário do IRPF que decorreu de glosa de dedução indevida a título de contribuição à previdência privada no valor de R$ 12.506,82, por falta de comprovação. Em sede de impugnação, o contribuinte demonstrou tratarem-se as deduções na verdade de despesas médicas, e não de previdência, por erro material na informação do código da declaração. A turma julgadora de primeira instância entretanto concluiu por manter as glosas alegando não ter sido possível identificar, da documentação disponibilizada, quem eram os reais beneficiários do plano de saúde em questão. Em recurso voluntário, o contribuinte recorreu somente da parcela de R$ 9.811,55, referente à parte denominada pelo plano de cota familiar. Da análise da documentação apresentada, verifica-se que assiste razão à turma da DRJ em considerar que, da documentação até então trazida aos autos, não foi possível identificar os beneficiários do plano de saúde Eletros. Entretanto, anexa a seu recurso voluntário, o recorrente apresenta declaração da Eletro Saúde (fl 48), por meio da qual fica claro e expresso que o valor de R$ 9.811,55 pagos ao plano durante o ano de 2006, justamente o montante recorrido, refere-se a mensalidades da chamada "cota familiar", cujos beneficiários são o próprio Fl. 60DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.385 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.006988/2008-81 titular, Jorge Mattos Hadlich, e suas dependentes informadas em sua DIRPF 2007, Sônia Regina Scaramello Hadlich (esposa) e Claudia Regina Scaramello Hadlich (filha). Assim sendo, entendo que devem ser restabelecidas as deduções a título de despesas médicas dos pagamentos efetuados a Eletro Saúde, no total de R$ 9.811,55. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções de despesas médicas, no valor de R$ 9.811,55, conforme acima descrito, e em consequência exonerar o crédito tributário lançado correspondente. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.004117/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005, 2006, 2007
BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. VANTAGEM PARA O DOADOR. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
Constituem rendimentos tributáveis os valores recebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa quando o resultado das atividades representa vantagem econômica para o doador, cujos projetos executados estão interligados com os objetivos de um contrato oneroso de prestação de serviços firmado no mesmo período.
Numero da decisão: 2401-006.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005, 2006, 2007 BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. VANTAGEM PARA O DOADOR. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Constituem rendimentos tributáveis os valores recebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa quando o resultado das atividades representa vantagem econômica para o doador, cujos projetos executados estão interligados com os objetivos de um contrato oneroso de prestação de serviços firmado no mesmo período.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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VANTAGEM PARA O DOADOR. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Constituem rendimentos tributáveis os valores recebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa quando o resultado das atividades representa vantagem econômica para o doador, cujos projetos executados estão interligados com os objetivos de um contrato oneroso de prestação de serviços firmado no mesmo período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), por meio do Acórdão nº 10-23.757, de 13/01/2010, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência do crédito tributário (fls. 224/232): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 41 17 /2 00 8- 30 Fl. 302DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.760 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.004117/2008-30 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüiçöes de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou de ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Aplicável a multa de ofício de 75% nos casos de infrações definidas na legislação tributária Impugnação Improcedente Extrai-se do relatório de fiscalização que foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros e multa de ofício, relativamente aos anos-calendário de 2004, 2005 e 2006, decorrente da constatação pelo agente fiscal das seguintes infrações (fls. 03/28): (i) deduções indevidas de dependente, despesas médicas e despesas com instrução; e (ii) rendimentos a título de bolsas de pesquisa, classificados indevidamente como isentos e/ou não tributáveis. O contribuinte foi cientificado da autuação em 09/10/2008 e impugnou a exigência fiscal no prazo legal (fls. 05 e 139/184). Intimado por via postal em 02/02/2010 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou o recurso voluntário no dia 04/03/2010 (fls. 233/235 e 239/295. Em longo arrazoado, o recorrente apresenta defesa tão somente quanto à reclassificação de rendimentos declarados como isentos, justificando que as verbas percebidas são fruto de bolsas de pesquisa. Todos os pagamentos destinaram-se a atividades de estudos e/ou pesquisas, de maneira que o resultado delas não representou vantagem para o doador e nem caracterizou contraprestação de serviços, sendo, portanto, rendimentos isentos e não tributáveis, como declarou o contribuinte para os anos-calendário de 2004 a 2006. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.760 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.004117/2008-30 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Cinge-se a matéria do recurso voluntário à natureza dos rendimentos percebidos a título de bolsas de estudo/pesquisa, nos anos-calendário de 2004, 2005 e 2006. A pessoa física recebeu os pagamentos da Fundação de Apoio a Tecnologia e Ciência (Fatec), entidade de direito privado de apoio vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). No caso, a Universidade Federal de Santa Maria contratou a Fundação de Apoio a Tecnologia e Ciência para operacionalizar a execução de dois projetos de pesquisa, de interesse para a missão dessa instituição de ensino superior, identificados pelos códigos 9.5914 e 9.5920 (fls. 87/108 e 109/132, respectivamente): Projeto 9.5914: Pesquisa e desenvolvimento de instrumentos e procedimentos necessários aos exames de habilitação para condução de veículos automotores e às ações de educação no trânsito; Vigência: 01/01/2004 a 31/12/2004 (12 meses) Projeto 9.5920: Pesquisa e desenvolvimento de instrumentos e procedimentos aos exames de habilitação para condução de veículos automotores e às ações de qualificação e educação no trânsito. Vigência: 01/01/2005 a 31/12/2008 (48 meses) Na mesma época, tendo em vista que a fundação de apoio pode celebrar avença com entidade outra que aquela que se propõe a apoiar, desde que compatível com as finalidades da instituição de ensino superior, foi celebrado um contrato oneroso de prestação de serviços técnicos especializados entre o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul e a Fundação de Apoio a Tecnologia e Ciência (fls. 194/204): Fl. 304DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.760 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.004117/2008-30 Objeto: prestação de serviços técnicos com a finalidade de estabelecer procedimentos, execução e condições concernentes ao exame de habilitação para condução de veículos automotores no Estado do Rio Grande do Sul. Vigência: 01/01/2004 a 31/12/2008 (60 meses) Para fins de demonstrar os fatos que pretende fazer prevalecer no processo administrativo, alegados desde a impugnação do auto de infração, em especial a inexistência de irregularidades na execução dos projetos de pesquisa e contrato de serviços, o recorrente discorreu sobre a rotina de contratação de fundações de apoio na operacionalização de projetos de estudo/pesquisa e as características das bolsas de pesquisa recebidas. Além disso, reproduziu vários fragmentos de depoimentos de testemunhas colhidos durante a instrução probatória no âmbito do Processo Criminal nº 2007.71.02.007872-8, no qual o autuado respondia na condição de réu. Como amplamente noticiado na imprensa, a ação penal foi resultado da denominada "Operação Rodin", deflagrada pela Polícia Federal, que acusou a existência de desvios de recursos financeiros em contratos firmados pela fundação de apoio para a realização de exames teóricos e práticos para a expedição da carteira nacional de habilitação. Porém, é essencial dizer que a autoridade lançadora não fundamentou a exigência do crédito tributário em irregularidades na execução dos projetos de pesquisa ou na celebração do contrato de prestação de serviços pela Fundação de Apoio a Tecnologia e Ciência, tampouco o agente fazendário referiu-se à prática de conduta dolosa pela pessoa física. Com efeito, a justificativa da fiscalização para a lavratura do auto de infração diz respeito a que as vantagens recebidas em forma de bolsas de estudo/pesquisa configuravam rendimentos tributáveis, sujeitos à incidência do imposto de renda, dado a falta de cumprimento dos requisitos para a isenção do art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. (...) O dispositivo de lei ordinária impõe 3 (três) condições para a isenção do imposto de renda sobre o pagamento de bolsas de estudo e de pesquisa, a saber: (i) caracterização como doação civil; (ii) recebidas exclusivamente para proceder a estudos e pesquisas; e (iii) os resultados do trabalho do bolsista não podem representar vantagens para o doador. À vista disso, não há reparo a fazer na decisão de piso quando chegou à conclusão que os rendimentos pagos a título de bolsas de estudo/pesquisa não preenchem os requisitos estabelecidos no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995. Fl. 305DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.760 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.004117/2008-30 Isso porque a documentação que instrui os autos revela que o resultado das atividades dos bolsistas representa vantagem econômica para o doador, na medida em que os projetos executados estão interligados com o contrato de prestação de serviços firmado no mesmo período. Senão vejamos. No contrato de prestação de serviços com o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul, a Fundação de Apoio a Tecnologia e Ciência estava obrigada a executar, dentre outras, as seguintes atividades na condição de contratada (Cláusula Quarta, às fls. 195): CLÁUSULA QUARTA - DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA Na execução deste Contrato, compete à CONTRATADA: l - revisar os itens relativos à Legislação de Trânsito sempre que ocorrerem alterações no Código Brasileiro de Trânsito; II - elaborar e incluir mensalmente 10 novos itens no Banco de Itens; III - desenvolver e manter software para a geração aleatória dos Exame Teóricos- Técnicos, de forma a que os exames apresentem o mesmo grau de dificuldade; (...) V - confeccionar o Exame Teórico, a partir do banco de itens mantido pela CONTRATADA, contendo 30 itens (1° Habilitação) e 40 itens (Reciclagem); VII - aplicar o Exame Prático de Direção Veicular, com o preenchimento de Planilha de Avaliação, indicando se o candidato está ou não apto; (...) Por seu turno, a proposta do Projeto 9.5914, vigente durante o ano-calendário de 2004, está relacionada à realização de estudos e pesquisas com o objetivo de subsidiar o estabelecimento, sistematização e normatização de procedimentos técnico-operacionais destinados à avaliação, à logística, à segurança, ao controle e ao monitoramento necessários para aplicar os exames de habilitação para condução de veículos automotores, em especial no Estado do Rio Grande do Sul. Como resultados são esperados estatísticas, metodologias e manuais que possibilitem a aplicação das provas teóricas e práticas para habilitação do motorista (fls. 102/103). Foram enumerados os seguintes objetivos específicos, dentre outros (fls. 100): 4 2 - Objetivos específicos 4 2 1 - Viabilizar procedimentos que possibilitem selecionar, contratar, orientar e treinar recursos humanos para exercerem a supervisão, coordenação, assessoria e execução das atividades destinadas à realização de exames de habilitação para condução de veículos automotores. 4 2 2 - Adquirir condições de providenciar recursos humanos -para execução e desenvolvimento das tarefas de ' Fl. 306DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.760 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.004117/2008-30 estudar e pesquisar o Código de Trânsito Brasileiro e bibliografias especializadas, com vistas à adequação de instrumentos de avaliação, isto é, provas teóricas e práticas; pesquisar e desenvolver instrumentos e procedimentos destinados ao estabelecimento e aperfeiçoamento da logística necessária à aplicação dos exames de habilitação, em especial, no território gaúcho; (...) identificar e propor a sistemática adequada para a execução e o aperfeiçoamento das ações de habilitação; (...) efetivar estudos e diagnósticos referentes ao desempenho dos Examinadores, do Centro de Formação de Condutores e dos candidatos à habilitação para condução de veículos automotores, com vistas a possibilitar retroalimentação e aperfeiçoamento do processo; pesquisar, desenvolver 'e propor estratégias, com base nos diagnósticos elaborados, que possam levar à qualificação do processo; (...) O Projeto 9.5920 tem escopo bastante semelhante ao antecedente, no que tange aos objetivos, metodologia e resultados esperados, sendo executado nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 (fls. 121/124). Nesse cenário, o pagamento aos bolsistas não se qualifica como doação, situação que a Fundação de Apoio a Tecnologia e Ciência, ou a instituição de ensino superior a que se propõe apoiar, nada receberia como contraprestação. A despeito do evidente incremento de conhecimento e experiência que envolve o desenvolvimento dos projetos de pesquisa para seus participantes, há uma forte conexão entre os projetos institucionais e o contrato de prestação de serviços, em proveito da entidade responsável pela execução. Pelo menos uma boa parte das atividades dos bolsistas, integrantes do quadro de servidores públicos da Universidade Federal de Santa Maria, reverte-se economicamente para a fundação de apoio mediante aplicação direta para viabilizar/aprimorar a execução do contrato de prestação de serviços oneroso firmado com o Departamento Estadual de Trânsito do Estado do Rio Grande do Sul, com vigência de 2004 a 2008, pelo qual recebe uma determinada remuneração, por candidato, pela realização dos exames teórico e/ou prático de habilitação para direção veicular (fls. 199). Fl. 307DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.760 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.004117/2008-30 Todo o arcabouço de esclarecimentos e provas documentais e testemunhais acostadas ao recurso voluntário não tem o condão de infirmar a conclusão da existência de benefício econômico para a fundação de apoio quando da execução do contrato de prestação de serviços com o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul, mesmo que se reconheça que a entidade privada já tinha alguma experiência decorrente de trabalho anterior na mesma área técnica. Assim, não há que se falar, no caso em apreço, em isenção para fins do imposto de renda da pessoa física. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003979/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AGENDAS. BLOCOS. 4820.10.00.
A inscrição ou impressão de material publicitário não alterou a utilização inicial da agenda ou dos blocos (anotações), critério para a alteração de posição, nos termos da décima segunda nota da posição 4820, das considerações gerais dos capítulos 48 e 49 e das notas da posição 4911 da NCM.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CALENDÁRIOS. 4911.10.90.
As notas da posição 4910 excepcionam os artigos que não perdem o seu caráter essencial pela presença de um calendário e o artigo fabricado pela Recorrente é uma peça publicitária na qual foi impressa um calendário.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. JORNAIS E PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS. 4902.
Os destaques com publicidade nos subitens 4902.10.00 e 4902.90.00 são exceções que devem ser provadas.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTILHAS E MANUAIS. 4901.
As notas da posição 4901 deixam clara que nela se incluem todos os artigos destinados à leitura (salvo os destinados à publicidade e os que estejam em posições mais específicas), dentre estes, nomeadamente, os manuais com textos narrativos que contenham cadernos ou questões
CRÉDITOS. IPI. IMUNIDADE OBJETIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 11 da Lei 9.779/99 garante o crédito de IPI nas saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, silenciando acerca de produtos imunes.
Numero da decisão: 3401-006.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no que se refere a calendários.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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ementa_s : ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AGENDAS. BLOCOS. 4820.10.00. A inscrição ou impressão de material publicitário não alterou a utilização inicial da agenda ou dos blocos (anotações), critério para a alteração de posição, nos termos da décima segunda nota da posição 4820, das considerações gerais dos capítulos 48 e 49 e das notas da posição 4911 da NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CALENDÁRIOS. 4911.10.90. As notas da posição 4910 excepcionam os artigos que não perdem o seu caráter essencial pela presença de um calendário e o artigo fabricado pela Recorrente é uma peça publicitária na qual foi impressa um calendário. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. JORNAIS E PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS. 4902. Os destaques com publicidade nos subitens 4902.10.00 e 4902.90.00 são exceções que devem ser provadas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTILHAS E MANUAIS. 4901. As notas da posição 4901 deixam clara que nela se incluem todos os artigos destinados à leitura (salvo os destinados à publicidade e os que estejam em posições mais específicas), dentre estes, nomeadamente, os manuais com textos narrativos que contenham cadernos ou questões CRÉDITOS. IPI. IMUNIDADE OBJETIVA. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 11 da Lei 9.779/99 garante o crédito de IPI nas saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, silenciando acerca de produtos imunes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no que se refere a calendários. Rosaldo Trevisan - Presidente. Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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AGENDAS. BLOCOS. 4820.10.00. A inscrição ou impressão de material publicitário não alterou a utilização inicial da agenda ou dos blocos (anotações), critério para a alteração de posição, nos termos da décima segunda nota da posição 4820, das considerações gerais dos capítulos 48 e 49 e das notas da posição 4911 da NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CALENDÁRIOS. 4911.10.90. As notas da posição 4910 excepcionam “os artigos que não perdem o seu caráter essencial pela presença de um calendário” e o artigo fabricado pela Recorrente é uma peça publicitária na qual foi impressa um calendário. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. JORNAIS E PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS. 4902. Os destaques “com publicidade” nos subitens 4902.10.00 e 4902.90.00 são exceções que devem ser provadas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTILHAS E MANUAIS. 4901. As notas da posição 4901 deixam clara que nela se incluem todos os artigos destinados à leitura (salvo os destinados à publicidade e os que estejam em posições mais específicas), dentre estes, nomeadamente, os manuais com textos narrativos que contenham cadernos ou questões CRÉDITOS. IPI. IMUNIDADE OBJETIVA. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 11 da Lei 9.779/99 garante o crédito de IPI nas saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, silenciando acerca de produtos imunes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no que se refere a calendários. Rosaldo Trevisan - Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 39 79 /2 01 0- 64 Fl. 226DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório 1.1. Trata-se de pedido da Recorrente de ressarcimento de saldo credor de IPI apurado no 1° Trimestre de 2.006 no valor total de R$ 43.580,96 (quarenta e três mil quinhentos e oitenta reais e noventa e seis centavos). 1.2. Após a instrução a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis glosou R$ 42.982,40, pois: 1.2.1. A Nota Fiscal 13316 foi considerada duas vezes no cálculo do saldo credor; 1.2.2. A Nota Fiscal 469662 foi emitida pela empresa POLAR; 1.2.3. Os blocos e agendas personalizadas fabricadas pela Recorrente classificam-se no subitem 4820.10.00 da NCM, tributados com alíquota de 15% de IPI; 1.2.4. Os calendários fabricados pela Recorrente classificam-se no subitem 4910.00.00 da NCM, tributados com alíquota de 10% de IPI; 1.2.5. As revistas e jornais fabricados pela Recorrente classificam-se no subitem 4902.10.00 ou 4902.90.00 da NCM, a depender da periodicidade, e não geram direito a crédito visto que gozam de imunidade objetiva; 1.2.6. As cartilhas e manuais fabricados pela Recorrente, em verdade são livros e livretes, classificando-se no subitem 4911.10.90 e não geram direito a crédito visto que gozam de imunidade objetiva. 1.3. Assim, a DRF reconstituiu a escrita fiscal da Recorrente compensando por período créditos glosados com débitos ajustados e calculou proporcionalmente as receitas imunes com base no valor das saídas no trimestre anterior ao período de apuração, deferindo o ressarcimento de R$ 598,56. 1.4. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que argumenta: Fl. 227DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 1.4.1. As agendas, blocos e calendários produzidos pela Recorrente são destinados a ações promocionais, não sendo destinados ao consumo, logo a classificação correta na NCM é 4911.10.90; 1.4.2. Os jornais e periódicos possuem caráter publicitário, logo enquadram-se na posição 4901 da NCM; 1.4.3. “As subclasses (SIC) 4902.10.00 e 4902.90.00 preveem tratamento distinto para peças publicitárias, sendo correto manter os créditos decorrentes das saídas dos produtos que preencham as características exigidas pela legislação”; 1.4.4. Os créditos de IPI relativos aos produtos que gozam de imunidade objetiva nasceram da aquisição de produtos e operações realizadas pela Recorrente entre janeiro e março de 2005, momento em que vigorava o artigo 4° da IN 33/99 que permitia o aproveitamento de créditos de saídas imunes, sem qualquer distinção de espécie. Desta feita, inaplicável novo entendimento descrito no ADI 05/2006 a operações que antecederam sua publicação, ex vi art. 146 do Código Tributário Nacional; 1.4.5. Subsidiariamente, não deve ser aplicada qualquer penalidade a Recorrente bem como incidir juros de mora sobre os créditos que não foram compensados, vez que esta observou o quanto descrito na IN 33/99 bem como na Solução de Consulta 127/03. 1.5. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, pois: 1.5.1. A finalidade a que se destina o produto ou a qualidade do adquirente são irrelevantes para definir a classificação fiscal do produto industrializado; 1.5.2. “O texto da posição 4911 (utilizada pelo sujeito passivo para blocos, agendas e calendários) determina que ali se classificam “Outros impressos, incluídas as estampas, gravuras e fotografias”. A subposição 4911.10 destina-se a “impressos publicitários, comerciais e semelhantes”. Constata-se, de plano, como decorrência das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado – RGI/SH n° 1 e 6 que agendas, blocos e calendários não podem ser classificados no código NCM pretendido pelo sujeito passivo, haja vista a flagrante incompatibilidade de tal pretensão, posto que tais produtos não representam impressos publicitários, catálogos ou semelhantes”; 1.5.3. “Exclusivamente quando os dizeres e ilustrações não tenham um caráter acessório em relação ao emprego e uso original da obra de papel é que o produto deverá ser classificado no Capítulo 49 da TIPI” o que não ocorre no presente caso, vez que “a impressão de logomarcas, timbres, dizeres, iniciais, endereços, cabeçalhos e referências, v.g., não são suficientes para dar um caráter essencial a eles, uma vez que, sem a impressão de tais dizeres e ilustrações, ainda assim restariam os mesmos produtos (agendas e blocos)”; Fl. 228DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 1.5.4. A publicidade é mero acessório dos calendários, logo, a classificação correta deste último item é 4910.00.00 nos termos da nota da posição 49.10; 1.5.5. Os “jornais, revistas e informativos relacionados ou não a temas específicos e do qual constem ou não material publicitário, acham-se classificados nos Códigos 4902.10.00 e 4902.90.00, ambos com notação NT na TIPI, haja vista tratar-se de bens sobre os quais recai a imunidade objetiva grafada no artigo 150 da Constituição Brasileira”; 1.5.6. As cartilhas e manuais são livros e livretos técnicos (Livro de Finanças, Livro de Direito Comercial, Livro TWDP, Livro de Viagem ao Mundo, etc) classificados na posição 4901; 1.5.7. Os livros e também os manuais de funcionamento produzidos pela Recorrente não se destinam à publicidade, logo correta a classificação na posição 4901; 1.5.8. O Ato Declaratório Interpretativo n° 5, de 17 de abril de 2006, ao referir que o disposto nas respectivas leis de incidência não se aplica aos produtos com a notação NT, amparados por imunidade e excluídos do conceito de industrialização, nada mais faz que elucidar que inexiste disposição legal que assegure o direito à manutenção do crédito de IPI quando o produto industrializado é imune (objetivamente) e, portanto, não tributado (uma vez que se encontra fora do campo de incidência do imposto). 1.6. Inconformada, a Recorrente interpôs o presente recurso em que soma os seguintes argumentos aos já manejados em sede de Inconformidade: 1.6.1. As agendas, blocos e calendários por ela produzidos são destinados a ações promocionais e não para comercialização, conforme amostras que se encontram nos processos 10983.905721/2008-19, 10983.909049/2009-11, 10983.910314/2009-04; 1.6.2. “A classificação de agendas e blocos na posição 49.11 é legítima e pode ser também visualizada a partir da analogia com a produção de calendários publicitários conforme trecho extraído da NESH, sobre o item (SIC) 49.10, o qual corrobora a importância da finalidade do impresso na definição de sua natureza” 1.6.3. Subsidiariamente, agendas e blocos devem ser classificadas no subitem 4820.20.00 (cadernos); 1.6.4. “O calendário é mero acessório da publicidade, devendo prevalecer a classificação 4911.10”; 1.6.5. O Parecer Normativo CST 25 de 30/06/1986 classifica os impressos publicitários de uso interno na posição 4902 e os destinados à distribuição em geral na posição 4911; Fl. 229DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 1.6.6. A Recorrente produz manuais de instrução de produtos classificados na subposição 4911.10.10 ou, subsidiariamente, na posição 4902, porquanto destinados à publicidade; 1.6.7. O parecer normativo CST classifica no subitem 4911.02.99 publicações “periódicas, com o nome do estabelecimento do editor, indiretamente chamando a atenção para os serviços prestados pelas empresas do editor”. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto 2.1. A Fiscalização (acompanhada pela DRJ) afirma que as AGENDAS E OS BLOCOS produzidos pela Recorrente classificam-se no subitem 4820.10.00 por ser mais específico que o subitem 4911.10.00, adotado pela última (Recorrente). 2.1.1. De outro lado, a Recorrente argumenta que as agendas, blocos e calendários produzidos por si produzidos são destinados a ações promocionais e não ao consumo, logo a classificação correta na NCM é 4911.10.90. 2.1.2. Pois bem, a Primeira Regra de Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RG1) dispõe (dentre outras coisas) que “a classificação [de uma mercadoria] é determinada pelos textos das posições E das notas de seção E de capítulo. Em assim sendo, não basta observar o quanto escrito no texto da posição, o interprete deve sempre se atentar ao texto das notas de seção e de capítulo. Com o sobredito se quer dizer que, casos há em que a posição descreve determinada mercadoria e as notas de seção ou de capítulo incluem ou excluem daquela posição outras com alguma especificidade. 2.1.3. Como bem apontado pela fiscalização, a posição 4820 e o subitem 4820.10.00 da NCM descrevem agendas e blocos de nota 1 : Fl. 230DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 2.1.4. A Décima Segunda Nota de Posição e as considerações gerais do Capítulo 48 estabelecem que se classificam no Capítulo 49 apenas as mercadorias que alterem o seu destino inicial pela inclusão de razão social, marca desenho, dizeres ou ilustrações: 12.- Com exclusão dos artigos das posições 48.14 e 48.21, o papel, o cartão, a pasta (ouate) de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório, relativamente à sua utilização original, incluem-se no Capítulo 49. Considerações Gerais Papéis Coloridos ou Impressos Incluem-se neste Capítulo os papéis impressos tais como papéis de embrulho utilizados no comércio, com a razão social, marca, desenho ou modo de emprego da mercadoria, etc., ou outra característica acessória que não seja capaz de modificar-lhes o destino inicial nem os faça serem considerados artigos abrangidos pelo Capítulo 49 (ver a Nota 12 deste Capítulo). 2.1.6. De forma ainda mais contundente as notas da posição 4820 determinam que ainda que contenham ilustrações “bastante importantes”, os artigos permanecem nesta posição desde que “as impressões e ilustrações tenham um caráter acessório a sua utilização inicial, como, por exemplo, as impressões que figuram (...) nas agendas (destinadas essencialmente à escrita). 2.1.7. As notas da posição 4911 repetem o quanto descrito acima ao determinar - por duas vezes - que são excluídas da posição as impressões que apresentem um caráter acessório em relação à utilização inicial: Pelo contrário, certos artigos de papelaria revestidos de impressões que apresentam um caráter acessório em vista da sua utilização inicial e que são Fl. 231DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 destinados a escrita ou a datilografia classificam-se no Capítulo 48 (ver Nota 12 do Capítulo 48 e especialmente as Notas Explicativas das posições 48.17 e 48.20). Também se excluem desta posição: b) Os artigos das posições 39.18, 39.19, 48.14 e 48.21 e os produtos de papel impresso do Capítulo 48 nos quais a impressão de caracteres ou de estampas tenham apenas uma importância secundária relativamente ao seu emprego principal. 2.1.8. Retornando ao caso concreto; como constatado pela fiscalização e não contestado pela Recorrente, os blocos e agendas, em verdade, são “agenda personalizada, destinada a anotações com, impressão dos dias, semanas e meses”. Desta forma, a inscrição ou impressão de material publicitário não alterou a utilização inicial da agenda ou dos blocos (anotações), e consequentemente, não alterou a classificação fiscal, que permanece 4820.10.00, com alíquota de 15%. 2.1.9. Idêntica conclusão chegou por unanimidade a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Seção em Acórdão de Relatoria da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AGENDAS. BLOCOS. CALENDÁRIOS. CAPAS E PASTAS. ESSENCIALIDADE DA IMPRESSÃO. Pela leitura das Notas explicativas do Capítulo 49 do Sistema Harmonizado, fica ratificada a distinção que os próprios títulos dos Capítulos 48 e 49 evidenciam, vale dizer, os produtos das indústrias gráficas são classificados de acordo com a função para que foram impressos. Assim, aqueles cuja função precípua é veicular determinado conteúdo impresso ou ilustrado encontram-se no Capítulo 49, enquanto aqueles que se limitam ou são compostos essencialmente de papel, sendo secundários ou eventuais conteúdos impressos, ficam adstritos aos Capítulo 48. Assim, agendas, blocos e pastas, mesmo que personalizados com logomarcas de clientes, classificam-se na posição 4820 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral n. 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado. 2.1.10. Ao final deste item, em sede de Recurso Voluntário a Recorrente maneja tese subsidiária acerca do reenquadramento das agendas e blocos no subitem de cadernos. Trata- se, claramente, de inovação recursal que, por não se tratar de matéria de ordem pública, não pode ser conhecida de ofício. 2.2. A fiscalização narra que os CALENDÁRIOS fabricados pela Recorrente são de “mesa, com estrutura de papelão, 13 folhas em papel do lado direito, em formato de trapézio-retângulo (capa mais uma para cada mês do ano de 2006, com fotos de obras no verso), (...) mais treze folhas de papel do lado esquerdo, em formato de trapézio-retângulo, medindo aproximadamente 8,5 cm na base menor e 13,8 cm na base maior, sendo a altura de 8,4 cm, todas formando as letras BPM, com parte do M na folha direita”. Fl. 232DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 2.2.1. A fiscalização afirma que a propaganda impressa não tem o condão de alterar a característica de calendário. “O calendário não se trata de um acessório da publicidade e sim a publicidade é que se apresenta acessória do calendário”, logo, a classificação correta é no subitem 4910.00.00. 2.2.2. Em sentido diametralmente oposto, a Recorrente afirma que a publicidade é a razão pela qual o calendário foi produzido, ou seja, a publicidade é essencial ao calendário. Em assim sendo, os calendários devem ser classificados no subitem 4911.10.90 da NCM. 2.2.3. Em uma primeira análise, a posição 4910 e o subitem 4910.00.00 englobam calendários de qualquer espécie: 2.2.4. No entanto, as notas da posição 4910 excepcionam “os artigos que não perdem o seu caráter essencial pela presença de um calendário”. Assim, ao contrário do item anterior (e também do raciocínio adotado pela fiscalização) deve-se se partir do artigo no qual o calendário é impresso para chegar-se à conclusão acerca da classificação correta do calendário. A título ilustrativo do quanto descrito na nota acima, uma camiseta, uma bola, uma caneta, não deixam de sê-los apenas porque nelas há a impressão de um calendário. 2.2.5. Portanto, quer parecer que a pergunta não é se a aposição de publicidade em calendário altera a essência do calendário e sim a contrária: se a impressão de calendário em peça publicitária altera a essência da peça publicitária. Entretanto, a resposta à pergunta acima no caso sub judice deve ser precedida de outra questão, nomeadamente, qual a natureza do material apresentado pela Recorrente para a fiscalização, em especial, se o material é uma peça publicitária. 2.2.6. Publicidade etimologicamente vem do francês publicité que significa caráter do que é público, conhecido, conjunto de meios utilizados para tornar conhecido um produto, uma empresa. Já o Aurélio define publicidade como a arte de exercer uma ação psicológica sobre o público com fins comerciais ou político. Por fim, Philip Kotler (um dos pais do Marketing) publicidade é qualquer forma, não pessoal, de apresentação ou promoção de ideias, bens ou serviços, paga por um patrocinador identificado 2 . 2.2.7. Como constatado pela fiscalização, todas as folhas do calendário fabricado pela Recorrente formam a sigla BPM; no verso de cada um dos meses há fotos de obras e, também, há fotos das folhas com a inscrição BPM. Em assim sendo, o artigo fabricado pela Recorrente é uma peça publicitária na qual foi impressa um calendário. Destarte, correta a classificação e a alíquota adotada pela Recorrente. 2.3. Se bem que inicialmente classifique em outra posição, em sede de Manifestação de Inconformidade a contribuinte adere a conclusão da fiscalização no sentido de que JORNAIS, REVISTAS E DEMAIS PERIÓDICOS enquadram-se na posição 4902 da NCM. Fl. 233DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 2.3.1. A controvérsia neste ponto reside do enquadramento dos artigos fabricados pela Recorrente na Exceção Tarifária da TIPI. Com efeito, a Recorrente afirma que os jornais e revistas por ela fabricados são destinados à publicidade, logo, classificam-se no Ex 01 do subitem 4902.10.00 e 4902.90.00 (rememorando que a diferença de item se deve à periodicidade de publicação). Já a fiscalização afirma que os jornais e revistas produzidos pela Recorrente não se destinam a publicidade e, por tal motivo, são imunes não gerando direito ao crédito de IPI. 2.3.2. A descrição da posição 4902 é “Jornais e Publicações Periódicas, Impressos, Mesmo Ilustrados Ou Contendo Publicidade. Na mesma linha, o Ex dos subitens 4902.10.00 e 4902.90.00 descrevem publicações periódicas COM publicidade. 2.3.2.1. Contendo, acima, é gerúndio de conter que significa, no presente contexto, incluir. A palavra com, também acima, quando acompanhada de nome (publicações periódicas) é adjunto restritivo de conteúdo, parte, acessório 3 . Assim, é suficiente para o enquadramento na exceção da TIPI acima descrita que o periódico contenha publicidade, independentemente da destinação do periódico. 2.3.2.2. Confirma o raciocínio acima as notas de seção da posição anterior, 4901, que dispõe que nela não se incluem os artigos destinados a publicidade. Com isto se quer dizer que, quando a NESH se refere a destinação ela o faz de maneira expressa, e na posição 4902 a NESH contentou-se com a presença de (e não a destinação a) publicidade. 2.3.3. Ao contrário dos tópicos anteriores não há consenso entre Recorrente e fiscalização acerca do objeto a ser analisado, o que nos remete ao conjunto probatório. Atendendo a exigência da fiscalização a Recorrente coligiu ao processo administrativo uma lista de todos os produtos amparados por imunidade com as respectivas receitas (fls. 78/80). 2.3.3.1. Todavia, ao contrário do que era esperado, a lista nada revela acerca das publicações. Em primeiro lugar porque em boa parte dos itens há a mera indicação de que se tratam de Revista ou Jornal. Em segundo lugar, dentre aquelas revistas e jornais que são minimamente identificáveis foi feita uma pesquisa entre os editores por meio da internet e descobriu-se que há artigos que supostamente não existiam no ano de 2006 (Revista Alliance de Ouro), outros em que o nome da revista indica mais de uma publicação (Revista Gold, Revista Campeões, Revista Trimestral, Revista Cooperativas, Revista UP) e outras em que há indicação apenas do comprador das Revistas (ABLAC, CTCCA). 2.3.3.2. Desta feita, a listagem não traz qualquer indício sobre a presença ou ausência de publicidade nos artigos, prova que cabia a Recorrente. 2.3.3.3. Portanto, sabedores que o destaque “com publicidade” no subitem 4902.10.00 e 4902.90.00 é uma exceção que deve ser provada, correto o enquadramento fiscal descrito pela fiscalização. Fl. 234DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 2.4. A fiscalização afirma que as CARTILHAS E MANUAIS produzidos pela Recorrente são, em verdade, livros e livretos técnicos (Livro de Finanças, Livro de Direito Comercial, Livro TWDP, Livro de Viagem ao Mundo, etc) classificados, portanto, na posição 4901. 2.4.1. A seu turno, a Recorrente novamente, afirma que as cartilhas e manuais por ela produzidos são classificados na posição 4902 da NCM – embora inicialmente tenha adotado o subitem 4911.10.90. 2.4.2. Como vista acima, a posição 4902 destina-se a jornais, revistas e outras publicações periódicas, quer porque o título da posição é justamente este (jornais e publicações periódicas) quer porque a nota da posição deixa claro que se enquadram nesta posição os artigos publicados em série e em intervalos regulares: O caráter distintivo dos artigos incluídos nesta posição reside no fato de serem publicados em série contínua, sob um mesmo título e a intervalos regulares, apresentando-se cada exemplar datado (mesmo com a simples indicação de um período do ano, “primavera de 1996”, por exemplo) e, em geral, numerados. 2.4.3. Por definição cartilha (livro que ensina os passos básicos) e manuais (livro que contém anotações essenciais acerca de uma ciência ou uma técnica) 4 não são publicações periódicas, logo, descabida a classificação na posição 4902. 2.4.4. De outro lado, as notas da posição 4901 deixam clara que nela se incluem todos os artigos destinados à leitura (salvo os destinados à publicidade e os que estejam em posições mais específicas), dentre estes, nomeadamente, os manuais com textos narrativos que contenham cadernos ou questões. Esta posição abrange, de um modo geral, todas as obras de livraria e outros artigos destinados à leitura, impressos, ilustrados ou não, exceto os artigos destinados a publicidade ou que estejam incluídos noutras posições mais específicas deste Capítulo e, principalmente, nas posições 49.02 a 49.04. Incluem-se aqui: A) Os livros e livretes (pequenos livros), constituídos essencialmente por textos de qualquer gênero, impressos em quaisquer caracteres (incluindo os caracteres Braille e os caracteres estenográficos) e em qualquer língua. Estes artigos compreendem as obras literárias de qualquer gênero, os manuais (incluindo os cadernos destinados a trabalhos educativos, às vezes chamados cadernos de escrita), mesmo com textos narrativos, que contenham questões ou exercícios (com, em geral, espaços destinados a serem completados à mão), as publicações técnicas, as obras de consulta tais como os dicionários, as enciclopédias, os anuários (os catálogos telefônicos, por exemplo, inclusive as “páginas amarelas”), os catálogos de museus, de bibliotecas, etc. (exceto os catálogos comerciais), os livros litúrgicos, os saltérios (que não constituam obras musicais impressas na acepção da posição 49.04), os livros para crianças (exceto álbuns ou livros de imagens e álbuns para desenhar ou colorir, para crianças, da Fl. 235DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 posição 49.03). Estes artigos podem apresentar-se em brochura, cartonados ou encadernados, mesmo em tomos distintos ou ainda em fascículos, in plano ou folhas separadas, que constituam uma obra completa ou uma parte de uma obra e se destinem a ser brochados, cartonados ou encadernados. 2.4.5. Em assim sendo, cartilhas e manuais classificam-se na posição 4901, na forma descrita no Acórdão unânime de relatoria de Laercio Cruz Uliana Junior: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTOS. CARTILHAS, MANUAIS E INFORMATIVOS PUBLICITÁRIO. Os produtos não tendo fins publicitários e periodicidades, devem ser classificados nos termos da NCM 4901, conforme nota explicativa NESH. (Acórdão 3201- 005.149) 2.4.6. Ademais, da listagem apresentada pela Recorrente para a fiscalização temos que boa parte dos artigos classificados como cartilhas e manuais são descritos como livros (Livro TGEO/7, Livro de Filosofia, Livro de Gestão Estratégica, Livro Prática de Ensino, Livro Artes, Livro Gestão de Pessoas, Livreto Encadernado, Livro a Criança e a..., Livro Jeans, Livro Gestão, Livro Direito Intertemporal, Livro Gestão de Projetos, Livro Cozinha Viva, Livro História da Administração, Livro PPTAP, Livro Complementar). Somente 05 itens da longa lista de 3 (três) páginas são descritos como Cartilhas e Manuais e da descrição destes 05 itens não é possível vislumbrar qualquer dado ou nuance capaz de deslocar a classificação fiscal geral de Livros. Portanto, também neste ponto, perfeito o enquadramento dos produtos feito pela fiscalização. 2.5. Por fim, a Recorrente alega que os créditos de IPI relativos aos produtos que gozam de imunidade objetiva nasceram da aquisição de produtos e operações realizadas entre janeiro e março de 2005, momento em que vigorava o ARTIGO 4° DA IN 33/99 QUE PERMITIA O APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DE SAÍDAS IMUNES, sem qualquer distinção de espécie. 2.5.1. Em resposta a DRJ assevera que o Ato Declaratório Interpretativo n° 5, de 17 de abril de 2006, nada mais faz que elucidar que inexiste disposição legal que assegure o direito à manutenção do crédito de IPI quando o produto industrializado é imune (objetivamente). 2.5.2. Não há o que reparar na conclusão dos Julgadores da DRJ. Efetivamente, o artigo 11 da Lei 9.779/99 garante o crédito de IPI nas saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, silenciando acerca de produtos imunes: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fl. 236DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 2.5.3. A seu turno, o artigo 5° do Decreto-Lei 461/69 (restabelecido pelo artigo 1°, inciso II da Lei 8.402/92) assegura “a manutenção e utilização do IPI relativo a matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos importados”. 2.5.4. Assim, o artigo 4° da Instrução Normativa 33/99 nada mais faz do que explicitar em que situações é possível creditar-se do imposto em voga. É claro que inexiste limitação do âmbito de imunidade na citada instrução. Entretanto, não é menos evidente que a regra de execução deve ser interpretada a partir dos parâmetros legais, e não ao contrário, sob pena de quebra da hierarquia normativa. 2.5.5. Portanto, e tendo em vista inexistir nos autos qualquer indício mínimo que indique que os produtos fabricados pela Recorrente se destinavam a exportação, de rigor a glosa dos créditos como já se pronunciou, por unanimidade no ponto em questão, esta Turma: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. (Acórdão nº 3401003.313 – Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan) 2.5.6. Em idêntico sentido, por voto de qualidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais: CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidente nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT. (Súmula CARF nº 20) (Acórdão nº 9303004.581 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) 2.5.7. Por fim, ainda que a tese enfrentada no Acórdão tenha sido outra (interpretação extensiva), assim concluiu o Tribunal da Cidadania: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS Fl. 237DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. (...) 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de não- tributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. (...) 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destina-se a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais não-tributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. (...) 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, tem- se a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observando-se a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição quinquenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. (REsp 1.015.855/SP – Relator: Ministro José Delgado – Primeira Turma) Dispositivo: 3.1. Pelo exposto conheço parcialmente do recurso e na parte conhecida dou parcial provimento para reconhecer a correção da classificação fiscal de Calendários na TIPI adotada pela Recorrente. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 238DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-006.614 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003979/2010-64 Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900248/2016-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.
O despacho decisório que não homologou a compensação de indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando aponta que tal pagamento foi totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo mesmo contribuinte, demonstra que o pagamento indicado não é indevido e não foi pago a maior. Tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação da compensação, não havendo que se falar em carência de fundamentação.
Numero da decisão: 1201-003.072
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 NULIDADE. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. O despacho decisório que não homologou a compensação de indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando aponta que tal pagamento foi totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo mesmo contribuinte, demonstra que o pagamento indicado não é indevido e não foi pago a maior. Tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação da compensação, não havendo que se falar em carência de fundamentação.
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DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. O despacho decisório que não homologou a compensação de indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando aponta que tal pagamento foi totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo mesmo contribuinte, demonstra que o pagamento indicado não é indevido e não foi pago a maior. Tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação da compensação, não havendo que se falar em carência de fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 02 48 /2 01 6- 88 Fl. 65DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.072 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.900248/2016-88 Relatório REAL COMERCIO INDUSTRIA DE COUROS E ARTEFATOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida em relação à sua manifestação de inconformidade, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contra essa decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância. Cientificado dessa última decisão, o contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário, por meio do qual propugna pela anulação do despacho decisório que não homologou a sua declaração de compensação, sobre o fundamento de alegada falta de motivação do ato administrativo decisório. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.072 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.900248/2016-88 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1201-003.051, de 13 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201-003.051): O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que aponta indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A Administração Tributária não homologou essa compensação. No presente contencioso administrativo, o contribuinte vem afirmando que o despacho decisório está eivado de nulidade em razão de não ter apontado o fundamento para a não homologação de sua compensação. Compulsando os autos verifico que o referido despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão de o pagamento apontado pelo contribuinte ter sido totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo contribuinte, ou seja, o pagamento apontado não é indevido e não foi pago a maior. Entendo que tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação ora combatida pelo contribuinte, pelo que afasto a alegada nulidade do despacho decisório. Destarte, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903701/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2011
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.555
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2011 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.903701/201494 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.555 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente DUROLINE SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2011 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 37 01 /2 01 4- 94 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11020.903701/201494 Acórdão n.º 3401006.555 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 230DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.005373/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física
Exercício: 2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE MULTA. CONDIÇÃO DE NÃO RESIDENTE. CARÊNCIA DE PROVA.
A obrigação tributária acessória será convertida em principal, no tocante ás penalidades, pelo simples descumprimento, independente da vontade do contribuinte. A condição de não residente deve ser comprovada pelo contribuinte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-000.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.005373/2006-38 Recurso n° 162.679 Voluntário Acórdão n° 2102-00.757 — la Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2010 Matéria IRPF Recorrente MARCELO RICARDO SABER Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física Exercício: 2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE MULTA. CONDIÇÃO DE NÃO RESIDENTE. CARÊNCIA DE PROVA. A obrigação tributária acessória será convertida em principal, no tocante ás penalidades, pelo simples descumprimento, independente da vontade do contribuinte. A condição de não residente deve ser comprovada pelo contribuinte. Recurso negado. Vistos, relatados e dis ntes autos. Acordam os m , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos ter que integram o presente julgado. GIOVA - Presidente. Presentes os Conselheir s Ntabia de Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Giovanni Christian Nunes Campos e Ewan Teles Aguiar. .., Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento em que se exige o recolhimento da multa por atraso na entrega da declaração do IRPF do exercício de 2005, ano-calendário de 2004, no valor de R$ 165,74. A Declaração de Isento foi apresentada em 06/03/2006 (fls. 12), fora do prazo legal fixado para todos os contribuintes, que era até 29/04/2005, conforme estabeleceu o art. 30 da Instrução Normativa SRF n° 507, de 11 de fevereiro de 2005. No caso, o contribuinte estava legalmente obrigado a apresentar a declaração de ajuste anual por ser sócio da empresa Pizzaria Calzoninho Express Ltda., CNPJ n.° 03.506.431/0001-12, desde 12/11/1999 (fl. 10). Cientificado da exigência, o interessado, em 25/05/2006, tempestivamente (fl.15), interpôs a impugnação de fls. 01, alegando que se encontrava fora do pais e que, quando de seu retorno, já havia transcorrido o prazo para a apresentação da declaração. Pede que se releve a multa, tanto por ser isento, como por se encontrar fora do território nacional. A 4a Turma de Julgamento da DRJ-Curitiba (PR), por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento da multa em Decisão de fls. 16 a 17, consubstanciada no Acórdão n° 06-14.813, de 31 de julho de 2007. 0 fundamento do acórdão é que a multa exigida é decorrente de expressa determinação legal, no caso o art. 88 da Lei n. 8.981, de 1995, o qual dispõe que a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa fisica à multa de um por cento ao mês sobre o valor do imposto devido, observada a multa minima de R$ 165,74. Aduz ainda que: Nesse sentido, vale esclarecer que a atividade de fiscal é vinculada e obrigatória, por força do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabendo et esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar argüições de cunho pessoal, pois o poder da autoridade administrativa é vinculado, sob pena de responsabilidade funcional, inclusive quanto a relevaçcCio de pena/idade, se a remissão pleiteada não tiver previsão legal, sobretudo ern função do caráter restritivo da dispensa do cumprimento de obrigações acessórias estabelecido no art. 111, III, do CTN. Esclareça-se, por fitn, que o contribuinte que se encontrava ausente no exterior estava sujeito ao mesmo prazo de entrega da declaração de ajuste anual, dispondo das alternativas de entrega previstas no art. 10 da Instrução Normativa SRF n°507, de 2005. 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 24/08/2007 (fl. 20). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 24/09/2007 (fl. 21 a 23), alegando em síntese: ■ que a Instrução Normativa não se aplica ao contribuinte porque o recorrente encontrava -se residindo no exterior, vindo retomar ao Brasil em muito posterior a data limite para entrega na Declaração de Ajuste anual, conforme fotocópia do passaporte carreado nos autos, sendo inaplicável o enquadramento da obrigação e o conseqüente procedência da autuação. 2 Processo n° 10980.005373/2006-38 S2-C I T2 ActircIdo n.° 2102-00.757 Fl. 2 II* que seja desconsiderada a Notificação de Lançamento, tanto por não haver obrigatoriedade por falta de previsão legal enquadrável ao requerente, quanto por ser a Instrução Normativa inaplicável vez que a autor estava fora do território nacional, não servindo de fundamento para aplicação da multa em questão, atentando-se ainda que fora suprido o ajuste do recorrente quando do seu retorno ao Brasil. Voto Conselheiro Ewan Teles Aguiar 0 presente recurso é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235 de 6 de março de 1972, sendo assim, dele conheço. 0 recorrente não suscita discussão preliminar o que impõe a imediata análise do mérito o que faço nos seguintes termos: 0 recorrente apresentou cópia do passaporte com visto de estudante para Portugal pelo período de 04.08.2004 a 01.08.2005, bem como cópia das páginas em que foram registradas várias entradas e saídas do pais. Entretanto, não demonstrou de forma cabal a residência no exterior, sequer indicando o endereço nem o período exato que teria permanecido ausente. Como não demonstrou a residência no exterior, o recorrente estava sujeito ao mesmo prazo de entrega da declaração de ajuste anual que os demais contribuintes, dispondo das alternativas de entrega previstas no art. 10 da Instrução Normativa SRF n°507, de 2005. Assim, por tudo que consta nos autos, voto no sentido de manter a Decisão recorrida NEGANDO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ewan TeL. Aguiar - Relator 40 3
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Numero do processo: 15889.000256/2010-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término.
Numero da decisão: 9202-008.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, efls. 366/380, contra o acórdão nº 2401003.399, proferido na sessão do dia 19 de fevereiro de 2014 pela 1ª AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 56 /2 01 0- 26 Fl. 513DF CARF MF 2 Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, integrado pelo acórdão nº 2402004.815, proferido na sessão do dia 25 de janeiro de 2016 pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão nº 2401003.399 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO FEITO COM BASE EM PROCESSO JUDICIAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por falta de previsão legal, o pedido de sobrestamento do feito, sob a justificativa de que há relação de prejudicialidade com processo judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. Acórdão nº 2402004.815 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR OS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Embargos Acolhidos. Antes do julgamento de mérito, houve a conversão do presente caso em diligência, conforme resolução nº 2401000.308, que apresenta as seguintes informações: Necessidade de Diligência Fiscal Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15889.000256/201026 Acórdão n.º 9202008.066 CSRFT2 Fl. 514 3 Essa Turma de Julgamento tem decidido reiteradamente que a decisão acerca dos recursos apresentados para desconstituir os AI relativos à falta de declaração de fatos geradores em GFIP é vinculada ao destino das lavraturas para exigência da obrigação principal conexas. Analisando os lançamentos para exigência das contribuições vinculados ao presente AI, verificamos a seguinte situação: a) Processo n. 15889.000243/201057/AI n. 37.297.9807 (remunerações sobre gratificações a diretores): julgamento convertido em diligência, por essa Turma, para apreciação de documentos juntados pelo fisco; b) Processo n. 15889.000245/201046/AI n° 37.297.9815 remunerações na forma de plano de opção de compras de ações: processo julgado no CARF com decisão pelo provimento parcial ao recurso (acórdão ainda não publicado); c) Processo n. 15889.000249/201024/AI n° 37.297.9858 aferição indireta na prestação de serviços (quota patronal): crédito incluído em parcelamento; d) Processo n. 15889.000250/201059/AI n° 37.297.9866 aferição indireta na prestação de serviços (quota dos segurados empregados): crédito incluído em parcelamento; e) Processo n. 15889.000252/201048/AI n° 37.297.9882 receita obtida com revenda de mercadorias (receita de agroindústria): crédito incluído em parcelamento; f) Processo n. 15889.000254/201037/AI n° 37.297.9904 receitas de exportação indireta: processo julgado por essa Turma, que não conheceu do recurso voluntário. Assim, considerandose que, dos processos para exigência da obrigação principal, apenas o de n. 15889.000243/201057 encontrase com julgamento administrativo pendente (requisição de diligência), sugiro que o AI sob cuidado seja apensado aquele, de modo que tenham julgamento conjunto após o cumprimento da diligência requerida. Como descrito pela Câmara a quo: A lavratura em questão teve como motivo a conduta do sujeito passivo de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, constituemse nos presentes autos a obrigação acessória acima descrita conexa aos autos de obrigação principal abaixo relacionados: a) AI n° 37.297.9807 remunerações sobre gratificações a diretores; Fl. 515DF CARF MF 4 b) AI n° 37.297.9815 remunerações na forma de plano de opção de compras de ações; c) AI n° 37.297.9858 aferição indireta na prestação de serviços (quota patronal); d) AI n° 37.297.9866 aferição indireta na prestação de serviços (quota dos segurados empregados); e) AI n° 37.297.9882 receita obtida com revenda de mercadorias (receita de agroindústria); f) AI n° 37.297.9904 receitas de exportação indireta. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, que apresentou recurso voluntário, alegando em, apertada síntese, que não sendo procedentes os lançamentos para exigência da obrigação principal, deve ser cancelada a multa decorrente da falta de declaração das contribuições. Alega também que a aplicação da penalidade mais benéfica levaria a adoção da norma inserta no inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. Mediante a Resolução n. 2401000.308, de 13/08/2013, o julgamento no CARF foi convertido em diligência para que processo fosse apensado ao de n. 15889.000243/201057, o qual trata da incidência de contribuições sobre gratificação paga a diretores e que ainda se encontrava com julgamento administrativo pendente. Após a prolação do acórdão nº 2401003.399, houve a oposição de Embargos de Declaração pela DICAT/|DERAT/SP de efls. 304/305, que deu origem ao acórdão nº 2402 004.815, que determinou que sejam excluídas do cálculo da multa apenas as contribuições declaradas improcedentes no processo n.º 15889.000243/201057/AI 37.297.9807. Após a ciência dos acórdãos, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de e fls. 366/380, para rediscussão em relação ao sobrestamento do feito até decisão final nos processos administrativos correlatos. Em sua peça recursal o contribuinte apresenta os seguintes argumentos: 2. Tratase o presente feito de exigência de multa por suposto descumprimento de obrigação acessória relacionada ao preenchimento da GFIP, por ausência de informação de fatos geradores relativos às seguintes contribuições previdenciárias: AI processo OBJETO 37.297.9807 15889.000243/201057 Sobre remuneração paga a título de Gratificação Diretores. 37.297.9815 15889.000245/201046 Sobre remuneração originárias de operações de “Plano de Opção de Compra de Ações (Stock Options). 37.297.9858 15889.000249/201024 37.297.9866 15889.000250/201059 Sobre valor obtido com aferição indireta da remuneração da mãodeobra com base nas notas fiscais de prestação de serviços. 37.297.9882 15889.000252/201048 Sobre valor da receita obtida com revenda de mercadorias Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15889.000256/201026 Acórdão n.º 9202008.066 CSRFT2 Fl. 515 5 37.297.9904 15889.000254/201037 Sobre valore de receita de exportação indireta 4. Desta feita, foi interposto Recurso Voluntário, no qual a Recorrente ressaltou a evidente relação de prejudicialidade entre o presente processo e aqueles que controlam os autos de infração das obrigações principais, pleiteando então pelo sobrestamento do feito até o julgamento definitivo dos aludidos processos conexos. 5. De forma a evitar o proferimento de decisões conflitantes, os ilustres Conselheiros da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção reconheceram a relação de prejudicialidade e proferiram a Resolução nº 2401000.308, sobrestando o julgamento do feito até o julgamento dos processos conexos. 6. Todavia, antes mesmo do julgamento definitivo do processo administrativo nº 15889.000245/201046, no qual é controlado um auto de infração de contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre o montante conferido como plano de opção de compras de ações (stock option), o julgamento deste processo foi retomado, decidindo os nobres Conselheiros por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, no sentido de aplicar o princípio da retroatividade benigna, para que fosse aplicada a multa do art. 32A da Lei 11.941/09 sobre os valores das contribuições omitidos da GFIP, nele incluídos os valores que ainda encontramse sobre debate no PA 15889.000245/201046. 7. Entenderam os julgadores que o fato de a discussão no processo nº 15889.000245/201046 não ter se encerrado em definitivo, ainda assim a cobrança neste caso, relativa às obrigações acessórias, deveria ter seguimento independente. 8. Sendo assim, embora o acórdão ora guerreado tenha aplicado corretamente o princípio da retroatividade benigna, a base de cálculo da autuação depende estritamente do julgamento definitivo do PA 15889.000245/201046, uma vez que, caso a decisão final a ser proferida pela CSRF em sede de recurso especial fixe que a contribuição previdenciária não é devida, consequentemente tais valores também devem ser excluídos da multa em cobro nestes autos, uma vez que não se pode admitir que houve a omissão destes valores na GFIP quando estes não são devidos. (...) 16. A controvérsia trazida a julgamento por meio deste Recurso Especial diz respeito à impossibilidade de julgamento de processo administrativo enquanto pendente de julgamento questão que lhe é prejudicial. Fl. 517DF CARF MF 6 17. No caso dos autos, a questão de prejudicialidade é patente, uma vez que o processo versa sobre auto de infração lavrado por omissão de informações na GFIP, enquanto as informações supostamente omitidas ainda encontramse pendentes de julgamento definitivo neste Conselho, no bojo do PA 15889.000245/201046. 18. É importante ressaltar que a prejudicialidade já foi reconhecida pelos próprios Conselheiros, quando do proferimento da Resolução nº 2401000.308 nestes autos, oportunidade na qual foi determinado o sobrestamento. Todavia, o julgamento do processo foi retomado antes mesmo do transito em julgado do processo principal na esfera administrativa, o que não se pode admitir. 19. Notese que o sobrestamento do presente processo até que haja julgamento definitivo acerca da incidência da contribuição previdenciária sobres os valores conferidos a título de planos de compra de ações (Stock Option) é decorrência lógica do próprio raciocínio traçado no acórdão ora atacado. Isto porque, reconhecidamente, o valor revertido por meio do provimento do recurso especial deverá ser devidamente extirpado do auto de infração em apreço, já que não haveria que se falar em omissão de tais informações na GFIP. Apresenta como paradigmas os acórdãos abaixo: Acórdão n.º 9101001.928 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1994 NORMAS PROCESSUAIS PREJUDICIALIDADE. Se o processo foi decidido pelo princípio de decorrência do principal, enquanto não definitivamente julgada a questão do principal que fundamenta a exigência decorrente, esta não pode ser tida como definitiva. Resolução n.º 1402000.348 Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja apreciado no CARF o processo 10880.673243/200901, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Resolução n.º180300.014 Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o processo, enviandoo à unidade de origem para aguardar a decisão final do processo nº 10675.000301/200205, nos termos do voto do relator. Conforme despacho de efls. 457/463, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Entretanto, confrontando o exarado pelos acórdãos recorridos e o exposto pelo paradigma, notase que os julgados recorridos, Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15889.000256/201026 Acórdão n.º 9202008.066 CSRFT2 Fl. 516 7 embora tenham entendido que devese aguardar o julgamento do processo principal numa mesma instância, para que tal decisão seja seguida pelos processos correlatos, decidiram que deve ser observada apenas a decisão tomada em instância ordinária do CARF, não havendo necessidade de aguardar o desfecho de eventual recurso especial. Por outro lado, o paradigma atesta que a decisão proferida no processo principal deve ser aplicada às exigências dele decorrentes e, portanto, devese aguardar a decisão definitiva no processo principal, à luz da qual serão decididos os conexos ou correlatos. Destarte, para a matéria ora apresentada Sobrestamento do feito até decisão final nos processos administrativos correlatos verificase a similitude das situações fáticas e o dissídio de entendimento nos acórdãos recorridos e paradigma, motivo pelo qual está configurada a divergência apontada pelo sujeito passivo. CONCLUSÃO Com fundamento no RICARF, anexo II, artigos 67 e 68, concluo que restou demonstrada a divergência de interpretação em relação à matéria: a) Sobrestamento do feito até decisão final nos processos administrativos correlatos ( ACT 67.613.9999 Contribuições Previdenciárias/Conhecimento/Outros). Diante disso, nos termos da Portaria MF nº 343, de 9/6/15, artigo 8º, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao pedido interposto pelo sujeito passivo. Intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de efls. 465/470, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme exame de admissibilidade de efls. 457/463. A matéria em discussão é o sobrestamento do feito até decisão final nos processos administrativos correlatos. Em suas Contrarrazões a Fazenda Nacional destaca: O Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 25 de maio de 2017 reconheceu como comprovada a caracterização da divergência jurisprudencial. Todavia, o recorrente não logrou êxito na demonstração da divergência jurisprudencial. Fl. 519DF CARF MF 8 O recorrente, em última análise, pretende o sobrestamento deste feito que trata de auto de infração de obrigações acessórias até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 15889.000245/201046, no qual é controlado um auto de infração de contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre o montante conferido como plano de opção de compras de ações (stock options). Ocorre que, nesse ponto, carece de interesse de agir, dada a inutilidade do presente recurso para alterar a conclusão exposta no julgado recorrido. Senão vejamos. Segundo andamento processual do processo administrativo nº 15889.000245/201046, obtido por meio de acesso ao e processo, naqueles autos foi interposto recurso especial, ao qual foi negado seguimento por meio do Despacho nº s/n – 3ª Câmara de 28 de fevereiro de 2016. Reexaminando a admissibilidade do recurso, o Presidente da CSRF manteve a negativa de seguimento total do apelo. Nada obstante naqueles autos, o ora recorrente ter apresentado agravo, observase que não cabe a interposição desse recurso, haja vista que (i) o recurso teve sua admissibilidade examinada pelo Presidente da Turma recorrida e, após, reexaminada pelo Presidente da CSRF, tratandose de ato já consumado, em relação ao qual não cabe mais discussão. É ato definitivo nos termos do art. 71, § 2º do RICARF, consoante o brocardo tempus regit actum; (ii) não havia, ao tempo, previsão de interposição de agravo, o que somente ocorreu por meio da Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, legislação exposta no cabeçalho do próprio recurso de agravo apresentado pelo contribuinte interessado naqueles autos. Cumpre destacar que o processo administrativo é regido por regras e princípios, cuja observância é obrigatória. Dentre elas está a determinação de “impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados”, conforme dispõe o art. 2º, par. único, XII da Lei nº 9.784/1999. Nesse sentido, o RICARF não prevê a possibilidade de sobrestamento de processos para aguardar o julgamento de outro processo. Assim, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e no mérito em negarlhe provimento. Patrícia da Silva Fl. 520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.722226/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Numero da decisão: 3201-005.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a concomitância e determinar a devolução do processo à instância a quo, a fim de que profira novo julgamento analisando todas as alegações da impugnação.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro (Presidente), ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, substituída pelo Conselheiro Tsuboi.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a concomitância e determinar a devolução do processo à instância a quo, a fim de que profira novo julgamento analisando todas as alegações da impugnação. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro (Presidente), ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, substituída pelo Conselheiro Tsuboi.
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AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a concomitância e determinar a devolução do processo à instância a quo, a fim de que profira novo julgamento analisando todas as alegações da impugnação. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro (Presidente), ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, substituída pelo Conselheiro Tsuboi. Relatório Trata-se de aplicação de multa pela suposta infração prevista no art. 107, IV, “e”, do Dec.-lei 37/66, com a redação da Lei 10.833/03. Assevera a fiscalização que o interessado registrou o conhecimento eletrônico de modo intempestivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 22 26 /2 01 3- 38 Fl. 128DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.459 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722226/2013-38 A contribuinte apresentou sua defesa, combate o Auto de Infração, após, seguindo a marcha processual normal, foi julgada improcedente a defesa apresentada pela contribuinte por entender que diante da Ação Coletiva ajuizada pela associação que pertence a contribuinte, devendo ser reconhecida a concomitância. Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo em síntese: a) da nulidade do acórdão: violação à solução de consulta interna nº 2 – cosit e à in 1.396/2013; b) da nulidade do acórdão: violação aos artigos 31 do decreto nº 70.235/1972 e 65 do decreto nº 7.574/2011; c) da ausência de renúncia à esfera administrativa; d) retificação de informação – não configuração de prestação e) de informação fora do prazo – in rfb 1.473/2014 e solução de consulta interna nº 2 – cosit, de 04/02/2016; f) da prescrição intercorrente; g) da dupla penalidade sobre o mesmo veículo transportador; h) da irretroatividade da in 800/2007; i) da aplicação do prazo de 30 dias; j) da denúncia espontânea; k) ausência de responsabilidade em função do mandato É o relatório. Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior - Relator CONCOMITÂNCIA Inicialmente, foi colacionado aos autos copia de processo Ação Coletiva nº 0005238-86.2015.4.03.6100, promovida pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). De fato, a contribuinte é integrante da Associação que ingressou com a demanda coletiva, no entanto, o fato da contribuinte integrar a Associação por si só não gera concomitância, ao meu ver, para que possa ser reconhecido tal fato a contribuinte teria de ter requerido expressamente a validade daquela medida judicial em seu favor, que não é o caso. Nesse sentido, a jurisprudência é firme neste CARF : Numero da decisão:3002-000.215 Nome do relator:CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES Numero do processo:15771.721605/2015-79 Turma:Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção Fl. 129DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.459 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722226/2013-38 Seção:Terceira Seção De Julgamento Data da sessão:Tue Jun 12 00:00:00 BRT 2018 Data da publicação:Mon Jul 09 00:00:00 BRT 2018 Ementa:Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/03/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade. Numero da decisão:3001-000.391 Nome do relator:ORLANDO RUTIGLIANI BERRI Numero do processo:10820.000006/00-97 Turma:3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:3ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Mon May 15 00:00:00 BRT 2017 Data da publicação:Fri Jun 30 00:00:00 BRT 2017 Ementa:Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Numero da decisão:9303-005.057 Nome do relator:ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Nesse sentido o ajuizamento de Ação Ordinária pela Associação não tem o condão de gerar concomitância administrativa, assim, devendo ser afastada tal argumentação. Diante do exposto, voto em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que se profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (documento assinado digitalmente) Fl. 130DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.459 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722226/2013-38 Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.901056/2012-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
Numero da decisão: 9303-008.835
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de restituição de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PASEP. A DRF de origem emitiu o despacho decisório eletrônico, no qual informava que os valores constantes do DARF discriminado no PER/DCOMP encontravam-se utilizados para quitação de débitos da contribuinte, sem disponibilidade para restituição. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, argumentando, em apertada síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 10 56 /2 01 2- 23 Fl. 177DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.835 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.901056/2012-23 - alega falta de aprofundamento da investigação dos fatos, por parte da autoridade administrativa; - discorda do entendimento da decisão recorrida de que as provas juntadas seriam insuficientes para comprovação do direito creditório pleiteado; - defende a inocorrência da preclusão de apresentação de provas, referida pela decisão recorrida, fazendo alusão ao princípio da verdade material; - afirma que seu pleito estaria fundamentado na inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998), declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF; - ao final, pede que seja reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinaria da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3201-003.585, que negou provimento ao pleito. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão a contribuinte interpôs recurso especial, afirmando haver divergência com relação a possibilidade de valoração das provas por ela apresentadas, competindo à autoridade administrativa, com base na documentação apresentada - balancete e livro razão - efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório, com base nos acórdãos paradigmas nº 3801-003.586 e nº 3801-003.577, em franca oposição ao acórdão recorrido, que afirma ser dela o ônus probatório. O Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.828, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.900123/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.828): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Fl. 178DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.835 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.901056/2012-23 No mérito, desde logo saliento que, nos casos de pedido de restituição ou ressarcimento, me alinho com os que entendem ser o ônus probatório do contribuinte, o qual deve demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório por ele pleiteado. Invocar a utilização de créditos para compensação apenas com um pedido, desguarnecido das provas necessárias, provas essas que em regra são de posse do requerente, me parece um exagero em afronta à legislação aplicável, iniciando-se com o CTN (art. 170), o Decreto nº 70.235/1972 - PAF (art. 16, § 4º), pela Lei nº 9.784/1999 (art. 36) , a Lei nº 9.430/1996 (art. 74) e chegando ao até ao CPC/2015 (art. 373). Da mesma forma que voto condutor do acórdão recorrido, entendo suficientes as razões de decidir do voto do relator da decisão de piso da DRJ/REC, pois lá se afirmava (e-fls. 61 e 62): 44.( ...) consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5. 46. Ressalto, por oportuno, que as provas de que dispõe a recorrente devem ser apresentadas, sob pena de preclusão ressalvadas as exceções legalmente previstas, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. É o que preceitua o art. 16, caput, III e §4º, do Decreto 70.235/72. 47. Quanto às provas, convém elucidar, por oportuno, que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos as provas de que dispõe. Nesta vereda, reproduz-se o entendimento de Paulo Celso Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997, pp. 77/78 : “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento, deve-se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos e não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições. Inclusive a probatória não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear ao processo." (g.n.) 48. Em análoga diretriz o posicionamento de Humberto Theodoro Júnior (in “Curso de Direito Processual Civil”, Rio de Janeiro, Forense, 1996, pp.417): “(...) Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrá-lo ou exercê-lo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte.” (g.n.) (Destaques do original) Fl. 179DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.835 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.901056/2012-23 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto pela improcedência do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 180DF CARF MF
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