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Numero do processo: 11080.014143/2008-38
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVAS IDÔNEAS.
Não havendo prova idônea de pagamento das despesas médicas objeto do recurso, é de manter as glosas. Igualmente, se não prova o contribuinte que pagamentos de pensão alimentícia decorreram de decisão judicial e, em relação a dedução de dependente, não logra provar a relação de dependência, tal qual descrita nas hipóteses legais que autorizam dedução a este título.
DOCUMENTOS TRAZIDOS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. FORMALISMO MODERADO.
Conhece-se de documentos trazidos em sede recursal, em homenagem ao princípio do formalismo moderado.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE.
Deve ser restabelecida aas deduções glosadas, relativas à instrução de sua dependente e esposa, diante de prova idônea constante dos autos.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesa com instrução em relação ao cônjuge, respeitado o limite legal anual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVAS IDÔNEAS. Não havendo prova idônea de pagamento das despesas médicas objeto do recurso, é de manter as glosas. Igualmente, se não prova o contribuinte que pagamentos de pensão alimentícia decorreram de decisão judicial e, em relação a dedução de dependente, não logra provar a relação de dependência, tal qual descrita nas hipóteses legais que autorizam dedução a este título. DOCUMENTOS TRAZIDOS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. FORMALISMO MODERADO. Conhece-se de documentos trazidos em sede recursal, em homenagem ao princípio do formalismo moderado. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE. Deve ser restabelecida aas deduções glosadas, relativas à instrução de sua dependente e esposa, diante de prova idônea constante dos autos. Recurso provido em parte.
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DEDUÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVAS IDÔNEAS. Não havendo prova idônea de pagamento das despesas médicas objeto do recurso, é de manter as glosas. Igualmente, se não prova o contribuinte que pagamentos de pensão alimentícia decorreram de decisão judicial e, em relação a dedução de dependente, não logra provar a relação de dependência, tal qual descrita nas hipóteses legais que autorizam dedução a este título. DOCUMENTOS TRAZIDOS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. FORMALISMO MODERADO. Conhecese de documentos trazidos em sede recursal, em homenagem ao princípio do formalismo moderado. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE. Deve ser restabelecida aas deduções glosadas, relativas à instrução de sua dependente e esposa, diante de prova idônea constante dos autos. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesa com instrução em relação ao cônjuge, respeitado o limite legal anual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 41 43 /2 00 8- 38 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 14/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.5 e ss.), referente ao exercício 2006, anocalendário de 2005, em razão das seguintes supostas infrações: dedução indevida de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência; de despesas de instrução, por falta de comprovação; de despesas médicas por falta de comprovação; omissão de rendimentos do trabalho; omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de Previdência Privada, PGBL e Fapi. Impugnou o lançamento (fls. 12) aos seguintes fundamentos: que os dependentes são seus filhos, esposa e uma adolescente (Raquel) que morou com ele em 2005 e dele dependia; que a outras dependentes são mãe e sobrinha de sua mulher, que dependiam economicamente dele; que seus filhos estudaram em escola particular e que sua esposa estudou na Ulbra; que, em relação à omissão dos rendimentos da previdência privada, seguindo orientação da instituição financeira, retirou o dinheiro em pequenas parcelas pensando que estava certo; que quanto aos rendimentos do trabalho, assevera não lembrar do pagamento de imposto, exceto na Prefeitura de Triunfo que diretamente descontava parcelas; que quanto às despesas médicas referese a pagamentos a Unimed e a fisioterapeutas. Junta documentação às fls. 13 a 22. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/POA, em sessão realizada no dia 03/11/2010, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, aos seguintes fundamentos: que todas as deduções estão sujeitas a comprovação pelo contribuinte quando exigida pela Fisco; que restou comprovada a relação de dependência da esposa e dos filhos, restabelecendose as glosas correspondentes, não havendo previsão legal que sogra, sobrinha da esposa do contribuinte ou outras pessoas que com ele residiam figurem como dependentes; que em face das provas dos autos e dos vícios apontados em parte dos comprovantes de despesas educacionais (fl.50) restabelecemse parcialmente as glosas de tais despesas, o mesmo ocorrendo em relação a parte das despesas médicas, pelos mesmos motivos; que não há fundamento legal para dedução de pagamento de pensão alimentícia que não decorra de decisão judicial, não tendo sido tal fato comprovado pelo contribuinte; que nenhum elemento ou alegação traz aos autos o contribuinte quanto à omissão de rendimentos do trabalho, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 11080.014143/200838 Acórdão n.º 2802002.155 S2TE02 Fl. 81 3 devendo ser mantido o lançamento neste particular; que o contribuinte, quanto a omissão de rendimentos de resgate de previdência privada, apenas aponta ter recebido orientações errôneas quanto ao pagamento do imposto, de instituição financeira com que mantinha relação comercial, sendo igualmente de manterse neste aspecto o lançamento. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 58, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 59, atacando a decisão exarada pela DRJ, aos seguintes argumentos: que, quanto às despesas médicas, foram juntos aos autos recibos que comprovam pagamentos aos profissionais Tiago J N Gomes e Renata Pizzato; que, quanto à relação de dependência de Raquel Beatriz dos Santos, traz aos autos declaração firmada em cartório de que a mesma dependeu economicamente do contribuinte no anocalendário em questão; que reconhece a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, por não ter recebido as declarações de rendimentos das fontes pagadoras; que anexa comprovante de despesa com instrução de Simone S S Giraldo; que, os pagamentos de pensão alimentícia a Simone S S Giraldo, no valor de R$ 9000,00, tiveram início antes mesmo da decisão judicial correspondente, pois a mesma não possuía meios de sustento; que com relação a omissão de rendimentos resultantes de resgate de previdência privada, foi realmente orientado de forma equivocada quanto ao pagamento do imposto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, a glosa de deduções com despesas médicas, de dependente, de despesa de instrução de dependente e de pensão alimentícia. Quanto às despesas médicas, a decisão da DRJ aponta, nos recibos emitidos por Tiago J Gomes e Renata Pizzolato, que os desconsidera em razão da insuficiência de elementos exigidos no RIR/99, tais quais ausência de indicação do serviço prestado, da indicação de datas e do registro dos profissionais em órgão fiscalizador do exercício da profissão. Observo que o recibo de fls.21 e 43, expedidos por Tiago J N Gomes, fisioterapeuta, não ostentam sequer assinatura, e que no recibo expedido por Renata Pizzato (fl.21) não há descrição do serviço, nem número de inscrição profissional, assistindo razão à DRJ. Quanto às despesas com instrução de Simone S S Giraldo, esposa do contribuinte e reconhecida como sua dependente pela DRJ, conheço, em homenagem ao princípio do formalismo moderado, do documento de fl.64 e o tenho como idôneo a comprovar tais despesas, em conjunto com os documentos de fls.19, 22 e 43 Quanto à dedução de dependente, em nada socorre ao contribuinte juntar mera declaração passada em cartório de que Raquel Beatriz do Santos dependia economicamente do contribuinte no anocalendário em questão, sem comprovar sua adequação a alguma das hipóteses legais permissivas para fins de dedução de dependente. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Quanto à pensão alimentícia paga antes de haver decisão judicial, como o reconhece o contribuinte, também falta fundamento legal para dedução. Desta forma, voto por dar provimento parcial ao recurso, no sentido de restabelecer a dedução de despesas com instrução da dependente Simone S S Giraldo, até o limite legal, mantendose quanto ao mais o lançamento, naquilo que não o tenha desconstituído da d.DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 35311.000240/2003-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/08/2001
CONSTRUÇÃO CIVIL. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS ATENDIDAS.
Em consonância com os parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão
apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Caracterização da hipótese legal quando a fiscalização constata que o pagamento a vários prestadores de serviço não foram contabilizados. Corrobora o permissivo para aferição indireta o fato de a empresa ter deixado de fornecer documentos que
demonstrem o risco ocupacional.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 2302-001.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria foi rejeitada a preliminar de nulidade do procedimento nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Vencido na preliminar o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Quanto ao mérito, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/08/2001 CONSTRUÇÃO CIVIL. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS ATENDIDAS. Em consonância com os parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Caracterização da hipótese legal quando a fiscalização constata que o pagamento a vários prestadores de serviço não foram contabilizados. Corrobora o permissivo para aferição indireta o fato de a empresa ter deixado de fornecer documentos que demonstrem o risco ocupacional. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS ATENDIDAS. Em consonância com os parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Caracterização da hipótese legal quando a fiscalização constata que o pagamento a vários prestadores de serviço não foram contabilizados. Corrobora o permissivo para aferição indireta o fato de a empresa ter deixado de fornecer documentos que demonstrem o risco ocupacional. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria foi rejeitada a preliminar de nulidade do procedimento nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Vencido na preliminar o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Quanto ao mérito, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. (assinado digitalmente) MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Peço vênia para adotar o relatório de fls. 515523: Tratase de crédito constituído por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.566.0580, consolidado em 06/02/2003, no valor de R$ 153.948,48 (cento e cinqüenta e três mil, novecentos e quarenta e oito reais e quarenta e oito centavos), e compreendendo as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados no período entre 11/1999 a 08/2001, relativamente à mãodeobra empregada na obra de construção civil matriculada no Cadastro Específico do INSS sob o nº 35.350.00495/73 (obra do Hospital Universitário). Consoante o relatório fiscal de fls. 73/81, o referido crédito diria respeito às contribuições arrecadadas dos segurados empregados e não repassadas integralmente à Previdência Social, de sorte que à fiscalização restou o dever de apurar tais diferenças e efetuar o competente lançamento, utilizandose, para tanto, do código de levantamento "OHU – OBRA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO". Ocorre, porém, que, no curso da ação fiscal, teriam sido apresentadas, para uma mesma competência, duas folhas de pagamentos distintas, isto é, ao fisco teriam sido oferecidas informações divergentes em torno das remunerações auferidas por segurados a serviço da empresa e, por conseqüência, das contribuições por eles devidas. Nessas condições, o agente fiscal tratou de cotejar (fls. 96), em cada competência, as bases de cálculos das duas folhas de pagamentos (para competências anteriores a 07/1994) apresentadas com as bases constantes das Relações Anuais de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 63 3 Informações Sociais – RAIS e também com as das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP (para competências posteriores a 01/1999), aproveitando, ao final, aquela que fosse maior. Assim, o presente crédito fora lançado por arbitramento em vista da imprecisão das informações consignadas nas folhas de pagamentos da empresa e, ainda, por não ter sua contabilidade servido de prova a seu favor, vez que, nos termos do art. 33, § 6º, da Lei nº 8.212/91, não registraria o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, conforme demonstrado no Anexo I do relatório fiscal (fls. 82/95). Objetivando, então, evidenciar que a escrituração contábil da empresa não atendia aos princípios fundamentais da contabilidade e, portanto, também não se prestava a demonstrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, o agente notificante traz às fls. 82/95, em relatório adicional, as seguintes justificativas à desconsideração da contabilidade da empresa: A primeira delas, obviamente, diz respeito à existência de duas folhas de pagamentos em diversas competências compreendidas no período de 01/1993 a 07/1994, as quais divergiriam nos valores dos saláriosdecontribuição e, principalmente, na rubrica que trata do número de horas trabalhadas. Questionada sobre a existência de duas folhas e as divergências nelas verificadas, a empresa, por meio dos funcionários do Setor de Pessoal e do Sr. José Luiz Lordello, assessor financeiro, alegara que um dos assentos seria rascunho e fora utilizado tão somente como teste. Com o propósito de esclarecer o episódio e identificar a folha que, de fato, registrasse os segurados a serviço da empresa, as horas por ele laboradas, suas remunerações e respectivos descontos, a fiscalização, através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, solicitou a apresentação de elementos capazes de comprovar o total das horas trabalhadas pelos empregados, quais sejam, os registros de ponto ou outros assentos a ele assemelhados. A empresa, contudo, não os teria apresentado. Passando, pois, ao exame da contabilidade, o agente fiscal teria verificado, relativamente às competências 03/93, 04/93, 07/93, 08/93, 10/93, 11/93, 02/94, 03/94, 05/94, 06/94, 07/94 (CNPJ 29.403.763/000165), o registro dos valores das folhas com os menores salários de contribuição, donde se conclui que, por não ter a empresa demonstrado que as folhas de pagamentos com valores maiores estariam incorretas ou esclarecido o motivo da existência de duas folha por mais de um ano, os lançamentos contábeis não estariam suportados por documentos hábeis. Também teria deixado a empresa de contabilizar os valores notificados pelo INSS em ação fiscal encerrada em maio de 1994, cujo débito previdenciário constituiria um Passivo Contingente seu, razão pela qual deveria encontrarse devidamente provisionado ou registrado em notas explicativas. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 Outra falha diria respeito aos pagamentos de despesas exclusivas do Sr. Arody Cordeiro Herdy, presidente da empresa, pois, em sua contabilidade, estariam registrados pagamentos feitos ao Sr. Salvador Lima Duarte, CPF nº 108.888.70744, para prestação autônoma de serviços de atualização e regularização de ações da Petroquisa e White Martins, de propriedade do Sr. Arody, e do Banco do Brasil, pertencentes ao Sr. José de Sousa Herdy, pai, já falecido, do Sr. Arody. Compreende, dessa maneira, a fiscalização que o Sr. Arody beneficiouse diretamente dos pagamentos das despesas de suas ações e indiretamente pelas despesas das ações de seu pai. A contabilidade da empresa apresentaria, ainda, ao longo de todo o período fiscalizado, muitos erros de lançamento, como a apropriação de saláriosdecontribuição em contas de "despesas diversas" e "indenizações". Todos eles demonstrados em planilha específica. A empresa teria efetuado uma série de pagamentos ao Sr. André Schechter sob o título de "despesas contratuais". A despeito da não apresentação dos correspondentes contratos, um dos documentos relativos a esses pagamentos acusaria uma despesa no valor total de R$ 4.000,00, estando, porém, apenas parte dela contabilizada (R$ 1.646,00), erroneamente, na conta "assinaturas". O restante, R$ 2.354,00, não teria sido encontrada nos registros contábeis. Segundo o relato fiscal, o Sr. André Schechter seria proprietário de parte do imóvel onde funcionaria o estabelecimento de Cristal Palace Hotel, CNPJ 29.403.763/000246, na rua Francisco Otaviano, 56, Copacabana – Rio de Janeiro/RJ. Apuraramse, ainda, diversos pagamentos a pessoas físicas, tidas como prestadores autônomos de serviços pela empresa. Esta, aliás, isenta de contribuição sobre os pagamentos feitos autônomos (atualmente, contribuintes individuais). Da análise desses recibos, depreendeu a fiscalização que: Alguns deles traziam a descrição do serviço prestado como "consultoria". Porém, de acordo com várias procurações encontradas anexas aos recibos de pagamentos a autônomos, tais serviços corresponderiam a aulas ministradas na empresa. Como uma das atividades desempenhadas pela empresa é a educação, tais segurados deveriam ser considerados como empregados, o que redundaria num aumento da contribuição previdenciária, além do aumento do montante total isenção gozada, obrigando a empresa a aplicar mais em gratuidades, já que seria uma entidade filantrópica em gozo de isenção. Entre os recibos e procurações existiria, ainda, uma correspondência do Professor Luciano Medeiros para o Reitor, Sr. Arody Cordeiro Herdy, informando que a docente Vanessa Rosimery L. S. V. Drumond havia ministrado aulas no período de 08/1999 a 06/2000. O Sr. Reitor, por sua vez, teria remetido o documento aos Recursos Humanos, esclarecendo ter a professora trabalhado durante o referido período sem perceber remunerações, o que, para o agente fiscal, corroboraria vínculo empregatício entre as partes, uma vez restarem evidentes todos os pressupostos à sua caracterização. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 64 5 Numa outra situação, observouse que, durante certo período, a empresa apresentava diversos recibos de pagamento a autônomos com as seguintes descrições dos serviços: "aulas", "aulas dadas", "aulas de pósgraduação" e "professor", sugerindo, na realidade, que os segurados tivessem prestado serviços não eventuais, voltados à área fim da empresa, com subordinação e mediante remuneração. Contudo, em dado momento, as referidas expressões para descrever os serviços deixaram de ser usadas, passandose à utilização de enunciados do tipo: "consultoria", "consultoria educacional", "assessoria educacional", "orientação pedagógica", "ortodontia preventiva" ou outras que não conduzissem ao entendimento da prestação de serviços revestidos das características inerentes à relação de emprego. Inclusive, em muitas das vezes, o campo destinado à descrição do serviço apresentavase sem preenchimento. Ao analisar as planilhas de rateios das comissões dos professores, a fiscalização certificouse de que vários dos serviços de consultoria tratavamse, na realidade, de aulas ministradas. As planilhas de rateio acusavam, inclusive, o pagamento de valores relativos a descanso semanal remunerado (DSR), rubrica própria de segurados empregados. Cotejandose, ainda, as folhas de pagamentos e registros de empregados da empresa com sua escrituração contábil, foi possível à fiscalização verificar o lançamento, na conta de pagamentos a pessoas físicas autônomas, dos salários de empregados devidamente registrados. Com este procedimento, a empresa, uma vez mais, teria beneficiadose com a suposta diminuição do valor gozado como isenção, desonerandoa de aplicar em gratuidades esse acréscimo de isenção. Em outros casos, alguns segurados teriam sido pagos como autônomos e poucos meses depois já estariam registrados como empregados. Ressaltese, não obstante, que diversos recibos de pagamentos a autônomos foram apreendidos (cópia do Auto de Apreensão e Guarda de Documentos – AGD encontrase anexa aos autos da NFLD nº 35.462.6930 – fls. 569/571). Outra falta verificada pelo fisco no exame da contabilidade compreenderia a forma de contabilização do imposto de renda arrecadado dos prestadores autônomos de serviços. A empresa, ao longo de todo o período fiscalizado, teria feito uso de duas maneiras para lançar o imposto de renda retido na fonte. A primeira delas, incorreta, seria feita pelo seu valor líquido. Em outras vezes, porém, utilizavase, de maneira correta, seu valor bruto. Em resumo, a contabilidade da AFE não registraria o movimento real de receitas e despesas, porquanto as notas fiscais lançadas em sua contabilidade não teriam sido emitidas pela LUPI RAÇÕES LTDA. Tal assertiva estaria corroborada pelo período em que teria o lançamento perdurado no seu PASSIVO CIRCULANTE, grupo de contas usado para registrar obrigações de curto prazo, ou seja, com menos de um ano. Como o primeiro lançamento teria sido feito em 27/07/2000 e lá permanecido até o final da fiscalização (31/12/2001), quase um Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 ano e meio, as despesas além de não terem ocorrido, foram contabilizadas inapropriadamente, alterando o lucro apurado no exercício. Enxerga, além disso, a fiscalização, não ter a empresa observado o regime de competência, pois os serviços de construção civil contratados somente estariam sendo lançados nas contas de despesa no momento do seu efetivo pagamento (regime de caixa), quando o correto seria a apropriação destes valores às contas de despesa ao momento do recebimento das notas fiscais, tendo como contrapartida a conta "obrigações a pagar". Posteriormente, à medida em que os pagamentos fossem efetuados, efetuarseiam os lançamentos a débito da conta "obrigações a pagar" e a crédito de contas do ativo, como "caixa" ou "bancos". A contabilidade da empresa também não teria observado o disposto no art. 209, § 3º, do Decreto nº 3.048/99, na medida em que, de acordo com os planos de contas dos anos de 1999, 2000 e 2001, inexistiriam contas específicas para o registro do valor da isenção gozada pela empresa. Diante, portanto, de todas as falhas verificadas na contabilidade da empresa, as quais se apresentam condensadas neste item 6, concluiu a fiscalização ter havido ofensa aos seguintes princípios contábeis: objetividade, da oportunidade; continuidade, da prudência e consistência. Expostos os motivos que levaram a fiscalização a não considerar a contabilidade da empresa, retomamse, neste instante, os esclarecimentos consignados no relatório do lançamento fiscal (fls. 73/81), a saber: O objeto da empresa consistiria no cultivo do saber em todos os campos de conhecimento puro e aplicado, através da manutenção de estabelecimentos de ensino nos diversos graus e promover a assistência social, médica, odontológica e hospitalar. Encontrandose, ao momento da ação fiscal, em gozo de isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23, da Lei nº 8.212/91, ressalta a fiscalização a necessidade destas serem lançadas se, porventura, o referido benefício fiscal for cancelado. Portanto, o crédito relativo às contribuições a cargo da empresa, inclusive as decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem assim as destinadas a terceiras entidades, deixou de ser constituído, vez que a Associação Fluminense de Educação encontrase em gozo da isenção de que trata o art. 55 da Lei n.º 8.212/91. Porém, as bases de cálculo que serviram à apuração do crédito previdenciário foram, conforme demonstrado na planilha de fls. 96, somados aos valores totais das folhas de pagamentos do estabelecimento centralizador (CNPJ nº 29.403.763/000165), de modo a possibilitar o cruzamento das informações contidas em GFIP, RAIS e folhas de pagamentos. Assim, para que não houvesse lançamento em duplicidade das contribuições, os valores das bases de cálculo aferidas na presente NFLD apresentamse deduzidos dos valores das bases utilizadas em outras notificações fiscais. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 65 7 Teriam, ainda, no presente lançamento, sido feitas as deduções dos valores pagos a título de saláriofamília e salário maternidade, tomando por base os valores constantes das folhas de pagamentos tidas como corretas. Inconformado, o contribuinte, tempestivamente, insurgiuse contra a notificação em tela (fls. 215/275), argumentando, em síntese, que: O presente processo administrativo tributário seria dirigido contra a Associação Fluminense de Educação e os diretores desta, apontados na relação de vínculos componente desta NFLD, que os qualifica como codevedores do crédito tributário, vez que entendem haver responsabilidade objetiva destes como Presidente e Diretores da AFE pelo mero não recolhimento dos créditos reputados devidos. A esse respeito, cita jurisprudência. Na posição de sujeitos passivos, coresponsáveis pela obrigação tributária, os impugnantes pessoas físicas seriam partes legítimas para configurarem no contencioso administrativo fiscal. A capacidade processual de sujeitos incluídos em NFLD como vinculados ao contribuinte seria matéria pacífica e já devidamente tratada pela Consultoria Jurídica do MPAS, conforme Parecer nº 2.058/2000. Destarte, possuiriam os impugnantes pessoas físicas legitimidade processual para, em nome próprio, realizarem suas defesas. Poderiam, portanto, impugnar a NFLD e, após a decisão de primeira instância administrativofiscal, interpor recurso ao CRPS em seu nome, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Tendo recebido pelos correios, em 15/03/2003, as diversas notificações fiscais, a impugnante teria até o dia 31/03/2003 como interregno para a apresentação da sua impugnação, nos termos do art. 37, § 1º, da Lei de Custeio da Previdência Social. No que tange ao mérito, alegou a Notificada que o presente lançamento decorreria de arbitramento, mediante o uso do mecanismo da aferição indireta, o qual seria incabível em face da inexistência de motivos para a desconsideração da contabilidade. O lançamento presumido, portanto, somente seria admitido nas hipóteses em que a lei autoriza (transcreve dispositivos), implicando o desprezo dos registros contábeis e documentos da empresa. Porém, a contabilidade da Associação Fluminense de Educação, analisada anualmente pelo Ministério da Justiça, trienalmente pelo CNAS, teria sofrido diversas fiscalizações do próprio INSS e da Receita Federal nestes últimos dez anos e, desde 1998, estaria passando pelo crivo de auditoria independente, sem que qualquer um deles houvesse apontado falhas que pudessem ocasionar a subsunção a autorizar a aferição indireta. No Anexo I do relatório do lançamento, a fiscalização abordaria motivos para desconsiderar a contabilidade a revelia do disposto Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 no art. 36, § 3º, da Lei de Custeio, pois teria usado como fundamento para seu ato o desrespeito aos princípios contábeis. Para tanto, teria utilizado tópicos para descrever as justificativas que a levaram a desprezar os registros contábeis, o que, de forma idêntica, também fez o contribuinte para contestá los. O primeiro argumento utilizado pelo auditor fiscal para corroborar sua conclusão de desconsideração da contabilidade diz respeito à suposta existência de duas folhas de pagamentos em diversas competências, no período de janeiro/93 a julho/94 (Anexo I do relatório fiscal, tópico 1.1). Os fatos, portanto, estariam limitados no tempo e, à revelia desta constatação, a fiscalização os teria utilizado como razão para desconsideração de todo o período fiscalizado (dez anos). No mérito da questão, observase, entretanto, que a fiscalização teria admitido existir uma folha considerada "correta", sendo esta contabilizada e utilizada para os fins tributários e contábeis. Em suma, a fiscalização reconheceria que os salários teriam sido devidamente contabilizados e que não existiriam outras folhas contabilizadas (duplicidade de lançamento contábil). A existência de duas folhas de pagamentos, em determinadas competências, estaria justificada pela emissão de relatórios gerenciais, simulando o pagamento de salários, já que, à época, se vivia uma fase de transição econômica, passandose de uma inflação mensal de 20% ao Plano Real, que dentre outras providências, criou a URV Unidade Referencial de Valor. Enfim, uma das duas folhas apresentadas corresponderia a um relatório de previsão de pagamentos. A fiscalização teria presumido serem deficientes as Folhas de Pagamento apresentadas porquanto a documentação comprobatória solicitada para verificação das horas trabalhadas (cartões de ponto freqüência) teria sido destruída em função de sua prescrição legal (5 anos), conforme se depreende do inciso XXIX, do art. 7º, da Constituição Federal, que limita o lapso temporal para a interposição de ações trabalhistas. Relativamente à não contabilização de valores notificados pelo INSS em ação fiscal encerrada em 1994 (Anexo I do relatório fiscal, tópico 1.2), sob a forma de passivo contingente, entende a empresa que os administradores teriam a liberdade de registrar passivos contingentes se a sua interpretação fosse a de que estes seriam realmente devidos, após consulta ao departamento jurídico. Ademais, nos exercícios de 1993 e 1994, não haveria exigência legal para a apresentação de notas explicativas, tampouco para a auditoria de balanços; limitandose a legislação vigente à época a exigir a demonstração de receitas e despesas ocorridas no período e dos haveres e obrigações da entidade. Sendo a AFE sociedade civil sem fins lucrativos, possuidora de certificado de filantropia, estaria desobrigada da apresentação de notas explicativas e demais relatórios contábeis até a entrada em vigor do Decreto nº 2.536/98 (art. 4º, parágrafo único), alterado pelo Decreto nº 3.504/00. A partir de então, tal passivo Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 66 9 teria sido registrado nas notas explicativas, cumprindo sobejamente a determinação do Decreto. Inclusive, a empresa teria obtido a antecipação de tutela, declarando a nulidade dos referidos lançamentos fiscais (Proc. n.º 2000.34.00.0436285, 14a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal). Com referência ao fato de o Sr. Arody Herdy e seus progenitores terem tirado proveito em face da prestação de serviços para avaliação de ações em bolsa (Anexo I do relatório fiscal, tópico 1.3), este hipoteticamente poderia gerar efeitos jurídicos contrários à manutenção da filantropia, mas não deporia contra a credibilidade da escrita. Efetivamente teria havido uma falha eventual e não reincidente na gestão das contas a pagar da entidade. As ações mencionadas na fiscalização, de fato, eram de propriedade dos Srs. José de Souza Herdy e Arody Cordeiro Herdy. Ao teor do art. 206, VI, Seção II, do Decreto nº 3.048/99, não deveriam ser percebidos pelos mantenedores por qualquer forma ou título. Porém, o pagamento de despesas com valores irrelevantes, ocorrido de forma equivocada, não poderia ser presumido como benefício em função das competências, funções ou atividades dos membros do conselho diretor, definidas estatutariamente. Tal presunção seria forçar a interpretação da Lei, para dela sim, auferir benefícios, neste caso, os créditos previdenciários Aduz, ainda, que não ocorreu violação ao princípio da competência, pois este fica caracterizado pelos recibos de pagamento reconhecidos contabilmente. Alega que a fiscalização buscou desqualificar a contabilidade da empresa, privilegiando a forma em detrimento da essência, contrariando a Resolução nº 750/93. Afirma que as irregularidades apontadas no processo não servem de base à aferição indireta vez que são pontuais e limitadas a um intervalo mínimo de tempo. Não sendo cabível o arbitramento, não é possível a mensuração do tributo devido pela aferição indireta; logo, o lançamento é nulo, pois se baseia em critérios inexistentes e fere o disposto no art. 37 da Lei nº 8212/91, apresentando fato gerador que nem é claro e nem preciso. Requereu como meio de prova a realização de perícia. No mérito, alega que é incabível a cobrança de valores relacionados a terceiros, pois o lançamento do crédito ocorreu por solidariedade. A multa também não seria devida, já que a obrigação de pagar pontualmente é do contribuinte e não do responsável, que responde apenas pelo não pagamento. Por fim, requereu a declaração da nulidade da NFLD lavrada. Cabe informar que o Relatório "Desconsideração da Contabilidade da Empresa como prova a favor do Contribuinte" foi anexado a todas as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito lavradas contra a Empresa, de forma que parte das Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 informações ali constantes não têm relação com o presente lançamento. A mesma ressalva pode ser feita em relação à Defesa da Empresa, vez que foi efetuada uma impugnação única, para todos os lançamentos de débito, apresentando argumentos não relacionados a esta NFLD, e que, portanto, são incapazes de ocasionar a nulidade ou improcedência do lançamento. Em 08 de março de 2004, por meio de DecisãoNotificação n. 17.422.4/0002/2004 [fls. 285338], a então Gerência Executiva julgou procedente o lançamento realizado e refutou, na oportunidade, os argumentos colacionados na peça de impugnação: (i) que não houve desconsideração dos registros contábeis no levantamento em análise, já que os valores que serviram de base para o presente lançamento foram extraídos dos lançamentos contábeis localizados nos Livros Diários, bem como pela análise de notas fiscais, faturas e recibos emitidos pelas empresas prestadoras de serviços, não serão analisadas as alegações da empresa referentes à desconsideração da contabilidade da mesma; (ii) na presente ação fiscal, a aferição indireta foi utilizada apenas quando a fiscalização se encontrou sem outros meios para calcular o valor do tributo devido em outras notificações aplicadas ao mesmo contribuinte; (iii) o presente levantamento não foi efetuado por meio de aferição indireta, não tendo sido analisadas as alegações da empresa referentes ao uso da mesma nesta Notificação Fiscal; (iv) não têm relevância para o deslinde do presente processo os argumentos referentes à ausência de contrato escrito com o Sr. André Schechter, aos professores contratados para realizar atividades de consultoria, ao pagamento de descanso semanal remunerado; ao contrato de trabalho da professora Mara Lúcia Dias Pará e a cerceamento de defesa por não terem sido individualizados os valores levantados entre autônomos e segurados empregados; (v) a Notificada inobservou, nos termos da Resolução CFC n. 750/93, dos referidos princípios contábeis, de sorte que a contabilidade da AFE não se mostra suficientemente confiável e capaz de prover aqueles que a acessam com informações precisas sobre seu patrimônio e as mutações nele verificadas. Inconformados com o decisum singular, os tidos coresponsáveis interpuseram recurso voluntário [fls. 343399], tempestivamente e sob os mesmos argumentos da peça impugnatória. Por força de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 2005.51.10.0009951, em tramitação na 2ª Vara Federal de São João de Meriti/RJ, foi dispensado aos Recorrentes a exigência de depósito de 30%. Os autos foram remetidos a SRP que, voluntariamente, deixou de apresentar contrarazões à peça interposta. Em 11 de dezembro de 2007, a então 5ª Câmara do Segundo Conselho resolveu converteu o julgamento em diligência para que o Órgão de Fiscalização prestasse os seguintes esclarecimentos [fls. 514/526]: Ora, a inversão do onus probandi em desfavor do sujeito passive é consequência muito relevante e, geralmente; tornase um fardo insuportável ao contribuinte para a plena defesa de seus Fl. 10DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 67 11 interesses e direitos, findo de morte seu direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, entendo que restam alguns esclarecimentos a serem prestados pelo órgão de Fiscalização, quais sejam: (i) apresentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de planilha indicando de forma pormenorizada os tidos vícios na contabilidade da AFE e em quais competências foram constatadas; (ii) Do resultado deverão ser intimados a Notificada e Interessados para, se quiserem, manifestarse, no prazo de 10 [dez] dias, em atendimento ao disposto no art. 308, do Decreto n° 3.048/99. Portanto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Instada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ apresentou Informação Fiscal [fls. 1596/1602] que, em síntese, manifestou: Em atendimento a Resolução n° 20500.020, de 11.12.2007, da 5ª Câmara de Julgamento do Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 514 .a 526, passamos aos esclarecimentos solicitados à folha 526, itens (i) a (ii), a saber: (i) Anexamos Planilha Demonstrativa dos Tidos Vícios na Contabilidade da AFE, de fls. 1598 a 1600, com indicativo por competência. A Planilha segue acompanhada de documentação comprobatória, de fls. 537 a 1595, referente a cópias de: folhas de Livros Diários, de Livros Razão, documentos anexos a Livros contábeis, Notas Fiscais, Plano Geral de Contas, Fichas de Registro de Empregados, Recibos de Pagamentos a Autônomo e outros documentos, agrupados por classificação de vícios contábeis aos anexos CBL I ao CBL XV (anexos citados na última coluna da Planilha formulada). Tal documentação comprobatória foi levantada pelo próprio AFRFB notificante no desenvolvimento da Ação Fiscal que deu origem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em referência, porém, não apensada a totalidade das NFLD's lavradas, inclusive não apensada a presente NFLD, de conformidade com as informações de fl. 82. Considerando a ilegibilidade de parte desta documentação comprobatória, resgatamos junto aos sistemas contábeis da Empresa uma segunda via legível dos mesmos, que também foram anexadas ao processo, seguindose às respectivas primeiras vias (cópias originárias). A Planilha Demonstrativa anexada atende ao nível de pormenorização requerida, quando apreciada em conjunto com o Relatório Anexo I Motivações da Desconsideração da Contabilidade, de fls. 83 a 95, contendo a descrição detalhada do vício contábil, bem como, com a documentação comprobatória dos anexos CBL I ao CBL XV, ora acostada. [Grifo nosso] Fl. 11DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 Cientificado da Informação Fiscal, o Sujeito Passivo apresentou manifestação [fls. 1607/1639] que, em resumo: (i) ratificou os argumentos dispostos no recurso voluntário; (ii) requer o provimento do recurso, pelo reconhecimento da nulidade da NFLD em epígrafe, pela indevida realização do lançamento com base em aferição indireta, com a ilegal desconsideração da escrita contábil; realizada de forma genérica e descuidada, como ficou evidente na informação fiscal, que reportase a fatos decaídos e/ou sem correlação temporal com presente processo, o que apontam para urgente nulidade do feito; (iii) Caso não sejam consideradas a preliminares supra, antes de decidir o mérito, essa Corte deve sanear o processo para desconsiderar os fatos, inclusive apontados na informação fiscal, que não possuem correlação temporal com o presente processo, ou já decaíram e/ou já foram objeto de julgados em outras NFLD'S, tudo como apontado nas razões precedentes e ao final, no mérito, a improcedência do lançamento. É o relatório. VotoVencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator. 1 DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 22/12/2004. Havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios em 10/01/2005, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2 PRELIMINAR: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA Referese a presente notificação a contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados no período entre 11/1999 a 08/2001, relativamente à mãodeobra empregada na obra de construção civil matriculada no Cadastro Específico do INSS sob o n. 35.350.00495/73 (obra do Hospital Universitário),consoante o relatório fiscal de fls. 73/81: […] 5. O crédito previdenciário ora constituído referese à diferença dos descontos da contribuição dos segurados em virtude da ocorrencia do fato gerador acima exposto, crédito Fl. 12DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 68 13 este lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, com base nos valores constantes das folhas de pagamento. 6. Os valores que serviram de base de cálculo para a constituição do crédito previdenciário estão somados com os valores totais das folhas de pagamento do estabelecimento centralizador. Assim, para não ocorrer lançamento em duplicidade, os valores das bases de cálculo desta NFLD já foram subtraídos dos valores lançados em outras notificações que tiveram as mesmas folhas de pagamento como fonte de informaçâo. 7. A empresa efetuou obra de construçâo civil sob sua responsabilidade direta, porém não efetuou matrícula CEI, motivo pelo qual foi autuada. A obra de reforma foi realizada no imóvel localizado na Rua Almirante Baltazar, 435 São Cristóvão Rio de JaneiroRJ, onde funciona o Hospital Universitário. A matrícula CEI foi feita de ofício, tendo como n. 35.350.00495/73. 8. Foram feitas as deduçôes dos valores pagos a título de saláriofamília e salário maternidade, valores estes constantes das folhas de pagamentos consideradas "corretas". 9. A aferiçâo indireta foi usada uma vez a contabilidade apresentada não foi considerada como prova a favor da empresa, face aos fatos apresentados no anexo I deste relatório. Ou seja, o referido crédito diria respeito às contribuições arrecadadas dos segurados empregados e não repassadas integralmente à Previdência Social, de sorte que à fiscalização restou o dever de apurar tais diferenças e efetuar o competente lançamento, utilizandose, para tanto, do código de levantamento "OHU — OBRA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO”. ALBERTO XAVIER leciona que o lançamento, como ato de aplicação do direito, envolve a interpretação da lei, a caracterização do fato previsto na hipótese normativa e a sua ulterior subsunção no tipo legal. Tal procedimento tributário tem por fito nuclear a investigação dos fatos tributários, com o intuito de prova e caracterização [Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro, Forense, 2005, p. 131.]. Ocorre que, por serem submissos à aplicabilidade e observância do princípio da legalidade, com o objetivo de resguardar os interesses dos particulares contra os arbítrios do poder, entretanto, o Direito Tributário e Previdenciário utilizamse, para proceder à investigação e valoração dos fatos, o princípio inquisitório e o da verdade material. Ora, o dever de cumprimento do disposto em lei é um mecanismo de proteção do interesse do administrado, dessa forma, a observância ao princípio da legalidade é ínsita ao ato administrativo, principalmente aquele relativo ao lançamento de crédito tributário. Assim, é dever da Administração Tributária a plena caracterização do fato gerador para que se evite a improcedência dos lançamentos realizados ou mesmo a decretação de nulidade desses. Em 11 de dezembro de 2007, a então 5ª Câmara do Segundo Conselho resolveu converteu o julgamento em diligência para que o Órgão de Fiscalização prestasse os seguintes esclarecimentos [fls. 514/526]: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 Ora, a inversão do onus probandi em desfavor do sujeito passive é consequência muito relevante e, geralmente; tornase um fardo insuportável ao contribuinte para a plena defesa de seus interesses e direitos, findo de morte seu direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, entendo que restam alguns esclarecimentos a serem prestados pelo órgão de Fiscalização, quais sejam: (i) apresentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de planilha indicando de forma pormenorizada os tidos vícios na contabilidade da AFE e em quais competências foram constatadas; (ii) Do resultado deverão ser intimados a Notificada e Interessados para, se quiserem, manifestarse, no prazo de 10 [dez] dias, em atendimento ao disposto no art. 308, do Decreto n° 3.048/99. Portanto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Instada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ apresentou Informação Fiscal [fls. 1596/1602] que, em síntese, manifestou: Em atendimento a Resolução n° 20500.020, de 11.12.2007, da 5ª Câmara de Julgamento do Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 514 .a 526, passamos aos esclarecimentos solicitados à folha 526, itens (i) a (ii), a saber: (i) Anexamos Planilha Demonstrativa dos Tidos Vícios na Contabilidade da AFE, de fls. 1598 a 1600, com indicativo por competência. A Planilha segue acompanhada de documentação comprobatória, de fls. 537 a 1595, referente a cópias de: folhas de Livros Diários, de Livros Razão, documentos anexos a Livros contábeis, Notas Fiscais, Plano Geral de Contas, Fichas de Registro de Empregados, Recibos de Pagamentos a Autônomo e outros documentos, agrupados por classificação de vícios contábeis aos anexos CBL I ao CBL XV (anexos citados na última coluna da Planilha formulada). Tal documentação comprobatória foi levantada pelo próprio AFRFB notificante no desenvolvimento da Ação Fiscal que deu origem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em referência, porém, não apensada a totalidade das NFLD's lavradas, inclusive não apensada a presente NFLD, de conformidade com as informações de fl. 82. Considerando a ilegibilidade de parte desta documentação comprobatória, resgatamos junto aos sistemas contábeis da Empresa uma segunda via legível dos mesmos, que também foram anexadas ao processo, seguindose às respectivas primeiras vias (cópias originárias). A Planilha Demonstrativa anexada atende ao nível de pormenorização requerida, quando apreciada em conjunto com o Relatório Anexo I Motivações da Desconsideração da Contabilidade, de fls. 83 a 95, contendo a descrição detalhada do vício contábil, bem como, com a documentação comprobatória dos anexos CBL I ao CBL XV, ora acostada. [Grifo nosso] Fl. 14DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 69 15 Percebese do excerto acima destacado, que o Órgão de Fiscalização juntou aos autos, quando da conversão do julgamento em diligência, “documentação comprobatória, de fls. 537 a 1595”, ou seja, há clara complementação do fundamento e, por conseguinte, da motivação do lançamento. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. A autarquia tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” A legislação em apreço insculpiu princípio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, além de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Ademais, em se tratando de lançamento fiscal, o artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa dúvidas de que a motivação se refere à verificação pelo agente fiscal da ocorrência do fato gerador. O contencioso administrativo no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelo Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972 e mais especificamente, no caso das contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei n.° 11.457, de 16 de março de 2007, pela Portaria RFB n.° 10.875, de 16 de agosto de 2007. Em ambos diplomas legais, nos artigos 59, inciso II e 27, inciso II, respectivamente, está disposto que são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa” (grifei). Nesse sentido, a juntada a posteriori – já no julgamento do recurso voluntário – de mais de 1000 folhas de documentos que “foi levantada pelo próprio AFRFB notificante no desenvolvimento da Ação Fiscal que deu origem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em referência, porém, não apensada a totalidade das NFLD's lavradas, inclusive não apensada a presente NFLD, de conformidade com as informações de fl. 82” [fls. 1596/1602], implica em claro cerceamento do direito de defesa e contraditório. Dessa forma, voto pela nulidade do lançamento lavrado. 3 MÉRITO Caso seja vencido na preliminar suscitar, passo ao exame do mérito. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 A recorrente reclama que o lançamento foi lavrado com base em aferição indireta, porém não teria sido demonstrado que havia motivos para utilização desta sistemática excepcional para apuração da base de cálculo das contribuições, conforme os requisitos legais do §6º do art. 33 da Lei 8.212/91 que assim preceitua: “§ 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” A questão central, portanto, reside no fato de ter havido ou não adequado enquadramento do caso dentro do permissivo legal que trata da aferição indireta, pois é fora de dúvidas que se trata de sistemática excepcional que só pode ser utilizada se configurados os requisitos legais para tanto. Tanto é verdade tal afirmação que, em 11/12/2007, foi comandada pela a então 5ª Câmara do Segundo Conselho diligência para que o Órgão de Fiscalização prestasse os seguintes esclarecimentos apresentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de planilha indicando de forma pormenorizada os tidos vícios na contabilidade da AFE e em quais competências foram constatadas [fls. 514/526]. A Informação Fiscal apresentada as fls. 1596/1602, separou por competência e vícios na contabilidade. Esse documento consubstanciou as evidências apontadas no Relatório Fiscal e no decisum recorrido [fls. 319/335], que por terem sido consignadas no relatório do presente voto e serem de conhecimento do Sujeito Passivo, dispenso nova colação neste. Intimado da Informação Fiscal referida, o Sujeito Passivo apresentou manifestação [fls. 1607/1639] que, em resumo, rebate cada “linha” apontada como vício pela contabilidade. Realizandose o cotejo entre os argumentos (fisco e contribuinte), entendo que em uma “linha” [8ª (“mudança de tratamento nos serviços prestados por autônomos: aulas ministradas passaram a ser descritas como ‘consultoras’)], o Sujeito Passivo não conseguiu afastar o vício em sua contabilidade. É cediço que o arbitramento deve ter a sua utilização reservada somente para os casos excepcionais, após ficar demonstrada a impossibilidade de se obter as informações de forma convencional, ou seja, com base nos registros oferecidos pelo contribuinte ou constantes em sua contabilidade. Os fatos conforme narrados apontam exatamente no sentido da ocorrência real das situações excepcionais apontadas pelo contribuinte como autorizadoras da condução do levantamento da base de cálculo por arbitramento. No plano infraconstitucional, a matéria relativa à apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias foi confiada à Lei nº 8.212/91, a qual dispõe em seu art. 33 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, Fl. 16DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 70 17 promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Esmiuçando a matéria em realce, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, inserida no conceito de “Legislação Tributária” adotado pelo codex, conferiu o detalhamento dos procedimentos fiscais a serem conduzidos pela fiscalização, assim dispondo em seu art. 487, verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 486. A obra ou o serviço de construção civil, de responsabilidade de pessoa jurídica, deverá ser auditada com base na escrituração contábil, observado o disposto nos arts. 433 e 435, e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Parágrafo único. Os livros Diário e Razão, com os lançamentos relativos à obra, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Art. 487. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I – quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil; II – quando não houver apresentação de escrituração contábil no prazo fixado no § 6º do art. 65; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil Fl. 17DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 18 ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV – quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse do INSS; (grifos nossos) V – quando os documentos ou informações de interesse do INSS forem apresentados de forma deficiente. (grifos nossos) §1º Nas situações previstas no caput , a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 441, 619 e 623, sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; II– pela aferição do valor da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão em relação à obra de responsabilidade da empresa, nas edificações prediais; (grifos nossos) III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II. §2° Na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada total ou parcial, até janeiro de 1999, aplicarseá a responsabilidade solidária, na forma da Seção III do Capítulo X do Título II, em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. §3° Na contratação de empreitada total a partir de fevereiro de 1999, não tendo o contratante usado da faculdade da retenção prevista no art. 200, aplicarseá a responsabilidade solidária em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. A conduta infracional perpetrada pelo Recorrente culminou por frustrar os objetivos da lei e, como consequência, prejudicou a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce. Para não permitir que tórpidos venham a se valer da própria torpeza, mediante a intercalação artificial de embaraços e percalços no curso regular dos procedimentos fiscais, a lei, de forma expressa, promoveu a inversão do ônus probante nas situações em que o iter procedimental da fiscalização tenha que ser desviado por culpa ou dolo do sujeito passivo. É exatamente o que ocorre no caso da apuração da base de cálculo de contribuições previdenciárias, nas hipóteses em que o agente do fisco tenha que se valer do expediente da aferição indireta para apurar a matéria tributável, em razão de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou de sua apresentação deficiente; de falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, ou, ainda, nos casos em que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, dentre outras. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das Fl. 18DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 71 19 contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Dessa forma, o fisco procedeu à confecção dos cálculos com base em valores aferidos indiretamente, os quais resultaram em um débito para o contribuinte, como restou demonstrado nos autos. O procedimento indireto adotado encontra respaldo na Legislação Previdenciária, conforme se depreende da combinação do disposto na Lei n.º 8.212/91; com o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo de sua contabilidade regular, deverá ser aferida, de Fl. 19DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 20 forma indireta, a mãodeobra mínima a ser considerada na execução dos serviços para o cálculo da contribuição a ser recolhida. Os parágrafos, do artigo 33 da Lei de Organização da Seguridade Social, trazem em seu texto: “Art. 33 (...). § 1 É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2 A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4 Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (g.n.) Nesse sentido, artigos 232 a 234 do Regulamento da Previdência Social, dispõem: “Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Fl. 20DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº35311.000240/200336 Acórdão n.º 2302001.837 S2C3T2 Fl. 72 21 Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. ... Art.234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.” (g.n.) Dessa forma, não tendo a empresa colacionado aos autos a documentação comprobatória de sua regularidade contábil e dos termos alegados, e tendo sido configurado que a mesma, na verdade está em débito para com o fisco, uma vez que não recolheu o valor devido, mantenho a decisão recorrida, no sentido de indeferir o pedido do contribuinte. TAXA DE JUROS E MULTA A recorrente alega, por fim, que “o valor cobrado não poderia sofrer acréscimos moratórios pela variação da taxa selic, procedimento flagrantemente inconstitucional”. Sem razão a empresa. A legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia e à multa de mora, nos termos dos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91. A propósito da incidência da SELIC, convém mencionar que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Nesse contexto, correta a aplicação da taxa de juros e multa, com fulcro na legislação previdenciária acima destacada. CONCLUSÃO Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Conselheiro Fl. 21DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 22 Voto Vencedor Diferentemente do Conselheiro Relator entendo que não houve inovação nos fundamentos de fato ou de direito que ensejaram o lançamento. O voto apresentado pelo Conselheiro relator parte da premissa que teria havido complementação de fundamentos, entretanto o que houve foi complementação de documentos – plenamente cabível no processo administrativo tributário. Conforme relatório fiscal, o que originou o lançamento foi a remuneração de mãodeobra utilizada em obra de construção civil. Os documentos juntados em diligência não alteraram os fundamentos de direito utilizados pela fiscalização. Também não houve alteração dos fundamentos fáticos. O lançamento foi realizado por arbitramento em função de falhas registradas na contabilidade. Os documentos juntados após a diligência, demonstram os argumentos apontados pela fiscalização no relatório fiscal. Desse modo, serviram como simples complementação de provas, não havendo inovação em fatos, pois para sustentar ou não o presente lançamento serão considerados os fatos apontados no relatório fiscal. Além do mais, a documentação somente foi juntada em virtude de diligência comandada pelo próprio Carf. Pelo exposto não se pode confundir complementação de fundamento com complementação de documentos. Também não houve cerceamento de defesa alegado pelo Conselheiro Relator, pois da documentação juntada após o comando da diligência fiscal, a autuada teve oportunidade para se manifestar. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 22DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 26512.400025/87-76
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 1989
Data da publicação: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 1989
Ementa: CONTRIBUIÇÃO AO IAA - Falta de recolhimento das contribuições previstas no artigo 3º do D.L. nº 308/67 e do adicional instituído pelo D.L. nº 1.952/82. Preliminar de nulidade da decisão recorrida afastada. Recurso a que se dá provimento parcial para reduzir o percentual da multa aplicada.
Numero da decisão: 202-02607
Nome do relator: HELENA MARIA POJO DO REGO
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PUBWIDO NO D. 0.2,, C Yb t.ti. c R nWrice 4- k 4, 4'%1:9fr MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 26,512,400,025/87,76 1TM Sessão de 011 de julho de 19 89 ACORDÃO N.° 2 02 -02.607 Recurso n.° 1 8 1 . 39_3 Recorrente USINA COSTA PINTO S,A, - AÇOCAR E ALCOOL Recorrida SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO IAA EM PIRACICABA , SP CONTRIBUIÇA0 AO IAA , Falta de recolhimento das contribuiçSes previstas no artigo 39 do D.L. n? 308/67 e do adicional instituTdo pelo D.L. n9 1952J82, Preliminar de nulidade da decisão re corrida afastada. Recurso a que se d5 provimento parcial para reduzir o percentual da anui ta aplica da Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por USINA COSTA PINTO S.A. AÇÚCAR E ALCOOL. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de 100 para 50%. Fez sus_ tentação oral, pela recorrente, o Dr. PAULO HENRIQUE DO A.S. MONTE NEGRO e, pela Fazenda, o Procurador , Repr-sentante da Fazenda Nacio nal, Dr, JOSÊ CARLOS DE ALMEIDA LEMOS, Sala das-s. s, em 04 , lho de 1989 H ha 0 ^ E //OVD0 B e julho / PRESIDENTE n» "4" •• " : AVMÃO0J0 e R e il ,- RELATORA JOS; jRLO' , - A/fr IDA LEMOS ,, PROCURADOR-REPRESENTANTE )11" DA FAZENDA NACIONAL VIS , EM S'SSA0 DE 3 1 AGO 1989 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros OSVAL DO TANCREDO DE OLIVEIRA, ALDE DA COSTA SANTOS JÚNIOR, ELIO SOTHE OSCAR LUIS DE MORAIS, JOSE LOPES FERNANDES e SEBAST20 BORGES TAQUA RY. _ , 02- MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 26 . 512 -4 O O 425/ 87 r 7 6 Recurso n.o: 81.393 Acordão n.o: 202-02,607 Recorrente: USINA COSTA PINTO S.A, , AÇOCAR E ALCOOL. RELATORf0 A presente exigancia fiscal concerne â falta de recolhi mento das contribuiçEes previstas no D,L, n9 308/67, artigo 39,e do adicional ãs referidas contribuiçSes, instituído pelo artigo 19 do DL. n9 1,552/82. Alam do principal corrigido monetariamente, a notifica ç jo de lançamento exige da empresa juros de nora e multa de 20% (vin te por centol. Devidamente intimado da notificação, o contribuinte a presentou sua impugnaço, alegando que a contribuição e o adicional em questão são inconstitucionais. A decisão de primeira instãncia, considerando que a infratora não recolheu a importãncia constante da notificação, jul gou procedente a ação e determinou a aplicação da multa de 100%, prevista no D.L. n9 308167. Em seu tempestivo recurso, argUiu preliminarmente a nu lidade da decisão recorrida, jã que, no entender da recorrente, es ta não teria abordado, de forma concreta e abrangente, todos os as pectos constantes da defesa então apresentada. No mérito, alegou a recorrente que o recolhimento da taxa e do adicional pretendido inexigivel, eis que sua legalidade é de todo questionável. Alegou, ainda, que J flagrantemente descabida a forma como vêm sendo apli cadas as aliquotas da contribuição e do adicional mencionados. Im segue , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL - Processo n9 26,512-40_0„0_2518736 03 Acõrdão n? 202-02,G07 pugnou, de resto, a aplicação da correção monetâria e da multa de 100% (cem por cento), j4 que o referido percentual deveria ser de 50% (cinqtlenta por cento), vez que não ocorreu, nos autos, Lipõtese de reincidência. C o relat6rio, VOTO DA CONSELHEtRAr.RELATORA HELENA MARIA POJO DO REGO Não acolho a preliminar de nulidade da decisão de primeira instãncia levantada pela recorrente, visto que o Pare cer da Procuradoria do FAA, incorporado âs razaes de decidir do Superintendente Regional daquele Orgão aborda todos os aspectos constantes da defesa. No tocante 5 alegada ilegitimidade da cobrança, veri ficamos que a mesma não encontra respaldo legal. Encontra amparo legal, sim, cada um dos itens da exi gência tributãria, a saber: no que diz respeito â contribuiç.ão, propriamente dita, encontramos o D,L, n? 308167, art. 39; quanto ao adicional, devido a partir da vigência do D,L. n? 1.952/82, art. 19, que o instituiu, sobre os fatos geradores ocorridos a partir daquela data; os juros de mora estão respaldados pela Lei n? 5.421168, art. 2?, e a partir de 26,02.87, o D.L. n9 2323, no seu art. 16, e DL. n? 2331187; a correção monetâria ficou esta belecida com o advento do D,L, n? 308/67 .i art, 11. a D.L. n? 2,323, de 26,0_2.87, art, 19. A multa de resto, devida pelo não-pagamento da con tribuição, no prazo em que se tornar exigível, ê de 50%, confor me disposto no §. 29 do art. 6? do D.L, n? 308167. Todavra foi admitida a redução para 20%, se paga no prazo estabelecido na notificação (Decreto o? 62.386168, art.49, e- Resolução n? 2,005/68, art, 391, segue - 3/. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 04- Processo n? 26,512-400,025/87776 AcOrdão n? 202-02,607 Não paga no prazo estabelecido na notificação, proferida decisão restabelecendo a multa de 50%, que é agravada para 10(1% no caso de reincidência, Nestes termos, restaram apreciadas, todas as ques toes levantadas nos autos, Ocorre que, no caso especTfico dos autos, a multa a plicada de 100% não se justifica, vez que não esta caracterizada a reincidência. Por estas razaes, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reformar a decisão recorrida e determi nar a aplicação da multa de 50%, nos termos do 5 29 do art. 69 do D,L, n? 308167, das Sess8es, em G4 de julho de 1989 r H LENMMARIA POJO DO REGO
score : 1.0
Numero do processo: 10108.000584/2001-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. NÃO COMPROVAÇÃO DA ÁREA DECLARADA. MANUTENÇÃO LANÇAMENTO. Com fulcro na legislação tributária de regência, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, uma vez intimado a comprovar a área de reserva legal declarada em sua DITR, mediante documentação hábil e idônea, não logrando êxito o contribuinte nesta empreitada, se quedando inerte/silente, impõe-se a manutenção do lançamento a partir da glosa de aludida área. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
A Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto diz que “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.152
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. NÃO COMPROVAÇÃO DA ÁREA DECLARADA. MANUTENÇÃO LANÇAMENTO. Com fulcro na legislação tributária de regência, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, uma vez intimado a comprovar a área de reserva legal declarada em sua DITR, mediante documentação hábil e idônea, não logrando êxito o contribuinte nesta empreitada, se quedando inerte/silente, impõese a manutenção do lançamento a partir da glosa de aludida área. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. A Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto diz que “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 159174), interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 30238.681 (fls. 136142) da Segunda Câmara, do então Terceiro Conselho de Contribuintes, proferido em 23 de maio de 2007, que, por maioria dos votos, deu provimento ao recurso para cancelar o auto de infração em função da desnecessidade de Ato Declaratório Ambiental para a comprovação da existência de áreas de preservação permanente ou reserva legal : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL BASE DE CÁLCULO — EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL DO IBAMA. O Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/96, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Cingese o presente processo sobre o Auto de Infração/Anexos de fls. 01, 14/20, através do qual se exige do contribuinte o pagamento de R$ 73.999,42, a título de Imposto Territorial Rural — ITR, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, decorrentes Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10108.000584/200168 Acórdão n.º 920202.152 CSRFT2 Fl. 2 3 da glosa da área de utilização limitada (reserva legal), resultando na diminuição do Grau de Utilização, que fez aumentar a Alíquota de Cálculo, em relação aos dados informados em sua Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial — DITR Exercício de 1997, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Camalotal e Aterradinho, com área total de 7.300,0 ha, localizado no município de Corumbá — MS. No caso, o contribuinte pleiteara a reforma da decisão da 1ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Campo Grande/MS ,que julgou procedente o lançamento impugnado. Às fls. 147148, Embargos de Declaração opostos pela PGFN alegando que houve obscuridade no acórdão quanto à área de utilização limitada, não tendo sido objeto do auto de infração questões referentes à área de preservação permanente. Portanto, sustenta a recorrente, seria o caso de se dar apenas provimento parcial ao recurso voluntário, já que o acórdão não se referiu expressa e especificamente às áreas de reserva legal, reconhecendo apenas as de preservação permanente, que, como visto, não totalizam a área glosada. Os Embargos foram rejeitados pela Câmara em 29 de janeiro de 2008 – Acórdão folha 152. Em atenção ao disposto no inciso I, do art. 7º do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a PGFN sustenta haver violação aos artigos 34 e seguintes da Lei n° 9.430/96, quando esta trata não apenas da obrigatoriedade de apresentação dos documentos, como também o acesso da Administração à documentação, inclusive mencionando sobre a possibilidade de retenção dos mesmos, lacração, guarda e obrigações outras: "Documentação Fiscal Acesso à Documentação Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em 010 arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Retenção de Livros e Documentos Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1° Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2° Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Lacração de Arquivos Art. 36. A autoridade fiscal encarregada de diligência ou fiscalização poderá promover a lacração de móveis, caixas, cofres ou depósitos onde se encontram arquivos e documentos, toda vez que ficar caracterizada a resistência ou o embaraço à Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 fiscalização, ou ainda quando as circunstâncias ou a quantidade de documentos não permitirem sua identificação e conferência no local ou no momento em que foram encontrados. Parágrafo único. O sujeito passivo e demais responsáveis serão previamente notificados para acompanharem o procedimento de rompimento do lacre e identificação dos elementos de interesse da fiscalização. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Arquivos Magnéticos Art. 38. O sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada." A i. Procuradoria da Fazenda alega, ainda, haver contrariedade ao § 8°, do art. 16 da Lei 4.771/65 – Código Florestal: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: [...]§ 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Segundo a recorrente, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, a legislação em vigor estabelece a obrigação do proprietário rural em averbar a reserva legal, não podendo o contribuinte unicamente apontar sua existência sem qualquer comprovação. Além disso, a PGFN alega que a decisão recorrida tratou de matéria alheia ao que consta no auto de infração. Segundo a recorrente, única matéria posta em litígio foi a área de utilização limitada, não tendo sido levantado no auto de infração a questão da preservação permanente, uma vez que não foi objeto de declaração na DITR. Por meio de análise preliminar, a i. Presidente da então Segunda Câmara, da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial por entender que a recorrente demonstrou fundamentalmente o dispositivo legal que, em tese, foi violado – despacho fls. 175177. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10108.000584/200168 Acórdão n.º 920202.152 CSRFT2 Fl. 3 5 Intimado, o Contribuinte, por meio de seu procurador, informou da impossibilidade de atender o prazo para a apresentação das contrarazões em razão de doença grave, requerendo a devolução do prazo. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do mérito. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. 1 Reserva Legal Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §8° do Código Florestal, com a redação trazida pela Medida Provisória nº 216667, de 2011, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, cuja fração é variável conforme região: “Art. 16. ...................... ............................. § 8º. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.” Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbála junto ao órgão competente). Vejase a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas . 2003. 15ª ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bemestar social.(destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência “negativa”, que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65(Código Florestal) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10108.000584/200168 Acórdão n.º 920202.152 CSRFT2 Fl. 4 7 (...) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade específica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário nº 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) Desta feita, ao declarar haver em sua propriedade área de reserva legal, deveria o contribuinte ter trazido aos autos elemento de prova de tal alegação, sendo que, como demonstrado, a devida averbação da área de utilização limitada no Registro de Imóveis é prova incontestável para a concessão do benefício fiscal. Entendo, ainda, que mesmo no caso de posse precária, como foi afirmado pelo contribuinte em sua impugnação, deve haver tributação da área em prestígio ao princípio do direito tributário non olet, assim como ao disposto no art. 4° da Lei n° 9.393/1996: Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título (grifo nosso). 2 Preservação Permanente A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal , abaixo transcrita, temse o artigo 10, caput, da Lei nº 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II – área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; ... Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. § 1º A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIAT, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1º de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (...) § 3º São áreas de utilização limitada: ... § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: ... II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (...) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama.. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: ... IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10108.000584/200168 Acórdão n.º 920202.152 CSRFT2 Fl. 5 9 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: ... V sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei nº 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do benefício de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão “nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal”. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: ... IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Reitero que a delegação através da expressão “nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal” cingese às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, trazse também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. ... Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental – ADA não é impedimento para o gozo da isenção. No entanto, como no caso dos autos a isenção tributária seria unicamente em virtude da existência de reserva legal, tornase imprescindível a averbação da área de utilização limitação no Registro de Imóveis. Ademais, tal matéria foi objeto do enunciado da Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para manter a glosa quanto à área de reserva legal declarada, mas não comprovada. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10108.000584/200168 Acórdão n.º 920202.152 CSRFT2 Fl. 6 11 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001089/2002-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA INCONSTITUCIONALIDADE.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento
importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. O
recorrente após a reforma da decisão não apresentou qualquer fato novo,
razão porque não há o que ser apreciado, mantendo-se a decisão proferida.
Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem,
discriminadamente, as parcelas legais de incidência de contribuição
previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de
sentença ou sobre o valor total do acordo homologado, nos termos do artigo
43 e parágrafo único da Lei n° 8.212191.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RECURSO DE OFÍCIO VALOR DE ALÇADA
O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento
(DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado
da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão
exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um
milhão de reais).
AUTO DE INFRAÇÃO NFLD DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no
intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os
parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de lançamento de diferenças de contribuições apuradas em
reclamatórias trabalhistas a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS SELIC MULTA IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA
ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder
Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
EMISSÃO DE REFORMA DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA APÓS A APRESENTAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO. OBRIGATORIEDADE DE
APRECIAÇÃO DO RECURSO INTERPOSTO.
Mesmo não tendo se pronunciado sobre reforma de decisão de primeira
instância exarada após a interposição de recurso voluntário, o contribuinte
tem o direito de ter o seu recurso regularmente processado.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.329
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso de ofício. II) Por maioria de votos conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que não conheciam do recurso voluntário. III) Por
unanimidade de votos: a) declarar a decadência até a competência 06/1997; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto Vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. O recorrente após a reforma da decisão não apresentou qualquer fato novo, razão porque não há o que ser apreciado, mantendose a decisão proferida. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência de contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor total do acordo homologado, nos termos do artigo 43 e parágrafo único da Lei n° 8.212191. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RECURSO DE OFÍCIO VALOR DE ALÇADA O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). AUTO DE INFRAÇÃO NFLD DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida Fl. 802DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de lançamento de diferenças de contribuições apuradas em reclamatórias trabalhistas a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS SELIC MULTA IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. EMISSÃO DE REFORMA DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA APÓS A APRESENTAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO. OBRIGATORIEDADE DE APRECIAÇÃO DO RECURSO INTERPOSTO. Mesmo não tendo se pronunciado sobre reforma de decisão de primeira instância exarada após a interposição de recurso voluntário, o contribuinte tem o direito de ter o seu recurso regularmente processado. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. II) Por maioria de votos conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que não conheciam do recurso voluntário. III) Por unanimidade de votos: a) declarar a decadência até a competência 06/1997; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto Vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.130 desta 4ª Câmara de Julgamento nos termos abaixo propostos: Entendo que o julgamento em questão encontrase prejudicado, tendo em vista que após a Decisão Notificação que julgou procedente em parte o Lançamento, não houve a cientificação do recorrente para em entendendo cabível apresentar recurso voluntário. Dessa forma, devem os autos retornar a Delegacia da Receita para cientificar o contribuinte dos termos da Decisão Notificação, inclusive indicando a realização de diligência que promoveu a retificação da mesma, abrindose prazo para recurso e posterior encaminhamento a este conselho. Após o cumprimento da diligência, com a devida cientificação do recorrente, retornam os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Porém para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas em reclamatórias trabalhistas no período de 01/1994 a 12/1998. Os processos relacionados na planilha correspondente ao levantamento TRA Processos Trabalhistas, decorrem de Decisões Judiciais estabelecidas em percentuais sem discriminação das verbas salariais e verbas indenizatórias , tendo sido por isso, apuradas pelo valor total do acordo, conforme determina o art. 43 parágrafo único da Lei 8212191 em decorrência do percentual estabelecido pela Justiça Trabalhista não especificar as verbas salariais e as Verbas indenizatórias. Para os casos em que o percentual indenizatório não foi de 100% e a empresa efetuou algum recolhimento, o mesmo foi deduzido, considerandose, pois a diferença como salário de contribuição. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/06/2002, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/07/2002. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 107 a 120. A DecisãoNotificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 137 a 140. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. ACORDO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. INCRA, SEBRAE. SESC. SENAC. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE. TAXA SELIC E MULTA DE CARÁTER IRRELEVÁVEL. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência de contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor total do acordo homologado, nos termos do artigo 43 e parágrafo único da Lei n° 8.212191. É legítima a arrecadação pelo INSS das, • contribuições destinadas ao INCRA, SESC, SENAC, SESI, SENAI e SEBRAE, nos termos do artigo 94 da Lei n°8.212191;! A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, pagas com atraso, ficam sujeitas a juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, em caráter irrelevável, a teor do artigo 34 da Lei n° 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 149 a 156 . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega: 1. Realmente, quando da apresentação de suas razões de defesa (primeira instância administrativa) a RECORRENTE, por justa razão, pediu a concessão fosse o referido procedimento convertido em diligência, salientando que seu "direito líquido e certo" e, principalmente, "direito da ampla defesa", estaria sendo postergado pela nefasta e arbitrária atuação da agente fiscal, preposto do órgão fiscalizador, ora RECORRIDO. 2. Nunca furtouse de apresentar á agente fiscal qualquer tipo de documentação que lhe fora exigida demonstrar. No caso vertente, portanto, sequer foralhe exigida a apresentação dos documentos pertinentes aos seus respectivos "processos trabalhistas". 3. Deve a fiscalização verificar as iniciais dos processos trabalhistas aplicando um dos seguintes critérios; se a quantia ajustada/recebida for inferior ao valor das verbas remuneratórias solicitadas, não integrará o saláriodecontribuição, ou, aplicar uma regra de três entre os valores remuneratórios e indenizatórios solicitados, calculandose o saláriodecontribuição a ser considerado; 4. Não foram exigidos os documentos, apenas tomando o recorrente conhecimento quando da emissão da NFLD. 5. O artigo 43 da Lei n° 8212191 dispõe que nos acordos trabalhistas em que não figurarem as parcelas legais de forma discriminada, a contribuição incidira sobre o total. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 3 5 6. 'Porém, apenas com o Decreto n°2.173 houve a definição de discriminação como fixação de percentual" (sie). Desse modo, sugere que sejam aceitas como discriminação as parcelas legais estipuladas pelo Juiz como indenizatórias e remuneratórias até 05/03/97, data da vigência do Decreto. Após esse período, que a fiscalização diligencie as iniciais dos processos na Justiça do Trabalho para distinguir as verbas remuneratórias e indenizatórias, utilizandose dos critérios já explicados, se necessário; 7. É este portanto, o caso que ora se discute, pois, a auditora fiscal limitouse, tão somente, em verse ao livro razão e aos lançamentos contábeis existentes, jamais buscou junto a RECORRENTE os processos trabalhistas e que haviam dado origem àqueles dados contábeis. 8. Da inconstitucionalidade da cobrança de contribuições ao INCRA, SESC SENAC, SESI, SENAI e SEBRAE por empresas prestadoras de serviço. 9. Da Indevida utilização da taxa SELIC na correção dos supostos débitos 10. Não obstante a ilegalidade da imposição de multas pelos elementos já apresentados, esta alcança patamares exorbitantes, ferindo o princípio da vedação ao confisco. Desse modo, impugnamse as multas impostas ao contribuinte, com base nas decisões de nossos tribunais e na melhor doutrina; 11. Prossegue, afirmando que não agiu com dolo ao não repassar qualquer quantia supostamente retida dos empregados ao INSS. Ressalta que a empresa notificada encontravase em momento de dificuldades financeiras, com títulos protestados e restrição de crédito junto ao SERASA. 12. Requer seja julgado procedente o recurso. O Serviço de Análise sugeriu o não seguimento do recurso, face a inexistência de depósito judicial, fl. 704 a 705. Foi emitido reforma de decisão despacho decisório 21.004/9002/2003 julgando procedente em parte o lançamento, fls. 707 a 715., donde consta ao final, recurso de ofício ao r. Chefe de Divisão de Arrecadação da Gerência Executiva, devidamente homologado pelo Delegado, fls. 717. *TRABALHISTA. ACORDO HOMOLOGADO. CONTRIBUIÇÃO EMPRESA E TERCEIROS. INCIDÊNCIA. RECURSO NÃO CONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE OFICIO. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado, nos termos do parágrafo único, do artigo 43 da Lei n°8.212(91. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Admitir ou não o recurso é prerrogativa do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, sendo vedado a qualquer órgão do Instituto Nacional do Seguro Social INSS recusar o seu recebimento ou sustarlhe o andamento, exceto quando, exigida por lei a garantia de instância, não houver comprovação do depósito, a teor do artigo 24 da Portaria MPAS n° 2.74012001. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Houve a cientificação da negativa de seguimento do recurso pelo não recolhimento de depósito recursal. Foi emitida nova informação fiscal, fl. 727, sugerindo que o levantamento TRAProcessos Trabalhistas, na competência 07/1995 deverá ser retificado DE 14.800,00 PARA 12.000,00. Vejamos trecho da decisão. A empresa acima protocolou através do PT 35464.001886/200214, RECURSO AO CRPS DENTRO DO PRAZO, anexado às fls. 149 a 665,; 2. Data de ciência da DecisãoNotificação : 07/10/2002; 3. Data da expiração do prazo para Recurso: 22/10/2002 (15 dias à época do protocolo); 4. Data de protocolo do recurso: 18/10/2002; 5. A interessada NÃO comprovou, no ato da protocolização do recurso, recolhimento do depósito obrigatório, previsto no Art. 10, da Lei n.°. 9.639, de 25/05/98, publicada no D.O.U. De 27/05/98. 6. Em decorrência da falta do Depósito Recursal, o Serviço de Análise do Defesas e Recursos da GEXSPSUL emitiu o Despacho Decisório 21.004/9002/2003 negando seguimento ao recurso e determinando o encaminhamento do processo à Procuradoria 7. Esta decisão foi comunicaria ao contribuinte pela Carta 21404.3/0135/2003 de acordo com comprovante juntado às fls. 719. 8. Entretanto, às fls 724verso, consta despacho da Procuradoria dando conhecimento do MS 2002.61.00.0232024/9 VF concedendo liminar... " para que o recurso interposto pelo contribuinte, se tempestivo, deverá ser processado sem a exigência do depósito de 30%." 9. Sugerimos a remessa do presente ao Serviço de Análise de Defesas e Recursos para apreciação e devidas providências. Considerando o teor do despacho decisório, foi emitida Reforma de Decisão Notificação n. 21.404.4/0266/2006 que determinou a procedência parcial do lançamento, fl. 762 a 777, conforme trecho da ementa: EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. ACORDOS HOMOLOGADOS. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 4 7 CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. DIREITO DE DEFESA. OPORTUNIDADE. JUROS SELIC E MULTA MORATÓRIA. IRRELEVÁÁVEL. RECURSO TEMPESTIVO. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. A contribuição previdenciária incide sobre o valor apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor total dos acordos homologados, quando não discriminadas as parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição. Oportunizada a apresentação de defesa, deverá ela ser formalizada por escrito e instruída com os • documentos em que se fundamenta ou com as razões porque não os apresenta, especificando as provas que se pretenda produzir. As importâncias arrecadadas pelo INSS, atualmente, Secretaria da Receita Previdenciária, incluídas em notificação fiscal de lançamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, em caráter irrelevável, a partir da data de seu vencimento. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada. É dever da administração revisar o valor do lançamento quando constatado erro no cálculo das contribuições apuradas. Admitir ou não o recurso é prerrogativa do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, sendo vedado a Secretaria da Receita Previdenciaria recusar o seu recebimento ou sustarlhe o andamento, exceto guando, exigida por lei a garantia de instância, não houver comprovação do depósito. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Como resultado foi gerado decisão cujo resultado foi no seguinte termos: DECIDO: a) Reformar a Decisão Notificação n°21.004/0187/2003, de 26/03/2003; b) Declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário no montante de R$ 815.431,41 (oitocentos e quinze mil, quatrocentos e trinta e um Reais e quarenta e um centavos), consolidado na mesma data da lavratura da NFLD; c) Recorrer de oficio desta Decisão. ORDEM DE INTIMAÇÃO Ao Serviço de Protocolo desta Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo Sul para encaminhamento dos presentes autos à 4 3 Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 • Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário, em 19 de maio de 2006. À folha 779, foi o processo homologado por decisão da Delegada da Receita de São Paulo: No uso da competência que me foi atribuida pelo artigo 73 do Regimento Interno da SRP, aprovado pela Portaria MPS/GM n° 1.344, de 18 de julho de 2005! HOMOLOGO A REFORMA DE DECISÃONOTIFICAÇÃO N° 21.404.4/0266/2006, que julgou PROCEDENTE EM PARTE a notificação fiscal. Em cumprimento a diligência deste Conselho, e aos termos da diligência Resolução n. 2401000.130 aa Delegacia da Receita Federal do Brasil realizou a devida cientificação do recorrente dos termos da Decisão Notificação que julgou procedente em parte o lançamento, intimando o recorrente para apresentação de recurso voluntário. Vejamos trecho da intimação, fl. 788: Através da Resolução n° 2401000.130, de 02/12/2010 (fls. 783/784), a 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativos de Recursos Fiscais CONVERTEU O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para cientificar o contribuinte dos termos da Decisão Notificação (Reforma) n° 214044/0266/2006 e da diligência fiscal que propôs a retificação do lançamento, com abertura do prazo para interposição de recurso voluntário. 2. Face o exposto, nos termos da Resolução, encaminho a presente NFLD ao Grupo Débito/EQREC para encaminhamento da Intimação n°1069/2011 e dos documentos anexos (resultado da diligência, Decisão Notificação Reforma n° 214044/0266/2006, D ADR e Resolução n° 2401000.130) ao contribuinte e, transcorrido o prazo para interposição do recurso voluntário (30 dias), devolução do processo à 2 a Seção de Julgamento do Conselho Administrativos de Recursos Fiscais. O processo retornou ao CARF para julgamento sem a interposição de novo recurso pela notificada. É o relatório Fl. 809DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 5 9 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Quanto ao Recurso, não há como conhecêlo. O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Portaria MF 3/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Como, no presente processo, a exoneração do pagamento do tributo possui valor inferior ao determinado, não há como conhecer do recurso. Notese que o valor R$ 818.001,88 para R$ 815.431,41, é muito inferior ao previsto na legislação. Assim, não conheço do recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Entendo que no processo em questão não há recurso a ser apreciado. Foi emitida nova Decisão Notificação, tendo sido o recorrente intimado por meio de Resolução encaminhado por este Conselho para apresentação de recurso, calandose a esse respeito. Ressaltese que o recorrente apresentou originalmente recurso, cuja decisão da autoridade julgadora antes da reforma da DN era no sentido de negar seguimento, posto que ausente o depósito recursal. Embora, entenda que a época, esse fato era pressusposto de admissibilidade de recurso, o recorrente obteve liminar para dar seguimento ao recurso. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Contudo, esse recurso restou apreciado, quando proferido Despacho Decisório e posteriormente Reforma da DN, posto a apreciação dos documentos suscitados pelo recorrente. Dessa forma, entendo que competiria a recorrente apresentar novo recurso, sendo que foi notificada nesse sentido. CONCLUSÃO Voto por NÃO CONHECER o recurso de Ofício, face o valor de alçada. Quanto ao recurso voluntário, voto por NÃO CONHECÊLO, considerando que não foi apresentado novo recurso aos termos da Nova de Decisão Notificação n. 21.404.4/0266/2006. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO APÓS JULGAMENTO DA PRELIMINAR ACERCA DO CONHECIMENTO DO RECURSO PELO COLEGIADO DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Considerando que fui vencida quanto ao não conhecimento do recurso voluntário, passo agora a analisar os argumentos apresentados pelo recorrente em seu recurso original, antes mesmo do DespachoDecisório, e da reforma da Decisão de Primeira instância, que acatou em parte as alegações do recorrente. DA DECADÊNCIA – DE OFÍCIO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 6 11 Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Fl. 812DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, Fl. 813DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 7 13 fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do Fl. 814DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 815DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 8 15 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou Fl. 816DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. Em relação ao recurso ora sob análise, observamos o lançamento de diferença de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados em reclamatórias trabalhistas, onde apesar de não constar informação acerca de recolhimentos nos autos, tenho em mente tratarse, de diferença de contribuições apuradas em reclamatória trabalhista conforme descrito pelo auditor em seu relatório, razão porque entendo aplicável o prazo decadencial a luz do art. 150, § 4º do CTN. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 28/06/2002, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/07/2002. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1994 a 12/1998, sendo assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 06/1997 Superadas as preliminares, passo ao mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a requerer a realização de diligência para que se apurasse a regularidade de lançamento de contribuições sobre as reclamatórias trabalhistas, posto que nunca furtouse a apresentação dos mesmos, bem como alegar a inconstitucionalidade da legislação que abarca a cobrança de contribuições pelo valor total quando não discriminado as verbas salariais, bem como inconstitucionalidade das taxas SELIC, contribuição destinada a terceiros, e juros e multa aplicados. QUANTO AS INCONSTITUCIONALIDADES No que tange a arguição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições SOBRE RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS, SELIC, OU MULTA APLICÁVEL, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não Fl. 817DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 9 17 quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUANTO AS DILIGÊNCIAS REQUERIDAS PARA QUE SE APURE O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Quanto a este ponto, observamos pelo documentos constantes do processo, que não apenas o auditor realizou diligência, com vistas a esclarecer pontos trazidos pelo recorrente, como foram emitidos Despacho Decisório e Reforma da Decisão Notificação, acatando em parte os argumentos trazidos pelo recorrente. Após a nova decisão que apreciou os argumentos trazidos pelo recorrente, foi o recorrente devidamente cientificado sobre os valores alterados, sendo que não se manifestou. Dessa forma, como não houve por parte do recorrente, qualquer manifestação após a proposta de retificação pela autoridade fiscal, entendo que deva prevalecer a nova decisão de 1 instância que determinou a procedência do lançamento. Dessa forma, entendo que, como não houve qualquer novo argumento após a apreciação por parte da autoridade julgadora, não há mais fatos a serem apreciados quanto a este ponto. Quanto ao mérito da incidência, a autoridade julgadora já devidamente esclareceu os dispositivos legais, que sustentam o crédito, fundamentos estes descritos no lançamento pela autoridade autuante, razão porque transcrevo parte do voto e utilizou como razões de decidir. A arrecadação e o recolhimento das contribuições devidas a Seguridade Social, incidentes sobre verbas pagas em decorrência de reclamatórias trabalhistas, obedecem as Ir normas insculpidas no artigo 43 e parágrafo único da Lei n.° 8.212/91: Art. 3 Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitas à incidência de contribuição previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato Fl. 818DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 recolhimento das Importâncias devidas a Seguridade Social ((Redação dada pele Lei rP 8.620, de 5/01/93) Parágrafo único. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas é contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em &Ideação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado. (Parágrafo acrescentado pela Lei no 8. 620, de 5/01/93). (...) Assim sendo, resta claro que a fixação de percentuais de verbas remuneratórias e/ou indenizatórias (por exemplo: 30% referese a verbas remuneratórias e 70% a verbas indenizatórias, ou 50% das verbas são remuneratórias e 50% indenizatórias, ou, ainda, 100% das verbas são indenizatórias), é procedimento distinto da discriminação de referidas verbas, com ela não se confundindo e, portanto, não havendo a especificação quantitativa das verbas pagas, a contribuição previdenciária terá como base de cálculo o valor integral do acordo celebrado. 10. Em que pese a tese Cla Defendente no sentido de considerar no cálculo das contribuições previdenciárias o valor estipulado entre as partes no acordo em relação às 0111' quantias remuneratórias e indenizatórias constantes, da inicial da ação trabalhista esta é impraticável, pois ausentes regras legais que a, autorizem. Vale lembrar que os atos administrativos são vinculados, o agente público está, em toda a sua atividade profissional, sujeito aos mandamentos da lei, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na •administração particular é licito fazer tudo que e lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que lei autoriza. (...) Das contribuições arrecadadas pelo INSS para outras entidades 13. Como se observa do Contrato Social de empresa (fls.96 e 124) h/existem em seu objeto social atividades relacionadas com a prestação de serviços educacionais, dedicandose a impugnante à "indústria e o comércio de produtos diversos, em especial de produtos químicos. Nestes termos, são devidas contribuições para ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, arrecadadas pelo INSS, na forma do artigo 94 da Lei n°8.212/91: Art94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3;5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lel (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12197) Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 10 19 CONCLUSÃO: Voto por NÃO CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO, face o valor de alçada. Quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO, voto por CONHECÊLO, para excluir as competências até 06/1997 e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 820DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 Voto Vencedor Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Esse voto diz respeito tão somente a questão relativa à admissibilidade do recurso voluntário. Verificase dos autos que, tendo o crédito sido declarado procedente, conforme Decisão Notificação de fls. 137/145, o sujeito passivo apresentou recurso tempestivo de fls. 149/156. O INSS emitiu despacho de não segmento do recurso, fls. 704/705, em razão da falta do depósito recursal prévio. Todavia, entendeu o órgão de primeira instância que caberia a retificação do crédito, o que foi feito mediante reforma da decisão original (ver fls. 705/715). Desta reforma foi dada ciência à empresa, todavia, com a observação de que o recurso não teria segmento em face da deserção. O processo seguiu para o Setor de Fiscalização para que fosse lançado crédito não apurado durante a ação fiscal, o qual teria sido verificado mediante a documentação acostada com o recurso. Em sede de diligência fiscal, a Auditoria concluiu que, na verdade, haveria outros valores a serem excluídos do crédito. Diante dessa constatação, foi emitida pelo órgão a quo nova reforma de decisão, fls. 762/777, tendo os autos seguido para o Conselho de Recurso da Previdência Social. Com a mudança na competência para julgar os recursos voluntários nos processos de exigência de contribuições previdenciárias, essa turma de julgamento, a quem competiu apreciar o recurso, resolveu converter o julgamento em diligência para que o sujeito passivo fosse cientificado da última reforma proferida pelo órgão de julgamento da Receita Previdenciária, fls. 791/793. Efetuada a intimação o contribuinte não se manifestou. Diante desses fatos, entendeu a Ilustre Relatora que inexiste recurso voluntário para ser apreciado, uma vez que tendo o contribuinte tomado ciência da reforma da decisão de primeira instância, preferiu manterse silente. Ouso divergir desse entendimento. É que, apesar de ter havido retificações (reformas) na decisão recorrida, esse ato administrativo não foi nulificado, portanto, o recurso apresentado pelo sujeito passivo contra decisão que julgou procedente em parte o lançamento não foi atingido pelas mencionadas reformas, permanecendo válido juridicamente e, assim, merecendo conhecimento pelo órgão competente. Na minha ótica, o sujeito passivo teve até a oportunidade de aditar o seu recurso original, mas tendo preferido não fazêlo, deve ter o seu inconformismo processado nos termos da legislação processual administrativa. Assim, deve essa Turma de Julgamento enfrentar as alegações trazidas com o recurso, até porque a pretensão da empresa não foi atendida na totalidade com a reforma da decisão de primeira instância, uma vez que ali se decidiu pela procedência parcial do crédito. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35464.001089/200229 Acórdão n.º 2401002.329 S2C4T1 Fl. 11 21 Nos termos do “caput” do art. 63 da Lei n.º 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, são causas de não conhecimento de recursos administrativos: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. (...) Vêse que dentre as hipóteses acima inexiste, como causa de não conhecimento de recurso apresentado pelo administrado, a ocorrência de reforma parcial da decisão recorrida. Assim, diante do direito do contribuinte de ter a sua peça recursal regularmente processada e da competência do CARF para apreciar os recursos voluntários contra as decisões exaradas em processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, voto pelo conhecimento do recurso apresentado pelo sujeito passivo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 822DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10380.009844/2004-84
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS.
O ponto controvertido é delimitado pelo pedido da Recorrente. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/RICARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre o pedido do recorrente, análise da matéria, e os casos com identidade de situações fáticas, comprovado mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido os pressupostos, o recurso extraordinário, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9900-000.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Julio César Alves Ramos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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REQUISITOS. O ponto controvertido é delimitado pelo pedido da Recorrente. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/RICARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre o pedido do recorrente, análise da matéria, e os casos com identidade de situações fáticas, comprovado mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido os pressupostos, o recurso extraordinário, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Julio César Alves Ramos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 98 44 /2 00 4- 84 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Irresignada com a decisão prolatada no Acórdão nº CSRF/0105.706, que, por maioria de votos, negou provimento a recurso especial de sua autoria, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos arts. 9° e 43, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007, retorna aos autos, tempestivamente, com o recurso extraordinário de fls. 1351/1359, objetivando a reforma do acórdão recorrido em sede de Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A matéria objeto do recurso extraordinário referese ao prazo decadencial da CSLL. A ciência do lançamento ocorreu em 27 de outubro de 2.004. A Primeira Turma da CSRF, ao apreciar o tema decadência do direito para constituição de crédito referente às contribuições sociais, entendeu ser de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, operando pela modalidade de lançamento por homologação, prevalecendo a disposição ínsita no artigo 150, § 4% do CTN, estando o julgado vergastado, relativo à matéria recorrida, assim ementado na parte que interessa: DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383191, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. A Primeira Turma da CSRF ao apreciar o tema, entendeu ser de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, operando pela modalidade de lançamento por homologação, prevalecendo a disposição ínsita no artigo 150, § 4°, do CTN. Fundamenta a Recorrente que no Acórdão CSRF/0201.722, acostado por cópia da respectiva ementa, decidiuse pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei n° 8.212/91 (dez anos), para as contribuições destinadas à seguridade social. Invoca divergência jurisprudencial na interpretação do comento. A ementa do acórdão paradigma possui a seguinte redação: "COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10380.009844/200484 Acórdão n.º 9903000.329 CSRFT3 Fl. 7 3 da Seguridade Social — Cofins é de dez anos, contado a partir do 1 ° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. " O julgado recorrido afasta a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, adotando o prazo decadencial de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, previsto no CTN e, especificamente, o § 4 °, do artigo 150. O paradigma, por sua vez, entende que o prazo decadencial das contribuições para a seguridade social e de 10 anos, previsto no artigo 45, da Lei 8.212/91, tendo como termo de início o primeiro dia útil do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter ocorrido (art. 173). Por meio do Despacho nº 313, de fls. 1374/1375, sob o entendimento de ter sido comprovado o dissídio jurisprudencial, deuse seguimento o recurso interposto pela Fazenda Nacional. A fundamentação está assim explicitada: Temse que, em relação à questão da aplicação da Lei 8.212/91, não há mais espaço para recebimento do recurso extraordinário. Com efeito, já existe súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucional idade dos prazos de 10 anos para prescrição e decadência das contribuições sociais previstos na Lei 8.212/91, senão vejamos: SÚMULA VINCULANTE N. 8 SÃO INCONSTITUCIONAIS 0 PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5. DO DECRETOLEI N° 1.169/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Observase, porém, que há divergência entre os julgados recorrido e o paradigma em relação à aplicação do §4°, artigo 150 do CTN ou do artigo 173, inciso I do CTN. Verificados os pressupostos de admissibilidade da peça recursal, tempestividade e devida fundamentação, acato a Informação supra e DOU seguimento ao Recurso Extraordinário. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme relatado, a matéria objeto do recurso extraordinário referese ao prazo decadencial da CSL, exercício de 1999, fato gerador ocorrido em 31.12.98. No entender desta Conselheira, está apenas na aplicabilidade do prazo de 10 anos (Lei nº 8.212/91). ADMISSIBILIDADE Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 4 Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. Dispõe o Regimento Interno dos então Conselhos de Contribuintes, à época vigente, ser cabível recurso especial à CSRF de decisão que tenha dado à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha de outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF (Portaria MF nº 147/2007). Traz a recorrente (Fazenda Nacional) como paradigma, o Acórdão nº CSRF/0201.722 (integra), cuja ementa está assim redigida: "COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos, contado a partir do 1 ° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. " O paradigma invocado pela Fazenda Nacional, entende que o prazo decadencial das contribuições para a seguridade social e de 10 anos, previsto no artigo 45, da Lei nº 8.212/91, tendo como termo de início o primeiro dia útil do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter ocorrido (art. 173). Nesse sentido, consta do recurso da Fazenda Nacional: Portanto, a divergência jurisprudencial está na interpretação do artigo 45 da Lei 8.212191, o qual é aplicável à Contribuição Social Sobre o Lucro CSSL. Por todos esses fundamentos, requer a Fazenda Nacional seja reformado o r. acórdão recorrido, mantendose o lançamento referente à CSLL do anocalendário 1994, por ter sido lavrado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212191 (24/03/2000). No entanto, o recurso extraordinário ao Pleno da CSRF foi admitido nos seguintes termos: Temse que, em relação à questão da aplicação da Lei 8.212/91, não há mais espaço para recebimento do recurso extraordinário. Com efeito, já existe súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucional idade dos prazos de 10 anos para prescrição e decadência das contribuições sociais previstos na Lei 8.212/91, senão vejamos: SÚMULA VINCULANTE N. 8 SÃO INCONSTITUCIONAIS 0 PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5. DO DECRETOLEI N° 1.169/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Observase, porém, que há divergência entre os julgados recorrido e o paradigma em relação à aplicação do §4°, artigo 150 do CTN ou do artigo 173, inciso I do CTN. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10380.009844/200484 Acórdão n.º 9903000.329 CSRFT3 Fl. 8 5 Verificados os pressupostos de admissibilidade da peça recursal, tempestividade e devida fundamentação, acato a Informação supra e DOU seguimento ao Recurso Extraordinário. Não me parece acertado a decisão exarada pelo então respeitável Presidente da CSRF em admitir o recurso extraordinário por outros fundamentos que sequer foi objeto do pedido da Fazenda Nacional. O pedido foi delimitado pela aplicabilidade do prazo de 10 anos estabelecido no famigerado no artigo 45 da Lei n° 8.212/91 1, trazendo para tanto paradigma que assim concluiu. Eventual aplicação do art. 173 do CTN deveria ter sido precedido de pedido da Recorrente e de paradigma próprio para posterior análise da suposta divergência jurisprudencial por esta E. Câmara superior. O ponto controvertido é delimitado pelo pedido do recorrente e a matéria recorrida, não pelo Despacho de admissibilidade. Em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos, com o pedido pela recorrente não há como se conhecer do recurso especial. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 28 de agosto de 2012 Maria Teresa Martínez López 1 “Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 10840.907381/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 73 81 /2 00 9- 68 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.738/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 55 a 61, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (...) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 7/2000. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 7/2000, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais'", nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. [...] Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907381/200968 Acórdão n.º 1801001.395 S1TE01 Fl. 3 3 VOTO [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retifícadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos: [...] Para tanto, imprescindível a juntada, ao processo, dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. Embora ausentes os registros contábeis, a interessada apresentou os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido", à fl. 12; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, numeração 273, 272, valor total de R$ 10.374,87, às fls. 26, 30; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 28/29, 21/44; d) cópias de notas fiscais de transferência de mercadorias para prestação de serviços, numeração 3847381, 383, valor total de R$ 2.353,01, às fls. 27, 45, 46. Verificase, de plano, que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. As notas fiscais de transferência de mercadorias para prestação de serviços, por seu turno, referemse às respectivas notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, conforme indicação expressa no campo "informações complementares". Assim, apenas os valores das notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais devem ser incluídos no cômputo da receita bruta, sob pena de duplicidade. De outra parte, com base nos demais elementos probatórios, elaborase o seguinte demonstrativo: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 [...] Resta assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, período de apuração em foco. Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 21/02/11, fls 64; Recurso – 18/03/11, fls. 65) o Recurso de fls. 65 a 72, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese da recorrente não merece guarida. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907381/200968 Acórdão n.º 1801001.395 S1TE01 Fl. 4 5 A norma é clara e expressa: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 18 a 20: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no Contrato Social, pois, de realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907381/200968 Acórdão n.º 1801001.395 S1TE01 Fl. 5 7 materiais elétricos não pode ser equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, contratadas na modalidade de empreitada, de pronto. Mister é a realização de provas neste aspecto. À receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Notas Fiscais de receitas auferidas e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em r elação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço d e locação de containers, serviço de queima de madeira, contrata ção de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tra tou de construção civil com emprego de materiais. Recurso Voluntário Negado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907381/200968 Acórdão n.º 1801001.395 S1TE01 Fl. 6 9 Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15197.000197/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO.
Nos termos das IN SRF nº 600/2005, o prazo prescricional de cinco anos era apenas para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, o que se perfazia com a apresentação do pedido de habilitação do crédito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.768
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente FRICON FRIGORÍFICO INDUSTRIAL DE CONTAGEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO. Nos termos das IN SRF nº 600/2005, o prazo prescricional de cinco anos era apenas para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, o que se perfazia com a apresentação do pedido de habilitação do crédito. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão da DRJ em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 19 7. 00 01 97 /2 00 8- 60 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 declarada, por entender que o pedido de restituição de créditos reconhecidos em sentença transitada em julgado foi feito intempestivamente, vez que já havia transcorrido mais de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação de conhecimento. A Recorrente obteve o reconhecimento judicial do seu direito à restituição de parcelas indevidamente recolhidas a título de Contribuição para o PIS, durante o período de vigência dos Decretosleis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, em sentença transitada em julgado em 14/02/2002. (fls. 01 a 08) No dia 05/10/2006, a ora Recorrente apresentou pedido de habilitação do crédito, o qual fora deferido pelo Despacho Decisório n° 1.496, proferido em 31/12/2007, com ciência da interessada em 28/01/2008. (fls. 314 a 317 e 321 do processo apensado n° 13603.001518/200617) Com a habilitação do crédito deferida, a ora Recorrente tentou transmitir pedido eletrônico de restituição em 27/02/2008, sem, contudo, obter sucesso. Por conta disso, providenciou a entrega em 11/06/2008 da solicitação em formulário. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Contagem proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido do contribuinte, sob o fundamento de que o pedido não atendeu o prazo para a repetição de indébito, na medida em que foi formalizado após o prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão judicial. Ressaltou, ainda, que para a fixação do termo final do prazo prescricional, 06/06/2008, descontou o tempo gasto na análise do pedido de habilitação. Inconformada com o despacho decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em estreita síntese, que: deve ser aplicado ao presente caso a Súmula 150 do STF que fixa em dez anos o prazo para solicitar a sua restituição e pela alteração da data inicial da contagem do prazo prescricional para 25 de abril de 2002, data em que foi intimado do retorno dos autos ao TRF. salienta o pleno atendimento da única exigência quanto a prazo, fixado pela IN SRF n° 600, de 2005, quando formalizou seu pedido no prazo de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão judicial. solicita o reconhecimento da tempestividade do seu pedido a partir da tentativa realizada em 27/02/2008 não concretizada por erro do programa que não considerou a data limite de 06/06/2008, reconhecida pela própria administração. A DRJ em Belo Horizonte julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Restituição. Ação Judicial. Prescrição. O prazo para exercer o direito de pleitear a restituição de valores pagos a maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito creditório. Deferimento do pedido de habilitação de crédito. Efeitos. O deferimento do pedido de habilitação do crédito reconhecido judicialmente não implica homologação da compensação ou o Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15197.000197/200860 Acórdão n.º 1301001.768 S1C3T1 Fl. 11 3 deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento da importância nele quantificada. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário repetindo as razões da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se restringe à definição do prazo para exercer o direito creditório reconhecido em sentença transitada em julgado. Pois bem. O prazo para pleitear a restituição do indébito tributário é regulado pelo art. 168, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória Diferentemente do que se verifica em relação ao crédito da Fazenda Pública (tributo), em que o legislador estabeleceu procedimentos autônomos para a sua constituição e cobrança, fixando, inclusive, em normas diversas o prazo para a realização de cada uma dessas atividades (decadência e prescrição, respectivamente), em se tratando de crédito do contribuinte (indébito tributário) a disciplina jurídica é dada exclusivamente pelo art. 168, do CTN. Não é por outra razão que quando o tema é o indébito tributário, doutrina e jurisprudência se valem de outros critérios para diferenciar a decadência da prescrição. De fato, no que se refere à restituição do indébito tributário, costumase definir (i) decadência como a perda da legitimidade do sujeito passivo para pleitear a repetição do indébito na esfera administrativa, em decorrência do decurso de certo período de tempo sem que a tenha exercitado; e (ii) prescrição como a perda do direito do contribuinte de pleitear a repetição do indébito tributário na esfera judicial, em decorrência do decurso de certo período de tempo sem que o tenha exercitado. Ou seja, para a presente classificação o que é relevante é o órgão ao qual se pleiteia o direito e não propriamente tratase de perda do direito à constituição do crédito ou à sua cobrança forçada. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Dito isso, inferese que o art. 168, do CTN, ao fixar o prazo para pleitear a restituição dos valores indevidamente pagos a título de tributo, está regulando, em última análise, o próprio prazo para a constituição do indébito tributário, seja ela em âmbito judicial ou administrativo. E não poderia ser diferente, afinal, antes de declaração específica no sentido de que os valores recolhidos pelo sujeito passivo efetivamente são indevidos não há nada a repetir. A diferença fundamental entre essas declarações reside no fato de que, em se tratando de processo administrativo, a certificação do indébito é feita no mesmo procedimento da sua devolução (pedido de compensação), já se a via eleita for a judicial, exigirseá procedimento autônomo para a devolução, que poderá ser no próprio âmbito judicial (execução de sentença/precatório) ou no administrativo (compensação com base em sentença transitada em julgado). É por conta dessas nuanças que concluo que o prazo para a “execução” de sentença transitada em julgado que reconhece o pagamento indevido não é nem de decadência nem de prescrição tributária. Já tendo sido exercitado o direito à constituição do indébito tributário, não há mais razão para evocar estes institutos, independentemente da via eleita (administrativa ou judicial). Isso não significa dizer, todavia, que o sujeito passivo não deva observar um prazo para tal. Apenas o que se está afirmando é que a partir desse momento terão aplicação apenas as normas processuais que disciplinam especificamente a “execução” de sentença na esfera administrativa e judicial. Estabelecidas essas premissas passemos à análise das regras que regulam a “execução” do indébito tributário reconhecido em sentença transitada em julgado no âmbito administrativo. Pois bem. A compensação administrativa de créditos tributários reconhecidos pelo poder Judiciário é disciplinada pela Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Ao exercer a competência regulamentar que lhe foi outorgada por referido enunciado normativo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa SRF nº 600/05, nos seguintes temos: Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (...) § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15197.000197/200860 Acórdão n.º 1301001.768 S1C3T1 Fl. 12 5 § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darse ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: (...) § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV – foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V – na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. (...) 6 º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, inferese que, em regra, o sujeito passivo terá que observar três requisitos fundamentais para exercer o seu direito creditório pela via administrativa: (i) comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da renúncia da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução; (ii) efetuar o pagamento das custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios; (iii) realizar o prévio pedido de habilitação no prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da sentença que reconhece o crédito ou da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Analisando sistematicamente esses comandos normativos concluise que, reconhecido o indébito tributário em sentença transitada em julgado, o contribuinte deveria previamente habilitar o crédito, demonstrando a observância dos dois primeiros requisitos, no prazo de cinco anos do transito em julgado. Ou seja, o prazo de cinco anos dirigiase apenas à habilitação do crédito, não à transmissão dos pedidos de ressarcimento ou compensação propriamente ditos. Isso porque, à época dos fatos, não havia a previsão incluída pela IN SRF nº 900/08 no sentido de que o deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º. Ou seja, à época, a IN SRF 600/05 não havia previsão expressa de que o prazo de cinco anos era tanto para habilitar o crédito como para apresentar o próprio pedido de restituição/compensação, mantendose silente nesse sentido. Em termos mais diretos, ao regular o procedimento para a execução do indébito no âmbito administrativo reconhecido em sentença transitada em julgado, estabeleceu ostensivamente que o termo final para a contagem do prazo de prescrição/decadência era o próprio pedido de habilitação e não da transmissão do PER/DCOMP. O prazo era, pois, exclusivamente para o contribuinte iniciar o procedimento de restituição/compensação, o que se perfazia com a mera transmissão do pedido de habilitação. Pois bem. No caso concreto, a sentença que reconheceu o direito da Recorrente à restituição de parcelas indevidamente recolhidas a título de contribuição para o PIS, durante o período de vigência dos Decretoslei n°s 2.445/88 e 2.449/88, transitou em julgado em 14 de fevereiro de 2002. No dia 05 de outubro de 2006, a contribuinte apresentou pedido de habilitação, ou seja, dentro do prazo de cinco anos. Portanto, no caso sob análise, resta evidente que o ora Recorrente, ao apresentar seu pedido de habilitação do crédito dentro do prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da sentença, observou a única exigência existente à época de iniciar a execução da sentença administrativamente no prazo assinado. Ao assim proceder exerceu seu direito no prazo legal, o que torna tempestivo o seu pedido administrativo de restituição, não havendo que se falar em perda do prazo para executar o indébito tributário reconhecido judicialmente, haja vista, reafirmese, que a IN SRF 600/05 não estabelecia o prazo para apresentar o pedido de restituição. Por fim, importa ressaltar que carece de qualquer sustentação jurídica o raciocínio na delegacia de origem, no sentido de que o pedido de restituição deve ser feito no prazo de cinco anos contados do transito em julgado da sentença judicial, descontado o prazo do trâmite do processo de habilitação. Ora, interpretação como esta equivale a reconhecer que o pedido de habilitação suspende o prazo para a execução da sentença até a data da ciência do sujeito passivo do deferimento da habilitação, o que, demandaria norma nesse sentido, o que não existe. Ao assim proceder, o julgador está atuando como legislador positivo, o que é terminantemente vedado pelo sistema. Postas essas razões jurídicas, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para afastar a preliminar de perda do prazo para apresentar pedido de restituição do indébito de Contribuição ao PIS, cabendo à unidade de origem apurar os créditos financeiros da Recorrente, nos termos determinados na decisão judicial transitada em julgado. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15197.000197/200860 Acórdão n.º 1301001.768 S1C3T1 Fl. 13 7 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001768/2007-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: PERC. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF Nº 37. Nos termos da Súmula nº 37 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, a exigência de comprovação de regularidade fiscal, para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, deve se ater ao período a que se refere a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo.
Numero da decisão: 1103-000.713
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF Nº 37. Nos termos da Súmula nº 37 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a exigência de comprovação de regularidade fiscal, para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, deve se ater ao período a que se refere a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Sérgio Gomes, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Fl. 582DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao anocalendário de 2004, protocolizado em 27/09/2007 pelo contribuinte acima identificado (fls. 1 e 2). Conforme dados constantes da ficha 36 – Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2005 (fls. 19), o contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda para aplicação no FINOR, no montante de R$111.252,35. Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme se verifica no extrato de fls. 3, o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido por meio do despacho decisório de fls. 480 a 483, em razão de irregularidades fiscais do contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN (fls. 450 a 461). Cientificado dessa decisão em 02/09/2009 (AR de fls. 485), o contribuinte protocolizou, em 02/10/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 486 a 489, acompanhada dos documentos de fls. 490 a 528. Alega que sua situação oscila entre regular e irregular devido a problemas na comprovação de seus pagamentos que, muitas vezes, resultam de falhas no sistema do Fisco. Acrescenta que seu direito ao incentivo fiscal não pode ser prejudicado por um sistema que apresenta distorções na situação real dos contribuintes. Ademais, argumenta que os débitos apontados como impedimentos à concessão do incentivo fiscal estão com sua exigibilidade suspensa. Assim, requer a reforma da decisão denegatória proferida no presente processo. A 10ª Turma da DRJ de São Paulo I decidiu (ementa): “INCENTIVOS FISCAIS. PERC. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF Nº 37. Nos termos da Súmula nº 37 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que tem efeito vinculante para a administração tributária federal, a exigência de comprovação de regularidade fiscal, para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, deve se ater ao período a que se refere a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo.” A contribuinte recorre: Conforme já salientado, a decisão proferida pela DRJ sustentouse na alegação de que a Recorrente não comprovou sua regularidade fiscal junto à Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional, restando, portanto, impedida a concessão do incentivo fiscal pleiteado, em virtude do disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069/95. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001768/200732 Acórdão n.º 1103000.713 S1C1T3 Fl. 2 3 No caso em tela, para comprovar sua regularidade fiscal, não havendo, portanto, pendências impeditivas da concessão do incentivo fiscal pleiteado, a Recorrente anexa, ao presente Recurso, Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Divida Ativa da União, válida até 11/05/2011 (doc. 03), demonstrando, assim, a suspensão da exigibilidade de todos seus débitos perante a RFB e a PGFN. Sendo assim, em razão da comprovação da existência da certidão positiva com efeitos de negativa, expedida pela Receita Federal do Brasil e Procuradoria da Fazenda Nacional, que demonstram a regularidade fiscal da Recorrente, resta evidente a necessidade da reforma da decisão proferida. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. De acordo com o acórdão atacado, as pendências que sobraram eram referentes a inscrições na dívida ativa da União. No caso, a recorrente apresenta na fl. 570, certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e a divida ativa da união, com Código de controle da certidão: 5410.017D.68D5.5AF8. A súmula CARF n.º 37, determina: “Súmula CARF nº 37 Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Assim, não tem mais pendências que denigram a regularidade fiscal da recorrente. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 13 de junho de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 584DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 14041.000934/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal (Súmula CARF nº 67).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.830
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita, inscrito na OAB/SP sob o nº. 119.076.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal (Súmula CARF nº 67). Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000934/200673 Recurso nº 925.371 Voluntário Acórdão nº 220201.830 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente MARIA ROSA COSTA LIMA GIOIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal (Súmula CARF nº 67). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita, inscrito na OAB/SP sob o nº. 119.076. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000934/200673 Acórdão n.º 220201.830 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MARIA ROSA COSTA LIMA GIOIA, foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Brasília — DF, o Auto de Infração de fls.194/301, com ciência em 23/12/2006. O valor do crédito tributário apurado é de R$371.379,71, e está assim constituído em Reais: Imposto ............................................................. 152.762, 76 Juros de Mora (Calculado até 30/11/06)........... 104.044,89 Multa Proporcional (Passível de Redução)....... 114.572,06 Total do Crédito Tributário ............................... 371.379,71 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originouse na constatação das infrações elencadas a seguir: Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme demonstrado no Auto de Infração. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos e o propósito das operações financeiras, relativas à movimentação de divisas no exterior, nos anos 2001 e 2002, na subconta CB Financial Corp n° 530767007, administrada pela empresa Beacon Hill Service Corporation, no Banco JP Morgan Chase Bank de Nova York. DATA TRN ( n° transf.) VALOR 03/04/2001 1115300093FP US$ 107.000,00 23/05/2001 1123500143FP US$ 40.000,00 11/06/2001 1208100162FP US$ 2.040,00 27/06/2002 1096700178FP US$ 135.775,89 Ainda no Termo de Verificação Fiscal está consignado que não satisfeito com os esclarecimentos a fiscalização, foi elaborado o Demonstrativo de Variação Patrimonial. De posse da declaração de rendimentos, informações internas da Receita, comprovantes de rendimentos, saldos bancários e aplicações financeiras, foram confrontadas as origens de recursos com as aplicações, de onde se apurou um acréscimo patrimonial a descoberto. Considerouse os valores transferidos no exterior, uma vez que a documentação pertinente às remessas tiveram origem em investigações anteriores da Polícia Federal e Ministério Público Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Federal e nos foram informadas pela Equipe Especial de Fiscalização autorizada por decisão judicial, por meio da Representação Fiscal n° 46/05. A contribuinte consta como ordenante nestas operações e não nos apresentou prova em contrário, alegando apenas que as movimentações eram feitas por conta e ordem de seu filho, residente e domiciliado no exterior há muitos anos. Contudo, não traz mais nenhuma documentação comprobatória de tal alegação. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, às fls.332/344, mediante as alegações relatadas, resumidamente, a seguir: Argumenta que o Sr.Antônio Gioia, filho da contribuinte, estrangeiro, casado, o residente e domiciliado, desde 1993, nos Estados Unidos da América, Diretor da WTC Marketing Solutions LLC e Magtec Corporation, exerceu atividades comerciais no exterior nos anoscalendários investigados, sendo também sócio da empresa Mega Invest. Trade & Inc. Tendo em vistas razões de ordem familiar e pessoal, o Sr. Antônio nomeou a Sra. Maria Rosa Costa Lima Gioia como sua procuradora lhe conferindo poderes para autorizar movimentações de recursos da empresa Mega Invest. Trade & Inc., motivo pelo qual não podem ser atribuídas à interessada as movimentações de recursos no exterior que deram causa ao Auto de Infração. Com a intenção de corroborar estas alegações, junta aos autos cópia da procuração, cartão de residência permanente no exterior do filho e atos societários da empresa Mega Invest. Trade & Inc., que demonstram a participação de Antônio José Costa Lima Gioia no capital dessa Sociedade. Afirma não possuir contas correntes em seu nome no exterior; que os recursos movimentados no exterior não saíram de suas contas no Brasil; que possui procuração com poderes para movimentar os recursos de seu filho, residente no exterior, que a constituiu procuradora por motivos pessoais. Com relação à movimentação ocorrida em 03/04/2001, no valor de US$107.000,00, a irrnpugnante figurou como mandatária de transferência, no exterior, de recursos da Mega Invest. Trade & Inc. para o filho Antônio José Costa Gioia. Figurou corno mandatária de transferência de recursos nas operações ocorridas em 23/05/2001, no valor de US$40.000,00; em 11/06/2001, no valor de US$2.040,00, ambas as transferências ocorridas entre a empresa Mega Invest. Trade & Inc. e a empresa Mag Corporation, onde seu filho também figurava como sócio. Finalmente, a empresa Mega Invest. Trade & Inc., teria recebido de outra pessoa jurídica, provavelmente um cliente da empresa, o montante de US$135.775,89, no dia 27/06/2002. Nenhum destes valores, segundo a impugnante, poderia ser considerado como aplicação de recursos no demonstrativo de variação patrimonial, uma vez que não lhe pertenciam. A própria Fiscalização teria noticiado no Termo de Verificação Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000934/200673 Acórdão n.º 220201.830 S2C2T2 Fl. 3 5 Fiscal que as movimentações no exterior teriam sido levadas em conta com base nas investigações anteriores da Polícia Federal e do Ministério Público. Acredita que, a partir dos resultados das investigações destes órgãos, a Receita Federal teria que produzir novas provas da infração fiscal cometida, dado que a prova cabe a quem alega. As provas apresentadas no curso da investigação teriam sido rejeitadas pelo Fisco, mas estas evidenciariam o fato de que as movimentações realizadas no exterior não poderiam ser consideradas como aplicações de recursos, pela falta de provas relacionadas ao suposto acréscimo patrimonial a descoberto. Sustenta que os saldos em conta corrente existentes ao final do anocalendário de 2000 não teriam sido levados em consideração o que tornaria o demonstrativo imprestável para a quantificação dos acréscimos patrimoniais, requer, assim, que seja realizada diligência para apurar o valor destes saldos para que passem a integrar os demonstrativos. A DRJ Brasilia ao apreciar as razões da contribuinte, julgou o lançamento procedente nos termos da ementa a seguir ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam á renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Considerase como aplicação de recursos, transferências de valores efetuadas em nome do autuado, quando não demonstrado que pertenceriam a terceiros. Lançamento Procedente Insatisfeita a interessada interpõe recurso voluntário, onde reitera as mesmas razões da impugnação. São dados destaques aos seguintes pontos: Das atividade do Sr. Antonio Gioia, filha da recorrente; Da inexistência do acréscimo patrimonial a descoberto. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Do exame dos documentos que compõe o processo, principalmente do Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa, fls. 310 e 313, infere se que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal foi materializado tão somente em função da operações financeiras, relativas à movimentação de divisas no exterior, nos anos 2001 e 2002, na subconta CB Financial Corp, administrada pela Beacon Hill Service Corporation, no Banco JP Morgan Chase Bank de Nova York, onde a contribuinte consta como ordenante/remetente. Para melhor analisar a questão, vale lembrar que a remessa ou transferência de recursos para e no exterior, por si só, não comprovam consumo de renda ou aquisição de patrimônio. A transferência de recursos financeiros no exterior, deve ser analisada, para fins de elaboração de fluxo de caixa, da mesma forma como se analisa uma transferência de numerário entre contas bancárias mantidas pelo contribuinte em instituições financeiras domiciliadas no Brasil. O fato de o contribuinte movimentar seus recursos financeiros de uma instituição para outra não pode ser tomada como consumo de renda ou aquisição de patrimônio. O consumo da renda somente é evidenciado quando a autoridade fiscal comprova que o contribuinte comprou bens móveis ou imóveis ou que suportou despesas. A transferência bancária, por si só, ainda que seja no exterior, não equivale à realização de despesas. E mais, dos autos não restou comprovado que o valor correspondente à transferência do referido recurso ao exterior tenha sido convertida em consumo de renda ou aquisição de patrimônio, seja aqui no Brasil ou no exterior. Ou seja, a autoridade fiscal limitou se a tributar a operação bancária, sem comprovar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Nesse sentido, importa observar a Súmula nº 67, que abaixo se transcrevo: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal (Súmula CARF nº 67) Este é o caso dos autos. Lançamento de acréscimo patrimonial sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação ou consumo da renda. Logo, não pode prosperar o lançamento. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000934/200673 Acórdão n.º 220201.830 S2C2T2 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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