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Numero do processo: 19647.000906/2007-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 05/09/2006 a 01/06/2010
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO.
O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA.
É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 05/09/2006 a 01/06/2010 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado.
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife, abaixo transcrito: A empresa Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A solicitou que a DRF/REC encaminhasse ao Coordenador – Geral COSIT, pedido de habilitação para usufruir a redução do IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00 da TIPI. A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659, de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores, estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65 do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06): “Art.65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI , que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 4 3 cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006) NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuíam “Certificados de Registro” expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Reduzindo em 50% a alíquota do IPI. Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos seus artigos 2º e 3º: “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art.3º. Os Ministérios da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias à execução do disposto neste Decreto. Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, determinando aos interessados na fruição do benefício fiscal requerer ao Coordenador Geral do Sistema de Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela indicados, isto é, (i) identificação do requerente, (ii) identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento da redução de alíquota e, (iii) o número do Certificado de Registro do Produto, expedido pelo órgão competente do Ministério da Agricultura. Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, segundo o procedimento previsto, coube à unidade local da Receita Federal após formalizar o processo, informar sobre os antecedentes fiscais da requerente e encaminhálo ao Ministério da Agricultura (MA). A DRF/REC encaminhou este processo ao Serviço de Inspeção Vegetal(SIV), da Delegacia do Ministério da Agricultura, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 5 4 Pecuária e Abastecimento – MAPA em Recife/PE, para verificação do cumprimento dos requisitos previstos para o reconhecimento da redução pleiteada. Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA, que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos Produtos: Preparado Líquido para Refrigerante de Guaraná (Schin Guaraná), Registro PE05896000606,Preparado Líquido para Refrigerante de Laranja (Schin Laranja), Registro PE05896000584,Preparado Líquido para Refrigerante de Cola (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para Refrigerante de Limão (Schin Limão), Registro PE05896000592,o processo retornou à unidade da Receita Federal para encaminhamento à COSIT. No entanto, pela Portaria nº 2, de 12 de setembro de 1995, o Coordenador da COSIT, delegou essa competência às Delegacias da Receita Federal para apreciarem os pleitos referentes ao reconhecimento dessa redução de alíquota, e providenciar, se for o caso, a expedição do pertinente Ato Declaratório. A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle da RFB, em 22.07.2011, constatou que a requerente possui débitos em cobrança no SIEF, além de constar como inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que a necessidade dessa análise de antecedentes fiscais decorre da Lei 9.069/95, a qual determina no seu art. 60, que qualquer reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado pela Receita Federal fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação respectiva. Por outro lado, verificouse no sistema CNPJ, que a situação cadastral da requerente era de empresa baixada desde 01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 . A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010 (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por sucessão, de benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições à pessoa jurídica que vier a ser incorporada, mediante requerimento da incorporadora, e desde que observados os limites e condições fixados na legislação que instituiu o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas, o supracitado Parecer SEORT/RECIFE/2011 entendeu que a interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir de sua baixa tornouse inexistente, e a sucessora não havia se habilitado no processo;que caso a sucessora ainda desejasse a habilitação poderia requerela em nome próprio. Concluiuse,no entanto, que a procuração da empresa ao representante legal que encaminhou o pedido se encontrava vencida, e como a representada havia sido extinta não seria possível sua renovação. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 6 5 Recomendouse assim ao Sr. Delegado da DRF/REC que declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99, porque a finalidade ou o objeto da decisão terseia tornado impossível, inútil ou prejudicado pelo fato superveniente da extinção da empresa requerente. A decisão da DRF/REC, com base no Parecer SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO DE HABILITAÇÃO da pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384. Cientificouse a empresa sucessora dessa decisão, (…), facultandolhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez) dias,contado da ciência do Despacho Decisório, a ser protocolizado na DRF/Recife/PE, nos termos do art.59 da Lei 9.784/99. A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A,protocolou seu recurso contra o despacho decisório, na DRF/REC, (…), podendo ser assim sintetizadas as razões essenciais de contestação: 1. A PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI, art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI). 2. Importante esclarecer que a pretensão se alicerçou na NC 221(TIPI) e na declaração expedida pela Coordenação de Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal em Recife decidiu extinguir o processo, alegando inexistência da parte solicitante, em razão de sua incorporação pela ora recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo requerimento neste mesmo processo. 3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente processo, é imperioso reconhecer que a até a data de incorporação (01.06.2010), a redução de alíquota de IPI era devida à empresa incorporada PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observeseque até 01.06.2010 o CNPJ da referida incorporada estava em plena atividade, e somente foi baixado nessa data. 4. Assim, considerandoseque os requisitos estavam presentes, desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente) incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução de alíquota de IPI lhe era devida. 5. Frisase que a solicitação foi devidamente instruída com cópia do registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em questão atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos. Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da redução de alíquota de IPI até 01/06/2010. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 7 6 6. Importa, ainda, consignar, que a regularidade fiscal não é condição para a concessão da redução de alíquota de IPI requerida. O art. 60 da Lei 9.069/95aplicase quando da concessão de benefício fiscal, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI, pois é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI foram cumpridos conforme exposto mais acima. Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO, desde a data dos respectivos registros efetuados pelo MAPA e até 01/06/2010, à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A Analisando o litígio, a DRJRecife por unanimidade de votos, preliminarmente, reconheceu a sua competência para apreciar a matéria e, no mérito, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que remanesce o processo, mas negou provimento ao direito pleiteado por persistir sem comprovação a regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita: NORMAS PROCESSUAIS. RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. PROCESSO SANEADO. Embora a decisão recorrida haja intimado a interessada a apresentar recurso, nos termos do art.56 da Lei nº 9.784/96 (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei Geral, a repartição de origem procedeu de modo saneador ao encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência para apreciar, segundo o rito do Decreto nº 70.235/72, procedimento que busca o reconhecimento do benefício de redução da alíquota de tributos administrados pela RFB, conforme previsto no inciso IV do art.233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB). HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI. Houve certificação, por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), quanto aos padrões de identidade e qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo à interessada, incorporada no curso do processo, a satisfação desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício fiscal especificado. DIREITO À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. Tratase de pedido de reconhecimento do direito à redução da alíquota de IPI, prevista na NC 221da TIPI/2006, mediante o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal. Depois de reconhecido, esse direito é passível de transferência à empresa sucessora (incorporadora) mediante habilitação no processo. Por economia processual, a repartição Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 8 7 fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da sucessora no âmbito deste mesmo processo, iniciado pela empresa posteriormente incorporada. HABILITAÇÃO DA SUCESSORA SUPRIDA. O PROCESSO REMANESCE. A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é razão plausível para extinção de ofício do processo, mas sim recomendava à autoridade administrativa o devido saneamento processual. Esse saneamento tornouse suprido pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada pela incorporadora, principal interessada, acompanhada de documentos, conjunto cujo teor apresenta mais substância do que o mero requerimento de habilitação da sucessora previsto no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento do direito à redução de alíquota do IPI era direito da incorporada, e passou a ser direito da incorporadora, objeto processual que justifica o seguimento do processo até a solução do litígio. FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL. Persiste óbice à expedição do ato declaratório. O reconhecimento da redução deve observar não apenas os requisitos legais específicos à fruição do benefício fiscal, mas também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da Lei 9.069/95. A fruição de qualquer benefício fiscal federal se submete a esse crivo. O benefício de redução da alíquota de IPI de que trata o presente processo está também condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi o seguinte: · Que os requisitos para a concessão da alíquota reduzida do IPI estão previstos na NC 221 da TIPI a qual vinculase apenas aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E que tais requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente; · Que elementos subjetivos, relativo à pessoa jurídica solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC 221 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em Santarém. Reforça que a regra trazida pelo art. 60 da lei 9.069/95 aplicase somente à concessão de benefícios fiscais, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC 221 da TIPI, pois tratase de um tratamento atribuído objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos estabelecidos na legislação. Nesse sentido, colaciona decisão exarada pela DRJ em Juiz de Fora; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 9 8 · Que no momento em que efetuou o pedido de redução de alíquota do IPI trouxe aos autos cópia da certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União. E que se no decorrer do processo, que se prolongou por morosidade da própria autoridade fiscal em analisar o presente pedido, surgiram eventuais débitos em seu desfavor, estes não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento da redução de alíquota do IPI. Colaciona decisão do antigo Conselho de Contribuintes nessa linha. · Salienta ainda que a empresa incorporadora da Recorrente encontrase com sua situação fiscal regular, anexando certidão que comprova tal situação. · Por fim, salienta que a redução em comento deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 221 não constitui um benefício fiscal e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60 da Lei 9.069/95. Tratase, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à qualidade de um produto, e não ao contribuinte propriamente dito, impregnada de sentido fina1ístico, pois se vale da redução da alíquota do IPI como mecanismo de indução de um comportamento. Vêse, pois, que corresponde invariavelmente a um incentivo ou benefício fiscal Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no artigo 150 da Carta Magna: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação do legislador na concessão de incentivos de natureza tributária em seu art. 14, e que assim prescreve: Art. 14. § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário, que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione subjetivamente o contribuinte, para fins de fruição de um privilégio fiscal de natureza extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público. Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 221 da TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao disposto no artigo 60 da Lei 9065/95, que reza que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 11 10 Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não obstante, fato é também que,quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, o contribuinte apresentou a documentação apta e suficiente para a comprovação de sua regularidade fiscal. Ora, caso o agente fazendário observasse o prazo estipulado pelo artigo 241da Lei no. 9.784/1999, para efetuar a apreciação do pedido envolvendo o benefício fiscal, o Recorrente não teria negado o seu pedido, porquanto se encontrava regular. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte. Vale lembrar que esta Turma Especial, num caso idêntico envolvendo esse mesmo contribuinte, em decisão da lavra do nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, já examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2006 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão no. 3801001.594 do Processo 10855.000847/200691) Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, a empresa que incorporou a Recorrente encontrase fiscalmente regular, conforme comprova a documentação juntada ao presente Recurso. E, de acordo com o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitida no Processo no. 10768.014100/9908, para fins de prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Porém, no que tange ao momento de aplicação do benefício fiscal, que a Recorrente entende dever ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 12 11 realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei, posicionome de forma diversa. Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, no Processo no. 13334.000275/200960, também envolvendo esse mesmo contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial: A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controlística para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal até a expedição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na SRF, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como corretamente decidiu a DRJ. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente à alíquota reduzida do IPI a partir do protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade administrativa. Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à época do pedido apresentado, e da Portaria RFB nº 1.098, de 8/8/2013, em vigor, a competência para a prática do atos editados e dos despachos proferidos deve obedecer às atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 13 12 Estes atos são agrupados em função da matéria sobre as quais versam e compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou por termo a situações individuais em face da legislação tributária e aduaneira, bem assim preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício. Aplicamse, especialmente, nos casos de: reconhecimento ou suspensão de isenção; suspensão de imunidade; declaração de inaptidão; exclusão de regimes tributários especiais; concessão de registro especial de fabricantes ou importadores; divulgação, quando exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos. Logo, o ADE constitui ou põe termo a situações individuais envolvendo reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial. Se o ADE pode constituir ou terminar o reconhecimento de isenção, cuja modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado em relação à redução de alíquota, por que não poderia constituir ou por termo a situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota? Dizer que o Ato Declaratório declara direitos ou reconhece situações preexistentes não significa dizer que, nestes casos, está dispensada ou proibida à autoridade administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações. Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas, não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, que diz: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005).” Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação de tributos as seguintes normas. Constituição Federal de 1988:: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...)” Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 14 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: “Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I – da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele. (...) Redução de alíquota é benefício fiscal. Não cabe afirmar que a redução de alíquota não é um benefício fiscal. Vejamse os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, g. (...)” “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...) §6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. (...)” Também a Lei de Responsabilidade Fiscal, citada pela Conselheira Maria Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é benefício fiscal, logo, aplicase ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995. Momento da comprovação da regularidade fiscal. Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais. No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 15 14 Por isso, não basta comprovar a regularidade fiscal apenas no momento do requerimento do benefício. Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” O momento do fato gerador é o da saída do produto do estabelecimento contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela do IPI sobre o valor da operação. Para cada operação em que se aplique uma alíquota reduzida, temse uma operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à fiscalização, logo, cada operação submetese ao reconhecimento do benefício, o que leva à conclusão de que a beneficiada deve estar amparada pela certidão de quitação de tributos federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo em que usufrua da concessão do benefício. Nos autos ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa analisou o requerimento, a contribuinte encontravase em situação impeditiva da emissão da certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido. A partir do momento em que a contribuinte passou a reunir as condições necessárias e suficientes para fruição do benefício fiscal, poderia ela pleitear novamente seu reconhecimento. Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a analisar operações realizadas pela contribuinte entre o protocolo do requerimento e este Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/200731 Acórdão n.º 3801004.403 S3TE01 Fl. 16 15 julgamento, logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições para fruição do benefício, não se pode decidir que tais operações sejam alcançadas pelo benefício. A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao benefício da redução de alíquota de IPI, que como visto acima ocorre em cada operação tributada por este imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11516.722291/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
A partir da edição da Lei n.º 8.620/93, é legítima a tributação em separado da contribuição previdenciária sobre o valor bruto do 13º salário.
A verba despendida pela empresa a título de décimo terceiro salário não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurando-se como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 28, §2º, DA Lei nº 8.212/91.
O Salário Maternidade integra o conceito jurídico de Salário de Contribuição, sujeitando-se à incidência dos encargos sociais de responsabilidade da empresa. REsp nº 1.230.957-RS, julgado segundo o regime previsto no art. 543-C do CPC.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HORAS EXTRAS. ADICIONAL NOTURNO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integram o conceito jurídico do salário de contribuição, dado ao seu eminente caráter remuneratório, as importâncias pagas a segurados obrigatórios do RGPS a título de horas extras e adicional noturno. REsp nº 1.358.281 - SP, julgado segundo o regime previsto no art. 543-C do CPC.
FÉRIAS GOZADAS. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º, DO RPS.
A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.
AUXÍLIO DOENÇA. AFASTAMENTO POR INCAPACIDADE. ÔNUS DA EMPRESA.
O salário do segurado empregado correspondente aos primeiros 15 dias de afastamento por doença é custeado integralmente pela empresa, e, a partir de então, pelo INSS.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Consoante entendimento pacífico no âmbito do STJ e do TST, os adicionais insalubridade e de periculosidade constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE TRANSFERENCIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O adicional de transferência previsto no §3º do art. 469 da CLT configura-se adicional remuneratório, pago mensalmente, com habitualidade enquanto perdurar a transferência, em percentual nunca inferior a 25% do quanto recebia o trabalhador na localidade de origem, o qual adicional, dada a sua habitualidade, passa a integrar o salário para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias, consoante determinação constitucional prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea b do inciso II do §6º do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora.
CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.
A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa de ofício decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias, aplicada em lançamento de ofício de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento, tão somente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de vale-transporte, em atenção à Súmula nº 60 da AGU, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 8.620/93, é legítima a tributação em separado da contribuição previdenciária sobre o valor bruto do 13º salário. A verba despendida pela empresa a título de décimo terceiro salário não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurando-se como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 28, §2º, DA Lei nº 8.212/91. O Salário Maternidade integra o conceito jurídico de Salário de Contribuição, sujeitando-se à incidência dos encargos sociais de responsabilidade da empresa. REsp nº 1.230.957-RS, julgado segundo o regime previsto no art. 543-C do CPC. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HORAS EXTRAS. ADICIONAL NOTURNO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o conceito jurídico do salário de contribuição, dado ao seu eminente caráter remuneratório, as importâncias pagas a segurados obrigatórios do RGPS a título de horas extras e adicional noturno. REsp nº 1.358.281 - SP, julgado segundo o regime previsto no art. 543-C do CPC. FÉRIAS GOZADAS. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º, DO RPS. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. AUXÍLIO DOENÇA. AFASTAMENTO POR INCAPACIDADE. ÔNUS DA EMPRESA. O salário do segurado empregado correspondente aos primeiros 15 dias de afastamento por doença é custeado integralmente pela empresa, e, a partir de então, pelo INSS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Consoante entendimento pacífico no âmbito do STJ e do TST, os adicionais insalubridade e de periculosidade constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE TRANSFERENCIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O adicional de transferência previsto no §3º do art. 469 da CLT configura-se adicional remuneratório, pago mensalmente, com habitualidade enquanto perdurar a transferência, em percentual nunca inferior a 25% do quanto recebia o trabalhador na localidade de origem, o qual adicional, dada a sua habitualidade, passa a integrar o salário para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias, consoante determinação constitucional prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea b do inciso II do §6º do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa de ofício decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias, aplicada em lançamento de ofício de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. Recurso Voluntário Provido em Parte
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AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 8.620/93, é legítima a tributação em separado da contribuição previdenciária sobre o valor bruto do 13º salário. A verba despendida pela empresa a título de décimo terceiro salário não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurandose como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 28, §2º, DA Lei nº 8.212/91. O Salário Maternidade integra o conceito jurídico de Salário de Contribuição, sujeitandose à incidência dos encargos sociais de responsabilidade da empresa. REsp nº 1.230.957RS, julgado segundo o regime previsto no art. 543C do CPC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 22 91 /2 01 2- 49 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HORAS EXTRAS. ADICIONAL NOTURNO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o conceito jurídico do salário de contribuição, dado ao seu eminente caráter remuneratório, as importâncias pagas a segurados obrigatórios do RGPS a título de horas extras e adicional noturno. REsp nº 1.358.281 SP, julgado segundo o regime previsto no art. 543C do CPC. FÉRIAS GOZADAS. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º, DO RPS. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. AUXÍLIO DOENÇA. AFASTAMENTO POR INCAPACIDADE. ÔNUS DA EMPRESA. O salário do segurado empregado correspondente aos primeiros 15 dias de afastamento por doença é custeado integralmente pela empresa, e, a partir de então, pelo INSS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Consoante entendimento pacífico no âmbito do STJ e do TST, os adicionais insalubridade e de periculosidade constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE TRANSFERENCIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O adicional de transferência previsto no §3º do art. 469 da CLT configurase adicional remuneratório, pago mensalmente, com habitualidade enquanto perdurar a transferência, em percentual nunca inferior a 25% do quanto recebia o trabalhador na localidade de origem, o qual adicional, dada a sua habitualidade, passa a integrar o salário para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias, consoante determinação constitucional prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 489 3 Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa de ofício decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias, aplicada em lançamento de ofício de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do Fl. 490DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 lançamento, tão somente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de valetransporte, em atenção à Súmula nº 60 da AGU, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 490 5 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 Data da lavratura dos Autos de Infração: 26/09/2012. Data da Ciência dos Autos de Infração: 28/09/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Curitiba/PR que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº e 51.022.9379 e 51.022.9425, consistentes em contribuições patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 36/40. De acordo com a resenha assinada pela Autoridade Lançadora, o crédito tributário ora em lançamento é constituído pelos seguintes Autos de Infração: · AI nº 51.022.9425: compreende as contribuições da empresa destinadas ao SAT (Seguro Acidente de Trabalho)/RAT (Riscos Ambientais do Trabalho)/GILRAT (Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho), referentes ao período de 01/2009 a 13/2011. a) contribuição patronal destinada ao FPAS nas competências 13°/2009, e de 13°/2010 a 03/2011, código de levantamento “D2 CONTRIB NÃO DECL 2009 A 2011”. b) contribuição patronal destinada ao SAT/RAT; código de levantamento “B2 DIFERENÇA SAT FAP 2009 A 2011”. · AI n° 51.022.9379: compreende as contribuições destinadas às Entidades ou Fundos denominados Terceiros (FNDE/Salário Educação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE), referentes às competências 12/2007, 12/2009, 12/2010 e 01/2011 a 03/2011. · AI DEBCAD n° 51.007.8788 (CFL 77) : Lavrado em razão do cumprimento de obrigação acessória, pois a empresa deixou de prestar mediante Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP) informações relativas ao 13º, em relação às competências 13/2007, 13/2009 e 13/2010. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 De acordo com o Relatório Fiscal, a base de cálculo das contribuições ora lançadas corresponde às remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, constantes da folha de pagamento e informadas nas respectivas GFIP, conforme exposto no Anexo II, a fl. 49. Em relação às competências 13/2009 e 13/2010, a base de cálculo foi apurada a partir da folha de pagamento, em razão de a empresa não ter entregue as GFIP em suas épocas próprias. No caso específico das competências de 01/2011 a 03/2011, a base de cálculo foi apurada a partir da diferença entre a folha de pagamento e as GFIP, conforme exposto no Anexo I, a fl. 48. No que pertine à alíquota SAT/RAT/GILRAT aplicável, esclarece a fiscalização que a empresa tem como atividade principal o transporte coletivo, cujo enquadramento correto na tabela CNAE FISCAL corresponde ao código 49213/02 (Transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, intermunicipal em região metropolitana), sendo que o percentual do GILRAT nesse código é de 3% (três por cento), e não o percentual de 1% (um por cento) recolhido pela empresa. Tendo em vista a existência de indícios que configuram a ocorrência, em tese, de crime de sonegação de contribuições previdenciárias, tipificado no art. 337A do Código Penal – Decretolei nº 2.848/40, e de crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º da Lei nº 8.137/90, foi efetuada a Representação Fiscal Para Fins Penais, em autos apartados, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.722292/201293. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 65/349. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0646.750 – 6ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 384/403, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/05/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 405. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 413/483, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Nulidade do lançamento em razão de modificação ilegal do MPF; · Nulidade pela ausência de lançamento complementar para o período de 01/2007 a 13/2007, fiscalizado a posteriori; · Nulidade do procedimento, por cerceamento de defesa, em razão da ausência de perícia para a definição da base de cálculo controversa; · Que a denúncia espontânea restou configurada; · Nulidade por alteração irregular do Auto de Infração nº 51.022.9425; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 491 7 · Nulidade do Auto de Infração por erro na determinação da base de cálculo, devido à inclusão de rubricas não sujeitas à incidência de Contribuições Previdenciárias; · Nulidade do lançamento pela impossibilidade de cobrança da contribuição destinada ao INCRA; · Que deve ser aplicada nas competências de 01/2007 a 11/2008 tão somente a multa de mora, no percentual aplicável à época, de 24%, na forma do art. 35 da Lei 8.212/91, tendo em vista inexistir na ocasião previsão legal de multa de ofício; · Nulidade do lançamento pela impossibilidade de cobrança da contribuição destinada ao SAT/RAT pela sistemática instituída pelo Decreto nº 6.957/2009; · Que a multa de ofício de 75% tem caráter confiscatório; Ao fim, requer a reforma do Acórdão recorrido. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/05/201. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17/06/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. NULIDADE I O Recorrente alega a nulidade do lançamento em razão de modificação ilegal do MPF. Sem razão ! Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, determinou que os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários devem ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), ressalvadas as hipóteses previstas no §3º do seu art. 2º. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. DECRETO Nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. §1o Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardamento do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AuditorFiscal da Receita Fl. 495DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 492 9 Federal do Brasil deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de início, será expedido MPF especial, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. §2o Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7o e seguintes do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. §3o O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). §4o O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. §5o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. 6o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. No que pertine à regulamentação do MPF, o §4º do art. 2 do citado Dec. 3.724/2001 estatui que o Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. Nessa esteira, em 29 de junho de 2011 houvese por publicada a Portaria MF nº 3.014/2011 dispondo sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecendo normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e, nessa linhada, instituiu normatização específica relacionada aos prazos de validade do MPF, bem como em relação ao mecanismo de prorrogação e de ciência desta ao Fiscalizado. Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4 º . Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I 120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; e II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. Avulta dos Dispositivos suso selecionados que a ciência do Sujeito Passivo acerca do MPF darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. No caso dos autos, o procedimento fiscal teve início em 01/02/2012, conforme Termo de Início do Procedimento Fisca1 – TIPF, a fls. 28/29, no qual consta expressamente consignado tanto o número do Mandado de Procedimento Fiscal quanto o seu respectivo código de acesso De outro eito, as alterações no MPF decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, sendo que a ciência do Sujeito Passivo darseá, igualmente, no sítio da RFB na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Merece ainda ser destacado que a prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, de acordo com a discricionariedade da Autoridade administrativa. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 493 11 Deve ser citado, ainda, que a Portaria SRF nº 6.087/2005 na qual se fundamenta a insurgência do Recorrente, foi revogada pela Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, ou seja, muito antes do início da ação fiscal. Por tais razões, rejeitamos esta preliminar de nulidade. 2.2. NULIDADE II O Recorrente alega nulidade pela ausência de lançamento complementar para o período de 01/2007 a 13/2007, fiscalizado a posteriori. Também sem razão ! Conforme já salientado no tópico anterior, as alterações no MPF decorrentes de alteração do período de apuração devem ser realizadas mediante registro eletrônico efetuada pela respectiva Autoridade Administrativa Emitente, cientificado o Contribuinte na forma prevista no Parágrafo Único do art. 4º da Portaria RFB nº 3.014/2011, qual seja, no site da RFB na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, conforme assim estabelecido no art. 9º da suso citada Portaria Ministerial. Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011 Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4 º . Merece ser destacado, uma vez mais, que a Portaria SRF nº 6.087/2005 na qual se fundamenta a insurgência do Recorrente, foi revogada expressamente pela Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, ou seja, muito antes do início da ação fiscal. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Por tais razões, rejeitamos também esta preliminar de nulidade. 2.3. NULIDADE III O Recorrente alega nulidade do procedimento, por cerceamento de defesa, em razão da ausência de perícia para a definição da base de cálculo controversa; Sem razão ainda ! Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de situações fáticas, cujo teor já é do conhecimento do Auditor Fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da Autoridade Julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nessa prumada, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do Contribuinte, desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade, em regra, são tidos como prescindíveis, uma vez que os Agentes do Fisco são dotados de conhecimento específico sobre a matéria objeto do seu dever de oficio e competência legal para o exame e apreciação dos paramentos atávicos aos fatos geradores apurados, circunstância que torna despicienda a manifestação de pessoa estranha aos procedimentos fiscalizatórios que, em tese, nada irá acrescentar ao convencimento motivado do Julgador. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 494 13 Há que se considerar, igualmente, que o Ordenamento Jurídico Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise garantia do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem ser valorados com ampla liberdade, desde que tal operação intelectual seja realizada motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e de razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora. Notório o escólio de Gomes Filho (in Direito à Prova no Processo Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 162): “Se de um lado, em oposição ao critério das provas legais, o livre convencimento pressupõe a ausência de regras abstratas e gerais de valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais, por outro implica a observância de certas prescrições tendentes a assegurar a correção epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”. Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de identificação da subsunção do fato concreto à norma jurídica de regência, de valoração das provas, sob a ótica que demanda a controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por desígnio propiciar ao Julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às circunstâncias substanciais pertinentes ao evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência. Não se mostra despiciendo relembrar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo do Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo quarto. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 495 15 Com efeito, emerge dos dispositivos legais que regem a matéria em debate que as provas documentais que dão esteio aos argumentos e alegações de defesa têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais acima referidas, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72 estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. No caso em estudo, além de não demonstrar a sua necessidade, o Recorrente não atendeu aos requisitos legais para a realização de perícia, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do seu perito, como assim exige o preceito inscrito no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Dessarte, considerando que o Recorrente, em se instrumento de Recurso Voluntário, apenas formulou pedido genérico de perícia, sem a indispensável observância dos requisitos essenciais fixados no inciso IV do art. 16 supra, além de não demonstrar a sua necessidade, imperiosa se mostra a incidência da regra tributária fixada no §1º do supra transcrito dispositivo legal, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de perícia. Por tais razões, rejeitamos novamente a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. 2.4. NULIDADE IV O Recorrente alega nulidade por alteração irregular do Auto de Infração nº 51.022.9425. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Continua sem razão ! Reza o art. 41 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, que, quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, das quais resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deve ser efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada. Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3º, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §1o O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. §2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. §4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. §5o O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão. O Recorrente alega que após a entrega dos Autos de Infração em 26/09/2012, cientificandose o contribuinte acerca dos Autos de Infração nº 37.362.5871, nº 37.362.5880, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 496 17 nº 51.022.9379, nº 51.022.9387, nº 51.022.9417, nº 51.007.8788 e nº 51.007.8729, compareceu o Auditor Fiscal à sede da Empresa, para entregar segunda via do Termo de Encerramento, com novo AI nº 51.022.9425. Aduz que não foi lavrado Auto de Infração complementar, conforme prescrito, mas tão somente entregue segunda via à Recorrente do Termo de Encerramento, sem abertura inclusive do prazo de 30 (trinta) dias para Impugnação, o que configuraria cerceamento de defesa e a consequente a anulação do Auto de Infração nº 51.002.9425. Compulsando os autos, todavia, constatamos que no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal a fls. 34/35 constam todos os Autos de Infração lavrados na ação fiscal em comento, a saber, nº 37.362.5871, nº 37.362.5880, nº 51.022.9379, nº 51.022.9387, nº 51.022.9417, nº 51.007.8788 e nº 51.022.9425, recebido pelo Diretor da Empresa em 28/09/2012, nele não constando, o suposto Auto de Infração nº 51.007.8729 que o Recorrente alega ter recebido em 26/09/2012. Inexiste provas nos autos, todavia, de que o Recorrente tenha de fato recebido o tal Auto de Infração nº 51.007.8729, circunstância que representa óbice à comprovação do alegado. De qualquer sorte, ao contrário do que alega o Recorrente, o seu direito de defesa não se houve por cerceado, uma vez que o prazo para o oferecimento da impugnação em face do lançamento que ora se examina teve seu dies a quo no dia 28/09/2012, data da Ciência dos Autos de Infração nº 37.362.5871, nº 37.362.5880, nº 51.022.9379, nº 51.022.9387, nº 51.022.9417, nº 51.007.8788 e nº 51.022.9425, conforme explicitado no tópico 4. do Relatório intitulado IPC Instruções Para o Contribuinte, a fls. 03/04. Instruções Para o Contribuinte IPC 4 Prazo para apresentação da impugnação Recebidos os autos de infração, o contribuinte tem o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência para apresentação de impugnação. A ciência ocorrida em dia não útil ou em dia em que não tenha havido expediente normal deverá ser considerada efetivada no primeiro dia útil seguinte, observando que: a) Na contagem dos prazos, será excluído o dia da ciência efetiva e incluído o dia do vencimento. b) O dia do vencimento será prorrogado para o primeiro dia útil seguinte (com expediente normal), caso recaia em dia em que não haja expediente integral na unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil c) Os prazos são contínuos. Não se suspendem ou interrompem. Excepcionalmente, pode ser admitida a suspensão por motivo de força maior, caso fortuito, greve ou outro fato que impeça o funcionamento das unidades de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou traga impedimento às partes, quando então, o prazo voltará a fluir pelo que lhe sobejar. Por tais razões, rejeitamos mais uma vez a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 2.5. NULIDADE V O Recorrente alega a nulidade do lançamento pela impossibilidade de cobrança da contribuição destinada ao INCRA. A razão ainda não lhe sorri ! Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível. A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e interventivas. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Ag. Regimental no Agravo de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª Região , ementado como se segue : TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO INCRA E AO FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE. A exação de que trata o artigo 15, II da Lei Complementar nº 11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55, em benefício do então criado Serviço Social Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte. Apelação Improvida. pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que obste a cobrança das contribuições para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da decisão exarada: EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não haver óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a referida contribuição, destinada a cobrir os riscos a que se sujeita toda a coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AIAgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005) O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou sua jurisprudência, sedimentou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no Fl. 505DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 497 19 adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.787/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 4. Nos termos do art. 66, §1º, da Lei nº 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. STJ; EREsp 770.451/SC; R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação Fl. 507DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 498 21 teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. Cumpre neste comenos destacar que escapa à competência deste Colegiado a sindicância relativa à adequação da norma legal aos princípios norteadores do ordenamento jurídicos que permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et alli, ao Poder Judiciário, exclusivamente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Muito embora o STF tenha reconhecido a existência de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 630.898/RS a respeito da Constitucionalidade a contribuição destinada ao INCRA, até o presente momento não houve decisão definitiva da Suprema Corte sobre a matéria, havendo que prevalecer a presunção de constitucionalidade da Norma Jurídica. Assentado que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituemse prerrogativas outorgadas pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podem os agentes da Administração Pública imiscuíremse sponte propria nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Devese atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de sequela definitiva decorrente de declaração de inconstitucionalidade promanada na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não se deve olvidar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, rejeitamos outra vez a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. 2.6. NULIDADE VI Fl. 509DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 499 23 O Recorrente alega nulidade da autuação, por não ter sido aplicada a multa moratória mais benéfica. Muito longe da razão ! O Recorrente aduz que deveria ser aplicada nas competências de 01/2007 a 11/2008 tão somente a multa de mora, no percentual aplicável à época, de 24%, na forma do art. 35 da Lei 8.212/91, tendo em vista inexistir na ocasião previsão legal de multa de ofício. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de apreciação e julgamento por este Sodalício em razão de não possuírem referibilidade ao objeto do lançamento ora em debate. Conforme se observa dos relatórios que integram o vertente lançamento, o período de apuração dos Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária que compõem o presente Processo Administrativo Fiscal encontrase limitado ao horizonte temporal de 01/01/2009 até 31/12/2011, ocasião em que já se encontrava vigente e eficaz a MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Inexiste no vertente Processo Administrativo Fiscal qualquer lançamento decorrente de fatos geradores que tenham ocorrido nas competências de 01/2007 a 11/2008, de onde se conclui que as alegações do Recorrente fogem ao objeto do vertente processo. Por tais razões, urge ser rejeitada ainda mais esta vez a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. 2.7. NULIDADE VII O Recorrente alega nulidade do Auto de Infração por supostos erros na determinação da base de cálculo, devido à inclusão de rubricas não sujeitas à incidência de Contribuições Previdenciárias. Aduz haverem sido incluídas na base de cálculo rubricas de natureza remuneratória. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como Fl. 510DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 500 25 Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos Fl. 512DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 513DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 501 27 (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (grifos nossos) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador mesmo que sem prestar qualquer labor, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 502 29 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, mesmo que na forma de utilidades, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração Social PIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 503 31 q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, em atenção aos termos insculpidos no art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção, de sorte que, onde o legislador ordinário não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. 2.7.1. AVISO PRÉVIO INDENIZADO A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, o assim denominado “aviso prévio indenizado”, representa o montante recebido pelo trabalhador referente ao período do aviso prévio que não foi trabalhado. Não que se falar, pois, em dano eis que tal não ocorreu. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 504 33 Em primeiro lugar, merece ser trazido à balha que o dever jurídico de indenizar pressupõe a existência de um ato ilícito e de um dano dele diretamente decorrente, sem o qual não há o que se reparar. Em segundo lugar, atentese que o conceito jurídico de dano traz subjacente a ideia de prejuízo injusto decorrente de ato ilícito, a ser reparado por aquele que, mediante ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, tenha violado direito e causado dano a outrem. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; II a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a reparálo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Dessarte, somente ostentará natureza indenizatória as verbas pagas visando a repara um dano, decorrente de ato ilícito praticado com dolo ou culpa por aquele que tem o dever de reparar o dano em questão. Nessa vertente, se um trabalhador tem o seu carro destruído por uma enchente, e o Empregador, em reconhecimento à importância do empregado e como forma de restaurar o statu quo ante, oferece gratuitamente ao trabalhador um veículo idêntico ao destruído, tal ato jurídico não ostenta natureza indenizatória, uma vez que não decorreu de ato ilícito praticado pelo Empregador, tampouco tinha este o dever jurídico de reparar o dano sofrido pelo seu empregado. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 No caso dos autos, os valores pagos a título impróprio de “aviso prévio indenizado” possui natureza remuneratória correspondente ao período que o trabalhador deveria prestar serviços ao empregador, após o recebimento do aviso prévio. Qual dano sofreu o trabalhador ??? Receber salário sem trabalhar é dano ??? Ora ... A parte que efetivamente sofreu alguma espécie de dano foi, exatamente, o empregador que se viu impingido a pagar o salário do obreiro sem a respectiva contraprestação laboral. Nem se diga que o dano seria decorrente da dispensa sem justa causa, pois tal faculdade do empregador não se configura ato ilícito, mas direito potestativo da parte. Ademais, seria um contrassenso ... (a) Se o empregado é demitido sem justa causa, trabalha regularmente durante o período do aviso prévio e recebe o salário correspondente – não há dano. (b) Se o empregado é demitido sem justa causa, deixa de trabalhar durante o período do aviso prévio e recebe o salário correspondente – há dano. Qual seria o dano ? deixar de trabalhar e receber o salário. Registrese por relevante que a não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o impropriamente denominado “aviso prévio indenizado” seria inconstitucional, representaria ofensa à norma encartada no caput do art. 201 da CF/88, que expressamente estatui que a previdência social tem caráter contributivo. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) Ora, se o período referente ao aviso prévio indenizado conta tempo de contribuição para fins de aposentadoria pelo RGPS, obviamente tem que haver contribuição sobre a remuneração referente a tal período. Notese que a base de cálculo da contribuição patronal prevista no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91 abarca, não somente os serviços efetivamente prestados pelo trabalhador, mas, também, o tempo em que este ficou à disposição do empregador ou tomador de serviços. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 521DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 505 35 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). 2.7.2. DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO – GRATIFICAÇÃO NATALINA Conforme já destacado alhures, o conceito jurídico de Salário de Contribuição foi empregado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91 em seu sentido amplo, abraçando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços, de maneira que a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, mesmo que na forma de utilidades, ressalvadas aquelas que a própria lei excluiu do campo de incidência, as quais encontramse arroladas numerus clausus no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Dessarte, para os fatos geradores consistente no pagamento de gratificação natalina, inexiste qualquer subsunção do fato jurígeno tributário à norma de exclusão da base de cálculo, circunstância que implica sua integração na matéria tributável. Ao revés, a incidência de contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina encontrase expressamente prevista no §7º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) § 7º O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. (Redação dada pela Lei n° 8.870/94) (...) Fl. 522DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Anotese que o Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgReg em Ag nº 727.9587, Rel. Min. Eros Grau, Dj. 16/12/2008, firmou entendimento no sentido de que as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Tantas foram as decisões no mesmo sentido que o STF achou por bem consolidar tal entendimento na Súmula 688, cujo verbete ostenta a seguinte redação: SÚMULA 688 É LEGÍTIMA A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O 13º SALÁRIO. Nesse contexto, sendo a gratificação natalina um direito trabalhista do empregado, tendo inclusive matriz constitucional, sendo devido pela Previdência Social aos aposentados, sobre tal rubrica há de incidir Contribuição Previdenciária. O Colendo Superior Tribunal de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer, na pacificação do debate em torno do assunto: REsp 951.134/SP RECURSO ESPECIAL2007/01083346 Relator: Min. Mauro Campbell Marques Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data da Publicação/Fonte DJe 13/04/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉCIMOTERCEIRO SALÁRIO. CÁLCULO EM SEPARADO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1066682/SP, JULGADO EM 09/12/2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A partir da edição da Lei n.º 8.620/93, é legítima a tributação em separado da contribuição previdenciária sobre o valor bruto do 13.º salário. Precedente: REsp 1066682/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 1º/2/2010, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC e da res. n. 8/08 do STJ. 2. Recurso especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS provido. Recurso especial interposto por Luiz Donizeti Zara prejudicado. Nesse contexto, figurando tal rubrica no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o lançamento. Nessa esteira, havendo incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o aviso prévio não trabalhado e sobre a gratificação natalina, exsurge, por decorrência lógica, que também deverá sofrer incidência tributária a parcela referente ao 13º salário proporcional ao aviso prévio. 2.7.3. DO SALÁRIO MATERNIDADE Fl. 523DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 506 37 O art. 392 da CLT proibia o trabalho da mulher grávida nas seis semanas que antecediam o parto e nas seis semanas seguintes. Com o advento do DecretoLei nº 29/67, tal vedação houvese por estabelecida entre as quatro semanas antes e as semanas após o parto. No que se refere ao salário da gestante, a lei assegurava à mulher não somente o salário integral, como também os diretos e vantagens adquiridos, sendolhe ainda facultado reverter à função que anteriormente ocupava, conforme disposto no art. 39 da CLT – na redação dada pelo DecretoLei 29/67. Hodiernamente, o art. 392 da CLT dispõe que "a empregada gestante tem direto à licençamaternidade de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário". Consolidação das Leis do Trabalho Art. 392. A empregada gestante tem direito à licençamaternidade de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário. (Redação dada pela Lei nº 10.421/2002) §1º A empregada deve, mediante atestado médico, notificar o seu empregador da data do início do afastamento do emprego, que poderá ocorrer entre o 28º (vigésimo oitavo) dia antes do parto e ocorrência deste. (Redação dada pela Lei nº 10.421/2002) §2º Os períodos de repouso, antes e depois do parto, poderão ser aumentados de 2 (duas) semanas cada um, mediante atestado médico. (Redação dada pela Lei nº 10.421/2002) §3º Em caso de parto antecipado, a mulher terá direito aos 120 (cento e vinte) dias previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.421/2002) §4º É garantido à empregada, durante a gravidez, sem prejuízo do salário e demais direitos: (Redação dada pela Lei nº 9.799/99) I transferência de função, quando as condições de saúde o exigirem, assegurada a retomada da função anteriormente exercida, logo após o retorno ao trabalho; (Incluído pela Lei nº 9.799/99) II dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de, no mínimo, seis consultas médicas e demais exames complementares. (Incluído pela Lei nº 9.799/99) Como se verifica, num primeiro momento, salário maternidade caracterizava se como um ônus da empresa, o que, sem dúvida, constituía obstáculo à contração de empregadas. Objetivando corrigir essa distorção, a Lei nº 6.136/74 incluiu o salário maternidade entre os benefícios da Previdência Social, estatuído em seu art. 3º sua subsunção à regra de incidência tributária. Lei nº 6.136, de 7 de novembro de 1974 Art. 2º O saláriomaternidade, que corresponderá à vantagem consubstanciada no artigo 393 da Consolidação das Leis do Trabalho, terá sua concessão e manutenção pautadas pelo disposto nos artigos 392, 393 e 395 da referida Consolidação, cumprindo às empresas efetuar os respectivos pagamentos. (Redação dada pela Lei nº 6.332/76) Fl. 524DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 §1º O valor bruto do saláriomaternidade pago à empregada, aí incluída a contribuição dele descontada para a previdência social, será deduzido do montante que as empresas recolhem mensalmente ao INPS a título de contribuições previdenciárias. (Redação dada pela Lei nº 6.332/76) §2º Não se aplicam ao cálculo do valor do saláriomaternidade as restrições contidas no § 4º, do artigo 3º, da citada Lei número 5.890, e no inciso III, do seu artigo 5º. (Redação dada pela Lei nº 6.332/76) §3º Serão fornecidos pela previdência social os atestados médicos de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo 392, da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pela Lei nº 6.332/76) Art. 3º O saláriomaternidade continuará sujeito ao desconto da contribuição previdenciária de 8% (oito por cento) e à incidência dos encargos sociais de responsabilidade da empresa. Como visto, o salário maternidade ostenta natureza salarial, sendo que a transferência do encargo para a Previdência Social não tem o condão de transmudar sua natureza jurídica. Nos termos do art. 3ºda Lei 8.213/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido a esse título tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, §2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §2º O saláriomaternidade é considerado saláriodecontribuição. (...) Fl. 525DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 507 39 Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre as importâncias pagas a título de salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal, inexistindo qualquer indício de incompatibilidade com o texto constitucional. Com efeitos, o art. 7º, XX, da Constituição Federal assegura a proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XX proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei; (...) No que s refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, transferência do ônus referente ao pagamento dos salários da gestante, durante o período de afastamento, constituise incentivo suficiente para assegurar a devida proteção ao mercado de trabalho da mulher. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, havendo inúmeros precedentes nesse sentido. Tal entendimento encontrase plasmado em sua essência e termos no Recurso Especial nº 1.230.957RS, cujo julgamento se houve por realizado segundo o regime dos Recursos Repetitivos previsto no art. 543C do CPC, c/c Resolução 8/208 Presidência/STJ, e de cuja ementa extraímos os seguintes excertos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957 RS (201/096836) Rel. Min. MAURO CAMPBEL MARQUES EMENTA PROCESUAL CIVL. RECURSO ESPECIAS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE ASEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTIUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.213/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem Fl. 526DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, §2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura igualdade entre homens e mulheres em diretos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente par assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ªTurma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ªTurma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliane Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 86.954/RS, 1ªTurma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgR no REsp 901.398/SC, 2ªTurma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ªTurma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgR no REsp 1.5.172/RS, 2ªTurma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgR no Ag 1.42.039/DF, 2ªTurma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgR nos EDcl no REsp 1.04.653/SC, 1ªTurma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgR no REsp 1.07.89/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Bendito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. (...) 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CP, c/ a Resolução 8/208 Presidência/STJ. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 508 41 Nesse contexto, figurando tal rubrica no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o lançamento. 2.7.4. DAS HORAS EXTRAS E DO ADICIONAL NOTURNO No que pertine às horas extras e ao adicional noturno, a sua natureza salarial é inconteste tanto na doutrina como na jurisprudência, estando sua disciplina jurídica regulamentada pelos artigos 59 a 61 da CLT. Consolidação das Leis do Trabalho Art. 59 A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho. 1º Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho deverá constar, obrigatoriamente, a importância da remuneração da hora suplementar, que será, pelo menos, 20% (vinte por cento) superior à da hora normal. §2o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) §3º Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária, na forma do parágrafo anterior, fará o trabalhador jus ao pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão. (Incluído pela Lei nº 9.601, de 21.1.1998) §4o Os empregados sob o regime de tempo parcial não poderão prestar horas extras. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164 41, de 2001) Art. 60 Nas atividades insalubres, assim consideradas as constantes dos quadros mencionados no capítulo "Da Segurança e da Medicina do Trabalho", ou que neles venham a ser incluídas por ato do Ministro do Trabalho, Industria e Comercio, quaisquer prorrogações só poderão ser acordadas mediante licença prévia das autoridades competentes em matéria de higiene do trabalho, as quais, para esse efeito, procederão aos necessários exames locais e à verificação dos métodos e processos de trabalho, quer diretamente, quer por intermédio de autoridades sanitárias federais, estaduais e municipais, com quem entrarão em entendimento para tal fim. Art. 61 Ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a duração do trabalho exceder do limite legal ou convencionado, seja para Fl. 528DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 fazer face a motivo de força maior, seja para atender à realização ou conclusão de serviços inadiáveis ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto. §1º O excesso, nos casos deste artigo, poderá ser exigido independentemente de acordo ou contrato coletivo e deverá ser comunicado, dentro de 10 (dez) dias, à autoridade competente em matéria de trabalho, ou, antes desse prazo, justificado no momento da fiscalização sem prejuízo dessa comunicação. §2º Nos casos de excesso de horário por motivo de força maior, a remuneração da hora excedente não será inferior à da hora normal. Nos demais casos de excesso previstos neste artigo, a remuneração será, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) superior à da hora normal, e o trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não fixe expressamente outro limite. §3º Sempre que ocorrer interrupção do trabalho, resultante de causas acidentais, ou de força maior, que determinem a impossibilidade de sua realização, a duração do trabalho poderá ser prorrogada pelo tempo necessário até o máximo de 2 (duas) horas, durante o número de dias indispensáveis à recuperação do tempo perdido, desde que não exceda de 10 (dez) horas diárias, em período não superior a 45 (quarenta e cinco) dias por ano, sujeita essa recuperação à prévia autorização da autoridade competente. Não por outro motivo, a própria Constituição Federal, ao tratar de tais rubricas, referese expressamente à sua natureza remuneratória: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XVI remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal. (grifos nossos) Merece ser ressaltado que o Colendo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.358.281, proferido na sistemática dos recursos repetitivos, assentou o entendimento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre as horas extras, o adicional noturno e o adicional de periculosidade. RECURSO ESPECIAL Nº 1.358.281 SP (2012/0261596) Rel. Min. HERMAN BENJAMIN PROCESUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. CP, ART. 57, §1º. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICONAIS DE HORA EXTRA, TRABALHO NOTURNO, INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE. PRÊMIO. GRATIFCAÇÃO. REPOUSO SEMANAL REMUNERADO. INCIDÊNCIA. AUXÍLIODOENÇA. PRIMEIROS 15 (QUINZE) DIAS DE AFASTAMENTO. ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 509 43 [...] 2. Os adicionais de horaextra, trabalho noturno, insalubridade, periculosidade têm natureza salarial e, portanto, sujeitamse à incidência da contribuição previdenciária (STJ, REsp n. 973.436, Rel. Min. José Delgado, j. 18.12.2007; TRF da 3ª Região, 5ª Turma, AG n. 2001.030.374996, Rel. Des. Fed. Ramza Tartuce, j. 12.03.2007; AG N. 2001.030.374996, Rel. Des. Fed. Ramza Tartuce, j. 12.03.2007; AG N.2001.030.374996, Rel. Des. Fed. Ramza Tartuce, ,j. 12.03.2007). 3. Ainda que pago por liberalidade do empregador, o prêmio tem natureza remuneratória, razão pela qual deve integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária (STJ, REsp n. 910.214, Rel. Min. José Delgado, 17.05.2007; REsp n. 565.375, Rel. Min. Teori Zavascki, j.17.08.2006; TRF da 3ª Região, AI n. 2010.03.00.001374 5, Rel. Des. Fed. Ramza Tartuce, j. 07.02.2011). 4. O §1º do art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho dispõe que as gratificações ajustadas integram o salário do empregado. A leitura do dispositivo legal permite a constatação da incidência da contribuição previdenciária sobre os valores com tal título, ainda que pagos por liberalidade do empregador (STJ, AGA n. 130.45, Rel. Min. Luiz Fux, j. 16.11.2010; AgR nos EDcl no REsp n. 1098.218, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 27.10.2009; EDcl no REsp n.733.362, Rel. Min. Humberto Martins, j. 03.4.2008; TRF da3ª Região, AI n. 2009.030.3858, j.12.07.2010). 5. A jurisprudência é pacífica no sentido de que o repouso semanal remunerado tem natureza remuneratória, integrando salário de contribuição para incidência de contribuição previdenciária (TRF da 3ª Região, AMS n. 209.614.027481, Rel. Des. Fed. Henrique Herkenhof, j. 09.11.2010; TRF da 1ª Região, AC n. 2004.01.00.0111141, Rel. Des. Fed. Mari Isabel Galoti Rodrigues, j. 08.10.2004; TRF da 4ª Região, AC n. 93.04160863, Rel. Des. Fed. Fabio Bitencourt da Rosa, j. 09.09.1997). [...] 8. Agravos legais não providos Recurso Especial recebido como recurso representativo de controvérsia, com fundamento no art. 543C do CPC e no art. 2º, §1º, da Resolução STJ 8/2008. Diante dos aludidos dispositivos e da jurisprudência promanada da Suprema Corte de Justiça, na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543C do CPC, estando as referidas rubricas congregadas no conceito jurídico de Salário de Contribuição, devidas são as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, na forma prescrita na Lei nº 8.212/91, de maneira que há que persistir o lançamento. 2.7.5. DAS FÉRIAS GOZADAS E DO ADICIONAL DE FÉRIAS DE 1/3. Avulta, de plano, que a verba despendida pela empresa a título de FÉRIAS GOZADAS e o ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, paga a seus empregados, não Fl. 530DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurandose, portanto, como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária plasmada no art. 111 do CTN, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Mostrase digno de registro que a alínea ‘d’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 apenas excluiu da tributação as importâncias às férias indenizadas e o adicional constitucional correspondente a essas férias indenizadas, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho, não incluindo no rol das excepcionalidades o adicional constitucional relativo às férias normais, auferido pelo trabalhador em pleno exercício. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Nessa perspectiva, onde o Legislador Infraconstitucional, podendo fazêlo, não dispôs de forma expressa, não pode o operador da lei ampliar o alcance da norma de isenção, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia, bem como, especificamente, ao art. 111, II, do CTN. No que pertine às férias, a natureza remuneratória de tal rubrica encontrase expressamente assentada no inciso XVII do art. 7º da CF/88, o qual estatui que o período de gozo de férias são remunerados não com o salário contratual, mas, sim, com o salário contratual acrescido de, no mínimo, 1/3. Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; (grifos nossos) O caráter remuneratório das verbas em exame encontrase expressamente consignado nas normas trabalhistas contidas na Consolidação das Leis do Trabalho, in verbis: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 510 45 Consolidação das Leis do Trabalho Art. 129 Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um período de férias, sem prejuízo da remuneração. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535/77) SEÇÃO IV DA REMUNERAÇÃO E DO ABONO DE FÉRIAS Art. 142 O empregado perceberá, durante as férias, a remuneração que lhe for devida na data da sua concessão. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535/77) (grifos nossos) §1º Quando o salário for pago por hora com jornadas variáveis, apurarseá a média do período aquisitivo, aplicandose o valor do salário na data da concessão das férias. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77 §2º Quando o salário for pago por tarefa tomarseá por base a media da produção no período aquisitivo do direito a férias, aplicandose o valor da remuneração da tarefa na data da concessão das férias. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77 §3º Quando o salário for pago por percentagem, comissão ou viagem, apurarseá a média percebida pelo empregado nos 12 (doze) meses que precederem à concessão das férias. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77 §4º A parte do salário paga em utilidades será computada de acordo com a anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77) §5º Os adicionais por trabalho extraordinário, noturno, insalubre ou perigoso serão computados no salário que servirá de base ao cálculo da remuneração das férias. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77 §6º Se, no momento das férias, o empregado não estiver percebendo o mesmo adicional do período aquisitivo, ou quando o valor deste não tiver sido uniforme será computada a média duodecimal recebida naquele período, após a atualização das importâncias pagas, mediante incidência dos percentuais dos reajustamentos salariais supervenientes. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77 Art. 143. O direito de reclamar a concessão das férias prescreve em dois anos, contados da data em que findar a época em que deviam ser gozadas. Parágrafo único. O empregador que deixar de conceder férias ao empregado que às mesmas tiver feito jus ficará obrigado a pagar lhe uma importância correspondente ao dobro das férias não concedidas, salvo se a recusa fundamentarse em qualquer dispositivo do presente capítulo. Art. 145 O pagamento da remuneração das férias e, se for o caso, o do abono referido no art. 143 serão efetuados até 2 (dois) dias antes do início do respectivo período. (Redação dada pelo Decreto lei nº 1.535/77 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 Parágrafo único O empregado dará quitação do pagamento, com indicação do início e do termo das férias. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77) Por outro viés, o §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estatui de maneira expressa que o adicional de um terço de férias integra o saláriodecontribuição, figurando tal rubrica, portanto, no conjunto das hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 . Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriodecontribuição. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Aditese que, estando incidência de contribuições previdenciárias sobre a verba ora em debate expressamente prevista no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, impedido encontrase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de afastar sua aplicação, por força do preceito inscrito no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, o qual estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 511 47 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) A jurisprudência do STJ é pacifica quanto à natureza remuneratória e incidência de contribuições previdenciárias sobre as férias gozadas, conforme se depreende dos seguintes julgados: AgRg no REsp 1.475.078 / PR Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES DJe 28/10/2014 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE O DESCANSO SEMANAL REMUNERADO E FÉRIAS GOZADAS. PRECEDENTES. 1. O pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória e salarial, nos termos do art. 148 da CLT, e integra o salário de contribuição (AgRg nos EAREsp 138.628/AC, 1ª Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 18.8.2014; AgRg nos EREsp 1.355.594/PB, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 17.9.2014). 2. A Segunda Turma/STJ, ao apreciar o REsp 1.444.203/SC (Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 24.6.2014), firmou entendimento no sentido de que incide contribuição previdenciária sobre o descanso semanal remunerado, porquanto se trata de verba de caráter remuneratório. 3. Agravo regimental não provido. AgRg no REsp 1473523 / SC Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES DJe 28/10/2014 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: SALÁRIO MATERNIDADE, SALÁRIO PATERNIDADE, FÉRIAS GOZADAS, DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO, AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO, HORAS EXTRAS E RESPECTIVO ADICIONAL E ADICIONAIS NOTURNO, PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE. 1. A Primeira Seção/STJ, ao apreciar o REsp 1.230.957/RS (Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 18.3.2014), aplicando a sistemática prevista no art. 543C do CPC, pacificou orientação no sentido de que Fl. 534DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 48 incide contribuição previdenciária (RGPS) sobre as verbas pagas a título de salário maternidade e salário paternidade. 2. O pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória e salarial, nos termos do art. 148 da CLT, e integra o salário de contribuição (AgRg nos EAREsp 138.628/AC, 1ª Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 18.8.2014; AgRg nos EREsp 1.355.594/PB, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 17.9.2014). 3. A Primeira Seção/STJ, ao apreciar o REsp 1.358.281/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, Sessão Ordinária de 23.4.2014), aplicando a sistemática prevista no art. 543C do CPC, pacificou orientação no sentido de que incide contribuição previdenciária (RGPS) sobre as horas extras e respectivo adicional, e sobre os adicionais noturno e de periculosidade (Informativo 540/STJ). 4. A orientação desta Corte é firme no sentido de que o adicional de insalubridade integra o conceito de remuneração e se sujeita à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no AREsp 69.958/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 20.6.2012; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 2.12.2009). 5. No que concerne ao auxílioalimentação, não há falar na incidência de contribuição previdenciária quando pago in natura, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. No entanto, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da contribuição. Nesse sentido: REsp 1.196.748/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 28.9.2010; AgRg no REsp 1.426.319/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 13.5.2014; REsp 895.146/CE, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 19.4.2007. No caso concreto, o Acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência deste Tribunal, pois constou expressamente que "o pagamento é efetuado mediante a entrega de crédito ao trabalhador, razão pela qual é devida a incidência da contribuição previdenciária". 6. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ é pacífica no sentido de que "o décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária" (REsp 812.871/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 25.10.2010). Essa orientação encontra amparo na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que se firmou no sentido de que "é legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário" (Súmula 688/STF). 7. Agravo regimental não provido. AgRg no REsp 1462805 / PR Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES DJe 08/10/2014 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE: SALÁRIO MATERNIDADE. OBSERVÂNCIA DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.230.957/RS. FÉRIAS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO EAREsp 138.628/AC. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. No julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.230.957/RS, de minha relatoria, julgado em 26/2/2014, a Primeira Seção do STJ assentou o entendimento que o salário maternidade possui natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. 2. A Primeira Seção do STJ no julgamento do EAREsp 138.628/AC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, DJe 18/08/2014, ratificou o Fl. 535DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 512 49 entendimento de que o pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória e salarial, nos termos do art. 148 da CLT, e integra o salário de contribuição. Dessa forma, merece ser mantido o acórdão recorrido, aplicandose ao caso o óbice da Súmula 83/STJ. 3. Agravo regimental não provido. A incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o terço constitucional de férias decorrente de férias gozadas também já foi reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende do seguinte julgado. REsp 1.098.102 / SC Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES DJe 17/06/2009 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165, 458, 459 E 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AUXÍLIO DOENÇA, AUXÍLIOACIDENTE. VERBAS RECEBIDAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. SALÁRIO MATERNIDADE. NATUREZA JURÍDICA SALARIAL. INCIDÊNCIA. ADICIONAL DE 1/3, HORASEXTRAS E ADICIONAIS NOTURNO, DE INSALUBRIDADE E DE PERICULOSIDADE. VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. (...) 5. A verba recebida a título de terço constitucional de férias, quando as férias são gozadas, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária. (...) Dessarte, para os fatos geradores objeto do presente lançamento, inexiste qualquer subsunção do fato jurígeno tributário à norma de exclusão da base de cálculo, circunstância que implica sua integração na matéria tributável. Não procede a alegação recursal de que as rubricas referentes às férias teria natureza indenizatória. As férias trabalhistas são conceituadas como o período do contrato de trabalho em que o empregado não presta serviços ao empregador, mas recebe remuneração, após ter adquirido o direito no decurso dos doze primeiros meses de vigência do seu contrato de trabalho. Sua natureza jurídica envolve um aspecto negativo, que é o período em que o empregado não deve trabalhar e o empregador não pode exigir serviços de obreiros. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 50 Atentese que o conceito jurídico de dano traz subjacente a ideia de prejuízo injusto decorrente de ato ilícito, a ser reparado por aquele que, mediante ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; II a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a reparálo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Inexiste qualquer dano a ser indenizado no caso em estudo. A uma, porque não houve ATO ILÍCITO. As férias trabalhistas se constituem num direito subjetivo do trabalhador e, em contrapartida, sob o prisma do empregador, numa obrigação de fazer e de dar ao mesmo tempo. Não há, portanto, qualquer indício de ato ilícito; A duas, porque não se verificou a ocorrência de DANO. Afinal, qual seria o prejuízo sofrido pelo empregado para fazer jus à verba em questão? Ter ficado 30 dias sem trabalhar e ainda ser remunerado com o salário integral? E quanto ao adicional constitucional de 1/3 das férias? Um plus remuneratório para curtir as férias? A três, porque não se houve por demonstrado o elemento subjetivo da conduta tendente à causar prejuízo a terceiros. O dever do empregador de pagar a remuneração de férias, bem como o adicional de 1/3, decorre diretamente da Carta de 1988. Tratase de uma obrigação trabalhista da qual o empregador não pode se desvencilhar. A quatro, porque não houve qualquer violação a direito do trabalhador. Ao contrário: deuse justamente a realização de direitos trabalhistas previstos no Pergaminho Constitucional e nos artigos 129 a 145 da CLT. Consolidação das Leis do Trabalho Fl. 537DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 513 51 Art. 129 Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um período de férias, sem prejuízo da remuneração. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535/77) Art. 130 Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535/77) I 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77) II 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas; (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77) III 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas; (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77) IV 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) faltas. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77) §1º É vedado descontar, do período de férias, as faltas do empregado ao serviço. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77) §2º O período das férias será computado, para todos os efeitos, como tempo de serviço. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535/77) Ora bolas !!! Que espécie de “indenização” será essa, cujo direito ao recebimento encontrase condicionado ao efetivo exercício, por 12 meses, da atividade profissional para a qual o trabalhador foi formalmente contratado ????? No idioma que me foi ensinado pelo Prof. Antonio Luís Randan, conjugado aos ensinamentos adquiridos dos mestres Amauri Mascaro Nascimento e Mauricio Godinho Delgado, tal “indenização” recebe um nome bem apropriado às condições de contorno em que foram pagas: “remuneração”. As verbas pagas a título de férias gozadas, bem como seu adicional de 1/3, são lícitas e possuem natureza remuneratória, assim como lícito é o pagamento de salários, razão pela qual tais verbas deveriam ter sido declaradas, com esse caráter, nas GFIP correspondentes. Nesse contexto, figurando tal rubrica no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o lançamento. 2.7.6. DOS 15 PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA De plano cumprenos destacar que a legislação trabalhista atribui ao empregador o risco da atividade econômica ao admitir, assalariar e dirigir a prestação pessoal de serviço. Consolidação das Leis do Trabalho Fl. 538DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 52 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Sem desviar desse mesmo norte apontam as diretivas encartadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Ao tratar dos benefícios previdenciários, o art. 201 da CF/88 outorgou à lei federal a competência para dispor sobre a cobertura previdenciária dos eventos decorrentes de doença, dentre outros, sendo de vital importância salientar que o próprio parágrafo 10 do citado dispositivo constitucional já prevê a participação concorrente do RGPS e do setor privado no atendimento à cobertura do risco de acidente de trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) I cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) §10. Lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do trabalho, a ser atendida concorrentemente pelo regime geral de previdência social e pelo setor privado. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) Imersa na ordem constitucional então vigente e eficaz, a matéria atinente ao auxilio doença foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, cuja Subseção V da Seção V do Capitulo II estabeleceu as condições de contorno para a concessão do benefício previdenciário em realce, assim dispondo ad litteris et verbis: Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 59. O auxíliodoença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido nesta Lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos. Parágrafo único. Não será devido auxíliodoença ao segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador da doença ou da lesão invocada como causa para o benefício, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento dessa doença ou lesão. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 514 53 Art. 60. O auxíliodoença será devido ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade, e, no caso dos demais segurados, a contar da data do início da incapacidade e enquanto ele permanecer incapaz. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) §1º Quando requerido por segurado afastado da atividade por mais de 30 (trinta) dias, o auxíliodoença será devido a contar da data da entrada do requerimento. §3º Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) §4º A empresa que dispuser de serviço médico, próprio ou em convênio, terá a seu cargo o exame médico e o abono das faltas correspondentes ao período referido no § 3º, somente devendo encaminhar o segurado à perícia médica da Previdência Social quando a incapacidade ultrapassar 15 (quinze) dias. Art. 61. O auxíliodoença, inclusive o decorrente de acidente do trabalho, consistirá numa renda mensal correspondente a 91% (noventa e um por cento) do salário de benefício, observado o disposto na Seção III, especialmente no art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) Art. 62. O segurado em gozo de auxíliodoença, insusceptível de recuperação para sua atividade habitual, deverá submeterse a processo de reabilitação profissional para o exercício de outra atividade. Não cessará o benefício até que seja dado como habilitado para o desempenho de nova atividade que lhe garanta a subsistência ou, quando considerado não recuperável, for aposentado por invalidez. Art. 63. O segurado empregado em gozo de auxíliodoença será considerado pela empresa como licenciado. Parágrafo único. A empresa que garantir ao segurado licença remunerada ficará obrigada a pagarlhe durante o período de auxíliodoença a eventual diferença entre o valor deste e a importância garantida pela licença. Deflui diretamente do regramento estampado no parágrafo terceiro e no caput do art. 60 da Lei de Benefícios da Previdência Social que o auxílio doença será suportado pelo empregador durante os primeiros 15 dias do afastamento do segurado que ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual e pela autarquia previdenciária a contar de então. Nessa perspectiva, surge a proteção previdenciária para o empregado celetista apenas tão somente após o 16º dia de incapacidade laboral, eis que os primeiros quinze dias de afastamento são de responsabilidade da empresa empregadora, na assunção do risco da atividade econômica. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 54 Os primeiros quinze dias consecutivos ao afastamento do trabalhador da atividade por motivo de doença são considerados pela Doutrina e Jurisprudência como hipótese de interrupção do contrato de trabalho, incumbindo, dessarte, ao empregador o pagamento do salário ao empregado afastado, nos termos do art. 60, § 3º, da Lei nº 8.213/91. Também, o empregado faz jus às demais verbas trabalhistas, tais como 13º salário, férias e FGTS. Ora, a não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a remuneração paga aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença/acidente seria inconstitucional, pois representaria ofensa à norma encartada no caput do art. 201 da CF/88, que expressamente estatui que a previdência social tem caráter contributivo. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) Ora, se o período referente aos quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença/acidente conta tempo de contribuição para fins de aposentadoria pelo RGPS, obviamente tem que haver contribuição previdência sobre a remuneração correspondente a tal período. Notese que a base de cálculo da contribuição patronal prevista no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91 abarca, não somente os serviços efetivamente prestados pelo trabalhador, mas, também, o tempo em que este ficou à disposição do empregador ou tomador de serviços. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Nesse contexto, figurando tal rubrica no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o lançamento. 2.7.7. DOS ADICIONAIS DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE Fl. 541DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 515 55 Em primeiro lugar, merece ser trazido à balha que o dever jurídico de indenizar pressupõe a existência de um ato ilícito e de um dano dele diretamente decorrente, sem o qual não há o que se reparar. Em segundo lugar, atentese que o conceito jurídico de dano traz subjacente a ideia de prejuízo injusto decorrente de ato ilícito, a ser reparado por aquele que, mediante ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, tenha violado direito e causado dano a outrem. Dessarte, somente ostentará natureza indenizatória as verbas pagas visando a repara um dano, decorrente de ato ilícito praticado com dolo ou culpa por aquele que tem o dever de reparar o dano em questão. No caso dos autos, os valores pagos a título de Adicional de Periculosidade e de insalubridade não possuem qualquer natureza indenizatória, como assim argumenta o Recorrente, haja vista não terem sido instituídos para ressarcir qualquer dano eventualmente sofrido pelos obreiros, mas sim, uma contrapartida financeira, na forma de um acréscimo patrimonial, paga ao empregado em razão da exposição habitual e permanente a condições de trabalho potencialmente periculosas ou de risco acentuado ou potencialmente insalubres. Conforme já demonstrado, o art. 22, I, da Lei 8.212/1991 determina que a contribuição previdenciária a cargo da empresa é de "vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa". De outro eito, o §2° do citado art. 22 da Lei 8.212/1991, ao consignar que não integram o conceito de remuneração as verbas listadas no § 9° do art. 28 do mesmo diploma legal, expressamente exclui uma série de parcelas da base de cálculo do tributo. Com base nesse quadro normativo, o STJ consolidou firme jurisprudência no sentido de que não sofrem a incidência de contribuição previdenciária "as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador". Nesse contexto, se a verba trabalhista possuir natureza remuneratória, destinandose a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de cálculo da contribuição. Os adicionais de periculosidade e de insalubridade não podem ser conceituados com indenização para o fim de serem excluídos da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, porquanto inseremse no conceito de Salário de Contribuição, não ostentando qualquer semelhança com indenização. Contribuindo com tal compreensão encontrase também a mais consagrada doutrina, aqui representada por Sérgio Pinto Martins (in Direto da Seguridade Social, 19ª ed., Ed. Atlas, São Paulo, p. 203), que após longa e percuciente análise acerca do conceito de salário, conclui: "Por isso, salário é o conjunto de prestações fornecidas diretamente pelo empregador ao trabalhador, em decorrência do contrato de trabalho, seja em função da contraprestação do trabalho, da disponibilidade do trabalhador, das interrupções contratuais, Fl. 542DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 56 seja em função das demais hipóteses prevista em lei. De tudo o que foi até aqui exposto, nota se que o salário decorre da contraprestação do trabalho e de outras situações, mas desde que exista contrato de trabalho entre as partes. Indenização, ao contrário, não é resultante da prestação de serviços, nem apenas do contrato de trabalho. [...] No Direto do Trabalho, dizse que há indenização quando pagamento é feito a empregado sem qualquer relação com a prestação de serviços e também com as verbas pagas no termo de rescisão do contrato de trabalho" Nesse sentido tem se posicionado a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme dessai dos seguintes julgados: REsp 1098102 / SC Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES DJe 17/06/2009 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165, 458, 459 E 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AUXÍLIO DOENÇA, AUXÍLIOACIDENTE. VERBAS RECEBIDAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. SALÁRIO MATERNIDADE. NATUREZA JURÍDICA SALARIAL. INCIDÊNCIA. ADICIONAL DE 1/3, HORASEXTRAS E ADICIONAIS NOTURNO, DE INSALUBRIDADE E DE PERICULOSIDADE. VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. (...) 6. Os adicionais noturno, horaextra, insalubridade e periculosidade ostentam caráter salarial, à luz do enunciado 60 do TST, razão pela qual incide a contribuição previdenciária. (...) REsp 486.697/PR Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 17/12/2004. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS EMPREGADORES. ARTS. 22 E 28 DA LEI N° 8.212/91. SALÁRIO. SALÁRIOMATERNIDADE. DÉCIMOTERCEIRO SALÁRIO. ADICIONAIS DE HORAEXTRA, TRABALHO NOTURNO, INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE. NATUREZA SALARIAL PARA FIM DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PREVISTA NO ART. 195, I, DA CF/88. SÚMULA 207 DO STF. ENUNCIADO 60 DO TST. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é firme no sentido de que a contribuição previdenciária incide sobre o total das remunerações pagas aos empregados, inclusive sobre o 13º salário e o saláriomaternidade (Súmula n° 207/STF). Fl. 543DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 516 57 2. Os adicionais noturno, horaextra, insalubridade e periculosidade possuem caráter salarial. Iterativos precedentes do TST (Enunciado n° 60). 3. A Constituição Federal dá as linhas do Sistema Tributário Nacional e é a regra matriz de incidência tributária. 4. O legislador ordinário, ao editar a Lei n° 8.212/91, enumera no art. 28, § 9°, quais as verbas que não fazem parte do saláriode contribuição do empregado, e, em tal rol, não se encontra a previsão de exclusão dos adicionais de horaextra, noturno, de periculosidade e de insalubridade. 5. Recurso conhecido em parte, e nessa parte, improvido. No mesmo sentido, o Recurso Especial nº 1.358.281SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 23/4/2014, sob o regime dos Recursos Repetitivos, cuja ementa se houve por assim redigida: REsp 1.358.281SP Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 23/4/2014. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. BASE DE CÁLCULO. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Desse modo, consoante entendimento pacífico no âmbito de ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ, os adicionais insalubridade e de periculosidade constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Como visto, os adicionais de periculosidade e de insalubridade possuem natureza salarial e representam as parcelas suplementares de ganho obtido pelo empregado que presta serviços em condições agressivas à saúde ou de potencial risco à vida. Nesse sentido, é copiosa jurisprudência emanada da Corte Superior Trabalhista, conforme elucidam os seguintes julgados: "RECURSO DE REVISTA. REFLEXOS DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE SOBRE VERBAS RESCISÓRIAS. NATUREZA SALARIAL DA PARCELA. RECURSO DESPROVIDO. A possibilidade de se considerar que o adicional de periculosidade tenha natureza indenizatória tem constituído hipótese rejeitada pela ampla maioria dos doutrinadores, tendose firmado a jurisprudência no sentido de reconhecer a natureza salarial da verba. Mostrase coreto, portanto, o deferimento dos reflexos do adicional de Fl. 544DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 58 periculosidade sobre as verbas rescisórias, ante o reconhecimento de sua inegável natureza salarial. Recurso parcialmente conhecido e desprovido. Recurso de Revista 8560/2039040 Rel. Min. Milton de Moura França DJU de 28/5/2004. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE –NATUREZA JURÍDICA – INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. O adicional de insalubridade é pago como uma contraprestação pelo serviço prestado em condições agressivas ao trabalhador, tendo ele o escopo de recompensar com maior valoro trabalho insalubre, mais penoso ao hipossuficiente. O adicional de insalubridade, enquanto persistir o labor em ambiente insalubre, integra o conceito de Salário de Contribuição, porquanto revestese de natureza salarial, integrando a remuneração do trabalhador par todos os fins. A egrégia SDI já se manifestou pela natureza salarial do adicional de insalubridade e consequente integração ao salário par todos os efeitos legais. Em consequência, configurandose tais rubricas fatos geradores de Contribuições Previdenciárias, estas deveriam ter sido, necessariamente, incluídas nas Folhas de Pagamento, lançadas em títulos próprios da contabilidade da empresa na condição de fato jurígeno tributário, e declaradas como Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária nas GFIP correspondentes. Diante de tal panorama, figurando tais rubricas no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o lançamento. 2.7.8. DO ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA O Recorrente alega que “o adicional sobre transferência, está previsto no art. 469, §3º da CLT, que prevê em caso de necessidade de serviço o empregador poderá transferir o empregado para localidade diversa da que resultar do contrato, não obstante as restrições do artigo anterior, mas, nesse caso, ficará obrigado a um pagamento suplementar, nunca inferior a 25% (vinte e cinco por cento) dos salários que o empregado percebia naquela localidade, enquanto durar essa situação." Consolidação das Leis do Trabalho Art. 469 Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. §1º Não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. (Redação dada pela Lei nº 6.203/75) Fl. 545DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 517 59 §2º É licita a transferência quando ocorrer extinção do estabelecimento em que trabalhar o empregado. §3º Em caso de necessidade de serviço o empregador poderá transferir o empregado para localidade diversa da que resultar do contrato, não obstante as restrições do artigo anterior, mas, nesse caso, ficará obrigado a um pagamento suplementar, nunca inferior a 25% (vinte e cinco por cento) dos salários que o empregado percebia naquela localidade, enquanto durar essa situação. (Parágrafo incluído pela Lei nº 6.203/75) Deve ser ressaltado, inicialmente, que o caso vertido nos autos, consistente no pagamento suplementar de, no mínimo, 25% do salário percebido pelo trabalhador transferido, por necessidade do serviço, da localidade prevista no contrato de trabalho, nos termos assentados no §3º do art. 469 da Consolidação das Leis do Trabalho, não se subsume à hipótese de isenção de Contribuições Previdenciárias prevista na alínea ‘g’ do §9º do art. 28 d Lei nº 8.212/91, uma vez que esta referese a uma ajuda de custo, paga em parcela única, paga exclusivamente para custear as despesas resultantes da transferência do trabalhador para a nova localidade de trabalho, enquanto que a rubrica ora em debate referese ao um adicional remuneratório, pago mensalmente, com habitualidade enquanto perdurar a transferência, em percentual nunca inferior a 25% do quanto recebia na localidade de origem, o qual adicional, dada a sua habitualidade, passa a integrar o salário (conceito de Direito do Trabalho), consoante determinação constitucional prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Consolidação das Leis do Trabalho Art. 470 As despesas resultantes da transferência correrão por conta do empregador. (Redação dada pela Lei nº 6.203/75) Constituição Federal de 1988 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 60 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (grifos nossos) Ratificando nosso entendimento, colacionamos julgados do STJ representativos da jurisprudência consolidada nessa Corte: AgRg no REsp 1480163 / RS Rel. Min. HERMAN BENJAMIN DJe 09/12/2014 PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL NOTURNO, DE INSALUBRIDADE, DE PERICULOSIDADE, DE HORAS EXTRAS E DE TRANSFERÊNCIA. AUXÍLIO QUEBRACAIXA. INCIDÊNCIA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou que "é clara a natureza salarial dos pagamentos feitos a título de horas extras, adicionais noturno, de insalubridade, periculosidade, transferência e quebra de caixa, haja vista o notório caráter de contraprestação". 2. Esta Corte Superior consolidou a orientação de que integram o conceito de remuneração, sujeitandose, portanto, à contribuição previdenciária o adicional de horas extras, adicional noturno, saláriomaternidade, adicionais de insalubridade e de periculosidade pagos pelo empregador, bem como o auxílio "quebracaixa". Nesse sentido: REsp 1.313.266/AL, Rel. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5.8.2014, AREsp 69.958/DF, Rel. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20.6.2012 e EDcl no REsp 733.362/RJ, Rel. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14.4.2008. 3. No mesmo sentido, está o posicionamento deste Tribunal Superior que consolidou o entendimento de que o adicional de transferência possui natureza salarial. Nesse sentido: AgRg no Ag 1.207.843/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 17.10.2011. 4. Agravo Regimental não provido. AgRg no REsp 1474581 / SC Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES DJe 05/11/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: Fl. 547DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 518 61 ADICIONAIS DE HORASEXTRAS, NOTURNO, INSALUBRIDADE, PERICULOSIDADE E TRANSFERÊNCIA. 1. A Primeira Seção/STJ, ao apreciar o REsp 1.358.281/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, Sessão Ordinária de 23.4.2014), aplicando a sistemática prevista no art. 543C do CPC, pacificou orientação no sentido de que incide contribuição previdenciária (RGPS) sobre as horas extras e respectivo adicional, e sobre os adicionais noturno e de periculosidade (Informativo 540/STJ). 2. A orientação desta Corte é firme no sentido de que o adicional de insalubridade integra o conceito de remuneração e se sujeita à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no AREsp 69.958/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 20.6.2012; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 2.12.2009). 3. A orientação do Superior Tribunal de Justiça, em casos análogos, firmouse no sentido de que o adicional de transferência possui natureza salarial, conforme firme jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, pois, da leitura do § 3º do art. 469 da CLT, extraise que a transferência do empregado é um direito do empregador, sendo que do exercício regular desse direito decorre para o empregado transferido, em contrapartida, o direito de receber o correspondente adicional de transferência (REsp 1.217.238/MG, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 3.2.2011; AgRg no REsp 1.432.886/RS, 2ª Turma, Rel. Min. OG Fernandes, DJe de 11.4.2014). 4. Agravo regimental não provido. Sendo um direito trabalhista subjetivo do empregado, expressamente previsto em lei, tais ganhos ingressam na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços ao Recorrente fora da localidade prevista no contrato de trabalho, sendo, portanto, um benefício concedido pelo trabalho e não para o trabalho. Diante de tal quadro, figurando tais rubricas no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o lançamento. 2.7.9. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT/RAT. O Recorrente alega nulidade do lançamento pela impossibilidade de cobrança da contribuição destinada ao SAT/RAT pela sistemática instituída pelo Decreto nº 6.957/2009. O art. 195, I, da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários Fl. 548DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 62 e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 519 63 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 64 Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Registrese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Devese atentar igualmente para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ao revés, o Pretório Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não Fl. 551DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 520 65 implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A inteligência do dispositivo constitucional ora invocado conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar taxativamente previstas, com todos os seus elementos, na Lei stricto sensu, mas sim, serem estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei. Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a lei formal a outorgar competência legislativa a outros instrumentos normativos de menor escalão para dispor sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social inerentes à hipótese de incidência da obrigação. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos primários conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Na sequência, o parágrafo 3º do mesmo dispositivo legal autorizou o Ministério do Trabalho e da Previdência Social a alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento de empresas nos respectivos graus de risco para efeito da contribuição destinada ao SAT. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 66 Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao Fl. 553DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 521 67 princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos) 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (grifos nossos) 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 68 10. Agravo regimental desprovido. E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo §3º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, cujo Anexo V, combinado com o §4º do seu art. 202, estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 522 69 I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Assentado que o Regulamento Suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Por tais razões, também esta preliminar de nulidade deve ser rejeitada. 2.7.10. DO VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 70 Nos exatos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91, como regra geral, incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, salvo as exceções taxativamente previstas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Nessa esteira, a alínea ‘f’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estabelece hipótese de isenção de Contribuições Previdenciárias à parcela recebida a título de Vale Transporte, quando fornecido na forma da legislação própria. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; A regulamentação do fornecimento do valetransporte houvese por confiada à lei nº 7.418/85, cujo art. 4º estatui, expressamente, que a concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Lei nº 7.418/85 Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619/87) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Da mera e perfunctória leitura do caput do art. 4º da Lei nº 7.418/85 já se percebe que o beneficio ora em debate tem que ser concedido na forma de VALES, a serem adquiridos pelo empregador e fornecidos, nessa forma, aos empregados, de acordo com as necessidades inerentes aos s deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 523 71 Em justa conformidade com o art. 5º do Decreto nº 95.247/87, que regulamenta a Lei nº 7.418/85, o valetransporte não pode ser pago em dinheiro aos empregados, caso contrário não teríamos um vale. As únicas hipóteses em que o pagamento em dinheiro é permitido vêm previstas no parágrafo único do referido dispositivo legal. O escopo de tal proibição foi, no exercício do válido poder regulamentar do Executivo, impedir que o valetransporte fosse utilizado para fins diversos do transporte do trabalhador da residência para a empresa e viceversa, desvirtuando seu caráter social. Assim, apenas o valetransporte pago nos termos da Lei nº 7.418/1985 está isento da contribuição previdenciária, como se observa no disposto no art. 28, §9º, ‘f’ da Lei nº 8.212/1991. Nessa perspectiva, ante a ausência de previsão na legislação do vale transporte e na legislação previdenciária, o pagamento habitual e em pecúnia de verbas a título de vale transporte não estaria albergado pela norma isentiva, sendo irrelevante que tal acréscimo remuneratório tenha advindo de acordo com convenção coletiva de trabalho, tendo em vista que tais atos não podem dispor em sentido contrário à lei. Efetivamente, o Superior Tribunal de Justiça comungava o entendimento de que o pagamento habitual e em dinheiro do valetransporte não estaria abraçado pela regra da não incidência de contribuições previdenciárias, compondo assim o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins, uma vez que se configuraria inobservância da legislação de regência, bem como no sentido de que o artigo 5º do Decreto nº 95.247/87 não desbordaria dos limites da Lei nº 7.418/85, porque apenas teria instituído um modo de conceder o benefício que evitaria o desvio de sua finalidade. Ocorre todavia que, recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 478.410/SP, da relatoria do Min. Eros Grau, publicado em 14/5/2010, decidiu pela inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte, inaugurando precedente que restou assim ementado: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 72 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação, não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Diante de tal cenário, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o benefício do vale transporte, concedido em pecúnia ou em ticket, fezse necessária a revisão da jurisprudência da Corte Superior de Justiça, que passou a se manifestar na forma assentada nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2010, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido." (REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 524 73 Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fático probatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido. (REsp 1.194.788/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 14/09/2010) Na mesma esteira, a Advocacia Geral da União – AGU fez publicar à pag. 32 do Diário Oficial da União de 09/12/2011 a súmula nº 60, de 08/12/2011, que desonerou a rubrica em foco da incidência da contribuição previdenciária, mesmo quando paga em pecúnia, ostentando o seguinte enunciado: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. Nesse contexto, não deve persistir, portanto, o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregado, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 74 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Nesse contexto, portanto, não deve persistir o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregados. Chamamos a atenção para o fato de a exclusão, do lançamento, da rubrica referente ao valetransporte pago em dinheiro não implica a nulidade do procedimento fiscal, mas, tão somente, a improcedência do lançamento relativo, exclusivamente, às obrigações tributárias decorrentes do pagamento, em pecúnia, do beneficio do valetransporte. As hipóteses de nulidade do lançamento encontramse previstas taxativamente no art. 59 do Dec. nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O caso concreto ora em debate subsumese à hipótese vertida no art. 60 do Dec. nº 70.235/72, cuja sanatória se consuma com a simples exclusão, do lançamento originário, das obrigações tributárias indevidamente levantadas pela Fiscalização. Por tais razões, para não ser diferente, rejeitamos a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 525 75 Merece ser mencionado, todavia, que o Colendo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.230.957RS, proferido na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu não haver incidência de contribuição previdenciária sobre os 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, sobre o terço constitucional incidentes sobre a remuneração das férias indenizadas ou gozadas e sobre o aviso prévio indenizado. Tal decisão, entretanto, ainda não se encontram ornada com o atributo da coisa julgada, eis que figura como objeto de Recurso Extraordinário em trâmite no STF. O Resp nº 1.230.957/RS encontrase suspenso no Superior Tribunal de Justiça, por depender do julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 593.068, com repercussão geral reconhecida, circunstância que representa óbice intransponível à incidência do preceito inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual exige decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) Portanto, estando ainda pendentes de recurso a decisão judicial acima referida, não há que se falar em decisões definitivas de mérito, tampouco em reprodução, no vertente Recurso Voluntário, da decisão proferida no julgado em apreço. Dessarte, apesar da descrença declarada pelo Recorrente, vencidas as preliminares de nulidade, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 76 de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DA DENUNCIA ESPONTÂNEA O Recorrente alega que a denúncia espontânea restou configurada. Se nos antolha que alguém não leu o art. 138 do CTN, que reza: Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. De acordo com o Relatório Fiscal a fls. 36/40, a ação fiscal que deu ensejo à lavratura dos Autos de Infração em debate houvese por iniciada no dia 01/02/2012, mediante a entrega do Termo de Início de Procedimento Fiscal a fls. 299/300, Termo de Início de Procedimento Fiscal a fls. 28/29, o qual se houve por recebido, na mesma data, pelo chefe do Departamento de Pessoal. Assim, nos termos do Parágrafo Único do art. 138 do CTN, somente pode ser considerada como denúncia espontânea a correção de qualquer infração à legislação previdenciária que tenha ocorrido antes da data de 01/02/2012. Ocorre, contudo, que a questão temporal não se consubstancia na condição única para a exclusão da responsabilidade por infrações à Legislação Previdenciária. Há outra. Nessa esteira, exige o caput do art. 138 do CTN que a correção das infrações, além de ter que ser procedida antes do início de qualquer procedimento fiscal, tem que, NECESSARIAMENTE, ser acompanhada do pagamento do tributo devido e dos correspondentes juros de mora. Todavia, o adimplemento cumulativo das condições essenciais acima desfiadas não se houve por comprovado pelo Recorrente, circunstância que se constitui óbice intransponível ao reconhecimento de eventual denúncia espontânea. 3.2. DA MULTA DE OFÍCIO Alega o Recorrente que a multa de ofício de 75% tem caráter confiscatório. Está frio ! Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 526 77 Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Citese, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o efeito confiscatório aos tributos, não a seus acessórios legais, os quais possuem natureza jurídica totalmente distinta. Tributo configurase como a própria obrigação principal devida pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei. A multa de ofício, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. Justificase a vedação constitucional à instituição de tributos com efeito de confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente. Caso o tributo fosse criado com alíquota por demais elevada, a própria ocorrência inevitável do fato gerador resultaria na extinção da matéria tributável correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade. O mesmo não ocorre com as multas de natureza punitiva, as quais não possuem natureza jurídica de tributo, mas, meramente, de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, na forma e nos prazos estabelecidos na legislação tributária. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 78 Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa punitiva é evitável. Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso a inflição de penalidade de tamanha onerosidade, visando a brindar a máxima efetividade às normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo. Nesse viés, ao ignorar as normas tributárias cogentes, e ao não recolher os tributos devidos em suas épocas próprias, apostando quiçá em suposta ineficiência da Fiscalização, o Infrator volitivamente se coloca em situação de risco calculado perante o Fisco, consciente de que a constatação de tal irregularidade irá desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 527 79 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Conforme já anteriormente articulado, a Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, alterou substancialmente a sistemática de imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigação principal, fazendo incidir, nos lançamentos de ofício, como é o presente caso, multa de ofício na ordem de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição previdenciária, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 566DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 80 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Escapa, todavia, da competência deste colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Fl. 567DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 528 81 Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade proferida na via Fl. 568DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 82 concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.3. DA INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. Quanto ao pedido para que as publicações e intimações sejam efetivadas em nome dos advogados que subscrevem o presente recurso, deve ser mencionado que a lei processual determina que as intimações sejam feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, ou por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou ainda por meio eletrônico, com prova de recebimento, a teor dos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) §1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Fl. 569DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 2302003.685 S2C3T2 Fl. 529 83 III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) §4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do §8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) Registrese que a conveniência e comodidade do Patrono do Autuado não possui poderio suficiente para subjugar a vontade da lei. O contrário sim. 3. CONCLUSÃO: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 84 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluído do lançamento, tão somente, as obrigações tributárias decorrentes do pagamento em pecúnia de valetransporte aos segurados empregados. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 35570.004613/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, a fim de análise da documentação acostada pelo sujeito passivo, nos termos do voto do Redator.
Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em converter o julgamento em diligência para que o Fisco responda quesitos e analise a documentação acostada pelo sujeito passivo.
Redator ad hoc: Marcelo Oliveira
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior
Participaram do julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA, (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, a fim de análise da documentação acostada pelo sujeito passivo, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em converter o julgamento em diligência para que o Fisco responda quesitos e analise a documentação acostada pelo sujeito passivo. Redator “ad hoc”: Marcelo Oliveira (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator “ad hoc” (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Participaram do julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA, (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 70 .0 04 61 3/ 20 05 -5 9 Fl. 13483DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 3 2 Em 05 de maio de 2009, esta Turma resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à origem para que [fls. 6.500 e ss]: Desta forma, considerando o acima exposto e a natureza eminentemente técnica da controvérsia travada nos presentes autos, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja elaborado parecer técnico para cada um dos estabelecimentos da empresa, a ser elaborado por Médico Perito do Fisco ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, de forma a comprovar que os segurados empregados da recorrente encontramse efetivamente expostos a agentes nocivos (considerando, inclusive, se havia ou não utilização eficaz de equipamento de proteção para cada um dos agentes), que lhes garanta aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 e seguintes da Lei n° 8.213/91. Para tanto, deverá ser realizada inspeção técnica no local de trabalho da empresa, considerado pelos auditores fiscais, emitindose parecer conclusivo. Inclusive com a confirmação se houve a concessão de benefícios por incapacidade acidentária aos segurados da empresa em epígrafe, no período do levantamento do crédito previdenciário, referente a cada um dos respectivos estabelecimentos da empresa. Da mesma forma, seja elaborada planilha relacionando os empregados expostos e seus respectivos setores, de forma a deixar claro se estão ou não incluídos no presente lançamento. Tais informações poderão ser adquiridas no local de trabalho dos segurados ou na prestadora de serviços, já que esta é obrigada a ter folha de salário separada por cada empresa contratante (art. 31, §5º, da Lei nº 8.212/91) ou outro meio capaz de assegurar que os segurados efetivamente estavam expostos a agentes nocivos à saúde. Por fim, fazse mister que, antes da realização da perícia, seja intimada a Recorrente para que no prazo de 05 [cinco] dias apresente quesitos e indique assistente técnico. No dia 23 de outubro daquele ano, a CSN protocolizou petição que apresentou os quesitos e indicou os assistentes técnicos [fls. 6.510 e ss]. Instado a se manifestar, o i. auditor emitiu “Informação Fiscal” [fls. 6.525/6.533] que, em síntese, questionou a relevância da diligência e ratificou os termos do lançamento realizado: 1. Em atenção ao contido na Resolução n° 230100.007, da 3a Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, que, em breve síntese, solicita a elaboração de um parecer técnico conclusivo por um médico perito do fisco ou engenheiro do trabalho, buscando comprovar que os segurados da recorrente encontramse efetivamente expostos a agentes Fl. 13484DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 4 3 nocivos, temos a informar que o referido procedimento não há como ser atendido pela RFB, pelos motivos que procuraremos demonstrar nos parágrafos seguintes. 2. Preliminarmente, cumpre destacar que o crédito previdenciário em questão se originou através de procedimento fiscal que, em atendimento á normatização vigente à época da sua realização, teve por finalidade a verificação do correto e efetivo gerenciamento dos riscos ocupacionais no ambiente de trabalho, bem como do cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias dele decorrentes, em relação a seus segurados empregados, mais especificamente: [...] Em relação ao adicional do RAT, promovido pelo §6° do art. 57, da Lei 8.213/91, a constatação de que a empresa não obedeceu às determinações contidas pela legislação previdenciária, segundo constou no Relatório Fiscal, foi feita, considerando, de um lado, a presença dos agentes nocivos apontados pelos laudos técnicos apresentados pela empresa, enumerados no item 3 acima, e de outro, conforme exaustivamente demonstrado ao longo do Relatório Fiscal, as deficiências do programa de gerenciamento dos riscos ambientais, evidenciadas principalmente — mas não somente — nas faltas de cuidados em fornecer aos seus trabalhadores o EPI adequado ao risco de cada atividade; em orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação dos mesmos; em deixar de substitui los imediatamente, quando danificado ou extraviado; em se responsabilizar pela higienização e manutenção periódica dos mesmos; nas evidências de ordem médica, verificadas pelos níveis de morbidade dos trabalhadores, constantes nos PCMSO apresentados e na quantidade de CAT referente à perda auditiva induzida por ruído; nas sucessivas manifestações dos órgãos públicos competentes, notadamente a Curadoria Regional do Meio Ambiente, Consumidor e Cidadania do Rio de Janeiro, o Ministério Público do Trabalho, e a Fiscalização do Ministério do Trabalho; e nas observações colhidas nas atas de reunião da CIPA. 5. No que concerne ao contido nos itens 3 e 4 acima, vale aqui fazer algumas indagações e considerações, mesmo que pontuais, acerca do tema que envolve a presente Diligência Fiscal: 0 que significa gerenciamento de risco? Qual a significação de laudo técnico? Da mesma forma que um filme é um conjunto de fotos continuas, o gerenciamento é uma reunião de ações ao longo do tempo. 0 LTCAT, por exemplo, traz em seu bojo um conjunto de determinações que a empresa deve cumprir. Assim, se o contribuinte informa que a utilização do EPI neutraliza a nocividade do agente físico "Ruido", deve ele, contribuinte, cumprir uma série de ações e procedimentos para que tal neutralidade se torne eficaz ao longo do tempo em que o empregado estiver exposto à nocividade, tais como: realizar treinamentos de seus empregados, conscientizandoos da importância do uso dos EPI; possuir e cumprir norma interna, que determine a forma de entrega e a periodicidade de seu uso; demonstrar, através de qualquer forma, o recebimento pelo empregado Fl. 13485DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 5 4 do EPI; deve também demonstrar, através de exames audiométricos anuais, a eficiência das ações propostas etc. Portanto, não basta o contribuinte afirmar que o uso do EPI neutraliza a nocividade do agente. Deve demonstrar a real efetividade de suas ações, através dos diversos programas/procedimentos obrigatórios por Lei. Foi este o trabalho objeto da fiscalização quando da lavratura da presente Notificação Fiscal: verificar o cumprimento das ações determinadas pelo Laudo Técnico apresentado, bem como as normas oriundas da Legislação da Segurança e Medicina do Trabalho. [...] No que concerne às alegações aventadas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, especificamente ao contido às Fls. 6485, itens 3 e 4, mister que façamos aqui, mesmo que de forma pontual, algumas observações que nos levaram a concluir que tais alegações não merecem prosperar 7. Ainda nesta linha, verificase também que, atentos ao fato de o referido crédito previdenciário tratarse de contribuição individualizada, incidindo exclusivamente sobre a remuneração referente ao segurado que efetivamente exerceu a atividade em condições especiais, as autoridades fiscais procederam ã identificação precisa dos trabalhadores e dos fatores ambientais de risco a que estavam expostos, informações estas extraídas exclusivamente dos documentos apresentados pela empresa, elaborando as "Planilhas de Levantamento de Riscos — por Estabelecimento" de forma anual, onde são identificados os trabalhadores expostos aos agentes nocivos em níveis acima do Limite de Tolerância, com a respectiva identificação do agente, bem como do nível de exposição. A base de cálculo, individualizada por empregado, foi detalhada nos "Demonstrativos Mensais relacionando todos os trabalhadores expostos, com a respectiva base de cálculo de contribuições previdenciárias — por Estabelecimento". Todos estes demonstrativos, componentes do presente processo, foram anexados ao Relatório Fiscal, de forma a tornar límpido e claro o critério para estipular o valor da contribuição previdenciária devida. 8. Estão ainda individualizadas no Relatório Fiscal as rubricas da folha de pagamento consideradas como integrantes do saláriode contribuição (Item 11.6.2 — Fls. 385) e as respectivas aliquotas aplicadas (Item 11.7 — Fls. 386). 9. Também se encontram detalhados no item 11.8 do Relatório Fiscal (Fls. 386) e nos Anexos XIX, XX e XXI (Fls. 4616/4621), os critérios utilizados para apropriação dos depósitos judiciais realizados pela empresa. 10. Destarte, retornando ao tema matriz da solicitação que impulsionou esta Diligência Fiscal, registrese que creditamos todo o respeito que a manifestação da 1a Turma da 3a Câmara do Conselho inspira, mas pedimos vênia para nos posicionarmos no sentido de que, a nosso sentir, o procedimento solicitado está fora da competência da Receita Federal do Brasil, uma vez que a fiscalização previdenciária de riscos ocupacionais não inclui a elaboração de pareceres ou laudos, conforme prevê os arts. 376 e 377 da então IN INSS/SRP n° 03/2005 vigente à época (atualmente os Arts. 288 e 289 da IN 971/2009), que Fl. 13486DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 6 5 discrimina os procedimentos a serem adotados pelo fisco (da RFB) nessa área. Vale ressaltar que os atos que devem ser praticados pela fiscalização são os definidos na legislação especifica, como bem observa o art. 6°, incisos I e II, da Lei no 10.593, de 06 de dezembro de 2002 (que trata da competência dos AFRFB) [...] 11. Assim, por absoluta falta de amparo legal, não cabe ao Fisco a supressão de deficiências nas demonstrações ambientais (PPRA, LTCAT, etc), as quais são de competência da empresa. A função precipua da RFB é buscar a garantia do custeio e verificar se as obrigações exigíveis pelas legislações no que concerne 6. exposição aos agentes nocivos estão sendo cumpridas pela empresa. A titulo de exemplificação, quando o Fisco encontra lançamentos não registrados corretamente pela empresa em seus livros contábeis, não temos competência para inserilos na sua contabilidade, mas podemos constituir o crédito pelo lançamento; assim, por analogia, não cabe ao Fisco realizar os programas que são obrigatórios da empresa, mas tão somente a análise quanto ao cumprimento das disposições legais, até porque os programas são atos pretéritos e deveriam ser implementados a contento pela empresa. Apesar de exaurida sua competência com a interposição do recurso voluntário, o i. auditor conclui o documento com a “reabertura do prazo para complementação do recurso voluntário” e reafirma a desnecessidade da diligência: 12. Finalizando, por tudo já exposto do corpo desta Informação Fiscal, entendemos que a apreciação do pedido formulado pelo contribuinte As fls. 6510/6515 encontrase também prejudicada e não deve prosperar. Ademais, pela análise do pedido formulado (v.g., observar a presença de agentes nocivos nos ambientes de trabalho de cada expostos aos agentes nocivos), verificase que os mesmos já foram analisados no Relatório Fiscal e seus anexos (vide os itens 8.2 a 8.12 e 10 e anexos VII ao XVII). 13. Face à emissão desta Informação Fiscal, estamos reabrindo novo prazo do recurso voluntário interposto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais —CARF, facultando ao sujeito passivo a apresentação de adendo à defesa já encaminhada, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do primeiro dia al seguinte ao da ciência, a qual poderá ser protocolizada em qualquer Unidade de Atendimento da Receita Federal do Brasil. 14. Sendo o que incumbe a fiscalização esclarecer, submetemos a presente informação à consideração do Sr. Chefe de Equipe Fiscal, sugerindo o encaminhamento do presente processo à SACAT, para conhecimento e guarda do prazo regulamentar acima descrito e posterior providências de envio à 3' Camara / 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, para seu prosseguimento. Fl. 13487DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 7 6 Intimado da “Informação Fiscal”, o Sujeito Passivo interpôs novo recurso voluntário [fls. 6.543 e ss] que reitera os argumentos já apresentados e questionam a incompletude do lançamento: Como se verifica do trecho acima, a matéria tratada é de fato complexa, isto porque, para que se torne exigível a cobrança da contribuição para aposentadoria especial, é preciso que fique comprovada a exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do beneficio2. Entretanto, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, justamente por não analisar de forma precisa e individualizada os fatos geradores da obrigação previdenciária, qual seja, o riscos a que efetivamente estão expostos os segurados, não cumpriu os requisitos de clareza exigidos, inviabilizando qualquer presunção de liquidez e certeza do crédito previdenciário ora questionado. Nessa linha, cumpre destacar que a valoração do crédito previdenciário em tela apresenta diversas dúvidas. Como é sabido, o referido crédito previdenciário tratase de contribuição individualizada, ou seja, que's.6 incide sobre a remuneração referente ao segurado que efetivamente exerceu a atividade laborativa em condições especiais, entretanto, não houve por parte das D. Autoridades Fiscais, qualquer identificação ou a demonstração da efetiva exposição desses trabalhadores a agentes nocivos, para que se atingisse o valor certo e devido do crédito previdenciário que originou a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Assim, não restando identificados de forma exata os empregados que exerceram essas atividades, bem como o tempo de duração das mesmas, ou seja, restando indevidamente analisado o fato gerador da obrigação ora questionada, questionase: Qual o critério utilizado pela D. Autoridade Fiscal e mantido pela D. Autoridade Julgadora para estipulação do valor da obrigação previdenciária em tela? Em face do quanto narrado, verificase que as D. Autoridades Fiscais não observaram o referido dispositivo, uma vez que faltaram elementos que caracterizassem os fatos geradores da obrigação, de forma que não há certeza e liquidez quanto ao tributo devido. Ora, não demonstrada a efetiva ocorrência do fato gerador, deve ser, desde logo, cancelada a autuação em tela. Ademais, a desconsideração de inúmeros documentos apresentados pela RECORRENTE, devida e regularmente assinados por profissionais legalmente habilitados, prejudicou ainda mais a comprovação da ocorrência dos fatos geradores da obrigação previdenciária. Dessa forma, o lançamento fiscal de débito findou por não atender aos requisitos de precisão e clareza, lançando valores em desacordo com a efetiva prestação dos serviços, sem individualizar os segurados que Fl. 13488DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 8 7 efetivamente estiveram expostos aos riscos ambientais, nem tampouco a mitigação de eventuais riscos em razão da utilização de Equipamento de Proteção Individual ou Coletiva, conforme previsto no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA acostados aos autos. [...]Uma vez demonstrado que o lançamento fiscal ora questionado não possui elementos suficientes para a configuração dos fatos geradores da obrigação previdenciária, verificase que a realização da perícia determinada através da Resolução no 230100.007 seria indispensável para se aferir os segurados supostamente expostos a riscos ocupacionais, bem como o nível de exposição, de forma a embasar a exigência da contribuição para aposentadoria especial. A CSN requereu, por fim, que: (i) diante da ausência de realização de perícia médica não há como se emprestar segurança e liquidez ao crédito tributário, motivo pelo qual deve ser provido o Recurso Voluntário; e (ii) alternativamente, deve ser realizada a diligência comandada pela Resolução n. 230400.007, bem como a análise dos documentos apresentados pela Recorrente [fls. 6.518/11.846]. É o relatório. Fl. 13489DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 9 8 VOTO: Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Em 05 de maio de 2009, esta Turma resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à origem para que [fls. 6.500 e ss]: Desta forma, considerando o acima exposto e a natureza eminentemente técnica da controvérsia travada nos presentes autos, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja elaborado parecer técnico para cada um dos estabelecimentos da empresa, a ser elaborado por Médico Perito do Fisco ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, de forma a comprovar que os segurados empregados da recorrente encontramse efetivamente expostos a agentes nocivos (considerando, inclusive, se havia ou não utilização eficaz de equipamento de proteção para cada um dos agentes), que lhes garanta aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 e seguintes da Lei n° 8.213/91. Para tanto, deverá ser realizada inspeção técnica no local de trabalho da empresa, considerado pelos auditores fiscais, emitindose parecer conclusivo. Inclusive com a confirmação se houve a concessão de benefícios por incapacidade acidentária aos segurados da empresa em epígrafe, no período do levantamento do crédito previdenciário, referente a cada um dos respectivos estabelecimentos da empresa. Da mesma forma, seja elaborada planilha relacionando os empregados expostos e seus respectivos setores, de forma a deixar claro se estão ou não incluídos no presente lançamento. Tais informações poderão ser adquiridas no local de trabalho dos segurados ou na prestadora de serviços, já que esta é obrigada a ter folha de salário separada por cada empresa contratante (art. 31, §5º, da Lei nº 8.212/91) ou outro meio capaz de assegurar que os segurados efetivamente estavam expostos a agentes nocivos à saúde. Por fim, fazse mister que, antes da realização da perícia, seja intimada a Recorrente para que no prazo de 05 [cinco] dias apresente quesitos e indique assistente técnico. Considerando o princípio da verdade material e o direito do contribuinte de ter seus argumentos adequadamente apreciados, conforme previsto no art. 3º, inciso II da Lei 9.784/99, não se pode deixar de apreciar os documentos juntados aos autos [fls. 6.518/11.846]. Para tanto, tornase imprescindível a realização de diligência para que a autoridade fiscal responda os quesitos apresentados. Fl. 13490DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 10 9 Após a realização da diligência, a recorrente deve ser intimada a manifestarse no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator Fl. 13491DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Resolução nº 2301000.413 S2C3T1 Fl. 11 10 VOTO VENCEDOR: Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto à necessidade do Fisco responder quesitos. Em verdade, após debates, chegouse à conclusão de que alguns dos quesitos apresentados em diligências anteriores seria de impossível resposta, pelo passar do tempo. Diferentemente da documentação acostada pelo sujeito passivo, que pode e deve ser analisada pela parte, Fisco, para verificação da procedência do lançamento e para respeito ao devido processo legal, em que as partes devem ter a mesma oportunidade. Assim, decido converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco analise e emita parecer conclusivo sobre os documentos anexos aos autos, para a integridade do lançamento. Após essa medida deve ser dada ciência ao contribuinte, para, caso deseje, apresente seus argumentos quanto á informação fiscal elaborada, somente. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator “ad hoc” Fl. 13492DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000253/2007-04
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2803-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado.
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LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 02 53 /2 00 7- 04 Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/200704 Acórdão n.º 2803004.225 S2TE03 Fl. 1.603 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Associação Beneficiente Educacional e Cultural da Congregação das Irmãs de São João Batista e Santa Catarina de Sena Medéias em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (PR), que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/07/2007 AI 37.123.0896 GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212, de 1991, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social. Lançamento Procedente O processo ora em apreço teve início com a lavratura do Auto de Ingração Debcad nº 37.123.0896, por ter o mesmo efetuado a entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP no período de 01/2001 a 12/2006 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições devidas. Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação, aduzindo, em apertado escorço: a) a entidade teria sido autuada por não ter declarado em GFIP as remunerações pagas aos médicos plantonistas, na qualidade de segurados empregados, e segurados contribuintes individuais. Essas pessoas seriam trabalhadores autônomos e não poderia o INSS fazer com que a impugnante inclua em folha de pagamento pessoas que não pertencem ao seu quadro de funcionários; b) a auditoria fiscal previdenciária não deteria poderes para reconhecer a existência de vínculo empregatício dos trabalhadores com a contribuinte; Ao analisar as ponderações trazidas pela contribuinte, a DRJ de origem entendeu por bem em considerar procedente o lançamento, rejeitando as alegações constantes na impugnação, em decisão cuja a ementa foi transcrita alhures. Irresignada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Sem contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda, os autos foram remetidos a este Conselho, sendo a relatoria sorteada ao Conselheiro Mauro José Silva. Em sessão de 11 de abril de 2011, a 1ª Turma Ordinária, desta 3ª Câmara da 2ª Seção resolveu converter o julgamento novamente em diligência, para que fossem juntadas ao presente processo cópias das NFLDs 37.123.0853, 37.123.0861 e 37.123.0870 e dos documentos que as acompanham, bem como cópias dos julgamentos de primeira e segunda instância que porventura existam. Ocorre que, ao analisar o pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil informou que: “1Constatamos que as NFLDs cujas cópias estão sendo solicitadas para juntada ao presente, através da Resolução 2301000.124, encontramse no CARF, conforme telas juntadas às fls. 266 a 268. 2Retornamos ao CARF para prosseguimento.” Assim, retornaram os autos a este Conselho, sendo estes redistribuídos para esta Turma Especial e a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/200704 Acórdão n.º 2803004.225 S2TE03 Fl. 1.604 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Fazendo o juízo de prelibação, observo que o recurso voluntário da contribuinte foi tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Multa Aplicada No que tange ao valor da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/200704 Acórdão n.º 2803004.225 S2TE03 Fl. 1.605 7 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/200704 Acórdão n.º 2803004.225 S2TE03 Fl. 1.606 9 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 contribuinte. Todavia, há de se fazer, ainda a análise da anistia instituída pela Lei n. 13.097/2015. Da Anistia Instituída pela Lei n. 13.097/2015 A Lei n. 13.097, publicada em 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega da GFIP, deixou de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento. Ficaram, ainda, anistiadas as multas pela entrega da GFIP fora do prazo ou apresentada com incorreções ou omissões, desde que a declaração (GFIP) tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis: (...) Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015, faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária. Ora, a anistia é classificada como o perdão legal da infração, o que obsta a constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão do crédito tributário, o que significa dizer que impede a constituição do crédito através do lançamento, consoante a norma do art. 175 do CTN, e, como todo benefício fiscal, somente pode ser concedida por Lei tributária específica. Insta salientar, outrossim, que a a anistia não se confunde com a remissão. Esta é causa de extinção do crédito tributário, ou seja, operase após o lançamento e consequente constituição do crédito. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão, por sua vez, pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/200704 Acórdão n.º 2803004.225 S2TE03 Fl. 1.607 11 O catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina: "Anistia fiscal é o perdão de falta cometida pelo infrator de deveres tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão pelo ilícito e a de perdão da multa. As duas proporções semânticas do vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão da pena cominada para o crime. Voltandose para apagar o ilícito tributário ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si indiscutível caráter retroativo, pois alcança fatos que se compuseram antes do termo inicial da lei que a introduz no ordenamento. Apresenta grande similitude com a remissão, mas com ela não se confunde. Ao remir, o legislador tributário perdoa o débito tributário, abrindo mão do seu direito subjetivo de percebêlo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da infração ou sobre a penalidade que lhe foi aplicada. Ambas retroagem, operando em relação jurídica já constituídas, porém de índole diversa: a remissão, em vínculo obrigacional de natureza estritamente tributária; a anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório." Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu consagrado Direito Tributário Brasileiro: "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infracões cometidas anteriormente à vigência da lei. que a decreta." Assim, utilizandose das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, temse que o CTN, para a anistia, tomou de empréstimo o milenar instituto político de clemência, esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza perdão, esquecimento , de um lado, por restringilo, posto que a anistia fiscal exclui os atos qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo, fraude, simulação ou conluio, de outro, por ampliálo, posto que se estende, para além do legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a 1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir ou perdoar a dívida). Embeberando os sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr, em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois institutos, no âmbito tributário (sistematicidade orgânica da matéria), é importante porque produzem efeitos diferentes a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156), a anistia exclui o crédito (CTN. art. 175). Mas reduzir a distinção entre ambos a perdão de infração e penalidades correspondentes (a anistia) e a perdão do crédito (a remissão) é, data venia, uma fórmula muito pobre, já pela origem diferente que manifestam. O exame da sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração da gênese dos conceitos. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorálas pode conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenômeno da vida humana e não um texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em que o CTN se serve "de institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal, "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita. O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é já um primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade de uma relação meio/fim casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN , a anistia, que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), alheia ao cálculo limitador da racionalidade. Isto a aproxima de suas origens mais remotas, quando era concedida em alusão a eventos que não guardavam nenhuma relação com os efeitos do ato soberano. Por isso, no direito moderno, a anistia não é vista, basicamente, como um favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade. Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede, ainda que, secundariamente, possa atingir certas finalidades (como por exemplo, a paz social ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida por que nem para que um conjunto de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade. Além disso, sendo oblívio, esquecimento, juridicamente ela "provoca a criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir", razão pela qual aparece depois de ter surgido o fato violador, não se confundindo com uma novação legislativa. Entendese, assim, porque a anistia fiscal é capitulada como exclusão do crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos que aparecem depois do fato violador, abrangendo a fortiori apenas infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede. E, como na anistia política, da qual segue o cancelamento das penalidades ou a revisão das penas correspondentemente à infração anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue. Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia. isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora, obviamente, a recíproca não seja verdadeira, isto é, as penalidades podem ser extintas (por exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito tenha sido excluído. O CTN, no art. 180, fala, assim, em anistia de infrações e não de anistia de penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade. exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce da infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência, se cancela. Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração ou de que o crédito gerado pela infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração, embora se possa perdoar parte de um crédito. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/200704 Acórdão n.º 2803004.225 S2TE03 Fl. 1.608 13 Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A remissão de dívida é negócio jurídico unilateral, que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua eficácia. A eventual bilateralidade da remissão depende do que o credor quer. Ou seja, a bilateralidade não lhe é essencial. Entendese, desse modo. que a remissão tributária seja ato fundamentado e que a lei concedente preencha os requisitos estabelecidos pela lei complementar. Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referirse também e mesmo apenas ao crédito resultante da pena pecuniária imposta, e até somente a uma parte deste crédito. Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a penalidade sem ter anistiado a infração. Neste último caso, qual o instituto que estará sendo aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada? Ora. tenhase em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o indulto não extingue o crime, impede tãosó a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam" (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia, limitadamente (CTN. art. 182 11), não prevê nenhuma hipótese de limitação referente a uma (parcial!) redução de penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto. Não obstante, a doutrina tributária fala em anistia de penalidades, argumentando que. em tal caso. sendo a sanção a negação da negação do direito provocada pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se segue que a supressão da pena equivaleria à supressão do direito que ela confirma, isto é, a anistia da pena equivaleria à anistia da infração correspondente. Daí, apesar de o CTN falar apenas em anistia de infração, poderse admitir também a anistia (imprópria?) de penalidade (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp. 181 e ss.). Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena, valeria quando ocorresse o cancelamento total da pena, mas é impróprio quando o caso é de mera redução, pois seria então de se perguntar se estaria ocorrendo a anistia (em parte?!) da infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de crédito. Podese anistiar uma infração e não outra, a infração referente a um tributo e não a outro, as infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de infração nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir ficassem "meio" anistiados. A possibilidade legal de perdão de parte de penalidades, com a utilização da fórmula "cancelamento ou redução de multas e penalidades", merece, pois, uma outra explicação. Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é, de perdão do crédito correspondente, independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o legislador tributário disciplina o perdão de penalidades ou vê na sua anistia uma correlação com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referirse apenas à penalidade (ao crédito Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 14 correspondente) mantendose a infração e não recorrendo impropriamente ao instituto da anistia, só pode estar a falar em remissão. Assim, a remissão tributária sendo modalidade de extinção do crédito tributário tal como ele é constituído pelo lançamento e, no caso de penalidades, o crédito se constituindo por lançamento de ofício, quando a lei prevê o cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não de anistia. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe provimento, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 13817.000122/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos - e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços - a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
Numero da decisão: 2102-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 01 22 /2 00 9- 90 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado a Notificação de Lançamento de fls. 05/08, apurandose o crédito tributário no valor total de R$6.801,10 (seis mil, oitocentos e um reais e dez centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, e ainda com a complementação da descrição dos fatos, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$10.930,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Contribuinte regularmente intimado através de edital afixado em 14/01/2009 e desafixado em 09/02/2009. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02/04, por meio do qual alegou em suma – que: Esclareço que todas as despesas declaradas, são documentadas e comprovadas através de recibos e que até a data do recebimento desta notificação, não fui comunicado e/ou intimado a comparecer para prestar os devidos esclarecimentos. Em contato com a agência da Receita Federal, me foi solicitado o encaminhamento dos recibos referentes ao valor glosado e declarado, dos prestadores dos serviços, os quais anexos a presente. Por fim, postula o Contribuinte pelo acolhimento de sua Impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado, tendo em vista entender ter sido demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Na análise de suas alegações, os integrantes da 9ª Turma da DRJ/SP2 decidiram, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parte do crédito tributário exigido, apurandose o crédito tributário no valor de R$2.165,62 (dois mil, cento e sessenta e cinco reais e sessenta e dois centavos), pertinente ao IR Suplementar e multa de ofício (75%), devendo ainda sobre o valor mantido de IRPF Suplementar, incorrer a incidência dos juros a serem calculados até a data do pagamento. Assim, foi extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS São dedutíveis de ajuste anual a título de despesas com médicos e planos de saúde, do próprio contribuinte e de seus dependentes, os pagamentos, devidamente comprovados. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13817.000122/200990 Acórdão n.º 2102003.219 S2C1T2 Fl. 65 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 41/42, reiterando integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda – resumidamente – que: Dentro do contexto acima exposto, venho requerer reavaliação do parecer ora decretado quando do julgamento datado acima junto aos membros desta plenária, e, para tanto, reenvio as respectivas cópias dos recibos comprobatórios ora citados no relatório do acórdão, onde são mencionadas as informações as quais foram objeto de glosa da banca examinadora, que comprovam a veracidade dos valores envolvidos, declarados pelos seus respectivos recebedores, comprovando assim as informações constantes em minha declaração de rendimento. Diante do exposto, o Contribuinte junta novos documentos aos autos e pleiteia pelo acolhimento de seu Recurso Voluntário em sua integralidade, cancelandose o débito fiscal reclamado, tendo em vista entender ter sido demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em em 09.08.2011, como atesta o AR de fls. 40. O Recurso Voluntário foi interposto em 22.08.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo em que se discute a glosa de despesas médicas declaradas pelo Recorrente em sua DIRPF 2005 (anocalendário 2004). As glosas foram motivadas pelo fato de que nenhum documento foi apresentado em sede de fiscalização (a intimação teria sido por edital), sendo que somente na Impugnação o contribuinte trouxe a documentação comprobatória das despesas declaradas. A decisão recorrida, ao analisar os documentos por ele apresentados, reputou como comprovada parte das despesas pleiteadas, restando como não comprovadas as seguintes: profissional especialidade Valor Recibos Maria Cristina Cisoto do Amaral Nishi Psicóloga R$ 3.500,00 Declaração de fls. 1011 e recibos de fls. 5156 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Lea Pierina Gagliardi Psicóloga R$ 1.000,00 Declaração de fls. 12, recibos de fls. 1316 e recibos de fls. 5760 O que motivou o não acolhimento destas despesas como dedutíveis foi: a) em relação à Maria Cristina Nishi: a falta dos recibos mensais e a falta do endereço da profissional; e b) em relação a profissional Lea Gagliardi: falta do endereço e CPF da profissional. Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe documentos que não haviam sido juntados aos autos em sede de Impugnação, pugnando pela revisão da decisão recorrida. Tais documentos suprem as falhas apontadas na decisão recorrida já que às fls. 51/56 foram acostados recibos mensais emitidos pela profissional Maria Cristina, com a indicação de seu endereço profissional; e às fls. 57/60 foram acostados recibos mensais emitidos pela profissional Lea, dos quais constam a indicação de seu endereço e CPF. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723469/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PRELIMINARMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A arguição da recorrente de que, quando da intimação da autuação, ter-lhe-ia sido entregue apenas parte do documento de autuação não condiz com a realidade expressa nos autos, e, por si só, não se mostra capaz para impor qualquer nulidade do procedimento.
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos termos do art. 281 do RIR/99 Caracteriza-se como omissão no registro de receita i) a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; ii) a falta de escrituração de pagamentos efetuados; e iii) a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.
Não restando regularmente comprovado pela contribuinte a inocorrência das específicas hipóteses legais, descabe qualquer oposição ao lançamento efetivado.
RECEITA OMITIDA. APURAÇÃO. OMISSÃO DE COMPRAS x OMISSÃO DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Restando configurada a hipótese legal de imputação, contra a contribuinte, da prática omissão de receitas, descabe a sua pretensão de apuração dos montantes devidos a partir da dedução entre os montantes de receita omitida e a parcela de compras não registradas, tendo em vista a completa inexistência de previsão legal nesse sentido.
Numero da decisão: 1301-001.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PRELIMINARMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A arguição da recorrente de que, quando da intimação da autuação, ter-lhe-ia sido entregue apenas parte do documento de autuação não condiz com a realidade expressa nos autos, e, por si só, não se mostra capaz para impor qualquer nulidade do procedimento. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 281 do RIR/99 Caracteriza-se como omissão no registro de receita i) a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; ii) a falta de escrituração de pagamentos efetuados; e iii) a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Não restando regularmente comprovado pela contribuinte a inocorrência das específicas hipóteses legais, descabe qualquer oposição ao lançamento efetivado. RECEITA OMITIDA. APURAÇÃO. OMISSÃO DE COMPRAS x OMISSÃO DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Restando configurada a hipótese legal de imputação, contra a contribuinte, da prática omissão de receitas, descabe a sua pretensão de apuração dos montantes devidos a partir da dedução entre os montantes de receita omitida e a parcela de compras não registradas, tendo em vista a completa inexistência de previsão legal nesse sentido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.723469/201341 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.649 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de setembro de 2014 Matéria Omissão de receitas. Passivo fictício Recorrente KARNE KEIJO LOGÍSTICA INTEGRADA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PRELIMINARMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A arguição da recorrente de que, quando da intimação da autuação, terlheia sido entregue apenas parte do documento de autuação não condiz com a realidade expressa nos autos, e, por si só, não se mostra capaz para impor qualquer nulidade do procedimento. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 281 do RIR/99 Caracterizase como omissão no registro de receita i) a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; ii) a falta de escrituração de pagamentos efetuados; e iii) a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Não restando regularmente comprovado pela contribuinte a inocorrência das específicas hipóteses legais, descabe qualquer oposição ao lançamento efetivado. RECEITA OMITIDA. APURAÇÃO. OMISSÃO DE COMPRAS x OMISSÃO DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Restando configurada a hipótese legal de imputação, contra a contribuinte, da prática omissão de receitas, descabe a sua pretensão de apuração dos montantes devidos a partir da dedução entre os montantes de receita omitida e a parcela de compras não registradas, tendo em vista a completa inexistência de previsão legal nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 34 69 /2 01 3- 41 Fl. 20299DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 20300DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias fáticas tratadas nos presentes autos, reproduzo os termos do relatório apresentado pela r. decisão de origem, de onde destaco: Em face do contribuinte KARNE KEIJO LOGÍSTICA INTEGRADA LTDA, CNPJ/MF nº 24.150.377/000195, já qualificado neste processo, foram lavrados, em 18/03/2013 (fl. 123), autos de infração (fls. 3 a 71), com ciência pessoal em 20/03/2013 (fl. 100). Ao contribuinte foram imputadas as infrações descritas abaixo, todas apenadas com multa de ofício de 75% sobre os tributos lançados: 1. omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa, em todos os trimestres do anocalendário 2009, no importe global anual de R$ 3.591.457,82; 2. omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, nos três primeiros trimestres de 2009, nos importes de R$ 432.368,51, R$ 239.867,99 e R$ 950.506,73, respectivamente; 3. omissão de receitas caracterizada por diferenças apuradas em inventário final (diferença de estoques), em todos os trimestres do anocalendário 2009, nos importes anuais de R$ 10.456.750,64 (omissão de compras) e R$ 13.248.517,15 (omissão de vendas); 4. glosas de cotas de depreciação, em todos os trimestres do anocalendário 2009. As quatro infrações acima geraram apuração de IRPJ e CSLL, sendo que, para as três primeiras, também houve imposição de Cofins e PIS/Pasep. Em relação à infração nº 1 (saldo credor de caixa), o saldo credor de caixa decorreria do procedimento contábil de transferência de mercadorias da matriz para a filial da Ceasa (filial nº 5), que eram contabilizadas na forma abaixo: (a) Débito: 1.1.02.01.0001 Clientes a Receber – Matriz Crédito: 3.1.01.0008 Vendas da Matriz p/Filial Ceasa Histórico: Valor Referente Vlr. Faturamento no Dia .... (b) Débito: 1.1.01.01.0001 Caixa Crédito: 1.1.02.01.0001 Clientes a Receber – Matriz Histórico: Valor Referente Recebimento Clientes (c) Débito: 4.2.01.0002 Compras p/Comercialização Crédito: 2.1.01.04.0157 DescontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda Fl. 20301DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Histórico: Valor Referente Nota Fiscal Nº.... Karne Keijo Logística Integrada Ltda (d) Débito: 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda Crédito: 1.1.01.01.0001 Caixa Histórico: Valor Referente baixa das Notas Fiscais de Remessa de Mercadorias Matriz p/Filial Ceasa (a) lançamentos consolidados diários, como se vê no doc. 53 (3.1.01.0008 Venda da Matriz para Filial Ceasa), anexo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 18.602 a 18.745) (b) lançamentos consolidados diários, como se vê no doc. 55 (1.1.01.01.0001 – Caixa), anexo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 19.031 a 19.258) (c) lançamentos consolidados diário, como se vê no doc. 54 (2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log.Integrada Ltda), anexo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 18.746 a 19.030) (d) lançamentos consolidados periódicos, como se vê no doc. 55 (1.1.01.01.0001 – Caixa), anexo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 19.031 a 19.258). Como exemplo, vide lançamento mensal em 31/01/1999 (fl. 19.059), em 15/02/1999 (fl. 19.066), em 28/02/1999 (fl. 19.073), em 10/03/1999 (fl. 19.079), em 15/03/1999 (fl. 19.083), em 31/03/1999 (fl. 19.014), em 10/04/1999 (fl. 19.112), em 21/04/1999 (fl. 19.117), em 30/06/1999 (fl. 19.155). O contribuinte foi intimado a esclarecer o modus operandi acima, quando asseverou que tais operações decorriam do regime tributário diverso da Matriz (atacadista) e Filial (regime geral) no âmbito do ICMS, sendo que as operações eram financeiramente liquidadas, sem movimentação física de recursos, somente de forma escritural. A fiscalização asseverou que os lançamentos contábeis das vendas da Matriz para Filial, tanto a débito quanto a crédito, nas contas 1.1.01.01.0001 Caixa e 1.1.02.01.0001 Clientes a ReceberMatriz, bem como a débito da conta 2.1.01.04.0157 Deskontao Karne Keijo Log. Integrada Ltda eram efetuados de forma consolidada, com datas, valores e histórico que impossibilitariam o acompanhamento de cada operação de venda, sendo que a empresa, intimada a esclarecer tal procedimento, não se manifestou. Indo além, a fiscalização verificou que, no período sob fiscalização, o total de vendas da Matriz para a Filial alcançou R$ 15.776.120,00, porém, desse total, somente R$ 12.023.201,05 foram baixados da conta 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda com contrapartida na conta 1.1.01.01.0001 Caixa. Ademais, a contabilidade da empresa não permitiria apurar, nem o contribuinte justificou, os critérios de baixas das notas fiscais nas contas citadas, sendo certo que os lançamentos contábeis nelas foram consolidados periodicamente, com datas e valores desvinculados de quaisquer fatos contábeis relacionados às notas fiscais emitidas pela Matriz em nome da Filial citada. Ainda, a fiscalização asseverou que o contribuinte efetuou dois registros contábeis, no importe de R$ 941.164,04 e R$ 2.703.495,64, em 30/05/2009 e 31/12/2009, a débito da conta passiva 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda com contrapartida na conta 4.2.01.0002 Compras p/Comercialização, que representariam Fl. 20302DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 4 5 estornos (devoluções/cancelamentos) de vendas feitas pela Matriz à Filial, sem contabilização de ajuste nas demais contas (Caixa, Clientes a ReceberMatriz e Vendas da Matriz p/Filial Ceasa). A fiscalização não identificou registros de devoluções/cancelamentos nos livros fiscais e contábeis dos referidos estabelecimentos, nos montantes antes assinalados. Com o quadro acima, entendeu a fiscalização que deveria recompor o saldo da conta 1.1.01.01.0001 Caixa, lançando a crédito da referida conta as notas fiscais emitidas em nome da Filial, totalizadas por dia, conforme registradas na conta 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda, estornando os lançamentos globais efetuados pelo contribuinte. Feito tal procedimento acima, apurou os saldos credores de caixa, considerados receitas omitidas, como se vê na fl. 83 e no doc. 58 (fls. 19.490 e seguintes). Em relação à infração nº 2 (passivo fictício), esta decorreu da manutenção de saldo credor ao final de cada trimestre na conta 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda. Como afirmou o contribuinte em correspondência, os lançamentos referentes às operações de vendas da Matriz para a Filial foram tãosomente escriturais, sem movimentação física de recursos. Portanto, entendeu a fiscalização que não se tratava de vendas efetivas, não podendo gerar passivos para matriz. Ocorre que, ao final do 1º, 2º e 3º trimestres de 2009, a conta acima ficou com saldo credor, mantendo o contribuinte conta passiva com obrigação inexistente, o que implica na subsunção de tais fatos à presunção de omissão de receitas prevista no art. 281, III, do Decreto nº 3.000/99. No tocante à infração nº 3 (diferença de estoque), acima, inicialmente a fiscalização anotou que o contribuinte não apresentara sistema de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração, sendo que o custo das mercadorias revendidas teria sido determinado pela empresa com base em inventários periódicos, no final de cada trimestre do ano fiscalizado, 2009. Os saldos monetários dos estoques no Livro de Inventário e na contabilidade, no final de cada trimestre, estavam harmônicos e compatíveis. A fiscalização constatou divergências nos Livros de Registro de Inventários da Matriz dos anos de 2008 (inventário de 31/12/2008) e 2009 (inventário de 31/12/2009), impressos em formato PDF pelo contribuinte a partir do Sistema de Escrituração Fiscal – SEF da SEFAZPE , nos quais foi verificado que, para cada mercadoria existente no estoque, a quantidade multiplicada pelo custo unitário encontravase incompatível com o valor total da respectiva mercadoria. Intimado sobre tais inconsistências, o contribuinte informou que houve erro no posicionamento da vírgula que separa os números inteiros, ou seja, as quantidades apresentadas no Livro de Inventário estavam indevidamente reduzidas à décima parte, vez que o valor total de cada mercadoria (valor monetário) permanecia inalterado. A fiscalização analisou a movimentação das mercadorias, por espécie, do estabelecimento matriz, extraída dos arquivos digitais de documentos fiscais, fornecidas pela empresa, na forma do ADE COFIS nº 15/2001, e alterações, dos trimestres de apuração do ano de 2009. Os saldos apurados pela fiscalização foram cotejados com os Fl. 20303DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 saldos dos estoques físicos registrados nos inventários da Matriz, ao final de cada trimestre, quando se constatou a ocorrência de omissão de receitas, caracterizadas pela falta de registro de compra e/ou venda de mercadorias, na forma do art. 286 do Decreto nº 3.000/99. Para determinação dos valores monetários das omissões de compras e vendas, a Fiscalização aplicou sobre as quantidades omitidas o preço médio de compra e venda da mercadoria, do respectivo trimestre em que ocorreu a omissão. Tal preço médio de compra e de venda foi obtido pela divisão da soma de valor da mercadoria pela soma de quantidade de mercadoria adquirida ou venda, de cada trimestre. Inexistindo operações de compras ou de vendas no período em que foi verificada a omissão, a fiscalização utilizou o preço médio de períodos antecedentes. Já em relação à infração nº 4 (glosas de cotas de depreciação), a partir de inventário físico dos bens patrimoniais, a empresa apurou uma depreciação acumulada retroativa ao anocalendário 1999, no valor R$ 2.295.539,23, que foi lançada como encargo de depreciação na apuração do resultado do 1º trimestre do AC 1999. Ocorre que a fiscalização entendeu ser incabível a apropriação do encargo de depreciação retroativo, no importe de R$ 2.295.539,23, pois, no caso vertente, a não utilização de tal depreciação nos períodos corretos não implicou em pagamento de imposto a maior, já que o contribuinte, em diversos dos períodos antecedentes, teve resultado operacional negativo, o que implicaria, caso a depreciação tivesse sido apropriada nos períodos corretos, em aumento do prejuízo fiscal. Ademais, com tal procedimento, o contribuinte fez uso de despesas de depreciação já abrangidas pela decadência. Por fim, a fiscalização entendeu que o contribuinte utilizou o período de vida útil incorreto para caminhão de carga e carroceria p/transp. perecíveis, utilizando 04 anos, quando deveria utilizar 05 anos, efetuando recálculo das quotas de apreciação, o que levou a glosas nos 04 trimestres de 2009. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 18/04/2013, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo as seguintes defesas: I. teve seu direito de defesa cerceado, porque a autoridade fiscal, quando do encerramento do procedimento fiscal, somente cientificou o contribuinte de parte das peças que compõe os presentes autos; II. é inadmissível a exigência fiscal destes autos porque se fundamenta em mera presunção de ocorrência do fato gerador, que, por força do princípio da tipicidade fechada, a presunção não pode atuar no núcleo do fato gerador, ou seja, nem mesmo a lei pode criar presunções que importem no nascimento do fato gerador, sob pena de inconstitucionalidade; III. no tocante ao saldo credor de caixa, “A empresa mantém na sua contabilidade comercial regular as contas de Caixa devidamente segregadas entre sua Matriz e Filial, mais agrupadas em um único grupo contábil, impondo assim uma restrição aritmética à interpretação do Auditor Fiscal, posto que, qualquer suposta operação que tivesse havido de pagamento e recebimento entre Matriz e Filial seriam compulsoriamente nulas de resultado, face a condição essencial e material de que não existe um recebimento sem o respectivo pagamento, e viceversa. Como se comprova na regular escrituração contábil do contribuinte, os lançamentos transitados pela conta caixa nas operações de recebimento entre a Matriz e a Filial são efetivadas tendo como contrapartida a conta de única de fornecedor existente Fl. 20304DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 5 7 para estas operações, e a respectiva conta de única de clientes entre, posto que ela vendia e comprava para si própria no mesmo momento. Todas as operações de compra e venda reciprocamente efetuadas entre a Matriz e a Filial foram realizadas utilizando exclusivamente lançamentos escriturais internos, sem qualquer movimentação financeira material, seja por meio circulante seja por meio bancário, cujas operações são unicamente permutativas, não trazendo impacto tributário ou financeiro, considerando ainda que, embora ambos os estabelecimentos tenham endereços distintos e operações comerciais distintas, ambos estão abrigadas por CNPJ, por dependência, e com uma única contabilidade centralizada tal qual determina a RFB” (fl. 19.576); IV. no tocante à omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, as obrigações da conta DESKONTAOKARNE KEIJO LOG.INTEGRADA LTDA foram devidamente tributadas pela Matriz, uma vez que a venda foi registrada na conta de resultado, não podendo haver uma bitributação, já que se trata do mesmo contribuinte, ou seja, se o Auditor concluiu que há mais ou menos 3 milhões de caixa, faz parte deste valor as obrigações que restaram na conta fornecedor da filial, pois se trata da mesma empresa; V. a omissão de receitas caracterizada por diferenças apuradas em inventário final (diferença de estoques) não se sustenta pelos seguintes motivos: a. o inventário declarado no SEF referente ao período de 12/2008 diverge do saldo inicial utilizado no “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias”, que serviu de análise para o auditor realizar a autuação concernente à omissão de compras e vendas, como se demonstra nesta impugnação com diversos produtos (fl. 19.570); b. ainda se tem a utilização de saldo de inventário no “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias” referente ao 4º trimestre, divergindo do saldo de inventário declarado no SEF referente ao período de 12/2009, como se demonstra nesta impugnação (fl. 19.571); c. os saldos finais de inventários considerados ao final de cada trimestre do exercício foi extraído da posição interna da empresa, que, no 4º trimestre, não contempla os dados existentes no inventário declarado no SEF, como se exemplifica nesta impugnação (fl. 19.571); d. o “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias” não contempla movimentação de alguns itens que foram inventariados no SEF declarado, referente ao período de 12/2008, e que pelos arquivos da empresa houve movimentação de saída, com exemplos nesta impugnação (fl. 19.572); e. é comum na empresa a prática de reclassificação de referência de produtos, quando da recepção do mercado interno e externo, quer pela recepção de produtos com Fl. 20305DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 diferença do pedido, quer pela necessidade de categorizar os produtos, o que não foi considerado pelo auditor. Com essa sistemática, é necessário o levantamento de movimentação dos produtos por categoria, como exemplo temos a categoria “Picanha”, como se demonstra nesta impugnação; f. outros pontos que geram discrepância no levantamento do Auditor decorrem da diminuição de peso em função de degelo dos produtos adquiridos, o que gerava redução significativa no estoque da matriz, bem como os descartes de produtos de origem animal impróprios para o consumo humano, produtos estes que estavam alocados na conta “custo das mercadorias” e não eram transferidas para perdas, uma vez que já estavam numa conta de resultado. O Auditor, equivocadamente, tratou estas últimas mercadorias como omissão de vendas; g. no “Demonstrativo” houve a tributação de omissão com utilização de saldo já autuado, como se demonstra com o produto nº 910365 (fl. 19.571); h. o autuante, ao calcular o imposto, computou a receita que considerou omitida, mas não admitiu a dedução do montante das compras, que também presumiu omitidas. Parece até que o imposto é sobre receita, não sobre o lucro. Haveria que se manter o direito do contribuinte de abater destas vendas, tidas como omitidas, o valor do custo das mesmas aquisições, mormente quando todos os valores foram apurados e demonstrados separadamente pelo fiscal em seu trabalho. Nessa linha, caso o auto de infração não seja anulado pelas defesas antes deduzidas, pedese a exclusão da base de cálculo da omissão de receitas do valor de R$ 10.456.750,64, correspondente à omissão de compras, com determinação de novo valor tributável por omissão de receitas em R$ 2.791.766,51, ou seja, R$ 13.248.517,15 (omissão de vendas) menos R$ 10.456.750,64 (omissão de compras). VI. já no tocante às glosas de depreciação: a. a fiscalização incorreu em erro a considerar que o prazo de vida útil dos bens (caminhão de carga e carroceria para transporte de bens perecíveis) seria de 05 (cinco) anos, contrariando a legislação do imposto de renda que estabelece o prazo de 4 (quatro anos). “Nas notas fiscais relativas à frota dos caminhões adquiridos no período, em relação ao qual se aplicou o prazo de vida útil acima, apesar de constar a descrição “chassi c/motor e cabine para caminhão”, tratavamse materialmente dos “veículos automóveis para transporte de mercadorias” e, não constava a referencia ao NCM 8704, uma vez que a legislação fiscal vigente à época não exigia tal indicação nas notas fiscais, consoante comprovam os documentos Fl. 20306DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 6 9 em anexo (Doc. 07). Por outro lado, atualmente, esta exigência é necessária, tanto que nas notas fiscais relativas a aquisição da frota de 2012, consta a descrição “chassi c/motor e cabine para caminhão” e a indicação da NCM 8704 para a mesma descrição dos bens, consoante comprovam as notas fiscais em anexo (Doc. 08)” (fl. 19.584); b. sobre a decadência, não merece prosperar as argumentações do auditor, pois ele adotou taxas anuais de depreciação em desacordo com o previsto na legislação fiscal, como também ocorreu com os bens “Carrocerias para Transportes de Perecíveis”, com taxa utilizada pelo auditor de 20% ao ano, quando o correto seria 25% ao ano, pois estes bens fazem parte dos “veículos automóveis para transporte de mercadorias”, cuja taxa de depreciação é de 25% ao ano. Analisando toda a argumentação deduzida na defesa, pronunciouse a douta DRJ pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZADO CIENTIFICADO DE PARTES DO PROCESSO. INOCORRÊNCIA. A autoridade lançadora produziu minudente relatório de encerramento da ação fiscal, discriminando cada peça componente do auto de infração, tudo em meio de digital, com registro de ciência em CD de todos os Termos. Ademais, os autos estão em meio digital e o contribuinte, acaso faltando alguma peça para sua defesa, poderia ter solicitado cópia dos autos digitais na repartição fiscal, o que sequer ocorreu. Indo mais além, o contribuinte enfrentou todas as infrações, inclusive copiando/colando parte de Termos na impugnação, sendo implausível que algo tenha faltado para sua defesa, pois, registrese, o contribuinte combateu todas as imputações. EXIGÊNCIA FISCAL LASTREADA EM PRESUNÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. As presunções legais de omissão de receitas ou rendimentos são largamente utilizadas na seara tributária e nunca se viu a declaração de inconstitucionalidade delas. Como exemplos, têmse os suprimentos de caixa não comprovados (art. 282 do Decreto nº 3.000/99), saldos credores de caixa (art. 281, I, do Decreto nº 3.000/99), a não contabilização de pagamentos de compras (art. 281, II, do Decreto nº 3.000/99), a manutenção de passivos fictícios (art. 281, III, do Decreto nº 3.000/99), os depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/96), as diferenças em auditoria de estoques (art. 286 do Decreto nº 3.000/99). E, obviamente, havendo previsão legal para tanto, não cabe ao julgador administrativo afastar a incidência de tais normas legais, sob pena de decretação, de maneira incidental, da inconstitucionalidade das leis, o que é vedado, como cediço, na instância Fl. 20307DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 administrativa (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE MATRIZ E FILIAL, SEM MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DÉBITO DIÁRIO DA CONTA CAIXA. AJUSTES PARCIAIS, CONSOLIDADOS E EM PERÍODOS DILATADOS. RECOMPOSIÇÃO DO SALDO DA CONTA CAIXA. SALDO CREDOR. HIGIDEZ. Pelas transferências de mercadorias entre matriz e filial, a conta Caixa foi creditada periodicamente (mensal, quinzenal, decendialmente), parcialmente, sem sofrer os estornos devidos, quando as mesmas vendas tinham sido debitadas nessa conta em periodicidade diária. Recomposto o Caixa, apuraramse saldos credores, que são receitas omitidas, à luz do art. 281, I, do Decreto nº 3.000/99. CONTA PASSIVA COM OBRIGAÇÃO NÃO EXIGÍVEL NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. CORREÇÃO. Mantido saldo credor em conta passiva, no final do período, inexigível, pois meramente escritural (transferência de mercadorias matriz/filial, para atender exigência de controle do ICMS), presumese a omissão de receitas, por passivo fictício, não exigível. AUDITORIA DE ESTOQUE. OMISSÃO DE VENDAS E COMPRAS. POSSIBILIDADE DE COEXISTÊNCIA. Verificadas em procedimento de auditoria de estoque a ocorrência de omissões de compra e de omissões de vendas, representativas, por presunção legal, de omissão de receitas, não há impedimento normativo à coexistência das mesmas. A ocorrência de omissão de vendas não pressupõe obrigatoriamente que as receitas omitidas foram utilizadas para realizar as compras não contabilizadas. É necessária prova cabal nesse sentido para que a omissão de compras seja afastada. AUDITORIA DE ESTOQUE. INCORREÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Meras argumentações de incorreções apontadas nos Demonstrativos que auditaram o estoque do fiscalizado não podem ser acatadas, quando destituídas de documentação hábil para comprovar o engano. DEPRECIAÇÃO. DESPESAS DE PERÍODOS JÁ DECAÍDOS, UTILIZADAS AGREGADAMENTE NO PERÍODO FISCALIZADO. IMPOSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE TEMPO DE VIDA ÚTIL DE BEM. AJUSTE DA COTA DE DEPRECIAÇÃO. Comprovado o tempo de vida útil do bem, devese restabelecer, no ponto, a cota de depreciação. Por outro lado, inviável a utilização de despesas de depreciação de períodos caducos, no quais o fiscalizado não pagou qualquer IRPJ ou CSLL a maior. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor do acórdão exarado, por ela foi então interposto o seu respectivo Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão de origem, e, para tanto, reiterando todas as razões antes apresentadas em sua impugnação, podendo aqui então ser assim sintetizadas: A nulidade da autuação, por desrespeito ao devido processo legal, contraditório, a ampla defesa e o princípio da legalidade Fl. 20308DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 7 11 A inadmissibilidade da aplicação de presunção para a imputação do Lançamento Fiscal Fl. 20309DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço, passando, de plano, à análise pontual das alegações apresentadas. Vejamos: PRELIMINARMENTE Da argüição de nulidade da autuação por (suposta) inobservância das disposições do Art. 8o do Decreto 70.235/72 A primeira consideração apresentada pela recorrente em suas alegações, cingese à argüição de nulidade do presente PAF, tendo em vista que, segundo mencionada, quando da intimação da autuação, foralhe entregue apenas “parte” do elementos contidos nos autos do processo, inobservando segundo entende , as determinações contidas no Art. 8o do Decreto 70.235/72 (que, supostamente, obrigaria aos agentes da fiscalização a entrega de cópia integral dos autos do processo ao contribuinte), e, com isso, impondo efetivo cerceamento do seu direito de defesa. Pois bem. Inicialmente, cumpre destacar que, de forma bastante diversa da que pretende fazer crer a contribuinte, em nenhuma das disposições do Decreto 70.235/72 encontrase qualquer determinação de que, quando da intimação do lançamento efetivado, estaria a fiscalização obrigada a entregar à contribuinte a cópia integral dos autos do processo administrativo fiscal que o teriam originado. O art. 8o do Decreto 70.235/72, com todas a vênias, isso também não afirma, uma vez que o que ali se verifica, de fato, é a obrigatoriedade dos agentes da fiscalização de registrarem o desenvolvimento de suas atividades fiscais nos respectivos e competentes livros, ou ainda, na sua ausência, a entrega ao contribuinte das comunicações fiscais correspondentes. Vejamos: Art. 8º Os termos decorrentes de atividade fiscalizadora serão lavrados, sempre que possível, em livro fiscal, extraindose cópia para anexação ao processo; quando não lavrados em livro, entregarseá cópia autenticada à pessoa sob fiscalização. Da leitura desse dispositivo, com a mais respeito vênia, não se extrai a obrigatoriedade de que a intimação do lançamento seja acompanhada de cópia integral do Processo Administrativo Fiscal correspondente. Absolutamente! Tal pretensão, com toda a certeza, geraria um custo insuportável para a manutenção da atuação fiscalizatória, o que, definitivamente, não condiz com a sistemática ali estabelecida. O dispositivo em comento, como se verifica, trata, na verdade, de tema completamente diverso. Fala, sim, da necessidade de registro e informação (“intimação”) do contribuinte dos procedimentos promovidos e finalizados pelos agentes da fiscalização. A “cópia” a ser entregue ao fiscalizado, com toda certeza, não é do “processo”, mas sim do “ato Fl. 20310DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 8 13 lavrado” a que ali se refere, o que demonstra a completa e total insubsistência da nulidade insistida. Aliás, cumpre destacar que, mesmo que assim não fosse, mesmo que por esse dispositivo se pudesse, eventualmente, admitir a obrigatoriedade de entrega pelos agentes da fiscalização de cópia integral dos autos do processo administrativo fiscal ao fiscalizado, quando da intimação do lançamento efetivado, e que essa obrigatoriedade, de fato, não tivesse sido observada pelos agentes da fiscalização, ainda assim, não se haveria falar, por si só, em qualquer possibilidade de nulidade da autuação. Isso porque, desde a intimação do lançamento, ao contribuinte estaria franqueada a análise dos autos do processo na competente repartição fiscal, o que, digase de passagem, em momento algum mencionada a recorrente ter tentado e, por qualquer razão, não ter obtido êxito. Ora, com todo o respeito, em relação à argüição de nulidades no Processo Administrativo Fiscal, é importante ressaltar a expressa dicção do Art. 59 do Decreto 70.235/72, que, sobre essa matéria, assim então aponta: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Da análise dos autos, verificase que, em sua IMPUGNAÇÃO, a contribuinte explorou todos os pontos de defesa em relação ao lançamento efetivado, agora, no Recurso Voluntário – inclusive , repetindo as mesmas razões anteriores, o que, mais uma vez, desnuda qualquer afirmação de suposto cerceamento ao seu direito de defesa. A partir dessas disposições, verificase que, no caso, completamente infundada se apresenta a argüição de nulidade apontada, aqui não merecendo, portanto, ser aqui então acolhida, razão porque, rejeito a preliminar de nulidade. DO MÉRITO Da (suposta) invalidade da aplicação de presunção legal Reproduzindo os termos de sua impugnação, a recorrente afirma ser indevida a aplicação de presunção legal no caso específico, sobretudo por ter sido completamente desconsideradas pela fiscalização as “peculiaridades” das atividades por ela desenvolvidas, apontando, no caso, a possibilidade de modificações das mercadorias adquiridas para a Fl. 20311DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 possibilidade de sua comercialização (Ex.: pescado em postas) e, ainda, as possíveis conseqüências de degelo, fatos que, por certo, poderiam “esclarecer” as divergências de estoque apontadas. A respeito dessas alegações, é relevante destacar que a contribuinte as lança, sem que, a seu respeito, houvesse qualquer elemento técnico, formal e normativo que comprovasse, o que, por si só, já se mostra completamente suficiente para a integral rejeição. As presunções aplicadas pelos agentes da fiscalização possuem, todas elas, específicas fundamentações legais, valendo, a esse respeito, o destaque ao disposto nos Art. 281 e 286 do RIR/99 (Decreto 3.000/99) que assim, inclusive, especificamente apontam: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. (...) Art. 286. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41). § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 1º). § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 2º). § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 3º). Da leitura dessas disposições, verificase que, ao contrário do que afirmado pela contribuinte, em nosso sistema normativo pátrio existe, sim, de fato, a expressa previsão legal a respeito da possibilidade de aplicação das presunções legais para a apuração de montantes de tributos devidos, invertendose legitimamente, o ônus da prova, que, nesses casos, cabe ao contribuinte, em cada caso, a demonstração de inexistência dos respectivos indícios autorizadores da sua prática, o que, no presente caso, efetivamente não fora promovido pela autuada. A contribuinterecorrente, em suas razões, pretende sustentar “dúvidas” contra os levantamentos promovidos pelos agentes da fiscalização, não apresentando, em relação a nenhum delas, qualquer prova que pudesse fundamentála, demonstrando, com isso, Fl. 20312DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 9 15 que ali não passam de meras ilações, insuficientes para a desconstituição das conclusões atingidas pela fiscalização. Apenas a título de exemplo, sustenta a contribuinte a “possibilidade” de explicação da divergência apontada em decorrência, por exemplo, do “degelo” sofrido pelo pescado, o que, como se verifica na decisão de primeira instância, não se pode aqui sequer considerar, sobretudo porque, além dos montantes absurdos das diferenças levantadas, não se verifica nos autos qualquer prova, registro, estudo ou “laudo” que confirmasse a possibilidade aventada. A desconstituição da aplicação da presunção legal, prevista em lei, demandaria a necessidade de comprovação insofismável de equivoco dos agentes da fiscalização, o que, definitivamente, não logrou fazer a recorrente nos presentes autos, não se podendo assim, de forma alguma, admitir a sua insurgência. Ademais, tratandose de presunções expressamente previstas em lei, não cabe aqui a discussão a respeito de sua validade, sobretudo em face das expressas disposições da Súmula CARF no 2, que, sobre o assunto, assim aponta: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nada obstante, a respeito da análise objetiva da aplicação das presunções legais consideradas (“Diferença de estoque”, “Saldo credor de caixa” e “Passivo fictício”) memoráveis são as considerações apresentadas pela r. decisão de primeira instância, que, por serem perfeitamente pertinentes, peço vênia para aqui então reproduzir: “Não há qualquer dúvida que a contabilização das transferências matriz/filial Ceasa culminaram com mascaramento de saldos credores de Caixa, como se explica a seguir. Inicialmente, jamais a conta 1.1.01.01.0001 Caixa poderia ser debitada diariamente pelas transferências Matriz/Filial, com ajustes a crédito em prazos maiores (decendiais, quinzenais ou mensais), em lançamentos consolidados, dissociados dos fatos contábeis relacionados às notas fiscais das transferências (vide relação dos lançamentos a crédito na fl. 81 destes autos), pois, assim procedendo, por óbvio, estar seia aumentando artificial e diariamente o saldo da conta 1.1.01.01.0001 Caixa, já que as vendas Matriz/Filial são meros fatos permutativos, sem qualquer movimentação financeira, e os ajustes a crédito em prazo mais dilatados implicam no mascaramento de eventuais saldos credores nos períodos anteriores aos ajustes (isso além de ter sido feito de forma consolidada, não permitindo associar tais lançamentos às notas fiscais emitidas na relação Matriz/Filial). Assim, para evitar a presença de saldos credores de caixa, ou a conta 1.1.01.01.0001 Caixa receberia os créditos e os débitos na mesma periodicidade ou, caso mantido o procedimento dos autos, tal conta deveria ter ativos a suportar a discrepância de periodicidade dos lançamentos, o que não ocorreu no caso vertente, como se vê na recomposição da conta 1.1.01.01.0001 Caixa, na forma do doc. 58 dos autos (fls. 19490 e seguintes). Fl. 20313DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 16 Ademais, a fiscalização demonstrou que, no período sob fiscalização, o total de vendas da Matriz para a Filial alcançou R$ 15.776.120,00, porém, desse total, somente R$ 12.023.201,05 foram baixados da conta 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda com contrapartida na conta 1.1.01.01.0001 Caixa, ou seja, sequer esta última conta foi ajustada inteiramente em face dos lançamentos a débito. Indo além, a fiscalização detectou que o contribuinte efetuou dois registros contábeis, no importe de R$ 941.164,04 (fl. 18.867) e R$ 2.703.495,64 (fl. 19.029), em 30/05/2009 e 31/12/2009, a débito da conta passiva 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda com contrapartida na conta 4.2.01.0002 Compras p/Comercialização, que representariam estornos (devoluções/cancelamentos) de vendas feitas pela Matriz à Filial, sem contabilização de ajuste nas demais contas (Caixa, Clientes a ReceberMatriz e Vendas da Matriz p/Filial Ceasa). Ocorre que não restaram identificados os registros de devoluções/cancelamentos nos livros fiscais e contábeis dos referidos estabelecimentos, nos montantes antes assinalados, sendo certo que o lançamento de estorno/cancelamento citado deveria ser a crédito da conta 1.1.01.01.0001 Caixa, com reflexos nas demais contas envolvidas. E isso não foi feito porque a conta conta 1.1.01.01.0001 Caixa não suportaria o registro dos valores, pois iria apresentar saldo credor. Dessa forma, no tocante às vendas da Matriz para a Filial, considerando que o contribuinte creditou a conta 1.1.01.01.0001 Caixa periodicamente (mensal, quinzenal, decendialmente), quando as vendas tinham sido debitadas nessa conta em periodicidade diária; considerando que a conta 1.1.01.01.0001 Caixa foi creditada apenas parcialmente em face das vendas já referidas; considerando que o contribuinte fez lançamentos contábeis de ajuste na conta passiva 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda com contrapartida à conta 4.2.01.0002 Compras p/Comercialização, quando deveria ter feito em contrapartida à conta 1.1.01.01.0001 Caixa, com ajustes nas demais contas envolvidas, correta a recomposição do saldo da conta 1.1.01.01.0001 Caixa, com lançamento das notas fiscais emitidas em nome da Filial, totalizadas por dia, a crédito da referida conta, conforme registradas na conta 2.1.01.04.0157 DeskontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda, estornando também da conta 1.1.01.01.0001 Caixa os lançamentos globais a crédito efetuados pelo contribuinte, o que implicou nos saldos credores do doc. 58 destes autos (fls. 19.490 e seguintes). Com as considerações acima, correta a imputação dos saldos credores de caixa, considerados receitas omitidas, feitas em desfavor do contribuinte. Passase agora ao item IV da defesa (no tocante à omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, as obrigações da conta DESKONTAOKARNE KEIJO LOG. INTEGRADA LTDA foram devidamente tributadas pela Matriz, uma vez que a venda foi registrada na conta de resultado, não podendo haver uma bitributação, já que se trata do mesmo contribuinte, ou seja, se o Auditor concluiu que há mais ou menos 3 milhões de caixa, faz parte deste valor as obrigações que restaram na conta fornecedor da filial, pois se trata da mesma empresa). Como reconhecido pelo próprio contribuinte, os lançamentos referentes às transferências de mercadoria entre a Matriz e a Filial Ceasa eram apenas escriturais, não gerando entrada ou saída de recursos (fl. 403). Dessa forma, a conta passiva 2.1.01.04.0157 DescontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda, no tocante às transferências de mercadorias entre a Matriz e Filial Ceasa, não poderia receber créditos além dos débitos respectivos, como ocorreu no 1º, 2º e 3º trimestre, como se vê no relatório de encerramento da ação fiscal (fl. 85). Fl. 20314DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 10 17 Dessa forma, ficando tal conta com saldo credor ao final de cada trimestre, como se trata de obrigação não exigível, passivo fictício, presumese como omissão de receitas, na forma do art. 281, III, do Decreto nº 3.000/99. Interessante ressaltar que, diferentemente do asseverado pelo impugnante, o passivo fictício oriundo de manutenção no final de cada trimestre de obrigação não exigível da conta passiva 2.1.01.04.0157 DescontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda não está associado integralmente ao saldo credor de caixa, pois nem toda as vendas da Matriz para a Filial Ceasa, contabilizadas na conta passiva 2.1.01.04.0157 DescontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda, foram baixadas do Caixa. Se toda a movimentação pela conta passiva citada, decorrente das transferências Matriz/Filial, tivesse tido a contrapartida a crédito no Caixa, não haveria saldo credor no final do trimestre na conta passiva, não havendo, então, falar em passivo fictício. Terseia apenas um saldo credor de caixa majorado em relação ao que já foi apurado. Porém, como se demonstrou, a conta passiva 2.1.01.04.0157 DescontaoKarne Keijo Log. Integrada Ltda recebeu lançamentos a crédito majorados em face dos lançamentos a débito, no tocante às transferências Matriz/Filial, sendo os excessos a crédito obrigação não exigível no final de cada trimestre, presumindose omissão de receitas. Com as razões acima, rejeito a presente defesa da impugnação. Agora se passa à defesa do item V, que combate a omissão de receitas oriunda da auditoria de estoques. Antes de tudo, devese explicar sucintamente como a autoridade fiscal procedeu à auditoria de estoques, apurando as omissões de receitas, a partir das omissões de compras e vendas. O contribuinte não tinha sistema de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração. Assim, o custo das mercadorias revendidas era determinado a partir de inventários periódicos de estoques, ao cabo de cada trimestre do anocalendário 2009. De posse das movimentações de mercadorias extraídas dos arquivos digitais de documentos fiscais (notas fiscais de entrada e saída), fornecidos pela fiscalizada, no formato estabelecido no Anexo único do ADE COFIS nº 15/2001, e alterações, aliado aos estoques inventariados de cada mercadoria constantes no Livro de Registro de Inventário, no início e fim de cada trimestre de 2009, a autoridade fiscal produziu planilhas com a movimentação de entrada e saída dos diversos tipos de mercadorias comercializadas pela Matriz (docs. 29 a 46), apurando omissões de compras (no curso do trimestre, sempre que havia saída de determinada mercadoria sem suporte no estoque dela apurado pela fiscalização ou quando o estoque inventariado de cada mercadoria, no final de cada trimestre, era maior que o estoque apurado pela fiscalização a partir das notas fiscais de entrada e saída) e omissões de venda (no final de cada trimestre, sempre que o estoque inventariado pelo contribuinte de determinada mercadoria era menor que o estoque apurado pela fiscalização a partir das notas fiscais de entrada e saída). Ainda, como regra, a fiscalização apurou o preço médio de compra e venda pela divisão da soma de valor da mercadoria pela soma da quantidade dela, adquirida ou vendida, em cada trimestre (docs. 47 a 50). Inicialmente, passase à apreciação da defesa do item V.a (o inventário declarado no SEF referente ao período de 12/2008 diverge do saldo inicial utilizado no “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias”, que serviu de análise para o Fl. 20315DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 18 auditor realizar a autuação concernente à omissão de compras e vendas, como se demonstra nesta impugnação com diversos produtos fl. 19.570). O impugnante apontou 14 tipos diversos de mercadorias, para as quais a quantidade inventariada seria a décima parte da considerada pelo AuditorFiscal, em seu levantamento, como saldo inicial no 1º trimestre de 2009, o que demonstraria a insustentabilidade do levantamento feito pela autoridade. A fiscalização já havia identificado divergências nos Livros de Registro de Inventários da Matriz em 31/12/2008 e 31/12/2009, nos quais foi verificado que, para cada mercadoria existente no estoque, a quantidade multiplicada pelo custo unitário encontravase incompatível com o valor total da respectiva mercadoria. Intimado o contribuinte a comprovar tal discrepância, informou que houve uma falha gráfica de apresentação no item quantidade, por um deslocamento da vírgula que separa os números inteiros, não apresentando, entretanto, diferenças no seu conteúdo total. Assim, o próprio fiscalizado já havia esclarecido o problema, porém asseverou que o valor total da mercadoria estava correto (fl. 302). Ora, agora vem o impugnante e suscita um equívoco já esclarecido, com objetivo de infirmar o levantamento feito pela autoridade fiscal. Esta utilizou a quantidade correta, que estava minorada indevidamente no Livro de Registro de Inventário, pela décima parte. Vejase, por exemplo, o produto de código 905267 (queijo muss girolanoa pc +/4 kg cx +/24 kg), que consta no Livro de Inventário com 2.488,203 kg e a fiscalização utilizou 24.882,030 kg, como deduzido na impugnação (fl. 19.570). fetivamente, no Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadoria, a fiscalização considerou a quantidade de 24.882,030 kg para o produto acima (fl. 16.575). Compulsando o Livro de Registro de Inventário, vêse que há um estoque do produto em 31/12/2008 de 2.488,203 kg, com custo unitário de R$ 3,19/kg, com um valor total de R$ 79.289,96 (fls. 685 e 686). Ora, como já confessado pelo contribuinte, a quantidade estava reduzida pelo deslocamento da vírgula, estando o valor total correto (fl. 302). Vejase que se deve majorar em 10 vezes a quantidade, para daí obter o valor total. E foi exatamente a quantidade majorada (e correta) que a fiscalização tomou como estoque inicial para o 1º trimestre de 2009, para tal mercadoria. Por tudo, no ponto, sem reparo o trabalho fiscal, devendo ser rejeitada a presente defesa. Passase agora ao item V.b da defesa (ainda se tem a utilização de saldo de inventário no “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias” referente ao 4º trimestre, divergindo do saldo de inventário declarado no SEF referente ao período de 12/2009, como se demonstra nesta impugnação fl. 19.571). O impugnante apontou 16 produtos para os quais haveria divergências entre o Demonstrativo da autoridade fiscal e o saldo de inventário declarado no SEF, referente ao período de 12/2009 (o produto código nº 905267 está em duplicidade). De plano, utilizase a mesma argumentação do item precedente para os produtos em que o levantamento do SEF é a décima parte daquele dos Demonstrativos da autoridade fiscal (produtos de código nºs 904370, 907016 e 901515). Para os demais, apreciase o primeiro e penúltimo produtos, para confirmar ou infirmar a tese do impugnante. Começa se novamente pelo produto de código nº 905267 (queijo muss girolanoa pc +/4 kg cx +/24 kg), cujo quantitativo no final do 4º trimestre seria 16.253,50 kg, para Fl. 20316DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 11 19 os quais, de acordo com o impugnante, a quantidade inventariada no SEF seria 0 (zero). No Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadoria, a fiscalização considerou a quantidade de 16.253,50 kg para o produto acima (fl. 16.609), apurando uma omissão de compras, pois o saldo apurado pela fiscalização seria 70,19 kg e o estoque inventariado (SEF) seria 16.253,50 kg. Compulsando o Livro de Registro de Inventário (doc. 11 – Registro de Inventário – Matriz – 31/12/2009, conforme relatório de encerramento da ação fiscal – fl. 96, e Livro de Registro de Inventário – doc. 11 – fl. 751 e seguintes), para o produto código nº 905267, extraemse as seguintes informações: 11 . . 00000000905267 QUEIJO MUSS GIROLANDA PC±4KG CX±24KG 1.625,350 KG (quantidade) 2,99 (unitário) 48.543,28 (fls. 685 e 686). Ora, mais uma vêse que quantidade deve ser multiplicada por dez, pois, repisese, a fiscalização e o próprio contribuinte já tinham reconhecido e esclarecido o equívoco, ocorrido com os estoques de 31/12/2008 e 31/12/2009. Vêse, então, que a fiscalização utilizou o estoque em 31/12/2009, que consta no SEF, estando correto o Demonstrativo. Incorreta a afirmação do impugnante de que o saldo inventariado de tal produto estaria zerado em 31/12/2009. Indo mais além, tomase agora o penúltimo produto daqueles relacionados pelo contribuinte, especificamente o de nº 907561 (o último tratase apenas da questão da majoração por 10 vezes na quantidade). No Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadoria, a fiscalização considerou a quantidade inventariada de 22.512,110 kg para o produto acima (fl. 18.106), apurando uma omissão de compras, pois o saldo apurado pela fiscalização seria 12.811,502 kg e o estoque inventariado (SEF) a quantidade antes indicada. Compulsando o Livro de Registro de Inventário (doc. 11 – Registro de Inventário – Matriz – 31/12/2009, conforme relatório de encerramento da ação fiscal – fl. 96, e Livro de Registro de Inventário – doc. 11 – fl. 751 e seguintes), para o produto código nº 907561, extraem se as seguintes informações: 11 0201.30.00 907561 COXAO MOLE BOV RESF FRIBOI CX±25KG 2.251,211 KG (quantidade) 2,69 (unitário) 60.540,68 (fls. 777 e 778). Ora, mais uma vêse que quantidade deve ser multiplicada por dez, pois, repisese, a fiscalização e o próprio contribuinte já tinham reconhecido e esclarecido o equívoco, ocorrido com os estoques de 31/12/2008 e 31/12/2009. Vêse, então, que a fiscalização utilizou o estoque em 31/12/2009, que consta no SEF, estando correto o Demonstrativo. Incorreta a afirmação do impugnante de que o saldo inventariado de tal produto estaria zerado em 31/12/2009. Os dois exemplos acima, além daqueles outros 03 com divergência de 10 vezes (como constou na impugnação), são suficientes para rejeitar a presente defesa, já que se demonstrou a origem das quantidades utilizadas pela autoridade fiscal, não havendo as discrepâncias apontadas pelo contribuinte, que mais uma vez repisou a argumentação do item precedente. Rejeitase, mais uma vez, a pretensão deduzida pelo impugnante. Passase agora à defesa do item V.c (os saldos finais de inventários considerados ao final de cada trimestre do exercício foi extraído da posição interna da empresa, que, no 4º trimestre, não contempla os dados existentes no inventário declarados no SEF, como se exemplifica nesta impugnação fl. 19.571). Fl. 20317DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 20 O impugnante trouxe uma pretensa divergência entre a quantidade existente na posição interna referente ao 4º trimestre e a quantidade inventariada (SEF). Não explicitou a localização nos autos da “quantidade existente na posição interna” da empresa ou o que isso teria a ver com o Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias. Como exemplo, tomase o último produto indicado na impugnação. O impugnante asseverou que o produto código nº 907561 (COXAO MOLE BOV RESF FRIBOI) teria uma quantidade de 12.366,10 kg na posição interna da empresa, sendo zerada a quantidade inventariada zerada, no final do 4º trimestre de 2009. Já a fiscalização considerou o estoque desse produto no quantitativo de 22.512,110 Kg (fl. 18.106), em linha com o que constou no Livro de Inventário (fls. 777 e 778), multiplicado por dez, como já esclarecido. Não se compreende, no ponto, o objeto da impugnação. Dessa forma, quer porque o contribuinte não esclareceu o que seria a “quantidade existente na posição interna” da empresa, quer porque não indicou nos autos onde estariam tais quantitativos, quer porque não demonstrou a influência dessas pretensas incongruências em desfavor do trabalho fiscal, rejeitase, no ponto, a presente defesa. Passase agora à apreciação da defesa do item V.d (o “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias” não contempla movimentação de alguns itens que foram inventariados no SEF declarado, referente ao período de 12/2008, e que pelos arquivos da empresa houve movimentação de saída, com exemplos nesta impugnação fl. 19.572). O fato de alguns itens não ter constado no Demonstrativo Analítico Movimentação de Mercadorias simplesmente implica que, em relação a eles, não houve apuração de omissão de compras ou vendas, ou seja, somente pode ter beneficiado o impugnante. Insistese que a ausência dos itens citados pelo impugnante não teve qualquer impacto desfavorável ao fiscalizado, pois todo o levantamento do Demonstrativo foi feito por código de produto, apurandose as omissões, de vendas ou compras, individualizadamente. Algum produto que tenha faltado no Demonstrativo somente pode ter beneficiado o contribuinte ou foi neutro (porque não haveria omissões de receita de vendas ou compras). Certamente, os produtos citados não constaram no Demonstrativo porque não houve, quanto a eles, omissões de vendas ou compras. Dessa forma, mantémse, até aqui, intocado o trabalho fiscal. Agora se aprecia a defesa do item V.e (é comum na empresa a prática de reclassificação de referência de produtos, quando da recepção do mercado interno e externo, quer pela recepção de produtos com diferença do pedido, quer pela necessidade de categorizar os produtos, o que não foi considerado pelo auditor. Com essa sistemática, seria necessário o levantamento de movimentação dos produtos por categoria, como exemplo, a categoria “Picanha”, como se demonstra nesta impugnação– fl. 19.572). Não se pode desconstituir a auditoria de estoque a partir de uma arbitrária categorização de produtos, por similaridade, a qual ninguém tem conhecimento, como feito pelo impugnante. O auditor não teria como categorizar os produtos, por gênero, pois estes estão discriminados por códigos, individualizados. Caberia, sim, ao contribuinte, caso houvesse movimentado produtos entre categorias ou mesmo ter recebido tipo diverso daquele comprado, ter controle de tais alterações, sob pena de uma auditoria de estoque ser impossível, pois sempre o impugnante poderia suscitar uma categorização por gênero nova, não conhecida anteriormente. Ademais, a argumentação de que haveria reclassificação de produtos, recebimento de produtos diversos daqueles comprados ou transformação de produtos (peças Fl. 20318DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 12 21 congeladas transformadas em postas) está destituída de qualquer prova nos autos, razão que obriga a rejeição da presente defesa. Passase agora à defesa do item V.f (outros pontos que geram discrepância no levantamento do Auditor decorrem da diminuição de peso em função de degelo dos produtos adquiridos, o que gerava redução significativa no estoque da matriz, bem como os descartes de produtos de origem animal impróprios para o consumo humano, produtos estes que estavam alocados na conta “custo das mercadorias” e não eram transferidas para perdas, uma vez que já estavam numa conta de resultado. O auditor, equivocadamente, tratou estas últimas mercadorias como omissão de vendas). Em relação ao degelo de mercadorias congeladas, não se pode imaginar que o inventário de mercadorias tenha sido feito à temperatura ambiente. Certamente foi feito nas câmaras frigoríficas, com temperatura igual ou superior àquelas de transporte, parecendo descabido infirmar a auditoria de estoque, com divergências de centenas ou milhares de quilos, entre as mercadorias inventariadas e as levantadas a partir das notas fiscais de entrada e saída (como exemplos, vide os produtos códigos nºs 903214, com estoque inventariado zerado e o apurado de 28.239,900 Kg, no final do 1º trimestre de 2009 – fl. 15.942; 904170, com estoque inventariado de 21.025,82 Kg e o apurado de 35.711,820 Kg, no final do 1º trimestre de 2009 – fl. 16.168; 904370, com estoque inventariado zerado e o apurado de 25.075,000 Kg, no final do 1º trimestre de 2009 – fl. 16.404; 906007, com estoque inventariado de 21.025,82 Kg e o apurado de 35.711,820 Kg, no final do 1º trimestre de 2009 – fl. 16.168; 904370, com estoque inventariado de 14.895,000 Kg e o apurado de 51.855,000 Kg, no final do 1º trimestre de 2009 – fl. 16.624; 906583, com estoque inventariado zerado e o apurado de 38.880,000 Kg, no final do 1º trimestre de 2009 – fl. 17.379; 906880, com estoque inventariado de 104.460,000 Kg e o apurado de 109.763,700 Kg, no final do 2º trimestre de 2009 – fl. 17.407; 910365, com estoque inventariado zerado e o apurado de 59.206,066 Kg, no final do 4º trimestre de 2009 – fl. 18.461). Ademais, observese, o impugnante não juntou qualquer prova técnica ou documento que ateste, mesmo com percentuais médios, as possíveis perdas. Ausente qualquer comprovação das perdas por degelo, devese, rejeitar, no ponto a presente defesa. No tocante aos descartes, para comproválos, o contribuinte juntou a documentação de fls. 19.714 a 19.820, na qual se vê um ofício, em papel timbrado do contribuinte, com mercadorias relacionadas, para conhecimento do Serviço de Inspeção Federal. Para que fossem consideradas as mercadorias deterioradas, não bastaria um ofício com anexos gerado pelo próprio fiscalizado, mas necessariamente deveriam ter sido apresentadas as notas fiscais que deram saída nas mercadorias, pois não se pode imaginar que mercadorias, mesmo para descartes, transitem sem o documentário fiscal apropriado. Inclusive, registrese, há código CFOP apropriado para tanto, como se vê abaixo: 5.927 Lançamento efetuado a título de baixa de estoque decorrente de perda, roubo ou deterioração Classificamse neste código os registros efetuados a título de baixa de estoque decorrente de perda, roubou ou deterioração das mercadorias. Fl. 20319DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 22 Ademais, ressaltese, seria necessário o laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especificasse e identificasse as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência ou laudo da autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, como se vê no art. 291, II, “a” e “c”, do Decreto nº 3.000/99, abaixo transcrito, o que não ocorreu nestes autos, pois somente há um comunicado do fiscalizado à Inspeção Federal: (...) Dessa forma, sem nota fiscal de descarte da mercadoria ou os laudos das autoridades competentes, não se sabe a verdadeira origem das mercadorias para descarte, sendo incabível, assim, efetuar qualquer alteração na auditoria do estoque, com esta motivação.” Em relação a nenhum dos apontamentos promovidos pela DRJ, vale destacar, a contribuinte não apresentou qualquer consideração objetiva, neste tópico apenas redargüindo as razões antes aduzidas em sua impugnação, restando, pois, fartamente comprovada as omissão de receita pela configuração das hipóteses apresentadas, e aqui, portanto, irretocáveis as considerações contidas no lançamento efetivado. Da duplicidade da cobrança: Omissão de compras x Omissão de vendas Seguindo em suas argumentações, sustenta ainda a recorrente a invalidade da operação realizada pelos agentes da fiscalização, especificamente porque, ao considerar as diversas hipóteses de presunções consideradas, estarseia (ao menos em tese) a apurar a omissão da mesma receita diversas vezes, o que acarretaria a invalidade da exigência e aqui, portanto, não poderia ser admitida. Esse assunto, especificamente, foi tema deveras debatido quando da apreciação dos fatos no julgamento de primeira instância, sendo relevante destacar que, sobre este assunto, restou vencido o Relator originário do feito, especificamente, porque considerava a impossibilidade prática da aplicação da presunção de omissão de receitas em razão da ausência de registro de vendas, somada, no caso, à omissão de receitas em razão da ausência do registro de compras. Em que pese a relevância das considerações apresentadas pelo ilustre julgador (aqui, de fato, abraçadas pela recorrente), importante destacar que a sistemática por ele pretendida, com toda a certeza, não possui nenhum fundamento normativo próprio, sendo certo que o seu acolhimento, na presente vertente, importaria na possibilidade de uma dedução não prevista nas específicas normas de regência. Por força desssas considerações, entendo não caber a admissão da "compensação" entre compras e vendas sugerida pela recorrente, sendo certo que, pretendendo garantir a apuração adequada do montante do tributo devido, é a contribuinte quem deveria ter especificamente observado a legislação de regência, sujeitandose, assim, à sistemática da presunção legal em caso contrário, da forma como aqui então apontado. Diante disso, rejeito, também, a ponderação da recorrente quanto à necessidade de dedução do montante apurado como receitas omitidas, o montante das supostas compras não registradas, tendo em vista a completa ausência de previsão legal para esse procedimento, da forma, inclusive, afirmada pelo voto condutor do julgamento proferido em primeira instância. Fl. 20320DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/201341 Acórdão n.º 1301001.649 S1C3T1 Fl. 13 23 Da “insurgência” quanto às cotas de depreciação de bens do ativo imobilizado Por fim, em último ponto de ataque do recurso voluntário interposto, verifica se a pretensa discussão a respeito da validade de seus procedimentos de depreciação de bens do ativo imobilizado, especificamente em relação aos registros relativos a “Veículo Automóvel para Transporte de Mercadorias”, que, segundo sustenta, poderia ser depreciado em até 4 (quatro) anos, e não 5 (cinco) da forma como afirmado pela fiscalização. A respeito desse ponto específico, acredito que tenha se equivocado a recorrente, uma vez que, conforme se verifica da decisão de primeira instância, tal pretensão fora integralmente admitida naquele julgamento, nada havendo, aqui, a ser objeto de analise por estes Conselheiros. Conclusão Em face de todas as considerações aqui apresentadas, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendo, em sua integralidade, o crédito tributário lançado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 20321DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13898.000597/2002-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
Ementa:: INTIMAÇÃO. VIA ELETRÔNICA. PROCESSO EM PAPEL.
Tratando-se de fato positivo e considerando que se trata de processo de papel que foi digitalizado, cabe à repartição fiscal comprovar que o acórdão de primeira instância estava disponível para visualização no portal e-cac no 15º dia que antecedeu a ciência por decurso de prazo.
RECURSOS. TEMPESTIVIDADE.
Sendo incontroverso nos autos que o contribuinte recebeu a imagem do processo gravada em CD no dia 16/09/2013, é dessa data que se conta o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE.
A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. A apuração na filial e a tentativa de aproveitamento via ressarcimento, rendem ensejo à glosa do valor, pois o crédito presumido assim apurado só pode ser utilizado na conta gráfica do IPI, a teor do art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96, combinado com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99.
IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE.
O princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes não só o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores, mas também o transporte do saldo credor da escrita para períodos de apuração subseqüentes para a mesma finalidde.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA.
Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo.
SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO .
As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas pelas entradas ocorridas sob os CFOP 1.99 e 2.99 (fls. 487 e 556), bem como para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no ressarcimento o saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores, desde que seja expurgado o crédito presumido calculado em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram no sentido de não conhecer do recurso por considerá-lo intempestivo. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP 209.032.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa:: INTIMAÇÃO. VIA ELETRÔNICA. PROCESSO EM PAPEL. Tratando-se de fato positivo e considerando que se trata de processo de papel que foi digitalizado, cabe à repartição fiscal comprovar que o acórdão de primeira instância estava disponível para visualização no portal e-cac no 15º dia que antecedeu a ciência por decurso de prazo. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. Sendo incontroverso nos autos que o contribuinte recebeu a imagem do processo gravada em CD no dia 16/09/2013, é dessa data que se conta o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. A apuração na filial e a tentativa de aproveitamento via ressarcimento, rendem ensejo à glosa do valor, pois o crédito presumido assim apurado só pode ser utilizado na conta gráfica do IPI, a teor do art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96, combinado com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. O princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes não só o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores, mas também o transporte do saldo credor da escrita para períodos de apuração subseqüentes para a mesma finalidde. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo. SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO . As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas pelas entradas ocorridas sob os CFOP 1.99 e 2.99 (fls. 487 e 556), bem como para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no ressarcimento o saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores, desde que seja expurgado o crédito presumido calculado em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram no sentido de não conhecer do recurso por considerá-lo intempestivo. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP 209.032. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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VIA ELETRÔNICA. PROCESSO EM PAPEL. Tratandose de fato positivo e considerando que se trata de processo de papel que foi digitalizado, cabe à repartição fiscal comprovar que o acórdão de primeira instância estava disponível para visualização no portal ecac no 15º dia que antecedeu a ciência por decurso de prazo. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. Sendo incontroverso nos autos que o contribuinte recebeu a imagem do processo gravada em CD no dia 16/09/2013, é dessa data que se conta o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. A apuração na filial e a tentativa de aproveitamento via ressarcimento, rendem ensejo à glosa do valor, pois o crédito presumido assim apurado só pode ser utilizado na conta gráfica do IPI, a teor do art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96, combinado com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade garante aos contribuintes não só o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores, mas também o transporte do saldo credor da escrita para períodos de apuração subseqüentes para a mesma finalidde. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 8. 00 05 97 /2 00 2- 57 Fl. 863DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo. SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO . As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas pelas entradas ocorridas sob os CFOP 1.99 e 2.99 (fls. 487 e 556), bem como para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no ressarcimento o saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores, desde que seja expurgado o crédito presumido calculado em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram no sentido de não conhecer do recurso por considerálo intempestivo. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP 209.032. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI protocolado em 09/10/2002, relativo ao 2º Trimestre de 2002, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Informou a fiscalização à fl. 563 que não há pedidos de compensação tratados neste processo. Por meio do despacho decisório de fls. 390 a 392, notificado ao contribuinte em 09/04/2007 (fl. 571), a autoridade administrativa reconheceu em parte do direito de crédito. Do valor pleiteado originalmente (R$ 700.000,00) foi reconhecido o direito a R$ 655.743,66. A fiscalização efetuou os seguintes ajustes no crédito do contribuinte: 1) foi deduzido o valor o valor de R$ 48.987,15 por não se referir a créditos passíveis de ressarcimento. Este montante é composto por R$ 47.733,15 relativo a crédito presumido de IPI apurado em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99 e R$ 1.254,00 de créditos considerados não ressarcíveis; 2) foi glosado o saldo credor transportado de período anterior por estar impregnado de valores de crédito presumido de IPI apurado em desacordo como art. 15, II, da Lei nº 9.779/99; e 3) foi deduzido do crédito pleiteado, o valor de R$ 308.069,48 relativo aos débitos de IPI apurados no trimestre. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Discorreu sobre o princípio constitucional da nãocumulatividade e o Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Acórdão n.º 3403003.574 S3C4T3 Fl. 5 3 direito de compensação; 2) Em relação à parcela dos créditos considerada não ressarcível, a contribuinte pretende demonstrar a validade de todos os créditos e o faz discorrendo sobre a natureza das operações correspondentes a cada grupo de CFOPs abrangido. Dessa forma, os CFOPs 1.99 e 2.99 referemse a entradas de mercadorias a título de amostra ou bonificação utilizadas como insumos na industrialização de produtos isentos ou tributados pela alíquota zero, e os créditos correspondentes devem ser admitidos por não caberem restrições infraconstitucionais à nãocumulatividade do IPI; o CFOP 2.32 referemse a devolução de vendas, cujos créditos correspondentes são previstos no art. 150 do Decreto 2.637/1998; e o CFOPs 1.22 referese a créditos relativos a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da requerente, previsto no art. 147, X, do Decreto 2.637/1998. Traz doutrina no sentido de não se admitir restrições à nãocumulatividade do IPI; 3) Defende seu direito à manutenção do saldo credor remanescente do período anterior no valor a ser ressarcido, fundamentandose no art. 49, § único, do CTN, no art. 195, §1º, do RIPI, e no art. 2º, §2º, I e II, da IN 33/1999, que permitem a transferência do saldo credor ao final de um trimestre para o trimestre subseqüente como forma de aplicação do princípio da nãocumulatividade, associado ao direito a ressarcimento do saldo credor ao final de cada trimestre. Complementa afirmando que a existência do campo “saldo credor do período anterior” no programa PER/DCOMP corrobora a interpretação de que esse valor compõe o montante a ser ressarcido ao contribuinte; 3) no que tange à glosa do crédito presumido, alegou que o que importa é a existência do crédito e não a forma de apuração. O crédito foi comprovado pela documentação apresentada ao fisco e em homenagem ao princípio da verdade material deveria ter sido considerado, independentemente de qual estabelecimento o apurou. Por meio do Acórdão 37.065, de 27 de março de 2012, a 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em julgado que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. HABILITAÇÃO NO TRIMESTRE DE ESCRITURAÇÃO. Somente fazem jus a ressarcimento os créditos escriturados no trimestre calendário de que trata o pedido e que não tenham sido absorvidos pelos débitos escriturados em cada período de apuração ao longo do referido trimestre. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. VEDAÇÃO AO RESSARCIMENTO. O crédito presumido de IPI, transferido da matriz para a filial, somente pode ser utilizado no abatimento de débitos do imposto em contagráfica, vedado seu ressarcimento. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentá las em outro momento processual. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 25/05/2013, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/09/2013 alegando, em síntese, o seguinte: 1) nulidade da intimação por decurso de prazo em 24/05/2013, pois embora tenha recebido a intimação eletrônica informando "a existência de documentos para sua ciência na Consulta de Comunicados/Intimações", não conseguiu ter acesso ao acórdão recorrido, pois, em virtude de alguma falha técnica, o processo não estava disponível para consulta; 2) para fins de contagem do prazo recursal deve prevalecer a data de 16/09/2013, que foi a data em que recebeu a imagem do processo em CD; 3) nulidade do acórdão de primeira instância por falta de análise da documentação juntada pela recorrente, pois atendeu plenamente à intimação para demonstrar a natureza dos créditos relacionados aos CFOP 1.99 e 2.99; 4) nulidade do acórdão de primeira instância, pois as alegações de que não foi respeitada a apuração centralizada e de que não é possível obter ressarcimento de crédito presumido transferido da matriz para a filial não guardam nenhuma correspondência com este processo. A decisão recorrida não analisou a possibilidade ou não de o crédito presumido ser apurado diretamente na filial, afastandose a exigência contida no art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. A decisão recorrida manteve a glosa de créditos pautandose em fundamentos diversos, pois em momento algum houve transferência de crédito presumido entre estabelecimentos. O que aconteceu no caso foi apenas um equívoco na apuração do crédito, que teria ocorrido de forma descentralizada. Como a decisão é ultra petita, deve ser decretada sua nulidade. 5) discorreu sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI e sua implementação por meio da legislação infraconstitucional; 6) alegou que o direito ao crédito presumido independe da forma de sua apuração. Não tem cabimento a glosa de R$ 47.733,15 de crédito presumido somente porque ele foi apurado pela filial, em desconformidade com o art. 15 da Lei nº 9.779/99. Se o crédito existe ele deve ser ressarcido ao contribuinte em nome do princípio da verdade material. O mero equívoco quanto à pessoa em nome de quem o pedido é apresentado, a saber, filial ao invés da matriz, não pode justificar a glosa do crédito da recorrente; 7) quanto aos créditos não ressarcíveis, alegou que as operações ocorreram sob os CFOP 1.99 e 2.99 e se referem a entradas de mercadorias a título de amostra ou bonificação, utilizadas como matériasprimas na fabricação de produtos isentos ou tributados com alíquota zero. As notas fiscais estão anexadas ao processo conforme tabela indicada no recurso, restando efetivamente comprovado seu direito ao crédito básico e que se tratam de créditos ressarcíveis; 8) houve glosa indevida de parte do saldo credor transferido de período anterior. Alegou que somou os créditos apurados no 2º trimestre de 2002 ao saldo credor do período anterior, obtendo o valor total de R$ 717.761,46, dos quais R$ 700.000,00 foram objeto do pedido de ressarcimento. Ainda que a glosa não tenha impactado a presente exigência, como alegou a DRJ, a ela impacta o saldo credor do período; 9) requereu o acolhimento de suas razões para a decretação da nulidade da decisão recorrida e caso superada essa nulidade, requer o reconhecimento da totalidade dos créditos para restem homologadas integralmente as compensações declaradas. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Acórdão n.º 3403003.574 S3C4T3 Fl. 6 5 Por meio da Resolução nº 3403000551 o julgamento foi convertido em diligência, a fim de se tentar apurar se o acórdão da DRJ estava ou não estava disponível para visualização no portal ecac na data de 09/05/2013. Os autos retornaram com os documentos de fls. 574/590, por meio dos quais a autoridade administrativa informou, em resumo, o seguinte: 1) não houve nenhuma deficiência técnica no sistema e o acórdão recorrido estava disponível para visualização no dia 09/05/2013; 2) a primeira leitura da intimação foi feita em 13/05/2013; 4) embora estivesse disponível, o contribuinte provavelmente não visualizou o acórdão da DRJ por meio do eCac porque não foi gerado o termo de abertura de documento. Regularmente notificado do teor da diligência, o contribuinte apresentou contestação em tempo hábil, alegando, em síntese, que a delegacia não provou que o acórdão estava disponível em 09/05/2013 e ele, contribuinte, comprovou que não estava por meio dos documentos juntados ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O art. 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Alegou o contribuinte que "uma falha técnica" o teria impossibilitado de acessar o processo pelo ecac. Segundo alegação da defesa, a imagem do processo não estaria disponível para visualização na internet. Compulsandose os autos, verificase que este é um processo de papel, que foi digitalizado e incluído no eprocesso. É de conhecimento notório neste colegiado que a inclusão de processos em papel no eprocesso gerou uma série de problemas. São incontáveis os casos de processos em que faltam volumes e anexos, principalmente no início da transição para o eprocesso, sendo necessário recorrer aos autos em papel para que se possa complementar as imagens anexadas no eprocesso e com isso efetuar o julgamento. Se problemas desse tipo ocorrem com volumes e anexos que deveriam ser anexados ao eprocesso, por qual razão não poderia ter ocorrido algum problema na disponibilização do acórdão da DRJ no portal ecac? Compulsandose os autos, verificase que o contribuinte teve ciência presumida (por decurso de prazo) do acórdão de primeira instância em 24/05/2013 (fl. 747), sextafeira, e que protocolou seu recurso voluntário somente em 27/09/2013, após ter recebido a carta de cobrança amigável do crédito tributário, anexada às fls. 750/752, cuja ciência ocorreu em 24/09/2013 (fl. 766). Fl. 867DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 À luz do disposto no art. 23, III, § 2º, III, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/2005, nas intimações por meio eletrônico a ciência presumida ocorre no 15º dia a partir da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo. Se se tratasse de um processo que já tivesse "nascido" digital, este relator não teria a menor dúvida e elaboraria um voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário por intempestivo. Não teria havido nem a baixa em diligência. Mas tratandose de um processo de papel, não há como assegurar que não houve algum problema na disponibilização do processo para consulta via internet. Daí a tentativa de elucidar a questão por meio da diligência. Se a defesa alega que não podia acessar o processo, que a imagem do processo não estava na internet, ou que o mesmo não podia ser visualizado, como poderia elaborar manifestação de inconformidade para poder se defender? Não há como validar a intimação por presunção na hipótese de o acórdão não poder ser visualizado. Contudo, a providência adotada não jogou luzes sobre o problema. Nem a autoridade administrativa e nem o contribuinte conseguiram provar os fatos que alegaram. Não há prova nos autos dos seguintes fatos: 1) se houve ou não houve falha técnica no sistema; e 2) se o acórdão da DRJ estava ou não estava disponível para visualização em 09/05/2013. O contribuinte não tem como fazer a prova do fato negativo. Ou seja, ele não tem como provar que o processo ou a decisão da DRJ não podiam ser visualizados na página do ecac na internet. E também não pode provar que houve falha técnica, pois ele não é o administrador do sistema. Tratandose de um processo em papel, que foi convertido em digital, pode ser que tenha realmente ocorrido algum problema na visualização do processo pelo ecac, pois este relator já se deparou com inúmeros processos que não puderam ser julgados em razão de problemas ocorridos na transição para o eprocesso. Para julgar esses casos, foi preciso refazer digitalizações e importações no eprocesso. No caso, para desmentir o contribuinte, caberia à Receita Federal fazer a prova do fato positivo, ou seja, que o acórdão podia ser visualizado no dia 09/05/2013, décimo quinto dia que antecedeu a ciência por decurso de prazo. O ônus de provar a intempestividade do recurso é da autoridade administrativa. Os documentos apresentados na diligência são insuficientes para comprovar esse fato, pois não asseguram que o acórdão poderia ter sido visualizado. Reforça esta assertiva o fato de não existir registro de que o contribuinte abriu o documento pela internet. Existe o registro de que ele abriu a intimação, mas não que tenha aberto o acórdão. Das duas uma. Ou o acórdão não estava disponível para visualização, ou estava e o contribuinte ardilosamente deixou de abrilo. Como não existe nenhuma prova no processo quanto a esses fatos, eles não podem ser levados em consideração. Assim, o único fato incontroverso, no que tange à ciência do acórdão recorrido, é que em 16/09/2013 o contribuinte recebeu a imagem do processo gravada em CD. Entendo que diante do resultado da diligência, a solução mais prudente é a de adotar o dia 16/09/2013, como sendo a data em que o contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido, passando, a partir de então a fluir o prazo para recurso. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Acórdão n.º 3403003.574 S3C4T3 Fl. 7 7 Considerando que o recurso, apresentado em 27 de setembro de 2013, é tempestivo e que preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, deve ser conhecido pelo colegiado. A defesa solicitou que as intimações fossem enviadas para o endereço constante da manifestação de inconformidade e que fosse deferido o requerimento de sustentação oral. As intimações serão enviadas para o domicílio fiscal indicado pelo contribuinte no cadastro da repartição fiscal, a teor do que determina o art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Quanto à sustentação oral, o exercício dessa faculdade por parte da defesa independe do deferimento de requerimento, bastando que o interessado se apresente na data da sessão de julgamento e comunique ao presidente do colegiado sua intenção de sustentar. Considerase o contribuinte intimado da data e do local do julgamento, com a publicação da pauta no diário oficial, efetuada nos termos do art. 55, I, parágrafo único, do RICARF. A defesa alegou nas entrelinhas a nulidade do despacho decisório por falta de motivação e, expressamente, a nulidade do acórdão de primeira instância, por não ter analisado as provas juntadas ao processo. Quanto ao despacho decisório, a nulidade consistiria na falta de motivação para a desconsideração do saldo credor transportado de períodos anteriores. Não tem razão a defesa, pois a fiscalização motivou essa glosa no fato do saldo credor de período anterior estar impregnado com valores do crédito presumido que foram apurados em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. Também não vislumbro a nulidade alegada no acórdão de primeira instância, pois o que está dito ali é que a recorrente não trouxe nenhuma prova nova com a manifestação de inconformidade, o que não significa que o julgador de primeira instância tenha desconsiderado os documentos apresentados durante a fiscalização. A DRJ concordou com a fiscalização, no sentido de que embora tenha sido intimado, o contribuinte não comprovou a legitimidade de alguns créditos. Preliminar de nulidade rejeitada. No mérito, relativamente à glosa do crédito presumido no valor de R$ 47.733,15, verificase que o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99 estabelece que o crédito presumido deve ser apurado de forma centralizada pelo estabelecimento matriz. No caso concreto, é incontroverso que o crédito presumido foi apurado e escriturado pela própria filial, em total desrespeito ao art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. Esse fato por si só rende ensejo à glosa do valor solicitado em ressarcimento que foi efetuada pela fiscalização, pois se o crédito presumido tivesse sido apurado na matriz e transferido para a filial que ora pede seu ressarcimento, ele não poderia ser ressarcido, em face da vedação contida no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Desse modo, a irregularidade de ter apurado o crédito presumido na filial não pode ser usada como argumento para afastar a glosa no ressarcimento efetuada pela fiscalização, pois ainda que esse crédito tivesse sido apurado na matriz e transferido para a filial (a glosa foi no livro da filial) ele deveria ser glosado, pois só pode ser utilizado pela filial na conta gráfica do IPI, a teor do art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96. Nesse ponto, o contribuinte arguiu a nulidade do acórdão de primeira instância por ele ter decidido ultra petita. O que aconteceu foi que a autoridade julgadora de primeira instância procurou explicar ao contribuinte a razão pela qual o crédito presumido apurado pela filial não é passível de ressarcimento. Não existe nulidade na decisão de primeira instância, pois não foi adicionado um novo fundamento para manter a glosa e nem houve decisão ultra petita. Em relação à glosa de R$ 1.254,00, correspondente a créditos não ressarcíveis, a defesa alegou que atendeu à intimação efetuada pela fiscalização e juntou os documentos comprobatórios da legitimidade dos créditos. Segundo o recurso voluntário, esses documentos estariam anexados junto com a resposta à intimação de 12/04/2006 (fl. 473). Quanto a esta glosa, verificase que a fiscalização não apresentou motivação expressa nem no termo de verificação fiscal e nem no despacho decisório. Motivar significa dizer o porquê de algo. No caso, motivar seria dizer por qual razão os aludidos créditos não são ressarcíveis ou não são créditos básicos. Isso a fiscalização não fez. Com um certo esforço e por meio do exame do demonstrativo de fls. 487 se pode cogitar que os créditos relativos aos CFOP 1.99 e 2.99 não foram admitidos pela fiscalização em razão da não onerosidade das operações (bonificações e amostras), mas isso não está claro nas fundamentações do termo fiscal e do despacho decisório. O art. 50, § 1º , da Lei nº 9.784/99 exige que a motivação seja explícita, clara e congruente, enquanto que o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 exige a descrição do fato. Nenhum desses dois dispositivos foram cumpridos a contento pela fiscalização quanto à glosa dos "créditos não ressarcíveis". Não foi dito por qual razão os créditos não são ressarcíveis. Considerando a (i) inexistência de motivação para esta glosa; (ii) a existência da prova da legitimidade do crédito, consistente nas notas fiscais apresentadas em resposta à intimação de 12/04/2006; e (iii) que a onerosidade ou não da operação de entrada das matérias primas não é requisito legal a ser observado para a tomada do crédito, considero que deve ser revertida a glosa dos créditos quanto à operações de entrada grafadas sob o código 1.99 e 2.99. No que concerne ao ressarcimento do saldo credor transportado de período anterior, considero que o fato dele estar impregnado pelo crédito presumido apurado pela filial (em desconformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99) não é motivo para a glosa integral do valor transportado. O crédito presumido apurado pela filial realmente não pode ser ressarcido, conforme já ficou assentado alhures. Mas a parcela do saldo credor correspondente a créditos básicos que veio por transporte de período anterior pode e deve ser ressarcida ao contribuinte, em face do princípio da nãocumlatividade e do disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A interpretação contida no acórdão de primeira instância, no sentido de que as IN nº 33/99 e 210/2002 vedariam o ressarcimento do saldo credor transportado de período anterior, não tem o menor cabimento. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Acórdão n.º 3403003.574 S3C4T3 Fl. 8 9 Esse entendimento da DRJ está escorado na leitura isolada do art. 14, §§ 1º e 3º, da IN 210/2002; do art. 16, §§ 1º e 4º, II e III, da IN 460/2004 e do art. 16, §§ 1º, 4º e 7º da IN 600/2005, com a alteração introduzida pela IN 728/2007. A leitura das referidas instruções normativas, sugere a concessão de uma “permissão” para que o contribuinte transfira o saldo credor de um período de apuração para o período de apuração seguinte para posterior abatimento dos débitos do imposto. Já o art. 14, § 3º da IN 210/2002 e os arts. 16, §§ 4º das IN 460/2004 e 600/2005, sugerem a existência de uma “restrição” ao estabelecem textualmente que somente são passíveis de ressarcimento créditos escriturados no trimestre calendário. A leitura apressada desses dispositivos realmente pode conduzir à equivocada conclusão de que criaram vedação ao aproveitamento, via compensação ou ressarcimento, do saldo credor de IPI acumulado em virtude de transporte de períodos anteriores. Entretanto, o direito administrativo nos ensina que os atos administrativos gozam da presunção de legitimidade, ou seja, devese sempre supor que foram baixados conforme as leis e desse modo devem ser interpretados. Nesse sentido, ganha relevância analisar a evolução legislativa do regime jurídico dos créditos de IPI, cujo objetivo único é o de implementar o princípio constitucional da nãocumulatividade. É consenso na doutrina que o princípio da nãocumulatividade pode ser introduzido no sistema tributário de um determinado país por meio das técnicas do valor agregado ou da dedução do imposto. Na técnica do valor agregado, originária do direito francês, subtraise do valor da operação posterior o valor da operação anterior. É o que se conhece como dedução na base. Na técnica da dedução do imposto, subtraise do imposto devido na operação posterior o imposto que foi pago na operação anterior. No sistema tributário brasileiro, o constituinte, ao delimitar as competências tributárias das entidades federadas, consignou no art. 153, da CF/1988 que (...) Compete à União instituir impostos sobre (...) IV produtos industrializados (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...). (grifei) Conforme se pode verificar, o IPI não é imposto incidente sobre o valor agregado, pois a constituição claramente optou pela técnica da dedução do imposto, onde a única garantia assegurada ao contribuinte é que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi pago na operação anterior, silenciando o dispositivo quanto à existência de eventual saldo credor e seu ressarcimento. A primeira disposição infraconstitucional sobre o saldo credor da escrita fiscal aparece no art. 49 do CTN, que se encontra vazado nos seguintes termos: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” E esse direito foi confirmado e ratificado no art. 27 da Lei nº 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 34/66: “Art. 27. Quando ocorrer saldo credor de impôsto num mês, será êle transportado para o mês seguinte, sem prejuízo da obrigação de o contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo.” (Grifei) Portanto, no direito brasileiro o conteúdo do princípio da nãocumulatividade consiste no direito ao crédito do imposto destacado em nota fiscal e no direito à transferência do saldo credor para períodos subseqüentes a fim de ser utilizado na amortização de débitos futuros do imposto. Observese que à luz do princípio da nãocumulatividade: 1) o crédito de IPI tem a natureza de um crédito meramente escritural, pois o constituinte garantiu apenas a transferência do saldo credor para o período seguinte, em vez do ressarcimento em dinheiro; e 2) a transferência do saldo credor para o período seguinte é um direito assegurado ao contribuinte e não uma “permissão” do legislador ordinário ou da administração pública, que possa ser suprimida a qualquer tempo. Desse modo, e considerando que o silêncio das normas superiores em relação ao ressarcimento em dinheiro não impedia a União de concedêlo por meio de incentivo fiscal, foi que a legislação ordinária criou os chamados créditos incentivados. Os créditos básicos têm matriz constitucional no princípio da não cumulatividade e previsão legal no art. 25 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Em cumprimento ao princípio da nãocumulatividade, esses créditos são meramente escriturais, não admitiam o ressarcimento em dinheiro e até 1997 sujeitavamse ao estorno quando os insumos tributados pelo IPI fossem empregados na industrialização de produtos cuja saída fosse desonerada do imposto. A partir da publicação do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998 (RIPI/1998), que incorporou as inovações trazidas pela Lei nº 9.493, de 10/09/1997, foi reconhecido o direito ao crédito básico em relação a insumos empregados na industrialização de produtos isentos e tributados com alíquota zero, uma vez que paralelamente à inclusão dos produtos sujeitos à alíquota zero no campo de incidência do imposto, por meio do art. 2º, parágrafo único, do referido decreto; foi suprimida do texto do art. 147, I a expressão (...) exceto os de alíquota 0 (zero) e os isentos, (...), que constava do texto do art. 82, I, do Regulamento de 1982. Relativamente aos créditos incentivados, ao contrário do que ocorria com os créditos escriturais, eram eles concedidos a título de incentivos fiscais. Não tinham (e não têm) nem previsão e nem óbice constitucional a sua instituição por meio de lei e podiam ser passíveis de manutenção na escrita fiscal, ou de manutenção e de ressarcimento em dinheiro, conforme previsão específica na lei do incentivo. Essa situação perdurou até janeiro de 1999, quando entrou em vigor a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, que na prática acabou com a distinção entre créditos básicos e incentivados e instituiu a possibilidade de utilização do saldo credor da escrita fiscal de IPI para compensação ou ressarcimento ao estabelecer no seu artigo 11 que (...) O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Acórdão n.º 3403003.574 S3C4T3 Fl. 9 11 aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.(...)" (grifei). Ao editar esse dispositivo legal, o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional concedida pela nãocumulatividade, pois, na prática, além de acabar com a figura do crédito incentivado, instituiu o direito de compensação e de ressarcimento do saldo credor da conta corrente de IPI, direito inexistente até então, e ao qual não estava obrigado pela Constituição. Dessa breve análise do regime jurídico dos créditos de IPI, verificase que a lei sempre foi imperativa no sentido de determinar a transferência do saldo credor de um determinado período para o período seguinte com a finalidade de que fosse utilizado prioritariamente no abatimento de débitos futuros do imposto. E com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99, o saldo credor acumulado em cada trimestrecalendário continuou a ser prioritariamente utilizado no abatimento de débitos do imposto, mas o eventual saldo credor resultante dessa operação, ao final de cada trimestrecalendário, deixou de ser um crédito meramente escritural e passou a ser um crédito ressarcível e compensável com outros tributos. Para o fim de interpretar as instruções normativas, é importante frisar que no art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador utilizou a expressão “saldo credor de IPI acumulado em cada trimestre calendário” e não a expressão “saldo credor de IPI gerado em cada trimestre calendário”. Resulta daí que o entendimento da DRJ ao expurgar do saldo passível de ressarcimento o saldo credor acumulado por transporte de períodos anteriores, configura uma aplicação ilegal as instruções normativas citadas, pois conforme se viu alhures, as normas de hierarquia superior são imperativas quanto ao direito de os contribuintes transferirem o saldo credor de escrita para os períodos de apuração subseqüentes a fim de ser utilizado na amortização de débitos do imposto e, na hipótese de ainda sobrar crédito, utilizálo via compensação ou ressarcimento. Os referidos atos administrativos, conforme já mencionado, possuem presunção de legalidade e devem ser interpretados conforme o dispositivo legal que visam regulamentar, no caso o art. 11 da Lei nº 9.779/99. A faculdade concedida à administração tributária na parte final do “caput” do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e também no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96, certamente não inclui possibilidade de suprimir o direito que foi concedido por lei. Desse modo, do fato de as instruções normativas mencionarem textualmente que “somente são passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período”, não decorre logicamente a conclusão de que o saldo credor acumulado por transporte de períodos anteriores não possa ser objeto de ressarcimento ou compensação. A uma, porque essa interpretação literal não encontra guarida nas normas de hierarquia superior, uma vez que o art. 11 da Lei nº 9.779/99 valeuse da expressão “saldo credor acumulado” e não “saldo credor gerado”. E a duas, porque o saldo credor de período anterior também deve ser escriturado no período seguinte para que possa se “acumular” com os créditos gerados nesse período. Não se olvide de que a regra é no sentido de que o crédito de IPI só tem existência jurídica se estiver escriturado (a exceção é o art. 252 do RIPI/2010). Não existe Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 crédito de IPI fora do livro de IPI. Assim, para que o saldo credor do período anterior tenha existência jurídica ele precisa ser necessariamente escriturado no período seguinte. E se ele foi escriturado no período seguinte, obviamente que atendeu à determinação das instruções normativas, que jamais poderiam admitir o ressarcimento de créditos que não estivessem escriturados no período. Desse modo, o fato de as instruções normativas mencionarem que “somente são passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período ou no trimestre calendário”, não autoriza a conclusão de que a Receita Federal está vedando o ressarcimento do saldo credor acumulado em virtude de transporte de trimestres anteriores, mesmo porque não é esse o comando emanado do regime jurídico de créditos do IPI atualmente em vigor. Tendo em vista que a administração pública só age dentro dos lindes da legalidade, a menção contida nas instruções normativas, no sentido de que “somente são passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período”, só pode ser entendida no sentido de que somente poderão ser ressarcidos os créditos que possuírem existência jurídica, ou seja, aqueles que estiverem devidamente escriturados no livro. As instruções normativas anteriormente citadas em momento algum vedaram de forma expressa o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. A interpretação acima exposta foi ratificada pela IN 728/2007, que acrescentou o § 7º ao art. 16 da IN 600/2005. O referido § 7º está em total harmonia com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, ao prescrever que cada pedido de ressarcimento deve se referir a um único trimestrecalendário, devendo ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Tal determinação está em consonância com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, pois a primeira utilização do saldo credor continua sendo o abatimento dos débitos no período de apuração. Somente na hipótese de ainda restar saldo credor acumulado no período é que será possível o aproveitamento mediante ressarcimento ou compensação. Por fim, quanto aos demais argumentos de direito nos quais, em resumo, a defesa invoca a impossibilidade de efetuar glosas com base na legislação infraconstitucional, cabe esclarecer à recorrente que o direito constitucional ao crédito do IPI não é um direito absoluto, assim como não são absolutos nem mesmo dos direitos e garantias individuais e coletivos, que são passíveis de limitações em função do poder de polícia administrativa. Ademais, a Súmula CARF nº 2 e o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, vedam a este colegiado afastar dispositivo legal de hierarquia igual ou superior a decreto, em virtude de alegação de inconstitucionalidade. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas pelas entradas ocorridas sob os CFOP 1.99 e 2.99 (fls. 487 e 556), bem como para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no ressarcimento o saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores, desde que seja expurgado o crédito presumido calculado em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Acórdão n.º 3403003.574 S3C4T3 Fl. 10 13 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13603.001961/2004-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO - A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. "
RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E TRANSPORTE.
os gastos com aquisição de energia elétrica e com serviços de transporte não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996.
RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizando-se da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificam-se no código fiscal 84.83.40.90.
Numero da decisão: 3401-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, nega provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. " RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E TRANSPORTE. os gastos com aquisição de energia elétrica e com serviços de transporte não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996. RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizandose da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificamse no código fiscal 84.83.40.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, nega provimento ao recurso voluntário. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 19 61 /2 00 4- 26 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida de Pedido de Ressarcimento de IPI que a contribuinte alega ter direito com origem em créditos de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados (DecretoLei n° 491/1969, art. 5o e Lei n° 8.402/1992, artigo 1º, inciso II) e em crédito presumido previsto na Portaria MF n° 38/1997 (Lei n° 9.363/1996), bem como das Declarações de Compensação de débitos ainda vincendos que foram anexadas a este Pedido de Ressarcimento. Verificação fiscal da documentação da contribuinte concluiu que ao longo dos períodos de apuração em questão a contribuinte laborou com classificação fiscal equivocada, e que essa correção implica em mudança das alíquotas de IPI. No caso, a diferença de alíquota seria de 2% a maior, e essa correção deve ser considerada na determinação do IPI a ser ressarcido. Além disso, essa fiscalização também encontrou irregularidades no cálculo da receita de exportação e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo produtivo, com reflexos no cálculo do crédito presumido de IPI. A autoridade administração de jurisdição decidiu tratar as infrações em processo administrativo próprio (PAF n.º 13603.001973/200451), embora houvesse uma relação de dependência com este processo que cuida do pedido de ressarcimento do IPI e das declarações de compensação. Dessa análise e decisão, em resumo: foi lavrado auto de infração para lançamento do crédito tributário, foi reconstituída a escrita fiscal, recalculado novos saldos credores de IPI, que acabaram por ser menores do que os constantes da escrituração da contribuinte ao final de cada trimestre, e glosado parte do crédito pleiteado. A autoridade administrativa competente (SAORT da DRF de Contagem MG) para apreciar o pedido de ressarcimento e as declarações de compensação anexadas decidiu confirmar as glosas propostas pela fiscalização e deferir parcialmente o pedido de ressarcimento e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte contesta essa decisão, mas informa que impugnou o mérito da razão fiscal contida no processo 13603.001973/200451 (e também no PAF n.º 13603.000631/200171, que trata de fato idêntico para outros períodos de apuração) e que, enquanto não decididos aqueles processos, este não poderia chegar a uma conclusão final de não reconhecer o credito pedido e de não homologar as compensações declaradas. A Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora indeferiu a solicitação e a reclamação da contribuinte tendo em vista o decidido no processo n.º 13603.001973/200451". O Acórdão n.º 12.592, de 23/02/2006 ficou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 244DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13603.001961/200426 Acórdão n.º 3401002.921 S3C4T1 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. " RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizandose da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificamse com perfeição no código fiscal 84.83.40.90. Solicitação indeferida.". A contribuinte, inconformada, ingressou com recurso voluntário por meio do qual retornou à argumentação da manifestação de inconformidade. Afirma que questionou a razão da autoridade fiscal e administrativa das decisões em discussão, questionou a reclassificação fiscal e o recalculo do crédito presumido impostos, bem como as glosas, tudo isso através das contestações feitas nos autos de infração n°s 13603.001973/200451 e 13603.000631/200171. Protesta pela exoneração integral de qualquer penalidade aplicada; recorre ao art. 151, inciso III, do CTN, para reclamar efeito suspensivo para o seu recurso, e contesta ter sido a exigência feita por meio de notificação eletrônica, o que o próprio Conselho de Contribuintes considera nula. Este processo chegou ao Segundo Conselho de Contribuintes e entrou na sessão de 27/07/2007 da 3ª Câmara, mas o seu julgamento foi convertido em diligência através da Resolução n.º 20300.789, de voto conduzido pelo Eminente Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, com a seguinte determinação: Em face de todo o exposto, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a Delegacia da Receita Federal em ContagemMG: a) anexe documentos e/ou esclarecimentos elucidativos sobre todas as condições e motivos pelos quais se efetuou a glosa do presente pedido, especificando, se for o caso, o montante dela relativo ao erro na classificação fiscal e ao erro na apuração da base de cálculo do crédito presumido; b) confirme ou não a dependência deste processo ao de n° 13603.000631/200171; c) aguarde o final do julgamento administrativo em relação ao Processo de nº 13603.001973/200451, e, se afirmativo o quesito anterior, também em relação ao de n° 13603.000631/200171, promovendo ajuntada, neste processo, de cópias das decisões; e d) posteriormente, devolva os autos para este Conselho de Contribuintes para julgamento. A autoridade administrativa de jurisdição endossa a informação fiscal (fls. 231223) de 17/07/2008, realizada em atendimento à diligência requerida pelo Conselho de Contribuinte, de onde extraímos o seguinte trecho: a) No presente processo a empresa solicitou ressarcimento do saldo credor do IPI relativo ao 3o trimestre de 2003 no valor de R$ 90.175 81, porém, com a lavratura do Fl. 245DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 auto de infração consubstanciado no processo administrativo fiscal n° 13603.001973/200451 decorrente das infrações apuradas e da conseqüente reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo credor de R$ 72.713,63, ou seja, o crédito glosado foi de R$ 17.462.18. A glosa de R$ 17.462.18 decorreu exatamente do resultado da fiscalização levada a efeito junto ao contribuinte na qual foram constatadas as infrações erro de classificação fiscal e crédito presumido indevido, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal lavrado juntamente com o auto de infração cuja cópia anexamos às fls. 203 a 212. As fls. 213 a 227 anexamos cópia do Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal que é composto pelos seguintes demonstrativos: Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal (antes da reconstituição) (fls. 213 a 216) onde se encontram os valores escriturados pelo contribuinte no Livro de Registro e Apuração do IPI no período fiscalizado; Demonstrativo de Dados Apurados (fls. 271 a 221) no qual encontramse lançados como créditos apurados os valores que haviam sido estornados pelo contribuinte na sua escrita fiscal relativos aos pedidos de ressarcimento e na coluna débito o valor do estorno feito pela fiscalização dos valores a serem ressarcidos; Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal (fls. 222 a 227) onde temos os dados dos demonstrativos anteriores além dos valores lançados na coluna "Soma Demonstr. Débitos Apurados" onde se encontram os valores relativos às infrações apuradas. Na coluna Saldo de Escrita Reconstituído do PA (A) temos os saldos reconstituídos em cada período de apuração. A empresa solicitou no presente processo ressarcimento de parte do saldo credor escriturado ao final do 3º trimestre de 2003 (R$ 90.175,81) que é de R$ 139.657,07. Este esclarecimento tomase necessário para se compreender o resultado da glosa de R$ 17,462.18 no 3o trimestre de 2003, Conforme se observa no Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal (fl. 222 a 227), partindose do saldo credor reconstituído ao final do 4o trimestre de 2002 período do último pedido de ressarcimento da empresa antes do presente processo e considerando o valor das infrações cometidas neste período, qual seja, entre janeiro e setembro de 2003 no total de R$ 66 943 81 verificase que se a empresa tivesse solicitado ressarcimento do saldo credor total escriturado por ela no valor de R$ 139.657,07 e considerandose o total das infrações apuradas pela fiscalização, a glosa neste processo seria de R$ 66.943,817 ou seja, contemplaria o total das infrações cometidas entre janeiro e setembro de 2003. Como a solicitou apenas parte do valor escriturado no livro de IPI e a reconstituição da escrita fiscal tem como base o valor escriturado pela empresa no livro de IPI e as infrações apuradas pela fiscalização, a glosa neste processo foi de R$ 17.462,18 que é a diferença entre o saldo credor reconstituído (R$ 72.713,63) e o valor solicitado (RS 90.175,81). Na tabela abaixo encontramse os valores relativos a cada infração apurada entre janeiro e setembro de 2003 que resultaram na glosa de RS 17.462,18 efetuada no 3o trimestre de 2003, em virtude da reconstituição da escrita fiscal efetuada: Infração Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Total Erro de classificação fiscal Crédito presumido indevido 9.653,17 9.790,89 29.234,36 6.244,33 12.020,69 66.943,44 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13603.001961/200426 Acórdão n.º 3401002.921 S3C4T1 Fl. 4 5 b) Este processo não guarda dependência com o processo de n° 13603.000631/200171 que se refere ao auto de infração de IPI lavrado em decorrência de fiscalização realizada em 2000. que abrangeu os fatos geradores de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 00141/2000. Naquela fiscalização foram apuradas as mesmas infrações constatadas na fiscalização seguinte, determinada pelo MPF 00168/2004 que abrangeu os fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2001 e dezembro de 2004, quais sejam, erro de classificação fiscal e crédito presumido indevido como também foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal que resultou no indeferimento parcial dos pedidos de ressarcimento do IPI relativos aos trimestres abrangidos por aquela fiscalização. Cumpre lembrar que embora o saldo credor reconstituído no 3o decêndio de dezembro de 2000 apurado pela fiscalização anterior seja menor que o escriturado pela empresa no livro de IPI, a fiscalização seguinte realizada conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 00168/2004 considerou na reconstituição da escrita fiscal como saldo da escrita fiscal no I o decêndio de janeiro de 2001 o valor escriturado pela empresa em seu livro de apuração do IPI, conforme se vê na coluna Saldo Credor Reconstituído do PA anterior (R$ 161.889,62) e não o saldo credor reconstituído apurado em decorrência da fiscalização anterior (R$ 107.869,67). Em resumo, o saldo credor apurado ao final do 3o trimestre de 2001 não sofreu nenhuma influência do resultado da fiscalização relativa aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1998 e dezembro de 2000. O processo retorna à apreciação do Superior Tribunal Administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestividade e demais requisitos já verificados quando da sessão de 18/09/2007 da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Mérito Este processo trata do pedido de ressarcimento de IPI e das declarações de compensação a ele anexadas. A verificação realizada pela fiscalização constatou fatos que resultaram em glosas do pleiteado pela contribuinte e, também, que se tornaram objeto do auto de infração conduzido no processo administrativo 13603.001973/200451. Entendo que razão assiste à autoridade administrativa e fiscal quanto aos fatos que ensejaram glosar parte do crédito pretendido pela contribuinte e não homologar as Fl. 247DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 declarações de compensação pelo valor que excedessem o valor de crédito reconhecido. Senão, vejamos: (i) a respeito do erro de classificação fiscal e de alíquota do IPI A contribuinte fabrica, por meio de forja de barra de aço, engrenagem e cubo de embreagem a ser posteriormente acabada pelos seus clientes para serem empregados em caixa de câmbio e em embreagem de automotivos. A contribuinte utilizava a classificação 7326.19.00 e alíquota de IPI de 10% até outubro de 2002. Ocorre que a posição 7326 [outras obras de ferro ou aço] não pode ser aplicada para obra forjada não acabada, mas que apresentam as características essenciais de artefato acabado, como me parece ser o caso aqui em discussão. Ha a seguinte Nota orientando a aplicação da posição 7326: "A presente posição não inclui as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar mas que apresentem as características essências de artefatos acabados". (grifos nossos) Considerando o que do processo consta, o produto em discussão tem aproximada forma do produto acabado, mas ainda será submetido a etapa de industrialização para que alcance a condição de finalização e cumpra efetivamente suas funções. O produto é um engrenagem inacabada, incompleta. E, por força do que dispõe a regra 2a das Normas de Classificação, o produto incompleto deve ser incluído na classificação fiscal do produto acabado. Regra 2 a): Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, mesmo que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado." Ora, o 8483.40 é reservado para as "Engrenagens e rodas de fricção, exceto rodas dentadas simples e outros órgãos elementares de transmissão apresentados separadamente; eixos de esferas ou de roletes; caixas de transmissão, redutores, multiplicadores e variadores de velocidade, incluídos os conversores de torque." Assim concluo que foi correta a classificação proposta pela fiscalização, que ela seria 8483.40.90 alíquota de 12% até outubro de 2002 , por força da aplicação da regra 2a do Sistema Harmonizado, pois se trata de artigo incompleto e inacabado, mas que apresenta as características essenciais ou o esboço do produto acabado. (ii) a respeito do crédito presumido indevido Conforme constatado pela fiscalização, no mês de novembro de 2001 a contribuinte incluiu, em meu ponto de vista indevidamente, na receita de exportação o valor relativo à venda de produtos adquiridos de terceiros (CFOP 7.12) e no mês de dezembro do Fl. 248DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13603.001961/200426 Acórdão n.º 3401002.921 S3C4T1 Fl. 5 7 mesmo ano o valor escriturado no livro de Registro de Apuração do IPI sob o CFOP 7.99 (outras saídas não especificadas). Esse proceder da contribuinte contraria frontalmente o que dispõe os artigo 1º e 2º da Lei 9.363/1996 e disciplinado pela Portaria MF n.º 38/1997. O valor resultante das vendas ao exterior de bens adquiridos de terceiros e não submetidos a processo de industrialização pela contribuinte não pode integrar a receita de exportação para fins de apurar o crédito presumido do IPI. Pareceme procedente a glosa e deve ser mantida. Também me parece correta o recálculo feito pela autoridade fiscal dos valores de custos na determinação do crédito presumido, observandose o que disciplinam os §§ 7º e 8º do artigo 3º da Portaria MF n. 38/1997. A empresa utilizou, na apuração do crédito presumido, os valores das compras efetuadas no mês como valor dos custos efetivamente utilizados no processo produtivo, o que contraria esses §§, afinal, eles determinam que se o contribuinte não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a apuração da quantidade de MP, PI e ME utilizadas na produção deverá ser efetuada considerandose as quantidades em estoque no início do mês, as quantidades adquiridas e as quantidades em estoque no final do mês, bem como as saídas não aplicadas na produção e transferências. A empresa incluiu no total das compras de MP, PI e ME as compras de energia elétrica (CFOP 1.42) no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003 e as compras de serviços de transporte (CFOP 1.62 e 2.62) nos meses de janeiro a março de 2001. A Súmula 19 do CARF já superou as divergências ao definir que os gastos com aquisição de energia elétrica não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996. E chego à mesma conclusão com relação aos gastos com serviços de transporte, pois, consoante a legislação do IPI que subsidiariamente dá os contornos do que pode ser considerado MP, PI e ME, os serviços de transporte não são matéria prima, nem produto intermediário, nem material de embalagem, portanto os serviços de transporte neles não se enquadram. Corretas as glosas a meu ver e devem ser mantidas. Antes de prosseguirmos em nossa análise, sublinho que o processo 13603.000631/200171 se refere ao período de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, enquanto que o PAF n.º 13603.001973/200451 se refere ao período de apuração de 10/01/2001 a 10/01/2004. Portanto, aquele primeiro não pode se referir diretamente a este que julgamos agora, pois os períodos de apuração são distintos, malgrado a semelhança dos fatos. Mas o mesmo não ocorre com relação a esse último. Há, a meu ver, uma relação de dependência entre o que julgamos hoje e o processo 13603.001973/200451, pois, se nesse processo, se concluir que não procedem os fatos considerados infração pela autoridade fiscal no caso o erro de classificação fiscal e de alíquota de IPI usada pela contribuinte e de cálculo de credito presumido do IPI então não podem prosperar as glosas do crédito pretendido pela contribuinte neste processo. Os fatos apurados pela fiscalização e que ensejaram o reconhecimento de direito creditório menor que o solicitado originalmente pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento de IPI foram submetidos ao contraditório e a 1ª Câmara do 3º Conselho de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Contribuinte, no processo 13603.001973/200451, através do Acórdão n.º 30134.208, em 05/12/2007, com voto condutor como relator do Ilmo Conselheiro João Luiz Fregonazzi, negou provimento ao recurso voluntário e considerou procedente a reclassificação fiscal definida pela autoridade lançadora, e remeteu a lide a prosseguimento de julgamento pelo 2º Conselho de Contribuintes, para tratar do assunto crédito presumido. Sendo assim, as glosas baseadas na reclassificação fiscal não poderiam ser contestadas neste processo, pois aquele já decidiu pela sua correção, tornandoa definitiva. Com relação ao tema crédito presumido, conforme exposto acima, entendo corretas as glosas realizadas e propomos não dar provimento ao recurso voluntário neste âmbito. Ademais, a contribuinte decidiu aderir a programa de parcelamento e, assim, desistir do prosseguimento do seu recurso administrativo no PAF 13603.001973/200451. Tendo em vista as considerações e razões aqui expostas, concluo e proponho a este Colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 250DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 18192.000273/2007-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2007
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir as empresas arroladas como solidárias ante a ausência de tipificação legal, ensejadora de vício material. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza que entendeu ser vício formal; b) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir as empresas arroladas como solidárias ante a ausência de tipificação legal, ensejadora de vício material. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza que entendeu ser vício formal; b) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir as empresas arroladas como solidárias ante a ausência de tipificação legal, ensejadora de vício material. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza que entendeu ser vício formal; b) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 19 2. 00 02 73 /2 00 7- 94 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/200794 Acórdão n.º 2403002.941 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1225.154 – 12ª Turma da DRJ/RJOI, fls. 448/478, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.034.4928, referente ao período de 01/2003 a 05/2003, no valor de R$ 154.730,52 (cento e cinquenta e quatro mil setecentos e trinta reais e cinquenta e dois centavos). O presente auto de infração foi lavrado em substituição à NFLD DEBCAD 35.564.7109, anulada através de DecisãoNotificação n. 11.431.4/0036/2006 por suposto vício de forma (erro na identificação correta do sujeito passivo) e, tendo a fiscalização avaliado a possibilidade de efetuar novamente o lançamento, o fez, tendo consolidado o Auto de Infração em 08 de dezembro de 2006. A presente autuação almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas, durante o mês, aos segurados empregados a serviço do COLÉGIO COMERCIAL PIO XII, bem como aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do risco de acidente de trabalho, sendo que, para a atividade preponderante da empresa, o risco é considerado leve, e a Terceiros, e não recolhidas em época própria. Serviram de base para o lançamento as informações contidas nas folhas de pagamento dos segurados a serviço do Colégio Pio XII, pois embora a Cooperativa (Entidade Mantenedora) os considere como seus cooperados, eles foram considerados como empregados, pela fiscalização. Segue abaixo trechos do Relatório Fiscal, fls. 43/71: 2) Este relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – de contribuições previdenciárias, incidentes sobre o total das remunerações pagas, durante o mês, aos segurados empregados a serviço do COLÉGIO COMERCIAL PIO XII, devidas pelo ref. colégio à Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do risco de acidente de trabalho, sendo que, para a atividade preponderante da empresa, o risco é considerado leve, e a Terceiros, e não recolhidas na época própria. 3) Serviram de base ara o lançamento do presente crédito previdenciário as informações contidas nas folhas de pagamento dos segurados a serviço do Colégio Pio XII, pois embora a Cooperativa (Entidade Mantenedora) os considere como seus cooperados, eles foram por nós considerados empregados do Colégio Pio XII, conforme exposto nos itens 13 a 20 deste relatório, de acordo com o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99: “Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou Fl. 659DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado”. Anexamos cópias das folhas de pagamento, por amostragem, com os chamados ‘repasses’ às fls. 54 a 57, deste relatório fiscal. ... 5) O COLÉGIO COMERCIAL PIO XII, devidamente identificada no início deste relatório, passou a ser mantido pela Cooperativa dos Profissionais em Educação de Poços de Caldas – COOPED – PC (entidade mantenedora), conforme ata da Assembléia Extraordinária do Colégio Comercial Pio XII, realizada no dia 01/12/2001, onde não conta registro de carimbo do cartório (cópia anexa às fls. 01 e 02), da qual transcrevemos o trecho: “O presidente do Conselho deliberativo Mário Ruela Filho, expôs a atual situação do Colégio frente à Mitra Diocesana, que não deseja ver vinculado o Colégio à Paróquia, como mantenedora, como vinha ocorrendo. Foi estudada, então, a possibilidade de formação de uma cooperativa de trabalho para dar continuidade à atividades educacionais do colégio. Assim, no decorrer de novembro do corrente ano, foi criada a Cooperativa dos Profissionais de Educação de Poços de Caldas – COOPED – PC...” 6) Em consonância com que foi acima exposto, pelo parecer nº 736, do Conselho Estadual de Educação, que ‘Examina pedido de mudança de entidade mantenedora do colégio Pio XII, de Poços de Caldas’ aprovado em 25/09/2002, ...tomouse ‘conhecimento da mudança de entidade mantenedora Paróquia da Basílica de Nossa Senhora da Saúde para a Cooperativa dos Profissionais em Educação de Poços de Caldas Ltda (cópia anexa às fls. 03). (No item 2, alínea ‘f’ da estrutura do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, consta como atribuições do ref. órgão “opinar sobre a transferência de estabelecimento de ensino de uma para outra entidade mantenedora”.) ... Conclusão, se a “cooperativa” é a atual entidade mantenedora, em substituição à Paróquia de N.S. Saúde, a entidade mantida é o Colégio Pio XII, que não foi, de fato, extinto. Não existe mantenedora sem uma entidade para ser, por ela, mantida. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 109 diz: “Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.” O que houve foi abuso de forma, ou seja, um artifício, por parte dos responsáveis pela empresa, ao criar “uma cooperativa de trabalho, com a intenção de dar continuidade às atividades educacionais do colégio’, e obviamente, elidir a sua responsabilidade frente às contribuições previdenciárias. A relação de emprego não é, porém, determinada por elementos formais ajustados pelas partes, pelo contrário, tem base nos fatos, naquilo que se observa na realidade da prestação de serviço. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/200794 Acórdão n.º 2403002.941 S2C4T3 Fl. 4 5 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a COOPERATIVA contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 201/213. Também o fez a MITRA DIOCESANA DE GUAXUPE, por intermédio da defesa de fls. 387/397. DO MANDADO DE SEGURANÇA DA COOPED Nas fls. 418/432, consta informação de sentença judicial, nos autos do Mandado de Segurança n. 2007.38.09.0036244, distribuído a Seção Judiciária de Minas Gerais, Subseção de Varginha, relativo a mandamus impetrado pelo autuado – COOPED – Cooperativa dos Profissionais em Educação de Poços de Caldas – MG. A referida sentença julgou o processo extinto sem julgamento do mérito, em virtude na inadequação da via eleita, já que a questão ali examinada demandaria dilação probatória, o que não é adequado pela via mandamental. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 12ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, prolatou o acórdão 1225.154, de fls. 448/478, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/01/2003 a 31/05/2003 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A fiscalização tem do poderdever de apurar a verdadeira situação fática da ocorrência do fato gerador, podendo desconsiderar atos tendentes a dissimulálo. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidárias entre si. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a recorrente, COOPERATIVA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 494/552, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – A inaplicabilidade da solidariedade ao presente caso; 2 – A natureza penal da multa aplicada; Fl. 661DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 3 – A necessidade de exclusão da taxa SELIC do montante devido. Também apresentou Recurso Voluntário a MITRA DIOCESANA DE GUAXUPE, nas fls. 636/646. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/200794 Acórdão n.º 2403002.941 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.633, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA Apesar de constar nos autos impetração de mandado de segurança pela COOPED, não há que se falar em concomitância, em razão da interposição de recurso voluntário pelo responsável solidário apontado (Mitra Diocesana), a qual não ajuizou qualquer tipo de ação. DA INCONSTITUCIONALIDADE – SÚMULA 02 Alega o contribuinte a ofensa a princípios constitucionais, a exemplo da vedação ao confisco com relação à multa aplicada. No entanto, a este conselho administrativo não cabe a análise constitucional das leis, ante a atração da Súmula CARF n. 02, a qual este conselheiro está obrigado à sua reprodução. Portanto, não serão analisadas as alegações de inconstitucionalidade trazidas no corpo do Recurso Voluntário. DA TAXA SELIC – SÚMULA 04 Quanto à aplicação da Taxa Selic, é pacífico no âmbito deste tribunal que sua aplicação é legal e adequada, nos termos da Súmula CARF n. 04, fazendose as mesmas considerações do tópico acima. DO MÉRITO Primeiramente, cumpre destacar que o principal autuado não apresentou Impugnação ou Recurso Voluntário em face do auto de infração contra ele lavrado, tendo o feito apenas os arrolados como responsáveis. Não obstante o relatório elaborado acima, bem como as transcrições do relatório fiscal, será feito um resumo dos fatos ocorridos que ensejaram a presente exigência, por ser necessário. O principal autuado, COLÉGIO PIO XII, era mantido pela MITRA DIOCESANA, que não desejara mais ver vinculado o Colégio à Paróquia, como mantenedora, o que vinha ocorrendo. Em razão disso, decidiu o Conselho Deliberativo do COLÉGIO PIO XII, em assembléia realizada em 01/12/2001, anexados aos autos, formar uma cooperativa de trabalho para dar continuidade às atividades educacionais do colégio. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Foi criada, portanto, a COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO DE POÇOS DE CALDAS – COOPED. A mudança de entidade mantenedora foi encaminhada ao Conselho Estadual de Educação que tomou ciência do fato, ensejando o seguinte quadro: a) A Entidade Mantenedora do Colégio Comercial Pio XII, até 24/09/2002 FOI Nossa Senhora da Saúde Paróquia P.C., CNPJ 20.775.128/0040 40; b) A Entidade Mantenedora do Colégio Comercial Pio XII, a partir de 25/09/2002, passou a ser a Cooperativa dos Profissionais em Educação de Poços de Caldas – COOPED PC, CNPJ 04.920.327/00013 Apesar das referidas alterações, constatou o fiscal mais alguns fatos: a) Foi anotado no Livro de Reg. Empregado do Colégio Pio XII, a data de demissão “07 de dezembro de 2001”, para seus empregados; b) A RAIS dos anos de 2002 e 2003 foi entregue com a informação Negativa para vínculos; c) Foi votada e aprovada a dissolução da Associação do Colégio Pio XII, conforme ata da Assembléia Extraordinária do mesmo, realizada em 01/12/2001. d) A associação não foi de fato dissolvida, estando com situação cadastral ativa; e) As três entidades tratadas por vezes se confundem: Colégio Pio XII e suas mantenedoras (Cooperativa e Paróquia/Mitra). Com relação à confusão destas pessoas jurídicas, os seguintes fatos chamam atenção: a) Na ata da Assembléia Extraordinária do Colégio Comercial Pio XII, de 01/12/2001, consta que o pároco da Basílica lembrou que a COOPED fica empenhada em ceder as instalações do Colégio Pio XII para a Catequese e demais movimentos religiosos que utilizam o prédio, bem como a dissolução da Associação do Colégio e a destinação de todo o ativo – bens, móveis e recursos à COOPED; b) A logomarca Colégio Pio XII continuou a ser usada nos impressos da COOPED, que funciona nas mesmas instalações do Colégio Pio XII a qual é objeto de comodato entre a Mitra Diocesana para com o Colégio PIO XII, com início em 01 de março de 2002 e término em 28/02/2007 e que a Comodatária (Mitra Diocesana) seria detentora do direito do nome ‘Colégio Pio XII”; c) O Diploma oferecido aos alunos de conclusão é em nome do Colégio Pio XII; d) Quando a Paróquia era a entidade mantenedora, todos os segurados empregados eram registrados na entidade mantida, Colégio Pio XII. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/200794 Acórdão n.º 2403002.941 S2C4T3 Fl. 6 9 A partir destes fatos, a fiscalização conclui que houve abuso de forma consistente num artifício, por parte dos responsáveis pela empresa, ao criar uma cooperativa de trabalho e elidir a sua responsabilidade frente às contribuições previdenciárias e que a cooperativa apenas efetua o recolhimento dos segurados no valor de apenas R$ 36,00, independentemente do “repasse” realizado que como salário deveria ser considerado. Destaca o fiscal que estão presentes todos os requisitos de relação de emprego constante na CLT e no RGPS, uma vez que todos os “cooperados” na quase totalidade, eram empregados do Colégio Pio XII e suas atividades continuam sendo desempenhadas de forma idêntica e a clientela da COOPED é composta exclusivamente dos alunos matriculados no Colégio Pio XII. Além disso, alguns dos “cooperados” presentes na “cooperativa” não poderiam ser considerados como profissionais de educação, já que se tratariam de: secretária, auxiliar de secretaria, auxiliar administrativo, diretor pedagógico, administrador, tesoureiro, bibliotecário, administrador e faxineiro. Diante de todos os fatos acima trazidos, entendo que estão presentes os requisitos apontados pelo fiscal para caracterização da subordinação dos trabalhadores da Cooperativa para com a escola, pois, dentre outros: a) O Colégio Pio XII nunca foi de fato extinto; b) No caso de extinção do Colégio Pio XII, não haveria que se falar em mantenedor, sem ter o que manter; c) Os funcionários da COOPED derivam de migração dos funcionários do Colégio Pio XII; d) Há confusão entre os atos da COOPED, Colégio Pio XII e a Diocese. Tais fatos denotam a ausência dos princípios informadores do Cooperativismo, sem, no entanto, caracterizar fraude, haja vista possuir um respaldo mínimo jurídico interpretativo que dê azo à tentativa de elisão tributária. Outrossim, não há nos autos qualquer documento fiscal que (nota ou fatura) emitida pela COOPED em face do Colégio Pio XII, com retenção dos devidos tributos incidentes, que pudessem militar em favor da COOPED, demonstrando, mais uma vez, a confusão de atos. Dessa forma, deve incidir contribuição previdenciária de obrigação do empregador, Colégio Pio XII, para com seus funcionários, integrantes da COOPED. DA MULTA APLICADA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia Fl. 666DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/200794 Acórdão n.º 2403002.941 S2C4T3 Fl. 7 11 a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DA SOLIDARIEDADE As recorrentes afirmam que foram arroladas como se solidárias fossem, sem, no entanto, haver respaldo legal para tanto. Analisando o relatório fiscal, verifico no item “C – DA IDENTIFICAÇÃO DOS CORESPONSÁVEIS E DA RELAÇÃO DE VÍNCULOS” que os coresponsáveis foram identificados a partir das Atas da Assembléia Geral do Colégio Pio XII, em correlação do seu estatuto, buscando responsabilizar o Conselho Deliberativo, o Conselho Fiscal e a Diretoria dos órgãos Independentes, além do Presidente. Outrossim, afirma que de acordo com o art. 2º, parágrafo 2º da CLT, aprovado pelo Decreto n. 5.452/43, sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria e estiverem sob a mesma direção, há solidariedade. Também afirma que as pessoas jurídicas arroladas tem vínculo com o sujeito passivo. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Ocorre que, em momento algum, há a tipificação legal própria para tal enquadramento, que, em geral, é feito pela fiscalização, a partir da interpretação do art. 124, I do Código Tributário Nacional – CTN. Tal fato, por si só, já gera nulidade por vício material, ante a ausência de tipificação legal, ferindo o disposto no art. 142 do CTN, devendo ser afastada a imputação da fiscalização. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento para: a) excluir as empresas arroladas como solidárias ante a ausência de tipificação legal, ensejadora de vício material e; b) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 668DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 18186.002758/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. NULIDADE.
Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus.
A ausência de indicação da expressão espólio, no presente caso, não se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa prevista no artigo 964, I, b do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação aos artigos 131, III e 142 do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ESPÓLIO. NULIDADE. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus. A ausência de indicação da expressão “espólio”, no presente caso, não se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa prevista no artigo 964, I, “b” do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação aos artigos 131, III e 142 do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 27 58 /2 01 0- 05 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Relatório Em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte, ora recorrente, referente ao anocalendário de 2005, foi lavrada no dia 13/10/2009 Notificação de Lançamento (fl. 08/14) através da qual houve inclusão de rendimentos tributáveis no valor total de R$ 103.411,10 recebidos da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCS DO BANCO DO BRASIL e de R$ 10.879,06, recebidos do PROIMOVEL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/S LTDA, resultando constituição de crédito tributário de R$ 14.161,34, abarcando imposto, multa de ofício e juros de mora. Falecido o contribuinte em 02/11/2008, a Sra. Cleide Lintz de Almeida, viúva e inventariante do contribuinte (Certidão de fl. 03) apresentou Impugnação (fl. 02) no dia 20/05/2010 concordando com a omissão referente aos rendimentos recebidos do PROIMOVEL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/S LTDA. Já com relação ao valor total de R$ 101.800,39, recebido da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCS DO BANCO DO BRASIL, argumentou a inventariante do recorrente que este era aposentado e portador de moléstia grave, fazendo jus à isenção do IRRF, conforme juntada de documentos. Em abril/2011, fl. 32, o contribuinte foi então intimado pela Secretaria da Receita Federal para “apresentar Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que IDENTIFIQUE NOMINALMENTE a doença, coincidente com a terminologia empregada pelo legislador, o CID, a data em que a mesma foi diagnosticada, bem como esclarecimento acerca de a doença ser passível ou não de controle, deixando claro se o interessado, no ano de 2004, era portador da moléstia grave apontada." Naquela ocasião, a inventariante do recorrente também foi informada "que o Laudo Médico anexado ao presente processo, pelo interessado, fl. 14, foi emitido pelo HOSPITAL SÃO PAULO, CNPJ 61.699.567/000192, que, segundo pesquisas no Sistema Eletrônico da Receita Federal do Brasil, fls. 28 e 29, tratase de uma Associação Privada." A DRFBJ afastou as preliminares argüidas e julgou improcedente a impugnação (fls. 69/75). Inconformada, a inventariante do recorrente interpôs Voluntário (fls. 87/90) com vistas a obter a reforma do julgado, requerendo o acolhimento do recurso a fim de cancelar o débito fiscal reclamado e a inclusão da restituição retroativa do imposto de renda retido na fonte devido à condição do contribuinte (portador de moléstia grave). Era o de essecial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18186.002758/201005 Acórdão n.º 2201002.681 S2C2T1 Fl. 120 3 Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. De ofício, reconheço nulidade insanável, qual seja, o erro na identificação do sujeito passivo, dado o falecimento do de cujus em , e a intimação do contribuinte, do presente lançamento, apenas em abril de 2010 e cuja Impugnação foi apresentada pela inventariante. De ofício e em sede preliminar, reconheço nulidade insanável, qual seja, o erro na identificação do sujeito passivo, dado o falecimento do de cujus em 02/11/2008, e a ciência da autoridade autuante a respeito da morte do contribuinte antes mesmo da lavratura, e a intimação do contribuinte falecido, a respeito do presente lançamento, apenas em abril de 2010 e cuja Impugnação foi apresentada pela inventariante. Nos termos do artigo 131, III do Código Tributário Nacional, o espólio é pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Vale dizer, a partir do falecimento do de cujus, e por sucessão, a sujeição passiva tributária "(...) se transfere para outro devedor em virtude do desaparecimento do devedor original (Rubens Gomes de Sousa, Compêndio de Legislação Tributária, Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1981, p. 93)". Logo, a partir da ocorrência do evento sucessório, a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária pela autoridade lançadora deve observância ao artigo 131, III, do CTN, sob pena de violação ao artigo 142 do mesmo Diploma Legal. Nem se fale que a ausência de indicação da expressão “espólio”, no presente caso, se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa prevista no artigo 964, I, “b” do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação ao disposto no artigo 142 do CTN. Por se tratar de erro material, por versar por elemento nuclear da norma de tributação, impossível, nessa adiantada fase litigiosa, qualquer tentativa de saneamento pelo presente órgão julgador, cujo resultado não seja o da realização de novo lançamento. Nesse sentido: VÍCIO FORMAL Não configura vício formal o erro na identificação do sujeito passivo, pois este pertence ao núcleo da regra matriz de incidência e o equivoco em sua identificação configura vicio substancial, não sendo aplicável o inciso II do art. 173 do CTN.(acórdão 10517139, de 13/08/2008) NULIDADE VICIO MATERIAL Considerase vício material aquele que na lavratura de novo lançamento com o objetivo de saneálo altera os elementos intrínsecos do lançamento descritos no art. 142 do CTN, quais sejam, fato gerador, obrigação Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo. A descrição precária do fato gerador que resulta em dúvida quanto à sua própria existência se consubstancia em vício material Processo Anulado.( Acórdão 2402002.187, de 27/10/2011). Logo, nos termos do já decidido por este Conselho, é de se anular o lançamento: ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus. Acórdão: 2102003.232. Pelo exposto, dou provimento ao recurso, para cancelar o lançamento, dado o erro na identificação do sujeito passivo É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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