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Numero do processo: 19647.000906/2007-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 05/09/2006 a 01/06/2010 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 3          2 Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP  294.123.    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relatora.    (assinado digitalmente)  Paulo Sérgio Celani ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes, Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani, Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel,  Paulo Antônio Caliendo Velloso  da Silveira  e  Jacques Maurício Ferreira Veloso  de  Melo.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  DRJ­Recife,  abaixo  transcrito:  A  empresa  Primo  Schincariol  Ind  de Cerv  e  Refrig  do Nordeste  S/A  solicitou  que  a  DRF/REC  encaminhasse  ao  Coordenador  –  Geral COSIT,  pedido  de  habilitação  para  usufruir  a  redução do  IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00  da TIPI.  A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659,  de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores,  estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da  solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65  do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06):  “Art.65. Haverá redução:  I  ­  das  alíquotas  de  que  tratam  as  Notas  Complementares  NC  (211) e NC (221) da TIPI  , que serão declaradas, em cada caso,  pela SRF, após  audiência do órgão competente do Ministério da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento  –  MAPA,  quanto  ao  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 4          3 cumprimento  dos  requisitos  previstos  para  a  concessão  do  benefício;  Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006)   NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do  IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta  ou  extrato  de  sementes  de  guaraná,  classificados  no  código  2202.10.00,  que  atendam aos  padrões  de  identidade  e  qualidade  exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento  e estejam registrados no órgão competente desse Ministério.  Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o  tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela  (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que  contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo  Ministério  da  Agricultura,  e  que  possuíam  “Certificados  de  Registro”  expedido  pelo  órgão  competente  daquele  Ministério.  Reduzindo em 50% a alíquota do IPI.  Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos  seus artigos 2º e 3º:  “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto  número  75.659,  de  25  de  abril  de  1975,  relativas  a  bebidas  incluídas  no  destaque  constante  no  Anexo  a  que  se  refere  o  artigo  anterior,  será  declarada  pela  Secretaria  da  Receita  Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do  Ministério  da  Agricultura  quanto  à  conformidade  do  produto  com  as  características  exigidas  nos  padrões  de  identidade  e  qualidade  estabelecidas  pelo  Decreto  número  73.267,  de  6  de  dezembro  de  1973,  e  pelos  atos  complementares  baixados  por  aquele Ministério.  Art.3º.  Os  Ministérios  da  Fazenda  e  Agricultura  expedirão  as  normas  complementares  necessárias  à  execução  do  disposto  neste Decreto.  Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de  março  de  1977,  determinando  aos  interessados  na  fruição  do  benefício  fiscal  requerer  ao Coordenador Geral  do  Sistema  de  Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela  indicados,  isto  é,  (i)  identificação  do  requerente,  (ii)  identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento  da  redução  de  alíquota  e,  (iii)  o  número  do  Certificado  de  Registro  do  Produto,  expedido  pelo  órgão  competente  do  Ministério da Agricultura.  Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011,  segundo  o  procedimento  previsto,  coube  à  unidade  local  da  Receita  Federal  após  formalizar  o  processo,  informar  sobre  os  antecedentes fiscais da requerente e encaminhá­lo ao Ministério  da Agricultura (MA).  A DRF/REC encaminhou este  processo ao  Serviço  de  Inspeção  Vegetal(SIV),  da  Delegacia  do  Ministério  da  Agricultura,  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 5          4 Pecuária  e  Abastecimento  –  MAPA  em  Recife/PE,  para  verificação  do  cumprimento  dos  requisitos  previstos  para  o  reconhecimento da redução pleiteada.  Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA,  que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos  Produtos:  Preparado  Líquido  para  Refrigerante  de  Guaraná  (Schin  Guaraná),  Registro  PE05896000606,Preparado  Líquido  para  Refrigerante  de  Laranja  (Schin  Laranja),  Registro  PE05896000584,Preparado  Líquido  para  Refrigerante  de Cola  (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para  Refrigerante  de  Limão  (Schin  Limão),  Registro  PE05896000592,o  processo  retornou  à  unidade  da  Receita  Federal para encaminhamento à COSIT.  No  entanto,  pela  Portaria  nº  2,  de  12  de  setembro  de  1995,  o  Coordenador  da  COSIT,  delegou  essa  competência  às  Delegacias  da  Receita  Federal  para  apreciarem  os  pleitos  referentes  ao  reconhecimento  dessa  redução  de  alíquota,  e  providenciar,  se  for  o  caso,  a  expedição  do  pertinente  Ato  Declaratório.  A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer  SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle  da  RFB,  em  22.07.2011,  constatou  que  a  requerente  possui  débitos  em  cobrança  no  SIEF,  além  de  constar  como  inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que  a  necessidade  dessa  análise  de  antecedentes  fiscais  decorre  da  Lei  9.069/95,  a  qual  determina  no  seu  art.  60,  que  qualquer  reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado  pela  Receita  Federal  fica  condicionado  à  comprovação,  pelo  contribuinte, da quitação respectiva.  Por  outro  lado,  verificou­se  no  sistema  CNPJ,  que  a  situação  cadastral  da  requerente  era  de  empresa  baixada  desde  01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL  IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 .  A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010  (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por  sucessão,  de benefícios  fiscais  concedidos  por  prazo  certo  e  em  função  de  determinadas  condições  à  pessoa  jurídica  que  vier  a  ser  incorporada,  mediante  requerimento  da  incorporadora,  e  desde que observados os limites e condições fixados na legislação  que  instituiu  o  benefício,  em  especial  quanto  aos  aspectos  vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas,  o  supracitado  Parecer  SEORT/RECIFE/2011  entendeu  que  a  interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir  de  sua  baixa  tornou­se  inexistente,  e  a  sucessora  não  havia  se  habilitado  no  processo;que  caso  a  sucessora  ainda  desejasse  a  habilitação poderia requere­la em nome próprio.  Concluiu­se,no  entanto,  que  a  procuração  da  empresa  ao  representante  legal  que  encaminhou  o  pedido  se  encontrava  vencida,  e  como  a  representada  havia  sido  extinta  não  seria  possível sua renovação.  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 6          5 Recomendou­se  assim  ao  Sr.  Delegado  da  DRF/REC  que  declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99,  porque  a  finalidade  ou  o  objeto  da  decisão  ter­se­ia  tornado  impossível,  inútil  ou  prejudicado  pelo  fato  superveniente  da  extinção da empresa requerente.  A  decisão  da  DRF/REC,  com  base  no  Parecer  SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO  DE  SOLICITAÇÃO  DE  HABILITAÇÃO  da  pessoa  jurídica  PRIMO  SCHINCARIOL  IND  DE  CERV  E  REFRIG  DO  NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384.  Cientificou­se  a  empresa  sucessora  dessa  decisão,  (…),  facultando­lhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez)  dias,contado  da  ciência  do  Despacho  Decisório,  a  ser  protocolizado  na  DRF/Recife/PE,  nos  termos  do  art.59  da  Lei  9.784/99.  A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG  S/A,protocolou  seu  recurso  contra  o  despacho  decisório,  na  DRF/REC,  (…),  podendo  ser  assim  sintetizadas  as  razões  essenciais de contestação:  1.  A  PRIMO  SCHINCARIOL  IND  DE  CERV  E  REFRIG  DO  NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da  alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN  LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI,  art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI).  2.  Importante  esclarecer  que  a  pretensão  se  alicerçou  na  NC  221(TIPI)  e  na  declaração  expedida  pela  Coordenação  de  Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal  em Recife decidiu  extinguir o processo, alegando  inexistência da  parte  solicitante,  em  razão  de  sua  incorporação  pela  ora  recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo  requerimento neste mesmo processo.  3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente  processo,  é  imperioso  reconhecer  que  a  até  a  data  de  incorporação  (01.06.2010),  a  redução  de  alíquota  de  IPI  era  devida  à  empresa  incorporada  PRIMO  SCHINCARIOL  IND DE  CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observe­seque até 01.06.2010  o  CNPJ  da  referida  incorporada  estava  em  plena  atividade,  e  somente foi baixado nessa data.  4.  Assim,  considerando­seque  os  requisitos  estavam  presentes,  desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente)  incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em  plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução  de alíquota de IPI lhe era devida.  5. Frisa­se que a solicitação foi devidamente instruída com cópia  do  registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em  questão  atende  aos  padrões  de  identidade  e  qualidade  exigidos.  Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da  redução de alíquota de IPI até 01/06/2010.  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 7          6 6.  Importa,  ainda,  consignar,  que  a  regularidade  fiscal  não  é  condição  para  a  concessão  da  redução  de  alíquota  de  IPI  requerida.  O  art.  60  da  Lei  9.069/95aplica­se  quando  da  concessão de benefício  fiscal, o que não é o caso da redução de  alíquota  do  IPI,  pois  é  tratamento  objetivamente  atribuído  a  um  determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na  NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI  foram  cumpridos conforme exposto mais acima.  Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja  deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os  refrigerantes  SCHIN  GUARANÁ,  SCHIN  LARANJA,  SCHIN  COLA E  SCHIN  LIMÃO,  desde  a  data  dos  respectivos  registros  efetuados  pelo  MAPA  e  até  01/06/2010,  à  empresa  PRIMO  SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A  Analisando  o  litígio,  a  DRJ­Recife  por  unanimidade  de  votos,  preliminarmente,  reconheceu  a  sua  competência  para  apreciar  a matéria  e,  no mérito,  julgou  procedente  em  parte  a  manifestação  de  inconformidade,  para  declarar  que  remanesce  o  processo,  mas  negou  provimento  ao  direito  pleiteado  por  persistir  sem  comprovação  a  regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita:  NORMAS  PROCESSUAIS.  RITO  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FEDERAL.  COMPETÊNCIA  DA  DRJ.  PROCESSO SANEADO.  Embora  a  decisão  recorrida  haja  intimado  a  interessada  a  apresentar  recurso,  nos  termos  do  art.56  da  Lei  nº  9.784/96  (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei  Geral,  a  repartição  de  origem  procedeu  de modo  saneador  ao  encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência  para  apreciar,  segundo  o  rito  do  Decreto  nº  70.235/72,  procedimento  que  busca  o  reconhecimento  do  benefício  de  redução  da  alíquota  de  tributos  administrados  pela  RFB,  conforme  previsto  no  inciso  IV  do  art.233  da  Portaria MF  nº  203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB).  HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI.  Houve  certificação,  por  parte  do  Ministério  da  Agricultura  e  Abastecimento  (MAPA),  quanto  aos  padrões  de  identidade  e  qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo  à  interessada,  incorporada  no  curso  do  processo,  a  satisfação  desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício  fiscal especificado.  DIREITO  À  REDUÇÃO  DE  ALÍQUOTA  DO  IPI.  SUCESSÃO  POR INCORPORAÇÃO.  Trata­se  de  pedido  de  reconhecimento  do  direito  à  redução da  alíquota  de  IPI,  prevista  na  NC  221da  TIPI/2006,  mediante  o  cumprimento  dos  requisitos  legais  para  a  fruição  do  benefício  fiscal.  Depois  de  reconhecido,  esse  direito  é  passível  de  transferência  à  empresa  sucessora  (incorporadora)  mediante  habilitação no processo. Por economia processual, a repartição  Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 8          7 fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da  sucessora  no  âmbito  deste  mesmo  processo,  iniciado  pela  empresa posteriormente incorporada.  HABILITAÇÃO  DA  SUCESSORA  SUPRIDA.  O  PROCESSO  REMANESCE.  A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é  razão  plausível  para  extinção  de  ofício  do  processo,  mas  sim  recomendava à autoridade administrativa o devido  saneamento  processual.  Esse  saneamento  tornou­se  suprido  pelo  teor  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  incorporadora,  principal  interessada,  acompanhada  de  documentos,  conjunto  cujo  teor  apresenta  mais  substância  do  que  o mero  requerimento  de  habilitação  da  sucessora  previsto  no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento  do  direito  à  redução  de  alíquota  do  IPI  era  direito  da  incorporada,  e  passou  a  ser  direito  da  incorporadora,  objeto  processual que justifica o seguimento do processo até a solução  do litígio.  FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO  DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL.  Persiste  óbice  à  expedição  do  ato  declaratório.  O  reconhecimento  da  redução  deve  observar  não  apenas  os  requisitos  legais  específicos  à  fruição  do  benefício  fiscal,  mas  também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da  Lei  9.069/95.  A  fruição  de  qualquer  benefício  fiscal  federal  se  submete a esse crivo.  O  benefício  de  redução  da  alíquota  de  IPI  de  que  trata  o  presente processo está também condicionada à comprovação da  quitação de tributos e contribuições federais.  O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi  o seguinte:  · Que os  requisitos para a concessão da alíquota  reduzida do  IPI estão previstos na NC 22­1 da TIPI a qual vincula­se apenas  aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento  aos padrões de  identidade, qualidade e composição, bem como  regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e  Abastecimento.  E  que  tais  requisitos  foram  prontamente  atendidos pela Recorrente;  · Que  elementos  subjetivos,  relativo  à  pessoa  jurídica  solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC  22­1 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em  Santarém.  Reforça  que  a  regra  trazida  pelo  art.  60  da  lei  9.069/95 aplica­se somente à concessão de benefícios  fiscais, o  que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC  22­1  da  TIPI,  pois  trata­se  de  um  tratamento  atribuído  objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos  estabelecidos  na  legislação.  Nesse  sentido,  colaciona  decisão  exarada pela DRJ em Juiz de Fora;  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 9          8 · Que  no  momento  em  que  efetuou  o  pedido  de  redução  de  alíquota  do  IPI  trouxe  aos  autos  cópia  da  certidão  conjunta  positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos  federais  e  à  dívida  ativa  da  União.  E  que  se  no  decorrer  do  processo,  que  se  prolongou  por  morosidade  da  própria  autoridade  fiscal  em  analisar  o  presente  pedido,  surgiram  eventuais  débitos em  seu desfavor,  estes  não podem prejudicar  seu  direito  ao  reconhecimento  da  redução  de  alíquota  do  IPI.  Colaciona  decisão  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  nessa  linha.  · Salienta  ainda  que  a  empresa  incorporadora  da  Recorrente  encontra­se com sua situação  fiscal regular, anexando certidão  que comprova tal situação.  · Por  fim,  salienta  que  a  redução  em  comento  deverá  ser  aplicada a partir do momento em que a autoridade competente  realizou  o  reconhecimento  da  adequação  dos  produtos  aos  requisitos previstos em lei.  É o relatório.  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 10          9   Voto Vencido  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora.  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no  sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 22­1 não constitui um benefício fiscal  e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60  da Lei 9.069/95. Trata­se, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à  qualidade  de  um  produto,  e  não  ao  contribuinte  propriamente  dito,  impregnada  de  sentido  fina1ístico,  pois  se  vale  da  redução  da  alíquota  do  IPI  como mecanismo  de  indução  de  um  comportamento.  Vê­se,  pois,  que  corresponde  invariavelmente  a  um  incentivo  ou  benefício  fiscal  Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no  artigo 150 da Carta Magna:  § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo,  concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a  impostos,  taxas  ou  contribuições,  só  poderá  ser  concedido  mediante  lei  específica,  federal,  estadual  ou  municipal,  que  regule  exclusivamente  as  matérias  acima  enumeradas  ou  o  correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto  no art. 155, § 2º, XII, g.  Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação  do  legislador  na  concessão  de  incentivos  de  natureza  tributária  em  seu  art.  14,  e  que  assim  prescreve:  Art. 14.   § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito  presumido,  concessão  de  isenção  em  caráter  não  geral,  alteração  de  alíquota  ou  modificação  de  base  de  cálculo  que  implique  redução  discriminada  de  tributos  ou  contribuições,  e  outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.   Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito  tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário,  que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione  subjetivamente  o  contribuinte,  para  fins  de  fruição  de  um  privilégio  fiscal  de  natureza  extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público.   Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 22­1 da  TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao  disposto  no  artigo  60  da  Lei  9065/95,  que  reza  que  a  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela  Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 11          10 Secretaria  da  Receita  Federal  fica  condicionada  à  comprovação  pelo  contribuinte,  pessoa  física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.  Não  obstante,  fato  é  também  que,quando  da  apresentação  do  pedido  de  redução  de  alíquota,  o  contribuinte  apresentou  a  documentação  apta  e  suficiente  para  a  comprovação  de  sua  regularidade  fiscal.  Ora,  caso  o  agente  fazendário  observasse  o  prazo  estipulado  pelo  artigo  241da  Lei  no.  9.784/1999,  para  efetuar  a  apreciação  do  pedido  envolvendo  o  benefício  fiscal,  o  Recorrente  não  teria  negado  o  seu  pedido,  porquanto  se  encontrava  regular.  A  regularidade  fiscal  deve  ser  examinada  no  momento  da  opção  do  contribuinte.   Vale  lembrar que  esta Turma Especial,  num caso  idêntico  envolvendo  esse  mesmo  contribuinte,  em  decisão  da  lavra  do  nobre  Conselheiro  Sidney  Eduardo  Stahl,  já  examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Exercício: 2006  MOMENTO  DA  COMPROVAÇÃO  DA  REGULARIDADE  FISCAL  Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação  do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o  mesmo deferido.  Recurso  Voluntário  Provido.(Acórdão  no.  3801­001.594  do  Processo 10855.000847/2006­91)  Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa:  Súmula  CARF  nº  37:  Para  fins  de  deferimento  do  Pedido  de  Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de  comprovação  de  regularidade  fiscal  deve  se  ater  ao  período  a  que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica  na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo­se a prova da  quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos  termos do Decreto nº 70.235/72.  Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de  regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de  redução de alíquota, a empresa que  incorporou a Recorrente encontra­se fiscalmente regular, conforme comprova a documentação  juntada  ao  presente  Recurso.  E,  de  acordo  com  o  posicionamento  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  emitida  no  Processo  no.  10768.014100/99­08,  para  fins  de  prova  da  regularidade em relação aos  tributos e contribuições  federais a que alude o art. 60 da Lei n°  9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar  sua regularidade  fiscal no  curso  do  Processo  Administrativo,  pois  o  objetivo  da  Lei  é  a  regularidade  fiscal  do  contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita.  Porém,  no  que  tange  ao  momento  de  aplicação  do  benefício  fiscal,  que  a  Recorrente entende dever  ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente                                                              1  Art.  24.  Inexistindo  disposição  específica,  os  atos  do  órgão  ou  autoridade  responsável  pelo  processo  e  dos  administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior.  Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 12          11 realizou  o  reconhecimento  da  adequação  dos  produtos  aos  requisitos  previstos  em  lei,  posiciono­me de forma diversa.  Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney  Eduardo  Stahl,  no  Processo  no.  13334.000275/2009­60,  também  envolvendo  esse  mesmo  contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial:  A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em  que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte  precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque  a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está  apta a utilizá­lo, ouvido o Ministério competente.  A  declaração  por  parte  da  Receita  Federal  é  cumprimento  de  obrigação  acessória  fundamental  à  fruição  do  benefício.  O  inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo  na  medida  em  que  deixa  de  cumprir  a  finalidade  controlística  para  a  qual  foi  criada  e  priva  o  contribuinte  da  benesse  constante  da  prestação  principal  com  efeitos  ex  tunc  do  seu  protocolo, porque a lei a exige.  Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do  artigo  65  do  Decreto  nº  4.544/02  e  da  “NC  (22­1)”  estar  condicionada  à  qualidade  dos  produtos  contemplados  em  referidas  normas  atestado  pelo  MAPA  e  à  declaração  da  Secretaria  da  Receita  Federal  até  a  expedição  do  Decreto  nº  7.212, de 15 de junho de 2010.  Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido  realizado  na  SRF,  o  prazo  para  usufruir  desse  benefício  igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como  corretamente decidiu a DRJ.  Por  tudo,  voto  pelo  conhecimento  e  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  reconhecer  o  direito  da  Recorrente  à  alíquota  reduzida  do  IPI  a  partir  do  protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil.  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora    Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado.  Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade  administrativa.  Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à  época  do  pedido  apresentado,  e  da  Portaria  RFB  nº  1.098,  de  8/8/2013,  em  vigor,  a  competência  para  a  prática  do  atos  editados  e  dos  despachos  proferidos  deve  obedecer  às  atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência.  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 13          12 Estes  atos  são  agrupados  em  função  da  matéria  sobre  as  quais  versam  e  compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou  por  termo  a  situações  individuais  em  face  da  legislação  tributária  e  aduaneira,  bem  assim  preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício.  Aplicam­se,  especialmente,  nos  casos  de:  reconhecimento  ou  suspensão  de  isenção;  suspensão  de  imunidade;  declaração  de  inaptidão;  exclusão  de  regimes  tributários  especiais;  concessão de  registro  especial  de  fabricantes ou  importadores;  divulgação, quando  exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos.  Logo,  o  ADE  constitui  ou  põe  termo  a  situações  individuais  envolvendo  reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial.  Se  o  ADE  pode  constituir  ou  terminar  o  reconhecimento  de  isenção,  cuja  modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem  como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado  em  relação  à  redução  de  alíquota,  por  que  não  poderia  constituir  ou  por  termo  a  situações  individuais de reconhecimento de redução de alíquota?  Dizer  que  o  Ato  Declaratório  declara  direitos  ou  reconhece  situações  preexistentes  não  significa  dizer  que,  nestes  casos,  está  dispensada  ou  proibida  à  autoridade  administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações.  Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas,  não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995,  que diz:  “Art.  60.  A  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer  incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  fica  condicionada  à  comprovação  pelo  contribuinte,  pessoa  física  ou  jurídica,  da  quitação  de  tributos  e  contribuições  federais.  (Vide Lei nº 11.128, de 2005).”  Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação  de tributos as seguintes normas.  Constituição Federal de 1988::  “Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  (...)  § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade  social,  como  estabelecido  em  lei,  não  poderá  contratar  com  o  Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais  ou creditícios.  (...)”  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 14          13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe:  “Art.  47.  É  exigida  Certidão  Negativa  de  Débito­CND,  fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos:  I – da empresa:  a)  na  contratação  com  o  Poder  Público  e  no  recebimento  de  benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele.  (...)  Redução de alíquota é benefício fiscal.  Não  cabe  afirmar  que  a  redução  de  alíquota  não  é  um  benefício  fiscal.  Vejam­se os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988:  “Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal  e aos Municípios:  (...)  §6º Qualquer  subsídio ou  isenção, redução de base de  cálculo,  concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a  impostos,  taxas  ou  contribuições,  só  poderá  ser  concedido  mediante  lei  específica,  federal,  estadual  ou  municipal,  que  regule  exclusivamente  as  matérias  acima  enumeradas  ou  o  correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto  no art. 155, §2º, XII, g.  (...)”  “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:  (...)  §6º  O  projeto  de  lei  orçamentária  será  acompanhado  de  demonstrativo  regionalizado  do  efeito,  sobre  as  receitas  e  despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e  benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia.  (...)”  Também  a  Lei  de  Responsabilidade  Fiscal,  citada  pela  Conselheira Maria  Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é  benefício fiscal, logo, aplica­se ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995.  Momento da comprovação da regularidade fiscal.  Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação  de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais.  No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as  operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a  industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal.  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 15          14 Por  isso,  não basta  comprovar a  regularidade  fiscal  apenas no momento do  requerimento do benefício.  Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI:  Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto:   I ­ quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo  desembaraço aduaneiro;   II  ­  quanto  aos  de  produção  nacional,  a  saída  do  respectivo  estabelecimento produtor.   “Art  .  13.  O  impôsto  será  calculado  mediante  aplicação  das  alíquotas  constantes  da Tabela  anexa  sôbre  o  valor  tributável  dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo.   Art.  14.  Salvo  disposição  em  contrário,  constitui  valor  tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)  (...)  II ­ quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de  que  decorrer  a  saída  do  estabelecimento  industrial  ou  equiparado  a  industrial.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  7.798,  de  1989)  §  1º.  O  valor  da  operação  compreende  o  preço  do  produto,  acrescido  do  valor  do  frete  e  das  demais  despesas  acessórias,  cobradas  ou  debitadas  pelo  contribuinte  ao  comprador  ou  destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)  (...)”  O  momento  do  fato  gerador  é  o  da  saída  do  produto  do  estabelecimento  contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela  do IPI sobre o valor da operação.  Para  cada  operação  em  que  se  aplique  uma  alíquota  reduzida,  tem­se  uma  operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à  fiscalização,  logo,  cada  operação  submete­se  ao  reconhecimento  do  benefício,  o  que  leva  à  conclusão  de  que  a  beneficiada  deve  estar  amparada  pela  certidão  de  quitação  de  tributos  federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo  em que usufrua da concessão do benefício.  Nos autos  ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa  analisou  o  requerimento,  a  contribuinte  encontrava­se  em  situação  impeditiva  da  emissão  da  certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido.  A  partir  do  momento  em  que  a  contribuinte  passou  a  reunir  as  condições  necessárias  e  suficientes  para  fruição do benefício  fiscal,  poderia  ela pleitear novamente  seu  reconhecimento.  Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a  analisar  operações  realizadas  pela  contribuinte  entre  o  protocolo  do  requerimento  e  este  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000906/2007­31  Acórdão n.º 3801­004.403  S3­TE01  Fl. 16          15 julgamento,  logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições  para  fruição  do  benefício,  não  se  pode  decidir  que  tais  operações  sejam  alcançadas  pelo  benefício.  A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao  benefício  da  redução  de  alíquota  de  IPI,  que  como  visto  acima  ocorre  em  cada  operação  tributada por este imposto.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Paulo Sérgio Celani                    Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 11516.722291/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 8.620/93, é legítima a tributação em separado da contribuição previdenciária sobre o valor bruto do 13º salário. A verba despendida pela empresa a título de décimo terceiro salário não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurando-se como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 28, §2º, DA Lei nº 8.212/91. O Salário Maternidade integra o conceito jurídico de Salário de Contribuição, sujeitando-se à incidência dos encargos sociais de responsabilidade da empresa. REsp nº 1.230.957-RS, julgado segundo o regime previsto no art. 543-C do CPC. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HORAS EXTRAS. ADICIONAL NOTURNO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o conceito jurídico do salário de contribuição, dado ao seu eminente caráter remuneratório, as importâncias pagas a segurados obrigatórios do RGPS a título de horas extras e adicional noturno. REsp nº 1.358.281 - SP, julgado segundo o regime previsto no art. 543-C do CPC. FÉRIAS GOZADAS. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º, DO RPS. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. AUXÍLIO DOENÇA. AFASTAMENTO POR INCAPACIDADE. ÔNUS DA EMPRESA. O salário do segurado empregado correspondente aos primeiros 15 dias de afastamento por doença é custeado integralmente pela empresa, e, a partir de então, pelo INSS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Consoante entendimento pacífico no âmbito do STJ e do TST, os adicionais insalubridade e de periculosidade constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE TRANSFERENCIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O adicional de transferência previsto no §3º do art. 469 da CLT configura-se adicional remuneratório, pago mensalmente, com habitualidade enquanto perdurar a transferência, em percentual nunca inferior a 25% do quanto recebia o trabalhador na localidade de origem, o qual adicional, dada a sua habitualidade, passa a integrar o salário para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias, consoante determinação constitucional prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa de ofício decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias, aplicada em lançamento de ofício de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento, tão somente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de vale-transporte, em atenção à Súmula nº 60 da AGU, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 8.620/93, é legítima a tributação em separado da contribuição previdenciária sobre o valor bruto do 13º salário. A verba despendida pela empresa a título de décimo terceiro salário não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurando-se como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 28, §2º, DA Lei nº 8.212/91. O Salário Maternidade integra o conceito jurídico de Salário de Contribuição, sujeitando-se à incidência dos encargos sociais de responsabilidade da empresa. REsp nº 1.230.957-RS, julgado segundo o regime previsto no art. 543-C do CPC. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HORAS EXTRAS. ADICIONAL NOTURNO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o conceito jurídico do salário de contribuição, dado ao seu eminente caráter remuneratório, as importâncias pagas a segurados obrigatórios do RGPS a título de horas extras e adicional noturno. REsp nº 1.358.281 - SP, julgado segundo o regime previsto no art. 543-C do CPC. FÉRIAS GOZADAS. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º, DO RPS. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. AUXÍLIO DOENÇA. AFASTAMENTO POR INCAPACIDADE. ÔNUS DA EMPRESA. O salário do segurado empregado correspondente aos primeiros 15 dias de afastamento por doença é custeado integralmente pela empresa, e, a partir de então, pelo INSS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Consoante entendimento pacífico no âmbito do STJ e do TST, os adicionais insalubridade e de periculosidade constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE TRANSFERENCIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O adicional de transferência previsto no §3º do art. 469 da CLT configura-se adicional remuneratório, pago mensalmente, com habitualidade enquanto perdurar a transferência, em percentual nunca inferior a 25% do quanto recebia o trabalhador na localidade de origem, o qual adicional, dada a sua habitualidade, passa a integrar o salário para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias, consoante determinação constitucional prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa de ofício decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias, aplicada em lançamento de ofício de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. Recurso Voluntário Provido em Parte

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  HORAS  EXTRAS.  ADICIONAL NOTURNO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.   Integram o conceito jurídico do salário de contribuição, dado ao seu eminente  caráter  remuneratório,  as  importâncias  pagas  a  segurados  obrigatórios  do  RGPS a título de horas extras e adicional noturno. REsp nº 1.358.281 ­ SP,  julgado segundo o regime previsto no art. 543­C do CPC.  FÉRIAS  GOZADAS.  ADICIONAL  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º, DO RPS.  A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII  do  art.  7º  da Constituição Federal  possuem natureza  remuneratória  e,  nessa  condição,  integram  o  salário­de­contribuição,  para  fins  de  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  nos  termos  expressos  no  §4º  do  art.  214  do  Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.   AUXÍLIO  DOENÇA.  AFASTAMENTO  POR  INCAPACIDADE.  ÔNUS  DA EMPRESA.   O  salário  do  segurado  empregado  correspondente  aos  primeiros  15  dias  de  afastamento por doença é custeado integralmente pela empresa, e, a partir de  então, pelo INSS.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  ADICIONAL  DE  PERICULOSIDADE  E  INSALUBRIDADE.  NATUREZA  REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  Consoante entendimento pacífico no âmbito do STJ e do TST, os adicionais  insalubridade  e  de  periculosidade  constituem  verbas  de  natureza  remuneratória,  razão  pela  qual  se  sujeitam  à  incidência  de  contribuição  previdenciária.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  ADICIONAL  DE  TRANSFERENCIA.  NATUREZA  REMUNERATÓRIA.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  O adicional de transferência previsto no §3º do art. 469 da CLT configura­se  adicional  remuneratório,  pago  mensalmente,  com  habitualidade  enquanto  perdurar  a  transferência,  em  percentual  nunca  inferior  a  25%  do  quanto  recebia o  trabalhador na  localidade de origem, o qual adicional, dada a  sua  habitualidade,  passa  a  integrar  o  salário  para  fins  de  incidência  de  Contribuições  Previdenciárias,  consoante  determinação  constitucional  prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988.  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE­TRANSPORTE PAGO  EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU.  Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago  em  pecúnia,  a  teor  da  Súmula  nº  60  da  Advocacia  Geral  da  União,  de  08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II  do  §6º  do  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/72,  inserido  pela  Lei  nº  11.941/2009.  INÍCIO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  IMPOSSIBILIDADE.  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 489          3 Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados com a infração.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  SAT.  FIXAÇÃO  DO GRAU DE  RISCO  E  DO  CONCEITO  DE  ATIVIDADE  PREPONDERANTE  POR  DECRETO.  POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.  A  definição,  por  Regulamento  Presidencial,  dos  conceitos  de  atividade  preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas  empresas  não  extrapola  os  limites  insertos  na  legislação  previdenciária,  porquanto  tenha  detalhado  tão  somente  o  seu  conteúdo,  sem,  todavia,  lhe  alterar  os  elementos  essenciais  da  hipótese  de  incidência,  inexistindo,  portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do  CTN.  MULTA DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.  Não  constitui  confisco  a  incidência  de  multa  de  ofício  decorrente  do  recolhimento  em  atraso  de  contribuições  previdenciárias,  aplicada  em  lançamento de ofício de contribuições previdenciárias.  Foge  à  competência  deste  colegiado  a  análise  da  adequação  das  normas  tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder  de tributar previstas no art. 150 da CF/88.  ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO  DECRETO Nº 70.235/72.  As  intimações  dos  Atos  Processuais  devem  ser  feitas  de  maneira  pessoal,  pelo  autor  do  procedimento,  como  também  por  via  postal  ou  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo,  assim  considerado,  respectivamente,  o  endereço  postal  por  ele fornecido, para  fins cadastrais, à administração  tributária, ou o endereço  eletrônico  atribuído  pela  administração  tributária  ao  Sujeito  Passivo,  desde  que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº  70.235/72, inexistindo ordem de preferência.   CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE  Dada  a  sua  natureza  de  contribuição  especial  de  intervenção  no  domínio  econômico,  a  contribuição  social  destinada  ao  INCRA  não  foi  extinta  pela  Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida  também do empregador urbano, como  ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55.  Recurso Voluntário Provido em Parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 lançamento, tão somente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a  título de vale­transporte, em atenção à Súmula nº 60 da AGU, nos termos do relatório e voto  que integram o presente julgado.    Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  Sessão  de  Julgamento  os  Conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente de  turma),  André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho  Cruz e Arlindo da Costa e Silva.   Fl. 491DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 490          5    Relatório  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011  Data da lavratura dos Autos de Infração: 26/09/2012.  Data da Ciência dos Autos de Infração: 28/09/2012.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Curitiba/PR que julgou improcedente a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo  do  crédito  tributário  lançado  por  intermédio  dos  Autos de  Infração nº e 51.022.937­9 e 51.022.942­5, consistentes em contribuições patronais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  e  a Outras  Entidades  e Fundos,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga,  creditada ou  devida a segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 36/40.  De  acordo  com  a  resenha  assinada  pela  Autoridade  Lançadora,  o  crédito  tributário ora em lançamento é constituído pelos seguintes Autos de Infração:  · AI nº 51.022.942­5:  compreende as  contribuições da  empresa destinadas  ao  SAT  (Seguro  Acidente  de  Trabalho)/RAT  (Riscos  Ambientais  do  Trabalho)/GILRAT  (Grau  de  Incidência  de  Incapacidade  Laborativa  Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho), referentes ao período de  01/2009 a 13/2011.   a)  contribuição patronal destinada ao FPAS nas competências 13°/2009,  e  de 13°/2010  a  03/2011,  código  de  levantamento  “D2  ­ CONTRIB  NÃO DECL 2009 A 2011”.  b)  contribuição  patronal  destinada  ao  SAT/RAT;  código  de  levantamento “B2 ­ DIFERENÇA SAT FAP 2009 A 2011”.    · AI n° 51.022.937­9: compreende as contribuições destinadas às Entidades  ou  Fundos  denominados  Terceiros  (FNDE/Salário  Educação,  INCRA,  SEST/SENAT e SEBRAE), referentes às competências 12/2007, 12/2009,  12/2010 e 01/2011 a 03/2011.   · AI  DEBCAD  n°  51.007.878­8  (CFL  77)  :  Lavrado  em  razão  do  cumprimento  de  obrigação  acessória,  pois  a  empresa  deixou  de  prestar  mediante  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informação  à  Previdência  Social  (GFIP)  informações  relativas  ao  13º,  em  relação  às  competências  13/2007, 13/2009 e 13/2010.    Fl. 492DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 De  acordo  com  o Relatório  Fiscal,  a  base  de  cálculo  das  contribuições  ora  lançadas corresponde às remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados,  constantes  da  folha  de  pagamento  e  informadas  nas  respectivas GFIP,  conforme  exposto  no  Anexo II, a fl. 49.   Em relação às competências 13/2009 e 13/2010, a base de cálculo foi apurada  a  partir  da  folha  de  pagamento,  em  razão  de  a  empresa  não  ter  entregue  as  GFIP  em  suas  épocas próprias. No caso específico das competências de 01/2011 a 03/2011, a base de cálculo  foi apurada a partir da diferença entre a folha de pagamento e as GFIP, conforme exposto no  Anexo I, a fl. 48.   No  que  pertine  à  alíquota  SAT/RAT/GILRAT  aplicável,  esclarece  a  fiscalização  que  a  empresa  tem  como  atividade  principal  o  transporte  coletivo,  cujo  enquadramento correto na tabela CNAE FISCAL corresponde ao código 49213/02 (Transporte  rodoviário  coletivo  de  passageiros,  com  itinerário  fixo,  intermunicipal  em  região  metropolitana), sendo que o percentual do GILRAT nesse código é de 3% (três por cento), e  não o percentual de 1% (um por cento) recolhido pela empresa.   Tendo  em  vista  a  existência  de  indícios  que  configuram  a  ocorrência,  em  tese,  de  crime  de  sonegação  de  contribuições  previdenciárias,  tipificado  no  art.  337­A  do  Código Penal – Decreto­lei nº 2.848/40, e de crime contra a ordem tributária tipificado no art.  1º  da  Lei  nº  8.137/90,  foi  efetuada  a  Representação  Fiscal  Para  Fins  Penais,  em  autos  apartados, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.722292/2012­93.     Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 65/349.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Curitiba/PR  lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 06­46.750 – 6ª Turma da DRJ/CTA, a fls.  384/403,  julgando  procedente  o  lançamento  e  mantendo  o  crédito  tributário  em  sua  integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  16/05/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 405.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  413/483,  respaldando  sua  inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos:  · Nulidade do lançamento em razão de modificação ilegal do MPF;   · Nulidade  pela  ausência  de  lançamento  complementar  para  o  período  de  01/2007 a 13/2007, fiscalizado a posteriori;   · Nulidade  do  procedimento,  por  cerceamento  de  defesa,  em  razão  da  ausência de perícia para a definição da base de cálculo controversa;   · Que a denúncia espontânea restou configurada;   · Nulidade por alteração irregular do Auto de Infração nº 51.022.942­5;   Fl. 493DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 491          7 · Nulidade  do  Auto  de  Infração  por  erro  na  determinação  da  base  de  cálculo,  devido  à  inclusão  de  rubricas  não  sujeitas  à  incidência  de  Contribuições Previdenciárias;   · Nulidade do lançamento pela impossibilidade de cobrança da contribuição  destinada ao INCRA;   · Que  deve  ser  aplicada  nas  competências  de  01/2007  a  11/2008  tão  somente  a multa  de mora,  no  percentual  aplicável  à  época,  de  24%,  na  forma  do  art.  35  da  Lei  8.212/91,  tendo  em  vista  inexistir  na  ocasião  previsão legal de multa de ofício;   · Nulidade  do  lançamento  pela  impossibilidade  de  cobrança  da  contribuição  destinada  ao  SAT/RAT  pela  sistemática  instituída  pelo  Decreto nº 6.957/2009;   · Que a multa de ofício de 75% tem caráter confiscatório;     Ao fim, requer a reforma do Acórdão recorrido.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     8   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 16/05/201. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17/06/2014, há que se  reconhecer a tempestividade do recurso interposto.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.    2.   DAS PRELIMINARES  2.1.  NULIDADE I  O Recorrente alega a nulidade do lançamento em razão de modificação ilegal  do MPF.  Sem razão !  Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento  das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.724, de 10 de  janeiro  de  2001,  determinou  que  os  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  federais  previdenciários  devem  ser  instaurados  mediante  ordem  específica  denominada Mandado  de  Procedimento Fiscal (MPF), ressalvadas as hipóteses previstas no §3º do seu art. 2º.  Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita  ser conduzida  sob a  cobertura de MPF válido,  aqui  incluídas  suas prorrogações,  desde  a  sua  deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os  documentos  fiscais  atávicos  ao  seu  ofício  que  importem  numa  conduta  a  ser  praticada  pelo  Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração.  DECRETO Nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001.  Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  serão  executados,  em  nome  desta,  pelos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  somente  terão  início  por  força  de  ordem  específica  denominada  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF),  instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil.  §1o  Nos  casos  de  flagrante  constatação  de  contrabando,  descaminho  ou  qualquer  outra  prática  de  infração  à  legislação  tributária, em que o retardamento do início do procedimento fiscal  coloque  em  risco  os  interesses  da  Fazenda  Nacional,  pela  possibilidade  de  subtração  de  prova,  o  Auditor­Fiscal  da  Receita  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 492          9 Federal  do  Brasil  deverá  iniciar  imediatamente  o  procedimento  fiscal e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de início, será  expedido  MPF  especial,  do  qual  será  dada  ciência  ao  sujeito  passivo.  §2o  Entende­se  por  procedimento  de  fiscalização a modalidade  de  procedimento  fiscal  a  que  se  referem  o  art.  7o  e  seguintes  do  Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972.  §3o  O  MPF  não  será  exigido  nas  hipóteses  de  procedimento  de  fiscalização:  I ­ realizado no curso do despacho aduaneiro;  II ­ interno, de revisão aduaneira;  III  ­  de  vigilância  e  repressão  ao  contrabando  e  descaminho,  realizado em operação ostensiva;  IV  ­  relativo  ao  tratamento  automático  das  declarações  (malhas  fiscais).  §4o  O  Secretário  da  Receita  Federal  do  Brasil  estabelecerá  os  modelos e as  informações constantes do MPF, os prazos para sua  execução,  as  autoridades  fiscais  competentes  para  sua  expedição,  bem  como demais  hipóteses  de  dispensa  ou  situações  em que  seja  necessário  o  início  do  procedimento  antes  da  expedição  do MPF,  nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional.  §5o  A  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil,  por  intermédio  de  servidor ocupante do cargo de Auditor­Fiscal da Receita Federal do  Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros,  constantes  de  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras  e  de  entidades  a  elas  equiparadas,  inclusive  os  referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando  houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem  considerados indispensáveis.  6o  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  intermédio  de  seus  administradores,  garantirá  o  pleno e  inviolável  exercício  das  atribuições  do  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  responsável pela execução do procedimento fiscal.    No  que  pertine  à  regulamentação  do MPF,  o  §4º  do  art.  2  do  citado  Dec.  3.724/2001 estatui que o Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as  informações  constantes  do  MPF,  os  prazos  para  sua  execução,  as  autoridades  fiscais  competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que  seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja  risco aos interesses da Fazenda Nacional.  Nessa esteira, em 29 de junho de 2011 houve­se por publicada a Portaria MF  nº  3.014/2011  dispondo  sobre  o  planejamento  das  atividades  fiscais  e  estabelecendo  normas  para a execução de procedimentos  fiscais  relativos aos  tributos administrados pela Secretaria  da Receita Federal do Brasil, e, nessa linhada, instituiu normatização específica relacionada aos  prazos de validade do MPF, bem como em relação ao mecanismo de prorrogação e de ciência  desta ao Fiscalizado.  Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 Art.  4º O MPF será emitido  exclusivamente na  forma eletrônica e  assinado  pela  autoridade  emitente,  mediante  a  utilização  de  certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos  de I a III desta Portaria.  Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo dar­se­á no  sítio  da  RFB  na  Internet,  no  endereço  <  http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de  acesso  consignado  no  termo  que  formalizar  o  início  do  procedimento fiscal.    Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo,  inclusão,  exclusão  ou  substituição  de  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  responsável  pela  execução  ou  supervisão,  bem  como  as  alterações  relativas  a  tributos  a  serem  examinados  e  a  período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  emitente,  conforme  modelo  constante  do  respectivo  Anexo  a  esta  Portaria,  cientificado  o  contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4 º .    Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade:  I ­ 120 dias, nos casos de MPF­F e de MPF­E; e  II ­ sessenta dias, no caso de MPF­D.    Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser  efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias,  observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art.  11, conforme o caso.    Avulta dos Dispositivos suso selecionados que a  ciência do Sujeito Passivo  acerca  do  MPF  dar­se­á  no  sítio  da  RFB  na  Internet,  no  endereço  <  http://www.receita.fazenda.gov.br  >,  com  a  utilização  de  código  de  acesso  consignado  no  termo que formalizar o início do procedimento fiscal.  No  caso  dos  autos,  o  procedimento  fiscal  teve  início  em  01/02/2012,  conforme  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fisca1  –  TIPF,  a  fls.  28/29,  no  qual  consta  expressamente consignado tanto o número do Mandado de Procedimento Fiscal quanto o seu  respectivo código de acesso   De  outro  eito,  as  alterações  no MPF  decorrentes  de  prorrogação  de  prazo,  inclusão, exclusão ou substituição de Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável  pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e  a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva  autoridade emitente, sendo que a ciência do Sujeito Passivo dar­se­á,  igualmente, no sítio da  RFB  na  Internet,  no  endereço  <  http://www.receita.fazenda.gov.br  >,  com  a  utilização  de  código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal.  Merece ainda ser destacado que a prorrogação do prazo de que trata o art. 11  poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, de acordo com  a discricionariedade da Autoridade administrativa.  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 493          11 Deve  ser  citado,  ainda,  que  a  Portaria  SRF  nº  6.087/2005  na  qual  se  fundamenta a insurgência do Recorrente, foi revogada pela Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de  2007, ou seja, muito antes do início da ação fiscal.  Por tais razões, rejeitamos esta preliminar de nulidade.    2.2.  NULIDADE II  O Recorrente alega nulidade pela ausência de lançamento complementar para  o período de 01/2007 a 13/2007, fiscalizado a posteriori.  Também sem razão !    Conforme já salientado no tópico anterior, as alterações no MPF decorrentes  de alteração do período de apuração devem ser realizadas mediante registro eletrônico efetuada  pela  respectiva  Autoridade  Administrativa  Emitente,  cientificado  o  Contribuinte  na  forma  prevista no Parágrafo Único do art. 4º da Portaria RFB nº 3.014/2011, qual seja, no site da RFB na  Internet,  no  endereço  <  http://www.receita.fazenda.gov.br  >,  com  a  utilização  de  código  de  acesso  consignado no  termo que  formalizar o  início do procedimento  fiscal,  conforme assim  estabelecido no art. 9º da suso citada Portaria Ministerial.  Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011  Art.  4º O MPF será emitido  exclusivamente na  forma eletrônica e  assinado  pela  autoridade  emitente,  mediante  a  utilização  de  certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos  de I a III desta Portaria.  Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo dar­se­á no  sítio  da  RFB  na  Internet,  no  endereço  <  http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de  acesso  consignado  no  termo  que  formalizar  o  início  do  procedimento fiscal.    Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo,  inclusão,  exclusão  ou  substituição  de  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  responsável  pela  execução  ou  supervisão,  bem  como  as  alterações  relativas  a  tributos  a  serem  examinados  e  a  período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  emitente,  conforme  modelo  constante  do  respectivo  Anexo  a  esta  Portaria,  cientificado  o  contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4 º .    Merece  ser destacado, uma vez mais,  que  a Portaria SRF nº 6.087/2005 na  qual se fundamenta a insurgência do Recorrente, foi revogada expressamente pela Portaria RFB  nº 4.066, de 2 de maio de 2007, ou seja, muito antes do início da ação fiscal.    Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     12 Por tais razões, rejeitamos também esta preliminar de nulidade.    2.3.  NULIDADE III  O  Recorrente  alega  nulidade  do  procedimento,  por  cerceamento  de  defesa,  em razão da ausência de perícia para a definição da base de cálculo controversa;  Sem razão ainda !    Cumpre  de  plano  ressaltar,  de  molde  a  nocautear  qualquer  dúvida,  que  a  perícia  tem,  como  destinatária  final,  a  autoridade  julgadora,  a  qual  possui  a  prerrogativa  de  avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio.   Nesse  panorama,  a  produção  de  prova  pericial  revela­se  apropriada  e  útil  somente  nos  casos  em que  a verdade material  não  puder  ser  alcançada  de  outra  forma mais  célere  e  simples.  Por  tal  razão,  as  autoridades  a  quem  incumbe  o  julgamento  do  feito  frequentemente  indeferem solicitações de diligência ou perícias  sob o  fundamento de que  as  informações  requeridas  pelo  contribuinte  não  serem  necessárias  à  solução  do  litígio  ou  já  estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos.   Estatisticamente,  constata­se  que  grande  parte  dos  requerimentos  de  perícia  aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de situações fáticas, cujo teor já  é  do  conhecimento  do  Auditor  Fiscal  no momento  da  formalização  do  lançamento,  eis  que  sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de  tais  informações por outro especialista  somente  se  revelaria necessário  se ainda perdurassem  dúvidas quanto ao convencimento da Autoridade Julgadora quanto às matérias de fato a serem  consideradas no julgamento do processo.   Por  óbvio,  nada  impede  que  o  contribuinte  venha  aos  autos  demonstrar  a  questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa  ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para  o  exercício  de  suas  funções,  o  conhecimento  da matéria  tributária. Nada  obstante,  a  palavra  final  acerca  da  conveniência  e  oportunidade  da  produção  da  prova  pericial  caberá  sempre  à  autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)     Nessa prumada, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal  do  Contribuinte,  desacompanhados  da  devida  justificativa  de  sua  imprescindibilidade,  em  regra,  são  tidos  como  prescindíveis,  uma  vez  que  os  Agentes  do  Fisco  são  dotados  de  conhecimento específico sobre a matéria objeto do seu dever de oficio e competência legal para  o exame e apreciação dos paramentos atávicos aos fatos geradores apurados, circunstância que  torna despicienda a manifestação de pessoa estranha aos procedimentos fiscalizatórios que, em  tese, nada irá acrescentar ao convencimento motivado do Julgador.  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 494          13 Há  que  se  considerar,  igualmente,  que  o  Ordenamento  Jurídico  Brasileiro  adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre  Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente  apreciar  a  prova,  atendendo  aos  fatos  e  circunstâncias  constantes  dos  autos,  ainda  que  não  alegados  pelas  partes.  Mesmo  no  Processo  Administrativo  Fiscal,  o  sistema  do  livre  convencimento  motivado  constitui­se  garantia  do  órgão  julgador  administrativo,  conforme  estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  29. Na apreciação da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências  que  entender necessárias.    Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção  do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas  da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem  ser  valorados  com  ampla  liberdade,  desde  que  tal  operação  intelectual  seja  realizada  motivadamente,  com  o  que  se  permite  a  aferição  dos  parâmetros  de  legalidade  e  de  razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora.   Notório o  escólio de Gomes Filho  (in Direito  à Prova no Processo Penal. São  Paulo,  Revista  dos  Tribunais,  1997,  p.  162):  “Se  de  um  lado,  em  oposição  ao  critério  das  provas  legais,  o  livre  convencimento  pressupõe  a  ausência  de  regras  abstratas  e  gerais  de  valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais,  por  outro  implica  a  observância  de  certas  prescrições  tendentes  a  assegurar  a  correção  epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”.  Com  efeito,  na  formação  do  convencimento  da  Autoridade  Julgadora,  devem  aliar­se  liberdade  e  responsabilidade  na  atividade  de  identificação  da  subsunção  do  fato  concreto  à  norma  jurídica  de  regência,  de  valoração  das  provas,  sob  a  ótica  que  demanda  a  controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que  utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por  desígnio  propiciar  ao  Julgador  a  convicção  sobre  a  ocorrência  de  um  fato,  não  somente  em  relação  sua  existência,  mas,  também,  quanto  às  circunstâncias  substanciais  pertinentes  ao  evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência.  Não  se mostra despiciendo  relembrar que  a  legislação  tributária que  rege o  Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do  lançamento concentra­se na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase  litigiosa do procedimento.   No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina do rito processual em tela  restou  a  cargo  do  Decreto  nº  70.235/72,  cujo  art.  16  assinala,  categoricamente,  que  o  instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a  defesa,  os  pontos  de  discordância,  as  razões  e  as  provas  que  possuir. Mas  não  pára  por  aí:  Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob  pena de preclusão do direito de fazê­lo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as  hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo quarto.  DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     14 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Art. 16. A impugnação mencionará:  I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos)   IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional  do  seu  perito.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  8.748/1993)  V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo  ser  juntada  cópia  da  petição.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196/2005)  §1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)   §2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)  §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997) (grifos nossos)   a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força maior;  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97)  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;  (Incluído pela  Lei nº 9.532/97)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)  §5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído  pela Lei nº 9.532/97)   §6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)    Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 495          15 Com efeito,  emerge dos dispositivos  legais que  regem a matéria em debate  que as provas documentais que dão esteio aos argumentos e alegações de defesa têm que ser  produzidas  em  juízo  de  impugnação.  Como  as  demonstrações  das  alegações  são  provas  documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de  preclusão,  somente  sendo  permitido  a  sua  apresentação  em momento  outro  –  futuro  –  caso  restem  caracterizadas  as  hipóteses  autorizadoras  excepcionais  acima  referidas,  pesando  em  desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação.  De  outro  eito, mostra­se  auspicioso  destacar  que  os  artigos  15,  16  e  18  do  Decreto nº 70.235/72 estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos  em  que  se  fundamentar  a  defesa  do  impugnante,  devendo  mencionar  o  correspondente  instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as  justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome,  o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser  tido como não formulado.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)     Impende  observar,  ademais,  que  os  efeitos  fixados  no  §1º  do  art.  16  do  precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles  decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas.  No caso em estudo, além de não demonstrar a sua necessidade, o Recorrente  não atendeu aos requisitos legais para a realização de perícia, deixando de formular os quesitos  referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do  seu  perito,  como  assim  exige  o  preceito  inscrito  no  inciso  IV  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/72.  Dessarte,  considerando  que  o  Recorrente,  em  se  instrumento  de  Recurso  Voluntário, apenas formulou pedido genérico de perícia, sem a indispensável observância dos  requisitos  essenciais  fixados  no  inciso  IV  do  art.  16  supra,  além  de  não  demonstrar  a  sua  necessidade,  imperiosa  se  mostra  a  incidência  da  regra  tributária  fixada  no  §1º  do  supra  transcrito dispositivo legal, impondo­se que seja considerado como não formulado o aventado  pedido de perícia.  Por  tais  razões,  rejeitamos  novamente  a  preliminar  de  nulidade  suscitada  pelo  Recorrente.    2.4.   NULIDADE IV  O Recorrente alega nulidade por alteração  irregular do Auto de  Infração nº  51.022.942­5.  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     16 Continua sem razão !    Reza  o  art.  41  do  Decreto  nº  7.574/2011,  que  regulamenta  o  processo  de  determinação e exigência de créditos tributários da União, que, quando, em exames posteriores,  diligências  ou  perícias  realizados  no  curso  do  processo,  forem  verificadas  incorreções,  omissões  ou  inexatidões,  das  quais  resultem  agravamento  da  exigência  inicial,  inovação  ou  alteração  da  fundamentação  legal  da  exigência,  deve  ser  efetuado  lançamento  complementar  por  meio  da  lavratura  de  auto  de  infração  complementar  ou  de  emissão  de  notificação  de  lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada.  Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011.  Art.  41.  Quando,  em  exames  posteriores,  diligências  ou  perícias  realizados  no  curso  do  processo,  forem  verificadas  incorreções,  omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência  inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência,  será  efetuado  lançamento  complementar por meio da  lavratura de  auto  de  infração  complementar  ou  de  emissão  de  notificação  de  lançamento  complementar,  específicos  em  relação  à  matéria  modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3º, com a redação  dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o).   §1o O lançamento complementar será formalizado nos casos:  I ­ em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais  documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento  da formalização da exigência:  a) apurou  incorretamente a  base  de  cálculo  do  crédito  tributário;  ou  b)  não  incluiu  na  determinação  do  crédito  tributário  matéria  devidamente identificada; ou  II  ­  em  que  forem  constatados  fatos  novos,  subtraídos  ao  conhecimento  da  autoridade  lançadora  quando  da  ação  fiscal  e  relacionados  aos  fatos  geradores  objeto  da  autuação,  que  impliquem agravamento da exigência inicial.   §2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o  caput terá o objetivo de:  I ­ complementar o lançamento original; ou  II  ­  substituir,  total  ou  parcialmente,  o  lançamento  original  nos  casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação  tributária  aplicável,  não  puder  ser  efetuada  sem  a  inclusão  da  matéria anteriormente lançada.   §3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência  da  intimação  da  exigência  complementar,  para  a  apresentação  de  impugnação apenas no concernente à matéria modificada.   §4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o  caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto  de infração ou a notificação de lançamento complementados.   §5o  O  julgamento  dos  litígios  instaurados  no  âmbito  do  processo  referido no § 4o será objeto de um único acórdão.     O Recorrente alega que após a entrega dos Autos de Infração em 26/09/2012,  cientificando­se o contribuinte acerca dos Autos de Infração nº 37.362.587­1, nº 37.362.588­0,  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 496          17 nº  51.022.937­9,  nº  51.022.938­7,  nº  51.022.941­7,  nº  51.007.878­8  e  nº  51.007.872­9,  compareceu  o  Auditor  Fiscal  à  sede  da  Empresa,  para  entregar  segunda  via  do  Termo  de  Encerramento, com novo AI nº 51.022.942­5.  Aduz  que  não  foi  lavrado  Auto  de  Infração  complementar,  conforme  prescrito, mas tão somente entregue segunda via à Recorrente do Termo de Encerramento, sem  abertura  inclusive  do  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  Impugnação,  o  que  configuraria  cerceamento de defesa e a consequente a anulação do Auto de Infração nº 51.002.942­5.  Compulsando os autos, todavia, constatamos que no Termo de Encerramento  de Procedimento Fiscal a fls. 34/35 constam todos os Autos de Infração lavrados na ação fiscal  em comento, a saber, nº 37.362.587­1, nº 37.362.588­0, nº 51.022.937­9, nº 51.022.938­7, nº  51.022.941­7,  nº  51.007.878­8  e  nº  51.022.942­5,  recebido  pelo  Diretor  da  Empresa  em  28/09/2012, nele não constando, o suposto Auto de Infração nº 51.007.872­9 que o Recorrente  alega ter recebido em 26/09/2012.  Inexiste provas nos autos, todavia, de que o Recorrente tenha de fato recebido  o tal Auto de Infração nº 51.007.872­9, circunstância que representa óbice à comprovação do  alegado.  De qualquer  sorte,  ao contrário do que alega o Recorrente, o  seu direito de  defesa não se houve por cerceado, uma vez que o prazo para o oferecimento da impugnação em  face do lançamento que ora se examina teve seu dies a quo no dia 28/09/2012, data da Ciência  dos Autos de Infração nº 37.362.587­1, nº 37.362.588­0, nº 51.022.937­9, nº 51.022.938­7, nº  51.022.941­7,  nº  51.007.878­8  e  nº  51.022.942­5,  conforme  explicitado  no  tópico  4.  do  Relatório intitulado IPC ­ Instruções Para o Contribuinte, a fls. 03/04.  Instruções Para o Contribuinte ­ IPC   4 ­ Prazo para apresentação da impugnação  Recebidos  os  autos  de  infração,  o  contribuinte  tem  o  prazo  de  30  (trinta) dias da data da ciência para apresentação de impugnação.  A  ciência  ocorrida  em  dia  não  útil  ou  em  dia  em  que  não  tenha  havido  expediente  normal  deverá  ser  considerada  efetivada  no  primeiro dia útil seguinte, observando que:  a) Na contagem dos prazos, será excluído o dia da ciência efetiva e  incluído o dia do vencimento.  b) O  dia  do  vencimento  será  prorrogado  para  o  primeiro  dia  útil  seguinte  (com expediente normal),  caso recaia em dia em que não  haja  expediente  integral  na  unidade  de  atendimento da  Secretaria  da Receita Federal do Brasil   c)  Os  prazos  são  contínuos.  Não  se  suspendem  ou  interrompem.  Excepcionalmente,  pode  ser  admitida  a  suspensão  por  motivo  de  força  maior,  caso  fortuito,  greve  ou  outro  fato  que  impeça  o  funcionamento  das  unidades  de  atendimento  da  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil ou traga impedimento às partes, quando  então, o prazo voltará a fluir pelo que lhe sobejar.    Por  tais  razões,  rejeitamos  mais  uma  vez  a  preliminar  de  nulidade  suscitada  pelo  Recorrente.  Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     18   2.5.  NULIDADE V  O  Recorrente  alega  a  nulidade  do  lançamento  pela  impossibilidade  de  cobrança da contribuição destinada ao INCRA.    A razão ainda não lhe sorri !    Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada  como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social  particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência  própria, e não restituível.  A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e  interventivas.   A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA  tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos.   O Supremo Tribunal Federal, no  julgamento de Ag. Regimental no Agravo  de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª  Região , ementado como se segue :   TRIBUTÁRIO  –  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  AO  INCRA  E  AO  FUNRURAL  –  EMPREGADOR  URBANO  –  CONSTITUCIONALIDADE.  A  exação de  que  trata  o  artigo  15,  II  da Lei Complementar  nº  11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA  (0,2%),  pode  ser  exigida  de  empregador  urbano,  como  ocorre  desde  a  sua  origem,  quando  instituída  pela  Lei  2.613/55,  em  benefício  do  então  criado  Serviço  Social  Rural.  Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte.  Apelação Improvida.    pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que  obste  a  cobrança  das  contribuições  para  o  INCRA  e  para  o  FUNRURAL,  consoante  se  depreende da ementa da decisão exarada:  EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas:  acórdão  recorrido  que  se  harmoniza  com  o  entendimento  do  STF,  no  sentido  de  não  haver  óbice  a  que  seja  cobrada,  de  empresa urbana, a  referida contribuição, destinada a cobrir os  riscos  a  que  se  sujeita  toda  a  coletividade  de  trabalhadores:  precedentes. (STF, AI­AgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda  Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005)    O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que  oscilou  sua  jurisprudência,  sedimentou  o  entendimento  de  que  a  contribuição  destinada  ao  INCRA  ostenta  natureza  jurídica  de  contribuição  de  intervenção  no  domínio  econômico,  no  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 497          19 adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas  nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91.    VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO  INCRA.  NATUREZA DE  INTERVENÇÃO  NO  DOMÍNIO  ECONÔMICO.  LEIS  Nº  7.787/89  e  8.212/91.  DESTINAÇÃO  DIVERSA.  EMPRESAS  URBANAS. ENQUADRAMENTO.  I ­ A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF,  firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice  para  a  cobrança  da contribuição  destinada ao  INCRA  também  das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº  716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06  e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ  25/05/06.  II  ­  Este  Superior  Tribunal  de  Justiça,  após  diversos  pronunciamentos,  com  base  em  ampla  discussão,  reviu  a  jurisprudência  sobre  o  assunto,  chegando  à  conclusão  que  a  contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei  nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor.   III  ­  Tal  entendimento  foi  exarado  com o  julgamento  proferido  pela  Colenda  Primeira  Seção,  nos  EREsp  nº  770.451/SC,  Rel.  p/ac.  Min.  CASTRO  MEIRA,  Sessão  de  27/09/2006.  Naquele  julgado,  restou  definido  que  a  contribuição  ao  INCRA  é  uma  contribuição  especial  de  intervenção  no  domínio  econômico,  destinada  aos  programas  e  projetos  vinculados  à  reforma  agrária  e  suas  atividades  complementares.  Assim,  a  supressão  da  exação  para  o  FUNRURAL  pela  Lei  nº  7.787/89  e  a  unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91  não  provocaram  qualquer  alteração  na  parcela  destinada  ao  INCRA.  IV ­ Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp  894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 ­ PRIMEIRA  TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331)    TRIBUTÁRIO.  INCRA.  CONTRIBUIÇÃO.  NATUREZA.  COMPENSAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  ART.  66,  §  1º DA  LEI  Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE.   1.  O  INCRA  foi  criado  pelo  DL  1.110/70  com  a  missão  de  promover  e  executar  a  reforma  agrária,  a  colonização  e  o  desenvolvimento rural no País, tendo­lhe sido destinada, para a  consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição  incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada  no art. 15, II, da LC n.º 11/71.  2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço  previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não  foi  extinta  pelas  Leis  7.787/89  e  8.212/91  ­  ambas  de  natureza  previdenciária ­, permanecendo íntegra até os dias atuais como  contribuição de intervenção no domínio econômico.  3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade  Social,  os  valores  recolhidos  indevidamente  a  esse  título  não  podem  ser  compensados  com outras  contribuições  arrecadadas  pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social.  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     20 4.  Nos  termos  do  art.  66,  §1º,  da  Lei  nº  8.383/91,  somente  se  admite  a  compensação  com  prestações  vincendas  da  mesma  espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento.  5.  Embargos  de  divergência  improvidos.  STJ;  EREsp  770.451/SC;  R.P/ACÓRDÃO  Min.  CASTRO  MEIRA;  DJ:  11/06/2007)    Em  aditamento  ao  voto  proferido  no  EREsp  770.451/SC;  a  Min.  Eliana  Calmon  sublinhou  os  traços  fundamentais  da  espécie  tributária  em  exame,  rememorando  magnífico  trabalho  doutrinário  contido  na  tese  apresentada  pelo  Dr.  Luciano  Dias  Bicalho  Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o  qual pedimos venia para transcrevê­lo.   “As  contribuições  interventivas  têm  como  principal  traço  característico a  finalidade eleita  e  explicitada na consequência  da norma de incidência tributária.   (...)   Assim,  para  a  perfeita  compreensão  da  norma  de  incidência  tributária  das  contribuições  de  intervenção  sobre  o  domínio  econômico,  especificamente  aquelas  que  se  prestam  à  arrecadação  de  recursos  para  o  custeio  dos  atos  interventivos,  há  de  se  prever  uma  circunstância  intermediária  a  vincular  a  hipótese  de  incidência  e  a  consequência  tributária,  sem  a  qual  não há de se falar da existência de norma de incidência válida.   Assim,  nas  contribuições  de  intervenção  sobre  o  domínio  econômico  deverá  coexistir,  para  a  sua  perfeita  incidência,  os  dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte",  relacionado  ao  domínio  econômico,  e  os  atos  interventivos  implementados pela União.   (...)   Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas  somente  se  mostram  válidas  na  medida  em  que  o  INCRA,  efetivamente,  promove  desapropriações  para  fins  de  reforma  agrária  (circunstância  intermediária),  visando  alterar  a  estrutura  fundiária  anacrônica  brasileira,  conforme  minudentemente  visto  no  capítulo  3,  aplicando­se,  assim,  os  recursos  arrecadados  na  consecução  dos  objetivos  constitucionalmente  previstos:  função  social  da  propriedade  e  diminuição das desigualdades regionais.   Saliente­se,  por  relevante,  que  as  contribuições  devidas  ao  INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo  da  exação  (empresas  urbanas  e  algumas  agroindustriais),  beneficiam  toda  a  sociedade,  por  ter  a  sua  arrecadação  destinada  a  custear  programas  de  colonização  e  reforma  agrária,  fomentam a atividade no campo, que é de  interesse de  toda  a  sociedade  (e  não  só  do  meio  rural),  tendo  em  vista  a  redução das desigualdades e a fixação do homem na terra.   Não há que se  falar da existência de uma referibilidade direta,  que  procura  condicionar  o  pagamento  das  contribuições  às  pessoas  que  estejam  vinculadas  diretamente  a  determinadas  atividades  e  que  venham  a  ser  beneficiárias  da  arrecadação.  Ora,  o  princípio  da  referibilidade  direta,  como  defendido  por  vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico  pátrio,  especialmente  no  que  se  refere  às  contribuições  de  intervenção  no  domínio  econômico.  Trata­se  de  mera  criação  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 498          21 teórica  e  doutrinária,  sem  respaldo  no  texto  da  Constituição  Federal.   (...)   Com efeito,  a  exação  em  tela é  destinada  a  fomentar  atividade  agropecuária,  promovendo  a  fixação  do  homem  no  campo  e  reduzindo  as  desigualdades  na  distribuição  fundiária.  Consequentemente,  reduz­se  o  êxodo  rural  e  grande  parte  dos  problemas urbanos dele decorrentes.   Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária  é  instrumento  de  intervenção  no  domínio  econômico,  uma  vez  que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no  §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 ­ Estatuto da Terra.   Dessa  forma,  a  referibilidade  das  contribuições  devidas  ao  INCRA  é  indireta,  beneficiando,  de  forma  mediata,  o  sujeito  passivo submetido a essa responsabilidade”.     Cumpre neste comenos destacar que escapa à competência deste Colegiado a  sindicância  relativa  à  adequação  da  norma  legal  aos  princípios  norteadores  do  ordenamento  jurídicos que permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et  alli,  ao  Poder  Judiciário,  exclusivamente.  A  esta  2ª  Seção  foi  deferida,  tão  somente,  a  competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal  à  legislação  tributária  vigente  e  eficaz,  em  honra  ao  Princípio  Constitucional  da  estrita  legalidade.  Muito embora o STF tenha reconhecido a existência de repercussão geral no  Recurso  Extraordinário  nº  630.898/RS  a  respeito  da  Constitucionalidade  a  contribuição  destinada ao INCRA, até o presente momento não houve decisão definitiva da Suprema Corte  sobre a matéria, havendo que prevalecer a presunção de constitucionalidade da Norma Jurídica.    Assentado que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade  de  atos  administrativos  constituem­se  prerrogativas  outorgadas  pela  Constituição  Federal  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário,  não  podem  os  agentes  da  Administração  Pública  imiscuírem­se  sponte  propria  nas  funções  reservadas  pelo  Constituinte  Originário  ao  Poder  Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste.  Sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e,  restando  os  preceitos  introduzidos  pelas  leis  que  regem  as  contribuições  ora  em  apreciação  plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de  vigência  por  parte  do  Auditor  Fiscal  Notificante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente  em  responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     22 Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.    Deve­se atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação  tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de sequela definitiva  decorrente de declaração de inconstitucionalidade promanada na via concentrada, exclusiva do  Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos.  Ademais,  perfilhando  idêntico  entendimento  como  o  acima  esposado,  a  Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para  se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Não  se  deve  olvidar  que  é  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o  conteúdo  encartado  em  leis  e  decretos  sob  o  fundamento  de  incompatibilidade  com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda.  PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.    Desbastada  nesses  talhes  a  escultura  jurídica,  impedido  se  encontra  este  Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, atividade  essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário.    Por tais razões, rejeitamos outra vez a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente.    2.6.  NULIDADE VI  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 499          23 O Recorrente alega nulidade da autuação, por não  ter sido aplicada a multa  moratória mais benéfica.  Muito longe da razão !    O Recorrente aduz que deveria ser aplicada nas competências de 01/2007 a  11/2008 tão somente a multa de mora, no percentual aplicável à época, de 24%, na forma do  art. 35 da Lei 8.212/91, tendo em vista inexistir na ocasião previsão legal de multa de ofício.  Tais alegações,  todavia,  não poderão ser objeto de apreciação e  julgamento  por este Sodalício em razão de não possuírem referibilidade ao objeto do lançamento ora em  debate.  Conforme  se  observa  dos  relatórios  que  integram  o  vertente  lançamento,  o  período  de  apuração  dos  Fatos  Geradores  de  Contribuição  Previdenciária  que  compõem  o  presente  Processo  Administrativo  Fiscal  encontra­se  limitado  ao  horizonte  temporal  de  01/01/2009  até  31/12/2011,  ocasião  em  que  já  se  encontrava  vigente  e  eficaz  a  MP  nº  449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009.  Inexiste  no  vertente  Processo  Administrativo  Fiscal  qualquer  lançamento  decorrente de fatos geradores que tenham ocorrido nas competências de 01/2007 a 11/2008, de  onde se conclui que as alegações do Recorrente fogem ao objeto do vertente processo.    Por tais razões, urge ser rejeitada ainda mais esta vez a preliminar de nulidade suscitada  pelo Recorrente.    2.7.  NULIDADE VII  O  Recorrente  alega  nulidade  do  Auto  de  Infração  por  supostos  erros  na  determinação  da  base  de  cálculo,  devido  à  inclusão  de  rubricas  não  sujeitas  à  incidência  de  Contribuições Previdenciárias.  Aduz  haverem  sido  incluídas  na  base  de  cálculo  rubricas  de  natureza  remuneratória.     Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a  serôdia  ideia  de  que  a  remuneração  do  empregado  é  constituída,  tão  somente,  por  verbas  representativas  de  contraprestação  de  serviços  efetivamente  prestados  pelos  empregados.  A  retidão  de  tal  concepção  poderia  até  ter  sua  primazia  aferida  ao  tempo  da  promulgação  do  Decreto­Lei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho.  CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO ­ CLT   Art.  457  ­ Compreendem­se na  remuneração do empregado, para  todos os  efeitos  legais,  além  do  salário  devido  e  pago  diretamente  pelo  empregador,  como  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     24 contraprestação  do  serviço,  as  gorjetas  que  receber.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  1.999, de 1.10.1953)  §1º  ­  Integram  o  salário  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também  as  comissões,  percentagens,  gratificações  ajustadas,  diárias  para  viagens  e  abonos  pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §2º ­ Não se  incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para  viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo  empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §3º ­ Considera­se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente  ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como  adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados.  (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)    Art. 458 ­ Além do pagamento em dinheiro, compreende­se no salário, para todos os  efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura"  que  a  empresa,  por  forca  do  contrato  ou  do  costume,  fornecer  habitualmente  ao  empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou  drogas nocivas. (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis,  não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes  do salário­mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as  seguintes  utilidades  concedidas  pelo  empregador:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.243, de 19.6.2001)  I  –  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  aos  empregados  e  utilizados no  local de  trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº  10.243, de 19.6.2001)  II  –  educação,  em  estabelecimento  de  ensino  próprio  ou  de  terceiros,  compreendendo  os  valores  relativos  a  matrícula,  mensalidade,  anuidade,  livros  e  material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso  servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  IV  –  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica,  prestada  diretamente  ou  mediante seguro­saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  V  –  seguros  de  vida  e  de  acidentes  pessoais;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.243,  de  19.6.2001)  VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)    §3º ­ A habitação e a alimentação  fornecidas como salário­utilidade deverão atender  aos  fins  a  que  se  destinam  e  não  poderão  exceder,  respectivamente,  a  25%  (vinte  e  cinco por  cento) e 20%  (vinte por  cento) do  salário­contratual.  (Incluído pela Lei nº  8.860, de 24.3.1994)  §4º  ­  Tratando­se  de  habitação  coletiva,  o  valor  do  salário­utilidade  a  ela  correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número  de  co­habitantes,  vedada,  em  qualquer  hipótese,  a  utilização  da  mesma  unidade  residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94)    Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de  Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui,  as  relações  jurídicas  se  transformam,  acompanhando...,  os  conceitos  evolvem­se...  Nesse  compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações.  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 500          25 Ao  contrário,  tais  são  exigíveis.  A  sucessiva  evolução  na  interpretação  das  normas  já  positivadas  ajusta­as  à  nova  realidade  mundial,  resgatando­lhes  o  alcance  visado  pelo  legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo  real.  Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito  às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao  empregador.  Se  assim  o  fosse,  o  décimo  terceiro  salário,  as  férias,  o  final  de  semana  remunerado,  as  faltas  justificadas  e  outras  tantas  rubricas  frequentemente  encontradas  nos  contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por  serviços executados pelo obreiro.  Paralelamente,  as  relações  de  trabalho  hoje  estabelecidas  tornaram­se  por  demais  complexas  e  diversificadas,  assistimos  à  introdução  de  novas  exigências  de  exclusividade  e  de  imagem,  novas  rubricas  salariais  foram  criadas  para  contemplar  outras  prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos,  dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente  démodé.   Antenada  a  tantas  transformações,  a  doutrina  mais  balizada  passou  a  interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo  empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho.   Com  efeito,  o  liame  jurídico  estabelecido  entre  empregador  e  empregado  segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum  minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer  ao  contratante,  além  do  seu  labor,  também  a  sua  imagem,  o  seu  não  labor  nas  empresas  concorrentes,  a  sua  disponibilidade,  sua  credibilidade  no  mercado,  ceteris  paribus.  Já  o  contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como  também uma série de vantagens diretas,  indiretas, em utilidades,  in natura, e assim adiante...  Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas  elas  ostentam,  em  sua  essência,  uma  nota  contraprestativa.  Todas  elas  colimam,  inequivocamente,  oferecer  um  atrativo  financeiro/econômico  para  que  o  obreiro  estabeleça  e  mantenha vínculo jurídico com o empregador.   Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente  figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos  patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de  trabalho e da  lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo  trabalho  realizado.  Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento:  “Fatores  diversos  multiplicaram  as  formas  de  pagamento  no  contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do  salário­base  há  modos  diversificados  de  remuneração  do  empregado,  cuja  variedade  de  denominações  não  desnatura  a  sua natureza salarial ...  (...)  Salário  é  o  conjunto  de  percepções  econômicas  devidas  pelo  empregador  ao  empregado  não  só  como  contraprestação  pelo  trabalho,  mas,  também,  pelos  períodos  em  que  estiver  à  disposição  daquele  aguardando  ordens,  pelos  descansos  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     26 remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por  força  de  lei”  Nascimento,  Amauri  M.  ,  Iniciação  ao  Direito  do  Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005.    Registre­se, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo  “remuneração”  esposado  pelos  diplomas  jurídicos  mais  atuais  se  divorciou  de  forma  substancial daquele conceito antiquado presente na CLT.   O baluarte desse novo entendimento  tem sua pedra  fundamental  fincada na  própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece:  Constituição Federal de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos  ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos)     Do  marco  primitivo  constitucional  deflui  que  a  base  de  incidência  das  contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente  no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados  em  favor  do  trabalhador  e  todas  as  parcelas  a  este  devidas  em  decorrência  do  contrato  de  trabalho,  de  molde  que,  toda  e  qualquer  espécie  de  contraprestação  paga  pela  empresa,  a  qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontram­se abraçadas, em gênero, pelo  conceito de Salário de Contribuição.  Em  reforço  a  tal  abrangência,  de  modo  a  espancar  qualquer  dúvida  ainda  renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o  legislador  constituinte  fez  questão  de  consignar  no  texto  constitucional,  de  forma  até  pleonástica,  que  as  contribuições  previdenciárias  incidiriam  não  somente  sobre  a  folha  de  salários  como  também  sobre  os  “demais  rendimentos  do  trabalho,  pagos  ou  creditados,  a  qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”.  Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11  do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO  (Instituto  de Direito  do Trabalho)  aos  ganhos  habituais  do  empregado,  recebidos  a  qualquer  título.  Constituição Federal de 1988   Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 501          27 (...)  §11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  consequente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº  20/98) (grifos nossos)     Portanto,  a  contar  da  EC  n°  20/98,  todas  as  verbas  recebidas  com  habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por  força  de  norma  constitucional,  o  conceito  jurídico  de  SALÁRIO  (Instituto  de  Direito  do  Trabalho)  e,  nessa  condição,  passam  a  compor  obrigatoriamente  o  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO  (Instituto  de  Direito  Previdenciário)  do  segurado,  se  sujeitando  compulsoriamente  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  e  repercutindo  no  benefício  previdenciário do empregado.  Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do  seguinte julgado:  TRT­7 ­ Recurso Ordinário:   Processo:  RECORD  53007520095070011  CE  0005300­ 7520095070011   Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO   Órgão Julgador: TURMA 2   Publicação: 22/03/2010 DEJT  RECURSO DA RECLAMANTE CTVA ­ NATUREZA SALARIAL  ­  CONTRIBUIÇÃO  A  ENTIDADE  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA.  A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir  de  compromisso  aos  ganhos  mensais  do  empregado,  detém  natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os  fins,  inclusive  para  o  cálculo  da  contribuição  a  entidade  de  previdência privada.   RECURSO  DO  RECLAMADO  CEF  ­  CTVA.  Com  efeito,  se  referidas  gratificações  são  pagas  com  habitualidade  se  incorporam  ao  patrimônio  jurídico  do  reclamante,  de  forma  definitiva,  compondo  sua  remuneração  para  todos  os  efeitos.  Atente­se  que  a  natureza  de  tal  verba  não  mais  será  de  "gratificação" mas  sim  de  "Adicional Compensatório  de Perda  de Função"    A  norma  constitucional  acima  citada  não  exclui  da  tributação  as  rubricas  recebidas  em  espécie de  forma eventual. A  todo ver,  a norma  constitucional  em questão  fez  incorporar  ao  SALÁRIO  (instituto  de  direito  do  trabalho)  todos  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título.  Ocorre,  contudo,  que  o  conceito  de  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO  (instituto  de  direito  previdenciário)  é  muito  mais  amplo  que  o  conceito  trabalhista  mencionado,  compreendendo  não  somente  o  SALÁRIO  (instituto  de  direito  do  trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS.  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     28 Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme  o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram  o  conceito  de  Salário  de  Contribuição,  nos  termos  e  na  abrangência  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial, quer pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos)  II ­ para o empregado doméstico: a remuneração registrada na  Carteira  de  Trabalho  e  Previdência  Social,  observadas  as  normas  a  serem  estabelecidas  em  regulamento  para  comprovação  do  vínculo  empregatício  e  do  valor  da  remuneração;  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma  ou mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o §5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  IV  ­  para  o  segurado  facultativo:  o  valor  por  ele  declarado,  observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela  Lei nº 9.876, de 1999).    Note­se que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência  das  contribuições  previdenciárias,  foi  estruturado  de molde  a  abraçar  toda  e  qualquer  verba  recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente  prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador  mesmo que sem prestar qualquer labor, nos termos do contrato de trabalho.  Advirta­se que o termo “remunerações” encontra­se empregado no caput do  transcrito  art.  28  em  seu  sentido  amplo,  abarcando  todos  os  componentes  atomizados  que  integram  a  contraprestação  da  empresa  aos  segurados  obrigatórios  que  lhe  prestam  serviços.  Tais  conclusões  decorrem  de  esforços  hermenêuticos  que  não  ultrapassam  a  literalidade  dos  enunciados  normativos  supratranscritos,  eis  que  o  texto  legal  revela­se  cristalino  ao  estabelecer,  como  base  de  incidência,  o  “total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  qualquer título”.  Nesses  termos,  compreendem­se  no  conceito  legal  de  remuneração  os  três  componentes do gênero, assim especificados pela doutrina:  1­  Remuneração  Básica  –  Também  denominada  “Verbas  de  natureza  Salarial”. Refere­se à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador  pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o  obreiro  aufere  de  maneira  regular,  na  forma  de  salário  mensal  ou  na  forma de salário por hora.   Fl. 515DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 502          29 2­  Incentivos  Salariais  ­  São  programas  desenhados  para  recompensar  funcionários  com  bom  desempenho.  Os  incentivos  são  concedidos  sob  diversas  formas,  como  bônus,  gratificações,  prêmios,  participação  nos  resultados  a  título  de  recompensa  por  resultados  alcançados,  dentre  outros.   3­  Benefícios  ­ Quase  sempre denominados como “remuneração  indireta”.  Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem  uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in  natura”,  que  culminam  por  representar  um  ganho  patrimonial  para  o  trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o  profissional deixa de desembolsar diretamente.    Nesse  novel  cenário,  a  regra  primária  importa  na  tributação  de  toda  e  qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, mesmo que na forma de  utilidades,  ressalvadas  aquelas  que  a  própria  lei  excluir  do  campo  de  incidência.  No  caso  específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontra­se estatuída  no  parágrafo  9º  do  citado  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual,  dada  a  sua  relevância,  transcrevemos em sua integralidade:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  §9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97) (grifos nossos)  a)  Os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  As  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;   d)  As  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho ­ CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  As  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   1.  Previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço ­ FGTS;   Fl. 516DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     30 3. Recebidas a  título da  indenização de que  trata o art. 479 da  CLT;   4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. Recebidas a título de incentivo à demissão;  6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  Recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).  8.  Recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  A  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;   g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  h)  As  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinquenta por cento) da remuneração mensal;   i) A  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j) A participação nos  lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;   l)  O  abono  do  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   m)  Os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  A  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  As  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  O  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts.  9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 503          31 q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r) O  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   s)  O  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   t)  O  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  u)  A  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  Os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)     Cumpre observar que, em atenção aos  termos  insculpidos no art. 111,  II do  CTN, deve­se emprestar  interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção,  de sorte que, onde o legislador ordinário não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da  lei estender a interpretação, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;    Art.  176. A  isenção, ainda quando prevista  em contrato, é  sempre  decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos  para a sua concessão, os  tributos a que se aplica e, sendo caso, o  prazo de sua duração.   Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região  do  território da entidade  tributante, em  função de condições a  ela  peculiares.  Fl. 518DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     32   Art.  179.  A  isenção,  quando  não  concedida  em  caráter  geral,  é  efetivada,  em  cada  caso,  por  despacho  da  autoridade  administrativa,  em  requerimento  com  o  qual  o  interessado  faça  prova  do  preenchimento  das  condições  e  do  cumprimento  dos  requisitos previstos em lei ou contrato para concessão.  § 1º Tratando­se de tributo  lançado por período certo de tempo, o  despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de  cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do  primeiro  dia  do  período  para  o  qual  o  interessado  deixar  de  promover a continuidade do reconhecimento da isenção.  §  2º O despacho  referido  neste  artigo  não  gera  direito  adquirido,  aplicando­se, quando cabível, o disposto no artigo 155.    Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se  excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção,  tanto assim que as parcelas  integrantes do supra­aludido §9º, quando pagas ou creditadas em  desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para  todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art.  214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.  Se  nos  antolha  auspicioso  assinalar  que  as  questões  atinentes  à  isenção  tributária constituem­se matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único  instrumento  normativo  com  aptidão  para  determinar  as  hipóteses  de  renúncia  fiscal,  não  previstas  constitucionalmente,  não  irradiando  efeitos  na  seara  pública  qualquer  disposição  pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho, sendo inconcebível que  interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim.  Não  se  deve  olvidar  que,  sendo  a  isenção  tributária  uma  norma  legal  de  exceção,  de  interpretação  restritiva  e  em  benefício  do  Contribuinte,  o  adimplemento  cumulativo  de  todas  as  condições  e  requisitos  previstos  na  lei  para  a  sua  concessão  não  se  presume, se comprova mediante documentos idôneos.  Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar  o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida,  sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação.    2.7.1.   AVISO PRÉVIO INDENIZADO  A  CLT  estabelece  que,  em  se  tratando  de  contrato  de  trabalho  por  prazo  indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a  sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce  para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a  integração  desse  período  no  seu  tempo  de  serviço  (art.  487,  §  1º,  da  CLT). Desse modo,  o  pagamento decorrente da falta de aviso prévio, o assim denominado “aviso prévio indenizado”,  representa o montante recebido pelo trabalhador referente ao período do aviso prévio que não  foi trabalhado. Não que se falar, pois, em dano eis que tal não ocorreu.  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 504          33 Em  primeiro  lugar,  merece  ser  trazido  à  balha  que  o  dever  jurídico  de  indenizar pressupõe a existência de um ato  ilícito e de um dano dele diretamente decorrente,  sem o qual não há o que se reparar.  Em segundo lugar, atente­se que o conceito jurídico de dano traz subjacente a  ideia de prejuízo injusto decorrente de ato ilícito, a ser reparado por aquele que, mediante ação  ou  omissão  voluntária,  negligência  ou  imprudência,  tenha  violado  direito  e  causado  dano  a  outrem.  Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil  Art.  186.  Aquele  que,  por  ação  ou  omissão  voluntária,  negligência  ou  imprudência,  violar  direito  e  causar  dano  a  outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.    Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que,  ao exercê­lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu  fim econômico ou social, pela boa­fé ou pelos bons costumes.    Art. 188. Não constituem atos ilícitos:  I ­ os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de  um direito reconhecido;  II  ­  a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a  lesão a  pessoa, a fim de remover perigo iminente.  Parágrafo  único.  No  caso  do  inciso  II,  o  ato  será  legítimo  somente  quando  as  circunstâncias  o  tornarem  absolutamente  necessário,  não  excedendo  os  limites  do  indispensável  para  a  remoção do perigo.    Art.  927.  Aquele  que,  por  ato  ilícito  (arts.  186  e  187),  causar  dano a outrem, fica obrigado a repará­lo.  Parágrafo  único.  Haverá  obrigação  de  reparar  o  dano,  independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou  quando  a  atividade  normalmente  desenvolvida  pelo  autor  do  dano  implicar,  por  sua  natureza,  risco  para  os  direitos  de  outrem.      Dessarte, somente ostentará natureza indenizatória as verbas pagas visando a  repara um dano, decorrente de ato  ilícito praticado com dolo ou  culpa por aquele que  tem o  dever de reparar o dano em questão.  Nessa  vertente,  se  um  trabalhador  tem  o  seu  carro  destruído  por  uma  enchente, e o Empregador, em reconhecimento à importância do empregado e como forma de  restaurar  o  statu  quo  ante,  oferece  gratuitamente  ao  trabalhador  um  veículo  idêntico  ao  destruído, tal ato jurídico não ostenta natureza indenizatória, uma vez que não decorreu de ato  ilícito  praticado  pelo  Empregador,  tampouco  tinha  este  o  dever  jurídico  de  reparar  o  dano  sofrido pelo seu empregado.   Fl. 520DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     34 No  caso  dos  autos,  os  valores  pagos  a  título  impróprio  de  “aviso  prévio  indenizado”  possui  natureza  remuneratória  correspondente  ao  período  que  o  trabalhador  deveria prestar serviços ao empregador, após o recebimento do aviso prévio.  Qual dano sofreu o trabalhador ??? Receber salário sem trabalhar é dano ???  Ora  ...  A  parte  que  efetivamente  sofreu  alguma  espécie  de  dano  foi,  exatamente, o empregador que se viu impingido a pagar o salário do obreiro sem a respectiva  contraprestação laboral.  Nem se diga que o dano seria decorrente da dispensa sem justa causa, pois tal  faculdade do empregador não se configura ato ilícito, mas direito potestativo da parte.  Ademais, seria um contrassenso ...   (a)  Se  o  empregado  é  demitido  sem  justa  causa,  trabalha  regularmente  durante  o  período  do  aviso  prévio  e  recebe  o  salário  correspondente  –  não há dano.  (b)  Se o empregado é demitido sem justa causa, deixa de trabalhar durante o  período do aviso prévio e recebe o salário correspondente – há dano.  Qual seria o dano ? deixar de trabalhar e receber o salário.    Registre­se  por  relevante  que  a  não  incidência  de  Contribuições  Previdenciárias  sobre  o  impropriamente  denominado  “aviso  prévio  indenizado”  seria  inconstitucional,  representaria ofensa  à norma  encartada no  caput  do  art.  201 da CF/88, que  expressamente estatui que a previdência social tem caráter contributivo.  Constituição Federal de 1988   Art.  201.  A  previdência  social  será  organizada  sob  a  forma  de  regime  geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação  dada  pela  Emenda Constitucional nº 20/98)  (...)    Ora,  se  o  período  referente  ao  aviso  prévio  indenizado  conta  tempo  de  contribuição  para  fins  de  aposentadoria  pelo RGPS,  obviamente  tem  que  haver  contribuição  sobre a remuneração referente a tal período.    Note­se que a base de cálculo da contribuição patronal prevista no inciso I do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91  abarca,  não  somente  os  serviços  efetivamente  prestados  pelo  trabalhador, mas, também, o tempo em que este ficou à disposição do empregador ou tomador  de serviços.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade  Social, além do disposto no art. 23, é de:   Fl. 521DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 505          35 I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    2.7.2.  DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO – GRATIFICAÇÃO NATALINA  Conforme  já  destacado  alhures,  o  conceito  jurídico  de  Salário  de  Contribuição  foi  empregado  no  caput  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91  em  seu  sentido  amplo,  abraçando  todos os componentes atomizados que  integram a  contraprestação da empresa aos  segurados obrigatórios que  lhe prestam serviços, de maneira que a regra primária  importa na  tributação  de  toda  e  qualquer  verba  paga,  creditada  ou  juridicamente  devida  ao  empregado,  mesmo que na forma de utilidades, ressalvadas aquelas que a própria lei excluiu do campo de  incidência, as quais encontram­se arroladas numerus clausus no parágrafo 9º do citado art. 28  da Lei de Custeio da Seguridade Social.  Dessarte,  para  os  fatos  geradores  consistente  no  pagamento  de  gratificação  natalina, inexiste qualquer subsunção do fato jurígeno tributário à norma de exclusão da base  de cálculo, circunstância que implica sua integração na matéria tributável.   Ao  revés,  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  a  gratificação  natalina encontra­se expressamente prevista no §7º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade  Social.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante  o mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer  pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  (...)  §  7º  O  décimo­terceiro  salário  (gratificação  natalina)  integra  o  salário­de­contribuição,  exceto  para  o  cálculo  de  benefício,  na  forma  estabelecida  em  regulamento.  (Redação  dada  pela  Lei  n°  8.870/94)  (...)    Fl. 522DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     36 Anote­se que o Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgReg  em Ag nº 727.958­7, Rel. Min. Eros Grau, Dj. 16/12/2008, firmou entendimento no sentido de  que  as  parcelas  incorporáveis  ao  salário  do  servidor  sofrem  a  incidência  da  contribuição  previdenciária.   Tantas  foram  as  decisões  no  mesmo  sentido  que  o  STF  achou  por  bem  consolidar tal entendimento na Súmula 688, cujo verbete ostenta a seguinte redação:  SÚMULA 688  É  LEGÍTIMA  A  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA SOBRE O 13º SALÁRIO.    Nesse  contexto,  sendo  a  gratificação  natalina  um  direito  trabalhista  do  empregado,  tendo  inclusive matriz  constitucional,  sendo  devido  pela  Previdência  Social  aos  aposentados, sobre tal rubrica há de incidir Contribuição Previdenciária.  O  Colendo  Superior  Tribunal  de  Justiça  já  irradiou  em  seus  arestos  a  interpretação que deve prevalecer, na pacificação do debate em torno do assunto:  REsp 951.134/SP ­ RECURSO ESPECIAL2007/0108334­6   Relator: Min. Mauro Campbell Marques   Órgão Julgador T2 ­ SEGUNDA TURMA   Data da Publicação/Fonte DJe 13/04/2011   Ementa:  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  DÉCIMO­TERCEIRO  SALÁRIO.  CÁLCULO  EM  SEPARADO.  POSSIBILIDADE. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO  RESP 1066682/SP, JULGADO EM 09/12/2009, SOB O REGIME  DO ART. 543­C DO CPC.  1. A partir da edição da Lei n.º 8.620/93, é legítima a tributação  em separado da contribuição previdenciária sobre o valor bruto  do  13.º  salário.  Precedente:  REsp  1066682/SP,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  DJe  1º/2/2010,  julgado  pela  sistemática  do art. 543­C do CPC e da res. n. 8/08 do STJ.  2. Recurso especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro  Social  ­  INSS  provido.  Recurso  especial  interposto  por  Luiz  Donizeti Zara prejudicado.    Nesse  contexto,  figurando  tal  rubrica  no  campo  de  incidência  da  exação  previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o  lançamento.   Nessa  esteira,  havendo  incidência  de Contribuições Previdenciárias  sobre  o  aviso prévio não trabalhado e sobre a gratificação natalina, exsurge, por decorrência lógica, que  também deverá  sofrer  incidência  tributária  a parcela  referente ao 13º  salário proporcional  ao  aviso prévio.    2.7.3.  DO SALÁRIO MATERNIDADE  Fl. 523DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 506          37 O art. 392 da CLT proibia o trabalho da mulher grávida nas seis semanas que  antecediam o parto e nas seis semanas seguintes. Com o advento do Decreto­Lei nº 29/67, tal  vedação houve­se por estabelecida entre as quatro semanas antes e as semanas após o parto.  No  que  se  refere  ao  salário  da  gestante,  a  lei  assegurava  à  mulher  não  somente o  salário  integral,  como  também os diretos  e vantagens  adquiridos,  sendo­lhe  ainda  facultado reverter à função que anteriormente ocupava, conforme disposto no art. 39 da CLT –  na redação dada pelo Decreto­Lei 29/67.  Hodiernamente,  o  art.  392  da CLT  dispõe  que  "a  empregada  gestante  tem  direto  à  licença­maternidade  de  120  (cento  e  vinte)  dias,  sem  prejuízo  do  emprego  e  do  salário".   Consolidação das Leis do Trabalho   Art.  392. A empregada gestante  tem direito à  licença­maternidade  de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário.  (Redação dada pela Lei nº 10.421/2002)  §1º  A  empregada  deve, mediante  atestado médico,  notificar  o  seu  empregador  da  data  do  início  do  afastamento  do  emprego,  que  poderá ocorrer  entre o 28º  (vigésimo oitavo) dia antes do parto e  ocorrência deste. (Redação dada pela Lei nº 10.421/2002)  §2º Os períodos de  repouso, antes  e depois do parto,  poderão  ser  aumentados  de  2  (duas)  semanas  cada  um,  mediante  atestado  médico. (Redação dada pela Lei nº 10.421/2002)  §3º  Em  caso  de  parto  antecipado,  a  mulher  terá  direito  aos  120  (cento e vinte) dias previstos neste artigo.  (Redação dada pela Lei  nº 10.421/2002)  §4º É garantido à empregada, durante a gravidez, sem prejuízo do  salário e demais direitos: (Redação dada pela Lei nº 9.799/99)  I  ­  transferência  de  função,  quando  as  condições  de  saúde  o  exigirem, assegurada a retomada da função anteriormente exercida,  logo após o retorno ao trabalho; (Incluído pela Lei nº 9.799/99)  II ­ dispensa do horário de trabalho pelo  tempo necessário para a  realização de, no mínimo, seis consultas médicas e demais exames  complementares. (Incluído pela Lei nº 9.799/99)    Como se verifica, num primeiro momento, salário maternidade caracterizava­ se  como  um  ônus  da  empresa,  o  que,  sem  dúvida,  constituía  obstáculo  à  contração  de  empregadas.  Objetivando  corrigir  essa  distorção,  a  Lei  nº  6.136/74  incluiu  o  salário  maternidade entre os benefícios da Previdência Social, estatuído em seu art. 3º sua subsunção à  regra de incidência tributária.  Lei nº 6.136, de 7 de novembro de 1974  Art.  2º  O  salário­maternidade,  que  corresponderá  à  vantagem  consubstanciada  no  artigo  393  da  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho, terá sua concessão e manutenção pautadas pelo disposto  nos artigos 392, 393 e 395 da referida Consolidação, cumprindo às  empresas  efetuar  os  respectivos  pagamentos.  (Redação  dada  pela  Lei nº 6.332/76)  Fl. 524DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     38 §1º  O  valor  bruto  do  salário­maternidade  pago  à  empregada,  aí  incluída a contribuição dele descontada para a previdência social,  será deduzido do montante que as empresas recolhem mensalmente  ao  INPS a  título  de  contribuições  previdenciárias.  (Redação  dada  pela Lei nº 6.332/76)  §2º Não se aplicam ao cálculo do valor do salário­maternidade as  restrições  contidas  no  §  4º,  do  artigo  3º,  da  citada  Lei  número  5.890, e no inciso III, do seu artigo 5º. (Redação dada pela Lei nº  6.332/76)  §3º Serão  fornecidos pela previdência  social os atestados médicos  de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo 392, da Consolidação das Leis  do Trabalho. (Incluído pela Lei nº 6.332/76)    Art.  3º  O  salário­maternidade  continuará  sujeito  ao  desconto  da  contribuição  previdenciária  de  8%  (oito  por  cento)  e  à  incidência  dos encargos sociais de responsabilidade da empresa.    Como  visto,  o  salário  maternidade  ostenta  natureza  salarial,  sendo  que  a  transferência  do  encargo  para  a  Previdência  Social  não  tem  o  condão  de  transmudar  sua  natureza jurídica.  Nos  termos  do  art.  3ºda  Lei  8.213/91,  "a  Previdência  Social  tem  por  fim  assegurar  aos  seus  beneficiários  meios  indispensáveis  de  manutenção,  por  motivo  de  incapacidade,  idade  avançada,  tempo  de  serviço,  desemprego  involuntário,  encargos  de  família  e  reclusão  ou morte  daqueles  de  quem  dependiam  economicamente". O  fato  de  não  haver  prestação  de  trabalho  durante  o  período  de  afastamento  da  segurada  empregada,  associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não  autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido a esse título tenha natureza indenizatória  ou compensatória, ou seja,  em razão de uma contingência  (maternidade), paga­se  à segurada  empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente  natureza salarial.  Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, §2º, da Lei 8.212/91 dispõe  expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição:   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante  o mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer  pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)   (...)  §2º O salário­maternidade é considerado salário­de­contribuição.   (...)    Fl. 525DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 507          39 Nesse  contexto,  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  as  importâncias  pagas  a  título  de  salário maternidade,  no Regime Geral  da  Previdência  Social,  decorre  de  expressa  previsão  legal,  inexistindo  qualquer  indício  de  incompatibilidade  com o  texto constitucional.   Com efeitos,  o  art.  7º, XX, da Constituição Federal  assegura  a proteção do  mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei.  Constituição Federal de 1988  Art.  7º  São  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XX  ­  proteção  do  mercado  de  trabalho  da  mulher,  mediante  incentivos específicos, nos termos da lei;  (...)    No  que  s  refere  ao  salário  maternidade,  por  opção  do  legislador  infraconstitucional,  transferência  do  ônus  referente  ao  pagamento  dos  salários  da  gestante,  durante  o  período  de  afastamento,  constitui­se  incentivo  suficiente  para  assegurar  a  devida  proteção ao mercado de trabalho da mulher.  A  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  salário  maternidade  encontra sólido amparo na  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, havendo  inúmeros  precedentes nesse sentido.  Tal entendimento encontra­se plasmado em sua essência e termos no Recurso  Especial  nº  1.230.957­RS,  cujo  julgamento  se  houve  por  realizado  segundo  o  regime  dos  Recursos Repetitivos previsto no art. 543­C do CPC, c/c Resolução 8/208 ­ Presidência/STJ, e  de cuja ementa extraímos os seguintes excertos:  RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957 ­RS (201/09683­6)  Rel. Min. MAURO CAMPBEL MARQUES  EMENTA  PROCESUAL  CIVL.  RECURSO  ESPECIAS.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA.  REGIME  GERAL  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  DISCUSÃO  A  RESPEITO  DA  INCIDÊNCIA  OU  NÃO  SOBRE  ASEGUINTES  VERBAS:  TERÇO  CONSTIUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE;  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA  PAGA  NOS  QUINZE DIAS  QUE  ANTECEDEM O AUXÍLIO­DOENÇA.  (...)  1.3 ­ Salário maternidade.  O  salário maternidade  tem  natureza  salarial  e  a  transferência  do  encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão  de mudar  sua natureza. Nos  termos do art.  3º  da Lei 8.213/91,  "a  Previdência  Social  tem  por  fim  assegurar  aos  seus  beneficiários  meios  indispensáveis  de manutenção,  por motivo  de  incapacidade,  idade  avançada,  tempo  de  serviço,  desemprego  involuntário,  encargos  de  família  e  reclusão  ou  morte  daqueles  de  quem  Fl. 526DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     40 dependiam  economicamente".  O  fato  de  não  haver  prestação  de  trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada,  associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um  benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que  o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou  seja,  em  razão  de  uma  contingência  (maternidade),  paga­se  à  segurada  empregada  benefício  previdenciário  correspondente  ao  seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por  outra razão que, atualmente, o art. 28, §2º, da Lei 8.212/91 dispõe  expressamente que o salário maternidade é considerado salário de  contribuição.  Nesse  contexto,  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  salário  maternidade,  no  Regime  Geral  da  Previdência Social, decorre de expressa previsão legal.  Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de  incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária  sobre o salário maternidade a Constituição Federal. A Constituição  Federal,  em  seus  termos,  assegura  igualdade  entre  homens  e  mulheres  em  diretos  e  obrigações  (art.  5º,  I).  O  art.  7º,  XX,  da  CF/88  assegura  proteção  do  mercado  de  trabalho  da  mulher,  mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere  ao  salário  maternidade,  por  opção  do  legislador  infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento  dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo  suficiente  par  assegurar  a  proteção  ao  mercado  de  trabalho  da  mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação,  atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva  mais  ampla  e,  desse  modo,  desincumbir  o  empregador  do  ônus  referente  à  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  o  salário  maternidade, quando não foi esta a política legislativa.  A  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  salário  maternidade  encontra  sólido  amparo  na  jurisprudência  deste  Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp  572.626/BA,  1ªTurma,  Rel.  Min.  José  Delgado,  DJ  de  20.9.2004;  REsp 641.227/SC, 1ªTurma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004;  REsp  803.708/CE,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Eliane  Calmon,  DJ  de  2.10.2007; REsp 86.954/RS, 1ªTurma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ  de  29.6.2007;  AgR  no  REsp  901.398/SC,  2ªTurma,  Rel.  Min.  Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ªTurma,  Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJe  de  21.8.2008; AgR no REsp  1.5.172/RS,  2ªTurma,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJe  de  25.9.2009;  AgR  no  Ag  1.42.039/DF,  2ªTurma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  de  21.10.2011;  AgR  nos  EDcl  no  REsp  1.04.653/SC,  1ªTurma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgR  no REsp 1.07.89/PR,  1ª  Turma, Rel. Min. Bendito Gonçalves, DJe  de 17.3.2010.  (...)  3. Conclusão.  Recurso  especial  de  HIDRO  JET  EQUIPAMENTOS  HIDRÁULICOS  LTDA  parcialmente  provido,  apenas  para  afastar  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  adicional  de  férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas.  Recurso especial da Fazenda Nacional não provido.  Acórdão  sujeito  ao  regime  previsto  no  art.  543­C  do  CP,  c/  a  Resolução 8/208 ­ Presidência/STJ.    Fl. 527DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 508          41 Nesse  contexto,  figurando  tal  rubrica  no  campo  de  incidência  da  exação  previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o  lançamento.     2.7.4.   DAS HORAS EXTRAS E DO ADICIONAL NOTURNO  No que pertine às horas extras e ao adicional noturno, a sua natureza salarial  é  inconteste  tanto  na  doutrina  como  na  jurisprudência,  estando  sua  disciplina  jurídica  regulamentada pelos artigos 59 a 61 da CLT.  Consolidação das Leis do Trabalho   Art. 59 ­ A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de  horas  suplementares,  em  número  não  excedente  de  2  (duas),  mediante  acordo  escrito  entre  empregador  e  empregado,  ou  mediante contrato coletivo de trabalho.  1º Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho deverá constar,  obrigatoriamente,  a  importância  da  remuneração  da  hora  suplementar,  que  será,  pelo  menos,  20%  (vinte  por  cento)  superior à da hora normal.   §2o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força  de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas  em um dia  for compensado pela correspondente diminuição em  outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um  ano, à  soma das  jornadas  semanais de  trabalho previstas,  nem  seja  ultrapassado  o  limite  máximo  de  dez  horas  diárias.  (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.164­41, de 2001)  §3º  Na  hipótese  de  rescisão  do  contrato  de  trabalho  sem  que  tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária,  na  forma  do  parágrafo  anterior,  fará  o  trabalhador  jus  ao  pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre  o valor da remuneração na data da rescisão. (Incluído pela Lei  nº 9.601, de 21.1.1998)  §4o Os empregados sob o regime de tempo parcial não poderão  prestar horas extras. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164­ 41, de 2001)    Art.  60  ­  Nas  atividades  insalubres,  assim  consideradas  as  constantes dos quadros mencionados no capítulo "Da Segurança  e  da  Medicina  do  Trabalho",  ou  que  neles  venham  a  ser  incluídas  por  ato  do  Ministro  do  Trabalho,  Industria  e  Comercio,  quaisquer  prorrogações  só  poderão  ser  acordadas  mediante licença prévia das autoridades competentes em matéria  de  higiene  do  trabalho,  as  quais,  para  esse  efeito,  procederão  aos  necessários  exames  locais  e  à  verificação  dos  métodos  e  processos de trabalho, quer diretamente, quer por intermédio de  autoridades  sanitárias  federais,  estaduais  e  municipais,  com  quem entrarão em entendimento para tal fim.     Art. 61 ­ Ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a duração do  trabalho  exceder  do  limite  legal  ou  convencionado,  seja  para  Fl. 528DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     42 fazer  face  a  motivo  de  força  maior,  seja  para  atender  à  realização  ou  conclusão  de  serviços  inadiáveis  ou  cuja  inexecução possa acarretar prejuízo manifesto.  §1º  ­  O  excesso,  nos  casos  deste  artigo,  poderá  ser  exigido  independentemente de acordo ou contrato coletivo e deverá ser  comunicado,  dentro  de  10  (dez)  dias,  à  autoridade  competente  em  matéria  de  trabalho,  ou,  antes  desse  prazo,  justificado  no  momento da fiscalização sem prejuízo dessa comunicação.  §2º ­ Nos casos de excesso de horário por motivo de força maior,  a  remuneração  da  hora  excedente  não  será  inferior  à  da  hora  normal.  Nos  demais  casos  de  excesso  previstos  neste  artigo,  a  remuneração  será,  pelo  menos,  25%  (vinte  e  cinco  por  cento)  superior à da hora normal, e o trabalho não poderá exceder de  12  (doze)  horas,  desde  que  a  lei  não  fixe  expressamente  outro  limite.  §3º ­ Sempre que ocorrer interrupção do trabalho, resultante de  causas  acidentais,  ou  de  força  maior,  que  determinem  a  impossibilidade de sua realização, a duração do trabalho poderá  ser prorrogada pelo tempo necessário até o máximo de 2 (duas)  horas,  durante  o  número  de  dias  indispensáveis  à  recuperação  do  tempo  perdido,  desde  que  não  exceda  de  10  (dez)  horas  diárias,  em  período  não  superior  a  45  (quarenta  e  cinco)  dias  por  ano,  sujeita  essa  recuperação  à  prévia  autorização  da  autoridade competente.    Não  por  outro  motivo,  a  própria  Constituição  Federal,  ao  tratar  de  tais  rubricas, refere­se expressamente à sua natureza remuneratória:   Constituição Federal de 1988  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XVI  ­  remuneração  do  serviço  extraordinário  superior,  no  mínimo, em cinquenta por cento à do normal. (grifos nossos)    Merece  ser  ressaltado  que  o  Colendo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  no  julgamento do REsp nº 1.358.281, proferido na sistemática dos recursos repetitivos, assentou o  entendimento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre as horas extras, o  adicional noturno e o adicional de periculosidade.  RECURSO ESPECIAL Nº 1.358.281 ­ SP (2012/0261596­)  Rel. Min. HERMAN BENJAMIN    PROCESUAL  CIVIL.  AGRAVO  LEGAL.  CP,  ART.  57,  §1º.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  ADICONAIS  DE  HORA­ EXTRA,  TRABALHO  NOTURNO,  INSALUBRIDADE  E  PERICULOSIDADE.  PRÊMIO.  GRATIFCAÇÃO.  REPOUSO  SEMANAL  REMUNERADO.  INCIDÊNCIA.  AUXÍLIO­DOENÇA.  PRIMEIROS  15  (QUINZE)  DIAS  DE  AFASTAMENTO.  ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA.   Fl. 529DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 509          43 [...]  2.  Os  adicionais  de  hora­extra,  trabalho  noturno,  insalubridade,  periculosidade  têm  natureza  salarial  e,  portanto,  sujeitam­se  à  incidência  da  contribuição  previdenciária  (STJ,  REsp  n.  973.436,  Rel. Min. José Delgado, j. 18.12.2007; TRF da 3ª Região, 5ª Turma,  AG  n.  2001.030.37499­6,  Rel.  Des.  Fed.  Ramza  Tartuce,  j.  12.03.2007;  AG  N.  2001.030.37499­6,  Rel.  Des.  Fed.  Ramza  Tartuce,  j.  12.03.2007;  AG  N.2001.030.37499­6,  Rel.  Des.  Fed.  Ramza Tartuce, ,j. 12.03.2007).   3. Ainda que  pago por  liberalidade  do  empregador,  o  prêmio  tem  natureza  remuneratória,  razão  pela  qual  deve  integrar  a  base  de  cálculo da contribuição previdenciária (STJ, REsp n. 910.214, Rel.  Min.  José Delgado,  17.05.2007; REsp  n.  565.375, Rel. Min.  Teori  Zavascki, j.17.08.2006; TRF da 3ª Região, AI n. 2010.03.00.001374­ 5, Rel. Des. Fed. Ramza Tartuce, j. 07.02.2011).   4. O §1º do art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho dispõe  que as gratificações ajustadas integram o salário do empregado. A  leitura do dispositivo legal permite a constatação da incidência da  contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  com  tal  título,  ainda  que  pagos  por  liberalidade  do  empregador  (STJ,  AGA  n.  130.45,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  j.  16.11.2010;  AgR  nos  EDcl  no  REsp  n.  1098.218, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 27.10.2009; EDcl no REsp  n.733.362,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  j.  03.4.2008;  TRF  da3ª  Região, AI n. 2009.030.385­8, j.12.07.2010).  5. A jurisprudência é pacífica no sentido de que o repouso semanal  remunerado  tem  natureza  remuneratória,  integrando  salário  de  contribuição  para  incidência  de  contribuição  previdenciária  (TRF  da  3ª  Região,  AMS  n.  209.614.02748­1,  Rel.  Des.  Fed.  Henrique  Herkenhof,  j.  09.11.2010;  TRF  da  1ª  Região,  AC  n.  2004.01.00.011114­1, Rel. Des. Fed. Mari Isabel Galoti Rodrigues,  j.  08.10.2004;  TRF  da  4ª  Região,  AC  n.  93.0416086­3,  Rel.  Des.  Fed. Fabio Bitencourt da Rosa, j. 09.09.1997).   [...]  8. Agravos legais não providos   Recurso  Especial  recebido  como  recurso  representativo  de  controvérsia,  com  fundamento no art.  543­C do CPC e no art.  2º,  §1º, da Resolução STJ 8/2008.    Diante dos aludidos dispositivos e da jurisprudência promanada da Suprema  Corte  de  Justiça,  na  sistemática  dos  Recursos  Repetitivos  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  estando  as  referidas  rubricas  congregadas  no  conceito  jurídico  de  Salário  de  Contribuição,  devidas são as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, na forma prescrita na Lei nº  8.212/91, de maneira que há que persistir o lançamento.     2.7.5.  DAS FÉRIAS GOZADAS E DO ADICIONAL DE FÉRIAS DE 1/3.  Avulta,  de plano, que a  verba despendida pela  empresa  a  título de FÉRIAS  GOZADAS  e o ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, paga a seus empregados, não  Fl. 530DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     44 integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  configurando­se,  portanto,  como  rubrica  abraçada  pelo  conceito jurídico de Salário de Contribuição.   Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária plasmada no art. 111 do  CTN,  para  se  excluir  da  regra  de  incidência  é  necessária  a  fiel  observância  dos  termos  da  norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supra­aludido § 9º, quando pagas  ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da  contribuição  para  todos  os  fins  e  efeitos,  sem  prejuízo  da  aplicação  das  cominações  legais  cabíveis, a teor do art. 214, §10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº  3.048/99.  Mostra­se  digno  de  registro  que  a  alínea  ‘d’  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91  apenas  excluiu  da  tributação  as  importâncias  às  férias  indenizadas  e  o  adicional  constitucional  correspondente  a  essas  férias  indenizadas,  inclusive  o  valor  correspondente  à  dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho,  não  incluindo  no  rol  das  excepcionalidades  o  adicional  constitucional  relativo  às  férias  normais, auferido pelo trabalhador em pleno exercício.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  §9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97) (grifos nossos)  (...)  d) As  importâncias recebidas a  título de  férias  indenizadas e o  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho ­ CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos)     Nessa  perspectiva,  onde  o  Legislador  Infraconstitucional,  podendo  fazê­lo,  não  dispôs  de  forma  expressa,  não  pode  o  operador  da  lei  ampliar  o  alcance  da  norma  de  isenção,  sob  pena  de  violação  aos  princípios  da  reserva  legal  e  da  isonomia,  bem  como,  especificamente, ao art. 111, II, do CTN.  No que pertine às férias, a natureza remuneratória de tal rubrica encontra­se  expressamente assentada no inciso XVII do art. 7º da CF/88, o qual estatui que o período de  gozo  de  férias  são  remunerados  não  com  o  salário  contratual,  mas,  sim,  com  o  salário  contratual acrescido de, no mínimo, 1/3.  Constituição Federal de 1988  Art.  7º  São  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XVII  ­  gozo  de  férias  anuais  remuneradas  com,  pelo  menos,  um  terço a mais do que o salário normal; (grifos nossos)    O  caráter  remuneratório  das  verbas  em  exame  encontra­se  expressamente  consignado nas normas trabalhistas contidas na Consolidação das Leis do Trabalho, in verbis:  Fl. 531DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 510          45 Consolidação das Leis do Trabalho  Art. 129 ­ Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um  período  de  férias,  sem  prejuízo  da  remuneração.  (Redação  dada  pelo Decreto­lei nº 1.535/77)    SEÇÃO IV  DA REMUNERAÇÃO E DO ABONO DE FÉRIAS  Art.  142  ­  O  empregado  perceberá,  durante  as  férias,  a  remuneração  que  lhe  for  devida  na  data  da  sua  concessão.  (Redação dada pelo Decreto­lei nº 1.535/77) (grifos nossos)   §1º ­ Quando o salário for pago por hora com jornadas variáveis,  apurar­se­á a média do período aquisitivo, aplicando­se o valor do  salário na data da concessão das férias. (Incluído pelo Decreto­lei  nº 1.535/77  §2º  ­ Quando o  salário  for pago por  tarefa  tomar­se­á por base a  media  da  produção  no  período  aquisitivo  do  direito  a  férias,  aplicando­se  o  valor  da  remuneração  da  tarefa  na  data  da  concessão das férias. (Incluído pelo Decreto­lei nº 1.535/77  §3º  ­  Quando  o  salário  for  pago  por  percentagem,  comissão  ou  viagem,  apurar­se­á  a  média  percebida  pelo  empregado  nos  12  (doze) meses que precederem à concessão das férias. (Incluído pelo  Decreto­lei nº 1.535/77  §4º  ­  A  parte  do  salário  paga  em  utilidades  será  computada  de  acordo  com  a  anotação  na  Carteira  de  Trabalho  e  Previdência  Social. (Incluído pelo Decreto­lei nº 1.535/77)  §5º ­ Os adicionais por trabalho extraordinário, noturno, insalubre  ou  perigoso  serão  computados  no  salário  que  servirá  de  base  ao  cálculo  da  remuneração  das  férias.  (Incluído  pelo  Decreto­lei  nº  1.535/77  §6º  ­  Se,  no  momento  das  férias,  o  empregado  não  estiver  percebendo o mesmo adicional do período aquisitivo, ou quando o  valor  deste  não  tiver  sido  uniforme  será  computada  a  média  duodecimal  recebida  naquele  período,  após  a  atualização  das  importâncias  pagas,  mediante  incidência  dos  percentuais  dos  reajustamentos salariais supervenientes. (Incluído pelo Decreto­lei  nº 1.535/77    Art. 143. O direito de reclamar a concessão das férias prescreve em  dois anos, contados da data em que findar a época em que deviam  ser gozadas.   Parágrafo  único. O  empregador  que deixar  de  conceder  férias  ao  empregado que às mesmas  tiver  feito jus  ficará obrigado a pagar­ lhe  uma  importância  correspondente  ao  dobro  das  férias  não  concedidas,  salvo  se  a  recusa  fundamentar­se  em  qualquer  dispositivo do presente capítulo.   Art. 145 ­ O pagamento da remuneração das férias e, se for o caso,  o  do  abono  referido  no  art.  143  serão  efetuados  até  2  (dois)  dias  antes do início do respectivo período. (Redação dada pelo Decreto­ lei nº 1.535/77  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     46 Parágrafo único ­ O empregado dará quitação do pagamento, com  indicação do início e do termo das férias. (Incluído pelo Decreto­lei  nº 1.535/77)    Por  outro  viés,  o  §4º  do  art.  214  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estatui de maneira expressa que o adicional de um  terço de  férias  integra  o  salário­de­contribuição,  figurando  tal  rubrica,  portanto,  no  conjunto  das  hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias.  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99 .  Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do  art. 7º da Constituição Federal integra o salário­de­contribuição.    Se  nos  antolha  auspicioso  assinalar  que  as  questões  atinentes  à  isenção  tributária constituem­se matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único  instrumento  normativo  com  aptidão  para  determinar  as  hipóteses  de  renúncia  fiscal,  não  previstas  constitucionalmente,  não  irradiando  efeitos  na  seara  pública  qualquer  disposição  pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho, sendo inconcebível que  interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim.  Adite­se  que,  estando  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  verba ora em debate expressamente prevista no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência  Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, impedido encontra­se este Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  de  afastar  sua  aplicação,  por  força  do  preceito  inscrito  no  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/72,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  o  qual  estabelece  óbice  intransponível  aos  órgãos  de  julgamento  deste  Conselho  Administrativo  para  afastar  a  aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante  leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941/2009)  §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 511          47 II – que fundamente crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  nº 11.941/2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941/2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)    A  jurisprudência  do  STJ  é  pacifica  quanto  à  natureza  remuneratória  e  incidência de contribuições previdenciárias sobre as férias gozadas, conforme se depreende dos  seguintes julgados:  AgRg no REsp 1.475.078 / PR  Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES  DJe 28/10/2014  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO DA  EMPRESA.  REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  INCIDÊNCIA  SOBRE  O  DESCANSO  SEMANAL  REMUNERADO  E  FÉRIAS GOZADAS. PRECEDENTES.  1.  O  pagamento  de  férias  gozadas  possui  natureza  remuneratória  e  salarial,  nos  termos  do  art.  148  da  CLT,  e  integra  o  salário  de  contribuição  (AgRg nos EAREsp 138.628/AC, 1ª  Seção, Rel. Min.  Sérgio  Kukina, DJe de 18.8.2014; AgRg nos EREsp 1.355.594/PB, 1ª Seção, Rel.  Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 17.9.2014).  2.  A  Segunda  Turma/STJ,  ao  apreciar  o  REsp  1.444.203/SC  (Rel.  Min.  Humberto Martins, DJe de 24.6.2014), firmou entendimento no sentido de  que  incide  contribuição  previdenciária  sobre  o  descanso  semanal  remunerado, porquanto se trata de verba de caráter remuneratório.  3. Agravo regimental não provido.    AgRg no REsp 1473523 / SC  Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES   DJe 28/10/2014  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO DA  EMPRESA.  REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  INCIDÊNCIA  SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  SALÁRIO  MATERNIDADE,  SALÁRIO  PATERNIDADE,  FÉRIAS  GOZADAS,  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO,  AUXÍLIO  ALIMENTAÇÃO,  HORAS  EXTRAS  E  RESPECTIVO  ADICIONAL  E  ADICIONAIS  NOTURNO,  PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE.  1.  A  Primeira  Seção/STJ,  ao  apreciar  o  REsp  1.230.957/RS  (Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  DJe  de  18.3.2014),  aplicando  a  sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  pacificou  orientação  no  sentido  de  que  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     48 incide contribuição previdenciária (RGPS) sobre as verbas pagas a título  de salário maternidade e salário paternidade.  2.  O  pagamento  de  férias  gozadas  possui  natureza  remuneratória  e  salarial,  nos  termos  do  art.  148  da  CLT,  e  integra  o  salário  de  contribuição  (AgRg nos EAREsp 138.628/AC, 1ª  Seção, Rel. Min.  Sérgio  Kukina, DJe de 18.8.2014; AgRg nos EREsp 1.355.594/PB, 1ª Seção, Rel.  Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 17.9.2014).  3.  A  Primeira  Seção/STJ,  ao  apreciar  o  REsp  1.358.281/SP  (Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  Sessão  Ordinária  de  23.4.2014),  aplicando  a  sistemática prevista no art. 543­C do CPC, pacificou orientação no sentido  de que incide contribuição previdenciária (RGPS) sobre as horas extras e  respectivo  adicional,  e  sobre  os  adicionais  noturno  e  de  periculosidade  (Informativo 540/STJ).  4.  A  orientação  desta  Corte  é  firme  no  sentido  de  que  o  adicional  de  insalubridade integra o conceito de remuneração e se sujeita à incidência  de  contribuição  previdenciária  (AgRg  no  AREsp  69.958/DF,  2ª  Turma,  Rel. Min. Castro Meira, DJe de 20.6.2012; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª  Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 2.12.2009).  5. No que concerne ao auxílio­alimentação, não há falar na incidência de  contribuição  previdenciária  quando  pago  in  natura,  esteja  ou  não  a  empresa  inscrita no PAT. No  entanto, pago habitualmente  e  em pecúnia,  há  a  incidência  da  contribuição.  Nesse  sentido:  REsp  1.196.748/RJ,  2ª  Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 28.9.2010; AgRg no  REsp  1.426.319/SC,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJe  de  13.5.2014;  REsp  895.146/CE,  1ª  Turma,  Rel. Min.  José  Delgado,  DJ  de  19.4.2007.  No  caso  concreto,  o  Acórdão  recorrido  está  em  consonância  com  a  jurisprudência  deste Tribunal,  pois  constou  expressamente  que  "o  pagamento é efetuado mediante a entrega de crédito ao trabalhador, razão  pela qual é devida a incidência da contribuição previdenciária".  6. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ é pacífica  no  sentido  de  que  "o  décimo­terceiro  salário  (gratificação  natalina)  integra o salário­de­contribuição para  fins de  incidência de contribuição  previdenciária"  (REsp 812.871/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell  Marques,  DJe  de  25.10.2010).  Essa  orientação  encontra  amparo  na  jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que se  firmou no sentido de  que  "é  legítima  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  o  13º  salário" (Súmula 688/STF).  7. Agravo regimental não provido.    AgRg no REsp 1462805 / PR  Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES   DJe 08/10/2014  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  REGIME  GERAL  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  DISCUSSÃO  A  RESPEITO  DA  INCIDÊNCIA  OU  NÃO  SOBRE:  SALÁRIO  MATERNIDADE.  OBSERVÂNCIA  DO  RECURSO  ESPECIAL  REPETITIVO  1.230.957/RS.  FÉRIAS.  NATUREZA  SALARIAL.  INCIDÊNCIA.  OBSERVÂNCIA  DO  EAREsp  138.628/AC.  SÚMULA  83/STJ.  AGRAVO NÃO PROVIDO.  1. No  julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.230.957/RS, de  minha  relatoria,  julgado  em  26/2/2014,  a  Primeira  Seção  do  STJ  assentou o entendimento que o salário maternidade possui natureza  salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei  6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza.  2. A Primeira Seção do STJ no julgamento do EAREsp 138.628/AC,  Rel.  Ministro  Sérgio  Kukina,  DJe  18/08/2014,  ratificou  o  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 512          49 entendimento de que o pagamento de férias gozadas possui natureza  remuneratória e salarial, nos termos do art. 148 da CLT, e integra o  salário  de  contribuição.  Dessa  forma,  merece  ser  mantido  o  acórdão recorrido, aplicando­se ao caso o óbice da Súmula 83/STJ.  3. Agravo regimental não provido.    A incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o terço constitucional de  férias  decorrente  de  férias  gozadas  também  já  foi  reconhecido  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça, conforme se depreende do seguinte julgado.  REsp 1.098.102 / SC   Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES   DJe 17/06/2009   PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  VIOLAÇÃO  DOS  ARTS.  165,  458,  459  E  535  DO  CPC.  NÃO  OCORRÊNCIA.  AUXÍLIO­ DOENÇA,  AUXÍLIO­ACIDENTE.  VERBAS  RECEBIDAS  NOS  15  (QUINZE)  PRIMEIROS  DIAS  DE  AFASTAMENTO.  NÃO  INCIDÊNCIA.  SALÁRIO  ­  MATERNIDADE.  NATUREZA  JURÍDICA  SALARIAL.  INCIDÊNCIA.  ADICIONAL  DE  1/3,  HORAS­EXTRAS  E  ADICIONAIS  NOTURNO,  DE  INSALUBRIDADE  E  DE  PERICULOSIDADE.  VERBAS  DE  CARÁTER  REMUNERATÓRIO.  INCIDÊNCIA.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  SUCESSIVAS  MODIFICAÇÕES  LEGISLATIVAS.  LEI  8.383/91.  LEI  9.430/96.  LEI  10.637/02.  REGIME  JURÍDICO  VIGENTE  À  ÉPOCA  DA  PROPOSITURA  DA  DEMANDA.  VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA.   (...)  5.  A  verba  recebida  a  título  de  terço  constitucional  de  férias,  quando  as  férias  são  gozadas,  ostenta  natureza  remuneratória,  sendo,  portanto,  passível  da  incidência  da  contribuição  previdenciária.   (...)    Dessarte,  para  os  fatos  geradores  objeto  do  presente  lançamento,  inexiste  qualquer  subsunção  do  fato  jurígeno  tributário  à  norma  de  exclusão  da  base  de  cálculo,  circunstância que implica sua integração na matéria tributável.   Não procede a alegação recursal de que as rubricas referentes às férias  teria  natureza indenizatória.   As  férias  trabalhistas  são  conceituadas  como  o  período  do  contrato  de  trabalho  em  que  o  empregado  não  presta  serviços  ao  empregador, mas  recebe  remuneração,  após ter adquirido o direito no decurso dos doze primeiros meses de vigência do seu contrato  de  trabalho.  Sua  natureza  jurídica  envolve  um  aspecto  negativo,  que  é  o  período  em  que  o  empregado não deve trabalhar e o empregador não pode exigir serviços de obreiros.   Fl. 536DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     50 Atente­se que o conceito jurídico de dano traz subjacente a ideia de prejuízo  injusto  decorrente  de  ato  ilícito,  a  ser  reparado  por  aquele  que,  mediante  ação  ou  omissão  voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem.  Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil  Art.  186.  Aquele  que,  por  ação  ou  omissão  voluntária,  negligência  ou  imprudência,  violar  direito  e  causar  dano  a  outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.    Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que,  ao exercê­lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu  fim econômico ou social, pela boa­fé ou pelos bons costumes.    Art. 188. Não constituem atos ilícitos:  I ­ os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de  um direito reconhecido;  II  ­  a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a  lesão a  pessoa, a fim de remover perigo iminente.  Parágrafo  único.  No  caso  do  inciso  II,  o  ato  será  legítimo  somente  quando  as  circunstâncias  o  tornarem  absolutamente  necessário,  não  excedendo  os  limites  do  indispensável  para  a  remoção do perigo.    Art.  927.  Aquele  que,  por  ato  ilícito  (arts.  186  e  187),  causar  dano a outrem, fica obrigado a repará­lo.  Parágrafo  único.  Haverá  obrigação  de  reparar  o  dano,  independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou  quando  a  atividade  normalmente  desenvolvida  pelo  autor  do  dano  implicar,  por  sua  natureza,  risco  para  os  direitos  de  outrem.    Inexiste qualquer dano a ser indenizado no caso em estudo.  A uma, porque não houve ATO ILÍCITO. As férias trabalhistas se constituem  num direito subjetivo do trabalhador e, em contrapartida, sob o prisma do empregador, numa  obrigação de fazer e de dar ao mesmo tempo. Não há, portanto, qualquer indício de ato ilícito;  A duas, porque não se verificou a ocorrência de DANO. Afinal, qual seria o  prejuízo  sofrido pelo  empregado para  fazer  jus  à verba  em questão? Ter  ficado 30 dias  sem  trabalhar e ainda ser remunerado com o salário integral? E quanto ao adicional constitucional  de 1/3 das férias? Um plus remuneratório para curtir as férias?   A  três,  porque  não  se  houve  por  demonstrado  o  elemento  subjetivo  da  conduta tendente à causar prejuízo a terceiros. O dever do empregador de pagar a remuneração  de férias, bem como o adicional de 1/3, decorre diretamente da Carta de 1988. Trata­se de uma  obrigação trabalhista da qual o empregador não pode se desvencilhar.  A quatro,  porque não houve qualquer violação a direito do  trabalhador. Ao  contrário:  deu­se  justamente  a  realização  de  direitos  trabalhistas  previstos  no  Pergaminho  Constitucional e nos artigos 129 a 145 da CLT.  Consolidação das Leis do Trabalho   Fl. 537DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 513          51 Art. 129 ­ Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um  período  de  férias,  sem  prejuízo  da  remuneração.  (Redação  dada  pelo Decreto­lei nº 1.535/77)    Art.  130  ­  Após  cada  período  de  12  (doze)  meses  de  vigência  do  contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte  proporção: (Redação dada pelo Decreto­lei nº 1.535/77)  I ­ 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço  mais de 5 (cinco) vezes; (Incluído pelo Decreto­lei nº 1.535/77)  II ­ 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis)  a 14 (quatorze) faltas; (Incluído pelo Decreto­lei nº 1.535/77)  III ­ 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a  23 (vinte e três) faltas; (Incluído pelo Decreto­lei nº 1.535/77)  IV  ­  12  (doze)  dias  corridos,  quando  houver  tido  de  24  (vinte  e  quatro)  a  32  (trinta  e  duas)  faltas.  (Incluído  pelo  Decreto­lei  nº  1.535/77)  §1º  ­  É  vedado  descontar,  do  período  de  férias,  as  faltas  do  empregado ao serviço. (Incluído pelo Decreto­lei nº 1.535/77)  §2º  ­ O período  das  férias  será  computado,  para  todos  os  efeitos,  como tempo de serviço. (Incluído pelo Decreto­lei nº 1.535/77)    Ora  bolas  !!!  Que  espécie  de  “indenização”  será  essa,  cujo  direito  ao  recebimento  encontra­se  condicionado  ao  efetivo  exercício,  por  12  meses,  da  atividade  profissional para a qual o trabalhador foi formalmente contratado ?????  No idioma que me foi ensinado pelo Prof. Antonio Luís Randan, conjugado  aos  ensinamentos  adquiridos  dos mestres Amauri Mascaro Nascimento  e Mauricio Godinho  Delgado, tal “indenização” recebe um nome bem apropriado às condições de contorno em que  foram pagas: “remuneração”.    As verbas pagas a título de  férias gozadas, bem como seu adicional de 1/3,  são  lícitas  e  possuem  natureza  remuneratória,  assim  como  lícito  é  o  pagamento  de  salários,  razão  pela  qual  tais  verbas  deveriam  ter  sido  declaradas,  com  esse  caráter,  nas  GFIP  correspondentes.  Nesse  contexto,  figurando  tal  rubrica  no  campo  de  incidência  da  exação  previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o  lançamento.     2.7.6.  DOS 15 PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA  De  plano  cumpre­nos  destacar  que  a  legislação  trabalhista  atribui  ao  empregador o risco da atividade econômica ao admitir, assalariar e dirigir a prestação pessoal  de serviço.  Consolidação das Leis do Trabalho   Fl. 538DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     52 Art.  2º  ­  Considera­se  empregador  a  empresa,  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  da  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.    Sem  desviar  desse mesmo  norte  apontam  as  diretivas  encartadas  na  Lei  de  Custeio da Seguridade Social, in verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 15. Considera­se:   I ­ empresa ­ a firma individual ou sociedade que assume o risco  de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou  não, bem como os órgãos e entidades da administração pública  direta, indireta e fundacional;     Ao tratar dos benefícios previdenciários, o art. 201 da CF/88 outorgou à  lei  federal a competência para dispor sobre a cobertura previdenciária dos eventos decorrentes de  doença, dentre outros, sendo de vital importância salientar que o próprio parágrafo 10 do citado  dispositivo constitucional já prevê a participação concorrente do RGPS e do setor privado no  atendimento à cobertura do risco de acidente de trabalho.  Constituição Federal de 1988   Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20/98)  I  ­  cobertura  dos  eventos  de  doença,  invalidez,  morte  e  idade  avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98)  (...)  §10.  Lei  disciplinará  a  cobertura  do  risco  de  acidente  do  trabalho, a ser atendida concorrentemente pelo regime geral de  previdência  social  e pelo  setor privado.  (Incluído pela Emenda  Constitucional nº 20/98)    Imersa na ordem constitucional então vigente e eficaz, a matéria atinente ao  auxilio doença foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, cuja Subseção V da Seção  V  do  Capitulo  II  estabeleceu  as  condições  de  contorno  para  a  concessão  do  benefício  previdenciário em realce, assim dispondo ad litteris et verbis:  Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991   Art. 59. O auxílio­doença será devido ao segurado que, havendo  cumprido,  quando  for  o  caso,  o  período  de  carência  exigido  nesta Lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua  atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos.  Parágrafo  único.  Não  será  devido  auxílio­doença  ao  segurado  que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador  da  doença  ou  da  lesão  invocada  como causa para  o  benefício,  salvo  quando  a  incapacidade  sobrevier  por  motivo  de  progressão ou agravamento dessa doença ou lesão.     Fl. 539DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 514          53 Art. 60. O auxílio­doença será devido ao segurado empregado a  contar  do  décimo  sexto  dia  do  afastamento  da  atividade,  e,  no  caso  dos  demais  segurados,  a  contar  da  data  do  início  da  incapacidade  e  enquanto  ele  permanecer  incapaz.  (Redação  dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99)  §1º Quando  requerido  por  segurado  afastado  da  atividade  por  mais de 30  (trinta) dias, o auxílio­doença  será devido a contar  da data da entrada do requerimento.  §3º  Durante  os  primeiros  quinze  dias  consecutivos  ao  do  afastamento  da  atividade  por  motivo  de  doença,  incumbirá  à  empresa  pagar  ao  segurado  empregado  o  seu  salário  integral.  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99)  §4º  A  empresa  que  dispuser  de  serviço médico,  próprio  ou  em  convênio, terá a seu cargo o exame médico e o abono das faltas  correspondentes  ao  período  referido  no  §  3º,  somente  devendo  encaminhar o segurado à perícia médica da Previdência Social  quando a incapacidade ultrapassar 15 (quinze) dias.    Art. 61. O auxílio­doença, inclusive o decorrente de acidente do  trabalho,  consistirá  numa  renda mensal  correspondente  a  91%  (noventa  e  um por  cento) do  salário  de  benefício,  observado  o  disposto  na  Seção  III,  especialmente  no  art.  33  desta  Lei.  (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995)    Art. 62. O segurado em gozo de auxílio­doença, insusceptível de  recuperação para sua atividade habitual,  deverá submeter­se a  processo de  reabilitação profissional  para o  exercício de outra  atividade.  Não  cessará  o  benefício  até  que  seja  dado  como  habilitado para o desempenho de nova atividade que lhe garanta  a  subsistência  ou,  quando  considerado  não  recuperável,  for  aposentado por invalidez.  Art. 63. O segurado empregado em gozo de auxílio­doença será  considerado pela empresa como licenciado.  Parágrafo  único.  A  empresa  que  garantir  ao  segurado  licença  remunerada  ficará  obrigada  a  pagar­lhe  durante  o  período  de  auxílio­doença  a  eventual  diferença  entre  o  valor  deste  e  a  importância garantida pela licença.    Deflui diretamente do regramento estampado no parágrafo terceiro e no caput  do art. 60 da Lei de Benefícios da Previdência Social que o auxílio doença será suportado pelo  empregador durante os primeiros 15 dias do  afastamento do  segurado que  ficar  incapacitado  para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual e pela autarquia previdenciária a contar de  então.  Nessa perspectiva, surge a proteção previdenciária para o empregado celetista  apenas tão somente após o 16º dia de incapacidade laboral, eis que os primeiros quinze dias de  afastamento  são  de  responsabilidade  da  empresa  empregadora,  na  assunção  do  risco  da  atividade econômica.  Fl. 540DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     54 Os  primeiros  quinze  dias  consecutivos  ao  afastamento  do  trabalhador  da  atividade por motivo de doença são considerados pela Doutrina e Jurisprudência como hipótese  de interrupção do contrato de trabalho, incumbindo, dessarte, ao empregador o pagamento do  salário ao empregado afastado, nos termos do art. 60, § 3º, da Lei nº 8.213/91.   Também, o  empregado  faz  jus  às demais verbas  trabalhistas,  tais  como 13º  salário, férias e FGTS.  Ora, a não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a remuneração  paga aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença/acidente  seria  inconstitucional,  pois  representaria  ofensa  à  norma  encartada  no  caput  do  art.  201  da  CF/88, que expressamente estatui que a previdência social tem caráter contributivo.  Constituição Federal de 1988   Art.  201.  A  previdência  social  será  organizada  sob  a  forma  de  regime  geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação  dada  pela  Emenda Constitucional nº 20/98)  (...)    Ora,  se  o  período  referente  aos  quinze  primeiros  dias  de  afastamento  por  motivo de doença/acidente conta tempo de contribuição para fins de aposentadoria pelo RGPS,  obviamente tem que haver contribuição previdência sobre a remuneração correspondente a tal  período.  Note­se que a base de cálculo da contribuição patronal prevista no inciso I do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91  abarca,  não  somente  os  serviços  efetivamente  prestados  pelo  trabalhador, mas, também, o tempo em que este ficou à disposição do empregador ou tomador  de serviços.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade  Social, além do disposto no art. 23, é de:   I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    Nesse  contexto,  figurando  tal  rubrica  no  campo  de  incidência  da  exação  previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o  lançamento.     2.7.7.  DOS ADICIONAIS DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE  Fl. 541DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 515          55 Em  primeiro  lugar,  merece  ser  trazido  à  balha  que  o  dever  jurídico  de  indenizar pressupõe a existência de um ato  ilícito e de um dano dele diretamente decorrente,  sem o qual não há o que se reparar.  Em segundo lugar, atente­se que o conceito jurídico de dano traz subjacente a  ideia de prejuízo injusto decorrente de ato ilícito, a ser reparado por aquele que, mediante ação  ou  omissão  voluntária,  negligência  ou  imprudência,  tenha  violado  direito  e  causado  dano  a  outrem.  Dessarte, somente ostentará natureza indenizatória as verbas pagas visando a  repara um dano, decorrente de ato  ilícito praticado com dolo ou  culpa por aquele que  tem o  dever de reparar o dano em questão.  No caso dos autos, os valores pagos a título de Adicional de Periculosidade e  de  insalubridade  não  possuem  qualquer  natureza  indenizatória,  como  assim  argumenta  o  Recorrente,  haja  vista  não  terem  sido  instituídos  para  ressarcir  qualquer  dano  eventualmente  sofrido  pelos  obreiros,  mas  sim,  uma  contrapartida  financeira,  na  forma  de  um  acréscimo  patrimonial, paga ao empregado em razão da exposição habitual e permanente a condições de  trabalho potencialmente periculosas ou de risco acentuado ou potencialmente insalubres.  Conforme  já  demonstrado,  o  art.  22,  I,  da Lei  8.212/1991  determina  que  a  contribuição  previdenciária  a  cargo  da  empresa  é  de  "vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer  título, durante o mês, aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas  a  retribuir  o  trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços,  nos  termos da  lei  ou do  contrato ou,  ainda,  de  convenção ou acordo coletivo de  trabalho ou  sentença normativa".   De outro  eito,  o §2° do  citado art.  22 da Lei 8.212/1991,  ao  consignar que  não  integram  o  conceito  de  remuneração  as  verbas  listadas  no  §  9°  do  art.  28  do  mesmo  diploma legal, expressamente exclui uma série de parcelas da base de cálculo do tributo. Com  base  nesse  quadro  normativo,  o  STJ  consolidou  firme  jurisprudência  no  sentido  de  que  não  sofrem  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  "as  importâncias  pagas  a  título  de  indenização,  que  não  correspondam  a  serviços  prestados  nem  a  tempo  à  disposição  do  empregador".  Nesse  contexto,  se  a  verba  trabalhista  possuir  natureza  remuneratória,  destinando­se a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de  cálculo da contribuição.   Os  adicionais  de  periculosidade  e  de  insalubridade  não  podem  ser  conceituados  com  indenização  para  o  fim  de  serem  excluídos  da  base  de  cálculo  das  Contribuições Previdenciárias,  porquanto  inserem­se no  conceito de Salário de Contribuição,  não ostentando qualquer semelhança com indenização.   Contribuindo  com  tal  compreensão  encontra­se  também  a mais  consagrada  doutrina, aqui representada por Sérgio Pinto Martins (in Direto da Seguridade Social, 19ª ed.,  Ed.  Atlas,  São  Paulo,  p.  203),  que  após  longa  e  percuciente  análise  acerca  do  conceito  de  salário,  conclui:  "Por  isso,  salário  é  o  conjunto  de  prestações  fornecidas  diretamente  pelo  empregador  ao  trabalhador,  em  decorrência  do  contrato  de  trabalho,  seja  em  função  da  contraprestação do trabalho, da disponibilidade do trabalhador, das interrupções contratuais,  Fl. 542DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     56 seja em função das demais hipóteses prevista em lei. De tudo o que foi até aqui exposto, nota­ se que o salário decorre da contraprestação do trabalho e de outras situações, mas desde que  exista  contrato  de  trabalho  entre  as  partes.  Indenização,  ao  contrário,  não  é  resultante  da  prestação de serviços, nem apenas do contrato de trabalho. [...] No Direto do Trabalho, diz­se  que  há  indenização  quando  pagamento  é  feito  a  empregado  sem  qualquer  relação  com  a  prestação  de  serviços  e  também  com  as  verbas  pagas  no  termo  de  rescisão  do  contrato  de  trabalho"   Nesse  sentido  tem se posicionado a  Jurisprudência do Superior Tribunal de  Justiça, conforme dessai dos seguintes julgados:  REsp 1098102 / SC   Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES   DJe 17/06/2009     PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  VIOLAÇÃO  DOS  ARTS.  165,  458,  459  E  535  DO  CPC.  NÃO  OCORRÊNCIA.  AUXÍLIO­ DOENÇA,  AUXÍLIO­ACIDENTE.  VERBAS  RECEBIDAS  NOS  15  (QUINZE)  PRIMEIROS  DIAS  DE  AFASTAMENTO.  NÃO  INCIDÊNCIA.  SALÁRIO  ­  MATERNIDADE.  NATUREZA  JURÍDICA  SALARIAL.  INCIDÊNCIA.  ADICIONAL  DE  1/3,  HORAS­EXTRAS  E  ADICIONAIS  NOTURNO,  DE  INSALUBRIDADE  E  DE  PERICULOSIDADE.  VERBAS  DE  CARÁTER  REMUNERATÓRIO.  INCIDÊNCIA.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  SUCESSIVAS  MODIFICAÇÕES  LEGISLATIVAS.  LEI  8.383/91.  LEI  9.430/96.  LEI  10.637/02.  REGIME  JURÍDICO  VIGENTE  À  ÉPOCA  DA  PROPOSITURA  DA  DEMANDA.  VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA.   (...)  6.  Os  adicionais  noturno,  hora­extra,  insalubridade  e  periculosidade ostentam caráter salarial, à luz do enunciado 60 do  TST, razão pela qual incide a contribuição previdenciária.   (...)    REsp 486.697/PR  Rel. Min. Denise Arruda,   DJ de 17/12/2004.    TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  DOS  EMPREGADORES. ARTS. 22 E 28 DA LEI N° 8.212/91. SALÁRIO.  SALÁRIO­MATERNIDADE.  DÉCIMO­TERCEIRO  SALÁRIO.  ADICIONAIS  DE  HORA­EXTRA,  TRABALHO  NOTURNO,  INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE. NATUREZA SALARIAL  PARA  FIM  DE  INCLUSÃO  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PREVISTA NO ART. 195,  I,  DA CF/88. SÚMULA 207 DO STF. ENUNCIADO 60 DO TST.  1.  A  jurisprudência  deste Tribunal  Superior  é  firme no  sentido  de  que  a  contribuição  previdenciária  incide  sobre  o  total  das  remunerações pagas aos empregados, inclusive sobre o 13º salário  e o salário­maternidade (Súmula n° 207/STF).  Fl. 543DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 516          57 2.  Os  adicionais  noturno,  hora­extra,  insalubridade  e  periculosidade  possuem  caráter  salarial.  Iterativos  precedentes  do  TST (Enunciado n° 60).  3.  A  Constituição  Federal  dá  as  linhas  do  Sistema  Tributário  Nacional e é a regra matriz de incidência tributária.   4. O legislador ordinário, ao editar a Lei n° 8.212/91, enumera no  art.  28,  §  9°,  quais  as  verbas  que  não  fazem  parte  do  salário­de­ contribuição  do  empregado,  e,  em  tal  rol,  não  se  encontra  a  previsão  de  exclusão  dos  adicionais  de  hora­extra,  noturno,  de  periculosidade e de insalubridade.  5. Recurso conhecido em parte, e nessa parte, improvido.     No mesmo sentido, o Recurso Especial nº 1.358.281­SP, Rel. Min. Herman  Benjamin, julgado em 23/4/2014, sob o regime dos Recursos Repetitivos, cuja ementa se houve  por assim redigida:  REsp 1.358.281­SP   Rel. Min. Herman Benjamin,   julgado em 23/4/2014.    TRIBUTÁRIO.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C  DO  CPC  E  RESOLUÇÃO  STJ  8/2008.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  CARGO  DA  EMPRESA.  REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  BASE  DE  CÁLCULO.  ADICIONAIS  NOTURNO,  DE  PERICULOSIDADE,  HORAS  EXTRAS.  NATUREZA  REMUNERATÓRIA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.    Desse  modo,  consoante  entendimento  pacífico  no  âmbito  de  ambas  as  Turmas da Primeira Seção do STJ, os adicionais insalubridade e de periculosidade constituem  verbas  de  natureza  remuneratória,  razão  pela  qual  se  sujeitam  à  incidência  de  contribuição  previdenciária.   Como  visto,  os  adicionais  de  periculosidade  e  de  insalubridade  possuem  natureza salarial e representam as parcelas suplementares de ganho obtido pelo empregado que  presta serviços em condições agressivas à saúde ou de potencial risco à vida.  Nesse  sentido,  é  copiosa  jurisprudência  emanada  da  Corte  Superior  Trabalhista, conforme elucidam os seguintes julgados:   "RECURSO  DE  REVISTA.  REFLEXOS  DO  ADICIONAL  DE  PERICULOSIDADE  SOBRE  VERBAS  RESCISÓRIAS.  NATUREZA  SALARIAL  DA  PARCELA.  RECURSO  DESPROVIDO.   A possibilidade de  se considerar que o adicional de periculosidade  tenha natureza  indenizatória  tem constituído hipótese rejeitada pela  ampla maioria dos doutrinadores, tendo­se firmado a jurisprudência  no  sentido  de  reconhecer  a  natureza  salarial  da  verba.  Mostra­se  coreto,  portanto,  o  deferimento  dos  reflexos  do  adicional  de  Fl. 544DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     58 periculosidade sobre as verbas rescisórias, ante o reconhecimento de  sua  inegável  natureza  salarial.  Recurso  parcialmente  conhecido  e  desprovido.       Recurso de Revista 8560/203­90­40  Rel. Min. Milton de Moura França  DJU de 28/5/2004.  ADICIONAL DE INSALUBRIDADE –NATUREZA JURÍDICA – INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO.  O adicional de insalubridade é pago como uma contraprestação pelo  serviço prestado em condições agressivas ao trabalhador, tendo ele o  escopo de  recompensar  com maior  valoro  trabalho  insalubre, mais  penoso  ao  hipossuficiente.  O  adicional  de  insalubridade,  enquanto  persistir o labor em ambiente insalubre, integra o conceito de Salário  de  Contribuição,  porquanto  reveste­se  de  natureza  salarial,  integrando  a  remuneração  do  trabalhador  par  todos  os  fins.  A  egrégia SDI  já se manifestou pela natureza salarial do adicional de  insalubridade  e  consequente  integração  ao  salário  par  todos  os  efeitos legais.    Em  consequência,  configurando­se  tais  rubricas  fatos  geradores  de  Contribuições Previdenciárias,  estas deveriam  ter  sido, necessariamente,  incluídas nas Folhas  de Pagamento,  lançadas em títulos próprios da contabilidade da empresa na condição de fato  jurígeno  tributário,  e  declaradas  como  Fatos  Geradores  de  Contribuição  Previdenciária  nas  GFIP correspondentes.  Diante de  tal  panorama,  figurando  tais  rubricas  no  campo de  incidência  da  exação  previdenciária,  inexistindo  dispensa  legal  expressa  da  tributação  em  apreço,  há  que  persistir o lançamento.     2.7.8.  DO ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA  O Recorrente alega que “o adicional sobre transferência, está previsto no art.  469, §3º da CLT, que prevê em caso de necessidade de serviço o empregador poderá transferir  o empregado para localidade diversa da que resultar do contrato, não obstante as restrições  do  artigo  anterior,  mas,  nesse  caso,  ficará  obrigado  a  um  pagamento  suplementar,  nunca  inferior  a  25%  (vinte  e  cinco  por  cento)  dos  salários  que  o  empregado  percebia  naquela  localidade, enquanto durar essa situação."  Consolidação das Leis do Trabalho   Art. 469 ­ Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a  sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato,  não  se  considerando  transferência  a  que  não  acarretar  necessariamente a mudança do seu domicílio.  §1º  ­  Não  estão  compreendidos  na  proibição  deste  artigo:  os  empregados  que  exerçam  cargo  de  confiança  e  aqueles  cujos  contratos  tenham  como  condição,  implícita  ou  explícita,  a  transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço.  (Redação dada pela Lei nº 6.203/75)  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 517          59 §2º  ­  É  licita  a  transferência  quando  ocorrer  extinção  do  estabelecimento em que trabalhar o empregado.   §3º  ­  Em  caso  de  necessidade  de  serviço  o  empregador  poderá  transferir o empregado para localidade diversa da que resultar do  contrato, não obstante as restrições do artigo anterior, mas, nesse  caso, ficará obrigado a um pagamento suplementar, nunca inferior  a  25%  (vinte  e  cinco  por  cento)  dos  salários  que  o  empregado  percebia  naquela  localidade,  enquanto  durar  essa  situação.  (Parágrafo incluído pela Lei nº 6.203/75)    Deve  ser  ressaltado,  inicialmente,  que o  caso vertido nos  autos,  consistente  no  pagamento  suplementar  de,  no  mínimo,  25%  do  salário  percebido  pelo  trabalhador  transferido,  por  necessidade  do  serviço,  da  localidade  prevista  no  contrato  de  trabalho,  nos  termos assentados no §3º do art. 469 da Consolidação das Leis do Trabalho, não se subsume à  hipótese de isenção de Contribuições Previdenciárias prevista na alínea ‘g’ do §9º do art. 28 d  Lei nº 8.212/91, uma vez que esta refere­se a uma ajuda de custo, paga em parcela única, paga  exclusivamente para custear as despesas resultantes da transferência do trabalhador para a nova  localidade  de  trabalho,  enquanto  que  a  rubrica  ora  em  debate  refere­se  ao  um  adicional  remuneratório,  pago mensalmente,  com  habitualidade  enquanto  perdurar  a  transferência,  em  percentual nunca inferior a 25% do quanto recebia na localidade de origem, o qual adicional,  dada  a  sua  habitualidade,  passa  a  integrar  o  salário  (conceito  de  Direito  do  Trabalho),  consoante determinação constitucional prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante  o mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer  pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)   (...)  §9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta Lei,  exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  (...)  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em  decorrência  de  mudança  de  local  de  trabalho  do  empregado,  na  forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97).    Consolidação das Leis do Trabalho   Art.  470  ­  As  despesas  resultantes  da  transferência  correrão  por  conta do empregador. (Redação dada pela Lei nº 6.203/75)    Constituição Federal de 1988   Fl. 546DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     60 Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)  §11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  consequente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº  20/98) (grifos nossos)     Ratificando  nosso  entendimento,  colacionamos  julgados  do  STJ  representativos da jurisprudência consolidada nessa Corte:  AgRg no REsp 1480163 / RS  Rel. Min. HERMAN BENJAMIN  DJe 09/12/2014  PROCESSUAL  CIVIL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  ADICIONAL  NOTURNO,  DE  INSALUBRIDADE,  DE  PERICULOSIDADE,  DE  HORAS  EXTRAS  E  DE  TRANSFERÊNCIA. AUXÍLIO QUEBRA­CAIXA. INCIDÊNCIA.  1.  Hipótese  em  que  o  Tribunal  local  consignou  que  "é  clara  a  natureza  salarial  dos  pagamentos  feitos  a  título  de  horas  extras,  adicionais noturno, de insalubridade, periculosidade,  transferência  e quebra de caixa, haja vista o notório caráter de contraprestação".  2. Esta Corte Superior consolidou a orientação de que  integram o  conceito  de  remuneração,  sujeitando­se,  portanto,  à  contribuição  previdenciária  o  adicional  de  horas  extras,  adicional  noturno,  salário­maternidade,  adicionais  de  insalubridade  e  de  periculosidade  pagos  pelo  empregador,  bem  como  o  auxílio  "quebra­caixa".  Nesse  sentido:  REsp  1.313.266/AL,  Rel.  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  DJe  5.8.2014,  AREsp  69.958/DF,  Rel.  Castro  Meira,  Segunda  Turma,  DJe  20.6.2012  e  EDcl no REsp 733.362/RJ, Rel. Humberto Martins, Segunda Turma,  DJe 14.4.2008.  3.  No  mesmo  sentido,  está  o  posicionamento  deste  Tribunal  Superior  que  consolidou  o  entendimento  de  que  o  adicional  de  transferência possui natureza  salarial. Nesse  sentido: AgRg no Ag  1.207.843/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma,  DJe 17.10.2011.  4. Agravo Regimental não provido.    AgRg no REsp 1474581 / SC  Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES   DJe 05/11/2014  Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A  CARGO  DA  EMPRESA.  REGIME  GERAL  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  INCIDÊNCIA  SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 518          61 ADICIONAIS  DE  HORAS­EXTRAS,  NOTURNO,  INSALUBRIDADE, PERICULOSIDADE E TRANSFERÊNCIA.  1.  A  Primeira  Seção/STJ,  ao  apreciar  o  REsp  1.358.281/SP  (Rel.  Min. Herman Benjamin, Sessão Ordinária de 23.4.2014), aplicando  a  sistemática prevista no art. 543­C do CPC, pacificou orientação  no sentido de que incide contribuição previdenciária (RGPS) sobre  as horas extras e respectivo adicional, e sobre os adicionais noturno  e de periculosidade (Informativo 540/STJ).  2. A orientação desta Corte é firme no sentido de que o adicional de  insalubridade  integra  o  conceito  de  remuneração  e  se  sujeita  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  (AgRg  no  AREsp  69.958/DF,  2ª  Turma,  Rel. Min.  Castro Meira, DJe  de  20.6.2012;  AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de  2.12.2009).  3. A orientação do Superior Tribunal de Justiça, em casos análogos,  firmou­se  no  sentido  de  que  o  adicional  de  transferência  possui  natureza  salarial,  conforme  firme  jurisprudência  do  Tribunal  Superior do Trabalho, pois, da leitura do § 3º do art. 469 da CLT,  extrai­se  que  a  transferência  do  empregado  é  um  direito  do  empregador,  sendo que  do  exercício  regular  desse  direito  decorre  para  o  empregado  transferido,  em  contrapartida,  o  direito  de  receber  o  correspondente  adicional  de  transferência  (REsp  1.217.238/MG, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe  de 3.2.2011; AgRg no REsp 1.432.886/RS, 2ª Turma, Rel. Min. OG  Fernandes, DJe de 11.4.2014).  4. Agravo regimental não provido.    Sendo um direito trabalhista subjetivo do empregado, expressamente previsto  em  lei,  tais  ganhos  ingressam  na  expectativa  dos  segurados  empregados  em  decorrência  do  contrato de  trabalho e da prestação de  serviços  ao Recorrente  fora da  localidade prevista no  contrato  de  trabalho,  sendo,  portanto,  um  benefício  concedido  pelo  trabalho  e  não  para  o  trabalho.  Diante  de  tal  quadro,  figurando  tais  rubricas  no  campo  de  incidência  da  exação  previdenciária,  inexistindo  dispensa  legal  expressa  da  tributação  em  apreço,  há  que  persistir o lançamento.     2.7.9.  DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT/RAT.  O Recorrente alega nulidade do lançamento pela impossibilidade de cobrança  da contribuição destinada ao SAT/RAT pela sistemática instituída pelo Decreto nº 6.957/2009.    O art. 195, I, da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja  custeada por toda a sociedade, de  forma direta e  indireta, mediante  recursos oriundos, dentre  outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     62 e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe  preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a)  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  c)  o  lucro;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional  nº  20,  de  1998)  II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)    Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos  Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e  rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XXVIII  ­  seguro  contra  acidentes  de  trabalho,  a  cargo  do  empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado,  quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos)     No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo  da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta  Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições  sociais a cargo da empresa e dos  segurados obrigatórios do RGPS, nos  limites  traçados pela  CF/88.  Por  se  tratarem  de  matérias  afins,  houve  por  bem  o  legislador  ordinário,  envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a  instituição  e  regramento  da  contribuição  social  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  a  cargo  da  empresa,  em  nada  conflitando  com  as  orientações  contempladas na Constituição.  Fl. 549DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 519          63 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:   II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e  trabalhadores avulsos: (Redação dada  pela Lei nº 9.732, de 1998).  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;   b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;   c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.     §3º  O Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência  Social  poderá  alterar,  com  base  nas  estatísticas  de  acidentes  do  trabalho,  apuradas  em  inspeção,  o  enquadramento  de  empresas  para  efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a  fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes.    Saliente­se  que  os  preceitos  aqui  anunciados  não  conflitam  com  as  disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec.  nº 3.048/99, verbatim:  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99   Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento  da aposentadoria  especial,  nos  termos dos arts.  64 a 70,  e dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  ao  segurado  empregado e trabalhador avulso:  I  ­  um  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  leve;  II  ­  dois  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  médio; ou  III  ­  três  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  grave.    Fl. 550DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     64 Conforme  detalhadamente  demonstrado,  a  Lei  n°  8.212/91,  realizando  o  Princípio da Legalidade  inscrito no  inciso  II do art. 5º da Lei Maior,  instituiu a contribuição  destinada  ao  custeio  do  direito  social  constitucionalmente  assegurado,  fixando­lhe  os  percentuais  aplicáveis  em  razão  do  grau  de  risco  inerente  a  cada  atividade  empresarial,  restando  a  cargo  do  Regulamento  o  enquadramento  de  cada  empresa  nos  patamares  então  definidos.   No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do  Trabalho e da Previdência Social  "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do  trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a  que  se  refere  o  inciso  II  deste  artigo,  a  fim  de  estimular  investimentos  em  prevenção  de  acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do  art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, conclui­se que a norma primária, fixando as  alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas,  o enquadramento referido nas mencionadas alíneas.   Registre­se  que,  sendo  a  atuação  da  Administração  Tributária  inteiramente  vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora  em  apreciação  plenamente  vigentes  e  eficazes,  a  inobservância  desses  comandos  legais  implicaria  negativa  de  vigência  por  parte  do Auditor  Fiscal Notificante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal.  Deve­se  atentar  igualmente  para  o  fato  de  que  as  disposições  introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço,  até  o  presente momento,  não  foram  ainda  vitimadas  de  qualquer  sequela  decorrente  de  declaração  de  inconstitucionalidade  na  via  concentrada,  exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe  são típicos.   Ao revés, o Pretório Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso  Extraordinário RE 343.446­2/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se  transcreve,  ratificou  a  constitucionalidade  e  exigência  da  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.   CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO:  SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO ­ SAT. Lei 7.787/89,  arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98.  Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art.  154, II; art. 5°, II; art. 150, I .  I  ­  Contribuição  para  o  custeio  do  Seguro  de  Acidente  do  Trabalho ­ SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22,  II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c  art.  154,  I,  da  Constituição  Federal:  improcedência.  Desnecessidade  de  observância  da  técnica  da  competência  residual  da  União,  C.F.,  art.  154,  I.  Desnecessidade  de  lei  complementar para a instituição da contribuição para o SAT.  II ­ O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da  igualdade,  por  isso  que  o  art.  4°  da mencionada  Lei  7.787/89  cuidou de tratar desigualmente aos desiguais.   III­ As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem,  satisfatoriamente,  todos os elementos capazes de  fazer nascer a  obrigação  tributária  válida  O  fato  de  a  lei  deixar  para  o  regulamento  a  complementação  dos  conceitos  de  "atividade  preponderante"  e  "grau  de  risco  leve,  médio  e  grave",  não  Fl. 551DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 520          65 implica  ofensa  ao  principio  da  legalidade  genérica,  C.F.,  art.  5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos)   IV.­ Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não  é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não  integra o contencioso constitucional.   V.­ Recurso extraordinário não conhecido".  (STF, RE 343.446­2/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04­04­2003  PP­00040)    Reafirmou  o  Ministro  Relator  o  seu  entendimento  no  sentido  de  que  é  possível deixar por  conta do Executivo o estabelecimento de normas em  regulamento, desde  que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que  se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo.  É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso  II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma  coisa  senão  em  virtude  de  lei”.  A  inteligência  do  dispositivo  constitucional  ora  invocado  conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar  taxativamente  previstas,  com  todos  os  seus  elementos,  na  Lei  stricto  sensu, mas  sim,  serem  estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei.  Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a  lei  formal  a  outorgar  competência  legislativa  a  outros  instrumentos  normativos  de  menor  escalão para dispor  sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social  inerentes à hipótese de incidência da obrigação.  No  caso  do  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II  da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos  os  elementos  primários  conformadores  da  hipótese  de  incidência  tributária,  diga­se:  (a)  fato  gerador  ­  remuneração  paga,  creditada  ou  devida,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos;  (b)  a  base  de  cálculo  ­  o  montante  global  dessas  remunerações; (c) alíquota ­ percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em  função do risco de acidentes do trabalho.   Na  sequência,  o  parágrafo  3º  do  mesmo  dispositivo  legal  autorizou  o  Ministério do Trabalho e da Previdência Social a alterar, com base nas estatísticas de acidentes  do  trabalho,  o  enquadramento  de  empresas  nos  respectivos  graus  de  risco  para  efeito  da  contribuição destinada ao SAT.  No  caso  do  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II  da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos  os  elementos  conformadores  da  hipótese  de  incidência  tributária,  diga­se:  (a)  fato  gerador  ­  remuneração  paga,  creditada  ou  devida,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos;  (b)  a  base  de  cálculo  ­  o  montante  global  dessas  remunerações;  (c)  alíquota ­ percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de  acidentes do trabalho.   Fl. 552DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     66 Nessa  perspectiva,  havendo  sido  fixadas, mediante  lei  formal,  as  condições  de  contorno  essenciais  da  exação  em  tela,  o  estabelecimento  por  Regulamento  do  Poder  executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa  não extravasa as  fronteiras  insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto  tenha  tão  somente  detalhado  o  seu  conteúdo,  sem,  contudo,  alterar  qualquer  daqueles  elementos  essenciais da hipótese de incidência.   O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer  na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no  Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado:  AgRg no REsp 753.635/PR   AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  2005/0084562­0   Relator: Ministro LUIZ FUX  Órgão Julgador T1 ­ PRIMEIRA TURMA   Data do Julgamento 16/09/2008   Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008     Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO  DO  ARTS.  535  DO  CPC.  INOCORRÊNCIA.  SEGURO  DE  ACIDENTE DO TRABALHO ­ SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22,  II.  DECRETO  N.º  2.173/97.  ALÍQUOTAS.  FIXAÇÃO  PELOS  GRAUS  DE  RISCO  DA  ATIVIDADE  PREPONDERANTE  DESEMPENHADA  EM  CADA  ESTABELECIMENTO  DA  EMPRESA,  DESDE  QUE  INDIVIDUALIZADO  POR  CNPJ  PRÓPRIO.  JURISPRUDÊNCIA  CONSOLIDADA  PELA  PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA  O  INCRA.  LC  11/71.  COMPENSAÇÃO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO  INSS.  IMPOSSIBILIDADE.  DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, §  1º  DA  LEI  Nº  8.383/91.  TAXA  SELIC.  LEI  9.065/95.  INCIDÊNCIA.   1.  Inexiste  ofensa  ao  art.  535  do  CPC,  quando  o  tribunal  de  origem pronuncia­se de forma clara e suficiente sobre a questão  posta  nos  autos.  Ademais,  o  magistrado  não  está  obrigado  a  rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que  os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar  a decisão.   2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22,  inciso  II,  com  sua  atual  redação  constante  na  Lei  nº  9.732/98,  autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os  elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais  sejam:  (a)  fato  gerador  ­  remuneração  paga,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos;  (b) a  base  de  cálculo  ­  o  total  dessas  remunerações;  (c)  alíquota  ­  percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de  acidentes  do  trabalho.  Previstos  por  lei  tais  critérios,  a  definição,  pelo  Decreto  nº  2.173/97  e  Instrução  Normativa  nº  02/97,  do  grau  de  periculosidade  das  atividades  desenvolvidas  pelas  empresas  não  extrapolou  os  limites  insertos  na  referida  legislação,  porquanto  tenha  tão  somente  detalhado  o  seu  conteúdo,  sem,  contudo,  alterar  qualquer  daqueles  elementos  essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao  Fl. 553DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 521          67 princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação  que institui o SAT ­ Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º  297.215/PR,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJU  de  12/09/2005).   3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no  sentido  de  que  a  alíquota  da  contribuição  para  o  Seguro  de  Acidente do Trabalho ­ SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei  n.º  8.212/91,  deve  corresponder  ao  grau de  risco  da  atividade  desenvolvida  em  cada  estabelecimento  da  empresa,  individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ,  a  alíquota  da  referida  exação  deve  corresponder  à  atividade  preponderante  por  ela  desempenhada  (Precedentes:  ERESP  nº  502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA,  julgado  em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO  DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel.  Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos)   4. A  alíquota  da  contribuição  para  o  seguro  de  acidentes  do  trabalho  deve  ser  estabelecida  em  função  da  atividade  preponderante da  empresa,  considerada  esta  a  que  ocupa,  em  cada  estabelecimento,  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos,  nos  termos  do  Regulamento vigente à época da autuação  (§ 1º, artigo 26, do  Decreto nº 612/92). (grifos nossos)   5.  Vale  ressaltar  que  o  reenquadramento  do  pessoal  administrativo  em  grau  de  risco  adequado  e  a  estipulação  da  alíquota  devida,  assentados  pela  instância  ordinária  com  fundamento  na  prova  produzida  nos  autos,  decorre  de  enquadramento  tarifário,  restando,  assim,  inviável  o  exame  da  matéria  pelo  E.  STJ,  a  teor  do  disposto  na  Súmula  07,  desta  Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de  prova não enseja recurso especial."   6.  A  contribuição  para  o  INCRA  não  se  destina  a  financiar  a  Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a  este título não podem ser compensados com outras contribuições  arrecadadas  pelo  INSS  que  se  destinam  ao  custeio  da  Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da  Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com  prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao  mesmo orçamento.   7. Os  créditos  tributários  recolhidos  extemporaneamente,  cujos  fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a  teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da  taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.   8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária,  é  no  sentido  de  que  são  devidos  juros  da  taxa  SELIC  em  compensação  de  tributos  e  mutatis  mutandis,  nos  cálculos  dos  débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública.   9.  Raciocínio  diverso  importaria  tratamento  anti­isonômico,  porquanto  a  Fazenda  restaria  obrigada  a  reembolsar  os  contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso,  os  cidadãos  exonerar­se­iam  desse  critério,  gerando  desequilíbrio nas receitas fazendárias.   Fl. 554DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     68 10. Agravo regimental desprovido.     E  não  se  desdenhe  do  poder  normativo  do  Regulamento  da  Previdência  Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atente­se que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da  Constituição  da República  afloram  como  fontes  jurídicas  de  onde  dimana  a  competência  do  Presidente  da  República  para  o  exercício  da  direção  superior  da  Administração  Pública  Federal,  com  o  auxílio  dos  Ministros  de  Estado,  e  o  poder  presidencial  para  sancionar,  promulgar  e  fazer  publicar  as  leis,  bem  como  expedir  decretos  e  regulamentos  para  sua  fiel  execução,  bem  assim  como  dispor  sobre  a  organização  e  o  funcionamento  da  máquina  do  Executivo Federal.  Constituição Federal de 1988   Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:  II  ­  exercer,  com  o  auxílio  dos  Ministros  de  Estado,  a  direção  superior da administração federal;  (...)  IV  ­  sancionar,  promulgar  e  fazer  publicar  as  leis,  bem  como  expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;  (...)  VI  ­ dispor, mediante decreto, sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 32, de 2001)  a) organização e  funcionamento da administração  federal, quando  não  implicar  aumento  de  despesa  nem  criação  ou  extinção  de  órgãos públicos;    Depreende­se  do  exposto  que  o  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99,  decorre  da  competência  constitucional  do  Presidente  da  República  ­ agente político da mais elevada estatura  ­ ocupante do arquétipo fundamental de  Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade  superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal.  Assim,  com  esteio  na  Ordem  Constitucional  desfraldada  nos  parágrafos  anteriores,  e  no  uso  das  atribuições  conferidas  pelo  §3º  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91,  o  Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o  Regulamento  da  Previdência  Social,  cujo  Anexo V,  combinado  com  o  §4º  do  seu  art.  202,  estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em  conformidade  com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas  ­ CNAE para  efeito  da  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99   Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da  aposentadoria  especial,  nos  termos  dos  arts.  64  a  70,  e  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do mês,  ao  segurado  empregado  e  trabalhador avulso:  Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 522          69 I ­ um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o  risco de acidente do trabalho seja considerado leve;  II ­ dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante  o  risco  de  acidente  do  trabalho  seja  considerado  médio;  ou  III ­ três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante  o risco de acidente do trabalho seja considerado grave.    §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove  ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida  pelo  segurado  a  serviço  da  empresa  ensejar  a  concessão  de  aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de  contribuição.  §2º  O  acréscimo  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  incide  exclusivamente  sobre  a  remuneração  do  segurado  sujeito  às  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade  física.  §3º Considera­se preponderante a atividade que ocupa, na empresa,  o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.  §4º  A  atividade  econômica  preponderante  da  empresa  e  os  respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de  Atividades  Preponderantes  e  correspondentes  Graus  de  Risco,  prevista no Anexo V.  §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na  atividade  preponderante,  cabendo  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  do  Ministério  da  Previdência  Social  revê­lo  a  qualquer  tempo.  Alterado  pelo  Decreto  nº  6.042  ­  de  12/2/2007  ­  DOU DE 12/2/2007  §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita  Previdenciária  adotará  as  medidas  necessárias  à  sua  correção,  orientará  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido  e  procederá  à  notificação  dos  valores  devidos.  Alterado  pelo Decreto nº 6.042 ­ de 12/2/2007 ­ DOU DE 12/2/2007    Assentado  que  o  Regulamento  Suso  citado  encontra­se  dotado  de  normatividade  em grau  necessário  e  suficiente  à  partilha  interna  corporis  das  atribuições  do  Ministério  da Previdência Social,  deflui  daí  que,  de  acordo  com  a  norma  administrativa  em  realce,  a  empresa  encontra­se  agrilhoada  à  obrigação  tributária  principal  de  recolher  a  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a  alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será  definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida,  conforme  relação  fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social,  aprovado pelo  Dec. nº 3.048/99.  Por tais razões, também esta preliminar de nulidade deve ser rejeitada.    2.7.10.   DO VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA  Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     70 Nos exatos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91, como regra geral, incide  contribuição  previdenciária  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  a  qualquer  título, aos segurados empregados, salvo as exceções taxativamente previstas no art. 28, §9º da  Lei nº 8.212/91.  Nessa  esteira,  a  alínea  ‘f’  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91  estabelece  hipótese  de  isenção  de  Contribuições  Previdenciárias  à  parcela  recebida  a  título  de  Vale­  Transporte, quando fornecido na forma da legislação própria.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante  o mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer  pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  (...)  §9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta Lei,  exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  (...)  f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;     A regulamentação do fornecimento do vale­transporte houve­se por confiada  à  lei  nº  7.418/85,  cujo  art.  4º  estatui,  expressamente,  que  a  concessão  do  benefício  ora  instituído  implica  a  aquisição  pelo  empregador  dos  Vales­Transporte  necessários  aos  deslocamentos  do  trabalhador  no  percurso  residência­trabalho  e  vice­versa,  no  serviço  de  transporte que melhor se adequar.  Lei nº 7.418/85  Art. 4º ­ A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição  pelo  empregador  dos  Vales­Transporte  necessários  aos  deslocamentos  do  trabalhador  no  percurso  residência­trabalho  e  vice­versa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo  renumerado pela Lei 7.619/87)   Parágrafo  único  ­  O  empregador  participará  dos  gastos  de  deslocamento  do  trabalhador  com  a  ajuda  de  custo  equivalente  à  parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico.    Da mera  e  perfunctória  leitura  do  caput do  art.  4º  da Lei  nº  7.418/85  já  se  percebe que o beneficio ora  em debate  tem que  ser concedido na  forma de VALES, a  serem  adquiridos  pelo  empregador  e  fornecidos,  nessa  forma,  aos  empregados,  de  acordo  com  as  necessidades  inerentes  aos  s  deslocamentos  do  trabalhador  no  percurso  residência­trabalho  e  vice­versa, no serviço de transporte que melhor se adequar.    Fl. 557DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 523          71 Em  justa  conformidade  com  o  art.  5º  do  Decreto  nº  95.247/87,  que  regulamenta  a  Lei  nº  7.418/85,  o  vale­transporte  não  pode  ser  pago  em  dinheiro  aos  empregados, caso contrário não teríamos um vale. As únicas hipóteses em que o pagamento em  dinheiro é permitido vêm previstas no parágrafo único do referido dispositivo legal. O escopo  de  tal  proibição  foi,  no exercício do válido poder  regulamentar do Executivo,  impedir que o  vale­transporte  fosse  utilizado  para  fins  diversos  do  transporte  do  trabalhador  da  residência  para a empresa e vice­versa, desvirtuando seu caráter social. Assim, apenas o vale­transporte  pago  nos  termos  da  Lei  nº  7.418/1985  está  isento  da  contribuição  previdenciária,  como  se  observa no disposto no art. 28, §9º, ‘f’ da Lei nº 8.212/1991.  Nessa  perspectiva,  ante  a  ausência  de  previsão  na  legislação  do  vale­ transporte e na legislação previdenciária, o pagamento habitual e em pecúnia de verbas a título  de  vale  transporte  não  estaria  albergado  pela  norma  isentiva,  sendo  irrelevante  que  tal  acréscimo remuneratório tenha advindo de acordo com convenção coletiva de trabalho, tendo  em vista que tais atos não podem dispor em sentido contrário à lei.  Efetivamente, o Superior Tribunal de Justiça comungava o entendimento de  que o pagamento habitual e em dinheiro do vale­transporte não estaria abraçado pela regra da  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  compondo  assim  o  conceito  de  Salário  de  Contribuição para  todos  os  fins,  uma vez que  se  configuraria  inobservância da  legislação de  regência, bem como no sentido de que o artigo 5º do Decreto nº 95.247/87 não desbordaria dos  limites da Lei nº 7.418/85, porque apenas teria instituído um modo de conceder o benefício que  evitaria o desvio de sua finalidade.  Ocorre todavia que,  recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal,  no julgamento do RE nº 478.410/SP, da relatoria do Min. Eros Grau, publicado em 14/5/2010,  decidiu  pela  inconstitucionalidade  da  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  valor  pago  em  dinheiro  a  título  de  vale­transporte,  inaugurando  precedente  que  restou  assim  ementado:  RECURSO  EXTRORDINÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCIDÊNCIA.  VALE­TRANSPORTE.  MOEDA.  CURSO  LEGAL  E  CURSO  FORÇADO.  CARÁTER  NÃO  SALARIAL  DO  BENEFÍCIO.  ARTIGO  150,  I,  DA  CONSTITUIÇÃO  DO  BRASIL.  CONSTITUIÇÃO  COMO  TOTALIDADE NORMATIVA.  1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário  em  vale­transporte  ou  em moeda,  isso  não  afeta  o  caráter  não  salarial do benefício.  2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro  sem  que  seu  caráter  seja  afetado,  estaríamos  a  relativizar  o  curso legal da moeda nacional.  3.  A  funcionalidade  do  conceito  de  moeda  revela­se  em  sua  utilização  no  plano  das  relações  jurídicas.  O  instrumento  monetário  válido  é  padrão  de  valor,  enquanto  instrumento  de  pagamento  sendo  dotado  de  poder  liberatório:  sua  entrega  ao  credor  libera  o  devedor.  Poder  liberatório  é  qualidade,  da  moeda  enquanto  instrumento  de  pagamento,  que  se  manifesta  exclusivamente  no  plano  jurídico:  somente  ela  permite  essa  liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange  a débitos de caráter patrimonial.  Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     72 4.  A  aptidão  da  moeda  para  o  cumprimento  dessas  funções  decorre  da  circunstância  de  ser  ela  tocada  pelos  atributos  do  curso legal e do curso forçado.  5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao  curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em  circulação, não decorre do curso forçado, dado que este atinge o  instrumento  monetário  enquanto  valor  e  a  sua  instituição  [do  curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do  poder emissor sua conversão em outro valor.  6.  A  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  valor  pago,  em dinheiro, a  título de vales­transporte,  pelo  recorrente  aos  seus  empregados  afronta  a  Constituição,  sim,  em  sua  totalidade normativa.  Recurso Extraordinário a que se dá provimento.    Diante  de  tal  cenário,  reconhecida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  a  inconstitucionalidade da  incidência de contribuição previdenciária  sobre o benefício do vale­ transporte, concedido em pecúnia ou em ticket, fez­se necessária a revisão da jurisprudência da  Corte  Superior  de  Justiça,  que  passou  a  se  manifestar  na  forma  assentada  nos  seguintes  julgados:  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  VALE­ TRANSPORTE.  PAGAMENTO  EM  PECÚNIA.  NÃO­ INCIDÊNCIA.  PRECEDENTE  DO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL.  JURISPRUDÊNCIA  DO  STJ.  REVISÃO.  NECESSIDADE.  1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2010, em  caso  análogo  (RE  478.410/SP,  Rel. Min.  Eros  Grau),  concluiu  que  é  inconstitucional  a  incidência  da  contribuição  previdenciária sobre o vale­transporte pago em pecúnia, já que,  qualquer  que  seja  a  forma  de  pagamento,  detém  o  benefício  natureza  indenizatória.  Informativo  578  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que  reconhecia  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  na  hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º  do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de  efetuar o pagamento em dinheiro.  3. Recurso  especial  provido."  (REsp  1180562/RJ, Rel. Ministro  CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA,  julgado em 17/08/2010,  DJe 26/08/2010).    TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOBRE  A  FOLHA  DE  SALÁRIOS.  AUXÍLIO­CRECHE.  MATÉRIA  FÁTICO­ PROBATÓRIA.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA  7/STJ.  AUXÍLIO­ TRANSPORTE  PAGO  EM  PECÚNIA.  NÃO­INCIDÊNCIA.  ENTENDIMENTO  DO  STF.  REALINHAMENTO  DA  JURISPRUDÊNCIA DO STJ.  1.  A  solução  integral  da  controvérsia,  com  fundamento  suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC.  2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou  os  gastos  com  o  auxílio­creche  nem  a  idade  dos  beneficiários.  Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 524          73 Rever  tal  entendimento  demanda  reexame  da  matéria  fático­ probatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ).  3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando  a  inconstitucionalidade  da  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  as  verbas  referentes  a  auxílio­transporte,  mesmo  que  pagas  em  pecúnia,  faz­se  necessária  a  revisão  da  jurisprudência  do  STJ  para  alinhar­se  à  posição  do  Pretório  Excelso.  4.  Recurso  Especial  parcialmente  conhecido  e,  em  parte,  provido.  (REsp  1.194.788/RJ,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  19/08/2010,  DJe  14/09/2010)    Na mesma esteira, a Advocacia Geral da União – AGU fez publicar à pag. 32  do Diário Oficial  da União  de  09/12/2011  a  súmula  nº  60,  de  08/12/2011,  que  desonerou  a  rubrica em foco da incidência da contribuição previdenciária, mesmo quando paga em pecúnia,  ostentando o seguinte enunciado:  Não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  vale  transporte  pago  em  pecúnia,  considerando  o  caráter  indenizatório da verba.    Nesse  contexto,  não  deve  persistir,  portanto,  o  lançamento  tributário  em  relação  às  contribuições  previdenciárias  incidentes,  exclusivamente,  sobre  os  valores  equivalentes  ao  vale­transporte  pago  em  pecúnia  aos  segurados  empregado,  em  atenção  às  disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26­A do Decreto nº 70.235/72,  inserido pela Lei nº 11.941/2009.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941/2009)  (...)  §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  II – que fundamente crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº  11.941/2009)  Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     74 b) súmula da Advocacia­Geral da União, na  forma do art. 43  da  Lei  Complementar  nº  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993,  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos)   c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)     Nesse  contexto,  portanto,  não  deve  persistir  o  lançamento  tributário  em  relação  às  contribuições  previdenciárias  incidentes,  exclusivamente,  sobre  os  valores  equivalentes ao vale­transporte pago em pecúnia aos segurados empregados.    Chamamos  a  atenção  para  o  fato  de  a  exclusão,  do  lançamento,  da  rubrica  referente ao vale­transporte pago em dinheiro não implica a nulidade do procedimento fiscal,  mas,  tão  somente,  a  improcedência  do  lançamento  relativo,  exclusivamente,  às  obrigações  tributárias decorrentes do pagamento, em pecúnia, do beneficio do vale­transporte.  As  hipóteses  de  nulidade  do  lançamento  encontram­se  previstas  taxativamente no art. 59 do Dec. nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente  ou com preterição do direito de defesa.  §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele  diretamente dependam ou sejam consequência.  §2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  §3º Quando  puder  decidir  do mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­ lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)    Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo se este  lhes houver dado causa, ou quando não  influírem na  solução do litígio.    O caso concreto ora em debate  subsume­se à hipótese vertida no art. 60 do  Dec.  nº  70.235/72,  cuja  sanatória  se  consuma  com  a  simples  exclusão,  do  lançamento  originário, das obrigações tributárias indevidamente levantadas pela Fiscalização.    Por  tais  razões,  para  não  ser  diferente,  rejeitamos  a  preliminar  de  nulidade  suscitada pelo Recorrente.  Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 525          75   Merece ser mencionado, todavia, que o Colendo Superior Tribunal de Justiça,  no  julgamento  do  REsp  nº  1.230.957­RS,  proferido  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  decidiu  não  haver  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  os  15  dias  anteriores  à  concessão de auxílio­doença, sobre o terço constitucional incidentes sobre a remuneração das  férias indenizadas ou gozadas e sobre o aviso prévio indenizado.   Tal  decisão,  entretanto,  ainda  não  se  encontram  ornada  com  o  atributo  da  coisa  julgada,  eis  que  figura  como  objeto  de Recurso  Extraordinário  em  trâmite  no  STF. O  Resp nº 1.230.957/RS encontra­se suspenso no Superior Tribunal de Justiça, por depender do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  RE  nº  593.068,  com  repercussão  geral  reconhecida,  circunstância que representa óbice intransponível à incidência do preceito inscrito no art. 62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  o  qual  exige  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional,  na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C do Código de Processo Civil.  Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009):  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.  (grifos nossos)      Portanto,  estando  ainda  pendentes  de  recurso  a  decisão  judicial  acima  referida, não há que se  falar em decisões definitivas de mérito,  tampouco em reprodução, no  vertente Recurso Voluntário, da decisão proferida no julgado em apreço.    Dessarte,  apesar  da  descrença  declarada  pelo  Recorrente,  vencidas  as  preliminares de nulidade, passamos ao exame do mérito.      3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo  Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     76 de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado  qualquer  litígio  a  ser  dirimido  por  este  Conselho.    3.1.  DA DENUNCIA ESPONTÂNEA  O Recorrente alega que a denúncia espontânea restou configurada.  Se nos antolha que alguém não leu o art. 138 do CTN, que reza:    Código Tributário Nacional   Art.  138. A  responsabilidade  é  excluída  pela denúncia  espontânea  da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo  devido  e  dos  juros  de  mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando  o  montante  do  tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo  ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.    De acordo com o Relatório Fiscal a fls. 36/40, a ação fiscal que deu ensejo à  lavratura dos Autos de Infração em debate houve­se por iniciada no dia 01/02/2012, mediante a  entrega  do  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  a  fls.  299/300,  Termo  de  Início  de  Procedimento Fiscal a fls. 28/29, o qual se houve por recebido, na mesma data, pelo chefe do  Departamento de Pessoal.  Assim, nos termos do Parágrafo Único do art. 138 do CTN, somente pode ser  considerada  como  denúncia  espontânea  a  correção  de  qualquer  infração  à  legislação  previdenciária que tenha ocorrido antes da data de 01/02/2012.  Ocorre,  contudo,  que  a  questão  temporal  não  se  consubstancia  na  condição  única para a exclusão da responsabilidade por infrações à Legislação Previdenciária. Há outra.  Nessa esteira, exige o caput do art. 138 do CTN que a correção das infrações,  além  de  ter  que  ser  procedida  antes  do  início  de  qualquer  procedimento  fiscal,  tem  que,  NECESSARIAMENTE,  ser  acompanhada  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  correspondentes juros de mora.  Todavia,  o  adimplemento  cumulativo  das  condições  essenciais  acima  desfiadas não se houve por comprovado pelo Recorrente, circunstância que se constitui óbice  intransponível ao reconhecimento de eventual denúncia espontânea.    3.2.  DA MULTA DE OFÍCIO   Alega o Recorrente que a multa de ofício de 75% tem caráter confiscatório.  Está frio !    Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 526          77 Com  efeito,  a  Constituição  Federal  de  1988,  no  Capítulo  reservado  ao  Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e  da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do  poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de  tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris:  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988  Art.  145.  A  União,  os  Estados,  o  Distrito  Federal  e  os  Municípios poderão instituir os seguintes tributos:  (...)  §1º  ­  Sempre que possível, os  impostos  terão caráter pessoal  e  serão  graduados  segundo  a  capacidade  econômica  do  contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente  para  conferir  efetividade  a  esses  objetivos,  identificar,  respeitados  os  direitos  individuais  e  nos  termos  da  lei,  o  patrimônio,  os  rendimentos  e  as  atividades  econômicas  do  contribuinte. (grifos nossos)     Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal  e aos Municípios:  IV ­ utilizar tributo com efeito de confisco;    Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso  realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional,  como  vetores  a  serem  seguidos  no  processo  de  gestação  de  normas  matrizes  de  cunho  tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores  fiscais  subordinam­se  cegamente  ao  principio  da  atividade  vinculada  aos  ditames  da  lei,  dele  não  podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional.  Cite­se, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o  efeito  confiscatório  aos  tributos,  não  a  seus  acessórios  legais,  os  quais  possuem  natureza  jurídica  totalmente  distinta.  Tributo  configura­se  como  a  própria  obrigação  principal  devida  pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário  estatuído  na  lei. A multa de  ofício,  por  seu  turno,  possui  natureza  jurídica  de penalidade de  natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal.   Justifica­se  a vedação  constitucional  à  instituição  de  tributos  com efeito  de  confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão  da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente.   Caso  o  tributo  fosse  criado  com  alíquota  por  demais  elevada,  a  própria  ocorrência  inevitável  do  fato  gerador  resultaria  na  extinção  da  matéria  tributável  correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade.  O  mesmo  não  ocorre  com  as  multas  de  natureza  punitiva,  as  quais  não  possuem  natureza  jurídica  de  tributo,  mas,  meramente,  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  na  forma  e  nos  prazos  estabelecidos  na  legislação  tributária.  Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     78 Ao contrário dos  tributos,  aqui o  fato  gerador da multa punitiva  é  evitável.  Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso  a  inflição de penalidade de  tamanha onerosidade, visando a brindar  a máxima efetividade às  normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo.  Nesse  viés,  ao  ignorar  as  normas  tributárias  cogentes,  e  ao  não  recolher  os  tributos  devidos  em  suas  épocas  próprias,  apostando  quiçá  em  suposta  ineficiência  da  Fiscalização, o Infrator volitivamente se coloca em situação de risco calculado perante o Fisco,  consciente de que a constatação de tal irregularidade irá desaguar em apenação condizente com  a gravidade da infração perpetrada.  Imerso  na  Ordem  Constitucional  positiva  e  eficaz,  a  disciplina  atinente  à  aplicação  de  multa  de  mora  decorrente  do  descumprimento  tempestivo  de  obrigações  tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34  e  35  estatuem,  de  forma  objetiva,  que  as  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas  pelo  INSS,  incluídas  ou  não  em  notificação  fiscal  de  lançamento,  pagas  com  atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:   a)  oito  por  cento,  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela  Lei nº 9.876/99)  c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do  vencimento  da  obrigação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99)    II  ­  para pagamento de créditos  incluídos  em notificação  fiscal  de lançamento:   a)  vinte  e  quatro  por  cento,  em  até  quinze  dias  do  recebimento  da  notificação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99)  b)  trinta  por  cento,  após  o  décimo  quinto  dia  do  recebimento  da  notificação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99)  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde  que  antecedido  de  defesa,  sendo  ambos  tempestivos,  até  quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos  da Previdência Social  ­ CRPS;  (Redação dada pela Lei nº  9.876/99)  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência  da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social  ­ CRPS, enquanto não  inscrito  em Dívida Ativa;  (Redação  dada pela Lei nº 9.876/99)    III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 527          79 a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)  b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada  pela Lei nº 9.876/99)  c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela  Lei nº 9.876/99)  d)  cem  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99)  §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um  acréscimo  de  vinte  por  cento  sobre  a multa  de mora  a  que  se  refere o caput e seus incisos.   §2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.   §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor  de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.   §4º Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta  por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)    Conforme já anteriormente articulado, a Medida Provisória nº 449, de 03 de  dezembro  de  2008,  alterou  substancialmente  a  sistemática de  imposição  de  penalidades  pelo  descumprimento de obrigação principal, fazendo incidir, nos lançamentos de ofício, como é o  presente caso, multa de ofício na ordem de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição  previdenciária, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos  de declaração inexata, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35, aplica­se o disposto no art. 44  da  Lei  no  9.430,  de  1996.  (Incluído  pela Medida Provisória  nº  449/2008)    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  Fl. 566DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     80 pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  V  ­  (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998).  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488/2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.    Escapa, todavia, da competência deste colegiado a sindicância da adequação  das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações  e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior.  Revela­se mais do que  sabido que a declaração  de  inconstitucionalidade de  leis  ou  a  ilegalidade  de  atos  administrativos  constitui­se  prerrogativa  outorgada  pela  Fl. 567DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 528          81 Constituição  Federal  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário,  não  podendo  os  agentes  da  Administração Pública imiscuírem­se ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte  Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste.  Ademais,  perfilando  idêntico  entendimento  como  o  acima  esposado,  a  Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para  se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de  julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de  observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda.  PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.    Por outro viés, mas vinho de outra pipa,  sendo a atuação da Administração  Tributária  inteiramente  vinculada  à  Lei,  e,  restando  os  preceitos  introduzidos  pelas  leis  que  regem  as  contribuições  ora  em  apreciação  plenamente  vigentes  e  eficazes,  a  inobservância  desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente  em  responsabilidade  funcional  dos  agentes  do  Fisco  Federal.  Cumpre­nos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço,  até  o  presente momento,  não  foram  ainda  vitimadas  de  qualquer  sequela  decorrente  de  declaração  de  inconstitucionalidade  proferida  na  via  Fl. 568DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     82 concentrada,  exclusiva  do  Supremo Tribunal  Federal,  produzindo,  portanto,  todos  os  efeitos  jurídicos que lhe são típicos.  Desbastada  nesses  talhes  a  escultura  jurídica,  impedido  se  encontra  este  Colegiado  de  apreciar  tais  alegações  e  afastar  a  multa  moratória  aplicada  nos  trilhos  mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto  no  artigo  150,  IV,  da  Constituição  Federal,  atividade  essa  que  somente  poderia  emergir  do  Poder Judiciário.    3.3.   DA INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS.  Quanto ao pedido para que as publicações e intimações sejam efetivadas em  nome  dos  advogados  que  subscrevem  o  presente  recurso,  deve  ser  mencionado  que  a  lei  processual  determina  que  as  intimações  sejam  feitas  de  maneira  pessoal,  pelo  autor  do  procedimento, ou por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo  sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à  administração tributária, ou ainda por meio eletrônico, com prova de recebimento, a  teor dos  incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 23. Far­se­á a intimação:  I  ­  pessoal,  pelo  autor  do  procedimento  ou  por  agente  do  órgão  preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do  sujeito  passivo,  seu  mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa,  com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº  9.532, de 1997)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97)   III  ­  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  mediante:  (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005)  a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela  Lei nº 11.196/2005)  b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito  passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005)  §1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste  artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta  perante  o  cadastro  fiscal,  a  intimação  poderá  ser  feita  por  edital  publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  I ­ no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela  Lei nº 11.196/2005)  II ­ em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da  intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  III ­ uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela  Lei nº 11.196/2005)  §2° Considera­se feita a intimação:  I ­ na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a  intimação, se pessoal;  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da  intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97)  Fl. 569DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.722291/2012­49  Acórdão n.º 2302­003.685  S2­C3T2  Fl. 529          83 III  ­  se  por  meio  eletrônico,  15  (quinze)  dias  contados  da  data  registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito  passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005)  b)  no  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito  passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005)  IV ­ 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio  utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  §3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo  não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº  11.196/2005)   §4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do sujeito  passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005)   I  ­  o  endereço  postal  por  ele  fornecido,  para  fins  cadastrais,  à  administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela  Lei nº 11.196/2005)  §5o  O  endereço  eletrônico  de  que  trata  este  artigo  somente  será  implementado  com  expresso  consentimento  do  sujeito  passivo,  e  a  administração tributária informar­lhe­á as normas e condições de sua  utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  §6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato  da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  §7o  Os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  serão  intimados  pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara  Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das  respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão. (Incluído  pela Lei nº 11.457/2007)  §8o  Se  os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  não  tiverem  sido  intimados  pessoalmente  em  até  40  (quarenta)  dias  contados  da  formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara  Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos  autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  para  fins  de  intimação.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.457/2007)  §9o  Os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  serão  considerados  intimados  pessoalmente  das  decisões  do Conselho  de Contribuintes  e  da Câmara  Superior  de Recursos Fiscais,  do Ministério  da  Fazenda,  com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os  respectivos  autos  forem  entregues  à  Procuradoria  na  forma  do  §8o  deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007)    Registre­se  que  a  conveniência  e  comodidade  do  Patrono  do  Autuado  não  possui poderio suficiente para subjugar a vontade da lei. O contrário sim.     3.   CONCLUSÃO:  Fl. 570DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     84 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluído do lançamento, tão somente, as  obrigações tributárias decorrentes do pagamento em pecúnia de vale­transporte aos segurados  empregados.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva. Relator.                              Fl. 571DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI

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5821951 #
Numero do processo: 35570.004613/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, a fim de análise da documentação acostada pelo sujeito passivo, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em converter o julgamento em diligência para que o Fisco responda quesitos e analise a documentação acostada pelo sujeito passivo. Redator “ad hoc”: Marcelo Oliveira (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator “ad hoc” (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Participaram do julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA, (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  35570.004613/2005­59  Recurso nº  999.999Voluntário  Resolução nº  2301­000.413  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  18 de setembro de 2013  Assunto  Adicional RAT  Recorrente  COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o  julgamento em diligência, a fim de análise da documentação acostada pelo sujeito passivo, nos  termos do voto do Redator.   Vencidos  os  Conselheiros  Damião  Cordeiro  de  Moraes,  Adriano  Gonzáles  Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em converter o julgamento em diligência  para que o Fisco responda quesitos e analise a documentação acostada pelo sujeito passivo.   Redator “ad hoc”: Marcelo Oliveira   (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira – Presidente e Redator “ad hoc”    (assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Júnior       Participaram  do  julgamento  os  conselheiros:  MARCELO  OLIVEIRA,  (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS,  DAMIÃO  CORDEIRO  DE  MORAES,  MAURO  JOSE  SILVA,  MANOEL  COELHO  ARRUDA JUNIOR.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 70 .0 04 61 3/ 20 05 -5 9 Fl. 13483DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 3          2   Em  05  de  maio  de  2009,  esta  Turma  resolveu,  por  unanimidade  de  votos,  converter o julgamento em diligência à origem para que [fls. 6.500 e ss]:   Desta  forma,  considerando  o  acima  exposto  e  a  natureza  eminentemente  técnica  da  controvérsia  travada  nos  presentes  autos,  tenho  que  o  presente  julgamento  deve  ser  convertido  em  diligência  para  que  seja  elaborado  parecer  técnico  para  cada  um  dos  estabelecimentos  da  empresa,  a  ser  elaborado  por Médico  Perito  do  Fisco ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, de forma a comprovar  que os segurados empregados da recorrente encontram­se efetivamente  expostos a  agentes  nocivos  (considerando,  inclusive,  se  havia  ou  não  utilização  eficaz  de  equipamento  de  proteção  para  cada  um  dos  agentes), que lhes garanta aposentadoria especial, nos termos dos arts.  64 e seguintes da Lei n° 8.213/91.  Para tanto, deverá ser realizada inspeção técnica no local de trabalho  da  empresa,  considerado  pelos  auditores  fiscais,  emitindo­se  parecer  conclusivo.  Inclusive  com  a  confirmação  se  houve  a  concessão  de  benefícios por incapacidade acidentária aos segurados da empresa em  epígrafe,  no  período  do  levantamento  do  crédito  previdenciário,  referente a cada um dos respectivos estabelecimentos da empresa.  Da mesma forma, seja elaborada planilha relacionando os empregados  expostos e seus respectivos setores, de forma a deixar claro se estão ou  não incluídos no presente lançamento.  Tais  informações  poderão  ser  adquiridas  no  local  de  trabalho  dos  segurados ou na prestadora de  serviços,  já que esta é obrigada a  ter  folha de salário separada por cada empresa contratante (art. 31, §5º,  da Lei nº 8.212/91) ou outro meio capaz de assegurar que os segurados  efetivamente estavam expostos a agentes nocivos à saúde.  Por  fim,  faz­se  mister  que,  antes  da  realização  da  perícia,  seja  intimada a Recorrente para que no prazo de 05 [cinco] dias apresente  quesitos e indique assistente técnico.    No dia 23 de outubro daquele ano, a CSN protocolizou petição que apresentou  os quesitos e indicou os assistentes técnicos [fls. 6.510 e ss].  Instado  a  se  manifestar,  o  i.  auditor  emitiu  “Informação  Fiscal”  [fls.  6.525/6.533]  que,  em  síntese,  questionou  a  relevância  da  diligência  e  ratificou  os  termos  do  lançamento realizado:  1. Em atenção ao contido na Resolução n° 2301­00.007, da 3a Câmara  /  l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais — CARF,  que,  em  breve  síntese,  solicita a elaboração de um parecer técnico conclusivo por um médico  perito do fisco ou engenheiro do trabalho, buscando comprovar que os  segurados da recorrente encontram­se efetivamente expostos a agentes  Fl. 13484DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 4          3 nocivos,  temos  a  informar  que  o  referido  procedimento  não  há  como  ser  atendido  pela  RFB,  pelos  motivos  que  procuraremos  demonstrar  nos parágrafos seguintes.  2. Preliminarmente, cumpre destacar que o crédito previdenciário em  questão  se  originou  através  de  procedimento  fiscal  que,  em  atendimento  á  normatização  vigente  à  época  da  sua  realização,  teve  por  finalidade  a  verificação  do  correto  e  efetivo  gerenciamento  dos  riscos  ocupacionais  no  ambiente  de  trabalho,  bem  como  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  principais  e  acessórias  dele  decorrentes,  em  relação  a  seus  segurados  empregados,  mais  especificamente:  [...]  Em relação ao adicional do RAT, promovido pelo §6° do art. 57, da Lei  8.213/91,  a  constatação  de  que  a  empresa  não  obedeceu  às  determinações  contidas  pela  legislação  previdenciária,  segundo  constou  no  Relatório  Fiscal,  foi  feita,  considerando,  de  um  lado,  a  presença  dos  agentes  nocivos  apontados  pelos  laudos  técnicos  apresentados pela empresa, enumerados no  item 3 acima, e de outro,  conforme exaustivamente demonstrado ao longo do Relatório Fiscal, as  deficiências  do  programa  de  gerenciamento  dos  riscos  ambientais,  evidenciadas  principalmente  —  mas  não  somente  —  nas  faltas  de  cuidados em fornecer aos seus trabalhadores o EPI adequado ao risco  de  cada  atividade;  em  orientar  e  treinar  o  trabalhador  sobre  o  uso  adequado, guarda e conservação dos mesmos; em deixar de substitui­ los  imediatamente,  quando  danificado  ou  extraviado;  em  se  responsabilizar pela higienização e manutenção periódica dos mesmos;  nas evidências de ordem médica, verificadas pelos níveis de morbidade  dos  trabalhadores,  constantes  nos  PCMSO  apresentados  e  na  quantidade de CAT referente à perda auditiva induzida por ruído; nas  sucessivas manifestações dos órgãos públicos competentes, notadamente  a Curadoria Regional do Meio Ambiente, Consumidor e Cidadania do  Rio de Janeiro, o Ministério Público do Trabalho, e a Fiscalização do  Ministério do Trabalho; e nas observações colhidas nas atas de reunião  da CIPA.  5. No que concerne ao  contido nos  itens 3 e 4 acima,  vale aqui  fazer  algumas  indagações  e  considerações, mesmo  que  pontuais,  acerca  do  tema  que  envolve  a  presente  Diligência  Fiscal:  0  que  significa  gerenciamento  de  risco?  Qual  a  significação  de  laudo  técnico?  Da  mesma  forma  que  um  filme  é  um  conjunto  de  fotos  continuas,  o  gerenciamento é uma reunião de ações ao longo do tempo. 0 LTCAT, por  exemplo, traz em seu bojo um conjunto de determinações que a empresa  deve cumprir. Assim, se o contribuinte informa que a utilização do EPI  neutraliza a nocividade do agente físico "Ruido", deve ele, contribuinte,  cumprir uma série de ações e procedimentos para que tal neutralidade  se torne eficaz ao longo do tempo em que o empregado estiver exposto  à nocividade, tais como:  realizar  treinamentos  de  seus  empregados,  conscientizando­os  da  importância  do  uso  dos  EPI;  possuir  e  cumprir  norma  interna,  que  determine  a  forma  de  entrega  e  a  periodicidade  de  seu  uso;  demonstrar, através de qualquer forma, o recebimento pelo empregado  Fl. 13485DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 5          4 do  EPI;  deve  também  demonstrar,  através  de  exames  audiométricos  anuais,  a  eficiência  das  ações  propostas  etc.  Portanto,  não  basta  o  contribuinte  afirmar  que  o  uso  do  EPI  neutraliza  a  nocividade  do  agente. Deve demonstrar a real efetividade de suas ações, através dos  diversos  programas/procedimentos  obrigatórios  por  Lei.  Foi  este  o  trabalho  objeto  da  fiscalização  quando  da  lavratura  da  presente  Notificação  Fiscal:  verificar  o  cumprimento  das  ações  determinadas  pelo  Laudo  Técnico  apresentado,  bem  como  as  normas  oriundas  da  Legislação da Segurança e Medicina do Trabalho.  [...] No que concerne às alegações aventadas pela  recorrente  em seu  Recurso Voluntário, especificamente ao contido às Fls. 6485, itens 3 e  4,  mister  que  façamos  aqui,  mesmo  que  de  forma  pontual,  algumas  observações  que  nos  levaram  a  concluir  que  tais  alegações  não  merecem prosperar  7.  Ainda  nesta  linha,  verifica­se  também  que,  atentos  ao  fato  de  o  referido  crédito  previdenciário  tratar­se  de  contribuição  individualizada,  incidindo  exclusivamente  sobre  a  remuneração  referente  ao  segurado  que  efetivamente  exerceu  a  atividade  em  condições especiais, as autoridades fiscais procederam ã identificação  precisa  dos  trabalhadores  e  dos  fatores  ambientais  de  risco  a  que  estavam  expostos,  informações  estas  extraídas  exclusivamente  dos  documentos  apresentados pela  empresa,  elaborando as  "Planilhas  de  Levantamento de Riscos — por Estabelecimento" de forma anual, onde  são  identificados  os  trabalhadores  expostos  aos  agentes  nocivos  em  níveis  acima do Limite  de Tolerância,  com a  respectiva  identificação  do  agente,  bem  como  do  nível  de  exposição.  A  base  de  cálculo,  individualizada  por  empregado,  foi  detalhada  nos  "Demonstrativos  Mensais  relacionando  todos  os  trabalhadores  expostos,  com  a  respectiva  base  de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias  —  por  Estabelecimento".  Todos  estes  demonstrativos,  componentes  do  presente  processo,  foram  anexados  ao  Relatório  Fiscal,  de  forma  a  tornar límpido e claro o critério para estipular o valor da contribuição  previdenciária devida.  8.  Estão  ainda  individualizadas  no  Relatório  Fiscal  as  rubricas  da  folha  de  pagamento  consideradas  como  integrantes  do  salário­de­ contribuição  (Item  11.6.2  —  Fls.  385)  e  as  respectivas  aliquotas  aplicadas (Item 11.7 — Fls. 386).  9. Também se encontram detalhados no item 11.8 do Relatório Fiscal  (Fls.  386)  e nos Anexos XIX, XX e XXI  (Fls.  4616/4621),  os  critérios  utilizados  para  apropriação  dos  depósitos  judiciais  realizados  pela  empresa.  10.  Destarte,  retornando  ao  tema  matriz  da  solicitação  que  impulsionou esta Diligência Fiscal,  registre­se que creditamos todo o  respeito que a manifestação da 1a Turma da 3a Câmara do Conselho  inspira, mas pedimos vênia para nos posicionarmos no sentido de que,  a nosso sentir, o procedimento solicitado está fora da competência da  Receita Federal do Brasil, uma vez que a fiscalização previdenciária de  riscos  ocupacionais  não  inclui  a  elaboração  de  pareceres  ou  laudos,  conforme  prevê  os  arts.  376  e  377  da  então  IN  INSS/SRP  n°  03/2005  vigente  à  época  (atualmente  os Arts. 288 e 289 da  IN 971/2009), que  Fl. 13486DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 6          5 discrimina  os  procedimentos  a  serem  adotados  pelo  fisco  (da  RFB)  nessa  área.  Vale  ressaltar  que  os  atos  que  devem  ser  praticados  pela  fiscalização são os definidos na legislação especifica, como bem observa  o art. 6°, incisos I e II, da Lei no 10.593, de 06 de dezembro de 2002 (que  trata da competência dos AFRFB) [...]  11.  Assim,  por  absoluta  falta  de  amparo  legal,  não  cabe  ao  Fisco  a  supressão  de  deficiências  nas  demonstrações  ambientais  (PPRA,  LTCAT,  etc),  as  quais  são  de  competência  da  empresa.  A  função  precipua  da  RFB  é  buscar  a  garantia  do  custeio  e  verificar  se  as  obrigações exigíveis pelas legislações no que concerne 6.  exposição aos agentes nocivos estão sendo cumpridas pela empresa. A  titulo  de  exemplificação,  quando  o  Fisco  encontra  lançamentos  não  registrados  corretamente  pela  empresa  em  seus  livros  contábeis,  não  temos competência para inseri­los na sua contabilidade, mas podemos  constituir o crédito pelo lançamento; assim, por analogia, não cabe ao  Fisco realizar os programas que são obrigatórios da empresa, mas tão  somente a análise quanto ao cumprimento das disposições  legais, até  porque os programas são atos pretéritos e deveriam ser implementados  a contento pela empresa.    Apesar de exaurida sua competência com a interposição do recurso voluntário, o  i.  auditor conclui o documento com a  “reabertura do prazo para  complementação do  recurso  voluntário” e reafirma a desnecessidade da diligência:   12. Finalizando, por tudo já exposto do corpo desta Informação Fiscal,  entendemos  que  a  apreciação  do  pedido  formulado  pelo  contribuinte  As  fls.  6510/6515  encontra­se  também  prejudicada  e  não  deve  prosperar. Ademais, pela análise do pedido formulado (v.g., observar a  presença  de  agentes  nocivos  nos  ambientes  de  trabalho  de  cada  expostos  aos  agentes  nocivos),  verifica­se  que  os  mesmos  já  foram  analisados no Relatório Fiscal e seus anexos (vide os itens 8.2 a 8.12 e  10 e anexos VII ao XVII).  13. Face à emissão desta Informação Fiscal,  estamos reabrindo novo  prazo do recurso voluntário interposto ao Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  —CARF,  facultando  ao  sujeito  passivo  a  apresentação  de  adendo  à  defesa  já  encaminhada,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  contados  a  partir  do  primeiro  dia  al  seguinte  ao  da  ciência,  a  qual  poderá  ser  protocolizada  em  qualquer  Unidade  de  Atendimento da Receita Federal do Brasil.  14.  Sendo  o  que  incumbe  a  fiscalização  esclarecer,  submetemos  a  presente  informação  à  consideração  do  Sr.  Chefe  de  Equipe  Fiscal,  sugerindo  o  encaminhamento  do  presente  processo  à  SACAT,  para  conhecimento  e  guarda  do  prazo  regulamentar  acima  descrito  e  posterior providências de envio à 3' Camara / 1° Turma Ordinária da  Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais — CARF, para seu prosseguimento.    Fl. 13487DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 7          6   Intimado  da  “Informação  Fiscal”,  o  Sujeito  Passivo  interpôs  novo  recurso  voluntário  [fls.  6.543  e  ss]  que  reitera  os  argumentos  já  apresentados  e  questionam  a  incompletude do lançamento:  Como  se  verifica  do  trecho  acima,  a  matéria  tratada  é  de  fato  complexa,  isto  porque,  para  que  se  torne  exigível  a  cobrança  da  contribuição  para  aposentadoria  especial,  é  preciso  que  fique  comprovada  a  exposição  aos  agentes  nocivos  químicos,  físicos,  biológicos  ou  associação  de  agentes  prejudiciais  à  saúde  ou  à  integridade  física,  pelo  período  equivalente  ao  exigido  para  a  concessão do beneficio2.  Entretanto,  a  presente  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito,  justamente por não analisar de forma precisa e individualizada os fatos  geradores  da  obrigação  previdenciária,  qual  seja,  o  riscos  a  que  efetivamente estão expostos os segurados, não cumpriu os requisitos de  clareza  exigidos,  inviabilizando  qualquer  presunção  de  liquidez  e  certeza do crédito previdenciário ora questionado.  Nessa  linha,  cumpre  destacar  que  a  valoração  do  crédito  previdenciário em ­ tela apresenta diversas dúvidas. Como é sabido, o  referido  crédito  previdenciário  trata­se  de  contribuição  individualizada, ou seja, que's.6 incide sobre a remuneração referente  ao  segurado  que  efetivamente  exerceu  a  atividade  laborativa  em  condições  especiais,  entretanto,  não  houve  por  parte  das  D.  Autoridades  Fiscais,  qualquer  identificação  ou  a  demonstração  da  efetiva exposição desses trabalhadores a agentes nocivos, para que se  atingisse o valor certo e devido do crédito previdenciário que originou  a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.  Assim, não  restando  identificados de  forma exata os empregados que  exerceram  essas  atividades,  bem  como  o  tempo  de  duração  das  mesmas, ou seja, restando indevidamente analisado o fato gerador da  obrigação ora questionada, questiona­se: Qual o critério utilizado pela  D.  Autoridade  Fiscal  e  mantido  pela  D.  Autoridade  Julgadora  para  estipulação do valor da obrigação previdenciária em tela?  Em face do quanto narrado, verifica­se que as D. Autoridades Fiscais  não observaram o referido dispositivo, uma vez que faltaram elementos  que  caracterizassem  os  fatos  geradores  da  obrigação,  de  forma  que  não  há  certeza  e  liquidez  quanto  ao  tributo  devido.  Ora,  não  demonstrada  a  efetiva  ocorrência  do  fato  gerador,  deve  ser,  desde  logo, cancelada a autuação em tela.  Ademais,  a  desconsideração  de  inúmeros  documentos  apresentados  pela  RECORRENTE,  devida  e  regularmente  assinados  por  profissionais  legalmente  habilitados,  prejudicou  ainda  mais  a  comprovação  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  da  obrigação  previdenciária.  Dessa forma, o lançamento fiscal de débito findou por não atender aos  requisitos de precisão e clareza, lançando valores em desacordo com a  efetiva  prestação  dos  serviços,  sem  individualizar  os  segurados  que  Fl. 13488DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 8          7 efetivamente estiveram expostos aos riscos ambientais, nem tampouco  a mitigação de eventuais riscos em razão da utilização de Equipamento  de Proteção Individual ou Coletiva, conforme previsto no Programa de  Prevenção de Riscos Ambientais ­ PPRA acostados aos autos.  [...]Uma vez demonstrado que o lançamento fiscal ora questionado não  possui  elementos  suficientes para a  configuração dos  fatos geradores  da  obrigação  previdenciária,  verifica­se  que  a  realização  da  perícia  determinada através da Resolução no 2301­00.007 seria indispensável  para  se  aferir  os  segurados  supostamente  expostos  a  riscos  ocupacionais,  bem como o nível  de exposição, de  forma a  embasar a  exigência da contribuição para aposentadoria especial.    A CSN requereu, por fim, que:  (i)  diante  da  ausência  de  realização  de  perícia  médica  não  há  como se emprestar segurança e  liquidez ao crédito  tributário,  motivo pelo qual deve ser provido o Recurso Voluntário; e  (ii)  alternativamente,  deve  ser  realizada  a  diligência  comandada  pela  Resolução  n.  2304­00.007,  bem  como  a  análise  dos  documentos apresentados pela Recorrente [fls. 6.518/11.846].  É o relatório.  Fl. 13489DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 9          8   VOTO:  Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator   Reconhecemos  a  tempestividade  do  recurso  apresentado  e  dele  tomamos  conhecimento.  Em  05  de  maio  de  2009,  esta  Turma  resolveu,  por  unanimidade  de  votos,  converter o julgamento em diligência à origem para que [fls. 6.500 e ss]:  Desta  forma,  considerando  o  acima  exposto  e  a  natureza  eminentemente  técnica  da  controvérsia  travada  nos  presentes  autos,  tenho  que  o  presente  julgamento  deve  ser  convertido  em  diligência  para  que  seja  elaborado  parecer  técnico  para  cada  um  dos  estabelecimentos  da  empresa,  a  ser  elaborado  por Médico  Perito  do  Fisco ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, de forma a comprovar  que os segurados empregados da recorrente encontram­se efetivamente  expostos a  agentes  nocivos  (considerando,  inclusive,  se  havia  ou  não  utilização  eficaz  de  equipamento  de  proteção  para  cada  um  dos  agentes), que lhes garanta aposentadoria especial, nos termos dos arts.  64 e seguintes da Lei n° 8.213/91.  Para tanto, deverá ser realizada inspeção técnica no local de trabalho  da  empresa,  considerado  pelos  auditores  fiscais,  emitindo­se  parecer  conclusivo.  Inclusive  com  a  confirmação  se  houve  a  concessão  de  benefícios por incapacidade acidentária aos segurados da empresa em  epígrafe,  no  período  do  levantamento  do  crédito  previdenciário,  referente a cada um dos respectivos estabelecimentos da empresa.  Da mesma forma, seja elaborada planilha relacionando os empregados  expostos e seus respectivos setores, de forma a deixar claro se estão ou  não incluídos no presente lançamento.  Tais  informações  poderão  ser  adquiridas  no  local  de  trabalho  dos  segurados ou na prestadora de  serviços,  já que esta é obrigada a  ter  folha de salário separada por cada empresa contratante (art. 31, §5º,  da Lei nº 8.212/91) ou outro meio capaz de assegurar que os segurados  efetivamente estavam expostos a agentes nocivos à saúde.  Por  fim,  faz­se  mister  que,  antes  da  realização  da  perícia,  seja  intimada a Recorrente para que no prazo de 05 [cinco] dias apresente  quesitos e indique assistente técnico.    Considerando o princípio da verdade material e o direito do contribuinte de ter  seus  argumentos  adequadamente  apreciados,  conforme  previsto  no  art.  3º,  inciso  II  da  Lei  9.784/99, não se pode deixar de apreciar os documentos juntados aos autos [fls. 6.518/11.846].  Para  tanto,  torna­se  imprescindível  a  realização  de  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  responda os quesitos apresentados.     Fl. 13490DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 10          9 Após a realização da diligência, a recorrente deve ser intimada a manifestar­se  no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99.        (assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator  Fl. 13491DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35570.004613/2005­59  Resolução nº  2301­000.413  S2­C3T1  Fl. 11          10 VOTO VENCEDOR:  Com  todo  respeito  ao  nobre  relator,  divirjo  de  seu  entendimento  quanto  à  necessidade do Fisco responder quesitos.  Em  verdade,  após  debates,  chegou­se  à  conclusão  de  que  alguns  dos  quesitos  apresentados em diligências anteriores seria de impossível resposta, pelo passar do tempo.  Diferentemente da documentação acostada pelo sujeito passivo, que pode e deve  ser analisada pela parte, Fisco, para verificação da procedência do lançamento e para respeito  ao devido processo legal, em que as partes devem ter a mesma oportunidade.  Assim,  decido  converter  o  julgamento  em  diligência,  a  fim  de  que  o  Fisco  analise e emita parecer conclusivo sobre os documentos anexos aos autos, para a integridade do  lançamento.  Após  essa  medida  deve  ser  dada  ciência  ao  contribuinte,  para,  caso  deseje,  apresente seus argumentos quanto á informação fiscal elaborada, somente.  CONCLUSÃO:  Em  razão  do  exposto,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência,  nos  termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Redator “ad hoc”  Fl. 13492DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA

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Numero do processo: 14474.000253/2007-04
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2803-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 1.602          1  1.601  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14474.000253/2007­04  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­004.225  –  3ª Turma Especial   Sessão de  12 de março de 2015  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  ASSOCIAÇÃO BENEFICIENTE EDUCACIONAL E CULTURAL DA  CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SÃO JOÃO BATISTA E SANTA  CATARINA E SENA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007  MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS  OU  COM  OMISSÃO.  LEI  13.097/2015.  APLICAÇÃO.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO TRIBUTÁRIO  A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada  ao caso contrato, cominando a  anistia  ali  prevista  como  remissão,  extinguindo  o  crédito  tributário  da  obrigação  acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.  Recurso Voluntário Provido  Crédito Tributário Exonerado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49  da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o  crédito  tributário  da  obrigação  acessória  em  questão,  nos  termos  do  art.  156,  IV,  do  CTN.  Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.  (assinatura digital)  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente  (assinatura digital)  Ricardo Magaldi Messetti ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 02 53 /2 00 7- 04 Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     2    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra  Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira   Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/2007­04  Acórdão n.º 2803­004.225  S2­TE03  Fl. 1.603          3  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  pela  contribuinte  Associação  Beneficiente Educacional  e Cultural  da Congregação  das  Irmãs  de São  João Batista  e  Santa  Catarina de Sena ­ Medéias em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento de Curitiba (PR), que restou assim ementado:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 19/07/2007  AI 37.123.089­6  GFIP  COM  DADOS  NÃO  CORRESPONDENTES  AOS  FATOS  GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO.  Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212, de 1991, a empresa  apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS  e  Informações à Previdência  Social  ­ GFIP  com  dados  não  correspondentes  a  todos  os  fatos  geradores  das contribuições destinadas à seguridade social.  Lançamento Procedente  O processo ora em apreço  teve  início  com a  lavratura do Auto de  Ingração  Debcad  nº  37.123.089­6,  por  ter  o mesmo  efetuado  a  entrega  da  Guia  de Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social — GFIP  no  período  de  01/2001  a  12/2006  com  dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições devidas.  Devidamente  cientificada  da  autuação,  a  contribuinte  apresentou  impugnação, aduzindo, em apertado escorço:  a)  a  entidade  teria  sido  autuada  por  não  ter  declarado  em  GFIP  as  remunerações  pagas  aos  médicos  plantonistas,  na  qualidade  de  segurados  empregados,  e  segurados  contribuintes  individuais.  Essas  pessoas  seriam  trabalhadores  autônomos  e  não  poderia o  INSS fazer com que a impugnante  inclua em folha de pagamento pessoas que não  pertencem ao seu quadro de funcionários;  b)  a  auditoria  fiscal  previdenciária  não  deteria  poderes  para  reconhecer  a  existência de vínculo empregatício dos trabalhadores com a contribuinte;  Ao  analisar  as  ponderações  trazidas  pela  contribuinte,  a  DRJ  de  origem  entendeu por bem em considerar procedente o lançamento, rejeitando as alegações constantes  na impugnação, em decisão cuja a ementa foi transcrita alhures.  Irresignada  com  a  decisão  da  DRJ,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação.  Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     4  Sem  contrarrazões  por  parte  da  Procuradoria  da  Fazenda,  os  autos  foram  remetidos a este Conselho, sendo a relatoria sorteada ao Conselheiro Mauro José Silva.  Em sessão de 11 de abril de 2011, a 1ª Turma Ordinária, desta 3ª Câmara da  2ª Seção resolveu converter o julgamento novamente em diligência, para que fossem juntadas  ao  presente  processo  cópias  das  NFLDs  37.123.0853,  37.123.0861  e  37.123.0870  e  dos  documentos  que  as  acompanham,  bem  como  cópias  dos  julgamentos  de  primeira  e  segunda  instância que porventura existam.  Ocorre  que,  ao  analisar  o  pedido  de  diligência,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  informou  que:  “1­Constatamos  que  as  NFLDs  cujas  cópias  estão  sendo  solicitadas  para  juntada  ao  presente,  através  da  Resolução  2301­000.124,  encontram­se  no  CARF,  conforme  telas  juntadas  às  fls.  266  a  268.  2­Retornamos  ao  CARF  para  prosseguimento.”  Assim,  retornaram os autos a este Conselho, sendo estes  redistribuídos para  esta Turma Especial e a mim sorteada a relatoria.  É o relatório.  Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/2007­04  Acórdão n.º 2803­004.225  S2­TE03  Fl. 1.604          5    Voto             Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti  Da Admissibilidade  Fazendo  o  juízo  de  prelibação,  observo  que  o  recurso  voluntário  da  contribuinte  foi  tempestivo  e  presentes  se  encontram  os  demais  requisitos  para  a  sua  admissibilidade, razão pela qual passo a apreciá­lo.  Da Multa Aplicada  No que tange ao valor da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação  acessória, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação  mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória.   Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar  os valores da multa aplicada:   “Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata  o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas ou omitidas; e.   II – de 2% (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o  montante  das  contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso de  falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo,  limitada a  20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.   § 1º Para  efeito  de aplicação da multa  prevista  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte  ao  término  do  prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva  entrega  ou,  no  caso  de  não­apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração ou da notificação de lançamento.   § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes  de qualquer procedimento de ofício; ou .   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração  no prazo fixado em intimação.   § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e.   Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     6  II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Diante da  regulamentação  acima exposta,  é possível  identificar  as  regras  do  artigo 32­A:   a)  é  regra  aplicável  a  uma  única  espécie,  dentre  tantas  outras  existentes,  de  declaração:  a  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP;   b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal,  corrigi­la  ou  suprir  omissões  antes  de  algum  procedimento  de  ofício  que  resultaria em autuação;   c)  regras  distintas  para  a  aplicação  da  multa  nos  casos  de  falta  de  entrega/entrega  após  o  prazo  legal  e  nos  casos  de  informações  incorretas/omitidas;  sendo  no  primeiro  caso,  limitada  a  vinte  por  cento  da  contribuição;   d)  desvinculação  da  obrigação  de  prestar  declaração  em  relação  ao  recolhimento da contribuição previdenciária;   e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da  omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e   f) fixação de valores mínimos de multa.   Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à  GFIP,  sejam  nos  casos  de  “falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega  após  o  prazo”  ou  “informações incorretas ou omitidas”.   O  inciso  II  do  artigo  32­A manteve  a  desvinculação  entre  as  obrigações  do  sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da  contribuição previdenciária devida:   II – de 2% (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o  montante das contribuições  informadas, ainda que  integralmente pagas, no caso de falta de  entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o  disposto no § 3o deste artigo.   Dessa  forma,  depreende­se  da  leitura  do  inciso  que  o  sujeito  passivo  estará  sujeito  à  multa  prevista  no  artigo,  mesmo  nos  casos  em  que  efetuar  o  pagamento  em  sua  integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias.   E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n°  9.430,  de  27/12/1996  (que  trata  das  multas  quando  do  lançamento  de  ofício  dos  tributos  federais) percebe­se que as  regras diferem entre si, pois as multas nele previstas  incidem em  razão  da  falta  de  pagamento  ou,  quando  sujeito  a  declaração,  pela  falta  ou  inexatidão  da  declaração:   LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996.   Dispõe  sobre  a  legislação  tributária  federal,  as  contribuições  para  a  seguridade  social,  o  processo  administrativo  de  consulta  e  dá  outras  providências.   ...   Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/2007­04  Acórdão n.º 2803­004.225  S2­TE03  Fl. 1.605          7  Seção V   Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições   ...   Multas de Lançamento de Ofício   Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:   I­  de  setenta  e  cinco  por  cento,  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o  acréscimo  de multa moratória, de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;   II­  cento  e  cinquenta  por  cento,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude,  definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.   Outra  diferença  é  que  as  multas  elencadas  no  artigo  44  justificam­se  pela  necessidade  de  realização  de  lançamento  pelo  fisco,  já  que  o  sujeito  passivo  não  efetuou  o  pagamento,  sendo  calculadas  independentemente  do  decurso  do  tempo,  eis  que  a  multa  de  ofício  não  se  cumula  com  a  multa  de  mora.  A  finalidade  é  exclusivamente  fiscal,  diferentemente  do  caso  da  multa  prevista  no  artigo  32­A,  em  que  independentemente  do  pagamento/recolhimento  da  contribuição  previdenciária,  o  que  se  pretende  é  que,  o  quanto  antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à  Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários.   Feitas essas considerações,  tenho por certo que as regras postas no artigo 44  aplicam­se aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se  refere  à  “falta  de declaração  e  nos  de declaração  inexata”,  deve­se observar  o  preceito  por  meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32­A da Lei n°  8.212/1991  traz  regra  aplicável  especificamente  a  uma  espécie  de  declaração  que  é  a GFIP,  devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a  todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.  Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei:   “Auto de Infração sem Tributo   Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente  exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente.    Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago  no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se  refere  o  §  3º  do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subsequente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento  no mês de pagamento.”   Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações  relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32­A da Lei n° 8.212/1991 que  regulam  exaustivamente  a  matéria,  sendo  irrelevante  a  existência  ou  não  Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     8  pagamento/recolhimento e qual  tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do  crédito relativo ao tributo devido.   Quanto  à  cobrança  de  multa  nesses  lançamentos,  realizados  no  período  anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35­A, pois poderia haver  retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35.   Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um  conjunto que  lhe dê unidade e  sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas  partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta  de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos  às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha  o  sujeito passivo  realizado o pagamento/recolhimento  antes do procedimento de ofício,  ou  a  multa  de  ofício,  quando  realizado  o  lançamento  para  a  constituição  do  crédito.  Essas  duas  espécies  são  excludentes  entre  si.  Essa  é  a  sistemática  adotada  pela  lei.  As  penalidades  pecuniárias  incluídas  nos  lançamentos  já  realizados  antes  da MP  n°  449/1996  são,  por  essa  nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício  e  pela  sistemática  anterior  multa  de  mora.  Do  que  resulta  uma  conclusão  inevitável:  independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à  MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996.  Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem  procedimento de ofício. Seguem transcrições:   “Art.35.Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  “a”,  “b”  e  “c”  do  parágrafo  único  do  art.  11,  das  contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a  terceiros, assim entendidas outras entidades e  fundos, não pagos nos prazos  previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996.   Art.35­A.Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições  referidas no art. 35, aplica­se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.   Seção IV   Acréscimos Moratórios Multas e Juros   Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.   §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia  subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo  ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.   §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.   Redação anterior do artigo 35:   Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em  atraso,  arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos:   I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída  em  notificação fiscal de lançamento:   Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/2007­04  Acórdão n.º 2803­004.225  S2­TE03  Fl. 1.606          9  a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;   b) quatorze por cento, no mês seguinte;   c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo mês  seguinte  ao  do  vencimento  da  obrigação;   II  ­  para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de  lançamento:   a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação;   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação;   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de  defesa,  sendo  ambos  tempestivos,  até  quinze  dias  da  ciência  da  decisão  do  Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS;   d)  cinqüenta  por  cento,  após  o  décimo quinto  dia  da  ciência  da  decisão  do  Conselho de Recursos da Previdência Social  ­ CRPS, enquanto não  inscrito  em Dívida Ativa;”    No que  tange aos  autos de  infração  referentes  à GFIP, que  foram  lavrados  antes da MP n° 449/1996,  importa que seja  feita a análise quanto à aplicação do artigo 106,  inciso II, alínea “c” do CTN:   “Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   ...   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência de ação ou  omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta  de pagamento de tributo;   c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente  ao tempo da sua prática.”   E  como  pode  ser  notado,  as  novas  regras  trazidas  pelo  artigo  32­A  são,  a  priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites  inferiores, senão vejamos:  no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a  20%  da  contribuição  previdenciária,  no  primeiro  caso;  e  será  de R$  20,00  por  grupo  de  10  informações omitidas ou incorretas, no segundo caso.   Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no  artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá­la ao artigo 32­A. Porém, nos casos  em a multa contida no auto­de­infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não  há como se falar em retroatividade.   Razão  pela  qual  entendo  que  os  valores  impostos  pelo  fisco  devem  ser  retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32­A, eis que mais benéfico para o  Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     10  contribuinte.  Todavia,  há  de  se  fazer,  ainda  a  análise  da  anistia  instituída  pela  Lei  n.  13.097/2015.  Da Anistia Instituída pela Lei n. 13.097/2015  A Lei n. 13.097, publicada em 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento  jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32­A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega  da GFIP, deixou de produzir  efeitos  em  relação aos  fatos geradores ocorridos no período de  27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores  de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento.  Ficaram,  ainda,  anistiadas  as multas  pela  entrega  da GFIP  fora  do  prazo  ou  apresentada  com  incorreções  ou  omissões,  desde  que  a  declaração  (GFIP)  tenha  sido  apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis:  (...)  Seção XIV  Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo  de Serviço e Informações à Previdência Social ­ GFIP  Art.  48. O  disposto  no  art.  32­A  da  Lei  no  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  deixa  de  produzir  efeitos  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária.  Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32­A da Lei no 8.212, de  24  de  julho  de  1991,  lançadas  até  a  publicação  desta  Lei,  desde  que  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24  de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente  ao previsto para a entrega.  Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação  de quantias pagas.  Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015,  faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária.  Ora,  a  anistia  é  classificada  como o  perdão  legal  da  infração,  o  que  obsta  a  constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão  do  crédito  tributário,  o  que  significa  dizer  que  impede  a  constituição  do  crédito  através  do  lançamento,  consoante  a norma do art.  175 do CTN,  e,  como  todo benefício  fiscal,  somente  pode ser concedida por Lei tributária específica.  Insta  salientar,  outrossim,  que  a  a  anistia  não  se  confunde  com  a  remissão.  Esta  é  causa  de  extinção  do  crédito  tributário,  ou  seja,  opera­se  após  o  lançamento  e  consequente  constituição  do  crédito.  Além  disso,  consoante  o  art.  172  do  CTN,  a  remissão  exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode  ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até  a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão, por  sua vez, pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo.  Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/2007­04  Acórdão n.º 2803­004.225  S2­TE03  Fl. 1.607          11  O  catedrático  da  Pontifícia  Universidade  Católica  de  São  Paulo,  Professor  Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua  renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina:  "Anistia  fiscal  é  o  perdão  de  falta  cometida  pelo  infrator  de  deveres  tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter  infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão  pelo  ilícito  e  a  de  perdão  da  multa.  As  duas  proporções  semânticas  do  vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão  porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão  da pena cominada para o crime. Voltando­se para apagar o ilícito tributário  ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si  indiscutível  caráter  retroativo,  pois alcança  fatos que  se  compuseram antes  do  termo  inicial  da  lei  que  a  introduz  no  ordenamento.  Apresenta  grande  similitude  com  a  remissão,  mas  com  ela  não  se  confunde.  Ao  remir,  o  legislador  tributário perdoa o débito  tributário,  abrindo mão do seu direito  subjetivo de percebê­lo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da  infração  ou  sobre  a  penalidade  que  lhe  foi  aplicada.  Ambas  retroagem,  operando  em  relação  jurídica  já  constituídas,  porém  de  índole  diversa:  a  remissão,  em  vínculo  obrigacional  de  natureza  estritamente  tributária;  a  anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório."   Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu  consagrado Direito Tributário Brasileiro:  "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao  passo  que  a  anistia  fiscal  é  limitada  à  exclusão  das  infracões  cometidas  anteriormente à vigência da lei. que a decreta."  Assim, utilizando­se das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, tem­se  que  o  CTN,  para  a  anistia,  tomou  de  empréstimo  o milenar  instituto  político  de  clemência,  esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza ­  perdão, esquecimento ­, de um lado, por restringi­lo, posto que a anistia fiscal exclui os atos  qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo,  fraude,  simulação  ou  conluio,  de  outro,  por  ampliá­lo,  posto  que  se  estende,  para  além  do  legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o  CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a  1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir  ou perdoar a dívida).  Embeberando os sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr,  em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois  institutos,  no  âmbito  tributário  (sistematicidade  orgânica  da  matéria),  é  importante  porque  produzem efeitos diferentes ­ a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156),  a  anistia  exclui  o  crédito  (CTN.  art.  175). Mas  reduzir  a  distinção  entre  ambos  a  perdão  de  infração e penalidades  correspondentes  (a  anistia)  e  a perdão do  crédito  (a  remissão)  é,  data  venia,  uma  fórmula  muito  pobre,  já  pela  origem  diferente  que  manifestam.  O  exame  da  sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração  da gênese dos conceitos.  Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     12  O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorá­las pode  conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenômeno da vida humana e não um  texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em  que o CTN se serve "de  institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que  este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal,  "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita.  O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é  já um  primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade  de uma relação meio/fim ­ casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN ­, a anistia,  que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei  sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), alheia ao cálculo  limitador  da  racionalidade.  Isto  a  aproxima  de  suas  origens  mais  remotas,  quando  era  concedida  em  alusão  a  eventos  que  não  guardavam  nenhuma  relação  com  os  efeitos  do  ato  soberano.  Por  isso,  no  direito  moderno,  a  anistia  não  é  vista,  basicamente,  como  um  favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade.  Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede,  ainda que, secundariamente, possa atingir certas  finalidades (como por exemplo, a paz social  ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida por que nem para que um conjunto  de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade.  Além  disso,  sendo  oblívio,  esquecimento,  juridicamente  ela  "provoca  a  criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir",  razão  pela  qual  aparece  depois  de  ter  surgido  o  fato  violador,  não  se  confundindo  com uma  novação legislativa.  Entende­se,  assim,  porque  a  anistia  fiscal  é  capitulada  como  exclusão  do  crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos  que  aparecem  depois  do  fato  violador,  abrangendo  a  fortiori  apenas  infrações  cometidas  anteriormente  à  vigência  da  lei  que  a  concede.  E,  como  na  anistia  política,  da  qual  segue  o  cancelamento  das  penalidades  ou  a  revisão  das  penas  correspondentemente  à  infração  anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob  condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue.  Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia.  isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora,  obviamente,  a  recíproca  não  seja  verdadeira,  isto  é,  as  penalidades  podem  ser  extintas  (por  exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito  tenha sido excluído.  O CTN, no art. 180,  fala,  assim, em anistia de  infrações e não de anistia de  penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se  há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade.  exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce  da  infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência,  se  cancela.  Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas  e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração  ou de que o crédito gerado pela  infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das  modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração,  embora se possa perdoar parte de um crédito.  Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14474.000253/2007­04  Acórdão n.º 2803­004.225  S2­TE03  Fl. 1.608          13  Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz  Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A remissão de dívida é negócio jurídico unilateral,  que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua  eficácia.  A  eventual  bilateralidade  da  remissão  depende  do  que  o  credor  quer.  Ou  seja,  a  bilateralidade não  lhe é essencial. Entende­se, desse modo. que a  remissão  tributária seja ato  fundamentado  e  que  a  lei  concedente  preencha  os  requisitos  estabelecidos  pela  lei  complementar.   Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a  anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referir­se também e  mesmo  apenas  ao  crédito  resultante  da  pena  pecuniária  imposta,  e  até  somente  a  uma  parte  deste crédito.  Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode  ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a  lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a  penalidade  sem  ter anistiado a  infração. Neste último caso, qual o  instituto que  estará  sendo  aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada?  Ora. tenha­se em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não  se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o  indulto não extingue o crime,  impede tão­só a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam"  (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto  não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia, limitadamente (CTN. art. 182­ 11),  não  prevê  nenhuma  hipótese  de  limitação  referente  a  uma  (parcial!)  redução  de  penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto.  Não  obstante,  a  doutrina  tributária  fala  em  anistia  de  penalidades,  argumentando  que.  em  tal  caso.  sendo  a  sanção  a  negação  da  negação  do  direito  provocada  pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se  segue que  a  supressão da pena  equivaleria  à  supressão do direito que  ela  confirma,  isto  é,  a  anistia da pena  equivaleria  à  anistia da  infração  correspondente. Daí,  apesar de o CTN  falar  apenas em anistia de  infração, poder­se admitir  também a anistia  (imprópria?) de penalidade  (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp.  181 e ss.).  Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena,  valeria quando ocorresse o cancelamento  total da pena, mas é  impróprio quando o caso é de  mera redução, pois  seria então de se perguntar  se estaria ocorrendo a anistia  (em parte?!) da  infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de  crédito. Pode­se  anistiar uma  infração  e não outra,  a  infração  referente  a um  tributo  e não  a  outro, as  infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de  infração  nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir ficassem "meio"  anistiados.  A  possibilidade  legal  de  perdão  de  parte  de  penalidades,  com  a  utilização  da  fórmula  "cancelamento  ou  redução  de  multas  e  penalidades",  merece,  pois,  uma  outra  explicação.  Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é,  de perdão do crédito correspondente,  independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o  legislador  tributário  disciplina  o  perdão  de  penalidades  ou  vê  na  sua  anistia  uma  correlação  com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referir­se apenas à penalidade (ao crédito  Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     14  correspondente)  mantendo­se  a  infração  e  não  recorrendo  impropriamente  ao  instituto  da  anistia,  só pode estar a  falar em remissão. Assim, a  remissão  tributária sendo modalidade de  extinção  do  crédito  tributário  tal  como  ele  é  constituído  pelo  lançamento  e,  no  caso  de  penalidades,  o  crédito  se  constituindo  por  lançamento  de  ofício,  quando  a  lei  prevê  o  cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não  de anistia.   Desta feita, observa­se que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as  infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a  entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer  entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções.  Assim, entendo que a anistia  trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve  ser  aplicada  ao  caso  concreto  como  remissão,  extinguindo  o  crédito  tributário  referente  à  obrigação acessória em comento.  Destaco, outrossim, que a norma  tributária não há de  trazer palavras  inúteis,  deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções  ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos,  com a corolária extinção do crédito tributário lançado.  Conclusão  Por todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no  mérito  dar­lhe  provimento,  aplicando  ao  caso  concreto  o  disposto  no  artigo  49  da  Lei  n.  13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito  tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Ricardo Magaldi Messetti ­ Relator                                Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA

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Numero do processo: 13817.000122/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos - e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços - a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
Numero da decisão: 2102-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 64          1 63  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13817.000122/2009­90  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­003.219  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de dezembro de 2014  Matéria  IRPF, Despesas Médicas  Recorrente  NELSON AFONSO THOMAZ  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005  Ementa:  IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.   Comprovadas,  através  de  recibos  idôneos  trazidos  aos  autos  ­  e  ainda  de  declarações  firmadas  pelos  prestadores  de  serviços  ­  a  efetividade  das  despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.   Assinado Digitalmente   Jose Raimundo Tosta Santos ­ Presidente  Assinado Digitalmente   Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti ­ Relatora  EDITADO EM: 17/12/2014  Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  JOSE  RAIMUNDO  TOSTA  SANTOS  (Presidente),  BERNARDO  SCHMIDT,  ROBERTA  DE  AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS  ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 01 22 /2 00 9- 90 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   2 Relatório  Em  face  do  Contribuinte  acima  identificado,  foi  lavrado  a  Notificação  de  Lançamento de fls. 05/08, apurando­se o crédito tributário no valor  total de R$6.801,10 (seis  mil, oitocentos e um reais e dez centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de  mora,  relativo  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  exercício  2005,  ano­calendário  2004,  correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas.  Da  descrição  dos  fatos  e  do  enquadramento  legal,  e  ainda  com  a  complementação da descrição dos  fatos,  o  auditor  fiscal  assim  sintetizou os  fundamentos do  lançamento:  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS  E  ENQUADRAMENTO  LEGAL  Dedução Indevida de Despesas Médicas.  Glosa do valor de R$10.930,00, indevidamente deduzido a título  de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de  previsão legal para sua dedução.  COMPLEMENTAÇÃO  DA  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS  Contribuinte regularmente intimado através de edital afixado em  14/01/2009 e desafixado em 09/02/2009.  Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls.  02/04, por meio do qual alegou ­ em suma – que:  Esclareço que todas as despesas declaradas, são documentadas  e  comprovadas  através  de  recibos  e  que  até  a  data  do  recebimento desta notificação, não fui comunicado e/ou intimado  a comparecer para prestar os devidos esclarecimentos.  Em contato com a agência da Receita Federal, me foi solicitado  o  encaminhamento  dos  recibos  referentes  ao  valor  glosado  e  declarado,  dos  prestadores  dos  serviços,  os  quais  anexos  a  presente.  Por  fim,  postula  o  Contribuinte  pelo  acolhimento  de  sua  Impugnação,  cancelando­se  o  débito  fiscal  reclamado,  tendo  em  vista  entender  ter  sido  demonstrada  a  insubsistência e improcedência da ação fiscal.  Na  análise  de  suas  alegações,  os  integrantes  da  9ª  Turma  da  DRJ/SP2  decidiram,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  procedente  em  parte  a  impugnação,  mantendo  parte  do  crédito  tributário  exigido,  apurando­se  o  crédito  tributário  no  valor  de  R$2.165,62  (dois  mil,  cento  e  sessenta  e  cinco  reais  e  sessenta  e  dois  centavos),  pertinente  ao  IR  Suplementar  e  multa  de  ofício  (75%),  devendo  ainda  sobre  o  valor  mantido  de  IRPF  Suplementar, incorrer a incidência dos juros a serem calculados até a data do pagamento.  Assim, foi extraída a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício:  2005  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS  São dedutíveis de ajuste anual a título de despesas com médicos  e  planos  de  saúde,  do  próprio  contribuinte  e  de  seus  dependentes, os pagamentos, devidamente comprovados.  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13817.000122/2009­90  Acórdão n.º 2102­003.219  S2­C1T2  Fl. 65          3 Impugnação  Procedente  em  Parte  Crédito  Tributário  Mantido  em Parte  O Contribuinte  teve  ciência  de  tal  decisão  e  contra  ela  interpôs  o  Recurso  Voluntário de fls. 41/42,  reiterando  integralmente as alegações contidas em sua  Impugnação,  ressaltando ainda – resumidamente – que:  Dentro do  contexto  acima  exposto,  venho  requerer  reavaliação  do  parecer  ora  decretado quando do  julgamento  datado acima  junto  aos  membros  desta  plenária,  e,  para  tanto,  reenvio  as  respectivas  cópias  dos  recibos  comprobatórios  ora  citados  no  relatório do acórdão, onde são mencionadas as informações as  quais  foram  objeto  de  glosa  da  banca  examinadora,  que  comprovam  a  veracidade  dos  valores  envolvidos,  declarados  pelos  seus  respectivos  recebedores,  comprovando  assim  as  informações constantes em minha declaração de rendimento.  Diante  do  exposto,  o  Contribuinte  junta  novos  documentos  aos  autos  e  pleiteia  pelo  acolhimento  de  seu  Recurso  Voluntário  em  sua  integralidade,  cancelando­se  o  débito  fiscal  reclamado,  tendo  em  vista  entender  ter  sido  demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência da ação fiscal.  Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento.  É o Relatório.      Voto             Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora   O  contribuinte  teve  ciência  da  decisão  recorrida  em  em  09.08.2011,  como  atesta o AR de  fls. 40. O Recurso Voluntário  foi  interposto em 22.08.2011  (dentro do prazo  legal para tanto), e preenche os requisitos legais ­ por isso dele conheço.  Conforme  relatado,  trata­se  de  processo  em  que  se  discute  a  glosa  de  despesas médicas declaradas pelo Recorrente em sua DIRPF 2005 (ano­calendário 2004). As  glosas  foram  motivadas  pelo  fato  de  que  nenhum  documento  foi  apresentado  em  sede  de  fiscalização  (a  intimação  teria  sido  por  edital),  sendo  que  somente  na  Impugnação  o  contribuinte trouxe a documentação comprobatória das despesas declaradas.  A decisão recorrida, ao analisar os documentos por ele apresentados, reputou  como comprovada parte das despesas pleiteadas, restando como não comprovadas as seguintes:  profissional  especialidade  Valor  Recibos  Maria Cristina Cisoto do  Amaral Nishi  Psicóloga  R$ 3.500,00  Declaração de fls. 10­11  e recibos de fls. 51­56  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   4 Lea Pierina Gagliardi  Psicóloga  R$ 1.000,00  Declaração de fls. 12,  recibos de fls. 13­16 e  recibos de fls. 57­60  O que motivou o não acolhimento destas despesas como dedutíveis foi: a) em  relação à Maria Cristina Nishi: a falta dos recibos mensais e a falta do endereço da profissional;  e b) em relação a profissional Lea Gagliardi: falta do endereço e CPF da profissional.  Em  sede  de  Recurso Voluntário,  o  Recorrente  trouxe  documentos  que  não  haviam  sido  juntados  aos  autos  em  sede  de  Impugnação,  pugnando  pela  revisão  da  decisão  recorrida.  Tais documentos  suprem as  falhas apontadas na decisão  recorrida  já que às  fls.  51/56  foram  acostados  recibos mensais  emitidos  pela  profissional Maria Cristina,  com a  indicação  de  seu  endereço  profissional;  e  às  fls.  57/60  foram  acostados  recibos  mensais  emitidos pela profissional Lea, dos quais constam a indicação de seu endereço e CPF.   Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso.  Assinado Digitalmente   Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti                                 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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5874308 #
Numero do processo: 10480.723469/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PRELIMINARMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A arguição da recorrente de que, quando da intimação da autuação, ter-lhe-ia sido entregue apenas parte do documento de autuação não condiz com a realidade expressa nos autos, e, por si só, não se mostra capaz para impor qualquer nulidade do procedimento. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 281 do RIR/99 Caracteriza-se como omissão no registro de receita i) a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; ii) a falta de escrituração de pagamentos efetuados; e iii) a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Não restando regularmente comprovado pela contribuinte a inocorrência das específicas hipóteses legais, descabe qualquer oposição ao lançamento efetivado. RECEITA OMITIDA. APURAÇÃO. OMISSÃO DE COMPRAS x OMISSÃO DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Restando configurada a hipótese legal de imputação, contra a contribuinte, da prática omissão de receitas, descabe a sua pretensão de apuração dos montantes devidos a partir da dedução entre os montantes de receita omitida e a parcela de compras não registradas, tendo em vista a completa inexistência de previsão legal nesse sentido.
Numero da decisão: 1301-001.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PRELIMINARMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A arguição da recorrente de que, quando da intimação da autuação, ter-lhe-ia sido entregue apenas parte do documento de autuação não condiz com a realidade expressa nos autos, e, por si só, não se mostra capaz para impor qualquer nulidade do procedimento. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 281 do RIR/99 Caracteriza-se como omissão no registro de receita i) a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; ii) a falta de escrituração de pagamentos efetuados; e iii) a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Não restando regularmente comprovado pela contribuinte a inocorrência das específicas hipóteses legais, descabe qualquer oposição ao lançamento efetivado. RECEITA OMITIDA. APURAÇÃO. OMISSÃO DE COMPRAS x OMISSÃO DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Restando configurada a hipótese legal de imputação, contra a contribuinte, da prática omissão de receitas, descabe a sua pretensão de apuração dos montantes devidos a partir da dedução entre os montantes de receita omitida e a parcela de compras não registradas, tendo em vista a completa inexistência de previsão legal nesse sentido.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.723469/2013­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.649  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de setembro de 2014            Matéria  Omissão de receitas. Passivo fictício  Recorrente  KARNE KEIJO LOGÍSTICA INTEGRADA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  PRELIMINARMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.   A arguição da recorrente de que, quando da intimação da autuação, ter­lhe­ia  sido  entregue  apenas  parte  do  documento  de  autuação  não  condiz  com  a  realidade  expressa  nos  autos,  e,  por  si  só,  não  se mostra  capaz  para  impor  qualquer nulidade do procedimento.    OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.  Nos  termos do art. 281 do RIR/99 Caracteriza­se como omissão no registro  de receita i) a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; ii) a falta de  escrituração  de  pagamentos  efetuados;  e  iii)  a  manutenção  no  passivo  de  obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.   Não restando regularmente comprovado pela contribuinte a inocorrência das  específicas  hipóteses  legais,  descabe  qualquer  oposição  ao  lançamento  efetivado.  RECEITA  OMITIDA.  APURAÇÃO.  OMISSÃO  DE  COMPRAS  x  OMISSÃO DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.  Restando configurada a hipótese legal de imputação, contra a contribuinte, da  prática  omissão  de  receitas,  descabe  a  sua  pretensão  de  apuração  dos  montantes devidos a partir da dedução entre os montantes de receita omitida  e  a  parcela  de  compras  não  registradas,  tendo  em  vista  a  completa  inexistência de previsão legal nesse sentido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 34 69 /2 01 3- 41 Fl. 20299DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  PROVIMENTO AO RECURSO.   (Assinado digitalmente)  VALMAR FONSECA DE MENEZES ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Valmar  Fonseca  de  Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson  Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.  Fl. 20300DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 3          3     Relatório  Por  bem  descrever  as  circunstâncias  fáticas  tratadas  nos  presentes  autos,  reproduzo os termos do relatório apresentado pela r. decisão de origem, de onde destaco:  Em  face  do  contribuinte  KARNE  KEIJO  LOGÍSTICA  INTEGRADA  LTDA,  CNPJ/MF  nº  24.150.377/000195,  já  qualificado  neste  processo,  foram  lavrados,  em  18/03/2013 (fl. 123), autos de infração (fls. 3 a 71), com ciência pessoal em 20/03/2013  (fl. 100). Ao contribuinte foram imputadas as infrações descritas abaixo, todas apenadas  com multa de ofício de 75% sobre os tributos lançados:   1.  omissão  de  receitas  caracterizada  por  saldo  credor  de  caixa,  em  todos  os  trimestres  do  ano­calendário  2009,  no  importe  global  anual  de  R$  3.591.457,82;  2.  omissão  de  receitas  caracterizada  por  passivo  fictício,  nos  três  primeiros  trimestres  de  2009,  nos  importes  de  R$  432.368,51,  R$  239.867,99  e  R$  950.506,73, respectivamente;  3.  omissão  de  receitas  caracterizada  por  diferenças  apuradas  em  inventário  final  (diferença  de  estoques),  em  todos  os  trimestres  do  ano­calendário  2009,  nos  importes  anuais  de  R$  10.456.750,64  (omissão  de  compras)  e  R$  13.248.517,15 (omissão de vendas);   4.  glosas  de  cotas  de  depreciação,  em  todos  os  trimestres  do  ano­calendário  2009.  As quatro infrações acima geraram apuração de IRPJ e CSLL, sendo que, para as três  primeiras, também houve imposição de Cofins e PIS/Pasep.  Em relação à infração nº 1 (saldo credor de caixa), o saldo credor de caixa decorreria  do  procedimento  contábil  de  transferência  de  mercadorias  da  matriz  para  a  filial  da  Ceasa (filial nº 5), que eram contabilizadas na forma abaixo:  (a) Débito: 1.1.02.01.0001 Clientes a Receber – Matriz  Crédito: 3.1.01.0008 Vendas da Matriz p/Filial Ceasa  Histórico: Valor Referente Vlr. Faturamento no Dia ....     (b) Débito: 1.1.01.01.0001 Caixa  Crédito: 1.1.02.01.0001 Clientes a Receber – Matriz  Histórico: Valor Referente Recebimento Clientes    (c) Débito: 4.2.01.0002 Compras p/Comercialização  Crédito: 2.1.01.04.0157 Descontao­Karne Keijo Log. Integrada Ltda  Fl. 20301DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     4 Histórico: Valor Referente Nota Fiscal Nº.... Karne Keijo Logística  Integrada  Ltda    (d) Débito: 2.1.01.04.0157 Deskontao­Karne Keijo Log. Integrada Ltda  Crédito: 1.1.01.01.0001 Caixa  Histórico: Valor Referente baixa das Notas Fiscais de Remessa de Mercadorias  Matriz p/Filial Ceasa    (a)  lançamentos  consolidados  diários,  como  se  vê  no  doc.  53  (3.1.01.0008  Venda da Matriz  para Filial Ceasa),  anexo do Termo de Verificação Fiscal  (fls. 18.602 a 18.745)  (b) lançamentos consolidados diários, como se vê no doc. 55 (1.1.01.01.0001 –  Caixa), anexo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 19.031 a 19.258)  (c)  lançamentos  consolidados  diário,  como  se  vê  no  doc.  54  (2.1.01.04.0157  Deskontao­Karne Keijo Log.Integrada Ltda), anexo do Termo de Verificação  Fiscal (fls. 18.746 a 19.030)  (d)  lançamentos  consolidados  periódicos,  como  se  vê  no  doc.  55  (1.1.01.01.0001 – Caixa), anexo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 19.031 a  19.258). Como exemplo, vide  lançamento mensal em 31/01/1999 (fl. 19.059),  em  15/02/1999  (fl.  19.066),  em  28/02/1999  (fl.  19.073),  em  10/03/1999  (fl.  19.079), em 15/03/1999 (fl. 19.083), em 31/03/1999 (fl. 19.014), em 10/04/1999  (fl. 19.112), em 21/04/1999 (fl. 19.117), em 30/06/1999 (fl. 19.155).    O  contribuinte  foi  intimado  a  esclarecer  o modus  operandi  acima,  quando  asseverou  que tais operações decorriam do regime tributário diverso da Matriz (atacadista) e Filial  (regime  geral)  no  âmbito  do  ICMS,  sendo  que  as  operações  eram  financeiramente  liquidadas, sem movimentação física de recursos, somente de forma escritural.   A fiscalização asseverou que os lançamentos contábeis das vendas da Matriz para Filial,  tanto  a  débito  quanto  a  crédito,  nas  contas  1.1.01.01.0001  Caixa  e  1.1.02.01.0001  Clientes  a  Receber­Matriz,  bem  como  a  débito  da  conta  2.1.01.04.0157  Deskontao­ Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda  eram  efetuados  de  forma  consolidada,  com  datas,  valores  e  histórico  que  impossibilitariam  o  acompanhamento  de  cada  operação  de  venda, sendo que a empresa, intimada a esclarecer tal procedimento, não se manifestou.   Indo além, a fiscalização verificou que, no período sob fiscalização, o total de vendas  da  Matriz  para  a  Filial  alcançou  R$  15.776.120,00,  porém,  desse  total,  somente  R$  12.023.201,05  foram  baixados  da  conta  2.1.01.04.0157  Deskontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda  com  contrapartida  na  conta  1.1.01.01.0001  Caixa.  Ademais,  a  contabilidade  da  empresa  não  permitiria  apurar,  nem  o  contribuinte  justificou,  os  critérios de baixas das notas fiscais nas contas citadas, sendo certo que os lançamentos  contábeis nelas foram consolidados periodicamente, com datas e valores desvinculados  de quaisquer fatos contábeis relacionados às notas fiscais emitidas pela Matriz em nome  da Filial citada.  Ainda, a fiscalização asseverou que o contribuinte efetuou dois registros contábeis, no  importe de R$ 941.164,04 e R$ 2.703.495,64, em 30/05/2009 e 31/12/2009, a débito da  conta  passiva  2.1.01.04.0157  Deskontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda  com  contrapartida  na  conta  4.2.01.0002  Compras  p/Comercialização,  que  representariam  Fl. 20302DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 4          5 estornos  (devoluções/cancelamentos)  de  vendas  feitas  pela  Matriz  à  Filial,  sem  contabilização de ajuste nas demais contas (Caixa, Clientes a Receber­Matriz e Vendas  da  Matriz  p/Filial  Ceasa).  A  fiscalização  não  identificou  registros  de  devoluções/cancelamentos nos livros fiscais e contábeis dos referidos estabelecimentos,  nos montantes antes assinalados.  Com o quadro  acima,  entendeu a  fiscalização que deveria  recompor o  saldo da  conta  1.1.01.01.0001 Caixa, lançando a crédito da referida conta as notas fiscais emitidas em  nome  da  Filial,  totalizadas  por  dia,  conforme  registradas  na  conta  2.1.01.04.0157  Deskontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda,  estornando  os  lançamentos  globais  efetuados pelo contribuinte. Feito tal procedimento acima, apurou os saldos credores de  caixa, considerados receitas omitidas, como se vê na fl. 83 e no doc. 58 (fls. 19.490 e  seguintes).  Em  relação  à  infração  nº  2  (passivo  fictício),  esta  decorreu  da manutenção  de  saldo  credor ao final de cada trimestre na conta 2.1.01.04.0157 Deskontao­Karne Keijo Log.  Integrada Ltda.  Como  afirmou  o  contribuinte  em  correspondência,  os  lançamentos  referentes  às  operações  de  vendas  da  Matriz  para  a  Filial  foram  tão­somente  escriturais,  sem  movimentação física de  recursos. Portanto, entendeu a  fiscalização que não se  tratava  de vendas efetivas, não podendo gerar passivos para matriz. Ocorre que, ao final do  1º,  2º  e  3º  trimestres  de  2009,  a  conta  acima  ficou  com  saldo  credor,  mantendo  o  contribuinte  conta  passiva  com  obrigação  inexistente,  o  que  implica  na  subsunção  de  tais  fatos  à  presunção  de  omissão  de  receitas  prevista no art. 281, III, do Decreto nº 3.000/99.   No  tocante  à  infração  nº  3  (diferença  de  estoque),  acima,  inicialmente  a  fiscalização  anotou que o contribuinte não apresentara sistema de custo integrado e coordenado com  o  restante  da  escrituração,  sendo  que  o  custo  das  mercadorias  revendidas  teria  sido  determinado  pela  empresa  com  base  em  inventários  periódicos,  no  final  de  cada  trimestre do ano fiscalizado, 2009.  Os saldos monetários dos estoques no Livro de Inventário e na contabilidade, no final  de cada trimestre, estavam harmônicos e compatíveis.  A fiscalização constatou divergências nos Livros de Registro de Inventários da Matriz  dos  anos  de  2008  (inventário  de  31/12/2008)  e  2009  (inventário  de  31/12/2009),  impressos em formato PDF pelo contribuinte a partir do Sistema de Escrituração Fiscal  – SEF da SEFAZ­PE , nos quais foi verificado que, para cada mercadoria existente no  estoque, a quantidade multiplicada pelo custo unitário encontrava­se incompatível com  o valor total da respectiva mercadoria.  Intimado sobre tais inconsistências, o contribuinte informou que houve erro  no  posicionamento  da  vírgula  que  separa  os  números  inteiros,  ou  seja,  as  quantidades  apresentadas  no  Livro  de  Inventário  estavam  indevidamente  reduzidas à décima parte, vez que o valor  total de cada mercadoria (valor  monetário) permanecia inalterado.   A  fiscalização  analisou  a  movimentação  das  mercadorias,  por  espécie,  do  estabelecimento matriz, extraída dos arquivos digitais de documentos fiscais, fornecidas  pela  empresa,  na  forma  do  ADE  COFIS  nº  15/2001,  e  alterações,  dos  trimestres  de  apuração do ano de 2009. Os saldos apurados pela fiscalização foram cotejados com os  Fl. 20303DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     6 saldos  dos  estoques  físicos  registrados  nos  inventários  da  Matriz,  ao  final  de  cada  trimestre, quando se constatou a ocorrência de omissão de receitas, caracterizadas pela  falta de registro de compra e/ou venda de mercadorias, na forma do art. 286 do Decreto  nº 3.000/99.  Para  determinação  dos  valores  monetários  das  omissões  de  compras  e  vendas,  a  Fiscalização aplicou sobre as quantidades omitidas o preço médio de compra e venda da  mercadoria,  do  respectivo  trimestre  em  que  ocorreu  a  omissão.  Tal  preço  médio  de  compra e de venda foi obtido pela divisão da soma de valor da mercadoria pela soma de  quantidade de mercadoria adquirida ou venda, de cada trimestre. Inexistindo operações  de  compras  ou  de vendas  no  período  em que  foi  verificada  a  omissão,  a  fiscalização  utilizou o preço médio de períodos antecedentes.   Já  em  relação  à  infração nº 4  (glosas de  cotas de depreciação),  a partir  de  inventário  físico dos bens patrimoniais, a empresa apurou uma depreciação acumulada retroativa  ao  ano­calendário  1999,  no  valor R$ 2.295.539,23,  que  foi  lançada  como  encargo  de  depreciação  na  apuração  do  resultado  do  1º  trimestre  do  AC  1999.  Ocorre  que  a  fiscalização entendeu ser incabível a apropriação do encargo de depreciação retroativo,  no  importe  de  R$  2.295.539,23,  pois,  no  caso  vertente,  a  não  utilização  de  tal  depreciação nos períodos corretos não implicou em pagamento de imposto a maior, já  que o contribuinte,  em diversos dos períodos antecedentes,  teve resultado operacional  negativo,  o  que  implicaria,  caso  a  depreciação  tivesse  sido  apropriada  nos  períodos  corretos, em aumento do prejuízo fiscal.  Ademais, com tal procedimento, o contribuinte  fez uso de despesas de depreciação  já  abrangidas pela decadência.  Por  fim,  a  fiscalização  entendeu  que  o  contribuinte  utilizou  o  período  de  vida  útil  incorreto para caminhão de carga e carroceria p/transp. perecíveis, utilizando 04 anos,  quando deveria  utilizar  05  anos,  efetuando  recálculo  das  quotas  de  apreciação,  o  que  levou a glosas nos 04 trimestres de 2009.  Inconformado  com  a  autuação,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  ao  lançamento,  em 18/04/2013,  dirigida  à Delegacia  da Receita Federal  de  Julgamento,  deduzindo as seguintes defesas:  I.  teve  seu direito de defesa cerceado, porque  a  autoridade  fiscal,  quando do  encerramento do procedimento fiscal, somente cientificou o contribuinte de  parte das peças que compõe os presentes autos;  II.  é inadmissível a exigência fiscal destes autos porque se fundamenta em mera  presunção  de  ocorrência  do  fato  gerador,  que,  por  força  do  princípio  da  tipicidade fechada, a presunção não pode atuar no núcleo do fato gerador, ou  seja, nem mesmo a  lei pode criar presunções que  importem no nascimento  do fato gerador, sob pena de inconstitucionalidade;  III.  no  tocante  ao  saldo  credor  de  caixa,  “A  empresa  mantém  na  sua  contabilidade comercial regular as contas de Caixa devidamente segregadas  entre  sua  Matriz  e  Filial,  mais  agrupadas  em  um  único  grupo  contábil,  impondo  assim  uma  restrição  aritmética  à  interpretação  do Auditor Fiscal,  posto  que,  qualquer  suposta  operação  que  tivesse  havido  de  pagamento  e  recebimento  entre  Matriz  e  Filial  seriam  compulsoriamente  nulas  de  resultado,  face  a  condição  essencial  e  material  de  que  não  existe  um  recebimento sem o respectivo pagamento, e vice­versa. Como se comprova  na regular escrituração contábil do contribuinte, os  lançamentos transitados  pela conta caixa nas operações de recebimento entre a Matriz e a Filial são  efetivadas tendo como contrapartida a conta de única de fornecedor existente  Fl. 20304DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 5          7 para estas operações, e a  respectiva conta de única de clientes entre, posto  que  ela  vendia  e  comprava  para  si  própria  no mesmo momento.  Todas  as  operações de compra  e  venda  reciprocamente efetuadas  entre  a Matriz  e  a  Filial  foram  realizadas  utilizando  exclusivamente  lançamentos  escriturais  internos,  sem  qualquer  movimentação  financeira  material,  seja  por  meio  circulante  seja  por  meio  bancário,  cujas  operações  são  unicamente  permutativas,  não  trazendo  impacto  tributário  ou  financeiro,  considerando  ainda que, embora ambos os estabelecimentos tenham endereços distintos e  operações  comerciais  distintas,  ambos  estão  abrigadas  por  CNPJ,  por  dependência, e com uma única contabilidade centralizada tal qual determina  a RFB” (fl. 19.576);   IV.  no  tocante  à  omissão  de  receitas  caracterizada  por  passivo  fictício,  as  obrigações  da  conta  DESKONTAO­KARNE  KEIJO  LOG.INTEGRADA  LTDA foram devidamente tributadas pela Matriz, uma vez que a venda foi  registrada na conta de resultado, não podendo haver uma bitributação, já que  se trata do mesmo contribuinte, ou seja, se o Auditor concluiu que há mais  ou  menos  3  milhões  de  caixa,  faz  parte  deste  valor  as  obrigações  que  restaram na conta fornecedor da filial, pois se trata da mesma empresa;   V.  a  omissão  de  receitas  caracterizada  por  diferenças  apuradas  em  inventário  final (diferença de estoques) não se sustenta pelos seguintes motivos:  a.  o  inventário  declarado  no  SEF  referente  ao  período  de  12/2008  diverge  do  saldo  inicial  utilizado  no  “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias”,  que serviu de análise para o auditor  realizar a autuação  concernente  à  omissão  de  compras  e  vendas,  como  se  demonstra nesta impugnação com diversos produtos (fl.  19.570);   b.  ainda  se  tem  a  utilização  de  saldo  de  inventário  no  “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias”  referente  ao  4º  trimestre,  divergindo  do  saldo  de  inventário  declarado  no  SEF  referente  ao  período  de  12/2009,  como  se  demonstra  nesta  impugnação  (fl.  19.571);  c.  os saldos finais de  inventários considerados ao final de  cada  trimestre  do  exercício  foi  extraído  da  posição  interna da empresa, que, no 4º trimestre, não contempla  os  dados  existentes  no  inventário  declarado  no  SEF,  como se exemplifica nesta impugnação (fl. 19.571);  d.  o  “Demonstrativo  Analítico  Movimentação  Mercadorias”  não  contempla  movimentação  de  alguns  itens  que  foram  inventariados  no  SEF  declarado,  referente ao período de 12/2008, e que pelos arquivos da  empresa  houve movimentação  de  saída,  com  exemplos  nesta impugnação (fl. 19.572);  e.  é  comum  na  empresa  a  prática  de  reclassificação  de  referência de produtos, quando da recepção do mercado  interno  e  externo,  quer  pela  recepção  de  produtos  com  Fl. 20305DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     8 diferença  do  pedido,  quer  pela  necessidade  de  categorizar os produtos, o que não foi considerado pelo  auditor.  Com  essa  sistemática,  é  necessário  o  levantamento  de  movimentação  dos  produtos  por  categoria,  como  exemplo  temos  a  categoria  “Picanha”,  como se demonstra nesta impugnação;   f.  outros  pontos  que  geram discrepância no  levantamento  do Auditor decorrem da diminuição de peso em função  de degelo dos produtos adquiridos, o que gerava redução  significativa  no  estoque  da  matriz,  bem  como  os  descartes de produtos de origem animal impróprios para  o  consumo  humano,  produtos  estes  que  estavam  alocados  na  conta  “custo  das mercadorias”  e  não  eram  transferidas para perdas, uma vez que já estavam numa  conta de resultado. O Auditor, equivocadamente,  tratou  estas últimas mercadorias como omissão de vendas;  g.  no “Demonstrativo” houve a tributação de omissão com  utilização de saldo já autuado, como se demonstra com  o produto nº 910365 (fl. 19.571);  h.  o  autuante,  ao  calcular  o  imposto,  computou  a  receita  que considerou omitida, mas não admitiu a dedução do  montante das compras, que também presumiu omitidas.  Parece  até  que  o  imposto  é  sobre  receita,  não  sobre  o  lucro. Haveria que se manter o direito do contribuinte de  abater  destas  vendas,  tidas  como  omitidas,  o  valor  do  custo  das  mesmas  aquisições,  mormente  quando  todos  os  valores  foram  apurados  e  demonstrados  separadamente pelo fiscal em seu trabalho. Nessa linha,  caso  o  auto  de  infração  não  seja  anulado  pelas  defesas  antes deduzidas, pede­se a  exclusão da base de cálculo  da  omissão  de  receitas  do  valor  de  R$  10.456.750,64,  correspondente  à  omissão  de  compras,  com  determinação  de  novo  valor  tributável  por  omissão  de  receitas em R$ 2.791.766,51, ou seja, R$ 13.248.517,15  (omissão de vendas) menos R$ 10.456.750,64 (omissão  de compras).  VI.  já no tocante às glosas de depreciação:   a.  a fiscalização incorreu em erro a considerar que o prazo  de  vida  útil  dos  bens  (caminhão  de  carga  e  carroceria  para  transporte  de  bens  perecíveis)  seria  de  05  (cinco)  anos, contrariando a legislação do imposto de renda que  estabelece o prazo de 4 (quatro anos). “Nas notas fiscais  relativas  à  frota  dos  caminhões  adquiridos  no  período,  em relação ao qual se aplicou o prazo de vida útil acima,  apesar de  constar  a descrição  “chassi  c/motor  e  cabine  para  caminhão”,  tratavam­se  materialmente  dos  “veículos automóveis para transporte de mercadorias” e,  não constava a referencia ao NCM 8704, uma vez que a  legislação fiscal vigente à época não exigia tal indicação  nas notas fiscais, consoante comprovam os documentos  Fl. 20306DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 6          9 em  anexo  (Doc.  07).  Por  outro  lado,  atualmente,  esta  exigência  é  necessária,  tanto  que  nas  notas  fiscais  relativas a aquisição da frota de 2012, consta a descrição  “chassi  c/motor  e  cabine para  caminhão”  e  a  indicação  da  NCM  8704  para  a  mesma  descrição  dos  bens,  consoante  comprovam as  notas  fiscais  em  anexo  (Doc.  08)” (fl. 19.584);  b.  sobre  a  decadência,  não  merece  prosperar  as  argumentações do auditor, pois ele adotou  taxas anuais  de  depreciação  em  desacordo  com  o  previsto  na  legislação  fiscal,  como  também  ocorreu  com  os  bens  “Carrocerias para Transportes de Perecíveis”,  com  taxa  utilizada pelo auditor de 20% ao ano, quando o correto  seria  25%  ao  ano,  pois  estes  bens  fazem  parte  dos  “veículos  automóveis  para  transporte  de  mercadorias”,  cuja taxa de depreciação é de 25% ao ano.  Analisando  toda a argumentação deduzida na defesa, pronunciou­se a douta  DRJ  pela  PROCEDÊNCIA  PARCIAL  DA  IMPUGNAÇÃO,  em  acórdão  que  assim  então  restou ementado:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2009    CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  FISCALIZADO  CIENTIFICADO  DE  PARTES DO PROCESSO. INOCORRÊNCIA.   A autoridade lançadora produziu minudente relatório de encerramento da ação fiscal,  discriminando  cada  peça  componente  do  auto  de  infração,  tudo  em meio  de  digital,  com registro de ciência em CD de todos os Termos.     Ademais, os autos estão em meio digital e o contribuinte, acaso faltando alguma peça  para sua defesa, poderia ter solicitado cópia dos autos digitais na repartição fiscal, o  que  sequer  ocorreu.  Indo  mais  além,  o  contribuinte  enfrentou  todas  as  infrações,  inclusive  copiando/colando  parte  de  Termos  na  impugnação,  sendo  implausível  que  algo tenha faltado para sua defesa, pois, registre­se, o contribuinte combateu todas as  imputações.    EXIGÊNCIA FISCAL LASTREADA EM PRESUNÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE.  As presunções legais de omissão de receitas ou rendimentos são largamente utilizadas  na seara tributária e nunca se viu a declaração de inconstitucionalidade delas. Como  exemplos,  têm­se  os  suprimentos  de  caixa  não  comprovados  (art.  282  do Decreto  nº  3.000/99),  saldos  credores  de  caixa  (art.  281,  I,  do  Decreto  nº  3.000/99),  a  não  contabilização  de  pagamentos  de  compras  (art.  281,  II,  do  Decreto  nº  3.000/99),  a  manutenção de passivos  fictícios  (art.  281,  III, do Decreto nº 3.000/99),  os depósitos  bancários  de  origem não  comprovada  (art.  42  da Lei  nº  9.430/96),  as  diferenças  em  auditoria  de  estoques  (art.  286  do  Decreto  nº  3.000/99).  E,  obviamente,  havendo  previsão legal para tanto, não cabe ao julgador administrativo afastar a incidência de  tais  normas  legais,  sob  pena  de  decretação,  de  maneira  incidental,  da  inconstitucionalidade  das  leis,  o  que  é  vedado,  como  cediço,  na  instância  Fl. 20307DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     10 administrativa  (Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária).    TRANSFERÊNCIA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  MATRIZ  E  FILIAL,  SEM  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA.  DÉBITO  DIÁRIO  DA  CONTA  CAIXA.  AJUSTES  PARCIAIS, CONSOLIDADOS E EM PERÍODOS DILATADOS. RECOMPOSIÇÃO DO  SALDO DA CONTA CAIXA. SALDO CREDOR. HIGIDEZ.  Pelas  transferências de mercadorias entre matriz e  filial, a conta Caixa foi creditada  periodicamente  (mensal,  quinzenal,  decendialmente),  parcialmente,  sem  sofrer  os  estornos  devidos,  quando  as  mesmas  vendas  tinham  sido  debitadas  nessa  conta  em  periodicidade  diária.  Recomposto  o  Caixa,  apuraram­se  saldos  credores,  que  são  receitas omitidas, à luz do art. 281, I, do Decreto nº 3.000/99.    CONTA PASSIVA COM OBRIGAÇÃO NÃO EXIGÍVEL NO FINAL DO PERÍODO DE  APURAÇÃO. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. CORREÇÃO.  Mantido saldo credor em conta passiva, no final do período, inexigível, pois meramente  escritural  (transferência  de  mercadorias  matriz/filial,  para  atender  exigência  de  controle do ICMS), presume­se a omissão de receitas, por passivo fictício, não exigível.    AUDITORIA DE ESTOQUE. OMISSÃO DE VENDAS E COMPRAS. POSSIBILIDADE  DE COEXISTÊNCIA.  Verificadas  em  procedimento  de  auditoria  de  estoque  a  ocorrência  de  omissões  de  compra e de omissões de vendas, representativas, por presunção legal, de omissão de  receitas, não há  impedimento normativo à coexistência das mesmas. A ocorrência de  omissão  de  vendas  não  pressupõe  obrigatoriamente  que  as  receitas  omitidas  foram  utilizadas para realizar as compras não contabilizadas. É necessária prova cabal nesse  sentido para que a omissão de compras seja afastada.    AUDITORIA DE ESTOQUE. INCORREÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  Meras argumentações de incorreções apontadas nos Demonstrativos que auditaram o  estoque do  fiscalizado não podem ser acatadas, quando destituídas de documentação  hábil para comprovar o engano.    DEPRECIAÇÃO.  DESPESAS  DE  PERÍODOS  JÁ  DECAÍDOS,  UTILIZADAS  AGREGADAMENTE  NO  PERÍODO  FISCALIZADO.  IMPOSSIBILIDADE.  COMPROVAÇÃO  DE  TEMPO  DE  VIDA  ÚTIL  DE  BEM.  AJUSTE  DA  COTA  DE  DEPRECIAÇÃO.  Comprovado o  tempo de  vida  útil  do  bem,  deve­se  restabelecer,  no  ponto,  a  cota  de  depreciação.  Por  outro  lado,  inviável  a  utilização  de  despesas  de  depreciação  de  períodos caducos, no quais o fiscalizado não pagou qualquer IRPJ ou CSLL a maior.     Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor do acórdão exarado, por  ela foi então interposto o seu respectivo Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão  de  origem,  e,  para  tanto,  reiterando  todas  as  razões  antes  apresentadas  em  sua  impugnação,  podendo aqui então ser assim sintetizadas:  ­ A nulidade da autuação, por desrespeito ao devido processo legal, contraditório, a ampla  defesa e o princípio da legalidade  Fl. 20308DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 7          11 ­ A inadmissibilidade da aplicação de presunção para a imputação do Lançamento Fiscal  Fl. 20309DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     12 Voto             Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator.  Sendo  tempestivo o  recurso  interposto, dele conheço, passando, de plano, à  análise pontual das alegações apresentadas. Vejamos:   PRELIMINARMENTE  Da  argüição  de  nulidade  da  autuação  por  (suposta)  inobservância  das  disposições do Art. 8o do Decreto 70.235/72  A  primeira  consideração  apresentada  pela  recorrente  em  suas  alegações,  cinge­se  à argüição de nulidade do presente PAF,  tendo em vista que,  segundo mencionada,  quando da intimação da autuação, fora­lhe entregue apenas “parte” do elementos contidos nos  autos do processo, inobservando ­ segundo entende ­, as determinações contidas no Art. 8o do  Decreto 70.235/72 (que, supostamente, obrigaria aos agentes da fiscalização a entrega de cópia  integral dos autos do processo ao contribuinte), e, com isso, impondo efetivo cerceamento do  seu direito de defesa.  Pois bem.   Inicialmente, cumpre destacar que, de forma bastante diversa da que pretende  fazer  crer  a  contribuinte,  em  nenhuma  das  disposições  do  Decreto  70.235/72  encontra­se  qualquer  determinação  de  que,  quando  da  intimação  do  lançamento  efetivado,  estaria  a  fiscalização  obrigada  a  entregar  à  contribuinte  a  cópia  integral  dos  autos  do  processo  administrativo fiscal que o teriam originado.   O art. 8o do Decreto 70.235/72, com todas a vênias, isso também não afirma,  uma vez que o que ali se verifica, de fato, é a obrigatoriedade dos agentes da fiscalização de  registrarem o desenvolvimento de suas atividades fiscais nos respectivos e competentes livros,  ou ainda, na sua ausência, a entrega ao contribuinte das comunicações fiscais correspondentes.  Vejamos:   Art. 8º Os  termos decorrentes de atividade  fiscalizadora serão  lavrados,  sempre que  possível, em livro fiscal, extraindo­se cópia para anexação ao processo; quando não  lavrados em livro, entregar­se­á cópia autenticada à pessoa sob fiscalização.  Da  leitura  desse  dispositivo,  com  a  mais  respeito  vênia,  não  se  extrai  a  obrigatoriedade  de  que  a  intimação  do  lançamento  seja  acompanhada  de  cópia  integral  do  Processo Administrativo Fiscal correspondente. Absolutamente!  Tal  pretensão,  com  toda  a  certeza,  geraria  um  custo  insuportável  para  a  manutenção da atuação fiscalizatória, o que, definitivamente, não condiz com a sistemática ali  estabelecida.   O  dispositivo  em  comento,  como  se  verifica,  trata,  na  verdade,  de  tema  completamente diverso.  Fala,  sim, da necessidade de  registro  e  informação  (“intimação”) do  contribuinte  dos  procedimentos  promovidos  e  finalizados  pelos  agentes  da  fiscalização.  A  “cópia” a ser entregue ao fiscalizado, com toda certeza, não é do “processo”, mas sim do “ato  Fl. 20310DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 8          13 lavrado”  a  que  ali  se  refere,  o  que  demonstra  a  completa  e  total  insubsistência  da  nulidade  insistida.   Aliás, cumpre destacar que, mesmo que assim não fosse, mesmo que por esse  dispositivo se pudesse, eventualmente, admitir a obrigatoriedade de entrega ­ pelos agentes da  fiscalização  ­  de  cópia  integral  dos  autos  do  processo  administrativo  fiscal  ao  fiscalizado,  quando da intimação do lançamento efetivado, e que essa obrigatoriedade, de fato, não tivesse  sido observada pelos agentes da fiscalização, ainda assim, não se haveria  falar, por si  só, em  qualquer possibilidade de nulidade da autuação.   Isso  porque,  desde  a  intimação  do  lançamento,  ao  contribuinte  estaria  franqueada a análise dos autos do processo na competente repartição fiscal, o que, diga­se de  passagem, em momento algum mencionada a recorrente ter tentado e, por qualquer razão, não  ter obtido êxito.   Ora,  com  todo  o  respeito,  em  relação  à  argüição  de  nulidades  no  Processo  Administrativo  Fiscal,  é  importante  ressaltar  a  expressa  dicção  do  Art.  59  do  Decreto  70.235/72, que, sobre essa matéria, assim então aponta:   Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade  incompetente ou com  preterição do direito de defesa.  §  1º  A  nulidade  de  qualquer  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.  §  3º  Quando  puder  decidir  do  mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato  ou suprir­lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)   Da análise dos autos, verifica­se que, em sua IMPUGNAÇÃO, a contribuinte  explorou  todos  os  pontos  de  defesa  em  relação  ao  lançamento  efetivado,  agora,  no Recurso  Voluntário – inclusive ­, repetindo as mesmas razões anteriores, o que, mais uma vez, desnuda  qualquer afirmação de suposto cerceamento ao seu direito de defesa.  A  partir  dessas  disposições,  verifica­se  que,  no  caso,  completamente  infundada se apresenta a argüição de nulidade apontada, aqui não merecendo, portanto, ser aqui  então acolhida, razão porque, rejeito a preliminar de nulidade.    DO MÉRITO  Da (suposta) invalidade da aplicação de presunção legal  Reproduzindo os termos de sua impugnação, a recorrente afirma ser indevida  a  aplicação  de  presunção  legal  no  caso  específico,  sobretudo  por  ter  sido  completamente  desconsideradas  pela  fiscalização  as  “peculiaridades”  das  atividades  por  ela  desenvolvidas,  apontando,  no  caso,  a  possibilidade  de  modificações  das  mercadorias  adquiridas  para  a  Fl. 20311DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     14 possibilidade  de  sua  comercialização  (Ex.:  pescado  em  postas)  e,  ainda,  as  possíveis  conseqüências  de  degelo,  fatos  que,  por  certo,  poderiam  “esclarecer”  as  divergências  de  estoque apontadas.   A respeito dessas alegações, é relevante destacar que a contribuinte as lança,  sem  que,  a  seu  respeito,  houvesse  qualquer  elemento  técnico,  formal  e  normativo  que  comprovasse, o que, por si só, já se mostra completamente suficiente para a integral rejeição.   As  presunções  aplicadas  pelos  agentes  da  fiscalização  possuem,  todas  elas,  específicas  fundamentações  legais,  valendo,  a  esse  respeito,  o  destaque  ao  disposto  nos Art.  281 e 286 do RIR/99 (Decreto 3.000/99) que assim, inclusive, especificamente apontam:   Art.  281.  Caracteriza­se  como  omissão  no  registro  de  receita,  ressalvada  ao  contribuinte  a  prova  da  improcedência  da  presunção,  a  ocorrência  das  seguintes  hipóteses  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art.  12, § 2º,  e Lei nº 9.430, de 1996, art.  40):  I ­ a indicação na escrituração de saldo credor de caixa;  II ­ a falta de escrituração de pagamentos efetuados;  III  ­  a manutenção no passivo  de  obrigações  já  pagas  ou  cuja  exigibilidade  não seja comprovada.  (...)  Art.  286.  A  omissão  de  receita  poderá,  também,  ser  determinada  a  partir  de  levantamento  por  espécie  de  quantidade  de  matérias­primas  e  produtos  intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa  jurídica  (Lei nº 9.430, de  1996, art. 41).  § 1º Para os fins deste artigo, apurar­se­á a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das  quantidades  de  produtos  em  estoque  no  início  do  período  com  a  quantidade  de  produtos  fabricados  com  as  matérias­primas  e  produtos  intermediários  utilizados  e  a  soma  das  quantidades  de  produtos  cuja  venda  houver  sido  registrada  na  escrituração  contábil  da  empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro  de Inventário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 1º).  §  2º  Considera­se  receita  omitida,  nesse  caso,  o  valor  resultante  da  multiplicação  das  diferenças de quantidade de produtos ou de matérias­primas e produtos  intermediários pelos  respectivos  preços  médios  de  venda  ou  de  compra,  conforme  o  caso,  em  cada  período  de  apuração abrangido pelo levantamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 2º).  § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicam­se, também,  às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda (Lei nº 9.430,  de 1996, art. 41, § 3º).  Da leitura dessas disposições, verifica­se que, ao contrário do que afirmado  pela contribuinte, em nosso sistema normativo pátrio existe, sim, de fato, a expressa previsão  legal  a  respeito  da  possibilidade  de  aplicação  das  presunções  legais  para  a  apuração  de  montantes  de  tributos  devidos,  invertendo­se  legitimamente,  o  ônus  da  prova,  que,  nesses  casos,  cabe  ao  contribuinte,  em  cada  caso,  a  demonstração  de  inexistência  dos  respectivos  indícios autorizadores da sua prática, o que, no presente caso, efetivamente não fora promovido  pela autuada.   A  contribuinte­recorrente,  em  suas  razões,  pretende  sustentar  “dúvidas”  contra  os  levantamentos  promovidos  pelos  agentes  da  fiscalização,  não  apresentando,  em  relação a nenhum delas, qualquer prova que pudesse fundamentá­la, demonstrando, com isso,  Fl. 20312DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 9          15 que  ali  não  passam  de  meras  ilações,  insuficientes  para  a  desconstituição  das  conclusões  atingidas pela fiscalização.   Apenas  a  título  de  exemplo,  sustenta  a  contribuinte  a  “possibilidade”  de  explicação  da  divergência  apontada  em  decorrência,  por  exemplo,  do  “degelo”  sofrido  pelo  pescado,  o  que,  como  se  verifica  na  decisão  de  primeira  instância,  não  se  pode  aqui  sequer  considerar, sobretudo porque, além dos montantes absurdos das diferenças levantadas, não se  verifica nos autos qualquer prova, registro, estudo ou “laudo” que confirmasse a possibilidade  aventada.   A  desconstituição  da  aplicação  da  presunção  legal,  prevista  em  lei,  demandaria  a  necessidade  de  comprovação  insofismável  de  equivoco  dos  agentes  da  fiscalização, o que, definitivamente, não logrou fazer a recorrente nos presentes autos, não se  podendo assim, de forma alguma, admitir a sua insurgência.   Ademais, tratando­se de presunções expressamente previstas em lei, não cabe  aqui  a discussão  a  respeito de  sua validade,  sobretudo em  face das  expressas disposições da  Súmula CARF no 2, que, sobre o assunto, assim aponta:   Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Nada  obstante,  a  respeito  da  análise  objetiva  da  aplicação  das  presunções  legais  consideradas  (“Diferença  de  estoque”,  “Saldo  credor  de  caixa”  e  “Passivo  fictício”)  memoráveis são as considerações apresentadas pela r. decisão de primeira instância, que, por  serem perfeitamente pertinentes, peço vênia para aqui então reproduzir:   “Não há qualquer dúvida que a contabilização das  transferências matriz/filial Ceasa  culminaram  com  mascaramento  de  saldos  credores  de  Caixa,  como  se  explica  a  seguir.  Inicialmente,  jamais  a  conta  1.1.01.01.0001 Caixa  poderia  ser  debitada  diariamente  pelas  transferências  Matriz/Filial,  com  ajustes  a  crédito  em  prazos  maiores  (decendiais,  quinzenais  ou  mensais),  em  lançamentos  consolidados,  dissociados  dos  fatos  contábeis  relacionados  às  notas  fiscais  das  transferências  (vide  relação  dos  lançamentos a crédito na fl. 81 destes autos), pois, assim procedendo, por óbvio, estar­ se­ia  aumentando  artificial  e  diariamente  o  saldo  da  conta  1.1.01.01.0001 Caixa,  já  que  as  vendas  Matriz/Filial  são  meros  fatos  permutativos,  sem  qualquer  movimentação financeira, e os ajustes a crédito em prazo mais dilatados implicam no  mascaramento de eventuais saldos credores nos períodos anteriores aos ajustes (isso  além de ter sido feito de forma consolidada, não permitindo associar tais lançamentos  às notas  fiscais emitidas na relação Matriz/Filial). Assim, para evitar a presença de  saldos credores de caixa, ou a conta 1.1.01.01.0001 Caixa receberia os créditos e os  débitos na mesma periodicidade ou, caso mantido o procedimento dos autos, tal conta  deveria ter ativos a suportar a discrepância de periodicidade dos lançamentos, o que  não  ocorreu  no  caso  vertente,  como  se  vê  na  recomposição  da  conta  1.1.01.01.0001  Caixa, na forma do doc. 58 dos autos (fls. 19490 e seguintes).  Fl. 20313DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     16 Ademais, a fiscalização demonstrou que, no período sob fiscalização, o total de vendas  da Matriz  para  a  Filial  alcançou  R$  15.776.120,00,  porém,  desse  total,  somente  R$  12.023.201,05  foram  baixados  da  conta  2.1.01.04.0157 Deskontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada Ltda com contrapartida na conta 1.1.01.01.0001 Caixa, ou seja, sequer esta  última conta foi ajustada inteiramente em face dos lançamentos a débito.  Indo além, a fiscalização detectou que o contribuinte efetuou dois registros contábeis,  no importe de R$ 941.164,04 (fl. 18.867) e R$ 2.703.495,64 (fl. 19.029), em 30/05/2009  e  31/12/2009,  a  débito da  conta  passiva  2.1.01.04.0157 Deskontao­Karne Keijo Log.  Integrada Ltda com contrapartida na conta 4.2.01.0002 Compras p/Comercialização,  que representariam estornos (devoluções/cancelamentos) de vendas feitas pela Matriz  à  Filial,  sem  contabilização  de  ajuste  nas  demais  contas  (Caixa,  Clientes  a  ReceberMatriz  e  Vendas  da  Matriz  p/Filial  Ceasa).  Ocorre  que  não  restaram  identificados  os  registros  de  devoluções/cancelamentos  nos  livros  fiscais  e  contábeis  dos  referidos  estabelecimentos,  nos  montantes  antes  assinalados,  sendo  certo  que  o  lançamento  de  estorno/cancelamento  citado  deveria  ser  a  crédito  da  conta  1.1.01.01.0001 Caixa, com reflexos nas demais contas envolvidas. E isso não foi feito  porque a conta conta 1.1.01.01.0001 Caixa não suportaria o registro dos valores, pois  iria apresentar saldo credor.  Dessa  forma,  no  tocante  às  vendas  da  Matriz  para  a  Filial,  considerando  que  o  contribuinte creditou a conta 1.1.01.01.0001 Caixa periodicamente (mensal, quinzenal,  decendialmente),  quando  as  vendas  tinham  sido  debitadas  nessa  conta  em  periodicidade  diária;  considerando  que  a  conta  1.1.01.01.0001  Caixa  foi  creditada  apenas parcialmente em face das vendas já referidas; considerando que o contribuinte  fez lançamentos contábeis de ajuste na conta passiva 2.1.01.04.0157 Deskontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda  com  contrapartida  à  conta  4.2.01.0002  Compras  p/Comercialização, quando deveria  ter  feito em contrapartida à conta 1.1.01.01.0001  Caixa, com ajustes nas demais contas envolvidas, correta a recomposição do saldo da  conta  1.1.01.01.0001 Caixa,  com  lançamento  das  notas  fiscais  emitidas  em  nome  da  Filial, totalizadas por dia, a crédito da referida conta, conforme registradas na conta  2.1.01.04.0157  Deskontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda,  estornando  também  da  conta  1.1.01.01.0001  Caixa  os  lançamentos  globais  a  crédito  efetuados  pelo  contribuinte, o que implicou nos saldos credores do doc. 58 destes autos (fls. 19.490 e  seguintes).  Com  as  considerações  acima,  correta  a  imputação  dos  saldos  credores  de  caixa,  considerados receitas omitidas, feitas em desfavor do contribuinte.     Passa­se agora ao item IV da defesa (no tocante à omissão de receitas caracterizada  por  passivo  fictício,  as  obrigações  da  conta  DESKONTAO­KARNE  KEIJO  LOG.  INTEGRADA LTDA  foram devidamente  tributadas pela Matriz, uma vez que a venda  foi  registrada na conta de  resultado, não podendo haver uma bitributação,  já que se  trata do mesmo contribuinte, ou seja,  se o Auditor concluiu que há mais ou menos 3  milhões de caixa, faz parte deste valor as obrigações que restaram na conta fornecedor  da filial, pois se trata da mesma empresa).  Como  reconhecido  pelo  próprio  contribuinte,  os  lançamentos  referentes  às  transferências de mercadoria entre a Matriz e a Filial Ceasa eram apenas escriturais,  não  gerando  entrada  ou  saída  de  recursos  (fl.  403).  Dessa  forma,  a  conta  passiva  2.1.01.04.0157  Descontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda,  no  tocante  às  transferências  de  mercadorias  entre  a  Matriz  e  Filial  Ceasa,  não  poderia  receber  créditos além dos débitos respectivos, como ocorreu no 1º, 2º e 3º trimestre, como se vê  no relatório de encerramento da ação fiscal (fl. 85).  Fl. 20314DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 10          17 Dessa forma, ficando tal conta com saldo credor ao final de cada trimestre, como se  trata  de  obrigação  não  exigível,  passivo  fictício,  presume­se  como  omissão  de  receitas, na forma do art. 281, III, do Decreto nº 3.000/99.  Interessante  ressaltar  que,  diferentemente  do  asseverado  pelo  impugnante,  o  passivo  fictício oriundo de manutenção no final de cada trimestre de obrigação não exigível da  conta  passiva  2.1.01.04.0157  Descontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda  não  está  associado integralmente ao saldo credor de caixa, pois nem toda as vendas da Matriz  para a Filial Ceasa, contabilizadas na conta passiva 2.1.01.04.0157 Descontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda,  foram  baixadas  do  Caixa.  Se  toda  a  movimentação  pela  conta  passiva  citada,  decorrente  das  transferências  Matriz/Filial,  tivesse  tido  a  contrapartida  a  crédito  no Caixa,  não  haveria  saldo  credor  no  final  do  trimestre  na  conta passiva, não havendo, então, falar em passivo fictício. Ter­se­ia apenas um saldo  credor  de  caixa  majorado  em  relação  ao  que  já  foi  apurado.  Porém,  como  se  demonstrou,  a  conta  passiva  2.1.01.04.0157  Descontao­Karne  Keijo  Log.  Integrada  Ltda recebeu lançamentos a crédito majorados em face dos lançamentos a débito, no  tocante  às  transferências  Matriz/Filial,  sendo  os  excessos  a  crédito  obrigação  não  exigível no final de cada trimestre, presumindo­se omissão de receitas.  Com as razões acima, rejeito a presente defesa da impugnação.   Agora  se  passa  à  defesa  do  item V,  que  combate  a  omissão  de  receitas  oriunda  da  auditoria de estoques.   Antes  de  tudo,  deve­se  explicar  sucintamente  como  a  autoridade  fiscal  procedeu  à  auditoria  de  estoques,  apurando  as  omissões  de  receitas,  a  partir  das  omissões  de  compras e vendas.  O contribuinte não  tinha sistema de custo  integrado e coordenado com o restante da  escrituração. Assim, o custo das mercadorias revendidas era determinado a partir de  inventários periódicos de estoques, ao cabo de cada trimestre do ano­calendário 2009.  De  posse  das  movimentações  de  mercadorias  extraídas  dos  arquivos  digitais  de  documentos  fiscais  (notas  fiscais  de  entrada  e  saída),  fornecidos  pela  fiscalizada,  no  formato estabelecido no Anexo único do ADE COFIS nº 15/2001, e alterações, aliado  aos  estoques  inventariados  de  cada  mercadoria  constantes  no  Livro  de  Registro  de  Inventário,  no  início  e  fim  de  cada  trimestre  de  2009,  a  autoridade  fiscal  produziu  planilhas com a movimentação de entrada e  saída dos diversos  tipos de mercadorias  comercializadas pela Matriz (docs. 29 a 46), apurando omissões de compras (no curso  do  trimestre,  sempre  que  havia  saída  de  determinada  mercadoria  sem  suporte  no  estoque  dela  apurado  pela  fiscalização  ou  quando  o  estoque  inventariado  de  cada  mercadoria,  no  final  de  cada  trimestre,  era  maior  que  o  estoque  apurado  pela  fiscalização a partir das notas fiscais de entrada e saída) e omissões de venda (no final  de cada trimestre, sempre que o estoque inventariado pelo contribuinte de determinada  mercadoria  era  menor  que  o  estoque  apurado  pela  fiscalização  a  partir  das  notas  fiscais de entrada e saída).  Ainda,  como  regra,  a  fiscalização  apurou  o  preço  médio  de  compra  e  venda  pela  divisão da soma de valor da mercadoria pela soma da quantidade dela, adquirida ou  vendida, em cada trimestre (docs. 47 a 50).   Inicialmente, passa­se à apreciação da defesa do item V.a (o inventário declarado no  SEF  referente  ao  período  de  12/2008  diverge  do  saldo  inicial  utilizado  no  “Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias”, que serviu de análise para o  Fl. 20315DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     18 auditor  realizar  a  autuação  concernente  à  omissão  de  compras  e  vendas,  como  se  demonstra nesta impugnação com diversos produtos fl. 19.570).  O impugnante apontou 14 tipos diversos de mercadorias, para as quais a quantidade  inventariada  seria  a  décima  parte  da  considerada  pelo  Auditor­Fiscal,  em  seu  levantamento,  como  saldo  inicial  no  1º  trimestre  de  2009,  o  que  demonstraria  a  insustentabilidade do levantamento feito pela autoridade.   A fiscalização já havia identificado divergências nos Livros de Registro de Inventários  da  Matriz  em  31/12/2008  e  31/12/2009,  nos  quais  foi  verificado  que,  para  cada  mercadoria  existente  no  estoque,  a  quantidade  multiplicada  pelo  custo  unitário  encontrava­se  incompatível  com  o  valor  total  da  respectiva  mercadoria.  Intimado  o  contribuinte a comprovar  tal discrepância,  informou que houve uma  falha gráfica de  apresentação  no  item  quantidade,  por  um  deslocamento  da  vírgula  que  separa  os  números  inteiros,  não  apresentando,  entretanto,  diferenças  no  seu  conteúdo  total.  Assim, o próprio fiscalizado já havia esclarecido o problema, porém asseverou que o  valor total da mercadoria estava correto (fl. 302).  Ora, agora vem o  impugnante e  suscita um equívoco  já esclarecido,  com objetivo de  infirmar o levantamento feito pela autoridade fiscal. Esta utilizou a quantidade correta,  que  estava minorada  indevidamente  no Livro  de Registro  de  Inventário,  pela  décima  parte.  Veja­se, por exemplo, o produto de código 905267 (queijo muss girolanoa pc +/4 kg cx  +/24 kg), que consta no Livro de Inventário com 2.488,203 kg e a fiscalização utilizou  24.882,030 kg, como deduzido na impugnação (fl. 19.570).  fetivamente,  no  Demonstrativo  Analítico  Movimentação  Mercadoria,  a  fiscalização  considerou a quantidade de 24.882,030 kg para o produto acima (fl. 16.575).   Compulsando o Livro de Registro de Inventário, vê­se que há um estoque do produto  em 31/12/2008 de 2.488,203 kg, com custo unitário de R$ 3,19/kg, com um valor total  de  R$  79.289,96  (fls.  685  e  686).  Ora,  como  já  confessado  pelo  contribuinte,  a  quantidade estava reduzida pelo deslocamento da vírgula, estando o valor total correto  (fl. 302). Veja­se que se deve majorar em 10 vezes a quantidade, para daí obter o valor  total.  E  foi  exatamente  a  quantidade majorada  (e  correta)  que  a  fiscalização  tomou  como estoque inicial para o 1º trimestre de 2009, para tal mercadoria.  Por  tudo,  no  ponto,  sem  reparo  o  trabalho  fiscal,  devendo  ser  rejeitada  a  presente  defesa.  Passa­se agora ao item V.b da defesa (ainda se tem a utilização de saldo de inventário  no  “Demonstrativo  Analítico Movimentação Mercadorias”  referente  ao  4º  trimestre,  divergindo do saldo de inventário declarado no SEF referente ao período de 12/2009,  como se demonstra nesta impugnação fl. 19.571).  O  impugnante  apontou  16  produtos  para  os  quais  haveria  divergências  entre  o  Demonstrativo da autoridade fiscal e o saldo de inventário declarado no SEF, referente  ao período de 12/2009 (o produto código nº 905267 está em duplicidade).   De plano, utiliza­se a mesma argumentação do  item precedente para os produtos em  que  o  levantamento  do  SEF  é  a  décima  parte  daquele  dos  Demonstrativos  da  autoridade fiscal (produtos de código nºs 904370, 907016 e 901515).  Para  os  demais,  aprecia­se  o  primeiro  e  penúltimo  produtos,  para  confirmar  ou  infirmar a tese do impugnante.   Começa­  se novamente  pelo produto de código  nº 905267  (queijo muss  girolanoa pc  +/4 kg cx +/24 kg), cujo quantitativo no final do 4º trimestre seria 16.253,50 kg, para  Fl. 20316DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 11          19 os  quais,  de  acordo  com  o  impugnante,  a  quantidade  inventariada  no  SEF  seria  0  (zero).  No  Demonstrativo  Analítico Movimentação Mercadoria,  a  fiscalização  considerou  a  quantidade de 16.253,50 kg para o produto acima (fl. 16.609), apurando uma omissão  de  compras,  pois  o  saldo  apurado  pela  fiscalização  seria  70,19  kg  e  o  estoque  inventariado (SEF) seria 16.253,50 kg. Compulsando o Livro de Registro de Inventário  (doc.  11  –  Registro  de  Inventário  –  Matriz  –  31/12/2009,  conforme  relatório  de  encerramento da ação fiscal – fl. 96, e Livro de Registro de Inventário – doc. 11 – fl.  751  e  seguintes),  para  o  produto  código  nº  905267,  extraem­se  as  seguintes  informações:  11  .  .  00000000905267  QUEIJO  MUSS  GIROLANDA  PC±4KG  CX±24KG 1.625,350 KG (quantidade) 2,99 (unitário) 48.543,28 (fls. 685 e 686).   Ora, mais uma vê­se que quantidade deve ser multiplicada por dez, pois, repise­se, a  fiscalização e o próprio contribuinte já tinham reconhecido e esclarecido o equívoco,  ocorrido com os estoques de 31/12/2008 e 31/12/2009. Vê­se, então, que a fiscalização  utilizou o estoque em 31/12/2009, que consta no SEF, estando correto o Demonstrativo.  Incorreta  a  afirmação  do  impugnante  de  que  o  saldo  inventariado  de  tal  produto  estaria zerado em 31/12/2009.   Indo  mais  além,  toma­se  agora  o  penúltimo  produto  daqueles  relacionados  pelo  contribuinte, especificamente o de nº 907561 (o último trata­se apenas da questão da  majoração por 10 vezes na quantidade).   No  Demonstrativo  Analítico Movimentação Mercadoria,  a  fiscalização  considerou  a  quantidade inventariada de 22.512,110 kg para o produto acima (fl. 18.106), apurando  uma omissão de compras, pois o saldo apurado pela fiscalização seria 12.811,502 kg e  o  estoque  inventariado  (SEF)  a  quantidade  antes  indicada. Compulsando  o  Livro  de  Registro  de  Inventário  (doc.  11  –  Registro  de  Inventário  –  Matriz  –  31/12/2009,  conforme  relatório  de  encerramento  da  ação  fiscal  –  fl.  96,  e  Livro  de  Registro  de  Inventário – doc. 11 – fl. 751 e seguintes), para o produto código nº 907561, extraem­ se  as  seguintes  informações:  11  0201.30.00  907561  COXAO  MOLE  BOV  RESF  FRIBOI  CX±25KG  2.251,211  KG  (quantidade)  2,69  (unitário)  60.540,68  (fls.  777  e  778).   Ora, mais uma vê­se que quantidade deve ser multiplicada por dez, pois, repise­se, a  fiscalização e o próprio contribuinte já tinham reconhecido e esclarecido o equívoco,  ocorrido com os estoques de 31/12/2008 e 31/12/2009. Vê­se, então, que a fiscalização  utilizou o estoque em 31/12/2009, que consta no SEF, estando correto o Demonstrativo.  Incorreta  a  afirmação  do  impugnante  de  que  o  saldo  inventariado  de  tal  produto  estaria zerado em 31/12/2009.   Os dois exemplos acima, além daqueles outros 03 com divergência de 10 vezes (como  constou  na  impugnação),  são  suficientes  para  rejeitar  a  presente  defesa,  já  que  se  demonstrou a origem das quantidades utilizadas pela autoridade fiscal, não havendo as  discrepâncias apontadas pelo contribuinte, que mais uma vez repisou a argumentação  do item precedente.  Rejeita­se, mais uma vez, a pretensão deduzida pelo impugnante.  Passa­se agora à defesa do  item V.c (os saldos  finais de  inventários considerados ao  final de cada trimestre do exercício foi extraído da posição interna da empresa, que, no  4º trimestre, não contempla os dados existentes no inventário declarados no SEF, como  se exemplifica nesta impugnação fl. 19.571).  Fl. 20317DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     20 O impugnante trouxe uma pretensa divergência entre a quantidade existente na posição  interna referente ao 4º  trimestre e a quantidade  inventariada (SEF). Não explicitou a  localização nos autos da “quantidade existente na posição  interna” da empresa ou o  que isso teria a ver com o Demonstrativo Analítico Movimentação Mercadorias.   Como  exemplo,  toma­se  o  último  produto  indicado  na  impugnação.  O  impugnante  asseverou que o produto código nº 907561 (COXAO MOLE BOV RESF FRIBOI) teria  uma  quantidade  de  12.366,10  kg  na  posição  interna  da  empresa,  sendo  zerada  a  quantidade  inventariada  zerada,  no  final  do  4º  trimestre  de  2009.  Já  a  fiscalização  considerou o estoque desse produto no quantitativo de 22.512,110 Kg (fl. 18.106), em  linha com o que constou no Livro de Inventário (fls. 777 e 778), multiplicado por dez,  como já esclarecido. Não se compreende, no ponto, o objeto da impugnação.   Dessa  forma,  quer  porque  o  contribuinte  não  esclareceu  o  que  seria  a  “quantidade  existente  na  posição  interna”  da  empresa,  quer  porque  não  indicou  nos  autos  onde  estariam tais quantitativos, quer porque não demonstrou a influência dessas pretensas  incongruências em desfavor do trabalho fiscal, rejeita­se, no ponto, a presente defesa.  Passa­se  agora  à  apreciação  da  defesa  do  item  V.d  (o  “Demonstrativo  Analítico  Movimentação Mercadorias” não contempla movimentação de alguns itens que foram  inventariados no SEF declarado, referente ao período de 12/2008, e que pelos arquivos  da empresa houve movimentação de saída, com exemplos nesta impugnação fl. 19.572).  O fato de alguns itens não ter constado no Demonstrativo Analítico Movimentação de  Mercadorias  simplesmente  implica  que,  em  relação  a  eles,  não  houve  apuração  de  omissão de compras ou vendas, ou seja, somente pode ter beneficiado o impugnante.  Insiste­se que a ausência dos itens citados pelo impugnante não teve qualquer impacto  desfavorável  ao  fiscalizado,  pois  todo  o  levantamento  do Demonstrativo  foi  feito  por  código  de  produto,  apurando­se  as  omissões,  de  vendas  ou  compras,  individualizadamente.  Algum  produto  que  tenha  faltado  no  Demonstrativo  somente  pode  ter  beneficiado  o  contribuinte  ou  foi  neutro  (porque  não  haveria  omissões  de  receita  de  vendas  ou  compras).  Certamente,  os  produtos  citados  não  constaram  no  Demonstrativo porque não houve, quanto a eles, omissões de vendas ou compras.   Dessa forma, mantém­se, até aqui, intocado o trabalho fiscal.  Agora  se  aprecia  a  defesa  do  item  V.e  (é  comum  na  empresa  a  prática  de  reclassificação de  referência de produtos, quando da recepção do mercado  interno e  externo,  quer  pela  recepção  de  produtos  com  diferença  do  pedido,  quer  pela  necessidade de categorizar os produtos, o que não foi considerado pelo auditor. Com  essa sistemática,  seria necessário o  levantamento de movimentação dos produtos por  categoria,  como  exemplo,  a  categoria  “Picanha”,  como  se  demonstra  nesta  impugnação– fl. 19.572).   Não  se  pode  desconstituir  a  auditoria  de  estoque  a  partir  de  uma  arbitrária  categorização de produtos, por similaridade, a qual ninguém tem conhecimento, como  feito pelo impugnante. O auditor não teria como categorizar os produtos, por gênero,  pois  estes  estão  discriminados  por  códigos,  individualizados.  Caberia,  sim,  ao  contribuinte,  caso  houvesse  movimentado  produtos  entre  categorias  ou  mesmo  ter  recebido  tipo diverso daquele comprado,  ter controle de  tais alterações,  sob pena de  uma auditoria  de  estoque  ser  impossível,  pois  sempre  o  impugnante  poderia  suscitar  uma categorização por gênero nova, não conhecida anteriormente.  Ademais, a argumentação de que haveria reclassificação de produtos, recebimento de  produtos  diversos  daqueles  comprados  ou  transformação  de  produtos  (peças  Fl. 20318DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 12          21 congeladas  transformadas  em  postas)  está  destituída  de  qualquer  prova  nos  autos,  razão que obriga a rejeição da presente defesa.  Passa­se  agora  à  defesa  do  item  V.f  (outros  pontos  que  geram  discrepância  no  levantamento  do  Auditor  decorrem  da  diminuição  de  peso  em  função  de  degelo  dos  produtos  adquiridos,  o  que  gerava  redução  significativa  no  estoque  da  matriz,  bem  como os descartes de produtos de origem animal impróprios para o consumo humano,  produtos  estes  que  estavam alocados  na  conta “custo  das mercadorias”  e  não  eram  transferidas para perdas, uma vez que já estavam numa conta de resultado. O auditor,  equivocadamente, tratou estas últimas mercadorias como omissão de vendas).  Em  relação  ao  degelo  de  mercadorias  congeladas,  não  se  pode  imaginar  que  o  inventário  de  mercadorias  tenha  sido  feito  à  temperatura  ambiente.  Certamente  foi  feito  nas  câmaras  frigoríficas,  com  temperatura  igual  ou  superior  àquelas  de  transporte, parecendo descabido infirmar a auditoria de estoque, com divergências de  centenas ou milhares de quilos, entre as mercadorias inventariadas e as levantadas a  partir das notas  fiscais de entrada e saída (como exemplos, vide os produtos códigos  nºs 903214, com estoque inventariado zerado e o apurado de 28.239,900 Kg, no final  do 1º  trimestre de 2009 –  fl. 15.942; 904170, com estoque  inventariado de 21.025,82  Kg  e  o  apurado  de  35.711,820  Kg,  no  final  do  1º  trimestre  de  2009  –  fl.  16.168;  904370, com estoque inventariado zerado e o apurado de 25.075,000 Kg, no final do 1º  trimestre de 2009 – fl. 16.404; 906007, com estoque inventariado de 21.025,82 Kg e o  apurado de 35.711,820 Kg, no final do 1º trimestre de 2009 – fl. 16.168; 904370, com  estoque inventariado de 14.895,000 Kg e o apurado de 51.855,000 Kg, no final do 1º  trimestre de 2009 – fl. 16.624; 906583, com estoque inventariado zerado e o apurado  de 38.880,000 Kg, no final do 1º trimestre de 2009 – fl. 17.379; 906880, com estoque  inventariado  de  104.460,000  Kg  e  o  apurado  de  109.763,700  Kg,  no  final  do  2º  trimestre de 2009 – fl. 17.407; 910365, com estoque inventariado zerado e o apurado  de 59.206,066 Kg, no final do 4º trimestre de 2009 – fl. 18.461). Ademais, observe­se, o  impugnante não  juntou qualquer prova  técnica ou documento que ateste, mesmo com  percentuais médios, as possíveis perdas.  Ausente  qualquer  comprovação  das  perdas  por  degelo,  deve­se,  rejeitar,  no  ponto  a  presente defesa.  No tocante aos descartes, para comprová­los, o contribuinte juntou a documentação de  fls. 19.714 a 19.820, na qual se vê um ofício, em papel timbrado do contribuinte, com  mercadorias relacionadas, para conhecimento do Serviço de Inspeção Federal.  Para  que  fossem  consideradas  as  mercadorias  deterioradas,  não  bastaria  um  ofício  com anexos  gerado  pelo  próprio  fiscalizado, mas  necessariamente  deveriam  ter  sido  apresentadas  as  notas  fiscais  que  deram  saída  nas  mercadorias,  pois  não  se  pode  imaginar que mercadorias, mesmo para descartes, transitem sem o documentário fiscal  apropriado. Inclusive, registre­se, há código CFOP apropriado para tanto, como se vê  abaixo:   5.927 Lançamento efetuado a título de baixa de estoque decorrente de  perda, roubo ou deterioração   Classificam­se  neste  código  os  registros  efetuados  a  título  de  baixa  de  estoque  decorrente  de  perda,  roubou  ou  deterioração  das mercadorias.  Fl. 20319DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     22 Ademais, ressalte­se, seria necessário o laudo ou certificado de autoridade sanitária ou  de  segurança,  que  especificasse  e  identificasse  as  quantidades  destruídas  ou  inutilizadas  e  as  razões  da  providência  ou  laudo  da  autoridade  fiscal  chamada  a  certificar  a  destruição  de bens  obsoletos,  invendáveis  ou  danificados,  como  se  vê  no  art. 291, II, “a” e “c”, do Decreto nº 3.000/99, abaixo transcrito, o que não ocorreu  nestes autos, pois somente há um comunicado do fiscalizado à Inspeção Federal:   (...)  Dessa forma, sem nota fiscal de descarte da mercadoria ou os laudos das autoridades  competentes, não se sabe a verdadeira origem das mercadorias para descarte,  sendo  incabível,  assim,  efetuar  qualquer  alteração  na  auditoria  do  estoque,  com  esta  motivação.”   Em relação a nenhum dos apontamentos promovidos pela DRJ, vale destacar,  a contribuinte não apresentou qualquer consideração objetiva, neste tópico apenas redargüindo  as  razões  antes  aduzidas  em  sua  impugnação,  restando,  pois,  fartamente  comprovada  as  omissão de receita pela configuração das hipóteses apresentadas, e aqui, portanto, irretocáveis  as considerações contidas no lançamento efetivado.   Da duplicidade da cobrança: Omissão de compras x Omissão de vendas   Seguindo em suas argumentações, sustenta ainda a recorrente a invalidade da  operação  realizada  pelos  agentes  da  fiscalização,  especificamente  porque,  ao  considerar  as  diversas  hipóteses  de  presunções  consideradas,  estar­se­ia  (ao  menos  em  tese)  a  apurar  a  omissão da mesma receita diversas vezes, o que acarretaria a  invalidade da exigência e aqui,  portanto, não poderia ser admitida.   Esse  assunto,  especificamente,  foi  tema  deveras  debatido  quando  da  apreciação dos fatos no julgamento de primeira instância, sendo relevante destacar que, sobre  este assunto, restou vencido o Relator originário do feito, especificamente, porque considerava  a  impossibilidade  prática  da  aplicação  da  presunção  de  omissão  de  receitas  em  razão  da  ausência de registro de vendas, somada, no caso, à omissão de receitas em razão da ausência  do registro de compras.  Em  que  pese  a  relevância  das  considerações  apresentadas  pelo  ilustre  julgador  (aqui, de  fato,  abraçadas pela  recorrente),  importante destacar que a  sistemática por  ele pretendida, com toda a certeza, não possui nenhum fundamento normativo próprio, sendo  certo que o seu acolhimento, na presente vertente, importaria na possibilidade de uma dedução  não prevista nas específicas normas de regência.    Por  força  desssas  considerações,  entendo  não  caber  a  admissão  da  "compensação" entre compras e vendas sugerida pela recorrente, sendo certo que, pretendendo  garantir a apuração adequada do montante do tributo devido, é a contribuinte quem deveria ter  especificamente  observado  a  legislação  de  regência,  sujeitando­se,  assim,  à  sistemática  da  presunção legal em caso contrário, da forma como aqui então apontado.  Diante  disso,  rejeito,  também,  a  ponderação  da  recorrente  quanto  à  necessidade de dedução do montante apurado como receitas omitidas, o montante das supostas  compras  não  registradas,  tendo  em  vista  a  completa  ausência  de  previsão  legal  para  esse  procedimento,  da  forma,  inclusive,  afirmada pelo voto  condutor do  julgamento proferido  em  primeira instância.     Fl. 20320DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10480.723469/2013­41  Acórdão n.º 1301­001.649  S1­C3T1  Fl. 13          23 Da “insurgência” quanto às cotas de depreciação de bens do ativo imobilizado  Por fim, em último ponto de ataque do recurso voluntário interposto, verifica­ se a pretensa discussão a respeito da validade de seus procedimentos de depreciação de bens do  ativo  imobilizado,  especificamente  em  relação  aos  registros  relativos  a  “Veículo  Automóvel  para  Transporte  de Mercadorias”,  que,  segundo  sustenta,  poderia  ser  depreciado  em  até  4  (quatro) anos, e não 5 (cinco) da forma como afirmado pela fiscalização.   A  respeito  desse  ponto  específico,  acredito  que  tenha  se  equivocado  a  recorrente, uma vez que, conforme se verifica da decisão de primeira instância,  tal pretensão  fora  integralmente  admitida naquele  julgamento,  nada havendo,  aqui,  a  ser objeto de  analise  por estes Conselheiros.   Conclusão   Em face de todas as considerações aqui apresentadas, encaminho o meu voto  no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário  interposto, mantendo, em sua  integralidade, o crédito tributário lançado.   É como voto.   (Assinado digitalmente)  CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER ­ Relator                                Fl. 20321DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES

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Numero do processo: 13898.000597/2002-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa:: INTIMAÇÃO. VIA ELETRÔNICA. PROCESSO EM PAPEL. Tratando-se de fato positivo e considerando que se trata de processo de papel que foi digitalizado, cabe à repartição fiscal comprovar que o acórdão de primeira instância estava disponível para visualização no portal e-cac no 15º dia que antecedeu a ciência por decurso de prazo. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. Sendo incontroverso nos autos que o contribuinte recebeu a imagem do processo gravada em CD no dia 16/09/2013, é dessa data que se conta o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. A apuração na filial e a tentativa de aproveitamento via ressarcimento, rendem ensejo à glosa do valor, pois o crédito presumido assim apurado só pode ser utilizado na conta gráfica do IPI, a teor do art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96, combinado com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. O princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes não só o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores, mas também o transporte do saldo credor da escrita para períodos de apuração subseqüentes para a mesma finalidde. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo. SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO . As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas pelas entradas ocorridas sob os CFOP 1.99 e 2.99 (fls. 487 e 556), bem como para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no ressarcimento o saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores, desde que seja expurgado o crédito presumido calculado em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram no sentido de não conhecer do recurso por considerá-lo intempestivo. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP 209.032. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa:: INTIMAÇÃO. VIA ELETRÔNICA. PROCESSO EM PAPEL. Tratando-se de fato positivo e considerando que se trata de processo de papel que foi digitalizado, cabe à repartição fiscal comprovar que o acórdão de primeira instância estava disponível para visualização no portal e-cac no 15º dia que antecedeu a ciência por decurso de prazo. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. Sendo incontroverso nos autos que o contribuinte recebeu a imagem do processo gravada em CD no dia 16/09/2013, é dessa data que se conta o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. A apuração na filial e a tentativa de aproveitamento via ressarcimento, rendem ensejo à glosa do valor, pois o crédito presumido assim apurado só pode ser utilizado na conta gráfica do IPI, a teor do art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96, combinado com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. O princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes não só o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores, mas também o transporte do saldo credor da escrita para períodos de apuração subseqüentes para a mesma finalidde. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo. SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO . As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. Recurso voluntário provido em parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas pelas entradas ocorridas sob os CFOP 1.99 e 2.99 (fls. 487 e 556), bem como para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no ressarcimento o saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores, desde que seja expurgado o crédito presumido calculado em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram no sentido de não conhecer do recurso por considerá-lo intempestivo. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP 209.032. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2 credor  para  os  períodos  seguintes,  instituiu  o  direito  ao  ressarcimento  e  à  compensação desse saldo.  SALDO  CREDOR  DE  ESCRITA  TRANSPORTADO  DE  PERÍODOS  ANTERIORES. RESSARCIMENTO .   As  Instruções  Normativas  SRF  nº  210/2002,  460/2004  e  600/2005,  com  a  redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em  consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao  ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores.  Recurso voluntário provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas pelas entradas ocorridas sob os  CFOP  1.99  e  2.99  (fls.  487  e  556),  bem  como  para  reconhecer  o  direito  de  o  contribuinte  incluir no ressarcimento o saldo credor de IPI  transportado de períodos anteriores, desde que  seja  expurgado  o  crédito  presumido  calculado  em  desacordo  com  o  art.  15,  II,  da  Lei  nº  9.779/99.  Vencidos  os  Conselheiros  Rosaldo  Trevisan  e  Fenelon Moscoso  de  Almeida,  que  votaram no sentido de não conhecer do recurso por considerá­lo intempestivo. Sustentou pela  recorrente o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP 209.032.  Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério  Sawaya Batista e Ivan Allegretti.  Relatório  Trata­se  de  pedido  de  ressarcimento  de  IPI  protocolado  em  09/10/2002,  relativo ao 2º Trimestre de 2002, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99.  Informou a fiscalização à fl. 563 que não há pedidos de compensação tratados  neste processo.  Por meio do despacho decisório de fls. 390 a 392, notificado ao contribuinte  em 09/04/2007 (fl. 571), a autoridade administrativa reconheceu em parte do direito de crédito.  Do valor pleiteado originalmente (R$ 700.000,00) foi reconhecido o direito a R$ 655.743,66.  A fiscalização efetuou os seguintes ajustes no crédito do contribuinte: 1) foi  deduzido  o  valor  o  valor  de  R$  48.987,15  por  não  se  referir  a  créditos  passíveis  de  ressarcimento. Este montante é composto por R$ 47.733,15 relativo a crédito presumido de IPI  apurado  em  desacordo  com  o  art.  15,  II,  da  Lei  nº  9.779/99  e  R$  1.254,00  de  créditos  considerados não  ressarcíveis; 2)  foi  glosado o  saldo credor  transportado de período anterior  por estar impregnado de valores de crédito presumido de IPI apurado em desacordo como art.  15,  II,  da Lei  nº 9.779/99;  e 3)  foi  deduzido do  crédito pleiteado, o  valor de R$ 308.069,48  relativo aos débitos de IPI apurados no trimestre.  Em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  o  contribuinte  alegou,  em  síntese,  o  seguinte:  1) Discorreu  sobre  o  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  e  o  Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/2002­57  Acórdão n.º 3403­003.574  S3­C4T3  Fl. 5          3 direito  de  compensação;  2) Em  relação  à  parcela dos  créditos  considerada não  ressarcível,  a  contribuinte pretende demonstrar a validade de  todos os créditos e o  faz discorrendo sobre  a  natureza das operações  correspondentes  a  cada grupo de CFOPs  abrangido. Dessa  forma, os  CFOPs 1.99  e 2.99  referem­se  a  entradas de mercadorias  a  título de  amostra ou bonificação  utilizadas  como  insumos  na  industrialização  de  produtos  isentos  ou  tributados  pela  alíquota  zero,  e  os  créditos  correspondentes  devem  ser  admitidos  por  não  caberem  restrições  infraconstitucionais  à  não­cumulatividade  do  IPI;  o  CFOP  2.32  referem­se  a  devolução  de  vendas,  cujos  créditos  correspondentes  são previstos no  art.  150 do Decreto 2.637/1998;  e o  CFOPs 1.22 refere­se a créditos relativos a transferência de mercadorias entre estabelecimentos  da requerente, previsto no art. 147, X, do Decreto 2.637/1998. Traz doutrina no sentido de não  se  admitir  restrições  à  não­cumulatividade  do  IPI;  3)  Defende  seu  direito  à  manutenção  do  saldo credor remanescente do período anterior no valor a ser ressarcido, fundamentando­se no  art. 49, § único, do CTN, no art. 195, §1º, do RIPI, e no art. 2º, §2º, I e II, da IN 33/1999, que  permitem a transferência do saldo credor ao final de um trimestre para o trimestre subseqüente  como  forma  de  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  associado  ao  direito  a  ressarcimento  do  saldo  credor  ao  final  de  cada  trimestre.  Complementa  afirmando  que  a  existência do campo “saldo credor do período anterior” no programa PER/DCOMP corrobora a  interpretação de que esse valor compõe o montante a ser ressarcido ao contribuinte; 3) no que  tange à glosa do crédito presumido, alegou que o que importa é a existência do crédito e não a  forma de  apuração. O crédito  foi  comprovado pela documentação apresentada ao  fisco  e em  homenagem ao princípio da verdade material deveria ter sido considerado, independentemente  de qual estabelecimento o apurou.  Por meio do Acórdão 37.065, de 27 de março de 2012, a 8ª Turma da DRJ ­  Ribeirão  Preto  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  em  julgado  que  recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002  RESSARCIMENTO.  CRÉDITOS.  HABILITAÇÃO  NO  TRIMESTRE DE ESCRITURAÇÃO.  Somente  fazem  jus  a  ressarcimento  os  créditos  escriturados  no  trimestre calendário de que trata o pedido e que não tenham sido  absorvidos  pelos  débitos  escriturados  em  cada  período  de  apuração ao longo do referido trimestre.   CRÉDITO PRESUMIDO.  APURAÇÃO CENTRALIZADA.  OBRIGATORIEDADE.  A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido  do  IPI  deve  ser,  obrigatoriamente,  apurado  de  forma  centralizada no estabelecimento matriz.  TRANSFERÊNCIA  DE  CREDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  VEDAÇÃO AO RESSARCIMENTO.  O  crédito  presumido  de  IPI,  transferido  da matriz  para  a  filial, somente pode ser utilizado no abatimento de débitos  do imposto em conta­gráfica, vedado seu ressarcimento.  Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4 PROVAS. OPORTUNIDADE   Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação  de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentá­ las em outro momento processual.  COMUNICAÇÃO  DOS  ATOS  PROCESSUAIS.  DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO.  As  notificações  e  intimações  devem  ser  enviadas  ao  domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo.  Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 25/05/2013, o  contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/09/2013 alegando, em síntese, o seguinte: 1)  nulidade  da  intimação  por  decurso  de  prazo  em  24/05/2013,  pois  embora  tenha  recebido  a  intimação eletrônica informando "a existência de documentos para sua ciência na Consulta de  Comunicados/Intimações", não conseguiu ter acesso ao acórdão recorrido, pois, em virtude de  alguma falha técnica, o processo não estava disponível para consulta; 2) para fins de contagem  do  prazo  recursal  deve  prevalecer  a  data  de  16/09/2013,  que  foi  a  data  em  que  recebeu  a  imagem do processo em CD; 3) nulidade do acórdão de primeira instância por falta de análise  da  documentação  juntada  pela  recorrente,  pois  atendeu  plenamente  à  intimação  para  demonstrar a natureza dos créditos relacionados aos CFOP 1.99 e 2.99; 4) nulidade do acórdão  de primeira instância, pois as alegações de que não foi respeitada a apuração centralizada e de  que não é possível obter ressarcimento de crédito presumido transferido da matriz para a filial  não guardam nenhuma correspondência com este processo. A decisão recorrida não analisou a  possibilidade ou não de o crédito presumido ser apurado diretamente na filial, afastando­se a  exigência  contida no  art.  15,  II,  da Lei nº 9.779/99. A decisão  recorrida manteve a  glosa de  créditos pautando­se em fundamentos diversos, pois em momento algum houve transferência  de crédito presumido entre estabelecimentos. O que aconteceu no caso foi apenas um equívoco  na apuração do crédito,  que  teria ocorrido de  forma descentralizada. Como a decisão é ultra  petita, deve ser decretada sua nulidade. 5) discorreu sobre o princípio da não­cumulatividade  do IPI e sua implementação por meio da legislação infraconstitucional; 6) alegou que o direito  ao crédito presumido independe da forma de sua apuração. Não tem cabimento a glosa de R$  47.733,15  de  crédito  presumido  somente  porque  ele  foi  apurado  pela  filial,  em  desconformidade com o art. 15 da Lei nº 9.779/99. Se o crédito existe ele deve ser ressarcido  ao contribuinte em nome do princípio da verdade material. O mero equívoco quanto à pessoa  em nome de quem o pedido é apresentado, a saber, filial ao invés da matriz, não pode justificar  a  glosa  do  crédito  da  recorrente;  7)  quanto  aos  créditos  não  ressarcíveis,  alegou  que  as  operações ocorreram sob os CFOP 1.99 e 2.99 e se referem a entradas de mercadorias a título  de amostra ou bonificação, utilizadas como matérias­primas na fabricação de produtos isentos  ou tributados com alíquota zero. As notas fiscais estão anexadas ao processo conforme tabela  indicada no recurso, restando efetivamente comprovado seu direito ao crédito básico e que se  tratam de créditos ressarcíveis; 8) houve glosa indevida de parte do saldo credor transferido de  período  anterior.  Alegou  que  somou  os  créditos  apurados  no  2º  trimestre  de  2002  ao  saldo  credor do período anterior, obtendo o valor total de R$ 717.761,46, dos quais R$ 700.000,00  foram objeto do pedido de ressarcimento. Ainda que a glosa não  tenha impactado a presente  exigência,  como  alegou  a  DRJ,  a  ela  impacta  o  saldo  credor  do  período;  9)  requereu  o  acolhimento de suas razões para a decretação da nulidade da decisão recorrida e caso superada  essa  nulidade,  requer  o  reconhecimento  da  totalidade  dos  créditos  para  restem  homologadas  integralmente as compensações declaradas.   Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/2002­57  Acórdão n.º 3403­003.574  S3­C4T3  Fl. 6          5 Por  meio  da  Resolução  nº  3403­000551  o  julgamento  foi  convertido  em  diligência, a fim de se tentar apurar se o acórdão da DRJ estava ou não estava disponível para  visualização no portal e­cac na data de 09/05/2013.  Os autos retornaram com os documentos de fls. 574/590, por meio dos quais  a  autoridade  administrativa  informou,  em  resumo,  o  seguinte:  1)  não  houve  nenhuma  deficiência técnica no sistema e o acórdão recorrido estava disponível para visualização no dia  09/05/2013;  2)  a  primeira  leitura  da  intimação  foi  feita  em  13/05/2013;  4)  embora  estivesse  disponível, o contribuinte provavelmente não visualizou o acórdão da DRJ por meio do e­Cac  porque não foi gerado o termo de abertura de documento.  Regularmente  notificado  do  teor  da  diligência,  o  contribuinte  apresentou  contestação em tempo hábil, alegando, em síntese, que a delegacia não provou que o acórdão  estava disponível em 09/05/2013 e ele, contribuinte, comprovou que não estava por meio dos  documentos juntados ao recurso.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator.  O  art.  33  do  Decreto  nº  70.235/72  estabelece  que  da  decisão  de  primeira  instância caberá  recurso voluntário,  total ou parcial,  com efeito  suspensivo, dentro dos  trinta  dias seguintes à ciência da decisão.  Alegou  o  contribuinte  que  "uma  falha  técnica"  o  teria  impossibilitado  de  acessar o processo pelo e­cac. Segundo alegação da defesa, a imagem do processo não estaria  disponível para visualização na internet.  Compulsando­se os autos, verifica­se que este  é um processo de papel, que  foi digitalizado e incluído no e­processo.   É de conhecimento notório neste colegiado que a  inclusão de processos em  papel no e­processo gerou uma série de problemas. São incontáveis os casos de processos em  que faltam volumes e anexos, principalmente no início da transição para o e­processo, sendo  necessário recorrer aos autos em papel para que se possa complementar as imagens anexadas  no e­processo e com isso efetuar o julgamento.  Se  problemas  desse  tipo  ocorrem  com volumes  e  anexos  que  deveriam  ser  anexados  ao  e­processo,  por  qual  razão  não  poderia  ter  ocorrido  algum  problema  na  disponibilização do acórdão da DRJ no portal e­cac?  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  contribuinte  teve  ciência  presumida (por decurso de prazo) do acórdão de primeira  instância em 24/05/2013  (fl. 747),  sexta­feira, e que protocolou seu recurso voluntário somente em 27/09/2013, após ter recebido  a  carta  de  cobrança  amigável  do  crédito  tributário,  anexada  às  fls.  750/752,  cuja  ciência  ocorreu em 24/09/2013 (fl. 766).  Fl. 867DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     6 À  luz do disposto no  art.  23,  III,  § 2º,  III,  do Decreto nº 70.235/72,  com a  redação dada pela Lei nº 11.196/2005, nas intimações por meio eletrônico a ciência presumida  ocorre no 15º dia a partir da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário  do sujeito passivo.  Se se tratasse de um processo que já tivesse "nascido" digital, este relator não  teria a menor dúvida e elaboraria um voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso  voluntário por intempestivo. Não teria havido nem a baixa em diligência.  Mas  tratando­se  de  um  processo  de  papel,  não  há  como  assegurar  que  não  houve algum problema na disponibilização do processo para consulta via internet.  Daí a tentativa de elucidar a questão por meio da diligência. Se a defesa alega  que não podia acessar o processo, que a imagem do processo não estava na internet, ou que o  mesmo não podia ser visualizado, como poderia elaborar manifestação de inconformidade para  poder se defender? Não há como validar a intimação por presunção na hipótese de o acórdão  não poder ser visualizado.  Contudo,  a  providência  adotada  não  jogou  luzes  sobre  o  problema. Nem  a  autoridade administrativa e nem o contribuinte conseguiram provar os fatos que alegaram. Não  há prova nos autos dos seguintes fatos: 1) se houve ou não houve falha técnica no sistema; e 2)  se o acórdão da DRJ estava ou não estava disponível para visualização em 09/05/2013.  O contribuinte não tem como fazer a prova do fato negativo. Ou seja, ele não  tem como provar que o processo ou a decisão da DRJ não podiam ser visualizados na página  do  e­cac  na  internet.  E  também  não  pode  provar  que  houve  falha  técnica,  pois  ele  não  é  o  administrador do sistema. Tratando­se de um processo em papel, que foi convertido em digital,  pode ser que tenha realmente ocorrido algum problema na visualização do processo pelo e­cac,  pois este relator já se deparou com inúmeros processos que não puderam ser julgados em razão  de  problemas  ocorridos  na  transição  para  o  e­processo.  Para  julgar  esses  casos,  foi  preciso  refazer digitalizações e importações no e­processo.  No  caso,  para  desmentir  o  contribuinte,  caberia  à  Receita  Federal  fazer  a  prova do fato positivo, ou seja, que o acórdão podia ser visualizado no dia 09/05/2013, décimo  quinto dia que antecedeu a ciência por decurso de prazo. O ônus de provar a intempestividade  do recurso é da autoridade administrativa.   Os documentos apresentados na diligência são insuficientes para comprovar  esse fato, pois não asseguram que o acórdão poderia ter sido visualizado. Reforça esta assertiva  o fato de não existir  registro de que o contribuinte abriu o documento pela  internet. Existe o  registro de que ele abriu a intimação, mas não que tenha aberto o acórdão. Das duas uma. Ou o  acórdão  não  estava  disponível  para  visualização,  ou  estava  e  o  contribuinte  ardilosamente  deixou de abri­lo. Como não existe nenhuma prova no processo quanto a esses fatos, eles não  podem ser levados em consideração.  Assim,  o  único  fato  incontroverso,  no  que  tange  à  ciência  do  acórdão  recorrido, é que em 16/09/2013 o contribuinte recebeu a imagem do processo gravada em CD.  Entendo que diante do resultado da diligência, a solução mais prudente é a de  adotar o dia 16/09/2013, como sendo a data em que o contribuinte tomou ciência do acórdão  recorrido, passando, a partir de então a fluir o prazo para recurso.  Fl. 868DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/2002­57  Acórdão n.º 3403­003.574  S3­C4T3  Fl. 7          7 Considerando  que  o  recurso,  apresentado  em  27  de  setembro  de  2013,  é  tempestivo e que preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, deve ser conhecido  pelo colegiado.  A  defesa  solicitou  que  as  intimações  fossem  enviadas  para  o  endereço  constante  da  manifestação  de  inconformidade  e  que  fosse  deferido  o  requerimento  de  sustentação oral.  As  intimações  serão  enviadas  para  o  domicílio  fiscal  indicado  pelo  contribuinte no cadastro da repartição fiscal, a  teor do que determina o art. 23 do Decreto nº  70.235/72.  Quanto  à  sustentação  oral,  o  exercício  dessa  faculdade  por  parte  da  defesa  independe do deferimento de requerimento, bastando que o interessado se apresente na data da  sessão de julgamento e comunique ao presidente do colegiado sua intenção de sustentar.  Considera­se o contribuinte intimado da data e do local do julgamento, com a  publicação  da  pauta  no  diário  oficial,  efetuada  nos  termos  do  art.  55,  I,  parágrafo  único,  do  RICARF.  A defesa alegou nas entrelinhas a nulidade do despacho decisório por falta de  motivação e, expressamente, a nulidade do acórdão de primeira instância, por não ter analisado  as provas juntadas ao processo.  Quanto  ao  despacho decisório,  a nulidade  consistiria na  falta  de motivação  para a desconsideração do saldo credor transportado de períodos anteriores.  Não  tem  razão  a  defesa,  pois  a  fiscalização motivou  essa  glosa  no  fato  do  saldo credor de período anterior estar impregnado com valores do crédito presumido que foram  apurados em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99.  Também não vislumbro a nulidade alegada no acórdão de primeira instância,  pois o que está dito ali é que a recorrente não trouxe nenhuma prova nova com a manifestação  de  inconformidade,  o  que  não  significa  que  o  julgador  de  primeira  instância  tenha  desconsiderado os documentos apresentados durante a  fiscalização. A DRJ concordou com a  fiscalização, no sentido de que embora  tenha sido  intimado, o contribuinte não comprovou a  legitimidade de alguns créditos.  Preliminar de nulidade rejeitada.  No  mérito,  relativamente  à  glosa  do  crédito  presumido  no  valor  de  R$  47.733,15, verifica­se que o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99 estabelece que o crédito presumido  deve ser apurado de forma centralizada pelo estabelecimento matriz.  No  caso  concreto,  é  incontroverso  que  o  crédito  presumido  foi  apurado  e  escriturado pela própria filial, em total desrespeito ao art. 15, II, da Lei nº 9.779/99. Esse fato  por  si  só  rende  ensejo  à  glosa  do  valor  solicitado  em  ressarcimento  que  foi  efetuada  pela  fiscalização,  pois  se  o  crédito  presumido  tivesse  sido  apurado  na matriz  e  transferido  para  a  filial  que  ora  pede  seu  ressarcimento,  ele  não  poderia  ser  ressarcido,  em  face  da  vedação  contida no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96.   Fl. 869DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     8 Desse modo, a irregularidade de ter apurado o crédito presumido na filial não  pode  ser  usada  como  argumento  para  afastar  a  glosa  no  ressarcimento  efetuada  pela  fiscalização,  pois  ainda  que  esse  crédito  tivesse  sido  apurado  na matriz  e  transferido  para  a  filial (a glosa foi no livro da filial) ele deveria ser glosado, pois só pode ser utilizado pela filial  na conta gráfica do IPI, a teor do art. 2º, § 3º da Lei nº 9.363/96.  Nesse  ponto,  o  contribuinte  arguiu  a  nulidade  do  acórdão  de  primeira  instância por ele  ter decidido ultra petita. O que aconteceu foi que a autoridade julgadora de  primeira  instância  procurou  explicar  ao  contribuinte  a  razão  pela  qual  o  crédito  presumido  apurado pela filial não é passível de ressarcimento. Não existe nulidade na decisão de primeira  instância,  pois  não  foi  adicionado  um  novo  fundamento  para  manter  a  glosa  e  nem  houve  decisão ultra petita.  Em  relação  à  glosa  de  R$  1.254,00,  correspondente  a  créditos  não  ressarcíveis,  a  defesa  alegou  que  atendeu  à  intimação  efetuada  pela  fiscalização  e  juntou  os  documentos comprobatórios da legitimidade dos créditos. Segundo o recurso voluntário, esses  documentos estariam anexados junto com a resposta à intimação de 12/04/2006 (fl. 473).  Quanto a esta glosa, verifica­se que a fiscalização não apresentou motivação  expressa nem no termo de verificação fiscal e nem no despacho decisório.  Motivar  significa  dizer  o  porquê  de  algo. No  caso, motivar  seria  dizer  por  qual  razão  os  aludidos  créditos  não  são  ressarcíveis  ou  não  são  créditos  básicos.  Isso  a  fiscalização não fez.  Com um certo esforço e por meio do exame do demonstrativo de fls. 487 se  pode  cogitar  que  os  créditos  relativos  aos  CFOP  1.99  e  2.99  não  foram  admitidos  pela  fiscalização  em  razão da não onerosidade das operações  (bonificações  e  amostras), mas  isso  não está claro nas fundamentações do termo fiscal e do despacho decisório. O art. 50, § 1º , da  Lei nº 9.784/99 exige que a motivação seja explícita, clara e congruente, enquanto que o art.  10,  III,  do Decreto nº 70.235/72 exige  a descrição do  fato. Nenhum desses dois dispositivos  foram  cumpridos  a  contento pela  fiscalização quanto  à glosa dos  "créditos não  ressarcíveis".  Não foi dito por qual razão os créditos não são ressarcíveis.  Considerando a (i) inexistência de motivação para esta glosa; (ii) a existência  da prova da  legitimidade do crédito, consistente nas notas  fiscais apresentadas em resposta  à  intimação de 12/04/2006; e (iii) que a onerosidade ou não da operação de entrada das matérias­ primas não é requisito legal a ser observado para a tomada do crédito, considero que deve ser  revertida a glosa dos créditos quanto à operações de entrada grafadas sob o código 1.99 e 2.99.  No que  concerne  ao  ressarcimento  do  saldo  credor  transportado  de período  anterior, considero que o fato dele estar impregnado pelo crédito presumido apurado pela filial  (em desconformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99) não é motivo para a glosa integral  do valor transportado.   O  crédito  presumido  apurado  pela  filial  realmente  não  pode  ser  ressarcido,  conforme já ficou assentado alhures. Mas a parcela do saldo credor correspondente a créditos  básicos que veio por transporte de período anterior pode e deve ser ressarcida ao contribuinte,  em face do princípio da não­cumlatividade e do disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99.  A interpretação contida no acórdão de primeira instância, no sentido de que  as IN nº 33/99 e 210/2002 vedariam o ressarcimento do saldo credor transportado de período  anterior, não tem o menor cabimento.  Fl. 870DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/2002­57  Acórdão n.º 3403­003.574  S3­C4T3  Fl. 8          9 Esse entendimento da DRJ está escorado na leitura isolada do art. 14, §§ 1º e  3º, da IN 210/2002; do art. 16, §§ 1º e 4º, II e III, da IN 460/2004 e do art. 16, §§ 1º, 4º e 7º da  IN 600/2005, com a alteração introduzida pela IN 728/2007.  A  leitura  das  referidas  instruções  normativas,  sugere  a  concessão  de  uma  “permissão” para que o contribuinte transfira o saldo credor de um período de apuração para o  período de apuração seguinte para posterior abatimento dos débitos do imposto.  Já  o  art.  14,  §  3º  da  IN  210/2002  e  os  arts.  16,  §§  4º  das  IN  460/2004  e  600/2005, sugerem a existência de uma “restrição” ao estabelecem textualmente que somente  são passíveis de ressarcimento créditos escriturados no trimestre calendário.  A leitura apressada desses dispositivos realmente pode conduzir à equivocada  conclusão de que criaram vedação ao aproveitamento, via compensação ou ressarcimento, do  saldo credor de IPI acumulado em virtude de transporte de períodos anteriores.  Entretanto,  o  direito  administrativo  nos  ensina  que  os  atos  administrativos  gozam  da  presunção  de  legitimidade,  ou  seja,  deve­se  sempre  supor  que  foram  baixados  conforme as leis e desse modo devem ser interpretados.  Nesse  sentido,  ganha  relevância  analisar  a  evolução  legislativa  do  regime  jurídico dos créditos de IPI, cujo objetivo único é o de implementar o princípio constitucional  da não­cumulatividade.  É  consenso  na  doutrina  que  o  princípio  da  não­cumulatividade  pode  ser  introduzido  no  sistema  tributário  de  um  determinado  país  por  meio  das  técnicas  do  valor  agregado  ou  da  dedução  do  imposto.  Na  técnica  do  valor  agregado,  originária  do  direito  francês,  subtrai­se  do  valor  da  operação  posterior  o  valor  da  operação  anterior.  É  o  que  se  conhece  como  dedução  na  base.  Na  técnica  da  dedução  do  imposto,  subtrai­se  do  imposto  devido na operação posterior o imposto que foi pago na operação anterior.  No sistema tributário brasileiro, o constituinte, ao delimitar as competências  tributárias  das  entidades  federadas,  consignou  no  art.  153,  da  CF/1988  que  (...)  Compete  à  União instituir impostos sobre (...) IV­ produtos industrializados (...) § 3º­ O imposto previsto  no inciso IV (...) II­ será não­cumulativo, compensando­se o que for devido em cada operação  com o montante cobrado nas anteriores; (...). (grifei)  Conforme  se  pode  verificar,  o  IPI  não  é  imposto  incidente  sobre  o  valor  agregado,  pois  a  constituição  claramente  optou  pela  técnica  da  dedução  do  imposto,  onde  a  única  garantia  assegurada  ao  contribuinte  é  que  o  imposto  devido  a  cada  operação  seja  deduzido do que foi pago na operação anterior, silenciando o dispositivo quanto à existência de  eventual saldo credor e seu ressarcimento.  A  primeira  disposição  infraconstitucional  sobre  o  saldo  credor  da  escrita  fiscal aparece no art. 49 do CTN, que se encontra vazado nos seguintes termos:  “Art.  49.  O  imposto  é  não­cumulativo,  dispondo  a  lei  de  forma  que  o  montante  devido  resulte  da  diferença  a  maior,  em  determinado  período,  entre  o  imposto  referente  aos  produtos  saídos  do  estabelecimento  e  o  pago  relativamente  aos  produtos nele entrados.  Fl. 871DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     10 Parágrafo  único.  O  saldo,  verificado  em  determinado  período,  em  favor  do  contribuinte, transfere­se para o período ou períodos seguintes.”  E esse direito foi confirmado e ratificado no art. 27 da Lei nº 4.502/64, com a  redação que lhe foi dada pelo Decreto­Lei nº 34/66:  “Art. 27. Quando ocorrer saldo credor de impôsto num mês, será êle transportado  para  o  mês  seguinte,  sem  prejuízo  da  obrigação  de  o  contribuinte  apresentar  ao  órgão  arrecadador,  dentro  do  prazo  legal  previsto  para  o  recolhimento,  a  guia  demonstrativa dêsse saldo.” (Grifei)  Portanto, no direito brasileiro o conteúdo do princípio da não­cumulatividade  consiste no direito ao crédito do imposto destacado em nota fiscal e no direito à transferência  do saldo credor para períodos  subseqüentes a  fim de ser utilizado na amortização de débitos  futuros do imposto.  Observe­se que à luz do princípio da não­cumulatividade: 1) o crédito de IPI  tem  a  natureza  de  um  crédito  meramente  escritural,  pois  o  constituinte  garantiu  apenas  a  transferência do saldo credor para o período seguinte, em vez do ressarcimento em dinheiro; e  2)  a  transferência  do  saldo  credor  para  o  período  seguinte  é  um  direito  assegurado  ao  contribuinte e não uma “permissão” do legislador ordinário ou da administração pública, que  possa ser suprimida a qualquer tempo.  Desse modo, e considerando que o silêncio das normas superiores em relação  ao ressarcimento em dinheiro não impedia a União de concedê­lo por meio de incentivo fiscal,  foi que a legislação ordinária criou os chamados créditos incentivados.  Os  créditos  básicos  têm  matriz  constitucional  no  princípio  da  não­ cumulatividade e previsão legal no art. 25 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Em cumprimento ao  princípio  da  não­cumulatividade,  esses  créditos  são  meramente  escriturais,  não  admitiam  o  ressarcimento  em  dinheiro  e  ­  até  1997  ­  sujeitavam­se  ao  estorno  quando  os  insumos  tributados  pelo  IPI  fossem  empregados  na  industrialização  de  produtos  cuja  saída  fosse  desonerada do imposto.  A partir da publicação do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998 (RIPI/1998), que  incorporou as inovações trazidas pela Lei nº 9.493, de 10/09/1997, foi reconhecido o direito ao  crédito  básico  em  relação  a  insumos  empregados  na  industrialização  de  produtos  isentos  e  tributados  com  alíquota  zero,  uma  vez  que  paralelamente  à  inclusão  dos  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero  no  campo  de  incidência  do  imposto,  por meio  do  art.  2º,  parágrafo  único,  do  referido decreto; foi suprimida do texto do art. 147, I a expressão (...) exceto os de alíquota 0  (zero) e os isentos, (...), que constava do texto do art. 82, I, do Regulamento de 1982.  Relativamente aos créditos incentivados, ao contrário do que ocorria com os  créditos escriturais, eram eles concedidos a título de incentivos fiscais. Não tinham (e não têm)  nem  previsão  e  nem  óbice  constitucional  a  sua  instituição  por  meio  de  lei  e  podiam  ser  passíveis de manutenção na escrita fiscal, ou de manutenção e de ressarcimento em dinheiro,  conforme previsão específica na lei do incentivo.  Essa situação perdurou até janeiro de 1999, quando entrou em vigor a Lei nº  9.779,  de  19/01/1999,  que  na  prática  acabou  com  a  distinção  entre  créditos  básicos  e  incentivados  e  instituiu  a  possibilidade  de  utilização  do  saldo  credor  da  escrita  fiscal  de  IPI  para compensação ou ressarcimento ao estabelecer no seu artigo 11 que (...) O saldo credor do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  acumulado  em  cada  trimestre­calendário,  decorrente da aquisição de matéria­prima, produto  intermediário  e material  de embalagem,  Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/2002­57  Acórdão n.º 3403­003.574  S3­C4T3  Fl. 9          11 aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o  contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser  utilizado  de  conformidade  com  o  disposto  nos  arts.  73  e  74  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  observadas  normas  expedidas  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  ­  SRF,  do  Ministério  da  Fazenda.(...)" (grifei).  Ao  editar  esse  dispositivo  legal,  o  legislador  ordinário  excedeu  a  garantia  constitucional  concedida  pela  não­cumulatividade,  pois,  na  prática,  além  de  acabar  com  a  figura do crédito incentivado,  instituiu o direito de compensação e de ressarcimento do saldo  credor da conta corrente de IPI, direito inexistente até então, e ao qual não estava obrigado pela  Constituição.  Dessa breve análise do regime jurídico dos créditos de IPI, verifica­se que a  lei  sempre  foi  imperativa  no  sentido  de  determinar  a  transferência  do  saldo  credor  de  um  determinado  período  para  o  período  seguinte  com  a  finalidade  de  que  fosse  utilizado  prioritariamente no abatimento de débitos futuros do imposto. E com o advento do art. 11 da  Lei  nº  9.779/99,  o  saldo  credor  acumulado  em  cada  trimestre­calendário  continuou  a  ser  prioritariamente utilizado no abatimento de débitos do  imposto, mas o  eventual  saldo  credor  resultante  dessa  operação,  ao  final  de  cada  trimestre­calendário,  deixou  de  ser  um  crédito  meramente escritural e passou a ser um crédito ressarcível e compensável com outros tributos.   Para o fim de interpretar as instruções normativas, é importante frisar que no  art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador utilizou a expressão “saldo credor de IPI acumulado  em  cada  trimestre  calendário”  e  não  a  expressão  “saldo  credor  de  IPI  gerado  em  cada  trimestre calendário”. Resulta daí que o entendimento da DRJ ao expurgar do saldo passível  de  ressarcimento  o  saldo  credor  acumulado  por  transporte  de  períodos  anteriores,  configura  uma aplicação ilegal as instruções normativas citadas, pois conforme se viu alhures, as normas  de  hierarquia  superior  são  imperativas  quanto  ao  direito  de  os  contribuintes  transferirem  o  saldo  credor  de  escrita  para  os  períodos  de  apuração  subseqüentes  a  fim  de  ser  utilizado  na  amortização  de  débitos  do  imposto  e,  na  hipótese  de  ainda  sobrar  crédito,  utilizá­lo  via  compensação ou ressarcimento.  Os  referidos  atos  administrativos,  conforme  já  mencionado,  possuem  presunção  de  legalidade  e  devem  ser  interpretados  conforme  o  dispositivo  legal  que  visam  regulamentar, no caso o art. 11 da Lei nº 9.779/99.  A faculdade concedida à administração tributária na parte final do “caput” do  art. 11 da Lei nº 9.779/99 e também no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96, certamente não inclui  possibilidade de suprimir o direito que foi concedido por lei.  Desse modo, do fato de as instruções normativas mencionarem textualmente  que  “somente  são  passíveis  de  ressarcimento  os  créditos  escriturados  no  período”,  não  decorre logicamente a conclusão de que o saldo credor acumulado por transporte de períodos  anteriores  não  possa  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  compensação.  A  uma,  porque  essa  interpretação literal não encontra guarida nas normas de hierarquia superior, uma vez que o art.  11 da Lei nº 9.779/99 valeu­se da expressão “saldo credor acumulado” e não “saldo credor  gerado”. E a duas, porque o saldo credor de período anterior também deve ser escriturado  no período seguinte para que possa se “acumular” com os créditos gerados nesse período.   Não  se  olvide  de  que  a  regra  é  no  sentido  de  que  o  crédito  de  IPI  só  tem  existência  jurídica  se  estiver  escriturado  (a  exceção  é  o  art.  252  do  RIPI/2010).  Não  existe  Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     12 crédito de IPI  fora do  livro de  IPI. Assim, para que o saldo credor do período anterior  tenha  existência jurídica ele precisa ser necessariamente escriturado no período seguinte. E se ele foi  escriturado  no  período  seguinte,  obviamente  que  atendeu  à  determinação  das  instruções  normativas,  que  jamais  poderiam  admitir  o  ressarcimento  de  créditos  que  não  estivessem  escriturados no período.  Desse modo, o fato de as instruções normativas mencionarem que “somente  são  passíveis  de  ressarcimento  os  créditos  escriturados  no  período  ou  no  trimestre­ calendário”, não autoriza a conclusão de que a Receita Federal está vedando o ressarcimento  do  saldo  credor  acumulado em virtude de  transporte de  trimestres  anteriores, mesmo porque  não é esse o comando emanado do regime jurídico de créditos do IPI atualmente em vigor.   Tendo  em  vista  que  a  administração  pública  só  age  dentro  dos  lindes  da  legalidade,  a  menção  contida  nas  instruções  normativas,  no  sentido  de  que  “somente  são  passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período”, só pode ser entendida no  sentido de que somente poderão ser ressarcidos os créditos que possuírem existência jurídica,  ou seja, aqueles que estiverem devidamente escriturados no livro.   As instruções normativas anteriormente citadas em momento algum vedaram  de forma expressa o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI  transportado de períodos  anteriores.   A  interpretação  acima  exposta  foi  ratificada  pela  IN  728/2007,  que  acrescentou o § 7º ao art. 16 da IN 600/2005. O referido § 7º está em total harmonia com o art.  11 da Lei nº 9.779/99,  ao prescrever que cada pedido de  ressarcimento deve  se  referir  a um  único  trimestre­calendário,  devendo  ser  efetuado  pelo  saldo  credor  remanescente  no  trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal.  Tal determinação está em consonância com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, pois  a primeira utilização do saldo credor continua sendo o abatimento dos débitos no período de  apuração. Somente na hipótese de ainda restar saldo credor acumulado no período é que será  possível o aproveitamento mediante ressarcimento ou compensação.  Por  fim, quanto  aos demais  argumentos de direito nos quais,  em  resumo,  a  defesa  invoca a  impossibilidade de efetuar glosas com base na legislação  infraconstitucional,  cabe  esclarecer  à  recorrente  que  o  direito  constitucional  ao  crédito  do  IPI  não  é  um  direito  absoluto,  assim  como  não  são  absolutos  nem  mesmo  dos  direitos  e  garantias  individuais  e  coletivos,  que  são  passíveis  de  limitações  em  função  do  poder  de  polícia  administrativa.  Ademais, a Súmula CARF nº 2 e o art. 26­A do Decreto nº 70.235/72, vedam a este colegiado  afastar dispositivo  legal de hierarquia  igual ou superior a decreto, em virtude de alegação de  inconstitucionalidade.  Em  face  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário para reverter as glosas pelas entradas ocorridas sob os CFOP 1.99 e 2.99 (fls. 487 e  556), bem como para  reconhecer o direito de o contribuinte  incluir no  ressarcimento o  saldo  credor  de  IPI  transportado  de  períodos  anteriores,  desde  que  seja  expurgado  o  crédito  presumido calculado em desacordo com o art. 15, II, da Lei nº 9.779/99.  (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim    Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/2002­57  Acórdão n.º 3403­003.574  S3­C4T3  Fl. 10          13                                         Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 13603.001961/2004-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO - A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. " RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E TRANSPORTE. os gastos com aquisição de energia elétrica e com serviços de transporte não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996. RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizando-se da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificam-se no código fiscal 84.83.40.90.
Numero da decisão: 3401-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, nega provimento ao recurso voluntário. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.001961/2004­26  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.921  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  ressarcimento de IPI  Recorrente  TEKFOR DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO ­ A  não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que  sejam considerados os estoques  inicial e  final dos  insumos adquiridos, bem  como as transferências realizadas no período de referência. "  RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA  ELÉTRICA E TRANSPORTE.  os gastos com aquisição de energia elétrica e com serviços de transporte não  podem  ser  incluídos  como MP, PI  e ME para  fins  da  apuração  de  créditos  com base na Lei n.º 9.363/1996.  RESSARCIMENTO.  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  PRODUTOS.  Malgrado  exijam  trabalhos  posteriores  de  usinagem,  os  produtos  'Bruto  forjado para engrenagem' e  'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem  do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das  engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizando­se da Regra 2º do Sistema  Harmonizado  e  de  sua  nota  explicativa,  classificam­se  no  código  fiscal  84.83.40.90.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  nega  provimento  ao  recurso voluntário.  Júlio César Alves Ramos ­ Presidente.     Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 19 61 /2 00 4- 26 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     2   EDITADO EM: 05/03/2015  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva  Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.    Relatório  Este  processo  cuida  de  Pedido  de Ressarcimento  de  IPI  que  a  contribuinte  alega  ter  direito  com  origem  em  créditos  de  insumos  utilizados  na  fabricação  de  produtos  exportados  (Decreto­Lei  n°  491/1969,  art.  5o  e  Lei  n°  8.402/1992,  artigo  1º,  inciso  II)  e  em  crédito presumido previsto na Portaria MF n° 38/1997 (Lei n° 9.363/1996), bem como das  Declarações de Compensação de débitos ainda vincendos que foram anexadas a este Pedido de  Ressarcimento.  Verificação  fiscal  da  documentação  da  contribuinte  concluiu  que  ao  longo  dos  períodos  de  apuração  em  questão  a  contribuinte  laborou  com  classificação  fiscal  equivocada, e que essa correção implica em mudança das alíquotas de IPI. No caso, a diferença  de alíquota seria de 2% a maior, e essa correção deve ser considerada na determinação do IPI a  ser ressarcido. Além disso, essa  fiscalização  também encontrou  irregularidades no cálculo da  receita  de  exportação  e  dos  valores  das  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  empregados  no  processo  produtivo,  com  reflexos  no  cálculo  do  crédito presumido de IPI.  A  autoridade  administração  de  jurisdição  decidiu  tratar  as  infrações  em  processo  administrativo  próprio  (PAF  n.º  13603.001973/2004­51),  embora  houvesse  uma  relação de dependência com este processo ­ que cuida do pedido de ressarcimento do IPI e das  declarações de compensação. Dessa análise e decisão, em resumo: foi lavrado auto de infração  para  lançamento  do  crédito  tributário,  foi  reconstituída  a  escrita  fiscal,  recalculado  novos  saldos credores de IPI, que acabaram por ser menores do que os constantes da escrituração da  contribuinte ao final de cada trimestre, e glosado parte do crédito pleiteado.  A autoridade administrativa competente (SAORT da DRF de Contagem MG)  para  apreciar  o  pedido  de  ressarcimento  e  as  declarações  de  compensação  anexadas  decidiu  confirmar  as  glosas  propostas  pela  fiscalização  e  deferir  parcialmente  o  pedido  de  ressarcimento e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido.  A contribuinte contesta essa decisão, mas informa que impugnou o mérito da  razão  fiscal  contida  no  processo  13603.001973/2004­51  (e  também  no  PAF  n.º  13603.000631/2001­71,  que  trata  de  fato  idêntico  para  outros  períodos  de  apuração)  e  que,  enquanto não decididos  aqueles processos, este não poderia chegar a uma conclusão final de  não reconhecer o credito pedido e de não homologar as compensações declaradas.  A Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em  Juiz de Fora indeferiu a solicitação e a reclamação da contribuinte tendo em vista o decidido no  processo  n.º  13603.001973/2004­51".  O  Acórdão  n.º  12.592,  de  23/02/2006  ficou  assim  ementado:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­IPI  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13603.001961/2004­26  Acórdão n.º 3401­002.921  S3­C4T1  Fl. 3          3 Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003    ­RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO ­ A  não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a  que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos,  bem como as transferências realizadas no período de referência. "  RESSARCIMENTO.  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  PRODUTOS.  Malgrado  exijam  trabalhos  posteriores  de  usinagem,  os  produtos  'Bruto  forjado  para  engrenagem'  e  'Bruto  forjado  para  cubo  embreagem',  ao  saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os  perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizando­se da Regra  2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificam­se com  perfeição no código fiscal 84.83.40.90.  Solicitação indeferida.".    A contribuinte, inconformada, ingressou com recurso voluntário por meio do  qual  retornou  à  argumentação  da manifestação  de  inconformidade. Afirma que questionou  a  razão  da  autoridade  fiscal  e  administrativa  das  decisões  em  discussão,  questionou  a  reclassificação fiscal e o recalculo do crédito presumido impostos, bem como as glosas,  tudo  isso  através  das  contestações  feitas  nos  autos  de  infração  n°s  13603.001973/2004­51  e  13603.000631/2001­71.  Protesta  pela  exoneração  integral  de  qualquer  penalidade  aplicada;  recorre ao art. 151,  inciso III, do CTN, para  reclamar efeito suspensivo para o seu recurso, e  contesta ter sido a exigência feita por meio de notificação eletrônica, o que o próprio Conselho  de Contribuintes considera nula.   Este processo chegou ao Segundo Conselho de Contribuintes e entrou na sessão de  27/07/2007 da 3ª Câmara, mas o seu julgamento foi convertido em diligência através da Resolução n.º  203­00.789,  de voto  conduzido pelo Eminente Conselheiro Odassi Guerzoni Filho,  com a  seguinte  determinação:  Em face de todo o exposto, proponho converter o julgamento do presente recurso em  diligência, a fim de que a Delegacia da Receita Federal em Contagem­MG:  a)  anexe  documentos  e/ou  esclarecimentos  elucidativos  sobre  todas  as  condições  e  motivos pelos quais se efetuou a glosa do presente pedido, especificando, se for o  caso, o montante dela relativo ao erro na classificação fiscal e ao erro na apuração  da base de cálculo do crédito presumido;  b)  confirme ou não a dependência deste processo ao de n° 13603.000631/2001­71;  c)  aguarde  o  final  do  julgamento  administrativo  em  relação  ao  Processo  de  nº  13603.001973/2004­51, e, se afirmativo o quesito anterior, também em relação ao  de n° 13603.000631/2001­71, promovendo ajuntada, neste processo, de cópias das  decisões; e  d)  posteriormente, devolva os autos para este Conselho de Contribuintes para  julgamento.    A  autoridade  administrativa  de  jurisdição  endossa  a  informação  fiscal  (fls.  231­223)  de  17/07/2008,  realizada  em  atendimento  à  diligência  requerida  pelo  Conselho  de  Contribuinte, de onde extraímos o seguinte trecho:  a) No  presente  processo  a  empresa  solicitou  ressarcimento  do  saldo  credor  do  IPI  relativo ao 3o trimestre de 2003 no valor de R$ 90.175 81, porém, com a lavratura do  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     4 auto  de  infração  consubstanciado  no  processo  administrativo  fiscal  n°  13603.001973/2004­51  decorrente  das  infrações  apuradas  e  da  conseqüente  reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo credor de R$ 72.713,63, ou seja, o  crédito glosado foi de R$ 17.462.18.  A glosa de R$ 17.462.18 decorreu exatamente do resultado da fiscalização levada a  efeito  junto  ao  contribuinte  na  qual  foram  constatadas  as  infrações  erro  de  classificação  fiscal  e  crédito  presumido  indevido,  conforme  relatado  no  Termo  de  Verificação Fiscal  lavrado juntamente com o auto de infração cuja cópia anexamos  às fls. 203 a 212.  As  fls.  213  a  227  anexamos  cópia  do Demonstrativo  de Reconstituição  da  Escrita  Fiscal que é composto pelos seguintes demonstrativos:  Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal (antes da reconstituição) (fls. 213 a  216) onde se encontram os valores escriturados pelo contribuinte no Livro de  Registro e Apuração do IPI no período fiscalizado;  Demonstrativo  de  Dados  Apurados  (fls.  271  a  221)  no  qual  encontram­se  lançados  como créditos apurados os valores que haviam sido  estornados pelo  contribuinte  na  sua  escrita  fiscal  relativos  aos  pedidos  de  ressarcimento  e  na  coluna  débito  o  valor  do  estorno  feito  pela  fiscalização  dos  valores  a  serem  ressarcidos;  Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal (fls. 222 a 227) onde temos  os  dados  dos  demonstrativos  anteriores  além  dos  valores  lançados  na  coluna  "Soma Demonstr. Débitos Apurados" onde se encontram os valores relativos às  infrações apuradas. Na coluna Saldo de Escrita Reconstituído do PA (A) temos  os saldos reconstituídos em cada período de apuração.  A  empresa  solicitou  no  presente  processo  ressarcimento  de  parte  do  saldo  credor  escriturado ao  final  do 3º  trimestre de 2003  (R$ 90.175,81) que  é de R$ 139.657,07.  Este esclarecimento toma­se necessário para se compreender o resultado da glosa de R$  17,462.18  no  3o  trimestre  de  2003,  Conforme  se  observa  no  Demonstrativo  de  Reconstituição  da  Escrita  Fiscal  (fl.  222  a  227),  partindo­se  do  saldo  credor  reconstituído  ao  final  do  4o  trimestre  de  2002  período  do  último  pedido  de  ressarcimento  da  empresa  antes  do  presente  processo­  e  considerando  o  valor  das  infrações cometidas neste período, qual seja, entre janeiro e setembro de 2003 no total  de R$ 66 943 81 verifica­se que se a empresa tivesse solicitado ressarcimento do saldo  credor total escriturado por ela no valor de R$ 139.657,07 e considerando­se o total das  infrações apuradas pela fiscalização, a glosa neste processo seria de R$ 66.943,817 ou  seja,  contemplaria  o  total  das  infrações  cometidas  entre  janeiro  e  setembro  de  2003.  Como a solicitou apenas parte do valor escriturado no livro de IPI e a reconstituição da  escrita  fiscal  tem  como  base  o  valor  escriturado  pela  empresa  no  livro  de  IPI  e  as  infrações apuradas pela fiscalização, a glosa neste processo foi de R$ 17.462,18 que é a  diferença  entre  o  saldo  credor  reconstituído  (R$  72.713,63)  e  o  valor  solicitado  (RS  90.175,81).  Na  tabela  abaixo  encontram­se  os  valores  relativos  a  cada  infração  apurada  entre  janeiro  e  setembro  de  2003  que  resultaram  na  glosa  de  RS  17.462,18  efetuada  no  3o  trimestre  de  2003,  em  virtude  da  reconstituição  da  escrita fiscal efetuada:  Infração  Janeiro  Fevereiro  Março  Abril  Maio  Junho  Julho  Agosto  Setembro  Total  Erro de classificação fiscal                      Crédito presumido indevido    9.653,17  9.790,89  29.234,36  6.244,33      12.020,69    66.943,44    Fl. 246DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13603.001961/2004­26  Acórdão n.º 3401­002.921  S3­C4T1  Fl. 4          5 b)  Este  processo  não  guarda  dependência  com  o  processo  de  n°  13603.000631/2001­71 que se refere ao auto de infração de IPI lavrado em decorrência  de fiscalização realizada em 2000. que abrangeu os fatos geradores de janeiro de 1998 a  dezembro de 2000,  realizada  em cumprimento  ao Mandado de Procedimento Fiscal  ­  Fiscalização n° 00141/2000. Naquela fiscalização foram apuradas as mesmas infrações  constatadas na fiscalização seguinte, determinada pelo MPF ­00168/2004 que abrangeu  os  fatos geradores ocorridos  entre  janeiro de 2001 e dezembro de 2004, quais  sejam,  erro de classificação fiscal e crédito presumido  indevido como também foi efetuada a  reconstituição  da  escrita  fiscal  que  resultou  no  indeferimento  parcial  dos  pedidos  de  ressarcimento do IPI relativos aos trimestres abrangidos por aquela fiscalização.  Cumpre  lembrar  que  embora  o  saldo  credor  reconstituído  no  3o  decêndio  de  dezembro de 2000 apurado pela fiscalização anterior seja menor que o escriturado pela  empresa  no  livro  de  IPI,  a  fiscalização  seguinte  realizada  conforme  Mandado  de  Procedimento Fiscal n° 00168/2004 considerou na reconstituição da escrita fiscal como  saldo  da  escrita  fiscal  no  I o   decêndio  de  janeiro  de  2001  o  valor  escriturado  pela  empresa  em  seu  livro  de  apuração  do  IPI,  conforme  se  vê  na  coluna  Saldo  Credor  Reconstituído  do  PA  anterior  (R$  161.889,62)  e  não  o  saldo  credor  reconstituído  apurado em decorrência da fiscalização anterior (R$ 107.869,67). Em resumo, o saldo  credor  apurado  ao  final  do  3o  trimestre  de  2001  não  sofreu  nenhuma  influência  do  resultado da fiscalização relativa aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1998 e  dezembro de 2000.    O processo retorna à apreciação do Superior Tribunal Administrativo.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.  Tempestividade  e  demais  requisitos  já  verificados  quando  da  sessão  de  18/09/2007 da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes.    Mérito    Este processo  trata do pedido de  ressarcimento de  IPI  e das declarações de  compensação  a  ele  anexadas.  A  verificação  realizada  pela  fiscalização  constatou  fatos  que  resultaram em glosas do pleiteado pela contribuinte e, também, que se tornaram objeto do auto  de infração conduzido no processo administrativo 13603.001973/2004­51.    Entendo  que  razão  assiste  à  autoridade  administrativa  e  fiscal  quanto  aos  fatos que  ensejaram glosar parte do  crédito pretendido pela  contribuinte  e não homologar as  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     6 declarações de compensação pelo valor que excedessem o valor de crédito reconhecido. Senão,  vejamos:    (i) a respeito do erro de classificação fiscal e de alíquota do IPI ­    A contribuinte fabrica, por meio de forja de barra de aço, engrenagem e cubo  de  embreagem  a  ser  posteriormente  acabada  pelos  seus  clientes  para  serem  empregados  em  caixa  de  câmbio  e  em  embreagem  de  automotivos.  A  contribuinte  utilizava  a  classificação  7326.19.00 e alíquota de IPI de 10% até outubro de 2002.   Ocorre  que  a  posição  7326  [outras  obras  de  ferro  ou  aço]  não  pode  ser  aplicada para obra forjada não acabada, mas que apresentam as características essenciais de  artefato acabado, como me parece ser o caso aqui em discussão. Ha a seguinte Nota orientando  a aplicação da posição 7326:    "A  presente  posição  não  inclui  as  obras  forjadas  que  consistam  em  artefatos  compreendidos  em  outras  posições  da  Nomenclatura  (partes  reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras  forjadas  não  acabadas  que  exijam  um  trabalho  suplementar  mas  que  apresentem as  características essências de artefatos acabados".  (grifos  nossos)    Considerando  o  que  do  processo  consta,  o  produto  em  discussão  tem  aproximada forma do produto acabado, mas ainda será submetido a etapa de industrialização  para que alcance a condição de finalização e cumpra efetivamente suas  funções. O produto é  um engrenagem inacabada, incompleta. E, por força do que dispõe a regra 2­a das Normas de  Classificação,  o  produto  incompleto  deve  ser  incluído  na  classificação  fiscal  do  produto  acabado.  Regra  2  a): Qualquer  referência  a  um  artigo  em  determinada  posição  abrange  esse  artigo mesmo  incompleto  ou  inacabado, mesmo  que  apresente,  no  estado  em  que  se  encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado."    Ora, o 8483.40 é reservado para as "Engrenagens e rodas de fricção, exceto  rodas  dentadas  simples  e  outros  órgãos  elementares  de  transmissão  apresentados  separadamente;  eixos  de  esferas  ou  de  roletes;  caixas  de  transmissão,  redutores,  multiplicadores e variadores de velocidade, incluídos os conversores de torque."    Assim concluo que foi correta a classificação proposta pela fiscalização, que  ela seria 8483.40.90 ­ alíquota de 12% até outubro de 2002 ­, por força da aplicação da regra  2­a  do  Sistema  Harmonizado,  pois  se  trata  de  artigo  incompleto  e  inacabado,  mas  que  apresenta as características essenciais ou o esboço do produto acabado.    (ii) a respeito do crédito presumido indevido ­    Conforme  constatado  pela  fiscalização,  no  mês  de  novembro  de  2001  a  contribuinte  incluiu, em meu ponto de vista  indevidamente, na  receita de exportação o valor  relativo  à venda de produtos  adquiridos de  terceiros  (CFOP 7.12)  e no mês de dezembro do  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13603.001961/2004­26  Acórdão n.º 3401­002.921  S3­C4T1  Fl. 5          7 mesmo  ano  o  valor  escriturado  no  livro  de  Registro  de Apuração  do  IPI  sob  o  CFOP  7.99  (outras  saídas não especificadas). Esse proceder da contribuinte contraria  frontalmente o que  dispõe os artigo 1º e 2º da Lei 9.363/1996 e disciplinado pela Portaria MF n.º 38/1997. O valor  resultante das vendas ao exterior de bens adquiridos de terceiros e não submetidos a processo  de  industrialização  pela  contribuinte  não  pode  integrar  a  receita  de  exportação  para  fins  de  apurar o crédito presumido do IPI. Parece­me procedente a glosa e deve ser mantida.    Também  me  parece  correta  o  recálculo  feito  pela  autoridade  fiscal  dos  valores de custos na determinação do crédito presumido, observando­se o que disciplinam os  §§ 7º e 8º do artigo 3º da Portaria MF n. 38/1997. A  empresa utilizou, na apuração do crédito  presumido,  os  valores  das  compras  efetuadas  no  mês  como  valor  dos  custos  efetivamente  utilizados  no  processo  produtivo,  o  que  contraria  esses  §§,  afinal,  eles  determinam que  se o  contribuinte  não  mantiver  sistema  de  custos  coordenado  e  integrado  com  a  escrituração  comercial,  a  apuração  da  quantidade  de  MP,  PI  e  ME  utilizadas  na  produção  deverá  ser  efetuada  considerando­se  as  quantidades  em  estoque  no  início  do  mês,  as  quantidades  adquiridas e as quantidades em estoque no final do mês, bem como as saídas não aplicadas na  produção e transferências.    A   empresa  incluiu  no  total  das  compras  de MP,  PI  e  ME  as  compras  de  energia elétrica (CFOP 1.42) no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003 e as compras  de serviços de transporte (CFOP 1.62 e 2.62) nos meses de janeiro a março de 2001. A Súmula  19  do CARF  já  superou  as  divergências  ao  definir  que  os  gastos  com  aquisição  de  energia  elétrica não podem ser  incluídos  como MP, PI  e ME para  fins da  apuração de  créditos  com  base na Lei n.º 9.363/1996. E chego à mesma conclusão com relação aos gastos com serviços  de transporte, pois, consoante a legislação do IPI que subsidiariamente dá os contornos do que  pode  ser  considerado MP,  PI  e ME,  os  serviços  de  transporte  não  são  matéria  prima,  nem  produto  intermediário,  nem material  de  embalagem,  portanto  os  serviços  de  transporte  neles  não se enquadram. Corretas as glosas a meu ver e devem ser mantidas.    Antes  de  prosseguirmos  em  nossa  análise,  sublinho  que  o  processo  13603.000631/2001­71  se  refere  ao  período  de  apuração  de  janeiro  de  1998  a  dezembro  de  2000,  enquanto  que  o  PAF  n.º  13603.001973/2004­51  se  refere  ao  período  de  apuração  de  10/01/2001 a 10/01/2004. Portanto, aquele primeiro não pode se referir diretamente a este que  julgamos agora, pois os períodos de apuração são distintos, malgrado a semelhança dos fatos.  Mas o mesmo não ocorre com relação a esse último.  Há,  a meu ver,  uma  relação  de  dependência  entre o  que  julgamos  hoje  e  o  processo  13603.001973/2004­51,  pois,  se  nesse  processo,  se  concluir  que  não  procedem  os  fatos considerados infração pela autoridade fiscal ­ no caso o erro de classificação fiscal e de  alíquota de  IPI usada pela contribuinte e de cálculo de credito presumido do  IPI  ­ então não  podem prosperar as glosas do crédito pretendido pela contribuinte neste processo.  Os  fatos  apurados  pela  fiscalização  e  que  ensejaram  o  reconhecimento  de  direito  creditório  menor  que  o  solicitado  originalmente  pela  contribuinte  em  seu  pedido  de  ressarcimento  de  IPI  foram  submetidos  ao  contraditório  e  a  1ª  Câmara  do  3º  Conselho  de  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     8 Contribuinte,  no  processo  13603.001973/2004­51,  através  do  Acórdão  n.º  301­34.208,  em  05/12/2007,  com  voto  condutor  como  relator  do  Ilmo Conselheiro  João  Luiz  Fregonazzi,  negou  provimento  ao  recurso  voluntário  e  considerou  procedente  a  reclassificação  fiscal  definida pela autoridade  lançadora, e  remeteu a  lide a prosseguimento de  julgamento pelo 2º  Conselho de Contribuintes, para tratar do assunto crédito presumido.  Sendo  assim,  as  glosas  baseadas  na  reclassificação  fiscal  não  poderiam  ser  contestadas neste processo, pois aquele já decidiu pela sua correção, tornando­a definitiva.  Com  relação  ao  tema  crédito  presumido,  conforme  exposto  acima,  entendo  corretas  as  glosas  realizadas  e  propomos  não  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  neste  âmbito.  Ademais, a contribuinte decidiu aderir a programa de parcelamento e, assim,  desistir do prosseguimento do seu recurso administrativo no PAF 13603.001973/2004­51.    Tendo em vista as considerações e razões aqui expostas, concluo e proponho  a este Colegiado não dar provimento ao recurso voluntário.  Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator                               Fl. 250DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA

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Numero do processo: 18192.000273/2007-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2007 MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir as empresas arroladas como solidárias ante a ausência de tipificação legal, ensejadora de vício material. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza que entendeu ser vício formal; b) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir as empresas arroladas como solidárias ante a ausência de tipificação legal, ensejadora de vício material. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza que entendeu ser vício formal; b) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2   Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator    Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari,  Marcelo Magalhães  Peixoto,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.  Fl. 658DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/2007­94  Acórdão n.º 2403­002.941  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 12­25.154  – 12ª Turma da DRJ/RJOI,  fls.  448/478, que  julgou  totalmente  improcedente  a  impugnação  apresentada  para  manter  incólume  o  crédito  tributário  consubstanciado  no  DEBCAD  37.034.492­8, referente ao período de 01/2003 a 05/2003, no valor de R$ 154.730,52 (cento e  cinquenta e quatro mil setecentos e trinta reais e cinquenta e dois centavos).  O presente auto de  infração  foi  lavrado em substituição à NFLD DEBCAD  35.564.710­9, anulada através de Decisão­Notificação n. 11.431.4/0036/2006 por suposto vício  de  forma  (erro na  identificação correta do  sujeito passivo)  e,  tendo a  fiscalização  avaliado  a  possibilidade de efetuar novamente o lançamento, o fez, tendo consolidado o Auto de Infração  em 08 de dezembro de 2006.  A presente autuação almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias  incidentes sobre o total das remunerações pagas, durante o mês, aos segurados empregados a  serviço do COLÉGIO COMERCIAL PIO XII, bem como aquela destinada ao financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  risco  de  acidente  de  trabalho,  sendo  que,  para  a  atividade preponderante da empresa, o risco é considerado leve, e a Terceiros, e não recolhidas  em época própria.  Serviram de base para o  lançamento as  informações contidas nas  folhas de  pagamento dos segurados a serviço do Colégio Pio XII, pois embora a Cooperativa (Entidade  Mantenedora)  os  considere  como  seus  cooperados,  eles  foram  considerados  como  empregados, pela fiscalização.  Segue abaixo trechos do Relatório Fiscal, fls. 43/71:  2)  Este  relatório  é  parte  integrante  da  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  –  NFLD  –  de  contribuições  previdenciárias,  incidentes  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  a  serviço  do  COLÉGIO  COMERCIAL  PIO  XII,  devidas  pelo  ref.  colégio  à  Seguridade Social,  inclusive aquela destinada ao financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  risco  de  acidente  de  trabalho,  sendo  que,  para  a  atividade  preponderante  da  empresa,  o  risco  é  considerado  leve,  e  a  Terceiros,  e  não  recolhidas na época própria.  3)  Serviram  de  base  ara  o  lançamento  do  presente  crédito  previdenciário as informações contidas nas folhas de pagamento  dos  segurados  a  serviço  do  Colégio  Pio  XII,  pois  embora  a  Cooperativa  (Entidade  Mantenedora)  os  considere  como  seus  cooperados,  eles  foram  por  nós  considerados  empregados  do  Colégio  Pio  XII,  conforme  exposto  nos  itens  13  a  20  deste  relatório, de acordo com o § 2º do art. 229 do Regulamento da  Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99: “Se  o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado  contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou  Fl. 659DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4 sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como  segurado  empregado”.  Anexamos  cópias  das  folhas  de  pagamento,  por  amostragem, com os chamados ‘repasses’ às  fls. 54 a 57, deste  relatório fiscal.  ...  5) O COLÉGIO COMERCIAL PIO XII, devidamente identificada  no início deste relatório, passou a ser mantido pela Cooperativa  dos Profissionais em Educação de Poços de Caldas – COOPED  –  PC  (entidade  mantenedora),  conforme  ata  da  Assembléia  Extraordinária do Colégio Comercial Pio XII,  realizada no dia  01/12/2001,  onde  não  conta  registro  de  carimbo  do  cartório  (cópia anexa às fls. 01 e 02), da qual transcrevemos o trecho:  “O  presidente  do  Conselho  deliberativo  Mário  Ruela  Filho,  expôs a atual situação do Colégio frente à Mitra Diocesana, que  não  deseja  ver  vinculado  o  Colégio  à  Paróquia,  como  mantenedora,  como  vinha  ocorrendo.  Foi  estudada,  então,  a  possibilidade de formação de uma cooperativa de trabalho para  dar  continuidade  à  atividades  educacionais  do  colégio.  Assim,  no  decorrer  de  novembro  do  corrente  ano,  foi  criada  a  Cooperativa dos Profissionais de Educação de Poços de Caldas  – COOPED – PC...”  6) Em consonância com que  foi acima exposto, pelo parecer nº  736, do Conselho Estadual de Educação, que  ‘Examina pedido  de  mudança  de  entidade  mantenedora  do  colégio  Pio  XII,  de  Poços  de  Caldas’  aprovado  em  25/09/2002,  ...tomou­se  ‘conhecimento  da mudança de  entidade mantenedora Paróquia  da Basílica de Nossa Senhora da Saúde para a Cooperativa dos  Profissionais  em  Educação  de  Poços  de  Caldas  Ltda  (cópia  anexa às fls. 03). (No item 2, alínea ‘f’ da estrutura do Conselho  Estadual de Educação de Minas Gerais, consta como atribuições  do ref. órgão “opinar sobre a  transferência de estabelecimento  de ensino de uma para outra entidade mantenedora”.)  ...  ­  Conclusão,  se  a  “cooperativa”  é  a  atual  entidade  mantenedora,  em  substituição  à  Paróquia  de  N.S.  Saúde,  a  entidade  mantida  é  o  Colégio  Pio  XII,  que  não  foi,  de  fato,  extinto. Não existe mantenedora sem uma entidade para ser, por  ela, mantida. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 109  diz:  “Os  princípios  gerais  de  direito  privado  utilizam­se  para  pesquisa  da  definição  do  conteúdo  e  do  alcance  de  seus  institutos,  conceitos  e  formas,  mas  não  para  definição  dos  respectivos efeitos tributários.” O que houve foi abuso de forma,  ou  seja,  um artifício,  por parte dos  responsáveis pela  empresa,  ao  criar “uma cooperativa de  trabalho, com a  intenção de dar  continuidade  às  atividades  educacionais  do  colégio’,  e  obviamente, elidir a sua responsabilidade frente às contribuições  previdenciárias.  A  relação  de  emprego  não  é,  porém,  determinada por elementos formais ajustados pelas partes, pelo  contrário,  tem  base  nos  fatos,  naquilo  que  se  observa  na  realidade da prestação de serviço.  Fl. 660DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/2007­94  Acórdão n.º 2403­002.941  S2­C4T3  Fl. 4          5 DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada  com  o  lançamento,  a  COOPERATIVA  contestou  a  autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 201/213.  Também o fez a MITRA DIOCESANA DE GUAXUPE, por intermédio  da defesa de fls. 387/397.  DO MANDADO DE SEGURANÇA DA COOPED  Nas  fls.  418/432,  consta  informação  de  sentença  judicial,  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  n.  2007.38.09.003624­4,  distribuído  a  Seção  Judiciária  de  Minas  Gerais,  Subseção  de  Varginha,  relativo  a mandamus  impetrado  pelo  autuado  –  COOPED  –  Cooperativa dos Profissionais em Educação de Poços de Caldas – MG.  A referida sentença julgou o processo extinto sem julgamento do mérito, em  virtude  na  inadequação  da  via  eleita,  já  que  a  questão  ali  examinada  demandaria  dilação  probatória, o que não é adequado pela via mandamental.  DA DECISÃO DA DRJ  Após analisar os argumentos do então impugnante, a 12ª Turma da Delegacia  da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, prolatou o acórdão 12­25.154, de fls.  448/478, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito  tributário, conforme ementa a seguir transcrita.  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período: 01/01/2003 a 31/05/2003  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  A  fiscalização  tem  do  poder­dever  de  apurar  a  verdadeira  situação  fática  da  ocorrência  do  fato  gerador,  podendo  desconsiderar atos tendentes a dissimulá­lo.  As  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  são  solidárias  entre si.  Lançamento Procedente  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Inconformada,  a  recorrente,  COOPERATIVA,  interpôs,  tempestivamente,  Recurso Voluntário contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls.  494/552,  requerendo  a  reforma  do Acórdão  da DRJ,  utilizando­se,  para  tanto,  dos  seguintes  argumentos:  1 – A inaplicabilidade da solidariedade ao presente caso;  2 – A natureza penal da multa aplicada;  Fl. 661DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     6 3 – A necessidade de exclusão da taxa SELIC do montante devido.  Também  apresentou  Recurso  Voluntário  a  MITRA  DIOCESANA  DE  GUAXUPE, nas fls. 636/646.  É o relatório.    Fl. 662DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/2007­94  Acórdão n.º 2403­002.941  S2­C4T3  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto  DA TEMPESTIVIDADE  Conforme registro de fl.633, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos  de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DA AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA  Apesar  de  constar  nos  autos  impetração  de  mandado  de  segurança  pela  COOPED,  não  há  que  se  falar  em  concomitância,  em  razão  da  interposição  de  recurso  voluntário pelo responsável solidário apontado (Mitra Diocesana), a qual não ajuizou qualquer  tipo de ação.  DA INCONSTITUCIONALIDADE – SÚMULA 02  Alega  o  contribuinte  a  ofensa  a  princípios  constitucionais,  a  exemplo  da  vedação ao confisco com relação à multa aplicada. No entanto, a este conselho administrativo  não cabe a análise constitucional das  leis, ante a atração da Súmula CARF n. 02, a qual este  conselheiro está obrigado à sua reprodução.  Portanto, não serão analisadas as alegações de inconstitucionalidade trazidas  no corpo do Recurso Voluntário.  DA TAXA SELIC – SÚMULA 04  Quanto à aplicação da Taxa Selic, é pacífico no âmbito deste tribunal que sua  aplicação  é  legal  e  adequada,  nos  termos  da  Súmula  CARF  n.  04,  fazendo­se  as  mesmas  considerações do tópico acima.  DO MÉRITO  Primeiramente,  cumpre  destacar  que  o  principal  autuado  não  apresentou  Impugnação  ou Recurso Voluntário  em  face  do  auto  de  infração  contra  ele  lavrado,  tendo o  feito apenas os arrolados como responsáveis.  Não  obstante  o  relatório  elaborado  acima,  bem  como  as  transcrições  do  relatório fiscal, será feito um resumo dos fatos ocorridos que ensejaram a presente exigência,  por ser necessário.  O  principal  autuado,  COLÉGIO  PIO  XII,  era  mantido  pela  MITRA  DIOCESANA, que não desejara mais ver vinculado o Colégio à Paróquia, como mantenedora,  o que vinha ocorrendo. Em razão disso, decidiu o Conselho Deliberativo do COLÉGIO PIO  XII, em assembléia realizada em 01/12/2001, anexados aos autos, formar uma cooperativa de  trabalho para dar continuidade às atividades educacionais do colégio.   Fl. 663DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     8 Foi  criada,  portanto,  a  COOPERATIVA  DOS  PROFISSIONAIS  DE  EDUCAÇÃO DE POÇOS DE CALDAS – COOPED. A mudança de entidade mantenedora foi  encaminhada  ao  Conselho  Estadual  de  Educação  que  tomou  ciência  do  fato,  ensejando  o  seguinte quadro:  a)  A Entidade Mantenedora do Colégio Comercial Pio XII, até 24/09/2002  FOI Nossa Senhora da Saúde Paróquia P.C., CNPJ 20.775.128/0040­ 40;  b)  A  Entidade  Mantenedora  do  Colégio  Comercial  Pio  XII,  a  partir  de  25/09/2002, passou a ser a Cooperativa dos Profissionais em Educação de  Poços de Caldas – COOPED PC, CNPJ 04.920.327/0001­3  Apesar das referidas alterações, constatou o fiscal mais alguns fatos:  a)  Foi anotado no Livro de Reg. Empregado do Colégio Pio XII, a data  de demissão “07 de dezembro de 2001”, para seus empregados;  b)  A  RAIS  dos  anos  de  2002  e  2003  foi  entregue  com  a  informação  Negativa para vínculos;  c)  Foi votada e aprovada a dissolução da Associação do Colégio Pio XII,  conforme ata da Assembléia Extraordinária do mesmo,  realizada em  01/12/2001.  d)  A  associação  não  foi  de  fato  dissolvida,  estando  com  situação  cadastral ativa;  e)  As três entidades tratadas por vezes se confundem: Colégio Pio XII e  suas mantenedoras (Cooperativa e Paróquia/Mitra).  Com relação à confusão destas pessoas jurídicas, os seguintes fatos chamam  atenção:  a)  Na ata da Assembléia Extraordinária do Colégio Comercial Pio XII,  de  01/12/2001, consta que o pároco da Basílica lembrou que a COOPED fica  empenhada em ceder as instalações do Colégio Pio XII para a Catequese  e  demais  movimentos  religiosos  que  utilizam  o  prédio,  bem  como  a  dissolução  da  Associação  do  Colégio  e  a  destinação  de  todo  o  ativo  –  bens, móveis e recursos à COOPED;  b)  A  logomarca  Colégio  Pio  XII  continuou  a  ser  usada  nos  impressos  da  COOPED,  que  funciona  nas  mesmas  instalações  do  Colégio  Pio  XII  a  qual é objeto de comodato entre a Mitra Diocesana para com o Colégio  PIO XII, com início em 01 de março de 2002 e término em 28/02/2007 e  que a Comodatária (Mitra Diocesana) seria detentora do direito do nome  ‘Colégio Pio XII”;  c)  O Diploma oferecido aos alunos de conclusão é em nome do Colégio Pio  XII;  d)  Quando  a  Paróquia  era  a  entidade  mantenedora,  todos  os  segurados  empregados eram registrados na entidade mantida, Colégio Pio XII.  Fl. 664DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/2007­94  Acórdão n.º 2403­002.941  S2­C4T3  Fl. 6          9 A  partir  destes  fatos,  a  fiscalização  conclui  que  houve  abuso  de  forma  consistente num artifício, por parte dos responsáveis pela empresa, ao criar uma cooperativa de  trabalho  e  elidir  a  sua  responsabilidade  frente  às  contribuições  previdenciárias  e  que  a  cooperativa  apenas  efetua  o  recolhimento  dos  segurados  no  valor  de  apenas  R$  36,00,  independentemente do “repasse” realizado que como salário deveria ser considerado.  Destaca  o  fiscal  que  estão  presentes  todos  os  requisitos  de  relação  de  emprego  constante  na  CLT  e  no  RGPS,  uma  vez  que  todos  os  “cooperados”  na  quase  totalidade,  eram  empregados  do  Colégio  Pio  XII  e  suas  atividades  continuam  sendo  desempenhadas de  forma  idêntica e  a clientela da COOPED é  composta  exclusivamente dos  alunos matriculados no Colégio Pio XII.  Além  disso,  alguns  dos  “cooperados”  presentes  na  “cooperativa”  não  poderiam ser considerados como profissionais de educação, já que se tratariam de: secretária,  auxiliar  de  secretaria,  auxiliar  administrativo,  diretor  pedagógico,  administrador,  tesoureiro,  bibliotecário, administrador e faxineiro.  Diante de todos os  fatos acima trazidos, entendo que estão presentes os  requisitos apontados pelo  fiscal para caracterização da subordinação dos  trabalhadores  da Cooperativa para com a escola, pois, dentre outros:  a)  O Colégio Pio XII nunca foi de fato extinto;  b)  No  caso  de  extinção  do  Colégio  Pio  XII,  não  haveria  que  se  falar  em  mantenedor, sem ter o que manter;  c)  Os  funcionários da COOPED derivam de migração dos  funcionários  do  Colégio Pio XII;  d)  Há confusão entre os atos da COOPED, Colégio Pio XII e a Diocese.  Tais  fatos  denotam  a  ausência  dos  princípios  informadores  do  Cooperativismo, sem, no entanto, caracterizar  fraude, haja vista possuir um respaldo mínimo  jurídico interpretativo que dê azo à tentativa de elisão tributária.  Outrossim, não há nos autos qualquer documento fiscal que (nota ou fatura)  emitida  pela  COOPED  em  face  do  Colégio  Pio  XII,  com  retenção  dos  devidos  tributos  incidentes,  que  pudessem  militar  em  favor  da  COOPED,  demonstrando,  mais  uma  vez,  a  confusão de atos.  Dessa  forma,  deve  incidir  contribuição  previdenciária  de  obrigação  do  empregador, Colégio Pio XII, para com seus funcionários, integrantes da COOPED.  DA MULTA APLICADA  No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer  alguns comentários.  A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts.  32 e 35 e incluiu os arts. 32­A e 35­A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa  aplicada no caso de contribuição previdenciária.  Fl. 665DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     10 Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis:  Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).  I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:  a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº 9.876, de 1999).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).  II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original)  Verifica­se,  portanto,  que  antes  da  MP  nº  449  não  havia  multa  de  ofício.  Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso,  desde  que  de  forma  espontânea  a  duas  decorrente  da  notificação  fiscal  de  lançamento,  conforme  previsto  nos  incisos  I  e  II,  respectivamente,  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  então  vigente.  Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz  da  jurisprudência  do CARF – Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais  /  Elias Sampaio  Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São  Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis:   “De  fato,  a  multa  inserida  como  acréscimo  legal  nos  lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no  pagamento  das  contribuições  previdenciárias,  independentemente  de  a  cobrança  ser  decorrente  do  procedimento  de  ofício.  Mesmo  que  o  contribuinte  não  tivesse  realizado  qualquer  pagamento  espontâneo,  sendo,  portanto,  necessária  a  constituição  do  crédito  tributário  por  meio  do  lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia  Fl. 666DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18192.000273/2007­94  Acórdão n.º 2403­002.941  S2­C4T3  Fl. 7          11 a  falta  de  espontaneidade,  mas  tão  somente  o  atraso  no  pagamento – a mora.” (com destaque no original)  Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data  da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao  art. 35 e incluído o art. 35­A na Lei nº 8.212/91, in verbis:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original)  Nesse  momento  surgiu  a  multa  de  ofício  em  relação  à  contribuição  previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures.  Logo,  tendo  em  vista  que  o  lançamento  se  reporta  à  data  da  ocorrência  do  fato  gerador,  nos  termos  do  art.  144  do  CTN,  tem­se  que,  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  de  12/2008,  data  da  MP  nº  449,  aplica­se  apenas  a  multa  de  mora.  Já  em  relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplica­se apenas a multa de ofício.  Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base  no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio  da  retroatividade  benigna,  impõe­se  o  cálculo  da  multa  com  base  no  artigo  61  da  Lei  nº  9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia,  limitada a 20%,  em comparativo  com a  multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e  prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.  DA SOLIDARIEDADE  As recorrentes afirmam que foram arroladas como se solidárias fossem, sem,  no entanto, haver respaldo legal para tanto.  Analisando o  relatório  fiscal,  verifico no  item “C – DA  IDENTIFICAÇÃO  DOS CO­RESPONSÁVEIS E DA RELAÇÃO DE VÍNCULOS” que os co­responsáveis foram  identificados a partir das Atas da Assembléia Geral do Colégio Pio XII, em correlação do seu  estatuto, buscando responsabilizar o Conselho Deliberativo, o Conselho Fiscal e a Diretoria dos  órgãos Independentes, além do Presidente.  Outrossim,  afirma  que  de  acordo  com  o  art.  2º,  parágrafo  2º  da  CLT,  aprovado pelo Decreto n. 5.452/43,  sempre que uma ou mais empresas,  tendo, embora, cada  uma delas, personalidade jurídica própria e estiverem sob a mesma direção, há solidariedade.  Também afirma que as pessoas jurídicas arroladas tem vínculo com o sujeito passivo.  Fl. 667DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     12 Ocorre  que,  em  momento  algum,  há  a  tipificação  legal  própria  para  tal  enquadramento, que, em geral, é feito pela fiscalização, a partir da interpretação do art. 124, I  do Código Tributário Nacional – CTN.  Tal  fato,  por  si  só,  já  gera  nulidade  por  vício material,  ante  a  ausência  de  tipificação legal, ferindo o disposto no art. 142 do CTN, devendo ser afastada a imputação da  fiscalização.  CONCLUSÃO  Do exposto,  conheço  o Recurso Voluntário  para,  no mérito,  dar­lhe  parcial  provimento  para:  a)  excluir  as  empresas  arroladas  como  solidárias  ante  a  ausência  de  tipificação legal, ensejadora de vício material e; b) determinar o recálculo da multa de mora, de  acordo  com  o  disposto  no  art.  35,  caput,  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.    Marcelo Magalhães Peixoto                                Fl. 668DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

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Numero do processo: 18186.002758/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. NULIDADE. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus. A ausência de indicação da expressão “espólio”, no presente caso, não se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa prevista no artigo 964, I, “b” do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação aos artigos 131, III e 142 do CTN. Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 119          1 118  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18186.002758/2010­05  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.681  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de fevereiro de 2015  Matéria  IRPF  Recorrente  MILTON AQUINO TEIXEIRA DE ALMEIDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2005  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  ESPÓLIO.  NULIDADE.  Ciente  da  morte  do  contribuinte  antes  da  lavratura  da  notificação  de  lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo  tributo devido pelo de cujus.   A  ausência  de  indicação  da  expressão  “espólio”,  no  presente  caso,  não  se  trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não  da  multa  prevista  no  artigo  964,  I,  “b”  do  RIR/99,  à  evidência  de  que  o  sujeito passivo  identificado pela autoridade  autuante era o de cujus  e não o  espólio, em violação aos artigos 131, III e 142 do CTN.  Recurso provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  German Alejandro San Martín Fernández ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 27 58 /2 01 0- 05 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Maria Helena Cotta  Cardozo  (Presidente),  German  Alejandro  San  Martín  Fernández,  Gustavo  Lian  Haddad,  Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia.    Relatório    Em  revisão  da  declaração  de  rendimentos  do  contribuinte,  ora  recorrente,  referente ao ano­calendário de 2005, foi lavrada no dia 13/10/2009 Notificação de Lançamento  (fl.  08/14)  através  da  qual  houve  inclusão  de  rendimentos  tributáveis  no  valor  total  de  R$  103.411,10  recebidos  da  CAIXA  DE  PREVIDÊNCIA  DOS  FUNCS  DO  BANCO  DO  BRASIL  e  de  R$  10.879,06,  recebidos  do  PROIMOVEL  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES S/S LTDA, resultando constituição de crédito tributário de R$ 14.161,34,  abarcando imposto, multa de ofício e juros de mora.   Falecido o contribuinte em 02/11/2008, a Sra. Cleide Lintz de Almeida, viúva  e  inventariante  do  contribuinte  (Certidão  de  fl.  03)  apresentou  Impugnação  (fl.  02)  no  dia  20/05/2010 concordando com a omissão referente aos rendimentos recebidos do PROIMOVEL  EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/S LTDA. Já com relação ao valor total de R$  101.800,39,  recebido  da  CAIXA  DE  PREVIDÊNCIA  DOS  FUNCS  DO  BANCO  DO  BRASIL,  argumentou  a  inventariante  do  recorrente  que  este  era  aposentado  e  portador  de  moléstia grave, fazendo jus à isenção do IRRF, conforme juntada de documentos.  Em  abril/2011,  fl.  32,  o  contribuinte  foi  então  intimado  pela  Secretaria  da  Receita Federal para “apresentar Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União,  dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que IDENTIFIQUE NOMINALMENTE a  doença,  coincidente  com a  terminologia  empregada  pelo  legislador,  o CID,  a data  em que  a  mesma foi diagnosticada, bem como esclarecimento acerca de a doença ser passível ou não de  controle,  deixando  claro  se  o  interessado,  no  ano  de  2004,  era  portador  da  moléstia  grave  apontada."  Naquela ocasião, a inventariante do recorrente também foi informada "que o  Laudo  Médico  anexado  ao  presente  processo,  pelo  interessado,  fl.  14,  foi  emitido  pelo  HOSPITAL  SÃO  PAULO,  CNPJ  61.699.567/0001­92,  que,  segundo  pesquisas  no  Sistema  Eletrônico da Receita Federal do Brasil, fls. 28 e 29, trata­se de uma Associação Privada."  A  DRFBJ  afastou  as  preliminares  argüidas  e  julgou  improcedente  a  impugnação (fls. 69/75).  Inconformada, a  inventariante do  recorrente  interpôs Voluntário  (fls. 87/90)  com  vistas  a  obter  a  reforma  do  julgado,  requerendo  o  acolhimento  do  recurso  a  fim  de  cancelar o débito  fiscal  reclamado e a  inclusão da restituição  retroativa do  imposto de renda  retido na fonte devido à condição do contribuinte (portador de moléstia grave).  Era o de essecial a ser relatado.  Passo a decidir.  Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18186.002758/2010­05  Acórdão n.º 2201­002.681  S2­C2T1  Fl. 120          3 Voto             Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator.  Por  tempestivo  e  pela  presença  dos  pressupostos  recursais  exigidos  pela  legislação, conheço do recurso.  De ofício, reconheço nulidade insanável, qual seja, o erro na identificação do  sujeito passivo, dado o falecimento do de cujus em , e a intimação do contribuinte, do presente  lançamento, apenas em abril de 2010 e cuja Impugnação foi apresentada pela inventariante.  De ofício  e  em  sede  preliminar,  reconheço  nulidade  insanável,  qual  seja,  o  erro na  identificação do  sujeito passivo, dado o  falecimento do de cujus  em 02/11/2008,  e  a  ciência da autoridade autuante a respeito da morte do contribuinte antes mesmo da lavratura, e  a  intimação  do  contribuinte  falecido,  a  respeito  do  presente  lançamento,  apenas  em  abril  de  2010 e cuja Impugnação foi apresentada pela inventariante.  Nos  termos  do  artigo  131,  III  do  Código  Tributário  Nacional,  o  espólio  é  pessoalmente  responsável  pelos  tributos  devidos  pelo  de  cujus  até  a  data  da  abertura  da  sucessão. Vale dizer,  a  partir  do  falecimento do de cujus,  e  por  sucessão,  a  sujeição passiva  tributária  "(...)  se  transfere  para  outro  devedor  em  virtude  do  desaparecimento  do  devedor  original  (Rubens  Gomes  de  Sousa,  Compêndio  de  Legislação  Tributária,  Ed.  Resenha  Tributária, São Paulo, 1981, p. 93)".  Logo, a partir da ocorrência do evento sucessório, a correta identificação do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  pela  autoridade  lançadora  deve  observância  ao  artigo  131, III, do CTN, sob pena de violação ao artigo 142 do mesmo Diploma Legal.   Nem se fale que a ausência de indicação da expressão “espólio”, no presente  caso, se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa  prevista no artigo 964, I, “b” do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela  autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação ao disposto no artigo 142 do  CTN.   Por  se  tratar de erro material, por versar por elemento nuclear da norma de  tributação,  impossível,  nessa  adiantada  fase  litigiosa,  qualquer  tentativa  de  saneamento  pelo  presente órgão julgador, cujo resultado não seja o da realização de novo lançamento.  Nesse sentido:  VÍCIO  FORMAL  ­  Não  configura  vício  formal  o  erro  na  identificação do sujeito passivo, pois este pertence ao núcleo da  regra  matriz  de  incidência  e  o  equivoco  em  sua  identificação  configura  vicio  substancial,  não  sendo  aplicável  o  inciso  II  do  art. 173 do CTN.(acórdão 105­17139, de 13/08/2008)   NULIDADE  ­  VICIO  MATERIAL  Considera­se  vício  material  aquele que na lavratura de novo  lançamento com o objetivo de  saneá­lo altera os elementos intrínsecos do lançamento descritos  no  art.  142  do  CTN,  quais  sejam,  fato  gerador,  obrigação  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     4 tributária,  matéria  tributável,  cálculo  do  montante  devido  e  identificação  do  sujeito  passivo.  A  descrição  precária  do  fato  gerador que resulta em dúvida quanto à  sua própria existência  se consubstancia em vício material Processo Anulado.( Acórdão  2402­002.187, de 27/10/2011).  Logo,  nos  termos  do  já  decidido  por  este  Conselho,  é  de  se  anular  o  lançamento:  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  ESPÓLIO. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da  notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do  espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus. Acórdão:  2102­003.232.  Pelo exposto, dou provimento ao recurso, para cancelar o lançamento, dado o  erro na identificação do sujeito passivo  É o meu voto.  (assinado digitalmente)  German Alejandro San Martín Fernández                            Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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