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Numero do processo: 10380.721152/2014-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. EFEITOS TRIBUTÁRIOS
A receita obtida com da venda de bens do ativo permanente sujeita-se à apuração de ganho de capital. No regime do lucro presumido, o ganho de capital deve ser somado à base de cálculo, obtida pela aplicação de percentual pertinente à atividade econômica sobre a receita bruta auferida no trimestre.
Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, mas, diversamente, para serem usados como meio de obtenção de renda ou para o desempenho de atividade econômica prevista no objeto social da empresa, sujeita-se à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto e da reclassificação contábil, efetivada, no ano-calendário precedente ao da venda, pela transferência dos bens do ativo permanente para o ativo circulante, como se mercadorias fossem.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não é nulo, tampouco requer saneamento, o Auto de Infração que, lavrado por pessoa competente, traz, com clareza e precisão, os motivos de fato e de direito que embasam os créditos constituídos.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
A perícia destina-se a comprovar fatos cuja análise dependa de expertise que falece ao julgador.
RECONHECIDA A PROCEDÊNCIA EM PARTE DAS ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO - CORREÇÃO DO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO
Reconhecida, ainda que em pequena proporção, a procedência das alegações do impugnante, havendo, inclusive, redução de parte do crédito tributário lançado, há que se consignar no dispositivo do acórdão tal procedência, devendo, pois, haver retificação sem que se importe em alteração da substância do julgado.
Numero da decisão: 1302-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. EFEITOS TRIBUTÁRIOS A receita obtida com da venda de bens do ativo permanente sujeitase à apuração de ganho de capital. No regime do lucro presumido, o ganho de capital deve ser somado à base de cálculo, obtida pela aplicação de percentual pertinente à atividade econômica sobre a receita bruta auferida no trimestre. Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, mas, diversamente, para serem usados como meio de obtenção de renda ou para o desempenho de atividade econômica prevista no objeto social da empresa, sujeitase à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto e da reclassificação contábil, efetivada, no anocalendário precedente ao da venda, pela transferência dos bens do ativo permanente para o ativo circulante, como se mercadorias fossem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não é nulo, tampouco requer saneamento, o Auto de Infração que, lavrado por pessoa competente, traz, com clareza e precisão, os motivos de fato e de direito que embasam os créditos constituídos. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia destinase a comprovar fatos cuja análise dependa de expertise que falece ao julgador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 11 52 /2 01 4- 80 Fl. 5788DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.789 2 RECONHECIDA A PROCEDÊNCIA EM PARTE DAS ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO CORREÇÃO DO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO Reconhecida, ainda que em pequena proporção, a procedência das alegações do impugnante, havendo, inclusive, redução de parte do crédito tributário lançado, há que se consignar no dispositivo do acórdão tal procedência, devendo, pois, haver retificação sem que se importe em alteração da substância do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 5789DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.790 3 Relatório Cuida o processo de auto de infração lavrado em face de Inel Imobiliária Novo Euzébio Ltda. por meio do qual foram constituídos créditos tributários relativos ao IRPJ e CSLL calculados pelo lucro presumido, devidos nas competências trimestrais dos exercícios de 2011 e 2012. O valor total da autuação perfaz a monta de R$ R$ 32.438.132,91, cuja composição se extrai das planilhas retiradas diretamente do acórdão da DRJ: IRPJ 12.159.857,45 Juros de Mora 2.746.904,71 Multa 9.119.893,09 Valor do Crédito Apurado 24.026.655,25 CSLL 4.256.808,00 Juros de Mora 962.063,66 Multa 3.192.606,00 Valor do Crédito Apurado 8.411.477,66 De acordo com a fiscalização a autuada promoveu a venda de bens inicialmente registrados como ativos imobilizados (Lojas do empreendimento denominado Shopping Center Del Paseo e garagens, unidades autônomas do empreendimento Centro Empresarial Del Paseo), como se se tratassem de"estoques" de imóveis, oferecendo à tributação o valor da receita bruta mensal, multiplicado pelos percentuais de presunção e alíquotas previstas na legislação de regência, aplicável à receita própria de atividade imobiliária. Nos termos do trecho do relatório da DRJ, extraise, quanto a operação acima, a seguinte explicação: 6.5. a INEL manteve os bens que compõem o Shopping Center Del Paseo e o Conjunto de Garagens, de 2001 até 2009, contabilizados no ativo permanente, sendo, no "imobilizado", de 2001 a 2006, e, como "outros investimentos", de 2007 a 2009, muito embora a sua finalidade nunca ter sido alterada; 6.6. em 2010, os bens foram transferidos para o ativo circulante, na conta"estoques" (116), para daí serem alienados, ou seja, deixaram de compor conta do ativo permanente (...). Pelo que expõe e defende a D. Auditoria Fiscal, os imóveis objetos de alienação pelo recorrente nunca tiveram modificada a sua função e uso, sendo ilícita a sua transferência da conta de ativo imobilizado para a conta de estoque, invocando, neste passo, as disposições constantes do item 6 da Pronunciamento Técnico de nº 27 do CPC. Destaca, ainda, que durante todo o período compreendido entre a data da inauguração do empreendimento (2001) até o ano de 2009, o contribuinte registrou receitas de exploração do aludido bem (alugueres), o que evidenciaria a sua efetiva natureza de bem Fl. 5790DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.791 4 componente do ativo imobilizado. Somente em 2010 os transferiu para a conta de "estoque", tendo promovido a sua alienação em 2011 (maio). Em resumo, sustenta que transferência contábil do bem das contas de ativo para a conta de estoque não passaria de mero artifício para se fugir da tributação segundo as regras inerentes ao ganho de capital. Por fim, como aponta o relatório da DRJ, "além da apuração do ganho de capital referente à alienação dos referidos imóveis, as análises feitas pela Fiscalização abrangeram as receitas de serviços da atividade e as receitas financeiras contabilizadas nos livros Razão e Diário, com a finalidade de recompor as bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da CSLL, bem como calcular os valores a recolher, em face do declarado em DCTF, procedimento este que resultou na elaboração do documento 'Mapa de Recomposição de Apuração Tributária', às fls. 4565/4572". Ofertada a impugnação, o contribuinte sustenta, em apertada síntese: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração, por cerceamento de defesa, ao não identificar de forma clara e taxativa as receitas omitidas pelo contribuinte; b) no mérito, aborda, primeiramente, questão afeita a opção realizada pelo lucro presumido quanto ao anocalendário de 2011, alegando, a despeito de não existirem questionamentos da fiscalização neste ponto, que tal opção não encontraria quaisquer restrições na legislação aplicável; c) quanto ao mais, invocando as normas contábeis que entende cabíveis (CPC 31, NBTC 1.188 e CPC 27), afirma que a transferência do imóvel entre a conta de imobilizado para a conta de circulante teria justificativa em anos pretéritos, saber: c.1) a integralização do seu capital social através do aludido imóvel, em 1997, teria, inclusive, gerado o pagamento do ITBI (de sorte a não se lhe aplicar a regra imunizante preconizada pelo art. 156, §2º, I da CF), o que denotaria a natureza mercantil do imóvel; c.2) a negociação do imóvel com uma construtora em 1997 teria alterado a sua função original, tendo ocorrido vendas de diversas unidades à terceiros; c.3) a empresa sempre deteve em seu objeto social a atividade de compra e venda de imóveis próprios e de terceiros; c.4) no ato da venda, o imóvel estava registrado em seu livro de registro de inventário. d) a luz destes fatos, sustenta a correção da forma de tributação adotada quanto a receita proveniente da venda do aludido bem; e) afirma, sucessivamente, que a Fiscalização não teria considerado os valores efetivamente recolhidos a título de IPRJ e CSLL para recompor o saldo devedor apontado nas planilhas de fls. 4565/4572; nesta mesma esteira, afirma, ainda, que a Fiscalização teria que decotar do saldo apurado (mediante compensação de ofício) os valores Fl. 5791DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.792 5 recolhidos a título de PIS/COFINS, caso mantido o entendimento de que, na espécie, teria havido, de fato, venda de ativo imobilizado; f) requereu, ademais, e, finalmente, a conversão do julgamento em diligência a fim de que a fiscalização fizesse a decomposição das receitas consideradas em seu "Mapa de Recomposição de Apuração Tributária”, bem como a produção de prova pericial contábil, a fim de demonstrar a inocorrência das omissões de receita sustentadas na acusação fiscal. Instada a se pronunciar sobre o caso, a DRJ houve por bem julgar improcedente a impugnação e manter, na integra, o lançamento tributário, notadamente, a partir das seguintes premissas: a) não haveria nulidade no auto de infração, uma vez que todos os dados utilizados pela fiscalização para calcular os tributos devidos teriam sido extraídos dos documentos (livros razão e diário) e declarações (DCTFs) apresentadas pelo próprio contribuinte; mais ainda, afirma, as receitas consideradas no citado "Mapa de Recomposição de Apuração Tributária" estavam perfeitamente identificadas, não restando tipificadas quaisquer das hipóteses tratadas no art. 59 do Decreto 70.235; b) indeferiu, neste mesmo momento, os pedidos de conversão do julgamento em diligência e de realização de perícia, basicamente por entender não haver a exigência de conhecimentos técnicos especializados para fazer a análise dos documentos já trazidos aos autos pelo próprio contribuinte, nem tampouco existirem fatos adicionais a serem apurados; c) quanto ao mérito, perfilhandose ao que já havia sido sustentado a Auditoria Fiscal, mormente a falta de alteração da função e destinação do imóvel até a data de sua efetiva venda, acrescentou, ainda, que as normas contábeis, e soluções de consulta aventadas pelo impugnante, não manteriam qualquer correlação fática com o tema abordado neste PA; afirmou, mais, que nos termos da Lei 9.249/95, art. 15, § 4º, incluído pela Lei 11.196/2005, "a receita obtida na venda de imóveis só é considerada de atividade imobiliária, quando o imóvel é construído para venda ou adquirido para revenda", o que inocorreria no caso em análise, considerando, pois, correta a imputação fiscal; c) quanto aos valores pagos pela impugnante, dandolhe razão parcial, considerou que "nos trimestres 3º e 4º, de 2011, e 1º e 2º, de 2012, os valores excedentes, desde que efetivamente pagos e desde que, sobre eles, não recaia nenhum direito pleiteado pelo Contribuinte ou reconhecido de ofício pela RFB, devem ser imputados aos créditos constituídos de IRPJ e CSLL, do 2º trimestre de 2011, com a incidência de juros e multa de mora, nos termos da legislação tributária"; d) por fim, no que tange ao pedido de abatimento dos valores pagos pelo recorrente a título de PIS/COFINS, semelhante pretensão teria que ser aventada no foro próprio, isto é, através de pedidos de compensação de indébito não cabendo, neste feito, semelhante solução. O contribuinte foi cientificado acerca do acórdão em 08/10/2014; irresignado, interpôs seu recurso voluntário em 07/11/2014, alegando, num breve resumo: a) a existência de erro material já que, a despeito do resultado do julgamento da DRJ consignar a improcedência total da impugnação, a relatora daquele acórdão havia reconhecido a procedência, em parte, dos pedidos do recorrente, em especial, quanto a Fl. 5792DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.793 6 necessidade de se decotar do valor total do crédito apurado, os montantes já recolhidos pelo contribuinte a título de IPRJ e CSLL; pede o retorno dos autos à instância inferior a fim de que seja corrigido este erro; b) argui, num segundo momento, a nulidade do acórdão por cerceamento de defesa, notadamente a luz do fato de ter a turma julgadora negado, a seu ver, de forma genérica, o pedido de realização de perícia técnica; c) quanto ao mais, reiterou os argumentos despendidos na impugnação. Em 10 de dezembro de 2015, os autos foram levados a julgamento por esta Turma, tendo sido distribuídos, originariamente, à Conselheira Edeli Pereira Bessa que, após desacolher o pedido relativo à nulidade do acórdão, ante o indeferimento de seu pedido de perícia, votou pela conversão do julgamento diligência nos seguintes termos: Por tais razões, o presente julgamento deve ser CONVERTIDO em diligência, com a remessa dos autos à Unidade de origem para que a autoridade competente adote as providências determinadas no acórdão de 1ª instância acerca dos excedentes de IRPJ e CSLL verificados nos períodos fiscalizados, e, caso identifique exoneração de crédito tributário superior ao limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, observe o disposto no art. 34, §2º do Decreto nº 70.235/72, encaminhando os autos ao Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo para interposição do competente recurso de ofício. Atendendo à determinação desta casa, a autoridade fiscal procedeu à liquidação do dispositivo do acórdão da DRJ e concluiu, ao final (Relatório de Diligência datado de 25/05/2016), pela exoneração do crédito tributário no valor de R$ 1.003.486,12. Contudo, e conforme manifestação fiscal datada de 22/09/2016, da lavra da DRF de Fortaleza, o montante exonerado era composto pelo valor principal dos tributos, pela multa ofício e pelos juros; invocando, neste particular, as disposições do art. 1º da Portaria/MF 3/2008, a Delegacia Fiscal entendeu que o valor total exonerado, quando excluídos os juros de mora, não atingia o valor de alçada (o valor recalculado seria de R$ 888.714,92), deixando, destarte, de recorrer de ofício a este Conselho. Cientificado dos termos da diligência, o contribuinte apresentou nova manifestação (a qual apontou se tratar de novo recurso voluntário), tendo, todavia, reiterado, mais uma vez, todos os argumentos já despendidos na impugnação e em seu "primeiro" recurso voluntário. Os autos, então, retornaram a esta turma. Este o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. O recurso é tempestivo e dele, pois, conheço. Fl. 5793DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.794 7 I. Das nulidades. II.1 Do alegado erro material contido no acórdão da DRJ. A despeito não poder precisar quais efeitos ou benefícios da modificação do dispositivo do acórdão da DRJ poderiam trazer (notadamente por já ter ocorrido a liquidação do respectivo dispositivo e a exoneração de parte do crédito tributário), de fato, razão assiste, neste ponto, ao recorrente, ainda que em parte. A DRJ inegavelmente reconheceu a procedência de parte das alegações do contribuinte (ainda que parte proporcionalmente pequena, em face do valor total da exigência fiscal), o que, inclusive, como já afirmado acima, resultou na redução de parte do crédito tributário. Por esta razão realmente deveria constar do dispositivo do citado acórdão a menção à procedência parcial da impugnação. Isto, todavia não é motivo, a luz dos preceitos do art. 59 do Decreto 70.235/72 para se anular a decisão; principalmente quando não observado, aqui, qualquer prejuízo ao recorrente (pas de nulitté sans grief). Lado outro, como já houve liquidação do acórdão da DRJ, não há, motivos práticos que justifiquem a modificação do dispositivo. Afasto, pois, esta preliminar. I.2 Da alegada nulidade por cerceamento de defesa indeferimento do pedido de perícia e de conversão em diligência. Neste ponto, venia concessa, não há críticas a se fazer à decisão recorrida. Com efeito, instada a se manifestar sobre a perícia e a conversão do feito em diligência, a DRJ assim decidiu: 11.8. Como se vê, embora a Impugnante possa discordar dos lançamentos tributários, não há neles nenhum dado que não esteja nos documentos livros e declarações de sua elaboração, tampouco há nos cálculos realizados pela Fiscalização quaisquer obscuridades ou omissões que pudessem ser apontadas como impeditivas do exercício da ampla defesa. 11.9. Ademais, não é qualquer vício que implica a nulidade do lançamento,ficando tal hipótese restrita ao lançamento realizado por agente incompetente, nos termos do Decreto 70.235/72 . Os demais vícios são sanáveis, quando trouxerem prejuízo ao sujeito passivo, ou dispensam qualquer providência da Autoridade Julgadora, quando não influem na solução do litígio, conforme determinam os artigos 59 a 61 do referido decreto: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 5794DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.795 8 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. 11.10. Também não se justifica, pelas razões anteriormente expostas, a realização de diligência ou perícia. Os dados colhidos pela Fiscalização constam dos livros, documentos e declarações, apresentados pela Impugnante no curso do procedimento fiscal, por outro lado, a demonstração da apuração das bases de cálculo e dos tributos não pagos foi feita com toda a clareza necessária, de modo a permitir a contestação pontual de qualquer matéria, o que todavia não ocorreu, optando a Impugnante por fazêlo de forma genérica. Não há, aí, por certo, generalismo. Como pontuado pela Relatora em outro ponto do acórdão, a perícia, em qualquer tipo de processo, se justifica, apenas, quando a premissa fática que se pretenda demonstrar pressuponha um conhecimento técnico específico, não abrangido pela expertise do aplicador da lei (auditores fiscais ou julgadores de órgãos colegiados). A discussão, no caso, cingia (e cinge) à existência ou não de omissões de receitas, constadas pela fiscalização dito de forma expressa a partir do cruzamento das informações constantes dos livros razão e diário e das informações constantes da DCTF. Explicando melhor, a Auditoria fiscal exigiu a diferença do IRPJ e da CSLL porque, nos preditos livros, encontrou receitas não informadas ou informadas por valores inferiores na DCTF. Para tanto, declinou os períodos de apuração e a natureza das receitas. Discorrendo sobre o princípio da ampla defesa, Ives Gandra da Silva Martins assim pontificava: A clareza do texto constitucional e a utilização de expressões esclarecedoras como: ‘litigantes’, acrescido de ‘acusados em geral’ e ‘contraditório’, acrescido de ‘ampla defesa’, sobre não Fl. 5795DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.796 9 distinguir o cabimento de tais meios nos ‘processos administrativos e judiciais’, dá a cristalina, meridiana, exuberante demonstração de que não qualquer ‘defesa protocolar’, mas a defesa ‘ampla’, ‘lata’, ‘larga’, ‘sem obstáculos’ é assegurada pelo constituinte (MARTINS, Ives Gandra da Silva. Processo Administrativo Tributário. 1.ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999, pp. 56). A luz dessa premissa, haveria, no caso, qualquer prejuízo ao direito de ampla de defesa do contribuinte, de forma a caracterizar o seu cerceamento? Até poderíamos, em princípio, criticar a fiscalização por não esmiuçar as diferenças consideradas (o que evitaria questionamentos como o que ora decido); mas os dados apresentados e as fontes informadas pela Auditoria eram (e são) mais que suficientes à elaboração de uma defesa "lata, ampla e irrestrita" pelo contribuinte. Ora, para se comprovar, no caso, a inocorrência da infração tratada neste PA, bastaria ao recorrente fazer o mesmo cruzamento que fez a Auditoria e demonstrar, no próprio corpo da impugnação, que a totalidade das receitas informadas nos citados livros constava da DCTF; ou, quando menos, justificar, no texto da lei, os motivos pelos quais aquelas ditas receitas não teriam sido informadas. O recorrente, entretanto, limitouse, pura e simplesmente, alegar a inocorrência destas omissões e pretendeu suportar tal alegação, ou fiandose, no deferimento do pedido de perícia ou, quiçá, de diligência que, como dito, não eram necessárias de fato. Por tais razões, voto por afastar as alegações de nulidade tanto do acórdão, como do próprio auto de infração. II. Mérito. II.1 Ganho de capital ou receita imobiliária? De acordo com a Lei 9.249/95, art. 15, § 4º, invocada pela DRJ, observase que somente as atividades ali descritas estarão sujeitas ao percentual de presunção tratado o caput: § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. Em linhas gerais, a premissa necessária à tipificação de atividade imobiliária sujeita à tributação na forma caput do art .15, do diploma legal anteriormente citado, é a percepção de receitas advindas das operações ali, taxativamente, descritas, atentandose, ao que interessa ao feito, as atividades de "venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda". Fl. 5796DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.797 10 Para se responder, destarte, à pergunta lançada no subtópico, precisamos identificar, necessariamente, se, porventura, os imóveis objetos de PA, teriam sido erigidos ou adquiridos para revenda e, mesmo que tenha se pretendido modificar a destinação do bem, para considerálo como estoque, se tal modificação se dera de fato ou, de outra sorte, se estaríamos diante de hipótese de erro de interpretação de fato ou, mesmo, das regras fiscais/tributáveis aplicáveis à espécie. Pois bem. A empresa ora recorrente, de fato, detinha, em seu contrato social, a descrição da atividade de compra e venda de imóveis próprios e de terceiros, além de outros objetos, dentre os quais destacamse "a administração de imóveis" e a "administração de shopping centers, compreendendo também a locação de espaços comerciais, bem assim, a exploração e administração dos parques de estacionamento para veículos próprios ou de terceiros existentes nos mesmos shopping centers" (tudo conforme cláusula segunda do contrato social, com a redação que lhe foi dada pela 13ª Alteração Contratual). Da escritura pública de compra em venda de imóvel constituído pelo terreno, onde foram construídos o Shopping Center e o Centro Empresarial, em que figuraram como vendedor, o ora recorrente, e como compradora a Construtora FAVO S/A. observase, que, como parte do pagamento, ao contribuinte foi assegurado, alem das unidades autônomas correspondentes à 76% do empreendimento, "o direito a percentual correspondente a sua participação na área comercializável do shopping center e de quaisquer outras unidades autônomas ou espaços", ficandolhe garantido, ainda, a propriedade de "10 (dez) vagas para guarda de veículos de uso próprio ou de terceiros por ela indicados na garagem do shopping". Em declaração apresentada pelo contribuinte, e citada tanto pela fiscalização, como pela DRJ, o imóvel em testilha ficou registrado em conta do ativo imobilizado desde a data do contrato tratado no parágrafo anterior, até o ano de 2009. Em 2010, o contribuinte transferiuo para a conta de estoque (ativo circulante). Dentre as informações contidas nos Livros Razão e Diário, não se verifica nenhuma receita de venda de unidades imobiliárias, que não, e apenas, a parte do Shopping Center que lhe cabia. Do Livro de Registro de Inventário relativo ao exercício de 2010, trazido pelo recorrente juntamente com a sua impugnação, extraise a existência de três imóveis, sendo, dois terrenos (aparentemente imóveis rurais) e o Shopping. Nos anos de 2009, 2011 e 2012, continuaram registrados nos aludido livro, apenas os dois terrenos. O contribuinte não trouxe aos autos nenhum livro ou documento relativo aos exercícios anteriores, em especial, aos que precederam a transferência do imóvel da conta do ativo permanente para a conta de ativo circulante; em linhas gerais, não há nos autos, qualquer documento ou prova sobre que tipos de receita o contribuinte aferiu nos anos em que manteve a exploração do Shopping ou mesmo se possuía e se teria vendido outros imóveis ao longo desse período. A estória que a documentação trazida aos auto conta é a de que, nos anos de 2001 a 2009, o contribuinte se dedicou exclusivamente à exploração econômica da parte que lhe competia dos empreendimentos objetos deste PA, período durante o qual, até como ele mesmo afirma, teria apurado o Imposto de Renda e a CSLL pelo Lucro Real. Fl. 5797DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.798 11 De se destacar que a receita de alugueres suporta, na modalidade de lucro presumido, um percentual de presunção correspondente à 32% (art. 15, §1º, inciso III, "c", da Lei 9.249/95), ao passo que, sobre as receitas imobiliárias, o lucro presumido é de 8%. Em linhas gerais, o contribuinte manteve o imóvel em conta de seu ativo imobilizado a fim de que lhe fosse possível aferir receitas provenientes da locação das unidades e garagens; coincidentemente, no ano de 2010 (sujeitas à regra de tributação mais benéfica que aquela constante do art. 15, anteriormente mencionado), quando, então, decidiu vender o imóvel e vertêlo á conta do ativo circulante, mudou o regime de apuração, passando a fazêlo pelo lucro presumido (a venda de estoque de imóveis, como já tratado, sujeitase a um percentual de presunção substancialmente menos onerosa que aquela fixada para a atividade de administração e locação de imóveis). Não se discute a opção pelo regime, digase... isto nem foi aventado foi pela fiscalização ou mesmo pela DRJ (a despeito da posição defensiva adotada espontaneamente pelo contribuinte em sua peça de impugnação); o que se põe, de fato, a prova, é se a receita decorrente da venda de imóvel que, ao longo de todo o período compreendido entre 2001 e 2009, foi explorado como ativo imobilizado, poderia ser ou não considerada "receita imobiliária" e sujeitarse a tributação na forma do art. 15, acima reproduzido. Vale destacar que o contrato de compra e venda citado anteriormente, relativo ao terreno onde foram erigidos os empreendimentos rezava o direito de exploração e percepção de rendas decorrentes desta exploração, inclusive relativas a outras área do shopping, provandose que os bens em questão estavam vertidos para a consecução do objeto social da empresa incluído pela 13ª alteração contratual, datada de 18 de outubro de 2001, qual seja, administração de shopping center. E isto, me parece, denotar uma intenção diferente da que pemitiria enquadrar a situação fática, até aqui exposta, nas hipóteses contempladas nos preceitos do art. 15 supra citado. É verdade que nem a legislação tributária, nem tampouco a Lei 6.404/75 vedam ou tratam da transferência de bens do ativo imobilizado para conta de estoque; também é verdade que o contrato social da empresa sempre contemplou, como uma das suas atividades, a revenda de bens imóveis próprios ou de terceiro, de sorte que o contribuinte poderia, de fato, manter em conta de ativo circulante, bens imóveis, desde que destinados, de fato, à venda ou revenda. Neste particular, o recorrente invoca as regras dos Pronunciamentos Técnicos CPC 16, 27 e 31. Em especial, chamo a atenção para as disposições contidas nos itens 6 a 8 do CPC 31, invocados tanto pelo recorrente como no parecer juntado em memorial entregue pessoalmente pelo patrono: 6. A entidade deve classificar um ativo não circulante como mantido para venda se o seu valor contábil vai ser recuperado, principalmente, por meio de transação de venda em vez do uso contínuo. 7. Para que esse seja o caso, o ativo ou o grupo de ativos mantido para venda deve estar disponível para venda imediata em suas condições atuais, sujeito apenas aos termos que sejam habituais e costumeiros para venda de tais ativos mantidos para venda. Com isso, a sua venda deve ser altamente provável. Fl. 5798DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.799 12 8.Para que a venda seja altamente provável, o nível hierárquico de gestão apropriado deve estar comprometido com o plano de venda do ativo, e deve ter sido iniciado um programa firme para localizar um comprador e concluir o plano. Além disso, o ativo mantido para venda deve ser efetivamente colocado à venda por preço que seja razoável em relação ao seu valor justo corrente. Ainda, devese esperar que a venda se qualifique como concluída em até um ano a partir da data da classificação, com exceção do que é permitido pelo item 9, e as ações necessárias para concluir o plano devem indicar que é improvável que possa haver alterações significativas no plano ou que o plano possa ser abandonado. A leitura apressada destes itens daria a impressão de que, havendo previsão no contrato social de exercício de atividades de vendas imóveis, o contribuinte teria procedido corretamente ao manter o imóvel em conta de ativo imobilizado, reclassificandoo como ativo circulante, somente, quando a venda se tornasse "provável", ainda que a exploração do bem tenha (com a percepção de alugueres) se perpetrado, mesmo após a sua reclassificação (sendo desimportante, a meu sentir, que se tenha cessado, eventualmente, a atividade de exploração do bem, discordandose, neste particular, de parte dos fundamentos adotados pela fiscalização e pelo acórdão da DRJ). Neste passo, a impressão supra poderia se tornar certeza, notadamente a luz das disposições do item 68A do Pronunciamento Técnico 27 que, em sua parte final, determina que "o Pronunciamento Técnico CPC 31 – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada não se aplica quando os ativos que são mantidos para venda durante as atividades operacionais são transferidos para os estoques". Todavia, há duas regras contidas nos dois Pronunciamentos citados anteriormente que impõe limites ao registro de determinado bem na conta de ativos imobilizados disponibilizados para venda e a sua consequente reclassificação como ativo circulante. Transcrevo, neste passo, a primeira parte do item 68A já citado anteriormente: Entretanto, a entidade que, durante as suas atividades operacionais, normalmente vende itens do ativo imobilizado que eram mantidos para aluguel a terceiros deve transferir tais ativos para o estoque pelo seu valor contábil quando os ativos deixam de ser alugados e passam a ser mantidos para venda. Passam a ser considerados, daí para frente, como estoques e se sujeitam aos requisitos do Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques. Notem que o aludido item faz referência ao fato de que, para aplicação desta orientação, "a entidade" deve normalmente vender "itens do ativo imobilizado que eram mantidos para aluguel a terceiros". E, pelo que já foi exposto anteriormente, não identifiquei nenhum documento que comprove que o recorrente tenha, de fato, explorado, durante todo o período, vendas de "itens do ativo imobilizado que eram mantidos para aluguel a terceiros". O aludido CPC 27, digase, não deixou de considerar as hipóteses de empresas que jamais exploraram a atividade de venda ou revenda de imóveis, a despeito de contemplarem, em seus contratos sociais, tal atividade. Vejam, agora, o que diz o item 11 do CPC 31: Fl. 5799DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.800 13 11. Quando a entidade adquire um ativo não circulante ou um grupo de ativos exclusivamente com vistas à sua posterior alienação (inclusive no caso de ativo recebido em troca de outro, como na dação em pagamento), só deve classificálo como mantido para venda na data de aquisição se o requisito de um ano previsto no item 8 for satisfeito (com exceção do que é permitido pelo item 9) e se for altamente provável que qualquer outro critério dos itens 7 e 8, o qual não esteja satisfeito nessa data, estará satisfeito em curto prazo após a aquisição (normalmente, no prazo de três meses). Vejam bem, a venda do bem ocorreu nove anos após a sua aquisição retratada no contrato de incorporação firmado com a empresa FAVO. A situação fática tratada neste processo, portanto, não satisfaz nem os preceitos do item 68A do CPC 27, nem tampouco do item 11, do CPC 31. Não bastasse isso, e mesmo à luz dos itens 6 ,7 e 8 do CPC 31, o que se observa é que não existe nos autos qualquer documento ou prova que me faça considerar que a empresa teria, desde a sua aquisição, "comprometido com o plano de venda do ativo", tendo, nesta ocasião "iniciado um programa firme para localizar um comprador e concluir o plano". Isto é, pelas disposições do aludido CPC, para que este bem pudesse ser classificado, desde a sua compra, como "bem do ativo imobilizado destinado à venda", o aludido intento de vendêlo ou revendêlo teria que estar evidenciado. Até este momento, e mesmo pelas disposições do contrato anteriormente citado, o recorrente somente revelou semelhante "comprometimento" em 2010. E, destacase, nem mesmo o argumento de que teria, o recorrente, suportado a cobrança do ITBI quando da aquisição do imóvel, o socorre; a regra imunizante, constante do citado art. 156, § 2º, I, da CF, não se aplica quando observada qualquer tipo de exploração imobiliária; isto significa que, mesmo que o contribuinte não aufira resultado com a venda de bens imóveis, a sua simples exploração econômica, mediante contrato de aluguel, v.g., já impõe o recolhimento do imposto municipal; ou seja, o pagamento do ITBI, no caso, não revela, em absoluto, o citado comprometimento “com o plano de venda do ativo". Mais que isso, frisese, o contribuinte, pela declaração prestada à fiscalização, havia registrado o imóvel em conta do ativo imobilizado; as regras dos CPCs 27 e 31, parecemme, exigem uma anotação específica em subconta de "ativo imobilizado disponível para venda" ou expressão similar, procedimento, observase, não adotado pelo recorrente. Apenas em 2007 é que o contribuinte modificou a classificação de "ativo imobilizado" para "ativo imobilizado – outros investimentos" o que, poderia, com certo esforço exegético, considerar que o imóvel, então, estaria sendo disponibilizado para a venda. Entretanto, a luz dos próprios CPCs invocados, semelhante anotação teria que ocorrer em até um ano da data da aquisição e não em quase 6 anos após este evento, lembrando, no caso, que as orientações contidas nas aludidas normas técnicas não podem ser analisadas, para fins tributários, de forma desconectada dos preceitos do art. 15, § 4º, da Lei 9.249/95, que como já dito, trata como receita imobiliária, aquela advinda da venda de imóvel adquirido ou construído para venda ou revenda, ou seja, em que o contribuinte tenha, desde logo, se “comprometido com o plano de venda”.. Fl. 5800DF CARF MF Processo nº 10380.721152/201480 Acórdão n.º 1302002.327 S1C3T2 Fl. 5.801 14 Este bem, a luz de tudo o que foi exposto, estava classificado como ativo imobilizado (ponto final); a sua venda, jamais, poderia ocorrer como se se tratasse de venda de estoque e o registro em conta de circulante se deu de forma equivocada, para não dizer, desconectada da realidade efetiva, ainda que por erro de interpretação, insistase, do conjunto fático/probatório trazido ao feito. Correta, portanto, me parece, a conclusão fiscal, tratandose, pois, operação, de efetiva venda de ativo imobilizado, sujeita à tributação pelo IRPJ conforme regras aplicaveis ao ganho de capital. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. II.2 Das receitas omitidas. Quanto a este último tópico, conforme já havia afirmado quando da análise do pedido de nulidade da decisão de 1ª instância administrativa, se o contribuinte, de fato, não concordava com os valores apurados pela fiscalização, cabia a ele demonstrar que tais receitas não foram omitidas ou, lado outro, não foram consideradas na apuração dos tributos por expressa previsão legal. Havia, e há, nos autos, elementos suficientes para permitir tal demonstração tendo, no entanto, o recorrente quedado inerte (fiandose, insistase, apenas, na produção de prova pericial que, conforme afirmei, era de todo desnecessária). Também aqui, portanto, voto por negar provimento ao recurso. III. Conclusão Por todo o exposto, voto por afastar as preliminares e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 5801DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.914083/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, que homologou parcialmente a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 4267.19548.240609.1.3.039043, com vistas à efetivação do encontro de contas entre débitos tributários e crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre do ano calendário de 2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 14 08 3/ 20 13 -7 9 Fl. 993DF CARF MF Processo nº 12448.914083/201379 Resolução nº 1301000.452 S1C3T1 Fl. 994 2 Alega a recorrente que o saldo negativo supracitado é o total da CSLL retida na fonte, no valor de R$ 196.829,07, tendo em conta que a CSLL calculada na DIPJ é igual a zero, para o referido trimestre. Todavia, consta no Despacho Decisório, à fl. 11, que a autoridade fiscal só confirmou a importância de R$ 71.038,88, a título de CSLL retida na fonte. Assim, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre de 2009 igual a R$ 71.038,88, o que não bastou para compensar integralmente o débito de COFINS referente ao mês de maio de 2009, de R$ 201.966,29. Com o julgamento da manifestação de inconformidade, proclamouse que o total de retenções na fonte alcançou a importância de R$ 151.164,52, por força do reconhecimento do crédito adicional de R$ 80.125,64 uma vez acolhidos “os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Assim, deduzindose a CSLL devida no período (zero), determinouse que a recorrente dispunha de saldo negativo de CSLL, para o primeiro trimestre de 2009, no valor de R$ 151.164,52 (R$ 151.164,52 – zero). Decisão de primeira instância assim ementada, à fl.548: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de CSLL, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos.” Ciência da decisão de primeira instância em 20/05/2015, à fl. 578. Recurso a este Colegiado às fls. 582/598, com entrada na repartição de origem no dia 19/06/2015, conforme fl. 581. Nessa oportunidade, aduz que é pessoa jurídica de direito privado, submetida ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, e que apurou, no primeiro trimestre de 2009, saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 196.829,05 oriundo de retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, no total de R$ 196.829,05, de acordo com o indicado na DIPJ do exercício. Além disso, acrescenta o seguinte: 1) considerando aquele crédito, coubelhe transmitir, como de fato transmitiu, o PER/DCOMP n° 42647.19548.240609.1.3.039043, com objetivo de proceder ao encontro de contas necessário à extinção da dívida tributária; 2) não obstante a entrega regular do referido PER/DCOMP, tomou ciência de que o Despacho Decisório reconhecera parcialmente o crédito pleiteado, limitando o saldo negativo disponível de CSLL do primeiro trimestre de 2009 ao valor de R$ 71.038,88, sob a justificativa de que inexistia comprovação suficiente das retenções na fonte; 3) irresignada com o citado Despacho Decisório, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade à primeira instância, perante a qual comprovou a efetiva existência do crédito informado no PER/DCOMP, mediante documentos hábeis e idôneos; 4) contudo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 80.125,64, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre a CSLL retida Fl. 994DF CARF MF Processo nº 12448.914083/201379 Resolução nº 1301000.452 S1C3T1 Fl. 995 3 na fonte, provavelmente em decorrência de erro de preenchimento cometido pelas próprias fontes pagadoras das receitas que recebera 5) a autoridade fiscal deixou de intimar a recorrente para justificar as diferenças e apresentar documentos hábeis à comprovação de seu direito creditório, incorrendo em total violação ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário; 6) não fosse assim, a Receita Federal do Brasil não teria editado a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, a qual, ao definir procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação formalizadas mediante PER/DCOMP, determinou que, nas verificações de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve previamente intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito; 7) tal entendimento é corroborado pela jurisprudência administrativa, em consonância com o que se depreende do acórdão n° 1239.074, pelo qual a 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro anulou despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo n° 10725.900.095/200815, ao argumento de que a ausência de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação viola a Norma de Execução CODAC/COSIT/ COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 8) portanto, a expedição de Despacho Decisório sob o fundamento de que o crédito não seria suficiente, sem a prévia intimação ao contribuinte, ou mesmo a baixa dos autos para realização de diligência fiscal, incorre em nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal Federal reproduzido pelo art. 12, inciso II, do Decreto n° 7.574/11); 9) diante deste cenário, é preciso ressaltar que a autoridade fazendária deve obediência às regras positivadas, sejam elas estabelecidas por diplomas legais ou por atos normativos internos de conduta e execução, emanados dos órgãos da Administração Pública, como é o caso da Receita Federal do Brasil; 10) uma vez presentes os fatos acima expostos, não resta alternativa distinta da pronúncia de nulidade parcial da decisão recorrida, em face da violação aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa, afora o descumprimento da Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 11) não bastassem os documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, a recorrente anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado; 12) à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário; 13) assim, a glosa de crédito com o pretenso suporte na não confirmação da CSLL/Fonte é um descompasso com a realidade, pois a CSLL lhe foi retida como forma de antecipação da CSLL devido ao final do trimestre; Fl. 995DF CARF MF Processo nº 12448.914083/201379 Resolução nº 1301000.452 S1C3T1 Fl. 996 4 12) desse modo, resta efetivamente comprovado que detém crédito no montante de R$ 45.664,55 além daqueles já reconhecidos, de R$ 71.038,88 e R$ 80.125,64, relativos à CSLL/fonte no primeiro trimestre de 2009. Tais valores integram incontestavelmente a composição do crédito do saldo negativo da CSLL do primeiro trimestre de 2009, sendo que as provas ora apresentadas se sobrepõem a quaisquer discussões, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública; 13) em casos análogos, a jurisprudência administrativa pátria tem reiterado que, uma vez demonstrado o erro no preenchimento de documentos fiscais e constatada a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, reconhecendose o crédito e homologada a compensação declarada; 14) mesmo quando o CARF não homologa diretamente as compensações transmitidas com equívocos materiais, este órgão julgador determina o retorno dos autos à DRF de origem, para que seja reapreciado o crédito postulado em PER/DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento; 15) o procedimento de compensação deve ser pautado pela imparcialidade, cabendo à autoridade julgadora buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independentemente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados; 16) por todo o exposto, a recorrente requer: a) seja admitido, processado e julgado o presente recurso voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, com a suspensão da exigibilidade de todos os créditos tributários objeto de compensação com crédito de saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre de 2009, mormente aqueles dos processos de cobrança nº 12448.914473/21849; b) seja reconhecida a nulidade parcial do acórdão recorrido que, ao manter o despacho decisório, não homologou integralmente a compensação em análise; c) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de reconhecer o direito creditório ora discutido, homologandose integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 42647.19548.240609.1.3.039043; d) caso se entenda pela impossibilidade de julgamento de mérito, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para a prolação de nova decisão. É o relatório. VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente recurso, estão presentes os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Primeiramente, a questão referente à suposta violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 12448.914083/201379 Resolução nº 1301000.452 S1C3T1 Fl. 997 5 A Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 é mera norma interna corporis que disciplina, no âmbito do órgão fiscal, a atuação de vários agentes que intervêm no procedimento de compensação. De modo algum podese acolher a tese de que o eventual desrespeito a tal disciplina administrativa reflita possível violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. Como é cediço, no procedimento de compensação, o direito ao contraditório e à ampla defesa nasce apenas no momento em que a autoridade fiscal não homologa a compensação declarada pelo contribuinte, conforme § 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, verbis: “Art. 74 ....... § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) E mais: a teor do § 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cabe recurso ao CARF da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Já por força do § 11 do citado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, é lícito afirmar que o recurso voluntário ao CARF e a manifestação de inconformidade são espécies do recurso previsto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, além de se submeterem ao rigor do Decreto nº 70.235/1972, verbis: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) A linha diretiva que ressai dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 está espelhada no artigo 119, caput e §§, do Decreto nº 7.574/2011: “Art.119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no10.833, de 2003, art. 17). §1º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no10.833, de 2003, art. 17;Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no11.941, de 2009, art. 25). §2º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1oobedecerão ao rito processual do Decreto no70.235, de 1972(Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto noinciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional,relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no10.833, de 2003, art. 17). Fl. 997DF CARF MF Processo nº 12448.914083/201379 Resolução nº 1301000.452 S1C3T1 Fl. 998 6 Como se vê, há um conjunto de regras jurídicas que instituiu, no plano legal, o esquema das garantias do contraditório e da ampla defesa plasmadas no texto constitucional, especificamente direcionadas à efetivação do diálogo entre o Estado Fiscal e o administrado, quando este manifesta que pretende compensar, na forma prevista em lei, débitos tributários e supostos créditos em face do mesmo Estado. Nesse esquema, o desenhista institucional estabeleceu que a decisão que não homologa, total ou parcialmente, a compensação declarada pode ser contestada, não os atos anteriores a ela. Portanto, é descabida a assertiva de que a ausência de intimação do contribuinte, destinada à comprovação da regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação, deve acarretar a pronúncia de invalidade da decisão recorrida, por cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, tendo em conta que, no esquema legal de defesas do contribuinte, o direito à manifestação de inconformidade não surge antes da emissão da decisão não homologatória da compensação. Tal é o juízo a ser proferido com suporte nos aludidos preceitos normativos, embora exista outra perspectiva que também acena para idêntica conclusão. Reparese: as disposições normativas do artigo 74, caput e §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996 permitem asselar que a transmissão do PER/DCOMP é um ato material pelo qual o contribuinte manifesta a vontade consciente de efetuar a compensação entre débitos e créditos tributários, desde logo concretizada, tal a simultaneidade da execução do ato (transmissão do PER/DCOMP) com os efeitos compensatórios imediatamente gerados, embora a definitividade de tais efeitos esteja condicionada à homologação da compensação pela autoridade fiscal, que dispõe do lapso temporal de cinco anos para realizála, sob pena de homologação tácita. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 5oO prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por sua vez, a homologação é um ato administrativo mediante o qual a autoridade estatal examina a legalidade de um ato anterior. Nesse cenário, a homologação não tácita da compensação tributária declarada não dispensa a certificação, pela autoridade homologante, da existência e da suficiência do crédito alegado. Essa certificação implica verificação dos supostos fatos geradores do crédito, o que é executado ao longo de uma etapa logicamente antecedente à homologação. Como já foi dito, o direito ao contraditório e à ampla defesa surge apenas após a edição do ato administrativo que não homologa a compensação declarada. Logo, as verificações anteriores ao ato final da autoridade homologante, enquanto atos despidos de conteúdo decisório, não se submetem às determinações legais que fixaram o Fl. 998DF CARF MF Processo nº 12448.914083/201379 Resolução nº 1301000.452 S1C3T1 Fl. 999 7 contraditório e a ampla defesa. Em outras palavras, antes do despacho decisório da autoridade com atribuição para a homologação da compensação declarada, o trabalho fiscal percorre uma fase administrativa de índole inquisitória, indispensável ao exame da legalidade do declarado encontro de contas. Assim, não procede a tese defensiva que advoga a prática de ato atentatório às garantias do contraditório e da ampla defesa. Agora, a questão de mérito. Segundo a recorrente, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 80.125,64, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre o imposto de renda retido na fonte, provavelmente em decorrência de erro de preenchimento cometido pelas próprias fontes pagadoras das receitas que recebera. Nesse contexto, menciona que, além dos documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado. Assim, à luz do extrato da conta corrente, também em anexo, seria possível verificar que o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, motivo por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário. Ocorre que as cópias de notas fiscais inseridas nos autos, às fls. 36/523 e 624/978, não estão acompanhadas dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da existência do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação da CSLL na DIPJ. Seja como for, a recorrente acrescenta que o procedimento de compensação deve ser pautado pela imparcialidade, cabendo à autoridade julgadora buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independentemente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados. A CSLL retida na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui a CSLL retida na fonte), em relação à CSLL devida, apurado na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, da CSLL retida na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação da CSLL na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento da CSLL retida na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte à CSLL apurada na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a compensação de CSLL incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedandose a restituição de qualquer valor a título de CSLL excedente, se não restar comprovado que ocorreu a tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o Fl. 999DF CARF MF Processo nº 12448.914083/201379 Resolução nº 1301000.452 S1C3T1 Fl. 1000 8 rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Tal entendimento está em sintonia com a Súmula Carf nº 80: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” Entretanto, tal pressuposto não constituiu fundamento do acórdão recorrido ou do despacho decisório. Nesses termos, para evitar a prolação de decisão com fundamentação supreendente sobre matéria fática, de modo a excluir a impressão de que o Estado Administração, na dicção do direito a reger o caso concreto, atua como um prestidigitador que esconde uma carta nas mangas para iludir o administrado e, com isso, negarlhe direitos, proponho, com os olhos voltados para a construção democrática de uma decisão administrativa apta a repercutir na esfera jurídica da recorrente, a descida dos autos à delegacia de origem para que a autoridade fiscal verifique: a) se as receitas constantes das notas fiscais às fls. 36/523 e 624/978 estão contabilizadas e oferecidas à tributação da CSLL, na DIPJ do anocalendário de 2009; b) qual é o montante das receitas do item anterior; c) se a CSSL/Fonte que incidiu sobre as receitas constantes das notas fiscais às fls. 36/523 e 624/978 está registrada na contabilidade; d) qual é o montante da CSLL/Fonte da questão anterior; e) se a totalidade da CSSL/Fonte da questão anterior consta no balanço de 31/03/2009; Rogase à autoridade fiscal a elaboração de relatório circunstanciado, acrescentando considerações que julgar necessárias, dandose ciência à recorrente do relatório e dos demais dados que forem coligidos na diligência, abrindolhe o prazo de 30 dias para se manifestar. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1000DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.904100/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.733
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 41 00 /2 01 2- 61 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10935.904100/201261 Acórdão n.º 3402004.733 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06041.459, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10935.904100/201261 Acórdão n.º 3402004.733 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10935.904100/201261 Acórdão n.º 3402004.733 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.904100/201261 Acórdão n.º 3402004.733 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.904100/201261 Acórdão n.º 3402004.733 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.904100/201261 Acórdão n.º 3402004.733 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.904100/201261 Acórdão n.º 3402004.733 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.006414/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 64 14 /2 00 7- 53 Fl. 70DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10380.006414/200753 Acórdão n.º 2202004.174 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679837/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/12/2005
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.124
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 13/12/2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/12/2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 37 /2 00 9- 18 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16030.219, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PIS Data do fato gerador: 13/12/2005 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.101506/2005-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Os paradigmas, para aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, deram ênfase ao fato de o lançamento não envolver falta (ou insuficiência) de recolhimento, mas típico descumprimento de obrigação acessória (irregularidade na entrega da GFIP). Os paradigmas não generalizaram a ideia de que a aplicação de multa isolada enseja sempre a contagem da decadência pelo art. 173, I, do CTN, independentemente do tipo de obrigação que foi descumprida. Ao contrário, os paradigmas especificaram bem o contexto que, segundo eles, justificava a aplicação do referido prazo, e esse contexto não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Não há paralelo entre os paradigmas e o acórdão recorrido, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. O contexto específico que justificou as decisões paradigmas não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Os paradigmas, para aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, deram ênfase ao fato de o lançamento não envolver falta (ou insuficiência) de recolhimento, mas típico descumprimento de obrigação acessória (irregularidade na entrega da GFIP). Os paradigmas não generalizaram a ideia de que a aplicação de multa isolada enseja sempre a contagem da decadência pelo art. 173, I, do CTN, independentemente do tipo de obrigação que foi descumprida. Ao contrário, os paradigmas especificaram bem o contexto que, segundo eles, justificava a aplicação do referido prazo, e esse contexto não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Não há paralelo entre os paradigmas e o acórdão recorrido, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. O contexto específico que justificou as decisões paradigmas não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 15 06 /2 00 5- 30 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para o lançamento da multa isolada que era prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória). A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1102000.493, de 03/08/2011, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, negou provimento a recurso de ofício contra a decisão de primeira instância administrativa, para fins de manter a decadência contada pelo prazo do art. 150, §4º, do CTN. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO ARTIGO 150, § 4º DO CTN. A contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação, com o recolhimento do tributo, é o constante na regra especial contida no § 4º do artigo 150 do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o “caput” do artigo 62A do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo Fiscal. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, quanto à matéria acima referida. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocamse precedentes que, no caso de auto de infração (multa), aplicam como termo inicial o disposto no art. 173 do CTN. Vejamos as ementas dos acórdãos paradigmas na forma do art. 67, §9° do RICARF: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 4 3 Acórdão n° 20601.735 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32,1V, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Tratandose de auto de infração, mesmo que decorrente da falta de informação do documento GFIP, aplicável o art. 173 do CTN. [...] Acórdão n° 240200.182 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/08/2006 GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações ã Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido em parte. no tocante ao último paradigma, para que fique caracterizada a divergência, segue transcrição de parte do voto do Relator: "(...) Como não se trata de lançamento por homologação, pois não há recolhimentos há homologar, aplicase a regra do lançamento de oficio, já que por ser autuação e não lançamento sua natureza será sempre de oficio. Portanto: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento." [...] Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 5 4 existe, portanto, identidade fática entre o acórdão recorrido e os citados paradigmas. Enquanto a e. Câmara a quo aplicou, para efeito de contagem do prazo decadencial do auto de infração, o Código Tributário Nacional — CTN, na forma do seu art. 150, §4°, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e Segunda Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF manifestaram posição contrária, fazendo incidir, em hipótese semelhante, a norma do art. 173, I do CTN; dessa forma, estando demonstrada a divergência entre o aresto recorrido e as decisões paradigmas, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO no presente feito, impende destacar que não houve pagamento antecipado, mesmo porque se trata de auto de infração (penalidade), cujo lançamento será sempre de oficio, não por homologação; por conta disso, aplicase como termo inicial da decadência o disposto no art. 173, inciso I do CTN; tratandose de lançamento de multa, por meio de auto de infração, cujo lançamento será sempre de oficio, e não por homologação, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador, devendo ser aplicada a regra geral do artigo 173, I do CTN; assim, aplicando a regra do artigo 173, I, do CTN, concluise que não ocorreu decadência; DO PEDIDO em face do exposto, a Unido (Fazenda Nacional) requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 18/03/2016, deu seguimento ao recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Para melhor analisar o dissenso proclamado pela recorrente, impõese ver excertos dos votos condutores dos Acórdãos antepostos, com eventuais destaques acrescidos nesta propositura. No Acórdão recorrido, no qual a decadência foi aplicada pela Câmara a quo, pontuou o voto condutor: [...] Já o primeiro paradigma fixou: [...] Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 6 5 E, consoante voto condutor do 2º estalão paradigma: [...] Acrescentese, ainda, que o primeiro paradigma subiu à apreciação da CSRF que, por sua 2ª Turma, em sessão de 27/06/2012, proclamou o Acórdão nº 9202002.193, com o seguinte entendimento do voto vencedor em relação ao tema “decadência”: [...] Sem se aprofundar na discussão do tema, posto que inapropriado tal aprofundamento nesta análise cognitiva sumária, na qual só se visa aferir a existência de dissenso interpretativo da matéria, é de se concluir que a distensão invocada pela recorrente se fez presente, seja pela leitura das ementas dos arestos confrontados, seja, mais ainda, pelos pensamentos expostos nas razões de decidir de cada um deles, quando se visualiza a divergência de posições sobre a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou, 173, I, ambos do CTN. Pois bem, como o escopo do Recurso Especial é a uniformização da jurisprudência administrativa, e estando constatada a divergência suscitada, entendo cumpridos os preceitos estampados no artigo 67, do Anexo II, do vigente RICARF. Assim, satisfeitos os requisitos de sua admissibilidade em relação à mencionada matéria, proponho seja DADO SEGUIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional Em 11/04/2016, a contribuinte foi intimada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN, e, tempestivamente, em 26/04/2016, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: BREVE HISTÓRICO DOS FATOS trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigir da recorrida multa de ofício de 75% do valor do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica ("IRPJ") relativo ao 4º trimestre de 1999; conforme já demonstrado no curso do processo, a recorrida procedeu ao recolhimento do referido IRPJ em atraso e com o acréscimo de juros de mora, tendo comunicado tal ato à Receita Federal por meio de denúncia espontânea protocolada na Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro em 24/11/2004 (processo administrativo nº 10070.002178/200457); segundo a fiscalização, a denúncia espontânea não teria o condão de excluir a incidência da multa de mora e a falta do seu recolhimento imporia a aplicação da multa de ofício prevista nos artigos 43 e 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme redação vigente à época da lavratura do AUTO; a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro ("DRJ/RJ"), por unanimidade de votos, julgou o AUTO totalmente improcedente. De acordo com a DRJ/RJ: (i) o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a exigência de eventual diferença entre os valores recolhidos pela recorrida e aqueles considerados devidos Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 7 6 pelas autoridades fazendárias teria se iniciado em 31/12/1999 (data do fato gerador) e terminado em 31/12/2004, conforme artigo 150, § 4º, do CTN3; e (ii) a recorrida somente teria sido intimada do AUTO em 07/10/2005; em face do referido acórdão, o Ilmo. Sr. Presidente da 2ª Turma da DRJ/RJ recorreu de ofício, tendo a 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, mantido a decisão de 1ª instância, nos seguintes termos (Acórdão nº 1102000.493, proferido em 03/08/2011): [...]; em 15/02/2013, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial sustentando, em síntese, que: (i) não houve pagamento antecipado, mesmo porque o processo trata de exigência de penalidade, cujo lançamento será sempre de ofício e não por homologação; e (ii) tratandose de lançamento de ofício (e não por homologação), deveria ser aplicada a regra geral de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do CTN (e não aquela estabelecida pelo 150, § 4º, do CTN); DA NÃO OCORRÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL ESPECÍFICA AO PRESENTE CASO ERRO COMETIDO PELA PROCURADORIA NA INDICAÇÃO DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL os paradigmas analisaram autos de infração lavrados para exigir o recolhimento de multa isolada por apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados insuficientes ou incorretos. Em outras palavras, trataram de lançamentos efetuados por conta de suposto descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); nada que equivalha à situação fática tratada no presente processo; como já informado, a recorrida recolheu IRPJ relativo ao 4º trimestre de 1999 após o transcurso do prazo legal e sem considerar a incidência de multa de mora. A fiscalização entendeu que os valores recolhidos seriam insuficientes porque a denúncia espontânea efetuada pela recorrida não teria o condão de excluir a referida multa de mora; ora, é fácil perceber que a situação fática tratada pelo acórdão recorrido tem por fundamento o recolhimento a menor de valores devidos ao Fisco, isto é, referese a suposto descumprimento de uma obrigação de dar (pagar) e não de uma obrigação de fazer (acessória), como aquela analisada pelos paradigmas. O não recolhimento de multa de mora em razão de pagamento de tributo em atraso jamais poderia configurar descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); não se pode confundir a multa aplicada por mero descumprimento de obrigação relativa à entrega de GFIP (obrigação acessória) com aquela em que a penalidade foi aplicada porque, após a análise dos valores apurados ("lançados") e recolhidos pelo contribuinte, o Fisco entendeu que eles não seriam suficientes; notese, aliás, que os próprios votos proferidos pelos Conselheiros Relatores dos paradigmas são claros no sentido de que: (i) as multas analisadas não decorreriam do recolhimento a menor de valores, mas de descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); e (ii) por não haver análise (homologação) dos valores recolhidos pelo contribuinte (obrigação de dar), deveria ser aplicada a regra geral de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do CTN (e não aquela estabelecida pelo 150, § 4º, do CTN, aplicável aos casos em que Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 8 7 há análise dos valores recolhidos pelo contribuinte). Vale transcrever os seguintes trechos dos votos proferidos pelos Relatores dos PARADIGMAS: [...]; em vista do acima exposto, resta claro que os paradigmas não guardam relação com a situação fática tratada no presente processo e, portanto, não podem ser utilizados para fundamentar a divergência arguida pela recorrente em seu recurso especial; assim, a recorrida requer, desde já, que seja reformada a decisão proferida pelo Ilmo. Sr. Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF com a consequente inadmissão do Recurso Especial interposto pela recorrente; DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO ainda que o recurso especial interposto pela recorrente venha a ser admitido, o que se faz apenas para argumentar, o acórdão recorrido deverá ser mantido por suas próprias razões; como já relatado, a recorrida efetuou o pagamento em atraso dos valores devidos a título de IRPJ/1999 (principal e juros de mora), deixando, todavia, de recolher qualquer valor a título de multa moratória por entender que dela estaria eximida em razão de sua denúncia espontânea (artigo 138 do CTN); o IRPJ é tributo sujeito a lançamento por homologação, isto é, no qual o sujeito passivo deve apurar e recolher antecipadamente os montantes que entenda devidos sob condição resolutória de ulterior homologação pelas autoridades fiscais; a recorrente alega que: (i) "não houve pagamento antecipado, mesmo porque se trata de auto de infração (penalidade), cujo lançamento será sempre de ofício, não por homologação"; e (ii) "por conta disso, aplicase como termo inicial da decadência o disposto no art. 173, inciso I do CTN" (e não o estabelecido pelo artigo 150, § 4º, do CTN); nada mais equivocado. Como exaustivamente demonstrado, a recorrida efetuou o pagamento do valor do tributo que entendia devido, acrescido dos correspondentes juros de mora. Não houve falta de pagamento ou de declaração por parte da recorrida; a multa exigida pelo AUTO foi aplicada porque, após a análise dos valores apurados e recolhidos pela recorrida, as autoridades fazendárias entenderam que eles não seriam suficientes. Tratase de típico processo de revisão de lançamento por homologação e, portanto, de aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN. Repitase, a multa exigida pelo AUTO decorre de suposto recolhimento a menor de valores devidos pelo contribuinte; a recorrente tenta sugerir que a exigência de multa de ofício decorreria de descumprimento de obrigação acessória, como nos casos colacionados como paradigmas para admissibilidade de seu Recurso Especial; não é demais repisar o que já se disse no capítulo anterior. É fácil perceber que a situação tratada no presente processo difere completamente da hipótese relativa à aplicação de multa por entrega de documentos com dados insuficientes ou incorretos. Em tais situações, não há nenhum procedimento de verificação dos valores apurados e recolhidos antecipadamente pelo contribuinte; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 9 8 não se pode confundir a multa aplicada por mero descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer) com aquela em que a penalidade foi aplicada porque houve suposto recolhimento a menor de valores apurados e devidos pelo contribuinte (obrigação de dar); notese, aliás, que o § 1º do artigo 113 do CTN é expresso ao afirmar que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto não só o pagamento do tributo, mas também de penalidade pecuniária; a multa de mora integra a obrigação principal, não podendo ser dela destacada. Uma vez que a multa de mora é um dos componentes (parcelas) da obrigação principal e esta foi declarada e paga espontaneamente pelo contribuinte, deve ser aplicado o prazo de decadência previsto no art. 150, § 4º, do CTN; o Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), ao julgar o Recurso Especial nº 973.733/SC sob a sistemática dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do antigo Código de Processo Civil ("CPC"), entendeu que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo pagamento pelo contribuinte, a contagem do prazo decadencial para lançamento de eventual diferença deve o seguir o que dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN; importante ressaltar que, de acordo com o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas proferidas pelo STJ na sistemática prevista no artigo 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF; assim, temse que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a exigência de eventual diferença entre os valores recolhidos pela recorrida e aqueles considerados devidos pelas autoridades fazendárias teve início em 31/12/1999 (data do fato gerador), encerrandose em 31/12/2004. Em razão de a recorrida somente ter sido intimada do AUTO em 07/10/2005, não há dúvida de que operouse a decadência do direito do Fisco de em efetuar o lançamento em exame, razão pela qual deve ser mantido o acórdão recorrido; CONSIDERAÇÕES FINAIS. MÉRITO. não obstante os argumentos acima expostos (Capítulos III e IV) e apenas para se resguardar da eventual possibilidade de este Colegiado aventar pronunciarse acerca da questão de mérito sustentada em sua impugnação (que não foi apreciada pela DRJ/RJ nem pelo CARF), a recorrida não se furtará de sintetizar a seguir a total improcedência da multa que lhe foi exigida; o artigo 138 do CTN é expresso ao determinar que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, desde que acompanhada, se for o caso, pelo pagamento do tributo devido e dos correspondentes juros de mora; o referido artigo 138 do CTN não faz qualquer distinção entre a multa moratória e a de ofício. Além disso, é importantíssimo ressaltar que tanto a multa moratória como a de ofício têm a mesma finalidade, qual seja, a de punir o contribuinte faltoso. Ambas representam uma penalidade por descumprimento de obrigação tributária e, portanto, estão igualmente excluídas quando o contribuinte espontaneamente denuncia a sua infração; Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 10 9 esse é o entendimento pacífico do STJ. Vale transcrever, exemplificativamente, o seguinte trecho do voto proferido pelo Exmo. Ministro Herman Benjamin no julgamento do AgRg no AREsp nº 687.689RJ, ocorrido em 09/06/2015: [...]; no mesmo sentido é a Súmula CARF nº 31: "Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal"; notese, ainda, que o dispositivo legal que fundamentou o AUTO veio a ser posteriormente alterado para excluir a possibilidade de aplicação de multa de ofício no caso de o contribuinte efetuar o recolhimento de tributo após o vencimento do prazo e sem acréscimo de multa moratória; com efeito, eis a redação do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, vigente à época da lavratura do AUTO: [...]; o supra transcrito dispositivo legal foi expressamente alterado pela Lei nº 11.488, de 15/06/2007, passando a ter a seguinte redação: [...]; como se percebe, a Lei nº 11.488/2007 excluiu a possibilidade de imposição de multa de ofício pelo não pagamento da multa de mora no recolhimento extemporâneo de tributo; não obstante tal alteração legislativa ter ocorrido após a lavratura do AUTO, deve ser aplicado ao caso o princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106 do CTN: [...]; a jurisprudência do CARF já teve oportunidade de se manifestar nesse sentido, conforme se verifica da leitura do Acórdão nº 10616.761, cuja ementa é abaixo reproduzida: [...]; esse entendimento foi reiterado em diversos julgamentos posteriores, o que levou o CARF a editar a Súmula CARF nº 74: "Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1º, II, da Lei nº 9.430/96"; DO PEDIDO por todo o exposto, pede e espera a recorrida: (i) seja reformada a decisão proferida pelo Ilmo. Sr. Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, negandose seguimento ao Recurso Especial interposto pela recorrente ou; (ii) caso assim não se entenda, o que se faz apenas para argumentar, seja o referido recurso julgado improcedente e definitivamente cancelado o AUTO lavrado contra a recorrida. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para conhecer do recurso especial da PGFN. É procedente a preliminar de não conhecimento que a contribuinte apresentou em sede de contrarrazões. No caso dos autos, a contribuinte efetuou recolhimento extemporâneo do IRPJ relativo ao 4º trimestre de 1999, sem o acréscimo da multa de mora. O presente processo abrange lançamento da multa isolada que era prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória). Quanto à referida preliminar, a contribuinte alega: que a fiscalização entendeu que os valores recolhidos seriam insuficientes porque a denúncia espontânea efetuada pela recorrida não teria o condão de excluir a referida multa de mora; que a situação fática tratada pelo acórdão recorrido tem por fundamento o recolhimento a menor de valores devidos ao Fisco, isto é, referese a suposto descumprimento de uma obrigação de dar (pagar) e não de uma obrigação de fazer (acessória), como aquela analisada pelos paradigmas; que o não recolhimento de multa de mora em razão de pagamento de tributo em atraso jamais poderia configurar descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); que não se pode confundir a multa aplicada por mero descumprimento de obrigação relativa à entrega de GFIP (obrigação acessória) com aquela em que a penalidade foi aplicada porque, após a análise dos valores apurados ("lançados") e recolhidos pelo contribuinte, o Fisco entendeu que eles não seriam suficientes; e que os votos proferidos pelos Conselheiros Relatores dos paradigmas são claros no sentido de que: (i) as multas analisadas não decorreriam do recolhimento a menor de valores, mas de descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); e (ii) por não haver análise (homologação) dos valores recolhidos pelo contribuinte (obrigação de dar), deveria ser aplicada a regra geral de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do CTN (e não aquela estabelecida pelo 150, § 4º, do CTN, aplicável aos casos em que há análise dos valores recolhidos pelo contribuinte). Ao dar seguimento ao recurso especial, o despacho monocrático considerou como aspecto comum das decisões cotejadas, o fato de elas tratarem de aplicação de multa Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 12 11 isolada. O recorrido teria aplicado o prazo do art. 150, §4º, do CTN, enquanto os paradigmas teriam aplicado o prazo do art. 173, I, também do CTN. Ocorre que os paradigmas, para aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN deram ênfase ao fato de o lançamento não envolver falta (ou insuficiência) de recolhimento, mas típico descumprimento de obrigação acessória (irregularidade na entrega da GFIP), senão vejamos: Acórdão paradigma nº 20601.735 [...] No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. Porém no Auto de Infração em questão, estamos falando de aplicação de decadência qüinqüenal em lançamento que não envolve em princípio recolhimento, mas cumprimento de obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, qual seja entregar o documento GFIP. Portanto, nos casos de lavratura de auto de infração não entendo cabível a aplicação do art 150 § 4°, nem mesmo análise de existir ou não recolhimento, visto que os mesmos não se confundem, consistindo o recolhimento em obrigação principal e a elaboração e entrega do documento cumprimento de obrigação acessória, neste casos, há de ser aplicada a tese do art. 173 do CTN. Acórdão paradigma n° 240200.182 [...] Como não se trata de lançamento por homologação, pois não há recolhimentos há homologar, aplicase a regra do lançamento de oficio, já que por ser autuação e não lançamento sua natureza sempre será de ofício. Portanto: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Os paradigmas não generalizaram a ideia de que a aplicação de multa isolada enseja sempre a contagem da decadência pelo art. 173, I, do CTN, independentemente do tipo de obrigação que foi descumprida. Ao contrário, os paradigmas especificaram bem o contexto que, segundo eles, justificava a aplicação do referido prazo, e esse contexto não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 13 12 No caso do acórdão recorrido, a multa isolada era tão associada à constatação de pagamento insuficiente, que hoje em dia, após as alterações implementadas pela Lei 11.488/2007, este tipo de lançamento se dá pela imputação proporcional do pagamento, e não mais pela aplicação da referida multa isolada. Aliás, se fosse o caso de conhecer do recurso, a multa isolada em questão não subsistiria, porque a lei a extinguiu. O CARF, inclusive, já editou duas súmulas a respeito disso: Súmula CARF nº 31 e Súmula CARF nº 74. Mas em relação ao não conhecimento, o que precisa ser destacado é que não há paralelo entre os paradigmas e o acórdão recorrido, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. O contexto específico que justificou as decisões paradigmas não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.001924/2008-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
Inserem-se no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-005.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 19 24 /2 00 8- 82 Fl. 6549DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3102002.043, de 25/09/2013, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências). NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matériasprimas aplicadas no processo de produção. DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 6550DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 4 3 Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento de créditos do PIS/Pasep, apurados no regime de incidência não cumulativa exportação, relativos ao ano calendário de 2007, que foram cumulados com pedidos de compensação. A Fazenda Nacional pede o provimento do seu recurso especial em relação aos seguintes itens: (1) direito creditório relativo a bens indicados no CFOP 1.556 e 2.556, relativos às exigências da vigilância sanitária, quais sejam, produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos, (2) relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes; (3) gás liquefeito de petróleo GLP utilizados na queima do pêlo suíno para abate. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho de Exame de Admissibilidade, efls. 6536/6543, exarado pelo então Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido, bem como do recurso especial e do despacho de admissibilidade e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS/Pasep no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, no Acórdão recorrido adotou como critério o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido tenha uma relação de pertinência entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Fl. 6551DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 5 4 Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 6552DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 6 5 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. Passamos então a analisar os itens objeto do recurso da Fazenda Nacional: Fl. 6553DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 7 6 (1) direito creditório relativo a bens indicados no CFOP 1.556 e 2.556, relativos às exigências da vigilância sanitária, quais sejam, produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. Quanto a esse item, importante transcrever abaixo trecho do voto constante do Acórdão da DRJ para deixar claro que a insurgência do contribuinte não é total quanto aos itens glosados, veja a seguir: (...) A interessada comentou o entendimento do fisco, de que os bens classificados no CFOP 1.556/2.556, não se enquadrariam no conceito de insumo e que representariam bens de uso e consumo, glosando, da base de cálculo de créditos, o montante de R$ 6.763.448,36 (representado por 8.803 notas fiscais, relacionadas As fls. 4722/4983); a contribuinte concorda com tal glosa até o montante de R$ 4.240.897,69, dizendo que, por outro lado, o valor remanescente (R$ 2.522.550,67) seria referente a bens utilizados no processo industrial, tais como matériasprimas, insumos de produção e embalagem, o que lhe conferiria direito ao correspondente crédito, anexando, às fls. 6255/6325, lista de tais bens. (...) Quanto a esses itens, o Acórdão recorrido concedeu o direito ao crédito em relação aos seguintes itens, destacados no trecho abaixo transcrito do voto da relatora: (...) Feito este esclarecimento e tendo em vista que a Recorrente se dedica à produção de carne e leite para consumo humano, por óbvio que se devem incluir no conceito de insumo os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. (...) Quero registrar que a própria Receita Federal já afastou a necessidade de que para ser insumo e ter direito ao crédito, haja necessidade do desgaste do bem consumido, pelo contato físico com o bem em produção. Tal fato pode ser constatado pelo que foi disposto na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016. Abaixo transcrevo a sua ementa em relação ao PIS que é idêntica da Cofins: Fl. 6554DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 8 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; Fl. 6555DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 9 8 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. (...) Penso que esta interpretação está mais coerente, sobretudo com o disposto no inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, na medida em que se exige que o bem ou serviço seja aplicado e consumido diretamente no processo produtivo do bem destinado a venda. Entendo que não há espaço para estender para outros bens ou serviços utilizados na etapa préindustrial ou em período posterior ao encerramento do processo produtivo. Fl. 6556DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 10 9 Neste sentido pelo que foi exposto no voto do Acórdão recorrido, pareceme que os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos, atende ao conceito de insumos erigidos pela Lei, na medida em que são utilizados e consumidos no processo produtivo propriamente dito do produto destinado a venda. Compreendo que a utilização destes produtos têm o mesmo alcance dos itens 3a e 3c da Solução de Divergência acima transcrita. (2) relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes Nesta mesma linha de entendimento, o acórdão recorrido reconheceu a legitimidade dos créditos relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes utilizados também no processo produtivo. Ante a falta de evidência de que não se destinam ao uso e consumo dentro do processo produtivo, penso que não há como não acatar referidos créditos, pelas mesmas razões já expostas no item anterior. (3) gás liquefeito de petróleo GLP utilizados na queima do pêlo suíno para abate. Compreendo que se trata de insumo utilizado diretamente no processo industrial do contribuinte. Assim, por se tratar de bens utilizados e consumidos dentro do processo produtivo do produto destinado a venda, nego provimento ao RE da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 6557DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.723523/2009-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALUGUEL DE CLUBE DE FUTEBOL. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS.
Não pode prosperar o lançamento de contribuições previdenciárias sobre o lançamento contábil "aluguel de campo de futebol" quando a fiscalização não se desincumbe de identificar quais os beneficiários da utilidade, nem mesmo pela solicitação de informações durante o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9202-005.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator) e Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARDIO PULMONAR DA BAHIA S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALUGUEL DE CLUBE DE FUTEBOL. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. Não pode prosperar o lançamento de contribuições previdenciárias sobre o lançamento contábil "aluguel de campo de futebol" quando a fiscalização não se desincumbe de identificar quais os beneficiários da utilidade, nem mesmo pela solicitação de informações durante o procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 23 /2 00 9- 44 Fl. 1091DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator) e Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal DEBCAD nº 37.169.6429, à efl. 02, cientificado à empresa contribuinte em 14/07/2009, com relatório fiscal da infração às efls. 27 a 52. De acordo com o relatório fiscal o auto de infração visou à exigência de contribuições sociais devidas pelo contribuinte às entidades e fundos denominados Terceiros foram lançadas em observação ao disposto no art. 94, bem como no art. 30, inciso I, alínea b, todos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 18.233,06, consolidado em 07/07/2009, referindose a ao período de apuração de 01/2005 a 12/2006. O lançamento foi impugnado, às efls. 641 a 660, em 12/08/2009. Já a 5ª Turma da DRJ/SDR, no acórdão nº 1527.861, prolatado em 27/07/2011, às efls. 992 a 1011, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada com o resultado, em 10/07/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1014 a 1023, argumentando em apertado resumo: · fornecimento de alimentação in natura, independentemente de inscrição no PAT não se sujeita à incidência de contribuição previdenciária; · valores pagos por aluguel de campo de futebol para os empregados não são remuneração pelo trabalho, mas lazer para eles e suas famílias, pois nem mesmo existiria Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.092 3 nexo causal entre o pagamento disso e os serviços prestados; · ressarcimento de despesas de táxi de seus colaboradores não tem caráter remuneratório, mas de indenização; · pela regra da retroatividade benigna ao caso concreto, a multa aplicável seria a do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 16/04/2013, resultando no acórdão 2403001.993, às efls. 1044 a 1055, que tem as seguintes ementas: OBRIGAÇÃO. EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES. RECOLHER. A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas às outras entidades incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. ALIMENTAÇÃO Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL. Aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição. RESSARCIMENTO DE DESPESAS COM TÁXI. Não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em relação às verbas pagas a título de reembolso de despesas realizadas por colaboradores que se utilizaram de táxi. MULTA. RECÁLCULO. Tratandose de crédito não definitivamente julgado, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação. 2) Por maioria de votos, em determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos, ao aluguel do campo de futebol, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. 3) Por maioria, excluir o levantamento TAXTransportadores Autônomos. Vencidos Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Carlos Mees Stringari (relator) Designado para redigir o voto o Fl. 1093DF CARF MF 4 conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto 4) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício e recalcular a multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. RE da Fazenda Nacional A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 14/10/2013, interpôs recurso especial de divergência (efls. 1056 a 1076) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmados no CARF no tocante a duas matérias: a) Despesa de aluguel de campo de futebol: com base nos acórdãos paradigmas nº 20600.006 e nº 20500.727, enquanto a decisão recorrida afastou a incidência tributária com respaldo na alegação de que a referida despesa não constitui retribuição pelo trabalho do empregado, os acórdãos paradigmas entendem que toda e qualquer verba paga ao funcionário decorre da relação de emprego, apenas podendo excluída do salário de contribuição nas hipóteses expressamente previstas na legislação, sendo os demais formas de salário indireto; e b) Multa, em face da retroatividade benigna: tomando como paradigmas os acórdãos nº 230100.283 e nº 240100.120, explicitando a divergência, assim se manifestou o Procurador: Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. (...)Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Ao final pleiteia que seja conhecido do seu recurso especial e que lhe seja dado provimento para que: (1) seja mantido o crédito tributário relativo ao aluguel de campo de futebol e (2) seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, § 5º, da norma revogada) ou a do art. 35 A da MP 449/2008. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.093 5 O recurso especial de divergência da Procuradora foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 1077 a 1082, datado de 11/11/2015, entendendo por lhe dar seguimento, relativamente às duas matérias propostas, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Intimada (efl. 1085) do acórdão nº 2403001.993, do recurso especial da Fazenda, e do seu despacho de admissibilidade em 02/05/2016 (efl. 1087), a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Despesa com campo de futebol Para avaliar a pertinência da inclusão do pagamento de aluguel de campo de futebol para funcionários como ganho habitual, no campo das remunerações sobre as quais incidiriam contribuições previdenciárias, penso que se deva iniciar pelo conceito de saláriode contribuição posto no art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Negritei.) Tratandose de ganho habitual, tomo por base lição1 do Professor Sergio Pinto Martins Professor Titular de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da USP , na qual se busca o conceito, com a seguinte exposição: Dispõe o parágrafo 11.º do artigo 201 da Constituição que "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei". Da última expressão do dispositivo constitucional verificase que tal preceito não tem aplicabilidade imediata, pois fica dependente de complementação pela legislação ordinária. O inciso I do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 utiliza outra expressão, afirmando que entendese por saláriode contribuição "os ganhos habituais sob a forma de utilidades". Necessário se faz, portanto, verificar o que vem a ser ganho habitual e como a lei define a incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba. 1 In: http://www.cartaforense.com.br/conteudo/colunas/ganhoshabituais/6731 acessado em 28/08/2017. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.094 7 Será considerado ganho habitual qualquer pagamento feito ao empregado que seja repetido no tempo, tendo, portanto, habitualidade. Pagamentos eventuais serão, portanto, excluídos. (...) Os ganhos habituais deverão ter, portanto, certa frequência ou periodicidade para serem considerados como tal. Assim, um pagamento feito a cada cinco anos não será incluído no conceito de ganho habitual. Tanto são ganhos habituais os pagamentos diretos feitos ao empregado, como os indiretos. Devem ser, contudo, pagamentos provenientes do contrato de trabalho. Se o pagamento não for feito em virtude do contrato de trabalho, não terá natureza de ganho habitual, mas será um pagamento feito em função de outra relação jurídica entre as partes, como de prestação de serviços de trabalhador autônomo, empresário etc. Os ganhos habituais serão prestações que o empregado recebe, porém não tem que despender numerário para adquirir, fazendo com isso uma economia, sendo, assim, considerados ganhos. A Lei Maior faz menção a ganhos habituais a qualquer título, isto é, com qualquer nome que seja utilizado. Isso quer dizer que se trata de pagamento que tanto pode ser contratado diretamente pela prestação dos serviços ou indiretamente. Não haverá necessidade de se convencionar expressamente o ganho habitual, podendo, portanto, ser tácito o pacto, pois o contrato de trabalho é ajustado expressa ou tacitamente (art. 442 da CLT). (...) O artigo 458 da CLT mostra que o salário in natura compreende alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações que a empresa por força do contrato, ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Assim, pagamentos que forem feitos com habitualidade a título de transporte (não confundir com valetransporte), higiene, saúde, habitação, vestuário, alimentação ou outros serão enquadrados como ganhos habituais. (...) Outras verbas que forem pagas ao empregado habitualmente também serão consideradas ganhos habituais, como conta de água e luz, pois o empregado está tendo um ganho ao não precisar pagar tais valores. O mesmo podese dizer quanto ao pagamento feito pelo empregador ao empregado a título de despesas de cartão de crédito, mensalidade de clube ou escolar, passagens aéreas, consórcio, etc. (Negritei.) Por isso, com a devida vênia do relator do acórdão a quo, não vejo com deixar de realizar um paralelo entre pagamentos realizados a um clube, cujos Fl. 1097DF CARF MF 8 serviços/benefícios são disponibilizados aos empregados da empresa, justamente por terem eles vínculo trabalhista com essa empresa, e qualquer outro ganho em utilidade, que os empregados recebam em razão de seu vínculo trabalhista. Ora, o aluguel de espaço para prática de esporte, colocado à disposição dos empregados, é uma utilidade, destinada ao lazer, a eles disponibilizada pelo empregador. Se eles vão ou não utilizála não descaracteriza o benefício oferecido. Observese que se um terceiro, não empregado, desejasse utilizar esse espaço para prática esportiva, teria que pagar por ele, pois não teria o vínculo com a empresa que garantisse tal disponibilidade. Para que algum ganho habitual decorrente do vínculo trabalhista com a empresa não fizesse parte da remuneração, deveria ele ter natureza indenizatória ou ser excepcionado por lei, tal como se observa no § 9º do art. 28, anteriormente citado. Dessa forma, concluo que os pagamentos de aluguel de campo de futebol realizados pela empresa para usufruto de seus funcionários se enquadra no conceito de remuneração e por isso sujeitase à tributação por contribuição previdenciária, na moldura da Lei nº 8.212/1991. Isso posto, voto pelo provimento do recurso especial de divergência da Fazenda nessa matéria. Multas, aplicação da retroatividade benigna. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.095 9 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela Fl. 1099DF CARF MF 10 decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.096 11 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 1101DF CARF MF 12 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.097 13 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 1103DF CARF MF 14 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Dessarte, voto pelo provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou provimento ao recurso para que seja mantido o crédito tributário relativo ao aluguel de campo de futebol e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.098 15 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada. Peço licença ao ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos para divergir do seu entendimento quanto ao provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional em relação ao lançamento sobre aluguel de campo de futebol. ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL Quanto a considerar o pagamento de aluguel de campo de futebol como salário de contribuição para efeitos previdenciários, entendo que não assiste razão a recorrente, pelos motivos abaixo expostos. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado, entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Embora não esteja encaminhando pelo provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional no presente caso, não estou descartando a possibilidade de considerar como salário indireto (dentro do conceito de salário de contribuição), benefícios de clubes, ou mesmo outras utilidades que beneficiem diretamente o empregado como a ora lançada. Contudo, para que possamos enquadrar a utilidade como salário indireto em relação ao segurado empregado ou contribuinte individual, devese estabelecer a correlação entre o beneficio ofertado e os beneficiários. A legislação previdenciária, quando define o conceito de salário de contribuição, destaca para o segurado empregado "a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades". Sabemos, que a contribuição previdenciária não é um mero tributo sem vinculação a determinado segurado, Fl. 1105DF CARF MF 16 pelo contrário, o que se busca é arrecadar a contribuição sobre os ganhos diretos ou indiretos destinados a determinado empregado ou contribuinte individual, sendo que o valor recolhido/ cobrado/lançado irá compor a sua vida de contribuições, para um dia servir de base de cálculo para pagamento dos benefícios previdenciários. Dessa forma, antes mesmo de efetivar o lançamento, deve a fiscalização identificar a verba passível de ser considerada utilidade e solicitar ao sujeito passivo (empregador) os benefíciários da referida utilidade, para só então promover a lavratura do correspondente auto de infração de obrigação principal. Alías, vale lembrar que o lançamento de contribuições previdenciárias sobre determinada utilidade enseja, inclusive, a lavratura de auto de infração pela ausência de informação em GFIP com a indicação do salário de contribuição omitido. Agora, vejamos o relato fiscal, fls. 27 a 52, quanto a connfiguração da verba intitulada "FUT Aluguel de campo de futebol" como salário de contribuição: Observase que o auditor não fez qualquer esforço para vincular quem seriam os beneficiários da utilidade lançada, nem mesmo identificase no Termos de Solicitação de Documentos (TIAF), pedidos de informações adicionais acerca dos trabalhadores beneficiários, fls. 53 a 62, o que impede que o lançamento prospere, não pelos fundamentos trazidos no acórdão recorrido, mas pela impossibilidade de vincular a verba paga pela empresa, ao segurado para efeitos de definição do conceito de salário de contribuição. Da mesma forma, peço vênia, ao relator dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, para discordar do seu posicionamento quanto ao encaminhamento do voto. Não discordo que o aluguel de espaço para prática de esporte, colocado à disposição dos empregados, é uma utilidade, mas, quem são os benefíciários? No mínimo, deve a fiscalização identificar os destinatários. Como descrito acima, o auditor não trouxe ou solicitou qualquer informação que pudesse dar lastro ao lançamento. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.099 17 Aliás a própria doutrina trazida pelo relator, demonstra a necessária vinculação de beneficiários, ou no mínimo a necessária solicitação à empresa para que os identifique, já que assim descreve: "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios" . Senão vejamos: Dispõe o parágrafo 11.º do artigo 201 da Constituição que "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei". Da última expressão do dispositivo constitucional verificase que tal preceito não tem aplicabilidade imediata, pois fica dependente de complementação pela legislação ordinária. Dessa forma, entendo que da forma como descrito na autuação, não merece prosperar o lançamento pela ausência de identificação do salário de contribuição em relação aos seus beneficiários. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial Fazenda Nacional, em relação a verba aluguel de clube de Futebol. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.012174/2008-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE.
INCLUSÃO RETROATIVA.
A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
Numero da decisão: 1001-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 21 74 /2 00 8- 48 Fl. 38DF CARF MF 2 Tratase de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional. A empresa obteve o registro no CNPJ em 03/12/2007, mas obteve alvará junto à Prefeitura Municipal de Quatro Barras somente em 28/07/2008. Após esta data solicitou a inclusão no Simples Nacional, porém o mesmo foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR (Despacho Decisório de fl. 16), pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias. Após tomar ciência do contido no Despacho Decisório a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. O relatório (efl. 28) da decisão recorrida bem descreve os argumentos do recurso: A requerente tem como data de abertura no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, o dia 03/12/2007, porém o processo de Inscrição Municipal, por inúmeras exigências do fisco municipal, só foi concluído no dia 28/07/2008, com a emissão do Alvará de Licença e Localização pela Prefeitura Municipal de Quatro Barras, Paraná, conforme cópia em anexo. Como a Inscrição Municipal foi obtida depois de decorrido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, o que ocorreu em 03/12/2007, a requerente ficou impedida de efetuar a opção pelo Simples Nacional retroativa a data de abertura no CNPJ. Porém a Requerente entende que teria o prazo de 30 (trinta) dias, após o deferimento da última inscrição, seja municipal ou estadual, para fazer a opção pelo Simples Nacional, com efeitos retroativos ao primeiro dia do anocalendário. A vista do exposto, requer seja acolhida a presente manifestação de Inconformidade, com o deferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, com data retroativa a 01/01/2008. Aquela decisão de primeira instância (efls. 27/30) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/05/2013 (AR efl. 33 c/c art 23, § 2° II do Decreto 70.235/72) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em de 22/05/2013 (efl. 35), em que repete os argumentos da manifestação de Inconformidade citada. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Tratase de indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional retroativa à data de início de atividade, pedido indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR (Despacho Decisório de fl. 16) e pela decisão recorrida, pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias, visto que o registro no CNPJ deuse em 03/12/2007, mas o alvará junto à Prefeitura Municipal de Quatro Barras somente foi obtido em 28/07/2008. O § 3º do art. 7° da Resolução CGSN nº 4/2007 permite a inclusão retroativa da empresa em início de atividade no Simples Nacional: § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10980.012174/200848 Acórdão n.º 1001000.144 S1C0T1 Fl. 39 3 I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional Mas o § 6° do mesmo artigo impõe um limite de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, para aquele opção retroativa ao início das atividades. "§ 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo." Ou seja, passados os 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ resta a empresa optar ao Simples Nacional segundo a regra geral, inscrita no caput do art. 7° já citado: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Desta forma, ultrapassado o prazo regulamentar restava ao contribuinte optar pelo Simples Nacional a partir do ano posterior (2009), seguindo a regra geral do art. 7°, o que foi feito (efl. 18). Observo que não houve opção pelo Simples Nacional para viger a partir de 01/01/2008, razão pela qual não se justifica o pleito do contribuinte aposto no recurso voluntário. Tal opção também não é prevista na Resolução CGSN nº 4/2007, editada segundo o prescrito no § 7º do art. 2º da LC 123/2006, razão pela qual não há respaldo legal para o seu deferimento, mesmo que se constatasse que a demora pela emissão do Alvará de Licença e Localização se devesse a culpa da Prefeitura Municipal de Quatro Barras, Paraná, o que entendo que não restou comprovado. art. 2º (...) § 7º Ao Comitê de que trata o inciso III do caput deste artigo compete, na forma da lei, regulamentar a inscrição, cadastro, abertura, alvará, arquivamento, licenças, permissão, autorização, registros e demais itens relativos à abertura, legalização e funcionamento de empresários e de pessoas jurídicas de qualquer porte, atividade econômica ou composição societária. Desta forma, voto por conhecer e indeferir o recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 40DF CARF MF 4 Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.720038/2015-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2015
IPI. ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE.
O direito à isenção do IPI, destina-se àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional).
Numero da decisão: 3001-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
assinado digitalmente
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2015 IPI. ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. O direito à isenção do IPI, destina-se àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional).
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ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. O direito à isenção do IPI, destinase àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vicepresidente) e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 00 38 /2 01 5- 98 Fl. 62DF CARF MF 2 Cuidase de recurso voluntário (fls. 41/42) contra o Acórdão nº 1458.885, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ RPO), da sessão de 18.06.2015 (fls. 36/38), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente (fls. 24/28), que, na ocasião, não reconheceu o direito ao benefício à aquisição de veículo com isenção de IPI, para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi). Do Pedido de Isenção À época, o requerente efetuou, à vista da documentação apresentada, pedido de reconhecimento à fruição da isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), na aquisição de automóvel destinado ao transporte autônomo de passageiros (táxi), por entender que preenchia os requisitos exigidos pela Lei nº 8.989 de 24.02.1995 e pela Instrução Normativa RFB nº de 22.12.2009. Do Despacho Decisório Em face da análise do referido requerimento, foi exarado o respectivo despacho decisório, que assim concluiu: DESPACHO DECISÓRIO Nº 0280, de 20/03/2015 PROCESSO Nº 13854.720038/201598 (...) Em análise ao processo, de Isenção de IPI (TAXI) supra, para aquisição de veículo na categoria aluguel, em face do disposto na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e na Instrução Normativa RFB nº 987, de 22 de dezembro de 2009, alterada pela IN RFB nº 1.368/2013 foram feitas as seguintes verificações: Quesitos a cumprir Regular Folhas e ou Descrição do fato D Cópia da CNH do requerente em que conste a informação de que exerce atividade remunerada (art. 147 da Lei nº 9.503, de 1997 e art. 4º, § 1°, inciso II, da IN RFB 987, de 2009). NÃO 4 CNH do requerente, desatualizada, sem o indicativo “Exerce atividade remunerada” no campo de observações. J Verificação da existência de um único veículo de passageiro utilizado como táxi no sistema RENAVAM HOD e Sítio do ESTADO (art. 2º, § 3º, da IN RFB 987, de 2009). NÃO INDEFERIDO Requerente não possui veículo na categoria ALUGUEL, o que contraria o Art. 1, I da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. (...) AII). ( X ) INDEFIRO o requerimento de isenção de IPI, para a aquisição de veículo na categoria Taxi, face ao não cumprimento dos quesitos, não eventuais, supra assinalados Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 52 3 como “NÃO Regular”, sendo facultado ao interessado(a) a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados à partir da ciência deste despacho. Da Manifestação de Inconformidade Diante do não reconhecimento da isenção pleiteada, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade à época. Que reproduzo (sic): ASSUNTO: REQUERIMENTO DE ISENÇÃO DE IPI Eu, Levino de Jesus Santana, CPF: 203.182.94915, venho através deste apresentar os documentos comprobatórios. I Carteira Nacional de Habilitação nº de registro 01459397872, com validade até o dia 24 de março de 2020, categoria "AD", expedida no dia 26/03/2015, onde citase no campo de observação a seguinte informação "EXERCE ATIVIDADE REMUNERADA". II Possuia automovel, VW/Parati 1.6 comfort. ano FAB/MOD: 1006/2006 de Placa: DBM1070, BebedouroSP, Categoria "ALUGUEL", que foi vendido no dia 05 de Dezembro de 2014, para compra de um veiculo 0 KM, do qual estou solicitando a isenção de IPI, de veiculo na categoria Taxi. OBS: Segue anexo as copias da CNH e Recibo de venda do veiculo. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no Acórdão nº 1458.885, da 3ª Turma da DRJ/RPO, da sessão de 18 de junho de 2015, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2015 ISENÇÃO. TÁXI. EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. PROPRIEDADE DE VEÍCULO. O direito à aquisição de veículo para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), destinase apenas ao motorista profissional que comprovadamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Voto Fl. 64DF CARF MF 4 Em sua manifestação de inconformidade, veio a interessada alegar que possui CNH com a citação "exerce atividade remunerada" no campo de observações e que possuía veículo na categoria aluguel, o qual foi vendido para a compra de um novo. O requisito quanto à CNH foi superado com o documento de fl. 25. (...) O art. 3º desta mesma lei determina que “a isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei”. A Receita Federal normatizou estes requisitos com a edição de instruções normativas. Atualmente encontrase em vigor a Instrução Normativa (IN) RFB nº 987, de 2009, que considera como destinatário da isenção “o motorista profissional que exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público” (art. 2º, I, “a”). E mais, o § 4º do mesmo dispositivo acrescenta que a propriedade será caracterizada na data do requerimento do benefício pelo interessado. Portanto, à vista dos comandos normativos citados, e tendo em vista que a requerente reconhece ter vendido o veículo antes do requerimento, não logrando comprovar a superação do entrave que motivou o indeferimento combatido (a falta de comprovação do exercício da atividade em veículo de sua propriedade), não há como esta autoridade julgadora reconhecerlhe o direito pleiteado. Do Recurso Voluntário Irresignado, o requerente interpôs recurso voluntário, nos seguintes termos (sic): Eu, Levino de Jesus Santana, RG: 25.260.4763, CPF: 203.182.49915, protocolei na Receita Federal do Brasil, na cidade de Bebedouro, o pedido para isenção de IPI, para ter desconto na compra de um carro para categoria de taxi. Conforme foi solicitado no processo 13854.720038/201598, no despacho decisivo do acordão nº 1458.885 de 18/06/2015, que foi indeferido por: I Conforme cita o veiculo em sua propriedade, tenho ciencia que o veiculo estava em minha propriedade portanto foi vendido para compra de outro veiculo. II A compra de outro veiculo não foi realizada, porque estou requerendo a equipe de insenção de IPI, para que eu possa comprar outro que não foi adquirido até a presente data. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 53 5 III E a venda do veiculo que era taxi foi efetuada porque tenho ciencia que não pode ter mais de um veiculo no meu nome, por isso que houve a venda. Certo do deferimento do processo, e da minha necessidade de trabalhar, agradeço. É o relatório. Voto Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (fl. 43), foi protocolado, via eprocesso, em 15.07.2015 (quartafeira). A ciência ao interessado da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme Comunicado nº 01110/2015 (fl. 39), entregue por meio de Aviso de Recebimento "AR" dos Correios (fl. 45), ocorreu em 13.07.2015 (segundafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto nº 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Do Mérito A questão dos autos diz respeito à isenção de IPI para aquisição de táxi. Em face da manutenção parcial dos fundamentos do Despacho Decisório nº 0280, exarado em 20.03.2015, por AFRFB integrante da Equipe de Isenção de IPI e IOF, da Superintendência Regional da RFB 8ª Região Fiscal (fl. 20), conforme decidido pela DRJ RPO, a questão posta à esta Turma de Julgamento cingese em definir se o fato de o interessado haver vendido veículo (táxi), até então de sua propriedade, antes do requerimento que deu origem ao presente processo, justifica subtrairlhe o direito de pleitear a referida isenção tributária, quando da aquisição de outro veículo para a mesma finalidade daquele anteriormente alienado. Dispõe a Lei nº 8.989, de 24.02.1995, em seus artigo 1º, incisos I e II, 2º, caput e 7º: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (Vide art 5º da Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de Fl. 66DF CARF MF 6 passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); (Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) II motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); (...) Art. 2o A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata o art. 1o desta Lei somente poderá ser utilizada uma vez, salvo se o veículo tiver sido adquirido há mais de 2 (dois) anos. (...) Art. 7o No caso de falecimento ou incapacitação do motorista profissional alcançado pelos incisos I e II do art. 1º desta lei, sem que tenha efetivamente adquirido veículo profissional, o direito será transferido ao cônjuge, ou ao herdeiro designado por esse ou pelo juízo, desde que seja motorista profissional habilitado e destine o veículo ao serviço de táxi. (...) Dispõe a Instrução Normativa RFB nº 987, de 22.12.2009 (vigente à época): Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a aquisição de veículos destinados ao serviço de transporte individual autônomo de passageiros (táxi), com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Parágrafo único. Os procedimentos de que tratam esta Instrução Normativa serão conduzidos por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) com o auxílio de servidores da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). CAPÍTULO I Dos Destinatários da Isenção Art. 2º Poderão adquirir, com isenção do IPI, para utilização na atividade de transporte individual de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), automóvel de passageiros, incluído o veículo de uso misto, de fabricação nacional, equipado com motor de cilindrada não superior a 2.000cm3 (dois mil centímetros cúbicos), de no mínimo 4 (quatro) portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movido a combustível de origem renovável, ou sistema reversível de combustão, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi): I o motorista profissional que: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 54 7 a) exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público; ou b) seja titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi) e esteja impedido de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo; e (...) § 1º O direito à aquisição com o benefício da isenção de que trata o caput poderá ser exercido apenas uma vez a cada 2 (dois) anos, sem limite do número de aquisições, observada a vigência da Lei nº 8.989, de 1995. § 2º Em qualquer hipótese, o prazo de 2 (dois) anos: I para uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI deverá ser obedecido, ainda que tenha ocorrido, nesse prazo, destruição completa, furto ou roubo do veículo; e II terá como termo inicial a data de emissão da Nota Fiscal da aquisição anterior com isenção do IPI. § 3º Para efeito de reconhecimento da isenção entendese como condutor autônomo de passageiros o motorista que seja proprietário de apenas um automóvel utilizado como táxi, admitida a propriedade de outros veículos, mesmo que para aluguel, desde que não utilizados como táxi. § 4º A propriedade referida no § 3º será caracterizada na data do requerimento do benefício pelo interessado. Art. 3º Em caso de falecimento ou incapacitação do motorista profissional depois de concedida a autorização sem, entretanto, ter adquirido o veículo com isenção, poderá o direito ao benefício ser transferido ao cônjuge, ao companheiro ou ao herdeiro designado por estes ou pelo juízo, desde que o beneficiário da transferência atenda as condições estabelecidas nesta Instrução Normativa. (...) CAPÍTULO II DOS REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO BENEFÍCIO Art. 4º Para habilitarse à fruição da isenção, o interessado deverá apresentar à unidade da RFB, da jurisdição do local onde o taxista exerce essa atividade, formulário de requerimento, em 2 (duas) vias, conforme modelo constante do Anexo III, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat). Fl. 68DF CARF MF 8 § 1º O motorista profissional autônomo deverá apresentar, na data do requerimento: I Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial, na forma do Anexo II, compatível com o valor do veículo a ser adquirido; e II cópia da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em que conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo (art. 147 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro); III declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente (art. 135 da Lei nº 9.503, de 1997), comprobatória de que: a) exerce, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi); ou b) é titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), não estando no exercício da atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo. (...) Verificase, pois, que a exigência da lei e da sua norma regulamentadora, para o benefício de isenção do IPI, diferentemente do manifestado na decisão recorrida, que fundamentou a improcedência da manifestação de inconformidade no fato de o requerente haver reconhecido que alienou o veículo (táxi) antes de formular o referido pleito isencional e, por conseguinte, não logrou êxito em "comprovar a superação do entrave que motivou o indeferimento combatido (a falta de comprovação do exercício da atividade em veículo de sua propriedade)", é no sentido do comprovado exercício de atividade de transporte individual de passageiros, com a devida autorização prévia do Poder Público. Vejamos, pois, os documentos acostados, notadamente a (1) declaração prestada nos moldes do Anexo II da Instrução Normativa RFB nº 1368, de 26.06.2013, cujo texto préimpresso dispõe: "DECLARA, sob as penas da lei, que possui disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do(s) veículo(s) a ser(em) adquirido(s), com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a que se refere o art. 1º da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003", o (2) declaração prestada, pela Secretaria Municipal de Defesa Social do município de BebedouroSP, "exercia desde 19/08/1999, e continua exercendo a atividade de condutor autônomo de passageiros (taxi), em veículo de sua propriedade, tendo o atual, as seguintes características: Veículo Marca: Volkswagen Modelo: Parati 1.6 Comf. Ano de fabricação: 2006 Placa: DBM1070", a (3) Nota Fiscal de Saída nº 114.293, emitida em 05.07.2006, por COMERI Comercial de Automóveis Ltda., dando conta que na mencionada data o pleiteante adquiriu o Volkswagen, modelo Parati 1.6 Confortline, novo, código Renavan 116665 10, fabricação/Modelo 2006 2006, adquirido de Volkswagen do Brasil Ltda., com a seguinte observação: "Venda sem reserva de domínio e sem alienação fiduciária. Usuário taxista não poderá alienar este veículo nos próximos dois anos sem autorização do Fisco", a (4) "Autorização para Transferência de Veículo" do "Certificado de Registro de Veículo" referente ao veículo VW/Parati 1.6, ano 2006, de placa DBM1070, dando conta o que automóvel foi alienado pelo requerente em 05.12.2014, por R$ 26.000,00 e a (5) "Carteira Nacional de Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 55 9 Habilitação", emitida em 26.03.2015, dando conta, no campo "Observações", que o requerente (detentor do documento) "Exerce Atividade Remunerada". Da exegese da norma relativa a necessidade de requerimento prévio se extrai que o objetivo do legislador foi de evitar que seja dado ao bem destino outro que não aquele previsto em lei. Portanto, temse que o motorista profissional, pretendendo adquirir automóvel com a finalidade de usálo como táxi, deve apresentar previamente a documentação necessária ao órgão fazendário que defere, preenchidos os demais requisitos, a isenção do tributo. Em consequência, o veículo já é expedido pela montadora sem a cobrança do IPI. Logo, temse que a interpretação constante do Despacho Decisório nº 0280, corroborada pelo Acórdão nº 1458.885, além de desvirtuar a norma de regência, antes reproduzida em parte, ultrapassa os requisitos nela previstos para habilitação ao benefício, pois ao pretendente à aquisição de veículo com as características previstas no artigo 1º da Lei nº 8.989, de 24.02.1995, é exigida demonstração prévia de ser motorista profissional que exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público, e posterior, que o utilize na atividade de transporte individual de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), bem como não tenha exercido o direito à aquisição de veículo com o benefício da isenção do IPI, num prazo inferior a 2 (dois) anos, não havendo limite do número de aquisições, nada mais. Dito isto, analisandose os documentos juntados aos autos, verificase que a parte interessada preencheu todos os requisitos exigidos quando da formulação do requerimento à autoridade administrativa, para a compra do veículo. De se ver, nesse caso, a legislação foi interpretada de forma incorreta. Realmente, a mens legis , ao conceder a isenção, visa facilitar a aquisição do automóvel por parte daqueles que sobrevivem dos ganhos obtidos no transporte de passageiros. Não olvidando que os termos da lei isentiva devem ser interpretados de forma restrita (art. 111, II, do CTN). E, na legislação em apreço, há requisito expresso de que beneficiário preencha previamente o pedido junto a autoridade administrativa, tal como o fez o recursante. Assim, deve ser reformada a decisão de primeira instância, para julgar procedente o pedido de isenção de IPI, nos termos da Lei nº 8.986, de 1995. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e por lhe dar provimento. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Fl. 70DF CARF MF 10 Fl. 71DF CARF MF
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