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Numero do processo: 10580.721250/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que provia o recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente Em Exercício), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 50 /2 00 9- 01 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que provia o recurso. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente Em Exercício), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721250/200901 Acórdão n.º 2202002.710 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor total de R$ 135.076,57, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721250/200901 Acórdão n.º 2202002.710 S2C2T2 Fl. 4 5 da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. k) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; l) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boa fé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; m) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; n) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; o) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; p) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; q) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Em sessão realizada em 03 de março de 2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a 3ª turma julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, Acórdão de fls. 147/152, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo contribuinte, afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao não cabimento da tributação de verbas relativas à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, a DRJ acolheu a impugnação, desconstituindo em parte o auto de infração para adequálo às corretas alegações da contribuinte. Quanto ao art. 3º da Lei Complementar 20/2003, do Estado da Bahia, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721250/200901 Acórdão n.º 2202002.710 S2C2T2 Fl. 5 7 verbas pagas aos Magistrados ou Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Foi alegado que parcelas dos valores recebidos a título de URV se referiam à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, e que tais parcelas foram indevidamente tributadas, pois seriam respectivamente isentas e sujeitas à tributação exclusiva. Entretanto, não foram apresentadas provas do alegado, nem planilhas que detalhassem tais valores. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 20/05/2011 (fls. 157/248), representado por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória sem trazer qualquer novo elemento, no sentido de conduzirem todos ao cancelamento do lançamento, salvo quando argui que a DRJ não enfrentou a tese de ilegitimidade da União para exigência do imposto, o que exigiria o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, de forma a não haver supressão de instância. Em sessão de julgamento do dia 19 de junho de 2012, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Assim também, devese ressaltar que, nada obstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento contestado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões da recorrente, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A tese é simples e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Assim, para ilustrar, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Importante destacar que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002 posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721250/200901 Acórdão n.º 2202002.710 S2C2T2 Fl. 6 9 Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” De tal modo, com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer eiva de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso percebese ter ocorrido uma recomposição salarial que, apesar da extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721250/200901 Acórdão n.º 2202002.710 S2C2T2 Fl. 7 11 de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta da requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, rejeito as preliminares arguidas e no mérito voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721250/200901 Acórdão n.º 2202002.710 S2C2T2 Fl. 8 13 É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006324/2007-88
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2004
BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS.
O sujeito passivo deve identificar os beneficiários dos pagamentos realizados e contabilizados, por meio de informações coesas e embasadas em documentos, as quais foram perquiridas pela fiscalização, cabendo o lançamento de IRRF sobre os pagamentos para os quais tal mister não foi cumprido.
Numero da decisão: 1801-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 460 1 459 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.006324/200788 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.070 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria IRRF PAGAMENTO PARA BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Recorrente ORIONGEMS COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2004 BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. O sujeito passivo deve identificar os beneficiários dos pagamentos realizados e contabilizados, por meio de informações coesas e embasadas em documentos, as quais foram perquiridas pela fiscalização, cabendo o lançamento de IRRF sobre os pagamentos para os quais tal mister não foi cumprido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 63 24 /2 00 7- 88 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006324/200788 Acórdão n.º 1801002.070 S1TE01 Fl. 461 2 Relatório ORIONGEMS COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0214.969 (fl. 110), pela DRJ Belo Horizonte, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de um auto de infração realizado para exigir crédito tributário de IRRF (fl. 9) relativo aos anos 2002 e 2004, no valor de R$ 110.794,36, bem como juros de mora, no valor de R$ 62.862,13, e multa de ofício (150%), no valor de R$ 166.191,53, totalizando R$ 339.848,02. Conforme a narrativa contida no Termo de Verificação e de Constatação, a empresa autuada contabilizou vários pagamentos atribuídos a tomadas de serviço e locação de equipamentos pesados utilizados em "suas minas ou lavras de diamantes na Serra da Canastra Minas Gerais e em IjoinaMato Grosso". Todavia, a ação fiscal constatou que em nenhum dos papeis, documentos e livros do Contribuinte havia qualquer referência ou menção a atividade que comprove a existência ou a instalação de filial ou frente de produção nos referidos lugares. Os desembolsos foram vinculados pelo contribuinte a notas fiscais de serviço. Apesar de intimado, o contribuinte não apresentou as referidas notas fiscais. Todavia, as notas fiscais referentes a 2004 foram juntadas aos autos, uma vez que foram apreendidas no âmbito da investigação policial denominada “Operação Carbono”, quando estavam sob a guarda do contador da empresa autuada.. Segundo os registros contábeis, os referidos serviços/locações teriam sido realizados pelas empresas EMW CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ 04.085.337/000108) e RMG CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ 03.335.921/000101). Em diligência efetuada no endereço indicado nas respectivas notas fiscais, constatouse que a empresa EMW CONSTRUÇÕES LTDA foi registrada usando o mesmo local onde reside o sócio com sua família (fl. 55). Intimado para prestar esclarecimentos, o seu administrador declarou sua empresa atua em atividades de construção civil, não tendo atuado em locação e tendo em seu ativo somente duas máquinas portáteis. Declarou, ainda, não ter prestado qualquer serviço ao recorrente, nem ter emitido qualquer nota fiscal para o mesmo, nem dele ter recebido qualquer valor. Constatouse que a empresa RMG CONSTRUÇÕES LTDA declarou inativa para a Administração Tributária. Em diligência efetuada no endereço indicado nas respectivas notas fiscais, constatouse que essa empresa nunca se instalou ou funcionou no local, lá estando há muitos anos uma residência familiar, conforme declarado pelo próprio morador (fl. 63). Intimado a prestar esclarecimentos, seu sócio declarou (fl. 64) que sua empresa está desativada desde 2002, que a mesma atuava em atividades de construção civil, que não realizava locação de equipamentos e não tinha em seu ativo nenhum dos bens relacionados nas notas fiscais, inclusive por falta de capacidade econômica. Declarou, ainda, não ter prestado qualquer serviço ao recorrente, não ter emitido nenhuma nota fiscal para o mesmo, nem ter recebido qualquer quantia dele. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006324/200788 Acórdão n.º 1801002.070 S1TE01 Fl. 462 3 Em razão das constatações acima, a fiscalização entendeu que existiu intuito de fraude por parte do contribuinte e qualificou a multa de ofício (150%). Em tempo, informo que a mesma ação fiscal resultou no lançamento de IRPJ, formalizado no processo nº 10680.006328/200766, e no lançamento de CSLL, formalizado no processo nº 10680.006327/200711, ambos aguardando o julgamento de recurso especial interposto pelo contribuinte. O autuado apresentou impugnação, cujas razões foram assim resumidas, no relatório da decisão recorrida (fl. 112): I Dos Fatos A autoridade fiscal alega que o impugnante efetuou pagamentos contabilizados e suportados por despesas constantes de "Notas Fiscais de Serviço inidôneas, não tendo sido as operações nelas registradas efetivamente realizadas e recebidas pelo Contribuinte". Entretanto, o impugnante não cometeu fraude contra o Erário, sequer tinha conhecimento das notas fiscais citadas, tendo agido de boafé, confiando totalmente em seu contador Mateus Ribeiro da Silva, a contabilidade da empresa. O agente fiscal e o contribuinte tiveram acesso às notas fiscais por ocasião da apreensão dos documentos no escritório do contador, e não na sede da empresa Orion. Esclarece o impugnante que sofreu mandado de busca tendo em vista que o citado contador, seu antigo prestador de serviços, era o mesmo de empresas supostamente envolvidas em crimes fiscais. Em face dessa situação, o impugnante sofreu referida fiscalização, sem contudo ter conhecimento de quaisquer fatos que maculassem a imagem do então confiável contador. O impugnante nunca teve conhecimento das atitudes temerárias e ilegais praticadas pelo referido profissional, tampouco teve ou tem qualquer envolvimento com os supostos criminosos, prova do asseverado é que da investigação realizada pela Policia Federal, não foram encontradas provas do seu envolvimento com mencionada quadrilha, ao contrário, foi sim comprovada sua boafé e idoneidade. Faz referência a registro feito no TVCF, para afirmar que isto prova que o impugnante não tinha conhecimento dos atos de seu contador, pois em seu estabelecimento não havia nenhum documento que pudesse incriminálo ou fundamentar sua atitude lesiva com o fisco. II Do Direito 11.1 Da ausência de dolo. Inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. Resta pacificado o entendimento do Conselho de Contribuintes de que a multa qualificada de 150% só tem lugar quando Fl. 462DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006324/200788 Acórdão n.º 1801002.070 S1TE01 Fl. 463 4 comprovado o evidente intuito de fraude ou dolo; concernente ao caso em exame, o impugnante não teve intenção de fraudar ou sequer tinha conhecimento das atitudes temerárias do contador acima qualificado. Diante da fundamentação esboçada e de entendimento jurisprudencial, requer seja declarada a ausência de dolo, bem como a materialidade da fraude invocada, tendo em vista que o impugnante comprovadamente não agiu de máfé, tampouco praticou qualquer ato com o intuito de fraudar o Erário Público. 11.2 Da redução da multa de oficio Cediço o entendimento jurisprudencial acerca da redução da multa de oficio no caso em exame, em que foi aplicado ao impugnante o percentual de 150% (multa qualificada pela suposta existência de fraude), totalizando o valor de R$166.191,53. Referida penalidade deve ser reduzida ao patamar de 50%, tendo em vista as disposições da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, na parte em que alteraram o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, reduzindo o percentual da multa nos casos de falta de pagamento, tendo eficácia retroativa e se aplicando a situações pretéritas, por força do disposto no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional (CTN). Resta cristalino que inexiste qualquer relação lógica de causa e efeito, considerandose os valores absolutos aplicados a titulo de punição em relação ao pretenso ato ilícito, materializandose, por conseguinte, um verdadeiro confisco sobre o patrimônio do contribuinte, subtraindo do contribuinte o seu direito garantido no próprio Regulamento do Imposto de Renda de pagar a diferença com os encargos de mora previstos para os recolhimentos espontâneos, e tudo isto sem se falar ainda em seu direito de recolher sem nenhuma penalidade, se considerados os preceitos do art. 138 do CTN, já consagrados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). 11.3 Da injustificável aplicação da taxa Selic. O impugnante faz menção ao CTN, entendimentos doutrinários e jurisprudência do STJ, tendo acentuado que a Lei Complementar que no nosso direito dispõe sobre a aplicação de juros e correção aos débitos tributários é o CTN, especificamente, o seu art. 161, § 1 0 . Assevera que a Lei Ordinária 9.250/95 não instituiu a Selic, apenas estabeleceu seu uso. Tal lacuna gerou a disparidade existente entre sua natureza remuneratória, de um lado, e sua utilização como compensação moratória, de outro. Diante disso, é incabível a aplicação da taxa Selic ao auto de infração em referência, tendo em vista seu caráter estritamente remuneratório, o que a inviabiliza na aplicação de obrigações tributárias. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006324/200788 Acórdão n.º 1801002.070 S1TE01 Fl. 464 5 A DRJ considerou a impugnação improcedente, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Exercício: 2003, 2005 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS PAGAMENTOS SEM CAUSA A constatação de saídas da conta caixa, contabilizadas com base em notas fiscais de despesas comprovadamente inidôneas, revela a existência de pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamento sem causa, configurando a hipótese legal de incidência do imposto de renda na fonte sobre as parcelas correspondentes. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA MULTA DE OFICIO QUALIFICADA É legitima aplicação da multa qualificada de 150%, quando ficar caracterizado, em procedimento fiscal, que o contribuinte fez uso de documentação inidônea para fins de comprovação de supostas despesas contabilizadas e para justificar saídas de numerário do caixa da empresa. JUROS DE MORA TAXA SELIC É legitima a exigência de juros de mora tendo I base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Cientificado dessa decisão em 28/08/2007, por via postal (fl. 134), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 135), em 24/09/2007, em que alega, em síntese, que: i) não há provas da alegada inidoneidade das notas fiscais que legitimam os serviços tomados pelo contribuinte, sendo que as notas fiscais referentes a 2002 e 2003 sequer foram juntadas aos autos; ii) os depoimentos dos sócios das empresas EMW CONSTRUÇÕES LTDA e RMG CONSTRUÇÕES LTDA não merecem ser considerados, posto que são suspeitos, em razão do fato de não terem declarado ao Fisco os valores que receberam; iii) o relatório da ação fiscal não pode servir para fundamentar o lançamento, em razão das contradições que possui, assim apontadas (fl. 137): a) 0 d. Auditor afirma que, nos anos de 2002 e 2003, não constam no "cadastro" (fls. 54) dados relativos a atividade da empresa EMW Construções Ltda. (f1s 16). Ocorre que o d. Auditor declara mais adiante (fls 17), que em análise ao bloco referente as "Notas FiscaisTerceiras Vias Fixas", constatou que a EMW Construções Ltda emitiu Notas Fl. 464DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006324/200788 Acórdão n.º 1801002.070 S1TE01 Fl. 465 6 Fiscais, nos mesmos anos de 2002 e 2003 (fls 61/63), o que confirma que a empresa estava em atividade. b) O sócio da EMW Construções Ltda, Sr. Edson Moreira de Freitas, conforme o Termo de Diligência Fiscal, as fls. 55, declarou que nunca prestou serviços a Recorrente não tendo emitido nota fiscal para esta ou recebido ainda qualquer valor da mesma. Ocorre que estão colacionadas às fls. 60 e 62 cópias das Terceiras Vias das Notas Fiscais de n°000080 e 000100 (vias fixas), nas quais estão registradas prestações de serviços da EMW Construções Ltda á Recorrente. c) 0 d. Auditor, no TVCF, afirma que em diligência efetuada no endereço indicado nas Notas Fiscais emitidas pela RMG Construções LTDA constatou que "a empresa em pauta nunca se instalou ou funcionou no local, lá estando há muitos anos uma residência familiar conforme declarado pelo próprio morador(...)" (fls 18). No termo Diligência Fiscal ás fls 63, constatase ser tal morador o Sr. José Tertulino MARIANO. No entanto, mais adiante, ao relatar os esclarecimentos concedido pelo sócio da RMG Construções Ltda esqueceuse de fazer menção à seguinte declaração do sócio, constante do Termo de Constatação Fiscal às fls 64, in verbis: "na época, por não ter endereço fixo, sua Empresa foi cadastrada no local acima apenas para efeito de registro; o que foi feito pelo seu antigo contador, Evaldo Francisco MARIANO (...)"(fls. 64, grifamos). O local a que se faz menção é o mesmo indicado nas Notas Fiscais supostamente inidôneas, no qual realizouse a diligência em que o d. Auditor constatou residir uma família há vários anos. iv) não há cabimento na aplicação da alíquota de 35% a titulo de imposto de renda retido na fonte, isto porque, de acordo com os documentos apresentados, o beneficiário está identificado, não sendo cabível o disposto no artigo 61, da Lei n° 8.981/95; v) em relação às notas fiscais n° 000226 e 000228, não deve haver incidência cumulativa do IRRF e do IRPJ; vi) em relação às notas fiscais n° 000068 e 000035, não podem ser consideradas inidôneas, uma vez que o fiscal sequer teve acesso a essas notas; vii) não é aplicável a qualificação da multa isolada, uma vez que não foi demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; viii) a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora é indevida, por contrariar as normas aplicáveis ao caso em tela, devendose considerar os juros aplicáveis de 1% ao mês. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006324/200788 Acórdão n.º 1801002.070 S1TE01 Fl. 466 7 O recurso voluntário em tela foi primeiramente apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF. Em reunião realizada em 1º de junho de 2009, aquela Turma resolveu converter o julgamento em diligência (fl. 168), para esclarecer a alegada suspeição dos sócios das empresas apontadas como prestadora dos serviços contabilizados. A diligência foi cumprida, com a juntada de nova documentação e do Relatório de Diligência Fiscal de fl. 178. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Tratase de lançamento de IRRF com fundamento legal no artigos 674 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR): Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §3º). O fundamento fático do lançamento é a contabilização de pagamentos de serviços prestados e locações de equipamentos, destinados à atividade de exploração mineral nas minas ou lavras de diamantes na Serra da Canastra (MG) e em Ijoína (MT). A empresa foi intimada a comprovar a realização dos referidos serviços e seus respectivos pagamentos (fls. 29), mas não atendeu à intimação. A fiscalização realizou diligências nos estabelecimentos das duas empresas que teriam prestado os referidos serviços (fls. 57 e 65) e constatou que estas empresas não possuíam capacidade operacional para tanto. Colheu o depoimento de seus sócios administradores, que negaram a realização dos referidos serviços. Também foram colhidas notas fiscais do período, quando constatouse a incompatibilidade entre tais notas e os serviços contabilizados pelo contribuinte (fls. 62/64 e 70/75). Fl. 466DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006324/200788 Acórdão n.º 1801002.070 S1TE01 Fl. 467 8 Entendo que tais fatos, devidamente registrados nos autos, são suficientes para demonstrar que aquelas empresas não prestaram os serviços contabilizados. Ademais, o contribuinte sequer possui atividades nas apontadas minas na Serra da Canastra e em Ijoína, conforme foi verificado pela autoridade autuante, não sofrendo contestação do recorrente. No âmbito da diligencia fiscal já relatada, o Departamento Nacional de Produção Mineral informou que, no período de 2002 a 2004, a recorrente não possuía autorização legal para as referidas lavras (fl. 447). Portanto, afastase a alegação de falta de prova das infrações apontadas. A alegada suspeição dos sócios das empresas perde sua relevância em razão de os respectivos depoimentos serem apenas uma das evidências que, coerentemente, apontam para a inexistência dos serviços contabilizados. Assim, entendo ser cabível o lançamento de IRRF na alíquota de 35%, nos termos do artigo 674 do RIR. No que se refere à exigência de IRPJ, também contestada no recurso voluntário, esta está sendo apreciada por meio do processo nº 10680.006328/200766, não sendo objeto da presente lide. Todavia, não se pode falar em cumulatividade de exigências, uma vez que tratamse de fatos geradores diferentes: de um lado, a retenção na fonte do imposto sobre a renda dos beneficiários dos pagamentos (não identificados) e, de outro, o imposto sobre a renda do recorrente (em razão da glosa de despesas). O recorrente também questiona a qualificação da multa de ofício para o patamar de 150%, alegando que não foi demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Todavia, há nos autos evidências suficientes para demonstrar que o contribuinte efetuou lançamentos contábeis ideologicamente falsos e fez isso por vários anos consecutivos, o que indica a sua intenção em elidir o pagamento dos tributos, conforme apontado no relatório da ação fiscal. Portanto, entendo ser cabível a qualificação da multa de ofício. Por fim, o recorrente questiona a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Essa questão já foi pacificada no âmbito do processo administrativo tributário, no sentido de afirmar a sua legitimidade, conforme o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 467DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006324/200788 Acórdão n.º 1801002.070 S1TE01 Fl. 468 9 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13971.005212/2009-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO.
Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, independentemente do pagamento.
COMPRA DE INSUMOS. REMESSAS FUTURAS. COMPLEMENTO DE PREÇO. DIREITO DE CRÉDITO.
Em operações de compra de insumos com preço a fixar, não se admite a tomada de crédito sobre os complementos das remessas que não geravam direito aos créditos, seja porque feitas no regime da cumulatividade, seja porque, embora remetidas no regime da não-cumulatividade, não se caracterizaram como insumos passíveis de gerarem crédito.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (insumos, produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÕES DE PRODUTOS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE
Inexiste previsão legal para a tomada de créditos sobre as despesas de frete nas aquisições de produtos a pessoas físicas, destinados à revenda.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE NA AQUISIÇÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste norma que autorize desconto de crédito em relação a fretes nas aquisições, por empresas comerciais exportadoras, de mercadorias com fim específico de exportação.
CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO.
O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à tomada de créditos da Contribuição em relação ao custo dos fretes internos no transporte de insumos importados, executados por pessoa jurídica. Vencido nesta matéria o Conselheiro Alexandre Kern. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Ivan Allegretti.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, independentemente do pagamento. COMPRA DE INSUMOS. REMESSAS FUTURAS. COMPLEMENTO DE PREÇO. DIREITO DE CRÉDITO. Em operações de compra de insumos com preço a fixar, não se admite a tomada de crédito sobre os complementos das remessas que não geravam direito aos créditos, seja porque feitas no regime da cumulatividade, seja porque, embora remetidas no regime da não-cumulatividade, não se caracterizaram como insumos passíveis de gerarem crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (insumos, produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÕES DE PRODUTOS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para a tomada de créditos sobre as despesas de frete nas aquisições de produtos a pessoas físicas, destinados à revenda. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE NA AQUISIÇÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste norma que autorize desconto de crédito em relação a fretes nas aquisições, por empresas comerciais exportadoras, de mercadorias com fim específico de exportação. CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005 Ementa:INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias técnicas e as diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, independentemente do pagamento. COMPRA DE INSUMOS. REMESSAS FUTURAS. COMPLEMENTO DE PREÇO. DIREITO DE CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 12 /2 00 9- 94 Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 Em operações de compra de insumos com preço a fixar, não se admite a tomada de crédito sobre os complementos das remessas que não geravam direito aos créditos, seja porque feitas no regime da cumulatividade, seja porque, embora remetidas no regime da nãocumulatividade, não se caracterizaram como insumos passíveis de gerarem crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (insumos, produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÕES DE PRODUTOS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para a tomada de créditos sobre as despesas de frete nas aquisições de produtos a pessoas físicas, destinados à revenda. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE NA AQUISIÇÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste norma que autorize desconto de crédito em relação a fretes nas aquisições, por empresas comerciais exportadoras, de mercadorias com fim específico de exportação. CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à tomada de créditos da Contribuição em relação ao custo dos fretes internos no transporte de insumos importados, executados por Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.729 3 pessoa jurídica. Vencido nesta matéria o Conselheiro Alexandre Kern. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) Ivan Allegretti – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório BUNGE ALIMENTOS SA. transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 35927.53744.290109.1.2.040049 (fls. 03 a 05) e nº 16407.62251.290109.1.2.040630 (fls. 6 a 8), por meio do qual busca repetir pagamentos a título de Cofins, efetuados em 14/11/2005 e 13/01/2006, referentes ao período de apuração de outubro e dezembro de 2005, no importe de R$ 6.568.832,65 e R$ 5.219.626,17, respectivamente. Os pedidos de restituição foram originalmente apreciados no Parecer Saort/DRF/Blumenau nº 025/2010, de 25 de março de 2010 (fls. 115 a 152). Com base no nesse Parecer, a DRF/Blumenau proferiu, em 26/03/2010, o Despacho Decisório de fls. 153, o qual não reconheceu o direito creditório e indeferiu o pedido de restituição. A 4ª Turma da DRJ/Florianópolis, no entanto, anulou o Despacho Decisório e determinou que um novo fosse formalizado. O processo foi então encaminhado à Seção de Fiscalização da DRL/BLU, para a análise, no decorrer da qual foram juntados os documentos de fls. 246 a 871 e, especialmente, a Informação Fiscal de fls. 872 a 874, cujos itens 5 e 6 esclarecem que os valores das glosas fiscais consideradas na AuditoriaFiscal provêm também dos relatórios fiscais exarados nos autos nºs 13971.001036/200598, 13971.001375/200493, 13971.001080/200417, 13971.001568/2004 44, 13971.005306/200963, 13971.000132/2005 19, e 13971.001475/200509, os quais, portanto, tiveram suas cópias juntadas às fls. 876/1307. Em razão da análise fiscal empreendida, procederamse às seguintes glosas (cfe. Relatório de Auditoria Fiscal RAF, fls. 853 a 871): a) Glosas de Complemento de Valor, relativa a aquisições sem direito a crédito, referentes às operações de compra1 de soja com “preço a fixar” (commoditie), relativa às remessas e/ou complementações de valor efetuadas em períodos pretéritos, sem direito à créditos da não cumulatividade.. As glosas se fundamentaram, em síntese, no fato de que o direito ao crédito da contribuição nãocumulativa respeita o regime de competência, não se considerando as complementações dos valores ocorridas relativamente a remessas (aquisições) ocorridas no 1 O contribuinte efetua operações de compra, venda e industrialização de insumos (preponderância de soja) com preço a fixar a pessoas físicas e jurídicas. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 período em que a contribuição era cumulativa, bem como em relação àquelas que, no regime da nãocumulatividade, não geram direito aos créditos. b) Glosas por falta de comprovação dos créditos apropriados: intimado a apresentar os documentos listados no arquivo “Demonstrativo das Glosas.xls”, o interessado omitiuse em fazêlo. c) Glosas dos Fretes: i. Fretes internos em importações (após desembaraço), correspondentes a operações com CFOP de importação; ii. Fretes em aquisições com CFOP indicativo de fim específico de exportação (CFOP 1.501/2.501); iii. Fretes correspondentes a operações de devolução de vendas ou de compras de mercadorias; iv. Fretes em transferências de bens entre estabelecimentos BUNGE; v. Fretes correspondente a fretes em remessas para armazéns gerais; vi. Fretes em aquisições a pessoas físicas de bens para revenda, vii. Fretes de aquisições sem direito a créditos – correlação das mercadorias transportadas com os correspondentes fretes; viii. Falta de comprovação dos fretes, por falta de apresentação de documentos fiscais comprobatórios do crédito; ix. Frete relativo à aquisições a pessoas físicas de insumos para industrializaçâo que foram posteriormente revendidos/exportados, não gerando créditos, de forma que as despesas com os respectivos fretes são glosadas na mesma proporção daqueles estornos. d) Decadência: glosaramse todos os créditos decorrente de retificação de Dacon procedida depois de 5 (cinco) anos. As glosas estão consolidadas no Demonstrativo das Glosas, item 132 do RAF. As totalizações encontramse discriminadas nos itens 133 a 135 do RAF. Em vista do referido RAF, foi proferido Despacho Decisório (fls. 1.308 a 1.318), que deu conta de que foi confeccionada planilha demonstrativa da origem e aproveitamento dos créditos, mediante a identificação: a) do crédito apurado no mês, que, quando transferidos de períodos de apuração anteriores, não correspondem aos do Dacon (contribuinte), mas aos saldos remanescentes de créditos do período de origem ajustados pelas glosas fiscais; b) das glosas fiscais aplicadas sobre o crédito apurado no mês; c) da eventual diminuição da glosa pela DRJ; Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.730 5 d) da utilização do crédito em descontos; e) dos remanejamentos dos créditos (de ofício, visando ao aproveitamento de créditos porventura existentes para cobrir insuficiências decorrentes de glosas fiscais, no próprio mês ou em meses seguintes); f) da utilização do crédito em compensação ou ressarcimento; g) do saldo de crédito disponível. Em razão das glosas fiscais deste e de períodos anteriores, os créditos apurados e utilizados em desconto das contribuições mostraramse insuficientes. Tal insuficiência consta da planilha “Utilizações de Créditos Bunge – Cofins.xls” e sua constatação repercute no valor da contribuição a pagar apurado pelo contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório, após “a análise das operações geradoras de crédito registradas pela contribuinte”, a AuditoriaFiscal demonstrou que o valor correto do da contribuição a pagar (Linha 33 da Ficha 17B do Dacon) no mês de outubro/2005 é de R$ 10.169.453,51, que este é o valor que a contribuinte deveria ter informado na DCTF como “Débito Apurado” e, por conseguinte, não existe pagamento indevido ou a maior para este período de apuração. Da mesma forma, o valor correto da contribuição a pagar no mês de dezembro/2005 é de R$ 14.556.920,36, sendo este valor superior à soma do pagamento efetuado, não existindo pagamento indevido ou a maior para o período de apuração Em Manifestação de Inconformidade, (fls. 1.497 a 1.594), o interessado explicou que, com base em diversas Soluções de Consulta, retificou seus Dacon desde 2004 até 2008 para ajustarse aos termos das mesmas, formulando pedidos de restituição. Disserta sobre a legislação de regência, pranteia as dificuldades que enfrenta para produzir as provas documentais específicas em filiais remotas, e reclama do considera burocrático de sistema de obrigações acessórias e de pagamento dos tributos. Abordas ainda as questões a seguir sintetizadas: 1. Questões preliminares de mérito: a. Dos antecedentes processuais, em que historia o processo desde as soluções de consulta formuladas e os pedidos de restituição, o que a levou a retificar os respectivos Dacon desde 2004 até 2008. Salienta que nem todas as alterações foram para reduzir tributo, na medida em que também ocorreram alterações para aumentar o tributo devido ou diminuir os saldos credores acumulados. b. Da natureza dos ajustes após 2009, em que observa que as alterações efetuadas após 2009 registraram apenas troca de linhas (reclassificações) e para reduzir o saldo credor ou aumentar o débito a recolher, nunca para reduzir a contribuição devida. c. Da inexistência de preclusão por força maior demonstrada e reconhecida pela própria Receita Federal do Brasil, em que sustenta que o prazo de 30 (trinta) dias é insuficiente para produzir a ampla defesa que lhe é assegurada constitucionalmente, em vista das assertivas fiscais e dos relatórios que incluem inúmeras planilhas de cálculos a serem examinados, e suscita a Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 incidência da norma prevista no art. 16, do Decreto 70.235/72, §4º, por entender que a força maior está perfeitamente demonstrada nos autos pela declaração feita pelos agentes da RFB no que tange aos prazos exíguos para análise dos pedidos de restituição; d. Da contestação das premissas dos Despachos Decisórios e do feito fiscal, em que alega que os atos da administração pública lesivos ao patrimônio das pessoas de direito privado são tipificados nos termos da Lei nº. 4717/65, sendo anuláveis, segundo as prescrições legais; e. Da contribuição para o PIS relativa ao período de dezembro/2003, em que alega que a análise do crédito depende do desfecho do processo nº 13971.000029/200498, uma vez que se constatou a inexistência de saldo credor no final do período de apuração do mês de dezembro/2003, e que não se pode considerar a inexistência de saldo, enquanto não houver decisão definitiva no referido processo, sob pena de efetuarse glosas indevidamente; f. Da Decisão sobre alegações não contidas nas manifestações de inconformidade, em que argumenta que a própria ação fiscal demonstra com clareza o montante que julga ser devido, em face das circunstâncias materiais do caso concretamente examinado, sem subterfúgios a quaisquer eventuais “teses tributárias” que a fiscalização afirma existirem fora destes autos (existência de tributaristas que sustentam que o valor do tributo devido a ser considerado pela autoridade administrativa no exame de pedidos de restituição ou de declarações de compensação é o valor do débito declarado pelo sujeito passivo em DCTF) e que nunca foram alegadas neste processo e que, portanto, nada tem a ver com os lançamentos contidos nos autos de infração impugnados nem como os despachos decisórios objetos de manifestações de inconformidade protocoladas a tempo e modo. Suscita, ainda, que a ocorrência de decisões caracterizadamente “chapadas” enseja e confirma a nulidade do feito em face do vício de forma e do desvio de finalidade. g. Do pagamento indevido e do direito a restituição, em que alega vícios no despacho decisório que ensejariam a anulação do mesmo, tais como a exiguidade do intervalo de tempo entre a juntada do feito fiscal e o despacho decisório demonstra que quem decidiu sobre o assunto foram os agentes fiscais que promoveram a fiscalização direta e não o Sr. Delegado competente; que, no caso, não existe previsão legal de delegação de competência; e que esta evidência atrai a regra da Lei nº. 4.717/65 que considera caracterizada a incompetência quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Suscita expressamente e questiona a matéria para os fins de evitarse a preclusão, devendo a questão ser apreciada e julgada para, ao final, determinar a nulidade do feito para que novo despacho seja proferido nos termos da Lei e do Direito como expressão de justiça. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.731 7 h. Da resistência ao cumprimento de sentenças, em que acusa os procedimentos fiscais que embasaram o despacho decisório (cita alguns exemplos) de adotarem os mesmos critérios genéricos e sem fundamento, tomarem as falhas pontuais como reiteradas e uniformes, generalizarem sob a forma de percentual, aplicandoo durante todo o período de fiscalização, sem levar em conta o fato concretamente ocorrido; que, ao estabelecer critérios genéricos para determinar o montante a ser glosado, contraria expressamente o comando da decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS, a qual proíbe a aplicação deste tipo de procedimento; e reitera que o prazo de 30 dias é exíguo para se pronunciar acerca de cálculos produzidos por processamento eletrônico, o qual requer conhecimento especializado e estrito, além do conhecimento da matéria legal a ser examinada e contestada. Alega, ainda, que a comprovação desta ocorrência somente poderá ser feita mediante prova pericial, que o procedimento deve ser refeito, e, suscita a nulidade por falta de fundamento legal. i. Da produção de todas as provas admitidas em direito: Pedido de Perícia, em que requer expressamente a produção de perícia para exame e verificação das planilhas e processamento eletrônico de informações trazidas ao processo pelos auditores. Indica o perito assistente, formula 12 quesitos e justifica o pedidos, alegando que, os trabalhos de perícia e diligência se fazem necessários por envolver processamento eletrônico automático e inúmeras operações produzidas pela RFB que, a exemplo de outros casos, tem dado azo a processos administrativos totalmente desprovidos de sentido e realidade, tal como os lançamentos eletrônicos em processamentos de DCTF. Por outro lado, alega que há necessidade de testes de consistências impossíveis de serem transpostas por meio de documentos porque envolvem processamento de informações, seus cruzamentos e conciliações, somente possível por trabalho de auditoria e perícia, e, ainda, que em sendo constatado inconsistências, haverá necessidade de recorrerse aos documentos físicos. 2. Das circunstâncias materiais de fato e de direito: a) Da alegação de decadência impossível de ser vista nos autos, em que alega que o fundamento do indeferimento parcial nem de longe sustenta o feito em face da legalidade e das exigências previstas no art. 37 da Constituição Federal; e que, ao se recusar a examinar o que é de seu ofício, a autoridade fiscal remeteu o exame e fiscalização à DRJ, o que não pode ser feito, em face da incompatibilidade entre os trabalhos de exame da materialidade tributária (art. 142 do CTN) e a função de julgador no mesmo caso; b) Do que se pode efetivamente verificar nos autos: as retificações dos Dacon, onde alega que a retificação do Dacon em Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 8 2012 resultou em um aumento da contribuição devida e somente ocorreu devido a entendimentos com os auditores da RFB, conforme evidenciado nas mensagens eletrônicas em anexo; que a retificação, como visto, não apresentou alterações para acrescer créditos, e que as afirmações dos auditores fiscais não podem ser levadas em consideração na questão relativa a qualquer decadência dos direitos creditórios; c) Da igualdade de todos perante a Lei: onde alega que a apresentação do Pedido de Restituição interrompe e extingue qualquer pretensão fazendária à decadência do direito da manifestante em se ver ressarcida do pagamento a maior ou indevido das contribuições sociais, afastando a possibilidade de alegarse a decadência do seu direito; d) Da exigência de verificação das circunstâncias materiais necessárias e da situação jurídica definitivamente constituída (art. 116 do CTN): em que alega, após a citação de várias doutrinas/doutrinadores, a razão pela qual o feito carece de sentido, uma vez que se prende ao mero formalismo abstrato da norma, sem considerar nem integrar a situação normada ao Direito a ser aplicado e observado (decisão conforme a lei e Direito – nos termos do Processo Administrativo Disciplinar), e constitutivo da fórmula concreta do Devido Processo Legal (...); e) Dos Complementos de Valor por preços a fixar e Do faturamento no regime de competência – o fato gerador das contribuições e a comparação com outros tributos sobre o faturamento: em que sustenta que, ao contrário do alegado pela autoridade fiscal (que o faturamento deve ocorrer no momento da tradição), cujo raciocínio seria induzido pela analogia com os demais tributos (ISS, ICMS, IPI), o faturamento no regime de competência, onde se tem preço a fixar, jamais pode ser considerado no momento da tradição, eis que neste momento não há, a rigor, nenhum faturamento, pela absoluta ausência do preço real da transação, constando somente o seu valor simbólico em nota exclusivamente fiscal, sendo que o faturamento ocorrerá somente quando da fixação do preço, oportunidade em que os contratantes tomarão conhecimento preciso do valor da operação outrora contratada, o que seria impossível mensurar em tempo pretérito (à época da tradição). Alega, ainda, que a complementação de preço lastreada em remessa que detenha direito a crédito gera o direito de retificar a sua base, no momento do faturamento (quando da fixação do preço e não da tradição), para complementar o preço da transação de origem; que, havendo remessa originária com direito a crédito o mesmo deverá ocorrer na complementação, sendo que qualquer glosa contrária a tal regra deve ser repudiada; e que o § 4º do art. 3º da lei de regência do crédito é muito clara ao dispor expressamente que o crédito não apropriado no mês poderá ser aproveitado nos meses posteriores. f) Dos fatos geradores pendentes e o alcance da nova lei, em que remete aos artigos 105 e 116 do Código Tributário Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.732 9 Nacional para afirmar que o caso pertinente ao tema “Preços a Fixar” abrange as duas situações: “de fato (manifestação do vendedor para fixar o preço) e jurídica (contrato – como assinalado pelos auditores, definitivamente constituído, porém pendente de liquidação do preço), e que, “...nestas circunstâncias os fatos futuros (reajustes e liquidação de preço) são submetidos definitivamente à lei nova como sempre entendeu a Fazenda Pública em termos de inovação legal para majoração da cobrança de tributos sujeitos à anterioridade anual e consolidada na Súmula 577 do STF (“Na importação de mercadorias do exterior, o fato gerador do Imposto de Circulação de Mercadorias ocorre no momento de sua entrada no estabelecimento do importado”), e também a Súmula 584 do STF: “Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano base, aplicase a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.” Completa a sua argüição afirmando que os casos específicos sujeitos à norma de transição foram expressamente contemplados na lei, tais como os casos dos contratos de longo prazo, atividades imobiliárias e inúmeros outros, o que motivou complexidade da legislação até então pendente de consolidação e unificação num regulamento geral. g) Do Complemento de preços nas remessas com FEX, em que sugere que podem ter havido falhas humanas eventuais e pontuais na execução dos procedimentos internos, principalmente nos primeiros anos em face dos motivos já alegados e que motivaram tantas retificações dos Dacons, mas não de procedimento uniforme e reiterado, e que, caso constatado o erro, estará sujeito ao ajuste necessário, mas jamais poderá ser generalizadamente calculado com base em percentuais para ser aplicado em todo o período fiscalizado, o que deverá ser objeto de reexame para eventual constatação, em homenagem ao Princípio da Verdade Real. Justifica a alegação pelo fato do feito fiscal desconsiderar os valores específicos de cada operação de entrada, considerandoas todas ao mesmo preço, o que distorceria o cálculo final, motivo pelo qual haveria necessidade de perícia sobre os cálculos efetuados e em especial quanto aos critérios escolhidos pelos agentes. h) Dos créditos relativos aos contratos de transporte tomados de pessoas jurídicas ou a ela equiparadas e da situação normada às contribuições sociais sobre o faturamento no regime da nãocumulatividade e as atividades econômicas empresariais: em que traça o perfil das atividades empresariais e conclui, em síntese, que, tanto as atividades principais quanto as secundárias, enquanto atividades que adicionam valor à economia da empresa e à renda nacional se habilitam à tomada de créditos, sendo as atividades auxiliares desprovidas dos requisitos que habilitam à tomada de créditos. Com base nas suas conclusões, entende que a contratação do frete está relacionado à atividade principal da Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 10 empresa, estando atrelados por força das circunstâncias de que não há nem pode haver circulação de bens sem o necessário contrato de transporte. Aduz que os gastos com fretes nas aquisições de bens destinados ao custeio da atividade econômica não se encontra expressamente listado nos itens da norma que autoriza o direito ao crédito porque subsumese ao conceito de insumo necessário ao exercício das atividades relacionadas nos incisos I e II da norma autorizadora dos créditos. Em relação às despesas de frete com transferência dos bens para o armazém, alega que o mesmo fundamento que motiva a glosa, também fundamenta a contestação: a falta de fundamento legal para a glosa. Sustenta que falta autorização legal expressa para a glosa dos fretes que ocorrem nas operações de transferências internas entre estabelecimentos da mesma empresa para fins de remessa de industrialização ou para fins de armazenamento. Requer, desta forma, que sejam admitidos os créditos relativos aos fretes para a transferência entre estabelecimentos e para armazéns gerais ou depósitos fechados (para simples armazenamento ou para formação de lotes padronizados para venda). Remete à Solução de Consulta nº 210/SRRF/8ª. RF/DISIT e ao Acórdão nº 3301 00.424, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Sustenta que hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados a as filiais do contribuinte, os quais compõem o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3º. , II, das leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, o que não se confunde com o transporte do produto acabado entre os estabelecimentos. Insurgese, ainda, contra o fato de ser negado o direito ao crédito em relação às compras de produtos adquiridos com a finalidade exclusiva de exportação. i) Das glosas de créditos sobre Fretes referentes a devoluções de compra e de venda, em que alega que devem ser analisados funcionalmente para o fim de ensejar direito de crédito, anulado o feito fiscal que entende em sentido contrário. j) Das glosas de créditos de Fretes Internos em importações (após o desembaraço), do Pedido Incidental, em aquisições de pessoas físicas para revenda, e das inconsistências em relação à nota vinculada: em que alega que as importações constituem uma operação de compra, logo devem gerar o direito ao crédito, e contesta o fundamento da glosa com base no § 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Insurgese, especificamente, contra a glosa com base no CFOP das operações, alegando que o CFOP das operações não pode ser os mesmos da importação de produtos, que não há nenhuma lógica, evidência, racionalidade e muito menos qualquer indicação de documentos que amparem este procedimento e que possibilite dar consistência aos argumentos trazidos à colação neste tópico; que não há cópias dos conhecimentos de transportes comprovando serem as prestadoras dos serviços de transportes empresas não domiciliadas no país, e que não há justificação séria nem a comprovação requerida para Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.733 11 suportar a motivação do lançamento neste item; que é manifesto o cerceamento do amplo direito de defesa, como de resto, todos os argumentos contraditórios entre si dificultam e impossibilitam a defesa. São mencionados os artigos 289 e 290 do RIR/99, que só se aplicam a insumos utilizados na produção industrial ou em relação a mercadorias para revenda, portanto, não há que deixar de reconhecer tratarse da importação de bens que eles mesmos classificam como objeto da atividade principal e secundária da impugnante e que, portanto, são geradores de créditos na importação; que o desvio de forma se apresenta configurado de modo a atrair a nulidade , senão de todo o processo, pelo menos e sem dúvida deste tópico. Em face do exposto e considerando o que do processo de consulta nº 13971.000992/200633, que resultou na Solução de Consulta nº 441 de 18 de dezembro de 2006, da DISIT da 9ª. RF/SRRF, formulado pela interessada, pede que seja apensado a este feito cópia daquela Solução de Consulta e do respectivo processo, ficando dispensada a produção de prova por se tratar de documentos emitidos pela própria RFB; k) Das glosas referentes à falta de comprovação e Das demais glosas referentes, em que alega que a eventual e fortuita falta de comprovação documental está sendo analisada e será providenciada tão logo tenha completado o ciclo das verificações necessárias para a presente defesa e contestação, nos termos justificados por motivo de força maior; l) Dos pedidos, em que requer, em síntese: o direito à restituição requerida até a apreciação final de todos os demais processos matrizes do qual este é parcialmente decorrente, em face da continência dos temas e das matérias; que seja declarada a improcedência das glosas de créditos; que, alternativa e sucessivamente, seja anulado o Despacho Decisório para que outro seja proferido, sob pena de cerceamento de defesa; que o presente processo seja convertido em diligência para o exame, verificação e constatação de quaisquer elementos da situação normada (nos termos do art. 114, 116 c/c art. 142 do CTN) e os termos do disposto no art. 18 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, bem como a realização de perícia técnica, e requer, em suma, que seja assegurado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer documento ou de qualquer outro ato ou fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 0731.326, de 10 de maio de 2013, fls. 1.618 a 1.647, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 12 Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, independentemente do pagamento. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM FRETE. Os gastos com o frete incorrido a partir do local onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro e com a armazenagem, decorrentes de importação de matéria prima, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, não geram crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep apurada no regime não cumulativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.650 a 1.721, após protesto de tempestividade síntese dos fatos relacionados com a lide, argúi a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.734 13 defesa, asseverando que não poderia a decisão atacada simplesmente alegar que a recorrente deixou de produzir prova em momento oportuno, até porque tal momento não encerrou. Alega a ocorrência de força maior, sobre o que discorre longamente. No mérito, digressiona sobre o conceito de insumo para fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas que entende que deve ser adotado, pugnando por que se admita o creditamento dos custos para o financiamento do capital (despesas financeiras). Retoma, na continuação, arguição de nulidade do Despacho Decisório, que não teria sido proferido pela autoridade competente, mas pelo auditorfiscal que procedeu ao exame do pleito. Acusa a autuação da autoridade fiscal de ter sido desidiosa, burocrática, genérica e desapegada da verdade real. Reitera a necessidade prova pericial. Sob a rubrica “Cálculo do valor da Cofins”, acusa erro na planilha referente ao 1º trimestre de 2005, na medida em que o saldo remanescente do 1 ° trimestre, no valor de R$7.732.130,43, não teria sido transportado para o período seguinte. (Célula T l 4 da planilha "Utilização de Créditos Bunge Cofins"), deixando de ser utilizado. Da mesma forma, o saldo remanescente de abril de 2006, no valor de R$5.632.913,87, não foi somado ao saldo remanescente no mês de junho (Célula D109). Ele esta demonstrado na coluna Crédito, mas não esta demonstrado na coluna Saldo Após Descontos. Em seguida, retoma a arguição de cerceamento do direito de defesa, ao afirmar que a decisão recorrida, no tema Complemento de Preços, ou reformou o despacho decisório, omitindose em declarálo, ou há erro material a ser corrigido de ofício, pois a autuação, neste item em particular, abrange todos os complementos de preço efetuados após a entrega dos produtos. Em suma, propõe que se prevalecer o contido na decisão da DRJ, o despacho decisório deve ser reformado e os cálculos, refeitos como reflexo da decisão proferida no acórdão; se o acórdão manteve o despacho decisório, então há erro de direito no julgamento, pois os fundamentos são contraditórios, já que não pronunciou o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Entende, enfim, que as decisões são incompatíveis entre si. Reitera, na continuação, a inocorrência de qualquer preclusão legal e que as menções feitas a este instituto no despacho decisório representam cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que fizeram a recorrente perder tempo, desviandoa de sua linha de defesa e obrigandoa a tecer alegações inúteis ao processo. Pede que tais expressões sejam riscadas dos autos. No mérito das glosas atinentes a (i) Complemento de Valor por Preços a Fixar, (ii) Complemento de Preço nas Remessas com FEX, (iii) Frete Relativo a Aquisição com fim Específico de Exportação, (iv) Frete Utilizado para Transporte de Produto Acabado Entre Estabelecimentos (para industrialização ou para armazenamento) e para armazéns gerais ou depósitos fechados (para simples armazenamento ou para formação de lotes padronizados para venda); (v) Frete Referente a Devolução de Compra e Venda, (vi) Frete Interno em Importação após o Desembaraço e (vii) Frete Interno na Aquisição de Pessoa Física para Revenda, repete as razões já oferecidas por ocasião da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a íntegra dos requerimentos finais: DOS PEDIDOS Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 14 A vista do exposto, e do que se comprova: 1.Reiteramse todas as razões aduzidas na Manifestação de Inconformidade preteritamente ofertada, requerendo seja considerada parte integrante e inseparável do presente recurso, inclusive no que tange aos pedidos; 2.Seja decretada a nulidade do despacho decisório, já que não reconhecida a segregação de funções (quem lança não julga, quem julga não lança), sendo que a decisão que fomentou a Manifestação de Inconformidade preteritamente apresentada foi proferida pelo Delegado integralmente pelas razões do fiscal, em detrimento à análise e confrontação com o quanto alegado pela Recorrente; 3.Demonstrada a insubsistência e improcedência dos fundamentos, motivos e justificativa do indeferimento total/parcial do despacho decisório, requerse que seja acolhido o presente Recurso, e reformando a decisão a quo, e declarada a improcedência das glosas de créditos contidas nos presentes autos; 4.Alternativa e sucessivamente, à vista dos esclarecimentos e informações prestadas no curso deste processo, seja reformada a decisão recorrida e anulados os Despachos Decisórios para que, em sendo o caso, outros sejam proferidos em boa e segura ordem de Direito e de Justiça, uma vez que apresenta o vício da incompetência, como demonstrado e comprovado, e também por vício de forma e de falta de fundamentação que permitam a subsunção dos fatos descritos aos fundamentos jurídicos mencionados (ou não mencionados, na sua maior parte) sob pena de cerceamento do direito de defesa; 5.Também seja considerada nula e sem efeito a r. decisão por manifesto cerceamento do direito de defesa e não enfrentamento das alegações da Recorrente, especialmente quanto aos fretes internos de importação tendo inclusive inovado o feito, fazendo alegações não contidas no Auto de Infração confirmando as Preliminares suscitadas na Manifestação de Inconformidade a respeito das obscuridades a cercear o direito de defesa da Recorrente; a. E, também, pela manifesta contradição no que tange aos Complementos de Preço, em que a manter o Acórdão, percebese a reforma parcial do Despacho Decisório, ou observase erro material no cálculo das glosas dos créditos a ser conhecido e corrigido de ofício, diante da omissão flagrante contida no v. Acórdão recorrido, finalmente; 6.Em não sendo supridos os pedidos acima, requer ainda a que o presente processo seja convertido em diligência para o exame, verificação e constatação de quaisquer elementos da situação normada (nos termos dos art. 114, 116 c/c art. 142 do CTN), nos termos do disposto no art. 18 do Decreto Federal 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal); Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, comprovado os motivos de força maior, bem como a realização perícia técnica, tendo para isso preteritamente indicado seu assistente pericial e formulado os quesitos como requer a legislação de regência; Outrossim, com fundamento no art. 5o, XXXIV, letra "b" da Constituição Federal, requer seja ressalvado o direito de ser notificada da juntada de qualquer documento, informação pela d. autoridade fiscal, ou de qualquer outro ato ou fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos, a fim de que possa se manifestar sobre os mesmos, sob pena de violação ao princípio do devido processo legal (art. 5o, LIV da CF/88), do contraditório, e da ampla defesa (art. 5o, LV), além de representar inequívoca negativa de vigência ao princípio da verdade material (princípio maior informador do processo administrativo fiscal), principalmente se for suscitado fato novo ou novas alegações de direitos; Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.735 15 9.Protesta pela produção de sustentação sempre que este meio de defesa for admitida no PAF, requerendo seja intimada regularmente para tanto. Afirma instruir seu recurso com mídia DVD com documentos organizados da seguinte forma: 1. Pasta Notas Fiscais Abril a Maio de 2005 a. Arquivo em Excel com a listagem das notas Fiscais i. Diversos arquivos numerados de acordo com a listagem acima contendo as respectivas notas fiscais. 2. Pasta Notas Fiscais Junho a Dezembro de 2005 a. Arquivo em Excel com a listagem das notas fiscais i. Diversos arquivos numerados de acordo com a listagem acima contendo as respectivas notas fiscais. 3. Pasta Notas Fiscais Janeiro a Junho de 2006 a. Arquivo em Excel com a listagem das notas fiscais i. Diversos arquivos numerados de acordo com a listagem acima contendo as respectivas notas fiscais. 4. 4.Pasta Notas Fiscais Julho a Dezembro de 2006 a. Arquivo em Excel com a listagem das notas fiscais i. Diversos arquivos numerados de acordo com a listagem acima contendo as respectivas notas fiscais. 5. Pasta Notas Fiscais – 2007 a. Arquivo em Excel com a listagem das notas fiscais i. Diversos arquivos numerados de acordo com a listagem acima contendo as respectivas notas fiscais. 6. Pasta Notas Fiscais de Insumos a. Diversas Notas Fiscais divididas em 20 (vinte) arquivos 7. Explicações dos Vícios no Trabalho de Auditoria Fiscal com relação à Composição dos Saldos do respectivo tributo Trabalho de Composição dos Saldos do respectivo tributo — Refeito planilhas anuais Utilização de Créditos Bunge para o respectivo tributo planilhas anuais Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 16 A autoridade preparadora informa, às fls. 1.7250, que vinculouse ao presente o processo nº 13971.000.644/201395, correspondente a dossiê em papel de processo digital, tendo em vista a apresentação de Mídia Digital (DVD) junto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.650 a 1.729 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 0731.326, de 10 de maio de 2013. REQUERIMENTOS DIVERSOS Pedido de perícia O recorrente, assim como fez o impugnante, requer a realização de perícia para exame e verificação das planilhas e processamento eletrônico de informações trazidas ao processo pelos auditores. Indica o perito assistente, formula quesitos e justifica o requerimento, alegando que os trabalhos de perícia e diligência Fazemse necessários por envolver processamento eletrônico automático e inúmeras operações produzidas pela RFB que, a exemplo de outros casos, tem dado azo a processos administrativos totalmente desprovidos de sentido e realidade, tal como os lançamentos eletrônicos em processamentos de DCTF. Por outro lado, alega que há necessidade de testes de consistências impossíveis de serem transpostas por meio de documentos porque envolvem processamento de informações, seus cruzamentos e conciliações, somente possível por trabalho de auditoria e perícia, e, ainda, que em sendo constatado inconsistências, haverá necessidade de se recorrer aos documentos físicos. Repisa o mesmo pedido no que se refere às glosas referentes aos complementos de preço nas remessas com o fim específico de exportação. Ainda, a perícia técnica seria imprescindível para a comprovação de sua alegação de que os procedimentos fiscais que embasaram o despacho decisório contrariaram expressamente o comando da decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS, ao anular o despacho decisório anterior, ao adotarem critérios genéricos e sem fundamento; ao tomarem as falhas pontuais como reiteradas e uniformes, generalizando sob a forma de percentual e estendendoo para todo o período de fiscalizado, sem levar em conta o fato concretamente ocorrido. A propósito, a perícia técnica é um meio de prova destinado a esclarecer aspectos técnicos, cuja solução necessite de expertise e conhecimento especializados e que escapam do conhecimento das partes. Dito de outra forma, a perícia e mesmo as diligências não se presta para a produção de provas que a parte pode e deve produzir, no momento processual oportuno. O recorrente pretende que o perito certifique os critérios, cálculos e valores adotados, efetuados e apurados no procedimento fiscal, dentre outros quesitos formulados que podem facilmente ser respondidos pelo próprio recorrente mediante o exame de provas Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.736 17 documentais, cuja guarda e conservação lhe compete, e, ainda, poderiam ser respondidos pela simples análise dos relatório de auditora, instruído com demonstrativos, explicativos e planilhas que identificam minuciosamente todos os valores que foram glosados e a quais linhas/valores do Dacon a que estão relacionados. Cabia ao interessado apontar os erros que porventura existentes no levantamento fiscal, já que tem condições para isso, por possuir conhecimentos dos fatos e documentos e relatórios que serviram de base para apuração das infrações. Se a realização de perícia técnica, como visto, não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir, muito menos se destina para a confirmação de suspeita do recorrente. O ônus de provar suas alegações compete à recorrente exclusivamente, a teor do sistema de distribuição do onus probandi adotado no Processo Administrativo Federal, consoante com o art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 18 cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Indefiro o pedido de perícia. Pedido de conversão do julgamento em diligência Quanto ao requerimento de diligência “para o exame, verificação e constatação de quaisquer elementos da situação normada”, repetemse aqui os fundamentos para o indeferimento do pedido de realização de perícia: as diligências não se prestam para suprir a desídia das partes na produção das provas que só a elas cabe produzir, como tem reiteradamente decidido esta Turma: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.737 19 probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Ademais, o processo está maduro e pode ser deslindado com os elementos que se contêm. Indefiro. Solicitação de juntada de documentos Em relação à solicitação de posterior juntada de documentos, formulada na peça de reclamação e mecanicamente repetida no recurso voluntário, a possibilidade de conhecimento de prova documental não oferecida à instância a quo deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF assim regula a matéria: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 20 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). De acordo com as normas processuais acima, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López2 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.738 21 desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Há de se aclarar, aqui, que a apresentação de provas do direito creditório após a manifestação de inconformidade fora das hipóteses do já referido art. 16, § 4º do PAF, nas raras ocasiões em que aceita por este tribunal, o é em função da verdade material. Oportuno, neste ponto, transcrever as considerações que o Conselheiro Rosaldo Trevisan teceu a respeito do tema, objeto do voto condutor do Acórdão nº 3403002.681, de 28 de janeiro de 2014, por ocasião do julgamento de recurso do mesmo recorrente: É preciso, no entanto, ter uma coerente compreensão do que se entende por verdade material. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 3 Não se pode em nome da verdade material promover uma dilação probatória ad infinitum, com análise em sede de recurso voluntário de documentos que foram reiteradamente demandados (sem sucesso) no procedimento fiscal de análise do crédito, prometidos na manifestação de inconformidade (também sem sucesso), e, em alguns casos, com promessa reiterada no recurso voluntário. Há que se ter um limite. Daí a importância do disposto no art. 16, § 4°do Decreto n°70.235/1972. Esgotadas as formas de verificar a efetiva existência e a liquidez do crédito, mormente por falta de auxílio da própria interessada, que não conservou/apresentou documentos que permitiriam apurar a liquidez da compensação que a favoreceria, incabível acolher os valores que a empresa alega deter a título de crédito. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 22 É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso)” No caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF., que justifique a apresentação tardia de documentos. A alegada exiguidade do prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de provas, sob qualquer hipótese, não configura força maior, ainda mais quando se trata de processo de iniciativa do próprio contribuinte, em que o direito creditório deve estar previamente revestido de liquidez e certeza. Aliás, não deixa de ser irônico que o recorrente, que recorreu ao Poder Judiciário, impetrando mandado de segurança, para forçar a apreciação prioritária do seu pretenso direito, à revelia da conveniência administrativa e mesmo em detrimento dos demais contribuintes em situação idêntica, venha agora pedir mais prazo para comprovar as suas próprias alegações. Julgo não comprovada a ocorrência de força maior e indefiro o pedido de juntada de documentos após a apresentação da reclamação. Nesse sentido, todos os documentos que instruem o recurso voluntário que inovem a prova documental apresentada na MI não serão conhecidos neste julgamento. Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.739 23 PRELIMINARES Nulidade do despacho decisório O recorrente, assim como o reclamante, suscita a nulidade do Despacho Decisório de fls. 923 a 933 com o argumento que a exiguidade do intervalo de tempo entre a juntada do relatório fiscal e o despacho decisório revela que quem decidiu o feito foram os agentes fiscais que promoveram a auditoria e não o Sr. Delegado competente; que, no caso, não existe previsão legal de delegação de competência; e que esta evidência atrai a regra da Lei nº 4.717, de 1965, que considera caracterizada a incompetência quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. O argumento é risível pois implícito nele está a ideia estapafúrdia de que os delegados da Receita Federal só podem decidir sobre procedimentos fiscais que eles mesmos tiverem executados! Nos termos o art. 280 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil então vigente, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, autorizar ou determinar a execução de procedimentos fiscais (inc. V) e decidir sobre restituição. Por outro lado, o art. 229 do mesmo RI atribui à Seção de Fiscalização – SAFIS da DRF/BLU a competência de justamente realizar as atividades de fiscalização. Enfim, o Despacho Decisório infirmado foi, incontestavelmente, proferido pela autoridade administrativa competente para fazêlo. Rejeito a preliminar. Nulidade da decisão recorrida O recorrente argúi também a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, asseverando que não poderia a decisão atacada simplesmente alegar que a recorrente deixou de produzir prova em momento oportuno, até porque tal momento não encerrou. Penso justamente o contrário. A decisão recorrida deu à matéria o tratamento que julgo o mais correto, pois como já visto acima, precluiu para o recorrente o direito de produção de prova documental. É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 4ª Turma da DRJ/FNS é hígida e enfrentou a impugnação sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. E esse deslize a decisão recorrida não cometeu. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 24 No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.740 25 Rejeito a preliminar. MÉRITO Cálculo do valor da Cofins A insinuação de ocorrência de erros na planilha referente ao 1º trimestre de 2005 e no cálculo do valor da Cofins de abril de 2006 não será conhecida, seja por se tratar de inovação recursal, matéria não arguida na Manifestação de Inconformidade, seja por se tratar de períodos de apuração impertinentes ao caso concreto, que investiga indébitos quanto a pagamentos referentes a novembro de 2007. Da mesma forma, a invocação ao processo administrativo 13971.000029/200498 é disparatada. O recorrente alegou que a análise do crédito depende do desfecho desse, vez que se constatou a inexistência de saldo credor de PIS no final do período de apuração do mês de dezembro/2003, e que não se pode considerar a inexistência de saldo, enquanto não houver decisão definitiva no Carf, sob pena de efetuarse glosas indevidamente. Como pode haver interdependência entre processos que tratam de créditos de contribuições distintas? Pscitacismos à parte, o recorrente reclamou veementemente das menções feitas ao instituto da decadência no despacho decisório, pedindo inclusive que fossem riscadas dos autos, alegando que as mesmas representaram cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que fizeram a recorrente perder tempo, desviandoa de sua linha de defesa e obrigandoa a tecer alegações inúteis ao processo. O que dizer do recorrente, que constrange o julgador a ter de redigir o presente parágrafo? Seja como for, a decisão recorrida deixou claro que não se fez qualquer restrição à tomada de créditos em razão da decadência. Conceito de insumo esposado neste voto Já está pacificado nesta 3ª Turma Ordinária o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Particularmente, entendo ainda mais apropriada a especificidade do conceito deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 26 O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Glosa dos complementos de valor O contribuinte efetua operações de compra, venda e industrialização de insumos (preponderância de soja) com preço a fixar, feitas de pessoas físicas e jurídicas. Efetivada a contratação, na época oportuna, o fornecedor vai procedendo à entrega em remessas, atribuindo preço unitário provisório a elas. Mais adiante, em conformidade com condições contratuais, define o preço final a ser aplicado. Nesse contexto operacional, freqüentemente, há ocorrência de complementação de valores. Se o preço final for superior aos praticados nas remessas, haverá uma complementação a ser paga pelo adquirente. Caso contrário, ou seja, se o preço nas remessas resultar superior ao definitivo, ocorrerá devolução simbólica de certa quantidade do bem e acerto financeiro, ensejando o ajuste. Há então emissão de nota fiscal de mesma natureza, emitida pelo produtor ou pela própria Bunge, neste caso, via nota de entrada, acobertando a operação, quando das remessas. O que diferencia a nota de complementação das relativas às remessas é o fato de não haver movimentação física na operação, referindose a complementação a uma cobrança de determinado valor monetário. Pode haver a ocorrência de mais de uma nota de complementação. O procedimento fiscal analisou as notas de Complemento de Valor nas operações de aquisição de insumos com contratos de preços a fixar e glosou todas as complementações de valor feitas quando o contribuinte já apurava as contribuições sob a sistemática da nãocumulatividade, em aquisições de insumos que não geraram crédito, seja por se tratar de operações realizadas sob a sistemática da cumulatividade, em atenção ao regime de competência, ou, sob a sistemática da não cumulatividade, quando se tratava de operação sem direito a crédito (p/ex., aquisições a pessoas físicas para revendas, ou as a pessoas jurídicas registradas com fim específico de exportação). Enfim, a Fiscalização reconheceu o direito à tomada de crédito sobre a complementação de valor sempre que a operação complementada foi cursada já sob a sistemática da nãocumulatividade e com incidência das contribuições sociais4: 4 quando as remessas (aquisições) ocorreram com direito a crédito, são considerados os créditos das complementações, ainda que ocorridas em meses distintos (os fatos geradores do crédito ocorrem na efetivação das remessas e a complementação de valores está associada àquelas remessas); quando as remessas efetivaramse no regime anterior (cumulatividade), não é considerada a complementação dos valores pagos já no regime novo, haja vista referirse a aquisições (remessas) sem esse direito; quando as remessas (aquisições) ocorreram no regime da nãocumulatividade, mas não geram direito aos créditos, tais como as aquisições de pessoas físicas para revenda ou industrialização de produtos não abrangidos pelo crédito presumido ou registradas com o fim específico de exportação, também não são consideradas.as eventuais complementações. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.741 27 No recurso voluntário a empresa tece considerações sobre as peculiaridades dos produtos que comercializa, e sobre a fixação de preço em momento futuro, afirmando que a complementação de preço está vinculada à aquisição (e não à tradição). Conclui, por fim, que, em sendo cada complemento de preço um faturamento, certamente o vendedor deve incluílo como faturamento e tributálo. Em sendo caracterizado o faturamento para o vendedor , certamente estará caracterizado o complemento de custo para o comprador, gerando o crédito necessário para suas operações de faturamento do mesmo período em que ocorreu o respectivo complemento de preço. Assim como a decisão recorrida, julgo haver nada a reparar no procedimento fiscal. Aliás, o procedimento foi ao encontro do pleiteado pelo próprio recorrente, já que, efetivamente, não houve glosa sobre os complementos de valor que se referiam remessas passíveis de creditamento, ocorridas em momentos pretéritos, mas já sob o regime não cumulativo. Nesse contexto, não se fale tampouco em cerceamento do direito de defesa por parte da Turma recorrida. O voto condutor do acórdão é claro na sua fundamentação, ao sublinhar a vigência do regime de competência na sistemática da nãocumulatividade, ressaltando que o direito ao crédito nasce quando da aquisição e posse do produto; ou seja, as entradas do produto (remessas). Quanto à glosa dos complementos de preços nas remessas com o fim específico de exportação, a recorrente infirma o procedimento fiscal, acusandoo de generalidade, mas não é específico ao apontar as suas falhas, pedindo que elas sejam apuradas em perícia técnica. Desnecessário repetir, o relatório de auditoria fiscal é extenso em esmiuçar os procedimentos adotados, desde a instrução do processo, onde obteve as informações, documentos e esclarecimentos através das diversas intimações, passando pela análise dos Dacon, do rateio, da memória de cálculo, dos arquivos digitais, do demonstrativo dos créditos, das inúmeras tabelas, dentre outros, para chegar à identificação dos créditos indevidos. Tocava ao manifestante refutálo expressa e especificamente, o que não foi feito. Por outro lado, retomamse aqui as considerações já feitas a respeito do onus probandi e da finalidade da prova pericial. Fretes Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal, foram glosadas as despesas com fretes (i) internos em importações (após desembaraço), correspondentes a operações com CFOP de importação; (ii) em aquisições com CFOP indicativo de fim específico de exportação (CFOP 1.501/2.501); (iii) correspondentes a operações de devolução de vendas ou de compras de mercadorias; (iv) em transferências de bens entre estabelecimentos BUNGE; (v) em remessas para armazéns gerais; (vi) em aquisições a pessoas físicas de bens para revenda; (vi) por falta de comprovação dos fretes, relativas a operações com remetente Pessoa Física e CFOP de compra para comercialização; e também em (vii) aquisições a pessoa física de insumos para industrialização os quais foram posteriormente revendidos/exportados, não gerando créditos, de forma que as despesas com os respectivos fretes foram glosadas na mesma proporção daqueles estornos. A insurgência recursal direcionouse para as glosas referentes ao frete relativo a aquisição com fim específico de exportação; frete utilizado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos (para industrialização ou para armazenamento) e para Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 28 armazéns gerais ou depósitos fechados (para simples armazenamento ou para formação de lotes padronizados para venda); frete referente a devolução de compra e venda; frete interno em importação após o desembaraço e frete interno na aquisição de pessoa física para revenda. O argumento recursal fundamental é o de que, tanto as atividades principais quanto as secundárias, enquanto atividades que adicionam valor ao negócio da sociedade e à renda nacional habilitam a tomada de créditos. Entende que, nesse contexto, que a contratação do frete – de qualquer frete está relacionada à sua atividade principal, já que não há nem pode haver circulação de bens sem o necessário contrato de transporte. Aduz que os gastos com fretes nas aquisições de bens destinados ao custeio da atividade econômica não se encontra expressamente listado nos itens da norma que autoriza o direito ao crédito porque subsumese ao conceito de insumo. Quanto ao frete interno, nas aquisições de produtos a pessoas físicas para revenda, devese considerar o fato de que não há direito a créditos nas aquisições de produtor pessoa física de mercadorias para revenda. Logicamente, não há falar em créditos relativos aos fretes relacionados às respectivas aquisições. A Fiscalização motiva as glosas em relação a fretes (com fim específico de exportação) entre estabelecimentos – transferência na ausência de base legal para descontar créditos referentes a produtos acabados entre estabelecimentos. A recorrente, por sua vez, alega que as transferências referemse a “formação de lotes” para revenda (no caso, para exportação). Não haveria transferência entre filiais, mas a própria operacionalização da exportação, diante da impossibilidade de envio total e imediato de todo o produto a ser exportado. A matéria já foi objeto de decisão desta 3ª TO, inclusive em processo de interesse deste mesmo recorrente (Acórdão nº 3403002.681, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan). Na oportunidade, avaliouse que, aparentemente, ambas as afirmações são procedentes. O produto acabado é enviado para filial estabelecida em área portuária. Há, assim, um frete entre a Bunge Xremetente e a Bunge Ydestinatária/área portuária. Assim, é inequívoco que se dá uma transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. E, na sequência, ocorre uma exportação. O art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, contempla as operações de venda e as aquisições de insumos. As transferências entre estabelecimentos de mercadorias acabadas – seja para armazéns, depósitos fechados ou outro estabelecimento qualquer, contudo, não geram crédito, como já vem decidindo esta Turma, cabendo transcrever, pela pertinência com o caso aqui tratado, excerto de voto do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unanimemente acatado: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.742 29 concedido.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012) Assim, a transferência a estabelecimento filial para “formação de lote”, ainda que se efetive a exportação, ou ainda que haja emissão de registro de venda no SISCOMEX, como narra a recorrente, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação. Quanto aos fretes nas aquisições com fim específico de exportação, como se sabe (ou se deveria saber) a contribuição social não incide sobre as vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (inc. III do art. 6° da Lei nº 10.833, de 2003). Como bem enfatizado na decisão recorrida, se o custo das mercadorias adquiridas e posteriormente revendidas para o exterior não gera créditos, logicamente o frete (custo agregado ao produto adquirido) não será passível de creditamento. Tampouco se vislumbra autorização legal para o creditamento da contribuição nas operações relacionadas às devoluções de compras ou de vendas. Modo geral, as despesas com fretes contratados a pessoas jurídicas admitem a toma de crédito em operações de venda de produto; de aquisição de insumo para a produção, agregandose ao custo do produto; de aquisição de produto acabado para as revenda, e; em que o frete contratado é utilizado como insumo na prestação de serviços de transportes. No caso da devolução de compras, esta possivelmente já se creditou quando da realização da operação de aquisição, caso este seja passível de créditos. No que se refere às devoluções de vendas, o frete no retorno da mercadoria é um custo operacional que não se agrega ao produto, visto que este apenas retorna ao estabelecimento, diferentemente do que ocorre no caso de uma aquisição. A Fiscalização glosou também as despesas com fretes internos em importações (após desembaraço), correspondentes a operações com CFOP de importação. A recorrente, sinteticamente, alegou que as importações constituem uma operação de compra, logo devem gerar o direito ao crédito, invocando o art. 3º. da Lei nº 10.833, de 2003. Diz que a Fiscalização não provou tratarse de serviço de transporte prestado por sociedades não domiciliadas no país e que os CFOP das operações não podem ser os mesmos da importação de produtos. Examinando os arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte, a Fiscalização identificou fretes relacionados com operações de aquisição de insumos com CFO 3101 (compra para industrializaçãoimportação) e 2102 (compra para comercialização – importação). Tratandose de importação de insumos, não há direito à tomada de crédito. Ora, como já dito acima, a despesa em questão apenas gera créditos quando associada a custos de aquisição de produtos geradores de créditos no regime nãocumulativo. Nesse sentido, o fato de o serviço de transporte ser ou não prestado por pessoa jurídica domiciliada no exterior é absolutamente irrelevante. Conclusão Com essas considerações e com os fundamentos da própria decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 20 de agosto de 2014 Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 30 Voto Vencedor Conselheiro Ivan Allegretti, redator designado O presente voto trata da questão jurídica em relação à qual o acórdão da DRJ concluiu que “Os gastos com o frete incorrido a partir do local onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro e com a armazenagem, decorrentes de importação de matériaprima, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, não geram crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep apurada no regime nãocumulativo” (fl. 1618). Entendo que não tem razão a DRJ, devendo ser provido o recurso do contribuinte para reconhecerlhe o direito de crédito quanto aos fretes de insumos. Entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito nos casos em que o pagamento de frete qualificase como aquisição de serviço – pois frete é prestação de serviço de transporte – necessário para a produção, ou seja, o frete exclusivamente de insumos. É preciso diferenciar as hipóteses dos incisos I e II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, cujo texto vale a pena relembrar: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Uma situação é a do frete que integra o custo de aquisição dos bens adquiridos para a revenda, quando então se estará tratando da hipótese do inciso I. Mas outra é o pagamento do frete enquanto aquisição de um serviço, enquanto insumo da atividade produtiva. Se a aquisição deste serviço é pertinente e necessária à atividade produtiva, deve gerar direito ao crédito de PIS nãocumulativo, com fundamento no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002. Inclusive porque tal insumo foi onerado pela mesma contribuição na etapa anterior. Vale lembrar que em relação a todos os bens e serviços utilizados como insumo na produção, apenas há crédito na proporção das receitas submetidas à incidência da contribuição no regime nãocumulativo: Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3403003.164 S3C4T3 Fl. 1.743 31 § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. É assim que se dá cumprimento à nãocumulatividade das contribuições em relação à atividade produtiva: apurase a proporção entre as receitas submetidas aos regimes cumulativo e nãocumulativo e, então, transportase esta mesma proporção para apurar o direito de crédito em relação aos bens e serviços utilizados na produção. Ou seja, o frete que o contribuinte paga é um serviço que deve ser considerado em separado. O frete deve se referir ao transporte de um produto que configure insumo, mas não se exige que este produto transportado seja tributado. É a mesma situação apreciada por esta Turma no seguinte julgado: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 32 ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. (Acórdão nº 3403001.938, PA nº 10950.003052/200656, Relator Conselheiro ROSALDO TREVISAN, j. 19/03/2013) Por esta razão, voto pelo provimento parcial do recurso para reconhecer ao contribuinte o direito de crédito em relação aos fretes de bens que configuram insumos. Sala de sessões, em 20 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 10880.962398/2008-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 98 /2 00 8- 21 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962398/200821 Acórdão n.º 3802002.280 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962398/200821 Acórdão n.º 3802002.280 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13864.000469/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 46 9/ 20 08 -9 6 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório ABEDENER DE LIMA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 306.363.538 08, com domicílio fiscal na cidade de São Jose dos Campos SP, Estado de São Paulo, à Rua, n.º 196 – Casa 2 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Jose dos Campos SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 456/462, prolatada pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 469/479. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José dos Campos SP, em 24/11/2008, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 399/400), com ciência por AR, em 15/11/2008 (fls. 407), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.674.538,44 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2006. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Omissão de depósito ou de aos quais mediante rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de investimento, mantida(s) em instituição (ões) financeira(s), em relação o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação e planilhas a ele anexas, que são parte integrante e indissociável do presente auto de infração. Infração capitulada no art. 10 da Lei n° 11.119, de 2005 e art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório da Ação Fiscal, datado de 24/11/2008 (fls. 348/362), entre outros, os seguintes aspectos: que, Sr. Delegado da Receita Federal em São José dos Campos emitiu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), com fundamento no § 50 do art. 20 e art. 40 ambos do Decreto n o 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei n o 9.430, se 1996, em face do banco Safra S/A RMF 08.1.20.00 2008000594 (fl. 267 e 268), cuja ciência postal ocorreu em 12/08/2008 (fl. 269); que em atendimento, a instituição financeira encaminhou cópia apenas o documento de fl. 317 o qual faze referência a documentos da conta Corrente n° 000.5174, agência 13500, em nome do contribuinte (fl. 317); que considerando o fato de a resposta ter sido apresentada desacompanhada dos documentos a que faz referência, foi emitida nova requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira n o 08.1.20.002008000896 (fls. 325 e 326), cuja ciência ocorreu em 09/10/2008 (fl. 327); Fl. 570DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 4 3 que o banco encaminhou, em atendimento, os documentos de fls. 328 a 341, os quais comprovam tratarse de conta individual e cujo movimento não apresentou reflexo no presente auto de infração; que, o Sr. Delegado da Receita Federal em São José dos Campos emitiu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), com fundamento no § 50 do art. 20 e art. 40 ambos do Decreto n o 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei n o 9.430, se 1996, em face do Banco Santander Brasil S/A RMF 08.1.20.002008000713 (fl. 315), cuja ciência postal ocorreu em 04/09/2008 (fl. 316), Em atendimento, o Banco encaminhou os documentos de fls. 321 a 324; que complementando a resposta, o Banco Santander informou, em 20/11/2008, que a conta corrente no 353.0021.0042266742 é conjunta do contribuinte com seu cônjuge, Sra. Célia Costa Lima, CPF 975.505.58868 (fl. 346). Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 09/01/2009, a sua peça impugnatória de fls. 409/418, instruído pelos documentos de fls. 419/440, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que jungido a esses conceitos, está o principio da tipicidade fechada ou da tipologia tributária, segundo o qual não se pode atrelar a hipótese de incidência legal às interpretações as mais subjetivas, culminando em fatos geradores os mais absurdos possíveis para atender a extrema voracidade do Fisco; que pese a presteza da fiscalização e a ganância arrecadatória da receita federal do Brasil, não houve a devida acuidade no caso em tela, no curso dos trabalhos. isso porque o contribuinte é empresário, sócio e único dono da empresa individual ABEDENER de lima me inscrita no cadastro nacional das pessoas jurídicas sob n° 45.698.164/0000172, tendo movimentado em sua conta bancária de pessoa física o faturamento da empresa supra mencionada, o que não foi alvo de fiscalização; que e fato que a empresa, à época da ação fiscal, encontravase omissa no que concerne a entrega de sua DIPJ do exercício 2006, anocalendário 2005 (por ausência de conhecimento), mas, espontânea, regularizou sua situação acessória junto a RFB, uma vez que não se encontrava sob ação fiscal, portanto, livre para promover a referida regularização; que da análise da declaração de rendimentos de ABEDENER DE LIMA pessoa física, vêse que o contribuinte, ao sofrer o esbulho confiscatório, se mantido o auto de infração litigado, não terá meios de subsistência, pois de todos os anos de trabalho, o que lhe restou de patrimônio foi uma casa na Rua Martins Fontes n° 222 Bairro do Monte Castelo; o prédio comercial, situado na Rua Martins Fontes n° 196 Bairro do Monte Castelo, que também lhe serve de casa de morada; capital da empresa individual ABEDENER DE LIMA ME, CNPJ n° 45.698.164/000172, no valor de R$ 676,70, ambos em São José dos Campos; veículo GM/MONTANA SPORT, ano/modelo 2006/2007 placas DSZ 6560 código Renavam 900896400; que considerando a falta de acuidade no caso em tela, no curso da ação fiscal, já que não houve circularização da situação do contribuinte, o que possibilitou à empresa individual desfrutar da espontaneidade e tomar as providências que lhe cabia para regularizar Fl. 571DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 5 4 sua situação perante o fisco, principalmente no que tange ao cumprimento de sua obrigação acessória relativa a entrega da sua DIPJ. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Nona Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que lançamento com base em depósitos ou créditos bancários tem como fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996. Tratase de uma presunção legal de omissão de rendimentos contra o contribuinte titular da conta que não lograr comprovar a origem destes créditos; que o dispositivo legal acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; que a presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário; que a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a "comprovação" feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta; que aditese neste ponto, que as empresas inscritas no Simples estão dispensadas de escrituração contábil, desde que mantenham boa ordem e guarda, o Livro Caixa, Registro de Inventário e todos os documentos que serviram de base para a escrituração dos referidos Livros. O contribuinte não apresentou qualquer documentação contábil e fiscal, comprobatória de que os valores que transitaram em suas contas correntes são provenientes de recursos da empresa da qual é titular; que quanto ao TED no valor de R$ 17.000,00 que, segundo o impugnante não foi excluído pela auditoriafiscal, podemos verificar da simples análise da Tabela II (fl. 252), cuja cópia seguiu anexa ao Termo de Intimação Fiscal de 17/06/2008 (fls. 238/239), que referido montante foi excluído da base de cálculo do lançamento, em face da comprovação que se tratava de transferência entre contas de mesma titularidade. Portanto, não há reparos a serem feitos. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA Para os fatos Fl. 572DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 6 5 geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Correto o lançamento fiscal de omissão de rendimentos relativamente a depósitos bancários cuja origem o contribuinte busca justificar com alegações genéricas, não apoiadas em provas documentais, que confirmem suas alegações. BIS IN IDEM Descabe a alegação relativa a valores onde não ocorreu tributação na fonte e em relação aos quais a exigência de IRPF foi apurada em obediência à capitulação legal da autuação. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA.VEDAÇÃO AO CONFISCO. Os Princípios da capacidade contributiva e vedação ao confisco, art. 150, IV da CF/88, são balizas ao legislador a orientar a edição de Lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Impugnação Improcedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 06/10/2009, conforme Termo constante às fls. 456/462, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (13/11/2009), o recurso voluntário de fls. 469/479, instruído pelo documento de fl. 480/489, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que embora o que disciplina o artigo 42, da Lei n° 9.430/96, e que a presunção juris tantum inverte o ônus da prova, ficando a autoridade lançadora dispensada de provar que os depósitos bancários não comprovados (fato indiciário) correspondem, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do artigo 334, IV, do CPC, isso não impede que o contribuinte se beneficie do que dispõe os artigos 529/530/531 do vigente Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26/03/1999 (RIR/99), que facultam ao contribuinte arbitrar o seu lucro; que não procede a alegação da Colenda Turma Julgadora de que o fenômeno do "bis in idem" só ocorre com tributação na fonte, uma vez que a tributação tem sua hipótese de incidência estabelecida em Lei, a quem compete determinar também o momento do fato gerador e da respectiva incidência tributária; que reforçando a tese da ocorrência do bis in idem no presente caso, cristalinamente exposta acima, podese, ainda, argumentar que o Recorrente não pode ser penalizado duplamente, por estar evidente que os depósitos efetuados em sua conta corrente de Fl. 573DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 7 6 pessoa física são provenientes do faturamento de sua empresa individual e como tais só podem ser tributados na pessoa jurídica; que por outro lado, é extremamente estranho o fato de que do presente julgamento participaram, além da relatora e do presidente, o julgador RODRIGO VICENTINI, estando ausentes, justificadamente, os julgadores MARGARIDA MARIA LOSADA MOREIRA e RENATO ALBANO JUNIOR. Não cabe ao Recorrente estabelecer juízo de valor contra quem quer que seja, argüir suspeição contra qualquer pessoa, mas cabe argüir o porquê de uma matéria complexa como a que se discute no presente auto de infração seja apreciada por apenas 3 (três) julgadores e a única explicação que o Recorrente encontra para justificar tal comportamento é o aspecto do excesso de exação que domina hoje o Estado; que da analise da resposta da instituição financeira pode verificarse que o contrato foi fornecido e a existência da conta conjunta era verídica, tal como tinha afirmado o Recorrente, não resultando apresentação de fatos novos, inclusive contradizendo a relatora de que o Recorrente havia se furtado da apresentação de todos os dados bancários dos quais era titular; que reflete verdadeiro equivoco, o argumento do voto da relatora de que apenas as empresas inscritas no Simples estão dispensadas de escrituração contábil, desde que mantenham em boa ordem e guarda o Livro Caixa, o Livro de Registro de Inventário e os documentos que serviram de base para sua escrituração. Equivoco porque a legislação de regência impõe a manutenção de escrita comercial e fiscal e, na sua falta ou na insuficiência de sua escrituração autoriza o auto arbitramento, se espontâneo, como o fez o Recorrente, ou promove o arbitramento de oficio, sob ação fiscal. É o Relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 348/362, onde consta o Termo de Verificação Fiscal, os seguintes excertos: O Sr. Delegado da Receita Federal em São José dos Campos emitiu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), com fundamento no § 50 do art. 20 e art. 40 ambos do Decreto n o 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei n o 9.430, se 1996, em face do banco Safra S/A RMF 08.1.20.00 2008000594 (fl. 267 e 268), cuja ciência postal ocorreu em 12/08/2008 (fl. 269). Em atendimento, a instituição financeira encaminhou cópia apenas o documento de fl. 317 o qual faze referência a documentos da conta Corrente n° 000.5174, agência 13500, em nome do contribuinte (fl. 317). Considerando o fato de a resposta ter sido apresentada desacompanhada dos documentos a que faz referência, foi emitida nova requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira n o 08.1.20.002008000896 (fls. 325 e 326), cuja ciência ocorreu em 09/10/2008 (fl. 327). O banco encaminhou, em atendimento, os documentos de fls. 328 a 341, os quais comprovam tratarse de conta individual e cujo movimento não apresentou reflexo no presente auto de infração. O Sr. Delegado da Receita Federal em São José dos Campos emitiu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), com fundamento no § 50 do art. 20 e art. 40 ambos do Decreto n o 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei n o 9.430, se 1996, em face do Banco Santander Brasil S/A RMF 08.1.20.002008000713 (fl. 315), cuja ciência postal ocorreu em 04/09/2008 (fl. 316), Em atendimento, o Banco encaminhou os documentos de fls. 321 a 324. Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 575DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 9 8 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 10 9 O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se Fl. 577DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 11 10 encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos Fl. 578DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 12 11 bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, Fl. 579DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 13 12 diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 14 13 DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 15 14 Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Fl. 582DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000469/200896 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.362 S2C2T2 Fl. 16 15 Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 583DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10680.725067/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2006
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar.
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE
A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
GRUPO ECONÔMICO. HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social. Art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124 do CTN.
PROVA NOS AUTOS. HIPÓTESES DE DISPENSA LEGAL.
Não dependem de prova nos autos do processo os fatos notórios, os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, bem como os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade, a teor do art. 334 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os juros e a multa de mora, em vista da existência de depósitos judiciais no valor integral do débito. Vencidos a Conselheira Relatora e o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral, que excluíram, também, a solidariedade do grupo econômico. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente quanto à solidariedade passiva.
Liege Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora.
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2006 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. GRUPO ECONÔMICO. HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social. Art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124 do CTN. PROVA NOS AUTOS. HIPÓTESES DE DISPENSA LEGAL. Não dependem de prova nos autos do processo os fatos notórios, os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, bem como os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade, a teor do art. 334 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os juros e a multa de mora, em vista da existência de depósitos judiciais no valor integral do débito. Vencidos a Conselheira Relatora e o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral, que excluíram, também, a solidariedade do grupo econômico. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente quanto à solidariedade passiva. Liege Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Arlindo da Costa e Silva Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. GRUPO ECONÔMICO. HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social. Art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124 do CTN. PROVA NOS AUTOS. HIPÓTESES DE DISPENSA LEGAL. Não dependem de prova nos autos do processo os fatos notórios, os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, bem como os fatos em cujo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 67 /2 01 0- 82 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 favor milita presunção legal de existência ou de veracidade, a teor do art. 334 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os juros e a multa de mora, em vista da existência de depósitos judiciais no valor integral do débito. Vencidos a Conselheira Relatora e o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral, que excluíram, também, a solidariedade do grupo econômico. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente quanto à solidariedade passiva. Liege Lacroix Thomasi –Presidente de Turma. Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora. Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 261 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito constituído. O Auto de Infração foi lavrado contra a empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, no valor de R$ 3.155.782,49, cobrandolhe, no período de 06/06 a 08/06, o pagamento das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social correspondente à parte patronal, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) incidente sobre valores pagos a segurados empregados (anuênio indenizado), depositados em juízo, conforme relatório fiscal de fls. 12/16. De acordo com o auditor (fls. 12/16), o lançamento foi constituído no intuito de evitar que os valores das contribuições previdenciárias fossem atingidos pela decadência em decorrência dos depósitos judiciais efetuados na Ação Judicial 2006.38.00.0218396, em trâmite perante a 20ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, nas competências 06/2006 a 08/2006 (fls. 12). Foram as empresas componentes do Grupo Econômico (CEMIG Geração e Transmissão S/A, CNPJ 06.981.176/000158 e Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG, CNPJ 17.155.730/000164) fls. 51/54, intimadas mediante Termo de Sujeição Passiva. Todas devidamente intimadas, as empresas apresentaram Impugnação única (fls. 99/110), tempestivamente, alegando em breve síntese: a) Ser incabível a extensão da responsabilidade tributária da CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A às demais empresas, uma vez que no próprio lançamento o contribuinte apresentou patrimônio para quitar, caso seja devido, o valor apurado; b) Que os valores lançados estão integralmente depositados em juízo, razão pela qual não é devida a cobrança. Cita jurisprudência; c) Que o depósito judicial equiparase ao pagamento do tributo, sendo ilegal a cobrança de juros e multa de mora; d) Por fim, requereu a anulação do lançamento e, alternativamente, a exclusão dos juros e da multa. Na decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0244.668 (fls.223/226) foi mantido o crédito tributário, pelas seguintes razões: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 a) Mesmo que a matéria estivesse em discussão judicial, o crédito tributário deveria ser lançado com o objetivo de evitar que os valores fossem atingidos pela decadência; b) Que o depósito efetuado, embora suspenda a exigibilidade do crédito, não enseja garantia plena de transformação em pagamento definitivo; c) Quanto a cobrança dos juros e da multa, afirmou que o lançamento dos acréscimos legais segue o lançamento do crédito decorrente da obrigação tributária principal a qual estava aguardando decisão judicial definitiva; d) Que em consulta realizada em 17/05/2013 ao sítio do TRF 1ª Região verificou que o processo ainda não transitou em julgado. e) Em relação a responsabilidade solidária, afirmou que as próprias empresas reconhecem em sua defesa que pertencem ao grupo econômico da CEMIG. Desse modo, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei 8212/91, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. f) Por fim, determinou o sobrestamento da cobrança do crédito até o julgamento final do processo n.º 2006.38.0218396. Após notificação do Acórdão nº 0244.668 (fls. 235/242), as empresas, inconformadas, apresentaram Recurso Voluntário (fls. 244/254), de forma tempestiva. Em suas razões, afirmaram: a) Que de acordo com o entendimento pacificado do STJ, quando houver depósito judicial de tributos sujeito a lançamento por homologação, dispensável se faz o ato formal de lançamento por parte do Fisco, não havendo que se falar em decadência; b) Que os valores lançados correspondem aos dos depósitos judiciais realizados pela empresa e seu valor originário, não havendo que se falar em lançamento de oficio suplementar ou posterior por parte do Fisco; c) Quanto ao lançamento de juros e multa, não há razão justificadora para tal feito, vez que, o depósito judicial foi realizado integralmente e dentro do vencimento. Isto posto, por não haver mora, os encargos não podem ser exigidos; d) Que não se aplica ao presente caso o disposto no art. 63 da lei 9.430/96; e) Afirmou não haver indicação de fundamento legal para amparar o lançamento, em especial os arts. 150, § 4º e 151, II, todos do CTN, o que enseja a anulação; f) Por fim, requereu a desconstituição do termo de sujeição passiva solidária; a anulação do lançamento, sucessivamente, o decote da multa de mora e dos juros, considerando o depósito judicial do Fl. 263DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 262 5 montante integral lançado, por conseguinte, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Eis o relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. 1 – Dos Depósitos Judiciais: Defende a Recorrente a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a não incidência dos juros e da multa de mora, uma vez que os valores objeto do lançamento encontramse depositados em sua integralidade em conta vinculada à Ação Ordinária nº 2006.38.00.0218396 que tramitou perante a 20ª Vara Federal da Subseção de Minas Gerais. Ao contrário do que pretende a empresa no que pertine a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o depósito judicial, efetivado em seu valor total, não afeta o lançamento escorreito. Isto porque o ajuizamento de Ação Ordinária n° 2006.38.00.0218396 (ainda em trâmite consulta realizada perante o site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região) pelo contribuinte visando afastar a cobrança de determinada contribuição não impede a Administração de proceder ao lançamento, ainda que comprovados os depósitos judiciais (art. 151, inciso II, CTN). Nos termos do art. 142 do CTN, sendo a atividade administrativa vinculada, o auditor fazendário está obrigado a constituir o crédito tributário quando verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, sob pena de responsabilidade funcional. Vejamos a norma: "Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Sendo assim, tais depósitos suspendem tão somente os atos executórios da cobrança, o que legitima o lançamento. Todavia, entendo que não é devido a imposição de penalidade quando o crédito tributário já se encontra com a exigibilidade suspensa em decorrência dos depósitos Fl. 265DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 263 7 judiciais efetuados antes do início de qualquer procedimento de ofício. Eis o entendimento do CARF: "LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA PUNITIVA. IMPOSSIBILIDADE. JUROS DE MORA. Não é cabível a imposição de penalidade quando o auto de infração é lavrado para prevenir a decadência de tributos com exigibilidade suspensa em virtude de depósitos judiciais." (AC 2402002.819 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingos)." Em relação aos juros de mora, o raciocínio não é diferente. É pacífico o entendimento desta Corte Administrativa no sentido de afastar a exigência dos juros de mora quando houver comprovação de que os valores devidos encontramse depositados judicialmente em sua integralidade. Eis o teor da Súmula nº 05: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Na hipótese dos autos, uma vez demonstrado pelo auditor que os depósitos judiciais ocorreram antes do início da ação fiscal, no valor integral do crédito previdenciário, deve ser afastada a multa e os juros, já que não existiu inadimplemento por parte do contribuinte. 2 Da Responsabilidade – Grupo Econômico: O Código Tributário Nacional ao definir o sujeito passivo responsável e a própria solidariedade, adotou o princípio da legalidade, nos termos dos artigos 121 e 124: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." Fl. 266DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." Neste contexto, dispõe o art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91 que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei. "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;" O conceito de grupo econômico pode ser extraído da norma instituída no art. 265 da Lei nº 6.404/76 que assim dispõe: "Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns." No mesmo sentido estabelece o art. 2º, §2º da Consolidação das Leis Trabalhistas, vejamos: "Art. 2.º ... ... § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Diante do ordenamento pátrio, posso afirmar que Grupo Econômico pode ser entendido como a união de pessoas jurídicas que exercem atividade empresária, com personalidades distintas, sob o comando de uma delas, ou que empreenda conjuntamente recursos e/ou esforços a fim de alcançar os respectivos objetos ou empreendimentos em comum. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 264 9 Acerca da matéria, cito trecho do voto do eminente Desembargador Federal FREDERICO AZEVEDO, proferido na Apelação Cível n.º 377949/PE, cujo entendimento justifica a existência do grupo econômico: "Conseguintemente, a responsabilidade solidária do grupo econômico é realidade normativa inscrita não apenas no inciso IX, do art. 30, da Lei nº 8.212/91, com respaldo no inciso II, do art. 124, do Código Tributário Nacional, que estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei, mas em outras normas jurídicas, a exemplo da regra inserta no § 2º, do art. 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe: "Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas". A solidariedade se impõe como medida de garantia do cumprimento das obrigações jurídicas, de modo a impedir o inadimplemento pelo fracionamento fugidio.” (grifo nosso)" A solidariedade, tal como disposta na lei, não deve ser aplicada discricionariamente. Para tanto, deve o auditor demonstrar os interesses em comum das empresas (exemplificativamente: confusão patrimonial ou concentração administrativa) ou a situação de fato que implique a responsabilidade solidária. No relatório fiscal de fls. 16, aduziu o auditor que nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/91 e inciso I do art. 124 do CTN foram arroladas as empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A CNPJ: 06.981.176/000158 e Companhia Energética Minas GeraisCEMIG CNPJ: 17.155.730/000164 como componentes de grupo econômico, para as quais lavrouse o Termo de Sujeição Passiva, vejamos: “Nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/91 e inciso I do art. 124 da Lei 5.172/66 (CTN – Código Tributário Nacional), estão sendo arroladas as empresas abaixo relacionadas componentes de grupo econômico, para as quais lavrouse o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. Aos mesmos foram anexadas, em arquivos digitais autenticados, cópias dos Autos de Infração relacionados no item 1 deste título e endereçados aos sujeitos passivos solidários mencionados abaixo com o objetivo de cientificálos das exigências tributárias lavradas contra o contribuinte autuado...” Não obstante ter transferido a responsabilidade, o auditor não demonstrou as razões que o levaram a concluir nesta linha. O dever de motivar é inerente a própria atividade administrativa. Para tanto, não basta a autoridade fazendária mencionar o dispositivo legal. O art. 50, inciso I da Lei nº Fl. 268DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 9.784/99 determina que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direito ou interesses, vide: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;" Este entendimento é adotado pelo CARF. A exemplo cito Acórdão nº 2302 003.094, de Relatoria da Presidente da 2ª Seção – 3ª Câmara – 2ª Turma Ordinária, Dra. Liege Lacroix Thomasi, cuja ementa segue abaixo: "IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5º da Constituição Federal/88." Diante da ausência de motivação, não vejo razão para ampliar a responsabilidade pelo adimplemento das obrigações tributárias às empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A (CNPJ: 06.981.176/000158) e Companhia Energética Minas GeraisCEMIG (CNPJ: 17.155.730/000164). Por todo o exposto: CONHEÇO do Recurso Voluntário, por tempestivo, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo os juros e a multa de mora incluídos na presente ação fiscal, bem como, a responsabilidade solidária das empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A (CNPJ: 06.981.176/000158) e Companhia Energética Minas Gerais CEMIG (CNPJ: 17.155.730/000164) pelo adimplemento das obrigações previdenciárias. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de Julho de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 265 11 Voto Vencedor DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Fincamos a opinio iuris que ora se aquilata nas hipóteses de dispensa legal de produção probatória prevista no art. 334 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal com respaldo no art. 108 do Código Tributário Nacional CTN. Código de Processo Civil CAPÍTULO VI DAS PROVAS Seção I Das Disposições Gerais Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: I notórios; II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos, no processo, como incontroversos; IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. De acordo com o Pergaminho Processual civil, consubstanciado na Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, norma de direito público por excelência, não dependem de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 prova no processo os fatos notórios; os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, bem como os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Fato notório é aquele de conhecimento geral, perceptível por qualquer pessoa de mediano entendimento. O conceito de notoriedade é relativo, possui limitações de tempo, espaço e esfera social. Podemos dizer que fato notório é aquele cujo conhecimento faz parte da cultura normal própria de determinada esfera social no tempo em que ocorre a decisão. Para que um fato seja considerado notório não se faz necessário o seu efetivo conhecimento, sendo suficiente que possa ser extraído da ciência pública ou comum. No caso em tela, a página na internet www.cemig.com.br expõe todo o grupo econômico da CEMIG, constituído pela Holding CEMIG – Companhia Energética de Minas Gerais e por mais de 200 sociedades e 17 consórcios. A Cemig, holding do setor elétrico, atua nos segmentos de distribuição, geração e transmissão de energia, sendo suas principais controladas e respectivas atividades: · Cemig Geração e Transmissão S.A. ("Cemig GT") ou ("Cemig Geração e Transmissão") (controlada participação de 100,00%) subsidiária integral de capital aberto (possui 48 usinas, sendo 43 usinas hidrelétricas, 4 eólicas e 1 termelétrica e linhas de transmissão pertencentes, em sua maior parte, à rede básica do sistema brasileiro de geração e transmissão. A Cemig GT possui ainda participação societária em várias controladas, todas atuando nos mesmos segmentos. · Cemig Distribuição S.A. ("Cemig D") ou ("Cemig Distribuição") (controlada participação de 100,00%) Subsidiária integral de capital aberto, com distribuição de energia elétrica através de redes e linhas de distribuição em aproximadamente 97% do Estado de Minas Gerais atendendo a 6.832.361 consumidores em 31 de dezembro de 2009. · Light S.A. ("Light") (controlada em conjunto participação 13,03%) Tem por objeto social a participação em outras sociedades, como sócia quotista ou acionista e a exploração, direta ou indiretamente, conforme o caso, de serviços de energia elétrica, compreendendo os sistemas de geração, transmissão, comercialização e distribuição de energia elétrica, bem como de outros serviços correlatos. Tais informações são de livre acesso a todos os internautas, a todo e qualquer tempo, permitindo ao público em geral o perfeito conhecimento da extensão e das empresas que integram o grupo econômico CEMIG, circunstância que dispensa sua demonstração nos autos. De fato, tratase a empresa autuada de sociedade de economia mista, conforme Estatuto Social consolidado aprovado pela Escritura Pública de Constituição em 08/09/2004, arquivada na JUCEMG em 15/09/2004, sob o nº 31300020568 e pelas Assembleias Gerais reunidas para reforma estatutária, até as últimas AGO/AGE, realizadas, cumulativamente em 29/04/2009, cuja ata foi arquivada na JUCEMG em 15/05/2009, sob o nº 4130441. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 266 13 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Avulta que a condição de grupo econômico existente entre COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG, a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A e a CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A não se configura como objeto de qualquer controvérsia no bojo do vertente Processo Administrativo Fiscal. Ao contrário, as posições esposadas pela administração tributária e pelo Recorrente são convergentes e desaguam na mesma conclusão. A CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A E A a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A são subsidiárias integrais da COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG. Sendo tal condição admitida pelas partes no processo, como incontroversa, tal fato não depende de prova, conforme assim estatui o inciso III do art. 334 do Código de Processo Civil. Mas ainda não acabou. Há mais um detalhe. Mostrase alvissareiro iluminar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, que se formam a partir da vontade humana, as pessoas jurídicas de direito público tem sua existência legal em razão de fatos históricos, da Constituição do país, de leis ou tratados internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando se juridicamente, ao influxo de uma finalidade cogente, eis que vinculada ao princípio da constitucional da finalidade. Muito embora a Administração Pública se submeta primordialmente ao regime jurídico de direito público, nas ocasiões em que sua subsunção ao regime de direito privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de satisfação dos interesses coletivos exige a outorga de prerrogativas e privilégios para a Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem estar coletivo como para a própria e eficaz prestação de serviços públicos. Tais prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos interesses coletivos que representa em contraposição aos interesses individuais de natureza privada. Justificamse as prerrogativas e privilégios da Administração Pública pela circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da coletividade, impondoselhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os distingam dos atos jurídicos de direito privado, o que lhes confere características intrínsecas próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Relembrando o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 267 15 Nessa vertente, a presunção de legitimidade do ato administrativo relaciona se aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Nessa toada, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que derrogam o direito comum perante a administração, urge serem analisados sob a luz que dimana do regime jurídico de direito público que os rege. Em curta e superficial digressão acerca dos meios de prova admissíveis em direito, percebemos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar a verdade dos fatos todos os meios legais, assim como aqueles moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código. A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo, perante o dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da Carta de 1988, concluise ser aceitável a utilização no processo administrativo ou judicial de todos os meios de prova, desde que moralmente legítimos e colhidos, direta ou indiretamente, sem infringência às normas de direito material. Visitando as páginas do CPC, nos deparamos com o preceito inscrito no inciso IV do art. 334, que assenta de forma expressa não depender de prova no processo os fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade. Vale lembrar que as presunções, assim como os indícios, são também conhecidas como prova indireta. Nessa perspectiva, enquanto os meios ordinários de prova fornecem ao julgador a ideia objetiva do fato que se almeja provar, na presunção, os fatos afirmados não se referem ao meio de prova apresentado, mas a um outro fato ordinário não comprovado nos autos mas conexo ao fato probante, que com ele se relaciona, e de cujo conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar, cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece. Colhemos da melhor doutrina que, “nesse caso, o juiz conhecerá o fato probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 via do raciocínio e guiado pela experiência, ao fato por provar” (Moacyr Amaral dos Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995). Consoante tal estrutura, se um determinado fato jurídico realmente vem a ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece, da conclusão se autoriza que se extraia uma presunção, eis que o fato presumido é uma consequência verossímil do fato conhecido. Assim, as presunções legais decorrem de um raciocínio sugerido pelo ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia probatória, todavia, pode admitir ou não de prova em sentido contrário. Nesse contexto, na presunção absoluta a parte invocadora da presunção não está obrigada a provar o fato presumido, mas sim, o fato no qual a lei se assenta, não admitindo qualquer prova em contrário. De modo diverso, na presunção relativa, a lei estabelece que o fato presumido é havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário. No caso sub examine, a presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 268 17 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 123930 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2 PROCESSUAL PROVA COPIA XEROGRAFICA AUTENTICAÇÃO POR FUNCIONARIO DE AUTARQUIA EFICACIA PROBATORIA. Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original, a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração em contrario. Em não sendo impugnada, tal reprografia faz prova das coisas e dos fatos nelas representadas (CPC, art. 383). EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Fl. 276DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a não fidedignidade dos assentamentos em realce. Tais conclusões não discrepam do entendimento esposado pelo Mestre Hely Lopes Meirelles (in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995), ad litteris et verbis: “Os atos administrativos (...) nascem com a presunção de legitimidade (...). A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidação. Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento de nulidade, os atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a Administração, quer para os particulares sujeitos ou beneficiários de seus efeitos (...). Outra consequência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. Cuide se de arguição de nulidade do ato, por vício formal, ou ideológico, a prova do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante e, até sua anulação, o ato terá plena eficácia”. Diante desse quadro, tratandose o Auto de Infração de Obrigação Principal de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo, fulgurando as informações nele contidas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado, a teor da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo que deve ser adimplido pelo Administrado Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 269 19 mediante documentos idôneos com aptidão para contrapor a presumida fidedignidade do conteúdo do Auto de Infração. Caso contrário, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 No caso em apreço, o Relatório Fiscal do Auto de Infração declara expressamente que a COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG, a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A e a CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A constituem Grupo Econômico, para as quais se lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária, fato esse não contestado pelo Recorrente, tampouco comprovado em sentido contrário, configurandose tais assentamentos como bastantes e suficientes para fazer prova do fato afirmado pelo Fisco, a teor da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Nesse contexto, restando a condição de grupo econômico devidamente caracterizada nos presentes autos, qualquer que sejam as hipóteses elencadas no art. 334 do Código de Processo Civil levadas em consideração, é de se observar a responsabilidade solidária das empresas do grupo econômico CEMIG consignadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária, por força do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124 do CTN. Com efeito, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, ao tratar da responsabilidade tributária, o CTN honrou prescrever, com propriedade, que a lei pode atribuir a terceira pessoa vinculada ao fato gerador a responsabilidade pelo crédito tributário, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas escoras no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade tributária entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.231 S2C3T2 Fl. 270 21 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Nesse viés, com fundamento de validade no art. 124 do CTN, o legislador ordinário honrou dispor no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 hipótese de solidariedade entre as empresas integrantes de grupo econômico, de qualquer natureza, as quais respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias inseridas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) No caso presente, o próprio Recorrente reconhece a existência de grupo econômico formado entre as empresas Cemig Geração e Transmissão S/A, Cemig Distribuição S/A e Companhia Energética de Minas Gerais. A responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico decorre ex lege, nos termos pontuados no art. 124 do CTN c.c. Art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. Pelos motivos expendidos, pugnamos pela manutenção da responsabilidade solidária das subsidiárias integrais CEMIG Geração e Transmissão S/A e CEMIG Distribuição S/A pelo adimplemento do crédito tributário lançado em face da Holding COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG, conforme consignado no Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados pela Fiscalização. Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10660.003241/2008-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DAS RECEITAS E DESPESAS MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
O art. 61, § 5°, do RIR/99 dispõe que a receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais.
O Fisco pode e deve, em seus trabalhos de verificação, exigir que todas as receitas e as despesas sejam objeto de comprovação mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sob pena de glosa.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DAS RECEITAS E DESPESAS MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. O art. 61, § 5°, do RIR/99 dispõe que a receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. O Fisco pode e deve, em seus trabalhos de verificação, exigir que todas as receitas e as despesas sejam objeto de comprovação mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sob pena de glosa. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 32 41 /2 00 8- 56 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Versam os presentes autos sobre Auto de Infração, de fls. 2 a 29, exigindo o recolhimento de R$ 282.364,30 de imposto, R$ 211.773,22, de multa de ofício e R$ 81.320,91 de juros de mora (calculados até 30/09/2008), levandose em consideração os seguintes pontos, extraídos da "conclusão" da fiscalização, às fls. 26/27: c) Em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, P. 30 a 32, Luiz Cláudio da Mata apresentou espontaneamente os extratos bancários das contas correntes N° 12.8856, Banco do Brasil S/A, Agência 04642, N° 00013218, Banco Bradesco SÃ, Agência 25283, e 8087, Cooperativa de Crédito Bom Sucesso — SICOOB CREDISUCESSO, todas em Bom Sucesso/MG, anocalendário 2005,11s. 44 a 199; d) Foi movimentado pelo contribuinte, anocalendário 2005, nas referidas contas bancárias, aproximadamente R$ 1.900.000,00; g) A receita e a despesa efetivamente comprovadas com documentos hábeis e idôneos são, respectivamente, de R$ 327.248,32 e R$ 178.262,73, que resulta numa diferença tributável de RS 148.985,59, confirme planilha de fls. 16 a 18; h) Sendo 20% do valor da Receita Bruta de R$ 327.248,32 igual a R$ 65.444,66, e por ser esta opção mais favorável ao contribuinte em relação à diferença entre receita e despesa, será levado para o Auto de Infração, fls. 05, como omissão de receita auferida da atividade rural, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 16 a 18; j) Conforme análise dos extratos bancários ... há créditos significativos. Com base nesses créditos elaboramos as planilhas de fls. 10 a 15, que foram encaminhadas ao contribuinte, por meio de intimação fiscal, mencionando os valores a serem comprovados e/ou justificados individualmente; k) Excluímos dos créditos não comprovados as rubricas referentes a resgates de uma conta para depósito em outra, estornos, cheques devolvidos, cheques sem fundos, empréstimos bancários e créditos correspondentes a débitos de igual valor até 7 dias antes da operação entre as contas correntes e poupanças nas referidas instituições financeiras; 1) Luiz Cláudio da Mata comprova que alguns valores são recursos da atividade rural e de outros faz apenas alegações de que foram movimentados em suas contas correntes, que transitam por elas para suprir falta de fundos, que são empréstimos relâmpagos entre amigos e parentes que não são gravados pelas Fl. 702DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10660.003241/200856 Acórdão n.º 2802002.841 S2TE02 Fl. 702 3 formalidades e garantias de costume, que após a regularização da pendência é destruído e que torna impossível comprovar suas origens; n) Na planilha de fls. 16, consolidamos, mês a mês, os créditos/depósitos movimentados nas referidas contas bancárias e excluímos os valores referentes a receitas da atividade rural e os valores movimentados pelas contas da esposa, da Caixa Econômica Federal (conta n° 00016 o) e da SICOOB (conta n°4804); q) A omissão de receita auferida da atividade rural e os créditos de origem não comprovada, constantes das planilhas de fls. 16 a 18, firmam as bases de cálculos, mês a mês, que estão demonstrados no auto de infração às fls. 02 a 08. Destaquese que o contribuinte somente entregou a Declaração de Ajuste Anual — Exercício 2006, após intimação. Foram formalizados o Processo n° 10660.003242/200809 Representação Fiscal para Fins Penais e o Processo n° 10660.003243/200845 — Arrolamento de Bens e Direitos. Cientificado do Auto de Infração em 21/10/2008, o recorrente apresentou Impugnação, às fls. 436 a 449, instruída pelos elementos de fls. 450 a 664, em 18/11/2008, em que contesta o lançamento efetuado. Rebate especificamente alguns pontos, apresentando, em síntese, as razões a seguir: 1 "Foram movimentados valores não se precisando o quanto, 'aproximadamente '."; 2 Os valores dos rendimentos e das despesas, respectivamente, R$ 326.698,32 e R$ 299.313,60, informados na declaração de ajuste, expressam a realidade, pois parte das despesas foram lançadas por estimativa, tendo em vista o cancelamento de sua quota na COOPERBOM, conforme declaração, não restando outra alternativa a não ser adquirir os produtos de uso e consumo na atividade rural em nome ou na conta de sua mãe e/ou de irmãos. Tal situação se confirma através do aumento repentino de consumo nestas referidas contas; 3 Também foram incluídos como despesas, valores referentes à mãodeobra temporária, que por não caracterizar vínculo empregatício, "não se emite recibos por se tratar de vizinhos e até de parentes"; 4 "A atividade rural é reconhecida, no Brasil assim como em todo mundo, como deficitária, e por ser essencial, ..., em muitos casos é subsidiada e tratada com simplificação e diferenciação, não sendo exigida as formalidades de unia empresa comum..."; 5 "O próprio regulamento do RIR/99,..., dispõe que as comprovações de entradas e saídas obedecerão a legislação estadual pertinente ao assunto. O Estado por sua vez, não exige que o produtor rural promova o devido registro na Junta Comercial, dispensao de escriturar livros comerciais, contábeis e fiscais, até mesmo o livro caixa. Não pode, o fisco, em seus trabalhos de verificação exigir que todas as comprovações sejam feitas com documentos hábeis e idôneos, sabedor de que tais documentos não existem no meio rural, nas saídas, é até possível, mediante as notas fiscais avulsa..., o mesmo não acontece nas entradas e nas despesas onde grande parte são realizadas sem a exigência de qualquer documento ou recibo, como é o caso das despesas de pequena monta ou de mãodeobra avulsa... Não pode prosperar o rigor do fisco, frente a simplificação do regulamento."; 6 Com relação à discrepância entre os valores de receita declarado pelo contribuinte e o apurado pelo fisco, afirma que é possível ter ocorrido.erro de digitação; 7 "... espera que se prevaleça o bom senso, que não se atenham à frieza dos regulamentos e se for o caso, faça a investigação in loco, verifique a real situação do fiscalizado, e por fim reconsidere os cálculos."; 8 Com relação à tributação de depósitos ou créditos que aparecem Fl. 703DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 em suas contas, afirma e reafirma, que são apenas valores que transitaram pelas contas, que não significam renda ou receita e muito menos sinais externos de riqueza ou aumento patrimonial; 9 Afirma que pela Súmula 182 do TFR, os depósitos bancários só podem ser utilizados como meros indícios para fins de lançamento e constituição do crédito tributário. Não há amparo legal para este tipo de tributação; a jurisprudência e a doutrina são pacífica neste sentido; 10 Transcreve o art. 9° do Decreto Lei n° 2.471/88, que prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos que tomaram por base apenas os valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários; 11A Lei 9.430/96 deixa claro que depósito não é necessariamente renda, apesar de a Receita utilizálo sistematicamente para efetuar o lançamento. Cabe à Fazenda fazer provas de que o contribuinte se beneficiou do depósito, caso contrário aplicase a Súmula 182 do TFR; documentos de uma pessoa jurídica a uma pessoa fisica, as informações não foram consideradas satisfatórias, assim, mesmo diante de todas as explicações possíveis, documentos que comprovam que não teve patrimônio aumentado, que não é pessoa jurídica, que está dispensado da escrituração regular de uma empresa, que não usufruiu dos depósitos ou créditos em sua conta, foi autuado, ou seja, o procedimento não saiu do marco inicial." A DRJ manteve o crédito tributário sob os seguintes fundamentos: a) ausência de comprovação mediante documentação hábil e idônea das alegadas receitas e despesas com a atividade rural desenvolvida; b) ausência de comprovação suficiente da origem dos depósitos bancários Inconformada, o recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, alegando a superficialidade na análise da prova e a impossibilidade de tributação com base em meros depósitos bancários, sem que haja a efetiva demonstração, pela autoridade lançadora, de se tratarem de rendimentos tributáveis. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A presente ação fiscal decorre da análise de informações bancárias fornecidas à RFB pelo sujeito passivo, realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas no ano calendário de 2005, pelo recorrente, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Os extratos bancários foram apresentados pelo contribuinte (fl. 24), sem necessidade de expedição de RMF, com fundamento nos artigos 927 e 928 do RIR, o que afasta qualquer discussão sobre eventual “espontaneidade” na entrega de informações protegidas pelo sigilo de dados. A entrega à autoridade fiscal após regular intimação, sem a expedição de RMF nada tem de espontâneo. Apenas adia a obtenção de tais informações pela RFB, através da expedição de RMF às instituições financeiras. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10660.003241/200856 Acórdão n.º 2802002.841 S2TE02 Fl. 703 5 Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42, da lei n° 9.430/96. Logo de início, verifico vício insanável na ação fiscal, de modo a tornar o lançamento ora sob julgamento, nulo, por vício na colheita de provas. Explico e fundamento. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n.º 389.808/PR, decidiu dar interpretação conforme a Constituição aos enunciados legais relacionados, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para o acesso ao sigilo de dados do contribuinte, cuja ementa segue abaixo: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010). O Supremo Tribunal Federal, portanto, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente adotou interpretação conforme a Constituição, de sorte a compatibilizar o enunciado legal com os direitos e garantias constitucionais protegidos pela CF. É a conclusão que se extrai do seguinte trecho do voto do Relator: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Em verdade, a Corte Suprema adotou técnica hermenêutica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, Fl. 705DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 6 dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de interpretação específica, de modo a tornar os enunciados legais analisados compatíveis com a Constituição. Importa ressaltar que a interpretação conforme a Constituição busca justamente evitar a simples declaração de nulidade de lei por incompatibilidade vertical com a Constituição. A ambigüidade da linguagem dos enunciados normativos cria vasto campo de significações possíveis, de sorte a permitir que o exegeta busque a construção de sentido mais próxima daquela prestigiada pelos princípios e regras contidos na Constituição. Ao agir desse modo, evitase a afronta à vontade popular expressada pelo texto legal e se atende ao objetivo de manutenção ou conservação das normas no ordenamento jurídico dada a presunção ainda que relativa de sua constitucionalidade. Apesar da semelhança do ponto de vista prático, a interpretação conforme a Constituição não se confunde com a declaração de nulidade sem redução de texto: (...) enquanto, na interpretação conforme a Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfälle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal1 Por isso, é de se afirmar: “interpretação conforme não é critério de aplicação de determinada lei em detrimento de outra, mas de aplicação de determinada interpretação (´critério de interpretação`) em detrimento de outra”.2 Em várias oportunidades, o STF se socorreu da “interpretação conforme” para evitar a declaração de nulidade de leis tributárias, de modo a reduzir, ampliar ou requalificar o alcance interpretativo do enunciado legal em exame (ADI n. 1.7584, RE 196.6467/RS e RE 169.7407/PR). É comum que na busca das significações possíveis de um enunciado normativo haja discordância quanto ao alcance e aplicação do texto legal em exame. É notório que a presunção de onisciência do legislador e da plenitude do sistema não passa de pressuposto lógico necessário de conhecimento do fenômeno jurídico e que não deve ser levado a enésima potência. Daí que a atividade de construção de sentido do aplicador da lei pode reduzir, ampliar ou requalificar o alcance do enunciado sob interpretação, de sorte a prestigiar a compatibilidade do resultado exegético com a Constituição Federal, em detrimento de qualquer outro sentido gramaticalmente possível. A utilização desse método não é vedada aos órgãos administrativos de julgamento. Pelo contrário, é imposição do próprio ordenamento jurídico, que não permite o desprezo de sentido compatível com a Constituição quando da análise de legislação aplicável ao caso concreto posto à sua apreciação. Logo, é de se concluir: o impeditivo do artigo 26A, do Decreto n. 70.235/72, não veda aos órgãos de julgamento a utilização de interpretação conforme a Constituição, em situações nas quais a ambigüidade do enunciado em análise possa resultar em várias interpretações possíveis, ainda mais em situações nas quais o próprio STF já se pronunciou no mesmo sentido. 1 MENDES, Gilmar Ferreira. Jurisdição Constitucional. São Paulo: Saraiva, 1996. p.275. 2 ALMEIDA JUNIOR, Fernando Osório de. Interpretação conforme a Constituição e direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002, p. 18. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10660.003241/200856 Acórdão n.º 2802002.841 S2TE02 Fl. 704 7 A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/95, através das informações obtidas junto às instituições financeiras por meio do acesso aos dados bancários sem prévia autorização judicial ou do(s) titular(es) das contas bancárias, ainda que entregues pelo próprio contribuinte após intimação. Por fim, decisão do TRF da 3ª Região, tomada com fulcro no artigo 557 do CPC, da atual ministra do STJ, Regina Helena Costa, pelo reconhecimento da jurisprudência já dominante do STF sobre a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido. (TRF3, AC n.º 2001.61.08.0036460/SP, Rel. Des. Fed. REGINA COSTA, Sexta Turma, j. 06/09/2012, D.E. 21/09/2012) Sendo assim, entendo que o lançamento não pode subsistir, dada a incompatibilidade entre a colheita da prova da materialidade do fato gerador e a Constituição Federal, da forma como decidido e interpretado pelo STF. O Colegiado, entretanto, por maioria, rejeitou a preliminar acima arguida, nos seguintes termos. As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 8 Logo, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I, do parágrafo único, do art. 62 do RICARF) a decisão proferida no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314; este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória pelos membros deste Colegiado. Vencido quanto à preliminar de nulidade, passo à análise do mérito do recurso interposto. Acertada a decisão da DRJ. Conforme afirmado pela decisão ora recorrida, de acordo com o art. 60 do RIR/99, o resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. E mais, ainda segundo o §1° desse mesmo artigo, o contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. O art. 61, § 5°, do RIR/99 dispõe que a receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Portanto, o Fisco pode e deve, em seus trabalhos de verificação, exigir que todas as receitas e as despesas sejam objeto de comprovação mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Em Impugnação, o recorrente apresentou demonstrativo de apuração das despesas da atividade rural do anocalendário de 2005, à fl. 460. Os valores sob as rubricas "Salários", "Gado NF Prod.", "Adubos, etc." e "Serviços" foram considerados, pela autoridade autuante, como comprovados quando da autuação. Os recibos de fls. 450 a 459, juntados ao processo no intuito de comprovar despesas com "Mãodeobra Avulsa" e "Serviços Trator", nos valores de R$ 45.000,00 e R$ 16.050,87, emitidos em 12/11/2008, claramente com o único intuito de instruir a peça impugnatória.respectivamente, nada comprovam. Desses recibos se extrai a informação, muito genérica, que o recorrente teria efetuado pagamentos a diversas pessoas em virtude de prestação de serviços no ano de 2005 em suas propriedades rurais. De igual modo, as declarações de empréstimos concedidos de fls. 315 e seguintes, nada provam, pois desprovidos de datas e valores. Quanto à necessidade de comprovação dos sinais exteriores de riqueza, vale lembrar que a sistemática de apuração determinada pelo art. 42 da Lei 9.430/96, apenas prevê que os créditos sejam analisados de forma individualizada, não existindo a obrigação de que tais créditos resultem em acréscimo patrimonial ou estejam vinculados a sinais exteriores de riqueza, tal qual dispunha a revogada Lei n. 8.021/90, que suportou a edição da superada Súmula 182 do extinto TFR. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10660.003241/200856 Acórdão n.º 2802002.841 S2TE02 Fl. 705 9 Dada a ausência de provas contundentes a ilidir a presunção de omissão de rendimentos, é se de manter a decisão da DRJ, sem reparos. Pelo exposto, vencido por maioria quanto à preliminar de nulidade do lançamento, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 709DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Numero do processo: 10183.722108/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/03/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM.
As pessoas que tenham interesse comum na situação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação principal respondem solidariamente pelo adimplemento dos tributos lançados, a teor do inciso I do art. 124 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO.VANTAGENS OU BENEFÍCIOS RECEBIDOS POR DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Fica isentadas contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto vantagens ou benefícios a qualquer título.Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado. No presente caso, não houve a demonstração de privilégio concedido aos sócios/diretores/conselheiros razão pela qual torna indevido o cancelamento da isenção.
Recurso Voluntário PROVIDO.
Crédito Tributário EXONERADO.
Numero da decisão: 2302-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto divergente vencedor, vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Juliana Campos de Carvalho Cruz Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação principal respondem solidariamente pelo adimplemento dos tributos lançados, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO.VANTAGENS OU BENEFÍCIOS RECEBIDOS POR DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Fica isentadas contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto vantagens ou benefícios a qualquer título.Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado. No presente caso, não houve a demonstração de privilégio concedido aos sócios/diretores/conselheiros razão pela qual torna indevido o cancelamento da isenção. Recurso Voluntário PROVIDO. Crédito Tributário EXONERADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto divergente vencedor, vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 21 08 /2 01 1- 71 Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Juliana Campos de Carvalho Cruz – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.556 3 Relatório Período de apuração: 01/07/2006 a 31/03/2008. Data de lavratura dos Auto de Infração: 21/07/2011. Data da Ciência dos Autos de Infração: 27/07/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campo Grande/MS que julgou procedente o crédito tributário lançado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.337.9110, 37.337.9137 e 37.337.9129, e o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.333.7264, e manteve a sujeição passiva solidária contida nos autos. De acordo com o Relatório Fiscal a fls. 95/114, o vertente Processo Administrativo Fiscal é constituído pelos seguintes Autos de Infração: · DEBCAD nº 37.337.9110 – Crédito tributário correspondente a contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as quais não se houveram por declaradas nas GFIP correspondentes; · DEBCAD nº 37.337.9137 Crédito tributário correspondente contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre os respectivos Salários de Contribuição mensal, não declaradas em GFIP e não recolhidas aos cofres públicos; · DEBCAD nº 37.337.9129 – Crédito tributário correspondente a contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, a saber, FNDE (2,5%), Incra (0,2%), Senac (1,0%) e Sesc (1,5%), Sebrae (0,6%), não declaradas em GFIP e não recolhidas aos cofres públicos; · DEBCAD nº 37.333.7264 – Crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória, código de fundamento legal (CFL) 59, lavrado em razão de a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições de segurados empregados e contribuintes individuais. Segundo a Resenha Fiscal, houvese por “constatada a utilização da infraestrutura da entidade pelos seus sócios, diretores, conselheiros, instituidores e benfeitores ou por seus familiares; para o exercício de outras atividades de interesses particulares, em desacordo com o disposto no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/1991”. Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 4 Por tal razão, na sequência, por força do comando inscrito no art. 32, §§ 1º e 2º, da Lei nº 12.101/2009, “foram considerados suspensos os direitos à isenção das contribuições previdenciárias, em relação aos períodos em que ocorreram pagamentos para empresas cujos sócios também eram sócios da Associação, com ou sem cargo de direção, tendo em vista que, para manutenção das isenções das contribuições sociais, o sujeito passivo não pode contratar serviços ou adquirir mercadorias de empresas que constem em seus quadros societários dirigentes, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade autuada”. A Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá houvese por cientificada da suspensão da isenção das contribuições previdenciárias em questão, mediante a Notificação Fiscal – Procedimento 355/2009, a fls. 1208/1215, em 20 de maio de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1216. Em virtude da suspensão dos direitos à isenção, além de outros fatos geradores apurados, foram constituídos os créditos tributários que, em razão da isenção de que gozava a empresa, deixaram de ser recolhidos aos cofres previdenciários. Consta ainda do Relatório Fiscal que “em razão do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, foi incluída como devedora solidária nos Autos de Infração – DEBCAD’s n° 37.337.9110 e 37.337.9137, a entidade IUNI EDUCACIONAL S/A, CNPJ n° 33.005.265/000131”, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária a fls. 967/968. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 1562/1631. Nessa esteira, o responsável solidário apresentou impugnação a fls. 2123/2170. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0429105 – 4ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 2285/2309, julgando improcedentes as impugnações, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade, bem como a sujeição passiva solidária contida nos autos. O Contribuinte e o Devedor Passivo Solidário foram devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância nos dias 12 e 13 de julho de 2012, respectivamente, conforme Avisos de Recebimento a fl. 2314. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Devedor Principal interpôs recurso voluntário, a fls. 2316/2389, deduzindo seu inconformismo em face da decisão guerreada em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a Recorrente atua em diversas áreas de atendimento; · Que a pessoa física do sócio é diferente de pessoa jurídica; · Que, em nenhum momento, os associados usufruíram de vantagens ou benefícios a qualquer título; Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.557 5 · Que não houve qualquer afronta ao inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91, face à inexistência de qualquer espécie de distribuição de lucros, remuneração, vantagens ou benefícios aos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores; · Que a administração da autuada ocorre de forma autônoma, por meio de uma direção colegiada composta por órgãos deliberativos (Conselho Deliberativo e Conselho de Hospitalar de Administração Superior COHAS) e executivos (Diretoria Geral e Superintendência Administrativa); · Que é impertinente a sujeição passiva solidária entre as empresas Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá e a IUNI Educacional, tendo em vista a inexistência de interesse comum no fato gerador da obrigação relacionada no auto de infração; · Que a única relação que existe entre a GHU e a IUNI é um contrato de cessão de uso por conta da academia dos cursos da área de saúde; · Que quem prestou serviços para a Autuada foi a pessoa jurídica e não a pessoa física do associado e, mesmo que fosse o associado, no caso concreto, os associados exerceram atividades enquanto médicos, tendo recebido honorários por atendimento ou cirurgias realizadas, jamais tendo usufruído de vantagem ou benefício a qualquer título; · Que os pagamentos feitos às pessoas jurídicas relacionadas no auto de infração não configuram descumprimento dos requisitos indicados no art. 55, IV, da Lei 8.212/91, pois em nenhum momento remunerou diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da instituição, o que deveras ocorreu foi pagamento pelos serviços efetivamente prestados, necessários a manutenção e a consecução da atividade da instituição, Ao fim, requer a declaração de insubsistência do lançamento e manutenção da isenção tributária. Na mesma toada, o Devedor Solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 2512/2550, concentrando sua inconformidade, resumidamente, nas seguintes alegações: · Que pelo contrato de cessão de uso, cabe à Cedente a gestão administrativa, financeira e operacional das atividades do hospital e do seu patrimônio; · Que a cessão em comodato das instalações do HGU à IUNI trouxe para a Solidária inúmeras vantagens, pois passou a ter acesso a um hospital completamente estruturado e em pleno funcionamento, possibilitando a implementação de cursos universitários na área de saúde, que exigem como complemento à formação acadêmica a formação prática em hospitais escola; Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 6 · Que não há qualquer norma vigente no ordenamento que proíba membros de uma mesma família serem associados, nem mesmo que esta associação firme contratos de qualquer natureza com outras empresas dos mesmos membros familiares; · Que caso tenha havido alguma distribuição de vantagens e benefícios aos diretores da Autuada, esta se deu de maneira totalmente alheia à Solidária, pessoa jurídica autônoma, que não possui poder de gerência sobre a Cedente; · Que são duas pessoas jurídicas independentes e autônomas, cujos direitos e obrigações não se confundem. O fato de haver alguma similaridade no quadro de associados não produz qualquer efeito jurídico, nem anula o principio da autonomia patrimonial; · Que para ser imputada a solidariedade passiva é preciso demonstrar que houve interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, fato este que não ficou demonstrado nos autos, pois são duas instituições distintas e totalmente autônomas e independentes; · Que a folha de pagamento dos funcionários da HGU é custeada pelo Poder Público que, por meio de convênios, os repassa mensalmente. Ao fim, requer a declaração de nulidade da Sujeição Passiva Solidária. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.558 7 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os Devedores Principal e Solidário foram foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida nos dias 12 e 13 de julho de 2012. Havendo sido os recursos voluntários protocolizados nos dias 08 e 09 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA ISENÇÃO. O art. 195, I da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Anotese que o Constituinte Originário não restringiu o alcance do conceito de empregador às pessoas jurídicas de direito privado. Por outro lado, a CF/88 outorgou ao legislador ordinário a competência legislativa para dispor sobre o financiamento da Seguridade Social, cuja fonte de custeio seria suportada por toda a sociedade, de forma direta ou indireta, sem lhe assentar muros. Nos lídimos limites desenhados pelo Constituinte, por opção política legítima assegurada pelo citado art. 195, I, pautouse o legislador ordinário em estabelecer como financiador direto da Seguridade Social, dentre outros, todas as pessoas jurídicas que ostentassem a condição fática de empregador, fossem elas entidades públicas ou privadas. Por questões de estilo redacional, optou o legislador por atribuir ao sujeito passivo ora em destaque não a denominação de “empregador”, mas, sim, a de ”empresa”, assim entendida a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. Tendo em vista que tal conceito não abraçaria as pessoas jurídicas de direito público e que estas, nas condições assinaladas no parágrafo penúltimo próximo, também estariam abraçadas pela qualificação de empregador fixada no inciso I do art. 195 da CF/88, viuse obrigado o legislador infraconstitucional a incluílas no polo passivo da obrigação tributária previdenciária, o que foi levado a efeito pelo ádito ao inciso I, in fine, do art. 15 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.559 9 não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Considerase empresa, para os efeitos desta lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Não diverge o conceito de empresa aviado no art. 12 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/999) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Consoante tal delimitação legislativa, passaram a figurar como sujeitos passivos das obrigações previdenciárias assinaladas na Lei de Custeio da Seguridade Social não somente as empresas unidades econômicosociais integradas por elementos humanos, materiais e técnicos, com objetivo de obter utilidades através da sua participação no mercado de bens e serviços , como também, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional que se enquadrassem na condição de empregador. Tudo de acordo com o art. 195, I da lex Excelsior. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que o encargo de custear a seguridade social deve ser repartido, indistintamente, por todas as empresas em geral, inclusive as entidades sem fins lucrativos, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, que contratem e remunerem mão de obra de pessoa física segurado obrigatório do RGPS. Essa é a regra geral ! Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 10 Ocorre, todavia, que por uma questão de política social, o Constituinte Originário honrou estatuir no §7º do já citado art. 195 hipótese de isenção das contribuições sociais tratadas em seu inciso I, beneficiando entidades beneficentes de assistência social que atendessem às exigências estabelecidas em lei. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Cabe inicialmente trazer à tona que a matéria relativa ao estabelecimento de parâmetros e condições para concessão de isenção de contribuições previdenciárias às entidades beneficentes de assistência social não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o documento legislativo com vocação para o atendimento de tais afazeres é a lei ordinária federal. A questão ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Sintonizado na mesma frequência da Suprema Corte, o Senado Federal entrou com cerol fino na questão em apreço, fazendo expedir o Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, o qual cortou na mão qualquer dúvida ainda renitente a respeito do Instrumento Normativo com aptidão para a delimitação das condições de contorno da hipótese de não incidência em debate, ad litteris et verbis: SENADO FEDERAL – SM nº 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro. Com referência ao oficio n° 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.560 11 Senador MAURO BENEVIDES Presidente Diante desse cenário, não restam mais dúvidas de que a matéria atinente à isenção ora em abordagem houve por confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu, expressamente, serem isentas de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 12 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732/98) §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Além disso, dispõe o §4º do dispositivo legal ora em trato, ad litteram, que o Instituto Nacional do Seguro Social INSS (hoje RFB) cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto nesse artigo de lei. Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Posteriormente, a Lei nº 12.101/2009 fez introduzir no Ordenamento Jurídico Brasileiro norma de caráter procedimental, instituindo novos critérios de apuração e processo de Fiscalização, ampliando os poderes de investigação da autoridade administrativa na medida em que determinou às autoridades fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil que, constatado o descumprimento pela entidade beneficente dos requisitos indispensáveis à fruição de isenção de contribuições previdenciárias, fosse lavrado o auto de infração relativo ao período correspondente ao descumprimento verificado e fossem relatados os fatos que demonstrassem o não atendimento aos requisitos para o gozo da isenção, sendo considerado como suspenso, automaticamente, o direito à isenção das contribuições previdenciárias durante o período em que se constatar o descumprimento da lei. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, sendo a regra geral a da obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.561 13 Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar rigorosamente o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Nessa perspectiva, na hipótese de descumprimento intercorrente dos requisitos legais fixados para a fruição do benefício fiscal em tela, compete à Fiscalização, mediante os procedimentos previstos taxativamente na lei para tais episódios, adotar as providências necessárias à constituição do crédito tributário referente às contribuições sociais que deixaram de ser recolhidas, em atenção à natureza plenamente vinculada de seu dever de ofício assentado no art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. No caso em apreço, a Autoridade Lançadora afirma ter havido a utilização da infraestrutura da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá, pelos seus sócios, diretores, conselheiros, instituidores e benfeitores ou por seus familiares, para o exercício de outras atividades de interesses particulares, beneficiando, por meio da terceirização de serviços, empresas em que estes mesmos dirigentes, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores eram sócios, em desacordo com o disposto no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Segundo a autoridade fiscal, os sócios da Associação Autuada foram identificados nas atas de assembleia apresentadas e nas contas contábeis individuais no grupo 10010303 – Créditos c/ Colaboradores, consoante se vos segue: · Alguns desses sócios prestaram serviços como autônomos, com as respectivas despesas escrituradas na conta 4001010200001 – Honorários Médicos e, · Concomitantemente, alguns sócios receberam remunerações como autônomos e por meio das pessoas jurídicas Preplan Construtora e Incorporadora Ltda, Universo Empreendimentos Ltda, Universo Comércio de Combustíveis Ltda, Sermed Serviços Médicos Ltda, Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda, Clínica de Tratamento Renal Ltda, Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda, Fercaires Ltda, Stabile, Passare e De Simone – Advocacia e Assessoria Empresarial S/S, Kopec Contabilidade Ltda e Amareto Fomento Mercantil Ltda. A Fiscalização detalhou no item 5.1 do Relatório Fiscal, a fls. 99/106, alguns aspectos relevantes das contratações realizadas pela Autuada. 1) Preplan Construtora e Incorporadora Ltda: · Os sócios da empresa Wlademir Lovato Fragão e Altamiro Belo Galindo exerciam as funções de conselheiro e sócio, respectivamente, da Associação; Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 14 · Os pagamentos na ordem R$ 310.000,00 efetuados à Perplan representam vantagem indireta, acentuadas por empréstimos que a empresa efetuou ao sócio Altamiro. A vantagem também se revela na medida em que a contratada paga pro labore e de distribuição de lucros aos seus sócios. · Os outros membros da família Abrão Antonio Sebe e Mario Cesar Fernandes (genros de Altamiro) Rodrigo Calvo Galindo e Marcelo Calvo Galindo (filhos de Altamiro) também já haviam integrado o quadro societário da Perplan, além de terem participado da Administração da IUNI (Solidária), a qual utiliza as instalações da Associação como Hospital de Ensino nos cursos de graduação da área de saúde humana. · Segundo o CNPJ, o endereço da empresa, no período, era Av. Principal, nº 02, CEP 78.070710 – Cuiabá/MT. Todavia, as notas fiscais emitidas revelam que no aludido período o endereço era o mesmo da IUNI EDUCACIONAL S/A, na sala 14, indicando que a empresa operava no estrito interesse da Instituição de Ensino Superior e de seus Dirigentes, revelando estreita relação entre a contratada e a instituição de ensino que, por força do contrato de comodato das instalações do Hospital Universitário, detinha o poder de gestão da Associação; · A Preplan também recebeu pagamentos da IUNI, que durante o período sob procedimento fiscal era dirigida por Altamiro Belo Galindo, seus familiares e sócios, os quais, de forma indireta, também administravam a Associação. · Não há comprovação de que o preço cobrado pela Preplan para a execução dos serviços que foram contratados era o menor preço do mercado. 2) Universo Empreendimentos Ltda: · Os sócios da empresa Francisco Belo Galindo Filho (irmão de Altamiro), Abrão Antonio Sebe (genro de Altamiro) e Wlademír Lovato Fragão (Preplan) participavam concomitantemente da administração da Associação; · A empresa já teve como sócio Regina Célia Calvo Galindo (filha de Altamiro), cônjuge de Mário César Fernandes, ambos sócios da autuada; · Pagamentos de R$ 327.006,88 nos meses de janeiro a outubro/2006 e de R$ 48.198,49 em janeiro e julho/2007. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros efetuada pela Universo aos seus sócios, sendo o saldo absorvido nas suas operações, para que se alcançasse resultado positivo ou minimizasse eventuais prejuízos. · Teve endereço conflitante entre o expresso em notas fiscais (n° 3.227, vizinho da IUNI) e no cadastro CNPJ (n° 2.327, numeração inexistente que acabou dando causa à inaptidão) tendo, por fim, alterado seu domicílio fiscal para Rua Sinjão Curvo nº 100, Bairro Santa Rosa, Cuiabá/MT, no mesmo endereço atual da Preplan; Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.562 15 · Tomando em conjunto os percentuais da receita bruta da Universo Empreendimentos em relação à IUNI e à ASSOCIAÇÃO, em 2006 a relação foi de 92,64%, e em 2007 foi de 99,21%, ou seja, a empresa existiu em função das duas entidades; · Não há comprovação de que o preço cobrado pela Universo para a execução dos serviços que foram contratados era o menor preço do mercado. 3) Universo Comércio de Combustíveis Ltda: · Dois dos sócios da empresa em referência, Abrão Antônio Sebe (genro de Altamiro) e Wlademir Lovato Fragão (da Preplan) participaram, concomitantemente, da administração da Associação durante todo o período, e o terceiro sócio, Francisco Bello Galindo Filho, em parte do período; · Teve como sócio Francisco Bello Galindo, quando este era também dirigente da autuada, e tem atualmente como sócio Célia Marilena Calvo Galindo, esposa de Altamiro; · Segundo consta do cadastro CNPJ seu endereço situase no estacionamento da própria IUNI, revelando, mais uma vez, estreita relação entre as empresas contratadas e os dirigentes da instituição de ensino; · Pagamentos de R$ 31.426,07 nos meses de janeiro a dezembro/2006 (exceto março e abril) e de R$ 13.166,12 em janeiro, fevereiro, março, maio, junho, julho e dezembro/2007 e de R$ 6.728,09 em fevereiro e março/2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, sendo o saldo absorvido nas suas operações. 4) Sermed Serviços Médicos Ltda: · Três dos sócios da empresa em referência, Afrânio Batista da Costa, Elibene de Almeida Orro Junqueira e Maria de Lourdes dos Santos Carneiro, participaram como sócios da Associação durante todo o período, ao passo que Afrânio passou a integrar o conselho deliberativo desta a partir de dezembro de 2003; · Pagamentos de R$ 394.593,71 em todos os meses de 2006, R$ 434.435,91 em todos os meses de 2007 e R$ 99.657,49 em todos os meses do 1º trimestre de 2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, no ano de 2007. Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 16 · Tem 100% de seu faturamento baseado em serviços prestados para a Associação, sendo que a justificativa apresentada junto à impugnação, de que se tratam de serviços médicos prestados no CTI da UTI Neonatal nas dependências da autuada, caracterizam tal empresa na condição de um “departamento” desta última, não justificando sua contratação, visto que tais serviços poderiam ser prestados por funcionários da própria Associação; 5) Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda: · Pagamentos de R$ 4.326,963,51 nos meses de janeiro a novembro de 2006, R$ 5.747.032,75 em todos os meses de 2007 e R$ 1.383.649,41 em todos os meses do 1º trimestre de 2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, nos anos de 2006, 2007 e 2008, sendo eventual saldo absorvido pelas operações da empresa. · Os sócios da empresa Mara Vânia Vieira da Silva, Francisco Aurélio da Silva Campos Filho, Cristina Guimarães Inocêncio, Aray Carlos da Fonseca Filho e Gilmar Ferreira do Espírito Santo participaram como sócios da Associação durante todo o período, ao passo que Francisco Aurélio passou a integrar o conselho deliberativo a partir de dezembro de 2003; · Tem 100% de seu faturamento baseado em serviços prestados para a autuada, sendo que a justificativa apresentada junto à impugnação foi de que, em razão do convênio com o SUS, a Associação detém o direito de realizar procedimentos de alta complexidade em Câncer (SIPAC Câncer) e, em razão disto, fora firmado contrato de exclusividade com o ITC para a prestação de serviços médicos na especialidade de Oncologia Geral. · Ora, se o Convênio com o SUS prevê exclusividade da Associação, deveria ser criado um “departamento” nesta última, para a realização do serviço, não justificando a terceirização, visto que tais serviços poderiam ser prestados por funcionários da própria Associação; · Ao revés, quando a autuada recebe do SUS o pagamento por estes serviços, efetua o repasse para o ITC, retendo os encargos devidos e descontando o percentual referente a contrapartida financeira estabelecida entre as partes por meio contratual, ou seja, apesar da autuada ser a entidade credenciada junto ao SUS, quem presta o serviço é uma outra empresa, cabendo à autuada apenas uma “comissão”, caracterizando favorecimento da empresa contratada, visto que nitidamente esta não tem credenciamento junto ao SUS para a prestação de tais serviços; 6) Clínica de Tratamento Renal Ltda: · Um dos sócios da empresa, Luiz Gonzaga de Figueiredo, era, concomitantemente, sócio da Associação; Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.563 17 · Pagamentos de R$ 1.276.186,44 nos meses de janeiro a novembro/2006, R$ 1.955.984,24 em todos os meses de 2007 e R$ 447.058,18 em todos os meses fevereiro e março/2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, no ano de 2007. · A relação percentual entre os pagamentos recebidos/faturamento desta para a autuada, nos períodos verificados, ficou entre 72% e 83%, caracterizando nítida dependência da empresa em relação à Associação; · A justificativa apresentada junto à impugnação foi de que em razão do convênio com o SUS a autuada necessitava de uma unidade de prestação de serviços médicos de terapia renal e, em razão disto, fora firmado contrato de exclusividade com a CTR para a prestação de tais serviços; · Porque não, então, criar um “departamento” na Associação para a realização do serviço de terapia renal ? Tais serviços deveriam ser prestados por funcionários da própria Associação, não justificando a terceirização; · Quando a autuada recebe do SUS o pagamento por estes serviços, efetua o repasse para a CTR, retendo os encargos devidos e descontando o percentual referente a contrapartida financeira estabelecida entre as partes por meio contratual, ou seja, apesar da autuada ser a entidade credenciada junto ao SUS, quem presta o serviço é uma outra empresa, cabendo à autuada apenas uma “comissão”, caracterizando favorecimento da empresa contratada, visto que nitidamente esta não tem credenciamento junto ao SUS para a prestação de tais serviços; 7) Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda: · Um dos sócios da empresa em referência, Vander Fernandes, participava concomitantemente como sócio da Associação durante o referido período, ocupando cargo de diretor; · A relação percentual entre os pagamentos recebidos/faturamento desta para a autuada, no período verificado, ficou em 51,37%, caracterizando nítida dependência da empresa em referência junto à autuada; · A justificativa apresentada junto à impugnação foi de que em razão do convênio com o SUS a autuada necessitava da formação de uma unidade de atendimento nas áreas de terapias reumatológicas e imunológicas avançadas e, em razão disto, fora firmado contrato de exclusividade com o IREMT para a prestação de tais serviços; · Quando a autuada recebe do SUS o pagamento por estes serviços, efetua o repasse para o IREMT, retendo os encargos devidos, ou seja, apesar da autuada ser a entidade credenciada junto ao SUS, quem presta o serviço é outra empresa; Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 18 · Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. 8) Fercaires Ltda: · Dois sócios da empresa, Alex Sandro Sarmento Ferreira e Norma Sueli de Caires Galindo, participavam concomitantemente como sócios da autuada. · A remuneração indireta é reforçada pela distribuição de lucros aos seus sócios, nos anos de 2006, 2007 e 2008, sendo eventual saldo absorvido pelas operações da empresa. 9) Stabile, Passare e De Simone – Advocacia e Assess. Empresarial S/S: · Quatro sócios da empresa, Pedro Marcelo De Simone, Maria Cláudia de Castro Borges Stabile, Cláudio Stabile Ribeiro e Dauto Barbosa Castro Passare, participavam concomitantemente como sócios da autuada. 10) Kopec Contabilidade Ltda: · Dois dos sócios da empresa, Kojiro Tomiyoshi e Antonio Rodas Junior, participavam concomitantemente como sócios da autuada. 10) Amareto Fomento Mercantil Ltda: · Um dos sócios da empresa, José de Neves Gontijo, participava concomitantemente como sócio da autuada. Com relação a estas quatro últimas contratações não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. Não se deve perder de vista que o Ordenamento Jurídico veda a contratação de trabalhadores via terceirização por empresa interposta. Tal vedação encontrase plasmada no Enunciado nº 331 do TST, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo empregatício do trabalhador diretamente com o tomador dos serviços, eis que o verdadeiro empregador. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.564 19 serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) De acordo com o Enunciado nº 331 do TST, na contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, o vínculo jurídico se estabelece diretamente com o tomador dos serviços, ou seja, todas as relações jurídicas formalmente celebradas com a interposta pessoa passam a ser interpretadas, na realidade nua dos fatos, como estabelecidas diretamente entre o prestador de serviço pessoa física e a empresa contratante, a que promoveu a terceirização. Nessa prumada, todas a remuneração e as vantagens e benefícios auferidos a qualquer título pelos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da Autuada, na realidade dos fatos são tidos como obtidos diretamente da Contratante, in casu, a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá. Tal circunstância se mostra ainda mais flagrante nas situações em que a contratada terceirizada depende integralmente da Associação Autuada, como sói ocorrer com as empresas Universo Empreendimentos Ltda (100%), Sermed Serviços Médicos Ltda (1000%), Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda (100%), Clínica de Tratamento Renal Ltda (72 a 83%) e Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda (51%). Como visto, diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá usufruíram vantagens e benefícios indiretos, mediante a terceirização de serviços (que, em alguns casos, eram de exclusividade da Associação) a empresas constituídas em nome de pessoas que, concomitantemente, exerciam as funções de sócio, administrador, conselheiro, diretor da associação. Tais constatações revelam de maneira insofismável o modus operandi do esquema de distribuição de vantagem. Diversos serviços de competência da Associação, alguns desses a ela outorgados com exclusividade mediante convênios, eram repassados a empresas terceirizadas, constituídas em nome de sócios, administradores, conselheiros, diretores da Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 20 Associação ou a familiares, por valores que não se logrou demonstrar haverem sido os de mercado, de sorte que as vantagens auferidas por estes sócios, administradores, conselheiros, diretores, advinham de maneira indireta na forma de pro labore ou de distribuição de lucros nas empresas terceirizadas. Para corroborar tal entendimento, a autoridade fiscal juntou demonstrativos de distribuição de lucros e pagamentos de pro labore, relação de dirigentes com participação nas pessoas jurídicas contratadas, relação de sócios colaboradores e indicação de participação societária e se consta como prestador de serviços à autuada; relação de sócios que recebem remuneração como autônomos e relação de pagamentos efetuados a empresas de sócios. O demonstrativo aviado no Anexo A2 a fls. 961/962 ilustra o montante auferido por cada sócio/administrador/conselheiro/diretor a título de pro labore e distribuição de lucros por meios das empresas terceirizadas, apresentando ainda o grau de dependência dessas empresas com a Associação. O Órgão Julgador de 1ª Instância enfrentou a questão de maneira exemplar, conforme se vos segue: “É bom lembrar que o princípio da entidade (Art. 4º da Resolução CFC n° 750/1993 com as alterações introduzidas pela Resolução CFC n° 1282/2010) dispõe que não pode existir confusão entre a pessoa física do sócio com a pessoa jurídica da empresa, mas, em nenhum momento, salvaguarda a entidade para contratar livremente (seja qual for o caso). Sendo assim, a sua invocação para albergar as contratações e pagamentos efetuados pela entidade às empresas que detenham em seus quadros societários as mesmas pessoas que ela, é uma grave ofensa à inteligência do inciso IV do art. 55 da Lei n° 8.212/1991, bem como a inteligência do próprio princípio em comento. O inciso IV do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 estabelece a seguinte condição: “não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título”. Pois bem, no presente caso, entendo que há duas situações que acabam por resultar em vantagens e benefícios a alguns dirigentes e sócios da autuada, a saber: 1ª as pessoas jurídicas de natureza privada são constituídas, em sua grande maioria, com a finalidade de produzir resultados que remunerem o trabalho de seus integrantes (salário/ prólabore) ou o capital investido (lucros). Portanto, é inegável que quando a autuada contrata uma pessoa jurídica para lhe prestar serviços, serviços estes que serão remunerados, esta relação negocial irá proporcionar benefícios aos integrantes e/ou sócios da empresa contratada; 2ª atualmente o mercado de trabalho brasileiro encontrase muito competitivo e extremamente seletivo na contratação de profissionais, exigindo elevados níveis de capacitação e conhecimento dos candidatos. Sob este aspecto, quando a autuada contrata seus dirigentes e/ou associados para lhe prestarem serviços na condição de profissionais liberais, certamente está a lhes proporcionar uma certa vantagem em relação à outros profissionais que também estariam em condições de prestar os mesmos serviços. Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.565 21 A autuada alega em sua defesa que tais contratações foram realizadas a valores e preços compatíveis com o mercado, mas não logra comprovar, efetivamente, tal situação, até porque esta “compatibilidade com o mercado” apresenta elevados níveis de subjetividade. O fato de a Autuada estar dispensada de adotar procedimentos, condições e critérios mais rígidos nos processos de contratações, ao contrário do que se observa nas entidades e órgãos públicos (procedimentos licitatórios), materializa ainda mais a subjetividade da seleção. É exatamente em razão da elevada subjetividade nos critérios de seleção e da impossibilidade de controle efetivo dos processos de contratação, que a lei impõe restrições à concessão de quaisquer benefícios e/ou vantagens àqueles que detêm o poder de gestão das entidades de assistência social”. Não deve ser esquecido que o inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estatui como condição sine qua non para a manutenção da fruição da isenção de contribuições previdenciárias que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da EBAS não percebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título. Atentese que a Autuada alegou em seu instrumento de impugnação ao lançamento que as contratações de tais empresas foram realizadas a valores e preços compatíveis com o mercado. O Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em seu acórdão, apreciando as alegações de defesa e os elementos de prova contidos nos autos, refutou as razões de impugnação e rechaçou a pretensão do Autuado ao fundamento de que este não houvera logrado comprovar, efetivamente, tal situação, ratificando a procedência do lançamento. Nada obstante, retorna à carga o Recorrente, agora em grau de Recurso Voluntário, formulando exatamente os mesmos argumentos de defesa, como que não acreditando nos fundamentos deduzidos pela DRJ, sem acostar aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos indícios de prova material, com aptidão a demonstrar que as contratações de tais empresas se deram a preço de mercado, ou que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da Autuada não houveram auferido remuneração nem usufruído vantagens ou benefícios a qualquer título. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Nesse contexto, entendo restar configurada violação à vedação veiculada no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91, circunstância que implica a suspensão da isenção de que trata o §7º do art. 195 da CF/88, e a procedência do lançamento levado a efeito pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 22 2.2. DA SOLIDARIEDADE Cumpre trazer à balha que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, ao tratar da responsabilidade tributária, o CTN honrou prescrever, com propriedade, que a lei pode atribuir a terceira pessoa vinculada ao fato gerador a responsabilidade pelo crédito tributário, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas escoras no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.566 23 No caso da responsabilidade solidária de fato prevista no inciso I do art. 124 do CTN, assentado que a expressão interesse comum utilizada pelo legislador acomoda um conceito jurídico indeterminado, mostrase alvissareiro procedermos a uma exegese mais atenta do texto legal de molde a se determinar o real conteúdo e o alcance da norma in abstrato. Autores de nomeada de há muito prelecionam que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam os “sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. A respeito do tema, o eminente Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) fez verter sucintas palavras, não obstante profícuas, conforme se vos seguem: “... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador”. Na mesma linha de raciocínio segue o escólio de Rubens Gomes de Sousa sobre a matéria, em sua renomada obra Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed., pag. 67, in verbis: “São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação". O entendimento acima esposado não se atrita com o magistério do mestre Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário, Ed. Melhoramentos, 27ª edição, 2006, p.165), que preleciona: “... o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico. Interesse que decorre de uma situação jurídica”. No caso vertente, os fatos concretos e documentos que caracterizam o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal em debate encontramse descritos, de maneira bem detalhada, nos relatórios fiscais e demais documentos que integram os presentes Autos de Infração. Extraímos do item 6.4.1 do Relatório Fiscal a fls. 108/109: Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 24 “De fato, em 19/01/2000, foi celebrado entre a Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá (mantenedora do Hospital Geral) e a UNIC Universidade de Cuiabá, pessoa jurídica de direito privado, um contrato de comodato, com registro no Cartório do 1º Ofício de Cuiabá, sob n° 233209, através do qual ficou decidido a cessão, por 30 (trinta) anos, à comodatária (UNIC) do imóvel, prédio, instalações e equipamentos do hospital, cabendo a esta toda a gestão administrativa, financeira, clinica e de recursos humanos, assumindo inclusive a responsabilidade pelo ativo e passivo da COMODANTE, tudo com a finalidade de transformação do Hospital Geral em Hospital Escola. É interessante ressaltar que, de acordo com as alterações estatutárias, de 17/02/2000, e na vigência do contrato de comodato, acima referido, a comodatária passou a ter o direito de indicar 4 dos 7 membros efetivos, bem como 4 dos 7 membros suplentes do Conselho Deliberativo, indicando, também, 2 dos 3 membros efetivos e 2 dos 3 membros suplentes para o Conselho Fiscal. Sendo que, após empossado, o Conselho Deliberativo passou a ter o prazo de 30 dias para eleger o seu Presidente, dentre os membros indicados pela comodatária. Lembrando que, indiretamente, a COMODATÁRIA também passou a indicar as pessoas para os cargos de Diretor Geral e Administrativo da Diretoria Executiva, por ser esta uma atribuição do Conselho Deliberativo, cuja maioria dos membros eram indicados por ela. Indiretamente, coube a esta decidir também, a qualquer tempo, pela substituição do Diretor Geral e do Diretor Administrativo. Como prova disso, o Relatório de Atividades de 2002, apresentado pela entidade em obediência ao Art. 55, inciso V, da Lei 8.212/91, traz como Diretor Geral o Sr. Francisco Bello Galindo Filho (irmão de Altamiro Bello Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC) e como Presidente do Conselho Deliberativo Abrão Antonio Sebe (genro de Altamiro Bello Galindo e Célia Marilena Calvo Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC e Vice Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Vice Reitora da UNIC, respectivamente), e ainda como membros do Conselho Deliberativo as Senhoras Alba Regina Galindo Placheski, Ângela Maria Galindo Vanalli e Adalva Maria Galindo (irmãs de Altamiro Bello Galindo). Como membros do Conselho Fiscal os Senhores Mário César Fernandes e Wlademir Lovato Fragão (genros de Altamiro Bello Galindo). Consta do referido relatório de atividades que no ano de 2000 a UNIC assumiu o Hospital Geral Universitário e realizou o cadastramento de todos os seus sócios sendo constatado 73 sócios e que no mesmo ano foram inscritos mais 25 sócios, somando 98 sócios aptos a exercerem suas funções. Ocorre que os novos sócios são pessoas da família Galindo (proprietários da UNIC) ou a eles ligadas, conforme se verifica também no demonstrativo denominado Anexo A, bem como no Livro de Registro de Sócios da entidade. Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.567 25 (...) Diante disso, os sócios beneméritos e efetivos passaram a poder votar e ser votados somente para os cargos eletivos que não estavam entre os privativos da Comodatária na vigência do Contrato de Comodato firmado pela Sociedade. A partir das alterações estatutárias de 07/06/2005, com registro sob o nº 6132, de 24/06/2005, sob a presidência de Abrão Antonio Sebe, representante da Cessionária, a Sociedade passou a ter as seguintes finalidade: a) Prestar assistência hospitalar e social, diretamente ou através de contratos ou convênios firmados com instituição de ensino; prestar assistência educacional e de saúde, diretamente ou através de contratos ou convênios firmados com instituições de ensino, podendo celebrar contratos, cessão de uso, e convênios para a sessão de suas instalações para funcionamento de escolas, cursos, aulas, estágios de nível superior e programas de treinamento de cursos de graduação e pósgraduação, inclusive fundar e manter creches, manter e ampliar, dentre de suas condições técnicas, o Hospital Universitário de Cuiabá, de sua propriedade, com estrutura médica, assistencial e científica, o qual terá regimento próprio aprovado pelo Conselho Deliberativo”. Deflui das constatações da Autoridade Fiscal que a Comodatária também passou a indicar as pessoas para os cargos de Diretor Geral e Administrativo da Diretoria Executiva, por ser esta uma atribuição do Conselho Deliberativo, cuja maioria dos membros eram indicados por ela. Indiretamente, coube à Comodatária decidir também, a qualquer tempo, pela substituição do Diretor Geral e do Diretor Administrativo. A Recorrente alega que “a administração da autuada ocorre de forma autônoma, por meio de uma direção colegiada composta por órgãos deliberativos (Conselho Deliberativo e Conselho de Hospitalar de Administração Superior COHAS) e executivos (Diretoria Geral e Superintendência Administrativa)”. De fato, em tese, a estrutura administrativa da Recorrente é formada por órgãos deliberativos e executivos, com atribuições e responsabilidades definidas em estatuto. Todavia, os cargos que compõe tais órgãos foram ocupados por pessoas indicadas e/ou vinculadas à Comodatária, podendose concluir, dessa forma, que esta detém, mesmo que indiretamente, o controle administrativo da Associação. A Devedora Solidária alega que o instrumento de Comodato vigorou até, somente, 31/12/2003, quando foi anulado, conforme ata de assembleia de 19/12/2003. Posteriormente, foi celebrado entre a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá e a União das Escolas Superiores de Cuiabá um contrato de cessão de uso, com vigência de 01/01/2004 a 31/12/2033, cuja cláusula quinta estatui: “Durante a vigência deste contrato caberá à CEDENTE a gestão administrativa, financeira e operacional de suas atividades e de seu patrimônio”. Ora, como pode um contrato de Comodato, firmado em caráter irrevogável e irretratável, com as partes vinculadas a manter a texto do Estatuto de forma a respeitar as Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 26 Cláusulas e o prazo de vigência, ser objeto de um mero distrato acordado em assembleia geral extraordinária, cuja prova de sua existência vem aos autos em cópias não autênticas e sem qualquer registro no órgão competente, como assim determina o §2º do art. 1075 do Código Civil. “CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – O presente contrato é firmado em caráter irrevogável e irretratável, com suas cláusulas e condições aprovadas pela Assembleia Geral Extraordinária da COMODANTE, ficando as partes vinculadas a manter a texto do Estatuto de forma a respeitar as Cláusulas e o prazo de vigência deste contrato, que terá início em 19/01/2000 e término em 18/01/2030, nos termos do disposto no art. 1250 do Código Civil”, Na mesma tacada, de acordo com o Devedor Solidário, o contrato de comodato anteriormente citado houvese por substituído por um contrato de cessão de uso, também datado de 19/12/2003, cuja existência se tenta provar com cópias não autênticas a 2203/2206, com assinaturas que, se existentes, se revelam praticamente invisíveis. É interessante notar que o próprio Recorrente sequer menciona a existência de tal distrato e subsequente substituição por contrato de cessão de uso. Mas o mero fato de no acordo de cessão de uso constar cláusula atribuindo à Cedente a gestão administrativa, financeira e operacional de suas atividades e de seu patrimônio, não é suficiente para se afirmar que a Comodatária não participava da gestão empresarial. A uma, porque, conforme já demonstrado, as cláusulas contratuais firmadas pelas partes ora tela não são respeitadas mesmo. A duas, porque, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.568 27 da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, a Fiscalização constatou que a administração da Associação passou a ser exercida direta e indiretamente por pessoas indicadas e/ou vinculadas à Comodatária, tanto assim que as alterações estatutárias de 07/06/2005, com registro sob o nº 6132, de 24/06/2005, deramse sob a presidência de Abrão Antonio Sebe, representante da Cessionária. Por outro lado, participar ou não, na formalidade dos atos jurídicos, da administração da Associação não exclui o interesse comum do Devedor Solidário na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Atentese que o fato gerador das contribuições previdenciárias ora em tela consubstanciase na prestação remunerada de serviços à Empresa por pessoa física segurada obrigatória do RGPS. A efetiva ocorrência de tal fato gerador desencadeia uma série de obrigações tributárias principais e acessórias, dentre as quais avulta, a título meramente exemplificativo, aquelas previstas nos artigos 20, 21, 22, 30, 31, 32 e 33 todos da Lei nº 8.212/91, dentre outras. No caso em apreciação, em 19/01/2000, foi celebrado entre a Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá (mantenedora do Hospital Geral) e a UNIC Universidade de Cuiabá, um contrato de comodato, tendo por objeto a cessão, por 30 (trinta) anos, à comodatária (UNIC) do imóvel, prédio, instalações e equipamentos do hospital, cabendo a UNIC toda a gestão administrativa, financeira, clínica e de recursos humanos, assumindo inclusive a responsabilidade pelo ativo e passivo da COMODANTE, tudo com a finalidade de transformação do Hospital Geral em Hospital Escola. De acordo com as alterações estatutárias acima referidas, na vigência do contrato de comodato, a comodatária passou a ter o direito de indicar 4 dos 7 membros efetivos, bem como 4 dos 7 membros suplentes do Conselho Deliberativo, indicando, também, 2 dos 3 membros efetivos e 2 dos 3 membros suplentes para o Conselho Fiscal, sendo que, após empossado, o Conselho Deliberativo passou a ter o prazo de 30 dias para eleger o seu Presidente, dentre os membros indicados pela comodatária. Assim, indiretamente, o Devedor Solidário passou também a indicar as pessoas para os cargos de Diretor Geral e Administrativo da Diretoria Executiva, por ser esta uma atribuição do Conselho Deliberativo, cuja maioria dos membros eram indicados por ela. Indiretamente, coube a esta decidir também, a qualquer tempo, pela substituição do Diretor Geral e do Diretor Administrativo. O Relatório de Atividades de 2002 aponta, como Diretor Geral da Associação o Sr. Francisco Bello Galindo Filho (irmão de Altamiro Bello Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC) e como Presidente do Conselho Deliberativo Abrão Antonio Sebe (genro de Altamiro Bello Galindo e Célia Marilena Calvo Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC e Vice Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e ViceReitora da UNIC, respectivamente). Como membros do Conselho Deliberativo as Senhoras Alba Regina Galindo Placheski, Ângela Maria Galindo Vanalli e Adalva Maria Galindo (irmãs de Altamiro Bello Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 28 Galindo). Como membros do Conselho Fiscal os Senhores Mário César Fernandes e Wlademir Lovato Fragão (genros de Altamiro Bello Galindo). Consta no referido Relatório de Atividades de 2002 que no ano de 2000 a UNIC assumiu o Hospital Geral Universitário e realizou o cadastramento de todos os seus sócios (73), aos quais se uniram 25 novos sócios inscritos, somando 98 sócios aptos a exercerem suas funções. A Fiscalização apurou que esses novos ou são da família Galindo (proprietários da UNIC) ou pessoas a eles ligadas, conforme consta no Livro de Registro de Sócios da Entidade. A partir das alterações estatutárias de 07/06/2005, sob a presidência de Abrão Antonio Sebe, (genro de Altamiro Bello Galindo e Célia Marilena Calvo Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC e Vice Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e ViceReitora da UNIC, respectivamente), representante da Cessionária, a Associação passou a ter as seguintes finalidade: · Prestar assistência hospitalar e social, diretamente ou através de contratos ou convênios firmados com instituição de ensino; · Prestar assistência educacional e de saúde, diretamente ou através de contratos ou convênios firmados com instituições de ensino, podendo celebrar contratos, cessão de uso, e convênios para a sessão de suas instalações para funcionamento de escolas, cursos, aulas, estágios de nível superior e programas de treinamento de cursos de graduação e pós graduação, inclusive fundar e manter creches, · Manter e ampliar, dentre as suas condições técnicas, o Hospital Universitário de Cuiabá, de sua propriedade, com estrutura médica, assistencial e científica, o qual terá regimento próprio aprovado pelo Conselho Deliberativo”. De acordo com o Contrato de Cessão de Uso, a fls. 2203/2206, caberia à cessionária a utilização do terreno, prédio, instalações e equipamentos do Hospital Geral Universitário, de propriedade da Cedente, por 30 anos, para fins de formação e estágio de seus alunos. A Cedente passa a contar com o apoio de professores e alunos da Cessionária, além de recebimento de valor mensal de R$ 200.000,00 para cobrir parte de suas despesas gerais e de custeio do hospital, manutenção, reforma e ampliação do prédio e instalações, bem como para a manutenção e aquisição de equipamentos. Do item 6 colhemos que a “Cedente e Cessionária reafirma a preocupação com os problemas sociais na área de saúde e educação e se propõem a unir esforços na solução desses problemas, comprometendose a trabalhar em conjunto em prol da população carente”. Do item 7 – “Para que os objetivos convergentes da Cedente e da Cessionária sejam alcançados é necessário que a cessão de uso fique disponível por longo prazo, sem risco da Cessionária ser obrigada a desocupar o imóvel antes de esgotado o prazo contratual, uma vez que investirá mensalmente na manutenção do Hospital, além de fazer Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.569 29 investimentos que melhorem as condições do imóvel ora cedido, assim como ampliação de suas instalações e equipamentos”. Cláusula Terceira – “Durante o prazo de vigência do presente contrato, a Cessionária utilizará a estrutura física do Hospital Geral Universitário, comprometendose a cumprir e respeitar os fins e objetivos constantes no Estatuto Social da Cedente”. Cláusula Quarta – “A Cessionária utilizará o Hospital Geral Universitário como Hospital de Ensino, nos termos das normas do Ministério da Educação e legislação em vigor, competindolhe definir as normas acadêmicas de funcionamento e de conduta nos termos de seu regimento interno”. Avulta de tal cláusula emanações típicas de poder hierárquico. Cláusula Sexta – “A Cessionária, para atingir os objetivos estabelecidos nesse contrato, poderá celebrar contratos, parcerias, acordos, convênios e todas as espécies de ato jurídico com terceiros, mediante a anuência da Cedente”. Deflui daqui as nuances da cogestão administrativa exercida pela Cedente e pela Cessionária. Cláusula Sétima – “O terreno, o prédio, as instalações e os equipamentos do Hospital Geral Universitário serão utilizados pela Cessionária, e restituídos para uso exclusivo do cedente ao final do período de vigência deste Contrato”. Ou seja: quem detém todo o prédio, as instalações e os equipamentos é a Cessionária. Cláusula Oitava – “Se a Cessionária realizar benfeitorias, reformas e edificações no Hospital Geral Universitário, estas serão incorporadas ao patrimônio da Cedente no final do prazo de vigência do presente contrato”. Dessai das cláusulas contratuais que o Devedor Solidário não é mero “inquilino esporádico” no Hospital Geral Universitário, senão, o próprio detentor do imóvel, prédio e instalações, exercendo forte poder de administração e gestão. A força de trabalho empregada pelo hospital (corpo clínico, administrativo e operacional), cujas remunerações encontravamse agraciadas pelo favor legal da isenção, ou seja, isentas de contribuições previdenciárias patronais, continuou sendo utilizada pela Cessionária. Apurou a Fiscalização que também os profissionais da área de ensino passaram a integrar a referida força de trabalho. Intimada a prestar esclarecimentos a respeito de pagamentos a tais profissionais (professores de ciências biológicas e da saúde do ensino superior), sob as rubricas "gratificação horas aulas", "horas aulas HGU", "DSR horas aulas", "especialista horas aulas", "adicional por titulação", "mestre horas aulas”, "doutor horas aulas", "graduação horas aulas", a Autuada informou que tais pagamentos ocorrem em virtude de o seu estatuto atender também a esta finalidade (assistência educacional), tendo adequado o seu estatuto e o seu regimento interno com o objetivo de transformarse em hospital de ensino, surgindo daí a necessidade de ter professores no seu quadro de pessoal. “Pela Portaria do Ministro de Estado da Saúde n° 21/GM, de 06/01/2006, o HGU Hospital Geral Universitário foi reconhecido como Hospital de Ensino, viabilizando, então, o repasse de recursos Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 30 do Ministério da Saúde para a Prefeitura de Cuiabá, para aplicação naquela unidade hospitalar”. Resumindo os fatos apontados acima, podemos relacionar as situações que comprovam o pleno interesse comum entre a autuada e a IUNI Educacional: · A autuada viabilizou todas as alterações estatutárias, regimentais e estruturais de forma a possibilitar a transformação do Hospital Geral em Hospital Universitário; · A transformação referida acima favoreceu em muito à IUNI Educacional, pois possibilitou a esta a implantação dos cursos universitários da área de saúde, que exigem, como complemento à formação acadêmica, a formação prática em hospital escola; · Com a cessão em comodato das instalações do hospital à IUNI a autuada passou a perceber uma receita mensal de R$ 200.000,00, viabilizando o desenvolvimento de suas atividades; · Para a IUNI a formalização do contrato de comodato trouxe inúmeras vantagens, pois passou a ter acesso a um hospital completamente estruturado e em pleno funcionamento, sem a necessidade de realização de grandes investimentos, ao contrário do que seria a construção e instalação de um Hospital Escola novo; · Um hospital Escola não opera, unicamente, com professores, havendo a necessidade de todo um corpo administrativo, operando nos mais variados ramos da atividade empresarial, tais como, atendentes, porteiros, vigilância, refeitório, administração propriamente dita, setor jurídico, contábil, de compras, Limpeza e conservação, enfermagem, etc. etc. Todos esses setores atendiam, indistintamente, ao Autuado e ao Devedor Solidário, de modo que ambos se favoreciam diretamente s benesses fiscais; · Cedente e Cessionária se utilizavam dos mesmos fatores de produção, instalações, mobiliário, prédios, equipamentos e pessoal, sendo ambos responsáveis pela sua manutenção, conservação, melhorias e ampliação; · A fruição da isenção das contribuições previdenciárias propicia grande vantagem à Autuada, pois representa significativa redução de custos de pessoal (encargos), bem como à IUNI, pois esta, como bem destacado no relatório fiscal, tem se utilizado do corpo funcional do hospital universitário, tanto que foram agregados a este corpo funcional diversos profissionais da área de educação (professores), conforme contratos de trabalho a fls. 1425/1440. No caso vertente, avulta existir entre o Autuado e o devedor solidário mais do que um mero interesse econômico, mas um real interesse jurídico, eis que os atores em foco realizam, de forma conjunta, a situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal. Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.570 31 Todo o fator produtivo humano põe a sua força de trabalho à disposição da realização das atividades fins do Contribuinte Autuado e do Devedor Solidário, estando incluídos nas folhas de pagamento não somente o pessoal contratado como atendentes, porteiros, vigilância, refeitório, administração propriamente dita, setor jurídico, contábil, de compras, Limpeza e conservação, enfermagem, etc. como também professores de ciências biológicas e da saúde do ensino superior e assistentes de educação, sendo apurado na folha de pagamento rubricas com as seguintes denominações "gratificação horas aulas", "horas aulas HGU", "DSR horas aulas", "especialista horas aulas", "adicional por titulação", "mestre horas aulas', "doutor horas aulas", "graduação horas aulas". Nessas circunstâncias, é solidária a pessoa jurídica que realiza conjuntamente com outra a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. Em suma, o interesse comum entre a autuada e a IUNI Educacional está plenamente caracterizado, principalmente, pelo aspecto de que a isenção das contribuições previdenciárias estava favorecendo ao desenvolvimento das atividades de ambas as empresas. Nesse panorama, verificando o auditor fiscal a existência de ostensivo interesse comum na situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal, nos termos abrigados no art. 124 do CTN, estabeleceuse definitivamente a solidariedade em estudo entre as empresas ora em realce, podendo o Fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face de qualquer uma dessas empresas ou em desfavor de ambas, sendo certo que o pagamento efetuado por uma aproveitam as demais. Diante dos aludidos dispositivos, avulta que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 32 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder o lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os coobrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os corresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.571 33 Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito que não estejam previstas em lei. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse o lançamento primeiramente em face do Devedor Principal e, subsidiariamente, em face do Devedor Solidário configurarseia como um contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 30, IX da Lei nº Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 34 8.212/91 c.c. art., 124, Parágrafo Único do CTN, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. O Devedor Solidário alega não haver qualquer norma vigente no ordenamento que proíba membros de uma mesma família serem associados, nem mesmo que esta associação firme contratos de qualquer natureza com outras empresas dos mesmos membros familiares. O brilhantismo de tal alegação é ofuscante. De fato, tais operações de per se consideradas não são vedadas no Ordenamento Pátrio, assim como não é vedado que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores de pessoas jurídicas recebam remuneração pelos seus serviços ou usufruam algumas vantagens ou benefícios lícitos. Ocorre que o §7º do art. 195 da CF/88 ao prever tal hipótese de renúncia fiscal, condicionou o direito à sua fruição ao atendimento das exigências estabelecidas na lei. Na mesma linhada, o art. 176 do CTN estatui que a isenção decorre de Lei, a qual especificará as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e o prazo de sua duração, quando for o caso. Cumprindo o mandamento constitucional, o inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu como requisito essencial para a concessão e manutenção da isenção de que trata o §7º do art. 195 da CF/88 que os seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, não recebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título. Com efeito, conforme muito bem observado pelo Devedor Solidário, não há qualquer norma vigente no ordenamento que proíba membros de uma mesma família serem associados, nem mesmo que esta associação firme contratos de qualquer natureza com outras empresas dos mesmos membros familiares. Todavia, mesmo os atos lícitos produzem efeitos jurídicos vedados pelo ordenamento. Assim, se dos fatos acima elencados resultar vantagens ou benefícios a qualquer título a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores de pessoas jurídicas agraciadas com a isenção de contribuições previdenciárias ora em tela, o ordenamento determina a suspensão imediata da isenção e a apuração das contribuições devidas relativas ao período em que se constatar o descumprimento do requisito essencial em debate. Como visto, o que é vedado não é a associação de membros de uma mesma família, nem mesmo que tal Associação firme contratos de qualquer natureza com outras empresas dos mesmos membros familiares. O que é vedada é a fruição de isenção de contribuições previdenciárias por Associações cujos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores recebam remuneração e que usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Não procede igualmente a alegação de que a folha de pagamento dos funcionários da HGU é custeada pelo Poder Público que, por meio de convênios, os repassa mensalmente. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.572 35 Ora, os repasses do Poder Público ingressam no patrimônio da Associação. A relação jurídica de segurado empregado se estabelece entre os trabalhadores e a Associação, não com o Poder Público. É a associação quem avalia e contrata servidores, detém o poder de subordinação em todos os seus aspectos sobre os obreiros, assim como o poder de demissão, é quem assalaria e determina as normas procedimentais e de conduta, é quem assume o risco da atividade econômica, etc. Assim, a relação jurídica tributária se estabelece diretamente com a pessoa jurídica que figura como empregador na relação com o segurado empregado, sendo irrelevante para o caso a origem real do numerário utilizado para o pagamento das remunerações dos segurados. A julgar pela tese esposada pelo Devedor Solidário, quando uma empresa obtém empréstimo bancário para realizar o pagamento dos salários de seus empregados, as contribuições previdenciárias seriam devidas pelo Banco. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntários para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Voto Vencedor Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Relator, vejamos as razões. Tratase de lançamento lavrado em face da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá para a cobrança das contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as quais não se houveram por declaradas nas GFIP, as correspondentes a Terceiros, aquelas a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 36 serviço e cobrança da multa por descumprimento da obrigação acessória em decorrência do cancelamento da isenção. De acordo com o auditor foi constatada a utilização da infraestrutura da entidade pelos seus sócios para o exercício de outras atividades de interesses particulares, em desacordo com o disposto no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Destacou, ainda, alguns aspectos relevantes das contratações realizadas pela Autuada, concluindo, ao final, pela existência de vantagem indireta recebida pelos sócios das empresas contratadas os quais eram, por sua vez, sócios da Associação: a) Preplan Construtora e Incorporadora Ltda os sócios da empresa Wlademir Lovato Fragão e Altamiro Belo Galindo exerciam as funções de conselheiro e sócio, respectivamente, da Associação. Haviam pagamentos na ordem R$ 310.000,00 efetuados à Perplan o que representam vantagem indireta. b) Universo Empreendimentos Ltda os sócios da empresa Francisco Belo Galindo Filho (irmão de Altamiro), Abrão Antonio Sebe (genro de Altamiro) e Wlademír Lovato Fragão (Preplan) participavam concomitantemente da administração da Associação. Na época, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação à Universo no montante de R$ 327.006,88 nos meses de janeiro a outubro/2006 e de R$ 48.198,49 em janeiro e julho/2007. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros efetuada pela Universo aos seus sócios, sendo o saldo absorvido nas suas operações, para que se alcançasse resultado positivo ou minimizasse eventuais prejuízos. c) Universo Comércio de Combustíveis Ltda dois dos sócios desta empresa, Abrão Antônio Sebe (genro de Altamiro) e Wlademir Lovato Fragão (da Preplan) participaram, concomitantemente, da administração da Associação durante todo o período, e o terceiro sócio, Francisco Bello Galindo Filho, em parte do período. Neste período, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação à Universo no montante de R$ 31.426,07 nos meses de janeiro a dezembro/2006 (exceto março e abril) e de R$ 13.166,12 em janeiro, fevereiro, março, maio, junho, julho e dezembro/2007 e de R$ 6.728,09 em fevereiro e março/2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, sendo o saldo absorvido nas suas operações. d) Sermed Serviços Médicos Ltda três dos sócios da empresa em referência, Afrânio Batista da Costa, Elibene de Almeida Orro Junqueira e Maria de Lourdes dos Santos Carneiro, participaram como sócios da Associação durante todo o período, ao passo que Afrânio passou a integrar o conselho deliberativo desta a partir de dezembro de 2003. Neste período, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação à Sermed no montante de R$ 394.593,71 em todos os meses de 2006, R$ 434.435,91 em todos os meses de 2007 e R$ 99.657,49 em todos os meses do 1º trimestre de 2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, no ano de 2007. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.573 37 e) Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda os sócios da empresa Mara Vânia Vieira da Silva, Francisco Aurélio da Silva Campos Filho, Cristina Guimarães Inocêncio, Aray Carlos da Fonseca Filho e Gilmar Ferreira do Espírito Santo participaram como sócios da Associação durante todo o período, ao passo que Francisco Aurélio passou a integrar o conselho deliberativo a partir de dezembro de 2003. No período, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação ao Instituto no montante de R$ 4.326,963,51 nos meses de janeiro a novembro de 2006, R$ 5.747.032,75 em todos os meses de 2007 e R$ 1.383.649,41 em todos os meses do 1º trimestre de 2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, nos anos de 2006, 2007 e 2008, sendo eventual saldo absorvido pelas operações da empresa. f) Clínica de Tratamento Renal Ltda. um dos sócios da empresa, Luiz Gonzaga de Figueiredo, era, concomitantemente, sócio da Associação. Nesta época, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação à Clínica no montante de R$ 1.276.186,44 nos meses de janeiro a novembro/2006, R$ 1.955.984,24 em todos os meses de 2007 e R$ 447.058,18 em todos os meses fevereiro e março/2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, no ano de 2007. h) Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda um dos sócios da empresa em referência, Vander Fernandes, participava concomitantemente como sócio da Associação durante o referido período, ocupando cargo de diretor. A relação percentual entre os pagamentos recebidos/faturamento desta para a autuada, no período verificado, ficou em 51,37%, caracterizando nítida dependência da empresa em referência junto à autuada. i) Fercaires Ltda. – dois sócios da empresa, Alex Sandro Sarmento Ferreira e Norma Sueli de Caires Galindo, participavam concomitantemente como sócios da autuada. A remuneração indireta é reforçada pela distribuição de lucros aos seus sócios, nos anos de 2006, 2007 e 2008, sendo eventual saldo absorvido pelas operações da empresa. Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. j) Stabile, Passare e De Simone – Advocacia e Assess. Empresarial S/S quatro sócios da empresa, Pedro Marcelo De Simone, Maria Cláudia de Castro Borges Stabile, Cláudio Stabile Ribeiro e Dauto Barbosa Castro Passare, participavam concomitantemente como sócios da autuada. Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. k) Kopec Contabilidade Ltda. dois dos sócios da empresa, Kojiro Tomiyoshi e Antonio Rodas Junior, participavam concomitantemente como Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 38 sócios da autuada. Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. l) Amareto Fomento Mercantil Ltda. – um dos sócios da empresa, José de Neves Gontijo, participava concomitantemente como sócio da autuada. Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. Tal como exposto, de forma resumida, posso afirmar que o principal motivo da autuação foram os pagamentos efetuados pela Associação às empresas que possuíam em seu quadro societário os mesmos sócios da entidade. No entender do auditor, tais pagamentos configuraram vantagem indireta uma vez, após a distribuição de lucros, recebiam os sócios parte daquele valor. Nos termos do art. 55, inciso IV da Lei nº 8.212/91, é concedida à entidade beneficente isenção das contribuições previdenciárias da cota patronal desde que, dentre outros requisitos dispostos no mencionado artigo, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não percebam remuneração e não usufruam vantagem ou benefícios a qualquer título: “Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;...” Para entender a norma e, a partir daí, aplicála corretamente, é crucial destrinchar o significado do vocábulo 'vantagem'. No dicionário Houaiss, o significado da expressão vem contido na frase "fator ou circunstância que beneficia ou privilegia seu possuidor; ganho, privilégio" (http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=vantagem). Considerando esta definição, ao meu ver, a designação do termo "Vantagem" traduz a idéia de proveito, de algo a mais, de condição de superioridade, êxito a maior, lucro privilegiado. Neste contexto, ressalto que a situação definida pela fiscalização não induz à conclusão de que os sócios da Associação recebiam vantagens indiretas. Isto porque em nenhum momento o auditor demonstrou haver superfaturamento nos contratos, ou tratarse de serviços que, embora previstos, não foram executados ou qualquer outra situação que comprove um privilégio recebido pelos sócios. Os pagamentos efetuados às empresas contratadas são devidos como contraprestação dos serviços fornecidos à Autuada, em consonância com o Convênio firmado com a Secretaria de Saúde do Estado do Mato Grosso, regulado pelas diretrizes e parâmetros do Sistema Único de Saúde (SUS). Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722108/201171 Acórdão n.º 2302003.212 S2C3T2 Fl. 2.574 39 Além disso, a distribuição de lucros decorre de resultados positivos alcançados a partir da equação ‘receita x despesa’ formulada exclusivamente por cada empresa (contratada) sem qualquer ingerência da Associação. A individualidade administrativa destas pessoas jurídicas não pode gerar conseqüências negativas para a entidade beneficente que com elas possui vínculo meramente contratual. Desse modo, não considero vantagem o recebimento das verbas pagas, a título de distribuição de lucro, pelas empresas contratadas às pessoas que integram a Associação também na qualidade de ‘sócio’. Em relação à segunda problemática identificada pela fiscalização (ausência de comprovação no processo de quais os critérios e procedimentos de seleção de empresa foram utilizados para prestação deste tipo de serviço), assim como dito anteriormente, tendo em vista que as contratações ocorreram nos moldes traçados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), não havendo controvérsia sobre este ponto, qualquer que fosse a empresa contratada, estaria submetida às mesmas normas. Portanto, não vejo razão para prosperar as alegações do Fisco. Como já dito, as provas capazes de demonstrar a existência concreta de vantagens porventura recebidas pelos sócios não foram trazidas aos autos pela fiscalização a quem, por lei, cabia verificar. Assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por todos os motivos expostos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, excluindo integralmente o crédito previdenciário. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz – Redatora Designada. Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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Numero do processo: 15504.010681/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IPI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL - O depurador de ar de uso doméstico classifica-se no ex 01 da posição 8421.39.90.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
RODRIGO MINEIRO FERNANDES
Presidente Substituto
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais e José Maurício Carvalho Abreu.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Presidente Substituto VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais e José Maurício Carvalho Abreu. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 06 81 /2 01 0- 09 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15504.010681/201009 Acórdão n.º 3101001.670 S3C1T1 Fl. 32 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em fls. 302 a 319 pelo contribuinte contra acordão nº 09.33.071 da 3º Turma da DRJ/JFA de fls. 288, relativamente a classificação fiscal para equipamento denominado “depurador de ar”. A Recorrente classificou o produto na posição 8421.39.90 da TIPI com alíquotas que variam entre 2% e 5% e a Fiscalização na posição 8414.60.00 com alíquota de 15%. A mesma Recorrente, conforme consta nos autos, já enfrentou nesse Conselho outros dois processos idênticos, sendo que um deles julgado pela Terceira Câmara do antigo Conselho de Contribuintes – acordão 30334950 acordou por entender como classificação correta a posição 8421.39.90 para os depuradores de ar. Essa questão foi levada para a Câmara Superior de Recursos Fiscais – Terceira Turma, através do Recurso Especial do Contribuinte – acordão 930302.040 em 10/07/2012, onde por unanimidade de votos deuse provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para julgar que a classificação fiscal do depurador de ar de uso doméstico classificase no ex 01 da posição 84.21.39.90. O referido acordão da CSRF foi juntado aos presentes autos em fls. 331 e seguintes. Finalmente, a Recorrente em face do exposto em seu Recurso Voluntário na mesma linha do que já decidiu a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, requer a reforma do Acórdão DRJ/JFA 0933.071, para que se cancele integralmente o lançamento, uma vez que a classificação fiscal do depurador de ar na posição 8421 está correta. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Como se verificam dos autos, tratase da classificação fiscal do produto “depurador de ar de uso doméstico”, cuja decisão recorrida, manteve o entendimento fiscal de que a classificação correta para esse produto é na posição 8414.60.00, enquanto o contribuinte classificou o produto na posição 8421.39.90. Como a Terceira Turma da CSRF dessa Terceira Seção, por unanimidade de votos (processo 10.680.020067/200797 – Acórdão 9303.02.040 3º Turma em sessão de 10/07/2012) entendeu que a Recorrente está correta na classificação adotada para seu produto “depurador de ar”, vou em homenagem ao Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, adotar seu voto como meu nos seguintes termos: “ (...) Para o deslinde da correta classificação fiscal início pelas características estruturais que definem o que venha a ser coifas e depuradores de ar e, encontro como Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15504.010681/201009 Acórdão n.º 3101001.670 S3C1T1 Fl. 33 3 resultante, que o depurador tem como finalidade limpar o ar de impurezas e fazêlo retomar ao ambiente, livre das impurezas depuradas e a coifa se destina a exaurir o ar impuro para outro ambiente. Assim, o depurador fabricado pela Recorrida é composto de vários materiais como monobloco feito de chapa de aço; motor elétrico de 110/220; quadro filtrante com perfil de alumínio, tela perfurada, manta de bidim; arame trave da tela; painel frontal feito com chapa de aço; sistema elétrico e filtro de carvão ativado, tudo isto, devolvendo ao ambiente ar aspirado isento de partículas indesejáveis. O código 8421.39.9900 retrata: 8421.3 – Aparelhos para filtrar ou depurar gases; 8421.39.90 – Outros Segundo as NESH esses aparelhos destinamse a reter partículas sólidas ou líquidas em suspensão nos gases com a finalidade de recuperar produtos de valor ou simplesmente de eliminar nocivos (poeiras do ar ou de fumaças), alcatrão dos gases, óleos de vapor expedidos pelas máquinas de vapor etc. Já o código TAB 8416.60.0100, corresponde ao código NCM 8414.60.00: 8414.60 – coifas (exaustores) com dimensão horizontal máxima não superior a 120 cm. 8414.60.0100 – Do tipo doméstico interpretado pela NESH como sendo “um grande número de aparelhos deste grupo, por sua própria concepção, consiste em dispositivos puramente estáticos, desprovidos de qualquer mecanismo móvel. A presente posição engloba os filtros e depuradores de todos os tipos (mecânicos, químicos, magnéticos, eletromagnéticos, eletrostáticos, etc.) compreende, também, pequenos aparelhos de uso doméstico e os dispositivos filtrantes de motores a explosão, e ainda material industrial pesado... De modo geral, as máquinas e aparelhos deste grupo distinguemse nitidamente pela sua própria utilização: filtrar líquidos ou gases.” Mesmo diante da aparente similitude que a posição 8414.60 guarda por vontade de quem estabeleceu características na TIPI, soluciono para mim a diferença operacional entre coifas e depuradores, justificando posições diferentes. A coifa, podendo ou não possui elementos filtrantes, retira do ambiente o ar poluído e o expele para fora enquanto o depurador após a filtragem do ar retirando impurezas o devolve ao mesmo ambiente. Concluise afinal que as características operacionais de um e de outro equipamento são diversas. Também sobre este aspecto a classificação admitida torna íntegra, pertinente e jurídica a decisão recorrida, para que o depurador de ar de uso doméstico seja enquadrado no ex 01 da posição 8421.39.90 porque o equipamento em questão se caracteriza como um aparelho de filtragem e depuração. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15504.010681/201009 Acórdão n.º 3101001.670 S3C1T1 Fl. 34 4 Em minha opinião instaurouse equívoco em considerar o aparelho depurador de ar como coifa. (...) Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Esse é meu voto. Relatora: VALDETE APARECIDAM MARINHEIRO Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10384.004544/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 13/10/2009
LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE.
Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 13/10/2009 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido.
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ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 45 44 /2 00 9- 83 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal realizada em 13/10/2009 por omissão de fatos geradores em GFIP. A recorrente não teria declarado os valores pagos a contribuintes individuais. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. Constitui infração à legislação apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas, ficando sujeita a pena administrativa de multa por descumprimento dessa obrigação. RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais; autenticados pelo auditorfiscal da RFB. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA; Estando o auto de infração devidamente instruído com os documentos e demonstrativos que embasaram os valores lançados, não há que se falar em cerceamento de defesa. Tendo o contribuinte tomado ciência regularmente do lançamento, do qual recebeu cópia integral, descabe a alegação de cerceamento de defesa por falta de recebimento de cópias dos documentos que instruem o processo, se este estava à sua disposição para vista ou obtenção de cópia. ... Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.243.8733), lavrado por descumprimento do disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei n.° 8.212/91 acrescentado pela Lei 9.5258/97 e redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas nas competências 01/2006 a 01/2007 conforme informação constante do Relatório Fiscal (fls. 07) e Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (fls. 08). Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: O arquivo eletrônico encaminhado juntamente com as notificações, à evidência, não é cópia anexada ao processo. Ainda que o INSS queira informatizar os procedimentos administrativos, não poderá fazêlo em prejuízo do direito Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10384.004544/200983 Acórdão n.º 2402004.240 S2C4T2 Fl. 158 3 constitucional, que assiste ao contribuinte, à ampla defesa e contraditório. Após a análise do CD, constatouse que o mesmo contém vícios e omissões insanáveis. A título exemplificativo, citase o caso do auto de infração 37.243.8660, cujo relatório fiscal alude às fls. 165/185, 186, 187, 195/208, 209/215, 216/218, 219/229, sendo que, o arquivo gravado no CD, alusivo ao mencionado auto, é ali apresentado com apenas 107 páginas em seu "anexo II", com 21 páginas em seu anexo, com 1 página em seu anexo III e com 1 página em seu anexo IV. Os demais anexos, perfazendo um total de 12, simplesmente não estão numerados; Na procuradoria Geral do Estado, os processos são distribuídos de maneira individualizada a Procuradores distintos, que assim formulam suas respectivas defesas de maneira isolada, individual, conquanto devam seguir diretrizes de defesa que traduzem a orientação dos órgãos administrativos da Instituição. Cada Procurador deverá contar com os elementos necessários à elaboração da defesa que lhe foi delegada, dentre os quais deverão estar as informações consignadas em um CD único entre à PGE quando da notificação dos autos de infração. O INSS, na medida que oferece apenas um CD, no qual estão todas as informações referentes aos 12 autos de infração, força o Estado à extração de cópias para cada Procurador, sem as quais a defesa seria uma aventura no vazio, totalmente despossuída de qualquer concretude; Impende considerar que a formalização do ato de notificação fezse mediante a aposição da assinatura do Procurador Geral do Estado em somente um dos autos de infração (AI 37.243.866 7) e, também, no recibo de entrega do arquivo eletrônico. Em que pese à menção, no relatório fiscal do aludido auto de infração, aos demais com ele foram lavrados, não consta de nenhum dos outros o recibo do Procurador Geral. Conforme se sabe, todos os processos individualmente, devem merecer específica notificação que deflagre, para cada qual, a abertura de prazo para elaboração de defesa. Sabese que uma só citação por meio de um só mandado, pretendase formalizar a angulação processual própria a todos os demais processos. Isso a evidencia, é também uma agressão incoercível aos princípios do contraditório e da ampla defesa. E ainda que o lançamento seria nulo por não ter sido observado o prazo de 360 dias para a decisão administrativa. O recorrente faz referência a jurisprudência do STJ determinando o cumprimento do aludido prazo: Na esteira desta diretriz constitucional e a fim de efetivar a segurança jurídica nas relações entre Fisco e contribuinte, o legislador editou a lei 11.457/2007, a qual em seu art. 24 fixa prazo para o julgamento de recursos e defesas dos contribuintes perante a Receita Federal em seus diversos órgãos: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." É o Relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10384.004544/200983 Acórdão n.º 2402004.240 S2C4T2 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares Responsabilidade do ente público por infrações A recorrente é entidade de direito público. No caso, até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a responsabilidade por infrações era atribída ao dirigente, conforme dispunha o art. 41 da Lei nº 8.212/1991, revogado pela citada Medida Provisória, in verbis: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Como se vê até a edição da Medida Provisória nº 449/2008, de 03/12/2008, publicada no D.O.U. em 04/12/2008, não havia previsão para aplicação de multa ao órgão público, sendo que esta obrigação cabia ao dirigente por disposição legal. A infração objeto da autuação é por descumprimento de obrigação acessória: deixar de descontar contribuições dos segurados. Para verificação do momento que se considera incorrida a infração, o Código Tributário Nacional define que a infração ocorre quando reunidas todas as circunstanciais materiais: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ... ... Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Assim, temos que a infração no presente caso fica configurada pelo pagamento da remuneração sem o desconto e, posteriormente, na data de vencimento da obrigação principal. Como a MP nº 449/2008 entrou em vigor em dezembro de 2008 e prevalece como regra a irretroatividade da legislação tributária, que somente nos casos elencados no CTN pode ser excepcionada, em especial no artigo 106, a infração já havia ocorrido, o que impede a imputação da responsabilidade ao ente público, já que, como informado, vigia o artigo 41, cuja regra era a responsabilidade do dirigente do órgão. Acolho a preliminar de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva do órgão público recorrente. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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