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Numero do processo: 19740.000082/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para as seguintes providências: (i) intime a contribuinte a apresentar as cópias eletrônicas das principais peças da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), juntando, ainda, extrato atualizado do andamento do processo; (ii) ateste a data em que foi realizada a intimação da contribuinte autuada do inteiro teor do Acórdão DRJ nº 13-34.375, para verificação da tempestividade do recurso voluntário interposto, tendo em vista que o aviso postal situado à fl. 702 se encontra ilegível; (iii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iv) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para as seguintes providências: (i) intime a contribuinte a apresentar as cópias eletrônicas das principais peças da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), juntando, ainda, extrato atualizado do andamento do processo; (ii) ateste a data em que foi realizada a intimação da contribuinte autuada do inteiro teor do Acórdão DRJ nº 1334.375, para verificação da tempestividade do recurso voluntário interposto, tendo em vista que o aviso postal situado à fl. 702 se encontra ilegível; (iii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iv) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 08 2/ 20 06 -5 1 Fl. 941DF CARF MF Processo nº 19740.000082/200651 Resolução nº 3401001.381 S3C4T1 Fl. 942 2 Relatório Tratase de autos de infração, situados às fls. 214 a 228 (Cofins) e 236 a 250 (PIS), em razão da falta de recolhimento das contribuições sociais, referentes ao período de apuração compreendido entre 01/2001 e 12/2004, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 997.970,55. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 207 a 213 e 224 a 235, narra a autoridade fiscal que o procedimento teve início a partir da constatação de que contribuinte não declarou, no período fiscalizado, compreendido entre os anos de 2001 e 2004, contribuições em DCTF e, durante a auditoria realizada, mediante o cotejo entre as planilhas de apuração do PIS e COFINS enviadas em 05/08/2005, situadas às fls. 19 a 22, e os balancetes contábeis mensais, situados às fls. 19 a 189, foram constatadas divergências, tendo sido gerado demonstrativo de apuração da contribuição devida, que veio a culminar com o lançamento de ofício. A contribuinte, intimada em 24/03/2006, apresentou, em 25/04/2006, as impugnações, situadas às fls. 253 a 275 e 442 a 467, nas quais argumentou, em síntese: (i) ocorrência da decadência para os lançamentos relativos a janeiro e fevereiro de 2001, com fundamento no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; (ii) tratarse de entidade fechada de previdência privada, sem fins lucrativos, constituída em conformidade com a Lei n° 6.435/77 e Lei Complementar n° 109/2001, que aplica seus recursos integralmente no país, não distribui lucros e é mantida exclusivamente por recursos advindos da SHELL BRASIL LTDA. e ICOLUB INDUSTRIA DE LUBRIFICANTES S/A; (iii) ter sido foi instituída com a finalidade de gerir planos de concessão de benefícios previdenciários suplementares à previdência oficial, atividade com nítido caráter de assistência social, já que são prestadas sem qualquer espécie de contraprestação dos beneficiários; (iv) que as atividades por ela desenvolvidas se enquadram no conceito de assistência social previsto artigo 203 da Constituição e, não obstante, o art. 34 da Lei nº 6.435/1977 reconheceu expressamente a natureza de assistência social das entidades de previdência privada; (v) tratandose de entidade de assistência social, por prestar suas atividades sem qualquer contraprestação dos beneficiários e por enquadrarse nos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, condição já apreciada pelo STF no julgamento do RE n° 259.276, a impugnante é imune aos impostos indicados no artigo 150, VI, 'c', da CR/1988. Ainda segundo a Constituição Federal, de acordo com o previsto no artigo 195, §7°, a impugnante é também imune à tributação pelas contribuições sociais; (vi) que a Lei n° 9.718/98 revogou a isenção da Cofins concedida às entidades de previdência privada pela Lei Complementar n° 70/1991, o que é inadmissível, uma vez que a revogação de lei complementar não poderia se dar por meio de norma hierarquicamente inferior; (vii) que a Lei nº 9.718/98, ao extravasar os limites do conceito de "faturamento", acabou por tentar instituir uma nova contribuição social, incidente já não sobre o faturamento, mas sobre outras receitas (como as receitas de venda de ativo imobilizado) que não aquelas que compõem propriamente o conceito de faturamento e, em se tratando de contribuição nova, seria necessária a sua instituição por lei complementar e que fossem respeitados os limites previstos nos artigos 195, §4° e 154, I, da CR/1988 dessa forma, para o período objeto do lançamento, o PIS e a Cofins deveriam ser exigidos (o que apenas para argumentar se admite, tendo em vista a imunidade da impugnante) utilizandose a base de cálculo prevista nas Leis Complementares n° 7/1970 e n° 70/1991; (viii) que a fiscalização pretendeu incluir na tributação das contribuições ao PIS e à Fl. 942DF CARF MF Processo nº 19740.000082/200651 Resolução nº 3401001.381 S3C4T1 Fl. 943 3 COFINS os recursos recebidos das patrocinadoras a título de adiantamento ou recuperação de despesas administrativas, contabilizados na contas 5.1.0.0.00.00 [Receitas do Programa Administrativo], 6.4.2.3.00.00 [Remuneração dos Investimentos Administrativos] e 3.4.2.3 [Custeio do Programa Administrativo]. Contudo, a exigência não pode subsistir, eis que os referidos créditos não correspondem a receitas auferidas, conforme depreendese do artigo 3º, § 2º, inciso II da Lei n° 9.718/1998. Assim, estas receitas não passam a integrar o patrimônio da entidade, vez que têm como fim exclusivo custear gastos administrativos da contribuinte impugnante, ora recorrente, sem representar qualquer ganho ou acréscimo patrimonial e, logo, os valores transferidos pelos patrocinadores à sociedade de previdência não possuem natureza contábil de receita, muito embora a sua contabilização, de acordo com o procedimento adotado pela entidade, seja realizada em contas de resultado, na rubrica de receitas; e (xix) que possui, como um de seus investimentos, participações em shopping center que proporcionam rendimentos mensais contabilizados na conta de rendimentos de aluguéis e outros investimentos imobiliários. Os valores auferidos não constituem receitas de aluguéis, mas de rendimentos recebidos pela entidade em razão de participação societária no BARRA SHOPPING. Embora os rendimentos auferidos nessas participações sejam contabilizados em conta de receita, tais valores tampouco possuem natureza de receita auferida, motivo pelo qual podem ser deduzidos da base de cálculo da COFINS e do PIS, devendose, neste caso, aplicar o disposto no art. 3º , § 2º , inciso II, da Lei n° 9.718/98. Em 19/04/2011, a 4ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1334.375, situado às fls. 688 a 700, de relatoria do AuditorFiscal Carlos Henrique Gomes, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS É de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais, consoante Súmula Vinculante n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades de previdência privada não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DA COFINS. A Cofins, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada com base no seu faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas COFINS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES As exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo da Cofins, para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar, somente são permitidas para os fatos geradores a partir de agosto/2002. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 19740.000082/200651 Resolução nº 3401001.381 S3C4T1 Fl. 944 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS É de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais, consoante Súmula Vinculante n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA SOCIAL As entidades de previdência privada não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. A Contribuição para o PIS, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada com base no seu faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES As exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo da Contribuição para o PIS, para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar, somente são permitidas para os fatos geradores a partir de agosto/2002. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada via postal em conformidade com o aviso postal situado à fl. 702; no entanto, a data se encontra ilegível, conforme imagem abaixo transposta: Em 12/04/2012, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 708 a 736, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 19740.000082/200651 Resolução nº 3401001.381 S3C4T1 Fl. 945 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Relator, Relator A contribuinte é parte no Processo nº 19740.000109/200524, que tramitou neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e que culminou, em sessão de 29/06/2017, com o Acórdão CARF nº 3201003.008, de relatoria do Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, publicado em 22/08/2017, em que a 1ª Turma da 2ª Câmara desta Seção decidiu, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário interposto em razão da concomitância, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. Transcrevese, abaixo, trecho do relatório do acórdão em referência: "(...) foi lavrado auto de infração de fis. 140/150 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS no período de 01/02/1999 a 31/12/2000, exigindoselhe contribuição de R$119.687,69, multa de oficio de R$89.765,68 e juros de mora de.R$96.719,30, calculados até 31/03/2005, perfazendo o total de RS306.172,67 (...). Em 05 de maio de 2004, o contribuinte encaminha a esta Fiscalização as planilhas de apuração do PIS, de fevereiro 1999 a dezembro de 2000, juntamente com as cópias dos balancetes contábeis mensais solicitados. Com vistas a avaliar a veracidade e a confiabilidade das informações fornecidas, efetuamos a conferência das planilhas elaboradas pelo contribuinte (lIs. 44 a 47) com os balancetes contábeis apresentados (lis. 48 a 116), tendo sido retificadas as divergências detectadas. Desta forma, foi gerado por esta Fiscalização, demonstrativo de apuração da contribuição devida, de acordo com a IN SRF n° 170/2002 (lis. 129 a 132). Com base no demonstrativo citado, constituiuse de oficio os valores devidos de PIS no período compreendido entre fevereiro 1999 a dezembro de 2000, lançamento este formalizado por meio do auto de infração em tela, do qual a interessada tomou ciência em 06/04/2005. Inconformada, a interessada interpôs em 06/05/2005 a impugnação de folhas 158 a 182 na qual alega, em síntese: A ocorrência da decadência para as contribuições compreendidas no período de fevereiro de 1999 a março de 2000, com fundamento no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; Tratarse de entidade fechada de previdência privada, sem fins lucrativos, constituída em conformidade com a Lei n° 6.435/77 e LC n° 109/2001, que aplica seus recursos integralmente no pais, não distribui lucros e é mantida exclusivamente por recursos advindos da Shell Brasil Ltda. e kolub Industria de Lubrificantes S/A; Que foi instituída com a finalidade de gerir planos de concessão de benefícios previdenciários suplementares Fl. 945DF CARF MF Processo nº 19740.000082/200651 Resolução nº 3401001.381 S3C4T1 Fl. 946 6 a previdência oficial, atividade que tem nítido caráter de assistência social, já que são prestadas sem qualquer espécie de contraprestação dos beneficiários; Que as atividades desenvolvidas enquadramse no conceito de assistência social previsto artigo 203 da Constituição Federal e ainda que a Lei 6.435/77 em seu artigo 34 reconheceu expressamente a natureza de assistência social das entidades de previdência privada; Tratandose de entidade de assistência social, por prestar suas atividades sem qualquer contraprestação dos beneficiários e por enquadrarse nos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, condição já apreciada pelo STF no julgamento do RE n° 259.276, a impugnante é imune aos impostos indicados no artigo 150, VI, 'c', da CF/88. Ainda segundo a Constituição Federal, de acordo com o previsto no artigo 195, §7°, a impugnante é também imune a tributação pelas contribuições sociais. A fiscalização pretendeu incluir na tributação das contribuições ao PIS e a COFINS os recursos recebidos das patrocinadoras a titulo de ressarcimento de despesas administrativas, contabilizados na conta 3.4.2.3 Custeio do programa Administrativo, sob o argumento de que o mero registro em conta credora de resultado configura base de calculo das referidas contribuições. Contudo, tal argumento não pode subsistir, eis que o referido crédito não corresponde a receita auferida, conforme depreendese do artigo 3° § 2°, inciso II da Lei n° 9.718/98. Alega ainda que o conceito de receitas auferidas não se confunde com o de recuperações de despesas, sendo que estas não devem gerar a tributação pelo PIS e pela COFINS. Nesse sentido, os valores transferidos pelos patrocinadores a Impugnante não possuem natureza contábil de receita, muito embora a sua contabilização, de acordo com o procedimento adotado pela entidade, seja realizada em contas de resultado, na rubrica de receitas; Que possui, como um de seus investimentos, participações em shopping center que proporcionam rendimentos mensais contabilizados na conta de rendimentos de aluguéis e outros investimentos imobiliários. Os valores auferidos pela Impugnante não constituem receitas de aluguéis, mas de rendimentos recebidos pela Impugnante em razão de participação societária no Barra Shopping. Embora os rendimentos auferidos nessas participações sejam contabilizados em conta de receita, tais valores não possuem natureza de receita auferida, motivo pelo qual podem ser deduzidos da base de cálculo da COFINS e do PIS, devendose, neste caso, aplicar o disposto no art. 3° , § 2°, inciso II, da Lei n° 9.718/98; Em relação ao ano de 1999, alega que durante a vigência do Fundo Social de Emergência (art. 72 de ADCT) foram editadas várias medidas provisórias para a regulamentação do PIS, posteriormente convertida na Lei 9.701/98. Tais normas, alargaram indevidamente a base de cálculo do PIS, através da ampliação do conceito de receita operacional bruta indicado no art. 72 do ADCT, criando adições e Fl. 946DF CARF MF Processo nº 19740.000082/200651 Resolução nº 3401001.381 S3C4T1 Fl. 947 7 exclusões que desvirtuaram tal conceito. Dessa forma, o alargamento da base de cálculo do PIS promovido pelas medidas provisórias e pela Lei 9.701/98, ofendeu, portanto, o artigo 73 do ADCT (que proibiu a regulamentação do Fundo Social de Emergência por medida provisória) e ampliou indevidamente o conceito de renda operacional bruta delimitado pelo artigo 72 do ADCT. Assim, até o início da vigência da Lei 9.718/98 para as pessoas jurídicas indicadas no artigo 22, §1°, da Lei 8.212/91 (na qual se enquadra a Impugnante), o que ocorreu em 01.01.2000, deve ser aplicada a base de cálculo prevista no art. 72 do ADCT, qual seja, receita bruta operacional delimitada pela legislação do IR, sem as limitações previstas na Lei 9.701/98; Quanto ao ano de 2000, que a Lei 9.718/98, ao extravasar os limites do conceito de "faturamento", acabou por tentar instituir uma nova contribuição social, incidente já não sobre o faturamento, mas sobre outras receitas (como as receitas de venda de ativo imobilizado) que não aquelas que compõem propriamente o conceito de faturamento. Em se tratando de contribuição nova, seria necessária a sua instituição por lei complementar e que fosse respeitado os limites previstos nos artigos 195, §4° e 154,1, da CF/88. Dessa forma, para o período de janeiro a dezembro de 2000, o PIS também deve ser exigido (o que apenas para argumentar se admite) utilizandose a base de cálculo prevista no artigo 72 do ADCT, sem as limitações previstas na Lei 9.701/98 (...) O processo foi encaminhado para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que proferiu a Resolução de fls 415, nos seguintes termos: "Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Em suas alegações recursais, a Recorrente traz a informação de que o objeto do presente processo administrativo é também objeto da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que reconheceu a condição da Recorrente como entidade de assistência social para os fins da imunidade pretendida. Considerando que a ação judicial mencionada continua pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal, há fortes indícios de concomitância. Em face do exposto, voto por converter em diligência o processo para que a Recorrente forneça cópia da petição inicial e da sentença da ação judicial em comento." Os andamentos e peças judiciais foram juntados a partir das fls 422. Diligência cumprida.". Tendo em vista a quase identidade das questões discutidas no Acórdão CARF nº 3201003.008, bem como a notícia de que a contribuinte ora recorrente patrocina a ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 que ensejou reconhecimento de concomitância por unanimidade no caso em referência, fazse prudente, previamente à análise do mérito, que os integrantes deste colegiado tenham franqueado o acesso às cópias das principais peças do processo que teve início na jurisdição do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em especial a Fl. 947DF CARF MF Processo nº 19740.000082/200651 Resolução nº 3401001.381 S3C4T1 Fl. 948 8 petição inicial, eventuais emendas ao pedido, decisões proferidas e estado atual do processo para fins de verificação de eventual concomitância, e, caso confirmada, em qual extensão. Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Intime a contribuinte a apresentar as cópias eletrônicas das principais peças da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), juntando, ainda, extrato atualizado do andamento do processo; (ii) Ateste a data em que foi realizada a intimação da contribuinte autuada do inteiro teor do Acórdão DRJ nº 1334.375, para verificação da tempestividade do recurso voluntário interposto, tendo em vista que o aviso postal situado à fl. 702 se encontra ilegível; (iii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iv) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 948DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000398/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.386
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 00 03 98 /2 00 8- 71 Fl. 131DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 7.226,94, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2004. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas, além dos recibos apresentados. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados e identificação dos serviços médicos prestados, como segue: Trata o processo de impugnação referente à Notificação de Lançamento de fls. 11 a 15, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, que exige R$ 7.226,94 de imposto de renda suplementar, R$ 5.420,20 de multa de ofício e R$ 3.389,43 de juros de mora, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e glosa de dedução indevida de despesas médicas. 2. Segundo o relatório denominado Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 12, foi glosado o montante de R$ 14.690,78 de despesas médicas, sendo que desse total, R$ 880,32 corresponde a plano de saúde da Unimed da esposa do contribuinte, que apresentou declaração em separado, e R$ 13.000,00 corresponde a despesas referentes às profissionais Maristela Nisioka (R$ 6.000,00) e Giovana M. Rizzo (R$ 7.000,00), em relação às quais o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento, conforme solicitado na intimação fiscal de fl. 23. 3. O relatório citado acima também informa (vide fl. 13) a omissão de rendimentos no valor de R$ 11.589,01, referente à fonte pagadora CNPJ n° 76.958.966/0001 06 (Prefeitura de Arapongas). (...) 7. Considerando que o Impugnante não questiona a omissão de rendimentos no valor de R$ 11.589,01, apurada pela fiscalização, e Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 2001000.386 S2C0T1 Fl. 132 3 nem a glosa de R$ 880,32, referente ao plano de saúde de sua esposa, e a glosa de R$ 810,46, referente a cobrança adicional feita pela Unimed, temse que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o presente julgamento limitarseá às matérias impugnadas, ou seja, à alegação de que a defesa estaria prejudicada por falta de motivação e à glosa das despesas médicas no valor de R$ 13.000, 00. 8. Alega o Impugnante que a defesa está prejudicada, pois não teria sido informado sobre quais requisitos legais os comprovantes apresentados não estariam atendendo. Também alega que a mera menção a dispositivos legais não supre a falta de motivação. 9. Quanto a essas alegações do Impugnante, de fato, poderia a autoridade fiscal ter detalhado mais os motivos que ensejaram a glosa das deduções com despesa médica. Contudo, basta uma rápida análise dos recibos apresentados (fls. 30 a 35), em confronto com as intimações de fls. 18 e 23, para se constatar que o relatório fiscal foi bem claro, ou seja, a glosa se deu por falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas consignadas nos recibos. 10. Quanto à alegação de que a "descrição dos fatos é vaga, pois diz que a dedução é indevida `por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução', restando dúvida sobre qual dos dois motivos ensejou a glosa", esclarecemos que tal imprecisão no relatório fiscal foi sanada no item denominado "Complementação da Descrição dos Fatos", quando a fiscalização informa que os recibos não comprovam o pagamento (com base na legislação citada). 11. Portanto, temse por afastada a alegação de que a glosa das despesas não estaria suficientemente motivada e que a defesa estaria prejudicada. 12. Alega o Impugnante que a glosa das despesas médicas, no valor de R$ 13.000,00, é indevida, pois os recibos apresentados comprovam a efetiva prestação dos serviços médicos e os pagamentos correspondentes. 13. Pois bem, em face do alegado, vejamos o que dispõe a legislação a respeito da dedução de despesas médicas: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 Art. 73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n2 5.844, de 1943, art. 11, §39. § 1' Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 49. (...) Fl. 133DF CARF MF 4 14. Conforme se observa na legislação acima transcrita, de fato, despesas com tratamento de saúde são passíveis de dedução no Imposto de Renda, sendo que o comprovante de pagamento (recibo) que preencha as formalidades previstas na legislação tributária têm o condão de comprovar o pagamento dos serviços prestados, porém, considerando que na apreciação da prova a autoridade fiscal formará livremente sua convicção, a esta é autorizado exigir outros elementos de prova quando a documentação apresentada não constituir prova inequívoca dos pagamentos, o que aconteceu no presente caso. 16. No caso em tela, observase que a Impugnante declarou em sua DAA o montante de R$ 15.571,10 (vide fl. 41) a título de despesa médica, valor este bastante expressivo (14,71% dos rendimentos tributáveis) e que justifica, por si só, um exame mais criterioso por parte da autoridade fiscal e a glosa dessa dedução por falta de comprovação por parte do contribuinte, haja vista o disposto no art. 73, § 1° do Decreto n° 3.000/99. 18. Buscando comprovar a procedência dessas despesas, o Impugnante não apresentou comprovantes do efetivo desembolso dos valores deduzidos na DAA, mas apenas recibos emitidos pela fisioterapeuta Giovana M. Rizzo, fls. 30 a 35, os quais não informam qualquer endereço e nem o nome do paciente. Em relação à dentista Maristela Nisioka, o Impugnante apresentou apenas uma declaração. 19. Além das irregularidade apontadas nos recibos apresentados e da ausência de recibos referentes à dentista Maristela Nisioka, depreendese da Notificação de Lançamento que a motivação da exigência fiscal, relacionada à dedução indevida com despesa médicas, se deu em face da falta de comprovação do efetivo pagamento. 20. Tal prova poderia ser feita com cópia de cheques nominais compensados, extratos bancários para demonstrar transferências bancárias ou retiradas em espécie, coincidentes em data e valor, etc., que efetivamente arcou com a despesa pelo tratamento, pois se o Impugnante efetivamente custeou o tratamento com recursos próprios, seria capaz de demonstrar uma movimentação bancária compatível com tal situação, em data e valor, compatíveis com os pagamentos, em conformidade com os artigos 73 e 80 do RIR/99. 22. Insta destacar que as declarações firmadas pelas profissionais de saúde, fls. 20 e 21, não tem o condão de comprovar o efetivo pagamento das despesas. 25. Requer o Impugnante a realização de diligência para que sejam intimados as profissionais que emitiram os recibos a fim de confirmarem se os serviços foram prestados e se os pagamentos foram efetivados. 27. No caso ora sob análise, uma diligência poderia até demonstrar a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento pelo profissional de saúde, mas não o efetivo desembolso, pelo Impugnante, do valor deduzido na DAA, razão pela qual esta autoridade julgadora conclui pela desnecessidade da diligência pleiteada. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 2001000.386 S2C0T1 Fl. 133 5 28. Isso posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em sua integralidade. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em agosto de 2008, recebeu nova intimação solicitando a comprovação dos pagamentos das despesas médicas e a discriminação dos beneficiários do plano de saúde. Posteriormente, em 23/10/2008, foi cientificado da notificação de lançamento n° 2005/609451187314143, pela qual foi informado do lançamento de omissão de rendimentos no valor de R$ 11.589,01 e glosa de despesas médicas no valor R$ 32.822,74. (...) PRELIMINAR Inicialmente, a autoridade julgadora não esclareceu o • motivo pelo qual os recibos, corroborados pelas declarações dos profissionais de saúde que atestaram por escrito a validade dos recibos, a prestação dos serviços médicos e o efetivo pagamento, são "inválidos", conforme transcrição do trecho da decisão administrativa que reproduzimos. "22. Insta destacar que as declarações firmadas pelas profissionais de saúde, fls. 20 e 21, não tem o condão de comprovar o efetivo pagamento das despesas. "(destacamos) Porquanto, a mera afirmação sem qualquer explicação não supre a necessidade da fundamentação das decisões administrativas prevista nó ordenamento legal e integrante dos princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório e da ampla defesa (art. 5º , incisos LIV e LV, da CF) . No caso concreto, a falta de fundamentação impossibilita a defesa do impugnante, pois diz simplesmente que não os aceitará como prova mas não esclarece por que são inválidas. (...) A intimação original solicitou "Comprovantes originais e cópias das despesas médicas" (cópia da intimação anexa a esta impugnação), tendo sido atendido o pedido com a apresentação das cópias e originais, estas devolvidas após a devida autenticação daquelas pela servidora que as recepcionou como comprova o "TERMO DE Fl. 135DF CARF MF 6 COMPARECIMENTO" em anexo, no qual consta a entrega de 14 "Comprovantes de pagamento de Despesas Médicas" Ora, se os documentos solicitados, mormente os recibos médicos, foram apresentados na forma requerida, assim, exsurge a questão, ou as cópias devidamente entregues não chegaram às mãos da autoridade fiscal ou se foram simplesmente desconsideradas sem se explicitar o motivo, pois se os recibos médicos foram recepcionados como "Comprovantes de pagamento de Despesas Médicas", não pode a decisão que fundamenta a notificação dizer "desconsiderados por não apresentar qualquer documento para comprovação do pagamento das despesas", sem que se diga o motivo pelo qual nem foram cogitados como forma de comprovação de pagamento, como algo inexistente. O Dicionário Aurélio descreve recibo como "Declaração escrita de se haver recebido alguma coisa; quitação", ou seja, por definição, qualquer recibo já e um documento que comprova pagamento, quitação, portanto, não há como entender a declaração da autoridade fiscal, agora também pela autoridade julgadora de primeira instância, de que não tenha sido apresentado qualquer documento comprobatório do pagamento, mas que o "mero pagamento" não seria suficiente mas apenas o "desembolso" seria aceito. A disposição legal exige a comprovação do pagamento, não existe no ordenamento jurídico qualquer referência ao termo "desembolso". Exigir do cidadão a demonstração do "desembolso", o que quer que seja isto, é violar o princípio da legalidade. (...) Quando à diligência solicitada com as profissionais que prestaram os serviços médicos, a autoridade julgadora afirma: "27.. No caso ora sob análise, uma diligência . poderia até demonstrar a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento pelo profissional de saúde, mas não o efetivo desembolso, pelo Impugnante, do valor deduzido na DAA, razão pela qual esta autoridade julgadora conclui pela desnecessidade da diligência pleiteada." (destaques nossos) MÉRITO O cerne da questão está na comprovação da prestação dos serviços de saúde e do pagamento destes serviços e a decisão inicia argumentando que não há comprovação dos pagamentos: (...) Citação de parte do texto da decisão da DRJ itens 14, 16, 17, 18. Podese observar que, apesar da legislação exigir o pagamento, a decisão administrativa afirma que não foi comprovado o efetivo desembolso dos valores. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 2001000.386 S2C0T1 Fl. 134 7 Depois, a autoridade julgadora afirma que não houve a comprovação do efetivo pagamento, sem explicar o que o desembolso tem relação com o pagamento. Quando à diligência solicitada com as profissionais que prestaram os serviços médicos, a autoridade julgadora afirma: "27.. No caso ora sob análise, uma diligência . poderia até demonstrar a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento pelo profissional de saúde, mas não o efetivo desembolso, pelo Impugnante, do valor deduzido na DAA, razão pela qual esta autoridade julgadora conclui pela desnecessidade da diligência pleiteada." (destaques nossos) Ora, aqui a autoridade julgadora chega a conclusão que, ao arrepio da lei que exige a comprovação do pagamento, a diligência não é necessária porque mesmo que fosse demonstrado o pagamento não seria suficiente, para ela a única prova que vale é o "desembolso". Pelo que foi, exposto, verificase que a autoridade administrativa não está fazendo um julgamento por critérios legais, mas por critérios econômicos, estatísticos e arbitrários. Primeiro, afirma que 14,71% da renda tributável de despesas médicas pressupõe deduções indevidas, porque o valor é "alto". Então, se fossem valores menores, 10 ou 5% (?) não haveria problema? Entretanto, a legislação tributária não determina um valor mínimo, um piso para deduções de despesas de saúde, mas a autoridade administrativa o faz. Depois disso, faz uma série de afirmações de que não haveria a comprovação do pagamento e/ou do desembolso, sem explicar o que seria exatamente o "desembolso", já que este termo não existe na legislação tributária do imposto de renda das pessoas físicas. (...) Imputar o ônus da prova somente ao contribuinte e restringir a prova a uma única forma, comprovantes bancários, e recusar diligências para que eventuais dúvidas em relação aos recibos e declarações escritas sejam sanadas é muito cômodo à autoridade administrativa, mas restringe indevidamente o contraditório e a ampla defesa. (...) Em resumo, a autoridade tributária não pode restringir a prova de pagamento a uma modalidade, a transação bancária, pois isto implicaria que a única maneira de se pagar uma despesa dedutível seria por esta forma, ou seja, para que isso fosse possível teria que haver uma lei que obrigasse o contribuinte a realizar todos os pagamentos de despesas dedutíveis por meio de cheque ou transferência bancária e essa lei não existe. (...) Fl. 137DF CARF MF 8 À vista de todo o exposto, demonstrada, preliminarmente, a nulidade da notificação de lançamento e do julgamento de primeira instância e, no mérito, a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhida o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No pedido de anulação do Lançamento o Recorrente alega insubsistência e improcedência da ação fiscal que, segundo seu dizer, por falta fundamentação que impossibilita a defesa, nos seguintes termos: PRELIMINARES Inicialmente, a autoridade julgadora não esclareceu o • motivo pelo qual os recibos, corroborados pelas declarações dos profissionais de saúde que atestaram por escrito a validade dos recibos, a prestação dos serviços médicos e o efetivo pagamento, são "inválidos", conforme transcrição do trecho da decisão administrativa que reproduzimos. "22. Insta destacar que as declarações firmadas pelas profissionais de saúde, fls. 20 e 21, não tem o condão de comprovar o efetivo pagamento das despesas. "(destacamos) Porquanto, a mera afirmação sem qualquer explicação não supre a necessidade da fundamentação das decisões administrativas prevista nó ordenamento legal e integrante dos princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório e da ampla defesa (art. 5º , incisos LIV e LV, da CF) . No caso concreto, a falta de fundamentação impossibilita a defesa do impugnante, pois diz simplesmente que não os aceitará como prova mas não esclarece por que são inválidas. (...) Quando à diligência solicitada com as profissionais que prestaram os serviços médicos, a autoridade julgadora afirma: "27.. No caso ora sob análise, uma diligência . poderia até demonstrar a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento pelo profissional de saúde, mas não o efetivo desembolso, pelo Impugnante, do valor deduzido na DAA, razão pela qual esta autoridade julgadora conclui pela desnecessidade da diligência pleiteada." (destaques nossos) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 2001000.386 S2C0T1 Fl. 135 9 DECISÃO DA PRELIMINAR NULIDADE Em vista do que consta no descritivo do Lançamento e pelo texto da decisão do Acórdão ora combatido clara está a exposição de motivo da não aceitação dos recibos de despesas médicas apresentado pelo Recorrente, posição do Agente Fiscal que a defende inclusive com citação de embasamento legal, de sua convicção, para a glosa dos documentos acostados ao processo, vez que o Fisco, na pessoa do Auditor, não concede tão somente aos recibos o poder comprobatórios absoluto. Também entendo não ter havido qualquer dificuldade do Recorrente na interpretação dos motivos que levaram a formatação conceitual na origem do Lançamento, vez que a defesa do Contribuinte bem enfocou o fulcro da motivação do procedimento fiscal, dandolhe combate argumentativo de fundamental consistência. Por essas razões entendo improcedente o pedido de anulação da notificação do lançamento e do julgamento de primeira instância. Assim, voto pela REJEIÇÃO DA PRELIMINAR. DILIGÊNCIA Com relação à diligência solicitada para verificação junto aos profissionais quanto a real prestação dos serviços e o efetivo recebimento dos honorários, entendo que as declarações firmadas pelos profissionais suprem a demanda de comprovação legalmente requerida. Além disso, entendo desnecessária a providência da diligência em razão da conclusão deste voto. Assim, entendo irrelevante para o caso a diligência antes solicitada. MÉRITO No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Fl. 139DF CARF MF 10 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 2001000.386 S2C0T1 Fl. 136 11 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer Fl. 141DF CARF MF 12 indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescentese, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’. Por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 2001000.386 S2C0T1 Fl. 137 13 A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto à deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Fl. 143DF CARF MF 14 Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 2001000.386 S2C0T1 Fl. 138 15 CONCLUSÃO Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pela contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. No caso, constatase nos autos que os serviços prestados correspondem a especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário dos tratamentos e, com o fornecimento de comprovantes de Fl. 145DF CARF MF 16 pagamento dos serviços prestados, mediante recibos e declarações assinadas por profissionais habilitados. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada e a correspondente comprovação do pagamento dos profissionais, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no total de R$ 13.000,00, que é tanto quanto alcança o Recurso.. Ressaltese que o Recurso provido nesta oportunidade versa tão somente sobre as despesas médicas, resta mantido o crédito tributário em relação à omissão de rendimentos no valor de R$ 11.589,01, despesa referente ao plano de saúde de sua esposa no valor de R$ 880,32, e cobrança adicional feita pela Unimed no valor de R$ 810,46, por incontroversas questões em razão da ausência absoluta de manifestação contrária da parte Recorrente nestes quesitos. 7. Considerando que o Impugnante não questiona a omissão de rendimentos no valor de R$ 11.589,01, apurada pela fiscalização, e nem a glosa de R$ 880,32, referente ao plano de saúde de sua esposa, e a glosa de R$ 810,46, referente a cobrança adicional feita pela Unimed, temse que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o presente julgamento limitarseá às matérias impugnadas, ou seja, à alegação de que a defesa estaria prejudicada por falta de motivação e à glosa das despesas médicas no valor de R$ 13.000, 00. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas no valor de R$ 13.000,00. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.722232/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/10/2012
Ementa:
LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o lançamento preenche todos os requisitos legais, esclarecendo os fatos geradores, a legislação aplicada e individualizando a base de cálculos.
SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho.
CFL 34. CFL 59. LEGALIDADE.
Os CFL 34 e 59 se baseiam nos arts. 30, I, 'a' e 32, II, com o art. 92, todos da Lei nº 8.212/1991, razão pela qual não se pode falar em ausência de previsão legal.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO.
Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tel entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF.
JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARFnº 4)
Numero da decisão: 2202-004.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar os AI's DEBCAD nº 51.051.175-9 e 51.051.176-7. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão.
(assinado digitalmente)
WALTIR DE CARVALHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2011 a 31/10/2012 Ementa: LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o lançamento preenche todos os requisitos legais, esclarecendo os fatos geradores, a legislação aplicada e individualizando a base de cálculos. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. CFL 34. CFL 59. LEGALIDADE. Os CFL 34 e 59 se baseiam nos arts. 30, I, 'a' e 32, II, com o art. 92, todos da Lei nº 8.212/1991, razão pela qual não se pode falar em ausência de previsão legal. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO. Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tel entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF. JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARFnº 4)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar os AI's DEBCAD nº 51.051.175-9 e 51.051.176-7. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO - Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o lançamento preenche todos os requisitos legais, esclarecendo os fatos geradores, a legislação aplicada e individualizando a base de cálculos. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. CFL 34. CFL 59. LEGALIDADE. Os CFL 34 e 59 se baseiam nos arts. 30, I, 'a' e 32, II, com o art. 92, todos da Lei nº 8.212/1991, razão pela qual não se pode falar em ausência de previsão legal. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO. Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tel entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF. JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 22 32 /2 01 4- 13 Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.503 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARFnº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar os AI's DEBCAD nº 51.051.1759 e 51.051.1767. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário. Intimada, protocolou impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 25/06/2014 foram lavrados os AI DEBCAD nº 51.051.1716 (fls. 3/30), nº 51.051.1724 (fls. 31/57), nº 51.051.1732 (fls. 58/84), nº 51.051.1759 (fls. 85/112), nº 51.051.1767 (fls. 113/139), nº 51.051.1783 (fls. 140/166), nº 51.051.1791 (fls. 167/192), nº 51.060.4293 (fls. 193/229), nº 51.060.4552 (fls. 230/250), nº 51.060.4560 (fls. 251/271), nº 51.064.8509 (fls. 272/305), nº 51.064.8517 (fls. 306/337) e nº 51.064.8525 (fl. 338). Conforme o Relatório Fiscal (fls. 552/607 e docs. anexos fls. 608/1.776), "2. Preliminarmente, devese registrar que o procedimento fiscal na sociedade acima qualificada teve início em razão de se ter verificado queda acentuada nos recolhimentos para a Previdência Social. Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.504 3 3. Relevantes, também, o fato da sociedade ter entrado em recuperação judicial, assunto amplamente divulgado na mídia local e nacional (anexo I) e confirmado por decisão judicial prolatada em 23.07.2012, bem como ter efetuado uma cisão antes do pedido. Abaixo, tornarseá a estes assuntos. DAS GPS COM AUTENTICAÇÃO FALSA, EM TESE (...) 4.1. Para surpresa desta auditoria, foram encontradas nos autos do processo nº 10120.002933/201190, relativo à segunda fase da obra da DRFGoiânia, GPS Guia da Previdência Social com códigos de autenticação bancária via SISPAG que não constam do sistema de controle de pagamentos da Receita Federal do Brasill, ou seja, tratase, em tese, de GPS com autenticação falsa, conduta que subsume o tipo penal descrito no art. 297, caput, verbis: (...) 5.6.4. Para que não paire dúvidas, juntamse no anexo VI os recibos dos arquivos, padrão MANAD, da folha de pagamentos e contabilidade entregues pelo contribuinte, recepcionados no procedimento fiscal, usados e os não usados em razão de erros ou divergências detectados nas suas conferências por meio dos aplicativos SVA e/ou de auditoria e que foram substituídos pelos relacionados acima. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL 6. Ressaltase que a referida sociedade empresária propôs ação de recuperação judicial autuada em 17.07.2012, que foi distribuída por dependência para a 9ª Vara Cível Fórum de Goiânia, que deferiu o pedido de recuperação em 23.07.2012, (...) DA CISÃO COM REDUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL 7. Intimada, a sociedade apresentou documentos solicitados pela fiscalização, dentre eles, o contrato social e alterações em que se pode ler na 20ª alteração contratual que ocorreu cisão com transferência de capital social para Engeforte Obras Industriais Terraplanagem e Pavimentação Ltda., CNPJ (...), no valor de R$ 20.219.72.88, ficando seu capital reduzido a R$ 19.908.727,12, menos da metade daquele antes da cisão que era de R$ 40.218.000,00. 7.1. Importante perceber que a cisão ocorre em 26.06.2012, registro na JUCEG em 10.07.2012, fundada em laudo de avaliação datado de 11.06.2012, e justificação para cisão datada de 15.06.2012, ambos registrados na JUCEG, como a 20ª alteração contratual, em 10.07.2012, tendo sido protocolizados em datas distintas, (...) 7.3.1. Todavia, quando se percebe que do registro em 10.07.2012, da alteração contratual assinada em 26.06.2012, Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.505 4 ocorre apenas 08 (oito) dias antes da propositura da referida ação, abre, em tese, a suspeita de que houve preparação fraudulenta para se obter vantagem na recuperação judicial, em prejuízo de possíveis credores, dentre eles o fisco federal. (...) 7.6. Com efeito, além de se ter verificado que a sociedade cindida havia deixado de recolher contribuições previdenciárias um dos motivos da abertura do procedimento fiscal na análise do processo de cisão buscouse saber mais sobre a empresa para a qual se transferia parte do capital social a Engeforte Obras Industriais Terraplanagem e Pavimentação Ltda., bem como do patrimônio imaterial. 7.6.1. Tratase da mesma sociedade inscrita no CNPJ nº (...) em 01.03.2004, com a denominação A & R Construtora Ltda., tendo como responsável Fernanda de Moraes Ribeiro Silva, até 06.05.2005. Desta data até 12.05.2012, consta no cadastro da Receita Federal do Brasil, como novo responsável pela referida sociedade Heloísa Márcia Neto, sócio com ela Jader Ramos Magalhães Filho, ambos empregados na sociedade cindida, ora fiscalizada. (...) 7.6.1.2. Em 16.07.2012, o contador da cindida, efetua digitação pela internet para mudar de endereço da cindenda (...). 7.6.1.2.1. Podese perceber quase uma superposição nos endereços da Engerfort Construtora e da Engeforte Obras [endereço novo], pois aquela se localiza na Rua das Indústrias, nº 401, Vila Morais, CEP 74.620300, e esta na Rua 01, indicada acima, que desemboca na porta daquela. (...) 7.7.1.3. E mais, em tese, os fatos indicam que a cisão foi uma forma encontrada para salvaguardar um patrimônio, que a rigor se incorporaria ao processo de recuperação judicial fato que corrobora a suspeita, em tese, de preparação fraudulenta da referida recuperação. (...) 7.8.2.1. Também as DIPJ anteriores a 2012 não registram movimentos que caracterizam a sociedade A & R Construtora Ltda. tenha, de fato, executado obras de construção civil ou de engenharia de uma forma geral, aliás, em toda sua existência, somente em 2007 apresentou a singela receita de R$ 5.080,00. (...) 7.9.1.4. Relevante também destacar a coincidência dos percentuais de participação dos sócios na composição do capital social da cindida e da cindenda, que se mantiveram os mesmos em ambas, 54%, 29%, 14% e 3%, (...), fato que reforça a tese do Fl. 2505DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.506 5 esvaziamento intencional da cindida, para inciar uma nova sociedade, deixando para aquela o passivo e nesta os ativos para dar sequência à empresa ou atividade. 7.9.1.5. Evidenciase, também, que o item 2.6 do protocolo e justificação para a cisão parcial informa que a cindenda sucederá a cindida e responderá, DE FORMA SOLIDÁRIA, por todas as obrigações da ENGEFOR CONSTRUTORA LTDA., efetivas e potenciais, decorrentes de atos praticados ou de fatos ocorridos até a data do evento, que sejam relativas aos acervos técnicos e bens móveis em referência (veja no anexo VIII). DA RESPONSABILIDADE PELOS CRÉDITOS LANÇADOS 8. Os fatos acima alinhavados não deixam dúvidas de que se está frente a uma sucessão nos termos do CTN, bem como a infração de lei pelos sócios, quando se percebe atos sucessivos que modifica a sociedade fiscalizada, diminuindo seu patrimônio com migração de bens tangíveis e intangíveis para outra sociedade, cujos sócios são os mesmos da cindida, com indícios claros de prejudicar credores, dentre eles o fisco federal. 8.1. Com efeito, (...) entendese que se está diante do instituto da responsabilidade solidária entre as sociedades, nos termos do art. 132 do CTN, in verbis: (...) 8.2. Além de se estar também, diante da responsabilidade ilimitada dos sócios em razão de infração à lei, nos termos do art. 135 do CTN, em razão de se estar diante, em tese, de excesso abusivo no uso da personalidade jurídica para fraudar credores, como visto, e isto é abuso de direito, verdadeiro ilícito civil, ex vi do art. 187 c/c art. 927, ambos do Código Civil, in verbis: (...) 8.3. Ademais, devese ressaltar que em 29 de outubro de 2013, foi proferida decisão favorável no processo nº 8942 75.2013.4.01.3500 e apenso nº 905796.2013.04.01.3500 reconhecendo grupo econômico entre as sociedade em questão (cindida e cindenda) em pedido da Procuradoria da Fazenda Nacional, bem como redirecionou a execução dos créditos à cindenda e aos sócios de ambas, para estes, nos termos do art. 135, inciso III, nos seguintes termos, in verbis, cópia da decisão, anexo XI. (...) DOS TIPOS PENAIS NA CISÃO E NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL 9. Em tese, parece estarse diante de simulacros que levaram, também, em tese, a condutas tipificadas como fraude processual e contra credores para se obter o benefício da recuperação judicial. Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.507 6 9.1. As condutas descritas acima subsumem, em tese, os seguintes tipos penais, descritos no art. 168, caput e § 1º, inciso IV, da Lei nº 11.101, de 09 de fevereiro de 2005, verbis: (...) DAS GFIPS ENTREGUES 10. A princípio, registrase que o contribuinte, por diversas vezes e em todas as competências, substituiu todas as GFIP por outras com as mesmas características (mais de 80 (oitenta) substituições em várias competências), fato constatado e levado ao conhecimento do contribuinte em 22.02.2013, pelo Termo de Intimação e Constatação nº 2. (...) 10.2. Justificou esse procedimento, informando verbalmente que não vem pagando o FGTS, mas quando ocorre uma rescisão gera uma nova GFIP para o acerto com o empregado demitido, porém mantém todos os segurados na GFIP substituta para não incorrer no crime de sonegação nem prejudicar os empregados no futuro, quando requererem benefícios previdenciários. 10.2.1. Fato confirmado na CAIXA mediante o Ofício nº 375/2013/SEFIS/DRF/GOI, de 02 de setembro de 2013 (...). Os documentos dessa comunicação com a CAIXA compõem o anexo XII. 10.2.2. Ademais, ao final desta ação chegou a esta auditoria documentos do Ministério do Trabalho, por meio da Polícia FEderal, notificando que fora lavrados autos de infração por Auditores do Trabalho em razão de trabalhadores sem registro, sendo de FGTS uma autuação no valor de R$ 1.056.655,47, veja anexo XIIA. 10.2.2.1. Como se verá adiante, os valores dos fatos geradores para Previdência Social encontrados nesta auditoria estão compatíveis com esse valor. DA ANÁLISE DOS DADOS APRESENTADOS EM COTEJO COM OS DOS SISTEMAS (...) 11.1. Primeiramente, lembrase, como dito acima, que os valores da folha de pagamentos se aproximaram com os da contabilidade apresentada em arquivos padrão MANAD, acima indicados, em que pese não se ter obedecido a norma quanto à contabilização em títulos próprios, motivo de autuação, informada abaixo. 11.2. Porém, verificouse divergência entre os valores das folhas de pagamento apresentadas em arquivo MANAD, tanto antes quanto após o Termo de Constatação e Intimação nº 002 TIC 002, com os valores informados pelo contribuinte nos sistemas acima indicados [GFIP, RAIS e DIRF], a saber: Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.508 7 FP MANAD antes TIC 002 FP MANAD após TIC 002 GFIP STATUS 1 RAIS DIRF BASE CÁLCULO DEFINIDA 109.231.122,29 120.385.961,04 106.456.646,14 94.550.364,00 89.862.300,29 122.739.84,65 11.2.1. Percebese um aumento significativo no valor do arquivo MANAD da folha de pagamentos após o termo de constatação. 11.2.2. As base de cálculo lançadas se referem aos valores não declarados em GFIP, a saber: 11.2.2.1. segurados empregados e/ou valores de remunerações não declaradas no valor de R$ 10.890.607,50; 11.2.2.2. aviso prévio indenizado e 13º salário indenizado, decorrentes desse aviso prévio no valor de R$ 5.392.531,01; 11.2.2.3. em resumo: BASE DECLARADA BASE NÃO DECLARADA GFIP AVISO PRÉVIO OUTRAS RUBRICAS BASE TOTAL 106.456.646,14 5.392.531,01 10.890.607,50 122.739.784,65 11.2.3. (...) os valores declarados antes do início deste procedimento fiscal, nele não foram objeto de lançamento todavia, foram usados para a correta apropriação dos valores pagos ou compensados. 11.2.3.1. Assim, verificouse que os valores pagos em GPS pelo próprio contribuinte, quanto àquelas decorrentes de retenção por seus tomadores de serviços (códigos 2631, 2640, 2658, 2682 etc.), bem como os valores compensados, foram aproveitados pelos débitos declarados em GFIP. 11.2.4. Também foram consideradas as deduções do salário família, informadas pelo contribuinte, na forma da lei. (...) 11.3. Em que pese os valores de RAIS e DIRF estarem menores que os apresentados nas folhas de pagamento e nas GFIP, foram encontrados segurados empregados informados naqueles sistema e não declarados nestes, portanto, suas remunerações foram também objeto de lançamento, conforme relatado abaixo. (...) 22.5. Com efeito, a contabilidade apresentada compreendendo o período do procedimento fiscal junho a dezembro de 2011 e junho a outubro de 2012 informa que a sociedade empresária apresentou prejuízo em ambos os períodos portanto, todos os valores pagos a título de distribuição de lucro assumem o Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.509 8 instituto do prólabore, pois, como já informado, não há também registro de juro sobre capital próprio na contabilidade apresentada. (...) 22.12. Também fazse mister registrar que foi o contribuinte intimado a apresentar a documentação bancária relativa aos pagamentos realizados aos segurados a seu serviço, bem como foram encaminhados ofícios aos bancos pagadores solicitando os mesmos documentos pelos quais se intimou o contribuinte, ambos em arquivo digital. 22.12.1. Evidenciase que o Banco Itaú entregou papéis, tanto para contribuinte que os apresentou à auditoria, quanto para a DRFGoiânia em atendimento ao ofício que a auditoria lhe encaminhou recibo de entrega dos documentos pelo contribuinte e o ofício do banco Itaú, estão apensados aos termos de intimação. 22.12.2. Desses documentos, muitos se referem a pagamentos aos sócios, escriturados na contabilidade por diversas contas não apropriadas para suportar tais pagamentos haja vista o histórico dos lançamentos indicarem distribuição de lucro, mas como visto, houve foi prejuízo e nas contas para esse fim esses pagamentos não transitaram, como era de se esperar. 22.13. Além dos pagamentos aos sócios encontrados nos documentos bancários (extratos SISPAG), anexo XVIIH, verificaramse outros, na contabilidade, todavia escriturados com históricos pouco claros, (...) 22.13.5. A conta 3.1.1.01.02.00003 Material Aplicado é uma das utilizadas para registrar pagamentos aos sócios de forma indireta, pois os documentos contábeis, suporte do lançamento do pagamento de R$ 200.000,00 ao sócio Wenceslau Gonçalves Ramos Neto, acima descrito, bem como o de R$ 20.000,00, ao sócio Antonio Julio Cavalcanti Junior, abaixo mencionado, indicam que os sócios estavam construindo/montando apartamentos às expensas da sociedade empresária caracterizando verdadeira promiscuidade entre os bens particulares dos sócios com os da sociedade é o que mostra a contabilidade. (...) 28. Foram lavrados nesse procedimento fiscal os seguintes Autos de Infração AI, que compõem os seguintes processos: PROCESSO Nº 10120.722.232/201413 NÚMERO DO AI VALOR (R$) DESCRIÇÃO SUSCINTA DA INFRAÇÃO 51.051.1716 4.806.136,48 Descumprimento de obrigação principal patronal FP; 51.051.1724 1.831.576,83 Desc. de obrig. principal segurados contribuição retida FP; Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.510 9 51.051,1732 284.434,67 Desc. de obrig. princ. segurados contribuição não retida FP; 51.051.1759 2.396.139,63 Descumprimento de obrigação principal patronal Av. Prev. 1; 51.051.176.7 950.856.63 Desc. de obrig. princ. segurados cont. não retida Av. Prev; 51.051.1783 105.953,04 Descumprimento de obrigação principal patronal RAIS; 51.051.1791 41.117,74 Desc. de obrig. princ. segurados contrib. não retida RAIS; 51.060.4293 65.326,49 Descumprimento de obrigação principal Retenção 11% NFS; 51.060.4552 1.812,87 Descump. de obrig acessória não arrecadar contrib. de seg.; 51.060.4560 18.128,43 Descump. de obrig acessória não contabil. em títulos próprios; 51.064.8509 4.970.112,58 Descump. de obrig. principal patronal prólabore; 51.064.8517 58.374,47 Descump. de obrig. principal segurado prólabore; 51.064.8525 460.071,33 Descump. de obrigação acessória arquivo digital com omissão; PROCESSO Nº 10120.722.236/201400 NÚMERO DO AI VALOR (R$) DESCRIÇÃO SUSCINTA DA INFRAÇÃO 51.051.1740 1.211.982,26 Descumprimento de obrigação principal terceiros FP; 51.051.1775 604.243,93 Descumprimento de obrigação principal terceiros Av. Prev; 51.060.4285 26.718,61 Descumprimento de obrigação principal terceiros RAIS; (...) 30. São solidárias as seguintes pessoas jurídicas e naturais: CNPJ/CPF NOME Situação COTAS dos SÓCIOS em ambas PJ (...) Engefor Construtora Ltda. em Recuperação Judicial Cindida (...) Engeforte Obras Industriais Terraplanagem e Pavimentação Ltda. Cindenda (...) Wenceslau Gonçalves Ramos Neto Sócio (*) 54 (...) Antonio Julio Cavalcanti Junior Sócio (*) 29 (...) Leandro Regis Ferreira Magalhães Sócio (*) 14 (...) Marcelo Andre de Magalhães Sócio (*) 3 (*) SóciosAdministradores. 1 Av. Prev. = aviso prévio indenizado e verbas decorrentes. Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.511 10 Observase que o Relatório Fiscal discorre individualmente sobre cada um dos Autos de Infração nos itens 12 a 26 (fls. 567/605), pormenorizando a legislação aplicada e indicando como foram apurados e onde estão nos autos a individualização das bases de cálculo. Intimados em 30/06/2014 (fls. 339/356 e 532/551), a Contribuinte e os demais sujeitos passivos protocolaram Impugnação (fls. 1.802/1.886, 1.893/1.933, 1.942/1.966, 1.974/1.998, 2.006/2.026, 2.034/2.054). A DRJ, analisando as defesas, proferiu o acórdão nº 1664.809, de 22/01/2015 (fls. 2.093/2.152), mantendo integralmente o lançamento, e que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2011 a 31/10/2012 AUTOS DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. Os Autos de Infração (AI´s) encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando os Autos de Infração (AI´s) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam as autuações, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. EXAME MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRESCINDIBILIDADE. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. SIGILO BANCÁRIO. Inexistindo decisão do Supremo Tribunal Federal estabelecendo efeito vinculante em relação a julgado que considerou inconstitucional a quebra do sigilo bancário, deve a Autoridade Fl. 2511DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.512 11 Administrativa, em obediência ao princípio da legalidade, seguir os ditames da legislação vigente. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, DIRF, RAIS, Folhas de Pagamento e nas GFIP´s de sua própria elaboração. MULTA. DETERMINAÇÃO LEGAL. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. A incidência e o valor das multas correspondentes ao descumprimento de obrigações principais e acessórias no campo previdenciário encontramse normatizadas na Lei nº 8.212/91, que contempla todos os aspectos da hipótese de incidência tributária, competindo à autoridade fiscal, em respeito ao princípio da legalidade, obedecer ao ordenamento das normas legais de regência. A multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual faz referência o art. 35A da Lei nº 8.212/91, aplicase ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias a partir da competência 12/2008. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS. TAXA SELIC. A aplicação dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, nos créditos constituídos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é vinculada à previsão legal, não podendo ser excluída do lançamento. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Prescreve o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.513 12 Não elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser mantidos. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/10/2012 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA DE ARRECADAR E RECOLHER. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado, nos prazos definidos em lei. O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadar em desacordo com o disposto nesta lei. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.514 13 Entendese por salário de contribuição, para o segurado empregado e contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DOCUMENTOS (FOLHA PAG, DIRF E RAIS) Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, etc), quando não comprovado pelo sujeito passivo a origem da diferença apurada. A folha de pagamento, a GFIP, a DIRF e a RAIS, dentre outros documentos do Contribuinte, constituem fontes de informações suficiente e necessárias para apuração do lançamento. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB pode inscrever de ofício importância que reputar devida, com base nos dados disponíveis, inclusive com base nas informações constantes na RAIS Relação Anual de Informações Sociais e na DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, de elaboração do próprio Contribuinte, cabendo a ele o ônus da prova de suas alegações. PRÓLABORE. CARACTERIZAÇÃO. As verbas pagas, devidas ou creditadas aos sócios, quando não comprovadas e devidamente contabilizadas, caracterizamse como prólabore indireto, e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (GILRAT). ATIVIDADE PREPONDERANTE. LEGALIDADE. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, varia de 1% a 3%, de acordo com sua atividade preponderante. A cobrança do RAT revestese de legalidade os elementos necessários à sua exigência foram definidos em lei, sendo que os decretos regulamentadores em nada a excederam. Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.515 14 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO). A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mãode obra. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/10/2012 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. A Fiscalização, ao constatar a ocorrência de infração a dispositivo da legislação previdenciária, deve lavrar o correspondente Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do artigo 293, caput do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, bem como do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), sob pena de responsabilidade funcional. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, MEDIANTE DESCONTO DA RESPECTIVA REMUNERAÇÃO. AIOA CFL 59. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais constitui infração à legislação previdenciária. DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES E CONTRIBUIÇÕES. AIOA CFL 34. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, bem como as contribuições por ela devidas, constitui infração à legislação previdenciária. APRESENTAR ARQUIVOS E SISTEMAS DAS INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO. AIOA CFL 22. Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE VALOR PREVISTO EM LEGISLAÇÃO. ATUALIZAÇÃO. ARTIGO 92 DA LEI Nº 8.212/91. LEGALIDADE. Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.516 15 A incidência e o valor da multa correspondente ao descumprimento das obrigações acessórias no campo previdenciário encontramse normatizados na Lei nº 8.212/91 e seu Regulamento, que contemplam todos os aspectos da hipótese de incidência tributária, competindo à autoridade fiscal, em respeito ao princípio da legalidade, obedecer ao ordenamento das normas legais de regência. A multa variável estabelecida no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91 é reajustada nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimados, o Contribuinte e os demais sujeitos passivos solidários protocolaram recurso voluntário conforme a tabela abaixo: \ Intimação Protocolo Engeforte Obras Industriais Terraplenagem e Pavimentação 09/02/2015 (fl. 2.226) 10/03/2015 (fls. 2.373 e 2.497) Engefort Construtora Ltda. em Recuperação Judicial Ciência por decurso de prazo em 18/02/2015 (fl. 2.230) 10/03/2015 (fls. 2.331 e 2.497) Antônio Julio Cavalcanti Junior 09/02/2015 (fl. 2.234) 10/03/2015 (fls. 2.399 e 2.497) Leandro Regis Ferreira Magalhães Ciência por edital em 10/03/2015 (fl. 2.236) 10/03/2015 (fls. 2.425 e 2.497) Marcelo André de Magalhães 09/02/2015 (fl. 2.229) 10/03/2015 (fls. 2.448 e 2.497) Wenceslau Gonçalves Ramos Neto Ciência por edital em 10/03/2015 (fl. 2.235) 10/03/2015 (fls. 2.471 e 2.497) Em seu Recurso Voluntário (fls. 2.239/2.330), a Contribuinte, Engefort Construtora Ltda. em Recuperação Judicial, argumentou em síntese: · Que foi indevida a obtenção dos extratos bancários por meio de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), ou seja, baseandose na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001, sem a devida autorização judicial, em ofensa aos incisos X e XII do art. 5º, e ao § 4º, do art. 60, todos da CF/1988, bem como ao artigo XII da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e ao art. 11, item 2, da Convenção Americana dos Direito Humanos; Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.517 16 · Que o lançamento se baseou em presunção, sem a devida comprovação dos fatos imputados; · Que a previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 se aplica exclusivamente ao Imposto sobre a Renda, não podendo ser estendida à tributação das Contribuições Sociais Previdenciárias; · Que aplicar uma norma em desrespeito a um princípio legal é ofender a Constituição. Nesse contexto, também o processo administrativo deve respeitar o art. 5, incisos LIV e LV, da CF/1988; · Que houve desrespeito ao princípio da ampla defesa uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em meras presunções; · Que o anexo XVI do auto de infração apresenta "uma infinidade de valores atinentes a supostos trabalhadores não cadastrados" e "que deveria ter sido feita a identificação um a um e caso a caso de cada um desses supostos trabalhadores e não a alegação genérica de que não constavam de uma base de dados" (fl. 2.263). A ausência dessa descrição implica cerceamento do direito do direito de defesa; · Que o lançamento foi realizado exclusivamente com base em presunção, sem que a autoridade lançadora se desincumbisse do seu ônus de provar a ocorrência do fato gerador; · Que, ainda em relação à presunção, "Especialmente com relação processo DEBCAD 51.051.1724, a nulidade é mais gritante, pois tratase de processo relativo a retenção, onde não é possível identificar os valores cobrados, mesmo após extensa análise ao citado anexo XIII." (fl. 2.271); · Que, no mesmo sentido, o DEBCAD nº 51.051.1732 é lançamento em relação a valores presumidamente arrecadados de segurados pela Recorrente. Pelo contrário, que houve o recolhimento dos valores, apenas com algumas diferenças, de sorte que não é aplicável o art. 33, § 5º, da Lei nº 8.212/1991; · Que o DEBCAD nº 51.064.8509 indevidamente tributa como pro labore valores que os sócios jamais receberam; · Que a remuneração para SCP não se relaciona com distribuição de lucros, vez que é atividade específica; · Que, caso sejam superados os argumentos de nulidade, é necessária a realização de prova pericial para delimitar a base de cálculo e individualizar cada um dos supostos funcionários indicados; · Que é necessário cancelar o lançamento uma vez que houve mero erro formal quando do preenchimento das obrigações acessórias; Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.518 17 · Que a configuração de vínculo empregatício exige a comprovação dos requisitos (ineventualidade, salário, subordinação) de cada um dos supostos empregados; · Que não existe individualização dos valores abrangidos e a rubrica de cada valor recebido, uma vez que sobre valores eventuais ou indenizatórios não incidem contribuições previdenciárias; · Que o lançamento incluiu na base de cálculo valores pagos a título de distribuição de lucros, e não sobre pro labore, sendo que sobre aqueles não incide Contribuições Previdenciárias; · Que a contribuição prevista na Lei Complementar nº 84/96 incidente sobre autônomos e administradores da empresa é cumulativa, desrespeitando o art. 154, I, da CF/1988; · Que a Contribuição prevista no art. 22, II, da Lei nº 8.212/1991 é distinta daquela prevista no inciso I do mesmo comando legal, e portanto ofende o art. 154, I, da CF/1991; · Que, mesmo que fosse superada a inconstitucionalidade acima, a Contribuição do art. 22, II, da Lei nº 8.212/1991 ainda ofende a constituição por não ser estabelecida em Lei o grau de risco da atividade, que distingue as alíquotas em 1%, 2% ou 3%; · Que a distinção das alíquotas ainda apresenta critério inconstitucional de distinção, uma vez que não se baseia no efetivo risco mas sim na atividade desenvolvida pela empresa; · Que não incide Contribuições Sociais Previdenciárias sobre valores pagos a título de indenização ou sem habitualidade, especificamente: (1) hora extra; (2) adicional noturno; (3) adicional de insalubridade; (4) adicional de periculosidade; (5) salário maternidade; (6) salário família; (7) 1/3 adicional sobre as férias; (8) aviso prévio indenizado; (9) auxílio educação; (10) auxíliodoença; (11) auxíliocreche; e (12) alimentação in natura. · Que os DEBCADs nº 51.051.1759 e 51.051.1767 incidem especificamente sobre o aviso prévio indenizado; · Que não há previsão legal para aplicação das multas impostas nos DEBCADs nº 51.060.4552 e 51.060.4560; · Que a multa do DEBCAD nº 51.064.8525 foi aplicada de maneira equivocada, vez que deveria ter sido aplicada a regra do art. 32, III, da Lei nº 8.212/1991, com o art. 283, II, do Decreto nº 3.048/1999, mais benéfica do que aquela aplicada no caso concreto (dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/1991); Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.519 18 · Que é necessário realizar perícia contábil nos documentos anexados aos autos para evitar cerceamento do direito de defesa. Nesse contexto, apresenta quesitos a serem respondidos; · Que foram aplicados juros de 1% a.m., conforme o art. 161, § 1º, do CTN, são em valor equivalentes às taxas de mercado financeiro, desrespeitando o art. 150, I, doa CF/1988; · Que a multa imposta ofende os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e do não confisco, cf. arts. 5, LIV e 150, IV, ambos da CF/1988; · Que não pode ser aplicado juros sobre a multa; · Que seja reconhecida a inaplicabilidade da Taxa SELIC; e · Que seja reduzida a multa para 20%, cf. art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996. Em seu Recurso Voluntário (fls. 2.332/2.372), a solidária, Engeforte Obras Industriais Terraplenagem e Pavimentação, argumentou em síntese: · Que a questão central é definir se houve conduta fraudulenta a ensejar a responsabilidade solidária das empresas; · Que há autonomia entre as pessoas jurídicas, não podendo ser tratadas como se fossem uma só; · Que é presumida a boafé nas relações jurídicas, devendo o fisco comprovar de forma indubitável os fatos alegados; · Que não há viabilidade jurídica para buscar provar por presunções sem previsão legal; · Que a fiscalização buscou desconsiderar operações verdadeiras e ilícitas; · "Por fim, como se pode notar pela própria fiscalização, existem alguns fatos incontroversos e que são favoráveis à Recorrente: (i) inexiste questionamento quanto à constituição regular da Recorrente (ii) não houve desconsideração de sua contabilidade; (iii) também não houve qualquer questionamento no sentido de que a Recorrente e, até mesmo a cindida, é inexistente, até mesmo porque ambas continuam em operação; (iv) todas as operações jurídicas são verdadeiras no tocante à cisão e, a justificativa para tal resulta, dentre Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.520 19 outros motivos, da necessidade de constituição de acerco técnico; (v) não estamos diante de hipótese de pessoa jurídica sem substância ou inexistente de fato; (vi) todos os documentos apresentados pela Recorrente (contrato social, cisão, contabilidade, notas fiscais, etc) não tiveram qualquer questionamento no tocante à sua veracidade. (vii) foram observados todos os trâmites legais e devidamente cientificados aos devidos órgãos da administração pública." fl. 2.334/2.335 (grifos no original); · Que o art. 116, § único, do CTN, não foi regulamentado, impossibilitando a desconsideração automática e sem intervenção judicial pelo Fisco; · Que mesmo após a cisão a empresa cindida continua com capital social muito superior à dívida tributária; · Que a Recorrente não atua exclusivamente para a Engeforte Construtora, conforme provas documentos anexados, demonstrando a autonomia jurídica e fática; · Que é necessário demonstrar a ocorrência de fraude ou simulação que tornem ilegítima a cisão, que a mesma foi realizada exclusivamente para reduzir tributos, e que esse ônus cabe ao Fisco; · Que o simples fato de existir semelhança entre as pessoas que compõem o quadro societário de empresas não implica na constituição de grupo econômico; · Que cabe ao fisco comprovar, e não meramente presumir, cumulativamente: "i) a existência de uma ou mais empresas; ii) direção, controle ou administração de outra; iii) seja qual for a atividade; iv) existência de uma empresa principal, que diretamente participa e determina a condução das atividades das empresas acessórias; (v) eventualmente, sócios em comum; (iv) confusão patrimonial." (fl. 2.351/2.352); · Que a única razão de o fisco tentar configurar grupo econômico é a cisão e a similaridade dos sócios; · Que não existe grupo econômico no presente caso; · Que, a despeito de o CTN prever a responsabilidade solidária no art. 124, cabe ao Fisco comprovar a ocorrência da situação fática no caso concreto a justificar a aplicação do comando legal; · Que não há nos autos provas da existência de interesse comum a justificar a aplicação do art. 124, I, do CTN; Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.521 20 · Que é inaplicável o art. 30 da Lei nº 8.212/1991, "uma vez que o lançamento tributário mostrouse inerte quanto a este dispositivo legal" (fl. 2.363); · Que o art. 30, IX, da Lei nº 8.212/1991 é inconstitucional, uma vez que não foi instituído por Lei Complementar; e · Que a mera identificação de grupo econômico não é suficiente para aplicar a regra do art. 124, I, do CTN, sendo necessário demonstrar o interesse comum. Marcelo André de Magalhães (fls. 2.426/2.447) e Wenceslau Gonçalves Ramos Neto (fls. 2.449/2.470) apresentaram Recursos Voluntários idênticos, argumentando, em síntese: · Que é necessário respeita o devido processo legal, princípio insculpido no art. 5º, LIV e LV, da CF/1988, e que se aplica ao lançamento tributário, conforme art. 146, III, 'b', da CF/1988 e do art. 142 do CTN; · Que a responsabilidade solidária deve ser feita no âmbito do lançamento tributário, como aplicação do princípio do devido processo legal; · Quem o lançamento tributário, não se pode incluir a Recorrente como responsável solidária de outra, hipótese inconfundível com o art. 135 do CTN; · Que ao Fisco cabe não apenas realizar o lançamento tributário, mas também notificar regularmente o sujeito passivo de tal ato; · Que o Recorrente não foi incluído no auto de infração como co responsável, apenas sendo citado no relatório fiscal, o que significa não se aplicou a regra do art. 142 do CTN; · Que não se pode confundir a pessoa jurídica com os seus sócios; · Que, a despeito de o CTN prever a hipótese de responsabilidade solidária na forma do art. 124, I, cabe ao fisco demonstrar o preenchimento dos seus requisitos legais na aplicação concreta da hipótese normativa; · Que o "auto de infração encaminhado, sem qualquer documentação, inclusive inviabilizando o pleno exercício do direito de defesa, em momento algum aponta fatos concretos e documentais que apresentariam a vinculação direta com o fato gerador dos tributos exigidos da pessoa jurídica" (fl. 2.440); · Que não existe interesse comum nos fatos identificados como geradores do tributo constituído pelo lançamento ora combatido; · Que a "jurisprudência, portanto, do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA e também do TRIBUNAL REGIONAL DA 4ª REGIÃO demonstram claramente que somente existirá 'interesse comum' quanto tivermos as seguintes características: (i) juridicidade, não sendo relevante o interesse econômico, Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.522 21 social, político, fático; (ii) participação no fato gerador na mesma relação obrigacional" (fl. 2.443); · Que, quanto ao art. 135, III, do CTN, não são quaisquer atos de gestão praticados pelos sóciogerente que motiva a responsabilização pessoal do agente, mas somente aquele que levou à insolvência da pessoa jurídica, o que não é o caso; · Que o inadimplemento de um tributo não é hipótese de preenchimento da previsão do art. 135, III, do CTN; · Que "não houve a descrição e provas de supostas condutas fraudulentas e dolosas praticadas, especificamente, pelo Recorrente, cujo ônus ao Fisco incumbia"; e · Que seja reconhecida a inaplicabilidade da Taxa SELIC e o caráter confiscatório da multa aplicada, reduzindoa para 20%, cf. art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996. O sr. Antônio Julio Cavalcanti Junior (fls. 2.374/2.398) e o sr. Leandro Regis Ferreira Magalhães (fls. 2.400/2.424) apresentaram Recursos Voluntários idênticos. Também, o recurso pro eles apresentado tem a mesma estrutura daquele pelos Srs. Marcelo André de Magalhães e Wenceslau Gonçalves Ramos Neto, apenas acrescentando no início que: · Que eram diretores comercialtécnico, e inexiste nos autos qualquer prova no sentido de que tenham realizado qualquer ato de gestão relacionado com pagamento e/ou não pagamento de contribuições sociais previdenciárias; e · Que, não tendo participado nos atos tocantes à gestão tributária, não se pode aplicar em relação a eles o art. 135 do CTN, vez que não praticaram atos com excesso de poderes ou contrários à lei. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. São diversas as questões suscitadas ao longo dos recursos voluntários, sendo que o recurso da Contribuinte foca no lançamento em si mesmo, enquanto os recursos dos responsáveis solidários se resume a contestar a sua inclusão no polo passivo do lançamento. Tratarseá, consequentemente, primeiro daquele e, em seguida, destes. Outrossim, considerando que os recursos voluntários dos coresponsáveis trazem os mesmos argumentos, serão tratados de maneira conjunta. 1. RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.523 22 1.1. Argumentos de inconstitucionalidade Preliminarmente, é necessário registrar que este e.CARF não tem competência para afastar a aplicação de Lei com base em argumentos de inconstitucionalidade, nos termos do art. 62, do Anexo II ao RICARF, bem como da Súmula nº 2, de aplicação obrigatória, nos termos do art. 45, VI, do mesmo diploma. Nesse sentido, não é possível dar provimento ao recurso da Contribuinte no tocante à inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 84/1996, bem como do art. 22, II, da Lei nº 8.212/1991 e do patamar das multas. 1.2. Do lançamento e do devido processo legal do cerceamento do direito de defesa presunção x comprovação: Argumenta a Contribuinte pela nulidade do lançamento, uma vez que o lançamento estaria ofendendo o seu direito de defesa, ferindo de morte o princípio do devido processo legal (art. 5º, LIV e V, da CF/1988). Segundo desenvolve seu raciocínio, o cerceamento estaria configurado pelo fato de que a autoridade lançadora se baseou em presunções, sem comprovar os fatos imputados. Também, que o lançamento não teria pormenorizado a sua base de cálculo, impedindo que a autuada pudesse realizar defesa técnica. A verdade é que o procedimento de fiscalização tem caráter eminentemente inquisitorial, de sorte que o lançamento revestese das conclusões alcançadas pela autoridade lançadora, sustentandose nas provas que ela entender suficientes para basear o lançamento. É a impugnação que instaura a fase litigiosa, inaugurandose então o direito de defesa do Contribuinte. É necessário, isso sim, que o lançamento apresente os requisitos formais, bem como a legislação que justifica a lavratura do auto de infração. A descrição dos fatos também é elemento imprescindível, devendo ser suficiente para deixar clara a infração identificada e a constatação do fato gerador e da base de cálculo. Percebese, como bem já anotou a DRJ, que o auto de infração ora sob litígio preenche todos os requisitos. Inclusive, o Relatório Fiscal tratou minuciosamente de cada um dos DEBCADs constituídos, bem como dos fatos anteriores que justificaram a fiscalização, as conclusões tocantes à ocorrência do fato gerador e da responsabilidade solidária. Especificamente quanto à base de cálculo, constatase que a autoridade lançadora apresentou Discriminativos dos Débitos (fls. 25/28, 53/55, 80/82, 107/110, 135/137, 162/164, 189/190, 215/227, 294/303, 328/335), bem como anexou aos autos, por exemplo, relatório contendo nome dos segurados, com NIT e valores por competência considerado no lançamento na base de cálculo dos DEBCADs: · nºs 51.051.1716, 51.051.1724 e nº 51.051.1732 (fls. 862/1.227), · nºs 51.051.1759 e 51.051.1767 (fls. 1.245/1.294), · nºs 51.051.1783 e 51.051.1791 (fls. 1.295/1.298), · bem como extratos individualizados com informações dos segurados, como valores do salário base, descontos do IRRF e do INSS, acréscimos (horas extras, prêmios etc.) (fls. 1.229/1.244). Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.524 23 Também apresentou relatórios com informações em relação às NFs sobre as quais deveria ter ocorrido a retenção dos 11% (fls. 1.299/1.301) e as que foram consideradas como remuneração dos sócios (fls. 1.302/1.348). Questão diversa é analisar se o lançamento deve prevalecer ou não. Caso a Contribuinte consiga demonstrar a inadequação dos autos de infração, ou mesmo se estes não se sustentem por si só, então não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do seu direito de defesa, mas sim em cancelamento do auto de infração por ausência (ou não comprovação) do fato gerador. Nesse caminho, não pode prevalecer a nulidade suscitada pela Contribuinte. 1.3. Da perícia Solicita ainda a Contribuinte a realização de perícia contábil para analisar a documentação juntada aos autos. Apresenta inclusive quesitos a serem analisados. Acontece que não juntou aos autos quaisquer documentos sobre os quais deveria recair tal perícia. Em outras palavras, tão somente almeja a reanálise da documentação já analisada pela autoridade lançadora. Nessa senda, uma vez que a Contribuinte não trouxe nenhum argumento ou demonstração, ainda que por amostragem, que infirme as conclusões alcançadas pela autoridade fiscalizadora, não há razão para baixar os autos em diligência. 1.4. Da retenção das contribuições dos segurados: Argumenta a Recorrente contra o DEBCAD nº 51.051.1724 afirmando que houve recolhimento, porém com diferenças em relação ao valor apurado pela fiscalização. Também se insurge contra a presunção de retenção dos valores que lastreou o lançamento do DEBCAD nº 51.051.1732, entendendo que não se pode aplicar o § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991. Em relação ao primeiro argumento, a autoridade lançadora apurou que a Contribuinte, ao pagar a remuneração, reteve os valores. Reteve e não recolheu. A apuração se deu com base nos próprios documentos contábilfiscais apresentados (MANADFP e levantamento de segurados selecionados por amostragem fls. 1.228/1.245) e contrastados com os dados constantes na própria receita federal (sobre o não recolhimento). Efetivamente, a autoridade lançadora apontou que a base de cálculo desse auto de infração consta do anexo XIII ao relatório fiscal (fls. 862/1.227). Ali, é possível perceber o levantamento dos valores pagos, por competência, ao Segurado (indicando inclusive o NIT). Nessa tabela ainda se apura os valores retidos e não recolhidos (levantamento "DS"), bem como os valores não retidos (levantamento "CS"). Quisesse demonstrar que houve o recolhimento dos valores, poderia ter apresentado provas o que não fez de que ao pagar reteve o valor e que, posteriormente, naquela competência recolheu os respectivos valores. Em relação ao segundo argumento, a presunção é criada por Lei, especificamente o citado art. 33, § 5º, da Lei nº 8.212/1991. Nesse caminho, não pode esse e.CARF deixar de aplicar tal comando legal. Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.525 24 Nesse contexto, não é possível dar provimento ao recurso voluntário nesses quesitos. 1.5. Dos extratos bancários: Argumenta ainda a Recorrente contra a utilização dos extratos bancários pela fiscalização. Segundo desenvolve seu raciocínio, em primeiro lugar é inconstitucional o acesso pela Receita Federal aos extratos bancários por meio de RMF; em segundo lugar, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 só se aplica ao Imposto de Renda, mas jamais às Contribuições Sociais Previdenciárias. Constatase, em primeiro lugar, que não assiste razão à Recorrente quando ataca a aplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, uma vez que a autoridade lançadora não se baseou nesse comando legal para lavrar nenhum auto de infração. De outro lado, registrase que o STF já reconheceu, por meio do RE nº 601.314, em sede de repercussão geral que obrigatoriamente deve ser repetido por este Conselho, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF a validade do acesso direto aos dados bancários pela autoridade fazendária, prescindindo de autorização judicial para tanto: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.526 25 promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 1509 2016 PUBLIC 16092016) Neste, inclusive, restou fixada a seguinte tese: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; Por essa razão, não pode prevalecer o presente argumento. Em segundo lugar, constatase que, cf. o Relatório Fiscal (item 22.12.1, fl. 586), a própria Recorrente, intimada, apresentou os extratos bancários ainda durante a fiscalização. Ao fazêlo, implicitamente abriu mão do seu sigilo bancário. Se desejava mantê lo, poderia ter se negado a apresentar esses documentos, recorrendo mesmo ao poder judiciário para resguardar o seu direito à intimidade. 1.6. Do pro labore: Argumenta a Contribuinte que o DEBCAD nº 51.064.8509 indevidamente tributa como pro labore valores que os sócios jamais receberam. Também, que inclui valores distribuídos como lucros, os quais não se sujeitam à incidência de CP. A verdade é que a autoridade lançadora fez longo arrazoado para justificar a qualificação dos valores como pro labore (item 22, fls. 579/599) e juntou vasta documentação (fls. 1.302/...). Especificamente apresentou cálculos e documentos demonstrando que a empresa não tinha lucro a distribuir. Pelo contrário, que estava em dificuldades econômicas, o que ainda conforme a autoridade lançadora se comprova pelo fato de ter iniciado procedimento de recuperação judicial. Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.527 26 Outrossim, demonstrou que diversos valores foram pagos ou creditados (inclusive conforme os extratos bancários) aos sócios sob outras rubricas, de forma direta ou indireta, com contabilidade pouco esclarecedora. Como exemplos, apresentou elementos de prova no sentido de que os sócios da empresa utilizavam dos recursos dessa para diretamente construir ou montar imóveis deles, sócios, enquanto pessoas físicas. Outrossim, que contabilizaram valores como de pagamento de material para a prestação de serviços por terceiros, mas que na prática foram creditados em suas contas. Em suma, concluindo que não havia causa para tais pagamentos não podiam ser distribuição de lucros, já que a empresa não os tinha, nem pagamento de juros sobre capital próprio, vez que não foram assim contabilizados , entendeu tratarse de remuneração pela atividade de administradores da empresa. Inclusive, ressaltou que todos os sócios atuavam como administradores da sociedade. A Contribuinte, intimada do lançamento, apenas apresenta alegações genéricas, sem trazer dados concretos e nem documentos probatórios tendentes a infirmar as conclusões da autoridade lançadora. Afirma que os valores se referiam a lucros, por exemplo, mas não o prova. Nesse caminho, não é possível modificar o lançamento nesse ponto. 1.7. Das obrigações acessórias Insurgese também a Contribuinte contra os autos de infração referentes ao descumprimento das obrigações acessórias ao argumento de que houve mero erro formal quando do seu preenchimento. A verdade é que tais multas independem da existência de dolo, sendo aplicáveis ainda que a infração tenha sido cometida por erro (culpa por imperícia). Nesse caminho, não pode prevalecer tal argumento. Outrossim, afirma que não podem prevalecer as multas impostas nos DEBCADs nº 51.060.4552 e 51.060.4560 ao argumento de que não há previsão legal. Retornando ao Relatório Fiscal (fls. 601/604) e aos autos de infração (fls. 230 e 251), constatase que os referidos DEBCADs constituem, respectivamente, à falta de arrecadação das contribuições dos segurados (CFL 59) e às falhas na contabilização dos saláriosdecontribuição (CFL 34). As obrigações de reter as contribuições dos segurados e de manter a contabilidade adequada estão contidas nos arts. 30, I, "a" e 32, II, da Lei nº 8.212/1991. Por outro lado, o art. 92 dessa mesma Lei impõe a aplicação de multa para a infração de qualquer de seus dispositivos, atribuindo ao regulamento o poderdever de estabelecer a forma de impor tal penalidade. Nesse sentido, há sim previsão legal para a aplicação dessas multas. Enfim, a Recorrente ainda se insurge contra o DEBCAD nº 51.064.8525 afirmando que foi equivocada a imposição da multa conforme os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.212/1991, uma vez que deveria ter sido aplicada a regra do art. 32, III, da mesma Lei, por ser mais benéfica. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 604/605) e o auto de infração (fl. 338), trata se, esse DEBCAD nº 51.064.8525 do CFL 22, que, que recai sobre a apresentação de escritura contábil em meio digital com omissões ou incorreções. Tampouco é possível dar provimento ao recurso da Contribuinte nesse ponto. A verdade é que os arts. 11, §§ 3º e 4º, e 12, II e parágrafo único, da Lei nº 8.218/1991, são específicos, enquanto o art. 32, III, da Lei nº 8.212/1991 é genérica. Uma vez que a Lei impôs Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.528 27 penalidade específica para a conduta individualizada, não é possível deixar de aplicar esse comando legal para priorizar outro, mais genérico. Em outras palavras, na havendo dúvidas em relação a qual Lei deve ser aplicada, prevalece a especificidade. 1.8. Não incidência de CP sobre aviso prévio indenizado: Ainda na análise do mérito, a Contribuinte se insurge contra a incidência das Contribuições Sociais previdenciárias sobre: (1) hora extra; (2) adicional noturno; (3) adicional de insalubridade; (4) adicional de periculosidade; (5) salário maternidade; (6) salário família; (7) 1/3 adicional sobre as férias; (8) aviso prévio indenizado; (9) auxílioeducação; (10) auxíliodoença; (11) auxíliocreche; e (12) alimentação in natura. A verdade é que, dentre as rubricas suscitadas no recurso voluntário, apenas se observa a inclusão na base de cálculo das verbas incidentes sobre o aviso prévio indenizado. Especificamente, nos DEBCADs nº 51.051.1759 e 51.051.1767. Por essa razão, tratarseá exclusivamente sobre essa rubrica, deixando de analisar as demais por inexistir litígio em relação a eles (não compõem a base de cálculo do lançamento) 2. A verdade é que o tema já foi objeto de julgamento no STJ em sede de recurso repetitivo no REsp. nº 1.230.957/RS, no qual se concluiu pela não incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de aviso prévio indenizado. Entendeuse que os valores não se referiam a contraprestação pelo trabalho, e sim que eram pagos a título de indenização ao empregado que não recebeu o aviso prévio. Eis a ementa da decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a 2 e.g.: cf. relatório fiscal, "11.2.4. Também foram consideradas as deduções do salário família, informadas pelo contribuinte, na forma da lei." (fl. 567) Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.529 28 integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. (...) Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Uma vez que o julgamento ocorreu conforme as regras do art. 543C do CPC/1973, o entendimento deve ser replicado no âmbito deste e.CARF, nos termos dos arts. 45, VI, e 62, § 1º, II, 'b', ambos do Anexo II ao RICARF. Como consequência, é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto, para cancelar os AI DEBCADs nº 51.051.1759 e 51.051.1767. 1.9. Da taxa dos juros Subsidiariamente, a Contribuinte argumenta contra a taxa de juros aplicada, afirmando ser inconstitucional. Acontece que o CARF já consolidou o seu entendimento no sentido de que: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.530 29 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por essa razão, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. 1.10. Da multa redução para 20% Argumenta ainda a Contribuinte no sentido de que a multa de ofício deve ser reduzida ao patamar de 20%, conforme estabelece o art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996. A verdade é que o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 se refere à multa de mora, ou seja, pelo simples atraso no pagamento do tributo devido. Não se pode confundila com a multa de ofício, que é imposta quando o lançamento é feito pela autoridade fiscalizadora em consequência de uma fiscalização. Ou seja, não se pode confundir a multa moratória com a multa punitiva pela falha no auto lançamento. 1.11. Dos juros sobre a multa Por fim, argumenta a Contribuinte pela não incidência de juros sobre a multa. Em que pese a argumentação levantada pela Contribuinte, o CARF já tem posição consolidada no sentido de que deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício. Esse entendimento é extraído das súmulas do CARF: Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 05: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Muitos dos acórdãos que embasaram tais súmulas tratam de “crédito tributário”, sem distinguir se se referem exclusivamente àqueles decorrentes de tributos ou a todos os crédito. Citamos: “JUROS DE MORA — TAXA SELIC — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente.” (Acórdão nº. 10412.935) Interessante, sobretudo, é o acórdão nº 30130.738, em cujo voto se afirmou que: “São várias as jurisprudências no sentido de que somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, o que no caso em questão não ocorreu. Portanto, não estando o sujeito passivo acobertado pelo depósito integral do crédito tributário, tornase cabível a exigência Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.531 30 formalizada na notificação de lançamento de fls. 01/05, no que concerne aos juros de mora.” Ora, somente o depósito do valor integral do crédito tributário é suficiente para suspenderlhe a exigibilidade e consequentemente a aplicação dos juros. Neste “crédito integral” a ser depositado, necessariamente está incluso o valor da multa. De outro lado, analisando o Código Tributário Nacional, saltam aos olhos o art. 139 que, combinado ao art. 113 do mesmo diploma, sustentam a nossa posição: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifei) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também de eventuais penalidades pecuniárias. Consequentemente, o entendimento sumulado, compreendendo o crédito tributário lançado indistintamente, abarca tanto os tributos quanto as multas aplicadas. Há outros julgados que corroboram o entendimento acima expresso. Notese, por exemplo, as ementas dos seguintes acórdãos da Câmara Superior: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011) No mesmo sentido já se pronunciou também o STJ: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, concluo que está correta a incidência de juros sobre a multa de ofício, não sendo possível dar provimento ao recurso do contribuinte nesse quesito. 2. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.532 31 Uma vez que parte do lançamento subsiste após a análise do recurso da Contribuinte, impende analisar os recursos dos responsáveis solidários, cujos argumentos se limitam a atacar a sua responsabilização. 2.1. Da responsabilidade da empresa cindida Engeforte Obras Industriais Terraplenagem e Pavimentação: Argumenta a empresa cindida que o ônus de provar a existência dos elementos necessários para configurar a sua responsabilidade solidária cabe ao Fisco. Com razão a Contribuinte em sua tese: cabe à autoridade lançadora, quando da formalização do auto de infração, apresentar os fundamentos que justificaram a inclusão de terceiros como responsáveis solidários pelo débito da Contribuinte. Entretanto, tal como já afirmado acima em relação à fundamentação da existência do fato gerador, a autoridade lançadora trouxe aos autos elementos indiciários e probatórios que lastrearam o seu entendimento de que a empresa cindida deve figurar como sujeito passivo solidário. Portanto, não há nulidade nesse quesito. Cabe analisar, isso sim, o mérito da responsabilização. Nesse contexto, é importante já delimitar que antes mesmo de individualizar os fatos geradores e os tributos e penalidades impostas, a autoridade lançadora apresentou longo arrazoado das questões fáticas que, em seu entendimento, justificariam a inclusão da empresa cindida no polo passivo. Especificamente, fêlo no item 7 (fls. 557/562) do Relatório Fiscal, no qual se aprofundou na descrição do processo de cisão da empresa, buscando demonstrar que todo o negócio teve o objeto exclusivo de fraudar os credores da Contribuinte, inclusive a Receita Federal. Também, e especialmente, no item 8 (fls. 562/564), onde apresentou suas conclusões e a fundamentação legal. Em relação à empresa Engeforte Obras Industriais Terraplanagem e Pavimentação, no Relatório Fiscal esclareceu ser aplicável a hipótese do 132 do CTN. Já nos autos de infração, fundamentou a responsabilidade solidária na existência de grupo econômico, aplicando a hipótese do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/1991. 2.1.1. Fraude e desconsideração do negócio jurídico A par da discussão em relação à distribuição do ônus probatório, a Recorrente também argumenta que não há provas nos autos de que houve fraude. Também, que o art. 116, § único, do CTN ainda não foi regulamentado, de sorte que não se pode desconsiderar o negócio jurídico válido. É necessário constatar que os argumentos referentes à questão da fraude serviram para lastrear a responsabilização solidária dos sóciosadministradores. Apesar de criticar e demonstrar fragilidades no processo de cisão, a autoridade lançadora não buscou desconsiderar tal fato jurídico. Por esse motivo, esses argumentos não são suficientes para excluir a sua responsabilidade. 2.1.2. Interesse comum Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.533 32 De qualquer sorte, argumenta a Recorrente no sentido de que não se demonstrou o interesse comum a justificar a aplicação do art. 124, I, do CTN. Para tanto, apresenta longa exposição sobre o conceito de interesse comum. Com razão a DRJ já afastou tal argumento. Esclareceu que no presente lançamento não se lastreou a responsabilização na hipótese do art. 124, I, do CTN. Demonstrou que não é imprescindível a existência de interesse comum, desde que a Lei atribua a responsabilidade a outra pessoa, configurase a hipótese do inciso II do mesmo art. 124. E, efetivamente, a Lei atribui a responsabilidade a terceiros em diversas hipóteses, como são os casos do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/1991 e do art. 132 do CTN. Por essa razão, novamente, não é possível dar provimento ao recurso voluntário com base nesse argumento. 2.1.3. Do grupo econômico Argumenta a Recorrente que não há provas nos autos de que se configurou grupo econômico. Que o simples fato de que as empresas têm o mesmo quadro social não leva a essa conclusão. Além disso, ressalta que o lançamento se mostrou inerte em relação ao art. 30 da Lei nº 8.212/1991. Enfim, que o inciso IX desse art. 30 é inconstitucional. De qualquer sorte, afirmou que a autoridade lançadora deveria demonstrar: "i) a existência de uma ou mais empresas; ii) direção, controle ou administração de outra; iii) seja qual for a atividade; iv) existência de uma empresa principal, que diretamente participa e determina a condução das atividades das empresas acessórias; (v) eventualmente, sócios em comum; (iv) confusão patrimonial." (fl. 2.351/2.352). No caso concreto, é possível identificar a ocorrência de grupo econômico de fato. Efetivamente, como bem fundamentou a autoridade lançadora, ambas as empresas têm o mesmo quadro social inclusive os sócios mantendo os mesmos percentuais , endereços vizinhos, atuam na mesma área geral da economia, e a responsável solidária foi "constituída" como resultado de um esforço dos sócios da cindida de manter algum patrimônio livre para continuar a exercer atividade econômica, em especial na concorrência de licitações (vide item 7.5.1. do relatório fiscal fl. 558). São elementos que a Recorrente não contesta. Pelo contrário, apenas alega genericamente que não há provas. Outrossim, constatase que inclusive o poder judiciário já reconheceu a existência de grupo econômico, como se observa da decisão anexada ao relatório fiscal (fls. 841/845). Quanto à aplicabilidade do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/1991, relevante registrar precedente do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.534 33 INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. (...) 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. (...) 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1144884/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/12/2010, DJe 03/02/2011) No voto condutor do acórdão, o Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES esclareceu que: Inicialmente, cumpre destacar que o caso em apreço versa sobre a solidariedade estipulada no inc. II do art. 124 do CTN, ou seja, quando há pessoa expressamente designada por lei. A lei invocada pela origem para a aplicação dessa regra foi o art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, segundo o qual "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei" (grifei). Dessarte, não se aplica no caso concreto a jurisprudência desta Corte de que inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do “interesse comum”, tendo em vista que essa locução interesse comum é oriunda no inc. I do art. 124 do CTN e não do inc. II, sob análise (v., por todos, o REsp 1001450/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 27.3.2008). Desta forma, neste caso, à luz do art. 124, inc. II, do CTN e do art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, basta aferir se, a partir do contexto fáticoprobatório dos autos, há elementos suficientes Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.535 34 para caracterizar a existência de "empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza" , para, em caso positivo, concluir pela existência da solidariedade. Diante dessas constatações, concluise que há grupo econômico e que, ainda que exista formalmente, a existência da empresa cindida se deve à continuidade das mesmas atividades nos mesmos empreendimentos em que já atuava a empresa contribuinte. Portanto, aplicável a regra do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/1991. 2.2. Da responsabilidade dos sócios pessoas físicas: 2.2.1. Da formalização do lançamento e da inclusão dos coresponsáveis: Também os sóciosadministradores da Contribuinte foram responsabilizados solidariamente e, consequentemente, interpuseram recurso voluntário buscando afastar a sua inclusão no polo passivo da exação. Para tanto, argumentaram que é necessário respeitar o devido processo legal, conforme art. 5º LIV e LV, da CF/1988, cf. art. 146, III, 'b', também da CF/1988 e o art. 142 do CTN. Remetese ao tópico "Do lançamento e do devido processo legal do cerceamento do direito de defesa presunção x comprovação", no início deste voto, onde a questão é tratada em maiores detalhes. Nesse momento, é suficiente registrar que o lançamento preencheu os requisitos formais, legais e materiais, inclusive quanto à responsabilização dos sócios administradores uma vez que foram devidamente intimados do lançamento e a autoridade lançadora esclareceu no Relatório Fiscal os fundamentos fáticos e jurídicos para a sua inclusão no polo passivo. Registrase, outrossim, que o Relatório Fiscal é parte constituinte e inseparável do lançamento, complementando o auto de infração, que não subsiste independente do referido relatório. 2.2.2. Do art. 124, I, do CTN e do interesse comum: Não pode prevalecer de outro lado, os argumentos tocantes ao art. 124, I, do CTN. A verdade é que esse comando legal não foi suscitado no lançamento, não sendo lastro para a responsabilização dos sócios. Portanto, é irrelevante demonstrar o interesse comum, vez que a responsabilização se fundou na hipótese do art. 135, III, do CTN. 2.2.3. Do mérito da corresponsabilização dos sócios Argumentam os recorrentes que o art. 135 do CTN não gera responsabilidade solidária, mas sim que implica substituição do sujeito passivo. Nesse sentido, que essa hipótese não pode ser confundida com a responsabilidade solidária. Tal argumento, entretanto, não pode prevalecer. A verdade é que a Lei em momento algum isenta a Contribuinte de sua responsabilidade quando atribui, no art. 135, III, a responsabilidade pessoal aos diretores, gerentes ou representantes das empresas. Portanto, não havendo Lei nesse sentido, não se pode falar em substituição, e sim em coresponsabilidade. Outrossim, os Recorrentes defendem que a mera inadimplência de tributos não é hipótese de violação à Lei e, portanto, não justifica a aplicação do art. 135, III, do CTN. Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 10120.722232/201413 Acórdão n.º 2202004.358 S2C2T2 Fl. 2.536 35 Não merece prosperar esse argumento. Em momento algum a autoridade lançadora fundamentou a responsabilização solidária no inadimplemento de tributos. Fundamentou, isso sim, em acusações de teria havido, por exemplo, falsificação de GPS (item 4 do relatório fiscal fls. 552/554), fraude na realização da cisão (item 7 do relatório fiscal fls. 557/562). Constatase que efetivamente trouxe aos autos uma série de elementos probatórios que, cumulados, apresentam indícios de fraude. De outro lado, a Contribuinte apresenta alegações genéricas sem argumentos concretos nem provas que infirmem as conclusões alcançadas pela autoridade lançadora. Por essa razão, não é possível dar provimento ao recurso voluntário nesse ponto. 2.2.4. Quanto aos sócios Antônio Júlio Cavalcanti Júnior e Leandro Regis Ferreira Magalhaes: Enfim, os sócios Antônio Júlio Cavalcanti Júnior e Leandro Regis Ferreira Magalhaes argumentam, em seus respectivos recursos voluntário, que não exerciam cargos administrativos na empresa, atuando no setor comercialtécnico. Com razão a autoridade lançadora também nesse ponto, como bem esclareceu a DRJ. Em primeiro lugar, o Contrato Social garantia a todos os sócios o poder de administrar a empresa, em conjunto ou isoladamente. Portanto, tinham efetivo poder de administração (vide Cláusula Quarta fl. 786). Em segundo lugar, no mínimo e principalmente, não há que se duvidar que essas pessoas físicas também participaram da cisão como se constata do fato de que assinaram o Contrato Social da Engeforte. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar os AI's DEBCAD nº 51.051.1759 e 51.051.1767. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 2536DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.723126/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES.
Ao se constatar a existência de obscuridade, os embargos devem ser acolhidos para sanear o vício apontado e, com a alteração no resultado do julgado embargado, reconhecem-se os efeitos infringentes dos embargos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
A falta de atendimento às intimações para prestar esclarecimentos relativos à apuração do ganho de capital demonstra a conduta irregular da recorrente, que dificultou a apuração da infração relativa à omissão de receitas não operacionais, incidindo em hipótese de agravamento da multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a obscuridade apontada, com efeitos infringentes, para restabelecer parcialmente a multa de ofício para o percentual de 112,5% em relação à infração 1 (Receitas Não Operacionais Omitidas), nos termos do voto da relatora. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Ao se constatar a existência de obscuridade, os embargos devem ser acolhidos para sanear o vício apontado e, com a alteração no resultado do julgado embargado, reconhecem-se os efeitos infringentes dos embargos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A falta de atendimento às intimações para prestar esclarecimentos relativos à apuração do ganho de capital demonstra a conduta irregular da recorrente, que dificultou a apuração da infração relativa à omissão de receitas não operacionais, incidindo em hipótese de agravamento da multa de ofício.
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OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Ao se constatar a existência de obscuridade, os embargos devem ser acolhidos para sanear o vício apontado e, com a alteração no resultado do julgado embargado, reconhecemse os efeitos infringentes dos embargos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A falta de atendimento às intimações para prestar esclarecimentos relativos à apuração do ganho de capital demonstra a conduta irregular da recorrente, que dificultou a apuração da infração relativa à omissão de receitas não operacionais, incidindo em hipótese de agravamento da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a obscuridade apontada, com efeitos infringentes, para restabelecer parcialmente a multa de ofício para o percentual de 112,5% em relação à infração 1 (Receitas Não Operacionais Omitidas), nos termos do voto da relatora. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 31 26 /2 01 1- 76 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10140.723126/201176 Acórdão n.º 1301002.835 S1C3T1 Fl. 492 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 482, 483) opostos pela Fazenda Nacional, em face do acórdão de recurso voluntário nº 1101000.856 (fls. 464 a 480) proferido por esta Turma na sessão de julgamento realizada em 06 de março de 2013. No referido julgado o Colegiado decidiu, por voto de qualidade, dar provimento parcial para reduzir a multa de ofício para 75% e deduzir da autuação os valores pagos/declarados, conforme acórdão assim ementado: Asunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007, 01/01/2008 a 31/03/2008 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É valida a intimação pela via postal, com aviso de recebimento entregue no domicílio fiscal do sujeito passivo. MPF. CIÊNCIA PESSOAL. DESNECESSIDADE. Inexiste regra que obrigue a autoridade fiscal a cientificar pessoalmente o sujeito passivo do início do procedimento fiscal. EXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. IRREVERSIBILIDADE DO ARBITRAMENTO. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal (Súmula CARF n° 59). TRIBUTOS APURADOS NA ESCRITURAÇÃO ORIGINAL. O arbitramento de um dos trimestres incluído na apuração anual impõe a exclusão dos lucros assim tributados do ajuste anual, imputandose os tributos excedentes daí resultantes àqueles apurados no procedimento de ofício. MULTA QUALIFICADA. DESCONSTITUIÇÃO DA ACUSAÇÃO FISCAL. Deve ser reduzida a penalidade quando o sujeito passivo demonstra que declarou espontaneamente ao Fisco, ainda que sob outra forma de apuração, os fatos que ensejaram a qualificação da multa aplicada. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10140.723126/201176 Acórdão n.º 1301002.835 S1C3T1 Fl. 493 3 estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Nos embargos opostos, a Fazenda Nacional, com fundamento no art. 65 da Portaria nº 256/2009, vigente à época, alegou que a decisão proferida incorreu em obscuridade assim apontada: Esse eg. Colegiado deu provimento ao recurso voluntário para desagravar a multa de ofício, reduzindo seu percentual para 75%. A Turma entendeu inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação, a saber, o arbitramento do lucro. Tal entendimento, aliás, foi sumulado pelo CARF, conforme se extrai do enunciado n° 96, segundo o qual "a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". Ocorre que não restou claro se a redução da multa ao percentual de 75% é cabível em relação a todo o lançamento ou apenas no que toca ao item 2, relativo à revenda de mercadorias, em que houve o arbitramento da receita operacional. Registrese que, em relação ao item 1, relativo a receitas não operacionais omitidas, percebidas na venda de imóveis, cuja autuação baseouse nos arts. 536 e 537 do RIR/99, não houve arbitramento. Nesse contexto, diante da obscuridade apontada, fazse mister que a Turma se pronuncie para esclarecer seu posicionamento. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam acolhidos e providos os presentes embargos de declaração para sanar o vício acima apontado. No Despacho de Admissibilidade às fls. 487 a 490, o Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção, considerando que a situação de obscuridade havia sido objetivamente apontada, admitiu os embargos, por meio do seguinte despacho: "A situação de obscuridade está apontada objetivamente. Verificase que não há de clareza na redação do julgado, tornando difícil dele terse a verdadeira inteligência ou exata interpretação. Verificase que não restou claro se a redução da multa ao percentual de 75% é cabível em relação a todo o lançamento ou apenas no que toca ao item 2, relativo à revenda de mercadorias, em que houve o arbitramento da receita operacional." Assim, para sanar a obscuridade apontada pela recorrente, os embargos foram admitidos e trazidos a julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Os autos foram encaminhados à PGFN em 02/12/2014, conforme despacho de encaminhamento às fls. 481. Apesar de não constar expressamente a data de ciência da PFN, Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10140.723126/201176 Acórdão n.º 1301002.835 S1C3T1 Fl. 494 4 nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o qual estabelece que os Procuradores consideramse pessoalmente intimados com o decurso do prazo de trinta dias da entrega do autos à Procuradoria, os embargos opostos em 23/12/2014 devem ser tidos como tempestivos. A obscuridade foi objetivamente apontada, nos termos do art. 65 da Portaria MF nº 256/2009, vigente à época. Assim, os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deles conheço. Afirma a Procuradoria da Fazenda Nacional que o acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário para desagravar a multa de ofício, reduzindo seu percentual para 75%, por entender inaplicável o agravamento em face do não atendimento à intimação para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm consequências específicas previstas na legislação, a saber, o arbitramento do lucro. Entretanto, alega que não restou claro se a redução da multa é cabível em relação a todo o lançamento ou apenas à infração 2, em que foi efetuado o arbitramento da receita operacional decorrente da revenda de mercadorias. Acrescenta que a infração 1, referente à omissão de receitas não operacionais, decorrente da alienação de bens do ativo permanente, a autuação baseouse nos arts. 536 e 537 do RIR/99 não tendo sido feito o arbitramento. Ao tratar da questão relativa à redução do agravamento da multa aplicada, o acórdão embargado assim se manifestou: "O agravamento da multa de oficio na hipótese de falta de apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, quando esta falta serve de supedâneo para o arbitramento do lucro, já foi, por diversas vezes, apreciados por este tribunal administrativo. Esse é o entendimento exarado no acórdão da Colenda 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais n. 9101001.468, de 16 de agosto de 2012, sob relatoria do Conselheiro José Ricardo da Silva, a que, peço vênia para reproduzir sua brilhante razão de decidir: "Ora, a jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. O não atendimento à intimação, na qual eram solicitados os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do contribuinte, não obstou o procedimento fiscal, já que nestes casos a legislação de regência permite que o lucro seja arbitrado. Tanto é verdade, que foi o próprio autuante que procedeu o arbitramento do lucro da empresa e efetuou o lançamento. Ora, o não fornecimento dos livros e documentos comerciais e fiscais não obsta a atividade fiscal, pelo contrário a facilita, pois tal conduta do contribuinte coloca a presunção legal contra ele, autorizando o lançamento de oficio arbitrando o lucro. Assim, inaplicável o agravamento da multa de oficio em face do não atendimento a intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação já que estas omissões tem conseqüências específicas previstas na Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10140.723126/201176 Acórdão n.º 1301002.835 S1C3T1 Fl. 495 5 legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal." Adotando as conclusões supra, voto pelo não agravamento da multa de oficio, reduzindoa a 75%." Verificase portanto, que a redução da multa para o percentual de 75% foi motivada pela existência de consequências específicas na legislação face ao não atendimento da intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação, no caso o arbitramento do lucro. Este entendimento foi inclusive, objeto da Súmula CARF nº 96, abaixo transcrita: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros." A infração 1 Receitas Não Operacionais Omitidas, referese à tributação dos ganhos de capital obtidos com a alienação de imóveis integrantes do ativo permanente, cujas receitas tributáveis foram apuradas deduzindose do valor de alienação informado nas escrituras públicas de compra e venda, o custo de aquisição nelas informado. Os ganhos de capital obtidos não foram objeto de arbitramento, mas apenas acrescidos à base de cálculo do lucro arbitrado, nos termos do art. 536 do RIR/99: Art. 536. Serão acrescidos à base de cálculo os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrente de receitas não abrangidas pelo art. 531, auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 e 534 (Lei nº 9.430/96, art. 27, inciso II). [...] § 6º Para fins de apuração do ganho de capital, as pessoas jurídicas de que trata este Subtítulo observarão os seguintes procedimentos (Lei nº 9.249, de 1995, art. 17): I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser atualizado monetariamente até 31 de dezembro desse ano, não se lhe aplicando qualquer atualização monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer atualização monetária. Dessa forma, a motivação para redução da multa para o percentual de 75% constante do voto vencedor do acórdão embargado, é inaplicável à infração 1, em virtude da mesma não ter sido objeto de arbitramento. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10140.723126/201176 Acórdão n.º 1301002.835 S1C3T1 Fl. 496 6 Para a infração 1, o agravamento foi mantido conforme razões de decidir do voto vencido, a seguir transcrito: Quanto ao percentual de 112,5%, sua aplicação decorre, objetivamente, do que previsto na Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 1 1 .488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata [...] § 2" Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1" deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; [...] Assim, a inobservância do prazo marcado para atendimento de intimações, conduta que posterga a conclusão do trabalho fiscal e onera o Estado com providências reiteradas frente a um mesmo sujeito passivo, é causa suficiente para a fixação em 112,5% do percentual da penalidade aplicável em procedimentos de ofício. De acordo com o inciso I, do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, o agravamento da multa de ofício é cabível, nos casos em que o contribuinte deixar de atender, no prazo marcado, à intimação para prestação de esclarecimentos. Assim, é requisito indispensável ao agravamento que o contribuinte tenha sido regularmente intimado a prestar esclarecimentos, e não apenas, tenha deixado de apresentar livros contábeis de sua documentação comprobatória. Consta do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 31) que o contribuinte foi intimado a apresentar: "1 Livros Diário e Razão (Lucro Real); 2 Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR) 3 Contrato/Estatuto Social e suas alterações 4 Contratos de compra e venda da aquisição e alienação dos imóveis vendidos nos períodos abrangidos por esta fiscalização. 5 Demonstrativo do eventual ganho de capital auferido nas alienações acima referido." O contribuinte não apresentou resposta ao referido termo, o que ensejou a lavratura dos Termos de Reintimação Fiscal de 05/05/2011 (fls. 34), de 04/07/2011 (fls. 36), de 18/08/2011 (fls. 38) e de 04/11/2011 (fls. 40), todos também sem nenhuma resposta apresentada à fiscalização. Aliás, no Auto de Infração às fls. 6, consta que o agravamento da Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10140.723126/201176 Acórdão n.º 1301002.835 S1C3T1 Fl. 497 7 multa para a infração 1 devese à reiterada e comprovada falta de atendimento às mencionadas intimações. Verificase, portanto, que além da falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais que ensejaram o arbitramento, o contribuinte deixou de apresentar também esclarecimentos relativos às alienações de imóveis do ativo permanente, a saber: (1) os contratos de compra e venda das aquisições e alienações dos imóveis vendidos no período; (2) informar se obteve ganho de capital com as alienações e, em caso afirmativo, demonstrar o de cálculo do ganho de capital auferido. Dessa forma, a falta de esclarecimentos relativos à apuração do ganho de capital obtido no período demonstra a conduta irregular da recorrente, que dificultou a apuração da infração 1 relativa à omissão de receitas não operacionais, caracterizando assim a hipótese de agravamento da multa de ofício, prevista no art. 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Assim, saneiase a obscuridade apontada, para esclarecer que a redução da multa agravada para o percentual de multa de 75% aplicase, exclusivamente para a infração 1, relativa à omissão de receitas operacionais objeto de arbitramento. CONCLUSÃO Em conclusão, por todo o exposto, voto por acolher os embargos de declaração para sanar a obscuridade apontada, com efeitos infringentes, para restabelecer parcialmente a multa de ofício para o percentual de 112,5% em relação à infração 1 Receitas Não Operacionais Omitidas. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 497DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000255/2007-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998
NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 02 55 /2 00 7- 10 Fl. 600DF CARF MF 2 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, referente aos valores compensados que a empresa teria direito em virtude de ação judicial que lhe concedeu tutela antecipada permitindo a compensação dos valores recolhidos a titulo de Salário Educação, no período de 05/87 a 03/97, com as contribuições previdenciárias devidas à seguridade social. A empresa impetrou ação judicial requerendo a compensação dos valores recolhidos a titulo de salário educação, obtendo tutela antecipada, efetuando a compensação dos recolhimentos com as contribuições devidas à seguridade social nas competências 01/98 a 07/98. Segundo o referido Relatório Fiscal, em razão da ação ordinária impetrada pelo contribuinte no processo de n° 97.01005791, o presente lançamento foi lavrado com o intuito de prevenir a decadência dos créditos previdenciários compensados pelo contribuinte em razão do direito antecipado que lhe foi conferido em primeira instância. A Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro Norte, por meio da DecisãoNotificação nº 17.402.4/0140/2005, julgou procedente o lançamento. Em julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento a multa aplicada. Segue a transcrição da ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Devese aplicar retroativamente a legislação que passou a excluir a aplicação de multa de ofício nos lançamentos prevenir a decadência, lavrados em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DOS JUROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há base legal para exclusão dos juros nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em suma, a e. Turma a quo entendeu por bem determinar a exclusão da multa de mora aplicada, tendo em vista que as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela SRF e, por este motivo, seria aplicável ao caso o previsto no art. 63 da lei nº 9.430/96, que versa acerca da impossibilidade de aplicação da multa de ofício nos lançamentos para prevenir decadência. A Contribuinte apresenta contrarrazões alega pelo não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional: Fl. 601DF CARF MF Processo nº 12045.000255/200710 Acórdão n.º 9202006.880 CSRFT2 Fl. 598 3 Caso conhecido o Recurso, pugna a contribuinte pela manutenção do a quo. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apesar de tempestivo, não atende ao requisito da similitude fática, a conferir: Ou seja, tratase de um paradigma anacrônico. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002DISCUSSÃO JUDICIAL, LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA, CABIMENTO.Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado. Ou seja, aqui, no segundo paradigma não há que se falar em similitude fática entre lançamento de diferenças e o adimplemento de valores como caso do contribuinte, sendo estas as conclusões da maioria dos conselheiros. Assim, deixo de conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática e ausência da demonstração de divergência. Fl. 602DF CARF MF 4 É como voto (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 603DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720144/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
EMBARGOS INOMINADOS, INEXATIDÕES MATERIAIS. LAPSO MANIFESTO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO.
Ausentes inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, não há que se falar de embargos inominados, que devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 2402-006.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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LAPSO MANIFESTO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO. Ausentes inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, não há que se falar de embargos inominados, que devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório . Cuidase de embargos inominados, visando à correção de inexatidões devidas a lapso manifesto, apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 2043/2046), com fulcro no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015, e alterações posteriores, em face do Acórdão n. 2402006.007, julgado na sessão de 03 de outubro de 2017 pela 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção de Julgamento (efls. 2014/2038). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 44 /2 01 3- 66 Fl. 2056DF CARF MF 2 É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Os Embargos Inominados (efls. 2043/2046), em apreço, foram admitidos pelo Presidente da 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção de Julgamento do CARF, conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos da Procuradoria (efls. 2051/2054). Para uma melhor compreensão da matéria ora discutida, transcrevo, no essencial, a peça embargatória em apreço, verbis: 3. Conforme se depreende do trecho da ementa e do votocondutor, o v. acórdão ora embargado entendeu que restou CARACTERIZADO O DOLO ESPECÍFICO DO SUJEITO PASSIVO, verbis: EMENTA MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Caracterizado dolo específico do sujeito passivo no sentido de reduzir a tributação do ganho de capital, incide a aplicação da multa qualificada com fulcro no art. 44, §1°., da Lei n. 9.430/1996, TRECHO DO VOTOCONDUTOR Da análise sistêmica da apuração de ganhos de capital, conforme exposta nos autos, entendese que há, sim, elementos de convicção suficientes no sentido de caracterizar o dolo específico do recorrente em ocultar a ocorrência da hipótese de incidência da obrigação tributária, consubstanciado na majoração indevida do custo de aquisição das quotas societárias da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 alienadas pelo recorrente, sócio administrador da referida pessoa jurídica com 99% de participação acionária, portanto, em posição privilegiada na cadeia de comando da retrocitada pessoa jurídica, com o domínio absoluto e inconteste na condução dos procedimentos, que, ao fim, o beneficiaria com a redução de imposto de renda a pagar. 4. Daí, surge o LAPSO MANIFESTO do v. acórdão proferido, considerando o fato de que mesmo tendo sido reconhecido o DOLO ESPECÍFICO por parte do contribuinte, entendeuse a QUALIFICAÇÃO DA MULTA, caindo esta de 150% para 75%, conforme se vê na conclusão do votocondutor, bem como na conclusão do julgamento. 5. Diante disso, merecem ser acolhido os presentes inominados, a fim de extirpar o LAPSO MANIFESTO verificado, para manter a qualificação da multa de ofício em 150%. Por sua vez, o Despacho de Admissibilidade de Embargos da Procuradoria (efls. 2051/2054), endossa a peça embargatória de efls. 2043/2046, conforme segue: Conforme se observa nas transcrições acima, a decisão em comento, de fato, reconheceu a existência de dolo específico do sujeito passivo “na majoração indevida do custo de aquisição das quotas societárias da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda.” Logo, deveria ter sido mantida a multa Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.151 S2C4T2 Fl. 3 3 qualificada de 150%, porém, tanto o dispositivo do acórdão quanto a conclusão do voto condutor afastam a qualificadora, reduzindo a multa aplicada para 75%, nos seguintes termos: Dispositivo do acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário, dandolhe parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa ao patamar ordinário de 75% especificamente em relação à infração de omissão de rendimentos da atividade rural. Conclusão do voto condutor: Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso de Ofício anotado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1.958/1.980), CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 1.987/2.006) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%, especificamente em relação à infração omissão de rendimentos da atividade rural. (Grifos no original) Sendo assim, restou demonstrada a existência de lapso manifesto, o qual deverá ser apreciado e sanado pela Turma Julgadora. Muito bem. O Acórdão n. 2402006.007 (efls. 2014/2038) assim inicia o seu Relatório: Cuidase de Recurso de Ofício (art. 34, I do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 9.532/1997; Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008, em vigor à época dos fatos), e de Recurso Voluntário (efls. 1.987/2.006) em face do Acórdão n. 1657.341 16ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO (efls. 1.958/1.980), que julgou parcialmente procedente a impugnação de efls. 1.467/1.488 (apresentada pelo sujeito passivo principal) e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Anos Calendário 2008; 2009; 2010; 2011 no montante de R$ 2.112.265,62 sendo R$ 730.619,17 de imposto Cód. Receita 2904 , R$ 290.156,80 de juros de mora calculados até 10/2013 e R$ 1.091.489,65 de multa proporcional passível de redução (efls. 1.419/1.432) com fulcro em apuração de i) omissão de rendimentos da atividade rural recebidos nos meses de fevereiro; julho; e dezembro/2009; e ii) omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societárias auferidos em dezembro/2008; janeiro a março e setembro e outubro/2009; fevereiro, março e junho/2010; e fevereiro/2011, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) efls. 1.433/1.448 e procedente a impugnação de e fls. 1.906/1.929 apresentada pelo sujeito passivo relacionado como solidário LFM Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 posteriormente denominada LFMS Administração e Participações Ltda., no tocante ao afastamento da sujeição passiva. (grifei) O Auto de Infração (efls. 1419/1432) denuncia as infrações que deram azo ao lançamento: Fl. 2058DF CARF MF 4 Conforme se depreende da leitura do primeiro parágrafo do Relatório do embargado Acórdão, bem assim do Auto de Infração (efls. 1419/1432), foram denunciadas DUAS infrações distintas: omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societárias. Para cada infração, foi imposta multa qualificada de 150% (no caso da omissão de rendimentos da atividade rural, apenas para o fato gerador de 30/12/2009). Para racionalizar a análise e apresentála da forma mais inteligível possível, optouse por separar a apreciação das infrações de forma individualizada e em todos os seus Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.151 S2C4T2 Fl. 4 5 respectivos aspectos, inclusive a multa qualificada de 150%, já que esta, especificamente, teve tratamento diferenciado para a infração omissão de rendimentos da atividade rural, vez que se concluiu pela não caracterização de dolo específico, conforme os argumentos apresentados no voto em apreço. Assim, para a infração omissão de rendimentos da atividade rural, e apenas para esta infração, encaminhouse o voto no sentido da redução da multa qualificada para o patamar ordinário de 75%, divergindo, assim, da decisão da instância de piso. Para a infração omissão de ganho de capital, houve convergência com a decisão a quo, mantendose, destarte, a multa qualificada de 150%, uma vez presente o entendimento pela existência de dolo específico, consoante os argumentos consignados no voto em tela. E isso está claramente evidenciado já na ementa do Acórdão n. 2402006.007 (efls. 2014/2038), ora embargado: MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Caracterizado dolo específico do sujeito passivo no sentido de reduzir a tributação do ganho de capital, incide a aplicação da multa qualificada com fulcro no art. 44, §1°, da Lei n. 9.430/1996. (grifei) Outrossim, o voto condutor também é esclarecedor: Da análise sistêmica da apuração de ganhos de capital, conforme exposta nos autos, entendese que há, sim, elementos de convicção suficientes no sentido de caracterizar o dolo específico do recorrente em ocultar a ocorrência da hipótese de incidência da obrigação tributária, consubstanciado na majoração indevida do custo de aquisição das quotas societárias da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 alienadas pelo recorrente, sócio administrador da referida pessoa jurídica com 99% de participação acionária, portanto, em posição privilegiada na cadeia de comando da retrocitada pessoa jurídica, com o domínio absoluto e inconteste na condução dos procedimentos, que, ao fim, o beneficiaria com a redução de imposto de renda a pagar. (grifei) E, para arrematar qualquer dúvida, considerando que ainda exista alguma, o dispositivo do acórdão ora embargado, bem assim a conclusão do voto condutor, informam que: Dispositivo do acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário, dandolhe parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa ao patamar ordinário de 75% especificamente em relação à infração de omissão de rendimentos da atividade rural. (grifei) Conclusão do voto condutor: Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso de Ofício anotado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1.958/1.980), CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 1.987/2.006) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%, especificamente em relação à infração omissão de rendimentos da atividade rural. (grifei) Fl. 2060DF CARF MF 6 Repisese: restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%, ESPECIFICAMENTE EM RELAÇÃO À INFRAÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. E apenas a esta. A qualificação da multa para 150% permaneceu exatamente como proposta pela autoridade lançadora, e mantida pela decisão da instância de piso, em relação à infração omissão de ganho de capital, não havendo assim qualquer alteração no acórdão embargado. Depreendese, destarte, que não há que se falar de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto a macular o Acórdão n. 2402006.007 (efls. 2014/2038). Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS INOMINADOS (efls. 2043/2046), vez que ausentes inexatidões materiais devidas a lapso manifesto no Acórdão n. 2402006.007 (efls. 2014/2038). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 2061DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.900599/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.443, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 94 a 101), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 33316.80122.191007.1.3.044747 (fls. 24 a 29), por meio da qual a contribuinte compensou débitos de sua responsabilidade referentes à Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos ao 3º trimestre de 2007, no valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 59 9/ 20 11 -8 4 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10746.900599/201184 Resolução nº 1302000.598 S1C3T2 Fl. 214 2 total de R$ 1.127,46, com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior relativo a título de CSLL. O crédito em questão, no valor de R$ 859,41, originarseia de pagamento efetuado em 28/07/2005, no montante de R$ 3.772,56; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 16, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 15, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao segundo trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 92 e 93, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 2º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 94 a 101) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 102/103, foi interposto o Recurso de fls. 105 a 115, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10746.900599/201184 Resolução nº 1302000.598 S1C3T2 Fl. 215 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 28/07/2005, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 2ª trimestre do anocalendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 16, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10746.900599/201184 Resolução nº 1302000.598 S1C3T2 Fl. 216 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2005, aplicase, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumentos firmados com a mesma Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 154/160, 164/169, 189/198 e 202/207). Por outro lado, os Aditivos de fls. 161/162, 199/200 e 208/209, aos contratos de fls. 154/160, 189/198 e 202/207, respectivamente, são firmados com a própria Recorrente. Do mesmo modo, vêse que notas fiscais são emitidas pela Recorrente, em relação aos contratos firmados com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contratos referentes à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 2º trimestre do anocalendário de 2005 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10746.900599/201184 Resolução nº 1302000.598 S1C3T2 Fl. 217 5 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.686570/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72. Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
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Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindose, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 65 70 /2 00 9- 15 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.686570/200915 Acórdão n.º 1302002.738 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (DERAT), o pedido de compensação anteriormente transmitido pelo contribuinte não foi homologado, uma vez que, nos termos constates do Despacho exarado, contatouse que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos, do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Intimado da referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, preliminarmente, que o crédito não foi identificado, uma vez que houve um erro interno, já que, uma vez identificado o pagamento indevido ou a maior, olvidou se de retificar as suas DCTF's. Assim, segundo alega, esta ausência de retificação impossibilitou a fiscalização de identificar o crédito apontado em seu pedido de compensação. Afirma que retificou as DCTF's após o recebimento dos despachos decisórios, que acabaram por não homologar os diversos pedidos de compensação apresentados no período. Alegou, ainda, que o seu direito creditório decorre da interpretação da Receita Federal do Brasil, exarada na resposta de consulta de nº 07/2009, em que restou definido que "a venda (desenvolvimento e edição) de softwares prontos para uso (de prateleira, standard) é classificada como venda de mercadoria e o percentual para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é de oito por cento". Com essa nova interpretação, alegou, o Recorrente, que identificou o erro na apuração do IRPJ e da CSLL, resultando em um recolhimento indevido ou a maior destes tributos. E exatamente por conta desses recolhimentos a maior é que apresentou os pedidos de compensação, utilizando os créditos originados do pagamento indevido ou a maior (resultantes da interpretação exarada pela Receita Federal do Brasil), para pagar débitos próprios, nos termos e contornos exigidos pela legislação. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como improcedente. Como fundamento da decisão, o acórdão considerou (i) a impossibilidade de se analisar as DCTF's retificadas após o início do procedimento fiscal e (ii) que o contribuinte não comprovou que fabrica software prontos para o uso (de prateleira). Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. No que tange às retificações das DCTF's, o Recorrente alega que mesmo tendo sido as retificações realizadas após o procedimento fiscal, são elas as DCTF's retificadas que comprovam a realidade das suas operações e que, por isso, não podem ser desprezadas pelos órgãos judicantes. Por outro lado, anexa aos autos documento em que detalha o seu processo de produção, para concluir que produz softwares prateleira e, por isso, teria o direito de se valer da Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.686570/200915 Acórdão n.º 1302002.738 S1C3T2 Fl. 4 3 forma de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos exarados pela Receita Federal do Brasil, através de solução de consulta. Junta aos autos, ainda, planilha em que segrega suas vendas, com arrimo na DIPJ, que também anexa aos autos. Assim, pede provimento ao Recurso Voluntário e o consequente reconhecimento do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.731, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.686567/200900, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302 002.731): "[...] Aqui, vejam bem, existem dois motivos para entender que, ainda que o direito ao crédito seja plausível, semelhante plausibilidade somente alçaria ares de verdade absoluta a partir da prova de que: a) as DCTFs retificadas contemplavam informações corretas e acompanhadas de documentos que lhes comprovavam a veracidade; b) tendo origem em classificação equivocada da atividade desenvolvida, mormente quanto ao tipo de software que seria objeto de venda ou cessão, trouxesse o contribuinte a prova de que, efetivamente, seus programas de computador seriam aqueles considerados como de prateleira (isto é, softwares fechados, sem transferência de código fonte). O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes dois fatos, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.686570/200915 Acórdão n.º 1302002.738 S1C3T2 Fl. 5 4 com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, e no caso presente, como as premissas do pleito compensatório eram, num primeiro momento, a existência do crédito a partir da retificação de DCTFs e, num segundo momento, o erro de classificação da atividade do contribuinte (que, digase, resultou, justamente, na retificação da declaração anteriormente citada), competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, nos estritos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.2351, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. E nem se diga que ao caso se aplicaria a exceção descrita na alínea "c", acima, já que o próprio contribuinte cuidou de informar que a origem dos créditos objetos deste feito seria a já citada reclassificação de sua atividade (de prestação de serviços para comercialização de produtos/mercadorias); ou seja, a natureza dos softwares, a parcela da receita a que se referiria a venda destes softwares, e a veracidade das informações contidas nas DCTFs retificadoras não são questões novas, surgidas apenas a partir do julgamento realizado pela DRJ; foram, desde logo, suscitadas pelo recorrente (conforme se extrai especificamente da alegação constante de efls. e, digase, não demonstradas. Não podemos, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, por fundamentos metajurídicos2, e ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou a própria DRJ, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido 1 A que está sujeito procedimento instaurado a partir da oposição da manifestação de inconformidade, por força de previsão explicita contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96. 2 Ainda que me condoa do contribuinte e ainda que, aparentemente, haja uma "fumaça de bom direito" em sua tese, a prova de sua efetiva existência tinha que ter sido produzida no momento oportuno. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.686570/200915 Acórdão n.º 1302002.738 S1C3T2 Fl. 6 5 concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Insisto, não encontro óbices para considerar as informações prestadas mediante declaração retificadora após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo já aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas. Como não se verificam, no concreto, a ocorrência das situações descritas no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235 e, lado outro, como o contribuinte não produziu as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto anteriormente invocado, como, também, e como já dito, o princípio da isonomia. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.015560/98-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996
PERDAS NO RECEBIMENTO DE VALORES FATURADOS. DEDUÇÃO ANTECIPADA DE DESPESAS AINDA NÃO INCORRIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação comercial somente admite a contabilização de eventuais perdas desde que comprovado que se tornaram definitivas (perdas efetivamente incorridas - Lei 6.404/76, art. 187, §1º), e a legislação fiscal exige a comprovação de que foram esgotados todos os meios de cobranças possíveis para a sua dedutibilidade. As alegadas perdas não poderiam ter sido deduzidas da forma como fez a contribuinte. Uma outra possibilidade para o adequado tratamento contábil e fiscal das alegadas perdas seria mediante a constituição de provisão para devedores duvidosos (PDD), conforme a legislação da época, mas esse também não foi o caminho adotado pela contribuinte em relação às glosas em questão. Não estava correto o procedimento adotado pela contribuinte, em reconhecer de imediato como despesa (reduzindo o lucro líquido) parcelas ainda recebíveis, valores que ainda não se revestiam da natureza de perdas efetivas, visto que partes significativas desses valores eram recebidos após reclamações e negociações com os clientes. E o fato de a contribuinte fazer posteriormente créditos na conta GLOSAS, em razão dos valores que acabava conseguindo receber, não justifica a dedução antecipada e indevida de perdas, que, ao menos em parte, nem mesmo se confirmavam.
Numero da decisão: 9101-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1994, 1995, 1996 PERDAS NO RECEBIMENTO DE VALORES FATURADOS. DEDUÇÃO ANTECIPADA DE DESPESAS AINDA NÃO INCORRIDAS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação comercial somente admite a contabilização de eventuais perdas desde que comprovado que se tornaram definitivas (perdas efetivamente incorridas - Lei 6.404/76, art. 187, §1º), e a legislação fiscal exige a comprovação de que foram esgotados todos os meios de cobranças possíveis para a sua dedutibilidade. As alegadas perdas não poderiam ter sido deduzidas da forma como fez a contribuinte. Uma outra possibilidade para o adequado tratamento contábil e fiscal das alegadas perdas seria mediante a constituição de provisão para devedores duvidosos (PDD), conforme a legislação da época, mas esse também não foi o caminho adotado pela contribuinte em relação às glosas em questão. Não estava correto o procedimento adotado pela contribuinte, em reconhecer de imediato como despesa (reduzindo o lucro líquido) parcelas ainda recebíveis, valores que ainda não se revestiam da natureza de perdas efetivas, visto que partes significativas desses valores eram recebidos após reclamações e negociações com os clientes. E o fato de a contribuinte fazer posteriormente créditos na conta GLOSAS, em razão dos valores que acabava conseguindo receber, não justifica a dedução antecipada e indevida de perdas, que, ao menos em parte, nem mesmo se confirmavam.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2171; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10768.015560/9864 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.443 – 1ª Turma Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CSLL. DEDUÇÃO DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE VALORES FATURADOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HOSPITAIS INTEGRADOS DA GÁVEA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1994, 1995, 1996 PERDAS NO RECEBIMENTO DE VALORES FATURADOS. DEDUÇÃO ANTECIPADA DE DESPESAS AINDA NÃO INCORRIDAS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação comercial somente admite a contabilização de eventuais perdas desde que comprovado que se tornaram definitivas (perdas efetivamente incorridas Lei 6.404/76, art. 187, §1º), e a legislação fiscal exige a comprovação de que foram esgotados todos os meios de cobranças possíveis para a sua dedutibilidade. As alegadas perdas não poderiam ter sido deduzidas da forma como fez a contribuinte. Uma outra possibilidade para o adequado tratamento contábil e fiscal das alegadas perdas seria mediante a constituição de provisão para devedores duvidosos (PDD), conforme a legislação da época, mas esse também não foi o caminho adotado pela contribuinte em relação às glosas em questão. Não estava correto o procedimento adotado pela contribuinte, em reconhecer de imediato como despesa (reduzindo o lucro líquido) parcelas ainda recebíveis, valores que ainda não se revestiam da natureza de perdas efetivas, visto que partes significativas desses valores eram recebidos após reclamações e negociações com os clientes. E o fato de a contribuinte fazer posteriormente créditos na conta GLOSAS, em razão dos valores que acabava conseguindo receber, não justifica a dedução antecipada e indevida de perdas, que, ao menos em parte, nem mesmo se confirmavam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 55 60 /9 8- 64 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 3 2 conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", fundamentado no art. 5º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, c/c art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, art. 4º da Portaria MF nº 256/2009 (RICARF/2009) e art. 3º da Portaria MF nº 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10806.665, de 19/09/2001, por meio do qual a Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento a recurso de ofício, mantendo a decisão de primeira instância administrativa que havia cancelado parte do lançamento de CSLL apurada nos anoscalendário de 1994, 1995 e 1996, relativamente à infração de dedução de despesas não incorridas. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: RECURSO DE OFÍCIO — Negase provimento ao recurso de ofício quando a decisão monocrática perfeitamente aplicou a norma ao litígio. A correta observância dos princípios de contabilidade invalida o lançamento de ofício. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO no RIO DE JANEIRO/RJ. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias que deu provimento ao recurso ofício. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 4 3 Em 05/08/2002, o Presidente da Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho nº 1080.120/2002, deu seguimento ao recurso especial. Em 13/06/2005, o recuso especial foi submetido a julgamento pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ocasião em que foi proferido o Acórdão CSRF/0105.228, com a decisão de não se conhecer do recurso, conforme a ementa e a parte dispositiva reproduzidas a seguir: RECURSO ESPECIAL — ADMISSIBILIDADE — RECURSO DE OFÍCIO. A decisão de primeira instância favorável ao sujeito passivo, acima do limite de alçada, constitui o primeiro momento de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de ofício. Nesse caso, o Tribunal não decide recurso simplesmente complementa o ato complexo. A decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tomar definitiva (art. 42 do Decreto n° 70.235/72). Recurso Especial interposto pela Procuradoria é impróprio para desafiar acórdão nãounânime proferido em remessa ex officio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber (Relator), José Clovis Alves, Mário Junqueira Franco Junior e Manoel Antonio Gadelha Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima. Contudo, a PGFN ingressou com recurso extraordinário e conseguir reverter essa decisão, conforme Acórdão nº 9900000.983, exarado pelo Pleno da CSRF em 15/12/2016, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1994, 1995, 1996 RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. CABIMENTO. É cabível a interposição de Recurso Especial pela Fazenda Nacional, ainda que o acórdão recorrido tenha confirmado a decisão de Primeira Instância, em sede de Recurso de Ofício. Situação que demanda o retorno do processo à Turma a quo, para exame das demais questões constantes do Recurso Especial do Procurador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso e, no mérito, negaramlhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 5 4 Assim, conforme determinado pelo referido Acórdão nº 9900000.983 Pleno, os autos retornaram a essa Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para realização de novo julgamento, estando superada a questão preliminar de não conhecimento do recurso especial. Em seu recurso, a PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à lei, no que toca à dedução de despesas não incorridas, especificamente em relação à base de cálculo da CSLL. Para o processamento do recurso, foram apresentados os seguintes argumentos: não obstante os bem articulados argumentos que foram utilizados no voto que orientou o decisum guerreado, não merecem eles ser acolhidos, porque flagrantemente contrários à Lei tributária, como se pode verificar dos fundamentos utilizados pela Auditora Fiscal autuante, no Auto de Infração de fls. 102/108, c/c a correspondente parte constante do Termo de Verificação Fiscal à fl. 111, no qual, conclusivamente, com propriedade e esteio nas disposições legais pertinentes, esclarece que: "Foi constatado por esta fiscalização que a empresa adotou, em 1994, 1995 e 1996, o seguinte procedimento com relação a seus créditos decorrentes de prestação de serviços: ao emitir a fatura, debitava o valor faturado à conta créditos a receber e creditava à receita de serviços (procedimento correto); quando do recebimento não integral da fatura, creditava o valor total à conta créditos a receber e debitava o valor pago à conta bancos e a diferença (valor não pago) a uma conta de despesas intitulada GLOSAS; quando do posterior recebimento da diferença contabilizava a importância a crédito da conta GLOSAS e a débito da conta bancos. Exemplos da contabilização acima descrita foram juntados às fls. 114/124. O procedimento utilizado Infringe o art. 220 do RIR/94, uma vez que não foram observadas as disposições da Lei n° 6.404/76 na apuração do lucro liquido. Apesar de incorreto, o procedimento adotado não produziu efeitos fiscais quanto ao IRPJ, já que o valor de GLOSAS foi adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro real. A mesma adição, todavia, não foi efetuada na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro. Em conseqüência, as bases de cálculo da Contribuição Social s/ Lucro resultaram distorcidas. Intimada a esclarecer, através do Termo de 13/01/98 (item 1) a divergência de procedimento bem como a base legal que deu suporte a não adição das glosas na apuração das bases de cálculo da Contribuição Social s/ Lucro, a Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 6 5 empresa, em sua resposta de fls. 4/5, informa que "as glosas podem ser consideradas com abatimentos de preços de serviços ou como desconto adicional nas hipóteses em que não haja certeza jurídica sobre o direito do prestador de serviço contra o cliente que não reconhece o valor integral da dívida, tornando, assim, temerária sua cobrança em juízo". CONCLUSÃO: 1) Por infração ao art. 220 do RIR/94, deverão ser adicionadas às bases de cálculo declaradas pelo contribuinte da Contribuição Social s/ Lucro o saldo mensal/anual da conta de despesas, nominada GLOSAS, que foram: AnoCalendário de 1994 — R$ 2.533.353,29 (apuração anual) — fls. 154 AnoCalendário de 1995 — Apuração mensal — fls. 125/153 JAN 285.314,66 FEV16.317,21 MAR293.237,91 ABR173.473,55 MAI 158.297,54 JUN197.179,47 JUL310.307,18 AGO191.145,19 NOV 275.967,93 DEZ240.914,46 AnoCalendário de 1996 — Apuração anual — R$ 1.607.771, 22 — fls. 155. 2) Face as glosas acima, as bases de cálculo declaradas dos meses de jan e abril/95 que eram negativas, tornaramse positivas; em decorrência, as compensações efetuadas, nos meses de fev (R$ 28.353,52), maio (R$ 19.454,87) e junho/95 (R$ 62.594,91), com aquelas bases de cálculo negativas, resultaram indevidas. 3) A empresa excluiu, na apuração da contribuição social s/ lucro de jan/95, a importância de R$ 272.046,11, dos quais R$ 271.451,00 referemse a ajuste na contaProvisão p/ Devedores duvidosos de 12/94. Conforme já explicado no item 1 do tributo acima (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), não há amparo legal para referido ajuste, sendo, conseqüentemente, indevida a exclusão efetuada. — fls. 156/7." temse, assim, à vista da não unanimidade da decisão e da contrariedade da lei tributária regente da matéria, evidente a ausência de consenso quanto ao enquadramento legal da matéria em dissídio, entre os i. Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho, que se projeta na exigência de pacificação por parte dessa Câmara Superior de Recursos Fiscais, para o fim da correta aplicação da lei ao caso posto e de segurança jurídica; assim, prequestionada a matéria e demonstrada a contrariedade à lei, no que diz respeito à aplicação ao caso em tela, na forma do estabelecido nos fundamentos legais mencionados, afiguramse presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, consoante às disposições do art. 32, inciso I, do Regimento Interno (Portaria MF n° 55/98). nestas condições, portanto, equivocouse a e. Câmara a quo ao negar provimento ao recurso de oficio, merecendo ser reformado o v. Acórdão recorrido, porque contrário à prova dos autos e à legislação em vigor; Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 7 6 por todo o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer que a legislação tributária aplicável à espécie seja respeitada e cumprida fielmente, para prevalecer, in casu, a estrita legalidade e, desse modo, propiciar segurança jurídica; requer, por fim, que a r. decisão recorrida seja reformada, na parte em que lhe foi desfavorável, a fim de prevalecer, por imperativo legal, a procedência da autuação fiscal. Em 12/12/2002, a contribuinte foi intimada do despacho que havia dado seguimento ao recurso especial da PGFN, e em 26/12/2002 (despacho no vol. 2, efls. 163) ela apresentou tempestivamente as contrarrazões, com os seguintes argumentos: DESPESAS NÃO INCORRIDAS A) CONTABILIZAÇÃO a recorrida é pessoa jurídica que tem como objetivo a prestação de serviços de atendimento hospitalar, entre os quais serviços médicos e ambulatoriais, e mantém com empresas de assistência médica e com seguradoras que atuam na área de saúde, contratos pelos quais se compromete a prestar serviços de atendimento hospitalar aos clientesconveniados destas empresas e seguradoras, de acordo com o tipo de plano e a cobertura assegurada; em contrapartida, a recorrida deve receber das empresas e seguradoras de saúde o respectivo reembolso dos custos e despesas incorridos no serviço de atendimento hospitalar prestado; ao final de cada mês, ou em períodos inferiores (quinzenal, por exemplo), dependendo dos termos contratuais, a recorrida emite nota fiscal de fatura em face das empresas e seguradoras de saúde, com os valores de reembolso referentes aos serviços hospitalares executados para os clientesconveniados; contudo, observase que as empresas de assistência médica e as seguradoras questionam com usualidade os valores cobrados pela recorrida, alegando, entre outras razões, que: o serviço executado está fora do alcance contratual do conveniado; os preços estão além daqueles combinados; houve uso indiscriminado de medicamentos. em decorrência, além de atrasos no recebimento dos reembolsos, em muitos casos ocorre a efetiva glosa dos valores cobrados pela recorrida, ou seja, as empresas de assistência médica e as seguradoras não pagam os valores faturados ou acabam pagando valores inferiores àqueles faturados; isto posto, quando do não pagamento da fatura pelo plano de saúde, a recorrida debita uma conta de resultado denominada GLOSAS e credita a conta CLIENTES. Por outro lado, se depois o plano de saúde reconhecer que deve pagar a parte anteriormente não reconhecida, a recorrida irá, quando do recebimento da mesma, debitar a conta bancos e creditar a conta GLOSAS; Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 8 7 desta forma, verificase que não há afronta aos princípios contábeis, em particular ao "Princípio da Realização da Receita", cujo enunciado prevê: "A receita é considerada e, portanto, passível de registro pela contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante e entidade produtora" (Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações — Ed. Atlas — 3ª edição — pg. 87); ademais, a D. Autoridade Fiscal usou em seu enquadramento legal o artigo 220, parágrafo 1°, do RIR/94 , o que não podemos aceitar, porque esta definição é para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, o que não é o caso, pois se trata da Contribuição Social sobre o Lucro; portanto, conforme o Decreto n° 70.235, de 1972, existe afronta ao seu artigo 10, inciso IV, por total desacordo da capitulação legal na qual se ampara o feito fiscal. A correta capitulação seria, se a autoridade fiscal estivesse correta, o artigo 2° e seus parágrafos, da Lei n° 7.689 de 1988, alterado pela Lei n° 8.034 de 1990. Portanto, totalmente equivocada a capitulação desta suposta infração, o que invalida o Auto de Infração anteriormente referido; B) DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM GLOSAS um dos princípios fundamentais do direito tributário, aplicável a qualquer imposto, é o de que apenas se tributa o lucro produzido pelo patrimônio ou pelo trabalho do cidadão; o conceito constitucional de renda coincide com o de lucro e repulsa a incidência sobre o patrimônio, o custo de produção e o prejuízo; o Código Tributário Nacional, atento à Constituição, aderiu à concepção de que a renda é acréscimo de patrimônio; de feito, a noção de acréscimo de patrimônio líquido só pode ser obtida se se somarem, às previsões do art. 43 do CTN, os princípios constitucionais tributários vinculados às idéias de justiça, direitos fundamentais e segurança jurídica; entre os tais princípios encontramse os da capacidade contributiva, proteção do mínimo existencial, proibição de confisco e igualdade; o princípio da capacidade contributiva, com o respectivo subprincípio da progressividade, informa toda a elaboração das regras positivas do imposto de renda e orienta a sua aplicação aos casos emergentes. Sem a consideração deste princípio, é infrutífera a tentativa de se construir o conceito de acréscimo de patrimônio líquido; outro princípio constitucional relevante para a noção de renda líquida é o da proteção ao mínimo existencial, vinculado à idéia de liberdade, ou seja, o imposto de renda só pode atingir rendimentos que se situem na faixa que exceder a um mínimo reservado pela lei para a sobrevivência do contribuinte e de sua família; o princípio do não confisco, vinculado aos direitos fundamentais, sinaliza no sentido de que os impostos não podem ofender o direito de propriedade em seu limite máximo; Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 9 8 no princípio da igualdade, as pessoas físicas e jurídicas são colocadas em situação de igualdade diante dos princípios básicos da renda, inclusive os relacionados com os direitos fundamentais. As deduções devem se referir à totalidade dos rendimentos, sem segregação de base de cálculo, máxima nem sempre seguida pelo direito positivo; A DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS E O ACRÉSCIMO DE PATRIMÔNIO o exato desenho do fato gerador do imposto de renda só se completará se, ao núcleo definido no art. 43, I e II, do CTN, se acrescentarem, sob a perspectiva dos referidos princípios, as regras necessárias à quantificação da sua base de cálculo; o acréscimo patrimonial suscetível de imposição é, em princípio, o total das entradas, em determinado período, abatido dos custos e despesas necessárias à produção do rendimento; e compete à lei determinar como se apura o lucro real para a incidência do imposto; isto posto, o direito à dedução integra o conceito constitucional de renda e compõe o fato gerador definido nos artigos 43 e 44 do CTN; AS CARACTERÍSTICAS DAS DESPESAS DEDUTÍVEIS para que as despesas possam ser deduzidas é indispensável que tenham algumas características: a necessidade, a usualidade, a causalidade e a transparência; são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa; e usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa; no princípio da causalidade, as despesas podem ser deduzidas se puderem caracterizar a causa do aumento de receita ou se tiverem por finalidade promover o desenvolvimento da atividade empresarial; a transparência, finalmente, entende os aspectos formais referentes à segurança jurídica, principalmente os ligados à contabilidade e escrituração; em suma, o acréscimo de patrimônio líquido, como fato gerador do imposto de renda, deve se compaginar com a base de cálculo apurado com a dedução das despesas necessárias, usuais, causais e transparentes; OS PLANOS DE SAÚDE a Constituição Federal distinguiu entre as prestações universais, igualitárias e gratuitas de serviços médicos, que constituem direitos fundamentais, e as prestações de saúde que integram os direitos sociais, que ficam sujeitas às opções orçamentárias; a Lei n° 6.080/90 procurou criar um sistema único de saúde universal e gratuito, que se tornou utópico e altamente deficitário; a solução diante da dificuldade financeira do SUS, e principalmente para atender a classe média, foi a de regulamentar os planos privados de saúde, mediante legislação Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 10 9 paternalista e intervencionista. Nesse contexto é que surge a possibilidade da glosa das despesas pelas operadoras dos planos privados de saúde; A DEDUÇÃO DAS GLOSAS E O IMPOSTO DE RENDA AS CARACTERÍSTICAS DAS GLOSAS a glosa tornase necessária no contexto das atividades da recorrida, pois se incorporou, com base legal, ao sistema dos planos de saúde; a glosa se torna usual no sistema dos planos privados de saúde, eis que prevista na legislação específica e sujeita ao controle da Agência Nacional de Saúde. Não é usual apenas para a recorrida, mas para todas as instituições prestadoras de serviços médicos por intermédio dos planos e seguros privados; a glosa necessária e usual, atende ao requisito da causalidade, eis que incumbe ao próprio contribuinte dimensionar a importância que ela pode ter para as suas atividades. Só a entidade prestadora de serviço da saúde pode optar entre impugnar a glosa, recorrendo inclusive ao Judiciário, ou aceitála, contabilizando a perda em sua escrita; na primeira hipótese, recorrer contra a glosa pode levar ao aumento do prejuízo da empresa, eis que há riscos na discussão judicial correspondentes ao pagamento de custas processuais e honorários de sucumbência; no segundo caso, a contabilização da perda pode ser vital para a empresa. Tem o hospital o direito de zelar pela qualidade dos seus serviços e pela eficiência da prática médica que adota, ainda que sujeito a glosa posterior, por discrepar de critérios subjetivos de avaliação ou de condições objetivas do exercício da medicina; por fim, as glosas são transparentes posto que resultam de processo regular, sendo perfeitamente documentadas e escrituradas; AS GLOSAS E OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS as Glosas geram perdas dedutíveis para fins de cálculo do lucro operacional, sob pena de ofensa aos princípios constitucionais do imposto de renda. De feito, a indedutibilidade da quantia glosada faria com que o tributo incidisse sobre o próprio patrimômio da recorrida, o que é manifestamente inconstitucional; A INEXISTÊNCIA DE PROIBIÇÃO LEGAL DE DEDUTIBILIDADE DAS GLOSAS as perdas decorrentes das Glosas devem ser deduzidas na apuração do lucro real em obediência aos princípios constitucionais da capacidade contributiva, do não confisco e da igualdade, em razão da índole do sistema brasileiro do imposto de renda e em virtude da ausência de norma expressa que as proíba; CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro sobre a dedução das glosas em face do imposto de renda; Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 11 10 os dois tributos apresentam identidade substancial quanto ao núcleo do seus fatos geradores: renda ou lucro consubstanciado em acréscimo de patrimônio líquido; eventuais diferenças entre as respectivas bases de cálculo não afetam o direito à dedução das glosas; em suma, as despesas decorrentes das glosas de reembolsos de empresas de assistência médica e seguradoras são integralmente dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL; como corolário das assertivas acima, a recorrida pede licença para transcrever a parte final da r. decisão monocrática, utilizada como fundamento da decisão prolatada pela 8ª Câmara do C. Primeiro Conselho de Contribuintes, que de maneira expunge quaisquer dúvidas que pudessem restar sobre o assunto: [...]; e assim sendo, diante de tudo o quanto exposto, resta demonstrado que os argumentos aduzidos pela Fazenda Nacional, em suas razões de Recurso Especial, são insubsistentes, razão pela qual, a Recorrida, requer sua total desconsideração e consequente não acolhimento do Recurso Especial em questão. É o relatório. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme o relatório apresentado, o recuso especial sob exame já foi anteriormente submetido a julgamento pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ocasião em que foi proferido o Acórdão CSRF/0105.228, com a decisão de não se conhecer do recurso. Mas a PGFN ingressou com recurso extraordinário e conseguir reverter essa decisão, conforme Acórdão nº 9900000.983, exarado pelo Pleno da CSRF. De acordo com o que foi determinado pelo referido Acórdão nº 9900000.983 Pleno, os autos retornaram a essa Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para realização de novo julgamento, estando superada a questão preliminar de não conhecimento do recurso especial. O recurso em pauta questiona o Acórdão nº 10806.665, por meio do qual a Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento a recurso de ofício, mantendo a decisão de primeira instância administrativa que havia cancelado parte do lançamento de CSLL apurada nos anoscalendário de 1994, 1995 e 1996, relativamente à infração de dedução de despesas não incorridas. Com o recurso especial, a PGFN pretende restabelecer esse item da autuação fiscal. O relator da decisão anteriormente proferida pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0105.228) chegou a proferir voto sobre o mérito do recurso especial, dando provimento a ele, mas como ficou vencido na preliminar de não conhecimento, o exame de mérito acabou sendo prejudicado naquela ocasião. Entretanto, uma vez afastada a preliminar de não conhecimento pelo Pleno da CSRF, e devolvido os autos para novo julgamento do recurso por esta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, é interessante apresentar o conteúdo do voto acima referido, relativamente ao mérito do recurso especial que deve ser agora analisado: Acórdão CSRF/0105.228 RELATÓRIO A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fulcro nas disposições do artigo 5°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 55, Anexo I, de 16 de março de 1998 (D.O.U. de 17/03/1998), pleiteando a reforma do acórdão n°. 10806.665, de 19/09/2001, fls. 315 a 322, proferido no julgamento do recurso ex officio n°. 126.137, de interesse da contribuinte HOSPITAIS INTEGRADOS GÁVEA S/A. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 13 12 Tratase de exigência de CSLL, referentes aos fatos geradores do ano calendário de 1994; dos meses de janeiro a junho e agosto de 1995; e do anocalendário de 1996, sob a acusação fiscal, segundo descrito no auto de infração, fls. 103, de: "ADIÇÕES Despesa não incorridas Falta de observância das leis comerciais contidas na Lei n°. 6404/76, na apuração do lucro líquido dos períodosbase." O "Termo de Verificação Fiscal", fls. 111, descreve os procedimentos contábeis da contribuinte com relação aos seus créditos decorrentes da prestação de serviços, in verbis: " ao emitir a fatura, debitava o valor faturado à conta créditos a receber e creditava à receita de serviços (procedimento correto); quando do recebimento não integral da fatura, creditava o valortotal à conta créditos a receber e debitava o valor pago à conta bancos e a diferença (valor não pago) a uma conta de despesas intitulada GLOSAS; quando do posterior recebimento da diferença, contabilizava a importância a crédito da conta GLOSAS e a débito da conta bancos. Exemplo da contabilização acima descrita foram juntados a fls. 114/124. O procedimento utilizado infringe o art. 220 do RIR/94, uma vez que não foram observadas as disposições da Lei n°. 6404/76 na apuração do lucro liquido. Apesar de incorreto, o procedimento adotado não produziu efeitos fiscais quanto ao IRPJ, já que o valor de GLOSAS foi adicionado ao lucro liquido para apuração do lucro real. A mesma adição, todavia, não foi efetuada na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro. Em consequência, as bases de cálculo da Contribuição Social s/ Lucro resultaram distorcidas. Intimada a esclarecer, através do Termo de 13/01/98 (item 1) a divergência de procedimentos bem como a base legal que deu suporte à não adição das glosas na apuração das bases de cálculo da Contribuição Social s/ Lucro, a empresa, em sua resposta de fls. 4/5, informa que 'as glosas podem ser consideradas como abatimentos de preços de serviços ou como desconto adicional nas hipóteses em que não haja certeza jurídica sobre o direito do prestador de serviço contra o cliente que não reconhece o valor integral da dívida, tornando, assim, temerária sua cobrança em juízo.' ". (Destaques do original). A autoridade julgadora de primeira instância acolheu parcialmente a impugnação tendo exonerado da tributação as verbas autuadas neste título, itens 9 a 15 da decisão de fls. 296 a 298, in verbis: "8. Inicialmente, abordarei a primeira autuação, fundamentada no art. 220 do RIR/1994: despesas não incorridas por falta de observância das leis comerciais contidas na Lei n°. 6.404 de 1966 (sic), na Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 14 13 apuração do lucro líquido dos períodosbase de dez./1994 a jun./1995; ago./1995 e dez./1996. 9. A interessada não nega efetuar o imediato débito da despesa, referente a parte não recebida do valor faturado, mas alega não estar sujeita à lei n°. 6.404/1976. Ora a empresa em questão é uma sociedade anônima e como tal está sob a tutela da Lei n°. 6.404/1976 que dispõe sobre as sociedades por ações, as quais podem ser abertas ou fechadas, nos termos dos arts. 1°. e 4°. da referida lei. 10. Porém, o procedimento adotado pela interessada em nada fere os ditames da Lei n°. 6.404/1966 (sic) uma vez que apropria como despesa a perda ocorrida por ocasião do recebimento da fatura. 11. Os documentos de fls. 175/198 comprovam ser comum a aceitação, por parte da interessada, de parte das glosas efetuadas pelos planos de saúde, responsáveis pelo pagamento das faturas de seus associados, Tal procedimento, desde que baseados nos contratos firmados, configura erro na emissão da fatura, não cabendo lançamento sobre esses valores 12. No que tange à parte da glosa efetuada pelos clientes e não aceita pela interessada, caberia uma análise mais profunda visto a especificidade dos serviços prestados. 13. A Lei n°. 7.689 de 1988 c/ redação dada pela Lei n°. 8.034 de 1990 dispõe: 'Art. 2°. A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1°. Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; c) o resultado do períodobase apurado com observância da legislação comercial, seráajustado pela: 3 adição do valor das provisões não dedutiveis na determinação do lucro real exceto a provisão para o imposto de renda; (Destaque do original). .......................................................' 14. Tal determinação implica na observância das regras sobre a apropriação dos prejuízos com créditos de liquidação duvidosa. Nestes termos, o procedimento adotado pela interessada provocaria a postergação do recolhimento da CSL, embora, neste caso, caiba a argumentação de que o lançamento desses valores à conta de despesas só teria reflexos tributários no caso do cliente pagar a diferença no período de apuração subsequente. 15. Entretanto, a autuação não versou sobre a adição de provisões não dedutíveis, e a mesma não procede tendo em vista que sob a égide das leis comerciais e, mais especificamente, do art. 177 da Lei n°. 6.404 de 1976 as divergências no faturamento constituem Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 15 14 despesas efetivamente incorridas. Assim, não houve a infração apontada: despesas não incorridas, fundamentada pelo art. 220 do RIR/1994.". Essa decisão foi objeto de recurso ex officio, fls. 299, ao qual foi negado provimento, por maioria de votos, acórdão n°. 10806.665, fls. 315 a 322, encimado pela seguinte ementa: "RECURSO DE OFÍCIO Negase provimento ao recurso de ofício quando a decisão monocrática perfeitamente aplicou a norma ao litígio. A correta observância dos princípios de contabilidade invalida o lançamento de ofício". A Fazenda Nacional, inconformada, apresentou recurso especial, fls. 330 a 333. Reportouse à descrição dos fatos, constantes do termo de verificação fiscal de fls. 111, os quais evidenciariam o equivoco da decisão ora recorrida à vista das provas constantes dos autos. Pede, a Fazenda Nacional, seja reformada a decisão recorrida na parte em que lhe foi desfavorável, prevalecendo a procedência da autuação para gáudio do Direito. Pelo Despacho n°. 1080.120/2002, fls. 335 foi admitido seguimento ao recurso especial. Cientificada da interposição do recurso especial, fls. 339 verso, a contribuinte apresentou contrarazões, fls. 340 a 351, asseverando, em síntese, que as glosas se tornam usuais e necessárias no sistema dos planos de saúde, sendo a contabilização da perda vital para a empresa; aplicase à CSLL a dedução das glosas em face do imposto de renda; eventuais diferenças entre as respectivas bases de cálculo não afetam o direito à dedução das glosas as quais são integralmente dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Alfim, propugna, a contribuinte, pela total desconsideração dos argumentos aduzidos pela Fazenda Nacional e pelo não acolhimento de seu recurso especial. É o relatório VOTO VENCIDO Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER Relator. Empós lido o relatório, antes que pudesse adentrar ao mérito, suscitou preliminar de inadmissibilidade do recurso especial o ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, sob o fundamento de ser defeso à Fazenda Nacional manejar recurso especial contra acórdão de Câmara que nega provimento a recurso ex officio interposto pela autoridade julgadora de primeira instância. O tema, de natureza processual, é complexo e tem ensejado acalorados debates não só nesta Primeira Turma, bem como nas Segunda e Terceira Turmas da CSRF. [...] Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 16 15 Destarte, deixo de acolher a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional e enfrento o mérito. No mérito entendo assistir razão à Fazenda Nacional. A assertiva de que o princípio contábil do reconhecimento da receita deve vir temperado pela prudência é verdadeiro, porém deve ser observado pela contribuinte anteriormente ao reconhecimento da receita. Se a empresa prestou os serviços que faturou aos planos de saúde, seus clientes, então é de se pressupor que adotou as cautelas requeridas ao reconhecimento das receitas. Eventuais glosas às faturas efetuadas pelos planos de saúde, são fatos ocorridos posteriormente ao reconhecimento das receitas que merecem adequado tratamento contábil. A autuação em tela não se insurgiu quanto ao aspecto de as glosas serem inerentes ao tipo de atividade desenvolvida pela contribuinte, e também não se questionou a dedutibilidade de eventuais perdas, desde que comprovadas, decorrentes de glosas de valores faturados. O cerne da autuação fiscal é outro, qual seja, o fato de que o tratamento contábil das glosas, adotado pela contribuinte, causou prejuízo ao fisco, apequenando a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, ou seja, também não se discutiu os motivos das glosas, mas as implicações fiscais que decorreram do tratamento contábil utilizado. Com efeito, ao debitar uma conta de despesa, para abrigar as glosas, anulouse, de pronto, a correspondente receita, visto tratarse a conta representativa das glosas de uma conta de resultado, que diminui o lucro líquido do exercício. Este foi o tratamento contábil inadequado utilizado pela contribuinte pois, apesar de a conta de glosas ser uma conta de resultado, na verdade continha parcelas de receitas recebíveis, com nítidas características de uma conta patrimonial, por paradoxal que possa parecer, ou seja, as glosas apropriadas como despesas ainda não se revestiam da natureza de perdas efetivas visto que partes significativas delas eram recebidas após reclamações e negociações com os clientes, mas aí as parcelas de glosas recebidas não eram mais apropriadas como receitas, e portanto não transitavam por resultado do exercício, mas creditadas diretamente na indigitada conta de glosas, a qual, ao que parece, funcionava como uma espécie de conta de compensação. Neste passo, é que aflora o prejuízo causado ao fisco. Uma vez faturados os serviços prestados, eventuais perdas somente poderiam ser apropriadas como despesas após efetivamente confirmada a procedência das glosas, vale dizer, após se constatar que as perdas se tornaram definitivas. A legislação comercial lembrada ao longo da lide, a Lei n°. 6.404/76, somente admite a contabilização de eventuais perdas desde que comprovado que se tornaram definitivas, bem como a legislação fiscal exige a comprovação de que foram esgotados todos os meios de cobranças possíveis. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 17 16 Assim, as parcelas das faturas glosadas, sem dúvidas devem ser controladas contabilmente, mas de modo a afetar o resultado do exercício somente se comprovada a efetividade da perda, por exemplo, mediante a utilização de uma conta patrimonial ativa que abrigariam as glosas em discussão, a ser creditada pelas perdas efetivas tendo como contrapartida débito de uma conta de resultado. Outra possibilidade de adequado tratamento contábil e fiscal dessas glosas, enquanto controladas em conta patrimonial ativa, como créditos a receber em discussão, é o seu cômputo na provisão para devedores duvidosos — PDD, conta que era utilizada pela contribuinte, também alvo das verificações fiscais, item 1 do TVF, fls. 109. Outro aspecto que evidencia o acerto do procedimento fiscal está em que os valores das glosas autuadas foram adicionados ao lucro líquido do exercício na apuração do lucro real, para efeitos do imposto de renda pessoa jurídica, entretanto, não o foram para efeito da determinação da base de cálculo da CSLL, ao passo que a contribuinte, em nenhum momento questionou os fatos, e nem declinou qual a base legal que autorizasse afetar a base de cálculo da CSLL quanto às referidas glosas, tendo se limitado a propugnar que as glosas poderiam ser consideradas como abatimentos de preços de serviços ou como desconto adicional. A possibilidade aventada pela ilustre autoridade julgadora em primeira instância, de que o procedimento adotado pela contribuinte, eventualmente, poderia resultar em postergação do pagamento da CSLL, é algo que dependeria de comprovação, a cargo da contribuinte, considerandose ainda que, pela sistemática contábil utilizada de controle das glosas e a sua intempestiva apropriação como despesas, resulta que a referida conta sempre conteria um "estoque" de glosas, postergandose indefinidamente o pagamento de uma parcela de CSLL, mais ou menos significativa, ao sabor das glosas que viessem a ser efetuadas pelos clientes da autuada. Esse procedimento contábil, por equivocado e ao arrepio da legislação comercial e fiscal, merece ser revisto por parte da contribuinte, adequando o, mediante observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, revelandose a autuação fiscal, no particular, como um corte, ou termo final na sistemática adotada pela contribuinte, ao promover o necessário ajuste fiscal mediante exigência da diferença de CSLL que deixou de ser paga na oportunidade em que devida. Na esteira destas considerações, oriento o meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento para, reformandose o acórdão recorrido, restabelecer a tributação sobre a verba exonerada pela decisão de primeira instância, objeto do presente recurso. Brasília DF, em 13 de junho de 2005. CANDIDO RODRIGUES NEUBER Vale destacar desde logo que o fato de o Termo de Verificação Fiscal fazer menção ao art. 220 do RIR/1994 não trouxe nenhum prejuízo ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL): Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 18 17 RIR/1994 Art. 220. Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro liquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do períodobase e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei n° 1.598/77, art. 7°, § 4°, e Lei n° 7.450/85, art. 18) . §1° O lucro liquido do períodobase deverá ser apurado com observância das disposições da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (DecretoLei n° 1.598/77, art. 67, XI, e Lei n° 7.450/85, art. 18). O referido dispositivo nada mais faz do que dizer que o lucro líquido do período (que é a base de cálculo da CSLL) deverá ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404/1976, que também foi expressamente citada no mesmo Termo de Verificação Fiscal. Não restou nenhuma dúvida sobre o motivo do lançamento da CSLL. Vêse que, antes mesmo da autuação fiscal a contribuinte foi intimada a esclarecer o motivo pelo qual ela tinha adicionado as GLOSAS ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real (IRPJ), e não tinha feito o mesmo para a CSLL, conforme consta do referido Termo de Verificação Fiscal: [...] Apesar de incorreto, o procedimento adotado não produziu efeitos fiscais quanto ao IRPJ, já que o valor de GLOSAS foi adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro real. A mesma adição, todavia, não foi efetuada na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro. Em conseqüência, as bases de cálculo da Contribuição Social s/ Lucro resultaram distorcidas. Intimada a esclarecer, através do Termo de 13/01/98 (item 1) a divergência de procedimento bem como a base legal que deu suporte à não adição das glosas na apuração das bases de cálculo da Contribuição Social s/ Lucro, a empresa, em sua resposta de fls. 4/5, informa que "as glosas podem ser consideradas com abatimentos de preços de serviços ou como desconto adicional nas hipóteses em que não haja certeza jurídica sobre o direito do prestador de serviço contra o cliente que não reconhece o valor integral da dívida, tornando, assim, temerária sua cobrança em juízo". Aliás, este já é um forte motivo para se questionar o procedimento que a contribuinte adotou para a CSLL, eis que ela mema reconhece em suas contrarrazões que o IRPJ e a CSLL apresentam identidade substancial quanto ao núcleo do seus fatos geradores: renda ou lucro consubstanciado em acréscimo de patrimônio líquido, e que deveria ser aplicado à CSLL o mesma tratamento da dedução das GLOSAS dado para o imposto de renda. Nesse contexto, a questão apresentada na intimação fiscal, antes mesmo do lançamento, permanece em aberto: porque a contribuinte adicionou as GLOSAS na apuração do IRPJ, e não fez o mesmo procedimento para a apuração da CSLL? Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 19 18 Outro aspecto relevante é que o lançamento não afrontou nenhum dos princípios constitucionais mencionados pela contribuinte em suas contrarrazões, e também não desvirtuou o conceito de renda/lucro, nem incidiu sobre o patrimônio da contribuinte. As considerações do voto acima transcrito deixam bem claro que a autuação em tela não se insurgiu quanto ao aspecto de as glosas serem inerentes ao tipo de atividade desenvolvida pela contribuinte. Não se questionou a dedutibilidade de eventuais perdas, desde que comprovadas, decorrentes de glosas de valores faturados, e também não se discutiu os motivos das glosas. O cerne da autuação fiscal realmente foi outro, qual seja, o fato de que o tratamento contábil das glosas, adotado pela contribuinte, causou prejuízo ao Fisco, apequenando a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, em dissonância com o tratamento que a própria contribuinte dava para o IRPJ. Não estava correto o procedimento adotado pela contribuinte, em reconhecer de imediato como despesa (reduzindo o lucro líquido) parcelas ainda recebíveis, valores que ainda não se revestiam da natureza de perdas efetivas, visto que partes significativas desses valores eram recebidos após reclamações e negociações com os clientes. E o fato de a contribuinte fazer posteriormente créditos na conta GLOSAS, em razão dos valores que acabava conseguindo receber, não justifica a dedução antecipada e indevida de perdas, que, ao menos em parte, nem mesmo se confirmavam. A legislação comercial lembrada ao longo da lide, a Lei 6.404/76, somente admite a contabilização de eventuais perdas desde que comprovado que se tornaram definitivas (perdas efetivamente incorridas Lei 6.404/76, art. 187, §1º), e a legislação fiscal exige a comprovação de que foram esgotados todos os meios de cobranças possíveis para a sua dedutibilidade. Assim, as alegadas perdas não poderiam ter sido deduzidas da forma como fez a contribuinte. Uma outra possibilidade para o adequado tratamento contábil e fiscal dessas perdas, como bem lembra o voto acima transcrito, seria mediante a constituição de provisão para devedores duvidosos (PDD), conforme a legislação da época, mas esse também não foi o caminho adotado pela contribuinte em relação às glosas em questão. Desse modo, e agregando a este voto todos os fundamentos contidos no voto acima transcrito, da lavra do conselheiro Cândido Rodrigues Neuber, proferido em ocasião anterior quando esta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais apreciou pela primeira vez o recurso especial que está sendo novamente examinado, DOU provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer o referido item da autuação fiscal referente à CSLL dos anoscalendário de 1994, 1995 e 1996 (Despesas não Incorridas). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10768.015560/9864 Acórdão n.º 9101003.443 CSRFT1 Fl. 20 19 Fl. 685DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.720786/2016-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 07 86 /2 01 6- 41 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 07 a 10, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2014, anocalendário de 2013, por meio do qual foi constatado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, reduzindo , assim, o saldo de imposto de renda a restituir declarado de R$3.319, 29 para um saldo de imposto de renda suplementar a recolher de aproximadamente R$11.553,37, considerando juros de mora e multa de ofício calculados até junho de 2016. O interessado foi cientificado da notificação em 29/06/2016 e apresentou impugnação em 14/07/2016 (fls. 03 e 04), alegando, em síntese, que o rendimento é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave. A DRJ Curitiba, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda no exercício de 2014 por não ter sido o laudo emitido por serviço médico oficial;. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação e desta vez junta o laudo do serviço médico oficial, corroborando a sua situação de portador de moléstia grave, contraída desde 2009 É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia Grave O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de rendimento recebido e declarado como isento em função de moléstia grave. Entende a DRJ Curitiba que o contribuinte não logrou comprovar que o mesmo seria portador de moléstia prevista na legislação autorizativa para concessão do benefício da isenção do IRPF eis que o laudo não teria sido emitido por serviço médico oficial. Em relação à isenção dos proventos de aposentadoria auferidos por portadores de moléstia grave, a matéria sob análise está disciplinada no art. 39, XXXI e XXXIII do RIR/1999, da seguinte forma: Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10325.720786/201641 Acórdão n.º 2001000.346 S2C0T1 Fl. 3 3 “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis d controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Há, portanto, dois requisitos básicos para que haja o reconhecimento da isenção em discussão: (a) que os rendimentos sejam de proventos de aposentadoria ou reforma ou, ainda, recebidos a título de pensão; e (b) exista laudo pericial, emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de uma das moléstias previstas em lei. Fl. 50DF CARF MF 4 A título de comprovação de sua isenção, o contribuinte traz aos autos todos os documentos exigidos por lei . Inclusive em sede de Recurso Voluntário trouxe laudo emitido por serviço médico oficial, argumento que servira de fundamento pela DRJ Curitiba para o não reconhecimento do benefício tributário. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10325.720786/201641 Acórdão n.º 2001000.346 S2C0T1 Fl. 4 5 Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na total comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave no ano calendário de 2013, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário considerados os rendimentos como isentos para fins fiscais. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a situação de isenção fiscal do Contribuinte por ser portador de moléstia grave e, por conseqüência, considerar os seus rendimentos como isentos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 52DF CARF MF
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