Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.928907/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2005 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.928907/2009-55
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861347
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.183
nome_arquivo_s : Decisao_11080928907200955.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080928907200955_5861347.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7273254
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311676919808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928907/200955 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.183 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria PIS/Cofins Recorrente THYSSENKRUPP ELEVADORES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 89 07 /2 00 9- 55 Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.877, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.928907/200955 Acórdão n.º 3402005.183 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003838/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006
NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA
Descabe a alegação de cerceamento de defesa quando se observa a oportunização razoável e suficiente ao contribuinte para produzir as provas necessárias à demonstração de sua tese.
OMISSÃO DE RECEITA - PRESUNÇÃO LEGAL - ART. 42 DA LEI 9.430/96
Constatada a existência de depósitos bancários mantidos a margem da escrituração fiscal/contábil do contribuinte, aplica-se ao caso as disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, invertendo-se o ônus da prova.
Numero da decisão: 1302-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA Descabe a alegação de cerceamento de defesa quando se observa a oportunização razoável e suficiente ao contribuinte para produzir as provas necessárias à demonstração de sua tese. OMISSÃO DE RECEITA - PRESUNÇÃO LEGAL - ART. 42 DA LEI 9.430/96 Constatada a existência de depósitos bancários mantidos a margem da escrituração fiscal/contábil do contribuinte, aplica-se ao caso as disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, invertendo-se o ônus da prova.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10320.003838/2010-76
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861400
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.772
nome_arquivo_s : Decisao_10320003838201076.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
nome_arquivo_pdf_s : 10320003838201076_5861400.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7273307
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311680065536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 207 1 206 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.003838/201076 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.772 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria SIMPLES FEDERAL OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente J M A ARAÚJO COMÉRCIO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2006 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Descabe a alegação de cerceamento de defesa quando se observa a oportunização razoável e suficiente ao contribuinte para produzir as provas necessárias à demonstração de sua tese. OMISSÃO DE RECEITA PRESUNÇÃO LEGAL ART. 42 DA LEI 9.430/96 Constatada a existência de depósitos bancários mantidos a margem da escrituração fiscal/contábil do contribuinte, aplicase ao caso as disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, invertendose o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 38 38 /2 01 0- 76 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10320.003838/201076 Acórdão n.º 1302002.772 S1C3T2 Fl. 208 2 Relatório Cuida o processo de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente por meio do qual se lhe exige o recolhimento de crédito tributário concernente aos tributos que compunham o Simples Federal, além de multa de ofício e multa isolada (por falta de comunicação obrigatória de exclusão do regime simplificado de recolhimento de tributos federais). Pelo que se extrai do auto de infração em análise, o contribuinte teria apresentado DPJS zerada, quanto ao ano calendário de 2006; em vista disso, a D. Fiscalização intimouo para apresentar os documentos pertinentes, inclusive livros fiscais/contábeis, além de extratos bancários de sua titularidade. O contribuinte apresentou o livro caixa, deixando de trazer qualquer outro documento adicional. Instado a explicar as divergências de valores verificados no Livro Caixa e os montantes apurados nos extratos bancários obtidos mediante emissão de RMF à instituições financeiras em que o contribuinte mantinha contas correntes, o Recorrente se limitou a afirmar o que se segue: 02.4 No ano 2.006 foram realizados diversos Leilões nesta Cidade tendo como objeto a arrematação de sucata de ferro, metal, cobre, alumínio e centrais telefônicas. Consabido que acaso anunciada a participação direta das empresas supra, o valor das mercadorias seria redimensionado para maior, dado o porte econômico das empresas em questão. 02.5 Como se vê no Anexo II Extrato dos Depósitos/Créditos Bancário, as empresas suso realizaram inúmeros depósitos na conta corrente da • Signatária a fim de que fosse adquirida a mercadoria objeto dos Leilões, a exemplo dos efetuados pela CEMAR, ELETRONORTE, ALCOA, ALUMAR, COMPANHIA VALE DO RIO DOCE, TELEMAR e EMBRATEL. Leilões, estes realizados pelos Leiloeiros Wesley Alves Pereira, Vicente de Paulo Albuquerque Costa Filho, Hettury Wladimir Palhais Alves Pereira, Dalton Luis de Moraes Leal, José Henrique de Moura Ferro Frazdo e Francisco de Assis Costa Aranha, conforme relação em apenso (doc. 01). 02.6 Destaquese que as Notas Fiscais, Carta de Arrematação destes Leilões foram emitidas em nome das empresas depositantes, a saber, as que estão acima especificadas. 02.7 Lamentavelmente, em razão do decurso do prazo, a Signatária não dispõe de cópia destes documentos, contudo, contatou com os Leiloeiros a fim de que seja fornecida cópia das Notas Fiscais, bem como das atas dos Leilões em que o representante legal da Signatária defendia os interesses das empresas supra, ou melhor, que demonstram que a Signatária adquiria as mercadorias diretamente para as já relacionadas empresas. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10320.003838/201076 Acórdão n.º 1302002.772 S1C3T2 Fl. 209 3 02.8 Isto significa dizer, que o valor atinente a diferença entre as Notas Fiscais emitidas pela Signatária e os valores depositados em sua conta corrente correspondem a intermediação destes Leilões para as empresas mencionadas, bem como despesas com o frete para o transporte das mercadorias arrematadas nesta Capital para o endereço sede destas empresas e, ainda, ICMS do frete. Nesta ocasião, solicitou a concessão de prazo de 60 dias para localizar a documentação que daria lastro às suas alegações; a Fiscalização concedeu 30 dias para além dos 20 dias originariamente consignados no termo de intimação. Passado o prazo acima, nada foi apresentado ou alegado. Em decorrência disso, lavrou o auto de infração sub examine, em que foram identificadas as seguintes infrações: a) Omissão de Receitas – Receitas Escrituradas e Não Declaradas (no livro caixa foram informadas as emissão de notas fiscais e o recebimento dos respectivos valores; todavia, como dito acima, a empresa havia apresentado a DPJS zerada, de sorte que tais valores jamais foram levados à tributação), b) Omissão de Receitas – Depósitos Bancários Não Escriturados (os valores das notas fiscais informadas no Livro Caixa era muito inferiores aos valores depositados em contas correntes de titularidade do Recorrente, pelo que autuouse a diferença pela capitaluçaõ ora descrita) e; c) Falta de Comunicação da Exclusão da Empresa do Simples. Cientificados da autuação o contribuinte apresentou impugnação em que se limita a reproduzir a explicação já transcrita acima, afirmando, outrossim, que o auto de infração seria nulo por cerceamento de defesa tendo em conta o fato da Fiscalização não lhe ter concedido o prazo de 60 dias requerido para apresentar a documentação comprobatória de suas alegações. A DRJ de Brasil houve por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo, na íntegra, o lançamento e a exclusão da empresa do Simples. Intimado do resultado do julgamento acima em 17/04/2015 (AR de efls. 196) o contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 15/05/2015 (termo de solicitação de juntada de efls. 197), reprisando os argumentos já apresentados por ocasião de sua impugnação. Cumpre, apenas, anotar, que o argumento constante do recurso voluntário (a exemplo do que ocorreu na impugnação) é, apenas, e tão somente, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, nada dizendo sobre a omissão de receitas escrituradas, porem não declaradas, sobre a multa isolada aplicada ou mesmo sobre a sua exclusão do Simples. Este, o relatório. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10320.003838/201076 Acórdão n.º 1302002.772 S1C3T2 Fl. 210 4 Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. De início é preciso destacarse algumas premissas fáticas: a) o contribuinte, ora recorrente, não apresentou, nem mesmo, as notas fiscais emitidas para as empresas com que, disse, mantinha relações comerciais (notas fiscais cuja guarda e apresentação ao Fisco, quando solicitado, é obrigatória); b) não exibiu, outrossim, um único contrato, termo, email ou anotação que seja que demonstrasse, não só a existência dos negócios pactuados com as empresas listadas em sua defesa, como, também, a natureza destes negócios ou avenças; c) também não trouxe aos autos uma cópia de edital, notícia, boato, sobre os leilões que, afirma, teria participado na condição de intermediador das empresas com as quais, afirma, mantinha relações comerciais; d) por, apresentou DPJS zerada o que, quando menos, revela o seu total descaso para com o Fisco Federal e com o erário. A falta, quiçá, deste início de prova atou as mãos da fiscalização; caso, quando menos, as notas fiscais informadas no Livro Caixa tivessem sido apresentadas, a D. Auditoria poderia (e, entendo, até, deveria) intimar as empresas destinatárias das mercadorias nelas consignadas para prestar esclarecimentos, tanto quanto aos valores pagos (forma, data, causa, etc), como quanto a natureza a relação comercial/negocial havida com o Recorrente. Nada obstante, o único documento apresentado pelo recorrente é uma relação de leiloeiros retirada do site da junta de comércio... Claro que, a mingua de provas de que as suas alegações eram verdadeiras (de que os valores depositados eram, em verdade, parte dos montantes pagos em decorrência dos leilões intermediados), e, mais, verificada a omissão de receitas depósitos de origem não comprovada, observarse, no caso, a inversão do ônus da prova, justamente por força dos preceitos do art. 42 da Lei 9.430/96; ou seja, se o único argumento suscitado para afastar a presunção seria a prático do negócio "intermediação", cabia ao contribuinte proválo por meios idôneos... Agora, a alegação de que não dispôs de tempo hábil para levantar a documentação e que, nesta esteira, teria havido cerceamento de defesa, venia concessa, é absolutamente desarrazoada. Primeiramente, como já dito, bastava ao contribuinte trazer as notas fiscais registradas em seu Livro Caixa e eventuais contratos (ou mesmo emails) que comprovassem a natureza do relacionamento comercial que detinha com as empresas citadas em sua peça de defesa. Não se trata, vejam bem, de uma documentação extensa (até porque estamos tratando de apenas um anocalendário em que o valor total somado das notas alçou a monta de pouco Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10320.003838/201076 Acórdão n.º 1302002.772 S1C3T2 Fl. 211 5 mais de R$ 2.700.000,00), e, ainda assim, o Recorrente teve, inicialmente, 20 dias para buscá la, prazo que foi prorrogado por mais 30 dias... Sem prejuízo do fato de que, lavrado o auto de infração, lhe foi franqueado mais trinta dias para fazer a impugnação administrativa (oposta em dezembro do ano de 2010). De lá para cá, passaramse 8 (oito) anos... que o Recorrente trouxesse, então, dos documentos em questão nas suas razões recursais e demonstrasse o motivo pelo qual não os exibiu até a data a apresentação da impugnação, mormente porque a aceitação de tais documentos, a depender das justificativas declinadas, poderiam, perfeitamente ser aceitos (art. 16 do Decreto 70.235/72); e, passados os oitos anos desde a data da apresentação de sua impugnação, nenhum documento foi apresentado. Tudo isso sem o prejuízo do fato de que a fiscalização lhe concedeu, ao todo, cinquenta dias para trazer a documentação pertinente (lembrando que o Recorrente solicitou um prazo de 60 dias). Enfim, ao contribuinte teve oportunidade suficientes, e prazo muito mais que razoável, para produzir no mínimo um início de prova sobre as suas assertivas e, nada obstante, preferiu o silêncio. Não há e não houve cerceamento de defesa no caso dos autos, não havendo, nesta esteira, reparos a se fazer no auto de infração ou, mesmo, no acórdão recorrido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.720002/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO.
A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.
O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999.
INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 2301-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16370.720002/2012-92
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861920
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.211
nome_arquivo_s : Decisao_16370720002201292.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16370720002201292_5861920.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7281416
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311683211264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16370.720002/201292 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.211 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE LONDRINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos será encaminhada mensalmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, “f”, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 72 00 02 /2 01 2- 92 Fl. 150DF CARF MF 2 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1669.577, exarado pela 12ª Turma da DRJ em São Paulo (efls. 03 a 07). O processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração Debcad n° 51.021.6110, que formaliza multa no montante de R$1.617,12, por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 226, §§ 1° e 2° do Decreto 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), por ter o sujeito passivo deixado de encaminhar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos mensalmente, ou encaminhar fora do prazo ou apresentar com incorreções ou omissões. O relatório fiscal (efls. 3940) informa que: (a) não constando nos sistemas informatizados da RFB o Relatório Mensal de Alvarás de Construção e Cartas de Habitese, previsto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991 e art. 226 do Decreto 3.048, de 1999, o contribuinte foi intimado ao cumprimento de sua obrigação acessória referente ao mês 05/2007 pela Intimação DRF/LON/PR/SACAT n° 218/2012, de 26 de março de 2012, recebida em 27/03/2012 (efl. 14); (b) visto que a legislação tributária, mormente a Portaria Interministerial MPS/MF N° 2, de 2012, art. 8°, IV, prevê a multa de R$1.617,12 pelas infrações ao art. 283 do RPS, o qual na alínea "f" define como infração "deixar o dirigente dos órgãos municipais competentes de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social as informações concernentes aos alvarás, "habitese" ou documento equivalente, relativos a construção civil, na forma do art. 226", e até a presente data, expirado o prazo concedido na Intimação, o contribuinte não se manifestou, lavrouse o auto de infração no valor de R$ 1.617,12. Na impugnação (efls. 88 a 97) foi alegado, em síntese: (a) a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa; (b) a inexistência de irregularidade e a necessidade do cancelamento da multa, em face de ser caso de não aplicação da penalidade; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16370.720002/201292 Acórdão n.º 2301005.211 S2C3T1 Fl. 3 3 (c) a inexistência de irregularidade pela entrega, fora do prazo, da documentação, tendo sido cumprida a obrigação e atingida a finalidade; (d) caso se entenda devida a multa, ela deve ser minorada por aplicação analógica do § 2°, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Os pedidos consistem no cancelamento do debcad, e, em consequência, da multa impugnada. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/04/2012 Ementa: MUNICÍPIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. São representados em juízo, ativa e passivamente, o Município, por seu Prefeito ou procurador, nos termos do Código de Processo Civil. Nos termos da Lei Orgânica do Município, à Procuradoria Geral do Município, órgão diretamente subordinado ao Prefeito, compete representar judicial e extrajudicialmente o Município. AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no Auto de Infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo Relatório Fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos, será encaminhada mensalmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos é considerado descumprimento de obrigação tributária acessória, que sujeita o infrator à penalidade prevista na alínea "f", do inciso I do art. 283, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 152DF CARF MF 4 O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária. A ciência dessa decisão ocorreu em 17/09/2015 (efl. 135). Em 06/10/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 137 a 143), sendo repetidos os argumentos e os pedidos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator. O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE É alegada a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa, ocasionando cerceamento do direito de defesa, já que foi aplicada multa mínima, no valor de R$1.617,12, sendo de R$636,17 o valor mínimo indicado no RPS. Entendo não ter restado configurada qualquer nulidade. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16370.720002/201292 Acórdão n.º 2301005.211 S2C3T1 Fl. 4 5 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, o auto de infração, do qual o “relatório fiscal do auto de infração” é parte integrante, contém a descrição dos fatos e a base legal para a aplicação da multa, não ocorrendo o alegado cerceamento do direito de defesa. Vejamos a base legal citada. Lei 8.212, de 1991: Art. 50. Para fins de fiscalização do INSS, o Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. (Redação dada pela Lei n° 9.476, de 1997) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999: Art. 226. O Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá ao Instituto Nacional do Seguro Social, para fins de fiscalização, mensalmente, relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos, de acordo com critérios estabelecidos pelo referido Instituto. § 1° A relação a que se refere o caput será encaminhada ao INSS até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.(Redação dada pelo Decreto n°4.032, de 2001) § 2° O encaminhamento da relação fora do prazo ou a sua falta e a apresentação com incorreções ou omissões sujeitará o dirigente do órgão municipal à penalidade prevista na alínea "f do inciso I do art. 283. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Fl. 154DF CARF MF 6 Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...); f deixar o dirigente dos órgãos municipais competentes de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social as informações concernentes aos alvarás, "habitese " ou documento equivalente, relativos a construção civil, na forma do art. 226; e Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria Interministerial MPS/MF n° 02 de 06/01/2012: Art. 8° A partir de 1° de janeiro de 2012: (...); IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos) a R$ 161.710,08 (cento e sessenta e um mil, setecentos e dez reais e oito centavos); Ou seja, não há qualquer omissão na indicação da forma de cálculo do valor da multa; assim, não há falar em cerceamento do direito de defesa. DE SER INDEVIDA A MULTA PELA FALTA DE ENTREGA DA RELAÇÃO DE TODOS OS ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE "HABITESE" CONCEDIDOS PELO MUNICÍPIO DE LONDRINA O recorrente alega que a infração não deve subsistir, uma vez que “a multa se refere à falta de entrega da relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos pelo Município de Londrina”, sendo inaplicáveis os fundamentos legais indicados, os arts. 50 e 102, da Lei 8.212/91 (arts. 283, I, "f" e 373 do Decreto Federal n. 3.048/99). Aduz que, quanto aos entes públicos, não existe a possibilidade de estipulação de "obrigação acessória tributaria", pois tanto a Constituição quanto o CTN tratam apenas de "cooperação mútua", sendo este o espírito que o legislador deu ao art. 50 da Lei 8.212, de 1991, conforme previsto nos artigos 198, § 2° e 199 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à impossibilidade serem instituídas obrigações acessórias dirigidas a entes públicos, gizo que os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16370.720002/201292 Acórdão n.º 2301005.211 S2C3T1 Fl. 5 7 fundacional são considerados empresa para fins da aplicação da Lei 8.212, de 1991 (art. 15, I, parte final, da Lei 8.212, de 1991), estando sujeitos às obrigações acessórias previstas na legislação tributária. O art. 50 da Lei 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 9.476, de 1997, dispõe que, para fins de fiscalização da RFB, o município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Regulamentando esse dispositivo, o art. 226 do RPS, determina que a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos será encaminhada à RFB até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. Assim, tratase de obrigação tributária destinada especificamente ao ente municipal, com previsão expressa de multa pelo seu descumprimento no § 2º do art. 226, já transcrito. A autoridade fiscal é vinculada à aplicação da legislação citada, face ao disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, pelo qual “a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A seu turno, o disposto nos arts. 198 e 199 do CTN não possui o condão de elidir o lançamento, uma vez que o intercâmbio de informações ou a prestação de mútua assistência “para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações” não desobriga o cumprimento das obrigações acessórias pelos entes públicos. Por outro lado, não existe qualquer ilegitimidade na previsão da multa. Ora, não havendo previsão expressa de multa pelo descumprimento do disposto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991, o art. 92 do mesmo diploma legal determina que, quando “não haja penalidade expressamente cominada”, seja aplicada multa variável, conforme dispor o regulamento. O art. 226 do RPS, com base nesse permissivo legal, indica que a multa a ser aplicada é a prevista na alínea “f” do inciso I do art. 283, cujo valor é reajustado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 02 de 2012. DA ENTREGA, FORA DO PRAZO, DO RELATÓRIO Argumenta o recorrente que, conforme informação da Diretoria de Aprovação de Projetos, da Secretaria Municipal de Obras de Pavimentação do Município de Londrina, houve a entrega dos relatórios requeridos após o recebimento da intimação, ainda que não no prazo de vinte dias, não sendo cabível a aplicação de penalidade uma vez cumprida a obrigação, devendo ser anulado o auto de infração. Como visto, o art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991 estabelece ao município a obrigação de fornecer a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Por sua vez, o art. 226 do RPS estabelece o prazo para o cumprimento da obrigação (§ 1º) e regulamenta a sanção no caso de descumprimento (§ 2º). A recorrente não nega a entrega fora do prazo das relações de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Fl. 156DF CARF MF 8 Tendo havido a incidência da norma sancionadora, não há como afastála face aos argumentos expostos, ainda que tenham sido entregues, a destempo, os documentos solicitados. DA MINORAÇÃO DO VALOR DA MULTA A recorrente solicita a minoração do valor da multa, por aplicação analógica do § 2º, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Não há como atender o requerido, uma vez que a legislação apontada aplica se exclusivamente à infração relacionada à entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gfip), documento que não se confunde com o que estamos tratando. No caso, o valor da multa para a infração constatada encontrase expressamente previsto no art. 283, I, "f" e 373 do Decreto 3.048, de 1999. Havendo disposição expressa, não e aplicável o art. 108 do CTN, que dispõe sobre a analogia. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. (Grifouse.) Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005265/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
NÃO OBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Recurso Voluntário interposto quando já transcorrido o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 importa em intempestividade, tendo por conseqüência o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2402-006.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Ronnie Soares Anderson, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (Vice- Presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NÃO OBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Recurso Voluntário interposto quando já transcorrido o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 importa em intempestividade, tendo por conseqüência o seu não conhecimento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.005265/2010-81
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863390
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.136
nome_arquivo_s : Decisao_15504005265201081.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATA TORATTI CASSINI
nome_arquivo_pdf_s : 15504005265201081_5863390.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Ronnie Soares Anderson, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (Vice- Presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7287748
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311686356992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 928 1 927 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.005265/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.136 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SHAFT ENGENHARIA E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NÃO OBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Recurso Voluntário interposto quando já transcorrido o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 importa em intempestividade, tendo por conseqüência o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Ronnie Soares Anderson, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (Vice Presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 52 65 /2 01 0- 81 Fl. 928DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0263.084, da 6ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (fls. 903/909), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.208.9623. De acordo com o relatório fiscal de fls. 06, tratase de multa aplicada ao contribuinte por não incluir em GFIP vários contribuintes individuais e suas remunerações nas competências de janeiro/2005 a dezembro/2005: "A empresa deixou de incluir na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP diversos contribuintes individuais e respectivas remunerações nas competências de janeiro/2005 a dezembro/2005. Tal conduta infringe a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV, §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4º. do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Consta em nome da empresa auto de infração referente à mesma infração, sendo a autuada reincidente. Não ficou configurada nenhuma outra circunstância agravante prevista no Regulamento aprovado pelo Decreto 3048/99." A autuada apresentou impugnação tempestiva alegando, em síntese: a) que efetuou o pagamento dos créditos tributários lançados valendose dos benefícios da anistia instituída pela Lei nº 11.941/09; b) nulidade do lançamento em função de erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que o lançamento se deu apenas contra o seu estabelecimento matriz, sendo certo que os fatos geradores ocorreram também em outros estabelecimentos da empresa; c) decadência dos créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e março de 2005, à luz do que dispõe o CTN 150 § 4º; e d) ilegalidade da aplicação da multa mais gravosa, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, tendo em vista a posterior entrada em vigor da Lei nº 11.941/09, que revogou os §§ 3º e 5º da Lei nº 8.218/91, passando a multa aplicável à espécie, a partir de então, a ser regulada por novo dispositivo legal, qual seja o artigo 32A da Lei 8.212/91, que por trazer sanção mais benéfica, é o que deve ser aplicado, conforme determina o CTN 106. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário integralmente, em julgado assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 15504.005265/201081 Acórdão n.º 2402006.136 S2C4T2 Fl. 929 3 Constitui infração à legislação a apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PERDA DA ESPONTANEIDADE . O início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade em denunciar irregularidades para os fins de declarar e retificar declarações referentes aos tributos objeto do procedimento fiscal a que está submetido. DECADÊNCIA O direito de apurar e constituir os créditos tributários extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. MULTA. Não compete ao órgão julgador administrativo aplicar entendimentos divergentes das normas legais, para redução de valores de multas lançados de conformidade com a legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuada foi intimada do aludido acórdão aos 19/02/2015 (quintafeira), conforme faz prova o Aviso de Recebimento da ECT de fls. 915, e interpôs Recurso Voluntário contra essa decisão aos 25/03/2015 (quartafeira) (fls. 994). No recurso, a Recorrente repisou seus argumentos já trazidos em sua defesa, agora dando especial ênfase às alegações quanto à ilegalidade da Autuação, que não observou o princípio da retroatividade benigna no que diz respeito à aplicação das multas pelo descumprimento de obrigações principal e acessórias. Sem contrarrazões. É o que cumpria relatar. Fl. 930DF CARF MF 4 Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora Como mencionado, a Recorrente foi notificada do acórdão da DRJ aos 19/02/2015, uma quintafeira, conforme Aviso de Recebimento de fls. 915, e somente interpôs Recurso Voluntário contra essa decisão aos 25/03/2015, uma quartafeira. Nos termos do que dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.(destacamos) Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." E dispõe, ainda, o seu artigo 5°, "caput", que "Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento". Por seu vez, dispõe o NCPC 1.003, § 6º: "Art. 1.003. (...) § 6o O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso." Pois bem. Diante do que consta dos autos, constatase que o Recurso Voluntário foi interposto pela Recorrente quando já transcorrido o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 para tanto. E não há, nos autos, nenhuma informação acerca de fato que pudesse interferir na contagem do prazo processual, como a existência de algum feriado local, por exemplo. Nesse cenário, considerando que a Recorrente foi notificada da decisão da DRJ aos 19/02/2015 (AR de fls. 915), o termo final para a interposição do Recurso Voluntário seria o dia 22/03/2015 que, por tratarse de um domingo, prorrogouse para primeiro dia útil subsequente, qual seja 23/03/2015, segundafeira. Desse modo, tendo sido interposto apenas no dia 25/03/2015, tratase de recurso intempestivo. Conclusão Ante o exposto, à vista de sua intempestividade, voto por não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 15504.005265/201081 Acórdão n.º 2402006.136 S2C4T2 Fl. 930 5 Fl. 932DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001216/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 06/12/2006
DECADÊNCIA. PRAZO.
A contagem do prazo decadencial relativo à multa pelo não atendimento da intimação para fornecimento de documentos e informações tem por referência a data em que houve a omissão no cumprimento da obrigação e não as competências que estão sendo fiscalizadas.
MULTA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. PORTARIA. LEGALIDADE.
O mero reajuste no valor das multas por norma complementar (Portaria) não ofende a legalidade.
PERÍCIA. PROVA. INDEFERIMENTO.
O pedido de realização de perícia deve ser indeferido quando se referir a questões que estão no âmbito de conhecimento do julgador e tiver por objeto suprir a incapacidade do recorrente em se desincumbir de seu ônus probatório.
Numero da decisão: 2201-004.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 06/12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO. A contagem do prazo decadencial relativo à multa pelo não atendimento da intimação para fornecimento de documentos e informações tem por referência a data em que houve a omissão no cumprimento da obrigação e não as competências que estão sendo fiscalizadas. MULTA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. PORTARIA. LEGALIDADE. O mero reajuste no valor das multas por norma complementar (Portaria) não ofende a legalidade. PERÍCIA. PROVA. INDEFERIMENTO. O pedido de realização de perícia deve ser indeferido quando se referir a questões que estão no âmbito de conhecimento do julgador e tiver por objeto suprir a incapacidade do recorrente em se desincumbir de seu ônus probatório.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11330.001216/2007-51
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869558
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.472
nome_arquivo_s : Decisao_11330001216200751.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 11330001216200751_5869558.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7322995
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311758708736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 549 1 548 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.001216/200751 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.472 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente EMPRESA DE NAVEGAÇÃO ALIANÇA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 06/12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO. A contagem do prazo decadencial relativo à multa pelo não atendimento da intimação para fornecimento de documentos e informações tem por referência a data em que houve a omissão no cumprimento da obrigação e não as competências que estão sendo fiscalizadas. MULTA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. PORTARIA. LEGALIDADE. O mero reajuste no valor das multas por norma complementar (Portaria) não ofende a legalidade. PERÍCIA. PROVA. INDEFERIMENTO. O pedido de realização de perícia deve ser indeferido quando se referir a questões que estão no âmbito de conhecimento do julgador e tiver por objeto suprir a incapacidade do recorrente em se desincumbir de seu ônus probatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 16 /2 00 7- 51 Fl. 549DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 492/512) apresentado em face do Acórdão nº 1216.996, da 12ª Turma da DRJ/RJ01 (fls. 462/478), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração pelo qual é exigida multa por ter a empresa deixado de apresentar à fiscalização os documentos solicitados através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 30/212). Segundo o relatório fiscal anexo à NFLD nº 37.026.6803 (fl. 392), a multa no valor de R$ 11.568,34 foi aplicada por infringência ao art. 33, § 2º, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 232 do Regulamento da Previdência Social. O Acórdão nº 1216.966, da 12ª Turma da DRJ/RJ01, negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. O contribuinte tomou ciência dessa decisão em 25/09/2008 (fl. 490) e apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 24/10/2008 (fls. 492/512). Em suas razões recursais alega, em síntese, que: 1. A autuação foi lavrada em 12/2006 para aplicação de multa por ausência de apresentação de documentos referentes ao período compreendido entre 12/1998 a 04/1999. Nesse caso, já havia decaído o direito de a fazenda constituir créditos tributários, seja de obrigação principal ou acessória, relativos ao período anterior a dezembro de 2001. 2. Houve erro na indicação do fundamento legal da penalidade, já que aplica o limite fixado pela Portaria MPS nº 119, de 19 de abril de 2006. 3. A empresa fiscalizada apresentou toda a documentação exigida pela autoridade fiscal, contudo, em relação às folhas de pagamento de contribuintes individuais e avulsos, esta só se tornou obrigatória a partir do ano 2002 e os contratos de prestação de serviços eram verbais. As memórias de cálculo das compensações, por outro lado, foram efetivamente apresentadas. 4. A documentação que deu origem a essa autuação não obstou em nada a fiscalização, de forma que, se não houve prejuízo, não há razão para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. 5. É necessária a produção de prova pericial, para garantir a ampla defesa da recorrente. Pelas razões expostas, pede que o lançamento seja julgado improcedente. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11330.001216/200751 Acórdão n.º 2201004.472 S2C2T1 Fl. 550 3 Neste CARF, o processo em questão foi distribuído a esta Conselheira em função de conexão (fls. 540/547). É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar Decadência Inicialmente, alega a recorrente decadência do direito de lançar, já que a autuação foi lavrada em 12/2006, para aplicação de multa por ausência de apresentação de documentos referentes ao período compreendido entre 12/1998 a 04/1999. A multa em questão foi aplicada em função da omissão do contribuinte em cumprir uma obrigação que lhe é imposta legalmente, qual seja, a de fornecer à administração tributária os documentos e informações necessários para averiguar o correto recolhimento das contribuições previdenciárias. Essa conduta omissiva ocorreu durante o procedimento de fiscalização realizado no ano de 2006, portanto é desta data que tem início a contagem do prazo decadencial para lançamento da multa correspondente. Por outro lado, seria correto o questionamento quanto à exigibilidade de documentos relativos a períodos já decaídos. Ocorre entretanto que, ao contrário do que afirma a recorrente, os documentos exigidos abrangem períodos que ainda não haviam sido atingidos pela decadência, já que envolvem competências até 12/2001. Pelas razões expostas, rejeito a alegação de decadência. Preliminar nulidade Argumenta ainda a recorrente a existência de erro na indicação do fundamento legal da penalidade, já que utiliza o limite fixado pela Portaria MPS nº 119, de 19 de abril de 2006. Em relação a esse argumento, adoto, sem embargo, as razões apontadas pelo Conselheiro Ronnie Soares Anderson, no Acórdão nº 2402005.499, de onde se extrai o que segue: Por sua vez, sua gradação obedece aos ditames dos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 c/c e do art. 373 do RPS, que dispõe que os valores expressos em moeda corrente nesse diploma serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, o que foi regulamentado por Portarias conjuntas do Ministério da Previdência e da Fazenda, Fl. 551DF CARF MF 4 tais como a Portaria MPS/MF nº 15/13, utilizada pela fiscalização. Assim, o reajuste atacado tem expressa previsão legal na Lei de Custeio, sendo a edição das mencionadas Portarias regulamentadoras pelos órgãos administrativos mera decorrência lógica da necessidade de se compatibilizar a prestação dos benefícios previdenciários, bem como o seu respectivo custeio, com o fenômeno da perda de valor da moeda corrente frente à inflação historicamente prevalente no país. Convém registrar que o inciso II do art. 97 do CTN regra que a atualização monetária da base de cálculo do tributo não se consubstancia em sua majoração a exigir reserva legal, ao contrário do que parece entender o recorrente, estando a Portaria em comento inserida no conceito de norma complementar de lei preconizado no art. 100 daquele Código, tendo sida editada em conformidade com as atribuições ministeriais previstas no inciso II do parágrafo único do art. 87 da CF, sem incorrer em qualquer incompatibilidade com a legislação de regência. Esse entendimento está em sintonia com a posição que vem adotando o Supremo Tribunal Federal, conforme se observa na ementa do Recurso Extraordinário 648.245, relator o Ministro Gilmar Mendes: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Legalidade. 4. IPTU. Majoração da base de cálculo. Necessidade de lei em sentido formal. 5. Atualização monetária. Possibilidade. 6. É inconstitucional a majoração do IPTU sem edição de lei em sentido formal, vedada a atualização, por ato do Executivo, em percentual superior aos índices oficiais. 7. Recurso extraordinário não provido. Nesse julgamento, foi fixada a seguinte tese: A majoração do valor venal dos imóveis para efeito da cobrança de IPTU não prescinde da edição de lei em sentido formal, exigência que somente se pode afastar quando a atualização não excede os índices inflacionários anuais de correção monetária. De sua fundamentação, por sua vez, se extrai: O princípio constitucional da reserva legal, previsto no inciso I do art. 150 da Constituição Federal, é claro ao vedar a exigência e o aumento de tributo sem lei que o estabeleça. Trata se de prescrição fundamental do sistema tributário, que se coliga à própria ideia de democracia, aplicada aos tributos (“no taxation without representation”). Afora as exceções expressamente previstas no texto constitucional, a definição dos critérios que compõem a regra tributária – e, entre eles, a base de cálculo – é matéria restrita à atuação do legislador. Não pode o Poder Executivo imiscuirse nessa seara, seja para definir, seja para modificar qualquer dos elementos da relação tributária. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11330.001216/200751 Acórdão n.º 2201004.472 S2C2T1 Fl. 551 5 Nesse mesmo diapasão, é cediço que os Municípios não podem alterar ou majorar, por decreto, a base de cálculo do imposto predial. Podem tão somente atualizar, anualmente, o valor dos imóveis, com base nos índices oficiais de correção monetária, visto que a atualização não constitui aumento de tributo (art. 97, § 1º, do Código Tributário Nacional) e, portanto, não se submete à reserva legal imposta pelo art. 150, inciso I, da Constituição Federal. Esse entendimento é de todo aplicado à discussão proposta nesse processo, já que se trata de mera atualização realizada através norma de inferior hierarquia. Conforme ficou assentado, esse procedimento não ofende ao princípio da legalidade. Mérito Quanto aos fatos, alega a recorrente que a empresa fiscalizada apresentou toda a documentação exigida pela autoridade fiscal, contudo, as folhas de pagamento de contribuintes individuais e avulso só teriam se tornado obrigatórias a partir do ano 2002, os contratos de prestação de serviços seriam verbais e as memórias de cálculo das compensações, por outro lado, teriam sido efetivamente apresentadas. No que diz respeito a esses argumentos, vêse que o Decreto nº 3.048, de 2000, determina textualmente que: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) Por outro lado, não basta alegar a apresentação das memórias de cálculo das compensações sem qualquer comprovação documental desse fato. Da mesma forma, não merece prosperar o argumento de que a documentação que deu origem a essa autuação não obstou a fiscalização, pois a conduta punível, neste caso, se esgota na omissão em entregar os documentos exigidos pela fiscalização. Ou seja, a aplicação de penalidade prescinde dessa avaliação subjetiva sugerida pela recorrente. Nego provimento ao apelo também quanto a essas alegações. Prova pericial Como pressuposto para a ampla defesa, insiste a recorrente na necessidade de prova pericial. O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, contém a seguinte previsão: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a Fl. 553DF CARF MF 6 realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. A perícia é meio de prova a ser utilizada quando se torne necessário esclarecer fatos que demandem um conhecimento técnico específico, ordinariamente não exigível do julgador. Ou seja, a perícia se destina as suprir dificuldades do julgador na avaliação dos fatos documentados no processo e não deficiências da parte interessada em provar o que alega. No caso em análise, a documentação juntadas ao processo não exige dos julgadores administrativos qualquer conhecimento estranho ao seu campo de atuação, eis que tanto os julgadores de primeira instância quanto os de grau recursal são pessoas com domínio na análise e valoração dos fatos em discussão. Portanto, o que o recorrente tenta suprir com o pedido de perícia é sua incapacidade de se desincumbir do ônus de demonstrar a improcedência das alegações da autoridade fiscal. Conclusão À vista do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11330.001216/200751 Acórdão n.º 2201004.472 S2C2T1 Fl. 552 7 Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.012369/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Verificada a omissão no julgado necessário a análise da decisão e o acolhimento dos embargos para julgamento do ponto.
MULTA MORATÓRIA. A natureza da multa moratória em debate é a mesma da multa de ofício estabelecida pelo então artigo 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da sua revogação pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008), devendo ser afastada, a teor do que dispõe o artigo 63, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2401-005.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, e dar-lhes provimento, com efeitos infringentes, para, sanando as omissões apontadas, alterar o resultado do julgamento para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento a multa".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Verificada a omissão no julgado necessário a análise da decisão e o acolhimento dos embargos para julgamento do ponto. MULTA MORATÓRIA. A natureza da multa moratória em debate é a mesma da multa de ofício estabelecida pelo então artigo 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da sua revogação pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008), devendo ser afastada, a teor do que dispõe o artigo 63, da Lei nº 9.430/96.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.012369/2008-10
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860426
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.394
nome_arquivo_s : Decisao_10830012369200810.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10830012369200810_5860426.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, e dar-lhes provimento, com efeitos infringentes, para, sanando as omissões apontadas, alterar o resultado do julgamento para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento a multa". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7270116
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311761854464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.012369/200810 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.394 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante MABE CAMPINAS ELETRODOMÉSTICOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Verificada a omissão no julgado necessário a análise da decisão e o acolhimento dos embargos para julgamento do ponto. MULTA MORATÓRIA. A natureza da multa moratória em debate é a mesma da multa de ofício estabelecida pelo então artigo 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da sua revogação pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008), devendo ser afastada, a teor do que dispõe o artigo 63, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 23 69 /2 00 8- 10 Fl. 962DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, e darlhes provimento, com efeitos infringentes, para, sanando as omissões apontadas, alterar o resultado do julgamento para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento a multa". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10830.012369/200810 Acórdão n.º 2401005.394 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, às fls. 917/925, em face do Acórdão nº 2302002.718, da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, contextualizado às fls. 906/910, de relatoria do Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes. Alega a embargante a existência de omissões no acórdão embargado, conforme razões a seguir enumeradas: (i) Afastamento da multa de ofício; (ii) Vício material no lançamento em razão de a autuação ter se pautado em presunções; e (iii) Pedido de realização de perícia. Sustenta que tais matérias, em que pese terem sido aventadas no Recurso Voluntário, não foram objeto do Mandado de Segurança nº 2002.61.05.0034842, razão pela qual deveriam ter sido conhecidas e apreciadas pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, o admitindo para que fossem sanadas as omissões constatadas no acórdão embargado, com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 958/960). Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a esta Relatora já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 964DF CARF MF 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, passo ao exame do mérito (artigo 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 2. DO MÉRITO 2.1 Da omissão Cientificada da decisão, a MABE CAMPINAS ELETRODOMÉSTICOS S.A. opôs, tempestivamente, os Embargos de Declaração (fls. 917/925), alegando a existência de omissão no julgado, porquanto em que pese o Acórdão embargado tenha entendido pela renúncia à esfera administrativa em razão da existência de Mandado de Segurança, as matérias relativas à: (i) Afastamento da multa de ofício; (ii) Vício material no lançamento em razão de a autuação ter se pautado em presunções; e (iii) Pedido de realização de perícia não foram objeto do processo judicial, razão pela qual não haveria concomitância. 2.2 Da multa de ofício A Embargante, quando do seu Recurso Voluntário, sustentou que “a presente autuação se deu no intuito exclusivo de prevenir a decadência do direito do Fisco promover o lançamento tributário a título de Adicional ao SAT, uma vez que o crédito tributário estava suspenso por força de decisão judicial proferida nos autos do mandado de segurança impetrado (...) para questionar a cobrança da contribuição”. Alegou que quando da formalização do Auto de Infração, a fiscalização lançou não apenas o valor do tributo, acrescido de juros de mora, mas também a multa de ofício, com base no artigo 35, I, II e III da Lei nº 8.212/91 c/c o artigo 239, III, do Decreto nº 3.048/99, no valor de R$ 85.616,63. Defendeu a inaplicabilidade da multa de ofício, porquanto o crédito tributário objeto do lançamento estaria com a sua exigibilidade suspensa, razão pela qual deveria ser observada a disposição contida no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 (fls. 883/885). Com razão o Contribuinte. Notese que embora a fiscalização não tenha formalizado exigência da multa que trata o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 (Multa de Ofício), a natureza da multa moratória em debate é a mesma da multa de ofício estabelecida pelo então artigo 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da sua revogação pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008), devendo ser afastada, a teor do que dispõe o artigo 63, da Lei nº 9.430/96. Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10830.012369/200810 Acórdão n.º 2401005.394 S2C4T1 Fl. 4 5 Somase ainda que o artigo 112 do CTN, assim dispõe: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por fim registrese que o lançamento em comento já era de competência da União Federal, razão pela qual inexiste, por qualquer ângulo que se analise a norma de regência frente ao caso concreto, qualquer óbice de aplicação do supramencionado artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Portanto, pelos fatos e fundamentos acima expostos, a multa moratória deve ser afastada tendo em vista que o crédito tributário objeto do presente lançamento estaria com a sua exigibilidade suspensa. 2.3 Do vício material em razão da presunção Em suma, nas razões do seu Recurso Voluntário, a recorrente argui a nulidade do lançamento porquanto estaria baseado em presunções por parte da fiscalização. Sustenta que o Auditor Fiscal restringiuse a instruir o Auto de Infração com documento intitulado Relatório de Lançamentos, no qual elenca os funcionários que, a seu ver, estariam sujeitos à condições insalubres, sem, no entanto, vinculálos aos respectivos setores de autuação, tampouco relacionálos, individualmente, aos critérios para aferição da exposição de cada um sob o agente calor. Prossegue no sentido de que não se estabeleceu qualquer relação sequer com o tempo de exposição a que os funcionários ficam sujeitos ao agente, frente ao tipo de atividade por eles desenvolvida (leve, moderada ou pesada), elemento este que é essencial para fins de caracterização efetiva do ambiente insalubre, conforme descrito na NR 15 do M.T.E. Todavia a argumentação não prospera. Compulsando os autos, verificase que o Auto de Infração está devidamente motivado por meio de elementos examinados durante a auditoria na empresa autuada, bem como de que os segurados empregados em questão estiveram expostos, em seu ambiente de trabalho, a temperaturas superiores ao limite de tolerância definido pelo M.T.E. Com efeito, afastase a alegação de que o presente Auto de Infração foi instruído apenas com o Relatório de Lançamentos, tendo em vista que a fiscalização também juntou aos autos o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP (fls. 96/214) e o Anexo ao TIAD de 08/08/2008 (fls. 60/95), os quais serviram de base para a elaboração do citado relatório de lançamentos. Fl. 966DF CARF MF 6 Verificase, portanto, que os segurados tidos pela fiscalização como expostos ao agente físico calor são os que constam no Relatório de Lançamentos (fl. 08), ou seja, aqueles que, segundo o TIAD de 08/08/2008 e o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP, estiveram submetidos ao referente agente físico em Índices de Bulbo Úmido Termômetro de Globo – IBUTG superiores a 26,7, justamente o limite de tolerância definido pela NR15 do M.T.E. Logo, não procede a alegação de que o auditor fiscal teria presumido que todos os trabalhadores nas áreas de esmaltação, pintura a pó e montagem estavam expostos ao calor. De outro lado, o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP (fls. 96/214) é documento apto à comprovação de exposição do segurado aos agentes nocivos que dão ensejo à aposentadoria especial, de acordo com o § 2º, do artigo 68 do Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social), vigente à época dos fatos. Confirase: Art. 68. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV. § 2º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário denominado perfil profissiográfico previdenciário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. Portanto, não há que se cogitar de Auto de Infração baseado em presunção conforme pretende a Recorrente, tendo em vista que a autuação se pautou de acordo com os elementos de prova colhidos durante o procedimento fiscal. 2.4 Da diligência A recorrente insiste na necessidade de realização de diligências. Segundo alega, referidas diligências são aptas a demonstrar a insubsistência dos lançamentos. Com a devida vênia, e em que pesem os esforços lançados em sua peça recursal, entendo que os argumentos não são capazes de infirmar a decisão recorrida. O acórdão a quo julgou improcedente o pedido de diligência ao seguinte fundamento (fl. 858): “[...] Resta claro, pois, que a autoridade julgadora pode indeferir o pedido formulado pelo sujeito passivo, quando considerar aquela providência ilícita, impertinente, prescindível, protelatória ou impraticável – ou, até mesmo, quando, simplesmente, restar não atendido um dos requisitos mencionados na nota há pouco registrada. Em verdade, a nosso ver, nessas hipóteses a autoridade julgadora não só pode como deve indeferir o pedido, tendo em vista a indisponibilidade do interesse público subjacente nas normas em apreço. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10830.012369/200810 Acórdão n.º 2401005.394 S2C4T1 Fl. 5 7 Dito isto, e com base no que expusemos anteriormente, há que se concluir que o pedido formulado pela ‘MABE’ se mostra totalmente prescindível e, por isso mesmo, protelatório. Com efeito, para responder as questões formuladas pela autuada, o perito teria à sua disposição: a) os elementos que já constam destes autos – a menos, é claro, que a empresa possua outros que, embora relevantes, não tenha juntado à sua defesa; e b) a possibilidade de realizar diligências nos setores da empresa em que, de agosto de 2003 a janeiro de 2007 – período compreendido pelo AI sob exame –, laboraram os segurados identificados no ‘RL’. Ocorre que, no tocante aos elementos referidos na letra ‘a’, a perícia se nos afigura prescindível, na medida em que, para a formação do juízo necessário ao deslinde da controvérsia que nos cabe dirimir, parecenos suficientes os exames já realizados pelo AFRFB notificante e por este relator , o que, certamente, já restou evidenciado nas considerações que sobre eles fizemos ao longo deste voto. Quanto às diligências referidas no item ‘b’, temos que se tratam de medida da mais absoluta inutilidade, posto ser óbvio que o profissional indicado pela impugnante, ou qualquer outra pessoa que se lance a tal empreendimento, não encontrará os mesmos cenários dos anos de 2003 a 2007 – ou seja, as mesmas situações fáticas que se verificaram ao longo daquele período –, mas um cenário atual e, portanto, irrelevante para os feitos pretendidos pela defesa. Em verdade, o que restou daqueles momentos pretéritos foram apenas os ‘PPRA’, os ‘PPP’ e os demais elementos que constam dos autos, os quais, segundo já exaustivamente afirmado, apenas evidenciam a procedência do lançamento.” Entendo que a decisão do Colegiado de primeira instância não merece reparo. Conforme demonstrado, a autoridade julgadora de primeira instância administrativa indeferiu o pedido realizado, pois considerou desnecessária a diligência proposta por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, e não da impugnante, o que afasta a alegação de o indeferimento de perícia consubstanciaria o cerceamento de defesa: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”. Posto isso, alinhome à posição de primeira instância administrativa no sentido de que a prova pretendida pela contribuinte seria prescindível. A avaliação da necessidade de se realizar a diligência participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, Fl. 968DF CARF MF 8 assim, façome acompanhar de precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho, conforme se depreende: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 103 23.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Embargos Declaratórios, para sanadas as omissões apontadas, atribuirlhes efeitos infringentes, e alterar o resultado do julgamento a quo, para CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO NA PARTE EM QUE NÃO HÁ CONCOMITÂNCIA e no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir a multa moratória, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 969DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001579/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1999
NULIDADE. VÍCIO FORMAL. ARTIGO 173, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO
Havendo decretação de nulidade por vício formal, há possibilidade, se atendidos os requisitos legais do art. 173, II do CTN, de ser efetuado lançamento substitutivo.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de 05 anos a contar da data da decisão.
Não foi transcorrido o prazo de 05 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
CONSIDERAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS - PESSOA JURÍDICA E AUTÔNOMOS. POSSIBILIDADE.
Restou devidamente comprovado a atuação de sócios de pessoas jurídicas e autônomos na qualidade de segurados empregados, restando preenchidos os requisitos do artigo 3º da CLT e artigo 9°, parágrafo 4° do Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
MULTA.
Para fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, a multa deverá ser recalculada, se for o caso, por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09.
Numero da decisão: 2401-005.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos a relatora e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial para determinar que a multa aplicada seja limitada a 20%, nos termos da Lei 8.212/91, art. 35. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1999 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. ARTIGO 173, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO Havendo decretação de nulidade por vício formal, há possibilidade, se atendidos os requisitos legais do art. 173, II do CTN, de ser efetuado lançamento substitutivo. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de 05 anos a contar da data da decisão. Não foi transcorrido o prazo de 05 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. CONSIDERAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS - PESSOA JURÍDICA E AUTÔNOMOS. POSSIBILIDADE. Restou devidamente comprovado a atuação de sócios de pessoas jurídicas e autônomos na qualidade de segurados empregados, restando preenchidos os requisitos do artigo 3º da CLT e artigo 9°, parágrafo 4° do Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. MULTA. Para fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, a multa deverá ser recalculada, se for o caso, por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.001579/2010-36
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5858188
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.346
nome_arquivo_s : Decisao_19515001579201036.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001579201036_5858188.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos a relatora e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial para determinar que a multa aplicada seja limitada a 20%, nos termos da Lei 8.212/91, art. 35. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7255003
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311784923136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001579/201036 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.346 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TOTVS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1999 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. ARTIGO 173, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO Havendo decretação de nulidade por vício formal, há possibilidade, se atendidos os requisitos legais do art. 173, II do CTN, de ser efetuado lançamento substitutivo. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de 05 anos a contar da data da decisão. Não foi transcorrido o prazo de 05 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. CONSIDERAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS PESSOA JURÍDICA E AUTÔNOMOS. POSSIBILIDADE. Restou devidamente comprovado a atuação de sócios de pessoas jurídicas e autônomos na qualidade de segurados empregados, restando preenchidos os requisitos do artigo 3º da CLT e artigo 9°, parágrafo 4° do Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 79 /2 01 0- 36 Fl. 571DF CARF MF 2 MULTA. Para fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, a multa deverá ser recalculada, se for o caso, por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos a relatora e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial para determinar que a multa aplicada seja limitada a 20%, nos termos da Lei 8.212/91, art. 35. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, cumpre destacar que este processo foi juntado por apensação ao Processo nº 19515.001577/201047, conforme termo de apensação de fl. 493. Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados, em 08/06/2010, os Autos de Infração (DEBCAD 37.162.9675; DEBCAD 37.162.9683; DEBCAD 37.162.9691; DEBCAD 37.162.9705 e DEBCAD 37.162.9713), a saber: • DEBCAD 37.162.9675 – no valor de R$ 3.753.688,34, no período de 12/1994 a 12/1999, consolidado em 08/06/2010, referente a contribuições previdenciárias devidas à Receita Federal do Brasil, à cargo da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). As contribuições previdenciárias incidiram sobre o seguinte fato gerador: (i) caracterização de segurado autônomo como segurado empregado; (ii) caracterização de prestadores de serviço como segurados empregados; (iii) alimentação – Processo 19515.001577/201047; • DEBCAD 37.162.9683 – no valor de R$ 348.341,53, no período de 01/1996 a 12/1999, consolidado em 08/06/2010, referente a contribuições previdenciárias dos segurados empregados, devidas à Receita Federal do Brasil. As contribuições previdenciárias incidiram sobre o seguinte fato gerador: (i) caracterização de segurado autônomo como segurado empregado e (ii) caracterização de prestadores de serviço como segurados empregados – 19515.001578/201091; • DEBCAD 37.162.9691 – no valor de R$ 989.608,58, no período de 12/1994 a 12/1999, consolidado em 08/06/2010, referente a contribuições destinadas às seguintes entidades e fundos: INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE e Salário Educação – constituído no presente processo; • DEBCAD 37.162.9705 – no valor de R$ 15.405,44, consolidado em 08/06/2010, referente às contribuições a cargo da empresa, assim como as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, para as competências 01/1996 a 08/1996 e 11/1996 a 08/1997, cujos fatos gerados foram arbitrados com base na remuneração da mãodeobra contida em Notas Fiscais de Serviço da empresa Hands Help Recursos Humanos e Serviços Temporários Ltda., tendo em vista a solidariedade entre a empresa tomadora de serviço com a empresa prestadora de serviços executados mediante cessão de mãodeobra – Processo 19515.001580/201061; e • DEBCAD 37.162.9713 – no valor de R$ 5.562,19, consolidado em 08/06/2010, referente às contribuições previdenciárias dos segurados empregados, calculadas em relação aos serviços prestados pela empresa de trabalho temporário Hands Help Recursos Humanos e Serviços Temporários Ltda., tendo em vista a solidariedade entre a empresa Fl. 573DF CARF MF 4 tomadora de serviço com a empresa prestadora de serviços executados mediante cessão de mãodeobra – Processo 19515.001582/201050. Constam do Relatório Fiscal (fls. 29/39), os seguintes fatos: “1. Este relatório fiscal é parte integrante do Auto de Infração de obrigações principais DEBCAD n° 37.162.9675, emitido em substituição A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n° 35.136.7110, de 30/08/2000, julgada nula por decisão da Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do acórdão n° 2610, de 27/10/2005. 2. O objeto do presente Auto de Infração consiste na apuração das contribuições devidas à ‘Terceiros’, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, e destinadas às seguintes entidades e fundos: INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE e SalárioEducação, para o período de 12/1994 a 12/1999, face decadência do período anterior, contido na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito anulada. 3. As contribuições previdenciárias incidiram sobre os fatos geradores abaixo identificados. 3.1. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUTÔNOMO COMO SEGURADO EMPREGADO 3.1.1. O crédito lançado teve como fato gerador a descaracterização da segurada ‘autônoma’ VANESSA MARTINS LORETO, caracterizandoa como segurada empregada, tendo em vista a prestação de serviço com as seguintes características: a) A segurada foi empregada da empresa, no período de 18/12/1995 a 05/05/1997, conforme Registro n° 00531, na função de advogada júnior. b) No período de Junho/1997 a dezembro/1998 passou a ser segurada ‘autônoma’, continuando a receber praticamente a mesma remuneração, sendo o valor contabilizado à titulo de ‘Serviços Prestados Pessoa Física’. c) Em Janeiro/1999 continuou a prestar serviços de advocacia, como sócia da empresa EL SHADAI CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA, assinando contrato para prestação de serviços nas instalações da empresa. O contrato foi firmado com o objetivo de ‘prestação de serviços de comércio varejista de suprimento para informática e serviços de consultoria, assessoria, planejamento, projetos, análise de sistemas, treinamento, desenvolvimento e demais serviços na área de informática’. d) A contratação incluiu autorização para desconto de Seguro Saúde, constando como data de admissão da segurada, 04/01/1999, na função de advogada”. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 4 5 A base para a realização do levantamento foi o disposto no artigo 12, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, em consonância com o artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho. Assim sendo, através do exame da documentação apresentada, a fiscalização constatou a existência de pressupostos legais necessários à configuração da relação de emprego. Destacou, ainda, que “foi verificado encaminhamento ao Departamento Pessoal da empresa, de ‘Autorização para desconto em folha de Seguro Saúde’, e tendo em vista que o pagamento da verba Assistência Médica é inerente à segurado empregado, restou evidenciada a caracterização da segurada como empregada da autuada”. O período lançado neste código de levantamento abrange apenas as competências em que a segurada prestou serviços na categoria de "autônoma", ou seja, 06/1997 a 12/1998. Também foram lançadas contribuições que incidiram sobre valores pagos e creditados aos prestadores de serviço. Confirase: “3.2. CARACTERIZAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. 3.2.1. As contribuições incidiram sobre valores pagos os creditados à prestadores de serviço, considerados pela empresa como ‘pessoas jurídicas’, porém caracterizados como segurados empregados, por se enquadrarem em uma ou algumas das situações abaixo mencionadas: a) Prestadores de serviço que foram reembolsados por despesas (táxi, estacionamento, pedágio, refeição, combustível) após a entrega do "Relatório de Despesas", sendo os reembolsos contabilizados na conta denominada ‘Salários a Pagar’. b) Funcionários demitidos e contratados como prestadores de serviço imediatamente â sua demissão e na mesma função (além do Encarregado do Departamento Pessoal e da Advogada, foram considerados os prestadores de serviço que exerciam funções relacionadas à atividade fim da empresa, ou seja: analista de. Suporte, coord. Suporte, analista de Sistemas, coord. Sistemas, analista Laboratório, coord. Tecnologia, etc.). c) Contratos firmados com a seguinte cláusula: ‘Haverá a dedução relativa à ajuda de custo concedida a titulo de alimentação e assistência médica’. d) Lançamento contábil de Notas Fiscais de Serviço em nome da pessoa física. e) Pagamento de despesas com ‘formação profissional’ para os prestadores de serviço (pessoa física), conforme registros contábeis. Fl. 575DF CARF MF 6 f) Existência de diversas empresas com sede na cidade de Poá, à Rua Dep. Guaracy Silveira n° 139, alterando apenas o número do conjunto/sala, e constando, nos contratos firmados, que o serviço seria prestado nas instalações da empresa contratante. g) Nos casos em que a empresa prestadora de serviço era constituída por dois sócios, eram firmados dois contratos distintos, sendo anexada a documentação pessoal de cada um dos sócios e o pagamento efetuado individualmente e, muitas vezes, através de depósito em dinheiro em sua conta bancária. Foi citado o exemplo do contrato firmado com os dois sócios da empresa KAHEMME INFORMATICA S/C LTDA. (EMERSON TOBAR SILVA e MARCELO PIMENTEL DA SILVA). h) Os números das Notas Fiscais constantes dos registros contábeis e "posição de fornecedores" correspondem a controle interno da empresa, não tendo sido apresentada outra modalidade de controle citando o número da Nota Fiscal emitida pelo prestador de serviço. A base para a realização do levantamento foi o disposto no artigo 12, inciso I,alínea "a" da Lei n° 8.212/1991, em consonância com os artigos 2° e 3° da CLT, e a definição constante do artigo 9°, parágrafo 4º, do Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. Assim, a fiscalização constatou a existência de pressupostos legais acima citados, necessários à configuração da relação de emprego, sendo caracterizados como segurados empregados os prestadores de serviço que se enquadravam nas situações descritas no item 3.2.1. anteriormente citado e cujos serviços identificavam, através do exame da documentação apresentada, relação com as atividades normais da empresa, conforme abaixo exemplificado: a) O objeto social da empresa autuada, conforme seu Estatuto Social, era ‘a prestação de serviços de consultoria, assessoria e desenvolvimento de sistemas informatizados’ e a maioria das empresas eram contratadas com a mesma finalidade, ou seja, ‘prestar serviços de consultoria em sistemas de informática’. b) Algumas contratações estavam relacionadas com a rotina operacional da empresa, como por exemplo: Contrato firmado com GME COM. E SERV. DE INFORMÁTICA LTDA. ME, referente é contratação de PAULO ROGERIO FANTI, encarregado do Departamento Pessoal da empresa, sendo o objeto do contrato ‘a prestação de serviços de consultoria em sistemas de informática’. Contrato firmado com EL SHADAI CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA, correspondente A contratação da advogada, citada no item 3.1.1. supra. O objeto constante do contrato é ‘a prestação de serviços de comércio varejista de suprimento para informática e serviços de consultoria, assessoria, planejamento, projetos, análise de sistemas, treinamento, desenvolvimento e demais serviços na área de informática’. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 5 7 c) Foram firmados contratos após a demissão dos funcionários, conforme abaixo exemplificado: PAULO ROGERIO FANTI, demitido em 30/09/1998, conforme Ficha Registro de Empregados n° 000800 (sup. Adm.), e firmado contrato em 01/10/1998, como sócio da empresa GME COM. E SERV. DE INFORMATICA LTDA. ME (SUP. ADM.). MAURO SERGIO TESTONI, demitido em 28/04/1998, conforme Ficha Registro de Empregado 000383 (função Analista de Sistemas), e firmado contrato em 01/05/1998, como sócio da empresa M.L.G.C. COM. E SERV. DE INFORMATICA LTDA. ME. (Coord. Sistemas). GERSON DE PAULO PEREIRA, demitido em 31/05/1997, conforme Ficha Registro de Empregado n° 000270 (função diagramador), e firmado contrato em 02/06/1997, como GERSON DE PAULO PEREIRA (sup. Diagramador). Assim sendo, após análise da documentação apresentada, a fiscalização concluiu que foram caracterizados como segurados empregados os prestadores de serviço que se enquadravam nas situações acima descritas separados em dois levantamentos, um para o período de 01/1996 a 12/1998 e outro para o período de 01/1999 a 12/1999, portanto, anterior e posterior à obrigatoriedade de declarar em GFIP. Em seguida, destacou que diversos contratos foram firmados com a cláusula “haverá a dedução relativa à ajuda de custo concedida à titulo de alimentação e assistência médica”, sendo que as verbas valerefeição e assistência médica são inerentes à segurados empregados. Em razão disso, considerou como salário de contribuição os valores referentes às despesas com valerefeição contabilizados na conta 4.2.01.016, deduzidos os valores descontados dos empregados, porque o contribuinte não comprovou sua inscrição no PAT. Ademais, aplicou a penalidade mais benéfica ao contribuinte, ou seja, multa de 12% até a competência 10/1999 e 24% nas competências 11 e 12/1999, pois o ato de infração pelo descumprimento de obrigação acessória originalmente aplicado foi relevado, em razão da primariedade do sujeito passivo. O presente auto de infração substitutivo foi lavrado dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou por vício formal o lançamento anterior. Despacho de fls. 326 informa que cópia do lançamento anulado (Processo nº 36266.003683/200687) foi anexado ao presente processo. Devidamente cientificada do Auto de Infração em 28/06/2010 (fl. 2), a Recorrente apresentou Impugnação em 27/07/2010, cujas razões (fls. 327 a 364), alega, em síntese, o que segue: Fl. 577DF CARF MF 8 (I) Constituiuse o presente lançamento com a repetição dos mesmos elementos contidos na NFLD primitiva e sem qualquer elemento novo que justificasse seu lançamento, alegandose a existência de autorização para reexame de período já fiscalizado e que a Impugnada tem o prazo de 05 anos para constituir o crédito tributário a partir da decisão que houver anulado por vício formal o lançamento anteriormente efetuado; (II) Ocorre que, na decisão proferida pelo CRPS, além de verificar a existência de vício formal, os julgadores foram enfáticos ao fundamentar ao final que não restaram comprovados os requisitos do vínculo empregatício, sendo este um vício material e que, conseqüentemente, não permite a realização de novo lançamento sobre os fatos já decididos anteriormente; (III) Restará devidamente demonstrada a decadência do lançamento realizado, a homologação dos valores devidamente declarados e recolhidos pela Impugnada, a comprovação da inscrição da empresa no PAT em relação ao período lançado, bem como a inexistência acerca da comprovação do vínculo empregatício, de forma que, sob qualquer ótica que se analise a questão, se concluirá pela improcedência do lançamento realizado e da necessidade de cancelamento do presente auto de infração; (IV) Conforme pode ser observado no relatório fiscal e no corpo do auto de infração, o lançamento foi realizado nos mesmos moldes da NFLD cancelada, apenas repetindo os seus elementos e sem trazer nenhum elemento novo para justificar o presente lançamento. (V) Dessa forma, tendo em vista as provas já produzidas no referido processo administrativo e a decisão já proferida no referido processo, a qual julgou improcedente o lançamento realizado, requer a juntada do processo administrativo da NFLD n° 35.136.7110 ao presente auto de infração. (VI) Em hipótese alguma poderia ter sido realizado novo lançamento sobre os mesmos fatos já fiscalizados e apreciados pelo julgamento administrativo, tendo em vista que não foram meros vícios formais que tornaram o lançamento nulo, mas também o fato de haver vícios de ordem material, que impedem o novo lançamento administrativo. A decisão do CRPS foi enfática no sentido de que não houve a comprovação dos requisitos do vínculo empregatício, questão esta que não envolve apenas vício formal, mas que se trata de mérito da questão, tratandose de vício material da NFLD, que não permite novo lançamento. (VII) Conforme se verifica pela data constante da lavratura do presente AIIM, o mesmo foi constituído com a notificação do contribuinte em 28/06/2010. Ocorre que o Auto de Infração constituiu créditos referentes a contribuições destinadas a previdência social referente às competências de 12/1994 a 12/1999 tendo ocorrido vício material do lançamento originário, no caso da NFLD 35.136.4110 que foi cancelada, não ocorreu a hipótese do inciso II, do artigo 173 do CTN, de forma que o lançamento anulado não pode ser realizado novamente. (VIII) De qualquer maneira ainda que não fosse esta a situação que impede a existência do presente lançamento, verificase que mesmo no caso do lançamento primitivo houve a decadência de parte dos valores lançados, bem como a homologação dos valores declarados e recolhidos pela Impugnante. (IX) A NFLD 35.136.7110 foi consolidada em 30/08/2000, constituindo créditos referentes às contribuições destinadas previdência social referentes às competências de 02/91 a 12/99. Dessa forma, concluise de forma indubitável que se operou a figura da Fl. 578DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 6 9 decadência em relação ao lançamento primitivo, devendo ser excluído do presente lançamento as competências anteriores a agosto de 1995. (X) No mérito, o auto de infração combatido aponta como elemento de seu direito subjetivo o teor do artigo 12 da Lei n° 8.212/91, por suposta caracterização dos requisitos do artigo 3º da CLT. Todavia, olvidouse a fiscalização de constatar e comprovar a presença dos requisitos ensejadores contidos no artigo 12, inciso I, a, da Lei n° 8.212/91, que fixa, de forma imperativa, que são segurados obrigatórios como empregados as pessoas físicas que prestem serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (XI) Para a caracterização destes elementos há obrigatoriamente a necessidade da presença do trabalho não eventual, prestado de forma pessoal, por pessoa física, em situação de subordinação, com onerosidade, sendo incapaz de gerar o vínculo em razão da ausência de todos os requisitos de forma cumulativa. (XII) A fiscalização deveria levar em consideração os elementos fáticos, os quais já restaram devidamente comprovados por ocasião do lançamento anulado, já que os documentos acostados no referido processo demonstraram de forma inequívoca a inocorrência da hipótese descrita, tanto que o CRPS anulou o lançamento realizado em função da falta de comprovação dos requisitos para comprovação do vínculo empregatício. (XIII) Tendo sido devidamente comprovado documentalmente a inscrição da Impugnante no PAT, não há qualquer razão para a manutenção do lançamento no tocante as despesas com alimentação. (XIX) Relativamente à multa aplicada nas competências 11 e 12/1999 a fiscalização deixou de aplicar a limitação ao percentual de 20%, mais benéfico ao contribuinte, após as alterações da MP nº 449/08. Ao final, requer seja decretada a improcedência das exigências fiscais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1272.122 da 12ª Turma da DRJ/RJI, às fls. 519/530, julgando parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo em parte o crédito tributário. Confirase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1999 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURADO EMPREGADO. REQUISITOS. CARACTERIZAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. POSSIBILIDADE. Constatada a presença de todos os requisitos legais caracterizadores do segurado empregado, incumbe à fiscalização efetuar o lançamento das contribuições devidas pela empresa e pelo segurado nesta qualidade, ainda que o contrato formal de prestação de serviços tenha sido realizado como autônomo ou pessoa jurídica. Fl. 579DF CARF MF 10 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. INSCRIÇÃO. PAT. AUSÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A Recorrente foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 08/05/2015, conforme Aviso de Recebimento à fl. 533. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 535/567. Reprisa os mesmos argumentos lançados em sua peça de impugnação, e, ao final, requer seja o recurso conhecido e provido, a fim de julgar o remanescente do lançamento totalmente improcedente, cancelandose a autuação. Alternativamente, requer seja o presente lançamento totalmente improcedente ante as parcelas homologadas que foram devidamente declaradas e pagas pela Recorrente à época. É o relatório. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 08/05/2015 conforme Avisos de Recebimento à fl. 533, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 03/06/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE 2.1 Da impossibilidade de lançamento substitutivo. A Recorrente suscita preliminar de nulidade do lançamento ao fundamento de que “(...) na decisão proferida pela 4ª Turma do CRPS, além de verificar a existência de vício formal, os julgadores foram enfáticos ao fundamentar ao final que não restaram comprovados os requisitos do vínculo empregatício, sendo este um vício material e que, consequentemente, não permite a realização de novo lançamento sobre os fatos já decididos anteriormente”. Sustenta que no presente caso, o lançamento foi realizado nos mesmos moldes da NFLD anteriormente cancelada, apenas repetindo os seus elementos e sem trazer nenhum argumento novo para justificar o presente lançamento. Com essas considerações, afirma que a repetição do lançamento é um absurdo jurídico, o qual “ignora o princípio da segurança jurídica insculpido em nossa Constituição Federal, o disposto no artigo 173 do Código Tributário Nacional e até mesmo a decisão proferida pelo CRPS, a qual julgou improcedente o lançamento primitivo realizado na NFLD 35.136.7110”. Acrescenta que a existência de vício material, ao contrário do vício meramente formal, dá causa a nulidade do lançamento e não permite o seu refazimento. Em que pese o seu esforço, verifico que não assiste razão à Recorrente. Isso porque, ao contrário do que sustenta, o Acórdão nº 2610/2005, da 4ª Caj do CRPS, declarou a nulidade do lançamento por vício formal (fls. 426/430). Vejase: “EMENTA: PREVIDENCIARIO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. SOLIDARIEDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE CORREÇÃO. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. NULIDADE. Fl. 581DF CARF MF 12 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada com falta do tipo de débito, em desacordo artigo 37 da Lei 8.212/91, gerando a ausência da fundamentação legal no relatório Fundamentos Legais do Débito, enseja a sua nulidade, pela impossibilidade técnica de se efetuar a correção no sistema de cadastramento de débito, caracterizandose vicio formal insanável. Nos termos do artigo 37, da Lei 8.212/91 o fiscal autuante ao promover o lançamento deve fundamentalo de forma clara e precisa, sob pena de nulidade da notificação. NFLD ANULADA.” Além disso, conforme bem pontuado pela primeira instância administrativa a quo, quando do julgamento realizado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, a 4ª Câmara de Julgamento anulou o lançamento da NFLD 35.136.7110 por vício formal, sem, contudo, analisar o mérito da demanda, consoante se observa do início do voto do relator, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Confirase: “Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e efetuado o depósito recursal, conheço do recurso e passo a examinar as alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso, e bem assim as contrarazões do INSS em defesa da manutenção da exigência, há nos autos vicio formal capaz de ensejar a nulidade do lançamento, prejudicando, assim, a análise do mérito, como passaremos a demonstrar. [...] Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO e ANULARA NFLD POR ERRO FORMAL INSANAVEL.” Do exposto acima, verificase que a decisão prolatada foi clara no sentido de que se tratava de nulidade formal, portanto, novo lançamento em substituição ao anterior anulado poderia ser realizado no prazo de 5 (cinco) anos, com amparo no artigo 173, II do CTN. Sobre o tema, Leandro Paulsen esclarece que, no que toca ao inciso II, do artigo 173, do CTN: “cuidase de hipótese de reabertura de prazo decadencial, caracterizando, pois, efetiva interrupção do prazo que estava em curso.” (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª Ed, ESMAFE: 2013, p. 1196/1197). Segundo Hugo de Brito Machado: “Relevante é ressaltarmos que a reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento Fl. 582DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 8 13 diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior”. (in Aspectos do Direito de Defesa no Processo Administrativo Tributário, RDDT 175/106, abr 2010). A jurisprudência administrativa deste Conselho comparece nesse sentido. Recordese: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do Fato Gerador: 30/10/2007 PAF. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. ART. 173, II CTN. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO Havendo decretação de nulidade por vício formal, há possibilidade, se atendidos os requisitos legais do art. 173, II do CTN, de ser efetuado lançamento substitutivo. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula do CARF nº 2, e ainda com o art. 26A do Decreto 70.235/1972, não compete às instâncias administrativas apreciar questões de inconstitucionalidade de lei, por extrapolar os limites de sua competência. MULTA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de eventual lançamento substitutivo, o mesmo deve ser realizado de acordo com o princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, ‘c’ do CTN). Recurso Voluntário Negado.” (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relatora Conselheira Carolina Wanderley Landim, Acórdão nº 2401 003.860, Data da Sessão: 10/02/2015 No caso em tela, em obediência à lei, o lançamento substituto foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 28/06/2010, logo, dentro prazo legal de 5 (cinco) anos, contados da decisão proferida em 27/10/2005. Dessa forma, tenho que a decisão guerreada não merece qualquer reparo nesse sentido. 2.2 Da decadência Fl. 583DF CARF MF 14 Afirma a Recorrente que no presente caso deveria ser aplicado o instituto da decadência tributária, pois já teria ocorrido o prazo de “mais de 10 (dez) anos” contados da data do fato gerador. Argumenta que o Auto de Infração em debate compreende as competências de 12/1994 a 12/1999, sendo que a sua notificação teria ocorrido apenas em 28/06/2010. Novamente sem razão. Inicialmente, cumpre esclarecer que não há que se falar em crédito tributário referente à competência 12/1994, porquanto a decisão recorrida a excluiu em razão da decadência, mantendose as competências 01/1996 a 12/1999. E, nesse ponto, mostrase irretocável o acórdão a quo. Conforme destacado anteriormente, no presente caso ocorreu um lançamento substitutivo em decorrência de ter sido anulado o lançamento fiscal anterior por conter vício formal. A regra prevista no artigo 173, II, do Código Tributário Nacional concede ao Fisco prazo de 05 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Confirase: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Cumpre esclarecer que, para o lançamento de ofício, o crédito tributário é considerado definitivamente constituído com a regular ciência da decisão definitiva, momento em que não pode mais o lançamento ser contestado na esfera da Administração. Observase que a definitividade da decisão que anulou a NFLD nº 35.136.7110 deverá levar em consideração a regra estampada no inciso I do artigo 42 do Decreto nº 70.235/1972, nos seguintes termos: “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” Fl. 584DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 9 15 Dessa regra estatuída acima, percebese que as decisões de segunda instância das quais não caibam mais recursos, ou transcorrido o prazo de sua interposição, são definitivas. Com isso, a partir do momento em que não for mais cabível qualquer recurso ou tendo ocorrido o exaurimento das vias recursais, as decisões de segunda instância no âmbito do processo administrativo transitam em julgado e geram a coisa julgada formal. Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 28/06/2010 conforme consta do Auto de Infração (fl.02), e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, apontam que a decisão veiculada por meio do Acórdão nº 2610/2005 da Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, que, por vício formal, anulou o lançamento tributário anteriormente efetuado, foi proferida em 27/10/2005 (fl 1.057). Todavia, houve pedido de revisão do acórdão (fl. 1.061/1.065), que restou indeferido pela Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, através do Despacho n ° 235/2006 (fls. 1.082/1.085). Inconformada, a Delegacia da Receita Previdenciária formulou o Pedido de Uniformização de Jurisprudência (fls. 1.087/1.098), o qual, entretanto, foi indeferido pela Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, através do Despacho n° 206031/08 (fls. 1.109/1.110), proferido em 04/03/2008. Com isso, o lançamento fiscal substitutivo poderia ser lavrado até 03/03/2013, e foi lavrado em 08/06/2010. Logo, o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 05 (cinco) anos previsto no artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. 3. DO MÉRITO 3.1. Da consideração de segurados empregados autônomos e pessoas jurídicas A Recorrente sustenta que o entendimento adotado pela fiscalização e seguido pela decisão de primeira instância, relativamente ao enquadramento de autônomos e sócios de pessoas jurídicas como segurados empregados, para fins de exigência de contribuição previdenciária, não estariam presentes os requisitos para a sua caracterização, nos termos do artigo 12, inciso I, a, da Lei nº 8.212/91. Afirma que a fiscalização “desconsiderou o ato jurídico perfeito, bem como exorbitou da capacidade tributária ativa da Recorrida, ao passo que desconsiderou contratos de natureza civil, devidamente formalizados, caracterizandoos como se de natureza trabalhista fossem”. Sobre o tema em relevo, entendo que, para que haja a consideração de sócios de pessoas jurídicas e autônomos na qualidade de segurados empregados, devem ser preenchidos os requisitos do artigo 3º da CLT e artigo 9°, parágrafo 4° do Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999 No caso em tela, de acordo com o relatório fiscal, a conduta da Recorrente estaria demonstrada nos seguintes termos: 3.1. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUTÔNOMO COMO SEGURADO EMPREGADO 3.1.1. O crédito lançado teve como fato gerador a descaracterização da segurada ‘autônoma’ VANESSA MARTINS LORETO, caracterizandoa Fl. 585DF CARF MF 16 como segurada empregada, tendo em vista a prestação de serviço com as seguintes características: a) A segurada foi empregada da empresa, no período de 18/12/1995 a 05/05/1997, conforme Registro n° 00531, na função de advogada júnior. b) No período de Junho/1997 a dezembro/1998 passou a ser segurada ‘autônoma’, continuando a receber praticamente a mesma remuneração, sendo o valor contabilizado à titulo de ‘Serviços Prestados Pessoa Física’. c) Em Janeiro/1999 continuou a prestar serviços de advocacia, como sócia da empresa EL SHADAI CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA, assinando contrato para prestação de serviços nas instalações da empresa. O contrato foi firmado com o objetivo de ‘prestação de serviços de comércio varejista de suprimento para informática e serviços de consultoria, assessoria, planejamento, projetos, análise de sistemas, treinamento, desenvolvimento e demais serviços na área de informática’. d) A contratação incluiu autorização para desconto de Seguro Saúde, constando como data de admissão da segurada, 04/01/1999, na função de advogada. [...] 3.1.3. Assim sendo, através do exame da documentação apresentada, foi constatada a existência de pressupostos legais necessários A configuração da relação de emprego. Cabe salientar que foi verificado encaminhamento ao Departamento Pessoal da empresa, de "Autorização para desconto em folha de Seguro Saúde", e tendo em vista que o pagamento da verba Assistência Médica é inerente A segurado empregado, restou evidenciada a caracterização da segurada como empregada da autuada. 3.1.4. A empresa não apresentou quaisquer recolhimentos, ainda que referentes à condição de ‘autônomo’, motivo pelo qual foram exigidas integralmente todas as contribuições na condição de segurado empregado. [...] 3.2. CARACTERIZAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. 3.2.1. As contribuições incidiram sobre valores pagos os creditados à prestadores de serviço, considerados pela empresa como ‘pessoas jurídicas’, porém caracterizados como segurados empregados, por se enquadrarem em uma ou algumas das situações abaixo mencionadas: a) Prestadores de serviço que foram reembolsados por despesas (táxi, estacionamento, pedágio, refeição, combustível) após a entrega do Fl. 586DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 10 17 "Relatório de Despesas", sendo os reembolsos contabilizados na conta denominada ‘Salários a Pagar’. b) Funcionários demitidos e contratados como prestadores de serviço imediatamente â sua demissão e na mesma função (além do Encarregado do Departamento Pessoal e da Advogada, foram considerados os prestadores de serviço que exerciam funções relacionadas 6 atividade fim da empresa, ou seja: anal. Suporte, coord. Suporte, anal. Sistemas, coord. Sistemas, anal. Laboratório, coord. Tecnologia, etc.). c) Contratos firmados com a seguinte cláusula: ‘Haverá a dedução relativa à ajuda de custo concedida a titulo de alimentação e assistência médica’. d) Lançamento contábil de Notas Fiscais de Serviço em nome da pessoa física. e) Pagamento de despesas com ‘formação profissional’ para os prestadores de serviço (pessoa física), conforme registros contábeis. f) Existência de diversas empresas com sede na cidade de Poá, à Rua Dep. Guaracy Silveira n° 139, alterando apenas o número do conjunto/sala, e constando, nos contratos firmados, que o serviço seria prestado nas instalações da empresa contratante. g) Nos casos em que a empresa prestadora de serviço era constituída por dois sócios, eram firmados dois contratos distintos, sendo anexada a documentação pessoal de cada um dos sócios e o pagamento efetuado individualmente e, muitas vezes, através de depósito em dinheiro em sua conta bancária. Foi citado o exemplo do contrato firmado com os dois sócios da empresa KAHEMME INFORMATICA S/C LTDA. (EMERSON TOBAR SILVA e MARCELO PIMENTEL DA SILVA). h) Os números das Notas Fiscais constantes dos registros contábeis e "posição de fornecedores" correspondem a controle interno da empresa, não tendo sido apresentada outra modalidade de controle citando o número da Nota Fiscal emitida pelo prestador de serviço. [...] 3.2.3 Foi constatada a existência de pressupostos legais acima citados, necessários à configuração da relação de emprego, sendo caracterizados como segurados empregados os prestadores de serviço que se enquadravam nas situações descritas no item 3.2.1. supra e cujos serviços identificavam, através do exame da documentação apresentada, relação com as atividades normais da empresa, conforme abaixo exemplificado: Fl. 587DF CARF MF 18 a) O objeto social da empresa autuada, conforme seu Estatuto Social, era ‘a prestação de serviços de consultoria, assessoria e desenvolvimento de sistemas informatizados’ e a maioria das empresas eram contratadas com a mesma finalidade, ou seja, ‘prestar serviços de consultoria em sistemas de informática’. b) Algumas contratações estavam relacionadas com a rotina operacional da empresa, como por exemplo: Contrato firmado com GME COM. E SERV. DE INFORMÁTICA LTDA. ME, referente é contratação de PAULO ROGERIO FANTI, encarregado do Departamento Pessoal da empresa, sendo o objeto do contrato ‘a prestação de serviços de consultoria em sistemas de informática’. Contrato firmado com EL SHADAI CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA, correspondente A contratação da advogada, citada no item 3.1.1. supra. O objeto constante do contrato é ‘a prestação de serviços de comércio varejista de suprimento para informática e serviços de consultoria, assessoria, planejamento, projetos, análise de sistemas, treinamento, desenvolvimento e demais serviços na área de informática’. c) Foram firmados contratos após a demissão dos funcionários, conforme abaixo exemplificado: PAULO ROGERIO FANTI, demitido em 30/09/1998, conforme Ficha Registro de Empregados n° 000800 (sup. Adm.), e firmado contrato em 01/10/1998, como sócio da empresa GME COM. E SERV. DE INFORMATICA LTDA. ME (SUP. ADM.). MAURO SERGIO TESTONI, demitido em 28/04/1998, conforme Ficha Registro de Empregado 000383 (função Analista de Sistemas), e firmado contrato em 01/05/1998, como sócio da empresa M.L.G.C. COM. E SERV. DE INFORMATICA LTDA. ME. (Coord. Sistemas). GERSON DE PAULO PEREIRA, demitido em 31/05/1997, conforme Ficha Registro de Empregado n° 000270 (função diagramador), e firmado contrato em 02/06/1997, como GERSON DE PAULO PEREIRA (sup. Diagramador). Ora, tais fatos restam devidamente comprovados pela robusta prova documentação produzida nos autos principais (Processo nº 19515.001577/201047). As constatações fáticas realizadas pela fiscalização sobre a prestação dos serviços à Recorrente das pessoas jurídicas (“ex empregados” da Recorrente), não deixam dúvidas de que estão presentes os elementos caracterizadores do segurado empregado, restando configuradas a pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, de modo que agiu corretamente a fiscalização ao desconsiderar o negócio celebrado com as pessoas jurídicas, nos termos do artigo 116 do CTN, e enquadrar como segurados empregados os sócios que prestaram serviços à Recorrente. De acordo com o artigo 9°, parágrafo 4° do Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, “entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa”. Portanto, a não eventualidade diz Fl. 588DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 11 19 respeito à continuidade das atividades da empresa. Deve ser vista em relação nos fins do empreendimento, direta ou indiretamente e não deve ser confundida com frequência, jornada ou horário de trabalho. É empregado aquele que exerce atividade essencial e diretamente relacionada à atividade fim da empresa ou ligada à sua rotina operacional. As atividades desempenhadas pela segurada “autônoma”, Vanessa Martins Loreto, estão subordinadas à política administrativa da empresa, uma vez que, como empregada ocupava o mesmo cargo e, quando deixou de ser considerada autônoma também continuou na mesma função. Sobreleva notar que, a dependência reconhecida pela lei é a jurídica e, portanto a subordinação estabelecida na lei deve ser entendida como o direito do empregador de dirigir e fiscalizar a prestação do trabalho e dispor dos serviços contratados como melhor lhe aprouver, sendo assim, o direito do empregador de definir no curso da relação contratual a modalidade de atuação concreta do trabalho. No caso dos autos, existem elementos que revelam a existência de tal subordinação, como por exemplo, a concessão de benefícios, tais como Seguro de Vida e Seguro Saúde. Ademais, no caso da advogada, embora tenha havido a rescisão do contrato formal de trabalho em 05/1997, houve continuidade da prestação, na sede da empresa e nos mesmos moldes de subordinação e remuneração anteriores, entre 06/1997 e 12/1998, quando então decidiu constituir uma empresa e prosseguir com a prestação de serviços acobertada por suposto contrato com a pessoa jurídica. De outro giro, no que se refere ao enquadramento dos sócios das pessoas jurídicas como segurados empregados, as constatações foram ainda mais contundentes, pois recorrente a afirmação de que se tornaram sócios de “pessoa jurídica” após serem formalmente demitidos da empresa em que trabalhavam como empregados, e que continuaram a exercer as mesmas atividades nas dependências da Recorrente, submetidos à mesma remuneração, rotina e fiscalização. Quando a empresa tinha dois sócios a contratação era individual e não da sociedade. Além disso, os pagamentos eram realizados em favor da pessoa física dos sócios e não das pessoas jurídicas que constituíram, haja vista o lançamento do pagamento em nome dos sócios, além do fato de atribuírem numeração interna que não correspondiam às das notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas, para fins de contabilização. Assim, descabe alegar que se estaria tributando a receita da pessoa jurídica. Em que pese as declarações (fls. 765/791) dos supostos empresários afirmando ausência de exclusividade com a Recorrente, não há nos autos nenhuma prova de que a pessoajurídica a elas pertencente tenha prestado serviço o outrem. No presente caso, não se cogita de contratação de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador de serviços, mas sim de autêntica contratação envolvendo a sua atividadefim, motivo pelo qual não se pode considerar que a conduta do sujeito passivo se constitua em terceirização, como defende a Recorrente. Repisese que as provas dos autos são contundentes em evidenciar que a Recorrente praticou simulação, buscando a obtenção de vantagem. Verificase, portanto, o esquema arquitetado, envolvendo a contratação de segurados empregados por intermédio de empresa interposta, com o objetivo de diminuir os custos tributários e trabalhistas da empresa Recorrente. Fl. 589DF CARF MF 20 3.2. Da diligência Em relação ao protesto pela realização de diligência cabe referência ao disposto nos artigos 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, que assim dispõem: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93)” Ao sujeito passivo cabe o ônus da prova em relação ao que alega, devendo fazêlo oportunamente, por ocasião da impugnação, conforme estabelecem os incisos III, IV e parágrafo 4º do artigo 16, do Decreto 70.235/72, na redação dada pelas Leis 8.743/93 e 9.532/97. No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. Nenhum fato novo foi trazido que justificasse a realização da diligência pleiteada e a insuficiência de documentos para comprovar as alegações suscitadas pela Recorrente não é motivo para tal. A avaliação da necessidade de se realizar a diligência participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho, conforme se depreende: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 103 23.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) Fl. 590DF CARF MF Processo nº 19515.001579/201036 Acórdão n.º 2401005.346 S2C4T1 Fl. 12 21 Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da Recorrente. 3.3. Da multa Por fim, em relação à multa aplicada nas competências 11 e 12/1999, no percentual de 24%, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo a multa aplicada ser limitada ao percentual de 20% (vinte por cento), nos moldes estabelecido no artigo 35 da Lei nº 8.212/91 Portanto, ao contrário do afirmado pela instância a quo, a legislação vigente à época não é mais benéfica ao contribuinte, merecendo reparo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente para, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 591DF CARF MF 22 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier – Redatora Designada A única divergência em que restou vencida a relatora foi sobre a multa aplicada. MULTA A multa aplicada não é a de mora, pois não houve o recolhimento espontâneo por parte do sujeito passivo de contribuições em atraso, mas sim o lançamento de ofício de contribuições devidas, o que determina a aplicação da multa de ofício nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96. A regra vigente à época dos fatos geradores era a prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91, que estabelecia que o percentual de multa a ser cobrado era de 12% (para as competências até 10/99) ou 24% (para as competências a partir de 11/99, devido às alterações promovidas pela Lei 9.876, de 26/11/99) e o percentual aumentava de acordo com a fase do processo administrativo. Com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, a multa para o lançamento de ofício passou a ser de 75%, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91 c/c o artigo 44 da Lei 9.430/96. Logo, a multa mais benéfica é a da redação da lei vigente à época dos fatos geradores, no percentual de 12% ou 24%, conforme o caso. A multa cobrada no presente AI possui o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável, não cabendo à autoridade administrativa, plenamente vinculada, reduzir seu percentual, como determinado pela relatora. Por ocasião do pagamento pelo contribuinte, deverá ser calculada a multa mais benéfica, em razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. CONCLUSÃO Pelo exposto, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário, a multa deverá ser recalculada, se for o caso, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 592DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.903076/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS.
Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA.
Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida.
A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituir-se ou compensar o indébito tributário da retenção.
Numero da decisão: 1201-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA. Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituir-se ou compensar o indébito tributário da retenção.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.903076/2012-49
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859069
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.139
nome_arquivo_s : Decisao_16682903076201249.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 16682903076201249_5859069.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7259938
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311812186112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 721 1 720 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.903076/201249 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.139 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria Compensação COSIRF Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA. Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituirse ou compensar o indébito tributário da retenção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 30 76 /2 01 2- 49 Fl. 721DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 676/680) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG (fls. 656/659) que manteve a não homologação da DCOMP nº 12051.76404.310111.1.3.042370, conforme Despacho Decisório de fl. 647. O crédito trazido na DCOMP (fls. 660/664) teria origem em Retenção na Fonte de Tributos/Contribuições incidentes sobre Pagamentos Efetuados por Órgãos Públicos (abrangendo IRPJ, CSLL, PIS E COFINS código 6147), efetuada indevidamente em março de 2010, visando compensação com débito da mesma natureza, vencido em janeiro de 2011. O referido crédito teria origem na retenção na fonte do PIS/COFINS a maior da empresa SANTA BÁRBARA ENGENHARIA S/A quando efetuou os pagamentos pelso serviços prestados, enquanto que a empresa ZAF SISTEMAS ANALÍTICOS LTDA está estabelecida na Zona Franca de Manaus, razão pela qual foram indevidas as retenções de PIS/COFINS realizadas pela PETROBRÁS. Após a constatação do equívoco, a PETROBRÁS teria efetuado as devoluções e providenciou as declarações com os fornecedores, conforme quadros, faturas e declarações anexos. Às fls. 03/09, foi apresentada a Manifestação de Inconformidade, na qual a ora Recorrente aduz que o alegado crédito tem respaldo em pagamento indevido ou a maior consubstanciado no DARF nº 4585502862 e foi espelhado na DCOMP nº 12051.76404.310111.1.3.042370. Explica que desse valor pago no DARF acima (R$ 86.948.303,13), é certo que a PETROBRÁS tem direito a um crédito comprovado que soma R$ 218.707,80, em virtude de recolhimentos indevidos para os cofres públicos. Esse crédito, segundo a contribuinte, foi dividido em duas DCOMPs e detalha a composição do crédito: Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16682.903076/201249 Acórdão n.º 1201002.139 S1C2T1 Fl. 722 3 DCOMP 02292.91427.300710.1.3.044993: R$ 215.443,52 DCOMP 12051.76404.310111.1.3.042370: R$ 8.600,99 As razões dos recolhimentos indevidos, como foi dito acima, advém de retenções que a PETROBRÁS efetuou de seus fornecedores. Segundo a ora recorrente, tudo que defende está devidamente documentado da seguinte forma: Em seguida, foi proferido pela DRJ de Juiz de Fora/MG o Acórdão recorrido (fls. 656/659), mantendo a não homologação da DCOMP, por não entender juridicamente possível a repetição ou compensação pela fonte pagadora, independentemente da comprovação de ter arcado com o ônus financeiro: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo da relação jurídicotributária, nos casos de retenção de tributos na fonte, é a recebedora dos rendimentos. A Fl. 723DF CARF MF 4 pessoa jurídica legalmente obrigada a proceder à retenção de tais valores é mera responsável por essa retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Ausente a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, inexiste o direito desta última a ter restituídos eventuais valores retidos a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido VOTO A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. Tratase o presente pleito de utilização de suposto pagamento indevido, ou maior que o devido, para a compensação de débitos de titularidade do contribuinte e por ele confessados em DCTF. A análise a ser levada a cabo pela autoridade fiscal neste caso fica limitada a verificar se o pagamento indicado como lastro da compensação encontrase nos sistemas de controle da RFB e em que medida foi utilizado para a quitação de débito confessado pelo próprio contribuinte em sua DCTF. A verificação é bastante simples, sendo também muito simples a solução a ser dada ao requerimento: havendo pagamento indevido ou maior que o devido deferese o pleito, caso contrário indeferese. O suporte legal da restituição é o artigo 165 do CTN e o da compensação são os artigos 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. O citado artigo 165 aponta as situações em que são considerados indevidos os pagamentos. Tais situações estão reunidas em três incisos, conforme se observa a seguir: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória (grifos acrescidos).” Para solução do presente caso interessanos exclusivamente a previsão expressa e clara contida no caput: “O sujeito passivo tem direito”. É simples: se o requerente não figura como sujeito passivo da relação jurídicotributária não há se falar em direito à restituição daquilo que foi recolhido a maior (ou indevidamente recolhido), mesmo que o real sujeito passivo tenha convencionado particularmente com o requerente que não exerceria seu direito frente ao fisco. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 16682.903076/201249 Acórdão n.º 1201002.139 S1C2T1 Fl. 723 5 Os valores recolhidos pela requerente aos cofres públicos foram objeto de retenção relativa a tributos diversos que deveriam incidir sobre os recebimentos referemse a prestação de serviços onde a requerente figura como cliente da prestadora. Naturalmente, o sujeito passivo da relação jurídicotributária nesses casos é a recebedora dos rendimentos, sendo a requerente mera responsável pela retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Assim, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. O fato de a requerente ter devolvido à prestadora de serviço os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer os valores indevidamente retidos. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Nem mesmo a retificação da DCTF do período em análise, realizada em data posterior à ciência do Despacho Decisório combatido, é capaz de lhe socorrer, já que foi preenchida em desacordo com os documentos fiscais que deveriam lhe dar suporte pois a própria defendente afirma que realizou as retenções mencionadas e que tais valores já foram repassados ao Fisco. Na verdade a defendente vem fazer uma retificação indevida da sua DCTF, inserindo dados que não correspondem à realidade, com a intenção clara de dar um ar de regularidade àquilo que sabe ser irregular, como já mencionamos acima. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a não homologação da compensação pleiteada. Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 676/680), ora sob apreço, requerendo, preliminarmente, que este processo seja apensado ao processo nº 16682.903054/2012/89, para que seja feita a análise conjunta dos pedidos, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. No mérito, traz as mesmas alegações de seu primeiro apelo, acrescentando que o despacho decisório e o acórdão da DRJ, se valem de argumentos falhos, absolutamente destoantes do que dispõe a legislação aplicável à espécie, visto que restringiram sua negativa sob o entendimento de que a recorrente não ostentaria legitimidade para pleitear o indébito proveniente das retenções por ela realizadas na fonte quando do pagamento dos seus fornecedores de bens e serviços, quando em verdade o disposto na IN RFB 1.300/2012, em seu artigo 8º, abaixo transcrito, confere o devido respaldo legal para o procedimento adotado pela fonte retentora. Art. 8º. O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na Fl. 725DF CARF MF 6 forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Não há juntada de novas provas. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Preliminarmente, requer a tramitação deste processo em conjunto com o Processo Administrativo Fiscal nº 16682.903054/2012/89, de modo a evitar decisões conflitantes, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. De fato, ambos os processos tratam de PER/DCOMP cujo crédito tem como origem o pagamento indevido ou a maior de COSIRF (código de receita: 6147) do período de apuração da 2ª quinzena de março de 2010. A norma atual que disciplina a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é a Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. (Grifamos) Fl. 726DF CARF MF Processo nº 16682.903076/201249 Acórdão n.º 1201002.139 S1C2T1 Fl. 724 7 O procedimento de apensação implica em que ambos processos receberão julgamentos em Acórdãos distintos, porém concomitantes, a fim de evitar duplicidade ou decisões conflitantes. No caso, os processos em questão não se encontram apensados, porém, nada obsta que o julgamento se processe como se o fossem. Assim será realizado. O Acórdão recorrido se fundamenta no art. 165 do CTN e adotou interpretação na qual, de plano, não haveria como a Recorrente ser titular do direito pleiteado, deixando de se conhecer das provas por consequência. Como se observa dos autos e do relatório, o objeto contencioso do presente processo é a existência do crédito estampado na DCOMP apresentada e a titularidade deste, vez que seria fruto de retenção no pagamento a outrem. Por se tratar de crédito oriundo de retenção na fonte, cujo o contribuinte ordinário, original, é um terceiro, a legitimidade da Recorrente para promover a compensação é matéria prejudicial à verificação precisa e quantitativa do crédito. Nesse sentido, cabe ressaltar que o Despacho Decisório não afastou a possibilidade jurídica da Recorrente ser o titular do crédito que pretendia usar na compensação declarada. A não homologação da DCOMP, inicialmente, deuse pela ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito, uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de primeira instância, cujo voto condutor encontra se transcrito no relatório deste Acórdão, adotou posicionamento mais estrito, afirmando que, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. O fato de a requerente ter devolvido à sua fornecedora os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer junto ao fisco esses mesmos valores. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Invoca o art. 165 do CTN, norma geral que trata da restituição aplicável aos tributos diretos, apontando que, nos termos literais de seu caput, o legislador permitiu apenas ao sujeito passivo a restituição tributária, dizendo que não haveria norma de Direito Público que validasse a manobra pretendida pela Recorrente. Entendo que não assiste razão a decisão de piso em tal fundamentação. O Acórdão nº 1402002.332, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 05 de outubro de 2016, analisando caso semelhante, chegou a seguinte conclusão: "Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. " Por comungar do mesmo entendimento esposado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, trago a colação excertos do voto condutor que justifica aquele entendimento: Fl. 727DF CARF MF 8 A própria D. Administração Tributária Federal, em expressa aplicação analógica do art. 166 do CTN, reconhece a possibilidade de a fonte pagadora que efetuou retenção indevida se revestir de titular do crédito oriundo de tal equivoco. Confira se a Solução de Consulta COSIT nº 22, de 6 de novembro de 2013: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 121 e 165, I; Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012, arts. 3º, § 12, e 8º; Pareceres Normativos SRF nº 313, de 1971, e nº 258, de1974. (...) 3.1. O sujeito passivo a que se refere esse dispositivo, de acordo com o art. 121, parágrafo único, do CTN, pode ser o contribuinte (aquele que diretamente se enquadra na situação descrita como fato gerador do tributo) ou o responsável – pessoa obrigada a satisfazer a obrigação tributária, mas cuja relação com o fato gerador é apenas indireta, a exemplo da fonte pagadora obrigada à retenção na fonte de tributos. 4. Na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, a exemplo do Parecer Normativo CST nº 313, de 6 de maio de 1971 (publicado no Diário Oficial da União DOU de 01.07.1971), e do Parecer Normativo CST nº 258, de 30 de dezembro de 1974 (publicado no DOU de 24.01.1975). 5. A par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. 5.1. Atualmente, os procedimentos para que o “sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB” pleiteie a restituição do indébito estão disciplinados no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, assim escrito (sublinhouse): Fl. 728DF CARF MF Processo nº 16682.903076/201249 Acórdão n.º 1201002.139 S1C2T1 Fl. 725 9 Seção II Da Restituição da Retenção Indevida ou a Maior Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. §1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 41. (...) Conclusão 7. Ante o exposto, respondese à consulente que, na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Não obstante, pode a fonte pagadora pleitear a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observados os procedimentos do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Ainda que não fosse vigente à data da apresentação da DCOMP tal Instrução Normativa nº 1.300/2012 em se fundamenta a resposta fazendária, a própria Solução de Consulta relata que a prática é muito aceita pela Fiscalização, bem como a Instrução Normativa nº 900/2008, que precedeu aquele normativo que balizou o posicionamento da COSIT, já possuía previsão juridicamente idêntica acerca da compensação de tributos retidos na fonte, pelo próprio responsável. A analogia ao art. 166 do CTN para a restituição/compensação de tributos retidos indevidamente pela fonte pagadora é muito correta, principalmente por ser norma de cunho procedimental Fl. 729DF CARF MF 10 em relação ao direito dos contribuintes à restituição de tributos, mostrandose imbuída de total razoabilidade e pertinência prática, permitindo aos particulares envolvidos adotarem o procedimento financeiro e contábil que lhes mais convier. Inclusive, à época da edição do Código Tributário Nacional, a retenção na fonte não era uma técnica arrecadatória tão popular e presente como se observa hoje. Esta necessária verificação de contexto históriconormativo endossa a extensão do procedimento previsto e exigido no art. 166 do CTN, revelando se um instrumento que serve à praticabilidade tributária, na medida em que, como meio de integração da legislação tributária, permite suprir as lacunas do ordenamento, que poderiam causar dificuldades tanto no exercício de direitos pelo contribuinte quanto na fiscalização e arrecadação dos tributos, como leciona Regina Helena Costa1 sobre o uso de analogia na adoção de normas e regras procedimentais. Posto isso, superado o argumento jurídico do v. Acórdão, cabe agora verificar a presença dos requisitos para o gozo dessa prerrogativa, previstos no art. 166 do CTN, na IN 900/2008 e esclarecidos na Solução de Consulta COSIT nº 22/2013. Claramente, o primeiro e maior pressuposto é a prova de que teria, então, a Recorrente arcado efetivamente com o encargo financeiro do tributo retido. Frisese que o art. 8 da IN nº 900/2008 expressamente arrola devolução da quantia ao beneficiário como requisito. É certo que, uma vez destacado o valor do tributo diretamente do pagamento, a devolução mostrase imperiosa, até para fins de fluxo financeiro, vez que, se indevida, faz parte da receita do beneficiário. No Recurso Voluntário, a recorrente afirma que o indébito de R$ 8.600,99 está devidamente informado no cotejo entre a DCTF original (fls. 245/421) e a DCTF retificadora (fls. 422/599) que, segundo a contribuinte, sequer foram levadas em consideração pela DRJ em seu julgamento (falta de motivação para rejeição da prova), conforme quadro abaixo reproduzido: Ocorre que a decisão de primeira instância analisou a retificação da DCTF da seguinte forma, verbis: Nem mesmo a retificação da DCTF do período em análise, realizada em data posterior à ciência do Despacho Decisório combatido, é capaz de lhe socorrer, já que foi preenchida em desacordo com os documentos fiscais que deveriam lhe dar suporte pois a própria defendente afirma que realizou as retenções mencionadas e que tais valores já foram repassados ao Fisco. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 16682.903076/201249 Acórdão n.º 1201002.139 S1C2T1 Fl. 726 11 Na verdade a defendente vem fazer uma retificação indevida da sua DCTF, inserindo dados que não correspondem à realidade, com a intenção clara de dar um ar de regularidade àquilo que sabe ser irregular, como já mencionamos acima. A apresentação de DCTF retificadora em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Além disso, não existe qualquer prova do efetivo reembolso às empresas, ao norte citadas, do valor indevidamente retido nos pagamentos. Nenhum documento dos autos exprime a transferência de numerário ou de crédito, comprovando a devolução exigida pelos normativos autorizadores desta manobra excepcional. Desse modo, uma vez ausente a prova do requisito primordial que daria à Recorrente a titularidade do suposto crédito expresso na DCOMP, não se pode validar a compensação pretendida. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a não homologação da DCOMP em questão, conforme despacho decisório. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904626/2016-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.904626/2016-12
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859680
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.515
nome_arquivo_s : Decisao_10680904626201612.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680904626201612_5859680.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7264349
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311817428992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.904626/201612 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.515 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 26 /2 01 6- 12 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904626/201612 Acórdão n.º 3201003.515 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.492, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904626/201612 Acórdão n.º 3201003.515 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913700/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.913700/2009-19
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861527
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.890
nome_arquivo_s : Decisao_10480913700200919.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10480913700200919_5861527.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7279481
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311845740544
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-14T11:42:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-05-14T11:42:47Z; Last-Modified: 2018-05-14T11:42:47Z; dcterms:modified: 2018-05-14T11:42:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:d99d583f-bc77-45fb-a3fc-560363fd0591; Last-Save-Date: 2018-05-14T11:42:47Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-05-14T11:42:47Z; meta:save-date: 2018-05-14T11:42:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-05-14T11:42:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-05-14T11:42:47Z; created: 2018-05-14T11:42:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-05-14T11:42:47Z; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-14T11:42:47Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.913700/200919 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301002.890 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente ENIIL EMPRESA NACIONAL DE IRRIGACAO E INSTALAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 37 00 /2 00 9- 19 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10480.913700/200919 Acórdão n.º 1301002.890 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP, o qual visa compensar crédito de CSLL com débito de sua responsabilidade, a título de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurada. A DRF, por meio de Despacho Decisório, ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por entender que não há crédito disponível para compensação dos débitos informados no pedido de compensação, tendo em vista que os pagamentos foram integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que apurava o imposto e a contribuição com o percentual presumido de 32%, enquanto o correto seria de 8% e 12%, respectivamente. Dessa forma, o contribuinte requer a homologação dos despachos decisórios, bem como o devido reconhecimento dos recolhimentos antecipados e a inclusão da DCTF retificadora para o processo do crédito. A decisão da DRJ prolatou o Acórdão mantendo a negativa em relação a compensação, uma vez que constatou que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, destacando, destacando o seu equívoco quando da apuração de base de cálculo do IPRJ e CSLL, o que não obstaria o seu direito creditório. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.889, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.913699/200914, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.889): Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10480.913700/200919 Acórdão n.º 1301002.890 S1C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação em que se almeja a extinção de débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme DARF e DCTF apresentada. Ocorre que, a Fiscalização, após realizada análise das bases dos sistemas disponíveis da Receita Federal, verificou que os pagamentos tidos como indevidos ou a maior foram utilizados integralmente para a extinção anterior de débito do contribuinte, não havendo direito creditório em favor do contribuinte. Ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte, a decisão de primeira instância concluiu o quanto segue: A DRF/Recife constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito da CSLL apurado no 3º trimestre do anocalendário de 2006, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Dessa forma, não poderia a autoridade a quo ter reconhecido crédito algum, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) nessa esteira, em vão a discussão acerca dos índices de presunção. Por fim, não é possível observar a declaração retificadora para efeito de reconhecimento da disponibilidade do crédito, pois que apresentada após o despacho decisório uma vez que a disponibilidade do crédito é pressuposto da homologação da compensação, o despacho decisório não prescinde de seu prévio reconhecimento. Em sua defesa, a Recorrente se insurge alegando que apurou de modo equivocado toda sua base de cálculo de IRPJ e CSLL do período da autuação, no percentual de 32%, tanto para serviços realizados com emprego de materiais como para os realizados sem materiais não fazendo assim a devida distinção entre eles, para fins apuração do imposto e contribuição devida, conforme o arts. 15 e 20 da Lei 9.249/95, in verbis: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10480.913700/200919 Acórdão n.º 1301002.890 S1C3T1 Fl. 5 4 Com base na leitura supra, a Recorrente alega que, em regra, aplicamse os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, às pessoas jurídicas optantes ao lucro presumido ou estimado. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10480.913700/200919 Acórdão n.º 1301002.890 S1C3T1 Fl. 6 5 Adiante, colaciona o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 06/97 , que interpretou o art. 15 da Lei 9.249/95, ao declarar que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo para o imposto de renda será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a" deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Destacou que a partir de 1ª de janeiro de 1999, o emprego de materiais pelas empreiteiras passou a não mais constituir impedimento à opção das empresas pela tributação através do lucro presumido, como estabelece o art. 14 da Lei 9718/98. Assim, a vedação para a opção do lucro presumido contida no ato normativo supracitado, em seu inciso II, foi extinta a partir dessa data. Assim, trouxe aos autos, que a Recorrente obteve a Solução de Consulta nº 41 SRRF/4ª RF/DISIT de 19 de agosto de 2008, estabelecendo que a pessoa jurídica que apure o IRPJ e CSLL com base no resultado presumido e que exerça a atividade construção por empreitada, com emprego de mãodeobra e materiais, em qualquer quantidade, deverá aplicar os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida, na determinação da base de cálculo do imposto e da contribuição (DOC 02 do Recurso). Com efeito, a Recorrente informa retificou a DCTF posteriormente ao despacho decisório emitido pela DRF competente, o que impossibilitou o agente fiscal a verificar o pagamento a maior de forma eletrônica. Juntou a DCTF retificada (DOC 03 do Recurso) para visualização do crédito pleiteado (DOC 04 do Recurso) que consubstanciou a DCOMP (DOC 05 do Recurso), visando a sua homologação, conforme se extrai da tabela abaixo: [...] Adicionalmente, pugnou pela verdade material relativa aos fatos tributários, de modo que juntou provas que corroboram suas alegações. Pois bem, o cerne da questão cingese no direito creditório pleiteado pela Recorrente gerado por ocasião da retificação da DCTF, quando a alíquota de presunção de sua atividade para fins de IRPJ seria a de 8%.(atividade de mão de obra e materiais) e 12% (sobre a receita bruta auferida) em vez de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10480.913700/200919 Acórdão n.º 1301002.890 S1C3T1 Fl. 7 6 32%, conforme orientação jurisprudencial dos tribunais superiores. Inicialmente entendo pela possibilidade de retificação da DCTF, posto que a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. Ressaltase ainda que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos autos nenhuma prova do alegado erro do percentual de presunção, de forma a evidenciar suas receitas individualmente, permitindo o confronto com sua alegação. Nesse ponto, ressalvo que a atividade probatória é fundamental à convicção daqueles que não participaram do procedimento de ofício, configurandose imperiosa para a inteligibilidade dos motivos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal, bem como para a análise do conteúdo do Auto de Infração. A exigência do crédito tributário deve ser sempre pautada em elementos probatórios sólidos para fins de comprovação do ilícito. Dessa forma, ao Fisco incumbe apresentar os elementos probatórios que comprovem a ocorrência do fato gerador, bem como o não cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. Por sua vez, o contribuinte poderá apenas negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação, incumbindolhe produzir provas somente para consubstanciar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No caso concreto, incube a Recorrente o ônus da prova, isto é, o dever de prova existência do crédito pleiteado, por meio de documentos hábeis e idôneos. Entendo, pois, não restou provado a alegação do erro do percentual de presunção. Diante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10480.913700/200919 Acórdão n.º 1301002.890 S1C3T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10480.913700/200919 Acórdão n.º 1301002.890 S1C3T1 Fl. 9 8 Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
