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Numero do processo: 16327.904758/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/03/2006
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE PROVA.
Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, deve-se manter o despacho decisório que não homologou a compensação.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes.
Numero da decisão: 2402-005.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 20/03/2006 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE PROVA. Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, deve-se manter o despacho decisório que não homologou a compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE PROVA. Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, devese manter o despacho decisório que não homologou a compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 47 58 /2 00 9- 12 Fl. 125DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16327.904758/200912 Acórdão n.º 2402005.849 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/68) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO (fls. 65/68), que considerou improcedente manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/3) em face de Despacho Decisório (fl. 41) que não homologou compensação informada na Declaração de Compensação – DCOMP nº 40922.28553.150506.1.3.047300 (fls. 58/59). De acordo com o Despacho Decisório que denegou a compensação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.275.406,41. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP Nº Pagamento Valor original total Processo (PR) PerDcomp (PD) Débito (DB) Valor original utilizado 2425998111 2.423.878,79 Db:cód 0481 PA 20/03/2006 2.423.878,79 Valor total 2.423.878,79 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/3), alegando, em síntese, que: a) em decorrência de pagamento a maior do IRRF s/ Juros e Comissões em Geral de Domiciliados no Exterior (0481), referente ao fato gerador março de 2006 (20° Dia de março de 2006), foi recolhido a maior o valor de R$ 1.231.683,04, porém, como não houve a retificação da DCTF, não foi reconhecido o crédito informado no PERD/COMP; b) considerandose a DCTF retificadora, verificase a existência de créditos para liquidar débitos do PIS e da COFINS do mês de abril de 2006, códigos 4574 e 7987: Apresenta quadro com valores relacionados às DCTF original e retificadora: DCTF ORIGINAL Código 0481 DCTF RETIFICADORA Código 0481 Mês Valor Débito Apurado Mês Valor Débito Apurado 20º Dia Mar/2006 R$ 2.423.878,79 20° Dia Mar/2006 R$ 1.192.195,75 Requerer que seja i) retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado no quadro acima; e ii) reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedida por meio de PER/DCOMP com crédito suficiente para suportála. Fl. 127DF CARF MF 4 A DRJ/SPO considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pelas razões a seguir descritas: a) o manifestante afirma que não foi apresentada uma DCTF retificadora com o valor supostamente correto e requer a retificação de ofício desta declaração com o valor informado; b) os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o art. 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124/84, constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito; c) o interessado apresentou para o período de março/2006, uma DCTF original e uma DCTF retificadora. Em ambas as DCTF, o valor declarado de IRRF, código 0481, foi o mesmo: R$2.423.878,79 (fls. 62/64); d) a impugnante não apresentou a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração de 20/03/2006 e, por consequência, no imposto declarado; e) permanece válida a DCTF retificadora transmitida em 31/08/2006, observandose, ainda que não há previsão legal para retificação de ofício da DCTF transmitida pelo contribuinte; f) mesmo que uma DCTF retificadora fosse transmitida posteriormente à ciência do despacho decisório, esta não produziria efeitos, a teor do disposto no art. 12, § 2º, inciso III, da IN RFB nº 583/2005, vigente à época dos fatos; g) somente a apresentação da escrituração e documentação válida seria capaz de alterar o débito declarado pelo contribuinte; h) a empresa deve instruir sua defesa com os elementos de prova que fundamentem suas alegações, conforme previsto nos arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal; i) o entendimento expresso é assente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (reproduz Acórdãos nº 3803006.314 e 3802003.891) no sentido de que: 1) a apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida; 2) compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre; 3) a compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN; 4) uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento; 5) a não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16327.904758/200912 Acórdão n.º 2402005.849 S2C4T2 Fl. 4 5 Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 94/11), alegando o que segue: a) a confissão do débito em DCTF, não equivale à renúncia ao direito, sendo permitido, a qualquer momento, ao sujeito passivo retomar o questionamento do direito subjacente à dívida; b) não se pode cogitar de que o pagamento confessado em DCTF equivalha a renúncia do direito à restituição de tributo indevido, a teor do art. 165 do CTN que expressamente prevê restituição de tributo espontaneamente pago (como se fosse devido), independente de protesto, já que a dívida tributária surge ex lege, jamais se originando em razão de qualquer manifestação/declaração que a exteriorize como devida, acaso efetivamente não seja; c) não tem procedência a negativa ao direito creditório e à homologação da compensação na espécie, a pretexto da confissão do IRRF em DCTF (sem retificação tempestiva do débito), declarado como erro de fato, tendo em vista o efeito meramente declaratório dessa, pois, a DCTF não inflige efeito constitutivo ao crédito tributário; d) o indébito tributário objeto do DARF de IRRF equivale ao valor de R$ 2.275.406,41, conforme direito creditório de IRRF declarado em PER/DCOMP nº 40922.28553.150506.1.3.047300; e) cita doutrina para defender que, no âmbito do Direito Tributário, em ocorrendo erro de pagamento, a repetição do indébito independe da apresentação de provas, “bastando indicar que a mesma foi paga de modo espontâneo por erro de fato no recolhimento de DARF”; f) ao contrário do acórdão a quo, a exigência de que o contribuinte apresente, por exemplo, a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração 20.03.2006, e, por consequência, no imposto declarado para estar autorizado a restituir/compensar o excesso do imposto recolhido em DARF, não pode embasar interpretação que pretenda preterir ou excluir pesquisa de todos os meios de prova admitidos em direito, e que possibilitem documentar o direito creditório legítimo da recorrente, já que tal limitação conduziria ao enriquecimento sem causa da Administração Fazendária, o que não se harmoniza com os princípios da legalidade, da moralidade administrativa e da verdade material; g) o ônus de provar o direito creditório arguido, não exclui o dever jurídico da Administração Fazendária de analisar/pesquisar e diligenciar a busca dos fatos e dados registrados em documentos existentes na própria Administração Tributária, ou ainda, visando confirmação externa da verdade material; h) mesmo quando atua no exercício de sua função julgadora, não pode a Administração se furtar a seus deveres de ofício, especialmente o de diligenciar a pesquisa e certificação dos registros contábeis dos contribuintes, comparativamente aos dados passíveis de consulta em suas bases, tais como DCTF transmitidas à Receita Federal do Brasil com débitos de responsabilidade de fontes pagadoras, vinculados à pagamentos/creditamentos etc, à beneficiários de rendimentos residentes ou domiciliados no exterior. Cita jurisprudência do CARF que julga respaldar sua assertiva; Fl. 129DF CARF MF 6 i) roga pela conversão do julgamento em diligência para que seja averiguado se a defesa que se apresenta efetivamente representa informações da escrituração fiscal da interessada, senão para que a contribuinte seja instada a comprovar, através de seus assentamentos contábeis, conforme o caso, o exato registro da sua despesa com Juros e Comissões em Geral, a despeito da DCTF que não foi retificada, para confirmar o erro de preenchimento da DCTF quanto ao valor da obrigação tributária de IRRF, para o fato gerador 20.03.2006, relativamente ao código de receita 0481. Repete argumentos de mesma natureza e cita os princípios da ampla defesa e do contraditório; j) objetivando evidenciar ter ocorrido, de fato, um erro de preenchimento na DCTF em destaque e evidenciar (a teor do art. 170 do CTN) os atributos de existência, certeza e liquidez do indébito tributário de IRRF pretendido a restituir/compensar, mediante assunção do ônus probante que lhe incumbe, teria anexando prova inequívoca do erro de fato cometido em sua DCTF, consubstanciada em registros contábeis que demonstram o aproveitamento de direito creditório oriundo de “Pagamento a Maior ou Indevido”, utilizado para compensar débito de PIS e COFINS; k) com base na movimentação contábil constante do documento de fl. 121, verificarse a comprovação contundente de que o recolhimento abrangendo o débito de IRRF Juros e Comissões em Geral, fato gerador 20.03.2006, implica em indébito tributário, a compensar débitos de estimativas de IRPJ/CSLL, bem como PIS e COFINS, tal como ocorridas no caso concreto deste contencioso administrativo, relativamente à movimentação contábil de conta de IRRF, “tudo convergindo à Verdade Material que deve se sobrepor, a quaisquer declarações da recorrente veiculando erros de fatos, pois tais informações são meramente declaratórias, mas jamais constitutivas de legítimo direito creditório, aqui comprovados através de assentamentos contábeis da fonte pagadora”. l) esclarece que o PER/DCOMP nº 40922.28553.150506.1.3.047300 informa PER/DCOMP inicial nº 08085.39647.280406.1.3.046055 que acusa “Valor Original do Crédito Inicial” equivalente ao total do DARF de R$ 2.423.878,79 de IRRF de Juros e Comissões em Geral, relativo a fato gerador de 20.03.2006, todavia, na DCOMP sob análise, somente foi utilizado parte desse direito creditório para compensar débitos de PIS e de COFINS, no montante de R$ 2.275.406,41, tal como informado no campo “Total dos débitos desta DCOMP”, restando o saldo de R$ 1.043.723,37 em outra DCOMP (PER/DCOMP nº 35687.01200.310506.1.3.042386); m) aduz que, uma vez juntados os assentamentos contábeis, evidenciando um erro de preenchimento em DCTF quanto a suposto débito de IRRF passível de investigação apenas no âmbito do lançamento por homologação, não se pode negar a existência, certeza e liquidez do indébito tributário oriundo de recolhimento IRRF, após comprovada sua compensação parcial com débitos de PIS e COFINS, nos exatos montantes extintos sob condição resolutória na PER/DCOMP; n) destaca que o art. 332 e seguintes do Código de Processo Civil CPC (Lei 5.869/73) enumera como meios de prova, o depoimento pessoal, a confissão, os documentos públicos e particulares, a prova testemunhal, as perícias e a inspeção Fl. 130DF CARF MF Processo nº 16327.904758/200912 Acórdão n.º 2402005.849 S2C4T2 Fl. 5 7 judicial, e, além destas, também se pode lançar mão de outros meios de prova, desde que moralmente legítimos, respeitandose os direitos e garantias individuais e que Dessa forma, a administração fazendária, no exercício de sua função julgadora, não pode prescindir do desvelo esperado à análise da prova trazida aos autos, conforme aqui se controverte. o) faz referência ao art. 165 do CTN; p) argumenta que compensação de dívidas tributárias com direito de crédito resultante de recolhimento indevido de tributo logra efeitos de restituição, nos termos em que disciplinada por lei cuja validade encontre fundamento no art. 170 do CTN q) faz referência ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e ao art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 900/2005, que respaldariam seu direito; r) infere que o débito de IRRF tem fato gerador definido, base de cálculo e prazo de vencimento estabelecidos pela legislação, podendo ser lançado de ofício no âmbito do lançamento por homologação, se for o caso, de forma que o pagamento que contiver indícios comprovados de equivaler a direito creditório, tem natureza de pagamento indevido ou a maior, passível de imediata restituição/compensação; Por fim, requer: a) a reforma da decisão recorrida, para que seja dado provimento ao recurso voluntário e, reconhecida a existência do direito creditório; ou b) seja convertido o julgamento em diligência, para requerer que a unidade de origem designe agente para (i) verificar a documentação coligida visando comprovar o indébito e a efetiva obrigação tributária (in)existente do IRRF de Juros e Comissões em Geral, relativa ao fato gerador de 20.03.2006, comparativamente às informações e registros da escrituração contábil e fiscal da interessada; e, (ii) elaborar relatório conclusivo cientificadoa, com prazo para o regular contraditório e posterior retorno ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende às demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Realização de Diligência Com relação ao pedido de conversão do julgamento em diligência, requer o contribuinte que seja averiguado se a defesa apresentada, efetivamente, refletiria as informações de sua escrituração fiscal ou, ao revés disso, que seja ela (a recorrente) instada a comprovar, através de seus assentamentos contábeis, o exato registro de sua despesa com Juros e Comissões em Geral, a despeito da DCTF que não foi retificada, para confirmar o erro de preenchimento de referida declaração e a inocorrência dos fatos geradores, cujos valores decorrentes são objeto da DCOMP. Requer ainda seja verificada a documentação coligida visando comprovar o indébito, a inexistência de obrigação tributária e o consequente direito creditório. A teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide. Inicialmente, importa ressaltar que, de acordo com inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, incumbe ao sujeito passivo a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta seu recurso, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, não cabendo à autoridade julgadora, como parece querer fazer crê a recorrente, substituilo na busca de elementos de prova aptos a atestar os argumentos trazidos na peça recursal sob o pretexto de que isso representaria a consubstanciação do princípio da verdade material. Além disso, sobre o dever da Administração Tributária de buscar fatos e dados registrados em documentos existentes em seus sistemas, impende esclarecer que a não homologação da compensação informada em DCOMP se deu justamente porque as informação contidas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil davam conta de que inexistiam créditos para o pagamento dos débitos indicados na declaração e isso ficou claramente evidenciado no Despacho Decisório que denegou o pleito creditório. Especificamente com relação ao pedido de diligência, notase que as questões suscitadas no recurso voluntário têm relação com matéria de prova e, dessa forma, considero absolutamente desnecessária a realização de diligência para esclarecer questões que poderiam Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16327.904758/200912 Acórdão n.º 2402005.849 S2C4T2 Fl. 6 9 ter sido facilmente elucidadas, bastando para tanto que a recorrente indicasse as supostas inconsistências contidas no Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida e apresentasse os elementos probatórios que pudessem dar suporte às suas afirmações, o que não foi feito adequadamente por ocasião da Manifestação de Inconformidade ou do recurso voluntário. Desta feita, por entender prescindível e impraticável a realização de diligência voltada exclusivamente para o levantamento de provas que deveriam ser carreadas aos autos pela recorrente, nos termos do inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, indefiro pedido. Mérito A respeito das afirmações da recorrente de que confissão do débito em DCTF não equivale a renúncia ao direito à repetição de indébito tributário e que a não homologação de compensação não pode ter como pretexto a inocorrência de retificação da referida declaração, convém ressaltar que a decisão recorrida não se ateve a esses aspectos para considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Não há no aresto vergastado qualquer menção à hipótese de que a inserção de informações em DCTF equivalha à renúncia de quaisquer direitos legal ou constitucionalmente estabelecidos, tampouco de que a não retificação dessa declaração pelo contribuinte, de per si, tenha o condão de obstaculizar o direito creditório. Consoante consta da decisão recorrida: O impugnante não apresentou a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração de 20/03/2006 e, por consequência, no imposto declarado. Destarte, permanece válida a DCTF retificadora transmitida, em 31/08/2006. Observandose, ainda, que não há previsão legal para retificação de ofício da DCTF transmitida pelo contribuinte. Vejase que o trecho do decisum atacado, diferentemente do que infere a reclamante, é bastante elucidativo quanto a impossibilidade de se desconsiderar as informações contidas na DCTF diante da não apresentação de escrituração contábil e outros documentos hábeis a comprovar o reclamado erro de fato na base cálculo do IRRF declarado. Sem embargo, o contribuinte rebate as asserções da DRJ/SPO, com base em fragmento descontextualizado de obra doutrinária, sob o argumento de que, o pleito de devolução do indébito tributário dispensaria a apresentação de provas, “bastando indicar que a mesma (obrigação tributária) foi paga de modo espontâneo por erro de fato no recolhimento de DARF”, ou seja, na própria peça recursal admitise que não se apresentaram provas para respaldar as alegações levantadas. Por certo, não há qualquer fundamento nessa tese de que a repetição de indébito tributário prescinda de apresentação de provas incontestes que possam fundamentar os fatos alegados. Fl. 133DF CARF MF 10 Assim, no que respeita às questões de mérito, não colhe melhor sorte a recorrente em suas pretensões. Como bem pontuou a autoridade recorrida, a contribuinte não juntou aos autos cópias da escrita contábil e fiscal da empresa, de forma a demonstrar o erro no preenchimento da DCTF e o consequente recolhimento indevido. Conquanto alegue que carreou aos autos documentação demonstrando o erro de preenchimento na DCTF, temse que o único resquício de prova apresentado, já agora no recurso voluntário, foi o “documento” de fl. 121. Referido “documento”, que diz se tratar de “prova inequívoca do erro de fato cometido em sua DCTF, consubstanciada em registros contábeis que demonstram o aproveitamento de direito creditório oriundo de ‘Pagamento a Maior ou Indevido’, utilizado para compensar débito de IRPJ e de CSLL, ESTIMATIVA MENSAL, não é hábil a demonstrar a ocorrência de erro de fato. Referenciado “documento” tratase de uma única folha, sem qualquer tipo de registro que possa evidenciar que as informações ali inseridas integram a contabilidade da recorrente. E mais, embora revele a existência de recolhimento relativos ao mês de março de 2006 em valor equivalente ao da DCOMP que aqui se debate R$ 175.751,90 e R$ 1.081.550,15, os apontamentos contidos em tal “documento” não têm qualquer aptidão para comprovar o erro de fato arguido ao longo de todo o recurso voluntário. É certo que o processo administrativo é orientado pelo princípio do informalismo (ou formalismo moderado), contudo, não é crível que alguém possa imaginar que esse princípio (do informalismo) seja capaz de nos levar ao extremo de aceitar que documentos como o de fl. 121 possa fazer prova de ocorrência de erro tendente a afastar as informações contidas em uma declaração que, conforme bem ressaltou a decisão atacada, constitui confissão de dívida nos termos do § 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/1984. De mais a mais, o fato de o processo administrativo fiscal ser informado pelo princípio da verdade material não significa dizer que resta afastada a necessidade de que o contribuinte faça prova de suas alegações, tampouco que do ônus probandi seja do fisco. O reconhecimento de equívoco no preenchimento da DCTF somente se mostra admissível mediante comprovação do erro em que se funde, cabendo, repitase, à recorrente fazer prova de suas alegações. Ausente a comprovação do alegado erro de fato, e não comprovada a certeza e liquidez do crédito, inaplicáveis todas normas relativas a compensação, suscitadas no recurso voluntário, com base nas quais a recorrente busca se socorrer. Nesse sentido, assente o entendimento no âmbito deste Conselho, consoante se verifica da ementa do Acórdão nº 2201 002.397: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. PROVA. Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, devese manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Quanto às decisões administrativas suscitadas, essas foram proferidas em contextos fáticos próprios e, por suas especificidades, também não acodem a recorrente. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16327.904758/200912 Acórdão n.º 2402005.849 S2C4T2 Fl. 7 11 Conclusão Isso posto, tendo em vista que os documentos carreados não foram suficientes para demonstrar o erro no preenchimento da DCTF, voto por CONHECER do recurso, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.721038/2014-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2011
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS.
Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2011, do que trata de multa aplicada sobre esse crédito não reconhecido, e do que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL relativos ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2011
OMISSÃO DE RECEITA. CONSTITUIÇÃO CRÉDITO DE OFÍCIO.
Cabe o lançamento de ofício para constituir o crédito do IRPJ devido, relativo a receita omitida, se o saldo negativo de IRPJ que o contribuinte havia apurado na DIPJ, já foi requerido e consumido na compensação homologada de débitos.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR.
Inviável a compensação de IRPJ e CSLL adicionais apurados sobre receita omitida, se o imposto pago no exterior já havia sido totalmente consumido na compensação inclusive de ano-calendário subsequente.
LANÇAMENTO FISCAL, PROCESSO CONEXO.
Aplica-se ao julgamento do processo, a conclusão de julgamento em processo conexo, do qual este decorre.
Numero da decisão: 1201-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2011, do que trata de multa aplicada sobre esse crédito não reconhecido, e do que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL relativos ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2011 OMISSÃO DE RECEITA. CONSTITUIÇÃO CRÉDITO DE OFÍCIO. Cabe o lançamento de ofício para constituir o crédito do IRPJ devido, relativo a receita omitida, se o saldo negativo de IRPJ que o contribuinte havia apurado na DIPJ, já foi requerido e consumido na compensação homologada de débitos. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. Inviável a compensação de IRPJ e CSLL adicionais apurados sobre receita omitida, se o imposto pago no exterior já havia sido totalmente consumido na compensação inclusive de anocalendário subsequente. LANÇAMENTO FISCAL, PROCESSO CONEXO. Aplicase ao julgamento do processo, a conclusão de julgamento em processo conexo, do qual este decorre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 10 38 /2 01 4- 77 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13884.721038/201477 Acórdão n.º 1201001.758 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp nº 14421.30899.180912.1.3.6108, págs. 2/11, em que o contribuinte requer o crédito de R$4.487.095,73 de Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro SN CSLL) apurado em 31/12/2011, para compensação de débitos; a origem do crédito são IR pago no exterior e IRPJ retido na fonte códs. 8767, 6147, 6190, 5987, 5952. 2. O Despacho Decisório Seort nº 192/2014 de págs. 202/ (168/173) reconheceu o crédito de SN CSLL de R$4.011.777,04 e decidiu pela homologação das compensações declaradas até o limite deste crédito; cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte DRJ/BHE no Acórdão nº 0264.183 de 25 de fevereiro de 2015, págs. 331/344 (289/302) e julgou improcedente a manifestação de inconformidade e: INDEFERIR a juntada de novos documentos e CONSIDERAR NÃO FORMULADO o pedido de diligência; NÃO CONHECER das razões apresentadas acerca das demandas tratadas nos processos de nº 13884.721001/201449 e 13850.720243/201411 e MANTER A NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações em litígio neste processo; explicadas pelas ementas: PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentados com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses do § 4o do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do PER DCOMP o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. A autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13884.721038/201477 Acórdão n.º 1201001.758 S1C2T1 Fl. 4 3 3. Cientificado em 12/03/2015, pág. 362 (320), o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 13/04/215, o recurso voluntário de págs. 365/391 (323/349), resumido a seguir. 4. Este recurso voluntário é atinente a este processo, de nº 13884.721038/201477 e ao de nº 13880.720243/201411, referente a auto de infração exigindo multa isolada. 5. Relata que, como resultado do Despacho Decisório, foram parcialmente homologadas as compensações declaradas no conjunto de PERDcomps nº 14421.30899.180912.1.3.6108 e nº 08649.12699.280912.1.3.039153; a homologação parcial resultou na aplicação de multa de ofício de 50% sobre o montante do crédito supostamente compensado de forma indevida, no valor de R$234.020,51, no processo nº 13880.720243/201411. 6. A homologação parcial foi por dois motivos: a. que a estimativa de 03/2011 no valor de R$ 41.186,64 foi compensada com imposto pago no exterior, sem previsão legal, pois só poderia ser em 12/2011; b. a recorrente não declarou R$ 4.821.218,37 de lucros do exterior na base de cálculo da CSLL, o que gerou o auto de infração do processo n° 13884.721001/201449, no qual foi apurado crédito tributário de R$433.909,05 de CSLL, tendo este débito sido deduzido do saldo negativo apurado na DCOMP em questão o que foi contestado pela Recorrente, que demonstrou que, embora a legislação permita apenas a compensação em 12/2011, a estimativa de CSLL de 03/2011 compensada com imposto pago no exterior não causou prejuízo ao Erário, visto que a própria Autoridade Fiscal, no r. despacho decisório, confirmou que o valor compensável em 12/2011 era de R$1.186.918,63, valor este referente à soma das compensações realizadas em 03/2011 (R$ 41.186,64) e em 12/2011 (R$ 1.145.728,99), considerada legal. 7. Porém, relata, o Acórdão DRJ/BHE considerou improcedentes a manifestação de inconformidade/impugnação que a recorrente havia apresentado aos dois processos; diz que deve o mesmo ser reformado pelas razões a seguir. a. "Da impossibilidade de glosa do Saldo Negativo mediante lançamento não homologado" entende ser patente a arbitrariedade da Autoridade Fiscal, que desconsiderou, sem justificativa legal, a apuração da CSLL realizada regularmente, atropelando os trâmites e garantias elementares do devido processo legal, da ampla defesa e o princípio da legalidade, pois pretende tornar definitivo o ato administrativo de lançamento sem que tenha havido a efetiva análise pelas instâncias julgadoras revisoras. b. 'Legitimidade das compensações efetuadas com o imposto recolhido no exterior" no período de apuração 03/2011, ao contrário do quanto sugere o v. acórdão n° 0264.183, a Autoridade Fiscal glosou o crédito em referência, não por insuficiência de saldo a compensar, mas sim por suposta desconformidade com a legislação vigente, uma vez que a compensação com imposto pago no exterior só poderia ocorrer no mês de dezembro de 2011, mas se a Autoridade Fiscal tivesse reapurado a exação, considerando todas as parcelas das estimativas recolhidas, bem como verificado saldo de imposto pago no exterior Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13884.721038/201477 Acórdão n.º 1201001.758 S1C2T1 Fl. 5 4 a deduzir dos valores remanescentes (estimativa março/2011), a estimativa paga geraria o mesmo saldo negativo glosado. c. 3. "Inaplicabilidade da multa isolada" PA n° 13850.720243/201411, a DRJ/BHE limitouse a argumentar que a atuação da Autoridade Fiscal foi pautada no artigo 74, da Lei n° 9.430/96, desconsiderando que a imposição de multa isolada de 50% para o simples caso de indeferimento do pedido de compensação, sem comprovação de dolo, fraude ou máfé do contribuinte, afronta o direito de petição (artigo 5o, inciso XXXVI, alínea "a", da Constituição Federal), bem como os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, e o princípio do não confisco não é direcionado somente ao legislador, na medida em que não é impositiva/compulsória a aplicação de norma que se encontra em nítido descompasso com o ordenamento jurídico pátrio, já que ao imputar a desproporcional multa de 50% sobre o valor dos créditos nãohomologados, acaba por confiscar relevante parte do patrimônio da Recorrente. 8. Il.a) DA IMPOSSIBILIDADE DE NEGATIVA DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO COM FUNDAMENTO EM LANÇAMENTO SUPERVENIENTE E SEM JULGAMENTO FINAL NA ESFERA ADMINISTRATIVA: Explica que ao tempo da compensação era plenamente legítima a utilização do saldo negativo oriundo do exercício 2011, sendo este o fator determinante para a solução para a hipótese tratada; assim a negativa de homologação fundada em fato novo (lançamento de ofício) e que certamente será anulado por este E. CARF atenta contra os princípios que norteiam a atuação administrativa, especialmente os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da moralidade; não pode a autoridade fiscal pretender, por via transversa, tornar definitivo o lançamento efetuado sem a observância do rito previsto em lei para sua revisão/confirmação, com o fim de vedar a utilização de créditos constantes da apuração regular do imposto realizada pela Recorrente; por outro lado, devese considerar que a homologação da compensação efetuada alem de ser o único desfecho lícito para o caso concreto, amoldandose aos estritos comandos dos artigos 150, § 1o, e 151, III, ambos do CTN , não resulta em prejuízo ao Erário, que poderá proceder com eventual cobrança de toda a CSLL que entender devida após o lançamento definitivo da contribuição constituída no Auto de Infração (PA n° 13884.721001/201449), se houver decisão final que lhe aproveite. 9. II.b) DA EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO DECORRENTE DA APURAÇÃO DA CSLL NO EXERCÍCIO DE 2012 (ANOCALENDÁRIO 2011) assevera a regularidade dos procedimentos adotados pela Recorrente, uma vez que observados os requisitos previstos na legislação vigente (utilização do saldo negativo após o encerramento do exercício e a efetivação do pagamento), além de inteiramente provada e reconhecida pela Autoridade Fiscal a existência do saldo negativo se desconsiderado o lançamento objeto do PA n° 13884.721001/201449 , deve a glosa dos créditos utilizados ser integralmente reformada, com o reconhecimento do direito pleiteado, ante o preenchimento dos requisitos legais. 10. Il.c) DA AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO NO PROCEDIMENTO PRATICADO PELA RECORRENTE E DA EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO SE A COMPENSAÇÃO DA ESTIMATIVA DE MARÇO/2011 FOSSE REALIZADA EM DEZEMBRO/2011 PELA PRÓPRIA AUTORIDADE FISCAL. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13884.721038/201477 Acórdão n.º 1201001.758 S1C2T1 Fl. 6 5 11. Il.d) DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA PARA O SIMPLES CASO DE NÃO ACOLHIMENTO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU MÁFÉ, Sem prejuízo das razões apresentadas no tópico anterior, que corroboram o crédito utilizado, cumpre à Recorrente recorrer, analiticamente, a imputação da multa efetuada pela Autoridade Fiscal nos autos do Processo Administrativo n° 13850.720243/201411 e mantida pela 3a Turma da DRJ/BHE no v. acórdão n° 0264. 32, que tramita anexo ao presente e será julgado concomitantemente, em franca violação a diversos princípios constitucionais norteadores do ordenamento jurídico pátrio; a Autoridade Fiscal efetuou o lançamento da multa isolada, com base no artigo 74, §§ 15 e 17, da Lei n° 9.430/96; a imposição de multa isolada em casos como o presente nada mais faz que cercear e restringir direitos reconhecidos ao contribuinte, pois a Constituição Federal, em seu artigo 5o, inciso XXXIV, alínea "a", disciplina o direito de petição como um direito fundamental que garante, independentemente do pagamento de taxas, o exercício desta garantia para resguardar direitos próprios ou mesmo de terceiros, e o simples exercício da compensação previsto em lei, por si só não justifica ou dá suporte jurídico à criação de uma penalidade; o Direito não pune quem exerce um direito. 12. Il.e) DO CARÁTER CONFISCATORIO E DESPROPORCIONAL DA MULTA ISOLADA DE 50%, após reiterar os argumentos sobre confiso, pleiteia que a multa em questão deve se ater a percentual que somente puna a Recorrente (10% a 20% do valor do tributo supostamente devido), sem significar confisco ou enriquecimento ilícito do Fisco. 13. Sem prejuízo da realização de diligências que se mostrem imperiosas para a correta percepção dos fatos e da verdade material, bem como da juntada da documentação complementar que a Recorrente entenda necessária para comprovar os vícios apontados, requer o reconhecimento da procedência dos argumentos e requer o julgamento conjunto dos processos n° 13884.721001/201449, com o presente, nos termos do o artigo 49, § 7°, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. 1.1.1 Processos apensados. 14. Apensados ao presente os processos: nº 13850.720243/201411, auto de infração de multa isolada; e nº 13884.721240/201407, de cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada neste processo Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 2 Processos nº 13884.721038/201477, 13884.721001/201449 e 13850.720243/201411. Julgamento conjunto. 15. Todos tratam da CSLL apurada no anocalendário 2011. 16. Por isso, os julgamentos dos processo nº 13884.721038/201477, que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de SN CSLL apurado em 31/12/2011, do processo nº 13850.720243/201411, que trata da multa aplicada sobre crédito requerido e não reconhecido, e o de nº 13884.721001/201449, que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL apurados em 31/12/2011, só fazem sentido se concomitantes. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13884.721038/201477 Acórdão n.º 1201001.758 S1C2T1 Fl. 7 6 17. A RFB disciplinou o procedimento na Portaria RFB nº 354, de 11 de março de 2016: Art. 3° Os autos serão juntados por apensação nos seguintes casos: (...) III indeferimento de pedido de ressarcimento ou não homologação de DCOMP e o lançamento de ofício deles decorrentes. § 1° No caso de que trata o inciso III do caput, o processo principal ao qual devem ser apensados os demais será: I o que contiver os autos de infração, se houver; ou (...) § 2° A apensação, na hipótese a que se refere o inciso III do caput, deve ser efetuada: I depois do decurso do prazo de contestação dos autos de infração e dos despachos decisórios e envolverá todos os processos para os quais tenham sido apresentadas impugnações e manifestações de inconformidade, observado o disposto no § 18 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e II na unidade da RFB em que estiverem todos os processos, se a fase processual em que se encontrarem permitir. 18. O procedimento de apensação implica em que ambos processos receberão julgamentos em Acórdãos distintos, porém concomitantes, a fim de evitar duplicidade ou decisões conflitantes. 19. No caso, parte dos processos se encontra apensada, e um não, porém nada obsta que o julgamento se processe como se o fossem. 3 Processo nº 13884.721001/201449.. 20. Naquele processo o Autuante apurou R$433.909,65 de CSLL devida no ano 2011, sobre os lucros no exterior omitidos, que foram compensados com o Saldo Negativo o qual restou diminuído; e o contribuinte havia apurado na DIPJ anocalendário 2011 R$() 4.487.095,73 de SN CSLL, dos quais foram reconhecidos R$()4.011.997,04, portanto R$475.098,69 não foram reconhecidos no despacho decisório descrito no Relatório deste voto. 21. O processo foi julgado pelo CARF, Acórdão nº 1201001.650 de 12 de abril de 2017; o voto vencedor no citado Acórdão, concluiu: Continuando no racional e uma vez identificado o valor apto à compensação e considerando o montante de R$ 127.9 milhões como lucro auferido no exterior, temos a seguinte equação, também constante em Recurso Voluntário da Recorrente: IRPJ devido sobre R$ 127.934.110.65 R$ 31 983 527.66 CSLL devida sobre R$ 127.934.110,65 R$ 11 514.069.96 Valor compensável do imposto pago da França RS 52 322.109,75 Valor do IRPJ compensável RS 31.983 527.66 Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13884.721038/201477 Acórdão n.º 1201001.758 S1C2T1 Fl. 8 7 Valor da CSLL compensável RS 11 514.069.96 Valor compensado da CSLL no ano de 2011 (estimativas de março/2011 e dezembro/2011) RS 1 186 918,63 Excesso que não poderá ser compensado RS 7 637 593,50 Tomando por base os dispositivos legais acima mencionados que não deixam dúvidas quanto ao direito de compensação do imposto pago no exterior proporcionalmente ao lucro da subsidiária que fora adicionado à apuração do IRPJ CSLL no Brasil, e levando em conta a comprovação feita pela Recorrente nos autos, chego à conclusão de que. realmente, o saldo do imposto pago na subsidiária na França apta a compensação no Brasil, mostrouse suficiente para liquidar o IRPJ CSLL devidos no Brasil no período. Sendo assim, me parece que o lançamento fiscal ora em combate é insubsistente. Conclusão Diante do exposto. CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado 22. Haja vista o Acórdão supra, cabe dar provimento ao recurso voluntário Conclusão. Voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.003936/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2008
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. LAPSO MANIFESTO. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF.
Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número do DEBCAD e o Período de apuração.
EMBARGOS. EFEITO MODIFICATIVO. PAGAMENTO DO DÉBITO. ANTERIOR AO JULGAMENTO. DESISTÊNCIA DA LIDE. ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Admite-se o efeito modificativo quando em conseqüência do acolhimento dos embargos resulta premissa incompatível com o resultado originalmente adotado. Anula-se o acórdão que apreciou o mérito se constatado que o contribuinte havia quitado o débito antes do julgamento. Não se conhece de recurso voluntário nessa circunstância.
Numero da decisão: 2401-004.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para anular o Acórdão 2403-002.458, e não conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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LAPSO MANIFESTO. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número do DEBCAD e o Período de apuração. EMBARGOS. EFEITO MODIFICATIVO. PAGAMENTO DO DÉBITO. ANTERIOR AO JULGAMENTO. DESISTÊNCIA DA LIDE. ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Admitese o efeito modificativo quando em conseqüência do acolhimento dos embargos resulta premissa incompatível com o resultado originalmente adotado. Anulase o acórdão que apreciou o mérito se constatado que o contribuinte havia quitado o débito antes do julgamento. Não se conhece de recurso voluntário nessa circunstância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 39 36 /2 00 8- 96 Fl. 829DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para anular o Acórdão 2403002.458, e não conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 12269.003936/200896 Acórdão n.º 2401004.894 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório SELTEC VIGILÂNCIA ESPECIALIZADA LTDA., contribuinte, teve contra si lançado Crédito Previdenciário por não ter não comprovado a entrega, na rede bancária, da GFIP relativa aos valores pagos a todos os segurados empregados e contribuintes individuais (CFL 68), em relação ao período 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, a Egrégia 3° Turma da 4° Câmara, entendeu por bem DAR PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Voluntário da contribuinte no Acórdão nº 2403002.458, o qual restou assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador Fl. 831DF CARF MF 4 do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte" Devidamente intimada em 12/10/2014, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial tempestivo. Tendo os autos sido encaminhados para ARF em Guaíba/RS, para que o contribuinte seja cientificado do Acórdão supra mencionado e do Recurso Especial, a Delegacia de Porto Alegre elaborou manifestação alegando a existência de pagamento do DEBCAD em questão, na data de 23/09/2009, encontrandose "Baixado por Liquidação", conforme telas de fls. 822/823, propondo o retorno ao CARF para apreciação da questão. Submetido à análise de admissibilidade, por parte da nobre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, esta entendeu por bem acolher o pleito da DERAT inscritos e recepcionados como Embargos Inominados, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a o evidente lapso manifesto apontado, nos termos do Despacho de e fls. 826/827. Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 12269.003936/200896 Acórdão n.º 2401004.894 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Com fulcro no art. 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 08 de março de 2016, adoto o despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS como embargos inominados. Deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados, não há no RICARF prazo para sua interposição. Vejase o teor do artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Nas razões do despacho, pretende a Autoridade Administrativa incumbida do seguimento do feito sejam conhecidos seus Embargos, insurgindose contra o Acórdão recorrido, por entender ter havido a ocorrência de lapso manifesto, por ter sido o DEBCAD liquidado em 23/09/2009. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento da presente manifestação, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da informação de quitação, de modo a sanar o manifesto erro. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, a Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira constatou que houve lapso manifesto no julgado, inclusive, já se manifestando quanto ao seu posicionamento. Nesse sentido, procedem os Embargos Inominados opostos pela representante da DERAT, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludido erro seja devidamente saneado. Conforme observase das telas acostadas às efls. 822/823 fica evidenciado a baixa por liquidação do DEBCAD em comento, em 23 de setembro de 2009, no entanto, essa informação não foi anteriormente indicada pela contribuinte ou pelo Fisco. Fosse a informação sobre a existência do referido pagamento trazida aos autos, por qualquer das partes, antes do julgamento, o encaminhamento ali referendado pelo colegiado possivelmente seria outro. Fl. 833DF CARF MF 6 A existência de premissa fática equivocada é comprovada com a existência do pagamento antes do julgamento, demonstrando que o contribuinte não mais desejava levar adiante a discussão. O acórdão embargado foi proferido, em 19/02/2014, sob o nº 2403002.458, cuja decisão foi: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.” O atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, se manifesta da seguinte forma: "[...]Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis.[...]" Extraise dos dispositivos encimados que o pagamento configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pela contribuinte. Conforme a ementa abaixo transcrita demonstra que o CARF tem decidido pelo acolhimento de embargos de declaração ainda que a hipótese autorizadora seja constatada quando da juntada aos autos, após o julgamento, de documentos que deveriam constar dos autos: EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGAMENTO INFORMAÇÃO TRAZIDA AOS AUTOS APÓS O JULGAMENTO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. O pagamento extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN. Ademais, nessas circunstâncias, está Fl. 834DF CARF MF Processo nº 12269.003936/200896 Acórdão n.º 2401004.894 S2C4T1 Fl. 5 7 ausente uma das condições da ação, previstas no artigo 267, inciso VI, do CPC, qual seja, o interesse processual. No caso, embora a informação só tenha vindo para os autos em sede de embargos de declaração opostos em face do acórdão da CSRF, proferido em 03/11/2008, o contribuinte efetivou o pagamento do débito em apreço em 28/11/2003. A decisão que negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional não pode prevalecer. Embargos acolhidos. (Acórdão 920202.329, de 24/09/2012, 2ª Turma da CSRF). No mesmo sentindo, o acolhimento de Embargos de Declaração para corrigir acórdão que se fundamentou em premissa fática equivocada está de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme ilustrado adiante: PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. TEMPESTIVIDADE. AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL. AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A POLUIR OU DEGRADAR. 1. O art. 535 do CPC dispõe que são cabíveis embargos de declaração quando a decisão for omissa, obscura ou contraditória, bem como para corrigir premissa fática equivocada ou erro material existente no acórdão impugnado. 2. No presente caso, embora o voto condutor, em seus fundamentos, tenha abordado todos os pontos necessários à composição da lide de forma clara e harmônica, notase o equívoco sobre premissa fática em que se baseou o acórdão embargado. 3. De fato, é o caso de reformar o acórdão impugnado, uma vez que o recurso especial é tempestivo. (EDcl no Ag 1323337/SP, Relator (a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data do Julgamento 22/11/2011). Nesse passo, havendo a recorrente desistido e renunciado ao direito, em 23/09/2009, conforme telas em anexo, ou seja, quando ainda não existia o Acórdão ora embargado, tornase imperioso concluir pela inexistência de lide. Conseqüentemente, necessário se torna a anulação do acórdão prolatado originalmente por este colegiado em 19/02/2014, por ocorrência de evidente lapso manifesto, uma vez que não mais existia lide. Não mais existindo lide, da mesma forma, tornouse infundado o Recurso Especial oposto pela Procuradoria. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS de acordo com o artigo 66 do RICARF, com efeitos modificativos, para anular Fl. 835DF CARF MF 8 o Acórdão n° 2403002.458, e, NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO PELA CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 836DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000466/2003-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 9303-005.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 04 66 /2 00 3- 65 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10650.000466/200365 Acórdão n.º 9303005.041 CSRFT3 Fl. 651 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 320200.039, proferido pela 2º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, para conceder a Contribuinte o direito à inclusão dos expurgos inflacionários em compensação/restituição de créditos tributários, ainda quando a decisão judicial não tenha se manifestado expressamente neste sentido. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O interessado é filiado a Associação Comercial e Industrial de Sacramento, que impetrou Mandado de Segurança n" 1999.38.02.0001268, distribuído a 2" Vara da Subseção Judiciária de Uberaba, no qual requer o pagamento do FINSOCIAL na aliquota de 0,5% e a conseqüente declaração de inconstitucionalidade dos preceitos legais que a aumentaram para 1,0%, 1,2% e 2,0%, e ainda a compensação dos valores pagos em excesso coin parcelas vincendas de tributos administrados pela RFB (fls. 56 a 119); A empresa apresentou pedido de compensação dos supostos créditos com débitos de PIS/Pasep, COFINS, IRPJ e CSLL (lis. 01 a 06); A DRFUberaba emitiu Despacho Decisório no qual homologa em parte as compensações pleiteadas (fls. 426 a 467); A DRJ, em síntese, entendeu, na esteira do voto proferido pelo Ilustre relator, que a DRFUberaba, ao contrário do afirma a manifestante, seguiu todas as determinações contidas na sentença que transitou em julgado, tendo acatado o período de 10 (dez) anos de indébito. Quanto A. atualização monetária, asseverouse que foi utilizada a Norma de Execução (NE) SRF/COSIT/COSAR n" 8, de 27/06/1997, que utiliza os mesmos indices determinados na sentença inclusive o INPC para o período de março a dezembro/1991. O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10650.000466/200365 Acórdão n.º 9303005.041 CSRFT3 Fl. 652 3 A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos indices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n 561 do Conselho da Justiça Federal. Recurso Voluntário Provido. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "Com o devido respeito, o acórdão recorrido é exemplo de desbordamento dos limites impostos ao julgamento administrativo pelo principio da imutabilidade da coisa julgada, assim como o principio da legalidade, e não pode ser mantido por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Isso porque não se pode admitir, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos contornos do titulo judicial. Por outro lado, resta mais um obstáculo à concessão administrativa de direitos não reconhecidos judicialmente, qual seja: a prescrição da pretensão que o contribuinte teria de exigir da Administração Pública uma pretensão. Com efeito, se o contribuinte não pleiteou os expurgos inflacionários no âmbito da ação judicial que reconheceu seu direito A repetição de indébito, forçoso reconhecer que está prescrita esta parcela de sua pretensão". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20177.649, de 15/6/2004, da lº Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, e o Acórdão 20600.728, de 14/4/2068, da 6º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. Ao final, a Fazenda Nacional menciona ainda outros três paradigmas no mesmo sentido, sem indicação de prioridade de análise, razão pela qual, nos termos do § 5º do art. 67 do Anexo II do RICARF, foram considerados apenas os 2 (dois) paradigmas acima descritos. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 544/589, com fundamento de que o acórdão recorrido firmou entendimento de que são cabíveis os expurgos inflacionários ainda que a decisão judicial não tenha reconhecido esse direito ao contribuinte, enquanto que o entendimento constante dos paradigmas é no sentido de que é imperiosa a expressa determinação judicial para que seja possível o acréscimo dos expurgos inflacionários. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. fls.594/606, requerendo que: "Seja indimitido o recurso especial ora interposto, na sua integralidade, por ausência dos requisitos para sua interposição, ou parcialmente relativamente a questão relativa a prescrição erigida no recurso às fls. 535; seja o presente recurso julgado improcedente, mantendo se in totum o acórdão objurgado proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, haja vista que a inclusão de expurgos inflacionários é devida na forma de Correção Monetária, conforme legislação vigente e jurisprudência Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10650.000466/200365 Acórdão n.º 9303005.041 CSRFT3 Fl. 653 4 pacificada nas turmas, câmaras, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e na colenda". É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. Conforme exposto no exame de admissibilidade, os acórdãos paradigmas acostados pela Fazenda Nacional, se prestam a comprovar divergência jurisprudencial exclusivamente quanto a obrigatoriedade de determinação judicial para que seja possível o acréscimo dos expurgos inflacionários. No que tange, a preliminar suscitada pela Fazenda Nacional referente a prescrição, não houve comprovação de divergência nos paradigmas, considerando que referida questão também não consta no acórdão recorrido. Portanto, tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, apenas quanto a matéria referente a obrigatoriedade ou não de determinação judicial para que seja possível o acréscimo dos expurgos inflacionários. Quanto ao direito à inclusão dos expurgos inflacionários em compensação/restituição de créditos tributários, ainda quando a decisão judicial não tenha se manifestado expressamente neste sentido, utilizo como fundamento em minhas razões de Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10650.000466/200365 Acórdão n.º 9303005.041 CSRFT3 Fl. 654 5 decidir o Acórdão nº 9303004.202, sessão de julgamento realizada em 07 de julho de 2016, da lavra da Ilustre Conselheira Érika Costa Camargos Autran, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à aplicação de índices de correção monetária que contemplem os denominados expurgos inflacionários. Em virtude das decisões prolatadas no AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007), foi pacificado o entendimento de que na repetição de indébito tributário, a correção monetária será calculada segundo os índices indicadospara os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. Cumpre destacar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601/2008 foi dispensada de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, conforme ementa e conclusão abaixo transcritas (grifos meus): "PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto n.º 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. 2. Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional sobre a matéria. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas no Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de que é devida a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, como fator de atualização monetária de débitos judiciais. 4. O entendimento reiteradamente invocado pela Fazenda Nacional em sua defesa sempre foi no sentido de ser descabida a aplicação dos índices Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10650.000466/200365 Acórdão n.º 9303005.041 CSRFT3 Fl. 655 6 expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, somente sendo possível, para este fim, a aplicação dos índices legalmente estatuídos. 5. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ o entendimento no sentido de que devem ser incluídos, para cálculo da correção monetária de débitos judiciais, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, sendo esta incidência decorrente de lei (Lei 6.899/81), pelo que se faz desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art 293 do CPC. 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: (...)" Por fim, em vista a aprovação do parecer acima, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, através do Ato Declaratório n.º 10/2008 determina que é cabível a aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução n.º 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal, senão vejamos: “ATO DECLARATÓRIO Nº 10, DE 1ºDE DEZEMBRO DE 2008 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, desta Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelo planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Portanto, cotejando os atos normativos acima transcritos, é possível afirmar que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que sejam aplicados os índices do Conselho da Justiça Federal". Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10650.000466/200365 Acórdão n.º 9303005.041 CSRFT3 Fl. 656 7 Forte nestas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 656DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901164/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.691
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.901164/200948 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.691 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente PORTO SEGURO VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 64 /2 00 9- 48 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901164/200948 Acórdão n.º 3201002.691 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.448. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901164/200948 Acórdão n.º 3201002.691 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901164/200948 Acórdão n.º 3201002.691 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.902730/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 30 /2 01 0- 84 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902730/201084 Acórdão n.º 1301002.295 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902730/201084 Acórdão n.º 1301002.295 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902730/201084 Acórdão n.º 1301002.295 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902730/201084 Acórdão n.º 1301002.295 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.902730/201084 Acórdão n.º 1301002.295 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.902730/201084 Acórdão n.º 1301002.295 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16327.902730/201084 Acórdão n.º 1301002.295 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.909180/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver erro de fato. O Recurso Voluntário é tempestivo, e portanto, deve ser conhecido, o que resulta em efeitos infringentes dos embargos apresentados.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
DILIGÊNCIA. HIPÓTESES DE CABIMENTO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITO.
O pedido de diligência para eventual apuração de crédito a compensar é incabível se ausentes as hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes, e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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EFEITOS INFRINGENTES. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver erro de fato. O Recurso Voluntário é tempestivo, e portanto, deve ser conhecido, o que resulta em efeitos infringentes dos embargos apresentados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. DILIGÊNCIA. HIPÓTESES DE CABIMENTO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITO. O pedido de diligência para eventual apuração de crédito a compensar é incabível se ausentes as hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 91 80 /2 00 8- 67 Fl. 200DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes, e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Relatório Tratase, na origem, de Despacho Decisório que não homologou Compensação declarada pela recorrente. A fundamentação da negativa foi não ter sido encontrado, nos sistemas da Receita Federal, o pagamento no valor de R$ 156.732,10, que havia sido informado como crédito na PER/DCOMP. Na Manifestação de inconformidade, o contribuinte alega ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP. Transcrevo: “O contribuinte ao preencher a Declaração de Compensação (…), na página 03, 'DARF PIS/PASEP', declarou como 'Valor do Principal' o montante a ser compensado, ou seja, R$ 156.732,10 sendo correto declarar neste campo o 'Valor do Principal' do DARF efetivamente recolhido ao Erário Público, que neste caso representa o montante em R$ 724.339,48, cuja data de autenticação se deu no dia 14/05/2004”. Alega ainda que o valor originalmente informado em DCTF, R$ 724.339,48, para o PIS de 04/2004, estaria errado, tendo retificado a DCTF e o Dacon para o valor de R$ 528.350,11, sendo a diferença a origem do crédito pretendido. A DRJ/Campinas/SP não deu provimento à Manifestação de Inconformidade. Copio a ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos créditos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13896.909180/200867 Acórdão n.º 3301003.447 S3C3T1 Fl. 201 3 específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Não resignado, o contribuinte apresentou então o Recurso Voluntário, sustentando o que segue: Houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, conforme já relatado; Invoca o princípio da verdade material, para que se proceda à correção do erro formal. Junta precedentes do Carf nos quais se houve por bem prestigiar tal princípio; Aduz os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, para que a administração pública cumpra os objetivos a que se destina, nos moldes do art. 2º da Lei 9.784/99; Se ultrapassados os argumentos acima, pede pelo afastamento da multa e dos juros, ao fundamento de que tentou extinguir o débito debatido por meio da compensação não homologada. Finalmente, se desatendidos os pedidos anteriores, pede por diligência, para se apurar o verdadeiro quantum do Pis devido em 04/2004. Em 24/04/2012 foi exarado o Acórdão 380302.789, pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Carf, decidindo não conhecer o recurso, por intempestividade de sua apresentação. Tal decisão foi objeto de Embargos de Declaração, por parte do contribuinte, alegando contradição material, posto que, conforme defende, o recurso fora tempestivo. Ás fls. 197/198 consta Despacho admitindo os embargos, por eventual contradição ou omissão nas verificações de tempestividade. Então os autos foram a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O documento à folha 151 representa o rastreamento do termo de intimação de folha 79, que deu ciência ao contribuinte do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, Fl. 202DF CARF MF 4 conforme se verifica pelo código. Lá consta que a postagem foi feita nos Correios em 12/04/2001, mas foi efetivamente entregue ao contribuinte em 13/04/2011, uma quartafeira. O prazo para interposição do Recurso Voluntário, de 30 dias, terminou em 13/05/2011, uma sextafeira, data em que efetivamente foi protocolado, conforme se verifica à fl. 82. Portanto, é tempestivo e deve ser conhecido. Mérito Para bem aquilatar os fatos, reproduzo a cronologia: Em 14/05/2004, o contribuinte recolheu a título de Pis referente a Abril de 2004, o valor de R$ 724.339,48 (fl. 47); Em 27/07/2004 apresentou Dacon apurando o valor de R$ 567.607,39 para o mesmo mês (fl. 135); Em 12/08/2004, apresentou DCTF onde se confessa o débito de Pis, referente ao mesmo mês de abril de 2004, o valor de R$ 724.339,48 (fls. 139 e 140); Em 12/11/2004, apresentou PER/DCOMP, declarando como crédito para compensação um pagamento indevido de R$ 156.732,10 de Pis, referente a abril de 2004 (fl. 2); Em 28/05/2008 consta retificação da Dacon, apurando Pis de 04/2004 em R$ 528.350,11; Em 02/09/2008 foi cientificado ao contribuinte o Terno de Intimação de fl. 71, no qual se solicitava esclarecimentos quanto à compensação, posto que o Darf informado de R$ 156.732,10 não fora encontrado nos sistemas da Receita Federal; Não consta qualquer resposta do contribuinte; Em 19/09/2008 o contribuinte retifica a DCTF, para constar como débito de Pis de abril de 2004 o valor de R$ 528.350,11 (fl. 49); Em 17/11/2008 foi cientificado ao contribuinte o Despacho Decisório nº rastreamento 804840550, que não homologava a compensação pretendida, por não ter sido encontrado o suposto pagamento indevido. Resulta desse histórico que, formalmente, o crédito constituído relativo ao Pis 04/2004 foi de R$ 724.339,48, conforme a DCTF original. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84). O Dacon não tem função constitutiva, sendo meramente informativo. A DCTF retificadora foi apresentada somente depois da intimação para esclarecimento, portanto, sem espontaneidade, e desse modo, não altera a DCTF anterior. A Instrução Normativa da Receita Federal nº 255/2002 definia: Art. 9º ... Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13896.909180/200867 Acórdão n.º 3301003.447 S3C3T1 Fl. 202 5 §2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: (…) II – em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal; Tal normativo encontra fundamento legal no art. 138, §1º1 e 147, §1º2 do CTN, além do art. 16, da Lei 9.779/993. A recorrente invoca o princípio da verdade material, para fins de apuração do verdadeiro valor do Pis devido em 04/2004, todavia não trouxe até o momento nenhum elemento para suporte das suas alegações. As informações do Dacon não performam prova material e não se constituem em elementos de certeza e liquidez necessários à compensação. A matéria a provar é o faturamento e as aquisições que dêem direito a crédito. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373,I do CPC5). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve três oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a intimação para esclarecimento da compensação, 2 – após a ciência do Despacho Decisório, e 3 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma quarta oportunidade malfere o art. 16, §4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: 1 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 2 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 204DF CARF MF 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13523.000089/98-25
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS — Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte — Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP n° 1.621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art.77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF n°31/97, do Decreto n°20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias
predominantes.
O COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES — Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação
das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos
órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a
aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios
constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei n° 8.429/92, art. 4° e Lei n° 9.784/99, art. 2°, capta e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO — Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de
cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-31.022
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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RECORRENTE RECORRIDA M/I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA 13523.000089/98-25 19 de fevereiro de 2004 301-:31.022 125.837 CAVALCANTE & MACHADO LTDA. DRJ/SAL VADORlBA FINSOCIAL RESTITUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nO 1.621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, ~ 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art.77 da Lei nO9.430/96, do Decreto nO2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto nO20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei n° 8.429/92, art. 4° e Lei n° 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Mastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. .J MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de fevereiro de 2004 ~~ " ÊLâYDEMEDEIROS Presidente SÉ LENCE CARLUCI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI e LUIZ ROBERTO DOMINGO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 125.837 301-31.022 CAVALCANTE & MACHADO LTDA. DRJ/SAL VADOR/BA JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO • • O presente processo trata do pedido de restituição (compensação) de FINSOCIAL recolhida com alíquota superior a 0,5%, posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 1. O órgão de origem inicialmente deferiu o pedido (fls. 68/71), mas esta decisão foi posteriormente revista por esta mesma autoridade (fls. 99/1 02), que desta vez indeferiu o pedido, julgando extinto o pedido de o contribuinte pleitear a restituição ou compensação do crédito com o transcurso do prazo fixado no artigo 168 do Código Tributário Nacional, e com base no disposto no Ato Declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999. 2. O interessado contesta esta decisão argumentando, em síntese, que a compensação é instituto distinto da restituição e que a medida provisória não a veda expressamente. Argumenta ainda que a compensação é de direito, pois houve o pagamento a maior que o devido. Não apresenta, porém, argumentos contestando o indeferimento pela extinção do seu direito de pleitear a restituição. A DRJ/Salvador - BA indeferiu a solicitação da contribuinte alegando que : "O direito de o contribuinte pleitear a restituição extingue-se no prazo de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário, inclusive com relação aos pagamentos efetuados com base em dispositivo posteriormente declarado inconstitucional. " Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte, tempestivamente, impetrou Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, no qual reitera os argumentos já citados, acrescentando ainda que: • a peticionária exerceu seu direito em tempo hábil, tempestivamente, dentro do prazo prescricional, inclusive com reconhecimento por parte da Receita Federal de Feira de Santana ao crédito pleiteado, ao contrário do alegado para o indeferimento posterior, por parte da própria Receita . Que ao arrepio da Lei e tomando por base um ato administrativo, considerou como sendo 05 (cinco) anos o prazo prescricional; 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • 125.837 301-31.022 a legislação que rege a matéria determina o prazo de 10 (dez) anos para que o Fisco possa apurar e constituir o crédito vinculado ao FINSOCIAL. E, se este é o prazo para o Contribuinte constituir a crédito tributário, também o é para o Contribuinte pleitear a sua compensação e/ou restituição quando pagos a maior. Conclusão contrária seria aceitar o princípio do locupletamento sem causa do Estado, este sim vedado pela Constituição Federal; ressalta que, nos termos do artigo 103 do Decreto n° 92.698/86 e no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, está dito que decai em 10 (dez) anos o prazo para constituir o crédito vinculado ao FINSOCIAL, e este entendimento não é isolado, mas acolhido pelo Segundo Conselho de Contribuintes. • • por ser tributo lançado por homologação, fica claro o direito da recorrente, já que patente está a inocorrência da prescrição anunciada pelo julgador de Primeira Instância, uma vez que, conforme precedentes jurisprudenciais trata-se o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação onde a prescrição aplicável é decenal. • Por fim pede que se dê fundamento à sua manifestação, reformando-se a decisão da DRJ e reconhecendo-se o seu direito ao pedido de restituição pleiteada. É o relatório . 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 VOTO • • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituicão de tributos) O Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 11. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 111. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pldtear a restituição prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista na alínea I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; 11. Nas hipóteses previstas nas alíneas 11, 111 e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; 111. Na hipótese prevista na alínea V do art. 201, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista na alínea VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: " 446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também "erga omnes", sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. 5 J MINIsTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no feito, isto é, por quem haja ingressado em juízo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê,aflora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, sendo nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática . Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna pela força do decreto judiciário, írrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 142). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nós, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA J TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 • • judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, redundante ou inútil seria a provisão do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso" . (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REPARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. 11 - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSON° . ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 111. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: I. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e 11do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; ll. Na hipótese prevista na alínea 111do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; ill. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspensiva ou o implemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, a Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. O Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 n° I) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 nOI). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente àquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o sistema do vigente Decreto n° 20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exerCÍcio do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábi1. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1° do Decreto nO20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfândegas (interpretado pelo Decreto nO20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apuráve1." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei n° 5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos "ex nunc". A "mens legislatori" dá lugar à "mens legis". As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. Dessas considerações acima conclui-se que: 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 125.837 301-31.022 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso 11do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto n° 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • • esse direito, "in casu" se ongmou da declaração de inconstituci onalidade. • o Código Tributário Nacional vigente passou, ntão, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. fi - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei n° 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei n° 9.784/99, aplicável aos processos administrativos de qualquer natureza, in verbis: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 • • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão n° CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de principios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei) . .1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário . Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público n° 2/93, pp. 267/276). . 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 • • Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: ."O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. ("Do Controle da Constitucionalidade", ed. Forense, Rio, 1966, p. 180) . E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário n° 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA931191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público nO26, págs. 70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre principio e norma. O principio é mais importante que a norma. Donde: violar principio é algo muito mais grave que violar norma. O principio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte,. vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 - p. 143) 12 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 • Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores . Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores prinCipais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (",,)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 pp. 171/172). 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA 13 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° . ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 • A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). o valor jurídico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. 14 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 . • A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. A Constituição, sensível aos vícios identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte" A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 • Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não - moralidade. (grifei). o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a jurisprudência uma criadora do direito, na prática muito se aproxima dessa qualidade, na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juizes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legal, além de trazer benefícios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucional, resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 pp. 209/222) 16 MINIsTÉRIO DAFAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA • A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princIpiO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. o princípio da moralidade pública contempla a determinação iurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não). Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 • o conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário (Alessi) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a senidão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o mínimo de recursos e abarrotar-se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 63 ed., Malheiros, 1995, p. 22). (grifei). O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia 18 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. ExcluÍ, também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. o princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas-intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. o Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do texto legaL buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade pública. Não 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral, uma lei. (grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público nO11/95 pp.45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título de tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais, visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argúi a inconstitucionalidade m INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE FAZENDÁRIO O interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica". Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extra jurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais limitam o poder de tributar e sancionar. O propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direito Público n° 13/96, pp. 16). O interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. O interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. 21 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer n° 877/03, aprovado e publicado no D.O.V. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV - NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO. DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. O renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN nO1.238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p. 169). Neste sentido é o Acórdão n° 1999.03.99.074347, do TRF 33 Região 63 T. e o Acórdão nOAMS 95.03.056070-5, da 43 T. do TRF 33 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto 22 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado no Dm de 02/04/93, devendo a partir desta data ter início o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão n° 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região- 63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. 11 - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. 111 - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto n° 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória nO1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601195), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 - A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un da 4° T do TRF da 33 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes.: Trancham S/A Ind. e Com. E União FederaV Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos - Dm 02/10/01 p. 159 - ementa oficial" 23 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do Decreto n° 20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. n° 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. l° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in easu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). o art. 146, lIl, "b", da C.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com "status" de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória nO 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 33 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, perdendo-a se não fossem convertidas em. Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei n° 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas". A partir da edição da MP. n° 1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido: S 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição ex offieio de quantias pagas. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/01-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei nO2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto-lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: • os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei nO 2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01/03/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da: promulgação da Constituição). • o "dies a quo" para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição. V COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLAÇÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso lI, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de nO111,verbis: "111- fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado-Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF - 06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. Há também o Parecer AGU nO02/99, no mesmo sentido (D.O.V. de 07/05/99) Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI - ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar nO73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso 111e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99 • Parecer PGFN/CAT nO550/99 - termo a quo nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF la Região que é a da publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • 125.837 301-31.022 Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei n° 20910/32). Conclui pela atenuação ex tunc de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 439/96 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/CRF n° 439/96, incluindo também as DRJ, além dos c.c., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. • Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva" ... constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: 1- decisão do STF, ainda que única, em ADIN; 2- idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; 3- a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. 3- Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). • A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). 27 MINIsTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • • 125.837 301-31.022 o Senado não conferiu a eficácia "erga omnes" à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. o Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos "erga omnes" no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou desfavorável às partes envolvidas. O Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9.784/99, aplicável subsidiariamente, que, no parágrafo único, inciso I, do seu artigo 2° prescreve: "Art. 2° . Parágrafo único - Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. VII- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRA TIVOS DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) 28 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT nO58/98 e o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Além disso, o Dec. n° 2346/98 em seu art. 4° apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: I. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 111. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos: 1. âmbito de suas competências; 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria MF n° 227/98 (revogada), artigos 1° e 190, e pela Portaria MF n° 259/01, artigos l° e 209. Por elas vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo 1°, inciso V e artigo 209, incisos 29 MINIsTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 XXVII e XXVIII, da Portaria :MP 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante ª restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recursaIS. Ainda, na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT nO58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. VID- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso lI, da Constituição Federal. 30 ~ t' MINIsTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150, lI, da C.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade de lei foi confirmado pela Lei nO9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do S IOdo art. 102 da Constituição Federal. Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei n° 9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal , serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei nO 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o S 3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do S IOdo art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da C.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERACÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I - Tributos Lançados por homologação 31 . , I, MINIsTÉRIO DAFAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo lOdo Decreto nO20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 11- Necessidade de Lei Complementar Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre. prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146,111, "b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, 111. o FINSOCIAL, instituído pelo Decreto"-lei n° 2.049/83, regulamentado pelo Decreto n° 92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o statusde lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei nO 2.049/83 e Decreto n° 92.698/86. 111- Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP nO 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. nO1.621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel 32 • '-- J •• MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.837 301-31.022 observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc). Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2003 /' OSÉ LENCE CARLUCI - Relator 33 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034
score : 1.0
Numero do processo: 10700.000006/2008-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-005.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 0. 00 00 06 /2 00 8- 17 Fl. 2941DF CARF MF 2 Tratase da NFLD nº 37.008.1234, por meio da qual se exige contribuições previdenciárias parte da empresa, empregados, destinadas ao financiamento do GILRAT e as destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Consta do relatório fiscal que o lançamento foi efetuado por meio da aferição indireta da base de cálculo das contribuições, assim justificada: "Justificase a aferição pela não apresentação dos livros diários. As informações prestadas pela empresa, através das FP e das GFIP deveriam constar de escrituração contábil devidamente registrada." Em sessão plenária de 08/02/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2402002.445 (fls. 2.887 a 2.896), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. RECOLHIMENTOS PARCIAIS. ART. 150 § 4o DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. NFLD. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DA DEVIDA JUSTIFICATIVA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Para que a fiscalização possa adotar o procedimento de aferição indireta, deve o fiscal autuante demonstrar a contento a ocorrência de alguma das situações descritas no art. 33 da Lei 8.212/91, de sorte a justificar a impossibilidade do lançamento das contribuições em face do óbice que lhe foi imposto pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para nulidade do lançamento, por vício material, vencido o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo que entendeu se tratar de vício forma" O processo foi encaminhado à PGFN em 03/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.897). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 18/05/2012, o que foi feito em 15/05/2012 (fls. 2.898 a 2.906), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 2.930. O Recurso Especial está fundamentado no artigo 67, do Anexo II, do RICARF, e visa rediscutir a declaração de nulidade do lançamento natureza do vício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 609/2012, de 24/09/2012 (fls. 319 a 325). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10700.000006/200817 Acórdão n.º 9202005.364 CSRFT2 Fl. 2.942 3 o lançamento é espécie de ato administrativo, estando sujeito, portanto, aos termos da Lei nº 9.784, de 1999, que, em seu art. 50, exige que todo os ato administrativo seja motivado, de forma explícita, clara e congruente, com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que lhe deram ensejo; na seara tributária, especificamente, o art. 142 do CTN foi o responsável por impor a motivação do lançamento, ao dispor: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." ao qualificar o lançamento como o "procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente", o CTN exigiu que o lançamento, formalizado por meio de Auto de Infração, NFLD, dentre outros, exponha o fato gerador da obrigação correspondente, i. e., as circunstâncias fáticas que, subsumidas à legislação tributária, têm o condão de fazer surgir uma obrigação de pagar tributo ou penalidade pecuniária; não se pode negar, contudo, a distinção entre o fato que levou ao lançamento e a descrição desse mesmo fato pelo agente do Fisco: o primeiro, o fato em si, materialmente considerado, é o motivo do lançamento, "é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato. É, pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato"; o segundo, a descrição do motivo pelo agente, é o relato, em documento próprio, dos motivos que culminaram na autuação, e a essa descrição a doutrina chama de motivação (cita doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello); no mesmo sentido, o seguinte julgado da Primeira Turma dessa Câmara Superior de Recursos Fiscais (grifei): "NORMAS PROCESSUAIS CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ATO MERAMENTE IRREGULAR Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a 'motivação' feita pela autoridade administrativa que integra a 'formalização' do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO NO CURSO DO Fl. 2943DF CARF MF 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO O princípio do contraditório se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalida a decisão administrativa proferida em desobediência ao ditame constitucional do contraditório. Recurso especial provido." (Acórdão nº CSRF/0105.716, Processo nº 10830.002162/9896, Sessão de 11.09.2007). vêse, assim, que motivo e motivação, a despeito de estarem intimamente ligados, têm natureza diametralmente opostas: um (o motivo) tem natureza material, enquanto o outro (motivação) natureza formal; nesse passo, em se verificando que o motivo alegado não existe, ou que, à luz da legislação, não gera os efeitos pretendidos, terseá vício de ordem material; por outro lado, em se constatando deficiência na descrição dos fatos pelo fiscal, de modo a prejudicar a defesa do contribuinte ou a dificultar a adequada compreensão do ocorrido, terseá vício de ordem formal (cita doutrina de Leandro Paulsen); assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que a deficiência da motivação gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação. isso posto, impende analisar o vício apontado pelo acórdão recorrido para anular a NFLD (fls. 2.805): "Dessa forma, verifico existir no presente caso vício insanável, apto a macular o lançamento efetuado, uma vez que entendo não estar devidamente justificada a adição do procedimento de aferição indireta. Seja pela impossibilidade de fundamentálo na falta de apresentação do livro diário, seja pela ausência de informações suficientes no relatório fiscal que permitiam a recorrente exercer a ampla defesa e o contraditório." evidente que o relator considerou deficitária a motivação da NFLD, razão pela qual decidiu pela anulação do lançamento, contudo à luz de todo o exposto, se há vício de motivação, tratase de vício formal, razão pela qual, se houver de ser declarada nulidade no caso in foco, que o seja por vício formal, e não por vício material, resguardandose, assim, o teor do art. 173, II, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que o recurso seja conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido, declarandose a nulidade por vício formal. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (fls. 2.936 a 2.939). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10700.000006/200817 Acórdão n.º 9202005.364 CSRFT2 Fl. 2.943 5 No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela declaração de vício formal. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício verificado em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, tratase da NFLD nº 37.008.1234, por meio da qual se exige contribuições previdenciárias parte da empresa, empregados, destinadas ao financiamento do GILRAT e as destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Consta do relatório fiscal que o lançamento foi efetuado por meio da aferição indireta da base de cálculo das contribuições, conforme a seguinte justificativa (fls. 61): "DA AFERIÇÃO INDIRETA 5. Tal procedimento se encontra previsto na Lei n° 8.212/91, art. 33, § 3°, para apuração da base de cálculo BC das contribuições sociais. 6. Justificase a aferição pela não apresentação dos livros diários. As informações prestadas pela empresa, através das FP e das GFIP deveriam constar de escrituração contábil devidamente registrada. 7. Critérios da Aferição: Foram confrontadas as BC relativas aos segurados empregados, constantes dos seguintes documentos/sistemas: . FP (fornecidas pela empresa); . GFIP (Sistema CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais); • RAIS (Sistema CNIS) e • NFS (fornecidas pela empresa, trazendo, discriminados, os valores de mãodeobra MO)." (destaques no original) Ocorre que a Contribuinte, por ser optante pelo Lucro Presumido, estava desobrigada da escrituração dos livros solicitados, o que foi reconhecido na decisão de Primeira Instância, que inclusive aventou nova fundamentação para a aplicação da aferição indireta (fls. 2.753): "12. A impugnante afirma que os valores estão equivocados, e que não apresentou o Livro Diário por ser optante pelo Lucro Presumido, estando, portanto, desobrigada de escriturálo. Entretanto, embora desobrigada de escriturar este livro, não está impedida de fazêlo, bem como permanece obrigada a manter sua contabilidade registrada no Livro Caixa. Este livro poderia ter sido apresentado à fiscalização por ocasião da ação fiscal, bem como por ocasião da defesa, a fim de demonstrar eventuais equívocos do Auditor Fiscal, porém, em relação a esta Fl. 2945DF CARF MF 6 prova, a Defendente quedouse inerte, nem mesmo mencionando sua intenção de apresentar sua contabilidade." Assim, constatase que, no caso do acórdão recorrido, a autuação foi perfeita e completamente fundamentada, descrevendose a infração e fornecendose a respectiva capitulação legal. O que ocorreu foi que a fundamentação fornecida não se aplicava à Contribuinte, que não estava obrigada a escriturar os livros solicitados, cuja ausência de apresentação motivou o lançamento por aferição indireta. Visando demonstrar divergência jurisprudencial, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 20309.332 e 20601.026. Quanto ao primeiro deles, foi colacionada a respectiva ementa, conforme a seguir: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (destaques da Recorrente) De plano, constatase a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto, já que esse paradigma trata de descrição imprecisa dos fatos, por falta de motivação, o que não ocorreu no caso do recorrido. Com efeito, repitase que, neste, os fatos foram precisamente descritos, bem como foi fornecida a respectiva capitulação legal, sendo que o vício apontado foi que a justificativa para a autuação falta de apresentação dos livros diários não se aplicava ao autuado, que não estava obrigado a escriturálos. Quanto ao segundo paradigma Acórdão nº 20601.026 foi apresentada a ementa, como segue: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998 Ementa: CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO. A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. DECADÊNCIA QUINQUENAL. 1Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. 2 TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). 3 No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4º do CTN. Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10700.000006/200817 Acórdão n.º 9202005.364 CSRFT2 Fl. 2.944 7 APRECIAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula nº 2, do 2º CC, as instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34, da Lei nº 8.212/91. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. Na Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD deve haver a expressa fundamentação legal do arbitramento procedido, além de demonstrar de maneira clara e precisa a situação que motivou o uso do procedimento, nos termos da legislação. A inobservância das formalidades legais na lavratura da NFLD acarreta vedação ao direito de defesa do contribuinte. A inobservância dessas regras é vício insanável, configurando a sua nulidade. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO ÔNUS DA PROVA.VICIO MATERIAL. O ônus de provar a existência dos pressupostos da relação de emprego por serviços prestados à notificada é da autoridade lançadora. A ausência da plena demonstração da ocorrência do fato gerador representa vicio na motivação do ato do lançamento, configurando sua nulidade. Recurso Voluntário Provido em Parte." (destaques da Recorrente) Como se pode constatar, esse segundo paradigma também trata de situação em que não foi demonstrada de forma clara e precisa a situação que motivou o procedimento, o que, repitase, não ocorreu no caso do acórdão recorrido, em que foi claramente demonstrada a motivação da autuação falta de apresentação dos livros diários porém a Contribuinte estava desobrigada de escriturálos. Assim, verificase que a situação fática do acórdão recorrido não se assemelha à dos paradigmas, de sorte que a divergência jurisprudencial não restou demonstrada. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 2947DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2948DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000063/00-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1990 a 11/05/1995
PRAZO DE DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO PRAZO DE 10 (DEZ) ANOS. POSSIBILIDADE.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91)
BASE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. APLICAÇÃO DO CRITÉRIO DA SEMESTRALIDADE. POSSIBILIDADE.
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária (Súmula CARF nº 15)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a decadência e reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 1.756,29, atualizado até 31/12/1995, apurado conforme demonstrativo de fl. 247.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1990 a 11/05/1995 PRAZO DE DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO PRAZO DE 10 (DEZ) ANOS. POSSIBILIDADE. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91) BASE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. APLICAÇÃO DO CRITÉRIO DA SEMESTRALIDADE. POSSIBILIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária (Súmula CARF nº 15) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a decadência e reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 1.756,29, atualizado até 31/12/1995, apurado conforme demonstrativo de fl. 247. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1990 a 11/05/1995 PRAZO DE DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO PRAZO DE 10 (DEZ) ANOS. POSSIBILIDADE. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91) BASE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. APLICAÇÃO DO CRITÉRIO DA SEMESTRALIDADE. POSSIBILIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária (Súmula CARF nº 15) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a decadência e reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 1.756,29, atualizado até 31/12/1995, apurado conforme demonstrativo de fl. 247. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 63 /0 0- 99 Fl. 288DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido de Restituição dos indébitos da Contribuição para o PIS/Pasep (fl. 3) dos meses de maio de 1990 a outubro de 1995, cumulado com Pedido de Compensação dos débitos vincendos (fl. 4) Os referidos pedidos foram instruídos com os Darf de fls. 5/27 e as planilhas de fls. 28/31. Por meio do Despacho Decisório de fls. 145/158, a autoridade competente da unidade da RFB de origem indeferiu os citados pedidos, sob o argumento de que não existia o direito creditório compensado, porque o direito de pleitear a restituição, relativo aos pagamentos efetuados até 11/5/1995, encontravase extinto pela decadência no dia 11/5/2000, data em que protocolizados os referidos pedidos de restituição/compensação. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 163/180), a interessada, em síntese, alegou que: a) o prazo para reaver o imposto pago a maior que o devido era de prescrição e não de decadência; b) no que concerne à Contribuição para o PIS/Pasep, estava pacificada a compreensão de que o faturamento do sexto mês anterior consubstanciava não o fato gerador, como pretende a fiscalização, mas tão somente à base de cálculo do tributo; c) nas ações que versavam sobre tributos lançados por homologação (CTN, art. 150), a jurisprudência o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmara o entendimento de que o prazo prescricional era de dez anos, ou seja, cinco anos para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento (§ 4o) mais cinco anos da prescrição do direito do contribuinte para haver tributo pago a maior e/ou indevidamente (CTN, art. 168, I); d) em relação à Contribuição para o PIS/Pasep, o art. 10 do Decretolei nº 2.052, de 3 de agosto de 1983, dispunha que a prescrição para a cobrança e, mutatis mutandi, para a pretensão de repetição/compensação era de dez anos; e) a compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação, uma vez que o pagamento é feito sem audiência prévia da autoridade administrativa, conduz à conclusão de que a compensação requer iniciativa do contribuinte e independe de prévia manifestação do Fisco, o qual, por sua vez, tem um prazo para eventual lançamento ex officio por diferenças não pagas, conforme Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66, disciplinado também pelo Decreto no 2.138, de 29 de janeiro de 1997; f) a compensação de indébitos fiscais com créditos tributários era um direito garantido pela Constituição Federal (CF), fundamentado nos princípios da cidadania, justiça, Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13832.000063/0099 Acórdão n.º 3302004.473 S3C3T2 Fl. 289 3 isonomia, propriedade e moralidade e, portanto, a denegação a esse direito afrontava a Constituição; g) a prescrição e a decadência eram institutos jurídicos distintos no que diz respeito à obrigação tributária principal, e estavam claramente colocados no CTN, arts. 173 e 174; o primeiro cuidava da extinção do direito de lançar o tributo e o segundo da extinção do direito de cobrálo; h) a decadência diz respeito apenas aos direitos potestativos, enquanto a prescrição diz respeito aos direitos a uma prestação, assim não se podia confundir a decadência com a prescrição. Sobreveio a decisão primeira instância (fls. 185/191), em que, por unanimidade de votos, os pedidos foram indeferidos, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1990 a 11/05/1995 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1990 a 31/10/1995 Ementa: BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS é o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. Solicitação Indeferida Em 9/2/2005 (fls. 193/194), a autuada foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 17/2/2005 (fl. 195), protocolou o recurso voluntário de fls. 195/226, em que reafirmou os argumentos apresentados na peça impugnatória. Na Sessão de 30 de junho de 2006, por meio da Resolução de nº 20201.043 (fls. 230/236), os integrantes da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes decidiram converter o julgamento em diligência, perante a unidade da RFB de origem, para que esta: a) conclusivamente, se pronunciasse sobre a existência de recolhimentos efetuados a maior, a titulo de Contribuição para o PIS/Pasep nos períodos informados pela recorrente, levandose em consideração o que determina o art. 62, parágrafo único, da Lei Complementar 7/1970 (faturamento do sexto mês anterior), informando, inclusive, caso venham a ser apurados, os alegados créditos a restituir/compensar (demonstrar); e Fl. 290DF CARF MF 4 b) em caso positivo, se manifestasse sobre a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente com base nos coeficientes da tabela anexa a Norma de Execução SRF/Cosit/Cosar nº 08, de 27/6/1997, bem como procedesse de imediato o bloqueio dos créditos confirmados até que o presente processo fosse julgado em definitivo por este Colegiado. Em cumprimento ao determinado na referida Resolução, por meio do Termo de Cientificação Fiscal de fls. 243/249, a autoridade fiscal informou, em síntese, que, para fim de apuração do direito creditório pleiteado, intimara a interessada a apresentar a relação contento os valores dos faturamentos mensais e as cópias dos livros contábeis, fiscais e/ou demonstrações de resultado, relativos aos meses de novembro de 1989 a abril de 1995. Em resposta, a interessada limitouse a apresentar apenas a referida relação e, quanto aos demais documentos, informara que eles não existiam mais, porém, asseverou que a comprovação das bases de cálculo poderia ser feita pelas DIRPJ juntadas aos autos (fls. 94/119) pela recorrente, por ocasião do protocolo dos pedidos de restituição/compensação. Com base na análise das referidas DIRPJ, que tinha natureza de confissão de dívida, informou a autoridade fiscal que fora possível apurar apenas as bases de cálculos mensais dos meses de julho de 1992 a outubro de 1995, que, pelo critério da semestralidade, correspondiam aos faturamentos de janeiro de 1992 a abril de 1995. Porém, não fora possível apurar as bases de cálculo mensais dos períodos de apuração de maio de 1990 a junho de 1992, que pelo critério da semestralidade, correspondem aos faturamentos de novembro de 1989 a dezembro de 1991, tendo em vista que: a) nos períodos de apuração de maio de 1990 e junho de 1990: em relação ao faturamento do sexto mês anterior (novembro e dezembro de 1989), a contribuinte não apresentou DIRPJ e sequer informou o faturamento na planilha que apresentou (fls. 28/30 e 239); b) nos períodos de apuração julho de 1990 a junho de 1992: em relação ao faturamento do sexto mês anterior (janeiro de 1990 a dezembro de 1991), a contribuinte apresentara relação de faturamento de abril de 1990 a dezembro de 1991, mas não fora possível confirmar os valores em relação às DIRPJ, pois àquela época as DIRPJ continham apenas o faturamento anual, entretanto, o valor anual não guardava coerência com a soma dos valores mensais informados pela contribuinte na citada planilha. Com base nos valores das bases de cálculo extraídos das referidas DIRPJ, a fiscalização procedeu apuração dos valores dos indébitos, segundo os critérios de cálculo explicitados no referido termo, e elaborou os demonstrativos de fls. 250/277, a partir dos quais chegou a conclusão que a recorrente fazia jus ao direito creditório, atualizado até 31/12/1995, no valor total de R$ 1.756,29, que deveria ser acrescido da taxa Selic, acumulada mensalmente até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que a compensação ou restituição for efetivada, consoante determinava o art. 39, § 4o, da Lei 9.250/1995. Cientificada dos referidos termos e demonstrativos, em 16/6/2015, a recorrente apresentou a petição de fls. 279/280, onde alegou que: a) não tinha os documentos contábeis e fiscais solicitados, os quais foram incinerados, porque tinha obrigação de mantêlos por apenas 5 (cinco) anos; e b) as bases de cálculo da contribuição encontravam declaradas nas citadas DIRPJ, que foram fornecidas há mais de 7 (sete) anos, quando do protocolo dos pedidos de restituição/compensação, e discriminadas na planilha de fls. 281/283. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13832.000063/0099 Acórdão n.º 3302004.473 S3C3T2 Fl. 290 5 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Com base nos elementos colacionados aos autos, inferese que a lide cingese aos seguintes pontos: a) a extinção do direito creditório pleiteado, em decorrência do transcurso do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição; e b) o mês do faturamento a ser utilizado como base de cálculo do valor da Contribuição para o PIS/Pasep, na vigência do art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/1970. De outra parte, temse por incontroverso os índices utilizados pela fiscalização na atualização dos valores dos indébitos apurados, uma vez que não houve qualquer contestação a respeito do assunto, por parte da recorrente. Da decadência do direito de pleitear a restituição/compensação. De acordo com despacho decisório e o acórdão recorrido, o termo inicial de contagem do prazo decadencial (ou prescricional) do direito de pedir a restituição do indébito tributário seria sempre a data do pagamento do tributo indevido ou maior que o devido. Diferentemente, a recorrente alegou que o termo a quo seria o dia seguinte ao término do prazo da homologação tácita de 5 (cinco) anos, contado a partir data da ocorrência do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). Tratase de matéria que gerou ampla controvérsia na jurisprudência do Poder Judiciário e deste Conselho, mas que, atualmente, encontrase pacificada em ambas as esferas. Em caráter definitivo, a matéria foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS, submetido ao regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do Código de Processo Civil, cujo enunciado da ementa segue transcrito: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo Fl. 292DF CARF MF 6 jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(BRASIL. STF. RE 566.621, Rel. Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195, divulg 10102011, public 11102011 ement vol0260502, pp00273) No referido julgado, o Plenário do STF reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118, de 2005, considerando válida “a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005”. Em outras palavras, às ações ajuizadas antes de 9 de junho de 2005 aplicase o prazo de dez anos, contado a partir do fato gerador, segundo a tese dos “cinco mais cinco”. Assim, em conformidade com o disposto no caput do art. 62A1 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), adotase os mesmos fundamentos consignados no referido julgado, para fim de aplicação (i) aos pedidos de restituição protocolados antes de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de dez anos, contado a partir do fato gerador, de acordo com a tese dos “cinco mais cinco” consolidada na jurisprudência do e. STJ e (ii) aos pedidos de restituição protocolados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo de 5 anos, contado a partir da data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...]" Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13832.000063/0099 Acórdão n.º 3302004.473 S3C3T2 Fl. 291 7 De forma definitiva, esse entendimento consolidouse na jurisprudência deste Conselho, desde a edição da Súmula CARF nº 91, cujo enunciado segue transcrito: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Com base nesse entendimento e tendo em conta que os Pedidos de Restituição/Compensação em apreço (fls. 3/4) foram protocolados em 11/5/2000, inequivocamente, os indébitos pleiteados da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de maio de 1990 a outubro de 1995, recolhidos a partir de 4/6/1990, não foram alcançados pela decadência, portanto, se confirmado o recolhimento a maior, os valores apurados são passíveis de restituição ou compensação. Do faturamento ser utilizado como base de cálculo. A controvérsia diz respeito ao mês do faturamento a ser utilizado como base de cálculo da contribuição. No entendimento da fiscalização, a base de cálculo era o faturamento do próprio mês, com vencimento da contribuição no sexto mês seguinte. Enquanto que, no entendimento da interessada, a base calculo era o faturamento do sexto mês anterior. Depois de longa controvérsia, no âmbito deste Conselho, prevaleceu a tese da interessada. Aliás, a matéria encontrase pacificada desde a edição da Súmulas CARF nº 15, de adoção obrigatório pelos integrantes das turmas julgamento deste Conselho. O enunciado da citada súmula segue transcrito: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Nesse sentido, o julgamento foi convertido em diligência, para que a unidade da RFB de origem apurasse os valores pagos a maior que o devido da contribuição dos meses de maio de 1990 a outubro de 1995. De acordo com item 10 do Termo de Cientificação Fiscal de fls. 243/249, a autoridade fiscal informou que procedera apuração dos valores base de cálculo com base no faturamento do sexto mês anterior (critério da semestralidade), porém, ante a ausência da apresentação, pela recorrente, dos livros e documentos fiscais e contábeis, foram utilizados os valores do faturamento informados nas DIRPJ colacionadas aos autos pela recorrente (fls. 94/119). Dada essa limitação, asseverou que fora possível obter apenas os valores as bases de cálculos da contribuição dos meses de julho de 1992 a outubro de 1995, que correspondiam os valores dos faturamentos dos meses de janeiro de 1992 a abril de 1995. Em relação aos valores da base de cálculo da contribuição dos meses de maio de 1990 a junho de 1992, que correspondiam aos valores do faturamentos dos meses de novembro de 1989 a dezembro de 1991, a autoridade fiscal esclareceu que não fora possível obter/confirmar os valores da base de cálculo dos seguintes período de apuração: a) meses de maio de 1990 e junho de 1990, porque não fora possível obter o faturamento do sexto mês anterior, ou seja, dos meses de novembro e dezembro de 1989, pois a Fl. 294DF CARF MF 8 contribuinte não apresentara a DIRPJ do período nem informara o faturamento na planilha que apresentara (fls. 28/30 e 239); e b) meses de julho de 1990 a junho de 1992, porque não fora possível apurar os valores do faturamento do sexto mês anterior, ou seja, dos meses de janeiro de 1990 a dezembro de 1991, pois, embora a contribuinte tivesse apresentado, na planilha de fls. 28/30 e 239, os valores do faturamento dos meses de abril de 1990 a dezembro de 1991, não fora possível confirmar tais valores nas DIRPJ do período, porque elas continham apenas os valores do faturamento anual, que não eram coerentes com a soma dos valores mensais informados pela contribuinte na citada planilha. Os valores das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de julho de 1992 a outubro de 1995, apurados pela autoridade fiscal, encontramse discriminados na planilha de fls. 250/251. Cientificada da referida planilha, a recorrente limitouse em alegar que: a) não apresentara os documentos contábeis e fiscais solicitados, porque, como tinha obrigação de mantêlos por apenas 5 (cinco) anos, elas foram incinerados; e b) as bases de cálculo da contribuição encontravam declaradas nas citadas DIRPJ, que foram fornecidas há mais de 7 (sete) anos, quando do protocolo dos pedidos de restituição/compensação. No que tange a apresentação dos documentos contábeis e fiscais necessários à apuração da base de cálculo das referidas contribuições, em conformidade com o disposto no parágrafo único do art. 195 do CTN, determina o art. 4º2 da Decretolei 486/1969, que, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, o contribuinte tem a obrigado de manter/conservar os livros contábeis e fiscais e demais documentos “relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial”. Portanto, diferentemente do alegado, a recorrente tinha sim obrigação de conservar os referidos documentos e de apresentar à fiscalização, para fim de apuração da base de cálculo das referidas contribuições, pois ainda encontrase pendente de decisão final, na esfera administrativa, os referidos pedidos de restituição/compensação, logo, ainda não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Também não procede à alegação de que as bases de cálculo da contribuição encontravamse declaradas nas citadas DIRPJ, pois, as que se encontram discriminadas, mensalmente, foram utilizadas pela fiscalização. Não forma aceitas somente os valores anuais informados nas DIRPJ dos anoscalendário de 1990 e 1991. Ademais, além de não serem declarados na DIRPJ, os valores do faturamento dos meses de novembro de 1989 a março de 1990 sequer foram informados nas planilhas apresentadas pela própria recorrente (fls. 28/30 e 239). Da conclusão. Por todo o exposto, votase por afastar a decadência do direito de pleitear à restituição dos indébitos e, no mérito, para reconhecer o direito de restituição ou compensação o indébito da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de julho de 1992 a outubro de 1995, no valor total de R$ 1.756,29, atualizado até 31/12/1995, apurado conforme demonstrativo de fl. 247, o qual deverá ser acrescido da taxa Selic, acumulada mensalmente até o mês anterior ao 2 "Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial." Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13832.000063/0099 Acórdão n.º 3302004.473 S3C3T2 Fl. 292 9 da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que a compensação ou restituição for efetivada, consoante dispõe o art. 39, § 4o, da Lei 9.250/1995. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 296DF CARF MF
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