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Numero do processo: 13502.721146/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. MOMENTO DO INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. INOCORRÊNCIA
O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário.
REEXAME DE PERÍODO FISCALIZADO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO
Não caracteriza reexame de período fiscalizado, nem procede a alegação de mudança de critério jurídico, quando se comprova que a primeira ação fiscal teve como alvo períodos anteriores e distintos e não foi objeto de manifestação por parte da Administração Pública no sentido de, eventualmente, convalidar os atos praticados.
MULTA AGRAVADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO.
A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado.
MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO.
São transmissíveis por sucessão tributária as multas de lançamento de ofício.
DECADÊNCIA. TERMO A QUO.
Configurado o dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial a ser adotado é o descrito no artigo 173, inciso I do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
São devidos juros à taxa SELIC sobre as multas de ofício.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
ÁGIO INTERNO.
A criação de ágio em operações de reorganização societária dentro de grupo econômico, sem movimentação financeira, não tem consistência jurídica e é imprestável para fins de amortização fiscal.
DEBÊNTURES. LASTRO EM ÁGIO NÃO ADMITIDO TRIBUTARIAMENTE.
A emissão de debêntures com lastro em ágio interno, não admitido para fins de amortização fiscal, não surte efeito tributário.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IMPOSSIBILIDADE POR APROVEITAMENTO EM PARCELAMENTO.
É indevido o pleito de compensação de prejuízos se eles foram integralmente utilizados para o pagamento dos juros e multas relativas a créditos tributários incluídos no parcelamento especial.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE.
Modificar as características essenciais do fato gerador, criando despesas e amortizando ágio criado artificialmente caracteriza fraude, justificando a qualificação da multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
LANÇAMENTO REFLEXO.
O lançamento reflexo de CSLL acompanha o decidido no processo de IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.386
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em rejeitar a preliminar de nulidade e de decadência com relação ao ano de formação do ágio; e, por maioria de votos em rejeitar a preliminar de decadência em face do art. 150, § 4º do CTN, vencido o Conselheiro relator e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto às exigências principais (IRPJ e CSLL) e à multa qualificada, vencido o conselheiro Relator Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa; e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa agravada e em negar provimento ao recurso, para manter a aplicação da multa de ofício à empresa sucessora e dos juros sobre a multa de ofício e, ainda, em não reconhecer o direito à compensação dos valores efetivamente recolhidos à título de IRRF sobre o pagamento das despesas financeiras decorrentes dos debêntures. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausentes, justificadamente os Conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. MOMENTO DO INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. INOCORRÊNCIA O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário. REEXAME DE PERÍODO FISCALIZADO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não caracteriza reexame de período fiscalizado, nem procede a alegação de mudança de critério jurídico, quando se comprova que a primeira ação fiscal teve como alvo períodos anteriores e distintos e não foi objeto de manifestação por parte da Administração Pública no sentido de, eventualmente, convalidar os atos praticados. MULTA AGRAVADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. São transmissíveis por sucessão tributária as multas de lançamento de ofício. DECADÊNCIA. TERMO A QUO. Configurado o dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial a ser adotado é o descrito no artigo 173, inciso I do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. São devidos juros à taxa SELIC sobre as multas de ofício. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. A criação de ágio em operações de reorganização societária dentro de grupo econômico, sem movimentação financeira, não tem consistência jurídica e é imprestável para fins de amortização fiscal. DEBÊNTURES. LASTRO EM ÁGIO NÃO ADMITIDO TRIBUTARIAMENTE. A emissão de debêntures com lastro em ágio interno, não admitido para fins de amortização fiscal, não surte efeito tributário. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IMPOSSIBILIDADE POR APROVEITAMENTO EM PARCELAMENTO. É indevido o pleito de compensação de prejuízos se eles foram integralmente utilizados para o pagamento dos juros e multas relativas a créditos tributários incluídos no parcelamento especial. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. Modificar as características essenciais do fato gerador, criando despesas e amortizando ágio criado artificialmente caracteriza fraude, justificando a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. O lançamento reflexo de CSLL acompanha o decidido no processo de IRPJ.
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MOMENTO DO INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. INOCORRÊNCIA O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário. REEXAME DE PERÍODO FISCALIZADO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não caracteriza reexame de período fiscalizado, nem procede a alegação de mudança de critério jurídico, quando se comprova que a primeira ação fiscal teve como alvo períodos anteriores e distintos e não foi objeto de manifestação por parte da Administração Pública no sentido de, eventualmente, convalidar os atos praticados. MULTA AGRAVADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. São transmissíveis por sucessão tributária as multas de lançamento de ofício. DECADÊNCIA. TERMO A QUO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 11 46 /2 01 3- 14 Fl. 13373DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.374 2 Configurado o dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial a ser adotado é o descrito no artigo 173, inciso I do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. São devidos juros à taxa SELIC sobre as multas de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. A criação de ágio em operações de reorganização societária dentro de grupo econômico, sem movimentação financeira, não tem consistência jurídica e é imprestável para fins de amortização fiscal. DEBÊNTURES. LASTRO EM ÁGIO NÃO ADMITIDO TRIBUTARIAMENTE. A emissão de debêntures com lastro em ágio interno, não admitido para fins de amortização fiscal, não surte efeito tributário. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IMPOSSIBILIDADE POR APROVEITAMENTO EM PARCELAMENTO. É indevido o pleito de compensação de prejuízos se eles foram integralmente utilizados para o pagamento dos juros e multas relativas a créditos tributários incluídos no parcelamento especial. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. Modificar as características essenciais do fato gerador, criando despesas e amortizando ágio criado artificialmente caracteriza fraude, justificando a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. O lançamento reflexo de CSLL acompanha o decidido no processo de IRPJ. Visto, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em rejeitar a preliminar de nulidade e de decadência com relação ao ano de formação do ágio; e, por maioria de votos em rejeitar a preliminar de decadência em face do art. 150, § 4º do CTN, vencido o Conselheiro relator e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto às exigências principais (IRPJ e CSLL) e à multa qualificada, vencido o conselheiro Relator Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa; e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa agravada e em negar provimento ao recurso, para manter a aplicação da multa de ofício à empresa sucessora e dos juros sobre a multa de ofício e, ainda, em não reconhecer o direito à compensação dos valores efetivamente recolhidos à título de IRRF sobre o pagamento das despesas financeiras decorrentes dos Fl. 13374DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.375 3 debêntures. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausentes, justificadamente os Conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Por bem retratar os históricos da infração, e do processo administrativo, adoto o relatório da DRJ, a seguir transcrito, apenas complementandoo ao final: Fl. 13375DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.376 4 Fl. 13376DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.377 5 Fl. 13377DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.378 6 Fl. 13378DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.379 7 Fl. 13379DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.380 8 Fl. 13380DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.381 9 Fl. 13381DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.382 10 Fl. 13382DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.383 11 Fl. 13383DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.384 12 Fl. 13384DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.385 13 Fl. 13385DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.386 14 Fl. 13386DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.387 15 Fl. 13387DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.388 16 Fl. 13388DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.389 17 Fl. 13389DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.390 18 Fl. 13390DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.391 19 Fl. 13391DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.392 20 Fl. 13392DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.393 21 Fl. 13393DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.394 22 Fl. 13394DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.395 23 Fl. 13395DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.396 24 Fl. 13396DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.397 25 Fl. 13397DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.398 26 Fl. 13398DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.399 27 Fl. 13399DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.400 28 Fl. 13400DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.401 29 Fl. 13401DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.402 30 Fl. 13402DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.403 31 Fl. 13403DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.404 32 Fl. 13404DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.405 33 Fl. 13405DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.406 34 Fl. 13406DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.407 35 Fl. 13407DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.408 36 Fl. 13408DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.409 37 Fl. 13409DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.410 38 Analisada a impugnação da contribuinte, a 5ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1672.324, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA DE INVESTIMENTO. ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. O ágio somente pode ser admitido quando decorrente de transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Nessas situações, a despesa com a amortização do ágio é indedutível. ÁGIO INTERNO. PARTES RELACIONADAS. Considerase ágio interno aquele surgido entre empresas relacionadas, independentemente de esse ágio ser posteriormente transferido a empresa distinta, que não pertencia integralmente ao mesmo grupo econômico à época da formação do ágio. Fl. 13410DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.411 39 UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a transferência, mediante incorporação de pessoa jurídica sem substância econômica ou finalidade negocial, em cujo patrimônio constava registro de ágio oriundo de reavaliação ou aquisição de investimento, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, transferido pela original controladora e adquirente do investimento. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO TRANSFERIDO EM INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL MEDIANTE APORTE DE INVESTIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a amortização fiscal do ágio transferido mediante aporte de investimento proveniente da sociedade investidora, que efetivamente suportou o pagamento do ágio, por ausência de previsão legal e porque tal hipótese possibilitaria o duplo aproveitamento fiscal do ágio. EMISSÃO DE DEBÊNTURES. FRAUDE. São indedutíveis os juros e variações monetárias passivas de debêntures cuja emissão decorre da contabilização de um ágio interno e artificial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DEDUTIBILIDADE NA APURAÇÃO DA CSLL. As mesmas regras de dedutibilidade e indedutibilidade relativas ao ágio pago na aquisição de participação societária aplicáveis ao IRPJ são também aplicáveis à CSLL. DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TERMO INICIAL. O reconhecimento contábil de um valor amortizável não representa manifestação de fato tributário imponível. A obrigação tributária e, consequentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento, surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, no caso em tela, a cada dedução das despesas de amortização. DECADÊNCIA. FRAUDE. TERMO INICIAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 13411DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.412 40 REEXAME DE PERÍODO FISCALIZADO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não caracteriza reexame de período fiscalizado, nem procede a alegação de mudança de critério jurídico, quando se comprova que a primeira ação fiscal teve como alvo períodos anteriores e distintos e não foi objeto de manifestação por parte da Administração Pública no sentido de, eventualmente, convalidar os atos praticados. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. RECOMPOSIÇÃO. A recomposição da base tributável não enseja ajuste da compensação com prejuízos anteriores até o limite percentual legal se este limite já não havia sido observado pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível o agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de ofício quando comprovado que o sujeito passivo não apresentou os esclarecimentos e elementos relacionados a suas atividades, embaraçando sobremaneira a investigação fiscal e dificultando a apuração da matéria tributável. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. ARTS.129 e 132 DO CTN. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas, e ainda, pela multas de caráter punitivo ou moratório, por integrarem o passivo da empresa sucedida. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 13412DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.413 41 Cientificada da decisão de 1ª instância, a contribuinte BRASKEM S.A apresentou Recurso Voluntário (fls. 12889/13018) reforçando, em síntese, os argumentos utilizados na impugnação por meio de extensa argumentação, ressaltou ainda o seu inconformismo com a decisão de primeira instância quanto aos seguintes pontos: i) Alega que a fiscalização desconsiderou o prazo de decadência e investigou fatos ocorridos entre 2000 e 2003 e que ao contrário do que diz a fiscalização, a contribuinte tentou por todos os meios colaborar com o Fisco. ii) Quanto a operação em que a ODEQUI vendeu suas ações em tesouraria para a OPP PP com ágio, gerando ganho de capital não tributado pela ODEQUI, aduz que se o Fisco discorda dessa operação prévia que resultou em suposto ganho de capital, deverão têla questionado por ocasião de fiscalização sobre essa mesma operação dentro do prazo decadencial. Não é o ágio deduzido pela Recorrente que deve ser presumido artificial, pois esse ágio é consistente e teria sido gerado de qualquer maneira ainda que não houvesse tal operação anterior intragrupo, já que a aquisição do investimento ocorreu em um ambiente de livre negociação com terceiros independentes de forma legítima e pelo valor de mercado amparado por laudo de avaliação que sequer foi questionado. iii) Ressalta que a operação formadora do ágio foi conduzida entre partes independentes visto que a recorrente, no momento das operações questionadas nos autos não era controlada por nenhuma empresa da Organização Odebrecht. iv) Ainda sobre a transação considerada artificial pelo Fisco, a Recorrente alega que adquiriu tais investimentos pelos respectivos valores de mercado em negociação firmada entre a Organização Odebrecht e outros acionistas notoriamente independentes. Que em nenhum momento os valores das aquisições foram questionados pelos dd. Auditores Fiscais – prova de que são legítimos, correspondem à exata valoração de mercado e que o laudo de avaliação econômica foi elaborado de forma correta e consistente. v) Aduz que houve pagamento do ágio por meio de transferências patrimoniais visto que a Organização Odebrecht recebeu, como pagamento, participação acionária na Recorrente, além de créditos que foram adimplidos ao longo do tempo, que houve transferências patrimoniais entre as partes envolvidas. vi) Que se não tivesse ocorrido essa operação prévia, ainda assim a Recorrente teria adquirido os investimentos pelo valor de mercado com a formação de um mesmo ágio dedutível. vii) Que os dd. Auditores Fiscais selecionaram propositadamente um episódio de uma operação muito mais complexa e grandiosa com o intuito de efetuar o lançamento fiscal. Que a acusação de “ágio interno” está baseada no fato de o valor ter sido estabelecido por partes vinculadas que controlavam toda a operação. Por outro lado, as provas demonstram de forma cabal que o preço decorre de critérios rigorosos previsto em Acordo de Acionistas em que participavam empresas independentes. Fl. 13413DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.414 42 viii) Que atendendo à solicitação da Recorrente, a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras – FIPECAFI, ao analisar as circunstâncias de contabilização do ágio como consequência do processo de formação da Braskem, emitiu Parecer Contábil por meio do qual foi demonstrada a conformidade da sua escrituração, apoiada por efetivo sacrifício patrimonial suportado pela Recorrente. ix) Que, no que diz respeito às debêntures, se estas não tivessem sido emitidas, a Recorrente teria assumido, com a incorporação da OPP PP, uma dívida maior de dividendos a apagar, a ser adimplida no curto prazo, até o final do ano de 2002. Para fazer face a essa obrigação, a Recorrente teria que recorrer a empréstimos bancários, os quais renderiam juros igualmente dedutíveis. Que o que carece de propósito é a pretensão do fisco de que a Odebretch receba parte do preço dos seus ativos cinco anos após a alienação, sem a incidência de juros e correção monetária. x) Que não foram considerados na reapuração da base de cálculo do IRPJ em 2007 a existência de estoques de prejuízos fiscais de exercícios anteriores. xi) Que embora a conduta da Recorrente não se identifique como “ágio interno”, a legislação e a jurisprudência à época não vedavam a dedutibilidade do ágio formado entre operações intragrupo. Daí não é lógico cogitar, como faz a Fiscalização, de que houve fraude por parte da Recorrente quando a lei e regulamentações tributárias sequer condenavam tal dedutibilidade no início dos anos 2000. Apenas com a edição da MP 627/13, posteriormente convertida na Lei nº 12.973/2014, foram introduzidas limitações ao aproveitamento do ágio em operações intragrupo. xii) Que as penalidades foram aplicadas indevidamente em patamares exorbitantes e que as penalidades não poderiam ser atribuídas à Recorrente em razão da sucessão tributária, considerando que os atos foram praticados por terceiros que não exerciam controle sobre a Recorrente. xiii) Por fim, que a houve inovação fática no lançamento na decisão de primeiro grau. Isto porque a DRJ/SP1 trouxe nova acusação ao alegar que a Recorrente teria usado indevidamente empresa veículo para transportar o ágio amortizado fiscalmente para a Recorrente. A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do presente processo e não apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, nos termos do despacho de encaminhamento de fls. 13.371 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O contribuinte foi cientificado do Acórdão em 06/05/2016, como denota o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 12868, e apresentou Recurso Voluntário Fl. 13414DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.415 43 em 06/06/2016 (cf. Despacho de Encaminhamento de fl. 13369). Assim, configurada a tempestividade do presente recurso, dele conheço. I DAS PRELIMINARES DE NULIDADES I.1 – Da Nulidade do Lançamento em Virtude da Fiscalização Anterior A Recorrente alega preliminar de decadência neste tópico inicial ao argumento de que teria fornecido ao Fisco, por meio de fiscalização anteriormente procedida sobre os mesmos fatos, todos os documentos que evidenciam a amortização do ágio, que vinha sendo procedida desde 2004. Caso não se entenda pela homologação expressa, a Recorrente vislumbra mudança de interpretação pelo Fisco, o que esbarra no art. 146 do CTN. O Acórdão recorrido afastou a preliminar por entender não ter ocorrido homologação expressa, uma vez que a fiscalização anterior se referia a CSLL de período de apuração anterior ao fiscalizado. Deste modo, não havendo manifestação anterior por parte do Fisco, não há que se falar em mudança de critério jurídico. A Recorrente insurgiuse diante da decisão acima aduzindo que a homologação não recai sobre o período de apuração fiscalizado, mas sobre os elementos juridicamente relevantes para fins de determinação do fato gerador. No entanto, neste ponto compartilho do entendimento da DRJ, para que, ainda que houvesse homologação expressa de créditos tributários de períodos distintos, tal homologação não poderia comprometer a constituição de créditos tributários abrangidos pela presente ação fiscal. Caso contrário, em se tratando de mesmos períodos fiscalizados, poderseia cogitar de uma revisão fiscal, o que só poderia ser procedido nos moldes do art. 906, do RIR/99. Todavia, por trataremse de diferentes períodos de apuração, rejeito a preliminar alegada pelo contribuinte neste tópico. I.2 – Da Possibilidade de Questionamento do Ágio formado em 2002 a) Do fato gerador A recorrente sustenta a impossibilidade das dd. Autoridades Fiscais questionarem, em novembro de 2013, um ato realizado em 2002, este, a aquisição de participação societária pela OPP PP. Isto porque a recorrente reputa que, desde então, o Fisco tinha plena condição de analisar a existência e correta apuração do ganho de capital e a regularidade do registro do ágio. No entanto, a referida alegação do contribuinte não merece provimento. Isso porque, para a constituição de créditos de IRPJ e CSLL, o Código Tributário Nacional prevê a modalidade de lançamento por homologação, no qual a atividade administrativa limitarseá a verificação da atividade do contribuinte, ou seja, compor a base de cálculo, aplicar a alíquota e efetuar o pagamento. Desta feita, concluise que a homologação procedida pelo Fisco denotase pela apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, e não pela verificação do ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. Logo, o prazo decadencial correrá Fl. 13415DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.416 44 em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É, exatamente, para ter esse controle que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 estabelece que: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Assim, a jurisprudência da CARF converge no sentido de que “se a lei determina que o sujeito passivo deva guardar documentos referentes a negócios jurídicos que venham produzir efeitos fiscais futuros, há de se concluir, necessariamente, que essa lei dá ao fisco o direito de examinálos. Pois não haveria razão de a lei tributária exigir que o sujeito passivo guardasse documentos se não fosse para ficarem à disposição de eventual exame pela autoridade tributária. E se a lei confere ao fisco o direito de examinar aqueles documentos, é porque também lhe dá o direito de vir a questionar os negócios jurídicos ali registrados, desde que para constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos em períodos posteriores, ainda não alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, e do art. 173, I, ambos do CTN.” (Acórdão: 9101002.387, Data de Publicação: 14/09/2016, Relator: LUIS FLAVIO NETO) A Conselheira Edeli Pereira Bessa, coadunase com o entendimento exposto, quando afirma que “a homologação tácita prevista no art. 150, §4º do CTN recai sobre a atividade de apuração do crédito tributário pelo sujeito passivo, em regra revelada ao Fisco por meio do pagamento ou da confissão da dívida. O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário.” (Acórdão nº 1302001.817, Data da Sessão: 05/04/2016) Logo, se a autuação trata do impacto que a amortização gerou na regramatriz de incidência de IRPJ e CSLL, mais especificamente em seu aspecto quantitativo, os fatos geradores são verificados, justamente, nas datas de cada Fl. 13416DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.417 45 amortização, in casu, nas competências compreendidas dentre os anoscalendário 2007 e 2008. Neste ponto me alinho ao entendimento da DRJSP1, e REJEITO a preliminar de decadência. b) Do Termo Inicial para Contagem do Prazo Decadencial Com relação ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, a DRJ afirmou que houve, no caso, dolo, fraude e simulação, sendo, portanto, inaplicável o artigo 150, § 4º, do qual decorre que, nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, independentemente da existência de pagamento parcial, o dispositivo aplicável para a contagem do prazo decadencial é o artigo 173, I do CTN. Outrossim, consignou que o entendimento exarado na decisão do E. STJ em recurso repetitivo, no julgamento do Recurso Especial n.° 973.733/SC, não corrobora o argumento da defesa no sentido de que, ainda que se admitisse a ocorrência de fraude e simulação e a consequente aplicação do artigo 173, I, do CTN, os tributos relativos ao anocalendário de 2007 estariam decaídos pois, considerando que a periodicidade de apuração do lucro real é anual, e o exercício seguinte ao da entrega da Declaração de Rendimentos, a partir da qual pode o lançamento ser efetuado, não é o mesmo exercício em que ocorre essa entrega, não há como acolher a tese de que referido prazo podese iniciar imediatamente após a entrega da declaração, no mesmo período anual. Por fim, concluiu que na data do lançamento efetuado – 06 de novembro de 2013 – não se encontrava decaído o crédito tributário exigido, eis que o primeiro fato gerador da glosa de despesas indedutíveis contabilizadas a título de amortização de ágio ocorreu em 31/12/2007, de modo que o prazo disponível para o lançamento iniciouse em 1º de janeiro de 2009 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado) e viria a se exaurir somente em 31 de dezembro de 2013. A questão neste tópico passa, necessariamente, pela apuração da existência (ou não) de dolo, fraude e simulação nos atos procedidos pela recorrente. Caso entendase pela existência destas hipóteses aplicarseá o prazo do artigo 173, I, CTN, não ocorrendo decadência, na conformidade dos argumentos da tese fiscal; caso contrário, não verificadas tais hipóteses, aplicarseá a disposição do art. 150, §4º, CTN, reconhecendose a hipóteses de decadência verificada pela recorrente. Entretanto, cabe afastar, desde logo, o argumento subsidiário de decadência aventado pela recorrente, referente ao entendimento ainda que fosse admitida a ocorrência de fraude e simulação e a consequente aplicação do artigo 173, I, do CTN, os tributos relativos ao anocalendário de 2007 estariam decaídos. Isto porque, considerando que a periodicidade de apuração do lucro real é anual; e que o exercício seguinte ao da entrega da Declaração de Rendimentos – a partir do qual pode o lançamento ser efetuado – não é o mesmo exercício em que ocorre essa entrega, o prazo não pode iniciar imediatamente após a entrega da declaração, no mesmo período anual. Fl. 13417DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.418 46 Afastada a tese de antecipação do prazo decadencial do art. 173, CTN pela entrega da DIPJ, passo à análise do mérito das operações promovidas para apuração de fraude, dolo e/ou simulação, para o correto enquadramento legal da norma decadencial. II DO MÉRITO II.1. Da Glosa do Ágio Amortizado A autuação trata da glosa de despesas com ágio interno nos anos calendário de 2007 e 2008. O ágio foi gerado na compra das ações correspondentes a 87,98% do capital social da empresa Odebrecht Química S/A (ODEQUI), mantidas em tesouraria, pelo valor de R$ 1.972.455.286,92 (R$ 1.972 milhões) pela OPP PP (OPP Produtos Petroquímicos). Ao incorporar a OPP PP, em 16/08/2002, a Braskem internalizou o ágio oriundo da compra de ações da ODEQUI e assumiu um passivo de R$ 1.972.455.286,92, junto à própria ODEQUI. Cabe ressaltar que a despesa em questão trata do ágio pago a título de expectativa de rentabilidade futura pelas ações da empresa Trikem S/A (Trikem), indiretamente controlada pela empresa ODEQUI, conforme esquema abaixo: Posteriormente, a Braskem (adiante denominada Recorrente) incorporou a OPP PP, e registrou contabilmente o ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da Trikem. Retornando à operação que originou o ágio amortizado – a compra da ODEQUI pela OPP PP – a fiscalização apurou mais: Fl. 13418DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.419 47 Fl. 13419DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.420 48 Como se pode constatar do trecho acima – e do restante do TVF – a fiscalização não questionou o fundamento econômico do ágio apurado, sustentando a glosa procedida em dois pontos: (i) a artificialidade do ágio escriturado, uma vez que originado de operações consigo mesmo; e (ii) inexistência de dispêndio financeiro na aquisição do ativo. Passo a analisálos. II.1.a Dos Requisitos Para Amortização de Ágio. Possibilidade de Registro de Ágio entre Empresas de Um Mesmo Grupo A Turma Julgadora, antes de posicionarse sobre as limitações que um planejamento tributário deve respeitar, estabeleceu as premissas, as quais apontam para um ponto de interseção entre Contabilidade, lei societária e lei tributária, abordando dispositivos das leis societária, tributária e contábil, para alcançar as seguintes conclusões: Portanto, o contribuinte é obrigado, pela lei tributária, a apurar o lucro líquido de acordo com a lei societária que, por seu turno, determina que este lucro é obtido através Fl. 13420DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.421 49 da observância da escrituração e dos preceitos da Ciência Contábil. Assim, se a Contabilidade não aceita um determinado registro contábil, no caso, um determinado ágio na aquisição de um ativo, esse registro, em princípio, também será rejeitado pela lei comercial e pela lei tributária, na medida em que ele trará reflexos na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica. Portanto, o direito positivo determina que as definições da Ciência Contábil serão consideradas na interpretação de normas comerciais e tributárias. Daí porque o reconhecimento do ágio para fins tributários e societários passa, obrigatoriamente, pela investigação e aplicação dos conceitos e princípios da Ciência Contábil. (fl. 49, Acórdão n.º 1672.324) Com a devida vênia, aqui já registro minha discordância do entendimento da DRJ. Isso porque, no que tange ao ágio registrado sob a vigência do DecretoLei nº 1.598/77, há um claro distanciamento entre as legislações contábil e tributária, em razão de esta última ter criado uma figura autônoma de ágio para fins fiscais, que difere daquela prevista na Contabilidade. Entretanto, devese ter em conta que, para fins de tributação, é sobre o conceito previsto na legislação tributária que o intérprete deve operar a subsunção dos fatos à norma. Em relação ao ágio pago na aquisição de participação societária, devem ser observados o disposto nos artigos 385, 386 e 391 do RIR/99, in verbis: “Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): Fl. 13421DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.422 50 I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) Amortização do Ágio ou Deságio Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido Fl. 13422DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.423 51 controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). (grifei)” Esses, portanto, são os dispositivos legais especificamente designados a tratar do reconhecimento do ágio, tanto no que se refere à sua escrituração e amortização, quanto no que concerne ao conceito de ágio juridicamente aceito. Primeiramente, é importante traçar um paralelo entre o conceito jurídicotributário de ágio e o conceito contabilmente aceito para definição do ágio. Isto porque, de fato, existia diferença entre o conceito de ágio construído pelo art. 385 do RIR/99 (que reproduz a disposição do art. 20 do DecretoLei 1.598/1977), e aquele pretendido pela contabilidade, cuja a decisão da DRJSP1 pretende adotar. Vejamos. Segundo Eliseu Martins e Sérgio Iudícibus, a Teoria Contábil sempre conceituou o ágio como a diferença entre o preço dos ativos da empresa, isoladamente considerados, e o valor de mercado da companhia, como entidade única em operação. Porém, André Mendes Moreira (RDDT nº 228) explica que o conceito jurídico de ágio, no Brasil, distanciouse desta tradição. O art. 248 da Lei n.º 6.404/1976 havia determinado que a avaliação dos investimentos relevantes em sociedades coligadas, sobre cuja administração a investidora tivesse influência, ou de que participasse com 20% ou mais do capital social, ou em sociedades controladas, seria realizada pelo valor de patrimônio líquido (diferença contábil entre o valor dos ativos e dos passivos empresariais). Sendo assim, cuidou o DecretoLei n.º 1.598/1977 de determinar, em seu art. 20 (redação reproduzida no art. 385 do RIR/99) que, em sendo o caso de avaliação do investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor do patrimônio líquido, deveria o adquirente da participação societária desdobrar o custo desta aquisição em duas classificações: 1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição; e 2) ágio ou deságio, que é a diferença entre o custo da aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido, apurado pelo método da equivalência patrimonial. Portanto, diferentemente da contabilidade, o conceito jurídico de ágio consolidouse como a diferença entre o preço de aquisição e o valor do patrimônio líquido do investimento – e não o valor de mercado. Cabe pontuar que a linguagem jurídica constrói sua própria realidade, não havendo como negar, in casu, que o DecretoLei nº 1.598/1977 ao conceituar ágio, definindo inclusive suas modalidades de fundamento econômico, atribuiu significado jurídico próprio ao termo, independente da sua significação contábil. Na mesma linha, Luís Eduardo Schoueri afirma que: “O ágio, como se viu acima, é instituto jurídico. Tem disciplina legal exaustiva. O fato de haver figura homônima na Contabilidade – ou melhor ainda, o fato de a figura tributária Fl. 13423DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.424 52 ter se inspirado naquela – não afasta a conclusão de que uma vez regulado pelo Direito, é neste campo que se deve investigar sua natureza.” Conforme demonstrado, no DecretoLei n.º 1.598/1977, o legislador optou por seguir uma linha lógico formal, adotando a diferença entre o custo da aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido como conceito para o ágio, deste modo, distanciandose do conceito de “valor justo” e, por consequência, da teoria contábil. Com relação à oposição ao ágio interno ratificada pelo Acórdão debatido, registrase que tal oposição possui suas raízes fincadas, justamente, na contabilidade. Isto porque, o ágio, como o mais intangível dos intangíveis, implicando em uma grande dificuldade de ‘justa’ mensuração, fez com que a teoria contábil apenas admitisse seu reconhecimento quando decorrente de uma negociação de mercado (“at arm’s lenght”), e não conhecesse daquele ágio avaliado no interior de um grupo econômico. Ora, tendo por claro que as legislações fiscal e contábil se distanciam quanto à conceituação de ágio; e sabendo que para fins de tributação devese ater às disposições daquela, devese, portanto, reconhecer o ágio como a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido, apurado pelo método de equivalência patrimonial. E isto, pode ocorrer entre empresas de um mesmo grupo pois, não obstante haja vedação expressa à compra de ações próprias pela própria companhia (art. 30 da Lei nº 6.404/76), não se verifica qualquer proibição legal para que haja compra e venda de investimentos entre coligadas e/ou controladas e entre essa e sua controladora. Ademais, como se detrai do trecho do TVF colacionado acima neste tópico, de fato houve a compra das ações da ODEQUI pela OPP PP com a correspondente avaliação do valor patrimonial pelo Método de Equivalência Patrimonial (cf. fls. 12050 e ss.) de forma a permitir a quantificação do ágio em questão. II.1.b. Da Efetividade de Dispêndios Financeiros A fiscalização registrou que no momento do surgimento do ágio em debate, ou seja, na aquisição de ações da ODEQUI pela OPP PP, aquela (ODEQUI) contabilizou um direito ante esta. No segundo momento, a Braskem incorporou o passivo, após a incorporação da OPP PP. No capítulo final, realizouse um encontro de contas contábeis direto de um Ativo por um Passivo que, a seu ver, não poderia ter sido contabilizado. No TVF o conjunto de operações foi assim representado: Fl. 13424DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.425 53 Assim, a autoridade fiscal entendeu que o ágio gerado na operação supracitada seria meramente escritural, ou interno, por não haver independência entre os partícipes da operação, nem pagamento pela mais valia absorvida ao patrimônio. Concluiu afirmando não ter havido qualquer substrato econômico nas operações, tendo estas, a única finalidade de redução da carga tributária do Grupo Econômico liderado pela Organização Odebrecht. Por sua vez, mesmo admitindo que o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 admite outras formas de dispêndio financeiro além do “pagamento em dinheiro” para fins de apuração e dedutibilidade do ágio, a DRJ não admitiu o ágio adquirido em decorrência daquilo que chamou de quitação artificialmente produzida. Senão, vejamos: “Apesar de não se exigir o pagamento em dinheiro, admitindose outras formas de dispêndio financeiro, é certo que o encontro de contas realizado pela impugnante demonstra justamente o contrário do que se teria que comprovar – porque tal estratégia contábil evitou que houvesse um efetivo sacrifício por parte do investidor. Analisando as constatações da fiscalização e as alegações da impugnante, verificase que, em relação ao ágio oriundo da aquisição de ações da ODEQUI pela OPP PP, de fato, não houve pagamento e sim uma quitação artificialmente produzida mediante encontro de contas contábeis de direitos e obrigações gerados dentro do Grupo Odebrecht, o que não se admite para fins de amortização fiscal do ágio nos termos do artigo 386, I, do RIR.” (fl. 56, Acórdão n.º 1672.324) A recorrente contra argumentou afirmando que, em contrapartida à incorporação da OPP PP, a COPENE emitiu ações e assumiu passivos em favor da Odebrecht, o que corresponderia ao pagamento e conferia validade ao ágio suportado economicamente pela Recorrente. Passo a decidir. Quanto a quitação artificialmente produzida mediante encontro de contas contábeis de direitos e obrigações gerados dentro do Grupo Odebrecht, não admitida para fins de amortização fiscal do ágio, peço vênia para, mais uma vez, discordar do entendimento firmado pela Turma Julgadora. Como demonstra a nota explicativa utilizada pela Autoridade Fiscal na página 24 do TVF, em que são apresentados os detalhes da operação de compra de Fl. 13425DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.426 54 ações da ODEQUI e na qual foi apurado o ágio, o alegado “efetivo pagamento” pelas ações não pode desconsiderar as operações procedidas pela Braskem (à época denominada COPENE). A seguir, colacionase a nota mencionada: Portanto, se o pagamento seria feito em dez parcelas trimestrais, a partir de junho de 2003, então, em 30 de abril de 2002, quando foram adquiridas as ações da ODEQUI pela OPP PP, não se poderia cogitar da inexistência de pagamento, uma vez que foi acordado para que este fosse feito a prazo, com a primeira parcela a ser paga em junho do ano subsequente. Todavia, antes mesmo do termo final do pagamento pactuado entre as partes, tanto a ODEQUI quanto a OPP PP foram adquiridas pela recorrente, através da incorporação da OPP PP. Assim, a obrigação que esta detinha perante a ODEQUI foi incorporada pela recorrente e, consequentemente, restaria à recorrente a obrigação pelo efetivo pagamento das ações adquiridas com ágio que dão lastro a este processo. Diante desse cenário, a recorrente afirma que não haveria sentido econômico, lógico ou jurídico para que a recorrente efetuasse qualquer pagamento em dinheiro pelas ações, posto que, após a incorporação da ODEQUI, a recorrente seria credora e devedora de si mesma, a dívida se extinguiria através dos institutos da compensação e/ou confusão, previstos nos arts. 368 e 381 do Código Civil, respectivamente. Tendo procedido ao encontro de contas entre seu ativo e o passivo assumido, sem que houvesse qualquer transferência de recursos financeiros, foi que a fiscalização entendeu não ter havido pagamento pela mais valia absorvida ao patrimônio. A recorrente, então, argumentou que ao incorporar a empresa OPP PP, efetuou tal transação mediante a emissão de novas ações e assunção de dívidas contidas no acervo incorporado, operação que apresentou uma efetiva incorporação dos ativos da OPP PP (mais especificamente a Trikem e a OPP Química, investidas da ODEQUI) pela recorrente. Em seguida, detalhou como se deu o pagamento pela aquisição dos investimentos: Fl. 13426DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.427 55 Outrossim, a recorrente submeteu o caso destes autos a avaliação pela FIPECAFI. Esta Fundação emitiu parecer contábil (fls. 13.110) através do qual atestou o sacrifício econômico sofrido pela recorrente em decorrência da incorporação da OPP PP, correspondente a R$ 1.972 milhões, como se confere na resposta a quesito formulado no referido parecer. Vejamos: Fl. 13427DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.428 56 Do exposto acima, inferese que o custo de aquisição do ágio amortizado pela recorrente foi pago através da emissão de ações pela recorrente e assunção de obrigações pela mesma. Ora, sabese que o DecretoLei nº 1.598/77 definiu o ágio como a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Em consequência, determinou que o custo de aquisição fosse desdobrado em valor do patrimônio líquido e ágio pago à época da aquisição. Ademais, o art. 7º da Lei 9.532/97 prevê a possibilidade de amortização do ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. Interessante notar que nesses dispositivos se percebe referências aos termos “aquisição”, “aquisição com ágio ou deságio” e “custo de aquisição”, porém nada se constata quanto exigência de “pagamento” da participação societária ou do ágio. A CSRF foi expressa ao consignar que basta ocorrer a aquisição da participação societária para que esta passe a fazer parte do patrimônio da pessoa jurídica investidora, não havendo restrição a algum tipo de aquisição em particular, ou restrição à ocorrência de alguma contraprestação específica a essa aquisição, como o pagamento em dinheiro. Não obstante a concordância do Acórdão recorrido quanto a este ponto, importa transcrever trecho do Acórdão CSRF 9101001.657: “A questão está em que o termo “aquisição”, ressaltado nas normas, não pode ser restringido, em seu significado, apenas à compra e venda de ações, para possibilita a amortização do ágio proveniente da aquisição da participação societária. Fl. 13428DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.429 57 Não há qualquer fundamento legal que enseje tal restrição, de modo a excluir a subscrição, debatida nos autos. O fundamento do voto vencido no Acórdão de que a aquisição exige uma outra pessoa é, com o devido respeito, um entendimento diferente da previsão legal. A legislação possibilita que a aquisição de participação societária de uma companhia se dê por subscrição de novas ações, desde que respeitados os limites legais. (...) Assim, pela análise da legislação positiva, resta indubitável que a Lei 6.404/74 fez a previsão da aquisição de participação societária por subscrição de ações. Na verdade, os efeitos contábeis independem da forma como a investidora adquiriu seu investimento, quer tenha sido por subscrição de capital com recursos financeiros ou mediante a conferência de bens ou em participações societárias. A Lei não discriminou nenhuma dessas alternativas de aquisição de participação societária, e não negou em nenhuma dessas hipóteses, a possibilidade da amortização do ágio nos casos de incorporação reversa. A origem dos recursos utilizados para aumento do capital social na empresa investidora (por exemplo, se recursos dos sócios, imóveis, subscrição de ações, contribuição de investimento em outra companhia) não é relevante no tocante a análise da dedutibilidade fiscal do ágio na empresa operacional quando esta incorpora sua investidora. Portanto, a subscrição de ações por aumento de capital é uma forma de aquisição. (...) De fato, não havendo distinção na lei, não cabe ao intérprete fazêlo. Por aquisição entendese qualquer forma de absorção a um patrimônio jurídico de algo novo, não tendo, tal absorção, por único meio uma compra e venda. Podese dar, como na hipótese, pela subscrição de ações novas, o qual se insere, indubitavelmente no conceito de “participação societária adquirida”. O Acórdão mencionado acima demonstra que a aquisição pode se dar por qualquer meio admitido em Direito, inclusive por operações societárias, o que abrange tanto a compra a prazo das ações da ODEQUI pela OPP PP, quanto a incorporação das ações e assunção do passivo da OPP PP pela Braskem. Podendo ocorrer por qualquer meio admitido em Direito, resta que o encontro de contas procedido por empresa que se encontre ao mesmo tempo na situação de credor e devedor de uma mesma dívida perante uma sociedade controlada Fl. 13429DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.430 58 e/ou coligada (cf. arts. 268 e 281 do Código Civil) pode ser aceito, de forma que o intérprete não pode estabelecer distinções onde a lei não o tenha feito. Se o DecretoLei nº 1.598/77 bem como a Lei nº 9.532/97 falam em “aquisição”, “custo de aquisição” e “adquirida com ágio ou deságio”, não delimitando como deveria ocorrer a aquisição mencionada, qualquer forma de aquisição legítima, em Direito e apta a adquirir propriedade de participação societária, é aceitável. Portanto, havendo emissão de ações e assunção de obrigações por formas admitidas em Direito; bem como sendo o ágio legítimo – isto é, decorrente de uma verdadeira aquisição de investimento, havendo avaliação deste investimento através do método de equivalência patrimonial, bem como de uma diferença entre o preço de aquisição e o valor de equivalência – o ágio deve ser considerado “pago”, e pode ser amortizado normalmente. II.1.c. Da Desnecessidade de Confusão Patrimonial. Por fim, a DRJ entendeu não ser amortizável o ágio transferido à recorrente posto não atender ao requisito da confusão patrimonial na origem da formação do ágio, ou seja, por não ter havido união em um mesmo patrimônio das empresas OPP PP e ODEQUI. Vejamos trecho da decisão: “Para que essa neutralização fiscal alternativa seja alcançada, é necessário que (i) a investidora tenha efetivamente arcado com o pagamento do ágio; (ii) ocorra a absorção do patrimônio da investida pela investidora, ou viceversa (absorção de patrimônio da investidora pela investida, por meio de incorporação, fusão ou cisão; (iii) ocorra o "encontro" da participação societária adquirida e do ágio pago por tal participação em um mesmo patrimônio ("confusão patrimonial"). (...) No caso dos autos, a confusão patrimonial foi observada entre a investida Trikem e a Braskem (quanto ao ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura da Trikem, mas não houve confusão do patrimônio da investidora (OPP PP ou ODEQUI), que teoricamente foi quem suportou o ágio, com o patrimônio de suas investidas, cuja rentabilidade futura prevista justificou o ágio. (...) Nas interiorizações de capital observadas, é certo que o investimento teria que ser registrado pelo custo de aquisição da investidora, desdobrado em valor patrimonial e ágio, nos termos do artigo 385 do RIR/99. Contudo, o fato de se aplicar referido dispositivo não confere à contribuinte a automática aplicação do artigo 386 do mesmo diploma pois, como visto, a situação disciplinada depende de requisitos específicos, dentre os quais ressalta o de que a confusão patrimonial deve alcançar o patrimônio da sociedade que efetivamente realizou o sacrifício referente ao ágio. Assim, no tocante à questão discutida, consistente na amortização fiscal do ágio na aquisição de participações na Trikem S/A, entendo ser Fl. 13430DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.431 59 inadmissível a amortização fiscal do ágio transferido à impugnante mediante incorporação das originais investidoras, tal como pretendido.” No entanto, partindo da própria premissa construída pela DRJ, entendo que o ágio é amortizável, posto ter ocorrido confusão patrimonial entre as empresas OPP PP e ODEQUI, uma vez que estas foram incorporadas pela empresa Braskem. Destarte, todas as obrigações e direitos concernentes que a OPP PP detinha em virtude da compra das ações da ODEQUI, inclusive as adquiridas com ágio da controlada Trikem, foram reunidos no patrimônio da recorrente. Assim, passando ao largo da discussão sobre a necessidade de confusão patrimonial entre investidora e investida, reputo equivocada a conclusão da DRJ quanto a não ocorrência de confusão patrimonial, pois, à evidência dos elementos constantes nestes autos, entendo ter havido confusão patrimonial das empresas OPP PP, ODEQUI, Trikem quando incorporadas ao patrimônio da Braskem. Em conclusão, tendo em vista o preenchimento dos requisitos legais para registro e amortização, reconheço a legalidade do ágio em comento. III DA EMISSÃO DE DEBÊNTURES No que diz respeito à emissão de debêntures, conforme apontado pela autoridade fiscal, entre os anos de 2002 e 2007, a ODBINV auferiu Lucro Fiscal em alguns anos calendários, de modo que as debêntures que lhe foram transmitidas pela OPP PP gerariam tributos devidos. Entretanto, com a transferência das debêntures à ODBPAR INV, a DRJ reputa não ter havido ônus tributário efetivo, uma vez que esta, ODBPAR INV, contabilizou seguidos prejuízos fiscais nos períodos em questão. Logo, a glosa das despesas financeiras apropriadas pelas debêntures emitidas é consequência lógica da glosa das despesas oriundas de ágio considerado artificial pela autoridade fiscal. A Turma Julgadora entendeu que as operações executadas pela recorrente, concatenadas diretamente à emissão de debêntures à ODBINV, tiveram como propósito, sob o ponto de vista tributário, a criação ilícita de despesas financeiras relativas a tais debêntures, facilitada pelo fato de ter sido planejada entre empresas do mesmo grupo econômico. Destacou ainda que o evidente intuito doloso em fraudar a administração tributária está patente, uma vez que os fatos demonstram que não havia qualquer justificativa para uma captação de recursos na modalidade de emissão de debêntures, bem como na formação de um ágio. Essa transação teria sido levada a efeito com a finalidade precípua de se criar, ilegitimamente, despesas para reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Portanto, não admitiu o aproveitamento fiscal de despesas por entender que estas apresentavam, em sua origem, valores despendidos na aquisição de ações com ágio artificial. Assim, tanto a acusação fiscal quanto a DRJ vinculam a própria existência das debêntures ao ágio aproveitado fiscalmente pela recorrente, ou seja, se Fl. 13431DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.432 60 o ágio fosse artificial, por decorrência lógica estaria comprometido o registro de ganho de equivalência patrimonial na OPP PP, que possibilitou a deliberação de distribuição antecipada de lucros e o pagamento de dividendos utilizados, em parte para a integralização das debêntures. Logo, tendo em vista o quanto decidido acima, ou seja, o cumprimento aos requisitos para registro e amortização do ágio, e constatada a regularidade do seu pagamento – no qual se inserem as debêntures em comento, reputo prejudicado o presente tópico da autuação, merecendo ser cancelada a exigência também quanto a este ponto. IV – DA MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de ofício foi levado a efeito com base no artigo 44, § 2°, inciso I, da Lei n° 9.430/96, que assim prevê: (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ´ I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). (grifos aditados) A meu ver tal dispositivo deve ser interpretado com cautelas, dirigindose apenas às situações de reiterado não atendimento às intimações feitas ao longo do procedimento fiscalizatório. E, digase, "não atender" não é "sinônimo de "mal atender". O campo de aplicação do agravamento da penalidade não contempla a hipótese de prestação deficitária ou insuficiente de documentos e esclarecimentos por parte dos contribuintes, o que, a meu ver, foi o que ocorreu na presente situação. A fiscalização, convém notar, se valeu de várias respostas fornecidas ao longo do procedimento fiscal para reforçar sua tese. Se valeu, também, das informações prestadas por várias empresas para apurar os tributos, ainda que não na forma que entendeu que deveria ter sido. Ora, a falta de apresentação de determinado livro e/ou documentos da escrituração, assim como a falta de determinado esclarecimento pontual, em um universo onde foram apresentados diversos documentos e respostas, por si só, não enseja o agravamento da multa de oficio qualificada. Não vislumbro, nessa situação fática, que a conduta da Recorrentes no sentido de não prestar todos os esclarecimentos na forma pela qual pretendeu o auditor fiscal responsável tenha gerado obstáculos ao levantamento do crédito tributário e a instrução da autuação fiscal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, aliás, vem afastando o agravamento da multa quando não há prejuízos ao trabalho fiscal, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: MULTA AGRAVADA ARTIGO 44, § 2º, LEI 9.430/96 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. Fl. 13432DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.433 61 A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal. Na hipótese em que a fiscalização se vale de regra que admite o lançamento por presunção, a atitude do sujeito passivo tornase irrelevante para o deslinde do trabalho fiscal, de modo a tornarse inaplicável o agravamento da multa. (Acórdão n. 9202004.290. Data de publicação: 17/08/2016) Invoco, ainda, como argumento contrário ao agravamento da penalidade inteligência da Súmula CARF nº 96, verbis: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". Nesse sentido, considero que o agravamento imputado é desproporcional e incabível, razão pela qual deve a multa de ofício ser reduzida de 225% para 150%. V CONCLUSÃO Sendo assim, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas pela recorrente, e no mérito, DOU provimento ao recurso voluntário, restando prejudicada o enfrentamento das demais questões suscistadas. Contudo, caso reste vencido, ressalto minha concordância quanto à incidência do art. 150, § 4º, CTN para a contagem do prazo decadencial, haja vista que não estamos diante de aplicação da multa qualificada de 150%, de forma que parte do crédito objeto do lançamento resta decaído, notadamente em relação ao anocalendário de 2007. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Inicialmente gostaria de tentar descrever os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal nº 0001 (fls. 21 a 75) da maneira mais simples possível, uma vez que aquele Termo está bastante complexo. Estamos tratando de lançamento de duas infrações: glosa de despesas de amortização de ágio interno, relativa aos anoscalendário de 2007 e 2008; e glosa de despesas com amortização de debêntures, no anocalendário de 2007. A primeira infração acarretou o lançamento de imposto e contribuição no anocalendário de 2007 e a compensação integral do valor do imposto com prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário de 2008. A multa foi qualificada nas duas infrações e, em relação à primeira, foi, também, agravada. O ÁGIO Graficamente, a situação das Empresas quando iniciaram os eventos era a seguinte: Fl. 13433DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.434 62 Notemos que aqui não aparece a Recorrente, Brasken, que, à época, ainda era Copene. Temos nesta demonstração gráfica apenas empresas que atuaram na geração do ágio. Em 30/04/2002, a OPP PP (Holding) adquiriu ações mantidas em tesouraria (87,8% do capital social) pela Odebrecht Química, doravante ODEQUI (Holding), com ágio em função de avaliação da OPP Quimica (R$341.555;975,44 expectativa de rentabilidade futura) e OPP Química e Trikem (R$1.630.899.311,48 mais valia de ativos). Estes R$1.630.899.311,48 se dividem em mais valia de ativos da OPP Química = R$683.404.815,08 e mais valia de ativos da Trikem = R$947.494.815,08. Posteriormente foi informado que, em verdade, estes R$947.494.815,08 deveriam ser divididos em mais valia de ativos da Trikem R$ 360.900.884,00 e rentabilidade futura da Trikem R$586.594.218,00. A aquisição, portanto, se deu com ágio de R$1.972.455.286,92, sendo, destes, R$586.594.218,00 por rentabilidade futura da Trikem e R$341.555.975,44 por rentabilidade futura da OPP Química. Sobre o pagamento da aquisição das ações em tesouraria da ODEQUI pela OPP PP ficou acertado que não correria juros e que seria efetuado em 10 parcelas trimestrais a partir de 2003. A situação das empresas passou a ser a seguinte: Fl. 13434DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.435 63 Em 16 de agosto de 2002 a, agora, Braskem incorporou a OPP PP integrando os ativos e passivos envolvidos na operação, inclusive o ágio contabilizado na OPP PP. O quadro passa a ser o seguinte: A dívida vai para o passivo exigível a longo prazo da Braskem. Após algumas operações contábeis (fls. 47/48), no ano de 2003, parte do passivo não é liquidada, R$402.167.914,69 (conta 220301002005) e R$693.640.470,34 (conta 210401001010). O valor de R$538.013.163,35 (hachurado fl.47) é pago da seguinte forma: a Braskem, com a incorporação da OPP PP passou a ser devedora da ODEQUI (assumiu a dívida relativa ao ágio de R$1.972.455.286,92). Em 2001, a ODEQUI adquiriu da OPP Química (sua controlada), ambas do Grupo, participações nos ativos referentes à Norquisa e Aqueduct Trading Services Co Inc., conforme excerto das notas explicativas: Fl. 13435DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.436 64 A ODEQUI (antiga Odebrecht SA) adquiriu os investimentos da OPP Química em outubro de 2001 e em novembro alienou para a ADBINV (antiga Odebrecht S/A), mantendo, todavia, o passivo com a OPP Química. Na contabilidade da ODEQUI era mantida uma "Conta Corrente Integração entre Empresas Contábil" e nela foram registrados os investimentos (passivo) na Norquisa e Aqueduct. Após operações intragrupo, o saldo dessa conta equivalia a exatos R$538.013.163,33. Em 31 de março de 2003 a OPP Química é incorporada pela Braskem e, em 30 de junho, ela, na qualidade de devedora e credora da ODEQUI, faz o encontro de contas no mesmo valor (R$538) sem incorrer em qualquer dispêndio para a quitação da obrigação. Quanto ao valor de R$338.633.738,59 a liquidação foi operada também com encontro de contas. A OPP Química mantinha uma "conta corrente" com a ODEQUI, onde eram registrados mútuos. Quando a Braskem incorporou a OPP Química esta era devedora da ODEQUI e a Braskem, novamente, liquidou o valor com encontro de contas. O restante R$1.095.808.385,03 foi liquidado no ato de incorporação da ODEQUI pela Braskem, ocorrido em 31 de março de 2005. AS DEBÊNTURES No momento em que a OPP PP adquiriu as ações em tesouraria da ODEQUI, esta última registrou aumento de patrimônio líquido no valor do ágio (R$1.972.000.000,00). Posteriormente a OPP PP avalia seu investimento na ODEQUI pela equivalência patrimonial gerando um lucro de R$1.598.472.044,65. Este resultado ainda não estava realizado, conforme parecer de auditores independentes publicado em 28 de junho de 2002: Fl. 13436DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.437 65 A despeito disso, a OPP PP resolveu distribuir antecipadamente os lucros não realizados para sua acionista ODBINV no montante de R$1.079.538.906,61, registrando uma diminuição do PL (conta Dividendos antecipados OPP OS) e aumento de passivo circulante (conta Dividendos a pagar), sem, todavia, liquidar a distribuição de lucros. No mesmo dia do registro do ganho com equivalência patrimonial (31/05/2002), a OPP PP contabilizou a obrigação de relativa à distribuição de lucros não realizados e finalizou a operação emitindo debêntures privadas a ODBINV, conversíveis em ações preferenciais "Classe A" ou em ordinárias com direito a voto, transformando um passivo não remunerado com juros em dívida atrelada a juros. As debêntures tinham as seguintes características: Logo após a emissão de debêntures, a OPP PP foi incorporada pela Braskem que, então, passou a amortizar os juros e variações monetárias relativos às citadas debêntures, conforme quadros à fl. 58, totalizando despesas de R$74.824.750,58 no anocalendário de 2007. As autoridades fiscais destacam que entre 2002 e 2007 a Braskem utilizou estas mesmas despesas em montante superior a R$500.000.000,00, mas estes valores já foram atingidos pela decadência. Fl. 13437DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.438 66 Sem embargo, as receitas financeiras auferidas, relacionadas às debêntures deveriam, por óbvio, ser oferecidas à tributação do IRPJ e CSLL, todavia, as debêntures privadas emitidas pela OPP PP a ADBINV foram, por esta, alienadas à ODVPAR INV, sua controlada (99% capital). Esta última registrou sucessivos prejuízos fiscais entre 2002 e 2007, inclusive, do que se conclui que nada foi pago a este título. Em 18 de junho de 2007 a ODVPAR INV notifica a Braskem de sua opção pela conversão das debêntures em ações e, em 31 de julho de 2007 há o aumento de capital da Braskem com emissão de 25.832.198 ações ordinárias e 51.664.397 ações preferenciais "Classe A". A fiscalização noticia, ainda, que, em 3 de julho de 2007, houve cisão parcial da ADVPAR INV, com versão da Parcela Cindida para a Construtora Norberto Odebrecht (controlada da ADVPAR INV). Nessa parcela cindida entavam as debêntures de emissão da OPP PP (posteriormente, Braskem). A justificativa para esta versão de parcela cindida está no Protocolo e Justificação da Cisão Parcial: Outros aspectos foram apontados pelas autoridades tributárias, mas creio que são estes os relevantes para o conhecimento dos fatos com consequências fiscais. Adoto o relatório do Ilustre Relator uma vez que traduz a impugnação da Empresa, o julgado da DRJ e o recurso voluntário apresentado. Passo a descrever as razões do meu voto. Acolho o decidido quanto às preliminares e à multa agravada, prorrogando a decisão quanto à decadência para o momento em que for estudada a existência ou não de dolo, fraude ou simulação. Do Ágio A abordagem adotada no voto do I. Relator foi no sentido de comparar e determinar qual a prevalência entre os contextos legal, contábil e societário na constituição e aproveitamento do ágio; a minha enfrenta o ágio no plano da existência e validade. E digo isso porque entendo que de toda a operação, é na criação do ágio que há vício, por ter sido criado como expressão de uma só vontade, voltado para o prejuízo de terceiro e por não ter havido, sequer, qualquer dispêndio ou movimentação financeira. Expressão de uma só vontade porque foi gerado por empresas sob o mesmo controle, empresas do mesmo grupo econômico, duas holdings, OPP PP e ODEQUI, que fazem aquilo que é de interesse do Grupo Odrebrecht, que as controla. A continuidade da operação também se dá entre empresas do mesmo Grupo, contrariamente ao que informa a Recorrente. Compulsando os documentos constantes dos autos, observase que no Protocolo e Justificação da Operação de Incorporação da OPP Produtos Petroquímicos S. A. Fl. 13438DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.439 67 Pela COPENE Petroquímica do Nordeste S. A., que deu origem a formação da Braskem, dentre várias consideranda, encontramos a seguinte (fls, 612/613): (i) Os Grupos Odebrecht e Mariani sagraramse vencedores do Leilão dos chamados Ativos Econômico S. A. Empreendimentos, implementado no dia 25 de julho de 2001, passando a deter o controle da Nordeste Química S. A. Norquisa, que por sua vez é controladora da Incorporadora; Como se vê, o controle da COPENE (incorporadora) era dos Grupos Odebrecht e Mariani, do que se conclui que não se pode afirmar que o Grupo Odebrecht não detinha séria influência, se não controle, da COPENE quando houve a incorporação da OPP PP, originando a Braskem. A meu ver, só este fato, a criação do ágio entre partes relacionadas, já é suficiente à invalidade. É não é dizerse que isso é novidade. Já na década de 1990 se observava a reprovação dessa conduta pela contabilidade. Antes disso, contudo, devemos recordar que a Lei nº 6.404, de 1976, prescreve em seu artigo 177: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (...) § 3o As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela registrados.(grifei) E não podia ser diferente, afinal, o cálculo do lucro real parte do lucro líquido do exercício, que é contábil. Assim é que já em 1993, o artigo 7º da Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, estabelece: Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da Entidade. Parágrafo único. Do Princípio do Registro pelo Valor Original resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; Já em 2010, o CPC nº 04 (R1), tratando de ativos intangíveis, afirma: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente Fl. 13439DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.440 68 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. Assim, a contabilidade não aceita, por não poder ser mensurada com confiabilidade, o ágio criado internamente. Outro aspecto do artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976, acima transcrito é a obediência devida pelas companhias aos mandamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esta, por sua vez já externou seu entendimento quanto a este tipo de ágio, o interno, da seguinte forma: OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas (...) 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge Fl. 13440DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.441 69 quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.(grifei) Então até aqui fica claro que, tanto a contabilidade, quanto a CVM, recusam o ágio criado internamente nos Grupos Econômicos, pois este não tem a independência necessária entre as partes envolvidas para que lhe seja atribuída confiabilidade. A criação de ágio nessas condições viola o artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976, pelo que, não pode ser considerada lícita. E a ciência contábil não está protegendo a União. Não reconhece o ágio interno para proteger a lisura do retrato da situação das empresas evitando que os interessados, acionistas, e até o fisco, sejam ludibriados por uma saúde econômica ardilosa e falsa. A CVM também não está protegendo a União, mas quer demonstrações financeiras fidedignas, que permitam aos investidores e ao mercado conhecer a verdadeira situação econômico/financeira das companhias. Então resta dizer que a Recorrente agiu de maneira conforme à lei, fechar os olhos e permitir que se utilize deste artifício para deixar de recolher milhões em tributos devidos à União. E aqui está a segunda parte da minha afirmação: o prejuízo a terceiro. A União, o Fisco, como principais prejudicados pela atuação do Grupo, e principalmente estes, não devem aceitar o ágio falsamente criado, e o fazem para proteger o Estado. Em que pese a aparente legalidade, o ágio criado não se reveste de condições mínimas de fidedignidade, haja vista não ter sido gerado em condições de livre mercado e entre partes independentes. O Grupo Odebrecht criou uma vantagem por ter o controle total das empresas que o integram, que simplesmente são instrumentos de planejamento tributário ilícito e fraudulento. O terceiro ponto a destacar é a falta total de pagamento, havendo apenas trocas contábeis, manobras escriturais, como ficou demonstrado e aqui repetirei. Primeiro aspecto visível é a nãoseriedade do compromisso assumido pela OPP PP de pagamento dos quase dois bilhões de reais de ágio à ODEQUI em dez parcelas trimestrais a partir de 2003, compromisso esse herdado pela Braskem, afinal, à incorporadora são atribuídos os direitos e obrigações da incorporada. Fl. 13441DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.442 70 Além das quitações de 338 milhões e 538 milhões que foram descritos neste voto, liquidados com encontro de contas da Braskem com a ODEQUI, uma vez que a Braskem era devedora e credora da ODEQUI, a liquidação de mais de 1 bilhão se deu quando da incorporação desta holding pela Braskem. E isso aconteceu em 2005, sem que nenhum pagamento relativo àquele compromisso houvesse sido honrado: no mínimo, 3 pagamentos trimestrais em 2003 e mais 4 trimestrais em 2004. Mas não há necessidade de pagar, afinal são empresas do mesmo Grupo e o plano não incluía qualquer dispêndio. Quer dizer, o único dispêndio, que seria o pagamento das debêntures, resultou em aumento da participação da Odebrecht na Braskem, com a conversão das debêntures em ações, e pagamento de juros de 5% mais TJLP, contabilizados como despesas. Mas disso trataremos adiante. Ao que se vê neste caso específico, o compromisso que a Braskem e o Grupo têm é o de lesar o fisco, pois entre as partes relacionadas tudo é acertado sem que haja conflito de vontades, discussão de valores, cobrança de prazos. Tudo está planejado nos mínimos detalhes e as partes obedecem a um único cérebro. Em sua defesa a Empresa diz que a fiscalização e a DRJ valorizaram a forma, em detrimento da substância. Peço vênia para entender exatamente o oposto. Embora formalmente exista uma aparência de legalidade no desenrolar dos acontecimentos previamente programados pelo Grupo, não existe absolutamente nenhuma substância que permita concluir pela existência do referido ágio. Aduz, em longo histórico, que o fisco e a DRJ atentaram para a fotografia e não para o filme, como leciona Marco Aurélio Greco, mas o filme a que se refere não diz respeito à falsa criação do ágio, mas ao histórico da viabilização do pólo petroquímico de Camaçari. Tudo o que descreve poderia ter sido feito, sem criar o falso ágio e lesar terceiros. Por outro lado, desconsidera o controle da COPENE pela Odebrecht e Mariani quando afirma que a entrega direta de ativos da Odebrecht à COPENE geraria o mesmo ágio. Sim, geraria o mesmo ágio: interno! Deve ser objeto de destaque a manifestação da Procuradoria da Fazenda no Processo nº 13502.721354/201313, que também tem como sujeito passivo a Braskem e trata da mesma operação de criação de ágio relatada neste processo, fazendo uma crítica ao parecer da FIPECAFI, também juntada nestes autos: Dos documentos trazidos aos autos, iniciase pelo Parecer Técnico de autoria da FIPECAFI, o qual restringe a sua análise aos ágios do primeiro grupo acima citado, ou seja, registrados pela OPP PP após a aquisição das ações em tesouraria da ODEQUI em abril de 2002. De acordo com o opinativo, os ágios foram adequadamente contabilizados pois decorreram de operações com efetivo sacrifício econômico e realizadas entre partes independentes. Com todo o respeito aos autores do referido parecer, alguns aspectos apurados pela Fiscalização, mas que ficaram à margem do seu estudo, advogam contra a sua conclusão. Ao concluir pela existência de sacrifício financeiro e participação de terceiros independentes na operação que deu ensejo aos ágios, o Parecer Técnico destaca a participação na BRASKEM nas operações, ou seja, Fl. 13442DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.443 71 a incorporação da empresa OPP PP. Nesse sentido, valem ser repetidas as seguintes passagens do opinativo: Com base nas informações e na documentação constantes dos autos, verificase que o sacrifício econômico suportado pela COPENE/BRASKEM ao incorporar a OPP Produtos Petroquímicos S.A. foi de R$ 1.972 mil, composto pela assunção de obrigações relativa a dividendos devidos a Odebrecht, pela assunção de passivos a descoberto da OPP PP e pela emissão de ações da Companhia, (...). omissis Nesse contexto, não há geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo, pois na essência o ágio é suportado pela Copene, com o aceite dos diversos grupos acionistas dessa empresa, como a Petroquisa, Previ, Petros e outros. (grifo nosso) Sobre tal conclusão, dois pontos merecem ser ressaltados: (i) a operação societária que deu origem aos ágios referentes às rentabilidades futuras da OPP QUIMICA e da TRIKEM não foi a incorporação da OPP PP pela BRASKEM, mas sim a aquisição pela OPP PP das ações em tesouraria da ODEQUI; (ii) a Fiscalização concluiu pela falta de pagamento em face da forma como a dívida assumida pela OPP PP foi ao final paga, e não apenas no surgimento dessa dívida. E continua a referida análise: Quanto ao primeiro ponto, destacase que não se pode analisar a validade dos ágios com base em operação diversa daquela que lhes deram origem. O cumprimento dos requisitos de existência e validade dos ágios deve ser apurado com base na operação que permitiu o seu registro, e não sua eventual transferência para outra empresa por sucessão empresarial. Assim, tal como apurado nos Termos de Verificação Fiscal, os ágios em tela surgiram da aquisição pela OPP PP de ações da ODEQUI, cujo valor de rentabilidade futura fora pautado nas empresas OPP QUIMICA e TRIKEM (subsidiárias da ODEQUI). A incorporação da OPP PP pela BRASKEM apenas permitiu a absorção dos ágios registrados pela primeira empresa pela segunda por sucessão empresarial. Portanto, a existência de pagamento e a relação de dependência entre as partes devem ser analisadas com base na aquisição das ações em tesouraria, e não na incorporação posterior. Nesse diapasão, olhando a aquisição de ações da ODEQUI pela OPP PP, vêse que ambas eram controladas pela ODBINV S/A (atual denominação da ODEBRECHT S/A), e foi por esse motivo que a Fiscalização destacou a natureza interna do ágio, ou seja, que foi registrado entre partes relacionadas. Fl. 13443DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.444 72 Acerca do segundo ponto destacado, a existência do pagamento, a autuação, além de ter partido da aquisição das ações da ODEQUI pela OPP PP, a qual registrou um passivo no valor dos ágios registrados, destacou que, em face da ausência de qualquer pagamento ao longo do tempo e da incorporação final da ODEQUI pela BRASKEM em 31/03/2005, tal passivo em nenhum momento fora pago, mas integralmente extinto em face da incorporação. Houve a extinção do passivo uma vez que a BRASKEM, que havia assumido o passivo do ágio quando da incorporação da OPP PP, também se tornou credora do valor do ágio ao incorporar a ODEQUI, causando, assim, a extinção da dívida pela confusão entre as partes envolvidas. Em outras palavras, ao contrário da análise feita pelo Parecer Técnico, a existência de pagamento pela Fiscalização não foi feita somente com espeque no registro do passivo, mas sim a partir da sua extinção. A petição apresentada pela Procuradoria da Fazenda aponta com clareza os equívocos cometidos no referido Parecer, tornandoo incapaz de justificar tanto a formação do ágio, que efetivamente foi criado entre partes relacionadas (ágio interno), quanto a existência de pagamentos. A Recorrente afirma que em nenhum momento a fiscalização tratou a OPP PP como empresa veículo, tratandose de inovação que cerceia o direito de defesa da Recorrente. Embora não tenha citado expressamente, a fiscalização descreve a situação de empresa veículo, mas nem se cogita utilizar este argumento, desnecessário e complementar ante o até agora afirmado como fundamento da decisão. Entendo que, antes de abordar a legalidade dos desdobramentos decorrentes do reconhecimento do ágio, devese analisar a sua existência e validade. O ágio gerado na aquisição de ações em tesouraria da ODEQUI pela OPP PP não tem substância econômica, foi gerado entre partes relacionadas, sem nenhum dispêndio, somente com artifícios escriturais, não sendo aceito pela ciência contábil, tampouco pela CVM, não podendo ser reconhecido como válido para os fins tributários. Das Debêntures Sobre os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que a Recorrente alega ter recolhido em decorrência dos rendimentos pagos aos debenturistas, e que requer sejam deduzidos do valor da glosa operada, não tem razão a Contribuinte. Para ela, se a operação foi considerada simulada, o rendimento pago ao grupo Odebrecht seria considerado dividendo, o que, por sua vez, não justificaria a incidência de IRRF. Entendo que, considerada simulada a operação que deu origem ao ágio (inexistência do ágio) não há equivalência patrimonial e consequentemente dividendos a serem pagos a ninguém. Portanto, diferentemente do entendimento adotado pela Recorrente, os valores pagos ao Grupo Odebrecht seriam pagamentos sem causa, tributáveis exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. De qualquer sorte, a Braskem pagou o IRRF como responsável tributário, tendo como beneficiária a Construtora Norberto Odebrechr S/A (CNO), que recebeu os rendimentos das debêntures. A CNO, por sua vez, podia compensar o imposto retido com o devido na declaração no encerramento do período, observado que o rendimento produzido pela Fl. 13444DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.445 73 debênture deve integrar o lucro real. O valor recolhido, portanto, estava à disposição da CNO e não da Braskem, para fins de ajuste do lucro real, não havendo parâmetros legais que autorizem a compensação pleiteada. No restante, adoto o julgado na DRJ São Paulo nestes ponto: III. EMISSÃO DE DEBÊNTURES. A impugnante sustenta que as questionadas debêntures teriam sido emitidas com o propósito de recompensar/remunerar o Grupo Odebrecht pelo grande investimento realizado na COPENE (ora impugnante), mediante versão dos ativos petroquímicos de segunda geração. Além disso, caso não fossem emitidas tais debêntures, a impugnante teria que recorrer a empréstimos junto a terceiros para quitar as aquisições de ativos petroquímicos, o que produziria despesas financeiras tão dedutíveis quanto as que ora se discute. Rebate a defesa, ainda, a alegação fiscal de que a conversão das debêntures em ações da impugnante teria diluído a participação dos demais acionistas minoritários e fortalecido o controle exercido pelo Grupo Odebrecht, com o argumento de que as debêntures conversíveis teriam sido oferecidas aos demais acionistas, as quais, por livre arbítrio, não exerceram esse direito. Sinteticamente, a impugnante refuta tanto a imputação de inexistência de legítimo propósito negocial na emissão das debêntures quanto a acusação de que a impugnante teria visado o fortalecimento do capital votante pela Organização Odebrecht e consequente aumento da participação nos dividendos a serem distribuídos. No tocante à dedutibilidade fiscal das despesas financeiras resultantes das debêntures emitidas, a análise do propósito negocial de sua emissão prepondera. O propósito precípuo de se emitir debêntures é o financiamento da empresa, ou seja, a captação de recursos que serão aplicados nas suas necessidades operacionais ou de investimentos. Se não entram, efetivamente, tais recursos na empresa, mas ocorre apenas uma série de acertos de contas entre as partes envolvidas (que, além disso, pertencem ao mesmo grupo econômico), não se pode dizer que a operação realizada cumpriu o seu propósito. Nesse aspecto, a necessidade operacional ou de investimento apresentada pela impugnante seria a necessidade da versão dos ativos petroquímicos de segunda geração para permitir sua posterior incorporação, numa segunda etapa de reorganização societária. Contudo, assim como se verificou na investigação da quitação do ágio na aquisição das ações da ODEQUI pela OPP PP, não houve efetivo pagamento, não foram envolvidos recursos financeiros mas apenas encontro de contas contábeis entre as diversas empresas do grupo econômico liderado pela Organização Odebrecht, desde a constituição da conta “dividendos a pagar” até a liquidação das debêntures que, ao final, foram convertidas em ações ordinárias e preferenciais da impugnante Braskem. Fl. 13445DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.446 74 A estranheza provocada pela substituição de uma obrigação não remunerada (Dividendos a pagar) por outra muito mais penosa, atrelada a juros (Debêntures) transformase em inadmissibilidade se considerarmos, ainda, que a distribuição antecipada de lucros que motivou o pagamento de dividendos carece de fundamento econômico. Importa notar que a rejeição dos efeitos fiscais das debêntures emitidas não se funda simplesmente em suposto poder de ingerência do fisco nas estratégias societárias do grupo, sendo motivada pela constatação de que a própria emissão das debêntures está maculada em sua origem, porque já não se teria admitido o ágio que (i) elevou o patrimônio líquido da ODEQUI, o que por sua vez fez com que (ii) a OPP PP contabilizasse ganho de Equivência Patrimonial, assim (iii) a OPP PP distribuiu lucros antecipadamente à acionista ODBINV, gerando a obrigação de “Dividendos a pagar”, a qual foi substituída por (iv) Debêntures emitidas à mesma ODBINV e conseqüente (v) apropriação de despesas financeiras relativas a essas debêntures. A OPP PP, que foi incorporada pela impugnante em 16/08/2002, produziu despesas com Juros e Variações Monetárias passivas das debêntures emitidas a partir de ágio supostamente pago na aquisição de ações da ODEQUI, pela OPP PP, ocorrida em 30/04/2002, ágio este fundado na rentabilidade futura das ações da Trikem, subsidiária da ODEQUI. De fato, foi a aquisição de ações da ODEQUI com ágio que permitiu a reavaliação desse ativo, pela OPP PP, de forma superestimada e, conseqüentemente, gerou um ganho ficto a título de Equivalência Patrimonial. Justamente esse ganho com equivalência patrimonial “autorizou” a OPP PP a distribuir lucros, antecipadamente, por resultados não realizados, reduzindo o Patrimônio Líquido da OPP PP com a criação no passivo de Dividendos a Pagar. A emissão de debêntures para única empresa do mesmo grupo econômico (ODBINV), bem como, a liquidação do passivo através de emissão de ações intragrupo, tiveram como objetivos a diminuição da carga tributária a que a Braskem estaria sujeita, através de despesa criada artificialmente de forma fraudulenta/simulada e o aumento do controle exercido sobre esta (Braskem), pela Organização Odebrecht. De se notar, como parte do estratagema adotado, que o grupo econômico, além de criar a despesa fictícia decorrente das debêntures, também furtouse das receitas auferidas relacionadas à emissão das debêntures. Conforme apontado pela autoridade fiscal, entre os anos de 2002 e 2007, a ODBINV auferiu Lucro Fiscal em alguns anos calendários, de modo que as debêntures que lhe foram transmitidas pela OPP PP gerariam tributos devidos. Entretanto, com a transferência das debêntures à ODBPAR INV, não houve ônus tributário efetivo, uma vez que esta, ODBPAR Fl. 13446DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.447 75 INV, contabilizou seguidos prejuízos fiscais nos períodos em questão. Logo, a glosa das despesas financeiras apropriadas pelas debêntures emitidas é conseqüência lógica da glosa das despesas oriundas de ágio considerado artificial pela autoridade fiscal. No presente processo, comprovouse que as operações executadas pela impugnante, concatenadas diretamente à emissão de debêntures à ODBINV, tiveram como propósito, sob o ponto de vista tributário, a criação ilícita de despesas financeiras relativas a tais debêntures, facilitada pelo fato de ter sido planejada entre empresas do mesmo grupo econômico. O evidente intuito doloso em fraudar a administração tributária está patente, uma vez que os fatos demonstram que não havia qualquer justificativa para uma captação de recursos na modalidade de emissão de debêntures, bem como na formação de um ágio. Essa transação foi levada a efeito com a finalidade precípua de se criar, ilegitimamente, despesas para reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Com efeito, não há como se admitir o aproveitamento fiscal de despesas que apresentam, em sua origem, valores despendidos na aquisição de ações com ágio artificial. Da Qualificação e do Agravamento da Multa Segundo a Lei nº 4.502, de 1964: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Não tenho dúvida que o Recorrente agiu com dolo e o fez para modificar as características essenciais do fato gerador, criando despesas e amortizando ágio criado artificialmente, o que caracteriza a fraude. Por outro lado, vários foram os agentes que, unidos em torno de um só interesse, concorreram para a consecução do objetivo fraudulento, caracterizando o conluio. Não há sentido em invocar o inciso II, alínea "a" do artigo 76 da Lei nº 4.502, pois o caso em julgamento trata de negócio inválido/simulado, sem substância econômica, enquanto os exemplos trazidos consideram realizado e eficaz o negócio entabulado. A mesma intenção fraudulenta se completou com a emissão de debêntures com estreita ligação de dependência ao ágio fraudado, aumentando a lesão causada ao Fisco pela consideração de juros e atualização monetária pela TJLP e consequente criação irregular de despesas. Fl. 13447DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.448 76 Da Decadência Uma vez configurado o dolo, fraude e simulação, o prazo decadencial a ser adotado é o descrito no artigo 173, inciso I do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Esse entendimento já foi sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Os tributos lançados tiveram o fato gerador em 31 de dezembro de 2007 e 2008; poderiam ser lançados em 2008 e 2009; o primeiro dia do exercício seguinte é 1º de janeiro de 2009 e 2010. Assim, o prazo decadencial encerra em 1º de janeiro de 2014 e 2015. Como a ciência ocorreu em 6 de novembro de 2013, não houve decadência. Da Responsabilidade por Sucessão Prosseguindo em sua defesa, a impugnante, na qualidade de sucessora da contribuinte original, pleiteia que não lhe seja transmitida a multa punitiva pela infração apontada no lançamento, afirmando que a ela não pode ser imputada intenção dolosa, pois a conduta foi promovida por outra empresa, com distinta composição societária e diferentes administradores. Já foi demonstrado neste voto que o Grupo Odebrecht juntamente com o Grupo Mariani controlavam a COPENE por intermédio da Norquisa. Após a incorporação, a Braskem, continuou com as condutas relativas ao planejamento ilícito, realizando os encontros de contas e operações societárias necessárias ao aproveitamento completo e sob todos os ângulos possíveis do ágio fictício, sendo, inclusive, a maior beneficiária das reduções da carga tributária feitas ilicitamente. Assim, fica claro que a COPENE e, posteriormente, a Braskem, também integravam o estratagema, e não eram terceiros inocentes. O CARF já emitiu súmula a respeito, cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Como visto, a COPENE, transformada em Braskem após a incorporação da OPP PP, na oportunidade tratada neste procedimento fiscal, era controlada por consórcio entre o Grupo Odebrecht e o Grupo Mariani, sendo liderado pela Odebrecht que detinha 44% do capital da Braskem. O Grupo Mariani, com quem dividia o controle, tinha os mesmos interesses, vontade convergente e comportamento idêntico, como bem afirma a Recorrente: "Fim do Filme Integração de ativos petroquímicos dos Grupos Odebrecht e Mariani na COPENE". O Grupo Mariani também teve suas empresas incorporadas pela Braskem (Nitrocarbono e Proppet) com ágio. Fl. 13448DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.449 77 Ademais, em nenhum momento a legislação trata do afastamento da multa qualificada quando envolvida a sucessão. Alguns pretendem afastar toda e qualquer multa, empregando uma interpretação literal do artigo 132 do CTN: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. (grifei) O argumento dos que consideram intransmissíveis aos sucessores as multas de ofício decorrentes de atos da sucedida, lançadas posteriormente ao ato de incorporação, são, de um lado, de que o art. 132 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário NacionalCTN se refere a tributos e não à obrigação ou crédito tributários. Assim, usam da interpretação gramatical, buscando o conceito de tributo para excluir a penalidade pecuniária. R. Limongi França ( v. Hermenêutica Jurídica, Ed. Saraiva, 6ª Edição, p. 4) assevera: Quando se fala em hermenêutica ou interpretação, advirtase que elas não podem se restringir tãosomente aos estreitos termos da lei, pois conhecidas são as suas limitações para bem exprimir o direito, o que, aliás, acontece com a generalidade das formas de que o direito se reveste. Desse modo é ao direito que a lei exprime que se devem endereçar tanto a hermenêutica como a interpretação, num esforço de alcançar aquilo que, por vezes, não logra o legislador manifestar com a necessária clareza e segurança. O CTN atribui à interpretação gramatical o tratamento de exceção, estabelecendo em seu artigo 111 os assuntos sobre os quais recai a utilização deste método, nos levando à conclusão de que, nos outros casos, devese buscar a interpretação plena. Vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão de crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Deste modo, não há como atender só ao que nos oferece a gramática, sob pena de reduzirmos a ação do intérprete a sucessivas consultas ao léxico. Há que se buscar a exegese de forma completa, estudando o preceito em relação ao sistema em que se insere – considerando a própria lei a que pertence e, também, o sistema geral do direito positivo em vigor – , buscando encontrar o sentido do termo numa comparação lógica a outros encontrados no texto legal, alcançando seu sentido e tratando, também, do fundamento teleológico da norma, aclarando a finalidade última a que foi editada. Fl. 13449DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.450 78 Como bem apontado no acórdão recorrido, o STF já se manifestou em julgamento do Recurso Extraordinário nº 83.613, cujo excerto transcrevo: No Recurso Extraordinário nº 77.187SP, assim votou o eminente relator: A multa punitiva do Direito Tributário, que se distancia de outros ramos da Ciência Jurídica principalmente por sua autonomia dogmática, revestese de natureza patrimonial,não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal. (...) Assim se manifesta o Exmo. Sr. Ministro ALIOMAR BALEEIRO: Se admitirmos a interpretação literal, o alienante de estabelecimento ou fundo onerado por multas, que podem exceder de 100% em caso de dolo, fugiria ao pagamento da dívida fiscal, transmitindo todo seu cabedal a terceiro, que suportaria apenas o peso dos tributos. O CTN garante os direitos do contribuinte, mas resguarda com o mesmo rigor os privilégios do Fisco, inclusive pela solidariedade e responsabilidade de sucessores, e terceiros, que adquirem o patrimônio do sujeito passivo (...) Na expressão créditos tributários a meu ver, se incluem as multas sob pena de fraudarse o direito do fisco à percepção de seus créditos legítimos em face da lei. Analisando o artigo em questão, buscando uma interpretação sistemática imediata – em relação à própria lei em que se insere – , temos que ele está incurso na Seção II (Responsabilidade dos Sucessores) do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do Título II (Obrigação Tributária) do Livro Segundo (Normas Gerais de Direito Tributária) do CTN. O artigo 129 inaugura a Seção II, transmitindo um mandamento geral à sua interpretação, verbis: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.(grifo meu) O mandamento geral determina a aplicação das regras dos artigos 130 a 133 aos créditos tributários referentes a obrigações tributárias surgidas até a data dos atos nele citados. Disso decorre que, em verdade, quando o art. 132 faz referência à “tributo” deve ser entendido como “crédito tributário”, o que engloba a responsabilidade pelas multas. Partindo para outros textos legais temos reforçada a idéia que defendemos. Assim, o artigo 5º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que trata do Imposto Territorial Rural – ITR: Fl. 13450DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.451 79 Art. 5º. É responsável pelo crédito tributário o sucessor, a qualquer título, nos termos dos arts. 128 a 133 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional).(grifei) Situação interessante é a que nos traz o art. 560 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, com fundamento no artigo 70 da Lei nº 4.502, de 1964,abaixo transcrito: Reincidência Específica Art. 560. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, ou de disposição idêntica, da legislação do imposto, ou de normas contidas num mesmo Capítulo deste Regulamento, por uma mesma pessoa ou pelo sucessor referido no art. 132 da Lei nº 5.172, de 1966, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior. O artigo supera a simples responsabilização por infrações cometidas pelos sucedidos, caracterizando como reincidência a prática, pelo sucessor descrito no art. 132 do CTN, dos mesmos atos infracionais cometidos pelas empresas fusionadas, transformadas ou incorporadas, ainda que a empresa remanescente esteja transgredindo pela primeira vez. Partindose para a interpretação lógica, vamos buscar na lei em que o artigo está contido o sentido real do termo, comparando seu emprego e, por meio de um raciocínio dedutivo, buscar seu conceito. O vocábulo “tributo” é utilizado no mesmo Capítulo V, na Seção III (Responsabilidade de Terceiros) e podese concluir, com clareza, que a exceção estabelecida no parágrafo único do artigo abaixo, aponta para a correção de nosso entendimento: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I – os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II – os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III – os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV – o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V – o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI – os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII – os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório.(grifei) Fl. 13451DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.452 80 Observese que nos incisos de I até VI é usada a mesma expressão presente no artigo 132: “tributos devidos” e que, embora isto, o parágrafo único salienta que não deve ser atribuída a responsabilidade pela multa de ofício, mas só pela moratória. Ora, uma das primeiras regras da interpretação é a que nos diz que na lei não há frase ou palavra inútil, supérflua ou sem efeito. Se o parágrafo único determina que não seja cobrada a multa de ofício mas só a moratória é por que, no sentido original, a multa de ofício fazia parte do conceito de “tributos devidos” pretendida pelo legislador. Na verdade a palavra tributo é empregada no sentido de crédito tributário. Por conseguinte, a espelho do que acontece no artigo 134 supra, se fosse intenção do legislador responsabilizar os sucessores descritos no artigo 132 apenas pelo tributo, sem a multa, esta vontade seria objeto de declaração expressa em parágrafo específico. Nesse sentido é o acórdão da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, de nº 20203.634/1990, cuja ementa é a seguinte: FINSOCIAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA E POR INFRAÇÃO DO SUCESSOR. A aquisição de estabelecimento comercial ou fundo de comércio implica sucessão, assumindo o sucessor a responsabilidade pelas obrigações tributárias do sucedido, no caso, contribuição e multa, nos termos dos artigos 133, inciso I, e 136 do CTN. Ausência de dispositivo legal que exclua a responsabilidade do sucessor por penalidade à infração praticada pelo sucedido. Recurso negado. Finalmente, usando a interpretação teleológica – que busca a finalidade última da norma – temos que o Estado ao erigila pretendeu garantir o suporte financeiro necessário ao atingimento do bem comum, sua finalidade última, protegendo o crédito tributário das possíveis situações que determinariam a sua insubsistência ao alvedrio dos sujeitos passivos. Assim, o Capítulo V (Responsabilidade Tributária) deve ser interpretado de modo a atingir o propósito de impedir que, por vontade própria e por meio de medidas legais – v. g., como a incorporação de uma pessoa jurídica por outra – o crédito tributário não fosse satisfeito na sua integralidade. O Estado, portanto, como a ninguém é dado alegar o desconhecimento da norma em sua defesa, obriga a pessoa jurídica resultante a, na qualidade de responsável, responder por todo o crédito, caso contrário, a fusão, a transformação ou a incorporação seriam transformadas em métodos legítimos de diminuição do valor a ser recolhido ao erário por afastamento da multa devida. Especificamente no que se referem às modalidades de sucessão, temse que, excetuada a sucessão causa mortis, supõem essas, para que se efetivem, a manifestação de vontade do contribuinte, pessoa natural ou jurídica, seja sob forma ativa (alienação, fusão, transformação e incorporação), seja sob forma passiva (legado, usucapião e remição). E foi salientada a impossibilidade de alegar o desconhecimento da norma, por conta da sucessão se dar por vontade expressa do sucessor que se obriga à satisfação total do crédito objeto do lançamento. Ora, é inconcebível, e ninguém poderia sustentar que, por ato voluntário, pudesse o contribuinte infrator esquivarse às penalidades decorrentes de sua infração. Seria estimularse a sonegação e a fraude, em detrimento do Erário, da boa execução dos serviços públicos e, consequentemente, da própria coletividade nacional, negarse a responsabilidade Fl. 13452DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.453 81 dos sucessores pelas multas devidas pelo sucedido, quando a sucessão ocorre por livre vontade das partes. Jamais o legislador visaria permitir que, por ato unilateral, o mau contribuinte pudesse fugir ao pagamento das penalidades integrantes da obrigação tributária principal, sob pena de fraudarse o direito do Fisco à percepção de seus créditos legítimos em face da lei. A respeito da questão, citase o entendimento do jurista José Eduardo Soares de Melo, em sua obra “Curso de Direito Tributário”, Editora Dialética, São Paulo, 1997, págs. 185 e 186, in verbis: Os negócios societários, implicadores de modificações básicas nas estruturas das pessoas jurídicas, também podem ocasionar a figura do responsável tributário pelos valores devidos pelos contribuintes originários, em face da impossibilidade físico/jurídica de seu cumprimento por parte destes. Esta situação encontrase prevista no CTN (art. 132): a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra, ou em outra, é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (.....) Estas modalidades de negócios societários são plenamente legítimas; decorrem de decisões particulares das pessoas jurídicas em razão de suas exclusivas conveniências pessoais. Todavia, na medida em que sejam realizadas e registradas nos órgãos competentes, ocorre o fenômeno da responsabilidade tributária, por parte das novas pessoas jurídicas, ou das remanescentes, relativamente aos débitos das antigas pessoas (contribuintes). (.....) Todos os débitos tributários existentes, bem como aqueles que possam vir a ser apurados pelas Fazendas, no prazo decadencial, poderão ser exigidos das empresas resultantes dos referidos atos societários. As dívidas compreendem todos e quaisquer acréscimos (juros, atualizações, multas), a fim de não se burlarem manifestos interesses fazendários (de superior interesse público), sob a falsa assertiva de que a pena não deveria passar da pessoa do infrator. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), pois seria muito simples efetuar tais negócios, com o objetivo de acarretar o desaparecimento dos devedores originários, de quem nada mais se poderia exigir. O mesmo entendimento já foi apontado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, no acórdão 20211845, de 22 de fevereiro de 2000, com o seguinte teor: RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando o negócio jurídico objetiva apenas redução de custos de Fl. 13453DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.454 82 empresa do mesmo grupo societário da empresa sucedida. Recurso negado. Corroborando a interpretação supra manifestouse o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 923012/MG, de acordo com o artigo 543C, do Código de Processo Civil de 1973, 1036 e § 1º do CPC de 2015 (Recurso Repetitivo), firmando a seguinte tese (tema 382, já transitada em julgado): A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Assim, a única exclusão de responsabilidade possível seria pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN), o que, no presente caso, não ocorreu. Pelo exposto, todos os métodos de interpretação empregados apontam para a compreensão da expressão “tributos devidos” como sendo “créditos tributários devidos”, pelo que não tem razão a impugnante ao tentar eximirse da responsabilidade pela multa que herdou. Compensação de Prejuízos Fiscais Sobre o assunto, a fiscalização se manifestou nos seguintes termos: Ora, a própria Empresa não utilizou o limite de 30% para a compensação de prejuízos, certamente porque tinha em mente sua utilização para os fins da Lei nº 11.941, de 2009, que permitiu a utilização de prejuízos fiscais para o pagamento dos juros e multas relativas a créditos tributários incluídos no parcelamento especial previsto nessa norma legal. E, pelo relato fiscal, utilizou todo o prejuízo em 2009 para este fim. Assim, não tem razão a Recorrente, tendo agido corretamente a fiscalização. Juros sobre a Multa de Ofício Sobre a questão esta Turma já manifestou entendimento sobre a procedência da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, reproduzo manifestação sobre o tema constante do processo 13896.721338/201336, da Relatoria da Conselheira Ester Marques Lins de Souza, que, mutatis mutandis, adoto como razão de decidir: Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento Fl. 13454DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.455 83 tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. Portanto reunidos em um único lançamento, e, devidamente discriminados, a cobrança do tributo e a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora). Portanto, efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal, no presente caso, a denominada multa de ofício de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre os juros de mora, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (objeto prestacional, representado em dinheiro) = tributo (não pago) + penalidade aplicada (não paga). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um flagrante equívoco. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Apesar disso, há quem argumente que, se do crédito a que se refere o caput do transcrito art. 161 do CTN constasse a multa de ofício, não haveria razão para mencionar nesse mesmo dispositivo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Não é nenhuma novidade dizer que o CTN é recheado de repetições. A verdade é que, não haveria necessidade de novamente constar no mencionado artigo 161 tal comando, porque a partir do lançamento surge o crédito, no entanto com o intuito de afastar os juros de mora outros argumentos poderiam advir no sentido de que tendo sido aplicada a penalidade não seria cabível a aplicação dos juros de mora porque a “penalidade” seria em substituição de outros encargos etc.. Ora, a caracterização da mora dáse de direito, e, não depende sequer que o sujeito passivo seja interpelado com o auto de infração. Não sendo o valor devido integralmente pago até o vencimento, o crédito deve ser acrescido de juros de mora. Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no art.161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa em caráter geral, nada Fl. 13455DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.456 84 impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. É certo que tivemos no passado dispositivos legais (art. 59 da Lei nº 8.383/91 e art.84 da Lei nº 8981/95) que deixaram dúvidas quanto a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. A interpretação literal decorrente da mencionada legislação era no sentido de que pela redação das leis mencionadas os juros deveriam incidir apenas sobre os tributos e contribuições, não autorizando, pois, a exigência dos juros de mora sobre outros débitos sem a natureza jurídica de tributo. No entanto, com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível mudar de paradigma para concluir que, com apoio no artigo 61 e seu § 3º, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do vencimento da penalidade, cujos fatos geradores (descumprimento da norma legal) ocorrerem a partir de 01/01/1997, vejamos: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Grifei) Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese dos autos de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Ora, se os juros moratórios a que se refere o § 3º do art. 61, da Lei nº 9.430/96, somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, inferese que incidem sobre a multa de ofício não paga no prazo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo autuado. O artigo 43 da lei nº 9.430/96 ao tratar do auto de infração sem tributo (crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente) prevê a incidência de juros de mora calculados à taxa Selic sobre o crédito tributário formalizado, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, o que demonstra claramente a imbricação com o art.161 do CTN e com o artigo 61, § 3º da mesma Lei nº 9.430/96, desnecessário seria repetir que nos casos da multa de ofício de que trata o artigo 44 da mesma lei também deverão incidir os juros de mora. Fl. 13456DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.457 85 Feitas as considerações acima e no contexto de uma interpretação sistemática, é forçoso concluir que ao teor do art.161 do CTN, bem como dos artigos 43, parágrafo único, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, por se tratar de débitos para com a União, incidem tanto sobre os tributos quanto sobre a multa de oficio, os juros de mora com base na taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do seu pagamento. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuniárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou de notificação de lançamento, conforme fixado na Portaria MF nº 370 de 23 1288, verbis: I Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou da notificação de lançamento e serão calculados, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, sobre o valor corrigido monetariamente. II. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Nesse sentido trazse à lume excerto do voto do Desembargador Dirceu de Almeida Soares quando do julgamento, pela 2a. Turma do TRF4, da AC 2005.72.01.000031 1/SC, em 2006 (Leandro Paulsen, Direito Tributário, 9ª ed., Livraria do Advogado, pág. 1028), ipsis litteris: “...tanto a multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação da estrita legalidade ...O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente.” Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora tanto sobre os débitos lançados como da respectiva multa de ofício, não pagos no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao dos respectivos vencimentos dos prazos até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. Para sedimentar as considerações feitas no presente voto, trazse à colação o entendimento expresso nos seguintes Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscal desse Egrégio Conselho Administrativo: Fl. 13457DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.458 86 ACÓRDÃO nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ACÓRDÃO nº 9101002.5011ª Turma, julgado em 12/12/2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assim, considero correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora sobre a multa de ofício. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Entendo que a matéria é encerrada no artigo 57 da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifo do original) Diferentemente do que defenda a Recorrente, a legislação é expressa quando pretende diferenciar as regras de apuração do IRPJ e da CSLL, correndo iguais no restante. Além disso, como bem aponta a decisão atacada, a Instrução Normativa SRF nº390/2004 repete as mesmas regras de dedutibilidade do ágio, in verbis: “Art. 1º Esta Instrução Normativa dispõe sobre a determinação e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)”. “Subseção III Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Da incorporação, fusão ou cisão Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: Fl. 13458DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.459 87 I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. (...) § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; (...) III o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser: (...) § 5º A amortização a que se refere a alínea "a" do inciso II do § 3º, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. (...) § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, quando: I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese deste artigo, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica”. Assim, tratandose de regras idênticas e situação idêntica, concluise que o lançamento está correto. Conclusão Fl. 13459DF CARF MF Processo nº 13502.721146/201314 Acórdão n.º 1302002.386 S1C3T2 Fl. 13.460 88 Pelo exposto, afasto as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário, afastando o agravamento da multa de ofício lançada. É o meu voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filhos Redator Designado Fl. 13460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.901991/2013-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012
CRÉDITO NÃO VERIFICADO EM DCTF. APURAÇÃO DA DACON NÃO COMPROVADA POR DOCUMENTOS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO CONFIGURADA.
A retificação de DCTF anterior à prolação do Despacho Declaratório não é condição para a homologação das compensações, devendo, para tanto, restar comprovada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Os dados declarados na DACON apresentada pelo contribuinte por ocasião da Manifestação de Inconformidade não foram confirmados por outras provas documentais no curso do processo.
Numero da decisão: 3002-000.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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APURAÇÃO DA DACON NÃO COMPROVADA POR DOCUMENTOS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO CONFIGURADA. A retificação de DCTF anterior à prolação do Despacho Declaratório não é condição para a homologação das compensações, devendo, para tanto, restar comprovada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Os dados declarados na DACON apresentada pelo contribuinte por ocasião da Manifestação de Inconformidade não foram confirmados por outras provas documentais no curso do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 19 91 /2 01 3- 74 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13005.901991/201374 Acórdão n.º 3002000.046 S3C0T2 Fl. 146 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de nº 0956.399, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, em sessão de 22 de janeiro de 2015, com seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/03/2012 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o sujeito passivo apresentou Declaração de Compensação DCOMP de nº 27947.31258.140513.1.3.044053, objetivando a compensação de créditos oriundos de pagamento a maior de COFINS do mês 02/2012 com débito de IRPJ do mês de 09/2012. Em 02.08.2013 foi emitido Despacho Decisório (fl. 02) informando que o pagamento declarado pela empresa foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada, exigindose, por conseguinte, o pagamento do tributo cuja quitação se pretendia fazer por meio da DCOMP em comento. Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 13.08.2013, o contribuinte apresentou, em 30.08.2013, Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) Equivocouse no preenchimento da DCTF, informando como valor do débito de COFINS o valor efetivamente pago por meio de DARF. Esse equívoco ocasionou a não localização do crédito no sistema da Receita Federal; b) Transmitiu, em 26.08.2013, DCTF retificadora referente ao período de fevereiro/2012, corrigindo o valor do débito da COFINS, para fazer refletir nos sistemas da Receita Federal o crédito utilizado na DCOMP; c) Seja arquivado e baixado o processo de cobrança decorrente da não homologação da DCOMP em comento. Anexou documentos. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13005.901991/201374 Acórdão n.º 3002000.046 S3C0T2 Fl. 147 3 Em sessão de 22.01.2015, por meio do acórdão nº 0956.399, a 1ª Turma da DRJ/JFA declarou improcedente a Manifestação de Inconformidade, assim fundamentando sua decisão: a) Que na data de emissão da DCOMP, segundo a DCTF do contribuinte, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação, cabendo ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na respectiva DCTF; b) Tal comprovação poderia se dar por meio da escrituração contábil e fiscal, e dos documentos que a respaldem, sem prejuízo de outras provas que o interessado possua e tenham o condão de comprovar suas alegações; c) Não foi evidenciado, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito, vez que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos que incontestavelmente comprovassem o crédito pleiteado. Cientificado do conteúdo do acórdão em 25.02.2015, o sujeito passivo protocolou, em 20.03.2015, requerimento direcionado à DRJ, recepcionado como Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese que: a) A DACON de recibo nº 00.59.74.30.28.42, transmitida em 24.05.2012, mostra que o valor da COFINS apurada em fevereiro/2012 é de R$32.805,47, sendo que R$143,21 foram compensados com retenções sofridas das fontes pagadoras, remanescendo saldo a pagar de R$32.662,26; b) O valor devido (R$32.805,47), deduzido pelo aproveitamento dos retenções sofridas na fonte (R$143,21), e pelo pagamento do DARF no valor de R$40.982,48, gera crédito de R$8.320,22, devidamente registrado no Livro Diário de abril/2012; c) Tendo o crédito como de direito, foi transmitida a DCOMP em comento, compensando débito de IRPJ de setembro/2012, no valor principal de R$7.290,49, tendo estes lançamentos de compensação sido realizados no Livro Diário de maio/2013; d) Efetuou nova retificação de DCTF, informando ser de R$32.662,26 o valor devido a título de COFINS do mês 02/2012; Ao fim, requereu o contribuinte o arquivamento e baixa da cobrança decorrente da não homologação da compensação efetuada. Anexou os seguintes documentos: I) Cópia de páginas do Livro Diário º 276, de maio/2013, evidenciando a contabilização das compensações realizadas pela DCOMP em análise; (fls. 75 a 82) II) Cópia de páginas do Livro Diário nº 263, de abril/2012, evidenciando a contabilização de crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS relativo ao mês 04/2012; (fls. 83 a 88) III) Cópia de páginas do Livro Diário nº 261, de fevereiro/2012, evidenciando a contabilização de provisão de COFINS a pagar referente ao mês 02/2012, no valor de R$40.982,48; (fls. 89 a 94) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13005.901991/201374 Acórdão n.º 3002000.046 S3C0T2 Fl. 148 4 IV) Cópia de Notas Fiscais e faturas evidenciando as retenções sofridas; V) Nova cópia da DCTF retificadora transmitida em 26/08/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Consoante entendimento deste Conselho, a apresentação de DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, devendo, para tanto, restar comprovada a certeza e liquidez do indébito tributário por outros meios, nos autos do processo administrativo. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, entendeu que o princípio da verdade material possibilita a complementação de provas para auxílio na formação da convicção do julgador, mantido o ônus probatório do contribuinte. "É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado." Por ocasião da Manifestação de Inconformidade, no intuito de comprovar seu direito creditório, o impugnante apresentou cópia da DACON relativa ao período de apuração do crédito pleiteado, bem como cópia do DARF da COFINS do mês de fevereiro/2012 e respectivo comprovante de pagamento. Consoante ao disposto no art. 29 do Decreto Lei nº 70.235/1972, tendo o contribuinte, à época da Manifestação de Inconformidade, prestado informações e apresentado documentos que apresentassem, ainda que minimamente, a existência de indícios do direito creditório pleiteado, poderia a autoridade julgadora solicitar documentos complementares para formar sua convicção. Assim não procedeu a DRJ/JFA, indeferindo de plano todo o contido na DACON apresentada pelo impugnante. Já em fase recursal, na tentativa de comprovar o crédito de COFINS do mês 02/2012, o sujeito passivo apresentou cópia de folhas do livro diário. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13005.901991/201374 Acórdão n.º 3002000.046 S3C0T2 Fl. 149 5 Entretanto, as páginas dos diários contábeis trazidas aos autos, não foram suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação em discussão. Senão vejamos: a) as páginas do livro diário nº 276, de maio de 2013, apenas retratam o modo como o sujeito passivo efetuou a contabilização das compensações por ele mesmo declaradas na DCOMP, não comprovando a origem do crédito pleiteado; b) as páginas do livro diário nº 263, apenas demonstram que, em abril/2012, a recorrente contabilizou na conta "COFINS a Compensar" o valor que entendia ter pago a maior no mês anterior, não sendo suficiente para comprovar a certeza do crédito pleiteado; c) Por fim, as páginas do livro diário de nº 261, referentes ao mês de fevereiro/2012, evidenciam que a provisão contábil da COFINS desse mês foi realizada no valor de R$40.982,48, diverso daquele constante na DACON apresentada por ocasião da Manifestação de Inconformidade. Assim, o contribuinte não apresentou elementos capazes de comprovar que o valor efetivamente devido a título de COFINS é inferior àquele recolhido por DARF em 23/03/2012. Ainda que as fichas da DACON trazida aos autos demonstrem a memória de cálculo da contribuição, não possuem o condão de comprovar, de per se, a exatidão das informações nelas constantes. Não foi comprovada nos autos a exatidão das informações declaradas na DACON, apresentada como prova da existência do direito creditório do contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade. Ao contrário, a única página do Livro Diário trazida aos autos que guarda relação com a apuração da COFINS do mês de fevereiro/2012, evidenciou que a provisão contábil da contribuição diverge do valor constante na DACON utilizada como prova. Ademais, dentre as páginas dos livros contábeis trazidas pelo contribuinte a estes autos, nenhuma comprova a exatidão das informações declaradas na DACON apresentada na primeira manifestação processual. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.913703/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA.
A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-004.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 37 03 /2 00 9- 10Fl. 91DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 42413.95686.051206.1.3.041445, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado, que, devidamente corrigido, seria suficiente à quitação do débito exigido; que promoveu a retificação da DCTF e DACON; e, que houve erro material no preenchimento das declarações. Foram juntados, na ocasião, planilha de atualização do indébito, comprovante de arrecadação, PERDCOMP (original), DACON e DCTF retificados. A DRJ Porto Alegre/RS julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova concreta nos autos que conferisse liquidez e certeza ao crédito postulado, para tanto não bastando apenas retificações de declarações desacompanhadas de outros elementos. O recurso voluntário apontou violação ao princípio da verdade material e aduziu a ocorrência de erro material, devidamente caracterizado. Citou doutrina e jurisprudência, em seu favor. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 3401001.606, de 02/09/2011, não conheceu do recurso, devido à perempção (perda de prazo processual). A unidade preparadora interpôs embargo de declaração, assinalando omissão, de sua parte, na juntada do competente Aviso de Recebimento – AR, de ciência postal, certificando a tempestividade da peça. Às efls. 89/90 consta o exame de admissibilidade recursal exigido pelo art. 65, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15). É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Reexaminado o recurso voluntário, à luz do aclaratório interposto, confirmo o preenchimento dos requisitos para sua admissibilidade, visto que proposto dentro do trintídio legal, de modo que deve ser conhecido. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.913703/200910 Acórdão n.º 3401004.341 S3C4T1 Fl. 11 3 Nesse diapasão, a questão dessa discussão, a meu ver, diz respeito a prova dos fatos alegados ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório correspondente, mais especificamente, a quem caberia a produção dos elementos probatórios do direito de crédito ora altercado. O contribuinte, em sua manifestação recursal, pugnou pela observância do princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, contudo, não se pode olvidar que é sua a atribuição de comprovar a existência do indébito alegado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil (CPC/15), utilizado subsidiariamente. Consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, incumbe ao sujeito passivo, que é seu titular, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo é responsabilidade do sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Mesmo reconhecendo que o aludido princípio é verdadeiro dogma para o procedimento contencioso administrativo, tenho que encontra limite na própria lógica da produção probatória necessária à demonstração do direito invocado, não me parecendo coerente que a Administração Tributária, no caso, tenha que providenciar os elementos de prova que estão em poder do requerente. Também não me parece suficiente que ao administrado basta a invocação do seu direito, desacompanhado de qualquer documento que o ampare, para que dele possa usufruir e, havendo necessidade de instrução probatória, compita à administração pública providenciála com base no princípio da verdade material, mormente quando a mesma dependa de provas que estão justamente na esfera de disponibilidade do administrado requerente. A prova documental colacionada ao processo se limita às declarações retificadoras, que, a meu ver e por si só, não possuem o condão de deflagrar os efeitos desejados pelo contribuinte – demonstração de recolhimento a maior de tributo –, como acentuou a decisão recorrida. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações (retificada x retificadora) –, apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe conferem expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação, ainda que por amostragem, para contraposição às declarações apresentadas, para checagem do que é realmente devido. Neste processo, não há um único elemento distinto das sobreditas declarações retificadoras, não vindo aos autos qualquer documento contábil ou fiscal que permita a aferição de seus dados, documentos estes, repitase, que apenas o contribuinte ora recorrente detém, cabendo acentuar que esta circunstância foi expressamente destacada na decisão recorrida: Fl. 93DF CARF MF 4 (...) Em que pese o alerta feito pelo colegiado a quo, o recurso voluntário não trouxe nenhum outro elemento, mas tãosomente um acórdão do TRF – 4ª Região. Repitase: a incumbência da prova cabe ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a referência às declarações, justamente porque as informações são díspares e não conduzem à conclusão defendida. De outra banda, vale aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Quanto ao pretenso erro material, o recorrente menciona genericamente a sua ocorrência, divagando sobre seus efeitos, mas sequer indica onde teria ocorrido o equívoco de preenchimento, o que, por outro lado, seria de nenhuma valia, pois, como dito, desacompanhado dos elementos documentais que respaldariam a revisão pretendida. Em síntese, concluo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, não merecendo qualquer censura. Pelo exposto, acolho os embargos de declaração, com efeito infringente, para negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.924274/2009-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3002-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 42 74 /2 00 9- 08 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.924274/200908 Acórdão n.º 3002000.071 S3C0T2 Fl. 90 2 Relatório Em 14.09.2006 o sujeito passivo transmitiu Declaração de Compensação de nº 08428.65162.140906.1.3.045441 (fls 6 a 10), declarando a compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao período de apuração de maio/2003 com débito da mesma contribuição relativo ao mês de agosto/2006 Em 29.06.2009 o contribuinte tomou ciência (fl. 05), por meio de DESPACHO DECISÓRIO (fls 02), da NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento mencionado havia sido "integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em 13.07.2009 foi protocolada MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 11 a 16), cuja síntese dos argumentos foi: a) Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo STF no RE 357950; b) Que o valor das receitas financeiras auferidas no período de apuração em comento foi de R$33.315,92, que submetido a alíquota de 3%, resultou em um recolhimento a maior de COFINS no valor de R$999,48; c) Que no processamento do referido PER/DECOMP o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras, no valor de R$999,48; d) Que segundo o disposto no art. 170 do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430/96 e também segundo a jurisprudência do CARF (acórdão 20402819) e do TRF da 4 região (Apelação em MS 2006.71.08.0007709/RS), a compensação com crédito legítimo é uma das formas de extinção do crédito tributário; e) Ao fim, requer a homologação da compensação efetuada. Por meio do Acórdão nº 0633.460, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, sob a alegação de incompetência para apreciação de questões relativas à inconstitucionalidade, não acolher as razões contidas na manifestação de inconformidade, mantendose a não homologação da compensação realizada pelo contribuinte e exigindo o pagamento da COFINS relativa ao período de agosto/2006 acrescida de multa, juros e encargos de mora. Cientificado desta decisão em 03.10.2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF em 20.10.2011. Tal recurso foi apreciado e provido em parte pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sessão de 19.07.2012, com acórdão de nº 380201.186 assim ementado: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.924274/200908 Acórdão n.º 3002000.071 S3C0T2 Fl. 91 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em 06.11.2013 foi determinado o encaminhamento dos autos à DRJ/CTA para análise. Em novo julgamento, a 3ª Turma da DRJ/CTA manteve o não acolhimento das razões contidas na manifestação de inconformidade apresentada, mantendose a não homologação da compensação em litígio. Desta vez, as razões da negativa se fundaram na ausência de qualquer prova material apresentada pelo contribuinte, comprometendo a liquidez e certeza do crédito tributário. Invocouse o disposto no art. 74 e seus §§, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº10.637/2002, c/c os arts. 4º e 26, §§1º e 2º da IN SRF nº600/2005, bem como o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº70.235/1972, dentre outros dispositivos. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.924274/200908 Acórdão n.º 3002000.071 S3C0T2 Fl. 92 4 O contribuinte foi cientificado do conteúdo da nova decisão em 12.11.2014 por meio de correspondência com AR. (fls 70) Em 08.12.2014, apresentou novo Recurso Voluntário ao CARF, alegando em sua defesa que: a) Se a DRJ/CTA entendeu não suficientes os documentos apresentados para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deveria intimar o contribuinte a apresentar a documentação hábil, por meio de diligência, e não simplesmente negar de plano o requerimento formulado; b) Houve afronta ao princípio da verdade material e cerceamento do direito de defesa; c) Que não se pode cogitar alegar a inadmissibilidade dos novos documentos ora apensados aos autos, vez que o CARF já tem se manifestado pela possibilidade de juntada de documentos em fase recursal; d) Seja homologada a declaração de compensação em litígio, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. I Do ônus probatório e da preclusão. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.924274/200908 Acórdão n.º 3002000.071 S3C0T2 Fl. 93 5 A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em estudo, ao declarar que o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 999,481, o contribuinte reconhece ter emitido declarações contraditórias ao fisco, dando azo à não homologação da compensação durante a etapa de verificação eletrônica. 1 Trecho extraído da Manifestação de Inconformidade, fl. 13. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.924274/200908 Acórdão n.º 3002000.071 S3C0T2 Fl. 94 6 Ocorre, contudo, que até a decisão de primeira instância o contribuinte não apresentou qualquer prova documental que evidencie a efetiva inclusão de receitas financeiras na apuração da COFINS referente ao mês de maio/2003, comprometendo a análise do direito ao crédito utilizado na compensação e prejudicando o andamento processual. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos juntamente com a impugnação. No presente caso, deveria o contribuinte ter produzido suas provas por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade. A desobediência a este comando enseja a preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual. Nessa senda, a divergência entre as declarações apresentadas pelo contribuinte ao fisco (DCTF e DCOMP), combinada com a falta de apresentação de provas documentais da certeza e liquidez do crédito tributário no momento oportuno, dificultou a análise da autoridade fiscal, ofendendo aos princípios da celeridade e da economicidade processual. Não há comprovação do atendimento a qualquer dos requisitos previstos nas alíneas a) a c) do §4º do art. 16 do DEL 70.235/72, que permitiriam justificar a admissão de novas provas documentais neste momento processual. Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Pelo exposto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que caberia ao fisco o impulso para a produção de provas da certeza e liquidez do direito creditório pretendido. Isso porque, por ocasião da manifestação de inconformidade, o interessado sequer apresentou indícios da efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. Tivesse o contribuinte apresentado alguma prova de liquidez e certeza do direito alegado junto à manifestação de inconformidade, ainda que insuficiente por si só, admitirseia, em homenagem ao princípio da verdade material, a juntada de novas provas no mesmo sentido em fase recursal. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.924274/200908 Acórdão n.º 3002000.071 S3C0T2 Fl. 95 7 Portanto, não se pode conhecer de provas trazidas ao processo somente em fase recursal, sob pena de afronta aos demais princípios e normas que regem o processo administrativo fiscal. II Da Não Comprovação da Certeza e Liquidez do Crédito Pleiteado nos autos do PAF. Tendo em vista que a preclusão do direito de produção de novas provas, em momento posterior à manifestação de inconformidade, ainda é objeto de divergência entre conselheiros, a fim de evitar a interposição de novos recursos, comprometendo ainda mais a celeridade e a eficiência do processo administrativo, este julgador analisou os documentos trazidos pelo contribuinte junto ao Recurso Voluntário. No presente caso, ainda que admitida fosse a apresentação de provas documentais juntamente com o Recurso Voluntário, deixou o contribuinte de anexar documentos que comprovem que as receitas financeiras relativas ao período de maio/2003 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo período. Vejamos. Foram apresentados, juntamente com o Recurso Voluntário: a) Planilha de Cálculo da COFINS; b) Razão Analítico da Conta "RENDAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS"; c) Ficha da DIPJ 2004 contendo detalhes da apuração da COFINS do período em questão. Destacase que planilhas, declarações ou demonstrativos elaborados ou preenchidos pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo e confirmem a sua exatidão, não possuem força probatória para constituir direito creditório oponível à fazenda pública. Ocorre, contudo, que valor do recolhimento da COFINS, referente ao período de maio/2003, declarado na Planilha de Cálculo da COFINS (R$2.231,42, fl. 82), diverge daquele informado na DCOMP em relação ao mesmo período. Há, ainda, divergência entre as bases de cálculo da COFINS sobre o faturamento do período informadas na planilha (R$41.064,82, fl. 82) e na ficha 26A da DIPJ 2004 (R$74.380,74, fl. 85). Resta, portanto, materializada a inexatidão dos demonstrativos apresentados, comprometendo sua força probatória. Assim, não restou provado nos autos que as receitas financeiras relativas ao período de maio/2003 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo período, razão pela qual não foram comprovadas a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.924274/200908 Acórdão n.º 3002000.071 S3C0T2 Fl. 96 8 Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001185/2005-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2002
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1002-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente IMPÉRIO NEGÓCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 85 /2 00 5- 40 Fl. 58DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 37 à 41) interposto contra o Acórdão n° 1616.620, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (efls. 23 à 28), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa moratória prevista na legislação pertinente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se configura denúncia espontânea o cumprimento de obrigação acessória, após decorrido o prazo legal para seu adimplemento, sendo devida a multa indenizatória decorrente da impontualidade do contribuinte. Lançamento Procedente Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Por representar acurácia no resumo dos fatos apresentados em primeira instância, peço vênia para transcrever os termos do relatório da decisão da DRJ de origem, os quais estribaram os pleitos da Contribuinte: Por meio do Auto de Infração cuja cópia encontrase à fl. 06, do qual a contribuinte foi cientificada em 28/06/2005, conforme cópia do AR à fl. 17, foilhe exigido o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 14.298,22, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente aos 1° , 2°, 3° e 4° Trimestres do anocalendário de 2002. (...) Inconformada com a autuação, a interessada, por intermédio de seu procurador (procuração à fl. 7), apresentou, em 18/07/2005, a impugnação de fls. 01/05. Com base nos artigos 156 e 138 do Código Tributário Nacional (CTN), a contribuinte defende que a penalidade imposta não é aplicável ao caso, uma vez que teria ocorrido a denúncia espontânea, porquanto a Impugnante não foi intimada da não entrega da declaração, tendo apresentado posteriormente a referida declaração, bem como realizou o recolhimento do imposto devido. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 16327.001185/200540 Acórdão n.º 1002000.037 S1C0T2 Fl. 3 3 Entende a impugnante que no artigo 38 do CTN, o legislador procurou propiciar aos contribuintes a oportunidade de adimplir seus tributos e obrigações em atraso, sem a necessidade do Estado intervir administrativamente ou judicialmente, bastando a denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento, se for o caso, para ter elidida sua responsabilidade, ficando assim livre da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Sustenta, ainda, ocorrência de ilegalidade decorrente da aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória (oriunda do atraso na entrega da DCTF). Essa sustentação foi fundamentadamente afastada no juízo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: No presente caso, não se discute o fato de a interessada haver apresentado as Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF, referentes aos 1° , 2°, 3° e 4° Trimestres do anocalendário de 2002, fora do prazo fixado para o cumprimento dessa obrigação acessória, pois a apresentação das citadas D.C.T.F. ocorreu em dezembro/2003, portanto a destempo. Entende a impugnante que a apresentação espontânea das DCTF acompanhada dos pagamentos dos tributos devidos exclui a responsabilidade pelo descumprimento da obrigação acessória (entrega da DCTF após o prazo de vencimento). Não é demais lembrar que o artigo 113 do CTN dispõe, em seu § 2°, que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. (...) Fl. 60DF CARF MF 4 Vêse que a multa punitiva é aquela que tem origem em procedimento de oficio da autoridade fiscal, decorrente da constatação de que o contribuinte praticou infração à legislação tributária (como omitir receitas, utilizar documentos inidôneos, dentre outras). Ela é mais severa do que a multa compensatória e tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, onde a iniciativa do contribuinte, oportuna (antes do fisco) e formal, faz cessar o motivo de punir. Já a multa compensatória, mais branda que a punitiva, objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de atraso do cumprimento de uma obrigação que lhe é devida. Tratase de acréscimo de caráter compensatório, posto que é comparável à indenização prevista no direito civil. É aquela que decorre da impontualidade do cumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), que já é do conhecimento do fisco e é normalmente informada pelo contribuinte em virtude de disposição legal. Quando o contribuinte deixa de cumprir uma obrigação acessória, o fisco fica prejudicado quanto ao bom andamento de seus serviços, elevando a carga de trabalho referente aos controles, pesquisas e cobranças, e isso tudo implica em mais custos. Vêse que o atraso no cumprimento de uma obrigação acessória redunda em prejuízo para o fisco. Daí é que a multa pelo atraso na entrega da DCTF é meramente compensatória, não podendo, portanto, ser excluída pela denúncia espontânea. Ainda, a denúncia espontânea deve atender ao princípio geral da purgação da norma, que tem valor de reparação e cumprimento. Ao atingir o contribuinte em mora, impede a exigência da multa de oficio, cabendolhe apenas a exigência da multa de mora, demonstrando haver uma gradação na imposição de penalidades. Dispensar a multa pelo atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias significa anular este efeito de gradação das penalidades, colocando em igual situação 0 contribuinte que cumpriu suas obrigações no prazo estabelecido em Lei, e o que o fez a destempo. (...) Pelo já exposto, inferese que acolher o alcance e interpretação dados pela impugnante ao artigo 138 do CTN significa estabelecer a injustiça fiscal em relação aos demais contribuintes que cumprem tempestivamente suas obrigações tributárias, equivalendo, pois, ao incentivo e anuência à prática da desobediência aos prazos fixados pela legislação tributária, e de forma mais genérica, ao descumprimento de obrigações acessórias. De arremate, no que cinge às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Por fim, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Fl. 61DF CARF MF Processo nº 16327.001185/200540 Acórdão n.º 1002000.037 S1C0T2 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17878.000093/2007-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. COVERGÊNCIA.
Não se pode conhecer o recurso cujo acórdão recorrido e paradigmas apresentados convergem em seu posicionamento quanto à necessidade de DCOMP para a fomalização de compensações a partir da Medida Provisória n. 66/2002, não podendo se estabelecer a divergência simplesmente quanto à diferença entre os fatos subjacentes a ambos julgamentos, o que denotaria, inclusive, a ausência de similitude fáctica requerida.
Numero da decisão: 9101-003.475
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Recorrente VIAÇÃO CIDADE DO AÇO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. COVERGÊNCIA. Não se pode conhecer o recurso cujo acórdão recorrido e paradigmas apresentados convergem em seu posicionamento quanto à necessidade de DCOMP para a fomalização de compensações a partir da Medida Provisória n. 66/2002, não podendo se estabelecer a divergência simplesmente quanto à diferença entre os fatos subjacentes a ambos julgamentos, o que denotaria, inclusive, a ausência de similitude fáctica requerida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 00 93 /2 00 7- 31 Fl. 950DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase da não homologação de compensações de IRPJ e CSLL para a recuperação de saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2002 pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda RJ (Efls. 359 ss.), fundamentada basicamente na decadência e inexistência do crédito, conforme relatado pela decisão de primeira instância, que ora se aproveita: "Relatório I) Das compensações declaradas 1. Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório proferido pela DRF/Volta RedondaRJ, em 21/02/2008, que não homologou compensações de débitos de IRPJ e CSLL, vinculadas a direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2003, ano calendário 2002, no valor de R$ 92.833,22, informadas nas Declarações de Compensação a seguir relacionadas: (...) 2. As DCOMP retificadas pela interessada, cujos campos encontramse "acinzentados" na planilha do item anterior, foram excluídas da presente análise, sendo considerados tãosomente os débitos indicados nas DCOMP não retificadas e retificadoras. II) Do despacho decisório 3. Os fatos e fundamentos jurídicos consignados no referido Despacho Decisório (fls. 344/348), são, em suma, os seguintes: 3.1. por meio da entrega da DCOMP eletrônica n° 30494.96216.301003.1.3.020292 (fls. 72/78), posteriormente retificada pela de n° 22654.46472.210907.1.7.023693 (fls. 147/158), a interessada pretende que sejam homologadas as compensações dos débitos informados nas DCOMP relacionadas anteriormente; 3.2. quanto a tempestividade do pedido, consoante dispõe o art. 168 do CTN, o direito para que o sujeito passivo requeira a restituição de pagamentos indevidos ou a maior nasce a partir da extinção do crédito tributário correspondente e é extensível pelo prazo de 5 (cinco) anos, não sendo mais exercitável após o seu transcurso; 3.3. no caso em questão, em que a interessada optou pelo lucro real anual, a apuração do débito efetivo de IRPJ e CSLL se dá no encerramento do exercício (em 31 de dezembro), começando o prazo a fluir em 10 de janeiro do ano seguinte ao da apuração; 3.4. nesse sentido, a interessada apresentou, em 30/10/2003, Declaração de Compensação (fls. 72/78), informando como crédito o saldo negativo do exercício de 2003 em prazo inferior a 5 (cinco) anos, portanto, tempestivamente; Fl. 951DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 4 3 3.5. o saldo negativo informado na ficha 12A, linha 18, da DIPJ (fls. 60), no valor de R$ 92.833,22, é composto das seguintes parcelas: Imposto de Renda Retido na Fonte linha 13 (R$ 19.190,85), Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público linha 14 (R$ 34.326,48) e Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa linha 16 (R$ 74.498,82); 3.6. quanto às retenções, tomouse como base o rol da ficha "IRPJ Retido na Fonte" informado na DCOMP n° 22654.46472.210907.1.7.023693 (fls. 149/153), o qual foi utilizado para confronto, seja com as informações do Sistema SIEF/DIRF (fls. 241/269) seja com os comprovantes de rendimentos que informam as retenções na fonte ocorridas no período (fls. 274/339), tendo a interessada como beneficiária, 3.7. dessa análise resultou na elaboração das tabelas de fls. 345/346, intituladas "Retenção Efetuada por Orgão Público" e "Retenção Efetuada por Pessoa Jurídica", que reproduzem as informações sobre os valores das retenções contidas na mencionada DCOMP, no Sistema SIEF, nas DIRF e nos comprovantes de rendimentos, além de consignar o valor da retenção admitido; 3.8. na apuração das retenções efetuadas pelos órgãos públicos utilizou o autor do Parecer os percentuais previstos na Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 23/2001 (fls. 239/240), vigente época da ocorrência dos fatos geradores; 3.9. as retenções consideradas comprovadas, efetuadas por pessoas jurídicas (linha 13, ficha 12A) e por órgãos públicos (linha 14, ficha 12A) totalizam, assim, R$ 8.263,11 e R$ 9.908,40, respectivamente; 3.10. no que concerne à comprovação do IRPJ por estimativa, tomandose como referência a ficha 11 da DIPJ/2003 — "Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa" (fls. 56/59) — notase que foram apurados débitos, sob o código 2362 (IRPJ — PJ Obrigadas ao Lucro Real — Entidades não Financeiras — Estimativa Mensal), para os meses de setembro, outubro e novembro/2002; 3.11. da consulta às respectivas DCTF (fls. 160/162), observase que: a) a estimativa do período de apuração setembro/2002 vinculase à compensação com saldo negativo de período anterior (PA: 31/12/1996); b) para a estimativa outubro/2002 não há crédito vinculado, restando, por conseguinte, saldo a pagar; c) a estimativa novembro/2002 vinculase a duas espécies de créditos, quais sejam, pagamento via DARF, no valor de R$ 926,35, e compensação mediante entrega da DCOMP n° 27644.37279.280307.1.7.027435, no valor de R$ 8.467,31, restando, então, o saldo a pagar de R$ 35.541,75; 3.12. com respeito à estimativa setembro/2002, concluise que, por decurso do prazo de 5 (cinco) anos, operouse a decadência do direito de a interessada pleitear essa compensação mediante a utilização do saldo negativo do exercício 1997, ano calendário 1996; 3.13. intimada a esclarecer a forma de utilização do saldo negativo do exercício 1997 (fls.167/168), a interessada apresentou demonstrativos (fls.274/278), esclarecendo sobre a impossibilidade de apresentação dos documentos que respaldam a apuração desse saldo negativo (fls. 273); 3.14. o débito de outubro/2002, por sua vez, não se encontra extinto por nenhuma das formas admitidas, razão pela qual o valor de R$ 14.499,64 restou glosado do Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (linha 16); 3.15. o débito relativo ao período de apuração novembro/2002 foi parcialmente quitado, seja por pagamento, devidamente confirmado, inclusive quanto à sua disponibilidade, conforme extratos do Sistema SIEF/FISCEL (fls. 341 e 342), Fl. 952DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 5 4 seja mediante compensação por intermédio da DCOMP n° 27644.37279.280307.1.7.027435, em conformidade com as novas regras pelas quais as compensações de débitos de mesma natureza foram igualadas às demais compensações e todas submetidas à homologação da Receita Federal (art. 74, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002; 3.16. por conseguinte, procedeuse, no período de apuração novembro/2002, à glosa do Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (linha 16), no valor de R$ 35.541,75; 3.17. deve ser esclarecido que, por força dos citados dispositivos legais, não mais é admitido, a partir do 4o trimestre de 2002, a compensação de débitos, ainda que de mesma natureza, com saldos negativos de exercícios anteriores, logo não assiste razão a interessada em suas alegações de fls. 04/09; 3.18. concluise, pois, pela inexistência de saldo negativo a compensar, fato que resulta em imposto a pagar no montante de R$ 7.617,76, devendo ser salientado que, os débitos das declarações ativas antes relacionados encontramse confessados por força da Medida Provisória n° 135/2003, vigente a partir de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003; 3.19. outrossim, é indevida a cobrança consignada no Termo de Intimação n° 00416100 (fls. 272), de 28/11/2007, pois os débitos de IRPJ por estimativa nele discriminados já foram objeto de glosas por ocasião da reconstituição do imposto anual a pagar, motivo pelo qual deve ser cancelada a referida cobrança no que tange aos débitos de IRPJ por estimativa dos períodos de apuração novembro e dezembro/2002; 3.20. em face do exposto, decidiu a Sra. Delegada da DRFNolta RedondaRJ por: a) não homologar as compensações dos débitos referidos, em razão da inexistência de direito creditório; b) exigir, com base nos artigos 26, § 4°, e 29, da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, por meio de Carta de Cobrança DARF, os valores confessados e indevidamente compensados, com a data de vencimento corrigida, com o acréscimo dos encargos moratórios; c) cancelar a cobrança dos débitos de 1RPJ por estimativa, discriminados no Termo de Intimação n° 00416100, emitido em 28/11/2007." A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (Efls. 399 ss.) com as razões resumidas pelo relatório da decisão de primeira instância, o qual novamente se aproveita nesta oportunidade: " 4.1. as compensações originaramse de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, formado por excessos em sua retenção feita por órgãos públicos, bem como por excessos na apuração do 1RPJ sob o regime de estimativa; 4.2. a DRF/Volta RedondaRJ glosou tais compensações, fundamentando sua decisão em duas suposições: ocorrência de decadência do direito de pleitear a compensação e inexistência de recolhimentos indevidos passíveis de compensação; 4.3. quanto à decadência, tecendo considerações acerca da disposições dos artigos 150, § 1 0 , 156, inciso II, 168, 170 e 172 todos do CTN, sustenta que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Fl. 953DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 6 5 Justiça — STJ tem mantido entendimento segundo o qual, na ausência de homologação expressa, o prazo somente se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, pois é neste momento que se considera extinto o crédito tributário; 4.4. acrescenta, ainda, que, com isso, na prática, temse 10 (dez) anos para a repetição, 5 (cinco) dos quais relativos homologação tácita e 5 (cinco) de prazo decadencial propriamente dito; 4.5. o entendimento da DRFVolta RedondaRJ contraria frontalmente a posição adotada pelo STJ, na medida em que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, devendo, pois, submeterse ao prazo de 10 anos a que faz referência a jurisprudência do STJ; 4.6. tal posicionamento, que se apoia no prazo prescricional de 5 (cinco) anos para a compensação dos pagamentos indevidamente efetuados a titulo de IRPJ, recolhidos na sistemática de "retenção na fonte", afronta a jurisprudência pacificada do STJ e nega vigência aos artigos 156, inciso I, e 168, inciso I, do CTN; 4.7. assim, somente é possível admitirse a extinção do direito de pleitear a restituição ou compensação de indébito com base no artigo 168, inciso I, do CTN, dispositivo esse que possui interpretação peculiar em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação; 4.8. o termo final do prazo prescricional corresponde à data em que a Fazenda Pública homologa — expressa ou tacitamente — o pagamento efetuado pelo contribuinte, portanto, qualquer entendimento diverso conduziria o intérprete à ilegalidade e, por conseguinte, ao cerceamento do direito de o contribuinte obter a devolução/compensação de tributos indevidamente recolhidos; 4.9. sobre a suposta inexistência de créditos a compensar, outro argumento utilizado pela DRF/Volta RedondaRJ para não homologar as compensações realizadas, a Receita Federal deixou de considerar não só as retenções sofridas pela interessada, como também os excessos de recolhimento do IRPJ no regime de apuração por estimativa; 4.10. requer, para tanto, a produção de prova pericial, a fim de ser comprovada a existência dos créditos utilizados nas compensações indicadas nas PER/DCOMP antes discriminadas; 4.11. o artigo 2°, X, parágrafo único, da Lei n° 9.784/1999, concretiza os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, previstos no artigo 5 0, inciso LV, da Constituição Federal; 4.12. ante a complexidade das informações a serem processadas e a necessidade de se "cruzar" todas as informações constantes das DCTF, DIPJ, Notas Fiscais e Comprovantes de Retenção, somente a produção de prova pericial garantirá a interessada o regular exercício do contraditório e da ampla defesa; 4.13. reiterando, por fim, o pedido de prova pericial, requer a reforma do Despacho Decisório para o fim de que seja homologada a compensação realizada" Com o acórdão n. 1224.888 (Efls. 597 ss.), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I manteve o indeferimento da compensação, pela inexistência do crédito e decadência, contando com a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DISPENSA. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 7 6 Indeferese o pedido de perícia que não atende aos requisitos exigidos pelo Decreto n° 70.235/1972 (art. 16), que regula o Processo Administrativo Fiscal, o qual determina a nomeação de perito e a formulação de quesitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE TRIBUTOS COM SALDO CREDOR DE IRPJ APURADO NA DIPJ. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO IRRF E DOS PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. A inexistência de direito creditório de IRPJ informado na DIPJ/2003, passivel de compensação com débitos do próprio imposto e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, constatada em face da comprovação parcial, tanto das retenções efetuadas por pessoas jurídicas e por órgãos públicos, como do efetivo pagamento do imposto de renda mensal por estimativa, conduz a não homologação das compensações declaradas em PER/DCOMP. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Acórdão Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: I) Rejeitar a preliminar de realização de perícia; II) Não homologar as compensações de débitos indicadas nas Declarações de Compensação (PER/DCOMP) a seguir relacionadas, em razão da inexistência de direito credit6rio: (...)" O contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 620 ss.) defendendo, pontualmente, a aplicação do prazo decenal quanto à decadência (tese dos “cinco mais cinco”) e a existência do crédito compensado, com a apresentação de documentos. O recurso foi julgado pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que decidiu afastar a decadência, mas lhe negar provimento quanto ao mérito, com destaque para a exigência de DCOMP após Medida Provisória n. 66/2002, como sintetizado na ementa do acórdão n. 1102000.862 (Efls. 845 ss.), reproduzida a seguir: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118, de 2005. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, havido na sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar nº 118, de 2005, opera se a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal, e que para as ações ajuizadas anteriormente a este marco temporal o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador do tributo, na forma da Fl. 955DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 8 7 jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002 A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator." Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (E fls. 861 ss.), alegando divergência em relação aos acórdãos n. 1802001.217 e 1802 001.256 quanto à parcela da decisão que teria indicado que a partir da Medida Provisória n. 66/2002 a compensação deveria ser fomulada via declaração específica, entregue no seu caso concreto, o que deveria ser considerado por este colegiado. Finalmente, o recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 929 ss.) e a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões (Efls. 935 ss.) sustentanto a impossibilidade de conhecimento do recurso especial, uma vez que seria convergente com os acórdãos paradigmas, a despeito da contradição apresentada entre seu voto e relatório, bem como a necessidade de sua manutenção quanto ao mérito julgado, no que se refere aos saldos negativos, à formalização via DCOMP e demais argumentos que fundamentaram a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da contribuinte. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os Fl. 956DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 9 8 demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, de fato, observase que apesar de o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Volta Redonda e da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro partirem da existência de DCOMPs originais e retificadoras como inclusive mencionado pelo relatório do acórdão recorrido e, coerentemente, não terem questionado a não apresentação das referidas declarações exigidas após a edição da Medida Provisória n. 66/2002, a verdade é que este foi o fundamento de decidir que prevaleceu na decisão ora atacada. Realmente, o despacho de admissibilidade constatou a chamada contradição e, embora tenha reconhecido num primeiro momento que se estaria diante de uma convergência de entendimentos entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados, todos no sentido de que depois da publicação da citada MP exigese a apresentação de DCOMP, ao final, compreendeu que haveria divergência, porque "se é fato que as ementas têm o mesmo texto, não é menos fato que o substrato de cada um dos arestos é divergente, enquanto no recorrido a interessada teria cumprido com a determinação da entrega das DCOMP (conforme determinação da MP nº 66, de 2002), nos paradigmas a situação é oposta, com a ausência deste instrumento de compensação, sendo lícito concluir que, confirmada a presença das declarações de compensação no Ac. recorrido, as decisões não convergiriam." Para uma leitura mais completa, transcrevese o seguinte trecho: "De prefácio, o cotejo das ementas dos acórdãos confrontados mostra convergência e não dissidência (como pretende a recorrente). De fato, tanto a súmula do recorrido quanto a síntese dos paradigmas posicionam, com todas as tintas, que, 1. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do Fl. 957DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 10 9 encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. (recorrido) 2. A partir de 1º de outubro de 2002, com a entrada em vigor do artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 30/08/2002 (convertida na Lei 10.637, de 30/12/2002), não mais é possível realizar a chamada autocompensação, que era prevista no art. 66 da Lei 8.383/1991. Desta data em diante, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras da Lei 9.430/1996, especificamente aquela prevista no § 1º de seu art. 74, que exige a apresentação de Declaração de Compensação. (paradigmas) Portanto, sem maiores delongas, a admissibilidade do RE restaria negada. Acresçase a este entendimento, a dicção do voto condutor (fls. 803/804), verbis: “Não fosse a prejudicial que dissertarei a seguir caberia, então, a análise desses elementos. Ocorre que as estimativas em comento não mais poderiam ser compensadas pela Recorrente com saldo negativo de IRPJ na forma em que efetivada, isto é, unilateralmente, mediante registros contábeis ou extracontábeis, consoante permitia o artigo 66 da Lei 8.383, de 1991. (...) Com o advento da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o encontro de contas pelo próprio contribuinte (autocompensação), ainda que envolvidos tributos da mesma espécie, cedeu lugar a procedimento diverso, sendo necessária a apresentação ao Fisco da declaração correspondente. (...) Enfim, ainda que se apurasse a existência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, sua compensação com estimativas vencidas a partir de 1º de outubro de 2002 só seria eficaz mediante o instrumento da declaração de compensação, inexistente nos autos”. (destaques acrescidos) Todavia, melhor analisando o contexto em que prolatada a decisão recorrida, verificase que, salvo alguma falha, omissão ou engano no relatório que antecedeu o voto condutor, a recorrente teria apresentado as DCOMP exigidas. A transcrição literal do relatório do Acórdão (fls. 798) estampa e mostra o quadro: “Em foco recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta RedondaRJ, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito a título de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no anocalendário de 2002 e, consequentemente, deixou de homologar as compensações com débitos afetos a antecipações (estimativas) desse tributo e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados em julho a outubro de 2003; junho, outubro e novembro de 2004 e maio de 2005. A declaração de compensação inaugural foi entregue em 30/10/2003, seguida de outras que exteriorizam o mesmo indébito, incluindo retificadoras, cujas cópias foram juntadas às fls. 73/168. A unidade fiscal de Volta RedondaRJ houve por intimar a contribuinte para prestação de esclarecimentos, vindo aos autos a resposta e documentos de fls. 04/61 e 273/339. Referida autoridade fiscal exarou o despacho decisório de fls. 344/348 fundamentando a negativa de homologação do encontro de contas nos seguintes termos (...)”. (negritouse) Fl. 958DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 11 10 Vejase: há clara divergência entre o relatório e o voto, o primeiro expressamente recitando que “A declaração de compensação inaugural foi entregue em 30/10/2003, seguida de outras que exteriorizam o mesmo indébito, incluindo retificadoras, cujas cópias foram juntadas às fls. 73/168”, e o voto que decidiu a refrega expondo que, “ainda que se apurasse a existência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, sua compensação com estimativas vencidas a partir de 1º de outubro de 2002 só seria eficaz mediante o instrumento da declaração de compensação, inexistente nos autos”. Enfim, há ou não DCOMP entregues? Mais, pelo relatório, não apenas uma DCOMP foi apresentada, mas outras que se seguiram, incluindo retificadoras. Neste panorama, por princípio básico do direito, havendo dúvida, devese decidir favoravelmente àquele que foi acusado de cometer eventual delito. Deste modo, parece evidente a incongruência entre o relatório e o voto condutor do acórdão recorrido, o primeiro consignando a presença das DCOMP e o segundo assentando sua ausência, fato que levou à decisão pelo improvimento do recurso voluntário. Neste eito, sem entrar no mérito da discussão de fundo, inapropriada neste procedimento de cognição sumária no qual o que se busca é o convencimento de que existe divergência (ou não) entre a decisão exarada no Ac. recorrido e as que estão presentes nos paradigmas acostados, entendo que razão assiste à recorrente. E este convencimento se faz mesmo reconhecendo que os acórdãos antepostos têm a mesma dicção, ou seja, foram convergentes. Porém, à vista dos fatos e documentos presentes em cada um dos processos, parece certo que só foram convergentes em razão da incongruência atrás levantada entre o relatório e o voto exarado no recorrido. Em outro dizer, se presente a DCOMP, a decisão seria outra. A literal dissertação do voto condutor assim o mostra: “ainda que se apurasse a existência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, sua compensação com estimativas vencidas a partir de 1º de outubro de 2002 só seria eficaz mediante o instrumento da declaração de compensação, inexistente nos autos”. Ora, como retratado, pela leitura do relatório do Acórdão, tais declarações de compensação foram entregues: “A declaração de compensação inaugural foi entregue em 30/10/2003, seguida de outras que exteriorizam o mesmo indébito, incluindo retificadoras, cujas cópias foram juntadas às fls. 73/168”. Dizendo de outro modo, se é fato que as ementas têm o mesmo texto, não é menos fato que o substrato de cada um dos arestos é divergente, enquanto no recorrido a interessada teria cumprido com a determinação da entrega das DCOMP (conforme determinação da MP nº 66, de 2002), nos paradigmas a situação é oposta, com a ausência deste instrumento de compensação, sendo lícito concluir que, confirmada a presença das declarações de compensação no Ac. recorrido, as decisões não convergiriam. Por tais razões, visualizo a divergência aventada. Como o escopo do Recurso Especial é a uniformização da jurisprudência administrativa, e estando constatada a divergência suscitada, entendo cumpridos os preceitos estampados no artigo 67, § 5º, do Anexo II, do vigente RICARF. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 12 11 Assim, satisfeitos os requisitos de sua admissibilidade em relação à mencionada matéria, proponho seja DADO SEGUIMENTO ao recurso especial da contribuinte." (destaques do original) Como adiantado, de fato, o acórdão recorrido parece ter inovado na questão da exigência da DCOMP, antes não aventada nos autos, e principalmente ignorado a circunstância de haver sido registrada em diferentes partes e decisões a sua apresentação pela contribuinte. Vejase seu texto para melhor constatação: "Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda RJ, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito a título de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no ano calendário de 2002 e, consequentemente, deixou de homologar as compensações com débitos afetos a antecipações (estimativas) desse tributo e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados em julho a outubro de 2003; junho, outubro e novembro de 2004 e maio de 2005. A declaração de compensação inaugural foi entregue em 30/10/2003, seguida de outras que exteriorizam o mesmo indébito, incluindo retificadoras, cujas cópias foram juntadas às fls. 73/168. A unidade fiscal de Volta RedondaRJ houve por intimar a contribuinte para prestação de esclarecimentos, vindo aos autos a resposta e documentos de fls. 04/61 e 273/339. Referida autoridade fiscal exarou o despacho decisório de fls. 344/348 fundamentando a negativa de homologação do encontro de contas nos seguintes termos: a) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 19.190,85, não foi comprovado pela interessada. Todavia, considerouse a quantia de R$ 8.263,11 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços; b) o imposto de renda retido por órgãos públicos indicado na DIPJ, na importância de R$ 34.326,48, não foi comprovado pela interessada. Todavia, considerouse a quantia de R$ 9.908,40 correspondente ao percentual afeto ao imposto de renda no universo das retenções constantes das DIRFs apresentadas por ditos orgãos à conta do IRRF, CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), assim estabelecido na Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 2001; c) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na DIPJ, na ordem de R$ 15.063,77 em setembro, R$ 14.499,64 em outubro e R$ 44.935,41 em dezembro, só encontram comprovação de parte, pois, confrontadas com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do terceiro trimestre de 2002, apurouse que à antecipação de setembro foi vinculado crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, já decaído, aliado ao fato de que a interessada não apresentou documentação comprobatória deste crédito, bem assim, que para para a dívida de outubro nenhum crédito fora vinculado e, por Fl. 960DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 13 12 fim, que para a dívida de novembro vinculouse crédito de apenas R$ 9.393,66, efetivamente comprovado. Em decorrência, inexistiria qualquer saldo negativo, ao contrário, aflorou saldo de imposto a pagar, eis que as deduções efetivamente comprovadas são insuficientes para liquidar o imposto de renda do ano calendário (R$ 35.182,93) declarado na DIPJ. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade prevista no artigo 74, § 7º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentando, em síntese, que o prazo prescricional para repetir tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, segundo entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Pugnou, também, pela necessidade de perícia ante a necessidade de se “cruzar” todas as informações constantes da DCTF, DIPJ, notas fiscais e comprovantes de retenções Aquela 4ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo, indeferiu o pedido de perícia e, no mérito, confirmou o entendimento da autoridade fiscal, asseverando, ainda, que nenhum documento novo fora trazido pela interessada. Ciente do decisório em 23 de julho de 2009, fl. 601, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20 do mês seguinte no qual reprisa seus argumentos quanto à não ocorrência da decadência do direito de compensar indébitos fiscais dentro do prazo de dez anos, contados do fato gerador do tributo indevidamente recolhido, na linha de raciocínio pacificada no STJ. No tocante à ausência de comprovação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1996, utilizado para adimplir antecipações (estimativas) do ano calendário de 2002, aduz que esse indébito perfaz R$ 361.672,97 e não a importância apurada pela fiscalização. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. O recurso voluntário delimitou o litígio à questão da decadência do direito de repetição, bem assim, em relação às antecipações por estimativas que, no caso dos autos, referemse aos meses de setembro, outubro e novembro de 2002, cujo adimplemento teria se dado com saldo negativo de IRPJ de períodobase anterior, especificamente do anocalendário de 1996. Quanto à decadência, reconhecida pela autoridade fiscal acatada pela autoridade julgadora de primeira instância, filiome ao entendimento de que o pedido de restituição ou a restituição indireta (compensação tributária) condicionase ao disposto no artigo 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), cuja contagem se inicia na data do efetivo pagamento, modalidade extintiva do crédito tributário, e não da homologação do lançamento ditada pelo artigo 150, § 4º desse codex. Embora o Superior Tribunal de Justiça tenha sufragado a tese almejada pela defesa, no sentido de que dito marco é contado após os cinco anos fixados para o Fisco homologar o lançamento a que alude o artigo 150 do CTN (a tese dos cinco mais cinco), impera o fato de que o legislador complementar veio lançar a pá de cal nesta questão, a ver pelos artigos 3º e 4º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005. Referidos dispositivos assim se expressam: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem Fl. 961DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 14 13 prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. .................................................................................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” (ênfase acrescida) Como visto, o artigo 3º fixa que o prazo para a Fazenda Pública homologar lançamento derivado de pagamento antecipado não se confunde com o prazo, igualmente qüinqüenal, de contagem de decadência do direito de repetir. Referida norma é suficientemente objetiva e não deixa dúvida quanto ao requisito temporal de admissibilidade do pedido de reconhecimento do direito creditório, estipulando que o contribuinte tem um prazo de cinco anos contados da data em que o pagamento configurouse como indevido para formalizar a solicitação de sua restituição junto à unidade administrativa. Contudo, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no Recurso Extraordinário nº 566.621 RS, julgado em 04 de agosto de 2011 e publicado em 11 de outubro de 2011, relatora a Ministra Ellen Gracie, que a Lei Complementar nº 118/05 veio contrariar a orientação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 (dez) anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos artigos 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN, e embora tenha se autoproclamado interpretativa implicou inovação normativa, ou seja, inovou o mundo jurídico e deve ser considerada como lei nova. Também, que a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos, contado do pagamento antecipado, só se aplica às ações ajuizadas após o advento da lei complementar em foco, respeitado, ainda, o decurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias em que se permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela de seus direitos. Referido julgado operouse na sistemática da repercussão geral a que alude o artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC). Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, e que possui a seguinte dicção: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática Fl. 962DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 15 14 prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Considerando que a Recorrente busca suposto indébito fiscal exteriorizado em 31 de dezembro de 1996, data em que, como já dito, se realiza o balanço patrimonial da pessoa jurídica sujeita ao lucro regime do lucro real anual e na qual os recolhimentos das antecipações (estimativas e retenções na fonte) efetuadas ao longo do anocalendário podem consolidar a circunstância de pagamento a maior que o devido, temse que o prazo decadencial de repetição indireta (compensação) expirouse somente em 31 de dezembro de 2006, de sorte tal que seria tempestivo eventual encontro de contas efetuado em 2002. Já em relação à matéria de fundo, não há maiores entraves na compreensão de que a regra de apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando não exercida a regular opção pelo regime do lucro presumido, se dá nos trimestres civis do ano calendário mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. A apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 223 do RIR/99 que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Apurado o imposto e contribuição devidos no anocalendário, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, deles deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas, quais sejam, as parcelas do imposto de renda retido por fontes pagadoras de rendimentos e as estimativas regularmente adimplidas. Acaso a somatória de essas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto/contribuição a ser restituído ou compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de IRPJ ou CSLL; inversamente, afigurase o saldo de imposto ou contribuição a pagar. No caso dos autos deuse a glosa das pretendidas antecipações (setembro a novembro de 2002) calcada na decadência do direito de compensação dessas dívidas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996 e também pela falta de comprovação desse crédito. De plano, portanto, no que pertine a este segundo fundamento, equivocase a Recorrente em seu entendimento segundo o qual a fiscalização teria apurado valor diverso, pois, como, visto, em realidade nenhum valor fora por esta indicado ou encontrado. Vejase: “37. Vale registrar, que embora intimada (fls. 167/168) a apresentar a documentação relativa ao saldo negativo do ano calendário de 1996, a interessada trouxe, tão somente, os demonstrativos de fls. 274/278, informando, às fls. 273, que não se encontra mais de posse dos documentos correspondentes.” Avaliando, entendo que realmente não houve a comprovação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1996 e, assim, assiste razão à douta Turma Julgadora na assertiva de que os demonstrativos de fls. 274/278 não são conclusivos. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 16 15 Com efeito, referidas peças apenas indicam a utilização desse pretenso crédito ao longo dos anos de 1997 a 2001, não propiciando sequer aferir a existência de saldo disponível para o anocalendário de 2002. A propósito, com o recurso voluntário vieram nos quadros demonstrativos, fls. 694/698 expondo a incidência de juros mensais à taxa Selic, e com esses acréscimos remanesceria saldo para tanto. Todavia, a questão não é bem essa, ou não somente essa – saldo disponível – mas sim a efetividade do indébito do anocalendário de 1996, o que não restou atendida. Observo que a peça recursal trouxe documentos novos, quais sejam, os comprovantes de retenções na fonte de fls. 643/655 e os comprovantes de pagamentos de estimativas de fls. 674 e 676, tudo do ano calendário de 1996, além da argüição de adimplemento de parcelas de estimativas daquele período com saldo negativo de IRPJ de anos anteriores (1992 a 1995), assim acompanhada de comprovantes de recolhimentos (fls. 656 e seguintes). Não fosse a prejudicial que dissertarei a seguir caberia, então, a análise desses elementos. Ocorre que as estimativas em comento não mais poderiam ser compensadas pela Recorrente com saldo negativo de IRPJ na forma em que efetivada, isto é, unilateralmente, mediante registros contábeis ou extracontábeis, consoante permitia o artigo 66 da Lei 8.383, de 1991, que assim estipulava: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributo, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da Ufir.” (ênfase acrescida) Com o advento da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o encontro de contas pelo próprio contribuinte (autocompensação), ainda que envolvidos tributos da mesma espécie, cedeu lugar a procedimento diverso, sendo necessária a apresentação ao Fisco da declaração correspondente, a ver: “Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. ............................................................................... Art. 63. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de outubro de 2002, em relação aos arts. 31 e 49; Fl. 964DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 17 16 .........................................................................” (ênfase acrescida) Enfim, ainda que se apurasse a existência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, sua compensação com estimativas vencidas a partir de 1º de outubro de 2002 só seria eficaz mediante o instrumento da declaração de compensação, inexistente nos autos. Com tais razões, VOTO por afastar a decadência e, no mérito, pelo não provimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes" (destacouse) Ocorre que, apesar dessas verificações, entendo que o critério de decidir final do referido acórdão após manter o afastamento da decadência pela aplicação do prazo decenal e compreender prejudicada a análise da existência do crédito, aliás, diferentemente do que afirmado pela contribuinte em seu recurso, nos sentido de que isso já haveria sido confirmado pela autoridade julgadora foi a necessidade de DCOMP a partir da MP n. 66/2002 e a sua não apresentação no presente caso. Independentemente do acerto dessa decisão quanto ao mérito ou, especialmente, acerca dos fatos, penso que ela é exatamente convergente com os acórdãos paradigmas, impedindo o conhecimento do presente recurso especial. Divergência haveria se dois acórdão que reconhecessem a entrega de DCOMPS tivessem decisões no sentido de aceitálas ou não após a edição da MP, ou, ainda, se diante de dois casos sem DCOMPS um aceitasse a compensacao depois da sua publicação e outro não. Mas, no presente caso, os acórdãos recorrido e paradigmas são totalmente convergentes, uma vez que em todos eles se considerou necessária a apresentação de DCOMP depois da edição da MP n. 66/2002, não ocorrendo segundo as três decisões comparadas a não ser pela defendida distinção entre os fatos pela recorrente, nos termos do despacho de admissibilidade, de que na realidade haveria divergência porque neste caso teria sido entregue a DCOMP. No entanto, além de isso representar então, por imperativos lógicos, ausência de similitude fáctica entre os casos, o que por si só já impediria o conhecimento do recurso, penso que não obstante a realidade até então carreada ao longo do processo a que prevaleceu foi a colocada pelo acórdão recorrido de que não teria havido entrega da DCOMP, e isso não pode ser afastado em sede de exame de conhecimento. Mais do que isso, penso que mesmo que se considerasse, por suposição, que o acródão recorrido teria reconhecido a existência de DCOMP, o seu entendimento sobre a interpretação de uma legislação tributária seria o mesmo, e convergente, reiterase, com o dos acórdãos paradigmas, o que se alteraria apenas pelos fatos subsumidos, mas não geraria divergência para efeitos de conhecimento do recurso. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 17878.000093/200731 Acórdão n.º 9101003.475 CSRFT1 Fl. 18 17 Aliás, se realizado o exercício de aplicação do paradigma ao caso concreto, nada favoreceria à contribuinte, mas apenas o reconhecimento, por este colegiado, da efetiva apresentação de DCOMP, porém, como já desenvolvido, não se pode fazer isso em sede de exame de admissibilidade e conhecimento do recurso. Afinal, como se pode julgar no mesmo setindo do paradigma, mas se alterar o resultado porque se considera outra prova? Então não é recurso de divergência. Independentemente de uma medida de justiça, tecnicamente, não se pode pretender reformar o acórdão recorrido, via recurso de divergência, sobretudo para suprir a oposição de embargos de declaratórios para sanar eventual vício na decisão recorrida, não procedida pela contribuinte, quando tal ônus lhe pertencia. Assim sendo, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso especial. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 966DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.725757/2011-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CISÃO PARCIAL. TRANSFERÊNCIA DE BENS AVALIADOS A VALOR DE MERCADO. CONTRIBUINTE TRIBUTADO PELO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL.
De acordo com a previsão contida no art. 235 do RIR/1999, a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido que tiver parte de seu patrimônio absorvida por outra pessoa jurídica em virtude de cisão parcial deverá, se os bens transferidos forem avaliados a valor de mercado, considerar como ganho de capital tributável a diferença entre tal valor e o respectivo custo de aquisição dos bens.
Os valores acrescidos aos bens transferidos em razão de reavaliação somente poderiam ser considerados como parte integrante do seu custo de aquisição se fosse comprovado seu anterior oferecimento à tributação (art. 521, § 4º, do RIR/1999), o que sequer foi alegado no caso sob análise.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Ganho de capital. Recorrente ESTRELA DO SUL PARTICIPAÇÕES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CISÃO PARCIAL. TRANSFERÊNCIA DE BENS AVALIADOS A VALOR DE MERCADO. CONTRIBUINTE TRIBUTADO PELO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. De acordo com a previsão contida no art. 235 do RIR/1999, a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido que tiver parte de seu patrimônio absorvida por outra pessoa jurídica em virtude de cisão parcial deverá, se os bens transferidos forem avaliados a valor de mercado, considerar como ganho de capital tributável a diferença entre tal valor e o respectivo custo de aquisição dos bens. Os valores acrescidos aos bens transferidos em razão de reavaliação somente poderiam ser considerados como parte integrante do seu custo de aquisição se fosse comprovado seu anterior oferecimento à tributação (art. 521, § 4º, do RIR/1999), o que sequer foi alegado no caso sob análise. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 57 57 /2 01 1- 66 Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 3 2 convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte ESTRELA DO SUL PARTICIPAÇÕES LTDA. em 15/08/2014, com fundamento no art. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergências jurisprudenciais acerca de matérias relacionadas à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1102000.870, por meio do qual os membros da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida manteve os autos de infração lavrados pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que a contribuinte teria deixado de apurar e recolher IRPJ e CSLL sobre ganho de capital auferido em 30/04/2006, por ocasião da versão de parte do seu patrimônio, após processo de cisão parcial, para a empresa SATIPEL INDUSTRIAL S.A. (atualmente denominada DURATEX S.A.), então sua única sócia. A Fiscalização concluiu que a operação implicou na verificação de ganho de capital no valor de R$ 207.013.333,93, diferença entre o valor da parcela patrimonial vertida (R$ 210.556.248,00) e o custo original corrigido dos bens transferidos (R$ 3.542.914,07). Discordou, portanto, a autoridade lançadora da tese defendida pela contribuinte (que adotava, à época, o nome SATIPEL FLORESTAL LTDA.) no sentido de que a transferência teria se dado pelo exato valor contábil dos bens (aí consideradas as reservas de reavaliação) e que inexistiria, portanto, ganho de capital a ser tributado. O acórdão recorrido foi assim ementado: Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CISÃO. AVALIAÇÃO A PREÇO DE MERCADO NO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. No regime do lucro presumido, a pessoa jurídica que avaliar os seus bens a valor de mercado e tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá considerar como ganho de capital a diferença entre o valor de mercado dos bens transferidos e o seu respectivo custo de aquisição, e adicionar o referido ganho de capital à base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. A contribuinte foi intimada a respeito da decisão em 17/07/2013, por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico), e lhe opôs, em 22/07/2013, embargos de declaração tempestivos. Arguiu a existência de omissões, contradições e obscuridades que demandariam a retificação do julgado. Em despacho de 10/07/2014, o Conselheiro Relator da decisão embargada, que era também o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, rejeitou os embargos por entender que a embargante pretendia, na realidade, a mera rediscussão do mérito, inexistindo qualquer contradição, omissão ou obscuridade a ser sanada no Acórdão n° 1102000.870. Mesmo sem ser formalmente cientificada a respeito da rejeição de seus embargos, a contribuinte interpôs, em 15/08/2014, recurso especial insurgindose contra o acórdão que apreciou seu recurso voluntário, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pela contribuinte contesta a interpretação adotada pelo acórdão recorrido em relação a duas matérias: 1) tratamento tributário dado à reserva de reavaliação transferida por uma empresa tributada pelo lucro presumido a outra, tributada pelo lucro real, que continuou a realizar tal reserva à medida da realização dos bens reavaliados; e 2) diferenciação, em termos contábeis e tributários, entre as figuras da reavaliação de bens e da avaliação de bens a valor de mercado no âmbito de operações de cisão, fusão e incorporação. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a contribuinte apontou acórdão de turma de câmara do CARF que teria dado aos temas combatidos interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. No que toca à primeira matéria contestada (tratamento tributário dado à reserva de reavaliação transferida por cisão), a recorrente relata que o acórdão recorrido teria defendido que a reserva de reavaliação transferida de uma pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido a outra, tributada pelo lucro real, configuraria ganho de capital, uma vez que a previsão do art. 441 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999) somente seria aplicável a pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação pelo lucro real. Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 5 4 Ao assim concluir, a decisão recorrida teria entrado em conflito com o Acórdão nº 1103000.972, por meio do qual a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF formalizou o entendimento de que o art. 441 do RIR/1999 aplicase tanto às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real quanto às optantes pelo lucro presumido e que, portanto, em qualquer destas situações a reserva de reavaliação transferida por cisão somente poderá ser tributada quando for realizada. Já em relação à segunda matéria questionada (diferenciação entre a reavaliação de bens e da avaliação de bens a valor de mercado), a contribuinte afirma que o acórdão recorrido considera que a reavaliação de bens, ainda que devidamente contabilizada em conta de reserva de reavaliação, corresponde à avaliação de bens a valor de mercado de que trata o art. 21, § 2º, da Lei nº 9.249/1995, reproduzido no art. 235 do RIR/1999. Segundo a recorrente, também no que toca a este tema o acórdão recorrido estaria em divergência com o mesmo paradigma nº 1103000.972. A decisão paradigma defenderia a tese de que somente existe ganho de capital em operações de cisão de sociedades quando o patrimônio é transferido a valor de mercado, isto é, em valor superior ao valor contábil do patrimônio da empresa cindida (o que não teria se verificado no caso concreto, em que houve mera transferência de ativos a valor contábil). Após defender a existência de divergências jurisprudenciais entre os acórdãos recorrido e paradigma, a recorrente retoma uma série de alegações anteriormente apresentadas em seu recurso voluntário, que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: O item 17 da Exposição de Motivos do DecretoLei nº 1.598/1977 deixa claro que o legislador teve a intenção de que os ganhos de capital, especialmente as reservas de reavaliação de bens, somente pudessem ser tributados quando realizados. Já os arts. 52 e 54 da Lei nº 9.430/1996 trouxeram regras específicas para os contribuintes tributados pelo regime do lucro presumido, permitindolhes a reavaliação de bens, de modo harmônico com o Decreto Lei nº 1.598/1977; O art. 52 da Lei nº 9.430/1996 deixa claro que a regra da neutralidade fiscal da reserva de reavaliação vale também para o regime de tributação pelo lucro presumido porque, ao estabelecer que a reavaliação não compõe o custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital, reconhece, de forma indireta, que a reavaliação só produz efeitos fiscais quando efetivamente realizada; Se vingasse o entendimento adotado pelo acórdão recorrido, o fato gerador do IRPJ e da CSLL teriam ocorrido em anoscalendário anteriores a 2006 porque: (i) em relação à reavaliação feita em 2000, teria havido a realização compulsória da reserva de reavaliação no primeiro trimestre de 2004, por conta opção da contribuinte pelo regime do lucro presumido (art. 54 da Lei nº 9.430/1996); e (ii) em relação à reavaliação feita em 2004, a tributação deveria ocorrer no último trimestre daquele mesmo ano, uma vez que a contribuinte já era optante pelo regime do lucro presumido; A Fiscalização não poderia lançar, com base na cisão parcial levada a efeito no anocalendário de 2006, tributos que deixaram de ser constituídos em exercícios anteriores. Não é possível que, passados muitos anos das reavaliações, o Fisco venha dizer que elas não poderiam ter sido feitas e que, por isso, só por ocasião da cisão é que teria ocorrido o fato gerador; Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 6 5 É totalmente equivocada a afirmação do acórdão recorrido de que não encontraria respaldo na legislação a possibilidade de constituição de reserva de reavaliação e sua respectiva escrituração, senão por pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real; A cisão pode ser promovida pelo valor contábil ou pelo valor de mercado dos bens transferidos, conforme lição do parecer assinado pelo Prof. Luciano Amaro. No caso concreto, a opção da contribuinte foi pela transferência a valor contábil, conforme atesta o Prof. Eliseu Martins em parecer; O art. 21 da Lei nº 9.249/1995, mencionado pelo acórdão recorrido, trata de avaliação de bens a valor de mercado, não da figura de reavaliação de bens. Se a operação de cisão é conduzida a valores de livros contábeis, como ocorreu no caso concreto, em que os bens foram vertidos e recebidos no processo de cisão pelos seus valores de custo, com destaque de suas respectivas reavaliações, não há que se falar em ganho de capital, mormente se as operações de reavaliação ocorreram anos antes do evento de cisão; Outro equívoco verificado no acórdão recorrido referese à afirmação de que o art. 441 do RIR/1999 teria sua aplicação restrita às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. Tratase de norma meramente interpretativa, que já era adotada havia anos por conta do Parecer Normativo CST nº 6/1985. Aplicandose também às empresas tributadas pelo lucro presumido, este artigo deixa claro que a fusão, a incorporação e a cisão não são formas de realização da reserva de reavaliação; Assim, reservas de reavaliação ainda pendentes de tributação (porque ainda não realizadas), transferidas por operação que implique em sucessão universal, sem solução de continuidade, seguem recebendo, na sucessora, o mesmo tratamento tributário de que vinham gozando na sucedida; Independentemente do regime de tributação a que se submeta a contribuinte, enquanto a reserva de reavaliação estiver controlada na escrituração comercial da empresa, ela não será oferecida à tributação, podendo ser vertida para outra empresa, em virtude de cisão, sem o reconhecimento de ganho de capital na empresa cindida e sem que a empresa sucessora deva, de imediato, oferecêla à tributação; Se às empresas optantes pelo lucro presumido era facultado o registro, em sua contabilidade, do produto da reavaliação de bens e direitos, com contrapartida em reserva específica no patrimônio líquido, e se não se verifica sua realização em operações de cisão, incorporação ou fusão sem solução de continuidade, os lançamentos de ofício objeto dos presentes autos não podem subsistir; Para fins tributários, a reavaliação e a avaliação de bens a valor de mercado não se confundem; A reavaliação relacionase com a adequada compreensão do balanço e de reposição futura de bens, trazendoos a valores de reposição sem qualquer efeito fiscal, senão quando da efetiva realização do bem reavaliado (por depreciação, amortização, exaustão, alienação ou capitalização). Este procedimento tem como destinatário tãosomente a contabilidade societária (e não a futura transferência a terceiros) e, por isso, a legislação fixou sua neutralidade tributária até o momento em que for realizada; Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 7 6 Já a reavaliação de bens a valor de mercado permite que os contribuintes adotem, nas operações de cisão, incorporação, fusão, devolução de capital ou integralização de capital, o efetivo valor de mercado do bem, de modo que esta mais valia possa ser reconhecida, em definitivo, como ganho de capital por um lado (transmitente dos bens) e como custo de aquisição por outro (adquirente dos bens). Assim, não se encontra neste procedimento a neutralidade tributária que o legislador atribuiu à operação de reavaliação de bens; Além disso, as reavaliações em foco foram realizadas anos antes (2000 e 2004) da operação de cisão (2006), o que torna ainda mais óbvio que os bens não foram vertidos a valor de mercado. A contribuinte encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido para cancelar integralmente os autos de infração sob discussão. A irresignação da contribuinte foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 03/07/2015. O aludido despacho concluiu que não foi comprovado o dissídio jurisprudencial aludido pela recorrente em relação à matéria "tratamento tributário dado à reserva de reavaliação transferida por uma empresa tributada pelo lucro presumido a outra, tributada pelo lucro real, que continuou a realizar tal reserva à medida da realização dos bens reavaliados". Isso porque, primeiramente, os acórdãos recorrido e paradigma tratam de situações fáticas bastante distintas. No acórdão recorrido, os créditos discutidos foram lançados contra pessoa jurídica optante pelo regime de lucro presumido que teve parcela de seu patrimônio vertida para outra empresa por cisão parcial, enquanto o lançamento tributário discutido no acórdão paradigma foi realizado contra pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido que absorveu parcela de outra empresa, tributada pelo lucro real, em virtude de cisão parcial. Ou seja, em um caso o sujeito passivo é a sucedida; no outro, a sucessora. Além disso, o acórdão recorrido trata da tributação sobre ganho de capital relativo à diferença entre o valor dos bens vertidos a outra pessoa jurídica e seu custo de aquisição, sendo que tais bens passaram por reavaliação anterior, enquanto o acórdão paradigma discute o tratamento tributário dado à alienação, pela pessoa jurídica que recebeu bens vertidos via cisão parcial, destes mesmos bens. Neste último caso, a controvérsia gira em torno da natureza do produto desta alienação: ganho de capital ou receita decorrente da atividade operacional da empresa, tributada por meio da aplicação dos coeficientes de presunção específicos do regime de lucro presumido. O despacho afirma também que, se não bastassem as diferenças fáticas apontadas, ainda assim inexistiria colisão de entendimentos entre os acórdãos a respeito dos únicos pontos comuns aos dois julgados: ganho de capital e existência de bens reavaliados. O paradigma dispõe no mesmo sentido do recorrido ao concluir que uma pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido que avalie bens a valor de mercado na incorporação, cisão ou fusão, deve ser tributada em relação ao ganho de capital calculado pela diferença entre o valor reavaliado e o custo de aquisição dos bens, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.249/1995, reproduzido no art. 235 do RIR/1999. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 8 7 Por fim, o despacho aponta que o trecho transcrito pela contribuinte para fins de demonstração da existência de divergência jurisprudencial acerca da primeira matéria contestada foi retirado de uma parte do acórdão paradigma que faz uma digressão histórica acerca das reavaliações de ativos. Assim, as considerações transcritas seriam meramente ilustrativas, não guardando relação direta com os fundamentos da decisão. Já a respeito da segunda matéria objeto do recurso especial ("diferenciação, em termos contábeis e tributários, entre as figuras da reavaliação de bens e da avaliação de bens a valor de mercado no âmbito de operações de cisão, fusão e incorporação"), o despacho considera que os excertos do acórdão paradigma trazidos pela recorrente não demonstram a comparação e a diferenciação arguidas entre os conceitos apontados, além de terem sido reproduzidos de forma incompleta (o trecho completo de onde foram extraídos alcançaria a mesma conclusão defendida pelo acórdão recorrido). Assim, concluiu o despacho de exame de admissibilidade, devidamente aprovado pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF e ratificado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que as divergências jurisprudenciais arguidas não foram comprovadas, devendose negar seguimento ao recurso especial apresentado pela contribuinte. A contribuinte foi intimada em 14/08/2015 a respeito do despacho que negou seguimento ao seu recurso. Já em 01/09/2015, apresentou petição dando notícia do proferimento de decisão liminar nos autos do mandado de segurança nº 1005933 29.2015.4.01.3400, que determinara a admissão do recurso especial interposto nos presentes autos. Na petição inicial daquele mandamus, a contribuinte relatou que o mesmo procedimento de fiscalização realizado sobre ela dera origem a autuações fiscais tratadas em dois processos administrativos distintos: nº 10880.725757/201166 (o presente processo) e nº 10880.731573/201135. Apesar de os dois processos abordarem o mesmo tipo de operação (cisão parcial) e tratarem da mesma discussão jurídica (ganho de capital sobre a transferência de bens anteriormente reavaliados), os recursos especiais interpostos em cada um deles (praticamente iguais entre si, inclusive com a indicação do mesmo acórdão paradigma) tiveram destinos diferentes: o recurso juntado aos presentes autos teve seguimento negado; o juntado ao processo nº 10880.731573/201135 seguiu para julgamento pela CSRF. A contribuinte defendeu, na ação judicial, que o ato praticado pelo Presidente da CSRF (convalidação da negativa de seguimento do recurso) teria configurado ilegalidade, uma vez que estariam atendidos no presente processo os pressupostos legais de admissibilidade do recurso especial, a exemplo do que foi reconhecido em relação ao recurso apresentado no processo nº 10880.731573/201135. Além disso, a impetrante do mandado de segurança argumentou que a situação configurada afrontaria o princípio da segurança jurídica, já que poderia provocar a prolação de decisões finais conflitantes, pela mesma CSRF, a respeito do mesmo tema. O MM Juiz Federal da 15ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, em sede de análise preliminar, acatou os argumentos da contribuinte e deferiu, em 25/08/2015, o pedido de liminar para determinar a admissão do recurso especial interposto nos presentes autos administrativos, conferindolhe o regular processamento no CARF. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 9 8 Posteriormente, em 03/05/2016, o mesmo Juízo concedeu em sentença a segurança pleiteada, confirmando a liminar. A União apelou contra a sentença em 13/05/2016, segundo informação constante do andamento processual do mandado de segurança nº 100593329.2015.4.01.3400, disponível para consulta no sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Posteriormente, em 13/09/2016, os autos foram remetidos àquele Tribunal Regional Federal, onde aguardam o julgamento da referida apelação. Em razão do provimento judicial obtido pela contribuinte, novo despacho de admissibilidade de seu recurso especial foi prolatado em 24/08/2016, determinandose a remessa dos autos à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para oferecimento de contrarrazões e a posterior distribuição para julgamento pela 1ª Turma da CSRF. Em 30/08/2016, os autos foram eletronicamente remetidos para a PGFN para fins de ciência da interposição de recurso especial pela contribuinte, assim como de sua admissão, nos termos dos art. 70 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, foram apresentadas, em 01/09/2016, contrarrazões às alegações da recorrente. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pela Fazenda Nacional: O fato gerador considerado pela Fiscalização é o ganho de capital auferido na transferência de bens e o ponto central de discussão do presente processo é saber se a contribuinte poderia ter incluído, no custo de aquisição dos bens transferidos, o valor correspondente às reavaliações registradas em sua contabilidade; O art. 441 do RIR/1999, reiteradamente invocado pela recorrente, só seria aplicável se a recorrente fosse tributada pelo lucro real, o que não é o caso; A cisão configura evento capaz de produzir ganho tributável para as pessoas jurídicas, tanto que o parágrafo único do art. 522 e o caput do art. 235, ambos do RIR/1999, expressamente elencam a cisão como ato societário relevante para a apuração de IRPJ; O § 4º do art. 235 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido que escolher avaliar seus bens a valor de mercado deverá adicionar à base de cálculo do IRPJ e da CSLL a diferença entre tal valor e o custo de aquisição dos bens, considerado ganho de capital; Apesar de a contribuinte afirmar que seus bens foram transferidos, por ocasião da operação de cisão parcial, por valores contábeis, os valores de transferência foram muito superiores aos originalmente constantes dos registros contábeis da empresa; A opção da contribuinte pela reavaliação de seus ativos, registrada em seu patrimônio líquido, representa o abandono do custo original meramente corrigido e a adoção do valor de mercado como critério para sua avaliação, ainda que tal reavaliação não seja feita por ocasião da transferência efetiva dos bens; No regime de tributação com base no lucro presumido, os contribuintes não estão impedidos de efetuar a reserva de reavaliação em sua contabilidade, mas esta não pode ser oposta ao Fisco. Nesta forma de tributação, a reserva de reavaliação é tratada como ganho Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 10 9 de capital, a não ser que já tenha sido anteriormente tributada, conforme dispõe o § 4º do art. 521 do RIR/1999; Não prospera a alegação da recorrente de que seria inaplicável ao caso concreto o art. 521, § 4º, do RIR/1999 porquanto este teria como pressuposto a realização da reserva. O dispositivo legal não trata desta circunstância; A existência de ganho de capital é passível de apuração sempre que houver a transferência da titularidade de bens, seja a que título for, exceto se houver expressa ressalva legal; No caso concreto, são plenamente aplicáveis os mandamentos do art. 521, § 4º, e do art. 235, § 4º, ambos do RIR/1999, uma vez que os bens foram vertidos pela recorrente à incorporadora não pelo custo de aquisição, mas pelo valor ajustado com a reserva de reavaliação no montante de R$ 210.556.248,00. Por conta de tudo que expôs, a PGFN pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Turma a quo. Os autos seguiram então para a CSRF para o julgamento do recurso especial. Na sessão de julgamento, realizada em 04/10/2017, prevaleceu na 1ª Turma da CSRF o entendimento de que as decisões judiciais até então proferidas nos autos do mandado de segurança nº 100593329.2015.4.01.3400 teriam sido integralmente cumpridas com o encaminhamento do recurso especial interposto pela contribuinte para julgamento pelo colegiado da CSRF, sem que isso restringisse a possibilidade, regimentalmente atribuída ao colegiado, de nova apreciação a respeito do conhecimento do recurso. Tal tese fundamentouse nos seguintes argumentos, devidamente expostos no voto condutor da decisão: a) A contribuinte apontou como ato coator, em conformidade com a Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), a decisão monocrática do Presidente da Turma a quo, confirmada por decisão monocrática do Presidente da CSRF, que negou seguimento ao seu recurso especial. O ato coator apontado não guarda, portanto, relação com o Acórdão da CSRF que porventura viesse a não conhecer do recurso; b) Também em conformidade com a legislação que rege o writ do mandado de segurança, a impetrante apontou como autoridades coatoras o Presidente da Turma a quo e o Presidente da CSRF, que não se confundem, obviamente, com o colegiado da CSRF; c) O mandado de segurança impetrado pela contribuinte é do tipo repressivo, pois se insurge contra os despachos monocráticos que impediram a chegada do recurso especial à Turma da CSRF. O feito judicial não poderia, portanto, se dirigir contra um ato que ainda não havia sido praticado à época de sua impetração, qual seja um eventual Acórdão da CSRF que viesse a negar conhecimento ao recurso especial (para tanto, deveria ter sido impetrado um mandado de segurança preventivo); d) Tanto a decisão liminar quanto a sentença determinaram à autoridade coatora que admitisse o recurso especial interposto nos presentes autos, conferindolhe regular Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 11 10 processamento no CARF. A determinação judicial foi cumprida por meio da remessa do recurso especial para julgamento pelo colegiado da CSRF. O regular processamento de um recurso especial inclui a apreciação, pela Turma da CSRF, não só de seu mérito, mas também de seu conhecimento (mesmo que se decida, neste particular, contrariamente à decisão monocrática que encaminhou tal recurso para julgamento); e) No processo administrativo nº 10880.731573/201135 (em cujos autos foi deferido o seguimento ao recurso especial da mesma contribuinte, nas mesmas circunstâncias fáticas e com base no mesmo acórdão paradigma), a decisão do colegiado da CSRF foi pelo não conhecimento do recurso. Dessa forma, cessou a situação que fundamentou a prolação das decisões judiciais no mandado de segurança nº 100593329.2015.4.01.3400: existência de decisões divergentes no âmbito do contencioso administrativo; f) Com a decisão colegiada pelo não conhecimento do recurso especial interposto no processo nº 10880.731573/201135, o conhecimento do recurso especial apresentado nos presentes autos exclusivamente por força de uma decisão judicial recriaria, de forma invertida, o problema apontado pela contribuinte em seu mandado de segurança: falta de tratamento isonômico na esfera administrativa. Desta forma, sagrouse vencedor o entendimento de que as decisões judiciais dirigidas contra o despacho monocrático que negou seguimento ao recurso especial interposto pela contribuinte, motivadas pela existência de outra decisão monocrática que tinha dado seguimento a recurso da mesma empresa em processo praticamente idêntico ao presente, não vinculava a Turma da CSRF no que toca ao conhecimento do recurso. Formada tal decisão, a 1ª Turma da CSRF efetivamente passou à discussão acerca do conhecimento do recurso especial em julgamento. Foram adotadas as mesmas razões de decidir expostas no Acórdão nº 9101002.264 para não conhecer do recurso especial apresentado nos presentes autos. Aquela decisão administrativa foi justamente a que negou conhecimento ao recurso especial interposto pela mesma contribuinte no processo nº 10880.731573/201135. O acórdão indicado como referência concluiu que o Acórdão nº 1103 000.972 (apontado como paradigma pela contribuinte nos recursos apresentados em ambos os processos) trataria de situação fática totalmente distinta daquela retratada na decisão recorrida. O acórdão recorrido trata de uma pessoa jurídica optante pelo lucro presumido que foi cindida parcialmente e, com fundamento no § 4º do art. 235 do RIR/1999, foi autuada por ter deixado de apurar ganho de capital na operação (os bens que compuseram a parcela cindida foram previamente reavaliados). Já o acórdão paradigma examina o caso de uma pessoa jurídica constituída a partir da cisão de uma empresa tributada pelo lucro real que, ao alienar bens imóveis recebidos, o fez considerando a receita correspondente como se fosse decorrente da sua atividade operacional, em divergência com o entendimento da autoridade tributária, que a autuou por não ter apurado ganho de capital nas alienações. Entendendo que não restaram caracterizadas as divergências suscitadas pela contribuinte no recurso especial protocolado no processo nº 10880.731573/201135, o Acórdão nº 9101002.264 negou conhecimento ao recurso. Pela mesma razão, considerando que as decisões recorridas nos dois processos tratavam de contexto fático praticamente igual, a 1ª Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 12 11 Turma da CSRF também negou conhecimento ao recurso interposto nos presentes autos, de nº 10880.725757/201166. O resultado do julgamento realizado em 04/10/2017 foi formalizado por meio do Acórdão nº 9101003.138, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGA SEGUIMENTO A RECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO DO CONHECIMENTO DO RECURSO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. O Mandado de Segurança se volta contra determinado ato coator (despachos monocráticos que analisam a admissibilidade do recurso), praticado por autoridades coatoras individualizáveis e perfeitamente identificáveis (Presidentes de Câmara a quo e da CSRF), não se confundindo com decisão colegiada de Turma da CSRF que julga o recurso especial em sua integralidade, inclusive apreciando o conhecimento do recurso especial. Somente um mandado de segurança preventivo teria o condão de obstar o não conhecimento do recurso pelo colegiado da CSRF. O cumprimento da ordem judicial, no contexto dos presentes autos, se esgotou no encaminhamento do recurso ao colegiado da CSRF, sem que isso subtraia do referido órgão suas atribuições para julgar o recurso por completo, inclusive no que toca à possibilidade de seu conhecimento. Se antes, por decisão monocrática no processo nº 10880.731573/201135, entendeuse que a divergência jurisprudencial havia sido comprovada, e depois, por decisão colegiada, alterouse tal entendimento, a situação que motivou a prolação da decisão judicial deixou de existir, qual seja, pronunciamentos divergentes acerca da admissibilidade do recurso especial em relação ao mesmo contribuinte, à mesma circunstância fática e tendo por base idêntico acórdão paradigma. O encaminhamento do recurso especial ao colegiado da CSRF garantiu o tratamento isonômico buscado pela contribuinte no mandado de segurança. Daí para a frente, a CSRF pode exercer plenamente as suas atribuições, no que toca ao julgamento do recurso. No caso dos presentes autos, um entendimento contrário recriaria, agora de forma invertida, justamente o problema apontado pela contribuinte em seu mandado de segurança, no que toca à falta de tratamento isonômico na esfera administrativa. Ou seja, o recurso passaria a ser conhecido neste processo, e no outro processo da mesma contribuinte (processo nº 10880.731573/201135), ele deixaria de ser conhecido. RECURSO ESPECIAL. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Não se pode conhecer do Recurso Especial cujo paradigma trazido trata de situação fática diversa daquela analisada no acórdão recorrido. Em 13/12/2017, a contribuinte foi intimada, por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico), a respeito do teor do acórdão que negou conhecimento ao seu recurso especial. Já em 18/12/2017, apresentou Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 13 12 petição por meio da qual deu notícia de proferimento de decisão judicial que determinara o julgamento do mérito de seu recurso, no prazo de 60 (sessenta) dias contados da intimação da União. Na aludida peça, a contribuinte narra que peticionou ao Juízo da 15ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal argumentando que o fato de a 1ª Turma da CSRF ter reapreciado a admissibilidade do recurso especial interposto neste processo administrativo nº 10880.725757/201166 representaria descumprimento da sentença proferida no mandado de segurança nº 100593329.2015.4.01.3400. A reclamação ensejou a instauração do processo nº 1016330 79.2017.4.01.3400, classificado como Cumprimento Provisório de Sentença. A União foi intimada a prestar esclarecimentos a respeito da alegação de descumprimento da sentença judicial. Em resposta, afirmou que a decisão judicial teria sido cumprida com o despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF que determinou o seguimento do recurso especial, a intimação da PGFN para apresentação de contrarrazões e a posterior distribuição do processo para julgamento pela 1ª Turma da CSRF. Complementou a União que a sentença determinou apenas que se desse o regular processamento do recurso no CARF, não especificando a necessidade da análise de seu mérito. Assim, o fato de o recurso não ter sido conhecido em sede de julgamento pela 1ª Turma da CSRF (em juízo definitivo de admissibilidade) não representaria qualquer descumprimento da decisão judicial. Após analisar a resposta da União e nova manifestação da contribuinte, o MM. Juiz Federal Substituto da 15ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal decidiu que teria restado configurado, no caso concreto, o descumprimento da sentença judicial. A fundamentação da decisão traz que a sentença proferida no mandado de segurança afirmava expressamente ter sido devidamente comprovada a divergência jurisprudencial arguida no recurso especial da contribuinte. Assim, a 1ª Turma da CSRF não poderia ter negado conhecimento ao recurso com base na não comprovação da divergência, uma vez que este entendimento já teria sido superado pela sentença judicial. Por fim, decretou o MM. Magistrado: Ante o exposto, rejeito a impugnação da União e determino que o recurso especial da impetrante/exequente, interposto em 15/08/2014, à Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda (Processo Administrativo n° 10880.725757/201166), seja admitido e tenha seu mérito julgado no prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da intimação da presente decisão, sob pena de multa. Sendo assim, por expressa determinação contida na decisão proferida nos autos do Cumprimento Provisório de Sentença nº 101633079.2017.4.01.3400, o processo seguiu novamente para a 1ª Turma da CSRF para fins de julgamento do mérito do recurso especial da contribuinte. É o relatório. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 14 13 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Como foi relatado, o presente processo foi devolvido à 1ª Turma da CSRF por força de decisão judicial exarada nos autos do Cumprimento Provisório de Sentença nº 101633079.2017.4.01.3400, que ordenou que se realizasse novo julgamento com apreciação do mérito do recurso especial interposto pela contribuinte, uma vez que o conhecimento recursal já teria sido determinado por sentença proferida no mandando de segurança nº 100593329.2015.4.01.3400. Assim, inicio meu voto pelo exame do mérito da insurgência da contribuinte. A operação que deu origem à controvérsia debatida no presente processo ocorreu em 30/04/2006 e consistiu na cisão parcial da contribuinte recorrente (à época denominada SATIPEL FLORESTAL S.A.) e na consequente versão da parte cindida de seu patrimônio em favor de sua única sócia, a empresa SATIPEL INDUSTRIAL S.A. (atualmente denominada DURATEX S.A.). Os bens transferidos tinham o valor original corrigido de R$ 3.542.914,07 e haviam passado por reavaliações em 2000 e 2004, que geraram reservas de reavaliação no valor de R$ R$ 207.013.333,93. Assim, ao transferir tais bens por R$ 210.556.248,00, a recorrente alega que adotou seu exato valor contábil, razão pela qual não haveria que se cogitar da existência de ganho de capital na operação. A Fiscalização discordou de tal entendimento, defendendo que o valor praticado na transferência (R$ 210.556.248,00) seria o valor de mercado dos bens e que a diferença entre este número e o custo original corrigido dos bens (R$ 3.542.914,07) configurou ganho de capital passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Delineado o caso concreto, rememorese que a contribuinte arguiu, em seu recurso especial, a existência de dissídio jurisprudencial a respeito de duas matérias: (i) tratamento tributário dado à reserva de reavaliação transferida por cisão; e (ii) diferenciação entre a reavaliação de bens e a avaliação de bens a valor de mercado no âmbito de operações de cisão, fusão e incorporação. O seguimento do recurso foi determinado judicialmente, por força de decisões exaradas nos autos do mandado de segurança nº 100593329.2015.4.01.3400, em relação às duas matérias questionadas. A decisão judicial proferida no Cumprimento Provisório de Sentença nº 101633079.2017.4.01.3400 tampouco fez menção a um eventual conhecimento parcial do recurso. Assim, concluise que o recurso especial da contribuinte foi conhecido em relação a ambas as matérias que aborda. Embora a recorrente tenha optado por abordar separadamente os dois temas, considero que sua melhor análise se dá de forma conjunta. Ao analisarmos o cabimento jurídico do procedimento adotado pela contribuinte (consideração das reavaliações pretéritas de bens, devidamente acompanhadas da contabilização de reservas de reavaliação, como integrantes do custo de aquisição destes bens, transferidos por meio de cisão parcial sem o reconhecimento de ganho de capital), obrigatoriamente serão examinados o tratamento tributário dispensado às reservas de reavaliação e a natureza da reavaliação levada a efeito pela Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 15 14 recorrente. Assim, não serão feitas análises individualizadas para cada uma das duas matérias que foram conhecidas. Feito este esclarecimento, declaro que, examinando o caso concreto, parece me que a legislação de regência possui dispositivos bastante específicos para tratar de situações como a debatida nos presentes autos. O art. 235 do RIR/1999, reproduzindo a redação do art. 21 da Lei nº 9.249/1995 que vigia à época dos fatos sob análise, dispõe a respeito de aspectos relacionados ao balanço específico que deve ser obrigatoriamente levantado por pessoa jurídica que sofra incorporação, fusão ou cisão, total ou parcial. Diz o texto legal: Art. 235. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico na data desse evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, §1º). § 1º Considerase data do evento a data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão. § 2º No balanço específico de que trata o caput deste artigo, a pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão, poderá avaliar os bens e direitos pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21). § 3º O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, §1º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º, §1º, e 2º, §3º). § 4º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto devido e da contribuição social sobre o lucro líquido (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, §2º). (...) (grifouse) No seu § 2º, o artigo determina que os bens transferidos de uma pessoa jurídica a outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, podem ser avaliados pelo valor contábil ou pelo valor de mercado. Já no seu § 4º, tratando especificamente de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, o dispositivo prevê que, caso a pessoa jurídica opte pela avaliação dos bens a valor de mercado, a diferença entre este valor e o custo de aquisição dos bens transferidos configura ganho de capital tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Já no Subtítulo IV do RIR/1999, que trata especificamente das regras aplicáveis às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, o art. 521 dispõe sobre o ganho de capital auferido por tais contribuintes: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 16 15 base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (...) § 4º Na apuração de ganho de capital, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 52). (grifouse) O dispositivo determina, portanto, que pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido que alienam bens de seu ativo permanente auferem ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (custo de aquisição), sendo que este último somente poderá trazer em si computados valores acrescidos em virtude de reavaliação se estes tiverem sido anteriormente tributados. Afastando qualquer dúvida de que o art. 235 do RIR/1999, embora esteja situado fora do Subtítulo que trata das regras da tributação com base no lucro presumido, também se aplica aos contribuintes optantes por este regime, o art. 522 traz: Art. 522. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas jurídicas de que trata este Subtítulo observarão os seguintes procedimentos (Lei nº 9.249, de 1995, art. 17): (...) Parágrafo único. Nos caso de incorporação, fusão ou cisão, as pessoas jurídicas de que trata este Subtítulo observarão o disposto nos arts. 235 e 386. (grifouse) Interpretandose de forma integrada os artigos do RIR/1999 reproduzidos até este ponto, podese concluir que pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido que transferem, por meio de operação de cisão parcial, parte de seu ativo permanente, avaliado a valor de mercado, auferem ganho de capital passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, equivalente à diferença entre o valor de transferência e o custo de aquisição dos bens transferidos. Se, no valor dos bens registrados na contabilidade, estiver incluso montante relacionado a reavaliação dos bens, a pessoa jurídica somente poderá manter tal fração no cômputo do custo de aquisição se comprovar que tais valores já foram anteriormente adicionados às bases de cálculo dos tributos. Pareceme que o caso concreto subsumese perfeitamente à hipótese legal aqui descrita. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 17 16 A contribuinte recorrente era, no anocalendário de 2006, tributada pelo lucro presumido. Quanto a isso, não existe controvérsia. Também não se discute que ela sofreu cisão parcial em abril daquele ano, transferindo parcela de seu patrimônio à sua controladora. Todavia, a recorrente argumenta que o art. 235 do RIR/1999 não pode ser aplicado ao seu caso porque a transferência de seus bens se deu a valor contábil, e não a valor de mercado. Assim, o valor de R$ 210.556.248,00, praticado na transferência dos bens, seria o valor contábil, dentro do qual estaria destacada a parcela de R$ 207.013.333,93 decorrente das reavaliações efetuadas em 2000 e 2004. Defende a recorrente que tais reavaliações não se assemelham à avaliação a valor de mercado realizada por ocasião da incorporação, fusão ou cisão de pessoas jurídicas e foram realizadas anos antes de sua cisão parcial, razões pelas quais não poderiam ser apartadas do valor contábil considerado na operação. Não prosperam tais argumentos. A respeito deste imbróglio, fazse importante inicialmente o exame da Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nº 183, citada tanto pela contribuinte recorrente quanto pela decisão recorrida e pelo acórdão exarado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em São Paulo I. Naquela Deliberação CVM, identificamse as seguintes passagens de interesse para a discussão em foco: "1. A contabilidade tem um conjunto de princípios para avaliação de ativos que varia conforme a sua natureza, mas baseiase, principalmente, no custo original dos referidos ativos. No Brasil, os itens integrantes do Ativo Permanente têm, compulsoriamente, seu custo original corrigido monetariamente, visando refletir a perda do poder aquisitivo da moeda ao longo do tempo, conforme determinado pela legislação. 2. Paralelamente a essa atualização compulsória do valor dos ativos pela correção monetária, a legislação permite que as empresas procedam a uma avaliação de ativos por seus valores de mercado, com base em laudos técnicos. Denominase Reavaliação o resultado derivado da diferença entre o valor líquido contábil dos bens (custo corrigido monetariamente líquido das depreciações acumuladas) e o valor de mercado, sendo este um procedimento optativo. 3. A Reavaliação significa a adoção do valor de mercado para os bens reavaliados, abandonandose para estes o princípio de custo original corrigido monetariamente. Objetiva, conceitualmente, que o balanço reflita os ativos a valores mais próximos aos de reposição. 4. Permite, ainda, que os valores dos bens do imobilizado reavaliados sejam apropriados, através da depreciação, aos custos ou despesas pelos novos valores, apurando resultados operacionais mais consentâneos com o conceito de reposição dos ativos." (grifouse) De pronto, percebese que inexiste, para a CVM, a diferença que a recorrente tenta estabelecer entre valor de mercado e valor de reposição dos bens. E a outra conclusão não se poderia chegar, pela óbvia razão de que se uma pessoa jurídica deseja repor determinado bem de seu ativo, deverá obrigatoriamente buscar sua aquisição no mercado, onde o preço praticado nada mais é do que o chamado "valor de mercado", ainda que se leve em consideração peculiaridades como o tempo restante de vida útil do bem, se for o caso. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 18 17 Além disso, a Deliberação CVM nº 183 declara que, ao optar pela reavaliação de seus bens (um procedimento facultativo), a pessoa jurídica abandona para estes o princípio do custo original corrigido monetariamente e passa a adotar o valor de mercado como referência. Tal constatação vai de encontro à tese defendida pela recorrente, no sentido de que valor reavaliado não equivale a valor de mercado. Ora, o próprio propósito da reavaliação de bens é eliminar a defasagem existente entre seu custo histórico e seu valor de mercado/reposição. A recorrente alega ainda, de maneira equivocada, que a Fiscalização teria negado a ela, em face da sua condição de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, o direito de realizar a reavaliação de seus bens. Em momento algum tal afirmação foi feita pela Fiscalização ou pelas decisões administrativas das instâncias inferiores. Como qualquer outra pessoa jurídica, a contribuinte tinha a permissão legal para reavaliar os bens de seu ativo permanente, como o fez. Tal reavaliação deveria obrigatoriamente provocar a contabilização de uma reserva de reavaliação em seu Patrimônio Líquido, como de fato ocorreu. Por fim, a contabilização desta reserva de reavaliação efetivamente não deveria operar efeitos tributários imediatos, nos moldes previstos expressamente pelo RIR/1999 para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, em seus arts. 434 e 435. Até este ponto, não há reparos a fazer em relação aos procedimentos adotados pela contribuinte. O que a Fiscalização efetivamente imputou à contribuinte foi a inobservância, em momento posterior (cisão parcial), das regras insculpidas nos arts. 235 e 521 do mesmo RIR/1999, nas partes especificamente aplicáveis às pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido. Nunca houve a afirmação de que ela estaria impedida de reavaliar seus bens ou de constituir a correspondente reserva de reavaliação. O que a legislação não permite é que tal reserva seja oposta ao Fisco para fins de majoração do custo de aquisição dos bens e de consequente redução do ganho de capital decorrente da transferência a outrem dos bens reavaliados. O valor praticado na transferência dos bens pela recorrente à sua controladora, em 30/04/2006, era exatamente o valor de mercado levantado dois anos antes, em 2004, ano da última reavaliação realizada. Além disso, para que o valor relativo à reavaliação pudesse ser "incorporado" ao custo de aquisição considerado para fins de apuração do ganho de capital auferido na alienação, seria necessário que a contribuinte comprovasse ter atendido à condição prevista no § 4º do art. 521 do RIR/1999: oferecimento anterior dos valores à tributação. Como o atendimento a tal condição não foi comprovado (ou mesmo alegado) e a transferência dos bens se deu a valor de mercado (e não contábil), correto o entendimento da Fiscalização de que a operação gerou ganho de capital tributável no valor de R$ 207.013.333,93, diferença entre o preço praticado na alienação (R$ 210.556.248,00) e o custo histórico corrigido dos bens transferidos (R$ 3.542.914,07). O fato de as reavaliações dos bens transferidos em 30/04/2006 terem sido realizadas em 2000 e 2004 não descaracteriza o valor praticado na transferência como valor de mercado. Para alcançar tal conclusão, adoto as razões muito bem expostas no voto condutor do acórdão recorrido: Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 19 18 "A própria recorrente, na peça recursal, transcreve trecho de voto no Acórdão n° 10323.441, julgado em 17 de abril de 2008, para destacar que o momento da constituição da reserva de reavaliação de bens, se no passado ou no presente, de rigor é irrelevante para efeitos do diferimento da tributação, consoante inclusive a própria Receita Federal assentara no Parecer CST n° 1.136, de 24/05/1984, lá também parcialmente transcrito (abaixo, verbis): “(...) 3. Cabe ressaltar que, em ambos os dispositivos (artigos 326 e 328), não há sequer referência a qualquer comando que coloque o lapso de tempo decorrido entre a reavaliação de bens e a subscrição de capital como fator impeditivo da utilização do regime tributário regulado no art. 328 do RIR/80. 4. A reavaliação, como se sabe, é feita objetivando eliminar a defasagem existente entre o custo dos bens (mesmo corrigidos monetariamente) e o seu valor de mercado. A legislação não procura, assim, vinculála a esta ou àquela destinação específica. 5. O momento em que se procede a reavaliação nada tem a ver com a sua destinação, A destinação dos bens — e conseqüentemente a destinação da reserva de reavaliação — ocorrerá ao longo do tempo e poderá, evidentemente, ser ou não prevista nos planos da empresa. (...)” Após aquela transcrição, foi assim concluído o voto: “Dessa forma, não vejo a qualquer comando, nos artigos 435 e 440 do RIR/1999, que coloque o lapso de tempo decorrido entre a reavaliação de bens e a subscrição de capital como fator impeditivo da utilização do regime tributário regulado pelo artigo 435 citado.” Portanto, na esteira exatamente do raciocínio exposto no âmbito do citado acórdão, e acima detalhado, bem como no Parecer CST n° 1.136, de 24/05/1984, também entendo que o mero fato de se tratar de uma reavaliação pretérita não constitui qualquer óbice à aplicação das disposições legais atinentes à reserva de reavaliação e sua respectiva realização. Dito de outra maneira: a reavaliação feita, ainda que em data pretérita ao evento aqui em foco, permanece hígida, e confirma o fato de que os bens, originalmente adquiridos por R$ 3.542.914,07, foram avaliados pelo valor de mercado de R$210.556.248,00. Assim, se o “Laudo de Avaliação” datado de 30.04.2006 limitouse a tão somente especificar os valores contábeis dos referidos bens em 31.03.2006, e estes, por sua vez, já se encontravam atualizados por força de uma reavaliação pretérita, é de se concluir que o referido laudo apenas ratificou os valores de mercado daqueles bens naquela data, para fins de cisão." (grifouse) Outro argumento manejado pela recorrente para tentar afastar a aplicação do art. 235 do RIR/1999 ao seu caso referese a uma suposta necessidade de que todo o Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 20 19 patrimônio da pessoa jurídica cindida parcialmente fosse avaliado a valor de mercado, para que a parcela vertida à outra pessoa jurídica pudesse ser assim valorada. Mais uma vez, carece de fundamento a tese apresentada pela recorrente. A simples leitura do art. 235 do RIR/1999 (ou do art. 21 da Lei nº 9.249/1995, de onde ele derivou) é suficiente para se constatar que a lei não estabeleceu tal exigência. E não o fez porque não existe motivo razoável para que se cogitasse de tal requisito. Somente interessa ao acordo celebrado entre a empresa que sofrerá a cisão parcial e a empresa que absorverá a fração cindida o valor atribuído à parcela transferida. Da mesma forma, somente interessa ao Fisco, para fins de verificação do ganho de capital gerado na operação, o valor praticado na transferência (para fins de contraposição ao custo de aquisição cabível). Em ambos os casos, é indiferente o critério de valoração adotado para a parcela do patrimônio que permaneceu na pessoa jurídica cindida. A recorrente também alega que a cisão parcial que sofreu não poderia dar origem a ganho de capital, porque tratase de operação a título de sucessão universal, não de uma alienação. Ao contrário do que defende a recorrente, a operação praticada em 30/04/2006 enquadrase perfeitamente no conceito de alienação, que é uma modalidade de perda da propriedade (art. 1.275 da Lei nº 10.406/2002 Código Civil), voluntária e definitiva. No caso concreto, a recorrente transmitiu um conjunto de bens imóveis à sua então controladora. Tais bens deixaram de pertencer à recorrente (sucedida) e passaram a pertencer a pessoa jurídica de personalidade distinta (sucessora), configurandose a transferência da propriedade. Para que a operação configure uma alienação, é indiferente se a contrapartida pelos bens transferidos se dá por meio de pagamento, de permuta ou de subscrição de ações. Em todos estes casos, a transferência da propriedade caracteriza uma alienação. A legislação apontada pela recorrente, em sua tentativa de descaracterizar a cisão parcial que sofreu como uma modalidade de alienação, em momento algum prescreve ou restringe o que seria a alienação para os fins ali previstos. Mais do que isso, a legislação aplicável ao caso (arts. 522 e 235, § 4º, do RIR/1999) é explícita ao definir a cisão, como observada nos autos, como hipótese capaz de gerar ganho de capital (diferença entre o valor praticado na transferência valor de mercado e o custo de aquisição dos bens transferidos), que deve ser adicionado às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Diante do exposto, reitero que os arts. 235, 521 e 522 do RIR/1999 são suficientes para a análise dos efeitos tributários da cisão parcial operada pela recorrente. Tratouse de operação por meio da qual uma pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido transferiu bens reavaliados a valor de mercado. Tal valor era muito superior ao custo de aquisição dos bens transferidos, que não podia incluir os valores acrescidos a título de reavaliação porque a condição legal de anterior oferecimento à tributação não foi atendida. Assim, julgo não haver reparos a fazer ao lançamento tributário objeto da presente lide. A recorrente tenta trazer outros dispositivos legais à discussão, com o intuito de distorcer o debate de alguma forma que a beneficie. Não alcança, todavia, êxito. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 21 20 Os arts. 440 e 441 do RIR/1999, exaustivamente mencionados pela recorrente, em nada invalidam a análise até aqui desenvolvida. Examinemse seus textos: Art. 440. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 37). Parágrafo único. O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real de acordo com o disposto no § 2º do art. 434 e no art. 435 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 37, parágrafo único). Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida. Registrese, de pronto, que estes artigos estão localizados no Subtítulo III do RIR/1999, que trata especificamente das regras aplicáveis às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. A contribuinte até poderia defender a aplicação à sua situação de regras previstas para empresas tributadas pelo lucro real, caso não houvesse previsão específica para o contexto verificado nos autos: cisão parcial de bens reavaliados por pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido. Especificamente no que diz respeito ao art. 441 do RIR/1999, nenhuma incompatibilidade se verifica entre o ali disposto e a fundamentação dada pela Fiscalização aos autos de infração. A sucessora dos bens cindidos pode continuar dando às reservas de reavaliação transferidas o mesmo tratamento tributário que vinham recebendo na sucedida, com a diferença de que, após a transferência, podese considerar o valor equivalente a tais reservas como já tributado a título de ganho de capital. Tampouco aplicase ao caso concreto o art. 520 do RIR/1999: Art. 520. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte "B" do LALUR (Lei nº 9.430, de 1996, art. 54). A própria contribuinte reconhece que reservas de reavaliação não são grandezas controladas na parte "B" do LALUR das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Não há, portanto, lógica alguma em se defender que os créditos tributários relativos à realização das reservas de reavaliação que a contribuinte mantinha em 2004, ano em que migrou da tributação do lucro real para a sistemática do lucro presumido, devessem ter sido constituídos naquele ano em atendimento ao disposto no art. 520 do RIR/1999 (reprodução do art. 54 da Lei nº 9.430/1996). Pelo mesmo motivo, incabível também a elucubração da recorrente de que teria se operado a decadência em relação a parte do lançamento feito pela Fiscalização. A legislação aplicável ao caso concreto (arts. 235, 521 e 522 do RIR/1999) trata especificamente Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 22 21 dos efeitos tributários da cisão e da transferência, por empresa tributada pelo lucro presumido, de bens reavaliados a valor de mercado. Assim, só há sentido em discutir uma eventual inércia da Administração Tributária em constituir os correspondentes créditos tributários a partir do momento em que ocorre o fato gerador do IRPJ e da CSLL (auferimento de ganho de capital decorrente da transferência dos bens). O marco inicial da contagem de qualquer prazo decadencial relacionado aos fatos analisados neste processo não pode ser, portanto, anterior a 30/04/2006. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela contribuinte. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 23 22 Declaração de Voto Conselheira, Cristiane Silva Costa O julgamento do processo depende interpretação dos seguintes pontos: (i) a neutralidade da reserva de reavaliação (ii) a possibilidade (ou não) de reavaliação de bens por empresas sujeitas ao lucro presumido, com a constituição de reserva de reavaliação; (iii) compreensão da cisão de empresas e os efeitos tributários; (iv) o tratamento conferido à reserva de reavaliação na hipótese de cisão. Após breve análise destes pontos, avaliar se efetivamente a cisão de pessoa jurídica submetida ao regime de lucro presumido implica na realização da reserva de reavaliação. Passo a tratar destes temas. Desde a sua edição, a Lei nº 6.404/76 autorizava a reavaliação de elementos do ativo. Ao tempo das reavaliações relatadas pela contribuinte (anoscalendário de 2000 e 2004) a dicção do § 3º, do artigo 182, da Lei nº 6.404 era a seguinte: a) Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. (...) b) § 3° Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do artigo 8º, aprovado pela assembléiageral. O DecretoLei nº 1.598/77 também regulou a reserva de reavaliação, tratando dos seus efeitos tributários, como se verifica do seu artigo 35: c) Art. 35 A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do artigo 8º da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) d) § 1º O valor da reserva será computado na determinação do lucro real: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) e) a) no períodobase em que a reserva for utilizada para aumento do capital social, no montante capitalizado; (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 24 23 f) b) em cada períodobase, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) g) 1 alienação, sob qualquer forma; (Incluído pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) h) 2 depreciação, amortização ou exaustão; (Incluído pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) i) 3 baixa por perecimento; (Incluído pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) j) § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período. k) § 3º Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Dentre os efeitos tratados pelo DL 1.598, acima reproduzido, destaquemse dois relevantes ao tema: (i) enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação, a contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do artigo 8º da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não seria computada no lucro real (caput); e (ii) a previsão do momento em que se consideraria o valor da reserva na determinação do lucro real (alíneas e itens do § 1º). A Lei nº 9.959, de 2000, expressou que somente seria tributada a contrapartida da reavaliação quando ocorresse a efetiva realização do bem reavaliado, embora já se pudesse inferir tal interpretação das normas anteriormente citadas: l) Art. 4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. No mesmo sentido, explicitando o que já constava do Decreto Lei nº 1.598 e da Lei nº 9.959, foi previsto no Regulamento do Imposto de Renda: m) Art. 434 – A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei n.º 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei n.º 1.598, de 1977, art. 35, e DecretoLei n.º 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 25 24 O artigo 187, da Lei nº 6.404/1964, também relevante à análise do tema, dispõe que só com a realização poderia ser computado como lucro o aumento do valor de elementos de ativo: n) Art. 187. (...)§ 2º O aumento do valor de elementos do ativo em virtude de novas avaliações, registrados como reserva de reavaliação (artigo 182, § 3º), somente depois de realizado poderá ser computado como lucro para efeito de distribuição de dividendos ou participações. Nesse contexto legislativo, percebese com clareza que a reserva de reavaliação não deveria ser computada como lucro até a realização do ativo. É importante ponderar que a Lei nº 9.430/1996 tratou da tributação do ganho de capital correspondente ao acréscimo em virtude de reavaliação quanto às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, fazendoo de forma coerente com as disposições legais anteriormente referidas: o) Art. 52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda. p) q) Art. 54. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. O artigo 54, acima reproduzido, foi alterado pela Lei nº 12.973/2014, mas a alteração procedida não se aplica aos fatos tratados nestes autos,ocorridos muito antes da citada lei. Pois bem. As situações reguladas pelos artigos 52 e 54 refletem a regularidade da reavaliação de bens por pessoa jurídica submetida ao lucro presumido, referindo que esta só poderá computar como custo a reavaliação na hipótese de tais valores terem sido computados na base de cálculo do IRPJ (art. 52), como também que na hipótese de diferimento, controlado na parte B do LALUR, os respectivos saldos de reavaliação deveriam ser computados no lucro real. A vedação tratada pelo artigo 52, reproduzida no artigo 521, §1º do RIR, não se aplica ao caso dos autos tendo em vista que a Recorrente (Estrela do Sul) transmitiu à empresa resultante da cisão o valor dos seus ativos em valor contábil. Tal informação é confirmada pelo Balanço Patrimonial (fls. 43 a 106). Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 26 25 Além disso, a reserva de reavaliação que não fosse diferida (na parte B do LALUR) não estaria submetida à tributação conforme artigo 54 reproduzido acima, ressalvado o caso de futura realização, devidamente identificada pela legislação tributária como a alienação na hipótese do lucro presumido. Os artigos 52 e 54, acima citados, foram reproduzidos no artigo 521, §1º e 4º, tendo este dispositivo do RIR fundamentado o Auto de Infração que originou este processo administrativo. r) Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso s) § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. t) § 2º Os juros e as multas por rescisão contratual de que tratam, respectivamente, os arts. 347 e 681 serão adicionados à base de cálculo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 51 e 70, § 3º, inciso III). u) § 3º Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido para determinação do imposto, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 53). v) § 4º Na apuração de ganho de capital, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 52). É pertinente também lebrar o teor do artigo 522, do RIR: w) Art. 522. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas jurídicas de que trata este Subtítulo observarão os seguintes procedimentos (Lei nº 9.249, de 1995, art. 17): x) I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser atualizado monetariamente até 31 de dezembro desse ano, não se lhe aplicando qualquer atualização monetária a partir dessa data; Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 27 26 y) II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer atualização monetária. z) Parágrafo único. Nos caso de incorporação, fusão ou cisão, as pessoas jurídicas de que trata este Subtítulo observarão o disposto nos arts. 235 e 386. Sobre a neutralidade da reserva de reavaliação e a realização desta, são pertinentes as considerações de Ricardo Mariz de Oliveira, tratando tanto da Lei nº 6.404/1976, quanto da legislação tributária: aa) "Essa norma, que implicitamente autorizava a ocorrência da reavaliação, dava o tom central da mesma, pois determinava que, ao aumento de valor do ativo, correspondesse idêntico aumento de valor do patrimônio refletido na respectiva reserva, assim impedindo que a contrapartida da reavaliação transitasse por resultado e aumentasse o lucro líquido. Consequentemente ficava impedida a distribuição de dividendos sobre lucros existentes e a correspondente diluiução do patrimônio social. bb) E ao tratar dos resultados do exercício social no art. 187, a mesma lei prescrevia, no parágrafo 2º, que o aumento do valor do elemento do ativo em virtude dessas novas avaliações, registrado como reserva de reavaliação, somente depois de realizado podia ser computado como lucro para efeito de dividendos ou participações. Isto se justifica exatamente porque, no momento da realização da reserva de reavaliação, havia crédito e débito ao lucro, em idêntico valor, o que significava neutralidade de efeitos sobre o lucro. (...) cc) Com isso, a lei societária decretava a nulidade de efeitos da reavaliação nos resultados, pois, quando efetuava, ela aumentava por igual o ativo e o patrimônio, mas não interferia no resultado, e, quando realizada, ocorriam o débito do valor baixado do ativo a custo ou despesa, e o simultâneo crédito de igual valor baixado da conta de reserva. O resultado era zero, portanto, sem aumento e sem diminuição do lucro do período. (...) dd) Perante a lei fiscal, as reavaliações efetuadas em virtude de novas avaliações com fundamento em laudo levantado nos termos do art. 8º da Lei nº 6404, não são computadas no lucro tributável se e enquanto forem mantidas em reserva de reavaliação no patrimônio líquido, devendo ser observadas as regras abaixo. ee) Uma primeira e relevante observação a ser feita é no sentido de que o conceito de ‘realização’ (...) compreende e significa a baixa dos valores das reavaliações, existentes no ativo, para custo ou despesa, mediante alienação dos respectivos bens, ou sua baixa por outros motivos (como perecimento ou obsolescência), ou ainda através das quotas periódicas de depreciação, amortização ou exaustão”. (Fundamentos do Imposto de Renda. Quartier Latin, 2008, p. 930 e 931) Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 28 27 Diante disso, questionase: a cisão de empresa é alienação. Ou mesmo se é forma de depreciação, amortização ou exaustão. Ou mesmo de baixa por perecimento. Definitivamente não. A esse respeito, destaquese o artigo 229, da Lei nº 6.404/1976, que trata a cisão como operação de transferência de patrimônio (ou parcela deste) da cindida para a(s) sucessora: ff) Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. gg) § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. hh) § 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada pela assembléiageral da companhia à vista de justificação que incluirá as informações de que tratam os números do artigo 224; a assembléia, se a aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembléia de constituição da nova companhia. ii) § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). jj) § 4º Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento e publicação dos atos da operação; na cisão com versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio. kk) § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) A distinção entre a incorporação e a aquisição do patrimônio social de outra sociedade encontra apoio nos precisos ensinamentos de Pontes de Miranda: ll) "De modo nenhum há que se confundir com incorporação a aquisição do patrimônio social de outra. Aí, a operação é no plano economico e no plano jurídico do contrato de compraevenda, e não de fusão, que se passa no plano do Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 29 28 contrato social. " (Tratado de Direito Privado, Parte Especial, Tomo LI, 1ª edição, atualizado por Vilson Rodrigues Alves) Em sentido similar são as lições de Modesto Carvalhosa, em primorosa obra a respeito de Sociedades Anônimas: mm) "A primeira impressão que se poderia ter na incorporação é que esta seria um negócio de alienação, de natureza especial, não confundível com a compra e venda e a permuta. Ocorre que a incorporação, que se efetiva com a subscrição do capital da incorporadora com o patrimônio líquido da incorporada, não constitui nem compra e venda, nem alienação sui generis. Isto porque a transferência do patrimônio de uma para outra sociedade dáse a título de pagamento das ações subscritas pela incorporada a favor de seus sócios ou acionistas. E, com efeito, a vontade da sociedade que será incorporada não é alienar, permutar ou vender seu patrimônio, mas de subscrever com ele o capital de outra sociedade. (...) Os bens da sociedade incorporada entram para a incorporada pelo mesmo processo de constituição da companhia, ou seja, por ato de subscrição. Não constitui, pois, cessão troca ou compra. Tratase de ato de contriubição para o capital social" (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, 4º edição) Lembrese que, conforme artigo 229, §3º, da Lei º 6404/1976 " A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação ", sendo, portanto, totalmente aplicável o entendimento de Pontes de Miranda e Modesto Carvalhosa, acima reproduzido, ao caso destes autos para a conclusão de que a cisão não é forma de alienação da sociedade cindida. E, portanto, não poderia por si só justificar a interpretação de ocorrência de realização da reserva de reavaliação. Nesse sentido, trazse à colação precedente o E. Tribunal Regional Federal que trata da distinção entre cisão e alienação, embora fazendoo para interpretar dispositivo processual: nn) “PROCESSUAL CIVIL DESAPROPRIAÇÃO EXECUÇÃO DO JULGADO AGRAVO DE INSTRUMENTO EM FACE DE DECISÃO QUE INDEFERIU PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL EMPRESA AUTORA CINDIDA A EMPRESA AGRAVANTE TORNOUSE TITULAR DOS DIREITOS DE SERVIDÃO DECORRENTES DA DEMANDA ORIGINÁRIA É DE RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA DA EMPRESA CINDIDA O SALDO DEVEDOR DA INDENIZAÇÃO FIXADA NA SENTENÇA AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. oo) 1. Na medida em que a autora originária ELETROPAULO S/A cindiuse em outras empresas, suas sucessoras em direitos e obrigações até 'ex lege' e uma delas EMPRESA BANDEIRANTE ENERGIA S/A tornouse titular dos direitos de servidão decorrentes da demanda originária, para passagem de eletroduto em sua área de concessão de eletricidade, tudo indica que o efeito pecuniário do ônus (indenização devida ao titular do bem) é de responsabilidade da nova empresa, já que a empresa cindida não tem mais nada a ver a prestação do serviço naquela área e nem com o encargo de ressarcir aquele que suporta, sobre seu imóvel, o ônus real. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 30 29 pp) 2. O direito à servidão de eletroduto sobre imóvel da agravada transferiuse, com a cisão, para a agravante, porquanto se trata de direito necessário à prestação do serviço em âmbito territorial que lhe coube. 3. Existindo saldo devedor de indenização fixada na sentença operase a responsabilidade da sucessora da empresa cindida face a esse valor na medida em que, nos termos da cisão, coube lhe a responsabilidade por obrigações derivadas "das ações de desapropriação em andamento". qq) 4. O artigo 42 do Código de Processo Civil não se aplica ao caso presente, pois referese a alienação de coisa ou de direito sobre que litigam as partes como impedimento de substituição processual. Concretamente não há, "in casu", a alienação do direito disputado. rr) 5. Agravo de instrumento provido.” ss) (2002.03.00.0386486, DJ de 03.09.2009, Relator Des. Federal Johonsom Di Salvo) Sobreleva considerar, nesse sentido, o teor do Parecer Normativo nº 6, de 1985, que segue as diretrizes da Lei n. 6.404/76 ao explicitar que no caso de cisão não acontece a descontinuidade da vida das empresas, especificando que "a reserva de reavaliação transferida da pessoa jurídica sucedida terá, na sucessora, o mesmo tratamento que teria naquela": tt) 2.1. Segundo entendimento consagrado em atos normativos da Secretaria da Receita Federal, nos casos de incorporação, fusão e cisão não acontece a descontinuidade da vida das empresas, tendo em vista que as obrigações tributarias das sucedidas continuam a ser cumpridas pelas sucessoras, como se ao houvesse alteração nas firmas ou sociedades. Não há, a rigor, a baixa de bens e direitos e um patrimônio e ingresso no outro, mas, sim, a transposição de patrimônio de uma para a outra pessoa jurídica, que sucede a primeira nos direitos e obrigações. uu) 3. RESERVA DE REAVALIACAO TRANSFERIDA DA SUCEDIDA vv) Como foi dito acima, na incorporação, fusão ou cisão, a pessoa jurídica que absorve patrimônio de outra sucede esta em direitos e obrigações. Dessa forma, a reserva de reavaliação transferida da pessoa jurídica sucedida terá, na sucessora, o mesmo tratamento que teria naquela. Sem apoio expresso em lei, mas possivelmente com inspiração no PN acima referido e na Lei 6.404, foi introduzido o artigo 441, do Regulamento do Imposto de Renda, que dispõe: ww) Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 31 30 No caso destes autos, tratase da possibilidade de empresa resultante de cisão receber os ativos da Recorrente (Estrela do Sul), como também o tratamento fiscal atribuído à reserva de reavaliação; para averiguar se consistentes os Autos de Infração que entenderam pela existência de ganho de capital nesta ocasião. E se efetivamente o artigo 441 (que, repita se, não tem apoio em lei) seria unicamente aplicável ao lucro real. Ponderese que desde a Lei nº 9.249/1995 deixou de existir a obrigatoriedade de pessoas jurídicas cindidas tributarem seus resultados pelo lucro real1. Nesta medida, inquestionável a possibilidade de pessoas jurídicas cindidas tributarem seus resultados pelo lucro presumido. A respeito do tratamento da reserva de reavaliação na hipótese de cisão, destaquese inicialmente a redação 34, do DecretoLei nº 1.598: xx) Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: yy) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; zz) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. aaa) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: bbb) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e ccc) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção 1 A informação é explicitada pela própria Receita Federal do Brasil, no seu sítio: “182. Qual a forma de tributação a ser adotada na ocorrência de incorporação, fusão ou cisão? Até 31 de dezembro de 1995 as pessoas jurídicas incorporadas, fusionadas ou cindidas estavam obrigadas à tributação dos seus resultados pelo lucro real. Entretanto, a partir de 01/01/96, a Lei nº 9.249/95, art. 36, V, expressamente revogou esta obrigatoriedade, podendo, a partir dessa data, o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro relativos ao ano-calendário do evento ser calculados com base nas regras do lucro presumido. “ Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 32 31 monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. ddd) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. A Lei nº 9.249/95 tem previsão a respeito de tributação do ganho de capital na hipótese de cisão, caso ocorra a avaliação a valor de mercado, conforme § 2º do artigo 21 abaixo reproduzido: eee) Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. fff) § 1º O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. ggg) § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro líquido. hhh) § 3º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente. iii) § 4º A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o ano calendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento. A disposição foi reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda, em seu artigo 235, que fundamentou os Autos de Infração deste processo: jjj) Art. 235. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico na data desse evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 1º). (...) kkk) § 4º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 33 32 cálculo do imposto devido e da contribuição social sobre o lucro líquido (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, § 2º) No caso em análise nestes autos, a avaliação no momento da cisão foi a valor contábil, improcedendo a pretensão de aplicação do dispositivo – específico para a hipótese de avaliação a mercado no momento da cisão. A Instrução Normativa SRF nº 11/1996 explicitamente tratou da possibilidade da pessoa jurídica cindida se submeter à sistemática do lucro presumido, como se verifica dos artigos 57, §2º c/c com o artigo 58, caput: lll) Art. 57. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. mmm) § 1º O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. nnn) § 2º A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o ano calendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento. ooo) ppp) Art. 58. A obrigatoriedade de levantar o balanço e de apresentar declaração de rendimentos de que trata o artigo anterior aplicase, inclusive, à pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Também se merece menção os §1º e 2º, de tal artigo 58, da IN SRF 11/96: qqq) Art. 58. (...) § 1º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação dos bens e direitos a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro. rrr) § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, inexistindo ou sendo imprestável a escrituração contábil do contribuinte, o ganho de capital será apurado a partir de demonstrativo e dos respectivos documentos de aquisição, benfeitorias ou reformas dos bens e direitos vertidos, observado o disposto no parágrafo seguinte. O parágrafo segundo esclarece a possibilidade de considerar como valor contábil aquele decorrente de anteriores reavaliações feitas pelo contribuinte, como as tratadas nestes autos (ocorridas em 2000 e 2004). Afinal, ao dispor o §2º que se inexistir ou for Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 34 33 imprestável a escrituração contábil serão considerados os documentos de aquisição, este mesmo dispositivo da IN SRF admite que se existente e legítima a escrituração, tal valor contábil será considerado para apuração do ganho de capital na hipótese do §1º. Além disso, o artigo 59, da mesma IN SRF 11/96 estabelece que todas as empresas envolvidas na operação de cisão devem adotar o mesmo critério de avaliação dos bens, isto é, contábil ou de mercado: sss) Art. 59. O critério de avaliação dos bens e direitos valor contábil ou de mercado adotado para a incorporação, fusão ou cisão, deverá ser observado igualmente por todas as empresas envolvidas na operação. Percebese que todo o regramento a respeito do tratamento da reserva de reavaliação na cisão corrobora as razões da Recorrente no sentido da manutenção da reserva de reavaliação exatamente nas condições em que escriturada na pessoa jurídica cindida, na hipótese de avaliação específica desta operação societária a valor contábil. E, em decorrência, concluise pela inexistência de ganho de capital. Com efeito, é fundamental a separação dos eventos descritos no processo: reavaliação em 2000, alteração de regime (lucro real para lucro presumido em 2003), reavaliação em 2004 sob o regime do lucro presumido e, finalmente, a cisão em 2006. A compreensão de cada um destes eventos é relevante para se identificar a efetiva ocorrência de fato gerador e seu fundamento legal. A reavaliação de bens do ativo permanente feita em 2000, com apoio na lei contábil e fiscal, e registrada regularmente sua contrapartida em reservas de reavaliação, e por esse valor vertido seis anos depois por cisão, jamais pode implicar a transmudação de versão a valor contábil em versão com a avaliação a mercado dos bens na cisão. A lei não dispôs que se parte ou todo seu patrimônio absorvido que tenha sido objeto de reavaliação no passado, e por esse valor for vertido, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, a parcela reavaliada no passado é tributável nesse momento como ganho de capital. A lei explicitou apenas que se parte ou todo seu patrimônio absorvido for avaliado a mercado, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, isto é, nesses eventos, a parcela da mais valia apurada nesse momento é imediatamente tributada como ganho de capital, para quem apura lucro presumido. Outra questão, que não se apresenta aqui, e com a qual não se confunde, é se uma reavaliação feita nas vésperas da incorporação, fusão ou cisão representa avaliação a mercado, em virtude de incorporação, fusão ou cisão. Questão muito distinta da que se põe nos autos deste feito, em que a reavaliação de bens do ativo permanente se deu em 2000 e em 2004, sendo a cisão em 2006. Se o inconformismo é com a possibilidade de reavaliação de bens do ativo fixo na hipótese de pessoa jurídica submetida ao lucro presumido, o fundamento para eventual auto de infração seria distinto daqueles lançados em Termo de Verificação Fiscal no presente caso, como também o aspecto temporal da obrigação ali lançada. Nesse panorama, não se sustentaria o lançamento tributário. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10880.725757/201166 Acórdão n.º 9101003.375 CSRFT1 Fl. 35 34 Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1087DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.903831/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido.
Numero da decisão: 3302-005.216
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 38 31 /2 01 2- 46 Fl. 103DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG, que não reconheceu o direito de crédito relativo ao 3º trimestre de 2008, pleiteado através do PER/DCOMP nº 39460.43269.201008.1.1.010388, transmitido em 20/10/2008, no valor de R$ 265.216,62, e não homologou a compensação vinculada. O crédito foi apurado pelo estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob nº 00.455.985/000492. Os motivos do indeferimento foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Os documentos relativos a análise do crédito estão disponíveis no endereço eletrônico “www.receita.fazenda.gov.br”, menu “Onde Encontro”, opção “PERDCOMP”, item “PER/DCOMPDespacho Decisório”. Na Informação Fiscal que acompanha o DDE, disponível no citado endereço, a justificativa para a glosa assim foi expressa: “Referido estabelecimento industrial opera dentro da planta industrial de um fabricante de óleos vegetais para alimentação, onde produz com exclusividade embalagens "pet" de 900 ml. (garrafas plásticas), classificadas na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) no códigofiscal 3923.30.00, tributadas à alíquota de 15%. Com base nas vias originais das notas fiscais de aquisições colocadas à nossa disposição, constatamos que a quase totalidade dos citados insumos foram adquiridos da empresa Valfilm Amazônia Ind. e Com. Ltda., estabelecida na Zona Franca de Manaus, com a isenção do IPI prevista no art° 69, inciso II do Decreto n° 4.544/2002 (art° 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010). Mesmo hão havendo imposto destacado nas referidas notas fiscais, a Interessada em sua escrita fiscal aproveitou créditos presumidos do mesmo na ordem de 15% sobre valor do insumo adquirido. (grifei). Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10735.903831/201246 Acórdão n.º 3302005.216 S3C3T2 Fl. 104 3 Intimada a informar e identificar a base legal em que se baseou para aproveitar citados créditos presumidos, a mesma assim se pronunciou: "A empresa adquire produtos originários da Zona Franca de Manaus, classificação fiscal 3923.30.00 tributados na TIPI à alíquota de 15% (quinze por cento), mas que em face do disposto no artigo 69, inciso II, do Decreto n° 4.544/2002 (art. 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010) são isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Por esse motivo, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999: nos artigos 164, 165 e 167, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), na nãocumulatividade do IPI prevista no art. 153, IV, § 3o, II da Constituição Federal de 1988 e alicerçada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal conforme decisão originada do RE212.484/RS, DJ de 27/1198, nos períodos compreendidos do 1o trimestre de 2008 ao 4o trimestre de 2010 creditouse do imposto calculado à alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor das compras efetuadas, a título de crédito presumido. ...” Tal justificativa não foi aceita, com fundamento no princípio da nãocumulatividade do IPI, bem como no art. 49 do Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 164, inc. I do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002) e demais normas que tratam do referido imposto. A ciência do DDE se deu por edital afixado em 09/09/2013, com prazo para desafixação em 24/09/2013. Em 05/12/2013 o interessado protocolizou arrazoado assinado por procuradores habilitados, com as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, alega a tempestividade da manifestação. Sustenta que não estaria comprovado que a intimação por via postal teria sido improfícua, fato que teria ensejado a intimação por edital. Diz ter ficado sabendo que o débito compensado já se encontrava em cobrança final em 05 de novembro de 2013, quando verificou que o processo administrativo havia sido incluído no Relatório de Situação Fiscal emitido pela Receita Federal do Brasil na situação “DEVEDOR”. E assim, considerando que nesta data a Requerente foi devidamente intimada, o prazo para contestação encerraria em 05 de dezembro de 2013. Alega ainda que, até a presente data, sequer teria obtido cópia do Processo Administrativo Eletrônico. Quanto ao mérito, defende o aproveitamento de crédito de IPI referente a aquisições de insumos fornecidos pela empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., com a isenção prevista no art. 9º do Decretolei 288/1967 e do então vigente artigo 69, II, do RIPI/2002. Considera equivocado o posicionamento do AuditorFiscal no sentido de que o simples fato de não ter sido cobrado imposto na etapa produtiva antecedente impediria o aproveitamento do crédito pelo Fl. 105DF CARF MF 4 adquirente do produto beneficiado na etapa subsequente, pois esse entendimento seria incompatível com o princípio da não cumulatividade do IPI, sobre o qual discorre. Reportase ao entendimento manifestado pelo Exmo. Ministro Nelson Jobim no voto vencedor do Recurso Extraordinário n.° 212.4842/RS, julgado pelo Tribunal Pleno do E. Supremo Tribunal Federal, que transcreve em parte. Ataca também a menção ao Parecer PGFN n.° 405/2003, que não teria eficácia normativa em relação ao presente caso, pois referese à possibilidade de creditamento do IPI nas aquisições de insumos tributados à alíquota zero, não havendo nenhuma relação com as operações isentas do IPI, provenientes da Zona Franca de Manaus de que se trata neste processo. Sustenta que a circunstância de se tratar de insumos provenientes da ZFM daria ainda mais guarida ao seu direito pois se trata de isenção peculiar, com natureza de incentivo regional, que somente será efetivo se o direito ao crédito for mantido em favor do adquirente. Tanto que o próprio E. Supremo Tribunal Federal consignou recentemente no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.819 que o julgamento ali proferido para as hipóteses de creditamento de IPI decorrente de aquisições de insumos isentos não contempla os casos de insumos beneficiados por isenção concedida à Zona Franca de Manaus. Finalizando, solicita o cancelamento dos débitos e o arquivamento do processo administrativo. Uma vez que se encontrava esgotado o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, o interessado interpôs ação de mandado de segurança (M.S n° 0002832.23.2013.4.02.5120) junto à 2a Vara Federal de Nova Iguaçu, na qual obteve liminar que assegurou a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados e o direito ao exame de manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: "(...) DEFIRO A LIMINAR para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto dos processos administrativos arrolados na inicial, devendo as manifestações de inconformidade apresentadas nos referidos processos administrativos (n°s 10735.903830/201200, 10735.903831/201246. 10735.903832/201291, 10735.903833/201235, 10735.903834/201280. 10735.903835/201224, 10735.903836/201279, 10735.903838/201268. 10735.903839/201211, 10735.903840/201237, 10735903.829/201277 e 10735.903837/201213) serem processadas e encaminhadas para julgamento.” Diante disso, o processo foi encaminhado para julgamento. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10735.903831/201246 Acórdão n.º 3302005.216 S3C3T2 Fl. 105 5 Ementa: DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 29/03/2016, conforme Termo de Abertura de Documento, apresenta em 27/04/2016, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em pesquisa no site deste E. Conselho constatei que foi formalizado o processo nº 19515.721546/201278, decorrente de autuação fiscal na referida empresa em relação à glosa de créditos indevidos por aquisições de insumos isentos, provenientes da empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., localizada na Zona Franca de Manaus, isenta de IPI nos termos dos art. 69, I e II e 134, II do Decreto nº 4.544/2002. Informa o referido processo que as glosas foram efetuadas após a auditoria fiscal nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER transmitidos para utilização dos saldos credores do IPI apurados pela Lorenpet, no período de apuração de 1º trimestre/2007 ao 4º trimestre/2008. Estando o PER/DCOMP do presente processo abrangido na referida autuação, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão nº 3301003.626, de 23/05/2017, com escopo no artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, cuja ementa e excertos do voto estão a seguir transcritos, na parte de interesse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Fl. 107DF CARF MF 6 Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIA PRIMA.ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art.25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Recurso Voluntário Negado. Excertos do voto: Glosa dos créditos de IPI relativo à aquisição de matériaprima com isenção de IPI Não há reparos a serem feitos na decisão de piso, pois a legislação tributária não permite a apropriação de créditos escriturais na aquisição de matériasprimas isentas aplicadas na industrialização, provenientes da Zona Franca de Manaus, como a seguir se expõe. A nãocumulatividade estabelecida no art. 153, § 3º, II, da CF, implica que os produtos que tenham sido tributados pelo IPI geram créditos na entrada em estabelecimentos contribuintes para fins de compensação com o que for devido a título desse mesmo tributo em saídas tributadas realizadas num período de apuração, confrontados os créditos e débitos no RAIPI. A nãocumulatividade voltase à quantificação tributária nas várias etapas de processo produtivo plurifásico, com a finalidade de evitar que a última etapa da cadeia (venda ao consumidor final) seja onerada pelo que se agregou em cada fase anterior. Disso decorre que se não houver recolhimento de IPI na operação precedente, não há que se falar em creditamento, assim, se a entrada de matériaprima for não tributada (alíquota zero, isenção ou nãoincidência),então não haverá direito a crédito escritural correspondente à entrada. Posteriormente ao julgamento do RE nº 212.484, citado pela Recorrente, o STF, nos RE nº 370.682SC e nº 353.657PR, decidiu de modo contrário à sua pretensão: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. RE 370.682SC, DJ 19/12/2007. E, Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10735.903831/201246 Acórdão n.º 3302005.216 S3C3T2 Fl. 106 7 IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO.INEXISTÊNCIA DO DIREITO. EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. RE 353.657PR, DJ 07/03/2008. Em seguida, o STF, no julgamento do RE nº 566.819, alinhou a negativa da possibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, assentando que insumo isento não dá direito a crédito de IPI:(grifei) IP. CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO. INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566.819, DJ 10022011. Ademais, não há qualquer vinculabilidade do RE nº 212.484, uma vez que o RE nº 592.891, em repercussão geral, ainda não julgado, tratará também do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM, quer isto dizer que não há posicionamento assentado do STF sobre a questão específica da Zona Franca de Manaus. Requer a Recorrente o sobrestamento deste processo até decisão final de mérito no RE nº 592.891. Todavia, não há previsão regimental para essa suspensão, no RICARF atualmente em vigência, Portaria nº 343/2015. Por fim, devese destacar que o RE nº 566.819 deve ser adotado para os casos em que os produtos sejam provenientes da Zona Franca de Manaus, uma vez que a lógica da desoneração é a mesma. O STJ, em recurso repetitivo, no REsp nº 1.134.903 SP, DJ 24/06/2010, consignou a impossibilidade de creditamento nas entradas isentas:(grifei). Fl. 109DF CARF MF 8 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008) 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade),matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”. 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10735.903831/201246 Acórdão n.º 3302005.216 S3C3T2 Fl. 107 9 aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em seguida, o REsp nº 1.429.525SP, DJ 20/02/2014, com base no recurso repetitivo acima, expressamente indicou:(grifei). TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU FAVORECIDOS COM ALÍQUOTA ZERO PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO (ART. 557, CPC). Do voto do relator Mauro Campbell Marques extraise o seguinte trecho: De observar que, muito embora o item "6" da ementa suso transcrita indique a negativa de conhecimento dos recursos especiais onde se discute o direito ao creditamento relativo às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, mutatis mutandis, tendo já havido o julgamento da matéria pelo STF, deve ser utilizada a mesma lógica para ser conhecido o recurso e aplicada a jurisprudência do Pretório Excelso, prestigiando a uniformização jurisprudencial e a isonomia fiscal, indiferente tratarse de isenção proveniente da Zona Franca de Manaus, posto que a lógica é a mesma.(grifei). Por conseguinte, nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação do princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. No sentido de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citese o acórdão nº 3403003.242 (j. 16/09/2014), no qual a Recorrente Lorenpet figura também como parte: Assunto: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS.IMPOSSIBILIDADE. Fl. 111DF CARF MF 10 O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado. Além disso, a Súmula CARF n° 18 prescreve que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Entendo que a alíquota zero e a isenção têm a mesma repercussão de não gerarem recolhimento na entrada, o que veda o creditamento, como acima já se defendeu. Ainda na mesma linha de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citase o julgado de 27/09/2016, proferido no processo 19515.001412/201075, da mesma empresa conforme a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/08/2005, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.DECADÊNCIA. Nos casos em que há pagamento antecipado do imposto, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CREDITAMENTO. IPI. INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10735.903831/201246 Acórdão n.º 3302005.216 S3C3T2 Fl. 108 11 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não dá direito ao creditamento do tributo, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não umulatividade. Cabe destacar que neste processo a empresa apresentou recurso especial, o qual foi negado seguimento de forma definitiva, uma vez que o acórdão recorrido observou decisão do STJ proferida sob a sistemática dos recursos repetitivos. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.688803/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.222
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 80 3/ 20 09 -1 4 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.688803/200914 Resolução nº 3402001.222 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.688803/200914 Resolução nº 3402001.222 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.688803/200914 Resolução nº 3402001.222 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 15943.000102/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996.
A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu.
DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002.
O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-004.251
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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CRÉDITOS. FORNECEDORES INIDÔNEOS. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS OBTIDOS. Recorrente VITAPELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, “A”, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/200932. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 3. 00 01 02 /2 00 9- 07 Fl. 20796DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de PIS não cumulativa. Esse pedido foi indeferido e as compensações transmitidas não homologadas, sob a justificativa de que a apuração de PIS, calculado sobre o faturamento mensal, não estaria correta, pois o contribuinte teria deixado de incluir determinadas receitas e considerado determinados créditos, de forma indevida. De acordo com a Fiscalização, os itens questionados e que acabaram por gerar o indeferimento do pedido de ressarcimento de saldo credor podem ser agrupados da seguinte forma pela: (i) receitas de insubsistência de passivo; (ii) receitas de descontos obtidos; e (iii) utilização de créditos sobre operações comerciais irregulares . Após ter sido cientificada da decisão de indeferimento de seu pedido, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, conforme Acórdão nº 1460.619. Cientificado desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o presente Recurso Voluntário, no qual requer a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecido integralmente o crédito objeto de pedido de ressarcimento, pelas seguintes alegações: (i) a Recorrente defende a regularidade das operações de aquisições de insumos que foram glosadas e a necessidade de aplicação do entendimento firmado no Acórdão proferido pela Primeira Seção nos autos do processo nº 10835.721527/201254, por ser o processo em questão, segundo a Recorrente, reflexo do processo que já foi julgado; (ii) com relação aos descontos obtidos, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que adquire de fornecedores sua principal matéria prima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim; constatado algum problema relacionado a matériaprima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005; (iii) com relação à acusação de omissão de receita por insubsistência de passivo, a Recorrente explica a formação do passivo, que vem do ano de 2000, e defende a inocorrência de fato gerador; e (iv) por último, a Recorrente pede a aplicação da Taxa Selic sobre os valores objeto do pedido de ressarcimento. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e, em 07/11/2017, a Recorrente apresentou petição informando que Fl. 20797DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 4 3 havia ingressado com medida judicial e obtido decisão que deu provimento ao Agravo de Instrumento nº 500048412.2017.4.03.0000, para determinar à parte agravada, a União, que "aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como o faça com observância do decidido pelo E. STJ no Resp repetitivo nº 1.148.444/MG". É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.248, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 15943.000105/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.248): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, o Recorrente ingressou com medida judicial e obteve decisão a ele favorável, com duas determinações: (i) a primeira para que os pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolizados pelo Recorrente há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias fossem julgados imediatamente; e (ii) para que o Colegiado observasse o decidido pelo STJ no julgamento do Recurso Especial, sob a sistemática dos recursos repetitivos, de nº 1.148.444/MG. Quanto à primeira determinação, observase seu cumprimento com a colocação em pauta do Recurso Voluntário na primeira oportunidade e o seu julgamento nesta sessão. Quanto à segunda determinação, o entendimento firmado no STJ é relativo à legitimidade do direito de crédito do adquirente de boa fé nas operações em que os seus fornecedores são posteriormente declarados inidôneos. No julgamento em questão, sob a Relatoria do Ministro Luiz Fux, o e. STJ afirmou que "o comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação" e que "a boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS". Fl. 20798DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 5 4 Este Colegiado já está vinculado ao entendimento em referência, assim como outros expressos em decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e em decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça, em outros julgados realizados sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força de dispositivo regimental (artigo 62, inciso II, alínea "b", do Regimento Interno do CARF), de modo que, seja por observação ao Regimento Interno deste orgão, sob pena, inclusive de perda de mandato, conforme artigo 45, inciso VI, do Regimento Interno, seja por observação à determinação judicial, o julgamento aqui ora realizado seguirá o entendimento firmado pelo STJ no Recurso Especial nº 1.148.444/MG. De toda sorte, essa afirmação não significa que a questão está totalmente decidida, pois, há que se verificar, no caso concreto e em relação a cada fornecedor, se a Recorrente pode ser enquadrada como adquirente de boa fé e se há comprovação da veracidade da compra e venda efetuada, o que não foi levado à apreciação do Poder Judiciário, pois, se assim o fosse, nada haveria que se decidir aqui, aplicandose tão somente a Súmula CARF nº 01, que prevê: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Glosas relativas às aquisições de fornecedores Sobre essa primeira matéria, a Fiscalização glosou o direito de crédito utilizado pela Recorrente, por aquisições realizadas de nove fornecedores, quais sejam: (1) Curtama Indústria e Comércio Ltda.; (2) Frigorífico Altamira Ltda.; (3) Henriques Comércio de Couros Ltda.; (4) J A Comércio de Couros Ltda.; (5) José de Carvalho Lima Junior; (6) Lacerda Couros Ltda., (7) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; (8) Vanderlei João de Oliveira; e (9) Volmir Sofiatti ME, pelos seguintes motivos: situação cadastral irregular, inativas, inexistentes de fato, omissas nas entregas de declarações tributárias e, ainda, a inocorrência das operações. Na decisão recorrida, a totalidade das glosas foi mantida após exame dos fundamentos de cada glosa e da constatação de que o Recorrente não teria apresentado documentação "comprovando que as referidas pessoas jurídicas (empresas) realmente realizaram atividades econômicas e financeiras, nos períodos de competência objetos do ressarcimento pleiteado. Também não apresentaram as respectivas DIPJs, DCTFs e Dacons, comprovando que operaram regularmente e de conformidade com a legislação tributária vigente, que dispunham de capacidade econômica e financeira e de instalações capazes de suportar as operações de armazenagem e comercialização de couro cru, no volume de operações representadas pelas notas fiscais emitidas no período, objeto do ressarcimento pleiteado". Entretanto, o conjunto probatório exigido na decisão recorrida parece ser além do razóavel para que a Recorrente pudesse fazer jus ao direito de crédito, pois demandaria da Recorrente a obtenção de um conjunto de informações que está sob o domínio do seu fornecedor e não da Fl. 20799DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 6 5 Recorrente, sendo certo que cabe ao Fisco e não à Recorrente a fiscalização de toda a situação econômica e fiscal da fornecedora. Diante disso, sobre a matéria, o parâmetro que deve ser observado é o parâmetro legal, disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, segundo o qual: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços". Logo, em regra, a declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito, mas esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. Em decorrência, a jurisprudência das Turmas de Direito Público do STJ se firmou no sentido de que "o comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação"1. Fixadas essas idéias, examinamse os fundamentos apresentados pela Fiscalização para não aceitar o direito de crédito e os argumentos do contribuinte para defender esse direito. Com relação a um grupo de 5 (cinco) fornecedores, composto por Curtama Indústria e Comércio Ltda., J A Comércio de Couros Ltda.; Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida, amparada nas conclusões da Fiscalização, apresenta os seguintes fundamentos para a manutenção da glosa. Em relação a Curtama Indústria e Comércio Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, considerando a omissão na entrega a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do ano calendário de 2008, ausência de registro contábil e fiscal de pagamentos aos transportadores autônomos, transporte este que teria sido suportado pelo fornecedor, e incompatibilidade entre veículo utilizado, mini van Asia Topic, com a carga e peso transportados. Em relação a J A Comércio de Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, por ter a empresa apresentado para o anocalendário 1 AgRg no AREsp 260.278/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe 18/06/2014. Fl. 20800DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 7 6 de 2008 a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) na situação inativa, ausência de comprovação de pagamento por parte do Recorrente e incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Lacerda Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, pois a DIPJ do ano calendário de 2008 informava que não teria sido realizada nenhuma operação e por incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Vanderlei João de Oliveira, a decisão recorrida manteve a glosa apenas com base na incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados. Por último, em relação a Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida aponta omissão na entrega de DIPJ do ano calendário de 2008, que o pagamento pelas aquisições teria sido feito por cessão de crédito bancário e que a empresa foi inabilitada a partir de 21/07/2010, portanto, quase dois anos depois do período das aquisições tratadas nos autos deste processo. Em sua defesa, a Recorrente afirma que não há acusação de que as notas fiscais seriam inidôneas e que esses mesmos fornecedores foram examinados em outro processo de interesse da Recorrente, em período que inclui o período do pedido de ressarcimento ora em análise, o processo administrativo nº 10835.721527/201254 e, no julgamento daquele processo a conclusão teria sido no sentido de que a fiscalização foi superficial, não houve acusação de inidoneidade e as cessões de crédito foram entendidas como regulares. Em que pese o processo indicado pelo Recorrente tratar de uma lançamento decorrente de Auto de Infração e o presente processo tratar de uma demanda por crédito por parte da Recorrente, procedimentos em que a distribuição do ônus da prova opera de forma diferente, cabendo, no primeiro, à Fiscalização demonstrar a ocorrência do fato gerador e, no segundo, ao contribuinte demonstrar o seu direito de crédito, entendo que as conclusões a que chegou a Primeira Seção de Julgamento do CARF podem ser aqui consideradas, pois, se o fundamento para indeferir o direito de crédito não guardar respaldo do ordenamento jurídico, há que se considerar idônea a documentação fiscal do fornecedor da Recorrente e legítimo o crédito do Recorrente. Naquele processo, um conjunto maior de fornecedores foi analisado, reportandose o julgador para análise dos 5 (cinco) fornecedores aqui examinados as conclusões a que já havia chegado em relação aos fornecedores "11. A.M. da Silva Teixeira & Cia Ltda" e "13. Aracouro Comercial Ltda". Nesse sentido, os julgadores da Primeira Seção entenderam que os elementos colhidos pela Fiscalização, que deram origem ao lançamento lá discutido e ao indeferimento do direito de crédito aqui discutido, não eram suficientes para se chegar à conclusão de que as operações de compra e venda de couro não existiram. A incompatibilidade entre veículo e carga e peso, por exemplo, é explicada pela colocação de forma equivocada de informações na nota fiscal, como lá demonstrado. Já a cessão de crédito foi encarada como uma operação comercial Fl. 20801DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 8 7 regular, ante a inexistência de demais elementos que comprovassem eventual falsidade. Além disso, apesar de indícios levantados, não há informação de que o Fisco tenha declarado a inaptidão dos fornecedores em referência. Apenas um deles, Volmir Sofiatti ME, teve a inaptidão declarada, mas em período posterior ao ano de 2008. Diante disso, naquele processo, os julgadores afirmaram que: "Ora, se o próprio fisco, a despeito dos indícios coletados, deixa de aprofundar as suas investigações com relação a determinado fornecedor, e de efetivamente considerar inidôneos os documentos emitidos (o que necessariamente conduziria à aplicação da penalidade de 150%), então não há como deixar de reconhecer que, smj, o próprio fisco não está convicto da não realização daquelas operações. Tanto mais no caso dos presentes autos, em que se verifica que a fiscalização, quando efetivamente empreendeu as necessárias diligências, e reuniu um conjunto mais robusto de provas indiciárias, aplicou a multa de 150%". Para o presente processo, as informações levantadas pelo Fisco e que foram acolhidas pela decisão recorrida não me parecem suficientes para afastar a idoneidade das notas fiscais emitidas e a regularidade das operações em relação a todos os fornecedores, com exceção do fornecedor "J A Comércio de Couros Ltda." em relação ao qual a Fiscalização solicitou a apresentação dos comprovantes de pagamentos, que não foram oferecidos pela Recorrente. Diante disso, proponho ao Colegiado afastar todos as glosas do primeiro grupo, com exceção da relativa ao fornecedor a "J A Comércio de Couros Ltda.". Com relação ao fornecedor "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.", a acusação é dividida em dois motivos: com relação às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, embora intimada, a Recorrente não teria apresentado a comprovação do pagamento; e, com relação às notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055, haveria incompatibilidade entre veículo utilizado e carga e peso transportados. Com relação a esse fornecedor, a Recorrente defende que a única acusação é a questão da incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados, trazendo entendimento da Primeira Seção no processo já referenciado, no sentido de que não poderia haver lançamento em relação a esse fornecedor, conforme a seguir: "De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 419420) restringese ao fato de que, com relação a algumas notas fiscais, o suposto transporte das mercadorias teria sido efetuado em veículo incompatível para o transporte de cargas, e, com relação a outras, que o contribuinte teria deixado de apresentar o comprovante de pagamento. Estas questões já foram anteriormente abordadas, pelo que pedese vênia para não repetir os argumentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Fl. 20802DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 9 8 Realmente, como já afirmado, a acusação de incompatibilidade de veículo e carga/peso transportados não importa concluir, no caso, pela inidoneidade das operações, tendo em vista a possibilidade de colocação errônea de dados nas notas fiscais, como narra a decisão da Primeira Seção. Todavia, de forma diferente do que fora lá decidido, entendo que em processo que decorre de indeferimento de pedido de ressarcimento, no qual há intimação para comprovação de pagamento, para fins de demonstração da idoneidade e regularidade da operação, caberia à Recorrente fazer essa prova. Como não há prova do pagamento nas operações relativas às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, proponho ao Colegiado manter a sua glosa, afastando em relação às demais operações desse fornecedor. Com relação ao fornecedor "Henriques Comércio de Couros Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pela acusação de ausência de pagamento por transporte e incompatibilidade entre veículo e carga/peso transportados, elemento que já se afirmou acima não é suficiente para a conclusão pela inidoneidade. Especificamente em relação às notas fiscais 367 e 369, a decisão recorrida manteve a glosa pois os cheques foram sustados, em razão de desacordo comercial entre as partes. Já as notas fiscais 310; 311; 416; 417; 418; e 419 os pagamentos foram efetuados por terceiros, mediante cessão de crédito bancário. A Recorrente, no que se refere a esse fornecedor, defende a superficialidade da Fiscalização, ausência de acusação de inidoneidade e que as cessões de crédito são operações regulares, citando a decisão da Primeira Seção que assim afirmou: 44. Henriques Comércio de Couros Ltda. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 402404) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Com relação a duas notas fiscais (367, no valor de R$ 5.400,00, e 369, no valor de R$ 14.850,00), destacara o fisco que o cheque 151871 do Banco do Brasil S/A fora, por ordem do emitente, “sustado” em 17/03/2009, em face de “desacordo comercial”. Entretanto, já em sede de impugnação, o contribuinte trouxera aos autos o comprovante da transferência bancária posteriormente efetuada, em 01/04/2009, pelo valor total de R$ 20.250,00, em nome do citado fornecedor (fls. 25510). Com relação aos demais argumentos, em linhas gerais, peço vênia para reportarme aos itens 11 a 13, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Como se verifica, a matéria foi tratada na sua integralidade naquela decisão e, diante dos fatos e análises ali colocados, proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Fl. 20803DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 10 9 Com relação ao fornecedor "José de Carvalho Lima Junior", a decisão recorrida manteve a glosa, por inabilitação do fornecedor junto a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, por incompatibilidade de veículo com carga/peso transportados, ausência de registros de pagamentos aos transportadores e ausência de declaração de receitas na DIPJ pelo fornecedor do ano de 2008. A Recorrente defende que esse fornecedor só foi declarado não habilitado a partir de 26/03/2010, data posterior às operações realizadas pela Recorrente, afirmando que, mesmo após o falecimento do Sr. José de Carvalho Lima Junior, a empresa continuou funcionando, sendo administrada pelo Sr. Reginaldo de Carvalho Siqueira, amparandose novamente no que restou decidido no Processo Administrativo nº 10835.721527/201254. Naquele processo, restou decidido que a Recorrente era um típico adquirente de boafé tratado pela doutrina e jurisprudência, pelos motivos a seguir: "De todo o exposto, dúvidas não restam quanto à inidoneidade dos documentos emitidos em nome de José de Carvalho Lima Júnior após o seu falecimento. Contudo, as diligências efetuadas não demonstraram que não houvesse comercialização de couro, antes ao contrário. O Sr. Reginaldo declarou que fazia a administração da empresa de José de Carvalho Lima Júnior, comprando e vendendo couros, e administrando o pessoal. Perguntado sobre seus clientes em 2009, respondeu que “quase 100% Vitapelli”, e que as vendas eram todas a prazo, de até 120 dias. E que, com relação à forma de recebimento pelas vendas, os pagamentos, pela Vitapelli, eram feitos em cheque ou por meio de duplicata descontada em banco. Nos autos há fotos do couro na salgadeira do Sr. Reginaldo, tiradas pelo fisco. A empresa pode até não ter registrado seus funcionários, mas o fisco constatou que havia funcionários no local. Nos documentos anexados pelo fisco relativos ao fornecedor José de Carvalho Lima Júnior (fls. 67697993) e ao fornecedor Reginaldo de Carvalho Siqueira (fls. 1475914871), constam cópias de diversos cheques emitidos nominalmente a ambos (muitos com a aposição da expressão “bom para ...”, indicando uma data bem posterior à de sua emissão), bem como de documentos de cobrança bancária em favor de ambos fornecedores, a confirmar as alegações do Sr. Reginaldo quanto à forma de pagamento. Ademais, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento da irregular interposição de pessoa / sucessão fraudulenta. Aliás, nem mesmo o contador, que estava mais próximo dos fatos, tinha conhecimento, de acordo com as declarações que prestou ao fisco. Do ponto de vista da recorrente, portanto, entendo que o quanto trazido aos autos a coloca, em relação aos dois citados fornecedores, na condição do adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades praticadas por seus fornecedores. Fl. 20804DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 11 10 Sem procedência, portanto, o lançamento fiscal relativo a este fornecedor". Portanto, por já ter sido demonstrada a regularidade das operações realizadas por esse fornecedor com a Recorrente, devem ser afastadas as acusações que amparam a glosa do direito de crédito da Recorrente, motivo pelo qual proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Por último, com relação ao fornecedor "Frigorífico Altamira Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pelo seguinte motivo: "Intimado a comprovar os pagamentos das notas fiscais referentes as suposta aquisições dos insumos (couro cru), recebida a intimação, o interessado não a atendeu. Também, intimado, não apresentou a planilha de movimentação das mercadorias discriminadas nas notas fiscais". A Recorrente faz referência à decisão da Primeira Seção e que teria juntado no Recurso Voluntário documentação comprobatória dos pagamentos, com a juntada de razão mensal. Embora o conjunto dos elementos não tenha sido suficiente para sustentar o lançamento, no presente processo, entendo que caberia à Recorrente fazer prova do pagamento, que continuou sem amparo. Às fls. 7.339 dos autos, no parecer da fiscalização, há a informação de que foi glosado em relação ao 4ª Trimestre de 2008 a quantia de R$270.000,00. Contudo, não há na documentação contábil oferecida pela Recorrente o registro de pagamentos realizados em favor desse fornecedor. Há, na realidade, pagamentos em favor de outro fornecedor, "Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda.". Além disso, mesmo que existissem pagamentos em favor do fornecedor correto, seria oportuno e necessário, para fins de demonstração do direito pleiteado, que o Recorrente fizesse o cotejo entre valores glosados, notas fiscais e transferências realizadas, a fim de evidenciar e atestar a regularidade do direito de crédito pleiteado. Dessa forma, por carência probatória nesse item, proponho ao Colegiado manter a glosa realizada. Glosas relativas a descontos Nesse ponto, a decisão recorrida manteve a glosa, pois "os descontos (abatimentos), segundo consta do Parecer às fls. 7.377/7.400, parte integrante do despacho decisório recorrido, não decorreram de antecipações de pagamentos, mas de ato liberatório dos fornecedores a favor do interessado". Assim, a decisão recorrida entendeu que tais abatimentos constituiriam outras receitas operacionais sujeitas à contribuição para o PIS sob o regime não cumulativo, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Em sua defesa, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que adquire de fornecedores sua principal matériaprima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim, constatado algum problema relacionado a matéria Fl. 20805DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 12 11 prima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005. Com razão a decisão recorrida, pois o abatimento ou desconto obtido pela Recorrente não possui natureza jurídica de desconto incondicional, passível de exclusão da base de cálculo das contribuições nos termos do artigo 1o, parágrafo 3o, inciso V, “a”, da Lei no 10.637/2002, portanto, não é mero redutor do preço pago pelos seus insumos. Além disso, não possui natureza de receita financeira. Primeiro, pela própria narrativa da Recorrente fica clara a natureza de desconto condicional dos valores por ela recebidos, pois o gatilho para que a Recorrente receba tais valores é justamente evento futuro e incerto a verificação de que existem inconsistências nos produtos entregues , o que configura uma condição, nos termos do artigo 121 do Código Civil. Assim, tais valores não podem ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Isso porque a condição superveniente à realização da compra e venda ou prestação de serviços não é capaz de alterar o valor da operação ou preço do serviço já ajustado pelas partes para o negócio jurídico já ocorrido, quando já incidiu a norma de tributação, estabelecendo a relação entre o sujeito passivo e o Estado credor. Segundo, não se verifica a natureza de receita financeira, para fins de reconhecimento de aplicação de alíquota zero, pois os valores recebidos não se qualificam como nenhuma das formas de receita financeira prevista no artigo 373 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, não havendo qualquer elemento de aproximação que pudesse permitir uma equiparação. Ante o exposto, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Glosas relativas ao passivo insubsistente Na decisão recorrida, a glosa relativa a esse item foi mantida, pelos seguintes motivos: "A insubsistência do passivo configura omissão de receitas, mediante simulação de uma suposta aquisição de quotas ou ações do interessado, por parte da Siro Invest S.A., e com isto lograr transferir para o patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado, valores que estavam registrados no seu passivo contábil. Este mesmo interessado (impugnante) foi autuado, em relação ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sobre esta mesma matéria, ou seja, por omissão de receita decorrente da insubsistência do passivo. Os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram formalizados por meio do processo administrativo nº 10835.721527/201254. No julgamento da impugnação interposta pelo interessado contra estes tributos, a Fl. 20806DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 13 12 1ª Turma de Julgamento desta DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo suas exigências. Assim, levandose em conta que esta matéria (insubsistência de passivo) já foi objeto de julgamento por parte desta DRJ e, ainda, por economia processual e celeridade do processo, adoto o mesmo voto proferido, naquele processo, pelo Ilustre Julgador Antônio Carlos Trevisan, transcrito a seguir: (...)" Como se verifica, a matéria já havia sido julgada de forma contrária à Recorrente naquele mesmo processo, da Primeira Seção, por ela citado, para afastar as glosas deste processo. Em sua defesa, a Recorrente explica a operação societária por ela realizada, informando que acumulou dívidas com uma sociedade denominada Rebel Import and Export Company que, por sua vez, celebrou uma cessão desse crédito com a sociedade denominada Siro Invest S/A. Após, a Recorrente e a Siro Invest S/A decidiram transformar esse passivo em participação societária, mediante a transformação da Recorrente em sociedade por ações e a subscrição, pela Siro Invest S/A, de 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil ações) pelo valor de R$ 35.240.000,00. Em seguida, a Recorrente argumenta que em nenhum momento os valores da operação transitaram pelo resultado em 2008, "pois ainda que prevalecesse o entendimento de que o referido montante não tem subsidio para ser registrado como ágio, o valor deveria recompor o passivo originário, nos anos de 2000 a 2007, uma vez que o passivo de fato existe". Com isso, a Recorrente afirma que a liquidação desse passivo no ano de 2008 não constituiu base de cálculo da contribuição e não é fato gerador da contribuição. Contudo, a matéria já foi decidida pelo CARF, tendo efeitos meramente reflexos no pedido de ressarcimento. Naquela oportunidade, a Primeira Seção entendeu que: "Ora, tudo o quanto acima relatado dá pleno respaldo à acusação fiscal de omissão de receitas. Demonstrou o fisco de forma contundente que toda a operação de suposta aquisição de quotas ou ações da fiscalizada pela Siro Invest não passou de mera simulação, bem como que a suposta dívida para com a Siro Invest também não era real, tratandose, portanto, de passivo inexistente. A alegação da recorrente no sentido de que os fatos narrados não se enquadrariam em nenhuma das situações previstas pelo art. 281 do RIR/99, que trata dos casos de “Passivo Fictício” e “Insubsistência do Passivo”, porque não seria possível presumir a existência de obrigações já pagas ou inexistentes, não pode prosperar. O fisco não presumiu a inexistência do passivo, senão antes reuniu um forte conjunto de indícios sérios, graves e convergentes, que apontam para a conclusão quanto à inexistência do alegado passivo. Incumbia à recorrente trazer elementos igualmente fortes e suficientes para infirmar a acusação fiscal, o que não fez". Fl. 20807DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 14 13 Dessa forma, considerando que a Seção competente para julgar a omissão de receitas de IRPJ e CSLL já apreciou a matéria e os efeitos daquela decisão são reflexos ao pedido de ressarcimento que deu origem ao processo ora em julgamento tendo em vista que uma vez decidido que houve simulação e omissão de receitas, a conseqüência é o lançamento das quantias a título de IRPJ e CSLL e a não aceitação da base de cálculo considerada pela Recorrente para fins de PIS/COFINS diante do reconhecimento da omissão de receitas no processo administrativo nº 10835.721527/201254, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Por último, com relação à aplicação da taxa SELIC ao pedido de ressarcimento, entendo pela sua impossibilidade, tendo em vista a expressa vedação legal, prevista nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos: "Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15 . Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei." Conclusão Por todo o exposto, proponho ao Colegiado dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar as glosas relativas aos seguintes fornecedores: Curtama Indústria e Comércio Ltda., Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME; "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda." (apenas notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055); "Henriques Comércio de Couros Ltda."; e "José de Carvalho Lima Junior". " Importante observar que, na solução do presente litígio, serão aplicados os mesmos critérios adotados na decisão do paradigma, que acatou as conclusões a que chegou a Primeira Seção do CARF no julgamento do processo 10835.721527/201254 (Acórdão 1102 001.075), para: afastar as glosas que tiveram por fundamento a realização de pagamentos mediante cessão de créditos; afastar as glosas que tiveram por fundamento a incompatibilidade entre veículo, carga e peso transportado. Todavia, no caso do paradigma, por tratarse de pleito de ressarcimento/compensação, o colegiado decidiu manter as glosas motivadas pela falta de comprovação dos pagamentos. No presente processo as glosas relativas às aquisições de fornecedores englobaram as seguintes empresas: (1) Brasilco Brasileira de Couros Ltda.; (2) Cavalcante e Nelson Ltda.; (3) Comercial Coumig Ltda.; (4) Comercial de Couros Sarzedo Ltda.; (5) Comercial ZML Ltda.; (6) Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda.; (7) D.C. Comércio & Distribuidora de Carnes Ltda.; (8) Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda.; (9) Frigorífico Campos de São José Ltda.; (10) Frisbbel de Itap Frig de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda. ME; (11) Henriques Comércio de Couros Ltda.; (12) José de Carvalho Lima Junior; (13) Kripton Comércio e Transportes Ltda.; (14) Lacerda Couros Ltda. ME, (15) M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda.; (16) Manos Couro Ltda ME; (17) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; (18) Sarzeppelli Comércio e Exportação Ltda. ME; (19) Souza Jesus Com. de Carnes e Couros Ltda. ME; e, (20) Volmir Sofiatti ME, conforme Termo de Fl. 20808DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 15 14 Verificação e Constatação Fiscal (TVeCF) às fls. 7.407/7.489, Parecer às fls. 7.493/7.523, e Despacho Decisório às fls. 7.524, de cujas ciências o interessado foi intimado em 10/11/2010. O presente pleito é relativo ao 2ª trimestre de 2008 (01/04/2008 a 30/06/2008). Observandose as planilhas das glosas efetuadas pelo Fisco para cada um dos fornecedores, com as respectivas motivações indicadas em cada uma das planilhas (fls. 7201 a 7296 do processo digital), constatase que, para os fornecedores relacionados a seguir, não houve glosa motivada por falta de comprovação de pagamento. Frisese: não houve glosa, sob essa motivação, de notas fiscais escrituradas no período de apuração do presente pleito. Desta forma, no presente processo, devem ser afastadas as glosas das aquisições efetuadas em relação aos seguintes fornecedores: Brasilco Brasileira de Couros Ltda; Cavalcante e Nelson Ltda; Comercial Coumig Ltda.; Comercial de Couros Sarzedo Ltda.; Comercial ZML Ltda.; 2 Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda; D.C. Comércio & Distribuidora de Carnes Ltda.; Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda; Frigorífico Campos de São José Ltda.; Henriques Comércio de Couros Ltda.; José de Carvalho Lima Junior; Lacerda Couros Ltda. ME; M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda.; Manos Couro Ltda ME Navi Carnes Indústria e Comércio Ltd Souza Jesus Com. de Carnes e Couros Ltda. ME Volmir Sofiatti ME Por outro lado, da mesma forma que no julgamento do paradigma, serão mantidas as glosas motivadas pela falta de comprovação de pagamento em relação às notas fiscais listadas a seguir (escrituradas no período de apuração deste processo): a) Comercial de Couros Sarzedo Ltda Notas Fiscais nº 2 e 3 (fl. 7210 do processo digital); b) Frisbbel de Itap Frig de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda. Notas Fiscais 15174, 15210 e 15.211 (fl. 7228 do processo digital); c) Kripton Comércio e Transportes Ltda. Notas Fiscais 81 e 82 (fl. 7237 do processo digital). d) Sarzeppelli Comércio e Exportação Ltda. ME Notas Fiscais 559, 560, 561, 562, 563, 564, 565 e 566 (fl. 7271 do processo digital). 2 Com relação ao fornecedor Comercial ZML Ltda, também foi afastada a "Glosa Majoração de Preço" ( planilha de fl. 7078), pelas razões expostas no item 15 do Acórdão 1102001.075 (páginas 38 a 40 do acórdão). Fl. 20809DF CARF MF Processo nº 15943.000102/200907 Acórdão n.º 3401004.251 S3C4T1 Fl. 16 15 Em resumo, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário nas matérias dos descontos obtidos após a realização da operação comercial, do passivo insubsistente, e da aplicação da taxa Selic sobre o pedido de ressarcimento, e dar parcial provimento quanto às glosas relativas às aquisições de fornecedores, nos seguintes termos: 1) afastar as glosas relativas aos fornecedores: Brasilco Brasileira de Couros Ltda; Cavalcante e Nelson Ltda; Comercial Coumig Ltda.; Comercial de Couros Sarzedo Ltda.; Comercial ZML Ltda.; Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda; D.C. Comércio & Distribuidora de Carnes Ltda.; Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda; Frigorífico Campos de São José Ltda.; Henriques Comércio de Couros Ltda.; José de Carvalho Lima Junior; Lacerda Couros Ltda. ME; M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda.; Manos Couro Ltda ME; Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda; Souza Jesus Com. de Carnes e Couros Ltda. ME; Volmir Sofiatti ME 2) manter as glosas, apenas, em relação às notas fiscais 2 e 3 (de Comercial de Couros Sarzedo Ltda), 15174, 15210 e 15.211 (de Frisbbel de Itap Frig de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda.), 81 e 82 (de Kripton Comércio e Transportes Ltda.) e 559, 560, 561, 562, 563, 564, 565 e 566 (de Sarzeppelli Comércio e Exportação Ltda. ME). assinado digitalmente Rosaldo Trevisan Fl. 20810DF CARF MF
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