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Numero do processo: 11080.918336/2012-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 36 /2 01 2- 46 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918336/201246 Acórdão n.º 3801003.483 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918336/201246 Acórdão n.º 3801003.483 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918336/201246 Acórdão n.º 3801003.483 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918336/201246 Acórdão n.º 3801003.483 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918336/201246 Acórdão n.º 3801003.483 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002892/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS DE IPTU.
Somente podem ser abatidas da base de cálculo do imposto incidente sobre rendimentos de aluguéis de bens imóveis as despesas de IPTU comprovadas com documentos hábeis e idôneos, cujo ônus seja exclusivo do proprietário do imóvel locado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS DE IPTU. Somente podem ser abatidas da base de cálculo do imposto incidente sobre rendimentos de aluguéis de bens imóveis as despesas de IPTU comprovadas com documentos hábeis e idôneos, cujo ônus seja exclusivo do proprietário do imóvel locado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS DE IPTU. Somente podem ser abatidas da base de cálculo do imposto incidente sobre rendimentos de aluguéis de bens imóveis as despesas de IPTU comprovadas com documentos hábeis e idôneos, cujo ônus seja exclusivo do proprietário do imóvel locado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 28 92 /2 00 9- 82 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.002892/200982 Acórdão n.º 2801003.612 S2TE01 Fl. 82 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o processo da Notificação de Lançamento de fls. 04 a 10, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2007, anocalendário 2006, que exige R$ 1.247,99 de Imposto de Renda suplementar, R$ 935,99 de multa de ofício e RS 297,64 de juros de mora, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e pessoa jurídica e glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF 2. Segundo o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05 a 07, da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, çonstatouse omissão de rendimentos de aluguéis, no montante de R$ 808,55, conforme Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob apresentada pela fonte pagadora. 3. O relatório também informa a omissão de RS 103.929,80 de rendimentos recebidos na ação judicial 98.201.39627, conforme informações prestadas pela fonte pagadora (Caixa Econômica Federal CEF), mediante Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf. Na apuração do rendimento omitido, foi somado ao valor de R$ 124.320,19, retirado pelo contribuinte em 02/03/06, o IRRF de R$ 3.729,61 e abatida a despesa com advogado de R$ 24.120,00. Também foi procedida à compensação de ofício de R$ 3.729,61 de IRRF referente a essa ação judicial. 4. Por fim o relatório fiscal informa a glosa de compensação de IRRF no montante de R$ 3.729,61, pois tal retenção não foi efetuada pelo Instituto Nacional do Seguro social INSS, Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.002892/200982 Acórdão n.º 2801003.612 S2TE01 Fl. 83 3 conforme declarado pelo contribuinte, mas pela CEF, conforme descrito acima. 5. Cientificado do lançamento 09/06/09, conforme consulta de postagem de fl. 20, o contribuinte ingressou com a impugnação de fl. 01, em 30/06/09, protocolada tempestivamente segundo a unidade de origem, vide fl. 24, alegando, em síntese, que: a) o valor de R$ 808,55, apurado pela fiscalização como omitido, referese a IPTU pago em janeiro de 2006, embora o imóvel não estivesse alugado nesse mês, mas só a partir de fevereiro. Dessa forma, considerando que o IPTU é um imposto anual, requerse a sua dedução do montante dos rendimentos recebidos nesse anocalendário; b) do montante de R$ 103.929,80, apurado pela fiscalização como omitido, R$ 3.729,61 não é rendimento, mas sim a IRRF. Logo, não deve integrar a base de cálculo do Imposto de Renda.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 30/33, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFRAÇÃO. A omissão de rendimentos na Declaração Anual de Ajuste caracteriza infração à legislação tributária, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa, além do recolhimento do imposto suplementar e acréscimos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele Acórdão em 21/09/2011 (AR fl. 42), o interessado interpôs o recurso de fls. 43/48, em 11/10/2011. Em sua defesa, aduz que o valor do IPTU relativo ao ano de 2006 foi totalmente suportado pelo contribuinte no valor de R$ 808,55, sendo imperioso que se acate a dedução de tal despesa do montante de aluguéis recebidos no mencionado ano de 2006. Sustenta, ainda, que o valor da base de cálculo a ser considerado em relação à fonte pagadora Caixa Econômica Federal (CEF), CNPJ 00.360.305/00104 , é de R$ 100.200,19, considerando que no valor de R$ 124.320,19 já está incluso o valor do IRRF (3%) R$ 3.729,61 devidamente retido pelo agente pagador CEF quando do efetivo pagamento, bem como a dedução dos Honorários Advocatícios R$ 24.320,00. Conforme Resolução 2801000.192, às fls. 77/80, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE nº 614.406). Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.002892/200982 Acórdão n.º 2801003.612 S2TE01 Fl. 84 4 Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Quanto à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente do Instituto Nacional do Seguro Social em decorrência de ação judicial, verificase que se trata de benefícios previdenciários, conforme consulta processual reproduzida a seguir: Consulta Processual Unificada Resultado da Pesquisa EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA FAZENDA PÚBLICA Nº 98.20.139627 (PR) / 001396261.1998.404.7001 Data de autuação:18/09/1998 Observação:REQ/QUE SEJA RECONHECIDO O TEMPO DE SERVIÇO Número da Caixa:0000010545 Juiz:Lília Côrtes de Carvalho De Martino Órgão Julgador:Juízo Substituto da 1ª VF de Londrina Órgão Atual:ARQUIVO – LONDRINA Localizador:ARQ Situação:BAIXADO Assuntos:1. Direito Previdenciário(Clique aqui para mostrar todas as partes/advogados) EXEQUENTE:JOAO HIROSHI MATSUO Advogado: MARCOS DE QUEIROZ RAMALHOEXECUTADO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS Observase que a tributação dos rendimentos acumulados em questão ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.002892/200982 Acórdão n.º 2801003.612 S2TE01 Fl. 85 5 Após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No que se refere à exclusão do IPTU da base de cálculo do Imposto de Renda relativo a rendimento de aluguel, a decisão recorrida não acolheu a pretensão do Impugnante pelo fato de o Contribuinte não comprovar que tenha assumido o ônus quanto ao recolhimento desse tributo. De fato, segundo legislação de regência, as despesas de IPTU, suportadas exclusivamente pelo proprietário do imóvel locado, não integram a base de cálculo do imposto de renda no caso de rendimentos de aluguéis de imóveis. O Recorrente apresenta, à fl. 50, a ficha de compensação e o correspondente comprovante de agendamento do pagamento. deixando, porém, de apresentar o comprovante do efetivo pagamento do IPTU, razão pela qual não merece reparos a decisão de primeira instância no que se refere a essa matéria. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.002892/200982 Acórdão n.º 2801003.612 S2TE01 Fl. 86 6 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10580.720308/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 05/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte
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DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 08 /2 00 9- 91 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 05/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720308/200991 Acórdão n.º 2802002.965 S2TE02 Fl. 142 3 classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. O caso foi adequadamente relatado em primeira instância da seguinte forma: O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/N 2.331/2010, de 26 de outubro de 2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A impugnação foi indeferida, em resumo, pelos seguintes fundamentos: a) o pagamento extemporâneo do rendimento não modifica sua natureza tributável, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar, a tributação do principal e dos juros de mora encontram amparo nos art. 55 e 56 do RIR1999; b) dispositivo de Lei Estadual não estabelece efeito tributário de tributo regido por lei federal; c) não se pode estender efeitos da Resolução do STF n° 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais, porque isenção somente se outorga por lei específica e está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN extensão a outras categorias implicaria analogia que não é permitida em matéria de isenção; d) a situação da impugnante é distinta daquela dos membros da magistratura e do MP federais, pois regidos por leis específicas distintas; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720308/200991 Acórdão n.º 2802002.965 S2TE02 Fl. 143 5 e) de acordo com Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, a responsabilidade da fonte pagadora não exclui a do contribuinte; f) ainda que o imposto retido, por determinação constitucional pertença ao Estado da Bahia, a retenção, mesmo que houvesse ocorrido, não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; g) a multa exigida (75%) independe da intenção do agente (art. 136 do CTN); h) as respostas a Consultas Administrativas apontadas pelo impugnante não possuem força vinculante, por não ter seguido o rito do processo de consulta (art. 48 da Lei 9.430/1996 e não integrar o conceito de norma complementar do art. 100 do CTN; o mesmo ocorre com: Nota AGU/AV 12/2007, Nota Técnica Cosit 4/2009 e Parecer PGFN/CAT 179/2009; i) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Ciência do acórdão em 06/04/2014. Recurso voluntário interposto no dia 28/04/2011. No recurso voluntário, o recorrente alega: 1. inexistência de conduta hábil à aplicação de multa, pois a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora e atos da Fazenda Nacional reconhecem a inaplicação da multa, os quais tem força vinculante; 2. nulidade do lançamento por apurar inadequadamente a base de cálculo pois deveria ter sido apurada a base de cálculo mês a mês com refazimento das Declarações de Ajuste correspondentes, na esteira do entendimento firmado pelo STJ; se o lançamento houvesse sido feito dessa forma teria sido evidenciado que o valor de URV em cada um dos meses em que era devida estaria dentro da faixa de isenção; 3. não incidência do imposto sobre os juros moratórios; 4. o valor da URV constitui verba de natureza indenizatória, cita precedentes deste Conselho e do Poder Judiciário de Rondônia e Parecer do MP do Estado do Maranhão 5. ilegitimidade ativa da União, pois o imposto retido na fonte, no caso concreto, pertence ao Estado; e Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 6. violação ao princípio constitucional da isonomia, pois não houve tributação das verbas de mesma natureza pagas ao MP e aos magistrados federais, diante da edição da Resolução 245/2002 do STF, cita o RESP 1187109. Ao reputar que se discutia a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, a 1ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara sobrestou o julgamento, com base no §1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF, por meio da Resolução 2201 001.106, de 19/09/2012. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado, sendo que a Conselheira Relatora original não mais integra o CARF, o que levou a redistribuição do processo ao presente Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Como o recurso já foi admitido, passase ao exame das preliminares e do mérito. A alegada nulidade do lançamento apuração inadequada da base de cálculo é matéria a ser apreciada como mérito. O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no RE 684.169 e na Solução de Consulta não tem o efeito almejado pelo recorrente. Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720308/200991 Acórdão n.º 2802002.965 S2TE02 Fl. 144 7 a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões. Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720308/200991 Acórdão n.º 2802002.965 S2TE02 Fl. 145 9 cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, restou prejudicada a análise dos efeitos dos atos citados pelo recorrente, pois se aplica a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720308/200991 Acórdão n.º 2802002.965 S2TE02 Fl. 146 11 sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Como a verba em discussão está sujeita a tributação no ajuste anual (não se trata de tributação exclusivamente na fonte) e não se aplica a tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP (imposto calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias), rejeitase a alegação de inadequação da forma de apurar a base de calculo como sustentado pelo recorrente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904256/2012-92
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 56 /2 01 2- 92 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904256/201292 Acórdão n.º 3803006.113 S3TE03 Fl. 66 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 31 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904256/201292 Acórdão n.º 3803006.113 S3TE03 Fl. 67 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.722838/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 30/04/2011
GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE CONTRIBUIÇÕES
SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A AGENTES POLÍTICOS.
A compensação de contribuições sobre remuneração pagas a agentes políticos, declarada inconstitucional, por decisão do expressa do Supremo Tribunal Federal - STF no Recurso só é possível quando foram realmente recolhidas. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo
sujeito passivo.
MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO.
Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostra-se correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.084
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 30/04/2011 GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A AGENTES POLÍTICOS. A compensação de contribuições sobre remuneração pagas a agentes políticos, declarada inconstitucional, por decisão do expressa do Supremo Tribunal Federal - STF no Recurso só é possível quando foram realmente recolhidas. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostra-se correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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A compensação de contribuições sobre remuneração pagas a agentes políticos, declarada inconstitucional, por decisão do expressa do Supremo Tribunal Federal STF no Recurso só é possível quando foram realmente recolhidas. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostrase correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 28 38 /2 01 2- 43 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 3 2 Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do Município de Jatobá, sendo o DEBCAD de nº 51.026.5189, consolidado em 03/12/2012, por Descumprimento de Obrigação Principal, no valor de R$ 1.709.427,75 (um milhão, setecentos e nove mil, quatrocentos e vinte e sete reais e setenta e cinco centavos), referente à glosa de compensação indevida realizada pelo ente ora Recorrente utilizando de supostos créditos derivados de recolhimentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios recebidos por agentes políticos, no período de 01/08/2010 a 29/02/2012; e o DEBCAD n° 51.026.5170, no valor de R$ 1.787.372,82 (um milhão, setecentos e oitenta e sete mil, trezentos e setenta e dois reais e oitenta e dois centavos), referente à multa isolada, aplicada em face da falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte. Segundo o relatório fiscal, ao tratar sobre o DEBCAD de nº 51.026.5189, a glosa de compensação referese a informações prestadas em GFIP pelo ente ora Recorrente, que alegou ser possuidor de crédito financeiro proveniente de recolhimentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios recebidos por agentes políticos, bem como, de contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre 1/3 de férias e auxílio doença, entretanto, embora devidamente intimada para apresentação dos documentos originadores dos créditos utilizados para compensação, não apresentou quaisquer documentos comprobatórios. Ressaltese ainda que, também segundo o relatório fiscal, não foram detectados nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB o registro de qualquer recolhimento vinculado aos agentes políticos entre o período de 02/1998 a 09/2004. Ademais, diante da ausência de comprovação, pelo ente Recorrente, da origem dos créditos, o Fisco considerou que a Municipalidade inseriu em GFIP informações sabidamente falsas, posto que os supostos créditos apontados derivaram de fato inexistente, aplicando multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sob o valor devido, emitindo para tanto o DEBCAD n° 51.026.5170. Cientificado da autuação, o Município apresentou impugnação, porém o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2009 a 01/04/2011 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SENADO FEDERAL. RESOLUÇÃO. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 4 3 COMPENSAÇÕES. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO. INCABÍVEL. REQUISITOS. CONDITIO SINE QUA NON. Diante da declaração de inconstitucionalidade da norma que enquadrou os exercentes de mandato eletivo, não vinculado a regime próprio de previdência social, como segurados do RGPS, na condição de empregado, abrese, para todos, a oportunidade de restituição ou compensação dos valores pagos de contribuições previdenciárias sob a égide da norma inconstitucional, já que referida norma teve sua execução suspensa por Resolução do Senado Federal. No entanto, o exercício do direito à compensação depende de uma condição básica: a comprovação do efetivo pagamento. Neste território não é suficiente apenas a presunção de que supostamente os pagamentos foram incluídos em parcelamento e pagos mediante retenção do FPM, é preciso ir além das alegações, que essas sejam acompanhadas de provas. Também não é cabível selecionar qual parte da norma deve ser observada. A obediência aos requisitos para o exercício da compensação, expressos em normas infralegais, presumidamente constitucionais, é conditio sine qua non para seu êxito. Ademais a alternância de gestores municipais, saudável em um Estado Democrático de Direito, não pode ser justificativa para eventual descumprimento de normas de direito material e processual, tampouco para lastrear possíveis descontroles sobre documentos fiscais e previdenciários e consequentemente não apresentação de provas por ocasião da impugnação DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO. EMPRESA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ILÍQUIDOS E INCERTOS. MULTA ISOLADA. No território do custeio do Regime Geral de Previdência Social os órgãos públicos não são tratados sob a ótica do poder de império do ente federado em que é parte, mas sim como empresa, conforme claramente estabelecido pelo art. 15 da Lei 8.212/91. Através desse paradigma legal, ou seja, da forma como a legislação previdenciária qualifica juridicamente os órgãos públicos, não se verifica nenhum obstáculo à confecção de lançamento de multa isolada, com percentual dobrado, desde a situação fática do sujeito passivo se subsuma a hipótese de incidência descrita nas normas. Ainda mais quando o impugnante não cumpre os requisitos claramente estabelecidos em normas e compensa, reiteradamente, créditos ilíquidos e incertos, com base apenas em suposições ou em decisões judiciais das quais não é parte, sem efeito erga omnes, que vinculasse à fazenda pública, no que diz respeito ao auxílio doença e 1/3 de férias, caracterizando assim uma opção consciente, dada a estrutura jurídica do município, em retardar o recolhimento de contribuições previdenciárias ao inserir créditos incertos, não ancorados na legislação tributária ou previdenciária e tampouco em prova do efetivo pagamento. JULGADOR ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITAÇÃO. O julgador administrativo não recebeu autorização de nenhuma norma jurídica brasileira para decidir sobre a constitucionalidade ou não de leis que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. Pelo contrário, a opção do sistema jurídico pátrio foi pela unicidade da jurisdição, portanto, é vedado ao julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo sob a alegação de inconstitucionalidade. Esta atribuição foi reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 5 4 Irresignado, o Município interpôs Recurso Voluntário tempestivo, requerendo, em síntese que: a) seja cancelado o lançamento contido no DEBCAD nº 51.026.5189 pelo reconhecido do direito líquido e certo do Município de efetuar as compensações de créditos obtidos com o recolhimento de contribuições incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos em virtude da desnecessidade de apresentação de comprovantes de recolhimento de contribuições cuja forma de lançamento seja por homologação; b) seja cancelado o lançamento contido no DEBAD nº 51.026.5170, referente à penalidade de multa, dada a impossibilidade de aplicação recíproca de multas entre pessoas jurídicas de direito público em virtude da inexistência de poder de polícia entre os órgãos públicos da Administração Direta. e) subsidiariamente, caso não sejam cancelados os lançamentos contidos nos Autos de Infração supramencionados, seja reconhecido que a multa aplicada tem natureza confiscatória, o que vai de encontro a preceitos constitucionais, limitando para o percentual de 30% (trinta por cento). Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da Glosa de Compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios dos exercentes de mandato eletivo, declaradas inconstitucionais, mas não comprovadamente recolhidas pela Municipalidade. Primeiramente, esclarecese que o direito à compensação de contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios de agentes políticos é legal e deriva da Resolução nº 26/2005 do Senado Federal que suspendeu a eficácia da alínea “h”, introduzida no inciso I do artigo 12 da Lei 8.212/1991 pelo §1º do artigo 13 da Lei 9.506/1997, em decorrência da Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 6 5 declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717/PR. Desta maneira, não se discorrerá em delongas sobre as alegações recursais pertinentes a demonstração de legalidade do direito creditório discutido no presente. Inegavelmente a questão central do caso em tela concentrase na (in)existência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos utilizados pelo Município para a operação das compensações declaradas em GFIP no período de apuração do lançamento ora contestado. É cediço que a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional e que o mesmo diploma legal, prevê, em seus artigos 170 e 170A, as regras gerais sobre a matéria deixando as regras específicas para tratamento especial através de lei ordinária. Transcrevese abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170, do Código Tributário Nacional – CTN estatui que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos líquidos e certos com débitos tributários, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em obediência ao disposto pelo CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei n.º 8.383/91, onde o artigo 66 estatui que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 7 6 anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte pode efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. E o parágrafo único do referido artigo traz que a compensação só pode ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifei) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. No que tange às contribuições sociais, o Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, abaixo transcrito, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. “Art.89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido”. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de20.11.1995) Esclarecendo ainda mais, o §2º, do artigo 89, acima citado complementa o caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do artigo 11 da Lei n.º 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do artigo 22, I, II e III da Lei n.º 8.212/91; as contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o artigo 24 da Lei n.º 8.212/91 e as contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição, conforme artigo 20 da Lei n.º 8.212/91: LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 8 7 I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição; Portanto, é de se ver que as disposições inscritas no §2º, do artigo. 89 combinadas com as do §único do artigo 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei n.º 8.212/91. Diante do exposto, vêse que o direito à compensação surge logo após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora. Contudo, o seu exercício não se mostra incondicionado, em virtude da necessidade do preenchimento de todos os requisitos legalmente impostos e, antes de tudo, da efetiva existência dos créditos tributários que se pretende compensar. Para o caso em comento, verificase que, com a suspensão da execução da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991 pela Resolução nº 26/2005, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade proferida incidenter tantum pelo Supremo Tribunal Federal, através da decisão proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717 1/PR, os entes federativos que realizaram o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo creditaramse nos valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo declarado inconstitucional. A fim de regular a “devolução” dos valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, a Secretaria da Receita Previdenciária publicou no Diário Oficial da União a Instrução Normativa SRP nº 15/2006 que estatuiu todas as regras especiais a serem observadas pelo ente político para que possa proceder com eventual compensação utilizandose dos créditos: Instrução Normativa SRP nº 15/2006 Art. 1º Dispor sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, bem como sobre procedimentos relativos aos créditos constituídos com base no referido dispositivo. [...] CAPÍTULO III Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 9 8 COMPENSAÇÃO Art. 6 º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social; III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação a débitos objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG e de Débito Confessado em GFIP DCG; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; e VII ente federativo deverá estar em dia com as contribuições sociais declaradas em GFIP. § 1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. § 2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no § 1º, os valores compensados serão glosados. § 3º Os documentos referidos no § 1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. § 4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. § 5º O descumprimento do disposto no § 4º sujeitará o infrator à multa prevista no § 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 10 9 Do excerto acima colacionado, observase que é imprescindível para o exercício do direito de compensação de contribuições previdenciárias com os créditos derivados do recolhimento das contribuições previdenciárias sobre os subsídios dos exercentes de mandato com base na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, dentre outros, que, após a materialização do débito tributário incidente sobre os subsídios dos agentes políticos (com o registro destes como segurados obrigatórios do Município vinculados ao RGPS e posterior declaração me GFIP, por exemplo, do referido débito), este tenha sido extinto pelo Município através do pagamento, não bastando, assim, o mero oferecimento à tributação, mas sim a comprovação do efetivo recolhimento ao Erário. Destarte, verificase que apenas com a comprovação da constituição do crédito, através da declaração em GFIP dos valores dos subsídios e das contribuições delas decorrentes, e, sobretudo, com a comprovação da sua extinção pelo pagamento restará configurado a existência do recolhimento indevido, elemento essencial para o exercício do direito à compensação. O cerne do caso em apreço é o fato de que, mesmo afirmando que as contribuições previdenciárias em questão foram devidamente recolhidas, na tentativa de se eximir do ônus que lhe cabe de provar o alegado, a Recorrente assevera que a apresentação de comprovação dos recolhimentos é desnecessária, posto que a compensação pretendida fora realizada com observância à Lei 10.637/2002, ao artigo 74 da Lei 9430/1996 e ao artigo 89 da Lei 8.212/1991. Ocorre que toda a legislação apontada pressupõe a existência de créditos de titularidade do sujeito passivo em face da fazenda pública decorrentes de efetivos pagamentos (recolhimentos) de contribuições. Em verdade o que se vê é o Município, agora em grau de Recurso, levantando os mesmos frágeis argumentos de defesa, sem acostar qualquer prova capaz de refutar os fundamentos aduzidos pelo órgão julgador de 1ª (primeira) instância. É de conhecimento geral que para contraditar as autuações do Fisco exigese que o autuado instrua a sua defesa com as provas capazes de demonstrar a veracidade de seus motivos e do seu direito. Registrese que, precedendo à lavratura dos autos de infração ora vergastados, o Fisco consultou o seu sistema informatizado a fim de localizar quaisquer registros de recolhimento das contribuições objeto da autuação, não logrando êxito, intimou a Recorrente oportunizando que esta produzisse as provas da existência do crédito utilizado para a compensação pretendida, que, por sua vez, quedouse inerte, não se desincumbindo do ônus que lhe cabia, agindo da mesma forma em sua impugnação e persistindo no recurso. Ademais, recordase que a legislação tributária exige que todos os atos e fatos jurídicos praticados pelos contribuintes sejam devidamente representados por um documento escrito, contabilizado em título próprio da contabilidade, devidamente registrado em documentos específicos, tais como, GPFIPs, GPSs, RPAs, DIRFs, entre outros, que devem ser mantidos sob a tutela e guarda enquanto as obrigações puderem ser objeto de verificação pelo Fisco. Por fim, assentase que a Municipalidade, ainda que tivesse comprovado a liquidez dos créditos apontados para a pretendida compensação, o que não ocorreu, não Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 11 10 promoveu, como determina a Instrução Normativa SRP 15/2006, as indispensáveis retificações em GFIPs, condição sine quan non para a homologação da compensação pretendida, o que por si só já determinaria a procedência da glosa das compensações. Do Debcad 51.026.5170 Da Multa aplicada Urge ser examinada a perfeita subsunção da conduta praticada pelo Recorrente ao tipo infracional que lhe fora imputado pela fiscalização. Relata o auditor fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, ad litteris et verbis: “Outrossim, foi emitido o auto de infração DEBCAD 51.026.5170, tendo em vista que o contribuinte não recolheu/pagou a contribuição incidente sobre os subsídios dos agentes políticos, titulares de mandatos eletivos, bem como não comprovou o recolhimento/pagamento da contribuição patronal incidente sobre 1/3 de férias e auxílio doença e, mesmo assim, se compensou desse fato inexistente, ou seja inseriu créditos inexistente na GFIP, caracterizando a falsidade de declaração [...].” Diante da conduta acima descrita, concluiu a autoridade fiscal que as ações perpetradas pelo Contribuinte se subsumiam, com perfeito ajuste, no tipo infracional descrito no §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, que pela sua relevância para o deslinde da causa o transcrevemos a seguir, procedendo então à lavratura do Auto de Infração correspondente. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Da mera leitura dos dispositivos transcritos, percebemos a cominação de duas penalidades pecuniárias para a conduta consistente na compensação indevida de contribuições previdenciárias: Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 12 11 I. A multa de mora, calculada segundo a memória de cálculo descrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. (art. 89, §9º da Lei nº 8.212/91) II. Multa isolada, no valor correspondente ao dobro do previsto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96. (art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91) Em razão da duplicidade de penalidades cominadas a uma mesma conduta, surgem alguns questionamentos a exigir nossa digressão, dentre outros: a) As penalidades indicadas são aplicáveis de forma alternativa ou de maneira cumulativa? b) Em que hipóteses será aplicada a multa de mora? E a multa isolada? c) O que se entende por “falsidade da declaração” e qual a abrangência de tal termo? d) Quais seriam os elementos de convicção com aptidão para se comprovar a falsidade de declaração? Entendo que a resposta a tais indagações deve ser formulada levandose em consideração uma interpretação sistemática e teleológica das normas tributárias em realce, realizada de acordo com o balizamento encartado no Capítulo IV do Título I do CTN, observado o princípio da proporcionalidade implicitamente permeado na Escritura Constitucional. Nessa perspectiva, se nos afigura que a pedra de toque a impingir um diferencial significativo entre as penalidades previstas nos §§ 9º e 10 do aludido art. 89 encontrase assentado na comprovação da falsidade da declaração, circunstância essencial e indispensável para a inflição da penalidade mais severa. Do que se extrai da dicção do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, a aplicação da multa isolada encontrase subjugada à ocorrência simultânea de duas condicionantes inafastáveis, sendo a primeira a própria compensação indevida (“na hipótese de compensação indevida”) e a segunda, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (“quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”). Ambos assumem, dessa maneira, cunho de aplicação cumulativa, de modo que a ausência de uma ou de outra não se rende ensejo à aplicação da penalidade em relevo. Nessa perspectiva, a mera compensação indevida de contribuições previdenciárias configurase, tão somente, inadimplemento de tributo devido e não recolhido, em relação aos quais, na constituição de ofício do crédito tributário, além do principal, o lançamento deverá contemplar os acréscimos legais de caráter moratório, nos termos fixados no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Fato diametralmente diverso se configura com o emprego de meio fraudulento, aqui incluída a falsidade, visando a iludir o Fisco Federal sobre a efetiva ocorrência do fato jurígeno tributário, ou a excluir ou modificar suas características essenciais e/ou efeitos, ocultandoo, assim, de forma ardilosa. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 13 12 Na apreciação do caso concreto, uma vez caracterizada a compensação indevida, a configuração da hipótese de incidência da multa isolada exige, para a sua consumação, a demonstração da falsidade, eis que elemento objetivo do tipo, sendo necessária e imprescindível sua comprovação, a teor do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Indispensável, pois, se perquirir onde se encontra a falsidade ou fraude na declaração das compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, e se fazer coligir aos autos os elementos de convicção da efetiva ocorrência da falsia em relevo. Ora, mas o que se entende por falsidade de declaração? Um mero erro material de digitação na GFIP, resultando num montante de compensação a maior que as forças do crédito de titularidade do sujeito passivo, já se consumaria numa falsidade de declaração? Uma declaração a maior do montante compensável, em GFIP, resultante do emprego de metodologia de atualização do crédito e de acumulação de juros moratórios diferente da adotada pela RFB, seria suficiente para enquadrala como acometida de falsidade? Ou seria necessário, para a consumação da conduta típica em tela, que o infrator, consciente de que não possui qualquer direito creditório, informe dolosamente no documento em apreço compensação de créditos previdenciários sabidamente inexistentes (ou a menor) visando à redução do montante a ser recolhido? A Lei nº 8.212/91 não define, para fins de enquadramento na conduta tipificada no §10 do seu art. 89, o conceito do termo “falsidade de declaração”, tampouco sua abrangência e alcance. Nessas situações, ante a ausência de disposição expressa, o codex tributário impõese a integração legislativa mediante a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a equidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Tratandose de normas que impingem ao infrator uma penalidade decorrente da transgressão de uma norma de conduta, nada mais natural do que a integração analógica com as normas que dimanam do Direito Penal. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 14 13 Sob tal prisma, há que se perquirir se, para a caracterização de falsidade de declaração, seria necessária a tipificação de falsidade de documento público ou, numa gradação mais branda, suficiente seria a mera falsidade ideológica? Cumpre salientar que, para os efeitos da incidência da lei penal, a GFIP equiparase a documento público, a teor dos §§ 2º e 3º do art. 297 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/ 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Seja num caso, seja no outro, os princípios de direito público atávicos ao Direito Penal exigem, para a subsunção à conduta típica, não somente a coincidência objetiva Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 15 14 de condutas, mas, também, a presença do elemento subjetivo consubstanciado no dolo ou na culpa, esta, quando expressamente prevista no corpo do tipo, a teor do Parágrafo Único do art. 18 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Art. 18 Dizse o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209/84) Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209/84) I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi lo;(Incluído pela Lei nº 7.209/84) Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209/84) II culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Parágrafo único Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Assim, sob o prisma da norma que pespega penalidades, indispensável para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo consistente na consciência e vontade de concretizar os requisitos objetivos do tipo. Mostrase valioso revisitar também os conceitos jurídicos assentados na Lei nº 4.502/64, verbatim: Lei nº 4.502/64 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...) §2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...) Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 16 15 Notese, ainda, que a falsidade ideológica se qualifica como um tipo penal incongruente, exigindo para a sua caracterização, além do dolo genérico, uma intenção especial do agente, um requisito subjetivo transcendental denominado dolo específico, consubstanciado num especial fim de agir, in casu, a intenção de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Pintado nesse matiz o quadro fáticojurídico, se nos antolha que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, necessária é a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica descrita na norma, consistente na consciência do agente de que, mesmo sabedor de que não possui direito creditório à altura, mesmo assim informa na GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando a esquivarse do recolhimento da exação devida. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A tal conclusão também se converge, ao se apreciar, pelo crivo da proporcionalidade, a dualidade de imputações fixadas nos parágrafos 9º e 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91: Tratandose de compensação indevida, nas hipóteses em que o agente não teve a intenção de fraudar a norma tributária, a penalidade pecuniária a ser aplicada será a mais branda, nos termos fixados no §9º do suso mencionado art. 89, consistente na multa de mora graduada na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/96, além dos juros moratórios. Tratandose, por outro viés, de tentativa de fraude mediante a consciente e inescusável inserção de informações falsas na GFIP, visando dolosamente a reduzir tributo, rigorosa deverá ser a punição a ser infligida ao infrator, consistente na multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Nestes casos, assentado que a penalidade estabelecida na lei é por demais severa, deve o agente fiscal se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Não por outra razão, a hipótese típica em debate exige do agente fiscal, além da descrição do fato e da disposição legal infringida (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), a comprovação da falsidade da declaração. Não se pode perder de vista que a interpretação defendida nos parágrafos antecedentes também se coaduna à regra de hermenêutica plantada no art. 112 do CTN, do qual floresce o princípio da interpretação mais benéfica ao infrator da lei que definir infrações ou cominar penalidades em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 300DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 17 16 III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Tal interpretação, indubitavelmente, se revela como a mais benéfica ao acusado, uma vez que exclui do tipo infracional mais severo as compensações indevidas nas quais o agente não teve o dolo de fraudar a Lei de Custeio da Seguridade Social, conduzindo tais casos à hipótese genérica e abstrata assentada no §9º do citado art. 89 da Lei nº 8.212/91, que prevê, tão somente, a incidência de juros e multa moratória sobre o montante indevidamente compensado. Corrobora o entendimento acima externado as disposições inscritas na Seção V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, do Capítulo V da IN RFB nº 900/2008, cujo art. 45 prevê que o sujeito passivo deve recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos, mesmo na hipótese de a compensação considerada como indevida ser decorrente de informação incorreta em GFIP. Instrução Normativa RFB nº 900/2008 SEÇÃO V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Art. 44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (...) Art. 45. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Art. 46. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Da conjugação dos termos alinhados nos artigos 45 e 46 extraise que a mera constatação de informação incorreta em GFIP da qual decorra compensação indevida de contribuições previdenciárias não implica, automaticamente, a imputação da multa isolada prevista no art. 46 da mesma Instrução Normativa em foco, eis que tal increpação depende da efetiva comprovação da falsidade da declaração. Deflui daí o reconhecimento do próprio Poder Executivo de que a simples informação incorreta na GFIP da qual decorra compensação indevida não importa de per se em falsidade da declaração, sendo necessária a comprovação do elemento subjetivo do tipo, consistente na consciência e vontade de fraudar a lei visando a reduzir o montante de tributo devido. Daí a necessidade de se instruir o processo com os elementos de convicção que conduziram o auditor fiscal a inferir o dolo da conduta infracional. Avulta, de todo o exposto, que a aplicação de penalidade mais severa, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique Fl. 301DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 18 17 evidenciado, de maneira inequívoca, o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude, nos termos acima comentados , situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior envergadura, com o propósito não somente de punir o infrator pela conduta perpetrada, extrapolando o evento do mero inadimplemento, como, também, de reprimir e desestimular comportamentos futuros de idêntico jaez. Olhando com os olhos de ver, o fato agravado na hipótese do §10 do dispositivo legal em realce não é a mera compensação indevida, mas, sim, a ação dolosa e consciente de falsear a forma ou o conteúdo da declaração de compensação visando a iludir o Fisco Federal quanto à efetiva ocorrência dos fatos geradores. Daí a necessidade de efetiva comprovação, pela Fiscalização, da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. O relatório fiscal explicita de forma clara porque a compensação efetuada não foi aceita, demonstrando que o recorrente inseriu nas GFIP’s dados que não condiziam com a realidade encontrada na auditoria fiscal e tampouco comprovou a existência de valores a serem compensados, limitando se a dizer que tem direito a se compensar das contribuições previdenciárias com créditos oriundos de supostos recolhimentos efetivados com base na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, posteriormente declarada inconstitucional. Ao efetivar o processamento de compensações a que sabidamente não tinha direito, posto que não houve demonstração de recolhimento indevido e a legislação que trata da compensação é expressa ao dizer que somente serão compensados valores recolhidos indevidamente ou a maior, o contribuinte inseriu dados falsos, em uma conduta ardilosa, em GFIP e sujeitou – se a a aplicação da multa isolada. Destarte, concluo acertado a imposição de multa isolada, conforme disposto no artigo 89, parágrafo 10, da Lei n.º 8.212/91 Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE TOTAL PROVIMENTO e manter integralmente o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de n.°s 51.029.1422 e 51.029.1430. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de março de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 302DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.722838/201243 Acórdão n.º 2302003.084 S2C3T2 Fl. 19 18 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 15504.014865/2009-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA
Integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RECÁLCULO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-002.568
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão da multa de oficio e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RECÁLCULO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
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INCIDÊNCIA Integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RECÁLCULO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 48 65 /2 00 9- 04 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão da multa de oficio e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0227.637 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Entendese por salário de contribuição a remuneração. auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei especifica, integra o salário de contribuição. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 137.712,14, no período de 01/05 a 12/05, consolidado em 31/08/2009, que, conforme informado no Relatório Fiscal de fls. 23/30, foi apurado com base em folhas de pagamento e lançamentos contábeis e refere se a contribuições dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de participação nos lucros e resultados — PLR, em desacordo com a lei especifica — Lei 10.101/00 (levantamentos PLR e Z1). De acordo com o Relatório Fiscal, a participação nos lucros foi paga somente a empregados da filial de Ipatinga/MG. A ação fiscal foi precedida de Termo de Inicio de Procedimento Fiscal —TIPF, fls. 12/13. A interessada foi cientificada da presente autuação em 01/09/2009, conforme documento de fl. 1, e apresentou defesa, As fls. 153/162, que contém, em síntese: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Alega que a participação nos lucros e resultados não tem caráter salarial. Cita a Lei 10.101/2000, artigo 2°, e afirma que a PLR distribuída pela EBEC em sua filial de Ipatinga foi criada através de negociação entre as partes, por intermédio de acordo coletivo com o sindicato local da categoria, possui regras claras e objetivas quando à fixação dos direitos substantivos da participação, a periodicidade de distribuição é de apenas 1 vez por ano, e o prazo de vigência e de revisão do acordo está previsto no mesmo. Aduz que a Lei 10.101/2000 não proibe que a PLR seja paga apenas para empregados de uma das filiais da empresa, bem como, não dispõe sobre a obrigatoriedade da PLR ser paga para todos os empregados da empresa. Acrescenta que em nenhuma parte de todo o texto legal ou do artigo 7 °, inciso XI, da Constituição Federal, existe algo que possa gerar o entendimento de que fica vetado o pagamento por estabelecimento. Argumenta que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, que pode ser por acordo coletivo. 0 sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. Se a empresa possui diversos estabelecimentos, é "repartida" relativamente aos sindicatos com os quais interage, e terá, necessariamente, diversos acordos coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR, outros não, respeitando as particularidades de cada região e de cada sindicato. Assim, se a Lei 10.101/00 admite a PLR pela via de acordo coletivo, a hipótese contempla um determinado estabelecimento da empresa, e não todos, que se vincula base territorial do sindicato profissional. Cita jurisprudência. Requer a extinção do Auto de Infração. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Não tem como prosperar o entendimento firmado pelo i. julgador a quo no sentido de que a participação nos lucros e resultados tenha que ser paga para todos os estabelecimentos da empresa na mesma forma e parâmetros, sendo vetado o pagamento da PLR para os funcionários de um único estabelecimento da empresa. · A lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 4 5 · A Lei 10.101/00, estipula que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante negociação direta com os empregados, formados em comissão, DELA CONSTANDO UM REPRESENTANTE DO SINDICATO da respectiva categoria ou mediante acordo coletivo. · O sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. · Se a empresa possui diversos estabelecimentos, ou seja, é "repartida" relativamente aos sindicatos com os quais interage, terá necessariamente, diversos acordo coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR, outros não, respeitando as particularidades de cada regido e de cada sindicato · A jurisprudência já é pacifica quanto a natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art.7°'XI da Constituição Federal e art. 2° da Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR GERAL A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 5 7 Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com Fl. 429DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 6 9 Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE Fl. 431DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº Fl. 432DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 7 11 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. PLR CASO CONCRETO. A divergência entre a recorrente e o fisco é que a recorrente entende harmônico com a Lei 10.101/2000 a previsão do pagamento de PLR apenas para empregados de 1 estabelecimento e nada (nenhuma previsão) para os demais empregados da empresa, enquanto o fisco entende que para se harmonizar com a Lei 10.101/2000, devese prever PLR para toda a empresa. O relatório fiscal apontou como fatos geradores das contribuições lançadas o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados, alegando que a PLR pago está em desacordo com a lei 10.101 de 19/12/2000, uma vez que o pagamento do beneficio ocorreu somente para empregados da filial de Ipatinga/MG. 2 Os fatos geradores das contribuições lançadas no presente Auto de Infração são benefícios pagos ou creditados a segurados empregados, constantes em folhas de pagamento no período de Fl. 433DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005, a titulo de Participação nos Lucros e/ou Resultados. 3 DETALHAMENTO DO FATO GERADOR 3.1 — Participação nos Lucros e/ou Resultados 3.1.1 Beneficio pago a empregados, a titulo de Participação nos Lucros e Resultados, constantes em folha de pagamento, em desacordo com a Lei 10.101, de 19/12/2000, uma vez que o pagamento do beneficio é pago somente a empregados da filial de Ipatinga/MG, conforme documento apresentado pelo contribuinte e se encontra anexado ao processo principal — DEBCAD 37.218.9164, que recebeu o n° de protócolo 15504.014864/200951. 3.1.2 — 0 beneficio integra o salário de contribuição por não atender o disposto no § 9°, letra "j", do art. 28 da Lei n°8.212, de 24/07/1991. ... 3.1.3 Portanto, estando em desacordo com a legislação, o beneficio se incorpora ao salário de contribuição dos empregados. 3.1.4 — A relação dos empregados com os respectivos valores do beneficio estão demonstrados no "Anexo I — Participação nos Lucros e Resultados". A recorrente alega que a lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa e que seu procedimento está conforme a lei 10.101/2000, fora, portanto do alcance da tributação. Entendo correto o entendimento do fisco. Para fundamentar meu entendimento, reproduzo a Lei 10.101/2000, com suas alterações, para demonstrar que sempre se refere à “Empresa” e nunca a “Estabelecimento”. LEI No10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. Dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos doart. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 434DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 8 13 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3oNão se equipara a empresa, para os fins desta Lei: Ia pessoa física; IIa entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a)não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b)aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c)destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d)mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4oQuando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1odeste artigo:(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) I a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem Fl. 435DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 para a negociação;(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §3oTodos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4oA periodicidade semestral mínima referida no § 2opoderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5oAs participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.(Redação dada pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 6º Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada, com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) Fl. 436DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 9 15 § 7º Na hipótese de pagamento de mais de uma parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no ano calendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 8º Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 9º Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8º, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 6oPara efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 7oNa hipótese de pagamento de mais de 1 (uma) parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no anocalendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Fl. 437DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 § 8oOs rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 9oConsiderase pagamento acumulado, para fins do § 8o, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 11. A partir do anocalendário de 2014, inclusive, os valores da tabela progressiva anual constante do Anexo serão reajustados no mesmo percentual de reajuste da Tabela Progressiva Mensal do imposto de renda incidente sobre os rendimentos das pessoas físicas.(Incluído dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Art.4oCaso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Imediação; IIarbitragem de ofertas finais. II arbitragem de ofertas finais, utilizandose, no que couber, os termos daLei no9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §1oConsiderase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2oO mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3oFirmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4oO laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Art.5oA participação de que trata o art. 1odesta Lei, relativamente aos trabalhadores em empresas estatais, observará diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 10 17 Parágrafoúnico.Consideramse empresas estatais as empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto. Art.6oFica autorizado, a partir de 9 de novembro de 1997, o trabalho aos domingos no comércio varejista em geral, observado o art. 30, inciso I, da Constituição. Parágrafo único.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de quatro semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras previstas em acordo ou convenção coletiva. Art.6oFica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio em geral,observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I, da Constituição.(Redação dada pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Parágrafoúnico.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.(Redação dada pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oFica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio em geral,observada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Redação dada pela Lei nº 11.603, de 2007) Parágrafoúnico.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.(Redação dada pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.6oA.É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho eobservada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oA.É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho eobservada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.6oB.As infrações ao disposto nos arts. 6oe 6oA desta Lei serão punidas com a multa prevista noart. 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei no5.452, de 1ode maio de 1943.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007)Parágrafoúnico.O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas regerseá pelo disposto noTítulo VII da Consolidação das Leis do Trabalho.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Fl. 439DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Art.6oB.As infrações ao disposto nos arts. 6oe 6oA desta Lei serão punidas com a multa prevista noart. 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei no5.452, de 1ode maio de 1943.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Parágrafoúnico.O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas regerseá pelo disposto noTítulo VII da Consolidação das Leis do Trabalho.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.7oFicam convalidados os atos praticados com base naMedida Provisória no1.98276, de 26 de outubro de 2000. Art.8oEsta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Congresso Nacional, em 19 de dezembro de 2000; 179oda Independência e 112oda República. Senador ANTONIO CARLOS MAGALHÃESPresidente Este texto não substitui o publicado no DOU de 20.12.2000 Uma vez considerado o procedimento da empresa em desarmonia com a Lei 10.101/2000, devese considerar procedente o lançamento. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 2403002.568 S2C4T3 Fl. 11 19 Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, à época dos fatos geradores, a multa de ofício não existia. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão da multa de ofício e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 442DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10850.002538/2005-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
OMISSÃO NO ENFRENTAMENTO DE QUESTÃO
O motivo da autuação, conforme detida análise do TVI, foi: o uso dos equipamentos da contribuinte no abate de aves não conforma atividade rural, nos termos da legislação tributária. Aí se põem os limites objetivo da lide, razão pela qual o voto do acórdão não versou sobre outras atividades desenvolvidas pela contribuinte, notadamente, a preparação de produtos de carne de porco. Inexistência de omissão no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1103-001.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO NO ENFRENTAMENTO DE QUESTÃO O motivo da autuação, conforme detida análise do TVI, foi: o uso dos equipamentos da contribuinte no abate de aves não conforma atividade rural, nos termos da legislação tributária. Aí se põem os limites objetivo da lide, razão pela qual o voto do acórdão não versou sobre outras atividades desenvolvidas pela contribuinte, notadamente, a preparação de produtos de carne de porco. Inexistência de omissão no acórdão embargado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 414 1 413 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.002538/200514 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1103001.002 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2014 Matéria CSLL Embargante FRANGO SERTANEJO LTDA. Interessado 3ª TURMA ORDINÁRIA DA 1ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO NO ENFRENTAMENTO DE QUESTÃO O motivo da autuação, conforme detida análise do TVI, foi: o uso dos equipamentos da contribuinte no abate de aves não conforma atividade rural, nos termos da legislação tributária. Aí se põem os limites objetivo da lide, razão pela qual o voto do acórdão não versou sobre outras atividades desenvolvidas pela contribuinte, notadamente, a preparação de produtos de carne de porco. Inexistência de omissão no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 25 38 /2 00 5- 14 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 415 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de lançamento a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anoscalendário de 2001 a 2003, lavrado em 5/9/05, pelo qual exigese o valor de R$ 865.248,32 a título de principal, acrescido de multa de ofício e juros de mora, perfazendo crédito tributário total no valor de R$ 2.069.933,53, em conformidade com demonstrativos, fatos, enquadramento legal e termo de verificação constantes às fls. 271/304. Por meio de ação fiscal, a autoridade lançadora detectou que o contribuinte se beneficiou da depreciação acelerada incentivada prevista no art. 314 do RIR/99 ao proceder a redução das bases de cálculo da CSLL tributáveis, apuradas nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 mediante a exclusão dos valores de R$ 12.268.014,94, R$ 13.608.695,25 e R$ 16.137.809,28, respectivamente. A autoridade lançadora considerou indevida essa redução sob o entendimento de que as atividades desenvolvidas pela contribuinte, qual seja, “abate de aves e preparação de produtos de carne”, não se enquadra como atividade rural e, com isso, não satisfaz os requisitos do art. 314 do RIR/99. Após os devidos ajustes para efeitos de determinação da base de cálculo da CSLL tributável, a autoridade lançadora apurou a falta de recolhimento da contribuição e do adicional, no anocalendário de 2001, no valor total de R$ 865.248,32, bem como redução das bases de cálculo negativas apuradas nos anoscalendário de 2002 e 2003. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a exigência fiscal, a recorrente apresentou impugnação, em 1/11/05 (fls. 311/331), alegando, em síntese, que: i. as verificações realizadas pela Fiscalização, relacionadas ao código CNAE lançado em DIPJ, a cláusulas do Contrato Social e a pedidos de ressarcimento de IPI, formalizados perante a Secretaria da Receita Federal (SRF), não são hábeis para caracterizála como “empresa industrial”, mas apenas demonstram que a empresa contribuinte desenvolve, dentre outras, atividades de industrialização de produtos, nos termos da lei, sendo a atividade de abate de aves a principal desenvolvida pela unidade sede (matriz); ii. a fiscalizada contribui para o Sindicato dos Produtores de Frios do Estado de São Paulo e também realiza o recolhimento de Contribuição Sindical Rural, sendo que o simples fato de contribuir para o primeiro não autoriza a desclassificála como empresa que exerce atividade rural; iii. a legislação do IPI não se aplica exclusivamente as empresas industriais, mas a qualquer empresa que industrialize produtos, inclusive porque segundo a Fl. 413DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 416 3 legislação do IPI até mesmo o simples acondicionamento do produto o transforma em produto industrializado, embora disso não decorra um conseqüente lógico que autorize a afirmar que a empresa que realizou o acondicionamento é uma empresa industrial; iv. as atividades por si desenvolvidas se enquadram no conceito de “atividade rural” estabelecido pelo art. 2º, IV e V, da Lei 8.023/90; as conclusões em sentido oposto decorrem de interpretação restritiva do mencionado inciso IV, e de constatação de inadequação do maquinário e equipamentos utilizados em suas atividades em relação ao conceito de atividade rural definido em lei, constatação essa errônea já que a lei não especificou o que se deve entender por “equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais”; v. o fato de se empregar tecnologia moderna na exploração da atividade em comentário não é suficiente para dizer que os equipamentos usados pela recorrente não são os usualmente empregados na atividade rural. O que se dizer então das colheitadeiras que dispensam operadores e são guiadas por GPS? O emprego de tecnologia moderna e o ganho de produção em escala servem para desqualificar a atividade? Não importa se serão abatidos 100 frangos ou 200.000 frangos por dia, e sim que, ao se abaterem frangos se utilizem equipamentos exigidos pelo Ministério da Agricultura (Portaria SDA 210/98). A recorrente cria frangos e os comercializa limpos e congelados, já que modernamente não se vendem às donas de casa frangos vivos; vi. transcreve voto vencedor em discussão travada na 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (Acórdão 10194.540), que endossa o entendimento da recorrente; vi. em suma, que “a atividade desenvolvida pela fiscalizada subsumese perfeitamente às disposições do inciso IV do art. 2º da Lei 8.023/90, qual seja, a exploração da avicultura, e ainda, se considerarmos como transformação o processo por que passa o produto da fiscalizada, estaríamos diante da subsunção dessa atividade ao tipo específico de transformação previsto no inciso V do mesmo diploma legal”; vii. requer, ao final, seja reconhecida a regularidade de aproveitamento do benefício fiscal previsto no art. 314 do RIR/99 e declarada a improcedência do auto de infração recorrido. DA DECISÃO DA DRJ Em 26/09/06 a impugnação foi submetida à apreciação da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto (SP) e, por unanimidade de votos, mantevese inalterado o lançamento conforme o Acórdão DRJ/RPO nº 1413.778. (fls.347/351) No decisório a quo a autoridade julgadora se ateve a apreciar a questão atinente a regularidade na fruição do benefício de depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado utilizados na exploração de atividade rural, para determinação da base de cálculo tributável sujeita à incidência da CSL, conforme previsto no artigo 314 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) c/c o art. 2º da Lei 7.689/88, tendo em vista que a contribuinte, em sua Fl. 414DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 417 4 Impugnação, não contestou valores, percentuais e critérios de cálculo utilizados pela autoridade fiscal na elaboração dos demonstrativos de ajuste das bases de cálculo tributáveis e/ou negativas. A autoridade julgadora, ao analisar os autos, primeiramente, afastou a possibilidade de enquadramento das atividades realizadas pela contribuinte ao mencionado inciso IV, sob o argumento de que suas atividades não se limitam à mera exploração da avicultura para comércio, uma vez que também envolvem procedimentos de transformação do produto para posterior comercialização, sendo então, atividades industriais. Após, passou a analisar se o contribuinte atendia aos requisitos do inciso V do art. 2º da Lei 8.023/90. Segundo o entendimento da autoridade julgadora, o enquadramento, no conceito de “atividade rural”, de atividades que impliquem transformação de produtos agrícolas ou pecuários depende da simultânea observância de quatro condicionantes, relacionadas ao próprio processo de transformação, quais sejam: a) que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura; b) que seja feita pelo próprio agricultor ou criador; c) que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais; d) que seja utilizada exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Tais condicionantes levaram a autoridade a concluir que a lei considera como atividade rural aquela em que se opere a transformação de produtos agrícolas/pecuários, mas desde que seja em grau diminuto, realizada a partir da matériaprima produzida na própria área rural explorada, pelo próprio agricultor/criador, e com utilização de equipamentos e utensílios compatíveis com o grau limitado de transformação. Considerou portanto, como relevante para aplicar o desenquadramento, o fato de se tratar de empresa de grande porte (65 filiais e 1.374 trabalhadores somente na matriz), constituída com capital social de R$ 16 milhões de reais e cujos produtos resultantes de seu processo produtivo, derivados de processamento de carne de frango denotam elevado grau de elaboração industrial. A autoridade julgadora concluiu que a contribuinte desenvolve atividades tipicamente industriais, que por sua própria natureza revelamse incompatíveis com o conceito de “atividade rural” previsto no art. 2º da Lei 8.023/90, de que decorre a fruição indevida, nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, do benefício de depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado utilizados na exploração de atividade rural, para fins de determinação das bases de cálculo tributáveis para efeitos de incidência da CSL, nos termos do artigo 314 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) c/c o art. 2º da Lei 7.689/88. O lançamento foi declarado procedente, mantendose integralmente a exação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Foi interposto recurso em face da decisão da DRJ, em que o contribuinte reitera os argumentos expostos em sua impugnação, postulando a reforma total da decisão recorrida. (fls. 358 a 387). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 418 5 DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 12/11/2008, acordaram os membros da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, mediante o Acórdão nº 10709549, de minha relatoria, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 ATIVIDADE RURAL – COMPATIBILIDADE COM EQUIPAMENTOS USUALMENTE EMPREGADOS NA ATIVIDADE – EQUIPAMENTOS DE ALTA TECNOLOGIA A lei prevê como condicio juris para a caracterização da atividade como rural, a transformação de produtos, como os da exploração de avicultura, feita pelo próprio criador, sem que haja alteração da composição e das características do produto in natura, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Não caracteriza emprego de equipamentos inusuais, o fato de se usarem equipamentos de alta tecnologia, que implicam ganho de produção em escala. A utilização de equipamentos de elevada tecnologia, pelo criador de aves, na atividade de transformação, sem que haja alteração na composição e nas características do produto in natura, não tem o condão de desvirtuar o pressuposto legal para configuração de atividade rural. Tal exegese se extrai da interpretação finalística e funcional do preceito, bem como de interpretação históricoevolutiva. Delimitouse que a discussão central deste processo referese ao fato de o uso de equipamentos pela recorrente no abate de aves (frangos) configurar, ou não, a sua atividade como rural. Foi acentuado que devese levar em consideração que a disciplina legal anterior do imposto de renda excluía expressamente a atividade de transformação rural. Neste sentido, através da análise do art. 7º do Decretolei 902/69, do art. 1º do Decretolei 1.382/74, do art. 3º do Decretolei 1.382/74, do art. 2º da Lei 8.023/90 e do art. 17 da Lei 9.250/95, que alterou o inciso V do art. 2º da Lei 8.023/90, concluiuse que o uso de equipamentos pela recorrente no abate de aves não descaracteriza a sua atividade como rural, de acordo com os motivos abaixo sintetizados. Foi deduzido que, como a norma legal não restringiu o incentivo fiscal ao IRPJ, isto alcança a CSL, de modo a fazer com que seja aplicado ao caso em questão o artigo 2º da Lei 8.023/90. Apontouse que, pela lei atual, não se revela infensa à configuração de atividade rural a transformação de produtos pecuários, desde que feita pelo próprio produtor e não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 419 6 E, para conformação de atividade rural, não importa se a utilização de equipamentos para realizar a transformação de alimentos implica “procedimento industrial”, pois, se importasse, só seria atividade rural aquela realizada de forma artesanal, o que não se adéqua à nossa atual realidade, e tornaria o preceito letra morta para pessoas jurídicas. Sendo assim, a existência do “procedimento industrial” não desfigura a atividade rural, desde que atendidos os demais pressupostos legais. Estabeleceu que outra questão relevante a ser analisada é o fato de os equipamentos utilizados pela recorrente serem ou não usualmente empregados nas atividades rurais. Quanto a isso, ponderou que a lei, de forma correta, oportuna e com o fim de não perder a sua funcionalidade e finalidade em um breve espaço de tempo, não determinou quais são os equipamentos usualmente empregados nas atividades rurais, de modo a não vedar o emprego de equipamentos de avançada tecnologia para a caracterização da atividade rural. Além da falta de determinação legal retro mencionada, a realização de uma interpretação não restritiva ao termo “usualmente” contida na previsão legal referente aos “equipamentos usualmente empregados”, e o grande desenvolvimento tecnológico em matéria agrícola e pecuária, conduzem a uma interpretação funcional e finalística de que o emprego de equipamentos de avançada tecnologia não descaracteriza a atividade rural. Também, a interpretação históricoevolutiva leva à mesma conclusão, ao ter sido expungida a expressão “e não configure procedimento industrial” presente na redação primitiva do art. 2º, V, da Lei 8.023/90. Neste sentido, contrariou o entendimento do julgador a quo, ao entender que o fato da recorrente ter em sua matriz aproximadamente 1.374 trabalhadores não desconfigura a prática da atividade rural. A transformação realizada pela recorrente consiste no abate, limpeza, acondicionamento e congelamento de aves, não alterando as características e a composição do produto in natura. Por fim, entendeu que, como a fiscalização não questionou se estes equipamentos são utilizados em outra etapa de industrialização, isto é um fato incontroverso, não cabendo essa discussão no presente processo. Por conseguinte, concluiuse que, como a atividade praticada pela recorrente é a de criação e abate de aves, sendo realizada a transformação de produtos de exploração da avicultura, esta transformação não implica descaracterização da atividade rural realizada pela recorrente, de modo que deve ser aplicado ao caso em questão o inciso IV do artigo 2º da Lei 8.023/90 e, consequentemente, o inciso V do art. 2º do mesmo diploma legal. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração de fls. 407 e 408, arguindo, em síntese, o que segue. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 420 7 Afirmou ser a decisão recorrida omissa, tendo em vista que, de acordo com o TVI e os autos, o contribuinte não realiza apenas a criação e abate de aves, mas também a preparação de produtos de carne, que foi fato não considerado pelo acórdão embargado. Neste sentido, alegou que, mesmo que seja considerado que o procedimento industrial aplicado à criação e abate de aves não descaracteriza a atividade rural, isto não pode ser estendido à preparação de produtos de carne, pois estes não são produzidos pelo contribuinte e há a alteração do produto in natura. Por fim, requereu o saneamento desta omissão. É o relatório. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 421 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso de embargos é tempestivo (fls. 404 e 410). Há potencialidade de omissão do acórdão embargado, em face do que conheço dos embargos. Como se viu do relatório, a razão dos embargos radica na circunstância de o acórdão ter enfrentado a questão do uso de equipamentos de elevada tecnologia no abate de aves configurar ou não atividade rural, sem ter versado sobre outras atividades desenvolvidas pela contribuinte, notadamente, a preparação de produtos de carne de porco. Nesse passo, fundamental observar o que dispunha o Termo de Verificação de Infração (TVI) que integra o auto de infração. Transcrevo o longo trecho do item 4 do TVI, que, sobre ser reprodução da última intimação feita à contribuinte, representa o cerne do Termo de Verificação e Infração – os demais itens também se resumem a transcrição de intimação e de resposta a ele (fls. 274 a 281): “4) através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 10/06/2005 (fls.134/142), o contribuinte tomou ciência dos fatos, e foi intimado ao seguinte: "DOS FATOS a) através do Termo de Intimação Fiscal de 17/03/2005, o contribuinte foi intimado a apresentar as informações e, os documentos a seguir discriminados: "1) documentos comprobatórios que justifiquem os lançamentos de ajustes (exclusão) na apuração do LUCRO REAL a titulo de Depreciação/Amortização Acelerada, para os anoscalendários de 2001, 2002 e 2003, nos valores de R$ 12.268.014,94, R$ 13.608.695,25 e R$ 16.137.809,28, respectivamente, fazendo relatório sucinto e citando a base legal;" b) em atendimento à intimação, através da correspondência de 01/04/2005, o contribuinte informou que: "1 a partir de novembro do ano 2.000 a empresa passou a explorar também a atividade rural com a incorporação de estabelecimentos rurais de criação de aves transformandose em Agroindústria. Como o Artigo 314 do RIR Decreto 3.000/99 possibilita o beneficio da depreciação acelerada para as empresas rurais, a partir do exercício de 2001 passou a fazer uso mediante ajustes no LALUR. Estamos anexando planilhas que demonstram o valor apurado nos anos de 2001, 2002 e 203, bem como cópias do LALUR respectivos;" (grifei) c) o art. 314 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), dispõe que: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 422 9 "Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art.58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória n° 1.74937, de 1999, art. 5°)." (grifei) d) constam como objeto da empresa conforme clausula 3ª do contrato social (fls.17), o seguinte: "Cláusula 3.a A sociedade tem por objeto a exploração do ramo de Abatedouro de aves, industrialização, comercialização, importação e exportação de frangos, perus, galinha de angola, suínos, bovinos, caprinos e coelhos, tal como a criação de aves e animais vivos, ovos para incubação, carnes e ovos para alimentação, peixes e demais frutos do mar, frutas, verduras, legumes, café e cereais em geral, gorduras e óleos comestíveis, condimentos, especiarias e essências alimentícias, laticínios em geral e seus derivados, massas alimentícias e farinhas, açúcar e bebidas em geral, ração ou qualquer tipo de alimentação para aves e animais, medicamentos para uso veterinário, fertilizantes, substâncias e produtos químicos destinados às atividades agropecuárias, extração de minérios e madeiras, combustíveis em geral, serviços auxiliares às atividades agropecuárias, podendo ainda fazer transportes, armazenamentos ou qualquer representação dos produtos acima, participar de outras sociedades, quaisquer que sejam os objetivos ou as formas jurídicas dessas, bem como aplicar suas disponibilidades em valores mobiliários e imobiliários." (grifei) e) constam como principal atividade do contribuinte, o "CNAE 15121 01 — Abate de aves e preparação de produtos de carne", conforme segue: c1) base CNPJ, e, (fls.93) c2) DIPJs 2002, 2003 e 2004. (fls. 63, 72 e 82) f.) foram formalizados os processos administrativos abaixo discriminados, onde foram solicitados os Pedidos de Ressarcimento, tendo como fundamento “13 Crédito referente saldo credor do IPI acumulado trimestre calendário Art. 11 Lei 9779/99 de Matéria Prima“, (fls.107/115) Lei n.° 9.779/1999 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 423 10 "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda." (grifei) fl) constam nos respectivos processos DECLARAÇÕES (fls.109, 112 e 115), no seguinte teor: "DECLARAMOS para efeito de ressarcimento de IPI que os produtos fabricados por nossa empresa são exclusivamente os classificados sob os seguintes nºs 1601.00.00 Produtos Suínos, n° 0207.11.00 Frango abatido resfriado, n° 0207.12.00 Frango abatido congelado, n° 0207.13.00 Frango abatido resfriado em partes e nº 0207.14.00 Frango abatido congelado em partes e, que estão tributados com a alíquota 0% de IPI, conforme Decreto nº 2092/96."(grifei) g) constam também Processos de Pedido de Ressarcimento do IPI, tendo como fundamento o art. 38 da Portaria MF nº 38/97 (crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96). (fls116/123) CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI LEI N.º 9.363/96 "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." (grifei) h) em atendimento a intimação da fiscalização, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: h1) Contribuição Sindical (fls.125/128) SINDICATO DA INDUSTRIA DE FRIOS DO ESTADO DE SAO PAULO Atividade "Abatedouro de Aves" Fl. 421DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 424 11 Capital R$ 16.000.000,00 Valor da Contribuição R$ 14.884,30 h2) Comprovante de Inscrição junto ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) (fls.129) MINISTÉRIO DA AGRICULTURA SECRETARIA DE INSPEÇÃO DE PRODUTO ANIMAL TÍTULO DE REGISTRO SIPA Nº 2022 30/11/1988 i) constam nas DIPJs (RETIFICADORAS) 2002, 2003 e 2004, informações relativas à apuração do IPI (fls.95/106) e ; DA ATIVIDADE RURAL 1) O abate de animais, realizada através de procedimentos industriais (com maquinaria atípica em relação àquela utilizável pelos produtores em suas propriedades), não mais se aceitou a partir da Lei nº 8.023/1990; isto fica claro pela análise da evolução legislativa. Ocorre que já o Decretolei nº 902 de 30 de setembro de 1969, ao dispor sobre a forma de tributação dos rendimentos da exploração agrícola, iniciava, em seu art. 1º, tratando da incidência do IR dos rendimentos líquidos auferidos pelas pessoas físicas e somente em seu art. 7º fazia referência às pessoas jurídicas que constituíssem empresas para exploração das atividades referidas no art. 1°. 2) A legislação posterior, até o advento da Lei nº 8.023/1990, sempre se referiu a esse art. 7º que, conforme explicado, tratava das atividades enumeradas no art. 1º do Decretolei no 902/1969. A redação deste artigo era a seguinte: "Art. 1º Para os efeitos da incidência do imposto de renda, o rendimento liquido auferido pelas pessoas físicas oriundo de exploração agrícola ou pastoril e das indústrias extrativas vegetal e animal, da transformação dos produtos agrícolas e pecuários, quando feita pelo próprio agricultor ou criador, com matéria prima da propriedade explorada, e os da exploração da apicultura, sericicultura e piscicultura será apurado de acordo com as normas constantes deste DecretoLei." (grifamos) 3) Já o caput do art. 7º dispunha: "Art. 7º As empresas constituídas nos próximos dez anos para a exploração das atividades referidas no art. 1º deste DecretoLei, excetuadas as de transformação de seus produtos e subprodutos, gozarão, a contar de sua constituição, dos seguintes incentivos, respeitadas as condições e os limites máximos abaixo indicados: (...)"(grifamos) 4) Somente ai, no art. 7º, surgia à vedação às atividades de transformação; as atividades industriais extrativas eram então admitidas. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 425 12 5) O Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98), estabeleceu no art. 4° , que: 1) industrialização, para os fins de tributação pelo IPI, "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". 2) transformação (inciso I) é a "operação que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova." 3) "São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados". (parágrafo único) 6) Ocorre que, em 1990 a legislação se modifica radicalmente com o advento da Lei nº 8.023 de 12 de abril. Nessa lei, a definição de atividade rural está posta no art. 2º, que define: "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida e a rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (grifei) 7) Agora, o art. 2º do referido diploma não inclui a atividade industrial extrativa vegetal ou animal entre as atividades rurais, mesmo admitindo a transformação de produtos agrícolas e pecuários. 8) A nova lei aumentou o leque de atividades considerada rurais por um lado, mas por outro afastou a utilização de equipamentos e utensílios não usualmente empregados na atividade rural deste leque, o que ficou claramente expresso no inciso V. 9) Assim, como era clara a intenção de incentivar quaisquer atividades ligadas à área rural até o advento da Lei nº 8.023/1990, a partir desta temse um novo quadro, com a eliminação de incentivos anteriormente concedidos àqueles que utilizassem procedimentos não artesanais, mas industriais. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 426 13 Como procedimentos industriais se teriam então aqueles que necessitassem da aplicação intensiva de capital, com maquinarias e equipamentos não usuais ao criador na exploração de sua propriedade. Não mais se daria incentivos na área do IRPJ ao produtor em escala industrial, este enfrentaria as mesmas vicissitudes tributárias do IRPJ de outras indústrias, visto que as atividades rurais alcançaram um novo patamar tecnológico e produtivo a partir dos incentivos até então concedidos. 10) Na criação e desenvolvimento de aves se conseguiu ganhos de escala industrial ao longo das últimas décadas, sem contudo haver desenvolvimento de maiores mecanismos de criação, mas sim de pesquisa em rações e condições sanitárias; o abate é um passo distinto, modernamente cercado de equipamentos especiais, conforme demonstrado pelos prospectos de seus produtos. 11) Desta forma, a atividade do contribuinte não se subsume ao inciso IV do art. 2º da Lei no 8.023/1990, uma vez que esta atividade não pode ter cunho industrial, o que se reforça com o disposto no inciso V do mesmo artigo ao tratar dos "utensílios usualmente empregados nas atividades rurais". 12) ademais, há que se considerar o fato da empresa, em mais de uma oportunidade considerar sua atividade como industrial, seja com o fim de usufruir os créditos de IPI, referente às aquisições de insumos (MP, PI e ME) empregados na industrial conforme disposto no art. 11 da Lei nº 9.779 e, do credito presumido para ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes nas aquisições de insumos (MP, PI e ME) utilizados no processo produtivo conforme disposto na Lei n.° 9.363/96, seja com a finalidade de afastar a tributação de contribuições para fiscais ligadas à atividade rural. JURISPRUDÊNCIA "FRIGORÍFICO DE AVES O abate para ser caracterizado como atividade rural deve ser feito pelo próprio produtor rural, com equipamento e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na unidade rural explorada, e não com utilização de equipamentos típicos da atividade industrial, conforme art. 2º, inciso V, da Lei nº 8.023/ de 1990. 1º Conselho de Contribuintes / 6ª Câmara / Acórdão 10513.579 em 21.08.2001. Publicado no D.O.U. em 16.11.2001." DA INTIMAÇÃO Face a todo o exposto, e, considerando que as atividades desenvolvidas pela empresa "Abate de aves e preparação de produtos de carne", não se enquadra como atividade rural nos termos da legislação retrocitada, tendo como conseqüência, de que os lançamentos de ajustes na apuração do Lucro Real e da CSLL sob o titulo de Depreciação/Amortização Acelerada, para os anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, nos seguintes valores: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 427 14 a) exclusões R$ 12.268.014,94, R$ 13.608.695,25 e R$ 16.137.809,28, e, b) adições R$ 12.268.014,94, R$ 13.608.695,25 e R$ 16.137.809,28. respectivamente, são indevidos e estarão sujeitos aos ajustes a serem feitos pela fiscalização, mediante a recomposição do Lucro Real e da CSLL, ficando o contribuinte INTIMADO, a caso queira, apresentar as devidas considerações." (negritos com itálicos nossos – subitens 9, 10 e 11 do item 4) Já o item 5 do TVI contém a transcrição da resposta a essas longas intimação e arrazoado do autuante. Tal resposta, igualmente longa, de fls. 282 a 291, informa também arrazoado – tanto que boa parte da defesa da contribuinte reproduz o contido nessa resposta. Por fim, a conclusão, na qual é registrado que, apesar dos argumentos da contribuinte, o autuante não se vê por convencido. Da análise do TVI, nomeadamente de seu cerne, o item 4 retrotranscrito, divisase o motivo da autuação: o uso dos equipamentos da contribuinte no abate de aves não conforma atividade rural, nos termos da legislação tributária. Isso fica mais claro dos subitens 9, 10 e 11, os quais destacamos. Não por menos, à intimação e ao arrazoado que identificam o item 4 do TVI, a resposta e o contraarrazoado que correspondem ao item 5 do TVI se fixam na questão do uso de seus equipamentos no abate de aves. Em que pese a arguta observação do nobre Procurador da Fazenda Nacional, não há, pois, o vazio a ser enchido, a acusada omissão no acórdão embargado. Sob essa ordem de considerações e juízo, conheço dos embargos e lhes nego provimento. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 425DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10850.002538/200514 Acórdão n.º 1103001.002 S1C1T3 Fl. 428 15 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16561.000005/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
FALTA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE.
É nulo o lançamento que não motiva a não admissão dos métodos de apuração de preços de transferência utilizados pelo contribuinte, nem esclarece os critérios de cálculo adotados.
O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve ser motivado de forma explícita, clara e congruente, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o embasem, sob pena de nulidade.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1102-000.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 FALTA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE. É nulo o lançamento que não motiva a não admissão dos métodos de apuração de preços de transferência utilizados pelo contribuinte, nem esclarece os critérios de cálculo adotados. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve ser motivado de forma explícita, clara e congruente, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o embasem, sob pena de nulidade. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 05 /2 00 8- 82 Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.140 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foram lavrados o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, que exigiu o imposto suplementar no valor de R$ 4.880.373,57, e o Auto de Infração decorrente de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que lançou contribuição no valor de R$ 1.732.319,21, tendo os valores principais sido acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora (fls. 3 e 868 a 929). Foram lançadas infrações às normas de preços de transferência no ano calendário de 2002, descritas nas planilhas de fls. 871 a 918, onde estão identificados os produtos para os quais foram apurados ajustes. Houve, também, compensação de ofício de prejuízos e bases negativas no limite de 30% do resultado (fls. 1.108 a 1.109). IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 963 a 1.012), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 1.113 a 1.120): DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Os Autos de Infração são absolutamente nulos, na medida em que, embora o Termo de Verificação Fiscal se estenda na descrição das verificações efetuadas, nada consta quanto a quais seriam as supostas irregularidades que culminaram na exigência de tão elevados valores, sendo certo que, diversamente do afirmado, a descrição das supostas infrações que teriam sido cometidas pela impugnante tampouco consta das planilhas anexas ao referido Termo. E, pior ainda, sequer consta das referidas planilhas qualquer explicação quanto às fórmulas utilizadas pela fiscalização para, valendose dos dados nelas constantes, chegar ao valor lançado. Nessas condições, a impugnante se vê na peculiar obrigação de apresentar a presente impugnação sem saber (a) por quais motivos os ajustes por ela efetuados foram simplesmente desconsiderados; (b) porque em alguns casos em que a impugnante verificou a necessidade de ajuste com base nos métodos PIC ou PRL20, a fiscalização simplesmente ignorou tal informação e adotou o método PRL60; e (c) como o Auditor Fiscal autuante chegou ao valor tributável a título de ajuste. Daí a manifesta nulidade da autuação, por flagrante cerceamento ao direito de defesa. Mesmo sem ter a segurança quanto à natureza da infração que lhe é imputada, contudo, do simples exame das planilhas anexas ao Auto de Infração a impugnante já pode identificar diversos vícios em que incorreu o Auditor Fiscal em seus próprios cálculos. Além disso, baseada em outros Autos de Infração que recebeu no passado, supõe a impugnante que alguns procedimentos equivocados da fiscalização foram novamente adotados na presente autuação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – CONCEITO E LIMITAÇÕES Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.141 3 A disciplina jurídica dos preços de transferência no Brasil decorre da Lei nº 9.430/96 (artigo 18, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 2º da Lei nº 9.959/2000, artigos 19 a 24, e artigo 28), bem como das INs SRF nºs 38/97, 164/99, 113/2000 e 32/2001, e da Portaria MF nº 95/77. Nenhum desses diplomas legais ou infralegais, contudo, traz um conceito de “preço de transferência”. Verificase a circunstância de estar consubstanciado o preço de transferência quando duas empresas, valendose de seu vínculo especial, realizam operações em condições diversas daquelas que obteriam, se não fosse a existência desse vínculo, de modo a transferir indiretamente os lucros daquela operação para o local que melhor lhe aprouver. O Estado, ao editar leis para resguardar suas receitas tributárias, porém, está subordinado às limitações constitucionais e à natureza das coisas. Como limitações constitucionais, a contribuinte cita a competência tributária, o princípio da capacidade contributiva, o conceito de renda e lucro, a liberdade de contratar, a liberdade de iniciativa, a livre concorrência, e a vedação ao confisco. A impugnante traz, então, nas palavras de Luís Eduardo Schoueri, a definição de “arm’s lenght”: “a OCDE define o preço arm’s lenght como aquele que teria sido acordado entre as partes não relacionadas, envolvidas nas mesmas transações ou em transações similares, nas mesmas condições ou em condições semelhantes, no mercado aberto”. A relevância da compreensão de tal princípio se deve a 2 motivos: a) primeiramente, porque a própria exposição de motivos que encaminhou o projeto de lei que deu origem à Lei nº 9.430/96 indicava que estavam sendo propostas normas para controle dos preços de transferência “em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE”; e b) em segundo lugar, porque o conceito da OCDE de preço “arm’s lenght” corresponde precisamente àquele preço que seria praticado em condições normais de mercado entre pessoas não vinculadas, de modo que, se praticado pelo contribuinte, não poderá jamais ser questionado, face às limitações constitucionais acima referidas. Em suma, o princípio “arm’s lenght” consubstancia de fato limitação à disciplina dos preços de transferência, a ser respeitada pelo legislador pátrio, uma vez que nada mais representa do que a aplicação das limitações decorrentes das normas constitucionais pertinentes. Por fim, esclarece a impugnante que não pretende, nesta seara administrativa, apontar qualquer mácula de inconstitucionalidade na Lei nº 9.430/96, justificandose as considerações preliminares acima expostas apenas para firmar algumas premissas básicas quanto à correta interpretação daquele diploma legal, que não poderá levar jamais à glosa de uma despesa legítima. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Examinandose as planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal, verifica se que a única informação que delas consta é a identificação dos produtos para os quais foram apurados ajustes, nada constando quanto à descrição das supostas infrações que teriam sido cometidas pela impugnante. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.142 4 Como se verifica da planilha resumo da fiscalização (fls. 908/909), os Autos de Infração referemse a adições supostamente devidas relativas a diversos produtos, tendo a fiscalização efetuado ajustes ora pelo método PRL60 ora pelo PRL20. Ocorre, porém, que a impugnante expressamente informou à fiscalização (petição de fl. 466 e anexo de fls. 469/473), em resposta ao item II.10 do Termo de Intimação de fls. 435/440, quais os ajustes efetuados e o método utilizado para cada produto (PRL20, PRL60 ou PIC). Contudo, a fiscalização ignorou, para diversos produtos, a opção feita pela impugnante, pelos métodos PIC ou PRL20, e apurou o preço de transferência desses produtos pelo método PRL60, sem sequer apreciar os cálculos efetuados pela impugnante e sem tampouco consignar qualquer explicação quanto ao motivo pelo qual foram desconsiderados aqueles cálculos. Não bastasse isso, não constam das referidas planilhas as fórmulas utilizadas pela fiscalização para o cálculo de cada coluna, mas apenas os resultados apurados, o que, por si só, já acarreta flagrante cerceamento ao direito de defesa da impugnante, uma vez que ficou ela impossibilitada de avaliar a correção do critério adotado e dos cálculos efetuados pela fiscalização. O lançamento tributário é, nos termos do artigo 142 do CTN, o procedimento administrativo tendente, dentre outras finalidades, a “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”. Consentâneo com essa norma, os itens III e IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 prevê que o Auto de Infração deverá conter, obrigatoriamente, “a descrição do fato” e “a disposição legal infringida e a penalidade aplicável”. Ademais, todo ato administrativo, para ser válido, deve apoiarse numa dupla demonstração: a) da existência de lei autorizadora da sua emanação (o motivo legal); e b) da verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento daquele ato (o motivo de fato). Como conseqüência da absoluta falta de motivação e do cerceamento do direito de defesa, o lançamento é nulo, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.232/72. DESCONSIDERAÇÃO DO CUSTO EFETIVAMENTE DEDUZIDO São 2 as operações que devem ser feitas pelo contribuinte para realizar os ajustes determinados pelo artigo 18 da Lei nº 9.430/96. 1) Primeiramente, deve comparar o preço pago pelos bens adquiridos de pessoa vinculada constante dos documentos de aquisição com o preço parâmetro apurado segundo um dos critérios legais; 2) Num segundo momento, e sempre que o valor pago superar o preço parâmetro e a margem de divergência de 5%, deverá adicionar ao lucro líquido a parcela dos custos que exceder aquele limite máximo. Embora a verificação da margem de divergência de 5%, prevista no artigo 36 da IN SRF nº 38/97, seja aferida comparandose o preçoparâmetro apurado com o preço constante dos documentos de importação ou exportações, a adição ao lucro Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.143 5 real só pode se dar relativamente à parcela do custo efetivamente deduzida que exceda o preçoparâmetro, conforme disposto no artigo 10 da IN SRF nº 38/97. No caso concreto, o Auditor Fiscal autuante aparentemente reconheceu a importância de se verificar qual o valor do custo registrado pela impugnante em conta de resultado relativamente aos produtos para os quais entendeu terem sido efetuadas adições a menor, tanto que no anexo 2.4 tomou o cuidado de adicionar o valor dos produtos importados ao valor do estoque inicial para apurar o valor do custo médio do estoque que veio a impactar o resultado em razão das saídas realizadas. Contudo, o Auditor Fiscal autuante não levou em consideração o valor do estoque final existente no encerramento do exercício, que deveria ser excluído para efeito da apuração correta da média ponderada adotada como preço praticado, ou seja, para apuração do valor efetivamente deduzido pela impugnante em conta de resultado no ano de 2002 em razão das importações realizadas naquele ano. Não se tratando de insumos perfeitamente identificáveis no produto final, é evidente que a dedutibilidade do custo é feita sempre pelo custo médio ponderado do estoque no momento da baixa, e não pelo custo de aquisição de cada unidade importada. No caso concreto, a simples soma da quantidade de produtos importados com a quantidade de produtos no estoque inicial, conforme dados do anexo 2.2, em comparação com a quantidade total de saídas em vendas diretas e indiretas (anexo 4.10), evidencia a existência de estoque final no final do exercício, decorrente das importações realizadas ao longo do ano. Nessas condições, e considerando que o preço praticado é uma média ponderada que, da forma como calculada pelo Auditor Fiscal autuante no anexo 2.4 está afetada pelo valor das últimas importações realizadas, é evidente que o custo computado em conta de resultado relativamente às vendas efetuadas ao longo do ano não é aquele apurado pela fiscalização, mas muito superior. Nem se diga que tal distorção não teria ocorrido pelo fato de a fiscalização, no anexo 4.1, ter descontado o estoque inicial. A desconsideração do estoque inicial nesse anexo devese ao fato de que qualquer ajuste relativo a importações realizadas antes de 01/01/2002 somente poderia ser feito tomando por base o preçoparâmetro apurado no mesmo ano da respectiva importação. Tampouco afasta a distorção apontada o fato de, no anexo 4.1, só terem sido consideradas as saídas efetivamente ocorridas, corretamente não sendo exigido ajuste relativamente às importações de produtos ainda não vendidos. Se a impugnante possui estoque final não vendido de um determinado produto em 31/12/2002, é evidente que foram feitas importações no ano de 2002 que não deram origem a vendas. Dessa forma, não se poderia jamais apurar o ajuste unitário com base na média ponderada que considera o preço de todas as importações ocorridas no ano, como fez o Auditor Fiscal autuante, sob pena de se inflar artificialmente o custo de todas as vendas com o valor das últimas importações, quando na realidade apenas as vendas realizadas após tais importações acarretariam o lançamento em conta de resultado de custo cuja média já estaria por elas afetado. De se salientar que a distorção decorrente da desconsideração do estoque final é particularmente grave em períodos de grande desvalorização cambial, como ocorreu no ano de 2002. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.144 6 Assim, os valores apurados pela fiscalização a título de ajuste não guardam relação com o valor efetivamente registrado pela impugnante como custo em conta de resultado, como determina tanto o artigo 18, § 7º, da Lei nº 9.430/96, quanto o artigo 10 da IN SRF nº 38/97. LANÇAMENTO EM DESACORDO COM O ARTIGO 18, “CAPUT” E § 4º, DA LEI Nº 9.430/96 Nos termos do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, para que possa a fiscalização glosar determinada despesa deverá necessariamente demonstrar que a mesma é superior ao preço apurado segundo os 3 métodos previstos no artigo 18 da Lei nº 9.430/96, até porque a glosa estará restrita à parcela excedente ao maior preço apurado segundo aqueles métodos. No caso concreto, contudo, em momento algum a fiscalização demonstrou que o custo registrado pela impugnante é de fato superior ao maior preçoparâmetro que seria apurado segundo os métodos previstos na Lei nº 9.430/96. Pelo contrário, elegeu o método que bem entendeu para cada produto e comparou diretamente o preçoparâmetro assim apurado com o preço praticado que apurou. Tal procedimento vicia de nulidade os Autos de Infração. LANÇAMENTO EM DESACORDO COM O ARTIGO 18, § 6º, DA LEI Nº 9.430/96 Não bastasse o acima exposto, da análise do anexo 2.4 ao Termo de Verificação Fiscal, observase também que a fiscalização incluiu as despesas com frete, seguro e imposto de importação no preço praticado, para efeito de comparação com o preçoparâmetro. Contudo, tais despesas são sempre dedutíveis, nos termos do § 6º do artigo 18, da Lei nº 9.430/96 e do artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 38/97. Os valores relativos ao frete, ao seguro e ao imposto de importação são custos efetivos, que não são afetados pelo vínculo existente entre o importador e o exportador, e, portanto, devem ser necessariamente, deduzidos integralmente, como expressamente prevê a lei. VIOLAÇÃO A ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO Como se verifica da planilha de fl. 468 e da DIPJ de fls. 179/305, os ajustes pretendidos pelos Autos de Infração referemse a importações realizadas pela impugnante de pessoas consideradas vinculadas domiciliadas nos diversos países lá indicados. Ocorre, porém, que dentre esses países, o Brasil firmou acordos para evitar a bitributação com a Alemanha, a Argentina, a Bélgica, o Chile, a Espanha, a Itália e outros, todos eles objeto dos competentes Decretos Legislativos e, portanto, plenamente em vigor. Referidos acordos, por sua vez, tratam todos, em seu artigo 9º, especificamente dos preços de transferência, contendo disposição praticamente idêntica ao artigo 9º da Convenção Modelo da OCDE. Segundo o Tratado, somente são cabíveis ajustes nas operações realizadas entre empresas ligadas quando uma delas deixar de auferir lucro em razão de condições que sejam distintas daquelas que seriam normalmente pactuadas entre empresas independentes. Vale dizer, fazse necessária não só a demonstração do Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.145 7 nexo causal entre o vínculo existente e o lucro auferido a menor por uma das empresas ligadas, mas também a quantificação exata do lucro que deixou de ser auferido por conta desse vínculo. Já a Lei brasileira nº 9.430/96, com base na qual foram lavrados os Autos de Infração, disciplinou de forma totalmente distinta a matéria atinente aos preços de transferência. Assim, ao menos quanto às importações realizadas de países com os quais o Brasil celebrou acordos para evitar a bitributação, não podem prevalecer os Autos de Infração lavrados. NULIDADES ESPECÍFICAS QUANTO À APURAÇÃO DO PRL60 Ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 Muito embora a impugnante não tenha conseguido compreender a forma como chegou o Auditor Fiscal autuante aos valores lançados, supõe a impugnante que, especificamente quanto ao PRL60, a apuração do preçoparâmetro tenha se dado consoante o disposto na IN SRF nº 243/2002, o que vicia de nulidade insanável o lançamento, uma vez que, a pretexto de regular os preços de transferência tal como determinados pela Lei nº 9.430/96, a referida instrução normativa inovou no ordenamento jurídico, ferindo o princípio da legalidade. A IN SRF nº 243/2002 revogou a IN SRF nº 32/2002 e alterou radicalmente a equação legalmente estipulada para o método PRL. Muito embora o início do artigo 12 seja de idêntica redação, foi radicalmente alterada a redação do antigo § 11. A simples leitura desse novo § 11, em especial de seus incisos II e III, evidencia terem sido criados, por mera instrução normativa, 2 novos conceitos, que jamais foram contemplados pela Lei nº 9.430/96, a serem levados em consideração ma apuração da margem de lucro de 60% (inciso IV). Da comparação entre o método utilizado para se chegar ao preçoparâmetro nos termos determinados pela lei e aquele preconizado pela IN SRF nº 243/2002, constatase que este é absolutamente diferente daquele, o que não pode prevalecer, sob pena de ilegalidade. Efeitos temporais da IN SRF nº 243/2002 Não bastasse a referida ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, são ainda discutíveis os efeitos dessa norma no ano de 2002. Embora o fato gerador do IRPJ se dê em 31 de dezembro de cada ano e a IN SRF nº 243/2002 tenha entrado em vigor em 13/11/2002, o cálculo do preço de transferência, que pode afetar a apuração do IRPJ mediante a adição de uma despesa já incorrida em valor tido por excessivo pela lei, toma como base as importações ocorridas no decorrer de todo o ano. Assim, a alteração nas formas de cálculo dos preços de transferência jamais poderia tomar como ponto de partida as importações realizadas anteriormente a 13/11/2002, sob pena de tornar indedutíveis despesas já incorridas. Assim, caso não se reconheça a ilegalidade da referida norma, quando menos devese reconhecer a sua inaplicabilidade quanto às importações realizada anteriormente à sua vigência. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.146 8 Inaplicabilidade do PRL60 aos produtos importados prontos e àqueles para os quais foi adotado o método PIC Muito embora não se saiba o que levou o Auditor Fiscal autuante à desconsideração do PRL20 adotado pela impugnante para diversos produtos importados, aplicando, também sem explicação, o método PRL60 (doc. 01), certo que sempre que a impugnante realizou o cálculo do preço de transferência pelo método PRL20, o fez para produtos acabados, classificados no código NCM sob nº 3004, como faz prova a DIPJ/2003 apresentada (fls. 179/305), onde consta o rol de todos os produtos importados pela impugnante, com as suas respectivas classificações. Tratandose de produtos importados prontos para o consumo, não são aplicados à produção, não havendo que se falar na aplicação do método PRL60. Do mesmo modo, quanto aos produtos para os quais não foi apurado ajuste a ser realizado com base no método PIC (fl. 473), não poderia a fiscalização simplesmente ignorar tal método e, por conta própria, apurar um ajuste a ser realizado com base no método PRL60. DESCONSIDERAÇÃO DOS AJUSTES JÁ ADICIONADOS PELA IMPUGNANTE Consta do Termo de Verificação Fiscal que “tais ajustes levam em consideração os ajustes eventualmente já efetuados pelo contribuinte”. Contudo, muito embora a impugnante tenha realizado ajustes já devidamente adicionados ao lucro líquido para efeito de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, conforme consta da DIPJ de fls. 278/296 e da planilha de fls. 469/473, não consta das planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal qualquer indicação de que o valor daqueles ajustes tenha sido efetivamente levado em consideração pelo Auditor Fiscal autuante, conforme evidenciado na planilha anexa (doc. 01). ERROS MATERIAIS NAS PLANILHAS ANEXAS AO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Muito embora a impugnante tenha ficado impossibilitada de realizar uma adequada verificação dos valores lançados, em razão de não lhe terem sido fornecidas as fórmulas utilizadas pela fiscalização, do simples cotejo das colunas representativas da quantidade de produtos importados constantes dos anexos 2.1 (importações, fl. 868) e 2.4 (cálculo do preço praticado, fls. 874/875), que aparentemente deveriam ser iguais, já constatou a impugnante a existência de divergências quanto a pelo menos 5 produtos (itens de seqüência 12, 17, 26, 49 e 54). Nessas condições, quando menos, deverão ser corrigidos esses erros e outros que, pelas razões expostas, não puderam ser identificados, o que evidencia ainda mais a nulidade dos Autos de Infração. DO NÃO CABIMENTO DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA A prevalecer a exigência fiscal e a multa de ofício, o que se admite apenas a título de argumentação, o Fisco certamente exigirá da impugnante juros de mora sobre o valor da multa de ofício, como vem procedendo em outros casos. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.147 9 Daí porque a impugnante vem desde já impugnar a pretensão, até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada. Pelo que se infere da legislação que rege a matéria, esta somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou contribuição. Não autoriza o cálculo dos juros sobre o valor da multa. DA IMPRESTABILIDADE DA SELIC PARA EFEITOS DE CÔMPUTO DOS JUROS DE MORA Os juros de mora no caso presente jamais poderiam ser exigidos na dimensão pretendida pela autoridade fiscal, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual, além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes à remuneração de serviços de instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo, e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. DO PEDIDO Diante do exposto, a impugnante pede que seja acolhida sua impugnação e julgados insubsistentes os Autos de Infração lavrados. DILIGÊNCIA SOLICITADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA A autoridade julgadora de 1a instância considerou que as informações fornecidas pela fiscalização não eram suficientes (ou não estavam suficientemente claras) para que o impugnante, ou mesmo a Delegacia de Julgamento, tivessem plena consciência/convicção das infrações cometidas, nem para se aferir a exatidão dos cálculos efetuados pela fiscalização. Por isso, achou por bem baixar os autos em diligência (fls. 1.061 a 1.064), para que o que o AuditorFiscal autuante: · Informasse os motivos pelos quais foram desconsiderados os cálculos da contribuinte com relação aos métodos PIC e PRL20 (para alguns produtos); · Descrevesse e fundamentasse a metodologia de cálculo dos preços praticados e dos preçosparâmetro (PRL20 e, principalmente, PRL60), informando as fórmulas utilizadas nas planilhas; · Se manifestasse acerca das alegações da contribuinte sintetizadas nos itens “Desconsideração do custo efetivamente deduzido” (no sentido de que o valor do estoque final existente no encerramento do exercício deveria ser excluído para efeito da apuração correta da média ponderada) e “Nulidades específicas quanto à apuração do PRL60” (basicamente, no sentido de que o método PRL60 é inaplicável aos produtos importados prontos) da impugnação; Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.148 10 · Se manifestasse acerca da constatação de que não foram considerados os ajustes já adicionados pela contribuinte em sua DIPJ e das divergências entre os anexos 2.1 e 2.4; · Recalculasse, se fosse o caso, a matéria tributável. Transcrevo a descrição feita pelo relatório do acórdão de primeira instância do resultado da diligência bem como das considerações sobre ele feitas pelo contribuinte (fls. 1.121 a 1.125): DO RELATÓRIO CONCLUSIVO Em face da solicitação desta Delegacia de Julgamento, o Auditor Fiscal autuante se manifestou, através do Relatório Conclusivo de fls. 1048 a 1051, fazendo, em síntese, as seguintes considerações: · Informe os motivos pelos quais foram desconsiderados os cálculos da contribuinte com relação aos métodos PIC e PRL20 (para alguns produtos) A fiscalização não é obrigada a aceitar nada. Se assim não fosse, tudo o que fosse apresentado pela contribuinte ao Fisco federal deveria ser dado como bom, firme e valioso, não cabendo qualquer contestação ou, sequer, análise. A própria RFB não teria razão de ser. Exemplo flagrante é o alegado em relação ao PIC: absolutamente nada apresentou a contribuinte à fiscalização, seja em termos documentais, seja em arquivos magnéticos, a suportar os valores por ela utilizados para a apuração dos preços praticados e parâmetro. Ao que parece, os doutos julgadores, diversamente da fiscalização, encontraram nos autos elementos que adequadamente suportam os preçosparâmetro para o método PIC apresentado pela contribuinte. Se assim, que os aceitem e “desconsiderem” o apurado pela fiscalização. · Descreva e fundamente a metodologia de cálculo dos preços praticados e dos preçosparâmetro (PRL20 e, principalmente, PRL60), informando as fórmulas utilizadas nas planilhas Todas as informações prestadas pela contribuinte em relação a saldos de estoques, compras, vendas, movimentação entre dependências, perdas, vendas como sucata, relação insumoproduto, etc., foram aceitas. As fórmulas, por conseguinte, contemplam tais operações, em especial em relação ao inputoutput. Aliás, penitenciase a fiscalização por, devido a um lapso seu, terse olvidado de incluir no processo o “Termo de Entrega de Documentos”, de 28/12/2008 (ora juntado à fl. 1046), pelo qual constatase que, além de todas as planilhas entregues à contribuinte no decorrer da fiscalização, foilhe entregue também – por mera liberalidade da fiscalização, com o fito de facilitar à contribuinte qualquer questionamento – cópia de todas as planilhas que embasaram o Auto de Infração. Por conseguinte, não assiste razão à contribuinte em alegar qualquer desconhecimento dos fatos e/ou cerceamento de defesa. Se a contribuinte discorda da apuração efetuada, que apresente suas razões, apontando onde e porque os cálculos estão errados. A negação geral não é admitida no sistema jurídico brasileiro (inclusive em instância administrativa). Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.149 11 · Manifestese acerca da constatação de que não foram considerados os ajustes já adicionados pela contribuinte em sua DIPJ e das divergências entre os anexos 2.1 e 2.4 Os ajustes foram considerados. Ocorre que as planilhas apresentadas pela contribuinte (fls. 469 a 473) não permitem, para alguns produtos, sua perfeita identificação. Na planilha “Ajustes”, em anexo, constam alguns produtos para os quais a contribuinte alegou ter feito ajustes, mas que, ao confrontar com aqueles por ela apresentados anteriormente, verificase (pelo valor) referiremse a outros produtos. Além disso, por exemplo, o VL7394 engloba os produtos VL9394002BL e VL7394005BL. De qualquer forma, foram aceitos os ajustes identificados e apresentados pela contribuinte em sua impugnação. Ressaltese que, no caso de o ajuste por ela praticado ter sido maior que o apurado pela fiscalização, a juste limitouse a esse último, não cabendo “realocação” de ajustes. Quanto ao Anexo 2.1, este se refere a importações de vinculadas e tributação favorecida, enquanto o Anexo 2.4 referese aos valores físicos e monetários para a apuração dos preços praticados pelo método PRL, e foi utilizado para efeitos de determinação da base imponível por esse método. A planilha anexa apresenta levantamento paralelo realizado pela fiscalização, e demonstra a exatidão dos cálculos efetuados. Nessa planilha observase a alteração efetuada pela fiscalização em relação ao produto QA332X, de forma a adequálo à unidade empregada na apuração. Destaquese que a contribuinte, ao apresentar seus dados, em Access, fêlo de forma incorreta: informou “quilos” como unidade de medida, mas apresentou o peso em “gramas”, o que obrigou a ser efetuado um ajuste manual. Outra incorreção da contribuinte, que se constata nessa planilha, foi em relação a uma das importações do produto VL7394002BL, importado como VL7395. · Recalcule, se for o caso, a matéria tributável. A diminuição da base imponível está demonstrada na planilha “Ajustes” (fl. 1052). DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a contribuinte o fez às fls. 1059 a 1071, alegando, em síntese, o seguinte: O teor do Relatório Conclusivo da fiscalização apenas deixou evidente a manifesta nulidade do Auto de Infração, como se verifica a partir das respostas dadas pela fiscalização. · Informe os motivos pelos quais foram desconsiderados os cálculos da contribuinte com relação aos métodos PIC e PRL20 (para alguns produtos) É evidente que, como acertadamente considerou a DRJ, ao determinar a realização da diligência, embora a fiscalização não seja “obrigada a aceitar nada”, deve sim, necessariamente, sob pena de nulidade por cerceamento do direito de Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.150 12 defesa, indicar os motivos e fundamentos de sua recusa quanto às informações fornecidas pelo contribuinte. O Auditor Fiscal autuante limitouse, e somente agora em sede de diligência, e a título de exemplo, fazer considerações acerca dos cálculos da contribuinte pelo método PIC. Contudo, além de desconsiderar por completo os cálculos efetuados pela contribuinte com base no método PRL, que correspondem a mais de 80% dos valores autuados, o que pretendeu a fiscalização, em realidade, foi desfocar o sentido e a razão de ser do quesito objeto da diligência. Com relação ao método PIC, ainda que a fiscalização entendesse que os documentos fornecidos (por meio da petição de fl. 466/467 e anexo de fls. 469/473) não fossem válidos ou suficientes para embasar a falta de ajustes para os produtos para os quais indicouse a aplicação de tal método, não poderia jamais efetuar o lançamento com base em outro método (no caso, o PRL60), uma vez que estava a fiscalização vinculada ao método indicado pela contribuinte, devendo, quando muito, apresentar os seus cálculos, seguindo o mesmo método (PIC) para aqueles produtos. Com relação aos ajustes decorrentes da aplicação do método PRL, ao contrário do que constou do Relatório da diligência, a contribuinte informou minuciosamente (por meio da petição de fl. 466/467 e anexo de fls. 469/473) quais os ajustes efetuados pelos métodos PRL20 ou PRL60 e o respectivo cálculo do preçoparâmetro, além de fornecer toda a documentação de suporte necessária à fiscalização para validar os cálculos por ela apresentados. E mais, mesmo nos casos em que o método adotado pela fiscalização foi o mesmo adotado pela contribuinte (PRL20 ou PRL60), o Auditor Fiscal autuante simplesmente apurou valores de ajustes distintos da contribuinte, novamente sem qualquer justificativa para tanto. Assim, o silêncio do Auditor Fiscal autuante quanto às razões pelas quais desconsiderou os métodos indicados e os cálculos da contribuinte, mesmo instado pela DRJ a declinar tal fundamentação, evidencia, de forma cabal, a nulidade do Auto de Infração, por falta de motivação e cerceamento ao direito de defesa. · Descreva e fundamente a metodologia de cálculo dos preços praticados e dos preçosparâmetro (PRL20 e, principalmente, PRL60), informando as fórmulas utilizadas nas planilhas A impugnante não desconhece que lhe foi entregue cópia de todas as planilhas que embasaram o Auto de Infração, além das que lhe foram entregues no decorrer da fiscalização. Contudo, são exatamente tais planilhas, na forma como apresentadas (sem as fórmulas), que não permitem à impugnante (tampouco à DRJ) identificar a metodologia de cálculo dos preços praticados e dos preçosparâmetro (PRL20 e, principalmente, PRL60) adotado pela fiscalização para chegar ao valor objeto do Auto de Infração. · Manifestese acerca da constatação de que não foram considerados os ajustes já adicionados pela contribuinte em sua DIPJ e das divergências entre os anexos 2.1 e 2.4 Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.151 13 A fiscalização reconhece, expressamente, que, de fato, não haviam sido considerados os ajustes já adicionados pela contribuinte, o que só agora fez. Contudo, quanto aos ajustes não considerados, verificase que o Auditor Fiscal autuante simplesmente desconsiderou as adições indicadas para os produtos HI0219002BL e HI0319002BL, ao fundamento de que, em realidade, seriam relativas ao produto HI0719. Se for assim, a redução da base imponível considerada pelo Auditor Fiscal autuante quanto ao produto HI0719 não poderia ter ficado limitada a R$ 39.520,80, devendo considerar também aqueles outros ajustes, para reduzir o total da base imponível constante do Auto de Infração, no valor de R$ 46.072,27. Ademais, considerando que houve ajuste a maior pela impugnante, conforme constatado pelo próprio Relatório, e que esse valor integrou a base tributável para fins de IRPJ e CSLL, nada justifica que esse ajuste a maior não seja deduzido do ajuste total, supostamente efetuado a menor. Quanto às divergências entre os anexos 2.1 e 2.4, é no mínimo curiosa a informação de que o anexo 2.1 constou do Auto de Infração, mas não teve qualquer relevância para a apuração do crédito tributário, que teria sido apurado apenas com base na planilha objeto do anexo 2.4. Mais do que curiosa, tal assertiva é absolutamente irrelevante, e não responde à indagação formulada, posto que as informações das planilhas do anexo 2.1 deveriam ser as mesmas da planilha do anexo 2.4, por se tratar de um dado fático. Como se verifica da planilha comparativa anexa (doc. 01), as quantidades indicadas nos anexos 2.1 e 2.4 são de fato idênticas para praticamente todos os produtos, sendo que naqueles poucos casos em que há divergência essa diferença no anexo 2.4 é sempre para maior, e sempre em números redondos, que parecem indicar mero erro de digitação, o que somado à falta de esclarecimentos por parte do Auditor Fiscal autuante só evidencia ainda mais a falta de liquidez e certeza do crédito tributário lançado. Finalmente, no que diz respeito à segunda planilha anexada pelo Auditor Fiscal autuante ao seu Relatório Conclusivo da diligência, vale ressaltar que em 5 dos 4 produtos indicados foi considerado um preço praticado unitário superior ao que originalmente constava do lançamento, evidenciando maior ajuste unitário, o que não pode prevalecer, seja por falta de motivação, seja por representar agravamento da exigência quando já decorrido o prazo decadencial. Considerações gerais Vale ressaltar, ainda, que o Conselho de Contribuintes já decidiu que “pode a fiscalização impugnar o cálculo feito pelo contribuinte segundo qualquer dos métodos, não podendo, todavia, impugnar a escolha do método”, nem tampouco simplesmente rejeitar os cálculos efetuados pelo contribuinte segundo um método específico sem qualquer impugnação específica dos cálculos efetuados. Conclusão A impugnante reitera todos os termos da impugnação apresentada e espera que sejam julgados insubsistentes os Autos de Infração. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.152 14 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou o lançamento improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 1.110 a 1.132): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DOS MÉTODOS E DOS CÁLCULOS. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A falta de motivação relativa ao ato administrativo de desconsideração dos métodos e dos cálculos da contribuinte vicia o ato administrativo subseqüente, o lançamento tributário, pois quando o contribuinte indica o método utilizado, como no caso em tela, a fiscalização pode recalcular os ajustes apenas se justificar e comprovar que o método é inaplicável e/ou a documentação apresentada é imprestável para formar a convicção quanto ao preçoparâmetro. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Lançamento Improcedente Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) a legislação brasileira relativa aos preços de transferência permite a opção do contribuinte pelo método de apuração de preços de transferência que resulte o maior valor dedutível de custo, nos termos do artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430, de 1996 e do artigo 4º, § 2º, da IN SRF nº 243, de 2002. No entanto, o método e os cálculos utilizados pelo contribuinte podem ser desconsiderados pela fiscalização, caso a documentação apresentada seja imprestável para formar a convicção quanto ao preçoparâmetro, nos termos do artigo 40 da IN SRF nº 243, de 2002; b) a desconsideração, por parte da fiscalização, do método e/ou dos cálculos utilizados pelo contribuinte constituise em um ato administrativo, e, como tal, deve ser motivada, como pressuposto para o atendimento dos princípios do contraditório e da ampla defesa; c) mesmo instado, através da solicitação de diligência, a informar os motivos pelos quais foram desconsiderados os cálculos da contribuinte, o Auditor Fiscal não logrou fazêlo; d) a autoridade fiscal não motivou a desconsideração do método e dos cálculos da contribuinte (o que já vicia o lançamento) e não juntou aos autos as provas Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.153 15 documentais que fundamentaram a lavratura dos Autos de Infração (nem durante a ação fiscal, nem por ocasião da diligência). RECURSO DE OFÍCIO AO CARF Pela decisão ter exonerado valor superior ao limite de alçada, definido pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o Presidente da Turma de Julgamento da DRJ recorreu de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em agosto de 2013, numerado digitalmente até a fl. 1.138. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso de ofício foi interposto corretamente, pois a decisão exonerou valor superior ao limite de alçada, e portanto merece ser conhecido. A matéria que sobe para apreciação desta Turma de Julgamento diz respeito à nulidade do lançamento por falta de motivação adequada. Não há reparos a serem feito à decisão recorrida, que entendeu que os métodos de apuração de preços de transferência utilizados pelo contribuinte podem ser desconsiderados pela fiscalização, caso a documentação apresentada seja imprestável para formar a convicção quanto ao preçoparâmetro, mas que essa decisão deve ser devidamente motivada, sob pena de nulidade. A autoridade julgadora observou que, apesar de o contribuinte ter expressamente informado quais os ajustes efetuados e o método utilizado para cada produto, a autoridade fiscal nem sequer fez referência a essas informações, as ignorou e, sem qualquer motivação, adotou novos métodos e efetuou novos cálculos, quando deveria justificar e comprovar que o método adotado pelo contribuinte seria inaplicável e/ou a documentação apresentada seria imprestável para respaldar os cálculos dos preçosparâmetro. Ademais, a Fiscalização não esclareceu porque ignorou os métodos PIC e PRL20 adotados pelo contribuinte, substituindoo pelo método PRL 60; porque em algumas ocorrências, apesar de manter o método utilizado pela empresa, o valor obtido foi diferente; e porque, para os casos em que o contribuinte não indicou o método, adotou, sem qualquer esclarecimento ou justificativa, para alguns itens o método PRL20 e para outros o PRL60. De fato, em análise das peças da acusação fiscal, encontramse todos os vícios apontados pela decisão recorrida. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.154 16 O Termo de Verificação Fiscal se limita a listar os diversos termos lavrados e respostas obtidas, e, para descrever as infrações lançadas, escreve (fl. 870): II DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS: 1. pelo programa utilizado, foram constatadas infrações às normas de preços de transferência; 2. tais infrações estão descritas nas planilhas em anexo, onde estão identificados os produtos para os quais foram apurados ajustes; 3. tais ajustes levam em consideração os ajustes eventualmente já efetuados pelo contribuinte; Em função das irregularidades acima, está sendo lavrado, nesta data, Auto de Infração. Este Termo e as planilhas anexas fazem parte integrante do mesmo. Em seguida, seguem planilhas que apuram os preçosparâmetro corretos no entendimento da Fiscalização, mas sem maiores esclarecimentos dos critérios utilizados (fls. 871 a 918). Já a descrição dos fatos constante dos autos de infração se resume ao seguinte: “Valor apurado conforme TCVF Termo de Constatação e Verificação Fiscal entregue nesta data.” (fls. 923 e 928). Finalmente, o enquadramento legal para o IRPJ foi apenas o art. 241 do RIR/99, que traz as regras gerais de preços de transferência na importação (transcrição do art. 18 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996), e o enquadramento para a CSLL traz apenas os dispositivos legais relativos à base de cálculo e alíquotas. E com essa sucinta acusação a autoridade fiscal pretende sustentar o lançamento, entendendo que dela se extraem todos os elementos constitutivos do fato gerador. Em um esforço para compreender os termos da autuação, a autoridade julgadora baixou os autos em diligência para esclarecimentos. Ora, se a própria autoridade julgadora não conseguiu entender plenamente o lançamento, fortes são as razões para se considerar que ele não estava devidamente claro e motivado. Assim, mesmo que a reposta da autoridade fiscal fosse completa, ainda assim este relator teria dificuldades em manter a autuação, haja vista que não cabe ao julgador administrativo completar o lançamento. Contudo, a resposta do autuante foi bastante lacônica (fls. 1.068 a 1.073). Quanto aos motivos por não ter não se admitido os cálculos para o Método dos Preços Independentes Comparados – PIC, afirmou que a Fiscalização não tem a obrigação de informálos. Mas, a título de exemplo, pela primeira vez explicou que a documentação apresentada como suporte não era suficiente. Contudo, não esclareceu quais os aspectos que Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.155 17 tornavam os documentos imprestáveis, devendo a autoridade julgadora descobrilos pelo manuseio dos autos. A resposta expõe a prévia falta de motivação constante dos termos lavrados, e ainda a consolida, quando, em uma segunda oportunidade, não traz os esclarecimentos necessários. Quanto à metodologia de cálculo dos preços praticados e dos preços parâmetro, não achou por bem esclarecêla, mas apenas observar que “todas as informações prestadas pelo contribuinte em relação a saldos de estoques, compras, vendas, movimentação entre dependências, perdas, vendas como sucata, relação insumoproduto, etc., foram aceitas”, e que “as fórmulas, por conseguinte,” contemplavam “tais operações, em especial em relação ao inputoutput.” Acrescentou ainda que, por mera liberalidade, entregou cópias digitais de todas as planilhas ao contribuinte, de onde ele facilmente poderia deduzir todas as suas dúvidas. Assim, provavelmente considerou que os cálculos utilizados podiam facilmente ser obtidos na lei, além de insinuar que o contribuinte não se comportava com lisura ao afirmar que não compreendia os cálculos, já que recebeu todas as planilhas utilizadas em meio digital. Essa parte da resposta causa espanto, em especial porque se trata da legislação de preço de transferência, onde as sucessivas instruções normativas regulamentares trouxeram regras de cálculo diversas. E mesmo que os cálculos fossem evidentes, não custaria muito indicar as fórmulas matemáticas utilizadas, mesmo em sede de diligência, para se encerrar a controvérsia sobre a matéria. O procedimento adotado segue os moldes das antigas fiscalizações, onde o fiscal podia tudo, e o contribuinte deveria a isso se submeter. Esqueceuse que, após a Constituição de 1988, os princípios do contraditório e da ampla defesa foram incluídos como direitos fundamentais do cidadão (art. 5o, inciso LV). Já o art. 50. da Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999, que rege o processo administrativo, determina que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, bem como quando imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções, e exige que a motivação seja explícita, clara e congruente. A autoridade fiscal deve entender que o auto de infração é a peça inicial de acusação, e deve ser clara e precisa quanto às infrações cometidas e quanto às provas a elas relacionadas. A prova produzida não é apenas para o contribuinte, mas também para as autoridades julgadoras que participarão do processo caso se instaure o litígio. À guisa de conclusão, transcrevo as observações da decisão recorrida, que também adoto como razões de decidir (fls. 1.130 a 1.131): A falta de motivação relativa ao ato administrativo de desconsideração dos métodos e dos cálculos da contribuinte terminou por viciar o ato administrativo subseqüente, o lançamento tributário, pois a fiscalização pode recalcular os ajustes apenas se justificar e comprovar que o método adotado pelo contribuinte é inaplicável e/ou a documentação apresentada é imprestável para formar a convicção Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.156 18 quanto ao preçoparâmetro, nos termos do já transcrito artigo 40 da IN SRF nº 243/2002. Ademais, o próprio lançamento tributário (consubstanciado nos Autos de Infração) encontrase viciado, pois o Auditor Fiscal autuante, após ignorar os métodos e cálculos da contribuinte, não justifica a escolha do método por ele adotado (observese, por exemplo, que 1. o PRL60 só é aplicável aos casos em que tenha havido agregação de valor e 2. para os itens para os quais a contribuinte não indicou o método a fiscalização usou ora o PRL20 e ora o PRL60), nem esclarece ou justifica a metodologia de cálculo utilizada na apuração dos ajustes por ele efetuados (destaquese que o fato de a contribuinte haver recebido CDs contendo as planilhas que embasaram o Auto de Infração, conforme fl. 1046, pode até se prestar a esclarecer a metodologia, mas não supre a necessidade de justificála). Nesse sentido, o artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93, determina que: “Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...)” (grifei). Destaquese que a determinação contida no supra transcrito artigo é corolário do já mencionado princípio da motivação do ato administrativo. Sobre a norma supra transcrita, observemse os comentários de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez López: “Embora o Fisco, no desempenho de suas funções, tenha amplos poderes para investigar, a lei retiralhe toda a liberdade ao tratar da feitura do ato de lançamento. O artigo 3º do CTN estabelece que o tributo é cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Em contraste à liberdade da fase investigatória, a atividade de lançamento é inteiramente vinculada, não podendo se afastar da legalidade, nem quanto ao conteúdo e à forma. Nesse contexto, também está incluída a fundamentação do lançamento, importante elemento de controle da conduta do agente no exercício de sua competência legal. Temse que, portanto, justificar o ato, apontando os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre eles. A motivação do lançamento deve ser objetiva e específica, devendo o Auditor Fiscal juntar as provas que o convenceram de praticar o ato. O artigo 9º do PAF, ao estabelecer que o Auto de Infração e a notificação de lançamento devem ser instruídos com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, explicita a necessidade de demonstração dos pressupostos com base nos quais o ato foi emanado” (Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez López, Dialética, 2ª edição, pg.144). No presente caso, a autoridade fiscal não motivou a desconsideração do método e dos cálculos da contribuinte (o que já vicia o lançamento) e não juntou aos autos as provas documentais que fundamentaram a lavratura dos Autos de Infração (nem durante a ação fiscal, nem por ocasião da diligência). Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000005/200882 Acórdão n.º 1102000.959 S1C1T2 Fl. 1.157 19 Ausentes os elementos de fato que motivaram o lançamento, fica evidente a impossibilidade de se estabelecer o contraditório, que, como já mencionado, é composto de dois elementos: a informação e a reação (possibilidade de se manifestar). Ausente a informação, fica a contribuinte tolhida no seu direito de reagir. Assim, por todo o exposto, há que se considerar improcedente a autuação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 16062.000218/2006-73
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃO-CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal.
Numero da decisão: 1803-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 255 1 254 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16062.000218/200673 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.246 – 3ª Turma Especial Sessão de 5 de junho de 2014 Matéria IRPJ COBRANÇA DE DÉBITO EM DCTF Recorrente PLANI RESSONÂNCIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 00 02 18 /2 00 6- 73 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16062.000218/200673 Acórdão n.º 1803002.246 S1TE03 Fl. 256 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 189verso a 192verso): Trata o presente processo de representação para cobrança de débitos declarados nas DCTF do anocalendário 2005, cuja suspensão da exigibilidade, decorrente de compensação vinculada a ação judicial (nº 2004.61.03.0014639), foi considerada improcedente, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 20/21, abaixo transcrito: “Tratase de processo de acompanhamento do mandado de segurança nº 2004.61.03.0014639. O interessado buscou amparo judicial através do ingresso da referida ação judicial, visando à obtenção do reconhecimento do direito de efetuar o recolhimento do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ à alíquota de 8%, a teor do disposto nos artigos 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, pois considera que seus serviços equiparamse a serviços hospitalares, bem como efetuar a compensação do indébito tributário nos últimos 10 anos, contados da distribuição da demanda, com tributos e contribuições federais no âmbito da Secretaria da Receita Federal, conforme inicial (fls. 05 a 53). A liminar foi deferida através de despacho proferido em 16/03/2004 (fls. 02 a 04), conforme transcrevemos: “Diante do exposto isto, CONCEDO a liminar para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir da impetrante a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) para apuração do lucro presumido, a fim de determinar o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, mantendo, por consequência, a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) para tal fim. Oficiese com urgência.” A sentença de primeira instância, proferida em 17/05/2006 (fls. 165 a 178), julgou improcedente a ação, conforme dispõe: “Diante do exposto, REVOGO a liminar, JULGO IMPROCEDENTE o pedido e DENEGO A SEGURANÇA, extinguindo o processo com exame do mérito, nos termos do inciso I do artigo 269 do Código de Processo Civil.” No entanto, ao analisarmos as declarações da impetrante, verificamos que, apesar de ter havido autorização através da liminar apenas para redução da alíquota do IRPJ, foram informados como tendo exigibilidade suspensa, pois indevidamente informados como compensados pela medida judicial, conforme planilhas demonstrativas que elaboramos, os débitos de IRPJ (fl. 179) e CSLL (fl. 180) dos períodos de apuração do 1º trimestre/2005 ao 4º trimestre/2005; de PIS (fl. 181) e COFINS (fl. 182) dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro/2005 e dezembro/2005. Através desta análise, concluímos, na presente data, que, em vista da inexistência de decisão favorável à impetrante, as indicações de suspensões de débitos efetuadas pela mesma são improcedentes. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16062.000218/200673 Acórdão n.º 1803002.246 S1TE03 Fl. 257 3 Isto posto, proponho que seja iniciada a cobrança dos débitos que foram informados como tendo exigibilidade suspensa e vinculados à ação judicial em questão, conforme a seguir: 1) dar ciência ao contribuinte do presente Termo de Verificação; 2) efetuar a suspensão dos mesmos débitos no sistema SIEF – Fiscalização Eletrônica; 3) considerando que não houve trânsito em julgado da ação judicial, protocolar Processo de Representação DCTF; 4) efetuar o cadastramento no sistema PROFISC dos débitos declarados nas DCTF’s como vinculados à medida judicial e consolidados nas planilhas de folhas nºs 179 a 182.” (grifos e negritos do original) Irresignada com a cobrança implementada por meio da Intimação SACAT nº 661/2006 (fls. 32), da qual tomou ciência em 09/10/2006 (AR de fls. 34), a interessada apresentou, em 19/10/2006, por meio de seu representante legal, manifestação de inconformidade de fls. 35/48, acompanhada de documentos de fls. 49/68. Ao fazer breve resumo dos fatos, alega ter recolhido indevidamente o IRPJ sobre o resultado da aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, quando lhe era assegurado o direito da aplicação do percentual de 8%. E que, com esteio em sentença proferida nos autos do mandado de segurança nº 2004.61.03.0014639, efetuou a compensação do respectivo indébito, a qual não foi admitida pela autoridade administrativa, sob o fundamento de não ter ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial. Apresenta extenso arrazoado acerca do direito à utilização da alíquota de 8% na atividade exercida (prestador de serviço médicohospitalar), fundamentandose nos arts. 5º, 196, 197 e 199 da Constituição Federal de 1988, bem como no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, tudo com apoio no conceito de serviços hospitalares extraído da doutrina e na lista de serviços congêneres, constante da Lei Complementar nº 56, de 1987. Acusa que as Instruções Normativas SRF nº 480, de 2004, e nº 539, de 2005, seguintes à Instrução Normativa nº 306, de 2003, impuseram restrições ultra legem para o gozo do benefício instituído por lei, ferindo o princípio da legalidade. Cita jurisprudência e conclui ser inconstitucional a aplicação da alíquota de 32%, inexistindo relação jurídicotributária válida que a legitime, devendo ser assegurado à Impetrante o direito líquido e certo de voltar a recolher o imposto mediante a alíquota de 8%. No mais, alega que “por ter recolhido mensalmente a COFINS” (sic), certo é que efetuou pagamentos indevidos de tributos, tendo o direito de proceder à compensação com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, c/c art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). E que, ao iniciar a compensação antes mesmo da decisão judicial de primeira instância, já se encontrava sob o amparo da lei. Cita jurisprudência, segundo a qual ficou assentado que “os tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação – como é o caso do IRPJ – podem e devem ser compensados pelo contribuinte, independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial, pela Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16062.000218/200673 Acórdão n.º 1803002.246 S1TE03 Fl. 258 4 simples aplicação do art. 66 da Lei nº 8.383/91, afastadas as regras infralegais editadas em sentido contrário”. Assim, entende que se fez necessário o socorro ao Judiciário apenas para que não sofresse indevidas retaliações por parte do Fisco, sendo equivocada eventual argumentação no sentido de que a discussão em Juízo impediria a compensação. Afirma que, não bastasse o esteio legal, o direito da impugnante de efetuar a compensação foi também reconhecido pela sentença proferida no aludido mandado de segurança, sendo descabida a alegação de suposta necessidade de trânsito em julgado. E continua, em suas palavras: “Ora, a Lei nº 8.383/91, em seu art. 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização. O art. 170 do Código Tributário – e seu apêndice, o artigo 170A – cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o crédito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN.” (negritos e grifos do original) Cita doutrina e conclui não se aplicar ao presente caso o regime dos artigos 170 e 170A do CTN, pois o que se está em debate é a compensação no regime do lançamento por homologação (autolançamento), previsto no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. Aponta mais jurisprudência. Encerra com o seguinte pedido: “Assim, requerse, com base no artigo 74, parágrafos 9º e 11, da Lei nº 9.430/96, no artigo 48, parágrafos 2º e 3º, inciso I, da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 460/04, no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, bem como, no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional: a) seja a presente IMPUGNAÇÃO conhecida, suspendendose imediatamente a exigibilidade do crédito tributário e da cobrança ora debatido; b) após observação do trâmite legal, seja a presente IMPUGNAÇÃO acolhida e julgada PROCEDENTE, homologandose as compensações em tela, afastandose a indevida cobrança ou exigência, por qualquer meio – administrativo ou judicial – dos respectivos valores, bem como quaisquer restrições, autuações fiscais, imposições de multas, emissão de CND ou inscrições ou cadastros em órgãos de controle, como o CADIN, v.g.” (negritos do original) A autoridade preparadora encaminhou à contribuinte a Comunicação SACAT nº 652/2006, com ciência em 25/10/2006 (AR de fls. 71), esclarecendo que a peça apresentada “não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem é objeto de decisão, visto que o mérito da questão encontrase sob discussão através do mandado de segurança nº 2004.61.03.0014639” (fls. 70). Passo seguinte, deu continuidade aos procedimentos de cobrança, fato que resultou a inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União DAU (fls. 87/126). A contribuinte impetrou mandado de segurança nº 2006.61.03.0082745, com pedido de liminar, visando a apreciação da manifestação de inconformidade e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A liminar foi indeferida. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16062.000218/200673 Acórdão n.º 1803002.246 S1TE03 Fl. 259 5 Por força do decidido pelo E. TRF da 3ª Região, em 23/01/2007, nos autos do agravo de instrumento nº 2006.03.00.1200823, impetrado pela contribuinte, o qual tem como origem o citado mandado de segurança nº 2006.61.03.0082745, foi dado o efeito suspensivo, nos seguintes termos (fls. 128/132): “Tratase de agravo de instrumento interposto em face da r. decisão que, em autos de ação mandamental, indeferiu o pedido liminar, para reconhecer a Manifestação de Inconformidade apresentada em autos de procedimento administrativo e a consequente suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. Inconformada, sustenta a agravante que ingressou com a competente Manifestação de Inconformidade, após ter o seu pedido de compensação não homologado pela autoridade coatora. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito. Decido. O art. 558, conjugado com a redação dada ao inciso III do art. 527, ambos do Código de Processo Civil, dispõem que o relator está autorizado a suspender o cumprimento da decisão recorrida, ou antecipar os efeitos da tutela recursal, até o pronunciamento definitivo da Turma, nos casos em que, havendo relevância nos fundamentos, sua manutenção possa acarretar lesão grave de difícil reparação. Declarada a compensação de seus débitos, não houve homologação do procedimento pela autoridade fazendária, ensejando a apresentação de manifestação de inconformidade pelo contribuinte, ao qual não foi atribuído efeito suspensivo, nos termos da IN SRF nº 600/05, art. 48, § 3º, II. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por si só, não importa na desconstituição do crédito, que continua inalterado, desde sua constituição definitiva procedida pelo ato vinculado do lançamento, com a devida notificação do sujeito passivo. Portanto, razoável o entendimento de que o recurso apresentado pela empresa agravante suspende a exigibilidade do crédito tributário, objeto da compensação, conforme disciplinado pela legislação que regula a matéria. Nesses termos, o art. 74 da Lei 9.430/96, assim elucida: [...] Outrossim, o Código Tributário Nacional elenca, em seu art. 151, os casos de suspensão: [...] Dessa forma, respeitados os pressupostos instituídos em lei, para a instauração do processo administrativo tributário, as impugnações e os recursos administrativos possuem o condão de sustar, mesmo que provisoriamente, a exigibilidade do crédito, inibindo assim, o Poder Público de inscrever a dívida e socorrerse do Judiciário para cobrála coativamente. Desrespeitar tal procedimento implicaria afronta aos princípios basilares do processo administrativo tributário, quais sejam, o da ampla defesa e o do contraditório. Por estes fundamentos, defiro o pleiteado efeito suspensivo.” (negrejouse) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16062.000218/200673 Acórdão n.º 1803002.246 S1TE03 Fl. 260 6 Tal decisão implicou o cancelamento da inscrição efetuada em DAU (fls. 140/161), bem como o envio do presente processo para julgamento nesta DRJ/Campinas/SP (fls. 167). Analisado, pela autoridade a quo, o mérito do mandado de segurança nº 2006.61.03.0082745, proferiuse sentença, em 28/05/2007, cujo teor é o seguinte (fls. 168/173): “Tratase de mandado de segurança, com pedido liminar, visando seja determinado à autoridade coatora que conheça da ‘Manifestação de Inconformismo’ ofertada pela impetrante e, consequentemente, seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário referente aos valores compensados com base no processo administrativo de nº 16062.000218/200673, bem como seja a autoridade obstada da inscrição da empresa no Cadin e demais órgãos de restrição ao crédito. Sustenta, em síntese, que procedeu à compensação de valores indevidamente recolhidos, consistentes em Imposto de Pessoa Jurídica – IRPJ pela alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando, na verdade, deveria ter recolhido pela alíquota de 8% (oito por cento), frisando que tal relação jurídicotributária é objeto de discussão nos autos do mandado de segurança nº 2004.61.03.0014639, e que a autoridade houve por indeferir tal compensação, ao argumento de que não houve o trânsito em julgado da decisão judicial no referido processo. Assim, desse indeferimento, interpôs a manifestação de inconformismo que ora pede a apreciação. Com a inicial vieram documentos (fls. 19/77). O pedido liminar foi indeferido (fls. 126/129). Devidamente notificada, a autoridade impetrada prestou suas informações, onde sustenta a legitimidade do ato impugnado (fls. 143/156), sendo interposto agravo de instrumento, ao qual foi concedido efeito suspensivo (fls. 177/179). O Ministério Público Federal opinou no sentido do prosseguimento do feito, não se manifestando quanto ao mérito (fls. 190/197). É o relatório do necessário. DECIDO. Insurgese a impetrante contra decisão do Delegado da Receita Federal em São José dos Campos que indeferiu o pedido de compensação de valores pagos a título de IRPJ pela alíquota de 32% (quando a impetrante entende que tais valores deveriam ter sido calculados pela alíquota de 8%), sem que houvesse, até a data da impetração do mandamus, apreciação de sua ‘Manifestação de Inconformidade’ (doc. de fls. 38/51). Conforme ressaltei quando da apreciação da questão em sede liminar, é certo que a Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, assegura ao contribuinte o direito de apresentar “Manifestação de Inconformidade” contra decisão que não homologou a compensação, “ex vi”, o disposto no § 9º do seu art. 74, bem como que esse recurso administrativo produz o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16062.000218/200673 Acórdão n.º 1803002.246 S1TE03 Fl. 261 7 Contudo, no caso em comento, observo a existência de um fato que “per se stante” afasta a presença do “fumus boni iuris”, requisito indispensável para o deferimento da liminar, bem como para a concessão da ordem nesse writ a favor do impetrante e que impede o processamento do recurso administrativo, principalmente no que toca à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Vejamos: Conforme cópia da sentença proferida no processo nº 2004.61.03.0014639 (fls. 81/94), foi denegada a segurança. Nesta ação, pelo teor do relatório, a impetrante buscou que a autoridade coatora fosse compelida a apreciar a ‘Manifestação de Inconformismo’ ofertada e consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente aos valores compensados com base no processo administrativo de nº 16062.000218/200673, bem como fosse a autoridade obstada da inscrição da empresa no Cadin e demais órgãos de restrição ao crédito. Nesse prisma, é cediço que o recurso de apelação interposto contra decisão denegatória de segurança é recebido apenas no seu efeito devolutivo, vale dizer, a decisão já tem plena eficácia desde o momento em que é proferida, só podendo ser modificada pelas instâncias superiores. Então, como na via judicial foi negado o direito ao recolhimento do IRPJ pela menor alíquota (8%), não há como, na via administrativa, ser deferida pretensão contrária ao que já foi decidido na esfera judicial, mormente quando nelas a discussão está relacionada com a exigibilidade daquela exação. De outro norte, o que pretende a impetrante com o presente “mandamus” é o processamento do recurso administrativo para obtenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Com efeito, almeja alcançar, por via transversa, efeito incompatível com a sentença denegatória da segurança. Dessa maneira, se, com base em decisão judicial – contra a qual só cabe recurso com efeito devolutivo – inexiste a possibilidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com maior razão, tal efeito não pode ser alcançado na seara administrativa. A jurisprudência é manifesta no sentido de que, face às lides originárias de uma mesma relação jurídica material, tornase despicienda a defesa na via administrativa, quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial. Nesse sentido: [...] Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido e DENEGO a segurança postulada. (...) Oficiese a Excelentíssima Relatora do agravo de instrumento, dandolhe ciência da prolação da presente sentença. Decorrido o prazo para eventuais recursos, certifiquese o trânsito em julgado e arquivemse, observadas as formalidades legais. P.R.I.O.” (negrejouse e grifouse) Da sentença supra impetrouse Embargos de Declaração, cujo provimento foi negado, face caráter infringente no recurso interposto, porque voltado à modificação da decisão, nos termos da decisão proferida em 02/07/2007 (fls. 177/184). Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16062.000218/200673 Acórdão n.º 1803002.246 S1TE03 Fl. 262 8 Consulta ao sitio da Justiça Federal na internet, constante de fls. 185/188, aponta a baixa à Vara de Origem dos autos de agravo de instrumento nº 2006.03.00.1200823, por força da decisão monocrática terminativa, bem como o recebimento, no duplo efeito, de Apelação interposta pela impetrante nos autos do mandado de segurança nº 2006.61.03.0082745 e o seu envio ao TRF – 3ª Região. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 189): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Competência dos Órgãos Administrativos da RFB. Cobrança de Débitos Informados em DCTF com Vínculo a Crédito Inexistente. Manifestação de Inconformidade. Ausência de Previsão. A manifestação de inconformidade somente está prevista para os casos de nãohomologação de compensação veiculada em Declaração de Compensação ou de indeferimento de pedidos de restituição, bem como de indeferimento de pedidos de compensação não convertidos em DCOMP. Incabível apreciar, no âmbito da DRJ, manifestação de inconformidade na parte em que se opõe à cobrança de débitos informados em DCTF, cujo crédito vinculado não foi confirmado pela autoridade administrativa. Defesa que se analisa por força de determinação judicial. Compensação. Requisito Formal. A partir de outubro de 2002, a inexistência de PER/DCOMP impede a extinção de créditos tributários por intermédio da compensação, regra válida, inclusive, nos casos de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, caso a decisão não disponha de forma diversa. Reconhecimento de Direito Creditório e de sua Compensação com Indébitos dos últimos 10 (dez) anos. Normas Processuais. Concomitância entre Processo Administrativo e Judicial. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Já, outros aspectos não submetidos à esfera judicial são passíveis de apreciação na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 06/11/2009 (fls. 198), em 09/12/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 201 a 211, instruído com os documentos de fls. 212 a 224, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16062.000218/200673 Acórdão n.º 1803002.246 S1TE03 Fl. 263 9 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Recurso perempto 4. Conforme constou do Relatório, a Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 06/11/2009 (A.R. de fls. 198), tendo apresentado a sua petição recursal em 09/12/2009 (fls. 201). 5. Dispõe o art. 33 do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972): Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. 6. Assim, cientificada em 06/11/2009, uma sextafeira, dispunha a Recorrente do prazo de trinta dias para apresentar a sua inconformidade contra a decisão recorrida, prazo esse que se escoou impreterivelmente no dia 08/12/2009, uma terçafeira. 7. Tendo apresentado o seu Recurso apenas em 09/12/2009, 33 (trinta e três) dias depois da ciência da decisão recorrida, e 1 (um) dia após a data final de apresentação do Recurso, está este perempto (art. 35 do PAF). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por perempto. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10805.724003/2012-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEPENDÊNCIA EM RELAÇÃO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INEXISTÊNCIA. DEVERES QUE POSSUEM EXISTÊNCIA INDEPENDENTES. O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E A PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES EM GFIP SÃO OBRIGAÇÕES DISTINTAS. APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E ESCLARECIMENTOS AO FISCO SÃO SITUAÇÕES INDEPENDENTES QUE ENSEJAM CADA QUAL A SUA RESPONSABILIZAÇÃO, NOS TERMOS DETERMINADOS EM LEI. SENDO DEVER DO FISCO PROMOVER OS NECESSÁRIOS LANÇAMENTOS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEPENDÊNCIA EM RELAÇÃO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INEXISTÊNCIA. DEVERES QUE POSSUEM EXISTÊNCIA INDEPENDENTES. O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E A PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES EM GFIP SÃO OBRIGAÇÕES DISTINTAS. APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E ESCLARECIMENTOS AO FISCO SÃO SITUAÇÕES INDEPENDENTES QUE ENSEJAM CADA QUAL A SUA RESPONSABILIZAÇÃO, NOS TERMOS DETERMINADOS EM LEI. SENDO DEVER DO FISCO PROMOVER OS NECESSÁRIOS LANÇAMENTOS. Recurso Voluntário Negado.
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INFORMAÇÃOES INCORRETAS OU OMISSAS e AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL. Recorrente DESAFIO RECURSOS HUMANOS EIRELI. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEPENDÊNCIA EM RELAÇÃO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INEXISTÊNCIA. DEVERES QUE POSSUEM EXISTÊNCIA INDEPENDENTES. O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E A PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES EM GFIP SÃO OBRIGAÇÕES DISTINTAS. APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E ESCLARECIMENTOS AO FISCO SÃO SITUAÇÕES INDEPENDENTES QUE ENSEJAM CADA QUAL A SUA RESPONSABILIZAÇÃO, NOS TERMOS DETERMINADOS EM LEI. SENDO DEVER DO FISCO PROMOVER OS NECESSÁRIOS LANÇAMENTOS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 40 03 /2 01 2- 72 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 82 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 83 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.032.8482 – CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.032.8490 – CFL.38, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP 449, de 03.12/2008, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 06 a 25, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 27/12/2012, conforme Termo de Ciência Pessoal, de fls. 28. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição acostada, as fls. 36, recebida, em 24/01/2013, fls. 36, e razões impugnatórias, as fls. 38 a 42, estando acompanhada dos documentos, de fls. 43 a 50. A impugnação foi considerada total e tempestiva, fls. 53. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1443.974 17 17ª, Turma DRJ/RPO, em 22/09/2013, fls. 54 a 59. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 24/09/2013, conforme AR, de fls. 64. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 66, recebida, em 07/10/2013, com razões recursais, as fls. 67 a 71, acompanhado dos documentos, de fls. 72 a 74. Alegase em síntese, o que abaixo segue. Mérito. · DEBCAD 51.032.8482: que a empresa foi autuada por suposta falha no preenchimento da GFIP, obrigação acessória decorrente da obrigação principal, sendo esta complementar e no caso de Fl. 83DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 84 4 lançamento por homologação, tendo GFIP a finalidade de demonstrar a validade dos recolhimentos das contribuições; · que é óbvio que descordando o fisco com o valor recolhido, discordará do que foi lançado em GFIP, pois esta retrata os valores recolhidos naquele documentado, não declarando o fisco a falta de correspondência entre a contribuição e o que declarado em GFIP; · que não há independência entre as duas condutas, pois a GFIP apenas repete os valores recolhidos pela empresa sendo que a obrigação acessória foi consumida pela falta maior de não recolhimento da contribuição; · que o fundamento legal usado pelo fisco para aplicar a multa e para sua manutenção na decisão a quo só prevê a multa pelo descumprimento da obrigação acessória, nada falando do não recolhimento da contribuição, cuidando apenas de falta de entrega ou entrega de GFIP com incorreção, não estando no rol dessa incorreção o recolhimento a menor da contribuição social, a qual foi objeto de lançamento no DEBCAD 37.383.3539 e 37.383.3547, PAF 10805.724002/201228, devendo, assim, ser reformada a decisão que manteve a autuação; · DEBCAD 51.032.8490: que a recorrente foi autuada por não apresentar os livros contábeis, bem como notas fiscais de aquisição de valores refeição, sendo esta punição aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, cuja a obrigação principal que a ela se refere já foi objeto de penalização; · que de fato os livros e documentos não foram disponibilizados à fiscalização, mas não impediram a lavratura dos autos de infração, sendo que os dispositivos legais citados e que regulamentam a infração, tocam os procedimentos que impedem a fiscalização do exercício de seu mister, o que no caso não ocorreu, restando claro que a decisão a quo deve ser reformada e cancelado o auto de infração; · Em conclusão: a) dizendo que confia na reforma da decisão, pois não cometeu qualquer conduta infracional. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 78. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 78. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/11/2013, fls. 80. É o Relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 85 5 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 86 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. O presente PAF é constituído por dois lançamento distintos e que serão julgador na ordem apresentada pelo contribuinte para manter o paralelismo. DEBCAD 51.032.8482 – CFL.78. Equivocase a recorrente na campo tributário a relação de acessoriedade entre o tributo, no caso contribuição social previdenciária – obrigação dita de principal e o descumprimento das prestações positivas ou negativas a serem realizadas no interessa da fiscalização – chamadas de obrigação acessória ou dever instrumental, não tem a mesma significação que na seara civil ou da legislação privada de direito civil. A razão é muito simples, ainda, que se tenha cumprido a obrigação principal, a contento e a hora e in totum o contribuinte não fica liberado de cumprir a obrigação acessória, pois esta é autônoma e tem vida própria e o artigo 175, parágrafo único, da Lei 5.172/66 não deixa margem a dúvidas, veja a transcrição abaixo, isto é, ainda, que inexistente o tributo, pois dispensado em um caso e perdoado no outro a obrigação acessória deve ser cumprida. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. (o destaque é meu). Aliás, outro não é o pensamento do E. Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 87 7 Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. Assim, o dever instrumental deve ser cumprido, ainda, que o recolhimento do principal tenha se dado regularmente. A forma de lançamento da contribuição é irrelevante para o cumprimento dos deveres instrumentais determinados pela lei, aplicase no caso o artigo 136, da Lei 5.172/66, isso é o que diz o C. Superior Tribunal de Justiça – STJ, veja a ementa. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 9º, I, E 97, I, DO CTN. REPETIÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO VEDADA EM RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 136 DO CTN. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA LOCAL E REITERAÇÃO DA CONDUTA. IMPOSSIBILIDADE DE MITIGAÇÃO DA PENALIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, IMPROVIDO. (RESP 200500865815, TEORI ALBINO ZAVASCKI, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/02/2010). A finalidade da GFIP não é demonstrar a validade dos recolhimentos das contribuições, pois tal documentos não faz prova desse recolhimento, o recolhimento é efetuado via Guia da Previdência Social – GPS, o objetivo da GFIP é o previsto em lei. Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 88 8 Mais uma vez a alegação da recorrente não procede, não existe relação de discordância óbvia do fisco entre o recolhido e o que declarado na GFIP. Pode muito bem ocorrer do contribuinte declarar toda a sua base de cálculo na GFIP em relação as várias rubricas e tipos de trabalhadores e das demais contribuições e na GPS como é comum recolher apenas o que descontado do trabalhador, ou seja, parte da contribuição. No caso citado acima o fisco vai lançar mão do sistema informatizado e fazer cobrança automática, sem a necessidade de fiscalização, pois o sujeito passivo promoveu o autolançamento. Neste caso o fisco discorda do recolhimento e não das informações prestadas em GFIP, o que demonstra o desacerto da alegação da recorrente. Novamente, enganase a recorrente a GFIP não se refere a valores de recolhimento, mas sim a base de cálculo, pois como dito o recolhimento é efetuado por outro documento, havendo plena independência entre esses, bem como entre as obrigações ditas principal e acessória. É evidente que o presente auto cuidando de multa por descumprimento de dever instrumental só traz a fundamentação jurídica deste dever instrumental, pois a fundamentação da exigência da obrigação principal está no auto de infração da obrigação principal, caso tenha havido necessidade de lançamento desta obrigação O artigo 32A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 fala em deixar de apresentar a declaração no prazo fixado ou apresentála com incorreções ou omissões situação em que ficará o contribuinte sujeito a multas. Por cuidar de obrigação acessória é óbvio que o artigo não impõe pena em razão da falta de recolhimento, mas a falta de recolhimento se deva a uma informação incorreta em GFIP, que a depender do caso pode ser declaração a menor de salário, ausência de declaração de parte dos fatos geradores e muitas outras, no presente caso o agente lançador assim esclareceu. a) Omitiu parte dos valores constantes das Folhas de Pagamento excluindo todas as demais prestadas por ocasião do primeiro envio, o que implica na substituição das informações prestadas anteriormente, de acordo com o previsto no Capítulo V – Item “1” do MANUAL DA GFIP/SEFIP, aprovado pela IN/MPS/SRP nª 19, de 26/12/2006; b) deixou de informar os valores pagos a aos empregados efetivos e temporários, os valores pagos a título de vale transporte e valerefeição, incluídos em folhas de pagamento e não reconhecidos como base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo que para tanto, não havia preenchido os requisitos legais (Capítulo V e VI). Assim sendo, existente a infração não há o que reformar. DEBCAD 51.032.8490 – CFL.38. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 89 9 Novamente, nada tem a ver o descumprimento do dever instrumental como dito para o DEBCAD 51.032.8482 – CFL.78, com o recolhimento ou lançamento da obrigação principal em outro auto de infração, pois como demonstrado independentes as obrigações. A própria recorrente admite que cometeu a infração, quando diz: “De fato, os livros e documentos não apresentados à r. Fiscalização não impediram a r. Autoridade de lavrar os AI’s vinculados...”. As obrigações acessórias são estipuladas e determinadas por lei não estando no âmbito de conveniência dos sujeitos passivos decidir qual vai cumprir e qual não vai cumprir, cabendo a este como a todos cumprir o diz a lei. Aliás, isso é o que diz a nossa Lei Maior, no artigo 5º, inciso II, veja a transcrição. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Na existência de mandamento legal este deve ser cumprido e seu descumprimento acarreta a aplicação de sanção, também, prevista em lei. Também, aplicase aqui o artigo 136, da Lei 5.172/66. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10805.724003/201272 Acórdão n.º 2803003.302 S2TE03 Fl. 90 10 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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