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Numero do processo: 35582.000218/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA EM RAZÃO DE PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. O contribuinte que possui créditos tributários com exigibilidade suspensa em razão de parcelamento e realiza recolhimentos indevidos tem direito à restituição dos pagamentos a maior, não sendo autorizado à Administração a retenção destes valores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Alves - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram deste julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA EM RAZÃO DE PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. O contribuinte que possui créditos tributários com exigibilidade suspensa em razão de parcelamento e realiza recolhimentos indevidos tem direito à restituição dos pagamentos a maior, não sendo autorizado à Administração a retenção destes valores. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Alves Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram deste julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 58 2. 00 02 18 /2 00 7- 20 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de pedido de restituição apresentado sob a justificativa de recolhimento de valor excedente da retenção sofrida sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor devido sobre a folha de pagamento. O pedido se refere à competência de 08/1999, datado de 27/07/2004, conforme formulário de fls 01. Juntados pelo Requerente demonstrativos de notas fiscais, faturas e recibos de prestação de serviços (Fls. 187/188), cópias de notas fiscais (Fls. 189/214), resumos de folhas de pagamento específicas de cada contratante (Fls. 229/250), cópias de GRPS/GPS e terceiros (fls. 215/216), demonstrativos em geral (Fls. 251/281), balanço patrimonial e declaração de que a empresa possui escrituração contábil (Fls; 181/185) e etc., houve manifestação da Gerência Executiva com informações. Às fls. 286/289 há manifestações do Serviço de Orientação da arrecadação, segundo as quais não constavam no banco de dados do INSS recolhimentos de valores das algumas retenções apontadas, solicitando, ainda, que a Requerente comprovasse no prazo de 10 dias o recolhimento das importâncias informadas. Às fls. 291 foi acostado aos autos ofício do INSS com informando que os valores questionados às fls. 286 foram devidamente quitados pela Requerente. Em relação à NF 8434, às fls. 300 verificase que foi encaminhada mensagem eletrônica ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem para comprovação do recolhimento dos valores devidos. Foram procedidas alterações referentes a códigos de recolhimentos, identificação dos contratantes e etc. Às fls. 364, o Serviço de Orientação da Arrecadação Previdenciária apreciou o pedido de restituição, indeferindoo sob os seguintes fundamentos: i) a empresa tem direito à restituição dos valores retidos sem a comprovação do recolhimento, desde que a retenção esteja destacada na NF de prestação de serviços; ii) Na NF 8434 houve destaque da retenção, mas não houve recolhimento por parte da empresa contratada; iii) Em ação fiscal realizada na empresa foi lavrada NFLD 35.372.0356 relativa à diferença de 2% de SAT (fls. 359/360). O valor não foi considerado no cálculo da restituição, pois os débitos de todos os estabelecimentos foram englobados no estabelecimento 33.158.874/000120, não nos permitindo inferir o valor por estabelecimento. Ao final, a autoridade encaminhou os autos à Chefe do Serviço de Orientação, sugerindo o indeferimento do pedido de restituição. Às fls. 368 a Sra. Chefe do Serviço de Orientação ratificou o indeferimento. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.000218/200720 Acórdão n.º 2402003.714 S2C4T2 Fl. 493 3 Intimada do indeferimento, a Requerente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 386/403, alegando em suma: i) Nos termos do art. 31 da Lei n° 8.212/91, o tomador de serviços tem responsabilidade de reter do valor a ser pago ao prestador de serviço montante correspondente a 11% daquele quantum a título de contribuições previdenciárias e, de acordo com os §§ 1°, 2° e 3° do mesmo artigo, ao cedente de mão de obra cabe a compensação ou restituição dos valores retidos quando do recolhimento das contribuições pelo tomador; ii) O entendimento da autoridade julgadora de que em razão da pendência da NFLD n° 35.372.0356 tornouse impossível verificar qual montante lançado deveria ser deduzido e, por conseqüência impossível a quantificação do valor a ser restituído não possui respaldo; iii) O fato de a NFLD não estar suficientemente instruída não pode prejudicar a Recorrente. A melhor solução seria a realização de diligência para aferir os valores a serem deduzidos; iv) A referida NFLD encontrase com sua exigibilidade suspensa em razão de parcelamento concedido e por estar no REFIS III, destinado a promover a regularização de débitos constituídos até 28.02.2003; v) A única hipótese de compensação de ofício se perfaz em relação aos débitos não incluídos no REFIS e sem a exigibilidade suspensa, não sendo este o caso; vi) Que o quantum a ser restituído deve ser atualizado monetariamente desde a data do recolhimento até o efetivo aproveitamento pela Recorrente. Por fim alega que estando o crédito discutido na NFLD mencionada suspenso em razão do REFIS III, requer a reforma da decisão para imediata restituição do valor apontado. Às fls. 424 foi proferido despacho pela Chefe do Serviço de Orientação de Arrecadação decidindo pela manutenção da decisão anterior e conseqüente indeferimento da manifestação de inconformidade apresentada sob o fundamento de que a NFLD mencionada não apurou créditos no estabelecimento 33.158.874/001100 na competência de 08/1999. Às fls. 426/429 foi proferido acórdão convertendo o julgamento em diligência para que a Secretaria informasse se no lançamento da diferença de contribuição destinada ao SAT foram consideradas, para fins de abatimento, as guias de retenção em favor da interessada. A diligência foi atendida às fls. 455, informandose em síntese que no cálculo do levantamento apurado para competência de 08/1999 não fora considerado o valor de retenção ocorrido na competência. Esclareceuse que esta conclusão resultou da verificação do REFISC da NFLD 35.372.0356, segundo o qual as bases de cálculo foram obtidas através de guias de recolhimento da empresa relativas às remunerações dos empregados desta. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Além disso, a verificação decorreu também de planilha de cálculo (fls. 444) em que a competência 08/1999 apresenta base de remuneração total de R$ 916.322,17, com valor de levantamento de R$ 18.326,44, correspondente à diferença de 2% do SAT. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.000218/200720 Acórdão n.º 2402003.714 S2C4T2 Fl. 494 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Tratase de manifestação de inconformidade submetida a apreciação pelo Segundo Conselho de Contribuintes que concluiu pela necessidade de conversão do julgamento em diligência. Atendida a diligência, os autos foram encaminhados a este relator para julgamento. Tratase de requerimento pautado em retenções de 11% sobre as quais entende a Recorrente possuir direito à restituição. Todavia, conforme minuciosamente descrito ao longo do processo administrativo, a Recorrente foi autuada anteriormente via NFLD referente à diferença de 2% de SAT, em que os débitos de todos os estabelecimentos da empresa foram englobados no estabelecimento 0001, ao qual se pretende a restituição. Informa a Recorrente que os débitos relativos a NFLD em comento encontramse com exigibilidade suspensa em razão de parcelamento efetuado e ainda pendente (REFIS III). Primeiramente, com base na diligência realizada, verificase que o questionamento realizado pela Sra. Relatora foi sanado de forma negativa, no sentido de que não foram considerados os valores retidos para fins de abatimento do valor do débito lançado. A partir disso, passamos a analisar a questão considerando a existência de crédito ainda não compensado. A NFLD acima mencionada, conforme muito bem exposto pela Recorrente, foi objeto de parcelamento junto ao REFIS e, por tal razão, nos termos da legislação tributária vigente, encontrase com sua exigibilidade suspensa até extinção por pagamento ou reativação em razão de descumprimento do parcelamento pela Recorrente. Em assim sendo, verificada a existência de créditos em favor da Recorrente e não havendo como se considerar possível a retenção pelo Poder Público de valores pagos de forma indevida, a suspensão da exigibilidade do débito existente autoriza a restituição dos créditos em favor da Recorrente. Neste sentido são as decisões do E. STJ: TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. MANIFESTAÇÃO DO FISCO NO SENTIDO DE OBRIGAR O CONTRIBUINTE A COMPENSAR ESSES CRÉDITOS Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 COM DÉBITOS CONSOLIDADOS INSCRITOS NO REFIS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 163 DO CTN. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. O contribuinte não está obrigado a compensar os valores de créditos escriturais do IPI com débitos consolidados inscritos no Programa de Recuperação Fiscal REFIS, porquanto o artigo 163 do CTN trata da possibilidade de imputação de pagamento quando houver mais de um débito do mesmo sujeito passivo em relação ao mesmo sujeito ativo. 2. Tratandose de crédito compensável e débito consolidado via REFIS tornase inaplicável o art. 163 do CTN norma geral, que coerente com a regra especial instituidora do programa. 3. O art. 163 do CTN pressupõe débitos para com o mesmo sujeito passivo, daí a imputação em pagamento imposta pelo fisco. Diversa é a hipótese de coexistência de crédito compensável e débito consolidado, hipótese em que a legislação correspondente ao REFIS não obriga o contribuinte a compensar créditos reconhecidos administrativamente com o montante consolidado desse programa, mas cria uma faculdade a ele, podendo, assim, utilizar seus créditos na compensação com débitos vincendos de tributos administrados pela SRF, obedecidas às normas contidas na IN SRF nº 21/97. 4. Recurso especial conhecido e improvido. (STJ, Resp 448758/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 07/04/2003) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. (...) 3. No caso concreto, tratase de restituição de Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.000218/200720 Acórdão n.º 2402003.714 S2C4T2 Fl. 495 7 valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (STJ, Resp 1213082/PR, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Dje 18/08/2011) TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PELA SECRETARIA DE RECEITA FEDERAL DE VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE A TÍTULO DE PIS E COFINS A SEREM RESTITUÍDOS EM REPETIÇÃO DE INDÉBITO, COM VALORES DOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS CONSOLIDADOS NO PROGRAMA PAES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 151, VI, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IN'S SRF 600/2005 E 900/2008. EXORBITÂNCIA DA FUNÇÃO REGULAMENTAR. 1. Os créditos tributários, objeto de acordo de parcelamento e, por isso, com a exigibilidade suspensa, são insuscetíveis à compensação de ofício, prevista no DecretoLei 2.287/86, com redação dada pela Lei 11.196/2005. (Precedentes: AgRg no REsp 1136861/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/04/2010, DJe 17/05/2010; EDcl no REsp 905.071/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/05/2010, DJe 27/05/2010; REsp 873.799/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/08/2008, DJe 26/08/2008; REsp 997.397/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 17/03/2008) (...)6. Destarte, as normas insculpidas no art. 34, caput e parágrafo primeiro, da IN SRF 600/2005, revogadas pelo art. 49 da IN SRF 900/2008, encontramse eivadas de ilegalidade, porquanto exorbitam sua função meramente regulamentar, ao incluírem os débitos objeto de acordo de parcelamento no rol dos débitos tributários passíveis de compensação de ofício, afrontando o art. 151, VI, do CTN, que prevê a suspensão da exigibilidade dos referidos créditos tributários, bem como o princípio da hierarquia das leis. 7. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede qualquer ato de cobrança, bem como a oposição desse crédito ao contribuinte. É que a suspensão da exigibilidade conjura a condição de inadimplência, conduzindo o contribuinte à situação regular, tanto que lhe possibilita a obtenção de certidão de regularidade fiscal. 8. Recurso especial desprovido. (STJ, Resp 1130680/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 28/10/2010) Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Conclusão Isto posto, considerando que para fins de lavratura da NFLD n° 35.372.0356 não foram abatidos os créditos favoráveis à Recorrente e, ainda, que os débitos a ela referentes encontramse com exigibilidade suspensa em razão de parcelamento, voto pelo deferimento do pedido de restituição. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722186/2011-29
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA
Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.493
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 86 /2 01 1- 29 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722186/201129 Acórdão n.º 2803003.493 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722186/201129 Acórdão n.º 2803003.493 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de exclusão do SIMPLES. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão, que bem esclarece a situação posta. 1. O presente processo administrativo é constituído por três Autos de Infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos a contribuições sociais devidas no período de 01/01/2007 a 31/12/2008: • DEBCAD nº 37.357.3642 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências 01/2007 a 13/2008 O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 191.786,87 (cento e noventa e um mil, setecentos e oitenta e seis reais e oitenta e sete centavos), consolidado em 03/11/2011. • DEBCAD nº 37.357.3677 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (FNDE, e INCRA)., incidentes sobre a remuneração paga aos empregados, nas competências 01/2007 a 13/2008. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 13.976,91 (treze mil, novecentos e setenta e seis reais e noventa e um centavos) , consolidado em 03/11/2011. • DEBCAD nº 37.357.3650 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais não descontados pela empresa das remunerações pagas aos mesmos, nas competências 01/2007 a 12/2008. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 17.101,66 (dezessete mil, cento e um reais e sessenta e seis centavos), consolidado em 03/11/2011. O r. acórdão – fls 218 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A exclusão do SIMPLES, configurase uma coação ao contribuinte de boafé, sendo esta, na prática, uma forma de cobrança indireta e arbitrária, substituindo disfarçadamente a execução fiscal. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722186/201129 Acórdão n.º 2803003.493 S2TE03 Fl. 5 4 · O Poder Judiciário tem entendido, ser ilegal o Ato da Receita Federal que exclui ou não mantém o contribuinte no programa do Simples por inadimplência, uma vez que o referido ato afronta diretamente a Constituição Federal, que assegura o tratamento diferenciado e favorecido às micros e pequenas empresas, não observando os princípios do parcelamento, da proporcionalidade, da livre concorrência e da função social da propriedade, (Artigos 170 e 179 da CF), bem como o direito à liberdade de exercício da profissão e da Atividade Econômica (Artigo 5o, XIII, da CF). · É sabido que a Receita Federal tem outras medidas alternativas capaz de promover a cobrança de seus débitos, inclusive com mais intensidade, por meio de processos administrativos e de execuções fiscais, sendo desnecessário e desproporcional proibir o acesso das pessoas jurídicas inadimplentes ao regime do Simples Nacional, justamente pela existência de meios específicos e legalmente previstos para esse mesmo fim. · Desta forma, é pelos motivos acima descritos que deve este órgão julgador, reconhecer o direito da empresa em ser reincluída no Simples Nacional, inclusive de forma retroativa, para que possa cumprir com suas obrigações tributárias, conforme sua capacidade, devendo assim serem desconsiderados os débitos tributários em aberto, retroagindo os efeitos da inclusão no SIMPLES, para que a empresa possa retomar as atividades normalmente. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722186/201129 Acórdão n.º 2803003.493 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Os autos se referem ao período de 01/01/2007 a 31/12/2008. Observase assim que abrange período no qual a recorrente não se encontrava no referido regime diferenciado, em razão de sua exclusão através do Atos Declaratórios Executivos ADE nº 068 e nº 069, emitidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, em 27/05/2011, com efeitos retroativos a partir de 01/01/2007. Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em outro processo administrativo fiscal, acerca da exclusão do SIMPLES, não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos, senão vejamos jurisprudência deste Colegiado. LANÇAMENTO DE OFICIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES — CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA — DESNECESSIDADE — É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de oficio. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. (...).Processo n°. : 10166.016255/200225. Acórdão n°. :10808.231 de 16.03.2005 Nesse sentido, temos a súmula 77 do CARF: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Não cabe a esta Turma, neste processo, se manifestar acerca das razões da exclusão do SIMPLES – o que deverá ser processado em autos específicos – cabendolhe somente decidir acerca da procedência ou não dos autos lavrados nesta ação fiscal. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722186/201129 Acórdão n.º 2803003.493 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13888.720738/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF no.26).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.720738/201161 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.762 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2014 Matéria IRPF Recorrente IVAN CARLOS MACEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 07 38 /2 01 1- 61 Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, IVAN CARLOS MACEDO, foi lavrado Auto de Infração (fls. 1.367/1.379) referente ao ano calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008 que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 2.737.281,80, sendo R$ 1.329.149,36 de imposto de renda; R$ 996.862,01 de multa; e R$ 411.270,43 de juros de mora (calculados até 28/02/2011). Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.338/1.366, o procedimento de fiscalização foi decorrente de demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, tendo por objeto a movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados para os anos de 2005 a 2008. No Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 30/06/2010, foi solicitado do contribuinte: * Justificar a apresentação de Declaração Anual de Isento para os anos base 2005 e 2006, ou apresentar as devidas Declarações de Ajuste Anual, caso se enquadrasse nas hipóteses de obrigatoriedade; * Apresentar recibos de entrega das Declarações de Ajuste Anual dos anos base 2007 e 2008, ou justificar a não apresentação das mesmas. Ou ainda, apresentar as devidas Declarações de Ajuste Anual, caso se enquadrasse nas hipóteses de obrigatoriedade; * Apresentar documentos de aquisição e alienação de bens móveis e imóveis nos anos de 2005 a 2008; * Apresentar extratos bancários de suas contas junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, mantidas em seu nome e de seus dependentes, referentes ao período compreendido entre janeiro/2005 e dezembro/2008, bem como uma relação de todas as suas contas nesse período; * Apresentar cópia de documentos pessoais e informação sobre atividade econômico profissional exercida. Em 02/08/2010 compareceu ao Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba o Sr. Carlos Nazareno Angeleli, procurador do contribuinte, ocasião em que protocolou o Termo de Apresentação de Documentos e de Esclarecimentos (fls. 07 e 08) e apresentou os seguintes elementos: * Informes de rendimentos financeiros emitidos pelo Unibanco (anos calendário 2008 e 2009 – fls. 16 e 17) * Extrato da conta n° 213.6035 do Unibanco, referente aos meses de julho a dezembro de 2008 (fls. 20 a 25); * Extratos da conta n° 32.4620 do banco Bradesco referentes aos anos de 2006 a 2008 (fls. 26 a 148); * Informações de que não possuía outras contas além das mantidas junto ao Unibanco, Bradesco e Caixa Econômica Federal (fls. 08); Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 * Procuração, tendo como outorgados Carlos Nazareno Angeleli e Patrícia de Campos Ferreira (fls. 11). Em 06/08/2010 a outra procuradora do contribuinte, Sra. Patrícia de Campos Ferreira, compareceu ao Serviço de Fiscalização da Delegacia da RFB em Piracicaba (DRF/Piracicaba) para protocolar resposta mais detalhada ao Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 149 a 151), bem como extratos do banco Bradesco relativos ao período de maio/2005 a dezembro/2005 (fls. 153 a 163). Por meio de Termo de Apresentação de Documentos e Esclarecimentos, assinado pelo procurador Carlos Nazareno Angeleli, informou que: Não apresentou Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) para os exercícios 2006, 2007, 2008 e 2009 porque, apesar da grande movimentação bancária, não auferira lucro que justificasse a entrega da Declaração; Exercia a atividade econômica de compra de carros em leilões e de venda desses veículos, associandose a pessoas as quais depositavam valores em suas contas bancárias; Seu único bem imóvel é um terreno com o início de uma construção; Os extratos da Caixa Econômica Federal ainda não haviam sido disponibilizados pela instituição financeira; Possuía, entre 2005 e 2008, contas junto aos bancos Caixa Econômica Federal (nesse em conjunto com sua esposa, Mary Estela Bandoria Macedo), Unibanco (em que a conta era individual, aberta em 2008) e Bradesco (onde a conta também era individual); Não possui quaisquer documentos referentes a rendimentos tributáveis para o período em questão, "visto que os valores que recebia não era tributável" (sic). Em 17/08/2010 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal (fls. 164 a 166), cuja ciência ao sujeito passivo se deu por via postal em 23/08/2010, por meio do qual o contribuinte foi intimado a: * Mencionar as pessoas com as quais alegou ter se associado para compra de veículos em leilões entre 2005 e 2008; * Apresentar os extratos de contas que não haviam sido entregues até então; * Informar todos os rendimentos auferidos entre 2005 e 2008, identificando as fontes pagadoras; * Apresentar matrículas dos imóveis de sua propriedade; * Confirmar ou refutar a informação de que movimentava a conta de sua esposa junto ao banco Bradesco; No dia 23/08/2010 foram entregues pelo procurador do contribuinte os extratos da conta 32.9669 junto à Caixa Econômica Federal, relativos aos anos 2005 a 2008 (folhas 167 a 484), com exceção do extrato do mês de dezembro de 2005. Tendo em vista que o contribuinte não havia entregue, até aquele momento, os extratos do banco Bradesco referentes ao período de janeiro a abril de 2005, apesar de já transcorridos os prazos dados nas intimações, e que não apresentara justificativas para a não entrega, restou configurada a hipótese prevista no art. 33, I, da Lei n° 9.430/1996, c.c. art. 3o, V, do Decreto n° 3.724/2001, e art. 2°, II, da Portaria SRF n° 180/2001, sendo emitida, em 24/08/2010, pela Delegada da DRF/Piracicaba, a Requisição de Informações sobre Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 4 5 Movimentação Financeira (RMF) n° 08125002010001299 para que aquele banco disponibilizasse à Receita Federal do Brasil tais extratos (fls. 485 a 489). No dia 08/09/2010, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 17/08/2010, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, entregou extratos da Caixa Econômica Federal dos meses de junho e julho de 2008 (os quais já haviam sido entregues anteriormente) e de dezembro de 2005 (fls. 516 a 520), apresentou a matrícula de um terreno e prédio em seu nome (fls. 493 e 494), e protocolou resposta (fls. 490 a 492) por meio da qual afirmou que: * Não tinha a documentação relativa aos negócios que alegou realizar, de compra e venda de veículos, os quais eram feitos em parceria com os próprios clientes e com outros revendedores, que também compravam carros em leilões. * Não possuía os comprovantes de rendimentos solicitados na intimação, uma vez que trabalhava na informalidade; * Nem todo o dinheiro que transitara por suas contas bancárias eram oriundos de seu próprio trabalho, pois alguns créditos correspondiam a "negócios realizados em parcerias com terceiros"; * Era a única pessoa que movimentava a conta de sua esposa, Mary Estela Bandoria Macedo, junto ao banco Bradesco, por meio de cheques por ela assinados e através da utilização das senhas por ela fornecidas. Essa conta era utilizada em seus negócios de compra e venda de veículos; Em complemento aos documentos entregues em atendimento à intimação de 17/08/2010, o contribuinte, por meio de seu procurador, entregou à fiscalização, em 27/09/2010, documentos que traziam a informação de que a conta 32.4620 (da agência 24317, banco Bradesco) não havia sido movimentada entre 01/01/2005 e 31/04/2005 (fls. 521 a 523). Com relação à RMF emitida em 24/08/2010 e encaminhada ao banco Bradesco, aquela instituição financeira, por meio de documento datado de 09/09/2010, apresentou os documentos solicitados, entre eles a ficha cadastral do contribuinte, os informes de rendimentos financeiros dos anos calendário 2005 a 2008, e os extratos bancários que ainda não haviam sido apresentados pelo contribuinte (fls. 524 a 555), Tendo em vista as alegações feitas pelo contribuinte até então, no dia 27/09/2010 foi lavrado novo Termo de Intimação Fiscal (fls. 556 a 568), por meio do qual foram solicitadas ao sujeito passivo as seguintes informações: * Indicar as empresas de leilão ou leiloeiros de quem comprava veículos; * Apresentar documentos de aquisição dos veículos comprados; * Apresentar documentos relativos taxas de despachantes contratados, taxas de transferências, laudos e seguros obrigatórios referentes aos veículos comprados para revenda; * Informar o nome das pessoas que lembrava de ter se associado para compra de veículos; Nesse mesmo Termo, solicitouse a comprovação da origem de parte dos créditos efetuados em suas contas bancárias no ano de 2005, bem como esclarecimentos sobre a destinação de parte dos valores debitados de suas contas (fls. 557). Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Para atendimento dessa mais recente intimação, o contribuinte compareceu pessoalmente à DRF/Piracicaba, em 05/10/2010, e fez as seguintes alegações, as quais foram reduzidas a termo assinado pelo contribuinte (fls. 569): * Parte dos valores movimentados em suas contas entre 2005 e 2008 tinham origem na venda de veículos comprados em leilões; * Outra parte dos créditos advinha de comissões em vendas de veículos; * Utilizava a conta de sua esposa para poder usufruir do limite de crédito do cheque especial e de empréstimos junto ao banco; * Informou como leiloeiros de quem comprava veículos: Sodré Santoro, Viseu Leilões, Nosso Leilão e Sousa Leilões; * Informou como despachantes que contratava, eventualmente, Mauro Despachante e Despachante Ezuza, ambos de PiracicabaSP; * Alegou que conhecia as pessoas com as quais se juntava para comprar veículos em leilões apenas pelo primeiro nome ou pelo apelido, não tendo vínculo como os mesmos nem qualquer documento formal que comprovasse as associações alegadas. Nesse mesmo dia apresentou novo Termo de Apresentação de Documentos e Esclarecimentos, previamente redigido, por meio do qual informava não se lembrar das empresas de leilão de quem comprava veículos, não possuir documentos relativos a compras de veículos, não possuir sócios para realizar as compras, limitando se a fazer parcerias com pessoas do mesmo ramo, e de não possuir documentação hábil a comprovar os créditos e os débitos em suas contas solicitados no último Termo de Intimação Fiscal (fls. 571 e 572). Diante da necessidade de se certificar da veracidade das alegações do contribuinte de que sua principal atividade econômica, entre 2005 e 2008, era a compra e venda de veículos, de onde teriam se originado, segundo ele, os créditos em suas contas bancárias, alegações estas desamparadas de quaisquer documentos comprobatórios ou informações que indicassem um rumo para verificação do teor das informações prestadas, foram feitas diligências junto a bancos, por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeiras (RMF), e junto a despachantes, leiloeiros e outros contribuintes pessoas físicas. O banco Bradesco encaminhou os documentos relativos ao ano de 2005 de forma parcial, em quatro oportunidades, até o completo atendimento da requisição, a saber: em 27/10/2010, em 11/11/2010, em 18/11/2010 e em 30/11/2010 (fls. 589 a 891). A Caixa Econômica Federal encaminhou resposta em 10/02/2011, para os documentos solicitados relativos ao ano de 2005 (folhas 892 a 956). Tendo em vista o elevado volume de créditos nas contas do sujeito passivo, os quais foram devidamente questionados quanto às suas origens por meio de Termos de Intimações Fiscais já mencionados, créditos esses que o contribuinte não logrou comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos, foram emitidas, em 31/12/2010, novas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), direcionadas aos bancos Bradesco e Caixa Econômica Federal, por meio das quais foram solicitados documentos relativos a créditos e débitos nas contas do sujeito passivo relativos aos anos 2006, 2007 e 2008. As respostas foram encaminhadas pelos bancos à DRF/Piracicaba em 28/01/2011 (Bradesco, fls. 1.161 a 1.278) e 10/02/2011 (Caixa Econômica Federal, fls. 1.116 a 1.159). No intuito de se buscar a veracidade das alegações do contribuinte sobre atividade econômica de comércio de veículos, foi emitido pela DRF/Piracicaba o Ofício n° 920, de 15/10/2010, encaminhado à 13a CIRETRAN de PiracicabaSP (fls. 957), pelo qual Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 5 7 solicitou se uma relação de todos os veículos que estiveram em nome do contribuinte nos anos de 2005 a 2008. Em resposta datada de 26/10/2010, o Delegado de Polícia Diretor da CIRETRAN de Piracicaba apresentou documento onde constavam 13 veículos que estiveram em nome de Ivan Carlos Macedo no período questionado (fls. 959 a 960). Na mesma linha de investigação, em 19/10/2010 foram feitas diligências junto às pessoas a seguir relacionadas, escolhidas em virtude das alegações do Sr. Ivan (fls. 569). Os despachantes foram questionados sobre eventuais serviços prestados ao Sr. Ivan Carlos Macedo entre 2005 e 2008, com a indicação dos veículos que porventura tivessem sido objetos desses serviços. Os leiloeiros, por sua vez, foram questionados se haviam vendido veículos ao sujeito passivo nesse período por meio de leilões. As respostas às intimações foram as seguintes: a) Agência de Despachos Ezuza (folhas 961 a 980) Prestou serviços referentes a veículos adquiridos pelo sujeito passivo, sendo quatro veículos em 2005, um em 2006 e um em 2007. b) Despachante Mauro Agenor Previatti (fls. 1037 a 1041) Não prestou serviços a Ivan Carlos Macedo. c) Leiloeiro José Eduardo de Abreu Sodré Santoro (fls. 981 a 987) Informou que o sujeito passivo adquiriu três veículos em 2006. d) Leiloeiro Flávio Cunha Sodré Santoro (fls. 988 a 992) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. e) Leiloeiro Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro (fls. 993 a 996) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. f) Leiloeira Maria Beatriz Cunha Sodré Santoro (fls. 997 a 1000) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. g) Leiloeiro Rodrigo de Queiroz Sodré Santoro (fls. 1001 a 1011) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. h) Leiloeiro Washington Luiz Pereira Vizeu (folha 1012 a 1026) Vendeu uma moto a Ivan Carlos Macedo em 2006. í) Leiloeiro Ezequiel Sebastião Mayor (fls. 1027 a 1031) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. j) Leiloeiro José Oswaldo de Carvalho (fls. 1032 a 1036) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. Com base nos documentos apresentados pelo CIRETRAN (fls. 959 e 960), e pelos leiloeiros e despachantes (fls. 961 a 1041), foi possível elaborar tabela, na qual são relacionados os veículos que estiveram relacionados, de alguma forma, com o contribuinte entre 2005 e 2008. Com relação a três veículos, constatou se que o contribuinte os revendeu após longo espaço de tempo da aquisição, fato que os afasta da característica de mercadoria destinada ao comércio, não podendo assim serem considerados na alegada atividade econômica de compra e venda de veículos. Com relação a outros cinco veículos, não foi possível verificar por quanto tempo ficaram em poder do sujeito passivo, uma vez que o próprio não apresentou qualquer documentação que pudesse levar ao entendimento de se tratarem de mercadoria ou de Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 destinação para uso próprio. Nos documentos conseguidos junto a terceiros (CIRETRAN, leiloeiros e despachantes) não há informações sobre suas eventuais alienações. Por fim, restaram dez veículos, dos quais um foi adquirido em 2004, cinco foram adquiridos em 2005, dois em 2006, um em 2007 e um em 2008. Assim, a autoridade fiscal considerou que não fica evidenciado que o sujeito passivo exercia, em nome individual, com habitualidade e profissionalismo, a atividade de compra e venda de veículos Em outra análise, sobre os extratos bancários do sujeito passivo e dos documentos relativos aos créditos em suas contas, verificouse que muitos dos depósitos lançados eram compostos de vários cheques de pequeno valor, como, por exemplo, o depósito feito no banco Bradesco em 15/10/2008, no valor total de R$ 5.188,86, no qual constavam 26 cheques de valores como R$ 32,00, R$ 27,60, R$ 20,00, R$ 60,00, R$ 30,00, etc. Esse fato corrobora, juntamente com a não apresentação de quaisquer documentos pelo contribuinte, a leitura de que a grande maioria dos créditos nas contas do contribuinte não provinha de atividade comercial de venda de veículos (atividade essa que, como já explanado, também não foi comprovada), pois é notório que não se verifica, nas práticas usuais de compra e venda de carros, pagamentos com vários cheques de baixos valores. Além disso, a grande maioria dos depósitos nas contas do sujeito passivo não condiz com vendas de veículos. Note se que a média dos valores creditados de 2005 a 2008 em suas contas é de, aproximadamente, R$ 2.600,00 por depósito. Em 04/01/2011, com base nas informações extraídas dos documentos relativos a lançamentos efetuados nas contas bancárias, conseguidas até então no transcurso dos trabalhos de fiscalização, foram feitas diligências junto a pessoas que emitiram cheques que foram depositados nas contas do sujeito passivo. Dessa forma, foram encaminhados aos contribuintes abaixo, selecionados por amostragem, Termos de Diligência Fiscal, amparados por Mandados de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD), por meio dos quais foram questionados sobre o motivo da emissão dos cheques e sobre o vínculo que porventura tivessem com Ivan Carlos Macedo: Paulo Roberto Muniz (MPFD 08125002011000016) Informou não conhecer Ivan Carlos Macedo. Apresentou cópia de canhotos de cheques nos quais são mencionados lançamentos a título de diesel; Walter Miguel (MPFD 08125002011000024) Informou desconhecer Ivan Carlos Macedo. Apresentou cópia dos cheques questionados, as quais, embora tragam o nome de Ivan Carlos Macedo como beneficiário, não trazem informações que indiquem a negociação que envolveu a emissão dos cheques. Airton Roberto Beltramini (MPFD 08125002011000032) – Informou desconhecer Ivan Carlos Macedo e não se recordar para quem emitiu os cheques em questão, dos quais apresentou cópias em que não constam os beneficiários nem o motivo da emissão desses documentos. Arcedilho Felisberto dos Santos (MPFD 08125002011000040) – Informou que os cheques foram passados em um bar (conhecido, segundo ele, como "Bar do Posto"), o qual não existe mais, para compras pequenas como cigarros e outros produtos de menor valor. Nesse posto, informou, existiam máquinas caça níqueis, as quais foram apreendidas pela polícia. Considerou a autoridade fiscal que, se comparado o volume dos negócios realizados pelo Sr. Ivan Carlos Macedo (baseados nos documentos conseguidos junto a Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 6 9 terceiros) ao montante de créditos (a título de depósitos e transferências) nas suas contas (R$ 5.589.966,41, de 2005 a 2008, conforme exposto no item 4 deste Termo), e levando se em consideração o fato de o contribuinte não ter apresentado quaisquer documentos que fundamentassem suas alegações, restam frágeis e sem sentido as suas justificativas de que sua movimentação financeira tem por origem a compra e venda de veículos. Essa fragilidade ficaria ainda mais evidenciada com a constatação, já mencionada, de que considerável parte dos créditos efetuados em suas contas são depósitos constituídos de vários cheques de pequeno valor. O conjunto desses indícios rechaçaria a vinculação da grande maioria dos depósitos com as alegadas vendas de carros e motos. Diante das respostas dos despachantes e leiloeiros às intimações, que demonstraram uma baixa quantidade de veículos negociada pelo Sr. Ivan, o que eliminaria a caracterização de um "comércio", em 19/11/2010 foi encaminhado ao sujeito passivo novo Termo de Intimação Fiscal (folha 1042), por meio do qual foi questionado se a atividade econômica de compra e venda de veículos era a única exercida profissionalmente ou se desenvolvia outras atividades, devendo mencionálas. Foi novamente intimado a comprovar por documentação hábil e idônea a origem de créditos em suas contas bancárias no ano de 2005, sendo alertado de que a não comprovação ensejaria lançamento de ofício por omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Em 02/12/2010 foi enviado novo Termo de Intimação Fiscal ao contribuinte (fls. 1053) para que esclarecesse e comprovasse, também, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias nos anos de 2006, 2007 e 2008, bem como esclarecer a destinação dada a alguns valores que saíram de sua conta nesse período. Foi alertado das consequências do não atendimento. Por meio desse Termo foi informado sobre as diligências efetuadas junto aos despachantes e leiloeiros por ele informados, através das quais foram obtidos indícios de uma irrisória quantidade de veículos negociados, especialmente em face do vultoso volume de créditos em suas contas bancárias. Diante disso, foi ratificada a solicitação feita no Termo de Intimação anterior de informar a efetiva atividade econômica exercida nos anos 2005 a 2008. A ciência desse Termo deuse por via postal em 07/12/2010 (fls. 1100). Em 03/12/2010, o contribuinte, por meio de seu procurador, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 19/11/2010, informou que exercia diversas atividades profissionais, como pintor, eletricista, segurança de eventos e instalador de cortinas e carpetes. Quantos aos créditos questionados no referido Termo, alegou, mais uma vez, não possuir documentação que os comprovassem (fls. 1.101). No dia 21/12/2010, o contribuinte, por meio de seu procurador, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 02/12/2010, informou que não possuía os documentos solicitados, relativos aos créditos e débitos questionados (de 2006, 2007 e 2008), que não tinha controle dos valores depositados em suas contas e que realizava parcerias com seus clientes e outros revendedores de veículos, sem citar nomes (fls. 1.102 e 1.103). Para os exercícios 2006 e 2007 (anos calendário 2005 e 2006) o contribuinte apresentou Declaração Anual de Isento. Para os exercícios 2008 e 2009 (anoscalendário 2007 e 2008), não apresentou Declarações de Ajuste Anual. De posse dos extratos das contas bancárias do contribuinte, os dados foram tabulados para fins de análise dos lançamentos neles constantes, sendo que a movimentação referente ao Bradesco alcançou R$ 573.876,32; da Caixa Econômica Federal, R$ 1.824.055,65; e do Unibanco, R$ 1.796.835,54. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Visando à otimização dos trabalhos de fiscalização, tendo em vista o grande volume de lançamentos nas contas bancárias do contribuinte, a autoridade fiscal desconsiderou os créditos abaixo de R$ 500,00 junto ao banco Bradesco em 2005 e abaixo de R$ 1.000,00 nesse mesmo banco nos anos de 2006, 2007 e 2008. Quanto à Caixa Econômica Federal, foram desprezados os créditos inferiores a R$ 1.000,00 para os anos 2005 a 2008. E com relação ao Unibanco, foram desconsiderados os créditos abaixo de R$ 1.000,00, para o ano de 2008. Também foram excluídos da análise créditos a título de resgate de título de capitalização, cheques emitidos devolvidos, estornos e reduções de saldo devedor. Com esses ajustes, chegou se aos valores de crédito cuja origem foi considerada não identificada, os quais foram submetidos ao sujeito passivo, por meio dos Termos de Intimações Fiscais já mencionados (de 19/11/2010, fls, 1.042 a 1.052, e de 02/12/2010, fls. 1.053 a 1.100), para que comprovasse e esclarecesse, mediante documentação hábil e idônea, com compatibilidade de datas e valores, as suas origens. O total dos créditos sob questionamento (R$ 5.309.720,02) representa 94,99% dos créditos em suas contas junto a instituições financeiras entre 2005 e 2008 a título de depósitos e transferências bancárias. Na análise dos extratos bancários, verificouse que alguns cheques depositados nas contas do sujeito passivo foram devolvidos pela compensação bancária, por motivos diversos (ausência de fundos, sustação, divergência ou ausência de assinatura, etc). Esses extratos também indicam que o registro de alguns depósitos efetuados em caixa eletrônico foram feitos com valores maiores do que o numerário constante dentro dos envelopes, e ainda, que dentro de alguns envelopes havia cheques com irregularidades, não se efetivando, por vezes, os créditos. Verificouse também que, entre os créditos questionados junto ao contribuinte por meio de intimação fiscal, constavam um resgate de título de capitalização e dois cheques por ele emitidos com irregularidades, que foram devolvidos. Os somatórios desses valores, que subtrairão os montantes dos créditos submetidos ao contribuinte, para fins de lançamento, constam do lançamento. Excluindose os valores relativos aos cheques depositados e que foram devolvidos pela compensação bancária, os depósitos por meio de envelope que não se concretizaram, o resgate de título de capitalização e os cheques do contribuinte que não foram sacados (por irregularidades nos cheques), os valores dos créditos a título de depósitos e transferências para as contas do contribuinte, cujas origens foram questionadas por intimação fiscal e não foram comprovadas, totalizaram R$ 4.922.238,34, para os anos calendário 2005 a 2008. Ressaltase que os valores relativos à Caixa Econômica Federal foram obtidos com a divisão, por dois, dos créditos nesse banco (e exclusões efetuadas), tendo em vista que a conta nessa instituição financeira era conjunta com sua esposa, Mary Estela Bandoria Macedo, conforme informado pelo próprio contribuinte em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, situação que foi verificada nas cópias de cheques de sua emissão (fls. 1.150, 1.152 e 1.158, por exemplo). Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 7 11 Com relação à alegação do contribuinte de que era o único que movimentava a conta de sua esposa, Mary Estela Bandoria Macedo, junto ao banco Bradesco (fls 491, VI), a autoridade fiscal considerou que não ficou comprovada, por meio de documentos hábeis e idôneos, essa afirmação. Lavrado o Auto de Infração e cientificado o contribuinte, apresentou a defesa de fls. 1.382/1.387, afirmando que não estaria demonstrado que houve supressão de tributos e que colaborou para a elucidação dos fatos, sendo que nem todo o dinheiro representa lucros e que as atividades desenvolvidas teriam sido confirmadas pelo contribuinte e pelas demais pessoas intimadas a apresentar informações. Afirma que exercia trabalho informal destinando todo o rendimento para o seu próprio sustento e de sua família e que o dinheiro da conta era decorrente das atividades de comercialização de veículos, realização de festas, dinheiro de clientes para pagamentos de fornecedores, etc, cuja margem de lucro seria muito pequena. Afirma que eram recebidos cheques de terceiros, os quais eram depositados na sua conta corrente para pagar inúmeros fornecedores, prática esta utilizada por todos os comerciantes atacadistas e varejistas. Afirma que não há memória para justificar todos os lançamentos. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.º 9.430 de 1996, consideram se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da natureza das operações, que não refletem variação patrimonial; Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários. É o relatório. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 8 13 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 9 15 estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 1405 (do e processo), não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: Portanto, com exceção de dois leiloeiros, nenhuma outra pessoa ou órgão confirmou qualquer das versões trazidas pelo contribuinte, o que reforça a desconfiança que se deva atribuir ao quanto defendido por ele no procedimento fiscal e em sua defesa. Como muito bem aponta a autoridade fiscal, muitos dos depósitos lançados eram compostos de vários cheques de pequeno valor, como, por exemplo, o depósito feito no banco Bradesco em 15/10/2008, no valor total de R$ 5.188,86, no qual constavam 26 cheques de valores como R$ 32,00, R$ 27,60, R$ 20,00, R$ 60,00, R$ 30,00, etc. Apesar de ciente da constatação fiscal, o contribuinte não traz um único argumento plausível e/ou documentação para justificar esse tipo de movimentação bancária. Deveras, não é crível que o contribuinte faça negociações que alcancem a casa de milhões de reais nos anos calendário em questão e não possuam sequer um único documento comprobatório de tais transações. Não se deve olvidar que, a despeito de o ônus da prova competir ao contribuinte, a autoridade fiscal, como se viu, além de instar o contribuinte por diversas vezes a esclarecer e comprovar as supostas atividades comerciais, diligenciou junto a beneficiários, depositantes, pessoas indicadas pelo contribuinte e órgãos públicos (DETRAN) no sentido de melhor esclarecer os negócios que teriam gerado tal movimentação bancária. Todavia, sem qualquer auxílio efetivo do contribuinte, não foi possível apurar a verdade dos fatos. Não serve de justificativa a assertiva de que não há memória para justificar todos os lançamentos. Deve o contribuinte cumprir com seu ônus e apresentar prova de tais transações comerciais, sob pena de arcar com a conseqüência legal de tributação da totalidade da movimentação bancária (art. 42 da Lei n° 9.430/96). Sendo assim e considerandose que competia ao contribuinte provar os fatos invocados, não há como acatar os argumentos apresentados durante o procedimento fiscal e reprisados em Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 defesa. Tratase de meras alegações, as quais de nada valem se desacompanhadas de qualquer elemento de convicção que não a mera declaração da contribuinte. Com efeito, o contribuinte não traz sequer um exemplo de depósito que corresponderia às atividades comerciais invocadas. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 10 17 transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11516.721695/2011-34
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano. Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 477 a 491 – numeração digital): I) Dos autos de infração Trata o presente processo de autos de infração lavrados pela DRF/Joaçaba SC, amparados nos fatos descritos em Termo de Verificação Fiscal, consubstanciando lançamentos de exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 103/116), no valor de R$ 47.876,33, da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 117/127), no valor de R$ 7.736,54, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 69 5/ 20 11 -3 4 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 559 2 COFINS (fls. 128/138), no valor de R$ 35.707,36, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 139/151), no valor de R$ 34.279,09, referentes aos anos calendário 2006, 2007 e 2008, com o acréscimo da multa qualificada de 150% e dos juros moratórios. 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela interessada, optante pela forma de tributação com base no Lucro Presumido Trimestral (IRPJ e CSLL) nos anoscalendário fiscalizados, foi apurada a seguinte irregularidade, ensejando a lavratura dos autos de infração de IRPJ e da tributação reflexa do PIS, COFINS e CSLL: Omissão de receitas oriundas da prestação de serviços – Lucro Arbitrado, devido a não apresentação de livros e documentos. Fato Gerador, Base Tributável e Demonstrativo de Apuração: IRPJ – fls.103/116; PIS – fls.117/127; COFINS – fls.128/138; CSLL – fls.139/151 Enquadramento legal: IRPJ – arts. 530, inciso III, 532 e 537, do RIR/1999; PIS – arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/1995; arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91, do Decreto nº 4.524/2002; COFINS – arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91, do Decreto nº 4.524/2002; CSLL – art. 37 da Lei nº 10.637/2002; art. 22 da Lei nº 10.684/2003; e art. 3º da Lei nº 7.689/1988, com as alterações do art. 17 da Lei nº 11.727/2008; Multa de Ofício (150%) – art. 44, inciso I e § 1º, e inciso II, da Lei nº 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007; Juros de Mora – art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. II) Do Termo de Verificação Fiscal 3. As irregularidades apontadas nos autos de infração, descritas no Termo de Verificação de fls. 96/101, são, em síntese, as seguintes: 3.1. em 31/05/2010, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09.2.01.002010005357, determinando a abertura de fiscalização no contribuinte CARLOS RODRIGUES BARZAN, principal sócio da empresa BARZAN ADVOGADOS, CNPJ nº 05.529.396/000182, para exame do Imposto de Renda Pessoa Física de sua responsabilidade, no período de 01/01/2006 a 31/12/2008; 3.2. em suas Declarações de Ajuste Anual, dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, o Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN informou ter recebido Lucros e Dividendos da BARZAN ADVOGADOS, nos valores de R$ 101.075,50 (em 2006), R$ 199.880,18 (em 2007) e R$ 265.950,06 (em 2008); 3.3. posteriormente, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização Intimação n° 281/2010 (fls. 41/44) e aos Termos de Intimação Fiscal n° 458/2010 (fls. 45/48) e n° 596/2010 (fls. 49/50), o Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN informou (fls. 52), que esses lucros, na verdade, foram de R$ 137.946,65 (em 2006), R$ 191.466,50 (em 2007) e R$ 494.500,00 (em 2008); Fl. 559DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 560 3 3.4. no sentido de verificar a veracidade dos fatos e dirimir as divergências verificadas quanto aos valores dos lucros distribuídos, foi emitido, em 08/06/2011, o MPF n° 09.2.01.002011008228, para permitir a coleta de informações junto à sociedade BARZAN ADVOGADOS; 3.5. para tanto, em 14/06/2011 foi solicitado à sociedade, através do Termo de Intimação Fiscal n° 301/2011 (fls. 53), a apresentação de seus talões de Notas Fiscais, assim como os Livros Fiscais, relativos aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008; 3.6. no mesmo dia, a empresa apresentou os talões de notas fiscais e informou que: “... a empresa BARZAN ADVOGADOS CNPJ 05.529.396/000182 não possui Livros fiscais e que a empresa, neste período, adotará o arbitramento.” (fls. 54); 3.7. da consulta realizada nos cadastros da Receita Federal fica demonstrado que a empresa havia apresentado as DIPJ relativas aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008 sem qualquer receita, ou seja, declarações “zeradas”; 3.8. ademais, a empresa apresentou as DCTF “zeradas” para o anocalendário 2006 (1º e 2º semestres) e para o 1º semestre/2007, ao passo que as DCTF relativas ao 2º semestre/2007 e ao anocalendário 2008 somente foram apresentadas após o início da ação fiscal; 3.9. apesar de apresentar declarações “zeradas”, a empresa emitiu notas fiscais (fls. 55/93), evidenciando o recebimento de receitas que deveriam ter sido tributadas; 3.10. assim, em 17/06/2011, foi emitido o MPF nº 09.2.01.002011008333, com vistas à abertura de fiscalização na empresa BARZAN ADVOGADOS, CNPJ nº 05.529.396/000182, para exame do Imposto de Renda Pessoa Jurídica de sua responsabilidade, no período de 01/01/2006 a 31/12/2008; 3.11. efetivamente, a inexistência de Livros Contábeis e Fiscais conduz à apuração dos tributos com base no Lucro Arbitrado; 3.12. tendo em vista que, na diligência realizada na empresa, foram apreendidos os talões de notas fiscais, os quais contêm as notas emitidas em 2006, 2007 e 2008, o lucro foi arbitrado com base nos valores dessas notas fiscais; 3.13. a empresa retificou, em 12/07/2011, as DIPJ apresentadas anteriormente, conforme extrato em anexo (fls. 39), incluindo receitas auferidas no curso dos anos calendário 2006, 2007 e 2008, entretanto, a DIPJ não constitui crédito tributário, motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração correspondente para constituílo; 3.14. além disso, as mencionadas declarações retificadoras foram apresentadas após a diligência realizada na empresa, em 14/06/2011, e após o início da ação fiscal no contribuinte CARLOS RODRIGUES BARZAN, seu principal sócio (Termo de Início de Fiscalização Intimação n° 281/2010, fls. 41/43; e AR, fls. 44), ficando excluída, portanto, sua espontaneidade, conforme disposto no art. 7º, § 1º, do Decreto n° 70.235/1972; 3.15. cabe lembrar também, que as DCTF apresentadas pela empresa não alteram o quadro descrito acima, tendo em vista que parte delas foram apresentadas “zeradas” (as do ano de 2006 e a do 1º semestre de 2007) e a outra parte, após a diligência realizada na empresa, em 14/06/2011, e posteriormente ao início da ação fiscal no sócio CARLOS RODRIGUES BARZAN (a do 2º semestre de 2007 e as do ano de 2008); 3.16. diante da inexistência dos Livros Fiscais e Contábeis, foi apurado o Lucro Arbitrado sobre as receitas de prestação de serviços (percentual de 38,4%) com base Fl. 560DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 561 4 nas Notas Fiscais emitidas pela empresa nos anos de 2006, 2007 e 2008, conforme disposto nos arts. 530, inciso III, 532 e 537, do RIR/1999; 3.17. em decorrência, foram constituídos autos de infração para exigência dos créditos tributários relativos ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL; 3.18. as notas fiscais emitidas pela empresa nos anos calendário 2006, 2007 e 2008, são as seguintes: [...]. 3.19. nos quadros abaixo estão consolidados, mensalmente, os valores das notas fiscais emitidas: [...]. 3.20. os fatos acima descritos, especialmente o relativo à apresentação de declarações com receitas “zeradas”, quando haviam sido emitidas notas fiscais em montantes significativos, caracterizam a sonegação, que, neste caso, definese pela ação dolosa do contribuinte para impedir "o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal”; 3.21. consequentemente, nos períodos fiscalizados, os créditos tributários do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram constituídos de ofício, com a multa majorada de 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 e alterações posteriores; 3.22. em atendimento ao art. 1º da Portaria RFB n° 2.439, de 21/12/2010, foi formalizado processo administrativo de Representação Fiscal Para Fins Penais (processo n° 11516.721.696/201189). III) Da impugnação 4. Inconformada com os lançamentos efetuados, dos quais tomou ciência em 15/09/2011 (fls. 157), interpôs a interessada, em 11/10/2011, a impugnação de fls. 158/180, instruída com os documentos de fls. 181/197, alegando que: 4.1. tratase de sociedade de advogados, regida pelos arts. 15 a 17 da Lei n° 8.906, de 04/07/1994, tendo adquirido personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em Santa Catarina, em 14/06/2002 (CC, arts. 45 e 985), conforme atesta o próprio Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; 4.2. em 31/05/2011, seu sócio Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, CPF n° 952.230.53915, teve iniciada ação fiscal pelo Auditor encarregado; 4.3. em 14/06/2011, o Sr. Auditor compareceu pessoalmente à sede da sociedade BARZAN ADVOGADOS portando o Termo de Intimação Fiscal n° 301/2011, afirmando que ali estava para que a sociedade colaborasse com a fiscalização do Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, solicitando, então, a apresentação dos documentos referidos na intimação, no prazo imediato; 4.4. além da própria afirmação do fiscal, vários elementos inequívocos manifestavam que a sociedade BARZAN ADVOGADOS atendia o Auditor na mera condição de terceira, que colaborava na fiscalização de seus sócios, a destacar: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 562 5 (1) o Termo de Intimação Fiscal n° 301/2011, que solicitava documentos, não fixara qualquer prazo para esclarecimentos, conforme prescreve o art. 844 do RIR/1999, e o art. 19 da Lei n° 3.470, de 28/11/1958 (fls. 53); (2) a Descrição Sumária do MPF Diligência n° 09.2.01.002011008228, cujo objeto era subsidiar a fiscalização junto ao contribuinte/responsável Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, devendo ser observado que o Sr. Auditor não acostou este mandado ao presente processo; (3) o Sr. Auditor fora designado para a fiscalização de pessoa física, e assim se apresentou na sede da sociedade;4.2. em 31/05/2011, seu sócio Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, CPF n° 952.230.53915, teve iniciada ação fiscal pelo Auditor encarregado; 4.5. em 12/07/2011, a BARZAN ADVOGADOS envia as DIPJ (retificadoras) dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008; 4.6. em 02/09/2011, o Sr. Auditor enviou à BARZAN ADVOGADOS o Termo de Intimação n° 384/2011 (MPF n° 09.2.01.002011008333), entretanto, o AR (fls. 95) foi enviado a endereço diverso daquele constante do Cartão Nacional da Pessoa Jurídica e do próprio endereço em que fora atendido o Termo de Intimação Fiscal n° 301/2011 (fls. 53), bem como das próprias DIPJ arroladas pelo fiscal (fls. 03, 12, 24); 4.7. em razão do erro de preenchimento do endereço por parte do Sr. Auditor, que determinou o encaminhamento da carta à Caixa de Correio diversa, a BARZAN ADVOGADOS somente recebeu efetivamente o AR em 12/09/2011, muito embora conste do registro a data de 05/09/2011; 4.8. a comprovar o desleixo e, para não dizer, máintenção com que o Sr. Auditor tratou a informação fiscal da sociedade, deve ser verificado que o Termo de Intimação Fiscal n° 384/2011 (fls. 94) apresenta endereço diverso do contido no envelope (fls. 95), muito embora a declaração de conteúdo a este faça referência; 4.9. em decorrência deste erro, a sociedade BARZAN ADVOGADOS não pôde atender à solicitação contida no Termo de Intimação Fiscal n° 384/2011 (fls. 94); 4.10. constatado este erro do Sr. Auditor ainda no prazo para apresentação de documentos, a preposta da sociedade BARZAN ADVOGADOS entrou em contato com o fiscal em 12/12/2011, pelo número em que atende na DRF em Florianópolis/SC, sendo informada pelo mesmo que “a fiscalização já estava fechada e que caberia à contribuinte unicamente se defender”; 4.11. muito embora tenha esclarecido que o assinante do AR não era preposto da empresa e que este havia sido enviado a endereço equivocado, o Sr. Auditor negouse a receber a documentação, solicitada por uma única vez, sem oferecer prazo adicional para o atendimento, sendo que, na manhã do dia seguinte, 13/09/2011, o Sr. Auditor encerrou a ação fiscal (MPF n° 0920100/00833/11); 4.12. variados erros podem ser apontados no procedimento do Sr. Auditor: a) as Notas Fiscais nºs 32, 33, 34, 36, 38, 39, 41, 44, 45, 50, dizem respeito a aluguéis, sujeitandose à base de cálculo arbitrada diversa da escolhida pelo fiscal, ou seja, não a do art. 15, inciso III, alínea "c", c/c art. 16 da Lei n° 9.249/1995, mas sim a do art. 15, caput, c/c art. 16, da Lei n° 9.249/1995, consoante o disposto no art. 25, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, pois a sociedade BARZAN ADVOGADOS não tem como objeto a atividade de locação de imóveis; b) na nota de fim de página (*), o Auditor afirma que: “a Nota Fiscal se refere (...)”, sem, todavia, sujeitar os valores à adequada base de Fl. 562DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 563 6 cálculo do lucro arbitrado de oito por cento adicionada de vinte por cento; c) não considerou como efetivados no Lucro Presumido os pagamentos antecipados, para efeito de apuração do tributo e graduação da multa, como deveria fazêlo, com fundamento nos §§ 2° e 3º do art. 150, do CTN; d) lançou competências onde evidentemente decaiu o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário; 4.13. alguns dos fatos já narrados, além dos a seguir especificados, já denotam a nulidade do processo de fiscalização, tais como: o Sr. Auditor não deu início à Fiscalização, não ofertou prazo para esclarecimentos, e quando deu, o fez em patamar inferior ao da lei e de decreto; 4.14. assim, não houve a lavratura de Termo de Início de Ação Fiscal, porque o Sr. Auditor a todo momento estabeleceu que a fiscalização era contra o sócio, Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, e não contra a BARZAN ADVOGADOS; 4.15. não se inicia ação fiscal sem o oferecimento de prazo ao contribuinte para esclarecimentos, como dispõem o art. 844 do RIR/1999, e o art. 19 da Lei n° 3.470, de 28/11/1958; 4.16. mesmo para os documentos que servem de fundamento direto às declarações, o prazo para apresentação destes esclarecimentos é de vinte dias, na forma fixada no art. 835, § 3º, do RIR/1999; 4.17. a ausência de prazo para esclarecimentos demonstra que a sociedade BARZAN ADVOGADOS não se encontrava sob fiscalização, pois tanto a lei como o Regulamento do Imposto de Renda prescrevem este direito aos contribuintes, logo, como poderia a contribuinte cogitar que estava sendo fiscalizada se sequer lhe foi oferecido prazo para esclarecimentos? 4.18. para que não se tenha qualquer dúvida quanto ao fato de que não havia se iniciado a ação fiscal, e que, portanto, era terceira interessada, basta conferir a Descrição Sumária do MPF – Diligência, onde se encontra destacado como seu objetivo: “Proceder à coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte/responsável CARLOS RODRIGUES BARZAN, CPF/CNPJ n° 952.230.53915”; 4.19. impossível não se concluir que a fiscalização era sobre o seu sócio e não sobre a sociedade, pois o próprio Sr. Auditor admite que o Termo de Intimação Fiscal é de diligência, invocando, confusamente, a ausência de espontaneidade pelo início da ação fiscal no contribuinte CARLOS RODRIGUES BARZAN; 4.20. a intimação para diligência numa pessoa jurídica não é intimação para fiscalização, de acordo com a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Acórdão n° 20214.693, processo nº 13116.000024/2002 83 Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Turma Ordinária); 4.21. de acordo com os dizeres do Termo de Início de Fiscalização n° 281/2010, lavrado pelo Sr. Auditor contra a pessoa física do sócio, às fls. 41 (“Salientamos que a partir da ciência deste Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte em epígrafe estará sob procedimento fiscal, conforme o disposto no art. 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972”) vêse que, em nenhum dos termos de intimação fiscal lavrados contra a pessoa jurídica, n° 301/2011 (fls. 53) e n° 384/2011 (fls. 94), há alerta desta natureza; 4.22. em dois momentos do Termo de Verificação Fiscal o próprio Sr. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 564 7 Auditor, às fls. 03/06, admite que o Termo de Intimação Fiscal, datado de 14/06/2011, é de diligência (vide primeiro e segundo parágrafos); 4.23. evidente que a intimação de início de fiscalização na pessoa física do sócio não tem validade como início de fiscalização na pessoa jurídica, ainda mais quando o fiscal adentra seu estabelecimento solicitando, imediatamente, informações sem prazo para esclarecimentos, amparado em mandado de diligência, para obtenção de documentos a serem utilizados em fiscalização de pessoa diversa, e toma isto como Termo de Início de Ação Fiscal da Pessoa Jurídica, ocultando e dissimulando o seu evidente propósito que era o de fiscalizar a sociedade; 4.24. é deveras frágil a assertiva de que o Termo n° 301/2011 (fls. 53) possa fazer as vezes de Termo de Início de Ação Fiscal, pois, o prazo para apresentação de documentos e esclarecimentos foi imediato, isto é, ainda que não importando o termo, não se inicia ação fiscal não oferecendo nenhum prazo para o contribuinte apresentar documentos e ofertar esclarecimentos; 4.25. assim, a autoridade fiscalizadora atropelou os ditames regulamentares acerca da prestação de esclarecimentos pela contribuinte e, consequentemente, em relação à fiscalização; 4.26. reconhecer a validade do Termo n° 301/2011 (fls. 53) como início de ação fiscal, como propôs a Fiscalização, conduzirá infalivelmente à nulidade do mesmo, por ausência de abertura de prazo para esclarecimentos, de vez que não se começa a fiscalizar ninguém sem o oferecimento desse prazo; 4.27. não se sabe qual o fundamento normativo de que se valeu a Fiscalização para a exigência de apresentação de documentos e oferecimento de esclarecimentos neste inadequado prazo, senão que a resolução teve o notório propósito de impor complicação ao contribuinte, impossibilitandoo de esclarecer, em prejuízo das garantias da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, aplicáveis ao processo administrativo tributário, consagradas na Constituição Federal (CF, art. 5º, LV) e na legislação de regência (RIR/1999, art. 844, e art. 835, §3°); 4.28. em 15/09/2011, a contribuinte foi notificada de lançamentos que remontam a fatos geradores anteriores a 15/09/2006, abrangendo os decorrentes das Notas Fiscais nos 22, 24, 25, 26, 29, 28, 30, 32, 33, 34, as quais somam R$ 65.084,35; 4.29. o Sr. Auditor reconhece a idoneidade das notas fiscais e das antecipações de pagamento efetuadas, devendo ser observada a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que é uníssona no sentido de que: “A aplicação do arbitramento é medida extrema e só deve ser utilizada como último recurso, por ausência absoluta de outro elemento que tenha mais condições de aproximarse do valor real.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara Turma Ordinária Acórdão n° 10610.781); 4.30. o art. 150 do CTN, dispõe que, “não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito” (§ 2º); e “os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação” (§ 3º); 4.31. a parcela da base de cálculo do imposto de renda sujeita à retenção na fonte não pode integrar a base de cálculo do lucro arbitrado na proporção em que efetivada a antecipação, sujeita à tributação pelo lucro presumido; Fl. 564DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 565 8 4.32. neste caso, a antecipação é ato praticado pelo sujeito passivo ou por terceiro visando à extinção parcial do crédito tributário já na data de ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 2°), devendo essa parcela ser considerada na apuração do saldo porventura devido (CTN, art. 150, § 3°) e na imposição e graduação da penalidade (CTN, art. 150, § 3°); 4.33. no caso concreto, tanto a apuração da base de cálculo como a imposição e graduação da multa de ofício deveriam considerar a tributação pelo lucro presumido na proporção do ato de antecipação do pagamento, visando à extinção parcial do crédito tributário, com fundamento nos §§ 2° e 3º, do art. 150 do CTN; 4.34. assim, se 5,76% da receita é tributável e 1,5% destes foram antecipadamente oferecidos à tributação, logo, somente 4,26% do valor da receita bruta pode estar sujeito aos juros e à multa, ou seja, somente o lucro presumido atinente a este percentual de 4,26% da receita sofre o agravamento de 20% por cento pelo arbitramento; 4.35. a antecipação foi feita quando a empresa se encontrava no lucro presumido, sujeita à alíquota efetiva de 4,8%, do qual a retenção de 1,5% do valor da receita correspondia a 31,25%, ou seja, os 1,5% do valor da receita antecipados correspondem a 31,25% das receitas que agora não podem estar sujeitos ao lucro arbitrado, pois esta proporção é que deve ser deduzida; 4.36. portanto, 31,25% das receitas devem ser mantidas no lucro presumido, posto que o pagamento do imposto foi adiantado na ocasião em que vigente este regime de recolhimento para a contribuinte, e somente 68,25% das receitas, não amparadas por nenhuma antecipação, é que podem se sujeitar ao arbitramento de lucros; 4.37. devese segregar a base sujeita ao lucro presumido e a base sujeita ao lucro arbitrado, com a ressalva de que, 31,25% da base do imposto foi declarada e paga antes de qualquer ação fiscal; 4.38. uma vez que os atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, devem ser considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação (CTN, art. 150, §3° e 4º), o contribuinte não pode estar sujeito à penalidade de arbitramento e também de multa ofício agravada sobre a parcela da receita considerada para cálculo da antecipação do pagamento; 4.39. tomandose como exemplo o imposto de renda antecipado nas Notas Fiscais nºs 022 e 024 e computandose a receita de R$ 1.300,00, período de apuração 1º trimestre/2006 e vencimento em 28/04/2006, verificase que, ainda no mês do faturamento, ou seja, em fevereiro/2006, foram antecipados R$ 19,50 nas duas notas, que correspondiam a 31,25% do imposto devido no valor de R$ 62,40; 4.40. tratase de ato praticado pelo sujeito passivo ou, se preferir, por terceiro, visando a extinção parcial do crédito tributário sob a égide do lucro presumido; 4.41. a aplicação dos §§ 3º e 4º, do art. 150 do CTN, no caso concreto, é, por si só, axiomática, cumprindo assinalar, que outros dois dispositivos legais também convergem em definitivo para esta consequência: o art. 6º, § 6º, da Lei n° 8.021, de 12/04/1990 (“Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte”), e o art. 112, inciso IV, do CTN (“A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação”); Fl. 565DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 566 9 4.42. é indevida a aplicação da multa de ofício, visto que todos os valores foram oferecidos à tributação antes do inexistente início da ação fiscal contra a sociedade BARZAN ADVOGADOS, como pode ser verificado através dos extratos juntados pela própria Fiscalização ao processo em relação às DIPJ enviadas: [...]. 4.43. foram oferecidos à tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (Ficha 15) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Ficha 18A), as seguintes receitas: [...]. 4.44. da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, colhemos o entendimento de que a retificação da DIPJ antes do início do procedimento fiscal tem a virtude de afastar a aplicação da multa de ofício (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão n° 101 96.037/2007); 4.45. o fato de que a retificação foi efetuada após o início da ação fiscal no sócio da pessoa jurídica não afasta sua existência, validade e eficácia, sobretudo para o efeito de afastar a multa de mora, e, mais ainda, de afastar a multa qualificada; 4.46. o entendimento do Sr. Auditor de que o início da ação fiscal na pessoa física do sócio afastaria a validade da DIPJ da pessoa jurídica, equivale a rasgar noções básicas do direito civil e comercial; 4.47. o procedimento adotado pelo Sr. Auditor suscita, no mínimo, dúvidas quanto às circunstâncias materiais em que foi iniciada a fiscalização, sendo certo que esta condição indeterminada quanto ao termo de início da fiscalização não pode ser interpretada em desfavor da contribuinte, conforme prescreve o art. 112, inciso II, do CTN; 4.48. é cediço que somente o Termo de Início de Ação Fiscal devidamente lavrado contra a sociedade BARZAN ADVOGADOS afastaria a espontaneidade, o que não pode ser suprido pelo MPF Diligência, ainda mais quando este expressamente se fundamenta no âmbito de fiscalização do contribuinte sócio da empresa; 4.49. para a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nem mesmo o início de ação fiscal com respeito a outro tributo no mesmo contribuinte afasta a espontaneidade no oferecimento de declaração, o que serve de indicação de que a fiscalização do sócio não afasta a espontaneidade da empresa (Acórdão n° 1805 00.019/2009 e Acórdão n° 10196.229/2007) e nem tampouco o MPF afastaria a espontaneidade (Acórdão n° 40106.044/2008); 4.50. ainda que por absurdo, considerando apenas para argumentar, que a coleta de elementos para fiscalização do sócio na empresa teria o condão de afastar a espontaneidade desta, verificase, no caso concreto, que a espontaneidade foi reinstaurada, posto que o Termo de Ação Fiscal n° 301/2011 foi assinado pela sociedade BARZAN ADVOGADOS em 14/06/2011 e o Termo de Ação Fiscal n° 384/2011 foi postado apenas em 05/09/2011; 4.51. assim, foramse mais de dois meses em que a fiscalização nada remeteu ou contatou a sociedade BARZAN ADVOGADOS, que, deste modo, recobrou sua espontaneidade, conforme prescreve o art. 7º, § 2°, do Decreto n° 70.235/1972 e, nos termos da pacífica jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° 108 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 567 10 06.937/2002; Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° 20176.943/2003; Acórdão n° 10323.237/2007); 4.52. diante da impossibilidade de o contribuinte exibir seus livros fiscais à Fiscalização, fica vedado a esta agravar a multa de ofício com fundamento no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, sendo este entendimento pacífico no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° 10322.705/2006); 4.53. ainda mais que, no caso concreto, a contribuinte, de imediato, confessou a imprestabilidade de seus livros fiscais à Fiscalização, conforme registrou o próprio fiscal, às fls. 95, ao referenciar o documento de fls. 54 (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° 108 09.009/2006), em consonância ainda com o disposto no art. 112, inciso I, do CTN (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão n° 10516.680/2007); 4.54. neste sentido, ainda que considerada a omissão de receitas, as Notas Fiscais foram espontaneamente fornecidas pela contribuinte em sede de diligência (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° 101 96.620/2008); 4.55. deve ser salientado, que o lançamento foi todo efetuado com base no lucro arbitrado, portanto, com base em presunção legal, assim, nestas hipóteses, a pacífica jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem reiterado que a multa agravada deve ser afastada (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° 10808.512/2005); 4.56. o Auditor não fez a ligação entre o dispositivo legal e o fundamento da qualificação da multa em cento e cinquenta por cento, fazendo mera menção ao art. 44 da Lei n.° 9.430, de 27/12/1996, sem especificação do fundamento de direito, em afronta, pois, ao art. 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972; 4.57. a ausência do fundamento de direito que autoriza o procedimento de arbitramento determina a nulidade do lançamento em decorrência de vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972 (Segundo Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° 20601.517/2008); 4.58. o Auditor não tipificou a conduta da contribuinte, seja no art. 71, 72 ou 73, assim, a Fiscalização não tipificou qual seria a conduta agravante da contribuinte, se sonegação, fraude, ou conluio; 4.59. a hipótese dos autos resta claramente tipificada no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (multa de 75%), porquanto se trata de declaração inexata; 4.60. ainda que mediante esforço exegético se concluísse pela aplicação do § 1º do art. 44 (duplicação da multa), não houve a precisa tipificação da conduta da contribuinte, não sendo especificada a razão pela qual a apresentação da declaração inexata teria o intuito de fraude; 4.61. a mera omissão de rendimentos não conduz à existência do intuito de fraude, nos termos da Súmula CARF n° 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”); 4.62. neste sentido, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Primeiro Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° Fl. 567DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 568 11 10616.952/2008; Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão n° 10809.137/2006); 4.63. diante de todo o exposto, requer: a) em sede de diligência, a exibição de documento em poder da Receita Federal, com fundamento no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972; b) em sede de diligência, a exibição de documento em poder de terceiro, com fundamento no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972; c) a produção de prova documental inclusa, com fundamento no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972; d) a produção de prova documental superveniente, com fundamento nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; e) a produção de prova pericial, acaso restem dúvidas quanto a quem está exercendo o direito de usar, gozar e dispor do imóvel, mediante levantamento topográfico e econômicosocial, com fundamento no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972; f) em sede de diligência, a requisição às repartições públicas das certidões, informações de interesse e dos procedimentos administrativos necessários à prova das alegações, com fundamento no art. 1º da Lei nº 9.051, de 18/05/1995, art. 4º, da Lei nº 8.159, de 08/01/1991, e art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999; e g) seja a presente impugnação julgada totalmente procedente, com a declaração da nulidade do auto de infração e, consequentemente, a anulação do lançamento tributário, com fundamento no art. 145, inciso I, do CTN. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 474 a 476): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal não se caracteriza, se o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, lavrado por servidor competente, do qual a pessoa jurídica, ou seu preposto, toma ciência, sendo concedido prazo para apresentação de esclarecimentos/documentos a ambos os envolvidos nas infrações verificadas, mediante intimações realizadas no curso da ação fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A arguição de vício formal insanável não prospera, se a motivação em que se baseou o autor do procedimento para a aplicação da multa qualificada encontrase perfeitamente descrita no Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração, assim como o dispositivo legal aplicável à espécie, em decorrência das condutas da pessoa jurídica verificadas durante a ação fiscal. PRELIMINAR. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA E PRODUÇÃO DE PROVA. Considerase prescindível a realização de diligência e/ou perícia, se os documentos constantes dos autos são suficientes para o deslinde das pendências. Ademais, não se considera formulado o pedido de diligência/perícia que não atenda os requisitos do art. 16, inciso IV, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, mediante formulação de quesitos e indicação de perito, com as devidas justificativas. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL DE CONTAGEM DO PRAZO. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 569 12 A falta de pagamento de tributos e contribuições no anocalendário fiscalizado, conduz à aplicação da regra geral da decadência, que consiste na prorrogação do termo inicial de contagem do prazo quinquenal para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Consequentemente, os fatos geradores ocorridos no curso do anocalendário 2006 não se considera alcançados pelo instituto da decadência, se a ciência dos autos de infração deuse no decorrer do ano de 2011. ESPONTANEIDADE. RECUPERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A recuperação da espontaneidade da pessoa jurídica ocorre em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias. Entretanto, para assegurar a espontaneidade do sujeito passivo e considerar as transações efetuadas como se espontâneas fossem, mister se fazia o pagamento dos valores relativos à infração. Nesta hipótese, as DCTF retificadoras apresentadas pela pessoa jurídica após o início da ação fiscal não têm efeito de confissão de dívida, tornandose correta a imputação através do lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. CONCOMITÂNCIA COM O LUCRO PRESUMIDO. SOLICITAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O imposto e as contribuições devidos nos anoscalendário fiscalizados serão determinados com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a pessoa jurídica deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal. Inexiste previsão legal para tributação sob as formas de lucro presumido e arbitrado concomitantemente. LUCRO ARBITRADO. RECEITA DA LOCAÇÃO DE IMÓVEL. ALÍQUOTA. A locação de imóvel constitui atividade cuja receita sujeitase à alíquota de 32% (trinta e dois por cento), com o acréscimo de 20% (vinte por cento), nos termos da legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INCIDÊNCIA. A ausência de espontaneidade, em virtude da não ocorrência do pagamento dos tributos relativos à infração faz com que não sejam consideradas as declarações apresentadas pelo sujeito passivo, em substituição a DIPJ e DCTF “zeradas” e/ou não apresentadas, ensejando, na espécie a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PIS. COFINS. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Impugnação Improcedente Fl. 569DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 570 13 Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 07/10/2013 (fls. 517), a tempo, em 06/11/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 523 a 546, instruído com os documentos de fls. 547 a 551, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, por voto de qualidade, não foi provida a impugnação da contribuinte; b) que deve ser dada total razão aos julgadores infelizmente vencidos por voto de qualidade; e c) que nem a fiscalização, nem a instância a quo procederam ao reconhecimento das importâncias referentes às antecipações de pagamento efetuadas de IRRF, CSLL, Cofins e Pis. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 4. Consta de fls. 555 a seguinte petição: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Resolução nº 1803000.100 S1TE03 Fl. 571 14 5. Tendo em vista esse fato, voto no sentido de converter o presente processo em diligência, para que a autoridade local esclareça, mediante audiência ao sujeito passivo, se necessário: a) se a desistência do Recurso Voluntário, ora requerida, é realmente parcial ou total; e b) sendo parcial, qual a parte da exigência fiscal ainda objeto de litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10183.001042/2001-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - EXISTÊNCIA DE OMISSÃO - ACOLHIMENTO.
Verificada a decisão embargada continha omissão entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2801-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para esclarecer que o lançamento foi declarado nulo, por vicio formal, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Verificada a decisão embargada continha omissão entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para esclarecer que o lançamento foi declarado nulo, por vicio formal, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 10 42 /2 00 1- 18 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.001042/200118 Acórdão n.º 2801003.708 S2TE01 Fl. 361 2 Tratase de Embargos de Declaração (fls. 355/356 deste processo digital) opostos em face do Acórdão nº 280102.483 (fls. 159/167) que por unanimidade de votos, acolheu os embargos declaratórios, concedendolhe efeitos infringentes, para retificar o Acórdão nº 30333.604, de 18/10/2006, e por maioria de votos deu provimento ao recurso interposto pelo Recorrente, para declarar a nulidade do lançamento referente ao ITR/1996. Em suas razões a Embargante aponta, no acórdão hostilizado, o seguinte vício: OMISSÃO Alega que nulidade é termo equivoco e, desse modo, tornase necessária a especificação do seu sentido. Sustenta que é indispensável o esclarecimento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN. Ressalta que partindose da premissa de que houve nulidade, entende que se trata de nulidade por vicio formal, pois seu fulcro estaria centrado na formalização do lançamento, conforme inclusive reconhecido no julgamento, verbis: "Não havendo nos autos auto de infração, ou notificação de lançamento, formalizando o lançamento do credito tributário, não há como se exigir tal credito tributário; (...)" Aduz que fazse necessária, para que se espanquem tergiversações, a manifestação expressa dessa Colenda Câmara, de modo que fique expresso o tipo de vicio que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal). Conforme despacho de fls. 357/359, os embargos foram acolhidos para corrigir a omissão acima relatada. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. O Embargante aponta que houve omissão no acórdão recorrido, uma vez que o mesmo, ao declarar que houve nulidade do lançamento, omitiuse em determinar qual o tipo de vício existente, se material ou formal. De fato, o termo nulidade pode dar margem a mais de uma interpretação, fazendose necessário determinar de forma explícita seu sentido. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.001042/200118 Acórdão n.º 2801003.708 S2TE01 Fl. 362 3 Como bem afirma a União em seus embargos constantes das fls. 355 dos autos: É indispensável o esclarecimento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Sendo assim, necessário se faz que seja especificado o tipo de nulidade existente. Se proveniente de vício formal ou de vício material, para então, garantir que haja correta aplicação da legislação tributária no caso em tela. Pelos motivos acima elencados, vislumbro a existência de omissão no acórdão embargado. Desta feita, cabe esclarecer tratarse de nulidade decorrente de vício formal, tendo em vista que houve desrespeito à formalidade exigida para o aperfeiçoamento do lançamento em questão. Para Marcelo Caetano (in Manual de Direito Administrativo, 10ª edição, Tomo I, Lisboa), formalidade é todo o ato ou o fato, ainda que meramente ritualístico, exigido pela lei para tornar segura a formação ou a expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva. Neste sentido, o vício formal pode ser entendido como a desobediência à formalidade que cerca a prática do ato. Abrange, então, as formalidades essenciais à validade do ato. Desta feita, no caso de carecer de uma formalidade, o ato poderá ser invalidado pelo chamado vício de forma. Segundo De Plácido e Silva (in Processo administrativo fiscal, Saraiva).: "Vício de Forma. É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica", e ainda: "Formalidade Derivado de forma (do latim formalitas), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativas da maneira por que o ato deve ser formado". Ainda neste sentido leciona Marcelo Caetano (in Manual de direito administrativo. 10ed., Lisboa): "O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal". Concluise através destes excertos doutrinários que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.001042/200118 Acórdão n.º 2801003.708 S2TE01 Fl. 363 4 No caso em comento, houve desobediência à formalidade imprescindível para o aperfeiçoamento do lançamento do crédito tributário, qual seja a ausência nos autos do processo administrativo de auto de infração, ou notificação de lançamento, os quais são elementos indispensáveis para a exigência do crédito tributário, conforme artigo 9, do Decreto n°70.235/72: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Por estas razões, necessário reconhecer que o vício que deu causa à nulidade do presente processo administrativo foi de natureza formal. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por acolher os embargos de declaração para esclarecer que o lançamento foi declarado nulo, por vicio formal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001141/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993, 1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PLEITEADO ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. MAIS DE 10 ANOS DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO.
Ao pedido de restituição/compensação pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91)
Numero da decisão: 2201-002.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRACISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993, 1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PLEITEADO ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. MAIS DE 10 ANOS DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO. Ao pedido de restituição/compensação pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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PLEITEADO ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. MAIS DE 10 ANOS DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO. Ao pedido de restituição/compensação pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 11 41 /2 00 5- 21 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 Relatório Este processo trata de pedido de compensação de tributos para extinguir obrigações de Cofins (Código 2172), referente ao período de apuração 10/2004 e vencido em 12 de novembro de 2004, no valor de R$ 546,67 (fl. 1), com pagamentos informados como a maior no código 0924, IRRF – Demais rendimento de capital. A Declaração de Compensação foi apresentada pelo contribuinte em 26 de abril de 2005 e apresenta como pagamento a maior (fls. 2 a 8) os valores de R$ 23,70, R$ 25,11, R$ 0,01, R$ 0,01, R$ 0,01, R$ 17,26 e R$ 630,60, todos no Código 0588, supostamente recolhidos, respectivamente, em 14 de janeiro, 15 de fevereiro, 15 de abril, 15 de junho, 15 de julho e 12 de novembro, de 1993 e 14 de janeiro de 1994. Vale salientar que não consta nos autos qualquer Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), ou de comprovação destes pagamentos. A Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, por meio do Parecer Seort nº 747/09, de 26 de abril de 2005 (fls. 19 a 21) decidiu não homologar a compensação sob o argumento de que, por ter sido protocolado em 26 de abril de 2005, o pedido estaria fulminado pela decadência com relação aos DARFs utilizados, todos recolhidos, no mínimo, cinco anos antes. O sujeito passivo, não conformado com a decisão, interpôs manifestação de inconformidade tempestiva, a fim de sustentar, em síntese, que: (i) não dispondo de informações suficientes a liquidar o valor do crédito passível de repetição, foi impelido a impetrar habeas data contra o Sr. Delegado da Receita Federal em Nova Iguaçu, a fim de conseguilas; (ii) até que obtivesse a liminar requerida no writ em questão, não lhe era possível formular a declaração de compensação ou equivalente pedido de restituição; (iii) nas hipóteses em que a existência ou o montante do crédito é objeto de lide judicial, o prazo para a iniciação do processo administrativo apenas principia com o trânsito em julgado da sentença que reconhece o direito; e, finalmente, (iv) como a liminar que lhe franqueou acesso às informações indispensáveis ao pedido somente foi deferida em dezembro de 2003, nesta data é que principiou a contagem do prazo decadencial para a repetição do indébito. Os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, por meio do Acórdão nº 1229.833 (fls. 53 a 56), de 13 de abril de 2010, por unanimidade, votaram em não dar provimento à manifestação de inconformidade da interessada, mantendose o que foi decidido pela DRF/Nova IguaçuRJ. Cientificado em 6 de julho de 2010 (fl. 58), a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 30 de julho (fls. 59 a 62), cujos fundamentos, da mesma forma, remontam àqueles já aduzidos na impugnação. O processo foi distribuído à Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cujo colegiado, por meio do Acórdão 3403.00.852, declinou da competência, por força das disposições regimentais, haja vista os supostos pagamentos a maior se referirem a Imposto de Renda Retidos na Fonte. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10735.001141/200521 Acórdão n.º 2201002.464 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Os autos tratam de Pedido de Compensação apresentado pelo contribuinte em 26 de abril de 2005, no qual pretende compensar os recolhimentos de IRRF (Código 0588), indevidos ou a maior com a COFINS. Em relação a essa matéria, observase que Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932SP, submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118, de 2005, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, limitado a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. E, de acordo com o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal enfrentando o tema decidiu no Recurso Extraordinário nº 566.621 (04/08/2011) que seria válida a aplicação do prazo de cinco anos somente às ações ajuizadas depois do decurso da “vacatio legis” de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No âmbito do CARF, a Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou súmula sobre a matéria, estendendo a interpretação aos pedidos de restituição pleiteados administrativamente, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Ressaltase que o alegado crédito não é decorrente de decisão judicial ou administrativa e que a ação judicial deferida em dezembro de 2003 em nada interfere na contagem do prazo decadencial. Dito isso, passamos a analisar o presente caso. A declaração de compensação foi apresentada pelo contribuinte em 26 de abril de 2005, com o objetivo de compensar imposto de renda retido na fonte (código 0924) supostamente recolhidos entre 14 de janeiro de 1993 a 14 de janeiro de 1994. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 Entretanto, na data do pedido administrativo de compensação já havia se passado mais de 10 anos da data de recolhimento, não restando qualquer hipótese de aproveitamento para sua compensação. Assim sendo, voto em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 16707.002623/2007-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.
PRÊMIO CONSORCIO. REMUNERAÇÃO.
Pagamentos de prêmio pago de acordo com a quantidade de contratos de contrato celebrados pelo empregado, aumentando sua remuneração diretamente à sua produtividade de seu trabalho, tem claro enquadramento como fato gerador e base de cálculo das contribuições previdenciárias, na forma do art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, por enquadrar-se como remuneração pelos serviços prestados com vínculo empregatício.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para que: a) Cancelar os créditos lançados com base nas competências anteriores a 11/2001, inclusive esta e a competência 13/2001, em razão da decadência prevista no art. 173, I, do CTN. b) A aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedando-se comparações conjuntas com o art. 35-A da Lei 8.212/1991, nas redações da MP n. 449/2008 e Lei n. 11.941/2009.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN. PRÊMIO CONSORCIO. REMUNERAÇÃO. Pagamentos de prêmio pago de acordo com a quantidade de contratos de contrato celebrados pelo empregado, aumentando sua remuneração diretamente à sua produtividade de seu trabalho, tem claro enquadramento como fato gerador e base de cálculo das contribuições previdenciárias, na forma do art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, por enquadrarse como remuneração pelos serviços prestados com vínculo empregatício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 26 23 /2 00 7- 84 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.002623/200784 Acórdão n.º 2803003.454 S2TE03 Fl. 96 2 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para que: a) Cancelar os créditos lançados com base nas competências anteriores a 11/2001, inclusive esta e a competência 13/2001, em razão da decadência prevista no art. 173, I, do CTN. b) A aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedandose comparações conjuntas com o art. 35A da Lei 8.212/1991, nas redações da MP n. 449/2008 e Lei n. 11.941/2009. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.002623/200784 Acórdão n.º 2803003.454 S2TE03 Fl. 97 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ(fls. do processo digital), que manteve o crédito tributário oriunda da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, § 5o, da Lei n. 8.2121991, por ter deixado de informar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias referente às competências 05/1999, 07/1999 e 09/1999 a 12/2006. Consta, ainda, no relatório fiscal, que, nas competências em destaque, o valor das remunerações não declaradas em GFIP foi apurado no confronto dos valores pagos a título de prêmio pago em representação pelos segurados em nome da recorrente, incluídos nas folhas de pagamento, mas ausentes das GFIP. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos: ocorrência de prescrição e decadência, ilegitimidade da auditoria, descumprimento do MPF, não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de prêmio, inconstitucionalidade das multas aplicadas. Os autos foram remetidos à 2ª Turma Ordinária desta Câmara, quando convertido em diligência pra complementação das cópias digitais dos autos, mas por o relator anterior não mais ocupar a função de julgador, foi redistribuído à presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.002623/200784 Acórdão n.º 2803003.454 S2TE03 Fl. 98 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto à alegação de inconformidade do Mandado de Procedimento Fiscal, o que geraria nulidade do lançamento, não merece acolhimento. O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativogerencial. Tanto que o MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência do Auto de Infração que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário. Ademais, é entendimento de ampla maioria dos julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, seguindo a orientação dos antigos Conselhos de Contribuintes, de que o Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativogerencial, que não afeta o lançamento de ofício. Isso porque o lançamento de ofício é o ato administrativo vinculado para constituição do crédito tributário, baseado na competência do agente, objeto/conteúdo, forma, finalidade e motivo, conforme determinado pela lei tributária de natureza ordinária, que não pode ser afastado por ato infralegal, que não lhe atribui tais efeitos. Tudo isso em observância ao artigos 100, 142, 145 e 149 do CTN. (Precedente: Acórdão n. 20219.208, de 03.06.2008, 2º CC/MF). III – Quanto à competência da auditoria que lavrou o lançamento, também deve ser rejeitada a preliminar, pois a competência da fiscalização está disposta no art. 33, §1º, da Lei n. 8212/1991, c/c Lei n. 10593/2002, independentemente da formação acadêmica específica do agente, bastando ser concursado com curso superior, conforme os dispositivos acima. IV – Pedese permissão à turma para inverter a ordem dos argumentos do recurso, para facilitar seu entendimento. Em que pese as alegações da parte, está parcialmente correto o Auto de Infração e a decisão recorrida em razão da época do lançamento. A obrigação de informar em GFIP todas as informações referentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, está prevista no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Ou seja, o pagamento das contribuições previdenciárias, não exime da informação correta dos fatos geradores, e da necessidade de sua correção. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.002623/200784 Acórdão n.º 2803003.454 S2TE03 Fl. 99 5 O indicado “prêmio” pago aos colaboradores, não tem natureza indenizatória, nem de utilidade direta à empresa, tem natureza remuneratória clara. Fato reforçado pela própria fundamentação fática da defesa: O "prêmio" repassado aos empregados , refere se à parte do valor pago pelo consorciado nos seus 6 (seis ) primeiros meses, repassando a empresa parte de seu resultado econômico , a qual, remete aos seus empregados , o pagamento de um "prêmio", calculado com base em percentagem do contrato celebrado coro o consorciado. Ou seja, tratase de comissão pela produtividade, não prevista como distribuição ou participação de lucros e resultados, nem alguma das causas de nãoincidência ou isenção como enumeradas pelo art. 28, §9º, da Lei n. 8.212/1991. No caso, o indicado prêmio será sempre pago de acordo com a quantidade de contratos de contrato celebrados pelo empregado, aumentando sua remuneração diretamente à sua produtividade de seu trabalho. Assim, é claro o enquadramento como fato gerador e base de cálculo das contribuições previdenciárias, na forma do art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, por enquadrarse como remuneração pelos serviços prestados com vínculo empregatício. A tentativa de indicar que tratase de pagamento direto do contratante ao empregado, não merece acolhida, pois, primeiro, as contraprestações contratuais são pagas à recorrente e pagas em forma de prêmio de produção, segundo, pode ser considerado comissão ou gorjeta, que recebem o mesmo tratamento como remuneração. Assim, por ser considerado fato gerador, deve ser informado em GFIP. IV Quanto à alegação de aplicação da decadência e prescrição, tecese os seguintes fundamentos. Inicialmente, o auto de infração foi entregue ao contribuinte em 04.06.2007. Primeiro, o presente caso trata de decadência, e não prescrição, pois esta apenas passa a existir quando há a constituição definitiva do crédito tributário (174, do CTN), o que ainda não ocorreu. Segundo, quanto à aplicação da decadência na forma do art. 150, §4o, do CTN, devese construir o seguinte posicionamento. Por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória) o lançamento de crédito tributário é realizado de ofício, em especial nos casos de declarações não prestadas, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Essa é inclusive a orientação Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.002623/200784 Acórdão n.º 2803003.454 S2TE03 Fl. 100 6 jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 240100.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida, mas não é. Assim, consoante a regra retro citada, se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive esta e a competência Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.002623/200784 Acórdão n.º 2803003.454 S2TE03 Fl. 101 7 13/2001. Considerando que a entrega da GFIP 12/2001 se dá em janeiro de 2002, esta competência não se encontra atingida pela decadência. Observandose que o lançamento fundamentase nas competências 05/1999, 07/1999 e 09/1999 a 12/2006, e que a ciência do mesmo ocorreu em 04.06.2007, todos os créditos lançados com base nas competências anteriores a 11/2001, inclusive esta e a competência 13/2001, estão extintos em razão da ocorrência do lapso decandecial. Logo, neste ponto, não deve ser acolhido o Recurso Voluntário. V Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da legalidade, vedação ao confisco, equidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. VI – Todavia, ao contrário do colocado pela decisão recorrida e fundamentação do recurso voluntário, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.002623/200784 Acórdão n.º 2803003.454 S2TE03 Fl. 102 8 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.002623/200784 Acórdão n.º 2803003.454 S2TE03 Fl. 103 9 pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Conclusão VII Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para que: a) Cancelar os créditos lançados com base nas competências anteriores a 11/2001, inclusive esta e a competência 13/2001, em razão da decadência prevista no art. 173, I, do CTN. b) A aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedandose comparações conjuntas com o art. 35A da Lei 8.212/1991, nas redações da MP n. 449/2008 e Lei n. 11.941/2009. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10880.678167/2009-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 81 67 /2 00 9- 12 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 26 de agosto de 2011, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI), em julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa, transmitida eletronicamente pela empresa SÁFILO DO BRASIL LTDA, com o propósito de compensar débito propósito de compensar débito com suposto crédito de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior que teria em 11/11/205. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 1, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Tomando ciência da decisão, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade, na qual tece os seguintes argumentos: a) Salienta de início que a interposição do recurso em apreço suspende de imediato a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b) Alega que, em virtude de inclusão indevida de IPI relativo às vendas realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, recolheu essas contribuições em valores substancialmente superiores ao que seria devido, sendo notório que tal imposto não faz parte de sua base de cálculo; c) Afirma que, ao se aperceber do erro, efetuou um levantamento do referido indébito, apurando créditos no de (PIS) e de (COFINS), os quais passou a compensar por meio de vários PER/DCOMP transmitidos em datas diversas; d) No entanto – prossegue – devido a falha administrativa interna, deixou de retificar e retransmitir eletronicamente, por meio do sítio da RFB, as DCTF e os DACON relativos a esse período – o que levou a Fazenda Federal, ante a Fl. 214DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 14 4 impossibilidade de reconhecer os pagamentos a maior, a não homologar as compensações realizadas; e) Acrescenta que, desejando regularizar tal pendência, transmitiu as DCTF e os DACON retificadores; f) Passando a tratar especificamente do processo em exame, descreve com minúcias a natureza e o valor do débito e do crédito compensados na DCOMP objeto do despacho decisório impugnado e observa estar à disposição das autoridades fiscais “toda a documentação comprobatória relativa aos recolhimentos e compensações efetuadas”; g) Assevera que o crédito utilizado na DCOMP realmente existe e deve ser reconhecido, citando em seguida dois acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas tratam de erro material no preenchimento de DCTF e mencionam o princípio da verdade material; h) Concluindo, requer a reforma do despacho decisório e apresenta, na última folha da impugnação, uma lista de documentos que traz aos autos. É o relatório” A DRJ de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ai sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante com fito de reduzir tributo – mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar – só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 15 5 DCOMP. SUSPENSÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66) Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando do contraditório e da ampla defesa, alega aplicabilidade da verdade material e a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificados, nem transmitidos no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 23/11/2009, ou seja, cerca de um mês após o despacho que indeferiu a homologação do pedido de compensação, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Conforme o disposto nos §§ 1, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, é necessário para que os efeitos da retificadora sejam plenos a apresentação de prova inequívoca da ocorrência de erro. Colacionase os referidos dispositivos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas Fl. 217DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 17 7 Hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCT retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe desses saldo; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal §3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos faltos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas rações recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de São Paulo I/SP: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 218DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 18 8 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado,então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Apesar de não haver qualquer consideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678167/200912 Acórdão n.º 3801004.097 S3TE01 Fl. 20 10 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10950.902528/2010-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, juliano Eduardo Llirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 25 28 /2 01 0- 10 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, juliano Eduardo Llirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade, apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio de Per/Dcomp nos termos do despacho decisório 887103484 emitido pela DRF em Maringá/PR. Segundo o despacho decisório, do qual o contribuinte foi cientificado, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado já se encontrava integralmente utilizado, vinculado ao processo administrativo n. 13951.000331/200131. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte, após breve relato dos fatos, suscitou a título de premissas as seguintes questões: (i) a LC nº 70/91, por ser materialmente lei ordinária, poderia ter sido alterada e até revogada pela Lei 7.718/98; (ii) A LC nº 70/91 foi legitimamente revogada (por incompatibilidade) pela Lei 9.718/98; (iii) como a Lei nº 9.718/98 era vigente (sentido amplo) e eficaz desde a sua publicação, foi nessa data que ocorreu a revogação da LC 70/91; (iv) A Lei nº 9.718/98 não foi recepcionada pelo artigo 195, I, da CF, pela redação dada pela EC 20/98; e, (v) apesar da Lei 9.718/98 ter sido recepcionada pela Constituição (EC 20/98), não fica restabelecida a LC 70/91 anteriormente revogada. Consubstanciada em tais premissas a Manifestante observou que a havendo a LC nº 70/91 sido revogada legitimamente pela Lei nº 9.718/98, na data de sua publicação, bem assim que esta lei não foi recepcionada pela EC nº 20/98, atualmente não existe norma válida impondo a exigência da COFINS, seja sobre o faturamento, seja sobre a totalidade das receitas, para concluir pela inconstitucionalidade das modificações de base de cálculo. Ademais disso aduziu a contribuinte que a Lei nº 9.718/98 ao tentar fazer incidir a contribuição sobre a totalidade das receitas, mesmo com as exclusões de que trata o § 2º do art. 3º, acabou por alargar o conceito de faturamento para receitas que extrapolam aquelas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Postulou ao final pela reforma da decisão proferida pela DRF Maringá PR, para homologação integral da compensação pleiteada, e para determinação: a) da suspensão dos valores compensados na presente DComp até que haja o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente processo de crédito de nº 109*50.904867/200905, ao qual se encontra vinculada a presente compensação, por força do previsto no art. 48, § 3º, I, da IN SRF nº 600/05 e § 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/08, bem como do art. 151, III, do CTN; b) que a autoridade administrativa se abstenha de emitir auto de infração e de exigir a aplicação de multa moratória, seja o percentual limitado a 20% legais, seja superior a este; e c) não seja Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10950.902528/201010 Acórdão n.º 3803005.037 S3TE03 Fl. 7 3 aplicada multa isolada punitiva, tendo em vista que o crédito tributário ainda se encontra sob análise do processo de compensação, tendo em vista as implicações que dela possam advir. A decisão da DRJ/CTA, em seu acórdão de n. 0640.389, de 29 de fevereiro de 2012 assim julgou: Assunto: Normas da Administração Tributária Período de Apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O Julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a aplicar a legislação vigente, restando, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. A DRJ também se manifestou quanto aos demais pedidos: Quanto ao efeito suspensivo da manifestação apresentada, são oportunas as seguintes considerações. Segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as declarações de compensação constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados (§ 6º). Essas declarações, acaso não homologadas, são passíveis, em relação à decisão denegatória, de apresentação de manifestação de inconformidade, que, a propósito, deve obedecer ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, e se enquadra no disposto no inc. III do art. 151 do CTN, relativamente ao objeto da compensação. Assim, à vista da legislação de regência, uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, a exigência do “débito objeto da compensação” encontrasse temporariamente suspensa, cabendo à DRF competente observar os efeitos pertinentes. Quanto ao pedido para que não seja lavrado auto de infração para exigir multa (moratória ou isolada punitiva), tratase de questão que vai além do litígio presente nos autos e que, portanto, não pode ser apreciada no presente âmbito. No que tange à alegação de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins pela Lei nº 9.718, de 1998, também não há como analisála no âmbito administrativo. Com efeito, por conta do caráter vinculado da atividade administrativa, considerações sobre a inconstitucionalidade de dispositivos legais não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando, portanto, margem a conjecturas atinentes a juízos de valor. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nesse contexto, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte usou os mesmos argumentos usados em sua Manifestação de Inconformidade, qual seja: A inconstitucionalidade a Lei 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A matéria devolvida para apreciação por esta Corte resumese à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, pois tal premissa serviu como pressuposto ensejador do recolhimento realizado a maior ou indevido pela contribuinte, eis que do aludido alargamento resultaram créditos que foram utilizados em pedido de compensação, com débitos próprios, bem assim à comprovação de liquidez e certeza do crédito tributário alegado pelo sujeito passivo. O alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins foi matéria analisada em definitivo no âmbito do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral para a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, dentre os precedentes destacase aquele cuja ementa transcrevese adiante: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10950.902528/201010 Acórdão n.º 3803005.037 S3TE03 Fl. 8 5 Por sua vez a Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, introduziu nova redação ao artigo 62 e 62A do RICARF/2009, notadamente ao parágrafo único e inciso I, respectivamente, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. (Grifei). Inferese do texto acima transcrito que a decisão do STF é vinculativa para os órgãos judicantes integrantes do CARF, portanto devendo ser reproduzida pelos seus conselheiros, ex vi da orientação normativa contida no RICARF/09. Os efeitos jurídicos decorrentes dessa decisão também trouxeram implicações em relação ao conceito de faturamento instituído pela LC nº 70/91, que houvera sido alterado com o advento da Lei nº 9.718/98, notadamente no que pertine ao alargamento da base de cálculo, ou seja, a referida decisão devolveu o entendimento dado à definição de faturamento àquele já consagrado pelo artigo 2º do DL nº 70/91, que compreende tão somente o ingresso de receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou da combinação de ambos. A este entendimento me filio em observância ao disposto nos artigos 62 e 62 A do RICARF/09, ao contido nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, e no art. 79, XII, da Lei nº 11.941/09. De outra parte, há o tema acerca da não homologação do Per/DComp por meio de despacho decisório eletrônico, que compreende a insuficiência de saldo credor para solver os débitos informados na aludida DComp, sendo certo que a este respeito esteve silente a Recorrente, tanto por ocasião da manifestação de inconformidade aviada, quanto no recurso voluntário interposto, inclusive não constando dos autos os elementos de prova que deveriam consubstanciar os argumentos probantes da liquidez, certeza e exigibilidade do crédito vindicado, o que deveria ocorrer sob à égide do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (ressalvadas as hipóteses previstas no seu § 4º), eis que cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, haja vista que tal procedimento é de iniciativa exclusivamente sua. Em contrapartida cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Com estas observações, em face do disposto no princípio da verdade material, oriento o meu voto pelo desprovimento do recurso, por não restar demonstrada a existência do crédito alegado. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19740.900404/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório O presente processo trata de pedido de compensação (PER/Dcomp) n° 20672.4021.191208.1.3.042012, onde a Recorrente informa a existência de crédito no valor de R$43.649,14, decorrente suposto pagamento indevido ou a maior do PIS, a compensar com débitos do mesmo tributo, relativo a novembro de 2008. Para tentar elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Tratase de litígio administrativo, instaurado com a manifestação de inconformidade apresentada por SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE SOCIEDADE ANÔNIMA (fls 09 12) contra o despacho decisório proferido pelo titular da unidade da RFB competente em relação ao sujeito passivo, não homologando o pedido de compensação (fl.04). O PERDCOMP n° 20672.4021.191208.1.3.042012 foi transmitido em 19122008. Com o PERDCOMP, o sujeito passivo tenciona compensar suposto crédito havido em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .9 00 40 4/ 20 09 -1 4 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900404/200914 Resolução nº 3202000.250 S3C2T2 Fl. 243 2 função de pagamento a maior de PIS, no valor original inicial de R$ 43.649,14 (fl. 01 verso) com débito de PIS relativo a novembro de 2008 no valor principal de R$ 50.676,65 A decisão de não homologar o PERDCOMP n° 20672.4021.191208.1.3.042012 tem por fundamento que "foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP" (fl. 04). Inconformado com a decisão citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese (fls. 0912): Objetivando extinguir por compensação débito referente a PIS relativo ao período de apuração de novembro de 2008, compensouo com crédito de sua titularidade, no valor original de R$ 43.649,14 , conforme declaração de compensação (PER/DCOMP) transmitida eletronicamente. Ao examinar a citada declaração de compensação, o servidor entendeu que o DARF havia sido integralmente alocado ao próprio débito a que se referia, nada restando que pudesse ser objeto de restituição ou de compensação. Em 24092003, impetrou mandado de segurança contra a cobrança daquela contribuição prevista nos arts. 2o , 3 o e 17 da Lei 9.718/98, tendo depositado em contas a ele vinculada os valores em discussão. Conforme atesta a DCTF retificadora apresentada (fls. 59/60), em 27052009, antes da prolação do despacho decisório impugnado, o valor devido a título de PIS em junho de 2007 totalizara R$ 418.784,77 , dos quais: i) R$ 47.086,40, estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao mandado de segurança citado e; ii) Os restantes R$ 371.698,37 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 415.347,51. Resta certo, portanto, que no DARF de R$ 415.347,51, está incluída a contribuição para a quantia de R$ 43.649,14, recolhida indevidamente, passível de ser utilizada para compensação com débitos da titularidade da requerente. Para reforçar seu direito ao citado crédito, a requerente anexa demonstrativo do profissional responsável pelas suas escriturações contábil e fiscal, contendo a base de cálculo da contribuição para a PIS apurada em junho de 2007, cópia de seu livro razão demonstrando a reversão de provisão e o lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da contribuição decorrente dessa reversão, bem como parte do balancete espelhando o saldo das contas relacionadas. Pede, por fim, que seja reformado o despacho decisório, reconhecendose seu direito creditório. É o relatório. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II proferiu o Acórdão nº 1334.379, em 16 de abril de 2011 (e fls nº 122/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900404/200914 Resolução nº 3202000.250 S3C2T2 Fl. 244 3 Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada cientificada do Acórdão em 03/02/2012 (efl. 239), interpôs Recurso Voluntário em 05/03/2012 (efls. 146/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, além de solicitar a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Compulsandose os autos verificase a existência de questões fáticas que precisam ser esclarecidas. O pedido de compensação efetuado pelo contribuinte foi denegado pela autoridade fiscal em face de “inexistência de crédito”, conforme Despacho Decisório eletrônico, emitido em 07/10/2009 pela DEINF Rio de Janeiro (efl. 7). Em seu recurso o contribuinte afirma ter apresentado DCTF retificadora (em 27/05/2009) antes da prolação do despacho decisório e alega, em síntese, que “o valor devido a título de PIS em junho de 2007 totalizara R$ 418.784,77, dos quais (i) R$ 47.086,40, estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao Mandado de Segurança nº 2003.61.000270753 e, (ii) os restantes R$ 371.698,37 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 415.649,14, tornandose, portanto, R$ 43.950,77 valor recolhido indevidamente passível de restituição/compensação”. Muito embora o contribuinte tenha retificado a DCTF antes da ciência do despacho decisório, a decisão da DRJRio de Janeiro foi proferida no sentido de que o contribuinte não havia comprovado o seu direito à restituição/compensação. Entendo que deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à DEINF Rio de Janeiro em diligência, para que a fiscalização analise os documentos anexados aos autos pela Recorrente, intimandoa para prestar outras informações ou apresentar documentos que julgar necessários, com vistas a esclarecer se os valores informados na DCTF retificadora podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte, de modo a comprovar a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900404/200914 Resolução nº 3202000.250 S3C2T2 Fl. 245 4 Ao término da diligência, a fiscalização deverá elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados e documentos apresentados. Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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