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Numero do processo: 13784.720208/2016-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 72 02 08 /2 01 6- 96 Fl. 96DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2014, anocalendário de 2013, por meio do qual foi constatado que se apurou a dedução indevida de despesas de instrução (R$ 3.230,46), despesas médicas (R$ 1.871,84), e de pensão alimentícia, no valor de R$ 30.761,88. A fiscalização argumenta que o contribuinte não apresentou escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, fixando o valor da pensão alimentícia. Em relação às outras despesas, não teria apresentado comprovantes de pagamento. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o fez o preenchimento correto e anexou os documentos no sentido de comprovar o direito às deduções glosadas. A DRJ Salvador, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que foram comprovadas as despesas com instrução e despesas médicas (apenas um pequeno valor de despesa médica foi mantida a glosa, e não mais questionada pelo contribuinte). No que se refere à pensão alimentícia, sustenta a Delegacia que o impugnante não traz sentença, acordo homologado judicialmente ou escritura pública determinando o pagamento da pensão alimentícia. Traz apenas cópia de solicitação de desarquivamento da ação judicial. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte todos os documentos judiciais aptos a sanar quaisquer dúvida de sua obrigação em pagar a pensão. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária na dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2013. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13784.720208/201696 Acórdão n.º 2001000.482 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Observese, portanto, que o contribuinte somente tem o direito de deduzir na declaração de ajuste anual o valor de pensão alimentícia pago em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Tendo em vista que em sede de Recurso Voluntário foram apresentados cópia da sentença, e comprovantes de pagamento da pensão a sua ex esposa, dentre outros diversos documentos, entendo que foram cumpridos os requisitos legais exigidos para a aceitação da dedução de despesas desta natureza. Diante do exposto, concluise pela aceitação da dedução com despesas referentes à pensão alimentícia CONCLUSÃO: Fl. 98DF CARF MF 4 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, acatando a dedução de despesas com pensão alimentícia . (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940312/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 31 2/ 20 11 -8 6 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940312/201186 Resolução nº 3301000.674 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940312/201186 Resolução nº 3301000.674 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940312/201186 Resolução nº 3301000.674 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722759/2009-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros.
Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03.
Numero da decisão: 9303-006.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 59 /2 00 9- 67 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 3 2 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3402002.437, de 19 de agosto 2014 (efolhas 208 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 5 4 COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção ela SELIC. Recurso parcialmente provido. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 229 segs) diz respeito ao conceito válido do vernáculo insumo empregado pelo legislador nas normas que regulamentam o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e à incidência de correção monetária e/ou juros moratórios sobre o valor dos créditos apurados. Requer a manutenção das glosas revertidas pela decisão recorrida em relação (i) às despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica; (ii) às despesas com fretes e armazenagem. Também, (iii) que seja afastada a aplicação da Taxa SELIC sobre os créditos a serem ressarcidos. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 253 segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Antes de mais nada, no caso do presente litígio, pareceme prudente identificar com clareza qual a matéria recorrida. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 6 5 O excerto que segue, extraído do voto condutor da decisão a quo, esclarece quais glosas foram revertidas em relação aos dispêndios com o transporte da mercadoria até a empresa. Os demais serviços arrolados foram empregados em reparos e manutenções das próprias “tubovias”, o que, a meu sentir, até poderiam gerar o direito ao desconto de créditos, mas através de depreciação, mas, para tanto, deverseia comprovar se seria o caso de serem levados ao ativo permanente e posteriormente depreciados, o que, a toda evidência, prescindiria de prova relativa ao tempo de vida útil que referidos dispêndios agregariam ao ativo sobre os quais foram empregados. Tratandose de pedido de ressarcimento, referida prova assistiria à Recorrente, e, a míngua do cumprimento de tal ônus, não é possível aferir o direito ao crédito em questão. Desta forma, merece ser parcialmente afastada a glosa, apenas sobre os dispêndios com a rubrica produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA. Em relação ao tópico Armazenagem e Fretes na Operação de Venda do acórdão recorrido, decidiuse, conforme ementa correspondente, que Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Além desses, o recorrido admitiu a aplicação da Taxa Selic/correção monetária sobre o valor do ressarcimento pleiteado. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 7 6 considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Feito o necessário intróito acerca da matéria controvertida nos autos, releva destacar que, no vertente litígio, ainda que a divergência a respeito do conceito válido de insumos permeie toda a discussão travada nos autos e seja o principal fundamento da decisão ora contraditada, pareceme que a questão nuclear que se apresenta pouco tem a ver com esse assunto. Tal como espero, isso ficará claro na análise de cada um dos dois tópicos nos quais são identificadas as glosas revertidas em segunda instância de julgamento. Passo a eles. 1 Dispêndios com o transporte do insumo até a fábrica por Tubovia As notas fiscais carreadas aos autos (efolhas 46 segs) identificam a mercadoria importada pela empresa para fabricação de adubos e fertilizantes como ácido sulfúrico e ácido fosfórico. A efetiva aplicação dessas mercadorias no processo produtivo da recorrente para obtenção do produto final é matéria incontroversa nos autos. Com efeito, o que se discute, desde o início, é a agregação de determinados gastos ao custo de aquisição desses insumos, assunto que, concessa venia, como já antecipei, passa ao largo da discussão acerca da abrangência do conceito de insumos na aplicação da legislação das contribuições1. O gasto que a empresa considerou passível de ser agregado ao custo do insumo empregado em seu processo produtivo está identificado na decisão recorrida, tal como já foi explicitado no preâmbulo do vertente acórdão, como transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Na Informação Fiscal, efolhas 04 e segs, a Fiscalização Federal fundamenta a decisão de glosar os créditos correspondentes a esses gastos.. II.2 Cálculo indevido de crédito com Bens e Serviços Utilizados como insumos 1 Releva destacar que, embora isso, o recurso deve ser admitido, pois, a despeito da precisão na abordagem feita pelo recorrido, a amplitude do conceito de insumo foi, inegavelmente, fundamento da decisão tomada, como demonstra a exaustiva abordagem do assunto encontrada no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 8 7 6. O contribuinte foi intimado (fls.72/73) a apresentar alguns documentos classificados como código CFOP 1.949 e 2.949 que foram incluídos na base de cálculo dos créditos apresentados em meio magnético. Na análise desses documentos restou comprovado que o contribuinte incluiu despesas com bens e serviços a título de Insumos que não são assim considerados. Para serem considerados como insumos os serviços consumidos tem que ser utilizados na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que serão vendidos, conforme artigo 3 o da Lei 10.833/2003 e IN 404/2004. (...) Os serviços não aceitos estão no quadro abaixo, bem como uma descrição sumária dos serviços prestados fornecida pelo contribuinte. Cópias dos documentos entregues encontramse às fls. 176/195. Ainda na Informação, o dispêndio que deu origem à glosa revertida pela instância a quo, está descrito na tabela à efolhas 7 (no texto acima, "quadro abaixo"), nos seguintes termos. Fornecedor: Macra Adm E Serviços Sc Ltda Aplicação dos serviços: Produto descarregado no porto transportado até a fábrica por TUBOVIA. Tratase, portanto, de um gasto com serviços realizados pela empresa Macra Adm e Serviços Ltda vinculados ao transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa. O Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, especifica quais gastos estão compreendidos no custo de aquisição de estoques. Segue o texto. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 9 8 produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. A regra não destoa da legislação do Imposto de Renda. Observese (Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto). Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Ou seja, não é difícil perceber que o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está, sem dúvida, compreendido no custo de aquisição desses insumos. Levandose em conta os critérios contábeis aceitos e a própria legislação tributária aplicável, tomando por base as informações disponíveis nos autos, não vejo razão para que esse dispêndio, com o pagamento de serviços prestados por terceiros para o transporte até a fábrica, por Tubovia, de insumos importados e efetivamente empregados no processo produtivo da indústria, seja desconsiderado para efeito de apuração do custo de aquisição desses insumos. Assim, uma vez que essa instância recursal tenha por competência dirimir dúvidas acerca da correta interpretação da legislação tributária, entendo que a decisão deve ser Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 10 9 pelo reconhecimento do direito à agregação de gastos da natureza dos que aqui se trata ao custo final de aquisição dos insumos empregados no processo produtivo da empresa. Isto posto, necessário, contudo, destacar uma questão que parece ter passado à margem da decisão recorrida. Conforme a própria recorrente já afirmava em sede de manifestação de inconformidade (efolhas 23 e segs), o produto importado é contemplado por benefício fiscal que reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Observese.. Na qualidade de empresa produtora, importadora, comercializadora e exportadora de adubos e fertilizantes, a Requerente usufrui o benefício fiscal da alíquota zero das citadas contribuições na importação e também, sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno dos citados produtos, conforme estabelece o art. 1º o da Lei n. 10.925/2004, in verbis1: Observe que esta foi uma das razões do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme excerto abaixo transcrito do voto da DRJ: (...) Além disso, como os insumos são adquiridos à alíquota zero (art.l" da Lei 10.925/2004), mesmo que fossem adquiridos no mercado interno, não poderiam ter direito de crédito sobre bens e serviços agregados ao custo de aquisição ao custo da matériaprima. Isto porque se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e insumos que se agregam a matériaprima, como o frete ou seguro, pois a natureza da tributação incidente sobre o principal (insumos) não pode ser descaracterizada por elementos secundários que se agregam ao principal. (...) Ora, como é de sabença, os insumos que não são onerados pelas Contribuições não dão direito ao crédito no sistema de apuração não cumulativo instituído pelas Leis 10.833/03 e 10.637/022. 2 Art.3º § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 11 10 Como pretendo ter deixado claro até aqui, o que se debate nos autos não é se os gastos com transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa tratase ou não de um insumo aplicado no processo produtivo de fabricação de adubos e fertilizantes, mas se esses dispêndios podem ser agregados ao custo de aquisição do ácido sulfúrico e do ácido fosfórico (e outros quaisquer que sejam pelo mesmo meio de transporte conduzidos), esses, sim, insumos utilizados na fabricação do produto final. Como se viu, a priori, com base nas informações disponíveis, podem, contudo, no caso concreto, essa decisão, de cunho eminentemente jurídico, não tem qualquer repercussão na solução da lide, pois os valores correspondentes terminam por ser acrescidos ao custo de um insumo que não dá direito ao crédito. 2 Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A teor da decisão recorrida, a glosa diz respeito aos créditos decorrentes de gastos com (i) serviços de emissão de notas fiscais de armazenagem e de importação; (ii) serviço de medição de equipamentos armazéns portuários; (iii) serviços de transporte de produto a granel de inflável – diárias e (iv) serviços de carregamento no Porto de Rio Grande. Inicialmente, cumpre destacar que os gastos de que ora se trata, acima descritos tal qual descrevera a própria empresa em sua contabilidade, representam uma gama de serviços que não parecem estar relacionados única e exclusivamente com as operações de venda, como sugere o título utilizado no acórdão recorrido para este tópico. Conforme Informação Fiscal, a razão pela qual a Fiscalização Federal não reconheceu o direito de crédito para esses gastos foi a seguinte. Na análise dos valores apurados pelo contribuinte a título de Fretes e Armazenagem nas Operações de Vendas em conjunto com explicações apresentadas (fls.68/71, 127/128), que correspondem aos valores da linha 7 dos Dacon, foi constatado que alguns não são efetivamente de frete ou armazenagem nas operações de venda, conforme o disposto no art.3° da Lei 10.833/2003. II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 12 11 (...) 5. Os valores não aceitos são os das rubricas contábeis 1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a movimentações em armazéns portuários, serviços de emissão de notas fiscais e serviços de transporte dentro das dependências da empresa ou de armazenagem temporária de matérias primas, conforme quadro demonstrativo abaixo e as cópias dos documentos entregues pelo contribuinte a fls.129/175. Por seu turno, o acórdão recorrido decidiu pela reversão da glosa, em síntese, sob o seguinte fundamento. Analisando referida descrição, temse que a glosa não procede com relação aos itens “b”, “c” e “d”, acima listados, [ (ii), (iii) e iv neste voto] pois que efetivamente tratam de transportes de produtos acabados destinados a exportação (ou de transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo), ou ainda, pertinentes aos serviços de armazenagem como no caso de medição dos equipamentos dentro dos armazéns o que é inerente a própria armazenagem, e, finalmente, a parte final do transporte e armazenagem, que é o carregamento do produto para embarque de exportação. Visivelmente, duas razões bem distintas motivaram a reversão da glosa. A primeira, diz respeito, agora sim, ao conceito de insumos na legislação das Contribuições. A segunda, referese à possibilidade de apropriação de créditos nos gastos com o transporte do produto acabado ou gastos pertinentes à armazenagem e transporte desse. Como se vê, tratamse de matérias bem distintas. Quanto a elas, de plano, cabe esclarecer que inexiste qualquer previsão legal que conceda direito à apropriação de créditos para gastos genéricos com a armazenagem e o transporte do produto acabado, apenas para os gastos com frete e armazenagem na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 13 12 Já em relação aos gastos associados ao "transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo", o que se percebe a mais absoluta falta de clareza sobre a natureza desses gastos e a ausência de qualquer evidência de sua necessária segregação contábil. Muito pelo contrário, ao que parece, todos os dispêndios foram misturados uns com os outros, tanto que terminaram por ser reunidos em um único tópico, como se fossem todos iguais ou muito semelhantes. Como se viu, não são. São gastos distintos, cujas alegações destinadas ao reconhecimento do direito ao crédito estão fundamentadas em pressupostos igualmente distintos. É verdade que, de lado a lado, há parcas informações na identificação desses gastos; contudo, uma vez que nos processos de reconhecimento de direito de crédito o ônus da prova recaia sobre quem o alega, ou seja, sobre o administrado, os fundamentos e provas que justificariam a reversão da glosa determinada pelo Fisco haveriam de ser encontradas no contraditório. À luz desse pressuposto, buscase no recurso voluntário apresentado pela então recorrente a defesa e a comprovação de seu direito à apropriação de créditos em relação a esses gastos. O excerto que segue retrata com inteireza os fundamentos nos quais baseouse o pedido (efolhas 155 e segs). Visando apresentar uma melhor compreensão sobre a importância desses serviços na atividade produtiva da Recorrente, imperioso esclarecer que tais custos são indispensáveis à sua atividade produtiva, vale dizer: sem a utilização de tais serviços, não seria possível à Recorrente produzir os bens comercializados que geram as receitas tributadas para o fins do PIS e da COFINS. A toda evidência, essa não é uma motivação que possa ser acolhida por este Colegiado. A jurisprudência predominante deste Conselho, à qual esse Relator se filia, consagra o entendimento de que somente os insumos empregados no processo produtivo e os demais gastos relacionados no art 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02 dão direito ao crédito. Uma vez que o contribuinte não tenha demonstrado que os gastos que deram origem aos créditos glosados pelo Fisco enquadramse em quaisquer das duas hipóteses Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 14 13 previstas no inciso IX do art. 3º3 e tampouco que foram gastos com o transporte da mercadoria até a fábrica, a glosa deve ser mantida. 3 Correção Monetária e Incidência de Juros de Mora Finalmente, a empresa não tem melhor sorte em relação à possibilidade de que o valor objeto do pedido de ressarcimento sofra qualquer tipo de correção monetária ou que sobre ele incida a Taxa de Juros Selic. Há vedação expressa em Lei que obsta a atualização dos créditos do contribuinte apurados no sistema não cumulativo. Observese. Lei 10.833/03 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) E não será demais lembrar que as decisões tomadas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, não alcançam a matéria ora litigada. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. 3 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11080.722759/200967 Acórdão n.º 9303006.869 CSRFT3 Fl. 15 14 As decisões que autorizaram a correção dos créditos escriturais do IPI e do crédito presumido das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins são aplicáveis exclusivamente às lides nas quais algum desses assuntos esteja sendo controvertido, o que, por óbvio, não é o caso dos autos. Voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 277DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.003869/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo antecipação do pagamento, o termo inicial do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I).
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62, §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 (Novo Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária.
Numero da decisão: 2202-004.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento, por considerarem decaído o lançamento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo antecipação do pagamento, o termo inicial do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62, §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 (Novo Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 38 69 /2 00 6- 41 Fl. 166DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento, por considerarem decaído o lançamento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0814.816, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FortalezaCE (DRJ/FOR), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/FOR: Contra o contribuinte, identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/07, para formalização e cobrança do crédito tributário, referente ao anocalendário 2001, no valor de R$ 564.187,82, incluídos multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 04/05, foi: omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONCILIADOS, anexo a este auto. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse discriminados às fls. 04/05 e 07 do citado Auto de Infração. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10320.003869/200641 Acórdão n.º 2202004.610 S2C2T2 Fl. 167 3 Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 09/01/2007, fls. 24, o contribuinte apresentou impugnação, em 07/02/2007, fls. 43, a seguir transcrita: I OS FATOS _ Informamos que os valores levados na declaração ano 2001/2002 foram indevidos por faltas de informações corretas do meu contador, assim originados débitos acima dos valores informados, comprovados através de depósitos bancários, sendo esses para outras transações sem fins lucrativos. II O DIREITO Comunicamos ainda que não consideramos os valores encontrados por esta conceituada fiscalização como valores tributáveis, por se tratarem de origens oriundas expostas acima mencionadas. III A CONCLUSÃO A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser concedido, cancelandose o débito fiscal reclamado. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/FOR, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. O recorrente foi cientificado do Acórdão da DRJ/FOR em 03/04/2009. Inconformado com a decisão, postou Recurso Voluntário em 14/04/2009 (efls. 142/159), cujos argumentos resumiu em seus pedidos, nos seguintes trechos: 4.1 Ex positis, requer que os Doutos Conselheiros recebam o Recurso Voluntário, processandoo, na forma legal, por ser tempestivo e cabível; para após julgar pelo seu PROVIMENTO, se dignando a reconhecer o fenômeno da decadência em 01/01/2007 do crédito tributário de IRPF Imposto de Renda Pessoa Física, ano 2001, com a aplicação da regra do art. 173,1 Fl. 168DF CARF MF 4 e 156, V, ambos, do CTN; e conseqüentemente declarando a extinção do referido crédito tributário. 4.2 Apenas ad argumentandum, caso Vossas Senhorias assim não entendam, requer que recebam o Recurso Voluntário, processandoo, na forma legal, por ser tempestivo e cabível; para após julgar pelo seu PROVIMENTO, se dignando a reconhecer que é ilegítima a conduta do Fiscal na lavratura do Auto de Infração que tem como fundamentação única e somente a presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável; e por conseqüente declare improcedente a referida lavratura do Auto de Infração e nula a constituição do crédito tributário dele decorrente, por ausência de demonstração de existência de fato gerador do IRPF. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar Decadência Em relação à decadência dos tributos lançados por homologação, há que se observar a decisão do STJ, no sentido Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4o, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rei Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008; AgRg Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10320.003869/200641 Acórdão n.º 2202004.610 S2C2T2 Fl. 168 5 nos EREsp 216.758/SP, Rei. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rei Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ28.02.2005). 2. E que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10aed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., MaxLimonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão acima transcrita deve ser reproduzida pelos conselheiros do CARF, conforme alínea "b" do inciso II do § 1º art. 62 do Anexo II de seu Regimento Interno: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 170DF CARF MF 6 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF n° 152. de 2016) O recorrente alega decadência do lançamento, nos termos do art. 173, inciso I, e art. 156, V, ambos do CTN, nos seguintes termos: 3.6 Em face do IRPF, ano 2001, não ter sido declarado nem pago; a Autoridade Fiscal teria 5 anos, a partir de 1º/01/2002, isto é, até 1º/01/2007, para verificar ou não o pagamento antecipado do contribuinte ou não E notificar o contribuinte do lançamento do Auto de Infração. (Grifei) Como se vê, em relação à decadência, não há controvérsia quanto ao dispositivo legal a ser aplicado ao caso. O contribuinte, entende que quando não há pagamento antecipado, a decadência conta do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN). Entretanto, a defesa se enganou na contagem desse prazo, pois para o ano calendário de 2001, o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro, e o lançamento poderia ser efetuado em 2002. Portanto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é 01/01/2003, e o termo final é 31/12/2007. Como a ciência se deu em 09/01/2007 afastada está a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. Mérito O recorrente alega ser o lançamento ilegítimo, por ter como único fundamento a presunção legal de que os depósitos bancários constituem renda tributável. Não assiste razão à defesa. Há que se observar que o art. 42 da Lei nº 9.430/96, atribuiu ao contribuinte o ônus da prova, a fim de afastar a presunção legal da omissão de rendimentos sobre os depósitos bancários cuja origem não seja comprovada. Como se observa das peças impugnatória e recursal, o recorrente faz alegações genéricas, sem apresentar qualquer documento que comprove a origem dos depósitos bancários; apenas alegou não ser cabível lançamento por presunção. Entretanto, como bem delineado pelo acórdão recorrido, tal lançamento está chancelado por Lei, e porque não seria outro meu posicionamento transcrevo os fundamentos do acórdão recorrido adotandoos como razões de decidir: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10320.003869/200641 Acórdão n.º 2202004.610 S2C2T2 Fl. 169 7 Importa ressaltar que a partir da vigência da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, nào comprove a origem dos recursos utilizados Assim disciplina o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996: [...] Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Deveria a defesa ter superado a questão da presunção legal, e, em sede de recurso, apresentado a documentação comprobatória da origem dos depósitos bancários, fato que não fez, atraindo para si as consequências de sua inércia. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito da União, consolidase administrativamente a matéria que não tenha sido expressamente contestada, operandose em relação a ela a preclusão processual: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em consequência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 172DF CARF MF 8 Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002183/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Numero da decisão: 3302-005.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 83 /2 00 9- 76 Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10925.002183/200976 Acórdão n.º 3302005.703 S3C3T2 Fl. 1.760 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 3302003.148. Os embargos foram acolhidos, parcialmente, para sanar a omissão quanto ao crédito na aquisição de produtos de limpeza e conservação e a contradição e inexatidão material quanto aos serviços utilizados como insumos de que trata o item 6.a do acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O primeiro ponto referese à omissão de julgamento quanto à glosa sobre a aquisição de produtos de conservação e limpeza no valor de R$ 211.297,05. Conforme decisão da DRJ e informação fiscal de efls. 1568, a glosa sobre a aquisição de produtos de conservação e limpeza no valor de R$ 211.297,05 foi mantida pela decisão de primeira instância e foi objeto do recurso voluntário no item 6.3, efls. 1220 e, de fato, não foi apreciado no acórdão embargado. Neste ponto, a recorrente defendeu que se tratam de produtos de conservação e limpeza de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, essenciais à atividade da recorrente de produção de derivados do leite, atividade esta regulamentada nos aspectos sanitários. Apresentou planilha discriminando os produtos como soda líquida, ácido nítrico, soda cáustica, e outros, na limpeza de carretas, silos e tanques, para esterilizar embalagens, como desincrustante de máquinas de iogurte, como detergentes lubrificantes para esteiras da produção de leite UHT, e como limpeza dos equipamentos de produção. Este ponto foi analisado no processo nº 10925.001517/200722, de outro período de ressarcimento do mesmo contribuinte, cujo julgamento resultou no Acórdão nº 3302003.097. As considerações ali desenvolvidas são transcritas abaixo. Os relatórios de comprovantes de avaliação de rótulos do Serviço de Inspeção Federal SIF do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento MAPA indicam a exigência do referido órgão quanto aos controles de higiene operacional, como higiene externa de caminhões e interna de tanques, devendo, portanto, ser considerados bens inerentes ao processo produtivo, conforme decisão proferida pelo STJ no REsp 1.246.317, na qual entendeuse pela possibilidade de creditamento no caso de limpeza em indústria de gêneros alimentícios sujeita a rígidas normas da vigilância sanitária: Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10925.002183/200976 Acórdão n.º 3302005.703 S3C3T2 Fl. 1.761 3 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. [...] 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido Assim, deve ser reconhecido o creditamento sobre aquisição de produtos de conservação e limpeza no valor de R$ 211.297,05. O segundo ponto alegado se referiu à divergência entre a redação do voto relativo ao item 6.a e a tabela de glosas mantidas, bem como à contradição entre o fundamento do voto, afastando a alegação feita pela fiscalização de que as despesas de manutenção, ampliação e reformas deveriam ser imobilizadas por aumentar a vida útil do bem ocm fundamento no artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999, sem contudo provar que tais despesas Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10925.002183/200976 Acórdão n.º 3302005.703 S3C3T2 Fl. 1.762 4 provocavam tal aumento, com a manutenção de glosas de despesas por pertencerem ao ativo imobilizado. De fato, revisando as glosas listadas na efls. 1639 do acórdão embargado, verificase que os serviços MONTAGEM MEC. TUBULAÇÕES EQUIP 9.800,00, SERVIÇO INSTALAÇÃO EQUIP ELÉTRICO 1.917, 44, SERV. INST. POÇO ARTESIANO 500,00, MONTAGEM MEC. TUBULAÇÕES EQUIP 4.200,00, SERVIÇO INSTA. ELÉTRICA 4x3.860,11 correspondem a "serviços de manutenção de equipamentos da indústria", segundo a planilha inserta no Parecer fiscal, efls. 1578, devendo gerar créditos como despesas de manutenção do parque industrial, por não haver prova de que tais despesas resultassem em aumento de vida útil dos bens a que se referiram. Porém, em relação ao LOCAÇÃO +MOBRA GUINDASTE PE ERGUER TA, SERVIÇO GUINCHO P/ COLOCAR TANQUE e TRANSP E COLOCAÇÃO DE SILO, a descrição constante da planilha corresponde a "serviço de locação de mãode guindaste para instalação de tanques de armazenagem de leite", ou seja, é custo do serviço de instalação de tanque de armazenagem e não corresponde a despesas de manutenção, reparos ou conservação de bens e instalações. Tais custos de instalação de bens devem ser reconhecidos como ativo imobilizado. O Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC nº 27, ao tratar do ativo imobilizado, assim dispôs sobre a mensuração de um ativo imobilizado: "Elementos do custo 16. O custo de um item do ativo imobilizado compreende: (a) seu preço de aquisição, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos; (b) quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração; (c) a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. Tais custos representam a obrigação em que a entidade incorre quando o item é adquirido ou como consequência de usálo durante determinado período para finalidades diferentes da produção de estoque durante esse período. 17. Exemplos de custos diretamente atribuíveis são: (a) custos de benefícios aos empregados (tal como definidos no Pronunciamento Técnico CPC 33 – Benefícios a Empregados) decorrentes diretamente da construção ou aquisição de item do ativo imobilizado; (b) custos de preparação do local; (c) custos de frete e de manuseio (para recebimento e instalação); Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10925.002183/200976 Acórdão n.º 3302005.703 S3C3T2 Fl. 1.763 5 (d) custos de instalação e montagem; (e) custos com testes para verificar se o ativo está funcionando corretamente, após dedução das receitas líquidas provenientes da venda de qualquer item produzido enquanto se coloca o ativo nesse local e condição (tais como amostras produzidas quando se testa o equipamento); e (f) honorários profissionais. Assim, a estas despesas não se aplica o artigo 346 do Decreto nº 3.000/99, pois são custos de instalação de equipamentos e não despesas de manutenção ou conservação. Portanto, mantémse a glosa relativos a estes três itens. No caso, o voto relativo ao item 6.a passa a ser o seguinte: "Dentre os serviços relacionados no item 6.a, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas a serviços de manutenção na ETE e serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, pois que se referem a dispêndios anteriores ou posteriores à produção, bem como locação de guindaste para instalação de equipamentos, que pertencem ao ativo permanente, nos termos do CPC nº 27, sendo sujeitos à depreciação e não apropriados créditos como insumos. Dada a ausência de informação detalhada sobre estas instalações, a fim de se determinar a taxa de acordo com a IN SRF nº 162/1998 e a falta de demonstração do valor a ser depreciado pela própria recorrente, não há como deferir o creditamento por depreciação. As tabelas abaixo discriminam tais glosas: DESCRIÇÃO DO SERVIÇO VALOR R$ ARMAZENAGEM RESÍDUO INDUSTRIAL 1.085,00 REFORMA CÂMARA ESTOCAGEM 4.000,00 SERVIÇO TRATAMENTO EFLUENTES 425,00 SERVIÇO TRATAMENTO EFLUENTES 438,00 MANUT. CAMARAS FRIAS E SEUS ACESSÓRIOS 48.000,00 ARMAZENAGEM RESÍDUO INDUSTRIAL 655,00 TOTAL SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS 54.603,00 ATIVO PERMANENTE VALOR R$ LOCAÇÃO +MOBRA GUINDASTE PE ERGUER TA 1.820,00 SERVIÇO GUINCHO P/ COLOCAR TANQUE 1.660,00 TRANSP E COLOCAÇÃO DE SILO 35.850,00 TOTAL ATIVO PERMANENTE 39.330,00 TOTAL DE GLOSA 93.933,00 Assim, do total de R$ 506.763,49, devem ser admitidos créditos sobre R$ 412.830,49. Concernente ao item 6.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais e demissionais e de transporte de funcionários que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 33.261,85. Relativamente ao item 6.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa de R$ 19.342,27. Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10925.002183/200976 Acórdão n.º 3302005.703 S3C3T2 Fl. 1.764 6 Portanto, quanto ao item 6 serviços utilizados como insumos é admissível o creditamento sobre R$ 412.830,49." Após os ajustes decorrentes destes embargos, parcialmente acolhidos, o dispositivo do julgamento do recurso voluntário passa a ser o seguinte: "Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório a ser apurado sobre aquisições de embalagens de R$ 1.540.782,66, sobre aquisições de material de reposição de R$ 507.413,82, sobre aquisições de combustíveis e lubrificantes de R$ 34.869,88, sobre amônia de R$ 1.577,00, sobre aquisições de outros insumos de R$ 31.186,00, sobre aquisição de produtos de conservação e limpeza no valor de R$ 211.297,05, sobre aquisições de serviços como insumos de R$ 412.830,49, sobre aquisições de fretes de R$ 4.493.600,64 e encargos de depreciação de R$ 53.409,34, todos valores referentes a base de cálculo." Diante do exposto, voto para acolher parcialmente os embargos opostos, para retificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1764DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18184.000049/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 49 /2 00 8- 82 Fl. 5042DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso de ofício, interposto em face da decisão de fls. 5014/5029, a qual julgou improcedente o lançamento do débito, lavrado em 27/12/2006, relativo ao período de 01/11/2006 a 30/11/2006. De acordo com o relatório da decisão recorrida, que adoto, assim restou descrita a infração: 1. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (DEBCAD n° 37.013.7140) referente às contribuições sociais da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos ("Terceiros"), incidentes sobre a remuneração da mãodeobra de construção civil de responsabilidade da Notificada, matrícula n° 43.490.03544/72, no valor de R$ 2.196.936,91 (Dois milhões, cento e noventa e seis mil, novecentos e trinta e seis reais e noventa e um centavos) consolidado em 27/12/2006 sendo que, na mesma data, ocorreu a ciência do contribuinte, na pessoa de seu contador, fls. 05. 1.1. Num apontamento preliminar necessário, anotase que o presente processo, ora digital, foi iniciado em papel e assim numerado, sendo certo que após sua digitalização a numeração sofreu alterações, razão da eventual divergência nas referências dos documentos, ficando ressalvado que as folhas ora indicadas correspondem as da numeração atual, digital. 1.2. O procedimento fiscal teve início em 18/10/2006, com a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF dada ao contribuinte e se desenvolveu com várias intimações para apresentação de livros e documentos, culminando no lançamento realizado por aferição indireta, com base no CUB, motivado pela apresentação deficiente de informações/documentos e sem preencher formalidades legais conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 55/83. 1.3. Conforme os documentos acostados (Alvará e Certificado de Conclusão) a obra em questão, matrícula n° 43.490.03544/72, teve início em 25/09/2002 e término em 08/04/2006, sendo que a Autoridade Fiscal entendeu pela existência de indícios de provável continuidade da obra, como Notas Fiscais relacionadas diretamente com a construção, conforme cópias juntadas ao processo por amostragem, motivando a indicação para averiguação em ação fiscal especifica de provável acréscimo na referida obra e a necessidade de abertura de matricula CEI de oficio para eventual regularização fiscal de área construída excedente àquela declarada na Declaração e Informação sobre Obra — DISO, apresentada pelo contribuinte na Secretaria da Receita Previdenciária em 12/04/2006. 1.4. Além da não apresentação de documentos, o AuditorFiscal registrou que a empresa deixou de esclarecer algumas questões Fl. 5043DF CARF MF Processo nº 18184.000049/200882 Acórdão n.º 2201004.554 S2C2T1 Fl. 5.039 3 e de prestar informações quanto à discriminação das contas específicas envolvidas na contabilização dos custos da obra; não apresentou os registros contábeis, lançados mensalmente, em títulos próprios e em contas individualizadas; no caso das retenções, não apresentou a escrituração contábil específica para a obra objeto da matrícula nem o demonstrativo dos valores das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços referentes à obra. 1.5. Destacado no Relatório Fiscal que a motivação do lançamento por aferição indireta da base de cálculo decorreu da apresentação deficiente dos documentos e informações consoante previsto na legislação previdenciária, especialmente o § 3° do art. 33 da Lei 8.212/91; o art. 233 do Decreto n° 3.048/99 e o art. 473, V da Instrução Normativa/ SRP n° 03/2005, além dos arts. 596 e 597 que tratam das situações que ensejam a utilização do procedimento de aferição indireta. 1.6. Também ressaltado que a empresa não escriturou os lançamentos contábeis em centros de custo distintos para cada obra, conforme previsto na IN/SRP n° 03/2005 (arts. 60 e 419) e que foi considerada apresentação deficiente do (DISO) em razão de considerar que Notas Fiscais foram indevidamente incluídas enquanto que outras, em tese, que deveriam ter sido incluídas não o foram, além da não ter sido apresentado o contrato firmado entre o fornecedor, Cimento Tupi S/A e a empresa fiscalizada, juntamente com a relação das Notas Fiscais em meio magnético. Ainda, constou do Relatório que foi constatado, por amostragem, que não foi demonstrada a relação inequívoca entre os prestadores de serviços apresentados pela fiscalizada e a obra, além do rol ter sido entregue de forma inadequada, sem observar a ordem cronológica e estar acompanhada das correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos com destaque da retenção e respectiva GFIP. 1.7. Constou do Relatório Fiscal os elementos considerados para a elaboração de novo Aviso para Regularização de Obra ARO que, em suma, conduziram à seguinte conclusão do Auditor Fiscal: "A área regularizada, no total de 2.047,63 metros quadrados apurada de acordo com os arts. 446 a 448 da IN/SRP/03, foi deduzida da área construída, ficando uma diferença de área a regularizar no total de 28.145,97 metros quadrados, a qual foi dividida pela área de cálculo de 30.193,60 metros quadrados, que corresponde à área total submetida à aplicação dos redutores previstos no art. 449, conforme demonstrado acima. O resultado desta divisão foi multiplicado pela RMT, definida no art. 443, calculada com base no CUB vigente na data do cálculo, 30.11.2006, obtendose, assim, a remuneração relativa à área a regularizar, no montante de R$ 4.557.204,05, em relação a qual estão sendo exigidas as contribuições sociais previdenciárias e as destinadas a outras entidades ou fundos, observado o disposto no art. 452 ". Fl. 5044DF CARF MF 4 1.8. Merece destaque que no Relatório Fiscal também foi informada a legislação de regência e o Auto de Infração lavrado pela inobservância de obrigação acessória prevista na Lei n° 8.212/91 (quanto às informações em GFIP) e os documentos integrantes do processo. 1.9. O processo foi instruído pela Autoridade Fiscal com os documentos de fls. 84/531, referenciados no Relatório Fiscal, destacandose: Memorial de Incorporação relativo à obra; arquivos (SEFIP Relação de Tomadora/Obra; resumos de informação); algumas páginas do diário auxiliar; Notas Fiscais, Declaração e Informação sobre Obra DISO; Relação de Notas Fiscais e de Prestadores de Serviço; Aviso para Regularização de ObraARO. O contribuinte foi notificado e apresentou impugnação. Da Impugnação A Recorrida apresentou sua Impugnação de fls 543/565 acompanhada de documentos de fls. 566/4141, alegando, em suma, os seguintes aspectos: 2.1. Inicialmente discorre sobre a atividade que desenvolve e relata o lançamento realizado, ora combatido, resultado do procedimento fiscal a que foi submetida. 2.2. Afirma a imprescindibilidade de conexão entre os processos administrativos lavrados na mesma ação fiscal esta NFLD Debcad n° 37.013.7140 e os Autos de Infração Debcad n° 37.013.7159, 37.013.7167, 37.013.7175 e 37.013.7183, pois dependem dos mesmos elementos de provas e de sua produção, do que conclui que a apreciação deve ser conjunta, inclusive para evitar divergência entre decisões. 2.3. Alega ilegalidade da aferição indireta para o presente caso porque entende que foi autuada, em suma, por suposto não atendimento às solicitações da fiscalização para apresentação de documentos à fiscalização, em desconsideração aos valores contábeis apresentados pela impugnante e também pela não apreciação de todos os documentos comprobatórios dos recolhimentos por ela efetuados. 2.4. Assevera que sua contabilidade cumpre todos os requisitos necessários, além de refletir, fielmente, todas as movimentações financeiras. 2.5. Em contrariedade ao que está no Relatório Fiscal, assegura que "atendeu prontamente, aos pedidos da Fiscalização, disponibilizando toda a documentação solicitada e cumprindo, portanto, todos os Termos de Intimação recebidos (documento 2)" 2.6. Apesar da mencionada disponibilização durante o procedimento fiscal (destacase o Termo de Intimação com anotações do AuditorFiscal, fls. 595/7) apresenta mais uma vez, junto com a impugnação, "todos os documentos descritos no Fl. 5045DF CARF MF Processo nº 18184.000049/200882 Acórdão n.º 2201004.554 S2C2T1 Fl. 5.040 5 relatório da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, com vistas a comprovar a sua perfeita e exata regularidade fiscal e contábil', fls.566/4.141. 2.7. Assim, pretende evidenciar que a aferição indireta foi desnecessária e ilegal, que desconsiderou a documentação idônea, regular e eficiente e, com apoio no princípio da verdade material, sustenta que deve ser verificada a documentação apresentada a qual será hábil para comprovar a regularidade fiscal e contábil, o recolhimento das contribuições sociais em exame e que deverá culminar com o cancelamento da Notificação. 2.8. Ademais, pretende a relevação da multa em função do principio da boafé. 2.9. Articula no sentido de que a multa possui um perfil punitivo e, excepcionalmente, cunho indenizatório e, assim, considerando que cumpriu suas obrigações tributárias de forma diligente, não deve ser punida e espera que a multa não seja mantida. 2.10. Em seu pedido requer, por fim, deferimento de diligência para verificação de todos os documentos tanto daqueles acostados como dos demais existentes a fim de comprovar suas alegações e requer, ainda, diante das razões apresentadas, seja considerada insubsistente a Notificação e, assim, cancelada. Diligências O processo foi convertido em diligência, conforme restou muito bem explicado na decisão proferida pela DRJ, que adoto integralmente: 3. A conclusão da análise de todo o acostado ao processo foi no sentido de necessidade de manifestação da Fiscalização, tendo em vista que o lançamento foi realizado por aferição indireta, com fundamento na apresentação deficiente dos documentos e informações, bem como pelo não preenchimento das formalidades legais, enquanto que a documentação juntada pela empresa mostrouse potencialmente indicativa a modificar os lançamentos, razão da necessária avaliação fiscal, em busca da verdade material. 3.1. Nos termos do Despacho datado de 04/04/2007, fls. 4145/4149 o então Serviço de Contencioso Administrativo determinou que fosse apreciada a documentação apresentada quando da impugnação, bem como outros documentos colocados à disposição da Fiscalização conforme mencionado na defesa e, em decorrência fosse apresentada manifestação conclusiva sobre a documentação, com a manutenção ou revisão do lançamento, sempre fundamentada e, ainda, que após o exame, ficasse esclarecido de forma clara e objetiva, qual a deficiência dos documentos e das informações que seriam justificadores da apuração do débito por aferição indireta, prevista nos §§ 3º, 4º e Fl. 5046DF CARF MF 6 6° do art. 33 da Lei 8.212/91 e procedimento fiscal conforme os arts. 473 e 597 da Instrução Normativa IN SRP n° 03/2005. 3.2. A diligência que teve início em 08/05/2008 foi concluída 09/12/2009 com a apresentação de relatório (fls. 4187/4197) contendo o mesmo teor para todos os processos da mesma ação fiscal que haviam sido encaminhados em diligência para a Fiscalização, a saber, este e os de DEBCAD nº 37.013.7183 (CFL68); 37.013.7159 (CFL38); 37.013.7167 (CFL 35) e 37.013.7175 (CFL 34) no qual, em suma, a Autoridade Fiscal não confirmou a necessidade de aferição indireta e lançamento pelo CUB, atestando regularidade da contabilidade. 3.3. O trecho a seguir reproduzido da informação fiscal resume a manifestação da AuditoraFiscal responsável pela realização da diligência: “5. NFLD – Notificação de Lançamento de Débito – DEBCAD nº 37.013.7140. Não poderia o levantamento ser feito por arbitramento, pois, como foi detalhado nos itens 1 a 4 acima o AFRFB que fiscalizou recebeu os documentos conforme sua solicitação. Em se tratando de aferição não há como comparar as competências verificadas nesta diligência com o que foi lançado já que a lavratura foi de uma só competência, ou seja, a de 11/2006”. 3.4. Importa ressaltar que a AuditoraFiscal responsável pela diligência concluiu que a contabilidade estava lançada em contas próprias; informou as contas contábeis de estoque relacionadas por centro de custos e afirmou que a movimentação da obra ocorreu a partir de 07/2003 até 06/2006, fls. 4187/4197. Junto com o relatório foi apresentada uma planilha com valores retificados, relativa ao Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, fls. 4199. 3.5. A interessada, em manifestação após a diligência (fls. 4203/4209) acompanhada de documentos (fls. 4210/4850) novamente relatou o histórico da empresa e prestou informações sobre sua contabilidade (idênticas àquelas prestadas no relatório fiscal da diligência), apresentou plano de contas (anexo “10”) e discorreu sobre a situação de empresa controladora (com anexos “3” e “4”) alegando a existência de grupo econômico em justificativa quanto à elaboração das GPS, GFIP, folhas de pagamento e razão (junta anexos “8” e “9”, uma amostragem destes documentos comprobatórios e arquivo magnético do razão); informou outros fatos como a retificação de GFIP (01/05 a 08/05) demonstrada no anexo 13 e retenções (GPS código 2631, anexo 5); prestou esclarecimentos sobre a utilização de retenções (GPS código 2631), assim como quanto ao período de início do empreendimento com divulgação e vendas (09/02 a 06/03), documentando através do anexo “12”. 3.6. Tendo em vista que a Autoridade Fiscal responsável pela diligência contestou expressamente o procedimento adotado pelo Auditor Fiscal que efetivou a ação fiscal e afirmou – categoricamente – que o contribuinte contabilizou regularmente Fl. 5047DF CARF MF Processo nº 18184.000049/200882 Acórdão n.º 2201004.554 S2C2T1 Fl. 5.041 7 a obra e que a respectiva documentação foi apresentada quando da ação fiscal, fls. 4187/4197, nos termos do Despacho nº 83/2010 deste Turma e Delegacia, fls. 4857/4865, entendeuse pela necessidade de retorno do processo para a Fiscalização para que, em complementação da diligência em face dos documentos apresentados após a diligência (fls. 4210 e segs) e da afirmativa da Autoridade Fiscal responsável pela diligência de que não havia justificativa para a aferição inicialmente realizada – fosse recalculado o valor do lançamento relativo à obra em questão, atribuindo os respectivos créditos e demonstrando o valor devido, mês a mês, tudo demonstrado em planilhas e relatório fiscal contendo todas as explicações quanto aos valores apurados. 3.7. Destacase que constou do Despacho nº 83/2010, fls. 4857/4865, que, em regra, é vedado o aproveitamento de créditos entre os diversos estabelecimentos (e obras) da empresa, conforme os transcritos §§ 7º e 8º do art. 203 da IN MPS/SRP no 03/2005 (vigente ao tempo do lançamento), assim como foram ressaltadas as normas próprias regentes da escrituração e fiscalização de obra de construção civil. 3.8. Sobressai do quanto relatado que o retorno dos autos para a Fiscalização decorreu especialmente dos documentos apresentados e da afirmativa na diligência anterior de que inexistia justificativa para a aferição inicialmente realizada. 3.9. A AuditoraFiscal que realizou a primeira diligência foi também designada para a segunda e, em atendimento, apresentou Relatório Fiscal, fls. 4877/4882, consistindo no mesmo conteúdo do primeiro, desta vez sumariado e tendo, em acréscimo, a planilha de fls. 4883, assim como a tela de consulta ao sistema CNIS com dados de 2005 quanto aos vínculos e massa salarial do Contribuinte. 3.10. Apesar de ter sido cientificado da diligência e do prazo para manifestação, o Contribuinte quedouse inerte (fls. 4911) e os autos foram encaminhados a esta DRJ/Turma. 3.11. As informações resultantes da segunda diligência, acima relatadas, não atenderam ao Despacho nº 83, especialmente porque somente resumiu o que constava da primeira informação sem mencionar aspectos essenciais para o embasamento de suas conclusões, sem fazer constar da planilha os dados necessários indicadores do resultado alcançado, ou seja, nenhuma diferença a recolher. Esta situação ensejou, novamente, o retorno do processo à Fiscalização, conforme Despacho nº 25/2011, fls. 4927/4930, para cabal cumprimento, nos seguintes termos, em suma: 3.11.1. Explicação do “Total” indicado na coluna “contribuição devida considerada pelo AFRFB autuante” da planilha de fls. 2441 que é diferente do valor total do débito lançado (fls. 01 e 04/05); Fl. 5048DF CARF MF 8 3.11.2. Tendo em vista que a diligência verificou livros e documentos e concluiu por novos valores de contribuições devidas (terceira coluna da planilha de fls. 2441), deverão ser especificadas as bases de cálculo apuradas quando da diligência e o respectivo documento de origem (indicação dos livros e/ou documentos verificados e suas respectivas identificações: ano; número e data de registro, conta, fls.), mês a mês; 3.11.3. Ainda, considerando que em consulta ao sistema informatizado disponível à RFB (PLENUS – CCOR) foram verificados recolhimentos alocados para a obra em questão (CEI nº 43.490.0354472) com valores, em regra, inferiores aos valores indicados como “contribuição devida” apurados na diligência, constou do referido Despacho que seriam necessários esclarecimentos e, em sendo o caso, a indicação de outros recolhimentos considerados, com a respectiva motivação e especificação, reiterandose a observância da legislação pertinente. 3.11.4. Por fim, reafirmouse a necessidade de expressa manifestação da Autoridade Fiscal quanto aos documentos apresentados pelo Contribuinte, identificando aqueles que foram considerados na apuração da contribuição devida (valores/origem) e motivando os que não se prestaram para tanto, em especial aqueles relativos aos prestadores de serviço, com a respectiva indicação de valores e origem, se utilizados. 3.12. Assim, o processo foi enviado pela terceira vez à mesma AuditoraFiscal para atendimento da Diligência, e assim, após nova intimação para a empresa apresentar documentos e esclarecimentos, a conclusão fiscal, diferentemente das diligências anteriores, reproduziu, em resumo, o conteúdo do Relatório Fiscal que acompanhou o lançamento, fls. 4938/4941, consoante trechos a seguir destacados: “A empresa INPAR PROJETOS RESIDENCIAL GRAND JARDINS SPE LTDA. sofreu o lançamento DEBCAD n° 37.013.7140, por aferição relativo à regularização da obra matrícula CEI 43.490.03544/72, em virtude de apresentação da contabilidade de forma deficiente, pois de acordo com o relatório fiscal fls. 59 a empresa deixou de escriturar os lançamentos em centros de custo distintos para cada obra.” ... Não foram apresentadas as notas fiscais de prestação de serviços emitidas por empreiteira contratada com vinculação inequívoca com a matrícula CEI da obra... ... Não foram ainda localizadas GFlP's identificadas com a matrícula CEI relativas a empresas contratadas, folhas de pagamento específicas para a obra conforme previsto nos art. 422 e 423 da IN SRP 03/2005. Desta forma não há que se falar em auditoria pela contabilidade, justificada pela convicção firmada pelo auditor autuante e por esta auditora. Entregou a empresa, escrituração contábil em meio digital no entanto o arquivo não Fl. 5049DF CARF MF Processo nº 18184.000049/200882 Acórdão n.º 2201004.554 S2C2T1 Fl. 5.042 9 contempla o bloco K pois este está vazio, logo não há escrituração da folha de pagamento na forma da lei. Apresentou Notas Fiscais de serviços novamente de forma insatisfatória... ... A documentação que a empresa apresentou para atender a presente diligência é cópia de documentos já acostados ao processo 18.184.0000.49/200882. Por todo o exposto mantenho o débito original em sua totalidade. 3.13. Após a terceira diligência e mais uma vez cientificada a Interessada apresentou a manifestação juntada às fls. 4950/4957 na qual reitera seus argumentos, reafirma que disponibilizou toda a documentação e que efetuou regular pagamento das contribuições previdenciárias devidas; rebateu todos os itens dos documentos ditos como não apresentados com a afirmação de que foram acostados às fls. 293/2069. 3.14. Ainda, a Interessada destaca que na primeira diligência a manifestação da Autoridade Fiscal foi “no sentido de que o lançamento fiscal seria insubsistente”, transcrevendo o respectivo trecho do relatório fiscal. 3.15. Lado outro, anotou que em razão da contradição de informações foi determinada nova diligência para esclarecimentos e elaboração de planilha contemplando todas as informações decorrentes dos documentos examinados e, pelo não atendimento pleno, mais uma vez foi solicitada manifestação fundamentada. 3.16. Ademais, destacado que “em total contrariedade aos argumentos apresentados nas duas manifestações anteriores, o Auditor Fiscal, em vez de apresentar as planilhas detalhadas e refazer o trabalho fiscal do Agente fiscal Autuante com a demonstração da insubsistência do lançamento fiscal, conforme já havia atestado de forma expressa, resolveu, simplesmente e sem qualquer fundamento jurídico, fazer argumentos genéricos no sentido de que o contribuinte não teria apresentado alguns documentos ...” (fls. 4955). 3.17. Assim, rebate a última manifestação fiscal entendendo que “é NULA porque contraria as duas outras manifestações fiscais proferidas pelo mesmo Auditor Fiscal...” bem como porque as afirmações da Autoridade Fiscal são genéricas e infundadas, reiterando suas alegações quanto à apresentação de documentação comprobatória de sua defesa. 3.18. Em conclusão pugna pelo cancelamento deste lançamento e dos demais autos de infração lavrados sobre o mesmo fato. Fl. 5050DF CARF MF 10 Da Decisão Recorrida Conforme já exposto, o lançamento foi cancelado, conforme se verifica da parte final da decisão de fls. 5014/5029, cuja ementa transcrevese: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 Ementa: SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Para fins de apuração de contribuições destinadas à Seguridade Social, considerase salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 da Lei 8.212/91. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA REMUNERAÇÃO DA MÃO DE OBRA. Os critérios de arbitramento da remuneração da mão de obra empregada na construção civil, com base na área e no padrão da edificação (CUB), é estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por força do disposto no § 4° do art. 33 da Lei n°8.212/91. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 Ementa: NULIDADE. É nulo o lançamento se não tiver sido assegurado o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa do contribuinte, com os meios e recursos a ela inerentes. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos. Impugnação procedente. Crédito Tributário Exonerado Do Recurso de Ofício A DRJ/SP recorreu de ofício com relação à parte exonerada pela decisão e o presente recurso de ofício compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 5051DF CARF MF Processo nº 18184.000049/200882 Acórdão n.º 2201004.554 S2C2T1 Fl. 5.043 11 Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Apesar do esforço feito pela DRJ/SP ao tentar fundamentar o conhecimento do presente recurso de ofício nos seguintes termos: RECORRESE DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada, em conformidade com o art. 366, inciso I, § 2°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 6.224/07, bem como com o art. 34 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/97, combinados com o artigo 1° da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, que estabeleceu o limite para interposição de recurso de ofício. Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, temos que o valor exonerado, somando tributo, multa e juros corresponde a R$ 2.196.936,91 (dois milhões, cento e noventa e seis mil, novecentos e trinta e seis reais e noventa e um centavos), portanto, abaixo do mínimo estabelecido pela Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017. Aplicável ao caso, o teor da súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 5052DF CARF MF 12 Fl. 5053DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.004014/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA.
É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. Recurso Voluntário Não Conhecido. Recurso de Oficio Negado Provimento
Numero da decisão: 1402-001.234
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em resolvem conhecer dos embargos apresentados pela Unidade da Receita Federal de Origem para, em relação ao Acórdão 1402001.002,
ratificá-lo no que se refere ao não conhecimento do recurso voluntário por intempestivo; e retificá-lo para incluir a apreciação do recurso de ofício ao qual é negado provimento,
nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. Recurso Voluntário Não Conhecido. Recurso de Oficio Negado Provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em resolvem conhecer dos embargos apresentados pela Unidade da Receita Federal de Origem para, em relação ao Acórdão 1402001.002, ratificálo no que se refere ao não conhecimento do recurso voluntário por intempestivo; e retificálo para incluir a apreciação do recurso de ofício ao qual é negado provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 40 14 /2 00 7- 42 Fl. 540DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10262.82G6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.004014/200742 Acórdão n.º 1402001.234 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório ATHOS FARMA S/A DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS recorreu a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, fls. 438450, que julgou procedente em parte a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Cientificada da aludida decisão em 26/05/2009 (AR de fls. 456), a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 463 e seguintes em 29/06/2009 (via postal, fl. 482), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Mediante despacho de fl. 483 a unidade de origem encaminhou os autos a este Conselho registrando a intempestividade do recurso. Na reunião de 12/04/2012, o recurso voluntário foi apreciado por este colegiado, que não conheceu das razões recursais em face da sua intempestividade. O processo retornou a Unidade de origem que interpôs embargos haja vista não ter sido apreciado o recurso de oficio. É o que importa relatar. Fl. 541DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10262.82G6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.004014/200742 Acórdão n.º 1402001.234 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Retorna este processo ao Colegiado, haja vista os embargos da unidade de origem, em face da não apreciação do recurso de oficio. Realmente o recurso de oficio deixou de ser julgado pelo colegiado, haja vista inexistir referência ao mesmo no despacho original de encaminhado do processo ao CARF, bem como não estar clara a citação no corpo do acórdão de 1a. instância. Além disso, o recurso voluntário estava intempestivo. Passo a apreciação dos recursos. Do recurso de Voluntário Transcrevo os fundamentos do Acórdão 1402001.002, de 12/04/2012, que apreciou a tempestividade do recurso. Inicio verificando os pressuposto de admissibilidade do recurso voluntário. O artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, estabelece que “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vejamos a transcrição do art. 5o. do Decreto n° 70.235, de 1972: “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Portanto, o prazo recursal de trinta dias começa a fluir no primeiro dia útil subsequente a intimação do interessado, sendo que esta pode ser pessoal, via postal ou por meio eletrônico. No caso dos autos, a recorrente tomou ciência do Acórdão de primeira instancia em 26/05/2009 (terçafeira), via postal (AR de fl. 385). O início da contagem se deu em 27/05/2009 (quartafeira), encerrandose em 25/06/2009 (quintafeira) Ocorre que o contribuinte protocolou o recurso voluntário em 29/06/2009 (via postal), fl. 482 e seguintes, ou seja, 4 dias após o termino do prazo, quando já havia precluído seu direito de recorrer, sem apresentar qualquer justificativa para a perda do prazo (art. 67 da Lei n° 9.784, de 2001), conforme destacou a Unidade de Origem (fl. 483). Diante do exposto, confirmo o voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Fl. 542DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10262.82G6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.004014/200742 Acórdão n.º 1402001.234 S1C4T2 Fl. 0 4 Do recurso de oficio A decisão recorrida reconheceu a decadência de parte do crédito tributário, sendo essa a motivação do recurso de oficio. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância nessa matéria: (...) III PIS – COFINS DECADÊNCIA Extrato da DCTF ora anexado ao PAF (fls. 397 a 402), indica a existência de pagamentos referentes ao PIS a COFINS em todos os meses do ano calendário de 2002, razão pela qual a contagem do prazo decadencial, deverá também ter início a partir da ocorrência do fato gerador. Considerando que o fato gerador destes tributos é mensal, há que se registrar, que os efeitos da decadência se darão de janeiro a novembro de 2002, uma vez os lançamentos deste período somente poderiam ser efetuados até o último dia do mês de novembro de 2007. Como o contribuinte foi cientificado dos autos de infração em 20/12/2007, remanesce como válido apenas os lançamentos do PIS e da COFINS referentes ao mês de dezembro de 2002, cujo fato gerador ocorreu no último dia deste mês, com possibilidade de lançamento até o último dia do mês de dezembro de 2008. Logo, por já haver decaído o direito de a Fazenda Pública Federal constituir créditos tributários referentes ao PIS e à COFINS, relativos aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2002, há que se exonerar os valores lançados no período, conforme planilhas abaixo: (...) IV MULTAS ISOLADAS IRPJ Conforma já informado neste voto, encontrase anexado o ao presente PAF, resumo da DCTF onde consta antecipação por retenção na fonte do IRPJ, referente a todos os meses do anocalendário de 2002. Logo, sobre o lançamento das multas isoladas do IRPJ, deverá ser aplicada a orientação contida na letra “f” do Parecer PGFN/CAT Nº 1617, para aplicação do art. 150, § 4º do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial à partir da ocorrência do fato gerador. Considerandose que no caso das multas isoladas, o fato gerador é a falta de recolhimento da estimativa mensal devida, para se examinar os prazos decadenciais, há que se reportar ao vencimento desta obrigação, cuja data é o último dia do mês subseqüente à ocorrência do fato gerador, iniciandose a contagem do prazo decadencial, no primeiro dia seguinte ao vencimento da obrigação de recolher as estimativas devidas. Neste caso, os efeitos da decadência se darão de janeiro a outubro de 2002, uma vez que, em 20 de dezembro de 2007, data da ciência do lançamento, ainda se poderia lançar as multas isoladas do IRPJ dos meses de novembro e dezembro de 2002, cujo início da contagem dos prazos decadenciais, se deu em 01/01/2003 e 01/02/2003, respectivamente, com final em 2008. Assim, por já haver decaído o direito de a Fazenda Pública Federal constituir crédito tributário referente à aplicação de Multas Isoladas relativas aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e outubro de 2002, impõese a exoneração dos valores lançados no período, conforme planilha abaixo: Fl. 543DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10262.82G6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.004014/200742 Acórdão n.º 1402001.234 S1C4T2 Fl. 0 5 (...) V MULTAS ISOLADAS – CSLL Com referência à aplicação das multas isoladas da CSLL, cujo fato gerador também é mensal, consta informação na planilha anexada pela fiscalização (fls. 59), da existência de recolhimentos parciais da CSLLestimativa nos meses de janeiro a julho de 2002, razão pela qual aplicase ao lançamento deste período, o mesmo entendimento contido no tópico anterior, iniciandose a contagem do prazo decadencial à partir da ocorrência do fato gerador. Logo, há que se exonerar as multas isoladas aplicadas neste período (meses de janeiro a julho de 2002), por já haver decaído o direito de a Fazenda Pública Federal constituir o respectivo crédito tributário. Já com referência ao período de agosto a dezembro de 2002, não consta nenhum pagamento a homologar, seja na planilha anexada pela fiscalização ou no extrato das DCTF ora anexado ao PAF. Logo, em relação a este período, ante a inexistência de qualquer pagamento a homologar, há que se seguir a orientação contida na letra na letra “d” do Parecer PGFN/CAT Nº 1617, aplicandose a regra do art. 173, inc. I do CTN, contandose o prazo inicial da decadência, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 01/01/2003 com data final em 01/01/2008 (julho, agosto, setembro e outubro) e 01/01/2004 com data final em 01/01/2009 (novembro e dezembro), motivo pela qual afasto a aplicação da decadência sobre este período, na forma da planilha abaixo. (...) Pois bem, no que tange a exoneração do PIS e Cofins, em face da decadência, está correta a decisão de 1a. instância, isso porque o contribuinte efetuou recolhimentos espontâneos e tempestivos. Logo, tal qual o entendimento deste colegiado, correta a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4o. do CTN. Por outro lado, no que tange a multa de oficio isolada por falta de recolhimento das estimativas, entendo que não há que se falar em contagem do prazo decadencial na forma do art. 150 §4o. do CTN. Isso porque tratase de penalidade, cuja regra para contagem do prazo para lançamento deve obedecer ao art. 173 do CTN. Logo, correto o entendimento expresso na declaração de voto do julgador Wellington José Araújo Lima, às fls. 449/450). Todavia, a penalidade está sendo exigida após o encerramento do ano calendário, em valor superior ao saldo de imposto a pagar, bem como em concomitância com a multa de oficio sobre o IRPJ/CSLL exigido no próprio auto de infração. Este Colegiado possui entendimento sedimentado, no sentido de sua inaplicabilidade da multa de oficio isolada concomitante. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009,.cuja ementa transcrevo. EMENTA: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: Fl. 544DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10262.82G6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.004014/200742 Acórdão n.º 1402001.234 S1C4T2 Fl. 0 6 No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta Fl. 545DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10262.82G6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.004014/200742 Acórdão n.º 1402001.234 S1C4T2 Fl. 0 7 de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Portanto, cabe confirmar o cancelamento da multa de oficio isolada, seja por está sendo exigida concomitantemente à multa proporcional, seja por se tratar de valor acima do apurado no ajuste anual. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer os embargos apresentados pela Unidade da Receita Federal de Origem para, em relação ao Acórdão 1402001.002, ratificálo no que se refere ao não conhecimento do recurso voluntário por intempestivo; e retificálo para incluir a apreciação do recurso de ofício ao qual é negado provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 546DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10262.82G6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA em 14/11/2012 10:47:03. Documento autenticado digitalmente por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA em 14/11/2012. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 19/12/2012 e LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA em 14/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0718.10262.82G6 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: C2FA91A45B53C05E876402C4CDC2D40AEE6BCB74 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10530.004014/2007-42. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13971.002379/2004-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep, relativo ao período de 1º/01/2000 a 31/12/2003. O lançamento ocorreu sobre a totalidade das receita bruta, não se efetuando qualquer exclusão de que tratou o §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Em impugnação, a recorrente alegou, inicialmente, que se sujeita apenas ao PIS sobre a folha de pagamento. Subsidiariamente, caso ultrapassada a primeira alegação, a não incidência sobre os atos cooperativos, a impossibilidade de lei ordinária revogar a isenção sobre os atos cooperativos principais, efetuando parcelamento PAES apenas sobre a receita dos atos cooperativos auxiliares e não cooperativos até novembro/2001 e, a partir de dezembro/2001, foi considerada o total de receita, com exclusão dos eventos que compõem o grupo 41 acrescidos dos valores de intercâmbio. Alegou que a fiscalização não considerou tais exclusões, nem o custo com os cooperados pessoas físicas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 02 37 9/ 20 04 -9 9 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 615 2 Por fim, alegou a natureza confiscatória da multa de ofício aplicada e a ilegalidade da taxa Selic. Apreciando a defesa, a DRJ julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: BASE DE C4CULO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS incidente sobre a receita bruta como determinado pela Lei n° 9.718, de 1998, independentemente de iela resultar de atos cooperativos ou de atos nãocooperativos. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO — As exclusões na base de cálculo da Cofins e do PIS/PASEP, previstas no art. 15 da MP 2.158 35/2001, não alcançam ás cooperativas de trabalho médico. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Descabe a declaração de nulidade do lançamento tributário quando as informações aduzidas no levantamento fiscal permitem ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO — As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em impugnação, especialmente quanto à natureza jurídica das cooperativas, eficácia da LC nº 70/91, ofensa ao princípio da legalidade, o adequado tratamento ao ato cooperativo, da ofensa ao princípio da isonomia, o caráter conficatório da multa de ofício aplicada, a ilegalidade da taxa Selic, a inexistência do pressuposto material para incidência do PIS/Pasep, as exclusões permitidas pelo artigo 15 da MP nº 2.15835/2001 e pelo §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Na sessão de 05/08/2008, o julgamento foi convertido em diligência mediante a Resolução nº 20100.762, para que fossem tomadas as seguintes sanadas as seguintes dúvidas: 1) qual a situação atual do parcelamento Paes? 2) Existem débitos declarados naquele parcelamento e que estão sendo cobrados neste processo? 3) A base de cálculo utilizada para a apuração dos débitos considerou o total da receita bruta, incluindo as receitas financeiras? 4) Com relação às exclusões do § 9º do art. 32 da Lei n2 9.718/98, é possível identificar os valores nos documentos juntados nos autos? Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 616 3 5) A contribuinte deve ser intimada para que apresente os valores que entende devam ser excluídos, identificando as parcelas de forma mensal e discriminada. Em cumprimento, a unidade administrativa firmou a seguinte resposta à diligência: "1. A contribuinte optou pelo PAES e a situação da conta está ativa com regularidade nos pagamentos. 2. Os valores que estão sendo cobrados nesse processo não estão contemplados pelo PAES. 3. A base de cálculo utilizada para apuração dos débitos considerou o total da receita bruta, incluindo as receitas financeiras. 4. A contribuinte não firmou contrato de coresponsabilidade e de transferência de responsabilidade com outras operadoras de plano de saúde, deste modo, não existem valores referentes às exclusões previstas no § 9º do art. 3° da Lei n° 9.718/98. 5. A contribuinte apresentou planilha com os valores que entende devam ser excluídos. No período de janeira de 2000 a novembro de 2001 a contribuinte entende que devam ser excluídos os valores provenientes dos Atos Cooperativos Principais e as Receitas Financeiras. No período de dezembro de 2001 a dezembro de 2003 a contribuinte entende, que os valores pagos aos médicos, hospitais, clínicas, etc, são EVENTOS e, portanto enquadrados no § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Conforme visto anteriormente, este parágrafo engloba unicamente os valores relativos à coresponsabilidade e transferência de responsabilidade firmados mediante contrato com outras operadoras de plano de saúde. Manifestandose sobre a resultado da diligência, a recorrente insurgese quanto à não exclusão dos valores correspondentes aos eventos ocorridos, os quais estão devidamente comprovados nos autos, quanto aos custos com cooperados pessoas físicas e sobre a exclusão das receitas nãooperacionais em razão da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, resumindo o que entende deveria ser excluído da base de cálculo: "a) De janeiro de 2000 a novembro de 2001, a recorrente entende que os valores que devem ser excluídos da base de cálculo são os provenientes dos Atos Cooperativos Principais e as Receitas Financeiras. a.1) ATOS COOPERATIVOS PRINCIPAIS: correspondem aos valores provenientes das movimentações entre seus cooperados e com as demais Unimeds conforme artigo 79, da Lei 5764/71. Para se calcular a proporcionalidade dos ingressos entre os tipos de Atos, o seu total é rateado conforme o comportamento dos eventos (custos) de cada mês.Os valores correspondentes às produções dos cooperados e das demais/Unimeds, são classificados como Atos Cooperativos Principais. a.2) RECEITAS FINANCEIRAS: O Supremo Tribunal Federal já julgou inconstitucional o parágrafo 1 0, do artigo 3 0 da Lei 9.718, de Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 617 4 27/11/1998, que alargou a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Com isso, estas receitas não constituem base' de cálculo das contribuições. b) Com base na MP 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as Operadoras de Planos de Saúde, a partir de dezembro de 2001, passou a excluir da base de cálculo, os valores correspondentes aos EVENTOS (nas seguradoras, chamase de sinistros) e os valores correspondentes as PROVISÕES TÉCNICAS ocorridos em cada competência, conforme prevê o parágrafo 9º, do artigo 2º da MP 2.15835, que diz: "§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades." Salientamos que eventos são os valores pagos aos médicos, hospitais, clínicas, laboratórios, etc., por conta da utilização do plano de saúde pelos beneficiários das Operadoras de Planos de saúde. Pelo mesmo argumento da letra "a") as Receitas Financeiras não constituem base de cálculo das contribuições. Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminar, a recorrente alega a nulidade da autuação por estar eivada de impropriedades técnicas e ausência de fundamentação legal. Destacase, de plano, que o Auto de Infração contém os requisitos legais exigidos no artigo 10 do Decreto 70.235/72 e foi lavrado por pessoa competente, não ocorrendo qualquer nulidade nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Verificase, ademais, que a questão é de mérito. De fato, as questões levantadas em sede recursal referemse à composição da base de cálculo e tributação de atos cooperativos principais, receitas financeiras e falta de exclusão de valores, segundo a recorrente, o que não implica qualquer nulidade, mas, eventualmente, alteração no lançamento, conforme disposto no inciso I do artigo 145 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 618 5 III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Assim, afastase a nulidade arguida. No mérito, a recorrente defende, inicialmente, a não sujeição dos valores pagos às cooperativas ao PIS/Pasep faturamento, alegando a impossibilidade de revogação da isenção prevista na LC 70/1991 por lei ordinária, ofensa ao princípio da isonomia e capacidade contributiva. De plano, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos e legislativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 621 d Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, eventual ofensa a princípios constitucionais e reserva de matéria à lei complementar são matérias que não podem ser conhecidas por este colegiado. Concernente à sujeição das receitas de vendas de plano de saúde à tributação do PIS/Pasep e da Cofins, a matéria foi objeto de deliberação nesta turma em recentes julgados, especialmente o Acórdão nº 3302003.136, processo nº 16682.720633/201450, cujas razões externadas pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento transcrevo abaixo e as adoto como razão de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999: "1) Da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o ato cooperativo próprio e impróprio. Com base no artigo 79 da Lei 5.764/1971 e baseado em doutrina, a recorrente alegou que não havia incidência tributária das referidas contribuições sobre os atos cooperativos principais e auxiliares, porque os valores decorrentes de tais atos não representavam faturamento/receita bruta da atividade exercida pelas cooperativas, mas meros ingressos, sem exteriorização de conteúdo econômico inerente à atividade mercantil. Para a recorrente, os atos praticados pelas cooperativas médicas dividirseiam em atos cooperativos (principais e auxiliares) e atos não cooperativos. Os primeiros, segundo a recorrente, estavam fora do campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por conseguinte, a receita bruta deles advinda não integrava a base de cálculo dessas contribuições. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 619 6 A definição de atos cooperativos adota pela recorrente compreende todos aqueles praticados com o objetivo de realizar o objeto social da cooperativa e os dividiu em atos principais e auxiliares. Os atos cooperativos principais eram aqueles praticados entre cooperativa e cooperado e os auxiliares os praticados entre cooperativa e terceiros ou entre terceiros e cooperados. Já os atos não cooperativos seriam aqueles que não tivessem vinculação direta com o objeto da cooperativa, ou seja, os negócios estranhos ao objeto social da cooperativa. Tal entendimento, induvidosamente, amplia o alcance definição legal de ato cooperativo apresentada no art. 79 da Lei 5.764/1971, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Por se tratar de definição veiculada em diploma legal, em razão do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972, aos integrantes deste Conselho é expressamente vedada afastála, em detrimento de qualquer outra apresentada na doutrina ou na jurisprudência, por mais bem elaborados ou “judiciosos” que sejam. E a propósito, depois de intensa controvérsia, essa também é a definição de ato cooperativo que, ao final, prevaleceu no âmbito da jurisprudência dos tribunais superiores, conforme a seguir demonstrado. Assim, com base no referido preceito legal, as sociedades cooperativas só praticam dois tipos atos ou negócios, a saber: a) os atos cooperativos (típicos, internos ou próprios), celebrado entre a cooperativa e o cooperado ou ainda entre a cooperativa e outra cooperativa a ela associada, para a consecução dos objetivos sociais; e b) atos não cooperativos (atípicos, externos ou impróprios) aqueles praticados com terceiros (não cooperados ou associados), ainda que para a consecução dos objetivos sociais. Além disso, o parágrafo único do art. 79 em comento, deixa claro que somente o ato cooperativo não implica operação de mercado, o que, em regra, assegurao possível de adequado, mas não privilegiado, tratamento tributário, conforme previsto no art. 146, III, “c”, da CF/1988; a contrario sensu, o ato não cooperativo tem natureza de operação de mercado, o que, em regra, submeteo a normal tratamento tributário. A propósito, a lei atualmente vigente (Lei 5.764/1971), que dispõe sobre o regime das sociedades cooperativas, expressamente, prevê a tributação das receitas/resultados obtidos com os atos não cooperativos, nos termos dos arts. 86 e 111, a seguir transcritos: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 620 7 Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Especificamente em relação à tributação das receitas auferidas pelas cooperativas pela Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, depois de longa discussão sobre a matéria, no âmbito da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos RREE 598.085/RJ e 599.362/RJ, realizado sob regime de repercussão geral, nas assentadas dos dias 5 e 6 de novembro do corrente ano, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deu provimento aos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, para reconhecer que as receitas das cooperativas auferidas da prestação serviços a terceiros estava sujeita à tributação das referidas contribuições. E esse entendimento, sabidamente, por determinação regimental, deve ser replicado nos julgamento deste Conselho. Em apertada síntese, nos referidos julgados, por unanimidade, o que raro em matéria tributária, o plenário do STF manifestou o entendimento que: a) a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins submetemse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), e que havia sim incidência das referidas contribuições sobre atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa prestadora de serviço com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas; b) a Lei 5.764/1971 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei ordinária e que o seu artigo 79 apenas definia o que seria ato cooperativo, sem nada definir quanto ao regime de tributação das cooperativas; c) a alegação de que as sociedades cooperativas não possuíam faturamento, nem receita e, por essa característica, não estavam sujeitas à incidência de qualquer tributo sobre suas atividades principais e acessórias, levava ao mesmo resultado prático de se conferir a elas, sem expressa autorização constitucional, imunidade tributária; d) o tratamento tributário adequado ao ato cooperativo era questão política que deveria ser resolvida na esfera competente, logo eventual insuficiência de normas não poderia ser tida por violadora do princípio da isonomia; e e) não havia hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, consequentemente, seria possível que uma lei formalmente complementar, mas materialmente ordinária, fosse revogada por lei ordinária, o que teria ocorrido no caso da revogação da isenção veiculada na Lei Complementar 70/1991 pela Medida Provisória 1.859/1999 e reedições seguintes, até a redação definitiva dada pela Medida Provisória 2.15835/2001, que validamente operaram a derrogação da norma concessiva de isenção da Cofins para as sociedades cooperativas. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 621 8 Para mais detalhes sobre entendimento esposado pelo STF nos referidos julgados, seguem reproduzidos, respectivamente, os enunciados das ementas dos citados RREE 598.085/RJ e 599.362/RJ: RE 598.085/RJ: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.158 35. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 622 9 tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 623 10 segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. (RE 598085, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022015 PUBLIC 10022015) Grifos não originais. RE 599.362/RJ: EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 624 11 ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. (RE 599362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022015 PUBLIC 10022015) Grifos não originais. Em suma, da leitura dos referidos enunciados, extraise que, diferentemente do alegado pela recorrente, para a firme jurisprudência do STF os atos cooperativos (próprios ou internos) são aqueles realizados pela cooperativa com os seus próprios associados (cooperados) na busca dos seus objetivos sociais, e que as receitas provenientes dos atos (negócios jurídicos) praticados pelas Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 625 12 cooperativas com terceiros tomadores de serviço integram o campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Especificamente no que tange à receita auferida pelas cooperativas médicas, operadoras de plano de saúde, decorrentes da venda de plano de saúde a terceiros não cooperados, a matéria foi objeto de julgamento, sob regime de repercussão geral, no âmbito do referenciado RE 598.085/RJ, e a decisão foi no sentido de que tais receitas integravam a base de cálculo das referidas contribuições, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. [...]2) Da natureza jurídica da operação de venda de planos de saúde pelas cooperativas operadoras de plano de saúde. [...] [...]. Nos termos do caput do art. art. 79 da Lei 5.764/1971 os atos cooperativos são somente aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados e entre as cooperativas associadas entre si, para a consecução dos objetivos sociais da correspondente cooperativa. Logo, os atos ou negócios praticados pelas cooperativas com terceiros não são atos cooperativos. Assim, os atos praticados entre as cooperativas médicas e terceiros adquirentes de planos de saúde, por ser ato não cooperativo, caracterizase como operação de mercado, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, em decorrência, as receitas auferidas da realização dos referidos negócios integram o campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Ainda sobre assunto, cabe ressaltar a evolução porque passou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, inicialmente, afastou a referida definição legal de ato cooperativo, e adotou definição de sentido e alcance ampliado defendido por parte relevante da doutrina, de que o ato cooperativo deve abarcar o conjunto de atos praticados pela entidade cooperativa com os associados (cooperados) ou não, que se revelem imprescindíveis para a consecução de seus objetivos sociais, conforme se infere do excerto extraído do voto condutor do REsp 903.699/RJ1, que segue transcrito: Extraise do raciocínio jurídico do ilustre Professor, portanto, que o conceito legal de ato cooperativo deve abarcar o conjunto de atos praticados pela entidade cooperativa em nome dos cooperados, e em benefício desses, com pessoas físicas ou jurídicas não–associadas, sem intuito de lucro nem receita, que se revelem imprescindíveis para a consecução de seus objetivos sociais, que é o de auxiliar os associados, organizando e planejando suas operações coletivas, ainda que tais atos se apresentem, aparentemente, atípicos. Nesse diapasão, não destoa do conceito de ato cooperativo a venda de bens ou serviços dos associados por intermédio da cooperativa, pois em conformidade com o seu mister, sendo certo que o resultado positivo obtido nessa operação não importa em receita da sociedade, pois transferido, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Porém, atualmente, a jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que ato cooperativo é somente aquele praticado entre a sociedade cooperativa e associados (cooperados) ou entre cooperativas Fl. 625DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 626 13 associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Portanto, em consonância com os termos da definição veiculada no caput do art. 79 da Lei 5.764/1971. A título de exemplo citase o acórdão proferido no REsp 829.458/MG, de onde se extrai a parte relevante do enunciado da ementa que segue transcrito: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS SOBRE FATURAMENTO E SOBRE FOLHA. INCIDÊNCIA. COOPERATIVAS MÉDICAS. UNIMED. REPASSES PELOS SERVIÇOS PRESTADOS POR PROFISSIONAIS COOPERADOS E NÃO COOPERADOS À CLIENTELA DA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. RECEITAS DAS PRÓPRIAS ENTIDADES E NÃO DOS PROFISSIONAIS. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DESPROVIMENTO DO RECURSO. [...]REPASSES AOS MÉDICOS NÃO COOPERADOS: INCIDÊNCIA 18. Como já dito em tópico anterior, a fundamentação integral do Min. Castro Meira e parte dos argumentos da Min. Eliana Calmon estavam centrados no entendimento de que os arts. 2º e 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998 veiculariam base legal de dedução de valores no que se refere aos repasses aos médicos da base de cálculo do PIS Faturamento. 19. Sabese que atos não cooperativos são tributados normalmente. A própria recorrente afirma em sua inicial, a saber: "Em decorrência da natureza sui generis das sociedades cooperativas, estas sempre tiveram um regime tributário próprio, no qual o ato cooperativo não sofre a incidência de tributos, e os atos não cooperativos são submetidos normalmente à tributação" (fl. 5). 20. Isso, aliás, está previsto expressamente no art. 2º, § 1º, da Lei 9.715/1998, a saber: "§ 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados" (grifo nosso). 21. O STJ, por sua vez, sempre decidiu que os serviços prestados por cooperativas médicas a terceiros (não associados) são passíveis de incidência de PIS, justamente porque aí se tem ato não cooperativo, conforme os seguintes julgados: a) REsp 746.382/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 12.9.2006, DJ 9.10.2006, p. 279; b) AgRg no AREsp 170.608/MG, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 9.10.2012, DJe 16.10.2012; c) AgR nos EDcl no REsp 84.75/MG, 1ª Turma , Rel. Min. Teori Albino Zavscki , DJe 16.3.2011; d) AgRg no Ag 1386385/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2.6/2011, DJe 9.6.2011. 22. Em relação à própria Unimed, na condição de operadora de plano de saúde, a Segunda Turma decidiu na mesma linha acima: "O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente" (AgRg no REsp 786.612/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17.10.2013, DJe 24.10.2013). Fl. 626DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 627 14 23. Presente esse contexto, interpretar o art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998 como benefício fiscal (dedução da base de cálculo) em favor dos repasses feitos pela Unimed aos médicos não cooperados seria contrariar o longo histórico de precedentes do STJ sobre a matéria. A discussão sempre foi saber se os valores recebidos pela Unimed de clientes e repassados a médicos cooperados seriam passíveis de incidência do PIS, ou não. Não as quantias referentes aos não cooperados. 24. Além disso, se o STJ entender pela exclusão da base de cálculo dos valores repassados aos não associados, com espeque no art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998, estará incidindo em flagrante contradição. É que soa ilógico admitir a tributação do valor que vai ser repassado ao médico cooperado, conforme esta própria Segunda Turma está decidindo, inclusive com base em julgados do STF, e afastar a tributação do que for transferido ao médico não cooperado. 25. Se o STJ e STF se posicionaram no sentido de que os valores recebidos das cooperativas médicas dos seus clientes são receitas das próprias entidades e não dos médicos associados, com mais razão ainda os valores que serão repassados aos não associados. 26. Recurso Especial desprovido. (REsp 829.458/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Rel. p/ Acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 24/11/2015) grifos não originais Não é demais esclarecer que esta mudança de entendimento na jurisprudência do STJ decorreu dos recentes julgados do STF, proferidos em regime de repercussão geral, nos RREE 599.362/RJ e 598.085/RJ, em que decidido que as sociedades cooperativas médicas têm suas receitas brutas submetidas à incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, na forma do ordenamento em vigor, sobre os atos praticados por cooperativas com terceiros tomadores de serviços dos cooperados, conforme explicitado no tópico precedente. Dessa forma, em consonância com a atual jurisprudência consolidada do STF e do STJ, temse que os valores das mensalidades recebidos pelas cooperativas médicas dos seus clientes beneficiários, provenientes da venda de planos de saúde, são receitas das próprias entidades cooperativas e não dos médicos que lhe são associados, como entende a recorrente. Ademais, tais receitas não são provenientes de atos cooperativos, como defende a recorrente, mas de atos não cooperativos, porque não são provenientes de atos ou negócios realizados entre a cooperativa e terceiros, que não os associados (cooperados) ou cooperativas associadas, conforme definição veiculada no caput do art. 79 da Lei 5.764/1971. Dada essa condição, os valores das mensalidades pagas pelos filiados ao plano de saúde, induvidosamente, representam receita bruta da recorrente proveniente de atos não cooperativos e, nessa condição, integram a base de cálculo das referidas contribuições, nos termos art. 2º, combinado com o caput do art. 3º, ambos da Lei 9.718/1998, porém, fica assegurado às entidades cooperativas médicas, operadoras de plano de saúde, as deduções gerais, previstas no § 2º, e as deduções específicas, previstas no § 9º, ambos do art. 3º da Lei 9.718/1998." Fl. 627DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 628 15 De fato, existem quatro recursos extraordinários sobre o tema: RREE 598.085/RJ, 599.362/RJ, 597.315/RJ e 672.215/CE, sendo que o RE 598.085/RJ e RE 672.215/CE versam especificamente sobre cooperativas de trabalho médico, enquanto os outros dois sobre outras cooperativas de trabalho. Os RREE 597.315/RJ e 672.215/CE não possuem decisão de mérito, enquanto o RE 598.085/RJ está em julgamento de embargos opostos pelas partes, ao passo que o RE 599.362/RJ transitou em julgado em 25/11/2016, no qual restou assentado a incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros, nos termos da seguinte ementa: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Artigo 146, III, c, da CF/88. Possibilidade de tributação do ato cooperativo. Cooperativa. Contribuição ao PIS. Receita ou faturamento. Incidência. Fixação de tese restrita ao caso concreto. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. 1. A norma do art. 146, III, c, da Constituição, que assegura o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, é dirigida, objetivamente, ao ato cooperativo, e não, subjetivamente, à cooperativa. 2. O art. 146, III, c, da CF/88, não confere imunidade tributária, não outorga, por si só, direito subjetivo a isenções tributárias relativamente aos atos cooperativos, nem estabelece hipótese de não incidência de tributos, mas sim pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo, dispondo que lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. 3. O tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é uma questão política, devendo ser resolvido na esfera adequada e competente, ou seja, no Congresso Nacional. 4. No contexto das sociedades cooperativas, verificase a materialidade da contribuição ao PIS pela constatação da obtenção de receita ou faturamento pela cooperativa, consideradas suas atividades econômicas e seus objetos sociais, e não pelo fato de o ato do qual o faturamento se origina ser ou não qualificado como cooperativo. 5. Como, nos autos do RE nº 672.215/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, o tema do adequado tratamento tributário do ato cooperativo será retomado, a fim de se dirimir controvérsia acerca da cobrança de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes, também, sobre outras materialidades, como o lucro, tendo como foco os conceitos constitucionais de “ato cooperativo”, “receita de atividade cooperativa” e “cooperado” e, ainda, a distinção entre “ato cooperado típico” e “ato cooperado atípico”, proponho a seguinte tese de repercussão geral para o tema 323, diante da preocupação externada por alguns Ministros no sentido de adotarmos, para o caso concreto, uma tese minimalista: “A receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep.” Fl. 628DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 629 16 6. Embargos de declaração acolhidos para prestar esses esclarecimentos, mas sem efeitos infringentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, em acolher os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infrigentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrente dos atos (negócios jurídicos). firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Brasília, 18 de agosto de 2016. MINISTRO DIAS TOFFOLI Relator Verificase que os ministros deixaram a controvérsia sobre a distinção entre atos típicos e atípicos, bem como a possibilidade de incidência das contribuições sobre o ato cooperativo para o julgamento do RE 672.215/CE. Não obstante, a decisão proferida no RE 599.362/RJ deve ser reproduzida nas decisões deste Conselho, de acordo com o artigo 62 do Anexo II do RICARF. Destarte, entendo que as receitas decorrentes das vendas de planos de saúde a terceiros não cooperados é sujeita à incidência das contribuições, admitidas as exclusões previstas em lei. Pontuese, ainda, que o STJ julgou o REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, no qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda e não se sujeitam à incidência de PIS/Pasep e Cofins, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a Fl. 629DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 630 17 autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, embora, aparentemente, contraditória com o julgado no RE 598.085/RJ, tal decisão deve ser reproduzida nos julgamentos proferidos por este Conselho, de acordo com o artigo 62 do Anexo II do RICARF, pois aquele recurso extraordinário ainda não é definitivo. O fato é que a decisão final sobre o tema, aparentemente, ocorrerá no julgamento do 672.215/CE. Enquanto isso, devem ser aplicadas as decisões proferidas no RE 599.362/RJ e REsp 1.164.716/MG. Concluindo, as receitas de vendas de planos de saúde a terceiros não cooperados são atos não cooperativos e devem compor a base de cálculo das contribuições. Porém, é de se reconhecer que não compõem a base de cálculo as receitas de vendas de planos de saúde aos próprios cooperados, as parcelas previstas no §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, as exclusões previstas nos incisos I a IV do §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/19982 e as sobras 2 I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 631 18 destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fates (art. 28 da Lei 5.764/71), de que trata o §2º do artigo 1º da Lei nº 10.676/2003. Destarte, todas as receitas auferidas com a venda de planos de saúde a não cooperados são consideradas atos não cooperativos e sujeitos à tributação para o PIS/Pasep e Cofins. No caso, a recorrente, para janeiro de 2000 a novembro de 2001, aduziu que as receitas proporcionais aos eventos com cooperados e Unimeds possuíam a natureza de atos cooperativos, excluindo grande parte das receitas da conta 3.01.01, o que está em desacordo com as decisões proferidas pelo STF e STJ acima mencionadas. Assim, não há que se falar em rateio de eventos para se definir a natureza do ato relativo às receitas auferidas no plano, mas sim se a receita foi auferida com cooperado ou com outra cooperativa ou com terceiro. Já em relação às exclusões de que trata o §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, a recorrente pugnou pelas exclusões de valores das contas 4.1 EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS e 4.4.1.3.6.0.01.0.0.1 CUSTOS CONGÊNERES USUÁRIOS DE FORA. A respeito, foi introduzido o §9ºA no artigo 3º da Lei nº 9.718/98: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) [...]§ 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (grifos não originais) Esta modificação alterou o entendimento dado até então pela RFB, nos termos do artigo 106, inciso I do CTN3, pois enquanto esta entendia que as indenizações por eventos 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (grifei) Fl. 631DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Resolução nº 3302000.775 S3C3T2 Fl. 632 19 efetivamente pagos se restringia aos efetuados em beneficiários de outra operadora de plano de saúde, o novo parágrafo dispôs que a expressão referese ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, alargando a possibilidade de deduções permitidas. Ocorre que os valores demonstrados nas planilhas pela recorrente não foram acompanhados da documentação probatória (balancetes) nem da descrição do funcionamento contábil das contas de modo a aferir se os valores pleiteados correspondem à nova interpretação dada pelo §9ºA acima mencionado. Diante do exposto, voto para converter novamente o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: certifique os valores informados nas contas 4.1 EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS e 4.4.1.3.6.0.01.0.0.1 CUSTOS CONGÊNERES USUÁRIOS DE FORA na contabilidade da recorrente, discriminando os valores que correspondem à nova interpretação, dada pelo §9ºA, ao inciso III, do § 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998; intime a recorrente a apresentar os valores de receitas a título de intercâmbio eventual (sem transferência de responsabilidade) de outras cooperativas e de pessoas jurídicas não cooperativas, devendo a autoridade fiscal realizar a certificação da informação na escrita contábil da recorrente; intime a recorrente a apresentar os valores de receita decorrentes de venda de planos de saúde aos próprios cooperados, devendo a autoridade fiscal realizar a certificação da informação na escrita contábil da recorrente. Caso haja divergência entre os valores pleiteados e os deferidos pela fiscalização, esta deve elaborar relatório com as devidas justificativas e cientificar a recorrente de suas conclusões, para que se manifeste, se desejar, no prazo de trinta dias, de acordo com o artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, devendo ser juntada a documentação probatória dos valores pleiteados. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 632DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.007924/2008-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/06/2008
NULIDADE. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, rejeita-se a alegação de nulidade.
AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, a agência de navegação marítima, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES.
As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo.
Numero da decisão: 3001-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, quanto à matéria denúncia espontânea, o conselheiro Renato Vieira de Avila.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/06/2008 NULIDADE. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, rejeita se a alegação de nulidade. AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, a agência de navegação marítima, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 79 24 /2 00 8- 82 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 172 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, quanto à matéria denúncia espontânea, o conselheiro Renato Vieira de Avila. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1642.944 da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1/SP DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 16.01.2013, julgou improcedente a impugnação. Dos fatos Adotase, como de costume neste Colegiado Extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 94 a 101), que segue transcrito: Relatório A empresa interessada foi autuada, no valor de R$ 5.000,00, em face de retificação extemporânea, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex Carga), dos dados relativos à carga marítima acobertada pelo Conhecimento de Carga Eletrônico n.º 150805101053924 (B/L n.º NYKS2353561680), vinculado ao Manifesto de Carga Eletrônico n.º 1508500856683, relativo ao navio MATE, viagem 101W, Escala n.º 08000060467, cuja atracação no Porto de Santos ocorreu em 26.05.08, tendo sido lançada a multa capitulada no Artigo 107, Inciso IV, Alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo Artigo 77 da Lei n.º 10.833/03. Alegou a fiscalização que o pedido de retificação apresentado pela interessada foi apresentado somente em 20.06.08, ou seja, 25 (vinte e cinco) dias após a atracação da embarcação no Porto de Santos, o qual foi deferido em 24.06.08. A autuação considerou o previsto pela Instrução Normativa RFB 800, de 27 de dezembro de 2007, que dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, e pelo Ato Declaratório Executivo ADE Corep n.º 03, de 28 de março de 2008, que dispõe sobre as ações operacionais e em sistemas informatizados quanto à utilização do Siscomex Carga. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 173 3 Ainda de acordo com a autuação, a transportadora marítima é representada no país por agência de navegação, também denominada agência marítima, nos termos do que estabelece o Art. 4.º da IN RFB 800/07, assim, o exame da documentação anexa permitiu a eleição da autuada para figurar no pólo passivo da lavratura. Ciente, a interessada apresentou impugnação em 19.11.08 (fls. 35 44 do eprocesso). Nesta peça alegou que: 1. Preliminarmente, conforme determina seu contrato social, tem por objeto social o agenciamento marítimo, tendo como um de seus clientes o transportador marítimo (armador) NIPPON YUSEN KABUSHIKI KAISHA, que aparece em todos os documentos juntados neste processo, e não a NYK LINE DO BRASIL LTDA; 2. Em nenhum momento deixou de prestar as informações sobre as cargas transportadas; 3. Os prazos exigidos pela Instrução Normativa 800/07 somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009, isto é, após a ocorrência da suposta infração; 4. Os fatos ocorreram durante o “plano de contingência” no Porto de Santos, como dispõe a Instrução Normativa 841/08, não sendo possível a aplicação de nenhuma penalidade. 5. É praxe que, por solicitação do importador/consignatário e às vezes pelo exportador/shipper das mercadorias, fazse necessária a correção de alguns dados constantes no Conhecimento de Transporte Marítimo (BL). Cita o Art. 44 do Decreto 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos); 6. O ato de retificar é diferente da não apresentação de informação, assim, a impugnante não deixou de apresentar informação sobre veículo ou carga nele transportada, apenas retificou posteriormente a sua informação, por solicitação do importador/consignatário; 7. Concluise que a retificação efetuada pela impugnante constituise em procedimento absolutamente legal, que não foi alterado pela implantação do Siscomex Carga, mas apenas tornouse eletrônica; 8. A eventual conduta imputada à impugnante não se encontra contemplada pelo Artigo 107 do Decretolei n.º 37/66, muito menos na Alínea “e”, do Inciso IV; 9. Requer o recebimento de sua impugnação como tempestiva, a fim de ser julgado improcedente o auto de infração e insubsistente a pena de multa aplicada, com o consequente arquivamento do processo. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 174 4 Da ementa do acórdão recorrido A 24ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/06/2008 Multa por retificação extemporânea de informação acerca de carga. Responsabilidade da agência marítima. Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 800/07, combinado com o disposto pelo Ato Declaratório Executivo Corep n.º 03/08, constitui obrigação da agência marítima prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil acerca da carga transportada na forma, prazo e condições estabelecidos, sob pena de incorrer em infração prevista pelo Artigo 107, Inciso IV, Alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação pelo Art. 77 da Lei nº 10.833/03. A multa é aplicada para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento eletrônico ou item de carga. Preliminar rejeitada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às e fls. 108 a 131, recurso voluntário para pleitear a improcedência do lançamento ora debatido, sob argumentos suscitados em sede de preliminar e de mérito, que podem ser sintetizados nos seguintes tópicos, que: (i) não é parte legítima para figurar no polo passivo do lançamento, pois atuou somente como agência de navegação marítima, não se equiparando a transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos, posto que inexiste previsão legal de aplicação de qualquer penalidade em face do agente, consoante proclamado pela Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Colaciona jurisprudência; (ii) o fato gerador da pena aplicada se deu em razão de retificações de dados no sistema Siscomex Carga, hipótese que não configura ausência de informação, mas simples alteração de informações já prestadas, o que afasta a multa exigida, consoante orientação contida na Solução de Consulta Cosit publicada em 04.02.2016, cujo efeito é vinculante perante a Receita Federal do Brasil; (iii) a conduta não enseja o tipo legal que justifica a imposição da penalidade, pois não deixou de apresentar informações no prazo legal, todas as informações foram prestadas nos termos da alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 175 5 redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, principalmente no que diz respeito ao veículo e à carga, bem como em relação às operações a serem executadas; e (iv) a nova norma legal vigente reconhece que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente como é o caso destes autos. Diante do exposto, requer a anulação da infração, em face da preliminar aventada, ou, subsidiariamente, que seja julgada insubsistente em razão dos argumentos acima esboçados, cancelandose a multa exigida e determinandose o arquivamento do presente processo. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 26.04.2013 (efl. 168), que posteriormente foi distribuído para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, e na forma regimental, sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi juntado aos presentes autos em 20.02.2013, conforme depreendese do carimbo/chancela gravada na "Folha de Rosto da referida petição recursal", após ciência no dia 22.01.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efls. 105/106), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do escopo do litígio É incontroverso que a penalidade em apreço decorre da retificação extemporânea, uma vez que ocorrida em 24.06.2008, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico CE 150805101053924, vinculado ao manifesto eletrônico 1508500856683, escala 08000060467, referente a carga transportada pelo navio Mate em sua viagem 101W, cuja atracação no Porto de Santos ocorreu em 26.05.2008. Frisese, por oportuno, que o conhecimento de embarque que deu amparo para a emissão do respectivo conhecimento eletrônico foi o NYKS2353561680, cuja agência Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 176 6 de navegação responsável é o recorrente NYK Line do Brasil Ltda., portanto, o sujeito passivo da autuação ora contestada. As matérias controversas cingese aos seguintes pontos: a) arguição de ilegitimidade passiva; b) arguição de não caracterização da infração imposta; e c) arguição de denúncia espontânea. Do contexto jurídico das normas de incidência da matéria Estabelece o artigo 237 da Constituição Federal, verbis: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Estabelece o caput do artigo 33 do Decretolei 37 de 1966, verbis: Art. 33 A jurisdição dos serviços aduaneiros se estende por todo o território aduaneiro, e abrange: (grifei) I zona primária compreendendo as faixas internas de portos e aeroportos, recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres, bem como outras áreas nos quais se efetuem operações de carga e descarga de mercadoria, ou embarque e desembarque de passageiros, procedentes do exterior ou a ele destinados; II zona secundária compreendendo a parte restante do território nacional, nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente. Parágrafo único. Para efeito de adoção de medidas de controle fiscal, poderão ser demarcadas, na orla marítima e na faixa de fronteira, zonas de vigilância aduaneira, nas quais a existência e a circulação de mercadoria estarão sujeitas às cautelas fiscais, proibições e restrições que forem prescritas no regulamento. Dispõem os artigos 2º e 17 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759 de 05.02.2009, tal qual dispunha o Decreto 4.543 de 26.12.2002, verbis: Art. 2o O território aduaneiro compreende todo o território nacional. (...) Art. 17. Nas áreas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, bem como em outras áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de viajante, procedentes do exterior ou a ele destinados, a autoridade aduaneira tem precedência sobre as demais que ali exerçam suas atribuições (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 35). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 1o A precedência de que trata o caput implica: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 177 7 I a obrigação, por parte das demais autoridades, de prestar auxílio imediato, sempre que requisitado pela autoridade aduaneira, disponibilizando pessoas, equipamentos ou instalações necessários à ação fiscal; e (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). II a competência da autoridade aduaneira, sem prejuízo das atribuições de outras autoridades, para disciplinar a entrada, a permanência, a movimentação e a saída de pessoas, veículos, unidades de carga e mercadorias nos locais referidos no caput, no que interessar à Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 2o O disposto neste artigo aplicase igualmente à zona de vigilância aduaneira, devendo as demais autoridades prestar à autoridade aduaneira a colaboração que for solicitada. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Sendo assim, incumbe ao Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização e o controle da entrada e saída de mercadorias, cargas, unidades de cargas e embarcações do território aduaneiro. O Decretolei 37 de 1966 estabelece que o controle de veículos, mercadorias, animais e pessoas, na zona primária, será disciplinada em Regulamento (inciso III do artigo 34), bem como estabelecerá as normas de disciplina aduaneira a que ficam obrigados os veículos, seus tripulantes e passageiros na zona primária, ou quando sujeitos fiscalização (artigo 38). Determina, ainda, que o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado (caput do artigo 37, com a redação dada pela Lei 10.833 de 2003). Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro D. 6.759/09, prevê que o controle aduaneiro do veiculo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes (parágrafo 1º do artigo 26). Já no caput do seu artigo 39 encontrase a determinação de que é livre, no Pais, a entrada e a saída de unidades de carga e seus acessórios e equipamentos, de qualquer nacionalidade, bem como a sua utilização no transporte doméstico (conforme previsão do artigo 26 da Lei 9.611 de 1998). Entretanto, seu parágrafo 2º observa que poderá ser exigida a prestação de informações para fins de controle aduaneiro sobre os bens referidos no caput, nos termos estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil; haja vista que, embora seja livre a entrada e saída de unidades de carga, o mesmo não acontece com o seu conteúdo. Ademais, os containeres são destinados especificamente para acondicionar mercadorias e podem se prestar a sua ocultação, pois são, em sua maioria, totalmente fechados impedindo a visão de seu interior. Por tal motivo, o Regulamento Aduaneiro prevê no caput do artigo 42 que o responsável pelo veículo apresentará à autoridade aduaneira, na forma e no momento Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 178 8 estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o manifesto de carga, com cópia dos conhecimentos correspondentes, e a lista de sobressalentes e provisões de bordo, bem como, nos termos do seu parágrafo 1º, a relação das unidades de carga vazias existentes a bordo. Neste contexto legal, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, fez editar a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, a qual dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, a qual estabelece em seu artigo 1º, com redação dada pela Instrução Normativa RFB 1.473 de 02.06.2014) verbis: Art. 1º O controle aduaneiro de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga nos portos, bem como de entrega de carga pelo depositário, serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa e serão processados mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes na forma e prazos estabelecidos nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Sistema Mercante); e II no Siscomex Carga. Nos termos do inciso XII do seu artigo 2º, dispõe que o manifesto eletrônico é definido como o manifesto de carga informado à autoridade aduaneira em forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente, contendo inclusive os containeres vazios. Já seu artigo 11 prevê que a informação do manifesto eletrônico compreende a prestação dos dados exigidos pela norma e relações de containeres vazios transportados pela embarcação durante sua viagem pelo território nacional. Também nos termos da referida norma regulamentar IN RFB 800/07, desde 31.03.2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como as relativas às Escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga darseá pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 179 9 Da interpretação da legislação aplicável que trata do controle aduaneiro De se ver assim que toda a saída ou entrada de mercadorias no território aduaneiro, bem como de unidades de carga presumivelmente vazias, sujeitase, necessariamente ao controle aduaneiro, salvo expressa determinação legal em contrário. Neste contexto, o controle aduaneiro tem por escopo justamente monitorar o fluxo internacional de mercadorias através das fronteiras, portos e aeroportos. Logo, esclareça se, por oportuno, que é irrelevante se determinada mercadoria é ou não sujeita à tributação na saída ou na entrada, pois o referido controle aduaneiro não se restringe a questões de tributação, abarcando também diversas outras áreas que não se pode prescindir, em prol dos interesses da sociedade e a própria segurança nacional. Nesse sentido, o controle aduaneiro exercido pelo Estado, por meio de seus agentes, in casu, aduaneiros, não é faculdade, nem daquele, nem destes, mas poderdever. Logo, o gerenciamento de risco constitui instrumento/ferramental que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e conseqüentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional, possibilitando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Por tais motivos que esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que direcionarão os atos das unidades de jurisdição aduaneiras da Secretaria da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério obstáculo ao exercício do Controle Aduaneiro e, por consequência, permitindo ou, ao menos, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate à pirataria e outros ilícitos. Da preliminar Preâmbulo No que tange a preliminar de nulidade arguida, entendo que referida hipótese não está configurada. Os feitos tratados no presente processo preenchem todos os requisitos de validade, estando instruídos corretamente, não havendo que se falar em nulidade por ilegitimidade do sujeito passivo ou por cerceamento do direito de defesa, em face de vício formal do auto de infração, pois as situações passíveis de nulidade estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 180 10 Feito este breve preâmbulo, em seguida debaterseá cada tópico. De ilegitimidade passiva da agência de navegação Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente o Conhecimento Eletrônico CE relativo à mercadoria descrita no conhecimento de embarque B/L NYKS2353561680, cuja informação fora de prazo deu origem à presente autuação, verificase que figura como agência de navegação responsável e, portanto, também responsável pelo registro do conhecimento eletrônico correspondente, o que no caso em tela é o CE 1508500856683, o ora recorrente. No entanto, em sede de argumentação preliminar, o recorrente alega em sua defesa que por ser agência de navegação não pode ser considerado responsável tributário, pois não pode ser equiparado ao transportador internacional para efeito da responsabilização tributária, por inexistência de previsão legal de aplicação de qualquer penalidade em face da agência de navegação, tanto que traz a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que possui o seguinte verbete: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966. De plano, conforme se demonstrará a seguir, não lhe assiste razão neste tópico preliminar. Dispõe o artigo 32 do Decretolei 37 de 18.11.1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (grifei) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 181 11 intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei 2.472 de 1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória 2.15835 de 24.08.2001. Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifei) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) Não obstante o arcabouço jurídico evidenciado, importa, volverse à análise mais pormenorizada da lei e da legislação concernente à responsabilidade do recorrente pela infração. O artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pela Lei 10.833 de 2003, prevê o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos, verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre achegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 182 12 preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e (...) (grifouse) O artigo 107, também do Decretolei 37 de 1966, e também com redação dada pela Lei 10.833 de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...) No exercício da competência estabelecida pela norma acima transcrita, foi editada a Instrução Normativa RFB 800 de 2007, que nos seus artigos 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira, verbis: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o recorrente concorreu para a prática da infração em questão, tanto que foi quem efetivamente procedeu ao registro do CE 1508500856683; logo, necessariamente, acaso se confirmasse a infração, responderia pela correspondente penalidade cabível, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, verbis: Art. 95 Respondem pela infração: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 183 13 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Demais disso, o inciso II do artigo 135 do Código Tributário Nacional determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do artigo 94 do Decretolei 37 de 1966 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pelo recorrente, é suficiente evidenciar que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do Decretolei 2.472 de 01.09.1988, que deu nova redação ao artigo 32 do Decretolei 37 de 1966, ao expressamente designar que o representante do transportador estrangeiro no País é responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação. Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei 10.833 de 2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex. Transcrevese, em reforço, a ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, proferida no Acórdão 3401003.884, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decreto lei nº 37/66. (...) Por fim, salientese que, não obstante seu reclamo, verdade é que o próprio recorrente, em determinada altura da sua contestação recursal, especificamente quando trata do tópico referente a denúncia espontânea, reconhece sua condição jurídica de transportador. Vejamos, verbis: (...) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 184 14 Por fim, urge deixar claro que os documentos carreados aos autos demonstram a diligência com que o transportador atuou perante a autoridade fiscal (jamais imbuído do sentido de embaraçar a fiscalização), sempre mantendo a mesma postura íntegra, no sentido de esclarecer os fatos e instruir corretamente os procedimentos e a fiscalização exigidos para o caso. (grifei) (...) Da impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal Esclareçase, que embora o tema agora abordado ser concorrente ao tratado no tópico anterior ilegitimidade passiva do sujeito passivo, em homenagem ao pleno direito de defesa, procederseá a breves considerações sobre referida temática. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pelo recorrente, não sendo, portanto, objeto de contenda. Como visto alhures, sabese que a agência de navegação, na qualidade de representante do transportador estrangeiro, no país, por força do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, responde pela infração consistente na prestação de informações sobre embarques de exportação, no SISCOMEX, fora do prazo. Neste contexto específico, portanto, não há falar em inaplicabilidade da penalidade em comento, sob a equivocada alegação de falta de tipicidade legal, por suposta inimputabilidade das agências de navegação. Do mérito Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento, principal, que a partir da alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, antes de adentrarmos na discussão do referido tema, fazse necessário esclarecer que não fosse a alteração acima destacada, em face da Lei 12.350 de 2010, ou seja, em data posterior à apresentação da impugnação, ofertada em 19.11.2008, tal circunstância implicaria em inovação da tese jurídica na fase recursal, pois tal argumento não foi veiculado em sede de primeiro grau, que a teor do disposto nos artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235 de 1972, em preclusão e, por consequência, supressão de instância, na medida em que a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se a matéria questionada, apreciada e decidida pela primeira instância, a fim de tornar viável sua veiculação em sede de recurso voluntário. Feito este breve esclarecimento, já adiantase, que melhor sorte também não lhe assiste, pois, como veremos, a infração em apreço inequivocamente não é passível de denunciação espontânea. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 185 15 A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar a razão de a penalidade ora objetada não comportar o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 186 16 requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 187 17 No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 188 18 [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, ainda, é relevante reproduzir os preceitos dos artigos 612 e 683, o primeiro do Decreto 4.543 de 26.12.2002 e o segundo do Decreto 6.759 de 05.02.2009, Regulamento Aduaneiro, verbis: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 189 19 I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". Da solicitação de retificação do CEMercante (i)dos fatos que embasam a presente ação fiscal A empresa recorrente solicitou, por meio de petição protocolada em 20.06.2008 retificação de informação do CE 150805101053924, conforme o relato constante do relatório fiscal anexo ao presente auto de infração, que é parte integrante e inseparável deste, a seguir reproduzido, verbis: COMUNICAÇÃO DE SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO Ilmo. Sr. InspetorChefe da Alfândega da Receita federal do Porto de Santos. NYK Line do Brasil LTDA, CNPJ 04.658.184/000132, vem através desta comunicar que foi solicitada a retificação de moeda do THD e modalidade de pagamento da taxa TSD, conforme abaixo: CE: 150805101053924 Manifesto: 1508500856683 Escala: 08000060467 Nome do navio: Mate Data da atracação: 26/05/2008 Inicio de despacho (DI/DTA/DSI): ( x ) Não ( ) Sim nº. Item(s) nº(s): ********** (se for o caso) ALTERAÇÕES: DE: USD 2.625,00 PARA: BRL 2.625,00 DE: USD 75,00 PREPAID PARA: USD 75,00 COLLECT Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 190 20 Santos, 20 de Junho de 2008. (ii)da sanção A alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei no 37/66, estipula a respectiva sanção: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Portanto, como se vê, uma infração omissiva. Com a revogação do artigo 45 da Instrução Normativa RFB 800 de 2007, pela Instrução Normativa RFB 1.473 de 2014, a seguir reproduzida, instalase uma polêmica, verbis: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2º Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Contudo, entendese que nada foi alterado quanto à responsabilidade do transportador em prestar informações e a sua consequente sanção estipulada na alínea “e”, do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei 37 de 1966. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 191 21 Esse entendimento é respaldado na Solução de Consulta Interna nº 2 COSIT, de 4 de fevereiro de 2016, editada, ressaltese, após a decisão recorrida 16 de janeiro de 2013, cuja ementa é, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMTNISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (Grifei e negritei) A parte inicial do Relatório da referida Solução de Consulta, revela a quem se destina, verbis: Tratase de Consulta Interna (CI) nº 1, de 2 de setembro de 2015, formulada pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), acerca da multa de R$ 5.000,00, aplicável nos casos de não prestação de informações por parte de empresas de transporte internacional e depositários ou operadores portuários nas operações de comércio exterior, prevista no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Grifei e negritei) Imprescindível a transcrição da CONCLUSÃO, verbis: 12. Diante do exposto, solucionase a consulta interna respondendo à interessada que: a) a multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação prestada em desacordo com a forma ou nos prazos estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007; b) as alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa aqui tratada. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 192 22 Portanto, a aplicação da multa estipulada na alínea “e”, do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei nº 37/66 permanece aplicável à informação prestada em desacordo com a forma ou nos prazos estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27.12.2007. Todavia, a alínea “b” da CONCLUSÃO da Solução de Consulta Interna nº 2 COSIT de 4 de fevereiro de 2016, explicita, a meu sentir, sem margem para interpretação outra, que as alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes, independentemente da sua espécie e qualificação, não se configuram como prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa aqui tratada, notadamente depois das alterações e revogações promovidas com a edição da Instrução Normativa RFB 1.473 de 02 de junho de 2014. Sendo assim, no caso dos presentes autos, em que pese a respeitável interpretação, dada para o caso e a matéria sob exame, pelo voto condutor do acórdão recorrido, entendo que a imputação da multa regulamentar não procede. Da conclusão Dessa forma, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002601/00-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
Recurso. Defeito na Representação. Admissibilidade.
Não se admite recurso firmado por pessoa que não comprove estar regularmente investida de poderes de representação da recorrente.
Numero da decisão: 1301-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 RECURSO. DEFEITO NA REPRESENTAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se admite recurso firmado por pessoa que não comprove estar regularmente investida de poderes de representação da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 01 /0 0- 07 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13804.002601/0007 Acórdão n.º 1301003.216 S1C3T1 Fl. 145 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por REIPLAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAL ELÉTRICO LTDA., já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1631.021, da 2ª Turma da DRJ São Paulo I, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo a decisão da Derat SP, que reconheceu em parte o crédito pleiteado e, até esse valor, homologou as compensações declaradas. A contribuinte havia pedido, a título de saldo negativo de IRPJ, R$ 460.856,66 e R$ 450.310,26 apurados em 1998 e 1999 respectivamente. A Derat reconheceu o direito creditório de R$ 394.348,61 para ano base 1998 e R$ 438.060,60 para o ano base 1999. A Derat SP assim se manifestou: Relativamente ao anocalendário de 1998 o contribuinte às fls. 02 elaborou uma planilha onde constou como IRRF recolhido o valor de R$ 460.856,66; porém após se analisar o sistema online às fls. 22, verificase que o valor declarado é de R$ 394.348,61. Observase que as receitas oferecidas à tributação (ficha 07 fls. 20) justificam o IRF constante no extrato de fls. 22 e que não foi apurado IR devido ( ficha 13 fls. 21), resultando assim saldo credor de IRPJ (linha 17 e 26) no mesmo montante do IRF lançado na linha 13 Base legal da alteração de ofício: art. 147 § 2º da Lei Complementar n° 5.172/66 CTN. Quanto ao anocalendário de 1999 o contribuinte, às fls. 04, relacionou como IRRF o valor de R$ 450.310,26. Entretanto, ao se analisar o sistema online SRF SIEF anexado às fls. 24, verificouse que foi comprovado o valor de R$ 438.060,60. Observase que as receitas oferecidas à tributação no ano de 1999 (ficha 07A fls. 23) justificam o IRF constante no extrato IR SIEF de fls. 24 e que não foi apurado IR devido (ficha 13 A fls. 25), resultando assim saldo credor de IRPJ (linha 18) no mesmo montante do IRF lançado na linha 13 Base legal da alteração de ofício: art. 147 § 2º da Lei Complementar n.° 5.172/66. (fls. 30 e 31 do processo 10880.725836/200952 em apenso) A recorrente, não concordando com o despacho decisório, apresentou manifestação de inconformidade, que foi indeferida pela DRJ SP1, em acórdão assim resumido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada da apresentação de prova inequívoca amparada por documentação hábil e idônea, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13804.002601/0007 Acórdão n.º 1301003.216 S1C3T1 Fl. 146 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Não resignada, REIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAL ELÉTRICO LTDA. interpôs recurso. Alegou nulidade do despacho decisório por falta de comprovação de que o direito ao crédito não era aquele pleiteado pela recorrente. Também apontou nulidade na decisão recorrida, que não se baseou em provas. Aduziu que é dever do Fisco demonstrar, através de documentos irrefutáveis, a ocorrência da suposta ilegalidade do pedido de restituição. Concluiu dizendo que o ônus de demonstrar qualquer ilegalidade supostamente praticada pela recorrente é do Fisco, sob pena de serem nulas suas conclusões. No caso concreto, não teria havido tal demonstração, o que faz com que mereçam fé o pedido e as informações formuladas pela recorrente. Em despacho de saneamento (fls. 133 e 134), o Conselheiro Flávio Franco Correa constatou defeito na representação da recorrente e propôs o retorno dos autos para sanar o vício. Eis o teor do despacho: "Sr. Presidente da 1a Turma Ordinária / 3a Câmara / 1ª Seção O processo n° 10880.725836/200952 é apenso a este. No entanto, os documentos mais importantes à solução do litígio estão anexados ao processo apenso: pedido de restituição, DIPJ (cópia), contrato social (cópia), despacho decisório, manifestação de inconformidade, acórdão da DRJ, recurso voluntário. Em face do exposto, todas as referências abaixo dizem respeito a documentos do processo n° 10880.725836/200952. Feitas, desse modo, as necessárias advertências, avançase à questão preliminar sobre a regularidade da representação dos advogados que subscrevem a peça recursal. Percebase: 1) a procuração à fl 50 [numeração eletrônica, fl. 59], passada aos advogados Renato de Luizi Júnior e Frederico Santiago Loureiro de Oliveira, data de 03/07/2009; 2) por sua vez, o recurso voluntário de fls. 81/91 (numeração eletrônica) ingressou na repartição preparadora no dia 22/06/2011, conforme fl. 81 (numeração eletrônica), assinado pelos citados advogados com a data de 21/06/2011, à fl. 91 (numeração eletrônica). Portanto, entre a procuração precitada e a entrega do recurso voluntário àquela unidade administrativa transcorreu o lapso temporal de um ano e nove meses; 3) entretanto, no contrato social da sociedade empresária ora recorrente, às fls. 51/58 [numeração eletrônica, fls. 60/67], consta, no parágrafo 3o da cláusula 6a, à fl. 55 [numeração eletrônica, fl. 64], que o prazo de validade dos instrumentos de outorga de mandato é de um ano, contado da data de outorga. Diante disso, proponho que se remetam os autos à Delegacia de origem com a rogativa de que se intime a fiscalizada a comprovar que os referidos advogados estavam investidos do poder de representála perante este Conselho, no dia do ingresso do antedito recurso voluntário na repartição preparadora." Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13804.002601/0007 Acórdão n.º 1301003.216 S1C3T1 Fl. 147 4 Os autos foram remetidos à unidade local, de onde retornaram com a seguinte informação: Retorno o processo ao CARF, para prosseguimento, ressaltando que, tendo sido esgotado o prazo concedido na intimação, o contribuinte não apresentou os documentos solicitados. (g.n.) (fl. 141) É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator A admissibilidade do recurso depende de alguns requisitos, entre eles a regularidade da representação. É preciso que a pessoa que assina a peça recursal demonstre estar investida de poderes para tanto. No caso em exame, constatouse que existe uma cláusula do contrato social da recorrente que limita a vigência da procuração a um ano. Confirase: Parágrafo Terceiro A sociedade poderá fazerse representar em juízo e fora dele, por procurador ou procuradores, "ad judicia" ou "ad negotia", os quais terão os poderes que forem fixados nos respectivos instrumentos de mandato, sendo que o instrumento de mandato será sempre firmado pelo Diretor Presidente ou, na sua ausência, pelo Diretor VicePresidente, e vigorarão por prazo de 01 (um) ano, no máximo, contado da respectiva outorga. Percebendo que o mandato, aparentemente, tinha perdido a vigência, o Conselheiro Flávio Franco Corrêa solicitou que a recorrente comprovasse que os signatários do recurso estavam investidos de poderes para representála. Entretanto a recorrente, posto que intimada, deixou transcorrer o prazo sem qualquer manifestação, nem mesmo para ratificar os termos do recurso. Portanto, ausente um dos requisitos de admissibilidade, este colegiado não pode conhecer do recurso. Porém, a título de obiter dictum, se o recurso fosse admitido, o exame de mérito seria contrário à recorrente. É que o objeto da controvérsia gira em torno da existência de parte dos saldos negativos de IRPJ dos anos de 1998 e 1999. A Derat, embora tendo reconhecido grande parte do crédito pleiteado, glosou, em cada período, um valor ao argumento de que não havia prova da retenção, nem de que a receita correspondente havia sido oferecida à tributação. A recorrente, ao invés de apresentar os comprovantes de retenção e a escrita comercial e fiscal a fim de demonstrar que as receitas tinham sido contabilizadas e oferecidas à Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13804.002601/0007 Acórdão n.º 1301003.216 S1C3T1 Fl. 148 5 tributação, preferiu alegar que o ônus da prova era do Fisco que, no caso, deveria fazer prova de fato negativo: provar que não houve retenção de IR. Existe, por parte da recorrente, uma nítida falta de compreensão acerca do ônus da prova. É certo que no lançamento de crédito tributário, mediante auto de infração, a prova do fato gerador incumbe ao Fisco. Mas é diferente em se tratando de compensação e restituição. Aqui o ônus da prova do fato constitutivo do pretenso direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida parcialmente a restituição pela Derat SP, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. Não agindo assim, a pretensão deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 148DF CARF MF
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