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Numero do processo: 10880.909384/2015-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ADEQUAÇÃO LEGAL E PRECISÃO DA MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É improcedente a arguição de nulidade do despacho decisório, por cerceamento de defesa, quando esta decisão administrativa apresenta-se revestida das formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais específicos, assim como verificado que o contribuinte obteve plena ciência de seus termos, assegurando-lhe o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade da decisão administrativa.
NULIDADE. INCONGRUÊNCIA ENTRE A MOTIVAÇÃO DE DECISÕES NO MESMO PROCESSO. MESMO FUNDAMENTO JURÍDICO E FACTUAL. DEMONSTRAÇÃO EXPRESSA DE PROCEDÊNCIA DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Se a decisão administrativa que julga Manifestação de Inconformidade respeita a delimitação da motivação e dos fundamentos empregados no Despacho Decisório, não se valendo de novos argumentos para a denegação do crédito pretendido, não se pode cogitar a presença incongruências entre decisões ou modificação dos motivos de tal negativa homologatória.
O aprofundamento elucidativo e explicativo das razões de não homologação das compensações declaradas pela Unidade Local, justamente para demonstrar a correção dessa postura decisória inicial, não configura alteração de motivação ou fundamentação.
NULIDADE. NECESSIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. QUESTIONAMENTO DO SALDO NEGATIVO INFORMADO. POSSIBILIDADE. VERIFICAÇÃO DO VALOR DE TRIBUTO A RECOLHER. VALIDADE DO PROCEDIMENTO.
O simples questionamento do valor do saldo negativo apurado e informado pelo contribuinte, por meio decisão que não homologa, total ou parcialmente, compensações declaradas, não demanda a lavratura de Auto de Infração, vez que é elemento relacionado apenas ao valor dos tributos a recolher.
Apenas a recomposição do cálculo de saldo negativo por consequência da imputação de infrações, com questionamento da base cálculo, das alíquotas aplicadas e outros elementos materiais da obrigação tributária, relacionados ao valor dos tributos devidos, ainda que não haja exigência de crédito tributário, demanda a formalização por meio de Auto de Infração.
Numero da decisão: 1402-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ADEQUAÇÃO LEGAL E PRECISÃO DA MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É improcedente a arguição de nulidade do despacho decisório, por cerceamento de defesa, quando esta decisão administrativa apresentase revestida das formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais específicos, assim como verificado que o contribuinte obteve plena ciência de seus termos, assegurandolhe o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade da decisão administrativa. NULIDADE. INCONGRUÊNCIA ENTRE A MOTIVAÇÃO DE DECISÕES NO MESMO PROCESSO. MESMO FUNDAMENTO JURÍDICO E FACTUAL. DEMONSTRAÇÃO EXPRESSA DE PROCEDÊNCIA DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Se a decisão administrativa que julga Manifestação de Inconformidade respeita a delimitação da motivação e dos fundamentos empregados no Despacho Decisório, não se valendo de novos argumentos para a denegação do crédito pretendido, não se pode cogitar a presença incongruências entre decisões ou modificação dos motivos de tal negativa homologatória. O aprofundamento elucidativo e explicativo das razões de não homologação das compensações declaradas pela Unidade Local, justamente para demonstrar a correção dessa postura decisória inicial, não configura alteração de motivação ou fundamentação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 93 84 /2 01 5- 16 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 180 2 NULIDADE. NECESSIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. QUESTIONAMENTO DO SALDO NEGATIVO INFORMADO. POSSIBILIDADE. VERIFICAÇÃO DO VALOR DE TRIBUTO A RECOLHER. VALIDADE DO PROCEDIMENTO. O simples questionamento do valor do saldo negativo apurado e informado pelo contribuinte, por meio decisão que não homologa, total ou parcialmente, compensações declaradas, não demanda a lavratura de Auto de Infração, vez que é elemento relacionado apenas ao valor dos tributos a recolher. Apenas a recomposição do cálculo de saldo negativo por consequência da imputação de infrações, com questionamento da base cálculo, das alíquotas aplicadas e outros elementos materiais da obrigação tributária, relacionados ao valor dos tributos devidos, ainda que não haja exigência de crédito tributário, demanda a formalização por meio de Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 181 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 163 a 175) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Curitiba/PR (fls. 148 a 156) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 03 a 36), mantendo integralmente o r. Despacho Decisório (fls. 78 a 83), que homologou apenas parcialmente a compensação pretendida com créditos de IRPJ da Contribuinte, por meio de DCOMPs (fls. 70 a 77). Em suma, as compensações sob análise são referentes a saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 2011 pela Recorrente, formado por IRRF. O valor controverso do crédito, agora, em sede de Recurso Voluntário, é de R$ 7.641.488,78 (R$ 12.966.776,37 pretendidos nas compensações, sendo reconhecido apenas R$ 5.325.287,59 desde o r. Despacho Decisório). Confirase nos quadros e trechos do r. decisório primitivo, abaixo colacionados, as DCOMPs (originais e retificadoras) objeto do presente processo: Doravante, adotase o preciso e completo relatório da DRJ a quo, que também pormenoriza o conteúdo do r. Despacho Decisório que inaugurou a contenda: Trata o processo das Declarações de Compensação Per/Dcomp nº 15921.30450.040413.1.7.022947, retificadora Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 182 4 da nº 17497.81788.250512.1.3.025214, de 25/05/2012; nº 19409.22678.220612.1.3.029068, de 22/06/2012; nº 14927.35446.170712.1.3.025297, de 17/07/2012; nº 34656.00824.170812.1.7.022005, retificadora da nº 39735.12235.060812.1.3.029972 de 06/08/2012 e nº 06416.09492.050912.1.3.020448, de 05/09/2012, relativas à compensação de débitos com direito creditório de Crédito Saldo Negativo (SN) de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ de 31/12/2011, requerido no valor original total de R$12.966.776,37. 2. Às págs. 78 e 81/83, consta o Despacho Decisório DERAT SÃO PAULO em 09/03/2015, nº de rastreamento 098675101, que homologou parcialmente as compensações declaradas na Dcomp 15921.30450.040413.1.7.022947 e não homologou as demais, porque apurou SN IRPJ 31/12/2011 de apenas R$72.692,91; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2015, no valor de R$2.614.248,11, acrescidos de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado por via postal em 14/03/2015, págs. 79/80, o contribuinte, apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 2/12, tempestivamente, em 14/04/2015, por meio de seu representante legal de págs. 13/14 e 35 e documentos. 4. Pleiteia a nulidade do depacho decisório por vício no procedimento, alegando necessidade de prévia lavratura do auto de infração, a teor do §1° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 77 de 1998 e que, se as alterações de ofício dos dados informados na DIPJ pelo contribuinte implicarem a redução do imposto a compensar ou a restituir, as irregularidades apuradas pela autoridade administrativa competente deverão ser objeto de auto de infração. 5. No caso, as alterações promovidas pelo despacho decisório eletrônico nos dados informados na DIPJ pela Requerente implicaram, justamente, a redução do crédito pleiteado, por isso, as supostas irregularidades deveriam ter sido objeto de auto de infração. 6. Mas, em afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional e §1° do art. 2º da citada IN, a glosa das retenções de IRRF, computadas na formação do saldo negativo de IRPJ do ano calendario de 2011 e, por decorrência, a redução do crédito, não foram efetuadas pela autoridade administrativa mediante a lavratura de auto de infração. 7. Alega cerceamento de defesa, devido à ausência de previa intimação da Requerente para prestar informações; após a transmissão eletrônica do PER/DCOMP, a Requerente foi surpreendida com a prolação de despacho decisório eletrônico que concluiu, peremptoriamente, pela insuficiência do crédito Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 183 5 pleiteado, deixando de homologar parle das compensações declaradas. 8. O despacho decisório se limitou a proceder a um cruzamento eletrônico de informações, sem que a Requerente sequer tivesse sido intimada para se manifestar a respeito, o que viola o princípio do contraditório e da ampla defesa (art. 5o, LV, da Constituição Federal de 1988). 9. Além disso, a prolação do despacho decisório eletrônico sem o detido exame do direito creditório pleiteado deixou de observar o disposto no artigo 76 da IN RFB n° 1.300, de 2012, o qual estabelece o poderdever de a autoridade administrativa determinar a realização dc diligências necessárias ao esclarecimento do direito creditório. 10. A disposição cm exame não deixa dúvidas quanto ao dever de a autoridade administrativa proceder à verificação da exatidão das informações prestadas, como condição para negar o pleito do contribuinte, sendo inadmissível o seu indeferimento de plano. 11. E nem se argumente que a referencia ao vocábulo "poderá" estaria a induzir uma discricionariedade da Administração Tributária cm proceder ou não a intimação do contribuinte, uma vez que este dispositivo obedecer ao art. 195 do Código Tributário Nacional, dispõe que para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições lesais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, das comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. (destaques da Requerente) 12. Assim, se não é dado à lei estabelecer quaisquer limitações ao poderdever da Administração Tributária de examinar os documentos do contribuinte, que dizer então de atos infralegais estabelecidos no âmbito dos órgãos do Poder Executivo. 13. Reclama de Ausência da Busca da Verdade Material, pois o despacho decisório eletrônico não indica quais os motivos fáticos e jurídicos que acarretaram a glosa das retenções de imposto de renda; pelo contrário, simplesmente disponibiliza o montante das retenções não confirmadas, o que, consequentemente prejudica os meios de defesa da Requerente. 14. A não verificação e diligência em toda a documentação da Requerente, no presente caso, torna precário o despacho decisório, eis que fere o princípio da verdade material e, consequentemente, o princípio constitucional da ampla defesa. 15. Assim, por estar o despacho decisório fundamentado em suposições e/ou meras presunções, concluise, sem qualquer esforço, que não pode prosperar. 16. No processo administrativo, o princípio da verdade material predomina no sentido de que, com este, buscase descobrir se Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 184 6 realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está cm jogo é justamente a legalidade da tribulação. 17. De fato, os indícios de prática de irregularidade fiscal devem ser pesquisados e, por fim, comprovados, para que possam servir de sustentáculo à acusação fiscal. 18. Ante o exposto, requer: 19. a) o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade para que seja reconhecido integralmente o credito decorrente do saldo negativo de 1RPJ do anocalendário de 2011 e homologadas as compensações declaradas; ou 20. b) ao menos, seja anulado o despacho decisório para que seja efetivamente analisado o direito creditório pleiteado, inclusive, mediante realização das diligências necessárias. Devidamente encaminhados os autos à 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, foi proferido o v. Acórdão ora recorrido, rejeitando totalmente a Manifestação de Inconformidade apresentada, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2011 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. SN IRPJ NÃO RECONHECIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. A lavratura de auto de infração não é condição para não se reconhecer SN IRPJ que o contribuinte informou na DIPJ, porém o resultado da análise em que se constata que o SN IRPJ não corresponde à verdade, pode ocasionar lançamento de ofício. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Improcede a reclamação, dado que ao contribuinte é facultada a apresentação da Manifestação de Inconformidade às Delgacias de Julgamento, que são a primeita instãncia de julgamento e ainda eventual recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme a legislação que rege o processo administrativofiscal. VERDADE MATERIAL. O processamento das Declarações de Compensação Dcomp foi efetuado em meio eletrônico, em que são confrontados os dados Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 185 7 informados pelo contribuinte na Dcomp, os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e, no caso, as informações das fontes pagadoras, nas Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e considerada a proporção de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF nas retenções de códigos 6147 e 6190, garantindo a verdade material. CÓDIGO 6147. PRODUTOS RETENÇÃO EM PAGAMENTOS POR ÓRGÃO PÚBLICO O IRRF corresponde a 1,2% da Receita Tributável, constituindo fração do total retido neste código, o qual inclui CSLL, Cofins e PIS. CÓDIGO 6190. RETENÇÃO EM PAGAMENTO POR ÓRGÃO PÚBLICO O IRRF corresponde a 4,8% da Receita Tributável, constituindo fração do total retido neste código, o qual inclui CSLL, Cofins e PIS. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. Procede a homologação parcial da compensação declarada, se o crédito de Saldo Negativo de IRPJ confirmado em parte foi em valor insuficiente para quitar todos os débitos confessados. DILIGÊNCIA. PRESCINDÍVEL. Indeferese solicitação de diligência, se o teor da decisão é explicado no Acórdão, tratandose de legislação, que o contribuinte não pode alegar desconhecer. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, basicamente repisando as mesmas alegações de sua primeira defesa e apontando as razões de reforma do v. Acórdão. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 186 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se observa, a controvérsia que permanece na presente contenda resumese ao valor de R$ 7.641.488,78, exclusivamente referente a retenções de IRRF não confirmadas pela N. Unidade Local. Contudo, a matéria alegada em Recurso Voluntário restringese a: a) Configuração de Cerceamento de Defesa, (...) por estar o despacho decisório fundamentado em suposições e/ou meras presunções; b) Inconsistência da Motivação do r. Despacho Decisório, bem como na sua prevalência pelo v. Acórdão da DRJ; e c) Do vício no Procedimento – necessidade de prévia lavratura do auto de infração; São apenas essas as matérias tratadas no Recurso Voluntário, ficando, assim, o presente julgamento adstrito a tais temas e alegações. Em relação à alegação da ocorrência de cerceamento da defesa da Contribuinte, alegase que em momento algum o despacho decisório eletrônico indica quais os motivos fáticos e jurídicos que acarretaram a glosa das retenções de imposto de renda; pelo contrário, simplesmente disponibiliza o montante das retenções não confirmadas, o que, consequentemente prejudica os meios de defesa da Recorrente. Como mencionado, chega a se afirmar que este é fundamentado em suposições e/ou meras presunções. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 187 9 No mais, apenas colacionase doutrina de Direito Administrativo e de Direito Tributário, que versa sobre a motivação do lançamento de ofício e sobre a figura das presunções. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Primeiro, porque não se trata aqui de lançamento de ofício que está sendo oposto em face da Contribuinte. Tratase, na verdade, de contencioso administrativo, formado e conduzido a partir das previsões legais do art. 74 da Lei nº 9.430/96, largamente regulado nas últimas duas décadas. Em suma, a compensação de créditos de tributos federais apurados pelos contribuintes operase, inicialmente, mediante entrega de declaração própria (como precisamente ocorrido nesse feito), sujeita à homologação pela Administração Tributária federal, em prazo quinquenal previsto especificamente na norma mencionada. Uma vez transmitida, a mencionada Declaração de Compensação (DCOMP) é processada (atualmente de forma eletrônica), gerando um despacho decisório, o qual, com base nas informações constantes em tal documento, nas demais declarações prestadas e sistemas próprios e especializados (como o SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensações), confirmase a existência ou não do crédito, seu montante e a procedência formal da compensação. Não há qualquer menção da Recorrente a violação de dispositivos, regras ou outras determinações regulatórias de tal procedimento. Frisese que, uma vez questionada a existência, a monta ou a adequação da compensação procedida e declarada, cabe ao contribuinte o ônus da prova do seu direito. E é a partir da notificação do r. Despacho Decisório que surge a possibilidade de ser instaurado contencioso administrativo acerca de tal manobra compensatória denegada (ou denegada em parte, como no presente caso), podendo em sede de Manifestação de Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 188 10 Inconformidade o contribuinte provar o seu direito, por todos os meios hábeis e regulados pelo Decreto nº 70.235/72. Também consta, clara e individualmente, no r. Despacho Decisórios os valores das retenções que não foram confirmadas, o CNPJ das Fontes Pagadoras e o código da receita dos recolhimentos efetuados. A partir de tais elementos, a Recorrente (como qualquer outro contribuinte) pode edificar suas defesas, sendolhe facultado trazer provas que contrariem as constatações daquele decisum inaugural, empreendendo na contenda administrativa. Nesse sentido, confirase o Acórdão nº 3801003.004, proferido pela C. 1ª Turma Especial da 1ª Câmara da 3ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, publicado em 02/04/2014: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2011 a 31/10/2011 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 189 11 Assim, não foi demonstrada e, mesmo analisando todo o ocorrido nestes autos, não se configura qualquer hipótese de cerceamento de defesa, devendo ser rejeitada tal alegação. Em relação à suposta inconsistência da motivação, a Contribuinte, citando doutrina de Direito Administrativo, assevera que os atos administrativos necessitam de motivação para sua existência e legalidade. Também, arrimado em ensinamentos acadêmicos, afirma que os atos administrativos ficam vinculados aos motivos expostos. A partir daí, caminha para uma demonstração de que existiriam incongruências entre o r. Despacho Decisório e o v. Acórdão recorrido, ao passo que primeiro o despacho decisório, analisando eletrônica e prematuramente a declaração enviada pela Recorrente, consignou que não haveria crédito suficiente para fazer face à compensação declarada e, por sua vez, a DRJ deixa de homologar a compensação declarada agora sob o fundamento de que a Recorrente não teria levado em conta a proporção de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF nas retenções de códigos 6147 e 6190 (aproximandose ao tema de modificação dos critérios jurídicos das decisões administrativas, mas sem invocar propriamente tal matéria tributária específica). Igualmente, não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Ora, o que a I. Relatora do V. Acórdão da DRJ fez foi apenas explicar e pormenorizar porque, após confronto entre informações de sistemas, declarações, documentos de arrecadação (que são alimentados conforme e preenchidos com tais códigos), a Unidade Local não vislumbrou tal montante de crédito como, então, declarado pela Recorrente. Confirase como a DRJ a quo abordou tal tema: 33. Reclama da ausência da busca da verdade material, porque não teria havido verificação nem diligência em toda a documentação da Requerente, o que reputa que torna precário o despacho decisório, pois fere o princípio da verdade material e, consequentemente, o princípio constitucional da ampla defesa, estando o despacho decisório fundamentado em suposições e/ou meras presunções. 34. O processamento das Declarações de Compensação Dcomp foi efetuado em meio eletrônico, em que são confrontados os dados informados pelo contribuinte na Dcomp, os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e, no caso as informações das fontes Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 190 12 pagadoras, nas Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. 35. Como se esclarece adiante, o contribuinte não levou em conta a proporção de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF nas retenções de códigos 6147 e 6190. 36. Como se esclarece a seguir, observada a legislação, o Despacho Decisório está certo e descabe ao contribuinte alegar em sua defesa, desconhecimento da legislação. 37. O valor total de IRRF confirmado no Despacho Decisório foi de R$30.076,95 + R$5.295.210,64, conforme os quadros reproduzidos a seguir, totalizando R$5.325.287,59: (...) 38. Cabe explicar aparente mal entendido do contribuinte no que tange aos valores da fonte pagadora 33.000.167. 39. Os códigos de retenção por esta fonte pagadora foram 6147 e 6190, em cujo total de retenção estão compreendidos IRPJ, CSLL, Cofins e PIS nos percentuais e proporções descritos a seguir, Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: 40. Dessa forma, computandose os valores que o contribuinte pretende de IRRF na Dcomp, com os valores confirmados na DIRF de págs. 86/102, verificase que o despacho decisório está correto: 41. Observase que o contribuinte entende que o valor total das retenções seria de IRRF, o que não é correto. 42. A apuração do IRPJ devido, no Despacho Decisório, resta confirmada, como segue: 43. o litigante havia requerido a anulação do despacho decisório e diligência que, como se vê, revelase desnecessária. (fls. 154 a 156) Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 191 13 Como se observa do excerto acima colacionado, ao que procedeu a DRJ foi diametralmente oposto à alteração dos motivos do r. Despacho Decisório, convalidando, expressa e matematicamente, os precisos valores reconhecidos pela N. Unidade Local de IRRF, na percentagem correspondente ao código de seu recolhimento. Dessa forma, não há como se cogitar a ocorrência inconsistência, modificação ou até incremento dos motivos decisórios que denegaram parcialmente o crédito pleiteado pela Contribuinte, permanecendo os mesmos desde a prolatação do r. Despacho Decisório, devidamente confirmados pela DRJ a quo. Posto isso, rejeitase tal alegação da Recorrente. Ainda, em relação à alegação de vício no procedimento vez que deveria ter a Fiscalização procedido à prévia lavratura do auto de infração, alega a Contribuinte que o §1º do artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 77/1998, se as alterações de ofício dos dados informados na DIPJ pelo contribuinte implicarem a redução do imposto a compensar ou a restituir, as irregularidades apuradas pela autoridade administrativa competente devem ser objeto de lançamento de ofício. Mais uma vez, não assiste razão à Recorrente. Como é corriqueiro nos processos referentes a Declarações de Compensação, os elementos presentes nos autos levam à conclusão de que se está diante do questionamento do montante de saldo negativo, relacionado exclusivamente ao valor de tributo a recolher. Não se questiona em qualquer momento os valores, os cálculos ou qualquer elemento do tributo devido pela Contribuinte no período (esse, sim, relacionado à base de cálculo obtida, à incidência das alíquotas previstas nas normas e a outros elementos materiais da obrigação tributária). Se assim fosse, então, realmente, seria necessário lançamento de ofício mas não é o caso aqui apresentado. Nesse sentido, o §4º do art. 9 do Decreto nº 70.235/721 é claro quando determina que a lavratura de auto de infração pela Autoridade Tributária é devida quando 1 Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 192 14 constatada infração à legislação tributária, mesmo que não resulte exigência de crédito tributário. Não foi apurada e imputada nenhuma conduta infracional à Recorrente por parte da Fiscalização, apenas não foi homologada parte das compensações declaradas, dentro do rito ordinário e regular da dinâmica instaurada pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por fim, frisese que a Instrução Normativa SRF nº 77/1998, expressamente invocada pela Contribuinte para fundamentar tal suposta nulidade, versa sobre multas e juros devidos no lançamento de ofício fruto de revisão da DCTF, das declarações de rendimentos das Pessoas Físicas e Jurídicas e da declaração de ITR, sendo normativo alheio ao objeto desta demanda. Ao presente processo incidem as previsões da Instrução Normativa nº 900/2008, estando os procedimentos relacionados à arguição sob análise tratados especificamente nas disposições do art. 36 ao art. 38. Não existem outras matérias sob análise e julgamento. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido, confirmando o r. Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella (...) § 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.909384/201516 Acórdão n.º 1402002.991 S1C4T2 Fl. 193 15 Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900982/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.939
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 09 82 /2 00 8- 41 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13884.900982/200841 Acórdão n.º 3401004.939 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.604, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13884.900982/200841 Acórdão n.º 3401004.939 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13884.900982/200841 Acórdão n.º 3401004.939 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13884.900982/200841 Acórdão n.º 3401004.939 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13884.900982/200841 Acórdão n.º 3401004.939 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.725277/2014-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pelo Recorrente está confirmado na decisão do laudo oficial.
Numero da decisão: 2001-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pelo Recorrente está confirmado na decisão do laudo oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 52 77 /2 01 4- 18 Fl. 79DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 2.003,17, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: O processo referese à notificação de lançamento de fls. 04/08 lavrada em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2013, ano calendário 2012, já objeto de revisão de ofício conforme Despacho Decisório n.º 118/2015 da DRF – Feira de Santana, fls. 31, que acatando os argumentos contidos no Termo Circunstanciado, fls. 32/33, decidiu por manter a exigência integralmente nos seguintes valores originalmente propostos: (...) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – R$ 51.582,00 – proveniente das fontes pagadoras Instituto Nacional do Seguro Social – INSS no valor de R$ 37.094,02 e Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social no valor de R$ 14.487,98, ambas para o titular. (...) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10530.725277/201418 Acórdão n.º 2001000.293 S2C0T1 Fl. 80 3 Sobre a isenção concedida aos aposentados e pensionistas portadores de moléstias graves outorgada pelo art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713 de 22/12/1988, com a nova redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541 de 23/12/1992, assim ficou regulamentada a questão: (...) Dispondo sobre essa concessão, o artigo 30 da Lei nº 9.250 de 26/12/1995 veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, como se verifica na transcrição do texto legal que se segue: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” (...) Da leitura do dispositivo legal acima, depreendese que, para fazer jus à isenção pleiteada, é necessário que o contribuinte comprove o preenchimento cumulativo dos requisitos a seguir enumerados: 1. que os rendimentos percebidos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma; 2. que a moléstia grave tipificada no texto legal, contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão, seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; (...) É mister elucidar que no presente caso foi anexado com a manifestação de inconformidade apresentada pelo interessado documentos de fls. 44/50 preenchidos por instituição médica hospitalar particular (Hospital São Rafael), mantida pelo Monte Tabor – Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária, que é uma associação sem fins lucrativos. Neste sentido, pela prova anexada aos autos, não é possível considerar que os rendimentos auferidos pelo contribuinte estavam isentos, posto que para acatamento do pleito e reconhecimento da benesse fiscal, se faz necessário o cumprimento cumulativo de ambos os requisitos previstos em lei (acima mencionados), assim como as disposições específicas do artigo 30 da Lei nº 9.250 de 26/12/1995 (laudo pericial emitido por serviço médico oficial). Fl. 81DF CARF MF 4 Diante de todo o anteriormente exposto, e considerando que a presente notificação fiscal foi lavrada com observância dos preceitos legais vigentes, voto no sentido julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA AO DESPACHO DECISÓRIO, declarando o contribuinte devedor do crédito tributário apurado. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, pelo não reconhecimento do direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10530.725277/201418 Acórdão n.º 2001000.293 S2C0T1 Fl. 81 5 (...) (...) É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 83DF CARF MF 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10530.725277/201418 Acórdão n.º 2001000.293 S2C0T1 Fl. 82 7 Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. O Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. Fl. 85DF CARF MF 8 Os relatórios médicos particulares que atestam a doença foram juntados ao processo (fl. 25, 26, 27), datados, respectivamente de 03/07/2014, 16/01/2007 e 22/12/2006. Todos abordam a questão da moléstia em estágio avançado e relatam a gravidade do quadro da doença. Ressaltese que esse quadro de gravidade foi o motivo que originou a aposentadoria por invalidez, de forma precoce aos 50 anos de idade. Assim, a partir de então produziuse os efeitos para o benefício da isenção do Imposto sobre a Renda. Observese que o relatório médico do Setor de Cardiocirúrgica do Hospital – Hospital São Rafael – Hospital Aliança – Hospital da Bahia, com data de 16/01/2007, relata que o eco cardiograma demonstra estenose aórtica severa calcificada. O cateterismo de 10/01/2007, mostrou estenose grave aórtica e afirma ainda que possui indicação para cirurgia cardíaca para a troca válvula aórtica, com brevidade (fl. 45). Informação médica do Hospital São Rafael de 22/12/2006, relata que o paciente Ivaldo Praxedes Cavalcante, então com 50 anos, tem estenose aórtica severa, e está em período préoperatório de cirurgia cardíaca e solicita exame preparatório de coronariográfica (fl.46). Em sequência, o laudo médico de avaliação do Centro de Saúde da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Serrinha do Estado da Bahia atesta a existência de insuficiência cardíaca funcional II NYHA, secundária à cardiopatia reumática antes detectada. Ou seja, o laudo confirma a cardiopatia que deu origem a cirurgia para a colocação de prótese mecânica em 02/07/2007, e ainda detecta uma segunda anomalia de insuficiência cardíaca demonstrando de forma cabal a vulnerabilidade da saúde física do paciente Contribuinte (fls. 48 e 75 e 76). Assim, em razão do laudo oficial ter sido firmado considerando que os efeitos definidores da cardiopatia grave e da afirmação apontada nos laudos médicos particulares que reportam o estágio definidor da enfermidade a partir dos anos de 2006 e 2007, e ainda, a apresentação de estágio de demência com expedição de Sentença Judicial de interdição, desde períodos anteriores ao exercício do aproveitamento da isenção do Imposto sobre a Renda, demonstrase por evidente o direito ao beneficio fiscal. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na declaração do Imposto sobre a Renda. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10530.725277/201418 Acórdão n.º 2001000.293 S2C0T1 Fl. 83 9 Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721374/2016-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. EMPRESA FALIDA. RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES
A intimação do Administrador Judicial da massa falida para atuar no procedimento de fiscalização é essencial, principalmente quando este era o único apto a representar a contribuinte perante os órgãos públicos após a decretação judicial da falência.
NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.
Vício formal a que se refere o artigo 173, II do CTN é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, que diz respeito a erros quanto à caracterização do auto de infração, relacionados a aspectos extrínsecos, como por exemplo: inexistência de data, nome da autoridade competente, matrícula, local de lavratura do auto, assinatura do autuante, autorização para nova lavratura de auto de infração, ou quaisquer outros erros que comprometam a forma do ato do lançamento.
Se o defeito no lançamento disser respeito a requisitos fundamentais, se está diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindo-o de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo.
Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no artigo 142 do Código Tributário Nacional, qual seja, a valoração jurídica dos fatos tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo.
Assim, não pode o Fisco, sob o pretexto de corrigir eventual vicio formal detectado, intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providencias são necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vicio apurado não é apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou essencial ao ato praticado.
Numero da decisão: 1301-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por, em primeira votação, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; em segunda votação, por maioria de votos, decidiu-se que o vício que ensejou o cancelamento da autuação não se enquadra no conceito de vício formal de que trata o inciso II do art. 173 do CTN, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Nelso Kichel e Ângelo Antunes Nunes que votaram por anular o lançamento por vício formal. Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza foi designado redator do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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EMPRESA FALIDA. RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES A intimação do Administrador Judicial da massa falida para atuar no procedimento de fiscalização é essencial, principalmente quando este era o único apto a representar a contribuinte perante os órgãos públicos após a decretação judicial da falência. NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal a que se refere o artigo 173, II do CTN é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, que diz respeito a erros quanto à caracterização do auto de infração, relacionados a aspectos extrínsecos, como por exemplo: inexistência de data, nome da autoridade competente, matrícula, local de lavratura do auto, assinatura do autuante, autorização para nova lavratura de auto de infração, ou quaisquer outros erros que comprometam a forma do ato do lançamento. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisitos fundamentais, se está diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindoo de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no artigo 142 do Código Tributário Nacional, qual seja, a valoração jurídica dos fatos tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 74 /2 01 6- 16 Fl. 16859DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.860 2 Assim, não pode o Fisco, sob o pretexto de corrigir eventual vicio formal detectado, intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providencias são necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vicio apurado não é apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou essencial ao ato praticado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, em primeira votação, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; em segunda votação, por maioria de votos, decidiuse que o vício que ensejou o cancelamento da autuação não se enquadra no conceito de vício formal de que trata o inciso II do art. 173 do CTN, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Nelso Kichel e Ângelo Antunes Nunes que votaram por anular o lançamento por vício formal. Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza foi designado redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 16860DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.861 3 Relatório O Presidente da 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haja vista que na apreciação da impugnação essa foi julgada procedente, exonerando o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Por oportuno, transcrevo o relatório de tal decisão, complementandoo ao final: Conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 220 a 228), parte integrante do auto de infração lavrado em 08/03/2016 (fls. 229 a 273), o contribuinte acima identificado foi fiscalizado em relação ao IRPJ e reflexos, em decorrência de procedimento de omissão na entrega de DIPJ e apuração de receita em outras declarações, que abrangeu os anoscalendário de 2012. Informa a Autoridade Fiscal que o contribuinte não entregou DIPJ 2012, e declarou valores em DACON inferiores aos apurados em DIRF de terceiros, e não apresentou ECD, embora obrigado. O Termo de Início do Procedimento Fiscal foi encaminhado ao contribuinte e retornou com informação de que o mesmo "mudouse". Então, para ciência do mencionado termo o Fiscal utilizouse de edital, juntamente com a ciência do procedimento fiscal em curso aos sócios da fiscalizada por meio de Termo de Constatação Fiscal, sendo que o sócio Marcos Sampaio não foi localizado. Prossegue o Auditor Fiscal, informando que em 03/10/2014 o procurador da empresa, Thiago Brandão Silveira, respondeu que a fiscalizada pleiteou recuperação judicial em 11/10/2012, com desistência em 09/11/2012 e requerimento de falência, decretada em 02/10/2013. O responsável pela guarda da documentação da empresa designado em sentença foi o Sr. Marcos Mendo de Mendonça, e a Receita Federal foi informada em 16/08/2013 da situação de insolvência e requerimento de falência. Em virtude dos fatos, a empresa foi declarada inapta desde 04/02/2015 (Ato Declaratório Executivo n° 003/2015) por requerimento da fiscalização. Relata o Fiscal que, após contato informal com o administrador da massa falida, o mesmo forneceu livros contábeis de 2009 a 2011, mas nenhum referente ao ano fiscalizado. Entregou também cópia de algumas demonstrações contábeis, mas nenhum livro contábil em papel ou escrituração digital. Considerando indispensável a apuração de sua receita bruta para cálculo dos tributos devidos, a Autoridade Fiscal requereu Fl. 16861DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.862 4 o afastamento do sigilo bancário nas principais instituições financeiras com as quais o contribuinte transacionou em 2012. Após conciliadas as transações efetuadas entre todas as contas, eliminando os valores que não se enquadravam em presunção de receita, intimou o contribuinte, por edital, a justificar a origem dos créditos indicadas em planilhas anexadas. Após fazer uma breve explanação sobre as provas e sobre a quebra de sigilo bancário, conclui que a não comprovação da origem dos recursos creditados permite a autuação por omissão de receitas ou de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Por fim, aplica a multa de 75%, conforme previsto no inciso I do art. 44 da mesma lei. Com isso, o contribuinte foi intimado a pagar o crédito tributário apurado de R$ 164.230.527,82 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), já incluídos juros de mora e multa (fl. 232), com base em arbitramento de lucro devido à ausência de escrituração regular. A ciência pessoal foi dada em 14/03/2016 ao Administrador Judicial da massa falida, Sr. Marco Mendo de Mendonça. Inconformado com a autuação, a massa falida do contribuinte apresentou impugnação (fls. 278 a 320) e juntou documentos (fls. 320 a 16834) por meio de seu Administrador Judicial, Sr. Marco Mendo de Mendonça. Alega a Impugnante que a empresa teve sua falência decretada em 27 de setembro de 2013, conforme sentença judicial anexada, que também nomeou o Administrador Judicial da massa falida, que deveria ter sido intimado de todos os atos processuais, inclusive em fase inquisitória, sob pena de nulidade absoluta. Para corroborar em sua defesa, colacionou alguns julgados administrativos e judiciais. Afirma que antes mesmo da abertura do MPF, em 16/08/2013, a RFB foi devidamente informada acerca da falência, mas mesmo assim o Administrador Judicial não foi cientificado do MPF ou intimado para prestar esclarecimentos ou documentos (exceto de modo informal, como apontado no Relatório Fiscal). Complementa que o Administrador Judicial também não foi intimado sobre a quebra de sigilo bancário, e que não lhe fora apontado quais documentos estavam sendo exigidos de modo informal ou qual penalidade seria aplicada em caso de descumprimento. Para o Impugnante, a apresentação de DRE com apontamento de prejuízo e o Balanço Patrimonial apresentado permitem concluir que a empresa não havia apurado lucro em 2012, mas sim prejuízo. Desse modo, defende a juntada de escrita fiscal e contábil do ano de 2012, que caso houvessem sido solicitados de modo formal evitariam a tributação por arbitramento. A Impugnante alega que ao lançamento fora aplicado o percentual de 32%, sendo que esta base de cálculo é exclusiva Fl. 16862DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.863 5 para serviços em geral. No seu caso (serviços de construção civil sob regime de empreitada total com fornecimento de materiais), como atestam os contratos, CNPJ (CNAE), contrato social e notas fiscais anexados, a base de cálculo é reduzida a 8%. Da mesma forma, foram considerados parte do faturamento valores que transitaram em conta corrente sem verificar se os mesmos eram decorrentes de empréstimos bancários, adiantamentos, e tampouco identificou que a apuração destes tributos era realizada de forma diferida em razão da natureza jurídica dos contratos. Justifica que a ausência de entrega de ECD se deu por dificuldades financeiras da empresa, sem máfé, ocasionando a quebra de contrato com a empresa responsável pela transmissão. Defende que os depósitos bancários apontados pela Autoridade Fiscal possuem origem identificada e lícita, sendo que decorrem de “contraprestações aos serviços prestados pela empresa (faturamento), transferências interbancárias de mesma titularidade, empréstimos financeiros e negociações envolvendo bancos (antecipação de recebíveis) e clientes”. Justifica que os empréstimos que transitaram em conta da entidade, no importe de R$ 167.409.387,70, referemse aos contratos de empréstimos de antecipações de recebíveis de faturas (R$ 125.914.222,10) e de capital de giro (R$ 41.495.165,60), conforme planilhas anexadas. Para a Impugnante, o faturamento da entidade no exercício de 2012 atingiu o patamar de R$ 217.416.828,60, conforme documentação contábil e fiscal anexadas, contra o apurado pela fiscalização de R$ 487.189.592,85. Ademais, para ilustrar os equívocos na apuração fiscal, na competência de maio/2012 o Relatório Fiscal aponta um faturamento de R$ 82.229.919,98, “... quando a projeção de caixa, notas fiscais e controles de antecipações de recebíveis no período apontam para um ingresso de R$ 57.862.646,14”. Continua a Impugnante, alegando que apura o IRPJ por estimativa mensal, e que os valores a título de IRRF recolhidos (R$ 13.116.542,75) superaram o imposto devido pela estimativa mensal (não houve imposto devido, haja vista ter havido prejuízo fiscal em 2012), conforme demonstrado no LALUR, e não foram sequer analisados ou abatidos pela fiscalização. O mesmo se aplica à CSLL. Quanto ao PIS e COFINS, defende a aplicação do regime cumulativo de incidência por serem suas receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, independentemente do regime de apuração pelo lucro real, podendo diferir o recolhimento desses tributos até o efetivo recebimento do preço. Conforme demonstrativo anexado, alega que encerrou o exercício com saldos credores nessa contas contábeis, decorrentes de retenções fiscais na fonte. Fl. 16863DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.864 6 Requer ainda a Impugnante a realização de perícia para comprovar a real situação econômicofiscal face aos documentos apresentados (notas fiscais, contratos, adiantamentos, DIRFs e demais documentos). Por fim, requer seja julgado improcedente o auto de infração lavrado contra a Impugnante. Por meio do acórdão 1464.009, o colegiado a quo decidiu julgar a impugnação procedentes, cancelandose integralmente a exigência em razão da falta da intimação do Administrador Judicial da massa falida para atuar no processo, em especial no que diz respeito à intimação para comprovação das origens dos créditos em contas bancárias. Em seguida, os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 16864DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.865 7 Voto Vencido Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso de ofício preenche os pressupostos legais para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Por oportuno, transcrevo início do voto condutor do aresto recorrido que bem descreve a situação fática tratada nos autos: A alegação da Impugnante de que a empresa teve sua falência decretada em 27 de setembro de 2013 e que deveria ter sido intimado de todos os atos processuais, inclusive em fase inquisitória, merece acolhida. Conforme se extrai do Relatório Fiscal confeccionado pela Auditora responsável pelo auto de infração, o contribuinte foi citado do início do procedimento fiscal, lavrado e encaminhado em 06/10/2014 (fls. 2 a 4), por meio de edital, tendo em vista sua “mudança de endereço”, motivo pelo qual foram também cientificados os seus sócios. É o que se extrai do seguinte trecho do Relatório: “O Termo de Início do Procedimento Fiscal fora encaminhado ao contribuinte em 06/10/2014, mas retornou ao remetente com informação de que o mesmo "mudouse". Para ciência do mencionado termo utilizouse o Edital n° 00251, publicado no período de 20/10/14 a 04/11/2014. O termo intimava o contribuinte a apresentar comprovação da entrega da escrituração digital, justificativa para falta de entrega da DIPJ2013 (haja vista a divergência com as informações prestadas pelas fontes pagadoras) e da DCTF a partir de julho de 2012. Paralelamente à publicação do Edital n° 00251, os sócios da fiscalizada foram circularizados (Termo de Constatação Fiscal) para lhes dar ciência do procedimento fiscal em curso, porém o sócio Marcos Sampaio não foi localizado.” Três dos quatro sócios outorgaram procuração ao Sr. Thiago Brandão Silveira (fl. 13), que respondeu à intimação efetuada pela Autoridade Fiscal (fls. 14 a 17), informando que a empresa teve sua falência decretada em 02/10/2013, cuja sentença anexou à resposta. Afirmou ainda que a RFB foi informada sobre o requerimento da falência, conforme cópia de documento que também anexou, informando por fim o nome e endereço do Administrador Judicial da massa falida para as providências legais. Vejamos os termos utilizados pelo procurador em parte da resposta: “Assim, a TENACE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA teve a sua falência decretada em 02/10/2013, por meio de sentença (cópia anexa), prolatada nos autos da ação n.° 039003158.2012.8.05.0001, em trâmite na MM. Juízo Universal da 4ª Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais da Comarca de Salvador/BA. Na decisão supra, outrossim, foi nomeado como Administrador Judicial da massa falida da empresa TENACE o SR. MARCOS MENDO DE MENDONÇA, OAB/BA Fl. 16865DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.866 8 27.159, com escritório a Rua do Carro, n.º 60, Edf. Fórum Park. sala 603, Nazaré, CEP 40.040240, seu representante e, por conseguinte, responsável por toda documentação da TENACE. Insta salientar, que a TENACE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA encerrou suas atividades de forma regular, obedecendo todos os trâmites constantes na lei de falência, informando, inclusive, no dia 16 de Agosto de 2013 a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SALVADOR sobre a sua situação de insolvência e requerimento da já mencionada falência, conforme documento anexo. Deste modo, resta a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE SALVADOR buscar as informações exigidas no termo de início junto ao Administrador da massa falida, eis que todos os documentos requeridos estão sob sua responsabilidade, o que impossibilita o cumprimento do quanto requerido pelos sócios.” (grifos e sublinhados constam do original) Como se verifica da resposta dos sócios da contribuinte falida, em 27/10/2014, a Autoridade Fiscal teve ou deveria ter tido ciência da falência ou do requerimento de falência em três momentos distintos: nesse exato momento da resposta e anexação da sentença pelos intimados, em outubro de 2014 (fls. 18 a 25), quando do recebimento de respostas às notificações emitidas pela RFB, em julho de 2013(fls. 18 a 21) e quando da determinação judicial que decretou a falência da contribuinte e ordenou a intimação do órgão, em setembro de 2013, nos seguintes termos: “Diante DO EXPOSTO, face às razões expendidas, além do mais que dos autos consta, DECRETO, nesta data, A FALÊNCIA da requerente TENACE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA, CNPJ 16.047.680/000139, constituindo o regime jurídico concursal, o que se faz com fulcro nos Arts. 94, I e III, e 97,I, da Lei 11.101/2005 (LRE), determinando o que segue: A) Nomeio como ADMINISTRADOR JUDICIAL, o advogado Marcos Mendo de Mendonça, OAB/Ba 27.158, com escritório a Rua do Carro, n° 60, Edf. Fórum Park, sala 603, Nazaré, CEP 40.040240, o que se faz com supedâneo no Art.21, da LRE. Intimese, dandose ciência da nomeação, para prestar compromisso, no prazo de 48 h, e, no prazo de 10 (cinco) dias, pronunciarse sobre a viabilidade da continuação provisória das atividades da organização ou de eventual quadro de imposição de lacração dos estabelecimentos. (...) N) Intimemse o Ministério Público, da forma preconizada na LOMP, e por carta (via postal) às Fazendas Federal e de todos Estados e Municípios em que o devedor/requerente tiver estabelecimento.” Pois bem, com base nesse cenário, entendeu o Colegiado de primeira instância que todas as intimações deveriam ter sido feitas ao administrador judicial. Fl. 16866DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.867 9 Entendo que a conclusão do Colegiado não merece reparos, em primeiro lugar porque, tratandose de massa falida, a partir da ciência da RFB de que houve a decretação de falência e fora nomeado um Administrador Judicial, todas as intimações deveriam ter sido encaminhadas a esse administrador, e, não por via postal endereçada ao endereço postal da empresa já declarada inapta pela própria RFB por não ter sido localizada em seu endereço cadastral seguida de publicação de edital. No caso concreto, tratandose de autuação baseada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a intimação prévia ao fiscalizado é condição necessária para aplicação dessa presunção de omissão de receita, e, mesmo já tendo encaminhado, em uma situação, intimação dirigida diretamente ao Administrador Judicial da massa falida, a intimação para que a pessoa jurídica comprovasse a origem dos créditos em suas contas bancárias foi realizada por meio de edital. Nessas condições, a meu ver, o procedimento restou maculado por vício formal, não havendo outra hipótese que não fosse a declaração de nulidade do lançamento. Nesse contexto, e por concordar integralmente com a fundamentação utilizada pela decisão recorrida, com fulcro no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1998, e no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, adoto como razões de decidir os fundamentos da decisão de primeira instância, transcrevendoos a seguir: A alegação da Impugnante de que a empresa teve sua falência decretada em 27 de setembro de 2013 e que deveria ter sido intimado de todos os atos processuais, inclusive em fase inquisitória, merece acolhida. Conforme se extrai do Relatório Fiscal confeccionado pela Auditora responsável pelo auto de infração, o contribuinte foi citado do início do procedimento fiscal, lavrado e encaminhado em 06/10/2014 (fls. 2 a 4), por meio de edital, tendo em vista sua “mudança de endereço”, motivo pelo qual foram também cientificados os seus sócios. É o que se extrai do seguinte trecho do Relatório: “O Termo de Início do Procedimento Fiscal fora encaminhado ao contribuinte em 06/10/2014, mas retornou ao remetente com informação de que o mesmo "mudouse". Para ciência do mencionado termo utilizouse o Edital n° 00251, publicado no período de 20/10/14 a 04/11/2014. O termo intimava o contribuinte a apresentar comprovação da entrega da escrituração digital, justificativa para falta de entrega da DIPJ2013 (haja vista a divergência com as informações prestadas pelas fontes pagadoras) e da DCTF a partir de julho de 2012. Paralelamente à publicação do Edital n° 00251, os sócios da fiscalizada foram circularizados (Termo de Constatação Fiscal) para lhes dar ciência do procedimento fiscal em curso, porém o sócio Marcos Sampaio não foi localizado.” Três dos quatro sócios outorgaram procuração ao Sr. Thiago Brandão Silveira (fl. 13), que respondeu à intimação efetuada pela Autoridade Fiscal (fls. 14 a 17), informando que a empresa teve sua falência decretada em 02/10/2013, cuja sentença anexou à resposta. Afirmou ainda que a RFB foi informada sobre o requerimento da falência, conforme cópia de documento que também anexou, informando por fim o nome e endereço do Administrador Judicial da massa falida para as providências legais. Vejamos os termos utilizados pelo procurador em parte da resposta: Fl. 16867DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.868 10 “Assim, a TENACE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA teve a sua falência decretada em 02/10/2013, por meio de sentença (cópia anexa), prolatada nos autos da ação n.° 039003158.2012.8.05.0001, em trâmite na MM. Juízo Universal da 4ª Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais da Comarca de Salvador/BA. Na decisão supra, outrossim, foi nomeado como Administrador Judicial da massa falida da empresa TENACE o SR. MARCOS MENDO DE MENDONÇA, OAB/BA 27.159, com escritório a Rua do Carro, n.º 60, Edf. Fórum Park. sala 603, Nazaré, CEP 40.040240, seu representante e, por conseguinte, responsável por toda documentação da TENACE. Insta salientar, que a TENACE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA encerrou suas atividades de forma regular, obedecendo todos os trâmites constantes na lei de falência, informando, inclusive, no dia 16 de Agosto de 2013 a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SALVADOR sobre a sua situação de insolvência e requerimento da já mencionada falência, conforme documento anexo. Deste modo, resta a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE SALVADOR buscar as informações exigidas no termo de início junto ao Administrador da massa falida, eis que todos os documentos requeridos estão sob sua responsabilidade, o que impossibilita o cumprimento do quanto requerido pelos sócios.” (grifos e sublinhados constam do original) Como se verifica da resposta dos sócios da contribuinte falida, em 27/10/2014, a Autoridade Fiscal teve ou deveria ter tido ciência da falência ou do requerimento de falência em três momentos distintos: nesse exato momento da resposta e anexação da sentença pelos intimados, em outubro de 2014 (fls. 18 a 25), quando do recebimento de respostas às notificações emitidas pela RFB, em julho de 2013(fls. 18 a 21) e quando da determinação judicial que decretou a falência da contribuinte e ordenou a intimação do órgão, em setembro de 2013, nos seguintes termos: “Diante DO EXPOSTO, face às razões expendidas, além do mais que dos autos consta, DECRETO, nesta data, A FALÊNCIA da requerente TENACE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA, CNPJ 16.047.680/000139, constituindo o regime jurídico concursal, o que se faz com fulcro nos Arts. 94, I e III, e 97,I, da Lei 11.101/2005 (LRE), determinando o que segue: A) Nomeio como ADMINISTRADOR JUDICIAL, o advogado Marcos Mendo de Mendonça, OAB/Ba 27.158, com escritório a Rua do Carro, n° 60, Edf. Fórum Park, sala 603, Nazaré, CEP 40.040240, o que se faz com supedâneo no Art.21, da LRE. Intime se, dandose ciência da nomeação, para prestar Fl. 16868DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.869 11 compromisso, no prazo de 48 h, e, no prazo de 10 (cinco) dias, pronunciarse sobre a viabilidade da continuação provisória das atividades da organização ou de eventual quadro de imposição de lacração dos estabelecimentos. (...) N) Intimemse o Ministério Público, da forma preconizada na LOMP, e por carta (via postal) às Fazendas Federal e de todos Estados e Municípios em que o devedor/requerente tiver estabelecimento.” Ciente da falência da contribuinte e da nomeação de Administrador Judicial da massa falida, não resta à Autoridade Fiscal outra alternativa a não ser a correção dos procedimentos já realizados e que poderiam padecer de vício de nulidade e, principalmente, a intimação de todos os procedimentos seguintes ao responsável pela massa falida: o Administrador Judicial. A intimação de qualquer outra pessoa, sem responsabilidade para tanto, não gera qualquer efeito. É o que podemos concluir da leitura e análise do item “n”, inciso III do art. 22 e do parágrafo único do art. 76 da Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005 (Lei de Recuperação de Empresas e Falência), abaixo transcritos: “Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe: (...) III – na falência: (...) c) relacionar os processos e assumir a representação judicial da massa falida; d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não for assunto de interesse da massa; (...) i) praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos credores; (...) n) representar a massa falida em juízo, contratando, se necessário, advogado, cujos honorários serão previamente ajustados e aprovados pelo Comitê de Credores;” “Art. 76. O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas as causas trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas nesta Lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo. Parágrafo único. Todas as ações, inclusive as excetuadas no caput deste artigo, terão Fl. 16869DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.870 12 prosseguimento com o administrador judicial, que deverá ser intimado para representar a massa falida, sob pena de nulidade do processo.” (grifei) Ao contrário da imposição legal, continuou a Autoridade a cientificar sujeito sem poderes de agir, como se nota do termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 0002, de 22/12/2014, enviado à pessoa jurídica via Correios e que retornou com o motivo “mudouse”. No mesmo sentido, intimação via Edital nº 001/2015, com publicação de 05/01/2015 a 20/01/2015 e atos subsequentes. Mesmo sabendo da decretação de falência da contribuinte Tenace, a Autoridade Fiscal emitiu o documento Representação para Inaptidão datado de 06/01/2015 (fls. 29 e 30) que, apesar de informar a decretação judicial de falência, propôs a inaptidão com base no art. 39 da IN RFB nº 1.183/2011, in verbis: “Art. 39. A pessoa jurídica não localizada, de que trata o inciso II do art. 37, é assim considerada quando: I não confirmar o recebimento de 2 (duas) ou mais correspondências enviadas pela RFB, comprovado pela devolução do Aviso de Recebimento (AR) dos Correios; ou II não for localizada no endereço constante do CNPJ, comprovado mediante Termo de Diligência. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, cabe à Cocad emitir ADE, publicado no sítio da RFB na Internet, no endereço citado no caput do art. 13, com a relação das inscrições no CNPJ declaradas inaptas.” De se ressaltar que a supracitada IN RFB nº 1.183 foi revogada pela IN RFB nº 1470, de 30 de maio de 2014, posteriormente também revogada pela IN RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016, esta última atualmente em vigor. De se ressaltar também que as referidas Instruções Normativas não dispõe sobre o procedimento a ser seguido no caso de decretação judicial da falência, e sequer dispõem que será declarada a inaptidão nesses caso (de falência). Veja que cópia da Representação para Inaptidão foi encaminhada ao Administrador Judicial da massa falida em 09/01/2015, conforme atesta o comprovante de AR (fl. 31). Em 27/02/2015 o Administrador Judicial prestou informações à Auditora Fiscal e anexou alguns documentos (fls. 32 a 122). Em 27/01/2016 a Auditora Fiscal intimou novamente a empresa falida, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 0001, cuja ciência foi considerada dada por meio do Edital Eletrônico nº 001947894, em 11/02/2016. Nesta intimação por edital, a contribuinte foi instada a justificar a origem dos créditos nas contas correntes identificadas nas planilhas anexadas. Sem a resposta da empresa (ou de seu Administrador Judicial, que não fora intimado formalmente do Termo) sobrevieram o Relatório Fiscal e o Auto de Infração. Cabe enfatizar que a ciência do Auto de Infração e seus anexos foi dada, desta vez, à pessoa corretamente designada por lei: o Administrador Judicial da massa falida (fl. 230). Fl. 16870DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.871 13 Do histórico acima verificase que, na data da lavratura do Termo de Início de Procedimento Fiscal (06/10/2014), já se sabia (ou deveria saber) da falência da contribuinte ora fiscalizada. Mesmo alertada ao longo do procedimento de fiscalização sobre a nomeação de um Administrador Judicial, continuou a Auditora Fiscal responsável pela condução do procedimento a intimar apenas a empresa, inclusive em ato essencial ao esclarecimento dos fatos que geraram o presente auto de infração: a prestação de esclarecimentos sobre a origem dos créditos lançados em sua conta corrente, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 0001. Tendo em vista a não obtenção de qualquer documento a ser examinado em auditoria para a identificação de fatos geradores, os lançamentos foram efetuados com base depósitos bancários de origem não comprovada, por meio de extratos bancários solicitados em Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, e também com base em arbitramento do lucro, já que não houve apresentação de escrituração adequada. Para os depósitos cuja origem não foi identificada, foi utilizada a presunção legal de omissão de receita, art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 16871DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.872 14 § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” (grifos não constam do original) Do caput do dispositivo acima, verificase que a presunção de omissão de receita ou de rendimento dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento exige, para sua efetivação, a intimação regular da pessoa física ou jurídica para eventual comprovação da origem dos recursos. Não ocorrendo a intimação regular, decorre que a eventual comprovação se torna impossível para o contribuinte. Assim, verificase que houve vício quanto à não intimação do Administrador Judicial da massa falida para atuar no procedimento de fiscalização, mormente quando este era o único apto a representar a contribuinte perante os órgão públicos após a decretação judicial da falência. De todo o exposto, voto pela procedência da impugnação apresentada pela contribuinte, declarando a nulidade do auto de infração que lhe foi imposto e cancelando o crédito tributário exigido. CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, declarando a nulidade do lançamento por vício formal. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 16872DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.873 15 Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento do ilustre Relator quanto à caracterização do vício como sendo formal, durante as discussões em sessão, o Colegiado chegou à conclusão diversa, no sentido de identificar que o vício seria de natureza material. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência. A questão de identificar se o vício é formal ou material tem relevo no âmbito do Direito Tributário, em face da expressa previsão existente no art. 173, II, do Código Tributário Nacional CTN, que renova o prazo de decadência para constituição do crédito tributário. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. De acordo com este dispositivo, admitese a renovação do prazo qüinqüenal para lançar crédito tributário, em razão de erro cometido pelo próprio Fisco, quando se está diante de vício de menor gravidade, que é o de natureza formal. Com efeito, já se percebe que o CTN não admitiu a renovação deste prazo quando se está diante da hipótese em que o crédito contenha vícios em seus elementos materiais, admitindo tãosomente para aqueles créditos que tenham sido anulados por ocorrência de vicio formal em sua constituição. Porém, nem sempre é fácil identificar o vício formal, sendo árdua a tarefa de distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. De uma forma geral, no contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal a que se refere o artigo 173, II do CTN é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, que diz respeito a erros quanto à caracterização do auto de infração, relacionados a aspectos extrínsecos, como por exemplo: inexistência de data, nome da autoridade competente, matrícula, local de lavratura do auto, assinatura do autuante, autorização para nova lavratura de auto de infração, ou quaisquer outros erros que comprometam a forma do ato do lançamento. Se o defeito no lançamento referirse a requisitos fundamentais, se está diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindoo de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Fl. 16873DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.874 16 Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e se referem à própria conceituação do lançamento delineada no artigo 142 do Código Tributário Nacional, qual seja, a valoração jurídica dos fatos tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. Assim, o vício formal não pode estar relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, não pode referirse à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídico tributária. Penso que a verificação da possibilidade de repetição de ato de lançamento, com o mesmo conteúdo concreto, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema esta nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. Em suma, o vicio formal pressupõe que o novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, a falta de intimação regular para que o contribuinte apresentasse esclarecimentos sobre a origem dos créditos verificados em suas contas bancárias, comprova que a obrigação tributária nem mesmo encontravase definida naquele momento, gerando incerteza na apuração da base imponível e reflexos no cálculo do montante do tributo devido. A repetição do lançamento, por óbvio, sem incorrer na mesma invalidade, não teria o mesmo conteúdo concreto do primeiro, em face dos esclarecimentos porventura prestados pelo sujeito passivo, através de seu Administrador Judicial. Com efeito, não pode, sob o pretexto de corrigir eventual vicio formal detectado, o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providencias são necessárias, como de fato o são, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vicio apurado não é apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou essencial ao ato praticado. Nas pesquisas realizadas, encontrei várias decisões deste E. Conselho acerca da caracterização do vício material, como sendo aquele que diz respeito aos elementos constantes do artigo 142 do CTN, que afeta a certeza e a liquidez do crédito, sua base de cálculo ou a perfeita descrição dos fatos: "VERDADE MATERIAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL AB INITIO. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se contra viciado, desde o início, por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso de Ofício provido em parte. Fl. 16874DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.875 17 Crédito Tributário Exonerado." (Acórdão nº 240300.483 destaques nossos) "NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO MATERIAL DECADÊNCIA ARTIGO 150, §4º DO CTN É de natureza material o vício de nulidade do lançamento que não atende aos requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN, sendo inaplicável ao novo lançamento a regra do artigo 173, inciso II cabível apenas no casos de vício meramente formal. IRPF DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeitas a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, §4º, do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano."Preliminar acolhida. (Acórdão nº 10247.084 destaques nossos) "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributo sem que seja procedida, no lançamento, a determinação da matéria tributária, consoante dispõe o artigo 142 do CTN e os artigos 9º e 10º do Decreto nº 70.235, de 1972. A ausência de determinação da matéria tributável é vício material que torna nulo o lançamento. Recurso provido" (Acórdão nº 10247.709 destaques nossos). "VÍCIO MATERIAL ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO Padece de vício material o lançamento que altera as características do crédito tributário, modificando seus elementos. (...) Recurso de ofício negado." (Acórdão nº 102 48.700 destaques nossos) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. Recurso negado. " (Acórdão nº 10194.049 destaques nossos) "CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO ÔNUS DA PROVA. VÍCIO MATERIAL. O ônus de provar a existência dos pressupostos da relação de emprego por serviços prestados à notificada é da autoridade lançadora. A ausência da plena demonstração da ocorrência do fato gerador representa vício na motivação do ato do lançamento, configurando sua nulidade. Processo Anulado." )Acórdão nº 20600.644 destaques nossos) "PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DO FATO GERADOR. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fl. 16875DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.876 18 Representa vício material a descrição deficiente do fato gerador que justifica a imposição fiscal levada a efeito pela autoridade lançadora." (Acórdão nº 20601.829 destaques nossos). Os julgados a seguir, fazem uma distinção clara entre vícios materiais e formais, como demonstram suas ementas: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE LANÇAMENTO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INOCORRÊNCIA Quando a autuação fiscal sustentada na acusação de que empresa individual estaria sendo utilizada como interposta pessoa com intuito de omitir receita de terceiro, o lançamento deve ser efetuado contra o sócio oculto dessa pessoa jurídica, que tinha interesse direito no fato gerador da obrigação tributária. Recurso de ofício provido. (...) VOTO Conselheiro NELSON LOSSO FILHO, Relator. (...) Com efeito, o vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN, ao admitir a contagem de prazo especial para decadência do direito de a Fazenda Nacional efetivar o lançamento, diz respeito a erros quanto a caracterização do auto de infração, como por exemplo: inexistência de data, nome da autoridade competente, matrícula, local de lavratura do auto, assinatura do autuante, autorização para nova lavratura de auto de infração, ou quaisquer outros erros que comprometam a forma do auto do lançamento. (...) Em monografia intitulada O Vicio Formal no Lançamento Tributário, apresentada no Curso de Especialização em Direito Tributário da Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco, o ilustre Conselheiro Manoel Antonio Fl. 16876DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.877 19 Gadelha Dias, que exerceu durante anos a presidência desta Oitava Câmara, estudou com maestria o assunto, ao qual peço vênia para extrair de seu trabalho o esclarecedor excerto: (...) À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e o Decreto nº 70.235/72, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grande grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais, e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindoo de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual sejam, a valoração jurídica do fato tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo." (Acórdão nº 10808.174) "VÍCIO FORMAL NULIDADE INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por consequência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante apresentação da impugnação. No caso em análise, havia possibilidade de conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas, posto que complexas. Recurso de ofício provido. (...) VOTO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Relator. Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material, resumindose a Fl. 16877DF CARF MF Processo nº 10580.721374/201616 Acórdão n.º 1301002.975 S1C3T1 Fl. 16.878 20 caracterizar o autuante, a sua chefia e a ciência desta, o local e a data da lavratura do auto, etc. No fundo, são salvaguardadas para se dar certeza quanto ao procedimento vinculado do lançamento, bem como que o mesmo deriva de autoridade competente com poderes para autuar, garantias que, inclusive, vieram posteriormente a ser estendidas pela introdução do Mandado de Procedimento Fiscal. A ausência dessas salvaguardas, embora permita pleno conhecimento das infrações e, assim, o amplo exercício do direito de defesa, vicia o lançamento por descumprimento de um requisito legal, tais como a indicação do número de matrícula, data e hora da lavratura, assinatura do chefe do órgão expedidor, indicação de cargo e função, etc." (Acórdão nº 10807.556) De uma forma bem resumida, quando o vício do lançamento é meramente material, o tributo errado é exigido de maneira certa, enquanto que quando há vício meramente formal, o tributo certo é exigido de maneira errada (sob o aspecto formal). Nesse contexto, penso que o Código Tributário Nacional teve o intuito de preservar o erário quanto à arrecadação do tributo indiscutivelmente devido ainda que mal cobrado, permitindo em seu inciso II do artigo 173 a renovação do prazo qüinqüenal para lançamento na hipótese em que o tributo materialmente devido seja cobrado de forma defeituosa. Isso posto, entendo que, no caso em análise, a nulidade se deu não por vicio formal, mas em função da existência de erro substancial no ato de oficio, pois, no momento da constituição do crédito tributário, a obrigação tributária não estava ainda definida. Sendo a intimação prévia ao fiscalizado condição necessária para aplicação da presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sua ausência ou defeito consubstanciase vício insanável, por ser essencial ao ato praticado: o lançamento. Conclusão Por esses fundamentos, não há como reconhecer ai a ocorrência de um vício formal, e sim, material. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 16878DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914243/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo.
De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 2201-004.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considerase a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 43 /2 00 9- 21 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 16327.914243/200921 Acórdão n.º 2201004.448 S2C2T1 Fl. 266 2 (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1633.454 8a Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da DCOMP nº 27262.49750.200409.1.3.040439, protocolizada em 19/11/2009. A manifestação de inconformidade (fls. 01 a 04), em face do Despacho Decisório eletrônico n° (de Rastreamento) 848708585 (fl. 12), de 07/10/2009, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 20/03/2009, de R$ 8.654.543,11, código de receita 0561, relativo ao período de apuração de 26/02/2009, declarado na DCOMP como indevido ou a maior, teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do interessado (mesmo tributo, valor e período de apuração mencionados), não restando, assim, crédito disponível para compensação. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 30/10/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 124.200,26, de principal, R$ 5.837,41, de juros, e de R$ 24.840,05, de multa. Cientificado da decisão, em 19/10/2009 (fl. 27), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado na DCOMP, de R$ 122.970,55, seria líquido e certo porque resultante do recolhimento de R$ 8.654.543,11, em DARF, relativo a IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado, código de receita 0561, efetuado, em 20/03/2009, em montante maior do que o valor correto, de R$ 8.531.572,56 (R$ 122.970,55 = R$ 8.654.543,11R$ 8.531.572,56); ii) teria declarado, equivocadamente, o débito na DCTF que teria sido retificada em 29/10/2009 (fl. 13) para conter o valor correto (fl. 16); iii) considerando seu direito à compensação assegurado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e pelos artigos 165 e 170 do CTN, requer seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a compensação declarada. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 16327.914243/200921 Acórdão n.º 2201004.448 S2C2T1 Fl. 267 3 Foi prolatado o Acórdão nº 1633.454 8a Turma da DRJ/SP1 (fls. 178/183), que julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 20/03/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE NÃO PROVADA. MÉRITO NÃO CONHECIDO. A contestação da data constante de comprovante emitido pelos Correios, de ciência da Decisão, mostrase inócua quando o contribuinte não logra trazer aos autos prova documental de outra data, alegada, que tornaria tempestiva a interposição da peça irresignatória. Eventual petição apresentada fora do prazo, mas suscitando questão de tempestividade, caracteriza impugnação e instaura a fase litigiosa do procedimento, comportando julgamento apenas dessa matéria preliminar, não do mérito. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Sem Crédito em Litígio. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 08/09/2011 (fl.186) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 06/10/2011 (fls. 187/199), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: 1) A tempestividade do recurso voluntário; 2) Que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo, nos termos do artigos 33, do Decreto 70.235/72. Ainda sobre o efeito suspensivo, alegou o art. 151, III, do CTN que prevê que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário; 3) Que, ao contrário do alegado pela DRJ, há sim prova nos autos de que a intimação se deu no dia 20/10/2009. A ausência de AR contraria o disposto no artigo 23, II, do Decreto 70.235/72. O sistema de rastreamento dos correios não é prova da ocorrência da regular intimação. Por fim, requer seja provido o recurso voluntário para que os autos voltem à Delegacia da Receita Federal para julgamento do mérito da manifestação e inconformidade e, caso seja necessário, que seja intimada novamente para apresentar eventuais documentos, nos termos do artigo 16, §4º, alíneas "a" e "b", do Decreto 70.235/72. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 267DF CARF MF Processo nº 16327.914243/200921 Acórdão n.º 2201004.448 S2C2T1 Fl. 268 4 Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Mérito O julgamento da presente lide se restringe à análise da tempestividade da Manifestação de Inconformidade. No entendimento da DRJ, o protocolo foi intempestivo, uma vez que se deu em 19/11/2009, um dia após findo o prazo legal de 30 (trinta) dias. De acordo com o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a prova da intimação do sujeito passivo é um relatório dos Correios atestando que a entrega de deu no dia 19/10/2009. Não há nos autos comprovante do recebimento da intimação (Aviso de Recebimento AR). Para o caso que se cuida, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece que ausente o comprovante de recebimento da intimação deverá ser considerada realizada 15 (quinze) dias após a sua expedição. Vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Grifouse). Fl. 268DF CARF MF Processo nº 16327.914243/200921 Acórdão n.º 2201004.448 S2C2T1 Fl. 269 5 Ocorre que, também não há nos autos a cópia da intimação para se aferir a data de sua expedição. Todavia, essa ausência pode ser suprida por uma dedução lógica. Se o Despacho Decisório foi emitido em 07/10/2009, a expedição da intimação só poderá ter se dado em data igual ou posterior à sua emissão. Considerando a data da expedição como sendo 07/10/2009, temse que o 15º dia posterior a esta data é 22/10/2009, dia em que efetivamente deve ser considerada realizada a intimação, nos termos das disposições normativas do Decreto nº 70.235/1972 supra transcritas. Com base nessas considerações, temse que a decisão de primeira instância padece de vício, eis que proferida em desacordo com o que estabelece o Decreto nº 70.23/1972, culminando em inegável preterição ao direito de defesa do contribuinte. Destarte, deve ser anulado o acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ de origem para o proferimento de nova decisão, desta feita, com o enfretamento do mérito. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906581/2008-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
Desde que dentre as hipóteses permitidas pela legislação de regência, a apresentação de Dctf retificadora, mesmo depois de exarado o despacho decisório, substitui a original, constituindo-se num primeiro indício da certeza e liquidez do crédito tributário declarado.
Tendo como único motivo para o indeferimento da compensação pleiteada, o fato de o contribuinte ter apresentado a Dctf retificadora após a ciência do despacho decisório e, por conseguinte, ignorados os seus efeitos pela decisão recorrida, há de ser acolhido, em parte, o pleito recursal para que novo exame da compensação seja realizado pela autoridade fiscal competente.
Numero da decisão: 3001-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por unanimidade, em dar provimento parcial, para o órgão de fiscalização competente analisar documentos apresentados no Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. Desde que dentre as hipóteses permitidas pela legislação de regência, a apresentação de Dctf retificadora, mesmo depois de exarado o despacho decisório, substitui a original, constituindo-se num primeiro indício da certeza e liquidez do crédito tributário declarado. Tendo como único motivo para o indeferimento da compensação pleiteada, o fato de o contribuinte ter apresentado a Dctf retificadora após a ciência do despacho decisório e, por conseguinte, ignorados os seus efeitos pela decisão recorrida, há de ser acolhido, em parte, o pleito recursal para que novo exame da compensação seja realizado pela autoridade fiscal competente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por unanimidade, em dar provimento parcial, para o órgão de fiscalização competente analisar documentos apresentados no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. Desde que dentre as hipóteses permitidas pela legislação de regência, a apresentação de Dctf retificadora, mesmo depois de exarado o despacho decisório, substitui a original, constituindose num primeiro indício da certeza e liquidez do crédito tributário declarado. Tendo como único motivo para o indeferimento da compensação pleiteada, o fato de o contribuinte ter apresentado a Dctf retificadora após a ciência do despacho decisório e, por conseguinte, ignorados os seus efeitos pela decisão recorrida, há de ser acolhido, em parte, o pleito recursal para que novo exame da compensação seja realizado pela autoridade fiscal competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por unanimidade, em dar provimento parcial, para o órgão de fiscalização competente analisar documentos apresentados no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 65 81 /2 00 8- 01 Fl. 100DF CARF MF 2 Dos fatos Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0241.481, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE, que, em sessão de julgamento realizada no dia 18.12.2012, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 39 a 42): Relatório DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 775487515 emitido eletronicamente em 18/07/2008, fls. 3, referente ao PER/DCOMP nº 20496.42623.101204.1.3.044300 (doc. de fls. 13 a 18). O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$ 9.687,41, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 14/05/2004. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que houve erro de preenchimento da DCTF, quanto ao valor débito de COFINS de abril de 2003. Defendese que o valor correto do débito é R$ 39.526,29, tal como consta da DCTF retificadora transmitida em 26/08/2008, e não R$ 49.213,70. Da decisão de 1ª Instância A 2ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10680.906581/200801 Acórdão n.º 3001000.315 S3C0T1 Fl. 101 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário para salientar que é lícita a prerrogativa do contribuinte de retificar a Dctf posteriormente ao despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, a fim de adequar suas informações, em face do direito creditório reivindicado, razão pela qual entende que as informações prestadas na Dctf retificadora devem ser consideradas no deslinde da questão atinente ao direito de crédito relacionado ao recolhimento a maior/indevido da Cofins, a fim de confirmar a pretensão deduzida. Subsidiariamente, pede que seja determinada a remessa do presente processo à DRJ/BHE, com o desiderato de apurar a liquidez e certeza do direito de crédito em apreço. Entende que, em não havendo preclusão no contencioso administrativo, no que se refere à argumentação de fato e de direito, bem como pe legítima a produção de prova na fase recursal, em atenção ao primado da verdade material, o alegado direto de crédito referente ao recolhimento a maior/indevido da Cofins deve ser reconhecido ou para homologar a compensação pretendida ou para quitar o pretenso débito consolidado nos presentes autos. Do encaminhamento O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este Carf na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O contribuinte, em 04.01.2013, tomou conhecimento da "TERMO DE CIÊNCIA E NOTIFICAÇÃO" de efl. 43, que deulhe a conhecer da decisão exarada no acórdão recorrido, é o que informa o "Aviso de Recebimento" de efl. 46. Irresignado com a referida decisão, em 05.02.2013, o recorrente protocolou o recurso voluntário de efls. 47 a 98, é o que depreendese do carimbo aposto na "Folha de Rosto" da referida peça recursal. Fl. 102DF CARF MF 4 Na hipótese dos autos, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e das disposições contidas no Ricarf vigente, temse que referido recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que dele conheço. Do contexto fático O contribuinte, na sua manifestação de inconformidade apresentada em 28.08.2008, relata o que segue transcrito: I) Quando da apresentação da DCTF, relativa ao mês de março de 2004, na pagina 59, foi informado o valor de R$ 68.618,34 (sessenta e oito mil seiscentos e dezoito reais e trinta e quatro centavos) a pagar, referente a COFINS Contribuição P/ Financiamento da Seguridade Social, código do DARF 58561, tendo sido recolhido em 15/04/2004. (Docs. Anexos). II) Entretanto, tal informação não correspondeu com a realidade, cujo valor correto deveria ter sido de R$ 60.478,02 (sessenta mil quatrocentos e setenta e oito reais e dois centavos), tendo este constado na página 59 da DCTF 3.0 do 1º TRIVI/2004 Retificadora, entregue em 25 de agosto de 2008, sob o nº 08.67.42.88.7135, (Doc.anexo). III) Como se observa, houve um recolhimento a maior de R$ 8.140,32 (oito mil cento e quarenta reais e trinta e dois centavos), que corrigido pela taxa selic foi atualizado somando R$ 8.934,00 (oito mil novecentos e trinta e quatro reais) que foi compensado no mês de novembro de 2004, no PIS/PASEP código 69121 PISNão Cumulativo Lei 10.637/02 no valor de R$ 3.724,07 (três mil setecentos e vinte e quatro reais e sete centavos) e no COFINS código 58561 COFINSNão Cumulativa Lei 10.833/03 no valor de R$ 5.209,93 (cinco mil duzentos e nove reais e noventa e três centavos), conforme PER/DCOMP 1.4, transmitida em 10/12/2004 sob o nº 18143.11712.101204.1.3.044077 e DCTF 3.0 do 4º TRM/2004 Retificadora, transmitida em 15/02/2005 sob o nº 31.84.14.42.2076 (Docs.anexo). IV) Pelo exposto, como resta sobejamente comprovado, improcede a presente cobrança de R$ 8.934,00 (oito mil novecentos e trinta e quatro reais), bem como de multa de R$ 1.786,79 (um mil setecentos e oitenta e seis reais e setenta e nove centavos) e juros de R$ 4.399,99 (quatro mil trezentos e noventa e nove reais e noventa e nove centavos), constante do DESPACHO DECISÓRIO referenciado, contestando, por oportuno, todos estes os valores no mesmo consignados, requerendo, por via de consequência, o seu cancelamento e o competente arquivamento, após as formalidades de estilo, para fins de direito. O colegiado a quo fundamenta sua decisão que manteve a não homologação da compensação pleiteada, nos seguintes fundamentos: A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10680.906581/200801 Acórdão n.º 3001000.315 S3C0T1 Fl. 102 5 produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Do mérito Essa questão restou bem esclarecida nos Acórdãos 3001000.213 e 3001 000.214, desta Turma Extraordinária, que foi objeto de julgamento realizado na sessão de 20.02.2018. Nesse sentido, em face da sua concordância, peço vênia para transcrever parte do voto condutor do Ilustre Conselheiro Cássio Schappo, adotandoo como razão de decidir nestes autos, haja vista tratarse da mesma acusação e dos mesmos argumentos de defesa e contribuinte: (...) O primeiro passo para regularização da divergência apontada entre a DCTF original e a PER/DCOMP foi o de retificar a DCTF, indicando qual o débito efetivamente devido para o período de referência. As demais provas que a contribuinte deve dispor para atender a necessária auditoria fiscal de homologação dos débitos declarados, dependerá de critérios próprios que o fisco julgar apropriadas. Diante das colocações feitas no acórdão recorrido com relação a produção de provas para atestar o direito creditório, a recorrente trouxe aos autos cópia de livro razão, como forma de lhe conferir liquidez e certeza ao crédito declarado. Cito aqui julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303 005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmaram decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, “em síntese, que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é Fl. 104DF CARF MF 6 requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF original ou retificadora que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10680.906581/200801 Acórdão n.º 3001000.315 S3C0T1 Fl. 103 7 a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis, que de acordo com as razões recursais foi um dos parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. (...) Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a autoridade competente da unidade de origem aprecie a Dctf retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as demais provas disponibilizadas nos presentes autos pelo recorrente ou, ainda, se assim entender pertinente, para requer outras, a fim de conferir liquidez e certeza para a realização da compensação requerida mediante a apresentação do PER/DCOMP 20496.42623.101204.1.3.044300. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901103/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 03 /2 01 4- 14 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901103/201414 Acórdão n.º 1402003.065 S1C4T2 Fl. 3 2 A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901103/201414 Acórdão n.º 1402003.065 S1C4T2 Fl. 4 3 NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901103/201414 Acórdão n.º 1402003.065 S1C4T2 Fl. 5 4 Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901103/201414 Acórdão n.º 1402003.065 S1C4T2 Fl. 6 5 Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901103/201414 Acórdão n.º 1402003.065 S1C4T2 Fl. 7 6 Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13888.901103/201414 Acórdão n.º 1402003.065 S1C4T2 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725340/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
RECURSO DE OFÍCIO. ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL. COMPROVAÇÃO.
Nega-se provimento ao recurso de ofício, quando os documentos de prova constantes dos autos são suficientes para comprovar parcialmente a área declarada de produtos vegetais.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (INTERESSE ECOLÓGICO). EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. COMPROVAÇÃO.
É condição para que a área de utilização limitada (Interesse Ecológico) seja excluída da área tributável que o sujeito passivo comprove que a referida área consta no documento de informação e apuração do ITR (DIAT), do período base fiscalizado, além da averbação da área junto ao Cartório de Registro e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA até o início da ação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO
A multa de ofício tem seu regramento no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais.
Numero da decisão: 2401-005.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL. COMPROVAÇÃO. Negase provimento ao recurso de ofício, quando os documentos de prova constantes dos autos são suficientes para comprovar parcialmente a área declarada de produtos vegetais. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (INTERESSE ECOLÓGICO). EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. COMPROVAÇÃO. É condição para que a área de utilização limitada (Interesse Ecológico) seja excluída da área tributável que o sujeito passivo comprove que a referida área consta no documento de informação e apuração do ITR (DIAT), do período base fiscalizado, além da averbação da área junto ao Cartório de Registro e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA até o início da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO A multa de ofício tem seu regramento no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 53 40 /2 01 3- 78 Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.844 2 Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.845 3 Relatório Cuidase os autos de Recursos Voluntário e de Ofício em face do Acórdão nº 0356.365 da 1ª Turma da DRJ/BSB (fls. 1689/1700). O lançamento de crédito tributário referese ao imposto sobre a propriedade territorial rural, ITR exercício 2010 (fls. 4/9), NIRF 0.124.9177, em vista de alteração na área total originalmente declarada de 9.122,2ha para 8.906,7ha, glosa da área de produtos vegetais de 7.280,0ha, e no VTN por hectare de R$ 2.700,00 para R$ 3.470,39, com base no Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte. Cientificado do lançamento em 09/05/2013(fls. 986), o sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 989/1008. Do relatório da decisão de primeira instância, extraemse, em síntese, os principais argumentos de sua peça impugnatória: informa que procedimento fiscal envolveu 5 imóveis de seu Grupo e que para todos os imóveis apresentou os documentos solicitados, para demonstrar os valores corretos a serem utilizados para o cálculo do ITR; esclarece que, entre os documentos acostados, constam Laudos Técnicos de Avaliação, dos exercícios de 2008 a 2010, com ART, que trazem todas as informações para a apuração do ITR, entre elas o valor da terra nua (VTN) e o grau utilização (GU) e que a fiscalização entendeu por acatar somente as informações sobre o VTN; considera que, em relação à área de produtos vegetais, a fiscalização intimou a juntar: demonstrativos de custos aplicados a cada imóvel correspondentes a notas fiscais de insumos; certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto); contratos ou cédulas de crédito rural; outros documentos que comprovem essa área, indicando as folhas do livro razão onde se encontram identificados tais custos; informa, que em atendimento, juntou uma pasta AZ contendo, para o período de 2007 a 2009: breve descrição do plantio de canadeaçúcar e forma de contabilização dos insumos; Razão contábil dos insumos aplicados na produção; Balancete contábil (custos agrícolas) e Planilha resumo de custos agrícolas; destaca que possui vários imóveis rurais utilizados na produção de canadeaçúcar, contudo, a contabilidade e a produção são centralizadas e classificadas como um todo pela sociedade empresária, e não por imóvel, salientando que toda a documentação requerida foi entregue, com a ressalva que não foi apresentada a apropriação dos custos dos insumos por imóvel, já que não efetuava esse controle contábil; discorda do argumento da fiscalização de que os documentos entregues não identificavam a existência de custos no imóvel, alterando a área de produtos vegetais 0,0 ha, reduzindo o GU e aplicando a alíquota máxima; Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.846 4 salienta que a questão da área de produtos vegetais é uma matéria eminentemente fática, bastando que se vá ao imóvel e se verifique a existência ou não do plantio, não obstante haver um número infinito de formas indiretas para comprovar o efetivo uso da terra, e foi essa medida adotada pela fiscalização ao solicitar a comprovação da utilização do imóvel; discorda da autuação feita com argumento de que não elaborou a planilha dos custos agrícolas, segregandoos por imóvel, no entanto o Laudo de Avaliação, comprova o plantio de canade açúcar, salientando que ele foi elaborado mediante visitas ao local, com os resultados dispostos de forma clara e fundamentada; não se opõe, quanto ao arbitramento do VTN, com base no Laudo de Avaliação, e junta aos autos o DARF de pagamento da parte relativa a diferença no VTN entre a DITR e a Notificação de Lançamento, considerando ser parte incontroversa da Notificação no valor de R$ 24.278,43, cujo pagamento já efetuou, acrescido da multa de ofício (com redução legal de 50% para pagamento à vista) e juros SELIC; ressalta que o lançamento merece ser reformado no que se refere a área de produtos vegetais e esclarece que a lide se limita à diferença da alíquota aplicada, obtida em função do GU do imóvel; explicita os Engenhos que compõe o imóvel, juntando planta nos termos das Escrituras, as mudanças de denominações ocorridas e juntando planta conforme a denominação administrativa atual e planta de sobreposição da planta jurídica e administrativa que integram a área denominada Grupo Triunfante e Outros (NIRF 0.124.9177); informa que a área composta pelos Engenhos é utilizada na produção de canadeaçúcar discorrendo sobre o ciclo do plantio e de colheitas; esclarece que, preocupada em efetuar a produção de provas capazes e suficientes para demonstrar o equívoco efetuado pela fiscalização, contratou Parecer Técnico, junto ao Laboratório de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto (GEOSERE) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com o objetivo de avaliar o uso e ocupação do solo dos imóveis autuados, especificamente para determinar a existência de atividade agrícola e ambiental, no período do lançamento e discorre sobre a tecnologia e metodologia em que se baseou o citado Parecer; apresenta rol das provas indiretas, além das diretas apresentadas, explicitando o que cada uma delas significa para a solução da lide, salientando que junta a documentação que efetua a segregação dos custos dos insumos incidentes sobre cada imóvel, que demonstram de forma escalonada por Engenho esses custos; Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.847 5 afirma que os Engenhos Araripe, Itapirema, Palmeiras, Água Branca, Engenho do Meio e Campinas, que compõe o imóvel de NIRF 0.124.9177 são produtivos e que a planilha apresentada contém os custos de plantação de cada um deles, custos esses que totalizam R$2.060.159,57; considera que, para o ano de 2009 (exercício 2010), como não houve financiamento de safra, a fiscalização considerou área improdutiva, não obstante a produção ter sido custeada com recursos próprios; entende que o conjunto probatório, das provas diretas (Laudos Técnicos) e das provas indiretas, se harmonizam de tal forma a não deixar margem para que prevaleça o entendimento da fiscalização, sendo necessária à desconstituição do lançamento, na parte da área utilizada com produtos vegetais e da alíquota aplicada diferente da declarada; considera sobre o reconhecimento da importância dos Laudos apresentados, bem como de outros elementos que atestam a verdade material e transcreve excertos de Decisões do CARF para referendar seus argumentos; entende ser contraditório o entendimento da fiscalização que acatou integralmente as informações contidas no Laudo para o arbitramento do VTN e desconsiderou as informações relativas a utilização da terra, por entender insuficiente; salienta que demonstrou por meios hábeis e idôneos as áreas declaradas de produtos vegetais, que são áreas produtivas, estando correta a alíquota aplicada na DITR, o que determina a improcedência dos valores lançados; considera que devem prevalecer as provas exibidas, as quais demonstram a correção dos valores informados na DITR, não podendo ser mantido o lançamento baseado em presunção e sem a produção de provas para infirmar os valores apontados no Laudo; entende que a multa aplicada seria confiscatória e exorbitante, afrontaria o princípio do nãoconfisco, nos termos do art. 150, IV, da Constituição da República, e afetaria o direito de propriedade, sendo, portanto inconstitucional, requerendo, com essa alegação, a improcedência da Notificação de Lançamento, transcrevendo posicionamentos doutrinários para embasar sua tese; entende que os Laudos Técnicos juntados comprovam que o lançamento é improcedente, contudo, tendo em vista a busca da verdade material, que é o objetivo maior dos processos administrativos, requer, em caso de dúvidas em relação às provas, que se determine a produção de perícia ou diligência, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, indicando assistente e formulando quesitos; Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.848 6 pelo exposto, requer seja declarada a improcedência do lançamento, sobretudo porque o Fisco efetuou o lançamento baseado na premissa de que os Engenhos que compõem o imóvel eram improdutivos, glosando a área de produtos vegetais e aumentando a alíquota aplicada, quando todos os fatos e provas carreadas aos autos demonstram que as áreas declaradas são produtivas e que a alíquota informada na DITR está correta; requer que, em caso de dúvida, interpretese a norma da forma mais favorável a impugnante (art. 112 do CTN), tendo em vista as circunstâncias materiais do fato e a extensão dos seus efeitos. A ementa do Acórdão nº 0356.365 da 1ª Turma da DRJ/BSB (fls. 1689/1700), restou assim ementado: DA ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL Tendo em vista os documentos de prova constantes dos autos, cabe ser restabelecida parcialmente a área de produtos vegetais originariamente declarada. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destina se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Inconformado com a decisão de primeira instância, o recorrente apresentou o Recurso Voluntário (fls. 1711/1719), pugnando os seguintes argumentos de defesa: a) de início, faz uma breve síntese da notificação de lançamento e que a autoridade lançadora tinha considerado apenas o grau de utilização da terra de 6,6%; b) informa que não houve impugnação do valor da terra nua, sendo considerado o apresentado com base em laudo técnico, e que apresentou defesa em relação ao grau de utilização apurado pela fiscalização; c) aduz que a fiscalização deu ênfase à glosa da área de produtos vegetais, alterando o valor declarado de 7.280,0ha para 0 (zero), enquanto o julgado restabeleceu o valor da área de produtos vegetais para 4.910,3ha, considerando o laudo de avaliação apresentado pelo recorrente; Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.849 7 d) diz que a questão central envolve a apuração do grau de utilização e que esse dado contempla outros fatores, como a exclusão da área total do imóvel as áreas de preservação permanente, reserva legal, interesse ecológico; e) no Laudo de Avaliação, mostra que existe a área de mata de 3.245,61ha, correspondente a Mata Atlântica e que, portanto, seria área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, neste contexto, cita diversos dispositivos normativos; f) diferente da área aproveitável de 7.564,5ha, resultante da decisão recorrida, entende que o valor correto da área aproveitável seria 5.468,7ha, considerando o ajuste da área de interesse ecológico; g) insurge contra a multa de ofício de 75%, por entender que a penalidade não pode afetar o direito de propriedade nem muito menos vir a ser utilizada como forma de confisco; h) ao final, requer seja provido o recurso voluntário para manter a decisão recorrida em relação á área de produção vegetal e seja reformado o lançamento no tocante á área de interesse ecológico. Os membros da 1ª TO da 4ª Câmara, por maioria, resolveram transformar o julgamento em diligência, a fim de esclarecimentos dos seguintes pontos: i) Sobre quais propriedades, e para cada uma, qual a proporção das características relevantes para a decisão, se refere o laudo técnico acostado às folhas 1222. ii) Quanto à alegação da existência de área de preservação permanente ou de interesse ecológico se houve apresentação de ADA e em qual data e, se há ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que se esclareça sobre quais propriedades, e em que proporção, se refere o laudo acostado às folhas 1222; e quanto à alegação da existência de área de preservação permanente, se houve apresentação de ADA e em qual data; e, por fim, se há ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. É o relatório. Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.850 8 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Quanto ao Recurso de Ofício considerando que o crédito tributário exonerado ultrapassa, nesta data, o limite de alçada de R$ 2.500.000,00, também deve ser conhecido. Recurso de Ofício Do v. acórdão recorrido (fls. 1696), retirase as razões que motivaram a exoneração do crédito (Recurso de Ofício), com a seguinte conclusão: Assim, entendo que o referido Laudo de Avaliação, que dimensionou a área utilizada com produtos vegetais no imóvel de 4.910,3 ha, especificamente, às fls. 85 e 89, e com sua avaliação circunstanciada às fls. 132/137, juntamente com o conjunto probatório apresentado aos autos, citado anteriormente, que corrobora a utilização de área do imóvel com o plantio de canadeaçúcar, mostrase suficiente para comprovar a área de 4.910,3 ha constante do Laudo, cabendo ser acatada para fins de determinação do Grau de Utilização do imóvel e da alíquota aplicada. Concluiu a autoridade lançadora que os documentos apresentados no curso da fiscalização não ofereceram condições para identificar a existência de custos na área plantada em relação ao referido imóvel, nos seguintes termos (fls. 178/180) De fato, está comprovado nos autos a apresentação de documentos que confirmam a exploração da área de produtos vegetais, sobretudo o laudo emitido pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Entendo que o fato de os documentos abrangerem os custos da pessoa jurídica com um todo, inclusive os referentes ao imóvel fiscalizado Grupo Triunfantes e Outros, não há como descaracterizar que o sujeito passivo não comprovou o custo relativo à área plantada no período fiscalizado. A exemplos dos documentos citados na decisão de piso: Demonstrativos que explicitam a operação de irrigação das áreas autuadas, às fls. 1.050/1.080, o consumo de insumos, às fls. 1.224/1.342, e mãodeobra aplicados na produção no período autuado, às fls. 1.081/1.223, Relatório de Comunicação Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.851 9 de Queima Controlada do IBAMA, no período atuado, às fls. 1.343/1.362; Cédula Rural Pignoratícia e Nota de Crédito Rural contraídas junto ao Banco do Brasil para aplicação na lavoura de canade açúcar em Engenhos que compõem o imóvel, às fls. 1.363/1.371; Processos Trabalhistas referentes a trabalhadores dos Engenhos localizados no imóvel, às fls. 1.372/1.379; Laudo Técnico de apuração do tempo médio de deslocamento dos trabalhadores rurais de seus Engenhos, inclusive os que compõem o imóvel, solicitado pelo Juiz do Trabalho da Vara de Nazaré da Mata/PE, contendo fotos das paradas de ônibus e estradas dos Engenhos, às fls. 1.380/1.434; Pagamentos efetuados ao Sindicato de Trabalhadores Rurais ao qual estão vinculados os trabalhadores dos Engenhos que compõe o imóvel, às fls. 1.435/1.459; Declaração do Sindicato dos Trabalhadores Rurais ao qual estão vinculados os seus Engenhos, de que a área é produtiva, e que no período autuado, os seus trabalhadores exerceram suas funções naqueles Engenhos, às fls. 1.460/1.462; Declaração do Sindicato do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (SINDAÇÚCAR), do qual é associada, onde consta que é uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioeletricidade de Pernambuco, atuando intensivamente em suas áreas de cultivo, às fls. 1.463/1.464; e Relatório de Estágio Supervisionado apresentado por aluno de Engenharia da UFRPE, sobre o Sistema de Produção de Açúcar em suas áreas, às fls.1.465/1.494. Portanto, considerando o conjunto das provas carreadas aos autos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Mérito No seu recurso voluntário, aduz que a questão central envolve a apuração do grau de utilização e que esse dado contempla outros fatores, como a exclusão da área total do imóvel as áreas de preservação permanente, reserva legal, interesse ecológico. Conclui que se o laudo técnico fora aceito então deveria ser também aceito o grau de utilização nele contido, que é de 98,93%. O lançamento fiscal decorreu de alteração na DITR/2010 da área total do imóvel (de 9.122,2ha para 8.906,7ha), glosa da área utilizada de produtos vegetais (de 7.280,0 ha para 0,0ha), bem como o valor da terra nua (de R$ 41.715.080,00 para R$ 47.994.902,21). Em sede de impugnação, restou basicamente como matéria de mérito impugnada a parte relativa a área utilizada de produtos vegetais. O colegiado de 1ª instância restabeleceu em parte a área de produtos vegetais, acatando a área constante do Laudo de Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.852 10 Avaliação de 4.910,3ha (fls. 76/89), consubstanciado nas provas apresentadas na fase impugnatória. Pois bem. Analisando a peça recursal, entendo que o sujeito passivo buscou uma nova roupagem para a discussão administrativa em comento, ou seja, argumentou que discutiu na impugnação a alíquota e o grau de utilização. Um dos pontos de defesa utilizado pelo sujeito passivo seria de também ser acatado a área declarada de interesse ecológico, constante do Laudo de Avaliação. Tal argumentação tem por objetivo rediscutir a área de utilização limitada, que passaria de 1.149,8 ha (declarada na DITR/2010) para 3.245,6 ha, que, por conseguinte, repercutiria no cálculo do grau de utilização e na definição da alíquota. Frisese que a área de interesse ecológico não foi objeto do lançamento de ofício, conforme demonstrativos de fls. 4/9, por conseguinte, não foi matéria objeto de impugnação. Por oportuno, salientase que a mesma matéria fática foi objeto de análise no Processo nº 10480.725339/201343, Acórdão nº 2201003.451, Sessão do dia 09 de fevereiro de 2017, o qual tratase do mesmo NIRF e do exercício 2009, que apesar de ter sido o relator voto vencido, entendo com relevantes para a discussão do caso: Voto Vencido [...] Ocorre que, na análise levada a termo pelo Colegiado de 1ª Instância, a área integral apontada no Laudo apresentado como sendo área ocupada por produtos vegetais (4.910,30 ha fl. 85) foi acatada, já que as inúmeras provas apresentadas se mostraram hábeis, e como de fato são, ao restabelecimento de tais áreas para fins de apuração do valor devido a título de ITR. Refeitos os cálculos utilizando toda a área comprovada de Produtos Vegetais, fl. 1647/1648, chegouse um novo Grau de Utilização da propriedade, uma nova alíquota e um novo valor de tributo. Só aí que o contribuinte notou que não bastava questionar administrativamente objetivando a aceitação do Laudo e demais documentos para restabelecimento da glosa fiscal. Em busca de seu novo objetivo, impetrou o Recurso Voluntário em discussão, onde inovou a lide administrativa. E sob a discreta alegação de que também discutia na impugnação a alíquota e o grau de utilização da propriedade, introduziu novo tema, estranho não apenas em relação à impugnação ou ao lançamento, novo também em relação à DITR apresentada. Agora, sustenta o contribuinte que o Laudo foi aceito, mas não em sua integralidade. Acredita que é forçoso refazermos o lançamento, agora com um adicional no valor declarado de área de Interesse Ecológico, o qual deveria passar dos 1.149,8 contidos na DITR para 3.245,60, atestada por documentos diversos. Ora, a alíquota do ITR é uma resultante dos termos da Lei 9.393/96, que considera para este fim uma relação direta entre o tamanho do imóvel o seu grau de utilização. Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.853 11 É por esta razão que, embora com o resultado do lançamento um novo Grau de Utilização e uma nova alíquota possa se apresentar, jamais estes serão justificados pela Autoridade Fiscal na Descrição do Fatos, pois são alterações decorrentes de outras, estas sim objeto autuação fiscal e, se for o caso, de contencioso administrativo. Assim, não há amparo legal para que, de forma isolada, possamos tratar a questão da alíquota aplicada. O que temos a discutir é o que foi objeto do lançamento e quanto a estes, não há qualquer discussão ainda em curso que não seja a decorrente do Recurso de Ofício formalizado pela DRJ, afinal o que o contribuinte conseguiu demonstrar por meio dos documentos juntados aos autos, foi TUDO acatado. O VTN, a área total do imóvel e a área ocupada por Produtos Vegetais. Quanto às tais áreas que o contribuinte pretende que sejam consideradas como de interesse ecológico, no meu sentir, configura situação que sequer poderia estar sendo discutida nos autos, já que não faz parte do contencioso administrativo instaurado pela impugnação ao lançamento. Reconhecêla neste momento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência, a menos que restasse absolutamente evidente que se tratou de mero equívoco no preenchimento da Declaração, o que ensejaria a demonstração de que tudo mais que a legislação prevê como requisitos para gozo do favor fiscal tenha sido observado pelo contribuinte. Assim, neste caso, para que o contribuinte pudesse excluir da base de calculo do ITR, seria necessário o cumprimento dos requisitos previstos na legislação para áreas dessa natureza. Portanto, fundamental socorrernos da legislação relacionada: [...] Ainda que sejam argumentos de um voto vencido, no entanto, entendo como argumentos válidos, deste modo, concordo com as conclusões do referido voto. Pois bem. Mesmo que superado a linha de entendimento acima, considerando, neste caso, as informações do laudo de avaliação, concluo que não assiste razão ao recorrente, pelo seguinte: a) a uma, por que área declarada na DITR/2010 (DIAC) correspondente a área de 1.149,8ha, não sendo, portanto, referida área objeto do lançamento; b) a duas, por que não foi apresentado Ato Declaratório Ambiental, no curso da ação fiscal, com as características pretendidas pelo sujeito passivo, ou seja, a área de interesse ecológico de 3.245,6ha; c) a três, por que a área de Mata Atlântica, qualificada como de interesse ecológico, referese, na realidade, à área de reserva legal, nos termos do inciso III do §2º do art. 1º da Lei nº 4.771/65, com as alterações, sujeita, portanto, a averbação no registro de matrícula do imóvel, condição não comprovada. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10480.725340/201378 Acórdão n.º 2401005.441 S2C4T1 Fl. 1.854 12 Quanto ao percentual da multa de ofício de 75%, entende a recorrente que a penalidade não pode afetar o direito de propriedade nem muito menos vir a ser utilizada como forma de confisco, nos termos do art. 150, IV, da Constituição Federal. Então. A multa desta natureza tem seu regramento no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Desse modo, verificase que o lançamento da multa de 75% está devidamente amparado em lei. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais. Conclusão Em face do exposto, voto em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. Voto em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 1880DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.916007/2009-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado.
Numero da decisão: 3001-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 60 07 /2 00 9- 18 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10380.916007/200918 Acórdão n.º 3001000.305 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 21/08/2007, transmitiu PER/DCOMP nº 07422.43405.210807.1.1.019303 com pedido de ressarcimento de IPI correspondente ao saldo credor ajustado conforme RAIPI do 2º Trimestre de 2006, no valor de R$ 143.210,21 vinculado a Declaração de Compensação nº 17142.71797.180108.1.3.010556 referente a débito de PIS código 6912 no valor de R$ 9.009,78 do período de apuração 12/2007; Declaração de Compensação nº 38857.41624.180408.1.3.010560 referente débito de PIS código 6912 no valor de R$ 3.776,27 do período de apuração 03/2008 e Declaração de Compensação nº 32737.17543.230608.1.3.013081 referente débito de CSLL código 2484 no valor de R$ 23,24 do período de apuração 05/2008. Do Despacho Decisório A DRF de Fortaleza em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls.53), apontando que o crédito reconhecido (R$ 137.829,17) é inferior ao solicitado, resultado da efetivação de procedimento fiscal implantado junto à interessada. A parte não homologada no valor de R$ 4.099,43 foi objeto de intimação para pagamento pela indevida compensação realizada, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 58), justificando: 1 – que o Despacho Decisório ora em exame fora realizado mediante sistema eletrônico, sem qualquer apreciação/acompanhamento por algum Auditor Fiscal, tornandose um despacho falho, inconsistente e obscuro, com embasamento em presunção; 2 – que a autuação levada a termo via MPF nº 03101002009012474, foi apurada de forma flagrantemente errada, resultado da utilização equivocada de alíquota diversa nas suas operações, com débitos listados no Auto de Infração nº 10380.720906/201051; 3 – que a contribuinte detinha para abril de 2006 um saldo credor no valor de R$ 708.029,82 aferido por diligência fiscal, do qual deveria ter sido abatido os débitos apurados no MPF nº 03101002009012474 e não do crédito alocado no presente pedido de compensação; 4 – que houve diligência fiscal na qual se apurou crédito acumulado, bem como fora verificado que no período compreendido entre abril/2005 a março/2008 algumas operações do contribuinte ocorreram com erro de classificação fiscal e/ou alíquota, o que resultou na cobrança de tais débitos por meio de autuação fiscal; 5 apela para o princípio da verdade material no caso concreto, em face de haver imputação de débito sem qualquer averiguação probatória, algo inadmissível, seja na esfera judicial ou administrativa, não podendo restringirse a presunções ou achismos; Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10380.916007/200918 Acórdão n.º 3001000.305 S3C0T1 Fl. 4 3 6 observa ainda, o fato de não ter havido em nenhum momento qualquer prejuízo financeiro ao fisco, e caso seja encontrado débito, poderá de ofício, ser compensado com créditos existentes, como no caso presente; 7 requer também, a realização de perícia em todos os seus livros e documentos fiscais, colocados de imediato à disposição do fisco. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse resumidos na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado. Em sede de ressarcimento e compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. À autoridade julgadora de primeira instância cabe indeferir, motivadamente, o pedido de perícia que considerar prescindível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.102). Repisando todas as alegações de sua Manifestação de Inconformidade pugna pela reforma do acórdão recorrido e o reconhecimento do direito creditório de IPI, os quais foram glosados, de forma que seja homologada em sua totalidade a compensação praticada. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10380.916007/200918 Acórdão n.º 3001000.305 S3C0T1 Fl. 5 4 Inicialmente o presente processo foi distribuído para a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que em sessão do dia 25 de setembro de 2012, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência (Resolução 3403000.375), nos termos do voto do Relator: Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O despacho decisório homologou em parte as compensações, sob a justificativa de que o ressarcimento pleiteado foi insuficiente para amortizar os débitos indicados para compensação, em virtude da autoridade administrativa ter abatido débitos apurados em procedimento fiscal. Por outro lado, o contribuinte alegou que foi feita uma reconstituição da escrita fiscal no processo nº 10380.720906/201051, que culminou na lavratura de um auto de infração de IPI, o qual teria sido liquidado por meio da apresentação do PER/DECOMP nº 31617.45150.220410.1.3.01 8762, cujo recibo de entrega foi anexado ao recurso voluntário. Aparentemente o contribuinte extinguiu o débito do auto de infração em 22/04/2010, ou seja, antes da expedição do despacho decisório de homologação parcial das compensações (19/05/2010). Verificase, ainda, que o voto condutor do Acórdão da DRJ – Belém fez menção a uma informação fiscal que não está anexada a este processo, pois “estaria disponível para consulta no sítio da Secretaria da Receita Federal”. No caso, apenas com o que está anexado aos autos, não é possível saber se os débitos apurados pela fiscalização discriminados no demonstrativo de análise do crédito estão relacionados com os débitos supostamente apurados no processo nº 10380.720906/201051. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que a autoridade administrativa: Responda os quesitos a seguir enumerados, de forma conclusiva, acompanhado de documentação hábil a comproválas e que o contribuinte seja intimado do que for constatado para que, querendo, possa se manifestar no prazo de dez dias (art. 44 da Lei nº 9.784/99). Após, os autos deverão retornar ao colegiado para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento a Resolução emanda do CARF (3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento), consta às fls. 254 Relatório de Diligência Fiscal com as respostas as perguntas formuladas: a) juntar ao processo acima referido a informação fiscal “que estaria disponível para consulta no sítio da Secretaria da Receita Federal”, mencionada no voto condutor do Acórdão da DRJ Belém; R) Documento juntado às fls.128/132. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10380.916007/200918 Acórdão n.º 3001000.305 S3C0T1 Fl. 6 5 b) informar qual o objeto do processo nº 10380.720906/201051, juntando cópias de suas principais peças, inclusive o demonstrativo da reconstituição da escrita fiscal, se houver, esclarecendo, ainda, se na reconstituição de escrita eventualmente existente a fiscalização levou em consideração (ou não) os estornos relativos aos pedidos de ressarcimento; R) O objeto do processo nº 10380.720906/201051 é auto de infração de IPI para lançamento de multa pelo não recolhimento do tributo ou pelo recolhimento com erro de classificação fiscal e/ou alíquota. Na reconstituição de escrita a fiscalização levou em consideração, sim, os estornos relativos aos pedidos de ressarcimento. O auto de infração e a reconstituição da escrita foram juntados à fls. 219/250. c) informar se o processo nº 10380.720906/201051 foi impugnado, assim como sua situação atual; R) O processo nº 10380.720906/201051 foi impugnado; sua situação atual é “ARQUIVADO”, pois os débitos foram extintos por compensação, conforme documento de fl. 251. d) informar se os débitos eventualmente lançados no processo nº 10380.720906/201051 são os mesmos débitos que foram abatidos do valor pleiteado a título de ressarcimento de IPI neste processo (PER/DECOMP 07422.43405.210807.1.1.019303) R) Os débitos lançados no processo nº 10380.720906/201051 são multas pelo não recolhimento de IPI ou pelo recolhimento com erro de classificação fiscal e/ou alíquota. Já os débitos que foram abatidos do valor pleiteado a título de ressarcimento de IPI no presente processo (PER/DCOMP 07422.43405.210807.1.1.019303) são os valores de IPI (principal) não recolhidos ou recolhidos com erro de classificação fiscal e/ou alíquota. Portanto, os débitos lançados no processo nº 10380.720906/201051 são distintos daqueles abatidos no presente processo. e) Verificar se o auto de infração objeto do processo nº 10380.720906/201051 versou somente sobre a multa de ofício, pois o IPI não lançado nas notas fiscais contaria com cobertura de credito. Em caso de resposta afirmativa, informar conclusivamente se os débitos de IPI apurados e abatidos do saldo credor do livro no momento da reconstituição da escrita foram os mesmos que posteriormente foram abatidos do pedido de ressarcimento da análise do PER/DECOMP e averiguar se tais débitos não foram descontados em duplicidade; R) Sim, o auto de infração objeto do processo nº 10380.720906/201051 versou somente sobre a multa de ofício, pois o IPI não lançado contava com cobertura de crédito (ver documentos de fls.219/250). Quanto aos débitos de IPI apurados e abatidos do saldo credor do livro no momento da reconstituição da escrita, esses foram, sim, os mesmos que posteriormente foram abatidos do pedido de ressarcimento da análise do PER/DCOMP. Todavia, não houve duplicidade de Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10380.916007/200918 Acórdão n.º 3001000.305 S3C0T1 Fl. 7 6 desconto, uma vez que da reconstituição da escrita fiscal resultou um auto de infração apenas de lançamento de multa de ofício. Os débitos apurados pela fiscalização não são registrados no livro RAIPI do contribuinte, porém, o estorno do valor total do pedido de ressarcimento, e não somente do valor deferido, se presta a abater da escrita fiscal o valor desses débitos. A sistemática do SCC (sistema que gerencia os PER/DCOMP) é diferente. NO SCC o sistema capta, a partir de informações da empresa, os créditos relativos às entradas e os débitos referentes às saídas, não sendo computados, para efeito de apuração do saldo credor, os estornos de ressarcimento. Assim, os débitos e glosas apurados pela fiscalização são lançados no sistema para ajustamento do valor do saldo credor ressarcível. f) informar se o PER/DECOMP 31617.45150.220410.1.3.01 8762, cuja cópia do recibo de entrega foi anexada com o recurso voluntário, incluiu os débitos que teriam sido lançados no processo nº 10380.720906/201051, bem como a data de sua transmissão e a situação dessa compensação (se foi homologada ou não, ou se ainda está pendente de apreciação por parte da autoridade administrativa); R) O PER/DCOMP 31617.45150.220410.1.3.018762 incluiu, sim, os débitos lançados no processo nº 10380.720906/201051, com redução de 50%. A data de sua transmissão é 22/04/2010 e a situação atual é “HOMOLOGAÇÃO TOTAL”(ver documento de fl. 253). Cientificado a Recorrente via Domicílio Fiscal Eletrônico (efls.260), não houve manifestação com relação a Informação Fiscal encaminhada, retornando o processo ao CARF para prosseguimento do julgamento. Dandose seguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Os fatos dizem respeito a Pedido de Ressarcimento de IPI via PER/DCOMP nº 07422.43405.210807.1.1.019303, correspondente ao saldo credor ajustado conforme RAIPI do 2º Trimestre de 2006, no valor de R$ 143.210,21 vinculado a Declaração de Compensação nº 17142.71797.180108.1.3.010556 referente a débito de PIS código 6912 no valor de R$ 9.009,78 do período de apuração 12/2007; Declaração de Compensação nº 38857.41624.180408.1.3.010560 referente débito de PIS código 6912 no valor de R$ 3.776,27 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10380.916007/200918 Acórdão n.º 3001000.305 S3C0T1 Fl. 8 7 do período de apuração 03/2008 e Declaração de Compensação nº 32737.17543.230608.1.3.01 3081 referente débito de CSLL código 2484 no valor de R$ 23,24 do período de apuração 05/2008. Conforme Despacho Decisório de fls.53 houve a homologação parcial, com reconhecimento do crédito no valor de R$ 137.820,17. A glosa no valor de R$ 4.099,43 foi apontada no referido despacho como resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. O detalhamento da compensação que deu suporte ao Despacho Decisório, com seus demonstrativos de créditos e débitos do período relacionado, constam do processo às folhas 54 a 56. O Sujeito Passivo do crédito tributário quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, já anunciou ter pleno conhecimento da causa da glosa fiscal, quando expôs que "algumas operações do contribuinte ocorreram com erro de classificação fiscal e/ou alíquota". Portanto, o foco da discussão, a questão central da controversa, não foi o valor da glosa, mas sim, porque esse valor não foi abatido do crédito acumulado existente em conta gráfica. A DRJ/BEL, quando de sua decisão, que confirmou integralmente os termos do despacho decisório tinha conhecimento de que a glosa de crédito aplicada ao pedido de ressarcimento de IPI era resultante de MPF, de cujos termos, como também, do auto de infração dele proveniente não foram disponibilizados no presente processo. A recorrente, valendose dessa situação, lançou dúvidas sobre a veracidade e procedência da cobrança do valor da glosa do crédito de IPI requerido. A questão da dúvida conforme abordada no recurso, se efetivamente estaria ocorrendo uma cobrança em duplicidade, é que levou o CARF a baixar o presente processo em diligência, via Resolução, para que a unidade de origem prestasse as informações pertinentes. Em resposta aos quesitos contidos na Resolução 3403000.374 (fls.116), a DRF de Fortaleza trouxe aos autos, (fls.250), Relatório de Diligência Fiscal, detalhando, ponto por ponto, cada item da diligência. A clareza e objetividade das respostas deixam em evidência a total improcedência de qualquer direito recursal quanto a lide processual, tanto que a recorrente mantevese silente após cientificada do relatório. Os valores objeto da glosa fiscal são referentes a constatação de erro de classificação fiscal e/ou alíquota de IPI em operação de venda de produtos, no que resultou no não recolhimento do tributo e/ou no recolhimento a menor que o devido. Diante desse fato, a sua repercussão está diretamente associada a apuração do crédito do trimestre envolvido no processo de restituição, não há como associálo a estorno de crédito, transferindo seu efeito a outro período de apuração; Não há cobrança em duplicidade, o auto de infração reuniu apenas multa, o imposto foi motivo de reconstituição da escrita fiscal com repercussão direta no pedido de ressarcimento de IPI. Quanto ao processo resultante do auto de infração de cobrança de multa, não foi objeto de impugnação, vindo a ser liquidado via PER/DCOMP com pedido de compensação. O direito a restituição de crédito de IPI é aquele apurado a cada trimestre calendário, portanto, do confronto dos débitos e créditos levantados no trimestre Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10380.916007/200918 Acórdão n.º 3001000.305 S3C0T1 Fl. 9 8 correspondente é que resulta o valor que irá servir de base da restituição (art. 11 da Lei nº 9.779/99). Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 13831.001235/2008-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. PRAZO. EMPRESA EM INICIO DE ATIVIDADE.
A ME ou EPP só pode efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade no mesmo ano-calendário da data de abertura constante do CNPJ.
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. TRANSCURSO DE 180 DIAS APÓS EMISSÃO DO CNPJ.
A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
Numero da decisão: 1001-000.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bazhuni.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: 06094153952 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. PRAZO. EMPRESA EM INICIO DE ATIVIDADE. A ME ou EPP só pode efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade no mesmo ano-calendário da data de abertura constante do CNPJ. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. TRANSCURSO DE 180 DIAS APÓS EMISSÃO DO CNPJ. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
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MARTINS VIEIRA & P. MARTINS VIEIRA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. PRAZO. EMPRESA EM INICIO DE ATIVIDADE. A ME ou EPP só pode efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade no mesmo anocalendário da data de abertura constante do CNPJ. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. TRANSCURSO DE 180 DIAS APÓS EMISSÃO DO CNPJ. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bazhuni. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 00 12 35 /2 00 8- 43 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13831.001235/200843 Acórdão n.º 1001000.498 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 61 a 71) interposto contra o Acórdão nº 01022.457, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 53 a 56), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF ANOCALENDÁRIO: 2005 SIMPLES NACIONAL. SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO EXTEMPORÂNEA. VEDAÇÃO. A ME ou EPP não poderá efetuar opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 dias da data de abertura da empresa constante no CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, em relação ao Despacho Decisório proferido pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marilia, que indeferiu o seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, em razão dele ter sido, efetuado depois de decorridos 180 dias da data de abertura da empresa constante no CNPJ. O contribuinte aduz que, em se tratando de empresa em inicio de atividade, a legislação permite que se realize a opção pelo Simples Nacional até 10 dias do último deferimento de inscrição, ainda que decorrido o prazo de 180 dias da inscrição no CJPJ, devendo o prazo de 10 dias ser considerado corno uma exceção a regra geral de 180 dias. Aduz ainda haver iniciado suas atividades apenas em 06/06/2008, conforme alvará de licença para localização, instalação e funcionamento emitido pelo Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13831.001235/200843 Acórdão n.º 1001000.498 S1C0T1 Fl. 4 3 município em 13/06/2008; e que o último deferimento de inscrição ocorreu em 06/06/2008, com ciência ao contribuinte apenas em 13/06/2008. Requer o deferimento ao seu pedido de opção pelo Simples Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando as alegações já apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade e salientando que a opção pelo Simples havia sido realizado dentro do prazo regular. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Compulsando os autos vêse que a data de abertura constante no cadastro CNPJ da Recorrente é 14/11/2007 (fl. 15). No entanto, esta apenas obteve sua inscrição Municipal, necessária para o efetivo desenvolvimento de suas atividades, na data de 13/06/2008 (fl. 19). Por derradeiro, o requerimento de inclusão retroativa no Simples data de 18/06/2008. Aqui, fazse um parênteses no relato para trazer à colação o regramento vigente à época dos fatos, no que se refere aos prazos para adesão ao Simples na situação especial de empresa em início de atividade, qual seja, o disposto pelo art. 7º da Resolução CGSN nº 04/2007, conforme se transcreve os trechos pertinentes: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção,deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13831.001235/200843 Acórdão n.º 1001000.498 S1C0T1 Fl. 5 4 de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Grifos nossos) A normativa citada, ao tratar da situação especial de início de atividade no próprio ano da opção, faz menção à dois prazos, um de 180 dias contados da data de abertura do CNPJ e outro de 30 dias a contar da última inscrição Municipal/Estadual. Pois bem, isto posto, a DRJ de origem considerou em sua decisão que os prazos dos parágrafos 3º e 6º do artigo supra devem se aplicar de forma concomitante, ou seja, ainda que o contribuinte estivesse dentro do prazo de 30 dias posteriores à inscrição municipal, já estaria vencido o prazo de 180 dias pós expedição do CNPJ, o que impediria seu direito ao ingresso. Por sua vez, o Contribuinte em seu Recurso Voluntário defende que ambas as normas não se aplicam de forma cumulativa, mas de forma isolada e alternadas. E, por conseguinte, conclui que apenas o prazo do parágrafo 3º seria aplicável à sua situação concreta. Neste ponto, entendo por incorreta a interpretação dada aos dispositivos pela DRJ de origem, e parcialmente correta as considerações feitas pela Recorrente. Explicarei melhor o meu entendimento. Conforme cediço, nenhuma norma paira sozinha no universo jurídico. O Sistema Jurídico pátrio é uno e coeso, regra esta que naturalmente se replica nas leis e demais dispositivos legais que o conformam. Quer isto dizer que o processo hermenêutico, pelo qual se é possível extrair normas jurídicas a partir dos textos legais, deve ser realizado de forma sistemática, considerandose a unicidade e harmonia de todos os dispositivos envolvidos. Assim, temse de forma bem clara que o §3º do Art. 7º trata de uma exceção à regra geral do § 1º, destinada a permitir que as empresas recém iniciadas possam usufruir do regime tratado pela Resolução desde o seu início, sem que tenham que esperar o próximo prazo "normal", qual seja o fim do mês de janeiro de cada ano. Nesse sentido, em seu §6º o dispositivo em tela traz a previsão de um prazo mais amplo e genérico de 180 dias para a opção, contado da data constante no CNPJ, trazendo no mesmo dispositivo a sua hipótese de exceção: "observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo". Por sua vez, o §3º traz outro prazo, um pouco mais específico e restrito que o citado anteriormente, o de 30 dias após o último deferimento de inscrição, apenas para as empresas que necessitem de inscrição Estadual e/ou Municipal. Aqui cabe salientar dois pontos que são de notório conhecimento: (i) O registro no CNPJ é a inscrição básica que toda nova Pessoa Jurídica necessita para poder operar, e é a primeira que deve obter, vez que é requisito para todas as demais; e (ii) nem todas as Pessoas Jurídicas necessitam de inscrição Municipal e/ou Estadual vez que está exigência varia de acordo com o a atividade a qual se propõe a desenvolver e de acordo com a legislação do local em que pretende praticála. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13831.001235/200843 Acórdão n.º 1001000.498 S1C0T1 Fl. 6 5 Evidentemente, a autoridade competente, em sua atividade de regulamentação, demonstrou plena ciência destas circunstâncias ao incorporálas ao regramento em comento. A primeira se observa nos momentos em que se determina o início da atividade como o constante na data do CNPJ (§6º) e que se utilizar o termo "após efetuar a inscrição CNPJ" ao se tratar das inscrições Municipais e Estaduais (§3º, inciso I). Já quanto a segunda circunstância, percebese a sua consideração pela autoridade reguladora nos termos do Inciso I do §3º, ao estabelecer justamente um prazo próprio para as situações em que a Pessoa Jurídica não dependa apenas de cadastro no CNPJ mas também nos fiscos Estaduais e/ou Municipais. Ora, tal disposição de prazo especial faz todo o sentido, vez que cada cadastro depende de tramitação própria no órgão apropriado municipal ou estadual, cada um tendo suas peculiaridades e modus operandi próprio, controlado pelo próprio ente político. Claramente o regulamento não quis criar diferença de oportunidade de ingresso no SIMPLES ou qualquer outro embaraço às Pessoas Jurídicas que porventura necessitem de cadastro Municipal ou Estadual em localidades cuja tramitação venha a ser mais alongada. Destarte, é natural que o legislador tenha se preocupado em criar essa exceção à regra geral do prazo de 180 dias, insculpida no §6º, a fim de não se permitir que o novo contribuinte seja prejudicado por circunstâncias que fogem do controle dele, e da própria administração federal. Outrossim, não se deve esquecer que tal legislação que institui e regulamenta o regime do SIMPLES visa justamente fomentar e incentivar a criação e desenvolvimento de novos empreendimentos, assim, o seu objetivo é que seja o mais inclusivo quanto possível. Não seria coerente com o próprio intuito do programa se fosse permitida essa diferenciação de oportunidade entre empresas que dependam e não dependam de outros cadastros além do CNPJ. Essas conclusões acima, embora façam todo sentido lógico pela análise finalística, é a que se extrai pela simples interpretação semântica dos dispositivos legais. Conforme já mencionado, o §6º deixa claro que o prazo do §3, inciso I, se excetua ao prazo de 180 dias ao incluir ao final desta previsão o termo " observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo". Notese que se a intenção da autoridade regulamentadora fosse que os prazos, de 180 dias do CNPJ e 10 dias após o último deferimento das inscrições Estaduais e Municipais, corressem de forma concomitante, não haveria motivo para estabelecer a expressa observância da regra especial dos 10 dias ao falar do prazo de 180 dias. Por outro lado, evidenciase que não foi feita qualquer menção no inciso I do §3º quanto a qualquer dever de "se observar os 180 dias após o CNPJ" ao considerar o prazo de 30 dias a partir do deferimento das demais inscrições. Ou seja, resta claro que, neste caso especial, este prazo é próprio e específico e corre sozinho, independente do outro. Portanto, a conclusão semântica que se tira do cotejo dos dispositivos em comento é de que: (i) a regra geral para todas as empresas que porventura não necessitem de cadastro Municipal ou Estadual é o prazo de 180 dias a partir da data constante no CNPJ; e (ii) Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13831.001235/200843 Acórdão n.º 1001000.498 S1C0T1 Fl. 7 6 no caso das que necessitem destes cadastros, fica estabelecido o prazo de 30 dias após o último deferimento. Desta feita, pelos fundamentos e conclusões supra expostos, entendo que no caso concreto dos autos não se aplicaria o prazo de 180 dias após a abertura do CNPJ, conforme proposto pela decisão de piso. Contudo, tampouco se aplicaria, no caso sob análise, a aplicação do prazo de 30 dias após expedição da inscrição municipal. Notese que o §3º do art. 7º da Resolução CGSN nº 04/07 estabelece expressamente que a possibilidade especial de adesão ao Simples Nacional, nos prazos já discutidos, só é facultada às empresa em inicio de atividade no anocalendário da opção. In verbis: "§ 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção,deverá ser observado o seguinte:(...)" Desta forma, tendo a empresa iniciado suas atividades em 14/11/2007, não poderia ela no anocalendário de 2008 ter realizado a opção pela sistemática do §3º. Entendo que à Recorrente, pós iniciado o ano de 2008, deveria ter respeitado o prazo geral do §1º do citado art. 7º, que estabelecia o último dia útil do mês de janeiro como data limite para a opção. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de Inclusão Retroativa no Simples realizada pela Recorrente no anocalendário de 2008. Por fim, em que pese todo meu entendimento e voto exarado acima, em homenagem ao princípio da colegialidade, anoto que por ocasião da sessão de julgamento em epígrafe a turma entendeu, por voto de qualidade, que a fundamentação adequada para o não acolhimento das Razões da Recorrente seria também "o decurso de 180 dias da abertura do CNPJ para solicitar a opção, conforme estabelece o § 6º, do art. 7º, da Resolução CGSN nº 04/2007." É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13831.001235/200843 Acórdão n.º 1001000.498 S1C0T1 Fl. 8 7 Fl. 69DF CARF MF
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