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Numero do processo: 15586.000987/2010-86
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO.
Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas, constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA.
Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas, constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas, constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 87 /2 01 0- 86 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000987/201086 Acórdão n.º 2803001.774 S2TE03 Fl. 231 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000987/201086 Acórdão n.º 2803001.774 S2TE03 Fl. 232 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.184 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls.164 e seguintes do processo digital), que manteve o crédito tributário referente a sanção pecuniária contra a empresa acima identificada, com fulcro no artigo 32, inciso I, da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 90 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, no período de 01/2006 a 12/2007, conforme descrição contida no Relatório Fiscal.Aplicouse a multa capitulada nos artigos 92 e 102, ambos da Lei n° 8.212/91, combinados com o artigo 283, inciso I, alínea "a" e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010. Informações não colocadas quanto à pagamentos a título de cestas básicas e vales alimentação, valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pago a dependentes dos empregados, Segurdo de Vida em Grupo sem previsão em Acórdo Coletivo de Trabalho, no período de 10.2006 a 12.2007, aluguel de imóvel residencial ao empregado Charles Lussier entre 01.2006 e 06.2007, reenbolsos em folha de pagamento oriundos do Programa de Qualidade de Vida a funcionarios com gastos com atividades físicas, abonos salariais anual conforme Acordo Coletivo de Trabalho, auxílio educação a dependentes dos funcionários, valores furtos de participação de lucros e resultados em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000, sem regras e programs pactuados previamente e pagamentos sem a devida aferição para os cargos de gerência, coordena;áo, engenheiros, lideres, diretoria da empresa. A ciência do auto de infração inaugural foi em 10.09.2010. Em impugnação a Recorrente requereu a improcedência do lançamento de forma específica: "Requer, seja recebida, processada e provida a presente defesa, para decretar a insubsistência no Auto de Infração DEBCAD n° 37.258.4195, apenas quanto ir multa referente a não inclusão da contribuição social incidente sobre o Auxilioeducação, plano de assistência médicohospitalar para filhos de empregados e participação dos lucros e resultados" Em razão disso, somente essas matérias foram apreciadas em primeiro grau, pois as demais foram consideradas como não contestadas, portanto não impugnadas (art. 17, do Dec. 70.325/1972). Sendo improvida a impugnação, conforme acima relatado. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: as verbas objetos de autuação têm natureza indenizatória ou de auxílio de custos, sem natureza remuneratória, a natureza indenizatória do fornecimento de alimentos a título de vales/tickets e cestas de alimentação independentemente de inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador, do auxíliosaúde (pagamento de planos médicohospitalares e odontológicos) aos dependentes não tem natureza remuneratória, Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000987/201086 Acórdão n.º 2803001.774 S2TE03 Fl. 233 4 pagamento de seguro de vida e de acidentes pessoais, que o aluguel de imóvel residencial para Charles Lussier era para fins de habita;áo fornecidos pela empresa ao empregado para tabalhar em localidade distante da de sua residência, os valores referentes ao programa de qualidade não de natureza social e preventivos à própria saúde pública, que o abono pago em 1/2007 não integra o salário (art. 28, par. 9o., item 7, da Lei n. 8.212), que o auxílioeducação pagos aos dependentes dos funcionários não tem natureza remuneratória, equiparados a auxílio alimentação(art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212), que a participação dos lucros e resultados está prevista em Acordo Coletivo, falta de clareza da autuaçáo quanto aos pagamentos aos contribuintes individuais autônomos. Em sessão, fora realizada sustentação oral da patrona da Recorrente, Dra. Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. Esse é o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000987/201086 Acórdão n.º 2803001.774 S2TE03 Fl. 234 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relatório I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Preliminarmente, em razão da não impugnação das matérias trazidas em recurso voluntário em primeiro grau de instância, sob pena de desobediência ao art. 17, do Dec. 70.235/1972, bem como supressão de instância não justificada (art. 1o. do Regimento Interno do CARF/MF), restaram prejudicados os questionamentos que não forem o auxílioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos e dependentes dos empregados e participação dos lucros e resultados, bem como aqueles com clara permissão de afastamento da aplicação da lei (auxílioalimentação) por dever de ofício. Ainda, quanto à suposta inconstitucionalidade dos fundamentos legais apontados nos outros pontos do recurso, não apreciados em razão de não terem sido contestados, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. III Está correto Auto de Infração, respeitando as normas de lançamento na forma do art. 142, do CTN, e do art. 37, da Lei n. 8.212/1991, por deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos está determinada arts. 32, I, da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa fixa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "a", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. E a penalidade por ser fixa, basta uma única infração para que a mesma seja aplicada. Em tempo, quanto ao argumento genérico de cumulação de multas, além da defesa recursal não servir para apreciação por não demonstrar a cumulação ou bis in idem, a obrigação objeto do auto de infração tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000987/201086 Acórdão n.º 2803001.774 S2TE03 Fl. 235 6 Assim, mesmo que haja a correção apenas parcial dos fundamentos do lan;amento, ainda restará outros motivos que demonstram o não registro adequado, manterá a aplicação da sanção. IV – Quanto à inconformidade da aplicação de contribuições previdenciárias com base nos valores pagos a título de auxílioeducação pagos aos dependentes, considerando os fatos geradores passíveis de informação em GFIP. Devese anotar que a empresa não trouxe qualquer elemento probatório ou legal que demonstrase que a bolsa paga aos filhos e dependentes dos funcionários há qualquer vinculação com a atividade ou qualificação dos funcionários da mesma. Assim, não há demostração de sua desvinculação à remuneração, ou que o auxílio tem natureza indenizatória, representando aumento de renda. Assim, o disposto no art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212/1991, é claro em que a natureza indenizatória do pagamento de auxílioeducação deve estar vinculda à qualificação dos funcionários da empresa. Nesse aspecto, não perece acolhimento o recurso. V – Quanto às alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores referentes à saúde plano de assistência médicohospitalar e odontológico aos filhos dos empregados, verificase que o art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. 458, par. 2o., IV, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários. Assim, tais fatos não podem considerandoos fatos geradores passíveis de informação em GFIP, e serem objeto da autuação em questão. O entendimento é acompanhado pela jurisprudência judicial e administrativa, como bem demonstrado no voto condutor da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, no Acórdão n. 240101.981, oriundo da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF/MF, de 22.08.2011, abaixo citado : No presente caso, tenho a salientar que o denominado auxílioexcepcional é concedido aos empregados da recorrente, na forma de reembolso, para o tratamento de dependente portador de incapacidade congênita, conforme Relatório fiscal (fls. 113 a 119), in verbis: “Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioExcepcional (também chamado de AuxílioDeficiente ou Auxílio a Portadores de Necessidades Especiais) tratase de benefício concedido pela Fundação aos seus empregados na forma de reembolso limitado de despesas com o tratamento de seu dependente que seja portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento.” Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000987/201086 Acórdão n.º 2803001.774 S2TE03 Fl. 236 7 Saliento que não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médicohospitalares ou com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” (art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991). Entendo que o auxílio excepcional a que se refere o presente lançamento, nada mais é do que um reembolso para tratamento médico de dependente portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento, que enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. Precedentes: TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 200351010269501 RJ 2003.51.01.0269501, Relator(a): Juíza Federal Convocada SANDRA CHALU BARBOSA “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Tratase de apelação de interposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido da autora e a condenou ao pagamento de custas e honorários advocatícios na ordem de 10% sobre o valor da causa atualizado. 2. A autora alega em seu recurso que a NFLD em questão, que "diz respeito à pretensa cobrança de contribuição previdenciária sobre a verba denominada auxílioexcepcional", não deve ser cobrada porque o referido auxílio excepcional, ao contrário do que defendeu a sentença, não possui natureza remuneratória, mas sim retributivo e comutativo. 3. Inicialmente, é de se dizer que, como bem observou a sentença atacada, saláriodecontribuição, nos termos do "inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, (...) referese à totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título" ao empregado e que "o auxílio excepcional não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão da contribuição previdenciária taxativamente previstas no § 9ºdo art . 28" (fls. 97/98) da aludida lei. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000987/201086 Acórdão n.º 2803001.774 S2TE03 Fl. 237 8 4. Por outro lado, devem ser excluídos da autuação fiscal em debate os valores pagos como auxílio à criança excepcional que, em sede de execução, correspondam, comprovadamente, a pagamentos de despesas médicas ou que tenham sido utilizados na educação básica do menor excepcional, nos termos do artigo 28, § 9º, alíneas "q" e "t", da Lei nº 8.121/91. 5. Nesse sentido é a deliberação contida no processo nº 97.02.446066, da relatoria do MM. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, e que fora julgada no dia 22/01/2008 pela 3ª Turma Especializada deste TRF, com a seguinte fundamentação: "o auxílio excepcional previsto em acordo coletivo firmado pela autora é pago ao empregado, na forma de reembolso mensal, enquanto perdurar o atendimento especializado e a condição de empregado. Não tendo cunho remuneratório, de contraprestação de serviço, não integra o saláriodecontribuição, sendo, porém, necessária prova da prestação do serviço especializado". 6. Recurso conhecido e parcialmente provido.” E ainda, a Solução de Consulta nº 26, de 31 de julho de 2009, da 5ª Região Fiscal, DOU de 31/08/2009, foi no sentido de que as verbas pagas a título de auxílioexcepcional não têm natureza remuneratória: “ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: As verbas pagas a título de AuxílioExcepcional, desde que atendidas as condições legalmente exigidas, têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas de educação e tratamento especializados despendidas. Deste modo, as referidas verbas não integram o saláriodecontribuição, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuição previdenciária.” Contudo, em razão das demais irregularidades, a corretude e acolhimento dos motivos do recurso, não afetará a manutenção do presente auto de infração. V – Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação de receita/lucros, verificase que realmente houve desobediência injustificada (atrasos em negociação) mas as regras para participação dos empregados nas receitas e lucros desobedeceram ao art. 2, par.1o,e b, da Lei n. 10.101/2000, não podendo serem as verbas excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, §9ª, “j”, da Lei 8.212 – Ac. 2803001.503, da 3a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF, Rel. Cons. Oseas Coimbra, sessão de 17.04.2012). E a principal falha ao caso é a falta de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000987/201086 Acórdão n.º 2803001.774 S2TE03 Fl. 238 9 previsibilidade, pois os acordos não eram realizados de forma prévia, à distribuição. Tudo plenamente demonstrado pela decisão recorrida. Assim, não merece reforma a decisão nesse ponto, mantendose os valores como fatos geradores passíveis de informação em GFIP. VI – Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Sala de Sessões, 16 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15504.004230/2009-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
ISENÇÃO
O contribuinte passa a se utilizar do benefício após a administração tributária lhe conceder, formalmente, a isenção.
SESC E SENAC. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS POR PRESTADORAS DE SERVIÇO.
São devidas as contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC pelas prestadoras de serviços.
SEBRAE
Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.770
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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SESC E SENAC. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS POR PRESTADORAS DE SERVIÇO. São devidas as contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC pelas prestadoras de serviços. SEBRAE Submetemse à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 42 30 /2 00 9- 91 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004230/200991 Acórdão n.º 2403001.770 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0227.964 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra ABRAÇO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA COMUNITÁRIA PARA A PREVENÇÃO DO ABUSO DE DROGAS, CNPJ 25.572.199/000153, no montante de R$210.153,30 (duzentos e dez mil, cento e cinqüenta e três reais e trinta centavos), relativo às competências compreendidas entre 11/2005 a 13/2006, com valor consolidado em 18 de março de 2009. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração AI (fls. 48/50), o crédito referese à contribuição devida pela empresa a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos Salário Educação, Incra, Sebrae, Sesc e Senac, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Argumenta a autoridade fiscal que o crédito tributário foi constituído para os estabelecimentos 000153, 000234 e 0003 15 por meio do seguinte levantamento: a) REM Remuneração Segurados, referente à remuneração paga ou creditada a segurados empregados constantes em folha de pagamento no período de 11/2005 a 13/2006. Registra que a empresa, por entender que era isenta de contribuições devidas a Terceiros, apresentou a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores. Assinala que os valores pagos ou creditados aos segurados empregados foram apurados mediante exame das folhas de pagamentos e GFIP Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Foi fundada em meados de 1985, iniciando suas atividades" voltadas à assistência social no ano de 1991. Já em 1999 recebeu o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, o qual lhe atribuiu o título de entidade filantrópica. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Por erros internos administrativos, não promoveu a necessária renovação do CEBAS, muito embora mantivesse seu perfil filantrópico, apresentando todos os critérios necessários à classificação de entidade sem fins lucrativos. · Tal pendência mantevese em aberto no intervalo de 2003 a 2007 · Atualmente, a recorrente encontrase em dia com toda a documentação exigida para lhe conferir o caráter de entidade filantrópica, · Anualmente, acompanha cerca de 10.000 (dez mil) casos de dependência química das mais diversas substâncias e promove ações preventivas junto ao público alvo em situações de risco e vulnerabilidade. · É entidade de assistência social. · Imunidade consagrada pelo §7°, do artigo 195 da CR/88 · Cumpridos os requisitos elencados no art. 55 da lei 8.212/91, fica a Recorrente isenta do pagamento da contribuição devida a Terceiros, tal como inserto no inciso I, do art. 22 da mesma norma, de modo que não é devido o recolhimento deste tributo da forma como exigido pelo Fisco. · Preenchimento das condições para o gozo da "isenção" destacada na Lei n° 8.212/91. · Questiona tributação para SESC e SENAC. · Questiona tributação para SEBRAE. · Questiona a multa aplicada. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004230/200991 Acórdão n.º 2403001.770 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. ISENÇÃO / IMUNIDADE Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91, que impôs condições (requisitos) para gozo da imunidade. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3oPara os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 20285) § 4oO Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 2028 5) § 5oConsiderase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 20285) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004230/200991 Acórdão n.º 2403001.770 S2C4T3 Fl. 5 7 §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no§ 3odo art. 195 da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Conforme estabelecido, o contribuinte passa a se utilizar do benefício após a administração tributária lhe conceder, formalmente, a isenção. Os documentos, por si só, não suprem a exigência contida no § I o do art. 55 da Lei n° 8.212/91. No caso deste processo, a recorrente só passou a usufruir do benefício da isenção a partir de 01/03/2008, conforme informação que se extrai dos sistemas informatizados da administração tributária, fls. 211. A própria recorrente reconhece que para o período do lançamento, não cumpria com os requisitos legais, nem menciona ter requerido a isenção. SESC / SENAC Quanto ao argumento de que as prestadoras de serviços de saúde não são contribuintes do SESC nem do SENAC, o mesmo não merece prosperar. As contribuições são previstas em lei e não há norma expressa que fundamente a alegação suscitada. Nesse sentido é o entendimento atual do STJ, como exemplo segue ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n ° 840946/RS, cuja relatora foi a Eminente Ministra Eliana Calmon, publicado no DJ em 29 de agosto de 2007, nestas palavras; TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. SEBRAE Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004230/200991 Acórdão n.º 2403001.770 S2C4T3 Fl. 6 9 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, entendo correto o lançamento referente ao SEBRAE. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003648/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sun Mar 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 03046.424 (fl. 36), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado na DIRPF do exercício de 2005, anocalendário de 2004, que alterou o imposto a restituir apurada pela contribuinte em sua declaração de ajuste anual de R$ 5.948,78 para R$ 990,66. O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 03 64 8/ 20 09 -4 5 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10166.003648/200945 Resolução nº 2101000.107 S2C1T1 Fl. 52 2 Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004. Valor: R$ 16.486,01. Motivo da glosa: por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação da Descrição dos Fatos: Foram glosadas as seguintes despesas médicas: • C&C Gráfica, Editora e Papelaria – R$ 100,00; • C&C Gráfica, Editora e Papelaria – R$ 25,71; • C&C Gráfica, Editora e Papelaria – R$ 170,00; • Clínica Capita Dermatologia e Oftamologia Ltda – R$ 240,00; • Clínica Odontológica Oliveira Ltda – R$ 5.000,00 (por não ser o beneficiário do tratamento dependente, qual seja Oneida da Silva Matos); • Clínica Odontológica Oliveira Ltda – R$ 13.500,0. Por não ter sido confirmado o pagamento pelo prestador do serviço, após resposta à intimação fiscal; Foram compensadas as despesas médicas abaixo, não declaradas mas comprovadas: • Instituto Rizzoti Galvão –R$ 295,71; • Unimed – R$ 2.233,77 • Fundo Naval – R$ 20,22 Dedução Indevida de Despesa com Instrução – glosa de dedução de despesas com instrução pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004. Valor: R$ 1.543,50. Motivo da glosa: por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação da Descrição dos Fatos: Foram glosadas despesas com instrução de dependente, por falta de previsão legal: Fundação Brasileira de Educ. (FUBRAE) – R$ 317,50 e Comando do Exercito– R$ 1.226,00. Ao apreciar o litígio, o órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente a parte impugnada do lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10166.003648/200945 Resolução nº 2101000.107 S2C1T1 Fl. 53 3 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADA PARCIALMENTE – DESPESA MÉDICA. Considerase não impugnadas, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADA – DESPESA DE INSTRUÇÃO. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. A não comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa efetuada. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecidos Em seu apelo ao CARF (fls. 46/48) a recorrente reafirma que contratou o e pagou R$13,500,00 por serviços de próteses dentárias realizadas pela Clínica Odontológica Oliveira e que apresentou a respectiva nota fiscal, preenchida de próprio punho pelo Dr. Geraldo Magela de Oliveira, em 20/10/2004, e que desconhece os fatos alegados pelo dentista à Receita Federal a respeito do não recebimento do valor indicado na referida nota fiscal. Entende que o prestador do serviço deve estar sonegando o imposto de renda ao alegar não ter recebido pelo serviço prestado, mesmo tendo emitido a nota fiscal apresentada à fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio, tãosomente, a glosa da despesa odontológica indicada na nota fiscal de serviço nº 00047, no valor de R$13.500,00, emitida pela ODONTOGAM – Clínica Odontológica Oliveira Ltda em 20/10/2004 (fl. 09). Examinandose os autos, verificase que referida glosa teve por fundamento a resposta do prestador do serviço à intimação fiscal, negando o recebimento de tal quantia, consoante descrição dos fatos no lançamento, à fl. 03. Contudo, não consta nos autos qualquer declaração neste sentido. Em face ao exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para juntada aos autos da intimação fiscal enviada ao emitente da nota fiscal nº 00047 (fl. 09) e a resposta do prestador do serviço. A contribuinte deve tomar ciência da declaração efetuada pela ODONTOGAM, com prazo de trinta dias para se manifestar. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10166.003648/200945 Resolução nº 2101000.107 S2C1T1 Fl. 54 4 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10148.002164/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 34.274,80, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 23/24 deste e processo, que o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, dedução indevida de despesas médicas e de pensão alimentícia judicial, ambas por falta de comprovação, após regular intimação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 48 .0 02 16 4/ 20 08 -1 6 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10148.002164/200816 Resolução nº 2801000.169 S2TE01 Fl. 66 2 O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2, acompanhada dos documentos de fls. 3/21, por meio da qual esclareceu que a pensão alimentícia referese a pagamentos feitos às suas filhas Paula Barbar, Beatriz Barbar e Julia Barbar, através de depósitos bancários feitos na conta 1818, agência 5330, do Banco Itaú, cuja titular é Adriana S. Cavalieri Costa, mãe das beneficiárias, conforme determinado em sentença judicial homologada em 30/09/1997. Em relação às despesas médicas, informou o impugnante que tais despesas foram efetuadas com o Plano de Saúde Bradesco, no total de R$ 12.883,11, a seu favor e de suas filhas, sendo o plano destas decorrentes da sentença judicial já mencionada. A Nota Fiscal nº 598421, no valor de R$ 1.347,29, emitida em 12/08/2005 pelo Hospital Israelita Albert Einstein, referese a procedimentos realizados no próprio impugnante. Por determinação da 6ª Turma da DRJ/JFA (fl. 41), a DRF de Uberaba/MG intimou o contribuinte a apresentar “Certidão Judicial atualizada que estipula o pagamento da pensão alimentícia para suas três filhas, a fim de verificar se houve ou não alteração na citada sentença, tendo em vista que a sentença apresentada aos autos foi expedida em 1997”. Em face da ausência de resposta à diligência solicitada, os autos retornaram à DRJ/JFA para julgamento. A 6ª Turma da DRJ/JFA julgou a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente podem ser deduzidas as importâncias efetivamente pagas a título de pensão alimentícia e prestação de alimentos provisionais em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome do alimentando, podem ser deduzidas na declaração de rendimentos, em seu campo próprio. São aceitos os valores declarados a título de despesas médicas à medida de sua efetiva comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos. Por outro lado, não podem ser deduzidas as despesas médicas, que por sua natureza, estariam sujeitas a ressarcimento, em face da existência de plano de seguro de reembolso de despesas médicas. Para esse mister, deveria se dar a apresentação do demonstrativo de desembolsos realizados no período para confrontálos com os recibos oferecidos. Impugnação Procedente em Parte Cientificado da decisão de primeira instância em 21/06/2011 (fl. 53), o interessado interpôs, em 19/07/2011, o recurso de fl. 55, acompanhado dos documentos de fls. 56/61. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10148.002164/200816 Resolução nº 2801000.169 S2TE01 Fl. 67 3 Na peça recursal aduz que: Devido ao prazo exíguo, não foi possível apresentar a decisão judicial atualizada. Contudo, houve pedido de desarquivamento dos autos (fl. 58), que não foi atendido até a data da diligência da DRJ. Por sua iniciativa, de comum acordo com a excônjuge, em fevereiro de 2003 o valor foi reduzido para R$ 4.000,00, indexado ao índice Geral de Preços de Mercado da Fundação Getúlio Vargas, com a ressalva de que ficariam mantidas e intocadas as demais disposições do acordo anterior, sendo submetido ao juiz para homologação. Apesar do pedido de desarquivamento em 31/03/2011, até hoje não foi possível obter a certidão atualizada do processo n° 000.03.0216273, documento este que será anexado tão logo esteja disponível. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso e cancelado o débito fiscal. Voto Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. À peça impugnatória foram anexados os seguintes documentos relativos à separação do casal Saulo Barbar e Adriana Cavalieri Barbar: Cópia de Carta de Sentença expedida pelo Poder Judiciário de São Paulo, totalmente ilegível (fl. 8); Cópia de petição inicial da ação de separação consensual do casal incompleta (fls. 10/11); Documento emitido pelo Poder Judiciário de São Paulo, denominado “Encerramento”, totalmente ilegível (fl. 12). À peça recursal o Interessado anexou: Petição protocolizada no Poder Judiciário de São Paulo, em nome de Adriana Schievano Cavalieri Costa, requerendo o desarquivamento dos autos de ação de conversão de separação judicial em divórcio (fl. 58); Petição dirigida ao Poder Judiciário de São Paulo, sem constar o protocolo, requerendo alteração do § 7º da petição inicial da separação consensual apresentada na impugnação (fls. 59/61). Nesse cenário, não me sinto seguro para proferir voto conclusivo acerca da dedução de pensão alimentícia judicial lançada pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual exercício 2006. Assim, sou pela conversão do presente julgamento em diligência, a fim de que a Delegacia que jurisdiciona o domicilio fiscal do Recorrente o intime, pela última vez, a apresentar cópia integral da sentença/acordo judicial que determinou o pagamento de alimentos aos seus filhos, bem como cópia integral da sentença/acordo judicial que homologou a alteração do § 7º da petição inicial anteriormente apresentada, devidamente atualizadas e Fl. 67DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10148.002164/200816 Resolução nº 2801000.169 S2TE01 Fl. 68 4 legíveis, no prazo determinado pela Unidade de origem. Após, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 18471.000416/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada somente em relação aos tributos, períodos e matérias que constarem expressamente do mandado de procedimento fiscal - MPF e/ou de Intimação Fiscal Específica. Constatado que no auto de infração refere-se a período não fiscalização e que foi lavrado após a apresentação de declaração retificadora do contribuinte, correto o cancelamento da exigência.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 1402-001.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada somente em relação aos tributos, períodos e matérias que constarem expressamente do mandado de procedimento fiscal MPF e/ou de Intimação Fiscal Específica. Constatado que no auto de infração referese a período não fiscalização e que foi lavrado após a apresentação de declaração retificadora do contribuinte, correto o cancelamento da exigência. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 16 /2 00 7- 21 Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.000416/200721 Acórdão n.º 1402001.239 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A 5A. TURMA DA DRJ RIO DE JANEIRO I proferiu o acórdão 1224.404 em 28/5/2009 pelo qual cancelou integralmente a exigência formalizada contra a empresa EDITORA O DIA S/A . Tendo em vista a exoneração superior a R$ 1.000.000,00, mediante despacho de fls. 569570, a Unidade de Origem encaminhou este processo ao CARF para apreciação do recurso de oficio, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Vistos e analisados os presentes autos, tratase de lançamento de oficio do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), apurados em fiscalização levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal /DRFDEFIC— RJ e ao amparo do mandado de procedimento fiscal (MPF) n° 07.1.90.002005 006974, que cobriu o período base de janeiro a dezembro de 2002. 0 valor lançado, relativo ao período de apuração de novembro de 2005 do IRPJ é de 249.377,56 e da CSLL é de R$ 409.822,10, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. 2 0 fato que deu origem ao lançamento se encontra discriminado no próprio Auto de Infração (AI), tendo como motivação diferença de imposto e contribuição apurados entre valores escriturados e valores pagos. 3 Segundo o autuante, o contribuinte infringiu os artigos 247 e 841 do RIR/99 e os artigos 77, III, do Dec.Lei n° 5.844/43; 149 da Lei 5.172/66; 2° e §§, Lei 7.689/88; 1° da Lei 9.316/96; 28 da Lei 9.430/96 e 37 da Lei 10.637/02. 4 —Inconformada com a exigência fiscal, a interessada apresentou impugnação, em 14/06/2007, fls. 1996, em que: 4.1 — alega a tempestividade da impugnação; 4.2 — afirma padecer de validade o AI por conta do MPF que o amparou, visto que se reporta ao ano calendário de 2002, enquanto que a autuação se deu em relação a fato gerador de novembro de 2005; 4.3 — alega que a empresa estava espontânea para o ano calendário de 2005 quando retificou a DCTF e confessou os débitos cujo parcelamento solicitou; 4.4. afirma estarem o imposto e a contribuição, objetos do AI, confessados em DCTF e devidamente parcelados, tendo a autuada efetuado o pagamento da P parcela para confirmar o pedido de parcelamento em 20/02/2006; 4.5. requer o cancelamento do AI visto que o débito está sendo solvido regularmente via parcelamento, vez que preenchidos os requisitos para tanto. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.000416/200721 Acórdão n.º 1402001.239 S1C4T2 Fl. 0 3 A decisão recorrida está assim ementada: PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada somente em relação aos tributos, períodos e matérias que constarem expressamente do mandado de procedimento fiscal MPF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PARCELAMENTO DE DÉBITO. 0 pedido de parcelamento constitui confissão irretratável de divida, mas a exatidão do valor dele constante poderá ser objeto de verificação. Lançamento Improcedente. É o relatório. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.000416/200721 Acórdão n.º 1402001.239 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso de oficio preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida: (...) 5. 0 mandado de procedimento fiscal (MPF) n° 07.1.90.002005006974, foi expedido para amparar a fiscalização da impugnante no período base de janeiro a dezembro de 2002, sendo que os termos de intimação por ela lavrados até 18/05/2006 (fls. 4/13) referia se aos atos e fatos contábeis e fiscais do ano calendário de 2002 relativo ao IRPJ. 6. Reza o artigo 70 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal (PAF): (...) 6.1. Embora não conste dos autos o termo de inicio de fiscalização, o primeiro ato de oficio lavrado, nos termos do artigo 7°, I, do Decreto 70.235/72, foi o termo de intimação de 20/04/2005 (fl. 4), sucedendoo o de 5/09/2005 (após dar formal ciência ao contribuinte da continuação da fiscalização — fl. 5) e ainda o de 13/09/2005 (fl. 7). 6.2. Após essa data foi lavrado termo de continuidade do procedimento fiscal em 21/11/2005 (fl. 8) em que não consta ciência do contribuinte e novo termo de intimação somente em 15/02/2006, mais de 60 dias depois de lavrar o termo de continuidade da fiscalização. 6.3. Em 21/06/2006 a intimação lavrada pela fiscalização buscou ampliar o período fiscalizado para os anos calendários de 2000 a 2005. Não consta que tenha havido emissão de MPF para o período de 2005, ano do fato gerador objeto deste lançamento. 6.4. Após a intimação datada de 13/09/2005 (fl. 7) a fiscalização voltou a intimar a interessada em 15/02/2006 solicitando elementos do ano calendário de 2002, tendo se passado mais de 60 dias da data da última intimação sem que tenha sido produzido qualquer outro ato entre aquelas duas datas. 7. Em 16/02/2006 a interessada apresentou a DCTF retificadora n° 1000.000.2006.1820027195 (fls. 134/94) e 1000.000.2006.1820027196 (fls. 195/262) dos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2005, respectivamente, declinando débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS — DCTF (retificadas pelas de n° 1000.000.2006.1810329029 e 1000.000.2006.1810393641) confirmadas nos sistemas da RFB (fls.552/5). 7.1. somente em 21/06/2006 a interessada foi intimada a apresentar elementos contábeis e fiscais relacionados aos anos calendários de 2005 (fl. 14). Outra intimação em 11/09/2006 versava sobre esse ano calendário. 7.2. Não constam dos autos nenhum mandado de procedimento fiscal complementar (MPFC) relacionado ao ano calendário de 2005. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.000416/200721 Acórdão n.º 1402001.239 S1C4T2 Fl. 0 5 8. Vejamos o que dispõe a legislação de regência que trata do mandado de procedimento fiscal: 8.1. PROCEDIMENTOS FISCAIS — NORMAS DE EXECUÇÃO — Portaria SRF n.° 6.087, de 21/11/2005: neste ato administrativo estão minudentemente detalhados os requisitos impostos à execução dos procedimentos fiscais. Em linhas gerais, são previstos vários Mandados de Procedimento Fiscal, destinados, cada um deles, a um tipo especifico de ato fiscal. Assim, praticamente todos os atos fiscais passíveis de execução em uma fiscalização, estão sujeitos à prévia autorização de alguma das autoridades competentes listadas no artigo 6.° da Portaria. Tais são os tipos de MPF: (a) Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF): destinado A. abertura do procedimento de fiscalização (artigo 2.°, parágrafo único); (b) Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência (MPFD): para a efetivação de diligências (artigo 2.°, parágrafo único); (c) Mandado de Procedimento Fiscal — Especial (MPFE): destinado prática de atos emergenciais, sem os quais os interesses da Fazenda Nacional restariam comprometidos (artigo 5.°); (d) Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (MPFEX): para diligências destinadas a subsidiar procedimento fiscal de outro sujeito passivo (artigo 8.°); (e) Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC): para o caso de substituição dos AFRFs responsáveis pelo ato, ou para inclusão de nova matéria na fiscalização em curso (artigo 10). A Portaria define, em seu artigo 12, os prazos de validade dos MPF: 120 dias para os MPFF e MPFE, e 60 dias para o MPFD. Alerta o ato, ainda, para o fato de que o decurso do prazo extingue o MPF, mas não implica na nulidade dos atos praticados; neste caso, poderá ser emitido novo MPF, para a continuidade do procedimento, a ser conduzido agora, necessariamente, por outro AFRF (artigo 16). 8.2 PROCEDIMENTOS FISCAIS — REQUISITO A ABERTURA — Portaria SRF n.° 6.087, de 21/11/2005: com o advento da Portaria SRF n.° 1.265, de 22/11/1999 (posteriormente alterada pelas Portarias SRF n.° 1.614, de 30/11/2000, n.° 407, de 17/04/2001, e n.° 1.020, de 31/08/2001), o inicio dos procedimentos fiscais ficou condicionado prévia emissão do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, como expressa o seu artigo 2.°. alterado (tal revogação deuse, porém, sem interrupção de suas forças normativas). Hoje a matéria é regida pela Portaria SRF n.° 6.087/2005 (ato este que revogou a Portaria RFB n.° 4.328/2005 que, a sua vez, havia revogado a Portaria SRF n.° 3.007/2001). 0 artigo 2.° da Portaria SRF n.° 6.087/2005 reafirma a necessidade do Mandado de Procedimento Fiscal para a instauração de procedimentos de oficio. (...) 11. Da análise da legislação de regência, vemos que o MPF n° 07.1.90. 1)0 2005006974 cobria o período base de janeiro a dezembro de 2002, não sendo válido para a fiscalização de fatos geradores referentes ao ano calendário de 2005. 12. Assim, a interessada apresentou espontaneamente as DCTF retificadora n° 1000.000.2006.1820027195 (fls. 134/94) e 1000.000.2006.1820027196 (fls. 195/262) dos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2005, respectivamente e, ato continuo, apresentou um pedido de parcelamento dos débitos relacionados a esses períodos. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.000416/200721 Acórdão n.º 1402001.239 S1C4T2 Fl. 0 6 13. A Lei 10.522, de 19/07/2002, em seu artigo 11, parágrafo 5°, assim dispõe: § 5°. 0 pedido de parcelamento constitui confissão irretratável de divida, mas a exatidão do valor dele constante poderá ser objeto de verificação. 14. Temos, pois, que a impugnante confessou os débitos de IRPJ e CSLL dos períodos de novembro e dezembro de 2005 quando estava espontânea e reafirmou tal confissão quando requereu o parcelamento de débitos ao amparo do processo 10768.00159/200627, ainda que tal processo não tenha sido cadastrado no sistema SIPADE da RFB (no sistema COMPROT, da RFB, consta o processo com pedido de parcelamento como já estando arquivado por 10 anos no arquivo da DAMF fl. 551). 15. Estando, pois, confessados os débitos, é prescindível o lançamento de oficio, pois o crédito tributário está regularmente constituído , cabendo à Fazenda Pública tão somente empenharse em realizar a sua cobrança. 16. Sendo o MPF n° 07.1.90.002005006974 expedido para cobrir o período base de janeiro a dezembro de 2002, não pode ele amparar o lançamento de oficio de tributo e contribuição relacionados ao ano calendário de 2005, mormente quando estes já tinham sido objeto de confissão de divida em DCTF e constam de pedido de parcelamento de débitos. 16 Concluindo, voto pelo cancelamento do auto de infração e pela declaração de improcedência do lançamento objeto do presente processo. (...) Pois bem, conforme descrito acima, detalhadamente, tanto o MPF quanto o termo de inicio da ação fiscal, emitidos no ano de 2005, restringiam a fiscalização ao ano de 2002, sendo que em 16/02/2006 a contribuinte apresentou a DCTF retificadora n° 1000.000.2006.1820027195 (fls. 134/94) e 1000.000.2006.1820027196 (fls. 195/262) dos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2005, respectivamente, declinando débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS — DCTF (retificadas pelas de n° 1000.000.2006.1810329029 e 1000.000.2006.1810393641) confirmadas nos sistemas da RFB (fls.552/5). Somente em 21/06/2006 a interessada foi intimada a apresentar elementos contábeis e fiscais relacionados aos anos calendários de 2005 (fl. 14). Portanto, correto o cancelamento da exigência, que se restringiu a esse período, em face da espontaneidade do contribuinte. Diante do exposto, cumpre negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10425.902381/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO
Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-001.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 23 81 /2 00 9- 72 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902381/200972 Acórdão n.º 1802001.412 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação à Declaração de Compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fundamentos para a negativa da compensação pela Delegacia de origem e os argumentos da primeira peça de defesa da Contribuinte (manifestação de inconformidade) estão assim descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1134.348 (fls. 38 a 40): Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônica (n° 10510.27015.150605.1.3.040144) na qual se indicou, como origem de crédito, o DARF relativo a IRPJ referente ao regime de tributação pelo lucro presumido (código de receita n° 2089) do período de apuração de 31 de julho de 2000, no valor de R$604,68 que teria sido pago indevidamente pela Interessada em 31/08/2000, fl. 19. O despacho decisório eletrônico (fl. 22) identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada, com indicação de saldo devedor no valor de R$60,30 a ser acrescido de multa e juros moratórios. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01/03, alegando ter apresentado a referida DCOMP, compensando o valor de R$60,30 referente a débito de PIS tendo apresentado um crédito original no valor de R$453,51, conforme cópia do PER/DCOMP em questão e cópia do DARF, fls. 11/14. Aduz que do crédito devidamente atualizado, no valor de R$829,97, somente havia compensado o valor de R$60,30, tendo ficado um saldo a compensar de R$769,67.Portanto, à época da compensação possuía crédito suficiente para compensar o tributo acima citado. Informa ter apresentado a DCOMP n° 04715.03616.150705.1.3.043302 vinculada ao mesmo crédito e em valor que não supera o saldo remanescente, portanto, na data da compensação possuía crédito suficiente para compensar o débito no valor de R$60,30. Que não teve oportunidade de retificar possíveis divergências ou sanar quaisquer omissões oriundas do preenchimento das DCOMP apresentadas já que não havia recebido qualquer notificação da Receita Federal neste sentido. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902381/200972 Acórdão n.º 1802001.412 S1TE02 Fl. 4 3 Finaliza requerendo a reforma do Despacho Decisório em lide e o conseqüente deferimento da compensação realizada mediante referido PER/DCOMP. Como já mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 03/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/11/2011, e o processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a observação de que o recurso é intempestivo. Este é o Relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902381/200972 Acórdão n.º 1802001.412 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Não há condição para se conhecer do recurso voluntário. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 03/10/2011, uma segundafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 03/11/2011, quintafeira, primeiro dia útil após o feriado de finados (02 de novembro), conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 07/11/2011, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13411.720081/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
CARF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-001.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 28/09/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. CARF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. CARF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 72 00 81 /2 00 8- 33 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 28/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório ANTONIO GOMES DE ALBUQUERQUE interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE (fls. 305) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 05/15, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 3.952.007,90, acrescido de multa de ofício (qualificada, de 150%) e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 11.394.632,79. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Os fundamentos da autuação estão detalhadamente descritos no auto de infração e no relatório fiscal a ele anexo, de fls. 20/22, que descreve os procedimentos fiscais adotados e as conclusões, bem como detalha os procedimentos de apuração dos depósitos de origem não comprovada e do imposto devido. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o auto de infração é nulo, pois está inteiramente fundamentado em normas infralegais, em ofensa ao Princípio da Legalidade previsto nos arts. 5°, inciso II, 37 e 84, todos da CF/1988; que decretos não podem criar ou extinguir direitos, conforme a Constituição; que a multa de ofício de 150% é confiscatória e, portanto, inconstitucional à luz do inciso IV do art. 150 da CF/1988; que a imposição de multa neste percentual impossibilita o adimplemento da obrigação, por ser desproporcional ao valor do tributo não liquidado; que a proibição do confisco já foi assentada pelo Supremo Tribunal Federal; que o imposto de renda é tributo com finalidade marcadamente fiscal, devendo incidir tãosomente sobre a renda ou provento de qualquer natureza, excluindose os montantes que não representem acréscimo patrimonial; que os valores existentes no extrato da conta corrente não representam renda auferida, mas o capital de giro de suas atividades de troca e venda de veículos usados e de gado, da venda de Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.720081/200833 Acórdão n.º 2201001.821 S2C2T1 Fl. 3 3 pastagens, bem como dos aluguéis de imóveis; que o cálculo do imposto deveria tomar por base o acréscimo como dos aluguéis de imóveis, o acréscimo patrimonial efetivamente auferido correspondente à diferença entre o montante retirado mensalmente e a média do montante sempre existente em sua conta. A DRJRECIFE/PE julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento. Sobre o fato de que o lançamento baseouse em normas infralegais, observou que o regulamento do imposto de renda, embora sendo um decreto, apenas consolida a legislação tributária referente ao imposto de renda e que seus dispositivos todos estão lastreados em lei; que o art.849 do regulamento reproduz integralmente o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e, portanto, o fundamento legal do lançamento com base em depósitos bancários é o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Conclui, assim, que não procede a alegação da defesa quanto a este ponto. Anota também que as causas de nulidade previstas no processo administrativo fiscal são aquelas elencadas nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 e que não vislumbra no caso a ocorrência de nenhuma das hipóteses ali referidas. Conclui, assim, pela rejeição da preliminar de nulidade do lançamento. Sobre a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários com origens não comprovadas, ressalta a regularidade deste tipo de procedimento, referindose ao precitado artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que expressamente o autoriza. Anota que no caso foram observados todos os requisitos previstos na referida norma como a prévia e regular intimação para que o Contribuinte comprovasse as origens dos depósitos e que, não tendo sido apresentadas tais provas, restou caracterizada a omissão de rendimentos, por presunção legal. Observa que a comprovação das origens dos depósitos deve ser feita de forma individualizada e que, portanto, as simples referências feitas pelo contribuinte a atividades econômicas que poderiam ter gerado os rendimentos movimentados nas contas bancárias não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos. Ressalta que não foi apresentado nenhum documento que pudesse comprovar a origem dos depósitos e rejeita a pretensão de que fossem tributados apenas parte do valor dos depósitos, correspondentes a suposta renda efetivamente auferida, ressaltando que para tanto seria necessário se comprovar previamente a efetiva origem dos depósitos, o que não se fez. Especificamente sobre a afirmação de que os depósitos não configuram renda, cita súmula do CARF nº 26 segundo a qual a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos de origens não comprovadas. Sobre a multa de ofício observa a DRJ que nos casos de comprovada omissão de rendimentos o imposto deve ser exigido com multa de ofício, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e que sobre a alegação de confisco e de violação ao princípio constitucional, o exame da matéria não é da competência das instâncias administrativas de julgamento. Especificamente sobre a qualificação da multa, conclui que estão presentes no caso os elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.; que o Contribuinte “além de não fornecer ao Fisco qualquer documentação referente às suas atividades, seja por ocasião do procedimento fiscal, seja nesta Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 instância julgadora, vem, sistematicamente, realizando atividades sujeitas à incidência do imposto de renda sem informálas à Administração Tributária”. Ainda sobre este ponto, reportase aos elevados valores referentes aos depósitos de origem não comprovada. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 26/03/2010 (fls. 422) e, em 27/04/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 427/439, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a arguição de nulidade do lançamento. O Contribuinte afirma que a autuação baseouse em norma infralegal o que constituiria violação ao princípio da legalidade. Porém, como observou, com precisão, a decisão de primeira instância, a norma infralegal a que o Contribuinte se refere e que, de fato, foi indicada na autuação, é o Decreto nº 3000, de 1999, que é o Regulamento do Imposto de Renda e, como tal, apenas consolida a legislação desse imposto. Assim, como não poderia deixar de ser, todos os dispositivos do referido decreto estão baseados em lei. Logo, não se verifica a objeção apontada pela defesa. O Contribuinte também aponta a violação de outros princípios constitucionais. Cumpre deixar assentado, todavia, que este tipo de manifestação não podem ser apreciadas em sede administrativa, pois os órgãos administrativos de julgamentos não detêm competência para tanto. Este tipo de arguição aponta a inconstitucionalidade de norma ou procedimento e, conforme entendimento consolidado no âmbito deste Conselho, inclusive cristalizado em súmula, “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. (Súmula CARF nº 2). Rejeito, pois, a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários com origem não comprovada. Inicialmente, sobre a possibilidade do lançamento com base em depósitos bancários, este procedimento tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar com documentos hábeis e idôneos, a de se presumir tratarse de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.720081/200833 Acórdão n.º 2201001.821 S2C2T1 Fl. 4 5 Tratase do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, in verbis: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones juris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (juris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecida senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina teve por base uma presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Não se trata aqui, portanto, de confundir depósitos bancários com renda, mas de se presumir um a partir do outro e, neste aspecto o lançamento está de pleno acordo com a orientação normativa. No presente caso o Contribuinte foi regularmente intimado a comprovar as origens dos depósitos bancários e, a todo momento, informa que os depósitos têm origens em diversas atividades econômicas, como a troca e venda de veículos usados e de gado, venda de pastagens, recebimento de aluguéis de imóveis, sem contudo, em momento algum apresentar qualquer elemento que vincule a sua movimentação financeira a tais atividades; sem demonstrar, de forma individualizada, que os depósitos tiveram as origens alegadas. É interessante observar, ademais, que, embora o Contribuinte afirme que exerce todas essas atividades, que teriam movimentado tantos recursos, não declarou rendimentos referentes a elas ou mesmo a disponibilidade dos capitais requeridos para o desenvolvimento das atividades, como se pode ver do extrato de fls. 353. Nestas condições, sem a comprovação, de forma individualizada, das origens dos depósitos, deve ser mantida a presunção legal de aquisição de renda, a qual foi omitida. Finalmente, cumpre examinar a qualificação da multa de ofício. Compulsando o auto de infração e o termo a ele anexo, verificase que sequer a autoridade lançadora explicita as razões para a qualificação da penalidade. A DRJ, por sua vez, justifica a manutenção do agravamento afirmando que o Contribuinte “além de não fornecer ao Fisco qualquer documentação referente às suas atividades, seja por ocasião do procedimento fiscal, seja nesta instância julgadora, vem, sistematicamente, realizando atividades sujeitas à incidência do imposto de renda sem informálas à Administração Tributária”. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.720081/200833 Acórdão n.º 2201001.821 S2C2T1 Fl. 5 7 Não vislumbro, contudo, na conduta do Contribuinte a ocorrência de situação que possa configurar o evidente intuito de fraude conforme exige o art. 44, § II da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como se vê, o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502/64, os quais transcrevo a seguir: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Pois bem, os dispositivos transcritos referemse expressamente ao intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultála. É preciso que haja o propósito deliberado de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Notese que por intuito não se deve entender a reserva mental, mas a intenção manifestada exteriormente por meio de ação ou omissão. Quando, a partir da ação ou omissão se consegue caracterizar a pretensão do autor em alcançar tal ou qual resultado, no caso, reduzir o pagamento do imposto ou diferir seu pagamento, estáse diante do evidente intuito de fraude. Não basta a simples omissão de rendimentos, independentemente do valor dessa omissão. São casos típicos de evidente intuito de fraude a adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. situações onde é possível identificar uma ação dolosa específica. Ora, não é disso que aqui se trata. Cuidase aqui de simples omissão de rendimentos, e de omissão apurada a partir de presunção legal. Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF editou súmula segundo a qual “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” (Súmula CARF Nº 14). Entendo, portanto, deva ser desqualificada a penalidade. Mantémse, por outro lado, a multa regulamentar, de 75%. A arguição de efeito confiscatório levantada pela defesa não merece acolhida, pois a exigência tem previsão expressa em lei, de modo que a pretensão da defesa é de reconhecimento da inconstitucionalidade de lei o que, como vimos acima, é questão que escapa à competência deste Conselho. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.720081/200833 Acórdão n.º 2201001.821 S2C2T1 Fl. 6 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13411.720081/200833 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.821. Brasília/DF, 28 de setembro de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13558.721414/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009
PASEP. AUTO DE INFRAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO QUE SE LIMITA A APONTAR ILEGALIDADE E FALTA DE AMPARO LEGAL NO PROCEDIMENTO FISCAL.
A singela e genérica argumentação de que a exigência do Pasep seria ilegal e/ou que estaria desamparada de base legal não pode ser acatada diante do trabalho fiscal que detalhou o seu procedimento e especificou os dispositivos legais infringidos.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
De acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009 PASEP. AUTO DE INFRAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO QUE SE LIMITA A APONTAR ILEGALIDADE E FALTA DE AMPARO LEGAL NO PROCEDIMENTO FISCAL. A singela e genérica argumentação de que a exigência do Pasep seria ilegal e/ou que estaria desamparada de base legal não pode ser acatada diante do trabalho fiscal que detalhou o seu procedimento e especificou os dispositivos legais infringidos. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. De acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos - Presidente Odassi Guerzoni Filho - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
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AUTO DE INFRAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO QUE SE LIMITA A APONTAR “ILEGALIDADE” E “FALTA DE AMPARO LEGAL” NO PROCEDIMENTO FISCAL. A singela e genérica argumentação de que a exigência do Pasep seria ilegal e/ou que estaria desamparada de base legal não pode ser acatada diante do trabalho fiscal que detalhou o seu procedimento e especificou os dispositivos legais infringidos. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. De acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 14 14 /2 01 1- 82 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de auto de infração cientificado em 02/05/2011 à Prefeitura do Município de MascoteBA, lavrado para a exigência de diferenças de Pasep dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1997 e dezembro de 2009. De acordo com o autor do procedimento, as diferenças lançadas correspondem à incidência da contribuição sobre rubricas que teriam sido deduzidas indevidamente da base de cálculo pela autuada quando de sua apuração e do recolhimento. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. Na Impugnação a autuada, preliminarmente, suscitou a nulidade da ação fiscal sob a alegação de que a mesma não teria sido precedida de um Termo de Início, em violação à regra constante do art. 196 do Código Tributário Nacional. No mérito, insurgiuse contra a utilização taxa Selic como forma de atualização monetária do débito lançado e, em relação a exigência do Pasep sobre os valores do Fundeb, consideroua ilegal “uma vez que tais recursos possuem destinação específica”, e, em relação à exação calculada sobre os “Convênios”, que não existiria amparo legal para tanto. A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA considerou a impugnação improcedente em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009 NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEF/FUNDEB. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, ao receberem da União valores relativos às transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Quando ficar comprovado que houve a retenção pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) da Contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, poderão os Estados, o Distrito Federal e os Municípios excluir de suas respectivas bases de cálculos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. CONVÊNIOS. Os valores referentes a convênios são tributados pelo Pasep na entidade de direito público destinatária dos recursos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 336DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13558.721414/201182 Acórdão n.º 3401001.988 S3C4T1 Fl. 336 3 No Recurso Voluntário a Recorrente repetiu os termos da impugnação, exceção feita à preliminar de nulidade, não mais arguida. No essencial, é o Relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 22/04/2012, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 02/05/2012, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Em relação à exigência do PASEP, o Recurso da Recorrente foi vazado nos seguintes termos, verbis: “3 DA ILEGALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP INCIDENTE SOBRE OS FUNDOS Desta a outra parte, o procedimento adotado na ação fiscal não pode aferir para efeito de cálculo de contribuição para o PASEP as receitas transferidas da UNIÃO para o FUNDEB, vez que tais recursos possuem destinação específica. 4 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP INCIDENTE SOBRE AS TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS (CONVÊNIOS) – ILEGALIDADE No tocante as transferências voluntárias de recursos para o município sob a forma de convênios estes não devem integrar a base de cálculo para a contribuição do PASEP. Nesse toar, tais valores devem ser expurgados por ausência de amparo legal.” (sic) Como se observa, a argumentação da Recorrente é de cunho genérico e se restringe a alegar, de um lado, a “ilegalidade da contribuição para o Pasep incidente sobre os Fundos”, e, de outro, a “ausência de amparo legal” para a incidência do Pasep sobre as transferências sob a forma de Convênios. A meu ver, essa singela argumentação revelase por demais fragilizada, na medida em que, tendo sido lançada quando da impugnação e devidamente rechaçada pela instância ora recorrida, não apresenta nenhum elemento concreto a sugerir ilegalidade no procedimento do Fisco, ou que este tivesse sido realizado sem amparo legal. Ao contrário, o lançamento restou devidamente fundamentado, citando os dispositivos legais utilizados para a formação da correta base de cálculo da exação, quais sejam, o art. 2º, inciso III, da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, os artigos 6º, § único, e 70 e 71 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, dentre outros, de sorte de que uma simples alegação, repitase, de forma genérica, de que haveria ilegalidade no lançamento e/ou de que este padeceria de amparo legal não merece acolhida. Quanto à utilização da Taxa Selic, cabe a aplicação da Súmula CARF nº 4, consolidada no Anexo III da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, segundo a qual "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais". Fl. 338DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13558.721414/201182 Acórdão n.º 3401001.988 S3C4T1 Fl. 337 5 Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 339DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000656/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, somente devendo ser reconhecida quando tal prazo for efetivamente extrapolado pelo Fisco.
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Quando a fiscalização faz constar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessárias a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador da multa e a infração cometida, não deve ser acatada a alegação de ofensa ao art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, somente devendo ser reconhecida quando tal prazo for efetivamente extrapolado pelo Fisco. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Quando a fiscalização faz constar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessárias a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador da multa e a infração cometida, não deve ser acatada a alegação de ofensa ao art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, somente devendo ser reconhecida quando tal prazo for efetivamente extrapolado pelo Fisco. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Quando a fiscalização faz constar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessárias a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador da multa e a infração cometida, não deve ser acatada a alegação de ofensa ao art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 56 /2 00 9- 05 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000656/200905 Acórdão n.º 2402002.788 S2C4T2 Fl. 365 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MWE PAVIMENTAÇÃO E CONSTRUÇÃO LTDA, irresignada com o acórdão de fls. 335/339, que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.203.2664, por meio do qual foram lançadas contribuições sociais parte da empresa, que não foram descontadas e recolhidas aos cofres públicos, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais e sócios a título de prólabore indireto. Depreendese do relatório fiscal que foram lançadas as seguintes rubricas: 3.1 Levantamento FP GFIP X FOPAG. Comparação entre a Folha de Pagamento Fopag contabilizada e as informações declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social. As rubricas envolvidas estão registrada nas contas: 416.10.00002 Salários, 416.10.00006 ferias, 416.10.00007 13° Salário, 421.10.00001 Pro Labore e 421.10.00002 Ordenados. No campo "observações" do Relatório de Lançamentos podem ser verificadas as bases utilizadas no presente levantamento. 3.2 Levantamento PRO No período em questão foi contabilizado e incluído em folha de pagamento numerário a titulo de pro labore, cujo lançamento foi incluído no levantamento FP. Além disso, foi constatado que a empresa efetuou vários outros pagamentos que, inequivocamente, também fazem parte da remuneração dos sócios e, como tal, são passíveis de incidência de contribuição previdenciária. Os lançamentos se referem ao pagamento de despesas pessoais dos sócios e/ou familiares, como condomínio de residências, cartões de crédito, veículos, despesas médicas, faculdade e outros. Essas despesas foram efetivamente assumidas pela empresa, pois não há registro contábil de qualquer ressarcimento por parte dos sócios, conforme se verifica pelo registro dos respectivos pagamentos levados a débito nas contas 416.10.00099 Outros Custos, 421.10.00028 Assistência Médica PJ e 416.10.00022 Serviços de Terceiros PJ, conforme planilha e cópias dos respectivos comprovantes, anexados por amostra. 3.3 Levantamento FRE Referese a pagamentos por serviços de frete, prestados por Contribuintes Individuais transportadores rodoviários autônomos, levados a registro no Livro Diário n. 08, a débito na conta 416.10.00025, Aluguéis de Equipamentos, e identificados detalhadamente em planilha anexa, elaborada de acordo com os respectivos RPAs Recibos de Pagamento a Autônomos apresentados pela empresa e anexados por amostra. 3.4 Levantamento AUT Também se refere a pagamentos efetuados pela empresa a autônomos, pela prestação de serviços Fl. 393DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 diversos registrados nas contas 416.10.00022 Serviços de Terceiros PF, 416.10.00023 Serviços de Terceiros PJ e 416.10.00099 Outros Custos; conforme RPAs Recibos de Pagamento a Autônomos, os quais se colacionam aos autos por amostra. Dentre os comprovantes apresentados pela empresa foram detectados vários pagamentos _ a autônomos que não estavam claramente identificados. A empresa, intimada para _ informou em resposta anexa tratarse efetivamente de pagamentos diversos, porém não identificou os respectivos beneficiários. Para esses casos, não foi considerado o limite do salário de contribuição. O lançamento compreende as competências de 01/2005 a 11/2005, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 14/12/2009 (fls. 01). Em seu recurso defende que o Auto de Infração deve ser anulado, tendo em vista que o fiscal não respeitou as disposições do art. 142 do CTN, já que não comprovou adequadamente a situação fática que levou à imposição tributária. Acresce ser decadente o direito de o Fisco efetuar o lançamento. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000656/200905 Acórdão n.º 2402002.788 S2C4T2 Fl. 366 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Quanto ao pedido para o reconhecimento da decadência, há se de considerar que Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, quando, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91, foi determinada a edição da Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Logo, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (teor transcrito a seguir), o enunciado das Súmulas Vinculantes editadas e aprovadas pelo Eg. STF devem obrigatoriamente ser observados pelos órgãos da administração pública direta e indireta, como é o caso do CARF, confirase: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Em assim sendo, resta patente a necessidade de que para a contagem do prazo decadencial, em se tratando de lançamento por homologação, deverão ser aplicadas as regras dispostas pelo Código Tributário Nacional, seja a do art. 150, §4º, seja a do art. 173, I, cuja aplicação deverá ser verificada caso a caso, conforme tenha ou não havido antecipação, mesmo que parcial, do pagamento do tributo ou contribuição devida. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No caso de ter havido antecipação, mesmo que parcial, deverá ser aplicado, para fins de contagem, o art. 150, §4º do CTN e quando não houve qualquer antecipação, deverá ser aplicado o art. 173, I. Tal orientação acerca da aplicação das regras de contagem do prazo decadencial, já fora inclusive objeto de análise e confirmação pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do RESP 973.733, julgado em 12/08/2009 , que se deu sobre o rito dos recursos repetitivos, com fundamento no art. 543B do Código de Processo Civil Brasileiro. Todavia, ao analisar o presente caso, verificase que seja pelo art. 150, 4o do CTN, seja pela regra do art. 173, I do CTN, nenhuma das competências objeto do lançamento foi fulminada pelo instituto. Rejeito, pois, a preliminar de decadência. Da análise do recurso impetrado, verificase que as demais razões nele contidas apenas repetem aquelas que já foram objeto de impugnação e se resumem na alegação de que o ilustre fiscal autuante não observou aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91. Sobre o assunto, o v. acórdão de primeira instância fez longa explanação sobre o assunto, vejamos: DO CERCEAMENTO DE DEFESA De pronto, cabe destacar que nenhum dos argumentos apresentados pela impugnante com o intuito de sugerir que o auto de infração não foi lançado de acordo com o que determina o art.37 da Lei n° 8.212/91 deve prosperar, uma vez que os fundamentos legais e 5 a motivação que sustentam a sua lavratura estão em plena consonância com os temas abordados e com os elementos trazidos como provas nos autos, por meio de planilhas e cópias de documentos, verificandose, por conseguinte, a total subsunção dos fatos ocorridos à norma veiculada. Relativamente à alegação de cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, em virtude do lançamento não conter a descrição clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, cabe dizer ao contrário do que afirma a impugnante, o procedimento fiscal está corretamente descrito pela autoridade fiscal que informa de maneira clara o período a que a autuação se reporta (01/01/2005 a 31/12/2005), bem como discrimina de forma evidente cada levantamento objeto deste auto de infração, como se passa a expor. A fiscalização informa que para o levantamento FP houve a comparação entre a Folha de Pagamento FOPAG contabilizada e as informações declaradas em GFIP e ao mesmo tempo esclarece que as rubricas envolvidas estão registradas nas contas: 416.10.00002 Salários, 416.10.00006 férias, 416.10.00007 13° Salário, 421.10.00001 Pro Labore e 421.10.00002 Ordenados. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000656/200905 Acórdão n.º 2402002.788 S2C4T2 Fl. 367 7 No que respeita ao levantamento PRO, o AFRFB salienta que no período de 01/01/2005 a 31/12/2005 foi contabilizado e incluído em folha de pagamento numerário a titulo de pro labore, cujo lançamento foi incluído no levantamento FP e que foi constatado que a empresa efetuou vários outros pagamentos que, inequivocamente, também fazem parte da remuneração dos sócios e, como tal, são passíveis de incidência de contribuição previdencidria. Assevera que tais lançamentos se referem ao pagamento de despesas pessoais dos sócios e ou familiares, como condomínio de residências, cartõe s . de crédito, veículos, despesas médicas, faculdade e outros, sendo que essas despesas foram efetivamente assumidas pela empresa, pois não há registro contábil de qualquer ressarcimento por parte dos sócios, conforme se verifica pelo registro dos respectivos pagamentos levados a débito nas contas 416.10.00099Outros Custos, 421.10.00028 Assistência Médica PJ e 416.10.00022 Serviços de Terceiros PJ, conforme planilha e cópias dos respectivos comprovantes, anexados por amostra. No tocante ao levantamento FRE diz que este se refere a pagamentos por serviços de frete, prestados por Contribuintes Individuais transportadores rodoviários autônomos, levados a registro no Livro Diário n°8, a débito na conta 416.10.00025 Aluguéis de Equipamentos, e identificados detalhadamente em planilha anexa, elaborada de acordo com os respectivos RPAs Recibos de Pagamento a Autônomos apresentados pela empresa e anexados por amostra. Em seguida, aduz o AFRFB que o outro levantamento denominado de "AUT" também se refere a pagamentos efetuados pela empresa a autônomos, pela prestação de serviços diversos registrados nas contas 416.10.00022 Serviços de Terceiros PF, 416.10.00023 Serviços de Terceiros PJ e 416.10.00099 Outros Custos; conforme RPAs Recibos de Pagamento a Autônomos, os quais se encontram nos autos por amostra. Além disso, evidencia o autuante que dentre os comprovantes apresentados pela empresa foram detectados vários pagamentos a autônomos que não estavam claramente identificados, sendo que a empresa foi intimada a esclarecer a situação, e, informou se tratar efetivamente de pagamentos diversos, sem contudo,identificar os respectivos beneficiários. Além disso, constatou a Fiscalização que em diversas competências (discriminadas no relatório de Diferença de Acréscimos Legais DAL) foram efetuados recolhimentos após o vencimento legal, com acréscimos legais (multa/juros) inferiores aos devidos, nos termos da legislação previdenciária. Salientou que na constituição dos lançamentos foram utilizadas todas as GPS compatíveis, recolhidas em favor da empresa existentes no contacorrente. Para justificar e reforçar o lançamento encontramse nos autos os lançamentos nas contas envolvidas acima citadas, extraídas Fl. 397DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 do Livro Diário n° 8, ficando esclarecido que as informações contábeis utilizadas na presente auditoria foram fornecidas pela empresa em mídia digital, devidamente autenticados e validados através do SVA Sistema de Validação de Arquivos Digitais. Como se vê, todos os fatos que originaram a presente autuação estão minuciosamente descritos e corroborados por documentos fornecidos pela própria autuada, e digase de passagem, devidamente compreendidos por ela, tanto que na impugnação a contribuinte expressamente consigna que "tomou ciência de que havia sido lavrado contra ela o auto de infração em referência no valor de R$ 1.396.598,59 sob a alegação de dijerença de acréscimos legais, divergência de GFIP X FOPAG, CI Autônomos, CI Transportador Autônomo de Cargas e CI Pró Labore." Com efeito, não há como se admitir que a contribuinte desconhecia ou não compreendia o lançamento, ou que nele não estaria evidenciada a descrição clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme prevê a legislação de regência, pois conforme se viu da descrição dos fatos pelo AFRFB, todos os procedimentos e conclusões foram pormenorizadamente explicitados no relatório fiscal. No mesmo sentido, também não procede o argumento de que os dispositivos legais foram mencionados de forma aleatória, sem determinar objetivamente, quais os dispositivos da legislação previdenciária foram supostamente infringidos, pois os fundamentos legais do auto de infração estão didaticamente discriminados no relatório "FLD —FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO" (fls. 32 a 34) apresentando um vasto elenco de dispositivos legais e regulamentares, mas isto se deve a dois fatores: Primeiro: Várias são as exações abrangidas pelo lançamento impugnado, a saber: as contribuições previdencidrias instituidas pelo art. 22, incisos I e II e III da Lei n° 8.212/91; os juros de mora, a multa de oficio incidentes sobre as contribuições acima, etc. Ora, neste sentido, é natural — ou, melhor dizendo, é imprescindível — que o "FLD" mencione toda a legislação correspondente a cada um desses itens, no período em que estes foram lançados. E, ressaltese, o faz de maneira absolutamente didática, ou seja, sob a forma de "blocos" de dispositivos, cada qual se referindo única e exclusivamente a uma especifica exigência. Exemplos: a) os dispositivos relativos à contribuição prevista no inciso I do art. 22 da Lei n° 8.212/91 encontramse agrupados no bloco "CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS"; b) os dispositivos relativos à contribuição prevista no inciso III do mesmo art. 22 da lei de custeio, encontramse no bloco "CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA S/ A REMUNERAÇÃO DE TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS FRETES E CARRETOS; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000656/200905 Acórdão n.º 2402002.788 S2C4T2 Fl. 368 9 7 c) os dispositivos relativos à contribuição prevista no inciso II do mesmo art. 22 da ditada lei, figuram no bloco "CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA"; d) os dispositivos relativos A. contribuição prevista no inciso III do mesmo art. 22 da lei de custeio, figuram no . bloco "CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS/COOPERATIVAS SOBRE AS REMUNERAÇÕES PAGAS, DISTRIBUÍDAS OU CREDITADAS A AUTÔNOMOS, AVULSOS E DEMAIS PESSOAS FÍSICAS E DOS COOPERADOS DE QUE TRATA A LEI COMPLEMENTAR n° 84/96 ATÉ 02/2000 E CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS SOBRE REMUNERAÇÕES A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS", DE QUE TRATA A LEI n° 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI n° 9.876/99", e assim por diante. Segundo: Como é cediço, a legislação pátria em geral é em alta medida cambiante, isto 6, com bastante frequência somos surpreendidos com a edição de novos textos normativos, que criam direito novo ou, simplesmente, alteram o já existente. A legislação previdencidria inserese nesse contexto, de modo que não é nada surpreendente o fato de,no período de quase um ano abrangido pelo presente auto — ou seja, de 01/01/2005 a 31/12/2005, novos dispositivos legais terem, sucessivamente, sido editados para disciplinar as mesmas espécies tributárias aqui lançadas. Por isso, v.g., o bloco "ATRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR, ARRECADAR E COBRAR" (fls. 32) é extenso para demonstrar tanto os dispositivos em vigor nos períodos exigidos antes e depois da criação da Secretaria da Receita Federal do BrasilSRFB. 0 que claramente se nota, então, é que o FLD adota como técnica enunciar uma determinada contribuição ou competência funcional e, em seguida, apresentar tantos blocos de respectivos dispositivos legais quantas tenham sido as alterações sofridas por qualquer delas no período abrangido pelo auto — e isto, sucessivamente, para cada diferente item que integra o lançamento. Desta forma, não seria plausível afirmar, absolutamente, que o relatório fiscal ao fazer menção ao "FLD — FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO" tenha cerceado o direito de defesa da impugnante, e tampouco venha a ser uma causa de nulidade por não indicar quais os dispositivos legais da legislação previdencidria foram infringidos. A uma, porque informa os artigos de lei responsáveis pela instituição de cada contribuição, bem com os destinados à sua regulamentação. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A duas, porque, como já dito, o faz de forma didática, e não, como afirma a defesa, de modo a impossibilitar a precisa verificação de quais são os dispositivos realmente infringidos. Da mesma forma, entendese que os anexos denominados "Fundamentos Legais do Débito e Fundamento Legais das Rubricas" indicam necessariamente que o lançamento tenha sido fundamentado com base nos dispositivos da legislação previdencidria citados. 0 principio constitucional do contraditório e da ampla defesa estaria desrespeitado — ai, sim, a impossibilitar a precisa verificação de quais são os dispositivos realmente infringidos caso o FLD fosse lacunoso, ambíguo, confuso, ou dotado de qualquer outro vicio que o tornasse imprestável para a finalidade a que visa. No entanto, de acordo com o que se vê, não é isto o que se dd. O relatório é longo — pelas razões expendidas linhas acima , mas tal circunstância não o toma lesivo ao referido principio constitucional. Antes, opera no sentido de sua realização. Neste contexto, não se vislumbra nenhuma causa de nulidade na presente autuação, uma vez que a narração dos fatos no relatório fiscal e a indicação dos fundamentos legais são suficientemente precisas para assegurar a ampla defesa e o contraditório, bem como não há como se cogitar do reconhecimento da decadência para nenhum dos valores autuados, tendo em conta que entre a data da competência mais antiga do auto de infração e a data da ciência do lançamento, não houve um lapso temporal de cinco anos, conforme estabelecido pela legislação. Não obstante, da análise do relatório fiscal da infração, já transcrito no relatório do presente acórdão, tenho que devem ser mantidos os fundamentos ora transcritos e que fundamentaram o julgamento em primeira instância. Conforme já se demonstrou, nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, efetuando o lançamento de contribuições tidas por inadimplidas pela recorrente, levando a efeito simplesmente aquilo o que determinado pela Lei 8.212/91. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Este veio devidamente acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que Fl. 400DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000656/200905 Acórdão n.º 2402002.788 S2C4T2 Fl. 369 11 todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas. Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 401DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.010737/2008-63
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. REVISÃO. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Para que o VTN apurado pela autoridade fiscal com base no SIPT seja revisto, faz-se necessária a apresentação de laudo técnico, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, comprovando que o imóvel analisado difere, quanto às suas características e valor de mercado, dos demais imóveis do município, devendo conter os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT.
ITR. NÃO INCIDÊNCIA. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDROELÉTRICAS.
Não há incidência do ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, bem como sobre as áreas de seu entorno. A ausência de provas de que o imóvel fiscalizado se enquadre nessa situação sujeita-o à tributação pelo ITR.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausentes os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. REVISÃO. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para que o VTN apurado pela autoridade fiscal com base no SIPT seja revisto, faz-se necessária a apresentação de laudo técnico, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, comprovando que o imóvel analisado difere, quanto às suas características e valor de mercado, dos demais imóveis do município, devendo conter os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. ITR. NÃO INCIDÊNCIA. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDROELÉTRICAS. Não há incidência do ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, bem como sobre as áreas de seu entorno. A ausência de provas de que o imóvel fiscalizado se enquadre nessa situação sujeita-o à tributação pelo ITR. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso Voluntário Negado.
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SUBAVALIAÇÃO. REVISÃO. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para que o VTN apurado pela autoridade fiscal com base no SIPT seja revisto, fazse necessária a apresentação de laudo técnico, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, comprovando que o imóvel analisado difere, quanto às suas características e valor de mercado, dos demais imóveis do município, devendo conter os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. ITR. NÃO INCIDÊNCIA. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDROELÉTRICAS. Não há incidência do ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, bem como sobre as áreas de seu entorno. A ausência de provas de que o imóvel fiscalizado se enquadre nessa situação sujeitao à tributação pelo ITR. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 07 37 /2 00 8- 63 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.010737/200863 Acórdão n.º 2801002.720 S2TE01 Fl. 194 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausentes os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 96/97), que reproduzo a seguir: “Contra a interessada supra foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 25 a 32, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 15.474,10, relativo ao imóvel rural denominado Castelhanos, com área de 1.210,0 ha., NIRF 3.207.8439, localizado no município de São José dos Pinhais/PR. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que a contribuinte foi intimada a apresentar laudo de avaliação para comprovação do VTN do imóvel declarado na DITR do Exercício 2005; que a contribuinte não apresentou a documentação solicitada e informou que o imóvel está localizado na APA de Guaratuba, que o valor do imóvel foi apurado com base na tabela SEAB/DERAL e em valores contábeis internos, mas, que, em função de estar afetado por concessão federal e por características ambientais, o imóvel encontrarseia à margem dos valores de mercado; que as alegações apresentadas não foram fundamentadas com a apresentação de documentação hábil e idônea para caracterização do imóvel; e que foi alterado o valor da terra nua para o apurado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra da Receita Federal – SIPT, por falta de comprovação Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.010737/200863 Acórdão n.º 2801002.720 S2TE01 Fl. 195 3 do VTN efetivo do imóvel. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 01 a 24. Cientificada do lançamento, por via postal, em 30/07/2008 (fls. 34), a interessada apresentou a impugnação de fls. 35 a 50, em 26/08/2008, acompanhada dos documentos de fls. 51 a 93, onde argumentou, em suma, o que segue: o ITR tem função extrafiscal; desde que passou a ser de competência da União, prevaleceu a teoria de tratarse de um instrumento tributário a ser utilizado em conexão com o sistema da política agrícola e do processo de reforma agrária; o lançamento está impondo obrigação tributária sem causa definida na lei tributária, não tendo aplicado corretamente as normas da Lei n.º 9.393/96; o imóvel está vinculado à concessão do serviço público de energia, configurandose como um bem da União, um bem público de interesse de todos, e o concessionário não se configura como proprietário da área, não se verificando a existência do fato gerador do ITR, conforme o art 1º da Lei 9.393/96; o concessionário é mero detentor dos bens afetados à concessão do serviço de energia e existe a possibilidade de, ao final da concessão, o bem reverter à União; por serem meros instrumentos de serviço público, tais bens não são classificáveis como imóveis no sentido da lei civil, não possuem valor venal e não podem ser alienados ou penhorados, e, conseqüentemente, não se pode identificar o fato gerador, sujeito passivo ou a base de cálculo, elementos essenciais à incidência tributária; tanto as áreas alagadas como as demais terras onde estão as instalações necessárias à prestação do serviço público de energia elétrica são bens fora do comércio, não possuindo valor de mercado; conforme Decreto Estadual n° 1.234 de 27/03/92, a área em questão está inserida na área de proteção ambiental de Guaratuba, além de estar destinada a uso especial para prestação de serviço público, e, portanto, não se classifica como comercializável, caracterizandoa como imprestável a qualquer tipo de exploração, nos termos da alínea “c”, inciso II, do art. 10 da Lei n.º 9.393/96; ao entender como tributável a área total da usina, composta de área inundada e preservação permanente, a autoridade fiscal viola as normas da Lei nº 9.393/96, art. 10, § 1º, inciso II, alíneas “a” “b” “c”; não há um valor de mercado para o imóvel, por não ser possível comercializálo devido à sua vinculação direta à concessão de serviço público, bem como por possuir terras alagadas pelo reservatório, que são imprestáveis para o uso, e áreas destinadas à preservação ambiental, fatores que impedem apuração de preço no mercado, inexistindo uma base de cálculo para o ITR e não cabendo a exigência de Laudo de Avaliação do VTN da área que não pode ser comercializada; com relação ao preço de mercado, buscou esclarecimento junto ao Deral, que informou, em suma, que não foram contempladas em suas Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.010737/200863 Acórdão n.º 2801002.720 S2TE01 Fl. 196 4 avaliações reservatórios para usinas hidrelétricas e outras áreas; transcreveu jurisprudência administrativa do antigo Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda fiscal tratando de não incidência do ITR sobre terras de concessionárias de energia elétrica e inexigência de apresentação do ADA para áreas de preservação permanente. não há possibilidade de cobrança de juros de mora e multa de ofício por não ter havido descumprimento de obrigação de recolhimento de tributo. A 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A alteração dos dados declarados utilizados para cálculo do imposto somente poderá ser aceita mediante apresentação de elementos concretos que a justifiquem. ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e outras não declaradas é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas e do cumprimento de exigência legal de entrega do ADA ao Ibama, no prazo fixado na legislação tributária. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Cientificada do acórdão de primeira instância em 23/6/10 (fls. 108), a interessada interpôs, em 23/7/10, o recurso de fls. 109/191, alegando, em suma, que: a) o imóvel está vinculado à concessão do serviço público de energia elétrica, configurandose como um bem da União, de interesse de todos, e o concessionário não se configura como proprietário da área, não se verificando a existência do fato gerador do ITR, conforme disposto no art. 29 do Código Tributário Nacional e no art. 1º da Lei nº 9.393/96. Cita decisões administrativas e judiciais nesse sentido; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.010737/200863 Acórdão n.º 2801002.720 S2TE01 Fl. 197 5 b) o concessionário é mero detentor dos bens afetados à concessão do serviço de energia e existe a possibilidade de, ao final da concessão, o bem reverter à União. Por serem meros instrumentos de serviço público, tais bens não são classificáveis como imóveis no sentido da lei civil, não possuem valor venal e não podem ser alienados ou penhorados, e, por conseguinte, não se pode identificar o fato gerador, sujeito passivo ou a base de cálculo, elementos essenciais à incidência tributária; c) tanto as áreas alagadas como as demais terras onde estão as instalações necessárias à prestação do serviço público de energia elétrica são bens fora do comércio, não possuindo valor de mercado; d) documento anexo, expedido pelo representante do IBAMA no Estado do Paraná indica, de forma clara e inequívoca, que o imóvel em questão "... integram áreas enquadradas como de Preservação Permanente, que, além de se destinarem a abrigar instalações geradoras de energia elétrica, servem para assegurar a integridade dos reservatórios de água formados a partir do represamento dos cursos d'água. ..." e) conforme Decreto Estadual n° 1.234 de 27/03/92, a área em questão está localizada em área de preservação permanente, por estar inserida na área de proteção ambiental de Guaratuba, devendo ser excluída da tributação do ITR, nos termos do da alínea “c”, inciso II, do art. 10 da Lei nº 9.393/96; f) a apresentação do ADA não constitui condição legal para fins de isenção do ITR. Cita decisões administrativas e judiciais nesse sentido; g) da Portaria IAP nº 188/2006 também se infere que estão sendo realizados estudos pela Copel, em parceria com o IAP, para que diversas áreas, dentre as quais, a do imóvel Castelhanos, constituam unidades de Conservação (RPPN), sendo que o IAP emitiu parecer favorável, reconhecendo a relevância da área para a conservação da biodiversidade no Estado do Paraná; Diante do exposto acima requer o conhecimento e o provimento do recurso, para excluir a incidência do ITR sobre o imóvel em questão. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que o auto de infração em discussão teve por objeto somente a alteração do Valor da Terra Nua (VTN), logo a solicitação de exclusão da área total do imóvel como sendo de preservação permanente não será objeto de apreciação por Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.010737/200863 Acórdão n.º 2801002.720 S2TE01 Fl. 198 6 este Colegiado, por não fazer parte da lide. A contribuinte informou uma área de preservação permanente de 72,1 ha e pretende retificála para 1.210,0 ha, correspondente à área total do imóvel. É importante destacar que não é permitido à contribuinte alterar em sua DITR/2005 a área de preservação permanente, como pretende em seu recurso, posto que configuraria uma retificação de declaração que, no caso em que vise a reduzir ou excluir tributo, somente pode ocorrer antes de iniciado o procedimento de ofício, de acordo com o disposto no art. 147, § 1º, do CTN, abaixo transcrito, e este requisito não se encontra preenchido neste caso. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. [...] Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 5, foi solicitada à declarante a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBA 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, tendo sido ressaltado que a não apresentação do documento solicitado ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Como a contribuinte não apresentou o documento solicitado e, em virtude de suas alegações não terem sido fundamentadas em documentação hábil e idônea, o VTN foi arbitrado com base no VTN médio por aptidão agrícola, R$ 2.450,00/ha para terras mistas não mecanizáveis, conforme descrição dos fatos do respectivo auto de infração (fls. 30/31). Embora no extrato do SIPT, de fls. 20, não exista a informação de que o VTN arbitrado se refere a “terras mistas não mecanizáveis”, haja vista que todos os VTN existentes naquele extrato se referirem a “terras mistas”, indistintamente, considero como verídica aquela informação, em virtude de a autoridade lançadora ter asseverado que o VTN foi arbitrado com base nas informações sobre preços de terras constantes do Sistema Integrado de Preços de Terra, exercício de 2005 para o Município de São José dos Pinhais, conforme informado pela Secretaria Estadual de Agricultura. A hipótese do arbitramento do VTN, tal qual ocorreu no caso em apreço, tem previsão no art. 14, da Lei n° 9.393/1.996, que assim dispõe: Lei n° 9.393/1.996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.010737/200863 Acórdão n.º 2801002.720 S2TE01 Fl. 199 7 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II, da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2° As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Vêse, portanto, que, ante à ausência de Laudo que comprove ser correto o VTN declarado pela contribuinte, há respaldo legal para o arbitramento nos moldes realizados pela autoridade lançadora. Cumpre assinalar que o entendimento acima exposto está de acordo com a jurisprudência deste Conselho, como pode ser constatado pelas ementas abaixo transcritas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 REVISÃO DO VALOR DA TERRA NUA VTN 0 valor da terra nua pode ser revisto pela autoridade fiscal, quando restar comprovado, mediante laudo técnico, elaborado em atendimento a todas as exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT., que o imóvel analisado difere, quanto às suas características e valor de mercado, dos demais imóveis do município. Como não comprovado, mantémse o valor arbitrado pela autoridade. Recurso Voluntário Negado (Acórdão n° 30239.72, de 13/08/08)” “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2001 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e deve atender aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Recurso negado. (Acórdão n° 30239.72, de 21/10/10)” Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.010737/200863 Acórdão n.º 2801002.720 S2TE01 Fl. 200 8 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2002 VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, o qual corrobore sua declaração. Não sendo hábeis os documentos apresentados, cabível a autuação que considerou o VTN, constante do SIPT, considerandose o município de localização do imóvel, a aptidão de uso do solo e as extensões de áreas declaradas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado (Acórdão n° 2801000.741, de 27/07/10)” Em que pese a recorrente alegar que o imóvel fiscalizado está vinculado à concessão do serviço público de energia elétrica e, por isso, não possui valor de mercado, não foram juntados documentos que provem essa assertiva. A Declaração do IBAMA – PR, anexada às fls. 152, não especifica os imóveis alcançados por aquele documento. Por sua vez, o documento de fls. 62 foi emitido pela própria recorrente, não se prestando, portanto, a comprovar o conteúdo nele descrito, haja vista a ausência de documentação hábil e idônea corroborandoo. A Portaria do Instituto Ambiental do Paraná nº 188 (fls. 154/156), que teve por objetivo criar grupo de trabalho para encaminhar discussões e estudos necessários para avaliar os imóveis da COPEL constantes do Plano de Aproveitamento de Imóveis da DGT, visando identificar aqueles que, por suas características, poderão ser destinados a compor Unidades de Conservação, sequer pode ser considerada como elemento de prova neste processo, por ter sido editada em 2006, sendo que o lançamento em questão se refere ao exercício 2005. Acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Diante do exposto acima voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.010737/200863 Acórdão n.º 2801002.720 S2TE01 Fl. 201 9 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES
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