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Numero do processo: 10880.934891/2009-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, em razão de ter sido juntado a estes autos, Recurso Voluntário de contribuinte diverso. Este colegiado decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, para saneamento do erro material, e neste sentido, proceder à retirada do recurso voluntário indevidamente anexado aos presentes autos, por ser de contribuinte diverso e, caso existente, anexar o recurso voluntário correto.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, em razão de ter sido juntado a estes autos, Recurso Voluntário de contribuinte diverso. Este colegiado decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, para saneamento do erro material, e neste sentido, proceder à retirada do recurso voluntário indevidamente anexado aos presentes autos, por ser de contribuinte diverso e, caso existente, anexar o recurso voluntário correto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 218 1 217 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.934891/200931 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.002 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 30 de outubro de 2017 Assunto ERRO MATERIAL Recorrente BIOSINTÉTICA FARMACÊUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, em razão de ter sido juntado a estes autos, Recurso Voluntário de contribuinte diverso. Este colegiado decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, para saneamento do erro material, e neste sentido, proceder à retirada do recurso voluntário indevidamente anexado aos presentes autos, por ser de contribuinte diverso e, caso existente, anexar o recurso voluntário correto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 34 89 1/ 20 09 -3 1 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.934891/200931 Resolução nº 3001000.002 S3C0T1 Fl. 219 2 Despacho Decisório 834787708 O despacho decisório em questão tratou de julgar o Per/Dcomp 29557.22982.230205.1.3.016413, cujo período de Apuração foi relativo ao 1.º Trimestre de 2004, e o tema tratado foi o Ressarcimento de IPI. O Valor do crédito solicitado/utilizado totalizou R$ 31.099,90, sendo o valor do crédito reconhecido no montante de R$ 0,00. O motivo do indeferimento foi a constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passivel de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Portanto, foi considerado NAO HOMOLOGADA a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 40153.32845.240106.1.3.019794, 18755.69201.150206.1.3.012945 41168.18993.210306.1.3.018480, 20713.63349.250406.1.3.014230 29557.22982.230205.1.3.016413. O valor do crédito tributário em exigência perfaz o montante principal de R$ 27.042,06, Multa de R$ 5.408,39 e Juros deR$ 13.166,81. Manifestação de Inconformidade Apresentada a Manifestação de Inconformidade, afirmou ser legítiva a compensação sob os argumentos expostos a seguir. Afirmou ser Recorrente, credora do montante correspondente a R$ 33.083,39, relativo a compras para industrialização que lhe asseguram crédito ressarcivel de IPI, atinentes ao primeiro trimestre de 2004. Tendo em vista seu direito creditório, ingressou com pedido de compensação desses valores (PER/DCOMP n's 29557.22982.230205.1.3.016413; 40153.32845.240106.1.3.01 9794; 18755.69201.150206.1.3.012945; 41168.18993.210306.1. 3.018480; 20713.63349.250406.1.3.014230) Ainda, concluiu que procedeu à compensação dos créditos de IPI devidamente apurados, tal como previsto nos artigos 170 do CTN e 74, §1°, da Lei n° 9.430/96, relativos a compras para industrialização, a teor do disposto no art. 164 4 do RIPI (DECRETO N° 4.544/2002) Acórdão DRJ/JFA A manifestação de Inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: 0957.922 3ª Turma PERDCOMP. LIVRO APÓS. CRÉDITO PARCIALMENTE UTILIZADO NA ESCRITA FISCAL ANTES DA TRANSMISSÃO DA PERDCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.934891/200931 Resolução nº 3001000.002 S3C0T1 Fl. 220 3 Se o saldo credor ressarcível apurado ao final do trimestre calendário foi utilizado integralmente para amortizar débitos de períodos de apuração subsequentes, nada remanescendo para lastrear as compensações objetos de PERDCOMP transmitida posteriormente, cabe não homologar as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em breve síntese, o Acórdão emanado pela DRJ constatou que, uma vez apurado saldo credor ressarcível do IPI em determinado trimestre, devese verificar se esse valor permanece integral na escrita fiscal até o período imediatamente anterior ao da transmissão do Pedido Eletrônico de Ressarcimento. Ou seja, deve ser verificado se o saldo credor ressarcível apurado ao fim do trimestre foi utilizado, integral ou parcialmente, no abatimento de débitos de IPI posteriores a tal trimestre, computados até o período imediatamente anterior ao da transmissão daquela PERDCOMP. Ficou registrado quena “Análise de Crédito” que acompanha e integra o despacho decisório notase, no “Demonstrativo de Créditos e Débitos”, a inexistência de glosa de créditos, de reclassificação de créditos ou de apuração de débitos em procedimento fiscal, ou seja, tais valores (de débitos e créditos) refletem exatamente as informações prestadas pelo contribuinte no PERDCOMP. Diante dos valores declarados, o SCC – Sistema de Controle de Créditos e Compensação – foi calculado o direito creditório do contribuinte ao final do 1º trimestre de 2004 no montante de R$ 33.083,39, conforme “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível” à fl. 97, exatamente o valor informado pelo contribuinte na peça impugnatória, conforme planilha abaixo: Conforme determinado no Acórdão, como a PERDCOMP nº 29557.22982.230205.1.3.016413, do 1º trimestre de 2004, restou transmitida apenas em 23/02/2005, os créditos ressarcíveis foram integralmente consumidos no abatimento de débitos de IPI em trimestres posteriores, fl. 98 – “Demonstrativo de Apuração após o Período do Ressarcimento”, informados pelo próprio contribuinte nas PERDCOMP indicadas, reduzindo totalmente o saldo credor disponível. Da análise realizada pelo Relato do “Demonstrativo de Apuração após o Período do Ressarcimento”, que acompanha e integra o despacho decisório, notouse que o Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.934891/200931 Resolução nº 3001000.002 S3C0T1 Fl. 221 4 Sistema de Controle de Créditos e Compensação – SCC considerou R$0,00 como o “Menor Saldo Credor” para o 1º trimestre de 2004, cuja legenda (g) informa que esta coluna “Corresponde ao menor saldo credor apurado desde o último PA do trimestre de referência até o período de apuração imediatamente anterior” ao trimestre de transmissão da PERDCOMP. Assim, como dito, segundo o SCC, os créditos ressarcíveis referentes ao 1º trimestre de 2004 pleiteados pelo contribuinte foram integralmente consumidos no abatimento de débitos de IPI em trimestres posteriores, conforme planilha abaixo: Em conclusão, o Acórdão emanado pela DRJ, determinou que o saldo credor ressarcível apurado ao fim do 1º trimestre de 2004 [PERDCOMP nº 29557.22982.230205.1.3.016413] foi integralmente utilizado no abatimento de débitos de IPI em períodos subseqüentes, em especial nos meses de novembro e dezembro de 2004, não Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.934891/200931 Resolução nº 3001000.002 S3C0T1 Fl. 222 5 restando valores disponíveis para ressarcimento, como informado no Despacho Decisório ora impugnado. Ainda na esteira do Acórdão, em relação aos elevados débitos informados nos meses de novembro e dezembro de 2004, foram declarados no campo "Outros Débitos" no PGD [PERDCOMP nº 29557.22982.230205.1.3.016413] e, diante do relevante montante, o julgador buscou, sem êxito, avaliar se tratavamse de eventuais Declarações de Compensação ou Pedidos de Ressarcimento formalizadas pelo contribuinte àqueles períodos. Registrou que o RAIPI da empresa não se encontra disponível nos autos, impossibilitando a avaliação de tais documentos, principalmente em relação às informações dos débitos dos meses informados acima. Ausência de Motivação Segundo o Relator, foi invocada nulidade absoluta do despacho decisório sob a alegação de inexistência de motivação para a não homologação das declarações de compensação, apontando afronta à ampla defesa e ao contraditório. Em resposta, o Acórdão determinou que a redução do saldo credor apurado pelo SCC decorreu de débitos informados pelo próprio contribuinte na PERDCOMP nº 29557.22982.230205.1.3.016413, razão pela qual não merecem prosperar os argumentos apontados pela defesa, uma vez que o indeferimento do pleito decorreu, como visto, da utilização integral "na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP" como literalmente informado e demonstrado no Despacho Decisório de fls. 94/99 Por fim, foi alegada a redução do saldo credor do período anterior de R$ 140.053,60 para R$ 27.304,43 sem que fosse "demonstrada a origem desse reduzido valor considerado pelo Fisco". De se esclarecer, por oportuno, que o texto de legenda das colunas que compõem a planilha do Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível explicita que: Saldo Credor de Período Anterior: Coluna (b): Para o primeiro período de apuração, será igual ao Saldo Credor apurado ao final do trimestrecalendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores. Esse saldo (saldo credor inicial) não é passível de ressarcimento. Neste ponto, mencionou o julgador que o contribuinte não promoveu os ajustes adequados do saldo credor de períodos anteriores, razão da divergência do montante informado no PGD (R$140.053,60) e do considerado pelo SCC (R$27.304,43). Como exemplo, temse o PEDCOMP nº 37780.33921.231204.1.3.011043, referente ao saldo credor de R$ 27.981,40 do 4º trimestre de 2003 (trimestre imediatamente anterior ao ora em análise) solicitado em ressarcimento/compensação pelo contribuinte mas se nenhum ajuste nesta PERDCOMP 29557.22982.230205.1.3.016413 (1º trimestre de 2004). Ou seja, o contribuinte não promove os adequados ajustes do saldo credor de períodos anteriores, razão pela qual devese ratificar o montante apurado pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensação SCC. Recurso Voluntário Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.934891/200931 Resolução nº 3001000.002 S3C0T1 Fl. 223 6 Ao compulsar este eautos, constatouse que fora juntado Recurso Voluntário de contribuinte diverso, conforme podese notar da figura abaixo: Por este motivo exposto, entendo pela necessidade de envio deste processo para que seja retificado o erro material e acostado a estes autos, o correto Recurso Voluntário. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900815/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO APENAS AO TITULAR. NÃO TRANSFERÍVEL PELA VIA DA SUCESSÃO.
A isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de participação societária adquirida sob oDecreto-lei 1.510/76e negociada após cinco anos da data de aquisição, na vigência daLei 7.713/88, é direito personalíssimo, não se transferindo ao herdeiro em caso de morte do titular.
Numero da decisão: 2201-003.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso. A Conselheira Dione Jesabel Wasilewski manifestou a intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Acórdão formalizado sem a Declaração de Voto, por não apresentação dentro do prazo regimental.
EDITADO EM: 25/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO APENAS AO TITULAR. NÃO TRANSFERÍVEL PELA VIA DA SUCESSÃO. A isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de participação societária adquirida sob oDecreto-lei 1.510/76e negociada após cinco anos da data de aquisição, na vigência daLei 7.713/88, é direito personalíssimo, não se transferindo ao herdeiro em caso de morte do titular.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso. A Conselheira Dione Jesabel Wasilewski manifestou a intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Acórdão formalizado sem a Declaração de Voto, por não apresentação dentro do prazo regimental. EDITADO EM: 25/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1632; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 687 1 686 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.900815/201366 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.899 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2017 Matéria GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA Recorrente ELIANA ZANCANER CASTILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO APENAS AO TITULAR. NÃO TRANSFERÍVEL PELA VIA DA SUCESSÃO. A isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de participação societária adquirida sob oDecretolei 1.510/76e negociada após cinco anos da data de aquisição, na vigência daLei 7.713/88, é direito personalíssimo, não se transferindo ao herdeiro em caso de morte do titular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso. A Conselheira Dione Jesabel Wasilewski manifestou a intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 08 15 /2 01 3- 66 Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10850.900815/201366 Acórdão n.º 2201003.899 S2C2T1 Fl. 688 2 Acórdão formalizado sem a Declaração de Voto, por não apresentação dentro do prazo regimental. EDITADO EM: 25/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 257/288, interposto contra decisão da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 126/135, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade da ora RECORRENTE pelo indeferimento do pedido de restituição de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF no valor de R$ 58.430,85 pago sobre o ganho de capital apurado a título de alienação de participação societária. A RECORRENTE apresentou sua Manifestação de Inconformidade de fls. 07/24 em 14/05/2013. Em apertada síntese, afirma que em 29/01/2004, houve a alienação da participação societária na Usina São Domingos por parte do Espólio do Sr. Aurélio Zancaner (seu pai, falecido em 02/09/2000). Tal operação foi realizada por meio de uma entrada e mais 7 parcelas semestrais, estas pagas entre julho de 2004 e julho de 2007. Ocorre que, no entendimento da RECORRENTE, o ganho de capital em questão não estava sujeito à incidência do IRPF, por força da isenção prevista no artigo 40, "d", do DecretoLei n° 1.510/76. Afirma possuir o conhecimento de que tal regra foi revogada pela Lei n° 7.713/88, no entanto, argumenta ter direito adquirido à isenção de IRPF na operação de alienação integral de participação societária, pois, à época da revogação do Decretolei nº 1.510/76, já havia sido cumprido o requisito exigido para o seu gozo, qual seja, a manutenção da propriedade de participação societária pelo prazo de 05 (cinco) anos contados de sua subscrição ou aquisição. Assim, o direito à isenção teria sido adquirido já no ano de 1982, enquanto que a revogação do Decretolei se deu tão somente em 01/01/1989. Após a morte de seu pai, a RECORRENTE e sua irmã herdaram, cada uma, metade dos bens do de cujus, nos termos do Formal de Partilha. Durante o período de pagamento das parcelas decorrentes da alienação da participação societária, houve a conclusão do processo de inventário do Sr. Aurélio Zancaner tendo havido trânsito em julgado da sentença em 29/09/2005. Assim, da 4ª parcela em diante, os pagamentos passaram a ocorrer não mais para o Espólio do de cujus, mas diretamente para as herdeiras, no montante de 50% para cada. A restituição pleiteada no presente caso (R$ 58.430,85) referese ao valor do IRPF recolhido, já em nome da RECORRENTE, quando do recebimento da 4ª parcela do pagamento devido pela alienação da participação societária (datado de 15/11/2005). Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10850.900815/201366 Acórdão n.º 2201003.899 S2C2T1 Fl. 689 3 Quando da apreciação do caso, a DRJ de Fortaleza/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por consequência, o pedido eletrônico de restituição formulado pela interessada, referente ao PER/DCOMP nº 34755.50936.270710.2.2.049528 (acórdão às fls. 126/135). Tal decisão, em síntese, fundouse na argumentação de que a isenção pleiteada pela contribuinte poderia ser revogada a qualquer tempo, uma vez que não estaria configurada a existência de direito adquirido à isenção de IRPF nos ganhos de capital decorrentes da alienação de participações societárias adquiridas antes da Lei n° 7.713/88. Considerou, por outro lado, que mesmo que se entendesse pela existência de direito adquirido, caberia, ainda, a averiguação sobre o requisito de permanência da participação societária alienada no patrimônio pelo prazo de 05 (cinco) anos durante a vigência do Decretolei nº 1.510/1976. Por fim, pontuou que a RECORRENTE não teria legitimidade para pleitear o direito à restituição, pois a ela caberia apenas 50% da parcela, sendo os outros 50% correspondentes à parte da outra herdeira. É o que depreende de sua ementa, colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ISENÇÃO CONDICIONADA. PRAZO INDETERMINADO. LEI CONCESSORA. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. Somente a isenção condicionada concedida por prazo certo torna irrevogável a lei concessora do benefício fiscal. A isenção sob condição onerosa concedida por prazo indeterminado permite a revogação da lei concessora do beneficio fiscal por ato legal que lhe sobrevenha. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A isenção prevista no art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogada pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, sendo, portanto, inaplicável a alienações ocorridas a partir da entrada em vigor da lei revogadora em 1o de janeiro de 1989, inexistindo direito adquirido a regime jurídico. ISENÇÃO CONDICIONADA. PROVA DE ATENDIMENTO. ÔNUS. Cabe ao interessado no benefício fiscal fazer prova do atendimento da condição exigida pela lei concessora da isenção. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. Tem legitimidade para pleitear a restituição de valor indevido o sujeito passivo interessado ou seu representante legal habilitado por instrumento hábil. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10850.900815/201366 Acórdão n.º 2201003.899 S2C2T1 Fl. 690 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 12/04/2016, conforme AR de fl. 138, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 257/288. Apesar de não haver chancela com a data indicativa do protocolo, verifico que o recurso foi juntado aos autos do processo em 12/05/2016, conforme atesta o termo de fl. 289. Sendo assim, é de rigor reconhecer que o mesmo foi apresentado dentro do prazo de 30 dias. Inicialmente, requereu prioridade na tramitação do presente feito, tendo em vista possuir mais de 60 (sessenta) anos, nos termos do art. 71, §3º da Lei nº 10.741/03 – Estatuto do Idoso. Em suas razões, em suma, reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, no sentido de ter direito adquirido à isenção de IRPF na operação de alienação integral de participação societária havida pelo Sr. Aurélio Zancaner na Usina São Domingos S/A e realizada pelo seu Espólio em 29/01/2004, pois, à época da revogação do Decretolei nº 1.510/76 pela Lei n° 7.713/88, já havia sido cumprido o requisito exigido pela regra isentiva. Ressalta que tal direito, por ser patrimonial e não pessoal, integra definitivamente a herança do de cujus, sendo, portanto, transmitido de imediato às suas herdeiras no instante do óbito. Logo, uma vez que o Sr. Aurélio Zancaner, à época do óbito, já havia cumprido os requisitos de isenção, possuía o direito adquirido a tal, o qual teria sido transmitido à recorrente através da sucessão. Além disso, rebate o argumento de que não há uma condição onerosa ao contribuinte que justifique a vedação da revogação do benefício da isenção a qualquer tempo. Para tanto, alega que a manutenção das cotas de participação em sociedade no patrimônio do contribuinte representa uma renúncia à possibilidade de auferir lucro com elas, o que configuraria o não usufruto de ganho imediato e certo com vistas a obter benefício maior, porém incerto. Esse fato, segundo a contribuinte, demonstra a onerosidade da isenção em tela. Argumentou que o aumento de algumas ações durante o período de manutenção das mesmas pelo Sr. Aurélio Zancaner não se trata de aquisição de ações, mas na verdade de bonificações (capitalizações de reservas de lucros e/ou correção monetária do capital social), com o aumento do valor nominal das ações ou o aumento proporcional do número de ações. Por outro lado, esclareceu que, de fato, houve aquisição de quantidades ínfimas de ações nos anos de 1987, 1988, 1991 e 1994, e reconhece que estas parcelas não teriam direito à isenção do IRPF. Assim, fez o cálculo às fls. 283/284 para demonstrar que tais parcelas não isentas representam apenas 5,22% do total alienado, de modo que pleiteia a restituição do valor de R$ 55.381,43 e não do valor de R$ 58.430,85. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10850.900815/201366 Acórdão n.º 2201003.899 S2C2T1 Fl. 691 5 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Do direito adquirido à isenção de IRPF em alienação de participação societária A RECORRENTE defende possuir direito adquirido à isenção de Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF sobre os lucros auferidos em operação de alienação de cotas societárias ocorrida em 2004. Para tanto, alude que o Sr. Aurélio Zancaner, de cujus, adquiriu as ações no período de vigência do Decretolei nº 1.510/76, o qual concedia o benefício fiscal, bem como que já havia cumprido o requisito exigido por tal Decretolei quando este fora revogado pela Lei n° 7.713/88. Como o ato jurídico já tinha se aperfeiçoado, argumenta que o direito subjetivo à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital eventualmente auferido em futura alienação foi transferido à sua sucessora, ora RECORRENTE. No entanto, entendo que não assiste razão à RECORRENTE. Primeiramente, fazse mister enfatizar o meu entendimento sobre o assunto, no sentido de que, após a manutenção por 05 (cinco) anos das ações em seu patrimônio durante a vigência do Decretolei nº 1.510/77, considerase que o contribuinte titular possui direito adquirido para fazer gozo da isenção tributária no momento da alienação, mesmo após a revogação da regra isentiva pela Lei n° 7.713/88. Este posicionamento encontrase consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Ocorre que tal direito é personalíssimo, não podendo ser transferido aos herdeiros no momento da sucessão. É que a regra do art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76 previa o seguinte: Art. 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1°: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Ou seja, a isenção do IRPF valia tãosomente para a alienação seguinte ao período de permanência de 05 anos com a participação societária no patrimônio do contribuinte. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10850.900815/201366 Acórdão n.º 2201003.899 S2C2T1 Fl. 692 6 Ao se transferir as ações aos herdeiros pela via da sucessão causa mortis, tal fato jurídico já é uma alienação (mesmo que não onerosa). Conforme o dicionário Michaelis da língua portuguesa (http://michaelis.uol.com.br/modernoportugues/busca/portuguesbrasileiro/alienar/), o termo alienar possui a seguinte definição: 1. Tornar alheios determinados bens ou direitos, a título legítimo; transferir a outrem o domínio de; alhear: A revendedora alienou o carro enquanto o comprador não quitasse a dívida. O pai resolveu alienar seus bens aos filhos. Não diferente é a definição dada pelo dicionário Priberam (https://www.priberam.pt/dlpo/alienar): a∙li∙e∙nar Conjugar (latim alieno, are) verbo transitivo 1. Transferir para domínio alheio (por venda, troca, doação, etc.). 2. Alucinar. 3. Malquistar. verbo pronominal 4. Enlouquecer; alhearse. Ou seja, a alienação é o ato pelo qual o titular transfere sua propriedade a outro interessado, podendo ser a título oneroso ou gratuito. Sendo assim, esse ato de transferência da participação societária via herança foi a alienação acobertada pela isenção do IRPF prevista no art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76. O fato de a alienação não onerosa decorrente da herança não ser fato suscetível de apuração de lucro (a ensejar a apuração do IRPF) jamais pode servir de argumento para transferir o direito de isenção do art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76 para uma futura alienação onerosa. Esta hipótese não foi prevista na regra isentiva, que deve ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111, II, do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Esse posicionamento, vale ressaltar, foi reafirmado em recentíssima decisão do STJ, datada de 02 de maio de 2017, proferida nos autos do Agravo Interno no Recurso Especial 1.647.630/SP. Confirase, abaixo, esta decisão, bem como decisões análogas: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10850.900815/201366 Acórdão n.º 2201003.899 S2C2T1 Fl. 693 7 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. INOCORRÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETOLEI N. 1.510/76. NECESSIDADE DE IMPLEMENTO DAS CONDIÇÕES ANTES DA REVOGAÇÃO. TRANSMISSÃO DO DIREITO AOS SUCESSORES DO TITULAR ANTERIOR DO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. ISENÇÃO ATRELADA À TITULARIDADE DAS AÇÕES POR CINCO ANOS. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III O acórdão adotou entendimento consolidado nesta Corte segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do DecretoLei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação, não sendo, ainda, transmissível ao sucessor do titular anterior o direito ao benefício. IV O recurso especial, interposto pelas alíneas a e/ou c do inciso III do art. 105 da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência desta Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. V Os Agravantes não apresentam, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (STJ AgInt no REsp 1647630 SP 2017/00034220. Relatora: Ministra Regina Helena Costa. Data de Julgamento: 02/05/2017. Data de Publicação: 10/05/2017) – Grifos acrescidos RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE A ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ALIENAÇÃO EFETIVADA PELO HERDEIRO APÓS SUCESSÃO CAUSA MORTIS . ART. 4º, "D", DO DECRETOLEI N. 1.510/76. INEXISTÊNCIA DE ISENÇÃO. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10850.900815/201366 Acórdão n.º 2201003.899 S2C2T1 Fl. 694 8 (STJ REsp: 1650844 SP 2017/00147128, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Publicação: DJ 09/05/2017) – Grifos acrescidos Ademais, colacionase trecho de mais uma decisão do STJ, a qual considera que a transferência causa mortis já é uma alienação, in verbis: "Com efeito, ficou expressamente registrado a não mais poder que o art. 4º, "b", do DecretoLei nº 1.510/1976, considerou como sendo alienações as transferências de ascendentes para descendentes "mortis causa". Se esse entendimento é válido para a alínea "b", também o é para a alínea "d" do mesmo art. 4º, do DecretoLei nº 1.510/1976. Transcrevo: DecretoLei nº 1.510/1976 Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: [...] b) pelo espólio, nas alienações "mortis causa"; b) nas doações feitas a ascendentes ou descendentes e nas transferências "mortis causa"; (Redação dada pela Decreto lei nº 1.579, de 1977) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Desse modo, se houve morte, houve alienação. Assim, a cada morte de cada ascendente, houve uma alienação para o respectivo herdeiro, de modo que o último herdeiro não completou 5 (cinco) anos na posse da ação durante a vigência do art. 4º, "d" do DecretoLei n. 1.579/77, pois somente a recebeu após o término da vigência do decreto isentivo." (STJ Edcl no REsp. nº 1.632.483/SP. Segunda Turma. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Julgado em 04.04.2017) No caso em tela, a RECORRENTE adquiriu as mencionadas ações transmitidas por herança, em razão do óbito de seu pai, cuja participação societária foi adquirida sob a égide do Decretolei nº 1.510/76, tendo permanecido em seu patrimônio por mais de cinco anos. Considerase que os requisitos para obtenção da isenção tributária foram preenchidos somente pelo de cujus e revestindose o benefício fiscal de caráter personalíssimo, incabível sua transferência para os seus descendentes, no caso a RECORRENTE. Transferida a titularidade das ações para a sucessora causa mortis, não mais subsiste o requisito da titularidade para fruição do direito adquirido à isenção de Imposto de Renda sobre o lucro auferido com a alienação das ações. Conforme já exposto, o art. 111, II, do CTN, prevê que a lei acerca de outorga de isenção tributária deve ser interpretada literalmente, o que impede o reconhecimento da pretensão da RECORRENTE. Ou seja, o fato de o então titular das ações, Sr. Aurélio Zancaner, não ter usufruído o direito adquirido à isenção de Imposto de Renda prevista na alínea 'd’ do art. 4º do Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10850.900815/201366 Acórdão n.º 2201003.899 S2C2T1 Fl. 695 9 DecretoLei nº 1.510/1976, não transfere tal isenção para sua sucessora, uma vez que o benefício está atrelado à titularidade das ações pelo prazo de cinco anos. Importante esclarecer que, nos termos do art. 1.784 do Código Civil, a transmissão da herança ocorre no momento da morte do de cujus: Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmitese, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Ou seja, conforme o princípio da Saisine, com da morte do de cujus a propriedade e a posse da herança são transmitidas imediatamente aos herdeiros legítimos e testamentários, independentemente da abertura do inventário. Vale lembrar que a herança é um bem indivisível até a sentença da partilha, de modo que enquanto esta não sobrevier, os herdeiros serão coproprietários do todo. No presente caso, o Sr. Aurélio Zancaner faleceu em 02/09/2000, ao passo que a alienação da participação societária do de cujus na Usina São Domingos ocorreu em 29/01/2004. Deste modo, nem mesmo as parcelas recebidas pelo espólio durante a ação de inventário estariam isentas do IRPF, pois, no momento da venda, já havia ocorrido a transmissão da herança aos herdeiros (a RECORRENTE e sua irmã), não subsistindo o direito do benefício fiscal da isenção de IRPF, pois este é de natureza personalíssima. Ante o exposto, resta claro que a RECORRENTE não possui direito adquirido à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre o ganho de capital auferido pela alienação de participação societária, vez que é sucessora do Sr. Aurélio Zancaner. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para rejeitar o direito à restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física tributado sobre alienação de participação societária ocorrida no ano de 2004, vez que a RECORRENTE, na condição de sucessora do contribuinte, não possui direito adquirido à isenção instituída no art. 4º, alínea d, do DecretoLei nº 1.510/76. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 695DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910773/2008-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2001
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.728
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.910773/200857 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.728 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente FLEURY S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 73 /2 00 8- 57 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.910773/200857 Acórdão n.º 9303005.728 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.018, de 24/09/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à impossibilidade de apresentação de DCTF retificadora, após o Despacho Decisório e no prazo da Manifestação de Inconformidade, para a comprovação do direito creditório alegado. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 1302001.423 (possibilidade de homologação da PER/DCOMP em face da apresentação de DCTF retificadora após o Despacho Decisório) e 3401002.744 e 3401002.128 (necessidade de conversão do julgamento em diligência caso não seja reconhecido o direito à homologação com base na DCTF retificada). Por meio do exame de admissibilidade do recurso, propôsse o seu não seguimento, o que, embora acatado pelo Presidente do CARF em despacho de reexame, foi revertido por medida liminar em mandado de segurança, determinando o seguimento do recurso especial. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.910773/200857 Acórdão n.º 9303005.728 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.708, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10880.910755/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.708): "Em face do provimento judicial que determinou a este Colegiado Administrativo o seguimento do recurso especial, ultrapassamos a análise de sua admissibilidade e passamos ao mérito do litígio. Neste, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Nesse contexto, ainda que não se tenha concordado com o argumento de que a falta de DCTF retificadora não seria óbice ao deferimento do pedido (coisa com a qual também concordamos), não se poderia, pura e simplesmente, dar provimento ao recurso especial, mas retornar os autos à unidade de origem, a fim de que, ultrapassada a questão, enfrentasse o mérito do litígio, mediante a análise da documentação fiscal ou contábil por meio da qual se pudesse comprovar o crédito a ser restituído. Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria suficiente para a demonstração do crédito, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que, no caso ora em exame, não se verificou, daí porque absolutamente impertinente converter o julgamento em diligência, como pretende a Recorrente1. Ante o exposto, conheço do recurso especial em face do provimento judicial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também "limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito". 1 Segundo o relator do acórdão recorrido: "No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição". Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.910773/200857 Acórdão n.º 9303005.728 CSRFT3 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido em face do provimento judicial e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13634.000273/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano calendário: 2004
Ementa:
SIMPLES. ADESÃO. AUSÊNCIA DE ATO DE EXCLUSÃO.
Tendo havido a aceitação da inclusão retroativa do contribuinte por demonstração de inequívoca intenção de adesão ao Simples e não tendo havido a sua exclusão por ato formal posterior, deve ser a mesma mantida no âmbito do Simples.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1401-000.606
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano calendário: 2004 Ementa: SIMPLES. ADESÃO. AUSÊNCIA DE ATO DE EXCLUSÃO. Tendo havido a aceitação da inclusão retroativa do contribuinte por demonstração de inequívoca intenção de adesão ao Simples e não tendo havido a sua exclusão por ato formal posterior, deve ser a mesma mantida no âmbito do Simples. Recurso voluntário provido.
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ADESÃO. AUSÊNCIA DE ATO DE EXCLUSÃO. Tendo havido a aceitação da inclusão retroativa do contribuinte por demonstração de inequívoca intenção de adesão ao Simples e não tendo havido a sua exclusão por ato formal posterior, deve ser a mesma mantida no âmbito do Simples. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 13634.000273/200643 Acórdão n.º 1401000.606 S1C4T1 Fl. 2 2 Relatório Por razões de celeridade processual, adoto o relatório apresentado por ocasião da decisão proferida pela DRJ de Juiz de Fora, in verbis: Em 23/05/2005, a interessada solicitou sua inclusão retroatiya no Simples, a partir da data da abertura. Tal solicitação foi indeferida pela DRF em Governador Valadares/MG, por meio do Despacho Decisório, fls. 10v, que teve como base a Informação Processtial, fls. 10, abaixo transcrita: "A pessoa jurídica acima identificada requer às fls. 01 sua inclusão no simples, com efeitos retroativos a 21/05/1998, e declara que desde a sua abertura vem recolhendo regularmente no referido sistema. Apresentou Declaração Simples nos anosbase de 1998 a 2002; Declaração Inativa no anobase de 2003. Apresentou recolhimentos pelo Simples no ano base de 1999. A empresa foi inscrita em dívida ativa da União em 12/08/2004, esbarrando na vedação tratada pelo art. 9°, inciso XE da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que assim estabelece: Art. 9° Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica (art. 20 da IN SRF n° 608, de 09.01.2006). XV — que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (XIV, art. 20 da IN SRF n°608, de 09.01.2006) Até 11.09.2004 estava impedida de optar pelo Simples, quando fez o parcelamento simplificado da PGFN. Ao final será proposto o Deferimento em Parte, devendo a empresa caso queira, fazer a opção pelo Simples a partir de 01.01.2007, caso a mesma resolva recorrer ou não à Delegacia De Julgamento de Juiz de Fora. Em face do exposto, proponho o Deferimento em parte do pedido de inclusão no Simples com data retroativa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 13634.000273/200643 Acórdão n.º 1401000.606 S1C4T1 Fl. 3 3 de 21/05/2003, de Marlene Raquel Gomes Farias — CNPJ: 02.544.491/000104." Cientificada do deferimento parcial de seu pleito, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 30, na qual afirma que: "1 — Realmente a contribuinte foi inscrita em dívida ativa da União, mas ignorava que não estava inscrita no Simples, eis que chegou a parcelar os referidos débitos. 2 A empresa sequer foi notificada. Ao tentar transmitir a(s) declaração(ões) do Simples é que teve ciência de não estar inscrita pela recusa do Sistema de receber tal (ais) declaração(ões). 3 — 'a empresa é muito pequena, menos que micro. É de apenas uma únida porta e passou por dificuldades financeiras. 4— Em recuperação já quitou os débitos do parcelamento e pela para a compreensão dessa douta Chefia no sentido de autorizar sua inclusão no Simples também em 2004 e 2005, para que a mesma possa apresentar as declarações em aberto, arcando com o ônus das multas correspondentes" Posto o feito em julgamento, a DRJ recorrida indeferiu o pedido, tendo a decisão sido assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 INCLUSÃO RETROATIVA. É incabível a inclusão retroativa ao Simples quando não identificada a intenção inequívoca de aderir àquele sistema, por meio de pagamentos mensais efetuados por DarfSimples e da apresentação da Declaração Anual Simplificada. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, em que alega, em suma, o seguinte: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 13634.000273/200643 Acórdão n.º 1401000.606 S1C4T1 Fl. 4 4 A contribuinte à epígrafe, por seu procurador abaixo assinado, valese do presente para interpor recurso à decisão comunicada pelo Ofício nº 0161/2009/DRF/GVS/Sacat, datado de 17/03/2009, apresentando os seguintes esclarecimentos: 1 — Apresentou ao Sistema SEFIP a GFIP faltante, competência 04/2004, cujo recolhimento ocorreu no prazo, conforme documentos anexos. 2 .2 Recolheu e anexa cópia do DARF/SIMPLES ref. 02/2007. 3 7 Recolheu a GFIP competência 06/2004, conforme anexo. 4 — Deixa de recolher o resíduo da competência 12/2006 por ser de valor inferior ao permitido. 5 —,Com relação às competências 03/2008, 04/2008, 11/2008, 12/2008 e 02/2009, não cabe qualquer providência, eis que estava OPTANTE PELO SIMPLES a partir de 01/01/2007, conforme documentos anexos. 6 — Anexa diversos DARFs/SIMPLES referentes aos exercícios de 2004 a 2006, quitados. 7 — Quanto às reclamadas Declarações Simplificadas, temos a informar que o Sistema as recusou de acatar/receber por estar a empresa fora do simples, o que não ocorria antes quando sempre foram recepcionadas. 8 — Por último, temos a informar que o contribuinte tem recolhido tudo com regularidade. 9 À vista do exposto, volta a requerer seu enquadramento no Simples a partir de 01/01/2004. É este, em suma, o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O Recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 13634.000273/200643 Acórdão n.º 1401000.606 S1C4T1 Fl. 5 5 A decisão recorrida acatou a solicitação de inclusão retroativa da Recorrente ao SIMPLES, a partir de 1º de janeiro de 2007, tendo em vista ter identificado a sua intenção inequívoca de aderir ao sistema a partir de referido período. Ainda, o despacho decisório às fls. 10/11 já havia deferido o referido pedido com relação aos período de 21/05/1998 a 31/12/2003. Discutese, pois, neste recurso, a possibilidade de inclusão retroativa da Recorrente no SIMPLES nos anos de 2004 a 2006. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente trouxe a baila DARF’s de recolhimento de parcelas do SIMPLES durante os anos de 2004 (fls. 85), 2006 (fls. 86/90), o que demonstram sua intenção inequívoca de aderir ao sistema do SIMPLES nesse período. Não há de se exigir a comprovações de entrega das respectivas declarações, pois o próprio sistema eletrônico não permite sua apresentação àqueles que não constam do sistema. Seguindo, assim, a mesma tônica da decisão recorrida, fundada no ato declaratório interpretativo nº 16/2002 da SRF, entendo que deva ser aceito o enquadramento retroativo desde o anocalendário de 2004. Demais disso, tendo sido aceita a inclusão em 2003 e não tendo havido a sua exclusão posterior, é de ser aceito o pleito da Recorrente com relação a todos os períodos que se seguiram. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720058/2008-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-006.135
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.720058/200817 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.135 – 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Recorrente PRIME LUMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 58 /2 00 8- 17 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 330201.068, que decidiu por não reconhecer o direito ao creditamento das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpõe o presente Recurso. Requer a reforma do acórdão recorrido para que seja reconhecido o crédito pleiteado, uma vez que os valores relativos aos fretes de transferência estão contemplados no artigo 3º, inciso II e IX, da lei nº 10.833/03. O recurso foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.110, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001230/200597, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.110): Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 4 3 "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a discussão posta a esta E. Câmara Superior, diz respeito exclusivamente ao direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não cumulativos, sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Sem embargo, a decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário, por entender de que seria impossível o creditamento das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se relacionar com operação de venda. Para melhor compreensão dos fatos, verifico que a Contribuinte é uma sociedade que se dedica à industria e ao comércio , exercendo também atividade de exportação de madeira. Nada obstante, verifico que os fretes relacionados a transferência entre filiais, ocorrem em razão da Contribuinte possuir unidades produtivas em diversas localidades do Brasil, embora, para se fazer a exportação necessita transferir as mercadorias para as filiais localizadas junto aos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande. A transferência se faz necessária para a formação de lotes para a exportação (venda). Há também uma unidade produtiva destinada ao mercado interno, localizada distante do mercado consumidor, no município de Bom Jesus, interior do Estado do Rio Grande do Sul, desta unidade as mercadorias são transferidas para a matriz localizada em Caxias do Sul, de onde são feitas as vendas, uma vez que a matriz está localizada próxima do mercado consumidor. Dessa forma, os fretes de transferência ocorrem unicamente por questão de logística. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303005.116, de 17 de maio de 2017, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, de Relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 5 4 O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF nº 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 6 5 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 7 6 produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 8 7 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 9 8 Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 10 9 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: ∙ Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 9303006.135 CSRFT3 Fl. 11 10 devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte, para reconhecer o direito ao crédito de COFINS sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para reconhecer o direito ao crédito das contribuições não cumulativas sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905005/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO.
Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015.
A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelando-se provas precárias, insuficientes.
Numero da decisão: 3401-004.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO. Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015. A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelandose provas precárias, insuficientes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, oriundo de processo de PER/DCOMP, no qual o sujeito passivo indicou suposto crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurado sob o regime da nãocumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 05 /2 01 2- 02 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10925.905005/201202 Acórdão n.º 3401004.233 S3C4T1 Fl. 3 2 O pedido da recorrente foi indeferido através do Despacho Decisório Eletrônico que instrui os autos, onde informouse que o pagamento indicado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível. Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade defendendo que recolheu contribuições indevidamente, vez que não tinha efetuado exclusões da base de cálculo da referida contribuição, previstas em lei. Apresentou DACON retificadora onde apura saldo credor, de modo que o recolhimento feito anteriormente, mostrase indevido, logo, passível de restituição. Asseverou que, por um lapso, deixou de retificar tal informação em DCTF e que a informação em DACON é suficiente para demonstrar seu direito. Defende que a circunstância de não retificar a DCTF não inviabiliza a restituição de valores comprovadamente indevidos. Sobreveio acórdão nº 07030.985 da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde essencialmente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, afirmando possuir o direito pleiteado e citando o Acórdão nº 3302002.104 do CARF como jurisprudência que entende amparar seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.207, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.904977/201271, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10925.905005/201202 Acórdão n.º 3401004.233 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.207): "I. Do conhecimento e admissibilidade dos recursos voluntário O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ, em 21/05/2013 (efl. 64), vindo a ser interposto recurso voluntário, 19/06/2013. Assim, preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do mérito O julgamento deste processo servirá de paradigma aos demais processos vinculados, seguindo, portanto, a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Como se viu do Relatório acima, entende a Recorrente que faz jus a compensação da contribuição para o PIS, referente ao mês de abril 2005, vez que teria o recolhido indevidamente, não excluindo de sua base de cálculo parcelas autorizadas pela legislação de regência. Para dar azo ao seu suposto direito, em 21/08/2009, apresentou DACON retificador. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 exige que o contribuinte apresente provas documentais no momento da impugnação, porém, este E. Tribunal tem flexibilizado em razão do princípio da verdade material, possibilitando que o sujeito passivo produza provas em momento posterior. Em casos em que o contribuinte não traz qualquer prova DARF, DCTF, Livros contábeis, etc), este CARF tem entendido que tal ônus é da parte que pleiteia o crédito, dentre outros, acórdão 3401003.652, referente ao processo 13888.900243/201467, de minha relatoria, o qual também serviu de paradigma. Diz a Recorrente que tentou fazer sua DCTF retificadora logo após o despacho decisório, porém recebera informação "... (mensagem de erro) de que o prazo para a retificação de informações havia expirado." (efl. 68), porém, não há nos autos tal prova. Defende que seus créditos são advindos de ter deixado de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, parcelas legalmente admitidas pela legislação de regência (artigo 15 da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10925.905005/201202 Acórdão n.º 3401004.233 S3C4T1 Fl. 5 4 MPV 2.158351; artigo 17, da Lei 10.684/20032 e artigo 1° da Lei 10.676/20033. As hipóteses de exclusão contidas nas legislações referidas são variadas, porém, a Recorrente apenas trouxe a prova no DACON, o qual não traz a origem destes créditos, ou seja, o nexo causal da retificação com a real existências destes tais créditos, ou qualquer explicação ou elemento de prova que indique com precisão o valor do pleito à restituir; e o DARF, do recolhimento supostamente indevido. Como se sabe, em sede de pedido de restituição e/ou compensação, o ônus da prova cabe ao contribuinte, por força do artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I, do CPC/1973 (vigência à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015, o 1 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 2 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 3 Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10925.905005/201202 Acórdão n.º 3401004.233 S3C4T1 Fl. 6 5 que, no caso dos autos, no entender deste relator, não fora feito pela Recorrente. O DACON e DARF juntados pela Recorrente não são provas suficientes para comprovar, minimamente, o direito à restituição perseguido, revelandose provas precárias para este fim. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe nego provimento." Registrese que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a recorrente trouxe como provas de seu suposto crédito, apenas a DACON retificadora e DARF, sendo estes, consoante entendimento exposto, elementos insuficientes para comprovar o direito à restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003420/2005-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 23/08/2005
INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE. CONTROLE FISCAL RELATIVAS A
FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA
Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, transporte,
venda, exposição à venda, depósito, posse ou consumo de cigarros de
procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular
importação, sujeitando-se ao infrator à multa, bem como a aplicação de pena
de perdimento dos cigarros apreendidos
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.520
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/08/2005 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE. CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, transporte, venda, exposição à venda, depósito, posse ou consumo de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitando-se ao infrator à multa, bem como a aplicação de pena de perdimento dos cigarros apreendidos RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:10:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:10:19Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:10:19Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:10:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3f17c626-e98e-47fa-a2f2-5c7c299d5749; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:10:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:10:19Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:10:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:10:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:10:19Z; created: 2010-11-18T19:10:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-11-18T19:10:19Z; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:10:19Z | Conteúdo => O - Presidente M .RCIA HE U.rie,(Lee ENA TR ANO D'AMORIM RelatorA 'A TrN A 'A If "ri 111 A S3-C211 Fi 88 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10850.003420/2005-11 Recurso n" 179,251 Voluntário Acórdão n" 3201-00.520 — 2" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 02 de julho de 2010 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente AGUINALDO CÉSAR DA S DO NASCIMENTO E OUTRO Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/08/2005 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE. CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, transporte, venda, exposição à venda, depósito, posse ou consumo de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitando-se ao infrator à multa, bem como a aplicação de pena de perdimento dos cigarros apreendidos RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. "-) 11/1 CdA. C'e=a-KCC--'/7---- .JUDIT'H EO AMARAL MARCONDES ARMA n FORMALIZADO EM: 0.3 de agosto de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa e Tatiana Midori Migiyama (Suplente). Processo n° 10850 003420/2005-11 Acórdão n ° 3201-00,520 S3-C21 1 Fl 89 2 Processo n" 10850.003420/2005-11 S3-C21-1 Acórdão o." 3201-00320 Fl 90 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, à fl. 65, que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 10.000,00 referente a multa exigida por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira Depreende-se da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em tela, assim como do auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal n" 0810700/23848/05, no qual se embasou, que, em 23/08/200,5, a Polícia Civil de Olímpia/SP reteve o veículo Fiat Fi011110 de placas CA U-9645 transportando .5.000 maços de cigarros de procedência estrangeira sem documentação que comprovasse sua regular importação, O veículo era conduzido por Aguinaldo César da Silva Nascimento, sendo que Carlos Roberto Patrian se apresentou como proprietário dos cigarros apreendidos. Declarada a pena de perdimento das mercadorias apreendidas (f7.6.2), a .fiscalização lavrou auto de infração para exigência da multa prevista no parágralb único do artigo .3" do Decreto-lei n" .399/1968 com a redação dada pelo artigo 78 da Lei n" 10 833/2003. Constam dos autos cópias de peças exordiais do inquérito policial, incluindo os depoimentos prestados pelos autuados e pelos policiais condutores dos mesmos quando de sua prisão. Regularmente cientificados por via postal (AR 's às folhas 37), os interessados apresentaram as impugnações tempestivas de folhas 38 a 42 (com os documentos anexos de folhas 43 a 53) e 58 a 59. O impugnante Aguinaldo César da Silva do Nascimento embasa sua defes-a no argumento de que não era o proprietário das mercadorias apreendidas, conforme se observa dos depoimentos realizados no âmbito do inquérito policial, sendo que somente estava transportando os cigarros apreendidos e ainda, sem ter conhecimento de que se tratava de mercadoria estrangeira irregular. Alega ainda que o processo não foi ddinitivamente .julgado na esfOra judicial e, por este fato, não está comprovada sua culpabilidade, e que não há provas da autoria do sinistro Requer se cancele o auto de infração O impugnante Carlos Roberto Anilam alega ilegalidade da autuação por não ter- sido surpreendido adentrando no País ou 3 Processo 0" 10850 003420/2005-11 S3-C211 Acórd5o n' 3201-00320 Fl 91 importando a mercadoria apreendida Alega também que não houve comercialização ou posse dos cigarros irregulares, tendo a _fiscalização se baseado em informações advindas da autoridade policial, o que não ampara a autuação. Requer seja declarado nulo o lançamento É o relatório." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS if 07/11213, de 18/07/2008, proferida pelos membros da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, às fls.64/67, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador. 23/08/2005 MULTA REGULAMENTAR Constitui infração às medidas de controle . fiscal a aquisição, transporte, venda, exposição à venda, depósito, posse ou consumo de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitando-se o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos,. LANÇAMENTO PROCEDENTE," O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira à fl. 87 (última), É o Relatório. 4 Processo n" 10850 003420/2005-11 S3-C2T1 Acórdão n 3201-00.520 El 92 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento, Trata o presente processo de exigência, cumulada à pena de perdimento, de crédito tributário no valor de R$ 10,000,00 referente à multa exigida por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigano de procedência estrangeira; consubstanciado em auto de infração, decorrente de apreensão efetuada. Em operação realizada por policiais da Delegacia de Policia Civil de Olímpia/SP, os mesmos abordaram o veiculo Fiat Fiorino de placas CAU-9645 que transportava 5,000 maços de ciganos de procedência estrangeira sem documentação que comprovasse sua regular importação. O citado veiculo era conduzido por Aguinaldo César da Silva Nascimento, sendo que Carlos Roberto Patrian se apresentou aos policiais, durante a apreensão como proprietário dos ciganos apreendidos. Constam, nos autos, cópias de peças do inquérito policial, incluindo os depoimentos prestados pelos autuados e pelos policiais condutores dos mesmos quando de sua prisão; pois além da apreensão dos cigarros, houve também prisão dos envolvidos. Foi instaurado o processo administrativo fiscal de n° 10850,002403/2005-59 para aplicação da pena de perdimento dessas mercadorias que somaram 5.000 maços de cigarros, de marcas diversas., O lançamento que ora se discute diz respeito ao crédito tributário relativo à multa, por maço de cigarros, pela inobservância às medidas prescritas no art. 2°, cuja infração era capitulada no § 1', do art. 3', todos do Decreto-lei n" 399, de 30 de dezembro de 1968, in verbis: "Art. 2"- O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de controle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art. - Ficam incursos nas penas previstas no artigo .3.34 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na .forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito t possuírem ou consumirent qualquer dos produtos nele mencionados. - Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perda da respectiva mercadoria, a multa de 5% (cinco por cento) do maior salário mínimo vigente no País, por maço de cigarros ou por unidade dos demais produtos apreendidos"(grifri) 5 Processo o' 10850.003420/2005-11 S3-C2•1•1 Acórdão o " 3201-00.520 F I 93 Referida narina foi regulamentada nos artigos 621 e 632 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4,543/2002, nos termos a seguir reproduzido: "Ari, 621. A pena de perdimento da mercadoria .será ainda aplicada aos que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministro de Estado da Fazenda para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de origem estrangeira, adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem tais produtos, por configurar crime de contrabando" "Art. 632, Aplica-se a multa de R$ 0,98 (noventa e oito centavos de real) por maço de cigarro, por unidade de charuto ou de cigarrilha, ou por lote de sessenta quilos líquidos dos demais produtos manufaturados apreendidos, na hipótese do ar! 621, cumulativamente com o perdimento da respectiva mercadoria" (grifei) O Decreto-Lei mencionado, assim como o valor da multa nele prevista, sofreu alteração em decorrência do advento do art, 78, da Lei ri' 10,833 (conversão da Medida Provisória n° 135/2003), de 29/12/2003, passando a ser cominado o valor de R$ 2,00 (dois reais) por cada maço de cigarro ou unidade dos demais produtos apreendidos, conforme a seguir transcrito. "Art 78. O ar!, 30 do Decreto-Lei n° 399, de 30 de dezembro de 1968, passa a vigorar com a seguinte redação.' "Art 3e Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos." A multa aplicada no presente auto de infração, consolidada no Regulamento Aduaneiro, art. 621, ou seja, em nome daqueles que adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem cigarros de procedência estrangeira é cumulada à pena de perdimento e será aplicada aos que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministro da Fazenda, promova um dos núcleos elencados no tipo acima posto, Verifica-se que, no caso do auto de infração decorrente de apreensão de cigarros de procedência estrangeira — motivada pela ocorrência do descumprimento às mencionadas medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministro da Fazenda, devem ser aplicadas, cumulativamente, a pena de perdimento e a multa pecuniária por maço de cigarro apreendido. Ressalto que além da pena de perdimento, ao mesmo sujeito passivo é aplicada multa calculada por maço de cigarros, sem prejuízo da sanção penal prevista. O st, Aguinaldo César da Silva Nascimento alega que não pode ser responsabilizado, pois não era o proprietário dos cigarros irregulares e sim, mero transportador. 6 Processo o' 10850 003420/2005-11 S3-C2T1 Acórdão ri " 3201-00320 F I 94 Como visto,acima, também daqueles que transportarem os cigarros ilegais é exigida a multa em comento. Corno se observa dos depoimentos dos policiais militares que promoveram a apreensão das mercadorias e a prisão dos envolvidos, o sr. Aguinaldo era o condutor do veículo onde se encontravam os cigarros irregulares, ou seja, transportava a mercadoria com introdução irregular no País. Essa circunstância inclusive é confirmada pelo mesmo quando de sua prisão. Portanto não há corno afastar sua responsabilidade pela infração cometida. Destaco, ainda, trecho do acórdão DR.) . que: "Não é o que se vê dos autos, Os depoimentos realizados perante a autoridade policial não deixam dúvidas de que o impugnante era o proprietário dos cigarros apreendidos, tendo inclusive declarado que "Como não tem vínculo trabalhista, encontrou como meio de sobrevivência a revenda unicamente de cigarros importados do Paraguai" e que "Negociou tudo por telefone" e, ainda que, "Tem conhecimento que os cigarros são oriundos do Paraguai" (v.. fis.21). Portanto, como anteriormente visto, caracterizada a infração, com a conseqüente exigência da multa lavrada.." Assim, havendo suficiência prova nos autos de que o autuado efetivamente possuía e transportava cigarros de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória de sua importação regular, e correspondendo tal fato a núcleos tipificados no art. 621 acima transcrito. Destarte, não cabe reparo a decisão de primeira instância. Dessa forma, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário; mantendo, assim, a exigência fiscal objeto deste contencioso. 114RCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM 7
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Numero do processo: 10380.729267/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado quando comprovada a intempestividade da Impugnação apresentada. Não instaurada a fase litigiosa do procedimento.
Numero da decisão: 1401-001.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto, por intempestividade do mesmo. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado quando comprovada a intempestividade da Impugnação apresentada. Não instaurada a fase litigiosa do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto, por intempestividade do mesmo. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 92 67 /2 01 3- 31 Fl. 2556DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do 02 62.509 4ª Turma da DRJ/BHE, que manteve o lançamento, quando por unanimidade de votos não conheceu a peça de impugnação, por intempestiva. Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da DRJ, na parte que interessa para contextualização da lide: Contra a sociedade acima qualificada foram lavrados Autos de Infração que lhe exigem o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o PIS/PASEP (PIS), no montante de R$ 14.042.318,50 (quatorze milhões e quarenta e dois mil, trezentos e dezoito reais e cinquenta centavos), aí incluídos multa por lançamento de ofício e juros moratórios. O Autor do feito, no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 95 a 98, informa que a interessada apresentou movimentação financeira incompatível com as receitas informadas a Secretaria de Receita Federal do Brasil (RFB), nos anos calendário de 2009 a 2011. Esclarece que ela foi intimada, em 22 de fevereiro de 2013, a apresentar livros e documentos da sua escrita fiscal e contábil e que, em 26 de marco de 2013, solicitou prorrogação para atender à intimação, recebendo prazo até 25 de abril de 2013. Foi novamente intimada em 11 de junho de 2013, sem atendimento, o que levou o Autor do feito a solicitar a diversas instituições bancárias o fornecimento de informações atinentes às movimentações financeiras da interessada. Após isto, a interessada encaminhou ao Autor do feito [...] os atos constitutivos e as alterações posteriores; os livros caixa de 2009 e 2010; e os extratos bancários do Banco Bradesco S/A; do Banco Itaú S/A; do Banco do Nordeste do Brasil S/A e do Banco Santander, conforme relação anexa, originária da empresa [...]. O Autor do feito observa que a interessada, embora intimada neste sentido, não esclareceu a origem dos valores creditados em suas contas correntes bancárias, tendo então expurgado os créditos decorrentes de empréstimos bancários e considerado que o restante constituiria receita da fiscalizada. Examinando os livros caixa apresentados pela interessada, correspondentes aos anoscalendário de 2009 e 2010, ficou constatada discrepância entre os valores neles registrados e a movimentação bancária apurada: [...] a movimentação financeira registrada em 2009 foi de R$1.761.563,17 e de R$9.095.792,22, em 2010. Nestes dois anos, pelos extratos bancários, apuramos créditos aproximadamente da ordem de R$12.000.000,00 e R$25.600.000,00, para 2009 e 2010, respectivamente. Com relação ao ano de 2011, o livro caixa não foi Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 10380.729267/201331 Acórdão n.º 1401001.984 S1C4T1 Fl. 2.557 3 entregue, e a movimentação financeira foi aproximadamente da ordem R$34.800.000,00 [...]. Diante disto, foram feitos os lançamentos de ofício na sistemática do lucro arbitrado. A peça impugnatória apresentada em 30 de novembro de 2013 (fl.s 2396 a 2410) foi tida por intempestiva, considerando que a interessada havia sido regularmente cientificada dos lançamentos por via postal, em 14 de outubro de 2013, como faz prova o Aviso de Recebimento de fl. 2.393, que aponta que a intimação postal foi recebida, tendo seu prazo expirado em 13 de novembro de 2013. O Acórdão DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011 PRAZOS Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. LITÍGIO Só instaura a fase litigiosa do procedimento a impugnação da exigência formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL Considerase realizada na data de seu recebimento. ORDEM DE PREFERÊNCIA Os meios de intimação previstos no rito do processo administrativo fiscal não estão sujeitos a ordem de preferência, salvo no caso de intimação por edital. PETIÇÃO INTEMPESTIVA Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE Julgado a preliminar de tempestividade em desfavor do contribuinte, o mérito não será examinado, por incompatibilidade. Impugnação não conhecida. Crédito Mantido. Inconformada, a Recorrente apresentou voluntário, buscando a nulidade da notificação via postal, pois teria o direito subjetivo de ser notificado tão só em seu Domicilio Tributário Eletrônico, ao qual aderiu em 08/10/2013, ao passo que a intimação postal foi entregue em seu endereço em 14 de outubro de 2013, portanto posterior a sua adesão, ou subsidiariamente seja reconhecida a tempestividade da impugnação, computandose o prazo Fl. 2558DF CARF MF 4 como se eletrônica fosse, ou seja, considerando decurso dos 15 dias da aposição do comprovante de entrega no DTE, mais os 30 dias previstos para apresentação de impugnação, num total de 45 dias. No mais, caso seja mantida a intempestividade, sejam as matérias suscitadas na impugnação e replicadas na fase recursal conhecidas, por se tratarem de matéria de ordem publica, quais sejam: i)ilicitude da prova obtida através de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; ii) produção de prova pericial para mensurar documentalmente os valores movimentados pela empresa durante os anos de 2009, 2010 e 2011 comparativamente a seu faturamento e operações interbancos, para proporcionar ao julgador uma "tomada de convicção sobre a extensão e efeitos da suposta infração" e; iii) promover o abatimento dos valores faturados do valor dos depósitos bancários entendidos como omitidos. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Levandose em conta a constatação do não conhecimento da impugnação pela DRJ, face a sua intempestividade, em sede de preliminar, não podemos conhecer do recurso voluntário apresentado, posto que um dos requisitos de admissibilidade dos recursos é a tempestividade. Assim, vejamos os dispositivos do decreto nº 70.235/72 a respeito do caso. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com o s documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em q ue for feita a intimação da exigência. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via , com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] Fl. 2559DF CARF MF Processo nº 10380.729267/201331 Acórdão n.º 1401001.984 S1C4T1 Fl. 2.558 5 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebi mento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; [...]§ 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4oPara fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária. Pelos dispositivos legais que regem o Processo Administrativo Fiscal acima relacionados verificase que a intimação foi regularmente realizada ao contribuinte na forma do art. 23, II combinado com o § 2º, II, do Decreto nº 70.235/72. Em que pese os argumentos da Recorrente, no sentido de que a intimação deveria ter se dado por meio eletrônico, nos moldes do art. 23, III, do Decreto 70.235/72, temos que a opção do contribuinte pelo DTE Domicílio Tributário Eletrônico somente se processou em 08/10/2013, e a intimação postal foi entregue em seu endereço somente em 14/10/2013, ou seja, num intervalo de 6 dias após a adesão ao DTE, observo que conforme o art. 23 do Decreto 70.235/72, os meios de intimação não estão sujeitos à ordem de preferência, de forma que a adesão pelo DTE não exclui a possibilidade dela ter se dado regularmente pela via postal. Acrescento que durante todo o procedimento de fiscalização, todas as correspondências foram remetidas à empresa pela via postal e recebidas sempre pela mesma pessoa, conforme Avisos de Recebimento de fls. 274 a 278 e 2393, nas datas de 20/06/2013, 01/08/2013, 13/08/2013, 21/08/2013 e 14/10/2013, tendo sido todas regularmente respondidas, à exceção da intimação recebida em 14/10/2013, da qual a impugnação foi considerada intempestiva. Anoto que o Mandado de Segurança 080213277.2014.405.8100, que tramitou na 10a. Vara da Justiça Federal de Fortaleza CE teve tutela deferida no que se refere a suspensão da exigibilidade dos autos para fins de obtenção de Certidão Negativa de Débitos (fl. 2452), nada mencionando sobre a questão relativa a tempestividade, ou tampouco, atestou a, como pretendeu fazer crer a Recorrente em seu Voluntário. Também não é caso de aplicação da norma prevista no art. 127 do CTN, pois quando trata de domicílio tributário referese ao endereço físico no qual a empresa exerce suas atividades, podendo haver eleição somente nos casos em que ela exerce sua atividade em mais de uma localidade. No caso versado, a Recorrente possui apenas um endereço para exercício de suas atividades, não se tratando, portanto, da hipótese de eleição objeto do referido dispositivo legal. Desta forma, não assiste razão ao contribuinte quanto à tempestividade da apresentação da impugnação, devendo ser mantidos os termos da decisão de piso que considerou intempestiva a impugnação e, por consequência, não tomou conhecimento dela. Assim, por todo o exposto nesta análise, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, em razão de sua intempestividade. Fl. 2560DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 2561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.933634/2008-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/02/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3001-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 92 a 127) interposto contra o Acórdão 16 42.127, da 11ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I DRJ/SP1 (fls. 85 a 90), que, em sessão de julgamento realizada em 27.11.2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa da unidade fiscal de jurisdição. Dos fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 36 34 /2 00 8- 00 Fl. 148DF CARF MF 2 Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP n.º 34136.55482.140704.1.3.043943 (fls. 07 a 11), transmitida em 14/07/2004, que indicava como crédito o pagamento indevido ou a maior de COFINS código 2172, ocorrido em 15/02/2004, no montante de R$ 4.777,61 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/01/2004, com débitos próprios de COFINS código 21721, com vencimentos em 15/04/2004 e 15/06/2004, sendo o valor total do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) igual a R$ 8.391,68. DO DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu, em 25/09/2008, o Despacho Decisório (DD) eletrônico com n.º de rastreamento 791220025 (fls. 02), assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, não homologando a compensação declarada, constando em sua fundamentação: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) A interessada foi cientificada do referido despacho decisório em 02/10/2008 (fls. 05 a 06). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com o despacho decisório, a empresa apresentou, em 23/10/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 12, com documentos anexos às fls. 13 a 83 (cópias de Procuração, de Instrumento de Alteração do Contrato Social de 02/02/1999, de documento de identificação do procurador, e de Despacho Decisório, DIPJ e DCTF), deduzindo as alegações a seguir sintetizadas. Segundo a empresa, houve o indeferimento do PER/DCOMP, tendo sido criado, a partir desta ação, um saldo devedor. Afirma que o motivo do indeferimento deste documento teria sido a não alteração da DCTF referente ao 1º trimestre/2004, e que, em ocorrendo tal alteração, passaria a haver o crédito, objeto da Per/Dcomp, não havendo então, saldo a ser pago. Destaca que, para basear tal pedido, teria anexado a DIPJ 2005, entregue na data prevista com os valores corretos, e a DCTF retificada, para confronto das informações, não ocorrendo a partir destas provas, qualquer saldo a ser quitado. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.933634/200800 Acórdão n.º 3001000.144 S3C0T1 Fl. 149 3 À vista do exposto, entendendo estar demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Da decisão de 1ª instância A DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/02/2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão que não homologou a compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP, se mantém a decisão que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o recorrente sustentou, ipsis litteris: Recurso Voluntário AGROPECUÁRIA BOA ESPERANÇA LTDA, com sede e estabelecimento industrial na Rua Groenlândia, 100, Sala 02 CEP 01434000 município São Paulo, UF SP, CNPJ 53.423.752/000121, por seu representante legal, não se conformando com o auto de infração e a decisão de primeira instância, da qual foi cientificada em / / , vem, respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõe o art. 33 do Decreto nº 70235/72, apresentar seu recurso, pelos motivos que se seguem. Fl. 150DF CARF MF 4 I Os Fatos Em 02/10/2008 recebemos a Despacho Decisório Rastreamento no 791220025 de 25/0912008, objeto da notificação acima descrita, na qual constava um débito do COFINS no valor de R$ 4226,21, referente a recolhimento feito a menor no DARF. No dia 23/102008 apresentamos os seguintes documentos: DCTF e PER DCOMP, comprovando ter sido erro do contribuinte quanto ao lançamento dos valores e que os mesmo foram retificados, porém, essa retificação não foi aceita pelos Srs. Auditores que indeferiram nossa solicitação de cancelamento da divida uma vez que ela foi compensada, referente ao processo nº 10880.933634200800. II O Direito 11.1 PRELIMINAR Não conformado com o indeferimento da defesa apresentada em / / , pela não recepção da DCTF referente ao 1º Trimestre/2004 que ora foi retificada comprovando a existência de um crédito a ser utilizado para compensar imposto futuros , como objeto de prova documental, além da DIPJ 2005 que comprova tal crédito, únicos documentos apresentados na manifestação de inconformidade por acreditar não ser necessário a apresentação de qualquer outro documento adicional, como prova documental, para demonstrar o equivoco do lançamento a RFB. II. 2 MÉRITO Para basear tal pedido, do cancelamento da cobrança do débito informado, estamos anexando, cópias das paginas do Livro Diário exercício 2004 e paginas do Razão Contábil exercício de 2004, elementos capazes de fornecer a V.Sas., conteúdo substancial válido juridicamente de comprovação da existência do direito creditório que originou a compensação declarada no PER/DCOMP. III A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede deferimento São Paulo, 10 de Junho de 2013 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da intempestividade Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.933634/200800 Acórdão n.º 3001000.144 S3C0T1 Fl. 150 5 O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extrai do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2º Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Em que pese o "Aviso de Recebimento AR" constar equivocadamente o dia 02.04.2013, como data de seu recebimento, temse que o contribuinte foi efetivamente Fl. 152DF CARF MF 6 cientificado do acórdão vergastado em 02.05.2013 (quintafeira), conforme carimbo aposto CDD Faria Lima, São Paulo, SPM, fl. 128, interpondo recurso voluntário em 10.06.2013 (segundafeira), conforme carimbo aposto DERAT/CAC Paulista fl. 93. No caso sob exame, segundo a legislação de regência supra transcrita, o termo final do prazo em apreço ocorreu em 03.06.2013 (segundafeira), portanto, o recurso voluntário é extemporâneo, pois que apresentado fora do prazo legal. Conclusão Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720964/2008-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 9202-006.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido.
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 64 /2 00 8- 68 Fl. 179DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 210201.809, em que o colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício interposto. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 INTIMAÇÃO EDITALÍCIA EM LOCALIDADE DIVERSA DAQUELA QUE CONSTAVA COMO DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO NA RFB. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO ESTATUÍDA NO DECRETO Nº 3.724/2001 PARA TRANSFERIR COMPULSORIAMENTE PARA O FISCO O SIGILO BANCÁRIO DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA DO SUJEITO PASSIVO A COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE SUBSTANCIAL. OCORRÊNCIA. Ocorrendo intimação editalícia em localidade diversa daquela do domicílio do sujeito passivo, quer para exigir a apresentação dos extratos bancários, o que implicou, com o não atendimento, com a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, quer para a comprovação da origem dos depósitos bancários, vêse claramente que procedimento fiscal incorreu em patente nulidade substancial, notadamente porque a autoridade fiscal teve acesso ao endereço efetivo do fiscalizado, e mesmo assim insistiu em intimálo de forma irregular, o que é causa de nulidade do lançamento. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.” A recorrente explica que o Colegiado a quo divergiu dos paradigmas que apresenta, segundo os quais o descumprimento de requisitos essenciais do lançamento, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN, gera nulidade por vício formal apresentando as ementas Acórdão nº 30131.801 e Acórdão nº 30333.365. Cientificado o contribuinte quedouse silente. Importa ressaltar que o presente processo ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 2.751.811,59), no anocalendário 2005, conduta essa apenada com multa de oficio de 75% sobre o imposto lançado. Ressaltese que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade considerou inválido o lançamento: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10283.720964/200868 Acórdão n.º 9202006.267 CSRFT2 Fl. 180 3 A 2ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou improcedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0120.174, de 13 de dezembro de 2010 (fls. 104 e seguintes). A decisão acima declarou a nulidade do lançamento, pelas seguintes razões (fls. 108 e 109): Verificase que o contribuinte se encontrava omisso de declaração de imposto de renda e a ciência postal não ocorreu em razão de endereço inexistente e que nenhuma providência foi adotada pela fiscalização para tentar localizar o contribuinte, tendo em vista a incorreção de endereço, o que poderia acarretar a eleição de ofício do domicílio tributário do contribuinte. A fragilidade da ciência ocorrida por meio de Edital desde o início do procedimento foi reconhecida pela própria fiscalização ao cientificar o contribuinte pessoalmente de todos os Termos expedidos até a data de 14/04/2009, mesma data de ciência do auto de infração. Por esta razão, entendo que deveria a fiscalização ter oportunizado ao contribuinte prazo para exercício do direito de defesa ainda na fase inquisitória, em razão da autuação se firmar justamente na falta de comprovação da origem de depósitos bancários. Como o contribuinte foi cientificado novamente a comprovar a origem dos depósitos na mesma data que foi exigido a pagar o tributo apurado pelo Fisco, entendo que lhe assiste razão quanto à sua alegação de nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa. Ademais, a ciência por Edital também contém vícios, uma vez que o endereço que a Receita Federal do Brasil possuía em seu cadastro era no município de Benjamin Constant e a afixação dos Editais n° 81/2008, 102/2008 e 159/2008 ocorreu na Delegacia de Manaus. Em relação ao Edital n° 159/2008, verificase que ele visava dar ciência do Termo de Intimação de 11/08/2008, às fls. 66/75, único documento onde consta a relação individualizada dos depósitos. Constatouse também a ausência no Auto de Infração de descrição individualizada dos depósitos não comprovados e a ciência por meio de Edital, que ficou afixado no período de 06/10/2008 a 21/10/2008, às fls. 90. Ressaltese que não consta nos autos a tentativa de ciência pessoal ou postal do Termo de Intimação lavrado em 11/08/2008 e do Auto de Infração lavrado em 03/10/2008, sendo inválida a ciência por meio de Edital em razão de não atender ao requisito legal estabelecido pelo artigo 23, § I o do Decreto n° 70.235/72. Verificase ainda que a fiscalização somente se encerrou em 14/04/2009, com a ciência pessoal do interessado, que alega em Fl. 181DF CARF MF 4 sua defesa ter sabido da ação fiscal por meio de recado recebido em sua residência para comparecer à Receita Federal, o que fez de imediato. Assim é que se conclui que a ciência válida só ocorreu em 14/04/2009, com a assinatura do contribuinte de todos os Atos e Termos lavrados no curso da ação fiscal. Por essa razão, resta claro que não foi oportunizado ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa para apresentação de documentos ou esclarecimentos em relação aos depósitos bancários efetuados em suas contas, em desrespeito ao que disciplina o Decreto n° 70.235/72. E certo que a presunção legal contida no art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo o para o contribuinte, no entanto, no caso concreto, o contribuinte tem o direito de saber, por meio de regular intimação, sobre quais os depósitos, durante o ano calendário de 2005. deva produzir as provas. • A ausência de prazo para atendimento da intimação e a não descrição dos créditos de forma individualizada no auto de infração, dificultam sobremaneira a defesa do sujeito passivo, que teria que justificar todos os depósitos realizados em 2005. Destarte, não há outra solução a ser adotada que não seja declarar a nulidade do lançamento, por vício formal, por preterição do direito de defesa uma vez que o auto de infração foi lavrado sem respeito às normas reguladoras do processo administrativo fiscal Decreto n° 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Do conhecimento Nenhuma das matérias admitidas pode ser dissociada do contexto do cumprimento a decisão judicial, quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente e, in casu, julgamento que no CARF ocorreu em 17/07/2014, portanto já sob a égide do RICARF, que em seu artigo 62A determina: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10283.720964/200868 Acórdão n.º 9202006.267 CSRFT2 Fl. 181 5 O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) Fl. 183DF CARF MF 6 A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. Feitas estas considerações, em sede contrarrazões o recorrido pugna pelo não conhecimento do recurso especial tendo em vista que não há divergência de interpretação entre acórdão recorrido e os paradigma por ausência de identidade fática das situações objeto de análise; Sobre a possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento Acórdão n.º 103 20.451 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de oficio negado. Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, o que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento de receita operacional de pessoa jurídica. Do Recurso Especial destaco: Notese a importância da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais. É de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235/72, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade. Evidenciase, portanto, a divergência jurisprudencial, pois o acórdão recorrido cancelou o lançamento sob a alegação de vício material, enquanto o acórdão paradigma decidiu pela baixa dos autos, a fim de que ocorra a revisão do lançamento. Com efeito, defende o acórdão paradigma que se trata de mero ato para salvaguardar eventual crédito tributário representado Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10283.720964/200868 Acórdão n.º 9202006.267 CSRFT2 Fl. 182 7 pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para de declarar a sua nulidade, se o mesmo pode ser ajustado. Reforçando o contexto: REGISTRO A POSIÇÃO PESSOAL DESTA RELATORA, DE QUE os atos processuais não podem ser salvos! O lançamento não pode ser ajustado, pois tratase, in casu, de observância obrigatória do constante do RE nº 614.406/RS. Saliento que a maioria presumida por voto de qualidade do colegiado entendeu não ser possível adentrar nessa discussão, em face do não conhecimento do recurso nesta matéria, por falta de similitude fática. Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso quanto a existência de vício Sobre os paradigmas trazidos para questionar o tipo de vício que macula o lançamento, conforme será analisado nos tópicos a seguir; Acórdão nº 240100.018 e Acórdão nº 30131.801 Quanto ao primeiro paradigma Acórdão 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a ementa da forma abaixo: Paradigma Acórdão 240100.018 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's ri% 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de Fl. 185DF CARF MF 8 forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro, este primeiro paradigma em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal da Notificação que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (Grifei) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br. Acesso em 29Jun.2015) Ausente a similitude fática, resta não demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10283.720964/200868 Acórdão n.º 9202006.267 CSRFT2 Fl. 183 9 Paradigma Acórdão 30131.801 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 303 29972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFICIO NEGADO." (Destaques da Fazenda Nacional) Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase que novamente inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. Enquanto no recorrido repitase o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, de forma que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de transito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a notificação de lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (Grifei) Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. Fl. 187DF CARF MF 10 A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apreserefornte as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br. Acesso em 29Jun.2015) Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste segundo paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso em relação à matéria do item "c" natureza do vício, se formal ou material. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10283.720964/200868 Acórdão n.º 9202006.267 CSRFT2 Fl. 184 11 Fl. 189DF CARF MF
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