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Numero do processo: 15889.000252/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. PERDA DO OBJETO. OBRIGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA VINCULADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
A declaração em sede de repercussão geral reconhecendo a inconstitucionalidade da obrigação principal, acarreta como conseqüência lógica a perda do objeto em processo que discute a respectiva penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada aqueles fatos.
No julgamento do auto-de-infração por descumprimento de obrigação acessória pela apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (obrigação principal) relativas aos serviços prestados por associados de cooperativas de trabalho, aplica-se a decisão prolatada pelo STF no RE 595.838/SP.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF nº 103).
Numero da decisão: 2301-005.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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PERDA DO OBJETO. OBRIGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA VINCULADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. A declaração em sede de repercussão geral reconhecendo a inconstitucionalidade da obrigação principal, acarreta como conseqüência lógica a perda do objeto em processo que discute a respectiva penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada aqueles fatos. No julgamento do autodeinfração por descumprimento de obrigação acessória pela apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (obrigação principal) relativas aos serviços prestados por associados de cooperativas de trabalho, aplicase a decisão prolatada pelo STF no RE 595.838/SP. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF nº 103). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 52 /2 00 8- 23 Fl. 475DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório 1. Tratase de julgar recurso de ofício e recurso voluntário interpostos em face do Acórdão 1432.401, exarado pela 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto (efls. 220/225). 2. O auto de infração AI DEBCAD nº 37.163.2013 (efls. 02) foi lavrado em 28/05/2008 por ter a empresa apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências de 01/1999 a 12/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.202.469,43 (efls 2). Os fatos geradores considerados omissos nas GFIP estão relacionados à cooperativa de trabalho e a pagamento a contribuintes individuais que realizaram o transporte de matériaprima. 3. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, e do total da multa aplicada, de R$ 1.202.469,43, a decisão de primeira instância manteve o montante de R$ 120.459,94 (efls 224) exonerandose o montante de R$ 1.082.009,49. 4. Constam nos autos Resolução nº 2301000.269 (efls 248/253), de 15 de agosto de 2012 que converteu o julgamento em diligência "de modo que seja analisada a conexão entre o presente processo e aquele no qual foi lançada a obrigação principal referente aos contribuintes individuais, efetuando a redistribuição de ambos para o relator que primeiro foi sorteado." 5. Informação fiscal (efls 301/302) produzida pela DRF/Bauru, traz a especificação dos processos conexos: a) processo 15.889.000.251/200889, Auto de Infração – AI, DEBCAD nª. 37.163.2005 – que trata do lançamento de contribuições (obrigação principal) relativas ao “Rateio de mãodeobra de motoristas, tratoristas e outras funções”; b) processo 15.889.000.254/200812, Auto de Infração – AI, DEBCAD nº. 37.163.2030 – que trata do lançamento de contribuições (obrigação principal) relativas aos serviços prestados por associados de Cooperativas de Trabalho. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 15889.000252/200823 Acórdão n.º 2301005.469 S2C3T1 Fl. 476 3 5.1. O processo 15889.000251/200889, DEBCAD nª 37.163.2005, tem decisão administrativa definitiva: acórdão 2403002.053 (efls 433/455), que decidiu por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário. Seguese o teor da ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NO LANÇAMENTO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade da autuação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido 5.2. Com relação ao processo 15889.000254/200812, DEBCAD nº 37.163.2030 verificouse que aguarda distribuição para julgamento em sede de recurso especial. 5.3. O quadro a seguir apresenta a situação dos citados processos: PROCESSO PROTOCOLO EQUIPE SITUAÇÃO JULGAMENTO 15889.000254/200812 30/05/2008 DISORCEGAPCSRFCARFCS022ªTCSRF AGUARDANDO DISTRIBUIÇÃO/SORTEIO Fl. 477DF CARF MF 4 15889.000251/200889 30/05/2008 ARQUIVO ÚNICO 15889.000252/200823 30/05/2008 1ª TO3ªCÂMARA2ªSEÇÃOCARFMFDF EM PAUTA Data da consulta: 29/06/2018 É o relatório necessário. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles DO RECURSO DE OFÍCIO 6. Foi exonerado o montante de R$ 1.082.009,49, relativo ao Debcad nº 37.163.2013. 6.1. Presentemente, no teor da Portaria MF nº 63, de 2017, o reexame necessário ocorre quando o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais): Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 6.2. De acordo com a Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 6.3. Considerando que foi exonerado montante inferior ao definido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 2017, não conheço do recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 7. O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade. 8. O exame dos autos evidencia que o julgamento do presente autodeinfração, lavrado por pretenso descumprimento de obrigação acessória, tem relação de dependência com o desfecho de dois outros processos referentes a obrigações principais: § 15889.000251/200889, DEBCAD nª 37.163.2005; § 15889.000254/200812, DEBCAD nº 37.163.2030; Fl. 478DF CARF MF Processo nº 15889.000252/200823 Acórdão n.º 2301005.469 S2C3T1 Fl. 477 5 9. Considerando que o processo nº 15889.000251/200889, DEBCAD nª 37.163.2005, já tem decisão definitiva, nos termos do Acórdão 2403002.053 (subitem 5.1 supra), a solução do autodeinfração sob julgamento, depende somente do desfecho do processo nº 15889.000254/200812; DEBCAD nº 37.163.2030, no aguardo de sorteio para apreciação em sede de Recurso Especial. 10. Afigurase importante lembrar que a matéria questionada no recurso especial se encontra pacificada no âmbito do CARF, como por exemplo, o precedente citado a seguir: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação conferida pela Lei nº 9.876, de 1999, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme artigo 62, § 2º, do RICARF. (Acórdão: 9202005.31, de 29/03/2017) 11. Mesmo diante da pendência de julgamento do processo (obrigação principal) pela instância especial, não configura nenhum óbice, no caso em tela, ao pronunciamento do Colegiado sobre o processo que versa sobre o autodeinfração por descumprimento de obrigação acessória, que, tal como citado anteriormente, depende somente do destino que venha a ser decidido acerca do lançamento de contribuições (obrigação principal) relativas aos serviços prestados por associados de Cooperativas de Trabalho. 12. Além da plausibilidade do futuro julgamento na instância especial vir a adotar integralmente a decisão prolatada pelo STF no RE 595.838/SP, este Colegiado e aqui, referindome à 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento tem aplicado reiteradamente o entendimento do STF em seus julgamentos. Vejamos: CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 2015. (Acórdão nº2301005.114, sessão de 12/09/2017) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF NA Fl. 479DF CARF MF 6 SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGADOS DO CARF. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. A decisão definitiva de mérito no RE n° 595.838/SP, de 23/04/2014, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária da empresa, prevista no art. 22, inc. IV da Lei n° 8.212/91, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto em seu Regimento Interno. (Acórdão nº 2301005.073; sessão de 06/07/2017) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Acórdão nº 2301005.076; sessão 05/07/2017) 13. Transcrevese, por pertinente, excerto do voto condutor do acórdão nº 2301 005.076 da lavra do Conselheiro João Bellini Júnior, a quem pedimos licença para adotar como parte da presente fundamentação. Da declaração de inconstitucionalidade com trânsito em julgado pelo Plenário do STF do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212, de 1991 O auto de infração referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com redação conferida pela Lei 9.876, de 1999, o qual possui a seguinte redação: Lei 8.212, de 1991: Fl. 480DF CARF MF Processo nº 15889.000252/200823 Acórdão n.º 2301005.469 S2C3T1 Fl. 478 7 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016) Em 11/03/2015 transitou em julgado o acórdão publicado em 25/02/2015, o qual rejeitou os embargos de declaração opostos pela União, com o fito de modular o decidido no julgamento do RE 595.838/SP, o qual, proferido em 23/04/2014, declarou inconstitucional a exação prevista na Lei 8.212, de 1991, art. 22, IV: RE 595838 ED / SP Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados RE 595838 / SP Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem.Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. Fl. 481DF CARF MF 8 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (Grifouse.) Ademais, o STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no RE 595.838, para o qual firmou a Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Em face disso, o Senado Federal emitiu a Resolução nº 10, de 2016, pela qual “É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838”. De acordo com o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF: Ricarf Art. 62. (...) Fl. 482DF CARF MF Processo nº 15889.000252/200823 Acórdão n.º 2301005.469 S2C3T1 Fl. 479 9 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, existindo decisão definitiva do STF, submetida à sistemática da repercussão geral, no sentido de ser inconstitucional o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991), deve esta Turma reproduzir o conteúdo de tal decisão em seus acórdãos. 14. Colacionase, ainda, precedente da Câmara Superior ao analisar a matéria sob o ângulo das obrigações acessórias: DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. PERDA DO OBJETO DA AÇÃO. A declaração em sede de repercussão geral reconhecendo a inconstitucionalidade da obrigação principal, acarreta como conseqüência lógica a perda do objeto em processo que discute a respectiva penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada aqueles fatos. (Acórdão nº 9202003.793 Sessão de 17 de fevereiro de 2016.) Conclusão 15. Mesmo diante da situação atual do processo nº 15889.000254/200812, mostra se plausível prosseguir o julgamento do autodeinfração por descumprimento de obrigação acessória pela apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (obrigação principal) relativas aos serviços prestados por associados de Cooperativas de Trabalho, aplicandose o entendimento sedimentado pela decisão prolatada pelo STF no RE 595.838/SP. 16. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício e por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a penalidade aplicada no Auto de Infração Debcad 37.163.2013. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 483DF CARF MF 10 Fl. 484DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.678778/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/08/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. RECONHECIMENTO
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à demanda em processo judicial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-005.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/08/2007 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. RECONHECIMENTO É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à demanda em processo judicial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Suplente convocado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 87 78 /2 00 9- 61 Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10880.678778/200961 Acórdão n.º 3402005.543 S3C4T2 Fl. 314 2 A empresa A. TELECOM S/A., apresentou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 14283.10689.200509.1.3.047608, entregue em 20/05/2009, na qual é indicado o crédito original de R$ 58.715,96, decorrente do pagamento indevido ou a maior de COFINS, (código receita 5856), apurado em 31/07/2007, no valor original de R$ 859.451,51 e o seguinte débito: D É B I T O PERÍODO DE APURAÇÃO TRIBUTO VALOR ORIGINAL (RS) 31/07/2007 COFINS RS 50.099,71 No entanto, por meio do despacho decisório (DD rastreamento n° 849801587) de 23/10/2009, a compensação não foi homologada, sendo apresentada a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 58.715,96 A partir das características do DARF discriminado acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pura quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Devidamente cientificada do Despacho Decisório em 05/11/2009, a Recorrente apresentou tempestivamente a Manifestação de Inconformidade de fl. 08/15, acompanhada dos documentos de fls. 17/83, o Estatuto Social, procuração pública, substabelecimentos, cópias dos documentos de identificação dos procuradores, cópia do Despacho Decisório, PER/DCOMP, DCTF retificadora, comprovantes de arrecadação e ata de nomeação dos diretores, onde expõe, em síntese, o seguinte: a) que apurou em 31/07/2007 um débito de COF1NS (5856) no valor de R$ 2.425.265,38, consoante a DCTF do período, o qual foi recolhido mediante o pagamento de 3 (três) DARFs, nos valores de: R$ 95.177,97, R$ 859.451,51 e R$ 1.550.610,93; b) tais valores recolhidos somaram a quantia de R$ 2.505.239,63, portanto, teria recolhido indevidamente um total de R$ 79.974,25, sendo que parte deste valor, R$ 58.715,96, (R$ 70.429,79, atualizado até o momento da transmissão da Declaração), foi informado neste PER/DCOMP para compensar os débitos de COFINS (2172) apurados nos períodos de julho e agosto de 2007; c) que por um equívoco, recolheu por meio de DARF a quantia de R$ 859.451,51, para um débito de COFINS (5856) apurado em 31/07/2007, no valor de R$ 800.735,55, ensejando assim um recolhimento indevido no valor original de R$ 58.715,96; d) que diante do principio da verdade material, não pode o Fisco ignorar as informações prestadas pela Recorrente em suas declarações (DCTF e DCOMP), e, ainda, deixar de considerar os pagamentos efetuados, uma vez que não restam duvidas de que o crédito utilizado pela recorrente é legitimo, e sobretudo suficiente para efetuar a compensação declarada, razão pela qual o despacho decisório que negou o pedido de compensação, não merece subsistir. Assim, requer que seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade cancelando integralmente o débito (principal, multa e juros) constante do Processo de Cobrança nº 10880699.805/200939. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10880.678778/200961 Acórdão n.º 3402005.543 S3C4T2 Fl. 315 3 A DRJ em São Paulo I, em seu Acórdão nº 1633.334, de 22/08/2011 (fls. 85/90), julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela Recorrente. Cientificada da decisão em 12/12/2011 (fl. 92), manejou Recurso Voluntário protocolado em 10/01/2012 (fls. 93/102), no qual repisa o disposto em sua Manifestação de Inconformidade, pleiteando seu direito ao crédito sob discussão. Fato Novo apresentado pela RFB Em 27/09/2013, a Receita Federal do Brasil (DERAT/SP), apresenta às fls. 103/108 dos autos, a INFORMAÇÃO FISCAL GTAT/DERAT/PFN/SP, prestada no Processo Judicial nº 000595858.2012.403.6100 (Ação Ordinária/10ª VF/SPO/SP), constante do PAF nº 10010.002481/071214, de Autoria da Recorrente, referente ao Cancelamento de cobranças de COFINS DCOMP Eletrônicas. "Tratase de prestação de informações fiscais em resposta ao Ofício PFN/DIDE 1/SPO/SP n.° 90/2012 como subsídios para defesa da União na Ação Ordinária Anulatória de Débitos Fiscais n.° 000595858.2012.403.6100 (10.a VF/SPO/SP), ajuizada em 30/03/2012, onde a autora requereu antecipação de tutela para suspensão da exigibilidade das cobranças de débitos de COFINS (Código de receita 2172) declarados nas DCTF de 2007 e cobrados pelos processos de cobrança n.° 10880.699803/200940,10880.699802/200903 e 10880.699804/200994, decorrentes de não homologação das compensações com créditos de pagamento indevidos de COFINS (Código de receita 5856) constantes das DCOMP n.° 40079.59665.200509.1.3.041936, 19349.33176.200509.1.3.042440 e 1855052598.200509.1.3.048120, respectivamente. No mérito, a autora pediu a procedência do pedido para cancelamento das cobranças e homologação das compensações pleiteadas, conforme petição inicial (fls. 02/24)". Neste Parecer, em suas conclusões, a DERAT/SP informa que a Recorrente apresentou retificações de DCTF do ano de 2007 para alteração de valores dos débitos de COFINS de ambos os regimes de tributação (cumulativo e não cumulativo). Paralelamente, a empresa retificou os DARF de recolhimentos da COFINS para alterar o Código 2172 para o Código 5856, cujos pagamentos realizados no ano de 2007 passaram para o Código 5856. Que os sistemas de controle da RFB mostram que, no anobase de 2007, há débitos declarados de COFINS cumulativa (Código 2172) e débitos de COFINS não cumulativa (Código 5856). E, em decorrência da retificação de códigos de recolhimentos, há somente pagamentos registrados no Código 5856. Nesse ponto, verificase que a empresa incorreu em equívocos, pois, os débitos de COFINS (Código 2172) apresentamse sem os respectivos pagamentos, por conta das retificações de códigos de recolhimentos, embora tenham sido originalmente pagos com o código correto. Em seu Despacho à fl. 105, o GTAT/DERAT/PFN/SP, conclui da seguinte forma: "(...) Revisando os procedimentos, constatase que, após a consolidação e o encontro de contas entre os débitos de COFINS apurados com os respectivos pagamentos realizados no decurso do anobase de 2007, os pagamentos foram suficientes para quitar os débitos (Códigos 2172 e 5856), cujas cobranças decorrentes de fatos geradores do anobase de 2007 deverão ser canceladas. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10880.678778/200961 Acórdão n.º 3402005.543 S3C4T2 Fl. 316 4 Para efeitos de simplificação e melhor clareza da situação em exame, os fatos ocorridos no decurso do anobase de 2007 foram consolidados em 02 (dois) anexos: No ANEXO 1 foram consolidadas as DCOMP apresentadas, dentre elas, as DCOMP em litígio, relativas aos débitos compensados de COFINS apurados desde abril/2007 a janeiro/2008; (fl. 106) No ANEXO 2 foram consolidados os encontros de contas entre os débitos de COFINS com seus respectivos pagamentos realizados no decurso do anobase de 2007. (fl. 107) Assim, os processos de cobrança a seguir relacionados, dentre eles, os processos citados na petição inicial, deverão ser cancelados e posteriormente arquivados, diante da extinção das respectivas cobranças por pagamentos: PA nº 10880.699801/200951, PA nº 10880.699803/200940, PA n.° 10880.699805/2009 39, PA nº 10880.699800/200914, PA nº° 10880.699802/200903, PA nº 10880.699804/200994 e PA nº 10880.699806/200983". Como se vê, consta dos autos que o débito aqui tratado encontrase controlados no Processo de Cobrança nº 10880699.805/200939 (referenciado na Informação DERAT acima), que se refere à compensação declarada na DCOMP n° 14283.10689.200509.1.3.047608, conforme referenciado na petição protocolada pela empresa às fls. 08 e 10. O citado vínculo também resta identificado no Anexo 1, da Informação da DERAT (fl.106), em que o PER/DCOMP n° 14283.10689.200509.1.3.047608, encontrase controlado no PAF de Cobrança nº 10880699.805/200939. Por fim, registrese que no Anexo 2, da Informação DERAT (fl. 107), que se refere ao débito de COFINS no mês de referência deste processo, apresenta "Saldo Devedores "0" (zero)" e, portanto, conforme definido pela RFB no documento citado, os processos deverão ser cancelados e posteriormente arquivados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1) Admissibilidade dos Recursos O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2) Mérito Emerge do relatado que a própria RFB (parecer DERAT/SP) entende que a Recorrente tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada no PER/DCOMP n° Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10880.678778/200961 Acórdão n.º 3402005.543 S3C4T2 Fl. 317 5 14283.10689.200509.1.3.047608 e que os processos de cobrança deverão ser cancelados e posteriormente arquivados. Assim, diante da Informação Fiscal GTAT/DERAT/PFN/SP de 24/07/2012 (fls. 102/108), temse que do resultado do Relatório apresentado, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900568/2006-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE CANCELAMENTO DE PER/DCOMP E DE AVALIAÇÃO APENAS DE EXISTÊNCIA DE DÉBITO NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ.
Correto o entendimento da DRJ em declinar da análise do pedido de cancelamento de Per/Dcomp por falta de competência (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010)
Numero da decisão: 1001-000.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que conheceu parcialmente. Acordam ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE CANCELAMENTO DE PER/DCOMP E DE AVALIAÇÃO APENAS DE EXISTÊNCIA DE DÉBITO NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. Correto o entendimento da DRJ em declinar da análise do pedido de cancelamento de Per/Dcomp por falta de competência (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010)
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INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. Correto o entendimento da DRJ em declinar da análise do pedido de cancelamento de Per/Dcomp por falta de competência (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que conheceu parcialmente. Acordam ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 05 68 /2 00 6- 98 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10840.900568/200698 Acórdão n.º 1001000.690 S1C0T1 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório O presente feito tratase de Recurso Voluntário (fl. 38) interposto contra o Acórdão nº 1421.617, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 34 a 37), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 09/13, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito (IRPJ: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fl. 01, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP ". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 05, na qual alega, em síntese, que em 26/09/2002, no processo administrativo n° 10840.003522/200203, efetuou pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação, no qual pleiteou a restituição de valor pago a maior a título de IRPJ, no valor de R$ 3.928,79, compensandose referido montante com outros tributos, dentre eles, o PIS (código: 8109), relativo ao período de março/2002, no valor de R$ 462,55, tendo sido referido pedido deferido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais, informa que, em 25/09/2003, transmitiu a PER/Dcomp n° 01532.7764l.250903.1.3.047503, na qual efetuou a compensação do mesmo débito. Assim, solicita o cancelamento do despacho decisório de fl. 01, do presente processo, bem como da PER/Dcomp acima identificada, em face da duplicidade de pedidos. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconfonnidade para cancelamento do débito fiscal reclamado." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10840.900568/200698 Acórdão n.º 1001000.690 S1C0T1 Fl. 62 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme já narrado, a Recorrente alegou que por erro de fato transmitiu a DCOMP em tela compensado os mesmos débitos que já haviam sido compensados em procedimento anterior, ou seja, a compensação foi realizada em duplicidade. Consequentemente, o débito a que se tentou quitar por esta via já estaria quitado, logo não haveria razão para ser cobrado novamente, devendo ser cancelado. Por sua vez, a DRJ de origem exarou decisão em sentido oposto, determinando que a ela só caberia a análise da eventual existência ou não de crédito suficiente para suportar a compensação pretendida pela DCOMP, a eventualidade de o débito já estar quitados antes da compensação e a consequente inexistência de saldo a ser cobrado seria matéria alheia a sua competência. Ora, inicialmente há que se dizer que eventual erro de fato, como narrado pela Recorrente, no tocante ao objeto principal sobre o qual o despacho decisório SEORT se debruçou, evidentemente, é objeto passível de conhecimento por via de Manifestação de Inconformidade. Notese, que o art. 74 do Decreto 70.235, estabelece a possibilidade de Manifestação de Inconformidade contra a Não Homologação da compensação. Em momento algum tal dispositivo determina quais os pleitos ou situações que poderiam ser abrangidas na Manifestação. Estabelecem, dessa forma, o meio pelo qual o contribuinte exerce o contraditório para esclarecimento acerca de qualquer discordância que tenha do despacho decisório, no caso prático, quanto a inexistência do débito cobrado. Tratase de norma de direito processual que estabelece, apenas, o procedimento e não o direito processual material, mesmo porque, a existência de despacho decisório que expressamente não homologa a suposta compensação vincula a necessidade de apresentação da defesa prevista nos dispositivos acima citados, não havendo a possibilidade de que o contribuinte a impugne por outro meio que não a manifestação apresentada. Em outras palavras, se há despacho decisório a respeito da compensação, há direito a manifestação de conformidade, simples assim. A interpretação do dispositivo supracitado não pode ser feita de forma restritiva, criandose limitações onde a lei não o fez. De outra forma, restringir o conhecimento da Manifestação de Inconformidade à apenas o pleito específico de homologação, não considerando todo o universo de outras circunstâncias possíveis, tais como o presente caso, é um flagrante atentado aos já conhecidos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10840.900568/200698 Acórdão n.º 1001000.690 S1C0T1 Fl. 63 4 Desta forma, discordo do posicionamento da decisão de piso e entendo que se o contribuinte comprova o erro de fato na ocasião da transmissão da DCOMP em que tentou compensar débito já anteriormente compensado não há que se falar em nova cobrança. Em síntese, a Recorrente alega que em data de 26/09/2002 procedeu a compensação do valor de R$ 3.928,79 por meio do Processo Administrativo nº 10840.003522/200203 (fls. 8 e 9). Posteriormente, em data de 25/09/2003 teria transmitido a PER/DCOMP nº 08508.l858l.250903.l.3.049647, (fls. 10 a 15) buscando a compensação do mesmo débito, cuja nãohomologação originou a presente lide. Compulsando a PER/DCOMP em tela notase que o débito indicado para ser quitado por via da compensação era o PIS referente ao período de apuração de Março de 2002, no importe de R$ 462,55. Por sua vez, a análise do Processo Administrativo realizado um ano antes indica que dentre os tributos a serem compensados também está o PIS de Março de 2002, no mesmo importe de R$ 462,55. Do cotejo de ambos os instrumentos, me parece demonstrado que está se compensando o mesmo débito que já fora compensado um ano antes. Ora, a confissão de dívida decorrente da não compensação de débito indicado pelo próprio contribuinte em DCOMP não se traduz em presunção absoluta, isto é, ainda que permita ao fisco promover a cobrança imediata do valor, tal exigência não pode persistir após comprovada a sua insubsistência. De outra forma, o mero erro do contribuinte em declarar um débito já quitado por meio de compensação anterior não justifica a sua cobrança em duplicidade, sob pena de frontal infração ao princípio da legalidade. Assim, uma vez que o contribuinte comprova o erro de fato no oferecimento da DCOMP em tela, afastase qualquer presunção de débito, e deve ser cancelada as exigências em duplicidade. Em face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente reforma da decisão de origem para determinar a inexistência de débitos a serem cobrados da Recorrente em razão da não homologação da compensação em tela. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10840.900568/200698 Acórdão n.º 1001000.690 S1C0T1 Fl. 64 5 No recurso voluntário, a recorrente reitera as alegações apresentadas em sede de primeira instância, ou seja, relata que os pedidos de compensação, que foram feitos em duplicidade e que a presente PER/DCOMP deve ser cancelada, motivo pelo qual alega ser improcedente a decisão da DRJ. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: De início, cumpre esclarecer que o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 095, de 30 de abril de 2007, no que se refere ao caso em exame, dispõe em seu artigo 174, inciso III, que às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento compete julgar os processos administrativos nos quais tenha sido instaurado, tempestivamente, o contraditório, inclusive os referentes à manifestação de inconformidade do contribuinte quanto à decisão dos Delegados da Receita Federal do Brasil relativa ao indeferimento de pedido de restituição e compensação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O Decreto n° 70.235/72, no seu artigo 14, dispõe que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso de indeferimento de pedidos de compensação ou de restituição, isso significa que o impugnante discorda da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, verificandose, então, uma lide, um conflito de interesses entre o Fisco e o contribuinte. Convém também consignar que a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Assim, em síntese, quando a contribuinte transmite uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um indébito tributário contra a Fazenda Nacional, para extinguir um crédito tributário (débito fiscal) constituído em seu nome, de forma que, o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Conforme relatado, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (fl. 01) não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de n° 01532.77641.250903.1.3.047503. Contra esse Despacho a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 05, acompanhada dos documentos de fls. 06/24, na qual informa que, previamente, em 26/09/2002, protocolizou um processo administrativo, sob n° 10840003522/200203, no qual requereu a restituição do valor pago a maior a titulo de IRPJ (código: 2089), do mês de dezembro de 2001, no valor de R$ 3.928,79, cumulado com o pedido de compensação da PIS (código: 8109), período de apuração: março/2002, no valor de R$ 462,55. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10840.900568/200698 Acórdão n.º 1001000.690 S1C0T1 Fl. 65 6 Ou seja, segundo a própria manifestação de inconformidade em análise, estaria descaracterizado o objeto da DCOMP formalizada às fls. 09/14, vez que a contribuinte assente que na realidade inexistem o indébito e o débito nela discriminados, tendo sido um equívoco a transmissão, em 25/09/2003, da PER/Dcomp n° 01532.77641.250903.1.3.047503. Dessa forma, a alegação da interessada objetiva tãosomente o cancelamento da P R/Dcomp de n° 01532.77641.250903.1.3.047503 para evitar a cobrança de seu débito, pois, segundo a interessada, tanto o indébito, como o débito, foram objetos de restituição e compensação, respectivamente, no processo administrativo n° 10840003522/200203. Portanto, no que atine aos autos, não há correção a ser feita no despacho decisório de fl. 01, tendo em conta a inobservância de requisito básico para sua formalização, qual seja, a existência de um indébito tributário junto à Fazenda Nacional. Por outro lado, a solicitação da contribuinte de cancelamento do débito de PIS (código de receita: 8109), período de apuração: março de 2002, no valor de R$ 462,55, traduz um pedido de cancelamento da própria PER/DCOMP de fls. 09/14, cuja apreciação, a teor do art. 174 do Regimento lntemo da Secretaria da Receita Federal e do art. 74, § 9°, da Lei n° 9.430, de 27/12/96, não compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Inclusive, outro óbice, e' o fato do débito de PIS, objeto de cobrança no presente processo, encontrarse declarado em DCTF como compensado mediante a PER/Dcomp de n° O 01532.77641.250903.1.3.047503, que é, em verdade, o objeto do despacho decisório de fl. 01, conforme quadro de n° 2, denominado “ldentificador do PER/DCOMP”. Em virtude dessas considerações, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Outrossim, ao CARF também falece competência para apreciar pedido de cancelamento da Declaração de Compensação, dado que a apreciação deve ser feita pela unidade local, cabendo a este órgão de julgamento se manifestar em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito já proferida. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001777/2002-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE.
Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora.
Numero da decisão: 9202-007.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. em exercício
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora.
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DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. em exercício Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 17 77 /2 00 2- 91 Fl. 221DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2802003.298, proferido na Sessão de 20 de janeiro de 2015, e assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o Auto de Infração descreve suficientemente os fatos, bem como a verificação, feita pelo Auditor Fiscal, da ocorrência do fato gerador, do montante tributável e da penalidade aplicável, permitindo o pleno exercício do direito de defesa, não há nulidade do lançamento. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Se o acórdão recorrido enfrentou as alegações do impugnante e teve fundamento suficiente para a decisão adotada rejeitase a alegação de nulidade da decisão. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL ENTREGUES TEMPESTIVAMENTE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie moeda estrangeira ou outras rubricas semelhantes, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora, no sentido da inexistência dos numerários quando do término dos anoscalendário em que foram declarados. IRPF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Sobre o imposto de renda exigido de ofício são aplicáveis a multa de ofício e juros de mora. Preliminares rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão doi assim registada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento o Acréscimo Patrimonial a Descoberto nos meses de junho e julho de 1997 e reduzilo para R$2.136,93 (dois mil, cento e trinta e seis reais e noventa e três centavos) em novembro de 1997, nos termos do voto do relator. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: necessidade de comprovação do dinheiro em espécie declarado para justificar o acréscimo patrimonial. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 15374.001777/200291 Acórdão n.º 9202007.222 CSRFT2 Fl. 3 3 Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. 197 a 2002. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que, não demonstrada a origem de dinheiro em espécie declarado, não pode ele servir como redutor do acréscimo patrimonial a descoberto; que, no caso, o contribuinte não apresentou comprovante da disponibilidade de R$ 29.500,00, em 31/12/1996 e R$ 16.250,00, em 31/12/1997, declarados como dinheiro no cofre. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 26/04/2017, efl. 211, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, como se colhe do relatório, tratase de definir se valores declarados na DAA a título de disponibilidade de dinheiro em caixa pode comprovar acréscimo patrimonial sem a necessidade de prévia comprovação de sua origem/disponibilidade ou de outro modo, se seria ônus do Fisco comprovar a inexistência de tal disponibilidade. No caso em tela, o Contribuinte havia declarado, nas DAA dos anos calendário 1996 e 1997, tempestivamente, a disponibilidade, em moeda corrente, dos valores de R$ 29.500,00 e R$ 16.250,00, respectivamente. Ao realizar o cotejo entre origens e aplicações de recursos para fins de apuração de eventual acréscimo patrimonial à descoberto, nos anos seguintes (1997 e 1998), a Fiscalização desconsiderou os valores acima, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal. Registrese, por oportuno que sequer consta dos autos que o Contribuinte tenha sido intimado a comprovar a origem desses recursos ou de sua efetiva disponibilidade. Nessas condições, penso que não havia fundamento para não serem admitidos os valores declarados na apuração do acréscimo patrimonial. Competia ao Fisco demonstrar a falsidade da declaração neste ponto. É certo que é ônus do Contribuinte comprovar os dados declarados na DAA. Todavia, tratandose de disponibilidade em espécie a qual não é lastreada em documento de propriedade ou posse, não há meio idôneo de prova dessa propriedade. Por outro lado, o Fisco poderia infirmar a existência de tais disponibilidades mediante aprofundamento do processo de investigação, verificando, por exemplo, o fluxo Fl. 223DF CARF MF 4 financeiros dos anos anteriores, de modo a apurar se o contribuinte teria lastro financeira para dispor dessas quantias. O que não pode, a meu juízo, é simplesmente desconsiderar os valores declarados, sem sequer intimar o contribuinte a comprovar sua disponibilidade. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.002709/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES.
As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação.
BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes.
As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária.
Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. CFL 68. MULTA MANTIDA
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto.
NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.
PROCESSO DE CONSULTA FISCAL.
Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88.
Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o"Relatório de Representantes Legais - RepLeg"e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário
Numero da decisão: 2202-004.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação. BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes. As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária. Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. CFL 68. MULTA MANTIDA Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 27 09 /2 00 7- 15 Fl. 756DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 757 2 O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto. NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. 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Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Fl. 757DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 758 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855002709/200715, em face do acórdão nº 1428.744, julgado pela 6ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 04 de maio de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Acessórias AI – CFL 68, Debcad n.° 37.105.2505, com ciência do contribuinte em 05/10/2007, lavrado por ter o sujeito passivo apresentado Guias de Recolhimento do Fimdo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de cumprir a obrigação prevista no art. 32, IV e §§ 3.° e 5.° da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com art. 225, IV e § 4.° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração RF (fls. 23/25), a autuada, no período de 01/2002 a 01/2007, deixou de informar em GFIP como salário de contribuição as bolsas de estudo e pesquisa pagas aos seus professores empregados e residentes, através da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular FUNADESP e as bolsas de estudos concedidas aos filhos e dependentes dos seus empregados. Foi aplicada multa no montante de R$ 742.123,47 (setecentos e quarenta e dois mil, cento e vinte e três reais e quarenta e sete centavos), fundamentada no art. 32, § 5.° da Lei 8.212/91 combinado com os art. 284, II e 373 do RPS, com valor atualizado pela Portaria MPS n.° 142, de 11 de abril de 2007 (DOU 12/04/2007). Ainda conforme o RF, a autuada incorreu em reincidência, nos termos do art. 290, V, § único do RPS, mas, visto tratarse de multa fixa, a agravante não foi considerada para efeito de gradação da multa, em atendimento ao contido no art. 655. § 4.° da Instrução Normativa IN MPS/SRP n.° 03, de 14/07/2005, não tendo ocorrido outras circunstâncias agravantes. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 759 4 O sujeito passivo, dentro do prazo regulamentar, apresentou impugnação de fls. 353/388, na qual, apresentando jurisprudência, alega, em síntese: É nula a NFLD tendo em vista que os Mandados de Procedimento Fiscal MPF e os tennos enviados pela fiscalização não são válidos, pois entregues a pessoas sem autorização para a prática de tais atos. Menciona, neste particular, artigos de seu Estatuto Social e o art. 23 do Decreto 70.23 5/72, acrescentando que a apresentação de defesa não supre a nulidade em questão; Pende de apreciação junto à Secretaria da Receita Federal, consulta formulada sobre o objeto da presente autuação (anexa cópia), protocoladas antes do início da ação fiscal, levandose em conta a nulidade do início da fiscalização como argumentado e provado no tópico anterior; Não incidência de contribuição social sobre bolsas pagas a título de pesquisa. Tece longo arrazoado no sentido de demonstrar a não incidência sobre tal benefício e esclarece sobre a instituição e forma de atuar da FUNADESP; Não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos. No presente caso não ocorre a hipótese de incidência dos tributos cobrados, pois as bolsas de estudo são concedidas em decorrência de instrumentos normativos (com força de lei), de caráter transitório (com prazos de vigência determinados), não se configurando a habitualidade (cita definição contida em dicionário do termo “habitual”), não podendo o cumprimento ao disposto na CLT ser utilizado para compelir a empresa ao pagamento do tributo; Como inexistente o fato gerador do tributo, inexistente a obrigação da impugnante de registrar contabilmente as operações que se entendeu como tributadas, não existindo a obrigação acessória da escrituração, sendo indevida a multa aplicada; Como a impugnante é primária e tem bons antecedentes, em caso de procedência da autuação requerse seja relevada a multa na forma da legislação previdenciária; A multa aplicada é confiscatória, posto que superior a vinte por cento, devendo assim ser cancelada, pois infringe o disposto no art. 150, IV da Constituição Federal – CF Afigurase a impossibilidade de comunicação ao Ministério Público Federal de suposta prática criminosa, posto que ainda não exaurida a via administrativa; Ofensa ao princípio da legalidade, vez que existe óbice para o apontamento de corresponsável legal por mero agente fiscalizador, constituindose verdadeira aberração jurídica o constante no “Relatório de Coresponsáveis CORESP”, Fl. 759DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 760 5 representando arbitrariedade a desconsideração da personalidade jurídica da entidade. Finalmente, anexando documentos de fls. 389/554, requer: A nulidade do AI por serem nulos os mandados de procedimento fiscal que deram termo inicial ao AI e, uma vez reconhecida tal nulidade, seja a Secretaria da Receita Federal impossibilitada de autuar a empresa até a resposta das consultas por ela formuladas; Caso não acolhida a nulidade arguida, decretação da improcedência do AI, vez que inviável a tributação de contribuições sociais sobre verbas que não compõem o salário ou porque não tem legitimidade passiva a impugnante em pagar tais contribuições, bem como porque a impugnante simplesmente cumpriu os acordos coletivos; Caso superados os argumentos anteriores, seja cancelada a multa por ter efeito confiscatório, ou seja, relevada pelos bons antecedentes e primariedade da impugnante; Cancelamento do CORESP feito pela fiscalização e, Independente do resultado do procedimento administrativo, que não seja feita nenhuma comunicação ao Ministério Público Federal antes de exaurido o presente. Quando do julgamento do presente processo, concluiuse pela necessidade de manifestação da autoridade autuante através de informação complementar quanto a todos os motivos do não enquadramento dos valores pagos a título de bolsas de estudo e pesquisa na alínea “t” do § 9.° do art. 28 da Lei 8.212/91, em função do contido no RF quanto ao tema: “Após análise dos documentos apresentados ficou constatado tratarse de mecanismo triangular de pagamento de bolsas, efetuado da seguinte forma: A ACEF realizou mensalmente, a partir de 11/2002, o repasse de valores para a F UNADESP, que englobava o valor das bolsas, acrescido de 8% a título de contribuição conforme demonstram os seguintes documentos, anexos ao presente por amostragem: requisição de compra/autorização de pagamento; transferência bancárias de créditos, e listas mensais de beneficiários das bolsas (...) A fundação ao receber referidas importâncias, na forma de doações, repassava aos destinatários finais, na forma de bolsas de estudos; Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 761 6 Os beneficiários das bolsas eram informados pela ACEF, que enviava para a F UNADESP lista com os respectivos nomes, inclusive com as informações bancárias, para que em seguida as doações efetuadas por ela à fundação fossem repassadas diretamente nas contas dos bolsistas, menos do desconto da contribuição (8% sobre o total das bolsas). Os valores desembolsados na forma do item anterior se destinavam ao pagamento de bolsas de estudo para remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN Universidade de Franca, da qual a autuada é mantenedora e a remunerar os residentes do hospital veterinário e de fisioterapia, que são exalunos que cursam residência e recebem bolsas em decorrência da carga horária prestada a UNIFRAN. (..). Remunerase pelo desempenho de atividades profissionais e prática prestadas pelos residentes. Desta forma os valores pagos a título de bolsas de estudo, na forma citada acima, são considerados “salário indireto” e constituem Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n” 8.212/91, por não se enquadrar na hipótese de não incidência prevista no parágrafo 9”, alínea “t” deste mesmo artigo, e, portanto deveriam ter sido adicionados à remuração mensal dos segurados e inseridos nas Folhas de Pagamentos mensais. Tal infonnação complementar deveria ser expressa através de Relatório Fiscal Complementar, com ciência à autuada e reabertura do prazo de defesa sobre os pontos ali contidos. A autoridade fiscal se manifestou através do Relatório Fiscal Complementar de fls. 564/565, no qual esclarece que a alínea “t” do § 9.° do art. 28 da Lei 8.212/91 dispõe que não integra o saláriodecontribuição: “o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei ni' 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo Em relação à primeira condição: valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, as bolsas em questão não se enquadram, uma vez que a educação básicafé formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, ou seja,À"não inclui a educação superior, conforme o art. 21, I da Lei 9.394/96: “Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II Educação superior. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 762 7 Não se enquadram também na segunda condição, cursos de capacitação e qualificação profissionais, por se tratar de bolsas de estudos destinadas a remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN e a remunerar os residentes do Hospital Veterinário e da Fisioterapia, e não a bolsas de estudos para cursos de capacitação ou qualificação. Não se enquadram ainda na terceira condição, que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, pois a autuada, a seu livre arbítrio, estabelece os requisitos e aprova os projetos cujos autoresempregados se tornam aptos a receberem as bolsas, disto resultando que a empresa escolhe e indica o beneficiário a quem a bolsa será dada, não a oferece a todos os empregados, deixando de cumprir este requisito de não incidência. ” Cientificado, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, defesa administrativa de fls. 568/590, na qual repete os comentários e argumentações sobre a concessão de bolsas de estudo a título de pesquisa através da FUNADESP, sobre a não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos e sobre a impossibilidade de autuação pela inexistência de obrigação acessória de registro contábil por inexistência do fato gerador do tributo, nada acrescentando à discussão, vez que todos esses comentários, argumentações e pedidos já haviam sido apresentados em sua primeira impugnação. Tendo retomado o processo a esse órgão julgador, ante a superveniência de modificação introduzida no cálculo da penalidade aplicada, pela Medida Provisória n.° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, de 27/05/2009, que revogou o § 5.° do art. 32 e introduziu o art. 32A, ambos da Lei 8.212/91, bem como em razão do disposto no art. 106, II, “c” do CTN, que determina, ao ato não definitivamente julgado, a aplicação retroativa de lei posterior que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, fezse necessário o exame e nova manifestação da autoridade autuante quanto à penalidade mais benéfica ao autuado, motivo pelo qual foi proposto o retomo deste processo à DRF de origem para as providências necessárias. Tendo em vista o fato de que o processo referente ao descumprimento da obrigação principal, que necessariamente deve ser usado na referida comparação para a determinação da multa mais benéfica já ter sido anteriormente julgado, retomou o processo a esse órgão julgador face à impossibilidade de atendimento ao solicitado.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim o crédito tributário lançado na integralidade. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 661/692, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 763 8 Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Preliminarmente alega que há nulidade da autuação porque o MPF foi entregue a pessoa que não detinha poderes para recebêlo. Na visão da recorrente o MPF somente poderia ter sido entregue ao seu Diretor Presidente ou Diretor Superintendente, aos quais cabem os poderes de representação. Questão similar relativa à ciência da própria notificação fiscal de lançamento já foi superada nesse Conselho, o qual admite sua validade ainda que o recebedor não detenha poderes de representação. Nesse sentido a Súmula CARF 09: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por decorrência lógica, se é valida a ciência do lançamento ainda que o recebedor não detenha poderes para tanto, quanto mais o MPF que demarca o início da fiscalização. Assim, presentes os requisitos legais do auto de infração e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. Rejeitamse, portanto as preliminares de nulidade suscitadas. Consulta fiscal. Sustenta o recorrente que não poderia ter sido lavrada a NFLD uma vez que havia processo de consulta pendente com o mesmo matéria objeto do lançamento. Acerca do processo de consulta dispõe do artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 764 9 I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância Como se vê nenhum procedimento será instaurado quando o sujeito passivo tenha iniciado, previamente, o processo de consulta, cuja matéria seja semelhante. No caso dos autos, como bem apontado pela r. decisão recorrida o pedido de consulta protocolado pelo recorrente foi posterior ao procedimento fiscal, em setembro/2007, enquanto que a fiscalização teve início em 07 de março de 2007, antes portanto, das consultas trazidas aos autos. Uma vez que o sujeito passivo já estava sob procedimento fiscal quando da formulação das consultas em questão, não se verifica qualquer óbice à lavratura fiscal consubstanciada no presente lançcamento. Logo, rejeito também a preliminar. Alegações de inconstitucionalidade. Caráter confiscatório da multa. A análise da alegação do efeito confiscatório da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade esbarra no fato de que este órgão julgador não dispõe de competência para analisála, pois isso implicaria em adentrar na suscitada colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 02 o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, não há acolher os argumentos da contribuinte quanto as alegações de inconstitucionalidade. Representação Fiscal Para Fins Penais. Quanto à questão argüida pela Autuada, referente à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP noticiada nos autos, cabe esclarecer que este órgão julgador não dispõe de competência para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 28 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, rejeitase a alegação da contribuinte. Relatório de Representantes Legais. A contribuinte também se mostra irresignada em relação ao item "11" do Relatório Fiscal, redigido nos seguintes termos: "Os responsáveis legais pelo débito encontramse discriminados no Relatório de Coresponsáveis — CORESP, anexo." Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 765 10 Cumpre esclarecer que o Relatório de Coresponsáveis CORESP, previsto na redação original do artigo 660, X da Instrução Normativa MPS SRP 03/2005 (DOU de 15/07/2005) foi substituído pelo Relatório de Representantes Legais REPLEG, conforme alteração do citado dispositivo pela Instrução Normativa SRP 20, de 11/01/2007 (DOU de 16/01/2007). Assim, não existe nos autos o relatório CORESP, mas sim o REPLEG, o qual, em seus próprios dizeres, "...lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificacdo e período de atuação." Esclarecese que a menção ao CORESP no Relatório Fiscal não gera qualquer efeito em relação ao lançamento fiscal realizado, conclusão extraída da análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e artigos 27 e 28 da Portaria RFB 10.875/2007, sobre os quais já se discorreu anteriormente no presente voto. Salientase o disposto na Súmula CARF nº 88, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não existe fundamentação jurídica nem fática para a argumentação e o pedido de exclusão de sócios, cumprindo notar que a autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, face ao artigo 202 do CTN, ressaltandose, porém, que eventual responsabilidade de cada um somente será posteriormente apurada, em sede de execução fiscal. Deste modo, rejeitase a alegação da contribuinte. Mérito. Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, a autoridade recorrida, acompanhando o entendimento da autuante, ficou adstrita à previsão constante no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 766 11 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 767 12 (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 768 13 Este Conselho possui julgados afastando a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, julgado por unanimidade pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, de Relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes dos em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Multa aplicada CFL 68. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. No entanto, prevalecendo o entendimento de que não integra o saláriode contribuição as bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, temos que sobre ela não estariam sujeita a incidência de contribuição previdenciária. Diante disso, não subsiste, in casu, a possibilidade de aplicação da multa, pois demonstrada a inexistência do caráter remuneratório das bolsas de estudos Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 769 14 Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento quanto ao mérito. O i. Relator votou pela impossibilidade de aplicação da multa, entendendo que o valor pago a título de bolsa de estudos aos empregados e dependentes não integra o salário de contribuição. Entretanto, ressalto que o auto de infração foi lavrado por ter deixado a recorrente de declarar em GFIP os valores relativos a bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos empregados e dirigentes, assim como, a bolsas de pesquisa para os professores (empregados), e pagamento de bolsa de estudos a médicos residentes (contribuintes individuais). Observo que a multa aqui analisada se originou dos mesmos fatos dos processos nº 13855.002592/200770 (julgado em 20/01/2016, em que foi exarado o Acórdão nº 2301004.301), e nº 13855.002706/200781 (que foi julgado neste 07/08/2018, em que foi exarado o Acórdão nº 2202004.645). Na ocasião do julgamento do processo nº 13855.002592/200770, prevaleceu o mesmo entendimento do processo nº 13855.002591/200725, que foi julgado neste 07/08/2018, em que foi exarado o Acórdão nº 2202004.644). Por isso, peço vênia para usar nas linhas seguintes as mesmas razões dos votos vencedores nos Acórdãos nº 2202004.644 e nº 2202004.645, ambos de minha redatoria. Em relação às bolsas de estudo aos dependentes dos segurados (processo nº 13855.002591/200725), entendo que tais verbas decorrem da relação de trabalhado dos segurados empregados com a recorrente, portanto, não é um benefício para o trabalho e sim pelo trabalho, caracterizandose como remuneração. De outra sorte, a Lei vigente à época dos fatos geradores não incluía os dependentes na hipótese de exclusão da incidência de Contribuição Previdenciária, assim como, não inclui a educação superior, conforme se vê: Lei nº 8.212/91 Art. 28 [...] § 9º [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Lei nº 9.394/96 Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Portanto, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 770 15 Aliás, tal fato já foi julgado neste Conselho onde foi exarado o Acórdão nº 2301004.301, de 20/01/2016, no julgamento do processo nº 13855.002592/200770, onde se tratou da mesma matéria, lançada no mesmo procedimento fiscal, em que a recorrente era sujeito passivo, cuja única distinção foi em relação ao período, que a fiscalização achou por bem, lançar em número de Debcads diferentes. Por isso, peço vênia para transcrever trechos do voto vencedor, por concordar com as razões nele tratadas, no que respeita ao pagamento de bolsa aos dependentes: 11. Ainda que contenha inegável valor econômico, a bolsa de estudo ao trabalhador constitui um evidente investimento na qualificação deste, fornecendolhe meios para exercer a atividade profissional e a cidadania, cuja formação educacional revertese em favor da empresa e da sociedade. Ao não se destinar a retribuir o trabalho efetivo, é uma verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho. 12. Porém, a bolsa escolar concedida ao dependente do segurado empregado ou diretor, sob a forma de desconto na mensalidade, revela situação bem distinta. 13. Com efeito, esse tipo de concessão advém apenas da relação de trabalho e tem por finalidade precípua acrescer vantagem contraprestativa ao trabalhador, com ou sem vínculo empregatício, configurando clara remuneração indireta, na medida em que a utilidade é fornecida "pelo trabalho", e não "para o trabalho". 14. Ressalvo que, a meu sentir, a Lei n° 10.243, de 19 de junho de 2001, ao proporcionar nova redação ao art. 458, § 2o, da CLT, conforme já mencionado pelo relator, pretendeu excluir da remuneração, sob o prisma trabalhista, tão somente os valores despendidos com educação dos empregados, e não indistintamente os dispêndios com empregados e seus dependentes. 15. Entretanto, ainda que o conceito de remuneração, retirado da legislação trabalhista, influencie sobremaneira a seara previdenciária, os princípios basilares tributários, tais como legalidade e tipicidade, cuja aplicação é obrigatória ao custeio das prestações securitárias, impõem observar nas relações entre Fisco e contribuintes, entre outros, as regras matrizes de incidência e as hipóteses de exclusão tributária. 16. Nesse contexto, o legislador elegeu como base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária as parcelas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho, conforme expressam os arts. 22 e 28, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991. 17. Este mesmo legislador achou por bem explicitar, no art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, dc 1991, parcelas que estão fora do campo de incidência, seja pela ausência intrínseca da natureza remuneratória, sejam verbas que, mesmo destinadas a retribuir o trabalho, devem ser excluídas da tributação por opção legislativa. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 771 16 [...] 19. Notase que os dispêndios com a educação do trabalhador, em harmonia com o conceito de remuneração "para o trabalho", escapam à tributação, ainda que o legislador tenha limitado e condicionado a não integração à base de cálculo ao atendimento de certas condições. 20. Por outro lado, a extensão da não incidência a qualquer gasto com a educação de familiares depende da expressa previsão em lei, dado o seu caráter de remuneração "pelo trabalho". 21. Apenas no ano de 2011, com a Lei n° 12.513, de 26 de outubro de 2011, que deu nova redação à alínea "t" do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, de 1991, o valor relativo a bolsa de estudo que vise à educação dos dependentes foi excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária, nesses termos: Art 28(...) §9°(...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; 22. Essa exclusão, porém, não se aplica aos autos, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente (art. 144, do CTN). Contudo, faço a ressalva que, mesmo nos casos em que a bolsa é paga ao empregado, mas para educação superior, entendo que não haveria incidência da Contribuição Previdenciária desde que o curso se enquadrasse como de "capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa", sendo necessário avaliar caso a caso; fora isso, haveria incidência de contribuição previdenciária, tanto antes quanto depois da alteração na alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque se assim quisesse, o legislador teria ampliado ao nível da educação superior, mas a despeito de estender a bolsa aos dependentes, achou por manter apenas a educação básica. No caso dos autos, as bolsas de estudo, mediante desconto nas mensalidades, foram concedidas aos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, e, portanto, não se enquadram na norma de não incidência de contribuição previdenciária, não merecendo reparos o acórdão recorrido. Em relação ao pagamento de bolsa de pesquisa para os professores e pagamento de bolsa a médicos residentes (processo nº 13855.002706/200781), como Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 772 17 ressaltado pela auditoria, a natureza desses pagamentos não se enquadra como plano educacional que vise à educação básica, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, não estão amparados pela não incidência da letra “t” do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Aliás, a norma exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária as seguintes bolsas: Art. 28 [...] § 9º [...] i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; [...] t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Pelo que se verifica, as bolsas concedidas pela recorrente não se enquadram em nenhuma das bolsas de que trata a norma de não incidência. Ademais, tendo em vista que a recorrente afirma a não incidência de tributação sobre as bolsas, vez que não existe contraprestação de serviço, nem benefício direto para o doador, há que se observar, em primeiro lugar, que a auditoria fiscal relata o pagamento de bolsas de estudo a médicos residentes. Nesse aspecto, ressalto que existem dispositivos normativos que demonstram o contrário do afirmado pela defesa, e, por isso colacionoos: Lei nº 8.212/91 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Decreto nº 3048 Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 773 18 Art.9ºSão segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Vcomo contribuinte individual: [...] j)quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) l)a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] §15.Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros:(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] Xo médico residente de que trata a Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] IIvinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) IIIquinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§7ºe 8ºdo art. 219;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2ºIntegra a remuneração para os fins do disposto nos incisos II e III do caput, a bolsa de estudos paga ou creditada ao médico residente participante do programa de residência médica de que trata o art. 4º da Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, na redação dada pelaLei nº 10.405, de 9 de janeiro de 2002.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifei). Assim, não há como negar a incidência de contribuição previdenciária, dada a natureza dessas bolsas apuradas pela fiscalização. Em segundo lugar, em relação à bolsa de pesquisa concedida aos empregados (professores), também não está inclusa nas hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária de que trata o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não se enquadra Fl. 773DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 774 19 como educação profissional e tecnológica ou educação básica, como corretamente exposto no relato fiscal. Ademais, a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e o Decreto nº 5.205, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, ambos vigentes à época dos fatos geradores, estabeleciam o seguinte: Lei nº 8.958/94 Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Decreto nº 5.205/2004 Art.6oAs bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994,constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. [...] §2oA bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. [...] §4oSomente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. Art.7oAs bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifei) Assim, para saber se a bolsa de pesquisa fornecida a seus empregados (professores) não estava passível de contribuição previdenciária, restaria verificar se era concedida nos termos da Lei nº 8.958/94 e do Decreto nº 5.205/2004. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 775 20 Essa análise foi abordada pelo julgador a quo (13855.002706/200781), de cujo voto extraio os seguintes trechos, que acolho como razões de decidir: Em razão da defesa fazer menção à Lei nº 9.250/95 art. 26 e também que a forma de atuar da FUNADESP é análoga a outras Entidades Públicas, vale dizer que encontramos no inc. XXVII do art. 72 da Instrução Normativa MPS SRP 3 de 14 de julho de 2005 (DOU de 15/07/2005), a previsão de não incidência de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, mas que diz respeito especificamente às bolsas concedidas em conformidade com a Lei nº 8.958, de 20/12/94, que dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio, e o Decreto nº 5.205 de 14/09/04, que Regulamenta a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, o que não se aplica a este caso. A Lei nº 8.958/94, e o Decreto nº 5.205/04 regem, tão somente, as relações entre instituições federais de ensino superior e pesquisa científica e as fundações de apoio, dispondo sobre a participação de servidores/professores das instituições federais contratantes nas atividades da contratada, não amparando a concessão de bolsa de ensino, pesquisa e extensão a alunos de qualquer outra instituição de ensino. (Grifei) Mais uma vez extraio trecho do acórdão recorrido (13855.002706/200781) que acertadamente estabelece a natureza remuneratória das bolsas de pesquisa concedidas aos empregados: Não se pode esquecer que a Defendente tem fins lucrativos e realiza atividades de ensino e pesquisa para atingir esses fins. Beneficiase com o trabalho dos pesquisadoresbolsistas, pois a realização das pesquisas e a divulgação de seus resultados servem para difundir e elevar o nome da Instituição, aumentando a procura por seus cursos de graduação e pósgraduação e maximizando seus lucros. Dessa forma, não é possível falarse em simples doação ou em inexistência de prestação de serviços: A Notificada beneficiavase do trabalho dos bolsistas. Neste passo e, ante a descrição dos fatos feita pela fiscalização, restou evidenciado que os resultados das atividades desenvolvidas pelos segurados empregados e também dos residentes, representam uma vantagem para o "doador" e uma contraprestação de serviços por parte dos mesmos, não importando o nome que se dê à atividade e ao pagamento, por força da legislação previdenciária, referida parcela tem natureza salarial e integra o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições sociais. Considerando que não há qualquer dispositivo que albergue a não incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas aqui debatidas, não merece reparos o acórdão recorrido. Conclusão Fl. 775DF CARF MF Processo nº 13855.002709/200715 Acórdão n.º 2202004.647 S2C2T2 Fl. 776 21 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 776DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720273/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREA UTILIZADA PARA EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Para que se possa valer da benesse fiscal que implica a significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. É uma condição, a Exploração Extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar. Não basta o potencial de exploração, há de se demonstrar a constância do exercício da atividade, por meio do cronograma que esteja sendo cumprido.
ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE.
Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR.
ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavê-lo de quem quer que injustamente o possua ou detenha ou dele ser mantido na posse, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR.
Numero da decisão: 2402-006.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ÁREA UTILIZADA PARA EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. NÃO COMPROVAÇÃO. Para que se possa valer da benesse fiscal que implica a significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. É uma condição, a Exploração Extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar. Não basta o potencial de exploração, há de se demonstrar a constância do exercício da atividade, por meio do cronograma que esteja sendo cumprido. ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada pelo Fisco a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 02 73 /2 00 8- 61 Fl. 189DF CARF MF 2 ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA. Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavêlo de quem quer que injustamente o possua ou detenha ou dele ser mantido na posse, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para constituição do ITR, exercício 2004, no valor principal de R$ 120.611,33, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 5.319.1161 SERINGAL CABECEIRA. Foram apuradas as seguintes infrações: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Leal não comprovada; 3 Área Objeto de Plano de Manejo Sustentado informada não comprovada; e 4 VTN declarado não comprovado. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 110/130, para restabelecer a APP de 100 ha. Em seu Recurso Voluntário de fls. 140/161 aduz, em resumo: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 3 3 1 O Imóvel objeto do Auto de Infração está encravado em área de interesse ecológico, onde se pode constatar que 100,0 % da área do imóvel ficou inserida na Zona 4 do Zoneamento sócio econômico e ecológico do estado de Rondônia. Reserva Florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991. Que o § 7º do artigo 10 da Lei 9.393/96 o dispensaria de fazer a prévia comprovação das APPs, das ARL e das áreas sob regime de servidão florestal. 2 Que a reserva legal corresponderia a 80% da área do imóvel, por se situar na Amazônia Legal; 3 Que está averbada junto à matrícula do imóvel, a responsabilidade da empresa em preservar todas a áreas manejadas num período de 20 anos. E isso seria o suficiente. Ademais, as áreas onde foram exploradas com projeto de manejo florestal sustentado, são consideradas pela legislação como áreas produtoras de madeiras, e são isentas de imposto. 4 Que a alíquota aplicada pela Fiscalização, de 12%, configuraria confisco da propriedade privada; e 5 Que o imóvel sofreu invasão pelo movimento denominado "LIGA CAMPONESA POBRE LCP"; que devido ao esbulho possessório sofrido não pode explorar economicamente o imóvel; que a recorrente perdeu a posse do imóvel; e 6 Que com a criação de novos municípios, o imóvel passou a pertencer aos Municipios de Cujubim e Machadinho D´oesteRO; que o Município de Cujubim está muito distante do Município de Ariquemes, e as terras daquela localidade valem muito menos das localizadas no município de Ariquemes, por ser localizado fora da Br 364, local de difícil acesso. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 27.02.2012 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 16.03.2012. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Ilegitimidade passiva: Alega o recorrente que não deveria incidir o imposto sobre o imóvel que foi invadido, em função de não poder mais dele se utilizar. Não vejo dessa forma. Fl. 191DF CARF MF 4 De acordo com o artigo 4° da Lei n° 9.393/96, contribuinte do ITR pode ser o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, sem ordem de preferência. A certidão de RGI acostada às fls. 72/77, lavrada em 07.05.2007, informa a propriedade do imóvel como sendo da Sra Eunice Picinato. Tanto o DIAT/DITR/2004, quanto os ADA/1997, protocolizado em 11.11.2002 e ADA/2003, protocolizado em 17.06.2004, foram apresentados em nome do recorrente. A questão sob análise resumese a avaliar se o fato de imóvel ter sido supostamente invadido afastaria, do recorrente, sua condição de possuidor para fins de sujeição passiva para o ITR. Inicialmente, cumpre destacar que não consta dos autos comprovação, sequer evidência, de que tal condição (invasão) tenha se dado/mantida à data do fato gerador em questão (01.01.2004), tampouco qual o tamanho da área suposta e efetivamente invadida. Vejamos: A cópia da Assentada da Audiência de Justificação Prévia de fls. 33, lavrada em 27.03.2002 nos autos do PJ 002.02.0019370, noticia a decisão de manutenção do recorrente na posse de imóvel que lá não especifica. Já às fls. 81, há um extrato da Sentença, supostamente publicado no DOE em 19.09.2002, que determinou que a autora (aqui recorrente) fosse definitivamente mantida na posse do imóvel lá em litígio. A certidão de fls. 35, além de certificar a intimação do representado legal da LCP LIGA CAMPONESA POBRE da decisão encimada, registrou a presença no local em 23.03.2002 de várias pessoas, estando algumas com capuz e outras armadas, contudo, sem que fossem regularmente identificadas. Frisese, não se identificou nada mais nos autos que demonstrassem o esbulho, sequer turbação da posse, à época do fato gerador (01.01.2004). O Código Civil de 2002 estabelece a perda da posse quando cessar a poder sobre o bem ao qual se refere o artigo 1.196 1 do mesmo diploma. Por sua vez, aquele artigo 1.196 estabelece que o possuidor é aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Prosseguindo, o artigo 1.228 dispõe que o proprietário tem o direito de, quanto à coisa, i) Usar, ii) Gozar, iii) Dispor; e iv) Reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Na mesma linha, especificamente no que se refere à posse, o art 1.210 prevê que "o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado." No mesmo sentido, o artigo 926 do CPC/73 estabelecia que o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado no de esbulho. 1 Art. 1.223. Perdese a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 4 5 Da dicção acima, notase que ainda que não esteja na imediata posse do bem, ao Possuidor de Direito é assegurada a Manutenção ou Reintegração efetiva na posse, além do quê, o possuidor de máfé responderá, junto ao possuidor de direito, por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de máfé. Não há, assim, a perda definitiva da posse se o possuidor, frisase, ainda na condição de possuidor, tomou as providências em tempo hábil, diligenciou, de forma a reaver a coisa de quem quer que injustamente a possuía ou detinha. Em outras palavras: exercido a tempo o direito de reaver a posse do bem, ou nela ser definitivamente mantido, tenho que o recorrente detém legitimidade para figurar no pólo passivo da obrigação tributária do ITR, na condição de possuidor a qualquer título, consoante preceitua o artigo 4º da Lei 9.393/96. Interpretação diversa conduziria ao entendimento de que ou o imposto poderia ser cobrado dos "invasores", o que não se afigura razoável, sob o ponto de vista de sua precisa identificação; ou terseia uma isenção não prevista em lei para o imóvel envolvido. Aproveitamento de área não declarada na DITR, objeto do procedimento fiscal: Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, às fls. 40, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca à APP, à ARL, à utilização da área aproveitável (Área com Exploração Extrativa) e ao VTN declarado e sobre tais assuntos se desenvolverá a análise a seguir. Vejamos: Fl. 193DF CARF MF 6 As alterações promovidas de ofício pelo lançamento trazem repercussão direta no cálculo do imposto. A alteração no VTN, na base imponível; a na APP e na ARL, na base imponível e na alíquota; e a na Área com Exploração Extrativa, na alíquota aplicável, que, na prática, saltou de 0,45 % para 20%. É de se notar, que autuado não declarou, em sua DITR, qualquer área de interesse ecológico. Entretanto, o ADA supostamente apresentado em 11.11.2002 (fls. 22), continha as seguintes informações: Diferentemente, no ADA de 2003 (fls. 80), supostamente apresentado em 17.06.2004 e do qual se valeu a DRJ para restabelecer a APP de 100 ha, não consta Área de Interesse Ecológico declarada. Confirase: Ou seja, toda a discussão calcada no aproveitamento dessas áreas, tais como, ARL de 80% do imóvel, segundo sua localização, e sua integral inserção em área de Reserva Florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991 do Estado de Rondônia, não Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 5 7 deveriam, a rigor, ser aqui apreciadas, na medida em que não integraram o litígio original pelo fato de não ter sido declarada, em sua DITR, área de interesse ecológico. O não acatamento das informações que constaram essas sim em seu DIAT/DITR será, caso regularmente questionado em recurso, objeto do contencioso administrativo. Esse é, a meu ver e como regra, o limite da lide e sobre o quê se pronunciará as instâncias julgadoras. Contudo, caso efetivamente demonstrado o patente erro de fato no preenchimento da respectiva DITR, em função do equívoco na informação, seja por sua omissão, seja por sua incorreção, entendo admissível, em sede de contencioso administrativo e à luz do princípio da verdade material, a retificação das informações originalmente prestadas naquela declaração, bem como a alteração do lançamento naquilo que dele decorreu. Vale destacar, que são áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, aquelas que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade Fl. 195DF CARF MF 8 particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Trago à colação as constatações promovidas pelo acórdão vergastado, que me fazem concluir, em função do acima exposto, pela impossibilidade do aproveitamento de tal área, como pretende o recorrente. Não obstante constar dos autos a referida Certidão da SEDAM, constatase da Descrição da área pertencente à Zona 4 que o imóvel nela situado pode ser realizado o aproveitamento extrativo com manejo dos recursos florestais. Tanto isso é verdade que a própria contribuinte declarou em sua DITR/2004, uma área de exploração extrativa de 1.200,0 ha, glosada pela fiscalização, por falta de comprovação do cumprimento do cronograma físicofinanceiro do respectivo Plano de Manejo Sustentado. Ademais, na Certidão de Inteiro Teor do imóvel, às fls. 66/68, constam averbações de que no imóvel estavam previstas explorações de madeira, confirmando que as áreas integrantes da referida Zona 4, foram objeto de Plano de Manejo Sustentado, aprovado pelo IBAMA, para exploração extrativa (madeira). Constatase, ainda, que existe a intenção de utilizar ou manter essa área na atividade rural, posto que nessa Certidão, não obstante o fato de a impugnante não ter juntado aos autos os documentos hábeis comprobatórios da exploração extrativa, como consta em item específico da matéria, além das averbações sobre o plano de manejo feitas no ano de 1998, existem averbações do ano de 2006 para essa finalidade. Nesse diapasão, faz parte, também, dos autos, o ADA referente a 2003, às fls. 71, no qual consta a declaração de uma área de reserva legal de 4.450,0 ha e a declaração de uma área com plano de manejo florestal de 4.000,5 ha, corroborando que essa área do imóvel estaria, de fato, destinada à exploração extrativa, apesar de não ter sido comprovado nos autos o cumprimento do cronograma físicofinanceiro do respectivo Plano de Manejo Sustentado. VTN: Na seqüência, notese que, quanto à alíquota, temse cada vez menor i) quanto maior o grau de utilização do imóvel (somatório das áreas com atividade rural, em Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 6 9 relação a área total aproveitável) E ii) quanto menor a área total do imóvel. Prestigiase, assim, a função social da pequena propriedade rural. 2 No que toca ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega, en passant, que o VTN seria menor em função da então localização do imóvel, que teria se alterada em decorrência da criação de novos municípios. Todavia, no curso da ação fiscal, o autuado foi intimado a apresentar o "laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.". E mais, foi feito constar na intimação que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, da RFB. Não obstante, o contribuinte não atendeu a intimação com vistas a infirmar o valor eleito pela Fiscalização. Ora, O VTN médio, por hectare, utilizado pelo autuado, correspondeu a apenas e aproximadamente, 1/5 daquele verificado no SIPT para os imóveis no município de Ariquemes/RO, consoante atesta a autoridade julgadora de piso, não deixando a menor dúvida quanto à sua subavaliação. A alegação de que, com a criação de novos municípios, o imóvel teria passado a pertencer a outro e a não mais ao de Ariquemes, desacompanhada do laudo de avaliação acima mencionado, não merece melhor sorte, na medida em que tanto no RGI, quando no CAFIR, cuja atualização é de responsabilidade do recorrente, a localização do imóvel permanece inalterada, ou seja, em Ariquemes/RO. Na própria DIAT/DITR/04 apresentada pelo recorrente constou este município como o de localização do imóvel. Impõese destacar, que por meio de consulta aos sites oficiais dos municípios de Machadinho D´ Oeste e Cujubim, pôdese verificar que os mesmos foram criados, respectivamente, em 11.05.1988 e 22.06.1994. A seu turno, a Escritura Pública de Compra e Venda de 27.03.2000, (em data bem posterior à criação do município mais novo) na qual figuraram como outorgante vendedora a Sra Eunice Picinato e outorgante comprador o recorrente, qualificou os imóveis lá negociados da seguinte forma: Seringal Cabeceira: lote de terras rural denominado "Cabeceira", situado no município de Ariquemes/RO, com área total de 90.783.357 m2. NIRF 5.319.1161 Seringal Novo Mundo: lote de terras rural denominado "Seringal Novo Mundo", situado nos municípios de Ariquemes e Machadinho D´Oeste/RO, com área no município de Ariquemes de 19.938,99 ha e e área no município de Machadinho de 7.400,00 ha, perfazendo a área total de 27.338,99 ha. NIRF 5.316.6078 2 Artigo 11 da Lei 9.393/96 e seu anexo único. Fl. 197DF CARF MF 10 O fato acima, por si só, conduz ao entendimento de que não houve erro de fato no preenchimento do DIAT/DITR, tampouco na informação constante do CAFIR, que atestam o município de Ariquemes como o de localização do imóvel de NIRF 5.319.1161. Ademais, como esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2004 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Ariquemes/RO, a alegação do recorrente poderia denunciar algum prejuízo em função do VTN utilizado pela Fiscalização, apenas se demonstrado que a alteração da municipalidade tivesse se dado de fato já àquela época e que os demais contribuintes do ITR a observaram para fins de atualização do CAFIR e da apresentação das correspondentes DITR, de forma a promover significativa alteração na base sistêmica de consultas utilizada para a obtenção daquele valor médio por hectare. Não é o que se verifica nos autos. E lembrese: trata de valor estimado, utilizado pelo Fisco ao amparo do artigo 14 da Lei 9.393/96, ante à falta de comprovação, pelo contribuinte regularmente intimado, de um valor que melhor espelhe a realidade do imóvel. Área de Exploração Extrativa: No que toca à Área de Exploração Extrativa, assim dispõe a Lei 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Ainda sobre o tema, assim dispõe o artigo 27 do Decreto 4.382/2002: Art. 27. Área objeto de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração madeireira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto estabelecidos em ato da Secretaria da Receita Federal, Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 7 11 ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso V, alínea "c", e § 3º). Para tanto, a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar o "Plano de Manejo Florestal Sustentado, acompanhado do documento de aprovação ou autorização (ofício/certidão) emitido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama, bem como de todas as autorizações para extração.". Não atendida a intimação, foi glosada a área de 1.200,0 ha, tida pelo recorrente como de Exploração Extrativa. Não é difícil notar, pela dicção do dispositivo legal, que o aproveitamento de tal área como de utilização rural na forma intentada, impõe ao contribuinte a necessidade de se comprovar a aprovação do Plano de Manejo Florestal pelo IBAMA e o cumprimento do cronograma então aprovado. Em que pese a Certidão Inteiro Teor da matrícula do imóvel às fls. 19/21 e 101/106 sugerir a aprovação pelo IBAMA da exploração racional de madeira em regime de Manejo Florestal de Rendimento Sustentável nos idos de abril de 1998, relacionada à área de 4.000,5 ha, o fato é que não foi trazida evidência de que tal exploração tenha perdurada, da forma como aprovada, durante o exercício anterior ao do fato gerador da exação (2003). Releva dizer: para que se possa valer da benesse fiscal que implica na significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, frisese, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. Veja, é uma condição, a exploração extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar. Não basta o potencial de exploração, há de se demonstrar a constância do exercício da atividade, por meio do cronograma que esteja sendo cumprido, como literalmente dispõe a lei. Glosa da ARL. Já no que concerne à glosa da ARL, mantida pelo acórdão de piso, tenho que o procedimento e conclusão adotados não merecem reparos. Vejamos. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN3, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. 3 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 199DF CARF MF 12 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 8 13 Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Fl. 201DF CARF MF 14 Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. E, por fim, naquilo que interessa ao caso, temos as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 9 15 áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.4 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. 4 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 203DF CARF MF 16 É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 5 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas por floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela 5 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 10 17 relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 6 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. 6 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 205DF CARF MF 18 § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 11 19 É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel existam rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Fl. 207DF CARF MF 20 Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de circunstâncias diferentes. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .7 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao caso sob análise, notase que da área de 7.262,6 ha utilizada pelo recorrente, a Fiscalização validou a de 4.539,1 ha, que se refere exatamente àquela informada no ADA de 11.11.2002 e averbada, quando do fato gerador, à margem do registro do imóvel. Destaquese que no ADA de 2004, constou a informação de ARL ainda menor (4.450,0 ha). Junto à matrícula do imóvel, há, apenas em junho de 2006 (após a data do FG), retificação da ARL averbada para os 7.262,6 ha de que pretendeu se valer o autuado. Assim procedendo, agiu acertadamente a autoridade autuante, quando aceitou a ARL que constou no ADA de 2002 e que se encontrava averbada junto à matrícula do imóvel à dada do fato gerador. Alíquota: Por fim, quanto à alegação de que a Fiscalização utilizouse de uma alíquota de 12% para o cálculo do imposto, em flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco, cumpre tecer algumas considerações. 7 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10240.720273/200861 Acórdão n.º 2402006.558 S2C4T2 Fl. 12 21 Conforme se percebe do quadro "Cálculo do Imposto", do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO acima colado, a autoridade autuante utilizouse, diferentemente do imaginado pelo recorrente, da alíquota de 20%, a teor do artigo 11 da Lei 9.393/96. Nesse rumo, uma vez observadas as disposições legais, não cabe a este colegiado afastar sua aplicação (art. 62 do RICARF), tampouco pronunciarse acerca de sua constitucionalidade (art. 72 do RICARF c/c Súmula CARF nº 2). Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013731/96-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1991, 1992
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. LEVANTAMENTO POR FISCO MUNICIPAL.
Não é prova emprestada a utilização de apuração de receita feita pelo Fisco Municipal em auto de infração, com base em legislação do Município, para fins de comparação com a receita declarada ao Fisco Federal e constatação de omissão de receitas. Não há defesa para o contribuinte no PAF ante a unicidade de jurisdição, uma vez que o auto de infração municipal está tramitando na Justiça Estadual.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1992
DESPESA COM CORREÇÃO MONETÁRIA. APROPRIAÇÃO. COMPROVAÇÃO. FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO.
Uma vez afastada a motivação que fundamentou a autuação, qualquer outro motivo para mantê-la enseja nulidade da decisão, mas que foi ultrapassada por restar comprovado o empréstimo junto a Prefeitura Municipal de Salvador, justificando a apropriação de despesas com correção monetária.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS)
FINSOCIAL/FATURAMENTO
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Tratando-se de autos de infração fundados nos mesmo elementos de prova, seguem o decidido no processo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ).
Numero da decisão: 1302-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto às infrações de omissão de receitas e de glosa de despesa de correção monetária passiva sobre dívida com a Prefeitura Municipal de Salvador, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho (relator) e Paulo Henrique Silva Figueiredo quanto a este último ponto e, quanto ao recurso de ofício, por maioria de votos em não conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho (relator), Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lucia Miceli
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1991, 1992 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. LEVANTAMENTO POR FISCO MUNICIPAL. Não é prova emprestada a utilização de apuração de receita feita pelo Fisco Municipal em auto de infração, com base em legislação do Município, para fins de comparação com a receita declarada ao Fisco Federal e constatação de omissão de receitas. Não há defesa para o contribuinte no PAF ante a unicidade de jurisdição, uma vez que o auto de infração municipal está tramitando na Justiça Estadual. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1991, 1992 DESPESA COM CORREÇÃO MONETÁRIA. APROPRIAÇÃO. COMPROVAÇÃO. FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. Uma vez afastada a motivação que fundamentou a autuação, qualquer outro motivo para mantê-la enseja nulidade da decisão, mas que foi ultrapassada por restar comprovado o empréstimo junto a Prefeitura Municipal de Salvador, justificando a apropriação de despesas com correção monetária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS) FINSOCIAL/FATURAMENTO CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Tratando-se de autos de infração fundados nos mesmo elementos de prova, seguem o decidido no processo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto às infrações de omissão de receitas e de glosa de despesa de correção monetária passiva sobre dívida com a Prefeitura Municipal de Salvador, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho (relator) e Paulo Henrique Silva Figueiredo quanto a este último ponto e, quanto ao recurso de ofício, por maioria de votos em não conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho (relator), Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lucia Miceli (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. LEVANTAMENTO POR FISCO MUNICIPAL. Não é prova emprestada a utilização de apuração de receita feita pelo Fisco Municipal em auto de infração, com base em legislação do Município, para fins de comparação com a receita declarada ao Fisco Federal e constatação de omissão de receitas. Não há defesa para o contribuinte no PAF ante a unicidade de jurisdição, uma vez que o auto de infração municipal está tramitando na Justiça Estadual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991, 1992 DESPESA COM CORREÇÃO MONETÁRIA. APROPRIAÇÃO. COMPROVAÇÃO. FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. Uma vez afastada a motivação que fundamentou a autuação, qualquer outro motivo para mantêla enseja nulidade da decisão, mas que foi ultrapassada por restar comprovado o empréstimo junto a Prefeitura Municipal de Salvador, justificando a apropriação de despesas com correção monetária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 37 31 /9 6- 55 Fl. 1235DF CARF MF 2 FINSOCIAL/FATURAMENTO CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Tratandose de autos de infração fundados nos mesmo elementos de prova, seguem o decidido no processo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto às infrações de omissão de receitas e de glosa de despesa de correção monetária passiva sobre dívida com a Prefeitura Municipal de Salvador, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho (relator) e Paulo Henrique Silva Figueiredo quanto a este último ponto e, quanto ao recurso de ofício, por maioria de votos em não conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho (relator), Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lucia Miceli (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Empresa de transporte coletivo acima qualificada foi autuada por três motivos assim descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/17): 1 OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL A empresa foi intimada através do Termo de Reinicio de Fiscalização, a apresentar os mapas da receita da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros fornecido pelo Órgão competente,entretanto, em cartaresposta, apresentou o Auto de Infração no. 04007 lavrado em 20/02192, informando verbalmente que não possuía os mapas da receita solicitados. Examinando o referido Auto de Infração e o Termo de Fiscalização anexo, verificamos que a empresa declarara receita a menor do que a apurada pela Fiscalização Municipal, no período de fevereiro de 1991 a janeiro de 1992, valores que estão sendo tributados no Auto de Infração do presente processo, pois tratase de Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.236 3 omissão de receita com redução indevida da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). Elaboramos o Quadro Demonstrativo no. 01, onde se encontram discriminados os valores tributados. Vale ressaltar que a fiscalizada foi declarada revel pela Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de Salvador, tendo em vista que não impugnou nem pagou o Auto de Infração e que o débito foi inscrito na dívida ativa municipal, estando em processo de execução pela Procuradoria da Fazenda Pública Municipal que, entretanto,a fiscalizada interpôs embargos à referida execução cuja decisão definitiva, segundo informações da fiscalizada, ainda não foi prolatada. 2. DESPESAS INDEDUTÍVEIS FALTA DE COMPROVAÇÃO A empresa apropriou a título de Correção Monetária PósFixada, na conta 3.2.4.11.001.00030/2915, os valores de Cr$329.816,752,72(períodobase de 1991), Cr$982.897.586,40(período de janeiro a junho de 1992), Cr$310.055.289,21 e de Cr$3.210.549.170,91(período de julho a dezembro de 1992). Intimada a comprovar os referidos valores, conforme item 5 do Termo de Reinicio de Fiscalização, apresentou planilha com a composição dos valores que constavam na Declaração de Rendimentos dos respectivos exercícios como variações monetárias passivas. Analisando a planilha apresentada, verificamos que os valores citados no parágrafo supra foram apropriados como despesas em decorrência de um empréstimo que teria sido contraído junto à Prefeitura Municipal de Salvador que assumira a dívida que a fiscalizada houvera contraído com os Bancos Safra, Nacional e Banorte, passando, conseqüentemente, a ser credor da fiscalizada. A referida dívida fora contratada através do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida, em 31/12/87.(cópia em anexo). De acordo com a cláusula VI do referido contrato, a amortização do débito seria na proporção de 50% do valor da remuneração do capital embutido na tarifa e a câmara de compensação ficará autorizada a repassar, mensalmente a quantia equivalente àquele percentual à Secretaria de Finanças do Município até o pagamento integral da dívida. Intimada a informar os pagamentos efetuados a título de amortização da dívida, através do TIF no. 01 de 21.10.96, a fiscalizada informou que até aquela data não houvera efetuado qualquer pagamento. Quanto à correção do empréstimo, não houve pactuação de índice específico, apenas constando na cláusula quarta que a empresa se comprometia a pagar à Prefeitura as quantias estabelecidas nos contratos com as instituições financeiras credoras. A fiscalizada não apresentou à fiscalização os contratos de empréstimos junto às instituições financeiras já mencionadas. De acordo com a representação fiscal efetuada pela DRFSalvador, que realizou diligências na Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de Salvador, na realidade, a Prefeitura assumiu a dívida sem nenhuma contraprestação e que após intimada a fornecer os valores da dívida (principal, correção monetária e juros), bem como a apresentar os registros individualizados das operações constantes na contabilidade do órgão, o mesmo não respondeu. De acordo ainda com a comunicação da DRFSalvador, às fls. do Livro Diário, foram encontrados os débitos sem identificação das empresas, e que os Fl. 1237DF CARF MF 4 referidos débitos foram lançados como variações patrimoniais (conta 280.000), significando apropriação dos valores como custos ou despesas pela Prefeitura, portanto, os referidos empréstimos teriam sido considerados como perdas, tendo a Prefeitura perdoado a dívida. De todo o exposto, concluímos que: A empresa não comprovou qualquer ônus junto à Prefeitura Municipal de Salvador a título de correção monetária do empréstimo, não cabendo, desta forma, a apropriação dos valores a título de correção monetária pôsfixada passiva discriminados no primeiro parágrafo do item 2 do presente Termo. Ao que tudo indica, a dívida foi perdoada pela Prefeitura, pois até a presente data, não houve qualquer amortização, nem cobrança por parte da Prefeitura e ainda, de acordo com a informação fiscal enviada pela DRFSalvador, o valor da dívida foi apropriado corno custos/despesas na contabilidade da Prefeitura. Tendo em vista que, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os documentos que possam vir a modificar sua situação patrimonial e a empresa não comprovou que realmente deve os valores apropriados a título de despesa de correção monetária, tampouco que os índices utilizados para correção monetária do referido empréstimo foram os pactuados com a Prefeitura para a correção do mesmo; ainda, conforme a legislação , são operacionais as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, o que a autuada não logrou comprovar após intimada e reintimada, mesmo porque nunca amortizou nada, nunca lhe fora exigido qualquer pagamento do principal muito menos da correção monetária e continua normalmente suas atividades. Por todo o exposto, a fiscalizada reduziu indevidamente o lucro real dos exercícios já mencionados e consequentemente o imposto de renda da pessoa jurídica, e desta forma, estamos tributando os referidos valores no Auto de Infração do qual o presente Termo é parte integrante. 3 DESPESAS /CUSTOS INDEDUTÍVEIS FALTA DE COMPROVAÇÃO A empresa apropriou a título de correção monetária passiva sobre os empréstimos FINAME contraídos através dos Bancos Mercantil S/A e Econômico 5/A. Intimada a comprovar os valores deduzidos como despesas, apresentou planilhas elaboradas pelos citados Bancos, demonstrativo mensal das contas onde foram contabilizados os valores e demonstrativo em UR dos referidos empréstimos. Examinando os documentos apresentados pela fiscalizada, verificamos que a mesma havia apropriado valores a maior, pois além de lançar como despesa os valores de amortização do principal da dívida, ainda considerou valores de variação monetária sobre saldos devedores calculados com base em UR a maior. Diante do exposto, a fiscalização elaborou os quadros demonstrativos de nos. 02 a 12, onde calculou os valores das variações monetárias passivas com base nos documentos apresentados pela fiscalizada e glosou no Auto de Infração a diferença que fora apropriada indevidamente como despesa de correção monetária. A Fiscalização junta os quadros de folhas 18 a 29, além de termos de intimação, do auto de infração da Prefeitura de Salvador (fls. 33/34), embargos à execução (fls. 37/42), tabelas e documentos bancários. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.237 5 Às folhas 87/89 consta o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), incidente sobre as três infrações; às folhas 93/96 o lançamento de PIS sobre o item 1 do Termo de Verificação Fiscal, omissão de receitas; às folhas 97/100 o lançamento de Finsocial/Faturamento também sobre o item 1 do Termo de Verificação Fiscal, omissão de receitas; e, às folhas 101/104 o lançamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), também sobre o item 1 do Termo de Verificação Fiscal, omissão de receitas. Os valores lançados foram os seguintes em Unidades Fiscais de Referência (UFIR): IRPJ 1.227.363,03 CSLL 287.762,75 PIS 2.668,04 Finsocial/Faturamento 1.708,24 Cofins 281,78 Todos os lançamentos acrescidos de juros de mora e multa proporcional de 100% (nãoqualificada). Inconformada a Empresa apresentou impugnação ao auto de infração, alegando: OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL a) que o caso não se amolda ao artigo 228 do RIR/96, motivo pelo qual não pode ser imputada omissão de receita por falta de previsão legal; b) tratase de prova emprestada e cuja receita foi levantada com erro, uma vez que a Prefeitura de Salvador multiplicou o número de passageiros pelo valor da passagem cheia, quando há meia passagem; c) subsidiariamente requer a redução das multas para 75%; DESPESAS INDEDUTÍVEIS FALTA DE COMPROVAÇÃO a) não há prova de que a Prefeitura de Salvador tenha assumido a dívida sem nenhuma contraprestação. Houve assunção da dívida das empresas com os bancos e o pagamento seria com apropriação de 50% do valor das passagens; b) sobre o perdão da dívida foram encontrados na contabilidade da Prefeitura, débitos sem identificação da empresas, não havendo como relacionar os débitos com a Empresa. Sendo assim, o perdão da dívida foi presumido pelos Fiscais; c) poderia ser usado qualquer índice de correção monetária, desde que refletisse a inflação do período; Fl. 1239DF CARF MF 6 d) cita o Parecer Normativo CST nº 10, de 1985, que trata de contratos de mútuo; DESPESAS/CUSTOS INDEDUTÍVEIS FALTA DE COMPROVAÇÃO CONTRATOS FINAME a) a apropriação de variação monetária passiva dos contratos de empréstimos FINAME contraídos através dos Bancos Mercantil S/A e Econômico está correta, como demonstram as planilhas e demonstrativos em UR Unidade de Referência (índice legal utilizado para correção monetária de contratos dessa natureza). b) a divergência entre os cálculos da Empresa e da Fiscalização é o valor da UR: a Autuada usa a UR do dia 1º para refletir a correção do mês anterior; a Fiscalização, a UR do dia 1º para a correção do mesmo mês; Requer, subsidiariamente, a compensação de prejuízos fiscais existentes. A 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte converteu o julgamento em diligência (fls. 448/451) para: 1. Intimar a interessada a apresentar certidão judicial, discriminando o inteiro teor e o estágioatual da lide relativa aos Embargos à Execução da dívida ativa Junto a Prefeitura Municipal de Salvador, devendo anexar copias de petições, sentenças, recursos, publicações, etc., 2 anexar, formalmente aos autos, as referenciadas "Representação Fiscal e/ou Comunicação" representativas das diligências que foram efetuadas pela DRF Salvador — BA. 3. se cabível nas circunstâncias, reabrir prazo à impugnante para, caso queira, apresente razões adicionais de defesa específicas, cientificandolhe, inclusive, de eventuais documentos que vierem a ser anexados a este processo provenientes dos procedimentos acima referidos. Às folhas 453/454 é anexada correspondência endereçada ao Supervisor na qual é informado que, intimada, a Empresa encaminhou cópias reprográficas dos seguintes documentos (fls. 461 e seguintes): — Embargos ao executivo fiscal de n° 140.93.3699062; — impugnação aos Embargos apresentada pela Fazenda Pública Municipal; — petição datada de 27/06/1994 apresentada pela empresa; despacho datado de 26/07/1996, emitido pelo juízo competente, deferindo o pedido de perícia efetuado pela empresa; — guia de depósito dos honorários do perito e petição solicitando juntada da mesma; — resposta do perito aos quesitos elaborados pela Embargante; — despacho exarado pelo Juiz de Direito, datado de 11/10/1996; Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.238 7 — alvará de retirada de depósito, datado de 11/10/1996; — declaração de concordância com o laudo pericial, emitida pela Embargante; — DAJ referente aos Embargos à Execução; — Mandado de Intimação da 4a Vara da Fazenda Pública da Comarca de Salvador datado de 28/07/2000; — petição da Procuradoria Fiscal do Município de Salvador, datada de 02/10/2000; — sentença referente aos Embargos de Execução, datada de 02/02/2006. Quanto à Representação da DRF Salvador diz que não anexou, por lapso, ao processo, mas que ela existiu. Acrescenta que a glosa da despesa foi efetuada não só pela falta de comprovação da existência da dívida, mas pela não comprovação de que os índices foram pactuados com a Prefeitura de Salvador. A autoridade administrativa faz considerações sobre o direito aplicável ao caso. A sentença de primeira instância julga procedentes os embargos à execução, declarando ilegal a cobrança a título de ISS. Às folhas 510/522 a Empresa presta esclarecimentos relativos à diligência. Em sessão de 6 de dezembro de 2006 a DRJ julga procedente em parte a impugnação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991, 01/01/1992 a 30/06/1992, 01/07/1992 a 31/12/1992 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Comprovado que os valores tributáveis apurados decorrem de insuficiências na receita declarada pela empresa. quando esta é cotejada com a receita apurada com base nos mapas quantitativos de passageiros transportados fornecidos por órgão competente da administração municipal, cabível o lançamento de oficio da receita subtraída à tributação. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Mantémse a glosa a título de despesas incomprovadas. se a contabilidade indica apropriação de variação monetária passiva sobre determinado valor mutuado e a obrigação em questão não foi comprovada, bem como nenhum documento formal hábil e idôneo, foi apresentado com a estipulação legal ou contratual de correção monetária. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS. Fl. 1241DF CARF MF 8 O reconhecimento da variação monetária passiva de contratos de financiamentos FINAME deve restringirse ao valor nominal das Unidades de Referência do BNDES "UR" dos meses de encerramento do período de apuração, sob pena de os cálculos afiguraremse majorados. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL FINSOCIAL CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Dada a relação que existe entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos às exigências dessas contribuições, estendese à estas a orientação decisória adotada. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Em se tratando de empresa que auferiu receita exclusivamente da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, o PIS correspondente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1991 e 30/06/1992 deve ser apurado pela modalidade PIS/Repique, à alíquota de 5% sobre o Imposto de Renda devido ou como se devido fosse. Destarte, não subsiste lançamento da contribuição para o PIS, relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/1991 e 30/06/1992, cujo fundamento legal tenha sido o art. 2'. da Medida Provisória ri° 1.212, de 28 de novembro de 1995. ACORDAM os julgadores da 3' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do Relatório e Voto do Relator, que passam a integrar o presente julgado, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em JULGAR PROCEDENTE EM PARTE os lançamentos para: 1. Em relação ao IRPJ, manter parcialmente a exigência fiscal, no valor de 439.874,98 UFIR (Quatrocentos e trinta e nove mil, oitocentos e setenta e quatro inteiros e noventa e oito centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; 2. Em relação a CSLL, manter parcialmente a exigência fiscal, no valor de 260.394,94 UFIR (Duzentos e sessenta mil, trezentos e noventa e quatro inteiros e noventa e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; 3. Em relação ao PIS, exonerar a exigência fiscal, no valor de 2.668,04 UFIR (Duas mil, seiscentos e sessenta e oito inteiros e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), e respectivos acréscimos legais (auto de infração de fls. 90/93); 4. Em relação ao Finsocial, manter a exigência fiscal, no valor de 1.708,24 UFIR (Um mil, setecentos e oito inteiros e vinte e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; 5. Em relação a Cofins, manter a exigência fiscal, no valor de 281,78 UFIR (Duzentos e oitenta e um inteiros e setenta e oito centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais: H) REDUZIR o percentual da multa de oficio aplicada nos períodos de apuração de 1991, 30/06/1992 e 31/12/1992, para 75% (setenta e cinco por cento), Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.239 9 em face do que determina o art. 44. da Lei ri° 9.430. de 27 de dezembro de 1996 e ADNCOSIT nº 01, de 07 de janeiro de 1997. (...) Quanto ás partes excluídas, recorro de oficio ao Egrégio Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 e Portaria MF n' 333, de 11 de dezembro de 1997. (grifos do original) Insatisfeita com a decisão, a Empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 710/756) renovando os argumentos da impugnação, e destacando, conforme relatório da Resolução 120200.002, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara: 1 o auto de infração lavrado pela Prefeitura de Salvador não representa um entendimento definitivo de que houve omissão de receitas, pois ainda é objeto de discussão judicial perante a Justiça Estadual de Salvador, por meio de Embargos a. Execução Fiscal acostado aos autos quando do atendimento à diligência fiscal efetuada; 2 na ação judicial em tramite na Justiça Estadual da Bahia foi proferida sentença de P Instancia em 02 de fevereiro de 2006, a qual julgou procedentes os pedidos para cancelar a exigência fiscal da Prefeitura de Salvador; 3 a sentença favorável está plenamente vigente e os autos estão atualmente no Tribunal de Justiça da Bahia em função de remessa oficial; 4 a Fazenda Municipal de Salvador, ao lavrar o Auto de Infração de ISSQN que deu substrato ao presente Processo Administrativo Fiscal Federal, equivocouse ao apurar a receita tributável, pois desprezou as meias passagens pagas por determinados clientes e a variação do preço da tarifa no próprio mês; 5 não foi considerado pelo Fisco Municipal que a própria legislação municipal cuidava, a época, de um sistema de compensação tarifária, por meio do qual eram definidas as receitas reais decorrentes da prestação dos serviços pelas empresas concessionárias dos serviços de transporte público intramunicipal, levando em conta quais empresas operavam com uma tarifa defasada e quais operavam com tarifas acima da média; 6 num primeiro momento, quando da lavratura do Auto de Infração ora em debate, a prova emprestada utilizada pela Fiscalização se baseava em um Auto de Infração não impugnado administrativamente pelo contribuinte, em relação ao qual se tinha presunção de certeza e de liquidez; 7 posteriormente o Poder Judiciário declarou a ilegalidade da suposta base de cálculo do débito de ISSQN exigido pela Fazenda Municipal de Salvador e, consequentemente, a inexistência da suposta de omissão de receitas ao Fisco Baiano; 8 a prova emprestada no caso concreto não mais dá substrato a autuação de tributos federais, por não ser mais suficiente para embasar o entendimento de que houve omissão de receitas no período autuado, pois não está mais apta a embasar o Auto de Infração discutido nesses autos; 9 tendo em vista que o único e exclusivo embasamento do qual se utilizou a Fiscalização para a referida autuação encontrase pendente de julgamento definitivo Fl. 1243DF CARF MF 10 pelo Poder Judiciário, sendo que a decisão judicial atualmente em vigor é favorável à empresa; 10 não pode a existência da autuação Municipal ter o condão de imputar à Recorrente conduta ilícita, tal como a omissão de receita, com reflexos no IRPJ e demais tributos federais, visto que, atualmente, está vigente decisão judicial que determinou a extinção da cobrança da ISSQN; 11 a prova emprestada no caso concreto não mais dá substrato a autuação de tributos federais, por não ser mais suficiente para embasar o entendimento de que houve omissão de receitas no período autuado, pois não está mais apta a embasar o Auto de Infração; 12 o único e exclusivo embasamento do qual se utilizou a Fiscalização para a referida autuação encontrase pendente de julgamento definitivo pelo Poder Judiciário, sendo que a decisão judicial atualmente em vigor é favorável A. Recorrente; 13 a glosa de despesas com variação monetária passiva é indevida, pois se depreende notadamente do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Divida finnado entre a Prefeitura Municipal de Salvador e a autuada, o mútuo foi concedido para cobertura de custos com transportes urbano não repassados para as tarifas em virtude do congelamento de preços determinado pelo Plano Cruzado; 14 de acordo com esse Instrumento, ficou acordado que a transferência dos recursos às concessionárias de serviço de transporte seria a titulo de mútuo, e que sua amortização seria realizada na proporção de 50% do valor da remuneração do capital embutido na tarifa; 15 a amortização do empréstimo ocorreria a partir do momento que as empresas de transportes conseguissem recuperar, mediante repasse no preço da tarifa, as perdas ocorridas com o Plano Cruzado; 16 os contratos em tela são antigos, tendo sido firmados nos anos de 1987 e 1988, o que praticamente inviabiliza a recuperação das vias originais. Ademais, o próprio instrumento de confissão de dividas, firmado entre as empresas que prestavam serviço de transporte coletivo em Salvador e a respectiva Prefeitura, já dá substrato fático suficiente para que a Fiscalização reconhecesse a existência da divida, tendo em vista ser copia de um documento oficial, assinado pelo Prefeito de Salvador à época; 17 para provar a existência da divida original entre as empresas e os Bancos mencionados na cláusula 3ª do Instrumento Particular de Confissão de Dividas junta a empresa os seguintes documentos: cópia do Contrato de Confissão/Assunção de dividas celebrado entre o Banco do Brasil e o Banco Safra e a Prefeitura de Salvador em 31 de dezembro de 1987, registrado em cartório, o qual faz expressa referência à divida da Transol, letra h da cláusula primeira; cópia do Instrumento particular de confissão de dividas firmado pelas empresas de transporte coletivo de Salvador e o Banco Safra de Investimentos, o qual faz remissão aos contratos de mútuo firmados; cópia da escritura pública confeccionada no Cartório do 12° Oficio de Notas de Salvador, relativa à confissão da divida das empresas com o Banorte, um dos bancos envolvidos credores da divida assumida pela prefeitura de Salvador; 18 no último documento, a cláusula oitava, que dispõe sobre o total da divida da Transportes Sol S/A com o Banco Banorte, faz expressa menção a principal, juros, mora e também ao contrato de abertura de crédito no CC0170162, celebrado em 10/03/87, que é exatamente um dos contratos cuja existência está sendo negada pela fiscalização; Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.240 11 19 todos os documentos colacionados pela recorrente devem ser analisados em conjunto, afastandose quaisquer dúvidas que poderiam remanescer sobre a existência da divida em relação à qual a empresa deduziu os encargos correspondentes, em respeito ao principio da verdade material; 20 a decisão da DRJ concluiu que não importa qual tenha sido o destino da divida, prescrição ou perdão, que as variações monetárias apropriadas foram indevidas, já que a implementação da condição pela qual a divida deveria ser paga, reajuste de tarifas, não ocorreu; 21 o fato do contrato firmado com a Prefeitura ter sido pactuado sob determinadas condições não significa que ele é inexistente; 22 não cabe á. fiscalização presumir como inexigíveis a divida da recorrente com a prefeitura de Salvador, sob pena de se cobrar o IRPJ sem a materialização de sua hipótese de incidência, a não ser que o fizesse com base de provas inequívocas de que o contrato de assunção de dividas tinha como objetivo apenas a redução de tributo; 23 não há na legislação civil brasileira disposição no sentido de que os contratos de mútuo devem ser pagos ou realizados pelo devedor em determinado período, sob pena de serem considerados inexistentes ou inexigíveis; 24 não existe na legislação tributária norma que imponha a indedutibilidade de despesas de empréstimos não pagos ou realizados, existindo apenas a regra geral de indedutibilidade das despesas que não reúnam os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade em relação ás atividades da empresa; 25 a fiscalização não tem em seu favor embasamento legal para considerar indedutíveis as despesas de variação monetária de um contrato de mútuo, ao argumento de que ele nunca foi pago; 26 à época de contabilização da variação monetária passiva, a divida era devida, pois o contrato entre Prefeitura e Recorrente estava em pleno vigor; 27 o fato de haver uma condição para que a divida fosse cobrada, não afasta sua exigibilidade, mas apenas a condicionava a evento futuro; 28 a divida não foi paga por um fato superveniente, que foi o lapso do prazo prescricional nos termos do Código Civil, mas essa situação é superveniente, e por si só não significa que as despesas com variação passiva eram indevidas na época em que foram incorridas; 29 quem da causa à prescrição é o tempo, e o fato de não ter sido implementada a condição prevista em contrato não depende da vontade da recorrente, que contabilizou as despesas com variação monetária em época que a divida era plenamente exigível; 30 não há que se falar em perdão de divida por parte da Prefeitura, pois nesse caso deve haver a desoneração do devedor por força de ato voluntário, de liberalidade, não oneroso, expresso na vontade do credor que admite a extinção da obrigação e renuncia as garantias do crédito; 31 em nenhum momento a Prefeitura expressou qualquer ato volitivo no sentido de perdoar a assunção da divida com os Bancos, apenas não exigiu a divida no prazo que a legislação civil assinala; Fl. 1245DF CARF MF 12 32 a divida da recorrente com a Prefeitura de Salvador foi realmente contraída, e era plenamente exigível à época da contabilização das despesas com variação monetária passiva, não tendo sido cobrada por fatos alheios a sua vontade; 33 o fato relatado não trouxe prejuízo ao Fisco, já que posteriormente, no ano de 1999, ocorreu a reversão integral da divida assumida com a Prefeitura Municipal de Salvador; 34 ainda que a recorrente tivesse deduzido indevidamente os encargos com correção monetária no período de 1991 e 1992, o prejuízo causado ao Fisco Federal teria se limitado aos efeitos da postergação, a exigência dos juros de mora, pois o principal, IRPJ e CSLL, foi pago quando da reversão do passivo; 35 junta aos autos cópia da DIPJ do anobase de 2000 na qual consta na página 05, linha 29, outras receitas operacionais, o valor de variação monetária passiva que foi revertido pela empresa, em razão da prescrição da divida com a Prefeitura de Salvador, no valor de R$ 557.982,22; 36 o fato de ter sido apurado prejuízo fiscal no ano de 1999 não impede a aplicação da postergação prevista no Parecer Normativo COSIT n° 02/96; 37 a fiscalização fez uma interpretação distorcida do parecer normativo, pois nele não consta o requisito do pagamento do imposto para que haja o reconhecimento da postergação; 38 caso a recorrente não tivesse feito a reversão do valor da variação monetária passiva da divida prescrita, o saldo de prejuízos seria maior, o que consequentemente representaria menos tributo a recolher nos períodos posteriores; 39 não há qualquer razão para que se diferencie as situações de pagamento e de redução dos prejuízos fiscais, pois nos dois casos o contribuinte retifica seu comportamento e reconhece ser devido o tributo; 40 a multa de oficio não pode ser aplicada, considerando que o instituto da postergação do imposto somente se opera em procedimento de denúncia espontânea, conforme disposto no Parecer Normativo Cosit, aplicarseia o artigo 138 do CTN para excluir a responsabilidade tributária pelo fato de a recorrente se antecipado a qualquer procedimento fiscal e realizado o pagamento do tributo devido; 41 deve ser utilizado no mínimo o INPC como índice de correção monetária, reconhecido pela Lei n° 8.200/91, os encargos da divida calculados com base em índice oficial, praticado no mercado financeiro, porque as obrigações devem ser corrigidas para refletir o valor real dos empréstimos; 42 o reconhecimento da correção montaria sobre ativos e passivos dispensava disposição contratual expressa, já que a simples atualização não representava remuneração ou majoração da obrigação assumida, mas simples preservação do substrato econômico da divida reconhecida; 43 rebatendo o argumento da DRJ de que "6 indispensável que a atualização da obrigação decorra de variação de índices ou de coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual", não se pode olvidar que a própria fazenda por meio do Parecer Normativo CST n° 10/85, admitia a dedutibilidade das despesas com variação monetária sobre contratos de mútuos com pessoas jurídicas ligadas, desde que calculados por meio de índices praticados pelo mercado financeiro; 44 se para os contratos de mútuo entre empresas ligadas, sem previsão especifica, serio devido, ao menos, o valor correspondente à correção monetária, com mais propriedade deverseia admitir a dedutibilidade de despesas com correção Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.241 13 monetária incidente sobre contratos de empréstimos realizados com pessoas jurídicas não ligadas; 45 por força do art. 586 do Novo Código Civil, a obrigatoriedade do reconhecimento da correção monetária sobre os empréstimos em épocas de inflação elevada se dá justamente pela necessidade de restituição do numerário emprestado (coisa fungível) em mesmo gênero, qualidade e quantidade; 46 caso se entenda pela inexistência de provas da relação contratual entre a recorrente e o Município de Salvador, deve ser considerar pelo menos que a empresa buscou preservar suas demonstrações financeiras aplicando o INPC sobre a obrigação, por se tratar de numerário exposto aos efeitos inflacionários da época; 47 a glosa de despesas com variação monetária passiva decorrente de contratos FINAME — Bancos Mercantil e Econômico não pode ser acatada, pois a empresa apropriou a despesa levando em conta a UR, Unidade de Referência, índice de correção do BNDES; 48 essa atualização foi realizada com base no valor nominal da UR do mês subsequente ao do períodobase encerrado, e não da UR do próprio mês com entende o Fisco; 49 por se tratar de índice de correção monetária, a UR era calculada com base nos índices oficiais de inflação divulgados mensalmente. A composição do índice pretendia computar a variação dos preços ocorrida entre o dia 1º e o último dia do mês de referência de forma que o efeito inflacionário de um mês determinasse o valor do índice do mês seguinte; 50 para o correto cálculo da correção monetária de dezembro, a Recorrente utilizou o índice de inflação divulgado no primeiro dia de janeiro (período imediatamente subsequente ao de referencia) e não a do próprio mês, como defende a DRJ. O procedimento adotado pela fiscalização não contemplou o efeito inflacionário ocorrido no mês de referência, mas sim o do anterior. A extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Sessão do CARF, em sessão de 11 de março e 2009, converteu o julgamento em diligência no seguinte teor: Assim, em respeito ao principio do contraditório e da ampla defesa, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência, com o retorno do processo à repartição de origem, para que seja proferido parecer conclusivo a respeito das alegações apresentadas pela recorrente, em relação a existência do empréstimo e a prova emprestada do Fisco municipal. O Relatório de diligência foi anexado à s fls. 1023/1024, bem como a manifestação da Interessada ás fls. 1029 e seguintes. Em sessão de 23 de setembro de 2014 esta Turma Ordinária novamente converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Desta forma, para a melhor solução do presente caso, entendo necessário converter o julgamento em diligência a fim de que se possa conhecer o valor correto de correção monetária paga pela Prefeitura de Salvador em cada uma das assunções de dívidas da recorrente, devendo a DRF de origem tomar as seguintes providências: Fl. 1247DF CARF MF 14 a) Intime a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente o contrato de assunção de dívida celebrado entre a Prefeitura de Salvador e o BANORTE, o qual fez parte integrante da escritura pública de confissão de dívida (fls. 897/911), como previsto na cláusula décima primeira (fls. 900); b) Intime a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente o contrato de assunção de dívida celebrado entre a Prefeitura de Salvador e o Banco Nacional; c) Após este prazo, que o agente fiscal analise o Contrato de Confissão de Dívida (fls. 927/933) celebrado entre o Banco do Brasil S.A. e a Prefeitura de Salvador, bem como os demais contratos e documentos que apresentados pela recorrente, efetue a conferência das despesas que eles originaram e se manifeste expressamente se os índices de correção monetária utilizados pela recorrente são condizentes com os contratados, emitindo parecer conclusivo de qual o valor correto da correção monetária a ser dedutível. Realizada a diligência, a autoridade administrativa responsável apresentou Informação Fiscal (fls. 1090 a 1096) concluindo o seguinte: 6. Diante do exposto, concluímos que: 6.1. Considerando que as empresas concessionárias do transporte coletivo municipal de passageiros de Salvador, dentre elas a TRANSPORTES SOL S.A, celebraram Contratos de Mútuo com os bancos credores, dentre eles o NACIONAL S/A, BANORTE BANCO DE INVESTIMENTO S/A e BANCO SAFRA DE INVESTIMENTO S/A. 6.2. Considerando que em função dos Contratos de Mútuo não terem sido quitados pelas empresas concessionárias aos bancos credores, foram celebrados BRASIL S.A, na qualidade de Agente do Tesouro Nacional, e os bancos credores, dentre eles o BANORTE BANCO DE INVESTIMENTO S/A, NACIONAL S/A e BANCO SAFRA DE INVESTIMENTOS S/A e a PREFEITURA MUNICIPAL DE SALVADOR, visando ao pagamento das referidas dívidas de responsabilidade das empresas concessionárias e assumidas pela Prefeitura de Salvador (item 3 desta Informação Fiscal). Tais Contratos foram corroborados pelo Contrato n° 90/01 0930, celebrado entre o BANCO DE BRASIL S.A, na qualidade de Agente do Tesouro Nacional e a PREFEITURA MUNICIPAL DE SALVADOR. (item 5 desta Informação Fiscal) 6.3. Considerando que foi celebrado Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida entre as empresas do serviço de transporte coletivo de Salvador e o Município de Salvador, atestando que as empresas reconhecem ser de sua inteira responsabilidade as dívidas assumidas pelo Município do Salvador, e por isso mesmo delas se confessam devedoras, comprometendose a pagar as quantias estabelecidas nos citados contratos. (item 4 desta Informação Fiscal) 6.4. Considerando que os Contratos de Confissão/Assunção de Dívidas n° 87/007517, 87/007533 e 87/007541 celebrados entre o BANCO DO BRASIL S.A, na qualidade de Agente do Tesouro Nacional, e os bancos credores, corroborado pelo Contrato n° 90/010930, entre o BA NCO DE BRASIL S.A, e a PREFEITURA MUNICIPAL DE SALVADOR preveem a incidência de correção monetária sobre os saldos devedores das dívidas. 6.5. Concluímos que, se há previsão contratual da correção monetária das dívidas assumidas pela PREFEITURA DE SALVADOR perante o BANCO DO BRASIL e, concomitantemente, as empresas concessionárias se confessaram devedoras da PREFEITURA DE SALVADOR, comprometendose a pagar as quantias citadas nos Contratos, os valores da correção monetária cobradas pelo Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.242 15 BANCO DO BRASIL à PREFEITURA são também devidas pelas empresas à PREFEITURA DE SALVADOR. 7. Vencida a etapa da existência dos Contratos e da possibilidade de a empresa concessionária TRANSPORTES SOL ter apropriado valores de correção monetária nos anoscalendário de 1991 e 1992, passemos à análise dos valores propriamente ditos, apropriados pela empresa e dos valores considerados corretos por essa fiscalização. 8. Cumpre informar, inicialmente, que os cálculos efetuados partiram de um saldo devedor em 31/12/1990, de Cr$ 69.169.434,13, informado pela empresa nos autos do Processo Administrativo Fiscal. 9. Os valores da correção monetária apropriados e respectivos índices utilizados pela empresa foram os seguintes: 10. Ressaltese que não se pode afirmar com absoluta certeza que o índice ( 4 ) utilizado pela empresa é a UFIR DIÁRIA, tendo em vista a fiscalização ter constatado que o valor oficial deste índice no período considerado pela empresa seria um pouco divergente do valor por ela apropriado, mas é o que mais se aproxima da realidade. Neste caso, não importa o nome dado ao índice, interessando que, matematicamente, os valores dos índices demonstrados no quadro do item anterior são os efetivamente utilizados pela empresa para atualização dos respectivos saldos devedores. O índice ( 1 ) utilizado pela empresa é decorrente da divisão da Ufir de Janeiro de 1992 (597,06) pelo valor do BTNF de 31/12/90 (103,5081). 11. Conforme dito nos itens anteriores, nos Contratos n°s 87/007517, 87/007533 e 87/007541, datados de 31/12/1987, estava prevista a atualização monetária com base taxa de variação do valor diário da Obrigação do Tesouro Nacional (OTN FISCAL) divulgado pela Secretaria da Receita Federal ou qualquer outro índice que, em substituição, venha a ser legalmente definido e, no Contrato n° 90/010930, datado de 25/06/1990, estava prevista a atualização monetária com base na variação positiva no valor nominal do Bônus do Tesouro Nacional – BTN (ou outro indexador que, legalmente, venha a substituílo). 12. Entretanto, na data da contabilização da correção monetária pela empresa e que foi objeto do lançamento fiscal, ou seja, os anoscalendário de 1991 e 1992 os indexadores previstos contratualmente já não existiam mais, tendo sido substituídos por outros, a saber: • A partir de junho de 1989 até janeiro de 1991, BTN Fiscal (Lei 7.799/89, art. 5° e Lei 7.799/89, art 10 e 30). Fl. 1249DF CARF MF 16 • De fevereiro de 1991 até dezembro de 1991, a correção monetária foi efetuada com base no Fator de Atualização Patrimonial FAP (Lei 8.177/91, art. 3°, Lei 8.200/91, art. 1° e Lei 8.383/91, art. 2°, §§ 1° e 6° e Decreto 332/91, art.2°) • A partir de janeiro de 1992 até agosto de 1994. UFIR diária. 13. O Decreto n° 332 de 04/11/1991, que dispõe sobr e a correção monetária das demonstrações financeiras prevê: CAPÍTULO I Da Correção Monetária com base no INPC Art. 1º Para efeito de determinar o lucro real base de cálculo do Imposto de Renda das pessoas jurídicas a correção monetária das demonstrações financeiras será efetuada de acordo com as normas previstas neste decreto. Art. 2º A correção monetária mencionada no artigo anterior terá por base o Fator de Atualização Patrimonial (FAP), cujo valor para o mês de janeiro de 1991 é Cr$ 126,8621. Parágrafo único. O valor em cruzeiros do FAP será atualizado mensalmente com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no mês. 14. Portanto, a correção monetária no período de 02/1991 a 12/1991, com base no FAP, será calculada pelo INPC. 15. Com base nos indexadores citados no item 12 e conforme Art. 1° e 2° do Decreto 332/91, esta fiscalização efetuou a seguir os cálculos corretos da correção monetária que poderia ter sido apropriada pela empresa, conforme os respectivos períodos de apuração: 16. Efetuamos a seguir comparativo entre a correção monetária apropriada pela empresa e a calculada pela presente fiscalização: 17. Da análise do Quadro Comparativo do item anterior, depreendese que os valores da correção monetária apropriados pela empresa nos respectivos períodos de apuração foram inferiores aos índices oficiais de correção, aceitos pela Receita Federal do Brasil. Portanto, diante do exposto e à luz da legislação citada, concluiu se que não houve prejuízo financeiro à Receita Federal do Brasil. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.243 17 18. Proponho o encaminhamento desta Informação Fiscal à EQPROSECAT DRFBHEMG para cientificação ao contribuinte para que, em sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido à 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para julgamento. A Recorrente apresentou sua manifestação sobre a diligência (fls. 1226/1229, realçando as conclusões a que chegou a autoridade administrativa e reiterando os argumentos do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Tratamse de recurso de ofício e voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, que decidiu pela procedência parcial da impugnação apresentada pela Empresa. Por uma questão de praticidade, vou tratar da autuação por infração descrita no Termo de Verificação Fiscal, apontando o RO ou o RV quando pertinente. 1 OMISSÃO DE RECEITAS A primeira infração trata de omissão de receitas em função de apuração realizada pela fiscalização da Prefeitura Municipal de Salvador. Nesta infração, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) constatou que a empresa omitiu receitas pela comparação dos valores declarados com os valores levantados pelos Fiscais da Prefeitura, a partir de auto de infração lavrado pelas autoridades municipais. Pelo que se vê da descrição do fato pelo fisco federal e pela documentação por ele acostada como fundamento de fato da autuação, notase que não foi aproveitada prova da fiscalização municipal para, a partir dela, ser realizada a apuração nos termos da legislação federal. O que os Auditores Fiscais da RFB fizeram foi aproveitar o levantamento realizado pelos auditores municipais, na ótica da legislação municipal, emprestando a receita bruta por eles calculada, comparando esta com a receita declarada e considerando como receita omitida a diferença. A prova emprestada deve ser cuidadosamente analisada caso a caso. Em que pese o tema não ter sido tratado como preliminar, em verdade, pode ser invocado de ofício, caso esteja presente nulidade por cerceamento do direito de defesa. No caso sub judice, a DRJ faz uma acurada análise da situação do processo de execução de dívida ativa da Prefeitura de Salvador, asseverando: Fl. 1251DF CARF MF 18 Desde logo, impende considerar que, a princípio, ainda que o auto de infração ora impugnado se baseasse tãosomente no auto de infração do ISS, mesmo assim, não haveria prejuízo para a exigência do IRPJ e reflexos, haja vista que, de acordo com considerações vertidas na sentença de primeira instância, a Fazenda Municipal asseverou em sua impugnação, que nos termos da legislação que rege a matéria, o Fiscal municipal considerou a receita bruta apurada através do exame de livros contábeis da empresa. (...) No que diz respeito à alegação de que se trata de "prova emprestada", hipótese em que outros elementos ou indícios deveriam ter sido, obrigatoriamente, apurados pelo fisco federal, esse entendimento também não é um postulado, nem é absoluto. Não há nenhum óbice que se tome por empréstimo a prova levantada pelo fisco municipal, desde que relativa a fatos que tenham relevância também para o IRPJ e reflexos, tal como no caso de omissão de receita. Ademais, levando em conta que as declarações constantes dos autos lavrados pelo fisco municipal foram prestadas também por um agente do Poder Público, elas presumemse verdadeiras até prova em contrário. Peço venia para, embora concorde com a afirmação de que a prova emprestada pode ser legalmente utilizada, discordar frontalmente quanto à aplicação da afirmação neste processo. O que o Fisco Federal emprestou não foi nenhuma prova mas o levantamento realizado pelo fisco municipal. O documento que junta à folha 34 apresenta o valor que foi considerado como receita e não uma prova aproveitada daquela autuação para sustentar apuração feita pelo fisco federal. Não há nos autos nenhum cálculo, nada que informe como aos Auditores da RFB chegaram ao valor da receita, apenas a receita apurada pelos auditores municipais. Ficou demonstrado nos autos que o Fisco Municipal apurou a receita para fins de ISS multiplicando o valor da tarifa pela quantidade de passageiros transportados. Nesse sentido, a Recorrente aponta erro, uma vez que não foram consideradas as meias tarifas concedidas aos estudantes, o que configuraria o conceito de "passageiros equivalentes", criado pela Secretaria Municipal de Transportes de Salvador, resultante da soma dos passageiros "normais" e dos estudantes (estes divididos pro dois). Caso o levantamento da receita fosse feito pelo fisco federal haveria resposta para o questionamento, mas, ao contrário, o que se buscou foi justificar na fé pública das autoridades municipais e na situação jurídica do débito relativo ao auto de infração municipal. Ou seja, o auto de infração da RFB está condicionado ao resultado da execução judicial do auto de infração municipal. No PAF já foi consagrada a figura da concomitância de processo judicial com o administrativo, quando o crédito tributário é considerado definitivamente constituído, por presunção de renúncia ao julgamento na esfera administrativa, em função da unicidade de jurisdição. Mas no caso presente não podemos aplicar a solução, haja vista que o recurso impetrado diz respeito à lançamento de outro ente tributante, utilizado como fundamento da autuação federal. Entendo que este caso é um caso clássico de utilização de levantamento realizado por outro fisco, não se tratando de prova emprestada. Essa situação impede a defesa Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.244 19 administrativa da Empresa no processo administrativo fiscal, vinculando a situação à decisão judicial aplicada ao lançamento tributário municipal, o que entendo ser inaceitável. Assim, considero nulo, por cerceamento do direito de defesa, o lançamento relativo à omissão de receitas. Considerando que os lançamentos de PIS, Finsocial/Faturamento e Cofins incidiram apenas sobre este item do auto de infração de IRPJ, ficam prejudicados os seus julgamentos, desde já considerados nulos, por consequência. O Recurso de Ofício relativo ao PIS, que foi afastado por entender a Turma Julgadora da DRJ que deveria ser lançado como PIS/Repique, também fica prejudicado pela preliminar de nulidade invocada. O lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) deve ser reduzido em relação a esta infração, de forma simétrica ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). 2 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS Aqui tratamos de apropriação de despesa de correção monetária pósfixada passiva sobre dívida contraída com a Prefeitura Municipal de Salvador. Historia a Recorrente que em função do Plano Cruzado e do congelamento das tarifas de ônibus, passou a acumular prejuízos só obtendo socorro em empréstimos bancários. Reconhecendo o fato e ante a inadimplência das Empresas, a Prefeitura assumiu a dívida junto aos bancos credores e as empresas de transporte coletivo assumiram compromisso de pagar a dívida para a Prefeitura, com 50% do valor das tarifas. A fiscalização federal diz que não houve comprovação da dívida e do ajuste contratual do índice de correção. A Recorrente contesta, afirmando que firmou contrato com a Prefeitura e que a despesa é legal. Além disso afirma que, em função da prescrição da obrigação contratual, houve a reversão da dívida e das despesas em 2009, pelo que invoca a postergação, sendo que o lançamento seria apenas pelas perdas moratórias e não pelo principal. Destaco excerto do voto condutor do acórdão recorrido: Ora, quanto a existência fática da dívida, a fiscalização concluiu pela sua não exigibilidade, justamente porque, embora afirmasse que se "tratava de uma dívida líquida e certa que seria liquidada pela Empresa, dentro das condições estabelecidas em contrato" (fl. 79), ao mesmo tempo a fiscalizada não logrou apresentar os contratos originais com as respectivas instituições financeiras, sob a alegação "os quais não temos para apresentar no momento", bem como porque o pagamento da suposta dívida ao município era evento condicional, qual seja, somente ocorreria a partir da fixação, pelo município de Salvador, de uma tarifa real para o transporte coletivo. Até 13 de dezembro de 1996, consoante informação por escrito da fiscalizada, isso "não teria acontecido até então" e, por essa razão, também não havia sido efetuado pagamento da dívida. Creio que a atribuição de ineficácia ao contrato firmado pela Empresa e a Prefeitura de Salvador decorrente de elemento acidental do negócio jurídico firmado, qual seja, Fl. 1253DF CARF MF 20 a condição suspensiva, precede qualquer discussão em torno da possibilidade de reconhecimento da despesa com correção monetária e seus índices. Vejamos a Cláusula Quinta do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida que entre si celebram as EMPRESAS DO SERVIÇO DE TRANSPORTE COLETIVO DA CAPITAL e o MUNICÍPIO DO SALVADOR: CLAUSULA QUINTA O pagamento de que trata a cláusula anterior será iniciado simultaneamente com o que será realizado pelo MUNICÍPIO DO SALVADOR, ao BANCO DO BRASIL S/A., e ainda a partir da fixação pelo MUNICÍPIO DO SALVADOR, de uma tarifa real para o transporte coletivo de Salvador, entendendo se como tal, aquela em que sejam considerados todos os custos e observados os índices praticados à época, dentro dos critérios nacionais de apuração de custo tarifário, calculados através de planilha da Secretaria de Transportes Urbanos do Salvador.(grifei) Nesse sentido decidiu com correção insofismável a DRJ, pois que, só há como reconhecer uma dívida a partir do momento em que ela se torna exigível. Restando não realizada condição suspensiva, o contrato, segundo a denominada "escada Ponteana", existente e válido, não será exigível por não ser eficaz. Transcrevo e faço minhas as considerações do relator do acórdão recorrido: Ora, se infere das palavras da própria defendente, que a suposta credora (Prefeitura) não implementou a condição que lhe propiciaria receber seus créditos. Isso é, como a amortização do empréstimo somente ocorreria a partir do momento que as empresas de transportes conseguissem recuperar, mediante repasse no preço da tarifa, as perdas ocorridas com o "Plano Cruzado", a credora (Prefeitura) jamais iria receber tal dívida, se não concedesse o reajustamento das tarifas a índices reais, obviamente, até a data de ocorrência da prescrição. Portanto, o contexto denota é que então a própria credora (Prefeitura) é quem ensejou, ao cabo do lapso temporal do prazo de prescrição, que a dívida jamais tivesse se tomado exigível. E nesse caso, diante desse enredamento, de fato a "dívida" com a Prefeitura, não obstante sua formalização, dependia de evento futuro, incerto, e unilateral, que se não ocorrido até a prescrição, importava em autêntico vazio da propalada exigibilidade. Ora, para os fins de admissibilidade ou não das despesas de variações monetárias passivas incidentes sobre suposta "dívida" nos períodos de apuração findos em 31/12/1991, 30/06/1992 e 31/12/1992, é idêntico o reflexo. Por isso não tem relevância qualquer que tenha sido a sorte da suposta "dívida". Quer ela tenha sido perdoada, quer tenha se tornado prescrita sua exigibilidade pelo credor (Prefeitura), sem que ela tivesse implementado a condição que lhe asseguraria o retorno, dá no mesmo, ou seja, as despesas de variação monetária passiva apropriadas não eram devidas, eis que nem a dívida, nem os respectivos encargos financeiros consectários jamais foram exigidos, muito menos pagos. Confirase. a propósito, a transcrição da manifestação da interessada, á fl. 505 dos autos: "Conforme consta do Instrumento particular de Confissão e Liquidação de Divida, firmado entre a Prefeitura Municipal de Salvador e a intimada, o mútuo foi concedido para cobertura de custos com o transporte urbano não repassado para as tarifas em virtude do congelamento de preços determinado pelo "Plano Cruzado"; Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.245 21 De acordo com o referido instrumento, ficou acordado que a transferência dos recursos às concessionárias seria a titulo de mútuo. A amortização seria realizada na proporção de 50% do valor da remuneração do capital embutido na tarifa. Isso é, a amortização do empréstimo somente ocorreria a partir do momento que as empresas de transportes conseguissem recuperar, mediante repasse no preço da tarifa, as perdas ocorridas com o "Plano Cruzado"; No entanto, tendo em vista que até 1999, data em que o mutuo passaria a ser não mais exigível por ocorrência de prescrição, a Prefeitura de Salvador não havia permitido o reajustamento das tarifas a índices reais." (ipsis litteris) (grifos não são do original) Aliás, diante da afirmação da interessada na manifestação de que "não obstante a Intimada ter demonstrado que a obrigação (mútuo) era plenamente exigível nos períodos de competência e que sua reversão se deu por fato novo (Prescrição)... ", resta de todo incontroversa a certeza de que a dívida, consolidada com os respectivos encargos financeiros apropriados, não foi objeto de pagamento a qualquer tempo. No dizer da interessada ela foi "revertida", e essa reversão se deveu a "fato novo". A sobredita "prescrição", nas circunstâncias, não é nem bem um fato novo, como quer fazer crer a defendente, mesmo porque, conforme já demonstrado, competia à credora (Prefeitura) expedir o ato volitivo que demandaria a implementação da condição ensejadora do início das amortizações por parte da devedora (Transportes Sol), e ela não o fez como diz a própria interessada. Então, aqui essa aludida "prescrição" é um evento certo, que ocorreria ao termo de determinado prazo. Porém, derradeiramente, o documento de elaboração da própria interessada, intitulado "Planilha de Reconstituição da Conta — Empréstimos Pref. Mun. Salvador — Período 31/12/1988 a 31/12/1999", que ela aportou aos autos com a manifestação sobre a diligência (fls. 541/542), espairece quaisquer dúvidas que pudessem remanescer acerca de que a dívida não era exigível. Como se vê na movimentação refletida na referida Planilha, em 31/12/1999, por meio de um lançamento contábil cuja descrição è "Vr. Remissão dívida c/ Prefeitura Municipal de Salvador, que ora se reverte", a indigitada dívida foi baixada do passivo da empresa. A descrição do fato no lançamento contábil menciona exatamente o evento "Remissão", vocábulo cuja acepção genérica é de perdão de dívida, libertação graciosa da dívida. Portanto, apesar da diligência ter considerado o contrário, entendo que a condição suspensiva não implementada torna ineficaz e inexigível o contrato, pelo que não poderiam ser apropriadas despesas de correção monetária, independentemente do índice utilizado. Sobre a reversão da dívida e a alegação de postergação, meu entendimento também não diverge do fundamento apresentado no acórdão, uma vez que corrobora o bem embasado Parecer Normativa Cosit nº 2, de 1996, que trata da postergação, ipsis litteris: (...) Fl. 1255DF CARF MF 22 De qualquer forma, ainda que fosse possível ultrapassar esse óbice, e não é. não e pode olvidar que o tratamento fiscal preceituado no Parecer Normativo CST n° 02. de 1996, restrito às hipótese em que o imposto que deixou de ser pago em determinado períodobase, por redução indevida do lucro real, em face de despesa indevida ou de receita omitida, foi de fato, efetivamente, pago espontaneamente em períodobase posterior. Não existindo pagamento, nem sequer há como operacionalizar a hipótese de que cuida o Parecer em comento, haja vista que ele recomenda é, no momento do lançamento de ofício considerar as parcelas do imposto pagas em períodobase posterior, exigindose, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa. Confirase: Parecer Normativo COSIT n" 02, DE 1996: 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. 6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em período base posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de oficio, a qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago." Não tendo havido pagamento de imposto no períodobase suplementar posterior, que no caso è o de 1999, não há que se falar em postergação, pois que a teor do subitem 6.3 do mesmo Parecer Normativo, a redução indevida do lucro líquido de um períodobase, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. Qualquer ajuste daí decorrente, que venha ser efetuado posteriormente pelo contribuinte não tem as características dos procedimentos espontâneos e, por conseguinte, não poderá ser pleiteado para produzir efeito no próprio lançamento. No anocalendário de 1999, a contribuinte apresentou declaração de rendimentos pelo lucro real anual, apurou prejuízo fiscal de R$ 15.968,93 e base de cálculo negativa da contribuição social de R$ 21.153,85. Conforme se depreende das fichas 12, 13A, 29 e 30 da declaração de rendimentos do anocalendário de 1999, que a defendente entregou a SRF em 27/06/2000, nenhum imposto e contribuição social foram pagos. Assim, nego provimento ao recurso voluntário no item 2 do auto de infração. 3 DESPESAS /CUSTOS INDEDUTÍVEIS FALTA DE COMPROVAÇÃO Neste item do auto de infração reside a maior parte do Recurso de Ofício (excluído apenas o PIS/Repique), uma vez que a DRJ reconhece erro material no cálculo da atualização monetária que deixou de levar em conta o efeito das amortizações, além de compensar o prejuízo de períodos anteriores. Lembro que a redução da multa de 100% para 75%, por aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional (CTN), que integra o acórdão recorrido, não integra o recurso de ofício e é Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.246 23 decisão definitiva na esfera administrativa, forte no inciso V do artigo 27 da Lei nº 10.522, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013. O Recurso de ofício, neste item, ataca apenas a decisão daquela Turma que diz respeito à utilização da UR do mês e não à UR do mês seguinte. Neste ponto, tem razão a DRJ, que manteve o valor da UR utilizado pela Fiscalização. Não havendo o que acrescentar, adoto as razões de decidir daquele acórdão: Valor nominal da "UR" — Unidade de Referência de reajuste BNDES/F1NAIVIE: Como se vê, tanto na peça impugnatória vestibular, como na manifestação sobre as diligências, a defendente arrima suas razões de discordância em dois aspectos principais, quais sejam: a) que a fiscalização deveria ter levado em conta, para efeito da atualização monetária dos financiamentos FINAME juntos aos Bancos Mercantil do Brasil e Econômico, o valor nominal da "UR" do mês subseqüente ao do períodobase encerrado e não a "UR" do próprio mês e b) erro material no cálculo da atualização monetária que deixou de levar em conta o efeito das amortizações. a) atualização monetária dos financiamentos FINAME juntos aos Bancos Mercantil do Brasil e Econômico, com base no valor nominal da "UR" do mês subseqüente ao do períodobase encerrado e não a "UR" do próprio mês: Inicialmente cumpre rebater a discordância da defendente em relação ao valor nominal da "UR". Ela se apega a tese de que a fiscalização teria cometido equívoco no que diz respeito a qual valor nominal da "UR" (Unidade de Referência), que é a "moeda" utilizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para atualização de contratos na modalidade FINAME), a ser adotado. Ou seja, nos meses de dezembro de 1991 (6.705,819790), junho de 1992 (R$ 24.468,644514) e dezembro de 1992 (RS 87.278,023741), quando, a seu ver, deveria ter sido adotada a "UR" dos meses de janeiro de 1992 (8.611,613774), julho de 1992 (29.619,644514) e janeiro de 1993 (108.181,110427), respectivamente. Segundo seu raciocínio, como a "UR" relativa a determinado mês é divulgada sempre no primeiro dia ela não refletiria a situação econômica desse mês, mas sim do mês anterior. Dai, diz então, que a "regra" determina que deve ser adotada a "UR" do mês posterior para propiciar a atualização dos contratos FINAME á realidade econômicofinanceira. No entanto, sem razão a defendente que, aliás, nem sequer explicita o fundamento legal da alegada "regra". Averbese que o próprio agente financeiro, Banco Mercantil do Brasil S/A Carteira de Operações Leasing FINAME, por meio do expediente datado de 11/11/1996 (fl. 44), ao informar os saldos dos contratos em aberto em 31/12/1991, 30/06/1992 e 31/12/1992, efetuou a valorização em Cr$, adotando os valores nominais de 6.705.819790: 24.468,933923 e 87.278,023741, em dezembro de 1991, junho de 1992 e dezembro de 1992. respectivamente. Ademais disso, a demonstrar que a alegação não subsiste, basta compulsar o demonstrativo intitulado "Variação Monetária Passiva — 1991". entregue pela própria fiscalizada, no curso da ação fiscal, em atendimento ao item 05 do Termo de Intimação de 08/08/1991, para constatar que os saldos devedores dos contratos de financiamentos na modalidade FINAIVIE, contraídos junto aos agentes financeiros Fl. 1257DF CARF MF 24 Banco Mercantil do Brasil S/A e Banco Econômico S/A, foram valorizados e a respectiva apropriação dos encargos de variação monetária passiva levou em conta, inequivocamente, a "UR" de R$ 6.705,82 em 31/12/1991, com exceção tãosomente do Contrato n° 16163 do Banco Mercantil do Brasil, cujo valor nominal de R$ 7.944,97 da "UR" adotada, nem sequer consta da copia reprográfica da lista de cotações da "UR" do próprio BNDES, à fl. 22. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário nesse item. Em Relação ao Recurso de Ofício, restrito ao item 3 do auto de infração, não creio que haja correção a ser feita em relação à decisão adotada. Nas tabelas de folhas 687/693 o Relator do acórdão recorrido refaz os cálculos da correção monetária dos contratos do Banco Mercantil e Econômico. Consolida os valores no item III às fls. 693/694, concluindo: À vista dos quadros demonstrativos supra, ficou evidenciada que, de fato, em função de critérios de cálculos adotados, especialmente em face das baixas de parcelas de amortizações, e da adoção de valor a incorreto do saldo sujeito a variação monetária passiva de um contrato de financiamento do Banco Mercantil, alguns valores de variações monetárias passivas de alguns contratos teriam sido apurados a menor, indevidamente, pela fiscalização. Assim sendo, comporta excluir essas parcelas dos valores tributáveis. E a comprovação desses valores é inequívoca, haja vista que somente os valores das variações monetárias passivas calculadas e adotadas por essa Decisão, coincidem com os saldos finais dos períodos de apuração encerrados em 31/1211991, 30/0611992 e 31/12/1992, informados diretamente pelos respectivos bancos agentes dos contratos FINAME (Banco Mercantil do Brasil e Banco Econômico), no cômputo da equação: (saldo inicial ou valor liberado — amortizações + variação monetária passiva). Os valores finais, portanto, passaram por "prova dos nove", coincidindo com os saldos apurados pelos bancos intervenientes. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.247 25 Finalmente, correta, também, a DRJ ao compensar os prejuízos existentes de períodos anteriores, lembrando que, à época, a regra de compensação de prejuízos era a descrita no artigo 64 do Decretolei nº 1.598, de 1977, que permitia a compensação integral limitada aos quatro anos subsequentes à apuração do resultado negativo. Destaquese, também, que a Recorrente não tinha base negativa de CSLL a compensar, mesmo porque o início de seu cômputo se deu em 1992. Certo é que a compensação de prejuízos será adequada a esta decisão, conforme quadros que passo a expor : Posição do SAPLI adaptada a esta decisão: 1991 30/06/1992 31/12/1992 PF PB 1987 259.619.033,00 149.642.157,94 0,00 PF PB 1988 1.177.116,00 4.077.298,23 0,00 PF PB 1989 215.632.603,00 746.908.912,36 0,00 PF PB 1990 0,00 0,00 0,00 Saldo Corrigido de Prejuízos Fiscais PF PB 1991 0,00 0,00 0,00 Lucro Real antes Comp Prej Lucro Real 216.417.342,00 187.782.185,00 2.692.220.696.00 PF PB 1987 259.619.033,00 149.642.157,94 0,00 PF PB 1988 1.177.116,00 4.077.298,23 0,00 PF PB 1989 215.632.603,00 746.908.912,36 0,00 PF PB 1990 0,00 0,00 Copensação de Prejuízos Fiscais PF PB 1991 0,00 0,00 PF PB 1987 43.201.691,00 0,00 0,00 PF PB 1988 1.177.116,00 0,00 0,00 PF PB 1989 215.632.603,00 712.846.183,17 0,00 PF PB 1990 0,00 0,00 Saldo de Prejuízos Fiscais após Compensação PF PB 1991 0,00 Valores mantidos na DRJ em comparação com o mantido neste Acórdão: Acórdão DRJ Acórdão CARF 1991 30/06/1992 31/12/1992 1991 30/06/1992 31/12/1992 1. Omissão de receitas (Cr$) 211.808.531,00 29.646.722,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2.Glosa Variações Mon. Pas. (Dívida Prefeitura) (Cr$) 329.816.752,72 982.897.586,40 3.520.604.460,12 329.816.752,72 982.897.586,40 3.520.604.460,12 3. Glosa Variações Mon.Passivas FINAME (Cr$) 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 TOTAL MANTIDO (Cr$) 1.008.826.524,56 1.358.300.534,86 3.800.964.299,26 797.017.993,56 1.328.653.812,86 3.800.964.299,26 Prejuízo Fiscal do Período 580.600.651,56 0,00 0,00 580.600.651,56 0,00 0,00 V. Tributável do Período 428.225.873,00 1.358.300.534,86 3.800.964.299,26 216.417.342,00 1.328.653.812,86 3.800.964.299,26 Prejuízo Fiscal Perídos Anteriores 428.225.873,00 0,00 0,00 216.417.342,00 712.846.183,17 0,00 V Tributável após compensação 0,00 1.358.300.534,86 3.800.964.299,26 0,00 615.807.629,69 3.800.964.299,26 UFIR 2.067,91 7.340,03 2.067,91 7.340,03 Valor Tributável Em UFIR 656.847,03 517.840,43 297.792,27 517.840,43 Alíquota do IRPJ 30% 30% 30% 30% Valor do Imposto em UFIR 197.054,11 155.352,13 89.337,68 155.352,13 Valor Tributável Adicional (10% sobre o que exceder a 150 mil UFIR semestrais, art. 49 da L 8.383/91) 506.847,03 367.840,43 147.792,27 367.840,43 Alíquota Adicional 10% 10% 10% 10% Adicional do Imposto em UFIR 50.684,70 36.784,04 14.779,22 36.784,04 Total do imposto devido em UFIR 0,00 247.738,81 192.136,17 104.116,90 192.136,17 Fl. 1259DF CARF MF 26 Efeitos deste Acórdão no lançamento de CSLL Acórdão DRJ Acórdão CARF 1991 30/06/1992 31/12/1992 1991 30/06/1992 31/12/1992 1. Omissão de receitas (Cr$) 211.808.531,00 29.646.722,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2.Glosa Variações Mon. Pas. (Dívida Prefeitura) (Cr$) 329.816.752,72 982.897.586,40 3.520.604.460,12 329.816.752,72 982.897.586,40 3.520.604.460,12 3. Glosa Variações Mon.Passivas FINAME (Cr$) 467.201.240,84 696.074.632,46 280.359.839,14 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 TOTAL MANTIDO (Cr$) 1.008.826.524,56 1.358.300.534,86 3.800.964.299,26 797.017.993,56 1.328.653.812,86 3.800.964.299,26 Base de Cálculo da CSLL* 917.115.022,32 1.234.818.668,05 724.561.812,32 1.207.867.102,60 3.455.422.090,23 Alíquota da CSLL 10% 10% 10% 10% 10% 10% CSLL devida (Cr$) 91.711.502,23 123.481.866,80 72.456.181,23 120.786.710,26 345.542.209,02 UFIR 597,06 2.067,91 7.340,03 597,06 2.067,91 7.340,03 CSLL devida em UFIR 153.605,17 59.713,37 517.840,43 121.354,94 58.410,04 47.076,40 Feitas estas considerações, reconheço, de ofício, a nulidade dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS, Fisocial/Faturamento e Cofins relativos à infração 1omissão de receita, por cerceamento do direito de defesa; não conheço do Recurso de Ofício no tocante ao lançamento de PIS, por perda de objeto; conheço do Recurso de Ofício em relação ao IRPJ e à CSLL para negarlhe provimento, nos termos do voto proferido; conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, nos termos do voto proferido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Voto Vencedor Conselheira Maria Lucia Miceli Redatora Designada Em que pese o excelente voto proferido pelo i. Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, ouso discordar com relação à exigência da infração em razão da glosa das despesas com a correção monetária, pelos motivos a seguir. Intimada a justificar os valores apropriados como despesas de Correção Monetária PósFixada, nos valores de Cr$ 329.816,752,72 (períodobase de 1991), Cr$ 982.897.586,40 (período de janeiro a junho de 1992), Cr$ 310.055.289,21 e de Cr$ 3.210.549.170,91 (período de julho a dezembro de 1992), a recorrente esclareceu que seriam despesas em decorrência de empréstimo que teria contraído junto à Prefeitura Municipal de Salvador. Esta, por sua vez, teria assumido a dívida que a recorrente teria contraído com diversos bancos. No Termo de Verificação Fiscal, o auditor fiscal consignou que a recorrente apresentou o Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida, firmado em 31/12/87, acordado com Prefeitura Municipal de Salvador em razão do empréstimo. O auditor fiscal examinou o contrato, constatando a forma de amortização da dívida prevista na Cláusula VI, bem como a inexistência de pactuação de índice específico de correção do empréstimo. Em resposta ao TIF nº 01, de 21/10/96, a recorrente informou que não teria efetuado qualquer pagamento até aquela data, e sequer apresentara os contratos de empréstimos junto aos bancos Verificase, ainda, que a DRF/Salvador diligenciou junto à Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de Salvador, concluindo que a dívida teria sido assumida sem qualquer contraprestação por parte de recorrente. Intimada a fornecer os valores da dívida, bem Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.248 27 como registros individualizados das operações constantes na contabilidade, a Prefeitura Municipal de Salvador não respondeu. Diante destes fatos, o auditor fiscal concluiu que a recorrente não teria comprovado qualquer ônus junto à Prefeitura Municipal, motivo pelo qual glosou os valores lançados a título de despesa com correção monetária com um empréstimo não comprovado. Abaixo, trecho do TVF com a conclusão do auditor: Tendo em vista que, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os documentos que possam vir a modificar sua situação patrimonial e a empresa não comprovou que realmente deve os valores apropriados a título de despesa de correção monetária, tampouco que os índices utilizados para correção monetária do referido empréstimo foram os pactuados com a Prefeitura para a correção do mesmo; ainda, conforme a legislação , são operacionais as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, o que a autuada não logrou comprovar após intimada e reintimada, mesmo porque nunca amortizou nada, nunca lhe fora exigido qualquer pagamento do principal muito menos da correção monetária e continua normalmente suas atividades. Em sede de julgamento de 1º instância, a decisão recorrida abordou esta infração nos seguintes termos: Ora, quanto a existência fática da dívida, a fiscalização concluiu pela sua não exigibilidade, justamente porque, embora afirmasse que se "tratava de uma dívida líquida e certa que seria liquidada pela Empresa, dentro das condições estabelecidas em contrato" (fl. 79), ao mesmo tempo a fiscalizada não logrou apresentar os contratos originais com as respectivas instituições financeiras, sob a alegação "os quais não temos para apresentar no momento", bem como porque o pagamento da suposta dívida ao município era evento condicional, qual seja, somente ocorreria a partir da fixação, pelo município de Salvador, de uma tarifa real para o transporte coletivo. Até 13 de dezembro de 1996, consoante informação por escrito da fiscalizada, isso "não teria acontecido até então" e, por essa razão, também não havia sido efetuado pagamento da dívida. Ou seja, a decisão recorrida afirma que fiscalização teria fundamentado o lançamento em dois motivos: 1) A falta de apresentação dos contratos com as dívidas assumidas com os bancos. 2) Que o pagamento da suposta dívida ao município era evento condicional. Destaco, ainda, que no voto condutor há referência à resposta da recorrente ao TIF nº 01, de 21/10/96, fls. 79 (efls. 82), na qual ela própria esclarece: O pagamento da dívida, conforme Cláusula Quinta, será iniciado pelas Empresas simultaneamente com o que será realizado pelo MUNICÍPIO DO SALVADOR ao BANCO DO BRASIL, e ainda a partir da fixação pelo MUNICÍPIO DO SALVADOR, de uma tarifa real para o Transporte Coletivo de Salvador BA, o que não aconteceu até então. Portanto, tratase de uma dívida líquida e certa, que será liquidada pelas Empresas, dentro das condições estabelecidas em contrato. Diante dos fatos até aqui relatados, é fato que o auditor fiscal analisou o Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Divida, bem como tinha conhecimento da resposta da recorrente acostadas às efls. 82. Entretanto, discordando da decisão recorrida, Fl. 1261DF CARF MF 28 concluo que o auditor fiscal em momento algum do TVF, ou da ação fiscal, levantou a questão de evento condicional para o início do pagamento da dívida como fundamento da autuação. Tanto é assim que, na impugnação, esta questão não é abordada. E pelo simples motivo de não ter sido sequer aventada pela auditor fiscal na ação fiscal. O julgador a quo, ao examinar os elementos constantes nos autos, que trouxe a baile o evento condicional para o início do pagamento da dívida. O recurso voluntário foi a primeira oportunidade que a recorrente teve para se defender desta matéria. Transcrevo parte do recurso que inicia a defesa quanto a esta glosa: A DRJ entendeu, de forma resumida, que a glosa deve ser mantida por duas razões: falta de comprovação da existência da dívida, pois não foram acostados os contratos originais da dívida contraída com os Bancos, que posteriormente foi assumida pela Prefeitura de Salvador; ainda que a dívida existisse, teria havido o seu perdão, tendo em vista que o Município jamais implementou a condição contratual que propiciaria sua exigibilidade, que era o reajuste no preço das tarifas atinente a perdas com a inflação do chamado "Plano Cruzado". Neste termos, entendo que decisão recorrida inovou na fundamentação da autuação ao acrescentar mais um motivo para manutenção do lançamento, o que fere o direito à ampla defesa e ao contraditório. A recorrente só teve uma oportunidade para se defender desta matéria até então não suscitada nos autos. Assim, considerando o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, concluo que a decisão é nula, nesta parte. Entretanto, deixo de declarar a nulidade da decisão recorrida, tendo em vista o resultado da diligência, na qual foram obtidos os contratos que confirmaram a assunção da dívida da recorrente, frente aos bancos, pela Prefeitura Municipal de Salvador. A diligência ainda constatou que os contratos foram corroborados pelo Contrato nº 90/010930, celebrado entre o Banco do Brasil S.A., na qualidade de Agente do Tesouro Nacional, e a Prefeitura Municipal de Salvador. Assim, de posse da documentação que comprova a origem da dívida da recorrente frente aos bancos, a auditora efetuou os cálculos utilizando os índices conforme pactuados, concluindo que os valores lançados como despesas de correção monetária estariam corretos. Portanto, com base no artigo 59, inciso III do Decreto nº 70.235/72, deixo de declarar a nulidade, pois, no mérito, o lançamento é improcedente. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, da infração decorrente da glosa de despesas com a correção monetária. Com relação à compensação dos prejuízos existentes de períodos anteriores, os valores deverão ser retificados para refletir a presente decisão. Esclareço, ainda, que o artigo 64 do DecretoLei n]º 1.598/77, vigente à época, permitia a compensação integral limitada aos quatro anos subsequentes à apuração do resultado negativo. E, no presente caso, conforme consignado na decisão recorrida, a recorrente não tinha base negativa de CSLL a compensar, nos períodos de apuração em 30/06/1992 e 31/12/1992. Valores que deverão constar no SAPLI de acordo com este acórdão: Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.249 29 1991 30/06/1992 31/12/1992 PF PB 1987 259.619.033,00 PF PB 1987 0,00 PF PB 1987 0,00 PF PB 1988 1.177.116,00 PF PB 1988 4.076.941,27 PF PB 1988 0,00 PF PB 1989 215.632.603,00 PF PB 1989 746.843.520,49 PF PB 1989 771.600.981,71 * Obs 1 PF PB 1990 0,00 PF PB 1990 0,00 PF PB 1990 0,00 Saldo Corrigido de Prejuízos Fiscais PF PB 1991 0,00 PF PB 1991 392.758.859,03 PF PB 1991 1.394.097.570,12 Lucro Real antes Comp Prej Lucro Real 113.399.410,72 Lucro Real 187.782.185,00 Lucro Real 2.692.220.696,00 PF PB 1987 0,00 PF PB 1987 0,00 PF PB 1987 0,00 PF PB 1988 0,00 PF PB 1988 4.077.898,00 PF PB 1988 0,00 PF PB 1989 0,00 PF PB 1989 183.704.287,00 PF PB 1989 771.600.981,71 PF PB 1990 0,00 PF PB 1990 0,00 PF PB 1990 0,00 Copensação de Prejuízos Fiscais PF PB 1991 0,00 PF PB 1991 0,00 PF PB 1991 1.394.097.570,12 PF PB 1987 259.619.033,00 PF PB 1987 0,00 PF PB 1987 0,00 PF PB 1988 1.177.116,00 PF PB 1988 0,00 PF PB 1988 0,00 PF PB 1989 215.632.603,00 PF PB 1989 563.139.233,00 PF PB 1989 0,00 PF PB 1990 0,00 PF PB 1990 PF PB 1990 0,00 Saldo de Prejuízos Fiscais após Compensação PF PB 1991 113.399.410,72 PF PB 1991 392.758.859,03 PF PB 1991 0,00 Obs.1 Compensação com valor AI PF PB 1989 563.139.233,00 AI CARF 30/06/92 345.756.226,46 PF PB 1989 217.383.006,54 Saldo do Prejuízo PF PB 1989 771.600.981,71 Saldo do Prejuízo atualizado pela taxa de 3,5495 A seguir, quadro comparativo dos valores mantidos pela DRJ e daqueles mantidos neste Acórdão do CARF, relativos ao IRPJ: Acórdão DRJ Acórdão CARF 1991 30/06/1992 31/12/1992 1991 30/06/1992 31/12/1992 1. Omissão de receitas (Cr$) 211.808.531,00 29.646.722,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2.Glosa Variações Mon. Pas. (Dívida Prefeitura) (Cr$) 329.816.752,72 982.897.586,40 3.520.604.460,12 0,00 0,00 0,00 3. Glosa Variações Mon.Passivas FINAME (Cr$) 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 TOTAL MANTIDO (Cr$) 1.008.826.524,56 1.358.300.534,86 3.800.964.299,26 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 Lucro/Prejuízo Fiscal do Período 580.600.651,56 0 0 580.600.651,56 0,00 0,00 V. Tributável do Período 428.225.873,00 1.358.300.534,86 3.800.964.299,26 113.399.410,72 345.756.226,46 280.359.839,14 Prejuízo Fiscal Perídos Anteriores 428.225.873,00 0 0 345.756.226,46 0,00 V Tributável após compensação 0 1.358.300.534,86 3.800.964.299,26 0,00 0,00 280.359.839,14 UFIR 2.067,91 7.340,03 7.340,03 Valor Tributável Em UFIR 656.847,03 517.840,43 38.196,01 Alíquota do IRPJ 30% 30% 30% Valor do Imposto em UFIR 197.054,11 155.352,13 11.458,80 Valor Tributável Adicional (10% sobre o que exceder a 150 mil UFIR semestrais, art. 49 da L 8.383/91) 506.847,03 367.840,43 0,00 Alíquota Adicional 10% 10% 10% Adicional do Imposto em UFIR 50.684,70 36.784,04 0,00 Total do imposto devido em UFIR 0 247.738,81 192.136,17 11.458,80 Fl. 1263DF CARF MF 30 Abaixo, também quadro comparativo dos valores mantidos pela DRJ e os mantidos por este Acórdão, relativo a CSLL: Acórdão DRJ Acórdão CARF 1991 30/06/1992 31/12/1992 1991 30/06/1992 31/12/1992 1. Omissão de receitas (Cr$) 211.808.531,00 29.646.722,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2.Glosa Variações Mon. Pas. (Dívida Prefeitura) (Cr$) 329.816.752,72 982.897.586,40 3.520.604.460,12 0,00 0,00 0,00 3. Glosa Variações Mon.Passivas FINAME (Cr$) 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 TOTAL MANTIDO (Cr$) 1.008.826.524,56 1.358.300.534,86 3.800.964.299,26 467.201.240,84 345.756.226,46 280.359.839,14 Base de Cálculo da CSLL* 917.115.022,33 1.234.818.668,05 3.455.422.090,24 424.728.400,76 314.323.842,24 254.872.581,04 Alíquota da CSLL 10% 10% 10% 10% 10% 10% CSLL devida (Cr$) 91.711.502,23 123.481.866,81 345.542.209,02 42.472.840,08 31.432.384,22 25.487.258,10 UFIR 597,06 2.067,91 7.340,03 597,06 2.067,91 7.340,03 CSLL devida em UFIR 153.605,17 59.713,37 47.076,40 71.136,64 15.200,07 3.472,36 RECURSO DE OFÍCIO A decisão da DRJ exonerou os seguintes valores, todos em UFIR: IRPJ CSLL PIS Finsocial COFINS Totais AI 1.227.363,03 287.762,75 2.668,04 1.708,24 281,78 1.519.783,84 DRJ 439.874,95 260.394,94 0,00 1.708,24 281,78 702.259,91 Exonerado 787.488,08 27.367,81 2.668,04 0,00 0,00 817.523,93 Esclareço que a multa de ofício de 100% foi reduzida para 75%, por força da aplicação da retroatividade benigna, não cabendo recurso de ofício, nos termos do artigo 27, inciso V da Lei nº 10.522/2002. No entanto, para fins de conhecimento ou não do recurso de ofício, deverá ser considerada o valor da multa de ofício, ainda que de 75%, aplicado sobre o valor principal exonerado: Valor exonerado => 817.523,93 (principal) + 613.142,95 (multa de ofício 75%) Valor exonerado => 1.430.666,88 UFIR Com base no artigo 29 da Lei nº 10.522/2002, os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, constituídos até 31/12/1994, expressos em UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. Assim, o valor exonerado, em reais, deve ser apurado pela seguinte fórmula: Valor exonerado => 1.430.666,88 UFIR X 0,9108 = R$ 1.303.051,40 Considerando que o valor exonerado é inferior ao estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, de R$ 2.500.000,00, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 103, que assim determina: Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10680.013731/9655 Acórdão n.º 1302003.016 S1C3T2 Fl. 1.250 31 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por: 1) deixar de conhecer do recurso de ofício. 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar as infrações quanto à omissão de receitas e glosa de despesa de correção monetária passiva sobre a dívida com a Prefeitura Municipal de Salvador, mantendo a cobrança dos seguintes créditos tributários: Maria Lucia Miceli Redatora Período de Apuração IRPJ CSLL 1991 71.136,64 UFIR 30/06/1992 15.200,07 UFIR 31/12/1992 11.458,80 UFIR 3.472,36 UFIR Fl. 1265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.906161/2009-29
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DECOMP. AFASTAMENTO DO ART. 10 DA IN Nº 460/2004, REPETIDO NA IN Nº 600/2005.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data do seu recolhimento, havendo a possibilidade de restituição ou compensação, uma vez que esteja caracterizado erro de fato.
Numero da decisão: 1003-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o art. 10º da IN SRF n° 600/2005 e devolver os autos à unidade de origem para análise do mérito, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AFASTAMENTO DO ART. 10 DA IN Nº 460/2004, REPETIDO NA IN Nº 600/2005. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data do seu recolhimento, havendo a possibilidade de restituição ou compensação, uma vez que esteja caracterizado erro de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o art. 10º da IN SRF n° 600/2005 e devolver os autos à unidade de origem para análise do mérito, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 61 61 /2 00 9- 29 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11080.906161/200929 Acórdão n.º 1003000.147 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1022.667, de 25 de novembro de 2009, da 5ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra o Despacho, Decisório de nº de rastreamento 825065018, de 25/03/2009, que julgou improcedente o PER/DECOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Na sua defesa, a Recorrente informa que apura o IRPJ pelo lucro real anual e efetua pagamentos mensais por estimativa, tendo identificado pagamento a maior do que o devido e utilizou esses pagamentos a maior para quitar estimativas mensais de meses posteriores dentro do próprio exercício. A Receita Federal, no entanto, não aceitou as compensações realizadas com fundamento no art. 10 da IN 600/2005. Aduz ainda que a IN SRF n° 460, de 2004, a IN SRF n° 600, de 2005, e a IN RFB n° 900, de 2008, não poderiam estabelecer restrição não prevista em lei. Sustenta que o texto da IN RFB n° 900, de 2008, é diferente das INs anteriores, não mais trazendo a vedação que as outras traziam no art. 10. Afirma que a vedação constante das IN extrapolam aquilo que a Lei n° 9.430, de 1996, estabelece. Afirma que a não homologação da compensação que pretende fere diversos princípios constitucionais e legais. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, fundamentando que o art. 10º da INS SRF nº 600/2005 reprova o procedimento requerido pela Recorrente. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário repetindo os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentando que a Instrução Normativa não poderia se sobrepor à Lei. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente alega que constatou o pagamento a maior do IRPJ que a estimativa, na competência de 06/2005 e que utilizou a diferença para quitar a estimativa da competência de 08/2005. No r. acórdão, não há a análise quanto aos fatos alegados pela Recorrente em relação à existência de erro no cálculo do imposto. O acórdão combatido apenas limitouse a determinar a improcedência da manifestação de inconformidade em razão de inobservância do Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11080.906161/200929 Acórdão n.º 1003000.147 S1C0T3 Fl. 4 3 art. 10º da IN SRF nº 600/2005, da mesma forma o Despacho Decisório igualmente não analisou o mérito quanto à existência de erro de cálculo. Ocorre que o art. 10º da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, foi revogado a partir da edição da IN SRF nº 900/2008 que suprimiu a vedação quanto a repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado a existência de erro de fato na apuração da base de cálculo do imposto. Assim, uma vez constata a existência de erro de fato, como nos caso dos autos, no qual, pelas alegações da Recorrente, houve erro de cálculo do imposto, que levou ao pagamento indevido das estimativas mensais, caberia repetição imediata. O artigo 10º da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, deve ser afastado para que haja a análise do mérito ventilado na peça impugnatória. Neste sentido é a jurisprudência do CARF, conforme acórdãos abaixo: Acórdão: 1301002.414 Número do Processo: 10880.684723/200990 Data de Publicação: 19/06/2017 Contribuinte: CIA DE SANEAMENTO BASICO DO ESTADO DE SAO PAULO SABESP Relator(a): JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/01/2007 ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiramse a aspectos preliminares, como a impossibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar com base na súmula CARF nº 84 e devolver os autos à unidade de origem para que prossiga na análise da liquidez, certeza e suficiência do direito creditório alegado. Acórdão: 1301003.061 Número do Processo: 10983.912503/200911 Data de Publicação: 18/07/2018 Contribuinte: COMPANHIA ENERGETICA MERIDIONAL CEM Relator(a): FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Anocalendário: 2006. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.906161/200929 Acórdão n.º 1003000.147 S1C0T3 Fl. 5 4 CARF Nº 84.Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Contudo, tanto o Despacho Decisório quanto o r. acórdão não analisaram o mérito apontado pela Recorrente, isto é, as decisões anteriores não analisaram o pagamento a maior do IRPJ que a estimativa, na competência de 06/2005. A existência de erro de fato é condição para que seja configurado o pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Se o erro de fato não estiver caracterizado, o caso é de mero antecipação de pagamento da IRPJ na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No presente caso, entendo que não há como analisar o mérito neste momento processual e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões alegadas quanto ao erro de cálculo não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à origem para que a análise quanto ao erro de cálculo do imposto seja analisado. Isto posto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o art. 10º da IN SRF n° 600/2005 e devolver os autos à unidade de origem para análise do mérito. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.001304/2009-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA COM INSTRUÇÃO - POSSIBILIDADE - PÓS GRADUAÇÃO
São dedutíveis pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual.
Numero da decisão: 2002-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, (i) para afastar a glosa das deduções de despesa médica nos valores de R$2.000,00, referentes a profissional Divimara Cristina Abreu Braz e de R$14.800,00 do profissional Marco Antonio Marques de Andrade e (ii) para afastar a glosa das despesas com instrução de R$ 2.373,84 junto à FAEPE, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que deu provimento parcial em menor extensão, somente quanto à FAEPE. Mantêm-se a glosa da despesas médicas no valor de R$ 6.000, 00 referentes a profissional Marlei de Campos Abreu. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA COM INSTRUÇÃO - POSSIBILIDADE - PÓS GRADUAÇÃO São dedutíveis pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual.
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DESPESA MÉDICA. DESPESA COM INSTRUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Recorrente MARCELO DE ASSIS FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA COM INSTRUÇÃO POSSIBILIDADE PÓS GRADUAÇÃO São dedutíveis pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, (i) para afastar a glosa das deduções de despesa médica nos valores de R$2.000,00, referentes a profissional Divimara Cristina Abreu Braz e de R$14.800,00 do profissional Marco Antonio Marques de Andrade e (ii) para afastar a glosa das despesas com instrução de R$ 2.373,84 junto à FAEPE, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que deu provimento parcial em menor extensão, somente quanto à FAEPE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 13 04 /2 00 9- 00 Fl. 173DF CARF MF 2 Mantêmse a glosa da despesas médicas no valor de R$ 6.000, 00 referentes a profissional Marlei de Campos Abreu. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 59 a 64), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas, dedução indevida de Previdência Privada e FAPI, bem como dedução indevida de despesas com instrução. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 8.528,04, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 04 a 86 dos autos, sob fundamento de que não fora intimado para prestar esclarecimentos sobre a sua DAA e que não deve qualquer quantia ao fisco, juntando toda a documentação probatória. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BSB que por unanimidade, em 20/06/2013, no acórdão 03052.767, às efls. 126 a 132, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, a contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 139 a 169, no qual alega, em resumo: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10166.001304/200900 Acórdão n.º 2002000.230 S2C0T2 Fl. 174 3 · as despesas glosadas em nome da profissional Marlei de Campos Abreu são relativas à prestação de serviços para sua esposa, que era sua dependente; · que os recibos emitidos em nome do contribuinte são documentos hábeis para afastamento das glosas; · que a despesa com instrução junto ao FUNDO DE APOIO AO ENSINO , À PESQUISA E À EXTENSÃO DE SERVIÇOS A COMUNIDADE FEAPE, está comprovada. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 12/09/2013, efls. 138, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 07/10/2013, efls. 139, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Apresentada impugnação, a DRJ afastou a glosa de despesas médicas no valor de R$5.065,12, sem especificar a relação dos profissionais e serviços prestados. Ainda, afastou a glosa da dedução quanto a Previdência Privada, baseada nas efls. 84. Desta feita, mantêmse a autuação fiscal em relação a: · glosa da quantia de R$ 6.000, 00, por serviços odontológicos, prestados pela Dra. MARLEI DE CAMPOS ABREU, CPF n° 932.272.21691 em nome da esposa do contribuinte, que não consta na relação de dependentes; · glosa da quantia de R$ 2.000,00, deduzida a título de despesas médicas, por serviços fonoaudiológicos, prestados pela Dra. DIVIMARA CRISTINA ABREU BRAZ, CPF n° 645.084.39187; · glosa da quantia de R$ 14.800,00, deduzida a título de despesas médicas por serviços odontológicos prestados pelo Dr. MARCO ANTONIO MARQUES DE ANDRADE, CPF n° 36.863.108/000155; · glosa da quantia de R$ 2.373,84, deduzida a título de despesas com instrução do titular, por serviços de ensino prestado pela empresa CNPJ n° 04.296.491/000110 FUNDO DE APOIO AO ENSINO, À PESQUISA E À EXTENSÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE. Fl. 175DF CARF MF 4 As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10166.001304/200900 Acórdão n.º 2002000.230 S2C0T2 Fl. 175 5 O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: Fl. 177DF CARF MF 6 para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10166.001304/200900 Acórdão n.º 2002000.230 S2C0T2 Fl. 176 7 Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, às efls. 27 dos autos a contribuinte junta documento que atesta que foi submetido a procedimento dentário no valor de R$14.800,00 realizado junto ao profissional MARCO ANTONIO MARQUES DE ANDRADE, CPF n° 36.863.108/000155, devendo ser afastada a glosa da despesa médica. Às efls. 28 há recibo emitido pela profissional DIVIMARA CRISTINA ABREU BRAZ, CPF n° 645.084.39187, no valor de R$2.000,00, devendo ser afastada a glosa. Já a glosa da quantia de R$ 6.000, 00, por serviços odontológicos, prestados pela Dra. MARLEI DE CAMPOS ABREU, CPF n° 932.272.21691 deve ser mantida, vez que, Fl. 179DF CARF MF 8 de acordo com a DAA do contribuinte, às efls. 93 a 96, não há indicação de sua esposa como dependente. Quanto a despesa com instrução por serviços de ensino prestado pelo FUNDO DE APOIO AO ENSINO, À PESQUISA E À EXTENSÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE, conforme teor do disposto no artigo 8o, inciso II, alínea b, da Lei no 9.250, de 1995, temos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) Assim, o limite para o ano calendário de 2006 era de R$ 2.373,84. Em que pese o contribuinte tenha juntado os documentos de efls. 167 a 169, apenas em sede de recurso voluntário, em respeito ao princípio da verdade material, resta comprovado a prestação de serviços educacionais pela instituição em comento, devendo ser afastada a glosa quanto a dedução indevida com instrução. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar a glosa das deduções de despesa médica nos valores de R$2.000,00, referentes a profissional Divimara Cristina Abreu Braz e de R$14.800,00 do profissional Marco Antonio Marques de Andrade. Ainda, afasto a glosa das despesas com instrução de R$ 2.373,84 junto a FAEPE. Mantêmse a glosa da despesas médicas no valor de R$ 6.000, 00 referentes a profissional Marlei de Campos Abreu. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10166.001304/200900 Acórdão n.º 2002000.230 S2C0T2 Fl. 177 9 Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.908175/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
Numero da decisão: 1302-002.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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IRPJ PAGO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO. REGIME DE CAIXA. RETIFICAÇÃO DE DCTF Recorrente IMOSEST INDUSTRIA DE MOVEIS E ESTOFADOS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprovase a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 81 75 /2 00 9- 85 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10920.908175/200985 Acórdão n.º 1302002.994 S1C3T2 Fl. 3 2 Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de retorno de diligência (Resolução nr. 180100.317, 1a. Turma Especial extinta) designada para a verificação quanto à existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente de IRPJ pago a maior, relativo a contratos de câmbio para exportação, em meses em que a recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva). Conforme Despacho Decisório Eletrônico (fl. 5) houve a não homologação da DCOMP nº 35581.76869.100506.1.3.041805, que indicava como tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; Processo de Crédito (PER): 04589.66471.140306.1.2.04 2404. A decisão indicou inexistência de crédito ou crédito integralmente utilizado, em relação ao período de apuração em questão. A recorrente sustentou os motivos pelos quais teria excluído a receita de variação cambial ativa, inicialmente oferecida à tributação (fls. 185/188). Salientou que a tributação de tal receita teria ocorrido com base no regime de caixa, em conformidade com o art. 30 da MP nº 2.15835/2001. Assim, alegou a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF e que o valor correto do IRPJ devido seria o indicado na DIPJ, ano calendário 2005. O erro referiase ao segundo trimestre de 2005 (abril, único mês em que teria havido variação cambial ativa). Houve retificação da DCTF. Todavia, posteriormente ao Despacho Decisório Eletrônico. À vista de tais razões de recurso voluntário, interposto face ao Acórdão nº 0356.223, de 17/10/2013, da 4ª Turma da DRJ em Brasília (fls. 80/84), designouse diligência, nos termos da Resolução nº 1801000.366, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção (extinta), assim indicada: "...a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo do IRPJ relativo ao 2° trimestre de 2005 junto a contabilidade completa da recorrente, bem como a correção do procedimento em expurgar a variação cambial ativa e Saldo do IRPJ apurado, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando aos autos, em cópia, os registros contábeis pertinentes." A diligência foi realizada, registrandose a Informação Fiscal de fls. 200/204. A recorrente foi devidamente intimada (fl. 208). Não houve manifestação. A Informação Fiscal (fls. 200/204) registrou as seguintes constatações favoráveis à recorrente: 3.A DComp não homologada possui como origem de crédito o PER 04589.66471.140306.1.2.042404. 4.A empresa teria tributado suas operações de câmbio pelo regime de caixa, conforme o disposto no art. 30 da MP 2.15835/2001. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10920.908175/200985 Acórdão n.º 1302002.994 S1C3T2 Fl. 4 3 “Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação.” 5.Consultandose os sistemas da RFB, verificase que o contribuinte apresentara duas DCTFs para o período de apuração em que ocorrera o alegado pagamento indevido ou a maior: 6.A retificadora foi apresentada após a emissão do despacho decisório que não homologou a compensação, objeto do presente processo. Na Retificadora, com relação à CSLL, houve alteração do valor devido. Reduziuse de R$ 2.150,35 (pagamento em duas cotas) para R$ 1.675,90 (não indicou pagamento em cotas). O contribuinte alegou que houve erro no lançamento contábil das contas de variação cambial ativa e passiva. 7. A DIPJ 2006, por sua vez, não foi retificada e indicava um valor correspondente de R$02.097,99 de IRPJ para o segundo trimestre/2005 e de R$ 1.675,91 para a CSLL. 8. Ou seja, a DIPJ 2006 – ainda que apenas informativa – diferia da DCTF original. A DCTF retificadora indica, por sua vez, os valores constante na DIPJ. 9. Diante de tal situação, procurouse, junto aos elementos de prova já juntados, verificar que valor seria correto para o IRPJ e CSLL do 2º trim/2005, conforme solicitado na resolução. O cerne da questão estaria na apuração de receita financeira (variação cambial) com relação a maio de 2005. 10. Tais créditos correspondem às notas fiscais da tabela abaixo. Na mesma tabela fica evidente que somente houve variação cambial positiva abril: 12. O contribuinte, em suas alegações, destaca (fl. 85): Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10920.908175/200985 Acórdão n.º 1302002.994 S1C3T2 Fl. 5 4 13. Observandose os extratos, há quatro valores creditados a título de operações cambiais. Interessa, no caso, a operação de maio – vez que o próprio contribuinte afirma ter tido fechamento de contrato de câmbio com variação cambial positiva em abril e, em junho, não houve apuração de IRPJ sobre operações de câmbio. 14. No extrato do mês de maio, à fl. 108, consta: 31/05/2005 Câmbio 1760505636 30.123.83 C 15. Este crédito se refere ao pagamento referente ao contrato de câmbio de compra nr. 05/016557 (fl. 114). A taxa cambial estipulada no contrato foi de R$ 2,3962914. A nota fiscal (nro 1648), por sua vez, foi emitida no valor de R$ 37.842,16, em 22/04/2005 (fl. 111), em virtude da operação negociada com a fatura proforma 12/2005 (campo de informações complementares). Tais dados correspondem ao constante no contrato de câmbio (ver “outras especificações” fl. 116), sendo o Registro de Exportação – RE – feito sob nro 05/0577513001 a 002 (Despacho de Exportação – fl. 201) e O.P. 305636 (corresponde ao nro do depósito no extrato). 16. Portanto, concluise que não houve variação cambial passível de tributação em maio de 2005. Logo, a DIPJ 2006 espelha os fatos de acordo com a contabilidade apresentada pelo contribuinte, sendo o valor da CSLL devida, no 2º trim 2005, seria de R$ 1.675,91 e não R$ 2.150,35 (como constante na DCTF original). No Razão Analítico (fl. 155), consta como provisionamento, de fato, o valor de R$ 2.150,35. 17. Da contabilidade trazida aos autos, no Balancete do segundo trimestre (para apuração do IRPJ presumido) verificase que a Receita Ajustada (2.4 Total da Receita Ajustada – fl. 93), consta o valor de R$ 115.866,92. Idêntico ao valor da DIPJ 2006 (ficha 18A– linha 1 – fl. 202). 18. Assim, conforme o requerido pelo Carf, elaborouse a planilha abaixo para apurar a CSLL do segundo trimestre de 2005: 19. Finalmente, por ocasião do preenchimento da DCTF original, o contribuinte optou por realizar o pagamento em duas cotas. Logo, o valor de cada cota seria de R$ 1.075,18 (considerando o valor original de CSLL de R$ 2.150,35). 20. É importante ressaltar que – após a apuração do efetivo valor devido – o montante calculado de CSLL não permitiria o pagamento em duas cotas. 20. No caso, o pagamento realizado foi de R$ 1.075,18, em 29/07/2005 – data do vencimento para pagamento em cota única, sendo o valor devido de CSLL, conforme apuração acima, de R$01.675,91. 21. Importante ressaltar que esta DComp está relacionada ao PER 04589.66471. Tal pedido havido sido processado pelo sistema e a restituição realizada sem considerar a Dcomp. Tal fato foi sanado, conforme o despacho de fls. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10920.908175/200985 Acórdão n.º 1302002.994 S1C3T2 Fl. 6 5 197 a 199. A cobrança foi realizada e a restituição recebida indevidamente foi resolvida (fl. 200). 22. Entendo, assim, atendida a diligência solicitada pelo Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram analisados por ocasião da Resolução nº 1801000.371, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção (extinta) e o recurso foi conhecido. Ratifico o conhecimento do recurso. O Acórdão recorrido manteve o Despacho Decisório Eletrônico (fl. 5) que não homologou a DCOMP nº 35581.76869.100506.1.3.041805), que indicava como Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; Processo de Crédito (PER): 10920908.171/200905. A decisão indicou, inexistência de crédito ou crédito integralmente utilizado, em relação ao período em questão. Na forma retro relatada, a DRF, em cumprimento à citada Resolução, diligenciou e concluiu que, a única liquidação de operação de câmbio com variação cambial positiva, verificada no segundo trimestre de 2005, foi a ocorrida em abril, a qual foi devidamente tributada, no valor de R$ 4.717,22. Certificouse que, em maio e junho houve liquidação, mas com variação cambial negativa. Verificouse que foi correta a retificação da DCTF (redução do IRPJ DE R$2.150,35 para R$1.675,90; a DIPJ 2006 indicava R$2.150,35 para o segundo trimestre), ainda que efetuada após o despacho decisório eletrônico. Confirmouse que, o pagamento realizado foi de R$1.675,90 (R$1.075,18, em 29/07/2005), perfazendo um pagamento indevido. Assim, realmente havia a existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente de IRPJ pago a maior, relativo a contratos de câmbio para exportação, no mês (abril) em que a recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva). Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para homologar a DCOMP nº 35581.76869.100506.1.3.041805, até o limite de crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10920.908175/200985 Acórdão n.º 1302002.994 S1C3T2 Fl. 7 6 Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
