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Numero do processo: 13804.004499/2005-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins, relativo a receitas de exportação, referente a outubro de 2005. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: 4. O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre duas declarações de compensação apresentadas pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF – Brasil Foods S/A), com o objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de Cofins oriundos de operações de exportação, os quais teria apurado no mês de outubro de 2005 pelo regime não cumulativo e com fundamento no art. 6°, § 1°, da lei n° 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 04 49 9/ 20 05 -3 3 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 3 2 5. A primeira declaração, apresentada em 30/11/2005, deu origem ao processo em exame e a segunda, entregue em data posterior, ao processo apenso (13804.001978/200689). Ambas as declarações ocupam as duas primeiras folhas dos respectivos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 22/08/2007 (fls. 21/22), determinou o envio do processo principal e seu apenso à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 35/37, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 25/30), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 32/33, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 29/10/2009 o Parecer Decisório anexo às fls. 39/42, no qual se exprime nos seguintes termos: “Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprovação dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente.” (fl. 42) 9. Intimado da decisão por via postal em 02/12/2009 (fl. 43 – v.), a interessada apresentou em 30/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa às fls. 56/74, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos (fls. 75/126). Resumo I. Apresenta inicialmente um quadro demonstrativo na fl. 57, no qual expõe minuciosamente o conteúdo da declaração de compensação ora examinada, informando a natureza dos débitos, bem como os respectivos valores, códigos e períodos de apuração. II. Afirma que o “histórico do objeto” emitido pelos Correios e anexo à fl. 31 indica meramente a data de entrega do Termo de Início de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Início de Fiscalização e solicitar prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2o da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 4 3 IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de Cofins apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve à quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII. No tocante ao item “6” do Termo de Início de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de cofins pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003, declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de Cofins anexo à fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. XI. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 24 e 25), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saída e de entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. XII. Afirma haver juntado aos autos 1 DVD contendo os arquivos magnéticos solicitados, assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON e Demonstrativo do Crédito de Cofins (“Anexo 2”). XIII. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 63/73, requer que — na linha desses precedentes e em nome do princípio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 5 4 dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, “deferindo se, por conseguinte, o pedido de restituição e homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo” (fl. 74). 10. É o relatório. O pleito foi indeferido no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1625.644 de 10/06/2010, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivamente, onde repisou os argumentos anteriormente apresentados. Submetido a julgamento nesta Turma Ordinária, em preliminar, fora suscitada dúvida quanto à regularidade da ciência ao contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início de Ação Fiscal, realizada por via postal (Correios, com AR). Por conseguinte, com unanimidade de votos, a Turma decidiu pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, através da Resolução de n° 3201000.576, de 25/01/2016 (fls. 633/638) para que a unidade de origem anexasse aos autos cópias do AR, nos termos abaixo: Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre pedido de compensação de débito próprio com crédito da Cofins apurada sob o regime não cumulativo oriundo de operações de exportação de mercadorias para o exterior. Indeferido o pleito e mantida a decisão pela instância a quo, a Recorrente comparece a este Colegiado Administrativo alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de cerceamento ao seu direito de defesa. Argumenta que, através do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 27/28, teria sido intimada a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, uma série de documentos e arquivos magnéticos referentes a compensações de débitos seus com créditos de PIS/Cofins, solicitação que, no entanto, sustenta jamais ter chegado ao seu conhecimento, embora conste nos autos extrato dos Correios indicando que a entrega se deu em 17/04/2009 (fl. 33). Posteriormente, em 29/05/2009, foi Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 6 5 reintimada a apresentar, também no prazo de 5 (cinco) dias, os documentos e arquivos antes solicitados (Termo de Reintimação de fls. 34/35), que foi recebido em 24/06/2009, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR de fls. 36. Assevera que, em face do exíguo prazo para a apresentação dos documentos e arquivos magnéticos, o que estaria em desacordo com o disposto no art. 2° da Instrução Normativa – IN SRF n° 86, de 2001, solicitou a dilação de prazo à fiscalização, pedido que, todavia, foi indeferido, “não tendo sido aceita a apresentação de qualquer documento à fiscalização após 29 de junho de 2009 (5 dias após o recebimento do Termo de Reintimação)”. Em seguida, a unidade de origem prolatou a sua decisão, negando, por falta de comprovação do crédito vindicado, o pedido formulado pela Recorrente. Pois bem. De início, verificamos existir uma irregularidade na intimação que teria ocorrido por meio do primeiro Termo de Início de Ação Fiscal: não há nos autos prova de que tenha sido recebido no endereço cadastral da Recorrente, uma vez que não anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 17/04/2009. A lei processual, contudo, exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor, que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pelo Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” (g.n.) Considerar, tal como considerou a decisão recorrida, que o simples histórico da entrega do AR, extraído do sítio eletrônico dos Correios, constituiria documento oficial dotado de fé pública, demandando, para que se o infirme, prova em contrário, significa exigir da Recorrente apresentar prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópia do AR correspondente à primeira intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 33. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 7 6 Retornou da unidade de origem com a juntada dos seguintes documentos: a) Cópia do Ofício 101/2016, de 04/05/2016 (fl. 646) – RFB/Delex encaminhado aos Correios (GENCO). b) Cópia do Ofício 8449/2016, de 11/05/2016 (fls. 648/650) – GENCO/SPM – GMRO01/DEOPE/VIENC encaminhado à RFB. O Ofício 101/2016 fora encaminhado à Genco – Gerência de Encomendas da Diretoria São Paulo Metropolitana dos Correios, que é setor dos correios responsável por manter informações sobre as encomendas, solicitando a 2ª via do AR nº SX604609249BR A resposta dos Correios deuse por intermédio do Ofício 8449/2016 que, em síntese, afirmou não mais dispor do documento, e informou que o Sr. Josué Mendes da Silva é quem havia recebido a correspondência (Termo de Início) cujo AR é o de nº SX604609249BR O processo foi redistribuído e encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento, de forma regimental. Submetido a novo julgamento, na sessão de 25/01/2017, este relator propôs nova conversão em diligência em razão da ausência de ciência do resultado da diligência à interessada. Assim, por intermédio da Resolução nº 3201000.773 a Turma decidiu determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para suprir a deficiência processual. A interessada foi cientificada e se manifesta (fls. 731/745) quanto ao resultado da diligência e documentos acostados, que em síntese aduz: a. Resta evidenciada a nulidade do procedimento de fiscalização em razão da intimação revelarse inválida e irregular; b. Não fora cumprida a determinação deste CARF para anexar cópia do AR, com a comprovação da entrega do objeto (Termo de Início de Ação Fiscal); c. A fiscalização da RFB tivera oportunidade para sanar o vício da intimação, contudo sem fazêla; d. O Ofício expedido por setor dos Correios não supre a ausência de comprovação do recebimento da regular intimação no domicílio tributário eleito pelo contribuinte, como preceitua o inciso II, do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972; e. A conclusão é que jamais ocorrera sua intimação no Termo de Início de Ação Fiscal lavrado em 14/04/2009; f. A jurisprudência do CARF é pacífica em afirmar a necessidade da comprovação da intimação mediante a apresentação do AR assinado e datado (cita acórdãos); Finaliza suas razões com o pedido de reconhecimento de nulidade de todos os atos processuais posteriores à irregular intimação do Termo de Início de Ação Fiscal. O processo foi redistribuído e encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 8 7 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator. O recurso voluntário fora recebido como tempestivo, razão pela qual esta Turma apreciouo em julgamento anterior e dele tomou conhecimento. A conversão do julgamento em diligência teve o claro escopo de verificar a existência de comprovante de entrega da intimação por intermédio de AR, com data e assinatura do recebedor, pois do contrário evidenciaria irregularidade na intimação. Com o devido respeito ao entendimento exarado pela Turma no julgamento de 23/02/2016, penso despiciendo enfrentar questão relativa à ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, de 14/04/2009 (fls. 27/32). Eis as razões. A uma, a contribuinte não nega seu recebimento, mas tão somente alega que o Termo não fora recebido pelo setor responsável pelo atendimento à Fiscalização (fl. 63), com os excertos reproduzidos; a duas, a Fiscalização diligentemente procedeu à reintimação da recorrente, mediante o envio pelos Correios do Termo de Reintimação, de 29/05/2009 (fls. 34/35), entregue no domicílio da contribuinte, em 24/06/2009, conforme AR (fl. 36). Assim, entendo inexistência da alegada falta de intimação do conteúdo do Termo de Início de Ação Fiscal, pois restou suprido pelo Termo de Reintimação do qual a recorrente mostrou ter pleno conhecimento em suas peças recursais. Conquanto a complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas após Despacho Decisório, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Há ainda questão relevante acerca do diminuto prazo concedido para a apresentação de substancioso conjunto de documentos e providências comprobatórias do alegado direito creditório, que por certo demandaria prazo superior aos 05 (cinco) dias concedidos pela fiscalização. Vejo sob esta ótica mais uma vertente do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, pois que na instauração do contencioso foram apresentados pelos contribuinte argumentos e indícios que apontam para um direito seu perante o Fisco, assim, mister se faz a mitigação da preclusão na apresentação de provas. Pois bem. O Termo de Início de Ação Fiscal e o Termo de Reintimação tiveram por escopo intimar a contribuinte a comprovar seu direito creditório declarado em PER/DCOMP. Coube o procedimento à Delegacia de Fiscalização de São Paulo DEFIS/SP em face da complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos, como apontado (fl. 162): Tendo em vista a complexidade que advém da análise desse incentivo fiscal, bem como a necessidade de comprovação da liquidez e certeza do crédito pretendido, o presente deve ser encaminhado ao Órgão Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 9 8 competente a fim de que seja realizada auditoria fiscal para apurar a exatidão das informações prestadas pelo contribuinte, em conformidade com o artigo 24 da Instrução Normativa n° 600/2005 da Secretaria da Receita Federal (...) Entendeu a fiscalização que seriam necessários documentos normalmente possuídos pela contribuinte (declarações de entrega à RFB DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, Livros fiscais e contábeis), além de arquivos digitais e planilhas de dados a serem elaboradas conforme ato normativo da Receita Federal e/ou "layout" especificado pela autoridade solicitante. O prazo para atendimento de intimação fiscal para apresentação de arquivos digitais é regido pela Lei nº 8.218/91, com a redação alterada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001: Art. 11 As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Atendendo a essa determinação, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 86, de 2001, que dispõe, textualmente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF Nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 11 da Lei Nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, alterado pela Lei Nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória Nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, resolve: Art. 1º. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Art. 2º. As pessoas jurídicas especificadas no art. 1º, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 10 9 Há ainda a previsão legal para se intimar concedendo o mesmo prazo de vinte dias e, em situação específica, o prazo de cinco dias úteis, prevista no art. 71, da MP nº 2.15835, de 2001, que alterou a redação do artigos 19 da Lei nº 3.470/1958, conforme abaixo destacado: Art. 71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. Assim, temse prazos distintos para a intimações que visam a entrega de arquivos digitais e informações/documentos necessários ao procedimento fiscal vinte dias; e aquele em que as informações e documentos referemse a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal cinco dias úteis. Na situação presente, vislumbrase apresentação de arquivos, documentos e informações necessários aos procedimento fiscal e aqueles que devam estar registrados na escrituração contábil/fiscal. Portanto, razoável seria que a intimação concedesse o prazo único de cumprimento de 20 (vinte dias) a todas às solicitações. Por outro lado, a exigência de apresentação de arquivos digitais e planilhas no prazo de cinco dias encontrase em desacordo com o que determina a legislação que rege o tema. Tal fato, ao meu sentir torna perfeitamente razoável e necessária a flexibilização das regras de preclusão estabelecidas no § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 para que se analise todos os documentos apresentados, relacionados nos Anexos da Manifestação de Inconformidade e em sede de Recurso Voluntário, dentre eles: a. Cópia do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON; b. Cópia da Ficha 25 da DIPJ onde consta a base de cálculo da Cofíns Regime Nãocumulativo Incidência Total ou parcial; c. Cópia da Ficha 24 da DIPJ 2005 AnoCalendário onde consta a Apuração dos Créditos da Cofíns Regime nãocumulativo, cujas informações conferem com o DACON; d. Planilhas informando a composição dos valores constante da DACON (linha a linha), indicando as contas contábeis lançadas; e. Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON; e Demonstrativo do crédito da COFINS; Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201001.003 S3C2T1 Fl. 11 10 f. Planilha Excel contendo as informações das DACONs conforme leiaute previsto na intimação, com seu respectivo hash code (recibo SVA em conjunto); g. Livros de registro de Entradas e Saídas do ano calendário de 2005 (item 7 do Termo de Intimação); h. Arquivos magnéticos 4.1.1, 4.1.2, 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3. 4.3.4, 4.3.5, 4.3.6, 4.4.1, 4.5.2 (individual para cada início e fim de mês), 4.6.1, 4.7.1, 4.9.1, 4.9.2, 4.9.5, conforme "layout" definido pela IN SRF 86/2001, do ano calendário de 2005 (item 7 do Termo de Intimação); i. Planilha em Excel com a identificação dos produtos utilizados pela empresa referente a Combustíveis e Energia Elétrica nos arquivos 4.3.4 (arquivo de itens de mercadorias/Serviços (entradas) Emitidas por Terceiros). Ressaltase que este entendimento coadunase com aquele expresso por este Colegiado no julgamento do processo nº 13804.000470/200582, da mesma recorrente e com semelhança fática: Nesse sentido, não tendo sido apreciado quaisquer documentos juntados aos autos em detrimento da Verdade Material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o processo retorne à autoridade preparadora, para serem apreciados os documentos trazidos aos autos, e outros, que se entendam necessários, nesse caso dandose o prazo de 30 dias, para que referida documentação seja apresentada pela Recorrente. Analisados os documentos e elaborado o relatório de diligência, intimese a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, desejando, manifestemse. Após, retornem os autos a esse Turma Julgadora, para prosseguimento do julgamento. (Resolução 3201 000.645, sessão de 23/02/2016, Cons. Relatora Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo) Assim, pactuo com a decisão exarada em processo semelhante da mesma recorrente e voto para a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos mesmos termos da Resolução nº 3201000.645, para a análise dos documentos "a" a "i", antes mencionados, dandose às partes o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma única vez por igual, para a manifestação ao relatório de diligência. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 769DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001459/99-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
O direito à compensação de crédito tributário está limitado ao montante comprovado, comprovação esta que pode ser feita por meio de diligência fiscal específica.
Numero da decisão: 1201-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório do contribuinte no montante (principal) de R$ 28.493,69.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 02/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito à compensação de crédito tributário está limitado ao montante comprovado, comprovação esta que pode ser feita por meio de diligência fiscal específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório do contribuinte no montante (principal) de R$ 28.493,69. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 02/08/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 14 59 /9 9- 17 Fl. 905DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de reconhecimento de direito creditório com determinados débitos de responsabilidade do próprio contribuinte. A controvérsia foi bem resumida pelo relatório da decisão recorrida. Vejase: “Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito creditório, protocolizado em 20/09/99, no valor de R$ 37.699,68, correspondente a parcelas do IRPJ apurado no anocalendário de 1998, cumulado com pedido de compensação dos valores com débitos de Pis e Cofins, apurados em 1999 (fl. 02) sob argumento de ter o contribuinte efetuado recolhimentos a maior em relação ao imposto apurado ao final do ano calendário. Na data de 20 de fevereiro de 2002 sobreveio o despacho decisório de fls.288/293 pelo qual a DRF/LimeiraSP indeferiu o pedido do contribuinte, declarando a não homologação das compensações pretendidas, tendo em vista as seguintes constatações: a) dedução a maior a título de IRRF, levandose em consideração os dados informados na DIPJ/99 e em DIRF; b) compensação indevida dos débitos de IRPJ estimativa apurados em março e abril de 1998 (fls. 270/272), tendo em vista o não acréscimo de juros Selic sobre o saldo do imposto apurado em 31/12/1997, para efeitos de cotejo com os recolhimentos efetuados no anocalendário de 1997, resultando valor pago a maior de R$ 39.359,05; c) compensação indevida do IRPJ calculado por estimativa apurado em dezembro de 1998, tendo em vista utilização de créditos vinculados a processo judicial pendente de trânsito em julgado, no qual pleiteia o direito de compensar supostos indébitos a título de IRRF sobre o lucro liquido (ILL) de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, relacionados aos anoscalendário de 1990 a 1993. O quadro abaixo sintetiza as divergências apuradas pela autoridade Fiscal: DIPJ/99 Apuração SRF Imposto sobre o Lucro Real A alíquota de 15% 412.976,25 412.976.25 Adicional 251.317,50 251.317,50 () Programa de Alimentação do Trabalhador 9.461,10 9.461,10 () Imposto de Renda Retido na Fonte 36.467,09 35.780,44 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 535.967.80 469.238,75 Imposto de Renda a Pagar 82.397,76 149.813,46 Total do Imposto de Renda a Pagar 82.397,76 149.813,46 () Pagamentos 19.765,83 () Outras Compensações 62.631,93 0,00 Saldo de Imposto de Renda a Pagar 0,00 Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10865.001459/9917 Acórdão n.º 1201001.816 S1C2T1 Fl. 3 3 Ciente da decisão em 14/03/2006, a interessada apresentou, em 12/04/2006, manifestação de inconformidade (fls. 296/305), alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que teria direito aos créditos oriundos de supostos indébitos do ILL, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, pelo STF (RE nº 181.0777), reconhecida pela Resolução do Senado Federal nº 82, de 1996 e pela Instrução Normativa SRF nº 63, de 1997, e à vista do disposto na Lei nº 9.250, de 1995 e na Instrução Normativa SRF nº 22, de 1996; que a compensação de créditos de ILL independeria do trânsito em julgado da decisão judicial, por ter sido efetivada em relação ao anocalendário de 1998, momento anterior à edição da Lei Complementar nº 104, de 2001, que acrescentou ao texto do CTN o art. 170A, cujo teor condiciona o aproveitamento de tributo, por compensação, ao trânsito em julgado da respectiva decisão; que requer a suspensão da exigibilidade dos débitos de Cofins e Pis a que se refere o presente processo, até o seu final julgamento.” Em sessão de 17/11/2006, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento prolatou o Acórdão nº 1414.253 (fls. 767/774), negando provimento ao pleito do contribuinte em decisão cuja ementa possui a seguinte redação: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MATÉRIA SOB DISCUSSÃO JUDICIAL. A restituição/compensação de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal está condicionada à comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos, exigência que, no caso de direito creditório objeto de ação judicial, pressupõe a comprovação do trânsito em julgado da respectiva decisão. MATÉRIA NÃO CONTROVERSA. A contestação de exigência futura e incerta, que não tenha sido formalizada, de fato, pela autoridade administrativa, constitui matéria não controversa, incapaz de caracterizar, por si, a instauração de litigio, por falta de objeto”. Após intimada da decisão (fl. 781), a interessada recorreu a este Colegiado (fls. 782/811), reiterando suas razões de defesa. Os autos foram, então, encaminhados para a Terceira Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, que decidiu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência (fls. 817/822), nos seguintes termos: “[...] nos presentes autos não se pode ter certeza do quantum de crédito de que dispõe a empresa para proceder às compensações Fl. 907DF CARF MF 4 com ILL bem como não se pode afirmar que referido crédito, se existente, já não foi utilizado em outros procedimentos efetuados pelo contribuinte, daí a discordância do Colegiado em relação ao voto do Relator. Dessa forma, voto no sentido de converter o julgamento cm diligência para que: A fim de evitar possível locupletamento em duplicidade do indébito (judicial e agora administrativo), comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da renúncia à execução da referida ação judicial, anexandose aos autos despacho do Juiz acolhendo esse pedido; apurar a liquidez e certeza do crédito judicial do ILL a fim de verificar se tal crédito é suficiente para fazer face às compensações apontadas pelo relator em seu voto vencido: R$ 62.631,93 (compensação) + R$ 58.510,70 (compensado com a estimativa de dezembro/99). Verificar inclusive se já não foi dado a ele, administrativamente, outro destino; Das conclusões e constatações a que chegar a fiscalização, incluindo possíveis informações além das requeridas, deverá ser lavrado relatório circunstanciado, do qual deverá ser dada ciência à recorrente para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias.” A diligência foi cumprida, tendo sido emitido o despacho conclusivo de fls. 897, do qual o contribuinte foi chamado a se manifestar, mas permaneceu silente (fls. 898/900). É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Em atendimento à diligência requerida, a autoridade fiscal emitiu o despacho de fls. 897, concluindo que: “[...] conforme DCOMP nº 26071.19264.310106.1.3.572030, transmitida em 31/01/2006, e objeto do PA nº 10865.001358/200637, o valor de R$ 62.631,93, referente ao IRPJ 1998 a Pagar, encontrase extinto por compensação, com créditos oriundos do PIS. Conforme cálculos, mediante o Sistema SAPO de folhas 443 a 449, os valores dos retromencionados recolhimentos ao ILL, com ordem judicial [...] (fl. 112), apresentam saldo remanescente, após compensações diversas, suficiente para a compensação com o débito relativo à estimativa do IRPJ de dezembro/98, no valor de R$ 58.510,70.” Grifei. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10865.001459/9917 Acórdão n.º 1201001.816 S1C2T1 Fl. 4 5 Notase, assim, que foram reconhecidas as compensações de R$62.631,93 (que diz respeito ao IRPJ do AC de 1998) e de R$ 58.510,70 (estimativa de IRPJ relativa a dezembro/1998) – compensações estas que impactam diretamente o crédito pleiteado. O direito à compensação tributária, nos termos do artigo 170 do CTN abaixo transcrito, pressupõe que o crédito seja líquido e certo, razão pelas qual é imprescindível a sua comprovação, que pode ser feita por todos os meios hábeis de prova, dentre os quais o relatório proveniente de diligência fiscal específica. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Nesse sentido, a minha opinião é a de que o crédito do contribuinte deve levar em conta as compensações mencionadas no referido despacho conclusivo, o que faço conforme o quadro abaixo, elaborado nos mesmos termos do que o quadro apontado no voto vencido pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência. Apuração contribuinte Apuração DRJ Apuração CARF IR Lucro Real 412.976,25 412.976,25 412.976,25 À alíquota de 15% 251.317,50 251.317,50 251.317,50 () PAT 9.461,10 9.461,10 9.461,10 () IRFonte 36.467,09 35.780,44 35.780,44 () IREstimativas 535.967,80 469.238,75 527.749,45 (1) IR a pagar 82.397,76 149.813,46 91.302,76 IR a pagar corrigido (2) 85.182,80 154.877,15 94.388,79 () Pagamentos 60.250,55 60.250,55 60.250,55 () Compensações 62.631,93 0,00 62.631,93 Saldo de IR a pagar (37.999,68) 94.626,61 (28.493,69) (1) R$ 469.238,75 + R$ 58.510,70 (2) Mora = 3,38% Fl. 909DF CARF MF 6 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de reconhecer o direito creditório do contribuinte no montante (principal) de R$ 28.493,69. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator Fl. 910DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720663/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Indefere-se arguição de nulidade por alegado cerceamento do direito de defesa, de despacho decisório proferido por autoridade competente, devidamente cientificado ao contribuinte.
PROVAS. ANÁLISE.
Descabe reconhecer crédito adicional de Saldo Negativo de IRPJ se as retenções na fonte e pagamentos de estimativas mensais cujos comprovantes foram apresentados, não alteram a constatação da inexistência de Saldo Negativo.
SOBRESTAMENTO. PROCESSO CONEXO.
Desnecessário sobrestar o julgamento do processo, se o processo conexo já foi definitivamente julgado.
Numero da decisão: 1201-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Indefere-se arguição de nulidade por alegado cerceamento do direito de defesa, de despacho decisório proferido por autoridade competente, devidamente cientificado ao contribuinte. PROVAS. ANÁLISE. Descabe reconhecer crédito adicional de Saldo Negativo de IRPJ se as retenções na fonte e pagamentos de estimativas mensais cujos comprovantes foram apresentados, não alteram a constatação da inexistência de Saldo Negativo. SOBRESTAMENTO. PROCESSO CONEXO. Desnecessário sobrestar o julgamento do processo, se o processo conexo já foi definitivamente julgado.
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NULIDADE. Indeferese arguição de nulidade por alegado cerceamento do direito de defesa, de despacho decisório proferido por autoridade competente, devidamente cientificado ao contribuinte. PROVAS. ANÁLISE. Descabe reconhecer crédito adicional de Saldo Negativo de IRPJ se as retenções na fonte e pagamentos de estimativas mensais cujos comprovantes foram apresentados, não alteram a constatação da inexistência de Saldo Negativo. SOBRESTAMENTO. PROCESSO CONEXO. Desnecessário sobrestar o julgamento do processo, se o processo conexo já foi definitivamente julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 63 /2 01 3- 85 Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 3 2 Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo da Declarações de Compensação PER/DComp nº 11399.29830.051009.1.3.028801, págs. 4/11, em que o contribuinte requereu R$326.677,24 de crédito de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do período de apuração 31/12/2006, para compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório págs. 44/47, não reconheceu o crédito de SN IRPJ e não homologou a compensação declarada; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 54/60, que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ DRJ/RJ1 julgou improcedente no Acórdão nº 1260.130, de 25 de setembro de 2013, págs. 685/688. 3. O Termo de Intimação nº 096/2015, de 26/01/2015, pág. 694, foi cientificado ao contribuinte em 28/01/2015, pág. 772, e em 27/02/2015, págs. 696/697, solicitada juntada de recurso voluntário de págs. 711/720, tempestivo. 4. Pleiteia a nulidade do Acórdão DRJ (art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972), por cerceamento no direito de defesa, pois ignorou a documentação acostada e argumentos expostos, e manteve o indeferimento só porque o referido crédito já teria sido analisado no processo nº 15374.966478/200970, que tratou de outras compensações, com parte do mesmo crédito (doc. 04), e a decisão naquele processo foi contestada no recurso voluntário, doc. 05, e ainda aguarda julgamento (doc. 06); transcreve acórdãos do Carf neste sentido e invoca o art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, de que os atos administrativos devem conter a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos ao negar direitos. 5. E, ainda que o montante do pedido de ressarcimento objeto destes autos esteja vinculado ao processo n° 15374.966478/200970, como a questão ainda não foi definitivamente julgada naqueles autos, incumbia à DRJ, em última análise, sobrestar o presente processo até final julgamento do recurso interposto naqueles autos e não reputar, prima facie, inexistente o crédito para a glosa da compensação em análise, entendimentos estes da CSRF e STJ. 6. Afirma que apurou o SN IRPJ 31/12/2006 de R$()10.123.453,08, na Ficha 12A, suficiente para compensar os débitos da presente PER/Dcomp, bem como daquelas constantes do outro processo. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 4 3 1 Nulidade. Acórdão DRJ. 7. O pleito de nulidade é improcedente. 8. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, estatuem: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 9. Primeiramente, porque o Acórdão foi proferido por autoridade competente, cujo nome, nº de matrícula e cargo: Auditor Fiscal da Receita Federal estão ali identificados... 10. Em segundo, porque o alegado cerceamento de defesa não ocorreu, dado que os motivos estão claramente expostos, o Acórdão foi devidamente cientificado à empresa, que pode apresentar seu recurso voluntário, o qual se julga neste feito. 2 Mérito. 11. O Despacho Decisório, págs. 44/47, esclareceu: a. a requerente foi incorporada pela IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S.A, CNPJ n°. 33.337.122/000127, págs. 37/39, desde 03/11/2009; b. o mesmo crédito de SN IRPJ 31/12/2006, foi requerido pelas PER/Dcomp 24709.35394.280207.1.3.020265, 17901.85601.260407.1.3.023279, 03811.44370.040607.1.3.024080, 22234.10477.270607.1.3.024643, do processo nº 15374.966478/200970, no valor requerido de R$() 10.123.453,08; estas PER/Dcomp informaram a composição do SN: Estimativa Valor Jan/2006 1.531.108,98 Mar/2006 1.712.919,88 Abr/2006 3.598.868,43 Out/2006 3.280.555,79 c. que divergem na DIPJ e na DCTF: Período de puração estimativas IRPJ IRPJ a pagar apurada em DIPJ IRPJ confessado em DCTF Jan/2006 15.301.51734 1.531.108.98 Fev/2006 0.00 0.00 Mar/2006 1.712.919.88 1.712.919.88 Abr/2006 3.598.868,43 3.598.868,43 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 5 4 Mai. 2006 0.00 0.00 Jun/2006 0.00 0.00 Jul, 2006 0.00 0.00 Ago/2006 0.00 0.00 Sel/2006 0.00 0.00 Out/2006 4.475.860.18 4.475.860.18 Nov/2006 5.071.968.68 5.071.968.68 Dez/2006 0.00 0.00 total 30.161.134,51 16.390.726,15 d. Na PER/DComp nº 11399.29830.051009.1.3.028801, do presente processo, informou: Estimativa Valor Jan/2006 132.651,54 fev/2006 146.155,82 IRRF 3.014.102,09 e. a Recorrente apresentou no todo, as PER/Dcomp a seguir, requerendo valor total de R$()10.449.603,83, que é R$ 326.150,80 a maior que o que teria apurado, que foi de R$() 10.123.453,08, e ainda e mais duas PERDcomp, comentadas a seguir, das quais não foi possível verificar o valor requerido: págs. PER/Dcomp Valor do Crédito Original Utilizado 196/199 03811.44370.040607.1.3.024080 3.200.534,21 205/208 17901.85601.260407.1.3.023279 4.307.133,28 04/11 11399.29830.051009.1.3.028801 326.677,24 12/17 24709.35394.280207.1.3.020265 2.562.610,16 754/757 22234.10477.270607.1.3.024643 52.648,94 Total 10.449.603,83 f. O mesmo crédito de SN IRPJ 31/12/2006, foi requerido nas PER/Dcomp nº 35670.38003.301009.1.3.023396 e 42498.42322.301109.1.3.024322, em relação às quais, foram proferidos despachos decisórios, págs. 40/41, julgando as compensações como "não declaradas", cientificadas ao contribuinte via edital, págs. 42/43. 12. A Recorrente (CNPJ 33.069.766/000184) demonstrou na Ficha 12 A da DIPJ ano calendário 2006, pág. 30 e 162, que apurou SN IRPJ 31/12/2006 () 10.123.453,08, conforme alega. 13. A Requerente (CNPJ 33.069.766/000184) requereu créditos de SN IRPJ 31/12/2006, nas PER/Dcomp daquele processo nº 15374.966478/200970; as apurações na DIPJ e no DD daquele outro processo foram as seguintes: Ficha 12 A, págs. 30 e 162 DD no processo 15374.966478/200970, págs. 21/23 IRPJ+AIR 31.817.846,85 31.817.846,85 DEDUÇÕES 41.941.299,93 () Oper Caráter Cult 705.083,00 705.083,00 Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 6 5 () PAT 118.787,70 118.787,70 () Atividd Audiovisual 100.000,00 100.000,00 () Fundo Cr e Adolesc 197.000,00 197.000,00 DD IRPJ devido 30.696.976,15 () IRRF L 9.430/96 10.558.140,23 0,00 () IRRF L 10.833/03 101.154,49 0,00 () Estimativas mensais pagas 30.161.134,51 10.123.453,08 IRPJ a pagar 10.123.453,08 20.573.523,07 14. Então, o DD no processo 15374.966478/200970 apurou não haver qualquer SN IRPJ de 31/12/2006, conclusão esta aplicável a qualquer PER/Dcomp que reivindique crédito de SN 31/12/2006, e que foi a conclusão no Acórdão DRJ. 2.1 DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA. 15. Junto com a manifestação de inconformidade, anexou: a. págs. 163/165, demonstrativos elaborados pela empresa; b. págs. 166/169, Ficha 11 Calc IR Mensal por Estimativa, anocalendário 2006; c. pág. 171 e 557 lista de PER/Dcomp requerendo crédito de IPI não especifica que débitos seriam objetos das compensações; d. págs. 172/187, e 532/547, cópias extrato DARF cód. 2362, pagos de 01, 03, 04, 10 e 11/2006, e comprovantes de arrecadação, DCTF declarando os débitos: Per de apur valor DARF pago jan/06 1.531.108,98 mar/06 1.712.919,88 abr/06 3.598.868,43 out/06 4.475.860,18 nov/06 5.071.968,68 Total 16.390.726,15 e. cópias de Comprovantes Anuais de Rendimentos e de IRRF, anocalendário 2006: págs CNPJ Razão social Receita Bruta cód IRRF 188 02.909.530/000182 Federal Distr Petr Ltda 31.895,07 1708 491,53 189 e 455 34.274.233/000102 Petrobras Distr S/A 71.893,13 1708 707,90 190 34.274.233/000102 Petrobras Distr S/A 698.846,91 1708 6.314,19 191 34.274.233/000102 Petrobras Distr S/A 431.707,30 1708 5.015,06 192 e 458 34.274.233/000102 Petrobras Distr S/A 29.743,37 1708 426,77 193 e 459 34.274.233/000102 Petrobras Distr S/A 513.381,80 1708 5.661,64 194 e 460 34.274.233/000102 Petrobras Distr S/A 1.295.197,20 1708 12.536,67 195 e 461 34.274.233/000102 Petrobras Distr S/A 463.839,40 1708 3.525,23 229 e 599 33.000.167/00101 Petroleo Brasileiro S/A 63.072,99 6190 3.027,50 230 e 600 33.000.167/00101 Petroleo Brasileiro S/A 545.091,01 6190 26.164,37 231 e 601 33.000.167/00101 Petroleo Brasileiro S/A 4.494,00 6190 215,71 237 12.272.084/000100 Cia Elétrica de Alagoas 24.900,00 6147 298,80 238 e 608 33.166.158/000195 Unibanco AIG Seg S/A 64.695,32 1708 970,43 239 e 609 60.886.413/000147 Liquigas Distr S/A 158.365,82 1708 2.375,50 Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 7 6 240 e 610 60.886.413/000147 Liquigas Distr S/A 163.977,76 5952 0,00 24 e 6111 07.524.768/000103 Batalh Eng de Construção 5.128.121,50 8739 12.307,49 281 e 651 42.357.483/001017 Cia Brasil Trens Urb 100.680,00 8739 241,63 281 e 651 42.357.483/001017 Cia Brasil Trens Urb 536.975,00 8767 5.477,15 282 e 652 25.944.455/000196 Univ Federal Viçosa 576.743,50 8739 1.384,18 283 e 653 07.565.863/000155 Batalh Eng de Construção 2.917.769,57 8739 7.002,65 290 e 660 00.394.494/002937 Super Reg Polícia Fed MG 68.335,00 8739 164,00 293 e 663 Base Admin Apoio Ibirap 1.650,00 6147 19,80 294 e 664 42.540.211/000167 Eletrobras 1.200,00 6147 14,40 298, 665 33.541.368/000116 Cia HidrElé S. Francisco 1.120,00 6147 13,44 319 e 401 60.394.079/000104 Banco Itaú 3.182.008,90reemb CPMF 715.952,00 320 e 401 60.394.079/000104 Banco Itaú 177.085,48Fic 35.417,09 321 e 401 60.394.079/000104 Banco Itaú 751.618,09Swap/Hedge 169.114,07 320 e 402 00.175.884/000115 Petrosul 35.212,56 1708 528,19 321 e 403 61.038.592/000125 Marsh Corr Seguros 199.961,97 1708 2.999,43 322 e 404 92.689.256/000176 Distr Petr Ipiranga 491.101,11 1708 7.366,52 323 e 405 01.136.600/000144 Transo Comb 3.818,49 1708 57,28 325 e 407 59.128.553/000177 Ipiranga Asfaltos 6.046,49 1708 90,70 326 e 408 01.381.825/000166 Rede Brasil Petr Ltda 2.491,84 1708 19,42 327 e 409 62.227.509/000129 Ipiranga Química S/A 18.655,97 1708 279,84 328 e 410 33.632.985/000127 Sind Nac Empr Distr Comb 1.394.627,68 1708 20.919,42 329 e 411 94.845.674/000130 Ref Petr Ipiranga S/A 1.460,53 1708 21,90 330 e 412 89.314.975/000106 Isatec Pesquisa 1.752,63 1708 26,28 333 e 415 33.112.152/000135 Saveiros Cam Ser Marít 738.220,00 1708 11.073,30 338 e 420 01.136.598/000103 Repsol YPF 108.604,92 1708 1.629,07 339 e 421 04.780.146/000158 PDV Brasil Com L 35.182,09 1708 527,73 340 e 422 23.314.594/000100 Ale Comb 731,89 1708 10,98 341 e 423 23.314.594/000100 Ale Comb 35.182,09 1708 527,73 342 e 424 70.052.352/000176 Satélite Distr Petr 3.412,04 1708 12,54 343 e 425 70.052.352/000176 Satélite Distr Petr 35.182,09 1708 527,73 344 e 426 04.169.215/000191 Petr Sabba S/A 41.099,05 1708 616,49 345 e 427 e 454 02.909.530/000182 Federal Distr Petr Ltda 34.861,77 1708 522,93 346 e 4285 33.000.092/000169 Esso Bras de Petr 49.615,71 1708 744,24 347 e 429 33.000.092/000169 Esso Bras de Petr 348.416,29 1708 5.226,24 348 e 430 33.000.092/000169 Esso Bras de Petr 168.067,90 1708 2.521,02 349 e 431 33.000.092/000169 Esso Bras de Petr 352.073,77 1708 5.281,11 350 e 432 33.000.092/000169 Esso Bras de Petr 2.554,77 1708 28,40 351 e 433 33.000.092/000169 Esso Bras de Petr 94.656,79 1708 1.419,85 352 e 434 33.337.122/000127 Chevron Brasil 50.678,85 1708 760,18 353 e 435 33.337.122/000127 Chevron Brasil 133.809,40 1708 2.007,14 354 e 436 33.337.122/000127 Chevron Brasil 376.992,47 1708 5.654,89 355 e 437 33.337.122/000127 Chevron Brasil 62.511,17 1708 937,67 356 e 438 33.337.122/000127 Chevron Brasil 479.217,27 1708 7.188,26 357 e 439 33.337.122/000127 Chevron Brasil 3.541,23 1708 53,12 358 e 440 33.337.122/000127 Chevron Brasil 321.177,92 1708 4.817,67 359 e 441 33.337.122/000127 Chevron Brasil 217.142,99 1708 3.257,14 360 e 442 33.453.598/000123 Shell Brasil Ltda 104.906,96 1708 1.573,60 361 e 443 33.453.598/000123 Shell Brasil Ltda 118.319,55 1708 1.774,79 362 e 444 33.453.598/000123 Shell Brasil Ltda 231.583,61 1708 3.473,75 363 e 445 33.453.598/000123 Shell Brasil Ltda 900.959,24 1708 13.514,39 364 e 446 33.453.598/000123 Shell Brasil Ltda 110.166,38 1708 1.652,50 Receita de serviços 21.207.693,13 203.999,48 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 8 7 Receita aplicações financeiras 4.110.712,47 920.483,16 Total 25.318.405,60 1.124.482,64 cód 1708 IRRF REMUNERAÇÃO SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA, 1,5% IRPJ, 1% CSLL; 3% Cofins; 0,65% PIS cód 6190 SERVIÇOS RETENÇÃO EM PAGAMENTO POR ÓRGÃO PÚBLICO: 4,8% IRPJ 1% CSLL; 3% Cofins; 0,65% PIS 9,45% Total cód 5952 RETENÇÃO CONTRIBUIÇÕES PAGT DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/COFINS/PIS : 1% CSLL; 3% Cofins; 0,65% PIS cód 6147 PRODUTOS RETENÇÃO EM PAGAMENTOS POR ÓRGÃO PÚBLICO 1,2% IR, 1% CSLL 3% Cofins, 0,65% PIS cód 8739 GASOL/DIESEL/GLP E ALCOOL NO VAREJOR ORG PUB: 0,24% IRPJ, 1,0% CSLL, 0,00% PIS, 0,00% Cofins cód 9060 QUEROSENE DE AVIAÇÃO ADQUIRIDO DE PRODUTOR OU IMPORTADOR Retido cód 8767 MEDICAMENTO ADQUIR DISTRIB/VAREJRET ORG PUBL 1,02% de IR, 1% de CSLL, 3% Cofins e 0,65% de PIS. f. págs. 196/227 e 382/388, 318/481, além das PER/Dcomps deste processo e das demais reivindicando o SN IRPJ 31/12/2006, também anexou as seguintes, de empresa que, aparentemente, nenhuma ligação tem com a Recorrente: PER/Dcomp Empresa CNPJ crédito SN IRPJ débito est IRPJ valor 08116.96378.151206 .1.7.025175 SPGAS CNPJ 65.828.550/000149 194.910,72 SN IRPJ 31/12/2005 fev/06 146.155,82 21025.62674.151206 .1.7.020182 SPGAS CNPJ 65.828.550/000149 179.567,83 SN IRPJ 31/12/2005 jun/17 132.651,54 g. págs. 242/279, 368/371, 450/453, 612/649 Comprovantes de recolhimento pelas fontes pagadoras; h. pág. 232/236, 240, 280, 284/288, 291/292, 295/297, 299/318, 391/400, 602/607, 650, 654/658, 661/662, 665/667, 669/678, Comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e PIS, cód. 5952 RETENÇÃO CONTRIBUIÇÕES PAGT DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/COFINS/PIS 1% CSLL; 3% Cofins; 0,65% PIS não há retenção de IRRF i. pág. 282 e 289, 659, cód. 9060 j. págs. 324, 331/332, 334/337, 365/367, 406, 413/414, 416/419, 447/449, retenções efetuadas pela Recorrente, referentes a seus fornecedores tratase de IRRF dos fornecedores. k. Na manifestação de inconformidade que apresentou, à pág. 58, argumenta que o crédito requerido tem a seguinte composição: Imposto apurado 2007 (sic) 30.161.134,51 Compensações com PER/DCOMP's Saldo de 2005 (13.770.408,36) IRRF (10.659.294,72) DARF's (16.390.726,15) IR Devido () IR Pago ( Sobra ) (10.123.453,08) 16. No que tange às alegadas compensações de estimativas do anocalendário 2006: Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 9 8 a. listou na PER/Dcomp 11399.29830.051009.1.3.028801, que teria compensado estimativas nas PER/Dcomp: pág. Per de Apur Valor PER/Dcomp 9 jan/06 132.651,54 21025.62674.151206.1.7.020182 9 fev/06 146.155,82 08116.96378.151206.1.7.025175 Total 278.807,36 b. e juntou as PER/Dcomp a seguir, sem esclarecer qual a ligação com a Recorrente, mas que estão citadas na PERDcomp supra: PER/Dcomp Empresa CNPJ crédito SN IRPJ débito est IRPJ valor 08116.96378.151206 .1.7.025175 SPGAS CNPJ 65.828.550/000149 194.910,72 SN IRPJ 31/12/2005 fev/06 146.155,82 21025.62674.151206 .1.7.020182 SPGAS CNPJ 65.828.550/000149 179.567,83 SN IRPJ 31/12/2005 jun/17 132.651,54 c. apresentou, pág. 171 e 557 lista de PER/Dcomp requerendo crédito de IPI não especifica que débitos seriam objetos das compensações se seriam estimativas de IRPJ mensal de 2006, esta informação não consta: Transmissão PER/DCOMP Tipo de Documento Tipo de Crédito Situação PER/DCOMP 12/01/2006 02050.5941.120196. 1.3.012609 Declaração de Compensação Ressarcimento de IPI Despacho Decisórío Emitido l2/04/2006 05595.67631.120406. 1.3.015304 Declaração de Compensação Ressarcimento de IPI Retificado 13/07/2006 07104.44174.13070l6. 1.3.012008 Declaração de Compensação Ressarcimento de IPI Despacho Decisórío Emitido 11/10/2006 25124.74393.111006. 1.3.019798 Declaração de Compensação . Ressarcimento de IPI Despacho Decisórío Emitido 28/12/2006 40708.49061.281206. 1.3.049152 Declaração de Compensação Pagamento Indevido ou a MaiOr Homologado 15/01/2007 14603.55374.150107. 1.3.013094 Declaração de Compensação Ressarcimento de IPI Despacho Decisórío Emitido 17. Quanto às retenções na fonte, listadas no quadro supra, devem ser confrontadas com as correspondentes receitas; as retenções de IRRF de códigos 1708, 6190, 6147, 8739, com a receita operacional declarada; as referentes a receitas financeiras, com as receitas financeiras declaradas pelo contribuinte; cabe reconhecer os valores de IRRF correspondentes às receitas operacionais e financeiras declaradas e oferecidas à tributação. 18. No presente processo, não consta a DIPJ ac 2006, na íntegra, de maneira que não há elementos para essa verificação. 19. Também, no que tange aos Comprovantes de Rendimentos cujas cópias o contribuinte apresenta, devem ser confrontadas com os registros da RFB, haja vista que, muitas vezes, tais comprovantes são posteriormente retificados ou cancelados pelas fontes pagadoras; da mesma forma, DARF e DCTF devem ser confirmados nos registros da RFB. 20. No entanto, a título de uma primeira verificação, pressupondo que os Comprovantes de retenção e pagamento não tenham sofrido modificações e correspondam à realidade, revisa se a apuração efetuada no DD: Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 10 9 Ficha 12 A, págs. 30 e 162 DD, processo 15374.966478/2009 70, págs.21/23, 25/28 Revisão com base em comprovantes apresentados IRPJ+AIR 31.817.846,85 31.817.846,85 31.817.846,85 DEDUÇÕES 41.941.299,93 () Oper Caráter Cult 705.083,00 705.083,00 705.083,00 () PAT 118.787,70 118.787,70 118.787,70 () Atividd Audiovisual 100.000,00 100.000,00 100.000,00 () Fundo Cr e Adolesc 197.000,00 197.000,00 197.000,00 DD IRPJ devido 30.696.976,15 30.696.976,15 () IRRF L 9.430/96 10.558.140,23 0,00 () IRRF L 10.833/03 101.154,49 0,00 1.124.482,64 () Estimativas mensais pagas 30.161.134,51 10.123.453,08 16.390.726,15 IRPJ a pagar 10.123.453,08 20.573.523,07 13.181.767,36 21. Mesmo se confirmado o valor de R$278.807,36 de compensações das estimativas de 01 e 02/2006, constantes da PER/Dcomp, evidenciase que a documentação acostada, mesmo se confirmada, não reverte a conclusão de que não havia SN IRPJ 31/12/2006. 2.2 PROCESSO Nº 15374.966478/200970 22. Às págs. 734/739, a Recorrente anexou recurso voluntário contra o Acórdão 12.56961 da DRJ/RJ1, no processo 15374.966478/200970. 23. Conforme págs. 746/749, foi proferido o Acórdão nº 1402001937 de 04 de março de 2015, pelo CARF, em que o recurso voluntário foi desprovido e cientificado à Ipiranga Produtos de Petróleo S/A (incorporadora) em 09/04/2015; e às págs. 750/753, anexouse Informação aos Embargos de Declaração que apresentou e que não foram admitidos. 24. Assim, atendese a reivindicação da Recorrente, de que se aguardasse o deslinde do processo 15374.966478/200970, sendo desnecessário sobrestar o presente. 25. Como se vê, confirmouse a inexistência de qualquer direito creditório relativo ao SN IRPJ 31/12/2006. 3 Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16682.720663/201385 Acórdão n.º 1201001.831 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 802DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901629/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 29 /2 01 2- 65 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.610, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13116.901629/201265 Acórdão n.º 3201002.978 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900289/2009-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
Numero da decisão: 9101-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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DE SERV. LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 02 89 /2 00 9- 96 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10245.900289/200996 Acórdão n.º 9101002.767 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de despacho de não homologação de compensação efetuada pelo contribuinte em epígrafe. Nos termos do despacho decisório, o pagamento do tributo considerado indevido ou maior foi totalmente utilizado para a quitação de débito do sujeito passivo, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Melhor explicando, em virtude da não retificação da DCTF relativa ao débito pago, não foi identificado valor pago a maior pelo Contribuinte, pois o DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado. Inconformado o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, dentre outros argumentos, que efetuou a retificação da DIPJ do período previamente, de modo que o pagamento a maior foi devidamente informado à Receita Federal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada totalmente improcedente, sob o fundamento de que é condição necessária para que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a anterior. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a Turma a quo a ele deu provimento. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. A Autoridade competente pela análise de admissibilidade do Recurso, a ele deu seguimento. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.766, de 06/04/2017, proferido no julgamento do processo 10245.900267/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.766): Não obstante a didática e clara exposição do voto do i. Relator, apresento divergência quanto ao mérito. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10245.900289/200996 Acórdão n.º 9101002.767 CSRFT1 Fl. 4 3 O caso trata de compensação pleiteada pela Contribuinte, em razão de pretenso pagamento a maior de tributo. O despacho eletrônico que apreciou o pedido de reconhecimento de direito creditório atestou que o pagamento do tributo efetuado estava integralmente vinculado a débito do mesmo tributo confessado em DCTF. Ou seja, o pagamento no valor "X" estava confessado na DCTF no qual constava o mesmo valor "X". Nesse sentido, entendeuse que não haveria crédito disponível para a compensação. Discutese se, em razão de retificação de declaração, alterando para menor ("X 1") o valor do tributo apurado, tal fato seria suficiente para demonstrar a ocorrência de pagamento a maior. São os fatos. Passo ao exame. Não obstante o envio de declaração retificadora, alterando o valor do tributo para um valor a menor, o que se mostra relevante é que tal alteração implica em uma revisão no valor do tributo confessado em DCTF. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados, procedida pelo interessado ou de ofício devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros contábeis. Ou seja, a mera apresentação de informações prestadas em DIPJ, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a efetiva ocorrência de erro no preenchimento do valor do tributo confessado em DCTF. Ademais, cumpre esclarecer que no processo de reconhecimento de direito creditório o ônus da prova é da parte que alega ser detentora do crédito, qual seja, a Contribuinte. Assim, eventual retificação de declaração com efeito de confissão de dívida que tenha repercussão no crédito pleiteado deve estar acompanhada de documentação probatória, que inclusive poderia ter sido apresentada no decorrer da fase contenciosa, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 c/c os §§ 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse contexto, não tendo a defesa apresentada pelo sujeito passivo trazido conjunto probatório apto a lastrear a retificação da DCTF, necessário para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro de preenchimento na declaração, devese reformar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.900289/200996 Acórdão n.º 9101002.767 CSRFT1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Não tendo sido apresentada no prazo regimental1, considerase não formulada a declaração de voto. Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza Não tendo sido apresentada no prazo regimental2, considerase não formulada a declaração de voto. 1 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. 2 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934867/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.561
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 48 67 /2 00 9- 74 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.934867/200974 Acórdão n.º 3302004.561 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.444. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.934867/200974 Acórdão n.º 3302004.561 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.934867/200974 Acórdão n.º 3302004.561 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.934867/200974 Acórdão n.º 3302004.561 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.934867/200974 Acórdão n.º 3302004.561 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.934867/200974 Acórdão n.º 3302004.561 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720088/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.606
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a recorrente e/ou fiscalização junte os documentos entregues à fiscalização para a verificação do preço corrente de mercado atacadista, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes e Paulo Guilherme Déroulède, que afastavam a alegação de nulidade da metodologia fiscal.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em desfavor da recorrente, decorrente de fiscalização que teve início em 05/03/2013, e que tinha por escopo apurar a regularidade da apuração do IPI referente a saída de produtos importados no período de 2009 a 2011. Desse procedimento investigatório tornaram-se conhecidos os fatos que resultaram na exigência de crédito tributário no montante de R$ 9.943.132,27. Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 76 a 85) que o contribuinte ora recorrente é optante da sistemática de tributação pelo lucro real e é equiparado a industrial RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 08 8/ 20 14 -7 8 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 08 8/ 20 14 -7 8 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária junho de 2017 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a recorrente e/ou fiscalização junte os documentos julgamento em diligência para que a recorrente e/ou fiscalização junte os documentos entregues à fiscalização para a verificação do preço corrente de mercado atacadista, vencidos entregues à fiscalização para a verificação do preço corrente de mercado atacadista, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes e Paulo Guilherme os Conselheiros Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes e Paulo Guilherme Déroulède, que afastavam a alegação de nulidade da metodologia fiscal. Déroulède, que afastavam a alegação de nulidade da metodologia fiscal. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16561.720088/2014-78 Resolução nº 3302-000.606 S3-C3T2 Fl. 499 2 pelos artigos 4º e 35 da Lei n. 4.502/1964, já que promove a saída de mercadorias por ele importadas. A contribuinte foi intimada a apresentar os documentos necessários para a fiscalização, o que o fez através da entrega de mídias (CDs) que continham arquivos do sistema SPED e SINTEGRA do período. A fiscalizada informou que já havia sido autuado cinco vezes entre os anos de 2011 a 2012, e declarou que não procedeu com a apuração e o recolhimento do IPI no período sob fiscalização (2009 a 2011). Intimado a apresentar os valores tributáveis mínimos, bem como as respectivas memórias de cálculo de todas as saídas de mercadorias destinadas a outro estabelecimento do próprio remetente, ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência1, a fiscalizada apresentou uma lista extensa de notas fiscais de saídas de mercadorias com descrições sucintas dos produtos com quantidades e preços, sem os memoriais de cálculo solicitados. Ciente sobre as prorrogações da ação fiscal2 e da realocação do auditor fiscal3, a contribuinte foi notificada para que relacionasse, para cada mercadoria importada, as notas fiscais que lhes deram saída, registrando todas as informações pertinentes as operações (data, quantidade, base de cálculo do IPI e IPI recolhido). Nessa mesma intimação, foi requerido que apresentasse tanto o arquivo de importação (4.4.2) descrito na IN SRF 86/2001, como a tabela mensal de preços médios ao consumidor. Em resposta a intimação, a contribuinte apresentou outra mídia (CD) contendo lista de saídas do estabelecimento de todas as mercadorias classificadas somente por Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Deixou de relacionar as mercadorias importadas com as notas fiscais de saída, apresentando, somente, descrições que não coincidem com os registros. Sobre a tabela mensal e a lista dos preços médios ao consumidor, a contribuinte alegou que não conseguiu avaliar o prazo mínimo necessário para levantar as informações requeridas, já que demandaria a análise do arquivo morto e de back ups de milhões de registros. Afirmou que não localizou o documento 4.4.2 - Arquivo de Importação. Intimada a apresentar a Tabela 4.9.5 de ADE/COFIS n. 15/2001 e a tabela de Código de Mercadorias/ Serviços, a contribuinte apresentou "lista de mercadorias importadas com respectiva descrições de mercadorias cujo texto se apresenta de modo cifrado e simplificado, não permitindo relacionar, individual e univocamente, com as mercadorias descritas nas declarações de importação" (fl. 78). Através do Termo de Intimação Fiscal n. 7, a fiscalizada foi compelida a apresentar: 1. Em relação à planilha anexada ao Termo de Intimação n. 5, cujas saídas não foram preenchidas pela contribuinte, os seguintes itens são intimados. 1 Nos termos do artigo 195 e seguintes do Decreto 7.212/2010 e artigos 136 e seguintes do Decreto 4.544/2002 - Termo de Intimação n. 2. 2 Termo de Continuidade de Ação Fiscal apresentado via Termo de Intimação n. 3 e 4. 3 Termo de Intimação n. 5. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16561.720088/2014-78 Resolução nº 3302-000.606 S3-C3T2 Fl. 500 3 (i) valores médios (ponderados) mensais de venda a varejo praticados pelos estabelecimentos da própria empresa e empresas interdependentes, em 2011; (ii) valores de giro de estoque médio das mercadorias importadas no item 1, em 2011; (iii) se impossível apresentar valores do item 2, apresentar valores de margem de lucro por agrupamento de mercadorias importadas (espécie, NCM, ou outros agrupamentos); (iv) se não for possível conseguir os valores do item 3, apresentar valores de giro de estoque médio por agrupamento de mercadorias importadas (espécie, NCM, ou outros agrupamentos); (v) das mercadorias listadas no item 1, listar as mercadorias que não foram vendidas ou transferidas a estabelecimentos da mesma empresa ou para empresas com as quais mantenha relação de interdependência. Após solicitado e deferido o adiamento do prazo para cumprir com a intimação, a contribuinte informou que: (i) em relação ao item 1, não pratica operações de saídas submetidas à incidência do IPI, motivo pelo qual não informou os valores intimados; (ii) em relação aos itens 2 e 4, declara que devido aos volumes, especificidades, oscilações de taxas cambiais, preços praticados no varejo diferenciados e variáveis, e demais aspectos logísticos, regionais e comerciais, não é possível apresentar os valores médios ponderados, nem mesmo o agrupamento de mercadorias; (iii) em relação aos itens 3 e 5, alega que devido à dinâmica e grande volume de operações, além da complexidade das informações solicitadas e da diversidade e especificidade de cada tipo de produto, não é possível afirmar qual o giro de estoque médio dos produtos importados, ainda que por agrupamento; e (iv) em relação ao item 6, a fiscalizada informa que vende e transfere mercadorias importadas para estabelecimentos da mesma empresa ou de empresas interdependentes. Diante da ausência/ insuficiência de documentos e provas, a autoridade fiscal valeu-se do arbitramento sobre o valor e elemento temporal (§2º do art. 197, e § único do art. 196 do RIPI/10), para apurar o valor devido pelo IPI não recolhido no período sob fiscalização. O montante indicado pelo auditor fiscal foi cominado pela multa de ofício. Cientificada sobre o resultado da fiscalização e o teor do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, oportunidade na qual discorre sobre os seguintes tópicos: 1. Preliminares 1.1. Inobservância da legislação e equívocos na metodologia do levantamento para determinação do crédito tributário; 1.2. Presunção do momento de ocorrência do fato gerador. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16561.720088/2014-78 Resolução nº 3302-000.606 S3-C3T2 Fl. 501 4 2. Mérito 2.1. A incidência do IPI nas saídas de produtos industrializados à luz do CTN e da CF/88; 2.2. Não incidência do IPI na saídas dos estabelecimentos importadores; 2.3. Exigência do IPI sobre as operações de saída do estabelecimento importador implica bis in idem; 2.4. Ofensa ao artigo 98 do CTN e ao Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio (Acordo GATT/47); 2.5. Insubsistência dos valores exigidos a título de multa de ofício; 2.6. Inaplicabilidade de multa àqueles que tenham agido em conformidade com decisões de última instância, proferidas em processos de outros contribuintes, ou em decisão de primeira instância, do próprio contribuinte; 2.7. Aplicação da dupla penalidade e em valor superior ao imposto exigido; 2.8. SELIC sobre a multa de ofício. A instância de origem julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora recorrente, em acórdão que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 SAÍDAS NO MERCADO INTERNO DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. É equiparado a industrial o estabelecimento que der saída no mercado interno a produtos de procedência estrangeira, sendo devido o imposto não lançado nas notas fiscais. ARBITRAMENTO DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Na impossibilidade de aferição do valor tributável mínimo pelos critérios definidos nos incisos do art. 195 do Decreto n. 7.212/2010, por ser omissa e insuficiente a documentação fiscal expedida pelo sujeito passivo, há previsão legal para arbitramento do valor tributável mínimo. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITOS. Ainda que haja créditos do imposto a ser considerados, incide multa de ofício sobre o montante integral do imposto não destacado nas notas fiscais de saída: é multa isolada regulamentar proporcional ao imposto não lançado com cobertura dos créditos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16561.720088/2014-78 Resolução nº 3302-000.606 S3-C3T2 Fl. 502 5 Irresignada, a contribuinte interpôs recursos voluntário, o que ensejou a subida dos autos do processo a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado - Relatora A contribuinte foi intimada sobre os termos insertos no acórdão proferido pela instância de origem em 10/05/20164, e interpôs tempestivamente o recurso voluntário em 03/06/2016 (fls. 450/486), conforme atesta o Termo de Análise de Solicitação de Juntada (fl. 493). Presentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade do recurso, é de rigor o seu conhecimento. Pois bem. Dentre diversas questões suscitadas pela Recorrente, há insurgência contra a metodologia utilizada pelo fiscal para apurar o valor devido pelo IPI referente ao período fiscalizado. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal de fls.76-93, a fiscalização, diante da suposta ausência/ insuficiência de documentos e provas, valeu-se do arbitramento sobre o valor e elemento temporal (§2º do art. 197, e § único do art. 196 do RIPI/10), para apurar o valor devido pelo IPI não recolhido no período sob fiscalização, conforme se verifica no trecho abaixo destacado: I - AUDITORIA PARA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Analisando os dados e documentos apresentados pelo contribuinte, incluindo-se o arquivo SINTEGRA de notas fiscais, conclui-se que o contribuinte não destacou e não recolheu os valores de IPI devidos, tendo até mesmo declarado, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, que não foram realizadas apuração e recolhimento de IPI no período solicitado nesta ação fiscal. Dos Termos Fiscais em que se intimou o contribuinte para apresentar dados concretos de saída, com discriminação de data, número de Nota Fiscal, quantidade, valor tributável, valor de IPI destacado, pouca resposta efetiva foi entregue pelo contribuinte, tendo apresentado apenas listas gigantescas de saídas sem discriminar a que produto importado se referiam, com devida identificação de numero de Declaração de Importação e número da Adição. Aliás, as informações apresentadas constam do arquivo SINTEGRA apresentado pelo contribuinte, sendo portanto redundante e confirmatório, isto é, única conclusão é que houve de fato saída desses produtos. 4 Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à folha 447. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16561.720088/2014-78 Resolução nº 3302-000.606 S3-C3T2 Fl. 503 6 No entanto, a tabela na qual foi solicitado o preenchimento de saídas para cada produto importado, data, quantidade, valor, base de cálculo e IPI destacado, não foi entregue a fiscalização. Acrescente-se, ademais, que as descrições de mercadorias entregues pelo contribuinte não coincidem com as descrições de mercadorias registradas nas adições das Declarações de Importação, impossibilitando, como consequência, pesquisa de preço de atacado. Os preços de varejo não foram apresentados pelo contribuinte. Pelos dados registrados no arquivo SINTEGRA e pelas listas de saídas entregues pelo contribuinte, é impossível discriminar, com exatidão, todas as saídas de um dado produto importado. ARBITRAMENTO DO VALOR TRIBUTÁVEL Na impossibilidade de se identificarem as mercadorias saídas, consequentemente o valor tributável e o elemento temporal das mesmas, torna-se impossível a aplicação da legislação reproduzida nos incisos I e II do art. 195 do RIPI/10, em vista da falta de apresentação de preço de varejo na praça, e pela impossibilidade de pesquisa no mercado. Porém fato indiscutível é que a saída das mercadorias ocorreu e consta dos arquivos apresentados pelo contribuinte. Diante disso e do descrito nos parágrafos acima, não restou outro recurso à fiscalização senão a utilização do arbitramento do valor e do elemento temporal do mesmo, segundo a legislação reproduzida nos art. 197, §2º, e 196, parágrafo único, inciso I, do RIPI/10, utilizando-se critérios razoáveis à vista das documentações apresentadas pelo contribuinte. Segundo o disposto neste último artigo a utilização de margem de lucro, constante das DIPJ´s, deve ser considerada razoável para determinação de valores de saídas das mercadorias importadas. Do trecho anteriormente citado, verifica-se que um dos motivos que levaram a fiscalização utilizar o método de arbitramento para apuração do crédito tributário, nos termos do artigo 197, §2º, e 196, parágrafo único, inciso I, do RIPI/105, se deu pelo fato da autoridade 5 Art. 196. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomar-se-á por base de cálculo: I - no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e Art. 197. Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratando-se de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 192 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 148, e Lei no 4.502, de 1964, art. 17). § 1o Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2o Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 196. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 16561.720088/2014-78 Resolução nº 3302-000.606 S3-C3T2 Fl. 504 7 fiscal afirmar que as descrições de mercadorias entregues pelo contribuinte não coincidiam com as descrições de mercadorias registradas nas adições das Declarações de Importação. Ou seja, segundo a fiscalização não foi possível realizar um cotejo entre a descrição da mercadoria importada e a descrição mercadoria vendida no mercado interno para, assim, apurar o real valor da operação de venda e/ou determinar o correto preço corrente dos produtos sob análise, nos termos do inciso I, do artigo 195, do RIPI/10. Referida afirmação por parte da fiscalização partiu da análise dos documentos fornecidos pela Recorrente, os quais destacamos o arquivo SINTEGRA e a lista de saídas entregue pelo contribuinte outrora citado no TVF. Por sua vez, a Recorrente alegou que os documentos fornecidos à fiscalização são deverás suficientes para se apurar a correta base de cálculo do imposto e, assim, determinar o real preço corrente, a saber: 27. E nem se alegue que tal arbitramento está legitimado diante da suposta ausência de fornecimento de informações à Recorrida porque isso não é verdade! O próprio Termo de Verificação Fiscal elenca quais foram as informações fornecidas pela Recorrente, dentre elas, uma mídia digital contendo os arquivos dos sistemas SPED e SINTEGRA do período, de onde é possível se inferir todos os dados necessários para a correta aferição da suposta base de cálculo do imposto. Compulsando-se os autos, verifica-se que na fase fiscalizatória a Recorrente forneceu à autoridade fiscal os seguintes documentos: Fls. 08-09: 1. 02 Mídias magnéticas (DVD) devidamente validadas e autenticadas por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digiais (SVA), contendo o seguinte conteúdo: 1.1 - item 1 da intimação: Cópia dos Atos Constitutivos bem como das alterações ocorridas até a presente data; 1.2 - item 2 da intimação: Arquivos digitais, contendo os registros contábeis e notas fiscais - escrituração contábil digital do Sistema SPED - Período: 01/2009 a 12/2011; 1.3 - item 3 da intimação: Arquivos magnéticos de notas fiscais emitidas no formato SINTEGRA - Período : 01/2009 a 12/2010. Fls. 13-14: 1. 01 Mídia magnética (DVD) devidamente validada e autenticada por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digiais (SVA), contendo o seguinte conteúdo: 1.1 - item 3 da intimação: Arquivos magnéticos de notas fiscais emitidas no formato SINTEGRA - Período : 01/2011 a 12/2011. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16561.720088/2014-78 Resolução nº 3302-000.606 S3-C3T2 Fl. 505 8 1.2 - item 4 da intimação: Planilha contendo Dados das Saídas de produtos Importados referente ao período de 02/2011 a 12/2011 Fls. 22 - CD contendo planilha para cumprimento da Intimação 5. Fls. 24-57 - Planilhas com a relação dos produtos comercializados. Fls.61-62 - 01 CD contendo a planilha em excel com a informações das notas fiscais de saídas referente às mercadorias importadas. Fls. 66 - 01 CD (mídia) contendo a planilha em excel (tabela Código X Mercadorias/Serviços) do período de 2009. Em relação aos documentos anteriormente citados, verifica-se que, exceção feita a planilha de fls. 24-57, os demais documentos não estão encartados aos autos, obstando, assim, a devida análise desta relatora a respeito da afirmação prestada pela autoridade fiscal sobre a impossibilidade de se realizar um cotejo entre a descrição da mercadoria importada e a descrição mercadoria vendida no mercado interno. Com efeito, se um dos motivos preponderantes que justificaram o arbitramento do valor tributável foi a impossibilidade de realizar um cotejo entre a descrição da mercadoria importada e a descrição mercadoria vendida no mercado interno, posto que segundo a fiscalização os documentos fornecidos pelo contribuinte foram insuficientes para tanto e, por outro lado, considerando que a Recorrente afirma que, com base no suporte documental constante dos autos, é possível se inferir todos os dados necessários para a correta aferição da suposta base de cálculo do imposto, entendo que há necessidade de se converter o julgamento em diligência para que seja disponibilizado aos autos todos os documentos anteriormente citados, exceção apenas a planilha de fls. 24-57. Neste cenário, voto por converter o julgamento em diligência para a fiscalização: a) disponibilizar os documentos anteriormente citados, de modo a conferir ao Colegiado sua plena análise; sendo que na impossibilidade de fazê-lo, poderá a fiscalização imputar a obrigação à Recorrente; b) demonstrar de forma exemplificada a discrepância contida nas descrições de mercadorias constante nas Notas Fiscais de saída (vide arquivo SINTEGRA) com as descrições de mercadorias registradas nas adições das Declarações de Importação, de modo a justificar a utilização do critério de arbitramento. Após, intime-se a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 16561.720088/2014-78 Resolução nº 3302-000.606 S3-C3T2 Fl. 506 9 (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Fl. 506DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002064/2002-72
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 PROVA MATERIAL. INCERTEZA. A atividade de lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvidas sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar por força do art. 112 do CTN. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.678
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PROVA MATERIAL. INCERTEZA. A atividade de lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvidas sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar por força do art. 112 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente). Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes Fl. 86DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Fl. 87DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.002064/200272 Acórdão n.º 1801000.678 S1TE01 Fl. 71 3 Relatório Contra a contribuinte foi emitido Auto de Infração por ter a mesma entregue, com atraso, a DIPJ exercício 1998, anocalendário 1997. O prazo para entrega era o dia 30 de abril de 1998 e a entrega se efetivou em 27/07/1998, ensejando a cobrança de multa Cientificada em 12 de abril de 2002, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento com as seguintes alegações: a) em atendimento ao que dispõe o artigo 3 0, I, da INSRF n.o 25/97 — publicada no DOU de 18/03/1997, em 29/04/1998, procedeu a entrega da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica relativa ao Exercício de 1998, Ano calendário 1997, devidamente protocolizada sob o n.o de controle 12646.28087 (cópia anexa); b) em 22/10/1998, procedeu à retificação. da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica relativa ao Exercício de 1998, Ano calendário 1997, tendo sido esta, a Retificadora, protocolizada sob o número de controle 34256.28875 (cópia anexa); c) por fim, que os protocolos efetuados pela impugnante pela foram realizados nas datas de 29/04/1998 e 22/10/1998, e, não em 27/07/1998, data equivocadamente apontada pela fiscalização; Por entender que cumpriu a legislação aplicável à matéria, pediu o cancelamento do débito fiscal. Em 12/02/2005, a 8ª Turma de Julgamento da DRSPI, determinou a realização de diligência com a finalidade de que fosse atestada a autenticidade da cópia do recibo da declaração datado de 29/04/1998 e que fora trazido aos autos pelo recorrente. Em 25/08/2010, em resposta à diligência solicitada, a DRF em Barueri juntou a página de consulta feita ao sistema da receita, onde não consta a entrega da declaração em 29/04/1998, conforme vem sendo alegado pela recorrente. Na mesma oportunidade, às fls. 43, a DRF em Barueri, mesmo tendo juntado a consulta realizada no sistema, informou que não poderia confirmar nem mesmo refutar a autenticidade do carimbo constante do recibo de entrega da declaração apresentado pelo recorrente às fls. nº 05. Diante de referidos apontamentos, sobreveio o Acórdão nº 1628.482, de 14 de dezembro de 2010, da 2ª Turma da DRJ/SP1, da DRJ em São Paulo, que, por maioria de votos, manteve o lançamento. Intimada.do Acórdão em 07 de janeiro de 2011, interpôs Recurso Voluntário reiterando as alegações constantes da impugnação, salientando que a entrega física da Fl. 88DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 declaração em uma unidade da receita Federal era permitida pela legislação da época e que seus recibos, constituemse em provas materiais que se opõem aos registros da Receita. Pede a reforma do Acórdão recorrido e o cancelamento da multa., É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.002064/200272 Acórdão n.º 1801000.678 S1TE01 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso é tempestivo e dele conheço. Entendo que a questão é saber se as provas apresentadas pela contribuinte são válidas, pois a DRF em Barueri informou que não poderia confirmar nem refutar a autenticidade do carimbo constante da cópia do recibo da entrega da declaração da recorrente. e a DRJSP entendeu que ela não é hábil como prova junto ao Fisco. A cópia do recibo da entrega original está impressa com data 30 de abril de 1998 e o carimbo nela aposto é de 29 de abril de 1998. com número de protocolo 12646.28087. A declaração Retificadora foi entregue em 22/10/1998, sua transmissão foi via internet e nº de protocolo é 34256.28875. O protocolo de 29 de abril de 1998 não foi encontrado nos registros do sistema da Receita, daí a lavratura do Auto de Infração.. Acredito que vários fatores possam ter contribuído para essa situação,como por exemplo, problemas no processamento das informações contidas em disquete. Por outro lado, a demora verificada entre a solicitação para confirmar a autenticidade do documento, em 12/02/2005(fls. 35) e a resposta da DRF em Barueri,ocorrida em 25/08/2010 (fls. 43), leva a outro questionamento, ou seja, se haveria possibilidade de se confirmar o documento de 12 anos atrás Assim, estamos diante da seguinte situação: I –a contribuinte é autuada, sob a alegação de que entregou a Declaração de Rendimento do exercício de 1998 fora do prazo legal; II a DRJ/SP diligencia junto à DRF de BarueriSP para confirmar a autenticidade do carimbo que consta na cópia do recibo apresentado pela contribuinte; III a DRF em Barueri informa que não confirma nem refuta a autenticidade do carimbo aposto na cópia do recibo apresentado pela contribuinte; IV a DRJ/SP entende que a cópia do recibo apresentada pela contribuinte não é prova hábil junto ao fisco, julga a impugnação e, por maioria de votos,mantém o lançamento. Entendo que, no caso é se aplicar o disposto no artigo 112 do CTN, incisos I e II: Fl. 90DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Diante do exposto voto para dar provimento ao recurso. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Fl. 91DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10283.721336/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente de turma)
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente de turma) Relatório Trata o processo de auto de infração lavrado em desfavor da recorrente, Procter & Gamble do Brasil S.A., por meio do qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ e de CSLL, devidos no ano calendário de 2007. Num brevíssimo resumo, a autuação em análise tem por fundamento a amortização de ágio por rentabilidade futura que teria imposto a redução dos valores a recolher a título de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2007, originado a partir de operações de aumento de capital social e incorporação realizados entre partes relacionadas; tratase, objetivamente, de RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 21 33 6/ 20 12 -8 6 Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 10283.721336/201286 Resolução nº 1302000.504 S1C3T2 Fl. 1.925 2 glosa de despesas com amortização do já alcunhado "ágio interno", tendo, a fiscalização, considerado, abusivas, por falta de intento negocial, as operações que originaram o ágio. Após as glosas, o crédito tributário restou constituído conforme tabela abaixo, baseada em planilha constante do relatório do acórdão da DRJ: TRIBUTO (espécie) EXAÇÃO DEVIDA R$ JUROS DE MORA R$ MULTA R$ TOTAL R$ IRPJ 33.721.781,96 16.387.164,50 25.291.336,47 75.400.282,93 CSLL 12.512.716,48 6.080.489,31 9.384.537,37 27.977.743,16 TOTAL R$ 103.378.026,09 Cientificado do auto de infração, o recorrente opôs a sua impugnação administrativa, cujos argumentos deduzidos seriam, basicamente: a) a decadência do ágio registrado em junho de 2006 e amortizado em dezembro do mesmo ano; b) no mérito, a fim de justificar as operações societárias concretizadas e, consequentemente, demonstrar o propósito negocial dos atos que originaram o ágio amortizado, sustentou que, em função da aquisição, mundial, do grupo Gillette pela P&G, "tornou necessária a reorganização mundial das atividades do grupo P&G, visando à integração das empresas do grupo Gillette e à racionalização da estrutura resultante"; c) o ágio foi legitimamente apurado, tendo o registro e uso seguido as regras legais pertinentes, notadamente, as disposições dos arts. 385 e 386 afirmando, outrossim, ter observado o preenchimento dos requisitos,formais e materiais, necessários para garantirselhe respectiva amortização, elencando como tais requisitos: i) "aquisição de participação societária sujeita à avaliação por método de equivalência patrimonial"; ii) "o custo de aquisição ser superior ao valor do patrimônio líquido da participação adquirida"; iii) ter, o ágio, fundamento em expectativa por rentabilidade futura goodwill , justificada, por sua vez, por laudo técnico contábil idôneo; iv) haver a liquidação do investimento adquirido com ágio por meio de incorporação; d) que as regras contábeis constantes do OfícioCircularCVM/SNC/SEP de nº 01/07 e também do Pronunciamento Técnico CPC 04 não seriam aplicáveis aos fatos tratados no autos, mormente por serem, a eles posteriores, seja por versarem sobre situações, a vista do então impugnante, diferentes daquelas observadas nas operações pactuadas; e) por fim, que seria ilegal a cominação de juros de mora sobre a multa ofício. Cumpre, aqui, para melhor compreensão da matéria, reproduzir o seguinte trecho do TVF, em que as operações societárias foram, assim, sumarizadas: 3 Em 2005, em uma transação bilionáría realizada no EUA, a GILLETTE COMPANY foi adquirida integralmente pela PROCTER & GAMBLE COMPANY, passando a GILLETTE DO BRASIL LTDA, a ser controlada de PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V. Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 10283.721336/201286 Resolução nº 1302000.504 S1C3T2 Fl. 1.926 3 4 Integrando a estrutura organizacional do Grupo Internacional P&G, existiam as pessoas jurídicas de PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA e PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A, ambas sediadas no Brasil. 5 Após o processo sucessório, a PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V., tornouse controladora de PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA e de PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A. 6 Em junho/2006, de acordo com a 20ªª alteração contratual da PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA, a controladora alienígena PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V, decidiu aumentar o capital social da investida PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA, de R$ 107.621,06 para R$ 2.221.528.472,87, por meio da emissão de novas cotas (222.142.085.181), totalmente subscritas. Um aumento, portanto, de R$ 2.221.420.850,81. 7 As cotas mencionadas foram integralízadas mediante a forma seguinte: a) conferência de cotas representativas do capital social da investida GILLETTE DO BRASIL LTDA, no valor de R$ 1.382.562.002,16; b) conferência de ações escriturais representativas do capital social da investida PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A, no valor de R$ 838.858.849,65. 8 Cabe assinalar que as cotas do capital da GILLETTE DO BRASIL LTDA, atingiram este montante, devido a uma reavaliação do valor de mercado do seu patrimônio, efetuada por uma consultoria estrangeira, Duff & Pelps. 9 Também para a mensuração do valor de mercado, segundo informação da fiscalizada, foi encomendado um estudo da Ernest & Young, mas que foi desconsiderado, em observância ao conservadorismo, visto que apresentava para o patrimônio analisado, valor maior que o da primeira consultoria. Entretanto a 20ª alteração contratual da PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA, no item 1.2, atesta que foi utilizada a avaliação realizada pela Ernest & Young. 10 Asseverase que o documento apresentado pela fiscalizada, chamado Demonstrativos Finais de Avaliação de Entidade Gillette, apontam que a consultoria Duff & Pelps, apurou um valor de mercado, referente ao patrimônio da GILLETTE DO BRASIL LTDA, que atingiu o montante de USS 609.648.999,98, o que convertido pela Ptax de compra de 06/06/2006 (2,2678), consubstanciou o valor de RS 1.382.562.002,16, que serviu para integralizar o capital social da PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA, na parte concernente às cotas de capital da GILLETTE DO BRASIL LTDA. 11 Insta observar que a equivalência patrimonial referente à participação da investidora PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V, no capital de GILLETTE DO BRASIL LTDA, correspondia a R$ 427.545.254,18, equivalente a 94,00 % do Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 10283.721336/201286 Resolução nº 1302000.504 S1C3T2 Fl. 1.927 4 patrimônio líquido da investida, conforme indicado na DIPJ de evento especial, entregue à Receita Federal em setembro/2006. 12 Destarte a operação implicou em uma maisvalia no montante de R$ 955.016.748,02, o qual foi contabilizado no ativo diferido da PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA, e sujeito à amortização (fundo de comércio) como ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura. 13 Quanto à parte da integralização de capital da PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA, em que foram utilizadas para tal fim, ações da PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A, de acordo com 20 alteração contratual da integralizada, a controladora PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V. utilizou 10.389.276.232 ações, entre ordinárias e preferenciais, da investida que montaram o valor de US$ 369.899.836,69, e que calculado pela Ptax de compra de 06/06/2006, corresponderam a R$ 838.858.849,65. 14 Considerando que o valor do patrimônio liquido da investida PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A, era proporcional à parcela das ações detidas pela PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V, e chegava a R$ 324.675.271,53 (99,86% do capital), verificouse também ter a mencionada operação, acarretado uma maisvalia no valor de R$ 471.128.690,53, que foi registrada no ativo diferido da PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA, para também ser amortizada como ágio por expectativa de rentabilidade futura (fundo de comércio). 15 Importa registrar que a PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A, também teve o seu valor de mercado reavaliado , todavia , não foi apresentado o laudo com o estudo que teria sido produzido pela PriceWarerhouseCoopers Corporate Finance & Recovery Ltda, consoante indicado no item 1.2 (ii) da 20ª alteração contratual da controladora PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA. 16 Dentre os documentos disponibilizados pela fiscalizada, surgiu um laudo técnico chamado Avaliação Econômica do Valor de Mercado de 100% do Capital, daquela consultoria, porém datado de 30/09/2005, e com valores divergentes do apontado pelo contribuinte na alteração contratual supra aludida, levando a inferir tratarse de outro documento. Mais comentários acerca da peça avaliativa, serão traçados mais adiante. 17 Verificase assim que as duas operações de integralização de capital geraram um ágio no valor total de R$ 1.426.145.438,51, que passaram a integrar o ativo da PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA. Esta em decorrência das alterações societárias procedidas passou a ser sócia e acionista majoritária das pessoas jurídicas GILLETTE DO BRASIL LTDA e PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A, respectivamente. 18 Posteriormente, em setembro/2006, a GILLETTE DO BRASIL LTDA foi incorporada por PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A, e esta teve seu capital social aumentado em valor equivalente ao montante contábil do patrimônio líquido vertido da incorporada. Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 10283.721336/201286 Resolução nº 1302000.504 S1C3T2 Fl. 1.928 5 19 Assim, novas ações ordinárias escriturais foram emitidas em valor igual ao adicionado ao capital da incorporadora, e passaram integralmente para o ativo permanente da controladora PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA. 20 Em novembro/2006, a PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A, incorporou sua controladora PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA, trazendo para seu ativo integralmente todo o ágio decorrente de expectativa de resultados futuros, engendrado nas operações descritas acima. 21 Passou então a incorporadora a amortizar o fundo de comércio, reduzindo a base de cálculo do IRPJ, com fundamento no que dispõe art. 385, § 2o, inciso II, c/c o art. 386, inciso III, todos do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/99). Recebida a impugnação e instada a decidila, a Delegacia da Receita de Julgamentos do Pará proferiu acórdão, através do qual houve por bem: a) afastar a aguição de decadência ao argumento de que esta "não atinge a possibilidade de o Fisco contestar a existência ou o valor do ágio, que terá reflexo na base de cálculo do tributo em momento posterior, ainda que decorridos mais de 5 anos do registro do ágio na contabilidade do contribuinte"; b) desconsiderar os documentos lavrados em língua estrangeira, que, na sua concepção, a despeito de traduzidos, não atenderiam determinados requisitos legais hábeis a tornálos aceitáveis como prova em processos administrativos ou judiciais; c) decidir que estaria correta a Auditoria ao glosar as despesas de amortização do aludido ágio, uma vez que criado de forma artificial, considerandose, neste particular, a inexistência de um factível intento negocial e se verificando a produção de ágio a partir de operações praticadas por partes interrelacionadas,; d) afastar a alegação de ilegalidade de incidência de juros sobre multa de ofício e, finalmente, aplicar os entendimentos anteriores á CSLL, por reflexão. A luz destes argumentos, a DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo intocado o ato de lançamento. Deste acórdão, o contribuinte teve ciência, através de intimação eletrônica, via caixa postal no eCAC, em 24/05/2013 (sextafeira); entretanto, encontrase anexado ao processo um AR, dando conta da intimação do contribuinte, também por meio de carta, em 04 de junho de 2013. O contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 03 de julho daquele mesmo ano. Em suas razões recursais, o contribuinte sustenta, em apertada síntese: a) a nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento de defesa e violação ao princípio verdade material, calcando tal alegação, num primeiro momento, na desconsideração dos documentos de origem estrangeira trazidos ao feito, sem que a respectiva tradução tivesse sido realizada por tradutor juramentado; em seguida, reforça a existência de nulidade por entender que a DRJ teria se limitado a reproduzir trechos do TVF, sem se pronunciar sobre os argumentos deduzidos na impugnação (dentre eles, os afeitos às operações globais realizadas pelo grupo); sustenta, ainda, ter havido nulidade ao ter, a DRJ, desconsiderado o laudo de Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10283.721336/201286 Resolução nº 1302000.504 S1C3T2 Fl. 1.929 6 avaliação da lavra da empresa PriceWaterhouseCoopers sem uma fundamentação aceitável; por fim, sustenta que a DRJ teria, também, se equivocado quanto a própria natureza do ágio, objeto deste feito, a, por vez, utilizar a expressão "amortização de fundo de comércio"; b) a seguir reitera, em termos gerais, as alegações constantes de sua impugnação, buscando mostrar a evolução da reestruturação mundial do Grupo, notadamente a partir da aquisição da Gillette e os motivos que a levaram a efetuar as operações societárias que culminaram com o registro do ágio e, por fim, a validade formal/jurídica dos atos e a existência de um lógica negocial para a sua realização; c) por fim, questiona a validade da cobrança de juros sobre o valor da multa de ofício aplicada (multa simples, e não a multa qualificada, digase). Em seguida, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as suas contrarrazões ao recurso voluntário, deduzindo os argumentos a seguir sintetizados: a) não ocorre a decadência sem que haja fato gerador, que não se tipifica pelo simples pagamento de ágio; as informações que precedem a concretização do fato imponível não seriam alcançáveis pela regra inserta no art. 150, § 4º, do CTN, mormente enquanto não constituída a obrigação tributária; b) expostos os fatos que precederam a discussão versada no auto de infração, afirma, passo seguinte quanto a operação de aquisição da Gillette Brasil pela P&G Serviços; b.1) que o ágio aí verificado seria indedutível, notadamente porque resultante, tão só, do repasse do ágio observado na aquisição internacional da Gillette pela P&G Company; por isso mesmo,"não se observou a operação interna confusão patrimonial da 'mais valia' com o investimento que lhe deu causa"; b.2) complementa, mais, que esta operação seria, em verdade, um simulacro; uma tentativa de criar, ficticiamente, uma operação de aquisição, pela P&G Serviços, da Gillette Brasil, a fim de permitir a dedução de ágio que teria sido, originariamente, observado na operação internacional anteriormente tratada. c) no que concerne à parte do ágio verificado em relação à P&G Brasil SA, sustenta, objetivamente, que: c.1) que este decorreria de operações societárias intragrupo, sem que houvesse a participação de terceiras empresas; nos dizeres da PGFN, "o que houve foi apenas um passeio das ações dessa empresa brasileira entre empresas estrangeiras do Grupo P&G até a P&G SERVIÇOS", resultando no que chama de "ágio de si mesmo"; c.2) a míngua da existência de uma terceira parte independente nas operações societárias, nas operações retratadas no processo "a única transferência de riqueza que decorre do" registro do ágio e da sua amortização "é, portanto, do Estado para o contribuinte, consequência dos tributos que deixa de recolher", identificandose, aqui, também uma simulação, porquanto se verificar que "as ações da P&G BRASIL não foram em nenhum momento negociadas entre partes independentes a justificar a existência do ágio"; d) por fim, sustenta a legalidade da exigência de juros sobre a multa de ofício. Os autos, então, foram encaminhadas para a análise deste Colegiado. Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 10283.721336/201286 Resolução nº 1302000.504 S1C3T2 Fl. 1.930 7 É o relatório Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator De se frisar, desde logo, haver uma questão processual relevantíssima a ser saneada/resolvida, antes que este Colegiado possa, efetivamente, decidir a damanda. Isto, porque, como destacado no relatório, há nos autos a informação de que o recorrente teria sido, num primeiro momento, cientificado do resultado do julgamento realizado pela DRJ a partir de intimação eletrônica: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 09/05/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 24/05/2013 Todavia, logo em seguida foi anexado ao processo um AR cujo recebimento teria se dado em 04/06/2013. tendo o recurso em testilha sido interposto em 03/07/2013 (trinta dias contados da assinatura do AR). Ora, qual seria, de fato, dies ad quem para a contagem do prazo recursal? A teor do art. 23 do Decreto 70.235/72, as intimações dos atos praticados do processo administrativo fiscal darseão de forma: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Vale destacar que, nos termos do § 3º do preceptivo normativo acima, "os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência", de sorte que o uso de um dos meios de intimação acima é de inteira conveniência da administração tributária (em exercício típico de discricionariedade por parte do fisco). Nada obstante, não se pode conceber a aplicação cumulativa dos instrumentos prescritos pelo art. 23, justamente por trazer inegável insegurança quanto a validade de um ou outro meio de intimação e, mais, a incerteza sobre qual prazo se considerar para a prática dos atos subsequentes à precitada intimação. No caso, há a certificação de que o contribuinte teria sido intimado por meio eletrônico, havendo, entretanto, também, a juntada de AR, revelando o fato de que o recorrente Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10283.721336/201286 Resolução nº 1302000.504 S1C3T2 Fl. 1.931 8 também teria sido intimado por via postal... Teria, ipso facto, a primeira intimação ocorrido de forma irregular ou ineficaz? Seria a primeira intimação inválida e, nesta esteira, utilizouse da comunicação por via postal por conta desta invalidade? A luz do art. 4º da Portaria/RFB de nº 256/2006, a intimação eletrônica será feita mediante seu "envio ao domicílio tributário do sujeito passivo", desde que, nos termos de seu § 3º, o contribuinte "expressamente autorize" o uso do predito domicílio eletrônico para o recebimento de intimações e notificações fiscais. Tal autorização, digase, seria formalizada através "Termo de Opção" se ser encaminhado pelo sujeito passivo por meio do eCAC. Teria, no caso, o contribuinte autorizado o uso de sua caixa postal para o recebimento de intimações afeitas aos processos administrativos de seu interesse? Não há, digase, nos autos qualquer documento ou informação que me permita considerar válida a intimação por meio eletrônico, questão que ganha importância quando se observa que houve, também, a intimação do recorrente por meio postal, em data posterior ao da intimação eletrônica anteriormente noticiada (a se considerar válida a intimação eletrônica, frisese, o recurso manejado seria intempestivo, porquanto, neste caso, o dies a quo para a interposição do apelo se findaria em 25/06/2017). E ante tal incerteza, não é possível a este julgador analisar e concluir sobre tempestividade do recurso voluntário, razão pela qual voto por converter o julgamento a diligência a fim de que a unidade de origem: a) informe se, à época da concretização da intimação eletrônica anteriormente noticiada, havia autorização expressa do contribuinte para o uso de sua caixa postal eletrônica para os fins do art. 23, III, e § 2º, III, do Decreto 70.235 e do art. 4º, §§ 2º e 3º da Portaria/RFB 256/2006; b) junte aos autos a cópia da autorização preconizada pelo art. 4º, § 2º, da citada Portaria/RFB 256/2006; c) explique os motivos do encaminhamento da intimação também por meio postal; d) ao fim, elabore relatório de diligência dando ciência do resultado ao contribuinte e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Fl. 1931DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.901223/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 12 23 /2 01 3- 83 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10875.901223/201383 Acórdão n.º 1201001.792 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10875.901223/201383 Acórdão n.º 1201001.792 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10875.901223/201383 Acórdão n.º 1201001.792 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 427DF CARF MF
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