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Numero do processo: 11080.728943/2015-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DESPESAS MÉDICAS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 13866.000153/2003-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/08/2002
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
Numero da decisão: 3302-005.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9º-A e 9º-B ao art. 3º da Lei nº 9.718/98.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/08/2002 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9º-A e 9º-B ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/08/2002 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9ºA e 9ºB ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 01 53 /2 00 3- 70 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 160 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 111113: Trata o presente de Declaração de Compensação — DCOMP na qual o interessado compensa débito da contribuição para o PIS dos períodos de apuração fev./2003, mar./2003 e abr./ 2003 com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido do PIS, referente ao período de apuração jul./2002, crédito esse de valor declarado de R$ 1.289,03 — fls. 1 e 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório de fls. 82/85, não homologou a compensação, pela não comprovação do direito creditório do interessado, ressaltando que o contribuinte excluiu da base de cálculo do PIS o valor de R$ 577.297,18 a título de Outras Exclusões e, intimado, informou que tal exclusão referese aos valores pagos aos prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Ressaltouse, na decisão, que o § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, permitiu deduções da base de cálculo às operadoras de planos de saúde, caso do interessado, apenas nas rubricas descritas no referido dispositivo (transcrito no Despacho Decisório, fl. 84) e que a exclusão feita pelo interessado não se enquadra nas previstas legalmente. Cientificado em 10/04/2008, fl. 88, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 09/05/2008, fls. 90/97, alegando, em síntese: Que a base de cálculo da Cofins é o faturamento nos termos previstos no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, uma vez que foi julgado inconstitucional o conceito definido no art. 3° da Lei n° 9.718, de 1988, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 357.950; Que é operadora de planos de assistência à saúde., atividade que se rege por regras próprias e não se confunde com outra qualquer; Que o conceito de faturamento advém do Direito Comercial e é decorrente do ato de emitir faturas, ato autorizado somente ao comerciante pela Lei n° 5.474/68, e que nos termos do disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o conceito utilizados no Direito Privado; Que é ilegal a cobrança do Cofins nos termos do art. 2° e 3° d Lei n° 9.718/98, pois afronta a determinação do art. 110 do CTN, no sentido de que receba como um tipo fechado o conceito de faturamento, termo utilizado no art. 195 da CF/88 para definir a competência da União para cobrar a Cofins; Em 24 de novembro de 2008, a DRJ/RPO, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação feita na manifestação de inconformidade e, manteve o despacho decisório que não homologou a compensação objeto dos autos, com base nos seguintes fundamentos: A manifestação é tempestiva e revestida das formalidades legais, pelo que deve ser conhecida. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 161 3 O § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, inserido pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, permitiu deduções da base de cálculo do PIS e da Cofins às operadoras de plano de assistência à saúde, caso do interessado, somente das rubricas relacionadas no referido dispositivo legal, a saber: Art. 2°. O art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Verificase que no dispositivo transcrito não há previsão para a exclusão, da base de cálculo, dos valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Tais pagamentos são custos e despesas próprios e inerentes à atividade exercida pelo interessado. Do exposto, voto pelo indeferimento da solicitação, mantendo a decisão proferida pela DRF em são José do Rio Preto. Intimada da decisão em 10.03.2009 (fls.118), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 23.03.2009 (fls.119128), reproduzindo as alegações apresentadas em sua defesa. Em 26 de junho de 2012, o processo foi convertido em diligência nos termos da decisão de fls. 137149, a saber: Isso posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização: i) verifique se o valor a ser glosado efetivamente é de R$ 577 mil ou de R$ 567 mil, com base na Declaração do contribuinte, o que seria adequado; por outro lado, ii) intime o contribuinte a compor tais valores detalhadamente, de acordo com a sua natureza, para que demonstre ou não que os valores excluídos possuem a mesma natureza daqueles que poderiam ser contabilizados no grupo de contas 3.1.1.7 ou 4.1.2.3, o que pela sua natureza poderá determinar o adequado enquadramento dessas despesas na base de cálculo do tributo. Intimada à fornecer documentos e prestar informações para cumprimento da diligência anteriormente citada, a Recorrente permaneceu silente, retornando os autos à este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 162 4 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 10.03.2009 (fls.118) e protocolou Recurso Voluntário em em 23.03.2009 (fls.119128) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Mérito A discussão sob análise já foi inúmeras vezes analisada por este Conselho, inclusive contra a própria Recorrente. Assim, por se tratar de matéria fartamente debatida neste Tribunal, adoto como razão de decidir o voto proferido no acórdão 3302002.012 (PA 10850.900093/200611) que, envolve a ora Recorrente e matéria idêntica a discutida nos presentes autos, a saber: Conforme se depreende do relatório acima transcrito, os pedidos de restituição e as compensações dele decorrentes foram considerados indevidos uma vez que a fiscalização entendeu como indevidas as deduções da base de calculo efetuadas pela recorrente. As divergências foram assim resumidas: Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a titulo de "Outras Exclusões" valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. A recorrente entende que faz jus a exclusão do que ela denomina como sendo atos cooperativos auxiliares (hospitais, clinicas, etc) e os médicos não cooperados, mas que na verdade são valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. É bom destacar que tal benefício não está relacionado a atividade cooperativista, pois está direcionado as operadoras de plano de assistência à saúde. Sobre este tema são esclarecedores os argumentos externados pela ilustre Conselheira Fabiola C. Keramidas, nos autos do processo nº 13971.002373/200411, que com o brilhantismo de praxe assim pontuou: “Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 163 5 Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a rubrica contábil, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite, ao contribuinte, qualquer exclusão referente a este inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de não permitir aos contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS do valor pago aos credenciados. A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, pareceme que para decifrar a intenção do legislador é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “... poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor? Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tomem as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 164 6 ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, minha questão quanto ao posicionamento adotado pela fiscalização é: se os agentes administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos, o que consiste? De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais1, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 165 7 É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1)O credenciado presta o serviço para o beneficiário;Janeiro /X1 (2)após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação.Fevereiro/X1 (3)apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento.Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 166 8 setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 167 9 beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para pode atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos Custos e Despesas, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE E ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora. Assim, entendo que devam ser excluídos da base de calculo das contribuições os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, valores estes relacionados ao item III do dispositivo legal ora analisado. Neste contexto são indevidas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal relacionadas a pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, ente outros, devendo o processo retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito. Nestes termos, entendo que é direito da Recorrente excluir, da base de cálculo da contribuição aqui tratada, os valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc..., outrora registrados na conta "Outras Exclusões", devendo, assim, o processo Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13866.000153/200370 Acórdão n.º 3302005.782 S3C3T2 Fl. 168 10 retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. III. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000431/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004.
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS AUFERIDAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXCLUSÃO DE RECEITAS PERTENCENTES A TERCEIROS. Comprovada a omissão de receitas mediante documentação hábil e idônea fornecida pelos tomadores de serviço, impõe-se o lançamento de ofício. Somente se exclui da base de cálculo a receita comprovadamente repassada à empresa parceira na prestação de serviços.
LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Por se constituírem
infrações decorrentes e vinculadas, e dada a relação de causa e efeito, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição ao Programa de Integração Social Pis as conclusões atinentes ao IRPJ.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS. Se os fatos apurados pela fiscalização revelam, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, o intuito doloso da fiscalizada de omitir receitas em sua escrituração contábil e fiscal, com vistas a reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicada a multa de 150% sobre os valores dos tributos lançados de ofício.
IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU
SEM CAUSA. Estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda
exclusivamente na fonte, os pagamentos comprovadamente efetuados pela pessoa jurídica a beneficiários não identificados ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Os cheques sacados em dinheiro da conta corrente da autuada por si só não se caracterizam pagamentos, devendo
ser excluídos da autuação na ausência de outros elementos que comprovem
os pagamentos
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LANÇAMENTO DE IRRF SOBRE
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM
CAUSA. A ausência de contabilização do pagamento e/ou a não identificação do beneficiário ou da operação por si só não enseja a aplicação da multa qualificada, pois tal conduta integra a descrição da incidência do imposto.
Para que seja qualificada a multa é necessário que existam outros elementos que comprovem o intuito deliberado de ocultar tais pagamentos ao Fisco.
Numero da decisão: 1302-000.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS AUFERIDAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXCLUSÃO DE RECEITAS PERTENCENTES A TERCEIROS. Comprovada a omissão de receitas mediante documentação hábil e idônea fornecida pelos tomadores de serviço, impõe-se o lançamento de ofício. Somente se exclui da base de cálculo a receita comprovadamente repassada à empresa parceira na prestação de serviços. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, e dada a relação de causa e efeito, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição ao Programa de Integração Social Pis as conclusões atinentes ao IRPJ. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS. Se os fatos apurados pela fiscalização revelam, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, o intuito doloso da fiscalizada de omitir receitas em sua escrituração contábil e fiscal, com vistas a reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicada a multa de 150% sobre os valores dos tributos lançados de ofício. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. Estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, os pagamentos comprovadamente efetuados pela pessoa jurídica a beneficiários não identificados ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Os cheques sacados em dinheiro da conta corrente da autuada por si só não se caracterizam pagamentos, devendo ser excluídos da autuação na ausência de outros elementos que comprovem os pagamentos MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LANÇAMENTO DE IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. A ausência de contabilização do pagamento e/ou a não identificação do beneficiário ou da operação por si só não enseja a aplicação da multa qualificada, pois tal conduta integra a descrição da incidência do imposto. Para que seja qualificada a multa é necessário que existam outros elementos que comprovem o intuito deliberado de ocultar tais pagamentos ao Fisco.
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Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente CAREGNATO ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS AUFERIDAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXCLUSÃO DE RECEITAS PERTENCENTES A TERCEIROS. Comprovada a omissão de receitas mediante documentação hábil e idônea fornecida pelos tomadores de serviço, impõese o lançamento de ofício. Somente se exclui da base de cálculo a receita comprovadamente repassada à empresa parceira na prestação de serviços. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, e dada a relação de causa e efeito, aplica se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição ao Programa de Integração Social Pis as conclusões atinentes ao IRPJ. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS. Se os fatos apurados pela fiscalização revelam, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, o intuito doloso da fiscalizada de omitir receitas em sua escrituração contábil e fiscal, com vistas a reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicada a multa de 150% sobre os valores dos tributos lançados de ofício. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. Estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, os pagamentos comprovadamente efetuados pela pessoa jurídica a beneficiários não identificados ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Os cheques sacados em dinheiro da conta corrente da autuada por si só não se caracterizam pagamentos, devendo ser excluídos da autuação na ausência de outros elementos que comprovem os pagamentos. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LANÇAMENTO DE IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. A ausência de contabilização do pagamento e/ou a não identificação do beneficiário ou da operação por si só não enseja a aplicação da multa qualificada, pois tal conduta integra a descrição da incidência do imposto. Para que seja qualificada a multa é necessário que existam outros elementos que comprovem o intuito deliberado de ocultar tais pagamentos ao Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (Documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. EDITADO EM: 21/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 983 3 Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e IRRF, dos anoscalendário 2003 e 2004, no valor total de R$ 8.742.458,26, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 31/03/2008 efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 760 a 830. O lançamento do IRPJ e reflexos (Pis, Cofins e CSLL) foi efetuado em face da apuração de omissão de receitas nos anos calendário 2003 e 2004, conforme fatos descritos nos autos de infração, bem sintetizados pela decisão de primeira instância, in verbis: 1. omissão de receitas: Omissão de receitas dos anoscalendário de 2003 e 2004, nos montantes respectivos de R$ 4.817.766,52 e 567.956,29, constatada mediante comparação entre os valores que a interessada havia oferecido à tributação pelo lucro presumido (fls. 04 a 76, 535 e 697) e os apurados em análise dos documentos obtidos pela autuante junto a ela e a seus clientes, em procedimento de circularização de informações (fls. 77 a 759). Segundo a autuante, a interessada não teria apresentado qualquer documento comprobatório das suas alegações constantes da resposta de 10/03/2008 (fls. 368 e 369) ao termo de intimação datado de 28/01/2008 (fls. 360 a 366). As receitas consideradas omitidas correspondem a valores não registrados relativos a: 1.1. Pagamentos recebidos pela interessada por serviços prestados à Refinadora Catarinense S/A (fls. 761 a 764 e 768 e 769 anexos 1 e 2) 1.2. Pagamentos recebidos pela interessada por serviços prestados à Usina Sapucaia S/A (fl. 764) 1.3. Pagamentos recebidos pela interessada por serviços prestados à Candura do Brasil Comércio, Importação e Exportação Ltda (fl. 764). O lançamento de IRRF decorreu da identificação pela fiscalização de diversos pagamentos considerados não identificados ou sem causa, conforme sintetizado no relatório do acórdão da decisão de primeiro grau, in verbis: 2. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / SEM CAUSA: Pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, correspondentes às seguintes situações (fls. 765, 766 e 821 a 826): Fl. 984DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 2.1. Desvio pela interessada de recursos recebidos de Refinadora Catarinense S/A em decorrência de serviços a ela prestados, correspondentes a dois cheques no valor de R$ 500.000,00, cada. 2.2. (...)* 2.3. Pagamentos sem causa a terceiros, no valor de R$ 1.553.252,51. 2.4. Pagamentos a beneficiários não identificados, no valor de R$ 1.244.000,00. * A situação descrita no item 2.2 não ensejou lançamento de IRRF Sobre os tributos lançados foi aplicada a multa de ofício qualificada (150%) por entender a fiscalização “que a interessada teria agido com evidente intuito de fraude nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. Segundo ela, as infrações teriam sido cometidas de modo reiterado, com intenção de praticar atos tendentes a acobertar as irregularidades, que acabaram, por fim, sendo apuradas durante o trabalho fiscal, cujo desenrolar, segundo a autuante, teria sido dificultado pela interessada (fls. 765 e 766)”, conforme descrição contida nos autos de infração e resumida no acórdão de 1ª instância. Tendo sido cientificada dos lançamentos em 31/03/2008 (fls. 838), a recorrente apresentou impugnação aos lançamentos em 27/04/2008, (fls. 844 a 869), sem apresentar qualquer documento que corrobore suas alegações, que estão muito bem relatadas no Acórdão da DRJRio de JaneiroI, in verbis: em relação aos pagamentos recebidos por serviços prestados à Refinadora Catarinense S/A, a autuante teria considerado equivocadamente receitas pertencentes a terceiro como omissão de receitas e entendido erroneamente os repasses a escritório parceiro como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado; bastaria refazer a planilha do anexo I com os valores repassados ao escritório parceiro Corrêa Rabello & Associados, ao seu titular e àqueles a quem o mesmo teria determinado que fossem feitos os repasses para se verificar que não teria havido omissão de receitas; a autuante não teria buscado informações junto ao escritório parceiro com vistas à apuração da verdade material, preferindo passar a responsabilidade dessas informações à autuada, que não teria tido força junto ao “parceiro” para obter as informações e os elementos de prova que a fiscalização poderia obter; ela teria apresentado à fiscalização os livros Diário e Razão, cópia do contrato de prestação de serviços com Corrêa Rabello & Associados, bem como cópias dos recibos comprobatórios dos repasses efetuados àquela sociedade, apesar de a autuante afirmar que não haveria comprovação desses repasses e nem do motivo dos pagamentos; a leitura do contrato celebrado entre ela e a Refinadora Catarinense S/A e do contrato de parceria celebrado por ela com o escritório Corrêa Rabello & Associados deixaria claro Fl. 985DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 984 5 que ela seria a titular apenas de parte das receitas oriundas daquela prestação de serviços e que a outra parte pertenceria ao outro escritório; ela teria recebido adiantamentos da Usina Sapucaia, em razão de estar se preparando para desenvolver trabalhos junto a ela; tais adiantamentos teriam sido lançados equivocadamente como despesas, uma vez que não estariam concluídos; para receber esses adiantamentos, teria entregue os recibos em conformidade com as práticas comerciais; a autoridade fiscal não poderia presumir que teria havido erro de sua parte, sem demonstrar cabalmente que os serviços, à época do recebimento, haviam sido iniciados e concluídos; em relação à empresa Candura do Brasil, teria cometido um erro de escrituração, deixando de recolher os tributos relativos aos serviços prestados à mesma, sem, no entanto, ter cometido qualquer ato doloso ou ter simulado qualquer fato com a finalidade de se eximir de pagar tributos; não seria possível a tributação a título de omissão de receitas via presunção; a conduta da autuante de desconsiderar a documentação apresentada por ela e a relação com a empresa parceira, para presumir fatos sem qualquer prova, contrariaria a legislação fiscal e a jurisprudência; a Súmula nº 182 do antigo TFR vedaria ao Fisco a tributação baseada apenas em depósitos bancários; o STF teria se manifestado recentemente no sentido de considerar nulo o lançamento baseado em prova obtida ilicitamente (agravo de instrumento nº 443.4153); a tributação via presunção desrespeitaria o art. 100 do CTN; as presunções em matéria tributária deveriam respeitar os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada; o professor Celso Antonio Bandeira de Mello, escrevendo sobre a pretensão do Fisco de tributar com base nos depósitos bancários, teria vislumbrado a impossibilidade de se tributar via presunção; o imposto de renda somente poderia incidir sobre o acréscimo patrimonial (art. 153, inc. III, da Constituição da República; art. 43 do CTN); o STF entenderia que renda ou provento corresponderia a acréscimo patrimonial (RE 117.8876/SP e 89.7917); Fl. 986DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 ela teria recebido, de fato, os recursos da Refinadora Catarinense, mas, por força contratual, teria repassado parte deles ao escritório associado, com tributação de IRRF; a autuante teria optado, de maneira simplista, por desconsiderar a sua informação de que parte dos recursos recebidos da Refinadora Catarinense não lhe pertenceriam (e que, por isso, não os teria oferecido à tributação), sem tentar obter maiores informações junto ao escritório Corrêa Rabello & Associados; os pagamentos considerados pelo autuante como a beneficiários não identificados, salvo os relativos a saques na boca do caixa para adiantamento de lucros para seu sócio Alfredo Caregnato, teriam sido feitos por ordem do escritório parceiro, plenamente identificado e dono dos recursos, e, por isso, não teriam sido contabilizados por ela; o relatório fiscal estaria equivocado ao informar que os cheques nº 778325 e 778326 teriam sido endossados; os cheques nº 168, 171, 174, 176 e 178 do Banco Santander e o cheque nº 2426 do Banco Bradesco seriam nominativos, com identificação clara do beneficiário; a autuação estaria em total contradição com a fundamentação legal utilizada, uma vez que o art. 674 do RIR/99 preveria tributação somente na hipótese de o beneficiário não ter sido identificado, o que não ocorreria, considerandose que cheques endossados e/ou nominativos obrigatoriamente identificariam o beneficiário; à luz do Parecer Normativo SRF nº 1, de 2000, não poderia ter sido efetuado o lançamento contra a pessoa jurídica que teria efetuado os pagamentos, mas sim contra as pessoas dos beneficiários, que sequer teriam sido consultados; um dos beneficiários identificados seria o sócio do escritório parceiro, dono dos recursos repassados; considerandose a opção pela tributação pelo lucro presumido no ano em questão, haveria uma bitributação sobre as mesmas receitas; o fato de ser possível a elaboração da relação que estaria servindo de suporte para o lançamento evidenciaria que os pagamentos estariam perfeitamente identificados na sua contabilidade; quanto à exigência da multa de 150%, deveria ser levado em conta que ela teria atendido às diversas intimações, colocando à disposição da fiscalização toda a documentação solicitada (livros Diário e Razão, contratos de prestação de serviços, contrato de parceria com a sociedade Corrêa Rabello & Advogados Associados, cópias de cheques etc.); a imposição de multa seria excesso de exação; não haveria prova de que ela teria agido com dolo, fraude ou simulação; Fl. 987DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 985 7 a jurisprudência iria na direção oposta ao entendimento da autuante, não admitindo a multa agravada se não estiverem presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 (Ac. 1º CC nº 1217348, de 05/12/2007); a autuante teria a intenção de transferir para ela a produção de prova negativa de fatos que afirmaria ter ocorrido, impondo lhe um agravamento de penalidade sem prova; a manutenção da multa e o seu agravamento estariam em manifesta ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco; haveria decisão do STF com entendimento de que multa moratória de 100 % teria feição confiscatória, reputandose razoável o percentual de 30% para a reparação da impontualidade do contribuinte; o STJ, utilizando como paradigma a decisão do STF, teria adotado um parâmetro de 20 % para considerar como não confiscatória a multa por infração fiscal; se a multa devesse ser aplicada, ela não poderia ultrapassar 20%; as justificativas da autuante para o agravamento da multa constituiriam meras suposições, não havendo qualquer prova da sua intenção de fraudar o fisco. A Primeira Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro – I manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1219.895, de 09/07/2008 (fls. 881/893), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 2004. OMISSÃO DE RECEITAS AUFERIDAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A ausência de registro na contabilidade de receitas auferidas por serviços prestados, apurada mediante circularização junto a clientes do contribuinte, evidencia omissão de receitas, passível de lançamento de ofício. MULTA DE 150% Deve ser exigida a multa de 150% sobre os valores dos tributos lançados de ofício, nos casos de evidente intuito de fraude definidos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 2004 LANÇAMENTOS DECORRENTES Fl. 988DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 CSLL. PIS. Cofins. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhe o que tenha sido formalizado por mera decorrência dos fatos que motivaram aquela autuação, na medida em que inexistem outros fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003, 2004 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA Sujeitamse à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Lançamento Procedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 23/07/2008 (AR – fls. 894), tendo interposto recurso voluntário em 15/08/2008 (fls.895/921). A recorrente repete em sua petição recursal rigorosamente as mesmas alegações contidas na peça impugnatória e não apresenta novos elementos em face da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado é tempestivo e, portanto, dele conheço. 1. DA OMISSÃO DE RECEITAS Analiso em primeiro plano os argumentos da recorrente no que concerne à omissão de receitas apurada pela fiscalização. A omissão de receitas apurada pela fiscalização decorre, segundo os fatos descritos nos autos de infração, da ausência de registro na contabilidade de parte das receitas auferidas pelo contribuinte, que deixou também de emitir as correspondentes notas fiscais relativas aos serviços prestados, terminando por omitir tais valores em suas declarações prestadas à Receita Federal (DIPJ e DCTF). Na autuação ora discutida a fiscalização identificou omissões de receita a partir da comparação entre as receitas oferecidas à tributação com base no lucro presumido e as receitas apuradas com base em elementos obtidos junto a outros contribuintes tomadores de serviço da recorrente. Com bem acentuou a decisão de primeira instância “não se trata de presunção, mas de prova direta obtida, a partir de valores registrados em documentos de Fl. 989DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 986 9 terceiros e da interessada, inclusive extratos bancários, que foram confrontados com a receita bruta oferecida à tributação”. O lançamento não foi lastreado em depósitos bancários de origem não comprovada, mas em documentos fornecidos pelas clientes da recorrente, tais como recibos de honorários firmados pela fiscalizada, comprovantes de depósitos e/ou transferências bancárias, extratos bancários, cópias de livros contábeis que comprovam cabalmente que os valores foram efetivamente transferidos e que se referem à prestação dos serviços contratados. O lançamento tampouco se utilizou de extratos bancários obtidos ilicitamente, pois todos os elementos contidos no processo ou foram fornecidos pela própria recorrente ou foram obtidos junto a terceiros, mediante procedimento fiscal regular, amparado por lei. Também não se discute que se tratam efetivamente de receitas decorrentes das relações contratuais da recorrente, o que ela própria não nega, sendo absolutamente inócuo para o deslinde do caso discutir os conceitos de renda, como acréscimo patrimonial, seja a luz da doutrina ou da jurisprudência. 1.1 Omissão de receitas recebidas de Refinadora Catarinense. A discussão central do primeiro lançamento de omissão de receitas referese à alegação da recorrente de que parte dos valores por ela recebidos e que efetivamente ingressaram em suas contas bancárias seriam na verdade receitas do escritório parceiro. Trata se da receita apurada junto ao cliente da recorrente denominado Refinadora Catarinense. Segundo a recorrente os serviços foram contratados em parceria com o escritório Correa Rabelo & Associados. Alega que “teria apresentado à fiscalização os livros Diário e Razão, cópia do contrato de prestação de serviços com Corrêa Rabello & Associados, bem como cópias dos recibos comprobatórios dos repasses efetuados àquela sociedade, apesar de a autuante afirmar que não haveria comprovação desses repasses e nem do motivo dos pagamentos” e ainda que “a leitura do contrato celebrado entre ela e a Refinadora Catarinense S/A e do contrato de parceria celebrado por ela com o escritório Corrêa Rabello & Associados deixaria claro que ela seria a titular apenas de parte das receitas oriundas daquela prestação de serviços e que a outra parte pertenceria ao outro escritório”. Não é o que se vislumbra nos elementos contidos no processo. Senão vejamos. Pelo que se constata do livro Razão da recorrente (fls. 466/469) do ano de 2004, apenas em janeiro daquele ano a fiscalizada efetuou diversos lançamentos na conta contábil 2.1.1.06.001X – Adiantamento de Clientes contabilizando diversos adiantamentos recebidos da cliente Refinadora Catarinense S/A e repasses que teriam sido efetuados ao escritório Correa Rabelo & Associados. De acordo com os históricos, tratavase de lançamentos de regularização. No entanto, a recorrente em momento algum apresentou documentos de depósitos ou transferências bancárias comprovando os repasses nas datas indicadas nos lançamentos, nem tampouco apresentou recibos de quitação dos repasses firmados pelo escritório parceiro. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 Em 15/06/2005, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 004(fls. 490), a fiscalizada, ora recorrente, foi intimada a apresentar cópia do contrato de prestação de serviços com a Refinadora Catarinense S.A. em vigor nos anos calendário de 2002 e 2003 e do contrato de prestação de serviços firmado com o escritório de advocacia Correa Rabello e Associados para propor ações judiciais em parceria com Caregnato Advogados. Em face do não atendimento à solicitação, em 17/10/2005 o próprio sócio do escritório, Sr. Alfredo Severino Caregnato foi intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 006 (fls. 491) a comparecer à DeficRJ para prestar esclarecimentos acerca dos contratos de serviços com as empresas Refinadora Catarinense e Portobello S. A, bem como a apresentar cópias dos contratos e de todos os comprovantes de pagamentos e/ou adiantamentos de clientes delas recebidos. Em sua resposta (fls. 492), apresentada em 07/11/2005, a fiscalizada apresentou apenas a cópia do contrato e aditivo (fls. 503/507) firmado com a empresa Portobello S/A, alegando que o teor de ambos os contratos era idêntico. Com relação à parceria com o outro escritório, informou que o “contrato específico entre esse Escritório e o escritório Corrêa Rabello não existe. Vale dizer que o relacionamento é de parceria e consta do contrato com as tomadoras de serviço”. No contrato de prestação de serviços firmado com a empresa Portobello S.A. (fls.503) é possível identificar que consta como contratados o escritório Correa Rabello & Associados – Advogados Consultores e o escritório Alfredo Caregnato – Advogados. Não há, no entanto, nenhuma cláusula disciplinando a proporção dos honorários devidos a cada um dos escritórios parceiros. A única referência aos honorários é feita na cláusula quarta, estipulando o percentual total de honorários devidos sobre o valor dos créditos apurados, sem, no entanto especificar a proporção devida a cada prestador. No aditivo (fls. 506/507) o percentual de honorários foi repactuado, mas também não consta nada a respeito da proporção cabível a cada um dos escritórios prestadores. Em face de tal resposta e, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/01/2008 (fls 360), a fiscalizada foi intimada pela fiscalização (item 1.1) a apresentar os documentos referentes aos repasses feitos ao escritório Correa Rabello Associados, no valor de R$ 2.775.803,00, juntando os documentos contábeis e bancários que identificam o beneficiário “e outros que julgar necessário para um melhor esclarecimento” e a (item 1.2) esclarecer o motivo dos repasses já que os documentos obtidos junto à cliente pagadora dos serviços (Refinadora Catarinense) indicariam que cada um dos contratados recebia diretamente sua parte dos honorários pelos serviços prestados. Em sua resposta, em 10/03/2008, (fls. 368) a fiscalizada limitouse a afirmar que “conforme já foi informado a essa fiscalização, houve uma parceria na prestação de serviços entre Caregnato Advogados e o escritório de advocacia Correa Rabello & Associados, que, dos recebimentos advindos da empresa Refinadora Catarinense, 60% eram destinados a Correa Rabello. Daí a motivação de terem sido enviados os valores no ano calendário de 2003 que constam no Anexo I” (do Termo de Intimação). A resposta não veio acompanhada de nenhum documento comprobatório das transferências. No item 5 do Termo de Intimação Fiscal lavrados em 28/01/2008 (fls. 361), a fiscalizada foi intimada a esclarecer a finalidade dos pagamentos efetuados a Correa Rabello e Associados, no valor de R$ 282.870,04, através de TED do Banco Bradesco em 18/09/2003 e no item 6 do mesmo termo a fiscalizada foi intimada a esclarecer, mediante apresentação de documentação comprobatória, a justificar a natureza de transferências feitas em 2003 para Severina Melo de Santana e a Antonio José Dantas Correa Rabello. Com relação ao referido item 5 do TIF, a fiscalizada respondeu que “os valores enviados a Correa Rabello na data indicada referemse a repasses de serviços prestados em cooperação para as empresas Refinadora Catarinense S/A e Simab S/A, Fl. 991DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 987 11 conforme contratos em poder dessa fiscalização e a comprovação é a própria transferência eletrônica mencionada na pergunta”. Em relação ao outro item da intimação a fiscalizada respondeu que “a conta corrente de Severina Melo de Santana foi indicada pelo escritório Correa Rabello para que fossem repassados aqueles valores relativos a sua participação nos honorários de parceria com Caregnato Advogados nos serviços prestados à Refinadora Catarinense S/A e Simab S/A” e que “a conta da pessoa física do sócio foi indicada para depósito dos honorários do escritório Correa Rabello pelo próprio titular daquele escritório, para servir de adiantamento de distribuição de lucros acumulados”. Também desta feita não apresentou nenhum documento para corroborar suas alegações. Ainda por meio do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/01/2008, no seu item 8 a fiscalizada foi intimada a “informar, comprovando, a destinação dos cheques que se relaciona, sacados pela própria empresa na boca do caixa, uma vez que esta fiscalização não localizou o registro, na conta caixa, dos correspondentes créditos. Caso tenha sido utilizado no pagamento de vários valores, solicitamos que seja feita a correlação dos recursos decorrentes dos cheques com os pagamentos efetuados”. Foram relacionados seis cheques, conforme abaixo: Data Histórico Banco Valor 27/02/03 Cheque n° 168 SANTANDER 84649968 197.000,00 24/03/03 Cheque n° 171 SANTANDER 84649968 245.000,00 25/03/03 Cheque n° 174 SANTANDER 84649968 212.000,00 30/05/03 Cheque Caixa n° 176 SANTANDER 84649968 200.000,00 02/06/03 Cheque Caixa n° 178 SANTANDER 84649968 330.000,00 20/08/03 Cheque n° 2426 BRADESCO 00881643 60.000,00 Em sua resposta (fls. 369) a fiscalizada, ora recorrente, informou que “esses valores foram sacados para pagamentos da participação de 60% e 70% dos honorários de Correa Rabello & Associados no trabalho em cooperação com esse escritório nas empresas Refinadora Catarinense S/A e Simab S/A, respectivamente, e parte desse valor para a conta de caixa devidamente registrada no livro e conta competente”. Mais uma vez a fiscalizada não apresentou nenhum elemento de comprovação de suas alegações, nem indicou quais os valores foram transferidos ao escritório parceiro e quais foram destinados ao seu caixa. Conforme acima descrito, ao contrário do que alega a recorrente os elementos por ela apresentados não autorizam a conclusão de que parte dos valores ingressados em suas contas, provenientes de pagamentos efetuados pela sua cliente Refinadora Catarinense S/A, não correspondem a receitas próprias, mas sim à participação nos honorários do escritório parceiro. O único fato comprovado é o de que de fato prestou serviços àquela empresa em parceria com o escritório Correa Rabello & Advogados, tomandose por base as informações colhidas junto à fonte pagadora, pois a recorrente jamais trouxe aos autos a cópia do contrato com a Refinadora Catarinense. A recorrente, no entanto, não comprova sequer a participação de cada escritório parceiro nos honorários, pois admitiu não possuir contrato escrito com o escritório Correa Rabello e os contratos de prestação de serviços trazidos ao processo nada estipulam nesse sentido. Por outro lado, apenas um dos pagamentos alegados como sendo decorrentes de repasse de honorários ao escritório Correa Rabello foi transferido para conta bancária em Fl. 992DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 nome daquele escritório. Tratase do valor de R$ 282.870,04, transferido através de TED do Banco Bradesco em 18/09/2003. Os demais pagamentos alegados como de repasse foram feitos para conta de terceiros: Severina Melo Santana e Antonio José Dantas Correa Rabello, este último sócio do escritório parceiro. No entanto, a recorrente não trouxe ao processo nenhum elemento, ao menos indiciário, de que tais valores foram transferidos a tais pessoas por conta e ordem do escritório Rabello Correa e que corresponderiam efetivamente à participação daquele escritório nos honorários que foram recebidos pela recorrente. A recorrente alega ainda que alguns cheques sacados em dinheiro no ano de 2003 teriam a mesma destinação, ou seja, seriam utilizados para repasse de honorários ao escritório Correa Rabello. Mais uma vez a alegação carece de comprovação, pois a recorrente nada trouxe para tanto, seja no curso da investigação fiscal, seja depois de instaurado o contraditório. Os únicos indícios que constam dos autos, com relação aos cheques sacados em dinheiro, estão contidos nos cheques emitidos em seu próprio favor pela recorrente, junto ao Banco Santander, sob os números 176, de 30/05/2003 e 178, de 02/06/2003, nos valores de R$ 200.000,00 e R$ 330.000,00 respectivamente, em cujo verso conta a observação: “ESTA OPERAÇÃO ESTÁ SENDO DIRECIONADA PELO ESCRITÓRIO CORREA RABELO & ASSOCIADOS ADVOGADOS E CONSULTORES – CNPJ...” (fls. 499/502). Ocorre que tais valores foram sacados em dinheiro da conta corrente e não há qualquer comprovante de depósito em conta bancária em favor do escritório Correa Rabelo. Assim não se comprova a efetiva transferência dos recursos para o referido escritório, pois tendo em conta a magnitude dos valores sacados e considerando que a recorrente tem sua sede no Rio de Janeiro e o escritório parceiro em Recife, não é razoável supor que o pagamento tenha sido feito mediante tradição manual do dinheiro sacado. Por outro lado, verificase nos autos que, segundo informação prestada pela contratante (Refinadora Catarinense), no anexo III de sua resposta aos Termos de Intimação de 12/12/2007 (fl. 296), os pagamentos aos dois escritórios contratados, pelo menos no ano de 2002, foram feitos diretamente a cada um deles e contabilizados por ela separadamente, como comprovam seus registros contábeis (fl. 312). Como bem acentua a decisão recorrida, in verbis: “O fato de os pagamentos serem remetidos separadamente aos dois escritórios pela Refinadora Catarinense e a contabilização por ela de forma individualizada dos valores a título de despesa, indicam que a tomadora dos serviços pagava diretamente ao escritório Corrêa Rabello Associados o percentual a ele correspondente, assim como pagava diretamente à interessada o percentual a ela devido. As justificativas apresentadas pela interessada durante a ação fiscal em face dos questionamentos feitos pela autuante e os argumentos trazidos na impugnação não se sustentam, diante dos fatos e argumentos sólidos explicitados pela autuante no auto de infração (fls. 761 a 764) e dos documentos juntados aos autos. A verdade é que a impugnação da interessada não traz elementos consistentes capazes de desqualificar os fatos apurados pela fiscalização, apoiados em argumentos e documentos sólidos que acompanham o auto de infração. Persiste, portanto, a falta de comprovação de que uma parte dos recursos recebidos pela interessada teria sido efetivamente repassada à outra sociedade, à vista das evidências que apontam Fl. 993DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 988 13 para o fato de que a Refinadora Catarinense efetuava os pagamentos separadamente aos dois escritórios. Tampouco consta dos recibos firmados pela recorrente e apresentados pela empresa contratante (fls. 319/343) qualquer ressalva quanto à divisão dos honorários. Também não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria ter buscado a comprovação dos repasses junto ao escritório Corrêa Rabello & Associados, na medida em que não teria tido “força” junto ao parceiro para obter tais documentos. Ora, tal argumento não se sustenta. Primeiro, porque tais comprovantes já deveriam estar de posse da fiscalizada como comprovantes que serviriam para embasar sua escrituração, pois não é admissível nem escusável que um escritório de advocacia com o porte da recorrente, especializado em causas tributárias, desconheça as mais comezinhas obrigações a que está submetida perante o fisco. De outra parte a recorrente jamais alegou tal dificuldade na obtenção dos elementos no curso da fiscalização, restringindose a reiterar as suas alegações nas respostas formuladas à autoridade fiscal. Assim, não caberia à autoridade fiscal substituíla na busca de provas visando a sustentar suas alegações. Destarte, ainda que se possa vislumbrar algum indício de verossimilhança às alegações da recorrente, o julgador encontrase impedido de acolhêlas ante a ausência de comprovação do alegado. A única exceção que entendo admissível no presente caso referese ao pagamento efetuado ao escritório Correa Rabello e Associados, no valor de R$ 282.870,04, através de TED do Banco Bradesco em 18/09/2003, que restou devidamente comprovado (fls. 127). Considerando que restou evidenciada a parceria existente entre os escritórios na prestação dos serviços e que não há nenhum elemento para aferir o percentual de cada um deles, entendo que seja razoável, diante dos elementos processuais a exclusão deste valor do montante das receitas omitidas apuradas em face do contrato com a empresa Refinadora Catarinense S/A. 1.2 Omissão de receitas recebidas de Usina Sapucaia S/A. Com relação aos valores recebidos da Usina Sapucaia S/A, a autoridade fiscal aponta no auto de infração (fl. 764), que a interessada não ofereceu receitas recebidas á tributação mediante o artifício de lançálas em conta “Adiantamento de Clientes – Clientes Diversos (2.1.1.06.001X)”. A contratante dos serviços, Usina Sapucaia S/A, foi intimada pela autoridade fiscal a apresentar os documentos que embasaram os pagamentos feitos à interessada (fls. 392, 393 e 455), tendo em sua resposta apresentado os recibos de honorários advocatícios pagos à interessada no valor de R$ 340.000,00, os comprovantes de pagamentos efetuados, cópia da conta de despesa do livro Razão na qual os pagamentos foram escriturados, além do contrato de prestação de serviços celebrado com a interessada (fls. 394 a 458). À autoridade fiscal entendeu que não se tratavam de adiantamentos, mas sim de receitas efetivas contabilizadas como “Adiantamento de Clientes” pela fiscalizada. A recorrente alega que se tratavam sim de adiantamentos, pois estava se preparando para iniciar os serviços e que incumbia à autoridade autuante demonstrar que os serviços haviam sido iniciados e concluídos, não podendo simplesmente presumir que os seus registros contábeis estariam errados e os registros contábeis da cliente estariam certos. Não se tratam de meras divergências de registros. Com efeito, os próprios recibos emitidos pela interessada aludem a serviços prestados e não a adiantamentos. De se notar ainda que os recibos firmados ente 08/12/2004 e 23/12/2004 (419/453) referem Fl. 994DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 expressamente que se tratam de “honorários parciais pelos serviços prestados de advocacia, assessoria e consultoria jurídica, no processo de crédito de prêmio de IPI – Mandado de Segurança número 2001.51030014714 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região”. Tais pagamentos de honorários decorrem do contrato de prestação de serviços firmado em 17 de julho de 2000 (fls. 456/458). Assim, não resta dúvida de que se tratam de pagamentos decorrentes de serviços efetivamente prestados e não meros adiantamentos de honorários, devendo ser mantida integralmente a tributação por omissão de receitas do valor recebido da Usina Sapucaia S/A, no montante de R$ 340.000,00, conforme a atuação fiscal. 1.3 Omissão de receitas recebidas de Candura do Brasil Comércio Importação e Exportação. No que concerne aos valores recebidos por serviços prestados à empresa Candura do Brasil Comércio Importação e Exportação, a autuação aponta que a recorrente deixou de contabilizar e oferecer à tributação receitas recebidas daquela contratante de seus serviços, em junho de 2004, no montante bruto de R$ 42.101,87, conforme recibos, comprovantes de pagamentos e registros na contabilidade da tomadora dos serviços (fls. 372, 382 e 388), apresentados em atendimento ao termo de solicitação de documentos de fl. 370. Desta feita a própria recorrente admite que não teria oferecido tais valores à tributação, embora ressalve que ainda não agiu com dolo ou simulação e que teria havido mero erro de escrituração. Embora irrelevante para caracterizar a infração, a recorrente não traz qualquer comprovação do suposto erro cometido. Destarte, não havendo controvérsia quanto à omissão de receitas verificada deve se mantida a tributação do valor de R$ 42.101,87, recebido da empresa Candura do Brasil Comércio Imp. e Exp. em junho de 2004, nos termos indicados na peça de autuação. 1.4 Do cancelamento parcial da exigência do IRPJ De todo o exposto com relação à infração relativa à omissão de receitas apurada no auto de infração, dou provimento parcial para excluir da base tributável do IRPJ, relativa ao terceiro trimestre de 2003, o valor de R$ 282.870,04 cujo repasse dos honorários ao escritório Correa Rabello foi considerado comprovado. 2. LANÇAMENTOS REFLEXOS Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas e, dada a relação de causa e efeito, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição ao Programa de Integração Social Pis as conclusões atinentes ao IRPJ. Assim, deve ser excluída da base de cálculo do da CSLL relativa ao terceiro trimestre de 2003 o valor de R$ 282.870,04 cujo repasse dos honorários ao escritório Correa Rabello foi considerado comprovado. Da mesma forma com relação à base de cálculo do Pis e da Cofins do período de apuração de setembro de 2003 deve ser excluído o valor de R$ 282.870,04. Portanto, dou provimento parcial ao recurso em relação aos lançamentos a título de CSLL, Cofins e Pis. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 989 15 3. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA SOBRE OS TRIBUTOS APURADOS EM FACE DA RECEITA OMITIDA. A recorrente argumenta inicialmente que quanto à exigência da multa de 150%, deveria ser levado em conta que ela teria atendido às diversas intimações, colocando à disposição da fiscalização toda a documentação solicitada (livros Diário e Razão, contratos de prestação de serviços, contrato de parceria com a sociedade Corrêa Rabello & Advogados Associados, cópias de cheques etc.). Com efeito, o atendimento às solicitações de documentos e esclarecimentos feitas pela fiscalização constituise obrigação legal de todos os contribuintes, ao passo que sua recusa no atendimento ou o oferecimento de obstáculos à ação da fiscalização é motivo de agravamento da penalidade, nos termos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. No entanto, este não é o caso dos autos. Sobre os lançamentos de tributos incidentes sobre a receita omitida (IRPJ, CSLL, Pis e Cofins) foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, por ter entendido a autoridade fiscal que a fiscalizada agiu com evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei 4.502 de 1964. Embora a autoridade fiscal tenha mencionado no auto de infração que a fiscalizada não tenha atendido adequadamente a todas as intimações feitas no curso da ação fiscal, não tipificou o fato como motivo para o agravamento da penalidade. Na verdade a autoridade fiscal responsável pela autuação fundamentou a qualificação da multa em decorrência da omissão de receitas apurada em face da falta de registros na contabilidade, seja mediante o artifício de registrar os valores em contas de adiantamento de clientes (Passivo), seja pela exclusão de valores sob a alegação de se tratarem de receitas do escritório parceiro, ou ainda pelo direcionamento de cheques recebidos na quitação de receitas diretamente para contas de terceiros, inclusive do sócio da fiscalizada, sem qualquer registro contábil das operações. Entendo que os fatos apurados e demonstrados pela fiscalização revelam o intuito doloso da fiscalizada, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, de omitir receitas em sua escrituração contábil e fiscal, com vistas a reduzir o montante dos tributos devidos. Quanto aos demais argumentos levantados pela recorrente, adoto integralmente os argumentos da decisão de primeira instância, in verbis: Quanto à aplicação da multa de 150%, ela não constitui, de forma alguma, excesso de exação, uma vez que está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, sendo aplicável na hipótese de o contribuinte ter agido com evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Aliás, a nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430/96 manteve o percentual de 150% previsto para a referida hipótese. Em relação à alegação de que o STJ utilizando como paradigma decisão do STF teria adotado um parâmetro de 20 % para considerar como não confiscatória a multa por infração fiscal cabe ponderar que as manifestações dos dois tribunais se referiram à multa de mora e não à multa de ofício. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 16 No que diz respeito à alegação de que a multa de 150% ofenderia o princípio constitucional do nãoconfisco, vale ressaltar que a penalidade se encontra prevista em lei, validamente editada pelo Poder Legislativo, faltando competência a esse órgão administrativo de julgamento para se pronunciar a respeito da sua conformidade com os preceitos da Constituição, que atribui esta função ao Poder Judiciário. Assim, a questão suscitada pela interessada que, se acatada, representaria a inaplicabilidade de lei a caso expressamente nela prevista não poderá ser examinada por este colegiado, em face da limitação de sua competência. Deste modo, mantenho a aplicação da multa qualificada sobre os tributos devidos e lançados em face da omissão de receitas apurada. 4. DO LANÇAMENTO DE IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA O lançamento de IRRF foi efetuado em face da constatação de pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamentos sem causa conforme descrito no auto de infração (fls. 820/), in verbis: 001 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA 1) Foi constatado por esta fiscalização que os pagamentos efetuados através dos cheques abaixo relacionados, foram a beneficiários não identificados, como se demonstra: 1.1) Cheques emitidos pela Refinadora Catarinense a Caregnato Advogados, em decorrência de serviços prestados, que foram endossados para a conta 19103 da Agência 002 do Banco Cruzeiro do Sul, como se verifica no verso dos respectivos cheques (fls. 305/8), conta esta não pertencente à empresa. DATA HISTÓRICO BANCO CHEQUE N° VALOR EM R$ 28/07/03 Cheque compensado HSBC 778325 500.000,00 28/07/03 Cheque compensado HSBC 778326 500.000,00 (...) 1.2) Cheques de emissão da fiscalizada, nominais a ela própria: DATA HISTÓRICO BANCO CHEQUE VALOR EM R$ 27/02/03 Cheque Caixa SANTANDER 000168 197.000,00 24/03/03 Cheque Caixa SANTANDER 000171 245.000,00 25/03/03 Cheque Caixa SANTANDER 000174 212.000,00 30/05/03 Cheque Caixa SANTANDER 000176 200.000,00 02/06/03 Cheque Caixa SANTANDER 000178 330.000,00 20/08/03 Cheque Espécie BRADESCO 002426 60.000,00 2) PAGAMENTOS SEM CAUSA efetuados pela empresa às seguintes pessoas físicas: 2.1) SEVERINA MELO DE SANTANA: DOCTOS DE FLS. 516/8 DATA HISTÓRICO BANCO VALOR EM R$ 01/08/03 TED Agência SANTANDER 84649968 293.258,47 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 990 17 08/08/03 TED Agência SANTANDER 84649968 488.720,00 25/11/03 TED BRADESCO 997102 388.404,00 2.2) ANTÔNIO JOSÉ DANTAS CORRÊA RABELLO DOCTO. DE FLS. 519 DATA HISTÓRICO BANCO VALOR EM R$ 01/08/03 Cheque Compensado SANTANDER 846949968 100.000,00 2.3) CORREA RABELLO & ASSOCIADOS DOCTO. DE FLS. 127 DATA HISTÓRICO BANCO VALOR EM R$ 18/09/03 TED BRADESCO 00997102 282.870,04 A recorrente alega que a fiscalização se equivoca ao relatar que os pagamentos acima teriam sido feitos a beneficiários não identificados. Sustenta que, “de fato os pagamentos relacionados acima salvo aqueles que o foram em boca do caixa para o próprio escritório, os quais foram saques com o intuito de cobrir o caixa da empresa autuada de maneira a repassar recursos para o sócio Alfredo Caregnato, com adiantamento de lucro foram a conta de ordem do escritório parceiro já plenamente identificado, pois lhe pertenciam, e por isto sequer passaram pela contabilidade do nosso escritório, conforme já explicado quando demonstramos o equívoco da tributação da omissão de receitas, pois eram receitas de outro e não do nosso escritório”. A recorrente alega ainda que “a autuação está em total contradição com a fundamentação legal utilizada, vez que o art. 674 do RIR/99 prevê tributação somente na hipótese do beneficiário não ter sido identificado, o que não ocorre na espécie, vez que, cheques endossados e/ou nominativos obrigatoriamente identificam o beneficiário” e que “quanto ao relatado nos itens 2.1 e 2.2, no próprio título constam os nomes dos beneficiários, o que transforma a autuação numa peça de ficção”. Preliminarmente é importante destacar que a hipótese legal utilizada para lastrear o lançamento, constante do art. 674 do RIR/1999 prevê a incidência do IRRF não apenas sobre os pagamentos feitos a beneficiários não identificados (caput), mas também sobre pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, conforme transcrevo abaixo: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). Fl. 998DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 18 § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Portanto, não basta que o beneficiário do pagamento esteja identificado, mas é mister que seja comprovada também a operação ou sua causa. No caso vertente a interessada alega que, com exceção dos saques realizados em espécie (subitem 1.2), os demais pagamentos teriam sido feitas por conta e ordem do escritório parceiro em decorrência de sua parte em honorários recebidos de clientes e que sequer foram escriturados por se tratarem de receitas de terceiros. Os fatos acima já foram amplamente analisados anteriormente quando examinei o lançamento em decorrência de omissão de receitas. Na análise dos elementos contidos no processo colhidos pela autoridade fiscal responsável pela autuação restou claro que em momento algum a recorrente se desincumbiu de comprovar adequadamente as suas alegações de que tais valores seriam receitas de terceiros e que os pagamentos e transferências identificados pela fiscalização consubstanciavam tais fatos. Ocorre que nem durante a ação fiscal, nem depois de instaurado o contraditório, pela impugnação dos autos de infração, a recorrente acrescentou aos autos quaisquer elementos que pudessem comprovar suas alegações. Ora, os créditos todos, com exceção os relacionados nos subitem 1.2 (saques em espécie) e no subitem 2.3 (TED para o escritório Correa Rabello), foram feitos em nome de pessoas diversas daquela que seria a real titular das receitas. Assim, minimamente a recorrente deveria comprovar o vínculo dos pagamentos efetuados com aquele escritório, mediante documentos escritos onde estivesse claramente demonstrado que se tratavam de receitas pertencentes ao escritório parceiro, bem como que os créditos em contas de outras pessoas (mesmo do sócio do escritório parceiro) foram determinados pelo suposto titular das receitas. De se ressaltar ainda que o não registro das operações na contabilidade da recorrente só depõem contra sua tese, pois a fiscalização comprovou fartamente os valores recebidos dos clientes, não apenas com recibos firmados pela recorrente, como também com os documentos bancários comprobatórios dos pagamentos (extratos bancários, cópias de cheques, etc). Deste modo, ficou demonstrado que os cheques relacionados no subitem 1.1 foram recebidos pela recorrente, com sua identificação nominal e, no entanto foram endossados depositados em conta bancária não pertencente à empresa, restando não identificado nem o beneficiário, nem a respectiva causa da operação. Já os pagamentos efetuados às pessoas físicas indicadas nos subitem 2.1 e 2.2, embora identificadas não tiveram a operação ou a causa comprovada, na medida em que as alegações da recorrente não foram amparadas por documentos hábeis e idôneos. Apenas a transferência efetuada diretamente ao escritório Correa Rabello pode ser considerada como devidamente identificada e justificada, na medida em que, conforme entendimento já exarado, foi excluído da base de cálculo das receitas omitidas ante a sua razoabilidade diante do conjunto probatório contido no processo. Por outro lado, os valores relacionados no subitem 1.2, representados por cheques emitidos pela recorrente em seu próprio nome e sacados em dinheiro junto às instituições bancárias não se constituem comprovantes suficiente da ocorrência de pagamentos, não havendo como perquirir a real destinação de tais recursos, seja quanto aos beneficiários, seja quanto à operação ou sua causa. Ora, pelo que se depreende do texto legal incumbe ao contribuinte a identificação dos beneficiários e comprovar a operação que deu causa aos pagamentos. Porém, Fl. 999DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000431/200851 Acórdão n.º 1302000.775 S1C3T2 Fl. 991 19 como fato antecedente é indispensável que a fiscalização comprove a ocorrência do pagamento a terceiro. O simples saque dos recursos da conta bancária, realizado em espécie, não é suficiente para caracterizar a existência de um pagamento no valor respectivo e na mesma data, elementos imprescindíveis para caracterizar a hipótese legal de assunção da responsabilidade pelo imposto de renda que teria deixado de ser retido. Observo que, mesmo em relação aos cheques nº 176 e 178 sacados junto ao Banco Santander, que a recorrente alegara ter transferido os recursos ao escritório Correa Rabello, não se pode considerar caracterizado o pagamento, pois quando da análise da hipótese de exclusão de tais valores da omissão de receita verificouse que as alegações da recorrente não foram comprovadas com documentos que demonstrassem a transferência efetiva dos recursos ao escritório parceiro. Assim, seria contraditório admitir que teria ocorrido o pagamento para fins de incidência do IRRF se não o foi para fins de exclusão dos valores da base de cálculo de omissão de receitas. Com relação aos demais argumentos apresentados pela recorrente quanto à inaplicabilidade do dispositivo aos fatos colhidos na autuação, adoto o entendimento proferido na decisão recorrida, in verbis: Vale assinalar ainda que a incidência do IRRF independe do regime tributário do IRPJ, não sendo possível vislumbrar uma bitributação sobre as mesmas receitas em razão da adoção do lucro presumido, ao contrário do que acredita a interessada. Como relatado, a interessada cita em sua impugnação o “Parecer Normativo SRF nº 1, de 2000”, alegando que o lançamento não poderia ter sido efetuado contra a pessoa jurídica que teria efetuado os pagamentos, mas sim contra as pessoas dos beneficiários. Na verdade, ela se refere ao Parecer Normativo nº 1, de 2002, que dispõe que quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto se extingue, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Verificase, portanto, que o Parecer Normativo trata de hipótese distinta da do caso ora examinado. À vista do exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento relativo ao IRRF os valores descritos nos subitem 1.2 (cheques sacados em espécie – valor total de R$ 1.244.000,00) e 2.3 (Pagamento ao escritório Correa Rabello & Associados – R$ 282.870,04). 5. DA MULTA QUALIFICADA INCIDENTE SOBRE O LANÇAMENTO DE IRRF. Pelo que se verifica no processo os pagamentos considerados não identificados ou sem causa foram apurados pela fiscalização no curso da ação fiscal mediante elementos colhidos junto a terceiros ou com base em documentos apresentados pela própria recorrente, ensejando a cobrança do IRRF. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 20 Entendo que em regra que, nestes casos, o imposto quando não retido e não recolhido, deve ser exigido de ofício com a aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento), pois o que a norma busca sancionar é a falta de recolhimento do imposto de renda na fonte, não servindo a própria omissão do nome do beneficiário ou da operação que lhe deu causa ser utilizada para a qualificação da multa. A própria norma estabelece que a cobrança deve ser feita inclusive sobre “pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa” (§ 1º do art. 674 do RIR/99). Portanto, a ausência de contabilização do pagamento por si só não enseja a aplicação da multa qualificada, pois tal conduta integra a descrição da incidência do imposto. Para que seja qualificada a multa é necessário que existam outros elementos que comprovem o intuito deliberado de ocultar tais pagamentos ao Fisco. No caso em comento, entendo que somente em relação aos pagamentos listados no item 1.1 da descrição dos fatos do auto de infração, revelase passível a aplicação da multa qualificada, na medida em que a fiscalizada, ora recorrente, repassou recursos por ela recebidos em cheques de sua cliente Refinadora Catarinense, mediante o endosso dos mesmos e depósito em contas de terceiros não identificados. Assim, não apenas os pagamentos não foram registrados em sua contabilidade, como também os recursos não transitaram por suas contas denotando o intuito deliberado da recorrente de ocultar tais pagamentos ao Fisco. É relevante observar que tais pagamentos somente foram identificados mediante a apresentação das cópias dos cheques pela empresa emitente, por solicitação da fiscalização que não identificara a entrada de tais recursos nas contas bancárias da fiscalizada. Ante ao exposto, voto no sentido de reduzir a multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento) para as infrações apuradas e descritas nos subitens 2.1 (Pagamentos a Severina Melo de Santana) e 2.2 (Pagamento a Antonio José Dantas Correa Rabello), mantendose a multa qualificada apenas em relação à infração descrita no subitem 1.1 da descrição dos fatos do auto de infração que constituiu o IRRF (cheques recebidos pela Refinadora Catarinense depositados em contas de terceiros). 6. CONCLUSÕES Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, nos termos do relatório e voto acima. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721079/2009-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.089
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 79 /2 00 9- 33 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 3 2 Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.986 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10830.721079/200933 Acórdão n.º 9303007.089 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005374/2003-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa:
Arbitramento do lucro.
A falta de apresentação de livros fiscais obrigatórios, impede a Fazenda de verificar a correção da apuração do lucro real, levando ao arbitramento do lucro.
Lucro presumido. Opção.
A existência de pagamento referente ao 3º trimestre não é suficiente para configurar a opção pelo lucro utilização
de dados obtidos nos livros do ICMS para apuração da base de cálculo; Compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins .
A condição para a dedução de que se cuida, prevista pelo legislador no parágrafo 1º, do artigo 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, era o recolhimento da COFINS calculada de conformidade com este artigo (ou seja, pela aplicação da alíquota de 3% sobre a base de cálculo da contribuição) SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-000.612
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: Arbitramento do lucro. A falta de apresentação de livros fiscais obrigatórios, impede a Fazenda de verificar a correção da apuração do lucro real, levando ao arbitramento do lucro. Lucro presumido. Opção. A existência de pagamento referente ao 3º trimestre não é suficiente para configurar a opção pelo lucro utilização de dados obtidos nos livros do ICMS para apuração da base de cálculo; Compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins . A condição para a dedução de que se cuida, prevista pelo legislador no parágrafo 1º, do artigo 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, era o recolhimento da COFINS calculada de conformidade com este artigo (ou seja, pela aplicação da alíquota de 3% sobre a base de cálculo da contribuição) SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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A falta de apresentação de livros fiscais obrigatórios, impede a Fazenda de verificar a correção da apuração do lucro real, levando ao arbitramento do lucro. Lucro presumido. Opção. A existência de pagamento referente ao 3º trimestre não é suficiente para configurar a opção pelo lucro utilização de dados obtidos nos livros do ICMS para apuração da base de cálculo; Compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins . A condição para a dedução de que se cuida, prevista pelo legislador no parágrafo 1º, do artigo 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, era o recolhimento da COFINS calculada de conformidade com este artigo (ou seja, pela aplicação da alíquota de 3% sobre a base de cálculo da contribuição) SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Fl. 418DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 518 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi Relatório Tratase de recurso voluntário em relação ao acórdão DRJ que deu provimento parcial à impugnação apresentada pelo recorrente. PAULO CÉSAR GOMES CORREIA, empresa individual já qualificada nos autos, teve contra si lavrado o Auto de Infração (AI) de fls. 05/18, para a formalização da exigência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo aos exercícios financeiros de 2000 a 2003, no montante de R$ 836.709,80, incluídos os correspondentes encargos legais. Consta do Termo de Verificação Fiscal: Nas DIPJ 1999 a 2002 (ano calendário), fls. 179/269, o contribuinte declarou que a forma de tributação adotada foi "Lucro Presumido". Todavia, a DIPJ, no que se refere à forma de tributação, é meramente informativa. Em verdade, a opção pela forma de tributação é manifestada pelo pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, sendo definitiva para aquele ano, conforme previsto no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.° 3.000, de 26/03/99): Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei n° 9.718, de 1998, art. 13). Fl. 419DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 519 3 § 1° A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei n° 9.718, de 1998, art. 13, § 1'). § 30 A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. § 4° A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei n°9.430, de 1996, art. 26, § 1'). Para confirmar o efetivo exercício desta opção pelo contribuinte, buscamos seus recolhimentos do IRPJ no Sistema SINAL04, não tendo encontrado qualquer pagamento no código 2089 (IRPJ — Lucro Presumido) ou sob qualquer outro código de IRPJ, QUE ATENDESSE AO PRESCRITO NO PARÁGRAFO 4°, ARTIGO 516 DO DECRETO N° 3.000/99, supra transcrito! Assim, a empresa não exerceu a opção pelo lucro presumido e, como conseqüência, aplicarseia, em princípio, a regra geral, que é tributação pelo lucro real.' Do arbitramento do Lucro. Intimado seguidamente a apresentar a escrituração contábil e fiscal, o contribuinte não nos entregou, até o momento, os livros Caixa, Diário, Razão e LALUR, bem como os balancetes mensais, referentes ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002, conforme se observa das infrutíferas intimações (fls. 040/046), embora concedidos os prazos para apresentação previstos no art. 19 da Lei n.° 3.470/58, com a nova redação dada pelo art. 71 da Medida Provisória n.° 2.15835: Art. 71. O art. 19 da Lei n° 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações.. "Art. 19. O processo de lançamento de oficio será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1° Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (grifos nossos) Assim, configurouse uma das hipóteses de arbitramento previstas no Regulamento do Imposto de Renda/99: Fl. 420DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 520 4 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°): III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifo nosso) De não olvidar, ainda, o disposto no art. 527 do mesmo diploma legal, que prescreve o seguinte: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n°8.981, de 1995, art. 45): 1 escrituração contábil nos termos da legislação comercial; Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n° 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Da combinação dos dispositivos acima transcritos, observase que, mesmo que o contribuinte houvesse efetivamente realizado a opção pelo lucro presumido, só por hipótese, ainda assim caberia o arbitramento, já que a simples falta de apresentação do livro Caixa já configura a hipótese de arbitramento capitulada no inciso III do art. 530 do Decreto n° 3000/991 Segundo a descrição dos fatos a exigência decorreu do arbitramento dos lucros da Contribuinte, relativamente aos anoscalendário de 1999 a 2002, motivado pela falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração comercial, para o que a Fiscalizada foi regularmente intimada em diversas oportunidades. Constatouse, ainda, durante o procedimento de verificações obrigatórias, divergências entre os valores escriturados e os declarados, relativamente às receitas de revenda de mercadorias, tendo sido utilizados os valores contidos no Demonstrativo do Faturamento Mensal constante das fls. 48/49, elaborado a partir da informação prestada pela Contribuinte, livros de Apuração do ICMS e livro Razão de 2001. Esclarece a autoridade lançadora que a Fiscalizada adotou, para os períodos acima, o lucro presumido como forma de apuração do IRPJ, conforme as respectivas DIPJ apresentadas à SRF, sem manifestar, no entanto, a opção mediante o pagamento da primeira quota ou quota única do imposto devido, correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, na forma do artigo 516, e §§, do RIR/99; acrescenta que, de acordo com pesquisa realizada no sistema SINAL04, não se constatou qualquer recolhimento com o código correspondente à aludida opção (2089), que atendesse ao prescrito no parágrafo 4º, do Fl. 421DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 521 5 dispositivo citado. Em conseqüência, a Contribuinte se sujeitava à apuração do IRPJ com base na regra geral, qual seja, o lucro real. A exigência foi fundamentada nos artigos 529, 530, inciso III, e 532, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), combinados com o artigo 47, inciso III, da Lei nº 8.981, de 1995. Foi ainda exigida, como lançamento reflexo, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no montante de R$ 497.848,17, conforme AI de fls. 19/32. Inconformada com as exigências, das quais tomou ciência em 10/12/2003 (AR às fls. 270), a Autuada, por meio de seu Procurador (Mandato às fls. 296), apresentou em 09/01/2004, a impugnação de fls. 274/295, instruída com os documentos de fls. 297 a 357, onde alega, inicialmente, que a Fiscalização se equivocou, ao fundamentar o arbitramento dos seus lucros no alegado desatendimento a intimações para apresentar livros e documentos da empresa, pois esta, quando solicitada diretamente a fazêlo, disponibilizou a sua escrituração, fato comprovado pelo Termo de Retenção entregue pelo Auditor, que ora junta à defesa (fls. 301). As intimações constantes das fls. 40 a 46 foram, ao que parece, recebidas por interpostas pessoas, sem a competente outorga de mandatárias ou prepostas da ora Impugnante, eivando aqueles documentos, bem como o processo administrativo, de inafastável nulidade; assim, não pode prevalecer a presente exigência calcada em arbitramento de lucros realizado com fulcro no artigo 530, III, do RIR/99, sem que tenha restado demonstrado o efetivo descumprimento das obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, posto que a Contribuinte não foi regularmente intimada a apresentar o restante da documentação de sua escrita, conforme se depreende dos avisos de recebimento (AR) acostados aos autos. Invocando a jurisprudência administrativa, consubstanciada em julgados do Conselho de Contribuintes que traz à colação, assevera a Impugnante que, assim como a intimação destinada a cientificar o sujeito passivo da obrigação tributária deve ser pessoal, da mesma forma é a solicitação para apresentar documentos, não bastando a assinatura de alguém não identificado ou que não seja representante legal, para tornar presumido o conhecimento da intimação. Ao contrário do que se alegou na peça acusatória, a Autuada efetuou vários recolhimentos no código relativo ao lucro presumido (2089), a partir do ano de 2002, donde se conclui que restou caracterizada a correspondente opção a partir daquele exercício. Ressaltese que o fato de a pessoa jurídica não ter efetuado o pagamento nos prazos legais ou ter recolhido com insuficiência o imposto devido relativo a fatos geradores ocorridos a cada mês não impede o exercício da opção de que se trata, a teor do que dispõe o artigo 42, §§ 4º e 5º, da Instrução Normativa (IN) SRF nº 11, de 1996. Assim, se a ora Impugnante possuía o livro Caixa e se encontrava inserida no lucro presumido, revelase equivocado o arbitramento do lucro levado a efeito no procedimento fiscal sob análise, restando descaracterizada a hipótese do inciso III, do artigo 530, do RIR/99. A seguir, a defesa passa a contestar a adoção dos dados contidos no livro de Apuração de ICMS para o levantamento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, consolidados Fl. 422DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 522 6 no “Demonstrativo de Faturamento Mensal”, o que, configuraria, segunda ela, a utilização da chamada “prova emprestada”. Diz que a desclassificação formal da escrita da Autuada foi realizada sem o cumprimento de cerimônia legal obrigatória, em razão de não haver sido ela solicitada diretamente ao contribuinte, e que esse procedimento seria obrigatório para que se pudesse utilizar a prova emprestada, uma vez que a escrituração faz prova a favor do contribuinte, conforme dispõem os artigos 923 e 924, do RIR/99. Segue argumentando que a simples alegação de divergências de registros entre a declaração de imposto de renda e as informações contidas no Livro de Apuração de ICMS não impõe a desclassificação da escrita, devendo ser demonstrada, por prova inequívoca, a prevalência de um registro em relação ao outro; invocando, nesse sentido, o teor do artigo 112, do Código Tributário Nacional (CTN), assevera a Impugnante que o fato de se utilizar prova emprestada sem que tenha havido a aludida desclassificação da escrita leva à nulidade do lançamento, desde já requerida. Alega que o mero registro da saída da mercadoria ou seja, de sua circulação, que constitui o fato gerador do ICMS não é suficiente para aferir a ocorrência do recebimento dos valores correspondentes; segundo ela, a disponibilização do respectivo recurso é a condição para caracterizar a hipótese de incidência do imposto de renda. Como esse ingresso dos preços das mercadorias em circulação não foi provado, sendo apenas presumido pelos autores do feito, não restou evidenciada a ocorrência do fato gerador do IRPJ, conforme julgado da lavra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e texto doutrinário trazidos à colação, tratando da prova emprestada e da presunção em lançamentos fiscais. Com relação a esse tópico da impugnação, arremata a Contribuinte que: “Inclusive, fundamental seria a definição da data exata do pagamento das mercadorias em circulação para se determinar o termo de início de contagem de juros e atualização monetária, caso viesse a ser constatada as diferenças (sic) alegadas, presumidas mas não comprovadas” No que concerne à exigência da CSLL, a Impugnante argumenta ser equivocada a conclusão do Fisco de não ser possível a compensação daquela contribuição com até 1/3 da COFINS efetivamente paga, em razão de os recolhimentos efetuados estarem em desacordo com o disposto no artigo 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, pois, segundo ela, ao desconsiderar os valores pagos àquele título, para efeito de dedução da CSLL, a autoridade fiscal violou o direito do contribuinte, ferindo princípios basilares do direito pátrio, tais como, o da capacidade contributiva e o da estrita legalidade, impondose a decretação da nulidade do feito, em face de sua insubsistência. Diz, ainda, haver constatado nas planilhas elaboradas pela Fiscalização, uma evidente discrepância entre os valores efetivamente recolhidos à titulo de IRPJ e CSLL e os deduzidos do crédito tributário apurado no presente lançamento de ofício, restando configurada um excesso de onerosidade nos respectivos AI, por não haver sido considerada a totalidade dos recolhimentos efetuadas em cada (período de) competência. Em função disso, requer a realização de perícia contábil para apuração dos valores realmente recolhidos, os quais são, em sua maioria, superiores aos considerados na autuação. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 523 7 Por fim, contesta a aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora exigidos no procedimento fiscal, por se tratar aquele índice de taxa remuneratória, não podendo ser utilizada em matéria tributária, além de não se conformar com o disposto no artigo 161, § 1º, do CTN. Ilustra a sua tese com a reprodução de excertos de julgados da lavra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tratando do tema. A DRJ decidiu converter o julgamento em diligência, sobre a qual foi elaborado relatório de fls. 459 e seguintes, onde se destaca: 1. Esclareça a ausência de menção ao Termo de Retenção de fls. 301, no qual a autoridade autuante reteve os livros Diário e Razão da Fiscalizada, relativos ao ano de 2001, conforme mencionado no documento, considerando que, além da falta da manifestação pelo lucro presumido prevista na lei, motivou o arbitramento aqui tratado, a não apresentação dos livros e documentos da escrituração da empresa, relativamente a todos os períodos de apuração arrolados na autuação; ressaltese que os dados contidos no livro Razão foram também adotados como fonte para a elaboração do Demonstrativo de Faturamento Mensal de fls. 48/49, conforme nota constante de seu rodapé. Resposta: Ao revés do que informa o contribuinte em sua defesa, fl. 281, nenhum livro caixa foi entregue no curso da ação fiscal, embora tenha sido regularmente intimado para tanto, fls.040/042. Os livros Diário e Razão do ano de 2001, cujo termo de retenção foi, por engano, anexado ao dossiê fiscal, mostraramse insuficientes para se determinar o lucro real, bem como não identificava a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, motivos estes já suficientes para o arbitramento dos lucros, nos termos do inciso II do art. 530 do Decreto n° 3.000/1999. Ademais, não optando o contribuinte pelo lucro presumido, na forma da legislação em vigor, adere ao lucro real e, como tal, estaria obrigado a manter escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, inclusive com elaboração de demonstrações financeiras, sujeitandose, em não o fazendo, ao arbitramento dos lucros nos termos do inciso I do art. 530 do Decreto n° 3.000/1999. Com efeito, frisese que o contribuinte não apresentou, para todos os anos fiscalizados, o Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, Livro Caixa, Balancetes mensais etc, embora regularmente intimado, como se verifica do Termo de Intimação Fiscal, fls. 040/042. De não olvidar, finalmente, que a inexistência do livro caixa, escriturado com a movimentação financeira, inclusive bancária, constitui, por igual, hipótese legal de arbitramento dos lucros, nos termos do inciso UI, do art. 530 do Decreto 3.000/1999, como é o caso do contribuinte em questão. 2. Informe se foi apresentada procuração e/ou autorização passada pelo titular da empresa individual Autuada outorgando Fl. 424DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 524 8 poderes para que o Sr. Ridan Carneiro de Lima e Silva, CPF n° 061.658.68410, RG n° 5104221 tomasse ciência do Termo de Intimação Fiscal de fls. 43/44;caso positivo acostar o documento aos presente autos; Resposta: O contribuinte foi regularmente intimado a apresentar todos os documentos necessários ao deslinde da ação fiscal, conforme doc. de fls.40/41, cuja ciência encontrase à fl. 42. O documento de fls. 43/44, cuja ciência foi dada ao portador do contribuinte, constitui mero preciosismo fiscal, haja vista tratarse de reintimação fiscal. Ou seja: a reintimação fiscal, entregue ao portador do contribuinte, não acarretou qualquer prejuízo ao mesmo, uma vez que o arbitramento dos lucros decorreu do não atendimento da intimação de fls. 40/41, cuja ciência, colhida nos termos da legislação em vigor, encontrase inconteste à fl. 42, nos termos do inciso do Art. 23 do Decreto n° 70.235/72 c/c art. 234 do CPC. Com efeito, eventual descumprimento de formalismo em relação à questionada reintimação de fls. 43/44 não teria o condão de macular a regular intimação de fls. 40/42. 3. Intime a ora impugnante a comprovar todos os recolhimentos por ela efetuados a título de IRPJ e CSLL, referentes aos fatos geradores alcançados pelo procedimento fiscal sob análise (anoscalendários de 1999 a 2002, independentemente do código de receita contido nos respectivos DARF." Resposta: Intimado a apresentar os referidos DARF, fl. 406, o contribuinte peticionou, em 17/09/2007, pela dilação do prazo até 01/10/2007, fl. 457. Não obstante a generosidade do prazo concedido, o contribuinte não apresentou qualquer comprovante de pagamento. 4. Esclareça o fato de não haverem sido considerados, na compensação levada a efeito nos correspondentes AI, conforme demonstrativos de apuração fls. 16 e 30, os recolhimentos realizados pela contribuinte em 30/08/2002, com os códigos 2089 (IRPJ — R$ 604,82), e 2372 (CSLL — R$ 362,89), os quais não constaram da DCTF apresentada para o respectivo período de apuração, fls. 169 a 172 — ver pesquisa no Sistema SINAL04, 1RPE (CONSULTA PAGAMENTO), ora anexada; Resposta: Havia um entendimento majoritário nesta DRF/Recife no sentido de que só se poderia compensar o tributo lançado de oficio com os valores efetivamente declarados, entendimento este, hoje, respaldado pela SCI n° 08, de 30 de abril de 2007, cuja ementa está vazada nos seguintes termos. "O indébito decorrente de pagamento de tributo a maior do que o informado pelo contribuinte em DCTF, DIRPF ou declaração de ITR, não deverá ser considerado para efeito de Fl. 425DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 525 9 aproveitamento/utilização na apuração do tributo devido, devendo o respectivo crédito tributário ser constituído de oficio em sua totalidade. Comprovando o contribuinte, na impugnação, que já pagou o tributo lançado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento poderá exonerálo da multa de oficio, quando o pagamento houver sido tempestivo." 5. Junte cópia do auto de infração formalizado para a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (constante do Processo n° 19647.005375/2003 40, segundo pesquisa no sistema COMPRO7', na qual reste demonstrado que os recolhimentos efetuados pela Contribuinte concernentes ao período em que se poderia compensar parte dos correspondentes valores com a CSLL, foram realizados em desacordo com o disposto no artigo 8°, da Lei n°9.718, de 1998. Resposta: Juntei ao processo, fls. 409/456, o Auto de Infração da COHNS correspondente ao período solicitado. A motivação do não aproveitamento de parte do pagamento da COF1NS para compensação da CSLL devida encontrase às fls.38 do processo. (Os documentos aqui citados são do conhecimento do contribuinte, haja vista ter tomado ciência do referido Auto de Infração da Cofins). Cientificado do referido Termo em 05/10/2007, conforme AR de fls. 461, a Contribuinte não se manifestou no prazo de trinta dias concedido pela autoridade fiscal. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVAÇÃO. INOVAÇÃO DO FEITO. DECADÊNCIA ARBITRAMENTO DOS LUCROS. HIPÓTESES QUANTIFICAÇÃO DA EXIGÊNCIA. TRIBUTOS RECOLHIDOS ESPONTANEAMENTE ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A motivação do ato administrativo do lançamento deve se coadunar com a situação fática verificada pela autoridade fiscal. Eventual agravamento da exigência inicial, em decorrência de inovação da fundamentação legal do feito, somente pode ser efetuada enquanto não decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Constitui hipótese de arbitramento de lucros a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou presumido. Na quantificação do crédito tributário a ser exigido de ofício, a autoridade fiscal deve considerar os recolhimentos efetuados espontaneamente pelo contribuinte, relacionados aos fatos geradores Fl. 426DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 526 10 arrolados na autuação, independentemente de haverem sido confessados em DCTF. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Tratandose de lançamento reflexo, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Destaco no voto condutor do acórdão DRJ: 1. Das Motivações para o Arbitramento. Compulsandose os autos, verificase que a Contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início de fls. 40/41, a apresentar, em vinte dias, os livros de sua escrituração contábil (Diário, Razão e Caixa, além de balancetes mensais) e fiscal (Registro de Apuração do ICMS/IPI/ISS), bem como, disponibilizar à Fiscalização, o LALUR, os livros de Entradas e Saídas de Mercadorias e o Registro de Inventário. A empresa tomou ciência do referido Termo, por via postal, em 10/09/2003, conforme cópia do AR constante das fls. 42. Em 04/11/2003, por não haver atendido àquela intimação, a ora Impugnante teria sido reintimada a apresentar os elementos solicitados na inicial, na pessoa do Sr. Ridan Carneiro de Lima e Silva, qualificado no Termo de fls. 43/44, como mensageiro. Não tendo sido, mais uma vez, atendida a intimação do Fisco, foi efetuado o arbitramento dos lucros da empresa, com fulcro no artigo 530, III, do RIR/99. Acrescenta o autuante que, como a opção pelo lucro presumido não foi formalizada pelo recolhimento do imposto com a utilização do respectivo código de pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, artigo 26, § 1º), a Autuada se sujeitava à apuração com base no lucro real, o que a obrigava a manter escrituração completa. Contestando a acusação fiscal, a Impugnante alega que disponibilizou os seus livros quando intimada diretamente a fazêlo, conforme Termo de Retenção de fls. 301, não sendo válidos, para tanto, as intimações recebidas por interpostas pessoas sem a outorga de mandatárias ou prepostas da empresa, devendo aquelas intimações ser efetuadas de forma pessoal para tornar presumido o seu conhecimento. Acrescenta que realizou diversos recolhimentos com o código 2089 em 2002, restando caracterizada a opção pelo lucro presumido; aduz, ainda, que possuía o livro Caixa, revelandose equivocado o arbitramento de seus lucros. Os argumentos da defesa foram objeto do pedido de diligência constante da Resolução nº 892, de 14 de junho de 2007, de fls. Fl. 427DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 527 11 395/400, atendida mediante o Termo de Informação Fiscal relatando o exame procedido por seu autor, constante das fls. 458/460, cujos itens relacionados à matéria passo a apreciar a seguir. a) Da Validade da Intimação Notificada a Terceiros. Reproduzo abaixo a resposta ao questionamento contido no voto da aludida Resolução, seguido da correspondente apreciação por parte deste julgador. “2. Informe se foi apresentada procuração e/ou autorização passada pelo titular da empresa individual Autuada outorgando poderes para que o Sr. Ridan Carneiro de Lima e Silva, CPF nº 061.658.68410, RG nº 5104221 tomasse ciência do Termo de Intimação Fiscal de fls. 43/44; caso positivo acostar o documento aos presente autos; “Resposta: “O contribuinte foi regularmente intimado a apresentar todos os documentos necessários ao deslinde da ação fiscal, conforme doc. de fls .40/41, cuja ciência encontrase à fl. 42. O documento de fls. 43/44, cuja ciência foi dada ao portador do contribuinte, constitui mero preciosismo fiscal, haja vista tratarse de reintimação fiscal. Ou seja: a reintimação fiscal, entregue ao portador do contribuinte, não acarretou qualquer prejuízo ao mesmo, uma vez que o arbitramento dos lucros decorreu do não atendimento da intimação de fls. 40/41, cuja ciência, colhida nos termos da legislação em vigor, encontrase inconteste à fl. 42, nos termos do inciso II do Art. 23 do Decreto nº 70.235/72 c/c art. 234 do CPC. Com efeito, eventual descumprimento de formalismo em relação à questionada reintimação de fls. 43/44 não teria o condão de macular a regular intimação de fls. 40/42”.(grifo no original). Como se vê, não há como se dar validade ao documento de fls. 43/44, considerando que o mesmo foi cientificado a pessoa sem poderes de representação da pessoa jurídica autuada, o que o torna nulo de pleno direito. Ainda que desconsiderado o referido termo, é incontestável a validade da intimação contida no Termo de Início de Fiscalização de fls. 40/41, o qual foi regularmente notificado ao sujeito passivo por via postal, nos termos do artigo 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Como a Contribuinte deixou ultrapassar o prazo de vinte dias nele contido sem apresentar os elementos de sua escrituração requeridos na ocasião, também não o fazendo no período de quarenta dias que permeou a expiração daquele prazo e a lavratura do AI, resta caracterizada, em princípio, a situação fática eleita pelo legislador como autorizadora do arbitramento dos lucros do contribuinte, conforme dispõe o inciso III, do artigo 530, do RIR/99. Fl. 428DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 528 12 Ressaltese que a legislação não prescreve a necessidade de o contribuinte ser reintimado para configurar a aludida situação, bastando o desatendimento à notificação efetuada àquele título para caracterizar a falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração, como hipótese de arbitramento prevista no dispositivo. Assim, o reconhecimento da nulidade do termo de fls. 43/44 não tem o condão de macular o arbitramento dos lucros, que restou demonstrado decorrer de procedimento fiscal válido e legítimo. Da alegada apresentação dos elementos solicitados: De início, é de se ressaltar que a motivação do arbitramento foi a ausência de apresentação de livros e documentos da escrituração da Contribuinte, aí compreendidos tanto os livros da escrituração completa, quanto da simplificada, conforme dispõe o inciso III, do artigo 530, do RIR/99; nesse sentido, observese que a intimação contida no Termo de Início compreendia aquelas duas hipóteses, por incluir o livro Caixa, entre as exigências efetuadas na ocasião. E, como consta da peça acusatória, a empresa se obrigava a manter escrituração completa por não haver formalizado a sua opção pelo lucro presumido nos termos prescritos na legislação de regência, sujeitandoa, portanto, à sistemática do lucro real. Ainda assim, nem mesmo o livro Caixa foi exibido para qualquer dos períodos cobertos pelo procedimento fiscal, embora a defesa afirme sem provar que o possuía. Entrementes, no caso do anocalendário de 2001, em que a Fiscalização reteve os livros Diário e Razão, conforme Termo de fls. 301, do meu ponto de vista, não merece prosperar o arbitramento, uma vez que o fato contraria a motivação da autoridade lançadora para adotálo, já que somente se pode reter algo existente e colocado ao alcance de quem efetua a retenção, não podendo subsistir aquela medida sob o fundamento utilizado pelo Fisco. Se os livros retidos apresentavam algum vício que os tornava imprestáveis para a apuração do lucro real como a ausência de escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária, como asseverou o autor da diligência fiscal estaríamos diante de uma outra hipótese de arbitramento de lucros eleita pelo legislador, com fundamento legal distinto, qual seja, a prescrita no inciso II, do artigo 530, do RIR/99. E como essa fundamentação não constou da peça acusatória, já que nem ao menos foi mencionada a retenção dos aludidos livros, não há como prevalecer a pretendida inovação do feito, nesta oportunidade, não só por configurar o cerceamento do direito de defesa da Contribuinte, como também, em razão de o referido período de apuração (2001), não mais ser susceptível de agravamento da exigência inicial, posto que já foi ele alcançado pela decadência do direito de formalizar o lançamento, nos Fl. 429DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 529 13 termos dos artigos 150, § 4º, combinado com o artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). Ressaltese que o acatamento da tese da defesa somente se aplica ao anocalendário de 2001, objeto da escrituração dos livros retidos pela Fiscalização, não sendo apresentado qualquer elemento probante da existência e/ou da exibição de elementos da escrituração relativamente aos demais períodos cobertos pelo procedimento fiscal. Por essas razões, voto por afastar a exigência concernente ao anocalendário de 2001. Dos Recolhimentos Efetuados com o Código de Receita Aplicável ao Lucro Presumido (2089). Alega a defesa haver efetuado vários recolhimentos do IRPJ com o código do lucro presumido em 2002, fato que, aliado à manutenção do livro Caixa, demonstra a regularidade da opção por aquela sistemática de tributação simplificada. Inicialmente, já vimos que a Autuada não provou a alegada existência do livro Caixa para quaisquer dos anoscalendário objeto do procedimento fiscal, o que, por si só, configura a hipótese de arbitramento preconizada no inciso III, do artigo 530, do RIR/99. A questão da formalização da opção pelo lucro presumido, objeto do argumento da defesa, se reporta, tão somente, à obrigatoriedade da apuração do lucro real e à necessidade de manter escrituração completa também não exibida pela Contribuinte para os períodos de apuração distintos do ano calendário de 2001 o que torna o fato irrelevante para a solução do litígio. Ainda que assim não fosse, não prosperaria o argumento da defesa, uma vez que não restou demonstrado o atendimento ao requisito legal para o exercício daquela opção, senão vejamos. Dispõe o artigo 26, caput e o seu parágrafo primeiro, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. “§ 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário.” (grifei). Ressaltandose que o argumento da defesa se reporta exclusivamente ao anocalendário de 2002 ficando de fora, portanto, os demais períodos de apuração arrolados no AI verificase na pesquisa ao Sistema SINALO4, 1RPE (CONSULTA PAGAMENTO), ora anexada (fls. 383 a 388) que, Fl. 430DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 530 14 efetivamente, a Contribuinte realizou pagamentos do IRPJ adotando o código 2089 referentes ao aludido anocalendário. Entretanto, só o fez equivocadamente de forma mensal a partir do período de apuração 31/07/2002, dando a entender que não havia operado nos períodos correspondentes aos primeiro e segundo trimestres do ano, fato que é desacreditado pelos registros efetuados pela própria empresa em seu livro de Apuração do ICMS no período de janeiro a junho de 2002 (fls. 155v a 161 dos presentes autos). E, como se verá neste voto, os valores registrados no citado livro foram confirmados pelo titular da firma individual autuada, ao assinar o demonstrativo “Informações Prestadas à SRF”, nas correspondentes planilhas do período, fls. 64 e 65. Resta, portanto, demonstrado que, também para o ano calendário de 2002, a Contribuinte não formalizou a opção pelo lucro presumido nos termos do dispositivo transcrito, o que a obrigava ao lucro real e à manutenção de escrituração completa não apresentada ao Fisco, devendo ser ressaltado, mais uma vez, que o livro Caixa do período aqui tratado, obrigatório para os optantes por aquela sistemática de apuração do IRPJ, não foi da mesma forma apresentado pela Fiscalizada, o que motiva, igualmente, o arbitramento dos lucros do sujeito passivo. Dos Valores da Receita Bruta Considerados para Fins de Arbitramento dos Lucros. De início, é de se afastar as alegações da defesa relacionadas à pretensa utilização da denominada “prova emprestada”, e à desclassificação formal de sua escrita, contidas na impugnação. Com efeito, o Fisco não adotou qualquer fonte de informação externa à empresa que viesse a configurar a utilização de “prova emprestada”, uma vez que trabalhou exclusivamente com dados contidos no livro Registro de Apuração do ICMS escriturado pela própria Fiscalizada, os quais foram confirmados por seu titular, que assinou os demonstrativos de receita constantes das fls. 55 a 66, apresentados em atendimento à intimação contida no Termo de Início de Fiscalização de fls. 40/41. Tampouco há que se falar de desclassificação da escrita, tendo em vista que já se acha sobejamente demonstrado neste voto, que não foi apresentada qualquer escrita ao Fisco que pudesse vir a ser desclassificada pela autoridade lançadora. Aliás, rememore se, que foi a falta de atendimento para apresentação dos livros e documentos da escrituração que motivou o arbitramento dos lucros sob análise, não fazendo o menor sentido o argumento da defesa. Quanto às alegações relacionadas à data da ocorrência dos fatos geradores do IRPJ que não poderiam ser considerados como acontecidos nas datas das vendas de mercadorias registradas no livro de Apuração do ICMS, senão quando da disponibilização dos respectivos recursos financeiros a tese Fl. 431DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 531 15 pressupõe a utilização do regime de caixa no reconhecimento das receitas para fins de oferecimento à tributação, aplicável às pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, nos termos e nas condições contidas no artigo 1º, da Instrução Normativa (IN) SRF nº 104, de 1998. Independentemente da questão relacionada à falta de formalização por aquela sistemática de tributação nos termos da legislação de regência, já analisada neste voto, a referida tese somente poderia ser levada em consideração caso a Impugnante tivesse comprovado que havia adotado o regime de caixa nos períodos cobertos pelo procedimento fiscal, demonstrando numericamente que as divergências entre os valores informados nas DIPJ apresentadas para os períodos de apuração de que se cuida, e aqueles contidos em seu livro de Apuração do ICMS se justificavam pela utilização do regime, e não, pela vultosa e sistemática omissão de receitas apurada no procedimento fiscal, em todos aqueles períodos. Ademais, como se trata de uma faculdade do contribuinte, não cabe ao Fisco exercêla em seu lugar, mormente na hipótese dos autos em que a Autuada não forneceu quaisquer elementos de sua escrituração contábil, de onde se poderia extrair os dados necessários à elaboração de demonstrativos do recebimento das alegadas vendas a crédito. Mantémse, portanto, os valores da receita bruta arrolados na autuação. Dos Valores Deduzidos na Quantificação do Crédito Tributário Lançado de Ofício. O argumento da defesa, neste particular, além de orientar este julgador na pesquisa acerca de pagamentos realizados pela empresa relativamente aos fatos geradores arrolados na autuação, conforme documentos de fls. 383 a 394, determinou os questionamentos contidos na já mencionada Resolução, sendo os correspondentes itens atendidos nos termos transcritos abaixo: “3. Intime a ora impugnante a comprovar todos os recolhimentos por ela efetuados a título de IRPJ e CSLL referentes aos fatos geradores alcançados pelo procedimento fiscal sob análise (anoscalendários de 1999 a 2002), independentemente do código de receita contido nos respectivos DARF. “Resposta: “Intimado a apresentar os referidos DARF, fl. 406, o contribuinte peticionou, em 17/09/2007, pela dilação do prazo até 01/10/2007, fl. 457. Não obstante a generosidade do prazo concedido, o contribuinte não apresentou qualquer comprovante de pagamento. (os destaques são do original). O questionamento do julgador, justificado pela possibilidade de a ora Impugnante haver efetuado recolhimentos relativos ao Fl. 432DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 532 16 IRPJ e à CSLL utilizando códigos de receita distintos dos cabíveis à espécie (2089 e 2372, respectivamente), restou frustrado em razão do silêncio da empresa diante da intimação lavrada com aquele objetivo. Portanto, serão considerados tão somente no presente voto, os pagamentos pesquisados no Sistema SINALO4, 1RPE (CONSULTA PAGAMENTO), constantes das fls. 383 a 394. Desses pagamentos, apenas os noticiados pelos documentos de fls. 383 e 389, efetuados com os códigos 2089 (IRPJ R$ 604,82), e 2372 (CSLL R$ 362,89), não foram considerados pelo autor do feito, o que motivou o questionamento a seguir reproduzido, acompanhado da justificativa da autoridade encarregada da diligência: “4. Esclareça o fato de não haverem sido considerados, na compensação levada a efeito nos correspondentes AI, conforme demonstrativos de apuração fls. 16 e 30, os recolhimentos realizados pela contribuinte em 30/08/2002, com os códigos 2089 (IRPJ R$ 604,82), e 2372 (CSLL R$ 362,89), os quais não constaram da DCTF apresentada para o respectivo período de apuração, fls. 169 a 172 ver pesquisa no Sistema SINALO4, 1RPE (CONSULTA PAGAMENTO), ora anexada; “Resposta: “Havia um entendimento majoritário nesta DRF/Recife no sentido de que só se poderia compensar o tributo lançado de oficio com os valores efetivamente declarados, entendimento este, hoje, respaldado pela SCI nº 08, de 30 de abril de 2007, cuja ementa está vazada nos seguintes termos. “‘O indébito decorrente de pagamento de tributo a maior do que o informado pelo contribuinte em DCTF, DIRPF ou declaração de ITR, não deverá ser considerado para efeito de aproveitamento/utilização na apuração do tributo devido, devendo o respectivo crédito tributário ser constituído de oficio em sua totalidade. “Comprovando o contribuinte, na impugnação, que já pagou o tributo lançado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento poderá exonerálo da multa de oficio, quando o pagamento houver sido tempestivo.’” (os grifos são do original). Com o devido respeito às conclusões contidas na mencionada Solução de Consulta, entendo que os pagamentos de determinado tributo ou contribuição social efetuados pelo sujeito passivo, em montante inferior ao apurado em procedimento de ofício não constituem indébito como conceituado no CTN, para justificar o seu não aproveitamento na quantificação do crédito tributário a ser exigido, independentemente de não haver constado de DCTF. Na verdade, a falta de apresentação de DCTF, ou na hipótese dessa ser apresentada e informar débitos inferiores aos devidos, não justifica a exigência fiscal para o recolhimento de tributo, se Fl. 433DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 533 17 esse tributo já foi objeto de recolhimento espontâneo do sujeito passivo, vale dizer, antes do início do procedimento fiscal, como no caso sob apreciação, em que se constatou pagamentos parciais do IRPJ e da CSLL relacionados aos períodos de apuração arrolados na autuação. Por essas razões, voto por admitir a dedução dos montantes do IRPJ e da CSLL exigidos no terceiro trimestre de 2002 (a que se reportam os recolhimentos de que tratam os documentos de fls. 383 e 389), dos valores de R$ 604,82 e R$ 362,89, respectivamente. Da Não Compensação dos Valores Recolhidos da COFINS com a CSLL Exigida. Esse questionamento da defesa decorreu da ressalva contida no item V do Termo de Verificação Fiscal, anexo ao AI (fls. 34/39), no qual o autor do feito justifica a não compensação com a CSLL a pagar no período de fevereiro a dezembro de 1999, de valores até 1/3 da COFINS efetivamente paga no período, em função desses pagamentos não haverem observado a norma contida no artigo 8º, da Lei nº 9.718, de 1998. Confirase a motivação do autuante: “(…) o legislador estabeleceu algumas limitações à utilização do beneficio previsto no § 1º, dentre elas destacamse: 1) a existência do efetivo pagamento da COFINS do respectivo período; 2) a COFINS deverá ter sido calculada de conformidade com o estatuído no artigo 8º daquela Lei. Ocorre que o contribuinte, embora tenha pago parte da COFINS devida, no período sub examine, o fez em desacordo com a legislação de regência, fato que motivou a lavratura do Auto de Infração levado a efeito no curso deste Procedimento Fiscal, no qual se constituiu créditos tributários decorrentes de irregularidades nos pagamentos da COFINS. “Pelos motivos expostos, não deduzimos dos valores apurados a título de CSLL qualquer parcela da COFINS eventualmente paga, pois que o contribuinte, quando do cálculo da contribuição, não atendeu aos requisitos esposados na lei.” (original destacado). Insurgindose contra essa conclusão, a Impugnante alega que, ao desconsiderar os recolhimentos efetuados a título de COFINS, na exigência da CSLL, o Fisco violou o seu direito, ferindo os princípios da capacidade contributiva e o da estrita legalidade, impondose a nulidade do feito. A matéria foi também objeto da diligência determinada na Resolução nº 892, de 2007, nos seguintes termos: “5. Junte cópia do auto de infração formalizado para a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (constante do Processo nº 19647.005375/2003 40, segundo pesquisa no sistema COMPROT), na qual reste demonstrado que os recolhimentos efetuados pela Contribuinte Fl. 434DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 534 18 concernentes ao período em que se poderia compensar parte dos correspondentes valores com a CSLL, foram realizados em desacordo com o disposto no artigo 8º, da Lei nº 9.718, de 1998. “Resposta: “Juntei ao processo, fls. 409/456, o Auto de Infração da COFINS correspondente ao período solicitado. A motivação do não aproveitamento de parte do pagamento da COFINS para compensação da CSLL devida encontrase às fls.38 do processo. (Os documentos aqui citados são do conhecimento do contribuinte, haja vista ter tomado ciência do referido Auto de Infração da Cofins).” O Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada relativa à exigência da COFINS no ano de 1999, juntada na diligência às fls. 453, indica que, efetivamente, os recolhimentos efetuados pela Contribuinte não corresponderam à aplicação da alíquota de 3% sobre as bases de cálculo constantes da DIPJ, às fls. 192 a 197, muito embora a Contribuinte tenha computado corretamente nesta declaração, o valor da contribuição devida com base nos valores de faturamento/receita bruta informados em montante muito aquém dos efetivamente auferidos pela empresa no período, apurados com base em seu livro de Apuração do ICMS. Assim, como a condição para a dedução de que se cuida, prevista pelo legislador no parágrafo 1º, do artigo 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, era o recolhimento da COFINS calculada de conformidade com este artigo (ou seja, pela aplicação da alíquota de 3% sobre a base de cálculo da contribuição), esse requisito não foi atendido pela Autuada, justificando plenamente a decisão da autoridade lançadora de não deduzir a parcela autorizada pela lei, da CSLL exigida de ofício. Ciente do acórdão DRJ em 14/10/2008, a recorrente apresentou recurso em 11/11/2008. Em seu recurso alega: Pretende a nobre auditoria lastrear a referida afirmação, bem como a extrapolação da escrita fiscal nas intimações colecionadas nos autos do processo administrativo em questão às fls. 040/046. Ocorre que, não obstante a alegação de desatendimento lançada nos referidos lançamentos de oficio, revelase equivocada a nobre fiscalização. Conforme podese observar a ora Recorrente disponibilizou, quando solicitada diretamente, a sua escrituração, fato este comprovado pelo documento de retenção dos livros entregue pelo nobre auditor. De outra parte, não há como se falar em desatendimento ou descumprimento dos prazos fixados para a entrega do fardo de documentos, porquanto, a sobreditas intimações foram, ao que parece, recebidas por interpostas pessoas, destituídas da Fl. 435DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 535 19 competente outorga de mandatária ou preposta, eivando a referida intimação, bem como o Processo Administrativo de inafastável nulidade. Ademais disso, deve restar observado que de forma diversa do que alega a nobre auditoria podem ser verificados vários recolhimentos no código relativo ao lucro presumido a partir do ano de 2002, 2089 impondose a conclusão de restar caracterizada a opção pelo lucro presumido a partir daquele exercício. Assim, mais uma vez revelase equivocada a opção pelo arbitramento do lucro uma vez que, possuindo o livro caixa e encontrandose inserida no lucro presumido, a ora Recorrente resta descaracterizada a hipótese do inciso III.d.o art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda Anotado. Cabe registrar ainda que mostrase equivocada a nobre auditoria quando alega a impossibilidade da compensação da CSLL com até 1/3 da COFINS efetivamente paga em razão de que os recolhimentos efetuados estariam em desacordo com a legislação de regência art. 8° da Lei n° 9.718/98. Manifestase também contra a utilização de prova emprestada (livros do ICMS) e a aplicação da taxa SELIC. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Podese resumir a lide aos seguintes pontos: arbitramento do lucro pela falta de apresentação de livros obrigatórios; opção do contribuinte pelo lucro presumido em razão de existência de pagamentos utilizando o código daquela forma de tributação; utilização de dados obtidos nos livros do ICMS para apuração da base de cálculo; compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins e; juros com base na taxa SELIC. Passo à análise. A fiscalização apurou, a partir dos livros do ICMS a receita abaixo demonstrada, que, comparada à receita declarada em DIPJ, apresentouse até 5.272% maior, sendo que apenas no 1º trimestre de 2001 a receita declarada em DIPJ apresentouse maior que Fl. 436DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 536 20 a apurada e, mesmo assim, nos demais trimestres do ano de 2001, a receita declarada foi igual a zero. rec. Dipj apurado diferença % 1ºt/99 R$ 353.607,09 R$ 1.097.997,93 R$ 744.390,84 210,5136 2ºt/99 R$ 319.155,61 R$ 1.011.473,89 R$ 692.318,28 216,9219 3ºt/99 R$ 440.928,76 R$ 1.237.288,23 R$ 796.359,47 180,6096 4ºt/99 R$ 389.897,69 R$ 1.103.130,25 R$ 713.232,56 182,9281 1ºt/00 R$ 333.970,34 R$ 1.271.060,58 R$ 937.090,24 280,5909 2ºt/00 R$ 460.664,42 R$ 1.540.951,83 R$ 1.080.287,41 234,5064 3ºt/00 R$ 378.460,15 R$ 1.474.734,94 R$ 1.096.274,79 289,6672 4ºt/00 R$ 293.609,83 R$ 1.285.017,58 R$ 991.407,75 337,6616 1ºt/01 R$ 1.460.297,20 R$ 1.076.595,05 R$ 383.702,15 26,2756 2ºt/01 R$ 0,00 R$ 1.135.599,52 R$ 1.135.599,52 3ºt/01 R$ 0,00 R$ 1.181.831,93 R$ 1.181.831,93 4ºt/01 R$ 0,00 R$ 1.132.466,92 R$ 1.132.466,92 1ºt/02 R$ 0,00 R$ 1.325.045,51 R$ 1.325.045,51 2ºt/02 R$ 0,00 R$ 1.280.696,10 R$ 1.280.696,10 3ºt/02 R$ 6.068,40 R$ 1.240.267,71 R$ 1.234.199,31 20338,13 4ºt/02 R$ 23.145,12 R$ 1.243.579,79 R$ 1.220.434,67 5272,968 Em DCTF, conforme se pode visualizar a fls.168/172, o contribuinte confessou valores irrisórios de IRPJ e CSLL, valores esses que foram considerados pela autoridade fiscal ao constituir o crédito tributário objeto deste processo. Quanto ao arbitramento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, não há reparo a fazer à decisão DRJ. O acórdão recorrido afastou a tributação em relação ao anocalendário de 2001, em função da apreensão do livro diário e razão referente aquele período pela fiscalização. Em relação aos demais períodos, tendo em vista que a fiscalizada não apresentou livros obrigatórios, incluindo o livro caixa, que seria suficiente caso tivesse demonstrado sua opção pelo lucro presumido, o que não ocorreu no caso em análise. Como bem descrito pela decisão recorrida, a recorrente não optou pelo lucro presumido, pois o fato de existirem pagamentos com o código 2089 em 2002 e sendo estes pagamento referentes ao 3º trimestre, não fica demonstrada a opção. Reproduzo o trecho da decisão recorrida, com o qual concordo: Ressaltandose que o argumento da defesa se reporta exclusivamente ao anocalendário de 2002 ficando de fora, portanto, os demais períodos de apuração arrolados no AI verificase na pesquisa ao Sistema SINALO4, 1RPE (CONSULTA PAGAMENTO), ora anexada (fls. 383 a 388) que, efetivamente, a Contribuinte realizou pagamentos do IRPJ adotando o código 2089 referentes ao aludido anocalendário. Entretanto, só o fez equivocadamente de forma mensal a partir do período de apuração 31/07/2002, dando a entender que não havia operado nos períodos correspondentes aos primeiro e segundo trimestres do ano, fato que é desacreditado pelos Fl. 437DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 537 21 registros efetuados pela própria empresa em seu livro de Apuração do ICMS no período de janeiro a junho de 2002 (fls. 155v a 161 dos presentes autos). E, como se verá neste voto, os valores registrados no citado livro foram confirmados pelo titular da firma individual autuada, ao assinar o demonstrativo “Informações Prestadas à SRF”, nas correspondentes planilhas do período, fls. 64 e 65. Resta, portanto, demonstrado que, também para o ano calendário de 2002, a Contribuinte não formalizou a opção pelo lucro presumido nos termos do dispositivo transcrito, o que a obrigava ao lucro real e à manutenção de escrituração completa não apresentada ao Fisco, devendo ser ressaltado, mais uma vez, que o livro Caixa do período aqui tratado, obrigatório para os optantes por aquela sistemática de apuração do IRPJ, não foi da mesma forma apresentado pela Fiscalizada, o que motiva, igualmente, o arbitramento dos lucros do sujeito passivo. Não tendo optado pelo presumido, estando, portanto sujeito ao lucro real, e não apresentando livros fiscais obrigatórios, correta a postura da fiscalização de arbitrar os lucros da fiscalizada.. Quanto à base de cálculo utilizada para o arbitramento (receita bruta apurada a partir dos livros de apuração do ICMS), também foi correto o procedimento adotado pelo fisco, especialmente porque a própria fiscalizada confirmou as informações lá inseridas, não se podendo falar em prova emprestada, pois obtidas diretamente com o sujeito passivo e não em outro procedimento oriundo da fiscalização estadual. Também não há qualquer correção a fazer quanto aos valores de tributos recolhidos pela recorrente que devem ser compensados com os valores lançados pois, regularmente intimado, a recorrente não demonstra que tenha feito outros recolhimentos além dos já considerados pela decisão recorrida.. Da não compensação dos valores recolhidos de COFINS com a CSLL exigida. Adoto integralmente os argumentos da decisão recorrida sobre o tema:: O Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada relativa à exigência da COFINS no ano de 1999, juntada na diligência às fls. 453, indica que, efetivamente, os recolhimentos efetuados pela Contribuinte não corresponderam à aplicação da alíquota de 3% sobre as bases de cálculo constantes da DIPJ, às fls. 192 a 197, muito embora a Contribuinte tenha computado corretamente nesta declaração, o valor da contribuição devida com base nos valores de faturamento/receita bruta informados em montante muito aquém dos efetivamente auferidos pela empresa no período, apurados com base em seu livro de Apuração do ICMS. Assim, como a condição para a dedução de que se cuida, prevista pelo legislador no parágrafo 1º, do artigo 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, era o recolhimento da COFINS calculada de Fl. 438DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.005374/200303 Acórdão n.º 130200.612 S1C3T2 Fl. 538 22 conformidade com este artigo (ou seja, pela aplicação da alíquota de 3% sobre a base de cálculo da contribuição), esse requisito não foi atendido pela Autuada, justificando plenamente a decisão da autoridade lançadora de não deduzir a parcela autorizada pela lei, da CSLL exigida de ofício. Quanto à aplicação da taxa SELIC como juros de mora, adoto a súmula nº 4 do !º Conselho de Contribuintes: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 439DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 18186.729318/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente LINE LIFE CARDIOVASCULAR COM DE PROD MED E HOSP LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 93 18 /2 01 3- 33 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 18186.729318/201333 Acórdão n.º 3302005.905 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, alegando, em síntese, a ocorrência de denúncia espontânea na entrega da declaração e o efeito confiscatório da multa. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 14058.024. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 18186.729318/201333 Acórdão n.º 3302005.905 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 48DF CARF MF Processo nº 18186.729318/201333 Acórdão n.º 3302005.905 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 18186.729318/201333 Acórdão n.º 3302005.905 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 50DF CARF MF Processo nº 18186.729318/201333 Acórdão n.º 3302005.905 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 18186.729318/201333 Acórdão n.º 3302005.905 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.011143/2002-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO POR INTEMPESTIVIDADE.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados a partir da data de ciência da decisão recorrida. Ultrapassado este prazo, fica caracterizada a intempestividade e não se conhece das razões do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1002-000.335
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO POR INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados a partir da data de ciência da decisão recorrida. Ultrapassado este prazo, fica caracterizada a intempestividade e não se conhece das razões do recurso voluntário.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO POR INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados a partir da data de ciência da decisão recorrida. Ultrapassado este prazo, fica caracterizada a intempestividade e não se conhece das razões do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 11 43 /2 00 2- 06 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 490 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS) mediante o Acórdão n.º 0534.114, de 04/07/2011 (efls. 398 a 410). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de Declarações de Compensação, fls. 01/04, apresentadas em formulário em 30 de dezembro de 2002, por meio das quais a empresa Soluziona Utilities Brasil Ltda (CNPJ 04.142.846/000117) pleiteia o reconhecimento de direito creditório com origem em Saldo Negativo de IRPJ, ano calendário e 2001, para a compensação dos débitos declarados. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada, nos termos do Parecer SEORT número 141/2007, datado de 18 de dezembro de 2007, fls. 124/128, que se transcreve: Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 491 3 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 492 4 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 493 5 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 494 6 Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 495 7 Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 496 8 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 140, em 21 de dezembro de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 21 de janeiro de 2008, fls. 142/152, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que em 21/12/2002, por decisão dos sócios, acionistas e quotistas das empresas Soluziona Utilities Brasil S/A (CNPJ 0.762.774/000148) e Soluziona Utilities Brasil Ltda (CNPJ 04.142.846/000117), as empresas resolveram se incorporar, extinguindo o CNPJ 04.142.846/001,17, permanecendo o outro. Na ocasião lavrouse o laudo de avaliação da incorporada, cujo ativo foi avaliado em R$ 282.522,47. 3.2. Aduz que o processo de incorporação da Soluziona Utilities Brasil Ltda, após a concretização do laudo de avaliação do acervo patrimonial, foi concretizado em 19/12/2002, quando a Junta Comercial do Estado de São Paulo aprovou o arquivamento do protocolo de justificação e motivos de incorporação, nos exatos termos do artigo 227, da Lei n.º 6.404, de 1976. Em suas palavras: “Não houve criação de uma nova sociedade, porém a simples extinção de uma que passou a fazer parte da outra, que continuou a existir alargando a esfera de ação e acrescentando aos seus próprios direitos e obrigações, que permaneceram intactos, os direitos e obrigações da sociedade a ela incorporada. (...) Neste procedimento, todas as formalidades legais foram adotadas, resultando na homologação do procedimento, tanto pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, como pela própria RFB, que aprovando o ato, extinguiu o CNPJ da empresa incorporada.” 3.3. Posteriormente, a empresa Soluziona Utilities Brasil S/A foi incorporada pela empresa Soluziona Ltda, CNPJ 01.304.870/000167, em 18/12/2002, através de protocolo de justificação de motivos. 3.4. Dessa forma, nos termos dos artigos 227, da Lei n.º 6.404, de 1976 e 132, do CTN, a empresa Soluziona Ltda é sucessora universal de todas as empresas que incorporou, assumindo seus ativos e passivos. 3.5. À luz do RIR/99, para que se processe a incorporação devem ser cumpridas as seguintes formalidades: 3.5.1) aprovação da operação pela incorporada e incorporadora, por meio da reunião dos sócios ou em assembléia geral dos acionistas 3.5.2) nomeação de peritos pela incorporada; 3.5.3) aprovação dos laudos de avaliação pela incorporadora, cujos diretores deverão promover o arquivamento e a publicação dos atos de incorporação, após a aprovação dos laudos pelo sócios e acionistas da incorporada, além da declaração de extinção da incorporada. 3.6. Argumenta que a legislação fiscal prevê as seguintes obrigações a serem cumpridas pelas pessoas jurídicas na ocorrência de incorporação: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 497 9 3.6.a. levantar, até 30 dias antes do evento, balanço específico, no qual os bens e direitos poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º , § 1º); Relativamente às empresas incluídas em programas de privatização da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, o balanço ora referido deverá ser levantado dentro do prazo de 90 dias que antecederem a incorporação, fusão ou cisão (Lei nº 9.648, de 1998); 3.6.b. a apuração da base de cálculo do imposto de renda será efetuada na data do evento, ou seja, na data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão, devendo ser computados os resultados apurados até essa data (Lei na 9.430, de 1996, art. 1º, §§ 1º e 2º); 3.6.c. a incorporada deverá apresentar a DIPJ correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao da data do evento (Lei na 9.249, de 1995, art. 21 , §4º); 3.6.d. a partir de lº/01/2000, a incorporadora também deverá apresentar DIPJ tendo por base balanço específico levantado 30 dias até antes do evento, salvo nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estivessem sob mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento (Lei na 9.959, de 2000, art. 5º); 3.6.e. dar baixa da empresa extinta por incorporação, de acordo com as regras dispostas na IN SRF n° 200, de 2002; 3.6.f. o período de apuração do IPI, da Cofins e da contribuição PIS/Pasep será encerrado na data do evento da incorporação devendo ser pago no mesmo prazo originalmente previsto. 3.7. Diz que todas as formalidades estabelecidas pela Lei n.º 6.404, de 1976, pelo CTN e pelo RIR/99 foram atendidas. Os impostos apurados pelas incorporadas foram recolhidos com o CNPJ da incorporadora. Da mesma forma, os eventuais créditos em nome das incorporadas são assumidos universalmente pela incorporadora. E continua: “Correto, portanto, a assunção dos créditos tributários pela empresa Soluziona Ltda., em decorrência da incorporação das empresas Soluziona utilities Brasil Ltda. E Soluziona utilities Brasil S/A, não podendo ser motivo de questionamento quaisquer dos atos, mormente quando a própria RFB homologou os procedimentos, haja vista que extinguiu todos os demais CNPJs das empresas incorporadas.” 3.8. No que se refere ao IRRF, diz que a própria RFB poderia identificar as retenções ocorridas, por meio dos CNPJ das tomadoras de serviços. E que, ocorridas as retenções, a não homologação das compensações requeridas implicaria em bi tributação. Acrescenta que está anexando comprovante de rendimentos no valor de R$ 14.100,00. 3.9. Requer ainda a juntada aos autos dos inclusos documentos: 3.9.1. Informe de rendimentos comprovando a retenção e recolhimento do valor de R$ 14.100,00. 3.9.2. Protocolo e justificação de motivos de incorporação das empresas Soluziona Utilities Brasil Ltda, Soluziona Utilities Brasil SA, Soluziona Ltda. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 498 10 3.9.3. Laudo de avaliação. 3.9.4. Balanço geral levantado em 31/10/2002. 3.9.5. Protocolo e justificação de motivos de incorporação das empresas Soluziona Ltda., Soluziona Utilities Brasil SA, Soluziona Telecomunicações Ltda. e HXI Agência Interativa SA. 3.9.6. CNPJ das empresas extintas; 3.9.7. Declaração de autenticidade dos documentos juntados. 3.9.8. Procuração outorgada ao subscritor 3.9.9. Contrato social consolidado da empresa Soluziona Ltda 3.10. Finaliza sua petição e pleiteia a homologação das compensações declaradas. Em 04/07/2011 a DRJ/CPS elabora acórdão no qual nega provimento à manifestação de inconformidade com fundamento no fato de a empresa que requereu a compensação não mais existia juridicamente, tendo sido incorporada em momento anterior ao dos pedidos de compensação. Em face de tal decisão, o sujeito passivo manejou recurso voluntário em 12/03/2012, no qual contesta a posição da DRJ/CPS. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. No exame dos autos fica constatada a intempestividade do recurso voluntário, pois o recorrente tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 08/02/2012 (efl. 414), e apresentou seu recurso voluntário em 12/03/2012 (efl. 480), conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada, após, portanto, os 30 dias de prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A regra de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal segue o disposto no art. 5.º, do Decreto n.º 70.235/72: Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10830.011143/200206 Acórdão n.º 1002000.335 S1C0T2 Fl. 499 11 Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (grifei). Portanto, considerando o comando normativo, no caso dos presentes autos o recurso voluntário foi apresentado no dia 13/03/2012 e a ciência da decisão de piso se deu em 08/02/2012, caracterizando a intempestividade do recurso, razão pela qual não deve ser conhecido por este colegiado. O último dia apropriado para a apresentação do recurso foi 09/03/2012. O processo administrativo fiscal é regido por norma específica, o Decreto n.º 70.235/72, que cuida expressamente da contagem do prazo para interposição de recurso voluntário, razão pela qual não se faria cabível, sequer, considerar se o Novo Código de Processo Civil, que entrou em vigor em 18/03/2016, se aplicaria ao caso, obrigando à contagem somente dos dias úteis no transcurso do prazo, uma vez que a aplicação "subsidiária do Novo Código de Processo Civil" necessita haver lacuna na legislação que regula o processo administrativo fiscal, o que não é o caso destes autos. A decisão de primeira instância então tornase definitiva no âmbito administrativo, conforme regência do artigo 42 do Decreto n.° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Sendo assim, observados o princípio da legalidade e o descumprimento da condição temporal para admissibilidade contida no art. 33 do Decreto n.º 70.235/72, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, dada sua intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 499DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.911357/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES
Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais no qual se baseou a autoridade fiscalizadora.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os bens, custos e despesas essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais (ex: descrição do processo fabril, validado por laudo técnico) da participação na atividade fabril.
CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO
Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado.
Numero da decisão: 3301-004.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, revertendo das glosas de créditos calculados sobre idumentárias, dicoflenato sódico, kits para tipificação da salmonela, matrizes peletizadoras, metionina, treonina e neomicina, serviços realizados por operador logístico e análises laboratoriais; e reconhecendo que, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, deve ser determinado de acordo com a classificação na TIPI do produto em que o insumo adquirido foi aplicado. Vencidos os conselheiros Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que negou provimento para o frete incorrido para movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, e Valcir Gassen, que dava provimento para os bens com alíquota concentrada em etapas anteriores.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais no qual se baseou a autoridade fiscalizadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os bens, custos e despesas essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais (ex: descrição do processo fabril, validado por laudo técnico) da participação na atividade fabril. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôsse fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 13 57 /2 01 1- 13 Fl. 10194DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.337 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, revertendo das glosas de créditos calculados sobre idumentárias, dicoflenato sódico, kits para tipificação da salmonela, matrizes peletizadoras, metionina, treonina e neomicina, serviços realizados por operador logístico e análises laboratoriais; e reconhecendo que, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, deve ser determinado de acordo com a classificação na TIPI do produto em que o insumo adquirido foi aplicado. Vencidos os conselheiros Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que negou provimento para o frete incorrido para movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, e Valcir Gassen, que dava provimento para os bens com alíquota concentrada em etapas anteriores. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) não cumulativa – PER/DCOMP nº 14971.95715.290110.1.1.102914, transmitido em 29/01/2010 – vinculados à receita não tributada no mercado interno, apurados no 2º trimestre calendário de 2009, no valor de R$ 63.622,37. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi indeferido e a compensação nº 14383.09249.310810.1.3.105833 não foi homologada. A autoridade fiscal informa que os processos nºs 11516.723622/201349, 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/2011 00, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180, 10983.911357/201113 e 10983.911356/201179 tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento e processos de auto de infração de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto, por trimestre. Fl. 10195DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.338 3 Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010 – tratadas nos processos números 11516.721887/201141, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180 e 10983.911357/201113 , foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos processos números 11516.723929/201340, 11516.723931/2013 19, 11516.723930/201374, 11516.723933/201316. Sobre as verificações realizadas nos créditos do período a autoridade fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Explica que os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte sequência: numa primeira etapa de verificação, as informações presentes nas memórias de cálculo (onde o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos declarados em Dacon) foram cotejadas com as notas fiscais, obtidas do SPED Fiscal; a segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”, com os itens que, com base na legislação vigente à época, davam direito a crédito; a terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, a fim de identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do Dacon; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não tinham direito a crédito; subtraiuse o segundo do primeiro para chegar ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Conclui que, ao final dos procedimentos descritos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. Informa que todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios que descrimina, presentes nos autos nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. Depois de descrever o procedimento fiscal, a autoridade fiscal passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 06A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 06A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas no relatório NF Glosadas Alíquota zero; Fl. 10196DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.339 4 1.1.2. os valores dos itens que se referem a revenda de gás liquefeito de petróleo, que tem alíquota concentrada, não gerando crédito ao revendedor. 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo: a autoridade fiscal relata que glosou os valores das notas fiscais de aquisições de bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, como MAQUINA, SEGURO e CONSERTO AR CONDICIONADO; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisicao de Insumos; 1.2.2. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Alíquota zero; 1.2.3. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP); 1.2.4. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – Aquisição PJ – Suspensão obrigatória. Em relação a essas aquisições de insumos de pessoas jurídicas, a autoridade fiscal relata que excluiu os valores das aquisições de insumos com suspensão obrigatória de PIS/Cofins na operação de venda, que não geram crédito regular (linha 02), mas somente crédito presumido de atividades agroindustriais. Assim coloca: No período sob fiscalização, a contribuinte adquiria de pessoas jurídicas, de forma rotineira, Leite in Natura e outros produtos agropecuários. Estas mercadorias eram utilizadas no processo produtivo da contribuinte, na elaboração de seus produtos. A contribuinte apurou, sobre estes insumos, créditos básicos de PIS e COFINS. Todavia, conforme será demonstrado, este procedimento não estava correto. Na época, as aquisições de leite in natura e outros produtos agropecuários por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, verbis: Destaca que a BRF S/A preenchia condições para a aplicação da suspensão elencadas no art 4º da IN SRF 660/2006 e que, portanto, a suspensão na operação de venda determinada em lei se impunha. Menciona que caso o vendedor tenha apurado contribuição para o PIS/PASEP e Cofins sobre estas vendas, ocorreu pagamento indevido, o que não dá direito de creditamento para o comprador. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo Dos montantes informados para linha 03 do Dacon foram glosados os valores das aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como: SERVICO DE INSTALACAO DE PONTOS DE REDE, SERVICO LAVAGEM CAMINHAO MUNCK ou SERV. DE COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUO. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisicao de Insumos. Fl. 10197DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.340 5 1.4. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosadas as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. 2. Ficha 16A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que não se enquadram nas condições da legislação; explica: tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 apenas para aquisições de insumos de origem animal e que se sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; as aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente. Da base de cálculo do crédito foram glosados os valores das aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representam aquisições de insumos, perfeitamente identificados na listagem individualizada, e das notas fiscais das aquisições de bens para revenda. A autoridade fiscal traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas na listagem Credito presumido – detalhe. 3. Ficha 06B Aquisições de Insumos no Mercado Externo Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 06B –, foram glosados os valores que seguem. 3.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: os valores das diferenças a maior entre os valores declarados em Dacon para cada mês do trimestre e os valores informados na memória de cálculo apresentada pela interessada; os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero. 3.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da base de cálculo dos créditos informados na linha 02 das Ficha 06B, foram glosados os valores referentes a: 3.3. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art.8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004; bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, como MATRIZ CPM 7726 4MMX2" DE ACO INOXIDAVEL, MATRIZ W21 4MMX2" DE ACO INOXIDAVEL e MATRIZ P/PELETIZADORA CPM7000 HW foram excluídos da Fl. 10198DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.341 6 base de cálculo. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – não representam aquisição de insumos. 3.4. Aquisições de bens cujo código fiscal da operação (CFOP) não representa aquisição de insumos. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – operações sem direito a crédito (CFOP) 3.5. Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da contribuição. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Alíquota zero. 4. Do crédito gerado no trimestre recálculo da Ficha 15B Relata a autoridade fiscal que, tendo em vista as correções realizadas nas fichas 06A e 06B do Dacon, restaram alterados os valores dos créditos utilizados para desconto dos débitos, como segue: A Autoridade Fiscal também traz a planilha com os Créditos de Aquisição no Mercado Interno Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno, que segue: O PER nº 14971.95715.290110.1.1.102914 foi indeferido e a Dcomp nº 14383.09249.310810.1.3.105833 não homologada. Tendo em vista que a Dcomp foi transmitida na vigência da Lei nº 12.249/2010, foi lavrado auto de infração para exigência de multa isolada correspondente. Da manifestação de inconformidade Fl. 10199DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.342 7 Inicialmente, a recorrente defende que a manifestação de inconformidade ora apresentada deverá ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/201100, 10983.911361/2011 81, 10983.911354/201180, 10983.911357/201113 e 10983.911356/201179, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.723622/201349, 11516.723929/201340, 11516.723931/201319 e 11516.723933/201316. Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, ao glosar os créditos com base em ilações genéricas de que os bens e serviços adquiridos não se enquadram no conceito de insumo ou sob a justificativa de que o Cfop referese à aquisição de bens que não gerariam direito a créditos, sem analisar a aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, a fiscalização acabou por glosar indevidamente diversas despesas que caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente despacho decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. No tópico III.2 Da Sistemática NãoCumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente, a fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Federal, temse que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessa contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. E na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Bens para revenda, adquiridos a alíquota zero No item 111.2.2 — Dos Bens para Revenda, a recorrente inicialmente contesta a glosa das aquisições de bens sujeitos à alíquota zero para revenda, Fl. 10200DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.343 8 realizada com base no art. 3º, § 2º, da Lei n.° 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a esta norma. Nesse sentido, argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona a mencionada norma, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuição, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Conclui então que, tendo em vista que os insumos sujeitos à alíquota zero não se subsumem ao art. 3º parágrafo 2º, inciso II, da Lei n.° 10.833/03, devem tais aquisições ser integralmente consideradas para fins de creditamento, tal como determinado pela regra disposta no art. 3º, inciso II, da Lei n.° 10.833/03. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Bens para revenda, com tributação concentrada No mais, a requerente informa que cometeu um equívoco ao classificar as aquisições de GLP sob o CFOP 1102 (Compra para comercialização), já que o GLP não foi adquirido para revenda, e sim, para ser utilizado com insumo em seu processo produtivo. Explica que o gás é utilizado: na (i) chamuscagem de suínos para retirar seus pêlos, que pertence ao processo produtivo dos suínos; no (ii) aquecimentos dos sistemas de incubação e das aves, que pertence ao processo produtivo das aves; e na (iii) fritura e cozimento de empanados e produtos industrializados, etc. Nesse sentido defende que, sendo certo que o GLP consiste de insumo, os valores de suas aquisições geram crédito da Cofins, independentemente do regime ao qual tal insumo está sujeito, no caso, o monofásico. Isso porque, como alega, a única vedação da legislação para tomada de crédito, ocorre nos casos de "aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição", o que afirma não ser o caso nos presentes autos, considerando que a receita do produtor auferida na venda de GLP foi oferecida à tributação. Bens e serviços utilizados como insumo No tópico 111.2.3 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Inicialmente, em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz aterse aos “itens mais relevantes” dos presentes na planilha NF Glosadas — Não Representam Aquisições de Insumo. Assim segue. Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a recorrente, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como botas, botinas e Luva, bem como os itens de proteção de uso obrigatório, são exigidos por norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Fl. 10201DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.344 9 Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Adicionalmente, cita decisão do CARF que autorizou o creditamento sobre as despesas incorridas com os chamados "materiais para acondicionamento para transporte", por configuram despesas com armazenagem, expressamente prevista como apta para gerar crédito no inciso IX, do art. 3º, da Lei n.° 10.833/03. Conclui, então, que as glosas devem ser canceladas, por se tratarem, os pallets, de material indispensável no processo produtivo, além de configurar uma clara despesa com armazenagem, tal como já decidido pelo CARF. Nessa linha, defende o crédito em relação aos serviços de repaletização (também chamados de serviços de "reforma de pallets") face à sua essencialidade, devido à imprescindibilidade dos pallets no processo produtivo. A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita detergentes, lubrificantes, fusível, dentre outros – e outros tantos não mencionados que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. Explica que: os detergentes industriais, por exemplo, são utilizados na higienização e limpeza das máquinas e pisos do estabelecimento industrial, atendendo, obviamente, às rigorosas regras emanadas pelas autoridades regulatórias; os lubrificantes e os fusíveis, são indispensáveis ao bom funcionamento das máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo. Aduz que, pelas breves descrições, é inegável que todos esses itens estão “intrinsecamente ligados ao processo produtivo”, pois seria impossível realizar a sua atividade sem tomar as precauções relativas à higienização ou preservação e bom funcionamento de suas máquinas. Em relação a estas, cita recente Acórdão proferido pelo CARF, em processo da própria requerente, por meio do qual restou reconhecido o direito ao crédito sobre as aquisições de ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos de sua atividade fabril. Contesta a glosa dos valores relacionados a Serviços Realizados por "Operador Logístico", alegando que a movimentação das mercadorias é inerente à sua atividade, pela impossibilidade de comercialização de seus produtos na ausência de tais serviços, que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas. Transcreve ementa de Acórdão do CARF, abaixo reproduzida, que teria considerado que os “serviços relacionados à movimentação de mercadorias e ao frete deve ser tratada em conjunto e, consequente, o direito ao crédito ser a eles estendidos”. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. CREDITAMENTO. Uma vez comprovado que os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos foram suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e que foram tributados pelas contribuições, eles darão direito a crédito. (Acórdão n.° 380303.152, de 28.06.2012, g.n.) E acrescenta que a própria RFB já considerou como insumo os gastos incorridos com a carga e descarga, e cita a Solução de Divergência n° 15/2007. Conclui, que dada à imprescindibilidade dos serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, as glosas devem ser integralmente canceladas. Fl. 10202DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.345 10 Afirma que os serviços de Análise Laboratoriais consistem de insumo, tendo em vista que os produtos fabricados são destinados ao consumo humano e que, portanto, devem ser constantemente avaliados e testados, de modo a preservar sua qualidade e integridade. Traz decisão do CARF que, segundo alega, ao apreciar as despesas incorridas com "serviços de análise laboratorial de comidas" firmou o entendimento de que, aos contribuintes cujo objeto social é relacionado à produção de alimentos, os serviços de análise laboratorial devem ser considerados como insumo. Nesse mesmo sentido, também traz a Solução de Consulta n° 145, de 21/09/2012. Defende o direito ao crédito em relação às aquisições de bens utilizados como insumo sujeitos a alíquota zero com base nos mesmos fundamentos expendidos acima em relação ao bens adquiridos para revenda sujeitos a alíquota zero. Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da autoridade fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados são produtos químicos (cita metionina, hexano GC, etc) que, evidentemente, são empregados no processo produtivo e que há diversos óleos que são utilizados nas máquinas pertencentes ao processo produtivo. Reclama ter sido arbitrário o procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo CFOP diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. E aponta como mais grave ainda a situação que se refere ao CFOP cuja descrição é outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada, ou mesmo de material de uso ou consumo (CFOP 1949), pois é impossível a Fiscalização saber de qual insumo se trata apenas com base na mera redação do CFOP. Conclui dizendo que o simples equívoco cometido pela Requerente na classificação do CFOP não pode ser utilizado pelas Autoridades Fiscais como justificativa para glosar os créditos, ainda mais nas hipóteses em que a característica do item como insumo, segundo alega, é evidente. Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a recorrente alega que as alegações trazidas pela Fiscalização não merecem prosperar, pois o leite in natura e os insumos foram adquiridos sem a suspensão da Cofins. Defende que, em assim sendo, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Nesse sentido, ressalta, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009. Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda No item 111.2.4 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, a recorrente inicia afirmando que a tomada de créditos apurados a partir das despesas com fretes, sejam estes relacionadas ou não à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa. Explica que, diante das diversas etapas do processo produtivo, aliado à sua extensa quantidade de plantas industriais, é notório que o frete de matérias primas e Fl. 10203DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.346 11 produtos semiacabados é inerente à atividade da empresa e imprescindível ao mencionado processo produtivo, devendo os seus gastos serem considerados para fins de creditamento, vez que contribuem, indubitavelmente, para a geração de receita. Alega que a própria RFB e o CARF já se pronunciaram favoravelmente à essa pretensão; cita Acórdão do CARF. Pelos mesmo motivos e sendo, segundo alega, inegável a importância da existência de centros de distribuição responsáveis por escoar a produção de maneira mais eficiente, alega que os gastos incorridos com os fretes de produtos acabados são, igualmente, aptos ao creditamento da mencionada contribuição; cita Acórdãos do CARF. No mais, a fim de afastar a alegação de que "não ficou comprovado que os fretes em tela referemse a fretes na operação de venda", a Requerente diz ter trazido em anexo planilhas (Doc. 11), que, segundo alega, contêm todas as despesas com fretes ocorridas no período. Menciona, como exemplo, as planilhas referentes ao mês de maio de 2009, contendo, segundo diz, todas as despesas de armazenagem e frete nas operações de vendas incorridas no período, com as respectivas contas contábeis, bem como a abertura da Ficha 16A, Linha 7, do DACON (doc. 12). Crédito presumido da agroindústria Inicialmente a recorrente coloca que o itens descritos como "milho granel", "soja granel", "sui abate misto spl picdal pirâmide", "suíno fêmea reprodução terceiros", consistem de insumo. Explica que: o milho e a soja granel são elementos essenciais na produção da ração dos animais, que, por sua vez, são de extrema importância ao processo produtivo; os suínos abate misto ("sui abate misto spl pic dal pirâmide") e os suínos fêmeas ("suíno femea reprodução terceiros") são adquiridos para o processo produtivo suíno, já que, a Requerente, como alega, não é totalmente autossuficiente na produção de suínos. No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual fazendo remissão ao caput, vincula, assim, o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a qualquer dúvidas sobre a questão pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. Pedido de perícia e diligência A recorrente pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindolhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia: Fl. 10204DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.347 12 descrever de forma detalhada os seus processos produtivos; descrever de forma detalhada cada despesa glosada pela Fiscalização; esclarecer qual a relação das despesas glosadas pela Fiscalização com o processo produtivo; demonstrar quais despesas de frete são relacionadas à venda de mercadorias e produtos e quais são relacionadas à transferência entre estabelecimentos. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a recorrente também pugna pela realização de diligência fiscal para que o auditor fiscal esclareça se os bens e serviços caracterizados como insumos pela Requerente em sua Dacon são utilizados no processo produtivo e efetivamente guardam relação intrínseca com a geração de receitas, em conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei n° 10.833/03. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade. Da revisão do acórdão Verificada inexatidão material devido a erro no cálculo do crédito passível de ressarcimento, o processo retornou à DRJ para prolação de acórdão revisor, em substituição do Acórdão nº 0735.249, de 30 de julho de 2014. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte e o Acórdão n° 0736.183, de 10/12/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua Fl. 10205DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.348 13 essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA.CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. Fl. 10206DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.349 14 Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repetiu as alegações contidas na manifestação de inconformidade e adicionou informações complementares acerca de determinados bens, custos e despesas que considerou como insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de glosa de créditos de PIS/PASEP do 2° trimestre de 2009, que resultaram em indeferimento de Pedido de Ressarcimento (PER) e não homologação dos Pedidos de Compensação (DCOMP) vinculados. Em preliminar,a recorrente lista processos administrativos que reputa que devem ser julgados em conjunto, pois são conexos. Está correta: todos estão nesta pauta para julgamento. Cumpre mencionar recorrente consignou em suas peças de defesa detalhadas descrições do seu processo produtivo, laudo do INT (doc. 09 da manifestação de inconformidade), comprovando a essencialidade de determinados bens, custos e despesas á atividade industrial e memorando prerado por engenheiro civil, com minudente explicação de sua operação (doc. 03 do recurso voluntário). O exame dos argumentos contidos no recurso voluntário será essencialmente instruído pelo conceito de insumos (art. 3° da Lei n° 10.637/02) que vem sendo majoritariamente adotado no CARF, qual seja, o de que assim devem ser considerados os custos e despesas essenciais à conclusão do processo de preparação dos produtos. Com efeito, tal posicionamento se alinha à recente decisão proferida pelo STJ, em sede do REsp 1.221.170/PR, sob a sistemática dos recursos repetitivos, publicada em 24/04/18, que, inclusive, considerou como ilegais os conceitos de insumos exarados pelas IN SRF n° 247/02 e 404/04: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Fl. 10207DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.350 15 PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Fl. 10208DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.351 16 Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" Por fim, menciono ainda que adotei como balizadores de minhas conclusões: a premissa de que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, nos termos do art. 373 do Código Processo Civil (Lei n° 13.105/15),; que, na busca da verdade material, há que se verificar se os argumentos da recorrente encontram respaldo nas descrições de seus processos produtivos, com as quais também trabalhou a auditoria fiscal, devidamente confirmadas pelos laudos técnicos carreados aos autos. "PRELIMINARMENTE 11.2 — Da Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade Material" A recorrente requer a decretação da nulidade do despacho decisório, em suma, porque considera que o trabalho da fiscalização foi superficial, baseado em "ilações e leituras genéricas" e não em análise detalhada do processo produtivo. Aduz ainda que não produziu "provas documentais e cabais" de que as operações, tal como informadas e contabilizadas, não ocorreram. Como exemplos, cita o fato de ter chegado a conclusões com base, simplesmente, no Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP). Não obstante as divergências acerca de algumas conclusões a que chegou, entendo que não há motivos que possam eivar de nulidade o despacho decisório. E adoto a conclusão da DRJ como minha razão de decidir: "1 Nulidade do despacho decisório A recorrente suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, ao glosar os créditos com base em ilações genéricas de que os bens e serviços adquiridos não se enquadram no conceito de insumo ou sob a justificativa de que o Cfop referese à aquisição de bens que não gerariam direito a créditos, sem analisar a aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, a fiscalização acabou por glosar indevidamente diversas despesas que caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente despacho decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. Como veremos, entretanto, o procedimento fiscal foi regularmente realizado, tendo sido oferecido à contribuinte todas as condições e oportunidade, não só de Fl. 10209DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.352 17 demonstrar e comprovar o crédito pleiteado, como de exercer amplamente o seu direito à defesa. Vejamos. Inicialmente, firmese que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento através do qual a empresa deve demonstrar ao Fisco todas as operações que influenciam a apuração do valor devido da contribuição para o PIS e da Cofins, não cumulativas, e dos respectivos créditos. Esse demonstrativo possui fichas e linhas específicas que devem necessariamente refletir a real composição do valor da base de cálculo dos créditos apurados e utilizados pelo contribuinte (via desconto, compensação, pedido de ressarcimento ou de restituição), identificando corretamente os custos e despesas que o compõem, a fim viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência do crédito pela Autoridade Administrativa Fazendária competente, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF da jurisdição fiscal do contribuinte/pleiteante, a quem cabe deferir ou não o pleito do contribuinte. Como relatado, a fim de proceder à análise do crédito pleiteado, conforme apurado e informado no Dacon apresentado para o período, a fiscalização intimou a contribuinte/pleiteante a demonstrar e comprovar a origem de todos os valores utilizados na base de cálculo do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Em resposta às intimações fiscais, a interessada prestou os esclarecimentos que julgou necessários e suficientes para tanto e apresentou os documentos de que dispunha. A autoridade fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Como se vê, o Auditor Fiscal, a partir das informações, planilhas e documentos apresentados pela própria interessada durante o procedimento fiscal, tendo em conta a legislação de regência e o processo produtivo da empresa, ajustou o crédito a que a interessada tem direito, glosando os valores não comprovados e os valores para os quais a legislação não prevê direito de créditos. Não se verifica, portanto, que a fiscalização tenha sido superficial e nem tenha ocorrido a alegada apuração fiscal com base em ilações genéricas; compulsando os autos o que se verifica é que a Fiscalização, em sua análise, partiu das informações e dos elementos apresentados pela própria contribuinte, inclusive a descrição dos bens, a nomenclatura atribuída pela contribuinte a alguns bens na escrituração das notas fiscais e nos códigos Cfop nestas consignadas. Notese que, ao contrário do que defende a recorrente, “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” não caberia à fiscalização, mas à própria pleiteante demonstrar e comprovar todos os “fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado”; o que veremos no item que segue sobre repartição do ônus da prova no âmbito dos processos administrativos. É descabida, portanto, a intenção da recorrente de afastar as informações que prestou à fiscalização, inclusive dos Cfop contidos nas notas fiscais apresentadas, como meio de prova suficiente para demonstrar a natureza de suas operações. Isso porque todas as informações, planilhas e documentos apresentados pela própria interessada durante o procedimento fiscal a vinculam perante o Fisco, pelo menos Fl. 10210DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.353 18 até que esta logre comprovar qualquer equívoco cometido, obviamente, por meios hábeis para tanto, todavia em sede de análise do mérito e não enquanto preliminar. No que concerne ao Cfop, é importante ter em conta que a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Assim é que no âmbito dos tributos federais não se pode prescindir do formalismo e oficialidade conferido pelas notas fiscais aos atos negociais praticados pelas pessoas jurídicas; destes as notas fiscais fazem prova perante o fisco na medida em que gozam de presunção (relativa) de veracidade, presunção esta somente afastada, por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. Assim, à evidência, descabida é a intenção da recorrente de descaracterizar a análise e a decisão proferida pela DRF com base no argumento de que os elementos por ela fornecidos à fiscalização não seriam hábeis e suficientes para informar a realidade dos fatos. No mais, verificase que no relatório fiscal há a identificação de cada valor glosado da base de cálculo do crédito e a clara motivação da glosa. Compulsando o relatório vêse que este foi devidamente fundamentado, contendo as informações necessárias e suficientes para o conhecimento das irregularidades apuradas e a produção da defesa da contribuinte. De outro turno, em respeito ao devido processo legal, a contribuinte foi notificada da decisão, sendolhe conferido prazo para contestála, contestação que ora se analisa. Portanto, tendo em conta que no âmbito de processos de reconhecimento de direito creditório é do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar o direito que alega (matéria que será tratada no item seguinte), temse que o procedimento fiscal foi regularmente realizado, sendo improcedente a alegação de que a análise fiscal teria sido superficial em razão de se basear nos documentos e informações prestadas pela fiscalizada. Concluise que a decisão recorrida foi proferida por autoridade competente, tendo sido respeitados os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual é improcedente é alegação de nulidade do feito fiscal." Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar. "III.2.3 — Dos Bens para Revenda (Ficha 16A e 16B— Linha 01 da DACON) a) Dos Bens Para Revenda Sujeitos à Alíquota Zero " A fiscalização glosou créditos sobre bens cujas compras era tributadas à alíquota zero, com fundamento nos incisos II dos § 2° dos art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: "(. . .) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) Fl. 10211DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.354 19 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." A DRJ ratificou o procedimento fiscal. O contribuinte alega que citado dispositivo veda créditos tão somente quando a revenda do produto não estiver no campo de incidência das contribuições, o que não seria o caso, posto que sofrem tais imposições, porém à alíquota zero. Adicionalmente, alega que alíquota zero e isenção são institutos similares. Transcreve opiniões de doutrinadores neste sentido. E, assim entendido, poderia registrar os créditos, pois o citado dispositivo legal admite o registro de créditos relativos a produtos isentos, caso a saída seja tributada. Regra geral, as leis vedam o registro de créditos derivados da compra de produtos não tributados, a fim de preservar a sistemática da não cumulatividade. Não se pode registrar créditos, cujos valores não foram computados no preço e, por conseguinte, não foram pagos pelo adquirente. As leis, todavia, abriram uma exceção à isenção, desde que o bem seja aplicado em produto ou serviço cuja receita de venda seja tributada. Ao dispor que não gera direito a crédito a aquisição "de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção", o legislador não excluiu apenas os bens, cuja operação de compra estiver fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, como aduziu a Recorrente. Se assim o fosse, não teria criado exceção à regra para as aquisições isentas das contribuições. Também excluiu os tributados à alíquota zero e os beneficiados pela suspensão. Também não acompanho a Recorrente, quando aduz que, por serem similares, a isenção e tributação à alíquota zero devem ser receber o mesmo tratamento, quando se trata de creditamento de PIS e COFINS. Não obstante o fato de o resultado final ser o mesmo desoneração tributária a isenção e a tributação reduzida a zero são institutos que se encontram previstos em dispositivos legais distintos, com existência própria. Não cabe conferir a um (alíquota zero) o mesmo tratamento dispensado ao outro (isenção), em razão de ambos representarem renúncias fiscais. Por fim, no sentido de não reconhecer o direito a créditos sobre aquisições de bens tributados à alíquota zero, vale mencionar a decisão do STF em sede do RE n° 628.093/RS. Portanto, nego provimento às alegações contidas neste tópico. "b) Dos Bens Para Revenda que Possuem Aliquota Concentrada" Foram glosados os créditos derivados de compras de GLP, em razão de estar sujeito à tributação concentrada e, por conseguinte, não gerando crédito para o revendedor. A Fl. 10212DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.355 20 DRJ não considerou as alegações da recorrente de que, na verdade, tratavase de insumo industrial, pois entende que este argumento não foi apresentado e, por conseguinte, analisado pela fiscalização, uma vez que fora informado no DACON como bem para revenda. A defesa sustenta que, ao contrário do que espelhou no DACON, o GLP era utilizado na produção para "i) chamuscagem de suínos para retirar seus pêlos, que pertence ao processo produtivo dos suínos; (ii) aquecimentos dos sistemas de incubação e das aves, que pertence ao processo produtivo das aves; (iii) fritura e cozimento de empanados e produtos industrializados, etc.." E, como a receita com a venda dos respectivos produtos era tributada pelas contribuições, tem direito à tomada dos créditos. A recorrente argumentou, porém não comprovou que o GLP foi aplicado no processo industrial. E, da leitura das descrições das atividades industriais e laudos, tampouco se encontra respaldo para o que afirma. Assim, nego provimento. "III.2.4 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Ficha 16A — Linhas 02 e 03 da DACON) a) Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos" A fiscalização glosou créditos sobre as compras de diversos bens que concluiu não se enquadrarem no conceito de insumos, aplicando os restritivos conceitos das IN RFB n° 247/02 e 404/04. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou argumentos para sustentar o registro de créditos daqueles itens que julgou mais relevantes A DRJ ratificou o procedimento fiscal e ainda dispôs que não pôde avaliar se os demais itens eram realmente intrinsecamente ligados ao processo fabril, tão somente pelos conceitos gerais de insumos levados aos autos pela recorrente. No recurso voluntário, a recorrente repete os argumentos da primeira peça de defesa. E aduz não ter sido possível analisar "cada uma das 3 mil glosas registradas na planilha 'NF Glosadas Não representam Aquisições de Insumos'", tendo, assim, optado por tratar individualmente os considerados mais relevantes. Nos parágrafos seguintes, aprecio os argumentos apresentados pela recorrente, porém, antecipadamente, manifesto que concordo com a DRJ no sentido de que não é possível acatar alegações genéricas, devendo ser considerada como "(. . .) não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." (art. 17 do decreto n° 70.235/72). "(i) Indumentária e Itens de Uso Obrigatório" A recorrente apresentou os seguintes argumentos: Fl. 10213DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.356 21 Não há dúvida de que tratase de insumos. Depreendese das informações constantes nos autos que os itens acima listados são essenciais à manutenção da integridade e qualidade dos alimentos e, portanto, essenciais à produção. Corrobora com este entendimento, a seguinte decisão da CSRF: Acórdão n° 930301.740, da CSRF COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Dou provimento aos argumentos. "ii) Pallets" e "(iii) Repaletização" Fl. 10214DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.357 22 A recorrente informa que os pallets são insumos, pois utilizados para proteção das mercadorias, quando movimentadas nos estoques. E, em exportações, como material de embalagem. Traz excerto do laudo do INT e decisões do CARF que corroboram com seus argumentos. E, na mesma linha de raciocínio, devem ser admitidos como insumos os serviços de restauração de pallets. Mais uma vez, colacionou trecho do laudo do INT. Indubitavelmente, os pallets são imprescindíveis, essenciais ao processo industrial, como se depreende das informações constantes do autos. E os serviços de repalletização, por conseguinte, também; Ocorre que os créditos foram calculados sobre os valores das compras, como se pudessem ser integralmente e de pronto consumidos, sem que fossem identificados os valores relativos aos pallets: utilizados como embalagem e que, por conseguinte, integraram os custos dos estoques (insumo passível de creditamento de imediato, de acordo com os incisos II dos art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03); ou integrantes do ativo imobilizado (neste caso, o crédito seria albergado nos incisos VI dos art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, e deveria ser calculado sobre os custos com depreciação). O serviço de repalletização é evidência clara de que havia reaproveitamento de pallets e que, portanto, nem todos eram utilizados como embalagens. Assim, dada a ausência das informações complementares acerca do emprego dos pallets objetos da defesa, nego provimento. "(iv) Materiais e Equipamentos" A recorrente sustenta que; I) detergentes, lubrificantes, anticorrosivos, fusíveis e mangueiras condutoras de água (resfriamento e limpeza) são aplicados na produção de ração animal e em equipamentos de corte de carnes; II) rolamentos que possibilitam o movimento controlado entre duas ou mais partes da máquina; III) conectores, retentores, buchas, arruelas, rebites e desengrachantes, para garantir o funcionamento eficaz de máquinas e evitar vazamento de óleo, graxa e combustível; IV) combustíveis (gasolina, óleo, GLP, gás acetileno, argônio e oxigênio industriais), como energia para funcionamento de máquinas; V) dicoflenato sódico, como medicamento para aves, e kits para tipificação da salmonela, para a realização de testes que certificam a ausência de contaminação; VI) matrizes peletizadoras, metionina, treonina e neomicina, na produção de ração; Fl. 10215DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.358 23 VII) serviços de manutenção, revisão, inspeção, regulagem e calibração de máquinas; e VIII) molas de pressão para separação de partes dos cárneos. Dada a atividade desenvolvida pela recorrente, detalhadamente descrita nas peças de defesa e corroborada pelos laudos técnicos, indubitavelmente, devemos admitir na base de cálculo dos créditos os custos citados nos itens "V" e "VI", posto que, inclusive, não se poderia imaginar uma outra destinação plausível. No tocante aos demais, todavia, não há na defesa informações detalhadas acerca das máquinas nas quais os listados produtos teriam sido aplicados. Com relação a peças e serviços de manutenção, revisão, inspeção, regulagem e calibração, além da ausência de identificação das máquinas, para fins de aceitação dos créditos, haveria ainda que definir se aumentaram a vida útil do bem. Caso positivo, deveriam ter sido contabilizadas no custo do bem do ativo imobilizado, para posterior depreciação (art. 346 do Regulamento do Imposto de Renda decreto n° 3.000/99)? Isto posto, dou provimento parcial, revertendo as glosas dos itens nos itens "V" e "VI", acima mencionadas. "(v) Serviços Realizados por "Operador Logístico" Não foram acatados serviços de carga e descarga, movimentação de saída de mercadorias e crossdoking (processo de recebimento de mercadoria e imediata preparação para carregamento e entrega ao cliente). Vejo os gastos com carga e descarga como, dependendo do caso, integrante dos de aquisição (incisos II dos art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) ou armazenagem e frete sobre vendas (inc. IX do art. 3° e inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). E, dada à sua natureza e clareza com que foram identificados nos registros contábeis, também não vejo necessidade de informações complementares para que sejam admitidos os créditos correspondentes. "(vi) Análises Laboratoriais" Não foram admitidos créditos sobre custos com análises laboratoriais de alimentos, para confirmar estarem aptos para o consumo humano. Voto pela reversão das glosas, posto que são essenciais à conclusão do processo de preparação para consumo de gêneros alimentícios. "b) Dos Bens Utilizados como Insumos — Bens Sujeitos à Alíquota Zero" Houve glosa de créditos cujas compras eram tributadas à alíquota zero. Para este caso, a fiscalização apresentou o seguinte resumo dos produtos e das fundamentações legais das glosas (fl. 574), integralmente ratificadas pela DRJ: Fl. 10216DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.359 24 Nas peças de defesa, a recorrente remetese às alegações contidas no tópico acima tratado "III.2.3 — Dos Bens para Revenda (Ficha 16A e 16B— Linha 01 da DACON) a) Dos Bens Para Revenda Sujeitos à Alíquota Zero ". Voto por negar provimento, tal qual o fiz para o tópico citado no parágrafo precedente. "c) Dos Bens Utilizados como Insumos — Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos" Consta na "Informação Fiscal" (5.566 a 5.602) que foram identificadas compras que de bens cujo CFOP indicava não se tratarem de operação com direito a crédito. Na respectiva planilha (fls. 1.287 a 1.289), constam aquisições sob os seguintes CFOP códigos confirmados com o Convênio ICMS s/n de 15/12/1970 : i) 2556 e 1556 (material de uso e consumo); ii) 1949 e 3949 (outras entradas não especificadas); iii) 2407 e 1407 (material de uso e consumo sob regime de substituição tributária de ICMS); iv) 2921 (retorno de vasilhame ou sacaria); v) 2913 (retorno de mercadorias ou bens remetidos para demonstração); vi) 1925 (retorno dos insumos remetidos por conta e ordem do adquirente, para industrialização e incorporados ao produto final pelo estabelecimento industrializador); vii) 2551 (compra de bem para o imobilizado); e viii) 2403 (compras de mercadorias a serem comercializadas, decorrentes de operações com mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária). Na manifestação de inconformidade, a recorrente acusa a fiscalização de ter efetuado trabalho muito superficial, pois, tão somente com base nos CFOP, não seria possível concluir se eram ou não insumos, o que requereria exame do processo produtivo. No recurso voluntário, trouxe elementos de defesa para alguns bens. E que equívocos na determinação do CFOP não pode comprometer o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. Adicionalmente, de forma genérica, informa que diversos produtos químicos constante da planilha de glosa são produtos químicos utilizados no processo industrial. A DRJ confirmou o trabalho da fiscalização. Lembrou que foi efetuado com base nas informações prestadas pelo contribuinte e que a nota fiscal "é, por excelência, o meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas". E que, Fl. 10217DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.360 25 oportunamente, deveria ter provido o auditor das provas de que se travam de insumos, pois o ônus de comprovar a existência do direito é de quem alega detêlo. Minha leitura da legislação fiscal, é a de que a comprovação plena das operações comerciais passa não somente pelas notas e livros contábeis e fiscais e contratos, porém, e notadamente, pelas evidências de elementos que comprovem cabalmente suas natureza, efetividade e emprego nos negócios. E, para tanto, no caso de serviços, há que se reunir relatórios técnicos, contendo pareceres e recomendações. Quanto a aquisições de bens, manuais e laudos técnicos que demonstrem a que se destinam e de que forma são utilizados na respectiva atividade empresarial. Não obstante, da leitura dos autos, confirmase o relatado pela DRJ. A recorrente tinha pleno conhecimento do propósito da auditoria fiscal e dos dados que deveria fornecer para a comprovação da legitimidade dos créditos. E o agente fiscal, com base nos elementos fornecidos, concluiu seu trabalho. Portanto, tal qual consignei na preliminar, não vejo defeito no trabalho fiscal, que o eive de nulidade. O recurso voluntário repete a manifestação de inconformidade, porém com mais detalhes acerca dos produtos cujos créditos foram glosados. Tal qual procedi em tópico anterior, para que eu vote pela reversão de glosas, em princípio, fazse necessária a conciliação dos argumentos com as descrições dos processos produtivos e laudos técnicos. Exceção, contudo, há que se fazer aos casos em que a descrição do produto, por si só, seja esclarecedora e dispense uma análise técnica de especialista. Ademais, consigno que supero eventuais erros na classificação fiscal em CFOP, em nome da verdade material. Dito isto, a única glosa que proponho que seja revertida é a da metionina, empregada na produção de ração animal, tal qual o fiz em tópico anterior, sob as mesmas alegações. "e) Dos Bens Utilizados como Insumos — Vendas com Suspensão de Contribuição ao PIS e de COFINS" Foram glosados os créditos integrais, calculados sobre as aquisições de produtos beneficiadas com suspensão do PIS e da COFINS (artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04): leite in natura e outros produtos agropecuários. A DRJ confirmou o entendimento da fiscalização. A Recorrente alega que os produtos são insumos e as respectivas compras realizadas sofreram tributação pelo PIS e COFINS, posto que a suspensão tornouse obrigatória tão somente após a edição da IN SRF n° 977/09 (1/11/2009). Até então, sob a IN SRF n° 660/2006, era opcional. Divirjo da Recorrente. Restou incontroverso que os produtos adquiridos encontramse no caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Fl. 10218DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.361 26 E minha leitura do art. 9° da Lei n° 10.925/04 é a de que, desde sua instituição, a aplicação da suspensão era obrigatória e não opcional, a despeito do que se pudesse inferir da leitura da IN SRF n° 660/06. Ademais, não há evidência nos autos de que as compras tenham sido oneradas pelas contribuições. E o registro de créditos, em casos de suspensão, é vedado pelos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Vejamos: "Lei n° 10.925/04 Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. [...] Art. 9° A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por Fl. 10219DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.362 27 pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Portanto, nego provimento aos argumentos da Recorrente. "III.2.5 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 16A — Linha 07 da DACON)" Os créditos sobre as despesas com frete foram glosadas, porque a recorrente não as vinculou a operações de venda, circunstância única em que a fiscalização admitiria o creditamento (inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). A DRJ ratificou tal posicionamento. A meu ver, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos os fretes incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, nas vendas e nos deslocamentos entre estabelecimentos do mesmo titular. Conduto, consultei a planilha de glosas de fretes (fls. 1.343 a 1.358) e verifiquei que a fiscalização realmente não conseguiu as informações que seriam necessárias à vinculação dos fretes às atividades produtivas e comerciais. Assim sendo, nego provimento. "III.2.6— Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais" A controvérsia gira em torno do cálculo do crédito presumido sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04. Enquanto a fiscalização e DRJ entendem que o percentual a ser aplicado sobre o valor da compra deve ser determinado com base na classificação na TIPI do insumo adquirido, a Recorrente alega que seria a do produto no qual o insumo é aplicado. Fl. 10220DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.363 28 Transcrevo o art. 8º da Lei nº 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1° deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 10221DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.364 29 Posteriormente, a Lei n° 12.865/13 acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, a saber: "(. . .) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3°, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." Realmente a redação original dos inciso I ao III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 ensejava dúvidas. Mas, com a edição da Lei n° 12.865/13, a controvérsia terminou. O percentual deve ser determinado, de acordo com a classificação na TIPI do produto no qual o insumo é aplicado. E seus efeitos são efeitos são retroativos, abrangendo o caso em tela anocalendário de 2009 em razão do art. 106 do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Voto pelo provimento da alegação da Recorrente, qual seja, de que o percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos é determinado pela classificação na TIPI do produto no qual foi aplicado. "IV Pedido de Perícia e de Diligência" A Recorrente protesta pela realização de perícia, para demonstrar a aplicação dos insumos glosados em seu processo de industrialização. A fase de produção de provas acerca da legitimidade dos créditos já se expirou. Ademais, uma diligência não se presta para produzir provas em favor ou contra qualquer uma das partes, porém para o provimento de esclarecimentos sobre os elementos que já se encontram nos autos. Assim, nego provimento. Conclusão Voto pelo provimento parcial, a saber: com reversão das glosas de créditos calculados sobre idumentárias, dicoflenato sódico, kits para tipificação da salmonela, matrizes peletizadoras, metionina, treonina e neomicina, serviços realizados por operador logístico e análises laboratoriais; e reconhecendo que, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de Fl. 10222DF CARF MF Processo nº 10983.911357/201113 Acórdão n.º 3301004.906 S3C3T1 Fl. 6.365 30 dezembro de 2003, deve ser determinado de acordo com a classificação na TIPI do produto em que o insumo adquirido foi aplicado. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 10223DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.904607/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1215; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904607/201265 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.401 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente RCC VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 46 07 /2 01 2- 65 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.904607/201265 Acórdão n.º 1301003.401 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por RCC VEÍCULOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF de origem. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Não homologada a compensação, sobreveio manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento. O órgão julgador de primeira instância deixou consignado que a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando destinada a reduzir ou excluir tributo, só é admissível quando comprovado o erro em que se funda a retificação. Além disso, incumbe ao sujeito passivo apresentar a prova da existência do crédito pleiteado, de tal modo a viabilizar, para a autoridade administrativa, a verificação de liquidez e certeza do direito. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso. Disse que, após realizar revisão contábil, constatou ter apurado incorretamente débitos de tributo. Diante disso, apresentou declarações de compensação a fim de recuperar os valores pagos indevidamente. Com o mesmo propósito, retificou DIPJ e DCTF, nesta última declarando valor de débito menor do que aquele que havia sido recolhido, resultando daí um crédito a favor da recorrente. A recorrente sustenta que as declarações retificadoras devem ser aceitas como prova de seu direito. Nessa linha de argumentação, distingue procedimento administrativo tributário de processo administrativo tributário. O primeiro nada mais seria do que a ação de acompanhamento realizado pelo órgão público, sem conteúdo de litígio, apenas com finalidade informativa. O processo, ao contrário, teria por objeto a resolução de um conflito em matéria tributária, cabendo à Administração o controle de legalidade dos atos praticados pelo contribuinte. Segundo essa classificação, o presente processo seria apenas um procedimento administrativo, instaurado pela Receita Federal para verificar a declaração de compensação entregue pela recorrente. Só após o lançamento fiscal é que se teria processo administrativo tributário propriamente dito, bastando para tanto que o contribuinte formalizasse a impugnação, ou seja, a resistência face à pretensão fiscal. Em vista desses argumentos, concluiu que o acórdão da DRJ cometera grave equívoco ao desconsiderar a DCTF retificadora, sob o fundamento de que a retificação se dera após a ciência do despacho decisório. Concluiu dizendo que, no caso concreto, o processo administrativo se instaurou apenas com a apresentação da manifestação de inconformidade, não existindo antes disso lançamento tributário. Nessa linha de raciocínio, seria incorreto desconsiderar a DIPJ e a DCTF como provas da retificação dos valores anteriormente informados. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.904607/201265 Acórdão n.º 1301003.401 S1C3T1 Fl. 4 3 No mais, aduziu que não tinha sofrido procedimento de fiscalização, nem os débitos haviam sido enviados à Procuradoria da Fazenda NacionalPFN. Somente com a decisão recorrida é que se tomou ciência de um processo administrativo de cobrança de débitos. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.391, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10930.904596/2012 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.391): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de tributo. A DRF de origem não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, ou seja, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. Vale dizer, provar que houve erro na apuração do débito; ou provar que quem pagou não era devedor ou aquele que recebeu o pagamento não era o credor (erro quanto ao sujeito da relação jurídica). O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. No caso em exame, a recorrente cingiuse a afirmar que fizera uma revisão contábil, que evidenciou erro na apuração do débito. Não disse, entretanto, em que consistia o erro. O erro, em tese, pode decorrer de inúmeras situações, tais como a inclusão Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.904607/201265 Acórdão n.º 1301003.401 S1C3T1 Fl. 5 4 na base de cálculo de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; do registro de meros ingressos de caixa como sendo valores tributáveis; da falta de registro de despesas dedutíveis. Ademais, o indébito pode ter origem em toda sorte de equívocos referentes aos ajustes do lucro líquido, bem como do emprego de alíquotas incorretas. Diante da imprecisão e da forma lacônica como o fato constitutivo do direito da recorrente foi descrito no recurso, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova do pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF. Na situação em análise, além de a retificação da DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Por último, cabe dizer que, no caso em exame, a solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.904607/201265 Acórdão n.º 1301003.401 S1C3T1 Fl. 6 5 Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662140/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 40 /2 01 2- 11 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.662140/201211 Acórdão n.º 1201002.535 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 2º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.662140/201211 Acórdão n.º 1201002.535 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.662140/201211 Acórdão n.º 1201002.535 S1C2T1 Fl. 5 4 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.662140/201211 Acórdão n.º 1201002.535 S1C2T1 Fl. 6 5 IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 188DF CARF MF
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