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Numero do processo: 15553.720333/2013-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 3. 72 03 33 /2 01 3- 01 Fl. 72DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0435.070 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos para com a Secretaria da Receita Federal, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que os débitos que ensejaram o Termo de Indeferimento haviam sido parcelados, conforme os documentos juntados às fls. 0932. Mas não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, pois é este o documento hábil que comprova a regularidade fiscal da empresa. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Alega a Recorrente, em Recurso Voluntário, que efetuou o parcelamento dos débitos, apontados no Termo de Indeferimento de Opção, e apresentou a documentação que comprova a sua adesão aos parcelamentos e recolhimentos efetuados até 21/01/2013, estando, em 31/01/2013, todos quitados. Alega, ainda, nas suas razões de direito, que: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 15553.720333/201301 Acórdão n.º 1001000.417 S1C0T1 Fl. 3 3 A DRJ baseou a sua decisão, única e exclusivamente, no fato de a Recorrente não ter apresentado a certidão negativa de débitos (ou positiva com efeitos de negativa) e que, ainda, não a obteve porque foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Portanto negou provimento a impugnação, baseada no artigo 205, do Código Tributário Nacional CTN, o qual reproduzo a seguir: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. Fl. 74DF CARF MF 4 Os débitos indicados no termo de indeferimento foram parcelados, consoante a documentação apresentada pela Recorrente e devidamente quitados, consoante o extrato de parcelamento apresentado pela recorrente (fls 18 e 19). O art. 205, do CTN dispõe que "A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa,". No caso, nem a Lei Complementar 123/2006 e nem a Resolução CGSN 94/2011 impõem a apresentação da referida certidão como condição para o ingresso no Simples Nacional. Com efeito, o inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006, dispõe que a existência de débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com as Fazendas Federal, Estadual ou Municipal e para com a Previdência Social, impede a opção pelo Simples Nacional, o que não se provou existir, tal como alegou a Recorrente. Portanto, dou provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13964.720185/2012-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta confirme que as provas apresentadas são suficientes para se concluir que os débitos constantes do Termo de Indeferimento estavam com a exigibilidade suspensa em 31/01/2012.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta confirme que as provas apresentadas são suficientes para se concluir que os débitos constantes do Termo de Indeferimento estavam com a exigibilidade suspensa em 31/01/2012. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1653.545 da 13ª Turma da DRJ/SP1, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos com a Fazenda Nacional, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 64 .7 20 18 5/ 20 12 -7 8 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13964.720185/201278 Resolução nº 1001000.028 S1C0T1 Fl. 78 2 A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo, parcialmente, o voto: ANÁLISE DOS DÉBITOS QUE JUSTIFICARAM O INDEFERIMENTO 7. Considerando que o Termo de Indeferimento da opção pelo regime simplificado teve como justificativa a existência de débitos não suspensos, pontualmente indicados, a presente análise ficará adstrita à verificação da situação em que se encontravam citados débitos na data limite para a opção pelo Simples Nacional (31/01/2012). Para tanto, com o fim de subsidiar o presente julgamento, foram analisados todos os sistemas à disposição da RFB que continham informações pertinentes aos débitos apontados no Termo de Indeferimento e concluiuse o que segue: 7.1. Débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária – sistemas Sicob, Aguia e Divida: 7.1.1. Em análise aos referidos sistemas foi verificado que o débito nº 39.040.4144 foi incluído em parcelamento especial (Lei nº 11.941/09) em 15/08/2011, o qual permanece ativo até o momento da análise ao sistema SICOB.. 7.1.2. Por sua vez, o contribuinte liquidou a divergência entre GFIP x GPS apontada no Termo de Indeferimento (competência 01/2011 valor de R$ 236,72) por meio de recolhimento efetuado em 23/12/2011. 7.1.3. Considerando o exposto, os débitos de natureza previdenciária apontado no Termo de Indeferimento encontravamse regularizados na data limite para a opção pelo regime simplificado (31/01/2012). 7.2. Débitos de natureza não previdenciária com a Secretaria da Receita Federal do Brasil – sistemas de interesse Sief (Fiscel, Processos e Documentos de Arrecadação) e Sincor (Conta corrente PJ, Profisc e Sipade): 7.2.1. Em análise aos sistemas de arrecadação, foi verificado que os débitos de natureza não previdenciária listados no Termo de Indeferimento não se encontravam regularizados na data limite para a opção pelo regime simplificado (31/01/2012). 7.2.2. De acordo com o sistema FISCEL, o processo nº 10983.450667/200429 foi incluído no parcelamento PAES em 25/07/2003 e excluído em 27/01/2006. Após esta data, não há registro de qualquer parcelamento deferido para este processo, o qual se encontra em situação ativa (devedor), aguardando regularização por parte do contribuinte. 7.2.3. É de se ressaltar que, embora o referido processo tenha sido bloqueado para negociação do parcelamento especial da Lei Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13964.720185/201278 Resolução nº 1001000.028 S1C0T1 Fl. 79 3 nº 11.941/09 em 29/06/2011, o mesmo foi desbloqueado em 30/07/2011 sem que tenha ocorrido sua inclusão em parcelamento. 8. Assim, uma vez confirmado que não se encontravam regularizados, na data limite da opção, a totalidade dos débitos que justificaram a emissão do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, conforme análise acima detalhada, revelase procedente o indeferimento da opção do contribuinte pelo regime simplificado. CONCLUSÃO 9. Diante do exposto, voto no sentido de considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, mantendose o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional referente ao anocalendário 2012. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72., portanto dele conheço. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente argumentou que: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13964.720185/201278 Resolução nº 1001000.028 S1C0T1 Fl. 80 4 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13964.720185/201278 Resolução nº 1001000.028 S1C0T1 Fl. 81 5 Com respeito às arguições constitucionais, releva ressaltar, que este Egrégio CARF não tem competência para julgar a constitucionalidade de norma legal. O assunto, inclusive, já foi objeto de súmula, a de número 2, conforme a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro lado, verificase, no processo, o recibo de consolidação de parcelamentos de saldos remanescentes, como segue: A opção pelo parcelamento , previsto no art, 1°, da Lei 11.941/2009, tiveram a sua dívida consolidada e dividida pelo número de prestações indicadas pelo próprio sujeito passivo (parágrafo 6°, art.1, da Lei 11.941/2009). °Em assim sendo, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que a Unidade Preparadora consulte os sistemas de processamento da Receita Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13964.720185/201278 Resolução nº 1001000.028 S1C0T1 Fl. 82 6 Federal e confirme se, em 31/01/2012, o parcelamento estava ou não ativo, fazendo acostar aos autos os documentos comprobatórios. Concluída a diligência, deverá ser dada ciência do seu conteúdo à interessada, ofertandolhe prazo adequado para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na seqüência, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.002471/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.131
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam levantados os débitos de contribuição previdenciária declarados no período de janeiro a novembro de 2002, e respectivos recolhimentos. Em seguida, seja elaborado relatório conclusivo, com abertura de prazo de trinta dias para manifestação das partes. Posteriormente, o processo deverá retornar à conselheira relatora, para prosseguimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que votou para não converter o julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam levantados os débitos de contribuição previdenciária declarados no período de janeiro a novembro de 2002, e respectivos recolhimentos. Em seguida, seja elaborado relatório conclusivo, com abertura de prazo de trinta dias para manifestação das partes. Posteriormente, o processo deverá retornar à conselheira relatora, para prosseguimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que votou para não converter o julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam levantados os débitos de contribuição previdenciária declarados no período de janeiro a novembro de 2002, e respectivos recolhimentos. Em seguida, seja elaborado relatório conclusivo, com abertura de prazo de trinta dias para manifestação das partes. Posteriormente, o processo deverá retornar à conselheira relatora, para prosseguimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que votou para não converter o julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 85 .0 02 47 1/ 20 07 -4 6 Fl. 933DF CARF MF Processo nº 14485.002471/200746 Resolução nº 9202000.131 CSRFT2 Fl. 215 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2402002.965, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado pela fiscalização, por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n.° 37.133.7372, no montante de R$ 1.645.911,51 (um milhão, seiscentos e quarenta e cinco mil e novecentos e onze reais e cinquenta e um centavos), consolidado em 19/11/2007, referente a contribuições destinadas a Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a contribuições destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de seus empregados, atinentes às competências 01/2002 a 08/2006. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 289/321. A 11ª Turma da DRJSP1, às fls. 613/641, julgou totalmente improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 647/694, atacando a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 735/752, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para que sejam recalculadas as contribuições do SAT da matriz e da filial Cachoeiro de acordo com a alíquota correspondente à atividade preponderante nestes estabelecimentos. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2006 OCORRÊNCIA DE CRIME EM TESE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS ARGÜIÇÃO EM SEDE DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPOSSIBILIDADE Não cabe à instância administrativa de julgamento manifestarse sobre a ocorrência ou não de crime, bem como sobre o momento em que a auditoria fiscal deve elaborar Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público a quem compete decidir a respeito ADMINISTRADORES PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES Os administradores legais da em presa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Representantes Legais não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as Fl. 934DF CARF MF Processo nº 14485.002471/200746 Resolução nº 9202000.131 CSRFT2 Fl. 216 3 pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis. DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. No caso de lançamento de contribuições incidentes sobre fatos geradores não reconhecidos como tal pelo sujeito passivo, não há que se falar que este tenha efetuado antecipação de pagamento relativamente a tais fatos geradores, devendo a decadência ser calculada levandose em conta o art. 173, inciso I, do CTN PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM A LEI INCIDÊNCIA Haverá incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de participação dos lucros ou resultados efetuados em desacordo com a disposição legal ALÍQUOTA SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT) DEFINIÇÃO POR ESTABELECIMENTO PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 A alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser calculada levando em conta o grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento empresarial individualizado pelo seu CNPJ, ou pelo grau do risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme entendimento manifestado no Parecer PGFN/DRJ/nº 2120/2011 TAXA SELIC APLICAÇÃO Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a arguição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 935DF CARF MF Processo nº 14485.002471/200746 Resolução nº 9202000.131 CSRFT2 Fl. 217 4 Às fls. 762/787, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: Prazo decadencial do auto de infração. O acórdão recorrido interpretou que no caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o art. 150, § 4º do CTN só seria aplicado quando fosse constatada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, essa não é a melhor solução, conforme as decisões dos acórdãos paradigmas: estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do art. 150, § 4º do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento. Nessa hipótese, é perfeitamente legal e possível afirmar que a ausência do pagamento não desnatura o lançamento por homologação, mormente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. 2. Responsabilidade dos administradores. Segundo o acórdão combatido, o Relatório de Representantes Legais somente serve como instrumento facilitador a ser utilizado a favor da Procuradoria da Fazenda Nacional, na esfera judicial, na hipótese de ser constatada prática de atos com infração à lei. Já o acórdão paradigma afirma somente ser possível a vinculação dos administrados quando há comprovação de participação desse em atos fraudulentos. 3. Não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas a títulos de participação nos lucros e resultados (PLR). Segundo o v. acórdão ora combatido, o acordo firmado pela filial 0004 é exclusivo a esse estabelecimento não sendo possível a sua utilização para validação dos valores pagos a título de PLR aos empregados pelos demais estabelecimentos da empresa. O acórdão recorrido também admite a extensão de aplicação do acordo firmado por um dos estabelecimentos da empresa aos demais, de modo a entender que o fato de o recolhimento ter sido realizado por estabelecimento diverso do signatário do acordo não desnatura o pagamento realizado. Já o acórdão paradigma afirma ser das partes interessadas o direito de fixar os critérios para o pagamento do PLR. Às fls. 910/916, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação à primeira e terceira divergências, relativa ao prazo decadencial do tributo; e a não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas a títulos de participação nos lucros e resultados (PLR) para estabelecimentos diversos de uma mesma empresa. Às fls. 919/928, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. Após, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 14485.002471/200746 Resolução nº 9202000.131 CSRFT2 Fl. 218 5 Tratase de crédito lançado pela fiscalização, por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n.° 37.133.7372, no montante de R$ 1.645.911,51 (um milhão, seiscentos e quarenta e cinco mil e novecentos e onze reais e cinquenta e um centavos), consolidado em 19/11/2007, referente a contribuições destinadas a Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a contribuições destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de seus empregados, atinentes às competências 01/2002 a 08/2006. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise divergência sobre as seguintes matérias: prazo decadencial do auto de infração e não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas a títulos de participação nos lucros e resultados (PLR) para estabelecimentos diversos de uma mesma empresa RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Da análise dos autos verifico a impossibilidade de aferir se houve ou não o início de pagamento válido. Observo que embora as alegações constantes no Recurso Especial, o levantamento constante no documento mencionado se refere a PLR (Fiscalização seletiva por fato gerador especifico Auditoria na Participação nos Lucros e Resultados PLR), mostra o valor apurado e todo ele devido nas diferenças, pois o campo GPS onde se verifica o pagamento em branco. Logo não são diferenças recolhidas, mas sim todo valor apurado como não pago a titulo de PLR como dito. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 14485.002471/200746 Resolução nº 9202000.131 CSRFT2 Fl. 219 6 Contudo, como lançamento se deu exclusivamente em PLR, mister se faz possibilitar ao Contribuinte a realização desta prova, visto que na época do início da demanda administrativa esta prova não era essencial para o deslinde da demanda, vindo a ser em razão do RE do STF. Necessário se faz a baixa em diligência para anexar as guias de pagamento referentes as rubricas da folha de pagamento. Para fins de atendimento da diligência informo que o período discutido da decadência é 01/2002 a 11/2011. Diante do exposto converto o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam levantados os débitos de contribuição previdenciária declarados no período de janeiro a novembro de 2002, e respectivos recolhimentos. Em seguida, seja elaborado relatório conclusivo, com abertura de prazo de trinta dias para manifestação das partes. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 938DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.002249/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM INFORMAÇÕES DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Em caso de auto de infração, os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos praticados nesta fase. A legislação estabelece, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibi-los às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). O momento oportuno para o contribuinte se manifestar contra a validade das provas obtidas pela fiscalização é a impugnação da exigência, com o que se inicia o processo administrativo. Somente então é que se pode falar em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS E PERTINÊNCIA.
O pedido de perícia deve seguir as exigências do 16 do Decreto 70.235/1972. A perícia não tem como função principal servir de defesa do contribuinte, mas antes auxiliar o convencimento do julgador quando neste é gerada alguma dúvida em face dos documentos e argumentos trazidos aos autos pelas partes. É ônus das partes trazer aos autos documentos e argumentos capazes de gerar tal dúvida, sem a qual a perícia pode sim ser indeferida.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO BASEADO EM NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELO CONTRIBUINTE E EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Não sendo a empresa capaz de infirmar informações oficiais prestadas por terceiros e havendo na legislação autorização para a presunção de omissão de receitas, caberia à contribuinte fazer prova de que tais receitas não foram por ela auferidas.
OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA.
O lançamento por omissão de receitas não autoriza, por si só, a qualificação da multa de ofício, sendo necessário indicar especificamente o ato ilícito praticado pelo contribuinte que deu ensejo à exasperação da penalidade. Súmulas CARF 14 e 25.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-002.189
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para tão somente reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM INFORMAÇÕES DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Em caso de auto de infração, os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos praticados nesta fase. A legislação estabelece, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibi-los às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). O momento oportuno para o contribuinte se manifestar contra a validade das provas obtidas pela fiscalização é a impugnação da exigência, com o que se inicia o processo administrativo. Somente então é que se pode falar em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS E PERTINÊNCIA. O pedido de perícia deve seguir as exigências do 16 do Decreto 70.235/1972. A perícia não tem como função principal servir de defesa do contribuinte, mas antes auxiliar o convencimento do julgador quando neste é gerada alguma dúvida em face dos documentos e argumentos trazidos aos autos pelas partes. É ônus das partes trazer aos autos documentos e argumentos capazes de gerar tal dúvida, sem a qual a perícia pode sim ser indeferida. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO BASEADO EM NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELO CONTRIBUINTE E EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não sendo a empresa capaz de infirmar informações oficiais prestadas por terceiros e havendo na legislação autorização para a presunção de omissão de receitas, caberia à contribuinte fazer prova de que tais receitas não foram por ela auferidas. OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. O lançamento por omissão de receitas não autoriza, por si só, a qualificação da multa de ofício, sendo necessário indicar especificamente o ato ilícito praticado pelo contribuinte que deu ensejo à exasperação da penalidade. Súmulas CARF 14 e 25. Recurso Voluntário Provido em Parte
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AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM INFORMAÇÕES DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Em caso de auto de infração, os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos praticados nesta fase. A legislação estabelece, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibilos às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). O momento oportuno para o contribuinte se manifestar contra a validade das provas obtidas pela fiscalização é a impugnação da exigência, com o que se inicia o processo administrativo. Somente então é que se pode falar em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS E PERTINÊNCIA. O pedido de perícia deve seguir as exigências do 16 do Decreto 70.235/1972. A perícia não tem como função principal servir de defesa do contribuinte, mas antes auxiliar o convencimento do julgador quando neste é gerada alguma dúvida em face dos documentos e argumentos trazidos aos autos pelas partes. É ônus das partes trazer aos autos documentos e argumentos capazes de gerar tal dúvida, sem a qual a perícia pode sim ser indeferida. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO BASEADO EM NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELO CONTRIBUINTE E EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 22 49 /2 00 8- 25 Fl. 593DF CARF MF 2 Não sendo a empresa capaz de infirmar informações oficiais prestadas por terceiros e havendo na legislação autorização para a presunção de omissão de receitas, caberia à contribuinte fazer prova de que tais receitas não foram por ela auferidas. OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. O lançamento por omissão de receitas não autoriza, por si só, a qualificação da multa de ofício, sendo necessário indicar especificamente o ato ilícito praticado pelo contribuinte que deu ensejo à exasperação da penalidade. Súmulas CARF 14 e 25. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para tão somente reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10315.002249/200825 Acórdão n.º 1401002.189 S1C4T1 Fl. 594 3 Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL no regime de lucro presumido, por alegada omissão de receitas da atividade, acrescidos de multa de 150% e juros SELIC. A fundamentação legal indicada foram o artigo 528 do RIR/99 para o IRPJ e os artigos 22 da Lei 10.684/03 e 37 da Lei no 10.637/02 para a CSLL (fls. 319 e seguintes). O Relatório Fiscal de fls. 310 e o Termo de Constatação Fiscal de fls. 293 315 observam que, da análise das informações contidas nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF apresentadas por diversas pessoas jurídicas (em sua maioria Prefeituras), ficou comprovado que o contribuinte auferiu receitas nos anoscalendário de 2004 a 2007 as quais não foram declaradas ou foram declaradas a menor nas DCTFs apresentadas. Não há indicação expressa dos motivos que levaram à qualificação da multa. Impugnada a autuação, em 18 de março de 2009 a Delegacia Da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE manteve o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado, o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Tomase como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em acórdãos do Conselho de Contribuintes ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. ARROLAMENTO DE BENS. A partir do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n° 1.976, a Receita Federal deixou de exigir o arrolamento de bens como condição para o ingresso do recurso voluntário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. 1. O procedimento de formalização do Processo de Representação Fiscal para Fins Penais juntamente com o de formalização da exigência tributária encontrase devidamente aparado pela legislação tributária vigente. 2. Não se vislumbra que a existência da representação penal possa causar constrangimento à defesa, haja vista que a comunicação ao Ministério Público Fl. 595DF CARF MF 4 somente ocorre após o encerramento do litígio administrativo, sem o correspondente pagamento do tributo devido. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 20042005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO NÃO EFETIVADO. Descabidos os argumentos da defesa contra o arbitramento do lucro, quando não foi essa a forma de apuração do imposto adotada no lançamento. VALORES APURADOS COM BASE NA DIRF. Os dados constantes nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, apresentadas por diversas fontes pagadores, são, até prova em contrário, hábeis para comprovar os valores nelas contidos. Lançamento Procedente Intimada em 31 de março de 2009 (AR de fl. 527) , a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28 de abril de 2009, alegando, em síntese, a nulidade do auto de infração, pelas seguintes razões: insurgese quanto ao indeferimento do pedido de perícia. alega cerceamento do direito de defesa, já que todo procedimento fiscal foi baseado tão somente em informações fiscais fornecidas por diversas pessoas jurídicas e por ofício do Tribunal de Contas do Estado do Pernambuco, sem, contudo, o agente Autuante verificar em nenhum momento a consistência de tais dados ou intimar a contribuinte para se manifestar sobre eles. sustenta que "a não apresentação dos documentos instados em termo de intimação, deveriam de pronto ser lavrado um auto de infração por embaraço à fiscalização, não por omissão de vendas, dado a inexistência de prova contundente de omissão de receita". defende a desnecessidade e inconstitucionalidade de arrolamento de bens como forma de impedir o acesso ao recurso sustenta a desnecessidade da representação fiscal para fins penais, tendo em vista que o processo penal no caso de crime contra a ordem tributária só deve ter andamento após a conclusão do procedimento administrativo tributário. afirma, por fim, que "jamais a autuação poderia ser aplicada, com base em lucro arbitrado, e/ou embasado em informações, digase de passagem, sem sustentabilidade, vez que as informações cedidas não condizem com a realidade dos fatos, portanto, não restou provado a efetiva venda dos serviços, e o conseqüente fato gerador do tributo, débito autuado gerado de uma informação de terceiros, que a autuada não teve sequer o direito de prestar esclarecimentos a cerca dos mesmos." Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10315.002249/200825 Acórdão n.º 1401002.189 S1C4T1 Fl. 595 5 Recebi o processo em distribuição realizada em 21 de setembro de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminarmente, a Recorrente sustenta a nulidade do auto de infração em razão do indeferimento do pedido de perícia. Neste ponto deve ser mantida a decisão recorrida já que, além de o pedido não ter seguido as exigências do 16 do Decreto 70.235/1972, a perícia não tem como função principal servir de defesa do contribuinte, mas antes auxiliar o convencimento do julgador quando neste é gerada alguma dúvida em face dos documentos e argumentos trazidos aos autos pelas partes. Em outras palavras, é ônus das partes trazer aos autos documentos e argumentos capazes de gerar tal dúvida, sem a qual a perícia pode sim ser indeferida. O contribuinte também sustenta a nulidade do auto de infração eis que este teria sido baseado em informações de terceiros, sem que ela tivesse tido a oportunidade de se manifestar sobre tais dados. O Relatório Fiscal de fls. 310 assim descreve a condução do procedimento fiscal (grifos nossos): (...) 2. Em 28/03/2008 foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal MPF autorizando a fiscalização do IRPJ no período de apuração de 01/2005 a 12/2005. Vide folha 010. 3. Em 13/06/2008 foi lavrado TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL no qual o contribuinte foi intimado a apresentar diversos livros e documentos. Vide folha 011. 4. Em 29/07/2008 o contribuinte solicitou dilação do prazo para apresentação da documentação solicitada pela fiscalização. Vide folha 013. 5. Em 13/08/2008 o contribuinte apresentou parte da documentação solicitada. 6. Em 10/10/2008, à vista da documentação encaminhada através do ofício n° 184/2005, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, foi lavrada representação solicitando ampliação do período a ser fiscalizado. Vide folhas 16 a 45. 7. Em 20/10/2008 foi lavrado TERMO DE CIÊNCIA E DE CONTINUAÇÃO DE PROCEDIMENTOS FISCAL (fl. 46) para cientificar o contribuinte da inclusão de novos períodos de Fl. 597DF CARF MF 6 apuração, abrangendo a ação fiscal os anoscalendário 2004 a 2007. 8. Em 22/10/2008 foi lavrado TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL (fl. 48) no qual o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores creditados nas suas contas bancárias. 9. Em 31/10/2008 o contribuinte solicitou dilação do prazo para apresentação de resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO acima referido. Vide folha 055. 10. Em 03/11/2008 foi lavrado TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL (fl. 56) no qual o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão. 11. Em 10/11/2008 o contribuinte apresentou resposta (fl. 58) ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL lavrado em 03/11/2008, informando que não escriturou os livros Diário e Razão. 12. Em 26/11/2008 o contribuinte apresentou resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL lavrado em 22/10/2008, informando a origem dos valores depositados em suas contas bancárias. Vide folhas 59 a 62. 13. Em 08/12/2008 foi lavrado TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL no qual ficou constatado que diversas fontes pagadoras informaram, em suas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, pagamento de rendimentos tributáveis ao contribuinte. Vide folhas 260 a 282. Da análise dos documentos acostados aos autos e referidos no trecho do Relatório Fiscal acima transcrito notase que (i) a documentação encaminhada através do ofício n° 184/2005, mencionada no item 6 acima, consiste em diversas notas fiscais de serviços emitidas pela própria Recorrente no anocalendário de 2004, durante o qual ela apresentou DCTFs com valores de débito zerados; (ii) intimada a se manifestar sobre valores depositados em suas contas correntes bancárias no ano de 2005, nos termos do item 12 acima, a Recorrente apresentou resposta à intimação na qual explica especificamente a origem de alguns depósitos (em geral os de menor valor), informa genericamente que alguns eram depósitos efetuados por prefeitura Municipais relativos a serviços prestados a estas e silencia quanto a diversos depósitos (em geral os de maior valor) embora alguns dos depósitos tivessem valor superior a 100 mil reais, a DCTF apresentada pela Recorrente referente a 2005 contemplou débitos de IRPJ e CSLL que somados não chegam a 15 mil reais. De fato, a Recorrente não foi intimada a se manifestar sobre os valores constantes das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras nos anos de 2004 a 2007, nem lhe foi solicitada a apresentação de qualquer outro documento relativo aos anos calendário de 2006 e 2007 à exceção dos livros Diário e Razão (os quais a Recorrente informou não ter escriturado). A questão é se tal intimação seria realmente necessária, ou seja, se as provas utilizadas pela autoridade fiscal para a lavratura do auto de infração devem ser produzidas em contraditório. Entendo que a resposta é negativa. O procedimento fiscal é, inicialmente, inquisitório, havendo, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10315.002249/200825 Acórdão n.º 1401002.189 S1C4T1 Fl. 596 7 os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibilos às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). Assim, no caso de autuação fiscal, o dito processo administrativo procedimento em contraditório apenas tem início com a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Tanto é que o artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972 apenas menciona haver cerceamento ao direito de defesa quanto a despachos e decisões proferidos, não quanto a autos de infração. Por óbvio, os autos de infração não podem ser lavrados ao bel prazer das autoridades fiscais e há um regramento a ser seguido, conforme garante os artigos 194 e seguintes do CTN (e que atualmente consta do Decreto 70.235/1972), mas não há que se falar propriamente em garantia de contraditório e ampla defesa nesta fase essencialmente inquisitória. Neste aspecto a decisão da DRJ é irretocável, razão pela qual me permito reproduzir os pertinentes trechos: Sobre o assunto cabe esclarecer que, conforme lição de James Marins, em Direito Processual Tributário Brasileiro, Editora Dialética, 2001, p.252, "ocorrem no âmbito administrativofiscal três momentos ontologicamente distintos: 1. procedimento preparatório do ato de lançamento tributário; 2. ato de lançamento; e 3. processo de julgamento da lide fiscal". "A primeira etapa, sempre que não implique pretensão ou sanção tributária, não tem caráter propriamente processual, senão que regula o procedimento administrativo enquanto iter preparatório para a prática do ato de lançamento. A expressão comumente utilizada — `procedimento de lançamento" — é a contração imperfeita da dicção `procedimento fiscal preparatório do ato de lançamento" e tem origem na defeituosa redação do art. 142 do CTN, que não distingue entre o ato de lançamento e o procedimento administrativo que freqüentemente lhe precede". Essa primeira fase, embora normalmente preceda à constituição de oficio do crédito tributário, pode, em determinadas situações, se revelar prescindível. Isso porque, desde que a administração fiscal já disponha dos dados necessários à constituição do crédito tributário, não faz sentido a realização de procedimentos de diligência, com o intuito de apurar fatos que já são de conhecimento do fisco. Assim, o ato de lançamento pode ocorrer sem qualquer procedimento anterior, quando a administração fiscal já dispuser de informações suficientes para configuração do fato imponível. O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. Daí porque, nessa etapa não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há, ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. Fl. 599DF CARF MF 8 O segundo momento corresponde ao ato administrativo do lançamento com o objetivo de constituir o crédito tributário, conforme definido no art. 142 do CTN. "Com a notificação de lançamento se oportuniza formalmente ao contribuinte a impugnação à pretensão fiscal, com o que se dispara a etapa propriamente litigiosa da relação administrativa, modificando o regime jurídico incidente sobre a atividade do órgão fazendário que passa a laborar sob o influxo das garantias constitucionais do processo administrativo de julgamento."' Uma vez questionada tempestivamente a exigência pelo sujeito passivo, configurase o litígio na esfera administrativa. Iniciase, assim, a terceira etapa acima indicada, que corresponde ao processo administrativofiscal propriamente dito. Desta forma, no presente caso, os argumentos da defesa somente fariam sentido se ele não tivesse sido devidamente cientificado do presente lançamento e/ou não tivesse tido acesso às provas que lhe dão sustentação, o que não ocorreu no caso em análise. O momento oportuno para o contribuinte se manifestar contra a validade das provas obtidas, pela fiscalização (notas fiscais e DIRFs fornecidos por prefeituras) é na presente fase processual, por intermédio do ato de impugnação da exigência. Portanto, considerandose que as alegações do impugnante se referem à suposta falta de intimação durante a fase procedimental, e não na presente fase processual, não há como acolher a tese de nulidade por transgressão aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, e do due process of law. Importante observar que a situação seria outra fosse o caso de o processo administrativo ter sido iniciado pelo próprio contribuinte, como ocorre nos pedidos de restituição e compensação de tributos (PER/DCOMP). É que aí não há fase inquisitória e o contraditório e a ampla defesa devem ser garantidos de plano, eis que o procedimento já se inicia sob a forma de processo administrativo. Mas não é o caso dos autos. Não há, portanto, qualquer vício de nulidade no auto de infração em questão. No mérito, a contribuinte inicialmente alega que a não apresentação dos documentos instados em termo de intimação deveria gerar a lavratura de auto de infração por embaraço à fiscalização e não por omissão de vendas, dado a inexistência de prova contundente de omissão de receita. Neste ponto há uma certa confusão de institutos, já que o termo de embaraço à fiscalização e a lavratura de auto de infração por omissão de receitas não são atos contrapostos, pelo contrário, podem coexistir em um mesmo procedimento fiscal já que suas hipóteses de aplicação são bem diferentes. O termo de embaraço à fiscalização deve ser lavrado diante da negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública. Sua lavratura autoriza a adoção de providências como a inclusão do contribuinte em regime especial de fiscalização e o agravamento da multa imposta no auto de infração, conforme previsto por exemplo nos artigos 33, §5o e 44, §2o, da Lei 9.430/1996. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10315.002249/200825 Acórdão n.º 1401002.189 S1C4T1 Fl. 597 9 Já o lançamento por omissão de receitas está previsto para hipóteses como: (i) "falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada" (art. 40 da Lei 9.430/1996); e (ii) "valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações" (art. 42 da Lei 9.430/1996). Neste caso, o valor da receita omitida é incluído na apuração realizada pelo sujeito passivo, conforme ele tenha escolhido pelo regime de lucro real ou presumido. No caso, considerando que a contribuinte respondeu às intimações (informando, por exemplo, não ter escriturado os livros), não era mesmo o caso de lavratura de termo de embaraço à fiscalização. Por outro lado, em tendo sido identificadas receitas que não constaram da apuração fiscal da contribuinte, correta a inclusão de tais valores omitidos na base de cálculo utilizada para o lançamento dos tributos conforme procedeu a autoridade autuante. Observo que não procede a alegação da Recorrente de que ela deveria ter sido intimada para, em 5 dias úteis, "fazer as escritas fiscal e contábil", e caso não cumprisse, estaria caracterizada uma infração por descumprimento de obrigação acessória, e outra de embaraço à fiscalização. Não há tal previsão na legislação e, conforme apontou a decisão recorrida, não houve arbitramento do lucro da pessoa jurídica mas tão somente lançamento por omissão de receitas. Quanto à alegação de desnecessidade e inconstitucionalidade de arrolamento de bens como forma de impedir o acesso ao recurso, esta também resta vazia de aplicação já que, também conforme apontou a decisão recorrida, não há registro nos autos de qualquer ato da autoridade local de que tenham sido arrolados bens do sujeito passivo. No mérito, também não procede a afirmação da Recorrente de que "jamais a autuação poderia ser aplicada, com base em lucro arbitrado, e/ou embasado em informações, digase de passagem, sem sustentabilidade, vez que as informações cedidas não condizem com a realidade dos fatos, portanto, não restou provado a efetiva venda dos serviços, e o conseqüente fato gerador do tributo, débito autuado gerado de uma informação de terceiros, que a autuada não teve sequer o direito de prestar esclarecimentos a cerca dos mesmos." Como já observado, não se tratou de autuação com base no lucro arbitrado mas apenas de inclusão das receitas omitidas na base de cálculo adotada pela própria Recorrente. Sendo a hipótese de arbitramento medida extrema, a ser adotada apenas nos casos expressamente previstos na legislação, entendo por acertada a conduta da autoridade fiscal autuante de, uma vez identificadas receitas omitidas, incluílas na apuração dos tributos efetuada pela própria pessoa jurídica. Ademais, o lançamento foi baseado tanto em notas fiscais emitidas pela Recorrente (no caso do ano calendário de 2004), em lançamentos constantes de contas correntes bancárias da própria Recorrente para os quais esta não apresentou justificativa (caso do ano calendário de 2005), bem como, para todos os períodos, em informações oficiais prestadas por terceiros as quais a Recorrente não foi capaz de infirmar. Diante das robustas provas constantes dos autos, era ônus da Recorrente fazer prova de que tais receitas não foram por ela auferidas, o que não ocorreu. Fl. 601DF CARF MF 10 Assim, entendo que no mérito o auto de infração também deve ser mantido. Por fim, sobre a alegação da Recorrente de que a representação fiscal para fins penais seria desnecessária tendo em vista que o processo penal no caso de crime contra a ordem tributária só deve ter andamento após a conclusão do procedimento administrativo tributário, são igualmente insubsistentes os seus argumentos. Isso porque a formalização da representação fiscal para fins penais está prevista na legislação vigente e, enquanto durar o contencioso administrativo, tal representação não será encaminhada ao Ministério Público, o que afasta de vez qualquer possibilidade de constrangimento do autuado. Não obstante, entendo que, no caso, não há base fática para a imposição da representação fiscal para fins penais nem, por consequência, do agravamento da multa. Isso porque nem o auto de infração nem os relatórios que o acompanham indicam especificamente os fatos que levaram à formalização da representação fiscal para fins penais e a consequente imposição de multa. Sobre a questão, as únicas palavras do Relatório Fiscal são as seguintes: 29. Atendendo ao disposto no art. 1o da portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005, será formalizada representação fiscal para fins penais. 30. Cabe ressaltar que no período abrangido pela ação fiscal (Janeiro/2004 a dezembro/2007) o contribuinte alterou o nome empresarial em duas ocasiões. A última alteração ocorreu em 0411212008, passando o nome empresarial de "RIPAX SERVIÇOS DE MÃO DE OBRAS LIDA.", para "FLAMAX SERVIÇOS DE MÃO DE OBRAS LTDA."Vide folhas 284 a 285. O artigo 1o da Portaria SRF 326/2005 referida no Relatório Fiscal assim dispõe: Art. 1º Os AuditoresFiscais da Receita Federal deverão formalizar representação fiscal para fins penais, perante o Delegado ou Inspetor da Receita Federal responsável pelo controle do processo administrativofiscal, sempre que no curso de ação fiscal identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no art. 1º ou 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, ou no art. 334 do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal. Como visto, apenas se cita a legislação, sem indicar o ato praticado pelo contribuinte que se subsumiria a tal hipótese geral e abstrata. É provável que a autoridade autuante tenha entendido que era o caso de lavrar a representação fiscal para fins penais e impor a exasperação da multa em razão da reiteração de omissão de receitas, já que esta foi identificada por pelo menos 4 anos seguidos. Mas fato é que não o fez expressamente, o que impediu a específica defesa por parte do contribuinte. Da forma como veio a autuação, a Recorrente apenas se defendeu genericamente de tal representação, visto que tal ônus lhe foi imposto também apenas genericamente. As súmulas editadas por este CARF corroboram o entendimento de que o lançamento por omissão de receitas não autoriza, por si só, a qualificação da multa de ofício, sendo necessário indicar especificamente o ato ilícito praticado pelo contribuinte que deu ensejo a tal penalidade. Vejase: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10315.002249/200825 Acórdão n.º 1401002.189 S1C4T1 Fl. 598 11 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, entendo que a multa deve ser aplicada no percentual de 75%. Ante o exposto, oriento meu voto para rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, julgar parcialmente procedente o recurso, reduzindo a multa ao percentual de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 603DF CARF MF
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Numero do processo: 14033.000211/2007-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
COFINS RETIDA NA FONTE. COMPENSAÇÃO.
Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos administrados pela RFB.
Numero da decisão: 9303-006.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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REQUISITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DATAPREV EMPRESA DE TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 COFINS RETIDA NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos administrados pela RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 11 /2 00 7- 54 Fl. 224DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contribuinte contra o Acórdão nº 320100.611, de 09/10/2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra a possibilidade de compensação da Cofins retida na fonte em dezembro de 2003 com débito da mesma contribuição referente ao mês de janeiro de 2004. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 1805 00013. Intimada da decisão e do exame de admissibilidade do recurso da PFN (fl. 207/209), a contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Para melhor apreciar a matéria, passamos a reproduzir os esclarecimentos oferecidos pela contribuinte em resposta à DRF de origem: Fl. 225DF CARF MF Processo nº 14033.000211/200754 Acórdão n.º 9303006.276 CSRFT3 Fl. 225 3 A contribuinte, pois, compensou parte dos valores da Cofins retidos por órgãos públicos em dezembro de 2003 com a mesma contribuição devida no mesmo período de apuração (vencimento em 15/01/2004). O litígio ora em exame diz apenas com a compensação do saldo daí remanescente com a Cofins devida em janeiro de 2004 (vencimento em 15/02/2004), do qual, aliás, restou um saldo, em valor bem inferior, a ser utilizado no mês seguinte. Os demonstrativos de fls. 77 a 79 melhor elucidam a questão. Percebase que, não obstante estejamos tratando da Cofins retida por órgãos públicos, o acórdão paradigma, que versa sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, enfrenta a mesma matéria, daí o necessário conhecimento do recurso especial: a impossibilidade de compensar diretamente os valores retidos na fonte em períodos de apuração seguintes, mas apenas com o devido dentro do mesmo período de apuração. No caso do IRPJ, como sabemos, há uma modificação do status jurídico do valor retido, uma vez que, se o foi em montante superior ao devido no período, a sua natureza passa a ser de imposto a restituir, não mais de imposto retido na fonte. A sistemática que envolve as contribuições sociais é semelhante. Havendo a retenção em valores superiores à Cofins devida num determinado período, o saldo remanescente pode ser utilizado para compensar a contribuição devida no mês seguinte. Contudo, não mais com o status de Cofins retida na fonte. Vejam, a respeito, a seguinte orientação extraída do sítio eletrônico da própria RFB (http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/restituicaoressarcimento reembolsoecompensacao/restituicao/contribuicaopispasepcofinsretidasfonte, consulta em 22/01/2018): Fl. 226DF CARF MF 4 Orientações Gerais Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas Contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos administrados pela RFB. Fica configurada a impossibilidade da dedução quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. Nesse sentido, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados no respectivo mês. A restituição poderá ser requerida à RFB a partir do mês subsequente àquele em que ficar caracterizada a impossibilidade de dedução mediante a apresentação do formulário Pedido de Restituição ou de Ressarcimento. Portanto, não vemos empecilho à compensação pleiteada pela contribuinte. A partir da Medida Provisória MP nº 66, de 2002, era de fato necessária a entrega da DCOMP para realizar a compensação, tal como, aliás, orientou a CAC do Catete/RJ. E, como visto, o valor levado à compensação com a Cofins devida em janeiro de 2004 foi o que resultou da compensação do valor retido com o devido no próprio mês de dezembro de 2003. Não houve, portanto, conforme comprovam os valores declarados, a compensação de todo o valor retido em dezembro de 2003 com o devido no mês seguinte, sem a redução do montante apurado no mês anterior. Ante o exposto, conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.000895/2003-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 04/04/2003
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP.
É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega, uma vez transcorrido o quinquídio legal, entre a data de apresentação do PER/DCOMP e a sua detida análise, opera-se a homologação tácita.
Numero da decisão: 3001-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 04/04/2003 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega, uma vez transcorrido o quinquídio legal, entre a data de apresentação do PER/DCOMP e a sua detida análise, opera-se a homologação tácita.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega, uma vez transcorrido o quinquídio legal, entre a data de apresentação do PER/DCOMP e a sua detida análise, operase a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 08 95 /2 00 3- 01 Fl. 578DF CARF MF 2 Despacho Decisório 0 contribuinte CERAMUS BAHIA S/A pretende utilizar créditos cedidos por NITRIF'LEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. A sociedade empresária Nitriflex S. A . Comércio e Indústria ajuizou em 21 de julho de 1998 junto a 4a• Vara Federal da Seção Judiciária de São João de Menti RJ a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) n° 98.00166580 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de 1PI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) dos últimos 10 (dez) anos referente As aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados A aliquota zero que, por sua vez foram utilizados na fabricação de resinas e borrachas, produtos finais efetivamente tributados em relação A referida exação tributária, bem como o seu direito de compensálo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão judicial favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.00166580 somente lhe permitia utilizar o seu crédito decorrente do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) com débitos relativos a este mesmo imposto, a sociedade empresária Nitriflex S. A . Comércio e Indústria impetrou junto A. 5a. Vara Federal de São Joao de Menti RJ um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.51100010250, este visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n° 41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. Observe que a coisa julgada formada no Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250 nada tem a ver com a coisa julgada formada no Mandado de Segurança n° 98.00166580, pois enquanto que aquele, o de número 2001.51.10.0010250, tem como objeto a declaração de que a sociedade empresária Nitriflex S. A Comércio e Indústria pode ceder seu crédito a terceiros para utilização em compensação tributária, este, o de número 98.00166580, tem como objeto o reconhecimento do direito ao crédito prêmio do IPI relativo As aquisições de insumos dos últimos 10 (dez) anos. Por conta do crédito que lhe foi reconhecido tanto pelo Judiciário como administrativamente, a sociedade empresária Nitriflex S. A. Comércio e Indústria realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso, cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros sendo que em alguns casos as compensações foram não homologadas. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 579 3 Acontece, que após a sociedade empresária Nitriflex S. A' . Comércio e Indústria já ter se utilizado de grande parte do seu crédito, a Procuradoria da Fazenda Nacional ajuizou junto a 19a. Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.00166580 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que a uma vez que houve mudança no tocante período sobre o Qual recaiu o direito ao credito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito em comento. Certamente, o Tribunal entendeu que na sentença rescindenda foi reconhecido direito já prescrito, situação em que ficaria caracterizada violação literal de disposição em lei a que se refere o inciso V do artigo 485 do Código de Processo Civil, Lei n° 5.869, de 11.01.1973, publicada no DOU de 17.01.1973. Após ser proferida a sentença da ação rescisória supracitada, a sociedade empresária Nitriflex S. A. Comércio e Indústria pretendeu habilitar o seu crédito junto A Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias. Por sua vez, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) desta Delegacia da Receita Federal exarou o Despacho Decisório n° 70/2005 no sentido de indeferilo com fulcro no artigo 3 0 da IN/SRF n° 517, de 25 de fevereiro de 2005 vigente na época o que o pedido de habilitação foi formalizado. Inconformado, o interessado impetrou Mandado de segurança sob o n° 2005.51.10.0026900, com pedido de liminar, pretendendo afastar os efeitos do despacho decisório n°70/2005. Indeferido o pedido de liminar, o impetrante interpôs Agravo de Instrumento, sob o número n° 2005.02.01.0060450, obtendo decisão do TRF da r Regido, cientificada através do Mandado de Intimação n° MAN.1003.0004614/2005, que determinou A. autoridade administrativa a suspensão do despacho decisório n°70/2005, para que a agravante possa utilizar o crédito de WI homologado no processo administrativo 10735.000001/9918, em conformidade com a decisão transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança n° 98.00166580. A decisão foi cumprida e o crédito foi habilitado, porém, posteriormente A decisão do agravo, sobreveio a sentença que julgou improcedente o pedido e denegou a segurança. Ou seja, atualmente continua em vigor a decisão proferida através do despacho decisório n° 70/2005 constante do processo de habilitação 13746.0001911200551 que opta pelo INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE HABILITACAO. Em vista do ocorrido e face A dificuldade encontrada para desabilitar o crédito no sistema CPERDCOMP , formulouse consulta ao Sisco, questionando a CORAT sobre que Fl. 580DF CARF MF 4 procedimento adotar para desabilitar um crédito no sistema CPERDCOMP, de modo a impedir a transmissão de DCOMP. A resposta esclarece que não há previsão para desabilitar o crédito, sendo responsabilidade da unidade que o desabilitou acompanhar o comportamento do contribuinte e considerar nit) declaradas as DCOMP's vinculadas ao processo de habilitação. Resumindo, até a presente data não há a possibilidade dos créditos constantes do processo 10735.000001/9818 serem utilizados pelo contribuinte em virtude da não ocorrência do transito em julgado e, conseqüentemente, da impossibilidade de habilitação do suposto crédito. Quaisquer DECOMPs apresentadas com base no processo de habilitação 13746.0001911200551 devem ser consideradas não declaradas. Quanto à necessidade de habilitação, vale frisar que este 6 o entendimento também de outras unidades da Receita Federal, como pode ser observado nos exemplos a seguir: • Solução de Consulta interna n°3 COSIT "Sempre que o credito for oriundo de decisão judicial transitada em julgado, fazse necessária sua prévia habilitação nos termos do art. 51 da IN SRF n2 600, de 2005, para que este crédito possa ser utilizado em Declaração de Compensação, em Pedido Eletrônico de Restituição e em Pedido Eletrônico de Ressarcimento." • Despacho Decisório 48SRRF/9RF/DISIT "Os créditos oriundos de decisão judicial transitada em julgado poderão ser utilizados para compensar débitos próprios, vencidos ou vincendos, de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que previamente habilitados vela Delegacia da Receita do Brasil de domicilio do contribuinte." Na verdade o ponto nevrálgico do caso sob análise repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela sociedade empresária Nitriflex S. A . Comércio e Indústria, pois numa época em que não havia lei, mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança (MS) n° 2001.51100010250 reconhecendo o seu direito de cedelo a terceiro para utilização em compensação tributária. Ocorre que, antes que a declaração de compensação sob análise fosse entregue à Secretaria da Receita Federal, o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 sofreu alteração que lhe foi introduzida pelo artigo 49 da MP n° 66, de 29.08/2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002, no sentido de que os créditos do sujeito passivo podem ser utilizados para compensar débitos tributários próprios. Vejamos a nova redação do mencionado dispositivo legal: "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal ,p assível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 580 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgclo."(gnfei) . Ao dispor que o crédito do sujeito passivo pode ser utilizado para compensar débitos tributários próprios, a nova norma contida no caput do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 acabou por vedar a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro. Provocada a se pronunciar sobre o assunto, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/66 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. Segundo o entendimento esposado no parecer da PSFN/Nova Iguaçu RJ, quando o Mandado de Segurança (MS) n° 2001.51100010250 foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 4112000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ainda de acordo com o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, somente os pedidos de compensacão tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicacao da Medida Provisória n° 66/02 convertida na Lei n° 10.637/02 é que estão amParados pelo MS n° 2000.51100010250 e, desta forma, somente naaueles pedidos é aue node ser utilizado crédito cedido Dela sociedade empresária Ni riflex S.A. Vamos transcrever, "ipsis litteris", a parte principal do parecer da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu — Ri: "A questão posta na presente consulta reside no fato de se investigar se a decisão judicial transitada em julgado continua surtir seus efeitos, não obstante o advento de novas regras jurídicas acerca da compensação que, como evidente, não foram objeto daquele mandamus. Com efeito, quando ajuizado o MS 2001.51100010250, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo certo que a Lei n° 9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Fl. 582DF CARF MF 6 Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art 49 da MP n° 66/29.08/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002, merecendo destaque a nova redação do art 74: "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgeio."(grifo nosso) Como se extrai do novo texto legal, que foi objeto daquele mandado de segurança, não havendo qualquer manifestação do Colegiado a respeito das novas alterações (até porque necessariamente teriam que ser objeto de nova ação judicial), se antes não havia, hoje há restricdo legal expressa à compensaceto de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, sendo flagrante a alteração da ordem jurídica neste especifico aspecto, o que traz como conseqüências nos efeitos da coisa julgada formada naquele mandado de segurança. Como é sabido, se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. Ora, na hipótese dos autos, porque a lei era omissa a respeito ao tempo do julgamento daquela lide mandamental, entendeu o Tribunal que não poderia a IN restringir o pretenso direito de compensação do contribuinte já que a ordem jurídica não a vedava. • Segundo entendimento daquele Colegiado detinha o contribuinte pleno direito de compensação sem a restrição do art. 1° da IN 41/00. Entretanto, hoje a situação fáticojuridica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. Logo, se ao tempo daquele mandado de segurança inexistia lei expressa sobre o tema, fato que levou o Poder Judiciário a afastar a restrição veiculada por norma infralegal, tendo a decisão judicial transitado em julgado, hoje a ordem jurídica neste aspecto sofreu total reformulação, pelo que cessam os efeitos daquela decisão a partir da vigência do novo regramento jurídico. Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação j urídica sobre a qual a coisa julgada se operou. Ressalvamse, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66,de 29.08.2002, convertida na Lei n° 10.63712002. Registrese: a lei nova não está a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 581 7 com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial . Não há que se falar de violação coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relacionase cis compensações requeridas fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes à coisa julgada. Os novos regramentos jurídicos portanto, tem aplicação imediata, não alcançando as relações jurídicas que lhes são anteriores (pedidos de compensação), mas sim os pedidos apresentados a partir do inicio de sua vigência. Registrese que não há qualquer violação da Administração em relação ao direito de crédito do contribuinte. Este é válido tal qual reconhecido no MS n° 98.0016658O, hoje objeto de ação rescisória, julgada parcialmente procedente. Assim, na esteira da posição já firmada em diversas orientações manifestadas pela Coordenadoria Geral da R epresentação Judicial da Procuradoria da Fazenda Nacional, orienta esta PSFN/Nig. no sentido de que sejam admitidos como válidos e legítimos tãosomente os pedidos de compensação de créditos da NITRIFLEX reconhecidos no MS n° 98.02497398 com débitos de terceiros apresentados sob a égide da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS n° 2000.51100010250 até a edição da MP n° 66/02, convertida na Lei no 10.637/02, quando a coisa julgada deixou de surtir seus efeitos na medida em que reformulou a compensação tributária no âmbito da SRF, passando expressamente a s6 admitir a compensação entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo". De imediato, salientese que não cabe a este analista evocar o inciso XXXVI do artigo 5° da Constituição da República Federativa do Brasil e, bem como o artigo 6° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Decretolei n° 4.657, de 4 de setembro de 1942, no que se refere à coisa julgada, tampouco, manifestar qualquer discordância quanto ao entendimento esposado pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, pois é ela o órgão de consultoria e de assessoramento jurídico no âmbito do Ministério da Fazenda, aí incluídos todos órgãos que lhe estão vinculados, como é caso da Secretaria da Receita Federal, conforme estabelecem o artigo 10 do Regimento Interno daquela Repartição e o artigo 13 da Lei Complementar n° 73/93, abaixo transcritos: Fl. 584DF CARF MF 8 'Art. 10. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, órgão especifico singular do Ministério da Fazenda e de direção superior da AdvocaciaGeral da União, administrativamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, tem por finalidade: Ia VII aomissis". Parágrafo Único. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional desempenha as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e entidades vinculadas, regendose, no desempenho dessas atividades, pela Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993". (o grifo é meu) Assim, neste ato decisório, adoto o entendimento da douta Procuradoria da Fazenda Nacional no sentido de que as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e crédito de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos ou as declarações apresentadas "antes" do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/02. Como no presente caso, as declarações de compensação foram apresentadas após o advento do artigo 49 da Medida Provisória 66, de 29.08.2002, posteriormente, convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02, as compensações por meio dela declaradas Igo podem ser homologadas. Além disso, não se pode esquecer que o crédito não foi habilitado junto h Secretaria da Receita Federal, nem mesmo após a sociedade empresária Nitriflex S. A . Comércio e Indústria ter recorrido ao Poder Judiciário. III — CONCLUSÃO Por todo o exposto, proponho seja considerada NÃO HOMOLOGADA a compensação pleiteada com base nos artigos, que sejam 170, 165,1 e 168,1 da Lei 5172/66 (CTN), na Lei n° 10.637 de 2002, IN SRF 600/2005, e suas alterações. DESPACHO DECISÓRIO Aprovo o parecer Seort n° 324/2008 para considerar NÃO HOMOLOGADA a compensação relativa ao presente processo, nos termos do art. 170 da Lei n.° 5.172/66, do art. 74 da Lei n.° 9.430/96 alterado pelo art. 49 da Lei n.° 10.637/02, pelo art.17 da Lei ° 10.833/2003 e pelo art. 4° da Lei n° 11.051/2004 disposições da IN SRF n.° 600/2005. Seja dada ciência ao contribuinte do inteiro teor desta decisão. Que seja encaminhado o processo h unidade da Receita Federal do Brasil responsável e seja dada continuidade h cobrança dos débitos em questão e tomadas as demais medidas necessárias nos termos da legislação vigente. Manifestação de Inconformidade Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 582 9 O cerne resumese em não ter sido homologadas as compensações tributárias declaradas pela recorrente com crédito de IPI da Nitriflex S/A Indústria e Comércio. O principal argumento utilizado pela autoridade julgadora para não homologar as compensações é que a coisa julgada do MS 2001.51.10.0010250, por ter —segundo o Fisco— atacado a IN/Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) 41/00, só teria produzido efeitos até 28/08/2002. Na época da ocorrência dos fatos geradores do crédito de IPI (aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, no período de 08/1988 até 07/1998) a legislação permitia a cessão do crédito a terceiros (art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97). A coisa julqada do MS 98.00166580 reconheceu o direito da Nitriflex ao uso, qozo e disposição (propriedade) do crédito de IPI, possibilitando, conseqüentemente, a cessão para terceiros, inclusive para a recorrente pela legislação permissiva. Sustenta a recorrente, portanto, que qualquer limitação ao uso, gozo e disposição do crédito de IPI acarreta a cumulatividade do imposto, não só representada pela impossibilidade à época de utilização do crédito gerado pela operação anterior (entrada) para abatimento do imposto apurado na operação subseqüente (saída), mas também pela impossibilidade de uso, gozo e disposição do crédito para restituição, compensação ou cessão para terceiros. Em ambos os casos, negase o direito constitucional ao crédito reconhecido por coisa iulgada. DRJ/JFA A manifestação de inconformidade teve a seguinte ementa: Acórdão n° 0922.649 3a Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 04/04/2003 a 04/04/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1.Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2.As compensações declaradas a partir de 1 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. E descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1' de outubro de 2002, pretensão essa fundada em Fl. 586DF CARF MF 10 decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/04/2003 a 04/04/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Ndo cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Compensação Homologada Relatório A empresa Nitriflex S A Indústria e Comércio apresentou o requerimento de fls. débito nele apontado, no valor total de R$ 54.502,70, com créditos de terceiros, pertencentes a Nitriflex S A e constantes do processo administrativo n° 13746.000533/200117. 0 Parecer Seort n° 324, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 11/17), ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que: A Nitriflex S A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamental (Mandado de Segurançça) n° 98.00166580 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados à aliquota zero ..., bem como seu direito de 'compensálo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo TriBunal Regional Federal da Segunda Regido. Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.00166580 somente lhe permitia utilizar o seu crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitriflex S A Indústria e Comércio impetrou junto a 50 Vara Federal de Sao João de Menti — RI um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.51100010250, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n° 41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 583 11 ... a sociedade empresária Nitriflex S A ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros... ... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.00166580 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto a Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. 0 pedido de habilitação foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S A buscou na via judicial o reconhecimento do direito A. habilitação do crédito, não obtendo êxito na P instância de julgamento, sendo que a referida ação não transitou em julgado até a presente data. 0 Seort da DRFNova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo n° 13746.000191/200551. 0 Parecer Seort n° 324, de 2008, continua seu relato aduzindo que: ... o ponto nevrálgico ...repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que 01, onde declara haver transmitido créditos para a contribuinte Ceramus Bahia S A, créditos esses que a Nitriflex S A estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0352326 (processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde foi pedido o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação. Utilizandose destes créditos a Ceramus Bahia S A acima qualificada apresentou através de seu procurador (fls.06), o formulário de fls. 02, com o objetivo de compensar o lhe foi cedido pela ... Nitriflex S A ..., pois numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (1N/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado ... reconhecendo o seu direito de cedêlo a terceiro... ...sobre o assunto, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu — RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a Fl. 588DF CARF MF 12 alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250 ... JI duizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa • SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS no 2000.51100010250 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S A. A DRFNova IguaçuRJ, continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado o MS 2001.51.100010250, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n°9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n°66/02, converida na Lei n° 10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorerrem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. ... hoje a situação fáticajurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ...Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvamse, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 584 13 Registrese: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação a coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relacionase as compensações requeridas —fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes a coisa julgada. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PSFN para propor a não homologação da compensação pleiteada. O Despacho Decisório de fls. 17, aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada ciência ao contribuinte e tomadas as demais providências cabíveis. A empresa foi cientificada da não homologação da compensação — Intimação DRF/CCl/SARAC n° 0725/2008 — em11/08/2008. Pelo requerimento de fls. 25/26 e arrazoado de fls. 27/56, o interessado manifestou inconformidade, alegando em síntese que: Não se tratando de hipótese do art. 74, sS' 12, da Lei 9.430/96, requer o processamento da presente com efeito suspensivo, de forma a manter a exigibilidade do crédito tributário ... O MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a aliquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2° Regido que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito à plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a Fl. 590DF CARF MF 14 égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do C7'N e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97 Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.0056758 visando a desconstituktio da coisa julgada produzida no MS 98.00166580. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2° Regido, foram interpostos pela Nitrijlex recursos pendentes de análise, e nab foi condedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos. Desta forma, entende o interessado que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança n(2 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF n' 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juizo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2 Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.00166580. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. Prossegue em seu documento asseverando que : Restou demonstrado ... que, por for0 do principio constitucional da irretroatividade das leis, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros) só produz efeitos com relação a fatos geradores de créditos ocorridos posteriormente à sua entrada em vigor (na pior das hipóteses em 29/08/2002, quando entrou em vigor a MP 66/02), pelo que não pode afetar o crédito de IPI compensado pela recorrente, eis que decorrente de fatos ocorridos entre 08/88 e 07/98. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 585 15 A reclamante transcreve ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realizacdo da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. E segue : Noutro dizer, a E. Corte Superior, legitima interprete da legislação infraconstitucional, fixou o entendimento que o regime jurídico da compensação, em razão das sucessivas mudanças implementadas, fixase pela data do ajuizamento da ação. 0 MS 98.00166580 foi impetrado em 21/07/98 (doc. anexo), pelo que sujeitase o crédito de IPI id pleiteado ao regime jurídico de compensação vigente (I época da impetração (seguindo o entendimento do E. STJ), qual seja aquele previsto no art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97, que permitia a cessão do crédito para terceiro. Improspercivel ainda a argumentação da recorrida de que, com a sentença proferida na ação rescisória 2003.0.01.0056758, teria sido constituído 'novo crédito', o que daria azo a aplicação da IN/SRF 517. Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização, mostrandose equivocada a r .d ecisão atacada. No que tange a ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida". Pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. Recurso Voluntário Declara que a DRFB de Nova Iguaçu/RJ deixou transcorrer mais de 5 (cinco) anos para apreciar a declaração de compensação, não ocorreu a homologação tácita. Crédito de Terceiro Fl. 592DF CARF MF 16 Entendeu também pela legalidade da compensação em razão de ter sido efetuada com crédito de terceiro, observando as decisões judiciais que amparam o direito da Recorrente. Homologação Tácita Argumenta no sentido de o fisco ter prazo para analisar o pedido de compensação efetuado pelo contribuinte. Seguindose o entendimento do V. Acórdão de fls., a DRFB de Nova Iguaçu/RJ poderia aguardar até o ano de 2050 para verificar se a compensação efetuada no ano de 2003 é ou não legal. Absurdo. O pedido de compensação foi efetuado em 04/04/2003, sob a égide do art. 74, § 5° da Lei n.° 9.430/96, e, segundo a tese da recorrente, deve ser reconhecida a ocorrência de homologação tácita da compensação, uma vez que o fisco deixou transcorrer mais de 5 (cinco) anos entre data da entrega da Dcomp e a data da ciência da Recorrente do r. Despacho decisório que a considerou não homologada. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Merece razão a Recorrente. Ao compulsar os eautos, foi possível verificar que o Ped/Dcomp, foi transmitido em abril/2003, sendo que o Despacho Decisório Eletrônico – DDE, , tem data de emissão junho de 2008, transcorrendo, assim, mais de 05 anos entre a declaração da compensação e sua efetiva apreciação. Homologação Tácita da Compensação Declarada Inicialmente, devese replicar o voto vencido, exarado na decisão de primeira instância, vez que salutar ao entendimento da questão: Declaração de Voto 0 juizo majoritário desta turma deuse no sentido de que o lastro do pedido formulado (crédito de terceiros) impedia o seu reconhecimento como declaração de compensação nos moldes do disposto no art.74 da Lei n° 9.430/96, o que levaria ànãoaplicação do prazo de caducidade previsto no §5° deste mesmo artigo (homologação tácita). Devo dissentir de tal linha argumentativa. O art.74 da já citada Lei n° 9.430/96 trouxe a reboque a presença de um ato administrativo que exibiria o juizo da Administração Tributária a respeito das compensações realizadas pelo contribuinte no intuito de extinguir débitos em face da Fazenda Pública. Ou seja, um ato com objeto e motivação perfeitamente delineados. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 586 17 A tal ato, com perfil de despacho decisório por força da Portaria SRF 001/2001, foi atribuído o desdobramento processual previsto nos §§ 9° a 11 do art.74 antes referido, a saber: ,¢ 9 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no .¢ 72, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) ,¢ 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) sç 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) Os dispositivos supra trouxeram uma inovação processual, pois até então não havia previsão legal para que o contribuinte se insurgisse, na trilha do Decreto n° 70.235/72 PAF, contra negativas da Administração em relação a compensações pleiteadas. Quer dizer, antes da vigência da nova redação do art.74, trazida pela MP n° 66/2002, negada total ou parcialmente a compensação pretendida, restava ao contribuinte apenas o caminho do Judiciário ou, a partir da Lei n° 9.784/99, do recurso hierárquico sem efeito suspensivo. Assim, se estamos diante de um despacho decisório que forma juizo de valor acerca da compensação realizada pelo contribuinte no sentido de homologála ou não, e se tal condição não lhe é retirada, ou seja, se permanece o objeto e a motivação do ato, assomase o direito de insurgência na trilha operacional do processo administrativo fiscal PAF. Ai está. 0 direito ao PAF decorre de estarmos tratando de ato de análise de compensação, ato este que, por sua vez, condicionase A. existência de declaração de compensaçãoDcomp, pois somente esse evento faz nascer ato administrativo com tal perfil.Em resumo: o despacho decisório é gestado a partir de uma declaração de compensação, nascedouro único de sua existência. Ora, se o voto in casu da direito ao PAF, isto significa necessariamente a existência de um despacho decisório denegatório que teve como objeto único uma declaração de Fl. 594DF CARF MF 18 compensação, afastandose a admissão de status jurídico outro para o documento que apresenta o confronto débitos versus créditos para fins de extinção de débitos do contribuinte perante a Fazenda Nacional sob condição resolutória. Se há despacho de nãohomologação, e se tal condição jurídica não lhe foi extirpada, o documento de extinção de débitos via compensação terá forçosamente de ser reconhecido como uma Dcomp. Juridicamente outro caminho não se mostra legitimo. Isso posto, cabe em seqüência a indagação: o ato administrativo de não homologação pode a qualquer tempo ser editado pela Administração Tributária? A resposta é negativa. 0 §50 do art.74 da Lei n° 9.430/96 assim dispõe: 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo set6 de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003) 0 prazo estipulado pela lei é decadencial. Caduca em 5 anos o direito de a Fazenda Pública emitir o ato resultante da análise da Dcomp protocolizada. Como se sabe, a decadência é irrenunciável e deve ser conhecida de oficio. o caso do presente processo. Tomou ciência o contribuinte do despacho decisório de negativa de homologação em data posterior àquela em que se completou o qüinqüênio permissivo para formação de juizo de valor por parte da Administração no que diz respeito a compensação realizada. Como vimos, ao reconhecermos a existência do despacho decisório como instrumento de não homologação somos juridicamente forçados a reconhecer a existência de um binômio conseqüente à existência deste ato: o direito de inconformismo pela trilha do PAF— a ser exercido pelo contribuinte e o dever da Administração de analisar a compensação feita no lapso temporal de cinco anos, ao argumento de que deve ser prestigiada a segurança jurídica como principio norteador de nosso ordenamento em sacrificio de um eventual direito daquele que se manteve inerte no que respeita à atuação ou defesa desse direito. Para que possamos legitimamente ignorar a incidência do instituto da homologação tácita (caducidade de análise) devemos necessariamente negar todo o encadeamento de causalidade de que se tratou até aqui: teríamos que negar o PAF, negar a existência de despacho decisório não homologatório e, por fim, negar a existência de uma declaração de compensação, pois ao se aceitar como presente qualquer um deles é forçoso que se aceite a presença dos demais. Afinal, se há PAF há despacho e se há despacho há Dcomp. E, frisese, se há despacho que se verifique sua tempestividade. Em seqüência, e a meu sentir, o parecer PGFN/CAT n° 1499/2005 veio, em realidade, no sentido de marcar o inicio dos efeitos pretendidos pela Lei n° 11.051/2004 que determinou Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 587 19 fossem consideradas nãodeclaradas as compensações que tinham como lastro creditório as hipóteses discriminadas de forma exaustiva. Significa dizer que, a partir da entrada em vigor da lei citada, as petições protocolizadas como Dcomp perderiam esse status caso o crédito oferecido estivesse vinculado aos eventos arrolados nos parágrafos 3° e 12 do art.74 da Lei n° 9.430/96, o que traria a reboque a possibilidade de exigência imediata dos débitos nelas consignados. Usei a expressão "perderiam o status" no entendimento de que a utilização dos meios procedimentais formais imanentes à apresentação de uma declaração de compensação reveste o pedido de tal perfil, sendo que extirpar essa condição jurídica para gerar cobrança imediata dos débitos exige previsão expressa, previsão essa que veio exatamente com a entrada em vigor da nova lei (11.051/2004); não antes. Em suma, se não há vicio procedimental/formal, se houve apresentação eletrônica ou em papel, na forma prevista em lei, de um demonstrativo de extinção de débitos sob condição resolutória por meio de compensação com lastro creditório explicitado no pedido, estamos diante de um ato celebrado em subsunção aos procedimentos previstos para a espécie, possuindo o status denominado "Dcomp" (declaração de compensação). Sob determinadas circunstâncias eleitas taxativamente pelo legislador essa condição é eliminada (compensação não declarada) e sob outras o pedido terá como resultado aquele previsto na lei instituidora das declarações de compensação: o despacho de nãohomologação com direito ao PAF. Mais: alegar que as hipóteses em que se profbe legalmente a compensação autorizam a não conferir a condição de Dcomp para os pedidos formulados não resiste a uma interpretação integrada dos §§ 3° e 12 do art.74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelas leis de n's 10.833/2003 e 11.051/2004. 0 §3° assevera que além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação os eventos que enumera a seguir. E certo que tais eventos foram elencados no §12 como passíveis de retirar do pedido sua condição de Dcomp; mas certo é também que outros eventos cuja utilização como objeto de compensação tiver sido vedada em lei não desconstituem o pedido de seu status de Dcomp e geram, por via de conseqüência, o ato denegatório de nãohomologação da Fl. 596DF CARF MF 20 compensação realizada. Quer dizer, ser proibido por lei não impede que o pedido se aloje na condição de Dcomp. Ser proibido por lei não afasta, por si s6, o ritual do PAF. Ser proibido por lei, mas não perder a condição de declaração de compensação gera, sim, a obrigação para a Administração de observar o lapso de cinco anos para formação de juizo de valor decisório acerca da compensação realizada pelo sujeito passivo. Retomando e fechando o raciocinio:1 .a proibição legal da compensação não impede a condição de Dcomp do pedido formulado, à exceção apenas dos eventos discriminados no §12 do art.74 da Lei n°9.430/96, com redação da Lei n° 11.051/2004; 2. se estamos diante de despacho decisório de não homologação, e se essa condição do ato administrativo é mantida, que observe a Administração o interstício decadencial para atuar criticamente na ação do contribuinte. Com fulcro em tais argumentos, e tomandose em conta que do despacho decisório que não homologou as compensações foi dada ciência ao contribuinte em data posterior ao encerramento do qüinqüênio permissivo previsto no §5° do art.74 da Lei n° 9.430/96, haveria de ser reconhecida, sim, a homologação tácita das compensações realizadas. Ocorrendo esses fatos, devese dar o encaminhamento explicitado no acórdão n.º 9303005.524 –3ª Turma, no sentido de se reconhecer a homologação tácita da compensação declarada: ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. APLICABILIDADE. Nos termos do art.74, §5º da Lei nº9.430/96, opera se a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo se decorridos 5 (cinco)anos da data da entrega da declaração de compensação sem ter havido manifestação da Autoridade Fazendária. Aplicase a homologação tácita também aos pedidos de compensação entregues em data anterior à 31 de outubro de 2003 e que se encontravam pendentes de apreciação à época, data da entrada em vigor da Medida Provisória nº135/2003, posteriormente convertida na Leinº10.833/2003. A controvérsia dos presentes autos centrase em definir se as compensações efetuadas pela Contribuinte encontravam se homologadas tacitamente à época da prolação do despacho decisório pela Autoridade Preparadora, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art.74,§5ºda Lei nº9.430/96, com redação dada pelo art.17 da Medida Provisória nº135,de30/10/2003,convertida na Lei Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 588 21 nº10.833,de29/12/2003. A possibilidade de compensação de tributos encontrase prevista no art.170 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos,vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Para sua regulamentação,sobreveio a Lei nº8.383/91, que inicialmente permitia a compensação entre tributos da mesma espécie. Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.430/96, foi permitida a compensação entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, inicialmente, por meio de requerimento à Autoridade Fiscal e, após a Lei nº10.637/02, por iniciativa do Contribuinte, mediante declaração de compensação, como efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do art.74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº10.637,de2002) §1ºA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos crédito sutilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pelaLeinº10.637,de2002); § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (IncluídopelaLeinº10.637,de2002) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Portanto,depreendese da leitura do preceito legal dispor a Fazenda Pública do prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação declarada pelo Sujeito Passivo, contados da data da entrega da declaração. No caso dos autos, o ato processual (despacho decisório), proferido em 10/10/2008(fl.232) ,já foi praticado sob a égide da lei nova; devendo ser observado o prazo de 5 (cinco) anos por ela estabelecido. Inequivocamente operouse a homologação tácita das compensações transmitidas pela Contribuinte no ano calendário de 1999, Fl. 598DF CARF MF 22 sendo que à época da análise dos pedidos pela Administração Pública já havia transcorrido o quinquênio legal. Para reforçar a argumentação aqui expendida, cumpre mencionar que em caso similar ao presente, decidiu o Superior Tribunal de Justiça por aplicar o prazo de 5(cinco)anos para homologação de pedido de compensação apresentada em período anterior a 31/10/2003, sujeita, portanto, à redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/96, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF E PRETENDIDA EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ATRELADO A PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTODOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTFENTREGUEANTESDE31.10.2003.CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE EM 01.10.2002 EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E EXTINÇÃO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. PRAZO DECADENCIAL PARA HOMOLOGAÇÃO. 6. No caso concreto, o Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701 estava pendente em 01.10.2002. Sendo assim, foi convertido em DCOMP desde o seu protocolo (01.12.1997). Da data desse protocolo a Secretaria da Receita Federal dispunha de 5 (cinco) anos para efetuar a homologação da compensação, coisa que fez somente em 23/06/2004, conforme a carta de cobrança constante das e STJ fl. 79/81. Portanto, fora do lustro do prazo decadencial que se findaria em 01.12.2002. Irrelevante o julgamento do Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639 em 27/09/2001, pois imprescindível a decisão nos autos do pedido de compensação. Nessa segunda linha de pensar, também inevitável a decadência do crédito tributário. 7.Recurso especial provido. (REsp 1240110/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA,julgadoem02/02/2012,DJe27/06/2012)(grifouse) E, mesma linha de entendimento da CSRF: Acórdão: 3302004.641 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/04/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA DOS DÉBITOS COMPENSADOS Transcorrido prazo superior a 05 (cinco) anos entre o pedido de compensação formulado pelo Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10735.000895/200301 Acórdão n.º 3001000.163 S3C0T1 Fl. 589 23 contribuinte e a homologação realizada pelo fisco, a compensação perpetrada considerase homologada tacitamente, tornado indevida eventual glosa e cobrança dos débitos compensados.Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Dispositivo Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe ´provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 600DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.911026/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.190
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 11 02 6/ 20 09 -9 9 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.911026/200999 Resolução nº 3402001.190 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.911026/200999 Resolução nº 3402001.190 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.911026/200999 Resolução nº 3402001.190 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.003016/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/05/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
DECADÊNCIA. PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA.
A relevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida.
Numero da decisão: 2401-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/05/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DECADÊNCIA. PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA. A relevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 53 1 52 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.003016/200843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.360 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente WEISER VEÍCULOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/05/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constituise infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DECADÊNCIA. PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA. A relevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 30 16 /2 00 8- 43 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13888.003016/200843 Acórdão n.º 2401005.360 S2C4T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.003016/200843 Acórdão n.º 2401005.360 S2C4T1 Fl. 0 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1425.505 (fls. 29/33) da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/05/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuição previdenciária. DECADÊNCIA. PRAZO. PREVISÃO EM LEI ORDINÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, consoante súmula vinculante n° 8 do STF. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. O prazo para a constituição do crédito previdenciário relativo à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA. A relevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida. Lançamento Procedente Às fls. 2 e seguintes, consta Auto de Infração (DEBCAD n° 37.135.0450) lavrado para constituição do crédito tributário relativo a multa de R$ 12.548,77 (doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), em razão da empresa deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade remunerações pagas às pessoas físicas, com ou sem vínculo empregatício, sem que houvesse discriminação dos fatos com e sem incidência de contribuição previdenciária, infringindo o disposto no art. 32, inciso II da Lei n° 8.212/91. Do relatório da decisão de piso, extraise, em resumo, os principais argumentos de sua peça impugnatória: O auto de infração é nulo de pleno direito, vez que não obedecido o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Nele não é informado as competências a que se refere e a base de calculo sobre a qual incidiu a multa. Ainda, nele é arrolado uma imensa legislação, que vem alterando no tempo. Estes fatos prejudicaram a defesa. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13888.003016/200843 Acórdão n.º 2401005.360 S2C4T1 Fl. 0 4 A empresa já foi fiscalizada pelo INSS no período de 12/02/2004 a 03/2005, onde resultou o AI 35.834.3380, cuja intimação data de 27/06/2005. Portanto, qualquer período fiscalizado só pode se referir a 07/2005 em diante, face à incidência da prescrição das contribuições sociais, no prazo de cinco anos, conforme já decidido pelo STF. No auto é declarado que a empresa deixou de apresentar documentos, o que não é verdade. Isto pode ser verificado na relação em que foram solicitados os documentos que tem relação com a Previdência Social, como diário, folhas de pagamento e recibos de autônomos. O fiscal declara que o diario não foi apresentado. Ocorre que a empresa sofreu fortes inundações e alguns livros e documentos ficaram imprestáveis. Assim, teve que refazer o diário, e este foi entregue a fiscalização. Entretanto, este exigiu que o livro estivesse encadernado, o que seria providenciado. Para o exame do fiscal era suficiente. Os requisitos extrínsecos seriam feitos a posterior Ainda, no relatório fiscal está confirmado que a impugnante “registrava as rubricas especificas de proventos e/ou descontos à identificação dos benefícios” etc. Então, não pode alegar falta de apresentação de documentos ou livros. A fiscalização exorbitou ao penalizar a empresa, após vários meses de exame, concluindo por aplicar apenas multas. Não há nenhuma falta de pagamento, apenas multas, a maioria regulamentares. Em todas as legislações fiscais, quando não houve falta ou insuficiência de impostos, a infração regulamentar deve ser relevada. Requer a procedência da impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2010 (fls. 45), apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2010 (fls. 46). Do qual transcrevo o seu inteiro teor: Weiser Veículos S/A. já qualificada no processo acima, vem com o devido respeito, por seu procurador abaixo, apresentar recurso voluntário, contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pelos seguintes motivos de fato e de direito: 1. Na realidade, foram lavrados 19 (dezenove) autos de infração, tendo por base os mesmos fatos geradores. Alguns, com infração regulamentar simplesmente, e apenas dois com cobrança de contribuição social ao INSS. Os valores foram extraídos de lançamentos que não estavam os pagamentos, sujeitos a essa contribuição social. 2. Salienta ainda, que a empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estão abrangidos pela decadência, a teor do artigo 174 de C.T.N. porque os autos são de 2008. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13888.003016/200843 Acórdão n.º 2401005.360 S2C4T1 Fl. 0 5 3. A frondosa legislação transcrita nos autos dificulta sobremaneira a impugnação, como reconhecido pela autoridade julgadora. 4. Reitera, que não houve falta de pagamento de qualquer contribuição, pois os arquivos, documentos e livros estiveram à disposição do fiscal autuante, muitos documentos nem foram verificados, tal o volume apresentado. 5. Quanto à multa aplicada e a retroatividade benigna reconhecida no julgamento, deve ser retificado o auto de infração e não como foi decidido, prolongando “essa providência para a ocasião do pagamento. Reitera todos os temas da Impugnação, comprovada por documentos. Enfim, são autos destituídos de fundamento, aleatórios e por essa razão requer a sua insubstituência, como medida de inteira Justiça. É o relatório Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13888.003016/200843 Acórdão n.º 2401005.360 S2C4T1 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar de decadência Alega a recorrente que já fora fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estariam abrangidos pela decadência. No caso, como se trata de Auto de Infração de Obrigação Acessória (Multa por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos), o prazo decadencial a ser aplicado é o disposto no art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, são as seguintes decisões do CARF: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Acórdão nº 9202003.295, Sessão de 31/07/2014). DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. (Acórdão nº 2401004.217, sessão de 08/03/2016). Assim, o prazo decadencial relativo às competências 01/08/2003 a 31/05/2007 começa a ser contado a partir de 1º/01/2004, encerrandose em 31/12/2008. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 31/07/2008, não há que se falar em decadência do lançamento. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13888.003016/200843 Acórdão n.º 2401005.360 S2C4T1 Fl. 0 7 Esclarece ainda que o art. 174 do CTN dispõe sobre o prazo de prescrição do crédito tributário, ou seja, tratase do prazo de cobrança que se inicia somente após a constituição definitiva do crédito tributário, após a fase litigiosa. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência do lançamento. Sem razão a recorrente. Mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, o auto de infração foi lavrado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para sua feitura, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, dele constando a descrição precisa dos fatos (fls. 2 e 12/14). Além disso, o sujeito passivo demonstra com clareza o teor da infração que lhe foi imputada, pelo que logrou apresentar suas razões de impugnação dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento. Portanto, deve ser rejeitada a alegação de que houve ofensa ao art. 142 do CTN. Também, deve ser rechaçado o argumento que os autos estão destituídos de fundamento, aleatórios. Como se observa, nos termos descrito no Relatório Fiscal do AI (fls. 12/14), as bases de calculo foram obtidas mediante arquivos em meio digital entregues pela autuada, contendo todos os registros contábeis do período de 01/2003 a 06/2007 no formato do MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais. Relata a auditoria fiscal que as informações foram validadas por meio de testes, por amostragem, realizados por confronto com valores relativos à remuneração pagas às pessoas físicas, com e sem vínculo empregatício, sem segregar os fatos geradores. Os valores contidos no anexo I, às fls.14, são exemplos desses fatos e foram selecionados dentre outros lançamentos contidos no AI Auto de Infração 37.181.1732 COMPROT nº 13888.003003/200874, referente aos valores pagos com o "Express Card". Pois bem. Dispõe a legislação previdenciária que incorre em multa a empresa que deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. No caso, entendo como configurada a situação. Como bem pontuado no r. acórdão recorrido, a alegação de que foram lavrados autos repetitivos não procede, considerando que cada um deles tem por objeto o lançamento de contribuições ou a aplicação de penalidade distintas, ou seja, não foi lavrado nenhum Auto de Infração em repetição a outro. Quanto à relevação da penalidade de multa, considerando que o sujeito passivo, com base na legislação aplicável, não demonstrou a correção da falta, nesse sentido, reitero os fundamentos da decisão do r. acórdão recorrida, nos seguintes termos: Relevação da Penalidade Aplicada A impugnante aduz que todas as legislações fiscais concedem, quando se tratar de infração regulamentar da qual não decorra Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.003016/200843 Acórdão n.º 2401005.360 S2C4T1 Fl. 0 8 a falta ou a insuficiência do tributo, a relevação da multa aplicada. O argumento não deve ser acatado para fins de relevação da multa aqui aplicada. A legislação previdenciária, em vigor no momento da autuação, apenas previa o beneficio da relevação ou atenuação da multa aplicada quando o infrator atendesse aos requisitos previstos no artigo 291, caput e § 1° do Regulamento da Previdência Social, que exigia, para ambas hipóteses, a correção da falta cometida, o que não se verificou no presente caso. Conclusão Pelo exposto acima, voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721472/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO.
Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
Numero da decisão: 3402-004.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
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RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 14 72 /2 01 1- 11 Fl. 250DF CARF MF 2 Tratase de processo administrativo decorrente de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação de Pedido de Restituição de fls.2 e ss., correspondente aos períodos e tributos lá discriminados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. Converteuse o julgamento em diligência para que se cumprisse o seguinte: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. Intimado, o contribuinte apresentou a documentação solicitada e a fiscalização juntou aos autos informação fiscal. Posteriormente, o contribuinte apresentou petição anuindo com o resultado da diligência fiscal. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.721472/201111 Acórdão n.º 3402004.947 S3C4T2 Fl. 3 3 O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Em razão disso, optouse pela conversão do julgamento em diligência para que a instrução probatória fosse melhor desenvolvida. A minuciosa informação fiscal juntada pela fiscalização analisou as planilhas apresentadas, bem como o contrato social da empresa, com a finalidade de identificar quais receitas fazem parte do objeto social da empresa e que deveria compor o faturamento dela. Na mesma linha de julgamentos sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, que culminou com a decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 527602, com repercussão geral, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91: Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Analisando as receitas da empresa, a informação fiscal aduziu: Portanto, no âmbito tributário, o faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, compreendendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. Não há procedência em se pretender excluir da incidência do PIS as receitas auferidas com a REMUNERAÇÃO SOBRE CONSÓRCIO ou COMISSÃO SOBRE SEGURO PRESTAMISTA (OUTRAS RECEITAS). que, ao contrário do que o interesssado intenta, são receitas que integram o faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998. Quanto aos valores de receita de ALUGUÉIS de imóvel próprio, estas compõem o faturamento e sofrem a incidência da contribuição mesmo quando a atividade de locação não consta do objeto social da pessoa jurídica. De novo, vale lembrar que, ao julgar o RE 346.084PR, os Ministros do STF explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo do PIS e da Cofins, no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e receita operacional da pessoa jurídica. Por serem regulares, integram o faturamento à semelhança da locação de imóveis por empresas que se dedicam a essa atividade. Excluindo da base de cálculo as receitas “estranhas” por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, refiz a apuração do PIS de abril de 1999 da LINK SHOP COMERCIAL S. A., CNPJ 46.863.056/000170, apurando PIS no valor de R$ 1.339,32. Fl. 252DF CARF MF 4 Sobre isto, o contribuinte manifestou sua expressa concordância, reconhecendo a correção do entendimento adotado na diligência fiscal. Desse modo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante determinado na informação fiscal juntada aos autos. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 253DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.005519/2009-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente MERIAL SAUDE ANIMAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 55 19 /2 00 9- 10 Fl. 101DF CARF MF 2 Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 46 à 75) interposto contra o Acórdão n° 0529.531, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (fls. 41 e 42), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declaração fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais. . O atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal,›desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade os atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Por representar acurácia no resumo dos fatos apresentados em primeira instância, peço vênia para transcrever os termos do relatório da decisão da DRJ de origem, os quais estribaram os pleitos da Contribuinte: Tratase de Auto de Infração relativo à multa por atraso na entrega da DCTF correspondente ao 7° mês 2007, crédito tributário de R$ 10.442,81. Impugnando a exigência, argumenta o contribuinte, por seus representantes, em síntese: afronta a. diversos princípios Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10830.005519/200910 Acórdão n.º 1002000.009 S1C0T2 Fl. 6 3 constitucionais, pois que se trata de atraso de apenas um dia; a espontaneidade na entrega da declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Sustenta, ainda, ocorrência de inconstitucionalidade e ilegalidade, decorrentes da aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória (oriunda do atraso na entrega da DCTF). Esses pleitos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: Inicialmente, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Em assim sendo, o lançamento deve, como o foi, ser feito mediante notificação, conforme o art. 11 do Decreto 70.235/72, inexistindo, por conseqüência, quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do citado Decreto. Relativamente às alegações vinculadas a princípios constitucionais, digase que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Nessa mesma linha, aliás, foi editada a Súmula CARF n° 2, de seguinte teor: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária [conforme Portaria CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF n° 106 de 21.12.2009. DOU 22/12/09] Fl. 103DF CARF MF 4 Quanto à obrigatoriedade, nos temos da legislação de regência, todas as pessoas jurídicas de direito privado, domiciliadas no Pais, registradas ou não, sejam quais forem seus fins e nacionalidade, inclusive as a elas equiparadas, as filiais, sucursais ou representações, no Pais, das pessoas jurídicas com sede no exterior, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda (RIR/1999, arts. 146, 147, 150, e 808 a 831) estão sujeitas à apresentação da declaração. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não e' cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê lo no prazo previamente determinado. Portanto, havêla entregue, tão só, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tornar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. ` No mais, segundo o disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade pelas infrações fiscais é objetiva, ou seja, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Desse modo, descumprido o prazo, irrelevante a sua dimensão. (...) Citese, ainda, Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 02 01 .046, sessão de 18/06/01, assim ementado: DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA ESPONTANEIDADE INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art.138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Com base em todas essas considerações, Voto pela procedência da exigência em referência. No que cinge às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10830.005519/200910 Acórdão n.º 1002000.009 S1C0T2 Fl. 7 5 específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, reforço que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 105DF CARF MF
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