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Numero do processo: 10920.912002/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Se o pedido de compensação foi apresentado ao Fisco Federal no ano de 2006 para o aproveitamento de créditos do ano de 2002, observado o prazo prescricional de 5 anos, não havendo que se falar em omissão.
Numero da decisão: 3801-004.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido da Relatora.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/05/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Se o pedido de compensação foi apresentado ao Fisco Federal no ano de 2006 para o aproveitamento de créditos do ano de 2002, observado o prazo prescricional de 5 anos, não havendo que se falar em omissão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.912002/200961 Recurso nº 001 Embargos Acórdão nº 3801004.710 – 1ª Turma Especial Sessão de 13 de novembro de 2014 Matéria PIS/PASEP RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO Embargante TESC TERMINAL SANTA CATARINA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Se o pedido de compensação foi apresentado ao Fisco Federal no ano de 2006 para o aproveitamento de créditos do ano de 2002, observado o prazo prescricional de 5 anos, não havendo que se falar em omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido da Relatora. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 20 02 /2 00 9- 61 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão 3801001.520, julgado por esta Primeira Turma Especial, o qual entendeu pela homologação do pedido de compensação da Embargada, apresentado em abril de 2009, informando um pagamento indevido ou a maior de Pis/Pasep, referente ao período de apuração 04/2002, recolhido em 15/05/2002. Transcrevase sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2002 PER/DCOMP. PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Alega a Embargante a existência de omissão, em face de esta Primeira Turma Especial não ter se pronunciado sobre a prescrição do pedido de restituição feito pela contribuinte, tendo em vista que este efetuou recolhimento a maior de PIS em 15/05/2002, mas somente em 20/04/2009 transmitiu a PER/DCOMP. Destaca que o STF, no RE 566.621/RS, reconheceu a aplicação do prazo prescricional de dez anos somente para os pedidos de restituição ajuizados antes do início de vigência da LC nº 118/2005, portanto, não houve força vinculante para os pedidos realizados no âmbito administrativo. E que a questão dos pedidos administrativos não apareceu de modo determinante no citado RE, de modo que não há como concluir, com segurança, se o STF defenderá a equivalência entre demandas administrativas e judiciais, em eventual julgado específico sobre a matéria. Requer, assim, o conhecimento e o provimento do presente recurso para que haja manifestação sobre o assunto. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Apreciando os Embargos, vejo que inexiste a omissão apontada no Acórdão 3801001.520, julgado por esta Primeira Turma Especial. Isso porque o pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil em abril de 2009, relativamente a indébito de abril de 2002, consusbstanciava uma PER/DCOMP retificadora, conforme consta expresso em seu corpo. O número da Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.912002/200961 Acórdão n.º 3801004.710 S3TE01 Fl. 12 3 PER/DCOMP retificada, a propósito, é o seguinte: 08270.46253.241006.13.045530. A parte negritada desse número corresponde à data em que originariamente foi apresentado o pedido de compensação, ou seja, em 24 de outubro de 2006. Antes, portanto, da prescrição de seu direito de reaver os valores indevidamente recolhidos a maior. Prejudicada, por conseguinte, a alegação da Procuradoria da Fazenda, de inobservância do disposto na Lei Complementar no. 118/2001, porquanto o pedido de compensação foi realizado observando o prazo de cinco anos determinados em lei. Por essas razões, conheço os presentes Embargos de Declaração, mas a eles nego provimento, rejeitandoos. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.911319/2012-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 29/02/2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 29/02/2008 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 13 19 /2 01 2- 92 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 92 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.911319/201292 Acórdão n.º 3802003.770 S3TE02 Fl. 118 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 89), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 92). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.911319/201292 Acórdão n.º 3802003.770 S3TE02 Fl. 119 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 12466.721685/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/05/2010, 10/06/2010
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE INFRAÇÃO.
O fato gerador da multa que converte o perdimento das mercadorias em pecúnia é a interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior. Assim, respondem solidariamente pela infração todos aqueles que se ocultaram, ou que tiveram interesse na ocultação dos verdadeiros responsáveis pela transação.
Da mesma forma, respondem solidariamente pelo crédito tributário decorrente todos aqueles que concorreram para a prática dda infração ou que de alguma foram tenham se beneficiado dela.
OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração de mera conduta, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado.
REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETO-LEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA.
O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva, ainda que se caracterize a hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência.
Numero da decisão: 3401-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 23/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrente MTRADING COMERCIO E IMPORTAÇÃO LTDA E ME GRANITO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/05/2010, 10/06/2010 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE INFRAÇÃO. O fato gerador da multa que converte o perdimento das mercadorias em pecúnia é a interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior. Assim, respondem solidariamente pela infração todos aqueles que se ocultaram, ou que tiveram interesse na ocultação dos verdadeiros responsáveis pela transação. Da mesma forma, respondem solidariamente pelo crédito tributário decorrente todos aqueles que concorreram para a prática dda infração ou que de alguma foram tenham se beneficiado dela. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva, ainda que se caracterize a hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 16 85 /2 01 3- 66 Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Julio Cesar Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 23/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório O presente se refere a auto de infração por meio do qual se constitui e exige multa de conversão em pecúnia da pena de perda de bens prevista no § 3º do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976. São autuados Mtrading Comércio Importação e Exportação Ltda., Masdar Distribuidora Ltda. e ME Granitos Ltda EPP, esse dois últimos integrados, por termo de sujeição passiva, como devedores solidários. O fato imputado como causa da penalidade corresponde à hipótese prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976, qual seja: ocultação do real interessado na operação de importação mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta. Segundo resumo elaborado pelos Julgadores de 1ª Instância, que reproduzo pela sua objetividade: "Segundo descrito no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 04 e seguintes, o procedimento fiscal teria sido iniciado com a intimação simultânea das empresas Mtrading e Masdar para apresentar livros, documentos e esclarecimentos relativos a transações de comércio exterior, nas quais a primeira figurara como importadora sob encomenda da segunda. Após sucessivas reintimações, análise da documentação apresentada e pedidos de novos esclarecimentos, entendeu a fiscalização que a Mtrading teria declarado ao Fisco a realização de operações de importação “por encomenda” da pessoa jurídica Masdar Distribuidora Ltda., mas que, na verdade, teria restado demonstrado que esta última representaria uma empresa “de fachada”, que não possuiria vida própria, diversa da Mtrading. Entenderam as autoridades fiscais que o mesmo modus operandi fora utilizado diversas vezes, sendo a Masdar usualmente declarada como encomendante de importação formalmente promovida pela Mtrading, com vistas a ocultar terceiros que, de fato, teriam determinado a importação da mercadoria por sua conta e ordem. Ainda segundo relatado, as operações de comércio exterior que são objeto do presente processo, teriam ocorrido, de fato, na modalidade "por conta e ordem de terceiro", sendo que este terceiro, a ME Granitos Ltda EPP, permanecera oculto na operação ao Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.721685/201366 Acórdão n.º 3401002.808 S3C4T1 Fl. 3 3 fazerse passar por cliente da Masdar, que figurara formalmente como encomendante da importação. Conseqüentemente, teria restado demonstrada a prática punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 1976, que foi incluído pela Lei nº 10.637, de 2002." A autoridade lançadora elencou suas constatações que, a seu ver, levam às conclusões representadas no Auto de Infração: a) A Masdar não possuiria empregados ou estrutura operacional diversos da Mtrading; b) Haveria confusão societária entre Masdar e Mtrading; c) O Patrimônio da Masdar seria originário da Mtrading e o produto de suas atividades inteiramente destinado àquela empresa; d) Tanto a importadora quanto a suposta encomendante teriam sido incapazes de comprovar participação nas negociações que teriam resultado nas importações sob análise; e) As operações de importação eram realizadas com recursos adiantados por terceiro. Os autuados trouxeram suas impugnações e por meio das quais alegaram: · Nulidade em razão de incompetência dos autuantes pois a suposta interposição diria respeito aos desdobramentos da operação no mercado interno e, conseqüentemente, à regularidade do recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e que caberia à Delegacia da Receita Federal do Brasil de VitóriaES e, não à Alfândega do Porto de Vitória realizar os procedimentos fiscais. · Revogação do dispositivo legal que embasaria a aplicação da penalidade Segundo aponta, na data da lavratura do auto de infração, já se encontrava em vigor o art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, que teria revogado o inciso V do art. 23 do DL nº 1.455, de 1976. Transcreve os dispositivos e pleiteia a aplicação retroativa do dispositivo novel, nos termos do art. 106, II, “c” do CTN. · Ausência de comprovação do ilícito a presunção instituída pelo parágrafo 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, é relativa e só pode ser aplicada na hipótese de não comprovação da origem, disponibilidade e da transferência dos recursos empregados. Entretanto, as autoridades teriam presumido que a negociação teria ocorrido entre os fornecedores estrangeiros e a ME Granitos, já que não há comprovação da participação das pessoas jurídicas Masdar e Mtrading. Afirmam os impugnantes que a ausência de comprovação por parte das pessoas jurídicas Masdar ou Mtrading não comprovaria que o verdadeiro responsável seria a ME Granitos. e que a imputação de incapacidade econômicofinanceira é genérica e que não ficou demonstrado o dano ou o ânimo de subtrair os tributos. e que todos os tributos foram pagos, não havendo irregularidades nesse âmbito, nem nos despachos de importação. · Violação ao Princípio da Individualização da Pena a prática de interposição fraudulenta pelas pessoas jurídicas Mtrading e Masdar não poderia ensejar a Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 aplicação de penalidade a um terceiro (ME Granitos Ltda EPP). que violação ao princípio gizado no inciso XLV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 · A impugnante ME Granitos acrescenta que teve Boa Fé e A ausência de Dano ao Erário Sem que se demonstre o efetivo dano ao erário, não seria possível aplicar a pena de perdimento. · Inexistência de Interposição Fraudulenta por parte da ME Granitos No caso concreto, o que teria restado caracterizada seria a aquisição de serras manuais – lâminas para granito em aço, da pessoa jurídica Masdar Distribuidora. Se havia ou há algum tipo de irregularidade envolvendo as pessoas jurídicas Mtrading ou Masdar, tal situação fugiria à alçada da ME Granitos, adquirente de boa fé de mercadoria proveniente de empresa distribuidora atacadista no mercado interno. Não teriam sido apresentadas provas contundentes da alegada fraude. · Aplicação de Multa com Efeito de Confisco A penalidade aplicada seria completamente desarrazoada, demonstrandose excessiva e confiscatória, prática rechaçada pena CF de 1988, em seu art. 150, IV. A Respeitável 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife apreciou a autuação e a impugnação e teceu considerações e conclusões resumidas a seguir: · os Julgadores a quo rejeitam a alegação de Nulidade em Razão de Incompetência dos Autuantes, pois entendem que a fiscalização trata primeiramente da ocorrência de infração á legislação aduaneira, e que as normas em vigor atribuem á Alfãndega Vitória competência para tanto; e que a autoridade lançadora exerce a competência que lhe comete a Lei. · rejeitam a pretensão da impugnante ME Granitos que se reconheça a afronta aos princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade, proporcionalidade, pois não cabe aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre constitucionalidade ou afronta à Constituição. · rejeitam as alegações que pretende afastar a responsabilidade das pessoas jurídicas indicadas como solidárias, e explicam que o principal elemento que leva a tal convicção é a natureza da acusação imputada, in verbis: "Analisando a peça fiscal, chegase à conclusão de que restou claramente exposto o papel que o Fisco atribui a cada uma das pessoas jurídicas: a Mtrading se apresentara como importador e a Masdar se atribuíra falsamente a condição de adquirente da mercadoria. A ME Granitos, embora tenha atuado como importador por conta e ordem, permanecera oculta, pela interposição da Masdar. Resta evidente, a meu ver, que sem a atuação coordenada dessas duas pessoas jurídicas não haveria como perpetrar a conduta tipificada. Com efeito, se a lei pune a interposição de pessoas, evidentemente, todos que colaboraram na perpetração dessa conduta devem responder conjuntamente pela penalidade que lhe é imputada: tanto aqueles que ocultaram quanto quem foi ocultado. Não se trata, portanto, de transferir a responsabilidade pela infração a terceiro, mas de imputar a este terceiro a responsabilidade pela coautoria da infração. Afasto, nesse contexto, a prejudicial de ilegitimidade passiva." · entendem que ficou confirmada a ocorrência da infração, e elencam os seguintes elementos que concorrem para essa conclusão: Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.721685/201366 Acórdão n.º 3401002.808 S3C4T1 Fl. 4 5 § a empresa Masdar e sua função de encomendante: "Com efeito, a pessoa jurídica Masdar revelouse um mero número de inscrição, utilizado com a finalidade de ocultar o verdadeiro adquirente da mercadoria e este, como demonstrado, sabia que estava sendo ocultado. Como destacado, e não contraditado efetivamente nos autos, a pessoa jurídica Masdar não possui patrimônio, recursos ou quadro de empregados próprios: opera com recursos da Mtrading, utiliza seu quadro de empregados e lhe transfere todos os seus recebíveis. Em síntese, não se identificam, a não ser nos ilícitos descritos pela fiscalização, razões para a existência da Masdar, uma vez que a empresa não dispõe de estrutura operacional, financeira, expertise técnica e, sobretudo, não usufrui do produto de suas atividades." § sobre o modo de se inferir a falta de capacidade da encomendante: "a verificação da origem dos recursos empregados não pode ser levada a efeito considerando individualmente cada operação realizada, mas em razão do conjunto de operações, conforme orientação jurisprudencial consolidada." "o capital social de empresa teria sido formado com recursos do sócio majoritário da Mtrading, por meio de empréstimos jamais quitados. Além disso, teriam sido identificadas transferências de recursos daquela empresa para a Masdar, em diversas situações, alegadamente em razão de empréstimos, os quais jamais teriam sido liquidados." § sobre o real adquirente; "verificouse que as operações analisadas, embora tenham sido declaradas na modalidade por encomenda, a qual, nos termos do art.11 da Lei no 11.281/0613 , somente se caracteriza quando promovida com recursos próprios do importador, ou seja, da Mtrading, foram realizadas de fato com recursos da ME Granitos, o que restou caracterizado por meio de extratos bancários." § sobre as provas da ocorrência da infração e a falta de contraprova: "adiantamento do adquirente, faz presumir a realização de operação por conta e ordem de terceiro, no caso, não declarada ao Fisco. Caberia portanto à pessoa jurídica ME Granitos apresentar elementos que afastassem a presunção, demonstrando que de fato negociara e adquirira a mercadoria da Masdar, no mercado interno, sem qualquer participação direta ou indireta nas operações de importação. Entretanto, a ME Granitos não trouxe aos autos qualquer elemento que lastreasse a negociação das mercadorias junto à Masdar, como emails relacionados à cotação de preços, pedido de compra, orçamentos etc, nem tampouco apresentou documentos que apontassem a oferta de tais mercadorias para venda pela Masdar (mala direta, anúncios em publicações periódicas e etc). Assim sendo, não vejo como acolher a alegação de que a pessoa jurídica ME Granitos não tivesse conhecimento de tais circunstâncias e que seria terceiro de boafé. Por sua vez, relembrese que Mtrading e Masdar não foram capazes de apresentar qualquer documento comercial que lastreasse a alegação de que caberia a elas a negociação da aquisição das mercadorias junto ao fornecedor estrangeiro. Ora, se não foram as empresas que se apresentam formalmente como importador e encomendante da importação que conduziram a negociação internacional, é de se presumir que essa tenha sido entabulada pelo adquirente de fato das mercadorias, direto interessado e detentor de Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 conhecimento técnico. A meu ver, portanto, ante ao quadro indiciário caracterizado, e, principalmente, tendo sido verificado o adiantamento de recursos pela ME Granitos, não se verificam nos autos elementos capazes de afastar a presunção de que tal empresa, de fato, negociara a importação das mercadorias. Nesse contexto, portanto, caberia ME Granitos a apresentarse diante do Fisco na condição de adquirente da mercadoria, como não o fez, deve responder por sua omissão. Diferentemente do alegado, não se trata de limitar a forma pela qual os contribuintes realizam seus negócios, mas de exigir que tais negócios sejam declarados ao Fisco segundo os parâmetros fixados pela legislação." o Os Julgadores de 1ª Instância rejeitam a tese de que houve a derrogação da lei que motiva a autuação (inciso V do art. 23 do DL nº 1.455, de 1976) pelo art. 33 da Lei n. 11.488, de 2007, e expõem suas razões: ".... a pena instituída no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 surgiu, efetivamente, como alternativa à declaração de inaptidão nas hipóteses anteriormente previstas nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinavam a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)." (...) Forçoso é concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e, nessa condição podem ser aplicadas, concomitantemente as penas a ela correspondentes a fatos que, a partir da entrada em vigor da lei nº 11.488, incidirem na hipótese descrita no seu art. 33." Com todas essas considerações, os Julgadores afastaram as alegações das impugnantes, para manterem integralmente o crédito tributário lançado e a coresponsabilidade de todos as impugnantes. O Acórdão n. 11043.962, de 26/11/2013, ficou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/05/2010, 10/06/2010 NULIDADE EM RAZÃO DE INCOMPETÊNCIA DO AGENTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A verificação da veracidade e da completude das informações constantes da Declaração de Importação é matéria que se insere na competência das unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre os estabelecimentos importador e adquirente. Ademais, a inobservância das normas relativas à fixação da jurisdição, por expressa disposição legal, não é motivo para a decretação da nulidade do auto de infração lavrado por servidor competente. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco e proporcionalidade, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este Colegiado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/05/2010, 10/06/2010 Fl. 3379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.721685/201366 Acórdão n.º 3401002.808 S3C4T1 Fl. 5 7 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE INFRAÇÃO. O fato gerador da multa que converte o perdimento das mercadorias em pecúnia é a interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior. Assim, respondem solidariamente pela infração todos aqueles que se ocultaram, ou que tiveram interesse na ocultação dos verdadeiros responsáveis pela transação. Da mesma forma, respondem solidariamente pelo crédito tributário decorrente todos aqueles que concorreram para a prática dda infração ou que de alguma foram tenham se beneficiado dela. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva, ainda que se caracterize a hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Apenas o contribuinte ME Granitos Ltda EPP ingressou com recurso voluntário, e com ele repete suas alegações da impugnação: · o recurso deve garantir à recorrente a suspensão da exigibilidade. · os fatos em discussão se refere que a recorrente adquiriu da Masdar Distribuidora Ltda. "serras manuais lâminas para granito em aço" para utilização como insumo durante o processo de serrada no beneficiamento do granito, sua atividade fim. · agiu de boa fé; não se pode apenar quem não deu ensejo ao ilícito, como é o caso da recorrente; os tributos foram recolhidos e não havendo irregularidades ou dano ao Erário; · não houve interposição fraudulenta nem ficou ela comprovada com relação à recorrente; que o valor adiantado pela recorrente junto à Masdar não é ilícita e comum ao cotidiano das empresas; · a pena afronta os princípios constitucionais de razoabilidade e proporcionalidade e é confiscatória. É o relatório. Voto Fl. 3380DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os requisitos de admissibilidade. Ao consultarmos o auto de infração podemos identificar as condições e as razões trabalhadas pela fiscalização: 001 – MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO – MERCADORIA NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA. Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando não localizada, ou tiver sido consumida, ou revendida, em razão das irregularidades apuradas pela fiscalização, nos termos do inciso IV e V, §3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com as alterações da Lei nº 10.637/2002 e Lei 12.350/2010, e Art. 81, III da Lei 10.833/2003. (...) A MTRADING COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA registrou R$ 6.611.200,07 em importações “por encomenda” tendo como encomendante a empresa MASDAR DISTRIBUIDORA LTDA no período de 2008 até 2012. (..) Conforme constatado acima, as importações foram, de fato, “por conta e ordem de terceiro”, que permaneceu oculto na operação. Em compensação, a MTRADING declarou as operações como sendo “por encomenda”. Nesse sentido, a simulação e a falsidade ficaram evidenciadas nas declarações de importações apresentadas à RFB pela MTRADING. (...) Além da Interposição Fraudulenta amplamente caracterizada neste Auto de Infração, o uso de documento falso no desembarco aduaneiro também acarreta a aplicação da pena de perdimento das mercadorias proposta no presente Auto de Infração, conforme determina o Decreto Nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), (...) Considerando a constatação de irregularidades praticadas, apuradas durante este procedimento de fiscalização, aplicamos a penalidade, nos termos do art. 23, incisos IV e V do DecretoLei nº 1.455/76. A citada legislação define como dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação mediante fraude, simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros e a falsificação de documento necessário ao desembaraço, infrações punidas com o perdimento das mercadorias ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Neste processo está se tratando unicamente da conversão em pecúnia da pena de perda dos bens importados pela MTrading sob encomenda da Masdar Participações e vendidas à ME Granitos Ltda EPP (Declarações de Importação n. 10/07822432 e 10/1007720 3), no valor de R$ 127.292, 82. Portanto, o fato considerado infração tem como motivação legal o disposto no inciso V do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976. Tendo em vista que o processo vem a este Conselho por força do Recurso Voluntário ingressado por ME Granito, tenho como definitivo o que consta do Acórdão proferido pela DRJ no que respeita às autuadas MTrading e Masdar, restando para apreciação apenas o que se refere á recorrente. Fl. 3381DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.721685/201366 Acórdão n.º 3401002.808 S3C4T1 Fl. 6 9 Preliminarmente necessário sublinhar que a penalidade objeto do auto de infração combatido não tem sua proporcionalidade definida pela autoridade lançadora ou pela julgadora. Ele é um percentual fixo definido em Lei, e não há previsão e nem cabe aos agentes responsáveis pela sua aplicação alterálo com base em juízo de avaliação. O valor da multa é resultante da aplicação da alíquota de 100% sobre o valor somente dos bens importados e que foram destinados à recorrente. E esse dispositivo legal não foi considerado inconstitucional pelo STJ ou pelo STF. Portanto, não procede a alegação da recorrente a esse respeito. A infração não diz respeito à falta de recolhimento dos tributos, como argumenta a recorrente, mas, sim, à ocultação do real adquirente de bem importado, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta. É inconteste que a encomendante Masdar Participações não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas operações com importações. E também é fato que a recorrente antecipou pagamentos para os bens que viriam a ser importados pela MTrading e passados à encomendante Masdar e em seguida vendidos à recorrente. Nem a Mtrading, nem a Masdar conseguiram comprovar que negociaram diretamente com o fornecedor estrangeiro dos bens importados. No entanto, a recorrente providenciou adiantamento. Entendo que não procede afirmarse como situação de boa fé quando a pessoa revela conhecimento prévio ou toma providência preparatória para o fato que infringe a lei. As duas Declarações de Importação a que se referem essa autuação não informam que o real adquirente a que esses bens se destinam é a ME Granito, ao contrário, informam que Masdar é a encomendante, quando de fato essa empresa não tem capacidade, e quando já existe o adiantamento da recorrente. Portanto, não há como não considerar que não houve ocultação do real interessado mediante simulação. Sendo assim, correta foi a autuação. Proponho considerar improcedente o recurso voluntário. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 3382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900132/2010-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica aos pedidos de restituição a homologação tácita a que se refere o art. 74 da lei 9.430/96, nem mesmo a decadência regida pelos arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL.
Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência.
Numero da decisão: 3802-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica aos pedidos de restituição a homologação tácita a que se refere o art. 74 da lei 9.430/96, nem mesmo a decadência regida pelos arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL. Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica aos pedidos de restituição a homologação tácita a que se refere o art. 74 da lei 9.430/96, nem mesmo a decadência regida pelos arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL. Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 01 32 /2 01 0- 34 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.715, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP nº 36232.68537.280806.1.3.018300, respaldada no saldo credor de IPI do 4º trimestre de 2005, calculado nos termos do art. 11 da Lei 9.779, de 19/01/1999. A compensação declarada referiase a débito da CSLL, no montante de R$ 9.693,33, com vencimento em 30/08/2006 (vide PER/DCOMP DESPACHO DECISÓRIO DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, à fl. 95). A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, com procedimento fiscal instaurado, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 04, com o indeferimento do saldo credor requerido e, consequentemente, a não homologação da compensação declarada. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 9.693,33 Valor do crédito reconhecido: R$0,00 O valor do crédito foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. [...] Para o procedimento fiscal instaurado de que dá conta o Despacho Decisório, relatou o auditor fiscal que das "verificações realizadas nas aquisições de insumos (Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem), com direito a crédito, não foram identificadas divergências dignas de glosa”. No entanto, também fez constar: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900132/201034 Acórdão n.º 3802001.904 S3TE02 Fl. 112 3 1) [...1 que ao preencher a presente PER/DCOMP, a interessada lançou como Valor Passível de Ressarcimento o total de IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição de insumos e de devoluções de mercadorias tributadas na saída, em vez do saldo credor. Isto é, o valor correto que deveria ser lançado no campo Valor Passível de Ressarcimento seria de R$24.884,71 (devidamente escriturado no LRAIPI) e não R$88.651,76. Portanto, glosar seá o valor de R$63.767,05, referente às diferenças destes valores, assim distribuídas: Ao ser indagada do embasamento que deu suporte a tal classificação fiscal a empresa respondeu: "A alteração para a NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo”. [...1 esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10 %. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Classificação que resultará, juntamente com aqueles valores que deixaram de ser destacados, na diferença de R$26.358,85 que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. [...] Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominante é o Hipoclorito de Sódio. Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900132/201034 Acórdão n.º 3802001.904 S3TE02 Fl. 113 5 a) os elementos químicos isolados ou os compostos, de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as soluções aquosas dos produtos da alínea “a” acima; [...] Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização), indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos se prestem à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure e não predomine o Hipoclorito de sódio. Nesses termos,segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação especifica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. Por fim, o contribuinte requer a insubsistência do Despacho Decisório aplicado. É o relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO FISCAL RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE A constatação da prática de infrações que levaram à reconstituição da escrita do estabelecimento, da qual emergiram saldos devedores do IPI ou redução dos saldos credores justifica o nãoreconhecimento do direito creditório, na integralidade, e a nãohomologação das compensações, nos termos da normatização dada pela RFB, que veda o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte se insurge contra o Acórdão reforçando, em sede de recurso voluntário, seu argumento quanto à classificação fiscal que embasa seu direito de crédito, bem como a ocorrência de decadência para questionamento da regularidade dos créditos. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Como a decadência é questão prejudicial do exame do mérito, mesmo tendo sido o segundo argumento do Recurso Voluntário será o primeiro a ser apreciado. Aduz a Recorrente: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900132/201034 Acórdão n.º 3802001.904 S3TE02 Fl. 114 7 (...) Em primeiro lugar, o presente processo não é de revisão de lançamento, mas sim processo de análise de pedido de ressarcimento. Assim, não se verifica decadência, uma vez que o contribuinte, por si só, entendeu haver valores a restituir em decorrência da apuração do IPI, exercendo esse direito perante o fisco mediante Pedido de Ressarcimento. A partir do momento em que o contribuinte pediu restituição, este exerceu seu direito de crédito, de modo que à Receita Federal compete, a partir da data em que recebeu o pedido – e, portanto, incorreu em mora –, apreciar o pleito e sobre ele decidir. Vale, a propósito, relembrar que o art. 168 do Código Tributário Nacional, traz inclusive o prazo para que o contribuinte exerça seu direito de crédito – o que afasta o conceito de decadência. De todo modo, percebese que a Receita não possui prazo para responder o pedido de restituição, que por sua natureza difere da declaração de compensação – que importa em quitação mútua com débitos próprios do sujeito passivo. Por isso mesmo o contribuinte possui liberdade para pleitear o indébito diretamente em juízo, ou mesmo, caso eventual resposta negativa ultrapasse os cinco anos necessários para o indébito judicial, o CTN abre prazo para uma ação específica destinada à anulação da decisão administrativa, precisamente para evitar prejuízos ao particular. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Não por outra razão o art. 74 da lei 9.340/96 se refere, em seus parágrafos segundo e quinto, somente à homologação tácita da compensação. A restituição não está abrangida pela norma, e a homologação tácita claramente não pode ser objeto de analogia entre os ritos. Desse modo, não acolho o pleito da Recorrente pela “impossibilidade da Receita em questionar sua regularidade”. Quanto ao mérito da questão, como bem indicado pela decisão recorrida, a restituição esbarra em um óbice inicial. Isso porque o pedido de restituição apresentado pelo sujeito passivo, decorre de recomposição da base de cálculo do IPI, em virtude de modificação na classificação fiscal de certos produtos objeto de suas atividades. No entanto, a decisão recorrida expõe uma situação peculiar ao caso: em virtude da classificação fiscal adotada pelo Recorrente, foi lavrado auto de infração que exige diferença do imposto. Aduz o voto vencedor do Acórdão: Não obstante a conclusão, após os acertos procedidos pela Relatora — já considerado o resultado do julgamento do Auto de Infração [Ac. n° 0937.507, pela procedência do lançamento] — pela legitimidade de parte do saldo credor pleiteado, não há como reconhecer o direito ao seu ressarcimento/compensação neste processo, conforme a seguir explicitado. É que a própria Receita Federal do Brasil já estabeleceu a impossibilidade de aproveitamento de créditos vinculados a processo judicial ou administrativo com exigência de crédito tributário do IPI, em discussão na esfera administrativa, e não definitivamente julgado, tendo explicitado tal vedação no art. 19 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, mantido integralmente pela Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 20, e pela IN SRF nº 900/2008, art. 25. Vejamos: "Art. 19. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. " Ora, se presente a autuação não pode ser ressarcido crédito algum, ainda que da apuração escritural resulte saldo de crédito legítimo, não obstante o lançamento de ofício. É o que diz o mencionado artigo, que não faz restrição a qualquer parcela do saldo credor, que no seu todo é o objeto do ressarcimento. Não se pode ressarcir parte alguma desse saldo credor requerido pelo interessado [...]. Correto o raciocínio desenvolvido pelo voto vencedor. E a rigor, isso não foi combatido pelo Recorrente, o que confirma a correlação entre o lançamento e o crédito objeto do presente pedido de restituição. Diante disso, resta prejudicada a análise do argumento apresentado pelo sujeito passivo quanto à classificação fiscal, dado que esta é a matéria de fundo do lançamento tributário em que se discute o procedimento adotado. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900132/201034 Acórdão n.º 3802001.904 S3TE02 Fl. 115 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 215DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009391/2011-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 01/01/2001
ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO.
Não há dúvidas quanto à caracterização da doença da recorrente que a coloca na condição de deficiente nos termos da lei, já que as deficiências elencadas no parágrafo primeiro do artigo 1º da lei 8.989/95 são exemplificativos, de sorte que excluem apenasas deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades pra o desempenho de funções. No caso, a síndrome de Parkinson causa evidente dificuldade motora na recorrente, o que lhe assiste o direito Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Numero da decisão: 3802-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e DAR-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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IPI. DEFICIENTE FÍSICO. Não há dúvidas quanto à caracterização da doença da recorrente que a coloca na condição de deficiente nos termos da lei, já que as deficiências elencadas no parágrafo primeiro do artigo 1º da lei 8.989/95 são exemplificativos, de sorte que excluem apenas”as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades pra o desempenho de funções”. No caso, a síndrome de Parkinson causa evidente dificuldade motora na recorrente, o que lhe assiste o direito Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e DARlhe provimento (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 93 91 /2 01 1- 50 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 02 0942.760, lavrado pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG, em que foi conhecida a manifestação de inconformidade e seus membros acordaram, por unanimidade de votos, indeferir a isenção do IPI e deferir aquela referente ao IOF. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 01/01/2011 ISENÇÃO.IPI.DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. ISENÇÃO.IOF.DEFICIENTE FÍSICO A exclusão do IOF para deficientes físicos darseá nos estritos termos do art.72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91, ou seja, deverá estar atestado no laudo emitido pelo Detran de residência permanente o tipo de defeito físico e a total incapacidade para a condução de automóveis convencionais, e ainda a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais. Presentes tais requisitos, é de se deferir o pleito. Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, informando que é portadora de doença de Parkinson, caracterizado por sintomas progressivos de bradicinesia global leve, tremor em membro superior direito e discreta rigidez em membro superior e inferior, conforme relatório médico emitido pela Rede SARAH de hospitais de reabilitação e laudo de junta médica especial do departamento de trânsito do Distrito Federal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10166.009391/201150 Acórdão n.º 3802004.013 S3TE02 Fl. 112 3 A lide administrativa se limita à possibilidade ou não da recorrente usufruir da isenção do imposto sobre produto industrializado na compra de veículo automotor para àqueles que são portadores de deficiência. Por um lado, a recorrida alega que a recorrente não se ajustou aos moldes das leis de regência para o caso concreto, a saber: lei nº 8.989/95, decreto nº 3.298/99 e IN SRF nº 988/2009. Por outro lado, a recorrente assevera que logrou êxito em provar suas pretensões e, de fato e de direito, é beneficiária da isenção ora requerida. Todavia, a par da análise dos documentos ora juntados, a indicação para julgamento é pelo seu provimento. Conforme se infere dos documentos juntados pela recorrente, notadamente o de fls. 37, a recorrente tem 57 anos de idade, com diagnóstico de doença de Parkinson na forma esporádica cujos sinais e sintomas tornamse mais evidentes no ano de 2005, caracterizados por sintomas progressivos de bradicinesia global leve, tremor clássico em membro superior direito e discreta rigidez em membro superior e inferior direito, com sinal da roda denteada à época em cotovelo e joelho direito (parte que interesse), sendo diagnosticada pelo C.I.D – 10 G20. Ou seja, não há dúvidas quanto à caracterização da doença da recorrente que a coloca na condição de deficiente nos termos da lei, já que as deficiências elencadas no parágrafo primeiro do artigo 1º da lei 8.989/95 são exemplificativos, de sorte que excluem apenas”as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades pra o desempenho de funções”. No caso, a síndrome de Parkinson causa evidente dificuldade motora na recorrente, o que lhe assiste o direito pleiteado. Pelo que consta das provas dos autos, em continuidade, a recorrente apresentou todos os documentos exigidos pela Receita Federal Brasil, tanto em sua forma quanto conteúdo. Insta observar aqui, até mesmo para fins de embargos de declaração, que o processo administrativo é instrumento de controle de legalidade dos atos administrativos da própria Administração Pública. E, nessa linha de raciocínio, quando ocorre uma litigiosidade entre o Fisco e o Jurisdicionado, caberá ao contribuinte provar o fato constitutivo de seu direito. Portanto, não é demais em dizer que, basicamente, processo administrativo é prova. Feita as considerações acima, concluo que, no presente caso, há prova suficiente e eficiente para comprovar os fatos alegados pela contribuinte. Conclusão Posto isto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE para que seja concedido o benefício da isenção do IPI na compra de veículo automotor para portador de mal de Parkinson. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10283.904568/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.355
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto S. Jr Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Rocha e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Rocha e Hélio Araújo.
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Recorrente PHILIPS DA AMAZONIA INDUSTRIA ELETRONICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Rocha e Hélio Araújo. Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0120.988 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004 SALDO NEGATIVO. PAGAMENTOS. CONFIRMAÇÃO. Uma vez ratificados os pagamentos de estimativa mensal, estes devem ser levados ao ajuste anual. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 04 56 8/ 20 08 -9 1 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.904568/200891 Resolução nº 1302000.355 S1C3T2 Fl. 263 2 Tendo o contribuinte compensado estimativas mensais e estas sido consideradas não homologadas, tais estimativas serão excluídas do ajuste anual. SALDO NEGATIVO. IRRF. RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS. Não tendo sido ratificadas as retenções do imposto, estas serão excluídas do ajuste anual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em 29/06/2005, a recorrente transmitiu a PER/Dcomp nº 31225.52218.290605.1.3.026197 (doc. a fls. 2 e segs.), na qual pleiteava a compensação do crédito de SNIRPJ/AC 2004, no valor R$ 6.463.966,00, com débitos realtivos a IRPJ estimativa de maio/2005 (R$ 2.763.537,78) e CSLLestimativa de maio/2005 (R$ 103.426,42), sendo utilizado, nessa PER/Dcomp R$ 2.653.613,66 do crédito original pleiteado. O Despacho Decisório, a fls. 7 e segs., entendeu que não havia SNIRPJ/AC2004, por sustentar que os créditos confirmados (R$ 6.463.966,00) eram menores que o IRPJ devido (R$ 10.174.913,71), assim não homologou a PER/Dcomp ora em julgamento, nem as outras que se valeram do mesmo crédito de SNIRPJ/AC2004, quais sejam: 36235.39998.260308.1.7.021279; 06110.9183S.260308.1.7.023496; 31358.65570.260308.1.3.025958; e 12019.15226.260308.1.3.027840. A DRJ/BEL, ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, deu provimento parcial à impugnação, para reconhecer o SNIRPJ/AC2004 no montante de R$ 4.574.867,16, pois entendeu que o montante do crédito relativo ao IRPJ estimativa pago no PA montava em R$ 14.749.780,87. Na DIPJ/05 (a fls. 35 e segs.), a recorrente tinha declarado o total de IRPJestimativa pago em R$ 16.634.872,09, logo R$ 1.885.091,22 menor do que o valor reconhecido pela DRJ/BEL (R$ 14.749.780,87). A DRJ/BEL assim fundamentou sua decisão: “O documento de fl.32 planilhas de cruzamento DIPJ x DCTF e da forma de quitação das estimativas traz maiores esclarecimentos sobre a forma de quitação das estimativas. Notese que conforme a Planilha 1, inexistem divergências entre as apurações da DIPJ e DCTF. Já de acordo com a Planilha 2, nos meses de março e abril/2004 houve compensação das estimativas IRPJ nos valores R$ 357.573,13 e R$ 1.495.158,39, respectivamente. Tais compensações ocorreram via PER/DCOMP` s 35213.64993.290604.1.3.576957 (fls.50/54) e 10235.85126.300404.1.3.570526 (fls. 55/59). Conforme as telas de fl.67, frente e verso, estas compensações resultaram nãohomologadas por impedimento legal para utilização do crédito. Portanto, tais compensações serão desconsideradas no total das estimativas efetivamente pagas. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.904568/200891 Resolução nº 1302000.355 S1C3T2 Fl. 264 3 No que se refere às estimativas que teriam sido quitadas mediante a utilização de IRRF, temos que tais deduções ocorreram nos meses de agosto a novembro/2004, além do aproveitamento no Cálculo do IRPJ sobre o Lucro Real (Ficha 12 A linha 13). Para fins de comprovação, o contribuinte juntou cópia simples do “Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” (fl.60). Essa DRJ/BEL tem entendido que a apresentação de cópia simples não é eficaz para fins de comprovação destas retenções. Exige se que a cópia tenha autenticação em cartório ou seja autenticada pela autoridade administrativa à vista do original. Em se tratando de cópia simples e considerando que a fonte pagadora tem a obrigação de apresentar a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, fazemos o cruzamento para fins de ratificação das informações. Neste sentido, as telas de fl.68, frente e verso, mostram que não inexiste retenção na fonte associada ao CNPJ da empresa “Envision Indústria de Produtos Eletrônicos Ltda”, razão pela qual o comprovante juntado aos autos será desconsiderado na apuração do IRPJ.” Assim, segundo a referida decisão, o valor do crédito de SNIRPJ/AC2004 não homologado pela DRJ (R$ 1.885.091,22) decorre da: a) da compensação nãohomologada do IRPJestimativa de março/2004, no valor de R$ 357.573,13, a que se refere a PER/Dcomp a fls. 57; b) da compensação não homologada do IRPJestimativa de abril/2004, no valor de R$ 1.495.158,39, a que se refere a PER/Dcomp a fls. 54; c) dos IRRF declarados na linha 7 da Ficha 11 dos meses de: agosto (R$ 20.571,62), setembro (R$ 3.967,63), outubro (R$ 3.750,57) e novembro (R$ 4.069,87), os quais compuseram o valor do total de IRPJestimativa pago, declarado na linha 17 da Ficha 12A. A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0120.988 em 12/04/2011 (AR a fls. 80), interpôs, em 16/05/2011 às 14:26 h (vide carimbo no rodapé da fl. 81), recurso voluntário (doc. a fls. 82 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o saldo negativo utilizado pela Recorrente para transmissão da referida DCOMP foi composto pela soma (i) das retenções de imposto na fonte sofridas pela Recorrente durante o anocalendário de 2004, no valor de R$ 4.007,64; (ii) de estimativas mensais de IRPJ extintas por meio de DARFs,durante os meses de janeiro a novembro do mesmo ano, no valor total de R$ 14.749.780,87; e (iii) de estimativas mensais extintas por meio de compensações (DCOMPS), no valor total de R$ 1.852.731,52; b) que o DARF de R$ 3.103.875,45, relativo ao mês de dezembro de 2004 não foi, como já conhecido neste processo, considerado pela Recorrente na apuração do IRPJ total pago por estimativas mensais, as quais, ao final do ano calendário, totalizaram, então, o montante de R$ 16.606.520,03; c) que no mês de março de 2004, o pagamento de estimativa mensal _de IRPJ foi efetuado mediante a transmissão de uma DCOMP, de n° 10235.85126.3000404.1.3.57 0526 (Doc. 03), e, no mês de abril do mesmo ano, o pagamento foi efetuado por meio de um Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.904568/200891 Resolução nº 1302000.355 S1C3T2 Fl. 265 4 DARF e também da transmissão de uma DCOMP, à qual foi atribuído o n° 35213.64993.290604.1.3.576957; d) que a DRJ jamais poderia ter desconsiderado as estimativas extintas pela Recorrente por meio das mencionadas compensações formalizadas por meio das DCOMPs nº 10235.85126.3000404.1.3.570526 e 35213.64993.290604.1.3.576957, pois se as autoridades da DRJ reconheceram que as DCOMPs em questão foram objeto de decisão desfavorável, como puderam elas deixar de observar que, apesar disso, há (ainda em andamento) discussão administrativa sobre este assunto, pois a a Recorrente apresentou Manifestação de lnconformidade em face do Despacho Decisório que não homologou as duas compensações em questão, defesa essa que deu origem ao processo administrativo n° 10283.002463/200634; e) que este e. CARF deve reconhecer as cópias dos informes de rendimento já apresentadas pela Recorrente como documentação hábil e idônea para comprovar as retenções de IRRF que compuseram o total das estimativas de IRPJ, e que, conforme demonstrado nos itens anteriores, contribuíram para composição do saldo negativo apurado pela Recorrente quando do encerramento do ano calendário de 2004. O recurso voluntário, a fls. 185 e segs., foi interposto em 02/05/2011 (conforme carimbo da DRF/Barueri nele aposto), logo é tempestivo já que a recorrente teve ciência do Acórdão recorrido em 12/04/2011 (AR a fls. 80). Somese a isso o fato de que o recurso voluntário foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme substabelecimento e procuração a fls. 202/204, razões pelas quais, dele conheço. Em consulta realizada no Eprocesso, em 16/01/2015, verifiquei que as DCOMPs a fls. 54 e 57 são objeto do PAF 10283.002463/200634, sendo que, nesta data, encontrase pendente de julgamento a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente em face da decisão que não as homologou. Ora, sendo tais matérias prejudiciais ao julgamento do recurso em tela, voto por converter o julgamento em diligência, com o fito de que estes autos sejam remetidos à DRF/Barueri, para: a) lá, aguardar a decisão final do PAF nº 10283.002463/200634, juntando cópia do referido acórdão nestes autos (decisão que não caiba mais recurso administrativo); e b) posteriormente, devolver estes autos ao CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720059/2013-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.814 1 1.813 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720059/201365 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.600 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 16 de novembro de 2014 Assunto IPI BEBIDAS Recorrente AMBEV BRASIL BEBIDAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que constitui créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/04/2008 a 31/12/2009 (fls. 1497/1534). A notificação aconteceu em 29/03/2014 (fl. 1569). O lançamento decorre da glosa de créditos nas seguintes situações, detalhadas pelo Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 1535/1568): 1) glosa de crédito básico em operações de transferência de produtos acabados enviadas de outra filial para o estabelecimento autuado, no período de abril de 2008 a julho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 05 9/ 20 13 -6 5 Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720059/201365 Resolução nº 3403000.600 S3C4T3 Fl. 1.815 2 2008, e em operações de aquisição de produtos acabados de diversas filiais, no período de agosto de 2008 a dezembro de 2009, pelas seguintes razões (fl. 1553): Como mencionado, a fiscalizada, durante o ano de 2008, sujeitouse ao Regime de Tributação da Lei 7.798/89 e dessa forma, o IPI destacado nas notas fiscais de transferência de Bebidas acabadas, não pode ser apropriado como crédito, pelos seguintes motivos: 1o) Os produtos citados acima, não se referem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem destinados à industrialização, são produtos acabados e destinados a comercialização; 2o) O IPI incide nos produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial, ou do estabelecimento equiparado a industrial, o que significa dizer que uma vez pago não será mais devido na operação seguinte; (....) A fiscalizada se equivoca, que por pertencer ao Regime Especial de Bebidas, o que ocorreu somente a partir de 2009, o estabelecimento pode se creditar do IPI das entradas de produtos acabados e fazer o respectivo débito do IPI nas saídas. Tanto o art. 4o da Lei 7.798/89, que disciplinou a tributação de bebidas referente ao ano de 2008, bem com o art. 58N da Lei 10.833/2003 (que disciplina a incidência do IPI no Regime Especial de Bebidas, de 2009 em diante), determinam que o IPI incidirá uma única vez sobre os produtos finais, na saída do estabelecimento industrial. O procedimento da fiscalizada não tem amparo legal e qualquer alegação, não dá validade a utilização indevida de crédito. Tanto é, que o § 1o, inciso IV, do art. 488, do RIPI/2002, caracteriza como infração tributária, quando os contribuintes destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal. (...) Como explicado anteriormente, a fiscalizada, equivocadamente, continuou a apropriar como crédito de IPI pago nas compras de produtos acabados. Tal creditamento, também é indevido. 2) glosa de crédito incentivado em relação às aquisições de insumos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM) ou da Amazônia Ocidental, os quais consistiriam resumidamente em concentrados e embalagens, para os quais a contribuinte havia entendido que se aplicaria a isenção prevista ou no art. 69, II, ou no art. 82, III, do RIPI/2002, cuja aplicação não foi admitida pela Fiscalização, pelas seguintes razões (fl. 1560): Esclarece que a PEPSI, utiliza como insumo o corante caramelo industrializado pela D.D. Williamson do Brasil Ltda, localizada na ZFM, que por sua vez, utiliza em seu processo produtivo, matéria prima agrícola (açúcar), proveniente do Estado de Mato Grosso, compreendido pela região amazônica, segando art. 2o da Lei 5.173/66 e art. 45 da LC n° 31/77. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720059/201365 Resolução nº 3403000.600 S3C4T3 Fl. 1.816 3 A D.D. Willianson do Brasil Ltda, informa que, o açúcar utilizado como matéria prima na fabricação de corante caramelo, tem os seguintes fornecedores: Usinas Itamarati S/A, desde o início da atividade até a corrente data, e a cooperativa Agroextrativista da Vila União, fornecedor de açúcar mascavo desde março de 2011 até a corrente data. A fiscalizada informa, com relação aos concentrados da PepsiCola, além da regra geral (art. 163, § 2o do RIPI/2002), que a matéria prima vegetal originária é o corante caramelo, e que detém os incentivos fiscais previstos no art. 9o do DecLei n° 288/67 e art. 6o do DecLei n° 1.435/75, concedidos pela Resolução Suframa n° 356/2002. O DecretoLei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 1o, § 4o, define a abrangência da Amazônia Ocidental, como sendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Art 1o ........................................................ § 4o Para os fins deste decretolei a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima. O art. 6o do Decreto n° 1.435/75 é claro ao dispor, que para que haja a isenção do IPI, sobre os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas de produção regional, essas matérias primas devem ser oriundas da Amazônia Ocidental. O açúcar utilizado na produção do corante caramelo, produzido pela D. D. Willianson do Brasil Ltda, é adquirido da Usina Itamarati S/A, CNPJ: 15.009.178/000170, localizada no Estado do Mato Grosso, conforme nota fiscal apresentada, anexada no eprocesso e consulta ao cadastro CNPJ. Dessa forma, inexiste para os concentrados sabor cola, matéria prima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional (Amazônia Ocidental), motivo pelo qual, a fiscalizada, não tem o direito de se creditar, como devido fosse, nos termos art. 175 do RIPI /2002, na aquisição desses concentrados. Para corroborar, e confirmando as informações acima, as notas fiscais, emitidas pela Pepsi, com referência aos concentrados, em favor da fiscalizada, anexadas no eprocesso, mencionam apenas o inciso II, do art. 69 do Dec. 4.544/02. Diante do exposto, tais créditos foram glosados pela fiscalização. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 1582/1717) sustentando em síntese o seguinte: 1) quanto à glosa de créditos básicos nas operações de transferência ou aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico, alega que recolheu o imposto na saída destas mesmas mercadorias, de maneira que em relação às transferências, quando muito, teria havido apenas a postergação no pagamento do imposto e, quanto às aquisições, não se poderia glosar apenas o crédito sem Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720059/201365 Resolução nº 3403000.600 S3C4T3 Fl. 1.817 4 realizar, também, a retirada da saída do mesmo produto da incidência, visto que já tributado em operação anterior; 2) quanto à glosa de créditos ́incentivados, que deverias ser revertida porque a Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA aprovou o projeto apresentado por PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda. e reconheceu expressamente que ela faz jus ao incentivo previsto no artigo 6° do Decretolei nº 1.435, de 1975, fundamento legal dos artigos 82, III, e 175 do RIPI/2002, sendo vedado à Fiscalização desqualificar o certificado emitido pela SUFRAMA, além de que, devese reconhecer que existem dois conceitos a serem considerados: que a Amazônia Legal é uma região, enquanto a Amazônia Legal seria uma área, de maneira que, quando o texto legal trata de estabelecimento industrial exige expressamente que seja situado na área da Amazônia Legal, mas depois se refere de forma mais abrangentes a insumos da região, com o que sinalizaria a existência de dois conceitos diferentes, de duas abrangências. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1442.321, de 29 de maio de 2013 (fl. 1728/1753), julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento pelos seguintes fundamentos sintetizados em sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA e, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, há descumprimento dos requisitos do processo produtivo básico fixados em atos normativos. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS DESONERADOS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOOĹICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720059/201365 Resolução nº 3403000.600 S3C4T3 Fl. 1.818 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1766/1791), insistindo no reconhecimento do direito ao crédito em relação aos insumos que o fornecedor e a SUFRAMA atestam serem produzidos a partir de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais da região amazônica. Afirma que a PepsiCola Indústria da Amazônia Ltda. teria atestado que as mercadorias fornecidas à Recorrente fazem jus ao benefício previsto no art. 82, inc. III, do RIPI/2002, o qual admite que o adquirente registre crédito do IPI em relação aos insumos isentos por ela produzidos. Tal afirmação é corroborada pela SUFRAMA, órgão ao qual foi atribuída a competência legal para conceder, fiscalizar e avaliar os incentivos dos estabelecimentos instalados na ZFM, na medida em que o projeto da PepsiCola tem fundamento no art. 6° do Decretolei no 1.435, de 1975, no qual se fundamentam os arts. 82, III, e 175 do RIPI/2002. Além disso, a própria SUFRAMA esclareceu, em resposta a consulta formulada pela PespsiCola, que o estabelecimento industrial incentivado deve estar localizado na Amazônia Ocidental, porém, os insumos agrícolas ou vegetais por ele utilizados podem ser provenientes de qualquer parte da Amazônia Legal, que é mais ampla do que a Amazônia Ocidental. Ainda, por força do art. 40 do ADCT, as mercadorias originárias da ZFM devem obrigatoriamente se sujeitar a regime fiscal mais vantajoso que os produtos produzidos nas demais regiões do País, o que exige a consideração de crédito correspondente ao IPI desonerado na operação com mercadoria isenta. A vedação ao direito de crédito sobre os insumos isentos originários da ZFM faz com que tais produtos sejam submetidos ao mesmo tratamento a que estão submetidas as mercadorias industrializadas nas demais localidades do Brasil, o que torna improcedente a exação fiscal. Por fim, rechaça a imputação de falta de recolhimento de IPI em decorrência da apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias. Quando muito, a Fiscalização poderia ter exigido juros de mora e multa de ofício isolados por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 12/08/2013 (fl. 1766), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação da DRJ, ocorrida em 11/07/2013 (fl. 1764). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. Entre os temas que serão submetidos a julgamento está a glosa dos créditos básicos relacionados às transferências ou aquisições de bebidas de outros estabelecimentos industriais fabricantes de bebidas para o estabelecimento da autuada. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720059/201365 Resolução nº 3403000.600 S3C4T3 Fl. 1.819 6 Em julgamento ocorrido no início deste ano, realizado por esta Turma, envolvendo a mesma contribuinte e o mesmo tema, apenas tratando de período diferente, a mesma questão deu causa à conversão do julgamento em diligência (Resolução 3403000.542, PA 18470.731952/201169, Rel. Cons. Alexandre Kern). É conveniente recordar do que trata a questão. A Fiscalização glosou os créditos básicos de IPI que correspondiam a aquisições de produtos acabados, em razão de tais operações não configurarem aquisição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem – que são as únicas hipóteses que autorizam o creditamento. O contribuinte, desde a impugnação, combate tal glosa sob o fundamento de que estes mesmos produtos adquiridos, quando depois foram revendidos a terceiros, foram novamente submetidos à incidência única do IPI. O fato ganha relevo especialmente por se estar tratando de bebidas não alcoólicas submetidas à incidência única do IPI, em razão do Regime Especial de Tributação aplicados a estes produtos. A listagem dos produtos que foram adquiridos ou transferidos de outros estabelecimentos, em relação aos quais houve o crédito de IPI, então glosado pela Fiscalização, encontrase nas fls. 1426/1457 (abril/2008 a dezembro/2009) e o resumo geral dos valores envolvidos na fl. 1496. Considerando que, embora não tenha havido a demonstração cabal por parte do contribuinte de que estes mesmos produtos adquiridos foram depois revendidos e, neste segundo momento, lançado o débito do IPI na forma da incidência única, a Fiscalização também não adentrou nesta investigação, que considero ser de suma importância para descartar a possibilidade de exigência em duplicidade da incidência única do IPI. Adoto para o caso, pois, as seguintes mesmas conclusões e providências definidas na Resolução daquele caso anterior, nos seguintes termos: “(...) Pareceme que a questão merece aprofundamento, para que se descarte definitivamente a possibilidade de se estar a exigir crédito tributário indevido. Nesse sentido, proponho que se converta o presente julgamento seguintes providências: a) em diligência à autoridade lançadora, para que lá se tomem as intimese o autuado a fazer prova cabal de sua alegação de lançamento indevido de débitos nas saídas de mercadorias recebidas para revenda, alertandose o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos;; sem a necessária conciliação entre os registros contábeisfiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindose os débitos indevidamente lançados; Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720059/201365 Resolução nº 3403000.600 S3C4T3 Fl. 1.820 7 c) repercutase a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; d) dêse ciência desse parecer ao autuado, abrindoselhe o prazo regulamentar para manifestação, e; e) devolvase o processo para esta 3a TO/3a C/3a S/CARF, para prosseguimento do julgamento. Voto, portanto, pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as mesmas providencias no presente caso. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11442.000214/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 02 14 /2 01 0- 83 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000214/201083 Acórdão n.º 3301002.433 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13839.000573/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 27/12/2005, 05/01/2006, 06/01/2006, 11/01/2006, 19/01/2006, 01/02/2006
DANO AO ERÁRIO. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA DE VALOR EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A importação de mercadorias com a utilização de recursos de terceiros presume-se por conta e ordem deste. O registro da Declaração de Importação sem a efetiva identificação do responsável pela operação viola o controle aduaneiro e caracteriza-se como dano ao Erário, sujeitando à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas consumidos ou não localizadas.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora), Demes Brito e Luiz Roberto Domingo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO - Relatora
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, José Henrique Mauri e Demes Brito.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA DE VALOR EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A importação de mercadorias com a utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste. O registro da Declaração de Importação sem a efetiva identificação do responsável pela operação viola o controle aduaneiro e caracterizase como dano ao Erário, sujeitando à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas consumidos ou não localizadas. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora), Demes Brito e Luiz Roberto Domingo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 05 73 /2 00 7- 15 Fl. 804DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 4 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, José Henrique Mauri e Demes Brito. Relatório Complemento do relatório de fls. 661 a 667: Retornou o presente processo a essa instância de julgamento, primeiro para atender a Resolução de nº 3012093 de 09.12.2008 desse colegiado, com outra formação, tendo sido atendido com as informações de fls. 727 que informa: “Tratase de diligenciamento realizado conforme determinação afls. 668 para trazer aos autos as informações ali solicitadas, inclusive apreciação do recurso ao indeferimento dentro do processo de habilitação ordinária no Siscomex sob n° 13839.001845/200524. Desta forma, após localizar o recurso tempestivo que houvera se extraviado em área distinta desta EFA/DRF Jundiaí, foi o mesmo submetido à apreciação concluindo se pela manutenção do indeferimento ao pedido de habilitação ordinária no Siscomex, segundo as razões explicitadas em despacho a fls. 116/118, do processo n° 13839.001845/200524. Todavia, inconformado com o desfecho desfavorável, o interessado entrou com pedido de reconsideração o qual foi indeferido conforme despacho as fls. 134/136, do processo n° 13839.001845/200524. Assim, considerando a determinação a fIs. 668 de se trazer aos autos "... todas as informações pertinentes a esse pedido de Revisão de Valores da Recorrente", providenciamos a juntada a este por apensação do processo de habilitação no Siscomex sob n° 13839.001845/200524 e propomos o seu envio ao CARF/Terceiro Conselho de Contribuintes/Primeira Câmara, para prosseguimento”. Em fls. 674, verificase que para atendimento a diligência acima foi verificada que não havia sido dado ciência do sujeito passivo solidário Intersteel Aços e Metais Ltda, do acordão da DRJ/SPOII, e com as justificativas de fls. 675 e 676 o processo foi encaminhado à Derat. Em consequência, houve a intimação nº 1078/2010 do sujeito passivo solidário em fls. 678 com aviso de recebimento em 24/05/2010. Em 06/07/2010 a Recorrente Supply Logística e Comércio Exterior Ltda, fls. 671, vem aos autos juntar informações e documentos para esclarecer as alegadas irregularidades mencionadas pela União em relação à Recorrente no presente Recurso Voluntário de “...que não houve comprovação documental do estabelecimento importador, devido ao fato da escritura do imóvel, da conta telefônica e da conta de energia elétrica não estarem em nome da empresa Recorrente, além da alegação de que o alvará de funcionamento estava vencido, quando do pedido de habilitação. Por fim, houve a alegação de que a Recorrente possuía relação jurídica ou societária com a empresa Intersteel Aços e Metais Ltda, o que caracterizava a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, objeto do presente auto de infração de perdimento de bens.” Fl. 805DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 5 3 Segundo a Recorrente Supply, tais alegações não merecem prosperar e esclarece: “1 Conforme cópia de conta telefônica anexa (já apresentada anteriormente), houve cessão em comodato de Carmelino Francisco Julio para a Recorrente e a conta de telefone celular está em nome da Supply; 2 – Existe Termo de Comodato do imóvel de propriedade do sócio da Recorrente, Sr. Jose Bonifácio Soares Costa, com a respectiva conta de energia elétrica, autorizando o uso pela pessoa jurídica; 3 – Segue anexo Alvará de Funcionamento da empresa, válido durante o período em que foi solicitada a habilitação; 4 – Por fim, seguem sentença definitiva em ação de cobrança e respectivo termo de acordo judicial em que a Intersteel Aços e Metais Ltda foi condenada a pagar valores devidos à Recorrente (Supply), em razão de acordo não cumprido, demonstrando a inexistência de relação jurídica ou societária entre tais empresas, totalmente distintas.” E por isso, requer à reforma da decisão recorrida juntando os documentos citados até fls. 682. Em fls. 683 a 703 a empresa Intersteel Aços e Metais Ltda apresenta seu Recurso Voluntário, datado de 23/06/2010, onde resumidamente expõe suas razões, como dos fatos, do direito (da realização de importação pela Suppyl e da compra de mercadorias nacionalizadas pela Intersteel), das razões da compra pela Intersteel dos produtos nacionalizados pela Supply, da comprovação da efetiva compra das mercadorias fornecidas pela Supply pela Intersteel; da definição de importação por conta e ordem e da impossibilidade de ser aplicada às operações relacionadas a autuação; da impossibilidade de se aplicar a presunção legal do suposto ilícito; da impossibilidade da aplicação da pena de perdimento convertida em multa de 100% do valor aduaneiro; da relevação da multa; e finalmente do seu pedido que foi no sentido de entender ter demonstrado a forma inequívoca a impropriedade do ato administrativo que exarou o auto de lançamento e requereu o provimento do seu Recurso Voluntário e consequentemente do auto de infração e sua remessa ao arquivo. Levado a julgamento o presente processo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, através da 2º Turma proferiram o Acórdão DRJ/SPOII nº. 1718.649 de 19 de junho de 2007, cuja ementa é o seguinte: Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Ano calendário: 2005, 2006 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Lançamento Procedente Fl. 806DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 6 4 É o relatório final. Voto Vencido Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Os Recursos Voluntários das Recorrentes (Supply e Intersteel) são tempestivo e deles tomo conhecimento, por conter todos os demais requisitos de admissibilidade. Como se observa, o retorno dos autos a esse Conselho, não serviu apenas para aclarar e movimentar o processo de nº 13.839.001845/200524 que estava arquivado sem julgamento de recurso do contribuinte Supply extraviado em área distinta da EFA/DRF Jundiaí, mas, também, serviu para sanear o presente processo dandose ciência do sujeito passivo solidário Intersteel do acórdão aqui recorrido da DRJ/SPOII. Com as informações prestadas pela Recorrente Supply em fls. 671 e a apresentação do Recurso Voluntário de fls. 683 a 703 da Recorrente solidária Intersteel, entendo estar o presente processo em condições de ser julgado por essa 2º instância administrativa. A acusação que reside no presente processo é o da “ocultação do real adquirente”, “dano ao erário” – consequência: “pena de perdimento – convertida em multa”. Assim, o cerne da lide é saber se houve ou não a ocultação do real sujeito passivo, comprador ou responsável pela operação de importação conduzida pela Recorrente Supply, capaz de redundar na aplicação do perdimento e, em última análise, da multa pela sua conversão, objeto do lançamento em tela. Tudo isso para justificar a alegada interposição fraudulenta causadora de “dano ao erário” se ocorrido. Identificada a lide, passo ao exame. Para tanto, farei uso da brilhante aula sobre a matéria que delimita a lide contida no voto condutor do Acórdão nº 3402002.362, da 4º C. 2ª Turma de Julgamento dessa corte, CARF, cujo relator designado foi o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D’eça: “Como é curial o controle aduaneiro das importações e exportações, são uma decorrência lógica e direta do acúmulo de competências constitucionais privativamente deferidas à União, para legislar sobre comércio exterior e câmbio (art. 22, VII e VIII da CF/88), para fiscalizar as operações de câmbio (art. 21, VIII da CF/88), portos, aeroportos e fronteiras (art. 21, XXII da CF/88), bem como para tributar a importação, exportação e câmbio (art.155, I, II e V da CF/88. A complexidade dos diversos fatores que envolvem o comércio internacional (econômicos interno e externo, tributário, fitossanitário, ambiental, industrial e etc.) e a consequente diversidade de órgãos estatais (Banco Central, diversos Ministérios, Secretarias, e etc.) atuando nas várias áreas específicas de competência envolvidas nas transações internacionais, obviamente dificulta a coerência interna do sistema e de coordenação entre os Fl. 807DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 7 5 diversos órgãos de atuação, o que impõe não só a uniformização das regras, critérios e procedimentos de controle aduaneiro das importações e exportações, como a especificação da competência dos órgãos de regulamentação, controle, fiscalização da execução das referidas normas. No caso específico da importação o controle aduaneiro se exerce fundamentalmente sobre a pessoa do importador, previamente habilitado pela Secretaria da Receita Federal para exercer as atividades de importação (arts. 542 e 549 do RA/09), e incide sobre um campo de incidência complexo, compreensivo de uma série de atos consecutivos que se desdobram, desde a autorização, concedida pelo Governo Federal para a importação (Licença de Importação – LI; art.550 do RA/09), passando pela entrada em território nacional e “conferência aduaneira” da mercadoria (art.564 do RA/09), até a sua incorporação definitiva ao comércio ou ao consumo nacionais, que à final se dá com o “desembaraço ao comércio ou ao consumo nacionais, que à final se dá com o “desembaraço aduaneiro” da mercadoria (art.571 do RA/09), através do qual se efetua a entrega da mercadoria ao importador, expedindose Comprovante de Importação – CI, que é o documento comprobatório da regularidade da importação (art. 571, § 2º do RA/09; art.76 da IN/SRF nº 206 de 25/09/02; art. 28 da IN/SRF nº 357 de 02/09/03; art. 66 da IN/SRFB nº 680/06), e habilita a mercadoria para a venda no mercado interno. Por outro lado, no campo sancionatório, embora não se ignore que um mesmo fato pode, em tese, lesionar a interesses distintos, protegidos e sancionados por diferentes normas, formas e órgãos dos Poderes Públicos (Poderes Executivo e Judiciário), cujas esferas de responsabilização (civil, penal e administrativa), são, em tese, independentes (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 677585RS, em sessão de 06/12/05, Rel. Min. LUIZ FUX, publ.in DJU de 13/02/06, p.679), também, não se pode olvidar que inserindose num mesmo sistema jurídico, estas esferas de responsabilização devem obedecer a um mínimo de coerência e racionalidade na apreciação e qualificação dos fatos tributários e aduaneiros, não se admitindo antinomias, desproporcionalidade, excesso ou decisões contraditórias, entre os órgãos jurisdicionais e sancionadores do Estado, na aplicação dos princípios que informam as atividades tributária e aduaneira asseguradas na Constituição. A evidente afinidade estrutural e teleológica entre as sanções criminais e administrativas, e a aplicabilidade dos princípios informadores do Direito Penal ao Direito Administrativo, já foram ressaltadas tanto pela Doutrina (cf. Nelson Hungria in “Ilícito Administrativo e Ilícito Penal” publ. na RDA Seleção Histórica Ed. Renovar Ltda.1991, págs. 15/21), como pela jurisprudência (cf. Ac. Da 1º Turma do STJ no REsp nº 75730PE, em sessão de 03/06/1997, Rel. Min. HUMBERTO GOMES DE BARROS, publ. in DJU de 20/10/97 pág. 52.976) e, referindose à necessária correlação entre a infração e sanção tributária e a infração e sanção penal, Geraldo Ataliba lembra que o “direito penal é direito de superposição”, posto que “a lei penal reportase à lei tributária” e, portanto, o intérprete e aplicador da lei penal não poderá dar por ocorrido o fato criminoso sem determinar com precisão e rigor a obrigação Fl. 808DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 8 6 tributária, suas características e peculiaridades estruturais e funcionais, em suas perspectivas estáticas e dinâmicas”, pois “enquanto não delineada uma situação concreta, à luz do direito tributário, de modo a tornar inquestionáveis as circunstâncias de fato e sua qualificação legal, é impossível darse por configurado o crime fiscal” (cf. Geraldo Ataliba em Parecer intitulado “Denúncia Espontânea e Exclusão da Responsabilidade Penal” in RDT vol. 66/1729). Nessa ordem de idéias, o Princípio da Tipicidade Tributária exige, não só que as condutas tributáveis e as respectivas obrigações e sanções tributárias delas decorrentes, seja devida e exaustivamente tipificada pela lei, mas que a tributabilidade e responsabilidade de uma conduta somente se dêem quando ocorra sua exata adequação ao tipo legal, sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN), não prevista expressamente na descrição da lei tributária especifica. Nesse sentido a Jurisprudência já assentou que “o princípio mor da legalidade e exige tipicidade estrita em sede tributária”, de tal forma que “incorrendo a hipótese de incidência, tal como prevista na lei, inexigível é a exação, e por isso mesmo, qualquer punição administrativa decorrente da obrigação tributária”, “restando vedada qualquer interpretação extensiva por força do artigo 111 do CTN” (cf. AC. da 1º Turma do STJ no REsp 662.882RJ, Reg. nº 2004/00729225, em sessão de 06/12/2005, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. In DJU de 13/02/06 p.672).” Diante dessas premissas, no caso concreto, verificase que a Recorrente Intersteel foi acusada de ser a “real importadora oculta das importações registradas pela empresa Supply de mercadorias classificadas nas posições 72191300, 72191400 e 7222.2000, razão pela qual a d. fiscalização entendeu que houve a intenção de ocultar a real adquirente mediante simulação de venda enquadrando a interessada nos seguintes dispositivos legais: . IN SRF 228/2002, artigo 11, parágrafo único, inaptidão do CNPJ; . IN SRF 228/2002, artigo 11, inciso I, combinado com artigo 23, inciso V do Decreto Lei nº 1455/76, alterado pela lei nº 10.637/2002: perdimento das mercadorias objeto do presente procedimento fiscal. . Artigo 23, parágrafo 3º do Decreto Lei nº 1455/76, alterado pela lei nº 10.637/2002: conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, tendo em vista tratarse de mercadoria consumida e/ou de destino incerto. . Com fundamento no disposto no artigo 95 do Decreto lei nº 37/66, bem como os artigos 124, 125 e 135 do CTN, respondem solidariamente, as empresas Supply Logística e Comércio Exterior Ltda e Intersteel Aços e Metais Ltda. Relativamente ao dispositivo capitulado na peça acusatória, ou seja, art. 23, inc. V do DecretoLei 1.455/76, que autorizaria a aplicação da pena de perdimento ou da multa alternativa, verificase que a lei descreve uma conduta (ocultar o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros desembaraçar mercadorias estrangeiras cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a Fl. 809DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 9 7 comprovação da “ocultação” de quaisquer dos intervenientes na importação expressamente mencionados, “mediante fraude ou simulação”. E aqui cabe destacar que o ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli em voto magistral recentemente acolhido pela 4º C. 2º Turma: “não basta a ‘ocultação pura e simples’, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76.” (Cf. Acórdã o nº 402002.2275, da 2ª Turma da 4ª Câm. da 3ª Seção do CARF no Proc. Nº 10983.721008/201292, em sessão de 28/01/2014, Rel. Cons. Des. João Carlos Cassuli). Também, cabe lembrar, que por se tratar de infrações conceituadas por lei como crimes, em cuja definição o dolo específico é elementar (arts.334, § 3º e 299 do CP), a responsabilidade pelas infrações acusadas no Auto de Infração (art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76) é imputável pessoal e individualmente a cada um dos agentes (art.137 do CTN), aplicandose o princípio da personalidade ou intranscedência da sanção constitucionalmente assegurado (art. 5º, XLV da CF/88) que impede que sanção eventualmente aplicada ao infrator ou devedor original se transmita ou se estenda a pessoas alheias à infração. Aqui, também, cabe como uma luva, outros trechos do voto já mencionado do Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’eça, que em sua homenagem, vou aqui repetir: “Nesse sentido a Jurisprudência do E. STJ já assentou que “tratandose de infração tributária, a sujeição à sanção correspondente impõe, em muitos casos, o questionamento acerca do elemento subjetivo, em virtude das normas contidas no art.137 do CTN, e da própria ressalva prevista no art. 136”, razão pelo qual “não se tem consagrada de nenhum modo em nosso Direito positivo a responsabilidade objetiva enquanto à sujeição à sanção penalidade” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 777.732/MG, Reg. nº 2005/01438993, em sessão de 05/08/08 Rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 20/08/08) sendo que “a pena de perdimento até por ser pena não pode abstrair o elemento subjetivo, nem desprezar a boafé” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp. Nº 315.553/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, publ. in DJU d e 12/11/01; cf. tb. EMENTÁRIO DO S.T.J., 15/21). Dos preceitos retro transcritos já de início verificase que para a configuração da infração descrita no primeiro dispositivo capitulado na peça acusatória (art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66),que autorizaria a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa, a lei descreve uma conduta (desembaraçar mercadoria estrangeira cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a comprovação do pagamento em parte dos tributos aduaneiros em razão de artifício doloso, no caso não produzida no Auto de Infração, que se restringe à exigência de multa, sem qualquer exigência adicional de tributos aduaneiros. Nesse sentido a jurisprudência do E.STJ tem reiteradamente proclamado que “o crime de descaminho, por também possui natureza tributária, eis que tutela, dentre outros bens jurídicos, o erário público”, “pressupõe a existência de um tributo que o agente logrou êxito Fl. 810DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 10 8 em reduzir ou suprimir (iludir)” razão pela qual “depende, para sua caracterização, do lançamento definitivo do tributo devido pela autoridade administrativa” (cf. Ac. da 6ª Turma do STJ no HC 109205/PR, Reg. nº 2008 /01362550, em sessão de 02/10/08, Rel., JANE SILVA DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/MG, publ. in DJU de 09/12/20 08 e RT vol. 882 p. 569; cf. tb. Ac. da 6ª Turma do STJ no HC nº 48805/SP, Reg. nº 2005/01693509, em sessão de 26/06/07, Rel. Min. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, publ. in DJU de 19/11/07 p.294). Da mesma forma a Jurisprudência Judicial tem reiteradamente ressaltado a imprescindibilidade da prova do dano ao erário, da dimensão e extensão do dano para a configuração da materialidade da infração que justifica a aplicação da severa pena de perdimento e sua conversão em multa, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MERCADORIA IMPORTADA. DANO AO ERÁRIO INEXISTENTE. PENA DE PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. 1. Ausente a comprovação do dano ao erário, devese flexibilizar a aplicação da pena de perda de mercadoria estrangeira prevista no art. 23 do DecretoLei n. 1.455/76. 2. Recurso especial improvido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 639252PR, Reg. nº 2004/00050800, em sessão de Fl. 21/11/2006, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, publ. in DJU de 06/022/07 p. 286) “ADMINISTRATIVO. PENA DE PERDIMENTO DE VEÍCULO. ENQUADRAMENTO COMO INGRESSO TRANSITÓRIO DE AUTOMÓVEL. INAPLICABILIDADE. 1. Não se aplica a pena de perdimento prevista nos arts. 27 da Portaria DECEX n. 8/91 e 23, I, parágrafo único, do DecretoLei nº 1.455/76 na hipótese em que o bem objeto de apreensão – veículo automotor cujo proprietário reside em outro país ingressa no território brasileiro somente para trânsito temporário. 2. É requisito para a aplicação da pena de perdimento, a teor dos referidos dispositivos, a existência de mercadoria importada, assim como a ocorrência de atos que causem dano ao erário, circunstâncias ausentes no caso em apreço. 3. Recurso especial improvido.” (cf Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 507364/SC em sessão de 05/12/06, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, publ.in DJU de, DJ 07/02/2007, p.274). Assim, ante a falta de comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado no pagamento apenas parcial dos tributos aduaneiro s em razão de artifício doloso, que constitui pressuposto para a aplicação da Fl. 811DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 11 9 pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66. Relativamente ao segundo dispositivo capitulado na peça acusatória (art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76), que autorizaria a aplicação da pena de perdimento ou da multa alternativa, verificase que a lei descreve uma conduta (ocultar o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros desembaraçar mercadoria estrangeira cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a comprovação da “ocultação” de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, “mediante fraude ou simulação”. O conceito de fraude é fornecido pelo artigo 72, da Lei 4.502/64 que expressamente dispõe que: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento.” No caso concreto, também, não acontece quaisquer das hipóteses mencionadas no dispositivo mencionado, pois, não existe no Auto de Infração qualquer comprovação de insuficiência no pagamento dos tributos aduaneiros e muito menos em razão de artifício doloso, vez que o referido lançamento se restringe exclusivamente à exigência de multa, sem qualquer exigência adicional de tributos aduaneiros. Também, não vislumbro a ocorrência de qualquer “ocultação” “mediante simulação” que tivesse por fim prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato relevante para o controle aduaneiro ou para a arrecadação tributária, que justificasse a aplicação da pretendida pena de perdimento. Os fatos trazidos aos autos, dão conta que a empresa Supply, contratou câmbio, recebeu fatura comercial em seu nome, emitiu notas fiscais de entrada e saída a título de compra e venda, além de contabilizar a operação como compra e venda de mercadorias de seu estoque. O pagamento parcial efetuado pela Intersteel foi feito a título de sinal à Supply, com fundamento no artigo 417 do Código Civil, posteriores ao registro da DI no SISCOMEX. No presente processo, podemos observar que a alegação de sonegação de tributo federal, dano ao erário ou falta de recolhimento de IPI, não existiu, porque como alega a Recorrente Supply efetivamente recolheu um valor a maior na operação por ter sido por conta própria se comparado a importação por conta e ordem de terceiros. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 12 10 A Recorrente solidária Intersteel, por sua vez, alega e comprova que foi alvo da IN/SRF nº 228/02 para verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta, mas que ao final houve o restabelecimento completo do seu CNPJ. Que a compra das mercadorias já nacionalizadas pela Supply no mercado interno, foi sim por um período curto e que até teve dificuldades de pagar um saldo de R$ 97.000,00 já na primeira revenda, ocorrida em 22.12.2005, que a levou a fazer um acordo judicial para esse pagamento o que contraria a acusação fiscal de que os recebimentos se deram de forma antecipada. Finalmente, todas as acusações e indícios fiscais foram comprovados e contrariados pelas Recorrentes, inclusive com juntada de diversos documentos. Contudo, ante a falta de comprovação da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação expressamente mencionados, que constitui pressupostos para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, também, não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta das Recorrentes em relação ao disposto no art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76. Também, corroboro com aqueles que entendem que quanto a suposta solidariedade passiva o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 – aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, aplicável na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Novamente, vou aqui repetir mais alguns trechos do brilhante voto do Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’eça, em acordão já citado: “A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratandose de dispositivos legais que tipificam uma única conduta – “acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior , evidenciase o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulala ou agravala sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator, pois como expressamente determina o art. 100 do Decretolei nº 37/66, “in verbis”: “Art.100 – Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido”. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 13 11 Não se inserindo em nenhuma das condutas tipificadas nas normas capituladas na peça acusatória, não há como manter as pretensões fiscais, pois como já assentou a Jurisprudência deste E. Conselho “a aplicação de penalidade depende da verificação suficiente e necessária do fato descrito como infracional, para que o ato a ele afrontoso permita a aplicação da penalidade cominada, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada” (cf. Ac. nº CSRF/0201.845 da 2ª Turma da CSRF, Rec. nº 202099209, Proc. nº 10907.000178/9562, em sessão de 11/04/2005, rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer), vez que “a responsabilidade pela introdução clandestina ou irregular no país de mercadoria de procedência estrangeira não pode ser imputada em cadeia a todos aquele s que participaram de transações com elas relacionadas, salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade (precedentes: Acórdãos nºs 20162.893/84 e 20200.517/8 5, entre outros). (...)” (Ac. nº 20166.430, de 04/07/90, da 1ª Câm. do 2º CC DOU de 08/06/95, pág. 8288), in casu incomprovada. Nessa ordem de idéias, vale lembrar ainda a preciosa lição ministrada pelo E. STJ na voz da E. Min. DENISE ARRUDA, quando ressalta que : “os atos da Administração Pública devem sempre pautarse por determinados princípios, dentre os quais está o da legalidade. Por esse princípio, todo e qualquer ato dos agentes administr ativos deve estar em total conformidade com a lei e dentro dos limites por ela traçados. (...) A aplicação de sanções administrativas, decorrente do exercício do poder de polícia, somente se torna legítima quando o ato praticado pelo administrado estiver previamente definido pela lei como infração administrativa.(...). É descabida, assim, a aplicação de sanção administrativa à conduta que não está prevista como infração" (RMS 19.510/GO, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 3.8.2006).(...)”(cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RMS nº 21274GO, Reg. nº 2006/00076016, em sessão de 26/09/06, rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 16/10/06 p. 292)”. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO aos recursos voluntários dos contribuintes Supply e Intersteel, para reformar a decisão recorrida e cancelar a multa alternativa de perdimento porque aplicada na ausência dos pressupostos legais. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 814DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 14 12 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes Inobstante os relevantes argumentos trazidos pela Ilustre Conselheira Relatora, ouso descordar de suas conclusões e de sua interpretação ao direito aplicável à matéria em litígio. O lançamento diz respeito à infração de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros (Art. 23, V e § 1.º, DL 1.455/76), prática definida como dano ao Erário, para a qual está prevista a pena de perdimento das mercadorias, ou multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos termos do Art. 23, § 3°, do mesmo Decretolei, no caso de consumo dos bens importados. Passo, inicialmente, a verificar o tipo infracional “dano ao Erário pela ocultação do sujeito passivo, real comprador e responsável pela operação”. Do dano ao Erário pela ocultação do sujeito passivo Toda a normativa de combate à interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior brasileiro fundamentase no artigo 237 da Constituição Federal, onde consta a expressa referência ao Controle Aduaneiro pelo constituinte: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. O dispositivo constitucional reproduz a principal função aduaneira: o controle exercido sobre o comércio exterior. Tratase da adoção pelo constituinte brasileiro do princípio do controle aduaneiro, sem o qual não haveria função aduaneira, retratando também o princípio da soberania nacional. Podese considerar o Controle Aduaneiro como o bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro, representando o poder soberano do Estado e seu poder de polícia, atuando na proteção da sociedade, através do combate à importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas, como instrumento de combate ao tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro, como proteção à sociedade no que diz respeito à saúde pública e proteção do meio ambiente, além da proteção da economia nacional. Reflete também outra característica do Direito Aduaneiro: a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados. Portanto, toda a análise das normas infraconstitucionais aduaneiras e operações de comércio exterior devem ter como referência a obediência ao controle aduaneiro, por expressa determinação constitucional. No Brasil, a previsão legal do controle aduaneiro está no artigo 44 do Decretolei nº 37/66, verbis: Fl. 815DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 15 13 Art.44 Toda mercadoria procedente do exterior por qualquer via, destinada a consumo ou a outro regime, sujeita ou não ao pagamento do imposto, deverá ser submetida a despacho aduaneiro, que será processado com base em declaração apresentada à repartição aduaneira no prazo e na forma prescritos em regulamento. (Redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 01/09/1988) A Declaração de Importação – DI apresentada pelo importador é o documento base para o despacho aduaneiro de importação, conforme previsão legal. Seu registro, de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consiste em sua numeração por meio do SISCOMEX, serve como termo inicial para o despacho aduaneiro e como referência para cálculo do imposto de importação. Tratase de informações prestadas exclusivamente pelo importador, através do SISCOMEX, que são registradas eletronicamente e recebem uma numeração sequencial. A declaração de importação deverá conter a identificação do importador, a identificação, classificação, valor aduaneiro e a origem da mercadoria, além de outras informações relativas à operação de importação, conforme determinação da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A identificação do importador e do responsável pela operação é elemento indispensável para que a administração aduaneira exerça o devido controle sobre as operações de importação. Aqui a matéria aduaneira utilizase de institutos tributários, com a identificação do sujeito passivo em atendimento à norma que se retira do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, apontando quem são os sujeitos de direitos obrigados ao pagamento dos tributos ou das penalidades pecuniárias, conforme definição do artigo 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único, O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O artigo 1º do DecretoLei nº 37/66 dispõe que o Imposto de Importação incide sobre mercadoria estrangeira, definindo seu fato gerador na entrada de mercadoria de origem estrangeira no território nacional. O seu artigo 31 definiu como contribuinte do imposto o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional. Portanto, qualquer pessoa que promover a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, além de outras expressamente determinadas por lei, figurase no pólo passivo da obrigação tributária, devendo ser identificada na competente Declaração de Importação. Entretanto, nem sempre quem é declarado como importador efetivamente o é de fato. Em determinadas operações quem efetivamente promove a operação de importação, ordena ou provoca de alguma forma a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional, não figura na operação como importador ou responsável, por motivos diversos1. Esse 1 Relacionase algumas vantagens que podem ser auferidas indevidamente pela prática da ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação: (i) burlar os controles de habilitação para operar no comércio exterior, evitando uma auditoria preventiva por parte da fiscalização aduaneira; (ii) blindagem patrimonial, no caso de possível lançamento tributário; Fl. 816DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 16 14 sujeito oculto é o real detentor dos recursos, a pessoa que detém capacidade contributiva compatível com a operação e não figura na operação como importador. Em virtude do emprego de fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, ocultase da relação obrigacional tributária, de modo a ludibriar a ação fiscalizatória da Receita Federal do Brasil – RFB. Como conseqüência do acentuado desenvolvimento do comércio exterior, visando a transparência das operações de importação e o efetivo controle aduaneiro, no início do século XXI houve uma evolução na legislação aduaneira, com a edição de diversas normas que procuraram regular as operações de importação, dentre as quais destacase a Medida Provisória nº2.15835, de 24/08/01, que assim dispôs: Art 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; [...] Com base no dispositivo legal supra, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF nº225, de 18/10/02, regulamentando as importações "por conta e ordem de terceiros”: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, (iii) quebra da cadeia de incidência do IPI; e (iv) lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 17 15 o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. A atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiros condicionase ao atendimento dos requisitos e condições estabelecidos na IN SRF nº225, conforme expressa previsão legal (art. 80 da MP 2.15835/2001). Essa atuação pode variar de acordo com a negociação entre partes, mas pressupõe um requisito básico: a operação comercial internacional é efetuada pelo real adquirente, que contrata uma pessoa jurídica para promover o despacho aduaneiro de importação, registrando a Declaração de Importação em nome dela (importadora contratada). Destacase que quem promove a operação comercial internacional é a real adquirente, não a importadora declarada. Esta é apenas uma prestadora de serviço, logicamente com interesse comum na operação. Se a mercadoria foi adquirida por um terceiro, independentemente da responsabilidade pelo fechamento do câmbio, o importador ostensivo, para efeito da legislação, estará agindo como importador por conta e ordem e deverá, sob pena de se sujeitar a penalidades, instruir o despacho de importação nos moldes do que definiu o art. 3º da referida Instrução Normativa. A identificação do real adquirente, sujeito passivo da operação de importação, não foi trazida exclusivamente pela IN SRF 225. O artigo 31 do DecretoLei nº 37/66 definiu como contribuinte do imposto o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional, ou seja, aquele que promoveu, concorreu para a realização da operação, negociou e proporcionou as condições para a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional: o real adquirente das mercadorias importadas. Logicamente, concorrendo com o importador declarado, que também foi um instrumento ativo para a ocorrência da importação. Portanto, como o real adquirente também é o contribuinte do imposto de importação, sua identificação, tanto para fins aduaneiros (controle aduaneiro) como para fins tributários (identificação do sujeito passivo do imposto de importação), no momento de registro da Declaração de Importação é imprescindível. Em caso de sua ocultação, estarseá diante de um quadro que não condiz com a realidade tributária, ou seja, o elemento pessoal da regra matriz de incidência do imposto de importação terá sido alterado, excluindo indevidamente da obrigação tributária o responsável pela entrada da mercadoria em território aduaneiro; também, conforme já exposto, estarseá diante de uma violação ao bem jurídico tutelado pelo direito aduaneiro, o seu controle. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 18 16 Dando seqüência às medidas de controle aduaneiro adotadas no início do século XXI, com fins de combater a prática de ocultação do sujeito passivo nas operações de importação, foi editada em 30/12/2002 a Lei 10.637, cujo artigo 27 tratou da presunção legal de operação de comércio exterior por conta e ordem de terceiros, quando realizada mediante utilização de recursos deste: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001. A Lei 10.637/2002 também trouxe o tipo infracional em análise. Seu artigo 59 alterou a redação do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, incluindo entre as infrações consideradas como dano ao Erário a hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Em exame ao texto do inciso V do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, após a alteração processada pela Lei 10.637/2002, percebese que a conduta dolosa reside em ocultar o real sujeito passivo da operação de importação, ou seja, aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, utilizandose de artifícios fraudulentos ou simulatórios, inclusive mediante a interposição fraudulenta de terceiras pessoas. A conduta apenada é, como se viu, “ocultar o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação”, mediante fraude ou simulação, e não com a finalidade de fraudar ou simular. Ante à impossibilidade de prever, elencar e combater todas as conseqüências da ocultação das partes envolvidas na operação, o legislador optou por combater esse meio de execução. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, (adquirente da mercadoria). Tratase de medida de proteção ao controle aduaneiro, de forma a combater operações fraudulentas e/ou simuladas. Para a definição de fraude e simulação, recorro aqui a conceitos tributários, aduaneiros e do direito privado. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 19 17 A definição de fraude é encontrada no Direito Tributário na Lei nº 4.502/1964: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Conforme já exposto, na ocultação do sujeito passivo está caracterizada a modificação de uma das características essenciais da obrigação tributária principal: seu elemento pessoal. Indevidamente, o sujeito passivo (adquirente) não responderá pelo imposto devido na operação, em uma clara afronta ao princípio da capacidade contributiva e da igualdade tributária. Já a simulação, dentro da definição de Alberto Xavier como “um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada), procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros”, está claramente caracterizada na ocultação do sujeito passivo. Recorro também ao conceito civilista de simulação, previsto no §1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): Art. 167 – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º – Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – Aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II – Contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III – Os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. A simulação ocorre quando o importador ostensivo declara a operação como sendo por conta própria, mas, na realidade, é por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. A natureza da operação declarada é uma (importação por conta própria) e na realidade é outra (importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda). Também é encontrado no direito aduaneiro a previsão de simulação, dada pela IN SRF Nº 228/2002 (grifo nosso): Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 20 18 A ocultação do sujeito passivo nas operações de importação impacta de forma direta na obrigação tributária, em seu elemento pessoal, qual seja, a sujeição passiva, caracterizando a fraude. Da mesma forma, a omissão da informação do real importador ou responsável pela operação na Declaração de Importação, evadindose do devido controle aduaneiro na importação, caracterizase como simulação, visto que ocorre a divergência entre a vontade e a declaração, procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros, no caso a fiscalização aduaneira. Na ocultação fraudulenta ou simulatória, o sujeito passivo fica a margem da relações obrigacional tributária e do devido controle aduaneiro. A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/1976, independentemente de se identificar qual a vantagem (financeira ou não) efetivamente obtida com as operações. Marco Antônio Abdo, em brilhante explanação sobre o tema no Seminário sobre Interposição Fraudulenta em operações de Comércio Exterior realizado em 2010, apontou a diferença entre o conceito de dano ao Erário do conceito de dano que é utilizado no Direito Civil: não está relacionado à ocorrência de lesão patrimonial ou moral; não requer, necessariamente, considerações sobre questão do pagamento de tributos, salvo nos casos em que tal fato é previsto no tipo aduaneiro; e alcança somente as situações elencadas pelo art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, c/c art. 105 do Decretolei nº 37/1966, de forma taxativa, sendo inclusive aplicável a bens imunes ou isentos. Tal interpretação decorre da identificação do bem tutelado pelo Direito Aduaneiro, o controle, ao invés do caráter meramente arrecadatório do Direito Tributário. Importase, na análise da infração, a violação do controle aduaneiro mediante fraude ou simulação, e que o dano ao Erário decorreu dessa conduta ilícita tendente a burlar a Administração Aduaneira. Dos fatos apurados no procedimento fiscal O cerne do presente litígio está na comprovação da origem dos recursos empregados nas importações objeto do auto de infração. Em sua defesa, tanto a interessada, SUPPLY Logística e Comércio Exterior Ltda., como a devedora solidária, INTERSTEEL Aços e Metais Ltda. alegam que as operações, objeto do auto de infração, são importações por conta própria. A SUPPLY afirma que os recursos são originários de financiamentos e empréstimos bancários, mas não junta documentação comprobat6ria. Entretanto, os pagamentos efetuados e os valores recebidos indicam outra situação. Analisando os pagamentos efetuados pela INTERSTEEL e as notas fiscais, verificase que não existe uma vinculação efetiva entre os valores das notas fiscais de saída e os pagamentos efetuados, o que contraria uma operação usual de mercado de compra e venda. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 21 19 Conforme demonstrado no quadro abaixo, os valores repassados pela INTERSTEEL à SUPPLY correspondem, em todas as datas ou em datas imediatamente posteriores, aos pagamentos efetuados pela SUPPLY para honrar os contratos de câmbio e/ou as despesas decorrentes das importações (impostos, taxas,comissões etc), objeto do auto de infração, via empresa Texas. DATA VR. RECEBIDO ORIGEM VR. PAGO DI REPASSES 05/12/2005 52.000,00 INTERSTEEL 04/01/2006 52.000,00 05/14116581 TEXAS 05/01/2006 255.000,00 INTERSTEEL 05/01/2006 52.552,00 06/00180187 TEXAS 05/01/2006 43.829,00 06/00190450 TEXAS 05/01/2006 49.263,00 06/00190468 TEXAS 05/01/2006 68.036,00 06/00193742 TEXAS 06/01/2006 165.861,46 INTERSTEEL 06/01/2006 48.295,00 06/00238347 TEXAS 06/01/2006 51.552,00 06/00238355 TEXAS 06/01/2006 35.282,00 06/00238363 TEXAS 11/01/2006 159.239,90 INTERSTEEL 11/01/2006 49.754,00 06/00415826 TEXAS 11/01/2006 49.847,00 06/00415834 TEXAS 11/01/2006 33.251,00 06/00415842 TEXAS 20/01/2006 212.000,00 INTERSTEEL 20/01/2006 45.683,00 06/00740794 TEXAS 20/01/2006 44.553,00 06/00740808 TEXAS 20/01/2006 44.280,00 06/00741065 TEXAS 20/01/2006 42.437,00 06/00741294 TEXAS 01/02/2006 58.939,70 INTERSTEEL 06/02/2006 49.540,00 06/01243743 TEXAS 08/02/2006 142.823,07 INTERSTEEL 09/02/2006 66.608,33 06/00415826 C.CAMBIO 09/02/2006 75.454,47 05/14116581 C.CAMBIO 14/02/2006 63.631,06 INTERSTEEL 15/02/2006 63.282,83 06/01243743 C.CAMBIO 22/02/2006 89.065,49 INTERSTEEL 22/02/2006 88.622,32 06/00193742 C.CAMBIO 01/03/2006 84.851,45 INTERSTEEL 01/03/2006 43.646,96 06/00238363 C.CAMBIO 01/03/2006 40.669,79 06/00415842 C.CAMBIO 07/03/2006 192.832,68 INTERSTEEL 07/03/2006 13.234,82 INTERSTEEL 07/03/2006 68.353,36 06/00180187 C.CAMBIO 07/03/2006 56.451,77 06/00190450 C.CAMBIO 07/03/2006 66.978,51 06/00238355 C.CAMBIO 09/03/2006 195.896,33 INTERSTEEL 09/03/2006 65.134,20 06/00190468 C.CAMBIO 09/03/2006 65.993,75 06/00415834 C.CAMBIO 09/03/2006 63.700,10 06/00238347 C.CAMBIO 29/03/2006 252.289,59 INTERSTEEL Fl. 822DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 22 20 DATA VR. RECEBIDO ORIGEM VR. PAGO DI REPASSES 29/03/2006 64.990,43 06/00740794 C.CAMBIO 29/03/2006 63.214,14 06/00740808 C.CAMBIO 29/03/2006 62.788,03 06/00741065 C.CAMBIO 29/03/2006 59.896,91 06/00741294 C.CAMBIO Desta forma, entendo que foi comprovado pela autoridade fiscal que a origem dos recursos utilizados nas operações de importação em questão foi a empresa INTERSTEEL, que estava impedida, à época, de realizar importações diretamente, sem a obrigação de prestar garantia do valor aduaneiro dos bens. De acordo com o disposto no artigo 27 da Lei n° 10.637, de 2002, a operação de importação realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, sendo considerado como responsável solidário pela importação. A responsabilidade solidária pela operação de importação obriga sua identificação na correspondente declaração de importação, de forma a permitir o devido controle aduaneiro. Portanto, por expressa determinação legal (art. 27 da Lei n° 10.637/2002, c/c arts.77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835/2001), todas as empresas que forneceram os recursos empregados nas operações de comércio exterior da empresa autuada assumiram, por força da presunção legal, a condição de verdadeiros adquirentes das respectivas mercadorias, ficando, inclusive, sujeitas à responsabilização solidária pelas infrações. Dessa forma, entendo que está perfeitamente configurada a infração imputada às empresas recorrentes, com a ocorrência de dano ao erário pela ocultação do sujeito passivo ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, conforme tipo previsto no inciso V do art. 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, alterado pela Lei nº 10.637/2002, sujeito à multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pela não localização da mercadoria ou seu consumo ou revenda. Também não merece reparo o auto de infração quanto à responsabilidade solidária de ambas as recorrentes na multa aplicada pela prática da infração, por estar perfeitamente caracterizada a ocultação do sujeito passivo, do real adquirente e do real responsável pela operação, e a concorrência de ambas as empresas para a prática da infração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes. [assinado digitalmente] Fl. 823DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.000573/200715 Acórdão n.º 3101001.761 S3C1T1 Fl. 23 21 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914817/2012-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 17 /2 01 2- 82 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914817/201282 Acórdão n.º 3802003.817 S3TE02 Fl. 144 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 67 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 06/03/2014 (fls. 65), interpondo recurso tempestivo em 02/04/2014 (fls. 67). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914817/201282 Acórdão n.º 3802003.817 S3TE02 Fl. 145 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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