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Numero do processo: 10855.002658/2003-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/1998
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. Decadência suscitada de ofício e acolhida parcialmente.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62A, do RICARF. Decadência suscitada de ofício e acolhida parcialmente. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 26 58 /2 00 3- 18 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10855.002658/200318 Acórdão n.º 3402001.838 S3C4T2 Fl. 68 3 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Auto de Infração, relativo à contribuição para o Programa de Integridade Social – PIS, lavrado com base na falta/insuficiência de recolhimento da mesma, no período de janeiro a março de 1998. O valor total do lançamento (incluindo principal, multa e juros calculados até a data da lavratura do auto) é R$12.856,18, conforme se infere do documento de fls. 06. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 10/07/2003, o sujeito passivo apresentou tempestivamente Impugnação Administrativa contendo 01 (uma) folha, na qual alegou o pagamento, por meio de DARF, dos períodos exigidos, anexando os respectivos comprovantes às fls. 02 e 03. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos fatos trazidos na defesa administrativa, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu em 27/06/2011, o Acórdão nº. 1434.330 (fls. 4448), considerando procedente em parte a impugnação, nos termos assim ementados: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/1998 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. LIQUIDAÇÃO NÃO COMPROVADA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. A falta de comprovação de liquidação da contribuição declarada como paga, implica na sua exigência de oficio. COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES. As alegações desacompanhadas de provas que as corroborem devem ser desconsideradas no julgamento. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Exonerase a multa de ofício imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Do voto condutor do Acórdão acima mencionado, extraise que, ao entendimento daquela Turma Julgadora, o contribuinte não logrou êxito em comprovar os pagamentos alegados, pois que as informações constantes do DARF’s apresentados divergiam daquelas declaradas em DCTF (CNPJ’s diversos do da então Impugnante), não tendo sequer o sujeito passivo juntado documentos (registros contábeis e fiscais) a fim de comprovar a exatidão das informações prestadas. A DRJ julgadora houve por bem ainda, em afastar a aplicação da multa de ofício exigida, por ausência de previsão legal, determinandose a aplicação de penalidade menos severa, a qual se traduz apenas na aplicação da multa moratória. DO RECURSO Cientificado da decisão de 1º instancia em 27/07/2011, conforme AR de fls. 40, e não concordando com os termos em que foi proferida a mencionada decisão, o sujeito passivo apresentou, em 04/08/2011, Recurso Voluntário à este Conselho. O recurso de fls. 45 a 48 dos autos, traz, em resumo, os seguintes argumentos do contribuinte interessado: Que houve um equívoco no CNPJ indicado nos DARF’s apresentados às fls. 02 e 03 do processo, porém que a intenção era a quitação dos mencionados tributos; Que a decisão proferida pela DRJ ofende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, devendose serem considerados quitados os débitos discutidos no processo, e, por via de conseqüência, declarado insubsistente o lançamento. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 66 (sessenta e seis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10855.002658/200318 Acórdão n.º 3402001.838 S3C4T2 Fl. 69 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Compulsando aos autos, percebese que tratase de lançamento de crédito tributário por pagamento parcial de PIS referentes aos meses 01, 02 e 03 de 1998. Como é possível verificar pelo documento de fls. 08, houve pagamento parcial em todos os meses lançados. Com relação aos meses de janeiro e março de 1998, há no próprio Relatório de Auditoria Interna, que compõe o Auto de Infração, indicação de que há pagamento reconhecido. Com relação ao mês de fevereiro, existe a comprovação de pagamento de parte do crédito lançado, conforme se verifica dos documentos acostados às fls. 25/28, fazendo com que também ocorra pagamento parcial neste mês. Inclusive a própria DRJ acolhera o referido pagamento, cancelando parcialmente a exigência. Em razão destes pagamentos parciais efetuados nos meses indicados, que geraram uma parcela de tributo declarado e não pago, foi lavrado, em 16/06/2003, o Auto de Infração nº 0004340, que é combatido por meio deste processo administrativo. Como é fácil de perceber, entre os fatos geradores dos tributos aqui questionados, e a lavratura do Auto de Infração recorrido, transcorreu um lapso temporal superior a 05 anos, fazendo com que recaia sobre este auto de infração, o instituto da decadência. Sendo o PIS espécie de tributo sujeita ao lançamento por homologação, está regulada pelas regras de decadência determinadas pelo art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Temos pela leitura do art. 150, §4º, acima citado: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Pela aplicação deste artigo, vemos que o direito da autoridade fiscal em efetuar o lançamento ora combatido decaiu em data de 31/03/2003, para o último período lançado. Ainda, pautando o julgamento no dever deste Conselho em observar, com fundamento no art. 62A do RICARF, as reiteradas decisões judiciais em uma determinada matéria, o entendimento emanado pelo Superior Tribunal de Justiça é luz que clareia este entendimento: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (STJ EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR ‘2004/01099782’. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Dt. Jul. 09/02/2010) “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10855.002658/200318 Acórdão n.º 3402001.838 S3C4T2 Fl. 70 7 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido.” (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG ‘2010/01395597’. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 09/11/2010). Em virtude da prejudicial acima mencionada, deixo de analisar as demais questões de mérito. Assim sendo, suscito de ofício e aplico as regras quanto à decadência para decretar a extinção do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, cancelando integralmente a exigência. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10725.001888/00-12
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/1995 a 30/12/1998
COFINS. LANÇAMENTO PARCIALMENTE INSUBSISTENTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARCIALMENTE EXTINTO.
É insubsistente o lançamento relativo a período cujo crédito tributário, na época da lavratura do auto de infração, já estava extinto por qualquer das formas do art. 156, do CTN.
Numero da decisão: 3401-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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LANÇAMENTO PARCIALMENTE INSUBSISTENTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARCIALMENTE EXTINTO. É insubsistente o lançamento relativo a período cujo crédito tributário, na época da lavratura do auto de infração, já estava extinto por qualquer das formas do art. 156, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 18 88 /0 0- 12 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o processo de auto de infração (fls.50/53), lavrado em decorrência da falta do recolhimento da COFINS no período entre 31/01/1995 e 30/12/1998, que somado a juros e multa totalizou o lançamento no valor de R$ 400.956,46. A Contribuinte foi cientificada em 26/12/2000 (fl.57). Depois da Impugnação, a DRJ Rio de Janeiro II/RJ converteu o julgamento em diligência, da qual resultou o recálculo do valor lançado e abatimento de parcial do crédito exigido (fls.543/546). A Recorrente interpôs Recurso Voluntário (555/565) alegando que, apesar do recálculo da DRJ, não foram considerados valores pagos a maior em determinados períodos e compensados em outros, sem prévia autorização administrativa ou judicial, mas com base no art. 66 da Lei no 8.383/91. Com isso, segundo a Recorrente, excluindo os valores pagos e compensados que não foram considerados pela diligência, o valor principal de R$ 59.938,48, mantido pela DRJ, fica reduzido a R$ 23.762,61. Na primeira apreciação do Recurso Voluntário, o julgamento foi convertido em diligência (fls.586/588), da seguinte forma: “1 Qual o valor pago a maior; 2 Se o valor pago a maior é o suficiente para compensar os débitos integralmente até 31/12/1997; 3 Qual o valor efetivamente compensado; 4 Elaborar uma tabela simplificada, esclarecendo os valores pagos a maior, os valores compensados, e, se houver, os valores devidos após a compensação. 5 Após a diligência, a contribuinte deve ser intimada para se manifestar quanto aos dados colhidos” 6 Após a manifestação da contribuinte os autos devem retornar a esta Câmara com os resultados constatados”. No Relatório de Diligência (fls.629/633), consta a seguinte conclusão: “Em resumo, a presente diligência apurou a existência de DARF pagos e parcelamentos realizados pelo contribuinte em data anterior ao início da presente ação fiscal. Levandose isto em conta, os saldos mensais de COFINS foram recalculados. A compensação para tributos de mesma espécie foi calculada até 31/12/1997, tal como solicitação de fl. 584, resultando em quitação dos débitos até aquela data. Os débitos apurados para o ano de 1998 não foram alcançados pelos procedimentos acima, permanecendo inalterados”.(grifo nosso) Fl. 641DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10725.001888/0012 Acórdão n.º 3401002.218 S3C4T1 Fl. 641 3 A Contribuinte foi intimada do resultado de diligência, mas não se manifestou, conforme atesta despacho de fl. 638. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Jean Cleuter Simões Mendonça A presença dos requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foi constatada na sua primeira apreciação, razão pela qual ele foi conhecido. Com o resultado diligência, não resta dúvida de que todos os créditos tributários com período de apuração até dezembro de 1997 estavam extintos por pagamento, nos termos do art. 156, inciso I, do CTN; ou por compensação, conforme art. 156, inciso II, também do CTN. Como é insubsistente o lançamento de ofício de crédito extinto, o cancelamento do lançamento de todos os períodos de apuração até dezembro de 1997 é medida que se impõe. Como a Recorrente não apresentou demais razões para exclusão dos períodos entre janeiro e dezembro de 1998, o lançamento relativo a esse período deve ser mantido. Ex positis, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para reformar parcialmente o Acórdão da DRJ, a fim de que sejam cancelados os lançamentos relativos aos períodos de apuração até dezembro de 1997. É como voto. Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 642DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.728007/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosengurb Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram deste julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosengurb Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram deste julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório Versa este processo de Auto de Infração no valor originário de R$ 7.736.496,16 (sete milhões, setecentos e trinta e seis mil, quatrocentos e noventa e seis reais e dezesseis centavos), decorrente de falta/insuficiência de recolhimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e de contribuição ao PIS, na modalidade não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 28 00 7/ 20 11 -4 8 Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 3402000.484 S3C4T2 Fl. 6 2 cumulativa, relativos aos períodos de outubro à dezembro de 2006 e de janeiro à novembro de 2007, apurados por meio de ação fiscal realizada junto à empresa, onde se constatou, conforme documentos fiscais de fls. 4.519/4.541, as irregularidades que deram origem ao lançamento. O sujeito passivo, em sua impugnação, sustenta, em apertada síntese, que é entidade civil sem fins lucrativos que goza de isenção das referidas contribuições, nos termos do art. 15, da Lei nº 9.532/97, mesmo desempenhando atividades que envolvem desporto profissional e não profissional de Clube de Futebol. Além disso, ainda que não fosse isenta, teria direito à isenção quanto a receitas posteriores a setembro de 2006, suscitanto também vícios quanto à composição da base de cálculo objeto do lançamento. Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), houve por bem em considerar improcedente a impugnação apresentada, proferindo o Acórdão nº. 0347.436, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 ENTIDADES DE PRÁTICA DESPORTIVA ENVOLVIDAS EM COMPETIÇÕES DE ATLETAS PROFISSIONAIS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Para fins de exigência da Cofins, é permitido ao Fisco proceder a descaracterização de "associação civil sem fins lucrativos", a partir de 17/07/2000, data da expiração do prazo da transformação societária, concedido às entidades de prática desportiva envolvidas em competições de atletas profissionais (arts. 18, inciso III, 27 e 94 da Lei no 9.615, de 1998, com as modificações introduzidas pelas Leis no 9.940, de 1999, e 9.981, de 2000). OBRIGATORIEDADE DE SE CONSTITUÍREM EM SOCIEDADE EMPRESÁRIA. A entidade de prática desportiva envolvida em competições de atletas profissionais que não se constituir regularmente em sociedade comercial fica impedida, por expressa disposição legal, dentre outros, de gozar de qualquer benefício fiscal em âmbito federal (art. 27, § 6º, da Lei nº 9.615, de 24/03/1998, com a redação da MP no 79, de 27/11/2002). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007 ENTIDADES DE PRÁTICA DESPORTIVA ENVOLVIDAS EM COMPETIÇÕES DE ATLETAS PROFISSIONAIS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Para fins de exigência da contribuição para o PIS, é permitido ao Fisco proceder a descaracterização de "associação civil sem fins lucrativos", a partir de 17/07/2000, data da expiração do prazo da Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 3402000.484 S3C4T2 Fl. 7 3 transformação societária, concedido às entidades de prática desportiva envolvidas em competições de atletas profissionais (arts. 18, inciso III, 27 e 94 da Lei no 9.615, de 1998, com as modificações introduzidas pelas Leis no 9.940, de 1999, e 9.981, de 2000). OBRIGATORIEDADE DE SE CONSTITUÍREM EM SOCIEDADE EMPRESÁRIA. A entidade de prática desportiva envolvida em competições de atletas profissionais que não se constituir regularmente em sociedade comercial fica impedida, por expressa disposição legal, dentre outros, de gozar de qualquer benefício fiscal em âmbito federal (art. 27, § 6º, da Lei nº 9.615, de 24/03/1998, com a redação da MP no 79, de 27/11/2002). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão supracitado por meio da Caixa Postal do ECAC, em 03/04/2012 (em razão de decurso de prazo), conforme documento de fls. 4.679, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4.682/4.694) em 17/04/2012, repisando os mesmos argumentos suscitados em sua impugnação, pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico(numerado eletronicamente até a folha 4.702), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Pelo que se vislumbra da análise dos autos, o contencioso administrativo tributário em análise coloca sob julgamento a questão da isenção das Contribuições para o PIS e COFINS das entidades civis ditas sem fins lucrativos, mais especificamente envolvendo as atividades relativas a clubes de fubebol que dedicamse à organização de atividades desportivas, mantendo Clubes de Futebol e correlatas práticas profissionais e não profissionais. Colocamse de lados antagônicos os entendimentos do sujeito passivo, que pretende fazer prevalecer a tese de que, mesmo mantendo atividades profissionais e com caráter econômico, por estar constituído sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, gozando de uma suposta “faculdade legal” de constituirse (ou não) como sociedade empresária, tem o direito à isenção do PIS e da COFINS; e, do outro lado, da Administração Tributária que interpreta a atividade de exploração e gestão do desporto profissional, ainda que Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 3402000.484 S3C4T2 Fl. 8 4 seja exercida por uma associação civil, como sendo uma atividade lucrativa e empresarial, e, portanto, que deve submeterse à incidência tributária, não estando agasalhada pela isenção. Apartada a esta principal discussão dos autos, vislumbro, entretanto, matéria prejudicial à análise do processo neste tocante, pois que relativa à inconsistências na composição da base de cálculo argüidas pelo contribuinte em seu recurso, merecendo serem esclarecidos tais aspectos, antes mesmo de outro aspecto de direito envolvido na causa. Observei que o sujeito passivo, tanto em sua impugnação, quanto eu seu recurso voluntário, argumentou a existência de inconsistências na base de cálculo utilizada na autuação, relativas a inclusão de receitas indevidas para o cômputo do PIS e da COFINS entendidos como devidos, solicitando o recálculo da exação em comento, bem como, a realização das devidas deduções das mesmas da base utilizada. Tais receitas, segundo o que se colhe dos autos, referemse à: “parceria Luppi”, “patrocício Cristal Alimentos”, “patrocício Dinis Prudente Artigos Esportivos”, no que concerne ao não enquadramento das mesmas como incentivo ao futebol profissional, mas sim amador (para iniciação esportiva), bem como, sustentou ainda a falta de deduções de receitas lançadas em sua contabilidade como “taxa de Administração do Clube dos 13”, “dedução do INSS”, “doação de ingressos no Campeonato Brasileiro”, e ainda, mencionou a inclusão de receitas inexistentes a título de “Transação Atleta Profissional” nos períodos de out/07, Nov/07 e Dez/07, de “locação de estádios” e de “custos com CBF e Federações”. Deixo de lado a necessidade de obtenção de maiores informações acerca das rubricas: “parceria Luppi”, “patrocínio Cristal Alimentos”, “patrocínio Dinis Prudente Artigos Esportivos”, pois que sua consideração ou não na base de cálculo tributável é matéria intrinsecamente correlata ao mérito (ser ou não o sujeito passivo uma entidade civil sem fins lucrativos, atribuindose então isenção das contribuições aqui discutidas às suas receitas – bem como a natureza propriamente dita de tais receitas); porém, quanto as demais rubricas mencionadas pelo recorrente como inconsistentemente consideradas na base de cálculo utilizada pela autoridade autuante, tenho que merecem atenção os argumentos do contribuinte, porquanto não vejo condições justas deste processo receber, por ora, um julgamento justo. É que, a despeito de ter a instância a quo enfrentado os argumentos do contribuinte, suscitando que deveria o mesmo ter trazido aos autos a prova de suas alegações (em sede de impugnação administrativa), observo que em caso de auto de infração, o ônus da prova dos valores entendidos como devidos pela Autoridade Fiscal é dela, devendo então ser baixado o processo em diligência para a comprovação da ocorrência ou não dos supostos erros na composição da base de cálculo do lançamento. Daí porque voto no sentido de converter o julgamento em diligência. No tocante à falta de deduções de receitas a título de “taxa de Administração do Clube dos 13”, “dedução do INSS”, “doação de ingressos no Campeonato Brasileiro”, bem como a inclusão de receitas a título de “Transação Atleta Profissional” nos períodos de out/07, Nov/07 e Dez/07, “locação de estádios” e “custos com CBF e Federações” deve ser atestado pela Autoridade preparadora, conforme o caso, se referidas receitas foram incluídas da base de cálculo da exigência, ou em se tratando de deduções da receita, se tais abatimentos foram efetivados pelo sujeito passivo. Consequentemente, relacionar tais rubricas como “receita bruta” omitida pelo sujeito passivo, ou então, como glosa de “exclusões da receita bruta”, esta procedida pela Administração. Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 3402000.484 S3C4T2 Fl. 9 5 Após referida atividade, elaborar “Relatório Conclusivo” sobre a composição da base de cálculo da autuação no tocante a essas rubricas acima especificadas, inclusive com relação às rubricas denominadas “parceria Luppi”, “patrocínio Cristal Alimentos”, “patrocínio Dinis Prudente Artigos Esportivos”, intimando o sujeito passivo para que, querendo, se manifeste sobre o resultado da Diligência; em seguida retornando os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915281/2008-58
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2003
RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO.
Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3802-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003 RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de petição de recurso voluntário apresentada em face da decisão da 13a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 60/64), da qual a interessada tomou ciência em 17/06/2011, conforme AR de fls. 66. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 81 /2 00 8- 58 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Inconformada, apresentou, em 22/07/2011, a petição de fls. 67/75, onde requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 17/06/2011 (ver AR de fls. 66). Porém, a petição de recurso voluntário só foi apresentada em 22/07/2011 (ver carimbo de protocolo às fls. 67), portanto, posteriormente ao prazo de 30 dias de que dispõe o sujeito passivo para formalizar sua contestação, tanto na primeira quanto na segunda instância de julgamento, nos termos dos artigos 15 e 33 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O prazo de que trata o dispositivo acima referenciado, além de peremptório, ou seja, improrrogável, é também preclusivo, tendo, portanto, natureza decadencial, posto que findo o mesmo não mais se torna possível a prática de atos posteriores. Logo, no caso presente, não há como se conhecer do recurso, uma vez que não houve a apresentação do mesmo no prazo legal, o que impede o conhecimento da peça contestatória na presente instância. Por fim, importa destacar que consta dos autos a lavratura de termo de perempção, conforme fls. 126. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915281/200858 Acórdão n.º 3802001.812 S3TE02 Fl. 129 3 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002057/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 01/07/1998
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vota pelas conclusões o Conselheiro Oséas Coimbra Junior.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 01/07/1998 DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente TRANSNORTE TRANSPORTE E TURISMO NORTE DE MINAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 01/07/1998 DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vota pelas conclusões o Conselheiro Oséas Coimbra Junior. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 20 57 /2 00 9- 51 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002057/200951 Acórdão n.º 2803002.225 S2TE03 Fl. 261 2 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.243.9748, objetiva o lançamento da Obrigação Principal, contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente pelo empregador contribuinte – relativa a terceiros – outras entidades e fundos, em razão da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, de fls. 120 a 122, com período de apuração de 01/1998 a 06/1998. Cumpre informar inicialmente que o presente Auto de Infração é substitutivo do Lançamento de Débito Confessado – LDC – DEBCAD 35.068.2232, o qual foi anulado pelo Despacho – Decisório DRF/MCR/SARAC/EAC1 Nº 232/2009, em razão de vício formal, pois todas as contribuições tais como: segurados; SAT e terceiros foram lançadas englobadas na rubrica 12 – empresa, o que ocasionou erro na fundamentação legal do crédito, ausência de fundamentos em razão das rubricas englobadas. O LDC anulado foi incluído de forma sucessiva em diversos parcelamentos especiais. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 05/11/2009, conforme AR, de fls. 124. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, via postal, envelope, as fls. 125, com postagem, em 02/12/2009, e petição com razões, acostada, as fls. 126 a 135, estando acompanhada dos documentos, de fls. 136 a 170. Não há manifestação quanto à tempestividade da impugnação. Os autos foram baixados em diligência pela DRJ/BHE, fls. 178 a 179. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT emitiu o despacho, de fls.195 a 197, em atendimento a diligência, tendo sido o contribuinte notificado deste, pelo Termo e AR, de fls. 198 e 259, respectivamente. O sujeito passivo não se manifestou sobre a diligência. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0235.930 8ª Turma da DRJ/BHE, em 16/11/2011, fls. 264 a 271, no qual a impugnação foi considerada procedente em parte, haja vista a competência 02/1998 ter sido lançada com valor superior no AI substitutivo ao que registrado originalmente na LDC substituída. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 04/10/2012, AR, de fls. 298. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 300 a 304, remetida por via postal, em 30/10/2012, envelope, as fls. 305, desacompanhado de qualquer documento, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002057/200951 Acórdão n.º 2803002.225 S2TE03 Fl. 262 3 Preliminarmente. · que em razão da SV STF Nº 08/2008 os artigos 45 e 46 da lei 8.212/91 são inconstitucionais, sendo os prazos prescricionais qüinqüenais, artigos 173 e 174 do CTN; · que o direito adquirido e o ato jurídico perfeito devem ser observados, aplicandose o limite temporal de decadência em 01/01/2004 e prescricional em 03/11/2004, homologação tácita do vencidos e antecedentes em 31/12/2003, com a garantia constitucional à coisa julgada; · que neste lançamento são indicados leis e decretos revogados pela SV Nº 8, sendo ineficaz e nulo; · que o período de 01/01/1998 a 30/04/2000 lançado em 05/11/2009 esta extinto pelo decadência, artigo 173 e 156, V, do CTN, sendo que vícios formais não suspendem a decadência; · A recorrente requer e pede: a) que o crédito residual não provido pela DRJ deve ser cancelado pelo CARF; b) feitas as devidas anotações nos registros eletrônicos da repartição, baixa no CADIN e fornecimento de CPDEN com respectivo arquivamento. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 307. Informo que a recorrente por intermédio de representante legal escritório de advocacia Moreth e Graco, usando da prerrogativa do pedido de urgência, pediu a retirada de pauta destes autos, no dia 16/04/2013, às 12h10min, conforme petição recebida, durante esta sessão de julgamento. É o Relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002057/200951 Acórdão n.º 2803002.225 S2TE03 Fl. 263 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Cumpri registrar, inicialmente, que neguei o pedido de retirada de pauta, pois entendo que da publicação da pauta até a data do julgamento decorreu prazo suficiente para que o novo representante legal tomasse conhecimento da matéria, além do que a empresa não informou em sua petição, quando houve a troca de patrono, o que possibilitaria averiguar com maior precisão a necessidade de adiamento, não havendo, assim justificativa para tal, observe se o excerto do aresto. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS PREVENTIVO. PEDIDO DE ADIAMENTO DA SESSÃO DE JULGAMENTO INDEFERIDO. CRITÉRIOS PARA O CUMPRIMENTO DA PENA RESTRITIVA DE DIREITO ESTABELECIDOS NO PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL SUPERVENIENTE. PERDA DO OBJETO. 1. A jurisprudência do col STJ entende que "o adiamento da sessão de julgamento do recurso de apelação deve ser acompanhado de justificativa plausível, pois a sua realização não pode ficar ao alvedrio das partes". Precedente: (STJ, HC 200800378828, JORGE MUSSI, STJ QUINTA TURMA, DJE: 15/12/2009). No caso, o advogado impetrante, embora tenha requerido o adiamento do julgamento, não trouxe nenhuma justificativa para embasar o seu pleito, limitandose a afirmar que "não há tempo hábil" para comparecer ao julgamento, o que impõe o indeferimento do pedido de adiamento. 2. Resta sem objeto o habeas corpus que visava obstar a prática de qualquer ato que culminasse na substituição das penas restritivas de direitos por pena privativa de liberdade, uma vez que, em momento posterior à impetração, o juiz de primeiro grau proferiu decisão fixando os critérios para cumprimento das penas restritivas de direito impostas ao ora paciente. 3. Perda de interesse processual superveniente. Precedente: (TRF5, HC 00151040720104050000, Desembargador Federal Edílson Nobre, Quarta Turma, DJE: 07/10/2010). 4. Pedido de adiamento indeferido e Habeas corpus denegado. TRF5. Segunda Turma. HC 00041580520124050000 HC Habeas Corpus – 4693. Desembargador Federal Francisco Barros Dias. DJE Data::17/05/2012 Página::260. (grifo meu). Ressalto que como esclarecido anteriormente o presente lançamento é substitutivo do LDC DEBCAD 35.068.2232, fls. 207 a 257, lançado em 30/06/2000, fls. 207, tendo sido fiscalizado o período de 01/1998 a 05/2000, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, de fls. 256. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002057/200951 Acórdão n.º 2803002.225 S2TE03 Fl. 264 5 Fica evidente, desta forma, que, ainda, que se aplicasse o prazo de decadência de cinco anos artigo 150, § 4º ou 173, I, ambos, do CTN em obediência à Súmula Vinculante Nº 08 do STF, à época do lançamento a decadência não havia se operado, pois entre a primeira contribuição lançada 01/1998 e a data do lançamento 30/06/2000, quando muito passará dois anos e meio. Logo, não há que se falar em decadência, por ocasião do lançamento original. Aliás, o julgador de primeiro grau sobre isso se pronunciou, conforme abaixo transcrito Assim, tendo em vista que o LDC parcialmente anulado (DEBCAD nº35.068.2232), foi lavrado na competência 06/2000, sendo que a competência mais antiga nele incluída foi 01/1998, constatase que mesmo considerandose os efeitos da Súmula Vinculante do STF, n° 8, DOU de 20/6/2008, no LDC substituído não foram apuradas contribuições relativas a qualquer competência alcançada pela decadência. A DRF informa que o LDC esteve incluso em vários parcelamentos especiais, conforme descrito a seguir. · REFIS – LEI 9.964/2000 05/04/2000 A 01/05/2003, FLS. 183 E 184; · PAES – LEI 10.684/2003 31/07/2003 A 29/08/2006, FLS. 185 E 186; · PAEX MP 303/2006 15/09/2006 A 25/08/2008, FLS. 188 E 189. É cediço de todos que uma vez efetuado o lançamento o instituto da decadência deixa de operar para dar lugar ao da prescrição e esta, nos termos do artigo 174, caput, da Lei 5.172/66, também, têm prazo de cinco anos. No entanto, o parágrafo único, inciso IV, desta norma diz: “A prescrição se interrompe: por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor.” Foi exatamente o que ocorreu no presente caso a prescrição se interrompeu quando do pedido de cada parcelamento, iniciandose nova contagem de cinco anos a cada interrupção do pagamento e como entre o fim de um parcelamento e o início do outro, não transcorreu o lustro, a prescrição não se operou. O Auditor Fiscal lançador e o julgador de primeiro grau informam que o LDC foi anulado por haver vício formal em sua constituição, ou seja, ausência de fundamentação legal com a aplicação do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, o qual segundo seus termos o crédito pode ser reconstituído. Desta forma, tendo a anulação do LDC ocorrido, em 18/05/2009, e o novo lançamento ocorrido, em 05/11/2009, representando por este Auto de Infração não houve ocorrência de decadência. O instituto da decadência não pode operar no período em que este não existia, ou seja, entre 30/06/2000 e 25/08/2008, data do primeiro lançamento e a da interrupção do parcelamento do PAEX, não pode ocorrer decadência simplesmente porque esta não operava estavase sob a égide da prescrição, pois o lançamento existia. O pedido de CPDEN – certidão de regularidade fiscal – está fora da competência deste órgão julgador, sendo atribuição exclusiva dos gestores de DRF; Inspetorias e Agências a quem deve ao contribuinte buscar para operacionalizar o pleito. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002057/200951 Acórdão n.º 2803002.225 S2TE03 Fl. 265 6 Posto isto, afasto as alegações da recorrente seja em preliminar ou em mérito por falta de lastro jurídico. A presente decisão não reconhece direito creditório de nenhuma, espécie, ordem, valor ou origem em razão do contribuinte recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10840.901876/2009-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa.
COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório do valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Charles Pereira Nunes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Fábio Miranda Coradini e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório do valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido.
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NULIDADE. Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório do valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 18 76 /2 00 9- 83 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Charles Pereira Nunes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Fábio Miranda Coradini e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhida a maior no período de apuração de 30/11/2002. A DRF de Ribeirão Preto, SP, por meio de despacho decisório de fl. 4, não homologou a compensação declarada, porque o pagamento a maior ou indevido indicado no PER/Dcomp, foi integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: A totalidade do crédito apurado pelo contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP advém do indevido recolhimento da Cofins sobre receitas não operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição. É do domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. Assim, uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Apresentou a cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre receitas não operacionais e financeiras. Salientou que se a autoridade julgadora entender necessário a realização de perícia contábil os documentos contábeis da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu que seja homologada a compensação realizada e declarado extinto o crédito tributário efetivamente compensado. Solicitou ainda que nas intimações e notificações conste o nome do advogado da empresa. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 13 4 A perícia somente se justifica quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador ou a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES DO STF PROFERIDAS INCIDENTALMENTE. A Lei n° 9.718, de 1998, constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro. Decisões do STF, acerca do alargamento da base de cálculo do PIS, proferidas incidentalmente beneficiam apenas as partes das respectivas ações: não possuem efeito erga omnes. INTIMAÇÃO EM NOME DO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: Preliminar: Da nulidade da decisão recorrid devido ao cerceamento do direito de defesa da recorrente produziu a seu favor fortes provas materiais, aptas a comprovarem que o indébito tributário, alvo de pedido de compensação, via PER/DCOMP, foi oriundo da incidência e recolhimento indevidos da contribuição "COFINS" sobre receitas não operacionais/financeiras, que jamais podem compor a base de cálculo da COFINS; a Autoridade Julgadora a quo indeferiu o pedido de perícia contábil, sob o ledo fundamento de que a sua produção, nestes autos não se justifica; e, a r. decisão de primeira instância administrativa é nula de pleno direito, em função do cerceamento ao direito de defesa da Recorrente; a Recorrente produziu a seu favor forte indício de prova material, mediante a juntada de DARF, DCTF, DIPJ e extrato de seu balancete, todos aptos e necessários para comprovar a indevida incidência e recolhimento da COFINS sobre receitas não operacionais e financeiras; que a prova pericial era indispensável na vertente demanda administrativa, uma vez que o contribuinte apresentou mais de 40 PER/DCOMP's, tornandose impraticável a juntada da cópia Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 14 5 dos livros fiscais Razão e Diário em todos os procedimentos administrativos, ao passo que, em razão das alegações do contribuinte e das provas préconstituídas por este, já existiam indícios suficientes e necessários para que fosse demandada a perícia contábil ao Fisco, pelo Órgão Julgador Administrativo; a r. decisão administrativa de primeira instância é nula de pleno direito, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, já que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado, e ainda, impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Da conversão do julgamento em diligência seja verificada a conformidade do crédito apurado pelo Contribuinte, ora Recorrente, nada justifica a não homologação dos créditos apropriados e compensados, sendo imperiosa a determinação, portanto, por essa Egrégia Turma Julgadora, a conversão do presente processo em diligência para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos da COFINS, quais a Recorrente efetivamente possui; a Recorrente reitera que todos os seus documentos contábeis estão à disposição, e requer a conversão do julgamento em diligência, para que seja produzida prova pericial pelo Fisco, no intuito de se perfilhar o correto cotejo dos livros fiscais Razão e Diário estabelecidos e regularmente preenchidos pela Recorrente, para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos da COFINS, indevidamente recolhidos pela Recorrente sobre a base de cálculo "receitas não operacionais e financeiras". Mérito a questão jurídica em torno da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, teve sua repercussão geral reconhecida pelo plenário do STF, que em Sessão de 10.09.2008, ao julgar questão de ordem no RE 585.235/MG, reafirmou a inconstitucionalidade do susodido dispositivo legal, e ainda, aprovou proposta de edição de Súmula Vinculante sobre o tema, como se denota pelo excerto colacionado ao recurso; seguindo o paradigma proferido pelo STF, a jurisprudência do então designado Segundo Conselho de Contribuintes, ao enfocar os efeitos da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é uníssona ao dispor que a decisão plenária definitiva do STF deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras; ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é facultado declarar a inconstitucionalidade de lei regularmente editada, entretanto, não constitui declaração de inconstitucionalidade a extensão dos efeitos de decisão do Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 15 6 plenário do excelso STF, por corresponder à ultima decisão que a matéria pode obter em qualquer instância; prosseguimento desta demanda administrativa, por anos a fio, pela simples resistência da autoridade julgadora administrativa em reconhecer o entendimento uníssono do STF sobre a questão atinente à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS, conferida pelo § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, efetivamente, macula os princípios norteadores da atividade administrativa, dentre os quais merecem destaque os princípios da legalidade, finalidade, economia, moralidade, eficiência e razoabilidade. Por fim requereu: preliminarmente, que fosse declarada a nulidade da r. decisão administrativa de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa e a conversão do julgamento em diligência; no mérito, que fosse julgado procedente seu recurso; que fosse intimada do julgamento para apresentar sustentação oral perante este Egrégio Tribunal. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para a apuração da correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Outrossim, solicitou se que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e informou que: a) não foi encontrada qualquer ação judicial da contribuinte relacionada a indébito da Cofins relativo ao período de apuração em pauta; b) no eprocesso 10840.903609/200941 já foi levantada a base de cálculo do PIS no período de apuração de novembro de 2002; c) com base no Balancete de Verificação Mensal e no Livro Razão Analítico a base de cálculo da contribuição importa em R$ 8.816.582,28. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo concordado com seu teor. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 16 7 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. A interessada, preliminarmente, sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento por cerceamento ao direito de defesa em face de que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado, e impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa, inclusive apresentou suas razões pelas quais a produção de prova pericial era desnecessária. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o seu entendimento acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição em referência. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. Em relação ao mérito, assiste razão à recorrente. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 17 8 Como fundamentado na Resolução, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e a Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 18 9 RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o conceito de faturamento. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 19 10 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Registrese, por oportuno, que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, pois o importante é aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). No caso em discussão, o direito creditório se apresentou líquido e certo nos termos da diligência fiscal. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, constatase que em relação ao período de apuração em discussão, o contribuinte tem um crédito de pagamento a maior da contribuição no valor do crédito original utilizado na DCOMP, R$ 12.448,70. Em remate, ficou caracterizado o direito creditório pleiteado vinculado à compensação efetuada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo a pagamento indevido e homologar a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Acórdão n.º 3801001.979 S3TE01 Fl. 20 11 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10725.721878/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
DECLARAÇÃO DA CONDIÇÃO DE ISENTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES.
É procedente a exigência das contribuições patronais de entidade que, malgrado se declarasse isenta, não logrou comprovar essa condição,
SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA COM FATO GERADOR.
Na exigência da obrigação principal, deve figurar no polo passivo o contribuinte, ou seja, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador do tributo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. É procedente a exigência das contribuições patronais de entidade que, malgrado se declarasse isenta, não logrou comprovar essa condição, SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA COM FATO GERADOR. Na exigência da obrigação principal, deve figurar no polo passivo o contribuinte, ou seja, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 18 78 /2 01 1- 21 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10725.721878/201121 Acórdão n.º 2401003.079 S2C4T1 Fl. 562 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 49.666 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.239.1249. O crédito em questão diz respeito à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o relatório fiscal, fls. 04/44, a entidade apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP enquadrandose como entidade isenta, todavia, ao ser intimada não apresentou livros contábeis, certificado de utilidade pública, certificado de entidade beneficente e relatórios de atividade. Afirmase que foram considerados os fatos geradores declarados na GFIP e remunerações relativas ao 13. salário constantes em folhas de pagamento. A multa foi aplicada levandose em consideração as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 12.941/2009, adotandose a nova legislação, mesmo para fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, posto que mais benéfica ao sujeito passivo. Foi atribuída responsabilidade solidária ao Município de VarreSai, com fulcro nos artigos 134 e 135 do CTN, bem como em razão da responsabilidade constitucionalmente atribuída aos municípios pelo artigo 24, XII, da CRFB/88, em razão da intervenção da municipalidade na administração da Associação Hospitalar de VarreSai, mediante autorização da Lei nº 378/2002. Foi ofertada impugnação pela autuada, fls. 55/67, com as alegações que passaremos a resumir. a) não houve a falta apontada no AI; b) tem uma longa folha de serviços prestados à população do Município de VarreSai, sempre recebendo recursos públicos e particulares; c) com a publicação da Lei Municipal n. 378/2002, a Prefeitura assumiu a administração da Associação Hospitalar, indicando, inclusive, os membros de sua direção; d) em razão da falta do aporte de recursos por parte do Município, a autuada acumulou dívidas; e) no período da autuação, houve a realização de convênio de gestão com o Município de VarreSai, para execução dos programas Saúde da Família, Agentes Fl. 563DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Comunitários de Saúde, Erradicação do Trabalho Infantil, Assistência à Saúde e Curumim, com previsão de repasse dos recursos oriundos do Governo Federal; f) o Prefeito cometeu inúmeras irregularidades utilizandose do nome da Associação Hospitalar, inclusive deixando de cumprir as obrigações fiscais, conforme balanço elaborado pelo contador; g) deve ser arquivado a AI, posto que a autuada não deu causa à infração, e que o polo passivo passe a ser ocupado pelo Município de VarreSai, na qualidade de responsável pelos débitos existentes, e também assumam a posição de corresponsáveis os senhores Edson Moreira Martins e Josemar Geraldo Rodrigues de Assis. O Município de VarreSai também impugnou o crédito, fls. 514/520, visando afastar a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída. A DRJ, fls. 535/543, afastou a responsabilidade solidária atribuída ao Município e declarou as contribuições procedentes em relação à Associação Hospitalar. Inconformada, a entidade autuada interpôs recurso, fls. 547/548, no qual requer a reapreciação dos pontos alinhavados na defesa, acrescentando que, mediante o Decreto n. 970/2012, o prédio sede do Hospital bem como todos os bens móveis pertencentes à recorrente foram desapropriados pelo Município de VarreSai. Pede a autuada que, caso a multa seja mantida, reduzase seu valor ao mínimo legal, posto que não dispõe de recursos suficientes para arcar com o pagamento do débito. É o relatório. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10725.721878/201121 Acórdão n.º 2401003.079 S2C4T1 Fl. 563 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A legitimidade passiva A recorrente não contestou as contribuições lançadas, tenta, todavia, transferir a responsabilidade pelo crédito para o Município de VarreSai, invocando convênio que teria firmado com este, o qual lhe acarretado prejuízo. Essa pretensão não merece sucesso. Na presente autuação, o fato gerador do lançamento foi o pagamento de remuneração a segurados que prestaram serviço a entidade autuada. Assim, nos termos do art. 121, I, do CTN, é a recorrente o sujeito passivo da obrigação tributária, posto que tem a relação direta com as situações fáticas que ensejaram a lavratura. Essa responsabilidade tributária poderia até ser questionada se no momento da autuação a recorrente estivesse sob intervenção, mas não é o caso, posto que as intimações foram dirigidas e recebidas pelo representante legal da Associação Hospitalar, que, inclusive, recebeu o agente do fisco. Verificase inclusive que no período de 2006 e 2007 o Hospital não estava sob administração do Município, não havendo sequer o que se falar em responsabilidade do Prefeito, posto que não teve ingerência sobre os fatos geradores que deram ensejo ao presente lançamento. Possíveis prejuízos que lhe foram causados pelo convênio que firmou com o Município de VarreSai não podem ser invocados para afastar a recorrente do polo passivo da autuação, posto que essa convenção não pode ser oposta à Fazenda Pública, nos termos do art. 123 do CTN. Quanto ao pedido de redução da multa em razão da carência de recursos para quitar o débito tributário, não pode ser atendido em razão da falta de permissivo legal para concessão desse favor. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Também não afasta a exigência fiscal o fato de bens da autuada terem sido desapropriados, posto que isso é matéria que refoge aos limites da lide que ora se julga. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 566DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10380.010196/2006-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
COFINS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC.
Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
COFINS. ISENÇÃO. INSTIUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS.
São isentas de Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos.
Numero da decisão: 3403-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Kern e Antonio Carlos Atulim, quanto à questão da incidência da contribuição sobre as receitas da atividade própria.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. COFINS. ISENÇÃO. INSTIUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. São isentas de Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Kern e Antonio Carlos Atulim, quanto à questão da incidência da contribuição sobre as receitas da atividade própria. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 01 96 /2 00 6- 71 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração lavrado em 13/10/2006 (fls 4 a 251), para exigência de Cofins (valor original de R$ 454.967,60), acrescida de juros de mora e de multa de ofício , por falta de recolhimento, no período de 2001 a 2005 (fatos geradores de 31/01/2001 a 31/12/2005). Alega a autoridade fiscal que há isenção do pagamento da Cofins (conforme art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001, e edições anteriores) apenas em relação às receitas de atividades próprias derivadas de contribuição, anuidade ou mensalidade fixada em lei, assembleia ou estatuto social e destinadas ao custeio de atividades essenciais. Assim, as receitas de atividades contraprestacionais, como as mensalidades escolares, por exemplo, sujeitamse à incidência da contribuição. Cientificada da autuação, a empresa apresenta impugnação (fls. 221 a 246), na qual alega, em síntese, que: (a) houve cerceamento de defesa, pois tentou sem sucesso obter cópias do processo administrativo; (b) como a notificação da impugnante ocorreu em 17/10/2006, houve decadência em relação ao período de janeiro a setembro de 2001, cf. art. 150, § 4o do CTN; (c) as mensalidades estão indicadas no estatuto social da fundação fls. 250 a 252 (art. 7o, “d”) e se destinam ao custeio de sua finalidade essencial (conforme art. 2o do mesmo estatuto); (d) a entidade se enquadra no disposto no art. 13 da Medida Provisória no 2.15835/2001, e por isso faz jus à isenção; (e) o Parecer Normativo CST no 5, de 22/04/1992, citado na autuação, trata de não incidência, e não se aplica à isenção disciplinada na norma posterior (Medida Provisória no 2.15835/2001); e (f) o STF entende que para haver isenção, não é necessário que o serviço educacional seja gratuito. Em 16/11/2011, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 263 a 272), no qual se acorda pela improcedência da impugnação, tendo em consideração que: (a) não houve preterição do direito de defesa; (b) não houve decadência, por aplicarse ao caso o disposto no art. 173, I do CTN, visto que não houve pagamento; (c) o art. 14 da Medida Provisória no 1.8586/1999, que origina a disposição constante do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001, surge em contexto no qual é ampliada a base de cálculo da Cofins, de modo a tributar situações antes excluídas da incidência da contribuição (como as descritas no Parecer Normativo CST no 5, de 22/04/1992), o que se esclarece pela redação da norma infralegal que posteriormente disciplinou a matéria (Instrução Normativa SRF no 247, de 21/11/2002, art. 47, II e § 2o; e (d) o preço cobrado a título de mensalidade, como contraprestação por curso provido por instituição de educação, por configurar receita de prestação de serviço, constitui base de cálculo da Cofins. Cientificada da decisão de piso em 09/03/2012 (AR à fl. 283), a empresa apresenta recurso voluntário em 05/04/2012 (fls. 285 a 304), no qual reitera a preliminar de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 316DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10380.010196/200671 Acórdão n.º 3403002.298 S3C4T3 Fl. 316 3 decadência e a argumentação em relação a seu enquadramento no art. 13 da Medida Provisória no 2.15835/2001, tendo em vista ser a prestação de serviços de educação uma atividade própria da empresa, assegurada em estatuto (colacionando precedentes administrativos). Acrescenta que o julgamento de primeira instância fez confusão cronológica entre as normas que tratam da matéria (Lei no 9.718/1998 e Medida Provisória no 2.15835/2001), e tomou em conta o art. 3o da Lei no 9.718/1998, declarado como inconstitucional pelo STF (e revogado pela Lei no 11.941/2009), e a Instrução Normativa no 247, de 21/11/2002, que extrapola a função das normas complementares previstas no CTN, ao tratar de matéria de reserva legal (isenção) e que deve ser literalmente interpretada. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há preliminar de decadência, suscitada tanto na impugnação (e rechaçada pelo julgador a quo) quanto no recurso voluntário. Como a ciência da autuação, instaurando o contencioso, se dá em 17/10/2006 (fl. 5), e o Auto de Infração trata de fatos geradores de 31/01/2001 a 31/12/2005, a recorrente alega ter havido decadência em relação ao período de janeiro a setembro de 2001, cf. art. 150, § 4o do CTN. No julgamento de primeira instância, contudo, afastase a aplicação do comando citado do CTN, em favor do art. 173, I do mesmo Código, visto que não houve pagamento da contribuição. Nesse aspecto, é de se destacar que o entendimento do julgador de piso é alinhado ao expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009. Assim, afastase de plano a preliminar de decadência. No mérito, o contencioso em sede de recurso voluntário centrase na discussão sobre o enquadramento ou não da recorrente na isenção de que trata o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001. Cabe aqui transcrever de início os dispositivos da referida Medida Provisória2 pertinentes à análise do tema: “Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) 2 Que, destaquese, reproduz texto que se origina no art. 14 da Medida Provisória no 1.8586/1999. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...)” “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13.” (grifo nosso) Inequívoco, assim, que são isentas de Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10/12/1997. Mister, destarte, a transcrição de tal dispositivo legal: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...) § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10380.010196/200671 Acórdão n.º 3403002.298 S3C4T3 Fl. 317 5 h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)” (grifo nosso) Complementando a conclusão inequívoca anteriormente externada, podese afirmar com convicção que são isentas de Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação e de assistência social que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. A argumentação da autoridade autuante é de que a isenção de Cofins é apenas para receitas de atividades próprias “derivadas de contribuição, anuidade ou mensalidade fixada por lei, assembleia ou estatuto social e destinadas ao custeio de suas atividades essenciais”, e que, no caso, as receitas foram de atividades contraprestacionais (como mensalidades escolares), sujeitas à incidência da contribuição. Vejase que a lei instituidora da isenção a estabelece para “receitas de atividades próprias”, e o fisco as restringe às “receitas de atividades próprias derivadas de contribuição ...”, conforme exposto no parágrafo anterior. A expressão restritiva entre aspas constante do entendimento do fisco deriva do Parecer Normativo CST no 5, de 22/04/1992, conforme se reconhece no próprio texto do Termo de Constatação Fiscal (fls. 23/24), anexo à autuação. Ao final do referido Termo (fls. 24/25), concluise que: “Desse modo, estão sujeitas à Cofins, por força da Lei no 9.718, de 1998, as receitas de caráter contraprestacional das instituições de educação, ainda que sem finalidade lucrativa. E, de fato, este é o caso da fiscalizada, como se conclui da análise das DIPJ correspondentes aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, que conferem com a escrituação apresentada, pois a Fundação apura receitas de serviços prestados na área de educação, com relação às quais deve ser exigida a Cofins”. (grifo nosso) A autuação não levanta, portanto, discussão quanto a ser ou não a fundação uma entidade sem fins lucrativos, ou quanto ao comprimento estrito dos dispositivos da Lei no 9.532/1997. Discute especificamente a expressão “receitas de atividades próprias” do inciso X do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001, à luz de abordagem histórica (do regime anterior à Lei no 9.718/1998) na qual defende a aplicabilidade do disposto no referido Parecer da CST. O julgador de primeira instância partilha de tal entendimento fundado em análise histórica da legislação da Cofins, agregando aos argumentos expostos na autuação que a Instrução Normativa SRF no 247, de 21/11/2002, em seu art. 47, II e § 2o, veio a esclarecer a aplicabilidade das disposições do Parecer da CST (pois manteve exatamente seus termos) à isenção tratada no art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001. Em que pese a discussão Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 sobre a referida Instrução Normativa sequer constar da autuação, ela foi de tamanha relevância no julgamento de primeira instância, a ponto de dois dos julgadores manifestaremse pela manutenção da autuação somente para fatos geradores posteriores a sua vigência. A matéria foi então decidida por qualidade, nos termos do voto do presidente da turma (relator), acompanhado (pelas conclusões) por outro julgador. É de se destacar, contudo, que o Parecer Normativo CST no 5, de 22/4/1992, foi emitido cerca de uma década antes do texto legal em discussão (Medida Provisória no 2.15835/2001), e para tratar de não incidência (instituto tributário com natureza diversa da isenção). Ademais, o parecer trata de situação sensivelmente diferente da que consta na presente autuação. Sobre a matéria, conveniente trazer decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão no 9303001.8693). Do voto condutor da decisão, unanimemente acolhido no tribunal, transcrevese excerto referente ao tema que se está aqui a analisar: “Tudo o que resta esclarecer, assim, é o sentido da expressão receitas próprias de suas atividades. A SRF tem dado o entendimento, expresso hoje inclusive em Instrução Normativa (nº 247/2002), de que seriam aquelas que não consubstanciassem contraprestação pelo serviço prestado. Analogamente ao que ocorreria com as associações, entende que, também para as instituições de educação, elas se restringiriam às “decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Essa redação da IN simplesmente copiou as conclusões do Parecer Normativo CST nº 05/92. Mas este parecer faz expressa e exclusiva menção às associações, sindicatos, federações e confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Daí porque se refere apenas às mensalidades instituídas por lei, assembleia ou estatuto. Ali se quis excluir de qualquer benefício a receita eventualmente obtida por aquelas associações e entidades em decorrência da venda de bens ou prestação de serviços. Ora, sabese que as associações, espécie do gênero sociedades, se distinguem exatamente pela ausência do recurso ao mercado. Isto é, elas nascem para “prestar serviços” aos seus próprios associados. Em troca, e para viabilizálas economicamente, rateiam eles entre si os custos inerentes aos serviços prestados. A relação com o mercado, então, restringese à aquisição dos “insumos” necessários àquele serviço. Para tomar o exemplo de uma associação recreativa ou esportiva: ela nasce para que seus membros possam praticar, em comum, atividades recreativas ou esportivas. Para tanto, precisa comprar e manter determinados equipamentos apropriados às atividades desenvolvidas. Essas despesas é que são cobertas 3 CSRF, Acórdão n. 9303001.869, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, unânime, sessão de 6.mar.2012. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10380.010196/200671 Acórdão n.º 3403002.298 S3C4T3 Fl. 318 7 pelos associados mediante contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por assembléia ou estatuto. No caso das demais entidades tratadas no Parecer Normativo – entidades sindicais e representativas de categorias profissionais, tais contribuições são, normalmente, fixadas por lei. Totalmente diverso é o caso de uma sociedade constituída para prestar serviços de natureza civil. Estas vão ao mercado não só para adquirir os “insumos” mas também para ofertar os seus serviços. Analogamente ao exemplo da associação recreativa, agora constituise uma sociedade para, por exemplo, ministrar aulas de uma determinada modalidade esportiva. Nesse caso, sua receita provém da “venda” do serviço prestado. Ora, o texto da lei não restringiu a isenção ao primeiro caso, o das associações. Ao contrário, não fez qualquer exigência de que as instituições de educação fossem constituídas como tal. Aliás, se essa fosse a intenção, não precisaria incluir um item próprio, na medida em que já estariam abrangidas pela expressão do mesmo art. 13 da MP). Assim, entendo que a “analogia” in casu poderia, quando muito, determinar a exclusão do benefício sobre receitas outras, não oriundas da prestação do serviço educacional, a exemplo de estacionamento, aluguel de ginásio de esportes e de “cantina” e tais. Nunca sobre a própria receita obtida para financiar a atividade principal da instituição – as mensalidades pagas pelos alunos – sob pena de esvaziar a própria isenção concedida.” 4 (grifo nosso) O teor do referido Parecer da CST, assim, não se refere à matéria especificamente tratada no presente processo. E não merece prosperar o argumento de que a situação teria sido remediada com a inclusão de teor idêntico ao do referido parecer no texto de Instrução Normativa veiculada em 2002, tanto pelo acolhimento dos argumentos expressos no julgamento efetuado pela CSRF, quanto pelo fato de ter sido a matéria suscitada inauguralmente no julgamento de primeira instância. Por derradeiro, é de se destacar que a recorrente transcreve tanto em sua impugnação quanto em seu recurso voluntário, os arts. 2o e 7o de seu Estatuto Social: “Art. 2o A FUNDAÇÃO tem as seguintes finalidades: I criar, instalar, adquirir, organizar e manter instituições de ensino, nos diversos graus, principalmente, primário, médio e superior, de forma a elevar o nível cultural e educacional na área de suas atividades. (...) IV – organizar, manter e administrar diretamente ou mediante covênios com as entidades citadas no inciso anterior, centros de treinamento para fins de estágios, experimentação de processo, 4 O presente excerto do voto condutor do acórdão 9303001.869 tem origem em outro voto do mesmo relator (julgamento do recurso nº 138.130 proc. nº 10183.003953/200414, fevereiro de 2008). Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 sistemas e métodos para formação de pessoal técnico ou especialização em assuntos educacionais e de formação técnico pedagógico. (...)” “Art. 7o Para a manutenção e desenvolvimento dos serviços e custeios dos encargos contará a FUNDAÇÃO com: a) contribuições e doações; b) quaisquer subvenções oficiais; c) renda partimonial; d) renda dos serviços prestados; (...)” (grifo nosso) Resta claro que a atividade da recorrente é educacional, assim como mostra se cristalino que seu custeio decorre, entre outros, da renda dos serviços prestados (mensalidades escolares). Tanto um quanto outro expressos em estatuto. Não se apresenta, assim, na autuação, fundamento jurídico que impeça o gozo da isenção pela recorrente, na situação versada no presente processo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11065.724625/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
SIGILO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
É lícito à autoridade fiscal, após a Lei Complementar nº 105, de 2001, obter informações do contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, com procedimento fiscal em curso e as informações forem indispensáveis a apuração dos fatos.
DECADÊNCIA.
Nas hipóteses em que inexiste pagamento ou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é disciplinada pelo art. 173, I, do CTN., com termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR INTERMÉDIO DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA.
Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa em vários anos-calendário e não os ofereceu à tributação nas declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada.
Numero da decisão: 2201-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal, após a Lei Complementar nº 105, de 2001, obter informações do contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, com procedimento fiscal em curso e as informações forem indispensáveis a apuração dos fatos. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que inexiste pagamento ou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é disciplinada pelo art. 173, I, do CTN., com termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR INTERMÉDIO DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 46 25 /2 01 1- 93 Fl. 3214DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Fl. 3215DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11065.724625/201193 Acórdão n.º 2202002.122 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre/RS que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, dos anoscalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 sobre omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica por interposta pessoa, com juros e multa qualificada de 150%. Auto de Infração (fls.3087 a 3123) com ciência em 07.12.2011 (AR fls. 3155) lavrado após as irregularidades apontadas no Relatório de Ação Fiscal (fls. 3124 a 3152) 1 Omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica, conforme item 4.1.1 do Relatório de Ação Fiscal. 2 Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, conforme item 4.1.2 do Relatório de Ação Fiscal. 3 Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiveram na data da percepção, conforme itens 4.1.4 e 4.2 do Relatório de Ação Fiscal. O Relatório de Ação Fiscal considera as transações efetuadas pela RME como se fossem da pessoa física Ruben Eugen Becker. Os pagamentos efetuados pela CELSP e pela construtora Toniolo Busnello S/A Túneis e Terraplenagens e Pavimentações à RME foram, de fato, feitos ao autuado que utilizou indevidamente a pessoa jurídica com o objetivo de obter tributação favorecida, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal. Segundo o relatório, a RME foi concebida para contornar uma limitação legal imposta às instituições de ensino e de assistência social sem fins lucrativos, impedidas de distribuírem qualquer parcela do seu patrimônio e de suas rendas e de aplicarem seus recursos fora do país. Impugnação (fls. 3157 a 3176). Decisão recorrida (fls. 3184/3193) com ciência em 14.07.2012 (AR fls. 3196), manteve a autuação, uma vez que o contribuinte não trouxe nenhum elemento novo de prova para elidir a autuação. A decisão esta assim ementada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Fl. 3216DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES 4 DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que inexiste pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. Em havendo diversos fatos, devidamente documentados, todos apontado no sentido da existência de interposta pessoa, os mesmos devem ser aceitos como provas suficientes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS NA FORMA DE BENS OU DIREITOS. Os valores recebidos pelo contribuinte por meio de bens móveis e imóveis constituem objeto de tributação pelo imposto de renda quando não justificada pelos rendimentos declarados. A utilização de interposta pessoa jurídica não altera a condição do contribuinte de beneficiário do rendimento. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e d e entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelos STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário (fls. 3198/3210) protocolado em 09.08.2012 sustenta em síntese: a) decadência do crédito tributário no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2006; b) os autos devem ser sobrestados até o julgamento do RE nº 601.314 pelo .STF, diante Fl. 3217DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11065.724625/201193 Acórdão n.º 2202002.122 S2C2T2 Fl. 4 5 da quebra de sigilo bancário; c) o ônus de provar o ingresso de valores na conta corrente da empresa é dos sócios; d) a qualificadora da multa não esta comprovada . É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Aprecio o pedido de sobrestamento. Sustenta o Recorrente apenas preliminar de mérito relativa a decadência, prejudicial da quebra indevida do sigilo bancário, pedindo o sobrestamento dos autos. No mérito, alega apenas que não compete ao contribuinte o ônus de provar a omissão de rendimentos, e a qualificadora da multa não esta comprovada . No item 4.2.1.2.2 do Relatório de Fiscalização consta que houve quebra do sigilo bancário para apuração de parte dos rendimentos omitidos. O Recurso deve ser sobrestado diante do impedimento previsto do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho e da Repercussão Geral instaurada pelo C. STF no RE n° 601.314 sobre a quebra do sigilo bancário. O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconhecer a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. Ricardo Lewandowski – Relator” O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que deve ser sobrestado os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Fl. 3218DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O C. STF, pelo Tribunal Pleno reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem prévia autorização judicial no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes pendente de decisão desse RE. Além do RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial, pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme podemos confirmar pelas decisões abaixo: Despacho: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. 09/02/2011, DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o Fl. 3219DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11065.724625/201193 Acórdão n.º 2202002.122 S2C2T2 Fl. 5 7 fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. MARCO AURÉLIO, j. 04/10/2011, DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01.CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e Fl. 3220DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES 8 seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. LUIZ FUX, j.,01/08/2011, DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal – discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. CELSO DE MELLO, j., 21/05/2010, DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Em face do exposto, parece não existir dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com extratos bancários obtidos mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, sem autorização judicial, é necessário sobrestar o julgamento destes autos, na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, até a decisão do Recurso Extraordinário nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, os autos devem sobrestados, na forma do art. 62A, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. Vencido nessa prejudicial do desenvolvimento valido e regular do processo, passo ao exame das demais questões suscitadas no recurso. Cuidase de autuação do IRPF sobre omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa, da empresa RME Administração de Sociedades Educacionais Ltda., com a multa qualificada de 150%, conforme segue: 1 Omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica, conforme item 4.1.1 do Relatório de Ação Fiscal. 2 Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, conforme item 4.1.2 do Relatório de Ação Fiscal. 3 Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica na forma de bens ou direitos, avaliados na data da percepção, conforme itens 4.1.4 e 4.2 do Relatório de Ação Fiscal. Fl. 3221DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11065.724625/201193 Acórdão n.º 2202002.122 S2C2T2 Fl. 6 9 Decadência Tratase da omissão de rendimentos de pessoa física sujeito a ajuste anual, dos anoscalendários de 2005, 2006, 2007, 2008, de lançamento por homologação, a teor do art. 150, do CTN, mas com o inicio do prazo contado na forma do art. 173, do CTN, diante da acusação de dolo, com a multa a qualificada pela utilização do recebimento por intermédio de interposta pessoa, a empresa. Assim, o inicio do prazo decadencial do IRPF dos anoscalendários de 2005, 2006, 2007, 2008, é 01.01.2007, 01.01.2008, 01.01.2009 e 01.01.2010. A notificação do lançamento ocorreu coma notificação do auto de infração (fls.3087 a 3123) em 07.12.2011 (AR fls. 3155). Entre o prazo mais remoto, 01.01.2007, e a notificação do lançamento em 07.12.2011, não ocorreu, por menos de um mês, lapso temporal superior a cinco anos para se operar a decadência. Fica assim afastada, em principio o reconhecimento da decadência pela inocorrência. Cancelada a multa qualificada volta se ao exame da decadência. Mérito No mérito nada é propriamente alegado, apenas que não compete ao contribuinte comprovar a inexistência de omissão de rendimentos. O lançamento tributário, como ato administrativo vinculado e obrigatório (art. 142, do CTN), uma vez efetuado e notificado ao contribuinte possui a presunção de veracidade e legitimidade, com isso cabe ao sujeito passivo demonstrar e comprovar fato impeditivo, modificativo, extintivo. Cabia ao Recorrente comprovar que os rendimentos, renda ou faturamento, pertenciam a empresa. Sem essa comprovação a decisão recorrida e a autuação devem ser mantidas. Multa qualificada Esta comprovada nos autos a qualificadora da multa, relativa a conluio, fraude e simulação com o uso de interposta pessoa – utilização da empresa para o recebimento dos rendimentos omitidos. Há ainda a comprovação feita pela fiscalização da simulação sobre a emissão de notas fiscais sem corresponder a efetiva prestação de serviços dessa empresa de titularidade e total controle do autuado. Ante o exposto, pelo meu voto, caso se adentre ao mérito, nego provimento ao recurso para manter a autuação e a decisão recorrida, com a multa qualificada. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 3222DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES 10 Fl. 3223DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11065.724625/201193 Acórdão n.º 2202002.122 S2C2T2 Fl. 7 11 Fl. 3224DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10855.000018/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO.
Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda
estão sujeitas A comprovação ou justificação, mediante
documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas A comprovação ou justificação, mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 08 a 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, ano calendário 2003, para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 5.073,75 mais cominações legais. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva, onde pugnou pela anulação da notificação, carreando para os autos, declarações de beneficiários de despesas médicas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 27 a 31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito as deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000018/200951 Acórdão n.º 2101001.469 S2C1T1 Fl. 2 3 contribuinte ou seus dependentes. Artigo 80, §1°, incisos II e III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgador de 1a instância entendeu que a notificada não comprovou as seguintes despesas relativas aos prestadores: Prestador Valor R$ Tatiana Carvalho de Montalvão 8.450,00 Eurípedes Ramos da Silva Júnio 3.000,00 Luciana Ramiro Monteiro Buganza 7.000,00 TOTAL 18.450,00 De consequência manteve as glosas relativas às citadas despesas, votando pela improcedência da impugnação e mantendo a exigência de imposto suplementar de R$ 5.073,75 mais cominações legais. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 18/10/2010 (fl. 35), a Recorrente apresentou, em 05/11/2010, o recurso de fls. 36 a 38, mantendo os argumentos da impugnação inicial. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 65, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2004, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O julgador a quo manteve glosas relativas à determinadas despesas entendidas como não comprovadas. No voluntário, a recorrente reapresenta recibos de TATIANA CARVALHO DE MONTALVÃO e de LUCIANA RAMIRO MONTEIRO, e carreia para os autos recibos de EURIPEDES RAMOS DA SILVA, apresentando, ainda, cópia dos recibos de despesas médicas bem como cópia de carta ao BANCO DO BRASIL S/A, BANCO BRADESCO e NOSSA CAIXA NOSSO BANCO, requerendo, ainda, maior tempo para a entrega dos extratos bancários solicitados às referidas instituições financeiras. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas odontológicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000018/200951 Acórdão n.º 2101001.469 S2C1T1 Fl. 3 5 Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração da contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Vejase as seguintes decisões deste colegiado: Acórdão nº : 10248789 DESPESAS MÉDICAS RECIBOS REQUISITOS ESSENCIAIS Quanto aos requisitos essenciais que devem constar do recibo, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, o valor, a natureza da prestação dos serviços, o nome de quem pagou e a assinatura identificando quem recebeu são pressupostos essenciais à sua validade. O endereço, o CPF do profissional e a identificação do beneficiário dos serviços, caso ausentes, podem ser completados, posteriormente, pelo tomador dos serviços, adotandose procedimento semelhante ao do pagamento com cheque nominal. Acórdão nº : 10616.890 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM RECIBOS ACOSTADOS AOS AUTOS FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU INFORMAR A HIGIDEZ DOS RECIBOS CABIMENTO DA DEDUÇÃO O único óbice aventado pela fiscalização para rejeitar os recibos das despesas médicas foi a ausência do número de inscrição do profissional emitente no seu órgão de classe. Na via recursal, o recorrente trouxe recibo emitido em ano precedente com o número de inscrição referido. Superado o óbice, é de se deferir a dedução das despesas médicas na declaração de renda do recorrente. Ementa Assunto: IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Simples recibos comprovam despesas médicas realizadas, mas, se o Fisco teve motivos para duvidar da efetiva prestação de serviços, serão necessárias provas adicionais da autenticidade dos mesmos, mormente quando emitidos por profissional objeto de súmula administrativa. Multa qualificada mantida. IRPF GLOSA DESPESAS MEDICAS Ausência de apresentação de recibos ou quaisquer outros comprovantes de despesas médicas. Glosa com multa de ofício. Lançamento procedente. Recurso negado. (Acórdão 102489492ª Câmara – 1º Conselho de Contribuintes) Os parágrafos 4º a 6º do artigo 16 da Lei nº 70.235,72, dispõem: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Da análise dos autos verificase que o Fisco concedeu prazo razoável para o atendimento à intimação que exigia tais elementos, entretanto a contribuinte não fez anexar documentação probatória capaz de convencer o julgador à quo. Como o recorrente não comprovou o efetivo pagamento das despesas, através de cópias de cheques ou extratos bancários, voto por negar provimento ao recurso. Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. (assinado eletronicamente) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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