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Numero do processo: 15504.020544/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Relatório
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 20 54 4/ 20 09 -3 1 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15504.020544/200931 Resolução nº 2402000.655 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.237.6630 PAF 15504.020542/200941, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (b) AI 31.231.6665 PAF 15504.020545/200985, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (c) AI 37.237.6657 PAF 15504.020544/200931, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (d) AI 37.237.6649 PAF 15504.020543/200996, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação De acordo com a acusação, a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador ou o desvirtuamento de suas finalidades pela empresa participante acarretaria o cancelamento de sua inscrição no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda dos incentivos fiscais. No caso concreto, o fornecimento de alimentação pela contribuinte estaria ligado a sistema de premiação ou punição do trabalhador, conforme conclusões do Processo 46016.0002969/200811 SIT/MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. As modalidades de serviços de alimentação fornecidas pela empresa seriam: a) administração de cozinha; b) cestas básicas; c) ticket alimentação; d) ticket refeição; e) alimentação e lanches. Os valores tributáveis foram extraídos da escrituração contábil da empresa e das folhas de pagamento. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15504.020544/200931 Resolução nº 2402000.655 S2C4T2 Fl. 4 3 Os fatos geradores não foram declarados em GFIP. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais devidas a Terceiros, assim entendidas como Outras Entidades e Fundos. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. Os valores pagos aos trabalhadores a título de auxilio alimentação somente são excluídos do campo de incidência das contribuições sociais quando fornecidos em conformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. DECISÕES JUDICIAIS. As decisões judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Autoridade Fiscal deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. PRÁTICAS REITERADAS ADOTADAS PELO FISCO. A prática reiterada pelo Fisco tem sido a de autuar os contribuintes que, inobservando os ditames contidos na legislação, efetuam o pagamento da parcela in natura em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Intimada da decisão em 07/01/2011, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/01/2011, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, suscitou o seguinte: Decadência (a) decadência: os créditos tributários são relativos às competências janeiro a dezembro de 2004, ao passo que a recorrente foi autuada somente em dezembro de 2009, estando decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro; (b) é aplicável o art. 150, § 4º, do CTN; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15504.020544/200931 Resolução nº 2402000.655 S2C4T2 Fl. 5 4 Do auxílioalimentação (c) apenas o ticket alimentação estava condicionado à assiduidade do empregado; (d) não há como se cogitar da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores gastos pela recorrente com a manutenção de restaurante interno, bem como a título de cesta básica, alimentação e lanches e ticket refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas para o trabalho e não pelo trabalho; (e) além de estar restrita ao ticket, a condição estipulada em acordo coletivo de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação; (f) maior prova de que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie de premiação ao empregado é o fato de a recorrente efetivamente possuir um programa de prêmios para seus funcionários, este sim visando a maior produtividade; (g) não existe previsão em lei ou em decreto que proíba essa condição estabelecida pela recorrente; (h) a Portaria 87, que teria excluído a requerente do PAT, é datada de 19/03/2009, tendo sido publicada no DOU de 23/03/2009, mas pretende produzir efeitos de forma retroativa, cancelando inscrições de 1995 a 2008; (i) inscrição no PAT não é condição indispensável à caracterização da natureza indenizatória das verbas alimentares pagas pela recorrente aos seus empregados. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15504.020544/200931 Resolução nº 2402000.655 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Da necessidade de diligência Conforme preceitua o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, não havendo necessidade de pedido expresso de desistência: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (destacouse) Como se vê, o RICARF preleciona que basta o pedido de parcelamento para que se tenha como consequência a desistência do recurso. Desta forma, é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido. Neste caso concreto, há uma informação expressa, à fl. 255 (PAF 15504.020542/200941), de que a empresa teria incluído a totalidade dos seus débitos no parcelamento: Todavia, a informação contida à fl. 254 (PAF 15504.020542/200941) é a de que a empresa não teria incluído a totalidade dos débitos da PGFN e da RFB no parcelamento. Ou seja, tais informações aparentemente se contradizem e é necessário verificar se houve a inclusão da totalidade dos débitos, e, se não tiver havido a inclusão da totalidade, se houve pedido de inclusão dos débitos controlados neste processo no parcelamento, ainda que o parcelamento tenha sido posteriormente rescindido. Lembrese: é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido. Realizada a diligência, o contribuinte deve ser intimado para, querendo, apresentar sua manifestação no prazo legal. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 15504.020544/200931 Resolução nº 2402000.655 S2C4T2 Fl. 7 6 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos nele abrangidos. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000909/2008-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte junte o extrato analítico das contribuições, e em sendo apresentado que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente) que votou contra a realização de diligência, por entender que caberia ao sujeito passivo ter juntado a prova ao seu recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte junte o extrato analítico das contribuições, e em sendo apresentado que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente) que votou contra a realização de diligência, por entender que caberia ao sujeito passivo ter juntado a prova ao seu recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 81 .0 00 90 9/ 20 08 -0 5 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13881.000909/200805 Resolução nº 2002000.004 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.33/40) contra decisão de primeira instância (fls.26/29), que negou provimento a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189, e ainda da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: a) não houve omissão de rendimentos, posto que o contribuinte lançou o valor considerado omitido na notificação no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, por estar isento de tributação, com amparo na Lei 7.713/88, apontada na declaração de imposto de renda, cuja matéria foi apreciada pelo STJ; b) as normas legais referidas e jurisprudência apresentada determinam que para quem se aposentou antes de 01/01/96 não incidirá imposto de renda sobre o benefício de complementação da aposentadoria mesmo após a vigência da Lei 9.250/1995, em razão do ato jurídico perfeito, como o impugnante aposentouse em 15/12/1996, o imposto de renda sobre o deve ser calculado proporcionalmente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação, para manter o auto de infração em sua integralidade. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente que não foi aplicado ao caso concreto a jurisprudência firmada sobre a questão e que a multa não deve ser aplicada ao contribuinte de boafé. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O acórdão do STJ no REsp nº 669.120 DF, de lavra do Min. João Otávio de Noronha, citado no Recurso Voluntário, restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA LEIS N. 7.713/88 E 9.250/95. IMPOSTO DE RENDA. RESTITUIÇÃO. 1. Na vigência da Lei n. 7.713/88, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado, incluindo a parcela referente à contribuição para a previdência privada, assim, não se afigura viável, sob pena de ofensa ao postulado do non bis in idem, haver novo recolhimento de imposto de renda sobre as mencionadas parcelas custeadas pelo empregado para complementação dos proventos de aposentadoria. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13881.000909/200805 Resolução nº 2002000.004 S2C0T2 Fl. 4 3 2. Na vigência da Lei n. 9.250/95, como o participante passou a deduzir da base de cálculo – consistente nos seus rendimentos brutos – as contribuições recolhidas à previdência privada, deixou de haver incidência na fonte. 3. Tendo ocorrido a aposentadoria do empregado/participante antes de 1º/1/1996, não incidirá imposto de renda sobre o benefício (complementação da aposentadoria), mesmo após a vigência da Lei n. 9.250/95, em razão do ato jurídico perfeito. 4. Se o empregado/participante aposentouse após 1º/1/1996, não incidirá imposto de renda sobre o benefício calculado proporcionalmente às contribuições recolhidas sob a égide da Lei n. 7.713/88, mas apenas sobre a parcela correspondente às contribuições recolhidas na vigência da Lei n. 9.250/95. 5. Nos contratos de previdência privada firmados após 1º/1/1996, o imposto de renda incidirá sobre os benefícios quando da aposentadoria. 6. A parte que sucumbe na demanda deve arcar com as custas e com os honorários advocatícios. 7. Recurso especial parcialmente provido. Perfilho do entendimento adotado pelo STJ com relação a incidência do imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria, levandose em conta a data da aposentadoria, e explico: Como diz a decisão do C.STJ, na vigência da Lei n. 7.713/88, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado (aí incluída a parcela de contribuição à previdência privada), não se afigura viável, sob pena de ofensa ao preceito do non bis in idem, haver novo recolhimento daquela exação (IR) sobre os valores nominais das complementações dos proventos de aposentadoria do beneficiário da previdência privada. Já na vigência da Lei n. 9.250/95, como o participante passou a deduzir da base de cálculo – consistente nos seus rendimentos brutos – as contribuições recolhidas à previdência privada, deixou de haver incidência na fonte. Assim, se a aposentadoria ocorreu antes de 01/01/96, não incidirá Imposto de Renda sobre o benefício (complementação da aposentadoria), mesmo após a vigência da Lei 9.250/95, em razão do ato jurídico perfeito, e no caso de a aposentadoria ter ocorrido após 01/01/96, não incidirá o Imposto de Renda sobre o benefício calculado proporcionalmente às contribuições recolhidas sob a égide da Lei 7.713/88, mas apenas sobre a parcela correspondente às contribuições recolhidas na vigência da Lei 9.250/95". Cumpre destacar que o recorrente aposentouse em 15/12/1996, conforme carta de concessão de fl.9, sendo que neste caso há de se aplicar a proporcionalidade pretendida, ou seja, o Imposto de Renda deve incidir somente sobre o proporcional das parcelas correspondente à contribuições recolhidas na vigência da Lei 9.250/95, pois caso contrário estarseia cobrando o imposto em duplicidade uma vez que anteriormente a lei suso citada, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado (aí incluída a parcela de contribuição à previdência privada). Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13881.000909/200805 Resolução nº 2002000.004 S2C0T2 Fl. 5 4 Destaco, por oportuno, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através da edição do Ato Declaratório nº 4/2006 comunga do mesmo entendimento que não incide imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Ocorre que no período compreendido entre 1º de janeiro de 1979 a 31 de dezembro de 1988, por aplicação do DecretoLei nº 1.642/78, as contribuições para planos de previdência privada poderiam ser deduzidas da renda bruta na declaração do imposto sobre a renda, sendo que a tributação sobre estas contribuições também desaguariam no preceito non bis in idem. Assim, quanto a questão de direito, não há dúvidas que o contribuinte o tem, porém para que lhe seja reconhecido o direito ao recálculo do imposto devido mister se faz que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrandose a proporcionalidade pretendida. A simples regra de três como quer o contribuinte não pode ser aceita, pois inclui as parcelas que foram pagas pela empregadora, e sobre essas não há isenção. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e baixo em RESOLUÇÃO para que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrando se a proporcionalidade pretendida, em relação ao valores recebidos da Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189. Determinase, ainda, que em sendo apresentado o extrato analítico, que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720795/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS - CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS.
Tendo o Recorrente refeito o cálculo do custo dos produtos vendidos com base nos lançamentos da escrituração contábil para efeitos de apuração do Lucro Real e admitido que o efeito não seria nulo, apresentando novos cálculos suportados por resultado de diligência, há que se acatar o demonstrado.
PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÃO. EXIGIBILIDADE NÃO COMPROVADA.
Cabível a autuação por passivo fictício, uma vez que o interessado não logrou apresentar documentação hábil que comprovasse a exigibilidade da obrigação registrada na contabilidade como adiantamento a clientes.
MULTA QUALIFICADA.
Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é inaplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96.
SÚM. CARF N. 14:
"A simples apuração de omissão de receita e de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo".
Numero da decisão: 1401-002.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Tendo o Recorrente refeito o cálculo do custo dos produtos vendidos com base nos lançamentos da escrituração contábil para efeitos de apuração do Lucro Real e admitido que o efeito não seria nulo, apresentando novos cálculos suportados por resultado de diligência, há que se acatar o demonstrado. PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÃO. EXIGIBILIDADE NÃO COMPROVADA. Cabível a autuação por passivo fictício, uma vez que o interessado não logrou apresentar documentação hábil que comprovasse a exigibilidade da obrigação registrada na contabilidade como adiantamento a clientes. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é inaplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. SÚM. CARF N. 14: "A simples apuração de omissão de receita e de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 07 95 /2 01 3- 13 Fl. 1308DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 11516.720795/201313 Acórdão n.º 1401002.177 S1C4T1 Fl. 1.309 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1448.147, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP, que manteve em parte o os lançamentos, abrangendo o anocalendário de 2009 para os tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Os lançamentos perpetrados pelo Fisco e que aqui passam a ser apreciados referemse a dois casos de "omissão de receitas", assim discriminados: 1) por prova direta: Omissão de Receitas por não Contabilização de Notas Fiscais de Venda (Multa qualificada em 1505) 2] por prova indireta presunção legal: Omissão de Receitas por Presunção Legal (Passivo Fictício). Cabe ver cada um dos casos (Multa de 75%) 1) OMISSÃO DE RECEITA NÃO CONTABILIZAÇÃO DE NFS. DE VENDA O auto de infração de fls. 647 está assim lavrado: 0001 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS NOTAS FISCAIS DE VENDA NÃO CONTABILIZADAS Omissão de receitas decorrente de notas fiscais emitidas e não devidamente contabilizadas em títulos próprios. conforme relatório fiscal em anexo Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa (%) 31/01/2009 2.001.217,97 150,00 28/02/2009 1.745.330,98 150,00 31/03/2009 1.633.988,56 150,00 30/04/2009 765.494,37 150,00 31/05/2009 329.227,50 150,00 30/06/2009 1.225.468,41 150,00 31/07/2009 899.758,91 150,00 30/09/2009 135.011,80 150,00 30/11/2009 863.269,15 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3o da Lei n° 9 249/95. Arts 247, 248, 249, Inciso I I, 251, 277, 278, 279, 230 e 283 do RIR/99 Segundo o "Relatório Fiscal" lavrado pela Autoridade Tributária (fls. 681/702), "no exame das notas fiscais de vendas emitidas pelo sujeito passivo no ano de 2009, confrontadas com os valores lançados na contabilidade como receitas operacionais nas contas 4004VENDAS DE PRODUTOS, 4023VENDAS DE PRODUTOSFILIAL RJ e 4010 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, foi constatado que diversas notas fiscais de vendas de produção não foram devidamente reconhecidas como receitas operacionais", e que, "apenas de forma Fl. 1310DF CARF MF 4 parcial, o faturamento decorrente da atividade operacional do sujeito passivo foi submetido à tributação". No levantamento fiscal teriam sido omitidos valores da ordem de R$ 9.648.768,15, referentes a 84 documentos fiscais emitidos no ano de 2009 que deixaram de ser oferecidos à tributação, que se encontram listados na planilha intitulada "Discriminativo das Notas Fiscais de Venda Não Contabilizadas" (fls. 569/570). Apontou a Fiscalização em seu Relatório Fiscal ter realizado o "agravamento da multa imposta" (fls. 698/699), em razão de que "as circunstâncias descritas revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante sonegação, fraude e conluio praticados de forma dolosa e agravam o valor da multa imposta, conforme disposições contidas no artigo 44, inciso I, parágrafo 1°da lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964". A defesa, em síntese alega que ainda que concordassse com o valor de R$ 9.648.768,15 apurado pelo Fisco, contesta suas conclusões de "Omissão de Receitas", sustentando que do montante levantado, R$ 394.724,00 referemse a notas fiscais canceladas e que não poderiam ser tratadas como receitas e que, do restante (R$ 9.254.044,15), parte foi contabilizada a crédito da conta 9693 Credores por Devolução (R$ 3.157.364,89), parte contra outra conta de mesma denominação (Credores por Devolução código 2022), no importe de R$ 1.202.106,00 e o remanescente contra as contas 61 Produtos Acabados (R$ 4.423.740,58) e 63 Matéria Prima (R$ 470.832,68). Afirma ainda a defesa que "a contrapartida de todas as notas fiscais de venda foi a débito em conta de CLIENTES"" (ibidem fls. 723). A contabilização praticada implicou que as receitas de vendas não foram contabilizadas no resultado e esse ficou a menor em R$9.648.768,15 . Mas também implicou que as contas acima creditadas e que são devedoras, em decorrência dos créditos nela recebidos, foram então diminuídas e, diminuídas foram a menor para o resultado e em igual valor ao das receitas de venda. O resultado final de 2.009, só demonstrou menor receita de vendas e menor custo de produtos vendidos, menores devoluções de vendas, em iguais valores. O efeito final no resultado de 2.009 foi "zero"! Pelo fato das receitas de vendas não serem creditadas no resultado, a Fiscalização autuou como omissão de receitas, dentro do regime de lucro real. A Fiscalização e depois a Decisão de Primeira Instância ignoraram a contabilização praticada constante no Livro Diário n°29, e não quiseram entender o efeito contábil "nulo " no "resultado contábil e fiscal " para fins de IRPJ e CSLL. Já para fins de apuração de PIS e COFINS em decorrência de créditos contábeis nessas contas devedores, a empresa deixou de tomar créditos fiscais sobre as reduções. Não foi apurada de quanto é a diferença entre débitos e créditos fiscais. 2] por prova indireta presunção legal: Omissão de Receitas por Presunção Legal (Passivo Fictício). Cabe ver cada um dos casos (Multa de 75%) Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 11516.720795/201313 Acórdão n.º 1401002.177 S1C4T1 Fl. 1.310 5 A segunda infração objeto dos lançamentos perpetrados pela Fiscalização dividese em dois itens, ambos com sustentáculo na "presunção legal" inserta no artigo 281, III, do RIR/19993, como se vê na reprodução do auto de infração de fls. 647/648: Omissão de Receita Saldo Credor de Caixa, Falta de Escrituração de Pagamento, Manutenção no Passivo de Obrigações Pagas e Falta de Comprovação do Passivo Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): (...) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.. 0002 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL PASSIVO FICTÍCIO Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação não comprovada, conforme relatório fiscal em anexo Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa {%] 31/12/2009 5.240.482,29 75,00 31/12/2009 5.394.767,03 75,00 Enquadramento legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9 249/95 \rts. 247, 243, 249, Inciso I, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99 Em relação ao primeiro valor R$ 5.240.482,29 , a conta atingida foi a CONTA 6026 FATURAMENTO ANTECIPADO, enquanto que o segundo diz respeito à rubrica do Passivo CONTA 8870 ADIANTAMENTOS DE CLIENTES, no valor total de R$ 5.394.767,03. 2.1) FATURAMENTO ANTECIPADO Em relação à primeira conta (FATURAMENTO ANTECIPADO), descreveu o Fisco que o sujeito passivo apresentou demonstrativos com a composição dos saldos inicial e final desta conta dos anos de 2007 e 2008, acompanhados de documentos. Asseverou que "todas as vendas efetuadas com a emissão de notas fiscais com CFOP 6922 foram concluídas com a posterior emissão das notas fiscal com CFOP 6116, ainda nos anos de 2008 e 2009. Diante disto, é inexorável a conclusão que as vendas efetuadas foram concretizadas e os produtos devidamente entregues", e que "em suma, todos os lançamentos constantes do demonstrativos lastreados pelas notas fiscais não deveriam ter sido lançadas a crédito ou mantidas na conta do passivo Faturamento Antecipado, tendo em vista que os bens foram entregues ou posto à disposição dos clientes, conforme inclusive atestam os recebimentos assinados pelos clientes no rodapé de diversas notas fiscais acostadas (fls. 197/232 e 535/568)". Fl. 1312DF CARF MF 6 De seu canto, a defesa rebate as acusações e pondera, resumidamente, que teria havido decadência do valor de R$ 3.704.494,72, e que a diferença de R$ 1.535.987,57 (R$ 5.240.482,29 R$ 3.704.494,72) "deve ser lançada novamente corretamente" (impugnação fls. 734). A DEFESA alega ainda que todos os Autos de Infração (IRPJ,CSLL, COFINS e PIS) sobre Vt .< de R$ 5.240.472,29 estão errados quanto à descrição dos fatos (FATOS SÃO OUTROS) .quanto à data do fato gerador (OC^ . 1L VAM EM DIVERSAS DATAS) e quanto ao enquadramento legal ( É TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS NAS ÉPOCAS PRÓPRIAS EM VEZ DE PASSIVO FICTÍCIO) e quanto à base de cálculo (QUE CONSIDERA VALORES DECAÍDOS DESDE 2007). E conclui:: O lançamento efetuada por essa FISCALIZAÇÃO sobre o saldo contábil autuado em 31/12/2009 NÃO É PASSIVO , logo é IMPOSSÍVEL PARA O CONTRIBUINTE comprovar que estivesse em ABERTO um PASSIVO! 2.1) CONTA 8870 ADIANTAMENTOS DE CLIENTES Da mesma forma que no tópico anterior, afirma o Fisco que o sujeito passivo apresentou demonstrativos com a composição dos saldos inicial e final desta conta dos anos de 2005 a 2009, acompanhados de documentos que, entretanto, são referentes a notas fiscais emitidas sob os códigos "CFOP 5101 e 6101 (Venda de produto/', e que, tais notais fiscais " não deveriam ser lançadas em contas do passivo Adiantamento de Clientes tendo em vista que os bens foram entregues ou postos à disposição dos clientes, conforme atestam os recebimentos assinados pelos clientes no rodapé de diversas notas fiscais", que, "as vendas decorrentes das notas fiscais emitidas com CFOP 6922 (simples faturamento) em 2008 foram absolutamente concretizadas ao longo do próprio ano de 2008 com a emissão da respectiva nota fiscal com código CFOP 6116 (Simples remessa) conforme demonstrado pelo próprio sujeito passivo na "Relação das notas fiscais CFOP 69226116" (fls. 534/568)", e que, "em suma, nenhum dos lançamentos efetuados em 2008 que compõe o saldo final desta conta em 31/12/2008 são pertinentes e os documentos apresentados não serão considerados hábeis e idôneos para sua comprovação". Em sua linha, a defesa alega repisa os argumentos de "decadência" parcial, aduzindo que "de 31/12/2007para trás, que na verdade é saldo de 2006, está tudo DECAÍDO (...) que não cabe ao caso autuação por PASSIVO FICTÍCIO (...) tratamse de vendas mal contabilizadas e que não foram nas épocas próprias para os RESULTADOS" (impugnação fls. 740). Concorda, de forma literal (fls. 740) ter havido erro contábil, mas ressalva que, "no entanto (...) não é pelo fato de notas fiscais de venda estarem contabilizadas no PASSIVO que possam ser tratadas nessa autuação como PASSIVO FICTÍCIO". Para concluir: A DEFESA alega que está errado o lançamento efetuado por essa FISCALIZAÇÃO já que o saldo autuado errT31/12/2009 NÃO É PASSIVO , logo é IMPOSSÍVEL PARA O CONTRIBUINTE comprovar que estivesse_em ABERTO um PASSIVO! Deveria ser tudo lançado novamente e corretamente! Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 11516.720795/201313 Acórdão n.º 1401002.177 S1C4T1 Fl. 1.311 7 A DRJ cancelou parte da autuação, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 Diligência/Perícia.Prescindibilidade. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Decadência. Lançamento por Homologação. Restando incomprovado o passivo em 31/12/2009, data do levantamento do Balanço Patrimonial do ano calendário/2009, irrelevante que a obrigação tenha sido contraída em 2005, 2006, 2007 ou 2008, em nada sendo afetada a presunção legal de omissão de receita aplicável ao caso. Ocorrido o fato gerador das exações em 31/12/2009 e os lançamentos sido cientificados em 10/06/2013, inexistente a decadência suscitada pela impugnante. Multa de Lançamento de Ofício. Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Omissão de Receitas. Receitas Não Contabilizadas. Presumese omissão de receitas quando a contribuinte não consegue justificar nem comprovar, com sua escrituração e documentos hábeis, o motivo de valores contabilizados a débito da conta de Duplicatas a Receber terem sido feitos em contrapartida a contas do ativo circulante, reduzindoas, ou do passivo, aumentadoas, e não contra receitas, como seria o procedimento contábil padrão. Comprovada a presença, no rol das notas fiscais listadas pelo Fisco e que deram origem aos lançamentos, que algumas delas foram canceladas, impõe se excluir da base imponível a somatória das mesmas. Omissão de Receitas. Passivo Fictício. A omissão de receita caracterizase pela manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não reste comprovada. Enquanto o valor não comprovado ou já quitado estiver registrado no passivo indevidamente, está caracterizada, por presunção legal, a omissão de receitas. Fl. 1314DF CARF MF 8 Realizado o lançamento com a observância de todas as normas legais, cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo, devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos, do contrário aplicase a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas que, por sua natureza "juris tantum", deve ser infirmada pela parte contrária com provas robustas, o que não se viu nos autos presentes. Livros e Documentos Contábeis. Guarda e Exibição. Os livros e documentos que suportem lançamentos contábeis que projetem efeitos futuros devem ser mantidos em boa guarda e conservação pelos contribuintes até o findar do período em que a Fazenda Pública possa atuar, consoante comando legal consolidado no artigo 264, do RIR/1999. Arbitramento. Não Cabimento. Não tendo sido descaracterizada nem desclassificada a escrituração da autuada, correto o procedimento fiscal de adotar, para fins dos lançamentos realizados, o regime de tributação assumido pela contribuinte, no caso, o Lucro Real, conforme mandamento do artigo 24, da Lei n° 9.249, de 1995, pelo que descabido o arbitramento pretendido pela impugnante. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Tendo a autuada optado pelo regime do Lucro Real, correto o procedimento do Fisco em realizar os lançamentos de PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade, a teor das Leis n 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso a DRJ excluiu da tributação as notas fiscais que foram canceladas efetivamente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos aduzidos anteriormente na respectiva impugnação e aduzindo em complemento em relação à primeira infração: A contabilização dos créditos contábeis referentes essas Notas Fiscais de Venda não foi no DRE Demonstrativo de Resultado ,e sim foi em contas de Passivo e em contas de^tivo. Essa foi a FORMA CONTÁBIL adotada para essas Notas Fiscais e também para outros documentos também contabilizados nessas mesmas contas e adiante citados. Ora, não é preciso maior aprofundamento para se detectar que, reversamente ao pensar da impugnante, o não trânsito dos valores expressos nas notas fiscais listadas pelo Fisco (exceto as canceladas, acima demonstradas) pelas contas de receitas da empresa, levou a um absurdo descompasso contábil, com óbvios reflexos tributários, primeiramente em relação ao PIS e COFINS, cuja base de cálculo é a receita mensal auferida, depois, para o IRPJ e a CSLL, tributos baseados sobre o lucro e que foi violentamente afetado pela não inserção das receitas em sua apuração. Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 11516.720795/201313 Acórdão n.º 1401002.177 S1C4T1 Fl. 1.312 9 Quanto ao desejo da impugnante de que os "custos" relativos às citadas receitas sejam acolhidos, nenhuma razão lhe cabe, posto que não pode o sujeito passivo beneficiarse de seus próprios erros, ou seja, se não fez a contabilização de tais dispêndios na época oportuna (o que não restou comprovado), não poderia pretender que o Fisco o fizesse de ofício. Mais a mais, a "planilha" demonstrativa apresentada pela impugnante com a qual pretendeu contraporse ao trabalho fiscal, mostra, surpreendentemente, um "anular" de valores, oportunidade em que o mesmo total das notas fiscais de vendas emitidas, R$ 9.254.044,15 (já com a exclusão das nfs. canceladas no importe de R$ 394.724,00) é literalmente fulminado pelos lançamentos que a impugnante diz ter realizado, como se vê na reprodução abaixo, extraída de sua peça contestatória fls. 724: (...) Ou seja, nenhum centavo circulou por receita, fato que, independentemente das normas e padrões contábeis ignorados e até vilipendiados, acabou por impedir qualquer tributação federal. Mais ainda, mesmo que aceitas, hipoteticamente, as alegações da defesa de que TODOS OS VALORES ("coincidentemente" iguais, até os centavos) das receitas seriam absorvidos pelos custos, ainda assim, repitase, o PIS e a COFINS não poderiam ter seus recolhimentos afetados, posto que para tais contribuições a base de cálculo é a receita e não o lucro. Em suma, não é crível, sequer sob o ângulo de uma economia de mercado, que valores de receitas e custos/despesas sejam exatamente iguais e se anulem, ou seja, não haja lucro, mormente em um regime capitalista. O Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo resultou na presente diligência, nos termos da Resolução nº 1401000.423 (fls. 1071/1082) expedida pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com a resolução, a presente diligência limitase à infração denominada “Omissão de receitas Notas fiscais de venda não contabilizadas”, e seus efeitos no IRPJ e CSLL. Aduz que “... duas informações importantes precisam ser melhor esclarecidas. Primeiro se todos os custos referentes a essas notas fiscais base para a omissão de receitas de fato não foram contabilizadas e, por último, se a diferença correspondente a Receita e custos de cada uma dessas operações não foram levadas à resultado e tributadas conforme assevera em seu recurso, só que contabilizadas tais diferenças de forma atípica.” E que “... existem fortes indícios de que a recorrente cometera erros de contabilização de seus custos”. Neste sentido, foi determinada a realização de diligência para que a fiscalização autuante adote as seguintes providências: (i) Aprofundar melhor a investigação do conjunto probatório e outros documentos contábeis que possam ainda ser necessários para complementar a prova trazida e esclarecer as dúvidas acima apontadas; Fl. 1316DF CARF MF 10 (ii) Se for o caso, refazer o cálculo do lucro real, ajustando sua base de cálculo com os custos reais apurados que não foram considerados no lançamento do IRPJ e da CSLL; (iii) Apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. (iv) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. (v) Ao final entregar cópia do relatório aos interessados e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Diante disto, a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal, em 06/03/2017, intimando o sujeito passivo a apresentar documentos e esclarecimentos com a finalidade de atender ao contido na referida Resolução. Em resposta, o sujeito passivo apresentou, em 24/03/2017, os documentos e esclarecimentos solicitados, com exceção do Livro Controle de Produção e Estoque – modelo 3, alegou não têlo escriturado. Declarou ainda que não mais possui o controle de estoque de 2009. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 11516.720795/201313 Acórdão n.º 1401002.177 S1C4T1 Fl. 1.313 11 Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da acusação fiscal n. 01 “Omissão de receitas Notas fiscais de venda não contabilizadas”. Defende o Recorrente que embora não tenha contabilizado de forma correta as 77 notas fiscais de venda, no valor total de R$ 9.254.044,15, também não o fez corretamente para diversas notas fiscais de aquisição de matériaprima, acarretando efeito nulo no cálculo dos tributos objeto do presente procedimento fiscal (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS). Contudo, em resposta à intimação fiscal de 06/03/2017, o Recorrente refez o cálculo do custo dos produtos vendidos com base nos lançamentos da escrituração contábil para efeitos de apuração do Lucro Real e admitiu que o efeito não seria nulo, como sustentado em seu recurso, apresentando novos cálculos: Valor do CPV da escrita contábil: R$ 13.960.301,24 Valor do recálculo do CPV: R$ 22.671.430,24 Diferença: R$ 8.711.129,00 Assim, segundo ele, para efeitos de cálculo do lucro, a diferença de CPV deveria ser confrontada com o montante das 77 notas fiscais de venda apuradas no procedimento fiscal, no valor de R$ 9.254.044,14. Assim, haveria uma diferença no valor de R$ 542.915,14 a ser adicionada ao cálculo do Lucro Real para efeitos de tributação. Conforme anotado do Relatório da Diligência Fiscal, mais precisamente no que se refere a análise dos documentos e da memória de cálculo trazidas durante a diligência: Para atender aos itens 3 e 4 do termo de intimação fiscal, referentes à memória de cálculo do custo dos produtos vendidos e do custo relativo às 77 notas fiscais objeto da autuação, o sujeito passivo apresenta a seguinte demonstração: A) Estoques em 31.12.2008: R$ 5.286.122,89 B) Conta 191Custos de Produção – Transferência/Estoque Produtos Acabados: R$ 20.910.058,71 C) Conta 9693Credores Devolução: R$ 3.157.364,89 D) Conta 63Matéria Prima: R$ 470.832,68 E) Custo de produção total ajustado: (B)+(C)+(D)= R$ 24.538.256,28 F) Estoques em 31.12.2009: R$ 7.152.948,93 Fl. 1318DF CARF MF 12 G) Custo dos Produtos Vendidos efetivo: (A)+(E)(F) = R$ 22.671.430,24 H) Custo dos Produtos Vendidos contabilizado: R$ 13.960.301,24 I) Diferença: (G)(H)= R$ 8.711.129,00 Segundo o sujeito passivo, o valor da diferença de CPV deveria ser confrontado com o valor autuado das 77 notas fiscais de venda no montante de R$ 9.254.044,14, resultando em um lucro não oferecido à tributação de R$ 542.915,14. Entretanto, observase que os cálculos apresentados pelo sujeito passivo apresentam inconsistências. Senão vejamos: o lançamento dos custos de produção no valor de R$ 20.910.058,71 teve como contrapartida dois lançamentos a débito: um de R$ 20.456.919,63 na conta 61Produtos Acabados e outro de R$ 453.139,08 na conta 9693Credores Devolução. Por sua vez, a conta 9693Credores Devolução possui também lançamentos a débito no valor total de R$ 2.902.744,03 referentes a compras de fornecedores, totalizando R$ 3.355.883,11. Este valor foi zerado com créditos de R$ 3.157.364,89 relativos a notas fiscais de venda (objeto da autuação) e de R$ 198.518,22 relativo a outros lançamentos. Portanto, constatase que no cálculo do custo dos produtos vendidos efetivo (item G), o valor de R$ 453.139,08 foi computado duas vezes, uma no valor integral do custo de produção do item B e outra no valor que compõe o item C, Credores Devolução. Ademais, o objeto da presente diligência restringese às 77 notas fiscais contabilizadas de forma “inusual” e o seu impacto no cálculo dos custos. De fato, observase que os valores das notas fiscais de vendas, objeto da presente diligência, não lançadas em contas diferenciais, ou seja, de resultados, foram lançadas em contas integrais, tendo como contrapartida as seguintes contas: a) Credores Devolução, conta 2.1.01.007.9693, no valor total de R$ 3.157.364,89; b) Produtos Acabados, conta 1.1.02.006.61, no valor total de R$ 4.423.740,58; c) Matéria Prima, conta 1.1.02.006.63, no valor total de R$ 470.832,68; d) Credores Devoluções, conta 2.1.01.001.2022, no valor total de R$ 1.202.106,00 Os valores lançados nas contas a, b e c, referemse à compra de matérias primas e produtos intermediários, tendo como reflexo a apuração final do resultado, inclusive com os lançamentos dos créditos de ICMS e IPI; e, portanto, serão excluídas do lançamento no Auto de Infração, pois embora lançados indevidamente, não alteraram o resultado final do exercício, quanto ao IRPJ e CSLL. A conta 2.1.01.001.2022Credores Devoluções, letra “d”, com lançamentos incorretos sobre as vendas efetuadas, não transitaram pelas contas de resultados, simplesmente circularam entre o Ativo e o Passivo, inclusive com os lançamentos dos recebimentos (vide razão em anexo), portanto não interferiu no cálculo dos custos, razão pela qual mantêmse os valores lançados. Com relação ao PIS e COFINS, não assiste razão ao sujeito passivo em sua impugnação. Ao contrário do alegado, que a empresa não se creditou das compras de matéria prima e produtos intermediários que foram reduzidos pelas notas fiscais de vendas objeto da autuação, o que se verifica, de fato, é que as referidas compras de matérias primas e produtos intermediários lançadas nas contas 9693Credores Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 11516.720795/201313 Acórdão n.º 1401002.177 S1C4T1 Fl. 1.314 13 Devolução e 63Matéria Prima integraram a base de cálculo dos créditos de PIS/PASEP e COFINS e foram descontadas no período, conforme lançamentos nas contas2 2.1.01.004.2029–Cofins a Recolher e 2.1.01.004.2028PIS a Recolher. O histórico que identifica os lançamentos remete a “APROP.CRED.PIS S/MAT.PRIMA N/MES” e “APROP.CRED.COFINS S/MAT.PRIMA N/MES”, respectivamente. Embora os lançamentos não estejam destacados nas contas mencionadas, o montante lançado mensalmente revela que as compras de matérias primas e produtos intermediários compuseram a base de cálculo dos créditos. O sujeito passivo foi intimado a apresentar a memória de cálculo dos créditos de PIS e COFINS sobre bens e serviços utilizados como insumos e declarados em DACON no ano de 2009. Em resposta, apresentou planilha indicando as contas que compuseram a base de cálculo dos créditos. Sem adentrar na análise da natureza dos lançamentos nas referidas contas, constatase que o valor global da base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS alcança o montante de R$ 22.884.119,11. Por outro lado, utilizandose de diversos subterfúgios de lançamentos contábeis “inusuais”, as 77 notas fiscais de venda objeto da autuação não compuseram a base de cálculo do PIS e COFINS. Neste sentido, os valores da autuação de PIS e COFINS permanecem mantidos em sua integralidade. Diante dos fatos relatados, como resultado da diligência chegouse a conclusão da necessidade do acolhimento parcial das razões apresentadas pelo sujeito passivo e pela conseqüente retificação da base de cálculo do IRPJ e CSLL de R$ 9.648.768,15 para R$ 1.202.016,00, relativa à infração denominada “Omissão de receitas Notas fiscais de venda não contabilizadas”. Ante tal constatação, voto pela procedência parcial do recurso em relação a este item para a retificação da base de cálculo do IRPJ e CSLL, nos moldes acima dispostos conforme resultado apurado após a diligência. Da acusação fiscal n. 02 Omissão De Receita – Passsivo Fictício. Nos termos da acusação fiscal, ficou caracterizado que o sujeito passivo não comprovou a exigibilidade dos saldos de R$ 5.240.482,29 e R$ 5.394.767,03, existentes no Passivo da contabilidade em 31/12/2009, escriturados nas contas 2.1.01.011.6026 – Faturamento Antecipado e 2.2.04.8870 – Adiantamento de Clientes, tipificando tal conduta na prática da infração de OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL prevista no art. 281, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (PASSIVO FICTÍCIO). Em sua defesa a Recorrente permanece reproduzindo os mesmos argumentos utilizados desde a fase de fiscalização, já exaustivamente rechaçados pelo trabalho fiscal, npos seguintes termos: Instada a se manifestar a respeito através o Termo de Intimação Fiscal nº 001, ciência em 06/02/2013 (fls. 5) e reintimada em 12/04/2013 (Termo de fls. 180), a autuada, ainda no curso do procedimento de auditoria, afirmou: E juntou documentos, especialmente notas fiscais, com os quais buscou justificar a situação estampada. Fl. 1320DF CARF MF 14 Na impugnação, além de repetir o alegado quando do andamento da ação fiscal, aduziu que grande parte dos valores considerados pela Fiscalização estaria atingida pela “decadência”. Pois bem, a respeito da alegação de decadência, razão não cabe à defesa, como se verá à frente. Antes, porém, cabe analisar a documentação probatória apresentada pela impugnante. Como dito, a principal fonte de prova trazida pela contribuinte foram as notas fiscais emitidas ao longo de cinco anos antecedentes aos fatos aqui retratados (2009), com as quais tentou infirmar o trabalho fiscal. Todavia, como bem alertado pela Fiscalização, tais notas fiscais demonstram claramente que os pedidos encomendados junto à autuada e que teriam sido objeto de “antecipações” de numerários por seus clientes, para futuro recebimento da mercadoria, gerando o Passivo questionado e expresso nas contas de “Faturamento Antecipado” e “Adiantamentos de Clientes” já teriam sido entregues no curso do mesmo interregno temporal, ou seja, as eventuais obrigações de dar (artigo 233 do Código Civil) ou de fazer (artigo 247, ibidem) restariam devidamente adimplidas e cumpridas. [...] Notese, são todas notas fiscais extraídas com os Códigos Fiscais de Operações (CFOP) 6.101 ou 6.922, denotando a efetiva tradição do bem contratado, de modo que indiscutivelmente a obrigação da contratada (autuada) já não mais existiria. Nesta trilha, imperiosa a conclusão de que, inexistindo a obrigação, mas sendo mantidos saldos nas contas de Passivo, correta a adoção, pelo Fisco, da presunção legal do artigo 281, III, do RIR/1999, cabendo ao acusado a destruição dos argumentos fiscais, via provas incontestes, o que não logrou fazer nos autos presentes. Ademais, não se perca de vista, a própria autuada expressamente declara ter havido erro contábil na escrituração das referidas contas (fls. 740), o que, em última análise, acaba por fragilizar ainda mais sua tese de defesa e a eventual prova pretendida, sempre lembrando que, como se está diante de uma acusação de “omissão de receitas”, quando o ônus da prova é revertido ao contribuinte, a satisfação de tal incumbência passa por um conjunto probatório robusto e não meras alegações e documentos esparsos. Considerando que na falta de novos argumentos ou comprovações até esta fase, não conseguiu a autuada se safar da obrigação de demonstrar a impropriedade do trabalho fiscal e a improcedência dos lançamentos tratados neste tópico, fundados na presunção legal de “Passivo Fictício”, contas de “Faturamento Antecipado” e “Adiantamentos de Clientes, no valor total de R$ 10.635.249,32. Assim, resta mantida a autuação quanto a acusação de passivo fictício. DA MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, somente é aplicável nos casos em que fique caracterizado de forma inequívoca o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73, da lei n° 4.502, de 1964. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 11516.720795/201313 Acórdão n.º 1401002.177 S1C4T1 Fl. 1.315 15 Não se admite a qualificação da multa com base em meras presunções ou ilações da autoridade lançadora, sem fundamento legal e sem a devida individualização da conduta. Não basta, para fins de qualificação da multa, apoiarse apenas em argumentos quanto a razoabilidade da conduta do contribuinte, ao apontar simplesmente que com relação à infração descrita no item 4 – Omissão de receitas – Notas fiscais de venda não contabilizadas, as circunstâncias descritas revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante sonegação, fraude e conluio praticados de forma dolosa e agravam o valor da multa imposta, sem mencionar precisamente quais as circunstancias e o efetivo ato fraudulento ou doloso praticado. Até porque, embora em momento tardio (durante o procedimento de diligência) o contribuinte trouxe para os autos as notas fiscais ditas a principio como ocultadas, documentos estes que permitiram inclusive reconhecer a redução da base de calculo da CSLL e IRPJ. Conforme reiterada jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qualificação da multa pressupõe a prova inequívoca sobre a intenção do agente em fraudar o fisco. Meras ilações de ordem subjetiva são incapazes de suportar lançamento de multa agravada, ainda mais quando a sua mantença implica necessariamente em juízo persecutório penal ao fim do processo administrativo e desprezo ao disposto no artigo 112, II do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;". Nesse sentido, 2a. Turma da 2a. Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF deste E. Sodalício: COMPROVADA – MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4,502/64. O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO SE PRESUME E DEVE SER DEMONSTRADO PELA FISCALIZAÇÃO. NO CASO, O DOLO QUE AUTORIZARIA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA NÃO RESTOU COMPROVADO, CONFORME BEM EVIDENCIADO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. A omissão de rendimentos por dois exercícios consecutivos ou a ausência de apresentação de declarações de ajuste anual, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo. Ademais, diante das Fl. 1322DF CARF MF 16 circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. (Acórdão n" 920200.971. Processo n. 14041.000301/200401. Recurso n° 149.607 Especial do Procurador. Sessão de 17 de agosto de 2010). No mesmo sentido: CSRF 2a. Turma da 2a. Câmara, Acórdãos n.s 920200.969, 920200.910 e920200.909. No mesmo sentido, 1ª Turma da CSRF: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA . INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 9101001.403 Processo n.º 11020.004863/200719. Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. 1ª Turma. Sessão de 17 de julho de 2012. Não bastasse a reiterada jurisprudência da CSRF do CARF, é de se observar a Súmula CARF n. 14, assim redigida: "A simples apuração de omissão de receita e de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a base de cálculo do IRPJ e CSLL relativas ao item I Omissão de Receitas nos limites apontados no resultado da Diligência Fiscal, e afastar a multa qualificada. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.010034/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 00 34 /2 00 5- 12 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10814.010034/200512 Acórdão n.º 9303006.652 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 380200.985, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10814.010034/200512 Acórdão n.º 9303006.652 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10814.010034/200512 Acórdão n.º 9303006.652 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10814.010034/200512 Acórdão n.º 9303006.652 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10814.010034/200512 Acórdão n.º 9303006.652 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10814.010034/200512 Acórdão n.º 9303006.652 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940789/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.644
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 78 9/ 20 11 -6 1 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.940789/201161 Resolução nº 3301000.644 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.049. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.940789/201161 Resolução nº 3301000.644 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940789/201161 Resolução nº 3301000.644 S3C3T1 Fl. 5 4 estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940789/201161 Resolução nº 3301000.644 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940789/201161 Resolução nº 3301000.644 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940789/201161 Resolução nº 3301000.644 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.940789/201161 Resolução nº 3301000.644 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.940789/201161 Resolução nº 3301000.644 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.000419/2010-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005, 2006
REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INCIDÊNCIA, ATÉ DEZEMBRO/2005. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE.
De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador.
EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006.
A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia.
CONTRATOS COM O EXTERIOR DE SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA, A PARTIR DE JANEIRO/2002, INDEPENDENTEMENTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA.
A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, independentemente de haver ou não transferência de tecnologia.
BASE DE CÁLCULO. CIDE-REMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA.
O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização.
Numero da decisão: 9303-006.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2005, 2006 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INCIDÊNCIA, ATÉ DEZEMBRO/2005. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006. A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia. CONTRATOS COM O EXTERIOR DE SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA, A PARTIR DE JANEIRO/2002, INDEPENDENTEMENTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, independentemente de haver ou não transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. CIDE-REMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA, ATÉ DEZEMBRO/2005. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006. A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 04 19 /2 01 0- 16 Fl. 9116DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.117 2 CONTRATOS COM O EXTERIOR DE SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA, A PARTIR DE JANEIRO/2002, INDEPENDENTEMENTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, independentemente de haver ou não transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. CIDEREMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 9117DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.118 3 Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência, interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 8.974 a 8.988) e pelo contribuinte (fls. 9.027 a 9.053), contra Acórdão 3102002.306, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 8.934 a 8.953), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE AnoCalendário: 2005, 2006 CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Nos termos do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, a base de cálculo da CIDERoyalties corresponde exclusivamente à quantia efetivamente remetida ao exterior a título de remuneração, o que não inclui os valores recolhidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royalties. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é, para todos os casos, condição sine qua non à incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão, das hipóteses de incidência da CIDE, da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador quando não houver transferência de tecnologia, determinada pela Lei 11.452/07, não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na Lei a essa condição e seu artigo 21 Fl. 9118DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.119 4 determinou que a regra entraria em vigor no dia 1º de janeiro de 2006. FATO GERADOR. DEFINIÇÃO. LEGISLAÇÃO REGULAMENTAR. DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto editado com a finalidade de regulamentála deve ser interpretado em conformidade com suas disposições. Harmonizase com esse entendimento, a ausência, no Decreto nº 4.195/02, de comando que lhe atribua o pretenso caráter taxativo, e que, assim, delimitasse, ainda que no fito de interpretar, o universo das hipóteses de incidência da Contribuição previstas na Lei. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento (fls. 8.992 a 8.996), sendo que nele é contestada a não inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, em apertada síntese, com fulcro nos seguintes argumentos basilares: “As contribuições de intervenção no domínio econômico estão previstas no artigo 149 da Constituição Federal, que determina que tais tributos devem incidir sobre a receita, o faturamento, o valor da operação ou o valor aduaneiro, numa clara referência ao valor bruto da remuneração ajustada pelas partes. Senão vejamos: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (...) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; III poderão ter alíquotas: a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. Vêse que com o advento da EC nº 33/01, a Constituição Federal deixou de considerar apenas a finalidade como aspecto relevante para a caracterização das contribuições de intervenção no Fl. 9119DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.120 5 domínio econômico, passando a determinar, também, o regime jurídico de tais tributos, inclusive as suas bases econômicas ... especificando, como bases de cálculo que devem ser eleitas pelo legislador ordinário quando da instituição de tal exação, o faturamento, a receita bruta, o valor da operação ou o valor aduaneiro. Com isso, afirmase que o disposto no artigo 149, § 2º, III da CF traz uma norma permissiva com um conteúdo restritivo, na medida em que limita as opções do legislador ordinário somente a uma das bases de cálculo que indica de forma exaustiva. (...) Assim, outra não pode ser a conclusão desta Turma senão a de que, quando a Lei nº 10.168/00, alterada pela Lei 10.332/01, determina, no seu artigo 2º, a incidência da CIDE sobre os VALORES pagos, creditados, entregues, empregados ou remetido, a título de royalties ou da contraprestação de serviços, o que se quer dizer é que tais valores referemse ao VALOR BRUTO DA OPERAÇÃO, sem levar em conta os custos da pessoa jurídica contratada, ajustandose, com isso, a idéia legal de “valores pagos” à noção constitucional de faturamento, receita bruta e valor da operação, bases de cálculo eleitas pelo Poder Constituinte para a incidência da CIDE. (...) No caso de a fonte pagadora assumir o ônus do IR, de modo que o beneficiário no exterior receba, liquido, os R$ 1000 em questão, o valor da operação passa a ser R$ 1150, devendo sobre esse montante incidir a CIDEroyalties, já este é o montante considerado como remuneração, segundo a inteligência dos artigos 344, § 3º e 725 do RIR – aplicados subsidiariamente à CIDE, nos termos do art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01 – que afirmam que quando a fonte pagadora assume o ônus do IRF, devese considerar o tributo como parte integrante do valor pago ou creditado a terceiros, permitindo lhes a dedução” Cita o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25/2004 e a Solução de Divergência Cosit nº 17/2011. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 9.011 a 9.022), nas quais, por sua, vez, afirma que não há autorização legal para o chamado “gross up” (inclusão do IRRF na base de cálculo da contribuição), pois somente é cabível a tributação do valor líquido, ou seja, o efetivamente remetido ao exterior, sob pena de violação do art. 108, § 1º do CTN, que veda a interpretação analógica para exigir tributo não previsto em lei. Diz que a Fazenda Nacional insiste em defender a alegada inclusão “sob a alegação de que as regras concernentes ao imposto de renda (mais especificamente os artigos 344, § 3°, e 725 do RIR/99) devem ser aplicadas à CIDE, nos termos do parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 10.168/2000. No entanto, tal entendimento não deve prevalecer, já que o referido dispositivo legal prevê a aplicação subsidiária da legislação do imposto de renda quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis”. Fl. 9120DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.121 6 Em seguida, o contribuinte apresentou seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento apenas em parte (fls. 9.057 a 9.062), qual seja, à divergência em relação à incidência da CIDE em contratos em que não envolvessem transferência de tecnologia. No seu recurso, contempla não somente a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, mas também as transferências referentes a contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 9.096 a 9.114). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir os Recursos Especiais foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que deles conheço – ressalvando que, no caso do recurso do contribuinte, foi dado seguimento apenas em parte, na forma consignada no Relatório. As Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico, por definição, sempre têm algum caráter regulatório, extrafiscal, não deixando, por isso, de ter também a sua função arrecadatória, inerente a todos os tributos. Sem dúvida, a função precípua da CIDERemessas ao Exterior (ou CIDE REM, ou CIDERE) é o de estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, onerando quem destina recursos ao exterior para comprar serviços/produtos e utilizarse da tecnologia neles embutida, com o objetivo, tanto de desestimular esta prática (com limites, já que, na mais das vezes, não há como deixar de se buscar “na fonte” as fontes de aprimoramento), como de obter recursos para que o mesmo serviço/produto possa um dia vir a ser prestado/desenvolvido aqui no Brasil. Mas a transferência de tecnologia não é, como regra, pressuposto para a incidência da CIDE. Não vou procurar “espaço” no caput do art. 2º da Lei nº 10.168/2000 para aí também encontrar a não exigência, para determinadas remessas, de transferência de tecnologia (mesmo sendo plausível esta interpretação, muito bem desenvolvida pelo redator designado do acórdão recorrido), pois estamos a tratar aqui dos anoscalendário 2005 e 2006, ou seja, já na vigência da Lei nº 10.332/2001, que ampliou (e muito) o campo de incidência da contribuição, atingindo fatos geradores apartados de forma expressa dos previstos originalmente, quando no § 2º do mesmo artigo se diz que a contribuição “passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias ...”. Isso poderia ter sido feito através de outra lei, “independente”?? Sem dúvida. A União pode – observados, obviamente, os balizamentos constitucionais – instituir outras CIDE (como eram as para o IAA e para o IBC e, ainda hoje, o ARFMM), por lei ordinária, mas Fl. 9121DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.122 7 se optou por se utilizar de um arcabouço legal que já existia, pois, em grande parte, seria aplicável também às novas hipóteses de incidência. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Cosit nº 1, de 06/01/2006: Ementa: CIDE. LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE) INCIDÊNCIA A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, para atendimento ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a residentes ou domiciliados no exterior a título de remuneração decorrente de licença de uso de programas de computador (software), independentemente de os contratos relativos a tal licença estarem atrelados à transferência de tecnologia. Dispositivos Legais: Lei nº 9.609, de 1998, arts. 2º, 9º e 11; Lei nº 10.168, de 2000, arts. 1º e 2º; Lei nº 10.332, de 2001, art. 6º. A ementa não traz algo diferente do que aqui até agora quis dizer, mas a Fundamentação é preciosa, neste sentido, de forma taxativa – e acrescentando um elemento, obviamente não verificável na simples leitura da lei, que é a relação com a legislação do Imposto de Renda na Fonte: 13. De outra parte, da leitura do § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000 (na redação dada pela Lei nº 10.332, de 2002), percebese que sua intenção foi a de agregar novos fatos geradores aos até então existentes. 14. Tal intenção (de agregar novos fatos geradores aos até então existentes) foi expressamente manifestada no item 19 da Mensagem nº 1.060, de autoria conjunta dos Ministros do Estado da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, que acompanhou o projeto de lei (convertido na Lei nº 10.332, de 2001) encaminhado ao Congresso Nacional: “19. O projeto de lei prevê ainda a adequação da base de incidência da contribuição, criada pela Lei nº 10.168, de 2000, ampliando sua abrangência de forma a coincidir com a base de incidência do imposto de renda, com a redução concomitante do mesmo." Tanto é fato a busca desta convergência com a incidência do Imposto de Renda, que o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, em boa parte, é cópia fiel da conjugação dos arts. 718 e 710 do RIR/99 [transcrevi somente os trechos que interessam especificamente a este tópico, repetindo – para maior clareza – os da Lei 10.168/2000 (alterada)]: Lei nº 10.168/2000 (com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001) Art. 2º Para fins de ... Fl. 9122DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.123 8 (...) § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) (...) Art. 3º (...) Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal ..., bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente (*) quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. (*) Vejase que este dispositivo não diz que a aplicação subsidiária somente se aplica a penalidades e demais acréscimos legais, conforme alega o contribuinte em suas Contrarrazões. Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) Art. 708. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte ... os rendimentos de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes derivados do Brasil e recebidos por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior ... (...) Art. 710. Estão sujeitas à incidência na fonte ... as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties, a qualquer título. E norma legal superveniente deixa ainda mais claro o que aqui defendo, se vista a contrario sensu, que é o § 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, incluído pelo art. 20 da Lei nº 11.452/2007: § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Se a transferência de tecnologia fosse pressuposto para a incidência da contribuição, qual a razão de ser desta norma?? Se a CIDE já não incidisse pelo fato de que não estivesse envolvida na operação a transferência de tecnologia, por óbvio, seria ela totalmente desnecessária. Fl. 9123DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.124 9 Muitos alegam que o dispositivo teria caráter interpretativo, ou seja, seus efeitos seriam retroativos, mas a própria lei (nº 11.452/2007), em seu art. 21, como já visto, tratou logo de afastar este entendimento: Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. O CTN é claríssimo ao exigir que, para ser retroativa, a lei seja expressamente interpretativa (por exemplo, que diga, como em regra ocorre, “para fins de interpretação do art. ....): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Não estamos aqui diante de aplicação pretérita de penalidades, mas tão somente de cobrança de tributo. Absolutamente, então, não vejo nenhuma razão para que alguém entenda que esta lei seja retroativa até janeiro de 2002, pois ela fixa, outrossim, expressamente, a data em que o seu art. 20 passaria a produzir efeitos, qual seja, 1º de janeiro de 2006. Quanto aos programas de computador, então, não há mais o que discutir. No que tange aos contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, esta é a transcrição literal da parte que interessa do § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação da Lei nº 10.332/2001. O dispositivo é expresso e não houve lei posterior que o modificasse. E, vejase bem, a norma fala “e semelhantes”, procurando, de forma clara, aí abranger toda sorte de serviços desta natureza, cuja gama cada dia mais se expande, em especial na área de informática. E quanto à exigência ou não de transferência de tecnologia?? Vale tudo o que aqui foi dito em relação à remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, contemplada na outra parte do § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação da Lei nº 10.332/2001, que fala nas “pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior”. Ora, se foi necessária a edição de uma norma que dissesse que, a partir de certa data, a incidência da contribuição estaria vinculada à transferência de tecnologia no caso de programas de computador (entendase royalties), é porque, para as outras hipóteses, esta condição não era exigível. Muito recentemente (23/10/2017), foram publicados dois acórdãos do STJ, exatamente com o mesmo teor (REsp nº 1.642.249SP e nº 1.650.115SP, respectivamente, das Fl. 9124DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.125 10 empresas SYMANTEC e TELEFONICA), que convergem para tudo o que aqui defendo – e ainda vão além, tratando das mais recorrentes discussões quanto à incidência ou não da CIDE Remessas em casos análogos. Transcrevo, no que interessa, a Ementa do segundo, cuja simples leitura dispensa maiores comentários (os grifos são originais): ... CIDE REMESSAS. ART. 2°, CAPUT E § 1°, DA LEI N. 10.168/2000 E ART. 10, I, DO DECRETO N. 4.195/2002. INCIDÊNCIA SOBRE O PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR PELA EXPLORAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS RELATIVOS A PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE) AINDA QUE DESACOMPANHADOS DA "TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA ". ISENÇÃO APENAS PARA OS FATOS GERADORES POSTERIORES A 31.12.2005. ART. 20, DA LEI N. 11.452/2007. SIGNIFICADOS DAS EXPRESSÕES: "TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA ", "TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA ", "FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA " E "ABSORÇÃO DE TECNOLOGIA ". (...) 3. O fato gerador da CIDE Remessas é haver pagamento a residente ou domiciliado no exterior a fim de remunerar (art. 2°, caput e §§ 2° e 3°, da Lei n. 10.168/2000): a) a detenção da licença de uso de conhecimentos tecnológicos (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000); b) a aquisição de conhecimentos tecnológicos (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000); c) a "transferência de tecnologia" (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000) que, para este exclusivo fim, compreende c.1) a exploração de patentes (art. 2°, § 1°, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.2) o uso de marcas (art. 2°, § 1°, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.3) o "fornecimento de tecnologia" (art. 2°, § 1°, segunda parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.4) a prestação de assistência técnica (art. 2°, § 1°, terceira parte, da Lei n. 10.168/2000); d) a prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (art. 2°, § 2°, da Lei n. 10.168/2000); ou e) royalties, a qualquer título (art. 2°, § 2°, da Lei n. 10.168/2000). 4. Por especialidade (expressão "para fins desta Lei" contida no art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 Lei da CIDE Remessas), o conceito de "transferência de tecnologia" previsto no art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000 não coincide com aquele adotado pelo art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98 ("Lei do software "). O primeiro não exige a "absorção da tecnologia", já o segundo, sim. Fl. 9125DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.126 11 5. Desse modo, exclusivamente para os fins da incidência da CIDE Remessas, o art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 expressamente não exigiu a entrega dos dados técnicos necessários à "absorção da tecnologia" para caracterizar o fato gerador da exação, contentandose com a existência do mero "fornecimento de tecnologia" em suas mais variadas formas. 6. Nessa linha, o "fornecimento de tecnologia" de que fala o art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 também engloba a aquisição dos direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, isto porque para ser comercializada a tecnologia precisa primeiramente ser de algum modo fornecida a quem a comercializará. Não há aqui, por especialidade, a necessidade de "absorção da tecnologia" (exigência apenas do art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98). 7. Consoante o art. 2°, § 5°, da Lei n. 9.609/98, os direitos de autor abrangem qualquer forma de transferência da cópia do programa (software). O que há, portanto, nos contratos de distribuição de software proveniente do estrangeiro, é uma remuneração pela exploração de direitos autorais, seja diretamente ao autor, seja a terceiro a título de royalties, o que se enquadra no conceito de "fornecimento de tecnologia" previsto no art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000, pois há o fornecimento a adquirente no Brasil da cópia do programa pelo autor ou por terceiro que explora os direitos autorais no estrangeiro. Em suma: o fornecimento de cópia do programa (software) é "fornecimento de tecnologia", ainda que não haja a "absorção da tecnologia" (acesso ao código fonte) por quem a recebe. 8. A isenção para a remessa ao exterior da remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) desacompanhada da "transferência da correspondente tecnologia" ("absorção da tecnologia") somente adveio a partir de 1° de janeiro de 2006, com o art. 20, da Lei n. 11.452/2007, ao adicionar o § 1°A ao art. 2°, da Lei n. 10.168/2000. 9. Não há qualquer contradição deste raciocínio com as finalidades da Lei n. 10.168/2000 de incentivar o desenvolvimento tecnológico nacional, visto que a contribuição CIDE Remessas onera a importação da tecnologia estrangeira nas mais variadas formas. O objetivo então é fazer com que a tecnologia (nas várias vertentes: licença, conhecimento/comercialização, transferência) seja adquirida no mercado nacional e não no exterior, evitandose as remessas de remuneração ou royalties. Tal a intervenção no domínio econômico. Precedente: REsp 1.186.160SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26.08.2010. 10. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (Resp nº 1.650.115SP, Relator Min. Mauro Campbell Marques, Dje 23/10/2017) Fl. 9126DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.127 12 Por fim, analisemos a discussão sobre a inclusão ("gross up") ou não do IRRF na base de cálculo da CIDERemessas ao Exterior. Este assunto, no âmbito da RFB, encontrase pacificado, via Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29/06/2011: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Dispositivos Legais: arts. 97 e 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; art. 682, inciso I, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, e pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007. Há decisão, relativamente recente (09/06/2016), desta mesma 3ª Turma da CSRF, com composição não muito diversa, no mesmo sentido. Vejamos a ementa do Acórdão nº 9303004.142: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Recurso Especial do Procurador Provido. A mesma empresa (uma gigante mundial do ramo alimentício) discutiu a mesma questão no Judiciário, tendo sido o TRF da 3ª Região claríssimo sobre a inclusão do IRRF da base de Cálculo da CIDE, em decisão publicada em 20/04/2016 (contra a qual foram opostos Embargos de Declaração pela autora, os quais foram pouco depois rejeitados, e interpostos Fl. 9127DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.128 13 Recursos Especial e Extraordinário, cuja admissibilidade ainda se encontra sujeita a apreciação pelo TRF): APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO IRRF DA BASE DE CÁLCULO DA CIDEROYALTIES PREVISTA NA LEI 10.168/00. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SIMULTÂNEA, ENVOLVENDO SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS. CONCEITO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SEGURANÇA DENEGADA. (grifei) 1. Nos termos da Lei 10.168/00, a CIDE tem por objetivo o custeio do Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, tendo por fato gerador a transferência onerosa de tecnologia detida por residente ou domiciliado no exterior para pessoa jurídica. Sua base de cálculo será a contraprestação ofertada, a título de remuneração pela transferência. 2. O imposto de renda retido na operação, por força do art. 710 do RIR/99, tem por fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica da renda auferida pelo residente no exterior, tendo por base de cálculo também a contraprestação alcançada pela transferência. 3. Na espécie, não obstante terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento pela transferência da tecnologia. Caberá ao adquirente da tecnologia, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda, tomando por base de cálculo de ambos o pagamento efetuado. 4. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o que seria devido pelo titular da tecnologia no exterior pela obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. 5. Entendimento obediente do previsto no art. 43 do CTN, pois nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo questionado referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. Ademais, o legislador não instituiu a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. 6. Recurso de apelação e reexame necessário providos, denegandose a segurança com cassação da liminar. Fl. 9128DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.129 14 (Apelação/Reexame Necessário Nº 0016434 92.2011.4.03.6100/SP, Rel. Des. Federal Johonsom di Salvio, Publicação 20/04/2016) A transcrição de excertos do voto do eminente Relator dispensa qualquer argumentação adicional (vejase que também é suscitada a convergência com a legislação do Imposto de Renda trazida no Recurso Especial): "O raciocínio fica mais claro se mantivermos o recolhimento do imposto de renda no momento do pagamento, mas agora de responsabilidade de seu contribuinte. Nesse caso, receberia os royalties devidos e recolheria a tributação, e tomaríamos como valor da operação aquele determinado no contrato, não descontando o imposto de renda recolhido. Por que, tornando o adquirente o responsável tributário pelo recolhimento, o raciocínio seria diferente? Não o é, até porque o valor pago é sim aquele acordado pelas partes contratantes, recaindo sobre o mesmo os tributos devidos. Tudo o que o adquirente faz é reter o imposto de renda devido pelo titular da tecnologia justamente em razão do valor recebido. Ao contrário do alegado pelas impetrantes, as normas em comento não trouxeram como base de cálculo o valor efetivamente pago, excluída a retenção, mas sim a disponibilidade de renda decorrente do contrato de transferência de tecnologia. Isso porque, conforme previsto no art. 43 do CTN, nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo legal referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. De forma a tornar a tributação mais próxima da realidade e atender à capacidade contributiva, o legislador elenca uma série de deduções da base de cálculo, possibilitando ao contribuinte reduzir o quantum tributário devido. O legislador não fez qualquer ressalva nesse sentido no caso, não permitindo a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. Assim, ambos devem recair sobre o valor total do contrato, em respeito às normas de incidência em comento.” Matematicamente teríamos o seguinte: para se encontrar a base de cálculo da CIDE, há que tomar como referência o valor efetivamente remetido e fazer a recomposição (“cálculo por dentro” ou “gross up”) do valor bruto, antes da retenção do IRRF. Exemplifico: Valor do Contrato de Câmbio (Valor "Líquido" da Remessa): R$ 17.000,00 IRRF: 15 % Valor Bruto (Base de Cálculo da CIDE): R$ 17.000,00 / (10,15) = R$ 17.000,00 / 0,85 = R$ 20.000,00 Fl. 9129DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.130 15 Valor da CIDE: R$ 20.000,00 x 10 % = R$ 2.000,00. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer meu entendimento acerca da matéria em debate. Recordo, para tanto, que se trata de auto de infração lavrado com exigência de CIDE relativo à aquisição de software de prateleira no período de julho a dezembro de 2004. O cerne da lide posta em recurso versa sobre a discussão acerca do caráter a ser dado ao art. 20 da Lei 11.452/07 para fins de se definir se o r. dispositivo ao prever que a CIDE não incide sobre as remessas para a aquisição de softwares sem transferência de tecnologia, inovou no plano tributário, instituindo uma norma de isenção, não retroagindo a fatos pretéritos, OU se reconheceu/esclareceu uma hipótese de não incidência tributária com alcance, por conseguinte, a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência, considerando a disposição contida no art. 2º da Lei 10.168/00. A priori, importante destacar que não há dúvida de que o software objeto do processo que ensejou a remessa ora discutida não ensejou transferência de tecnologia, eis que se tratam de software de prateleira. Tratase de programas de computador produzidos em larga escala e que não tinham por objetivo serem customizados ou encomendados pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, passo a analisar as normas para elucidar o meu entendimento. Para tanto, importante trazer que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico foi instituída pela Lei 10.168/00 para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação. Para fins de atendimento ao Programa, então, foi instituída a CIDE que, nos termos do “caput” do art. 2º da r. lei, seria devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos Fl. 9130DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.131 16 que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse ínterim, vêse que o próprio “caput” do art. 2º da lei já trazia que a CIDE não incidiria sobre a remuneração pela aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia. Ora, a CIDE somente foi instituída para onerar a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos em contratos que impliquem a transferência de tecnologia firmados com não residentes, eis que tinha como intuito basilar motivar à inovação NACIONAL utilizando nosso capital humano e científico NACIONAL. Para tanto, deveria haver um estímulo para a utilização de recursos humanos, científicos nacional com aplicação ao capital nacional, quer seja, através de “criação de pedágio tributário” para as pessoas jurídicas que, ao invés de se utilizarem ou disporem oportunidades aos residentes ou domiciliados no país – motivando a inovação nacional, firmavam contratos ou adquiriam conhecimentos tecnológicos que implicassem transferência de tecnologia com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse diapasão, vêse que, independentemente do advento do art. 20 da Lei 11.452/07 – que trouxe o § 1ºA ao art. 2º da Lei 10.168/00 – já era possível se extrair que sobre a remessa para a aquisição de software que não envolvesse transferência de tecnologia não seria devida a CIDE, eis que não tal evento não conferiria fato gerador passível de incidência da r. contribuição. Tanto é assim que, visando buscar a segurança jurídica para não se tributar pela CIDE as remessas de aquisição de software que não envolva transferência de tecnologia, vários sujeitos passivos formularam consultas à Receita Federal do Brasil. Essa autoridade fazendária, assim, emitiu entendimento pela não tributação da contribuição tratando da mesma hipótese ora discutida nesse processo. Frisese tal constatação a Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal (grifos meus): Solução de Consulta DISIT/SRRF 8 nº 513/06: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF REMESSAS PARA O EXTERIOR Programas de Computador (Software) Não estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por tratar se de mercadorias. Dispositivos Legais: Art. 710 do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17.06.1999); e Portaria MF nº 181, de 28.09.1989. Fl. 9131DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.132 17 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições CIDE Não ocorre a incidência da Cide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por não caracterizar hipótese de incidência da referida contribuição. Dispositivos Legais: Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29.12. 2000 (alterado pelo art. 6º da Lei nº 10.332, de 19.12.2001); e art. 10 do Decreto nº 4.195, de 11.04.2002 E as Soluções de Consulta 20/04, 15/04, 290/03, 133/03, 81/03 e 298/02 emitidas pela Receita Federal do Brasil no mesmo sentido. Cabe trazer ainda que tais atos administrativos foram emitidos anteriormente à publicação da Lei 11.452/07 – o que reforça que já era possível afastar, somente observando o art. 2º, caput, da Lei 10.168/00, a CIDE sobre tais remessas. Sendo assim, vêse que o art. 20 da Lei 11.452/07 transcritos abaixo – apenas veio a “ESCLARECER” a aplicação do art. 2º, caput, da Lei 10.168/00 para os casos inerentes às remessas para aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia (Grifos meus): “Art. 20. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1ºA: “Art. 2º (...). (...) § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Tanto é assim que trouxe “textualmente” o termo “não incide”, deixando claro que se trata de norma “esclarecedora”, e não norma institutiva de “isenção”. Não se trata de norma isentiva, pois, caso assim fosse, traria literalmente o termo “isenção” para fins de outorgála, em respeito ao art. 111, inciso II, do CTN. Sendo assim, por óbvio, resta estranho considerar o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168/00 – trazida pelo art. 20 da Lei 11.452/07, como norma isentiva, vez que se trata especificamente de norma ESCLARECEDORA das hipóteses de incidência referendadas no caput do art. 2º da Lei 10.168/00. Recordo que no dispositivo em questão traz o termo “não incide” – o que reforça tal entendimento. Fl. 9132DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.133 18 Entender, assim, que o dispositivo esclarecedor seria, em verdade, norma inovadora por ser norma de isenção e, por conseguinte, aplicar tal “isenção” apenas a partir de 2007, usurparia o art. 111, inciso II, do CTN. Reforço que não se trata de norma isentiva, pois sem o r. dispositivo também poderíamos entender que a CIDE nesse caso não seria devida, pois não poderíamos ignorar a regra matriz de incidência da contribuição que trouxe claramente que a incidência da contribuição abarcaria aquisição e contratos que impliquem transferência de tecnologia. Ou seja, sobre as aquisições e contratos que não impliquem transferência de tecnologia não haveria a INCIDÊNCIA da CIDE. Sendo assim, a norma “esclarecedora”, que apenas clarifica hipótese de incidência já abarcada pela lei original, não deve ser tratada como norma isentiva e inovadora, pois nada inova no ordenamento jurídico. Apenas clarifica que NÃO INCIDE a CIDE sobre remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador quando não envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Dizse que tal norma é somente esclarecedora, pois tem o condão de “esclarecer”, até mesmo aos julgadores e à autoridade fazendária, as hipóteses de incidência e não incidência da CIDE – que já estavam abarcadas e previstas no art. 2º da Lei 10.168/00. Não obstante, podese ainda inferir que tal dispositivo teria o condão de interpretar norma anterior – o que, nos termos do art. 106 do CTN, poderia ser aplicável a fatos pretéritos. Com efeito, independentemente de ser norma “esclarecedora” – que automaticamente aplicaria a fatos pretéritos, se entendêssemos como norma interpretativa, ainda que restasse transparente a não incidência da CIDE no evento em discussão, poderseia insurgir quando da análise do caráter interpretativo da r. norma se essa seria “expressamente” interpretativa para tentar afastar a não tributação para fatos pretéritos. No entanto, vejo que tal insurgência poderia ser demasiadamente ignorada, eis que tal norma poderia ser vista como “expressamente interpretativa”. Ora, ressurgindo ao dispositivo (Grifos meus): “Art. 2º (...) (...) § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Com efeito, resta claro que “expressamente” traz que a CIDE NÃO INCIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, SALVO QUANDO ENVOLVEREM A TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA. Fl. 9133DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.134 19 Expressamente, então, traz que NÃO INCIDE A CIDE nesses casos – e repete regra já posta na Lei 10.168. Portanto, não há como se entender que tal norma não seria esclarecedora ou interpretativa – com aplicação retroativa. No direito positivo, temse que somente devem observar regras constitucionais de anterioridade quando se tratar de instituição ou majoração de tributos. O que, por conseguinte, vêse não ser o caso em comento. Ademais, é de se esclarecer que também não se trata de norma de isenção com aplicação a partir da publicação da lei, eis que tal norma deverá trazer literalmente a outorga de isenção – conforme pressupõe o próprio art. 111 do CTN. Continuando, se fosse norma isentiva, em respeito ao art. 176 do CTN, vêse ainda que a lei que traria tal norma, deveria especificar as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e não há nada que pudesse nos fazer levála a esse direcionamento. Além disso, a norma de não incidência, ao contrário da isenção, traz enunciado de inexistência de relação jurídica entre as partes. O QUE FEZ!! E a norma isentiva dispensa o pagamento do tributo em razão de determinado ato ou fato jurídico – O que não fez!! Sendo assim, por essas razões, dou provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Proveitoso ainda trazer, com a devida vênia, meu entendimento acerca do recente julgamento da mesma questão pelo STJ, vez que a 2ª Turma daquele tribunal superior se posicionou em sentido contrário ao meu entendimento, quando da apreciação do REsp 1.642.249, pois decidiu que incide CIDE sobre contratos de licença de uso e comercialização ou distribuição de software em que há remessa de valores ao exterior, independentemente de absorção de tecnologia. Tal julgado envolveu o período de 2000 a 2006. O relator Ministro Mauro Campbell Marques trouxe em ementa: “[...] 4. O fato gerador da CIDE Remessas é haver pagamento a residente ou domiciliado no exterior a fim de remunerar (art. 2º, caput e §§2º e 3º, da Lei n. 10.168/2000): a) a detenção da licença de uso de conhecimentos tecnológicos (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000); b) a aquisição de conhecimentos tecnológicos (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000); c) a "transferência de tecnologia" (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000) que, para este exclusivo fim, compreende c.1) a exploração de patentes (art. 2º, §1º, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.2) o uso de marcas (art. 2º, §1º, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.3) o "fornecimento de tecnologia" (art. 2º, §1º, segunda parte, da Lei n. 10.168/2000); Fl. 9134DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.135 20 ou c.4) a prestação de assistência técnica (art. 2º, §1º, terceira parte, da Lei n. 10.168/2000); d) a prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (art. 2º, §2º, da Lei n. 10.168/2000); ou e) royalties, a qualquer título (art. 2º, §2º, da Lei n. 10.168/2000). 5. Por especialidade (expressão "para fins desta Lei" contida no art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 Lei da CIDE Remessas), o conceito de "transferência de tecnologia" previsto no art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000 não coincide com aquele adotado pelo art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98 ("Lei do software "). O primeiro não exige a "absorção da tecnologia", já o segundo, sim. 6. Desse modo, exclusivamente para os fins da incidência da CIDE Remessas, o art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 expressamente não exigiu a entrega dos dados técnicos necessários à "absorção da tecnologia" para caracterizar o fato gerador da exação, contentandose com a existência do mero "fornecimento de tecnologia" em suas mais variadas formas. 7. Nessa linha, o “fornecimento de tecnologia” de que fala o art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 também engloba a aquisição dos direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, isto porque para ser comercializada a tecnologia precisa primeiramente ser de algum modo fornecida a quem a comercializará. Não há aqui, por especialidade, a necessidade de "absorção da tecnologia" (exigência apenas do art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98). 8. Consoante o art. 2º, §5º, da Lei n. 9.609/98, os direitos de autor abrangem qualquer forma de transferência da cópia do programa (software ). O que há, portanto, nos contratos de distribuição de software proveniente do estrangeiro, é uma remuneração pela exploração de direitos autorais, seja diretamente ao autor, seja a terceiro a título de royalties, o que se enquadra no conceito de “fornecimento de tecnologia” previsto no art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000, pois há o fornecimento a adquirente no Brasil da cópia do programa pelo autor ou por terceiro que explora os direitos autorais no estrangeiro. Em suma: o fornecimento de cópia do programa (software ) é "fornecimento de tecnologia", ainda que não haja a "absorção da tecnologia" (acesso ao código fonte) por quem a recebe. 9. A isenção para a remessa ao exterior da remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software ) desacompanhada da "transferência da correspondente tecnologia" ("absorção da tecnologia") somente adveio a partir de 1º de janeiro de 2006, com o art. 20, da Lei n. 11.452/2007, ao adicionar o §1ºA ao art. 2º, da Lei n. 10.168/2000. Fl. 9135DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.136 21 10. Não há qualquer contradição deste raciocínio com as finalidades da Lei n. 10.168/2000 de incentivar o desenvolvimento tecnológico nacional, visto que a contribuição CIDE Remessas onera a importação da tecnologia estrangeira nas mais variadas formas. O objetivo então é fazer com que a tecnologia (nas várias vertentes: licença, conhecimento/comercialização, transferência) seja adquirida no mercado nacional e não no exterior, evitandose as remessas de remuneração ou royalties . Tal a intervenção no domínio econômico. Precedente: REsp 1.186.160SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26.08.2010. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.” Vêse que o ministro relator entendeu que o conceito de “transferência de tecnologia” de que trata o art. 2º da Lei 10.168/00 não coincide com a Lei do Software – Lei 9.609/98 – que, por sua vez, exige a “absorção” de tecnologia. O que, por conseguinte, entende que ainda que não haja acesso ao código fonte por quem a recebe, o fornecimento de cópia de programa comercializável seria fornecimento de tecnologia. Para tanto, traz que: “Para ser comercializada, a tecnologia precisa ser de algum modo fornecida a quem vai comercializar. Não há necessidade de absorção de tecnologia”. E ainda ao mencionar o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168 – dispositivo incluído pela Lei 11.452/07, reflete que o enunciado está abarcado pelo instituto da “isenção”. Como havia refletido anteriormente, entendo que esse dispositivo não estaria abarcado pelo instituto da isenção, pois se trata de norma de hipótese de NÃO INCIDÊNCIA. Recordo o § 1ºA: “§ 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia” A norma de “não incidência” esclarece que a situação do fato, quando realizada, não faz nascer a obrigação tributária, vez que não está enquadrado na hipótese de incidência do tributo. O art. 2º, caput, da Lei 10.168/00 contempla expressamente a hipótese de incidência – qual seja, no caso, que a CIDE INCIDE sobre, entre outros, contratos que IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. Sendo assim, os contratos que não envolvam transferência de tecnologia NÃO INCIDEM a CIDE. Enquanto o instituto da isenção, por sua vez, exclui da lei parcela da hipótese de incidência tributária. Ou seja, caso haja algum fato que se subsume à hipótese de incidência, a lei poderá excluíla da tributação, ainda que se trate de um fato que se enquadre na hipótese de incidência. Vêse claro no presente caso que o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168/00 não confere o instituto da isenção, pois o fato de adquirir software sem transferência de tecnologia já NÃO se encontra na hipótese de incidência. Fl. 9136DF CARF MF Processo nº 16643.000419/201016 Acórdão n.º 9303006.256 CSRFT3 Fl. 9.137 22 Ademais, importante trazer que a transferência de tecnologia de que trata a lei envolve efetivamente o acesso ao código fonte, pois somente com essa “inteligência” é que teríamos a transferência de tecnologia para o desenvolvimento de produtos. A transferência de tecnologia implica de per si a absorção da tecnologia, justamente para ser utilizável para o desenvolvimento de novos produtos. A transferência de tecnologia envolve a “absorção” dessa inteligência para a criação ou customização de novos produtos. Na aquisição de software de prateleira não há implicação de transferência de tecnologia. A mera aquisição, sem a absorção da inteligência (tecnologia) e, para fins comerciais, confere a situação de mera aquisição de mercadorias. Se entendêssemos que o software de prateleira tem tecnologia e, portanto, implica transferência de tecnologia, ainda que não seja essa absorvida pelo adquirente, já não faríamos mais distinção do que seria “serviço” ou mercadoria. Do que seria customizável ou não. Do que poderia incidir ISS ou ICMS. IPI? E, se assim pensássemos, por que então o dispositivo em questão traria “salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia”, já que toda a aquisição de software possui “internamente” tecnologia e seria tributável pela CIDE? Seja software de prateleira ou não? Por isso, entendo que a Lei 9.609/98 trouxe corretamente o conceito de contratos de licença de uso, de comercialização e de transferência de tecnologia. A implicação de transferência de tecnologia implica efetivamente a absorção da tecnologia. Como pode haver “transferência” sem absorção da tecnologia? Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo e nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 9137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720119/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa quando a infração está claramente descrita no instrumento de lançamento e o contribuinte foi devidamente cientificado, sendo-lhe oportunizado todos os meios recursais ordinários, possibilitando a regular instauração do contraditório.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, inserto no art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa imediatamente anterior da cadeia produtiva.
VENDAS A EMPRESAS BENEFICIÁRIAS DO RECAP. SUSPENSÃO. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS. NECESSIDADE
A venda com suspensão da contribuição não cumulativa a pessoas jurídicas beneficiárias do RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras) exige que o adquirente seja previamente habilitado no regime e preencha os demais requisitos legais, dentre eles a prestação da declaração a que menciona o art. 13, § 1º, I da IN SRF 605/2005, que operacionaliza o referido regime suspensivo.
VENDA. SUSPENSÃO. REQUISITOS. DOCUMENTOS FISCAIS.
A ausência da averbação, na nota fiscal de venda, da expressão Venda efetuada com suspensão da exigência do PIS e da COFINS, como exige o art. 14, § 7º da Lei nº 11.196/2005, que, dentre outras providências, institui o RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras), descaracteriza a suspensão dos tributos a que alude.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) para excluir do lançamento os valores correspondentes às notas fiscais de saída, do estabelecimento matriz, nºs 25, 26, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 40, 44, 45, 46, 47, 56 (cliente SMS Demag Ltda.), e filial RJ, nºs 001 e 002 (cliente ThyssenKrupp S/A Componentes Siderúrgicos CSA); e (b) para admitir direito de crédito em relação às rubricas Consultoria/Assessoria/Consultoria e Projetos/Consultoria Técnica/Pessoa Física/Cálculos/Projetos/Elaboração de Projetos/Estudos de Projeto, desde que pagos a pessoa jurídica, Inspeção/Mão de Obra/Controle de Qualidade/Serviços de Topografia/Análise de Água/Testes e Análises/Gerenciamento de Projetos/Serviços de Medição/Revisão, Materiais (aço inoxidável)/Material Isolante e Serviços de Informática/Processamento de Dados/Reparação de Computadores/Serviços de Digitação Manutenção de Computadores.
Rosaldo Trevisan - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa quando a infração está claramente descrita no instrumento de lançamento e o contribuinte foi devidamente cientificado, sendolhe oportunizado todos os meios recursais ordinários, possibilitando a regular instauração do contraditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, inserto no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa imediatamente anterior da cadeia produtiva. VENDAS A EMPRESAS BENEFICIÁRIAS DO RECAP. SUSPENSÃO. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS. NECESSIDADE A venda com suspensão da contribuição não cumulativa a pessoas jurídicas beneficiárias do RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras) exige que o adquirente seja previamente habilitado no regime e preencha os demais requisitos legais, dentre eles a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 19 /2 01 2- 72Fl. 9218DF CARF MF 2 prestação da declaração a que menciona o art. 13, § 1º, I da IN SRF 605/2005, que operacionaliza o referido regime suspensivo. VENDA. SUSPENSÃO. REQUISITOS. DOCUMENTOS FISCAIS. A ausência da averbação, na nota fiscal de venda, da expressão “Venda efetuada com suspensão da exigência do PIS e da COFINS”, como exige o art. 14, § 7º da Lei nº 11.196/2005, que, dentre outras providências, institui o RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras), descaracteriza a suspensão dos tributos a que alude. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) para excluir do lançamento os valores correspondentes às notas fiscais de saída, do estabelecimento matriz, nºs 25, 26, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 40, 44, 45, 46, 47, 56 (cliente SMS Demag Ltda.), e filial RJ, nºs 001 e 002 (cliente ThyssenKrupp S/A Componentes Siderúrgicos – CSA); e (b) para admitir direito de crédito em relação às rubricas “Consultoria/Assessoria/Consultoria e Projetos/Consultoria Técnica/Pessoa Física/Cálculos/Projetos/Elaboração de Projetos/Estudos de Projeto”, desde que pagos a pessoa jurídica, “Inspeção/Mão de Obra/Controle de Qualidade/Serviços de Topografia/Análise de Água/Testes e Análises/Gerenciamento de Projetos/Serviços de Medição/Revisão”, “Materiais (aço inoxidável)/Material Isolante” e “Serviços de Informática/Processamento de Dados/Reparação de Computadores/Serviços de Digitação Manutenção de Computadores”. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Cuidase de auto de infração de Cofins nãocumulativa relativa aos períodos de apuração janeiro e julho a novembro, todos de 2007. As infrações capituladas no lançamento foram a inobservância de requisito formal na emissão de notas fiscais de vendas com suspensão do tributo (ausência da expressão “venda com suspensão ...”); venda com suspensão a empresa não habilitada no RECAP (Lei nº 11.196/2005); créditos não comprovados; apropriação de créditos relativos a notas fiscais de simples faturamento para entrega futura; falta de estorno de créditos por devolução de compras de insumos; apropriação de créditos de estabelecimento filial baseada em lançamentos Fl. 9219DF CARF MF Processo nº 19515.720119/201272 Acórdão n.º 3401004.482 S3C4T1 Fl. 11 3 realizados em “livro não oficial”; e, serviços não classificáveis como insumo (fotografia, consultoria, reparação de computadores, tradução, representação comercial, transporte de passageiros, apoio administrativo, serviço em informática, impressão de material publicitário, assessoria contábil, digitação, processamento de dados, preparação de documentos, hospedagem, editoração gráfica, gastos com veículos, motoboy, táxi, digitalização, programação de computadores, impressão, arquivo externo, serviços de escritório em geral e outros.). Em impugnação o contribuinte alegou que a empresa não habilitada no RECAP era, na verdade, administradora de contrato firmado entre ela (autuada) e outra empresa autorizada, esta sim, a operar no regime, citando o ato declaratório executivo respectivo; que em parcela das notas arroladas na autuação, na condição de tributo suspenso, houve destaque da exação, relacionandoas; que o descumprimento de requisito formal na emissão da nota fiscal com suspensão de tributos poderia gerar, quando muito, multa pela falta, não, porém, redundar na cassação da suspensão; que o direito de apropriação de crédito, nas compras para entrega futura, deveria ser feito na emissão da nota fiscal de simples faturamento, citando soluções de consulta da RFB; que houve cerceamento do direito de defesa, ante a falta de individualização de determinadas glosas; que o conceito de insumo, para fins da não cumulatividade do PIS/Pasep e Cofins, deveria observar o conceito de despesas operacionais insculpido no art. 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99); por fim, alegou boafé e respeito ao princípio da verdade material. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ acolheu em parte o recurso, afastando as glosas pelos créditos de simples faturamento para entrega futura, em decisão assim ementada: “PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. AUSÊNCIA DE PROVAS Nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a impugnação deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações no lançamento do crédito tributário. INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. RECAP. SUSPENSÃO . HABILITAÇÃO. A venda com suspensão das contribuições em virtude do RECAP exige que a compradora seja previamente habilitada ao RECAP e preencha os demais requisitos legais. VENDA SUSPENSÃO. REQUISITOS NOTA FISCAL Fl. 9220DF CARF MF 4 A ausência do registro na Nota Fiscal da expressão “Venda efetuada com suspensão da exigência do PIS e da COFINS” descaracteriza a suspensão. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. ADQUIRENTE. MOMENTO. APURAÇÃO CREDITO NÃO CUMULATIVIDADE Na aquisição de bens ou serviços que geram crédito da não cumulatividade para recebimento posterior, o crédito poderá ser apropriado no registro da Nota Fiscal de Simples faturamento uma vez que já ocorreu o fato jurídico representativo da aquisição. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSENCIA. Não se configura cerceamento de defesa quando a infração está claramente demonstrada e o contribuinte foi devidamente cientificado, possibilitando que seja apresentada a correspondente defesa. DEVOLUÇÃO DE COMPRAS Ocorrendo a devolução de mercadorias que geraram crédito na aquisição, deve ser efetuado o estorno do crédito apurado. IPI. CUSTO. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens para fins de apuração do crédito da não cumulatividade.” O recurso voluntário reprisou os argumentos do recurso inaugural. Na sessão de 09/12/2012, através da Resolução nº 3401000.902, o julgamento foi convertido em diligência para verificações pontuais. Cumprida aludida diligência, retornam os autos para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reclama o recorrente a suspensão da contribuição não cumulativa em relação aos equipamentos vendidos à SMS DEMAG Ltda., ao passo que seria esta empresa apenas administradora do contrato firmado entre a recorrente e GERDAU Açominas S/A, essa sim adquirente e devidamente habilitada no RECAP Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras, instituído pela Lei nº 11.196/05, consoante documentos apresentados na impugnação. Após examinar o contrato firmado, da mesma forma que a decisão reclamada, entendo que o ajuste foi firmado entre SMS DEMAG e a recorrente, ainda que para instalação de uma estação de tratamento de água e efluentes na empresa GERDAU Açominas S/A, deixando claro o instrumento formalizado que aquela primeira é a adquirente do produto, que Fl. 9221DF CARF MF Processo nº 19515.720119/201272 Acórdão n.º 3401004.482 S3C4T1 Fl. 12 5 deveria ser fornecido com inclusão das contribuições não cumulativas, como acentua o parágrafo 4º da convenção. Não há, no contrato firmado, qualquer alusão a que a SMS DEMAG seria a “administradora” da avença entre a recorrente e a GERDAU Açominas, que sequer figura no instrumento firmado, de modo que, não sendo SMS beneficiária do RECAP, correta a exigência da contribuição. Concernente às notas fiscais de serviços que menciona, incluídas no lançamento como saídas com suspensão indevida, o recorrente sustentou que foram tributadas normalmente, com menção em seu corpo do devido destaque e retenção pela fonte pagadora, quando da quitação da fatura. A decisão recorrida, por sua vez, manteve o lançamento ao argumento que o próprio contribuinte informara, durante o procedimento fiscal, que tais vendas foram efetuadas com suspensão e que, havendo equívoco, caberia a ele a prova da insubsistência. Não devidamente esclarecidos os fatos, o ponto controvertido foi objeto de questionamento em diligência, mediante seguinte quesito: “Informar se as notas fiscais 25, 26, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 40, 44, 45, 46, 47, 56, 1 e 2, mencionadas no Anexo 01 do Termo de Constatação nº 02, sofreram a incidência da Cofins não cumulativa, tendo em vista que o contribuinte sustenta que tais vendas não foram realizadas com suspensão do tributo, conforme item 3.1.b do recurso voluntário;” Em resposta (efl. 9.159), o diligenciante informou o seguinte: “Sim, nas citadas Notas Fiscais de Serviços emitidas em 2007 pela matriz para o cliente SMS Demag Ltda. (nºs 25, 26, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 40, 44, 45, 46, 47, 56), e pela filial RJ para o cliente ThyssenKrupp S/A Componentes Siderúrgicos – CSA (nºs 001, 002), há o destaque de retenção da COFINS (fls. 9058/9074), e o contribuinte registrou em seu Livro Razão tais retenções (NFS 25, 26, 30, 32 e 33 à fl. 3846; NFS 34, 35, 36 e 37 à fl. 3854; NFS 40 à fl. 3858; NFS 44 à fl. 3862; NFS 45 à fl. 3864; NFS 46 à fl. 3868; NFS 47 à fl. 3870; NFS 56 à fl. 3883; e NFS 001 e 002 à fl. 3905). Quanto a questão da suspensão ou não de tributação da COFINS por ocasião da prestação de serviço pelo contribuinte, e de sua autuação por não oferecer tais valores de Receita à tributação, a DRF/RJ em sua Decisão (fls. 4616/4617), que a seguir reproduzo, já esclareceu muito bem, não tendo essa auditoria nada mais a acrescentar” (destacado) Pela leitura do trecho transcrito percebo uma claudicância da fiscalização quanto à incidência ou não da Cofins não cumulativa sobre tais operações, pois, apesar de afirmar objetivamente que houve destaque de retenção na fonte e respectivo registro no Livro Fl. 9222DF CARF MF 6 Razão, remete à decisão da DRJ, que por sua vez expõe que a prova da alegação de inexistência da suspensão compete ao recorrente. Ora, a diligência se destinava justamente a sanar essa dúvida, de maneira que, a meu juízo, a teor do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, do CPC/15 (art. 333, I do CPC/73), tocante à distribuição do ônus probatório, é do autor do feito a prova do fato constitutivo do direito que alega, de maneira que, transplantando ao caso vertente, cuidandose de lançamento para exigência de crédito tributário, competia à fiscalização a prova cabal da ausência de recolhimento do tributo e não o inverso. A mera inclusão das aludidas notas fiscais em rol de saídas com suspensão, apresentada no curso da ação fiscal e posteriormente contestadas pelo próprio contribuinte em recurso, não consubstancia prova suficiente da infração, até porque a presunção de incidência tributária milita em seu favor (sujeito passivo), uma vez que há destaque de retenção na fonte nos documentos fiscais e o competente registro contábil e fiscal. Assim, não comprovada a ausência de tributação dos documentos fiscais, devem os valores respectivos serem excluídos da autuação. Na seqüência, defende o recorrente a impossibilidade de cobrança dos tributos suspensos nas NFs 9.024, 9.427, 9.445, 9.999, 10.022, 10.036 e 11.000, pela simples ausência da expressão “venda efetuada com suspensão da exigência ...”, porque os adquirentes seriam beneficiários do RECAP e cumpririam os requisitos do art. 13 da Lei nº 11.196/2005, não sendo a inobservância dessa obrigação acessória razão para exigência, o que afrontaria o princípio da tipicidade. Como bem abordado pela decisão sob vergasta, não se cuida de exigir o tributo pelo simples descumprimento de obrigação acessória, porquanto a Lei nº 11.196/2005 exige a inscrição do texto suprimido, além do que, não é qualquer venda que está amparada pela suspensão, mas apenas aquelas arroladas taxativamente no texto legal, devendo o beneficiário declarar ao vendedor que atende às condições do regime, como prevê o art. 13 da IN SRF 605/2005, o que não foi demonstrado pelo recorrente. Com fulcro no art. 57, § 3º do RICARF/15 (Portaria MF nº 343/15), na redação dada pela Portaria MF nº 329/17, por concordar integralmente com o colegiado a quo e considerando que o contribuinte reprisou literalmente o argumento deduzido na impugnação, como fundamento desse voto, reproduzo a decisão de primeira instância, no trecho pertinente: “A fiscalização desconsiderou a exclusão por suspensão efetuada pela interessada sob a alegação de que não consta a expressão ‘Venda com suspensão...’ nas Notas emitidas. O RECAP foi instituído pela Lei nº 11.196/2005, regulamentado pelo Decreto nº 5.649/2005 e pela Instrução Normativa nº 605/2005. Tratase de um benefício relativo à suspensão da incidência do PIS e da COFINS na aquisição de determinadas máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, quando adquiridos por beneficiário do regime para incorporação ao seu ativo imobilizado. A previsão de cobrança de multa e juros isolados ou conjuntamente com o tributo constante no §6º do art. 14 da Lei nº 11.196/2005 aplicase aos casos de não incorporação do bem ao ativo imobilizado ou revenda antes do prazo previsto na lei ou desatendimento do art. 13 da Lei e serão cobradas Fl. 9223DF CARF MF Processo nº 19515.720119/201272 Acórdão n.º 3401004.482 S3C4T1 Fl. 13 7 do adquirente. Não há previsão de aplicação de multa no caso de ausência da expressão ‘venda com suspensão...’. Para que a venda ocorra com a suspensão, a pessoa jurídica habilitada deve fornecer declaração de que atende a todos os requisitos do RECAP e indicar o número do ADE de habilitação e a vendedora deverá fazer constar na nota a expressão ‘Venda efetuada com suspensão da exigência do PIS e da COFINS’ com especificação do dispositivo legal correspondente, bem assim o número do ADE. O art. 14, §7º da Lei nº 11.196/2005 dispõe que: Art. 14 (...) § 7º Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo deverá constar a expressão ‘Venda efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins’, com a especificação do dispositivo legal correspondente. O art. 13 da IN 605/2005 dispõe que: Art. 13. Aplicase o benefício de suspensão da exigência das contribuições, na forma do Recap, nas importações ou nas aquisições no mercado interno de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em Decreto. § 1 ° No caso de aquisição de bens no mercado interno com o benefício do Recap: I a pessoa jurídica habilitada ao regime, adquirente dos produtos de que trata o caput deste artigo, deve declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos, bem assim indicar o número do ADE que lhe concedeu a habilitação; e II a pessoa jurídica vendedora deve fazer constar, na nota fiscal de venda, a expressão ‘Venda efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins’, com especificação do dispositivo legal correspondente, bem assim o número do ADE a que se refere o art. 10. A suspensão não se aplica a qualquer venda de produtos listados no Decreto à pessoa jurídica habilitada no RECAP. É necessário que a adquirente cumpra os requisitos, incorpore o bem ao imobilizado, não o revenda antes do prazo, etc, sob pena de responder pelos tributos e juros e multa. Concluise que a adquirente deve ter interesse em adquirir o bem com a suspensão, já que somente ela poderá se comprometer a incorporar o bem ao imobilizado, a não revendelo e a cumprir as demais exigências para fruição do benefício. Fl. 9224DF CARF MF 8 Assim, ao contrário do que afirma a autuada, não é possível concluir que como as destinatárias dos bens são habilitadas, a venda teria sido necessariamente efetuada com suspensão e que a ausência da expressão seria um mero descumprimento de requisito. A adquirente habilitada ao RECAP pode ter interesse em adquirir bem sem o benefício da suspensão, já que pode ter a intenção de revendelo e não incluílo no imobilizado. A ausência da expressão descaracteriza a venda com suspensão. Cabendo a autuada, comprovar a ocorrência do alegado erro, o que não fez. Tampouco, tratase de hipótese de tributação da adquirente, porque uma vez não comprovada que a venda tenha ocorrido com suspensão, não há que se falar em transferência da responsabilidade. Na verdade a informação de venda com suspensão é importante para a vendedora para que não sofra tributação. No caso em questão, a Nota Fiscal não registra a suspensão e a interessada não comprovou que tenha havido de fato venda com suspensão das contribuições.” (destacado) Concernente à glosa de créditos decorrentes da aquisição de insumos, o recorrente apresenta a sua acepção do termo “insumo”, que açambarcaria o conjunto de todos os custos com a produção e a comercialização de produtos ou prestação de serviços e não apenas aqueles diretamente aplicados na produção, de certa forma, equiparandoo, como muitos o fazem, ao custo de produção e despesas operacionais da legislação do imposto de renda (arts. 290 e 299 do RIR/99). O CARF, no entanto, tem posição mediana entre esse conceito e aquele adotado pela RFB, que o equipara às matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, segundo a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (vide PN CST 65/79. Esta situação foi captada com percuciência no voto condutor do Acórdão nº 3401002.859, de 28/01/2015, cujo excerto peço licença para transcrever e que adoto, em parte, como razão de decidir: "Os dispositivos das instruções normativas definiram como insumos na fabricação de bens destinados à venda, os bens que se enquadrem como matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. No que tange aos serviços, este serão considerados insumos quando forem aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Na prestação de serviços, serão considerados insumos os bens e serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Percebese que as instruções normativas adotaram o conceito de insumo utilizado na legislação atinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, ao restringir os insumos a matériasprimas, produtos intermediários e Fl. 9225DF CARF MF Processo nº 19515.720119/201272 Acórdão n.º 3401004.482 S3C4T1 Fl. 14 9 material de embalagem, bem como outros bens que tenha desgaste em contato com o bem produzido. Este é um conceito bastante restrito, coerente com a materialidade do IPI, que está intrinsecamente relacionada ao processo de industrialização, a um ciclo econômico em que é possível aferir as diferentes etapas e identificálas de forma a impedir a indevida onerosidade em cada uma delas, de forma a garantir a nãocumulatividade. Não é, contudo, o caso do PIS e da COFINS, cujo fato gerador o ‘faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil’, não se relacionando diretamente a um determinado produto e sua industrialização, mas às receitas decorrentes da atividade empresarial como um todo. Não é possível, portanto, adotar para o PIS e a COFINS um conceito de insumo originário da legislação do IPI, uma vez que a materialidade daquelas contribuições e deste imposto são distintas, não guardando semelhança a justificar que se aproveite definições deste naquelas. Da mesma forma, a materialidade do PIS e da COFINS, conquanto mais próxima àquela do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, haja vista que o faturamento também é elemento que afeta este imposto, não se confundem. É cediço que, para se apurar o lucro de determinada pessoa jurídica, é necessário verificar o faturamento e as receitas desta para se alcançar o lucro líquido e, posteriormente, o lucro real, base de cálculo do imposto no regime de apuração real. Isto não significa, contudo, que as definições contidas na legislação do IRPJ são aplicáveis ao PIS e à COFINS, posto que, mesmo com suas semelhanças, tratamse de tributos distintos. Outrossim, caso aplicados os conceitos do IRPJ ao PIS e à COFINS, correse o risco de descaracterizar a materialidade destas contribuições. Assim, não é possível afirmar que o conceito de insumos corresponde exatamente ao de despesas necessárias do art. 299 do Decreto nº 3000/99 ou do custo de produção trazido no art. 290 deste mesmo decreto, não obstante algumas semelhanças entre o conceito de insumo e estas definições. Neste sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais desta 3ª Seção, no acórdão nº 3302001.916, em que foi adotado um conceito próprio de insumo, distinto tanto daquele previsto na legislação do IPI quanto da legislação do IRPJ, para fins de apuração dos créditos de PIS e COFINS. Por partilhar deste entendimento, segue transcrição de trecho do voto proferido naquele acórdão, o Fl. 9226DF CARF MF 10 qual permite elucidar de forma clara a questão dos insumos: (...) Em suma, em busca de um conceito de insumo que esteja em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI; bem como não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Adotando o conceito a que se chegou a CSRF no acórdão acima, é possível definir insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Partindo deste conceito, deve ser feita uma análise pormenorizada dos créditos de COFINS glosados no auto de infração e determinar se, dentro do conceito de insumo adotado, podem tais créditos serem mantidos ou não.” Destas ilações, ressalvo apenas a interpretação correspondente à possibilidade de se admitir a caracterização de insumo aos bens e serviços utilizados indiretamente no processo produtivo, na fabricação ou na prestação dos serviços. Isto porque, permitir que o emprego indireto dos bens/serviços na produção possa gerar direito de crédito conduz justamente à incerteza que o conceito formulado pretende afastar, porquanto, indiretamente, todas as despesas concorrem para a formação do produto final ou serviço prestado pelo contribuinte, ou mesmo são necessários ao exercício de suas atividades. A meu ver, a compreensão do termo insumo, como inserto nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, que melhor se amolda ao escopo da norma, alberga tãosomente aqueles bens e serviços que são utilizados diretamente na produção, industrialização e prestação de serviços. Nesse sentido, a título exemplificativo, seguem recentes julgados desta casa: “PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.” (Acórdão 9303004.918, de 10/04/2017). Fl. 9227DF CARF MF Processo nº 19515.720119/201272 Acórdão n.º 3401004.482 S3C4T1 Fl. 15 11 “NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins nãocumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito.” (Acórdão 3301003.464, de 26/04/2017) “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI, sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.” (Acórdão 3301002.995, de 21/06/2016) O exame in specie dos pretensos insumos, glosados pela fiscalização, será realizado oportunamente, acompanhando a ordem de enfretamento proposta pelo recurso voluntário. Prosseguindo, o recorrente aponta cerceamento de defesa nos itens 44 (“b”), 45 e 46 (“a”) do termo fiscal de autuação, por não permitir conhecer quais seriam as infrações imputadas, o que violaria o art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Em exame do Termo de Constatação nº 02, de efls. 4311 e ss., não verifiquei qualquer ausência de fundamentação ou mesmo falta de informações que impedissem o autuado de conhecer as infrações que lhe foram imputados, a justificar cerceamento de defesa, ao passo que a fiscalização indicou o desconto indevido de crédito, por falta de comprovação da origem, pois não estavam lastreados em documentos e registros fiscais e contábeis, consoante relação que apresenta (item 44, “b”); falta de estorno de crédito na devolução de Fl. 9228DF CARF MF 12 compra do fornecedor MECATRON Empreendimento Elétrico Ltda., em nota fiscal que especifica (item 45); e, exclusão em duplicidade do valor do IPI em diversas notas fiscais do fornecedor cujo CNPJ foi indicado na rubrica. Portanto, não se verifica o defeito apontado pelo recorrente a justificar a pretendida nulidade do lançamento. No mais, a decisão recorrida fez pontual e minudente exame das situações envolvidas, não havendo necessidade de maiores elucubrações. Outra questão levantada diz respeito às glosas de aquisições de insumos da Filial Rio de Janeiro/RJ, referente ao mês de agosto/2017, uma vez que, segundo o relato fiscal, “usou como base um livro não oficial (depois substituído), que não se encontrava de acordo com os registros contábeis” O recorrente, por seu turno, asseverou que os livros apresentados eram “todos oficiais e aptos a demonstrar a situação fiscal da filial”, listando as notas fiscais glosadas (efl. 4655). A DRJ destacou que o desacordo se deveu à diferença entre o Livro Registro de Apuração de IPI escriturado e o arquivo magnético apresentado, o que ocasionou questionamento por parte da fiscalização, respondendo o contribuinte, à época, que dito arquivo era inconsistente, por ser apenas instrumento de consulta interna, sem valor fiscal, solicitando a consideração do livro RAIPI entregue. A decisão aduziu que, diante do caso, caberia ao recorrente apresentar as notas fiscais correspondentes, não escrituradas no Livro RAIPI, mas registradas no Livro Registro de Entradas, o que não teria ocorrido. O contribuinte, diante da manifestação decisória, apresentou cópias dos documentos fiscais respectivos, o que motivou quesitação específica na diligência realizada objetivando verificar se, de fato, havia registro nos livros RAIPI e Registro de Entradas dos documentos em referência. Inicialmente o recorrente havia contestado a glosa integral no montante de R$ 129.918,42, todavia, como restou esclarecido na diligência, à luz do relatório fiscal (efl. 4337), a glosa correspondeu à quantia de R$ 124.315,70 e se mostrou decorrente do registro de notas fiscais de aquisição emitidas em 2008, como apresentado no demonstrativo, anexo único, do relatório de diligência (efl. 9114), coincidindo esses documentos fiscais com aqueles relacionados no voluntário, como ensejadores do crédito pretendido. Como se observa, o valor acolhido pela fiscalização foi de R$ 5.602,72, que corresponde justamente a diferença entre a glosa reclamada pelo recorrente e aquela efetivada pela fiscalização (R$ 129.918,42 – R$ 124.315,70), que equivale ao somatório das notas fiscais de 2007. Ou seja, por equívoco, suponho, o recorrente pretendia o aproveitamento de notas fiscais de aquisição relativas a 2008, na apuração das contribuições não cumulativas de períodos de apuração de 2007, o que não é possível, sob pena de antecipação de crédito sem respaldo em lei. Logo, não se vislumbra qualquer glosa indevida, mas tãosomente a exclusão de aquisições que não correspondem ao período de apuração lançado (janeiro/2007 e julho a Fl. 9229DF CARF MF Processo nº 19515.720119/201272 Acórdão n.º 3401004.482 S3C4T1 Fl. 16 13 novembro/2007), no montante de R$ 124.315,70, não assistindo razão ao recorrente em sua reclamação. Por fim, passase ao exame das glosas de serviços classificados como insumos, pelo contribuinte, e glosados pela fiscalização, a partir do conceito alhures exposto, consoante o qual insumo compreende os bens e serviços que são empregados diretamente na produção, industrialização ou prestação de serviços. Segundo o recorrente, sua atividade consiste em fabricar sistemas de tratamento de água e ar de grande porte, sob medida e de acordo com as instalações do cliente, contituindo sistemas únicos, o que demanda serviços de engenharia específicos para sua instalação, inclusive obras de construção civil que, mesmo não sendo por ele realizadas, são construídas sob sua supervisão. Esses serviços em especial foram, também, objeto da diligência, porém, a autoridade responsável pela execução do serviço se limitou a referenciar ao relatório fiscal e ao entendimento da RFB sobre aludidas despesas, sem averiguar se e como esses serviços eram efetivamente empregados na produção/fabricação do recorrente, como determinado, motivo porque tomarei como inconteste a forma de utilização descrita pelo recorrente, em seu recurso voluntário. Nesse diapasão, os serviços sub examine são os seguintes, analisados a partir da especificade da atividade desempenhada pelo recorrente: a) Rubrica “Consultoria / Assessoria / Consultoria e Projetos / Consultoria Técnica / Pessoa Física / Cálculos / Projetos / Elaboração de Projetos / Estudos de Projeto” – Serviços de engenharia para a produção dos sistemas de tratamento de ar e água – Conferem direito de crédito, por serem diretamente utilizados na produção e instalação dos equipamentos fornecidos, desde que pagos a pessoa jurídica; b) Rubrica “Inspeção / Mão de Obra / Controle de Qualidade / Serviços de Topografia / Análise de Água / Testes e Análises / Gerenciamento de Projetos / Serviços de Medição / Revisão” – Supervisão das obras de construção civil, topografia, medições, inspeções e testes de funcionamento do equipamento realizados antes da sua entrada em funcionamento – Conferem direito de crédito, por serem empregados na fase de construção/montagem do equipamento, quando ainda se verifica “produção”, desde que pagos a pessoa jurídica; c) Rubrica “Materiais (aço inoxidável) / Material Isolante” – Instalação dos dutos externos dos sistemas de água e ar – Confere direito de crédito, por ser utilizado na produção/fabricação dos equipamentos; d) Rubrica “Serviços de Informática / Processamento de Dados / Reparação de Computadores / Serviços de Digitação Manutenção de Computadores” – Desenvolvimento de softwares utilizados nos sistemas de ar e água, que são automatizados e necessitam de leitores computadorizados de concentrações de poluição e manutenção dos computadores desses sistemas – Confere direito de crédito, por ser utilizado na produção e manutenção dos equipamentos, desde que pagos a pessoa jurídica; Fl. 9230DF CARF MF 14 e) Rubrica “Transporte de Passageiros / Táxi / Gastos com Veículos / Hotel / Despesa com Viagem” – Deslocamentos de funcionários para supervisão das obras de montagem dos sistemas fornecidos – Não confere crédito, a despeito de ser essencial à atividade, porquanto não é um serviço aplicado diretamente na produção, mas apenas indiretamente; f) Rubrica “Representação Comercial / Comissão / Promoção Comercial / Agenciamento / Comércio Varejista / Impressão de Material para Uso Publicitário” – Comercialização dos sistems de despoluição de ar e água – Não confere direito de crédito, por não guardar relação direta com a produção, cuidandose de despesas de cunho comercial; g) Rubrica “Correio / Fotocópias / Tradução / Apoio Administrativo / Preparação de Documentos / Assessoria Contábil / Serviços de Escritório / Digitalização / Editoração Gráfica / Motoboy / Arquivo Externo / Recarga de Cartuchos / Manutenção Ar Condicionado / Serviços de Telefonia / SESI / Lavanderia / Despachante Aduaneiro” – Despesas da área administrativa – Não confere direito de crédito, por não guardar relação direta com a produção; e, h) Rubrica “Seguros” – Vinculados ao transporte das peças para o fornecimento dos sistemas despoluidores – Não confere direito de crédito, por não se cuidar de serviços aplicado diretamente na produção. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário manobrado da seguinte forma: i) para excluir do lançamento os valores correspondentes às notas fiscais de saída, do estabelecimento matriz, nºs 25, 26, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 40, 44, 45, 46, 47, 56 (cliente SMS Demag Ltda.), e filial RJ, nºs 001 e 002 (cliente ThyssenKrupp S/A Componentes Siderúrgicos – CSA); e, ii) para admitir direito de crédito em relação às rubricas “Consultoria/Assessoria/Consultoria e Projetos/Consultoria Técnica/Pessoa Física/Cálculos/Projetos/Elaboração de Projetos/Estudos de Projeto”, “Inspeção/Mão de Obra/Controle de Qualidade/Serviços de Topografia/Análise de Água/Testes e Análises/Gerenciamento de Projetos/Serviços de Medição/Revisão”, “Materiais (aço inoxidável)/Material Isolante” e “Serviços de Informática/Processamento de Dados/Reparação de Computadores/Serviços de Digitação Manutenção de Computadores”, nos termos do voto. Robson José Bayerl Fl. 9231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722371/2010-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°, Caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO
O prazo para novo lançamento é de 5 anos da decisão definitiva que tenha anulado por vício formal o lançamento anteriormente realizado.
Numero da decisão: 9202-006.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°, Caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO O prazo para novo lançamento é de 5 anos da decisão definitiva que tenha anulado por vício formal o lançamento anteriormente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 71 /2 01 0- 97 Fl. 1132DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2402003.136, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito previdenciário, cujo montante consolidado em 13/10/2010 é de R$ 30.043,15 (trinta mil, quarenta e três reais e quinze centavos), referente às competências: 03/1997 a 12/1998, e correspondem aos valores destinados ao custeio da Previdência Social, que foram descontados dos segurados empregados trabalhadores temporários e não foram recolhidos à Receita Federal do Brasil pelo sujeito passivo. Tal crédito foi constituído em substituição de outro anulado por vício formal. O Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, após declarar a nulidade, encaminhou o processo para a Delegacia da Receita Previdência em Brasília DRP no dia 23/09/2005. O Contribuinte apresentou impugnação às fls. 930/1000. A 5ª Turma DRJ/BSB, às fls. 1002/1044, julgou parcialmente procedente o lançamento, RETIFICANDO o crédito lançado, no que se refere à decadência, no período de 03 a 06/1997. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 1022/1037. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1054/1067, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos ao auxíliotransporte. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10166.722371/201097 Acórdão n.º 9202006.682 CSRFT2 Fl. 10 3 parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. LANÇAMENTO SUBSTITUTO. O prazo para novo lançamento é de 5 anos da decisão definitiva que tenha anulado por vício formal o lançamento anteriormente realizado. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STF. O valor do auxíliotransporte pago habitualmente em pecúnia tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale alimentação em dinheiro e de forma habitual. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo a plano educacional não integra o salário de contribuição quando vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 1072/1075, o Contribuinte apresentou Requerimento para correção de erro material do acórdão prolatado, em virtude de que a data de ciência do acórdão que anulou o auto de infração anteriormente lavrado em desfavor do Contribuinte, NFLD DEBCAD nº 35.404.4222, anulada por vício formal, está comprovada documentalmente nos autos e foi indicada pela Recorrente em sua impugnação e recurso voluntário como termo a quo para a contagem do prazo decadencial. Entretanto, em inequívoco erro material, apontou que a ciência do aludido acórdão que reconhecera o vício formal e, nesta medida, a nulidade do auto de infração, ocorrera em 20/10/2002, não correspondendo à realidade dos autos, devendo ser retificada, eis que ocorrera em 23/09/2005. Também há erro material na ementa do acórdão, uma vez que não ilustra o entendimento agasalhado pela Turma. O voto condutor do acórdão embargado acolhe a decadência na forma ilustrada no art. 173, II do CTN, por se tratar de lançamento substitutivo do original, anulado por vício formal. Entretanto, a ementa não reflete o teor do julgado, padecendo o acórdão também de erro material. Às fls. 1090/1098, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: contagem do prazo decadencial, previsto no art. 173, II do CTN. Alega que a proferida decisão administrativa definitiva pela nulidade do lançamento, em 23/09/2005, o prazo para lavratura de um segundo auto de Fl. 1134DF CARF MF 4 infração terminaria em 23/09/2010. Ocorre que o lançamento ora combatido somente foi formalizado em 13/10/2010, após ultrapassado o prazo decadencial do art. 173, II do CTN, e nesta medida, extinto o crédito tributário (art. 156, V do CTN). Já o paradigma, também enuncia como marco inicial do prazo de decadência estatuído no dispositivo já referido, a data da decisão que declara a nulidade do lançamento. Porém, foi tomado como termo inicial do prazo decadencial do art. 173, II do CTN, a data da ciência, pelo contribuinte, do acórdão que anulou o lançamento. A data suso transcrito está errada, uma vez que a intimação do Contribuinte ocorreu em 20/10/2005. Por esta razão, o Contribuinte, usando da prerrogativa do art. 44 do RICARF, apresentou petição requerendo a correção do erro material. No entanto, mesmo que corrigido o referido erro, é possível antever a dissonância de interpretação sobre o art. 173, II do CTN, entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Nos acórdãos divergentes apontase como termo inicial para o referido prazo decadencial, a data em que proferida a decisão pela nulidade do lançamento. Já no recorrido, entendese que como termo a quo do aludido lapso, a data da notificação do contribuinte da decisão que anula o lançamento. Considerou, ao fim, que se a decisão que anulou o lançamento, por vício formal, não caberia qualquer recurso, tomase como definitivo o aludido decisum na data em que proferido, tendo início neste marco o prazo do art. 173, II do CTN, conforme consignado nos paradigmas. A ciência, pelo contribuinte, da referida decisão é requisito formal de validade do processo, que não interfere, porém, no caráter peremptório, final e permanente daquela decisão proferida. Daí a razão pela qual a Recorrente entende equivocada a interpretação adotada no acórdão recorrido. À fl. 1122, a Secretaria da RFB encaminhou o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, bem como o seu requerimento para correção de inexatidão material, para o CARF para apreciação e julgamento. Às fls. 1123/1127, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à contagem do prazo decadencial em lançamento substitutivo. Às fl. 1128/1131, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito previdenciário, cujo montante consolidado em 13/10/2010 é de R$ 30.043,15 (trinta mil, quarenta e três reais e quinze centavos), referente às competências: 03/1997 a 12/1998, e correspondem aos valores destinados ao custeio da Previdência Social, que foram descontados dos segurados empregados trabalhadores temporários e não foram recolhidos à Receita Federal do Brasil pelo sujeito passivo. Tal crédito foi constituído em substituição de outro anulado por vício formal. O Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, após declarar a nulidade, encaminhou o processo para a Delegacia da Receita Previdência em Brasília DRP no dia 23/09/2005, que Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10166.722371/201097 Acórdão n.º 9202006.682 CSRFT2 Fl. 11 5 no 29/09/2005 tramitou o processo para novo lançamento, o que somente veio a acontecer em 13/10/2010. Nesse período, aguardava decisão acerca do pedido de revisão de acórdão, que veio a não ser conhecida por não atendimento dos pressupostos de admissibilidade. A ciência ao recorrente do acórdão do CRPS ocorreu em 20/10/2002. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à interpretação da aplicação da da contagem do prazo inicial da decadência, prevista no art. 173, II do CTN, nos casos de relançamento por vício formal. DECADÊNCIA – NORMA APLICÁVEL Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, Fl. 1136DF CARF MF 6 independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Logo, constatada a existência de recolhimento, atrai a aplicação do disposto no 150, §4 do CTN, conforme decidiu o acórdão recorrido. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos termos do artigo 156 do CTN, a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Decadência é a perda do direito de constituir o crédito tributário, após o transcurso de determinado lapso de tempo. Prescreve o artigo 173 do CTN que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos corridos: Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10166.722371/201097 Acórdão n.º 9202006.682 CSRFT2 Fl. 12 7 a) da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento; b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; c) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Interessa à presente análise a última hipótese, a do artigo 173, II do CTN, quando o lançamento, por defeito formal, vier a ser declarado nulo pela autoridade administrativa ou judicial. Referido dispositivo, que impropriamente admite a interrupção do prazo decadencial, reza que tal prazo será contado da data em que se tornar irrecorrível aquela decisão. Cabe ressaltar que a norma possui conteúdo questionável, pois além de trazer previsão de suspensão de prazo decadencial, ainda traz grande vantagem aos Cofres Públicos, vez que a autuação mesmo que considerada nula (vício formal) garante ao fisco liberdade contra o contundente prazo decadencial devolvendolhe o prazo em sua integralidade. Resta discutir, portanto, quando haveria a concretização do disposto no art. 173, III do CTN da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. A doutrina tece severas críticas sobre este dispositivo, para a auditora Maria do Socorro Gomes, nesta discussão urge explanar acerca do que se considera como data em que se torna definitiva a decisão declaratória da nulidade do ato por vício formal. “Primeiramente, há de se conceituar o que seja decisão definitiva (administrativa ou judicial). Há entendimento equivocado de que a decisão só se torna definitiva, quando é dada a ciência ao sujeito passivo e não é mais passível de recurso. Parecer haver, nessa linha de raciocínio, uma confusão entre os termos "decisão definitiva" e "crédito tributário definitivamente constituído". Este sim, para se tornar definitivo, precisa da ciência do sujeito passivo. Não se está querendo aqui afirmar que a decisão declaratória de nulidade de lançamento não requer a cientificação do contribuinte. Essa ciência é necessária, para atendimento de um dos princípios norteadores da atividade da Administração Pública, qual seja, o princípio da publicidade dos seus atos. Contudo, não é a ciência da decisão que a torna definitiva. (GOMES, Maria do Socorro Costa. Prazo de constituição do crédito tributário de que trata o artigo 173, II, do CTN, quando declarada sua nulidade por vício formal. Revista Jus Navigandi, ISSN 15184862, Teresina, ano 16, n. Fl. 1138DF CARF MF 8 2974, 23 ago. 2011. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/19833>. Acesso em: 16 abr. 2018.) Embora as excelentes explanações no sentido da decisão definitiva ser aquela sobre a qual não se cabe mais nenhum recurso, majoritariamente os Tribunais decidem de acordo com manifestação jurídica esposadas pelo STJ, o qual tem entendido que somente após intimada e cientificada a parte vencida acerca da decisão há que se entender o início do novo prazo. No caso concreto dos autos observase as seguintes datas: · 23/09/2005 Acórdão 1.227 2ª CAJ/CRPS – Anulação por vício formal do lançamento original. · 20/10/2005 – ciência do acórdão 1.227 por parte do contribuinte. · 13/10/2010 Lavratura do lançamento substituto (este processo). · 14/10/2010 – ciência do lançamento substituto A definitividade exclusivamente no caso dos processos que tramitam no CRPS pode ser considerada na data da ciência do contribuinte sem prejuízo a Fazenda Nacional, pois nos termos do regimento interno vigente a época os atos consideram art. 34 Portaria/MPS N. 520/2004. Assim, como a decisão que anulou o lançamento por vício formal somente se tornou definitiva em 20/10/2005 (fls. 748 do Documentos Comprobatórios – Outros – Anexo II VOL II PTE 2), não há que se falar em decadência do direito de constituir o novo crédito tributário, conforme previsão do art. 173, II do CTN. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10936.000002/2007-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA/ADUANEIRA. INTENÇÃO DO AGENTE. EXTENSÃO E EFEITOS DO ATO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Nos termos da Lei, salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária/aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COMINAÇÃO DE PENALIDADE MENOS SEVERA.
Nos termos do Código Tributário Nacional, a lei aplica-se a fatos pretéritos quando deixe de defini-los como infração.
Numero da decisão: 9303-006.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA/ADUANEIRA. INTENÇÃO DO AGENTE. EXTENSÃO E EFEITOS DO ATO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nos termos da Lei, salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária/aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COMINAÇÃO DE PENALIDADE MENOS SEVERA. Nos termos do Código Tributário Nacional, a lei aplica-se a fatos pretéritos quando deixe de defini-los como infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INTENÇÃO DO AGENTE. EXTENSÃO E EFEITOS DO ATO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nos termos da Lei, salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária/aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COMINAÇÃO DE PENALIDADE MENOS SEVERA. Nos termos do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a fatos pretéritos quando deixe de definilos como infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 00 00 02 /2 00 7- 86 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10936.000002/200786 Acórdão n.º 9303006.844 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3101001.247, de 25 de setembro de 2012 (efolhas 423 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003 MULTA. RETIFICAÇÃO DE DI APÓS O DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A exigência de comunicação ao órgão responsável pela expedição de Licença de Importação, antes de proceder a retificação da Declaração de Importação, mostrase imprescindível quando há alterações substanciais na operação de importação, não sendo o caso de mera retificação unidade de medida de tonelada para quilograma. Incabível a aplicação da multa prevista no artigo 626, inciso II, do RA/2002. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 428 e segs) diz respeito à cominação da multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art. 84, II, da Medida Provisória no 2.15835/2001, no caso de mercadoria quantificada incorretamente. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 434 e segs. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 447 e segs. Requer que se negue provimento ao recurso especial. É o Relatório. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10936.000002/200786 Acórdão n.º 9303006.844 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito Tratase de Auto de Infração lavrado para constituição da multa aduaneira aplicada contra o contribuinte pela retificação de DIs para alteração da unidade de medida estatística, sem prévia anuência do órgão que concedeu o Licenciamento de Importação das mercadorias importadas. A retificação implementada visou alterar a unidade de medida estatística de tonelada para quilograma. Liminarmente, penso que seja de grande importância relembrar que o Código Tributário Nacional determina com clareza meridiana a natureza objetiva da infração tributária, assim como dispõe sobre a desnecessidade de que se apure ou demonstre a intenção do agente e a irrelevância dos efeitos do ato praticado. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No mesmo diapasão, determina que somente a lei pode estabelecer hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. Como bem decidido no acórdão paradigma, a infração de que aqui se trata é de caráter objetivo, não comporta discussão acerca dos efeitos decorrentes do ato. Uma vez que Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10936.000002/200786 Acórdão n.º 9303006.844 CSRFT3 Fl. 5 4 o responsável tenha quantificado incorretamente a mercadoria importada, incorreu na infração tipificada no art. 84, inciso II, da MP 2.15834/2001, com a seguinte redação. Art. 84 Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Isto posto, há para o presente caso, contudo, disposição legal que afasta a responsabilidade pela infração cometida. Como resta incontroverso dos autos, o pedido de retificação da declaração de importação foi requerido antes do início de qualquer procedimento fiscal e depois do desembaraço aduaneiro. Conforme art. 7º do Decreto 70.235/72, o procedimento fiscal tem início com o começo do despacho aduaneiro da mercadoria importada e exclui a espontaneidade do sujeito passivo1. Contudo, na medida em que o despacho aduaneiro já tivesse se encerrado na data do pedido protocolado pela autuada, a espontaneidade já havia se restabelecido. A teor do disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 1 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10936.000002/200786 Acórdão n.º 9303006.844 CSRFT3 Fl. 6 5 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nos termos do § 2º do art. 102 do Decretolei 37/66, com a redação dada pela Lei 12.350/10, a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Tratandose de ato não definitivamente julgado, aplicase o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10936.000002/200786 Acórdão n.º 9303006.844 CSRFT3 Fl. 7 6 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37342.000566/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/10/2001
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2001 a 31/10/2001 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 34 2. 00 05 66 /2 00 5- 93 Fl. 173DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 174DF CARF MF Processo nº 37342.000566/200593 Acórdão n.º 2201004.257 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 175DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 37342.000566/200593 Acórdão n.º 2201004.257 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 177DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora.” Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 178DF CARF MF
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