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Numero do processo: 10872.720198/2017-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE.
A adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR). Quanto à eleição da base de cálculo aplicável o teor da Súmula CARF nº97.
COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. IRPJ E CSLL.
Se a documentação apresentada pela contribuinte demonstra o devido recolhimento de tributos e contribuições no ano-calendário autuado, o crédito exigido deve ser exonerado no montante correspondente aos valores comprovados.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Ba´rbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose´ Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. A adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR). Quanto à eleição da base de cálculo aplicável o teor da Súmula CARF nº97. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. IRPJ E CSLL. Se a documentação apresentada pela contribuinte demonstra o devido recolhimento de tributos e contribuições no anocalendário autuado, o crédito exigido deve ser exonerado no montante correspondente aos valores comprovados. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 01 98 /2 01 7- 92 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10872.720198/201792 Acórdão n.º 1201002.669 S1C2T1 Fl. 3 2 Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2013, no montante de R$ 18.295.783,20, incluídos a multa proporcional e os juros de mora devidos até 04/2017, conforme planilha abaixo: Imposto/ Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional TOTAL IRPJ 6.174.717,24 2.633.198,33 4.631.037,91 13.438.953,48 CSLL 2.231.538,21 951.637,86 1.673.653,65 4.856.829,72 18.295.783,20 2. Por economia processual e por bem retratar as circunstâncias fáticas da presente ação fiscal, adoto como parte deste trechos do relatório constante da decisão de piso: “Tratase de ação fiscal efetuada no contribuinte acima identificado, doravante denominado FISCALIZADO, autorizada pelo Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF, N° 07.1.09.002016003031, para verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos, no anocalendário de 2013. No ano calendário de 2013, exercício de 2014, apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB Declaração de Informações EconômicasFiscais de Pessoa Jurídica DIPJ, optando pela tributação com base no Lucro Presumido. A ação fiscal iniciouse em 07/06/2016, com a ciência, via postal, do Termo de Início e Intimação de Procedimento Fiscal, datado de 01/06/2016, no qual intimava à apresentação de documentos, entre os quais, a escrituração contábil ou Livro Caixa do anocalendário de 2013. Em resposta, datada de 17/06/2016, apresentou parte da documentação intimada solicitando mais 30 dias de prazo para apresentação dos demais documentos ainda não entregues. A prorrogação foi deferida por meio do Termo de Prorrogação, datado de 17/06/2016, cientificado pessoalmente na mesma data. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10872.720198/201792 Acórdão n.º 1201002.669 S1C2T1 Fl. 4 3 Após diversas novas prorrogações de prazo o contribuinte foi reintimado especificamente a respeito da escrituração contábil ou Livro Caixa. Foi informado ao contribuinte que a não apresentação dos mesmos implicaria no arbitramento”. 3. A ausência de apresentação da escrituração contábil ou livro caixa fez com que a autoridade fiscal apurasse o lucro com base nos critérios do lucro arbitrado, dispostos no artigo 530, inciso III, do RIR/99. 4. Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 105/111), anexo aos autos de infração, a base de cálculo corresponde a 40% do valor das compras de mercadorias efetuadas em cada mês, excluídas as notas fiscais canceladas, conforme determina o artigo 535, do Regulamento do Imposto de Renda RIR, por se tratar de receita não conhecida, uma vez que não foram apresentados documentos capazes de comprovar a receita bruta auferida pela contribuinte. 5. De acordo com arquivo extraído pela fiscalização por meio do programa Receitanet BX SPED NFe (destinatário), a contribuinte adquiriu mercadorias de terceiros no valor de R$ 61.987.172,91, excluídas as notas fiscais canceladas, conforme discriminado mensalmente na planilha abaixo transcrita: Mês Valor Trimestre Base de Cálculo (40%) jan/13 R$ 2.053.756,37 R$ 821.502,55 fev/13 R$ 2.919.466,66 R$ 1.167.786,66 mar/13 R$ 7.966.123,44 R$ 3.186.449,38 1º Trimestre R$ 5.175.738,59 abr/13 R$ 6.976.695,06 R$ 2.790.678,02 mai/13 R$ 6.305.497,49 R$ 2.522.199,00 jun/13 R$ 6.805.565,26 R$ 2.722.226,10 2º Trimestre R$ 8.035.103,12 jul/13 R$ 5.414.893,77 R$ 2.165.957,51 ago/13 R$ 3.867.347,16 R$ 1.546.938,86 set/13 R$ 3.758.155,39 R$ 1.503.262,16 3º Trimestre R$ 5.216.158,53 out/13 R$ 4.490.857,93 R$ 1.796.343,17 nov/13 R$ 8.557.024,53 R$ 3.422.809,81 dez/13 R$ 2.871.789,85 R$ 1.148.715,94 4º Trimestre R$ 6.367.868,92 Total R$ 61.987.172,91 R$ 24.794.869,16 6. Para a apuração do IRPJ foi aplicada a alíquota de 15% e do adicional de 10% sobre a receita trimestral excedente a R$ 60.000,00 e apuração da CSLL foi efetuada mediante a aplicação de 9% sobre a receita bruta trimestral. 7. Devidamente intimada (Termo de Ciência de Lançamentos em 27/04/2017, fls. 243/244), a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 248/257), na qual trouxe as seguintes razões de defesa: (i) a fiscalização teria escolhido a forma mais Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10872.720198/201792 Acórdão n.º 1201002.669 S1C2T1 Fl. 5 4 gravosa de apuração; (ii) alega que não teria pago diversas notas fiscais e, portanto, os valores correspondentes não devem ser considerados omissão de receita; e (iii) por não ostentar a previsão legal relativa à omissão de receitas, a omissão de compras precisa de mais lastro probatório. 8. Em sessão de 22 de janeiro de 2018 a 8ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0378.496 (fls. 411/415), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 ARBITRAMENTO DO LUCRO RECEITA NÃO CONHECIDA Para a realização de arbitramento do lucro do contribuinte nas hipóteses de receita bruta não conhecida, o agente fiscal pode escolher qualquer uma das alternativas previstas no art. 535 do RIR/99. O referido dispositivo não determina ordem sequencial ou de preferência entre as alternativas nele arroladas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 9. Cientificada da decisão em 26/01/2018, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário (fls. 433/448) em 25/02/2018, no qual reitera as razões já expostas sede de Impugnação (item 6) e complementa sua defesa com os seguintes pontos: (i) deve ser considerado e exonerado o montante já recolhido a título de IRPJ e CSLL – anexados os documentos arrecadatórios; e (ii) de acordo com a jurisprudência do CARF, a ausência da devida escrituração e decorrente informação na declaração das compras perpetradas, faz nascer um indício de uma possível omissão de receitas, mas a falta de escrituração de forma isolada não está apta a suportar um lançamento dela oriundo. Por fim, requer que o crédito tributário exigido seja cancelado. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 10. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Do Arbitramento do Lucro 11. Inicialmente, cumpre consignar que a adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigo 530 do Regulamento de Imposto de Renda): Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10872.720198/201792 Acórdão n.º 1201002.669 S1C2T1 Fl. 6 5 “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. (grifos nossos) Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único)”. (grifos nossos) Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10872.720198/201792 Acórdão n.º 1201002.669 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Conforme relatado, apesar de ser devidamente intimada, a contribuinte não entregou a documentação comercial e fiscal solicitada, o que ensejou a apuração do lucro com base nos critérios do lucro arbitrado, dispostos no artigo 530, inciso III, do RIR/99. 13. Em análise dos autos, considero que a fiscalização aplicou corretamente o arbitramento do lucro, diante do desconhecimento da receita bruta, para os créditos tributários do anocalendário de 2013. 14. Diferente do que foi alegado pela Recorrente, o arbitramento não foi realizado em face de uma omissão de receitas, mas sim por ser a única forma possível diante da não apresentação de documentos. Nesse sentido, considero irreparáveis as razões expostas no voto condutor da r. decisão da DRJ, verbis: “Primeiramente o contribuinte parece ter entendido que o lançamento teria sido por presunção, que teria havido omissão de compras. Na verdade como explanado a apuração do lucro da contribuinte foi baseado no arbitramento previsto no art. 530 do RIR (art. art. 47 da Lei no 8.981, de 1995) cominado com o art. 535 do RIR (art. 51 da Lei no 8.981, de 1995), e não na presunção de compras do art. 40 do RIR/99. Dessa forma, aqui não há nenhuma presunção. A base de cálculo para a apuração do Imposto de Renda e da CSLL foi escolhida pela Autoridade fiscal baseada na SPEDNF, excluídas as notas fiscais canceladas. A impugnante tenta demonstrar que não teria pagado todas aquelas notas fiscais, este argumento não se presta no caso de arbitramento, mas sim se houvesse a presunção de omissão de receitas, conforme já explanado. A impugnante poderia questionar uma nota cancelada ou outra que não tivesse sido considerada, contudo, isso ela não fez. Na verdade, a fiscalização afirmou que excluiu as notas fiscais canceladas. Quanto a valores de compras por ventura constates na DIPJ, como dito antes, seriam de grande valia se houvesse uma presunção de omissão de receitas, coisa que não ocorre nestes autos. Pois nesse caso aquelas compras não teriam sido omitidas. Novamente afirmase que no caso dos autos não há omissão de compras (omissão de pagamentos), mas apenas apuração da base de cálculo para fins de apuração dos tributos (Inciso V do art. 535 do RIR/99). Inclusive o fato de ter pagado ou não ter pagado as notas é completamente irrelevante, pois se a contribuinte deve estas notas ou não, isso não afeta a apuração de sua base de cálculo”. 15. Para que não restem dúvidas, em se tratando de arbitramento do lucro, as alegações de ausência de comprovação de pagamento das aquisições e de equívoco no cálculo de compras omitidas não são relevantes para a presente autuação. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10872.720198/201792 Acórdão n.º 1201002.669 S1C2T1 Fl. 8 7 16. Quanto à eleição da base de cálculo, a Recorrente contesta a opção feita pela fiscalização em razão desta não ser a menos gravosa à contribuinte. Entretanto, conforme a Súmula CARF nº 97, cabe à fiscalização a escolha de qualquer uma das alternativas quando não conhecida a receita bruta, verbis: SÚMULA CARF Nº 97: O arbitramento do lucro em procedimento de ofício pode ser efetuado mediante a utilização de qualquer uma das alternativas de cálculo enumeradas no art. 51 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, quando não conhecida a receita bruta. 17. Vejam que, a jurisprudência colacionada pela ora Recorrente em nada ajuda, pois referese à omissão de compras/pagamentos (artigo 40, da Lei nº 9.430/1996). 18. De outra parte, a contribuinte sustenta que a aplicação do artigo 6º, da Lei 8.021/1990, o beneficiaria, mas tal dispositivo nada tem a ver com o arbitramento aqui discutido (constante do artigo 530 e seguintes do RIR/99). 19. Por fim, a ora Recorrente apresenta memorais na sessão de julgamento e acrescenta, intempestivamente, o seguinte argumento: "E se a receita não é desconhecida, o arbitramento deve ser feito não com base no artigo 535, mas com base no artigo 532". 20. Notese que, tal argumento não muda em nada o racional, as premissas e a razão de decidir trabalhadas no presente julgado. 21. Diante do exposto, afasto as alegações da Recorrente por considerar que o arbitramento e a eleição da base de cálculo foram realizados nos termos da lei. II. Da Exoneração dos Valores Pagos 22. Outro ponto enfrentado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário é a suposta desconsideração, por parte da fiscalização, dos valores recolhidos a título de IRPJ e CSLL declarados em DIPJ. 23. Cumpre ressaltar que, a DIPJ não é instrumento hábil para demonstrar quais valores foram recolhidos, mas sim apontar os valores apurados. Ainda assim, a fiscalização poderia ter cuidado de verificar a existência ou não dos recolhimentos constantes da DIPJ. 24. Em virtude da inércia das autoridades fiscal e julgadora, a Recorrente apresentou, em sede de Recurso Voluntário, os DARFs relativos aos recolhimentos de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2013 (fls. 418/432), conforme planilha abaixo: DARF (Nº do Documento) CONTRIBUIÇÃO Fls. Data de Arrecadação Período Apuração Valor 10134104513770197 CSLL DEMAIS 418 30/04/2013 31/03/2013 R$ 5.442,44 10134104534324456 CSLL DEMAIS 419 31/05/2013 31/03/2013 R$ 5.496,86 10134104554362997 CSLL DEMAIS 420 28/06/2013 31/03/2013 R$ 5.529,51 10134104577453349 CSLL DEMAIS 421 31/07/2013 30/06/2013 R$ 8.308,73 10123705694277685 CSLL DEMAIS 422 30/08/2013 30/06/2013 R$ 8.391,81 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10872.720198/201792 Acórdão n.º 1201002.669 S1C2T1 Fl. 9 8 10134104620423651 CSLL DEMAIS 423 30/09/2013 30/06/2013 R$ 8.450,80 10123705851329477 CSLL DEMAIS 424 31/01/2014 31/12/2013 R$ 8.520,54 10134104726280107 CSLL DEMAIS 425 28/02/2014 31/12/2013 R$ 8.605,74 10134104745307982 CSLL DEMAIS 426 31/03/2014 31/12/2013 R$ 8.673,05 TOTAL R$ 67.419,48 DARF (Nº do Documento) IMPOSTO Fls. Data de Arrecadação Período Apuração Valor 10134104577453352 IRPJ Lucro Presumido 427 30/07/2013 30/06/2013 R$ 16.760,96 10123705694277686 IRPJ Lucro Presumido 428 30/08/2013 30/06/2013 R$ 16.928,56 10134104620423654 IRPJ Lucro Presumido 429 30/09/2013 30/06/2013 R$ 17.047,57 10123705851329473 IRPJ Lucro Presumido 430 31/01/2014 31/12/2013 R$ 17.904,41 10134104726280109 IRPJ Lucro Presumido 431 28/02/2014 31/12/2013 R$ 18.083,45 10134104745307985 IRPJ Lucro Presumido 432 31/03/2014 31/12/2013 R$ 18.224,89 TOTAL R$ 104.949,84 25. Diante das provas acostadas aos autos, constato que foram atendidas as condições necessárias para comprovar o recolhimento do IRPJ e da CSLL. Portanto, acolho parcialmente o pedido da Recorrente para descontar/exonerar os montantes de R$ 104.949,84, relativo ao IRPJ e de R$ 67.419.48, relativo à CSLL. III. Lançamento Reflexo de CSLL 26. Ao auto de infração relativos à CSLL aplicouse o quanto delineado no voto relativo ao IRPJ, o que coaduna com a jurisprudência desse Egrégio Conselho. 27. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Conclusão 28. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para deduzir do crédito tributário exigido os valores recolhidos correspondentes aos DARFs de fls. 418/432, relacionados no item 24. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 483DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675282/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.568
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifeste-se, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifestese, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 28 2/ 20 09 -3 5 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.675282/200935 Resolução nº 3401001.568 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido A DERAT São Paulo proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Irresignada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob os seguintes argumentos: (i) que cometeu equivoco no preenchimento do PER/DCOMP, que o crédito é oriundo de recolhimento indevido de PIS e COFINS, conforme demonstrado no DACON, repete que o crédito efetivamente existe e é suficiente para quitar os débitos compensados; (ii) que conforme planilha que anexa, verificase facilmente que o crédito a que a empresa teria direito é bastante superior ao valor das compensações realizadas; (iii) que a SRFB possui diversos documentos para comprovar se os créditos existem e caso considere insuficientes, pode ainda baixar o presente processo em diligência para que tal comprovação seja feita através de análise mais minuciosa; (iv) apela para o princípio da verdade material, por tratarse de atividade humana, tanto o preenchimento de declarações quanto o ato de lançamento estão sujeitos a erros e equívocos e que nesse contexto, é natural que se cogite uma revisão da glosa da compensação com o objetivo de afastar cobrança indevida; (v) requer que após realização de diligência seja declarada homologada a compensação realizada, cancelando se a cobrança do tributo, de juros e de multa; (vi) ao final, por economia processual, requer ainda, que sejam julgados conjuntamente diversos processos que relaciona. Em Primeiro Grau a DRJ/SP1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.075. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, sustentando que o crédito teve origem em levantamento contábil das receitas auferidas e de nova apuração das contribuições devidas, considerando que suas receitas se submetem a tributação tanto no regime cumulativo quanto no não cumulativo; que por um mero equivoco na interpretação da legislação atinente a PIS/COFINS, a Recorrente entendia que todas as receitas por ela auferidas deveriam estar sujeitas à sistemática cumulativa, que assim foram declaradas em DCTF e quitadas via DARF.; que retificou o DACON; que a falta de DCTF retificadora não tem o condão de legitimar a cobrança de tributo, levandose em consideração toda a documentação disponibilizada ao Fisco, vindo ao encontro da jurisprudência do CARF sobre o assunto; apela novamente para o princípio da verdade material e a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.675282/200935 Resolução nº 3401001.568 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.559, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.675272/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.559 "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A manifestação inicial da interessada envolve em suas razões de defesa todo o período do levantamento de crédito a ser ressarcido e passível de compensação, composto por uma série de processos, requerendo inclusive, o ajuntamento dos mesmos para que sejam julgados de forma unificada. Diante da negativa colocada pela DRJ/SP1 para julgamento único, por se tratar de créditos envolvendo períodos de apuração distintos, passa então, a Recorrente, em seu recurso, a tratar do crédito pleiteado para o período de apuração 05/2004, destacandose os seguintes pontos: que a atividade explorada pela Recorrente é diversificada, conforme se depreende da cópia do Contrato Social anexada aos autos e tem por atividade empresarial, precipuamente, o desenvolvimento e a exploração do ramo de hotelaria, restaurantes e bares, o desenvolvimento de empreendimentos turísticos em geral, incluída a área de convenções e a prestação de serviços relativos a área de alimentação, bebidas, incluindo banquetes e serviços correlatos, entre outras atividades; que as receitas auferidas com a prestação de serviços de hotelaria permanecem submetidas a apuração cumulativa do PIS, nos moldes da Lei nº 9.718/1998, sob a alíquota de 0,65% e todas as demais receitas estão submetidas ao regime não cumulativo com incidência do PIS sob a alíquota de 1,65%; que toda a segregação de valores das receitas auferidas no mês de maio de 2004, com identificação de sua natureza estão detalhadas no Livro Razão Analítico (anexo), além de ter sido alteradas no DACON retificador, também trazido aos autos; reconhece não ter observado o prazo de 5(cinco) anos para retificar informações declaradas em DCTF, mas todos os dados e informações pertinentes podem ser conferidos pela documentação trazida aos autos (Livro Razão Analítico, Balancete, DACON retificador e planilha de controle de impostos; Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.675282/200935 Resolução nº 3401001.568 S3C4T1 Fl. 5 4 O que se depreende dos fatos aqui discutidos, são questões de procedimento de atribuição da contribuinte, quanto a correta apuração da Contribuição devida ao PIS/PASEP do período de apuração 05/2004. Inicialmente a Recorrente, conforme manifestação expressa, havia submetido a totalidade de seu faturamento do período mencionado (05/20054), a sistemática cumulativa (código 8109), quando parte desse faturamento estava sujeito a sistemática não cumulativa. O cálculo de incidência cumulativa deveria atingir somente a receita de serviços de hotelaria, conforme previsto na Lei 10.833/2003, art. 10, XXI e as demais receitas ficariam sujeitas a incidência não cumulativa, a teor do art.15, V,.da mesma lei. A princípio, as provas carreadas aos autos dão conta do que está sendo sustentado pela Recorrente, inclusive, com relação a ausência de DCTF retificadora. Eventuais erros de conduta formal do contribuinte não lhe retiram o direito ao princípio da busca pela verdade material no processo administrativo e da busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Casos semelhantes e recorrentes transitam pelo CARF, cujos julgados nos fornecem diretrizes de procedimento, como se colhe da decisão em destaque: Portanto, erro de preenchimento de DCTF não retira o direito ao crédito quando há outros elementos de prova que podem ser alcançadas em busca da verdade material no processo administrativo tributário. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração Maio/2004, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.675282/200935 Resolução nº 3401001.568 S3C4T1 Fl. 6 5 Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP nº 23370.59930.200206.1.3.040283 e promover a compensação de débitos na forma requerida; Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração em referência, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; · Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP em apreço e promover a compensação de débitos na forma requerida; · Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.902847/2016-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.902847/201684 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.764 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 28 47 /2 01 6- 84 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.154 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11020.902847/201684 Acórdão n.º 3402005.764 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905330/2015-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 30 /2 01 5- 66 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.164 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.905330/201566 Acórdão n.º 3402005.774 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003170/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001
EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO PROVIMENTO.
Se a própria Fiscalização, em diligências demandadas pela DRJ, reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorrida que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício.
DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS REFIS. RESTABELECIMENTO DA DESPESA GLOSADA.
Constatado, em diligências demandadas pelo CARF, que os débitos dos processos administrativos de fls.542 foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros então glosados, contabilizados pelo contribuinte em julho/2001, reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados, de se restabelecer a dedutibilidade de sua despesa. Diligências posteriores conduziram em outras direções, todas no sentido de manter a glosa em questão, por meio da realização de procedimentos fiscalizatórios acrescentando novos ingredientes não aventados na autuação, além de trazer motivações distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal, situação que não se pode concordar.
Apesar das oportunidades para os devidos esclarecimentos, o fato é que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2001
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação.
CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. INDEDUTÍVEL.
Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De se reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores.
Numero da decisão: 1401-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) negar provimento ao recurso de ofício e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas financeiras (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante à falta de adição das multas por infrações fiscais na base de cálculo da CSLL, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO PROVIMENTO. Se a própria Fiscalização, em diligências demandadas pela DRJ, reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorrida que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício. DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS REFIS. RESTABELECIMENTO DA DESPESA GLOSADA. Constatado, em diligências demandadas pelo CARF, que os débitos dos processos administrativos de fls.542 foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros então glosados, contabilizados pelo contribuinte em julho/2001, reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados, de se restabelecer a dedutibilidade de sua despesa. Diligências posteriores conduziram em outras direções, todas no sentido de manter a glosa em questão, por meio da realização de procedimentos fiscalizatórios acrescentando novos ingredientes não aventados na autuação, além de trazer motivações distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal, situação que não se pode concordar. Apesar das oportunidades para os devidos esclarecimentos, o fato é que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2001 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação. CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. INDEDUTÍVEL. Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De se reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) negar provimento ao recurso de ofício e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas financeiras (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante à falta de adição das multas por infrações fiscais na base de cálculo da CSLL, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado).
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO PROVIMENTO. Se a própria Fiscalização, em diligências demandadas pela DRJ, reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorrida que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício. DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS REFIS. RESTABELECIMENTO DA DESPESA GLOSADA. Constatado, em diligências demandadas pelo CARF, que os débitos dos processos administrativos de fls.542 foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros então glosados, contabilizados pelo contribuinte em julho/2001, reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados, de se restabelecer a dedutibilidade de sua despesa. Diligências posteriores conduziram em outras direções, todas no sentido de manter a glosa em questão, por meio da realização de procedimentos fiscalizatórios acrescentando novos ingredientes não aventados na autuação, além de trazer motivações distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal, situação que não se pode concordar. Apesar das oportunidades para os devidos esclarecimentos, o fato é que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2001 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 70 /2 00 6- 78 Fl. 4096DF CARF MF 2 Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação. CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. INDEDUTÍVEL. Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De se reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) negar provimento ao recurso de ofício e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas financeiras (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante à falta de adição das multas por infrações fiscais na base de cálculo da CSLL, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado). Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte dirigida contra os Autos de Infração, os quais lhe exigiram Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ na importância de R$ 4.674.563,11 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, na importância de R$ 1.952.866,54, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. Dos Autos de Infração IRPJ Fl. 4097DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.097 3 001 GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS Despesas financeiras contabilizadas a maior, gerando, em consequencia, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 13.962.233,84 75% Enquadramento Legal Arts,251, e parágrafo único, 299 e parágrafos 1º e 2º, e 374, inciso I do RIR/99. 002 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. Excesso de diferimento de lucro na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, referente a contratos com entidades governamentais, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.736.018,61 75% Enquadramento Legal Arts.249, inciso II, 299 e 409, inciso II do RIR/99. CSLL 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Despesas financeiras contabilizadas a maior, gerando, em consequencia, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 13.962.233,84 75% FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Excesso de diferimento de lucro na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, referente a contratos com entidades governamentais, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.736.018,61 75% Fl. 4098DF CARF MF 4 002 CSLL REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL Redução indevida do Lucro Líquido sem o devido ajuste, na apuração da base de cálculo da CSLL, resultando em apuração a menor da contribuição social sobre o lucro líquido, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 3.000.264,71 75% Por bem descrever a autuação e a matéria impugnada, reportome ao relatório da decisão recorrida: Relatório 1. A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, cuja exigência fiscal totalizou R$ 17.107.384,11, incluindo multa e juros calculados até 31/11/2006 (fls. 179/187 as folhas dos autos mencionadas neste relatório e no voto se referem à numeração do processo em papel). 2. Consta do Termo de Constatação Fiscal de fls. 169/174 que a contribuinte incorreu na inobservância da legislação tributária, conforme segue: • Excesso de diferimento do lucro – parcela de lucro foi diferida em montante proporcionalmente superior à receita não recebida até a data do encerramento do balanço. O excesso de lucro diferido se refere às seguintes obras: CENTRO DE CUSTO OBRA 01192031 Anel Viário Mogi das Cruzes SP 01196098 Cons. Parque Novo Mundo 01198034 Ampliação Aeroporto Dois de Julho 01198045 Vale do Reginaldo 01199071 Estrada do Coco 01200968 Infra Carapicuíba • Excesso de despesas financeiras – as despesas de juros concernentes ao parcelamento no âmbito do REFIS excedeu ao valor efetivamente devido. • Multa por infração fiscal – o valor de multa indedutível não foi adicionada na base de cálculo da CSLL. 3. As disposições legais encontramse citadas nos atos administrativos mencionados acima. Fl. 4099DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.098 5 4. Em 28/12/2006, a interessada tomou ciência dos autos de infração e, em 24/01/2007, apresentou defesa (fls. 193/248), resumidamente, • A IN SRF 21/1997 é aplicável à apuração de resultado nos contratos de construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, hipótese a qual se sujeita a impugnante. • Independentemente da contratação da obra ocorrer ou não com pessoa jurídica de direito público, todo e qualquer contribuinte que desenvolva atividade de construção civil na modalidade de empreitada ou fornecimento de bens e serviços por preço predeterminado, com execução superior a doze meses, deve reconhecer seu resultado com base no progresso da obra ou serviço. O critério adotado pela impugnante obedeceu exatamente o estabelecido pela legislação vigente. • O mesmo ocorre em relação ao diferimento do lucro previsto no artigo 409 do RIR/1999, ratificado pelo item 10.5 da IN SRF 21/1997. • Relativamente à obra de ampliação do Aeroporto 02 de Julho, foram emitidas as notas fiscais de fls. 360/372, cuja receita não foi recebida no anocalendário de 2001, como se pode verificar pelo Razão. • Assim, como se pode comprovar, a parcela calculada pela Impugnante como lucro diferido do exercício de 2001 corresponde exatamente à hipótese prevista no artigo 409 do RIR/99, razão pela qual não deve prosperar a autuação atribuída pela Fiscalização à Impugnante. • Em relação aos serviços executados na Estrada do Coco, do total das receitas registradas no exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante correspondente a R$ 2.111.351,86, sendo que o valor de R$ 1.583.225,12 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • Quanto ao Anel Viário Mogi das Cruzes, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 9.423.804,85, sendo que o valor de R$ 2.114.325,56 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • No que concerne à obra Vale do Reginaldo, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante correspondente a R$ 2.323.873,07, sendo que o valor de R$ 550.789,47 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. Fl. 4100DF CARF MF 6 • Relativamente à Infra Carapicuíba, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 6.345.444,18, sendo que o valor de R$ 192.774,93 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • No que tange à obra Cons. Parque Novo Mundo, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 169.652,56, sendo que o valor de R$ 63.110,75 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • Assim, como se pode comprovar, a parcela calculada pela Impugnante como lucro diferido do exercício de 2001 corresponde exatamente à hipótese prevista no artigo 409 do RIR/99, razão pela qual não deve prosperar a autuação atribuída pela Fiscalização à Impugnante. • Fato é que a Fiscalização, ao efetuar seu trabalho, adotou critério equivocado para o cálculo do valor diferido, furtandose à análise dos documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados pela Impugnante. • Resta claro que não existe qualquer excesso de diferimento em relação ao lucro decorrente de contratos celebrados com pessoas jurídicas de direito público no exercício de 2001, razão pela qual deve ser cancelada a infração ora impugnada. • No que concerne ao excesso de despesas financeiras, a Fiscalização alega que os juros incidentes sobre o saldo consolidado em sua conta de REFIS poderia ser, no máximo, correspondente ao saldo por ela apurado. • Assiste razão à fiscalização quando considera as despesas financeiras relativas à variação da TJLP. Contudo, esta se equivocou justamente ao tentar ajustar o saldo em função dos eventos de acréscimos e decréscimos de dívidas que ocorreram na conta de REFIS da Impugnante. • Primeiramente, tais acréscimos ou decréscimos de dívida, quando inseridos no saldo da conta, já o são pelo valor final, considerandose todos os eventos ocorridos entre a data de adesão ao REFIS e a data de ocorrência do próprio evento. • Assim, não seria necessário o ajuste efetuado pela fiscalização quanto ao estorno da parcela da TJLP apropriada entre o início do exercício e a data do evento, uma vez que o próprio saldo acrescido ou decrescido à conta já considera essa variação. • Contudo, este não foi o pior equívoco cometido pela Fiscalização. No acréscimo de dívida realizado na conta de Fl. 4101DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.099 7 REFIS da Impugnante, em julho de 2001, no montante de R$ 19.254.413,35, há parcela de juros ali embutida. • O Razão Contábil apresentado à Fiscalização (Anexo 09), considera o valor correspondente à variação dos juros SELIC verificados em função do acréscimo de dívida, bem como toda a variação da TJLP verificada no saldo da conta de REFIS. • Assim, a diferença verificada pela Fiscalização e por ela glosada, nada mais é do que a variação dos juros SELIC e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo ocorrido em julho de 2001. • Se os juros SELIC não receberem a característica de juros, mas sim de parcela principal de dívida (o que de fato não ocorre), estaríamos diante de uma despesa efetivamente incorrida no exercício, e, como tal, sua dedutibilidade se daria em função dos requisitos de normalidade, necessidade e usualidade previstos no artigo 299 do RIR/1999. • No tocante às multas por infração fiscal, é mister ressaltar que não há qualquer norma, geral e abstrata, que vede a sua dedução, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. • A norma inserta no artigo 41, da Lei n° 8.981/95, aplicase exclusivamente à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não sendo aplicável, portanto, à CSLL. • Em razão das alegações e provas alinhadas até aqui, que demonstram claramente a ausência de liquidez e certeza à autuação requisitos essenciais ao ato de lançamento, requerse o cancelamento da presente autuação a fim de evitarse futura inscrição indevida em dívida ativa. • Considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora. • Requerse, portanto, o cancelamento dos autos de infração. 5. Em 21/06/2007, o processo foi encaminhado DEFIS/SPO/DIPAC (fls.562/564), para realização de diligência nos livros e documentos contábeis e fiscais da interessada, com vistas à verificação do exato montante das receitas apropriadas ao resultado no anocalendário de 2001 que não foram recebidas no período e qual a parcela do lucro passível de diferimento, nos termos do artigo 409, I, do RIR/1999. Fl. 4102DF CARF MF 8 6. Efetuada a diligência, a fiscalização lavrou o Termo de Instrução Processual de fls. 575/576 e elaborou novos Anexos 2 e 3 (fls. 577/578), para neles consignar suas conclusões. 7. A interessada manifestou sua concordância com os cálculos realizados pela autoridade diligenciadora (fls. 579/582). No voto condutor da DRJ, foi mantido em parte o crédito tributário, sendo a parcela exonerada objeto de recurso de ofício. As infrações e seus desdobramentos, impugnação, diligências e recurso voluntário, serão a seguir detalhadas e analisadas. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Do excesso do lucro diferido Conforme relatoriado, esta suposta infração, em face das alegações da Contribuinte, foi objeto de diligências demandadas pela DRJ, no intuito de se averiguar "qual a parcela do lucro passível de ser diferido nos termos do artigo 409, I do RIR/99." De se reproduzir a conclusão da unidade diligenciadora, a DEFIS/SPO/DIPAC, transcrita no voto da decisão recorrida: 11. Efetuada a diligência, a fiscalização lavrou o Termo de Instrução Processual de fls. 575/576, do qual se extrai o seguinte: Cabe esclarecer que a fiscalização adotou o método indireto de determinação dos valores recebidos; A escolha do método indireto tinha como objetivo encurtar o tempo de fiscalização e também evitar possíveis transtornos ao contribuinte gerados por este dever de ofício como, por exemplo, a disponibilização de local e funcionário para atendimento à fiscalização, bem como desarquivamento de documentação de 30 (trinta) obras espalhadas pelo Brasil; Ainda, o método indireto traz a vantagem de ser econômico e mais pragmático e tem a mesma natureza de determinação do custo de mercadoria em empresa comercial, ou seja: Custo Mercadoria Vendida = Estoque inicial do período (ou estoque final do período anterior) + Compras do período estoque final do período Assim, o método indireto não é invenção da fiscalização, mas prática contábil perfeitamente aplicável; Entretanto, após a análise da documentação apresentada pelo impugnante, verificamos que o método indireto de determinação dos valores recebidos, que foi adotado pela fiscalização, não se aplica em sua plenitude, a este contribuinte, por diversas nuanças percebidas na documentação e justificativas apresentadas na fase de impugnação; Fl. 4103DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.100 9 O método indireto constante do Anexo 1 ao Termo de Constatação Fiscal levou em consideração a seguinte equação contábil: Valor recebido = saldo final contas receber em 2000 + valor receitado saldo final contas receber em 2001 Tendo, o Anexo 1, relação direta com os Anexos 2 e 3, os mesmos foram prejudicados pelo primeiro acarretando apuração incorreta do valor tributável; Desta forma, desconsiderando o Anexo 1, foram refeitos, com base na documentação apresentada na fase de impugnação, o Anexo 2 e o Anexo 3 ao Termo de Constatação Fiscal compreendendo, tais anexos, parte integrante do presente Termo de Instrução Processual; Assim, o Anexo 1 ao Termo de Constatação Fiscal deve ser desconsiderado, e os Anexos 2 e 3, substituídos pelos integrantes a este Termo de Instrução Processual; 12. Os novos Anexos 2 e 3, mencionados acima, encontramse acostados aos autos às fls. 577/578. De acordo com esse último levantamento efetuado, não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras. Cumpre reproduzir os dados contidos no Anexo 3:[...] 13. Uma vez que, após efetuada diligência, foi constatado que o lucro diferido pela empresa era proporcional à receita de obras não recebida até a data do balanço de encerramento, compete exonerar a impugnante desta imposição fiscal. Assim, se a própria Fiscalização reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorria que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício. Glosa de Despesas Financeiras Vejamos, desde o início, os procedimentos que motivaram a autuação. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls.99 Volume 1), a Contribuinte apresentou, dente outras solicitações, seu razão da conta JUROS REFIS, período de 01/01 a 31/12/2001, onde apontou um saldo de R$ 28.420.398,44 (fls.104), enquanto que a fiscalização teria apurado a importância de R$ 14.458.164,60, tendo glosado a diferença, então de R$ 13.962.233,84, matéria tributável que ora se discute. A autoridade fiscal teria constatado que os juros em questão (REFIS) estavam registrados por valor diferente ao contabilizado pelo Contribuinte, conforme registrado no Sistema REFIS, da SRF, (itens 28 e 29 do Termo Fiscal). Que em 31/12/2000 o saldo do principal era de R$ 161.077.750,16, que, após deduzidas amortizações pelos pagamentos efetuados em 2001, "correram juros calculados pela TJLP, no referido ano" que foram da ordem de R$ 14.256.864,98 (tabela no item 29). Fl. 4104DF CARF MF 10 Ainda, a Fiscalização procedeu a outros ajustes na conta, perfazendo o montante final apurado, de despesas com juros, da ordem de R$ 14.458.164,60 (item 31). Destaquese aqui que o valor contabilizado na conta JUROS REFIS, da ordem de R$ 11.427.579,01 com o histórico VLR REF JUROS INCLUSÃO NO REFIS DE IMPOSTOS NÃO CONSTITUÍDO ATUALIZADO ATÉ 31/03/2000, não se tem explicação de porque de sua não aceitação por parte da Fiscalização. Do Termo de Constatação Fiscal (fls.169 a 32. Ora, conforme já salientado no item 25 deste termo, o contribuinte contabilizou despesa de juros do referido programa, escriturados na conta 5320204 JUROS REFIS, cujo valor total, no anocalendário de 2001, importou em R$ 28.420.398,44, incorrendo, assim, em excesso de despesas financeiras de 28.420.398,44 14.458.164,60 = R$ 13.962.233,84, deduzido na linha 36, da Ficha 06A, da DIPJ 2002, que será neste momento glosada por esta fiscalização; DA IMPUGNAÇÃO II.2. Do Suposto excesso na Dedução de Despesas Financeiras (Juros recolhidos no âmbito do REFIS) Pois bem. No que concerne ao REFIS, os valores consolidados no exercício de 2000 seriam os seguintes: Principal R$ 161.077.750,16 Juros TJLP R$ 12.484.081,53 Total R$ 173.561.831,69 Nas palavras da Fiscalização, conforme consta no próprio TCF, sobre o valor do principal consolidado, subtraindose as amortizações relativas aos pagamentos realizados no exercício de 2001, teriam sido verificados juros calculados com base na variação da Taxa de Juros de Longo Prazo ("TJLP"), que totalizariam R$ 14.256.864,98 (catorze milhões, duzentos e cinqüenta e seis mil, oitocentos e sessenta e quatro reais e noventa e oito centavos). [...] Assim, segundo a Fiscalização, a despesa financeira incorrida com a Impugnante em razão dos juros incidentes sobre o saldo consolidado em sua respectiva conta REFIS, poderia ser, no máximo, correspondente ao saldo por ela apurado. [...] De fato, assiste razão à fiscalização quando considera as despesas financeiras relativas à variação da TJLP. Contudo, esta equivocouse justamente ao tentar ajustar o saldo em função dos eventos de acréscimos e decréscimos de dívidas que ocorreram na conta REFIS da Impugnante. Isto porque, primeiramente, tais acréscimos ou decréscimos de dívida, quando inseridos no saldo da conta, já o são pelo valor Fl. 4105DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.101 11 final, considerandose todos os eventos ocorridos entre a data de adesão ao REFIS e a data de ocorrência do próprio evento. [...] Contudo, este não foi o pior equívoco cometido pela Fiscalização. Ao analisar os eventos de acréscimo e decréscimo de dívida, constatados e considerados no AIIM, a Autoridade Fiscal, furtouse à análise do que ali era considerado. Se isto não tivesse acontecido, teria constatado a fiscalização que no acréscimo de dívida realizado pela própria SRF, na conta REFIS da Impugnante, em julho de 2001, no montante de R$ 19.254.413,35 (dezenove milhões, duzentos e cinqüenta e quatro mil, quatrocentos e treze reais e trinta e cinco centavos), há parcela de juros ali embutida. [...] Este valor, incluído no saldo REFIS pela SRF, é decorrente processos administrativos existentes em nome da Impugnante, versando sobre tributos diferentes (IRPJ, CSLL, IRRF e PIS), cuja composição em função do processo administrativo existente pode ser verificado na tabela constante do Anexo 11, contemplando ainda os demonstrativos dos débitos consolidados no âmbito do REFIS para cada um dos processos administrativos. De qualquer forma, a composição geral do saldo relativo ao acréscimo efetuado é a seguinte: Descrição Valor R$ Principal 5.174.017,19 Multa 2.727.826,21 Juros 11.427.579,01 Total 19.329.425,41 Aqui se evidencia ainda mais o equívoco cometido pela fiscalização. Isto porque, os juros constantes da tabela acima, correspondem justamente à variação da Taxa SELIC ocorrida no período compreendido entre o fato gerador e a adesão ao REFIS, montante este, que em nenhuma hipótese, perde a característica de despesa com pagamento de juros. Assim, é evidente que o valor do acréscimo ocorrido contempla além do principal e multa, a variação dos juros SELIC, independentemente, da variação da TJLP verificada a partir da adesão. Desta forma, o razão contábil apresentado à Fiscalização (Anexo 09 já citado), considera o valor correspondente à Fl. 4106DF CARF MF 12 variação dos juros SELIC verificados em função do acréscimo de dívida, bem como toda a variação da TJLP verificada no saldo da conta REFIS. Assim, a diferença verificada pela Fiscalização e por ela glosada, nada mais é do que a variação dos juros SELIC e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo ocorrido em julho de 2001, cuja composição se pode aqui verificar: Descrição Valor R$ Juros SELIC sobre valor não constituído 11.427.579,01 Atualização abr/00 até jan/01 1.658.351,02 Atualização fev/01 até jun/01 750.062,75 Ajuste referente amortização principal 3.566,76 TOTAL 13.839.559,76 Desta forma, fica aqui evidenciada que a diferença glosada pela fiscalização, nada mais é do que a despesa financeira ocorrida com a consideração dos juros SELIC incidentes sobre o valor acrescido à dívida da Impugnante no REFIS, razão pela qual deve ser cancelada a autuação atribuída à Impugnante. [...] Mais uma vez se verifica o descabimento da autuação atribuída a Impugnante. Mais do que isso, podese constatar que o processo de fiscalização e os métodos adotados para as conclusões apresentadas foram baseados no critério menos trabalhoso, sem o cuidado necessário que o D. Agente Fiscal deveria ter em relação ao seu trabalho. Se a fiscalização tivesse observado a descrição existente no razão contábil, bem como analisado o próprio extrato da conta REFIS por ela mencionado de maneira adequada, poderia ter constatado a natureza do acréscimo de dívida ocorrido, evitando assim, constranger a Impugnante a se defender de tão descabida autuação. DO ACÓRDÃO DRJ 18. Argumenta a interessada, contudo, que os juros glosados corresponderiam à variação da Taxa SELIC do período compreendido entre o fato gerador e a adesão ao REFIS e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo da dívida realizado na conta de REFIS da Impugnante, ocorrido em julho de 2001. Esse acréscimo corresponderia a seus débitos tributários constituídos por meio de processos administrativos que versam sobre IRPJ, CSLL, IRRF e PIS. Os documentos que comprovariam suas alegações foram acostados às fls.527/554. Fl. 4107DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.102 13 19. No demonstrativo de fl. 534, a empresa informa que parte dos juros teria sido gerada em decorrência dos lançamentos de IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, constituídos mediante os Processos nºs 10.580.003.403/9660 e 10.580.003.491/9627. Quanto aos juros restantes, seriam incidentes do IRRF formalizado por meio dos Processos nºs10.120.451.706/200112, 10.235.450.084/200118, 10.245.450.122/200113, 10.280.450.396/200186, 10.580.451.012/200168 e 10.980.450.926/200107. 20. Contudo, consultandose a última declaração concernente ao REFIS entregue pela contribuinte (nº 0510100.2001.000791 – anexada ao volume “Espelho da Declaração Processada), transmitida em 09/02/2001, não se constata que esses débitos tenham sido nela relacionados. 21. E embora a interessada tenha carreado aos autos as telas de fls. 535/554, não há comprovação de quando tais débitos teriam sido incluídos no referido programa de recuperação fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO II DA COMPROVAÇÃO DO SALDO DE DESPESAS FINANCEIRAS R$ 13.962.233,84 [...] Contudo, a despeito do entendimento firmado pela Turma Julgadora, os juros no total de R$ 28.420.398,44 são justificados e plenamente dedutíveis do lucro líquido da Recorrente. É o que se passará a demonstrar. II.1 DO SALDO DE JUROS SELIC NO TOTAL DE R$ 11.427.579,01 A Recorrente comprovou na peça impugnatória que parte dos juros registrados na conta sob a rubrica "JUROSREFIS" decorre da incidência da taxa SELIC sobre os créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS formalizados nos processos administrativos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 sobre o IR/Fonte formalizado nos Processos nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118, 10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107. Com efeito, para demonstrar a plena dedutibilidade do montante de juros incidentes sobre os créditos tributários exigidos por intermédio dos processos acima enumerados, no valor de R$ 11.427.579,01, a Recorrente anexou aos autos os demonstrativos dos débitos consolidados no REFIS (documentos acostados na impugnação e que novamente se apresenta) [...] Fl. 4108DF CARF MF 14 Cita e transcreve a legislação aplicável ao REFIS, a qual permite que a RFB inclua de ofício "todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica" (parágrafo 3º do art.2º da Lei 9.964/2000, mencionando também a IN SRF 043/2000 que instituiu a Declaração REFIS, onde arremata que "...muito embora a adesão ao REFIS fosse uma opção do contribuinte, uma vez exercida essa opção, a Receita Federal tinha a autorização para incluir a totalidade dos débitos conhecidos do referido contribuinte no parcelamento, constituídos ou não." DILIGÊNCIAS I Por força desta linha de argumentação, foram demandadas diligências pela 1ª Turma, 4ª Câmara, por meio da RESOLUÇÃO CARF 08 DE AGOSTO DE 2012, a qual assim se posicionou: Para provar o alegado, acosta aos autos os documentos de fls. 527/554, ou seja telas dos sistemas da Receita Federal que comprovariam que os referidos débitos teriam sido incluídos no referido programa de recuperação fiscal. Quanto ao primeiro aspecto relacionado à apontada contradição, penso que precisa ser melhor investigada, uma vez que as provas trazidas aos autos são de sistemas da própria Receita Federal e indicam a princípio possibilidade de a Recorrente ter razão. [...] Fl. 4109DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.103 15 Caso a assertiva acima se mostre verossímil, investigar a origem da diferença apontada pela DRJ. Se for o caso, intimar o contribuinte a demonstrar detalhadamente, mas por amostragem, os lançamentos no Razão (fl. 528), relativos aos juros supostamente incorridos em 2001, que a DRJ afirma que “sequer permitem identificar como foram calculados”. Se for o caso, considerar a possibilidade de ter havido postergação da apropriação de despesas. [...] Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas[...]. [GRIFO DO ORIGINAL] Em atendimento às diligências demandadas, assim se manifestou a unidade diligenciadora: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL [...] Conforme se verifica do demonstrativo denominado "Débitos de tributos e contribuições administrados pela SRF Secretaria da Receita Federal incluídos no REFIS" (fls.869) e do extrato "REFIS, CONSOLIDA, CONSULTA, CONSEVENTO (CONSULTA EVENTOS) (fls.823), os débitos dos processos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) e nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118,10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107 (IRRF) e que constam do demonstrativo de fls. 542 (fls.534 do processo físico), no qual se baseou os ajustes efetuados pelo contribuinte em julho/2001, foram todos incluídos e consolidados na dívida do REFIS. No cotejo dos valores dos juros de cada um desses processos, que totalizam R$ 11.427.579,01, conforme o demonstrado pelo contribuinte às fls.542 (fls.534 do processo físico), com aqueles que constam da base de dados desta RFB, não se constatou divergências. Portanto, em relação ao primeiro quesito do CARF, podese afirmar que os débitos dos processos administrativos de fls.542 (fls.534 do processo físico) foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros de R$ 11.427.579,01, contabilizado pelo contribuinte em julho/2001 reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados. GRIFO É DO RELATOR [...] Além do reconhecimento desta despesas com juros, então alegada pela Recorrente, consta ainda no referido Relatório de Diligencias, em atendimento a outro quesito, uma demonstração feita pela autoridade diligenciadora, por meio de várias tabelas, de que o excesso de juros a serem glosados seria inferior ao da autuação, no caso de R$ 12.860.772,34: Fl. 4110DF CARF MF 16 Quadro 09 Em reais (R$) Juros registrados na conta 5320204 Juros REFIS 28.420.398,44 () Juros TJLP de 2001 considerados no auto de infração 14.458.164,60 (=) Excesso de juros apurado no auto de infração 13.962.233,84 () Juros TJLP do ano de 2000 (postergada para 2001) 1.101.461,50 (=) Excesso de juros apurado nesta diligência fiscal 12.860.772,34 DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE ACERCA DAS DILIGÊNCIAS Em apertada síntese, a Recorrente assim se manifestou, os destaques são do original: Além disso, a Autoridade Fiscal acabou por se contradizer também no que tange às despesas aproveitadas pela Recorrente nos anos de 2000 e 2001 (R$ 28.420.398,44), uma vez que reconheceu expressamente, como demonstrado anteriormente, a regularidade do montante a título de juros SELIC registrado pela Recorrente (R$ 11.427.579,01), entretanto, deixou de considerálos ao apurar o suposto "excesso" de despesas, conforme se verifica do Quadro 09 do Relatório de Diligência Fiscal: Neste termos, não se pode aceitar a análise efetuada pela Autoridade Fiscal no relatório de diligência, na medida em que foi indevidamente mantida a maior parte da glosa de despesas objeto da autuação fiscal, as quais tiveram seu montante devidamente reconhecido, não só por meio dos documentos apresentados pela Recorrente, mas, também, no próprio Relatório de Diligência Fiscal. GRIFO É DO RELATOR DILIGÊNCIAS II Em face desta nítida contradição, foram demandadas novas diligências pela 1ª Turma, 4ª Câmara, por meio da RESOLUÇÃO CARF 01 DE FEVEREIRO DE 2016: Após descrever a manifestação da Recorrente em relação ao Relatório de Diligência Fiscal, concluiu o Relator da 1ª Turma na Resolução: Como se vê, são bastante plausíveis as alegações da Recorrente no sentido de que a fiscalização não foi muito conclusiva em relação ao primeiro quesito, e não infirmando a sua alegação de a diferença lançada seria justamente "a dedutibilidade das despesas decorrentes dos juros calculados à taxa SELIC até março/00 (R$ 11.427.579,01), e TJLP (R$ 2.408.413,77)", uma vez que, segundo ela, refletiriam a atualização de débitos incluídos no REFIS pela SRFB em 2001, correspondentes aos processos administrativos anteriormente mencionados e que tais Fl. 4111DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.104 17 valores não haviam sido contabilizados no momento da opção ao REFIS, anocalendário de 2000. Nesse contexto, o julgamento deve ser novamente convertido em diligência para averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarrazões ao retorno de diligência (fls. 3625/3660), não se esquecendo também de verificar se esse ajuste de atualização já não havia mesmo sido contabilizado anteriormente pela Recorrente. Relatório da Diligência Fiscal Após descrever os procedimentos efetuados, desde a autuação, Resolução do CARF, manifestações da Recorrente e a nova Resolução do CARF, assim se pronunciou a autoridade diligenciadora, em resumo: O contribuinte, inconformado com o resultado da Diligência Fiscal apresentou contrarazões (efls.3625/3660) alegando que na diligência não se pronunciou quanto a dedutibilidade dos juros calculados à taxa SELIC até março/00 (R$ 11.427.579,01) e TJLP (R$ 2.408.413,77), uma vez que: (i) refletem a atualização de débitos incluídos no REFIS pela SRFB em 2001, correspondentes aos processos administrativos anteriormente mencionados e (ii) tais valores não haviam sido contabilizados no momento da opção ao REFIS, anocalendário de 2000. [...] Através da Resolução nº 140100.380 da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária de 01 de fevereiro de 2016, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária solicitou nova diligência para "averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarazões, e para "verificar se esse ajuste de atualização já não havia mesmo sido contabilizado anteriormente pela Recorrente." Juros TJLP no valor de R$ 2.408.413,77 [...] Juros SELIC até março/2000 R$ 11.427.579,01 Com relação ao montante de R$ 11.427.579,01, relativos aos processos contabilizados em julho/2001 (efls.542), o contribuinte reitera que esse valor corresponde aos juros calculados até março/2000 e não contabilizado no momento da opção ao REFIS, sendo portanto dedutível nesse ano de 2001. Esse montante corresponde, basicamente, aos juros dos débitos exigidos através dos processos nºs 10580.003491/9627 e 10580.003403/9600. [...] Fl. 4112DF CARF MF 18 No mês de março/2000, mês da adesão ao programa, o contribuinte contabilizou e reconheceu na sua conta do passivo 2262099 REFISPROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL um total de R$ 85.184.842,01 (principal, multa e juros); e no mês de julho/2001, um total de R$ 19.329.425,41, relativo aos débitos dos processos acima, sendo que nesse biênio 2000/2001, foi contabilizado um total R$ 104.514.267,42 de dívidas fazendárias incluídas no programa. [...] Assim, para identificar quais os débitos e os juros que compuseram o total de R$ 85.184.842,01 e verificar se nele já haviam sido incluídos ou não os juros dos processos acima descritos, foi solicitado ao contribuinte através do Termo de Intimação de 26/07/2016 [....]. Esta intimação foi feita pela autoridade diligenciadora e encontrase nos autos às fls.3.758/3.759, onde ali consta : [...] A partir de então, a autoridade diligenciadora envereda por outro caminho, ainda no sentido de se certificar quanto à debatida despesa contabilizada de juros, que já havia sido por ela reconhecida (na Diligência I) nos termos em que apregoado pela Recorrente. Agora, direcionou sua averiguação em outro rumo, no sentido de verificação das rubricas que constam em conta de passivo contábil (Juros a Pagar), ou seja, se neste Fl. 4113DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.105 19 passivo poderia estar contido aquele valor de despesas de juros que inicialmente havia reconhecido na conta de resultados (Juros Refis). Informa em seu relatório, que "no mês de março de 2000, mês da adesão ao programa, o contribuinte contabilizou e reconheceu na sua conta do passivo 2262099 REFISPROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL um total de R$ 85.184.842,01 (principal, multa e juros); e no mês de julho/2001, um total de R$ 19.329.425,41 relativo aos débitos dos processos...". [grifei] Ora, dentro destes R$ 19.329.425,41 registrados em julho/2001, no passivo, encontramse os juros que foram também contabilizados em resultado, JUROSREFIS, no montante de R$ 11.427.579,01, conforme demonstrativo da contribuinte, reproduzido à fl.14 deste Voto. Ainda, a autoridade em sua intimação (supra) solicita detalhes dos lançamentos da conta 2262099 REFIS, efetuados no mês de março de 2000, além de destacar a necessidade de uma segregação entre o valor do principal, dos juros e multa, algo que, sequer foi aventado na autuação. Em extenso arrazoado em suas novas considerações, acaba por citar o art.249 do RIR/99 (adição de despesas não dedutíveis), dispositivo legal que sequer foi mencionado no auto de infração, onde arremata que: No entanto nos demonstrativos acostados nos autos pelo contribuinte não foi feita essa segregação e não há como verificar a parcela dedutível dos juros e nem há a comprovação de que a parcela não dedutível foi regularmente adicionada para a apuração da base tributável, conforme determina o artigo 249 do RIR/99. Neste sentido, independente das constatações acima quanto a apropriação das despesas de juros de juros no tempo, considerando que não restou demonstrado nos autos que o valor contabilizado em julho/2001 (R$ 11.427.579,01) corresponde à parcela dedutível dos juros, entendo que há de se manter o lançamento fiscal em relação aos juros em referência. DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE ACERCA DAS DILIGÊNCIAS II A Recorrente, trazendo os argumentos já destacados na impugnação, recurso voluntário e em aditamento às diligências, se manifestou: Saldo de Juros SELIC Valor Total de R$ 11.427.579,01 Que a Autoridade Fiscal não atendeu o solicitado pelo CARF, de que precisava "averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarazões ao retorno de diligência." Que limitouse a repetir conclusões feita em diligência anterior, além de ter inserido novas acusações não abordadas pela Autoridade lançadora. Fl. 4114DF CARF MF 20 Que, mesmo que se entenda pela necessidade de segregação aludida na diligência, a adesão ao REFIS abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, aí incluídos os acréscimos de multa de mora, de ofício e juros. Que a mencionada segregação em nenhum momento foi objeto de questionamento na autuação fiscal e "o que se vê, na verdade, é que a Autoridade Fiscal, mais uma vez, diante da comprovação da legitimidade das despesas em questão, visou encontrar novos obstáculos à sua dedutibilidade,...." Creio assistir razão à Recorrente, aliado ao fato de que as diligências não responderam de modo satisfatório à duas resoluções do CARF. Entendo, ainda, que houve, digamos, uma segunda fiscalização e feita por parte da autoridade diligenciadora, a qual acrescentou ingredientes novos não aventados na autuação, trazendo novas motivações (?) e distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal (Volume I). Veja que em seu primeiro relatório (Diligência I), deixou de maneira explícita que a Recorrente estava certa em seu procedimento contábil . De se repetir: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL [...] Conforme se verifica do demonstrativo denominado "Débitos de tributos e contribuições administrados pela SRF Secretaria da Receita Federal incluídos no REFIS" (fls.869) e do extrato "REFIS, CONSOLIDA, CONSULTA, CONSEVENTO (CONSULTA EVENTOS) (fls.823), os débitos dos processos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) e nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118,10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107 (IRRF) e que constam do demonstrativo de fls. 542 (fls.534 do processo físico), no qual se baseou os ajustes efetuados pelo contribuinte em julho/2001, foram todos incluídos e consolidados na dívida do REFIS. No cotejo dos valores dos juros de cada um desses processos, que totalizam R$ 11.427.579,01, conforme o demonstrado pelo contribuinte às fls.542 (fls.534 do processo físico), com aqueles que constam da base de dados desta RFB, não se constatou divergências. Portanto, em relação ao primeiro quesito do CARF, podese afirmar que os débitos dos processos administrativos de fls.542 (fls.534 do processo físico) foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros de R$ 11.427.579,01, contabilizado pelo contribuinte em julho/2001 reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados. Apesar deste reconhecimento, apresentou uma conclusão (Diligência I) sem referência ao concluído acima em seu relatório, ocasião em que este Colegiado solicitou o devido esclarecimento, abrindo uma nova rodada de diligência (Diligência II). Neste segundo momento, começaram as novas averiguações e, novamente, silenciandose quanto à conclusão que proferira no relatório de Diligência I, (acima Fl. 4115DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.106 21 reproduzida e objeto de esclarecimento por parte deste Colegiado), algo que não se pode se conformar e nem de se concordar. Apesar das oportunidades para o esclarecimento suscitado, o fato é que a razão pende para a Recorrente, uma vez que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados de R$ 11.427.579,01 seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas. Assim, permanece a dedutibilidade da importância de R$ 11.427.579,01, ficando prejudicadas as demais glosas, então feitas se desconsiderando esta despesa. Assim, voto pelo restabelecimento total da despesa glosada e considerada, de R$ 13.962.233,84, no Auto de Infração. CSLL Multa por Infração fiscal De se reproduzir o que consta no Termo de Constatação Fiscal: 33. O contribuinte escriturou a conta 5220417 Multas Fiscais Não Dedutíveis, que no anocalendário de 2001, importou no somatório de R$ 3.000.264,71; 33. Referido somatório compôs o valor de R$ 3.015.876,71 lançado na linha 19, da Ficha 05A, da DIPJ 2002, dos quais R$ 3.000.264,71 foi considerado na coluna Parcelas Não Dedutíveis; 34. Os valores da coluna Parcelas Não Dedutíveis, da Ficha 05A, foram levados para a linha 03 Despesas Operacionais Soma Parcelas Não Dedutíveis, da Ficha 09 A, para apuração do lucro real; 35. Ocorre que o valor de R$ 3.000.264,71, contabilizado na conta 5220417 Multas Fiscais Não Dedutíveis, não foi considerado na linha 17, e em nenhuma outra linha de adições, da Ficha 17, na apuração da Base de Cálculo da CSLL; 36. No que se refere a multas por infrações fiscais, a Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, na Subseção I, que trata Das alterações na apuração do lucro real (grifei), assim dispôs no § 5o , do art. 41: "§ 5o. Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo." 37. Adiante, ao dispor sobre a Contribuição Social sobre o Lucro, determina que as alterações na apuração do lucro real produzida por ela (Lei n° 8.981/95), também sejam aplicadas a CSLL: "Art 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n" 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Fl. 4116DF CARF MF 22 Renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei." 38. A interpretação a que alude o referido dispositivo legal é no sentido de que, aplicase a CSLL as mesmas normas de apuração (grifei) e pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantida a base de cálculo e as alíquotas até então em vigor, porém, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.981/95;. ' 39. Ora, se até o advento da Lei n° 8.981/95 a base de cálculo da CSLL já era diferente da base de cálculo do IRPJ, então com as alterações produzidas na apuração do IRPJ, quando aplicável, também, a CSLL, não ensejariam a produção de efeitos a tornar iguais as bases de cálculo; 40. Portanto, o valor da multa indedutível de R$ 3.000.264,71 reduziu indevidamente o lucro líquido, do qual não foi providenciado o ajuste na apuração da base de cálculo da CSLL, o que resultou em pagamento a menor da contribuição social sobre o lucro líquido, no importe de 3.000.264,71 x 9% = R$ 270.023,82, motivo pelo qual efetuaremos o lançamento da base tributável de R$ 3.000.264,71, na apuração da referida contribuição social. DO RECURSO VOLUNTÁRIO No item III Da Impossibilidade de Adição das Multas na Base de Cálculo da CSLL, a Recorrente alega que a multa poderia ser deduzida para fins de apuração da CSLL, em face de que tal indedutibilidade seria aplicável apenas para o IRPJ. A dedutibilidade das multas por infrações fiscais é disciplinada pelo art.344 do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 41 da Lei 8.981/1995), que assim dispõe: Tributos e Multas por Infrações Fiscais Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art.41). ......................................................................................................... § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º). De se reproduzir as disposições contidas no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95: Fl. 4117DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.107 23 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38,mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de 1995) A despeito do entendimento da Recorrente, segundo o qual não se poderia utilizar o artigo 57 da Lei 8.981/95 para justificar a adição de despesas tidas como indedutíveis perante a legislação do IRPJ, na base de cálculo da CSLL, é de se reconhecer exatamente o contrário. Ora, o citado dispositivo reflete a intenção do legislador de evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. No mais, de se acatar o decidido pela DRJ: 79. Concluise, pois, serem indedutíveis as multas por infrações fiscais na apuração da base de cálculo da CSLL. 80. Esse entendimento é corroborado pela IN SRF 390/2004, que, baseandose em toda a legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido então vigente, inclusive na retrocitada lei, assim determinou: Subseção V Das Multas Das Multas por Infrações Fiscais Art. 56. Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. 81. Há que se observar que o disposto nessa instrução normativa, por ter caráter interpretativo, retroage sua eficácia ao momento em que a norma interpretada começou a produzir efeitos. 82. Destarte, não procede a alegação da impugnante que o feito fiscal relativo a essa irregularidade não tem respaldo legal. Entretanto, em outra alegação no item IV.1 Do Erro Material contido no Auto de Infração de CSLL, observa a Recorrente que a Fiscalização deveria recompor a base de cálculo da CSLL do ano de 2001 (da autuação), uma vez que detinha base de cálculo negativa de períodos anteriores, conforme consta em sua DIPJ. Fl. 4118DF CARF MF 24 Assiste razão a Recorrente e como permaneceu de pé apenas a infração referente a indedutibilidade da multa, de se recompor o cálculo da CSLL, utilizandose os dados da Ficha 17 da DIPJ, que, digase, não foi objeto de qualquer restrição fiscal, sendo, inclusive utilizada na autuação (alguns dados). Ficha 17 Cálculo da CSLL 31. Base de cálculo antes da comp de BC Negativa de Per Anteriores 20.792.753,44 Infração Apurada e Mantida 3.000.264,71 Base de cálculo 23.793.018,15 32.() BC Negativa de CSLL de Per Anteriores Ativ em Geral (30%) 7.137.905,43 34. Base de Cálculo da CSLL 16.655.112,72 35. CSLL por atividade 1.498.960,14 Cálculo da CSLL 36. CSLL Total 1.498.960,14 DEDUÇÕES 38. () CSLL Mensal Paga por Estimativa 2.904.250,21 41. () CSLL retida na Fonte por Órgão Público 189.005,94 42. CSLL A PAGAR 1.594.296,01 Com relação ao item V Da Ilegalidade da Cobrança de Juros de Mora Sobre a Multa, entendo que resta prejudicada tal alegação, uma vez que não restou crédito tributário no presente processo passível de cobrança. Lançamento de CSLL relativa aos itens decorrentes do lançamento de IRPJ Tendo em vista que a matéria apontada no Auto de Infração do IRPJ, em seus itens 001 Glosa de Despesas Financeiras e 002 Adições Não Computadas no Lucro Real foram excluídas de tributação, conforme decidido no presente Voto, de se excluir tais matérias também no âmbito do Auto de Infração da CSLL, por ali constarem por mera decorrência. Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.108 25 Conclusão Voto em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de restabelecer a dedutibilidade da despesa financeira (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores, mantida a indedutibilidade da multa por infração fiscal (item 002 do lançamento de CSLL). (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 4120DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720935/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratar-se de norma processual, é de aplicação imediata.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. CONTA CONJUNTA COM ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
No caso de conta conjunta com contribuinte falecido no curso do ano-calendário fiscalizado, a responsabilidade pela comprovação da origem dos depósitos, no que tange aos créditos bancários recebidos desde a abertura da sucessão até a partilha dos bens, recai sobre o inventariante, a quem cabe representar e administrar o espólio, no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Por sua vez, a responsabilidade pela comprovação da origem dos créditos bancários efetuados após a partilha dos bens, persiste apenas para o co-titular sobrevivente.
Nessas condições, intimado o inventariante, ao mesmo tempo, co-titular da conta bancária fiscalizada e um dos sucessores do de cujus, remanescendo depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea, recebidos a partir da abertura da sucessão, subsiste em parte a ação fiscal contra ele levada a efeito. O demais sucessores respondem solidariamente apenas em relação ao crédito tributário decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos imputável ao espólio, referente aos depósitos bancários de origem não comprovada recebidos entre a abertura da sucessão e a partilha dos bens, observada a limitação ao montante do quinhão do legado ou da meação.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. IMPOSTO APURADO PELO ESPÓLIO APÓS A ABERTURA DA SUCESSÃO.
A aplicação da multa de ofício de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Apurada a omissão de rendimentos tributáveis por parte do espólio, relativamente a fatos geradores ocorridos após a abertura da sucessão, não há falar em aplicação da multa de mora nos termos regrados pelo art. 49 do Decreto-Lei nº 5.844/43.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4.
Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2202-004.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratarse de norma processual, é de aplicação imediata. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. CONTA CONJUNTA COM ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No caso de conta conjunta com contribuinte falecido no curso do ano calendário fiscalizado, a responsabilidade pela comprovação da origem dos depósitos, no que tange aos créditos bancários recebidos desde a abertura da sucessão até a partilha dos bens, recai sobre o inventariante, a quem cabe representar e administrar o espólio, no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Por sua vez, a responsabilidade pela comprovação da origem dos créditos bancários efetuados após a partilha dos bens, persiste apenas para o cotitular sobrevivente. Nessas condições, intimado o inventariante, ao mesmo tempo, cotitular da conta bancária fiscalizada e um dos sucessores do de cujus, remanescendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 35 /2 01 1- 03 Fl. 421DF CARF MF 2 depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea, recebidos a partir da abertura da sucessão, subsiste em parte a ação fiscal contra ele levada a efeito. O demais sucessores respondem solidariamente apenas em relação ao crédito tributário decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos imputável ao espólio, referente aos depósitos bancários de origem não comprovada recebidos entre a abertura da sucessão e a partilha dos bens, observada a limitação ao montante do quinhão do legado ou da meação. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. IMPOSTO APURADO PELO ESPÓLIO APÓS A ABERTURA DA SUCESSÃO. A aplicação da multa de ofício de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Apurada a omissão de rendimentos tributáveis por parte do espólio, relativamente a fatos geradores ocorridos após a abertura da sucessão, não há falar em aplicação da multa de mora nos termos regrados pelo art. 49 do DecretoLei nº 5.844/43. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 422 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedente em parte lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2008, face à apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A instância de piso descreveu os termos da autuação, em relato (fls. 347/348) que aqui se reproduz no essencial: Contra o contribuinte ANTONIO CARLOS KALIM, CPF nº 009.026.09882, foi lavrado, em 15/08/2011, o Auto de Infração de fls. 209/216, acompanhado do “Demonstrativo de Valores Depositados/Creditados em Conta Bancária, de Origem Não Comprovada”, às fls. 190/194, do “Termo de Verificação Fiscal” às fls. 195/208 e dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária” em face de CHAMSI BARCAT KALIM, CPF nº 003.931.80875 (fls. 218/219), ARMANDO BARCAT KALIM, CPF nº 028.491.21827 (fls. 221/222), e CHADIA BARCAT KALIM, CPF nº 056.763.42803 (fls. 226/227). Tratase de autuação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2007, em que foi exigido crédito tributário no montante de R$ 1.529.705,58, sendo os valores de R$ 733.320,03 a título de imposto, de R$ 246.395,53 a título de juros de mora, calculados até 29/07/2011, e de R$ 549.990,02 a título de multa proporcional. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 211/212) e no Demonstrativo de Apuração (fls. 213), foi constatada a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, no que tange a valores creditados em conta de depósito ou de investimento do espólio de SALIM ABRÃO KALIM, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, na condição de inventariante, herdeiro, sucessor e, ainda, cotitular da conta bancária examinada, embora regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 195/208), nos montantes mensais a seguir: (...) É de se observar que ANTONIO CARLOS KALIM e SALIM ABRÃO KALIM eram titulares na conta corrente conjunta nº 22.9016, mantida junto à agência 47252, do Banco do Brasil (fls. 62), cuja movimentação foi objeto da ação fiscal em tela, iniciada em 2011 (fls. 11/17), referente ao anocalendário 2007, tendo o segundo falecido em 26/09/2007 (fls. 41), com a realização de inventário e partilha extrajudicial, por meio de escritura pública lavrada em 28/11/2007, em que o primeiro foi nomeado como inventariante, com poderes para representar o espólio (fls. 42/51). Notase, ainda, que os sujeitos passivos solidários foram informados da constituição de crédito tributário de que trata o Auto de Infração ora em foco, relativo ao imposto de renda, do anocalendário 2007, devido pelo de cujus até a data da partilha, por se tratarem de herdeiros apontados na escritura pública, que definiu a divisão consensual dos bens do espólio de SALIM ABRÃO KALIM, consignandose a responsabilidade dos sucessores até o montante da herança, meação ou legado (fls. 218/219, 221/222 e 226/227). A exigência foi impugnada pelo contribuinte, em conjunto com os responsáveis solidários (fls. 252/273), sendo que, em sede de julgamento de primeiro grau, foi promovida significativa reforma no crédito tributário, dado terem sido excluídos da base de Fl. 423DF CARF MF 4 cálculo do lançamento os depósitos bancários compreendidos entre os meses de janeiro a setembro de 2007. O contribuinte interpôs em 13/05/2016, em conjunto com os solidários, recurso voluntário (fls. 389/412), aduzindo, em síntese, que: ter havido violação do seu sigilo bancário; ser indevida sua responsabilização, bem como dos demais solidários, tendo em vista o falecimento de um dos cotitulares da conta objeto de exame fiscal, devendo ser salientado, ainda, que apenas a partir de 28/11/2007 o recorrente passou à condição de inventariante, e que os sucessores respondem pelos tributos devidos pelo de cujus até o limite de sua herança; os depósitos de origem não comprovada não caracterizam omissão de rendimentos, e que os documentos apresentados para tal comprovação são idôneos, devendo ser aceitos pela fiscalização; as informações contidas nos extratos do Banco do Brasil são idôneas, pois emitidas por conceituada instituição financeira; não cabe a aplicação da multa de ofício com base no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pois a responsabilidade pelas multas não se estende aos sucessores, os quais, quando muito, responderiam na forma do art. 964, inciso I, 'b' do RIR/99; é indevida a cobrança de taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Do recurso de ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida teria exonerado o contribuinte em valor superior a R$ 1.000.000,00 (imposto mais multa), limite então estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF nº 03/08, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/721. Sem embargo, tal limite foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/2/2017, que revogou a Portaria MF nº 03/08: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratandose de norma de ínsito caráter processual, deve ser ela aplicada de imediato aos julgamentos em curso, nos termos da Súmula nº 103 do CARF: 1 Registrese que, na verdade, a exoneração não ultrapassou esse limite, conforme demonstrativo de fl.2. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 423 5 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O auto de infração atingia a cifra de R$ 1.283.310,05, como somatório de tributo e multa, sendo promovida a exoneração pela decisão de piso (fl. 371) de um total de R$ 1.075.747,57. Constatase, portanto, que a exoneração promovida pela vergastada foi em montante inferior ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, não devendo ser conhecido o recurso de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De início, cabe referir que as alegações no sentido de que a solicitação da fiscalização para a apresentação de extratos bancários teria violado direitos constitucionais do contribuinte deve ser rejeitada prontamente, por ingressar na análise da constitucionalidade de seu suporte legal, o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não bastasse, não é demasiado lembrar que a constitucionalidade dos arts. 5º e 6º da LC nº 105/01, que tratam desse tema, já foi assentada no julgamento em 24/02/2016 pelo STF, sob o rito de repercussão geral, do RE nº 603.314/SP. Aliás, compulsando os autos, pode ser verificado que o próprio contribuinte entregou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante intimação, conforme narrado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 299), quedando sem respaldo, portanto, as alegações recursais. Nesse particular, por conseguinte, não tem razão o recorrente. No que concerne à responsabilidade pelos tributos incidentes sobre a omissão apurada, impende transcrever o art. 131 do CTN: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; Fl. 425DF CARF MF 6 III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Na espécie, a contacorrente nº 22.9016, cuja movimentação foi objeto da auditoria fiscal, era mantida no Banco do Brasil S/A., sendo de titularidade conjunta do autuado e de Salim Abrão Kalim, que faleceu em 26/09/2007. E, tendo em vista que a obrigação de comprovar a origem dos depósitos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 é de natureza personalíssima relativamente ao titular da conta, a DRJ/SPO cancelou o lançamento no que se refere aos períodos anteriores ao óbito de Salim Abrão Kalim ou seja, os fatos geradores compreendidos entre jan/07 e set/07. Tudo isso realizado, em consonância, observese, com reiterada jurisprudência administrativa a respeito da matéria, vide ilustrativamente os Acórdãos da CSRF de nos 9202006.009 (j. 27/09/2017) e 9202004.511 (j. 25/10/2016). Destarte, ao contrário do que parece o recorrente ter compreendido sobre a situação, após a reforma no lançamento promovida pela instância de piso não há falar mais em tributação sobre a movimentação bancária efetuada pelo de cujus, ou, em outras palavras, acontecida antes da abertura da sucessão. Na realidade, a cobrança remanescente é referente à movimentação na conta corrente no decorrer do período em que já aberta a sucessão, respondendo o contribuinte pessoalmente, junto com os demais responsáveis solidários, na condição de sucessor, consoante prescreve o inciso II do art. 131 do CTN, independentemente de qualquer consideração acerca de sua condição de inventariante. Então, sendo cotitular da conta em tela, responde o contribuinte por 50% da movimentação, respondendo, junto com os demais solidários, pelos outros 50% atribuíveis ao espólio, nos meses de out/07 e nov/07, em observância ao § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. E, após a partilha, ocorrida em 28/11/2007, responde ele integralmente pela sua movimentação, na qualidade de único titular restante da conta em apreço, como bem circunstanciado pela fiscalização. Vale acrescentar que em nenhum momento o recorrente demonstra documentalmente ter o crédito tributário examinado superado o quinhão do legado/herança, maculando as prescrições do art. 1997 do CC c/c o art. 131, inciso II do CTN; pelo contrário, a escritura pública de inventário e partilha às fls. 42/51 revela que o quinhão que lhe foi atribuído é robusto o suficiente para arcar com o tributo lançado de ofício. Quanto à inconformidade genérica aduzida pelo contribuinte, com relação à caracterização do fato gerador do imposto de renda com base em depósitos bancários, impende explicar que o lançamento foi apurado tendo como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão, e o consequente Fl. 426DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 424 7 fato gerador do imposto de renda pessoa física, a despeito do entendimento em sentido diverso trazido na peça recursal. E apesar de não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada. Destarte, intimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados em conta de sua cotitularidade, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos, a qual, após os ajustes efetuados em sede de julgamento de primeira instância, restou verificada para os meses de out/07, nov/07 e dez/07. A respeito das arguições ventiladas pelo recorrente sobre a não consideração de documentos por ele trazidos, não discrimina ele quais teriam sido tais documentos, e em que medida sua valoração estaria equivocada ou ausente. Por seu turno, o Termo de Verificação Fiscal às fls. 298/316 detalha toda a análise das provas carreadas nos autos, merecendo acrescentar que a decisão contestada acatou (fls. 366/367), adicionalmente, dois documentos associados a pagamentos efetuados pela empresa FININVEST como aptos à configurar a comprovação demandada, excluindo os correspondentes valores da base de cálculo da autuação. Nesse rumo, merece anotar o fato de que há depósitos que são identificados nos extratos como havendo sido realizados por determinadas empresas, mas necessário ressalvar também que a presunção de omissão de receitas legalmente estabelecida requer, para ser ilidida, não só o apontamento do remetente, mas também, e principalmente, seja explicada a causa jurídica/negocial que deu ensejo a tais créditos, até mesmo para saber se tratamse de recursos já anteriormente submetidos à tributação, em ônus de prova conferido ao titular das contas. Assim, não é o caso de se questionar a idoneidade das informações contidas nos extratos disponibilizados pelas instituições financeiras, como supõe o recorrente, mas sim de sopesar a qualidade probatória das informações neles constantes, aqui claramente insuficientes. Na sequência, cumpre frisar que a imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização, visto que o contribuinte não cumpriu suas obrigações tributárias, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sua aplicação, portanto, é mera decorrência da legislação, e coerente com a constatação da autoridade fiscal no particular, ou seja, não haver sido pago o tributo devido. Notese que na espécie os fatos geradores que permaneceram incólumes após a exoneração promovida pela DRJ/SPO não se deram por atuação do de cujus, posto que, por óbvio, já falecido desde setembro de 2007, mas sim por omissão de rendimentos do próprio espólio, sendo, daí, inaplicáveis os termos do art. 49 do DecretoLei nº 5.844/43 (art. 23, § 1º, c/c o art. 964 do RIR/99). Como remate, registrese que a incidência de juros de mora, face ao inadimplemento do tributo no prazo de regência, dáse por força de expressa previsão legal contida nos arts. 13 da Lei nº 9.065/95, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, sendo irrelevante qualquer conjetura acerca do aspecto volitivo da conduta do contribuinte para sua aplicação. Fl. 427DF CARF MF 8 Não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, valendo trazer à colação o enunciado em referência: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720990/2016-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2001-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal.
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Numero do processo: 11020.902844/2016-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PIS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 28 44 /2 01 6- 41 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.151 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.006984/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/04/2004, 03/05/2004, 22/05/2004, 03/06/2004, 06/06/2004, 15/08/2004, 03/09/2004, 16/10/2004, 25/10/2004, 06/12/2004, 08/12/2004
REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO.
A partir da vigência da Medida Provisória n° 135/2003, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei n° 37/1966, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003.
Coube à Noticia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, esclarecer que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como em até 24(vinte e quatro) horas. Ocorre que esse procedimento carece de qualquer base normativa.
A Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, alterou o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/1994, estabelecendo o prazo de 02(dois) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque.
As datas de embarque assinaladas são anteriores à Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, o que implica em ausência de ato normativo para tipificar a conduta infracional.
Numero da decisão: 3302-006.332
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/04/2004, 03/05/2004, 22/05/2004, 03/06/2004, 06/06/2004, 15/08/2004, 03/09/2004, 16/10/2004, 25/10/2004, 06/12/2004, 08/12/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. A partir da vigência da Medida Provisória n° 135/2003, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei n° 37/1966, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003. Coube à Noticia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, esclarecer que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como em até 24(vinte e quatro) horas. Ocorre que esse procedimento carece de qualquer base normativa. A Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, alterou o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/1994, estabelecendo o prazo de 02(dois) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. As datas de embarque assinaladas são anteriores à Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, o que implica em ausência de ato normativo para tipificar a conduta infracional.
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Recorrente ALL FREIGHT LOGISTICA E TRANSPORTE INTERNACIONAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/04/2004, 03/05/2004, 22/05/2004, 03/06/2004, 06/06/2004, 15/08/2004, 03/09/2004, 16/10/2004, 25/10/2004, 06/12/2004, 08/12/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. A partir da vigência da Medida Provisória n° 135/2003, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’ do DecretoLei n° 37/1966, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003. Coube à Noticia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, esclarecer que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como em até 24(vinte e quatro) horas. Ocorre que esse procedimento carece de qualquer base normativa. A Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, alterou o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/1994, estabelecendo o prazo de 02(dois) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. As datas de embarque assinaladas são anteriores à Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, o que implica em ausência de ato normativo para tipificar a conduta infracional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 69 84 /2 00 8- 28 Fl. 128DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède – Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 55.000,00, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos (fls. 02 a 05) e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através de Declarações de Exportação (DE’s) listadas na autuação (fl. 07), no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005. Conforme demonstrado nos documentos juntados aos autos, telas de consulta do Siscomex (fls. 11 a 33), as mercadorias foram embarcadas, mas os “dados de embarque” no Siscomex foram registrados após o prazo legal de 7 dias para tal registro, implicando na infração citada no artigo 44 da IN SRF n° 28/94. Assim, entendendo estar caracterizado a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para o conjunto de informação de dados de embarque não prestada no prazo (7 dias), considerando para tanto os registros que pertenciam ao mesmo veículo, resultando um total de 11 veículos cujos dados de embarque não foram registrados no prazo disciplinado. Regularmente cientificada por via pessoal (fls. 01 e 08), a interessada apresentou impugnação de folhas 40 a 48, anexando os documentos de folhas 49 a 84, que em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, a peticionaria não cometeu qualquer infração, há violação ao princípio da legalidade. O principal objetivo social é o Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10909.006984/200828 Acórdão n.º 3302006.332 S3C3T2 Fl. 3 3 agenciamento de cargas, que emite conhecimentos de transporte do tipo BL's house (filhotes). Não é o transportador (BL's master). A interessada é e sempre foi apenas compradora de espaço físico nos veículos de cargas e por tanto, não pode ser considerada responsável; Que, a autoridade fiscal deixou de informar os dados necessários e indispensáveis para a identificação dos conhecimentos de carga vinculados às DDE's informadas no AI; Que, foi tipificado apenas uma infração e não 11, a própria autoridade fiscal indica isto (fl. 03/10 do auto de infração); Que, ocorre ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração e no mérito seja julgado improcedente o lançamento, requer ainda, pelo princípio da eventualidade, que seja reduzida a autuação em apenas uma infração. Em 28 de agosto de 2009, através do Acórdão de Impugnação n° 07 17.349, a 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü A presente autuação está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03; ü A IN SRF n° 510/05 , dando nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, ratificou o prazo de 7 dias, para a via de transporte marítimo; ü O artigo 44 da IN SRF n° 28/94 claramente tipificou a conduta de omissão de registro dos dados de embarque no SISCOMEX como infração ao disposto no artigo 107 do Decretolei n° 37/66; ü A responsabilização pela prática de infrações é estendida a todo aquele que concorra para a sua prática, como preceitua o artigo 95 do Decretolei n° 37/66; ü A multa em trato, que pune a omissão do agente de carga, na sua obrigação de informar os “dados de embarque” dentro de determinado prazo, pretende disciplinar a apresentação tempestiva do registro das informações no sistema por parte do agente de carga que, deveria fazêlo até a data estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para sua apresentação; ü A infração está plenamente caracterizada na conduta perpetrada pela interessada, havia prazo certo para apor no sistema a informação, a Fl. 130DF CARF MF 4 interessada deixou de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ü Também não procede a alegação de que teria' ocorrido apenas uma infração. A autoridade fiscal claramente demonstrou que ocorreu pelo menos uma infração para cada um dos veículos indicados na planilha de folha 07, isto é, para cada um dos veículos foi demonstrado pelo menos um embarque em que foi cometida a infração em comento. Portanto foram cometidas onze infrações relativas a onze embarques distintos, isto é onze veículos, sendo que a autoridade fiscal indica claramente para cada infração/veículo os dados e informações que configuram, que tipificam a infração para aquele veículo. A empresa ALL FREIGHT LOGISTICA E TRANPORTE INTERNACIONAL LTDA foi ciemtificada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 15/09/2009 (folhas 107). A empresa ALL FREIGHT LOGISTICA E TRANPORTE INTERNACIONAL LTDA ingressou com Recurso Voluntário em 08/10/2009, de folhas 108 à 122. Em resumo, foi alegado que: ü Dispositivo Legal ausência de tipicidade; ü Da ausência de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira; ü Da denúncia espontânea; ü Da infração continuada — aplicação de pena única; ü Da aplicação do principio da proporcionalidade e da razoabilidade em relação ao quantum da multa aplicada. Dos pedidos. Diante de todo o exposto, postulase: a) Que seja reconhecida a ausência de tipicidade em razão da Recorrente não ter deixado de prestar as informações e, portanto, não devendo a intempestividade ser considerada infração; b) Que seja reconhecida a ausência de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira; c) Que se já reconhecida à denúncia espontânea em razão das informações terem sido prestadas antes que o procedimento fiscal fosse instaurado; d) Na remota hipótese do não acolhimento das teses expostas nos itens a, b e c, então que se reconheça o beneficio da infração continuada expresso no artigo 71, do Código Penal e, consequentemente, unificando as sanções impostas, como medida da mais lídima justiça; Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10909.006984/200828 Acórdão n.º 3302006.332 S3C3T2 Fl. 4 5 e) Em havendo qualquer sanção pecuniária, que Vossas Excelências se dignem a reduzila em atenção ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 15 de setembro de 2009 (folhas 107). O recurso voluntário foi apresentado em 08 de outubro de 2018, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü Dispositivo Legal ausência de tipicidade; ü Da ausência de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira; ü Da denúncia espontânea; ü Da infração continuada — aplicação de pena única; ü Da aplicação do principio da proporcionalidade e da razoabilidade em relação ao quantum da multa aplicada. Passase à análise. DISPOSITIVO LEGAL. TIPICIDADE. A Constituição Federal, em seu art. 237, estabelece: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais ez defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. O caput do art. 33 do DecretoLei n° 37/66 dita que a jurisdição dos serviços aduaneiros se estende por todo o território aduaneiro. Fl. 132DF CARF MF 6 O art. 2° do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009 dispõe que o território aduaneiro compreende todo o território nacional. O art. 17 do mesmo Regulamento dispõe: Art. 17. Nas areas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, bem como em outras áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de viajante, procedentes do exterior ou a ele destinados, a administração aduaneira tem precedência sobre os demais órgãos que ali exerçam suas atribuições (DecretoLei no 37, de 1966, art. 35). § lo A precedência de que tratao caput implica: (...) II a competência da administracão aduaneira, sem prejuízo das atribuições de outros órgtãos, para disciplinar a entrada , a permanência, a movimentacão e a saída de pessoas, velculos , unidades de carga e mercadorias nos locais referidos no caput, no que interessar a Fazenda Nacional. Sendo assim, incumbe ao Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização e o controle da entrada e saída de mercadorias, cargas, unidades de cargas No território aduaneiro. O DecretoLei n° 37/66 estabelece que o controle de veículos, mercadorias, animais e pessoas, na zona primária, será disciplinada em Regulamento (art. 34, inciso Ill), bem como estabelecerá a s normas de disciplina aduaneira a que ficam obrigados os veículos, seus tripulantes e passageiros na zona primária, ou quando sujeitos fiscalização (art. 38). Determina, ainda, que o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado (art. 37, caput, com a redação da Lei n° 10.833/03). Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/09, prevê que o controle aduaneiro do veiculo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes (art. 26, § 1°). Em seu art. 39, caput, encontrase a determinação de que é livre, no Pais, a entrada e a saída de unidades de carga e seus acessórios e equipamentos, de qualquer nacionalidade, bem como a sua utilização no transporte doméstico (conforme previsão da Lei n° 9.611/98, art. 26). Entretanto, o § 2° do mesmo artigo obsetqe poderá ser exigida a prestação de informações para fins de controle aduaneiro sobre os bens referidos no caput, nos termos estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ocorre que, embora seja livre a entrada e saída de unidades de carga, o mesmo não acontece com o seu conteúdo. Ademais, os contdineres são destinados especificamente para acondicionar mercadorias e podem se prestar a sua ocultação, pois são, em sua maioria, totalmente fechados impedindo a visão de seu interior. Por tal motivo, o Regulamento prevê no caput do art. 42 que o responsável pelo veiculo apresentará à autoridade aduaneira, na forma e no momento estabelecidos em ato Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10909.006984/200828 Acórdão n.º 3302006.332 S3C3T2 Fl. 5 7 normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o manifesto de carga, com cópia dos conhecimentos correspondentes, e a lista de sobressalentes e provisões de bordo, bem como, nos termos do § 1º do mesmo artigo, a relação das unidades de carga vazias existentes a bordo. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por sua vez, editou a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007, a qual dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, a qual estabelece em seu art. 1°: Art. 1º O controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquavidria do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Nos termos do art. 2°, inciso XII, manifesto eletrônico é definido como o manifesto de carga informado à autoridade aduaneira em forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente, contendo inclusive os conteineres vazios. O art. 11 prevê que a informação do manifesto eletrônico compreende a prestação dos dados exigidos pela norma e relacões de conteineres vazios transportados pela embarcacão durante sua viagem pelo território nacional. Nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como as relativas às Escalas, aos dados constantes nos Manifestos Maritrmos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) , denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga darse á pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. ❉ Da Equiparação a Transportador IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Fl. 134DF CARF MF 8 d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; ❉ Do Controle Aduaneiro O artigo 1º da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, assim estabelece: Art. 1º O controle aduaneiro de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga nos portos, bem como de entrega de carga pelo depositário, serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa e serão processados mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes na forma e prazos estabelecidos nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Sistema Mercante); e http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) II no Siscomex Carga. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Demonstrase assim que toda a saída ou entrada de mercadorias no território aduaneiro, bem como de unidades de carga presumivelmente vazias, sujeitase, necessariamente AO CONTROLE ADUANEIRO, salvo expressa determinação legal em contrário. O controle aduaneiro tem por escopo justamente CONTROLAR O FLUXO INTERNACIONAL DE MERCADORIAS através das fronteiras, portos e aeroportos. Se determinada mercadoria é ou não sujeita à tributação na saída ou na entrada é algo irrelevcante, pois o CONTROLE ADUANEIRO não se limita a questões de tributação, abarcando também outras áreas imprescindíveis ao interesse da sociedade e a própria segurança nacional. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10909.006984/200828 Acórdão n.º 3302006.332 S3C3T2 Fl. 6 9 Nesse sentido, o controle aduaneiro exercido pelo Estado, por meio de seus agentes, não é faculdade, nem daquele, nem destes, mas poderdever. O gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e conseqüentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no Pais, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate à pirataria. ▣ DAS INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS O artigo 37 do DecretoLei n° 37/66 estipula que: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 2o Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 3o A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei no 5.025, de 10 de junho de 1966. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 4o A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput. (Renumerado do Parágrafo único com nova pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) O transportador deverá prestar informações à Receita Federal do Brasil sobre o veiculo e as cargas nacional, estrangeira e de passagem nele transportadas, para cada escala da embarcação em porto alfandegado. Fl. 136DF CARF MF 10 Essa obrigação consiste em fornecer registros eletrônicos obrigatórios aos sistemas de controle aduaneiro. A Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994 regulamenta o assunto referente a: ü embarque da mercadoria (Art. 37) A Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 regulamenta o assunto referente a: ü o veiculo transportador e suas escalas em território nacional (Artigos 7º a 9o) ; ü a carga transportada (Art. 10 a 21). A informação da carga transportada no veiculo, por sua vez, compreende: ü a informação do manifesto eletrônico (Art. 11); ü a vinculação do manifesto eletrônico a escala (Art. 12); ü a informação dos conhecimentos eletrônicos (Art. 13 a 16); ü a informação da desconsolidação da carga (Art. 17 a 19); e ü a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação carga (Art 20 a 21). ▣ OS PRAZOS PARA PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES Embarque da mercadoria Coube à Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994 regulamentar o assunto referente a partida de veículo ao exterior (embarque), em seu artigo 37, que possuia a seguinte redação original: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 Coube à Noticia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, esclarecer que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como em até 24(vinte e quatro) horas. Ocorre que esse procedimento carece de qualquer base normativa. Posteriormente, a Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, alterou o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/1994, estabelecendo o prazo de 02(dois) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10909.006984/200828 Acórdão n.º 3302006.332 S3C3T2 Fl. 7 11 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) Uma nova alteração no artigo, agora dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13 de dezembro de 2.010, alterou o prazo para 07 (sete) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13 de dezembro de 2010) Essa determinação, incorporada na legislação hoje vigente, possui efeito retrotivo dado seu caráter mais benéfico. Art. 39. Entendese por data de embarque da mercadoria: I nas exportações por via marítima, a data da cláusula "shipped on board" ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga; II nas exportações por via aérea, a data do vôo; III nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre, a data da transposição de fronteira da mercadoria, que coincide com a data de seu desembaraço ou da conclusão do trânsito registrada no Sistema pela fiscalização aduaneira; IV nas exportações pelas demais vias de transporte, nas destinadas a uso e consumo de bordo e nas transportadas em mãos ou por meios próprios, a data da averbação automática do embarque, pelo Sistema, que coincide com a data do desembaraço aduaneiro; e V nas exportações sob o regime DAC, a data da averbação automática, pelo Sistema, que coincide com a data do desembaraço aduaneiro para o regime. ▣ OS FATOS QUE EMBASAM A PRESENTE AÇÃO FISCAL Fl. 138DF CARF MF 12 As datas de embarque assinaladas são anteriores à Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, o que implica em ausência de ato normativo para tipificar a conduta infracional. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido dar provimento ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900034/2008-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal CSLL somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
Numero da decisão: 1001-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal CSLL somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 30066.82483.060204.1.3.045197, de 06/02/2004, através da qual o contribuinte pretende AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 00 34 /2 00 8- 59 Fl. 50DF CARF MF 2 compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (CSLL, no valor principal de R$ 590,00 segundo DARF com as seguintes características: Código de Receita: 2484 (CSLL Lucro Real Estimativa mensal), PA 31/01/2000, vencimento em: 29/02/2000. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n. 757798989, de 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado na quitação de CSLL estimativa PA 01/2000, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 09) alegando que efetuou recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL por estimativa no anocalendário de 2000, mas apurou prejuízo em balanço anual, razão pela qual compensou o imposto devido do mês de dezembro de 2001 com o valores recolhidos referente ao PA 01/2000. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0119.756 3ª Turma da DRJBEL, e fls. 26/32) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês (e que tal excesso não ficou comprovado nos autos) com fundamento na legislação tributária; e que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Cientificada da decisão de primeira instância em 11/01/2011 (efl. 35) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 31/01/2011 (efl. 36), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Não cabe o pleito do contribuinte para comprovar nestes autos (mesmo que através de escrita contábil) eventual saldo negativo de CSLL no ano calendário em questão (ou apurado em balanço de suspensão), pois o litígio posto nestes autos é a procedência ou não do pagamento da CSLL por estimativa no mês 01/2000. Ou seja, o requerimento de crédito diverso (do constante no PER/DCOMP de n. 30066.82483.060204.1.3.045197) e que correspondesse a eventual saldo negativo de CSLL no ano calendário deveria ser posto em outro procedimento administrativo, respeitado o prazo prescricional (art. 168 do CTN). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (CSLL estimativa do período de apuração 01/2000) e confrontar com análise da situação fática referente aquele mês, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.900034/200859 Acórdão n.º 1001001.037 S1C0T1 Fl. 51 3 Ou seja, o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. O fato do contribuinte eventualmente ter apurado prejuízo fiscal e saldo negativo CSLL no ano calendário 2000 não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Reforço que recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 52DF CARF MF
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