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Numero do processo: 10980.912296/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.824
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 96 /2 01 2- 12 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912296/201212 Acórdão n.º 3201003.824 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.669, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912296/201212 Acórdão n.º 3201003.824 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912296/201212 Acórdão n.º 3201003.824 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912296/201212 Acórdão n.º 3201003.824 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.721656/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Nulidade.
A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida.
Mandado de Procedimento Fiscal-MPF. Emissão e Prorrogação. Irregularidade. Nulidade. Não Ocorrência.
As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo.
Numero da decisão: 1301-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Nulidade. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Mandado de Procedimento Fiscal-MPF. Emissão e Prorrogação. Irregularidade. Nulidade. Não Ocorrência. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-14T03:52:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-14T03:52:54Z; Last-Modified: 2018-07-14T03:52:54Z; dcterms:modified: 2018-07-14T03:52:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-14T03:52:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-14T03:52:54Z; meta:save-date: 2018-07-14T03:52:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-14T03:52:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-14T03:52:54Z; created: 2018-07-14T03:52:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-07-14T03:52:54Z; pdf:charsPerPage: 1492; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-14T03:52:54Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 356 1 355 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.721656/201386 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.173 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente POLIART FOTOGRAFIAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 ACÓRDÃO DA DRJ. EXAME DOS PONTOS ESSENCIAIS. NULIDADE. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 16 56 /2 01 3- 86 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10783.721656/201386 Acórdão n.º 1301003.173 S1C3T1 Fl. 357 2 Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. Relatório Tratase de recurso interposto por POLIART FOTOGRAFIAS LTDA. contra o Acórdão nº 29.255, da 2ª Turma da DRJ Belém, que deu provimento apenas parcial à impugnação da recorrente, e assim manteve contra esta a exigência de crédito tributário formalizada no lançamento ora contestado, afastando apenas a multa qualificada. Consta do Termo de Verificação de Infração (fls. 239 a 245) que a autoridade fiscal encontrou inconsistências entre a receita bruta informada na Declaração Anual do Simples Nacional DASN e as informações extraídas das Declarações de Operações com Cartão de Crédito Decred, apresentada pelas administradoras de cartões de crédito. O confronto entre os dois valores pôs em evidência o fato de que a recorrente deixara de declarar e de oferecer à tributação parte das receitas auferidas no período fiscalizado. A Fiscalização solicitou à contribuinte diversas explicações e documentos, entre os quais algumas pertinentes a repasses de valores relativos a operações com cartão de crédito e de débito. Especificamente estas informações a recorrente não forneceu. A omissão ensejou o pedido dos dados diretamente às instituições financeiras, mediante envio de Requisição de Movimentação Financeira RMF. O acesso àqueles dados tornou possível à Fiscalização constatar duas infrações: a) omissão de receitas; e b) insuficiência de recolhimento em razão de erro na aplicação da alíquota. Assim, efetuouse lançamento para exigir crédito tributário no montante de R$ 323.436,37, compreendendo tributo, multa e juros. O lançamento foi impugnado e, em consequência, os autos remetidos à DRJ BEL, que deu parcial provimento à impugnação, para afastar a multa qualificada, reduzindo o percentual de 150% para 75%. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares arguidas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10783.721656/201386 Acórdão n.º 1301003.173 S1C3T1 Fl. 358 3 A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não se comprovando o evidente intuito de fraude, caracterizado pelos atos tendentes a não pagar ou reduzir o tributo descabe a qualificação da multa de ofício. INTIMAÇÕES. REMESSA AO PATRONO DO CONTRIBUINTE. Não há previsão legal para a remessa de intimações ao patrono do contribuinte ou do responsável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não resignada, POLIART FOTOGRAFIAS LTDA. interpôs recurso. Alegou que a decisão recorrida não apreciou de forma satisfatória os argumentos jurídicos trazidos no recurso. Seus fundamentos seriam genéricos, não examinando de forma específica os seguintes pontos: a) alteração do objeto do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, após a entrega dos documentos solicitados; b) ilegalidade da permanência do mesmo Auditor Fiscal à frente do procedimento administrativo; c) inexistência de emissão de novo MPF; d) falta de motivação para o ato que prorrogou o MPF; e) ilegalidade do lançamento em razão de seu objeto não constar do MPF; f) ilegalidade do auto de infração por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa; e g) falta de emissão de novo MPFF; A recorrente afirmou que o MPF de início indicava o IRPJ do ano calendário 2010 como objeto a ser fiscalizado. Posteriormente, alterouse, sem qualquer motivação, o objeto, que passou a ser o Simples Nacional. Motivo é pressuposto de validade do ato administrativo. Ao praticar ato administrativo sem indicar os motivos, a Fiscalização viola os princípios da legalidade, da segurança jurídica, do contraditório, da ampla defesa, entre outros norteadores da conduta do Estado no exercício de suas atividades. A par desse vício, não se observou o prazo do MPF, que foi prorrogado cerca de uma semana antes de seu vencimento, sem que a autoridade declinasse os motivos para tanto. No mais, ao Auditor Fiscal falece competência para prorrogar a vigência de MPF, cabendo tal atributo à autoridade outorgante. Sendo, pois, nula a alteração do objeto do MPF e sua prorrogação, concluise que a autoridade lançadora cometeu ilegalidade, pois fiscalizou tributo sem respaldo em MPF, Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10783.721656/201386 Acórdão n.º 1301003.173 S1C3T1 Fl. 359 4 e se manteve indevidamente à frente do procedimento, quando um outro auditor fiscal deveria ter sido designado para tanto. A recorrente acusa a falta de motivação desde a origem, ou seja, desde o início do procedimento fiscalizatório. Aduziu que, a despeito de vencido o MPFF em 18/12/2013, já que nula a prorrogação realizada, a fiscalização foi adiante, não havendo, para tanto, a expedição de novo MPFF, o que no entendimento do próprio CARF, acarreta irregularidade da ação fiscal e nulidade do lançamento. Insiste em que o Auditor Fiscal que lavrou o auto de infração deveria ter sido substituído. Firme nessas razões, pugnou a recorrente pela nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Decisão recorrida O acórdão da DRJ foi atacado pela recorrente, ao argumento de que seria nulo por não ter examinado todos os pontos trazidos na impugnação. É pacífico nos tribunais superiores o entendimento de que o órgão julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, bastando que fundamente a decisão, sem deixar de analisar ponto que, por si só, poderia infirmar as conclusões adotadas no julgado. Nesse sentido há várias decisões do E. Supremo Tribunal Federal STF, das quais pode ser tomada como exemplo a decisão do Agravo no Agravo de Instrumento nº 317.2812, em cuja ementa se lê: EMENTA I Prestação jurisdicional: motivação suficiente: ausência de nulidade. O que se espera de uma decisão judicial é que seja fundamentada (CF, art. 93, IX), e não que se pronuncie sobre todas as alegações deduzidas pelas partes. (g.n.) E também a decisão nos Embargos de Declaração na Ação Penal 396: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10783.721656/201386 Acórdão n.º 1301003.173 S1C3T1 Fl. 360 5 3. Não se faz necessária a manifestação do julgador sobre todas as teses jurídicas ventiladas pelas partes. Precedentes. No C. Superior Tribunal de Justiça STJ não é diferente, a jurisprudência caminha no mesmo sentido: O julgador não esta obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315DF) No caso em exame, o questionamento envolve a inobservância de normas relativas ao MPF. Sobre a matéria, a decisão recorrida foi exaustiva, ressaltando que o MPF é mero instrumento de controle administrativo. Confirase: Por outro lado, o MPF é um instrumento de controle interno da Secretaria da Receita Federal, concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados por esse órgão. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais, que há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle, planejamento e execução das ações fiscais. Conseqüentemente, qualquer erro na utilização do MPF poderá vir a ser objeto de repreensão disciplinar, mas não implicará nulidade dos atos praticados pelo auditor fiscal no exercício das atividades que lhe foram atribuídas por lei, como as praticadas no presente caso de fiscalização. Esse é também o entendimento dos Conselhos de Contribuintes, conforme ementas abaixo reproduzidas: (fl. 291) Por essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mandado de Procedimento Fiscal MPF A recorrente cingiuse a alegar vícios no MPF. Não são novas as questões envolvendo nulidade do lançamento por vícios no MPF, ou nulidade do lançamento decorrente da falta de rigorosa observância do MPF pela autoridade lançadora. Nas ocasiões em que foi chamada a se manifestar sobre a matéria, esta Turma invariavelmente se posicionou no sentido de que as irregularidades no MPF não projetavam nenhum efeito sobre o lançamento e tampouco sobre a obrigação tributária. No processo nº 15215.720152/201315, do qual fui relator, manifesteime nos seguintes termos: Vários são os vícios suscitados pelo recorrente como causa de nulidade do lançamento e do processo administrativo. O primeiro deles se refere à ausência de mandado de procedimento fiscal MPF específico que estendesse ao recorrente o alcance da fiscalização. O MPF, no tempo em que era exigido, não passava de um instrumento de controle administrativo. Assim, eventuais irregularidades em sua emissão, Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10783.721656/201386 Acórdão n.º 1301003.173 S1C3T1 Fl. 361 6 prorrogação de vigência, ou ampliação de objeto não eram aptos a projetar qualquer efeito sobre o lançamento ou sobre o processo. A consequência que poderia advir de um daqueles vícios cingiase ao plano funcional, podendo dar ensejo, nos casos de extrema gravidade, a uma medida de ordem disciplinar, mas sem acarretar a invalidade do lançamento, se este, que é ato vinculado, fosse realizado por servidor competente, e se da irregularidade não tivesse resultado prejuízo para o contribuinte. Malgrado os argumentos trazidos no recurso, não há razão para afastar o entendimento desta Turma e também da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. No caso em exame, a alegação de nulidade se deve, em síntese, aos seguintes fatos: falta de motivação do ato de emissão e prorrogação do MPF; alteração do objeto da fiscalização; prorrogação do MPF; e manutenção do mesmo auditor fiscal à frente do trabalho O ato pelo qual a autoridade administrativa determina a abertura de procedimento de fiscalização sobre certo contribuinte é discricionário e, como tal, prescinde de motivação, salvo se a lei a considerasse obrigatória. É nesse sentido que se posiciona o jurista José dos Santos Carvalho Filho: Quanto ao motivo, dúvida não subsiste de que é realmente obrigatório. Sem ele, o ato é írrito e nulo. Inconcebível é aceitarse o ato administrativo sem que se tenha delineado determinada situação de fato. No que se refere à motivação, porém, temos para nós, com o respeito que nos merecem as respeitáveis opiniões dissonantes, que, como regra, a obrigatoriedade inexiste. Fundamonos em que a Constituição Federal não incluiu (e nem seria lógico incluir, segundo nos parece) qualquer princípio pelo qual se pudesse vislumbrar tal intentio; e o Constituinte, que pela primeira vez assentou regras e princípios aplicáveis à Administração Pública, tinha tudo para fazêlo, de modo que, se não o fez, é porque não quis erigir como princípio a obrigatoriedade de motivação. Entendemos que, para concluirse pela obrigatoriedade, haveria de estar ela expressa em mandamento constitucional, o que, na verdade, não ocorre. Ressalvamos, entretanto, que também não existe norma que vede ao legislador expressar a obrigatoriedade. Assim, só se poderá considerar a motivação obrigatória se houver norma legal expressa nesse sentido. (grifo do original) (Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris Editora, 17ª edição, 2007, pg. 105) Não existe lei considerando obrigatória a motivação para emitirse um MPF. A alegada alteração do objeto é, na verdade, uma retificação. É que, estando a recorrente no Simples, o procedimento de fiscalização não poderia ter por objeto o IRPJ, ou qualquer outro tributo incluído naquele sistemática de tributação. No mais, dessa alteração não adveio nenhum prejuízo para a recorrente. Quanto à prorrogação do MPF, não existe qualquer vício. A prorrogação deve ser feita antes de o mandado perder a vigência. Uma vez transcorrido o prazo do MPF, sem que esteja concluída fiscalização, já não caberá prorrogação, mas sim a edição de novo mandado. É para esta hipótese que se exige a indicação de outro auditor fiscal para concluir o trabalho. No Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10783.721656/201386 Acórdão n.º 1301003.173 S1C3T1 Fl. 362 7 caso concreto, a prorrogação se deu antes da perda de vigência do MPF original. Portanto, aqui também não existe o vício aventado no recurso. Por fim, cumpre dizer que a CSRF, no recente Acórdão nº 9101003.253, se posicionou no sentido de que irregularidades no MPF não viciam o lançamento. Eis a ementa, na parte que diz respeito à matéria aqui examinada: MPF. PRORROGAÇÕES. COMPLEMENTAR. DILIGÊNCIAS. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal constituise em instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por atos internos da Receita Federal dispondo sobre prazos e condições para a emissão, prorrogação e complementação do MPF, mas que não têm o condão de alterar a competência do auditor fiscal quanto à atividade vinculada e obrigatória do lançamento, atribuída pelo art. 142 do CTN. Do voto do ilustre Conselheiro relator se extrai a seguinte afirmação: Sobre o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tratase de mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por atos internos da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência do auditor fiscal quanto à atividade vinculada e obrigatória do lançamento, atribuída pelo art. 142 do CTN. Por isso, eventual deficiência na ciência, no curso de Fiscalização, sobre qualquer dos MPF emitidos (tanto de fiscalização quanto de diligências), não implica em nulidade. Isso porque, no decorrer da ação fiscal, o que se deve observar é se a Contribuinte tomou a devida ciência do Termo de Início da Fiscalização, dos Termos de Continuidade da Ação Fiscal, e do Auto de Infração, conforme previsto nos artigos 7º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) 2, o que ocorreu no caso concreto. Em resumo, o MPF, na perspectiva do contribuinte submetido a procedimento de fiscalização, é instrumento de garantia que sinaliza os limites de autuação do agente do Fisco, que não poderá exigir documentos, nem esclarecimentos que não tenham pertinência com o tributo e o período objeto de exame, hipótese em que o contribuinte teria o legítimo direito de resistência. Porém, uma vez concluída a fiscalização e consumado o lançamento, o parâmetro de verificação da validade do ato administrativo não é o MPF. É a lei. Concluído o trabalho de auditoria fiscal, o MPF perde sua função. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 362DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.002747/00-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1995
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA.
Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO ART. 173,I, CTN
O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há homologação, regendo-se a decadência pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1301-003.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário para os fatos geradores ocorridos entre agosto a novembro de 1994.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994, 1995 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO ART. 173,I, CTN O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há homologação, regendo-se a decadência pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário para os fatos geradores ocorridos entre agosto a novembro de 1994. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994, 1995 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO ART. 173,I, CTN O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há homologação, regendose a decadência pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário para os fatos geradores ocorridos entre agosto a novembro de 1994. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 27 47 /0 0- 63 Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 741 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 742 3 Relatório CONCRETEC INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ME., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) DRJ/CPS (efls. 573 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente improcedente a impugnação do contribuinte e manteve o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS/REPIQUE, COFINS e IRRF, no valor total de R$18.035,67, com juros de mora e multa de ofício de 75%. Do Lançamento Valhome do Relatório do Acórdão recorrido de efls. 576 e ss.: Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro CSL, ao Imposto de Renda Retido na Fonte e às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS/Repique e para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, cientificados à contribuinte em 29/12/2000, por meio do AR de fl. 488, no valor total de R$ 70.174,13, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ: "Razão do arbitramento no (s) período (s): 08/1994 10/1994 U/1994 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar toda documentação relativa aos atos negociais praticados no período de 1994 a 1996, conforme Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação Fiscal datado de 28/07/2000 e Termo de Intimação Fiscal datado de 16/10/2000, anexos, deixou de apresentála. Enquadramento Legal: de 01/01/1994 a 31/12/1994 Art. 539, inciso III, do RIR/94 001 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA O contribuinte entregou as declarações de rendimentos IRPJ formulário II Micro Empresa referente aos anoscalendário 1994, 1995, com atraso, em 14/03/1997, e a referente ao anocalendário 1996 em 07/05/1997, juntamente com a DIRPJ de encerramento de atividade abrangendo o período de 01/01/97 a 25/02/1997. Consta como representante legal da empresa e como sócia, em todas as declarações acima, inclusive na de encerramento de atividades, a Sra. Sylvia Pinto Gomes Barbosa, CPF 276.532.77853. Tem como outro sócio o Sr. Francisco Pinto Barbosa, CPF 027.384.30872. O endereço residencial de ambos é Rua XV de Novembro, 497, Centro, Taubaté (SP). Apesar de o contribuinte ter entregue todas as declarações mencionadas acima com o Quadro 09 em branco, após informação obtida junto à PREFEITURA MUNICIPAL DE TAUBATÉ/SP. conforme ofício 1971/00, expedido pelo Prefeito Municipal em 05/12/2000, anexo, ficou constatado que o contribuinte praticou atos negociais com a referida prefeitura, conforme relacionado no Quadro 1.1 do Anexo 1 deste auto de infração. Também ficou constatado pela cópia do contrato de compra e venda de estabelecimento comercial, datado de 06/04/1994 e apresentado pelo Sr. Francisco Pinto Barbosa em 18/10/2000, respondendo a intimações, que o contribuinte, Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 743 4 pessoa jurídica, vendeu, através de seus sócios, bens compostos por maquinàrios e fundo de comércio, auferindo com isso uma receita não operacional. Os valores envolvidos nessa transação estão relacionados no Quadro 1.2 do Anexo 1. De acordo com a apuração feita no Quadro 2.1 do Anexo 2 deste auto de infração, a receita auferida pelo contribuinte, considerandose o que foi dito nos dois parágrafos anteriores, ultrapassou o limite de isenção de microempresa a partir do mês de agosto de 1994, sujeitandose à tributação do IRPJ e seus reflexos, considerando o excesso de receita. As bases de cálculo do IRPJ sobre a receita excedente apresentada em 1994 e de seus reflexos PIS, COFINS, IRRF e CONSOC, bem como da COFINS e CONSOC sobre as receitas não excedentes ao limite, estão demonstradas nos Quadro 3.1, Quadro 3.2 e Quadro 3.3 do Anexo 3. As receitas auferidas em 1995 não ultrapassaram o limite de microempresa, razão pela qual estão sujeitas à tributação da COFINS e CONSOC. Tendo em vista que o contribuinte encerrou as suas atividades, este auto de infração, bem como os demais autos reflexos, foram emitidos com o endereço residencial de seus sócios e encaminhados aos mesmos, apesar de constar como endereço do contribuinte, no cadastro da SRF, a Rodovia Pedro Celete, s/n, KM 4, Tremembé/SP. Esta descrição dos fatos vale para todas as infrações apontadas no auto de infração principal e nos autos reflexos. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 490/506, que aduziu os seguintes argumentos: 2.1. Apresenta breve histórico sobre a empresa, com o qual pretende fundamentar sua impugnação, nos seguintes termos: "A empresa CONCRETEC INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ME, foi fundada por quatro sonhadores, todos engenheiros civis, no início do exercício de 1990, com a intenção de pesquisar e desenvolver materiais de construção. O sonho, contudo, rapidamente esfumouse e, conforme pode ser constatado na alteração de contrato social que a esta se junta (doe. 1), ao completarse o primeiro ano, sem que a sociedade houvesse apresentado reais expectativas de desenvolvimento, de comum acordo três dos sócios resolveram retirarse, permanecendo na sociedade apenas o ora REQUERENTE tendo como parceira social a mulher, admitida no mesmo ato. Nesse momento, ainda que sentindo que a empresa houvesse encolhido porque apresentava todos os sintomas de insucesso próximo, insistiu o REQUERENTE na tentativa de levála adiante, tarefa que se tornou irrealizável, por uma série de motivos, sendo que o principal deles decorreu do fato de o REQUERENTE como professor que sempre foi não ter tido qualquer possibilidade de afastarse de sua cátedra. E aquilo que fora um sonho, no início de 1994, transformarase em pesadelo; um fardo assaz pesado impossível de ser levado adiante. E os sócios remanescentes, antes da quebra, entenderam de vender a firma ao primeiro comprador que se interessou por ela: o Sr. DAVES ORTIZ BATALHA (doe. 2), engenheiro civil. Antigo aluno do REQUERENTE e empresário da construção civil com nome já firmado na praça, que se constituiu então no mais novo pesadelo para o vendedor." Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 744 5 2.2. Afirma que a documentação da microempresa esteve sempre sob a guarda do contador Sr. Sérgio Santana Meireles, sócio proprietário do escritório MT Contábil S/C Ltda. A este escritório foi confiada a transferência por venda ao Sr. Daves Ortiz Batalha, formalizandose o 'Contrato de Venda e Compra do Estabelecimento Comercial'. 2.3. Aduz que a tradição se deu no ato da assinatura do contrato e ao comprador foram entregues todos os livros e documentos fiscais da microempresa vendida. Tal fato ocorreu no dia 06 de abril de 1994, restando aos vendedores apenas a segunda via do contrato, na qual foram reconhecidas as firmas. 2.4. Informa que em março de 1995 os documentos da empresa foram retirados pela fiscalização estadual, junto ao contador, fato este que se repetiu em outubro de 1995 e junho de 1997. Tais documentos, conforme informações que obteve do Posto de Fiscalização Estadual de Taubaté, teriam se extraviado. 2.5. Acrescenta que o mesmo escritório contábil continuou a cuidar dos interesses da CONCRETEC para o novo proprietário, Sr. Daves Ortiz Batalha. Em tal situação, tendo conhecimento de que junto às repartições continuavam ainda seu nome e de sua esposa como únicos sócios da Concretec, conseguiu notificar o Sr. Daves Ortiz Batalha, em cartório, no dia 30 de dezembro de 1996. 2.6. E continua: "a) Em 23 de fevereiro de 2000, o REQUERENTE foi notificado pelo Fisco Estadual livros e documentos e toda a documentação relativa aos contratos com a Prefeitura Municipal de Taubaté em decorrência das cartas convites n. "s. 135/94, processo n. ° 9043/94; 251/94, processo n." 15292/94; 253/94, processo n.° 15493/94; e, 259/94, processo n.° 15828/94; devendo ser observado serem estes últimos os mesmos documentos posteriormente utilizados pela Receita Federal; contratos que o REQUERENTE desconhecia completamente a existência; b) em 29 de março de 2000, o REQUERENTE, impossibilitado de atender a notificação foi intimado pelo Fisco Estadual da lavratura do Auto de Infração e Imposição de Multa n." 2.005.9322; evidentemente que a acusação fiscal estadual foi, tempestivamente, impugnada." 2.7. Assevera que apenas neste momento deuse conta que fora envolvido em procedimentos escusos dos quais nunca tivera conhecimento. Providenciou o cancelamento das inscrições nas repartições federais, estaduais e municipais. 2.8. Em 28/07/2000 foi notificado do início da ação fiscal contra a empresa, bem como a apresentar toda a documentação relativa aos atos negociais praticados no período de 1994 a 1996, a qual desconhecia. Por esse motivo, solicitou em 03/08/2000, junto à Receita Federal, pedido de prorrogação de prazo, sendo atendido. 2.9. Protocolou junto à Prefeitura Municipal de Taubaté requerimento solicitando a entrega de documentação relativa aos negócios realizados, obtendo parte da documentação solicitada, em dezembro de 2000, consistente nos contratos relativos às Cartas Convites n.°s. 253/94, 251/94 e 259/94, que foram entregues à Receita Federal no dia 15 de dezembro, sendo o auto de infração lavrado no dia 13. 2.10. Nesta oportunidade constatou que o Sr. Daves Ortiz Batalha teria deturpado a denominação da CONCRETEC, utilizandose do mesmo CNPJ e noticiando a alteração da razão social mediante aposição de carimbo nos documentos fiscais. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 745 6 2.11. Dessa forma, o REQUERENTE não possui em seu poder qualquer documento relativo à CONCRETEC, à exceção de 10 talões de notas fiscais que se encontram à disposição do Fisco. 2.12. Fez comunicação ao Ministério Público com vistas à apuração de eventual irregularidade nos contratos comerciais firmados entre a municipalidade e a CONCRETEC. 2.13. Reafirma a ilegitimidade de parte, pois desde 6 de abril de 1994, o Requerente e a Sra. Sylvia Pinto Gomes Barbosa não são mais sócios e não podem ser considerados responsáveis pelos encargos tributários da contribuinte, uma vez que, por ato jurídico perfeito e acabado, venderam a microempresa ao Sr. Daves Ortis Batalha, que descumpriu todas suas obrigações fiscais regulamentares relativas à alteração cadastral. 2.14. Sob sua perspectiva, a validade do contrato em nenhum momento é posta em dúvida pelo Fisco, que o utilizou inclusive para o lançamento de receitas não operacionais. Assim, se o contrato é válido para efeito de lançamento, a mesma validade deve ser reconhecida pelo Fisco para aceitar o Sr. Daves Ortiz Batalha como verdadeiro responsável por qualquer dívida lançada contra a Concretec posteriormente a 6 de abril de 1994, aceítandoo como sócio gerente da microempresa, ainda que este não tenha comunicado a alteração cadastral ocorrida. 2.15. Transcreve o art. 133 do CTN para reafirmar que Francisco Pinto Barbosa e Sylvia Pinto Gomes Barbosa devem ser excluídos do pólo passivo da obrigação tributária. 2.16. Aduz que um exame do contrato de compra e venda do estabelecimento comercial demonstra a inexistência de qualquer receita não operacional sujeita a imposto, tendo em vista que não foi a CONCRETEC que contratou a venda. 2.17. Na verdade, a contribuinte foi vendida ao comprador, Sr. Daves Ortiz Batalha. A Concretec Indústria e Comércio Ltda. ME continuou existindo, operando dentro da normalidade, sob nova direção, decorrente da compra pelo novo dono das cotas de capital. 2.18. Portanto, os Srs. Francisco Pinto Barbosa e Sylvia Pinto Gomes Barbosa participaram do ato negocial como vendedores. O Sr. Daves Ortiz Batalha como comprador e a microempresa Concretec Indústria e Comércio Ltda. ME foi o objeto do negócio. 2.19. Pleiteia a decadência do lançamento efetuado, nos termos do art. 173 do CTN, tendo em vista que os sócios encontravamse em dia com suas obrigações tributárias até o encerramento do ano de 1993, ocorrendo a decadência ao final de 1999. 2.20. Entende que, ainda que se considere a decadência nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, ela já teria se consumado, para fatos geradores ocorridos até a data de 6 de abril de 1994, data da venda da empresa. 2.21. E acrescenta: "Ao contrário, e como decorrência da própria venda do estabelecimento, o resultado da apuração decorrente de levantamento fiscal do exercício de 1994, cujo termo para efeito decadencial estaria no dia 31 de dezembro de 2000, na forma preconizada no artigo 173 do Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 746 7 CTN, que combinándose com a norma expressa no artigo 133 do mesmo codex exclui da relação processual na qualidade de sujeito passivo tanto o REQUERENTE como sua sócia SYLVIA PINTO GOMES BARBOSA." 2.22. Pleiteia que seja refeito o demonstrativo relativo à "determinação da receita excedente ao limite de isenção de microempresa", excluindose as receitas não operacionais dos meses de abril a agosto de 1994, nos valores respectivos de: Cr$ 5.322.966,00; CR$ 7.628.796,00; CR$ 10.671.102,00; R$ 5.400,00 e R$ 5.400,00. Excluídos tais valores, apenas no mês de novembro de 1994 há receita excedente. Em julgamento realizado em 07 de abril de 2004, a 4ª Turma da DRJ/CPS, considerou parcialmente improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 6.341 assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994,1995 Ementa: IRPJ. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. O crédito tributário formalizado, que tem por fato gerador a percepção de lucros, decorrentes de receitas auferidas na venda de produtos e prestação de serviços, tem por sujeito passivo a pessoa jurídica que exerceu essas atividades, e não as pessoas físicas de seus sócios. A alteração contratual decorrente da transferência da titularidade das quotas da sociedade por quotas de responsabilidade limitada, na qualidade de microempresa, só tem efeitos jurídicos se realizado o necessário arquivamento na Junta Comercial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994,1995 Ementa: IRPJ. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há homologação, regendose a decadência pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Como o sujeito passivo da obrigação tributária é a empresa, pessoa jurídica, a decadência operase em relação aos fatos geradores decorrentes da atividade da empresa, e não em relação aos atos praticados pelos sócios, pessoas físicas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1994, 1995 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DO LIVRO CAIXA. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 747 8 Comprovada a falta de apresentação da documentação relativa aos atos negociais praticados, bem como do livro caixa do período, cabível é o arbitramento do lucro. A transferência de quotas da sociedade de quotas por responsabilidade limitada não gera receitas à pessoa jurídica, na medida que se trata de ato negocial entre pessoas físicas. Dessa forma, excluise o crédito tributário relativo às receitas não operacionais, atribuídas à autuada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1994,1995 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSL. PIS/REPIQUE. COFINS. IRRF. Lavrado o auto principal (IRPJ), deve também ser lavrado o auto reflexo, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN, devendo este seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorre. Lançamento Procedente em Parte Do Recurso Voluntário A contribuinte, através de seu exsócio apresentou Recurso Voluntário às e fls. 612 e ss, atendose aos seguintes pontos: de que Francisco Pinto Barbosa e Sylvia Pinto Gomes Barbosa foram indevidamente colocados no polo passivo da obrigação tributária; decadência do direito da Fazenda Nacional de lançar tributo, com início em julho de 2000, sobre operações ocorridas há mais de 5 anos, nos termos do art. 150, do CTN. inexistência das receitas não operacionais apontadas como fato gerador do tributo pelo Fisco (já reconhecidas pela DRJ) Dos Acórdãos De Recurso Voluntário, Especial e Extraordinário Assim, os autos chegaram ao CARF e em 18/08/2006, por meio do Acórdão 10322.608, efls. 644 e ss, o Colegiado acordou, por maioria de votos, em acolher a preliminar de decadência já que o lançamento principal e reflexos eram tidos como lançamento por homologação, tendo a contagem do prazo de 5 anos a partir dos fatos geradores, assim, para todos os tributos, inclusive o IRRF. A PGFN entrou com Recurso Especial em 17/05/2007, que teve a decisão em 12/08/2008, através do Acórdão 0105.991, de efls. 686, que lhe negou provimento, mantendose a decadência. Em 17/03/2009, a PGFN novamente, ingressou agora com Recurso Extraordinário, contra a decisão "a quo", o Pleno, às efls. 724 e ss, através do Acórdão 9200 00283, de 07/12/2011, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, afastando a decadência, e aplicando o art. 173, I, em razão da inexistência de pagamento, bem como determinando retorno dos autos à Câmara para análise de mérito. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 12/04/2018. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 748 9 É o relatório. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 749 10 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, pelo lucro arbitrado, relativo ao anocalendário de 1994 e 1995, totalizando o crédito tributário de R$70.174,85, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. A ação fiscal identificou que a receita auferida pelo contribuinte ultrapassou o limite de isenção de microempresa a partir de agosto de 1994, sujeitandose à tributação do IRPJ e seus reflexos. As receitas auferidas em 1995 não ultrapassaram o limite de microempresa, razão pela qual só estão sujeitas ao COFINS e CONSOC. Pela decisão da CSRF, aplicase ao caso o art. 173, I do CTN, diante da falta de pagamento: No caso em apreço, o Contribuinte entregou todas as declarações com o QUADRO 09 em branco. Contudo, após informações obtidas junto à PREFEITURA MUNICIPAL DE TAUBATÉ/SP, conforme Ofício 1971/00, expedido pelo Prefeito Municipal em 05/12/2000, anexo, ficou constatado que o sujeito passivo praticou atos negociais com a referida Prefeitura, conforme relacionados no QUADRO 1.1 do ANEXO 1 deste Auto de Infração. Nesse sentido, inexistindo razão para aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação, seguese a imperiosa necessidade de aplicação da regra geral esculpida no Código Tributário Nacional nos termos do artigo 173 . Assim, a conclusão que se impõe é a de que, não havendo pagamento antecipado, o lançamento de tributo sujeito à homologação poderá ser realizado no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;....” Dessa forma, temos casos aqui, em que os fatos geradores ocorreram de agosto a novembro de 1994, estes somente poderiam ser lançados no exercício seguinte, ou seja a partir de 01/01/1995, assim, o prazo decadencial para lançamento encerrouse em 31/12/1999, a ciência do lançamento ocorreu em 29/12/2000, de fato decaídos, ainda que se Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 750 11 aplique o art. 173, I do CTN. Isso se aplica aos lançamentos de IRPJ, IRRF, PIS, CSLL, COFINS e IRRF. Para os casos relativos de janeiro, março e maio de 1995, também sem pagamentos, o lançamento só ocorreria a partir de 01/01/96, findando em 31/12/2000, esse não estão abarcados pela decadência. E ressaltese, aqui, que com relação ao afastamento do lançamento relacionado às receitas não operacionais, nada se altera, já que não houve a interposição de Recurso de Ofício por questões de alçada. Feita esta análise passemos às questões levantadas no Recurso Voluntário. Quem apresentou o Recurso Voluntário foi o Sr. Francisco Pinto Barbosa, na qualidade de exsócio da empresa, bem como pugna pela sua exclusão do polo passivo, bem como de sua esposa e também exsócia da empresa, Sra. Sylvia Pinto Gomes Barbosa. Não consta dos autos nenhum termo de responsabilidade solidária, assim, não há que se falar em exclusão do polo passivo. Posteriormente, alegaram que venderam a empresa para o Sr. Daves Ortiz Batalha em data anterior aos fatos aqui narrados, entretanto, como bem colocado pela decisão recorrida, o contrato de compra e venda de quotas da referida empresa não foi levada à efeito junto aos órgãos públicos responsáveis, dessa forma, em que pese terem acordado a venda, sem efeitos legais para fins fiscais. Não houve o arquivamento das alterações contratuais na Junta Comercial respectiva, de acordo com o que determina o art. 32 da Lei 8.934/94: "Art. 32. O registro compreende: I a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazénsgerais; II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a lei n. ° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; d) das declarações de microempresa; e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao registro público de empresas mercantis e atividades afins ou daqueles que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; iii a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria, [grifouse]" Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 1301003.213 S1C3T1 Fl. 751 12 No que tange ao mérito propriamente dito, alega o recorrente que de fato não possuía a documentação solicitada, uma vez que já tinha vendido a empresa. A fiscalização, constatou que apesar da entrega das declarações dos anos de 1994 a 1996 em branco, a empresa prestou serviços junto à Prefeitura Municipal de Taubaté, conforme se verificou das notas fiscais Assim, sem nenhum argumento quanto a tais fatos, de se manter o lançamento. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a decadência parcial para os fatos geradores ocorridos entre agosto a novembro de 1994. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 751DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13883.000163/2002-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
IPI. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPI.
A reversão da glosa de créditos no julgamento de lançamento de ofício em auto de infração, que fundamentou o indeferimento do pedido de ressarcimento, deve ser neste refletida.
Numero da decisão: 3302-005.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.Processo julgado na sessão de 21/06/2018,.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.Processo julgado na sessão de 21/06/2018,. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
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COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPI. A reversão da glosa de créditos no julgamento de lançamento de ofício em auto de infração, que fundamentou o indeferimento do pedido de ressarcimento, deve ser neste refletida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.Processo julgado na sessão de 21/06/2018,. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 3. 00 01 63 /2 00 2- 16 Fl. 1123DF CARF MF 2 A contribuinte em epígrafe deu entrada, em 31.05.2002, em pedido de ressarcimento de crédito de IPI do 1° trimestre do anocalendário de 2002, referente aos insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, de acordo com o DecretoLei n° 491, de cinco de março de 1969, e a Lei n° 8.402, de oito de janeiro de 1992, cumulado com pedidos de compensação (controlados no processo n° 13883.000208/200252 fls. 60), nos termos da IN SRF n° 21, de dez de março de 1997, revogada pela IN SRF n° 210, de trinta de setembro de 2002, e esta última ora revogada pela edição da IN SRF n° 460, de dezoito de outubro de 2004. Tratase de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de IPI, com fundamento na legislação que assegura ao contribuinte do imposto a manutenção do crédito correspondente a insumos utilizados na industrialização de produtos destinados à exportação. Face a exportações efetuadas nos anoscalendário de 2001 e 2002 a empresa apurou elevado saldo credor do imposto, o que a levou a formular pedido de ressarcimento/compensação dos créditos de IPI remanescentes em sua escrita fiscal ao término de cada trimestre calendário, na forma da legislação. O pedido que deu origem ao processo em referência, formulado em 31.05.2002, corresponde ao saldo credor de IPI apurado no 1° trimestre do anocalendário de 2002, no valor de R$ 4.170.000,00 (quatro milhões e cento e setenta mil reais). Esse pedido foi cumulado com pedido de compensação de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF (processo n° 13883.000208/200252), na forma da INSRF n° 210/2002. Para amparar seu pleito, a interessada anexou os formulários de fls. 01, 16 e 21, além dos documentos às fls. 02/06, 17/19, 22 e, em resposta às intimações de fls. 28, 35, 37/38 e 40/41, as fls. 30/34 e 36. Para verificar a legitimidade dos créditos pleiteados, o Delegado da Delegacia da Receita Federal da circunscrição competente determinou a instauração de procedimento fiscal, no qual o agente fiscal designado realizou diversas intimações à manifestante para apresentação de documentos e informações relativos às operações que efetuou. Em 14/03/2005, a Delegacia da Receita Federal de Taubaté/SP, em Despacho Decisório, INDEFERIU a solicitação. Fundamentouse que foi verificada a impossibilidade de se atender o pleito da contribuinte, relativo ao ressarcimento de créditos de IPI, devido à ausência de elementos essenciais que possibilitariam verificar a legitimidade do pedido formulado, por força da legislação que rege o tributo e disciplina os procedimentos a serem adotados. O interessado tomou ciência da decisão, pessoalmente, em 29/03/2005, às folhas 64 do processo em papel. O interessado ingressou com Manifestação de Inconformidade em 28/04/2005. Em 28 de setembro de 2005, através do Acórdão n° 9.237, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, decidiu por unanimidade de votos, DEFERIR PARCIALMENTE a solicitação para anular a decisão recorrida, determinando a continuidade do processo de ressarcimento para que seja efetuado novo despacho decisório. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 13883.000163/200216 Acórdão n.º 3302005.582 S3C3T2 Fl. 1.116 3 A Turma tomou a decisão de anular a decisão recorrida, pois a decisão de indeferir o pleito foi tomada com base em fato diverso do realmente existente, havendo assim violação à Lei n° 9.784/99, artigo 50, parágrafo 1°, e do art. 53 da mesma lei. Foi assim determinado o retorno do processo à unidade de origem, a fim de que fosse proferido novo Despacho Decisório. Diante disso, foi reiniciado o procedimento fiscal que culminou com a lavratura do Auto de Infração, objeto do processo n° 16045.000016/200711 (cópias de fls. 343/346), que alterou a escrita fiscal do contribuinte, reduzindo o saldo credor do período em questão. Em 05 de abril de 2007, em novo Despacho Decisório a Delegacia Regional de Julgamento de Tatuapé/SP conheceu do pedido para, no mérito, DEFERILO PARCIALMENTE, glosando a importância de R$ 208.169,36 e reconhecendo o direito creditório no montante de R$ 3.961.830,64, por se enquadrar, referido valor, nas disposições do art. 11 da Lei n° 9.779, de dezenove de janeiro de 1999. Dada a reconstituição da escrita feita no auto citado ocorreu a redução no valor a ser ressarcido para R$ 3.961.830,64, ilustrado no demonstrativo apresentado à folha 357. Para finalizar, o penúltimo parágrafo da informação fiscal (fls. 336/338) define a forma de apuração do saldo disponível, assim como explica a glosa realizada no valor de R$ 208.169,36. O interessado foi cientificado do novo Despacho Decisório, via Aviso de Recebimento, em 27/04/2007. Em 28 de maio de 2007, o interessado ingressou com nova Manifestação de Inconformidade. Em 28 de novembro de 2007, através do Acórdão n° 1417.811, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação. Entendeu a Turma que a Delegacia da Receita Federal não poderia homologar a compensação, por força do que dispõe o artigo 11 da Lei n° 9.779/1999, pois o direito creditório alegado pelo contribuinte perdeu a certeza e liquidez determinada pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional. Salientou o referido Acórdão que não existe crédito líquido e certo do IPI contra a Fazenda Nacional enquanto ainda constarem débitos deste imposto a serem compensados, nos termos do inciso II, do parágrafo 3° do artigo 153 da CF/88 (princípio da não cumulatividade), e da IN SRF n° 33/99. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 02/01/2008, via Aviso de Recebimento. Em 30/01/2008, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões. Fl. 1125DF CARF MF 4 O Recorrente alegou os seguintes pontos: ü A arguição de que a interposição do Recurso Voluntário apresentado em face da decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário, objeto da compensação; ü A arguição da questão prejudicial não julgada definitivamente: da subsidiária do Código de Processo Civil (reunião e conexão de processos) o auto de infração em questão (Processo Administrativo n° 16045000.016/200711) permanece aguardando julgamento definitivo perante a instância administrativa superior; ü A arguição do descabimento da glosa efetuada face às razões de improcedência do Auto de Infração 16045.000.016/200711. Do Pedido de Reforma Em razão do exposto, requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e provido em sua totalidade, para acolher a preliminar de reunião dos processos administrativos (processos n°s 13883.000.163/200216 e 16045.000.016/200711), para serem julgados conjuntamente, a fim de evitar decisões conflitantes, ou, ao menos, seja sobrestado o presente processo, até julgamento final do referido processo (Auto de Infração n° 16045.000.016/2007 11). Subsidiariamente, caso não seja acolhida a suspensão do presente processo, requer seja reconhecida o descabimento da glosa de compensação declarada no processo n° 13883.000.208/200252, em razão da improcedência daquela autuação fiscal, constante Auto de Infração n° 16045.000.016/200711. Por fim, em atenção ao artigo 48, parágrafos, da Instrução Normativa n° 600, de 28 de dezembro de 2005, requer seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, objeto de compensação realizada pela empresa, ora Recorrente, enquanto pendente de julgamento o presente recurso Voluntário, interposto em face de decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade. Em 30 de junho de 2010, através da Resolução n° 340300.050, a 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, baixou os autos em diligência para que sejam os autos remetidos à origem para juntada da cópia da decisão que vier a ser proferida nos autos número 16045.000.016/200711. A decisão do Processo n° 16045.000.016/200711 foi juntada aos autos, a partir das folhas 1.094 do processo digital. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Relator. Da admissibilidade. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 13883.000163/200216 Acórdão n.º 3302005.582 S3C3T2 Fl. 1.117 5 Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 02 de janeiro de 2008, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 30 de janeiro de 2008. Da controvérsia. A decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação; A questão prejudicial não julgada definitivamente: Processo Administrativo n° 16045000.016/200711; O descabimento da glosa efetuada. Do Mérito. Da decisão definitiva do Processo n° 16045000.016/200711 O Auto de Infração n° 16045 000.016/200711 tinha por objeto a glosa de créditos de IPI no primeiro trimestre do exercício de 2002, no valor de R$ 208.169,36, importância que o Despacho Decisório da Delegacia Regional de Julgamento de Tatuapé/SP INDEFERIU no presente processo, em 05 de abril de 2017. Em função disso foi levantada no RECURSO VOLUNTÁRIO a existência de questão prejudicial que refletiria no julgamento do presente processo administrativo. A decisão foi juntada aos autos a partir das folhas 1.094 do processo digital, demonstra que a 2a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão nº 3402002.540, por maioria de votos, deu provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, afastando a exigência tributária oriunda do Processo n° 16045.000.016/2007 11. O processo do Auto de Infração n° 16045.000.016/200711 foi lavrado em razão de procedimento fiscal realizado para fins de verificar a legitimidade do saldo credor defendido no presente pedido de ressarcimento. Daí a questão prejudicial, que deve ser observada no julgamento do presente pedido de ressarcimento. Assim, não procederam as glosas de créditos efetuadas ao argumento de aqueles corresponderem a materiais que não foram utilizados diretamente no processo produtivo. Demais questões prejudicadas. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Fl. 1127DF CARF MF 6 Jorge Lima Abud. Fl. 1128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.909042/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
Numero da decisão: 1401-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 90 42 /2 01 1- 14 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte apresentada em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não homologar a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP, para manter o crédito tributário exigido. Ao compulsar dos autos, percebese que “a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico , exarado pela Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, no qual não foi homologada a DCOMP, sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a Derat/SC – Florianópolis, não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Exigiu se os valores devedores indevidamente compensados. A Ciente da autuação, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: 1. PRELIMINAR: DA DECISÃO JUDICIAL QUE DECLAROU A NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELA REQUERENTE AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA A EDIÇÃO DO ATO IMPUGNADO: Diz que há uma questão prejudicial à lavratura do Despacho Decisório, tendo em vista que fora judicialmente reconhecida a natureza hospitalar dos serviços de patologia, autorizando lhes a aplicar o percentual de 8% (IRPJ) e 12%CSLL, para efeitos de determinação da base de calculo (lucro presumido)”. 2. NO MÉRITO: O contribuinte alegou haver ingressado com ação ordinária junto à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí/SC, que recebeu o nº 500001672.2010.404.7208, objetivando o reconhecimento do direito de recolher o IRPJ e a CSLL aplicando os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta e, ainda, o direito de compensar os recolhimentos a maior já efetuados (alíquota de 32%). 3. Diz que obteve decisão judicial que suspendeu a exigibilidade em relação aos créditos tributários correspondentes. E que, uma vez reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços prestados não restam dúvidas no sentido de que a compensação levada a efeito, cujo crédito apurado decorre de pagamentos indevidos Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 4 3 de IRPJ e CSLL, pela aplicação equivocada do percentual de 32% é plenamente legítima, devendo, pois, ser homologado o procedimento de compensação. E que, partindo da premissa que o crédito utilizado para compensação é plenamente legitimo, o entendimento externado no r. Despacho Decisório, configura uma hipótese de negativa de vigência ao disposto no art. 74, da Lei n. 9.430/96”. 4. Requereu que seja: "(a) recebida a presente manifestação de inconformidade, para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional; (b) decretada a nulidade do r. Despacho ...; ou, então, (c) seja este integralmente reformado, tendo em vista que fora reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços de patologia prestados”. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008. DIREITO CREDITÓRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Não encontra amparo legal a pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. 1. É vedada a compensação de débitos com direito creditório discutido judicialmente, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. 2. Somente o trânsito em julgado da decisão judicial no processo no qual se discute a determinação do crédito do contribuinte pode atribuir a este os requisitos de liquidez e certeza sem os quais a compensação declarada não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Isto porque, segundo entendimento da Turma, a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. E que, além disso, cumpre observar que se encontra prejudicada a apreciação do mérito do direito ao crédito e de sua compensação, na medida em que não encontra amparo à pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial”. E no que tange à possibilidade de se compensar os indébitos discutidos na ação ordinária ajuizada pela impugnante, notase que “nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, citado na própria sentença, é vedada a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 5 4 Conclui a turma julgadora que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Dessa forma, a manifestação fora julgada improcedente, culminandose com a não homologação da compensação objeto da DCOMP. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando seguintes as razões: 1. DA PROTEÇÃO DA SEGURANÇA JURÍDICA DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ: Aduz que a compensação levada a efeito, pautouse por entendimento já preconizado pela própria administração fazendária, o acórdão recorrido acabou vulnerando os princípios da segunda jurídica, da proteção da confiança e da boafé, devendo, portando, ser modificado. 2. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170 A (CTN): Aduz que ao se tratar de compensação de indébito resultante de enquadramento legal equivocado, não tem aplicabilidade o disposto no art. 170A, já que nessa hipótese, para constatarse a configuração do indébito, não haverá necessidade de pronunciamento judicial. E que, em decorrência do recolhimento de tributo a maior, a recorrente tem direito ao justo ressarcimento do indébito mediante exercício do direito protestativo de compensação, independentemente de prévia autorização judicial ou administrativo. 3. DA VERIFICAÇÃO E APURAÇÃO DO INDÉBITO RELATIVO AO CRÉDITO COMPENSADO: Afirma que em razão dos amplos poderes de fiscalização da Receita Federal, a compensação levada a efeito não deveria ter sido rejeitada de plano eventualmente pela falta de retificação da DCTF em que fora declarado o tributo indevido. Informa que tal entendimento é baseado no art. 165, II do CTN, em que assegura que a restituição (no caso por compensação) do pagamento indevido mesmo quando o tributo for recolhido a maior em função de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação de alíquota aplicada, no calculo do montante de debito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento 4. Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para modificar o acórdão recorrido, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.553, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.902599/2011 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.553): "[...] O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide versa sobre o direito de compensar a diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. Não é caso novo nesse Conselho. A DRJ manteve o crédito tributário sob o entendimento de que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Entretanto, como bem observado pela DRJ “a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. Não é caso novo nesse Conselho a análise sobre as alíquotas aplicáveis e o enquadramento como serviços de natureza hospitalar. DO ENQUADRAMENTO DE SERVIÇOS HOSPITALARES: É cediço, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria atinente à aplicação de alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 7 6 O critério eleito é de cunho objetivo e concerne “à natureza do serviço que deve ser relacionado à promoção da saúde e ter custo diferenciado, excluídas, assim, as receitas decorrentes de simples consultas médicas e demais atividades administrativas”, senão vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 8 7 consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". (STJ, REsp 1.369.763/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/6/2013; AgRg no REsp 1.383.586/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1/10/2015). Coadunase ao entendimento pacificado do STJ, o seguinte julgado: Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015. Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Forçoso reconhecer, portanto, o direito da empresa recorrente ao recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, no mesmo patamar exigido das entidades prestadoras de serviços hospitalares, previsto nos arts. 15, § 1º, III, "a" (IRPJ) e 20 da Lei n. 9.249∕95 (CSLL). Desta feita, restandolhe assegurado o direito ao recolhimento no mesmo patamar das prestadoras de serviços hospitalares, também lhe é assegurado o direito à restituição ou compensação dos valores pagos a maior. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO ADVENTO DA LEI Nº 11.727/08: Em que pese não tenha sido objeto da decisão recorrida vez que a mesma não adentrou ao mérito, cumpre enfrentar a matéria. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 9 8 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Acerca do efeito vinculante para a Administração Tributária Federal de teses jurisprudências pacificadas, fazse necessário a transcrição da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1 de 12 de fevereiro de 2014: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ...V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8oda portariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 10 9 "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendose em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 11 10 forma de sociedade empresária." (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014). Ocorre que, somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do beneficio legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. In casu, o auto de infração fora lavrado com exigências tributárias referentes aos anoscalendários de 2006/2007/2008, de modo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.727/08 não podem retroagir para abarcar fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei. Ademais, admitir a modulação dos efeitos da Lei 11.727/2008 para fatos pretéritos, é aceitar uma modificação de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN, na medida em que se traz eficácia retroativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (CTN). [grifase]. Outrossim, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido, inclusive tratandose acerca da irretroatividade da lei para fatos pretéritos, a saber: As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda à receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. (STJ Tema 217). [grifo nosso]. Diante do exposto, verificandose que o fiscalizada presta serviços laboratoriais de análises clínicas, serviços esses que estão inseridos no conceito de atividades hospitalares e Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.909042/201114 Acórdão n.º 1401002.574 S1C4T1 Fl. 12 11 levando em consideração a irretroatividade da Lei 11.727/08 para fatos geradores pretéritos, faz jus a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e da CSLL às alíquotas de 8% e 12%, nos termos da Lei nº 9.249/95 (arts. 15, § 1º, inciso III, alínea a, e 20, caput). CONCLUSÃO: Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, razão pela qual lhe assiste o direito de compensar os pagamentos feitos a maior. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660414/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.815
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 14 /2 01 2- 20 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660414/201220 Acórdão n.º 3401004.815 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660414/201220 Acórdão n.º 3401004.815 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660414/201220 Acórdão n.º 3401004.815 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660414/201220 Acórdão n.º 3401004.815 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660414/201220 Acórdão n.º 3401004.815 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.660414/201220 Acórdão n.º 3401004.815 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722787/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS INOMINADOS. NOVA VOTAÇÃO. RESULTADO PRONUNCIADO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos quando o acórdão apresenta omissão, contradição ou obscuridade. São inominados os embargos que apontem inexatidão material por erro manifesto. Deve-se corrigir o lapso resultante da votação de matéria anteriormente votada e decidida, cujo resultado havia sido proclamado, mantendo-se a decisão primitiva. Há efeitos infringentes quando a correção da inexatidão material modifica a decisão contida no acórdão embargado.
IRPF. OMISSÃO DE RECEITAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO FISCAL EM BASES MENSAIS. APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTES COM SALDO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM BASES ANUAIS.
A apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, como técnica de identificação de omissão de rendimentos tributáveis, considera os recebimentos de caixa do contribuinte em um determinado período (origens)
e os compara com a evolução patrimonial e com os dispêndios havidos nesse mesmo período (aplicações). Se o levantamento fiscal foi realizado em bases mensais, não é possível considerar a variação anual das aplicações financeiras, sob pena de distorcer os resultados mensais alcançados. Por outro lado, desconsiderar essa informação seria impor ao contribuinte um ônus demasiado, desproporcional, que pode ferir a capacidade contributiva, ensejando a incidência do imposto de renda sobre parcela do seu patrimônio.
Para conciliar essas duas preocupações, é necessário que as informações anuais sejam consideradas como elementos de variação do levantamento fiscal no mês de dezembro, amenizando distorções nos resultados de meses anteriores.
PROVA INDIRETA. FORÇA PROBANTE DOS INDÍCIOS.
A prova direta representa, de forma imediata, a ocorrência do fato com implicações jurídicas. Já a prova indireta baseia-se na existência de outros fatos secundários (indícios) que, por indução lógica, levam à conclusão sobre a ocorrência ou não do fato principal de relevância jurídica. E para que ocorra a referida indução lógica, o quadro de indícios deve ser preciso, grave e harmônico entre si.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO.
Para acolhimento das alegações de empréstimos, para fins de comprovação de origens ou aplicações de recursos, faz-se necessário a apresentação de provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e datas coincidentes, bem como a prova de retorno dos recursos ao mutuante, especialmente quando o negócio jurídico for celebrado entre pessoa jurídica e seus sócios.
IRPF. GANHO DE CAPITAL O ganho de capital passível de tributação pelo imposto de renda é aquele decorrente do negócio jurídico firmado entre as partes, de acordo com as provas apresentadas. Restando provado que o negócio jurídico de compra e venda de imóvel residencial, composto por apartamento, depósito e garagens, foi realizado no mesmo instrumento negocial, sob preço global, o fato de cada item possuir matrícula independente no cartório de registro de imóveis e do demonstrativo de apuração do ganho de capital elaborado pelo contribuinte indicar somente a matrícula do apartamento não autoriza a fiscalização a imputar omissão de ganho de capital sobre os demais itens.
Numero da decisão: 2301-005.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos embargos declaratórios, nos termos do voto do conselheiro João Maurício Vital (relator), vencidos os conselheiros Andrea Brose Adolfo e Antônio Sávio Nastureles, que conheciam dos embargos como embargos inominados.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: João Maurício Vital
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EMBARGOS INOMINADOS. NOVA VOTAÇÃO. RESULTADO PRONUNCIADO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos quando o acórdão apresenta omissão, contradição ou obscuridade. São inominados os embargos que apontem inexatidão material por erro manifesto. Devese corrigir o lapso resultante da votação de matéria anteriormente votada e decidida, cujo resultado havia sido proclamado, mantendose a decisão primitiva. Há efeitos infringentes quando a correção da inexatidão material modifica a decisão contida no acórdão embargado. IRPF. OMISSÃO DE RECEITAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO FISCAL EM BASES MENSAIS. APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTES COM SALDO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM BASES ANUAIS. A apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, como técnica de identificação de omissão de rendimentos tributáveis, considera os recebimentos de caixa do contribuinte em um determinado período (origens) e os compara com a evolução patrimonial e com os dispêndios havidos nesse mesmo período (aplicações). Se o levantamento fiscal foi realizado em bases mensais, não é possível considerar a variação anual das aplicações financeiras, sob pena de distorcer os resultados mensais alcançados. Por outro lado, desconsiderar essa informação seria impor ao contribuinte um ônus demasiado, desproporcional, que pode ferir a capacidade contributiva, ensejando a incidência do imposto de renda sobre parcela do seu patrimônio. Para conciliar essas duas preocupações, é necessário que as informações anuais sejam consideradas como elementos de variação do levantamento fiscal no mês de dezembro, amenizando distorções nos resultados de meses anteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 87 /2 01 3- 15 Fl. 1534DF CARF MF 2 PROVA INDIRETA. FORÇA PROBANTE DOS INDÍCIOS. A prova direta representa, de forma imediata, a ocorrência do fato com implicações jurídicas. Já a prova indireta baseiase na existência de outros fatos secundários (indícios) que, por indução lógica, levam à conclusão sobre a ocorrência ou não do fato principal de relevância jurídica. E para que ocorra a referida indução lógica, o quadro de indícios deve ser preciso, grave e harmônico entre si. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Para acolhimento das alegações de empréstimos, para fins de comprovação de origens ou aplicações de recursos, fazse necessário a apresentação de provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e datas coincidentes, bem como a prova de retorno dos recursos ao mutuante, especialmente quando o negócio jurídico for celebrado entre pessoa jurídica e seus sócios. IRPF. GANHO DE CAPITAL O ganho de capital passível de tributação pelo imposto de renda é aquele decorrente do negócio jurídico firmado entre as partes, de acordo com as provas apresentadas. Restando provado que o negócio jurídico de compra e venda de imóvel residencial, composto por apartamento, depósito e garagens, foi realizado no mesmo instrumento negocial, sob preço global, o fato de cada item possuir matrícula independente no cartório de registro de imóveis e do demonstrativo de apuração do ganho de capital elaborado pelo contribuinte indicar somente a matrícula do apartamento não autoriza a fiscalização a imputar omissão de ganho de capital sobre os demais itens. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos embargos declaratórios, nos termos do voto do conselheiro João Maurício Vital (relator), vencidos os conselheiros Andrea Brose Adolfo e Antônio Sávio Nastureles, que conheciam dos embargos como embargos inominados. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 19515.722787/201315 Acórdão n.º 2301005.264 S2C3T1 Fl. 1.535 3 Tratamse de embargos declaratórios interpostos pela Conselheira Andrea Brose Adolfo contra decisão desta turma, Acórdão nº 2301005.003, acerca do Processo nº 19515.722787/201315, cujo interessado é Alípio José Gusmão e no qual constam recursos de ofício e voluntário. O julgamento do processo teve início em fevereiro, continuado em março e concluído em abril de 2017. Segundo a embargante, o recurso de ofício teria sido decidido na sessão de fevereiro e, portanto, sobre ele não poderia mais ter sido colhidos votos na sessão de março, razão pela qual entendeu ter havido omissão a motivar os embargos. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. Consta do sistema eProcesso que o acórdão embargado foi assinado derradeiramente em 23/06/2017, às 11h38min25s, e os embargos foram juntados em 23/06/2017 às 13h59min15s. Portanto, os embargos são tempestivos e foram apresentados por embargante legitimado, nos termos do inc. I do § 1º do Ricarf. Os embargos restringemse à decisão sobre o recurso de ofício. Na ata de fevereiro, a matéria foi assim referida: ii) por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício e reverter as exclusões realizadas no lançamento de ofício pelo Acórdão recorrido, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Andrea Brose Adolfo. Na ata de março, o colegiado assim tratou o assunto: Dando seguimento à votação iniciada na sessão de fevereiro de 2017, o relator apresentou novo entendimento sobre as razões do recurso de ofício (Item II), com alteração do seu voto anterior, agora negando provimento ao recurso de ofício. Foi colhida nova votação sobre o tema, e por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso de ofício. Na ata de abril, consta o seguinte: II) Em relação ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. No acórdão embargado, proferido na sessão de abril de 2017, o dispositivo reproduziu a decisão da ata de abril. Segundo o que consta do art. 65 do Ricarf, os embargos podem ser opostos apenas quando, no acórdão, houver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. No caso, a embargante entendeu ter havido omissão em razão de a turma haver decidido duas vezes sobre a mesma matéria. O presidente da turma acordou. Fl. 1536DF CARF MF 4 Com toda a vênia, não consigo identificar omissão, contradição, obscuridade ou falta de pronunciamento da turma sobre ponto do recurso. De fato, como bem fundamentado pela embargante, o §3º do art. 58 Ricarf admite a alteração do voto apenas antes da proclamação do resultado. A questão que se coloca, pois, é o momento em que se proclamou o resultado da votação. Pela interpretação dos artigos 58 e 59 do Ricarf, não restam dúvidas de que a proclamação do resultado somente ocorre após o presidente do colegiado colher os votos de todos os conselheiros. Se a votação perdurou, como no caso, três sessões e não houve mudança na composição da turma, o resultado a ser proclamado será o manifesto na última sessão, quando todos os votos houverem sido colhidos. Até esse momento, eventuais votos proferidos podem, por força do § 3º do art. 58 do Ricarf, ser modificados. A exceção se dá quando há mudança na composição do colegiado e o conselheiro ausente na sessão seguinte já tenha registrado o seu voto na sessão anterior. Obviamente, nesse caso há que se respeitar o livre convencimento do julgador que validamente pronunciou o seu voto, razão pela qual o § 5º do art. 58 do Ricarf impede que o conselheiro substituto possa se manifestar sobre a matéria votada. O § 3º do art. 59 do Ricarf trata do julgamento interrompido na sessão anterior, que é o caso dos autos, e estabelece que, havendo mudança de composição da turma, haverá nova leitura de relatório e nova tomada de votos, mas observada a regra do § 5º do art. 58, ou seja, devese manter o voto dado, na sessão anterior, pelo conselheiro ausente. Ora, se em fevereiro o colegiado havia dado provimento ao recurso de ofício, interrompeu a sessão, continuou com o julgamento em março e, por unanimidade, inclusive com a mudança de posicionamento do relator, decidiu por negar provimento, sem que tenha havido mudança na composição da turma, o resultado válido só pode ser o que foi manifestado por derradeiro. Não conheço, pois dos embargos de declaração por não constatar omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 1537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.721373/2017-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO.
Constatando-se que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concede-se a ele o direito assegurado no artigo 69-A da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que assegura prioridade na tramitação dos processos administrativos em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, ou portadora de deficiência física ou mental, ou moléstia grave.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA, PGBL
Os resgates de Plano Gerador de Benefício Livre - PGBL com opção pelo regime progressivo de tributação estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, devendo, ainda, ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, em que o respectivo imposto de renda retido na fonte será compensado.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.. A responsabilidade por infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 2201-004.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 69A da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que assegura prioridade na tramitação dos processos administrativos em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, ou portadora de deficiência física ou mental, ou moléstia grave. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA, PGBL Os resgates de Plano Gerador de Benefício Livre PGBL com opção pelo regime progressivo de tributação estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, devendo, ainda, ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, em que o respectivo imposto de renda retido na fonte será compensado. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.. A responsabilidade por infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 13 73 /2 01 7- 18 Fl. 90DF CARF MF 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 100/108, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), de fls. 69/73, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, decorrente da omissão de rendimentos decorrentes de resgate de previdência privada da fonte Alfa Previdência e Vida, relativo ao resgate de contribuições à previdência privada Plano Gerador de Benefício Livre PGBL no valor de R$ 275.669,46, com IRRF no valor de R$ 41.350,42. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 65.343,27 (sessenta e cinco mil, trezentos e quarenta e três reais e vinte e sete centavos), já incluídos os juros e a multa. Na notificação de lançamento de fls. 58 a 61 é exigido imposto de renda pessoa físicasuplementar no valor de R$29.485,71 acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativos ao anocalendário 2012, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi. O contribuinte foi cientificado da autuação em 27 de setembro de 2012, via correio, conforme aviso de recebimento (AR330268981DL) de fls. 229. Da Impugnação O Recorrente apresentou sua Impugnação de fl. 7/8. 1. Tratase de contribuições feitas ao longo de um tempo, e por motivo de necessidade, foi obrigado a resgatar. Hoje sou aposentado, desde 17.03.1996, recebendo uma aposentadoria mensal de R$ 3.574,72(INSS),mas continuei trabalhando por mais 15 anos até 2011, vivendo com rendimentos de aplicações financeiras que acumulei durante os 49 anos que trabalhei, ou seja até 2011. 2. Neste mesmo ano, 01.07.2011, sofri um Infarto Agudo do Miocárdio, estando sob acompanhamento médico(comprovaçâo do médico cardiologista anexo), constante, e, tomando remédios de uso contínuo. Faço 70 anos este ano, em 05.08.2017. O referido valor imposto para pagar, me colocará em uma condição precária do ponto de vista financeiro, já que tenho que arcar com despesas inerentes a necessidade de um idoso, com Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13884.721373/201718 Acórdão n.º 2201004.620 S2C2T1 Fl. 91 3 pouca renda e necessitando manter plano de saúde e outras despesas para cuidar da saúde. 3. Vale ressaltar, que não tive a intenção de omitir a informação, até porque, fiz constar na declaração de bens o valor do saldo no Fundo PGBL, bem como a informação do resgaste, embora entenda hoje, que o imposto retido na fonte no valor de R$ 41.350,42, por si só, como era do meu conhecimento, já cumpriria a finalidade fiscal, caso contrário, utilizaria outra opção para poupar. 4. Desde já agradeço a compreensão, seja do ponto de vista legal ou humano, no sentido de uma solução que não afete a capacidade em cuidar da minha saúde e esposa, também idosa. 5. De acordo com a previsão contida no art 69A, inciso I, da Lei 9784, de 29/01/1999 solicita prioridade na análise da impugnação. A impugnação foi processada e julgada. Da Decisão da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo (fls. 69): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 69A da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que assegura prioridade na tramitação dos processos administrativos em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, ou portadora de deficiência fíicia ou mental, ou moléstia grave. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA, PGBL Os resgates de Plano Gerador de Benefício Livre PGBL com opção pelo regime progressivo de tributação estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, devendo, ainda, ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, em que o respectivo imposto de renda retido na fonte será compensado. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 92DF CARF MF 4 Os julgadores de primeira instância julgaram improcedente a impugnação e mantiveram o crédito tributário. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento constante à fl. 85, recebido em 07/10/2017 e tempestivamente, apresentou o recurso voluntário de fls. 79, em 16/10/2017. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação, ressaltando a condição de cardiopatia, decorrente de um infarto do miocárdio em 2011. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. O resgate dos rendimentos do Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL, regese pela legislação abaixo transcrita. O art. 33 da Lei 9.250/1995 dispõe: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Merece destaque o fato de que o resgate de contribuições para plano de previdência privada somente possui tributação exclusiva na fonte se o contribuinte optar pelo regime regressivo de tributação, a teor do art. 1º da Lei 11.053. de 29 de dezembro de 2004: “Art. 1º É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1º de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13884.721373/201718 Acórdão n.º 2201004.620 S2C2T1 Fl. 92 5 III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos.” Caso o contribuinte não tenha exercido a opção pelo regime regressivo de tributação, os valores resgatados de previdência de Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL sujeitamse ao regime progressivo de tributação, ou seja, sofrem retenção na fonte de 15% e devem ser incluídos dentre os rendimentos tributáveis submetidos ao ajuste anual, conforme art. 3º da mesma Lei: Art. 3o. A partir de 1o. de janeiro de 2005, os resgates, parciais ou totais, de recursos acumulados relativos a participantes dos planos mencionados no art. 1o. desta Lei que não tenham efetuado a opção nele mencionada sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), como antecipação do devido na declaração de ajuste da pessoa física, calculado sobre: I os valores de resgate, no caso de planos de previdência, inclusive FAPI; II os rendimentos, no caso de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto nos arts. 1o. e 2o. desta Lei. Ou seja, apesar do imposto retido na fonte, na declaração de ajuste anual, os rendimentos percebidos e a retenção devem ser informados para a determinação de diferenças a serem pagas ou restituídas. Assim, correto o lançamento que incluiu o valor do resgate de contribuições à previdência privada dentre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e efetuou a compensação do imposto de renda retido na fonte. A responsabilidade por infrações tributárias é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: “Art.136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Fl. 94DF CARF MF 6 Desta forma, não se pode afastar a motivação legal que ensejou o lançamento, formalizado por meio da Notificação em causa. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001518/2005-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1999, 2000
DECADÊNCIA. PAGAMENTO NÃO IDENTIFICADO.APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN
Uma vez que a CPMF não foi retida ou recolhida pelo banco ou paga pelo contribuinte, o prazo decadencial é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 3301-004.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos pela PGFN, com efeitos infringentes, para alterar o período cujo direito do Fisco de lançar CPMF já havia decaído de 01/09/99 a 30/06/00 para 01/09/99 a 31/12/99.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Ano-calendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. PAGAMENTO NÃO IDENTIFICADO.APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN Uma vez que a CPMF não foi retida ou recolhida pelo banco ou paga pelo contribuinte, o prazo decadencial é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos pela PGFN, com efeitos infringentes, para alterar o período cujo direito do Fisco de lançar CPMF já havia decaído de 01/09/99 a 30/06/00 para 01/09/99 a 31/12/99. Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. PAGAMENTO NÃO IDENTIFICADO.APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN Uma vez que a CPMF não foi retida ou recolhida pelo banco ou paga pelo contribuinte, o prazo decadencial é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos pela PGFN, com efeitos infringentes, para alterar o período cujo direito do Fisco de lançar CPMF já havia decaído de 01/09/99 a 30/06/00 para 01/09/99 a 31/12/99. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 15 18 /2 00 5- 42 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 268 2 Relatório Adoto o relatório constante do Acórdão embargado: "CROYDONMAQ INDUSTRIAL LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 100/114, contra o Acórdão n° 12 17.273, de 30/11/2007, prolatado pela DRJ no Rio de Janeiro — RJ, DRJ/RJOI, fls. 82/97, que julgou procedente o auto de infração de fls. 32/36, pela falta de recolhimento da CPMF, referente a fatos geradores ocorridos entre 01/09/1999 a 27/12/2000, cuja ciência ocorreu em 30/06/2005 (fl. 42). Conforme Termo de Verificação Fiscal TVF fls. 16/17, e documento de fl. 7, o lançamento se originou pela falta de recolhimento de CPMF decorrente de medida judicial, cujos valores foram apurados através das informações apresentadas pelas instituições financeiras com as devidas correções, conforme planilha de fl. 8. junto a qual a contribuinte foi titular de conta corrente. Irresignada, em 01/08/2005, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 43/52, acrescida dos documentos de fls. 53/79, com as seguintes alegações: 1. decadência em relação ao período de 01/09/1999 a 28/06/2000, com fulcro no art. 150, § 4° do CTN; 2. nulidade do auto de infração, vez que a responsabilidade pela retenção e recolhimento é da instituição financeira, consoante Lei n° 9.311/96, art. 5°, I; 3. ajuizou MS n° 99.00164334 tendo obtido liminar posteriormente revogada, a qual havia suspendido a exigibilidade da CPMF. Consoante IN SRF n° 42/01, art. 16, caberia à instituição financeira promover a retenção e o recolhimento da CPMF que deixou de ser recolhida durante a vigência da referida medida judicial, visto que não se manifestou, em momento algum, contrariamente à retenção e recolhimento da contribuição que havia deixado de ser paga durante a vigência da mencionada medida liminar; 4. ainda que este não seja o entendimento, o auto de infração não se sustenta, face a existência de erro material grosseiro em sua apuração, conforme disposto na planilha de fl. 76; Por fim, requer que seja julgada inteiramente improcedente a presente autuação fiscal. A DRJ, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: 'Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 NULIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 269 3 nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos a contribuições sociais extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Exercício: 1999, 2000 RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SUPLETIVA. LEGITIMIDADE DO CONTRIBUINTE. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, a exigência dessa exação fiscal recai sobre o contribuinte, em face da responsabilidade tributária supletiva. Lançamento Procedente' Inconformada, a contribuinte apresentou tempestivamente, em 13/03/2008, recurso voluntário de fls. 100/114, no qual reitera suas alegações, ou seja: a) ocorrência de decadência, nos termos do art. 150, § 4° do CTN; b) ilegitimidade passiva da recorrente; c) a exigência fiscal encontrase fulminada por erro material grosseiro devendo, através de diligência serem revistos e corrigidos os valores lançados. Alfim, requer o cancelamento do lançamento efetuado a titulo de CPMF, multa e juros. Alternativamente requer baixa em diligência visando a correta determinação dos valores supostamente devidos. É o Relatório." O recurso voluntário foi julgado parcialmente procedente e o Acórdão n° 330100.441 (fls. 241 a 246) foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 270 4 Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente CPMF decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, vez que houve antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação. CPMF. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. FALTA DE RETENÇÃO. Por expressa determinação legal, a supletividade existirá no caso de não ocorrer a retenção por parte da entidade financeira, cabendo ao contribuinte original o dever de recolher a contribuição. MULTA DE OFÍCIO. Havendo lançamento de oficio em decorrência da falta de recolhimento de imposto ou contribuição, sobre estes deve incidir a multa de oficio, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Ê jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte." A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos de declaração (fls. 253 a 259), pois teria identificado contradição entre os fundamentos da decisão e os fatos. Segundo a PGFN, a decisão embargada consignou que havia decaído o direito de o Fisco lançar a CPMF relativa a fatos de geradores ocorridos no período de 01/01/99 a 30/06/00. E apresentou como base legal o § 4° do art. 150 do CTN, afastando a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, em função de que instituições financeiras teriam retido e recolhido CPMF. Contudo, conforme consta dos autos, a instituição financeira que administrava a conta cuja movimentação financeira gerou o lançamento de ofício não reteve e/ou recolheu a CPMF. E tampouco o contribuinte. O Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção admitiu os embargos (Despacho nas fls. 261 a 264), cuja conclusão abaixo reproduzo: "(. . .) A decisão embargada entendeu que a existência de recolhimentos da contribuição atrairia a aplicação do instituto da decadência com fulcro no art. 150, §4º do CTN. Contudo, como bem ressaltado nos embargos analisados, os recolhimentos havidos não guardam relação com os fatos geradores apreciados nos autos, não se prestando a servir como antecipação de pagamento hábil a permitir a aplicação da norma retrocitada, somente aplicável, individualmente, a cada fato gerador e seu respectivo recolhimento. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada contradição na decisão embargada. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 271 5 (. . .)" É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 272 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Os embargos de declaração (fls. 253 a 259) foram opostos pela PGFN e admitidos pelo Presidente da 1 TO/3C/3S (fls. 261 a 264). No período 01/09/99 a 27/12/00, a interessada mantinha conta corrente no Banco Bandeirantes S/A, posteriormente sucedido pelo Banco Itaú S/A. Por força de medida liminar então vigente, e posteriormente revogada, o banco não efetuou as devidas retenções e recolhimentos da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira (CPMF) no citado período e tampouco posteriormente. Nestes casos, ao dispor sobre a responsabilidade pelo recolhimento da CPMF, com base no § ° do art. 5° da Lei n° 9.311/96 e IN SRF n° 89/00, assim decidiu o Acórdão embargado (trecho da ementa): "(. . .) CPMF. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. FALTA DE RETENÇÃO. Por expressa determinação legal, a supletividade existirá no caso de não ocorrer a retenção por parte da entidade financeira, cabendo ao contribuinte original o dever de recolher a contribuição. (. . .)" Como a interessada também não recolheu a CPMF, foi lavrado auto de infração, cuja ciência pelo contribuinte se deu em 30/06/05. Contudo, ao examinar preliminar sobre decadência suscitada pela então recorrente, o colegiado concluiu estar diante de hipótese de aplicação do § 4° do art. 150 do CTN prazo decadencial contado a partir da ocorrência do fato gerador e não do inciso I do art. 173 do CTN prazo decadencial contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ser efetuado , pois constava nos autos que outras instituições financeiras, que não o Banco Bandeirantes/Banco Itaú S/A, teriam retido e recolhido CPMF, após a revogação da liminar. Teria havido pagamentos de CPMF a justificar a adoção do primeiro e não do segundo dispositivo do CTN. Com isto, o acórdão embargado determinou o cancelamento dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 01/09/99 a 28/06/00. A meu ver, a PGFN está correta e com precisão apontou a contradição entre os fundamentos legais e os fatos, como segue Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 273 7 "(. . .) Ocorre que o presente feito cuida apenas dos fatos geradores decorrentes da movimentação financeira em conta administrada pelo Banco Data (LEIASE, BANCO ITAÚ) (sucessor do Banco Bandeirantes) (fls. 03/05 e 16/17), sendo certo que o fato gerador desta Contribuição instantâneo, conforme se depreende do art. 2° da Lei n° 9.311/96, verbis: Art. 2° O fato gerador da contribuição I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial c de depósitos em consignação de pagamento de que tratam os parágrafos do art. 890 da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; ii o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, até o limite de valor da redução do saldo devedor; III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; IV o lançamento, e qualquer outra forma de movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, não relacionados nos incisos anteriores, efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas; V a liquidação de operação contratadas nos mercados organizados de liquidação futura; VI qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características que permitam presumir a existência de sistema organizado para efetivála, produza os mesmos efeitos previstos nos incisos anteriores, independentemente da pessoa que a efetue, da denominação que possa ter e da forma jurídica ou dos instrumentos utilizados para realizála. Portanto, cada lançamento, cada movimentação financeira, que se subsuma à norma, dá origem a um fato gerador isolado. A antecipação de pagamento deve ser analisada com base em cada um em sua individualidade. Se não houve pagamento relativo ao fato gerador decorrente da movimentação financeira do dia "x", para esse credito especifico há de ser aplicado o art. 173, I, do CTN. Decerto, o art. 150, §4°, do CTN, aplicado pelo acórdão, prescreve que o termo inicial da decadência é a ocorrência do fato gerador. Ao que se vê, considera se cada fato gerador em sua individualidade, sendo contraditório com o fundamento apresentado a consideração de outros fatos geradores supostamente ocorridos em movimentações financeiras geridas por terceiras instituições financeiras. Com efeito, a antecipação do pagamento, como requisito para a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, é aquela referente ao credito tributário relacionado a um especifico fato gerador do qual ele decorre. Descabe, por flagrante contradição, a tese adotada, considerar eventuais pagamentos atrelados a fatos geradores alheios. No presente caso, suprida a contradição apontada, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, afinal não houve pagamento relativo a quaisquer dos fatos geradores descritos no Auto de Infração. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 274 8 (. . .)" (inserção n.) Concluise, portanto, que o relator do acórdão embargado justificou a aplicação da regra de decadência prevista no § 4° do art. 150 do CTN com pagamentos estranhos aos fatos geradores objetos da autuação. E, nos autos, restou incontroverso que não houve retenção ou pagamento por parte do Banco Itaú S/a e nem pelo contribuinte. E, não tendo ocorrido pagamento, há que se adotar o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, conforme decidido pelo STJ, em sede do REsp nº 973.733/SC, recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC), que vincula este colegiado (§ 2° do art. 62 da Portaria 343/15 RICARF). Assim, contandose o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, terseá como fulminados pela decadência apenas a CPMF incidente sobre fatos geradores ocorridos no período de 01/09/99 a 31/12/99 e não de 01/09/99 a 30/06/00, como havia sido decidido pelo acórdão embargado. Isto posto, acolho os embargos opostos pela PGFN e confirolhes efeitos infringentes, para alterar o período cujo direito do Fisco de lançar CPMF já havia decaído de 01/09/99 a 30/06/00 para 01/09/99 a 31/12/99. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000006/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
COFINS. AÇÕES JUDICIAIS. MATÉRIA DIVERSA DA AUTUADA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em lançamento para prevenção da decadência se eventuais ações judiciais interpostas pela empresa ou por terceiro, em caráter geral, não possuem relação direta com a matéria autuada.
Numero da decisão: 3401-005.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para manter a multa de ofício aplicada, em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento, de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COFINS. AÇÕES JUDICIAIS. MATÉRIA DIVERSA DA AUTUADA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em lançamento para prevenção da decadência se eventuais ações judiciais interpostas pela empresa ou por terceiro, em caráter geral, não possuem relação direta com a matéria autuada.
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AÇÕES JUDICIAIS. MATÉRIA DIVERSA DA AUTUADA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em lançamento para prevenção da decadência se eventuais ações judiciais interpostas pela empresa ou por terceiro, em caráter geral, não possuem relação direta com a matéria autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para manter a multa de ofício aplicada, em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento, de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 06 /2 00 7- 12 Fl. 4526DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 24/01/2007 (fls. 8 a 17, com ciência ainda em 29/01/2007 fl. 13)1 para exigência de COFINS, de janeiro a dezembro de 2002, acrescida de juros de mora e multa de 75%, perfazendo total de R$ 10.116.240,46, decorrente de falta/insuficiência de recolhimento, conforme Relatório de Descrição dos Fatos (RDF). No RDF (fls. 18 a 63), narrase que; (a) a fiscalizada, conforme se percebe dos documentos apresentados à fiscalização, não recolheu COFINS, nem a informou em DCTF, no ano calendário de 2002, sob alegação de amparo em imunidade que é restrita a impostos, havendo, para fruição de isenção em relação a entidades de assistência social, que se atestar o cumprimento de determinados requisitos; (b) a isenção prevista na Medida Provisória no 2.15835/2001, arts. 13 e 14, aplicase somente a instituições de educação e de assistência social, em relação a atividades próprias, assim entendidas (cf. IN SRF no 247/2002, art. 47, § 2o) “...aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”; e (c) no caso em análise, de todas as receitas da entidade fiscalizada (receitas hospitalares, receitas de serviços administrativos, receitas de doações, receitas de subvenções e outras receitas), apenas as receitas de doações são isentas da COFINS, sendo excluídas da isenção as receitas de cunho contraprestacional direto (tabela às fls. 45 a 53, com detalhamento das subvenções às fls. 54/55). A autuada apresenta impugnação à autuação em 28/02/2007 (fls. 4278 a 4298), alegando, basicamente, que: (a) é entidade filantrópica, de assistência social e beneficente, a cumpre os requisitos para ser considerada de utilidade pública, devendo ser a ela reconhecida a imunidade constitucionalmente prevista, não havendo que se falar em receitas próprias e nãopróprias, porque nem mesmo o legislador ordinário tem a faculdade de restringir o benefício, previsto no art. 195, § 7o, da Constituição Federal brasileira; (b) a entidade cumpre os requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional, e possui o CEBAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social); (c) não existe vedação legal acerca da prestação de serviços remunerados por entidade de assistência social, e o STF já decidiu, liminarmente, em ADin interposta pela Confederação Nacional da Saúde, Hospitais, Estabelecimentos da Saúde (no 2.0285), que “a circunstancia da entidade, diante, até mesmo, do principio isonômico, mesclar a prestação de serviços, fazendoo gratuitamente aos menos favorecidos e de forma onerosa aos afortunados pela sorte, não a descaracteriza, não lhe retira a condição de beneficente”; e (d) a jurisprudência pátria confirma o direito da entidade. Pede, por fim, a suspensão da imposição de qualquer penalidade até o trânsito em julgado da Ação Declaratória que visa ao reconhecimento de sua imunidade constitucional relativa à COFINS. Às fls. 4415 a 4419, são juntadas peças de ação judicial (Mandado de Segurança no 7.897/DF, no qual é deferida, no STJ, liminar contra despacho publicado no D.O.U. de 30 de maio de 2001, que cancelou o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF – da entidade). Em 10/05/2007, é proferida a decisão de primeira instância administrativa (fls. 4420 a 4430), pela procedência parcial da impugnação, “cancelando a multa de lançamento de oficio e suspendendo a exigibilidade da contribuição lançada enquanto 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 4527DF CARF MF Processo nº 18088.000006/200712 Acórdão n.º 3401005.087 S3C4T1 Fl. 4.498 3 perdurarem os efeitos da medida concedida pelo STF na Adin 2.028 ou da liminar deferida no Mandado de Segurança MS7897/DF (registro: 2001/01064462) pelo STJ”, sendo o voto substancialmente fundamentado em transcrições do Acórdão no 20178.490 (fls. 4422 a 4429), no sentido de que: (a) a Medida Provisória no 2.15835/2001 estendeu a isenção da COFINS às entidades relacionadas nos arts. 12 (imunes do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro) e 15 (isentas do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro) da Lei no 9.532/1997, sem distinguir as entidades beneficentes de assistência social abrangidas pela imunidade do art. 195, § 7o, da Constituição Federal de 1988; (b) portanto, as entidades beneficentes de assistência social que satisfaçam as exigências legais (art. 55 da Lei no 8.212, de 1991) são imunes às contribuições sociais; (c) já as instituições de assistência social que satisfaçam as exigências legais (art. 12 da Lei no 9.532/1997) são isentas da COFINS, somente em relação às receitas próprias da atividade, ainda que não se enquadrem nas condições de imunidade; (d) a “isenção” a que se refere o art. 17 da Medida Provisória no 2.15835/2001, é, na realidade, a imunidade do art. 195, § 7o, da Constituição Federal, e, portanto, o art. 17 não se refere à isenção do art. 14, mas à imunidade do art. 195, § 7o, da Constituição Federal; (e) daí ser necessário saber se a autuada é “entidade beneficente de assistência social" ou meramente "instituição de assistência social" ou ainda "instituição de caráter filantrópico"; (f) as questões relacionadas à obrigatoriedade da gratuidade na prestação de serviços foram submetidas ao exame do Supremo Tribunal Federal (STF) em duas ações diretas de inconstitucionalidade: ADin no 2.028 e ADin no 2.036, tendo o STF se manifestado no julgamento de medida cautelar na primeira delas, no sentido de suspender a eficácia dos dispositivos impugnados (disposições da Lei no 9.732, de 1998, que alteraram o art. 55 da Lei no 8.212/1991); e (g) a decisão do STF eliminou virtualmente as distinções que poderiam ser feitas, relativamente às duas situações analisadas, no que tange gratuidade dos serviços (instituição de assistência social, isenta da Cofins, relativamente às receitas de atividades próprias; entidade beneficente de assistência social, imune COFINS), permanecendo apenas os demais requisitos exigidos pela Lei no 8.212/1991. Após referendar o entendimento externado no referido acórdão, o relator do julgamento de piso redige de próprio punho as duas páginas finais da decisão, nas quais conclui que: (a) a Medida Provisória no 2.15835/2001 não atinge as entidades beneficentes de assistência social a que alude a Constituição Federal, art. 195, § 7o, em sua imunidade, mesmo que elas prestem serviços remunerados, mas, se o STF decidir pela constitucionalidade da obrigação de gratuidade instituída pela Lei no 9.732 para as referidas entidades beneficentes, a COFINS aqui lançada será exigível; (b) a documentação dos autos permite inferir que a entidade se enquadra nas condições do referido art. 55 (sem as alterações da Lei no 9.732, por óbvio); (c) como constam das “Notas explicativas da administração às demonstrações financeiras” do ano de 2005, a entidade teve seu CEBAS cassado pelo Ministro da Previdência, em 2001, o que implicaria em descumprimento de uma das condições para fruição da imunidade constitucional e a possibilidade de exigência da COFINS, nos termos da Medida Provisória em apreço, mas a entidade impetrou o Mandado de Segurança (MS) no 7.897/DF junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu liminar, ainda vigente à época, para suspender o ato ministerial; e (d) a exigência da COFINS, assim, é procedente, apenas para prevenção da decadência (tornandose em decorrência disso indevida a multa de ofício lançada), pois se o STJ denegar a ordem, a contribuição será devida por descumprimento de requisito previsto no art. 55 da Lei no 8.212/1991. Ciente da decisão de piso em 06/06/2007 (AR à fl. 4443), não consta ter a entidade apresentado recurso voluntário em relação à parcela mantida da autuação (ainda que com suspensão da exigibilidade). Fl. 4528DF CARF MF 4 Às fls. 4465 a 4469, percebese que, no MS no 7.897/DF, a segurança foi deferida pelo STJ, diante da intempestividade do recurso apresentado pelo INSS, no seguinte sentido: “Ante o exposto, concedo a segurança para tornar sem efeito o ato coator impugnado nos autos, ficando assegurada à Administração Pública a prerrogativa de reavaliar, oportunamente, a manutenção do certificado emitido em favorecida impetrante”. Em 21/05/2014, o recurso de ofício foi encaminhado ao CARF, para julgamento, sendo sorteado, em 12/12/2014, a conselheira que, em 26/06/2015, pediu dispensa do mandato, com submissão do processo a novo sorteio de relatoria. Em 30/11/2017, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Tendo em conta que o valor da multa excluída pela DRJ corresponde originariamente a R$ 3.043.346,18, o recurso de ofício apresentado atende os requisitos de admissibilidade (mormente a alçada, atualmente fixada em R$ 2.500.000,00, pela Portaria MF no 63/2017, com o entendimento assentado na Súmula CARF no 103), e, portanto, dele se toma conhecimento. É preciso recordar, já de início, que não houve recurso voluntário em relação à manutenção da exigência de COFINS, ainda que com exigibilidade suspensa, em função da ADin no 2.028 e da liminar deferida no MS no 7.897/DF. Assim, tudo o que resta a discutir nesta instância administrativa é o cabimento da multa de ofício lançada pela fiscalização, e que entendeu a DRJ destinarse a prevenção da decadência. Sobre a lavratura de multa de ofício para prevenção de decadência, matéria constante do recurso de ofício, assim dispõe o art. 63 da Lei no 9.430/1996, já na redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2 o A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” (grifo nosso) Fl. 4529DF CARF MF Processo nº 18088.000006/200712 Acórdão n.º 3401005.087 S3C4T1 Fl. 4.499 5 Cabe verificar, então, se as medidas suspensivas elencadas pela DRJ estão contempladas no art. 63 da referida lei, de modo a inviabilizar a constituição da multa de ofício. A fiscalização foi iniciada em 19/09/2006, conforme registrado no RDF (fl. 18). Em 18/10/2006, foi expedida a intimação fiscal no 024 (fl. 1844), com ciência em 24/10/2006, na qual se solicitou: Em resposta, informou a empresa que seu direito estava constitucionalmente previsto, não possuindo ação judicial para demandálo (fl. 1865): Daí certamente decorre o lançamento da multa de ofício, com fundamento no art. 44 da Lei no 9.430/1996. Por outro lado, a DRJ percebe a existência de ações judiciais não visualizadas pelo autuante, que se contentou com a resposta negativa em relação a ações específicas da entidade autuada, e encontra, nos autos, entre os documentos apresentados com a impugnação, menção a mandado de segurança interposto (fls. 4343 a 4352), cabendo trazer à colação o item 5 do parecer de auditores independentes (fl. 4354): Fl. 4530DF CARF MF 6 Daí ter o julgador de piso acrescentado pesquisa sobre andamento do MS no 7.897/DF (fls. 4414 a 4417) e cópia de decisão do STJ no Agravo Regimental no referido MS (fl. 4419), deferindo a liminar. Embora o descumprimento de tal requisito sequer tenha sido suscitado especificamente na autuação, entendese aqui que a DRJ, ultrapassando eventual negativa geral presente no lançamento, verificaria, para fruição do benefício, o preenchimento de tal requisito. Em decorrência da argumentação de defesa, trouxe ainda aos autos o julgador de piso a ADin no 2.028, na qual havia tutela antecipada concedida, e cuja matéria acabou decidida no seguinte sentido, ainda em 1999: “EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação Fl. 4531DF CARF MF Processo nº 18088.000006/200712 Acórdão n.º 3401005.087 S3C4T1 Fl. 4.500 7 jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. (ADI 2028 MC, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 11/11/1999, DJ 16062000 PP 00030 EMENT VOL0199501 PP00113) Decisão O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1°, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei n° 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Fl. 4532DF CARF MF 8 Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99.” (grifo nosso) Vejase, aqui também, que a fiscalização não imputa à autuada explicitamente eventual descumprimento de requisito inserido ao art. 55 da Lei no 8.212/1991 pela Lei no 9.732/1998, embora relacione a Lei no 8.212/1991 entre os fundamentos da autuação, no RDF. O RDF, que contém a fundamentação da autuação, invoca os seguintes dispositivos normativos: (a) Constituição Federal (CF) de 1988, art. 195 (fls. 21 a 24), e, por exclusão, o art. 150 da mesma CF (fls. 24/25); (b) Código Tributário Nacional, arts. 9o e 14 (fls. 25/26); (c) Lei no 9.532/1997, art. 12 e 15 (fls. 26 a 28); (d) Lei Complementar no 70/91, arts. 6o, III (fl. 29); (e) Medida Provisória no 1.8566/1999 (posteriormente Medida Provisória no 2.15835/2001), arts. 13, 14 e 17 (fls. 29 a 32, e 36/37); (f) Instrução Normativa SRF no 247/2002, arts. 9o e 47 (fls. 33 e 37/38); e (g) Lei no 8.212/1991, arts. 23 e 55 (fls. 34 e 35). Como exposto, a ADin no 2.028 afastou eficácia do art. 1o da Lei no 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei no 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os §§ 3o a 5o, entre outros. Vejamos o que dizem tais dispositivos, hoje revogados pela Lei no 12.101/2009): “Art. 55. (...) (...) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (...) § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento.” O autuante, ao que tudo indica, partiu do pressuposto de que a limitação do art. 55 da Lei no 8.212/1991 foi mitigada pela Medida Provisória no 2.15835/2001, como se depreende da argumentação do fisco após a transcrição do referido art. 55 (fl. 36): Fl. 4533DF CARF MF Processo nº 18088.000006/200712 Acórdão n.º 3401005.087 S3C4T1 Fl. 4.501 9 Ao que parece, assim, a autuação superou a restrição de gratuidade presente no art. 55 da Lei no 8.212/1991, assim como sequer imputou descumprimento de requisito ali presente. Imputou, sim, explicitamente, o descumprimento do art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001, no que se refere a “atividades próprias”, e que teria sido disciplinado pela IN SRF no 247/2002. É o que se depreende do relatório fiscal (fl. 38): Assim, parece o julgador de piso apreciar razões distintas daquelas alegadas pelo autuante ao considerar que o mérito da autuação estaria pendente de decisão judicial. Os fatores que o julgador de piso condicionou à ADin no 2.028 e ao MS no 7.897/DF, a nosso ver, eram irrelevantes para o autuante, como aqui exposto. Não entendo, assim, que exista, propriamente, uma lavratura de autuação para prevenir decadência, seja porque a matéria autuada não é especificamente discutida perante o Poder Judiciário, seja porque não estão presentes, no caso, as circunstâncias exigidas pelo art. 63 da Lei no 9.430/1996, transcrito ao início deste voto (medida liminar em relação à matéria discutida nos autos, antes de procedimento de ofício). A título de complemento, entendo que o desfecho do referido MS (por intempestividade) e da ADin, com julgamento em 2017, dificilmente serão suficientes para execução do acórdão condicional de piso, pois a matéria autuada, como exposto, é distinta da julgada pela DRJ. No entanto, cabe à unidade preparadora da RFB, se necessário, com esclarecimentos da própria DRJ, verificar de que forma a decisão de piso afastaria (após ambas as decisões judiciais), total ou parcialmente, a autuação. Fl. 4534DF CARF MF 10 No que se refere à multa aplicada, entendo que deve ser mantida, não havendo que se falar, no presente processo, em prevenção de decadência. Por certo que ao se manter, nesta instância, a aplicação da multa, seguese caminho distinto do adotado na decisão de piso (que já esclarecemos que, a nosso ver, entendeu incorretamente a imputação efetuada na autuação), mas não se poder aqui rever matéria que sequer foi objeto de recurso voluntário pela autuada, limitandose, como exposto de início, nossa análise, ao recurso de ofício. Devem, assim, ambas as decisões, conviver harmonicamente, da seguinte forma: mantémse aqui a multa de ofício aplicada, obviamente em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento (porque 75% de “zero” seria indubitavelmente “zero”), de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício, para manter a multa de ofício aplicada, em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento, de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 4535DF CARF MF
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