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Numero do processo: 16327.000909/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVO FISCAL - PERC - FINAM
Requisitos legais. Devidamente demonstrado que a recorrente preenche os requisitos legais para a concessão do benefício, esse deve ser reconhecido.
Numero da decisão: 1401-002.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Devidamente demonstrado que a recorrente preenche os requisitos legais para a concessão do benefício, esse deve ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 09 /2 00 6- 19 Fl. 495DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1651.513, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo 1/SP. Por pertinente, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao ano calendário de 2002, exercício de 2003, protocolizado em 30/06/2006 pela contribuinte acima identificada (fls. 4). Conforme dados constantes da ficha 29 Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2003 retificadora entregue em 20/10/2004 (fls. 8), a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda para aplicação no FINAM e no FINOR, nos valores de R$493.751,83 e R$211.607,93, respectivamente. Todavia, no processamento eletrônico da DIPJ 2003, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, tendo sido apontadas duas ocorrências, a saber: "11 contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei 9069/95)" e "15 sem efeito a opção em DIPJ/DARF onde não se enquadram no art. 9° da Lei 8167/91, conforme MP 219.914, de 24/08/2001" (fls. 5). A contribuinte apresentou o PERC, que foi indeferido por meio do despacho decisório de fls. 45 a 47, em razão de irregularidades da contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (fls. 35). Cientificada da decisão por via postal em 05/06/2007 (fls. 49), a contribuinte protocolizou, em 04/07/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 50 a 60, subscrita por seus procuradores, acompanhada dos documentos de fls. 61 a 117, na qual alega nulidade do despacho decisório por cerceamento do direto de defesa e, no mérito, alega que estava em situação de regularidade fiscal, devendo ser reconhecido o direito ao incentivo fiscal. Em 18/08/2008, esta 10a Turma da DRJ/SP1 proferiu o acórdão n° 1618.117 (fls. 119 a 123), por meio do qual foi indeferido o pedido contido na manifestação de inconformidade. Tendo tomado ciência da decisão em 29/08/2008, a contribuinte apresentou em 26/09/2008 o recurso voluntário de fls. 126 a 139, acompanhado dos documentos de fls. 140 a 217, no qual reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Em 04/08/2011, a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o acórdão n° 1401000.628 (Ps. 220 a 226), dando provimento ao recurso voluntário e determinando o retorno dos autos à Deinf/SPO para análise do mérito do PERC. A autoridade a quo relata que solicitou à CoordenaçãoGeral de arrecadação e Cobrança Codac da RFB informações sobre a participação, ou não, da contribuinte em epígrafe em projeto próprio nas áreas incentivadas pelo FINAM e pelo FINOR 'Is. 238). Acrescenta que, por meio do Memorando RFB/Codac/Cobra/Dipej n° 329/2012 (fls. 239 e 240), recebeu a informação de que a interessada participa de projeto em área incentivada pelo FINOR e não participa de projeto em área incentivada pelo FINAM. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16327.000909/200619 Acórdão n.º 1401002.679 S1C4T1 Fl. 496 3 Assim, em 10/07/2012, a Deinf/SPO proferiu novo despacho decisório nos seguintes termos (fls. 241 a 243): "Diante do exposto, no exercício da competência conferida pelo art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria/MFn°125, de 04/03/2009 (DOU 06/03/2009) c/c art.l°,VII, "a", e da Portaria DEINF/SPO de 01/02/2012, DECIDO: A. RECONHECER o direito do interessado de aplicação no montante de R$211.607,93 do incentivo fiscal no FINOR, pois ele está enquadrado no art. 9° da Lei 8167/91. B. NÃO RECONHECER o direito do interessado de aplicação no montante de R$493.751,83 do incentivo fiscal no FINAM, pois ele não está enquadrado no art. 9° da Lei 8.167/91. C. DETERMINAR a expedição da Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal OEA. D. DETERMINAR a expedição de comunicado ao interessado, para que tome ciência deste despacho e fica facultado a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no prazo de 30 dias,contados a partir da ciência deste. " (destaques do original) Cientificada da decisão em 20/07/2012, a contribuinte apresentou, em 21/08/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 248 a 260, acompanhada dos documentos de fls. 261 a 284. A requerente alega que sua opção pelo FINAM atende ao disposto no art. 9°, §§ 4° e 7°, da Lei n° 8.167/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.19914/2001, in verbis: "Art. 9° As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1º, inciso I (...) §4° Relativamente aos projetos de infraestrutura, conforme definição constante do caput do art. 1º da Lei no 9.808, de 20 de julho de 1999, bem como aos considerados estruturadores para o desenvolvimento regional, assim definidos pelo Poder Executivo, tomando como base os planos estaduais e regionais de desenvolvimento, o limite de que trata o § 2o deste artigo será de cinco por cento. (...) Fl. 497DF CARF MF 4 §7° Consideramse empresas coligadas, para fins do disposto neste artigo, aquelas cuja maioria do capital votante seja controlada, direta ou indiretamente, pela mesma pessoa física ou jurídica, compreendida também, esta última, como integrante do grupo." Sustenta que exerceu a opção pelo incentivo fiscal na qualidade de integrante do Grupo Santander, do qual também faz parte o Banco Banespa que, por sua vez, detinha 5% das ações com direito a voto da Evadin Indústrias Amazônia S.A., adquiridas por meio de contrato de mútuo de ações ordinárias nominativas celebrado em 10/02/2000 (Doc. 04). Alega que a Evadin Indústrias Amazônia S.A. é sociedade titular de empreendimento nos termos do art. 9° da Lei n° 8.167/91, conforme atesta a Resolução SUDAM n° 9.268, de 14/12/1999. Acrescenta que o projeto foi reconhecido pela SUDAM como estruturador para o desenvolvimento regional, enquadrandose portanto no §4° do art. 9° da Lei n° 8.167/91. A requerente sustenta que, em conjunto com a Evadin Holding Ltda., o Banespa detinha mais de 51% do capital votante da Evadin Indústrias Amazônia S/A., visto que a Evadin Holding possuía 60% das ações com direito a voto, como comprova o acordo entre acionistas da Evadin Indústrias Amazônia S.A. (Doc. 05). Acrescenta que, nos termos do §7° do art. 9° da Lei n° 8.167/91, caracteriza se como empresa coligada ao Banespa, de acordo com o organograma do Grupo Santander Banespa, visto que ambas eram controladas (direta ou indiretamente) pelo Banco Santander Central Hispano S/A, pois: (i) o Banco Santander Central Hispano S/A detinha 99,99% da Santander Investiment S/A que, por sua vez, detinha 99,99% da Ablasa, a qual detinha 98,98% da requerente; e (ii) o Banco Santander Central Hispano S/A detinha 96,71% do Banco Santander S/A, o qual detinha 98,71% do capital votante do Banespa. A requerente salienta que sua interpretação do art. 9° da Lei n° 8.167/91 está em consonância com o Parecer Normativo CST n° 54/75, que definiu o alcance da expressão "participação conjunta de empresas coligadas" referida no art. 18 do antigo DecretoLei n° 1.376/74, que criou os fundos de investimentos regionais. Assim, conclui restar comprovado seu enquadramento no disposto no art. 9° da Lei n° 8.167/91, o que impõe o reconhecimento do direito ao incentivo fiscal. A requerente também alega que o Memorando RFB/Codac/Cobra/Dipej n° 329/2012 apenas informa sua participação em projeto próprio na área incentivada pelo FINOR, não se manifestando acerca da participação em projeto em área incentivada pelo FINAM, sendo infundada a decisão da autoridade a quo nesse aspecto. Subsidiariamente, a requerente alega que também se enquadraria no disposto no art. 1° da Lei n° 9.808/96, visto que a Evadin Indústrias Amazônia S.A. dedicase à produção de telefones celulares, o que pode ser considerado como empreendimento de infra estrutura na área de telecomunicações. Assim, também por essa razão, seria aplicado o limite individual de participação de 5% no capital votante da empresa titular do empreendimento previsto no §4° do art. 9° da Lei n° 8.167/91, estando a requerente apta a receber o incentivo fiscal. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16327.000909/200619 Acórdão n.º 1401002.679 S1C4T1 Fl. 497 5 Ante o exposto, a interessada requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, determinandose a expedição da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Foram juntadas cópias dos seguintes documentos à manifestação de inconformidade: Doc. 01 documento de identificação dos advogados que subscrevem a manifestação; Doc. 02 despacho decisório e comprovante da data de ciência; Doc. 03 organograma do grupo Santander Banespa; Doc. 04 contrato de mútuo de ações ordinárias nominativas da Evadin Indústrias Amazônia S.A. celebrado em 10/02/2000 e aditamento firmado em 27/12/2001; Doc. 05 acordo entre acionistas da Evadin Indústrias Amazônia S.A. firmado em 10/02/2000. A DRJ indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PERC. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. CONDIÇÕES PARA RECONHECIMENTO. A partir de 02/05/2001, a opção pelo incentivo fiscal é permitida às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinquenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional. Nos casos de participação conjunta, deve ser obedecido o limite mínimo de vinte por cento do capital votante para cada pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas, a ser integralizado com recursos próprios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Quando do julgamento do recurso voluntário, foram baixos os autos por resolução para se verificar se a empresa fazia ou não jus aos incentivos ficais da FINOR, nos seguintes termos: Fl. 499DF CARF MF 6 “Em função desse contexto, por precaução e para que se evite qualquer cerceamento do direito de defesa, tornase necessário a conversão do julgamento em diligência, para que esclarecida de vez essa questão, onde o setor competente responda de forma explícita se a empresa participa de projeto incentivado pelo FINAM, com as restrições impostas pelo artigo 9º, da lei nº 8.167/91. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento.” A diligência foi respondida nos seguintes termos: Conforme Resolução nº 1401000305 (fls. 451/460) da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse a seguinte solicitação: “Em função desse contexto, por precaução e para que se evite qualquer cerceamento do direito de defesa, tornase necessário a conversão do julgamento em diligência, para que esclarecida de vez essa questão, onde o setor competente responda de forma explícita se a empresa participa de projeto incentivado pelo FINOR, com as restrições impostas pelo artigo 9º, da lei nº 8.167/91. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento.” Lendose o referido acórdão em sua totalidade, é possível constatar que o relator Antônio Bezerra Neto equivocouse nos parágrafos finais ao referirse ao FINOR ao invés do FINAM. Analisandose os documentos acostados aos autos, podese relatar que, conforme informação (fl. 473) enviada em 03/02/2016, via email, pelo Sr. José Guilherme Alves Vieira (Economista/DFRP/GRB), apesar das inúmeras ressalvas, “não se localizaram registros que atestem que a empresa Santander Seguros S/A CNPJ nº 87.376.109/000106 tenha feito opção de recursos do FINAM na forma do art. 9º da Lei 8.167/91 e destinado a projetos aprovados pela extinta Autarquia, ou seja, não se localizou “Declaração de Opção” em favor de projetos/SUDAM.” Através do Ofício nº 124/SFRI/DFRP/CGAC (fl. 470/471), datado de 10/02/2016, expedido e assinado pela Sra. Marina Servato Ferreira (Coordenadora da Coordenação Geral de Acompanhamento, Avaliação e Análise do Departamento Financeiro e de Recuperação de Projetos da Secretaria de Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.000909/200619 Acórdão n.º 1401002.679 S1C4T1 Fl. 498 7 Fundos Regionais e Incentivos Fiscais do Ministério da Integração Nacional), apesar de suas ressalvas, é possível constatar que :“conforme informação prestada pelo Banco da Amazônia (anexo), e ratificada pela Gerência Regional de Belém – GRB, a referida empresa não participou de projetos incentivados pelo FINAM na modalidade e período mencionado acima”, ou seja, na modalidade do art. 9º da Lei nº 8.167/91 e no exercício 2003. Por fim, através do Memo nº 036/2016 RFB/Codac/Cobra/Dipej (fl. 469), datado de 19/02/2016, expedido e assinado pelo Sr. Diogo de Paula Moreira (Chefe da Divisão de Cobrança de Pessoa Jurídica – DIPEJ da Coordenação de Cobrança – Cobra da CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança – CODAC da Secretaria da Receita Federal), “o contribuinte ZURICH SANTANDER SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A, ex SANTANDER SEGUROS S/A, inscrito no CNPJ nº 87.376.109/000106, não participa de projeto incentivado pelo FINAM, referente ao exercício 2003, na modalidade do art. 9º da Lei nº 8.167/91.” É o que tenho a informar em atendimento à solicitação do egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sobre a diligência, foi concedida à contribuinte vista dos autos que alegou em suma: Que o que foi afirmado no Relatório Fiscal é que a empresa não participou de nenhum programa incentivado pelo FINAM por projeto próprio, mas que qualquer coligada ou controlada do grupo a que pertence a empresa tem o direito de optar em favor de projetos incentivados. Nesse sentido defende que uma das coligadas possuía projeto que legitima o programa. Por fim, reiterou os termos do Recurso Voluntário e o seu provimento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A recorrente exerceu a "Opção" de destinar parte do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado na DIPJ do anocalendário de 2002, ao Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) e ao Fundo de Investimentos da Amazônia (FINAM), eis por integrar o grupo econômico do qual faz parte o Banco do Estado de São Paulo BANESPA (Grupo de Empresas Coligadas Santander"), que detinha a participação de: Fl. 501DF CARF MF 8 a) 10,03% do capital votante de Primo Schincariol Inústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A (Primo Schincariol Nordeste) e, em conjunto com Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes S/A (Primo Schincariol S/A), detem mais de 51% de Primo Schincariol Nordeste; b) 5% na Evadin Indústria Amazônia S/A (Evadin S/A) sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerada, pelo Poder Executivo prioritário para o desenvolvimento regional em conjunto com Evadin Holding Ltda., possuindo, em conjunto, mais de 51% da Evadin Indústria Amazônia S/A. Pois bem, a questão do FINOR já se encontra definitivamente julgada, tendo em vista que a DRJ, quando do segundo julgamento dos autos desse processo, reconheceu o direito da Contribuinte. Portanto, para a delimitação exata da lide, cumpre destacar que nesses autos estão apenas em julgamento a questão relativa ao FINAM. Nesse sentido, impende destacar, quais seriam as condições para usufruir de tais benefícios e se o conjunto probatório dos autos permite ao julgador chegar a uma conclusão satisfatória. A Lei 8.167/91, em seu artigo 9º estabelecia que: Art. 9o As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1o, inciso I. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) Vide Decreto nº 2.259, de 1997 § 1o Na hipótese de que trata este artigo, serão obedecidos os limites de incentivos fiscais constantes do esquema financeiro aprovado para o projeto, o qual, além de ajustado ao orçamento anual dos Fundos, não incluirá qualquer parcela de recursos para aplicação na conformidade do art. 5o desta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 2o Nos casos de participação conjunta, será obedecido o limite mínimo de vinte por cento do capital votante para cada pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas, a ser integralizado com recursos próprios. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 3º O limite mínimo de que trata o parágrafo anterior será exigido para as opções que forem realizadas a partir do exercício seguinte ao da entrada em vigor desta lei. §4º Relativamente aos projetos de infraestrutura, conforme definição constante do caput do art. 1º da Lei nº 9.808, de 20 de julho de 1999, bem como aos considerados estruturadores para o desenvolvimento regional, assim definidos pelo Poder Executivo tomando como base os planos estaduais e regionais de desenvolvimento, o limite de que se trata o §2º deste artigo, será de cinco por cento. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16327.000909/200619 Acórdão n.º 1401002.679 S1C4T1 Fl. 499 9 Pois bem, tendo em vista que a regularidade fiscal da recorrente à época estava devidamente comprovada, conforme decisão da DRJ e, ainda, que a resolução SUDAM abaixo reconhecia que a EVADIN INDUSTRIA AMAZONIA S/A era empresa "coligada" e tinha direito ao benefício, necessário demonstrar que a recorrente com relação à participação societária, preenchia os requisitos legais. Com relação a participação societária, tendo em vista que a recorrente juntou aos autos a comprovação de que era acionista das empresas citadas acima, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13747.000139/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO.
Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se o não provimento ao recurso.
CONDIÇÕES PESSOAIS. EQUIDADE. INAPLICABILIDADE.
A falta de informação, a condição econômica e ser a atividade do contribuinte humilde são circunstâncias juridicamente irrelevantes, ou seja, não são fundamento jurídico válido para se desconstituir o lançamento ou para se isentar o pagamento dos valores lançados.
Numero da decisão: 2401-005.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
1.0 = *:*
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DEDUÇÃO. DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente PAULO DOS SANTOS ROSSI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese o não provimento ao recurso. CONDIÇÕES PESSOAIS. EQUIDADE. INAPLICABILIDADE. A falta de informação, a condição econômica e ser a atividade do contribuinte humilde são circunstâncias juridicamente irrelevantes, ou seja, não são fundamento jurídico válido para se desconstituir o lançamento ou para se isentar o pagamento dos valores lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 7. 00 01 39 /2 01 0- 51 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13747.000139/201051 Acórdão n.º 2401005.686 S2C4T1 Fl. 262 2 José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, anocalendário 2008, tendo sido apurada Dedução Indevida de Despesas de LivroCaixa em razão da declaração de despesas em valor superior ao total dos rendimentos declarados que permitem essa dedução: Glosa de R$ 181.364,45 Multa de 75% O contribuinte apresentou impugnação parcial, considerada tempestiva, alegando, em síntese: a) Conforme DIRPF Retificadora em anexo, informou rendimentos de trabalho assalariado de R$ 8.248,44, e rendimentos de trabalho sem vínculo de R$ 212.135,94, como prestador de serviços autônomo de serralheria em que tem de arcar com despesas de material necessárias à percepção dos rendimentos. Logo, todo o valor recebido não poderia ser integralmente tributado. b) Mais de 96% dos rendimentos declarados se referem a trabalho não assalariado, sendo que o único rendimento de trabalho assalariado é o do Governo do Rio de Janeiro. Errou ao não ter informado como ocupação principal o código 11 (profissional liberal sem vínculo de emprego) e não 31 (membro ou servidor público da administração direta estadual), tendo passado a constar na declaração anobase 2009. c) O pagamento é impossível por ser pessoa que exerce a humilde atividade de serralheiro. Do Acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai: a) O contribuinte apresentou com a impugnação o livro caixa escriturado (fls. 17/39) bem como as notas fiscais por ele emitidas comprovando os rendimentos auferidos pela prestação de serviços sem vínculo empregatício (fls. 40/84) e os comprovantes das despesas (fls. 87/174). O impugnante comprovou a sua atividade de prestador de serviço autônomo, conforme o Documento de Atualização de Dados Cadastrais/Atividade – Pessoa Física (fls. 85) e Cartão de Inscrição junto à Prefeitura Municipal de Mangaratiba (fls. 86). Neles constou que a atividade exercida pelo contribuinte é a de serralheiro. O montante dos rendimentos auferidos na atividade de prestação de serviços sem vínculo empregatício, informado na DIRPF/2009, foi corroborado pelo livrocaixa e pelas notas fiscais emitidos pelo impugnante. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13747.000139/201051 Acórdão n.º 2401005.686 S2C4T1 Fl. 263 3 b) No entanto, quanto às despesas escrituradas no livrocaixa, o impugnante não logrou comproválas, com documentos, a sua totalidade. Algumas notas de compra de materiais não foram anexadas aos autos, bem como os comprovantes de retenção do ISS e dos pagamentos de pessoas físicas. c) Assim, diante da farta documentação comprobatória, pode ser restabelecida nessa instância parte da dedução glosada pela Fiscalização, ou seja, do montante glosado de R$ 185.064,45, deve ser restabelecido o valor de R$ 96.140,92. Intimado em 14/12/2011, o contribuinte interpôs em 12/01/2012 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Não foram deduzidos os pagamentos efetuados a pessoas físicas, notas fiscais de compras, como também ISS retido, despesas estas que foram comprovadas através de cópia xerografada e lançamentos no livro caixa. Analisando a Planilha de Despesas (anexo), temos, por exemplo, o mês de janeiro/2008: Livro Caixa (RS 12.047,50) subtraindo as não comprovadas (RS 4.542,50) terá o saldo (RS 7505,00). Portanto não foram consideradas as despesas: ISS (RS 526,50), adicionada as despesas com pessoas físicas (RS 3.691,00), adicionada as pequenas despesas (RS 324,98), totalizam o valor escriturado no livro caixa (RS 4.542,48). Como podem ser observadas, tais despesas não foram consideradas durante todo o ano de 2008. b) A atividade de serralheiro deixa o contribuinte com as roupas sujas de ferrugem, pó de ferro, olhos queimados e corpo chamuscado. No ano de 2008, foi contemplado com serviços que raramente irão se repetir. Logo, cumpriu sua obrigação quitando as parcelas do imposto declarado, inexistindo má fé e sim falta de informação, estando hoje pela expectativa da decisão patente a falta de tranquilidade e nervosismo pelo elevado imposto acrescido de multa e juros, a tornar impossível o recolhimento do valor apurado. c) Protesta com a apresentação de comprovantes juntados, como: cópia do livrocaixa, notas fiscais n° 2762 e 3030, cópia de recibos de pagamentos a pessoas físicas, cópias das guias de retenções de iss e cópia da planilha de despesas. d) Contando com um espírito de humanismo e compreensão, pede a procedência da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13747.000139/201051 Acórdão n.º 2401005.686 S2C4T1 Fl. 264 4 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. De imediato, passo a analisar a documentação apresentada com o recurso voluntário tendente a comprovar despesas escrituradas no livrocaixa. Dentre os documentos carreados com o recurso voluntário, não localizei qualquer nota fiscal. Logo, as notas fiscais n° 2762 e 3030 referidas nas razões recursais não restaram apresentadas com o recurso. Os recibos de pagamentos a pessoas físicas têm por objeto prestação de trabalho autônomo de serralheiro, mesma atividade do contribuinte. Logo, não veiculam despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, III), mas de pagamento pelo exercício da própria atividade geradora de receita, hipótese em que só se admite a dedução da remuneração paga para empregado (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, I). Os Documentos de Arrecadação Municipal DAM com especificação da receita ISS não estão acompanhados de recibo de pagamento ou de autenticação bancária (fls. 200, 205, 206, 2012, 222,228, 233, 238 e 242). O carimbo neles afixado com os dizeres "quitação em branco" não prova quando se efetivou o pagamento e nem me gera convicção acerca de que o mesmo tenha ocorrido. Em Relação ao DAM de fls. 195 em que há autenticação bancária dando conta do recolhimento de R$ 315,00 em 24/01/2008, o constante do campo "ESPECIFICAÇÃO DA RECEITA" é ilegível. Além disso, o valor em tela não foi escriturado no livrocaixa (fls. 17 e 194), não podendo ser deduzido em face da expressa exigência constante do § 2° do art. 6° da Lei n° 8.34, de 1990. Os recibos de ISS retidos na fonte têm o campo "Nome e assinatura do responsável:" em branco (fls. 218, 248 e 254). Está em branco o campo "Autenticação Mecânica" do documento ISS Movimento Econômico (fls. 243). Não merece reparo a apreciação das provas empreendida pelo Acórdão de piso. Além disso, o contribuinte não apresentou com as razões recursais alegação ou prova capaz de ensejar a reforma do referido Acórdão. A decisão recorrida não apreciou a alegação de o contribuinte exercer atividade humide e, por conseguinte, estar impossibilitado de efetuar o pagamento dos valores lançados. Nas razões recursais, o argumento foi reiterado e melhor detalhado, inclusive acrescentandose a alegação de não ter o recorrente agido de má fé e sim com falta de informação. Estando o processo em condições de imediato julgamento, julgo o pedido não apreciado em primeira instância (Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013, § 3°, III). De fato, não vislumbro má fé. Logo, correta a aplicação do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Além disso, a falta de informação, a condição econômica e ser a atividade do contribuinte humilde são circunstâncias juridicamente irrelevantes, ou seja, não são fundamento jurídico válido para se desconstituir o lançamento ou para se isentar o pagamento dos valores lançados (Decretolei n° 4.657, de 1942, art. 3°; e Lei n° 5.172, de 1966, art. 108, § 2°). Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13747.000139/201051 Acórdão n.º 2401005.686 S2C4T1 Fl. 265 5 Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000406/2005-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 03/06/2005
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-007.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 06 /2 00 5- 04 Fl. 291DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 20403.652 da 4ª Câmara do 2º Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 03106/2005 NORMAS PROCESSUAIS. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. DECADÊNCIA. O direito de pleitear restituição de pagamentos indevidos ou a maior decai em cinco anos contados da data de extinção da obrigação tributária pelo pagamento, sejam quais forem os motivos determinantes e mesmo nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, consoante arts. 165, I e 168, I ambos do CTN, e Lei Complementar n° 118/2005. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13502.000406/200504 Acórdão n.º 9303007.002 CSRFT3 Fl. 292 3 · Na decisão ora recorrida ficou estampado que se extingue após o transcurso do prazo 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que devido; · Ocorre que o CTN prevê o lapso temporal de 5 cinco anos para ocorrer a homologação do pagamento e a consequente extinção do crédito tributário (Art. 150, § 1° e 40 do CTN ), mais 5 anos da data da extinção do crédito tributário para que o sujeito passivo possa requerer a restituição dos valores (artigo 168, I do CTN). Em Despacho às fls. 284 a 286, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Não foram apresentadas Contrarrazões pelas razões expostas em ofício emitido pela PGFN: “UNIÃO (Fazenda Nacional), por seu procurador, informa que tomou ciência do recurso especial interposto pelo contribuinte em face do acórdão n. º 20403.652, mas que não haverá contrarrazões (art. 62A do RICARF art. 543B da Lei nº. 5869/73; RE nº. 566.621/RS). Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. BrasíliaDF, 21 de setembro de 2015. PAULO RENATO GONZÁLEZ NARDELLI Procurador da Fazenda Nacional” É o relatório. Voto Fl. 293DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. O que concordo com o exame de admissibilidade. Ventiladas tais considerações, passo as razões. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13502.000406/200504 Acórdão n.º 9303007.002 CSRFT3 Fl. 293 5 julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos Fl. 295DF CARF MF 6 repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13502.000406/200504 Acórdão n.º 9303007.002 CSRFT3 Fl. 294 7 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Fl. 297DF CARF MF 8 Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 3.6.05 referente ao período de fevereiro/98 a janeiro/99. Sendo assim, considerando que o pedido foi apresentado antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, com retorno para a unidade de origem para analisar o direito ao crédito. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13502.000406/200504 Acórdão n.º 9303007.002 CSRFT3 Fl. 295 9 Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001382/2004-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
OPÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. REFRIGERANTE.
Não é permitida a permanência no Simples de empresa que exerce a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI,
Numero da decisão: 1001-000.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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EST. DE ARAGUARI IND. COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 OPÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. REFRIGERANTE. Não é permitida a permanência no Simples de empresa que exerce a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório DRF/UBE, n° 425551. de 07 de agosto de 2003. (efl. 19), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 13 82 /2 00 4- 41 Fl. 36DF CARF MF 2 razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, por força do artigo 9°, inciso XIX, da Lei 9.317/96. A contribuinte apresentou sua inconformidade argumentando que fabricação de refrigerante não está classificada no capítulo 22 da TIPI e que o ato de exclusão fere princípios constitucionais, em especial o do direito adquirido. A decisão de primeira instância (efls. 24/25) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que refrigerante está classificado no capítulo 2202.10.00 da TIPI, sendo, portanto, improcedente o alegado pela defesa. E quanto a ofensa a princípios constitucionais e legais, afirmou a decisão de primeira instância que a matéria de natureza constitucional e de legalidade não pode ser oposta na esfera administrativa, dado que cabe ao Judiciário apreciar a constitucionalidade e/ou legalidade das normas jurídicas. Cientificada da decisão de primeira instância em 13/10/2008 (efl. 26) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 30/10/2008 (efl. 27), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Conforme já destacado pela decisão de primeira instância a recorrente incide na hipótese de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, por força do artigo 9°, inciso XIX, da Lei 9.317/96. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIX que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei no 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas. A Recorrente concorda que exerce a atividade de fabricação de refrigerantes. Mas contesta que esta atividade esteja classificada no capítulo 22 da TIPI, mas sim no capítulo 21. Mas a própria TIPI, em seu capítulo 21 explica como classificar refrigerante (22) e extrato de refrigerante (21): TIPI 2106.90.10 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado Observo que a disposição legal acima (da Lei 9.317/96) garante que devem ser mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas. Ou seja, após esta data as empresas que não estiverem de acordo com o art. 9°, XIX deveriam ser excluídas. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10675.001382/200441 Acórdão n.º 1001000.734 S1C0T1 Fl. 37 3 Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 38DF CARF MF
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Numero do processo: 13118.000211/2006-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhamento do processo à Presidente do CARF para dirimir o conflito de competência.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhamento do processo à Presidente do CARF para dirimir o conflito de competência. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhamento do processo à Presidente do CARF para dirimir o conflito de competência. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Tratase de exame do recurso voluntário em face do Acórdão nº 0320.311, de 29/03/2007, da 4ª Turma DRJ/BSA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Através da Representação nº 022/2006 ARF/CTL, verificouse que a Recorrente informou nas declarações PJSimples relativas aos períodos de agosto a dezembro (calendário 2001), janeiro a dezembro (calendário 2002), janeiro a março e outubro a dezembro (calendário 2003) e janeiro a julho (calendário 2004), que partes dos saldos de Simples a pagar RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 18 .0 00 21 1/ 20 06 -7 1 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13118.000211/200671 Resolução nº 1003000.004 S1C0T3 Fl. 3 2 foram extintos por compensações com processos. Como a ARF/CTL não localizou pedidos de compensação em nome da Recorrente, enviou intimação para que a mesma informasse a origem dos créditos. Em resposta à intimação, a Recorrente informa que não realizou nenhuma compensação de valores administrados pela Receita Federal, e que compensou créditos que existiam com o Instituto Nacional de Seguridade Social com débitos com aquela autarquia. Aos, 27 de novembro de 2006, foi proferido Despacho Decisório DRF/GOI nº 481 que não homologou a compensação, conforme ementa abaixo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das • Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: agosto a dezembro (calendário 2001); janeiro a dezembro (calendário 2002); janeiro a março e outubro a dezembro (calendário 2003); janeiro a julho (calendário 2004). Ementa: Pedido/Declaração de Compensação. Tanto o Pedido quanto à Declaração de Compensação de débitos devem ser apresentados à Secretaria da Receita Federal na forma estabelecida pela legislação. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, com créditos não administrados pela Secretaria da Receita Federal. Compensação não Homologada Por descordar da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, cujas alegações extraise do Relatório do acórdão recorrido: Como membro afiliado à Associação Comercial de Catalão, detém crédito daquela contribuição previdenciária obtido em Acórdão do TRF da i a Região, transitado em julgado, como também obteve naquela mesma decisão judicial o direito de compensálo com débitos vencidos ou vincendos; A adesão ao Simples não inviabiliza a compensação na sistemática do art. 66 da Lei 8.383/1991, desde que observado, a cada mês, o percentual que, nos termos do art. 23 da Lei 9.317/1996, é destinado ao INSS. Este é o entendimento nos autos do Mandado de Segurança 1998.38.02.0016040/MG, e da mesma forma também já decidiram o Tribunal Regional Federal da 4a Região e o Superior Tribunal de Justiça. A diferença encontrada pela Receita Federal, entre o valor a recolher e o valor recolhido, é exatamente aquele consistente nos créditos compensados e destinados ao INSS, não havendo nenhum recolhimento inferior ao apurado para os demais tributos, como se pode verificar das Declarações Simplificadas e dos DarfSimples, em anexo. Assim, em sendo a compensação efetivada regular e legal, requer seja reformada a decisão proferida, homologando a citada compensação.(relatório constante no acórdão da DRJ) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13118.000211/200671 Resolução nº 1003000.004 S1C0T3 Fl. 4 3 A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos moldes da ementa abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de Apuração: 31/08/2001 a 31/07/2004 Ementa: Compensação — Contribuições da Seguridade Social (INSS) — Impossibilidade O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os seguintes fundamentos: (i) "É incontroversa no processo a origem dos créditos, que são de natureza previdenciária e que foram reconhecidos judicialmente através do Mandado de Segurança número 1999.35.00.0209199, que tramitou perante o Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região, com trânsito em julgado"; (ii) "Toda a legislação invocada pelo despacho decisório e pelo acórdão da Delegacia da Receita Federal de julgamento se refere, expressamente, a CRÉDITOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL e não pelos créditos do caso dos autos"; (iii) "Não há nenhuma norma que determine a forma de realizar tal compensação. Há sim, repitase, normas que determinam a forma de compensar os créditos administrados pela Receita Federal. Não de créditos administrados pelo INSS (previdenciários)"; (iv) "O caso é de aplicação da Lei 8.383/91, e não da Lei 9.430/96, vez que, como dito, não se trata de crédito administrado pela Receita Federal"; (v) "Desenganadamente, a Recorrente compensou do recolhimento feito através do sistema SIMPLES, única e exclusivamente o valor destinado ao INSS, obedecendo as alíquotas determinas pela então Lei 9.317/96, não deixando de recolher os tributos administrados pela SRF". Por fim, requereu que seja admitida a compensação das contribuições previdenciárias no sistema de arrecadação pelo Simples. Às fls. 348 a 353 foi juntado despacho proveniente da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Fiscal no qual o processo é remetido para esta 1ª Seção, visto ter o Conselheiro Relator entendido não ser a matéria dos autos de competência da 2ª Seção. Em 11/08/2015 os autos foram encaminhados. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13118.000211/200671 Resolução nº 1003000.004 S1C0T3 Fl. 5 4 Aos 02/03/2016, foi apensado aos presentes autos o Processo de nº 13118.000010/200754, o qual, segundo a Delegacia da Receita Federal em Goiania (DRF/GOI), possui o mesmo objeto dos presentes autos e, no processo de n º 13118.000010/200754, a contribuinte teve seu pleito atendido parcialmente, havendo comprovação de parcelamento do débito. É o Relatório. VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Inicialmente cabe examinar a competência da 1ª Seção/CARF para o julgamento do recurso voluntário da matéria tratado no presente processo. Consta no Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a seguinte determinação: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; [...] Art. 7º Incluise na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. A Recorrente compensou dos pagamentos realizados através do Simples, créditos adquiridos através de ação judicial na qual foi reconhecido o recolhimento indevido a título de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração para aos administradores/empresários, trabalhadores avulsos e autônomos, matéria normatizada na Lei nº 7.787/1989 e na Lei nº 8.212/1991, discutida no Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0209199 do Tribunal regional Federal da 1ª Região. Embora a Recorrente seja optante pelo Simples, o reconhecimento do crédito pleiteado oriundo de ação judicial se refere à Contribuição Previdenciária, cuja competência de análise do litígio é da 2ª Seção/CARF e assim a 1ª Seção/CARF deve declinar da competência para o julgamento do recurso voluntário no processo administrativo de controle de legalidade do ato administrativo. Contudo, em despacho realizado pela 2ª Seção de Julgamento (4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária), o Ilmo. Conselheiro Relator declinou da competência para a 1ª Seção. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13118.000211/200671 Resolução nº 1003000.004 S1C0T3 Fl. 6 5 Em que pese o respeito pelo entendimento do ilustre Conselheiro, para o julgamento da presente ação, fazse necessário avaliar se o procedimento escolhido pela Recorrente para a compensação das contribuições previdenciárias é o adequado, como também se o valor compensado corresponde com o recolhimento indevido reconhecido na via judicial. Sendo assim, entendo que se trata de processo cuja competência deve ser definida em razão do crédito em discussão e, por conseguinte, competência da 2ª Seção. Ainda que seja para não conhecer do Recurso voluntário em razão de possível perda de objeto. Considerando o despacho realizado pelo Conselheiro da 2ª Seção, entendese existir nos presentes autos conflito de competência. O Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal (Portaria MF 343/2015), em seu Anexo II, determina, em casos como o ora em análise, que caberá ao Presidente do CARF decidir sobre a questão, vide abaixo: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. Art. 20. Além de outras atribuições previstas neste Regimento Interno, ao Presidente do CARF incumbe, ainda: (...) IX dirimir conflitos de competência entre as Seções e entre as turmas da CSRF, bem como, controvérsias sobre interpretação e alcance de normas procedimentais aplicáveis no âmbito do CARF Assim, em razão do conflito negativo de competência entre as 1ª e 2ª Seções, incumbe à Presidente do CARF dirimilo e por conseguinte pronunciarse acerca da matéria. Em face do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhamento do processo à Presidente do CARF para dirimir o conflito de competência apontado nos presentes autos. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973292/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 29 2/ 20 12 -3 9 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) de nº [...], emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº [...] e não deferiu a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado na presente DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: período de apuração – 30/06/2010; data de arrecadação – 29/09/2010; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO) e valor original utilizado R$ 65.747,05. 1.1. A transmissão da DCOMP ocorreu em 25/10/2011. 2. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, [...] alegando, em síntese, que: (...) I DOS FATOS A empresa tem sua tributação baseada na sistemática do lucro presumido. No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) 8. Razão contábil do segundo e terceiro trimestres de 2010 das receitas de vendas de imóveis (Contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010). (...) 11. Controle de utilização dos créditos fiscais. IV DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório rastreamento n° [...], consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de agosto de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1660.826, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4 Cientificada da decisão em 01/10/2015 , a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/10/2015, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.721158/2012-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO.
Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
Numero da decisão: 1001-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 11 58 /2 01 2- 61 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 105 a 117) interposto contra o Acórdão nº 0359.288, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 97 a 101), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fls. 31/32 (data de registro em 15/02/2012), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 24/01/2012. A opção foi indeferida em virtude de existirem os débitos abaixo relacionados, os quais não se encontravam com as exigibilidades suspensa; com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: débito de natureza previdenciária de nº 398230927; débitos de natureza não previdenciária constantes do processo administrativo nº 10855.450489/200400 a título de SIMPLES (código 6106), de IRPJ (código 2089), de CSLL (código 2484), COFINS (código 2172) e de PIS (código 8109) e, constantes do processo administrativo nº 18208.644414/200769 a título de SIMPLES (código 6106) e; débito de SIMPLES inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN) de nº 8040511757231 (processo administrativo nº 10855.205363/200555). Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 4 3 Cientificada desses débitos a pessoa jurídica interessada ingressou em 23/03/2012, por intermédio de procurador regularmente constituído (instrumento de mandato de fls. 19/20), com a manifestação de inconformidade de fls. 02/03 alegando, em síntese, que parcelou todos os débitos. Junta documentos visando fazer prova de suas alegações e solicita o enquadramento no Simples Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando que quitou todos os débitos regularmente, portanto faria jus à Opção pelo Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De início, a própria Recorrente admite que na época dos fatos não tinha condições financeiras para quitar todos os seus débitos, tendo tentado parcelar os valores, porém tal parcelamento foi recusado. Outrossim, a informação fiscal de fl. 95, escorada nos documentos de fls. 38 a 94, corroboram a circunstância de que a Contribuinte não havia parcelado todos os seus débitos dentro do prazo para a opção. Ora, diante desta singela constatação, resta evidente que os débitos apontados pela decisão de piso não se encontravam quitados, tampouco com exigibilidade suspensa, na data final para a opção ao Simples no referido anocalendário. Por conseguinte, cai por terra toda a argumentação trazida pela Recorrente, não havendo que se falar em reforma do decisum. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) O litígio é decorrente do ato de indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2012 em virtude da existência de débitos que a interessada contesta, alegando que foram parcelados. Não assiste razão à manifestante. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 5 4 A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos: Lei Complementar nº 123/2006 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) (grifos acrescidos) Consoante o que dispõe a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, tal impedimento era passível de regularização, desde que tal regularização se desse no mesmo prazo concedido para fazer a opção pelo Simples Nacional: Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) §1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) §2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (...) (grifos acrescidos) No caso em exame, a ‘Informação Fiscal’ de fl. 95, elaborada pela Delegacia de jurisdição do contribuinte, esclarece com precisão o litígio presente nos autos apontando que alguns débitos relacionados no Termo de Indeferimento não foram devidamente regularizados conforme determina a legislação que rege o Simples Nacional: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 6 5 O interessado alega que parcelou os débitos que impediram o ingresso no Regime Especial dentro do prazo de opção, todavia, foi verificado que o parcelamento noticiado na petição foi improfícuo (fls. 4194). Ocorre que o contribuinte apresentou pedido de “Parcelamento Simplificado” de contribuições previdenciárias, que não abrange os demais débitos débitos não previdenciários e débitos inscritos em DAU – elencados no “Termo de Indeferimento”. Cabe ressaltar que os débitos de natureza não previdenciária, notadamente Cofins e Simples Federal, em cobrança no processo administrativo nº 10855.450489/200400, assim como, os débitos de Simples Federal constantes do processo administrativo nº 18208.644414/200769, não estavam com exigibilidade suspensa à data de opção pelo Regime Especial, sendo, posteriormente, inscritos em DAU. Frisese, ainda, o que processo administrativo nº 10855.205363/200555, em cobrança pela PGFN, foi objeto de “Pedido de Reparcelamento”, contudo este foi solicitado em 09/02/2012, após o prazo para regularização das pendências impeditivas à opção pelo Simples Nacional. De fato, analisando as telas anexadas aos autos às fls. 42 a 48 pela autoridade preparadora constatase que na data da consulta em 17/04/2012, portanto após a data limite de 31/01/2012 permitida pela legislação do Simples Nacional para o contribuinte regularizar as pendências que impediram a sua inclusão nessa sistemática de apuração, o débito previdenciário de nº 398230927 encontravase ainda como devedor na situação de “AGUARD. REG. APÓS EXPIRAÇÃO PRAZO LDCG”. Por sua vez pelas telas de fl. 55, de fls. 58 a 67 e de fls. 71 a 79 constatase que em 17/04/2012 os débitos não previdenciários a título de SIMPLES (código 6106) constantes dos processos administrativos de nº 10855.450489/200400 e de nº 18208.644414/200769 encontravamse inscritos na PGFN como devedores na situação de “ATIVA EM COBRANÇA”. Ademais, pelas telas de fls. 85 a 94 constatase que somente em 09/02/2012 a pessoa jurídica manifestante efetivamente requereu junto à PGFN o parcelamento do débito de SIMPLES inscrito em Dívida Ativa da União de nº 8040511757231 constante do processo administrativo nº 10855.205363/200555. Dessa forma, uma vez que efetivamente nem todos os débitos que motivaram o indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2012 foram regularizados pela pessoa jurídica interessada até a data limite permitida pela legislação, correto o indeferimento do seu pedido de inclusão nessa sistemática de apuração. (...)" Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 7 6 Conforme apontando, havia débitos sem exigibilidade suspensa, ao final do prazo legal, que justificaram o Indeferimento da Opção pelo Simples. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720003/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
Créditos Básicos. Operações não Comprovadas. Documentação Fiscal Inidônea. Glosa.
É cabível a glosa de créditos básicos de IPI quando o documento fiscal for inidôneo e não houver prova efetiva da operação.
Intuito de Fraude. Multa Qualificada.
Demonstrado o dolo na apropriação de créditos básicos gerados de operações inexistentes e acobertados por documentação fiscal inidônea, impõe-se a qualificação da multa.
Numero da decisão: 1301-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2006 Créditos Básicos. Operações não Comprovadas. Documentação Fiscal Inidônea. Glosa. É cabível a glosa de créditos básicos de IPI quando o documento fiscal for inidôneo e não houver prova efetiva da operação. Intuito de Fraude. Multa Qualificada. Demonstrado o dolo na apropriação de créditos básicos gerados de operações inexistentes e acobertados por documentação fiscal inidônea, impõe-se a qualificação da multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. GLOSA. É cabível a glosa de créditos básicos de IPI quando o documento fiscal for inidôneo e não houver prova efetiva da operação. INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Demonstrado o dolo na apropriação de créditos básicos gerados de operações inexistentes e acobertados por documentação fiscal inidônea, impõese a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 03 /2 01 2- 75 Fl. 5340DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.341 2 Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0940.835, da 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, que, negando provimento à impugnação da recorrente, manteve contra ela o lançamento que exigia crédito tributário no montante de R$ 909.683,33, relativo a IPI acrescido de multa e juros de mora. O fato foi assim descrito no auto de infração: O estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu ou recolheu a menor o imposto sobre produtos industrializados, por ter se utilizado de crédito básico indevido de notas fiscais inidôneas, e após intimado e reintimado para apresentar o seu Livro de Registro de Apuração de IPI a fim de verificar a apuração de saldo e eventual reconstituição da escrita, o contribuinte não o apresentou, sendo, portanto, efetuada a glosa dos valores constantes nas notas fiscais consideradas inidôneas, conforme descrito e demonstrado no Relatório Fiscal, anexo, e parte integrante deste auto. (fl. 2.647) Consta do Relatório Fiscal (fls. 2.649 a 2.662) que os trabalhos se iniciaram na empresa Metalan Indústria e Comércio de Metais Ltda. Constatou a Fiscalização que a empresa não tinha existência de fato. A DIPJ do ano base 2006 foi apresentada em branco. A Fiscalização constatou também que as duas pessoas que figuravam como sócias da Metalan já haviam falecido antes da constituição da sociedade empresária. Para registrar os atos constitutivos da sociedade e burlar órgãos públicos, houve falsificação de documento dos sócios. Posteriormente, os sócios foram substituídos por outras pessoas, sem capacidade econômica para ingressar no quadro societário da empresa. O relatório dá notícia de que a maioria das notas fiscais emitidas pela Metalan tinha como destinatária a recorrente, que teria sido a principal beneficiária do esquema fraudulento. Eis os termos do relatório fiscal: 10. Verificouse que praticamente todas as notas fiscais de emissão da empresa METALAN tiveram como beneficiárias as empresas do irmão do Sr. Lindoro, quais sejam: IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. (CNPJ 03.763.623/000104 e 03.763.623/000295) e INDÚSTRIA DE CABOS ELÉTRICOS PAULISTA LTDA. (CNPJ 69.232.163/000104); 11. Desta forma, foram solicitados, inicialmente, abertura de RPF vinculados à ação fiscal principal, a fim de viabilizar as diligências necessárias nas empresas beneficiárias das notas fiscais, sendo que, apesar de várias oportunidades em intimações e reintimações, as empresas não comprovaram a efetividade das Fl. 5341DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.342 3 operações, a idoneidade das mesmas, nem tampouco o recebimento e a utilização das supostas mercadorias constantes nas notas fiscais, limitandose a acusar a fiscalização de fazer as mesmas solicitações, e tentando desviarse das intimações através de alegações vazias e sem fundamentos, inclusive entregando os livros LALUR e Registro de Apuração de IPI somente em 13/12/2011. Além disso, não atendeu a intimação para apresentar a Relação de Bens e Direitos para confecção do arrolamento. Não obstante isso, as notas fiscais foram utilizadas como custos, reduzindo significativamente e de forma fraudulenta os tributos devidos naquelas empresas, já que estas foram tributadas na modalidade de Lucro REAL, com aproveitamento indevido das notas fiscais de favor, objetivo primordial da empresa METALAN, como veremos adiante; 12. O somatório das notas fiscais emitidas pela METALAN e utilizadas para reduzir indevidamente o lucro real, bem como as compensações indevidas do IPI na empresa IPCE (CNPJ 03.763.623/000104 e 03.763/000295), utilizando o regime de competência, apenas durante os anoscalendário de 2006 e 2007, somaram respectivamente R$ 11.357.846.60 e R$ 13.496.825,40, conforme pode ser visualizado nos quadros abaixo: (fl. 2.653) (...) 13. Após a regular quebra do sigilo bancário da empresa METALAN, verificamos em seus extratos de contascorrentes que a maioria dos valores nelas creditados referiamse a transferências através de TED efetuadas pela IPCE ou depósitos efetuados por factorings. Estranhounos, no entanto, o fato de a quase totalidade dos cheques emitidos pela METALAN serem de compensação nacional, ou seja, foram compensados em outros estados, em sua maioria, no Estado de São Paulo; (fl. 2.657) (...) 16. Analisando, ainda, as cópias dos cheques de emissão da METALAN, podemos observar que no verso de grande parte deles consta a informação do Banco de confirmação de sua emissão junto ao Sr. LINDORO, irmão do Sr. ADHEMAR CAMARDELLA, dono da IPCE. Verificase, também, em muitos deles, a inscrição "IPCE", à caneta, no verso, não obstante terem como favorecidos diversas outras empresas. Tudo leva a crer que os pagamentos efetuados pela METALAN, em sua maioria, eram por conta e ordem da IPCE, que, por sua vez efetuava pagamentos sem causa através de transferências para as contas da METALAN ou de terceiros, acobertados pela emissão de notas fiscais fraudulentas desta empresa tendo a IPCE como beneficiária; 17. As quantidades das mercadorias e os respectivos valores constantes das notas fiscais de vendas de emissão da METALAN em favor da IPCE são totalmente incompatíveis com as mercadorias e os valores de compras constantes nas notas fiscais de entrada da METALAN. Além disso, não há nenhuma comprovação do transporte, recebimento, entrada no estoque ou utilização na produção pela IPCE das mercadorias constantes nas notas fiscais oriundas da METALAN; 18. A IPCE, por diversas vezes intimada e reintimada a comprovar a efetividade das operações com a METALAN, limitouse a fornecer as cópias das notas fiscais e dos pagamentos efetuados, sendo a maioria destes pagamentos através de depósitos realizados diretamente em contas de terceiros. Em nenhum momento logrou comprovar o efetivo transporte, recebimento ou a utilização dos materiais constantes das notas fiscais da METALAN, e nem haveria como comprovar, já que a METALAN era constituída somente no papel, inicialmente com dois sócios Fl. 5342DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.343 4 falecidos, e posteriormente sendo um deles substituído por um "laranja", o qual também foi substituído por outro "laranja"; (fl. 2.659) (...) 21. De tudo que se apurou no decorrer da fiscalização na empresa METALAN, nas diligências realizadas, não apenas na IPCE, mas também em outras empresas que receberam cheques de emissão da METALAN, além das diversas declarações de dois dos sócios de direito e da contadora da empresa, até o presente momento, nos permite concluir que a empresa METALAN não exercia atividades econômicas de fato, tendo sido formalizada apenas para subsidiar a emissão de "notas fiscais de favor", não dispondo de patrimônio nem capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive não havendo nenhum indício de que o capital social fora integralizado, já que até os 2 únicos sócios que faziam parte do quadro social da empresa já estavam mortos na época da constituição da mesma; 22. Não restam dúvidas de que a empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA., foi constituída apenas no papel, e ainda assim, de forma fraudulenta, utilizandose os seus mentores de vários artifícios dolosos (falsificação de documentos públicos e privados, falsidade ideológica, falsificação de assinaturas, sonegação fiscal, conluio, simulação de atos, etc), com o intuito de sonegar impostos e fraudar o fisco, deixando de recolher ou reduzindo os tributos devidos, quer pelo não pagamento dos tributos destacados, quer através da redução dos valores a serem pagos utilizandose de custos e compensações que sabia indevidas, ou até mesmo gerando eventuais restituições inexistentes; 23. Fica evidente, a essa altura, que os principais beneficiários de toda a trama urdida através da realização de diversas práticas dolosas, foram os responsáveis pela empresa IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA.; (fl. 2.661) Contra o lançamento foi apresentada impugnação, à qual a DRJ JFA negou provimento em decisão assim resumida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006. 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos previstos no Decreto n° 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006. 2007 CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO. GLOSA DE CUSTOS DE COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. Comprovado que a contribuinte escriturou custos lastreados em notas fiscais emitidas por sociedade empresária, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula por constatação de vício no ato cadastral, mantémse o lançamento, inclusive em razão da não apresentação de prova documental, ônus da contribuinte, que pudesse ilidilo, ou elidilo. MULTA QUALIFICADA Fl. 5343DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.344 5 No caso de evidente intuito de fraude, simulação ou conluio, aplicase multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada com a decisão, IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. interpôs recurso. Alegou que a empresa Metalan tinha sido cadastrada como fornecedora da recorrente e, nessa oportunidade, Metalan preenchera todos os requisitos, apresentando a documentação necessária para o cadastramento. A documentação não suscitava qualquer dúvida quanto à idoneidade da empresa. A recorrente ressaltou que não tinha poderes para verificar a situação da Metalan perante o Fisco ou qualquer outro órgão público. Além disso, só dispunha de documentos da Metalan do ano de 2006. Os problemas internos da fornecedora eram desconhecidos da recorrente, que não poderia duvidar da existência da Metalan no local indicado nos documentos, tendo em vista a inscrição na Receita Federal, na Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro e no Município. Disse, por outro lado, ser mera presunção a assertiva de que a maioria das notas fiscais da Metalan foi destinada à recorrente. Quanto aos elevados valores consignados das notas fiscais, assegurou que as mercadorias eram cotadas em moeda americana, de acordo com o mercado internacional. Por outro lado, negou a recorrente que tenha deixado de atender a qualquer intimação do Fisco. Assim, só não foram apresentados os documentos que haviam sido furtados. Quanto à infração, disse que, ao contrário do que alega a autoridade fiscal, em momento algum houve creditamento indevido de IPI, apurado com base em notas fiscais inidôneas. O trabalho da Fiscalização baseouse em meras suposições e indícios. Ademais, o Fisco só concluiu pela suposta inidoneidade da empresa Metalan em 28/11/2011, quando publicado o Ato Declaratório Executivo n° 100/2011, declarando nula a inscrição no CNPJ, por vício no ato de cadastramento. Em 2006 e 2007, quando a recorrente realizou operações comerciais com Metalan, ela estava com situação ativa e habilitada no CNPJ e no Sintegra respectivamente, não gerando dúvida acerca de sua existência. Somente em 22/07/2008 a Metalan foi baixada. A declaração de inidoneidade de uma empresa só produz efeitos após a sua publicação. Insiste a recorrente em que as operações comerciais efetivamente teriam ocorrido. O Fisco, por sua vez, não logrou provar a inexistência das transações entre a recorrente e Metalan. Os documentos fiscais comprovam a entrada de mercadorias no estabelecimento da recorrente, oriunda de empresa com existência real e inscrita na repartição fiscal competente, na data da operação. O que impediria o crédito de IPI é a inexistência das operações. No que se refere à não localização da empresa vendedora, o fato não descaracteriza sua personalidade jurídica, pois estava legalmente inscrita na Junta Comercial. Fl. 5344DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.345 6 Assim, se a empresa vendedora utiliza documento fiscal de que conste endereço incorreto, isso não pode prejudicar a empresa compradora. Por último, falou do não cabimento da multa de 150%, em face da ausência de máfé, além de ressaltar que havia atendido a todas as intimações recebidas. No mais, essa multa seria inconstitucional. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência da autuação. Os autos foram remetidos à 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que, pelo Acórdão nº 3403003.532 (fls. 5.333 a 5.337), declinou da competência em favor da 1ª Seção, alegando vínculo com o auto de infração de IRPJ, do qual o presente processo seria reflexo, em razão da identidade dos fundamentos, a saber, a emissão de notas fiscais inidôneas. Esse fato estaria na origem de ambas as autuações. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Glosa de créditos básicos de IPI A glosa de créditos básicos de IPI foi motivada pela falta de comprovação das operações que deram origem aos créditos. Os documentos fiscais relativos a tais operações apresentavam fortes indícios de inidoneidade, tendo em vista a inexistência de fato da empresa. A recorrente foi intimada reiteradas vezes a demonstrar a efetiva ocorrência das operações que deram ensejo ao crédito de IPI. Todavia não demonstrou a existência das operações, como também não comprovou o ingresso das mercadorias em seu estabelecimento. As notas fiscais supostamente emitidas pela Metalan para a recorrente não identificam o transportador, nem o veículo em que as mercadorias foram transportadas. Não se vê, no corpo das notas fiscais, qualquer carimbo dos postos de fiscalização de ICMS existentes ao longo do trajeto. Além do mais, não foram apresentados os respectivos conhecimentos de transporte de carga, a fim de comprovar a remessa das mercadorias da Metalan, no Rio de Janeiro, para a recorrente em São Paulo. Fl. 5345DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.346 7 O Relatório Fiscal, por outro lado, aponta a existência de vínculo de parentesco entre a pessoa que criou a Metalan e o sócio da recorrente (colaterais em segundo grau). A par desse fato, a Fiscalização ainda constatou expressiva movimentação financeira envolvendo a recorrente e Metalan, empresa aparentemente de fachada. A glosa dos créditos, portanto, é cabível. Observese que, examinando o processo nº 15540.720002/201221, que tem por objeto o IRPJ, mas que recai sobre a mesma matéria fática, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, no Acórdão nº 1101001.041, chegou à idêntica conclusão quanto aos fatos. Do voto condutor da decisão, da lavra dam Conselheira Edeli Pereira Bessa, podese extrair o seguinte trecho: A glosa de custos, diante deste contexto, é inteiramente procedente, inclusive no que tange à aplicação da multa qualificada, porque a autuada não logrou desconstituir o robusto conjunto de indícios que somente autorizam a conclusão de que METALAN foi constituída formalmente por LINDORO, sem nunca ter exercido atividades econômicas de fato, prestandose apenas à emissão de “notas fiscais de favor”, destinadas principalmente a empresa de propriedade de seu irmão, aqui autuada. Como dito pela Fiscalização, METALAN foi constituída de forma fraudulenta, utilizandose os seus mentores de vários artifícios dolosos (...), com o intuito de sonegar impostos e fraudar o fisco, deixando de recolher ou reduzindo os tributos devidos, quer pelo não pagamento dos tributos destacados, quer através da redução dos valores a serem pagos utilizandose de custos e compensações que sabia indevidas, ou até mesmo gerando eventuais restituições inexistentes. Ainda, porque tais custos foram vinculados a pagamentos que teriam beneficiado METALAN, sua inexistência de fato impõe, necessariamente, a conclusão de que os pagamentos restaram sem causa. Em conseqüência, os pagamentos promovidos pela autuada acabaram por beneficiar terceiros injustificadamente, o que impede o Fisco de verificar se tais valores foram submetidos a regular tributação por seus beneficiários. Daí a correta exigência do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981/95, e a conseqüente imputação de multa qualificada em razão da utilização de notas fiscais emitidas fraudulentamente pela METALAN para ocultar seus reais beneficiários e causa. Por fim, para que todas as alegações de defesa sejam consideradas, cumpre consignar que: A habilitação do fornecedor junto ao SINTEGRA, sua inscrição no CNPJ e na Fazenda Estadual a suposição de que foi feita diligência no local do estabelecimento pela Fazenda Estadual e o registro de autorização de impressão de documentos fiscais no rodapé das notas fiscais emitidas nada provam em favor da interessada, na medida em que a Fiscalização, dentre outros aspectos, demonstra que a inscrição estadual de METALAN foi desativada de ofício com efeitos retroativos; O fato de a autuada adotar procedimentos para cadastramento de fornecedores em nada lhe favorece se demonstrada a falsidade na formalização dos atos constitutivos e contrato de locação de METALAN e se os mencionados compromissos assumidos pelos fornecedores não são documentalmente provados; Irrelevante a data em que a autoridade fiscal diligenciou no estabelecimento de METALAN, se as constatações produzidas não são refutadas mediante demonstração de efetivos contatos entre a autuada e o fornecedor, que lhe permitiriam acreditar que o fornecedor existia de fato; Fl. 5346DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.347 8 A ausência de registro de empregados por METALAN é indício que opera, juntamente com as demais evidências, em favor de sua inexistência de fato, e a possibilidade de declarações daquela empresa não terem sido processadas, ou o fato de ela ter promovido recolhimentos de contribuições previdenciárias, são aspectos insuficientes para invalidar o conjunto probatório reunido pela Fiscalização, mormente se a adquirente não evidencia ter mantido contato com qualquer pessoa que prestasse serviços para METALAN, se inexiste qualquer registro neste sentido no transporte das mercadorias correspondentes aos custos glosados, e se uma das interpostas pessoas que figuraram no quadro social de METALAN informa que foram feitos recolhimentos previdenciários em seu favor por aquela pessoa jurídica; A apresentação de DIPJ sem movimento é fato que não pode ser dissociado das declarações prestadas pela contadora Kelly Malaquias da Silva, que vinculam LINDORO, irmão do sócio da autuada, à produção das formalidades que resultaram na constituição e manutenção da METALAN para emissão das notas fiscais que ensejaram os custos glosados; O fato de as irregularidades na constituição de METALAN terem se verificado antes dos fornecimentos que ensejaram os custos glosados não é suficiente para desmerecer os indícios reunidos pela Fiscalização, na medida em que subsiste o vínculo destas irregularidades com o irmão do sócio da autuada, bem como a ausência de qualquer demonstração acerca da normalidade das contratações feitas pela autuada com tal fornecedor; Subsistem as declarações de que METALAN seria uma empresa de fachada, na medida em que são meras alegações as afirmações da recorrente de que constatou, na época das transações por intermédio do seu antigo comprador que sempre vistoriou os produtos adquiridos no local do estabelecimento seja da Metalan ou de qualquer outro fornecedor para evitar dúvidas sobre os produtos. Nenhuma prova neste sentido, ou em favor do efetivo ingresso das mercadorias no estabelecimento da autuada, foi por ela produzida; Inexiste qualquer demonstração de que a contribuinte teria sido submetida a auditorias semestrais pelo INMETRO, ou confirmação de que ela estaria efetuando corretamente os procedimentos constantes de sua certificação. Os problemas de relacionamento entre LINDORO e seu irmão, sócio da autuada, são meras alegações, e as referências às questões familiares de LINDORO são irrelevantes para o litígio. Quanto à semelhança entre depoimentos colhidos das pessoas que figuraram como interpostas pessoas no quadro social de METALAN, mais do que aparentar algo orquestrado pela Fiscalização, evidencia que LINDORO procedeu de forma semelhante em relação a duas pessoas de seu círculo de relacionamentos, para fazer figurar naquela pessoa jurídica ao menos uma pessoa viva, que pudesse assinar documentos e cheques sem a recorrente falsidade verificada nos procedimentos de constituição e alteração do contrato social de METALAN; O despacho produzido por agente fiscal da Inspetoria da Fazenda Estadual em São Gonçalo/RJ não se presta a contradizer as irregularidades apontadas no depoimento de Eloy José Ramos de Barros, na medida em que não é declarada diligência no estabelecimento de METALAN, mas apenas a realização de procedimento fiscal indeterminado que autorizaria a baixa de METALAN sem prejuízo de documentos antes emitido, a qual não se confirmou, verificandose o cancelamento da inscrição estadual com efeitos retroativos, como demonstrado pela Fiscalização; Fl. 5347DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.348 9 As dúvidas de Eloy José Ramos de Barros acerca dos remetentes de correspondências a LINDORO, e a assinatura de cheques em branco são justificáveis em razão do tempo decorrido e de sua função de caseiro. De outro lado, considerando o tempo que esta pessoa trabalhou para LINDORO, não se pode negar valor às referências por ele feitas à autuada e à intermediação, por terceiros, para movimentação formal dos documentos vinculados à IPCE, mormente tendo em conta que esta nada prova acerca da efetividade das operações questionadas; Irrelevantes, para a presente exigência, os questionamentos acerca de temas periféricos, como a visita de Eloy José Ramos de Barros a São Paulo, os serviços prestados por este no ano da morte de LINDORO, ou o real proprietário da casa em Búzios/RJ. O mesmo se diga acerca de cobranças feitas por José Nonato Lima ao sócio da autuada em razão de serviços prestados a LINDORO e de despesas deste, anteriores à sua morte; A autoridade fiscal demonstra que a quase totalidade das notas fiscais emitidas por METALAN beneficiaram a autuada, reforçando os indícios de que ela foi constituída com esta finalidade. A existência de pequena parcela de notas fiscais em favor de outros beneficiários não desqualifica o procedimento fiscal consistente na demonstração da inexistência de fato do fornecedor: A falta de apresentação de documentos e esclarecimentos exigidos pela Fiscalização está evidenciada no relato das intimações e das respostas apresentadas pela autuada, assim como está demonstrada a inconsistência da alegação de que os documentos não apresentados poderiam estar em veículo furtado. Recordese, ainda, que a recorrente observa que o veículo foi recuperado, com vidros abertos, e os documentos, embora molhados, lhe teriam sido restituídos; Dificuldades financeiras e mudança de estabelecimento não são justificativas válidas para afastar o dever de guarda da escrituração e da documentação de suporte de seus registros fiscais e contábeis, expresso no art. 264 do RIR/99, como bem observado na decisão recorrida, inclusive no que tange ás obrigações impostas aos sujeitos passivos em caso de extravio, deterioração ou destruição de livros e documentos: A forma de pagamento adotada pela contribuinte, com alegado recurso a factoring, em nada lhe favorece, porque tais circunstâncias, associadas às evidências de inexistência de fato do fornecedor, confirmam a inviabilidade de se identificar os reais beneficiários dos pagamentos promovidos, justificando a exigência do IRRF como aqui formulado; A intervenção de LINDORO em cheques emitidos por METALAN é apenas mais um indício que reforça a convicção extraída das demais evidências de que ele constituiu formalmente a METALAN apenas para emissão de notas fiscais em favor da autuada, ensejando o aumento de seus custos. Assim, nada provam as suposições erigidas pela recorrente no sentido de tentar associar esta atuação de LINDORO a outras operações; Justificar o pagamento fracionado das notas fiscais a partir do alto valor das aquisições e do volume de mercadorias adquiridas é contraditório com as alegações da recorrente no sentido de que as mercadorias seriam visadas para roubo, pois em tais circunstâncias o fornecedor não concederia prazos alargados para pagamento. Em verdade, a divisão em várias parcelas do valor devido, e a inexistência de qualquer evidência de movimentação física dos produtos, corroboram a conclusão de que as compras efetivamente não existiram e os pagamentos destinaramse a outros fins, inclusive de forma pulverizada; Fl. 5348DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.349 10 Irrelevantes as inferências acerca da conduta pessoal de LINDORO e da possibilidade de ele ter tentado ajudar as pessoas da METALAN, uma vez demonstrado que seus sócios originais eram falecidos e que as interpostas pessoas colocadas ao lado destes no quadro social eram pessoas que prestavam serviços como taxista e caseiro de LINDORO, que desconheciam qualquer atividade da METALAN; Irrelevantes as contestações contra declarações de Kelly Malaquias da Silva, na medida em que confirmadas as referências ao cancelamento da inscrição estadual da METALAN com efeitos retroativos ao seu cadastramento; As certidões forenses cíveis e criminais obtidas pela autuada em 2011 nada provam contra as evidências de inexistência de fato da METALAN, constatada naquele mesmo ano pela Fiscalização; As referências à intervenção de pessoa de nome Reinaldo nas operações entre METALAN e a autuada constam apenas de declaração colhida pela Fiscalização, sem maior especificidade, e pouco representam nas conclusões fiscais, de modo que são irrelevantes as negativas apresentadas pela recorrente acerca dos fatos a ela vinculados; A ausência de bens ou de outras posses por parte de LINDORO no momento de sua morte não afasta as constatações fiscais acerca de sua intervenção nas fraudes aqui evidenciadas; A retirada do sócio da autuada do quadro social da Indústria de Cabos Elétricos Paulista Ltda. em 2004 em nada altera as constatações acerca das operações entre METALAN e a autuada em 2006 e 2007; A existência de outro procedimento fiscal realizado pela DRF/Guarulhos, do qual poderia ter resultado exigência de IPI em duplicidade, em nada afeta a exigência objeto do presente processo administrativo, a qual não veicula créditos tributários de IPI; A baixa de METALAN em 2008 não autoriza a presunção de que todas as suas operações teriam sido conferidas pela Receita Federal, mormente tendo em conta o ato declaratório de cancelamento de seu CNPJ emitido no curso do procedimento fiscal, mas com efeitos desde a sua inscrição. Por sua vez, os efeitos do REsp n° 1.148.444/MG, bem como o art. 82, parágrafo único da Lei n° 9.430/96, restringemse aos adquirentes de boafé, quais sejam, aqueles que demonstram a veracidade da compra e venda efetuada, o que não logrou fazer a autuada; Os registros no Livro Razão, dissociados dos documentos que lhes dão suporte, são insuficientes para demonstrar o efetivo ingresso das mercadorias e sua aplicação no processo produtivo, mormente tratandose de uma indústria sujeita a controle de custos e exigências decorrentes da alegada certificação de qualidade que teria de observar; A acusação fiscal não se limita a declarar a inexistência do fornecedor em seu estabelecimento, ou a demonstrar declaração falsa de estabelecimento de origem, mas sim evidencia robusto conjunto de indícios em favor da falsidade na constituição formal do fornecedor, e da sua inexistência física, bem como do trânsito das mercadorias que teriam ensejado os custos glosados nestes autos; Não houve precipitação por parte da autoridade fiscal, mas sim inércia da contribuinte quando intimada a comprovar os elementos que, agora, aventa como Fl. 5349DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.350 11 necessários para fins de um levantamento fiscal específico de suas variações de estoque. Esta omissão, associada às demais evidências de inexistência do fornecedor das mercadorias, é suficiente para autorizar a glosa dos custos, a exigência do IRRF e a qualificação da penalidade. Em suma, se as notas fiscais não se prestam a comprovar as deduções para fins de IRPJ e CSLL, tampouco servem para dar respaldo à apropriação de créditos básicos de IPI. Portanto, deve ser mantida a autuação. Multa qualificada Aplicase multa qualificada quando ficar caracterizada a intenção de fraudar o Fisco. No caso concreto, o dolo está presente na utilização de créditos básicos de IPI fundados em documentação fiscal inidônea, emitida por entidade empresarial que não tinha existência de fato. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa, tratase de matéria cuja apreciação foge à competência do CARF (Súmula CARF nº 2). Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 5350DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000190/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada.
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI.
E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo.
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN.
O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia.
Numero da decisão: 1302-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator; votou pelas conclusões o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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GLOSAS. EXIGÊNCIAS FORMAIS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CIENTÍFICOS. INPI. BACEN Recorrente VOITH HYDRO LTDA (ATUAL DENOMINAÇÃO DE VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATION LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 90 /2 00 8- 13 Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator; votou pelas conclusões o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1626.897, de 28/09/2010, da 1ª Turma da DRJ de São Paulo (SP) que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou procedente em parte a impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 4 3 Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O registro no Bacen e a averbação no INPI de contratos causadores de pagamentos de royalties e remuneração por serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior são condições de dedutibilidade de despesa previstas exclusivamente na legislação do Imposto sobre a Renda, não se comunicando para a base de cálculo da CSLL. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados As infrações do IRPJ imputadas à contribuinte são as seguintes: a) dedução, em duplicidade, de despesa de Cide, a título de royalties pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$439.359,21, enquadrada nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 299 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto n° 3.000/1999); b) dedução de despesas de royalties pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$ 522.191,01, em inobservância dos requisitos legais previstos nos artigos 352, 353 e 355 do RIR/1999; c) dedução de despesas com assistência técnica, pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$ 8.467.113,90, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 354 e 355 do RIR/1999. O caso envolve, principalmente, questões relativas à dedutibilidade de despesas referentes a pagamentos efetuados pela fiscalizada para suas controladoras indiretas, domiciliadas na Alemanha. As remessas para o exterior diziam respeito a 12 (doze) contratos de prestação de serviços, cujo objeto residia em projetos de implantação de turbinas para a geração de hidroenergia. As normas legais e regulamentares a respeito, definem que tal objeto contratual caracteriza transferência de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica científica. Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 5 4 Sendo assim, a fiscalização entendeu que para ser devida a dedutibilidade em questão, a fiscalizada deveria atender às exigências formais específicas que, no caso, determinam a prévia averbação de tais contratos no INPI e o respectivo registro no BACEN. Isso porque, na interpretação da fiscalização às normas específicas aplicáveis, as remessas para empresas ligadas, domiciliadas no exterior, regra geral, seriam indedutíveis e, somente em tal excepcionalidade (contratos entre controlada local e controladora no exterior, averbados no INPI e registrados no BACEN), poderiam representar despesas dedutíveis. Assim, em relação a esse principal ponto controvertido, a DRF e a DRJ concluíram que seriam indedutíveis as remessas da fiscalizada para suas controladoras no exterior. De outro modo, na primeira oportunidade em que o recurso voluntário foi submetido ao Carf, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1103000.147, de 31/07/2014), para que o INPI e o BACEN fossem ouvidos, sobre a real necessidade de averbação e registro, respectivamente, dos doze contratos firmados pela fiscalizada e suas controladoras no exterior. Assim, foram designadas à DRF as seguintes providências: a) em relação ao pedido da fiscalizada, quanto à necessidade de perícia: intime o autuado a apresentar, em 60 (sessenta) dias, por meio do técnico indicado, respostas aos quesitos formulados às fls.39/40 da impugnação, podendo a RFB, caso entenda necessário, designar outro perito para também se manifestar sobre a questão; b) intime o autuado a apresentar os contratos de prestação de serviços relativos às remessas objeto dos Contratos de Câmbio n° 03/008163, 03/046631, 03/046632, 03/046633, 03/046634 e 03/046635, ou outros instrumentos que tenham lastreado os acordos de execução, trasladados para a língua portuguesa por tradutor juramentado, se for o caso; c) oficie o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para informar, à luz dos contratos de prestação de serviços/instrumentos disponibilizados pelo contribuinte (item b), se era necessário o registro/averbação nos termos do art.211 da Lei n° 9.279/96; d) oficie o Banco Central do Brasil (Bacen) para, levandose em conta o disposto na CircularBacen n° 2.816, de 15/4/98, e o art.50 da Lei n° 8.383/91, ou outro ato normativo vigente no anocalendário 2003, informar se todos os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, que envolvam operações contratadas com fornecedores e/ou financiadores não residentes no país, devem ser objeto de registro, ou se apenas os que envolvam fornecimento de tecnologia, e como se efetua tal registro, podendo prestar esclarecimentos adicionais sobre a matéria; e) após as providências acima, elabore relatório circunstanciado; f) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às considerações constantes do respectivo relatório, no prazo legal de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto n° 7.574/11; g) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. A perícia técnica (negada pela DRJ e deferida pelo Carf), foi realizada por profissional habilitado, contratado pela fiscalizada. O parecer técnico conclusivo a respeito, Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 6 5 indicou, de forma geral, que os serviços contratados pela fiscalizada perante suas controladoras, na Alemanha, não visavam capacitar a fiscalizada de forma que passasse a realizar tais atividades de modo autônomo. Indicouse que, somente haveria transferência de tecnologia, em sentido técnico, caso a fiscalizada passasse a não mais depender da prestadora para dar continuidade aos trabalhos. A perícia também concluiu que, os contratos não caracterizavam prestação de serviços de assistência técnica e científica. À vista dessas conclusões, a fiscalizada manifestouse (fls. 1587/1603) ressaltando que, a perícia estaria reforçando sua tese de que, por não haver transferência de tecnologia e por não caracterizar prestação de serviços de assistência técnica e científica, não haveria a obrigatoriedade de averbação no INPI e registro no Bacen dos 12 contratos em questão. De outro modo, o INPI e o Bacen concluíram que as cláusulas e condições dos contratos exigiam tal averbação e registro. A respeito do parecer técnico e das manifestações das Autarquias, a fiscalização apresentou Relatório de Diligência Fiscal (RDF), fls. 1565/1581. Reforçou seu entendimento de que, a referida falta de averbação no INPI e registro no BACEN, impediam a fiscalizada de proceder à dedução de tais despesas. Assim, concluiu pela manutenção das glosas, conforme Autos de Infração (fls. 994/1203). Os autos retornaram ao Carf. É o suficiente para o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram apreciados e o recurso foi conhecido, conforme Resolução nº 1103000.147, de 31/07/2014, 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção. Preliminares Violação ao Princípio da Verdade Material A fiscalizada alega que, a autoridade fiscal não teria analisado suas escritas contábeis e, por tanto, não teria havido o empenho necessário para se buscar a verdade material. Alega que, se houvesse analisado sua contabilidade não teria concluído que houve remessa em excesso ao exterior, a título de royalties, nem mesmo que para haver a dedutibilidade em questão, seria obrigatórios a averbação no INPI e registros no BACEN. Citou ementas de acórdãos sobre a verdade material. Observase que a fiscalizada não indicou, em relação à sua escrita contábil, qual informações ou valores não teriam sido observados pela fiscalização, ao ponto de influir na reversão da conclusão em seu favor. Violação ao Princípio da Motivação Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 7 6 Também alegou que teria havido violação ao princípio da motivação. No entendimento da fiscalizada, a fiscalização não teria fundamentado sua conclusão de que os referidos contratos representavam a ocorrência de "transferência de tecnologia" das controladoras indiretas, na Alemanha, para a fiscalizada no Brasil. Disse que a falta dessa fundamentação tornaria nulo os autos de infração. Da mesma forma, não é possível, em preliminar, analisar se a fiscalização não dispunha de motivação para considerar que os trabalhos previstos contratos em questão não prevêem ou não caracterizam "transferência de tecnologia". Nesse sentido, entendo que, tanto a alegação sobre a violação ao princípio da verdade material, quanto ao princípio da motivação, envolve aspectos mais afetos às questões de mérito a serem apreciadas à frente. Sendo assim, não vejo como tais alegações fundamentar o pedido de nulidade dos autos de infração. Cerceamento de Defesa Ao mesmo tempo, salienta que a DRJ teria apresentado motivação diversa da fiscalização, pelo fato de que teria fundamentado sua decisão no sentido de que, sempre que contratos de serviços técnicos com controladora no exterior não obtiverem registro ao menos no BACEN, o tomador dos serviços não estaria autorizado a deduzir as respectivas despesas da base de cálculo do IRPJ, sendo insuficientes os requisitos do art. 299 do RIR/99 (p. 25 in fine c/c p. 31, 5o parágrafo, ambas do Acórdão recorrido). Citou ementa de acórdão do Carf, sobre cerceamento de defesa, em caso de decisão de primeira instância, com base em motivação diferente dos fundamentos do auto de infração. Na realidade, a DRJ apenas mencionou que esse entendimento também seria aplicável ao caso. Mas, sobretudo, ressaltou que era necessário seguir as mesmas premissas adotadas pela fiscalização para a apreciação da Impugnação. Sendo assim, também não há como acolher a pretensão da fiscalizada de ver anulado o auto de infração com tal alegação. Mérito Glosa de Despesas de Royalties deduzidas em Duplicidade Glosa de R$439.359,21 O Acórdão recorrido confirmou a conclusão da fiscalização de que houve dedução em duplicidade do valor de R$439.359,21, referentes ao pagamento da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (CIDE). Destacamse, a respeito, os seguintes registros da DRJ: A fiscalizada deduziu das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, do anocalendário 2003, o montante líquido de R$14.208.032,67, a título de despesas com "Royalties e Assistência Técnica Exterior" (Ficha 05A/Linha 26 da Dipj), consistente na diferença entre a despesa total informada a esse título (R$15.585.249,22) e a correspondente parcela não dedutível (R$1.377.216,55). Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 8 7 Conforme esclarecido pela própria fiscalizada, em seu expediente datado de 07/11/2008, o montante informado na Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ do ano calendário de 2003 referese apenas aos "royalties" remetidos ao exterior. Ainda que a fiscalizada possa ter cometido um equívoco na elaboração da DIPJ na medida que alega que o pagamento da CIDE de R$439.359,21 foi contabilizado indevidamente na Linha "Royalties e Assistência Técnica", quando o correto seria contabilizar em "Outros Impostos e Taxas", da Linha 14 da Ficha 05A dele não poderia resultar uma ilícita diminuição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como os contratos de câmbio comprovam despesas de "royalties" no valor de R$13.768.673,46 (nele incluídos tanto a CIDE quanto o IRRF devidos), em nenhuma hipótese o valor líquido deduzido a tal título poderia excedêlo, haja vista que as despesas necessariamente devem ser lastreadas em documentação hábil e idônea que as comprove. O valor da CIDE de R$439.359,21 não poderia ser informado como despesa em outra linha da Ficha 05A ("Despesas Operacionais") da DIPJ, ao contrário, deveria ser subtraído, porquanto aumentaria ainda mais o montante das despesas operacionais que já estavam indevidamente superestimadas, em razão do cômputo duplicidade o valor de R$439.359,21. A impugnante sustenta que o valor da CIDE de R$439.359,21 teria sido contabilizado indevidamente na conta de "Despesas de Royaltiesexterior", ao invés da conta "Outros Impostos ou Taxas", mas que, de qualquer maneira, não teria ocorrido o reconhecimento em duplicidade dessa despesa, na medida que, diferentemente da legislação do imposto de renda, não estava obrigada a reter na fonte o valor dessa contribuição e, portanto, o valor da Cide não poderia integrar "por dentro" o valor das remessas de R$13.768.673,46. A contribuinte quer fazer crer que a conta de "Despesas c/ RoyaltiesExterior" não conteria a CIDE e, que, no caso concreto, a CIDE correspondente à remessa do contrato 03/004443, de R$439.359,21, fora contabilizada por equívoco junto a referida conta. Simetricamente, em relação à DIPJ/2004, quer fazer crer que na composição do valor da referida despesa informado à Linha 26 da Ficha 05A não estaria, em regra, incluída a CIDE e que o equívoco não implicou reconhecimento em duplicidade da despesa. De fato, conforme determina o art. 725 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto de renda devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, procedimento que não se aplica à CIDE, tendo em vista a inexistência de previsão legal. Todavia, o autuante não pôs em dúvida a base de cálculo da CIDE apurada pela contribuinte. Seu procedimento consistiu em identificar as parcelas que compõem a despesa com royalties remetidos ao exterior e verificar a consistência das informações prestadas na DIPJ. Os elementos dos autos indicam, ao contrário do que alega a Impugnante, que os valores das remessas e dos correspondentes IRRF e CIDE foram reconhecidos na conta "Despesas c/ RoyaltiesExterior" e que o valor da contribuição referente ao contrato de câmbio n° 03/004443 foi deduzido, efetivamente, em duplicidade. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 9 8 De acordo com os dados constantes dos próprios contratos de câmbio, temse que a soma das parcelas correspondentes às remessas, ao IRRF e a CIDE é de R$13.768.673,46 (R$ 2.917.499,66 + R$ 2.584.429,22 + R$ 1.235.160,00 + R$ 2.637.992,53 + R$4.393.592,05). Por sua vez, identificase no razão da conta "Despesa c/ RoyaltiesExterior" um lançamento a débito de R$439.359,21, que a própria contribuinte reconhece que corresponde à CIDE do contrato de câmbio n° 03/004443 e que, somado ao valor de R$13.768.673,46, corresponde ao valor líquido da despesa de royalties remetidos ao exterior, informado à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004, de R$14.208.032,67. Assim, evidenciado que no montante das parcelas das despesas relacionadas com os royalties no valor de R$13.768.673,46 já estava contida a CIDE, a identificação de um lançamento extra a débito de R$439.359,21 na conta "Despesas c/ RoyaltiesExterior" demonstra que ele foi reconhecido em duplicidade. Caso se admitisse a tese da Impugnante de que a Cide estaria sendo reconhecida "por fora" do valor da despesa de royalties informado à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004, tal valor seria assim composto: R$10.326.505,09, a título da remessa de royalties, e R$2.065.301,02, a título do IRRF, chegando a um montante de R$ 12.391.806,11. Adicionandose a equivocada CIDE de R$439.359,21, obterseia um valor final de R$12.831.165,32, também incompatível com aquele valor líquido informado pela própria fiscalizada na DIPJ (R$14.208.032,67). Diante dessa fundamentação da DRJ, verifico que houve dedução em duplicidade do valor correspondente à CIDE de R$ 439.359,21. Assim, adoto as razões de decidir da DRJ e voto por negar provimento ao recurso voluntário, neste ponto, para manter a glosa de R$439.359,21. Glosa de despesas de "royalties" pagos a beneficiários no exterior, por inobservância dos requisitos legais Glosa de R$522.191,01 Em sequência a tal análise sobre inconsistências nas informações prestadas na DIPJ/2004 e deduções indevidas, a DRJ analisou se o valor total dos "royalties" remetidos ao exterior (R$13.768.673,46) poderia ser integralmente deduzido das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, à vista das disposições contidas no art. 352, art. 353 e art. 355 do RIR/1999. Da análise destacamse os seguintes fatos e fundamentos: A fiscalizada apresentou o "Contrato de Fornecimento de Tecnologia Industrial", celebrado entre ela e a "Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co. KG" (fls. 156/164), por meio do qual essa se comprometia a fornecer à impugnante a tecnologia necessária ao desenvolvimento da geração de hidroenergia (incluindo turbinas, geradores e componentes associados). Conforme Cláusula 2a desse contrato, o seu objeto consistia na tecnologia de fabricação para geração de hidroenergia, nele também incluídos os melhoramentos e aperfeiçoamentos, informações técnicas como dados, esboços, conceitos e projetos que produzam experiência e técnicas, segredos comerciais, "knowhow", documentos e modelos não patenteados que forem acrescentados ao processo de fabricação. Nos termos da legislação de regência, a dedutibilidade dos "royalties" pagos pela fiscalizada a sua controladora indireta na Alemanha depende, dentre outros requisitos, da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, bem como da observância do prazo e das condições estabelecidas neste ato. Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 10 9 Em cumprimento, o "Contrato de Fornecimento de Tecnologia Industrial" foi averbado no INPI e, nos termos constantes do Certificado de Averbação n° 020201/01, de 05/04/2001, a remuneração inicialmente prevista no contrato correspondia a 3% sobre o preço líquido de venda, sendo posteriormente alterada para 5% (fls. 151/155). A contribuinte foi intimada a comprovar os valores informados a título de "royalties" e, segundo demonstrativos elaborados por ela mesma (fls. 327, 339 e 1109), no anocalendário de 2003, os valores devidos a título de "Royalties líquido ref. a Tecnologia", IRRF e CIDE perfizeram R$13.246.482,45. Percebese que as parcelas que compõem esse montante correspondem à composição do valor da despesa operacional informada pela contribuinte à Linha 26 da Ficha 05A da Dipj/2004, denominada "Royalties e Assistência Técnica EXTERIOR". Portanto, se a própria contribuinte reconhece e, reiteradamente, apresenta demonstrativos que indicam que o valor efetivo das remessas de royalties, acrescidos do IRRF e Cide, foi de R$ 13.246.482,45, é de se concluir que este é o valor que deveria ter sido informado à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004 e, não, os R$ 13.768.673,46 originalmente declarados, razão pela qual procede a glosa da diferença entre tais montantes, correspondente a R$ 522.191,01. Deve ser salientado que esta glosa foi levada a efeito pela autoridade fiscal durante a análise da consistência da despesa operacional informada à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004, cuja composição compreende o valor das remessas de "royalties" e os respectivos IRRF e CIDE. Assim, infundadas as alegações de que o autuante teria agido incorretamente ao omitir de seu demonstrativo outras informações referentes ao cálculo dos "royalties", como taxas, insumos, comissões, fretes, seguros, embalagens, Pesquisa c Desenvolvimento (P&D), tendo em vista que essas despesas não estavam sob auditoria, na medida que eles não compõem a referida Linha 26 da Ficha 05A da Dipj/2004. É de se observar, ainda que nos termos do art. 355, caput do RIR/1999, o limite máximo de dedução, como despesas operacionais, das quantias devidas a título de "royalties", assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, é de até cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido, o que não autoriza concluir que o contribuinte tenha direito subjetivo à dedução desse valor, sem que a correspondente de tenha sido efetivamente incorrida. Portanto, se pelos cálculos da Impugnante o limite máximo de dedutibilidade corresponde a R$ 17.594.294,38 (5% de R$ 351.885.896,80), ela somente teria direito à dedução integral desse valor, caso demonstrasse que esse também foi o valor da despesa incorrida A própria contribuinte, em suas informações, demonstra que a despesa efetivamente incorrida no ano calendário 2003 foi de R$13.246.482,45 e, assim, seria este o valor que deveria ter sido indicado à Linha 26 da Ficha 05A da Dipj/2004 (valores devidos a título de "Royalties líquido ref a Tecnologia", IRRF e CIDE) e não, R$13.768.673,46. Diante dessa fundamentação da DRJ, verifico que os "royalties" remetidos em 2003 calculados nos termos do Certificado de Averbação INPI n° 020201/02 e informados pela própria recorrente (fls. 327 e 339) deveriam limitarse a R$13.246.482,45, enquanto que, o valor remetido foi de R$13.768.673,46. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 11 10 Sendo assim, adoto as razões de decidir da DRJ para negar provimento ao recurso voluntário, também neste ponto, para manter a glosa referente a diferença entre tais montantes (R$522.191,01), porquanto a legislação tributária só admite a dedução nos estritos termos da averbação. Considerandose tais conclusões, cabe ainda negar provimento ao recurso voluntário para manter também a incidência de CSLL, no que diz respeito à referida glosa de despesa reconhecida em duplicidade de R$439.359,21, correspondente à CIDE referente à remessa efetuada por meio do contrato de câmbio n° 03/004443; e à glosa acima analisada de R$ 522.191,01, resultado da diferença entre o valor informado à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004 (valores devidos a título de "Royalties líquido ref a Tecnologia", IRRF e Cide) e o valor indicado nos documentos e demonstrativos apresentados à fiscalização, perfazendo um montante a ser mantido de R$ 1.370.372,75. Glosa de despesas de pagamentos de assistência técnica, científica ou tecnológica efetuados a beneficiários no exterior, por inobservância dos requisitos legais Como visto, além dos contratos de câmbio relacionados aos "royalties", o fiscalizado também foi intimado (Termo de Intimação n° 08) a prestar esclarecimentos acerca de outros 12 contratos, dentre os quais, dez deles referentes a remessas como contraprestação por serviços técnicos. Os contratos de câmbio vinculados à presente glosa são os de n° 03/001329, 03/006985, 03/008163, 03/009998, 03/015002, 03/046631, 03/046632, 03/046633, 03/046634 e 03/046635, sendo que os valores da remessa foram debitados contra o resultado, mediante conta de despesa de serviços de terceiros, acrescidos do respectivo IRRF, no montante de R$8.467.113,90: Nº Contrato Câmbio Valor Remessa Moeda Estrangeira Valor Remessa (R$) Valor IRRF (R$) Despesa Total (R$) 03/001329 € 538.838,00 R$ 1.857.913,42 R$ 625.452,62 R$ 2.483.366,04 03/006985 € 9.780,00 R$ 38.122.44 R$ 12.707,48 R$ 50.829,92 03/008163 €308.189,00 R$ 1.122.116,15 R$ 375 515,97 R$ 1.497.632,12 03/009998 G 19.000,00 R$ 69.545,70 R$ 23.181,90 R$ 92.727,60 03/015002 €91.785,94 R$ 306.014.32 R$ 102.608,21 R$ 408.822,53 03/046631 G 394.504,00 R$ 1.437.178,07 R$ 479.059,36 R$ 1.916.237,43 03/046632 € 33.140,00 R$ 120.729,02 R$ 40.243,01 R$ 160.972,03 03/046633 €33.140,00 R$ 120.729,02 R$ 40.243,01 R$ 160.972,03 03/D46634 € 29.000,00 R$ 105.647,00 R$35.215,67 R$ 140.862,67 03/046635 C320.071,00 R$ 1.166.018.65 R$ 368.672,88 R$1.564.691,53 Despesas totais contabilizadas (R$) R$8.467.113,90 A recorrente efetuou pagamentos por serviços técnicos tomados de suas controladoras localizadas na Alemanha. Conforme informações prestadas à autoridade fiscal, os contratos indicam os seguintes objetos: "Fornecimento de Serviços e Assistência Técnica" e "Serviços Técnicos Profissionais", em relação ao quais o Acórdão recorrido destacou os seguintes fatos e fundamentos: A fiscalizada foi intimada a esclarecer cada transação comercial que deu origem à respectiva remessa, evidenciando o tipo de serviço prestado (se de natureza técnica, científica, administrativa ou semelhante), bem como o local e a maneira que se deu tal prestação (por exemplo, se técnicos, desenhos ou instruções foram enviadas ao País, ou se os estudos técnicos foram realizados no exterior por conta da empresa). Também foi intimada a apresentar cópias dos contratos firmados que deram origem Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 12 11 às remessas em tela, bem como a esclarecer se possuem registros no Banco Central do Brasil e/ou no INPI. Quanto aos registros no Banco Central do Brasil e no INPI, o fiscalizado evidenciouos apenas em relação ao contrato n° 03/001329. A fiscalizada assinalou, em sua correspondência de 24/11/2008 (fls. 146/147), que os valores concernentes a esses 10 contratos foram lançados a débito como despesas de serviços de terceiros. Embora o contrato de câmbio n° 03/001329 refirase a pagamento decorrente de contrato de prestação de serviços averbado no INPI, a correspondente despesa é indedutível, haja vista que foi descumprido um dos termos da averbação, qual seja, seu prazo, pois era restrito ao segundo semestre de 2002 (01/07/2002 a 31/12/2002), enquanto a despesa deduzida se refere ao ano de 2003 (a própria "Invoice n°DR20325013" é datada de 2003, assim como o reconhecimento contábil da despesa se deu neste ano), razão pela qual há que se glosar o valor total de R$ 2.483.366,04. Quanto aos demais contratos, pelas características dos serviços prestados pela controladora estrangeira, concluise pela necessidade de registro do contrato no Banco Central do Brasil e da competente averbação no INPI, como requisitos indispensáveis para a dedutibilidade dos valores envolvidos, conforme determinam os artigos 354 e 355 do RIR/99. Haja vista que não foi apresentado o registro no Banco Central do Brasil, tampouco a competente averbação no INPI, não restou comprovado o cumprimento dos requisitos legais impostos para a dedutibilidade da quantia desembolsada, razão pela qual impõese a glosa no valor total de R$ 8.467.113,90. Conforme exposto no relatório retro, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção converteu o primeiro julgamento do Carf em diligência (Resolução nº 1103000.147, de 31/07/2014), para que o INPI e o BACEN fossem ouvidos, sobre a real necessidade de averbação e registro, respectivamente, dos doze contratos firmados pela fiscalizada e suas controladoras no exterior. O BACEN respondeu à autoridade fiscal (Ofício 000645/2015 BCB/Decon/Diadi/Coadi02, de 21/01/2015, fls. 1474/1476), nos seguintes termos: Referimonos aos expedientes em epígrafe, por meio dos quais são solicitadas informações sobre o registro, no Banco Central do Brasil, de contratos de prestação de serviços de assistência técnica e transferência de tecnologia contratados com não residentes. A propósito, a nossa área técnica se manifestou nos seguintes termos: 2. A Circular BCB nº 2.816, de 15 de abril de 1998, regulamentou parte da Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2.337, de 28 de novembro de 1996, que estabeleceu estarem sujeitos ao registro no Banco Central do Brasil (BCB) os investimentos externos no País, os empréstimos e financiamentos concedidos a residentes no Pais, e as transferências de tecnologia contratadas entre residentes e não residentes no Pais, em moeda nacional ou estrangeira, ou sob a forma de bens ou serviços e instituiu o Registro Declaratório Eletrônico RDE no BCB. O artigo 1º da Circular BCB nº 2.816/98 detalhou as operações contratadas com fornecedores e/ou Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 13 12 financiadores não residentes no País e averbadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (1NP1) sujeitas ao RDE. 3. As modalidades elencadas nos incisos I a V do artigo mencionado, (quais sejam, fornecimento de tecnologia, serviços de assistência técnica, licença de uso ou cessão de marca, licença de exploração ou cessão de patente, e franquia, desde que averbadas pelo INPI, ainda estão, por si sós, todas sujeitas a registro. Além dessas, outras modalidades que viessem a ser averbadas por aquele Instituto bem como os serviços técnicos complementares ou outras despesas não sujeitos, por si sós, a averbação no INPI. mas vinculados às operações enunciadas e, ainda, o financiamento dessas operações também devem ser registrados. Ressaltamos que informar o Certificado de Averbação do INPI era, e continua sendo, condição necessária para a conclusão do registro dessas operações em modalidade especifica no módulo Registro de Operações Financeiras ROF. do RDE. 4. Por fim, informamos que os atos normativos regulamentando o registro, neste Banco Central, de capitais estrangeiros referentes a operações financeiras, vigentes entre 2003 e 2005, como a Resolução CMN nº 2.337/96, e as Circulares BCB nº 2.731/96 e nº 2.816/98, entre outros, foram revogados e substituídos pela Resolução CMN nº 3.844, de 23 de março de 2010, e pela Circular BCB nº 3.689, de 16 de dezembro de 2013. Mais informações operacionais sobre o Registro Declaratório Eletrônico, inclusive o módulo ROF. podem ser encontradas na página do Banco Central do Brasil na internet, no endereço http://www. bcb.gov. br/?rdemanuais. O INPI apresentou sua resposta, por meio do Ofício n° 654/2015 PR/GAB/INPI, de 24/08/2015 (fls. 1560/1564), nos seguintes termos: Tratase de consulta formulada pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo, de 07/04/2015, por intermédio do Ofício n° 15/2015/DEMAC SP/SRRF08/RFB/MFSP relacionada a pedido de informação sobre o objeto das Faturas de prestação de Serviços de Assistência Técnica prestados à empresa VOITH HYDRO LTDA. (atual denominação de VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATIONS LTDA.). Foram apresentadas as Faturas n.°s DR20325013; DR20325099; DR20325097; DR20325096;DR20325160 e DR20325060 e seus respectivos contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil. Com intuito de manifestação quanto à necessidade de averbação nos termos do artigo 211 da Lei n° 9.279/96, informamos que são registrados no INPI a prestação de serviços de assistência técnica e científica que relacionados a atividade fim da empresa, bem como aqueles relativos a atividades relacionadas à obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação , bem como pesquisas, estudos e projetos destinados á execução de prestação de serviços especializados. Também são passíveis de averbação e registro os serviços prestados em equipamentos e/ou máquinas no exterior quando acompanhados por técnico brasileiro e/ou gerarem qualquer tipo de documento. Os demais serviços são classificados pelo Banco Central do Brasil como Serviços Técnicos Profissionais por não implicarem em transferência de tecnologia. Analisando a descrição dos serviços objeto das Faturas apresentadas, verificouse que os serviços são relacionados à atividade fim da empresa, neste caso específico, relacionado à "Fabricação de Geradores, Transformadores e Produtos Elétricos", e se caracterizam claramente transferência de tecnologia, uma vez que se enquadram nas características citadas anteriormente. Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 14 13 Dessa forma, entendemos que o registro no SISBACEN Sistema do Banco Central do Brasil deveria ter sido feito após a averbação dos documentos nesse Instituto na natureza cambial denominada "Serviço de Assistência Técnica" conforme art. 3o do Regulamento Anexo III à Resolução BACEN n° 3.844/2010, transcrito abaixo: "Art. 3o O registro de contratos de uso ou de cessão de patentes, de marcas de indústria ou de comércio, de fornecimento de tecnologia e de outros contratos da mesma espécie, bem como contratos de prestação de serviços de assistência técnica e de franquia, somente deve ser efetuado após a averbação do contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)." Dado o exposto, sugerimos envio da seguinte carta em resposta a DEMAC/SP: Prezado Senhor, Em atenção à solicitação contida no Ofício n° 15/2015 DEMAC SP/SRRF08/RFB/MFSP de 07/04/2015, informamos a Vossas Senhorias que os serviços objeto das Faturas n° DR20325013; DR20325099; DR20325097; DR20325096; DR20325160 e DR20325060 são tipicamente caracterizados como transferência de tecnologia, nos termos do disposto no artigo 211 da Lei n° 9.279/96, e estão relacionados à atividade fim da empresa. Dessa forma, entendemos que o registro no SISBACEN Sistema do Banco Central do Brasil deveria ter sido feito após a averbação dos documentos nesse Instituto na natureza cambial denominada "Serviço de Assistência Técnica" conforme art. 3o do Regulamento Anexo III à Resolução BACEN n° 3.844/2010. À vista das manifestações do BACEN e do INPI, a fiscalização registrou a seguinte conclusão no referido Relatório de Diligência Fiscal: 19. As conclusões do INPI corroboram, sem sombra de dúvidas, o que já havia sido consignado na acusação fiscal (v. Termo de Verificação Fiscal fls. 943/969). A autarquia federal confirmou a necessidade do adequado registro no Bacen, após a averbação dos documentos no INPI. Restou evidente, pois, o descumprimento dos requisitos legalmente impostos para a dedutibilidade dos valores desembolsados pela autuada. De seu lado, a recorrente apresentou as respostas dadas, por meio de Laudo Pericial do Professor Doutor Koelle (fls. 1034 e 1035), aos quesitos que haviam sido propostos com o objetivo de orientar a perícia deferida pelo Carf. Analisados tais quesitos e respostas, verificase que as conclusões do perito indicam que não seria possível à recorrente passar a realizar de forma independente, os trabalhos realizados no âmbito dos contratos firmados com suas controladoras na Alemanha. Devido a essa dependência, o perito indicou, por meio de termos técnicos, que o objeto dos contratos sob exame não caracterizariam "transferência de tecnologia". Com base nas conclusões técnicas registradas no Laudo Pericial, a recorrente sustenta que as despesas decorrentes dos contratos periciados poderiam ser deduzidas das bases do IRPJ e da CSLL, independentemente de averbação no INPI e registro no BACEN, com fundamento exclusivamente nas disposições do art. 299 do RIR/99. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 15 14 Alega que somente estaria sujeita aos comandos dos artigos 354 e 355 do RIR/99, caso ocorrido uma efetiva "transferência de tecnologia", o que não se verificaria em seu caso, motivo pelo qual as respectivas despesas seriam dedutíveis por força da regra geral prevista no art. 299 do RIR/1999. Sobre tal entendimento da recorrente, o Acórdão recorrido apresenta os seguintes fundamentos: A legislação do imposto de renda, à semelhança do tratamento dispensado aos royalties, também impõe uma série de condições para que seja autorizada a dedução, como despesa operacional, das importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, encontrandose o assunto regulamentado pelo artigo 354 do RIR/99. As despesas realizadas pela pessoa jurídica serão dedutíveis, como regra geral, no momento em que forem incorridas ou pagas e quando se mostrarem necessárias, usuais ou normais no tipo de operações ou atividades da empresa, nos termos preconizados pelo art. 47 da Lei n° 4.506/1964, regulamentado no art. 299 do RIR/1999. Os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade são condições gerais mínimas para que qualquer despesa possa ser considerada dedutível na determinação do Lucro Real. Sem prejuízo da observância da regra geral de dedutibilidade tributária, o legislador fixou outras restrições específicas às remessas de importâncias efetuadas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de pagamentos de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante. A Lei n° 4.131/1962, que disciplinou a aplicação do capital estrangeiro e as remessas de valores ao exterior, vedava que filial ou subsidiária de empresa estabelecida no Brasil enviasse a sua matriz com sede no exterior royalties pelo uso de patentes de invenção e de marcas de indústria e comércio, bem como a dedução desses valores da base de cálculo do imposto de renda. Posteriormente, a Lei n° 4.506/1964, que tratou do imposto de renda, além de manter a mesma vedação de dedutibilidade dos royalties, também estendeu a proibição de dedução para os pagamentos efetuados a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante quando existente a mencionada vinculação entre a pessoa jurídica nacional e a estrangeira. Finalmente, com o advento da Lei n° 8.383/1991, o legislador passou a autorizar a dedução dessas importâncias para fins de apuração do Lucro Real, desde que observados os seguintes requisitos: (i) o contrato deveria ter sido celebrado depois de 31/12/1991, devendo estar (i.i) averbado no INPI e (i.ii) registrado no BACEN; e, (ii) serem observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor. Os condicionamentos legais que autorizam a atual dedução de importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, regulamentados pelos artigos 352 a 355 do RIR/1999, permitem concluir que a política cambial e tributária procura restringir remessas de tais naturezas quando as partes são relacionadas, indicando que, nestas situações, a não dedutibilidade dessas despesas é a regra, somente ultrapassada pela via da exceção, quando atendidos Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 16 15 determinados limites e requisitos, dentre os quais, o registro no Bacen e a averbação no INPI dos respectivos contratos. Portanto, se os contratos de serviços técnicos prestados por controladora no exterior não forem passíveis de registro no Bacen e de averbação no INPI, o tomador dos serviços no País não estará autorizado a deduzir os respectivos pagamentos da base de cálculo do IRPJ, na medida que a essa modalidade de despesa, além da necessária observação dos requisitos gerais de dedutibilidade discriminados no art. 299, ainda são impostas as regras específicas dos artigos 352 a 355 do RIR/1999. Assim, não é correto afirmar que os pagamentos decorrentes de contratos que não envolvam transferência de tecnologia, ou que não estejam registrados nestes órgãos possam ser classificados como despesas dedutíveis, somente por aplicação da regra geral prevista no art. 299 do RIR/99. A glosa ora contraposta foi efetuada segundo a conclusão do autuante de que as operações contratadas pela fiscalizada caracterizaram transferência de tecnologia, sendo assim, necessário enfrentar a questão a partir dessa premissa. O INPI é uma autarquia cuja finalidade principal é executar as normas que regulam a propriedade industrial, tendo em vista sua função social, econômica, jurídica e técnica, cabendolhe o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros, nos termos do artigo 211 da Lei n° 9.279/1996 (Lei de Propriedade Industrial). A autarquia, ao regulamentar o referido art. 211 da LPI, editou o Ato Normativo INPI n° 135/97, que, em seu item 2, trouxe o seguinte entendimento: 2. O INPI averbará ou registrará, conforme o caso, os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas) e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e os contratos de franquia. Por sua vez, o art. 354 do RIR/1999, em seu § 3°, incorporando a excepcionalização trazida pela Lei n° 8.383/1991, consigna que a vedação à dedução fiscal de despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, quando pagas ou creditadas pela sociedade com sede no Brasil a sua controladora no exterior, não é aplicável aos contratos assinados e averbados no INPI: Art. 354.(...) § 2" Não serão dedutíveis as despesas referidas neste artigo, quando pagas ou creditadas (Lei n° 4.506, de 1964, art. 52, parágrafo único): I pela filial de empresa com sede no exterior, em beneficio da sua matriz; II pela sociedade com sede no Brasil a pessoa domiciliada no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, o controle de seu capital com direito a voto. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 17 16 § 3o O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n" 8.383, de 1991, art. 50). O § 3o do art. 355 do Regulamento, em simetria com o dispositivo anterior, além de repetir a necessidade de averbação no INPI, como condição de dedutibilidade, relaciona as atividades de "assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços especializados" à expressão "transferência de tecnologia": Art. 355. (...) §3° A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade IndustrialINPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n 9.279, de 14 de maio de 1996. Os serviços discriminados no § 3o do art. 355 do RIR/1999 (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados), podem envolver, ou não, transferência de tecnologia, cabendo ao INPI a atribuição de averbar contratos de prestação de serviços que apresentem essa característica. Portanto, a identificação de quais seriam estes contratos passa, necessariamente, pela visão do órgão responsável por suas averbações, acerca do alcance da expressão "transferência de tecnologia". As informações prestadas pelo INPI em seu sítio eletrônico na Internet (www.inpi.gov.br), levam à conclusão de que é possível ocorrer transferência de tecnologia, ainda que não seja este o objeto do contrato de prestação de serviço, a teor de sua manifestação sobre os efeitos da averbação, conforme tela impressa de fis. 777: Efeitos da averbação/registro A averbação/registro de contrato de tecnologia é condição para: (...) Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 18 17 3. Autorizar a dedutibilidade fiscal, por delegação de competência da Receita Federal e posteriormente por competência legal (Decreto N° 3.000/99), das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties pela exploração ou cessão de patentes, pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (aquisição de knowhow, assistência técnica, científica administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) e franquia. O INPI deixa claro que a aquisição de knowhow (vocábulo que "Designa os conhecimentos técnicos, culturais e administrativos", conforme significado dado pelo Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 6.0.1.) é uma modalidade contratual de transferência de tecnologia, tanto quanto aquelas relativas a serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes. Ou seja, o INPI considera que os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes também envolvem transferência de tecnologia e, assim, devem ser, em regra, averbados, razão pela qual a autarquia, ao invés de editar uma lista de serviços passíveis de averbação, o que poderia ser demasiadamente extensa, fez o contrário, elaborou uma lista de serviços não registráveis, acostada aos autos pela autoridade fiscal às fls. 778. Esta lista exemplifica serviços que não caracterizam transferência de tecnologia, encontrando se atualizada no seguintes termos (http://www.inpi.gov.br/rnenu esquerdo/contrato/pasta_oquee/serv.dispensados_html, em 02/09/2010): Serviços não registráveis Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei nº 9.279/96, alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: 1. Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc); 2. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos: 3. Homologação e certificação de qualidade de produtos; 4. Consultoria na área financeira; 5. Consultoria na área comercial; 6. Consultoria na área jurídica; 7. Consultoria visando participação em licitação; 8. Serviços de "marketing; Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 19 18 9. Consultoria realizada sem a vinda de técnicos às instalações da empresa cessionária; 10. Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); 11. Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software) que não caracterize transferência de tecnologia para a fabricação ou desenvolvimento de programa de computador (software,), conforme Art. 11 da Lei n° 9.609/98; 12. Licença de uso de programa de computador (software,); 13.Distribuição de programa de computador (software); 14. Aquisição de cópia única de programa de computador (software,). Embora não constitua uma lista exaustiva, é forçoso deduzir que o INPI, objetivando orientar seus administrados, tenha relacionado os serviços mais representativos de hipóteses em que a averbação seria incabível. Por outro lado, os serviços constantes da lista trazem características que, além de orientar as partes interessadas a identificar contratos não passíveis de registro, também permitem a formação, por contraste, de um juízo que permite identificar os contratos que devem passar pela anotação do órgão. Neste sentido, fazse útil, ao deslinde da questão, observar o serviço constante no item 2 da lista, descrito como "Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos". Ou seja, somente o contrato de serviço que se encontre, exatamente, na condição descrita no item 2 da lista é que estará dispensado do registro. Caso ausente qualquer uma das características descritas, restará evidenciada a transferência de tecnologia e o contrato estará sujeito à anotação no INPI. Assim, podese dizer que o contrato deverá ser averbado se: determinado serviço for prestado no exterior com a presença de técnicos brasileiros, independentemente de produzidos documentos e/ou relatórios; determinado serviço for prestado no exterior sem a presença de técnicos brasileiros, mas em razão dele forem gerados documentos e/ou relatórios; ou, determinado serviço for prestado no País, independentemente de produzidos documentos e/ou relatórios, haja vista que o serviço será supervisionado pela tomadora no País. Percebese que a concepção de transferência de tecnologia do INPI está calcada na possibilidade de ocorrência de acompanhamento do serviço prestado, que pode se dar durante sua realização pelos técnicos enviados ao exterior ou, de uma forma mais próxima, quando o serviço é realizado por um técnico estrangeiro no estabelecimento da própria empresa no Brasil ou, a posteriori quando a tomadora, mediante contato com documentos e relatórios gerados pelo prestador dos serviços, pode avaliar e usufruir o trabalho realizado. Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 20 19 Portanto, a lista e as demais orientações da autarquia corroboram seu entendimento de que o serviço de assistência técnica, em regra, veicula transferência de conhecimento acerca do trabalho realizado pelo prestador de serviços, independentemente de existência cláusula formal neste sentido. O INPI também externa seu entendimento sobre o alcance da expressão "Serviços de Assistência Técnica e Científica", ou "SAT", em seu sítio eletrônico, cuja correspondente página foi juntada às fls. 953 pela autoridade fiscal: Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica (SAT) Contratos que estipulam as condições de obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação, bem como pesquisas, estudos e projetos destinados à execução ou prestação de serviços especializados. São passíveis de registro no INPI os serviços relacionados a atividade fim da empresa, assim como os serviços prestados em equipamentos e/ou máquinas no exterior, quando acompanhados por técnico brasileiro e/ou gerarem (sic) qualquer tipo de documento, como por exemplo, relatório. Deve ser observado, ainda, que o INPI não condiciona o reconhecimento de transferência de tecnologia à capacidade da tomadora de serviços em absorver tecnologia. Ou seja, um tomador de serviços pode não estar dotado de condições técnicas ou jurídicas para dominar ou implementar uma determinada tecnologia, o que não o impedirá de adquirila em um primeiro momento e, mais tarde, implementála à medida que julgar conveniente. Assim, adoto os critérios do órgão técnico responsável para identificar contratos que implicam transferência de tecnologia e passo à análise de cada uma das remessas. Em que pese a glosa referente à remessa vinculada ao contrato de câmbio 03/001329 já ter sido confirmada, em função de descumprimento dos limites da averbação, vale observar que a anotação do contrato de prestação de serviços junto ao INPI, diferentemente do que afirmou a Impugnante, era imprescindível ao caso. Conforme informou a contribuinte, esse pagamento decorreu de serviço de ensaio de modelo hidráulico de turbina tipo "Kaplan", de alta complexidade, executados em laboratório da controladora indireta "Voith Siemens Hidro Power GmbH & Co KG" localizada na Alemanha, com a finalidade de gerar dados para serem transpostos no projeto de construção da turbina para a Usina Hidrelétrica de Peixe Angical, levado a efeito pela fiscalizada. Portanto, tratouse de serviço destinado a produzir um estudo acerca do funcionamento da turbina, em escala menor, com a finalidade de orientar a fiscalizada em seu projeto de construção da turbina em escala real, configurando a prestação de um serviço de assistência técnica e científica (SAT). Por sua vez, como o objeto da prestação de serviço consistiu em simular as condições do funcionamento da turbina, não há como negar que sua materialização ocorreu com a produção de um relatório contendo os resultados obtidos, afastando, desta maneira, em hipótese de serviço dispensado de registro no INPI. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 21 20 Pelas mesmas razões, considerase ocorrida transferência de tecnologia em relação aos serviços vinculados aos contratos de câmbio n° 03/046632 e 03/046633, na medida que envolveram, respectivamente, prestação de serviços de engenharia hidráulica com relatório de transposição de ensaio de modelo hidráulico de turbinas, mediante elaboração de protótipos hidráulicos para a Usina Hidrelétrica da Serra do Facão e para a Usina Hidrelétrica Corumbá IV. Assim, são considerados "SAT" e, não se encontrando dentre as hipóteses de dispensa de registro, a ausência desse requisito impõe a glosa de cada uma dessas deduções, ambas coincidentes no valor de R$ 160.972,03. As despesas pagas mediante os contratos de câmbio n°s. 03/008163, 03/046631 e 03/046635 referemse a serviços consistentes em elaboração de projetos básicos mecânicos de turbinas de alta complexidade, envolvendo desenho e design de turbinas, executados, na Alemanha, por empresas vinculadas com a fiscalizada. As informações contidas nos autos indicam que os projetos adquiridos tiveram por finalidade propiciar à fiscalizada as condições necessárias à construção de turbinas hidroelétricas para as Usinas de Peixe Angical, Irapé e São Salvador, sendo considerados, portanto, serviços de assistência técnica. Por sua vez, tais contratos não se encontram dentre as hipóteses de dispensa de registro no INPI. Assim, deve ser mantida a glosa das despesas relativas às remessas dos contratos de câmbio n°s. 03/008163 (R$ 1.497.632,12), 03/046631 (R$1.916.237,43) e 03/046635 (R$ 1.554.691,53). O contrato de câmbio n° 03/046634 consiste em remessa para pagamento do serviço de aplicação do produto "Softurb 80", realizado por técnico enviado pela controladora indireta "Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co KG". Tratase de um serviço técnico especializado, consistente em aplicação de um revestimento especial sobre o rotor da turbina hidráulica da Usina de Sé Carvalho, com a finalidade de garantir uma maior resistência da peça à abrasão e cavitação por partículas sólidas presentes na água. É um serviço essencial à construção de turbina hidroelétrica, realizado no Brasil por profissional a serviço da prestadora estrangeira. Nesta hipótese, o serviço foi prestado no País, propiciando à fiscalizada um acompanhamento direto de sua realização, circunstância que, segundo os critérios do INPI caracteriza transferência de tecnologia e, consequentemente, imporia que o correspondente contrato tivesse sido submetido à autarquia para averbação. Assim, ausente tal providência, deve ser mantida a glosa de R$ 140.862,67, referente ao contrato de câmbio n° 03/046634. E de se ressaltar que a legislação tributária, diferentemente do que sucede com a averbação no INPI, não vincula a ocorrência de "transferência de tecnologia" ao registro, no Bacen, dos respectivos contratos de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes. Com efeito, o § 3o do art. 355 do RIR/1999 determina que somente será admitida a dedução das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) depois da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 22 21 Assim, se a legislação poderia ter deixado dúvida se a averbação no INPI, residiria apenas à hipótese em que o contrato de prestação de serviços veiculasse transferência de tecnologia, o silêncio dessa característica em relação ao registro no Bacen faz concluir que esta providência é requisito de dedutibilidade de todo contrato de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados, ainda que não tenha ocorrido fornecimento de tecnologia. Conforme verificado pela autoridade fiscal, somente o pagamento referente ao contrato de câmbio 03/001329 estava amparado por contrato registrado no Bacen, mas que restou glosado porque houve descumprimento do prazo constante na averbação junto ao INPI. Quanto às demais remessas da Impugnante, não restou comprovado o registro no Bacen das respectivas operações contratadas com suas controladoras indiretas não residentes no País, razão pela qual a ausência desse requisito imprescindível de dedutibilidade também constitui fundamento para a manutenção da glosa efetuada pela autoridade fiscal. Essa análise e fundamentação da DRJ, portanto, demonstram que, no caso, não há como suplantar as citadas regras legais e conceber a dedução realizada pela recorrente. As razões da recorrente para a não averbar os contratos no INPI e não registrar no BACEN não encontram amparo legal. Pois, diante do fato de haver firmado contratos com suas controladoras indiretas, domiciliadas no exterior, somente mediante tais procedimentos formais, determinados pelo art. 354 e art. 355 do RIR/99, estaria autorizada a proceder à dedução em questão. Também não há como acolher as razões da recorrente quanto ao único contrato averbado no INPI e registrado no Bacen, eis que, somente poderia ter procedido à dedução em 2002. Assim, adoto as razões de decidir da DRJ, como exposto nesse tópico, para negar provimento ao recurso voluntário e manter as respectivas glosas. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os ajustes das bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, conforme demonstrativos apresentados ao final do Acórdão recorrido, abaixo reproduzidos: AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ LUCRO REAL VALOR DA INFRAÇÃO PeríodoBase AUTUADO MANTIDO 01/01/2003 a 31/12/2003 9.428.664,12 9.428.664,12 AJUSTE DA BASE DE CALCULO DA CSLL LUCRO REAL VALOR DA INFRAÇÃO PeríodoBase AUTUADO CANCELADO MANTIDO 01/01/2003 a 31/12/2003 9.428.664,12 8.058.291,37 1.370.372,75 (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 23 22 Fl. 1647DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014592/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA.
Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindo-se, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração.
SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS.
São insuficientes para comprovação da origem dos recursos supridos elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, ou recibos, e a simples alegação de capacidade econômica ou financeira dos sócios.
PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO.
DESCABIMENTO.
A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório refere-se a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei.
IMPUGNAÇÃO. TAXA DE JUROS SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU INJUSTIÇA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional.
DECADÊNCIA. CONFIRMAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ART. 150, §4º, CTN.
Verifica-se que operou-se a decadência, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 21/01/2007, tivemos o termo inicial em 01/01/2002 e termo final em 31/12/2006, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
Numero da decisão: 1301-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do PIS e da Cofins de todas as competências do ano-calendário de 2001. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto votou por dar provimento parcial em maior extensão para afastar a aplicação da presunção de que trata o art. 282 do RIR/99 para os depósitos lastreados por contratos de mútuos firmados com a sócia Karina Rozemblum.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindo-se, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS. São insuficientes para comprovação da origem dos recursos supridos elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, ou recibos, e a simples alegação de capacidade econômica ou financeira dos sócios. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO. DESCABIMENTO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório refere-se a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. IMPUGNAÇÃO. TAXA DE JUROS SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU INJUSTIÇA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. DECADÊNCIA. CONFIRMAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ART. 150, §4º, CTN. Verifica-se que operou-se a decadência, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 21/01/2007, tivemos o termo inicial em 01/01/2002 e termo final em 31/12/2006, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do PIS e da Cofins de todas as competências do ano-calendário de 2001. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto votou por dar provimento parcial em maior extensão para afastar a aplicação da presunção de que trata o art. 282 do RIR/99 para os depósitos lastreados por contratos de mútuos firmados com a sócia Karina Rozemblum. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS. São insuficientes para comprovação da origem dos recursos supridos elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, ou recibos, e a simples alegação de capacidade econômica ou financeira dos sócios. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO. DESCABIMENTO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. IMPUGNAÇÃO. TAXA DE JUROS SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 45 92 /2 00 6- 16 Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 749 2 INJUSTIÇA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. DECADÊNCIA. CONFIRMAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ART. 150, §4º, CTN. Verificase que operouse a decadência, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 21/01/2007, tivemos o termo inicial em 01/01/2002 e termo final em 31/12/2006, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do PIS e da Cofins de todas as competências do anocalendário de 2001. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto votou por dar provimento parcial em maior extensão para afastar a aplicação da presunção de que trata o art. 282 do RIR/99 para os depósitos lastreados por contratos de mútuos firmados com a sócia Karina Rozemblum. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 750 3 Relatório OZYX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA (fls. 569 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte para: acolher a preliminar argüida de decadência do lançamento, relativamente ao anocalendário de 2000, no que se refere ao IRPJ; reduzir as exigências de R$ 1.519.571,00 (IRPJ), R$ 44.350,25 (Pis), R$ 204.693,50 (Cofins) e R$ 565.122,10 (CSLL) para R$ 131.247,29 (IRPJ), R$ 44.038,25 (Pis), R$203.253,50 (Cofins) e R$ 560.188,70 (CSLL), e, em conseqüência, a multa de oficio e os juros de mora correspondentes, e reduzindo a multa de oficio de 150 % (cento e cinqüenta por cento) para o percentual de 75 % (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: a) omissão de receitas — receitas não contabilizadas; b) omissão de receitas — suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega; e c) omissão de receitas — passivo fictício. É dito, ali, que, com relação aos mútuos recebidos pela empresa, foram comprovados os ingressos dos recursos somente das sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern K. Rozenblum, mas não os da Rostany Trading S.A. Por outro lado, teria ficado faltando comprovar a origem de todos os empréstimos. Dessa forma, foram tributados, a título de suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega, os valores supostamente provenientes das referidas sócias e, a título de passivo fictício, os valores registrados contabilmente como empréstimos da empresa uruguaia, nos quais não foi comprovada a entrada do dinheiro no País. Além disso, confrontandose os livros Diário e Razão de 2000 e 2001 com a base das Declarações de Operações Imobiliárias (DOI), foram encontradas seis vendas à margem da contabilidade — receitas não contabilizadas de imóveis também ausentes do Ativo Imobilizado, todas elas realizadas à vista, segundo informações prestadas pelos cartórios nos quais essas operações foram realizadas. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 751 4 Especificamente quanto a esse último item, foi aplicada a multa de 150 % (cento e cinqüenta por cento), por entender a fiscalização se tratar de infração qualificada. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração, correspondendo os créditos constituídos a R$ 1.519.571,00 (IRPJ), R$ 44.350,25 (Pis), R$ 204.693,50 (Cofins) e R$ 565.122,10 (CSLL). Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 244/264, 316/345, 364/393 e 412/441, que aduziu os seguintes argumentos: a) que, preliminarmente, está decaído o direito do Fisco de efetuar o lançamento do imposto cujos fatos geradores ocorreram antes de janeiro de 2003, já que tomou ciência do presente auto de infração somente em 22/01/2007; b) que, com relação ao Pis, à Cofins e à CSLL, não se aplica a Lei n 2 8.212, de 1991, porque matéria de decadência e prescrição é de competência de lei complementar, segundo preceitua o art. 146, III, "b", da Constituição Federal; c) que, no mérito, com relação à suposta falta ou insuficiência de contabilização de receitas oriundas da venda de imóveis, essas vendas foram contabilizadas nos anos de 1999 e 2002; d) que, como a fiscalização adotou como meio de apoio apenas as Declarações de Operações Imobiliárias (DOI) dos anos de 2000 e 2001 e os livros Diário e Razão do mesmo período, concluiu, de modo equivocado, que não houve contabilização das compras e das vendas dos imóveis; e) que o fato de a empresa ter contabilizado a venda dos imóveis em anos distintos aos lançados nas DOI decorre de a venda ter ocorrido em uma determinada data e a transferência dos imóveis realizada posteriormente; f) que, no preenchimento da DOI é considerada a data em que se efetuou o registro ou averbação na matrícula; g) que, com relação aos suprimentos de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega, a justificativa para a desconsideração do mútuo decorre do fato de não ter sido comprovado que os recursos que adentraram a conta corrente da empresa foram, de fato, oriundos das sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern Rozenblum; h) que o nãopreenchimento dos requisitos acima citados não possui o condão de descaracterizar os contratos de mútuos realizados; Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 752 5 i) que a mutuária obrigouse ao pagamento do valor do principal e dos respectivos encargos em certo tempo, nos termos e condições estabelecidos nos instrumentos contratuais; j) que, em face dos contratos celebrados, efetuou operações bancárias com o fito de transferir os valores consignados; k) que grande parte das quantias em questão está lastreada por documentos comprobatórios dos depósitos bancários; 1) que, pelos documentos anexados nos autos, há efetiva comprovação da transferência dos valores para a mutuária; m) que, diante da existência dos contratos e da comprovação da entrada dos valores na contabilidade da empresa e das transferências dos recursos nos exatos moldes estabelecidos entre as partes, não há razão para invalidar a operação de mútuo em tela; n) que esses elementos analisados são deveras suficientes para o fim de se constatar a realização do negócio jurídico; o) que, caso persista a presente autuação, a tributação representaria presunção simples, com base em indícios e mero julgamento subjetivo da fiscalização; p) que o contrato particular, assinado pelas partes e por duas testemunhas, e a comprovação do fluxo financeiro são elementos suficientes para comprovar a operação de mútuo; q) que não há qualquer norma que determine a necessidade de ser comprovado que o mutuante possui lastro para dar suporte ao mútuo acordado; r) que os recursos supridos pela sócia Karina Rozenblum foram originários de empréstimos obtidos por ela junto a seu irmão Rolando Rozenblum; s) que, também no que se refere ao mútuo com a sócia Noemi Rozenblum, no valor de R$ 23.300,00, a declaração de imposto de renda é meio idôneo e hábil para comprovar que a mutuante possuía condições para assumir o mútuo com a impugnante; t) que, pelas informações colhidas da contabilidade é possível averiguar que os montantes transacionados nos contratos de mútuo com a empresa uruguaia Rostany foram empregados para a realização de pagamentos devidos pela impugnante; u) que a multa exigida ofende ao princípio constitucional do nãoconfisco, não devendo ser superior a vinte por cento; e v) que é ilegal e inconstitucional a exigência da taxa de juros Selic, devendo, Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 753 6 esta, ser substituída pelos juros estipulados pelo Código Tributário Nacional (CTN). Em julgamento realizado em 06 de dezembro de 2007, a 1ª Turma da DRJ/CTA, considerou parcialmente improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0616.319 assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ. LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. TERMO INICIAL DE DECADÊNCIA. Tratandose de imposto de renda de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, e não tendo havido o pagamento do imposto em determinado período, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos, relativo a esse período, tem início na forma do art. 173 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO. DESCABIMENTO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. IMPUGNAÇÃO. TAXA DE JUROS SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU INJUSTIÇA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS. São insuficientes para comprovação da origem dos recursos supridos elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, ou recibos, e a simples alegação de capacidade econômica ou financeira dos sócios. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 754 7 PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001 LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL. DESCABIMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir os créditos relativos ao Pis, à Cofins e à CSLL decai após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os respectivos créditos poderiam ter sido constituídos. PIS. COFINS. CSLL. Dada a identidade existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos à do Pis, da Cofins e da CSLL, estendemse, a estas últimas, a decisão adotada naquela. Lançamento Procedente em Parte Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 1.113 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Decadência dos fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 2002, uma vez que a ciência do auto de ifração ocorreu em 22/01/2007. Acerca da infração de omissão de receitas na vendas de imóveis, a recorrente afirma que todas as aquisições teriam sido contabilizadas no ano de 1999 e que as vendas dos cinco imóveis sobre os quais persiste o litígio teriam sido contabilizadas no ano de 2002. Pede, então, o afastamento integral desta exigência. Sobre os contratos de mútuos com as sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern Rozenblum, os quais conduziram à autuação por omissão de receitas, afirma que o não preenchimento dos requisitos do art. 282 do RIR/99 não teria o condão de descaracterizar os contratos de mútuo realizados e juntados por cópia aos autos. Os documentos acostados aos autos, especialmente extratos bancários, comprovariam, por sua ótica, que houve a transferência dos valores para a mutuaria. Seria, então, improcedente a exação fiscal a qual, a persistir, consistiria em presunção simples, com base em indícios e mero julgamento subjetivo da fiscalização. Colaciona jurisprudência administrativa que entende suportar seus argumentos. Ainda sobre essa matéria, apesar de considerar desnecessária, diante da legislação aplicável, a comprovação de que o mutuante possui lastro para dar suporte ao mútuo acordado, a recorrente apresenta documentos que, afirma, atestam que a sócia mutuante Karina possuía recursos suficientes para suportar o empréstimo. Tais recursos adviriam de empréstimos por ela obtidos junto a seu irmão Rolando Rozenblum, devidamente registrados Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 755 8 nas declarações de rendimentos apresentadas ao Fisco. Também a sócia Noemi Rozenblum teria recursos para suportar os mútuos contratados, conforme consta de sua DIRPF. Questiona a aplicação da multa de 75%; Questiona a aplicação da Taxa Selic; O processo foi trazido a julgamento perante esta 1ª Turma Ordinária em 16/12/2010, oportunidade em que foi prolatado o acórdão nº 130100.457 (fls. 640/652). O Colegiado negou provimento ao recurso de ofício e, no que respeita ao recurso voluntário, reconheceu a decadência sobre a integralidade dos créditos tributários do processo. O julgado foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO. PROVA. Restando comprovado nos autos que o contribuinte registrou contabilmente tanto a aquisição quanto a alienação de imóvel, e que o ganho de capital apurado foi oferecido à tributação na data da alienação, correta a decisão de primeira instância que afastou a exigência tributária. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. INOCORRÊNCIA. Desde que o fundamento fático para a qualificação da multa foi a imputação, ao sujeito passivo, da prática de seis operações de compra e venda de imóveis à margem da contabilidade e da tributação, a evidenciar o intuito doloso de ocultar o fato gerador tributário, correta a decisão de reduzir a multa para 75%, ao restar comprovado nos autos que as operações imobiliárias foram contabilizadas e que, em um caso, o resultado tributável foi oferecido à tributação. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, o qual foi admitido e levado a julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). O objeto do recurso foi a aplicação, por este Colegiado, do art. 150, § 4º, do CTN para aferição da decadência, o que estaria a contrariar decisão vinculante do Superior Tribunal de Justiça. A 1ª Turma da CSRF, mediante o Acórdão nº 9101002.157 (fls. 702/712), de 08/12/2015, deu provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando também o retorno dos autos à turma ordinária de origem. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2001 Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 756 9 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Não havendo pagamento e nem confissão dos débitos de IRPJ e CSLL com fato gerador em 31/12/2001, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. 3. Quanto ao PIS e à COFINS, também com fatos geradores em 31/12/2001, sendo afastados os fundamentos do acórdão recorrido, os autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que seja reexaminada a questão da decadência, levandose em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais), e havendo reversão da decadência, para que se dê continuidade ao exame das demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Conforme relatório do Relator a quo, temse o seguinte resumo: 5.4. Quanto ao IRPJ e à CSLL, ficou evidenciado que a contribuinte apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2001, não havendo, portanto, apuração de tributo devido, e nem pagamento. Os demonstrativos dos autos de infração também evidenciam que não houve pagamento destes tributos para o anocalendário de 2001, com fato gerador anual em 31/12/2001. 5.5. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão de débitos de IRPJ e CSLL, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, de modo que não há decadência para o crédito tributário de IRPJ e CSLL com fato gerador em 31/12/2001. 5.6. Revertendose a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária do CARF para que se dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 757 10 5.7. Quanto ao PIS e à COFINS, é importante registrar que estão sendo exigidos débitos relativamente ao mês de dezembro/2001. 5.8. Conforme já mencionado, para fatos geradores ocorridos em 31/12/2001, considerando que o lançamento ocorreu em 22/01/2007, há diferentes resultados para a decadência conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. 5.9. Nesse contexto, sendo afastados os fundamentos do acórdão recorrido, é preciso que a Turma Ordinária do CARF reexamine a questão da decadência levando em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para os fatos geradores de PIS/COFINS ocorridos em 31/12/2001, e havendo reversão da decadência, dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. 6. Nestes termos, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da PGFN, para: em relação ao IRPJ/CSLL, afastar a decadência para o anocalendário de 2001, e devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas; em relação ao PIS/COFINS, devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que seja reexaminada a questão da decadência levandose em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2001, e havendo reversão da decadência, para que se dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas. Este Colegiado, por sua vez, por meio da Resolução 1301000.394, de 14 de fevereiro de 2017 determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora consulte os sistemas de processamentos de dados da Receita Federal do Brasil informe e/ou adote as seguintes providências: a) Existe algum pagamento de PIS ou de COFINS para a competência de dezembro de 2001? Caso a resposta seja afirmativa, juntar aos autos a respectiva comprovação. b) O contribuinte declarou em DCTF (ou em algum outro instrumento declaratório com caráter de confissão de dívida) algum valor de PIS ou de COFINS para a competência de dezembro de 2001? Caso a resposta seja afirmativa, juntar aos autos a respectiva comprovação. A diligência foi realizada e seu Relatório consta às fls. 733/741, a contribuinte foi devidamente intimada às fls. 742. A diligência constatou que houve a declaração de valores devidos de PIS e de COFINS para o período de apuração 12/2001, bem como de seus respectivos pagamentos. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 23/02/2018. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 758 11 É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada em 21/01/2007 para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo regime do lucro real, relativo aos anoscalendários de 2000 e 2001, totalizando o crédito tributário de R$6.402.090,97, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora, em razão de omissão de receitas suprimento de numerário não comprovada a oprigem e/ou a efetividade da entrega e passivo fictício. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente e afastou as exigência de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, em razão da decadência; bem como foi afastada a exigência relativa à alienação do apartamento 403 do Edifício Philadelphia Tower, em razão da constatação de que a operação havia sido devidamente contabilizada e oferecida à tributação em 1999. E ao final a multa qualificada foi afastada, mantendose a multa de ofício. O Recurso de Ofício já foi julgado por este Conselho e não é mais objeto neste turno. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/CTA e intimada ao recolhimento dos débitos em 17/01/2008 (AR de fl. 590), e apresentou em 15/02/2008, recurso voluntário, juntados às fls. 591 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Ao Recurso Voluntário interposto, o Colegiado havia dado provimento em razão da decadência, interposto Recurso Especial, decidiuse pela aplicação do Resp 973.733/SC, revertendose a decisão, os autos retornaram para julgamento do mérito. No que tange ao PIS e à COFINS, motivação da diligência requerida da última vez, confirmouse haver o pagamento para o período de apuração de dezembro de 2001, assim, aplicandose o art. 150, §4º do CTN, verificamos que operouse a decadência, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 21/01/2007, tivemos o termo inicial em 01/01/2002 e termo final em 31/12/2006. Assim, aqui a discussão mantémse apenas para o IRPJ e CSLL relativo ao período de 2001, e sem mencionar a venda do apartamento 403 do Edificio Philadelphia Tower, que já foi afastada, bem como a multa qualificada. A fiscalização, ao confrontar os livros Diário e Razão de 2000 e 2001 com base nas Declarações de Operações Imobiliárias (DOI) localizou seis vendas de imóveis à margem da contabilidade, e do Ativo Imobilizado, todas elas realizadas à vista, conforme informações dos Cartórios. Segundo se verifica dos documentos, as aquisições ocorreram em 1999 e foram devidamente contabilizadas, e as vendas foram contabilizadas, uma em 1999 e as demais em 2002. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 759 12 A fiscalizada esclareceu que os 2 apartamentos e 3 lotes, a alienação ocorreu em 10/12/2001, sendo escriturada em 2002, e as aquisições foram devidamente contabilizadas em 1999, quando adquiridas. No que tange a estas vendas, a decisão recorrida entende que o lançamento contábil ocorrido em 2002 se deu contra a conta patrimonial de Lucros ou Prejuízos Acumulados (fls; 290/291, 197), à título de ajustes de exercícios anteriores já que vendidos no ano anterior, e assim, portanto, não foi oferecida à tributação nem em 2001, nem em 2002, motivo pelo qual manteve o lançamento. De fato, a contabilização foi efetuada na Conta de Prejuízos Acumulados, sem a tributação, em sede recursal, a recorrente apenas reafirma que estão contabilizados, mas não fez prova acerca da sua tributação. Assim, sem a comprovação da efetiva tributação, em que pese encontrarem se contabilizados, de se manter o lançamento. No que tange à omissão de receitas por suprimentos de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega e passivo fictício, a fiscalizada foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, o efetivo ingresso do numerário e a origem dos recursos supridos relativos aos contratos de mútuo/empréstimos. A recorrente anexou cópias de contratos de mútuo, feitos pela sócia Karina Rozemblum, foi requerida também a comprovação da entrada no país e o efetivo ingresso na empresa dos recursos provenientes da empresa uruguaia Rostany Trading Sociedad Anonima. Alegou que os mútuos efetuados resultaram da injeção de recursos próprios dos sócios ou da captação por estes de recursos de terceiros, mediante empréstimos e juntou cópias de extratos bancários da própria empresa. A decisão recorrida por sua vez entendeu que não basta a simples juntada dessa comprovação, sem que se demonstre através de coincidência de datas e valores que o dinheiro emprestado tenha se originado de recursos pessoas, com fonte produtiva seguramente identificada e documentação hábil e idônea. Baseouse, também no Parecer Normativo CST 242/1971: A simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para comprovação dos suprimentos efetuados à pessoa jurídica. É necessário, para tal, a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas. A norma acima decorre de jurisprudência pacifica oriunda dos tribunais administrativos e judiciais. A simples alegação de que o supridos, na sua declaração de bens, anexa à declaração de renda, informou possuir em cofre importância em dinheiro superior ao valor do suprimento, não é de ser aceita. 2. A comprovação da veracidade do suprimento se faz, provando, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 760 13 importâncias supridas, a proveniência do numerário respectivo, e não com a simples alegação de que o supridor dispunha da referida importância. 3. Da mesma forma o supridor terá que comprovar a origem dos seus saldos bancários ou do dinheiro em cofre. Alega em sede recursal, que o fato de não preencher tais requisitos não tem o condão de descaracterizar os contratos de mútuo realizados. E apresentou a seguinte planilha; Havia juntado também a DIPF da sócia Karina para comprovar que ela possuía capacidade de realizar tais empréstimos, porém conforme se verifica, ela por sua vez obteve empréstimo de seu irmão Rolando Rozemblum. Ora, nos termos do art. 282, RIR/99, a presunção de omissão de receitas nestes casos, para ser elidida, deve preencher dois requisitos: comprovação da efetiva entrega e origem dos recursos dos sócios supridores. Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei n 2 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 761 14 1.598, de 1977, art. 12, § 32, e DecretoLei n2 1.648, de 1978, art. 12, II). No meu entendimento, essas argumentações até são plausíveis, porém, em se tratando de suprimentos de numerário, as provas a serem produzidas devem atestar de forma cumulativa dois fatos, quais sejam, a efetiva entrega e a origem dos respectivos recursos. Além disso, tais provas devem ser coincidentes em datas e valores com os dados lançados nos registros contábeis e lastreadas em documentos hábeis e idô neos emitidos por terceiros. Os extratos juntados não comprovam que foi a sócia Karina que efetivamente entregou os valores, os extratos apresentados apenas demonstram que valores entraram na conta corrente da empresa, nada comprova que saiu da conta dela, exemplo abaixo, assim não há de fato a comprovação. De igual forma, no que tange ao passivo fictício, em que pese haver a argumentação de que se tratam de valores transacionados nos contratos de mútuo com a empresa uruguaia Rostany, sequer foi comprovada a entrada do dinheiro no país. Justamente em razão de ser uma presunção legal, neste tópico, a omissão de receitas, cabe ao sujeito passivo a comprovação mediante documentação que a omissão não ocorreu, o que não se verifica. Assim, sem trazer nenhuma comprovação da origem dos depósitos, de se manter o lançamento em sua totalidade. Do percentual abusivo da multa Alega ainda excesso de penalidade, e pugna pela aplicação tãosomente de 20%, penalidade moratória. Aqui aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da inaplicabilidade da taxa Selic Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 762 15 Também é sedimentado o entendimento acerca da aplicabilidade da taxa Selic, nos termos da Súmula CARF 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a decadência do PIS e da COFINS de todas as competências do ano calendário de 2001. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 762DF CARF MF
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