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Numero do processo: 10950.721717/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
INSUMOS ISENTOS PRODUZIDOS NA ZFM COM PROJETO APROVADO PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA.MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI.
Cumpridos os requisitos legais, são suscetíveis de apropriação na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, localizado fora da ZFM, os créditos presumidos ou fictos do IPI, calculados sobre insumos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus.
Numero da decisão: 3301-004.752
Decisão:
Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Cumpridos os requisitos legais, são suscetíveis de apropriação na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, localizado fora da ZFM, os créditos presumidos ou fictos do IPI, calculados sobre insumos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 17 17 /2 01 1- 74 Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.615 2 Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 1644/1657), abaixo transcrito: Tratase de Auto de Infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários, em desfavor da contribuinte epigrafada, no montante total de R$ 1.453.572,72 (um milhão, quatrocentos e cinquenta e três mil, quinhentos e setenta e dois reais, setenta e dois centavos), consolidado na data do lançamento, conforme demonstrativo de efls. 2 e 751. O procedimento fiscal foi instaurado tendo em vista os pedidos de ressarcimento de créditos de IPI (PER/DCOMP) apresentados para os anos de 2006, 2007 e 2008. Na conclusão das verificações, a autoridade fiscal elaborou Termo de Verificação Fiscal (efls. 126/134), narrando os fatos destacados a seguir. 1 Divergências na classificação fiscal dos produtos fabricados e alíquotas aplicáveis O estabelecimento industrial produz e dá saída a diversas bebidas mistas de sucos de frutas. Dos arquivos digitais apresentados pela fiscalizada, foram constatadas divergências na classificação fiscal ali informada. Apesar de ter apresentado, nos arquivos, a classificação 2009.90.00, informou que seus produtos classificavamse nos códigos 2202.10.00 Ex 01, 2202.90.00 Ex 02, 2202.90.00 Ex 01, 2103.90.11, 2103.90.19 e 2103.31.21. A contribuinte aplicou as alíquotas ad rem do código 2202.10.00 da TIPI, correspondentes à categoria “outras embalagens plásticas”, com redução de 50%. Intimada e reintimada a prestar esclarecimentos acerca das embalagens utilizadas para o enquadramento específico correto, o sujeito passivo não apresentou as informações necessárias. A classificação no código 2202.10.00 permite uma redução de 50% da alíquota aplicável, desde que atendidas as condições indicadas na Nota Complementar NC 221 da TIPI (padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e registro no órgão competente desse Ministério). Ocorre que a fiscalizada não atendia às condições exigidas para beneficiarse da tributação reduzida. Os registros dos produtos no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento são válidos somente a partir do anocalendário de 2010 (efls. 42/57). Os registros em nome da Ultrapam Indústria e Comércio (efls. 30/41) não se prestam a validar a redução em benefício da Latco. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.616 3 A fim de apurar o imposto devido, a Fiscalização adotou o mesmo código da TIPI utilizado pela contribuinte para os produtos denominados “Bebida Mista” e “Outros Produtos Elaborados Contendo Sucos de Frutas”, desconsiderandose a redução de 50%. Para o produto “Néctar”, adotouse a classificação 2202.90.00 Ex 02, com alíquota de 5%. Cópia dessa apuração (efls. 135/746) foi fornecida à interessada, não tendo havido qualquer manifestação a respeito, de sua parte. 2 Glosas de créditos indevidos A fiscalizada adquiriu produtos da empresa Nilada da Amazônia Ltda, CNPJ 04.930.553/000102, denominados “Concentrados Base Edulcorante para Bebidas”, que saíram com isenção do IPI, por se tratar de estabelecimento industrial localizado na Zona Franca de Manaus. Constam, nas notas fiscais emitidas pela Nilada (efls. 75/112), que a isenção do IPI tem base no art. 69, II, do Decreto 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002). Referida isenção é concedida quando os produtos, fabricados da Zona Franca de Manaus, atendem às condições requeridas e são destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional. Não obstante, a fiscalizada se creditou do IPI na entrada como se destacado fosse, aplicando a alíquota de 27% sobre o valor da nota fiscal. Por indevido, esses créditos devem ser glosados (e fls. 73/74). 3 Recomposição da apuração do IPI e lançamento em auto de infração Tendo em vista os débitos apurados em razão das alíquotas aplicáveis e as glosas dos créditos indevidos, a escrita fiscal foi recomposta (efl. 72), apurandose saldos devedores de IPI, ao invés dos saldos credores pleiteados nos PER/DCOMP. Os débitos de IPI e respectivas multas de ofício foram objeto de lançamento em auto de infração, com exceção dos períodos anteriores a maio de 2006, já fulminados pela decadência. Regularmente cientificada do lançamento em 15/06/2011 (efl. 761), a interessada apresentou a impugnação de efls. 763/803. Aduziu em sua defesa as razões sumariamente expostas a seguir: 1 Existência de pedidos de ressarcimento pendentes Para chegar ao valor do crédito tributário, a autoridade fiscal desconsiderou o crédito de IPI, objeto de pedidos de ressarcimentos ainda pendentes de análise, indeferindoos por meio do Termo de Verificação Fiscal. O procedimento impugnado violou todas as disposições legais e normativas relativas ao ressarcimento/compensação, pois o indeferimento deste se deu por meio totalmente incompetente. Apurada a inexistência de crédito, o correto seria não homologar as compensações. Neste caso, o AFRFB responsável pelo Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.617 4 procedimento deveria representar à autoridade competente para adoção das medidas cabíveis. Fundamentando seus argumentos, a impugnante trouxe à colação os respectivos dispositivos legais e normativos (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e Instrução Normativa nº 900, de 30 de dezembro de 2008). 2 Falta da ciência das prorrogações do MPF Houve a prorrogação do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) por diversas vezes, sem haver, no entanto, ciência ao sujeito passivo, em respeito ao parágrafo único, art. 9º, da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. Assim, se afigura vício insanável a culminar com a nulidade do auto de infração. O vício de forma, insanável, viola os princípios do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa e da legalidade. 3 Direito ao crédito oriundo das aquisições da fornecedora Nilada Embora constante em anotação nas notas fiscais de emissão da Nilada, não é o art. 69, II, RIPI/2002, que se aplica ao caso. Por se tratar de aquisições destinadas à industrialização, é aplicável o art. 82, III, c/c art. 175, ambos do RIPI/2002. A fim de se precaver e demonstrar sua boa fé, a impugnante solicitou a Nilada a retificação de todas as notas fiscais, as quais poderão ser juntadas ao processo assim que disponíveis. A correta emissão das notas fiscais é de responsabilidade das fornecedoras, não cabendo à impugnante ser penalizada por erros cometidos por terceiros. A fim de comprovar o preenchimento das condições estipuladas no art. 82, III, RIPI/2002, anexou os seguintes documentos: Laudo Técnico de Auditoria Independente registrado junto a SUFRAMA (efls. 843/844) e Certificação de Utilização de MatériaPrima Regional (efl. 845). 4 Tributação na saída dos produtos do estabelecimento do sujeito passivo A auditoria fiscal afastou a tributação com alíquota ad rem reduzida (NC 22.1 e 221), justificando que a impugnante não prestou as informações necessárias sobre as embalagens utilizadas. Entretanto, foram disponibilizadas todas as notas fiscais de saída, as quais possuem os dados suficientes ao correto enquadramento dos produtos, devendo ser afastada a alíquota ad valorem de 27%. Para o benefício da redução de 50% (NC 221), comprovase que todos os registros dos produtos datam de 2005 (efls. 1.365/1.382), emitidos anteriormente ao período fiscalizado. 5 Recomposição da apuração do IPI Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.618 5 O lançamento foi efetuado excluindose os períodos anteriores a maio de 2006, já alcançados pela decadência,. No entanto, a reconstituição da escrita abrangeu esses períodos, iniciandose em dezembro de 2005. O procedimento correto seria iniciar a contabilização a partir de junho, utilizando a totalidade do crédito declarado pela empresa fiscalizada, para somente então começar a reconstituição. Ao final, requer seja declarado nulo o presente processo administrativo e cancelado o auto de infração. No mérito, requer o reconhecimento dos créditos apropriados, a tributação na saída de seus produtos na forma como procedeu, e a insubsistência do processo ante a apuração do crédito tributário valendose de períodos atingidos pela decadência. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1462.485 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1644/1645), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. PRODUTOS CLASSIFICADOS NO CÓDIGO 2202.10.00 DA TIPI. BENEFÍCIO DA REDUÇÃO DE 50% NA ALÍQUOTA APLICÁVEL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS. Para beneficiarse da redução da alíquota de que trata a Nota Complementar NC 221 da TIPI, a contribuinte deve atender os padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e possuir registro no órgão competente desse Ministério. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. CRÉDITOS DE IPI DESCONSIDERADOS NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, CONSIGNADOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO PENDENTES DE ANÁLISE. Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.619 6 O Termo de Verificação Fiscal não possui a natureza jurídica de um ato decisório administrativo ou do ato administrativo de constituição do crédito tributário. O ato que indefere o pedido de ressarcimento e/ou não homologa a compensação é o despacho decisório e o que constitui o crédito tributário é o auto de infração. O Termo de Verificação Fiscal é apenas um relatório que serve para instruir esses atos. Possuindo formalidades, motivações, competências e finalidades distintas, não há vinculação obrigatória entre esses atos, ou mesmo alguma obrigatoriedade de um preceder o outro, em uma ordem de NULIDADE. EXPIRAÇÃO DO PRAZO DE VALIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALTA DE CIÊNCIA DAS PRORROGAÇÕES. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento administrativo de controle da atividade fiscal, e eventual falta ou imperfeição do instrumento não é capaz de macular o lançamento que atendeu a todos os requisitos fixados no art. 142 do CTN. O lançamento é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Uma vez que é a própria lei que obriga o lançamento, independentemente de MPF fica evidente inexistir vício de ilegalidade. Na há que se falar em violação aos princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa, pois somente após a formalização do auto de infração, com a ciência da interessada e com a impugnação regularmente interposta, é que se instaura o litígio. Com a ciência das infrações que lhe são imputadas, abrese ao sujeito passivo a oportunidade de exercer seu pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos inerentes ao processo administrativofiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APURAÇÃO DO IPI. DÉBITOS APURADOS. GLOSA DE CRÉDITOS. EXTENSÃO A PERÍODOS ABRANGIDOS PELA DECADÊNCIA. Em matéria tributária, a decadência é tratada no CTN como a perda do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento e como hipótese de extinção do crédito tributário. Não pode o Fisco considerar, em sua apuração, os débitos de IPI já atingidos pela decadência, uma vez que impedido está de constituílos. Contudo, ante a inexistência de impedimento, as glosas de créditos indevidos devem, sempre, serem efetivadas, tendo em vista o relevante Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.620 7 interesse público envolvido e a verdade material, princípio norteador do procedimento administrativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 1665/1717, no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos, que serão detidamente analisados no voto: III.I DO DIREITO DA RECORRENTE AO CRÉDITO DE IPI III.II DA LEGISLAÇÃO QUE CONFERE O CRÉDITO DE IPI III.III DO ATENDIMENTO AOS REQUISTOS DO ART. 82, III, c.c. ART. 175 DO DECRETO 4.544/2002 III.III a) DO REQUISITO DE APROVAÇÃO DE PROJETO DA EMPRESA PRODUTORA PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA III.III b) DO REQUISITO DE COMPROVAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS DE PRODUÇÃO REGIONAL III.IV DA TRIBUTAÇÃO DA SAÍDA DOS PRODUTOS DA RECORRENTE III.V DA INDEVIDA RECOMPOSIÇÃO DA APURAÇÃO DO IPI PELO AUDITOR FISCAL É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre analisar cada um dos tópicos apresentados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. III.I DO DIREITO DA RECORRENTE AO CRÉDITO DE IPI Neste item, a Recorrente discordou do entendimento da decisão de piso de que não fez prova de seu direito, mediante documento oficial emitido pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, aprovando seus projetos da Nidala e afirma que vai demonstrar que faz jus aos créditos nos itens seguintes do Recurso Voluntário. III.II DA LEGISLAÇÃO QUE CONFERE O CRÉDITO DE IPI Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.621 8 A Recorrente, neste item, alegou que, por mero erro formal, foi indicado nas notas fiscais de saída de produtos da empresa Nidala da Amazônia para a Recorrente com suspensão o art. 69, II do Decreto no. 4.544/2002 (Regulamento do IPI vigente na época). O dispositivo correto seria o art 82 do mesmo Decreto. Informa também que esse problema foi superado na decisão recorrida e reafirma seu direito aos créditos em pauta. III.III DO ATENDIMENTO AOS REQUISTOS DO ART. 82, III, c.c. ART. 175 DO DECRETO 4.544/2002 III.III a) DO REQUISITO DE APROVAÇÃO DE PROJETO DA EMPRESA PRODUTORA PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA Estes item e subitem albergam o cerne da lide, no qual a Recorrente alega que, ao contrário do entendimento da Fiscalização e da decisão recorrida, cumpriu os requisitos legais para utilização dos créditos em pauta. Vale lembrar que a Fiscalização procedeu à glosa dos créditos calculados sobre a aquisição de insumos adquiridos da empresa Nilada da Amazônia Ltda, CNPJ 04.930.553/000102. Rebateu a impugnante, reivindicando o direito ao crédito, fundamentandose no art. 82, III, c/c art. 175, ambos do RIPI/2002. Citados dispositivos estabelecem: Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). (...) Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). Destacase na decisão recorrida que há duas condições cumulativas para a isenção do produto industrializado na Zona Franca de Manaus, adquirido e utilizado como Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.622 9 insumo, em produtos onerados pelo imposto, em processo industrial em qualquer ponto do território nacional: (1) a utilização de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental; (2) a aprovação, pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, de projetos da empresa produtora do insumo passível de isenção nas vendas para o território nacional. Concluiu a decisão recorrida que, apesar da impugnante ter anexado o Laudo Técnico de Auditoria Independente, registrado junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (efls. 843/844), e a Certificação de Utilização de MatériaPrima Regional (efl. 845), os documentos apontados não se prestam a fazer prova das exigências contidas no art. 82, III, RIPI/2002. Não se verificou, conforme a decisão de piso, dentre os documentos juntados, nenhum documento oficial emitido pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, aprovando projetos da Nilada. Por isso, concluise que a Nilada não possuía os requisitos necessários à fruição do benefício da isenção prevista no art. 82, III, do RIPI/2002. A Recorrente anexou ao presente processo (fl. 2093) cópia da Resolução no. 155, de 03 de maio de 2002, a qual aprovou o projeto industrial de IMPLANTAÇÃO da empresa NIDALA DA AMAZÔNICA LTDA., na Zona Franca de Manaus, para produção de concentrado para bebidas não alcoólicas, para gozo de incentivos fiscais previstos no Decreto Lei no. 288, de 28 de fevereiro de 1967 e legislação posterior. Dessa forma, demonstrou cumprir os requisito para fruição do benefício fiscal. III.III b) DO REQUISITO DE COMPROVAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS DE PRODUÇÃO REGIONAL Defende a Recorrente que não a lei não exige "documento oficial, emitido por órgão competente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, reconhecendo a utilização de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". O documento que comprova sua situação é aprovação do projeto pela SUFRAMA. Com a juntada da, às fls. fl. 2093, da cópia da Resolução no. 155, de 03 de maio de 2002, a Recorrente também comprovou esse requisito. III.IV DA TRIBUTAÇÃO DA SAÍDA DOS PRODUTOS DA RECORRENTE Afirma a Recorrente que, na decisão recorrida, entendeuse pela manutenção da tributação das saídas da recorrente sem o benefício da redução redução de 50%, que consta na Nota Complementar NC 221 da TIPI. Isso porque os registros referiamse ao CNPJ 01.046.213000117. Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 10950.721717/201174 Acórdão n.º 3301004.752 S3C3T1 Fl. 2.623 10 Contudo, destacou a Recorrente que se tratava do CNPJ da matriz da filial e defende que o requisito é que seja registrado, mas não há essa vedação entre matriz e filial e que, portanto, faz juz à redução de 50% do IPI. Entendo assistir razão à Recorrente, pois a situação do produto estar registrado no CNPJ da matriz, mesma pessoa jurídica, não inquina seu direito. III.V DA INDEVIDA RECOMPOSIÇÃO DA APURAÇÃO DO IPI PELO AUDITOR FISCAL Afirmou a Recorrente que a Fiscalização recompôs a escrita fiscal da Recorrente, inclusive período afeto pela decadência. Explica que " para lançamento do presente crédito tributário o Auditor Fiscal desconsiderou todos os créditos apurados pela Recorrente e refez a apuração do IPI, lançando o presente crédito tributário. Ao final, conforme item 7 do Termo de Verificação Fiscal, exclui os valores alcançados pela decadência, referentes aos meses de março, abril e maio de 2006." Na decisão recorrida entendeuse que o instituto da decadência tributária diz respeito ao direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário (débito de IPI em desfavor da contribuinte). Ou seja, não pode o Fisco considerar, em sua apuração, os débitos de IPI já atingidos pela decadência, uma vez que impedido está de constituílos. Entendeu também que essa restrição não se estende ao dever de apurar e fiscalizar a correta apuração dos créditos. Seguindo tais preceitos, a decisão de piso determinou a correção apenas os meses de junho e julho de 2006, em favor da Recorrente. Contudo, como se está reconhecendo o mérito do pleito da Recorrente, esse aspecto deixa de ser relevante. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 2623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720289/2008-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-007.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do Município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 02 89 /2 00 8- 42 Fl. 187DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) do exercício de 2005, tendo em vista glosa da Área de Preservação Permanente (APP) e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) pelo Sistema Integrado de Preços de Terras (SIPT). Em sessão plenária de 16/07/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202002.369 (efls. 131 a 140), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. O fato de o imóvel estar inserido, total ou parcialmente, em Área de Proteção Ambiental APA, assim declarada em caráter geral, não isenta o imóvel de tributação pelo ITR; é preciso que o imóvel seja declarado como área de proteção por ato específico do Poder Público que amplie as restrições de uso definidas legalmente para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel. Recurso parcialmente provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado.." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 141) e, em 19/08/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 142 a 154 (Despacho de Encaminhamento de efls. 155). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) tendo por base o Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 18/09/2015 (efls. 156 a 159). Cientificado em 25/10/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 183), o Contribuinte quedouse silente. Voto Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10073.720289/200842 Acórdão n.º 9202007.125 CSRFT2 Fl. 188 3 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de Imposto Territorial Rural (ITR) do exercício de 2005 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) tendo por base o Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) com base no Sistema Integrado de Preços de Terras (SIPT), utilizandose o valor médio das DITR do Município de Parati/RJ, fixado em R$ 1.000,00/ha (efls. 22), sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, restabelecendose o VTN declarado pelo Contribuinte (R$ 57,62/ha). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; Fl. 189DF CARF MF 4 b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do Município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola do imóvel, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900466/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
INDÉBITO ILÍQUIDO
Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
Numero da decisão: 1401-002.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 INDÉBITO ILÍQUIDO Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 04 66 /2 00 8- 75 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10855.900466/200875 Acórdão n.º 1401002.418 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1426.504 da 5ª Turma da DRJ/RPO que negou provimento à manifestação de inconformidade apresenta pelo interessado. Com relação às peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de Contribuição para a Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório [...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/20031, requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10855.900466/200875 Acórdão n.º 1401002.418 S1C4T1 Fl. 4 3 decorrente crédito os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; l) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. DA DECISÃO RECORRIDA Em breve síntese, a decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o contribuinte a solução de consulta a que faz referência asseverou, de um lado, a alíquota de 8% para a construção civil com o emprego de materiais, mas também que as empresas que exercem atividades diversificadas devem aplicar a alíquota específica de cada atividade. No contrato social apresentado, a empresa exerce diversas atividades de serviços (nesse passo, o julgador elenca cada uma delas). Assim, os contratos por ela assinados podem abrigar mais de um tipo de atividade, o que exige a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. O contribuinte apresentou Notas Fiscais Faturas de Serviços e demais documentos pertinentes. No entanto, o imposto não é apurado, nota a nota. Como o contribuinte não fez a nova apuração do imposto devido no trimestre, deixou de demonstrar o montante do indébito. Quanto a essa parte, vale transcrever o trecho original da decisão: Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp [...], é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 3º trimestre de 2000, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 3 trimestre de 2000 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10855.900466/200875 Acórdão n.º 1401002.418 S1C4T1 Fl. 5 4 correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Foi essa a razão que orientou o voto para negar provimento à manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário além de documentos nas páginas seguintes. Desta vez, além das notas fiscais e contratos de prestação de serviços, carreou o diário do período (3º trimestre de 2000), com o balanço, a demonstração do resultado do exercício e o plano de contas. Na peça recursal, aduziu inicialmente as mesmas razões oferecidas na manifestação de inconformidade. Ademais, afirma que os documentos apresentados seriam suficientes para comprovar o indébito, pois, apesar de não ter juntado os livros fiscais, carreou toda a documentação que deu suporte à sua escrituração. De toda sorte, dada a exigência da autoridade julgadora de primeiro grau, juntou ao recurso todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos, as notas fiscais dos materiais empregados e a cópia do seu livro diário. É o relatório do essencial. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10855.900466/200875 Acórdão n.º 1401002.418 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.416, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.906076/2009 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma teve como origem o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001. No presente processo, o direito creditório pleiteado tem como origem o IRPJ pago com base no lucro presumido apurado no 3º trimestre de 2000. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.416): "Inicialmente, apesar de não discordar da conclusão do voto como explicarei posteriormente, devo dizer que a premissa adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau foi muito rigorosa. Não é necessário, no meu ponto de vista, demonstrar novamente toda a apuração do trimestre para se verificar um valor de indébito a partir de algumas notas fiscais. Afinal, se o contribuinte adotou o percentual de 32% para toda a sua receita e, posteriormente, comprova que alguns dos valores registrados estão submetidos a percentual diverso, o montante do indébito corresponderá à diferença de percentual sobre a receita apontada. Esse raciocínio é o mesmo que permite à autoridade fiscal lançar o imposto de renda a partir da verificação de apenas alguns itens do resultado, sem que necessite recalcular toda a base de cálculo. Com os elementos apresentados pelo contribuinte, é possível aferir que houve serviços prestados com o emprego de materiais, mas não é possível aferir exatamente quais e nem identificar o seu montante. Podemos verificar que, no período, o contribuinte prestou serviços apenas para a SABESP, em razão da seqüência contínua de notas fiscais que vão da nº de 180, emitida em 01/10/2001 a 199, emitida em 17/12/2001. Ou seja, todas as suas receitas provieram da execução de contratos com essa empresa. Nos referidos contratos, consta cláusula que impõe ao prestador o dever de empregar os materiais. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10855.900466/200875 Acórdão n.º 1401002.418 S1C4T1 Fl. 7 6 Houve materiais adquiridos no período. Aliás, além do período (foram adquiridos no interregno entre a celebração dos contratos e das prestações de serviço), é possível identificar que tais materiais foram empregados nos serviços prestados à Sabesp em função de referências como "Material a ser utilizado na obra de Hortolândia/SP" (vide fl. 370), justamente o local de execução das prestações de serviço. No entanto, não é possível aferir (e nem sequer o contribuinte indica) quais notas se referem a serviços prestados com o fornecimento de materiais. Sabemos que uma parte dessas notas são relativas à prestação de serviço com fornecimento de material, mas elas não correspondem ao todo, uma vez que o contribuinte pleiteia indébito significativamente menor que a aplicação da diferença de percentual sobre o total da receita. Ademais, não sabemos quais são as notas dentre aquelas apresentadas e nem o seu montante, uma vez que, entre as notas de aquisição de materiais e as de prestação de serviço, inexiste vinculação, a qual nem sequer pode ser inferida pela proximidade de datas. Sem essa quantificação, não é possível aferir o valor do indébito, que para ser deferido exige a sua liquidez. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 527DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722331/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 10/03/2010
CFL 35. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA
Constitui infração à legislação deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
AGRAVAMENTO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA.
A reincidência genérica na infração impõe o agravamento da multa básica em duas vezes.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA Constitui infração à legislação deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. AGRAVAMENTO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. A reincidência genérica na infração impõe o agravamento da multa básica em duas vezes. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 31 /2 01 0- 54 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10580.722331/201054 Acórdão n.º 2202004.447 S2C2T2 Fl. 120 2 de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.722331/201054, em face do acórdão nº 0643.932, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 30 de setembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo de impugnação apresentada em face do Auto de Infração de fl. 2, DEBCAD nº 37.235.1433, cadastrado no COMPROT sob nº 10580.722331/201054 e lavrado em 10/03/10 contra a empresa UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO LTDA., no valor de R$ 28.215,54 (vinte e oito mil, duzentos e quinze reais e cinquenta e quatro centavos). 2. No Relatório Fiscal da Infração, fls. 57 e 58, traz a fiscalização o seguinte esclarecimento quanto à infração cometida: A empresa foi intimada a apresentar relatório contendo os itens componentes do seu ativo imobilizado, mais especificamente: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10580.722331/201054 Acórdão n.º 2202004.447 S2C2T2 Fl. 121 3 a. Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado, com respectivos valores, e cópia das escrituras; b. Relação de Máquinas e Equipamentos integrantes do Ativo Imobilizado com respectivos valores e números de patrimônio (tombamento); c. Relação de Móveis e Utensílios integrantes do Ativo Imobilizado com respectivos valores e números de patrimônio (tombamento); d. Relação de veículos integrantes do Ativo Imobilizado, com descrição. placa/chassis/RENAVAM. Sobre esta solicitação da fiscalização a empresa, que não a atendeu, se pronunciou por escrito solicitando um prazo maior, de trinta dias, para atendimento. A fiscalização optou por não dilatar o prazo inicial de cinco dias úteis concedido à empresa, pois os relatórios solicitados referem se às informações contabilizadas. Diante do exposto no item acima, constatouse que a empresa infringiu o artigo 32, III da Lei 8.212, de 24/07/91, combinado com o artigo 225, III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/99. 3. Nos termos do Relatório Fiscal da Multa de fl. 59, por conta da infração acima descrita, foi aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212, de 1991, combinados com os artigos 283, inciso II, alínea “b”, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O presente relatório informa, ainda, que a autuada incorreu em reincidência genérica (conforme art. 290, inciso V, § único, e art. 292. inciso IV, ambos do Decreto nº 3.048, de 1999), haja vista já ter sido autuada em ação fiscal anterior. Por essa razão, a multa básica de R$ 14.107,77 foi agravada em duas vezes, totalizando R$ 28.215,54. 4. A fundamentação legal da infração está descrita no item DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, assim como a multa aplicada está fundamentada na forma do item DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA e graduada conforme o item DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA, todos da folha de rosto do Auto de Infração, fl. 2. 5. Cientificado do lançamento em 10/03/10, conforme recibo de entrega de arquivos de fls. 64 a 66, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 72 a 81, em 09/04/10, alegando, em síntese, que: a) “a empresa impugnante, como bem esclarece o fisco previdenciário, requereu por escrito um prazo não inferior a 30 (trinta) dias, conforme se verifica com o documento em anexo (doc. 02), para que viesse a atender de maneira correta todas as Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10580.722331/201054 Acórdão n.º 2202004.447 S2C2T2 Fl. 122 4 solicitações feitas pelo fisco, tendo em vista que seria impossível apresentar todos os documentos no prazo de 05 (cinco) dias como requerido pelo fisco”; b) “o fisco previdenciário negou a solicitação do prazo requerido pela impugnante sem qualquer fundamentação plausível, apenas negaram, como aduziram em seu auto de infração – ‘A fiscalização optou por não dilatar o prazo inicial de cinco dias úteis concedido a empresa’ , verificandose uma única situação, qual seja, a pura intenção da agente fiscal em prejudicar a empresa impugnante!”; (grifo no original) c) “verificase que o fisco se equivocou mais uma vez, tendo em vista que é impossível uma instituição de ensino, como a impugnante, que se depara com um grande volume de papéis, documentos, fichas, etc..., apresentar um relatório tão complexo em tão pouco tempo”, o que fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; d) “o valor da multa deveria ser R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos), de acordo com o transcrito no artigo 283, II, "b", da Lei 8.212/91, tendo em vista que a infração se encontra tipificada no mesmo artigo, diferente do que estabelece o próprio artigo citado pela auditora fiscal art. 8o, V, da portaria MPS/MF n°. 350, de 30.12.2009. Desse modo, jamais poderia a Auditora Fiscal ter aplicado a multa atualizada com o referido artigo, uma vez que esta só será aplicada quando, infringido qualquer dispositivo do RPS, não haja penalidade expressamente cominada no art. 283”; (grifo no original e) “não há o que se falar em reincidência, como aduz a Agente Fiscal, vez que a impugnante jamais sofreu qualquer tipo de infração, e, além disto, a auditora deveria ter apresentado documentos que comprovassem a dita reincidência, o que não fez”; f) “se mostra necessário é a realização de perícia para se averiguar, para que se faça a correta verificação dos itens componentes do ativo imobilizado, solicitado pelo fisco”. 6. Diante dessas considerações, requer o Impugnante seja julgado improcedente o presente Auto de Infração, bem como requer a juntada de todas as provas que se fizerem necessárias e a realização de perícia contábil. 7 O presente processo foi juntado, por apensação, ao processo nº 10580.722322/201063. 8. É o Relatório." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 108/112, onde reitera as alegações expostas em impugnação. É o relatório Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10580.722331/201054 Acórdão n.º 2202004.447 S2C2T2 Fl. 123 5 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Pedido de produção de provas, diligências e perícia. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedentes tais pedidos. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pela contribuinte. Mérito. Da infração. Sustenta a contribuinte ter solicitado prorrogação do prazo para apresentar os documentos requeridos pela fiscalização, mas que não foi atendido. Alega, ainda, que a justificativa da não conceder a prorrogação não foi plausível, e que, em seu entendimento, demonstraria intenção da agente fiscal de prejudicar a empresa. Por fim, alega que a complexidade das informações solicitadas exigiriam prazo maior e que a não concessão desse prazo teria acarretado violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Pois bem, vejamos, primeiramente, quais são as informações solicitadas pela fiscalização, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 5, fl. 54: a. Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado, com respectivos valores, e cópia das escrituras; b. Relação de Máquinas e Equipamentos integrantes do Ativo Imobilizado com respectivos valores e números de patrimônio (tombamento); c. Relação de Móveis e Utensílios integrantes do Ativo Imobilizado com respectivos valores e números de patrimônio (tombamento); d. Relação de veículos integrantes do Ativo Imobilizado, com descrição placa/chassis/RENAVAM. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10580.722331/201054 Acórdão n.º 2202004.447 S2C2T2 Fl. 124 6 Conforme se observa acima, as informações solicitadas pela fiscalização seriam facilmente extraídas do Balanço Patrimonial da empresa e que o prazo concedido de 5 (cinco) dias foi mais que suficiente, inclusive para apresentação de cópia de escrituras e descrição de bens. Ao indeferir o pedido de prorrogação do prazo a fiscalização alegou que os “relatórios solicitados referemse às informações contabilizadas”. Não verificase irregularidade no indeferimento do pedido de prorrogação do prazo e nem qualquer ofensa aos citados princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Além do mais, passados tantos anos ainda não foi apresentado aos autos. Ainda, cumpre esclarecer que a responsabilidade pelo descumprimento de obrigação tributária, nos termos do art. 136 do CTN, é objetiva, ou seja, independe dos motivos que levaram ao descumprimento da obrigação, bastando que ocorra o inadimplemento para que a multa seja aplicada. Cumpre ressaltar, outrossim, que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cabe à contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção, o que não ocorreu no caso presente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Portanto, carece de razão à recorrente, devendo ser mantido o lançamento. Da multa aplicada. Alega a contribuinte que a multa foi aplicada com base em dispositivo legal incorreto e que, se mantida, deverá ser retificada, uma vez que o cálculo matemático está incorreto, pois o valor correto, nos termos do artigo 283, II, "b", da Lei 8.212/91, é R$ 6.361,73 e não o valor aplicado, e que “não há que se falar em reincidência”, pois “jamais sofreu qualquer tipo e infração”. Aqui, mais uma vez, improcedem os argumentos da defesa. Vejamos o teor do art. 8º da Portaria MPS/MF nº 350, de 2009: Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2010: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) a R$ 141.077,93 (cento e quarenta e um mil setenta e sete reais e noventa e três centavos); Conforme se observa nos dispositivos colacionados acima e vigentes ao tempo dos fatos ora sob análise, constitui infração à legislação deixar a empresa de preparar Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10580.722331/201054 Acórdão n.º 2202004.447 S2C2T2 Fl. 125 7 folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, o que inclui, obviamente, os contribuintes individuais, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa de R$ 1.410,79, em seu valor mínimo, ou agravada em três vezes em caso de reincidência específica ou em duas vezes em caso de reincidência genérica. Portanto, correta a fundamentação da infração e da multa aplicada pela fiscalização, ao que concluímos pela improcedência dos argumentos da defesa. Quanto à alegação da contribuinte de que jamais teria cometido qualquer tipo de infração e que, por tal razão, não haveria que se falar em reincidência, esclareceu a DRJ de origem que em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SISCOL e PLENUS/SICOB), constatamos que a empresa foi sim autuada em 17/08/05 (data da ciência do Auto e Infração), segundo DEBCAD nº 35.556.2197, no montante de R$ 11.017,50, tendo sido tal débito baixado por liquidação (pagamento) em 07/02/07. Na ocasião a empresa foi autuada por deixar de apresentar à fiscalização os Livros Diário relativos aos exercícios de 1996 e 1997, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD emitido em 04/02/05, infringindo, dessa forma, o disposto no art. 33, § 2º, da Lei nº 8.212, de 1991. Por conta dessa infração foi aplicada a multa prevista no art. 283, inciso II, alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Portanto, temse por afastada a alegação da contribuinte de que a empresa não teria sido autuada em ação fiscal anterior, restando, pois, correto o agravamento da multa e a sua aplicação duas vezes o valor base por reincidência genérica. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.723908/2010-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 39 08 /2 01 0- 49 Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11080.723908/201049 Acórdão n.º 9202006.762 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 485DF CARF MF Processo nº 11080.723908/201049 Acórdão n.º 9202006.762 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 486DF CARF MF Processo nº 11080.723908/201049 Acórdão n.º 9202006.762 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 487DF CARF MF Processo nº 11080.723908/201049 Acórdão n.º 9202006.762 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11080.723908/201049 Acórdão n.º 9202006.762 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11080.723908/201049 Acórdão n.º 9202006.762 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 490DF CARF MF Processo nº 11080.723908/201049 Acórdão n.º 9202006.762 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 491DF CARF MF Processo nº 11080.723908/201049 Acórdão n.º 9202006.762 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 492DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900658/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 58 /2 00 9- 57 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.900658/200957 Acórdão n.º 1401002.537 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0121.938 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de CSLL não reconhecido. A Recorrente transmitiu declaração de compensação em 06/04/2006, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 06/2005. A unidade de origem, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que após analisadas as informações prestadas pela Recorrente foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) A empresa efetuou pagamento de CSLL Código de Receita: 2484, relativo ao período de apuração de 06/2005; b) Por ocasião do levantamento do balancete de suspensão e/ou redução nesse mês, após os ajustes verificou que recolheu valor superior ao efetivamente devido.; c) Oportunamente, aproveitou o crédito do pagamento indevido para compensar, via PER/DCOMP e de forma legal, débitos próprios. Diante dos fatos apresentados, requereu a anulação do Despacho Decisório, por questão de justiça e direito. Apreciados tais argumentos, o despacho decisório restou mantido, sob o entendimento de que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado defendendo estar suficiente comprovado seu direito creditório. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13227.900658/200957 Acórdão n.º 1401002.537 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.523, de 17/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, referente ao período de apuração de fevereiro/2006, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de 06/2005, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.523): O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente em sede de voluntário, embora a compensação tenha se dado de forma equivocada, uma vez que ao entregar a DCTF, a recorrente ao invés de simplesmente comparar o valor devido com o valor recolhido a título de estimativa e assim declarar somente o valor Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13227.900658/200957 Acórdão n.º 1401002.537 S1C4T1 Fl. 5 4 devido, caso apurasse valor a maior do que o recolhido por estimativa, declarou o valor apurado como devido e apresentou PERD/DCOMP para compensálo. Considerando que as informações acima transcritas restam localizadas na DIPJ e LALUR, que apontam a base de cálculo da contribuição e os DARFs (fls.) devidamente pagos que originaram o crédito em discussão. Tratase, portanto, de erro de fato no preenchimento do PER aqui analisado, que não pode, sob hipótese alguma, refletir na glosa de estimativas já liquidadas, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ do período. Desta forma, tendo a Recorrente comprovado de maneira incontroversa que as estimativas mensais de outubro de 2006 foram liquidadas através da quitação antecipada autorizada pela Lei nº 13.043/2014 (Doc. 7 do RV), não pode ser mantida a redução do saldo negativo de 2004. Ademais, consolidando este entendimento, temos: SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das estimativas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.737954/2011-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 79 54 /2 01 1- 62 Fl. 61DF CARF MF 2 Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 1.993,89, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$548,32 acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificada da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não comprovam o pagamento de despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte todos os demais documentos necessários para comprovar sua despesa. Vale salientar que a despesa glosada no que se refere à Caixa Econômica Federal não é mais objeto de discussão em sede de Recurso Voluntário, haja vista que foi dado provimento a esta despesa e a contribuinte não mais abordou o tema. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 12448.737954/201162 Acórdão n.º 2001000.526 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ela relativos a plano de saúde . Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. O endereço deve ser aposto no recibo para que a Receita Federal, caso considere oportuno, possa intimar o profissional de saúde para prestar esclarecimentos. Destaquese que o domicílio fiscal da pessoa física pode diferir de seu endereço profissional. A contribuinte se insurge contra a totalidade da glosa das despesas médicas conforme documentação apresentada. Foram juntados aos autos recibos emitidos por Henry Grund (fl. 03). Fl. 63DF CARF MF 4 Não há nos recibos trazidos informação acerca do registro profissional, informação obrigatória, pois somente podem ser deduzidas despesas realizadas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito. Fazse necessária a informação do beneficiário, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes e houve para este anocalendário despesas com não dependentes glosadas. Portanto, não tendo sido sanados os motivos da glosa (ausência de registro profissional e identificação do paciente), mantémse a glosa da despesa com Henry Grund. A segunda despesa a ser analisada referese ao plano de saúde da Caixa Econômica Federal. Em consulta aos sistemas internos da RFB, constatase que a contribuinte não informou dependentes em sua Declaração de Ajuste Anual e que informou R$ 3.205,87 a título de plano de saúde (fl. 32). O valor pago sob a rubrica mensalidade não poderá ser aceito, pois não estão discriminados os valores pagos por beneficiário, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal (fls. 26/27), com ciência em 31/08/2011 (fl. 28). Portanto, a contribuinte faz jus ao valor de R$ 1.853,58 (R$ 1.791,98 + R$ 61,60), porém o valor de R$ 1.791,98 já foi considerado pela Autoridade Fiscal. Assim, restabelecese o valor de R$ 61,60. Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 61,60, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 531,38, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros Fl. 64DF CARF MF Processo nº 12448.737954/201162 Acórdão n.º 2001000.526 S2C0T1 Fl. 4 5 procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental e fática trazida pelo contribuinte para evidenciar a existência das despesas médicas, entendo que deve ser dado provimento ao pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e dar provimento ao Recurso para dedução da despesa com o Henry Grund, no valor declarado de R$ 580,00. CONCLUSÃO: Fl. 65DF CARF MF 6 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas acima mencionadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.907224/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/01/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
I - A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II - A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limita-se ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III - Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 2401-005.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 20/01/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. I - A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II - A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limita-se ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III - Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. I A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 72 24 /2 00 9- 43 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13603.907224/200943 Acórdão n.º 2401005.628 S2C4T1 Fl. 108 2 Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação utilizando pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 30.842,02 (cód 0561, PA 31/12/2008), veiculado na PER/DCOMP 19542.12913.060309.1.3.042006, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 20/10/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/11/2009 alegando, em síntese: a) Ao processar eletronicamente a declaração, sem qualquer diligência fiscal, intimação ou pedido de esclarecimentos, considerouse que o crédito não estaria disponível por ter sido utilizado integralmente na liquidação de débito de IRRF, a inviabilizar a presente compensação. Ocorre que, em 24/10/2009, a Requerente apresentou DCTF retificadora indicando que o débito de IRRF apurado seria de R$ 2.318.879,96 e não o valor de R$ 2.905.103,18 inicialmente declarado e considerado no Despacho Decisório. Para liquidar o débito de R$ 2.318.879,96, utilizouse compensação no valor total de R$ 927.319,52 e pagamentos no valor total R$ 1.391.560,44 (DARFs: R$ 117.212,89, R$ 156.110,01, R$ 270.165,19, R$ 420.344,41 e R$ 427.727,94). Logo, o DARF de R$ 30.842,02 deixou de estar vinculado ao débito de IRRF apurado na DCTF original, a restar comprovada a necessidade de reformulação do Despacho Decisório. b) A DCTF retificadora tem a mesma natureza da original e a substitui integralmente, não estando preenchido o suporte fático do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 903, de 2008. Na DCTF referente a fevereiro de 2009, foi apontada a compensação declarada no PER/DCOMP, antes da emissão do Despacho Decisório. De todo modo, o princípio da verdade material exige a consideração da retificação e existência do crédito pleiteado, conforme ensinamentos doutrinários e jurisprudência administrativa. Assim, comprovada a existência do crédito, não há como se negar a homologação da compensação, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. c) Pede o conhecimento e provimento da manifestação de inconformidade para se reformar o Despacho Decisório, sendo reconhecido o crédito de R$ 30.842,02 e homologada de forma integral a compensação do PER/DCOMP 19542.12913.060309.1.3.042006 . Subsidiariamente, requer diligência para obtenção de maiores esclarecimentos ou documentos. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13603.907224/200943 Acórdão n.º 2401005.628 S2C4T1 Fl. 109 3 Em 21/07/2010, foi prolatado Acórdão de primeira instância do qual, em síntese, se extrai: a) O crédito utilizado na DCOMP não foi reconhecido pela DRF em função das informações prestadas na DCTF original. Diferente da alegação apresentada pelo impugnante, a retificação da DCTF ocorreu após a ciência do Despacho Decisório. b) Em face do disposto nos arts. 10 e 11 da IN RFB n° 903, de 2008, a declaração retificadora substitui integralmente a original, contudo os valores informados estão sujeitos à verificação do fisco, especialmente quando os valores alterados dão origem a possíveis créditos utilizados em DCOMP. A manifestação de inconformidade não apresentou qualquer comprovação da alteração efetuada. As DIRF's corroboram o valor do IRRF05561 informado na DCTF original. Além disso, tanto no período anterior novembro/2008, quanto no período posterior janeiro/2009, o valor do IRRF0561 informado pelo contribuinte na DCTF é inferior à soma dos valores retidos informados pelo contribuinte na DIRF correspondente. Concluise pela inexistência de pagamento indevido. c) Indeferese protesto genérico para produção de provas em razão da preclusão e o pedido de diligência por ser tal providência desnecessária diante dos elementos constantes dos autos. Cientificado em 10/09/2010, o contribuinte interpôs em 11/10/2010 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) O Acórdão recorrido não reconheceu o direito à repetição do indébito em razão de a retificação da DCTF ter se dado após o procedimento fiscal. Esse entendimento se baseia em interpretação equivocada da sistemática da DCTF retificadora. b) Na DCTF original, apontouse o IRRF de R$ 2.905.103,18 liquidado por compensações no valor de R$ 927.319,52 e recolhimentos de R$ 1.977.783,66, a incluir o DARF de R$ 30.842,02. Na impugnação, demonstrouse o equívoco da inclusão desse DARF e já se indicou que a DCTF havia sido retificada para se liberar tal DARF. b1) Posteriormente, contudo, a recorrente verificou que havia desconsiderado em sua retificação outra compensação efetuada em 13/01/2009 e no valor de R$ 1.434.295,57 e processada por meio da PER/DCOMP 01609.50585.130109.1.3.015239. Assim, da nova DCTF retificadora passou a constar como devido a título de IRRF R$ 2.905.103,18 liquidado por duas compensações nos valores de R$ 927.319,52 e R$ 1.434.295,57 e pagamentos no valor total de R$ 543.488,09. b2) Não obstante essa nova retificação, inegável que o pagamento do DARF de R$ 30.842,02 efetivamente apresentase como indevido. Essa situação já se verificava em janeiro de 2009, mas somente agora restou devidamente indicada em DCTF e por isso o apontou na PER/DCOMP 19542.12913.060309.1.3.042006. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13603.907224/200943 Acórdão n.º 2401005.628 S2C4T1 Fl. 110 4 c) A DCTF retificadora tem a mesma natureza da original e a substitui integralmente. O princípio da verdade material exige a consideração da retificação e existência do crédito pleiteado, conforme ensinamentos doutrinários e jurisprudência administrativa. d) Pede a reforma da decisão recorrida para que seja reconhecido o direito à restituição de R$ 30.842,02 e homologada de forma integral a compensação indicada no PER/DCOMP. Requer ainda a apreciação conjunta dos PTA . É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro A confrontação entre a manifestação de inconformidade e as razões do recurso voluntário revela inovação dos motivos de fato e de direito e abandono dos pontos de discordância veiculados na manifestação de inconformidade. Segundo a manifestação de inconformidade, haveria recolhimento a maior em razão de o monante devido de IRRF0561PA31/12/2008 não ser de R$ 2.905.103,18, como constara da DCTF original, mas de R$ 2.318.879,96 conforme DCTF retificadora. O Acórdão da DRJ considerou que não foi apresentada prova alicerçando a retificação e que a DIRF corrobora o valor de R$ 2.905.103,18. Assim, sendo devido o valor de R$ 2.905.103,18, as razões apresentadas na manifestação de inconformidade para a configuração do recolhimento indevido não se sustentariam. No recurso, o contribuinte abandona o ponto de discordância de o valor devido de IRRF0561PA31/12/2008 não ser de R$ 2.905.103,18 e inova os motivos de fato e de direito presentes na manifestação de inconformidade ao sustentar que o recolhimento indevido decorre do fato de ter quitado parte substancial do débito de IRRF0561 PA31/12/2008 mediante compensação e que teria reconhecido tal situação fática em nova DCTF retificadora. Assim, substituiuse integralmente a causa de pedir ao se alegar que o indébito decorre da quitação por compensação não considerada e não em razão de o montante devido de IRRF0561PA31/12/2008 ser de R$ 2.318.879,96, ganhando relevo questões probatórias até então não cogitadas nos autos. Por exemplo, se houve ou não homologação da compensação em tela e cuja alegação e início de prova foram trazidos aos autos tão somente com as razões de recurso. Notese ainda que, em relação a causa de pedir original, não foi apresentado qualquer inconformismo acerca da apreciação empreendida pelo Acórdão de piso. O contribuinte acabou por reconhecer o cabimento da rejeição integral da causa de pedir veiculada na inicial ao apresentar nas razões de recurso nova causa de pedir. Destaquese que o argumento de a DCTF retificadora ser dotada da mesma eficácia da original em razão de o princípio da verdade material determinar a prevalência dos Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13603.907224/200943 Acórdão n.º 2401005.628 S2C4T1 Fl. 111 5 fatos alegados e provados diante do conjunto probatório produzido no processo administrativo não autoriza a substituição em sede de recurso voluntário da causa de pedir veiculada na manifestação de inconformidade. A manifestação de inconformidade instaura (Lei n° 9.430, art. 74, §11; e Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa e a competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II), logo não há como se conhecer de recurso que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e não submetidos à primeira instância administrativa. Assim, operouse a preclusão consumativa e a apreciação por esse Conselho da matéria não deliberada pela DRJ ensejaria ofensa aos dispositivos legais citados em evidente supressão de instância1 e violação do princípio da congruência2. O entendimento aqui esposado alinhase à iterativa, notória e atual jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada. (Processo n° 13942.720005/201478, Acórdão nº 1002000.193 – Turma Extraordinária / 2ª Turma / 1ª Seção de Julgamento, Sessão de 10 de maio de 2018) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. (Processo n° 10410.721335/201239, Acórdão nº 2301005.165 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/ 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 4 de outubro de 2017) 1 Lei n° 5.869, de 1973, art. 515; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013. 2 Lei n° 5.869, de 1973, arts. 128, 183, 294 e 460; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15, 141, 223, 329 e 492. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13603.907224/200943 Acórdão n.º 2401005.628 S2C4T1 Fl. 112 6 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e nem daquelas que, mesmo relacionadas à lide tributária, não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. (Processo n° 14485.000203/200871, Acórdão nº 2402006.121 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 4 de abril de 2018) Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.002257/2009-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dá-se no caso de oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como se houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária.
EFEITOS DA EXCLUSÃO.
A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
A exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as circunstâncias legai, caso em que a pessoa jurídica fica sujeita a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dáse no caso de oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como se houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. A exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as circunstâncias legai, caso em que a pessoa jurídica fica sujeita a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 22 57 /2 00 9- 81 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 149 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo ADE DRF/POA/RS nº 33, de 08.06.2009, fl. 91, com efeitos a partir de 01.01.2007, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de ter oferecido embaraço a fiscalização e por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, conforme disposto nos incisos II e VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e nos incisos II e VIII do art. 5° da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: Nome Empresarial: TURBO CENTER PORTO ALEGRE COMERCIO E MANUTENÇÃO DE TURBOS LTDA CNPJ: 04.838.870/000195 Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 01072007, conforme disposto no parágrafo 1° do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 3º A pessoa jurídica poderá apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste ADE, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua Jurisdição, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF). Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1030.612, de 30.03.2011, fls. 114126: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 150 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerarse não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do an. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993. PROVAS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo O direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade e ilegalidade de leis ou atos, bem como de afronta a princípios constitucionais. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO. FALTA DA ESCRITURAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCARIA. Escriturar O livro caixa, ou O livro diário se esta for a opção da contribuinte, de forma a não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária, e Oferecer embaraço à fiscalização, dá ensejo a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional nos termos dos incisos II e VIII do artigo 29 da Lei Complementar n° 123/2006, cujos efeitos, no presente caso, devem surgir a partir de 01/07/2007. Ficando a partir dessa data, sujeita as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 17.05.2011, fl. 128, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.06.2011, fls. 130138, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que se refere a apresentação de documentos defende que: Ao ser submetida a fiscalização acima referida, lhe foi solicitado uma série de documentos, sendo que todos foram apresentados, entretanto, verificouse que por erro não foi lançado no livro diário as movimentações bancárias. Ocorre que o ato não ocorreu por dolo ou máfé, e sim por erro. Não houve a intenção de omitir informação verdadeira, e muito menos intenção de causar embaraço a fiscalização . Foram apresentados todos outros documentos solicitados que demonstravam sua situação contábil de forma clara, precisa e sem máscaras. Foram apresentados livros fiscais do ICMS, notas fiscais, recibos de salários, rescisão férias, livros do ISSQN, foram entregues ainda, guias do› recolhimento do Simples, DARFSimples e do Simples Nacional DAS. Assim, o fato da recorrente não ter apresentado a movimentação bancária, que não se trata de documento de obrigação principal para fiscalização, mas sim Fl. 150DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 151 4 acessória, mas tendo apresentado todos os demais documentos obrigatórios, não se pode concluir que houve a intenção de causar embaraço a fiscalização. A empresa esta dentro do enquadramento legal que a permite participar do SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. O critério utilizado pela fiscalização para excluíla dos dois programas, com base nos artigos supra referidos foi exclusivamente subjetivo e desproporcional. Atinente à aplicação do princípio da proporcionalidade menciona que: O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, ou ainda, Princípio da Proibição de excesso que, conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal, tem sua sede material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal substantivo, surgiu com a finalidade de impedir restrições desproporcionais aos direitos fundamentais, seja por atos administrativos, seja por atos legislativos. Ou seja, não basta que a lei tenha sido feita conforme os procedimentos previstos, a lei, além de seu conteúdo formal deverá ser também proporcional, adequada, ou seja, a restrição aos direitos fundamentais deve ser adequada ao padrão de justiça social. Vale ressaltar que a ofensa a este princípio acarreta, também, ofensa a outros dois princípios previstos na Constituição Federal em seus artigos 5°, inciso II, 37 e 84, bem como os mesmos anteriores e mais o art. 5° LXIX, quais sejam, o da legalidade e o da finalidade. [...] A sua exclusão provocará a quebra da mesma, e conseqüentemente a demissão de vários funcionários, além, por Óbvio de cessar a sua atividade com recolhimentos de impostos para o fisco. Cumpre ressaltar que em momento algum foi detectado pela documentação apresentada a falta de regularidade de suas declarações enquanto empresa integrante do Simples e Simples Nacional. Não restou demonstrado pela autoridade fiscalizadora que a mesma não possui as condições necessárias para permanecer no Simples e Simples Nacional. [...] A abstrata previsão legal de uma multa pecuniária pode observar o princípio da proporcionalidade quando existe razoável contabilidade entre o que se busca com a regra tributária que tenha sido inobservada e a sanção prevista como conseqüência para essa violação. Contudo, a aplicação desta sanção pode afigurarse inválida, por ofensa ao principio da proporcionalidade, se, considerando as características peculiares do individuo infrator, a efetiva imposição daquela sanção acaba resultando, por exemplo, no completo aniquilamento da atividade econômica. [...] E o que se apresenta no presente caso. Deve ser afastada a penalidade imposta a impugnante, devendo ser mantida no SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. No que diz respeito à ilegalidade da retroatividade dos efeitos da exclusão argui que: Quanto aos efeitos da exclusão, no caso em tela, não é possível aplicar a norma que dá efeitos retroativos ã exclusão do regime. Da análise sistemática do art. 15 da Lei n° 9.317/96, verificase que o dispositivo se refere a fatos impeditivos Fl. 151DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 152 5 supervenientes ao ingresso do contribuinte no SIMPLES. A lógica do sistema é que a exclusão ocorrerá a partir da ocorrência do fato novo, ou dentro de um prazo que tem esse fato novo como referência. [...] Assim, há apenas uma hipótese em que a exclusão retroage a data do início das atividades do contribuinte: quando "ultrapassado, no anocalendário de inicio de atividades, o limite de receita bruta multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período (art. 15, III, c/c 13, II, "b"). Isso ocorre porque a inscrição do contribuinte no SIMPLES terá ocorrido antes de completado o primeiro ano de seu funcionamento, sob o pressuposto de que sua receita bruta não ultrapassaria os limites legais. As demais hipóteses correspondem, obviamente, a fatos posteriores. Assim, se uma empresa, já optante pelo SIMPLES, passar a desenvolver atividade com ele incompatível, ficará excluída desde o momento em que ocorrer esse fato. Mas, se a empresa já exercia atividade que a impedisse de optar pelo SIMPLES, a hipótese não seria de exclusão e sim de indeferimento da opção. Se a opção foi admitida, temse ato administrativo revestido da presunção de legitimidade, que só pelos meios próprios poderá ser desconstituída. A exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, SIMPLES (Lei n.° 9.317/96), gera efeitos no mês subseqüente à ocorrência da situação excludente, nas hipóteses dos incisos III a XIX do art. 9.° (art. 15, II). Da análise sistemática do art. 15 da Lei n.° 9.317/96, verificase que o dispositivo se refere a fatos impeditivos supervenientes ao ingresso do contribuinte no SIMPLES. A lógica do sistema ê que a exclusão ocorrerá a partir da ocorrência do fato novo, ou dentro de um prazo que tem esse fato novo como referência. [...] A respeito da prescrição esclarece que: E, ainda, seguindo o entendimento, que somente se admite para argumentar que os créditos tributários lançados no presente auto de infração fossem lícitos, há de ser declarada a prescrição dos créditos relativos as competências anteriores a 03/06/2005, eis que configurada está a prescrição do direito de cobrar do fisco, uma vez que ultrapassados cinco anos da data do fato gerador A questão acerca do prazo decadencial qüinqüenal para constituição do crédito tributário quanto às contribuições para a seguridade social está pacificada com a edição da Súmula Vinculante número 8 do c.STF: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do decretolei n.° 1.569/1977 c os artigos 45 e 46 da lei n.° 8.212/ 1991, que tratam de prescrição c decadência de crédito tributário. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: DIANTE DO ACIMA EXPOSTO, a recorrente requer seja dado provimento ao recurso interposto para julgar procedente a impugnação apresentada, declarando a nulidade do ato declaratório de exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Simples Nacional, declarando o reenquadramento e inclusão da mesma no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Simples Nacional Fl. 152DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 153 6 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os ato administrativo é nulo. O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 154 7 Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais3. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007,e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 155 8 hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; [...] VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 03 05, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: A documentação solicitada abrangeu o período de 01/2004 a 12/2007. A empresa apresentou os Livros Diários do período de 01/2004 a 12/2007. O último Diário Registrado foi o de n° 4, do período de 01/2007 a 12/2007, sendo autenticado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul, em 04/02/2009. No exame da contabilidade foi constatado de que: 4.1 Não havia lançamentos da movimentação bancária da empresa. A empresa intimada a prestar esclarecimentos e apresentar a referida movimentação bancária, conforme TIF 003, justificouse da seguinte maneira: "Ausência de contas bancárias nos diário 2004 a 2007. Os lançamentos contábeis foram registrados, considerando todas as comprovações das despesas da empresa e posteriormente devolvidas controle e responsabilidade pelo arquivamento, entretanto a movimentação bancária não foi registrada no diário. Fato que foi detectado somente por essa fiscalização. " . A empresa não forneceu informações sobre a sua movimentação bancária e nem tão pouco solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação. Em anexo cópia de Guia da Previdência Social GPS paga que comprova a existência de conta bancária em 2007. A empresa intimada apresentar os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis das contas acima relacionadas, conforme TIF 003, lavrado em 22/04/2009 justificouse da seguinte maneira: "Documentos que deram origem aos lançamentos das despesas, conforme planilha 0JTIF003. Os documentos 4 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 156 9 exigidos não foram localizados até o momento". Tal justificativa foi emitida em 30/04/2009 e recebida por essa auditoria em 20/05/2009. Os documentos solicitados se referem à competência de 12/2007. Além desses documentos foram solicitados outros descritos no item 2 do TIF 003 (Considerando que existem descontos nas folhas de pagamentos de vale refeição, assistência médica e vale transporte, apresentar os comprovantes dos valores dispendidos pela empresa com essas rubricas, por competência. Com relação aos vales transportes a empresa deverá apresentar os comprovantes de entrega dos mesmos, aos segurados empregados.). Os documentos solicitados se referem ao período de 07 2007 a 12 2007. Sobre esse item a empresa não se manifestou. Essa documentação já tinha sido solicitada no TIF002 de 04/03/2009. [...] A empresa conforme demonstrado anteriormente praticou atos que caracterizam embaraço a fiscalização e não conhecimento da sua movimentação bancária. Tal fato acarreta a exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL conforme artigo 29, inciso II e VIII da Lei Complementar n°123/2006: [...] O momento da exclusão do SIMPLES NACIONAL será 07/2007 e é definido no § 1º do art. 29 da mesma Lei: [...] A empresa não apresentou documentos contábeis e informações da sua movimentação bancária, do período de 07/2007 a 12/2007, conforme relatado anteriormente e, não permitiu a identificação dessa movimentação, uma vez que ficou comprovada a sua não contabilização no Livro Diário de 2007. Portanto a exclusão se dará a partir, inclusive, do mês de ocorrência dos fatos mencionados no art. 29 inciso II e VIII , ou seja, a partir de julho/2007, conforme § 1º do art. 29. Restou comprovado que a Recorrente ofereceu embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como houve falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 33, de 08.06.2009, fl. 91, com efeitos a partir de 01.01.2007. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. A Recorrente discorda dos efeitos retroativos da exclusão do Simples Nacional ao argumento de que foi alcançado pela prescrição. Sobre a matéria está expressamente previsto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando:[...] § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 157 10 período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A norma trata o ato da exclusão do Simples Nacional como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. No presente caso a Recorrente incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a proceder à exclusão mediante comunicação à RFB. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício mediante Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 33, de 08.06.2009, fl. 91, com efeitos a partir de 01.01.2007. Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Logo, não há que se falar em prescrição e os efeitos do ato de exclusão devem prevalecer, porque decorrem da legislação tributária de regência. No que se refere aos argumentos referentes ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples previsto na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, temse que não se aplicam ao objeto do presente processo que trata especificamente do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional previsto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Pertinente a alegação de boafé cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada na peça recursal, destarte, não é cabível. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 158 11 Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720855/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
FRAUDE. CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO SUFICIENTE
Em se tratando de fraude, todo o conjunto fático probatório acostado aos autos é suficiente para o livre convencimento do julgador. Não demonstrado pela contribuinte qualquer prova em contrário, deve ser mantida a autuação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Tendo restado demonstrada a fraude praticada pelo contribuinte, correta a aplicação da multa agravada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE.
Devidamente caracterizada a fraude, cumpre a quem as praticou a responsabilidade pela infração, nos exatos termo do art. 135 do CTN.
Numero da decisão: 1401-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, tanto da contribuinte quanto do apontado como responsável solidário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 FRAUDE. CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO SUFICIENTE Em se tratando de fraude, todo o conjunto fático probatório acostado aos autos é suficiente para o livre convencimento do julgador. Não demonstrado pela contribuinte qualquer prova em contrário, deve ser mantida a autuação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010 PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Tendo restado demonstrada a fraude praticada pelo contribuinte, correta a aplicação da multa agravada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE. Devidamente caracterizada a fraude, cumpre a quem as praticou a responsabilidade pela infração, nos exatos termo do art. 135 do CTN.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 763 1 762 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720855/201406 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.507 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA FRAUDE Recorrente NEWRED DISTRIBUIDORA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 FRAUDE. CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO SUFICIENTE Em se tratando de fraude, todo o conjunto fático probatório acostado aos autos é suficiente para o livre convencimento do julgador. Não demonstrado pela contribuinte qualquer prova em contrário, deve ser mantida a autuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Tendo restado demonstrada a fraude praticada pelo contribuinte, correta a aplicação da multa agravada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE. Devidamente caracterizada a fraude, cumpre a quem as praticou a responsabilidade pela infração, nos exatos termo do art. 135 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 08 55 /2 01 4- 06 Fl. 763DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, tanto da contribuinte quanto do apontado como responsável solidário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão da Delegacia: RELATÓRIO Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, apurados pelo Lucro Real, de PIS e COFINS, apurados pelo regime nãocumulativo, relativo ao ano calendário de 2010 e IRRF referente a janeiro de 2010 a fevereiro de 2011, no qual se verificou o seguinte: Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 764 3 O Relatório Fiscal de Verificação de Infração (fls 061 a 079) e outros documentos constantes dos autos nos dão conta de que, no decorrer do procedimento fiscal, foram constatados omissão de receitas da atividade, utilização inidônea de custo de bens vendidos e pagamentos sem causa ou efetuados a beneficiário não identificado. Em decorrência de procedimento fiscal instaurado contra a pessoa jurídica Vermont Indústria e Comércio Ltda, foi efetuada diligência junto à contribuinte, por meio de intimação, em 01/08/2014, na qual a mesma foi instada “... a apresentar comprovação do pagamento das notas fiscais de venda de mercadorias que foram emitidas pela VERMONT. Em Fl. 765DF CARF MF 4 resposta de 15/08/2014 (doc.04), a NEWRED apresentou documentação comprobatória dos respectivos pagamentos e a confirmação de que realizou compras junto à VERMONT”. Na seqüência, também por meio de diligências, os sócios da fiscalizada, Srs Ricardo Lúcio Corteletti e Sandra da Penha Corteletti, foram instados a prestar esclarecimentos sobre as operações efetuadas pela contribuinte com as empresas Vermont Indústria e Comércio Ltda e Mega Prime Indústria e Comércio Ltda, principalmente em razão de operações de triangulação efetuadas por essas empresas. Como resposta, o Sr. Ricardo afirmou que o “... propósito das operações da Newred, da forma como apontada por V.Sa, na verdade teve como objetivo de melhorar o faturamento no mercado nacional, tentando se destacar no ES, para que assim fossem atraídos novos fornecedores. Ainda alegou que toda a compra e venda de produtos foi (sic) devidamente registrada e recolhidos os tributos incidentes”. Juntamente com as diligências, a Fiscalização também efetuou a análise de “... todas as notas fiscais de vendas de mercadoria emitidas pela VERMONT e seus fornecedores (DIAGONAL COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, FÊNIX COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e MEGA PLUS COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA) e NEWRED DISTRIBUIDORA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e verificados elementos fáticos que constituem infração à legislação tributária”. A ação fiscal propriamente dita iniciouse em 11/11/2014 por meio da ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal juntado às folhas 318 a 320. Por meio do referido termo, a fiscalização intimou a empresa a apresentar o LALUR, uma relação de imóveis e uma relação de veículos integrantes do ativo imobilizado. Tal intimação foi atendida pela empresa em 14/11/2014. Foram também lavrados outros termos de intimação, os quais serão oportunamente relatados. Das Operações de Compra/Venda Além dos documentos apresentados pela empresa, a Autoridade Fiscal examinou as notas fiscais eletrônicas “... emitidas pela VERMONT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, FENIX COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, MEGA PLUS COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e NEWRED obtidas no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED)...” e constatou a ocorrência de vendas com características inverossímeis, como o exemplo a seguir: Conforme quadro acima, observase que a NEWRED, empresa situada na cidade Vila VelhaES, efetuou a venda de determinado produto (Conhaque Dreher), de acordo com a NFe nº 82712, em 29/12/2010, para a empresa MEGA PLUS, cujo endereço cadastral é de São PauloSP. No mesmo dia (29/12/2010), esta última (MEGA PLUS) realiza, de acordo com a NFe nº 47, a venda do mesmo produto, na mesma quantidade, pelo mesmo preço para a VERMONT, empresa situada em CariacicaES. Na seqüência, a VERMONT, conforme NFe nº 464, vende para a NEWRED o mesmo produto, na mesma quantidade, todavia com preço majorado em 3% (três por cento). Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 765 5 Segundo a Autoridade Fiscal, “... Não é razoável admitir a viabilidade que, no mesmo dia, a logística de venda de todos os partícipes, tenha sido de fato realizada. Vibrando no mesmo diapasão, é desprovido de propósito comercial a NEWRED efetuar a venda de produtos e, no mesmo dia, efetuar a compra dos mesmos produtos, nas mesmas quantidades e por valor mais alto. A situação esdrúxula apresentada no exemplo ocorre de maneira sistemática, algumas com intervalo de apenas 1 (um) dia, em várias compras e vendas efetuadas pelo sujeito passivo e encontramse todas demonstradas no ANEXO I – Vendas e Recompras por Interpostas Empresas...”. A fim de esclarecer o assunto, o sócioadministrador da autuada, Sr. Ricardo Corteletti, foi inquirido sobre o propósito negocial de tais operações, mas não apresentou argumento plausível capaz de elucidar os fatos apresentados. Ressalta a Fiscalização que em algumas das operações sequer o aumento no preço, quando da venda à NEWRED, foi observado (vide quadro à folha 065) e, mesmo “... que afastado o aspecto de improvável exequibilidade logística, carecem de qualquer propósito comercial operações desta natureza”. Assim, entendeu o Auditor Fiscal “... que de fato ocorreu a utilização de interpostas empresas de fachada, para a emissão de notas fiscais com o intuito de simular a venda com vistas a sonegação tributária”, mais precisamente, em relação “... ao acréscimo artificial do custo da mercadoria vendida (CMV) e sua repercussão na apuração do lucro real, bem como na destinação dos valores a título de pagamento das faturas refentes (sic) as compras, inexistentes de fato, junto à VERMONT”. Das compras realizadas por interpostas empresas com preço majorado A Fiscalização também verificou as NFe emitidas pela VERMONT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e FÊNIX COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e constatou que a NEWRED contabiliza compras com características claras de inocorrência no mundo fático, por exemplo: Vejase que a empresa FENIX, situada no estado do Rio de Janeiro, emitiu a NFe de nº 47 no dia 20/09/2010 para a VERMONT, localizada em CariacicaES. No mesmo dia (20/09/2010), a empresa VERMONT, na NFe nº 185, vende para a NEWRED o mesmo produto, na mesma quantidade, todavia com preço majorado em três por cento. O exemplo dado não é um caso isolado, conforme demonstra o item 4.2 do Relatório Fiscal (fls 066 a 067). Segundo a Fiscalização, “... não é razoável admitir a viabilidade que, no mesmo dia ou mesmo no dia seguinte, a logística de venda de todos os partícipes, tenha sido de fato realizada. Importante ressaltar que as notas fiscais emitidas pela FENIX e, Fl. 767DF CARF MF 6 principalmente, pela VERMONT, consideradas na presente auditoria fiscal, não apresentam informações quanto ao transportador, como placa, identificação, etc”. Outrossim, restou “... demonstrado que de fato ocorreu a utilização de interposta empresa de fachada (VERMONT), para a emissão de notas fiscais com o intuito de simular a venda com vistas a sonegação tributária”, a qual consistiria no acréscimo artificial do custo da mercadoria vendida. Das vendas realizadas por interpostas empresas Verificando as NFe emitidas pela VERMONT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, FENIX COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e MEGA PLUS COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA “... constatouse que a NEWRED efetuou operações com aspecto formal de venda mercantil, mas com características claras de simulação”, conforme exemplo abaixo: No quadro acima se observa que a NEWRED, empresa situada no estado do Espírito Santo, efetuou a venda de produto constante da NFe nº 74985, em 19/11/2010, para a MEGA PLUS, localizada em SÃO PAULOSP. Na mesma data (19/11/2010), a empresa MEGA PLUS, de acordo com a NFe nº 4, vende para a COMERCIAL ALEGRIA COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA o mesmo produto, na mesma quantidade, porém com preço majorado em três por cento. Assim, da mesma maneira das situações anteriormente demonstradas, “... não é razoável admitir a viabilidade que, no mesmo dia, a logística de venda de todos os partícipes, tenha sido de fato realizada. Importante ressaltar que as notas fiscais emitidas pela MEGA PLUS para os destinatários finais, consideradas na presente auditoria fiscal, não apresentam informações quanto ao transportador, como placa, identificação, etc”. O exemplo apresentado não é um caso isolado, tal situação “... ocorre de maneira sistemática, nas vendas efetuadas pelo sujeito passivo junto à MEGA PLUS e encontramse todas demonstradas no ANEXO II – Vendas Realizadas por intermédio de Interposta Empresa...” (fls. 186 a 208). Entendeu a Autoridade Fiscal “... que as operações intermediadas pelas empresas de fachada não tem nenhum propósito comercial, pois qual a finalidade de se efetuar uma venda exatamente igual a uma compra (preços, produtos e quantidades) realizada no mesmo dia?”. E, tendo em vista a frequência deste tipo de operação, “... resta demonstrado que de fato ocorreu a utilização de interpostas empresas de ‘fachada’ (MEGA PLUS e FENIX), para a emissão de notas fiscais com o intuito de simular venda com vistas a sonegação tributária...”, qual seja, a omissão de parte do valor da receita de venda de fato auferida, visto que o acréscimo se verificou em empresa interposta. Das Empresas Interpostas Fl. 768DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 766 7 De acordo com a Fiscalização, foram caracterizadas como empresas interpostas as seguintes pessoas jurídicas: Vermont Indústria e Comércio Ltda (CNPJ: 10.937.598/000101); Mega Plus Comércio de Gêneros Alimentícios LtdaME (CNPJ: 12.454.308/000196); Fênix Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda (CNPJ: 11.731.722/0001 32) e Mega Prime Indústria e Comércio Ltda (CNPJ: 10.813.188/000140). Vermont Indústria e Comércio Ltda A Fiscalização constatou que a empresa VERMONT apresentou DIPJ como INATIVA para o anocalendário de 2010, não apresentou DCTF e não apresentou GFIP. Com isso, declara que não operou, não teve tributo a pagar, não teve empregados e nem houve recebimento de prólabore. Entretanto, conforme dados coletados das NFe, a referida empresa faturou cerca de 26 milhões de reais no referido período. Com relação à situação cadastral da pessoa jurídica, na RFB a mesma consta como INAPTA no CNPJ (fl. 412) e na Secretaria de Estado de Fazenda do Estado do Espírito Santo (SEFAZES), apresenta a situação de não habilitada (fl. 404). Ademais, conforme relato jornalístico do jornal A Gazeta de 06/11/2014 (fl. 462), a SEFAZES afirma que a VERMONT foi constituída com objetivo de sonegação de ICMS. Já o quadro societário da empresa, conforme pesquisas da Fiscalização, conta com sócios sem capacidade econômica. O Sr. Ivanildes de Jesus Carvalho, por exemplo, não tem patrimônio (possui apenas as quotas societárias da VERMONT) e nem rendimentos compatíveis (R$ 12.000,00 – fl. 421) com o volume de recursos auferidos pela pessoa jurídica em 2010 (cerca de 26 milhões de reais). Ademais, o mesmo não foi localizado em seu endereço cadastral. Entendeu a Autoridade Fiscal também que há uma incompatibilidade entre imóvel onde a empresa situavase e o volume faturado. Conforme Termo de Constatação Fiscal nº 01/2013 (fls 511 a 512), “... verificouse que o mesmo se tratava de uma pequena loja, com no máximo 100 m², incapaz de servir como recinto operacional da empresa, vis a vis os volumes constantes nas operações faturadas”. Contrariando o depoimento prestado pelo Sr. Ricardo Corteletti, momento em que afirmou que “Os negócios realizados com a VERMONT se dava exclusivamente pelo menor preço, assim como de outros fornecedores”, uma análise das NFe mostrou que “... a NEWRED tem registros de compra de produtos da VERMONT em valores superiores aos praticados pelos fabricantes dos respectivos produtos. Notase que os volumes constantes das notas oriundas da VERMONT eram elevados, e às vezes, maior do que os faturados pelos fabricantes, assim como as notas fiscais tem datas próximas. Desta forma, todos os elementos desconstituem o afirmado pelo responsável legal da empresa em depoimento, bem como demonstram que não há lógica comercial capaz de explicar as supostas compras, pois qual empresa preferiria comprar mais caro de um atravessador/distribuidor visto que o fornecedor primário lhe atendeu em data próxima e com preço mais barato?”. Tal situação está exemplificada no Anexo III (fls. 210 a 213 – denominado como Anexo IV) do Relatório Fiscal. Assim, concluiu a Fiscalização que “Diante de todos os elementos relacionados, somados ao papel que a VERMONT assumiu nas fictícias operações de vendas apresentadas, não resta dúvida de que a VERMONT foi uma empresa utilizada para a prática de atos simulados”. Fl. 769DF CARF MF 8 Mega Plus Comércio de Gêneros Alimentícios LtdaME Com relação à pessoa jurídica Mega Plus, a Autoridade Fiscal constatou que a mesma apresentou DIPJ com receita bruta igual a ZERO para o todo o ano de 2010 (fls 436 a 446), não apresentou DCTF e não apresentou GFIP. Declara, assim, “... que não auferiu receita de vendas, não teve tributo a pagar bem como não teve empregados, contribuintes individuais e não houve recebimento de prólabore no referido ano”. No entanto, conforme dados coletados das NFe, a referida empresa faturou cerca de 4,2 milhões de reais. Relativamente à situação cadastral da pessoa jurídica, na SEFAZSP a mesma apresenta situação como não Habilitada (fl. 402). Já o quadro societário da empresa, conforme pesquisas da Fiscalização, conta com sócios sem capacidade econômica. O Sr. Juscelino de Jesus Carvalho, por exemplo, possui patrimônio reduzido (sequer declara as quotas societárias da MEGA PLUS) e nem rendimentos compatíveis (R$ 12.000,00 – fl. 417) com o volume de recursos auferidos pela pessoa jurídica em 2010 (cerca de 4,2 milhões de reais). Ademais, o mesmo não foi localizado em seu endereço cadastral e constatouse a “coincidência” de o mesmo ser irmão do sócio administrador da VERMONT. No que se refere às operações de compra e venda mencionadas anteriormente, após análise das supostas operações da MEGA PLUS, com base nas informações das NFe, constatouse “... que do seu total de compras (cerca de 4,1 milhões), um total de 3,77 milhões, cerca de 92% (noventa e dois por cento), advém da NEWRED. Os outros 8% (oito por cento) advém da empresa DIAGONAL COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, empresa com endereço cadastral no Rio de Janeiro e com indícios de interposição frudulenta (sic), que tem também em seu quadro societário o Sr. Marco Antônio Pinto, CPF 527.219.90730”, o qual, de acordo com os documentos de folhas fl. 405 e 409, também é sócio da MEGA PLUS. De acordo com o ANEXO IV – Compras Mega Plus do relatório fiscal, “Notase que a MEGA PLUS foi utilizada quase que na integralidade para intermediar operações em benefício da NEWRED, seja de compra e recompra, seja de omissão de receita através de interposta pessoa”. Desse modo, concluiu a Autoridade Fiscal que “... não paira dúvida de que o papel que a MEGA PLUS assumia era o de simular operações de compra e venda de mercadorias em benefício da NEWRED”. Fênix Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda No tocante à empresa FENIX a Fiscalização constatou que a mesma apresentou DIPJ com receita bruta igual a ZERO (fls 423 a 435), não apresentou DCTF e não apresentou GFIP. Desse modo, declarou “... que não auferiu receita de vendas, não teve tributo a pagar bem como não teve empregados, contribuintes individuais e não houve recebimento de prólabore no referido ano”. Entretanto, conforme dados coletados das NFe, a referida empresa faturou cerca de 13,7 milhões de reais. No que diz respeito à sua situação cadastral, na SEFAZRJ a empresa apresenta situação de não Habilitada (fl. 400). Quanto ao seu quadro societário, conforme pesquisas da Fiscalização, a empresa conta com sócios sem capacidade econômica. O Sr. Juscelino de Jesus Carvalho, por exemplo, possui patrimônio reduzido (sequer declara as quotas societárias da FÊNIX) e nem rendimentos compatíveis (R$ 12.000,00 – fl. 417) com o volume de recursos auferidos pela Fl. 770DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 767 9 pessoa jurídica em 2010 (cerca de 13,7 milhões de reais). Ademais, o mesmo não foi localizado em seu endereço cadastral e constatouse a “coincidência” de o mesmo ser irmão do sócio administrador da VERMONT. Ressalta a Autoridade fiscal que o outro sócio, o Sr. Marco Antônio Pinto, CPF 527.219.90730, também é sócio da MEGA PLUS e da DIAGONAL (fls 405, 407 e 409). No que concerne às operações de compra e venda relacionadas, com base nas informações das NFe, constatouse “... que TODAS as suas operações tem relação com a NEWRED, seja direta, seja indireta (por intermédio da VERMONT)”. Nesse sentido, o ANEXO V – Operações de Compras e Vendas Fênix, do relatório fiscal, demonstra as operações relacionadas entre FENIX e NEWRED no ano de 2010. Causou estranheza à Fiscalização o fato de, apesar do volume elevado de operações entre as duas empresas, o Sr. Ricardo Corteletti alegar em seu depoimento (fl. 513) de que não se recorda da FENIX e também da MEGA PLUS. Concluiu a Fiscalização “... que a FENIX foi utilizada na integralidade para intermediar operações em benefício da NEWRED, seja de compra e recompra, seja de omissão de receita através de interposta pessoa” e que “... não paira dúvida de que o papel que a FENIX, assim como a MEGA PLUS, assumia era o de simular operações de compra e venda de mercadorias em benefício da NEWRED”. Das Infrações Apuradas Omissão de outras receitas – vendas realizadas por interpostas empresas Conforme relatado anteriormente, a fiscalizada efetuou vendas, através de interpostas empresas, nas quais parte da receita era registrada como se daquelas fossem. Tais fatos foram classificados pela Autoridade Fiscal como receitas omitidas e foram demonstradas de maneira pormenorizada no ANEXO II do relatório fiscal (fls. 186 a 208). Em virtude dessas novas receitas, apuradas nos meses de maio, junho, julho, setembro, novembro e dezembro, além do IRPJ, “... foram realizados lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. O detalhamento dos respectivos lançamentos, bem como a base legal também encontramse apresentados no presente Auto de Infração”. Comprovação inidônea de custos – compras fictícias através de interpostas pessoas Em decorrência das compras efetuadas pela fiscalizada através de interpostas empresas, a Fiscalização constatou que o custo da mercadoria vendida (CMV) foi sobrevalorizado de forma artificial. Segundo a Autoridade Fiscal, na maioria dos casos, “... a NEWRED simulava a venda a empresas de fachada e no mesmo dia ou em espaço temporal reduzido, inexequível para a operação logística registrada nas notas fiscais, comprava os mesmos produtos, nas mesmas quantidades com preço superior ao que vendeu, ou seja, majorava artificialmente seu CMV”. Dessa forma, “... o acréscimo de custo resultante carece de idoneidade pois apresentase flagrantemente suportado por operações simuladas. Cada uma das operações Fl. 771DF CARF MF 10 que importaram acréscimo de CMV encontramse demonstradas de maneira pormenorizada no ANEXO I...” do relatório fiscal. IRRF sobre pagamentos efetuados sem comprovação da sua causa No decorrer da ação fiscal, a contribuinte foi intimada (fls 527 a 531) “... a apresentar cópia hábil e idônea dos pagamentos efetuados em favor da VERMONT...”. Como resposta, a empresa apresentou os documentos de folhas 324 a 399, 458 a 461 e 467a 472. Entretanto, a maioria dos pagamentos referese às operações narradas anteriormente (operações de venda de mercadorias com recompra por valor majorado), “... ou seja, foram operações inexistentes de fato, onde o que ocorreu foi a geração de notas fiscais com vistas a simular operações de compra e venda mercantil. Assim sendo, a causa dos pagamentos informados inexistiu e a saída de valores não encontra justificativa”. Ademais, ocorreu a situação na qual alguns dos pagamentos, sem justificativa real, informados foram efetuados em duplicidade. Estes também entraram na relação de pagamentos sem causa. Desse modo, “Diante da saída de recursos do sujeito passivo sem causa motivada e de real ocorrência no mundo fático, verificase perfeita aderência do constatado e a hipótese constante do art. 674, §1° do Decreto 3000/99 (RIR). Em suma, os fatos apontados acarretaram a violação de dispositivo da legislação tributária. A infração apurada referese à ocultação do fato gerador do imposto de renda tributado exclusivamente na fonte incidente sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, sem comprovação da operação ou da sua causa”. Tais valores foram apurados pela Fiscalização, tendo sido reunidos e “... discriminados na tabela constante do ANEXO VI – Relação dos Pagamentos Sem Causa não apresentaram comprovação da sua causa, e estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%...” (vide folhas 314 a 315). Ressalta a Autoridade Fiscal que “O pagamento é considerado líquido, cabendo o reajustamento da respectiva base de cálculo sobre a qual recairá o imposto. Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância, nos termos da Lei n° 8.981/1995, art. 61, §§ 2º e 3º (RIR/99, art. 674, §§ 2º e 3º)”. Dessa forma, foi apurado o montante de R$ 7.651.009,87, referente a pagamentos efetuados sem causa, valor este que resulta em uma base de cálculo de IRRF de R$11.770.784,42. Da Responsabilidade Tributária do Sócio Gerente De acordo com a Fiscalização, “O sócioadministrador no desempenho da gestão da NEWRED DISTRIBUIDORA EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA realizou condutas que se caracterizam como flagrante infração à lei”. Nesse sentido, conforme descrito no Relatório Fiscal, “... visto que no comportamento do contribuinte se detectou uma inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta (compra e venda mercantil) e a substância do fato gerador efetivamente utilizado (operação inexistente de fato com vistas a reduzir a base tributável), ou seja, deuse a discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. As vendas e compras fictícias, através de operações de emissão Fl. 772DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 768 11 de notas fiscais por interpostas empresas, tiveram o condão de gerar prejuízo à arrecadação tributária”. A conduta constatada enquadrase no tipo penal constante do art. 2º, I, da Lei 8.137/1990, qual seja, “I Fazer declaração falsa, ou omitir declaração sobre as rendas,bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse total ou parcialmente, de pagamento de tributo”. Em consequência disso, foi atribuída responsabilidade solidária ao Sr. Ricardo Lúcio Corteletti, fundamentada no art. 135, III, do CTN. Da Qualificação da Multa de Ofício A Autoridade Fiscal qualificou a multa de ofício, tendo em vista “... a intenção fraudulenta da NEWRED de se eximir dos tributos devidos. A NEWRED artificialmente majorou seus custo (sic) de aquisição de mercadorias e omitiu receitas que deveriam constar em sua Declaração de imposto de renda (DIPJ) e nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), bem como as Declarações de Débitos e Créditos dos tributos e Contribuições Federais (DCTF)”. Nesse sentido, as operações simuladas relatadas anteriormente (utilização de interpostas empresas de forma sistemática e reiterada ao longo do ano de 2010) “... revelam a deliberada intenção de ocultar o conhecimento por parte do Fisco dos fatos geradores efetivamente ocorridos. Mediante o ardil de simular uma venda dele para ele próprio, sujeito passivo, a NEWRED age com dolo de sonegar o tributo devido”. Importa também ressaltar a sonegação de IRRF relativa às saídas de recursos, sem causa, da sociedade, haja vista que as operações não existiram de fato, o que, em tese, configura a ocorrência do tipo penal elencado no art. 1º, caput da Lei 12.683/2012 (Lei de Lavagem de Dinheiro), qual seja, “Art. 1º. Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade dos bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”. Por todo o exposto, a Fiscalização concluiu pela aplicação da multa de ofício qualificada sobre os tributos lançados neste processo, de acordo com o art. 44 da Lei n°9.430/1996, que por sua vez remete aos arts. 71 e 72 da Lei n°4.502/1964, os quais definem sonegação e fraude fiscais. Por fim, a Fiscalização entendeu também que: • “As condutas praticadas pela fiscalizada se enquadram, ainda, em nosso entender, ao disposto nos incisos I, II e IV, do artigo 1º, da Lei n°8.137, de 27 de dezembro de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária”. • “Ao tipificar crime contra a ordem tributária, a Lei n° 8.137/90, de forma inequívoca evidencia que a inserção de elementos inexatos em documento ou livro fiscal a simulação de nota fiscal ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; a elaboração, emissão ou utilização de documento que saiba ou deveria saber falso ou inexato, se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso”. Da Representação Fiscal Para Fins Penais Fl. 773DF CARF MF 12 Os fatos apurados no decorrer da ação fiscal evidenciaram situações que, em tese, constituem crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º, incisos I, II, IV, da Lei n° 8.137/1990 ensejando a Representação Fiscal para Fins Penais, a qual foi juntada ao processo nº 15586.720190/201422. Ciência e Impugnação Em 16/12/2014, a pessoa jurídica foi cientificada, pessoalmente, do resultado da fiscalização (fls 546 a 547). Da mesma forma, na mesma data, o responsável solidário, Sr. Ricardo Lucio Corteletti (CPF: 024.501.71789), foi pessoalmente cientificado (fls 549 a 551). Posteriormente, em 15/01/2015, a pessoa jurídica, assim como o responsável solidário, apresentaram suas impugnações (fls 595 a 637 e 639 a 645). Impugnação da Pessoa Jurídica A impugnante inicia sua defesa com uma narrativa sobre os fatos para, na seqüência, argumentar que: • “... o Agente Federal baseou sua convicção em premissa absolutamente falsa, impondo à Defendente obrigação além de suas responsabilidades, ou seja, como se fosse sua obrigação a verificação cotidiana da situação fiscal dos seus fornecedores e dos seus clientes...”. • A Fiscalização “Ignorou que o mundo comercial é a procura de comprar por menor preço para efetuar vendas por menor preço no mercado”. • “... o componente preço não é somente o simples valor da mercadoria, mas a carga tributária que carrega esse preço. Assim, um preço sendo maior, mas com transferência de carga tributária menor, passa a ser extremamente interessante, diminuindo a tributação seguinte”. Foram nesse sentido que ocorreram as operações fiscalizadas, pois, a interessada “... foi convencida por sua fornecedora (VERMONT) de que era titular de créditos tributários absolutamente legais perante o Estado do Espírito Santo, em razão de operações realizadas com alíquota interna, relativas a compras de mercadorias dentro do Estado, cujas vendas, para outros Estados, eram realizadas com alíquota reduzida”. A fornecedora possuía créditos de tributos estaduais acumulados e, assim, “... os impostos destacados nas operações, de caráter interno, seriam pagos por compensação em face dos créditos acumulados, resultando, por fim, na diminuição da carga tributária estadual para a Defendente”. No decorrer dessas operações, a impugnante foi “... comunicada pelo fornecedor que os seus procedimentos (escrituração fiscal e contábil) estavam sendo fiscalizados pela Fazenda Estadual, cujo resultado não tem conhecimento, o qual poderá, sem qualquer dúvida, trazer luzes às operações realizadas pela empresa fornecedora...”. Na continuação, a empresa lança outras argumentações conforme os próximos tópicos. Dos Fornecedores Fl. 774DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 769 13 Nesse ponto, a impugnante tece seus argumentos de defesa em relação às inscrições estadual e federal do fornecedor Vermont, de diligências efetuadas e da inaptidão/cassação das inscrições do mesmo. Alega a contribuinte que, na época das operações questionadas pela fiscalização, a empresa Vermont estava inscrita tanto no CNPJ quanto no cadastro de contribuintes do estado do Espírito Santo. Segundo a interessada, para se inscrever no CNPJ não ocorre nenhuma diligência para se comprovar a localização, a capacidade financeira dos sócios etc. Diferentemente do que ocorre com a inscrição estadual. Essa é precedida de “... um sem número de documentos e condições para a inscrição de uma empresa no Cadastro de Contribuintes, inclusive realizando diligência, por meio de Agente do Fisco Estadual, no local onde a atividade será exercida, com a finalidade de verificar a sua adequação à pretensão do requerente da inscrição”. Nesse sentido, a impugnante transcreve os artigos 21, 22, 24, 26, 27, 32, 33, 34, 35, 48 e 49 do Regulamento do ICMS/ES2002 para corroborar com suas alegações. Assim, o cumprimento das exigências para a concessão da inscrição estadual é um fator de confiança “... para as operações comerciais com as empresas inscritas no Estado do Espírito Santo. O Estado exige ainda, que as partes, antes de transacionarem, efetuem consulta no sistema ‘Sintegra’, com objetivo de verificar se a empresa, na época das operações, está habilitada a realizála”. Ressalta que não é função da impugnante verificar a localização do fornecedor, se este escriturava seus documentos fiscais, se tinha capacidade financeira para realizar as operações. Tal função cabe aos órgãos públicos. O que a interessada fez foi seguir “... a exigência legal cabível, ou seja, efetuou consultas ao Cadastro de Contribuintes do Estado do Espírito Santo, Consulta Pública ao Cadastro – Sintegra/ICMS e ao CNPJ, logrando observar, em ambos, que a vendedora estava estabelecida no local onde as notas fiscais eram emitidas e que estava habilitada a efetuar operações...”. Além disso, “Todas as notas fiscais de aquisição foram emitidas eletronicamente, as quais são autorizadas uma a uma, operação a operação, pelo sistema oficial de emissão, que veda, terminantemente, a emissão por empresa que não esteja perfeitamente regular perante ao (sic) Fisco”, ou seja, “... se a empresa não estiver com sua inscrição cadastral regular perante o Fisco o sistema não emite a nota fiscal”. Para a contribuinte, tal condição “... é a prova inconteste dos autos, ou seja, ao tempo das operações a empresa vendedora estava em atividade, emitiu notas fiscais eletrônicas e, por isso, necessariamente se encontrava em situação regular perante o Fisco”. A Autoridade Fiscal, que desqualificou a empresa vendedora informando que a mesma estava na condição de “não habilitada” no âmbito estadual e de “inapta” no âmbito federal, não considerou que tais situações ocorreram muito tempo depois das operações realizadas (a inabilitação no cadastro do ICMS em 05/11/2014 e a inaptidão no CNPJ em 05/2013). Fl. 775DF CARF MF 14 Nesse sentido, o relato da diligência efetuada pelo próprio Auditor Fiscal informa que a empresa procurada não funciona naquele endereço há aproximadamente dois anos. Tal informação, colhida de um vizinho localizado próximo “... ao local onde se encontrava estabelecida a empresa Vermont, confirma, à saciedade, espancando qualquer dúvida em relação ao regular funcionamento da empresa ao tempo das operações, que a empresa vendedora não só existia, no papel, mas de fato, pois exercia atividades no local onde estava estabelecida”. De todo o exposto, a interessada entende que as conclusões que fundamentaram a ação fiscal não podem ser aceitas e, “... como meio de garantir o pleno exercício ao direito de defesa, para complementar a diligência realizada pelo Fisco Federal, a Defendente requer que seja oficiada a Receita Estadual, para que, antes do julgamento e com vistas à Defendente, seja fornecida cópia do processo de inscrição estadual da empresa Vermont, onde se poderá ver o resultado da diligência fiscal no local do estabelecimento e do deferimento da sua inscrição, anexando, inclusive, a análise dos documentos apresentados atendendo a legislação estadual”. Das Operações sem o Trânsito das Mercadorias Ao contrário da Autoridade Fiscal, para a interessada “Não causa nenhuma espécie a realização de operações sem que as mercadorias transitem pelos estabelecimentos envolvidos. Esse procedimento, absolutamente regular, está previsto na legislação da União e de todos os Estados Brasileiros, adequandose, perfeitamente, às grandes distâncias entre os vários centros produtores e de consumo”. Tratase do Convênio SINIEF, s/nº, de 15/12/1970, o qual permite “... a emissão de notas fiscais e, conseqüentemente, realizar operações de compras e vendas, sem que as mercadorias tenham que transitar fisicamente pelos estabelecimentos envolvidos nas operações”. Esclarece a empresa que “A compra e venda de uma mercadoria caracteriza se, primordialmente, por ser uma transferência jurídica de propriedade, e não, como se pretendeu nesses autos, uma saída ou uma entrada física, que sequer, no caso do imposto estadual, é seu fato gerador...”. Entretanto, a contribuinte alega ter cometido erro “... no momento da emissão das suas notas fiscais e de não ter exigido de seus fornecedores o mesmo procedimento, ou seja, da necessidade de se observar, no corpo do documento fiscal, que a operação não ensejava, naquele momento, a transferência física da mercadoria, mas exclusivamente a troca de sua titularidade. Essa simples observação, situada no campo dos deveres instrumentais, teria possibilitado ao Auditor Federal uma melhor compreensão das operações realizadas”. Voltando ao Convênio SINIEF, a empresa destaca os arts 18, 54 e 56, os quais permitem e regulam a transmissão de propriedade e a emissão de notas fiscais para acobertar operações em que as mercadorias não transitam pelos estabelecimentos envolvidos. De acordo com a impugnante, esses dispositivos são encontrados “... em todos os Regulamentos de ICMS dos Estados Brasileiros, não deixando qualquer dúvida sobre a legalidade das operações efetivadas pela Defendente. A triangulação apontada pelo ilustre Auditor Fiscal é perfeitamente legal, tratandose de operações jurídicas, com incidência de imposto na forma da legislação, sem que, entretanto, na oportunidade, tenham as mercadorias sido objeto de movimentação física”. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 770 15 As referidas operações são comprovadas pelos “... pagamentos efetuados pela Defendente, devidamente documentados e, digase, escriturados e a seu tempo declarados às Receitas Estadual e Federal, por meio de informações eletrônicas próprias. Não houve, em nenhum momento, nem desejo nem intenção de esconder as operações realizadas, as quais, entende a Defendente, estão revestidas da mais pura legalidade”. Ainda sobre os pagamentos, estes perfazem “... as condições necessárias para considerar perfeitamente válidas as operações realizadas pela Defendente, destruindo a tese do ilustrado Agente do Fisco de pagamentos sem causa, uma vez que a causa dos pagamentos foram (sic) operações de aquisição de mercadorias de empresa a seu tempo existente de fato e de direito e com funcionamento regular comprovado”. Fica também “... evidenciado pelos pagamentos, que a Defendente efetivamente recebeu as mercadorias objeto das transações realizadas, as quais foram posteriormente revendidas a vários clientes localizados no Estado ou fora dele”. Ao final, a impugnante entende que restou comprovado(a): • A existência de fato e de direito da empresa vendedora; • A existência das mercadorias objeto da transação, inclusive, o seu recebimento por parte da Defendente; e • O pagamento, via estabelecimento bancário, do preço avençado entre as partes, não se aplicando o entendimento de pagamento sem causa. Dos Incentivos Fiscais Segundo a contribuinte, o estado do Espírito Santo é um dos que mais se destacou na concessão de incentivos fiscais no país. Nesse sentido, “... um dos incentivos concedidos pelo Estado é aquele destinado às empresas atacadistas, cuja carga tributária, nas operações interestaduais, é de 1% (um por cento), apesar do destaque na nota fiscal de venda da mercadoria ser de 12% (doze por cento). É dizer, a empresa vendedora repassa, sem custo, à compradora um crédito de ICMS de 11%”. Tendo em vista a “Guerra Fiscal”, alega a empresa que “Com o propósito de esconder dos demais Estados da Federação os incentivos que são concedidos, o Estado do Espírito Santo incentiva a triangulação entre empresas com incentivos e empresas sem incentivos. A busca de situações mais favoráveis é uma tônica no Estado, com inúmeras consultas respondidas pela Fazenda Estadual nesse sentido, permitindo as triangulações para ganhos tributários em relação aos outros Estados”. As operações realizadas pela impugnante enquadramse nesse contexto, ou seja, “... tiveram por objetivo minimizar a carga tributária interna, através da aquisição de mercadorias de empresa que acumulava crédito de imposto em razão de operações internas tributadas, os quais eram repassadas para a Defendente. Desse modo, apesar do acréscimo de 3% no preço nominal, ainda assim, eram mais vantajosas”. Fl. 777DF CARF MF 16 E é nesse contexto que surgiu a empresa Vermont, na qual a contribuinte acreditou, “... bem como inúmeros outros comerciantes no Estado do Espírito Santo. Em diversas oportunidades a Defendente interrogou o representante comercial da empresa Vermont, tendo obtido dele informação que a situação da empresa era regular, que estava com as declarações e escriturações em dia”. Por fim, a interessada menciona novamente que a empresa Vermont foi alvo da fiscalização estadual e requer que sejam trazidas ao presente processo cópias do referido procedimento fiscal estadual. Da Inexistência de Pagamentos Feitos em Duplicidade Argumenta a contribuinte que, ao contrário do que afirma a Autoridade Fiscal, não ocorreu pagamentos em duplicidade. Os pagamentos em questão “... foram efetuados em razão de devoluções feitas pelo banco cedente, conforme se pode observar na planilha abaixo...”: Assim, não há “... qualquer pagamento em duplicidade, não passando a acusação de incorreção do levantamento fiscal, que não vislumbrou, diante de grande número de documentos, a devolução de pagamento e, por conseqüência, o seu refazimento”. Da Cobrança de IRPJ e seus Reflexos Alega a interessada que “... provou que realizou operações de compras e vendas, efetuando pagamentos e recebimentos através de operações bancárias, conforme retratam os seus registros fiscais e contábeis, submetidos, a tempo e a hora, à fiscalização federal autuante”. Desse modo, “... não houve omissão de receitas ocorrida em empresa interposta, mas receitas que foram, ou caso não, (sic) deveriam ser cobradas da empresa compradora da Defendente, negandose também a existência de acréscimo indevido do CMV, gerando as diferenças dos autos”. Assim, como todos os lançamentos têm a mesma origem, as argumentações da defesa alcançam todas essas questões. Do Acréscimo de 3% Caso, hipoteticamente, “... não se reconheça a validade das operações realizadas pela Defendente, continua incabível a cobrança do IRRF lançado, em razão da incorreção da base de cálculo do lançamento”. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 771 17 Isto porque, como as mercadorias recompradas foram majoradas em 3% e “... mesmo que se considere que a operação foi injustificada, é evidente que o valor do pagamento nesses casos, não foi o valor constante das notas fiscais, mas sim os 3% de acréscimo...”. Assim, de acordo com o raciocínio da impugnante, ao vender uma mercadoria por um determinado preço e depois “... readquirila por um valor acrescido de 3%, é obvio que o valor real pago na recompra foi de apenas 3%. Logo, a base de cálculo do IRRF deverá ser apurada em relação a esse percentual, e não sobre o valor total do pagamento”. Da Multa Confiscatória Alega a impugnante que as operações de “pagamento” não são fatos geradores do imposto de renda, pois, não são acréscimos patrimoniais. Pelo contrário, são decréscimos, os quais não se enquadram na hipótese prevista no art. 43 do CTN. Assim, entende a contribuinte que o instituído pelo art. 674 do RIR/1999 (art. 61 da Lei nº 8.981/1995) “... é uma efetiva penalidade, dissimulada em imposto de renda retido na fonte, objetivando punir o pagamento sem causa. Não sendo essa cobrança tributo, o que não se tem qualquer dúvida, caracterizase, na verdade, como uma penalidade disfarçada de tributo, em afronta às prescrições do art. 3º do CTN, que veda esse tipo de procedimento”. A empresa considera também que a multa de 150% “... do valor dos pagamentos ditos sem causa, acrescidos do próprio imposto, evidencia uma penalidade absolutamente irrazoável, por isso, confiscatória”. Nesse sentido, “... não há dúvida que multas nestes percentuais são consideradas excessivas, resultando numa forma de tributação com efeito de confisco, onerando ilegalmente o patrimônio do contribuinte, no caso, a Defendente, em franca violação ao art. 150, inciso IV da Constituição Federal...”. Outrossim, tal entendimento não recai apenas sobre a tributação mas também sobre a penalização tributária. Isto porque, “... a sanção tributária tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que esteja sujeito, não podendo, por isso, ser utilizada como verdadeiro tributo disfarçado, através da previsão de multas exacerbadas, que expropriam desarrazoadamente o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio”. Para corroborar a sua visão, a interessada traz ao feito entendimento de doutrinadores e a ADIN 551, a qual decidiu que o art. 150, IV, estendese também às multas decorrentes de obrigações tributárias, ainda que não tenham elas a natureza de tributo. Dessa forma, “Cotejadas as considerações doutrinárias e a jurisprudência construída no Excelso Pretório em relação aos presentes autos, verificase que a multa de 150% do valor do suposto IRRF lançado, foge aos padrões de razoabilidade a que se encontra condicionado o Poder Público. O Poder Público, no caso dos autos, agiu abusiva e imoderadamente, desvirtuando a atividade estatal do imprescindível princípio da razoabilidade”. Por fim, a empresa requer a redução da aludida multa a patamares não confiscatórios sob pena de nulidade do próprio lançamento impugnado. Fl. 779DF CARF MF 18 Do Pedido Ao final a impugnante requer a nulidade dos autos de infração por sua mais absoluta ilegalidade. Impugnação Responsável Solidário O responsável solidário, o Sr. Ricardo Lúcio Corteletti (CPF: 024.501.717 89), inicia sua defesa argumentando que a pessoa jurídica de qual é sócio “... possui escrituração fiscal e contábil absolutamente regulares, apresentando, a tempo e a hora, as declarações exigidas pelo Fisco Federal e Estadual, portanto, sem nenhuma pendência documental ou de recolhimento de tributos”. Continua se defendendo da com as alegações de que: • “... o Agente Federal baseou sua convicção em premissa absolutamente falsa, impondo à empresa e ao próprio defendente obrigação além de suas responsabilidades, ou seja, como se fosse sua obrigação a verificação cotidiana da situação fiscal dos seus fornecedores e dos seus clientes...”. • A Fiscalização “Ignorou que o mundo comercial é a procura de comprar por menor preço para efetuar vendas por menor preço no mercado”. • “... o componente preço não é somente o simples valor da mercadoria, mas a carga tributária que carrega esse preço. Assim, um preço sendo maior, mas com transferência de carga tributária menor, passa a ser extremamente interessante, diminuindo a tributação seguinte”. Foram nesse sentido que ocorreram as operações fiscalizadas, pois, a empresa “... foi convencida por sua fornecedora (VERMONT) de que era titular de créditos tributários absolutamente legais perante o Estado do Espírito Santo, em razão de operações realizadas com alíquota interna, relativas a compras de mercadorias dentro do Estado, cujas vendas, para outros Estados, eram realizadas com alíquota reduzida”. A fornecedora possuía créditos de tributos estaduais acumulados e, assim, “... os impostos destacados nas operações, de caráter interno, seriam pagos por compensação em face dos créditos acumulados, resultando, por fim, na diminuição da carga tributária estadual para a empresa”. As operações em questão, lembra o impugnante, “... foram realizadas por meio de notas fiscais eletrônicas, portanto, operações conferidas e devidamente autorizadas, sendo remetente estabelecimento devidamente cadastrado e em atividade, com pagamento realizado em estabelecimento bancário”. Especificamente sobre a responsabilidade solidária, o interessado alega que: • “... não cometeu nenhum ato de excesso de poderes ou de infração à lei, contrato social ou os estatutos da empresa, baseando o seu ato de gestão na melhor prática para a empresa, dentro do estabelecido pela legislação”. • “... os atos de gestão praticados pelo defendente não trouxeram prejuízos à Fazenda Pública Nacional, posto que as operações existiram no mundo da vida, não se caracterizando os pagamentos como sem causa”. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 772 19 O impugnante discorda totalmente da conclusão da Autoridade Fiscal, pois, segundo ele, a mesma não condiz com a realidade, afinal, “... se os negócios não existissem, como afirma que não existiram o Auditor Federal, suprimindoos porque não existem, não há qualquer infração a legislação tributária”. Nesse sentido, faz a seguinte indagação “... se a compra e a venda mercantil são inexistentes, onde está o condão que gerou prejuízo para os Cofres Federais?”. Dessa forma, o interessado conclui que não há que se “... falar em prejuízo aos Cofres Públicos, mesmo hipoteticamente, como não há que se falar em pagamento sem causa, eis que todos os pagamentos foram efetuados a beneficiários identificados e com causa conhecida (o pagamento de operações de aquisição de mercadorias, conforme notas fiscais eletrônicas, emitidas por empresas cadastradas e em plena atividade)”. Do Pedido Ao final o impugnante requer a sua retirada do pólo de responsabilidade em relação aos supostos débitos do presente processo. Da decisão da DRJ Quando do julgamento na instância primeva, a decisão restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 e 2011 SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. Há simulação quando a contribuinte efetua operações de venda de determinada mercadorias com posterior recompra dessas mesmas mercadorias, com preço majorado ou não, sem a comprovação efetiva do trânsito das mesmas e que não apresentam nenhum propósito negocial. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS SIMULADOS. Comprovada a simulação por meio do conjunto indiciário convergente, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos simulados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e a fraude, como definido em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, Fl. 781DF CARF MF 20 cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, inc. III do CTN, ao sócioadministrador, responsável pela administração e gerência, uma vez comprovado que este cometeu infração à lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 e 2011 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não comprovada a operação ou a sua causa; o rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 GLOSA DE COMPRAS. OPERAÇÕES SIMULADAS. Ausente a comprovação da efetividade de operações de compra de mercadorias e carente dos demais elementos comprobatórios da idoneidade das notas fiscais de compras, correta é a glosa correspondente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte De acordo com a decisão, foram apenas decotados da base de cálculo da autuação os valores pagos em duplicidade, pois devidamente comprovado pela contribuinte que o que ocorreu foram devoluções bancárias de alguns pagamentos e não pagamentos em duplicidade. Com relação aos demais fundamentos, as multas e a responsabilidade tributária do sócio, foram todos mantidos. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 773 21 Intimados, empresa e responsável, foram interpostos os recursos voluntários nos seguintes termos: Recurso da Pessoa Jurídica Argumenta a recorrente, em síntese que a fiscalização acusa a recorrente de ter simulado operações de compra e venda para aumentar artificialmente seus custos; que referem esses autos à cobrança de IRPJ, CSLL e reflexos, além de IRRF sobre os pagamentos supostamente inexistentes, considerando que tais operações configuram pagamentos sem causa ou a pessoa desconhecida. Fundamenta que o principal argumento dos autos é de que as empresas seriam de "fachada" mas que não poderia o fisco exigir da contribuinte a obrigação de fiscalizar as empresas com quem mantinha relações comerciais e que tal responsabilidade de fiscalizar seria do próprio fisco. Diz ainda, que seria inaceitável a conclusão da decisão recorrida de que restaria incontroverso o entendimento da ação fiscal em relação às empresas Mega Plus Comércio de Gêneros Alimentícios LtdaME (CNPJ 12.454.308/000101), Fênix Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda (CNPJ 11.731.722/000132) e Mega Prime Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 10.813.188/000140), ainda que a Impugnação tenha mencionado expressamente a empresa Vermont Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 10.937.598/000101), pois apenas tomou essa empresa como exemplo. Alega ainda que as empresas que, conforme o fisco, eram apenas de "fachada", funcionaram regularmente no período autuado e junta documentação dos fiscos estaduais para comprovar tal fato. Requer, assim, a não responsabilidade da requerente por atos das empresas fornecedoras. Com relação ao custo de mercadoria vendia (CMV), argumenta a contribuinte que deve ser observado que o custo de uma mercadoria deve considerar também a redução da carga tributária do imposto estadual. Isto é, ainda que as aquisições apresentassem preços maiores, a redução da carga tributária compensava esse aumento. Ademais, tendo em vista que as fornecedoras emitiam notas fiscais eletrônicas e se encontravam regularmente inscritas no fisco estadual, concluise que não havia razão para a recorrente duvidar da validade das operações. Com relação à existência de omissão de receitas, argumenta a recorrente que o próprio julgador de primeiro instância esclareceu ser possível esse tipo de operação sem a efetiva remessa de mercadoria. Justificase que o que ocorreu foi um simples erro de não constar nas notas ficais a não transferência física de mercadoria e tãosomente a troca de titularidade. Nesse sentido, requer a reforma da decisão. Ad argumentadum, expõe que não seria compatível a tributação do CMV com a incidência sobre esses mesmos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte por pagamento sem causa, pois se a fiscalização e a decisão recorrida entendem que as operações não existiram, então somente seria possível cobrar o IRPJ decorrente das glosas das operações, incompatível a cobrança cumulada do IRRF por pagamento sem causa. Fl. 783DF CARF MF 22 Expõe, ainda que, caso se entenda sobre a inexistência das operações, deve ser cobrado o IRRF apenas sobre a diferença dos 3% que foram majorados na operação e não sobre o valor integral. Por fim, aduz sobre a confiscatoriedade da multa aplicada sobre 150% do valor da operação. Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora Dos Recursos Os recursos interpostos pela Pessoa Jurídica e pela Pessoa Física são tempestivos e deles conheço. Com relação à parte exonerada do crédito tributário na decisão de primeira instância, o valor é inferior a R$2.500.000,00 e portanto não há recurso de ofício. Do Recurso da Pessoa Jurídica Conforme demonstrado no relatório, cuidam os autos de cobrança de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF referentes ao anocalendário 2010, baseados em omissão de receitas, glosas de custo das mercadorias vendidas e pagamentos efetuados sem causa. Com relação ao argumento do contribuinte em seu recurso voluntário de que se as empresas eram de "fachada", não caberia ao contribuinte fiscalizar tais empresas, não resta nenhuma razão ao contribuinte. De fato, como se observa pelo relatório fiscal, o que está demonstrado aqui nos autos e algo muito maior que uma simples compra de mercadorias de empresas inidôneas. O que havia, em verdade, era um grande esquema de fraude de compra e venda de bebidas no Estado do Espírito Santo, onde empresas inexistentes compravam e vendiam mercadoria apenas para fraudar o fisco, seja omitindo receitas, seja para se beneficiarem de créditos tributários em algumas triangulações de compra e venda, sempre inexistes. De fato, a fiscalização considerou como interpostas pessoas as seguintes pessoas jurídicas: Vermont Indústria e Comércio Ltda, Mega Plus Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. Fenix Comércio de Gêneros Alimentícios e Mega Prime Indústria e Comércio Ltda. Quando de sua defesa, a impugnação tãosomente cuidou da Vermont e não das demais, restando, portanto, preclusão essa matéria. Por outro lado, todo conjunto fático probatório dos autos demonstram que o que existia era um esquema fraudulento em que empresas apenas emitiam notas para acobertar a compra e venda de mercadoria sem qualquer lógica e efetivo trânsito de mercadoria. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 774 23 A prova da simulação, por sua própria natureza de vício oculto, é muito difícil de ser produzida. Os simulantes procuram esconder a verdade para fraudar a lei atingindo um fim diverso daquele exteriorizado pelo negócio jurídico. Contudo, a inviabilidade logística de todas as operações e, ainda, a absoluta falta de propósito negocial aponta diretamente para o que foi constatado pela fiscalização, ou seja, as empresas eram apenas de "fachada", as operações não ocorreram e todo o esquema objetivava somente fraude à tributação. Ademais, todas as empresas tem em seus contratos sociais pessoas físicas que não possuíam patrimônio compatível com o tipo de operação realizada, nem com os faturamentos apontados e tampouco foram encontradas. Seria muita coincidência admitir que a recorrente apenas fazia negócios com esse tipo de empresa. Por outro lado, esses mesmos negócios não restaram cabalmente demonstrados pois não ha comprovação da efetiva circulação de mercadoria e tãosomente transferências de numerários e circulação de notas fiscais. A simulação é de difícil comprovação cabendo ao julgador com base em seu conhecimento e com as provas e fatos juntado aos autos, se convencer da efetiva operação ocorrida, não aquela simulada, mas sim, a verdadeira e real intenção dos partícipes. Nesse sentido, por todo o conjunto fático probatório acostado aos autos, não restam dúvidas que as empresas faziam parte de todo o esquema com o único objetivo de burlar a legislação tributária. Custo de Mercadoria Vendida CMV Com relação a esse tópico, e tentando justificar o porquê de as operações terem sido realizadas com valores superiores aos valores de mercado, argumentou a contribuinte em sua peça recursal, que o custo da mercadoria deve considerar também a redução de carga do imposto estadual. Contudo, conforme restou decidido na decisão primeva, o único benefício tributário a que eventualmente faria jus a contribuinte, seria o InvestES. Entretanto, não há nos autos, qualquer comprovação de que a autuada ou seus fornecedores tinham direito a esse benefício. Novamente, o conjunto fático probatório aponta para o que a fiscalização concluiu, ou seja, essas mercadorias não circulavam e o custo delas era superior ao custo das demais mercadorias similares disponíveis no mercado. Nesse sentido, entendo como improcedente a alegação da recorrente e que realmente os custos foram majorados visando apenas ilidir a tributação Da impossibilidade da cobrança de IRPJ sobre as glosas e o IRRF do pagamento sem causa Com relação a esse tópico, tendo em vista que o contribuinte não alegou essa matéria no momento oportuno, qual seja, em sua impugnação, deixo de apreciala pois preclusa, conforme entendimento desse Conselho: Fl. 785DF CARF MF 24 PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Processo nº 13855.002732/200971 Acórdão nº 3402003.038 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2016 Se a Recorrente, neste processo não impugnou especificamente esse ponto apresentado neste tópico recursal, não tendo, inclusive, havido apreciação sobre ele pela DRJ, não poderia ter trazido a discussão em sede de Recurso Voluntário, o que fere a segurança jurídica e o duplo grau do processo administrativo. O art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 é claro e direto sobre a preclusão de matéria não expressamente contestada na Impugnação. Não há problema, por exemplo, em se trazer novas provas na fase de Recurso Voluntário, desde que haja uma justificativa razoável para tanto e que a matéria já tenha sido alegada em Impugnação. Por outro lado, trazer matéria completamente nova em sede de Recurso fere o já referido art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. Não se pode romper com o próprio rito do processo administrativo fiscal, permitindo que se traga matérias novas, que não são de ordem pública, apenas em segunda instância. Assim, no Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Da cobrança do IRRF apenas sobre os 3% Alega por fim a recorrente que ao vender a mercadoria por um determinado preço e depois readquirala por um valor acrescido de 3%, que seria óbvio que o valor real pago na recompra foi de apenas 3%. Dessa forma, a base de cálculo do IRRF deveria ser apenas esse percentual de 3%, e não o valor total de pagamento. Os pagamentos efetuados referemse a aquisição de mercadorias da própria contribuinte. Mercadorias essas que conforme restou comprovado pela autuação não tiveram sequer trânsito entre as pessoas jurídicas envolvidas e que de acordo com o que já foi analisado, foram objeto de operações sem qualquer propósito negocial, ou seja, simuladas. Por outro lado, não resta dúvidas que a previsão legal alcança todos os pagamentos sem comprovação da operação ou sua causa, cabendo ao sujeito passivo o ônus de comprovar as operações que deram causa aos pagamentos para demonstrar a inocorrência da hipótese de incidência prevista no artigo 61 da Lei n.º 8.981/95. Ademais, quando se simula uma operação está se assumindo o risco de ter todas as consequências oriundos daquele fato contrário a lei. Tendo sido realizado o pagamento sem causa, não deve recair os tributos apenas sobre os 3% majorados da operação simulada, e Fl. 786DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 775 25 sim, sobre o total do valor que representa exatamente o risco assumido pela operação fraudulenta. Da caráter confiscatório da multa de 150% Segundo a empresa a multa de 150% não se coaduna com os princípios constitucionais de razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição de confisco, este expressamente vedado pelo art. 150, IV da CF. Quanto às multas lançadas nos percentuais de 150% do imposto devido, estão previstas no art. art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/1996 c/c art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei n.º 5.172/1966 (CTN) e art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996. No que se refere ao questionamento sobre a qualificação da penalidade, não se pode deixar de levar em conta que a fiscalização entendeu presente no caso concreto, o evidente intuito de fraude, definido em lei e necessário a qualificação. Este fato concreto, que não configura qualquer presunção, subsumese à hipótese prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996, configurando evidente intuito de fraude. Tal multa constitui penalidade pecuniária, já que não visa arrecadar mais tributo ou contribuição, mas sim desestimular a prática da ilicitude fiscal que visa coibir e, portanto, não está enquadrada na garantia constitucional prevista no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que diz respeito apenas a tributos. E tributos, na definição do próprio texto constitucional, são os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria (CF/1988, artigo 145, I, II e III). As multas, portanto, não são tributos, como, aliás, já define o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966, artigo 3º), o qual dispõe, inclusive, que esses não constituam sanção de ato ilícito, distinguindoos das multas, que visam punir uma conduta ilegal. Somente incorre na multa quem infringe a legislação tributária e o contribuinte, ao deixar de cumprir a lei, assumiu o ônus de sua conduta inadequada. Quanto à carga tributária no país, cumpre esclarecer que, na esfera administrativa não é cabível a discussão a respeito da constitucionalidade de leis em vigor, formalmente promulgadas e publicadas. Às Delegacias de Julgamento, como órgãos integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, compete julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, obedecendo aos ditames da lei, sendolhe defeso apreciar arguições de inconstitucionalidade ou inaplicabilidade de textos legais. Como esclarece Luiz Henrique Barros de Arruda em sua obra “Processo Administrativo Fiscal” (Editora Resenha Tributária – 2ª Edição): “a função dos órgãos de jurisdição administrativa consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades “a quo” com as normas legais vigentes”. E conclui que “falecelhes, como falece aos órgãos do poder Executivo criados para desempenhar atribuições equivalentes, competência para pronunciarse a respeito da conformidade de lei, validamente editada segundo o processo Fl. 787DF CARF MF 26 legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declarar lhe a nulidade ou a inaplicabilidade ao caso expressamente nela previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário.” Ademais, quanto à alegada inconstitucionalidade das multas exigidas, cumpre ressaltar que a Súmula 02 desse Tribunal, veda expressamente qualquer manifestação sobre esse tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da Responsabilidade Tributária Com relação à responsabilidade tributária do sócio, sua responsabilização se deu por força do art. 135, III do CTN onde se prevê que os atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Conforme acima exposto, a justificação para a aplicação da multa agravada também justifica a responsabilização pessoal do sócio, que teve a sua conduta praticada claramente com o intuito de fraudar a legislação tributária. Sendo o Sr. Ricardo Lúcio Corteletti administrador da empresa desde o ano de 2007, fica claro que quem simulou as operações foi o sócioadministrador. Assim, entendo que a sujeição passiva em relação a Ricardo Lúcio Corteletti deve ser mantida, por todos os argumentos expostos acima que dão conta da conduta simulada da recorrente que foi, por óbvio, devidamente representada em todos seus atos pelo responsável. Aliás não há qualquer negação quanto à administração da recorrente, apenas argumentase na peça recursal que a responsabilização deve ser objetiva. Contudo, olvida o recorrente que nada mais óbvio para a caracterização da objetividade da conduta do recorrente do que os próprios atos cometidos pela pessoa jurídica que, obviamente não pratica qualquer ato, sem a pessoa física. Assim, a simulação e a qualificação da multa são suficientes para manter a sua responsabilização, tendo em vista a prática dolosa de infração à lei. Por outro lado, novamente argumenta o recorrente que não poderiam ser as despesas glosadas da base de cálculo do IR e por outro lado cobrado o IRRF sobre esses mesmos pagamentos. Contudo, conforme acima, tal argumentação, não foi exposta na impugnação da contribuinte, tampouco do responsável, tendo restado preclusa a matéria que não pode ser arguida em fase recursal. Tributos Reflexos Com relação aos demais tributos reflexos, o decidido quanto ao IRPJ também se aplica ao PIS, CONFINS e CSLL naquilo em que for cabível. Conclusão Fl. 788DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 776 27 Por todo exposto, conduzo meu voto no sentido de julgar improcedente os recursos voluntários interpostos, mantendo in totum a autuação, bem como a responsabilidade pessoal do sócio administrador Sr. Ricardo Lúcio Corteletti. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator Fl. 789DF CARF MF
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