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Numero do processo: 13884.001821/2007-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1002-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 2º AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 18 21 /2 00 7- 91 Fl. 58DF CARF MF 2 trimestre do anocalendário de 2005, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 1.694,28 (mil seiscentos e noventa e quatro reais e noventa e quatro centavos) (efl. 5). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 2/4) alegando em síntese a configuração do instituto da denúncia espontânea (art. 138, CTN) para a espécie. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 1ª Turma da DRJ/CPS proferise o Acórdão nº 0521.661 (efls. 23/25) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral das exigências. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 29/36), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar a alegação da recorrente que se resume em saber se, no contexto, prevalece ou não a denúncia espontânea para fins de apresentação das declarações a destempo, mercê dos reflexos sobre as cobranças contestadas. Nesse sentido, alijando maiores digressões que alonguem a discussão no âmbito administrativo, surge aos julgadores deste colegiado a necessidade de se respeitar as súmulas editadas pelo órgão. Reproduzo para tanto inc. VI, do art. 45, do Regimento interno do CARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Dito isso, particularmente quanto à matéria devolvida à apreciação, referente à denúncia espontânea na conjuntura da entrega de declarações, reportome à Sumula CARF nº 49, cujo teor não deixa incertezas acerca da inviabilidade da pretensão veiculada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Outrossim, ainda que as decisões do STJ não vinculem os conselheiros do CARF, não custa lembrar que aquele órgão judiciário também pacificou seu posicionamento no sentido de que a denúncia espontânea não afasta a multa decorrente do atraso na entrega da declaração, uma vez que o art. 138 do CTN não se aplica às obrigações acessórias. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13884.001821/200791 Acórdão n.º 1002000.063 S1C0T2 Fl. 3 3 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido (AgRg nos EDcl no AREsp 209.663/BA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 10/05/2013) Rejeito, portanto, tal pretensão. Ante ao enfretamento da questão apresentada, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907296/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.100
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidiam nos centavos nos valores do crédito, crédito esse quitado por meio de DARFs, e requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 29 6/ 20 12 -7 1 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.907296/201271 Resolução nº 3201001.100 S3C2T1 Fl. 77 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.907296/201271 Resolução nº 3201001.100 S3C2T1 Fl. 78 3 Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10983.907296/201271 Resolução nº 3201001.100 S3C2T1 Fl. 79 4 poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.907296/201271 Resolução nº 3201001.100 S3C2T1 Fl. 80 5 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000119/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a efetiva ocorrência de
omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, cabe
conhecer e acolher os embargos, para enfrentar a questão omitida. Todavia, verificada a improcedência das alegações, mantémse
a decisão original.
Embargos conhecidos e rejeitados.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1402-000.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos pela contribuinte, para sanar a omissão e, no mérito, ratificar o acórdão 1402-00.402, de 27/01/2011, mantendo a decisão do colegiado no sentido de negar provimento ao recurso. Tudo termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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NACIONAL DE SEGUROS Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a efetiva ocorrência de omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, cabe conhecer e acolher os embargos, para enfrentar a questão omitida. Todavia, verificada a improcedência das alegações, mantémse a decisão original. Embargos conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos pela contribuinte, para sanar a omissão e, no mérito, ratificar o acórdão 140200.402, de 27/01/2011, mantendo a decisão do colegiado no sentido de negar provimento ao recurso. Tudo termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19740.000119/200560 Acórdão n.º 140200.893 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório SULAMÉRICA CIA NACIONAL DE SEGUROS recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que indeferiu seu pleito de reconhecimento de direito creditório, para fins de compensação. O recurso foi apreciado por esta Turma na sessão de 27/01/2011, sendo proferido o acórdão 140200.358, assim ementado: Ementa: DECISÃO ADMINISTRATIVA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão da matéria em litígio. SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DE IRPJ EM 31/12/2001. Não tendo o contribuinte comprovado os valores que compõe a formação do saldo negativo do IRPJ em 31/12/2001, especialmente os relativos aos anos de 1997 e 1998, correta a redução do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Cientificada, a contribuinte apresentou Embargos de Declaração aduzindo omissão quanto ao seguinte argumento (verbis): Mediante despacho proferido em 15/12/2011, este Relator propugnou fossem os embargos acolhidos, com fulcro Art. 65, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, determinandose nova inclusão do processo em pauta para a devida apreciação da matéria. Aludido despacho foi aprovado pela presidência da Turma. É o sucinto relatório. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19740.000119/200560 Acórdão n.º 140200.893 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os embargos são tempestivo e atendem os preceitos regimentais (art. 64, inciso I do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009). Analisando as alegações da contribuinte devo reconhecer que incorri em omissão no voto condutor do acórdão embargado quanto ao fato de que as DCTF retificadoras não terem trazido novas compensações; não sendo portanto exigível apresentação de DComp. Ocorre que, a meu ver, tal questão é irrelevante à solução do litígio diante da linha decisória adota no acórdão embargado. Vejamos a transcrição da parte final do voto condutor: (...) Quanto ao fato de que a falta de declaração em DCTF, por si só, não seria suficiente para impedir o aproveitamento do crédito; tem razão a recorrente. Até porque está declarado/informado na DIRPJ. Todavia, não estamos tratando de recolhimento de estimativa ou IR Fonte, sendo que a contribuinte informou que se trata de compensação com pagamentos indevidos ou a maior no valor de R$ 2.377.337,36 (fl. 617). Ocorre que a contribuinte não esclarece a origem desses créditos, nem mesmo apresentou os documentos contábeis relativo a tais valores. Logo, não há que ser reconhecido o direito creditório sobre tal importância. Em relação ao ano de 1998, no qual a contribuinte apresentou um saldo de R$ 890.231,95 (fl. 584), verificase pelo parecer de fls. 709 a 731, bem como na planilha de fls. 699 que o IRPJ devido no ajuste anual, apurado pelo contribuinte foi de R$ 6.350.627,35, sendo que o somatório do valor das estimativas consideradas (2.160.066,98), recolhimentos de IRFonte (890.231,95) e outros valores (221.958,10), é pouco mais da metade do que deveria ser pago. Assim, a contribuinte não faz jus a qualquer direito creditório pleiteado naquele ano; sendo inócuo, inclusive, os documentos contábeis juntados na complementação do recurso voluntário (fls. 1158 a 1165). No que tange a alegação de que não há mais impedimentos para acatar a DCTF retificadora relativa ao mês de novembro de 1999, haja vista que parte do débito, enviado à PGFN, no valor de R$ 9.821,01 já ter sido cancelado, constatase que isso ocorreu em 07/04/2005 (fl. 1149), logo, poderia ser acatada à época da elaboração do despacho de análise do pleito da contribuinte. Todavia, o valor a ser considerado não é suficiente para alterar o resultado do despacho decisório, isso porque o saldo negativo de 1997 não foi comprovado e o valor de 1998 ao invés de negativo (sobra) é positivo (valor a recolher). Logo, ainda que o contribuinte possa ter razão em parte de suas alegações, a desconsideração dos valores pleiteados relativos a 1997 e 1998 são superiores a toda sua pretensão. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19740.000119/200560 Acórdão n.º 140200.893 S1C4T2 Fl. 4 4 Em relação aos valores recolhidos a título de estimativas de IRPJ do ano de 2000, nas quantias de R$ 125.581,72 e R$ 102.576,67, vejase no demonstrativo da DRF que tais valores foram considerados, ou seja, não há litígio sobre eles. Ocorre que a contribuinte permaneceu com saldo de recolhimentos inferior ao que já foi reconhecido/utilizado no período, exatamente em face da não confirmação das compensações realizadas em períodos anteriores,especialmente em 1997 e 1998. (...) Grifei. Portanto, ainda que as DCTF retificadoras possam ser validadas, caberia ao contribuinte fazer prova da origem e natureza dos créditos que teriam sido utilizados nesses compensações, dos quais afloraram o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ do ano calendário de 2001, pleiteado no presente processo. Conclusão: Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos interpostos pela contribuinte, para sanar a omissão e, no mérito, ratificar o acórdão 1402 00.402, de 27/01/2011, mantendo a decisão do colegiado no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002244/2008-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
A solicitação de opção pelo Simples Nacional deverá ser feita dentro dos prazos estabelecidos pela Resolução CGSN nº 4/2007.
No caso de ME ou EPP, o prazo para efetuar a opção pelo Simples Nacional será de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição estadual e municipal, caso exigíveis.
Numero da decisão: 1001-000.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A solicitação de opção pelo Simples Nacional deverá ser feita dentro dos prazos estabelecidos pela Resolução CGSN nº 4/2007. No caso de ME ou EPP, o prazo para efetuar a opção pelo Simples Nacional será de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição estadual e municipal, caso exigíveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A solicitação de opção pelo Simples Nacional deverá ser feita dentro dos prazos estabelecidos pela Resolução CGSN nº 4/2007. No caso de ME ou EPP, o prazo para efetuar a opção pelo Simples Nacional será de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição estadual e municipal, caso exigíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 22 44 /2 00 8- 35 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10850.002244/200835 Acórdão n.º 1001000.393 S1C0T1 Fl. 44 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 9ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1435.172, de 08/09/2011 (efl. 35/37), objetivando a reforma do referido julgado. Em 28/04/2008, a empresa fez o pedido de Inclusão no Simples Nacional, em papel, com efeitos retroativos à data de abertura, dia 27/08/2007 (efl. 2), com o argumento de que após obter as inscrições nas Receitas Federal e Estadual, sua inscrição municipal somente foi liberada em 11/01/2008, após cumprir as exigências de laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros. Em 16/01/2009, o pedido foi indeferido mediante Despacho Decisório proferido pela Sacat/DRF/São José do Rio Preto/SP (efls. 23/24), por falta de amparo legal. Em 16/03/2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, com a seguinte argumento, transcrito do relatório do aresto de primeira instância: O contribuinte aduz que o seu pedido de inclusão no Simples Nacional foi efetuado antes da entrada em vigor da Resolução CGSN n° 29, de 21/01/2008, adotada como fundamento da decisão que indeferiu o seu pedido, sendo aplicável ao caso o disposto no artigo 7°, §3°, I da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/2007, que estabelece o prazo de dez dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional. Requer o deferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional a partir de 27/08/2007. A DRJ considerou procedente o indeferimento da opção e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. EFEITOS. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. No caso de ME ou EPP em início de atividade no anocalendário da opção, esta opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 08/10/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 42, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 03/11/2011 (efls. 43/48), conforme carimbo aposto à efl. 43. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10850.002244/200835 Acórdão n.º 1001000.393 S1C0T1 Fl. 45 3 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, relativa ao anocalendário 2007, em virtude de a solicitação ter sido feita após o prazo regulamentar. Conforme estabelece em seu art. 16, §§ 2o e 3o, a Lei Complementar 123/2006, deferiu ao Comitê Gestor a regulação da forma de opção pelo Simples Nacional, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 2o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3o deste artigo. § 3o A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. (grifos não pertencem ao original) Nesse particular, o § 3º, inciso I, do art. 7º e o art. 17, ambos da Resolução CGSN1 nº 4, de 30 de maio de 2007, assim dispõem sobre a opção pelo Simples Nacional, verbis: (grifos não pertencem ao original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (…) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10850.002244/200835 Acórdão n.º 1001000.393 S1C0T1 Fl. 46 4 até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007) No recurso interposto, a recorrente alega que "iniciou suas atividades em 27.08.2007 e, nesta mesma data, realizou o seu regular registro perante à Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), bem como perante a Secretaria da Fazenda (inscrição estadual) e a Receita Federal do Brasil (emissão de CNPJ)...(...) por não ser contribuinte de imposto municipais (...) se limitou a pleitear (...) o seu Alvará de Funcionamento (documento sem fins tributários), tendo o mesmo sido emitido em 11.01.2008". A recorrente contesta a decisão de primeira de primeira instância mediante de que "a data de inicio de suas atividades seria aquela em que o Município emitiu o Alvará de Funcionamento do aludido estabelecimento, ou seja, 11.01.2008". e acrescenta: Ademais, em complemento a tudo o que fora exposto, mesmo que se cogitasse a hipótese da Recorrente "não estar regularmente inscrita" o que não é o caso não deveria prevalecer o entendimento do Nobre Julgador, pois nos termos do art. 126, inciso III, do CTN, "A capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional." Assim, mesmo que a recorrente não estivesse regularmente inscrita, seria possível a sua inclusão no Simples Nacional, haja vista o teor prescrito no art. 126, III, do CTN. (grifo consta do original) Alega, ainda, que "deve ser aplicado, no caso em tela, a redação original do art. 7º, § 3o, inciso I, da Resolução CGSN n.° 04/2007, SEM as alterações trazidas pela Resolução CGSN n.º 29, de 21.01.2008, em obediência ao art. 144, do CTN, (...), vez que vigente à época dos fatos". (grifo no original) Por fim requer que seja "considerado como 'data de início da atividade' da Recorrente o dia 27.08.2007, tendo em vista que a Recorrente solicitou sua inscrição dentro do prazo de 10 (dez) dias" Não assiste razão à recorrente. Qualquer que seja a data considerada, a recorrente não tem direito a inclusão retroativa no Simples Nacional, relativo ao anocalendário de 2007. Primeiramente, antes de mais nada, correta a decisão da Câmara a quo. A efetiva data de abertura para efeito de opção no Simples se deu em 11/01/2008, isto porque a sua última inscrição, a inscrição municipal, foi deferida somente nesta data, não obstante a alegação da recorrente de possuir capacidade tributária passiva desde a abertura do CNPJ, nos termos do artigo 126, inciso III, do CTN, argumento este que não se aplica ao caso, pois o Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10850.002244/200835 Acórdão n.º 1001000.393 S1C0T1 Fl. 47 5 dispositivo legal trata da capacidade de o sujeito ser considerado devedor tributário. Não se refere à capacidade civil. Nem encontra azo a alegação de que pediu somente um alvará de funcionamento, pois Alvará é uma licença concedida pela Prefeitura, permitindo a localização e o funcionamento de estabelecimentos comerciais, industriais, agrícolas, prestadores de serviços, etc e cada órgão adota o seu procedimento com suas exigências para cada tipo empreendimento com vista a deferir, no caso de empresa em início de atividade, a sua inscrição municipal. Ademais, conforme se verifica na CND emitida pela Prefeitura do Município de Tanabi/SP, à efl. 6, a empresa tem a sua inscrição Municipal (nº 10.604), sendo esta inscrição efetivada no dia 11/01/2008. Em relação à opção pela sistemática do Simples Nacional no anocalendário 2007, conforme a legislação vigente à época dos fatos transcrita acima (também citada pela própria recorrente), a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, em seu art. 17, define que o prazo para fazer a opção, seria até o dia 20/08/2007 e somente o fez em 28/04/2008, portanto, a destempo. Também não encontra amparo legal a solicitação de retroatividade da inscrição. O próprio § 3º do art. 7º limita a opção ao anocalendário de início de atividade da ME ou EPP. Ainda que fosse considerada a data de abertura no dia 27/08/2007, a empresa teria que fazer a opção pelo Simples Nacional até o dia 07/09/2007 (antes do decurso de 10 dias), conforme dispõe o mesmo instrumento legal (art. 17, da Resolução CGSN nº 4/2007). Por todo o exposto, face à ultima inscrição ter sido efetivada no dia 11/01/2008 e à falta de amparo legal para se fazer a opção retroativa, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional para o anocalendário de 2007. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.720614/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MERCADORIAS. COMPRAS. DUPLICIDADE DE REGISTROS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS.
Devem ser glosados os custos com aquisição de mercadorias, quando o sujeito passivo deixa de apresentar a documentação hábil e idônea à sua comprovação, ou quando comprovado o registro em duplicidade de tais aquisições.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
PIS/PASEP. LANÇAMENTO DECORRENTE.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho.
Numero da decisão: 1302-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de realização de diligência, e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MERCADORIAS. COMPRAS. DUPLICIDADE DE REGISTROS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Devem ser glosados os custos com aquisição de mercadorias, quando o sujeito passivo deixa de apresentar a documentação hábil e idônea à sua comprovação, ou quando comprovado o registro em duplicidade de tais aquisições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 06 14 /2 01 2- 06 Fl. 3789DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.790 2 O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 PIS/PASEP. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de realização de diligência, e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Fl. 3790DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.791 3 Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 10 49.711, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (fls. 3.719 a 3.741), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. É de ser indeferido pedido de diligência quando a prova a ser produzida independe de conhecimento técnico específico. O objeto da diligência é subsidiar a decisão do julgador, e não suprir lacunas originadas pela inércia do contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 3791DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.792 4 COMPRAS DE INSUMOS E MERCADORIAS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Deve ser reconhecido o valor das compras contabilizadas e devidamente comprovadas por documentação idônea. Cabe ao contribuinte, na impugnação, apresentar essa documentação e indicar o correspondente registro na sua contabilidade, bem como todas as informações, documentos e situações especiais a ele relativos." O processo tem por objeto autos de infração lavrados contra a Recorrente (fls. 2.870 a 2.911), para a exigência de IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep, em relação ao anocalendário de 2008, no montante total de R$ 4.033.335,09 (juros de mora calculados até 31/03/2012). O Acórdão recorrido sintetiza o procedimento fiscal nos seguintes termos: "(...) 2) Procedimentos de Fiscalização: a) Em 02/03/11 teve início o procedimento fiscal, no qual o contribuinte foi intimado a explicar lançamentos a crédito da conta CAIXA contra uma conta do passivo denominada de DEPÓSITOS NÃO IDENTIFICADOS (DNI), totalizando R$ 2.400.009,47. A fiscalizada teria apresentado planilha mostrando que a maioria desses lançamentos era precedida por lançamentos a crédito de DNI contra a conta BANCO, mas não teria explicado o porquê de tais depósitos não terem baixado a conta CLIENTES, nem teria se preocupado em demonstrar a origem desses recursos. Em 13/07/11, em resposta a uma nova intimação de 04/07/11, o contribuinte teria acrescentado explicações a respeito desses lançamentos, explicando que seriam referentes à operação denominada “acerto de carga” (fls. 103 e 104). Em tal operação, os próprios motoristas, ao entregarem as vendas, recebiam pagamentos diretamente dos clientes, e os depositavam nas contas bancárias do sujeito passivo. A princípio, como o operador financeiro (responsável pela conciliação bancária) não sabia a que títulos os depósitos se referiam, estes eram lançados a débito de BANCO contra DEPÓSITOS NÃO IDENTIFICADOS (no passivo). Quando os motoristas retornavam, apresentavam os títulos recebidos dos clientes, e, aí, creditavamse as CONTAS A RECEBER, e baixavamse os DEPÓSITOS NÃO IDENTIFICADOS. A sequência de lançamentos era a seguinte, segundo o sujeito passivo: 1º) Baixa da duplicata: C – Duplicatas (contas a receber) D – Caixa; 2º) Depósito bancário não identificado: Fl. 3792DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.793 5 C – Depósitos Não Identificados (passivo) D – Banco 3º) Identificação do depósito: D – Depósitos Não Identificados C – Caixa. A explicação oferecida pelo sujeito passivo não teria se aplicado a muitos dos casos envolvidos no questionamento da fiscalização a respeito dos R$ 2.400.000,00 creditados no CAIXA contra DEPÓSITOS NÃO IDENTIFICADOS. Na verdade, teria havido várias situações em que só teriam ocorrido os passos 2 e 3, acima, sem nunca ter ocorrido a baixa de CONTAS A RECEBER (exemplos na fl. 146). Além disso, restou a dúvida de como seria possível efetuar o passo nº 1, acima, baixando DUPLICATAS num momento em que ainda não era sabido que cliente havia feito o pagamento, antes da volta do motorista. b) Em 19/07/11, a fiscalização encaminhou Requisições de Informações Sobre Movimentação Financeira (RMFs) ao Banco do Brasil, Banrisul, Banco Itaú, Banco Real e HSBC (fls. 116 a 132), do período sob fiscalização, e que foram todas atendidas até o final de agosto/2011. As requisições foram necessárias frente à recusa do contribuinte em fornecer os extratos bancários, quando teria justificado que os bancos não quiseram fornecêlos sob a alegação de que somente os entregariam “diretamente à Delegacia da Receita Federal através de intimação” (fl. 087, item 1). Ao analisar os extratos bancários recebidos, a fiscalização teria constatado a existência de alguns depósitos sem o correspondente lançamento contábil (fl. 147). c) Em 26/01/12, em resposta às intimações realizadas em 14/10, 10/11 e 26/12 de 2011, a fiscalização foi atendida com todas as planilhas solicitadas naquelas intimações, inclusive com substituição das que já haviam sido entregues, contendo a composição das seguintes linhas da DIPJ/2009: compras de insumos, compras de mercadorias, outros custos (CPV), serviços prestados por pessoas jurídicas (CPV), outras despesas operacionais, prestação de serviço por pessoa jurídica (despesas), devoluções de vendas, e planilhas que explicariam a composição do custo (“correção DIPJ ano base 2008” e “razão do CPV 2008”). Também vieram as respostas sobre os depósitos bancários sem lançamentos contábeis, e a respeito dos créditos no CAIXA (fls. 15891604). Ao analisar as últimas planilhas recebidas, a fiscalização constatou que havia várias notas fiscais duplicadas na composição das compras. Além disso, verificou que havia uma nota fiscal de retorno simbólico (CFOP 1907) justificando o valor das compras. Em 09/03/12, a fiscalização enviou um Fl. 3793DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.794 6 Termo de Constatação ao sujeito passivo, para que se manifestasse a respeito destes problemas (fls. 1616, 28152823). d) Sobre os depósitos bancários sem correspondência na contabilidade (fl. 2903): O contribuinte teria explicado que esses depósitos eram, na verdade (fl. 1592 1597, item 10): devoluções de adiantamentos feitos a alguns fornecedores, os quais haviam sido feitos em ocasiões diferentes, e, por isso, as devoluções também foram contabilizadas separadamente, embora os fornecedores os tenham feito num único depósito; bloqueios judiciais estornados pelo Banco, no mesmo dia; pagamentos efetuados por cliente, correspondentes a vários títulos, mas efetuados com depósito único; estorno de débitos incorretos efetuados pelo Banco. Segundo a fiscalização, as explicações acima foram todas comprovadas, cruzandose os registros contábeis e os extratos bancários (fl. 2903). e) Sobre depósitos bancários sem comprovação de origem: Com relação aos exemplos de depósitos efetuados em contas bancárias e, em contrapartida, creditados no passivo como DEPÓSITOS NÃO IDENTIFICADOS, o sujeito passivo teria informado (item 09, na folha 1591) que eram recursos disponíveis no caixa da empresa, os quais foram transferidos para os bancos. Teria alegado que os lançamentos deveriam ter sido feitos a crédito de CAIXA, e não de DEPÓSITOS NÃO IDENTIFICADOS. Por isso, posteriormente, teriam sido efetuados os lançamentos de acerto. Entretanto, o sujeito passivo não teria apresentado documentos que comprovassem a origem dos depósitos, conforme solicitado pela fiscalização na intimação de 26/12/2011 no item 03 (fls. 15851586), onde constam exemplos de lançamentos que estariam contidos no montante de R$ 2.400.009,47, referido no item 05 da mesma intimação (fl. 1586). Com essa resposta, a fiscalização teria constatado, então, uma mudança nos esclarecimentos fornecidos pelo contribuinte. Antes, ela declarara que os depósitos eram decorrentes da operação de “acerto de cargas” (item 6 do Auto de Infração/Procedimento de Fiscalização) e, nesta resposta, passaram a depósitos que a empresa fez em suas próprias contas bancárias, sem a devida comprovação. Ao final da análise, a fiscalização concluiu que parte dos depósitos questionados teria sido, de fato, corrigida com débito da conta CAIXA e crédito em CLIENTES, identificandose os títulos baixados. Outra parte significativa, no entanto, nunca teria sido baixada de CLIENTES, e o sujeito passivo não teria comprovado a sua origem (fls. 16171619). Estes depósitos de Fl. 3794DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.795 7 origem não comprovada somam R$ 1.291.493,62 (Um milhão, duzentos e noventa e um mil, quatrocentos e noventa e três reais e sessenta e dois centavos), e caracterizariam omissão de receita, segundo o caput e § 1º do art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 29/03/1999), tendo sido lançado no auto de infração (fl. 2873). f) Reflexo da Omissão de Receita (Depósitos Bancários sem Comprovação de Origem) Lançamentos de PIS e COFINS: Os valores mensais das receitas omitidas acarretaram lançamentos de ofício para PIS e COFINS. Segundo a fiscalização, todos os créditos apurados pelo sujeito passivo, nos meses de 2008, já teriam sido aproveitados de alguma maneira, a maior parte em PER/DCOMPs (fl. 1620), enquanto os créditos presumidos da atividade agroindustrial já teriam sido utilizados nos próprios DACONs, para quitar os débitos mensais (fls. 16211968). Os valores de tributo lançados em PIS (R$ 21.309,65) e COFINS (R$ 98.153,52) encontramse demonstrados nos respectivos autos de infração (PIS fls. 2895 a 2899 / COFINS – fls. 2883 a 2888) e tabela no Termo de Verificação de Infração (fl. 2905). g) Reflexo da Omissão de Receita (Depósitos Bancários sem Comprovação de Origem) Lançamentos de Estimativas Mensais de IRPJ/CSLL Recolhidas aMenor: As omissões de receita, oriundas dos depósitos bancários sem comprovação de origem, teriam causado impacto na apuração anual do IRPJ e da CSLL. Mas, também por causa destas omissões, houve meses em que as estimativas foram recolhidas a menor. Foram lançadas, assim, multas isoladas de 50% sobre o valor do pagamento mensal de estimativa que deixou de ser efetuado, conforme determinado no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Essas multas isoladas foram apuradas conforme tabelas constantes no Termo de Verificação de Infração (fl. 2906) e os valores lançados nos respectivos autos de infração do IRPJ (fl. 2874) e CSLL (fl. 2882). h) Valores Incorretos (a Maior) das Compras de Insumos e Mercadorias Declaradas na DIPJ/2009: O contribuinte teria enviado planilha mostrando notas fiscais de compras contabilizadas pela empresa totalizando R$ 344.466.297,17 (fl. 2907) e que, em princípio, seria um valor compatível com o levantado pela fiscalização nos registros contábeis da empresa, mas abaixo daquele declarado na DIPJ/2009 (R$ 361.113.100,21). Numa segunda planilha, o contribuinte tentou comprovar que algumas compras teriam sido contabilizadas diretamente na conta CPV, num montante de R$ 16.645.893,86 que, adicionado ao valor daquelas notas fiscais (R$ 344.466.297,17) resultariam Fl. 3795DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.796 8 num montante de compras de R$ 361.112.191,03, compatível com o valor declarado na DIPJ/2009 (R$ 361.113.100,21). Numa terceira planilha (fl. 2841), o sujeito passivo teria mostrado as alterações que deveriam ser feitas na ficha de formação de custos da DIPJ/2009, as quais não comprometeriam o resultado final. Porém, a fiscalização constatou algumas inconsistências nas duas primeiras planilhas apresentadas, e que modificariam o montante dos custos declarados. Em primeiro lugar, várias compras mostradas na planilha dos lançamentos, feitas diretamente no CPV, também aparecem na planilha das compras lançadas em ESTOQUE. Estes valores duplicados (fls. 28422850) totalizaram R$ 10.678.893,46. Por outro lado, na planilha de compras lançadas em ESTOQUE, o contribuinte não inclui as entradas com origem nas COMPRAS PARA RECEBIMENTO FUTURO, que totalizaram R$ 11.695.521,78, conforme constatado pela fiscalização nos registros contábeis. A fiscalização constatou, ainda, que o contribuinte teria incluído várias notas fiscais de compra na planilha que justifica as compras de 2008, e que não deveriam constar dos registros contábeis de 2008. Seriam notas fiscais contabilizadas em 2009 (fls. 28512856), de acordo com os registros contábeis de 2009 extraídos do SPED (fls. 28572868). Estas notas fiscais com entrada em 2009, num montante de R$ 5.904.633,44, não poderiam compor as compras do ano calendário de 2008. A fiscalização encontrou, também, uma nota fiscal de retorno simbólico (CFOP 1907), com entrada em 09/06/2008, emitida pelo CNPJ 01.785.688/000125, com mercadorias no valor de R$ 821.462,88, que comporiam, indevidamente, as compras de 2008 (fls. 1616 e 2829). Em resumo, do valor demonstrado pelo sujeito passivo (R$ 361.112.191, 03), deveriam ter sido retiradas as notas duplicadas (R$ 10.678.893,46), a nota fiscal de retorno simbólico (R$ 821.462,88) e as notas fiscais de entradas referentes ao ano de 2009 (R$ 5.904.633,44). Ao resultado deveriam ser somadas as compras para recebimento futuro, com remessas efetuadas dentro de 2008 (R$ 11.695.521,78), para se chegar ao valor total das compras (insumos + mercadorias = R$ 355.402.723,03) que deveria aparecer na DIPJ 2009, conforme demonstrado abaixo: Fl. 3796DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.797 9 A redução de R$ 5.710.377,18 no valor das compras informadas na DIPJ/2009 (anocalendário 2008) acarretaria a mesma redução nos custos. Portanto, este valor somado às receitas omitidas (R$ 1.291.493,62) resultaria no montante de R$ 7.001.870,80 a ser acrescentado ao lucro real que aparece na DIPJ/2009, conforme tabelas abaixo: Assim, aplicando a redução de custos (com a retificação do total das compras de insumos e mercadorias), e acrescentandose a receita omitida (dos depósitos bancários sem origem comprovada), o contribuinte passaria do saldo negativo de IRPJ declarado na DIPJ 2009 ( R$ 1.579.552,48) a um IRPJ a pagar de R$ 170.915,22. Além disso, o saldo negativo da CSLL diminui de R$ 1.430.163,80 para R$ 799.995,43. A fiscalização constatou que o contribuinte já teria utilizado o saldo negativo do IRPJ para compensar outros débitos, através da Declaração de Compensação DCOMP nº 24393.40114.280909.1.7.022368, que foi totalmente homologada. O saldo negativo da CSLL, por sua vez, teria sido pleiteado através do pedido de restituição número 39617.73252.280909.1.6.038730, que ainda se encontra em análise (fl. 2869)." Diante das infrações de omissão de receitas referentes a depósitos bancários de origem não comprovada, de superavaliação de compras, e de compensação indevida de IRPJ, a fiscalização procedeu aos lançamentos de ofício, dos seguintes valores, : a) IRPJ (apuração anual) de R$ 1.750.467,70, decorrente da soma do imposto apurado (R$ 170.915,22) com o saldo negativo utilizado em declaração de compensação transmitida pelo contribuinte, e totalmente homologada, no montante de R$ 1.579.552,48; Fl. 3797DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.798 10 b) Redução do saldo negativo da CSLL, de R$ 1.430.163,80 para R$ 799.995,43; c) Contribuição ao PIS/Pasep e COFINS reflexas da infração de omissão de receitas. Foram aplicadas, ainda, multas isoladas por recolhimento a menor de estimativas de IRPJ e CSLL. O sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 2.919 a 2.931), por meio da qual suscitou: a) a nulidade do lançamento, em razão de inconstitucionalidade caracterizada pela quebra do sigilo fiscal procedida pela autoridade fiscal; b) a realização de diligência, caso o julgador de primeira instância constatasse a necessidade de se reapreciar dados fiscais; c) a inexistência de omissão de receitas, pois os depósitos bancários teriam sido realizados por motoristas responsáveis pela entrega das mercadorias, sem identificação imediata e com posterior conferência das notas fiscais; d) que a duplicidade de lançamentos de compras existiria apenas nas planilhas encaminhadas à autoridade fiscal e não da DIPJ; e) que a constatação de existência nas referidas planilhas de registros contábeis de 2009, decorreria da consideração da data de emissão das notas fiscais, em lugar da data de entrada das mercadorias e insumos; f) a inexistência da divergência entre os valores de compras, posto que decorreria da ausência nas citadas planilhas de valores referentes a estornos de créditos de ICMS; g) que a constatação de compensação indevida seria decorrente dos equívocos reportados anteriormente; h) que, ainda que os lançamentos principais fossem procedentes, a multa isolada não poderia ser lançada, posto que encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL; a falta de pagamento do tributo estimado seria meio preparatório para a supressão do tributo apurado ao final do exercício; e houve aplicação de multa de ofício de 75% sobre a mesma base de cálculo; i) que os lançamentos decorrentes deveriam ser afastados como consequência da improcedência do lançamento principal. A decisão de primeira instância rejeitou a preliminar de nulidade, por não vislumbrar qualquer ilegalidade no procedimento de obtenção de informações bancárias; e o pedido de diligência, por considerálo desnecessário à solução da lide. No mérito, manteve incólume a autuação, por entender: Fl. 3798DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.799 11 que o sujeito passivo não apresentou as provas necessárias para afastar a constatação de omissão de receitas e duplicidade de lançamentos de compras, limitandose a fazer meras alegações; que a contabilização do estorno de créditos de ICMS já havia sido considerada pela Fiscalização, não tendo havido prova de novos estornos; que não havendo equívocos quanto às infrações acima citadas, é correta a cobrança do valor correspondente ao saldo negativo de IRPJ utilizado em Declarações de Compensação (DComp), bem como a redução do saldo negativo de CSLL; que a cobrança da multa isolada tem previsão legal e tal penalidade não possui o mesmo fato gerador e base de cálculo da multa de ofício de 75%; que, mantido o lançamento principal, devem, igualmente, serem mantidos os lançamentos reflexos. Regularmente cientificado (fl. 3.742 a 3.746), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário (fls. 3.748 a 3.777), por meio do qual: a) repete a preliminar de nulidade do lançamento, por violação ao sigilo bancário, posto que realizada sem a prévia autorização judicial, de modo que a prova assim obtida seria ilícita; b) alternativamente, que o julgamento seja sobrestado para aguardar decisão final do Supremo Tribunal Federal sobre o tema; c) repisa a alegação de inexistência de omissão de receitas, já que parte dos depósitos não identificados em suas contas bancárias seriam oriundos da conta Caixa e parte teriam sido realizados por motoristas responsáveis pela entrega das mercadorias, sem identificação imediata e com posterior conferência das notas fiscais; d) reproduz ipsis litteris os trechos da Impugnação referentes às infrações de superavaliação de custos, compensação indevida e ausência de recolhimento de estimativas, bem como acerca dos lançamentos reflexos; e) por fim, formula quesitos a serem respondidos em eventual diligência, caso os julgadores entendam necessária a reapreciação de dados fiscais, outros apontamentos ou em caso de persistência de dificuldades em analisar tais provas. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 26 de maio de 2014 (fl. 3.746), tendo apresentado Recurso Voluntário em 24 de junho de 2014 (fls. 3.748 a 3.777), Fl. 3799DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.800 12 dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 2.932 e 3.769. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I, II, IV e VI, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da preliminar de nulidade A Recorrente invoca a nulidade do lançamento, porque este estaria embasado em provas ilícitas, obtidas, com violação de preceitos constitucionais, por meio da quebra de sigilo bancário sem a prévia autorização judicial. O exame dos autos revela que, de fato, a autoridade fiscal utilizouse de provas obtidas por meio de Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), uma vez que o sujeito passivo deixou de atender à Intimação para apresentação de extratos bancários sob a alegação de que a instituição financeira somente forneceria os referidos documentos se demandados diretamente pela Receita Federal do Brasil (fls. 116 a 145). A análise da constitucionalidade dos atos legais e infralegais que suportam o procedimento adotado pela autoridade fiscal escapa à competência deste Conselho, conforme consagrado na Súmula CARF nº 02: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ademais, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP (Rel. Ministro Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, DJ 16/09/2016), com repercussão geral reconhecida, decidiu pela constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, conforme Ementa a seguir: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da Fl. 3800DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.801 13 tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento." Tal entendimento é de observância obrigatória pelo CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do seu Regimento Interno, e é o posicionamento definitivo da Suprema Corte, de modo que não há razão para sobrestamento do julgamento. Isto posto, rejeito a preliminar de nulidade invocada pela Recorrente. 3. Do pedido de diligência Fl. 3801DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.802 14 A Recorrente insere no seu apelo, como já havia realizado na Impugnação, um requerimento de diligência, caso os julgadores entendam "pela necessidade de se reapreciar dados fiscais, outros apontamentos ou que persistam dificuldades em analisálos". O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No mesmo sentido, o art. 29 do citado Decreto dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona: "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade." O Acórdão recorrido rejeitou o pedido formulado pelo sujeito passivo, nos seguintes termos: "No caso concreto, entendo desnecessária a realização de diligência, já que as provas necessárias à defesa são de fácil obtenção, dependendo de providências do próprio contribuinte (seus livros e assentamentos contábeis e fiscais), já exaustivamente solicitados pela fiscalização através de sucessivas intimações no decorrer do procedimento fiscal e, posteriormente à lavratura dos autos de infração, na impugnação, momento em o contribuinte pode exercer o seu pleno direito ao contraditório e a ampla defesa, já que ciente dos motivos porque estava sendo autuado. Na impugnação, ademais, o contribuinte deveria incluir todos os documentos comprobatórios necessários para a procedência de seu pleito, sob pena de preclusão, conforme determina o § 4º do art. 16 do PAF. Assim, rejeito o pedido de diligência suscitado pelo contribuinte, por desnecessário à solução da lide." Fl. 3802DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.803 15 De fato, não vislumbro no presente caso qualquer necessidade de que seja realizada a diligência requerida. Os autos se encontram adequadamente instruídos. A autoridade fiscal foi extremamente cuidadosa na reunião dos elementos probatórios e, à Recorrente, foram ofertadas fartas ocasiões para a apresentação dos documentos que entendesse necessários para afastar as infrações a ela imputadas, bem como para robustecer os seus argumentos de defesa. Os quesitos formulados pela Recorrente são, como se observará no restante do presente voto, facilmente respondidos, a partir dos elementos de prova já existentes nos autos. Isto posto, rejeito o pedido de diligência. 4. Do mérito 4.1 Da omissão de receitas Conforme Termo de Verificação de Infração (fls. 2.900 a 2.909), constatou se a existência de depósitos efetuados em contas bancárias da Recorrente, tendo como contrapartida registros contábeis em conta de passivo denominada "Depósitos Não Identificados". Em resposta a Intimação, a Recorrente alegou (fl. 1.591) que se tratava de transferência de recursos disponíveis no seu Caixa, sem, contudo, apresentar documentos que comprovassem a origem dos depósitos. Em atendimento a intimação anterior (fls. 103 e 104), contudo, a Recorrente havia vinculado os referidos depósitos a "acertos de carga", relacionandoos a valores recebidos e depositados pelos motoristas responsáveis pelo transporte das mercadorias. Para a autoridade fiscal, porém, apenas parte dos referidos depósitos comprovadamente se referiam a ditos ajustes, de modo que o montante de R$ 1.291.493,62 permaneceu sem comprovação da origem, pelo que a autuação de omissão de receitas foi realizada com base no art. 287 do RIR/99. In verbis: "Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §1º). §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §2º). Fl. 3803DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.804 16 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §3º, inciso I)." Na Impugnação apresentada, o sujeito passivo repetiu as mesmas justificativas e apresentou planilha constante do DOC2 (fls. 2.934 a 2.939), onde vincula alguns dos depósitos a notas fiscais, sem, contudo, apresentar qualquer comprovação. A decisão de primeira instância não acatou as justificativas apresentadas, exatamente por estarem desacompanhadas de qualquer elemento de prova, nos seguintes termos: "O contribuinte, em sua defesa, anexa um relatório (fls. 2934 a 2939), onde aponta vários registros do auto de infração, para os quais tenta justificar baixas na conta CLIENTES A RECEBER. Em alguns registros, indica um número de nota fiscal e nome do cliente e, em outros, apenas a data de baixa. Porém, o contribuinte faz apenas meras alegações sobre essas baixas, não anexa as notas fiscais supostamente baixadas e nem relaciona as baixas indicadas no campo “HISTÓRICO” daquele relatório com a parte de sua contabilidade onde essas baixas teriam sido registradas. Não cabe ao julgador sair à procura de documentos fiscais do contribuinte, nem criar relacionamentos entre estes e a sua contabilidade, sob pena de incorrer em erros que possam até mesmo prejudicálo. Em suma, não cabe ao julgador produzir as provas que o contribuinte tem a obrigação de apresentar no momento da impugnação, inclusive sob pena de preclusão, conforme estabelece o inciso III e o § 4º, ambos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). " Tendo sido renovadas no Recurso Voluntário as justificativas já apresentadas na Impugnação, sem qualquer nova razão de defesa, entendo que deve ser mantida a decisão constante do Acórdão recorrido, pelo que voto pelo improvimento do Recurso Voluntário em relação a este tópico. 4.2 Da superavaliação de compras Conforme já relatado, a autoridade fiscal constatou que o valor de compras informado pelo sujeito passivo na DIPJ relativa ao anocalendário de 2008 superou as compras efetivamente comprovadas em R$ 5.710.377,18. Tal diferença se origina, em síntese, da consideração pelo sujeito passivo de notas fiscais de entrada em duplicidade; do registro de entradas referentes ao anocalendário de 2009 e da inclusão de nota fiscal de retorno simbólico (CFOP 1907). As justificativas apresentadas pelo sujeito passivo na Impugnação foram: Fl. 3804DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.805 17 a) que a duplicidade de lançamentos de compras existiria apenas nas planilhas encaminhadas à autoridade fiscal e não da DIPJ, e que decorreriam do fato de que as citadas planilhas teriam como origem bases distintas (livro fiscal e razão contábil); b) que a constatação de existência nas referidas planilhas de registros contábeis de 2009, decorreria da consideração da data de emissão das notas fiscais, em lugar da data de entrada das mercadorias, de modo que a glosa seria justificada; c) que não existiria divergência entre os valores de compras, posto que decorreria da ausência nas citadas planilhas de valores referentes a estornos de créditos de ICMS. O Acórdão recorrido rejeitou o primeiro argumento posto que as justificativas apresentadas, desacompanhadas de qualquer elemento de prova a seu favor, não afastam a constatação de que a duplicidade se originou da contabilização das mesmas notas fiscais nas contas "Estoque" e "Custo dos Produtos Vendidos (CPV)". Com toda razão a autoridade de primeira instância. É certo que a utilização de duas bases de dados para gerar as planilhas elaboradas pela Recorrente, no intuito de comprovar os valores utilizados na apuração realizada na DIPJ, a título de Compras de mercadorias, pode justificar a duplicidade dos registros. Contudo, a Recorrente não apresenta qualquer argumento e/ou elemento de prova capaz de afastar a constatação da autoridade fiscal de que os montantes de Compras utilizados na DIPJ foram superiores àqueles efetivamente comprovados. Quanto ao outro argumento rechaçado no Acórdão recorrido (a ausência de consideração dos estornos de créditos de ICMS), também acertada a decisão da DRJ. No item 9 do Termo de Verificação de Infração (fl. 2.902), a autoridade fiscal demonstrou minuciosamente a composição do valor de compras de insumos e mercadorias para revenda registrado contabilmente pela Recorrente, conforme extratos de fls. 180 a 1.574. Ali, observase explicitamente a consideração dos valores de estornos de tributos a recuperar (contas contábeis do grupo 11105), dentre os quais se inclui o ICMS. Como apontado no Acórdão recorrido, os valores agora apontados pela Recorrente já estão incluídos em tais lançamentos, conforme fls. 321 a 325, 448 a 459, 1.014 a 1.127 e 1.511 a 1.516. O montante de compras a que chegou a autoridade fiscal e aquele apontado pela Recorrente em atendimento a intimação fiscal (fls. 2.218 a 2.806) foram da ordem de 244 (duzentos e quarenta e quatro) milhões de reais. Como se não bastasse, a autoridade fiscal ainda acatou uma segunda planilha apresentada pela Recorrente, com valores de compras lançadas diretamente no Custos dos Produtos Vendidos (fls. 2.824 a 2.840), com mais cerca de 16 (dezesseis) milhões de reais, excluindo apenas os três pontos de que trata a infração em tela (registros em duplicidade, compras de 2009 e retorno simbólico de mercadorias). Fl. 3805DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.806 18 Na nova planilha apresentada, por igual modo, vêse explicitamente o registro de estornos de créditos do ICMS. Não há, portanto, qualquer comprovação pela Recorrente de estornos de créditos que não teriam sido considerados na apuração realizada pela autoridade fiscal que, como se destacou, aproveitou todos os valores registrados contabilmente pelo próprio sujeito passivo. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário também quanto a este tópico. 4.3 Da compensação indevida A defesa da Recorrente é embasada tão somente na existência de erros na apuração das duas infrações anteriormente tratadas, de modo que deveria, como consequência, ser considerada improcedente a exigência do montante de IRPJ indevidamente compensado e a redução do saldo negativo de CSLL. A contrario sensu, a ratificação das infrações anteriores leva à manutenção também das infrações de que tratam o presente subitem, pelo que deve ser improvido o Recurso Voluntário também sob este aspecto. 4.4 Da multa isolada Por fim, a pessoa jurídica argumenta, em seu Recurso, que a multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL não poderia ser imposta após o encerramento do anocalendário e em concomitância com a exigência de tais tributos com multa de ofício de 75%, uma vez que isso configuraria duplicidade de penalidade. Ademais, no seu entender, a falta de pagamento do tributo estimado seria meio preparatório para a supressão do tributo apurado ao final do exercício. A argumentação da Recorrente não merece ser acolhida. Conforme art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não há impedimento para a aplicação concomitante das referidas penalidades, que possuem bases de cálculo distintas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3806DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.807 19 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" A multa de ofício sobre o ajuste anual é embasada no inciso I do referido dispositivo e calculada sobre a diferença de imposto apurada ao final do exercício; a multa isolada tem por base o inciso II, e é calculada sobre o valor devido no mês correspondente. A primeira alegação da Recorrente é totalmente despida de sentido, já que o momento de aplicação da penalidade isolada é exatamente após o encerramento do ano calendário. Antes disso, a autoridade fiscal exigirá o próprio tributo devido por estimativa. É essa a justificativa, portanto, para a Súmula CARF nº 82. Quanto à concomitância e subsunção de penalidades, também não há razão para acolhêlas. Todas as decisões do CARF trazidas pela Recorrente para fundamentar a sua tese se referem à redação anterior do referido art. 44 (e que se apresentam em consonância com a Súmula CARF nº 105). É que na redação original do dispositivo legal, a multa de ofício aplicada ao final do exercício e a multa pelo não recolhimento da estimativa tinham, ambas, como fundamento legal o inciso I do citado art. 44, razão pela qual se firmou a tese da inaplicabilidade concomitante. Após a alteração da redação, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, entendese plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. O Princípio da Subsunção, por outro lado, constituise em princípio geral do Direito Penal, sem transposição para o Direito Penal Tributário, dadas às especificidades da norma penal tributária. Cabe neste momento a transcrição de trecho do voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, no Acórdão nº 9101002.438 (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 20 de setembro de 2016), de sua relatoria, que rejeita tanto a aplicação do Princípio em questão, quanto a vedação à concomitância das penalidades, como invocado pela Recorrente: "Quanto à transposição do princípio da consunção para o Direito Tributário, vale a transcrição da oposição manifestada pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Fl. 3807DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.808 20 Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o 'in dubio pro reo' do art. 112. Oportuna, também, a citação da abordagem exposta em artigo publicado por Heraldo Garcia Vitta: O Direito Penal é especial, contém princípios, critérios, fundamentos e normas particulares, próprios desse ramo jurídico; por isso, a rigor, as regras dele não podem ser estendidas além dos casos para os quais foram instituídas. De fato, não se aplica norma jurídica senão à ordem de coisas para a qual foi estabelecida; não se pode pôr de lado a natureza da lei, nem o ramo do Direito a que pertence a regra tomada por base do processo analógico.[Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, p.212] Na hipótese de concurso de crimes, o legislador escolheu critérios específicos, próprios desse ramo de Direito. Logo, não se justifica a analogia das normas do Direito Penal no tema concurso real de infrações administrativas. A ‘forma de sancionar’ é instituída pelo legislador, segundo critérios de conveniência/oportunidade, isto é, discricionariedade. Competelhe elaborar, ou não, regras a respeito da concorrência de infrações administrativas. No silêncio, ocorre cúmulo material. Aliás, no Direito Administrativo brasileiro, o legislador tem procurado determinar o cúmulo material de infrações, conforme se observa, por exemplo, no artigo 266, da Lei nº 9.503, de 23.12.1997 (Código de Trânsito Brasileiro), segundo o qual “quando o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, serlheão aplicadas, cumulativamente, as respectivas penalidades”. Igualmente o artigo 72, §1º, da Lei 9.605, de 12.2.1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de Fl. 3808DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.809 21 condutas lesivas ao meio ambiente: “Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações [administrativas, pois o disposto está inserido no Capítulo VI –Da Infração Administrativa] serlheão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas”. E também o parágrafo único, do artigo 56, da Lei nº 8.078, de 11.9.1990, que regula a proteção do consumidor: “As sanções [administrativas] previstas neste artigo serão aplicadas pela autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive por medida cautelar antecedente ou incidente de procedimento administrativo”.[Evidentemente, se ocorrer, devido ao acúmulo de sanções, perante a hipótese concreta, pena exacerbada, mesmo quando observada imposição do mínimo legal, isto é, quando a autoridade administrativa tenha imposto cominação mínima, estabelecida na lei, ocorrerá invalidação do ato administrativo, devido ao princípio da proporcionalidade.] No Direito Penal são exemplos de aplicação do princípio da consunção a absorção da tentativa pela consumação, da lesão corporal pelo homicídio e da violação de domicílio pelo furto em residência. Característica destas ocorrências é a sua previsão em normas diferentes, ou seja, a punição concebida de forma autônoma, dada a possibilidade fática de o agente ter a intenção, apenas, de cometer o crime que figura como delitomeio ou delitofim. Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: [...]Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 3809DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.810 22 II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da Fl. 3810DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.811 23 estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem." Essa tem sido a jurisprudência dominante sobre o tema, inclusive no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustra a ementa a seguir referenciada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 (...) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007." (Acórdão nº 9101002.801 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 10 de maio de 2017) Após a alteração da redação, entendese, como já dito, plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. Desta forma, rejeito o Recurso apresentado também quanto a este tópico. 4.5 Dos lançamentos reflexos Como argumentado pela própria Recorrente, os lançamentos referentes à CSLL, Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep "por serem reflexos, tem sua sorte vinculada ao que for decidido com relação ao principal, dada a relação de causa e efeito existente entre um e outros". Fl. 3811DF CARF MF Processo nº 13116.720614/201206 Acórdão n.º 1302002.621 S1C3T2 Fl. 3.812 24 Neste sentido, mantido íntegro o lançamento principal, cabe igualmente a manutenção das exigências reflexas. 5. Da conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir o pedido de diligência e negar integral provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3812DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720676/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Ementa:
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO SEM QUE SE TENHA OPOSTO, EM PRIMEIRA INSTÂNCIA, IMPUGNAÇÃO
O recurso voluntário devolve a matéria tratada na instância inferior; à mingua oposição de impugnação, não há como se conhecer do recurso porventura interposto.
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Os custos e despesas contabilizados devem estar amparados em documentação hábil e idônea, emitidos por terceiros, ou decorrentes da folha de pagamento da empresa, sob pena de tributação como despesas não comprovadas, ou inexistentes.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE COMPROVADA.
O sujeito passivo ao registrar reiterada e sistematicadamente nos livros contábeis mais de 60% dos custos e despesas com o histórico transf. de custos/desp. conf. ND do mês, com contrapartida em conta de mútuo, sem justificativa plausível ou comprovação documental dos custos e despesas, praticou a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - ART. 135, III, DO CTN - NECESSIDADE DE IMPUTAÇÃO DE ATOS ILÍCITOS DIRETAMENTE À PESSOA CONSIDERADA RESPONSÁVEL
Ainda que figure como responsável tributário como administrador da empresa autuada, é imperioso que a fiscalização apure a prática dos atos ilícitos descritos no art. 135, III, do CTN, diretamente imputáveis à esta pessoa, situação não verificada no caso em que o real administrador da empresa, munido, inclusive, de instrumento de procuração, assina todos os documentos que deram ensejo à perquirição fiscal.
Numero da decisão: 1302-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da responsável solidária Alexandra Flavia Perissinoto; e, em negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo principal, e, por maioria em dar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Julia Perissinoto Tavares, vencidos os Conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho e Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausência, momentânea do Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), que foi substituído pelo Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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(ESPÓLIO DE ALEXANDRA FLÁVIA PERISSINOTO E JULIA PERISSINOTO TAVARES) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: PROCESSUAL ADMINISTRATIVO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO SEM QUE SE TENHA OPOSTO, EM PRIMEIRA INSTÂNCIA, IMPUGNAÇÃO O recurso voluntário devolve a matéria tratada na instância inferior; à mingua oposição de impugnação, não há como se conhecer do recurso porventura interposto. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os custos e despesas contabilizados devem estar amparados em documentação hábil e idônea, emitidos por terceiros, ou decorrentes da folha de pagamento da empresa, sob pena de tributação como despesas não comprovadas, ou inexistentes. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE COMPROVADA. O sujeito passivo ao registrar reiterada e sistematicadamente nos livros contábeis mais de 60% dos custos e despesas com o histórico “transf. de custos/desp. conf. ND do mês”, com contrapartida em conta de mútuo, sem justificativa plausível ou comprovação documental dos custos e despesas, praticou a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 76 /2 01 2- 93 Fl. 759DF CARF MF Processo nº 19515.720676/201293 Acórdão n.º 1302002.560 S1C3T2 Fl. 760 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ART. 135, III, DO CTN NECESSIDADE DE IMPUTAÇÃO DE ATOS ILÍCITOS DIRETAMENTE À PESSOA CONSIDERADA RESPONSÁVEL Ainda que figure como responsável tributário como administrador da empresa autuada, é imperioso que a fiscalização apure a prática dos atos ilícitos descritos no art. 135, III, do CTN, diretamente imputáveis à esta pessoa, situação não verificada no caso em que o real administrador da empresa, munido, inclusive, de instrumento de procuração, assina todos os documentos que deram ensejo à perquirição fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da responsável solidária Alexandra Flavia Perissinoto; e, em negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo principal, e, por maioria em dar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Julia Perissinoto Tavares, vencidos os Conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho e Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausência, momentânea do Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), que foi substituído pelo Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. Relatório Cuida o feito de auto de infração lavrado em face da empresa ora recorrente para a exigência de créditos tributários de IRPJ e CSLL em decorrência de glosas efetivadas quanto ao lançamento de despesas/custos desprovidos de prova idônea e suficiente à demonstração de sua incorrência. Nos termos do relato constante do TVF de fls. 325/332, o contribuinte teria registrado em sua escrita contábil e, também, em sua DIPJ, despesas que representavam cerca de 60% de todo o volume de dispêndios utilizado na composição do lucro líquido no período. Tais despesas/custos estavam registradas na conta contábil com histórico "TRANSF. DE CUSTOS/DESP. CONF. ND NO MÊS". Fl. 760DF CARF MF Processo nº 19515.720676/201293 Acórdão n.º 1302002.560 S1C3T2 Fl. 761 3 Ainda de acordo com o a Fiscalização, o recorrente foi intimado por diversas vezes para justificar os aludidos lançamentos e trazer provas que demonstrassem as preditas despesas, tendo o contribuinte, num primeiro momento, quedado inerte. Apenas após nova intimação, a empresa se manifestou afirmando que as preditas despesas decorreriam de pagamentos de contrato de mútuo firmado com a empresa SPCOM Comércio (cuja sócio administradora também era sócia da mutuante), sem, contudo, trazer qualquer documento adicional. A fiscalização promoveu nova intimação para que esclarecimentos efetivos fossem apresentados, em relação a qual o contribuinte se limitou a reafirmar que as citadas despesas se refeririam aos pagamentos realizados à empresa mutuária. Pelo que se extrai do TVF, a fiscalização afirma que, considerandose que o pagamento de mútuo deve ser lançado a crédito de conta de caixa, tendo como contrapartida as contas de direitos/deveres e que o recorrente, outrossim, efetuou o registro destes pagamentos em contas de despesas/custos; por estas razões, a D. Auditoria Fiscal glosou todos os valores lançados a título de "TRANSF. DE CUSTOS/DESP. CONF. ND NO MÊS". Mais que isso, desconsiderou o contrato de mútuo apresentado pelo contribuinte, mormente por não ter verificado o registro da citada avença em cartório de registro de notas e, lado outro, por não identificar a assinatura do contrato por testemunhas. Além de lançar o crédito relativo aos tributos em análise, a Fiscalização aplicou, ainda, a multa qualificada preconizada pelo art. 44 da Lei 9.430, em especial pelo volume de despesas registradas, a seu ver, dolosamente, em contas de resultado o que teria, volitiva e conscientemente, ocasionado o aumento do valor das despesas consideradas pelo recorrente como dedutíveis. Por fim, lavrou os termos de sujeição passiva em face das sócias administradoras Alexandra Flávia e Júlia Flávia à alegação de ter ocorrido a pratica de atos ilícitos na forma do art. 135, III, do CTN; lavrou, também, o competente termo de representação para fins penais. O contribuinte e a coresponsável Julia apresentaram suas impugnações administrativas tendo o primeiro defendido a correção formal do contrato de mútuo, sustentando a validade dos lançamentos das despesas na escrita contábil e fiscal, além de alegar a inocorrência de dolo ou fraude a justificar a imposição da multa qualificada. Ao fim, sustentou, ainda, não se observarem no caso as hipóteses do art. 135, III, do CTN, sendo descabida a imposição da coresponsabilidade às sócias da empresa, premendo pelo cancelamento da autuação e, sucessivamente, a inexistência de responsabilidade Já a recorrente, Júlia, limitouse a afirmar ausência de comprovação,quanto a ela, da prática de atos ilícitos afirmando que a administradora de fato da empresa era a senhora Alexandra Flávia que, inclusive, dispunha de procuração para atuar em nome do contribuinte. A coresponsável, Flávia, não apresentou impugnação. A DRJ/SP, instada a se pronunciar sobre o AI e as impugnações apresentadas, houve por bem julgálas improcedentes, mantendose, integralmente, as exigências e a responsabilização das coobrigadas. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 19515.720676/201293 Acórdão n.º 1302002.560 S1C3T2 Fl. 762 4 As sócias Alexandra (espólio) e Júlia foram intimadas do resultado de julgamento em 31/10/2013 (ARs de fls. 687/688), tendo, ambas, interposto o seu recurso voluntário 29 de novembro e em 02 de dezembro, respectivamente. Em seu apelo, alegaram a nulidade do termo de sujeição passiva, tendo em conta a impossibilidade de se responsabilizar os sócios gerentes sem que lhe seja franqueada defesa prévia, afirmando, outrossim, que a competência para se apurar a predita responsabilidade seria da PGFN. Alegaram, mais, que, não tendo findado o processo administrativo, seria incabível a sua responsabilização, sem prejuízo de inexistir, no feito, provas da prática de atos que tipificariam a hipótese do art. 135, III, do CTN. A recorrente, Júlia, sustentou, ainda, a sua "irresponsabilidade" sob a alegação de que já havia se retirado da sociedade à época da lavratura do auto de infração e que, mais, não teria participado de nenhum dos atos tratados neste feito, não tendo assinado o contrato de mútuo, nem tampouco a escrita contábil e fiscal da empresa autuada. O contribuinte, devedor principal, foi intimado por meio de edital (já que a intimação por carta restou improfícua) afixado em 19/11/2013 (doc. de fl. 692), tendo interposto o seu recurso no dia 29 do mesmo mês, por meio do qual reiterou as alegações constantes de sua impugnação, afirmando, ainda, a inconstitucionalidade da multa qualificada por violação ao princípio do nãoconfisco. Os autos, então, foram encaminhados à este Colegiado para análise e julgamento. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Os recursos do contribuinte e da corresponsável, Júlia, são tempestivos e preenchem os requisitos legais, razão pela qual, deles conheço. O mesmo não posso afirmar em relação ao recurso manejado pela Sr. Alexandra. Isto porque, como alertado pela decisão de primeira instância, a devedora não apresentou impugnação administrativa, tendo ocorrido, em relação à ela, trânsito em julgado administrativo. Como a recurso administrativo, a teor do art. 33, devolve, total ou parcialmente, a matéria abarcada em primeira instância, em não tendo ocorrido a oposição de impugnação, não há o que ser devolvido, em relação ao espólio de Alexandra, razão pela qual não conheço de seu recurso. I. Recurso voluntário. Devedor principal. I.1 Glosas realizadas. Tanto em sua impugnação, como no recurso voluntário (e, alias, como nas manifestações apresentadas em resposta às intimações fiscais) a recorrente sempre se limitou a afirmar que os valores descritos na conta de nº 12102002 decorreriam de contrato de mútuo Fl. 762DF CARF MF Processo nº 19515.720676/201293 Acórdão n.º 1302002.560 S1C3T2 Fl. 763 5 firmado com a empresa SPCOM Comércio, repetindo a assertiva de que este contrato era válido, formal e substancialmente. Aparentemente, me parece, o contribuinte não entendeu os termos da autuação... Se o contrato era ou não válido é questão que, venia concessa, não tem qualquer relevância para o deslinde desta demanda (como alertou a DRJ); a questão que salta aos olhos e permite a assunção, inclusive, da conclusão pela auditoria quanto a aplicação da multa qualificada, é que os valores entregues à SPCOM (mutária) tinha, sempre, como uma contrapartida, um débito em conta de despesas. Eis o cerne da questão, vejam bem... a fiscalização concentrou, com razão, seus esforços na comprovação das despesas registradas sob o histórico "TRANSF SPCOM COMERCIO E PROMOÇÕES S/A", pedindo reiterados esclarecimentos acerca da real natureza destes lançamentos, mormente porque os citados lançamentos não faziam qualquer sentido; e o contribuinte, por reiteradas vezes, sustentou que tais valores, lançados a débito de conta de custo/despesas, decorreriam do contrato de mútuo... O que fez o recorrente, como bem asseverou a fiscalização, foi se aproveitar do fluxo de recursos entre as empresas contratantes (mutuário e mutuante) para, literalmente à esmo, aumentar as contas contábeis de despesas diversas (como salários, 13º terceiro, IOF, et caterva). A guisa de exemplo, vejase parte do quadro reproduzido pela D. Auditoria Fiscal, no anexo I, do TVF, constante de fl. 333: Notem que os recursos debitados nas contas de despesas (no caso, as contas contábeis de nº 4502003 energia elétrica), tinham como contrapartida a citada conta de nº 12102002... ou seja, a conta a ser debitada, no caso, tal qual alertado pela fiscalização tinha que ser a "conta caixa", ao passo que a respectiva contrapartida teria que se dar na conta de "créditos a receber"; o recorrente, entretanto, dolosamente joga os preditos valores em diversos registros de despesas, provavelmente, fiandose na esperança de que tal subterfúgio passaria desapercebido, a fim, objetivamente, de reduzir o seu lucro líquido (e, por conseguinte, o valor do IRPJ e da CSLL à pagar)... E, vejam bem, o dolo, aqui, revelase no fato de que se se tratasse, efetivamente, de mero erro de interpretação da legislação, ou mesmo, das normas contábeis de regência, os valores repassados à SPCOM Comércio, em função do contrato de mútuo, teriam sido registrados diretamente numa conta de despesa específica (v.g., despesas mutuo SPCOM); mas não foi isso que ocorreu (se assim o fosse, as despesas ainda seriam indedutiveis, mas, nesta senda, não se estaria diante de fraude). Por esta razão, inclusive, não concordo com a seguinte assertiva constante do acórdão recorrido: Nesse contexto, os questionamentos acerca dos aspectos formais do contrato de mútuo (identidade dos subscritores pela mutuante e pela mutuaria, a falta de testemunhas e o registro em cartório), apesar irrelevantes, porque o fato é que o contrato não é hábil a suportar a escrituração dos custos e despesas da fiscalizada, Fl. 763DF CARF MF Processo nº 19515.720676/201293 Acórdão n.º 1302002.560 S1C3T2 Fl. 764 6 acrescentam válidas dúvidas sobre a ocorrência de fato da operação. Diante da forma como as operações foram contabilizadas, apenas a prova de que os custos e despesas foram incorridos pela própria fiscalizada, poderia afastar a acusação fiscal. Oportuno que se diga, que não se trata de mera irregularidade na contabilização, mas de falta de comprovação dos custos e despesas escriturados. Venia concessa, a falta de registro do contrato ou a ausência de testemunhas ou mesmo o fato das empresas compartilharem o mesmo quadro societário não servem, nem mesmo, como indício de negócio simulado (semelhante situação seria comprovada a partir da verificação do trânsito de valores entre as empresas ou mediante intimação para comprovação da transferência efetiva de recursos entre elas). Só que, realmente, a validade formal ou substancial do contrato é irrelevante porque, diferentemente do que afirmou a DRJ, nem mesmo a origem dos recursos utilizados para pagar as despesas registradas pelo recorrente são comprovadas (principalmente se se considerar que o contribuinte era o mutuante e, portanto, estava, em verdade, entregando recursos à terceiros e não recebendo valores para quitar a suas despesas)... Insisto, pelo que se dessume dos registros contábeis da empresa, e demais documentos acostados aos autos, a empresa autuada apenas se aproveitou da necessidade de registro dos repasses decorrentes do contrato de mútuo para "bombar" as suas contas de despesas (os valores saíram, provavelmente, de seu caixa, mas, não para debitar a conta de direitos a receber e, sim, a suas contas de despesas). Não se trata, pois, objetivamente, de falta de comprovação de despesas ou de falta de documentação hábil a comproválas; tratase, isto sim, de criação artificial de valores para fins escusos, no caso, redução ilícita das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. E, ao que vale à solução desta demanda, o contribuinte, insistase, nem mesmo tenta explicar o procedimento acima... limitase, tão só, a afirmar e reafirmar que o contrato de mútuo é valido e que por isso as despesas "dele decorrentes" (?) são dedutíveis; em linhas gerais, o recorrente nem mesmo ataca os fundamentos da decisão de primeira instância. I.2 Da multa qualificada. Tendo em conta o que expus no tópico anterior, me parece suficientemente claro o intento fraudulento do contribuinte. Insistase que, tivesse o recorrente, simplesmente, incorrido em erro de escrituração, os valores concernentes ao contrato de mútuo, repassados à mutuária, teriam sido registrados em conta específica de despesas e, neste passo, deduzidas do lucro líquido... cônscio, todavia, de indedutibilidade de tais valores (lembrando que insurgente não detêm, em seu contrato social, a previsão de execução de atividades financeiras em que o emprego de valores em contratos de crédito poderia ser apropriado como despesas essenciais à consecução de sua atividadefim), premendo pelo método de partidas dobradas, lança tais valores à crédito de despesas variadas e diversas, verdadeiramente, à esmo... Fl. 764DF CARF MF Processo nº 19515.720676/201293 Acórdão n.º 1302002.560 S1C3T2 Fl. 765 7 E, mais grave, tais lançamentos foram substanciais, como bem advertiu a DRJ (e também a fiscalização): Cumpre referendar a interpretação da fiscalização de que devido ao montante envolvido não se pode qualificar a conduta como mero erro de contabilização da contribuinte, “tanto que esta não apresentou um documento comprobatório sequer e, em suas declarações não explicou do que se tratavam tais lançamentos, simplesmente informou que eram contrapartida da conta de mútuo, embasado em tal contrato. Em nenhum momento da fiscalização, informou o motivo da citada contabilização”. Pedindo vênia pela inversão do silogismo aqui, vale lembra que, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64, "fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente (...) a excluir ou modificar a suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido", conceito que se enquadra como uma luva aos fatos descritos no feito. O contribuinte lança de "artifício" (expressão empregada pela D. Auditoria Fiscal), para, ficticiamente, aumentar o volume de despesas incorridas (modificando "as suas características essenciais") a partir de valores creditados na conta "TRANSF SPCOM COMERCIO E PROMOÇÕES S/A", mantendo, neste passo, uma aparente paridade dos lançamentos contábeis, na vã esperança de que semelhante conduta não seria verificada, a fim de "reduzir o montante do imposto devido". Vale repetir: seja pelo volume excessivo de despesas indevidamente apropriadas, seja pelo que sustentei linhas acima (se se tratasse de erro de interpretação, os valores pagos pela recorrente à mutuária seriam diretamente apropriados), não me parece haver dúvidas quanto a correção, tanto da autuação, como do acórdão da DRJ, ao preconizarem a aplicação da multa qualificada, dado que perfeitamente tipificadas as hipóteses do art. 72 da Lei 4.502 e, por conseguinte, do art. 44, §1º, da Lei 9.430/96. I.3 Conclusão parcial. Por todo o exposto acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. II Do recurso voluntário do coobrigado (Júlia). No que tange às alegações da coobrigada, Júlia Perissinoto Tavares, não vejo como manter a sua responsabilização, ainda que não por todos os motivos aventados no apelo. De fato, as alegações de que a competência para impor a responsabilidade na forma do art. 135, III, seriam, exclusivamente, da PGFN são absolutamente incorretas, assim como também o são as de que tal responsabilidade somente poderia ser reconhecida após o término deste processo administrativo. O art. 142 do CTN é mais, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível Fl. 765DF CARF MF Processo nº 19515.720676/201293 Acórdão n.º 1302002.560 S1C3T2 Fl. 766 8 Sem prejuízo de que, negar à autoridade lançadora o mister de apurar a prática de atos passiveis de tipificar as hipóteses do art. 135, III, do CTN, traria indiscutíveis dificuldades à concretização dos preceitos deste artigo em qualquer caso já que, a teor, inclusive, da Súmula 430, a PGFN não teria, nem mesmo, como incluir eventuais coobrigados nas respectivas CDAs caso não fosse franqueado à Auditoria Fiscal a possibilidade de se impor a predita responsabilidade. Lado outro, todavia, diferentemente do que ocorreu em relação à sócia Alexandra Flávia, do termo de sujeição passiva constante de fls. 536/539, extraise como única fundamentação para a imposição de responsabilidade, o seguinte fato: Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 135, inciso III, combinado com o art. 121, § único, inciso II, da Lei 5.172/1996 (Código Tributário Nacional), da sócia JULIA PERISSINOTO TAVARES, representante legal da sociedade por força do contrato social, com relação às obrigações tributárias resultantes de infração de lei, conforme descrito no item I. Aqui, notem, a Fiscalização não descreve um único ato diretamente imputável à coobrigada; a sua responsabilização, ao fim e ao cabo, se deu com base na presunção da prática de atos ilícitos, decorrente, exclusivamente, da previsão contida no contrato social, de que ela seria sócia gerente. Nada obstante, todos os atos tidos como comprovantes da prática dos ilícitos tratados neste feito foram assinados pela sócia Alexandra Flávia Perissinoto, incluindose, aí, os contratos de mútuo, a DIPJ e os livros fiscais (ela, frisese, era, inclusive, a sócia da empresa SPCOM Comércio) e isto, digase, foi expressamente reconhecido pela fiscalização no termo de sujeição passiva de fls. 483/487. O simples fato da recorrente ter figurado no contrato como gerente ou administrador da sociedade autuada não permite a assunção de presunção da prática de atos ilícitos, presunção esta, a meu ver, inclusive ilidida pela própria Auditoria Fiscal quando descreve que todos os atos que originaram a fraude tratada neste PA foram assinados, exclusivamente, pela outra coobrigada. Como a fiscalização não tece qualquer outra consideração, nem traz aos autos quaisquer outras provas para permitir inferir a prática de atos que tipifiquem, quanto a recorrente, devedora solidária, as hipóteses do art. 135, III, do CTN, não há como manter a sua responsabilização. Diante disto, voto por dar provimento ao recurso a fim de excluir a responsabilidade da coobrigada Julia Perissinoto Tavares. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 19515.720676/201293 Acórdão n.º 1302002.560 S1C3T2 Fl. 767 9 IV Conclusão final. Pelas razões anteriormente expostas, voto por não conhecer do recurso voluntário da coobrigada Alexandra Flávia Perissinoto (espólio), negar provimento ao recurso do contribuinte e dar provimento ao recurso voluntário da coobrigada Julia Perissinoto Tavares. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13527.000259/2002-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.
O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de não-contribuintes (cooperativas e pessoas físicas).Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
Numero da decisão: 9303-006.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1248; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 252 1 251 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13527.000259/200233 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.349 – 3ª Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria CREDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente CAMPELO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de nãocontribuintes (cooperativas e pessoas físicas).Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 52 7. 00 02 59 /2 00 2- 33 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 253 2 Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 340200.284, de 18 de setembro de 2009 (fls. 168 a 177 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que: I) por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de aquisição de cooperativa; e II) pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso, quanto aquisições de pessoa física. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte, de ressarcimento de créditos presumido de IPI, com base na Lei nº 9.363, de 1996 e portaria MF n° 38, de 1997, no valor de R$ 259.027,36, como ressarcimento das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins incidentes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos exportados, relativo ao 3° trimestre de 2002, conforme pedido de ressarcimento de fl. 01. A DRF/Feira de Santana reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 29.201,61, Despacho Decisório nº 3.043, de 05/12/2007, fls. 98 a 100, com base no Termo de Verificação Fiscal que excluiu da base de cálculo os valores relativos as notas fiscais de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de empresas optantes do Simples, Cooperativas, pessoas físicas e empresas inativas. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 254 3 adquire sua matériaprima principal (couros e peles de caprinos) de pessoas físicas. Explica que estas mercadorias são adquiridas, na feira, por comerciantes (intermediários) que as revendem para a indústria, mediante a emissão de nota fiscal avulsa de venda; dessa forma, o indeferimento parcial do Pedido de Ressarcimento decorre quase na sua totalidade da exclusão dos valores relativamente às referidas aquisições de pessoas físicas, sendo pouco representativo — no contexto geral — as aquisições de cooperativas e empresas optantes pelo SIMPLES; as Instruções Normativas SRF n°s 23/1997 e 103/1997 extrapolaram os limites fixados pelo legislador, na medida que excluíram as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, da base de cálculo do benefício do crédito presumido, uma vez que o disposto no artigo 1° da Lei n°9.363, de 1996, não estabelece nenhuma restrição, quaisquer aquisições de matéria prima, materiais de embalagens e produtos intermediários devem ser consideradas para fins de apuração do valor do benefício fiscal; não cabe, pois, ao intérprete criar uma exceção não contida no texto legal, isto é, não é juridicamente válido sustentar que apenas as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas fazem jus ao benefício, posto que isso implicaria afronta ao princípio da legalidade, bem como afronta ao disposto no art. 100 do CTN; Ainda, descreve sobre ato administrativo e seus pressupostos de validade, sobre o princípio da legalidade e c/a impossibilidade de que normas complementares contrariem as leis que visam regulamentar, nesse sentido cita e transcreve decisões judiciais e administrativas (Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais), que corroboram com sua tese. Por fim, requer que a impugnação seja julgada procedente, com vistas a ser deferido integralmente o ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo a contribuição para o PIS e COFINS no valor de R$ 229.825,75." A DRJ em Salvador/BA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 255 4 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado decidiu: I) por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de aquisição de cooperativa; e II) pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso, quanto aquisições de pessoa física, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 BASE DE CÁLCULO. INSUMOS adquiridos de não contribuintes COOPERATIVAS. A partir da revogação da isenção deferida As cooperativas de produção, em relação As contribuições ao PIS e A COFINS, é legitima a inclusão das aquisições a essas entidades na base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS adquiridos de não contribuintes, pessoas físicas. Excluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e a COFINS no fornecimento ao produtorexportador. Recurso provido em parte. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls.186 a 199) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte, diz respeito ao direito à apuração do crédito presumido PIS/COFINS sobre as aquisições de pessoas físicas. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números CSRF/0202.462 e 20180.508. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos, documento de fls. 200 a 226. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 256 5 O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 228 e 229, sob o argumento que no tocante à existência de dissídio jurisprudencial administrativo, procede a contradição assinalada pelo recorrente, tendo os acórdãos paradigmas, de fato, dado interpretação distinta ao tratamento do assunto em relação ao recorrido, qual seja, admitiram a inclusão de aquisições de pessoas físicas na apuração do crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96, como se depreende do exame de seus conteúdos. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 234 a 235, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial e que seja mantido o v. acórdão. Ainda, o Contribuinte protocolou documento de fls. 248 e 249, juntando cópia do ATO DECLARATORIO N° 14/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, que dispensou de apresentação de contestação, interposição de recursos e desistência dos já interpostos, quando os processos versarem no sentido da ilegalidade da Instrução Normativa SRF n°23/1997. O Contribuinte solicitou manifestação da Fazenda Nacional quanto ao documento juntado e esta não manifestou sobre o teor do documento. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Entendo que o Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade conforme despacho de fls. 228 e 229 O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo diz respeito ao direito à apuração do crédito presumido PIS/COFINS sobre as aquisições nãocontribuintes (pessoas físicas ou cooperativas). Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 257 6 Tratase de matéria que não comportam maiores delongas por parte desta Câmara Superior, pois o tema, foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), nos autos do REsp n° 993.164MG, de relatoria do Ministro Luiz Fux, decidindo a questão, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 258 7 inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 259 8 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 260 9 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 261 10 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos termos do art. 62, §1º, II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é obrigatória a reprodução das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça pela sistemática dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ademais, cumpre ressaltar que quanto ao cômputo das aquisições não contribuintes (pessoas físicas ou cooperativas) na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, existe Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN dispensando apresentação de contestação para esses casos nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13527.000259/200233 Acórdão n.º 9303006.349 CSRFT3 Fl. 262 11 JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. E no âmbito do STJ, existe inclusive Súmula a respeito deste tema, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Por essas razões, deve ser acolhido o pleito do Contribuinte para reconhecer o direito à inclusão das aquisições de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário de nãocontribuintes (pessoas físicas) do PIS e da COFINS na base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96. E como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 262DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.003123/2009-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, resta a apreciação das provas,.que foram suficientes para a caracterização de despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, resta a apreciação das provas,.que foram suficientes para a caracterização de despesas médicas.
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score : 1.0
Numero do processo: 11891.000466/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/05/2007
Ementa:
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3301-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em face da concomitância entre a via administrativa e judicial.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/05/2007 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/05/2007 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em face da concomitância entre a via administrativa e judicial. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 04 66 /2 00 7- 19 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 235 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 210 a 215) interposto pelo Contribuinte, em 13 de fevereiro de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0735.927 (fls. 197 a 202), de 30 de outubro de 2014, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação (fls. 139 a 148) mantendo o crédito tributário apurado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 02/12) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 107.290,41, relativo à ausência de recolhimento da contribuição ao PIS – Importação e da COFINS – Importação, acrescidos dos juros de mora, em decorrência da importação do equipamento constante da Declaração de Importação n° 07/06646660, registrada em 23/05/2007. Relata a auditoria que o contribuinte impetrou mandado de segurança com pedido de liminar na 5a. Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, processo judicial no 2007.38.00.0136501, objetivando a não exigência das contribuições, PIS Importação e COFINSImportação, no desembaraço aduaneiro de equipamentos adquiridos no exterior. A liminar foi deferida parcialmente em 21/05/2007, "(...) unicamente para determinar a exclusão da base de cálculo do tributo definido no art. 7°, inciso I, da Lei 10.865, de 30/04/2004, o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, determinando que a base de cálculo seja de acordo com o disposto no art. 77 do Regulamento Aduaneiro, regulamentado pela IN/SRF 327, de 09 de maio de 2003". A sentença de 1° Grau concedeu em parte a segurança, confirmando a liminar. Na mesma data do registro da DI, o contribuinte realizou depósitos judiciais das contribuições, porém os valores depositados não totalizam o valor das contribuições exigidas. Esclarece que a parte devida e não recolhida é cobrada com multa de oficio em outro auto de infração – processo no 11891.000465/200774 e a parte com a exigibilidade suspensa pela liminar concedida parcialmente no mandado de segurança, é lançada neste auto de infração, para prevenir a decadência. Regularmente cientificada (fls. 135/137), a autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 139/148), nas quais, em síntese: Alega que realizou os depósitos judiciais das contribuições, calculadas sobre o valor aduaneiro, conforme o estabelecido na decisão liminar, e que somente esse valor era o devido para que se suspendesse a exigibilidade dos tributos. Ademais, por ter iniciado a discussão na via Judicial não assiste cabimento a mesma discussão na esfera administrativa, razão pela qual não deve persistir o presente Auto de Infração. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 236 3 Argumenta que não é cabível a exigibilidade dos juros de mora, pois o depósito do valor devido foi feito dentro das exigências e do prazo estipulado pela lei, uma vez que a liminar em mandado de segurança preventivo foi concedida em 21/05/2007, sendo que os fatos geradores das presentes exações se efetivaram em 23/05/2007, data em que também ser realizou o depósito judicial. Pondera que, no presente feito, como a ação mandamental ainda não se encerrou no Poder Judiciário e o crédito permanece suspenso, pelo depósito judicial do montante integral dos valores não cobertos pela decisão liminar, confirmada em sentença, não há que se falar em cobrança de juros de mora com fulcro no §2°, do art. 63, da lei 9430/96. Requer a improcedência do presente auto de infração, sobretudo em relação à cobrança dos juros de mora. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão, julgando improcedente e arquivando o Auto de Infração (fls. 1 a 5), de 24 de outubro de 2007, desconsiderando a incidência de juros de mora uma vez que, segundo o Contribuinte, a exigibilidade do tributo está suspensa por força de medida liminar proferida em processo judicial. Houve, por fim, a apresentação de Requerimento por parte do Contribuinte, em 17 de abril de 2017 (fls. 232 e 233), que visa demonstrar que o objeto do presente processo já obteve decisão transitada em julgado na esfera judiciária. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0735.927 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/05/2007 LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário paralisa os atos executórios de cobrança, mas não suspende a prática do ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, necessária para evitar a decadência do poder de lançar. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 237 4 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Impugnação Improcedente O ora analisado Recurso Voluntário visa a reforma do referido Acórdão, requerendo a inexigibilidade dos juros de mora por considerar que eles decorrem da “exigência de tributos supostamente incidentes na importação em tela, ou seja, tratase de obrigação acessória à principal. Dessa forma, sendo inexigível o principal, é também inexigível o acessório” (fls. 211 e 212). Já a respeito do pedido principal o Contribuinte alega que o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa por força da medida liminar proferida em sede de Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0136501. O Contribuinte aduz, baseado no art. 63, da Lei 9.430 de 1996, que o Auto de Infração ora analisado não poderia ter sido lavrado apenas com o objetivo de prevenir a decadência, inclusive no que tange aos juros de mora. Nesse mesmo sentido, o Contribuinte alega que, conforme o art. 151 do CTN, a concessão de medida liminar é uma das formas de suspensão do crédito tributário, o que acaba por impedir que se discuta os juros de mora de tal obrigação tributária. Cito trecho do Recurso Voluntário como forma de elucidar a lide (fl. 214): Os tributos supostamente incidentes na importação de equipamento descrito na DI nº 07/0664660 deixaram de ser pagos com respaldo na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0136501, que determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários aqui discutidos, não consistindo em mera inadimplência do contribuinte, passível de incidência de juros de mora. De todo exposto, não restam dúvidas de que o presente auto de infração deve ser julgado improcedente, reconhecendose a inexigibilidade dos juros de mora em relação aos valores de PIS/COFINSimportação aqui discutidos, já que o não pagamento dos tributos em questão se deu por força da suspensão da exigibilidade dos mesmos em razão de medida liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança. Com isso, o Contribuinte conclui seu Recurso Voluntário requerendo que o Acórdão ora analisado seja reformado e, consequentemente, que não haja a incidência dos juros de mora, uma vez que, segundo o contribuinte, a exigibilidade do tributo está suspensa por força de medida liminar em processo judicial. Em que pese esta argumentação trazida pelo Contribuinte, há de se destacar o posicionamento adotado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), por meio do Acórdão ora recorrido, que defende o seguinte: Não obstante, da análise da legislação aplicável verificase que inexiste, até a presente data, dispositivo que vede ou dispense expressamente a realização do lançamento referente a tributos objeto de ação judicial, mesmo diante de prévio depósito do crédito tributário. Uma vez constatada a ocorrência do fato gerador, sem que os tributos incidentes estejam devidamente quitados, a lei impõe o lançamento de ofício, por força da atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 238 5 E a obrigação de a Fazenda Pública sempre constituir o crédito tributário, para fins de prevenir a decadência, foi bem explicada no texto contido no livro de Leandro Paulsen, Direito Tributário, 2ª edição, pág. 587, in verbis: A suspensão da exigibilidade do crédito não impede a decadência. “A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito.” (Alberto Xavier, Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed., Forense, 1997, pp. 427/428)(grifei) “A suspensão da exigibilidade não permite a cobrança do crédito, repelindo a fluência dos prazos prescricionais insculpidos no artigo 174 do código antes referido. Não deixam de correr, contudo, os prazos fixados para a constituição do crédito tributário, de caráter decadencial, fixados no artigo 173 do CTN. Em função do exposto, as autoridades fiscais, diante da constatação de depósito não albergado pelo competente lançamento, devem efetuar a constituição do crédito para prevenir a decadência.” (Geraldo Brickmann, Depósito Judicial e o Lançamento de Ofício para Prevenir a Decadência, em Revista de Estudos o Tributários nº 8, pp.17/18,jul/ago 99)(grifei) E o decorrente processo administrativo fiscal terá o seu seguimento normal, com a execução de todos os procedimentos administrativos pertinentes, exceção feita apenas aos atos executórios que dizem respeito à exigibilidade do crédito, que terão que aguardar o desfecho do processo judicial, com a sentença judicial final ou a perda da eficácia da medida liminar ou tutela antecipada concedida. Portanto, este ato deve ser declarado válido, pois sua feitura tem amparo em normas legais cogentes, especialmente nos artigos 142, parágrafo único, e 149, I, do CTN. Assim, nenhuma violação à lei ou desobediência ao Poder Judiciário ocorreu no caso em tela. De fato, apesar do Contribuinte ter na esfera judicial decisão que suspenda a exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo, esta decisão não tem o condão de suspender a atividade administrativa no que tange o lançamento, que é uma atividade vinculada e obrigatória, uma vez que se a Fiscalização não realizasse este lançamento seria atingida pelo instituto da decadência. Cabe frisar, também, o entendimento consubstanciado no Acórdão ora analisado no que tange a renúncia à esfera administrativa, como se verifica no seguinte trecho (fl. 199) O contribuinte impetrou Mandado de Segurança objetivando não recolher a COFINSImportação e o PIS/PASEPImportação referente à Declaração de Importação indicada na autuação, alegando ser inconstitucional a norma que instituiu essas contribuições, inclusive no tocante à definição de suas bases de cálculo. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 239 6 Assim, em relação a este mérito, o crédito tributário é considerado definitivo na via administrativa, uma vez que, conforme Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) implica renúncia às instâncias administrativas. Ressalvase, todavia, que sua exigência fica vinculada ao pronunciamento definitivo do Judiciário, uma vez que é nessa instância que vai ser definida a legitimidade e a base de cálculo dos tributos em questão. O Contribuinte, por sua vez, apresentou, em 17 de abril de 2017, Requerimento ao CARF indicando que houve o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS Importação e da Cofins Importação. Cito a íntegra do referido Requerimento como forma de elucidação da lide: I. A Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou Auto de Infração com a finalidade de prevenir os efeitos da decadência quanto ao PISImportação e à COFINSImportação, supostamente incidentes na importação da mercadoria descrita na DI nº 07/06646660, registrada em 23/05/2007, cuja exigibilidade encontravase suspensa por força da liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0136501. II. Tendo sido ajuizada ação judicial visando discutir a respeito da exigibilidade dos tributos supostamente incidentes na importação mencionada, temos que a decisão proferida no âmbito do Poder Judiciário não pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o princípio da unicidade da jurisdição. III. Nesse sentido, ainda que se reconheça a possibilidade de lavratura de auto de infração objetivando prevenir os efeitos da decadência, cumpre ressaltar que a inexigibilidade dos tributos objeto de cobrança no presente processo administrativo já restou reconhecida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0136501, tendo a decisão transitado em julgado em 10/11/2015. IV. Portanto, diante do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS e das próprias contribuições na base de cálculo do PIS Importação e da COFINSImportação, valores este objeto do presente Auto de Infração, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário interposto, julgando improcedente o auto de infração lavrado, cancelandose o respectivo crédito tributário, com a consequente baixa e arquivamento dos autos. Assim, bastante claro a existência da concomitância entre a esfera administrativa e judicial, não restando dúvida acerca da aplicação da legislação pertinente, no caso a Súmula do Carf que assim dispõe: Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 240 7 Além da concomitância, já está bem firmado que o processo judicial transitou em julgado, o que importa assim em alcançar também a discussão sobre juros de mora.em relação aos valores de PIS/COFINSimportação. Portanto, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário por concomitância, visto que o mesmo objeto é discutido tanto na esfera judicial quanto na esfera administrativa. Valcir Gassen Relator Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000176/00-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO.
É passível de ressarcimento o saldo credor emergente após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO. É passível de ressarcimento o saldo credor emergente após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
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RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO. É passível de ressarcimento o saldo credor emergente após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 01 76 /0 0- 90 Fl. 505DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados em produtos sujeitos à alíquota zero, apurado no 1º trimestre de 2000, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, no montante de R$ 125.731,41, conforme documento da fl. 166. A seguir protocolizou os pedidos de compensação, das fls. 193, 217 e 241 de parte dos créditos objeto do pedido de ressarcimento com débitos das contribuições para o PIS e da Cofins relativos aos períodos de apuração de março, abril e maio de 2000, no montante de R$ 68.506,10, R$ 44.118,90 e 74.499,50, respectivamente. Replico abaixo trechos do relatório da DRJ, para bem informar os fatos deste processo: O pedido de ressarcimento foi submetido à análise prévia da legitimidade dos créditos pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG que constatou irregularidade na classificação fiscal de produtos industrializados pelo estabelecimento (telhas e “steel deck”), conforme Termo de Verificação Fiscal das folhas 247 e 248, lavrando o auto de infração, objeto do processo nº 13603.001685/200153, para formalizar a exigência do IPI que deixou de ser lançado em virtude da classificação incorreta. Também em razão do lançamento de ofício, a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal conforme demonstrativo anexo às fls. 249 a 252, reduzindo o saldo credor apurado pelo contribuinte. Em razão da existência de processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário, a fiscalização opinou pelo indeferimento do pedido, forte no § 6º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. A proposição da fiscalização foi acatada pelo Despacho Decisório Saort, de 12 de março de 2003, de fls. 254 a 256, que concluiu pelo indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação das compensações. Cientificada em 20/09/2004, conforme Aviso de Recebimento da fl. 264, a interessada apresentou, no devido prazo, manifestação de inconformidade por meio do arrazoado das fls. 268 a 272, onde alega em suma que o despacho decisório atacado indeferiu o pedido em decorrência da existência do processo administrativo nº 13603.001045/200143, para exigência de crédito tributário do IPI, estranho ao presente processo e à própria manifestante. A DRF em Contagem, em conformidade com o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 1972, revisou o despacho anterior e proferiu o Despacho Decisório Saort, de 18 de novembro de 2004, corrigindo a identificação do processo administrativo fiscal de exigência do crédito tributário do IPI para o de nº 13603.001685/200153, mantendo os demais fundamentos e conclusões. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13601.000176/0090 Acórdão n.º 3402004.976 S3C4T2 Fl. 3 3 Contra esse despacho, do qual foi cientificada em 06/12/2004 (AR da fl. 279), mais uma vez a interessada se insurge por meio da manifestação de inconformidade das fls. 281 a 285, onde alega, em síntese, que à data da ciência do despacho decisório o processo 13603.001685/200153 que foi o único fundamento da autoridade administrativa para indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar as compensações já havia sido julgado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes e não estava a depender de decisão definitiva que pudesse alterar o valor do crédito a ser compensado. A DRJ/Santa Maria proferiu o Acórdão nº 188.520 (fls. 288 a 292), apreciando a manifestação de inconformidade das fls. das fls. 268 a 272 e negandolhe provimento, pelo que o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário que foi julgado no sentido de anular a decisão de 1ª instância, em razão de alteração no despacho decisório. Retornando os autos à DRJ, o processo foi julgado parcialmente procedente para reconhecer o direito ao crédito de R$ 104.816,39 para ressarcimento/compensação, restando uma diferença de R$ 20.915,02 que não fora reconhecida. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando suas razões. Foi juntado aos autos o Memorando nº 10/2016 RFB/DRFCON/Safis, de fls. 490 e ss. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O julgamento do presente feito se tornou absolutamente simples após a juntada do Memorando nº 10/2016 RFB/DRFCON/Safis, através do qual o Auditor Danilo Paula Bodevan verificou a ocorrência de equívocos na Reconstituição da Escrita Fiscal realizada no procedimento fiscal. O auditor apresenta um longo arrazoado no qual apresenta as razões que o levaram a equívoco, concluindo ao final o seguinte: Fl. 507DF CARF MF 4 Por concordar integralmente com o conteúdo do mencionado memorando, adiro às suas razões para motivação de meu voto, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, tornandose o mesmo parte integrante do presente voto. Assim sendo, resta claro que o contribuinte tem direito à integralidade do crédito pleiteado. Desse modo, voto por DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 508DF CARF MF
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