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Numero do processo: 10480.720835/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Embargos Declaratórios. Omissão. Cabimento.
Cabem embargos declaratórios para exame da pretensão deduzida no recurso, e acerca da qual o colegiado, devendo se manifestar, não o fez.
Ação Judicial. Renúncia à Instância Administrativa.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 1301-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Embargos Declaratórios. Omissão. Cabimento. Cabem embargos declaratórios para exame da pretensão deduzida no recurso, e acerca da qual o colegiado, devendo se manifestar, não o fez. Ação Judicial. Renúncia à Instância Administrativa. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios para exame da pretensão deduzida no recurso, e acerca da qual o colegiado, devendo se manifestar, não o fez. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 08 35 /2 01 0- 68 Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1301002.928 S1C3T1 Fl. 1.086 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos por SINTEQUÍMICA DO BRASIL LIMITADA, já qualificada nos autos, alegando a existência de omissões no Acórdão nº 1103001.125, da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara. Segundo a embargante, o acórdão teria deixado de apreciar os seguintes pontos suscitados no recurso: a) havia um provimento jurisdicional concedendo à embargante tutela antecipada e, por isso, o art. 41, § 1º, da Lei n° 8.981/95 não seria aplicável, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário se deu com fulcro no art. 151, inciso V, do Código Tributário Nacional CTN; e b) não foi considerado o incentivo fiscal de redução do IRPJ e seus adicionais, quer no percentual de 50% (reconhecido pela SUDENE e pelo Judiciário AC n° 495.470PE), quer no percentual de 25%. Os embargos foram parcialmente admitidos pelo despacho de fls. 1.040 a 1.046, nos seguintes termos: Temse que em relação ao tema (a) "Nas ações onde constam depósitos do período de 2007, a Embargante tinha decisão proferida em tutela antecipada, e por isto o art. 41, § 1º da Lei n° 8.981/95 não deve ser aplicada a este período, já que há de ser levado em conta de que a base legal para a suspensão da exigibilidade nas referidas ações é o art. 151, V do CTN;" a situação de omissão não está apontada objetivamente. Houve expressa manifestação do julgado sobre pontos em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames dessa causa de pedir. Atinente a questão (b) "Não foi utilizado o incentivo fiscal de redução do IRPJ e seus adicionais, quer no percentual de 50% (reconhecido pela SUDENE e pelo Judiciário AC n° 495470/PE), quer no percentual de 25%" a situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre pontos em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames dessa causa de pedir. Por todo o exposto, declaro a improcedência das alegações suscitadas, de forma que ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos para: em relação ao tema (a) (...), a situação de omissão não está apontada objetivamente. Verificase que houve expressa manifestação do julgado sobre pontos em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames dessa causa de pedir; atinente a questão (b) (...), a situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre pontos em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames dessa causa de pedir. É o que basta relatar. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1301002.928 S1C3T1 Fl. 1.087 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em tela, o objeto dos embargos é a falta de pronunciamento, no acórdão embargado, acerca da redução de 50% do lucro a título de incentivo fiscal, que, embora já tivesse sido reconhecida pela Sudene e pela Justiça Federal, não foi concedida pela autoridade lançadora. Na petição de fl. 1.060, a embargante traz a notícia de que o C. Superior Tribunal de Justiça STJ, no REsp nº 1.528.441, ratificou a existência do direito ao incentivo fiscal, tal como pleiteado no recurso. A recorrente afirmou ter ajuizado ação com o propósito de discutir o direito ao incentivo. Disse que o processo chegou ao STJ, que proferiu decisão em seu favor. Ao levar a discussão para a esfera judicial, o sujeito passivo renunciou ao processo administrativo, na parte referente à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. É que a decisão administrativa, qualquer que seja seu conteúdo, não prevalecerá sobre a decisão judicial. A renúncia à esfera administrativa é uma decorrência lógica. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 1: SÚMULA nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em suma, se a matéria, como afirma a embargante, já foi decidida no processo judicial, nenhuma eficácia terá a decisão do CARF. Portanto, os autos devem ser devolvidos à unidade de origem para proceder de acordo com o que foi, ou venha a ser, decidido pela Justiça. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1301002.928 S1C3T1 Fl. 1.088 4 Fl. 1088DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722945/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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EXCESSO DE RECEITA FATO GERADOR 26/02/2009 A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em prática reiterada de infração à legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1058.472, da 7ª Turma da DRJ/POA, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra a exclusão de ofício do Simples Nacional da pessoa jurídica acima identificada, por meio do Ato Declaratório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 29 45 /2 01 1- 17 Fl. 237DF CARF MF 2 Executivo SEORT/DRFNHO nº 01, de 16 de junho de 2016 (fls 198/199), com fundamento no art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista a situação relatada pela autoridade fiscal no Despacho Decisório nº 0273/2016 (fls. 195/197). A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cujo acórdão da DRJ foi contrário à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo, com a devida vênia, o voto: Voto Juízo de admissibilidade A manifestação de inconformidade é tempestiva, atestado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil jurisdicionante à fl. 213, e dela se toma conhecimento. Contencioso Insurgese, a manifestante, contra a sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199), que tem como fundamento de exclusão a constatação material da hipótese prevista no artigo 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista a situação relatada pela autoridade fiscal no Despacho Decisório nº 0273/2016 (fls. 195/197). Em apertada síntese, ressaltase que a pretensão de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão do Contribuinte do Simples Nacional formulada pela interessada contém argumentos de nulidade e decadência. Observase que as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do art. 172 do Decreto no 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Procedendo à análise dos elementos constantes nos autos e da legislação que rege a matéria, observase a improcedência dos argumentos apresentados pela defesa conforme se detalhará na seqüência. Consideração inicial Inicialmente, ressaltase que nenhum documento probatório, em relação à quitação dos débitos que deram origem à exclusão do Simples Nacional da Tanaju Calçados Ltda sucedida de fato por Muriá Calçados Ltda, foi juntado pela defesa. Ademais, compulsando o sistema informatizado, verificase que os referidos débitos se encontram inscritos em Dívida Ativa da União, em cobrança judicial ajuizada, conforme colacionase abaixo: PENDENCIA NA PGFN (SIDA) PROCESSO 18208082.572/200801 CNPJ 02.512.279/000118 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11065.722945/201117 Acórdão n.º 1001000.500 S1C0T1 Fl. 3 3 TRIBUTO 8822 SIMPLES INSCRICAO 0041200840000 DATA INSCRICAO 18/05/2012 SITUACAO ATIVA AJUIZADA PFN RESPONSAVEL NOVO HAMBURGO PROCESSO 11065500.201/201216 CNPJ 02.512.279/000118 TRIBUTO 1507 SIMPLES NACIONAL INSCRICAO 0041201707478 DATA INSCRICAO 19/10/2012 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 22/10/2012 PFN RESPONSAVEL NOVO HAMBURGO PROCESSO 11065500.256/201315 CNPJ 02.512.279/000118 TRIBUTO 1507 SIMPLES NACIONAL INSCRICAO 0041300954899 DATA INSCRICAO 25/01/2013 SITUACAO ATIVA AJUIZADA PFN RESPONSAVEL NOVO HAMBURGO Da argüição de nulidade Não prosperam as nulidades argüidas pela contribuinte, eis que a exclusão do Simples Nacional preenche todos os requisitos formais e materiais estabelecidos pela legislação, constando no Despacho Decisório, fls. 195/197, a descrição clara e precisa dos fatos que deram origem à exclusão, bem como a fundamentação fática e legal que orientou tal procedimento. Observese, também, que o Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 59 dispõe sobre os casos de nulidade, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que as questões apresentadas pela impugnante não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a incompetência de que trata o inciso I e não ocorreu a hipótese de preterição do direito de defesa contida no inciso II. Fl. 239DF CARF MF 4 Portanto, o Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199), não está eivado de qualquer nulidade. Da decadência O procedimento tem por objeto a exclusão do Simples Nacional, com efeito retroativo a partir de 26/02/2009, data de abertura constante no CNPJ, tendo por fundamento sucessão empresarial fraudulenta de uma empresa pela outra, com vistas a dar continuidade aos benefícios decorrentes da sistemática simplificada da tributação (Simples Nacional). Não se destina, portanto, à constituição ou à cobrança de crédito, razão pela qual é de todo impertinente a alegação de decadência. A decadência prevista no art. 1733 e no § 4º do art. 1504 do CTN extingue apenas o direito de lançar crédito tributário, não impedindo, porém, que a Administração verifique a regularidade do ingresso no Simples Nacional e proceda à respectiva exclusão, caso constate a existência de fato impeditivo, inclusive fazendo retroagir os efeitos da exclusão, o que, no caso concreto, obedeceu ao disposto no § 1º do art. 29 da LC 123/2006. Assim sendo, o lançamento de eventual crédito tributário, nascido ao longo do período, poderá ser feito, ressalvado o crédito já colhido pela decadência. Neste processo, todavia, não se cuida de exigência de crédito tributário. que deram origem à exclusão, bem como a fundamentação fática e legal que orientou tal procedimento. Observese, também, que o Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 59 dispõe sobre os casos de nulidade, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que as questões apresentadas pela impugnante não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a incompetência de que trata o inciso I e não ocorreu a hipótese de preterição do direito de defesa contida no inciso II. Portanto, o Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199), não está eivado de qualquer nulidade. Da decadência O procedimento tem por objeto a exclusão do Simples Nacional, com efeito retroativo a partir de 26/02/2009, data de abertura constante no CNPJ, tendo por fundamento sucessão empresarial fraudulenta de uma empresa pela outra, com vistas a dar continuidade aos benefícios decorrentes da sistemática simplificada da tributação (Simples Nacional). Não se destina, portanto, à constituição ou à cobrança de crédito, razão pela qual é de todo impertinente a alegação de decadência. A decadência prevista no art. 1733 e no § 4º do art. 1504 do CTN extingue apenas o direito de lançar crédito tributário, não impedindo, porém, que a Administração verifique a regularidade do ingresso no Simples Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11065.722945/201117 Acórdão n.º 1001000.500 S1C0T1 Fl. 4 5 Nacional e proceda à respectiva exclusão, caso constate a existência de fato impeditivo, inclusive fazendo retroagir os efeitos da exclusão, o que, no caso concreto, obedeceu ao disposto no § 1º do art. 29 da LC 123/2006. Assim sendo, o lançamento de eventual crédito tributário, nascido ao longo do período, poderá ser feito, ressalvado o crédito já colhido pela decadência. Neste processo, todavia, não se cuida de exigência de crédito tributário. A decadência, portanto, constitui óbice à autoridade fiscal para realizar o lançamento do tributo, eis que se refere à perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário. Não pode esse instituto, como quer a manifestante, ser suscitado para afastar a constatação de situações objetivas configuradoras de vedação à permanência no Simples Nacional. O poderdever do Fisco executar ato de ofício, no caso, a exclusão do Simples, não é renunciável, em vista do princípio da indisponibilidade e da legalidade que revestem os atos administrativos em geral. Nesse sentido, colacionase jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anocalendário: 2003 a 2007 (...) EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA. A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários, que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES, não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias. Eventuais alegações de decadência devem ser opostas no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso tenham sido constituídos de oficio. (...) (AC nº 1802001.101, de 18/01/2012) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 (...) DATA DA CONFIGURAÇÃO DA REITERAÇÃO E DECADÊNCIA. Fl. 241DF CARF MF 6 A decadência diz respeito ao direito de efetuar o lançamento, não tendo relevância para reconhecimento da validade do ato declaratório de exclusão. A questão deve ser oposta no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento dos créditos porventura constituídos de ofício em razão da exclusão. (Ac. 1301000.730, de 20/10/2011) Portanto, não cabe cogitar de decadência, cuja alegação deve ser rejeitada. Conclusão Dessa forma, VOTO no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose, portanto, a exclusão do Contribuinte do Simples Nacional com efeitos a partir de 26/02/2009, nos exatos termos do Ato Declaratório Executivo (ADE) SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente, em seu recurso, faz uma breve descrição dos fatos, a qual reproduzo: Ocorre que, em 06 de junho de 2016, por meio do Despacho Decisório nQ 273/2016, o ADE viciado foi refeito, agora com fundamento legal no inciso V do artigo 29 da Lei Complementar ne 123/06 (sucessão empresarial fraudulenta), ensejando a expedição do Ato Declaratório Executivo n2 1, de 06 de junho de 2016, para novamente excluir a contribuinte do Regime Simplificado. Desta maneira, em 12 de julho de 2016, foi protocolada na Agência da Receita Federal do Brasil, no Município de Taquara/RS, Manifestação de Inconformidade em face do ADE. Contudo, o acórdão 1058.472 da 7â Turma da DRJ/POA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a contribuinte excluída do Simples Nacional, sendo os efeitos da decisão ex tunc, retroagindo a data de 26 de fevereiro de 2009. Na análise do mérito, a recorrente alega: Ill MÉRITO A decisão da 7â Turma da DRJ/POA merece ser reformada, uma vez que a Representação Fiscal iniciou o presente processo administrativo e Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11065.722945/201117 Acórdão n.º 1001000.500 S1C0T1 Fl. 5 7 motivou seus fundamentos com amparo no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nQ 10.07.002011008067, encerrado em 2011, ou seja, o ADE que excluiu a contribuinte do Regime Simplificado não foi devidamente constituído em MPF válido e regular, pois não houve abertura de novo procedimento fiscal. Aliado a isso o fato de que, uma vez reconhecida a nulidade do ADE originário (ne 12/2011) pela DRJ/POA (Acórdão n^ 1055.9797), temse por inexistente o ato administrativo maculado por vício insanável, de modo que o presente procedimento, originado de ato nulo, é consequentemente inexistente, pois perdeu sua validade. A ressalva feita pela DRJ/POA no julgamento da ADE nQ 12/2011, permitindo que o ato pudesse ser refeito "na boa e devida forma, se for o caso", não permite o desrespeito ao devido processo legal, tampouco a ampla defesa e ao contraditório, princípios que norteiam e regulam o processo administrativo fiscal. Havendo novo ato de exclusão, teria a oportunidade para a contribuinte apresentar nova impugnação, instaurandose assim um novo processo administrativo, na forma do Decreto nQ 70.235/72. Ocorre que assim não procedeu a autoridade administrativa, na medida em que o novo ADE de exclusão (nQ 01/2016) foi juntado nos autos do presente processo administrativo, o qual havia sido instaurado para análise do ADE originário (12/2011), dandolhe indevido prosseguimento. Ao assim agir, mesmo que superada a questão de validade do novo ato administrativo, o que se admite apenas para argumentar, maculouse com vício de nulidade o próprio processo administrativo "continuado". Para que ocorra a expedição de um novo ADE de exclusão do Simples Nacional é necessário a instauração de novo processo administrativo, devendo os pressupostos legais serem rigorosamente observados, bem como deve haver a abertura de novo procedimento fiscal, o que não foi realizado pela autoridade administrativa, razão pela qual os atos praticados são nulos. Nesta senda, Hely Lopes Meirelles, de modo a corroborar a exposição acima possui o entendimento de que "a revogação ou modificação do ato administrativo deve obedecer à mesma forma do ato originário, uma vez que o elemento formal é vinculado tanto para sua formação quanto para seu desfazimento ou alteração". Sendo assim, o refazimento do ato administrativo, quando possível, o que não é no caso em análise, deve obedecer a forma prevista, o que, no presente caso, só teria sido devidamente cumprido pela autoridade administrativa se o novo ADE tivesse sido formalizado em novo processo administrativo fiscal. A inobservância de tal requisito causa a nulidade do ato, pois sua origem é viciosa. De outra banda, cabe referir que, de acordo com o ADE ne 01/2016, a exclusão do Simples Nacional baseiase na mesma Representação Fiscal que Fl. 243DF CARF MF 8 originou o ADE n2 12/2011, isto é, possuindo os mesmos elementos probatórios colhidos por ocasião do primeiro ato de exclusão. Por fim, verificando a documentação constante dos autos, mais especificamente o Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), acostado autos às folhas 23 e 24, notase claramente que os pressupostos fáticos do novo ADE, originado em 2016, ocorreram a mais de cinco anos, sendo causa de invalidação do ato administrativo praticado, ante ausência de materialidade. EM VISTA DO EXPOSTO, requer seja conhecido e provido o presente recurso para, nos termos da fundamentação supra, reconhecer a nulidade/insubsistência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES, mantendo o contribuinte no Regime Simplificado. A lei 9.784/99, artigos 53 a 55, dispõe que: DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Com base nas regras acima, entendese que o referido ato declaratório poderia (e deveria) ser refeito, no meu entendimento, com base no art. 54, acima transcrito. Entendo não haver a necessidade de se instaurar um novo processo fiscal para tanto, consoante arguição da recorrente, a lei lhe dá base para isso. Assim, mantenho a decisão da DRJ in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que as questões apresentadas pela impugnante não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11065.722945/201117 Acórdão n.º 1001000.500 S1C0T1 Fl. 6 9 incompetência de que trata o inciso I e não ocorreu a hipótese de preterição do direito de defesa contida no inciso II. Portanto, o Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199), não está eivado de qualquer nulidade. Como a recorrente nada mais alegou em seu recurso voluntário, voto por negar provimento aos presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 245DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902696/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE.
Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PERDCOMP Recorrente JOSÉ MARIA DOS SANTOS TRANSPORTADORA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE. Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 96 /2 01 3- 64 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte pretende compensar débito de sua titularidade com crédito de IRPJ, recolhido via DARF em 14/01/2013, no valor de R$ 777,63. Analisando o pedido, a Autoridade Administrativa que jurisdiciona a Recorrente não homologou a compensação pretendida ante a constatação de que o pagamento indicado teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Irresignado com o indeferimento do PER/DCOMP, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, tendo a Delegacia de Julgamento assim se pronunciado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, apresentou Recurso Voluntário onde, em apertada síntese, argui o seguinte: 1) Reitera a arguição de nulidade do despacho decisório haja vista a forma sintética como foi tratado o direito da Recorrente, o que o estaria impedindo de ter uma visão clara do porque o seu crédito fora declarado inexistente. Fundamenta suas alegações no disposto no art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72; 2) Entende que deveria, obrigatoriamente, ter sido intimado previamente à edição do despacho decisório para que tivesse oportunidade de comprovar a existência do crédito pleiteado, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.457, de 13.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.902677/201338, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.457): O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A peça recursal limitase a reclamar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada. Nenhuma arguição de mérito, principalmente em relação à existência do crédito declarado, foi trazida pelo recurso. E, como veremos adiante, as alegações de que o despacho decisório incorreria em nulidade são totalmente descabidas. O primeiro ponto, relativo à falta de motivação/fundamentação, que teria impedido a Contribuinte de "ter uma visão clara" do porque o seu crédito fora declarado inexistente foi assim tratado no acórdão recorrido: O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 5 4 A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Perfeita a análise empreendida pela DRJ. Os motivos pelos quais o despacho decisório declarou a inexistência do crédito estão muito bem delineados. Vejam abaixo uma fotografia do próprio despacho decisório que evidencia o dito pelo acórdão: Aliás, a própria decisão recorrida traz uma informação, não contestada pela Contribuinte no Recurso Voluntário, de que o mesmo DARF tido como origem do crédito teria sido utilizado em outras 19 (dezenove) PER/DCOMP, além desta. Vejam: Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$ 11.411,75, foi utilizado em 20 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$93.176,36, conforme abaixo discriminado: Então, resta claramente demonstrado que a Contribuinte sabia exatamente o que estava fazendo, bem assim do porque o alegado crédito seria inexistente. Também muito bem explicado o porque de a Contribuinte limitarse a aventar a nulidade do despacho decisório, ao invés de tentar demonstrar a existência do crédito. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 6 5 O segundo ponto levantado pela Recorrente trata da pretensa obrigatoriedade de a Autoridade Administrativa intimála, previamente à edição do despacho decisório, para que comprovasse a existência do crédito pleiteado, diante da inconsistência apontada, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Curioso, neste ponto, é que quando da manifestação de inconformidade, a norma citada fora a Instrução Normativa SRF nº 1.300/2012, e não a IN SRF nº 900/2008. Ocorre que a IN SRF nº 900/2008 foi totalmente revogada pela IN SRF nº 1.300/2012, esta sim, passível de citação pelo Recurso Voluntário, eis que vigente à época da transmissão da PER/DCOMP. Fato é que a IN SRF nº 1.300/2012 reproduziu em seu art. 74 a redação contida no art. 65 da IN SRF nº 900/2008, utilizada pela Recorrente. Abaixo colaciono o referido dispositivo: IN SRF nº 1.300/2012 Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Quer nos fazer crer a Recorrente que a expressão "poderá", grifada no texto, constituirseia em um poderdever da Administração de intimar o contribuinte quando, durante a análise de pedidos como este que estamos apreciando, houver sido verificada, em suas próprias palavras, "uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte". Aqui, claramente, estamos diante de uma tentativa de inversão do alcance do dispositivo colacionado. Tal norma nada mais é do que uma garantia posta ao Fisco de somente conceder a restituição/ressarcimento/compensação quando estiver seguro quanto a liquidez e certeza do crédito apresentado pelo Contribuinte. Em havendo dúvida por parte do Fisco em relação ao crédito apresentado, o referido dispositivo lhe permite condicionar o pagamento/compensação à sua efetiva comprovação, seja pela apresentação "de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos", seja pela determinação de "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso em apreço, não houve dúvida nenhuma da parte do Fisco ao não homologar a compensação, eis que patente a inexistência do crédito pleiteado, ante à sua total utilização para a quitação de outros débitos que não aqueles apontados na PER/DCOMP sob análise. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 7 6 Não se trata, portanto, de uma obrigação, mas tão somente de uma faculdade posta à disposição da Autoridade Administrativa para garantir a correção no deferimento dos pleitos dos Contribuintes. Portanto, também neste ponto, rechaço as alegações da Recorrente. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13784.720172/2016-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora requeira ao contribuinte e junte aos autos cópia legível do documento da fl. 67, vencida a Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendê-la prescindível.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Relatório
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora requeira ao contribuinte e junte aos autos cópia legível do documento da fl. 67, vencida a Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendêla prescindível. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 84 .7 20 17 2/ 20 16 -4 1 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13784.720172/201641 Resolução nº 2002000.006 S2C0T2 Fl. 78 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 7): Rubrica Valor em reais Imposto 3.310,75 Multa de ofício 2.483,06 Juros de mora 792,26 Total à época 6.586,07 As origens do lançamento foram: 1. rendimentos omitidos no valor de R$ 16.068,36 da fonte pagadora Esagua Engenharia Indústria e Comércio Ltda, incluído conforme Dirf1(fl. 8); 2. dedução indevida de contribuição a previdência oficial no valor de R$ 894,96, para o qual o contribuinte não apresentou comprovante de recolhimento, conforme requisitado na intimação (fl. 9); 3. dedução indevida das seguintes despesas médicas (fl. 10 e ss): a) Diogo Maciel Guimarães R$ 2.850,00 não comprovada; b) Endoserv Endoscopia Digestiva R$ 4.120,00 não comprovada; c) Unimed Resente RJ Cooperativa R$ 6.848,00 considerado somatório dos comprovantes de pagamento apresentados pelo contribuinte. Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 4) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 24/05/2016 (fl. 16) e protocolou sua peça no dia 16/06/2016 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação, em síntese, o contribuinte alega que (fl. 3): O rendimento de R$ 16.068,36 da Esagua deve ser lançado para Diogo Leitão, pois no anobase 2013 o mesmo já tinha 25 anos e de maneira equivocada foi colocado como seu dependente. Segue em anexo o comprovante do recolhimento da contribuição a previdência 1 Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13784.720172/201641 Resolução nº 2002000.006 S2C0T2 Fl. 79 3 social no valor de R$ 894,96. Não possui mais os comprovantes das despesas médicas em virtude de mudança para o Rio de Janeiro. Documentos impugnação Após a impugnação consta o documento de identidade do contribuinte (fl. 7). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente (fl. 51 e ss), porque as alegações quanto ao dependente Diogo vieram desacompanhada de provas. As guias da previdência social apresentada sem a GFIP correspondente comprova que os valores dizem respeito exclusivamente à contribuição previdenciária do sócio sobre eventual prólabore, eis que uma empresa individual pode empregar ou utilizar o trabalho de outros segurados (funcionário ou autônomos), além do que, o pagamento de prólabore pode até não ter ocorrido no citado anocalendário, caso em que a contribuição sequer diz respeito ao sócio da empresa, mas tão somente a outros segurados. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 65) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 09/09/2016 (fl. 63) e protocolou sua peça no dia 10/10/2018 (fl. 65), dentro do prazo de 30 dias3 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 37) anexa cópia do documento com a data de nascimento de Diogo Leitão, ratificando que o valor de R$ 16.068,36 não poderia ser imputado à sua declaração. Quanto à contribuição da previdência oficial, as comprovações foram encaminhadas quando da impugnação. Quanto as despesas médicas não tem mais os comprovantes. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: documento de identidade e do contribuinte (fl. 66); documento de identidade de Diogo Leitão (fl. 67). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade 3 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13784.720172/201641 Resolução nº 2002000.006 S2C0T2 Fl. 80 4 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito O documento de identidade de Diogo Leitão anexado aos autos (fl. 67) está ilegível, não sendo possível ver a data de nascimento. Desta forma, não há como analisar a questão. Diante disso, voto pela conversão do julgamento em diligência, sobrestando a análise das questões dos autos até o retorno do processo. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para determinar que a unidade preparadora requeira ao contribuinte cópia legível do documento de fl. 67 e junte aos autos, retornando em seguida o processo ao Carf para prosseguimento do feito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.005141/2002-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. ASSINATURA POR REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. INEXIGÊNCIA.
Conforme Súmula CARF nº 9, É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Vanessa Marini Cecconello, substituída pelo Conselheiro Walker Araujo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Walker Araujo (Suplente convocado em substituição à Conselheira Vanessa Marini Cecconello, que se declarou impedida) e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999 CIÊNCIA POR VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. ASSINATURA POR REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. INEXIGÊNCIA. Conforme Súmula CARF nº 9, É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Vanessa Marini Cecconello, substituída pelo Conselheiro Walker Araujo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Walker Araujo (Suplente convocado em substituição à Conselheira Vanessa Marini Cecconello, que se declarou impedida) e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999 CIÊNCIA POR VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. ASSINATURA POR REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. INEXIGÊNCIA. Conforme Súmula CARF nº 9, “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que “Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Vanessa Marini Cecconello, substituída pelo Conselheiro Walker Araujo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 51 41 /2 00 2- 77 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11020.005141/200277 Acórdão n.º 9303006.044 CSRFT3 Fl. 464 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Walker Araujo (Suplente convocado em substituição à Conselheira Vanessa Marini Cecconello, que se declarou impedida) e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional, contra Acórdão 340300.786, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF, sob a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido O contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 400 a 402), com efeitos infringentes, requerendo a reforma do Acórdão sob o fundamento de que a intimação da decisão da DRJ, mantendo a exigência, que se deu por via postal, teve utilizado pelo CARF como comprovante, para não conhecer do Recurso Voluntário em razão de ser intempestivo, um Aviso de Recebimento AR (fl. 106), datado de 09/05/2003, assinado por uma pessoa que "não era funcionário ou preposto seu", e, em acréscimo, há "normativo interno (fl. 404) comprovando que todos os documentos de processos, tanto judiciais como administrativos, só podem ser recebidos por quem a diretoria determinar". Alega ainda que "o envelope do Serviço Público utilizado pela Receita Federal (fls. 403) menciona o carimbo de recebimento em 12/05/2003". Os Embargos foram rejeitados pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul (Acórdão nº 340310.154, fls. 412 a 417), por "não se prestarem os embargos declaratórios à modificação de julgado baseada na mera irresignação da embargante", fazendo se necessário "que tenha ocorrido efetivamente vício de omissão, obscuridade ou omissão no julgado". Interpôs então o contribuinte Recurso Especial (fls. 424 a 438, mais anexos) ao qual foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade às fls. 449 e 450 utilizandose basicamente dos mesmos argumentos trazidos nos Embargos rejeitados. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 454 a 461), invocando, em especial, a Súmula CARF nº 9, que diz que “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11020.005141/200277 Acórdão n.º 9303006.044 CSRFT3 Fl. 465 3 com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Também traz jurisprudência do STF no mesmo sentido. Vejamos a ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PESSOA JURÍDICA. CITAÇÃO. TEORIA DA APARÊNCIA. 1. Aplicase a teoria da aparência para reconhecer a validade da citação via postal com AR, efetivada no endereço da pessoa jurídica e recebida por pessoa que, ainda que sem poder expresso para tanto, a assina sem fazer qualquer objeção imediata. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg nos EDcl no Ag nº 958.237/RS, Rel. Min. Honildo Amaral de Mello Castro, DJe 02/02/2010) É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Vejamos o que prescreve o RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. A Súmula nº 9 (já transcrita no Relatório) é bastante para simplesmente não conhecer do Recurso Especial interposto, em observância ao disposto no RICARF?? É mais que assente que, na ciência por via postal, utilizase, para fins de comprovação da data da ciência, a consignada no Aviso de Recebimento (que, por definição, retorna ao remetente ao contrário, por óbvio, do envelope utilizado), para a qual não se exige que o assinante seja mandatário ou preposto do sujeito passivo, requisito apenas previsto no caso de ciência pessoal, conforme art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Na prática, inclusive, as correspondências, ainda que com Aviso de Recebimento, em muitos casos, são recebidas pela portaria da empresa (onde, normalmente, trabalham terceirizados). Isto é admitido, na esfera administrativa, ao menos desde 1999, Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11020.005141/200277 Acórdão n.º 9303006.044 CSRFT3 Fl. 466 4 conforme atesta o Acórdão (unânime) nº 10806.254, da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (grifei): INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL – REGULARIDADE A intimação por via postal considerase perfeita quando o AR tenha sido encaminhado para o domicilio fiscal do contribuinte, ainda que recebido pelo porteiro. (...) Assim, não vejo margem para dúvida de que o acórdão recorrido adotou entendimento de Súmula do CARF, razão pela qual, na forma regimental, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 466DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000551/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 51 /2 00 9- 80 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11634.000551/200980 Acórdão n.º 1301003.066 S1C3T1 Fl. 251 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0639.380, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, com a manutenção do crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração – DEBCAD 37.211.0096, cadastrado no COMPROT sob nº 11634.000551/200980, lavrado contra C. H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA, para constituir o crédito relativo a contribuições previdenciárias (contribuição da empresa, inclusive SAT/RAT), devidas e não recolhidas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e administradores, no período de 07/2007 a 11/2008 , totalizando R$ 151.035,87 (cento e cinquenta e um mil e trinta e cinco reais e oitenta e sete centavos). 1.1. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 74/80, o sujeito passivo foi excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL, pelo Ato Declaratório Executivo nº 41, de 09/07/2009, e em decorrência da exclusão foram lançados os valores das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, apuradas por meio das Folhas de Pagamento de Salários e Remunerações. 2. Em razão de a autuada ter deixado de informar em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, com base no disposto no art. 337 do Decreto Lei nº 2.848/1940, restou formalizada a devida Representação Fiscal para Fins Penais. 3. Cientificada em 03/09/2009 (fl. 164), a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 168/182, em 02/10/2009, alegando, em síntese: a) afirmar que a Requerente foi excluída do Simples Nacional é desrespeitar o Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, além do que no processo administrativo nº 11634.000419/200978 restou demonstrado que a empresa exerce atividades totalmente compatíveis com o regime jurídico do Simples Nacional, razão pela qual o Auto de Infração é nulo; b) presume a autoridade administrativa que a Requerente efetuou pagamentos a título de ajuda de custo “sem caráter indenizatório” e, embora detenha o dever de provar tal fato, não Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11634.000551/200980 Acórdão n.º 1301003.066 S1C3T1 Fl. 252 3 o fez. A verdade é que os pagamentos realizados representam ressarcimentos decorrentes da utilização de veículos próprios em razão de atividades esporádicas exercidas fora da sede da empregadora, exigindo deslocamento, motivo pelo qual devem ser excluídas as contribuições calculadas sobre tais valores, nos termos do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91; c) o Decreto nº 6.042/07 deu nova redação ao Anexo V do Decreto nº 3.048/99, estabelecendo novas alíquotas do SAT/RAT, sendo que no caso da Requerente, CNAE 82113/ 00, a alíquota é de 1%. Todavia, a autoridade administrativa determinou a aplicação da alíquota de 2%, reconhecendo desconhecer o direito aplicável, razão pela qual deve ser anulado o lançamento; d) a penalidade (multa) não se sustenta quer pela própria improcedência do auto de infração, quer pela inexistência de ajuda de custo com natureza de verba remuneratória ou, ainda, pela ilegalidade material frente aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e) todos os dados, fatos e informações obtidos pela fiscalização encontramse registrados nos livros contábeis, inclusive a ajuda de custo, presumida pela autoridade fiscal como remuneratória, não havendo como aceitar a existência de tipificação da sonegação de contribuição previdenciária. Assim, requer a nulidade da representação fiscal para fins penais, quer pelo vício formal quer pelo excesso de poder ao indicar processamento antes da decisão definitiva do procedimento administrativo de apuração de eventuais débitos. 4. O presente Auto de Infração foi apensado ao processo nº 11634.000419/200978. 5. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimada, a empresa autuada apresenta seu Recurso, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11634.000551/200980 Acórdão n.º 1301003.066 S1C3T1 Fl. 253 4 Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou vários processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições previdenciárias relativo a contribuições previdenciárias (contribuição da empresa, inclusive SAT/RAT), devidas e não recolhidas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e administradores, no período de 07/2007 a 11/2008 , totalizando R$ 151.035,87 (cento e cinquenta e um mil e trinta e cinco reais e oitenta e sete centavos), em decorrência da exclusão do regime simplificado denominado de SIMPLES. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência das contribuições previdenciárias baseiase em remunerações de seus empregados e de administradores. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata de lançamento de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11634.000551/200980 Acórdão n.º 1301003.066 S1C3T1 Fl. 254 5 A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício. Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias em remunerações de seus empregados e de administradores, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722477/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF.
As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.
1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).
2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf.
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
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URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecêla, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 77 /2 00 8- 85 Fl. 240DF CARF MF 2 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório VILMA COSTA VEIGA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio de auto de infração, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 88.156,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 182.809,99. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos, conforme descrição dos fatos do auto de infração, a seguir reproduzida: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de ‘Valores Indenizatórios de URV, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 3 3 pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e consequentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de3 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada aos rendimentos para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Preceitua a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, ou seja, seus efeitos não se estendem ao imposto de renda. Principalmente porque não se fez, e nem se poderia, estender seus efeitos tributários ao âmbito federal. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo. A lei complementar aludida tem repercussão jurídica em outras matérias afeitas à competência legislativa estadual, tão somente. Considerar que uma lei estadual possa afastar a incidência do imposto de renda de determinadas verbas, denominandoas de indenizatórias, seria descuido crasso, porquanto demonstraria desconhecimento básico acerca dos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988, particularmente nos artigos 153 e 154. Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999. Verificase que a legislação tributária não contempla isenção a diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de “indenização” ou “valores indenizatórios” são tributáveis pelo imposto de renda. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o auto de infração seria nulo em razão da ilegitimidade ativa e da falta de interesse jurídico da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar, administrar ou cobrar o imposto lançado. Pois, em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teria como destinatário o próprio Estado da Bahia; que a própria Receita Federal entende que é ilegítima para figurar no pólo passivo de pedido de compensação vinculado a crédito tributário referente a IRRF retido pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, por não ter a disponibilidade sobre os valores recolhidos. Assim, pelo mesmo motivo, concluise que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto; que as diferenças pagas pelo Estado da Bahia decorrentes do erro na conversão da remuneração dos Magistrados de Cruzeiro Real para URV têm natureza jurídica indenizatória, conforme previsto nos arts. 4º e 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Portanto, tais rendimentos são isentos de imposto de renda; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro o caráter indenizatório de tais verbas, e da consequente não incidência do imposto de renda. Neste mesmo sentido estão a jurisprudência pátria, decisões do Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta SRF nº 55 de 18 de abril de 2005; que mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora, pois o contribuinte agiu de boa fé, seguindo informações constantes nos Fl. 242DF CARF MF 4 contracheques emitidos pela fonte pagadora; que, além disso, o caráter indenizatório de tal verba estava previsto em lei, o que, também, afastaria de a aplicação de multa e juros, nos termos dos artigos 100 e 112 do CTN. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente em parte o lançamento para excluir da exigência o valor de R$ 9.403,08 e correspondentes acréscimos, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSALVADOR/ BA observou que as verbas em questão foram pagas em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003 que se refere a diferenças de remuneração quando da conversão da URV, a qual era realizada mensalmente e visava à manutenção do valor real do salário. Daí concluiu que as diferenças recebidas tinham natureza eminentemente salarial; que o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera a natureza das verbas, ainda que o beneficiário tenha tido que recorrer à Justiça e o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar. Registra, ainda, que a tributação incide também sobre os complementos, juros e atualização monetária. Sobre o disposto no artigo 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe que as diferenças pagas teriam natureza indenizatória, observa que o Imposto de Renda é regido por legislação federal e, portanto, tal dispositivo não tem nenhum efeito em matéria tributária, destacando que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento e que indenizações não são indistintamente isentas, mas apenas aquelas previstas em lei específica como tal; que o art. 55, XIV, do RIR/99 prevê expressamente que tanto os juros moratórios quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento estão sujeitos à tributação, salvo se corresponderem a rendimentos isentos ou não tributáveis. Sobre a alegação de que deveria ser reconhecida a isenção com base na Resolução do STF nª 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado às diferenças de URV pagas aos magistrados federais, registra que o benefício não poderia ser estendido aos membros do Ministério Público Estadual, pois tal resultaria em isenção sem lei específica, e que também não seria o caso de se recorrer à analogia. Também não seria o caso de se aplicar a isonomia com relação aos magistrados federais, pois se trata de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, e que a isenção, no âmbito federal, decorreu de resolução expedida no âmbito do próprio Poder Judiciário. E sobre a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, registra que esta se extingue com o término do prazo para a apresentação da declaração dos rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, conforme orientação da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002. Ainda sobre a retenção do imposto pela fonte pagadora, anota que, embora o produto da arrecadação do imposto pertença à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, este fato não isenta o beneficiário dos rendimentos de oferecêlo à tributação; que, portanto, a competência para o lançamento tributário e o julgamento da lide são da União. Relativamente à multa de ofício, a DRJ rechaça a alegação de que, como os informes de rendimento apresentados pela fonte pagadora indicavam que se tratava de rendimentos isentos, sem a retenção do imposto, agiu de boafé e não poderia ser punido com a multa. Observa que a infração independe da intenção do agente e que a multa é devida pela omissão dos rendimentos e não pela prática de fraude. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 4 5 Finalmente, a DRJ registra que a autuação observou a regra estabelecida pela orientação da PGFN por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, eliminando os efeitos tributários do recebimento dos rendimentos de forma acumulada, todavia, foram tributados indevidamente os valores correspondentes a 13º salário e férias indenizadas, valores que exclui da tributação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 06/04/2011 e, em 28/04/2011, interpôs o recurso voluntário que ora se examina e no qual afirma, inicialmente, que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada na impugnação quanto à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; que também não enfrentou a questão da “quebra da capacidade contributiva da recorrente”. Afirma que tais omissões representam supressão de instância, afrontando o devido processo legal, o contraditório e ampla defesa. Reafirma, como preliminar, as alegações de ilegitimidade passiva da União para cobrar o imposto incidente na fonte e que não foi objeto de retenção pelo Estado; reafirma a alegação de quebra da capacidade contributiva do Contribuinte, que estaria caracterizada pelo fato de que o Fisco pretende receber o imposto em valor maior do que o que seria devido caso os rendimentos fossem recebidos no tempo próprio, com multa, correção e juros. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal; questiona procedimentos de cálculos quanto á alíquota aplicável, as base de cálculo e a inclusão indevida de rendimentos que seria de 13º salário e abono de férias. Por fim, reitera alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. Em 11 de julho de 2012, a 1a Turma Ordinária da 2â Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF julgou a matéria no Acórdão n. 2201001.714 (fls. 202). Em 22 de outubro de 2012, um dos conselheiros da referida Turma opôs embargos ao referido Acórdão diante inexatidão material devida a lapso manifesto: o voto condutor do acórdão considerou que no lançamento aplicouse a tabela do imposto de renda vigente nas épocas próprias a que se referem os rendimentos (regime de competência), quando, pela descrição dos fatos do Auto de Infração, a tabela do imposto de renda aplicada foi a vigente na data do pagamento (regime de caixa). Em 22 de janeiro de 2013, a 1a Turma Ordinária da 2â Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF julgou os embargos no Acórdão n. 2201001.941(fls. 217), acolhendo os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.714, de 11/07/2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Questão da Tributação das Diferenças de Remuneração decorrentes da Conversão de Cruzeiro Real para URV Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, vale citar que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de 2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. A referida conversão era realizada mês a mês no período de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário. Verificase, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público Estadual. Tanto é assim, que as parcelas recebidas no devido tempo foram espontaneamente oferecidas à tributação pelo contribuinte, que reconhecia a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN. Com relação ao art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis. No tocante à alegação de que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas a funcionários do Poder Judiciário que não sejam os juízes federais. No que diz respeito à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 5 7 Da Questão dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2006. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como Fl. 246DF CARF MF 8 no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, considerando que o presente caso estava sobrestado até o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, salientamos que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Da Aplicação da Multa Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, no tocante à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do Recorrente ter agido de boafé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cumpre observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 6 9 evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Todavia, cumpre ressaltar que a Súmula CARF n. 73 dispõe de forma específica sobre o tema afastando a multa de ofício quando houver erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Considerando que somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial (i) reconhecendo que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte; e (ii) aplicando a Súmula CARF n. 73, que não autoriza o lançamento da multa de ofício, de modo que como somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Ouso divergir do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto no tocante a não ser exigível, conjuntamente com o tributo e juros de mora, qualquer tipo de multa. Por primeiro, cumpre assinalar que não houve na impugnação qualquer alusão à aplicação da multa de mora. Assim, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, esta matéria, não contestada, considerase não impugnada, e, por conseguinte, estranha ao presente processo administrativo fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Registro que às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não tendo sido impugnada, tal questão não foi tratada pelo acórdão recorrido; não há como, por decorrência, ser devolvida por meio de recurso voluntário a este CARF, que Fl. 248DF CARF MF 10 não possui competência originária para conhecer da matéria, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Ademais, mesmo que a matéria pudesse ser conhecida, entendo que, ao ser cancelada a multa de ofício, a multa de mora é exigível por expressa disposição legal (art. 61, caput¸da Lei 9.430, de 1996), independentemente de constar no lançamento, sendo devida pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifou se.) Diferentemente da multa de ofício, que possui expressa previsão de ser lançada (art. 44 da Lei 9.439, de 1996), não há previsão legal para constituição da multa de mora pelo lançamento; por decorrência lógica, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento, não existindo, portanto, competência deste CARF para dispor sobre sua exclusão ou cancelamento. Sobre esta questão, assumo, como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Acórdão 9202004.244, da 2ª Turma da CSRF, que passo a transcrever. II.2 Sobre a conversão da multa de ofício em multa de mora No tocante à matéria recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, substituição da multa de ofício lançada pela multa de mora, é necessário fazer referência à legislação que disciplina as multas. A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 7 11 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo decidiu sobre tema que no entender deste conselheiro não tinha competência para discutir, a multa de mora, que é exigida de pleno direito, não compondo o lançamento. Ora, se não há previsão legal para constituição da multa de mora em sede de lançamento, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento. Dessa forma, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se de dar provimento em parte ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a exclusão da multa de mora, determinada pelo colegiado recorrido, devendo essa multa ser exigida de pleno direito em sede de cobrança / execução do crédito tributário, pela autoridade competente. (Grifouse.) Fl. 250DF CARF MF 12 Em conclusão, voto, nessa questão, por cancelar a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73, não conhecendo da questão da incidência da multa de mora, que deve ter a regular aplicação determinada pela legislação tributária. João Bellini Junior Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723502/2016-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL
O contribuinte apresentou diversas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) obrigação acessória criada pela Lei nº 9.528/97, determinando que todas as pessoas físicas ou jurídicas, a partir de janeiro de 1999, sujeitas ao recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, estão obrigadas a apresentar tais informações ao Fisco, cumprindo a obrigação acessória.
Numero da decisão: 2002-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência da conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL O contribuinte apresentou diversas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) obrigação acessória criada pela Lei nº 9.528/97, determinando que todas as pessoas físicas ou jurídicas, a partir de janeiro de 1999, sujeitas ao recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, estão obrigadas a apresentar tais informações ao Fisco, cumprindo a obrigação acessória.
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DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL Recorrente REGIS PINHEIRO DE CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL O contribuinte apresentou diversas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) obrigação acessória criada pela Lei nº 9.528/97, determinando que todas as pessoas físicas ou jurídicas, a partir de janeiro de 1999, sujeitas ao recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, estão obrigadas a apresentar tais informações ao Fisco, cumprindo a obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência da conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. No mérito, acordam, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 02 /2 01 6- 20 Fl. 927DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 08 a 12), relativa a dedução indevida de Previdência Oficial relativa a rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 8.081,69, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 21/06/2017, à e fl. 02 a 683 dos autos que, em síntese, alega: · após solicitação da fiscalização, o contribuinte apresentou toda a documentação que comprova a regularidade do recolhimento do imposto de renda retido na fonte; · os mesmos argumentos são apresentados para o cancelamento da autuação quanto a dedução de previdência oficial da base de cálculo do imposto de renda, quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual; A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, em 22/09/2017, no acórdão 0738.907, às efls. 716 a 720, julgou a impugnação parcialmente procedente, nos seguintes termos: Desta forma, se constata da documentação anexada, o contribuinte logrou demonstrar que a pessoa jurídica responsável pelo recolhimento do IRRF procedeu o recolhimento deste tributo para os meses de janeiro e fevereiro e para o período março a dezembro de 2012, enviou a Receita Federal do Brasil a DCTF,declarando os valores retidos, e indicando em cada mês na DCTF os respectivas declarações de compensação (Dcomp). Constatase ainda pela analise da Dirf enviada ao fisco pela fonte pagadora, CNPJ 19.403.252/000190, que o CPF do contribuinte consta da relação de retenções do IRRF, para o citado ano calendário, conforme documento fl. 701 dos autos. Desta forma, deve ser restabelecido na declaração de ajuste do contribuinte a glosa do IRRF no valor de R$ R$ 6.666,91. Recurso voluntário Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10680.723502/201620 Acórdão n.º 2002000.155 S2C0T2 Fl. 928 3 Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 18/10/2016 às efls. 727 a 925, no qual alega, em resumo, que: § Preliminarmente, não deve prosperar o lançamento tributário quanto dedução indevida de Previdência Oficial relativa a rendimentos recebidos de pessoa jurídica; § no mérito, junta toda comprovação comprobatória de recolhimento da previdência oficial realizada pela empresa, em nome do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 07/10/2016, efls. 725, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 18/10/2016, também às efls. 727, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado a dedução indevida de Previdência Oficial relativa a rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Quanto a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, a DRJ afastou o lançamento, mantendo a exigência quanto a dedução indevida de Previdência Oficial da base de cálculo do Imposto de Renda da pessoa física, motivo pelo qual insurgese o contribuinte, apresentando Recurso Voluntário. A norma que autoriza a dedução da contribuição devida à Previdência Social está contida na alínea 'd', do inciso II, do artigo 8º da Lei nº 9.250/95. Assim, quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte poderá abater o valor pago à Previdência Oficial da base de cálculo do imposto de renda, como se ve: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (...) Quando da apreciação da matéria pela DRJ, o colegiado exarou a seguinte decisão: Fl. 929DF CARF MF 4 No caso concreto, constato que o contribuinte apresenta impugnação genérica, na qual alega estar contestado o valor glosado. Entretanto, não comprova nos autos a retenção da contribuição previdenciária oficial, bem como não apresenta qualquer documento que demonstre a ocorrência do recolhimento da contribuição. O contribuinte, em sede de impugnação apresenta tão somente comprovantes de recolhimento do IRRF por meio de comprovantes de arrecadação de receitas federais (DARF), e no caso das DCTF anexas, como os respectivos Dcomp, temse que estes não contemplam as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados. Desta forma, deve ser mantida a glosa efetuada a este titulo pela autoridade lançadora. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou diversas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) obrigação acessória criada pela Lei nº 9.528/97, determinando que todas as pessoas físicas ou jurídicas, a partir de janeiro de 1999, sujeitas ao recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, estão obrigadas a apresentar tais informações ao Fisco, cumprindo a obrigação acessória. Como a documentação é vasta, segue quadro indicando todos os recolhimentos efetuados: COMPETÊNCIA FOLHA DOS AUTOS (GFIP) 01/12 fls. 827 02/12 fls. 842 03/12 fls. 857 04/12 fls. 874 05/12 fls. 890 06/12 fls. 904 07/12 fls. 922 08/12 fls. 741 09/12 fls. 758 10/12 fls. 776 11/12 fls. 793 12/12 fls. 810 Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para, no mérito, darlhe provimento. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10680.723502/201620 Acórdão n.º 2002000.155 S2C0T2 Fl. 929 5 Fl. 931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000123/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
Os impostos e contribuições exigidos na sistemática do lucro arbitrado são apurados sobre a Receita Bruta conhecida que, no caso de omissão de receitas por presunção legal, corresponde ao montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
Aplicável a qualificação da multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, se a contribuinte, reiteradamente, não atendeu, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas e/ou livros e documentos de natureza contábil e ocultou existência de conta bancária.
DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS. VERIFICADA DUPLICIDADE DE VALORES E TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DEVIDA
Diante da plausibilidade das justificativas e das evidências documentais apresentadas pela recorrente há que se concluir pela exclusão dos valores depositados em contas bancárias, considerados em duplicidade, bem assim os valores relativos a transferências interbancárias.
Numero da decisão: 1302-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flavio Machado Vilhena Dias, que cancelavam o agravamento da multa e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Os impostos e contribuições exigidos na sistemática do lucro arbitrado são apurados sobre a Receita Bruta conhecida que, no caso de omissão de receitas por presunção legal, corresponde ao montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Aplicável a qualificação da multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, se a contribuinte, reiteradamente, não atendeu, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas e/ou livros e documentos de natureza contábil e ocultou existência de conta bancária. DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS. VERIFICADA DUPLICIDADE DE VALORES E TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DEVIDA Diante da plausibilidade das justificativas e das evidências documentais apresentadas pela recorrente há que se concluir pela exclusão dos valores depositados em contas bancárias, considerados em duplicidade, bem assim os valores relativos a transferências interbancárias.
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DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS. INTERMEDIAÇÃO Recorrentes L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. EPP e FAZENDA NACIONAL . ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Os impostos e contribuições exigidos na sistemática do lucro arbitrado são apurados sobre a Receita Bruta conhecida que, no caso de omissão de receitas por presunção legal, corresponde ao montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Aplicável a qualificação da multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, se a contribuinte, reiteradamente, não atendeu, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas e/ou livros e documentos de natureza contábil e ocultou existência de conta bancária. DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS. VERIFICADA DUPLICIDADE DE VALORES E TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DEVIDA Diante da plausibilidade das justificativas e das evidências documentais apresentadas pela recorrente há que se concluir pela exclusão dos valores depositados em contas bancárias, considerados em duplicidade, bem assim os valores relativos a transferências interbancárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 23 /2 00 9- 00 Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flavio Machado Vilhena Dias, que cancelavam o agravamento da multa e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela DRJ (fl. 885) e Recurso Voluntário interposto por L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA., visando a reforma do Acórdão no 0629.685, de 16/12/2010, da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. A fiscalização concluiu pelos seguintes lançamentos: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 609/622): valor de R$ 1.096.929,52, devido a: Omissão de receita, identificada devido a depósitos bancários recebidos em contas de sua titularidade em instituições financeiras, de origem não comprovada (período de apuração 01/01/2006 a 31/12/2007); Receitas de Transporte informadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI; arbitramento do lucro; b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 623/634): valor de R$ 511.951,81, relativa à mesma infração e períodos; c) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Simples (fls. 638/650): valor de R$ 1.430.931,35, relativa às mesmas infrações, nos períodos mensais de 01/2006 a 12/2007; Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 4 3 d) Contribuição ao Programa de Integração Social PIS (fls. 654/666): valor de R$ 311.626,13, relativa às mesmas infrações, nos períodos mensais de 01/2006 a 12/2007; e) multa de ofício de 112,50% do art. 44, I, § 2° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, e da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3° da Lei n° 9.430, de 1996. Os autos de infração relativos aos trimestres 1° a 4°, de 2006, e 1° a 4°, de 2007 foram lavrados com base no regime do lucro arbitrado, visto que a recorrente, que declarava pelo Simples, não possuía escrituração na forma exigida pela legislação comercial e fiscal, conforme descrito no Relatório do Procedimento Fiscal, às fls. 598/603 e 606/607, itens 28 a 39.5 e 56 a 58, às fls. 885/886. Além do presente processo administrativo, foi constituído o processo n° 12571.000018/200962, Representação para Exclusão de Ofício Simples Nacional a partir de 01/01/2006, e foram lavrados autos de infração, na sistemática do Simples, relativamente ao anocalendário 2005, objetos do processo administrativo n° 12571.000111/201019 (fl.886). O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a Impugnação registrando a seguinte ementa:: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. DETERMINAÇÃO LEGAL. A legislação autoriza à autoridade competente requisitar informações referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, e depois de o sujeito passivo ter sido intimado para a apresentação de informações sobre movimentações financeiras necessárias à execução do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 5 4 LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NAO FOI COMPROVADA. RECEITA BRUTA Os impostos e contribuições exigidos na sistemática do lucro arbitrado são apurados sobre a Receita Bruta conhecida que, no caso de omissão de receitas por presunção legal, corresponde ao montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DUPLICIDADE. Cabe excluir do valor da omissão de receitas os depósitos bancários considerados em duplicidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEROS VALORES TRANSFERIDOS. RECEITA DE COMISSÕES. As alegações de que os depósitos recebidos meramente transitaram em suas contas bancárias e que suas receitas seriam de 1% do valor, a título de comissões por intermediação nas compras de produtos agrícolas, não justificam a origem dos depósitos recebidos em contas bancárias de titularidade da autuada, se desprovidas de comprovação com documentação hábil e idônea. "PAUTA FISCAL" Descabida a reclamação de arbitramento de receita por "pauta fiscal" dado que não se recorreu a valor mínimo ou de pauta para apurar a receita bruta, que foi a receita considerada omitida. PROCESSO REGULAR DE CONTRADITÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Descabe a reclamação de que não foi oportunizada à contribuinte a contestação à não consideração de documentos apresentados, se estes se apresentavam incompletos e inadequados e se lhe é concedido o direito à contestação, na impugnação aos autos de infração julgada neste Acórdão e sendolhe ainda concedido o direito ao recurso junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. APLICAÇÃO. Aplicável a majoração da multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, se a contribuinte, reiteradamente, não atendeu, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas e/ou livros e documentos de natureza contábil e ocultou existência de conta bancária. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS E CSLL. Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 6 5 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A autoridade julgadora à fl. 885 reconheceu a duplicidade alegada em relação aos depósitos efetuados em Caixa Eletrônico (CEI) e Depósito Cheque, conforme tabela apresentada à fl. 703, referente aos meses 07/2006 e 01/2007, da seguinte forma (fl. 904): Valor Fls. Conclusão 25/07/2006 Depósito Cheque 14.900,00 558 e221 Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999555 idem 558 e221 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999555EST duplicidade. 02/01/2007 Depósito Cheque 20.000,00 565, 70 Anexo IV Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999675 Idem 565 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999675EST duplicidade. 03/01/2007 Depósito Cheque 20.000,00 565 Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999676 Idem 565 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999676EST duplicidade. Frente a esta afirmativa, verificaramse as listagens de depósitos autuados às fls. 550/571 em confronto com os extratos das contas correntes 40.4596 e 12.6553 do Banco Itaú, para constatar que ocorreu a duplicidade arguida. O Acórdão traz como exemplo o CEI 999407 Depósito: Histórico Valor D/C Saldo Fls. processo Fls. Anexo IV CEI 999407 EST 12.000,00 D 3.444,68 Depósito Cheque 12.000,00 C 8.555,32 550 4 CEI 999407 Depósito 12.000,00 C 20.555,32 550 4 Portanto, foi determinada a exclusão de valores da autuação conforme tabela apresentada às fls. 904, 905 e 906. Em relação às contas no Banco do Brasil e Bradesco, conforme as listagens de fls. 477/549 e 572/583, não se constatou qualquer lançamento em duplicidade. Ainda, no que tange aos valores creditados com o título "Caixa Reserva V. Transf." verificouse, confrontando as listagens de fls. 550/571 e quadros resumo de fls. 584/585, com os extratos das c/c 40.4596, fls. 2/3 do Anexo IV e 12.6553, fls. 4/128 do Anexo IV, que estes correspondem a transferências interbancárias, visto que os mesmos valores se encontram simultaneamente a Débito e Crédito dessas duas contas, assim resumidos mês a mês: Jan/06 196.000,00 Set/06 220.000,00 Fev/06 125.000,00 Out/06 240.000,00 Mar/06 280.000,00 Jan/07 150.000,00 Abr/06 60.000,00 Fev/07 150.000,00 Mai/06 272.000,00 Mai/07 80.000,00 Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 7 6 Jun/06 99.200,00 Jun/07 180.000,00 Jul/06 50.000,00 Out/07 140.000,00 Ago/06 10.000,00 Nov/07 300.000,00 Total 2.552.200,00 Desta forma, havendo a exclusão dos valores apontados do crédito tributário, interpôs a autoridade julgadora, Recurso de Ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A recorrente foi cientificada do Acórdão DRJ/CTA n° 0629.685, de 16 de dezembro de 2010, em 05/01/2011, fl. 1035 e interpôs Recurso Voluntário tempestivamente (fl. 1038/1062), em 02/02/2011 (fl. 1063). Em síntese, apresentou as seguintes razões de recurso: a) reitera à fl. 930 a nulidade do auto de infração, haja vista o afastamento do sigilo bancário pelo autuante frente a não apresentação pelo contribuinte dos extratos bancários solicitados, ato que macula o lançamento fiscal, pois apenas o magistrado pode determinar o referido afastamento; após, colaciona notícia que veicula decisão do STF sobre o tema (fl. 932); b) não obstante a DRJ/PR tenha mantido a omissão de receita como premissa para o lançamento do crédito tributário, sob o fundamento de que a referida intermediação não foi comprovada, a recorrente alega que esta foi comprovada, conforme consta na própria decisão (ponto n. 57) e reafirma que esta não contemplou a atividade específica do contribuinte, que consiste na intermediação de produtos agrícolas (fl. 935); c) afirma ser usual em empresas prestadoras de serviços o ingresso de valores que correspondem apenas à movimentação de caixa e devem ser consideradas como receita apenas as comissões percebidas em razão do intermédio da comercialização dos produtos, distinguindose ingresso de receita (fl. 928 e 939), trazendo no bojo do recurso os conceitos de ambos (fls. 940 a 945); e d) por fim, caso mantido o crédito tributário, argumenta que a multa aplicada é abusiva e ilegal e que não foi demonstrado fraude ou dolo; ainda que, apesar de a decisão da DRJ/PR, em seus fundamentos, manter a multa com base nas próprias alegações do contribuinte em sua impugnação, na qual afirmou que "resistiu, relutou e refugou" entregar os extratos bancários, a simples omissão não caracteriza fraude ou dolo e estes não podem ser presumidos. Na primeira oportunidade em que esse Recurso Voluntário foi submetido ao CARF, converteuse o julgamento na Resolução nº 1302.000.225, de 06/03/2013 (fls. 840/851), por meio da qual decidiuse sobrestar o feito até julgamento definitivo pelo STF, sobre a possibilidade de quebra de sigilo bancário, em procedimentos de fiscalização. Após a confirmação pelo STF, os autos retornaram para julgamento do Recurso Voluntário. Dessa vez, converteuse o julgamento na Resolução nº 1302.000.354, de 27/11/2014, por meio da qual determinouse o retorno dos autos à DRF de origem para que fossem adotadas as seguinte providências: a) intime a empresa Raimundo Montier da Lima e Cia. (CNPJ n° 23.710.809/000102) para que, no prazo de 30 (trinta) dias: a.1) manifestese sobre a validade e idoneidade dos contratos firmados com a recorrente, apresentando cópia de todos os contratos firmados entre as partes durante o período de 2006 e 2007. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 8 7 a.2) demonstre com documentos hábeis e idôneos a data e valores de todos os depósitos (provando as transferências), efetuados em favor da recorrente e que tiveram vínculo com tais contratos. a.3) demonstre o lastro dos depósitos bancários com notas fiscais de compras de terceiros de compra de produtos, destacando o valor da respectiva "comissão", e que esta seja provada por nota fiscal e outros documentos hábeis e idóneos; b) após este prazo, intime a empresa recorrente para que, no prazo de 30 (trinta) dias, manifestese sobre os documentos apresentados pela empresa Raimundo Montier de Lima e Cia, demonstrando e comprovando em todas elas de maneira individualizada, em datas e valores, os valores correlatos às operações em questão que apenas transitaram em suas contas bancárias, apresentado prova disso; c) após este prazo, que o agente fiscal emita parecer conclusivo sobre os documentos constantes nos autos e as provas apresentadas pela empresa Raimundo Montier da Lima e Cia e a recorrente, manifestandose expressamente sobre a comprovação da existência de recursos que apenas teriam transitado nas contas bancárias da recorrente e que não são receitas. Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgálo incontinenti. As diligências foram devidamente cumpridas, concluindose com Relatório Fiscal, nos seguintes termos: Procedemos a análise dos documentos e manifestações apresentadas nas respostas às intimações fiscais n° 086/2015 e 0173/2015. O contribuinte RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 086/2015 não apresentou documentos que demonstrem as transferências financeiras e os depósitos bancários em favor de L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. Em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 086/2015 o contribuinte RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA não apresentou documentos que demonstrem o lastro de transferências financeiras e os depósitos bancários em favor de L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA, tendo em vista declarar que os depósitos eram feitos diretamente do contratante ao contribuinte L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. Apresentou o contribuinte RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 086/2015 os seguintes elementos: Cópia de Contrato de Prestação de Serviços de Intermediação na Compra de Produtos Agrícolas entre RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA e L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA, não registrado em cartório e não tendo os correspondentes lançamentos contábeis que registrem as operações oriundas deste contrato, contrato que, desta forma, não pode ser considerado hábil e idôneo: Cópia de Recibo firmado por L. ANTUNES TRANSPORES LTpA referente a serviços prestados por RAIMUNDO DEMONTIER D^E/LIM/AACIA no valor de R$ 102.310,62, desprovido de comprovação d^efeip/a transferência Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 9 8 financeira, da nota fiscal de prestação de sehjufaé e não tendo o correspondente lançamento contábil, recibo que, dgsta forma, não pode ser considerado hábil e idôneo; Cópias das Notas Fiscais de Venda de Caroço de Algodão emitidas pelo contribuinte PROGRESSO AGROINDUSTRIAL LTDA CNPJ: 07.620.341/000109 para RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA, de números: 0095, 0096, 0196, 0147, 0224, 0225, 0337, 0361, 0362, 0419, 0420, 0424 e 0425, com o valor de seu somatório de R$ 59.156,40. Em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0173/2015 o contribuinte L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. não apresentou comprovação, de forma individualizada de datas e valores, dos valores referentes a operações com o contribuinte RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA. Apresentou o contribuinte L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0173/2015 apenas uma planilha onde constam valores, totalizados em R$ 102.310,62, atribuídos a notas fiscais emitidas a RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA. Em resposta ao requerido no item "c" da Fl. 1.813 da Resolução n° 1302000.354 3a Câmara / 2a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, somos de parecer de que, através dos documentos apresentados pelo contribuinte ao longo desta diligência fiscal, não foi comprovado por L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. que parte dos seus recursos financeiros tenham apenas transitado por suas contas bancárias como recursos de terceiros sem serem efetivamente receitas dos anoscalendário 2006 e 2007. Os autos retornaram ao Carf para julgamento dos recursos voluntário e de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário foram devidamente apreciados por ocasião das referidas Resoluções nº 1302.000.225, de 06/03/2013 e 1302.000.354, de 27/11/2014, concluindose pelo conhecimento dos recursos. Na forma relatada, a recorrente foi selecionada para ser fiscalizada com referência aos anos calendários de 2005, 2006 e 2007, em decorrência de indicativos de movimentação financeira incompatível, via CPMF. Observouse que os créditos em contas bancárias não são condizentes com o perfil econômico, financeiro e porte econômico declarados à Receita Federal nem, tampouco, encontrouse nexo de vinculação com a atividade desenvolvida e os documentos fiscais (conhecimentos de transportes rodoviário de cargas) apresentados. Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 10 9 De forma geral, os esclarecimentos prestados pela Recorrente, em resposta a várias intimações e pedidos de prorrogação de prazos, limitamse a indicar que os créditos em contas bancárias seriam decorrentes de resgates de aplicação financeira e de liberação de crédito em decorrência de operações financeiras. Em relação aos créditos remanescentes, não justificados por resgate de operações financeiras, não houve qualquer esclarecimento sobre a sua motivação. Excluíramse os créditos para os quais verificouse plausibilidade da justificativa, mesmo que sem documentação mais robusta, além do próprio extrato bancário, tendo em vista a regularidade dos créditos e o específico histórico afirmado pela Instituição Financeira/Bancária. A DRJ ainda excluiu os valores de depósitos apontados em duplicidade pela fiscalização. Diante da constatação de que a Recorrente manteve movimentação financeira muito superior e incompatível com o porte econômico declarado e que, além disso, relutou em apresentar esclarecimentos, relutou em apresentar documentos, sonegando informações, a fiscalização registrou que, a Recorrente teria agido deliberadamente ao não apresentar os documentos e informações requisitados. Pois, não prestou qualquer esclarecimento sobre as motivações econômicas que pudessem justificar a profusa movimentação bancária. Assim, por meio de Representação Fiscal, propôs a exclusão da Recorrente do Simples Nacional. A movimentação financeira imputada como sonegação de faturamento, deu se na forma de créditos em conta corrente bancária, cuja origem não foi esclarecida, somou ao longo do ano calendário 2005, a importância de R$2.762.611,26. Os extratos bancários juntados aos autos, indicam que R$904.143,15 se referem a créditos ingressos no Banco Bradesco e R$1.858.468,11 se referem a créditos ingressos no Banco Itaú (valores líquidos daqueles considerados justificados e daqueles considerados em duplicidade). Com essa apuração e entendimento foi possível obter o faturamento anual da Recorrente no ano calendário 2005, conforme a seguir demonstrado: Créditos em conta corrente: R$ 2.762.611,26; Faturamento Bruto Declarado:...R$ 33.018,00; Faturamento Apurado: R$ 2.795.629, 26; Portanto, o faturamento de R$ 2.795.629,26, auferido no anocalendário de 2005 superou o patamar limite para que a empresa pudesse continuar optando pelo "Simples" no ano calendário seguinte, de 2006, quer como microempresa quer como empresa de pequeno porte, motivo pelo qual se impôs a decisão da Representação para Exclusão do Simples. Além desses valores, foram apuradas as informações dos créditos havidos nas contas mantidas no Banco do Brasil, constatadas posteriormente ao pedido de desenquadramento do regime tributário do Simples. A Representação, embasada com seus documentos, argumentos e fundamentos legais tomou forma no processo administrativo n° 12.571.000.018/200962 datado de 02/03/2009, da qual decorreu o Ato Declaratório Executivo DRF/PTG n° 09 de 11 de março de 2009, que foi publicado no Diário Oficial da União em 17 de março de 2009, Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 11 10 Seção 1, às fls. 51, mediante o qual promoveu o desenquadramento do Sujeito Passivo do regime de apuração do Simples com efeitos a partir de 01/01/2006. Diante da exclusão da Recorrente do Simples Nacional, em 2005, nos anos calendários de 2006 e 2007 apurouse os tributos devidos pela Recorrente pela sistemática do lucro arbitrado. Em 05/05/2009, a Recorrente foi notificada (Termo n° 308/2009) da continuidade dos procedimentos fiscalização. Em 12/05/2009 o Sujeito Passivo apresentou Recurso Administrativo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba. Em decorrência do desenquadramento do regime de apuração do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006, o Sujeito Passivo foi intimado em 22/06/2009, mediante o Termo n° 445/09, recebido pessoalmente pelo sócio gerente Leonil Antunes, para apresentar a completa escrituração contábil, elaborada de acordo com as Leis Comerciais e Fiscais, como base para a aplicação da tributação pela sistemática do Lucro Real dos anos calendários de 2006 e 2007. No mesmo expediente também foi intimado para apresentar a Folha de pagamento dos segurados empregados, dos segurados individuais, dos segurados autônomos e dos segurados administradores, referentes ao período de 01/01/2006 a 31/12/2007. Houve várias intimações e pedidos de prorrogação sem, contudo, serem completamente atendidas pela Recorrente. A fiscalização registrou que a afirmação prestada pela Recorrente, de que teria apresentado o livro caixa, não é verídica, tendo em vista que, na realidade, foram apresentados 2 (dois) livros, a saber: Livro Diário e Livro Razão, ambos referentes ao ano calendário de 2005. Frisou que, essa postura da Recorrente coloca mais em evidência a sua disposição de conturbar, dificultar e embaraçar os procedimentos de fiscalização. A fiscalização fez consignar observação de correção no próprio ofícioresposta apresentado, com a coleta de nova assinatura do Sr. Leonil Antunes, que demonstrou relutância em assumir e assinar a correção. Diante da recusa da Recorrente em apresentar os extratos bancários das contas correntes mantidas no Banco do Brasil, a fiscalização requisitou a movimentação financeira diretamente à instituição bancária. Em 12/08/2009, o Banco do Brasil, mediante oficio n° 2009/RF.1187 encaminhounos a mídia CD/R 700 MB, da marca MAXPRINT, na qual contém gravada a movimentação bancária do Sujeito Passivo, mantidas em 3 (três) contas: conta n° 2.4260 da Agência n° 3172; conta n° 9.854X da Agência n° 3172 e conta n° 15.4296 da agência n° 2997. Copiados e transcritos, os extratos da movimentação bancária apresentaram expressiva quantidade de créditos havidos sob rubricas e históricos diversos com indícios da prática de atividades não condizentes com os faturamentos declarados à Receita Federal. As rubricas e históricos sob os quais foram efetuados os créditos mais expressivos estão a seguir especificados: Aviso de Crédito; Cobrança; Depósito em Cheque BB Liquidação; Depósito em Cheque Liberado; Depósito em Dinheiro; Depósito OnLine; Desbloqueio de Depósitos; TED Transf. Eletrônica Disponível e Transferência OnLine. Todos os créditos havidos nas contas mantidas no Banco do Brasil, com os históricos acima enumerados, foram destacados dos extratos e relacionados, por ordem Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 12 11 cronológica e sequencial de lançamentos, em planilhas que compõem o Termo de Intimação Fiscal nº 551/2009. A Recorrente foi instada a esclarecer e a comprovar por meio de documentos, casoacaso, créditoacrédito, de forma detalhada e individualizada, sobre a origem dos depósitos, visando elucidar as seguintes circunstâncias, conforme fosse a situação: qual a motivação econômica do depósito; qual a motivação comercial do depósito; qual a motivação financeira do depósito; qual a motivação patrimonial do depósito. Para atendimento foi concedido o prazo de 15 dias contados a partir do recebimento da intimação que ocorreu no dia 31/08/2009. A Recorrente solicitou algumas prorrogações, mas não atendeu à intimação. Diante de mais esses procedimentos de cunho protelatório da Recorrente, requisitouse as informações necessárias diretamente às Instituições Banco Bradesco e Banco Itaú. O Banco Itaú/Unibanco respondeu, em 26/11/2009 enviando Mídia tipo disquete de 3,5 polegadas, da Marca MAXELL com informações de movimentação de 3 (três) contas a seguir enumeradas: Conta n° 12.6553 movimentação em 28/12/2007; Agência n° 0780, com registro de período de 03/01/2005; Conta n° 39.0159 movimentação no 09/08/2005; Agência n° 0780, com registro de período de 30/05/2005 ; Conta n° 40.4596 Agência n° 0780, com registro de movimentação no período de 09/08/2005 a 14/11/2007; O Banco Bradesco respondeunos em 09/12/2009, enviando mídia tipo CD/DVD, com o logotipo da Instituição, informações de movimentação da conta n° 2.7308 da agência n° 2106. No exercício em que se verificaram os motivos para o desenquadramento de ofício, a Recorrente ainda deveria permanecer com a sistemática de apuração do Simples. Por esse motivo foi emitido Auto de Infração referente ao ano calendário de 2005 e exercício de declaração de 2006. Referido Auto de Infração está incluso no processo administrativo n° 12.571.000.111/201019. Tal procedimento devese a consequência de que os fatos geradores dos anos calendários de 2006 e 2007, teriam que ser resolvidos com a adoção da sistemática legal e administrativa de apuração referente ao lucro real ou lucro presumido. O desenquadramento de oficio do sistema de apuração simplificada, no presente caso, operou efeitos a partir de 01/01/2006 e com isso determinou a adoção obrigatória de outra forma de apuração do lucro para os anos calendários de 2006 e 2007. As multas aplicáveis foram majoradas devido aos incidentes que evidenciaram a deliberada intenção de ocultar as informações e documentos requisitados à Recorrente, conforme relatado no Relatório Fiscal, nos parágrafos 8, 12, 13, 14, 23, 29, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 44, 47 e 48, que efetivamente trouxeram embaraço à fiscalização. Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 13 12 Os fatos que dão origem ao Auto de Infração em questão, portanto, referem se à constatação de movimentação bancária e financeira creditados em conta de depósito ou investimentos, mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais, regularmente intimado e reintimado, não apresentou a escrituração necessária, não esclareceu os motivos, nem tampouco apresentou qualquer documento hábil e idôneo, por meio do qual fosse possível identificar a origem dos recursos creditados. Não apresentou documentação, escrituração fiscal necessária, nem colaborou com a fiscalização para que pudéssemos apurar o lucro real. A fiscalização demonstrou, portanto, que restaram configurados os motivos legais para o arbitramento do lucro. O faturamento mensal declarado pela Recorrente para a tributação pela sistemática do Simples, conforme demonstrado no Relatório Fiscal, na planilha "Quadro Resumo do Arbitramento do Lucro" foi transportado para a apuração do resultado pelo lucro arbitrado. Os depósitos em conta corrente, conforme demonstrados em planilha "Quadro Resumo do Arbitramento do Lucro" foram considerados como faturamento bruto e como tal foram tomados como base de cálculo para a apuração do lucro arbitrado. Na elaboração do Auto de Infração foram concedidos os créditos dos tributos decorrentes dos pagamentos em DARF(s)/Simples e DASN(s)/Simples, conforme demonstrados na planilha "Partilha de Valores entre Tributos" em anexo. Assim, confrontandose os procedimentos realizados pela fiscalização com as razões de recurso, verificase que: a) em relação à alegação de nulidade do autos de infração, em virtude da quebra de sigilo bancário por meio do procedimento administrativo de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) diretamente às instituições financeiras Bradesco, Itaú/Unibanco e Banco do Brasil, verificase que o Supremo Tribunal Federal julgou a questão e declarou constitucional tal procedimento; b) quanto à alegação de que o acórdão recorrido não teria contemplado a atividade específica da recorrente, isto é, a intermediação de produtos agrícolas (fl. 935), bem assim, em relação à alegação de que seria usual em empresas prestadoras de serviços o ingresso de valores que correspondem apenas à movimentação de caixa, verifica se que, não obstante as inúmeras oportunidades concedidas à Recorrente, suas alegações e documentos apresentados não são suficientes para demonstrar que os créditos verificados em suas contas correntes não se tratavam de receitas, mas de valores recebidos no âmbito das referidas atividades de intermediação de produtos agrícolas. Em momento algum, a Recorrente demonstrou quais seriam os valores da intermediação e quais seriam os valores de suas comissões pela intermediação, para fins de tributação. Não há como acolher os documentos e as informações prestadas como evidências de suas alegações; c) no tocante à alegação de que a multa aplicada é abusiva e ilegal e que não foi demonstrado fraude ou dolo; ainda que, apesar de a decisão da DRJ/PR, em seus fundamentos, manter a multa com base nas próprias alegações do contribuinte em sua impugnação, na qual afirmou que "resistiu, relutou e refugou" entregar os extratos bancários, a simples omissão, não caracterizaria fraude ou dolo e estes não poderiam ser presumidos, verificase que, a fiscalização demonstrou que a atitude da Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 14 13 Recorrente foi muito além da simples omissão de informações e documentos. Evidenciouse que, a Recorrente faltou com a verdade, pois, ora afirmava em resposta às intimações que, não dispunha da escrita contábil, com o intuito de conturbar a fiscalização, ora requeria prazo para a apresentação de tais registros, ora dizia que havia apresentado Livro Caixa, quando na verdade apresentou Livro Diário e Livro Razão. No contexto e nas circunstâncias em que transcorreram a fiscalização e diante das evidências colacionadas nos autos, entendo que não há como acolher o pedido de redução da multa qualificada de 150%. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Recurso de Ofício Em virtude da exoneração de crédito tributário, a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97, e art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 3, de 03/01/2008. O valor à época exonerado também excede o limite atual de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017). A autoridade julgadora reconheceu (fl. 885) a duplicidade alegada em relação aos depósitos efetuados em Caixa Eletrônico (CEI) e Depósito Cheque, conforme tabela apresentada à fl. 703, referente aos meses 07/2006 e 01/2007, da seguinte forma (fl. 904): Valor Fls. Conclusão 25/07/2006 Depósito Cheque 14.900,00 558 e221 Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999555 idem 558 e221 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999555EST duplicidade. 02/01/2007 Depósito Cheque 20.000,00 565, 70 Anexo IV Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999675 Idem 565 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999675EST duplicidade. 03/01/2007 Depósito Cheque 20.000,00 565 Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999676 Idem 565 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999676EST duplicidade. Frente a esta afirmativa, verificaramse as listagens de depósitos autuados às fls. 550/571 em confronto com os extratos das contas correntes 40.4596 e 12.6553 do Banco Itaú, para constatar que ocorreu a duplicidade arguida. O Acórdão traz como exemplo o CEI 999407 Depósito: Histórico Valor D/C Saldo Fls. processo Fls. Anexo IV CEI 999407 EST 12.000,00 D 3.444,68 Depósito Cheque 12.000,00 C 8.555,32 550 4 CEI 999407 Depósito 12.000,00 C 20.555,32 550 4 Portanto, foi determinada a exclusão de valores da autuação conforme tabela apresentada às fls. 904, 905 e 906. Fl. 1978DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 15 14 Em relação às contas no Banco do Brasil e Bradesco, conforme as listagens de fls. 477/549 e 572/583, não se constatou qualquer lançamento em duplicidade. Ainda, no que tange aos valores creditados com o título "Caixa Reserva V. Transf." verificouse, confrontando as listagens de fls. 550/571 e quadros resumo de fls. 584/585, com os extratos das c/c 40.4596, fls. 2/3 do Anexo IV e 12.6553, fls. 4/128 do Anexo IV, que estes correspondem a transferências interbancárias, visto que os mesmos valores se encontram simultaneamente a Débito e Crédito dessas duas contas, assim resumidos mês a mês: Jan/06 196.000,00 Set/06 220.000,00 Fev/06 125.000,00 Out/06 240.000,00 Mar/06 280.000,00 Jan/07 150.000,00 Abr/06 60.000,00 Fev/07 150.000,00 Mai/06 272.000,00 Mai/07 80.000,00 Jun/06 99.200,00 Jun/07 180.000,00 Jul/06 50.000,00 Out/07 140.000,00 Ago/06 10.000,00 Nov/07 300.000,00 Total 2.552.200,00 Nesse sentido, concluiuse pela plausibilidade das justificativas que levaram a tal exclusão de crédito tributário, mesmo que sem documentação mais robusta, além do próprio extrato bancário, tendo em vista a regularidade dos créditos e o específico histórico afirmado pela Instituição Financeira/Bancária. A DRJ ainda excluiu os valores de depósitos apontados em duplicidade pela fiscalização. Dessa forma, entendo que é de se manter a conclusão da DRJ. Portanto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1979DF CARF MF
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Numero do processo: 10315.900424/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT).
O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.116
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 24 /2 01 1- 47 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos declarados. A autoridade competente, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pedido em razão do produto que a empresa produz e comercializa ser, exclusivamente, água mineral natural (sem gás) classificada como NT (nãotributado) na TIPI, não podendo portanto creditarse do IPI referente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na produção de tal produto. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§ 3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em primeira Decisão, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ao apreciar Recurso Voluntário, o Colegiado do Carf, em primeira assentada, deliberou por anular a decisão de primeiro grau, nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. O processo retornou à primeira instância. A manifestação de inconformidade foi reapreciada e novamente julgada improcedente, como segue: RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 4 3 Novo recurso voluntário foi interposto, contendo, resumidamente, o seguinte: i) o direito ao crédito está fundado na princípio constitucional da não cumulatividade, não podendo ser limitado por normas infraconsitucionais, tais como a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 31/99, que a regulamentou; ii) o texto constitucional restringiu os créditos de ICMS, não admitindo o aproveitamento, quando a operação subsequente for beneficiada por isenção ou não incidência, o que não ocorreu com o IPI; e iii) a Lei n° 9.779/99 não prevê qualquer ressalva ao direito à manutenção dos créditos, em razão de saídas de produtos não tributados, e, ao contrário do que aduziu a decisão da DRJ, não instituiu crédito presumido em favor de industriais, porém disciplinou a utilização do saldo credor do IPI, inclusive em casos de produtos isentos ou alíquota zero. É o relatório, na essência do que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.105, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10315.900419/201134, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.105): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contenda resumese à pretenso direito aos créditos previstos na Lei nº 9779, de 1999, art. 11, pelas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI e ME), utilizados na produção de mercadorias nãotributadas (NT) pelo IPI. 1. Do Crédito de IPI Produto NT Assim dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 5 4 Em atenção à prerrogativa disposta no final do art. 11, suso transcrito, a RFB, então SRF, publicou a IN SRF nº 33, de 1999, disciplinando a apuração e a utilização de créditos do IPI, na espécie. Posteriormente o Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) consolidou e ratificou o entendimento constante da IN/SRF nº 33/99, no sentido de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às MP, PI e ME empregados na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. E mais, o mesmo RIPI de 2002, art. 164, inciso I, replicado no Decreto nº 7212/2010 (RIPI/2010), art. 226, inciso I, estabeleceu duas condições para o creditamento do IPI, relativamente a MP, PI e ME: (i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e (ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Do trabalho fiscal realizado, consubstanciado em informações colhidas relativas aos anos de 2006 a 2009, restou concluso que a atividade da empresa é a produção exclusivamente de água mineral, sem gás, classificada na TIPI como "NT". Isso é incontroverso. A própria recorrente declarou que os produtos de sua fabricação limitamse a quatro itens, todos referentes a água mineral natural, sem gás: (i) Garrafão de 20 L. (ii) Garrafão de 10 L, (iii) Garrafas de 500 ML e (iv) Garrafas de 1.500 ML. Ademais, à exceção dos Garrafões (10L e 20L) que são incorporados ao Ativo Permanente da empresa, os demais produtos adquiridos com incidência de IPI são utilizados como insumos na fabricação de água mineral natural. Portanto, resta concluso que a recorrente não atende às condições necessárias para o creditamento, posto que os "insumos" são integralmente destinados a fabricação de produtos "NT". Assim, se a recorrente sequer realiza operação com tributação do IPI não poderá apurar creditamento do imposto, por óbvio. Não por outra razão, dispõe o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), art. 251, § 1º, repetindo o texto constante do Decreto nº 4.544/2002, art. 190, § 1º: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...]. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. [...] Por derradeiro, pondo uma pá de cal na celeuma, o Carf publicou a Súmula CARF n° 20, nos seguintes termos: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." 2. Constitucionalidade de Lei Sustenta a recorrente, em exaustivas divagações, que o indeferimento de seu direito aos créditos de IPI, além de fundamentarse em Decreto que entende inconstitucional, afronta aos princípios constitucionais da não cumulatividade, seletividade e isonomia. Já pacificado em nossa jurisprudência, as alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mais, o Acórdão recorrido deve ser integralmente preservado, sejam pelos fundamentos suso expostos ou por seus próprios fundamentos, nos termos da Portaria MF nº 343, de 2015 (Ricarf), art. 27, § 3º, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. 3. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
