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Numero do processo: 14098.720001/2015-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL. PAGAMENTO EFETIVO. EXIGÊNCIAS LEGAIS CUMPRIDAS.
A empresa controlada que incorporar a controladora, na qual detinha participação societária com ágio efetivamente pago, cumpridas as exigências dos arts. 385 e 386 do RIR/99, está autorizada a deduzir as despesas de amortização de ágio nas bases do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitou a apresentação de declaração de voto. Não votou o Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL. PAGAMENTO EFETIVO. EXIGÊNCIAS LEGAIS CUMPRIDAS. A empresa controlada que incorporar a controladora, na qual detinha participação societária com ágio efetivamente pago, cumpridas as exigências dos arts. 385 e 386 do RIR/99, está autorizada a deduzir as despesas de amortização de ágio nas bases do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitou a apresentação de declaração de voto. Não votou o Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 01 /2 01 5- 31 Fl. 621DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 3 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1458.844 de 25 de maio de 2015, da 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da recorrente, conforme a seguir exposto. O auto de infração em questão referese à exigência de IRPJ e CSLL cumulados com juros de mora, multa isolada e multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, decorrente de suposta amortização indevida de ágio, referente aos exercícios de 2010, 2011 e 2012. O Relatório Fiscal descreveu a operação societária que resultou na aquisição da Recorrente por seus atuais acionistas e concluiu tratarse de operação realizada com o intuito de gerar artificialmente o ágio por expectativa de rentabilidade futura e amortizálo para, por meio da dedução das despesas de sua amortização nas apurações da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, reduzir os tributos devidos pela Recorrente. Com esse entendimento, a fiscalização qualificou a operação como fraudulenta, lavrando em face da Recorrente auto de infração no valor total de R$ 6.152.938,78, assim discriminados: Os pontos relevantes do detalhamento da operação que resultou no ágio, indicados no Relatório Fiscal, são os seguintes: A Recorrente, Concessionária Volvo, com atuação nos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre, foi constituída em 31/01/2007 com a denominação de DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA., pelos sócios Volvo do Brasil Veículos Ltda., CNPJ n° 43.999.424/000114 e Antônio Carlos Donizeti Morassutti, CPF n° 205.018.62900, com o capital social de R$ 4.010.000,00, assim distribuídos: Volvo do Brasil Veículos Ltda. R$3.989.950,00 e Antônio Carlos Donizeti Morassutti R$ 20.050,00. Em 15/03/2007, a empresa SAGABRAS PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 08.617.357/000125, adquiriu a totalidade das quotas, passando a ser a sua única sócia. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 4 3 Em 11/10/2007, foi admitido o sócio Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, CPF n° 746.112.32115, restabelecendo, pois, a pluralidade de sócios, ficando o capital social de R$ 12.198.300,00, assim distribuído: Sagabras Participações Ltda. R$ 12.198.299,00 e Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira R$ 1,00. Em 04/12/2007, ocorreu a incorporação reversa da controladora SAGABRAS PARTICIPAÇÕES LTDA. Em função desta operação, os sócios da empresa incorporada passaram, pois, a sócios da incorporadora, ficando o quadro societário/capital assim constituído/distribuído: AUTO SUECO, LIMITADA (empresa criada e estabelecida em Portugal) R$14.629.492,00 e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A. (empresa criada e estabelecida em Portugal) R$ 1,00 (um real). O sócio Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, retirouse da sociedade transferindo suas quotas para a sócia Auto Sueco, Limitada. Em 14/08/2009, a OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A. se retira da sociedade, cujas quotas, assim como a quase totalidade das pertencentes à AUTOSUECO, LIMITADA foram transferidas para a empresa AS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.525.532/000117, ficando o capital social assim distribuído: AS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA R$ 24.817.249,69 e AUTOSUECO, LIMITADA R$ 0,01 (um centavo). A denominação da sociedade foi alterada em 15/03/2007 para "AUTO SUECO BRASIL CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA.", assumindo em 12/01/2011, a razão social atual de "AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA.". Possui como objeto social, as atividades de: a) comércio de veículos automotores terrestres novos e usados; b) comércio de partes, peças, ferramentas, ferragens, componentes e acessórios para veículos; c) comércio de quotas de consórcio de veículos automotores; d) comércio de carretas; e) comércio a varejo de peças e acessórios usados para veículos automotores; f) comércio a varejo de pneumáticos e câmarasdear; g) comércio a varejo de automóveis, caminhonetas e utilitários usados; h) prestação de serviços de manutenção; i) reparação e assistência técnica de veículos e motores; j) importação e exportação de tudo que se relacione aos objetivos da sociedade, e; k) participação como quotista ou acionista em outras sociedades, negócios e empreendimentos de qualquer natureza. Relacionouse as filiais, as quais possuem o mesmo objeto social da matriz. Integra o grupo econômico denominado "GRUPO NORS" (anteriormente denominado "Grupo Auto Sueco"), composto por 48 empresas, com atuação em 25 países de 03 continentes. Em relação, especificamente, à empresa fiscalizada, a mesma se insere no mencionado grupo econômico, conforme o seguinte organograma: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 5 4 DAS CONSTATAÇÕES DA AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL DA EMPRESA SAGABRAS Desde 1933 o Grupo NORS (antes denominado "Grupo Auto Sueco") comercializa produtos da marca Volvo. Não por acaso utiliza a expressão "Auto Sueco" para designar empresas do grupo, já que a Volvo é originária da Suécia. Deste modo, o Grupo NORS, por intermédio das empresas AUTO SUECO, LIMITADA, sociedade validamente existente de acordo com as leis de Portugal e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A., sociedade validamente existente de acordo com as leis de Portugal, decidiu comercializar os produtos da marca Volvo no CentroOeste do Brasil. Para tanto, ao invés de constituir diretamente uma concessionária, foram realizadas as seguintes operações: a) em 22/01/2007, as empresas AUTOSUECO, LIMITADA e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A., constituíram a empresa SAGABRAS PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 08.617.357/000125, com o capital social totalmente subscrito e integralizado de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), na proporção, respectivamente, de 99,99% e 0,01%; b) quase que simultaneamente, em 31/01/2007, a Montadora Volvo do Brasil Veículos Ltda., CNPJ n° 43.999.424/000114 e, para fins de pluralidade de sócios, Antônio Carlos Donizeti Morassutti, CPF n° 205.018.62900, constituíram a empresa ora sob Ação Fiscal, com a razão social de DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA (atualmente AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA); c) em 14/02/2007, as sócias da SAGABRAS aumentaram seu capital social para 14.977.256,70, totalmente subscrito e integralizado pela sócia AUTOSUECO, LIMITADA; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 6 5 d) em 16/02/2007, a SAGABRAS adquiriu a totalidade das quotas da empresa DRAKKAR, conforme a 1a alteração desta última, elaborada em 16/02/2007, cujo registro pela Junta Comercial se deu em 15/03/2007, por R$14.000.000,00, com um ágio de R$9.990.000,00. Ou seja, a Montadora permaneceu proprietária da DRAKKAR por apenas 16 (dezesseis) dias. As quotas pertencentes a Antônio Carlos Donizeti Morassutti, no valor de R$ 20.050,00(vinte mil e cinquenta reais), que passou a ser o administrador da DRAKKAR, nem ao menos estavam integralizadas, ficando tal ônus a cargo da SAGABRAS; e) em 11/05/2007, passou exercer a administração da empresa DRAKKAR, em substituição a Antônio Carlos Donizeti Morassutti, o Sr. Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, CPF n° 746.112.32115; f) para restabelecer a pluralidade de sócios, em 11/10/2007 a SAGABRAS cedeu 01 (uma) quota no valor de R$ 1,00 (um real), a Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, CPF n° 746.112.32115; f) Em 30/09/2007, ocorreu a incorporação reversa da controladora SAGABRAS pela DRAKKAR. Com a incorporação, as sócias da SAGABRAS (AUTOSUECO, LIMITADA e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A.) passaram a ser as únicas proprietárias da DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA (atualmente AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA), fechandose assim o ciclo, já que o Sr. Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, cedeu e transferiu sua quota para a nova sócia AUTOSUECO, LIMITADA; Verifica assim, que a SAGABRAS, malgrado ter sido formalmente constituída de acordo com a legislação vigente, não possuiu nenhum propósito negocial, tendo sido criada tão somente, para possibilitar a criação e dedução indevida das despesas com a amortização do ágio, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois: I teve a existência efêmera de 08 (oito) meses e 10 (dez) dias; II o Balanço Patrimonial encerrado em 30/09/2007, utilizado para a determinação do valor da parcela do acervo líquido, certifica a inexistência de qualquer bem tangível, fato que impossibilita o exercício da atividade empresarial; III era administrada pelo mesmo administrador da DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA (atualmente AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA), ou seja, Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira; Fl. 625DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 7 6 IV sediada no Rio de Janeiro, enquanto o administrador residia em Cuiabá/MT, e conforme a Demonstração de Resultado de Exercício DREx findo em 30/09/2007, não incorreu em despesas administrativas (viagens e estadias, deslocamentos, etc.). De outra vertente, aludida DREx certifica a ausência de atividades da empresa, uma vez que ao único grupo de despesa ali informado são as tributárias (impostos e taxas); V No "Protocolo e Justificação de Incorporação", firmado entre os mesmos representantes legais das empresas envolvidas, quais sejam, Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira e Keila Cristina B. Freire (diretor e procuradora, respectivamente, tanto da Sagabras como da Drakkar), a inexistência de propósito negocial da Sagabras é afirmada de maneira peremptória, "in verbis": "1. JUSTIFICAÇÃO DA INCORPORAÇÃO, 1.1. Fins e motivos da operação, 1.1.1. A Sagabras foi constituída para viabilizar a aquisição da Auto Sueco junto à Volvo do Brasil Veículos Ltda.(....)" DA ARTIFICIALIDADE DO ÁGIO Como já narrado alhures, a montadora VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA., CNPJ n° 43.999.424/000114, constituiu a empresa DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA (atualmente AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA) para operar como concessionária volvo nos estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre, com o capital social de R$ 4.010.000,00 (quatro milhões e dez mil reais), dos quais, R$ 20.050,00 (vinte mil e cinquenta reais), foram subscritos por Antônio Carlos Donizeti Morassutti. Decorridos apenas 16 (dezesseis) dias da sua criação, a concessionária foi adquirida pela empresa SAGABRAS PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 08.617.357/000125, por R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais), com um ágio de R$ 9.990.000,00 (nove milhões e novecentos mil reais), originado do excesso pago em relação ao capital social, ou seja, R$ 14.000.000,00 R$ 4.010.000,00 = R$ 9.990.000,00. No entanto, a empresa Drakkar ainda não havia iniciado as suas atividades operacionais e, como demonstra o Balanço Patrimonial encerrado na data base de 16/02/2007, todo o seu capital social encontravase apenas subscrito, ou seja, a empresa existia apenas no "papel", e mesmo assim a Sagabras desembolsou R$ 14.000.000, pela aquisição. A aquisição de investimento ainda não integralizado, demonstra que, na realidade, quem integralizou o capital social da DRAKKAR (R$ 4.010.000,00) foi a SAGABRAS, que, na oportunidade, também o aumentou para R$ 14.000.000,00, nominando a diferença de "ágio". Assim, fica patente que o ágio foi criado artificialmente em comum acordo entre o grupo Nors e a montadora, com a finalidade exclusiva de obtenção de benefício fiscal, pois o grupo Nors podia facilmente ter constituído uma nova empresa, procedimento incomparavelmente menos dispendioso. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 8 7 O Laudo de Avaliação da empresa Drakkar, foi elaborado pela Apsis Consultoria Empresarial Ltda., CNPJ n° 27.281.922/000170, cujo objetivo declarado no relatório pertinente foi a "Elaboração de projeções financeiras para fundamentação, pela rentabilidade futura, do ágio gerado na aquisição da Drakkar para fins dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99." Ora, por razões óbvias, laudos são elaborados para definir o valor de mercado das empresas, e não para fundamentação de ágio para fins de benefícios tributários. A Drakkar, em 16/02/2007, como já mencionado, ainda não havia iniciado suas atividades operacionais, razão porque o Balanço Patrimonial, utilizado como balanço de partida para a elaboração do laudo sob enfoque, conter apenas 02 (duas) contas, "Bancos conta movimento" e "Capital Social a Integralizar". No entanto, estando o capital social apenas subscrito, tornase descabida a utilização, em contrapartida, de conta do disponível, sob pena de infringência à teoria contábil. Repisase que o capital subscrito por Antônio Carlos Donizeti Morassutti, no valor de R$ 20.050,00, foi integralizado pela própria Sagabras e ainda assim, em 11/05/2007. Desta forma, o Balanço Patrimonial encerrado em 16/12/2007 não é documento hábil para embasar o que propõe e, por via de consequência, desabona o Laudo de Avaliação da empresa Drakkar. Criado então o inexistente ágio, faltava agora transformálo em amortizável. Para tanto, o Diretor e a Procuradora da SAGABRAS, respectivamente, Mário Rui Figueiredo de Vilhena, CPF n° 746.112.323115 e, Keila Cristina B. Freire, CPF n° 906.889.70125, reuniramse com eles mesmos, já que eram também, respectivamente, o Diretor e a Procuradora da AUTO SUECO CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA (DRAKKAR), e firmaram o "Protocolo e Justificação de Incorporação da Sagabras Participações Ltda". Com a efetivação da incorporação da controladora pela controlada (incorporação reversa), concluiuse o transporte do ágio para a empresa operativa, onde finalmente pôde gerar o benefício fiscal buscado. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Ante a inexistência do ágio, e ainda a falta de propósito negocial da empresa SAGABRAS, utilizada apenas como veículo para o transporte deste, as despesas com as correspondentes amortizações, utilizadas pelo sujeito passivo para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSSL, relativas aos anos calendários de 2010 a 2012, foram glosadas pela fiscalização. Desta forma, o lucro real e a base de cálculo da CSLL constantes dos LALUR, foram recompostos pela adição das mencionadas despesas com as amortizações do ágio. Os valores do IRPJ e da CSLL lançados no Auto de Infração, correspondem, pois, às diferenças entre os apurados sobre as bases de cálculo recompostas pela fiscalização, e os calculados pela empresa, sobre as bases de cálculo não integradas pelas despesas sob enfoque. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 9 8 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A empresa, com o único propósito de reduzir o valor do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou de mecanismo tendente a burlar a Fazenda Pública, materializado na criação artificial de ágio, cujo transporte ocorreu por intermédio de uma "empresaveículo", sem propósito negocial e inexistente de fato. Com efeito, tal operação engendrada pela empresa, caracteriza a conduta fraudulenta prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, na medida que foi uma ação dolosa, tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do IRPJ e da CSLL relativos aos anoscalendário de 2010 a 2012. Destarte, presente a fraude, a multa de ofício prevista no artigo 44, I da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, foi qualificada, conforme determina o § 1° do mesmo diploma legal, passando ao percentual de 150 % (cento e cinquenta por cento) incidente sobre os montantes dos tributos devidos. DA MULTA ISOLADA De acordo com o item II do Art.44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, por estar o contribuinte obrigado, por opção, ao Lucro Real anual, sujeito, pois, aos recolhimentos de estimativas mensais do IRPJ e CSLL, ao excluir as indedutíveis amortizações de ágio da incidência destes recolhimentos, fica o sujeito passivo sancionado com a multa isolada de 50% (cinquenta por cento), aplicada sobre o valor do pagamento mensal não efetuado, calculada conforme demonstrativo em anexo. Oportuno destacar, que o Art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 1.515, de 24 de novembro de 2014 (que revogou o Art.16 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 24 de dezembro de 1997, que normatizava o mesmo assunto), que a seguir se transcreve, prevê expressamente a cumulação da multa isolada com a multa de ofício: "Art. 17. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente;(grifei) II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto." (grifei) DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Os valores referentes às bases de cálculo, alíquotas, tributos devidos, juros e multa, encontramse discriminados nos "DEMONSTRATIVOS DE Fl. 628DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 10 9 APURAÇÃO" e "DEMONSTRATIVOS DE MULTA E JUROS DE MORA", peças integrantes do auto de infração ora lavrado. Já o montante total do crédito tributário lançado está relacionado no "DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO", sendo o mesmo totalizado por tributo. Encontramse, ainda, no corpo deste auto de infração as instruções relativas a pagamento, parcelamento ou impugnação do presente lançamento de ofício. Por derradeiro, em cumprimento ao disposto no art. 1° da Portaria RFB n° 2.439/2010 foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais RFFP em decorrência de o sujeito passivo ter praticado, em tese, crime contra a ordem tributária, através das condutas delitivas tipificadas no artigo 1°, inciso II, da Lei n° 8.137/1990. Razões de Recurso A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 15/06/2015 (fl. 505), via DTE. Interpôs recurso voluntário, em 14/07/2015 (fl. 521). O recurso voluntário foi juntado por meio do eCNPJ da recorrente. De seu lado, a Recorrente afirma que o investimento inicial foi de R$14.000.000,00, realizado por seus acionistas da Recorrente, que teria sido altamente rentável. Ressalta que, o ágio pago foi ainda menor que a efetiva rentabilidade do negócio, e que esse fato teria sido constatado pela autoridade fiscalizadora. Alega que teria restado comprovado nos autos os seguintes pontos: a) a validade do laudo econômico que fundamentou o ágio por expectativa de rentabilidade futura; b) a efetividade de desembolso do preço, inclusive referente ao ágio; c) a independência econômica das partes envolvidas na operação que originou o ágio; e d) a regularidade/legalidade das operações societárias. Frisa que, a substância econômica da operação, por si só já deveria ser suficiente para comprovar a efetiva existência de propósito negocial nas transações realizadas entre as partes, eis que o investimento revelouse rentável. Salienta que, não obstante, a fiscalização concluiu que a Sagabras não estava revestida de propósito negocial. Defende que, em verdade, a constituição da Sagabras foi imprescindível para as tratativas e negociações com a Volvo. Além disso, a constituição da Sagabras não resultou em economia tributária, eis que a aquisição do contrato de concessão comercial da Volvo concederia a amortização do valor integral desembolsado, como citado acima. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 11 10 Destaca que, a operação seria uma legitima aquisição de negócio (exclusividade de vendas de veículos Volvo em regiões específicas) entre partes independentes, com efetiva circulação de capital. Diz que, a avaliação do ágio partiu de um processo imparcial de valoração, de livre mercado e independência entre as partes e documentado em um laudo de avaliação produzido por empresa de consultoria especializada. Sustenta que, todos os requisitos legais e econômicos para o aproveitamento fiscal do ágio foram devidamente atendidos, sendo imperativo reconhecer a sua validade. Cita caso análogo (caso Santander, Acórdão nº 140200.802, de 2011), no qual teriam sido estabelecidas as seguintes premissas para aproveitamento do ágio: (i) efetivo pagamento do custo total da aquisição; (ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas, ou seja, a inexistência de ágio interno, (iii) a demonstração da lisura na avaliação da empresa adquirida, com fundamento em laudo econômico lastreado na expectativa de rentabilidade futura do investimento. Ressalta que, essas três premissas estariam presentes no caso em análise. Após as alegações específicas sobre a operação societária com ágio, contestou a aplicação de multa qualificada, sob a alegação de que não teria havido fraude. Defende que não haveria fundamento legal para a adição das referidas despesas na base de cálculo da CSLL. Reportase à Súmula CARF nº 105 para argumentar sobre a impossibilidade de se cumulara multa de ofício com multa isolada. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço do recurso. Verificase que, a DRJ ratificou as conclusões do Relatório Fiscal e o Auto de Infração. Entendeuse que, no caso, inexiste ágio e não houve propósito negocial na constituição da SAGABRAS. A SAGABRAS teria sido criada somente como veículo de transporte do ágio (considerado inexistente). Com esse entendimento, mantevese a glosa das despesas com as correspondentes amortizações, utilizadas pela Recorrente para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, relativas aos anoscalendários de 2010 a 2012. Analisandose as informações e documentos dos autos, constatase que a SAGABRAS indicou que o pagamento de ágio na aquisição da Recorrente teve como Fl. 630DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 12 11 fundamento econômico o valor da rentabilidade que a Concessionária Volvo lhe traria nos exercícios futuros, considerando a ampla área para vendas (Estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre). Dessa forma, a SAGABRAS visou atender às disposições do art. 385, § 2º, inc. II do RIR/99, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): (...) II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; No contexto dos autos, não seria plausível imaginar que a Montadora Volvo entregaria tal concessão, sem imputar no preço do negócio uma projeção de valor, considerando o quanto o comprador lucraria nos anos seguintes, com representação exclusiva para a venda de ônibus, caminhões e veículos Volvo, além de peças, assistência técnica etc. Não há dificuldade em deduzir que a Montadora Volvo constituiu a DRAKKAR (Recorrente) para auferir vantagem financeira na venda da concessão. Paralelamente, também não há dificuldade em se verificar que as referidas empresas situadas em Portugal (AUTOSUECO, LIMITADA e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A.), tinham propósitos negociais que as levaram à criação de uma empresa no Brasil, a SAGABRAS. Da mesma forma, o planejamento quanto aos impactos tributários na aquisição da concessão Volvo deve ser considerado. Observandose o todo, é possível verificar que o propósito negocial... o fundamento econômico da operação... residiu no objetivo dos investidores de adquirir a representação exclusiva da marca Volvo naquelas Unidades da Federação. É cediço que, as receitas auferidas com as vendas e negócios, que só foram possíveis em virtude do investimento de R$14 milhões, foram oferecidas à tributação. Sendo assim, isto é, diante do efetivo pagamento, decorrente dos resultados de exercícios futuros, não há ilegalidade na dedução das despesas de amortização do ágio em questão. O fato de o capital social da DRAKKAR ter sido somente subscrito, não pode constituir óbice à aquisição, mediante o pagamento efetivo de R$14 millhões (capital social: R$ 4.010.000,00; e ágio: R$9.990.000,00). Fl. 631DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 13 12 Do mesmo modo, o fato de as empresas terem sido criadas e as negociações terem sido realizadas em datas próximas, não desnatura o referido objetivo central: a aquisição da concessão Volvo. Nesse sentido, passo à análise da operação à luz das disposições legais que estabelecem as exigências para a amortização do ágio. Em conformidade com o disposto no art. 385 do RIR/99, a SAGABRAS avaliou a DRAKKAR (Recorrente), por ocasião da respectiva aquisição e segregou o custo de aquisição, em capital e ágio. As demonstrações a respeito foram mantidas e apresentadas à fiscalização. Vejase as referidas disposições do RIR/99, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Posteriormente, dessa vez em conformidade com o disposto no art. 386 do RIR/99, a SAGABRAS foi adquirida pela DRAKKAR, que detinha participação societária da SAGABRAS, com ágio. Vejase as referidas disposições do RIR/99, verbis: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): Fl. 632DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 14 13 I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos Fl. 633DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 15 14 de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Observase, portanto, que independentemente do entendimento da DRJ de que a aquisição da concessão poderia ter sido realizada diretamente pelas empresas portuguesas, sem a criação da SAGABRAS. Ou, que a Montadora Volvo poderia ter negociado a venda da concessão diretamente, sem a constituição da DRAKKAR, o modelo de negócio adotado pela Recorrente, ainda que, além do objetivo de adquirir a Concessão Volvo, tenha havido planejamento estratégico quanto aos impactos tributários, em realidade, não se vê infração legal, conforme acima analisado. Entendese, assim, que é indevida a glosa mantida pela DRJ. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Acompanho as conclusões do Relator, no sentido de que não restou configurada infração à legislação tributária que prevê a dedutibilidade do ágio em questão. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 16 15 Penso que os argumentos trazidos pela fiscalização para a glosa do ágio foram devidamente desconstituídos pela recorrente. Efetivamente restou demonstrado que houve o efetivo pagamento do custo total da aquisição; o negócio foi realizado entre partes independentes e o ágio foi fundamentado na rentabilidade futura, mediante laudo apropriado à sua demonstração. As estranhezas do negócio apontadas pelo Fisco, foram devidamente justificadas pela recorrente não configuram fundamento suficiente para o afastamento da dedutibilidade do ágio. De fato, a empresa adquirida (DRAKKAR) com ágio havia sido recentemente constituída pela empresa Volvo do Brasil Veículos Ltda, fabricante de veículos, tendo como objeto social a revenda de seus veículos, como sua concessionária. De acordo com a fiscalização, e não negado pela recorrente, a empresa, recémcriada, sequer havia sido instalada fisicamente. Ocorre que o grande valor desta empresa se concentrava justamente na exploração da concessão da venda dos veículos fabricados pela empresa Volvo. A recorrente juntou aos autos cópia do contrato de concessão comercial, firmado em 26 de janeiro de 2007, pelo qual a empresa Volvo do Brasil Veículos Ltda concedeu à empresa Drakkar Comércio de Veículos e Peças Ltda o direito à comercialização dos veículos de sua marca na área demarcada no Anexo I (efls. 564/591). Desta feita, o que a recorrente pagou foi efetivamente pela possibilidade de exploração da concessão na venda e prestação de assistência técnica dos veículos da marca Volvo na região especificada no contrato. Ainda que ainda não estivesse em operação restou demonstrado em laudo técnico o potencial de rentabilidade futura do negócio, tomando por base o potencial de vendas e também o histórico da concessionária anteriormente existente na região e que fora destituída da concessão pela Volvo (alienante). Com relação a utilização de uma empresa não operacional para a aquisição do investimento, que em curto prazo restou incorporada pela própria investida, tenho manifestado meu entendimento que tal procedimento está dentro da esfera de liberdade da empresa de organizar e conduzir seus negócios de forma a propiciar, dentro dos ditames legais, a menor carga tributária possível. Concluo que, tendo sido efetivamente adquirido o investimento com ágio baseado na rentabilidade futura, devidamente demonstrado em laudo, entre partes independentes e configurada a confusão patrimonial entre a empresa investidora e a investida, mediante a incorporação reversa permitida pela lei, não há como negar o direito do contribuinte de efetuar a sua amortização nos termos legais. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 635DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.006529/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta preste informações oficiais acerca da existência e, também, abrangência de eventual pedido de parcelamento apresentado pelo Contribuinte, com abertura de prazo de 30 dias para manifestação do sujeito passivo e posterior retorno à relatora para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta preste informações oficiais acerca da existência e, também, abrangência de eventual pedido de parcelamento apresentado pelo Contribuinte, com abertura de prazo de 30 dias para manifestação do sujeito passivo e posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 06 52 9/ 20 10 -3 1 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10950.006529/201031 Resolução nº 9202000.121 CSRFT2 Fl. 184 2 Relatório: Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Recorrente requer que a retroatividade benigna seja aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação de fls. 180, este processo encontravase apenso ao Processo 10950.006527/201042, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto: Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Embora haja de fato recurso especial interposto pela Fazenda Nacional pendente de análise, a Delegacia da Receita Federal SACAT/DRF/Maringá Paraná fez chegar ao conhecimento desta Relatora que o Contribuinte formalizou pedido de parcelamento dos débitos discutidos nesse e nos demais processos decorrentes do mesmo procedimento de fiscalização. Tratase de informação relevante, pois esta Câmara Superior, com base no art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Portaria MF nº 343/15, vem decidindo por declarar a definitividade do débito nos moldes em que efetuado pelo lançamento. Vejamos o teor da norma: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10950.006529/201031 Resolução nº 9202000.121 CSRFT2 Fl. 185 3 § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Ocorre que, embora ciente da informação, não há nos autos (sistema eprocesso) qualquer manifestação formal/oficial da Delegacia Fiscal ou do próprio Contribuinte acerca da existência de parcelamento. Diante disto, proponho a conversão do julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta preste informações oficiais acerca da existência e, também, abrangência de eventual pedido de parcelamento apresentado pelo Contribuinte, com abertura de prazo de 30 dias para manifestação do sujeito passivo e posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.722605/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PENSÃO COM MAIS DE UM BENEFICIÁRIO. DIVISÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DA PENSÃO E DO RESPECTIVO IRRF ENTRE OS PENSIONISTAS.
Os rendimentos decorrentes de pensão por morte e o respectivo IRRF devem ser divididos proporcionalmente entre os pensionistas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PENSÃO COM MAIS DE UM BENEFICIÁRIO. DIVISÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DA PENSÃO E DO RESPECTIVO IRRF ENTRE OS PENSIONISTAS. Os rendimentos decorrentes de pensão por morte e o respectivo IRRF devem ser divididos proporcionalmente entre os pensionistas. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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PENSÃO COM MAIS DE UM BENEFICIÁRIO. DIVISÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DA PENSÃO E DO RESPECTIVO IRRF ENTRE OS PENSIONISTAS. Os rendimentos decorrentes de pensão por morte e o respectivo IRRF devem ser divididos proporcionalmente entre os pensionistas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 26 05 /2 01 1- 11 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.722605/201111 Acórdão n.º 2202004.052 S2C2T2 Fl. 133 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10120.722605/201111, em face do acórdão nº 1272.064, julgado pela 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), na sessão de julgamento de 22 de janeiro de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Tratase de impugnação contra Notificação de Lançamento (fls. 65/71) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2008 (fls. 52/60). A autoridade lançadora apurou as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho no valor de R$ 4.827,04, referentes a acréscimo de um terço da pensão pertencente à contribuinte da fonte pagadora Fundação dos Economiarios Federais Funcef (CNPJ n.º 00.436.923/000190), sendo alterado o valor declarado de R$ 63.760,62 para R$ 68.587,66; b) dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação, com glosa do valor de R$ 1.665,60 do prestador Luis Fernando Naldi Ruiz, tendo sido declarado o pagamento de R$ 1.900,00 e o reembolso de R$ 234,40; e c) compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com glosa no valor de R$ 1.189,43 referente aos rendimentos de pensão da Funcef declarados pelos filhos, sendo alterado o valor declarado de R$ 5.100,01 para R$ 3.910,58. Em virtude deste lançamento, apurouse Imposto de Renda Pessoa Física suplementar (código 2904) de R$ 1.785,48, multa de ofício de R$ 1.339,11, além dos juros de mora de R$ 550,64 (calculados até abril de 2011). Apurouse, ainda, Imposto de Renda Pessoa Física (código 0211) de R$ 1.189,43, multa de mora de R$ 237,88, além dos juros de mora de R$ 366,82 (calculados até abril de 2011). Com a ciência da Notificação, por via postal, em 18/05/2011 (fl. 72), a Interessada apresentou impugnação (fls. 02/03) em 20/05/2011, alegando, em síntese, que: a) em relação ao IRRF, a Funcef deduziu imposto retido dos dois terços da pensão de seus filhos (Fernanda Ferreira Gouveia, CPF n.º 012.241.05133, e Frederico Gouveia Neves Ferreira, CPF n.º 012.241.04161), mas declarou a integralidade do IRRF em seu nome, uma vez que em exercícios anteriores a Receita Federal não restituiu seus descendentes; b) comprova a despesa médica glosada; e c) quanto aos rendimentos tributáveis da Funcef, declarou a integralidade de sua aposentadoria (R$ 46.802,78) e um terço da Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.722605/201111 Acórdão n.º 2202004.052 S2C2T2 Fl. 134 3 pensão total (R$ 16.957,89 de R$ 50873.68), totalizando, assim, R$ 63.760.67." A 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) entendeu por manter em parte o crédito tributário lançado. Em relação ao rendimentos da Funcef, compreendeu a DRJ de origem que a pensão por morte apresenta três beneficiários distintos, os rendimentos recebidos a este título e o respectivo IRRF devem ser divididos igualmente entre os pensionistas. Vejamos trecho do acórdão: Os rendimentos tributáveis pertencentes à Interessada ficam calculados da seguinte forma: Como a Interessada declarou em sua DIRPF/2008 exatamente o valor de R$ 63.760,62 como recebido da fonte pagadora Funcef (fl. 53) e os seus filhos declararam cada um o rendimento de R$ 16.957,75 (fls. 14/15), deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 4.827,04. Portanto, cancelada a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 4.827,04. No entanto, restou mantida a glosa de IRRF por compensação indevida no valor de R$ 1.189,43. Assim seguiu o restante do voto: Já o IRRF fica assim calculado: A Interessada declarou a totalidade do IRRF em sua DIRPF (R$ 5.100,01 fl. 53), enquanto seus filhos declararam como zero o imposto retido. Entretanto, seguindo a mesma lógica de divisão dos rendimentos de pensão, a fonte retida deveria ter sido igualmente divida por três entre as DIRPF dos beneficiários da pensão por morte. A eventual restituição de Imposto de Renda retido dos rendimentos dos filhos da Interessada deveria ter sido apurada nas declarações de ajuste anual destes. Assim, deve ser mantida a glosa realizada pela autoridade lançadora a título de compensação indevida de IRRF no valor de R$ 1.189,43. Por fim, em relação as despesas médicas, assim se pronunciou a DRJ de origem: A Interessada comprova a despesas médica glosada com o prestador Luis Fernando Naldi Ruiz através do comprovante de reembolso emitido pelo plano Caixa Saúde (fl. 16), além dos recibos de fls. 18/22. Desta forma, deve ser restabelecida a dedução de R$ 1.665,60 a título de despesas médicas (art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999). Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.722605/201111 Acórdão n.º 2202004.052 S2C2T2 Fl. 135 4 Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 96/98, apresentando suas razões para reforma do acórdão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após o julgamento pela DRJ, o lançamento tributário mantémse somente em relação a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com glosa no valor de R$ 1.189,43 referente aos rendimentos de pensão da Funcef declarados pelos filhos da contribuinte, sendo alterado o valor declarado de R$ 5.100,01 para R$ 3.910,58. Os rendimentos tributáveis pertencentes à Interessada ficam calculados da seguinte forma: Como a Interessada declarou em sua DIRPF/2008 exatamente o valor de R$ 63.760,62 como recebido da fonte pagadora Funcef (fl. 53) e os seus filhos declararam cada um o rendimento de R$ 16.957,75 (fls. 14/15), a DRJ de origem entendeu por cancelar a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 4.827,04. No entanto, somente pode ela compensar o IRRF que lhe foi retido, não podendo compensar o IRRF do outros dois beneficiários da pensão. Assim, tal qual o rendimento tributável da pensão, o IRRF correspondente é igualmente rateado entre os beneficiários, ficando assim calculado: Portanto, equivocase a contribuinte ao declarar a totalidade do IRRF em sua DIRPF (R$ 5.100,01 fl. 53), enquanto seus filhos declararam como zero o imposto retido. Assim, tal qual já julgou a DRJ, cujo trecho a seguir transcrevo, "seguindo a mesma lógica de divisão dos rendimentos de pensão, a fonte retida deveria ter sido igualmente divida por três entre as DIRPF dos beneficiários da pensão por morte. A eventual restituição de Imposto de Renda retido dos rendimentos dos filhos da Interessada deveria ter sido apurada nas declarações de ajuste anual destes". Por tais razões, deve ser mantida a glosa realizada pela autoridade lançadora a título de compensação indevida de IRRF no valor de R$ 1.189,43. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.722605/201111 Acórdão n.º 2202004.052 S2C2T2 Fl. 136 5 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001643/97-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2005
Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - A constatação de variação
patrimonial positiva sem o devido lastro em rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte acarreta o acréscimo patrimonial a descoberto. Contudo, comprovada a alienação de bens, o produto desta alienação deve ser considerado como origem de recurso a justificar o acréscimo patrimonial.
Recurso provido
Numero da decisão: 104-20.737
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo, que
negavam provimento.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo, que negavam provimento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-10T15:37:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-10T15:37:25Z; Last-Modified: 2009-08-10T15:37:25Z; dcterms:modified: 2009-08-10T15:37:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-10T15:37:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-10T15:37:25Z; meta:save-date: 2009-08-10T15:37:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-10T15:37:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-10T15:37:25Z; created: 2009-08-10T15:37:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-08-10T15:37:25Z; pdf:charsPerPage: 1209; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-10T15:37:25Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Recurso n°. : 129.520 Matéria : IRPF - Ex(s): 1994 e 1995 • Recorrente : DILSON ALVES DE SOUZA Recorrida : i a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/ RJ II Sessão de : 15 de junho de 2005 Acórdão n°. : 104-20.737 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - A constatação de variação patrimonial positiva sem o devido lastro em rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte acarreta o acréscimo patrimonial a descoberto. Contudo, comprovada a alienação de bens, o produto desta alienação deve ser considerado como origem de recurso a justificar o acréscimo patrimonial. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DILSON ALVES DE SOUZA. • ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo, que negavam provimento. W,-ÉCtA( MARIA HELENA drTTA ARO PRESIDENTE ( AN S K ROlgiLRAIGUES - ELATORA FORMALIZADO EM: O 8 Jul 2005 .:,„,,-=;.,•-•:-?;¡ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL.y. • 2 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA g' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '';n.44-M'' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 Recurso n°. : 129.520 Recorrente : DILSON ALVES DE SOUZA RELATÓRIO DILSON ALVES DE SOUZA, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 97/100) contra a decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro — RJ II, que indeferiu o pedido de improcedência do lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls 01/07. Foi lavrado auto de infração decorrente de variação patrimonial a descoberto e ganho de capital, sendo cobrado multa de ofício e juros de mora. No referente ao ano calendário de 1993, o ganho de capital se deu, segundo o auto de infração, em função da dissonância havida na aquisição de um imóvel dissonante com as provas apresentadas. Conforme relato da fiscalização, constou no contrato e na matrícula do imóvel preço a menor do que o efetivamente realizado. No tocante ao ano calendário de 1994, o recorrente foi autuado por ganho de capital, porquanto que não tributou o ganho havido na venda de outro imóvel. Cientificado do auto de infração, apresenta Impugnação, assumindo ganho de capital aferido no ano calendário de 1994, porquanto que não o recolheu em época certa. Informa ainda que, para tanto, solicitou parcelamento conforme documentação que acosta. Contudo, no que se refere à omissão de receita tributada com embasamento na falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem de recursos que proporcionou a compra da casa situada à Praça Amanbai, 20, Lucas, Teresópolis, RJ, 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •';','Z'-t-3:-P QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 esclarece que utilizou receita oriunda da venda de dois imóveis sitos à Rua Raul Carneiro 40, Teresópolis e Praia de Icaraí 251, ap. 1001, Niterói, RJ, conforme se verifica através das escrituras de venda em anexo, bem como na declaração do IRPF. Salienta, ainda, que ao efetivar a negociação da compra do imóvel em questão, ficou acordado com o vendedor o• parcelamento do pagamento vinculado à venda dos imóveis citados, que ocorreu após a escritura definitiva, já que o vendedor havia recebido parte do valor do imóvel, bem como ao recebimento do FGTS, face ao desligamento sem justa causa da Shell do Brasil. As Alegações feitas estão comprovadas através das escrituras dos imóveis, do termo FGTS e do acordo parcial do vendedor. Pede o cancelamento da exigência fiscal e baixa do auto de infração. O Delegado da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro — RJ II proferiu decisão (fls. 88/92), pela qual manteve, integralmente, o lançamento consubstanciado no Auto de Infração. Em suas razões de decidir, a autoridade julgadora de primeira instância argumentou, em síntese, que as escrituras de venda dos imóveis do recorrente que justificariam a compra do imóvel em questão foram lavradas em datas anteriores à compra, assim como o recebimento dos valores pertinentes ao FGTS também se perfez em data posterior a referida compra. O recorrente afirma que acordou, com o vendedor do imóvel, o parcelamento do pagamento, vinculando a venda de seus imóveis a este contrato, tudo conforme se verifica da declaração acostada as fls. 83. Contudo, a autoridade de primeira instância entendeu não restar comprovado o pagamento de forma parcelada, bem como a vinculação da venda de seu patrimônio à aquisição do imóvel em comento. Refere o julgador que o art. 2° da Lei 7.713/88 estabelece que o imposto de renda das pessoas físicas é devido mensalmente. Aduz que a evolução do acréscimo 4 _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA - Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 patrimonial e feita mês a mês, apurando os rendimentos tributáveis, não tributáveis e de tributação exclusiva na fonte mais saldo anterior (recursos) para confrontá-los com os dispêndios e aplicações de cada mês. Em ato contínuo, salienta que o cálculo do valor de compra do imóvel, que resultou no acréscimo patrimonial a descoberto, no mês de março de 1993, foi feito levando- se em consideração a informação, prestada pelo alienante, de que o preço ajustado no negócio era divergente. O julgado efetua a conversão do valor informado em dólar para a moeda da época. • Entendeu o mesmo que não restou comprovada a origem dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial apurado no mês de março/1993 e assim manteve a tributação do patrimônio a descoberto. Mas, aduz que por força da IN n. 46/1997, da SRF, os rendimentos omitidos, sujeitos ao camê-leão, integram a base de cálculo do imposto anual. Retifica a exigência fiscal. No tocante ao crédito constante no ano calendário de 1994, afere a autoridade que não há litígio, tomando em conta a anuência do recorrente e o parcelamento do débito. Contudo, determina em sua decisão a procedência do lançamento, referindo serem devidos os valores pertinentes ao ano calendário de 1994 inclusive. Cientificado da decisão singular, na data de 27 de julho de 2000 (quinta- feira), o recorrente protocolou o recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes na data de 28 de agosto de 2000 (segunda-feira). O recorrente aduz, em preliminar, o direito constitucional de petição, contrapondo-se ao depósito recursal obrigatório. Importa constar que o recorrente ingressou em juízo com mandado de segurança para recorrer sem o depósito e obteve êxito. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA st01., Jf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''' :=W1> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 - No mérito, salienta o recorrente que nada mais deve referente ao ganho de capital havido no ano calendário de 1994, uma vez que assumiu o débito e o parcelou. Aduz que estão todas as parcelas quitadas. Já no que diz respeito à condenação ao pagamento dos diferenciais de variação patrimonial a descoberto, aduz que o valor considerado para o imóvel em comento não condiz com a realidade, porquanto que o pagamento do imóvel não se perfez a vista. Ademais, expõe que o valor consignado na escritura, e que aparece na declaração de bens do mesmo, foi pago a vista, mas que este valor não corresponde ao montante e a diferença apurada pelo ofício do juiz da 2a Vara Cível da Comarca de Teresópolis foi lançada como sendo a totalidade do valor e como se houvesse sido despendida a vista, o que não ocorreu. Acrescenta o fato de que sua .declaração comprova o contrário, já que através da venda de dois imóveis seus verifica-se a comprovação da aquisição de recursos, provenientes dessa transação, para adimplir o compromisso que assumira em relação ao imóvel em discussão. Cita o art. 846 do RIR, parágrafo 2°, para definir que constitui renda disponível, para efeitos de inibir a caracterização de sinais exteriores de riqueza, a receita auferida pelo contribuinte, diminuída das deduções admitidas no próprio decreto, além do imposto de renda pago pelo contribuinte (Lei 8.021/90). Refere que o RIR em nenhum momento faz menção à renda mensal, tratando-se apenas de renda disponível de forma consolidada (anual). Neste caminho, questiona porque foi considerada a renda do contribuinte relativa ao período janeiro/93 a março/93, sem dizer que se considerou uma aquisição em que a documentação hábil para sua comprovação consignava valor diverso do que o arbitrado. Por fim, salienta que o art. 807 do RIR/99 reza que o acréscimo patrimonial da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprova não 6 4;0.04 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 corresponder esse aumento aos rendimentos declarados. Aduz que as operações de compra e venda de imóveis seus comprovaram lastro suficiente para garantir a aquisição do imóvel em questão não restando configurado o acréscimo patrimonial a descoberto. É o Relatório. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA34, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES AW.:;‘ QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 VOTO Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A discussão no presente processo restringe-se ao acréscimo patrimonial, visto que a matéria pertinente ao ganho de capital foi assumida pelo recorrente, tornando-se incontroversa a questão. Cumpre apenas à autoridade competente verificar o pagamento argüido pelo recorrente. No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto, surgido em função da aquisição de bem imóvel no mês de março, entendo que não ocorreu. Isto porque da compulsão das provas elencadas no presente feito, verifica-se que o recorrente proferiu a venda de dois imóveis nos meses que se seguiram, bem como foi creditado o seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço que cobriram de forma suficiente a aquisição do bem referido. Ademais, cumpre que se informe que não há, no caso em tela, prova de que o valor, tido pela autoridade fiscalizadora como sendo o verdadeiro e perfectibilizado na negociação do bem imóvel, que gerou acréscimo patrimonial a descoberto, entre o recorrente e o vendedor, foi extraído de um processo judicial, do qual o recorrente não fez parte nem como autor, nem como réu e tão pouco foi ouvido como testemunha ou similar. Em suma, o recorrente não teve ingerência na aferição do valor de 150 mil dólares como 8 • •7À4(49, re,---.n:;*:-Préi, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 sendo o precursor do negócio, assim como não houve qualquer outra propositura de prova neste sentido. Em ato continuo, entendo que no mundo dos negócios, principalmente no tocante de compra e venda, a gerência é feita com a autonomia das partes de modo independente, respeitando o mínimo de formalidade disposta em lei, mas sem qualquer imposição de forma de pagamento ou registro deste ato. Assim, por não restar comprovado que o recorrente efetivamente pagou o valor sumariado pelo fisco, tão pouco há efetividade de pagamento no fluxo de caixa, no montante de 150 mil dólares, entendo que a simples prova emprestada de processo judicial sem qualquer vinculação com o recorrente não se presta para caracterizar o acréscimo patrimonial a descoberto disposto no auto de infração. Comprova a realização do negócio sem a efetivação do pagamento em sua totalidade, o documento de fls. 83, no qual se pode verificar que o recorrente deu em garantia da perfectibilização do negócio de compra e venda do imóvel em comento outro imóvel seu. Ainda, os outros dois imóveis, vendidos logo em seguida da realização deste, bem como o recebimento do FGTS, dão sustento à aquisição em relato de forma suficiente e com folga de valores, não caracterizando a imputação do auto de infração. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões (DF), 15 de junho de 2005 E AN SA R09,1GUES 9 • Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026600.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.723394/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICADORA.
Comprovado em diligência fiscal que o lançamento inicialmente formalizado deve-se a erro no preenchimento da DIPJ original, ajusta-se a exigência ao valor verificado na escrituração contábil do sujeito passivo, cuja apuração respalda a DIPJ retificadora.
AUTENTICAÇÃO DE LIVROS. Atrasos na autenticação da escrituração digital pela Junta Comercial ocorridos em razão de pendências de natureza formal verificadas no arquivo enviado, que a empresa prontamente regulariza perante o órgão, não podem dar ensejo a autuação fiscal.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. Comprovado em diligência fiscal que o lançamento inicialmente formalizado devese a erro no preenchimento da DIPJ original, ajustase a exigência ao valor verificado na escrituração contábil do sujeito passivo, cuja apuração respalda a DIPJ retificadora. AUTENTICAÇÃO DE LIVROS. Atrasos na autenticação da escrituração digital pela Junta Comercial ocorridos em razão de pendências de natureza formal verificadas no arquivo enviado, que a empresa prontamente regulariza perante o órgão, não podem dar ensejo a autuação fiscal. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 33 94 /2 01 3- 61 Fl. 305DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de autos de infração para cobrança de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2010, acrescidos de juros e multa de 75%, totalizando R$ 12.108.986,12: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ R$8.911.577,84 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL R$3.197.408,28 Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, os lançamentos decorrem de procedimento fiscal que constatou insuficiências de recolhimento, coligidas a partir do confronto entre os valores de IRPJ e CSLL a pagar apurados na DIPJ/2011 e os recolhimentos efetuados. Cientificada das exigências, a contribuinte apresentou impugnação sob a alegação de que a DIPJ que constitui a prova da autuação padece de inexatidão no seu preenchimento, corroborando sua afirmação com declaração firmada pelo profissional responsável por sua escrituração contábil. O processo foi então convertido em diligência com a finalidade de examinar a escrituração da interessada. Isso porque a DRJ considerou que havia "fortes indícios do erro apontado na defesa, quanto no que tange à apuração do custo das mercadorias revendidas, haja vista que na DIPJ (Fichas 04A) esse custo corresponde apenas ao estoque inicial (linha 22), sem terem sido preenchidas as demais linhas da apuração para satisfazer à equação Custo = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final." (fl. 169). Em decorrência da realização da diligência requerida, foram anexadas aos autos as peças às fls. 171173, que encerram o relato do trabalho, das quais se destacam os seguintes pontos relevantes: a) a contribuinte foi intimada a apresentar a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, assim como retificar a DIPJ do anocalendário de 2010; b) após pedido de prorrogação, a impugnante apresentou a DRE em meio físico e DIPJ retificadora, cujas informações conferem com a DRE (docs. anexos); c) quando do exame do livro digital extraído do SPED Contábil foi verificado que os valores nele contidos divergiam da DRE e da DIPJ retificadora, além do que a Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10166.723394/201361 Acórdão n.º 1401001.911 S1C4T1 Fl. 306 3 escrituração se encontrava na situação “Aguardando Pagamento”, o que significa que não havia sido autenticada pela Junta Comercial; d) o fato provocou nova intimação à impugnante, para apresentar a escrituração contábil devidamente regularizada, e, em resposta, a interessada transmitiu Requerimento de Substituição do Livro Digital, desta vez com valores coincidentes com a DIPJ retificadora e com a DRE apresentada em meio físico, bem como comprovante de que o pagamento pendente teria sido realizado em 31/10/2013, no entanto, em nova consulta ao SPED continua a situação “Aguardando Pagamento”. Conclui informando que diante da falta de perspectiva do prazo em que se vai efetivar o deferimento ou indeferimento da autenticação do livro digital substituto pela Junta Comercial, não foi possível cumprir na íntegra a diligência requerida, com o exame do documentário de suporte da escrituração, razão pela qual não há reparos a fazer no lançamento efetuado. Cientificada do teor do relatório de diligência, a impugnante apresentou petição às fls. 253258, na qual informa haver procurado várias vezes a Junta Comercial para verificar o motivo de ainda não constar o pagamento no sistema, sendo finalmente informada que o arquivo enviado apresentava pendências, que foram sanadas e enviado novo arquivo em 20/12/2013. Apreciando a resposta ao relatório de diligência, a DRJ concluiu restar evidenciado que a autenticação da escrituração digital pela Junta Comercial não se concretizou devido a pendências de natureza formal verificadas no arquivo enviado (Anexo 1), como demonstra a Notificação anexada à manifestação da interessada (data de arquivamento, nº do CNPJ, nome empresarial, nº de ordem do livro etc), que a empresa se apressou em regularizar perante o órgão (Anexo 2). Dessa forma, em Resolução aprovada em 07/02/2014 (fls. 262/264), a DRJ decidiu pelo retorno dos autos ao órgão de origem, para conclusão da diligência inicialmente requerida, após sanado o episódio da autenticação da escrituração contábil digital. A diligência foi então concluída, originando a Informação Fiscal de fls. 265 267. Nesta, o autor do trabalho relata que finalmente foi possível examinar o conteúdo da escrituração contábil da impugnante, e, do exame procedido, que confirma as informações contidas na DIPJ retificadora apresentada, restaram exigíveis os seguintes valores de insuficiências de recolhimento, apurados no 4º trimestre/2010: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ 169.349,20 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 59.348,66 Cientificada do resultado desse trabalho, a contribuinte não se manifestou a respeito. Em 18 de julho de 2014, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo apenas as exigências de IRPJ e CSLL do 4º trimestre/2010, nos valores acima discriminados. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Fl. 307DF CARF MF 4 DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. Comprovado em diligência fiscal que o lançamento inicialmente formalizado devese ao cometimento de erro no preenchimento da DIPJ original, ajustase a exigência ao valor verificado na escrituração contábil do sujeito passivo, cuja apuração respalda a DIPJ retificadora. IMPUGNAÇÃO. ABRANGÊNCIA. O alcance da impugnação é delimitado por ocasião da apresentação dessa peça de defesa, razão pela qual é impróprio falarse que o contribuinte seja intimado de teor de relatório de diligência fiscal, determinada pelo órgão julgador, para puder aditar a impugnação, pois nessa oportunidade o autuado pode tãosomente exercer o direito ao contraditório, oferecendo suas contrarrazões. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento da CSLL, formalizado a partir dos mesmos fatos e elementos de prova, o decidido em relação ao IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi intimada da decisão em 1o de agosto de 2014, não tendo apresentado recurso voluntário. Como houve interposição de recurso de ofício, a parte desfavorável ao contribuinte foi desmembrada para o processo 10166.727743/201403, para fins de cobrança. Recebi o processo em distribuição realizada em 15 de fevereiro de 2017. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano. Tratase de recurso de ofício contra decisão da DRJ em Brasília (DF) que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela contribuinte, após a confirmação, em sede de diligências, de que houve erro no preenchimento da DIPJ. Uma vez comprovados tais erros mediante análise da escrituração contábil da empresa, o lançamento foi mantido apenas quanto aos valores efetivamente exigíveis após estes serem sanados, conforme consignou a decisão recorrida. Aliás, louvável a conduta da Turma julgadora a quo de converter o julgamento em diligência por mais de uma vez, até que a Junta Comercial finalmente autenticasse os livros, na medida em que atrasos na autenticação da escrituração digital pela Junta Comercial ocorridos em razão de pendências de natureza formal verificadas no arquivo enviado, que a empresa prontamente regularizou perante o órgão, não podem dar ensejo a autuação fiscal. Não merece reparo, pois, a decisão recorrida. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10166.723394/201361 Acórdão n.º 1401001.911 S1C4T1 Fl. 307 5 Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 309DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001434/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL.
Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito oriundas da captação de recursos de seus cooperados, realização de empréstimos aos associados, bem assim a efetivação de aplicações financeiras no mercado, não são passíveis de tributação pela CSLL, vez que decorrentes de atos cooperativos. Precedentes jurisprudenciais, mormente da Primeira Seção do STJ. Precedente da CSRF (Acórdão 9101-002.782).
Numero da decisão: 1401-002.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL. Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito oriundas da captação de recursos de seus cooperados, realização de empréstimos aos associados, bem assim a efetivação de aplicações financeiras no mercado, não são passíveis de tributação pela CSLL, vez que decorrentes de atos cooperativos. Precedentes jurisprudenciais, mormente da Primeira Seção do STJ. Precedente da CSRF (Acórdão 9101002.782). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 34 /2 00 8- 40 Fl. 327DF CARF MF 2 Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 328 3 Relatório Por bem refletir os fatos constantes dos autos, adoto o Relatório da decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 1268.708 5ª Turma da DRJ/RJ1 (v. e fls. 206/212), objeto de julgamento em sessão realizada em 24 de setembro de 2014. O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 13/17, lavrado pela DFI – São Paulo, do qual a interessada acima identificada foi cientificada em 9/10/2008, conforme faz prova o documento de fl. 20, consubstanciando exigência da contribuição social sobre o lucro líquido no valor de R$ 72.690,45, acrescido da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos demais encargos moratórios. 2. O autuante, conforme auto de infração, fl. 44, descreve, em síntese, que não houve recolhimento da CSLL referente ao anocalendário de 2003, tendo a interessada apurado base de cálculo da contribuição e o tributo devido. Alicerçou o lançamento no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316 e art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 37 da Lei nº 10.637/02. 3. Com o objetivo de descrever a ação fiscal e as razões que o levaram a efetuar o lançamento em questão, o autuante juntou aos autos o termo de verificação fiscal, fls. 54/55, descrevendo, em síntese, que, em decorrência de trabalho de revisão interna, apurou falta de recolhimento da CSLL referente ao anocalendário de 2003, pois houve declaração de CSLL no valor de R$ 72.690,45, sem o respectivo recolhimento ou confissão. Intimado, o contribuinte alegou erro de preeechimento pela não exclusão do valor referente às sobras. Salienta que a Lei 7.689/88 não prevê isenção da CSLL para atos cooperativados, e somente a contar do advento da Lei nº 10864/2004, que há mudança de tal tributação. 4. O autuante juntou aos autos os documentos de fls. 03/12. 5. Inconformada com o lançamento, a interessada, em 09/11/2008, apresentou a impugnação de fls. 22/41, arguindo, em síntese, que: 5.1. já havia informado ao autuante que houve erro na elaboração da Dipj, não sendo devido tal tributo em razão da atividade desenvolvida pela impugnante, como cooperativa de crédito, sendo certo que os valores que constam da demonstração do resultado estão dentro de sua finalidade, não sendo, portanto, tributáveis; 5.2. a apresentação de uma declaração com valor de confissão com erro de preenchimento não poderia configurar constituição de crédito tributário, não sendo meio hábil para a execução fiscal. Ressalta que tem o direito a retificar a declaração e a Administração tem o dever de revisar a constituição do crédito, sempres que ficar comprovado o erro, apresentando julgados do carf quando ocorre erro de fato; 5.3. para fazer prova, juntou aos autos o balanço, o DRE, o Lalur. Informa que a ficha 17, cálculo da CSLL, sendo que a composição, linha 28, deveria ter sido informado sobre os resultados decorrentes de atos cooperativos, os quais por não caracterizarem lucro ou resultado tributável deveriam ser excluídos da base de cálculo da CSLL; Fl. 329DF CARF MF 4 5.4. a não incidência da CSLL sobre atos cooperativos ocorre igual ao IRPJ, pois não há aferição de renda ou lucro, amparo no art. 182 e 183 do RIR/1999. O resultado positivo é sobra e não lucro; 5.5. resta inconstitucional a equiparação feita pela Lei nº 8.212/91 das cooperativas de crédito. 5.6. o fato gerador da CSLL é o lucro, Lei nº 7.689/88, somente podendo ser modificado por Lei Complementar como para o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas cooperativas; 5.7. apesar de estar enquadrada como entidade financeira tal fato não poderia legitimar a tributação, pois ato cooperado não configura operação de comércio. Seu resultado não é lucro e está situado fora do campo de incidência da CS intituída pela Lei nº 7.689/88; 5.8. há atividades que se afastam daquelas próprias das cooperativas e que poderiam ser tributadas em relação a eventuais rendimentos, o que não ocorre com a impugnante, que apenas teve suas atividades restringidas aos seus fins sociais; 5.9. a conclusão do lançamento, não tem base legal pois há decisões e a cooperativa está isenta desde a norma legal derivada da constituição; 5.10. pela letra do art. 111 da Lei nº 5.764/71, não corresponde o resultado dos atos cooperados que constaram da Dipj às exceções tratadas nesse artigo e que são explicitadas nos art. 85, 86 e 88 desta mesma Lei. Assim, não podem ser considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pela impugnante. 5.11. cooperativa de crédito não é instituição financeira; 5.12. se o autuante entende que houve resultado positivo tributável de CSLL, decorrentes de atos não cooperativados, deveria provar, pois a sua produção cabe a quem alega, art. 333 do CPC; 5.13. as atividades essenciais da cooperativa nunca podem ser objeto da base de cálculo da CSLL pois contraria os ditames da legislação. Primeiro, porque pretende fazer crer que tal valor é lucro, segundo contraria explicitamente o art. 79 e §único da Lei nº 5.764/71; 5.14. o art. 39 da Lei nº 10.865/04 tem caráter retroativo, alcançando o ato pretérito em que fundamentou o autunte, com base no art. 106 do CTN; 5.15. apresenta jurisprudência administrativa e judicial sobre a matéria; 5.16. cita julgados do poder judiciário e do Carf com decisão de que não cabe incidir CSLL sobre resultados auferidos em operações decorrentes de atos cooperativos e da possibilidade de retificar erro de fato comotido em registro na declaração. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro. Abaixo reproduzo a ementa do Acórdão proferido pelo Colegiado a quo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃOCOOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 329 5 sejam eles relativos às operações internas ou de exportação, com associados ou não. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 07/10/2014, v. efls. 215, apresentando o seu Recurso Voluntário em 06/11/2014, v. efls. 218/247. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 331DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O Auto de Infração foi lavrado em virtude de procedimento de revisão interna da DIPJ 2004 apresentada pela recorrente. Tal procedimento é bastante simples, confrontando as informações constantes da DIPJ com aquelas informadas nas DCTFs e nos pagamentos realizados via DARF. A partir dessa confrontação, verificou a Autoridade Fiscal algumas inconsistências, justificadas pela Contribuinte em erro cometido no preenchimento da respectiva declaração (DIPJ). O erro cometido pela Recorrente teria origem na falta de exclusão da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL dos resultados auferidos em operações cuja natureza seriam de atos cooperados. Alega a Contribuinte que tais operações seriam isentas de tributação, razão pela qual o lançamento fiscal sob análise seria improcedente. Creio ter razão a Recorrente em sua irresignação ao lançamento. A matéria não é nova no âmbito deste Conselho. Trago, inicialmente, o precedente discutido na 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, Acórdão nº 1402001.541, da Relatoria do Ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, julgado em 05 de dezembro de 2013, do qual extraí os seguintes trechos: Entretanto, embora as cooperativas sejam, nos termos da lei civil, pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade, o regime jurídico aplicável a elas é diferente das sociedades empresárias ou simples, visto que possuem uma finalidade peculiar. Isto porque as cooperativas, na exegese dos arts. 3° e 4° da Lei n°. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Portanto, será considerado ato cooperativo todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. Nesse caso, a cooperativa atuará como intermediária entre o cooperado e o mercado financeiro, sendo que o resultado obtido com a realização deste negócio jurídico será, posteriormente, repassado ao cooperado. Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que "os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos". Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 330 7 Desta forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, temse que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Sobre o tema, o STJ pacificou o entendimento, determinando que, tratandose de cooperativas de crédito, qualquer aplicação financeira caracterizase como ato cooperado. Na sessão de 20 de novembro de 2012, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou o tema (Acórdão 9101001.518 – Relatora Susy Gomes Hoffmann, embasandose em precedente do STJ: A Súmula n° 262 do STJ, no mesmo sentido, estabelece que “incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”. Tal entendimento, contudo, referese às cooperativas em geral. Na sua consolidação, o STJ não trouxe à baila a análise específica da situação das Cooperativas de Crédito. Pelo contrário, ao fazelo, o Égrégio Tribunal manifestouse, por diversas vezes, no sentido de excluílas do entendimento retratado no acórdão e na súmula acima transcritos. Isto porque, tratandose de Cooperativa de Crédito, as receitas financeiras, efetivamente, consubstanciam atos cooperativos. Neste sentido, os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, fazse necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Tratase de aplicação do direito à espécie. Fl. 333DF CARF MF 8 [...] 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tãosomente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente. (AgRg no AgRg no REsp 717.126/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 24/02/2010) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. (EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611.217/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência da Cofins sobre o resultado de tal atividade. 2. O STJ assentou o entendimento de que, em se tratando de cooperativas de crédito, toda a sua movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não havendo incidência do PIS e da Cofins. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 823.207/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 21/08/2009) Neste sentido, devese ter em mente que o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça pode ser resumido da seguinte forma: o imposto sobre a renda incide sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, salvo em relação às cooperativas de crédito. Isto justamente porque, no caso particular das cooperativas de crédito, as aplicações financeiras realizadas inseremse no conceito de atos cooperativos. Com efeito, como bem se demonstrou no acórdão recorrido, as cooperativas são pessoas jurídicas criadas com uma finalidade central de prestar serviços relevantes de assistência a seus associados, conforme se depreende dos artigos 3° e 4° da Lei n° 5.764/71. E mais, sem objetivo de lucro. Neste sentido, a Lei n° 5.764/71 (artigo 79) qualifica juridicamente como cooperativos os atos praticados “entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 331 9 Tais atos, como se sabe, não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. No caso específico das Cooperativas de Crédito, o respectivo objetivo social, em síntese, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro. Na hipótese dos autos, a contribuinte, conforme se depreende do artigo 3° do seu Estatuto Social, tem por objetivo “a organização em comum e em maior escala dos serviços econômicofinanceiros e assistenciais de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços.” Tratandose de atos cooperativos, incide, portanto a Súmula 83 do CARF, assim vazada: “O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.” Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Outro precedente, recentíssimo, por sinal, é o Acórdão nº 9101002.782 1ª Turma da CSRF, julgado em 06 de abril de 2017, do qual extraí os seguintes trechos: Quanto ao mérito, tem razão a contribuinte em alegar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), embasada em posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), modificou o entendimento manifestado no acórdão paradigma proferido em 2004, e que a CSRF tem decidido reiteradamente que as receitas de aplicações financeiras realizadas por cooperativa de crédito não sofrem incidência de IRPJ e CSLL. Dentre as várias decisões da CSRF apontadas pela contribuinte, vale reproduzir a ementa da mais recente delas, que foi exarada por unanimidade de votos: Acórdão nº 9101001.825 Sessão de 20 de novembro de 2013 [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO ATO COOPERATIVO. ENTENDIMENTO DO STJ. IRPJ E CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. Nos casos de cooperativas de crédito, tendo em vista a sua especificidade, as receitas decorrentes de aplicações financeiras, que não lhe originam lucro, mas que são destinadas aos próprios cooperados, não sofrem a incidência de IRPJ nem de CSLL, pois que referidas aplicações, conforme entendimento do próprio STJ, enquadramse no conceito de atos cooperativos. Não se desconhece que de acordo com a Lei nº 5.764/1971, os resultados obtidos com a prática de operações que não envolvam atos cooperativos estão sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Fl. 335DF CARF MF 10 Também não se desconhece que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da Súmula 262, pacificou o entendimento de que, embora os atos das cooperativas de um modo geral sejam isentos de Imposto de Renda (IR), quando se trata do resultado de aplicações financeiras realizadas por estas entidades o IR incide sim, porque tais operações não são referentes a atos cooperativos típicos: Súmula STJ nº 262: Incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas. Contudo, no caso específico das cooperativas de crédito, há de se levar em conta algumas particularidades, conforme evidencia a Lei Complementar nº 130/2009, que, ao tratar desse tipo de cooperativa, assim dispõe: Art. 2º As cooperativas de crédito destinamse, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados, sendolhes assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro. (grifos acrescidos) É forçoso concluir que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados atos praticados pelas cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, não passíveis da incidência tributária em questão. Nesse sentido, vale registrar o que foi decidido pela 2ª Turma do STJ no AgRg do AgRg no REsp 717126/SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, julgado em 09/02/2010, quando o referido tribunal deixou claro que a Súmula 262 não se aplica às cooperativas de crédito, e que "toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado — constitui ato cooperativo", não sujeito, portanto, à incidência tributária em questão: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos — assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais — não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado — constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 332 11 de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. [...] VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 27.10.2009. Os Agravos Regimentais não merecem prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971: [...] Confiramse os seguintes precedentes desta Corte: [...] Por sua vez, a Primeira Seção do STJ, com o julgamento do REsp 591298/MG, Relator p/ acórdão Ministro Castro Meira, DJ 07/03/2005, pacificou o entendimento de que "toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo". Eis a ementa do mencionado acórdão, que sedimentou a orientação desta Corte Superior: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. LEI N.º 5.764/71. 1. Milita em favor das normas jurídicas a presunção de que foram recepcionadas pelo sistema normativo ante a ruptura constitucional. Enquanto não provocada a Suprema Corte ou declarada a nãorecepção, a Lei n.º 5.764/71 continua em pleno vigor, não havendo óbice ao conhecimento do recurso especial por violação de um ou alguns de seus dispositivos. 2. O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponível para o PIS. 3. Já os atos não cooperativos geram faturamento à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação (art. 87 da Lei n.º 5.764/71). 4. Toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de Fl. 337DF CARF MF 12 aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, circunstância a impedir a incidência da contribuição ao PIS. 5. Salvo previsão normativa em sentido contrário (art. 86, parágrafo único, da Lei n.º 5.764/71), estão as cooperativas de crédito impedidas de realizar atividades com não associados. 6. Atualmente, por força do art. 23 da Resolução BACEN n.º 3.106/2003, as cooperativas de crédito somente podem captar depósitos ou realizar empréstimos com associados. Assim, somente praticam atos cooperativos e, por conseqüência, não titularizam faturamento, afastandose a incidência do PIS. 7. A reunião em cooperativa não pode levar à exigência tributária superior à que estariam submetidos os cooperados caso atuassem isoladamente, sob pena de desestímulo ao cooperativismo. 8. Qualquer que seja o conceito de faturamento (equiparado ou não a receita bruta), tratandose de ato cooperativo típico, não ocorrerá o fato gerador do PIS por ausência de materialidade sobre a qual possa incidir essa contribuição social. 9. Recurso especial provido. (REsp 591298/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/10/2004, DJ 07/03/2005 p. 136, grifei) Dessa forma, da conjugação dos entendimentos jurisprudenciais em referência denotase que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre incidência do imposto de renda. Mister se faz salientar que nenhum dos precedentes que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ analisou a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios de seus associados. [...] De acordo com o STJ e com decisões reiteradas da CSRF, os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito são atos cooperativos, não passíveis de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Seguindo esta jurisprudência, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Extraise das decisões acima que o ato cooperativo é todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. No caso específico das cooperativas de crédito, o objetivo social, em resumo, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro; assim, toda movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não sendo tributável, portanto, por não estar incluído na hipótese de incidência da norma tributária. Isto porque as cooperativas, de acordo com os arts. 3° e 4° da Lei n° 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 333 13 atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria", razão pela qual tais atos não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. Tal matéria é sumulada neste CARF, que em sua Súmula nº 83, assim dispôs: “O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.” O teor da Súmula 83 é claro e carece de maiores comentários. Combinado com o conceito de ato cooperativo aplicável às cooperativas de crédito não deixa nenhuma dúvida de que é incabível a exigência da CSLL sobre o resultado auferido por essas instituições, mesmo antes da edição da Lei nº 10.865/2004. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 339DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.002714/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA.
A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção.
CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA.
O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONCEITO DE INSUMO. NÃOCUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 27 14 /2 00 7- 30 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 2o trimestre de 2004. O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório constante nos autos, reconheceu em parte o direito creditório, homologando as compensações efetuadas até o limite reconhecido, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Cientificada do despacho decisório, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade alegando que tendo se passado prazo superior a cinco anos entre a data da transmissão do PER e a ciência do Despacho Decisório, resta inequívoca a ocorrência de decadência ante o decurso do prazo legal estipulado pela legislação, até mesmo porque, nos termos do art. 207 do Código Civil Brasileiro, a decadência não se suspende ou interrompe. Discorre sobre a questão dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 4 3 Não se conformando com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03. Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Porto Alegre, considerando a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 10050.189. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde repisou as alegações da manifestação de inconformidade e solicitou a reversão das glosas em relação ao arrendamento mercantil. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.337, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10855.002716/200729, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.337): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2014, fls. 788, e o recurso foi protocolado em 06 de agosto de 2014, fls. 790. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da Matéria Preclusa No Recurso Voluntário, a Recorrente alega que a turma julgadora não emitiu juízo de valor sobre o crédito, decorrente de despesas com arrendamento mercantil. Discorre que a apropriação de créditos, decorrentes de custos com arrendamento mercantil, na apuração da COFINS não cumulativa, não foi condicionada ao fato de que o bem, equipamento ou veículo fosse utilizado na atividade fim da empresa, cita precedente do Carf e solicita a reversão da glosa. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 5 4 De fato, não há no acórdão da DRJ/Porto Alegre qualquer manifestação sobre a glosa de despesas com arrendamento mercantil, contudo, a Recorrente somente apresentou tal tema em fase recursal, não havendo, assim, como a decisão, ora contestada, pronunciarse sobre um tema que não havia sido manifestado no momento oportuno. Vale transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, que seria equivalente à impugnação. Por tal motivo, a matéria é preclusa e, portanto, não pode ser conhecida. 3. Da Prejudicial de Mérito Da Decadência A Recorrente alega que, no presente caso, operouse o instituto da decadência, uma vez que o seu pedido de ressarcimento eletrônico foi transmitido em 30 de agosto de 2007 às 16h13min e a sua ciência ocorreu em 17 de setembro de 2012. Assim, entende que concluído o prazo de cinco anos sem a manifestação da Receita Federal do Brasil, o pedido de restituição estaria decaído e, por conseguinte, tacitamente homologado. No caso em análise, observase a existência de dois pedidos: um de ressarcimento e outro de compensação. Assim, em primeiro, lugar é necessário observar se o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado no ressarcimento, para, então, poder alocálo no pedido de compensação. Quanto ao pedido de ressarcimento, não há como considerar que há uma homologação tácita pelo decurso de tempo, conferindo direito ao crédito. O período de decadência, em análise, seria para o contribuinte efetuar o pedido de ressarcimento, uma vez que o instituto da decadência apresentase como uma forma de estabilizar as relações jurídicas, pois ela se apresenta como uma forma extintiva do direito subjetivo. No caso, a contribuinte faz jus ao direito subjetivo de pleitear o crédito, que entende que possui. Por outro lado, o fisco faz jus ao direito subjetivo de lançar o crédito, que entende que não foi constituído. Portanto, a decadência vem fulminar o direito subjetivo. Quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é da contribuinte e não do fisco. Assim, a existência do crédito no ressarcimento é premissa necessária para a compensação, não podendo falar em homologação tácita. Ademais, não há previsão legal de prazo para o fisco analisar o pedido de restituição. Portanto, rejeitase a prejudicial de decadência e não se conhece da matéria. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 6 5 4. Dos Créditos Custos de Fretes A Recorrente alega que incorre em custos inevitáveis e necessários com transporte de seus produtos para suas filiais e centros de distribuição, razão pela qual eles devem integrar a base de créditos do PIS, pois se constituem em um verdadeiro insumo essencial na atividade produtiva da empresa, cita a legislação, entende insumo sob o aspecto da essencialidade. Pleiteia que os seus gastos com frete intermediário, aquele para o transporte de seus produtos para outros estabelecimentos, venham a compor a base de créditos do PIS. Cita soluções de consulta e pleiteia pela aplicação do princípio da isonomia. Por fim, entende que o conceito de insumo deve ser analisado sob a ótica do imposto sobre a renda. Da Informação Fiscal, fls. 731, extraise: 3.6 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda O item IX do artigo 3° da lei 10.833/2003, traz a permissão para crédito de gastos com “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. A memória de cálculo apresentada pela empresa foi detalhada na planilha 6 – Despesas de Fretes e Armazenagem, gravada no CD 04, cujo conteúdo encontrase digitalmente anexado ao Recibo de entrega de arquivos digitais – READ. Nesta rubrica, ao auditála, percebeuse que o número da nota fiscal elencada na planilha e informada no lançamento contábil, tratavase, na verdade, do número da Fatura, que, como sabemos, pode agregar várias notas fiscais, ou Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, o CTRC. (...) 3.6.1 – Fretes na Operação de Venda (...) Para calcular o valor do crédito de direito, procedeuse da seguinte forma: Extraímos os fretes interiharas, isto é, os fretes da Iharabrás para a própria Iharabrás, consolidando tais valores a fim de glosálos, nos Anexos IX “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás Jul 2004 a Dez 2004 – Analítico” e Anexo X “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás – Jul 2004 A Dez 2004 – Sintético”. Identificamos os fretes cujo remetente é a Iharabrás, e destinatário diverso, a fim de manter o creditamento. No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua interpretação há que se balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 7 6 observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Há que se observar o processo produtivo da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. Da doutrina contábil, extraise: d) Custo gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço1 Assim, assemelhase, em parte, aos custos de produção e despesas necessárias, previstos nos artigos 290, I, e 299, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mas não há uma identidade total, devendo ser analisado caso a caso, já que se tratam de materialidades similares, mas não idênticas. Assim, ele não pode ser restrito ao conceito, previsto no IPI, nem tão amplo, quanto na legislação do imposto sobre a renda. Da legislação, extraise: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; 1 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 25. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 8 7 Assim, analisando o contexto, deverá se encontrar um caminho adequado, razoável, para equilibrar o conceito de insumo e, portanto, dar cumprimento à legislação, no caso, a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003. O cerne da questão é se fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica pode ser considerado como insumo do processo produtivo. Para esclarecer como ocorre o creditamento de fretes no que concerne à contribuição para o PIS/Pasep, valese da preciosa lição do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no acórdão nº 3302003.210, que explica didaticamente como ocorre e do qual se adota como fundamento: Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (grifos não constam do original) Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 9 8 Pela análise do anexo XIV, fls. 538 e seguintes, e pela própria argumentação da contribuinte, ela pleiteia pelo crédito de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, que por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Por tal motivação, mantémse a decisão da DRJ/Porto Alegre. 5. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, sendo a matéria preclusa; e, portanto, não pode ser conhecida; igualmente rejeitase a prejudicial de decadência, pelas razões expostas no paradigma e não se conhece da matéria, e, no mérito aplicase o mesmo entendimento quanto ao crédito de PIS/COFINS de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.000424/89-99
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ADUANEIRO. "DRAW13ACK". INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA
1. Mercadoria divergente quanto à forma de apresentação mas coincidente como matéria prima para o produto de exportação sob o regime de "drawback", já comprovado perante a CACEX.
2. Multas dos art. 524 e 526-II do RA. Inexistência de fundamento para sua cobrança, uma vez reconhecido o adimplemento do regime especial.
Provido o Recurso de Divergência. Desprovido o Recurso da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: CSRF/03-03.009
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao Recurso de Divergência e NEGAR provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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' 24 ' • - •••:- MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n°. : 10711.000424/89-99 Recurso n°. : RP/301-0.381 e RD/301-0.300 Matéria : `DRAWBACK' e MULTAS Recorrente : FAZENDA NACIONAL e ASBERIT LTDA. Recorrida : PRIMERA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : ASBERIT LTDA. e FAZENDA NACIONAL Sessão de : 20 DE OUTUBRO DE 1.998 Acórdão n°. : CSRF/03-03.009 ADUANEIRO. "DRAW13ACK". INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA 1. Mercadoria divergente quanto à forma de apresentação mas coincidente como matéria prima para o produto de exportação sob o regime de "drawback", já comprovado perante a CACEX. 2. Multas dos art. 524 e 526-II do RA. Inexistência de fundamento para sua cobrança, uma vez reconhecido o adimplemento do regime especial. Provido o Recurso de Divergência. Desprovido o Recurso da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL e ASBERT LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao Recurso de Divergência e NEGAR provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , ,--•":„...,-",:,..>"' --,,y,E, PISON ',.-- 'O • •DRIGUES PRESIDENTE , h/ JO : e/j5aNDA COSTA ' 'LATOR FORMALIZADO EM: 1 7 NO v 1998 ._ Processo n°• : 10711/000424/89-99 Acórdão n°. : CSRF/03-03.009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, FAUSTO DE FREITAS E CATRO NETO, UBALDO CAMPELO NETO e ISALBERTO MÃO LIMA (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. rr"-- 2 Processo n0 : 10711/000424/89-99 Acórdão n°. : CSRF103-03.009 Recurso d. : RP/301-0.380 e RD/301-0.299 Recorrente : FAZENDA NACIONAL e ASBERIT LTDA. RELATÓRIO Com o Acórdão n. 301-26.966 de 28 de abril de 1.992, a douta Primeira Câmara do 3. Conselho de contribuintes deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto por ASBERIT LTDA. para o fim de: 1) negar provimento ao recurso quanto ao direito ao "drawback"- Suspensão, exigindo os tributos incidentes na importação dos insumos; 2) ter por descabida a cobrança das multas dos art. 524 e 526, H do Regulamento Aduaneiro. Entendeu a Câmara que o insumo importado (flocos de fibra têxtil de poliamida aromática) sendo diferente daquele licenciado pela CACEX e descrito no Ato Concessório do "drawback" (fibras sintéticas de poliaraida aromática - ARAMIDA - conforme oficio CACEX/DEMAP 5 C-891 16619, de 13.12.89 ), não se referindo a comprovação em causa à mercadoria efetivamente importada, não era possível considerar tal importação como amparada pelo regime especial. Entendeu ainda a Câmara, por maioria de votos serem indevidas as multas dado que se verificou apenas erro de classificação tarifária. Existindo no processo pedido de esclarecimento do acórdão, apresentado pelo contribuinte, retomaram os autos à Câmara para a devida correção, uma vez que enquanto na decisão fora anotado o provimento parcial para exclusão das duas penalidades, o Relator, no final do Voto, anotara o desprovimento integral do recurso voluntário. A contradição foi eliminada coma expedição do Acórdão 301.- 27.962, de 16 de fevereiro de 1.996. Inconformada com a mudança da classificação tarifária da sua mercadoria e com a denegação da dispensa do pagamento dos impostos, a empresa vem a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, com recurso de divergência, apresentando com paradigmas os Acórdãos 303- 3 Processo n°. : 10711/000424/89-99 Acórdão n°. : CSRF/03-03.009 26.820 e 303 - 26.825 da douta Terceira Câmara que, de maneira totalmente diferente, decidira que, conquanto incorreta a classificação dada pelo fisco à mercadoria, não havia, no entanto, como desconsiderar o adimplemento do "drawback" . Com efeito, o insumo foi empregado integralmente no produto exportado, tendo sido obtido o resultado objeto do compromisso da empresa. Pela mesma razão, a Terceira Câmara entendeu descabida a multa do art. 524 do RA, havendo mantido apenas a multa do art. 526 - II - do RA. A Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou seu Recurso Especial contra a dispensa das multas dos art. 524 e 526, II do RA, sem no entanto desenvolver quaisquer argumentos. Conclui pleiteando a reforma da decisão da Câmara. Posteriormente, retoma ao processo a douta Procuradoria da Fazenda Nacional, para apresentar contra-razões ao Recurso de divergência, mas o faz como se também fosse um recurso de divergência previsto pelo art. 30 do Regimento Interno, com relação às multas dos ar. 524 e 526-II do Regulamento Aduaneiro. Éo Relatório Ir _ 4 Processo d. : 10711/000424/89-99 Acórdão d. : CSRF/03-03.009 VOTO Conselheiro Relator João Holanda Costa. Em julgamento o Recurso de Divergência apresentado pelo contribuinte e o Recurso da Fazenda Nacional. I - Recurso de Divergência. Nesta questão, tem razão o contribuinte dado que a matéria prima importada conquanto identificada como sendo outra tarifariamente, em vista de certas características que levam à reclassificação na TAB, no entanto correspondeu ao que era necessário e tal como importada serviu para a composição do produto exportado, objeto da comprovação do "drawback" junto à CACEX. Cabe, portanto, considerar que o insumo importado entrou no país sob o regime especial, foi normalmente desembaraçado sem qualquer contestação quanto à natureza. A autuação inicial não acusou a importadora de desvio de aplicação do insumo beneficiado nem se pôs em questão de aquele insumo que entrou no país foi aplicado no produto fmal exportado conforme o compromisso assumido. Não está sendo objeto do recurso de divergência a classificação tarifária do insumo. Por outro lado, na espécie, a reclassificação decorre de a mercadoria importada não ser exatamente a que fora declarada na DI e GI nem no Ato Concessório do "drawback". Não vejo como não dar acolhida ao pleito do recorrente, de ser reconhecido o "drawback" já consumado, sabendo-se que o insumo efetivamente importado foi integralmente exportado. Sobreleva notar que a autuação teve início em ato de revisão do despacho após a ocorrência dos fatos narrados no presente processo, isto é, após mesmo a comprovação do cumprimento do "drawback" quando o produto consumido fora exportado, e pelo simples fato de ter vindo sob a forma de "flocos de fibra" e não de "fibras descontinuas etc". Entretanto, a essência do 5 Processo d. : 10711/000424/89-99 Acórdão n°. : CSRF/03-03.009 insumo, em função do produto final a exportar - PAPELÃO- estava ali presente e foi integralmente exportado como era o compromisso. Voto, por conseguinte, para dar provimento ao recurso de divergência. II - Recurso da Fazenda Nacional. Reconhecido o direito à suspensão de tributo em face da regularidade do "drawback", não há como fazer incidir a multa proporcional ao imposto indevido. Quanto à multa administrativa, tenho-a igualmente como descabida, também pelo fato de o "drawback" se ter cumprido. Com efeito, a matéria prima, conquanto sob a aparência e forma de apresentação diferentes do que fora licenciada, verificou-se que correspondeu à que era necessária para a elaboração do produto exportado como bem demonstrado no Parecer do INT. A rigor, não se poderá afirmar que, no caso, o insumo não estivesse acobertado pela GI, tendo havido mais especificamente uma descrição inexata do material. Voto, assim, para acolher o recurso de divergência e para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional Sala das Sessões, em 20 de outubro de 1.998 j JO O OLANDA COSTA 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13016.000424/2004-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.345
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente MADEM SA INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 04 24 /2 00 4- 89 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13016.000424/200489 Acórdão n.º 9303005.345 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330101.349, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13016.000424/200489 Acórdão n.º 9303005.345 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13016.000424/200489 Acórdão n.º 9303005.345 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13016.000424/200489 Acórdão n.º 9303005.345 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720148/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. USO DE INFORMAÇÃO FALSA. MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a falsidade da informação relativa aos créditos informados em DCOMP é incabível a homologação das compensações declaradas. O contribuinte tinha conhecimento de que a informação que usou era falsa, especialmente porque ele próprio já havia usado o crédito anteriormente. Demonstrada a falsidade em DCOMP é cabível a incidência da multa isolada com o percentual de 150% sobre o valor dos débitos indevidamente compensados.
NULIDADE. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fática trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da penalidade veiculada por meio da autuação. O TVF Complementar é instrumento hábil a veicular autuação complementar, desde que garanta ao contribuinte o amplo direito de defesa.
ERRO DE DIREITO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTO DA SANÇÃO EFETIVAMENTE APLICADA INALTERADO.
A mudança de critério jurídico não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito. Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Não verificadas quaisquer dessas hipóteses, permanecendo inalterada a sanção efetivamente aplicada e seu valor, não há irregularidade ou nulidade.
Pode ser consultado no endereço
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI PARA EFEITO DE SANÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A sanção concretamente aplicada consta de lei anterior a conduta ilícita verificada, e não foi revogata. Não há que se falar em aplicação retroativa da norma sancionadora ou de retroatividade benigna.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ALEGAÇÕES DE CONTRARIEDADE DAS NORMAS APLICADAS À LEI MAGNA E SEUS PRINCÍPIOS. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. (Súmula CARF nº 02).
DECADÊNCIA.
Não prospera a alegação de decadência do direito de o Fisco questionar a efetividade e legalidade de fatos ocorridos há mais de cinco anos quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos. Tratando-se de Declaração de Compensação entendo que inverte-se o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito creditório.
AFRONTA AO PRINCÍPIO DO DIREITO DE PETIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Compensação não configura instrumento de defesa de direito, mas sim de exercício pleno de prerrogativa legal, que deve respeitar os limites do ordenamento jurídico. E mesmo que se entenda em contrário, os direitos fundamentais encontram limitação, sendo inconcebível que o exercício do direito de petição possa ser empregado para evitar as conseqüências do uso de informações falsas perante o Fisco. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente volta-se a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é conseqüência da inadimplência do contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin que davam provimento ao recurso para reconhecer a alegação de decadência. Declarou-se impedido o
Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. USO DE INFORMAÇÃO FALSA. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a falsidade da informação relativa aos créditos informados em DCOMP é incabível a homologação das compensações declaradas. O contribuinte tinha conhecimento de que a informação que usou era falsa, especialmente porque ele próprio já havia usado o crédito anteriormente. Demonstrada a falsidade em DCOMP é cabível a incidência da multa isolada com o percentual de 150% sobre o valor dos débitos indevidamente compensados. NULIDADE. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA Erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fática trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da penalidade veiculada por meio da autuação. O TVF Complementar é instrumento hábil a veicular autuação complementar, desde que garanta ao contribuinte o amplo direito de defesa. ERRO DE DIREITO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTO DA SANÇÃO EFETIVAMENTE APLICADA INALTERADO. A mudança de critério jurídico não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito. Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Não verificadas quaisquer dessas hipóteses, permanecendo inalterada a sanção efetivamente aplicada e seu valor, não há irregularidade ou nulidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 48 /2 01 5- 14 Fl. 460DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI PARA EFEITO DE SANÇÃO. INEXISTÊNCIA. A sanção concretamente aplicada consta de lei anterior a conduta ilícita verificada, e não foi revogata. Não há que se falar em aplicação retroativa da norma sancionadora ou de retroatividade benigna. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ALEGAÇÕES DE CONTRARIEDADE DAS NORMAS APLICADAS À LEI MAGNA E SEUS PRINCÍPIOS. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. (Súmula CARF nº 02). DECADÊNCIA. Não prospera a alegação de decadência do direito de o Fisco questionar a efetividade e legalidade de fatos ocorridos há mais de cinco anos quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos. Tratandose de Declaração de Compensação entendo que invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito creditório. AFRONTA AO PRINCÍPIO DO DIREITO DE PETIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Compensação não configura instrumento de defesa de direito, mas sim de exercício pleno de prerrogativa legal, que deve respeitar os limites do ordenamento jurídico. E mesmo que se entenda em contrário, os direitos fundamentais encontram limitação, sendo inconcebível que o exercício do direito de petição possa ser empregado para evitar as conseqüências do uso de informações falsas perante o Fisco. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente voltase a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é conseqüência da inadimplência do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin que davam Fl. 461DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 425 3 provimento ao recurso para reconhecer a alegação de decadência. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva . . (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Curitiba (RJ), que não deu provimento à Impugnação e manteve o lançamento complementar, por meio do qual a autoridade fiscal aplicou a penalidade de que trata o art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07. Nos termos do TVF, o contribuinte efetuou compensações indevidas mediante apresentação de falsas informações na Declaração de Compensação a que se refere o processo administrativo nº 16327.720034/201566. No TVF (fls. 07 a 15) consta expressamente que as razões de autuação são os fatos registrados no processo mencionado no parágrafo anterior, razão pela qual a presente autuação tramita em apenso ao PAF referido e é dependente de seu resultado. Tendo em vista que o presente Processo Administrativo decorre de TVF conexo ao Processo Administrativo n. 16327.720034/201566, que acabou de ser julgado por esta Turma, entendo ser necessário fazer constar do presente Relatório a transcrição do Relatório do PAF acima referido, que relata os fatos e circunstâncias que justificaram o presente lançamento. Fl. 462DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Transcrição do relatório contido no acórdão para o PAF 16327.720034/201566 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Curitiba (RJ), que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório proferido na DEINF em São Paulo, por meio do qual a autoridade responsável negou integralmente as compensações pretendidas pelo contribuinte, relativa ao PER/DCOMP de nº 28547.27033.310111.1.3.04 3286, no qual o valor utilizado foi de R$ 14.056.740,61. 2. O crédito citado foi utilizado no encontro de contas que teria origem em pagamento efetuado em 31/03/2009, com valor maior que o devido de IRPJ, referente ao imposto resultante do ajuste no anocalendário 2008 (código de arrecadação 2390), de acordo com o PER/DCOMP (fl. 02 a 06). Em 11/07/2014, a interessada justificou que na apuração do IR Devido na Declaração de ajuste não foi compensado o saldo do prejuízo fiscal existente em 31 de dezembro de 2008 (fl. 68), conforme o seguinte demonstrativo (fl. 69): 3. Como prova, a empresa interessada juntou cópia da DIPJ retificadora do mesmo ano (fl. 72 a 108), Demonstrativo de lançamento contábil do valor de R$ 14.056.740,61 Processo 16327.720034/201566 e cópia (fl. 110) do livro Razão da conta Imposto de Renda a Compensar – saldo DIPJ – IR (1144128). 4. Como bem relatado na decisão recorrida, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ – referente ao anocalendário 2008 (fls. 25, 26 e 32) foi alterada para incluir compensação com prejuízo fiscal que havia sido desconsiderado na apuração original, o que acarretou na diminuição do lucro real e do imposto devido, conforme reproduzido a seguir: Fl. 463DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 426 5 5. A empresa interessada informou que o prejuízo fiscal alegado teria origem nos anoscalendário 1992 a 1995, sendo que parte do saldo constituído nesse intervalo teria sido aproveitado no anocalendário 1996 e o restante somente em 2008. 6. Como se constatou, as bases de dados da Fazenda Nacional registram que o anocalendário de 1996 foi objeto de procedimento fiscal para o IRPJ, o qual resultou em auto de infração, formalizado através do PAF n.° 16327.000812/200100, e, em que pese a autuação citada tratar justamente do prejuízo fiscal informado pela interessada, esta nada esclareceu a respeito do processo em questão. 7. No referido PAF foi constatado que a contribuinte não respeitou o limite de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, a despeito da imposição fixada pelo artigo 15 da lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, para dedução do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões, a partir do encerramento do anocalendário de 1995. 8. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal do referido PAF, o contribuinte teria apurado lucro líquido de R$ 118.898.909,85 e compensado Prejuízo Fiscal de exercícios anteriores no montante de R$ 91.240.494,62. O excesso que ultrapassou o limite de trinta por cento, equivalente a os exatos R$ 55.570.821,67, constituiu a base tributável para lançamento de ofício do Imposto de Renda devido. 9. A conclusão a que se chegou a autoridade fiscal, ratificada pela autoridade julgadora, é a de que todo o prejuízo fiscal existente até 1996 foi utilizado para diminuir o lucro líquido ajustado nos anoscalendário 1996, 1997 e 1998, conforme exaustivamente demonstrado pela própria interessada para defender que o valor devido seria tão somente aquele resultante da postergação do tributo. O contribuinte, ao deduzir prejuízo fiscal no ano em análise, utilizou valor já aproveitado nos exercícios citados. 10. O Acórdão ora Recorrido (06054.213 1ª Turma da DRJ/CTA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 Fl. 464DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 DECADÊNCIA. Não procede a alegação de decadência do direito de o Fisco questionar a efetividade e legalidade de fatos ocorridos há mais de cinco anos quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. USO DE INFORMAÇÃO FALSA. Demonstrada a falsidade da informação relativa aos créditos informados em DCOMP é incabível a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 11. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 464 480) em face do referido acórdão, no qual reitera os argumentos de defesa, alegando em síntese: a) Após a regular entrega da DIPJ 2009 (Ano Calendário 2008), a Recorrente identificou em seus controles um saldo de prejuízo fiscal não compensado na apuração original e para aproveitar a compensação deste prejuízo fiscal, no dia 29/12/2009, transmitiu uma DIPJ retificadora; b) Em 31/03/2009, com base na DIPJ/2009 original, a Requerente recolheu R$ 139.386.267,25 (principal de R$ 136.841.024,20 e juros Selic de R$ 2.545.243,05) a título de IRPJ no ajuste anual e, após a compensação de prejuízo fiscal na DIPJ/2009 retificadora, a Recorrente apurou o valor de R$ 122.784.283,59 a este título, reconheceuse um pagamento a maior de principal no valor de R$ 14.056.740,61; c) Assim, defende que no dia 29/12/2009, data da transmissão da retificação da DIPJ/2009, nasceu para a Recorrente um direito creditório perante a Receita Federal, proveniente do pagamento realizado a maior a título de IRPJ no ajuste anual do período de 2008; d) O saldo de prejuízo fiscal baseouse nos lançamentos contábeis e demais registros controlados pela Recorrente, os quais espelham exatamente as informações prestadas à Receita Federal por meio das declarações apresentadas; e) Diante da existência do direito creditório, em 31/01/2011, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP n° 28547.27033.310111.1.3.043286, por meio do qual compensou o montante em comento. Ou seja, após a apuração e declaração do direito creditório à Receita Federal em 29/12/2009, a Requerente optou pela sua compensação em 31/01/2011; f) Por entender ser ilegítimo o prejuízo fiscal compensado na DIPJ/2009 retificadora (o qual acabou por originar o pagamento a maior objeto do PER/DCOMP), conforme relatado pela Fiscalização no Despacho Decisório, no ano de 2001, foi lavrado auto de infração de IRPJ contra a Recorrente, nos autos do processo administrativo n° 16327.000812/2001 Fl. 465DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 427 7 00, questionando a compensação integral de prejuízo fiscal no ano de 1996, sem a obediência ao limite de 30%; g) Em decorrência da não homologação e pelo fato de a Fiscalização ter entendido que a compensação envolveu informações fictícias ("declaração falsa"), impôs à Requerente a penalidade agravada no percentual de 150%, previsto no artigo 18, parágrafo 2o, da Lei n° 10.833, de 2003, combinado com o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, por meio da lavratura de auto de infração de multa isolada, originário do processo administrativo n° 16327.720148/201514; Decadência h) Alega o Recorrente que agiu de boafé ao realizar a compensação analisada nos presentes autos (o que, inclusive, afasta a aplicação da penalidade agravada imposta nos autos do processo administrativo n° 16327.720148/201514), motivo pelo qual se aplica ao presente caso, o prazo previsto no artigo 150, §4° do CTN, estando o crédito compensado tacitamente homologado; i) Muito embora a compensação do crédito tenha sido realizada pela Recorrenbte somente em 2011, o Fisco não poderia mais questionar, por meio do auto de infração ora combatido, lavrado somente em 05/02/2015, a legalidade e validade do crédito que surgiu em 29/12/2009, eis que já transcorreu o prazo de decadência / preclusão de cinco anos contados do fato "originário" do crédito (retificação da DIPJ); j) Nesse sentido, aduz que o antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou sobre o tema, reconhecendo a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos fatos, ocorridos após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, em outras palavras. o procedimento adotado pela Fiscalização no presente caso vai de encontro à jurisprudência consolidada do E. CARF. Isto porque, é notório que, para glosar a compensação em apreço, a Sra. Agente Fiscal precisou, necessariamente, alterar ou desconsiderar o saldo de prejuízo fiscal da Requerente apurado há mais de 05 anos; Inexistência de Informações Falsas Ausência de Dolo k) Alega que do raciocínio da autoridade administrativa, a única motivação para aplicação da multa agravada residiu no fato de que, no entender da Fiscalização, a Recorrente supostamente agiu de forma dolosa (consciente), aproveitandose de informações fictícias com o intento de suprimir indevidamente o recolhimento de tributo por meio do instituto da compensação; l) Devese ressaltar que o fato de a Fiscalização nem sequer ter demonstrado, de maneira pormenorizada, os motivos pelos quais a Recorrente teria, supostamente, agido com intuito doloso ou fraudulento, por Fl. 466DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 si só, já é suficiente para o afastamento de suas alegações no sentido de que houve falsidade da declaração, por ausência de fundamentação; m) A Recorrente não praticou qualquer ato no intento de prejudicar o Fisco, de modo que não há como prevalecer a alegação de que houve uma "falsidade na declaração de compensação apresentada', já que o procedimento de apuração do crédito foi efetivamente contabilizado e declarado às Autoridades Fiscais; n) Diz ainda que distingue os institutos viciantes dos negócios jurídicos do erro e do dolo é que: (i) no erro a circunstância que acarreta o vício é espontânea, (ii) no dolo, o vício é provocado, é praticado intencionalmente por uma das partes. Ainda, para que se caracterize o vício do dolo em uma relação jurídica, não basta que uma das partes atue com a vontade de prejudicar outrem, é necessária, também, a prova cabal de que houve a malfadada intenção perniciosa; o) No presente caso, nenhuma destas condutas foi praticada tela Recorrente, tendo em vista que: (i) Todas as declarações fiscais (originais e retificadoras), que deram origem ao crédito compensado, foram devidamente apresentadas ao Fisco Federal por meio das competentes obrigações acessórias, nos exatos termos da legislação de regência; e (ii) A Requerente prestou informações e forneceu documentos à Fiscalização; p) O motivo para que a Fiscalização julgasse que a Recorrente tinha "consciência" da inexistência do saldo de prejuízo fiscal, está fundado no suposto conhecimento das decisões obtidas nos autos do processo administrativo n° 16327.000812/200100; q) Porém a compensação de prejuízos foi realizada com fulcro nos lançamentos contábeis e controles da Recorrente, que refletem todas as informações transmitidas à SRFB. Efetivamente, o saldo de prejuízo fiscal utilizado na declaração retificadora do anobase de 2008 foi extraído dos registros da Recorrente; r) Diz ainda que “embora a Fiscalização tenha alegado, no TVF, o pedido de desarquivamento dos referidos autos e a obtenção de cópia em 29/07/2014 pela Recorrente, deixou de elucidar que a única resposta apresentada no procedimento fiscalizatório, no sentido de que existia um saldo de prejuízo fiscal, foi protocolada em 11/07/2014, isto é, dias antes de a Recorrente ter em mãos a cópia integral do processo administrativo n° 16327.000812/200100 (mencionese, inclusive, que o processo em questão não sofreu qualquer movimentação processual no período de 01/12/2006 a 26/10/2012, que coincide, exatamente, com o período em que se apresentou a declaração retificadora); s) Diz que é importante deixar claro este histórico de datas, pois, da forma descrita no TVF, a Fiscalização pretendeu fazer crer que, após o pedido de desarquivamento e a análise completa dos autos do processo administrativo n° 16327.000812/200100, a Recorrente, de forma ardilosa, afirmou à Sra. Agente Fiscal a existência do saldo, o que não é a realidade; Fl. 467DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 428 9 t) Esclarece, ainda, que após a resposta dada à Fiscalização em 11/07/2014, alegando a existência do prejuízo fiscal, conforme seus controles, a Recorrente não recepcionou novas intimações a respeito deste tema que pudessem servir para esclarecer os fatos. Assim, considerandose que os controles da Recorrente refletem exatamente as informações prestadas às Autoridades Fiscais por meio da transmissão das declarações, requerse, em homenagem ao já citado princípio da verdade material, que essa E. Turma Julgadora determine o confronto desses valores de modo a se afastar, de forma definitiva, as acusações feitas à Recorrente; u) Demonstrada, diante deste cenário, a boafé da Requerente quando da retificação da DIPJ para compensação dos prejuízos fiscais, cujo saldo era evidenciado em seus registros contábeis (que, reiterese, espelham as informações apresentadas com transparência à Receita Federal), evidente a ausência de dolo, bem como a necessidade de cancelamento da multa agravada lançada nos autos do processo administrativo n° 16327.720148/201514, com base no artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430/96, combinado com o artigo 18, caput e § 2°, da Lei n° 10.833/2003; v) Além de todo o exposto, que entende ser suficiente à exoneração da multa agravada, menciona que a conduta praticada pela ora Recorrente não se trata de uma prática reiterada, que justifique a aplicação da penalidade, mas, tão somente, de uma simples retificadora processada de acordo com os seus controles. x) Conclui requerendo que: (i) sejam acolhidas as razões arguidas a fim de se reformar integralmente o despacho decisório para determinar a homologação da compensação pleiteada no PER/DCOMP n° 28547.27033.310111.1.3.04, e; (ii) caso não se entenda que está devidamente demonstrada a ausência de dolo/máfé por parte do Recorrente, requer a conversão em diligência para que seja disponibilizado nos autos o saldo de Prejuízo Fiscal registrado no SAPLI da Receita Federal atinente ao período em que foi realizada a transmissão de DIPJ/2009. Por sua vez, no presente Recurso Voluntário o contribuinte aduz: Nulidade do “Termo de Verificação Complementar” – Reconhecimento de Erro na Identificação do Fundamento Legal da Exigência a) A despeito do descrito no acórdão recorrido no claro intuito de salvar a autuação, não se presta a infirmar a flagrante alteração do critério jurídico do lançamento promovida por meio da complementação do TVF, bem como a nulidade de tal lançamento. Pelo contrário, as razões do acórdão recorrido somente acabam por reforçar a evidente iliquidez e incerteza do lançamento originário, eivado de nulidade; Fl. 468DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 b) De rigor que a indicação de tal dispositivo legal no presente lançamento não representou mero erro de fato da Autoridade Fiscal, tendo em vista que o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 constou, inclusive, no enquadramento legal que suporta o presente auto de infração; c) Importante notar que a Turma Julgadora “a quo” busca infirmar o exposto no parágrafo acima, entretanto, não explica as razões ou expõe os motivos que levariam a Autoridade Lançadora a citar o referido dispositivo não só no enquadramento legal da autuação, mas, também, no decorrer do TVF originário, sem que este representasse, efetivamente, fundamento do lançamento em foco; d) O acórdão recorrido resta claramente equivocado ao afirmar que a alteração promovida na redação do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 apenas “tratava meramente de declarar a inaplicabilidade das disposições desta lei aos casos de fraude” (fls. 33 do acórdão recorrido). e) Ao contrário do que busca fazer crer o acórdão recorrido, em linha com o TVF originário, o enquadramento legal utilizado pela Fiscalização na presente autuação foi, de fato, o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10, com redação alterada pelo art. 8º da Lei nº 13.097/15, combinado com o art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/072, tendo como base de cálculo o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; f) Por sua vez, no TVF Complementar a Fiscalização fundamentou a autuação em epígrafe no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 12.249/103 e no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo como base de cálculo o valor do crédito indevidamente compensado; g) Não foi outro o entendimento da Fiscalização ao lavrar o TVF complementar, tendo em vista que expressamente reconheceu que o enquadramento legal dado pelo TVF originário estava incorreto, pois a Recorrente jamais poderia ter sido autuada, com fundamento de alteração normativa (Lei nº 13.043/2015) ocorrida em data posterior a do fato gerador, a qual, como apontado acima no trecho reproduzido do próprio acórdão recorrido, sem dúvida alterou substancialmente o conteúdo do referido § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96; h) Caso acolhido o argumento de que o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 não representou fundamento da autuação fiscal, como indica a Turma Julgadora “a quo”, estarseá, por via reflexa, atestando que a motivação do lançamento seria imprestável; i) Devese reconhecer a nulidade do TVF Complementar, já que a própria Fiscalização expressamente reconheceu o erro de direito no enquadramento da penalidade aplicada no auto de infração originário, o que, ainda que não acolhido pela Turma Julgadora, resultou em claro vício de fundamentação do auto de infração; Fl. 469DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 429 11 Nulidade em Razão da Alteração do Critério Jurídico j) Ainda que fosse possível acolher o exposto no acórdão recorrido, no sentido de que a situação em tela constituiria hipótese de autuação complementar como prevista no §3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que se admite a título argumentativo, também devese reconhecer a nulidade do TVF complementar em razão da evidente alteração do critério jurídico; k) De fato, para que se considere legítima a alteração do critério jurídico do lançamento, necessariamente esta deve se referir a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, o que não é o caso dos presentes autos; l) A Fiscalização alterou o critério jurídico com relação à interpretação da base de cálculo da presente autuação, sendo antes o “valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada” e passou a ser “o valor do crédito indevidamente compensado”; m) O enquadramento legal utilizado pela Fiscalização, como exposto no TVF originário, foi o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10, com redação alterada pelo art. 8º da Lei nº 13.097/15, combinado com o art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, 18 com redação dada pela Lei nº 11.488/076, tendo como base de cálculo o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; n) Em sentido oposto, o TVF Complementar veio a alterar tal cenário, fundamentando a autuação em epígrafe no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 12.249/10 (omitindose a menção à alteração trazida pelo art. 8º da Lei nº 13.097/15) e no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo como base de cálculo o valor do crédito indevidamente compensado; o) O critério jurídico foi, sim, alterado, uma vez que, a princípio, fundamentouse o lançamento na redação do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, alterado pela Lei nº 13.097/2015, cuja base de cálculo é o valor do débito objeto da DCOMP e, posteriormente, com o TVF complementar, passouse a fundamentar o lançamento no mesmo dispositivo legal, entretanto, antes da alteração promovida pela Lei nº 13.097/2015, o qual então tinha como base de cálculo o valor do crédito indevidamente compensado; p) Desta forma, ainda que se concordasse com a Turma Julgadora “a quo”, no sentido de que o TVF complementar representaria um novo lançamento, o presente auto de infração não pode subsistir, por representar uma indevida inovação do critério jurídico quanto a fato ocorrido antes da sua introdução. Portanto, deve ser reformado o acórdão recorrido, com o conseqüente cancelamento da autuação fiscal; Fl. 470DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Revogação da Multa Cobrada no Presente Processo Administrativo q) Também não se pode alegar que o novo enquadramento legal mencionado no Termo de Verificação Fiscal Complementar (redação estabelecida pela Lei nº 12.249/2010, redação vigente à época dos fatos), poderia ser utilizado para fundamentar a manutenção da multa ora combatida; r) Isto porque, da leitura do § 17, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei n 12.249/2010, notase que a referida multa era cobrada tendo por base a penalidade prevista no § 15 (na medida em que faz referência expressa àquela); s) Ocorre que no dia 30/01/2015, foi publicada a Medida Provisória nº 668, que alterou significantemente a cobrança das multas tratadas no artigo 74, da Lei nº 9.430/96. Com efeito, a Medida Provisória nº 668/2015, em seu artigo 4º revogou expressamente o parágrafo 15, do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996; t) Ou seja, analisandose a redação do § 17, vigente à época do fato gerador – 31/01/2011 – que referenciava o § 15, combinada com a revogação do mesmo § 15, trazida pela Medida Provisória nº 668/2015 (aplicandose, neste cenário, a retroatividade benigna desta nova norma), simplesmente não há que se falar em multa isolada sobre o valor do crédito não homologado! Diante do exposto, nota se que com a revogação do § 15 pela Medida Provisória nº 668/2015 e as alterações trazidas ao § 17 pela Lei nº 13.097/2015, não mais existe, na legislação vigente, qualquer dispositivo que estabeleça a penalidade sobre os créditos não reconhecidos, conforme preconizava a legislação vigente à época do fato gerador objeto do presente processo administrativo; Da Impossibilidade do Lançamento da Multa Ora Combatida – Necessidade de Decisão Final nos Autos do PAF nº 16327.720034/201566 para a Lavratura do Auto de Infração u) Por força do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74, § 18, da Lei nº 9.430/9613, notase que a impossibilidade de lançamento da multa isolada pela não homologação das compensações está expressamente disposta na legislação pertinente, tornando hialino o descabimento da lavratura do auto de infração em apreço. Em conformidade com os diplomas legais supracitados, as reclamações e os recursos administrativos, impedem o lançamento da multa isolada ora combatida. Fl. 471DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 430 13 Indevida Cumulação da Multa de 20% (Multa de Mora Prevista na Carta Cobrança) com a Multa Isolada de 150% (Compensação Não Homologada) v) Em razão do despacho não homologatório do PER/DCOMP supracitado, que é objeto dos processos administrativos n°s. 16327.720034/201566 (despacho decisório) e 16327.720234/201519 (carta cobrança doe. 05), já foi imputada à Impugnante a multa moratória no percentual de 20%. A base de cálculo utilizada pela Fiscalização para a cobrança da multa de mora de 20% é exatamente a mesma daquela utilizada para a exigência da multa isolada de 150% ora impugnada, qual seja, o valor de R$ 16.444.980,84 (valor este que, no entender da Fiscalização, tratase de um crédito insubsistente). Entretanto, de acordo com os princípios que regem o Direito, não poderia haver, sobre uma mesma base de cálculo e em decorrência da mesma situação fática, a cumulação das multas (isolada e moratória ). Da Necessidade de Aplicação do Princípio da Absorção / Consunção x) Diversamente do exposto no acórdão recorrido, se está diante de uma nítida sobreposição de cobranças decorrentes de um mesmo fato jurídico tido como infracional (não homologação de compensações), em que foram aplicadas duas penalidades distintas (multa de mora e multa isolada), de forma que deve ser reconhecida a aplicação do princípio da absorção, sob pena da consagração do indesejado bis in idem, conforme acima exposto. De acordo com o exposto no acórdão recorrido, a aplicação do referido princípio da absorção / consunção, instituto do direito criminal, não seria adequada em matéria tributária. No entanto, vale dizer que o princípio em questão é pacificamente aplicado por este E. Conselho, evitandose a malfadada dupla penalização do contribuinte. Embora os julgados abaixo tratem da cumulação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais e da multa de ofício, o fato é que se pautam justamente neste princípio para o cancelamento da penalidade “secundária”. z) Na remota hipótese de não ser cancelado o presente auto de infração, o que se admite apenas a título argumentativo, devese, ao menos, ser aplicado o princípio da absorção, mantendose tão somente a maior penalidade exigida, cancelando àquela com menor potencial lesivo, nos termos da doutrina citada na própria decisão recorrida. Vedação ao Confisco e Violação ao Direito de Petição aa) Alinhando argumentos sobre a vedação ao confisco, citando doutrina e jurisprudência, que a multa aplicada viola a Constituição por ser excessiva. Afirma que não espera, desta turma de julgamento, a Fl. 472DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 declaração incidental de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, posto que tal função é precípua do Poder Judiciário. O que requer é apenas que sejam aplicados os princípios constitucionais, em sobreposição aos ditames legais impugnados, visto que a aplicação da multa isolada no percentual de 150% está em manifesta afronta ao Texto Constitucional; Cobrança de Juros de Mora Sobre a Multa bb) O artigo 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. cc) Não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3. do Código Tributário Nacional. Da Decadência e da Inexistência de Informações Falsas Ausência de Dolo dd) No que se refere aos demais argumentos de mérito aduzidos pelo Recorrente, ele reitera os argumentos apresentados no Recurso do Processo Administrativo n. 16327.720034/201566, que acabou de ser julgado por esta Turma, cujo Relatório foi transcrito nas páginas 02 a 07 acima, razão pela qual entendo desnecessário repetilos. ee) Conclui requerendo que: (i) sejam acolhidas as razões arguidas a fim de se reformar integralmente a decisão recorrida cancelando o lançamento realizado, e; (ii) caso não se entenda que está devidamente demonstrada a ausência de dolo/máfé por parte do Recorrente, requer a conversão em diligência para que seja disponibilizado nos autos o saldo de Prejuízo Fiscal registrado no SAPLI da Receita Federal atinente ao período em que foi realizada a transmissão de DIPJ/2009. É o essencial ao relatório. Fl. 473DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 431 15 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Antes de adentrar ao mérito do Recurso Voluntário, aprecio o pedido de conversão em diligência feito pelo contribuinte. O contribuinte entende que, para comprovar a ausência de dolo ou má fé, Aliás, seria de rigor a conversão do presente processo administrativo em diligência a fim de que seja disponibilizado nos autos pela Autoridade Fiscal o saldo de Prejuízo Fiscal registrado no Sistema de Apuração do Prejuízo e do Lucro Inflacionário (“SAPLI”) da Receita Federal do Brasil, atinente ao período em que foi realizada a transmissão da DIPJ/2009 retificadora pela Recorrente (movimentações do SAPLI no ano de 2009), para que se demonstre o histórico do aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal. Para tanto, parte da linha argumentativa de que quando da retificação da DIPJ para compensação dos prejuízos fiscais, o saldo era evidenciado em seus registros contábeis (que, reiterese, espelham as informações apresentadas com transparência à Receita Federal), razão pela qual restaria evidenciada a sua boa fé. Entendo não ser necessária a diligência requerida. Isto porque, a meu ver, o fato de o contribuinte ter se valido do saldo de prejuízos fiscais constante dos seus registros fiscais em nada lhe aproveita. Isto porque os registros contábeis são mantidos e alimentados pelo próprio contribuinte. Outrossim, o que se faz necessário verificar no presente lançamento é se o prejuízo fiscal utilizado pelo contribuinte realmente existia (ou se tratava de informação falsa), e se ele tinha ciência e conhecimento disso. E pelo que vejo dos autos, tais conclusões são possíveis sem a necessidade de conversão em diligência. Assim, entendo que todos os elementos necessários para a formação do meu convencimento e para deslinde do feito estão presentes nos autos, razão pela qual indefiro o pedido de diligência. Passo a apreciar as diversas preliminares e argumentos de mérito suscitados pelo Recorrente. i) Nulidade do “Termo de Verificação Complementar” – Reconhecimento de Erro na Identificação do Fundamento Legal da Exigência; ii) Nulidade em Razão da Alteração do Critério Jurídico; iii) Revogação da Multa Cobrada no Presente Processo Administrativo Fl. 474DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 Por questões didáticas analisarei as 3 preliminares em conjunto. Inicialmente, cumpre ressalvar que entendo não merecer retoque a decisão Recorrida quanto a esses 3 argumentos aduzidos pelo Recorrente. A decisão foi suficientemente clara e rebateu ponto a ponto as alegações de impugnação, reiteradas em recurso. Não restam dúvidas que o TVF original se fundou no artigo 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/03 cumulado com o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Para mim também não restam dúvidas que o agente fiscalizador cometeu um erro parcial na fundamentação do presente lançamento. Tal erro foi devidamente identificado e suprido pelo TVF Complementar, que se presta a essa finalidade, senão vejamos do que dispõe o art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ora, o referido dispositivo legal é expresso ao permitir a lavratura de TVF Complementar para alteração de fundamentação legal. Em verdade, é possível lavrar TVF Complementar até para agravamento da exigência inicial (o que não foi o caso). Por sua vez, o mesmo dispositivo legal garante a devolução do prazo para impugnação referente à matéria modificada, o que significa dizer que a lei entende claramente que o TVF Complementar tão somente integra e complementa o TVF original, não por outra razão foi essa a denominação utilizada (TVF Complementar). Ademais, a jurisprudência administrativa é firme no sentido de não se reconhecer de nulidade quando não restar comprovado prejuízo do contribuinte, como o cerceamento do seu direito de defesa. O que claramente não ocorreu no caso concreto. O Recorrente claramente compreendeu e se defendeu amplamente do lançamento contra si lavrado. Em verdade, grande parte das suas razões defensivas antes e depois do TVF Complementar se repetem. Ademais, a reabertura do prazo de impugnação assegurou ao contribuinte que exercesse de forma plena o seu direito de defesa. Fl. 475DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 432 17 Outrossim, em 31/01/2011, data da transmissão da declaração questionada (31/01/11), mesmo que inexistisse a previsão contida nos parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a infração objeto da autuação que instrui este processo já se encontrava submetida à norma resultante da combinação do art. 90 da MP nº 2.15835/2001 com o art. 18 da Lei nº 10.833/03, in verbis: MEDIDA PROVISÓRIA No 2.15835, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. [...] Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. LEI No 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. […] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) […] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No caso concreto, não há que se falar em mudança de critério jurídico, já que os fatos apurados no procedimento fiscal permaneceram inalterados, assim como a penalidade a ele aplicável, o cálculo da multa, e à vigência do o art. 18 da Lei nº 10.833/03. A meu ver o contribuinte tenta coincidir os conceitos de critério jurídico e de fundamentação legal, o que a meu ver são distintos. De fato parte da fundamentação legal adotada no TVF Originário estava equivocada, não obstante a fundamentação do art. 18 da Lei nº 10.833/03. O TVF Complementar se presta a correções quanto à fundamentação legal, e não houve qualquer modificação da interpretação legal aplicável aos fatos ou infração imputada ao contribuinte. Fl. 476DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 Em suma, os elementos fáticos discutidos, após a lavratura do TVF Complementar, são os mesmos que motivaram a autuação originalmente lavrada, bem como a multa aplicada continua sendo a mesma e também o valor base de cálculo, já que a penalidade aplicada já possuía prévia e específica cominação legal, anterior aos fatos, não sofrendo qualquer alteração em decorrência das modificações introduzidas nos parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Não existem duas alternativas igualmente válidas para interpretar os atos praticados pela autuada, a penalidade aplicável é aquela prevista para os casos de fraude em compensação, conforme o disposto no art. 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/03 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07), assim, não há também como se afirmar validamente a existência de erro de direito, pois apesar do erro quanto à compreensão de parte das normas que mencionou em sua fundamentação, a autuação lavrada, mesmo em sua versão inicial, tratou de aplicar unicamente a penalidade prevista em lei para os casos de fraude. Como bem explicado na decisão Recorrida, Seja em seu original, seja em suas múltiplas alterações, a Lei nº 9.430/96 não fixava uma sanção específica aplicável aos casos de falsidade e, em 2010, apenas passou a declarar expressamente a sua inaplicabilidade à espécie de infração discutida (o mesmo fez a Lei nº 13.097/15, replicando a parte final da redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96). Tal circunstância se vincula ao fato de que o uso de informações falsas em declaração de compensação, muito antes da Lei nº 12.249/2010, já possuía disciplina própria, de forma alguma afetada seja pelo diploma legal editado em 2010, pela MP 656/2014, pela Lei nº 13097/15, pelo texto da MP 668/2015 ou, ainda, pelas normas veiculadas através de sua lei de conversão. De acordo com os fatos apurados, a autoridade lançadora aplicou tão somente a penalidade cominada no art.18, caput e §2º Lei nº 10.833/03 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07), qual seja, a multa isolada, equivalente ao percentual de 150% sobre o valor do débito não homologado, tendo como fato gerador a data de entrega do PER/DCOMP. Conforme já esclarecido na decisão Recorrida, o referido parágrafo dezessete do art. 74 da Lei nº 9.430/96 tratava meramente de declarar a inaplicabilidade das disposições desta lei aos casos de fraude, algo que, além de constar expressamente, desde 2010, da redação anterior à DCOMP eivada de falsidade, de forma alguma alterou a sanção anteriormente prevista, na Lei nº 10.833/03, como, aliás, afirma a exposição de motivos Media Provisória n.° 656/14 (anteriormente reproduzida). Em outras palavras, a revogação da sanção aplicada jamais ocorreu e nem se pode falar em retroatividade de lei sancionadora, pois a efetivamente aplicada, qual seja, a que permite a exigência da multa de 150%, já estava em vigor antes do fato ao qual foi aplicada. Assim, face a tudo o quanto exposto, não há que se falar em Nulidade em razão da correção parcial da fundamentação legal do TVF Originário uma vez que o art. 18 do Decreto 70.235 permite a utilização do TVF Complementar para correção de fundamentação legal. Defender diferente equivaleria a negar vigência ao normativo vigente. Da mesma forma não há que se falar em mudança de critério jurídico vez que a interpretação jurídica dos fatos permaneceu inalterada. Ainda, não houve revogação da multa aplicada não presente caso concreto, razão pela qual não há que se falar em retroatividade benéfica. Face o exposto, não acolho as referidas preliminares. Fl. 477DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 433 19 iv) Da Impossibilidade do Lançamento da Multa Ora Combatida – Necessidade de Decisão Final nos Autos do PAF nº 16327.720034/201566 para a Lavratura do Auto de Infração Igualmente não pode subsistir a alegação de impossibilidade do lançamento da multa ora combatida. A conexão do presente lançamento ao PAF 16327.720034/201566 já produz a segurança jurídica necessária no caso da decisão no referido processo ser favorável ao contribuinte. O que não ocorreu face ao julgamento já realizado por essa turma. A lavratura, no caso, é exigência do art. 18, §3º, da Lei 10.833/03 que determina o julgamento simultâneo da manifestação de inconformidade e da impugnação ao Auto de Infração. Mesmo assim, face o julgamento já realizado do Recurso apresentado no PAF 16327.720034/201566, entendo restar prejudicado o argumento. Não acolho a preliminar arguída. v) Vedação ao Confisco Quanto à penalidade aplicada, o artigo 44 da Lei 9.430/1996 determina que o lançamento de ofício seja acompanhado da cobrança de multa de 75%. Sendo tal exação prevista em lei, os argumentos relacionados à impossibilidade de se cobrar o percentual aplicadas em face dos princípios da vedação ao confisco e da proporcionalidade demandariam uma análise da sua constitucionalidade, o que é vedado a este Tribunal, nos termos da Súmula CARF n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale ressaltar que a não observância de enunciado de súmula do CARF é, inclusive, causa de perda de mandato dos Conselheiros, nos termos do Regimento Interno do CARF (art. 45, VI do Anexo II da Portaria MF 343/2015). vi) Cobrança de Juros de Mora Sobre a Multa Não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescese de juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 478DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 Por sua vez, o mesmo dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. Já o art. 142 do CTN, ao definir crédito tributário dispõe que é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, da conjugação dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Pelo exposto, não dou provimento ao pedido de afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. vii) Afronta ao Princípio do Direito de Petição Sobre a alegação de que restou violado o seu direito de petição, afirma que não espera, desta turma de julgamento, a declaração incidental de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, posto que tal função é precípua do Poder Judiciário. O que requer é apenas que sejam aplicados os princípios constitucionais, em sobreposição aos ditames legais impugnados, visto que a aplicação da multa isolada no percentual de 150% está em manifesta afronta ao Texto Constitucional. Entendo que não há como acolher sua tese pois implicaria desobedecer as Súmulas CARF nº 02 vez que não há como acolher a argumentação do contribuinte sem negar vigência à legislação vigente aplicável. A Declaração de Compensação não configura instrumento de defesa de direito, mas sim de exercício pleno de prerrogativa legal, que deve respeitar os limites do ordenamento jurídico. E mesmo que se entenda em contrário, os direitos fundamentais encontram limitação, sendo inconcebível que o exercício do direito de petição possa ser empregado para evitar as conseqüências do uso de informações falsas perante o Fisco. Todas as suas alegações foram enfrentadas e não houve qualquer violação do direito de petição ou de ampla defesa. viii) Decadência Fl. 479DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 434 21 Passo a apreciar a preliminar de mérito suscitada pelo contribuinte, quanto à decadência do direito do fisco de questionar o prejuízo fiscal utilizado para compensação. Tal preliminar já foi analisada quando do julgamento do PAF 16327.720034/201566 julgado anteriormente. Alega o Recorrente que agiu de boafé ao realizar a compensação analisada nos presentes autos estando o crédito compensado tacitamente homologado. Isto porque, muito embora a compensação do crédito tenha sido realizada pela Recorrente somente em 2011, o Fisco não poderia mais questionar, por meio do auto de infração ora combatido, lavrado somente em 05/02/2015, a legalidade e validade do crédito que surgiu em 29/12/2009, eis que já transcorreu o prazo de decadência / preclusão de cinco anos contados do fato "originário" do crédito (retificação da DIPJ). Cumpre ressaltar inicialmente que, em momento algum a autoridade fiscal questionou a invalidade do prejuízo fiscal apurado entre 1992 a 1995, mas sim quejá havia sido completamente utilizado nos anos 90 do século passado. Quanto à decadência pretendida pelo contribuinte, entendo que não lhe assiste razão. Isto porque o Recorrente está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos. No caso em exame, o crédito provém de saldo de prejuízos apurados em períodos anteriores, que foi utilizado em compensação em período atual. O PER/COMP ativo e com demonstrativo de crédito, objeto do presente contencioso, foi transmitido ou entregue ao Fisco em 31/01/11. Para tanto, não há como o Fisco se furtar de analisar a existência e legitimidade do Prejuízo Fiscal utilizado pelo contribuinte. Acrescentese ainda que a legislação atribui como dever da interessada manter e exibir os documentos que apóiam os registros contábeis, ainda que tenha como origem um fato anterior ocorrido em período de apuração fiscal já decaído, haja vista a pessoa jurídica dever conservar os documentos de sua escrituração relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, enquanto não ocorrida a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios, consoante determina o artigo 37 da Lei nº 9.430, de 1996 (base legal do artigo 264, § 3º, do RIR de 1999): Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. (Grifouse) Tratandose de Declaração de Compensação entendo que invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Por conseguinte, dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito Fl. 480DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 informado. Isto porque, não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o prejuízo fiscal demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. A norma que versa sobre PER/COMP não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. Tais argumentos também foram reafirmados na Solução de Consulta Interna nº 16 Cosit/2012: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. A homologação tácita de declaração de compensação, tal qual a homologação tácita do lançamento, extingue o crédito tributário, não podendo mais ser efetuado lançamento suplementar referente àquele período, a menos que, no caso da compensação de débitos próprios vincendos, esta tenha sido homologada tacitamente e ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Todavia, não há previsão legal de homologação tácita de saldos negativos ou pagamentos a maior, devendo a repetição de indébito por meio de declaração de compensação obedecer aos dispositivos legais pertinentes. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Dispositivos Legais: Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 144, 149, 150, 156 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 368 e 369 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil); art. 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Assim, na linha do quanto exposto na referida consulta, a qual compartilho, não há que se falar em homologação tácita e, portanto, em decadência em relação ao prejuízo fiscal utilizado pelo Recorrente, que deve ser comprovado quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Como bem ressaltado na respectiva Consulta COSIT, identificase corrente de entendimento na jurisprudência administrativa, conclusiva no sentido da não submissão dos saldos negativos de IRPJ à homologação tácita, competindo ao sujeito passivo a prova do indébito tributário, e à Administração Tributária, no âmbito da análise das declarações de compensação, as verificações necessárias à determinação da certeza e liquidez do crédito por aquele invocado: Ementa: VERIFICAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do Fl. 481DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 435 23 tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. (Acórdão DRJ Campinas nº0525.963, de 16/06/2009) Ementa: SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Publicado no D.O.U. nº 226 de 20/11/2008. (Acórdão nº10323.571, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério daFazenda, Sessão de 18/09/2008) Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não devem os órgãos julgadores tomar conhecimento de matéria atinente à suspensão da exigibilidade de débitos por ser matéria de execução, portanto, estranha à lide. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. PEDIDO DE RESITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Publicado no D.O.U.nº 226 de 20/11/2008 (Acórdão nº 10323.579, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Sessão de 18/09/2008) O procedimento de homologação da compensação é de iniciativa contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Face ao exposto, não há o que se falar em Decadência no caso concreto, já que PER/COMP ativo e com demonstrativo de crédito, objeto do presente contencioso, foi transmitido ou entregue ao Fisco em 31/01/11, portanto, a decisão contrária à Recorrente, Fl. 482DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 exarada em 23/01/2015, ocorreu dentro do prazo de cincos, sendo plenamente observados os comandos contidos na IN/RFB nº 900/08 (§2º do art. 37 e art. 80). Por conseqüência lógica, não há que se falar em decadência do direito de lançar a multa exigida no presente lançamento. ix) Inexistência de Informações Falsas Ausência de Dolo Neste tópico o Recorrente aduz que a única motivação para aplicação da multa agravada residiu no fato de que, no entender da Fiscalização, a Recorrente supostamente agiu de forma dolosa (consciente), aproveitandose de informações fictícias com o intento de suprimir indevidamente o recolhimento de tributo por meio do instituto da compensação. Alega a Recorrente não praticou qualquer ato no intento de prejudicar o Fisco, de modo que não há como prevalecer a alegação de que houve uma "falsidade na declaração de compensação apresentada', já que o procedimento de apuração do crédito foi efetivamente contabilizado e declarado às Autoridades Fiscais; Aduz que o motivo para que a Fiscalização julgasse que a Recorrente tinha "consciência" da inexistência do saldo de prejuízo fiscal, está fundado no suposto conhecimento das decisões obtidas nos autos do processo administrativo n° 16327.000812/200100; Porém, alega que a compensação de prejuízos foi realizada com fulcro nos lançamentos contábeis e controles da Recorrente, que refletem todas as informações transmitidas à SRFB. Efetivamente, o saldo de prejuízo fiscal utilizado na declaração retificadora do anobase de 2008 foi extraído dos registros da Recorrente; Segue tratando de cronogramas de datas em razão de pedido de desarquivamento do processo administrativo n° 16327.000812/200100. Segue ainda alegando boa fé, entre outros argumentos. Entendo que neste tópico a análise tem que ser muito mais restrita do que os debates travados entre o juízo a quo e o Recorrente. Isto porque, alegações atinentes à má fé e a aplicação da multa agravada serão devidamente enfrentadas no Processo Administrativo que exige a multa isolada. O que deve ser avaliado no presente caso é: i) o direito creditório utilizado na PER/DCOMP n° 28547.27033.310111.1.3.043286 existia à época da sua apresentação?; ii) em não existindo, o contribuinte tinha conhecimento da sua ilegitimidade? A meu ver a resposta a essas duas questões são mais do que suficientes para o deslinde do feito. Dos documentos constantes dos autos, a meu ver resta absolutamente comprovado que a Recorrente, vários anos antes da transmissão da retificadora da DIPJ 2009 e do PER/DCOMP objeto deste processo, tinha plena consciência de que o prejuízo fiscal relativo aos anoscalendário de 1992 a 1995 já havia sido completamente utilizado antes do final dos anos 90 do século passado e que, portanto, o pagamento a maior que alega não existiu. Por outro lado, é absolutamente ilógico e irrazoável o Recorrente sugerir que não possuía conhecimento de que o referido prejuízo fiscal já tinha sido utilizado ou, ainda, Fl. 483DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 436 25 fazer digressões a respeito dos pedidos de cópias relativos ao processo administrativo n° 16327.000812/200100. Os argumentos trazidos pela Autoridade Fiscal e a Julgadora, bem como os trechos das decisões relativas ao referido processo ou, ainda, o pedido de cópia formulado, são apenas complementares mas, a meu ver, dispensáveis para a verificação da ocorrência da infração e da ilegitimidade do direito creditório. Mesmo assim, como bem argumentado na decisão Recorrida: 57. Em harmonia com o exposto, cabe consignar que para se acolher as alegações de mero erro, que foram alinhadas na manifestação de inconformidade, seria necessário crer ou aceitar que a interessada tivesse perdido ou extraviado as cópias das DIPJ apresentadas entre 1997 e 1999, os registros contábeis da época, em especial o LALUR, a cópia do PAF 16327.000812/200100 (a ela entregue quando da ciência da autuação), a cópia da impugnação que manejou em resposta, a contrafé do recurso voluntário correspondente, e, ainda, a sua via do Acórdão nº 10321.104, bem como a contrafé ou via de arquivo das múltiplas petições que atravessou, após a decisão do Conselho de Contribuintes, para que o acórdão correspondente fosse implementado conforme seu entendimento (reiterando que a última petição sobre tal tema foi protocolada em junho de 2006). 58. Enfim, admitindose como possível que uma instituição, do porte e da tradição da interessada, fosse desorganizada a ponto de extraviar todos os documentos mencionados no parágrafo anterior, é de se perguntar, diante da hipotética ausência de tais registros, com base em quais informações teria surgido, em seus registros contábeis e fiscais do anocalendário de 2008 e na DIPJ 2009, o prejuízo fiscal no valor R$ 55.572.821,97 (referente ou formado entre 1992 e 1995, período para qual, no cenário descrito, todos os registros e documentos teriam sido extraviados ou destruídos). Assim, inexistindo crédito a compensar, e claramente possuindo o contribuinte pleno conhecimento disso, o Recorrente apresentou declaração falsa na PER/DCOMP objeto do presente processo! O fato de seus lançamentos contábeis e controles veicularem informações compatíveis com a retificadora da DIPJ 2009, apontando a existência de prejuízo fiscal remanescente dos anos de 1992 a 1995, é algo que não lhe serve de socorro, pois tais informações exigem o suporte documental apropriado, e deveriam, ao menos, refletir o que declarou ao Fisco por meio da DIPJ 1997 (mas esta declaração específica nunca foi retificada pelo contribuinte para refletir o que alega como defesa no presente processo). Assim, entendo restar configurada a hipótese legal cominada no art.18, caput e §2º Lei nº 10.833/03 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07), qual seja, a multa isolada, Fl. 484DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 equivalente ao percentual de 150% sobre o valor do débito não homologado, tendo como fato gerador a data de entrega do PER/DCOMP. x) Indevida Cumulação da Multa de 20% (Multa de Mora Prevista na Carta Cobrança) com a Multa Isolada de 150% (Compensação Não Homologada) xi) Da Necessidade de Aplicação do Princípio da Absorção / Consunção Passo a analisar os últimos dois argumentos conjuntamente. Entendo não caber razão ao Recorrente uma vez que as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas que afetam bens jurídicos diferentes. Não é a aplicação de multas sobre a mesma base que configuram o bis in idem, mas sim a igualdade das condutas puníveis. A multa isolada de 150% tem por objetivo punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação, por sua vez, a multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte, do não recolhimento dos valores devidos no tempo e na forma regular, conforme disposição da Lei nº 9.430/96. Por sua vez, em que pese discorde da posição do julgador a quo quanto à impossibilidade da aplicação do princípio da absorção/consunção em matéria tributária, entendo que no caso concreto o mesmo não é aplicável. Isto porque como acima exposto, as penalidades decorrem de práticas delitivas distintas. A multa de mora é objetiva e decorre do inadimplemento. Já a multa isolada, de caráter punitivo, decorre da prática fraudulenta descoberta pela autoridade lançadora. Neste sentido dispõe a norma resultante da combinação do art. 90 da MP nº 2.15835/2001 com o art. 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/03 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07). Assim, não há que se falar em absorção de uma pela outra no presente caso já que uma conduta não depende da outra. Desta forma, diante de tudo o quanto exposto, não dou provimento ao Recurso Voluntário e mantenho a decisão recorrida em seus exatos termos. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 485DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 437 27 Fl. 486DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DANIEL RIBEIRO SILVA em 31/08/2017 22:44:00. Documento autenticado digitalmente por DANIEL RIBEIRO SILVA em 31/08/2017. Documento assinado digitalmente por: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES em 25/09/2017 e DANIEL RIBEIRO SILVA em 31/08/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/10/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.1017.09111.C4QC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: D49F69B147AA235E06030D0DE1AD430F485AA702752C9881312050168446828D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16327.720148/2015-14. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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