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Numero do processo: 11040.900282/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.900282/200852 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.631 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria IRPJ/CSLL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FRIGORÍFICO MIRAMAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 02 82 /2 00 8- 52 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11040.900282/200852 Acórdão n.º 1402002.631 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11040.900282/200852 Acórdão n.º 1402002.631 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11040.900282/200852 Acórdão n.º 1402002.631 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11040.900282/200852 Acórdão n.º 1402002.631 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000220/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007
RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, deve-se conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN.
As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Relator
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, deve-se conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 294 1 293 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18329.000220/200781 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.477 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria DECADÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA, FATO GERADOR ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARDIO NEFROCLÍNICA DELTA SOC S LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, devese conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicandose o art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 32 9. 00 02 20 /2 00 7- 81 Fl. 294DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração DEBCAD 37.134.5626 referente a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória caracterizada pelo fato do contribuinte ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, art. 32, inciso IV e §5º da Lei 8.212/91. Contribuinte apresentou impugnação cujo conteúdo foi assim resumido pela DRJ: Em síntese, alega que o direito, do fisco constituir seus créditos prescreve em cinco anos pois sendo as contribuições previdenciárias enquadradas nos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional — CTN a partir da Constituição Federal de 1988, seriam improcedentes quaisquer autuações anteriores a 29/09/2002. Cita jurisprudências do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91. Aduz que o Auto de Infração — AI está vinculado as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito lavradas na mesma ação fiscal e que a improcedência destas, anulam aqueles. Alega cobrança em duplicidade da multa aplicada nas NFLD's e Al's e requer: 1) a nulidade do AI por decadência da obrigação principal; 2) se não atendido solicita proporcionalidade na aplicação da multa; 3) a produção de provas e julgamento em conjunto de todos os processos decorrentes da Fl. 295DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 295 3 mesma ação fiscal; 4) a nulidade do lançamento por conter erro material no cálculo e constituirse em multa cumulativa e 5) que as intimações sejam remetidas aos procuradores identificados nos autos. A impugnação foi julgada improcedente. Inconformado o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Além de reiterar os argumentos de defesa, o Contribuinte em sede de preliminar requer a nulidade da decisão pela ausência de determinação da conexão entre os processos administrativos decorrentes da mesma ação fiscal e requer a redução da multa pela aplicação da Lei nº 11.941/2009. Por meio do Acórdão 2403.01.164, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho deu provimento parcial ao recurso para, aplicando o art. 150, §4º do CTN, reconhecer a decadência das competências até 10/2002, inclusive, e determinar o recálculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN Fl. 296DF CARF MF 4 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese presente, verificase que a decisão de primeira instância no processo da obrigação principal conexo a este, qual seja, processo nº 18329.000212/200734, constata pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal no período 06/2001 a 10/2002, embora não haja recolhimento na competência 03/2002. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN para todas as competências, posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte em pelo menos uma competência objeto do AI, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da AI pela Recorrente se deu em 01.11.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período 06/2001 a 04/2007. Nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2002, inclusive. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA Fl. 297DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 296 5 RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial para rediscussão de duas matérias: 1) a aplicação do artigo 173, I do CTN para fixação do termo inicial do prazo decadencial nos casos de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, e 2) o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões requerendo o não conhecimento do recurso em relação a segunda matéria. Afirma que os acórdãos paradigmas são anteriores a vigência da Lei nº 11.941/2009 e, portanto, não podem ser considerados. No mérito requer o seu não provimento. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Pugna o Recorrido pelo não conhecimento do recurso no que tange a discussão da retroatividade benigna das multas trazidas pela Lei nº 11.941/2009. Afastando as alterações constantes na Medida Provisória 449/2008, o contribuinte afirma que a Lei nº 11.941/2009 entrou em vigor em 27.05.2009, assim "os acórdãos paradigmas não se prestam como fundamento (...), eis que proferidos anteriormente Fl. 298DF CARF MF 6 à edição da Lei que trouxe o abrandamento das multas e dos juros aos casos de inadimplemento ou ausência de declarações relativas à tributos previdenciários". Inicialmente é importante destacar a relação intrínseca existente entre a Lei nº 11.941/2009 e a Medida Provisória nº 449/08, esta foi o texto base daquela, ou seja, há uma relação direta e umbilical entre os textos normativos ora analisados. Embora de fato haja uma questão relacionada ao processo legislativo de alteração normativa, não podemos negar que independente da norma introdutora, os artigos aplicados e considerados pelos acórdãos recorrido (art. 26 da Lei nº 11.941/09) e paradigmas (art. 24 da MP 449/08) produziram no mundo jurídico, cada um em seu tempo, os mesmo efeitos. Isso porque a alteração inicialmente proposta pela medida provisória (que produziu efeitos até a sua conversão na lei) foi mantida nos mesmos termos pela respectiva Lei de Conversão nº 11.941/2009. Vejamos: MP 449/08 Lei nº 11.941/09 Art. 24. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das Art. 26. A Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das Fl. 299DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 297 7 contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996.” (NR) “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” (NR) contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Considerando que não ocorreu qualquer mudança significativa no texto e embora os veículos que promoveram as alterações na Lei nº 8.212/91 sejam distintos (MP e lei), a norma introduzida sempre foi única e produziu desde a edição da medida provisória os mesmos efeitos. Assim, o fato de na época do julgamento dos paradigmas a análise da aplicação da retroatividade ter sido feita com base nas alterações promovidas pela MP 449/2008, por si só não leva à inadmissibilidade do recurso, pois o entendimento adotado naqueles casos é o mesmo sustentado pela Recorrente, qual seja, na apuração da multa mais benéfica devese comparar o art. 35 da Lei nº 8212/91 (na redação anterior) e o art. 35A da mesma lei, entendimento não compartilhado pelo Colegiado a quo. No mais, também não se sustenta o argumento de não conhecimento do recurso em razão da Instrução Normativa nº 971/2009. É indiscutível que as partes, os acórdãos recorrido e paradigmas convergem no sentido de que somente se aplicará o art. 106 do CTN no caso da nova norma ser mais benéfica ao contribuinte. O que se discute, porém, é qual seria a regra para apuração da multa mais benéfica, a divergência está na classificação da natureza jurídica das multas e a fixação do critério de comparação entre elas. A problemática foi didaticamente resumida pelo despacho de admissibilidade: Assinala que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei 8212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11941/09. Afirma que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei nº 9430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Pondera que os paradigmas, por outro lado, entenderam que o art. 35 da Lei nº 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Salienta que nos paradigmas a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, §2º da Lei 9430/96 foi rechaçada de forma expressa. Fl. 300DF CARF MF 8 Diante do exposto, é possível observar que a divergência interpretativa, na forma como apresentada pela Fazenda Nacional, existe e deve ser analisada por esta Câmara Superior, razão pela qual, reiterando o despacho 2400346/2013, conheço do recurso. Do processo nº 18329.000212/200734: Antes de analisarmos o mérito propriamente dito, é essencial destacar que o presente lançamento (DEBCAD 37.134.5626) referese a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória caracterizada pelo fato do contribuinte ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, art. 32, inciso IV e §5º da Lei 8.212/91. Tratase de obrigação acessória lançada como consequência do lançamento da obrigação principal objeto do processo nº 18329.000212/200734, cujo trâmite administrativo já se encerrou e já ocorreu, segundo informações do sistema, inscrição em dívida ativa e ajuizamento de execução fiscal para cobrança do quantum devido. Assim, quando da efetivação do presente julgado, deve ser observado a existência de decisão já transitada em julgado na esfera administrativa e suas respectivas implicações ao caso. Do mérito recurso: Conforme exposto no relatório, o Recurso da Fazenda Nacional foi recebido para rediscussão de duas matérias: regra decadencial aplicada aos lançamentos cujo objeto é a cobrança de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória e ainda forma de cálculo da multa aplicada em razão das alterações promovidas na lei nº 8.212/91 com a edição da Lei nº 11.941/2009. Decadência: No que tange a primeira divergência, é sedimentado que o prazo decadencial aplicável às obrigações acessórias é aquele previsto no art. 173, I do CTN. Isso porque, independentemente do reconhecimento da decadência, em algum momento a obrigação principal era devida e por não ter sido adimplida gerou o lançamento de ofício, tanto do tributo quanto do respectivo descumprimento do dever instrumental. A meu ver o art. 113 do CTN deixa claro que as obrigações acessórias, apesar de em sua maioria estarem relacionadas ao dever de pagar um tributo, dessas são distintas e autônomas: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 298 9 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, descumprida uma obrigação acessória haverá o lançamento de ofício da penalidade, sendo irrelevante se discutir acerca da existência ou não de antecipação de pagamento da obrigação principal devendo neste caso ser aplicado o art. 173, I do CTN. Cito, para ilustrar, o entendimento da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no acórdão 2401003.209, que ainda nos traz apontamentos relevantes acerca da finalidade das informações prestadas em GFIP: Ressalto, que independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, § 4, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício. Considerando a regra do art. 173, I do CTN a qual determina que o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a contribuição poderia ser lançada, e considerando que o lançamento se reporta ao período de 06/2001 a 04/2007, temos como termo a quo da contagem do prazo decadencial a data de 01/01/2002. Como o contribuinte foi intimado do lançamento em 01/11/2007, deve reconhecer a decadência da multa referente ao descumprimento das obrigações acessórias relativas aos meses de junho a novembro de 2001. Permanece devida a multa relativa ao mês 12/2001, pois neste caso a obrigação acessória deveria ter sido cumprida em 01/2002. Retroatividade da Lei nº 11.941/2009: A segunda divergência apontada pelo Recorrente se refere às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 302DF CARF MF 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de Fl. 303DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 299 11 pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991 regra já adotada pelo fiscal quando do lançamento do débito. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.000: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 304DF CARF MF 12 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 305DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 300 13 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, a multa aplicada ocorreu nos termos da Lei nº 8.212/91, art. 35A, c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser considerada mais favorável. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Sobre o assunto foi editada a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 306DF CARF MF 14 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 301 15 Por fim, vale destacar que diante da menção feita no acórdão recorrido acerca do Processo 18329.000212/200734, se faz necessário perquirir acerca da ocorrência da decadência parcial da obrigação principal, pois para este período a retroatividade das multas por descumprimento de obrigação acessória se dará a luz do art. 32A, nos termos em que destacado acima. Conclusão: Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito doulhe parcial provimento para i) reconhecer, com base no art. 173, I do CTN a decadência da multa referente ao descumprimento das obrigações acessórias relativas aos meses de junho a novembro de 2001, e ii) determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720699/2012-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.030
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à câmara a quo para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional e posterior retorno dos autos à conselheira relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração referentes a glosa de compensação e multa isolada no percentual de 150%, relativamente ao período de 02/2002 a 10/2010, no que tange às seguintes rubricas: adicional de 1/3 de férias; parcela referente ao exercício de cargo ou função de confiança pelos efetivos; e primeiros 15 dias que antecedem a concessão de auxíliodoença ou auxílioacidente. Às fls. 129 a 177 constam decisão monocrática e sentença proferida pelo TRF da 2ª Região (fls. 129 a 177) que, em sede de remessa necessária: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 69 9/ 20 12 -1 1 Fl. 384DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 385 2 determinou a prescrição das parcelas recolhidas em data anterior a 02/06/2005 (fls. 08); considerou fora da incidência das contribuições previdenciárias diversas parcelas, entre elas as relativas aos primeiros 15 dias que antecedem a concessão de auxílio doença ou auxílioacidente (fls. 08) e adicional de 1/3 de férias (fls. 10 a 12); quanto às verbas referentes ao exercício de cargo ou função de confiança, que foram consideradas prescritas, já que relativas ao período de 1999 a 2004 (fls. 20). Ademais, a sentença assim determinou (ementa às fls. fls. 28): "(...) 10. A compensação observará a disposição do artigo 170A do CTN, acrescentado pela LC nº 104/2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença." Com base na sentença, o Contribuinte iniciou o procedimento de compensação, realizado nas competências 11/2010, 01/2011, 03/211 e 08/2011. Embora a decisão tenha abrangido várias rubricas, só foram compensadas as contribuições relativas ao adicional de 1/3 de férias; parcela referente ao exercício de cargo ou função de confiança pelos efetivos; e primeiros 15 dias que antecedem a concessão de auxíliodoença ou auxílioacidente, relativas ao período de 02/2002 a 10/2010. Impugnado o lançamento, a DRJ em Juiz de Fora/MG manteve em parte a autuação, exonerando o Contribuinte da multa isolada, conforme acórdão assim ementado, que inclusive originou Recurso de Ofício (fls. 268 a 275). "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2010 a 31/08/2011 Ementa: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS. RECOLHIMENTO INDEVIDO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. GLOSA. É procedente a glosa de compensação quando o sujeito passivo deixa de cumprir os requisitos previstos na legislação aplicável à espécie ou deixa de apresentar documentos e informações que permitam ao fisco a verificação da regularidade do procedimento. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Fl. 385DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 386 3 A exoneração da multa isolada foi assim fundamentada: "A compensação pode ser indevida e não haver falsidade da declaração, entendimento que se extrai da leitura conjunta dos parágrafos 9º e 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212/91, abaixo transcritos. A compensação indevida, sem falsidade da declaração, é glosada e exigida com os acréscimos moratórios (§ 9º), mas, na hipótese de haver comprovação da falsidade, impõe a aplicação da multa isolada (§ 10). § 9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. No presente caso, as compensações realizadas foram indevidas, não pela inexistência de crédito em favor do Impugnante, mas pela falta de atendimento aos termos e condições para efetivação da compensação, in casu, o trânsito em julgado. Quanto à falsidade da declaração não restou comprovada, como exige a lei. A autoridade fiscal não logrou êxito em demonstrar através dos meios disponíveis que o Impugnante inseriu nas GFIP informação diversa da realidade fática, e ainda, que o teria feito de maneira intencional, com fito de reduzir, afastar, retardar o recolhimento das contribuições previdenciárias." Em sessão plenária de 22/01/2014, foram julgados os Recursos Voluntário e de Ofício, prolatandose o Acórdão nº 2403002.417, assim ementado: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 31/08/2011 PREVIDENCIÁRIO.SÚMULA Nº1 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Na forma do previsto na Súmula CARF nº1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RO Negado e RV Não Conhecido" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Fl. 386DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 387 4 Voluntário devido a matéria ser objeto de Ação Judicial, nos termos da Sumula 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF." No que tange à multa isolada, o voto condutor do acórdão recorrido assim registra: " DO RECURSO DE OFÍCIO Visto a decisão a quo e compulsada com os autos, conheço do Recurso para NEGARLHE PROVIMENTO" O processo foi encaminhado à PGFN em 06/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 348). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional foi considerada intimada em 05/04/2015, portanto poderia interpor Recurso Especial até 20/04/2015, o que foi feito em 14/04/2015 (fls. 349 a 358), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 359. O Recurso Especial suscita duas matérias: aplicação da multa isolada prevista no § 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212, de 1991 (paradigma Acórdão nº 2301002.736); caso assim não se entenda, a multa de 150% deve ser convertida em multa de 75% (paradigma Acórdão nº 2402003.407). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, embora somente tenha sido apreciada a primeira matéria, conforme despacho de admissibilidade de 1º/09/2015 (fls. 361 a 364). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: a aplicação da penalidade em questão está prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996: Lei nº 8.212, de 1991 "Art. 89 (...) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)." Lei nº 9.430, de 1996 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou Fl. 387DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 388 5 recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" (Destaque nosso) a análise desses dispositivos deixa claro que, na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150%; nesse sentido, segue a jurisprudência administrativa: Acórdão nº 2302002.380 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/08/2011 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostrase correta a aplicação do disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Grifos nossos) no caso, o contribuinte compensou créditos que, dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza e, nessa perspectiva, constatase que a compensação se fundamenta em declaração falsa, ante a inexistência de seus pressupostos legais; uma vez verificada a falsidade, temse configurada a hipótese de incidência prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que, repitase, não exige dolo do agente; ora, se não há nenhuma dúvida de que as GFIP’s entregues pelo Município veicularam informações sabidamente falsas, não há que se falar em redução da penalidade; ressaltese que o Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte: "Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades". (Grifos nossos) assim, ao afastar a multa isolada, o julgado recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 389 6 na remota hipótese, dessa e. Turma não acolher o entendimento acima exposto, requer a aplicação da multa no percentual de 75%. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial, para que seja: a) restabelecendose a multa qualificada; b) caso assim não se entenda, que seja aplicada a multa de 75% no lugar do percentual de 150%. Cientificado em 09/10/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 367), o Contribuinte ofereceu, em 28/10/2015, as Contrarrazões de fls. 369 a 381, em que pede a manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Trata o presente processo, de Autos de Infração referentes a glosa de compensação e multa isolada no percentual de 150%, relativamente ao período de 02/2002 a 10/2010, no que tange às seguintes rubricas: adicional de 1/3 de férias; parcela referente ao exercício de cargo ou função de confiança pelos efetivos; e primeiros 15 dias que antecedem a concessão de auxíliodoença ou auxílioacidente. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e suscita duas matérias: aplicação da multa isolada prevista no § 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212, de 1991 (paradigma Acórdão nº 2301002.736); caso assim não se entenda, a multa de 150% deve ser convertida em multa de 75% (paradigma Acórdão nº 2402003.407). Entretanto, no despacho de admissibilidade de fls. 361 a 364 somente foi examinada a primeira matéria, dandose seguimento ao apelo. Assim, proponho a conversão do presente julgamento em diligência à Colenda Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento, para complemento do exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Após, os autos devem retornar a esta Relatora. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002345/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS. OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZADA.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
Verifica-se obscuridade quando a decisão está incompreensível no comando que impõe e na manifestação de conhecimento e vontade do julgador, o que inocorreu no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-004.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS. OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. Verificase obscuridade quando a decisão está incompreensível no comando que impõe e na manifestação de conhecimento e vontade do julgador, o que inocorreu no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 45 /2 00 9- 37 Fl. 818DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) em 10/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.974, de 29/03/2017, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei n 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei n 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1 do art. 8º da Lei n 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Fl. 819DF CARF MF Processo nº 11070.002345/200937 Acórdão n.º 3402004.326 S3C4T2 Fl. 819 3 Nos termos do art. 7º, §5º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, o Procurador da Fazenda Nacional é considerado cientificado pessoalmente 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu no caso em 06/04/2017. A embargante sustenta ter havido obscuridade no acórdão recorrido, nos termos seguintes: (...) Ao que se observa, a ilustre relatora tratou basicamente da possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para uso dos créditos e da impossibilidade de se utilizar os dois métodos previstos na legislação (apropriação direta e rateio proporcional) ao mesmo tempo. Ao final, concluiu pela aplicação do método do rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados aos três tipos de receita (exportação, mercado interno e mercado interno nãotributado) sem, contudo, manifestarse sobre os reais motivos utilizados pela fiscalização para glosar os créditos, acima enumerados. O colegiado não se utilizou de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. É dizer, concluiuse que o contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Revelase, portanto, evidente a obscuridade do acórdão embargado, na medida em que não se manifestou especificamente sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização na apuração do crédito de COFINS não cumulativa pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, nesses termos: (...) Compulsando a decisão embargada, constatase que o Colegiado, apoiandose nos acórdãos nº 3202001.618 e nº 330201.339, bem como na orientação constante no Dacon, decidiu reformar parcialmente a decisão de julgamento de 1ª instância, para que fosse “...recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pelo contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno.” (sublinhei). Contudo, a decisão deixou de esclarecer em que medida os critérios adotados pela Fiscalização e pelo recorrente, respectivamente, dissentiam e concordavam com os fundamentos dos acórdãos adotados como fundamentação e com a orientação do Ajuda do DACON. Ao omitir esses fundamentos, a decisão 1 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (NR) Fl. 820DF CARF MF 4 cerceia o direito de defesa da Fazenda Nacional e obstaculiza eventual recurso contra ela. O vício reclama saneamento. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado 3402 colmate a lacuna de fundamentação, esclarecendo em que medida os cálculos do contribuinte estão corretos. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Tomase conhecimento dos embargos tendo em vista a sua admissão pelo Presidente do Colegiado. No presente caso, no que concerne ao método de rateio proporcional dos créditos, o Colegiado assim se pronunciou no acórdão embargado: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) Fl. 821DF CARF MF Processo nº 11070.002345/200937 Acórdão n.º 3402004.326 S3C4T2 Fl. 820 5 De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. Fl. 822DF CARF MF 6 O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon MensalSemestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa das contribuições, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: Fl. 823DF CARF MF Processo nº 11070.002345/200937 Acórdão n.º 3402004.326 S3C4T2 Fl. 821 7 a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos Fl. 824DF CARF MF 8 vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (...) Na leitura dos trechos acima do acórdão embargado, restou evidenciada a delimitação da lide no seguinte sentido: A fiscalização rejeitou o método de rateio utilizado pela contribuinte, pois entendia que: i) não caberia a alocação dos créditos pelo método da proporcionalidade no caso de contribuinte com a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da Cofins como a contribuinte; e ii) o rateio proporcional dos créditos só se aplicaria aos custos, despesas e encargos comuns, mas não aos custos, despesas e encargos específicos, para os quais seria cabível a apropriação direta De outra parte, entendia a recorrente que a legislação vedaria a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos. Também se depreende dos trechos transcritos acima que, entre os dois posicionamentos, o Colegiado optou pelo da contribuinte, adotando, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os mesmos fundamentos dos Acórdãos nºs 3202001.618 e 330201.339 e da orientação constante no Dacon, todos devidamente transcritos no acórdão embargado, os quais traziam, em síntese, os seguintes ensinamentos: A interpretação do art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003 em conjunto com o art. 3º , §§8º e 9º dessa Lei é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação. A apuração do crédito vinculado à receita de exportação por um sistema híbrido parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional não encontra respaldo legal, pois são claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Método de Determinação dos Créditos2 "I) no caso do Regime NãoCumulativo" > b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação: Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida. Conforme também consta ao final da orientação do Dacon, deve selecionar também a opção b.2) "a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação". Dessa forma, o Colegiado refutou motivadamente a decisão da fiscalização que rejeitou o método de rateio da contribuinte, não assistindo razão à embargante na alegação de que o Colegiado não teria utilizado de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. Muito menos ainda poderia prosperar a assertiva da embargante de que o Colegiado teria concluído que a contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas 2 Ajuda do programa Dacon MensalSemestral 2.6 Fl. 825DF CARF MF Processo nº 11070.002345/200937 Acórdão n.º 3402004.326 S3C4T2 Fl. 822 9 da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Nesse ponto, há que se esclarecer à embargante que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne na aceitação do método do rateio proporcional para a apropriação dos créditos, tendo sido as glosas expressamente contestadas objeto de análise na parte restante do acórdão embargado. Também não se observa nesta parte do Acórdão recorrido cerceamento no direito de defesa da Fazenda Nacional, vez que o posicionamento do Colegiado restou devidamente fundamentado dentro da delimitação da lide posta no recurso voluntário, mormente quando a fiscalização pouco havia discorrido sobre a razão de seu entendimento para não aceitar o rateio proposto pela contribuinte. Conforme ensina Vicente Greco Filho3, a obscuridade é o defeito consistente na difícil compreensão do texto da sentença e pode decorrer de simples defeito redacional ou mesmo de má formulação de conceitos. Verificase obscuridade quando a decisão está incompreensível no comando que impõe e na manifestação de conhecimento e vontade do juiz ou do julgador. A obscuridade da sentença, como os demais defeitos corrigíveis por meio de embargos de declaração, prejudica a sua futura execução. A obscuridade verificase quando há evidente dificuldade na compreensão do julgado. Ocorre quando há a falta de clareza do decisum, daí resultando a ininteligibilidade da questão decidida pelo órgão judicial. Em última análise, ocorre a obscuridade quando a decisão, no tocante a alguma questão importante, solucionaa de modo incompreensível. 4 Assim, entendo que não restou caracterizada a obscuridade apontada pela embargante e voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora 3 GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro, vol. 2, São Paulo: Saraiva, 2000, pág. 241. 4 EDcl no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 275.887 SP (2012/02714122) RELATORA : MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES. Fl. 826DF CARF MF 10 Fl. 827DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000235/2005-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal realizada pelo sujeito passivo em DCOMP deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais, em razão desses seguirem ao principal.
Numero da decisão: 9101-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal realizada pelo sujeito passivo em DCOMP deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais, em razão desses seguirem ao principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 35 /2 00 5- 41 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 363 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 1103000.801, proferido pela 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção, que – por unanimidade de votos – decidiu não haver vedação legal à imputação proporcional entre o pagamento de débito principal, multa e juros, aplicável aos procedimentos de compensação. A exigência em questão decorre do entendimento fiscal de que não obstante as CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS tenham inserido em suas Declarações de Compensação – apresentadas para o abatimento entre créditos de saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2004 com débitos de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS – apenas os valores principais, os acréscimos legais seriam cobrados proporcional e independentemente de sua declaração posterior. Admitirseia somente a compensação de multa e juros, na hipótese de o valor principal haver sido declarado na mesma Dcomp. Em face do despacho decisório que veiculou esse entendimento, a Recorrida apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, objetivamente, (a) que parte das Dcomps faziam referência ao pagamento de juros e multas relativos a débitos quitados por meio de compensações em datas posteriores ao vencimento e sem acréscimos legais; (b) a falta de previsão legal para tais restrições, inclusive se considerando as disposições dos artigos 165 do Código Tributário Nacional e 74 da Lei n. 9.430/96, Instruções Normativas n. 210/02, 460/04 e 600/05, que trataram da matéria; e (c) a ausência de prejuízo ao Erário, caso o débito principal fosse adimplido somente depois do vencimento, com posterior pagamento de multa e juros, invalidando o argumento de que subsistiria base de cálculo para esses acréscimos. O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi mantido pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, que compreendeu que (a) os artigos 28 da Instrução Normativa n. 210/02 e 28, parágrafo 1o., da Instrução Normativa n. 600/05, com status de norma complementar, determinariam que os juros e multas sobre pagamentos ou compensações em atrasos fossem computados juntos ao principal na Dcomp e que, por essa razão, não teria havido restrição ao direito da Recorrida, mas adoção dos procedimentos previstos pela legislação; (b) a ausência de Fl. 363DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 364 3 impedimento à compensação pelo artigo 74 da Lei n. 9.430/96 não atestaria a correição do procedimento adotado pela Recorrida; e (c) a inexistência de força vinculante das decisões da CSRF sobre as decisões da Administração. Em face dessa decisão, a Recorrida interpôs Recurso Voluntário defendendo (a) a inexistência de dispositivo legal que obrigasse a compensação do principal e acréscimos na mesma Dcomp ou, de perspectiva diversa, que vedasse a compensação do principal numa declaração e acréscimos noutra; (b) violação ao princípio da legalidade com a extenção da interpretação das referidas Instruções Normativas, que prescindiriam de autonomia suficiente à criação de obrigações; (c) impossibilidade de restrição a direito previsto em lei por normas públicas, como a compensação; e, por fim, (d) reiterouse o argumento de ausência de prejuízo ao Erário. Ao recurso foi dado provimento por unanimidade com o Acórdão n. 1103000.801, de Relatoria do Conselheiro Marcos Takata, em que, depois da conferência dos valores em questão e confirmação da suficiência do direito creditório, sustentouse que, a despeito de se entender haver prejuízo ao Estado sem a suscitada imputação, não haveria previsão legal para a sua exigência, restando assim ementanda a decisão: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL PRINCIPAL, JUROS, MULTA INEXISTÊNCIA DE REGRA Não há regra legal tributária estatuindo a imputação proporcional do pagamento entre principal e juros, ou entre principal, juros e multa de mora. Ao contrário, há regra legal que chancela a possibilidade jurídica de pagamento só de principal com atraso. A fortiriori, é possível o pagamento só de juros de mora e/ou de multa de mora. Inexistência de vedação à compensação só de juros de mora e de multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 365 4 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial demonstrando que a lide não giraria em torno do direito creditório, mas se voltaria para o débito constante de cinco Dcomps cujas compensações não foram admitidas por representarem somente os acréscimos moratórios sem o principal e que a questão da imputação proporcional poderia ser conhecida em função da existência dos Acórdãos n. 20312.183 e 20218.737, que se prestariam como paradigmas por considerarem haver previsão legal para esse mecanismo. Nesse contexto, defende que os artigos 163 e 167 do Código Tributário Nacional, por não terem fixado regra de precedência entre tributo, multa e juros, submeteriam a questão ao tratamento da imputação de pagamentos e seriam os dispositivos que fundamentariam a validade da sistemática proposta. Adicionalmente, salienta que não teriam sofrido alterações pela Lei n. 9.430/96 em função da natureza de lei complementar atribuída ao código e, na linha desenvolvida, adotou o Parecer PGFN/CDA n. 1936/2005. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade que considerou suficientes os dois paradigmas apresentados e, cientificada, a contribuinte não apresentou contrarrazões. Passase, então, à sua apreciação. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Relatora. PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. A respeito do primeiro ponto, querse registrar que na efl. 325 (fl. 313, processo físico) consta um Termo de Intimação do Sr. Representante da Fazenda Nacional Fl. 365DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 366 5 emitido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datado de 28 de janeiro de 2013. Logo abaixo, na mesma página, verificase a assinatura da procuradora Sra. Francianna Barbosa de Araújo, sobre tal ciência, contudo, sem que tenha registrado manualmente a respectiva data. Já na folha seguinte (efl. 326 ou fl. 314, processo físico), localizase termo expedido pela Sra. Maria da Guia Lima Gomes Barros de Matos, do Serviço de Controle ao Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, atestando, em 30 de janeiro de 2013, a juntada do acórdão recorrido e intimação ao Procurador da Fazenda Nacional de fl. 313 (processo físico). Na sequência do processo, encontrase (i) extrato de movimentação do processo do CARF para a PGFN no dia 07.02.2013 e, ao final da página, assinatura do Sr. Silas Augusto, matrícula SIAPE 95810, pela recepção em 14.02.2013; (ii) Recurso Especial datado de 22.03.2013; (iii) extrato de movimentação do processo da PGFN para o CARF no dia 25.03.2013, recebido em 27.03.2013, por servidor não identificado. Não se localiza, por outro turno, informação direta e objetiva quanto à data do protocolo do recurso. Observase que, de um lado, temse a ciência da Procuradora da Fazenda com assinatura e sem data manual no Termo de Intimação de 28.01.2013 (fl. 325) e na página seguinte uma certidão de 30.01.2013 da juntada do acórdão recorrido e intimação da Procuradoria, enquanto extrato de movimentação do processo apenas em 07.02.2013. O despacho de admissibilidade, considerando que “não temos nos autos prova da intimação pessoal do (a) Procurador (a) da Fazenda Nacional”, ultrapassou a regra do artigo 79 do Regimento Interno do CARF. Nesse sentido, com o mesmo relato fático realizado neste voto quanto aos documentos e datas constantes dos autos e aplicação da regra desses parágrafos – previstas para a hipótese em que não há intimação pessoal da Procuradoria da Fazenda Nacional – concluiu se no Despacho de Admissibilidade pela tempestividade do recurso especial. A premissa que se adota neste voto será igualmente da inexistência de intimação pessoal da Produradoria da Fazenda Nacional, pois, não obstante a assinatura da Sra. Procuradora na página que se refere ao Termo de Intimação de 28.01.2013 (efl. 326, ou fl. 314 do processo físico), sem que esta a tenha datado manualmente, a folha seguinte que consiste na certidão de juntada da intimação em 30.01.2013 e remete à efl. 313 (efl. 326, ou fl. 314 do processo físico), também anexa ao processo o acórdão recorrido, motivo pelo qual se presume que à Procuradoria da Fazenda Nacional apenas tenha sido dada ciência após essa data, no que consta dos autos, com a movimentação do processo recebido em 14.02.2013 pelo Sr. Silas Augusto. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 367 6 Por essa razão entendese configurada no mesmo sentido a premissa necessária ao deslocamento da aplicação da regra do caput do artigo 79 do Regimento Interno do CARF para os seus parágrafos 1o. e 2o, de ausência de intimação pessoal do Procurador da Fazenda Nacional, com ampliação do prazo para interposição do recurso especial. Assim, contandose o prazo de 15 dias (cf. artigo 68 do Regimento Interno) da intimação ocorrida 30 dias após o recebimento dos autos por meio digital (v. artigo 79), em 14.02.2013, e o extrato de movimentação do processo da PGFN para o CARF no dia 25.03.2013, recebido em 27.03.2013, por servidor não identificado – embora não se tenha localizado informação direta e objetiva quanto à data do seu protocolo – considerase o presente recurso tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Pois bem, voltandose ao caso concreto, verificase que a Recorrente indicou os acórdãos n. 20312.183, da Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, e n. 20218.737, da Segunda Câmara deste mesmo Conselho, para Fl. 367DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 368 7 demonstrar a divergência de interpretação acerca do artigo 163 do Código Tributário Nacional, observandose as exigências formais impostas. O acórdão recorrido teve como realidade fáctica a realização de compensações de débitos representativos de juros de mora e multa de mora objetivadas autonomamente ao valor do principal, com o que não concordou a fiscalização, por considerar somente válidas àquelas compensações com imputação proporcional, isto é, que contivessem ao menos parte do principal. Como solução à lide, a turma a quo compreendeu inexistir regra legal tributária estatuindo a imputação proporcional do pagamento entre principal, juros e multa de mora, mas exatamente o oposto, presença de norma que chancela a possibilidade jurídica de pagamento apenas do principal com atraso, signficando, forçosamente, ser possível a quitação exclusiva de juros e/ou multa de mora. Para alcançar essa conclusão, considerou (1) que o artigo 163 do Código Tributário Nacional somente trata da regra de imputação de pagamento de dois ou mais débitos dentre todos os débitos; (2) o seu artigo 161 ao dispor que serão acrescidos aos débitos juros de mora não imporia uma ordem de imputação; (3) inaplicável o artigo 354 do Código Civil às questões fiscais, inclusive com a Súmula 464 do Superior Tribunal de Justiça nesse sentido, voltandose às compensações; (4) chancelada essa conclusão pelo artigo 43 da Lei n. 9430/1996 e artigo 5o da Instrução Normativa SRF n. 77/1998; (5) confirmada pelo sistema da “malha da DCTF e (6) indevida a leitura dos artigos 28 da Instrução Normativa n. 210/02 e 28, parágrafo 1o., da Instrução Normativa n. 460/4. O primeiro paradigma apresentado, acórdão n. 20312.183, da Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, também tratou de situação em que se acusava o contribuinte de não haver utilizado o método proporcional de imputação entre o principal e respectivos acréscimos legais, mas – diversamente – considerou haver previsão normativa que amparasse o entendimento fiscal, citandose o mesmo artigo 163 do CTN, Lei n. 9.430/96 e instruções normativas antes mencionadas, negandose o recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Vejase transcrição do trecho abaixo: “Metodologia de imputação dos débitos Resta patente que a recorrente não utilizou o método proporcional de imputação, limitandose a fazer uma mera conta de subtração, sem considerar o fator tempo na amortização do principal e suas correspondentes implicações em termos de aplicação tanto de multa de mora quanto do juros de mora, no caso de pagamento fora do prazo. Por outras palavras, não se obedeceu à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais, uma vez que os débitos estavam vencidos. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 369 8 A metodologia utilizada pela Receita Federal (fls. 422/428) cumpre os estritos termos da lei, seguindo o disposto no art. 163 do CTN, que comanda a vinculação da imputação à ordem crescente dos prazos de prescrição dos débitos, bem assim considerando também que os débitos não pagos em seus respectivos vencimentos devam ser acrescidos dos encargos moratórios devidos (multa e juros de mora). Sobredita metodologia de cálculo está prevista no § 1° do art. 28 e no parágrafo único do art. 37 da Instrução Normativa n° 460, de 18/10/2004. Acrescentese que a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, estabelece parâmetros que devem ser observados nos procedimentos de compensação tributária, e autoriza a Secretaria da Receita Federal a fixar os critérios necessários para sua aplicação (…).” O segundo acórdão paradigma (n. 20218.737), por sua vez, também segue no mesmo sentido que o anterior, compreendendo existir amparo legal para o entendimento fiscal que aplica a imputação de pagamentos entre principal e encargos moratórios para fins de quitação dos débitos, como se lê: “Na imputação de pagamentos, apurase, primeiramente, o valor devido com todos os acréscimos legais, inclusive a multa de mora. Depois disto, por meio de uma regra de três simples, em que o total devido corresponde a 100% e o valor pago corresponde ao percentual visado, apurase o percentual de quitação do débito. Multiplicandose o percentual assim obtido pelo valor original do débito, obtémse a parcela do valor original quitada com o pagamento em foco. Por último, excluindose a parcela assim encontrada do valor original do débito, encontrase a parte que restou em aberto. Todo este procedimento recebe o nome de imputação de pagamentos ou método de amortização proporcional de débitos e se fundamenta no art. 163, c,/c art. 167, do CTN. A legalidade desta metodologia foi examinada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CDA n91.935/2005, que concluiu ser a amortização proporcional a única forma de imputação admitida pelo Código Tributário Nacional. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes, a imputação proporcional também tem sido considerada legal, como demonstram as ementas dos seguintes julgados: "COFINS ACRÉSCIMOS LEGAIS IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO Legítima a exigência de multa de oficio e juros de mora sobre os débitos remanescentes de Contribuição, após convertidos os depósitos judiciais em renda da União e apurado o devido mediante imputação proporcional de pagamentos (CIN, art. 163). [...] "(Ac. ng 20209.715, de 08/12/97). "1"...] COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. INSUFICIÊNCIA DE SALDO. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. O valor da contribuição compensada em excesso, relativamente ao saldo de créditos apurados pelo Fisco, pode ser exigido por meio de auto de infração, a partir da imputação de pagamentos, Fl. 369DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 370 9 meio idôneo para analisar o encontro de contas entre créditos e débitos." (Ac. n220180.244, de 25/04/2007). Portanto, agiu acertadamente a fiscalização, ao efetuar a imputação proporcional dos recolhimentos espontâneos da contribuinte, realizados sem a multa de mora, aos valores devidos na data de cada pagamento, exigindo no auto de infração as diferenças não pagas. Se o lançamento, nos moldes em que foi efetuado, é perfeitamente legal e não se questiona a exatidão dos valores exigidos, há de ser rejeitada a preliminarde nulidade do lançamento dessas quantias, em face da existência de denúncia espontânea.” Assim sendo, identificase a presença de divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados, ao lado do preenchimento dos demais critérios formais exigidos, no que diz respeito estritamente à existência de previsão na legislação tributária para a imputação entre débito principal e encargos moratórios no processo de compensação, considerando a regra do artigo 163 do Código Tributário Nacional. Fazse essa ressalva porque o argumento da aplicação da norma de imputação de pagamento da legislação civil à compensação tributária, surgido em alguns pontos dos autos, foi julgado em sede de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (DJe 24.06.2010), que se manifestou no sentido de afastar essa possibilidade, e portanto impediria que os paradigmas fossem conhecidos no que dissessem respeito a este ponto, diante da citada regra do artigo 67, parágrafo 12, II, do Regimento Interno deste Conselho, que os desqualifica como tais por contrariarem decisão proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil transitada em julgado na ocasião do exame de admissibilidade do Recurso Especial (assinado em 15.09.2015). Ocorre que nem o Recurso Especial, nem os paradigmas apresentados tocam nessa questão, fazendo com que já não fosse obrigatoriamente apreciada por si só, independentemente do seu não conhecimento em função da aplicação da regra acima, salvo se tomada como argumento adicional por liberalidade do julgador ao fundamentar o seu raciocínio, mas sem o condão de decidir o objeto em julgamento, pois aí dependeria de conhecimento e surgiria a vinculação institucional do artigo 62, parágrafo segundo, do mesmo Regimento. Nesse sentido, votase por conhecer o Recurso Especial. MÉRITO Voto vencido Fl. 370DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 371 10 Coerentemente com a análise de divergência procedida para o conhecimento do recurso, a matéria de mérito posta a julgamento restringese à verificação da existência de previsão na legislação tributária para a imputação de pagamento entre débito principal, juros e multa moratória no processo de compensação, afastada pelo acórdão recorrido, que se pretende reformado pela Recorrente. Pois bem. Como premissa da linha adotada, é importante se pontuar que, para a sua constituição, o crédito tributário, assim considerados tanto aquele correspondente ao tributo em si, como os relacionados aos encargos legais, requerem construção normativa própria, que, portanto, podem ocorrer não só autônoma, como mesmo exclusivamente; basta se imaginar, por exemplo, uma hipótese em que a autoridade fiscal deixa de lançar, a despeito da vinculação institucional de sua atividade, um desses montantes ou situações de autos de infração lavrados para se exigir juros moratórios impostos em função do pagamento de tributos fora do prazo de vencimento da obrigação. É que, não obstante principal, multa e juros moratórios façam todos parte de um contexto comum, a primeira obrigação decorre precisamente da formulação linguística competente do fato jurídico tributário eleito como objeto da competência, enquanto os demais justamente da configuração do não adimplemento dessa obrigação no prazo determinado para o seu cumprimento espontâneo. Portanto, em rigor, tecnicamente não seriam capazes de nascer num mesmo momento lógico e cronológico. Na realidade, o que ocorre é que comumente se está diante de tributos cuja constituição é atribuída legalmente ao próprio contribuinte – impropriamente designada lançamento por homologação ou auto lançamento – e o que desencadeia o direito da fiscalização de fazêlo é propriamente a sua não realização pelo sujeito passivo, o que então já autoriza a constituição também de multa e juros moratórios no mesmo instrumento, pois em geral igualmente concretizados o fato do não pagamento que lhes deu causa. Tudo isso, porém, não infirma, mas reafirma, a circunstância de que se está diante da constituição normativa de três créditos independentes, ainda que essa concepção aparentemente contrarie a tradicional visão de que “o acessório segue o principal”, como se multa e juros fossem partes indissociáveis daquela dívida; certamente não o são e a própria legislação fiscal confirma isso. Vejase o citado artigo 43 da Lei n. 9.430/96: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 371DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 372 11 No mesmo sentido, já dispunha a Instrução Normativa n. 77/1998 a respeito da lavratura de autos de infração para constituição de multa e juros moratórios derivados da revisão de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e do ITR: “Art. 4o Quando o contribuinte efetuar o pagamento do principal fora do prazo, com os acréscimos moratórios em valor menor que o devido, a diferença relativa à multa de mora e aos juros de mora será exigida por meio de auto de infração, sem a incidência de multa de lançamento de ofício. Art. 5o Os juros moratórios serão cobrados por meio de auto de infração, na forma do art. 43 da Lei No 9.430, de 1996: I juntamente com a multa de lançamento de ofício, quando o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ou contribuição fora do prazo, sem a incidência dos acréscimos moratórios; II isoladamente, quando o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ou contribuição fora do prazo legal, com o acréscimo de multa moratória, mas sem o acréscimo de juros ou com o pagamento desses a menor.” Assim, estabelecida essa premissa quanto à obrigatória constituição normativa independente dos três montantes, chegase à necessária conclusão, no outro extremo, sobre a autonomia entre as sus respectivas extinções, dentre as formas previstas no artigo 165 do Código Tributário Nacional, no presente caso, tendo o contribuinte escolhido a compensação como igual meio de quitação dos seus débitos (inciso II). Isso quer parecer fundamental para a busca das regras existentes no ordenamento que regulam o mecanismo extintivo e afirmação de que indiquem, ao que interessa, critérios acerca da imputação de débitos no processo de compensação. Ocorre que não foi possível identificálos na legislação tributária, sobretudo a que regula, reitera se, o meio de extinção do crédito eleito pelo sujeito passivo: a compensação. Apesar de se considerar essa circuntância suficiente a indicar a ausência de norma fiscal que obrigue o contribuinte a seguir uma linha de imputação de débitos na compensação, para se manifestar sobre o objeto da divergência de recurso, voltase então aos indicados artigos 161, 163 e 167 do Código Tributário Nacional, que estipulam critérios para hipótese de extinção por pagamento (inciso I), ao que parece aqui sendo estendida à compensação: “SEÇÃO II Pagamento (…) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da Fl. 372DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 373 12 imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (…) Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. (...)” “SEÇÃO III Pagamento Indevido (…) Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julga (....)” Ainda que aplicáveis essas regras às compensações, da leitura do primeiro dispositivo vêse apenas a imposição da consequência incidência de juros moratórios ao não pagamento do crédito tributário no vencimento estabelecido. Na redação do segundo dispositivo, vislumbramse sim determinados critérios de imputação, mas não se consegue nela reconhecer requisitos que imponham sequência de compensação entre o débito principal, multa e juros moratórios, como pretendeu a fiscalização, pois, fosse esse o caso, apenas poderia têlo feito – de forma Fl. 373DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 374 13 pontual e na ocasião apropriada – fundamentada em eventual questão de ordem de prazo prescricional entre os débitos ou baseada na grandeza das três universalidades compensadas, caso assim verificasse. Mas não foi essa a acusação fiscal e, portanto, não pode o julgador supor ou inovar após o lançamento. Por sua vez, agora já avançando para uma seção do Código dedicada ao pagamento indevido, não se vislumbra no artigo 167 disposição que, embora garanta o direito à restituição dos juros na mesma proporção do principal, determine inversamente uma imputação entre os valores que pudesse ser carreada ao processo de compensação. Assim, se não há dispositivo na legislação fiscal que sustente a imputação de pagamento, por consequência, os mencionados artigos 28 das já revogadas Instruções Normativas SRF n. 210/02 e n. 460/04 apenas poderiam ser compreendidos como estando a regular a incidência dos acréscimos moratórios, ao menos para que não carecessem de fundamento de validade, considerando o reconhecido caráter secundário dessa espécie de veículo legal, destituídos da originalidade e generalidade que detém as regras primárias – o que, admitese, entendese ser o caso exclusivamente do parágrafo primeiro do citado art. 28 da IN n. 460/04, revelando sim uma regra de imputação no processo de compensação, mas que, reiterase, prescinde de validade encontrada em norma de superior hierarquia que lhe garanta produzir os efeitos esperados. Nesse ponto, esgotada a legislação tributária, terseia que partir para uma incursão na lei privada, mais especificamente no artigo 354 do Código Civil, que desta vez veicula uma regra de imputação de pagamentos entre capital e juros: “Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputarseá primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital.” Ocorre que, no posicionamento adotado, discordandose da linha que orienta que a lei civil seria aplicável por analogia à questão tributária nesta hipótese, somente haveria lugar para esse tipo de supressão quando efetivamente constatada uma lacuna no ordenamento tratado, reservandose ao legislador o direito de não estabelecer uma determinada regra, como especificamente a de imputação no processo de compensação, quando simplemente não o fez ou desejou fixala, com o cuidado de não se vestir, ao fim, do papel de juiz positivo e exercer competência que não compete ao julgador. Foi considerando as diferentes naturezas das normas de ordem pública e privada, que a impossibilidade de aplicação da regra de imputação do direito civil à compensação tributária foi chancelada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n. 960239 na sistemática repetitiva e em sua Súmula 464: “Súmula 464 A regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 375 14 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária. (Súmula 464, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 08/09/2010)” (grifos nossos) Embora desenvolvendose um raciocínio diverso, confirmouse a noção que se adota aqui de que a única regra de imputação encontrada no ordenamento situase na lei civil, não sendo aplicável ao direito tributário, que se rege por suas próprias normas neste respeito, nas quais não se encontra ordem de imputação entre débito principal, multa e juros moratórios entre as disposições que regulam o processo de compensação, ou mesmo outra forma extintiva do crédito tributário que a ele possa ser estendida. Por essa razão, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, mantendose a decisão a quo e a extinção do crédito tributário exigido nos presentes autos. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante a substanciosa fundamentação apresentada pela I. Relatora, apresento divergência no entendimento em relação ao mérito, com a devida vênia. O litígio consiste no fato de que a Contribuinte pleiteou compensação visando extinção de débitos exclusivamente de juros de mora e multa de mora. Por sua vez, entendeu a Receita Federal que a legislação não autoriza tal procedimento, sendo necessária a compensação do valor principal do débito, acompanhado dos juros de mora e penalidades pecuniárias na mesma proporção. Para o deslinde da questão, há de se empreender uma interpretação integrada da legislação tributária. A formação do crédito tributário implica no principal acrescido de penalidades e encargos moratórios. A partir do momento em que o crédito tributário é constituído, nos termos do art. 113 do CTN, o valor principal e eventual penalidade tornamse uma só entidade. E o art. 161 do código predica que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Resta evidente a formação da universalidade principal + penalidade + encargos moratórios. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 376 15 Não por acaso, os arts. 163 e 167 do CTN discorrem sobre a imputação proporcional, em relação ao tributo, penalidade pecuniária e juros de mora. Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: (...) Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. (Grifei) Portanto, quando o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a compensação de débitos, entendase débitos tributários compreendendo a universalidade principal + multa + encargos moratórios. Em nenhum momento, falase no dispositivo em faculdade de se pleitear a compensação apenas do principal, ou da multa em juros em separado. Nem seria necessário, considerandose o disposto no CTN. Nessa perspectiva, não há reparos ao decidido pela DRJ/Brasília, no Acórdão nº 0323.515, cujo excerto do voto transcrevo: Por sua vez, a IN SRF n° 600, de 2005, que consolidou toda a legislação sobre a restituição e compensação de tributos ou contribuições administrados pela RFB e no seu artigo 28 dispõe o seguinte: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 12 A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) A teor dessas instruções normativas, a quais, nos termos do art. 100, I, do Código Tributário Nacional, integram a legislação tributária de regência, na condição de norma complementar, os juros e a multa incidentes sobre pagamentos ou compensações em atrasos devem ser computados juntamente com o principal na Dcomp; em razão de os consectários legais seguirem o principal. In casu, ao contrário do que afirma a reclamante, a autoridade fiscal revisora não criou quaisquer restrições ao direito da recorrente compensar os débitos de juros e de multa. Simplesmente, adotou os procedimentos previstos na legislação fiscal, que determina a compensação dos juros e da multa juntamente com a do principal. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 377 16 Observase que a IN SRF nº 600, de 2005, não inovou, tendo apenas confirmado orientação disposta na legislação. As instruções normativas que a sucederam, IN RFB nº 900, de 2008, e IN RFB nº 1.300, de 2012, mantiveram o mesmo entendimento. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000012/2008-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/11/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 12 /2 00 8- 84 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 658 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3201001.158, que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. O auto de infração deve trazer a descrição clara e precisa dos fatos e infrações atribuídas ao contribuinte, de acordo com a legislação que rege o tributo, sob pena de sua nulidade. O presente processo referese a lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração, formalizando a exigência de multa regulamentar do Imposto de Importação, no valor de R$ 641.900,42, por alegados erros no preenchimento das Declarações de Importação. Transcrevese excerto do Auto de Infração, relativo à infração imputada ao sujeito passivo: “001 DECLARAÇÃO INEXATA DE INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIO A importadora aqui tratada submeteu ao despacho aduaneiro produtos acabados. Ocorre porém, que no campo próprio da Declaração de Importação (D.I.s), aplicação da mercadoria, foi declarado que as mesmas seriam para CONSUMO e, em alguns casos, não informou o fabricante dos mesmos. Analisando as declarações de IRPJ da empresa, pesquisa do sistema anexada, observamos que nenhum valor foi declarado, seja a título de custo de produção da fabricação própria, seja a título de receita de venda de produção própria ou, ainda, a título de insumo para industrialização adquirido no mercado externo. Na Instrução Normativa (SRF), n° 206 de 25, de setembro de 2002 com alteração da INSRF n° 680, de 2 de outubro de 2006, no anexo I, nos itens 32 e 36, são estabelecidos os detalhamentos das mercadorias que devem constar nos campos das D.I.s, esses dados são de natureza administrativotributária portanto, necessários à determinação dos procedimentos de controle aduaneiro próprio; inclusive a Valoração Aduaneira dos produtos. Prestando informação inexata, já que as importações aqui tratadas são de produto acabado para revenda e não para consumo e, em alguns casos, não tendo informado o fabricante dos produtos, a importadora acabou por incorrer na penalidade Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 659 3 prevista pelo no artigo n° 53 da Medida provisória n° 135, de 31/10/2003 e artigo n° 69 da lei n ° 10.833, de 30/12/2003. Tendo em vista o que foi explanado, no uso das atribuições do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrase o presente auto de infração a fim de constituir o crédito tributário pertinente às penalidades previstas para a situação tipificada . Anexouse ao presente, planilha relacionando todas as D.I.s com os detalhamentos das mercadorias, os campos de aplicação produtos e fabricante, cópias das pesquisas da DIRPJ, cópias dos documentos afeitos, além da memória do cálculo da respectiva multa.” A turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do auto de infração por vício material, pela constatação de obscuridade na descrição dos fatos e nas infrações atribuídas ao sujeito passivo. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 623 a 633), suscitando divergência em relação à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. O Recurso Especial foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, conforme despacho de admissibilidade às fls. 635 a 637. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 644 a 653. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Relator O Recurso Especial de divergência foi interposto pela Fazenda Nacional em 17/04/2013, conforme documentos anexados às fls. 623 a 633, de forma tempestiva, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010. A recorrente alega divergência jurisprudencial em relação à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento: enquanto a decisão recorrida entendeu que vício na motivação do lançamento seria vício de natureza material, os acórdãos paradigmas decidiram que a natureza do vício seria formal. Cotejando as decisões, constatase a divergência jurisprudencial apontada, acerca da aplicação do instituto da nulidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 660 4 Tratase de questão estritamente processual, qual seja, na nulidade por cerceamento de defesa aduzida em razão de má ou incompleta descrição da infração ou dos fundamentos da autuação. No caso em análise, a Fiscalização alegou que o sujeito passivo prestou informações inexatas em diversas Declarações de Importação, quanto à destinação dos produtos (consumo x revenda), e quanto ao fabricante da mercadoria importada, incorrendo na penalidade prevista pelo no artigo n° 53 da Medida provisória n° 135, de 31/10/2003 e artigo n° 69 da lei n° 10.833, de 30/12/2003. Entretanto, constatase que não foi apontado, no Auto de Infração, especificamente qual o dispositivo normativo teria sido violado, mas apenas a norma sancionatória relativa à infração imputada ao sujeito passivo. O lançamento caracterizou a infração pela penalidade prevista na legislação, e não pela norma que teria sido violada. A descrição dos fatos e infrações do Auto de Infração à fl. 204 é deficiente e insuficiente para permitir o direito à ampla defesa. O julgador a quo reconheceu a nulidade do lançamento, por vício material, visto que se tratava de erro de conteúdo, não de formalização. Transcrevese trecho do voto condutor do acórdão, no qual fica claro a motivação da decisão ora recorrida: “O lançamento, além de descrever com clareza as infrações nele apontadas, deve ser formulado de acordo com a legislação que rege o tributo, sob pena de sua nulidade. O principio do devido processo legal traz, em si, não só o principio da legalidade, mas também o do contraditório, da ampla defesa. Em matéria tributária, o principio do devido processo legal adquire contornos específicos, de relevante importância na relação Fisco e contribuinte, considerandose que o poder administrativo no exercício da atividade cria limitações patrimoniais, impondose a observância das suas fronteiras, a fim de ensejar ao administrado o respeito aos direitos constitucionais que lhe foram assegurados. Diante das razões expostas, é de se concluir que o auto de infração encontrase eivado de vicio de nulidade material, por descumprir o requisito previsto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. A ausência de formalidades e da aplicação indevida de penalidades implica a nulidade, do lançamento. No presente caso, a recorrente declarou que os produtos importados foram para consumo, sem, contudo, em alguns casos, informar os fabricantes daqueles, contudo, a fiscalização desconsiderou a informação fornecida, alegando que os produtos importados seriam destinados a revenda e não para consumo. A justificativa dada pela Autoridade Fiscal foi que "analisando as declarações de IRPJ da empresa, pesquisa do sistema anexada, observamos que nenhum valor foi declarado, seja a titulo de custo de produção da fabricação própria, seja a titulo de receita de venda de produção própria ou, ainda, a titulo de insumo para industrialização adquirido no mercado externo." Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 661 5 Ocorre que as importações para consumo são contabilizados como despesas no estoque das empresas e nada tem a ver com as declarações de IRPJ da ora recorrente.” A recorrente alega que não haveria como caracterizar a natureza do vício como sendo material, por se tratar de vício relacionado à motivação do ato administrativo, que seria vício de forma. Segundo seu entendimento, o vício seria relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo devendo ensejar a nulidade do lançamento por vício formal. Não assiste razão à recorrente. Não restam dúvidas que o vício do lançamento está em seu conteúdo, não em sua formatação: o vício referese à descrição dos fatos e dispositivo legal infringido, requisito essencial do lançamento administrativo. A aplicação da norma sancionadora somente teria validade em caso de perfeito enquadramento da situação fática plenamente descrita e comprovada, com o descumprimento da norma impositiva (primária, segundo Kelsen, ou endonorma, na concepção cossiana), o que não ocorreu. A alegação de que o sujeito passivo teria prestado informações inexatas na importação não é suficiente, devendo o Auto de Infração ser mais preciso quanto às informações que teriam sido prestadas de forma errônea, quais os atos normativos teriam instituído tais obrigações, e todos os elementos de prova decorrentes de tal comprovação, e não apenas uma planilha que nada esclarece ou comprova. A alegação de que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento constituiria causa pura e simples para a anulação do lançamento por vício formal, relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo, não deve prosperar, por se tratar da própria substância do ato. Esta turma julgadora enfrentou a matéria em 26 de abril de 2016, no Acórdão nº 9303003.811, da lavra da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, cuja ementa abaixo transcrevo: AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação e indicação das normas de interpretação adotadas na reclassificação fiscal de mercadoria importada alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material. Transcrevo trecho do voto vencido (vencedor nesse ponto) do Acórdão 9303 003.811, que externa os fundamentos da referida decisão, adotada em nossas razões de decidir: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 662 6 “A relevância de se distinguir se o vício que maculou o lançamento é de ordem formal ou material está no fato de o Código Tributário Nacional CTN prolongar o prazo de decadência para que seja constituído o crédito tributário quando se reconhece a existência do vício formal, conforme inteligência do seu art. 173, inciso II. O vício formal pode ser entendido como aquele que atinge o procedimento e, não raro, pode ser sanado sem a necessidade de anulação do ato de lançamento original, podendo ser corrigido pela própria autoridade julgadora. O vício material, por sua vez, por macular a substância do lançamento, norma individual e concreta, prejudica a validade da obrigação tributária, sendo imprescindível nesses casos a realização de um novo ato administrativo de lançamento. Os requisitos do auto de infração, dentre eles a descrição dos fatos e a fundamentação legal, estão estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 142 do Código Tributário Nacional: [...] Sendo a descrição dos fatos, a correta determinação da matéria tributável e da fundamentação legal elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, o equívoco em análise alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Embora a distinção entre os vícios de ordem formal e material não seja tarefa simples, o caso em exame mostra claramente estarse diante da ocorrência de vício de ordem material, assertiva corroborada pelos fundamentos bem lançados no acórdão recorrido ao negar provimento ao recurso de ofício, proferido pela Ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, e que passam a integrar as razões de decidir deste julgado:[...]” A i. relatora cita, ainda, outro recente precedente da CSRF (Acórdão nº 9101 002.146) no mesmo sentido, cuja ementa abaixo transcrevo: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da Fl. 662DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 663 7 data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. Transcrevo ementas de outros julgados no mesmo sentido: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (grifei) (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. (grifei) (Acórdão 2403002.707, de 10/09/2014, Relator: Marcelo Magalhães Peixoto) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROVIMENTO. VÍCIO. MATERIAL. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. A descrição do fato gerador constituise no núcleo do lançamento tributário, sua essência. Quando a descrição do fato gerador não permite a conclusão sobre sua ocorrência o lançamento é improcedente, como no caso do lançamento original em questão. (grifei) (Acórdão 2301004.055, de 15/05/2014, Relator: Marcelo Oliveira) DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (grifei) (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Portanto, sendo a descrição dos fatos, a correta determinação da matéria tributável e da fundamentação legal elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de Fl. 663DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 664 8 lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, o equívoco em análise alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Diante do exposto, considero que a nulidade do lançamento efetuado possui natureza material, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. (assinatura digital) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000547/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2004, 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO.
A autoridade administrativa possui competência privativa e deve efetuar o lançamento de ofício, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PER/DCOMP.
O Per/Dcomp deve ser examinado pelo Delegado da DRF que jurisdicione a Recorrente em rito próprio.
Numero da decisão: 1801-000.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SEVERINI NETTO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2004, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. A autoridade administrativa possui competência privativa e deve efetuar o lançamento de ofício, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PER/DCOMP. O Per/Dcomp deve ser examinado pelo Delegado da DRF que jurisdicione a Recorrente em rito próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1267DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 168/177 a exigência do crédito tributário no valor de R$287.006,49 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional referente aos anos-calendário de 2003, 2005, 2006 e 2007 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. A infração se fundamenta na falta de recolhimento apurada no cotejo dos valores informados nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 44/120, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 121/162, nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), bem como nos Balanços Patrimoniais e nas Demonstrações do Resultado do Exercício, fls. 26/43, em conformidade com o Demonstrativo, fls. 163/167 e o Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 179/190. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 77 do Decreto-lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 147 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de dezembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada em 27/12/2008, fls. 191, a Recorrente apresentou a impugnação em 22/01/2009, fls. 196/216, argumentando em síntese que a exigência não deve prosperar. Aduz que o procedimento fiscal é nulo. Entende que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) contém irregularidade pelo excesso de prazo decorrente de sucessivas notificações com solução de continuidade. Defende que os débitos apurados de ofício nos presentes autos estão extintos. Elabora quadros anuais que demonstram minuciosamente os valores constantes nas Per/DComp apresentadas. Procura evidenciar que durante o procedimento fiscal de dois anos não foi adotada a necessária cautela, tampouco os documentos foram detidamente examinados, em obediência ao princípio da verdade material. Argumenta que se mantida a exigência ficará caracterizado o enriquecimento ilícito do Erário. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, quer pela preliminar, quer pelo direito e pelo mérito, requer o contribuinte, P. SEVERINI NETO COMERCIAL LTDA., que seja: 1 - PROVIDENCIADO o cancelamento do Auto de Infração e, bem como, DECLARADOS como não devidos os valores das Contribuições Sociais sobre o Lucro Liquido — CSLL lançadas, que somadas perfazem o valor de R$ 287.006,49 (duzentos e oitenta e sete mil e seis reais e quarenta e nove centavos), compreendendo no valor do principal acrescido de juros e multa agravada; e 2 — E, se assim não entender o MD. Delegado Julgador, requer, ainda, respeitosamente, juntar mais provas, caso sejam necessárias para esclarecer de forma definitiva nada ser devido pela contribuinte tudo como medida de salutar e de inteira JUSTIÇA. Fl. 1268DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 12963.000547/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.349 S1-TE01 Fl. 338 3 Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09-25.444, de 05/08/2009, fls. 319/326:“Impugnação Improcedente”. Consta que ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007 DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. Cabível a exigência dos valores da contribuição não pagos, nem declarados, mormente se as compensações alegadas não foram concretizadas pela apresentação das respectivas DCOMPS. Notificada em 25/08/2009, fl. 329, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09/09/2009, fls. 330/334, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que no caso de se tratar de créditos e débitos do mesmo tributo, a entrega da Per/DComp não é obrigatória, já que tem natureza declaratória e não constitutiva do direito. Suscita que formalizou sua pretensão dentro do prazo prescricional. Defende que ainda cabe a compensação efetuada de ofício. Conclui Diante do anteriormente exposto, é a presente para requerer o integral provimento do presente recurso, para ser cancelada a autuação, em todos os seus termos. Termos em que, P. deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os procedimentos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumpri- los ou impugná-los no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os Fl. 1269DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, ela tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 001 em 03/01/2007, fl. 02/04, do Termo de Intimação Fiscal nº 002 em 14/08/2007, fl. 05/07, do Termo de Intimação Fiscal e de Devolução de Documentos n° 001 em 12/12/2008, fls. 08/10. Assim, o procedimento fiscal se alongou tempo suficiente para que a Recorrente apresentasse seus esclarecimentos acompanhados de documentos comprobatórios (art. 7º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954). Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Além disso, foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil - CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Desta forma, a sua alegação não tem fundamento. A Recorrente suscita que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) está irregular. O Código Tributário Nacional determina: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; [...] [...] Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Por sua vez, a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, prevê: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 1270DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 12963.000547/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.349 S1-TE01 Fl. 339 5 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. A jurisprudência administrativa versa sobre a questão no seguinte sentido (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): Nº Recurso 157593 -Número do Processo 10855.001813/2003- 71 -Turma 5ª Câmara Contribuinte DISPROPAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS PARA PANIFICACAO LT Tipo do RecursoRecurso Voluntário - Provimento Parcial Por Unanimidade-Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Nº Acórdão 105-17119 -Tributo / MatériaIRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso Ementa Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal. Eventuais vícios na sua emissão e execução, ou mesmo a sua ausência, não afetam a validade do lançamento. [...] Nº Recurso 337046 -Número do Processo 10580.000606/2006- 19 -Turma 8ª Câmara Contribuinte ELÉTRICA ITAPAGIPE LTDA Tipo do RecursoRecurso Voluntário - Provimento Parcial Por Unanimidade-Data da Sessão 26/06/2008 Relator(a) Cândido Rodrigues Neuber Nº Acórdão 108-09653 -Tributo / MatériaIRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Irineu Bianchi e Karem Jureidini Dias. Fl. 1271DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 Ementa Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) - VALIDADE - No processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quais sejam, os atos praticados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, quaisquer outras irregularidades não implicam em nulidade e devem ser sanadas, exceto se o sujeito passivo as tenha dado causa. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF - é instrumento interno da repartição fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal e eventuais inobservâncias de suas normas resolve-se no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional. Os procedimentos de fiscalização relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) são executados, em nome desta, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRB) (Decreto nº 6.104, de abril de 2007 e Decreto nº 6.641, de 10 de novembro de 2008). Esses procedimentos são instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF-F) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. As alterações no MPF-F, decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição do agente público, bem como dos tributos e contribuições a serem examinados e período de apuração são procedidas mediante emissão de Mandato de Procedimento Fiscal Complementar (MPF – C). No caso em que as infrações são apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF – F tem validade por 120 (cento e vinte dias) prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta dias), cujas informações ficam disponíveis ao sujeito passivo na internet sem necessidade de novas notificações sucessivas. A extinção do MPF ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio (Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007). O MPF é ato relativo a assunto interna corporis e instrumento de controle interno de instauração de procedimentos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo e seus eventuais vícios se consideram meras irregularidades e não têm o efeito de contaminar de nulidade o lançamento de ofício. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente discorda do lançamento do ofício ao argumento de que o crédito tributário constituído no presente processo está extinto. Com referência ao dever de lançar, esclareça-se que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional). No exercício da função pública, a autoridade administrativa lavrou o Auto de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-la ou impugná-la no prazo legal Fl. 1272DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 12963.000547/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.349 S1-TE01 Fl. 340 7 (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). Tendo em vista a obrigatoriedade do lançamento em razão das diferenças apuradas em declarações prestadas pela Recorrente, tem-se que houve o cotejos dos valores informados na DIPJ, fls. 44/120, nas DCTF, fls. 121/162, nos DACON. Em relação à modalidade de extinção compensação, prevista no inciso II do art. 156 do CTN, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovada pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, ordena: Art. 203. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil - DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil - ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil - IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] X - executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária; A jurisprudência administrativa versa sobre a questão no seguinte sentido (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): Nº Recurso 144457 -Número do Processo 10680.006077/2003- 96 -Turma 3ª Câmara Contribuinte FIAT AUTOMÓVEIS SA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade-Data da Sessão 05/03/2008 Fl. 1273DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 Relator(a) Leonardo de Andrade Couto Nº Acórdão 103-23384 -Tributo / MatériaIRPJ - AF - lucro arbitrado Decisão Por maioria de votos, NEGARAM provimento ao recurso, vencido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, que entendeu ser devida a apreciação do mérito quanto à compensação ante a resolução anteriormente proferida por esta câmara. Houve sustentação oral pelo representante do sujeito passivo, Sr. Alessandro Mendes Cardoso, OAB/MG Nº 76714. Presente o conselheiro suplente Leonardo Lobo de Almeida. Ausências justificadas dos conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Waldomiro Alves da Costa Júnior e Paulo Jacinto do Nascimento. Ementa Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO LANÇADO DE OFÍCIO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. Ainda que relacionados, a não homologação de compensação pleiteada e o lançamento de ofício dos débitos não compensados são procedimentos distintos com enquadramento legal diverso que, sob a égide da legislação processual tributária, necessitam contestação específica para cada um deles. Publicado no D.O.U. nº 87 de 08/05/2008. Infere-se que o Per/Dcomp deve ser examinado pelo Delegado da DRF que jurisdicione a Recorrente em rito próprio, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de entrega, natureza jurídica, procedimentos de formalização e possibilidade de revisão de ofício. Por conseguinte, não compete ao CARF examinar este requerimento no presente processo. No que se refere à interpretação da legislação, entendimentos doutrinários e à jurisprudência indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos aos quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face de o exposto, voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1274DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 12963.000547/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.349 S1-TE01 Fl. 341 9 Fl. 1275DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 19515.000492/2005-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001,2002
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. QUESTIONAMENTO
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". (Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE)
IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26).
Numero da decisão: 2202-004.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001,2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. QUESTIONAMENTO "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". (Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE) IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 463 1 462 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000492/200584 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.094 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente SILVIA CRISTINA PETERLE FRAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001,2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. QUESTIONAMENTO "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". (Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE) IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 92 /2 00 5- 84 Fl. 463DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2000, 2001 e 2002, no valor total de R$ 128.610,09 compreendendo imposto, multa de ofício e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; Cientificado do Auto de Infração, a Contribuinte apresentou a impugnação de fls. (fls. 277), na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) que os fatos levantados pelo autuante referemse a períodos passados e que, por esse motivo, não conseguiu reunir todos os documentos até o encerramento da ação fiscal o que acarretou cerceamento do seu direito de defesa. b) que devem ser considerados na apuração da base de cálculo os saques efetuados e depositados na mesma data ou nos dias seguintes. c) que seja declarada a nulidade do Auto de Infração ou, no mérito, seja julgado improcedente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (SP) julgou improcedente à impugnação (fls. 306/314). A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000,2001, 2002 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.000492/200584 Acórdão n.º 2202004.094 S2C2T2 Fl. 464 3 Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS A juntada posterior de provas só é admitida se demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimento. Cientificada da referida decisão (AR fls. 316) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 321/326, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação. É relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINARES 1.1) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa, uma vez que não he foi oportunizado tempo hábil para que pudesse realizar a comprovação solicitada pela fiscalização. Improcedente a alegação da Recorrente. Como corretamente observado na decisão recorrida: Com efeito, a fiscalização iniciouse, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 07/09) de 26/06/2004, encaminhando ao contribuinte, via postal, com aviso de recebimento, em 30/06/2004 (fls. 09), dandolhe ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e intimandoo a apresentar documentos e/ou esclarecimentos ali especificados (fls. 07/08). Fl. 465DF CARF MF 4 Diante da inércia do contribuinte, foi lavrado, em 02/08/2004, o Termo de Reintimação Fiscal (fls 10/12), com ciência em 10/08/2004, por via postal (AR de fls. 12), para atendimento dos mesmos elementos anteriormente solicitados, o que veio a ocorrer, ainda que parcialmente, com a apresentação dos documentos anexados às fls. 14/20. Em 23/08/2004, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal de fls. 210 (AR de fl. 211, datado de 01/09/2004), instando o contribuinte a apresentar o extrato bancário do período de 01/01/2000 a 31/12/2000 da contapoupançacorrente de sua titularidade junto ao Banco Real, bem como a comprovar os itens 3 e 4 do Termo de Início de Fiscalização. Umas transcorrido e superado o prazo concedido, sem que a contribuinte tivesse apresentado toda a documentação solicitada, a fiscalização lavrou o competente Termo de Embaraço à Fiscalização de fls. 212/213, cientificado à contribuinte em 21/09/2004. Apenas em setembro de 2004, a contribuinte, em atenção ao Termo indigitado, apresentou o extrato bancário solicitado, que foi juntado às fls. 217/240. Posteriormente, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 24/09/2004, recebido em 30/09/2004, conforme AR anexado às fls.252, foi a contribuinte intimada a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos referentes aos depósitos/créditos bancários efetuados em seu nome, conforme planilhas 1, 2 e 3, anexadas ao Termo (fls. 242/251), nas contas correntes e de poupança ali discriminadas. Além disso, foi alertado de que a não comprovação das operações de crédito relacionadas naquelas planilhas, na forma e prazo estabelecidos, ensejaria o lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou rendimento, ao arrimo do disposto no art. 849 do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais porventura cabíveis. A falta de atendimento da intimação pela contribuinte, ensejou, mais uma vez, a lavratura, em 21/10/2004, do Termo de Reintimação Fiscal de fls. 253, do qual a contribuinte foi cientificada em 28/10/2004, conforme AR de fls. 254. Foram, ainda, lavrados pela fiscalização, em 16/11/2004 e 26/01/2005, os Termos de Continuação Fiscal, ambos devidamente cientificados à contribuinte (fls. 256 e 258). Verificase, portanto, que do início do procedimento fiscal (30/06/2004), até a lavratura do auto de infração (10/03/2005), transcorreram mais de oito meses, tempo mais que suficiente para que a contribuinte apresentasse os documentos ou esclarecimentos, que impedissem a tributação, na forma da presunção legal estabelecida no art. 42 e seus parágrafos da Lei nº 9.430/96, com as alterações posteriores. Não há que se falar, portanto, no alegado cerceamento de defesa. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.000492/200584 Acórdão n.º 2202004.094 S2C2T2 Fl. 465 5 1.2) DA INDEVIDA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Alega a Recorrente ser indevida a imputação de Representação Fiscal para fins penais, uma vez que não restou demonstrada a prática de crime por parte da autoridade fiscalizadora. Embora entenda ser incabível a imputação de crime no caso dos autos, uma vez que a "pena" pelo fato da recorrente deixar de apresentar os documentos é, justamente, a presunção de que todos os depósitos são renda, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". (Súmula CARF nº 28 vinculante) 2) MÉRITO 2.1) IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01 Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário só poderia ser feita mediante prévia autorização judicial, Alega ainda que Lei nº 10.174/01 e a Lei Complementar 105/01 que dão fundamento autorizam a quebra de sigilo em processos administrativos fiscais só podem ser aplicadas ao fatos geradores futuros. Sendo assim, não poderiam dar suporte ao presente lançamento uma vez que ele se refere à fatos geradores relativos ao anocalendário de 2000, 2001 e 2002. Sem razão o recorrente. Isso porque o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00, destacando que a referida lei, por se tratar de norma procedimental, pode ser aplicada aos lançamentos relativos à fatos geradores pretéritos. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem Fl. 467DF CARF MF 6 quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. 2.2) AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19515.000492/200584 Acórdão n.º 2202004.094 S2C2T2 Fl. 466 7 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova e a desnecessidade de comprovação do consumo da renda é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 469DF CARF MF 8 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004737/2005-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
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Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Ausência de certeza e liquidez do crédito relativo ao saldo negativo que pretendia compensar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 04 73 7/ 20 05 -4 7 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 234 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias. Fl. 161DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 235 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário , interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que negou provimento à Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 04969.30303.181203.1.3.020062, em 18.12.2003, fls. 1/5, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 145.897,98 do anocalendário de 1999, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. Em seguida, em outubro de 2006 foi lavrado Auto de Infração exigindo crédito relativo a 7 infrações, sendo que apenas as duas ultima infrações foram que influenciaram o presente processo de PER/DCOMP. Infração 1. Apropriação de despesa não dedutível de amortização de ágio pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Tem origem na aquisição de operadoras de telefonia em leilão de desestatização do serviço de telecomunicações promovido pela União Federal na década de 1990. Corresponde ao principal ponto dos lançamentos em questão, sendo as demais acusações (à exceção das infrações 5 e 6, adiante descritas) meros desdobramentos da glosa da despesa de ágio; Infração 2. Exclusão indevida de ágio (registrado no Lalur) pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Envolve parcela do ágio amortizada contabilmente pela Bitel/1B2B antes da transferência do ágio da TNC para as operadoras.; Infração 3. Glosa de prejuízos e base negativa de períodos anteriores compensados indevidamente pelas empresas Telern (IRPJ e CSLL 2002 a 2004), Telpa (IRPJ e CSLL do ano base 2002) e Telpe (IRPJ 2002 a 2004 e CSLL 2002 e 2003). É mero reflexo das glosas descritas nos itens anteriores. Como resultado da glosa da amortização do ágio, houve a reversão parcial de prejuízos fiscais e bases negativas dos períodos em que incorridas e, por conseguinte, a exigência de crédito tributário em períodos subsequentes em que compensados (as compensações glosadas, como afirmou o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, serão objeto de Autos de Infração específicos do IRPJ e da CSLL); Infração 4. Dedução a maior de incentivo fiscal de lucro da exploração pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2002, a 2004). A fiscalização concluiu que a reversão da Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 236 4 Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido (PMIPL), criada em razão da incorporação do patrimônio da empresa 1B2B pela TNC (por determinação da Instrução CVM 319/99), teria majorado o cálculo do lucro da exploração, por ter sido tratada como receita operacional, quando, em verdade, deveria ser qualificada como não operacional, o que reduziria o percentual do benefício; Infração 5. Glosa de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Na DIPJ/1999, anocalendário de 1998, da empresa Telepisa foi informado no ajuste anual o valor de R$ 539,87 a título de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Entretanto a fiscalização constatou que tal valor já havia sido deduzido pela contribuinte no cálculo das estimativas mensais, razão pela qual, glosou a dedução indevida da CSLL; Infração 6. Deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas. Glosa de dedução de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa. A fiscalização não conseguiu confirmar créditos informados em diversas DCOMP’s transmitidas pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 1998 a 2004); e Infração 7. Multas isoladas por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidas por estimativa mensal. Em razão das infrações apuradas acima, sustenta a fiscalização que as empresas sucedidas teriam deixado de recolher (ou teriam recolhido a menor) os valores devidos pelas estimativas de IRPJ e CSLL, sujeitandose, portanto, à multa isolada de 50%. Envolve as empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 4º trimestre de 2001, 2002 a 2004 e CSLL 1998 a 2004). Em março de 2007, Delegacia da Receita Federal de Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal onde informa que reconhece o crédito no importe de R$ 121.086,96 e que devido a uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, iriam excluir do Auto de Infração do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Devido a tal exclusão, foram selecionados 30 processos de PER/DCOMP indicados as fls. 32/33 dos autos deste processo. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 237 5 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 238 6 Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem a existência de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 145.897,98. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor com débito fiscal de IRPJ e CSLL, o qual foi reconhecido crédito parcial de R$ 121.086,96. Frente a tais fatos e a manutenção integral do item 6 do Auto de Infração em primeira instância, o pedido de compensação em epígrafe não foi homologado devido a falta de crédito (falta de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001 (DIPJ/2002)). (Relatório de Informação Fiscal de fls. 8/9 e quadros de fls. 10/15). Por conseqüência, seguindo o entendimento do Relatório Fiscal, foi proferido r. Despacho Decisório homologando parcialmente o pedido de compensação. (fls. 30) A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade refutando a decisão eis que entende que o procedimento adotado pela fiscalização não é o mais adequado e requer a compensação dos créditos, ou então que se espere a solução definitiva o processo do Auto de Infração para que se tenha certeza da existência do crédito que se pretende compensar. A DRJ, negou provimento a manifestação de inconformidade e não reconheceu o restante dos créditos e não homologou as compensações devido a falta de certeza e liquidez dos créditos relativos ao anocalendário de 1999. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. O Recurso Voluntário do processo do Auto de Infração (19647.009690/2006 99) foi julgado da seguinte forma, conforme o resultado do julgamento abaixo colacionado. (Este processo encontrase em sede de Recurso Especial). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e acolher a argüição de decadência em relação à exigência da CSLL no anocalendário de 1998, 1999 e 2000. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento ao recurso. Vencidos preliminarmente em votações sucessivas: i) O Conselheiro Carlos Pelá que acolheu a argüição de decadência em relação à amortização do ágio ; ii) Os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá que davam provimento parcial para afastar a glosa da amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ e CSLL, restabelecer parcialmente os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL e cancelar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Ou seja, pelo teor do resultado do julgamento, deuse parcial provimento no que diz respeito aos anoscalendário de 2001 a 2004, apenas para excluir a exigência de multa isolada. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 239 7 Como pode ser observado, o acórdão supracitado não anulou o lançamento, e reconheceu que de fato, há crédito tributário a ser exigido. Sendo assim, no presente processo em que se discute a compensação realizada, não haveria que se falar em crédito, mas sim em débito tributário/imposto a pagar. Quanto ao ajuste de valores que foram apartados do processo do AI de ágio nos termos da Solução de Consulta Interna n° 18 de 13/10/2006, consta a explicação mais detalhada às fls. 11/12 do v. acórdão do Recurso Voluntário do processo final 200699, com o tópico Revisão de Ofício do Lançamento. Vejamos. Em 13/12/2006, a fiscalização apresentou Relatório de Informação Fiscal às fls. 3024/3027 e 3628/3632 (2673/2076 e 3257/3261 papel), esclarecendo que por força da interpretação adotada pela Solução de Consulta Interna n°. 18 de 13/10/2006 e considerando o disposto no art. 10 da IN SRF n°. 600/2005, constatouse que a metodologia aplicada na elaboração de algumas planilhas de cálculo estavam em desacordo com o tratamento adequado e recomendado pela COSIT. A Solução de Consulta Interna n°. 18 de 13/10/2006 orienta no sentido de que no caso de compensação não homologada, os débitos de IRPJ ou CSLL estimativa não devem ser glosados para apuração do imposto a pagar no saldo de ajuste anual. Dessa forma, para assegurar a correta aplicação da Solução de Consulta mencionada e para observar a uniformidade de tratamento entre o critério adotado nos autos de infração e a metodologia a ser aplicada nos diversos processos de DCOMP em andamento, a fiscalização procedeu a revisão de ofício do lançamento, acatando as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL declaradas em DCOMP objeto de compensação não homologada para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL. Ou seja, as estimativas mensais de IRPJ e da CSLL declaradas em DCOMP, objeto de compensação não homologada e que por força da Solução de Consulta citada foram acatadas nesta revisão para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL, serão tratadas em processos específicos e objeto de cobrança espontânea. Os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados nesta revisão para dedução, respectivamente, do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme disposto no art.10 da IN n°. 600/2005. Já os débitos declarados em DCOMP para compensação com tais créditos serão objeto de não homologação e também de cobrança espontânea. A revisão dos valores inicialmente lançados no tocante às infrações 6 e 7, implicou em crédito tributário inferior ao lançado inicialmente. Em manifestação, a autuada afirma que a revisão do lançamento confirma o que foi aduzido na peça impugnatória no sentido de que as exigências relacionadas aos itens 6 e 7 não possuíam adequada fundamentação e nem mesmo simples explicações que possibilitassem saber qual suas origens e motivo. Afirma que a diminuição dos valores Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 240 8 deveria ser motivada pelo cancelamento definitivo das exigências e não por sua transposição para outros processos. Assevera a empresa que não tem condições de avaliar o efeito da transposição de valores, pois segundo o próprio Relatório de Ação Fiscal serão cerca de 160 processos ao todo, e que assim, não é possível inferir se ao final haverá aumento ou não do valor da exigência total. Se houver aumento, afirma que haverá violação aos artigos 145 e 149 do CTN e que nesse caso as novas exigências, constantes dos processos de compensação, deverão ser canceladas, homologandose as compensações então realizadas. Finaliza, reafirmando todas as considerações já efetuadas na impugnação. Insta informar que não consta juntado aos autos cópia do primeiro processo de compensação de número 19647.004738/200591, que foi citado no Relatório de Informação Fiscal. Pesquisando junto ao Comprot, este processo encontrase aguardando distribuição para ser relatado e julgado no CARF/MF. É o Relatório Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 241 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recursos Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse E. Colegiado. Inicialmente, a parcela reconhecida no r. Despacho Decisório no importe de R$ 121.086,96, não tem relação alguma com o processo do Auto de Infração. Este crédito foi reconhecido após diligência feita na contabilidade de Recorrente, onde se constatou a existência de parte do saldo negativo do anocalendário de 1999 que se pretendia compensar com débitos de IRPJ e CSLL. Já no processo de número 19647.009690/200699 do Auto de Infração, objeto da defesa como sendo a motivação pelo não reconhecimento do restante do crédito que se pretendia compensar (saldo negativo de IRPJ), restou consignado que esta C. Turma decidiu manter parcialmente o Auto de Infração, excluindo apenas exigência relativa a multa isolada do item 7. Pelo que pude constatar, nenhum dos 30 processos derivados da exclusão do crédito objeto do Auto de Infração foi julgado pelo E. CARF. Sendo que todos estão aguardando distribuição ou ainda não subiram para a instância "a quo". Entretanto, em relação ao crédito que poderia irradiar efeitos para estes 30 processos de compensação, o v. acórdão do Recurso Voluntário do processo do Auto de Infração (final 200699) manteve integralmente o crédito em relação ao mérito, prejudicando o restante do saldo negativo de IRPJ que se pretendia compensar nestes autos. Ou seja, em cumprimento a Solução de Consulta Interna 18/2006 e o art. 10 da IN SRF n°. 600/2005 a Fiscalização compensou de ofício créditos que se pretendi compensar aqui neste processo, no Auto de Infração de ágio, reduzindo a exigência do lançamento, prejudicando por conseqüência o saldo negativo. Tal procedimento adotado pela Fiscalização, que utilizou o crédito que se pretendia compensar nesta DCOMP, acabou por configurar em débito a pagar, não homologando a compensação requerida, conforme exposto no Relatório de Informação Fiscal. Neste sentido, como os créditos que estavam sendo exigidos no Auto de Infração foram "retirados" compensados de ofício pela Fiscalização para serem exigidos e cobrados nos termos da Solução de Consulta Interna 18/2006 nos processos de compensação (DCOMPs), evitando assim a cobrança em duplicidade, entendo que o v. acórdão recorrido está correto, devendo ser mantido em seus termos. Assim, para por uma pá de cal neste assunto, conforme Demonstrativos colacionados no Relatório de Informação Fiscal, além de restar configurado que as estimativas Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 242 10 não foram pagas, também restou configurado que não existe o total do crédito de saldo negativo de IRPJ que se pretendia usar para compensar com os débitos indicados na DCOMP e discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Saldo Negativo do IRPJ do ano calendário de 1999 (partes A e B). Por fim, para demonstrar que o procedimento adotado pela Fiscalização foi correto, colaciono a ementa da Solução de Consulta Cosite 18/2006 onde determina a cobrança de tais créditos nas DCOMPs não homologadas: “ Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança de multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estiativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” (grifos nossos) De resto, como entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido em seus termos, colacionoo abaixo para fundamentar meu voto e analisar todas as alegações da Recorrente. Dos Acréscimos Legais Incidentes sobre os Débitos 10. Conforme relatei, o crédito oferecido nas DCOMPs foi parcialmente reconhecido pela autoridade a quo, tendo sido homologadas as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. 11. A inconformidade da empresa dirigese à incidência dos encargos legais sobre os débitos compensados, mais especificamente sobre a incidência da multa de mora. Com efeito, ao examinarse as DCOMPs, verificase que a empresa atualizou o valor do crédito pleiteado, porém, em relação aos débitos, considerou apenas o valor principal, sem preencher os campos atinentes aos juros e à multa de mora, não obstante os débitos já estivessem vencidos' à data das compensações, 12. Não assiste razão à impugnante. O procedimento adotado pela autoridade administrativa está em consonância com o que dispõe o art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, Fl. 169DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 243 11 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2003, vigentes à época das compensações: ”Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatários na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. ” (g. n.) 13. Os acréscimos moratórios, consistentes nos juros e na multa de mora, estão previstos na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (grifos acrescidos): “C) Art. 61. Os débitos para com a Uniao, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 " de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §l”A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüenteao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3” Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5 'Í a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ” 14. Como se observa, tem expressa previsão legal a incidência dos juros e da multa de mora sobre débitos pagos ou compensados após o vencimento, ainda que a extinção se dê por ato espontâneo do sujeito passivo. 15. De outro lado, é cediço que não compete à autoridade administrativa o exame de arguições quanto à legalidade e constitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuida em caráter privativo ao Poder Judiciário. 16. A esse respeito, assim expressouse o Parecer Normativo CST n° 329/70: “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ” 17. A Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, assim prescreve: Art. 25. O Decreto ng 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 244 12 5 "Art 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos Órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (g.nr') 18. A matéria já se encontra sumulada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Súmula 1'CC rt” 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não e' competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ” 19. A Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, que disciplina o funcionamento das Delegacias de Julgamento, prevê, em seu art. 7°, que: V “Art 7” 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n" 8.112, de 1990, bem assim 0 entendimento da SRF expresso em atos normativos. ” (g. rt) 20. Acerca do julgado administrativo colacionado na defesa, cumpre lembrar que as decisões do Conselho de Contribuintes hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais somente vinculam a administração tributária na hipótese prevista no art. 75 da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009', o que não é o caso. A propósito de decisões judiciais citadas pela impugnante, sabese que seus efeitos estão restritos às partes integrantes dos processos. Da Imputaçao Proporcional 21. Nas compensações efetuadas pelo sujeito passivo, os débitos serão compensados na ordem por ele indicada, consoante dispõe o art. 21, § 7°, da Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002, incluído pela Instrução Normativa SRF n° 323, de 2003. Nessa operacionalização, o débito a ser extinto por via da compensação é constituido do tributo ou contribuição acrescido dos respectivos acréscimos legais, em consonância com o que estabelece o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996. F 22. Explicitando a supracitada norma, previu a Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 28, § 1°, que a compensação do tributo ou contribuição será acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Atualmente a regra está disposta no art. 36, § 1°, da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008. 23. Desta forma, correto foi o procedimento adotado pela autoridade administrativa ao considerar primeiro a quitação integral de cada débito, para somente após proceder à compensação do débito seguinte. Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo o v. acórdão recorrido em seus termos. A execução desta decisão deve aguardar a decisão definitiva do processo 19647.009690/200699. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 245 13 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721753/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA CARNÊ-LEÃO
A comprovação pela contribuinte de erro de fato no preenchimento do DARF de recolhimento, através de apresentação de Darf Retificadora, tem o condão de afastar o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2401-004.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 17 53 /2 01 5- 77 Fl. 73DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 12448.721753/201577 Acórdão n.º 2401004.970 S2C4T1 Fl. 74 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 5 a 9) no valor de R$ 4.987,40 referente à Imposto de Renda do contribuinte, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal assim descriminados: Inconformado com o teor da autuação a contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 2/3) alegando em síntese, que cometera um erro no preenchimento do DARF com o código 0191 quando o correto era o código 0190. Anexou documentos (fls 10 a 15), quais sejam,: DARF’s dos pagamentos do carnê leão e o DARF com o erro no preenchimento. Por fim, a 01ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo integralmente o crédito tributário exigido conforme inferese da ementa do Acórdão nº 0439.900 abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA CARNÊLEÃO. A mera alegação pelo impugnante de erro de fato no preenchimento do DARF de recolhimento sem que apresente qualquer prova desse erro em contraposição aos elementos constantes nos sistemas da RFB, não pode ser aceita para efeito de cancelamento do lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão no dia 29/10/2015 (fls. 33) o contribuinte protocolou no dia 06/11/2015 Recurso Voluntário (fls.36), onde traz as mesmas alegações da impugnação, mas anexa novo documento: comprovante de retificação do DARF – REDARF. Incluído o presente processo em pauta de julgamento do dia 16 de agosto de 2016, o mesmo foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº. 2401000.525 (fls. 44/46), nos seguintes termos: Por todo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para o fim de que a autoridade fiscal de origem se Fl. 75DF CARF MF 4 manifeste acerca da efetiva existência do crédito e a respectiva disponibilidade do recurso para alocação em decorrência do pagamento realizado pela contribuinte, via Redarf de fl. 40. Em resposta à resolução, foi apresentada a informação de fl. 71. Assim, retornaram os autos a este conselho e foram novamente a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 12448.721753/201577 Acórdão n.º 2401004.970 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Apresentada pelo contribuinte a circunstância fática em que ocorreu o pagamento do carnêleão, e, ainda, verificada no Recurso Voluntário a Redarf do pagamento de novembro de 2013, no valor de R$ 3.768,70(fl. 40), constatase a legalidade do ato por si praticado. Isso porque, no caso de recolhimento de carnêleão dentro do prazo legal, em que foi preenchido o Darf por engano código incorreto a contribuinte pode solicitar sua retificação por meio de Redarf, o que foi realizado no caso em questão. A validade do REDARF foi atestada pela autoridade fiscal na resposta à Resolução solicitada, conforme se vê à fl. 71: Em resposta à Resolução do Carf, esclareço queo pagamento (via Redarf fl. 40) está vinculado à DIRPF 2014/2013 do contribuinte, como declarado, não tendo sido utilizado, para nenhum outro fim,sendo possível, nesse caso, conferir certeza e liquidez do crédito referente ao pagamento. Desse modo, correto o agir da contribuinte, devendo ser afastada a medida fiscal em tela, eis que foi pago o carnêleão objeto da autuação. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, e no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 77DF CARF MF
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