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Numero do processo: 35464.004202/2006-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/07/2006
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 42 02 /2 00 6- 51 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 2402 01.543, proferido pela 2a Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2a Seção do CARF em 15/03/2011 (fls. 277/291verso), interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 296/312, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.° 256, de 22/06/2009. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: "DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange ei decadência o que dispõe o sS' 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, lerão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RETENÇÃO – CESSÃO DE MATO DE OBRA OCORRÊNCIA Nos lançamentos referentes a retenção, nas hipóteses previstas na legislação, deve restar clara nos autos a ocorrência da cessão de mão de obra, requisito essencial para a realização do lançamento com amparo no art. 31 da Lei n° 8.212/1991 Processo Anulado." Segundo a Fazenda Nacional, o acórdão recorrido diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão transcritas abaixo: " (..) RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." (AC 240100.018) Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 9202003.480 CSRFT2 Fl. 6 3 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL — A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento, de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (AC 203 09.332) Explica que o acórdão recorrido entendeu por prover o Recurso Voluntário anulando parcialmente o lançamento, por vicio material, por não restar caracterizada de forma satisfatória, no relatório fiscal do lançamento a efetiva ocorrência de cessão de mão de obra, ou seja, a correta descrição do fato gerador. Argumenta que os paradigmas descritos acima entenderam que, no caso de o Relatório Fiscal não demonstrar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, como a descrição dos fatos geradores, devese anular o lançamento por vicio formal. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu pelo seguimento do REsp [fls. 313 e ss]: Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e o segundo paradigma. De fato, o segundo paradigma entendeu que a descrição deficiente do fato gerador consiste em vicio formal, enquanto que o aresto recorrido observou que tal falha representa vicio material. [...] Por todo o exposto, nos termos em que dispõe o art. 68 do RICARF, dou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Encaminhemse os autos ao órgão de origem para que o contribuinte tome ciência do acórdão recorrido, do recurso especial da PGFN e deste despacho e, querendo, apresente contrarazões, consoante o disposto no art. 69 do RICARF. Intimado, o interessado apresentou contrarrazões que, em síntese, reitera os argumentos do decisum recorrido. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator De pronto, analisarei a admissibilidade do Recurso Especial interposto. É fato incontroverso nos presentes autos que houve deficiência na motivação do lançamento, por não restar caracterizada de forma satisfatória, no relatório fiscal do lançamento a efetiva ocorrência de cessão de mão de obra, ou seja, a correta descrição do fato gerador. A ora Recorrente argumenta que os paradigmas descritos acima entenderam que, no caso de o Relatório Fiscal não demonstrar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, como a descrição dos fatos geradores, devese anular o lançamento por vicio formal. Segundo a Fazenda Nacional, o acórdão recorrido diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão transcritas abaixo: " (..) RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." (AC 240100.018) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL — A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento, de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (AC 203 09.332) Pelo exame do acórdão paradigma não é possível inferir qual teria sido a conclusão do referido acórdão em uma situação como a dos presentes autos em que a notificação original foi desconsiderada tendo em vista a existência de um lançamento complementar. No caso presente, os dois paradigmas apresentados tratam de matéria estranha à lide ACÓRDÃO N° 240100018 , conforme se observa do voto condutor do acórdão recorrido: [...]O MPF limitou o trabalho do auditor as contribuições dos segurados empregados, sendo que não confere ao auditor poderes para fiscalizar qualquer contribuição. Se os poderes atribuídos no auto são em relação a remuneração dos segurados Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 9202003.480 CSRFT2 Fl. 7 5 não pode a autoridade fiscal exigir a regularidade de trabalhos realizados ou obras de construção civil realizadas por pessoas jurídicas. As intimações para apresentar documentos foram exíguos o que inviabilizou apresentação dos documentos pela empresa. O TIAD que ensejou o presente AI não discriminou a obrigação da empresa, sendo a mesma descrita em anexo aquele documentos, mas não foi colacionado no presente processo. O TIAD foi emitido em 08/12/2005, porém determinou a apresentação de documentos para 06/01/2005. Diante do exposto, deverá o presente Al considerado nulo. O segundo paradigma apresentado ACÓRDÃO N° 20601026 (ausência da indicação do fundamento legal para o arbitramento). Estamos, portanto, diante de situações diversas que não possuem comparabilidade para fins de verificação de teses jurídicas divergentes a ensejar o acesso à instância especial. Assim, não conheço do recurso especial em relação a este item. DISPOSITIVO Por todo o exposto, VOTO por NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18336.001561/2004-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sun Mar 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 61 /2 00 4- 31 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 754 2 Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Cuidase de recurso voluntário e de recurso de oficio1 contra acórdão unânime da Segunda Turma da DRJ Fortaleza (CE) que julgou parcialmente procedente2 o lançamento do Imposto de Importação3 , acrescido de juros de mora equivalentes a taxa Selic e de multa moratória (20%, não passível de redução) 4, decorrente de importação de óleo diesel, querosene de aviação e butanos liquefeitos desembaraçados com redução da alíquota prevista em acordo tarifário no âmbito da Aladi5 cujos certificados de origem foram rejeitados em revisão aduaneira. Fatos extraídos da denúncia fiscal: a) exportadora: Petrobrás International Finance Company (Pifco), com sede nas Ilhas Cayman (faturas comerciais de folhas 81 a 92); b) pais de origem: Venezuela (certificados de origem de folhas 68 a 79 e conhecimentos de embarques de folhas 94 a 105), com embarque diretamente da Venezuela para o Brasil; c) consignatária: Petróleo Brasileiro S.A. (verso dos conhecimentos de embarques de folhas 94 a 105); d) importadora: Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás) (declarações de importações). Vícios dos certificados de origem perante a operação de importação, apontados na descrição dos fatos de folhas 3 a 9: a) discrepa das faturas comerciais de folhas 81 a 92 emitidas pela empresa Petrobrás International Finance Company (Pifco), com sede nas ilhas Cayman, pais estranho à Aladi; 1 Limite de alçada do recurso de oficio previsto no artigo 2° da Portaria MF 375, de 7 de dezembro de 2001. 2 Exonerado o crédito tributário (recolhimento a menor) relativo aos fatos geradores alcançados pela decadência (Cm, artigo 150, § 4°), ocorridos no período de 10 de novembro de 1999 a 17 de dezembro de 1999. 3 Fatos geradores ocorridos no período de 10 de novembro de 1999 a 27 de dezembro de 1999. Lançamento do crédito tributário no dia 20 de dezembro de 2004. 4 Enquadramento legal da multa de mora (20%): artigo 530 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985, c/c artigo 61, § 2° , da Lei 9.430, de 1986. 5 Acordo de Complementacdo Econômica (ACE) 39, firmado entre o govern° do Brasil e os governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (paísesmembros da Comunidade Andina), internalizado no Brasil pelo Decreto 3.138, de 16 de agosto de 1999. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 755 3 b) equivocada referência à Venezuela como pais exportador, à faturas comerciais estranhas ao procedimento de importação e à PDVSA Petroleo y Gas S.A. como exportadora; c) omisso quanto à quantidade da mercadoria objeto de certificação (fatura comercial nele indicada é estranha aos autos e ao procedimento de importação). Na impugnação de folhas 110 a 142 a empresa importadora inicialmente aduz que a triangulação comercial objeto da denúncia fiscal é prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos e não elide a fruição da redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da Aladi. Em suas razões de defesa, afora reclamar a inobservância do prazo decadencial, pugna pela regularidade dos documentos que instruíram a declaração de importação, reputandoos em consonância com o ordenamento jurídico vigente. O Acórdão 9.213, de 29 de setembro de 2006, da Segunda Turma da DRJ Fortaleza (CE), tem a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999 DECADÊNCIA Em se tratando de lançamento por homologação, expirado o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito Tributário, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, que não foram comprovados no caso concreto. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/12/1999, 27/12/1999 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 21/12/1999, 27/12/1999 PREFERÊNCIA TARIFA R14 PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 756 4 pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Fortaleza (CE), recurso voluntário foi interposto ás folhas 177 a 198. Nessa petição, exceto quanto à decadência, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa 6 os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 292 folhas.Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. Julgando o feito, o Colegiado recorrido negou provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999 Normas gerais de direito tributário. Lançamento por homologação. Decadência. Decadência é norma geral de direito tributário privativa de lei complementar. O CTN, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei complementar, disciplina o prazo decadencial em duas vertentes: a regra geral está disciplinada no artigo 173, inciso I; no caso dos tributos cuja legislação outorgue ao sujeito passivo o dever de antecipar o seu pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o artigo 150, § 40 , tem primazia. Imposto de Importação. Regime Geral de Origem. Preferência tarifária. 0 direito à fruição do beneficio da redução tarifária no âmbito da Associação LatinoAmericana de Integração (Aladi) é dependente da observância as regras do Regime Geral de Origem criado pela Resolução 78 do Comitê de Representantes, de 24 de novembro de 1987, incorporada ao ordenamento jurídico nacional pelo Decreto 98.874, de 24 de janeiro de 1990, regulamentada pelo Acordo 91 com as alterações introduzidas pela Resolução 232, de 8 de outubro de 1997, incorporada pelo Decreto 2.865, de 7 de dezembro de 1998. 0 fato de mercadorias serem faturadas por operador de terceiro pais deve necessariamente ser objeto de nota especifica no campo "observações" do certificado de origem, nunca emitido em data anterior à da fatura comercial. RECURSO DE OFICIO NEGADO E RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 757 5 Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial contra o acórdão que negou provimento ao seu recurso voluntário, onde reedita as razões expendidas nesse recurso e volta a postular o cancelamento do lançamento fiscal. O apelo do sujeito passivo foi admitido pelo então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do despacho de fls. 626 a 628. Contrarrazões vieram às fls. 633 a 649. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. As questões trazidas a debate giram em torno dos efeitos da divergência entre certificado de origem e fatura comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro país, não signatário de Acordo Internacional. As importações efetuadas ao abrigo benefício de redução tarifária entre os países membros da Aladi, para que gozem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresentase como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dáse, exclusivamente, por meio do certificado de origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. De outro lado, a teor do artigo 1o do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução 252 da ALADI, não deixa margem à dúvida de que a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. PRIMEIRO A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. (Destaquei). Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 758 6 A seu turno, o art. 7º da Resolução 78/ALADI assim dispõe: Artigo 7º – Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, os países membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário – padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do pais exportador." É de clareza meridiana que a exegese das normas internacionais insertas nos dispositivos transcritos linhas acima, é no sentido de ser indissociável a vinculação existente entre o certificado de origem da mercadoria e a fatura comercial correspondente. Não é por outro motivo que o formuláriopadrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Por conseguinte, cada certificado de origem referese, exclusivamente, à mercadoria constante da fatura comercial nele indicada. Assim, não resta a menor dúvida de ser o vínculo entre certificado de origem e a fatura comercial o que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima o gozo do benefício tarifário quanto à mercadoria importada. Aqui, peço licença para transcrever a conclusão da ilustre relatora do acórdão da DRJ, com as quais comungo. ................................................................................................ 38. Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria, objeto de tratamento Tributário diferenciado por força de acordo internacional. Tanto assim, que o formulário padrão adotado para formalizar a mencionada certificação possui um campo próprio destinado a informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Assim, o Certificado de Origem apresentado ampara exclusivamente a quantidade de mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. 39, Cabe destacar que a finalidade única do Certificado de Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão, que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os tratamentos preferenciais negociados, são efetivamente originárias e procedentes do pais declarante, e que cumprem, obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes. 40. Assim, para fruição do tratamento tarifário previsto é necessário que tal declaração acompanhe a documentação de Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 759 7 exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço aduaneiro. ................................................................................................ Esclareçase, por oportuno, que não há contrariedade entre a posição aqui adotada e a Nota COANA/COLAD/DITEG n° 60/1997, a que alude a autuada. Ao contrário do alegado no recurso voluntário, a nota em apreço diz expressamente que ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, a manifestação Fazendária sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos hoje preconizados na Resolução 232 acima citada. Em outro giro, além da apresentação de certificado de origem e fatura comercial, em conformidade com as normas previstas no acordo internacional, a importação das mercadorias deve obedecer as demais regras determinadas nos Acordos de regência. O escopo de se condicionar a redução de tarifa às importações amparadas por certificado de origem emitido, nos termos e na forma prevista pela Aladi é para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender o benefício fiscal às importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial. Assim, à exceção de operações em que intervenha operador de terceiro país, para que haja o benefício fiscal, devese demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, para esse fim, o Paísmembro da ALADI signatário do Acordo. Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 4o da Resolução ALADI/CR n° 78, de 1987: QUARTO — Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta:" (grifei). a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum pais não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: I) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso, ou emprego no pais de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação." De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações triangulares. A par dessas mudanças nas relações comerciais internacionais, o Comitê de Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 760 8 Representantes da ALADI editou a Resolução 232, incorporada em nossa legislação pelo Decreto n° 2.865, de 07 de dezembro de 1998, que alterou o Acordo 91, veio permitir a participação de um operador de um terceiro pais, membro ou não da ALADI, nos seguintes termos: Segundo. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro pais, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a opera cão de importação. Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. Ressaltese que não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade ou não de atendimento aos requisitos previstos no acordo internacional, ao argumento de que se trata de mera formalidade. Em se tratando de redução tarifária no âmbito de acordo bilateral, as regras são rígidas e devem ser atendidas expressamente, sob pena de inviabilizar o acordo comercial e econômico entre os paísesmembros. De tudo que aqui foi exposto, podese concluir que a importação realizada pela impugnante não está amparada pelos referidos acordos internacionais, conseqüentemente, inaplicável ao caso o tratamento preferencial pretendido. Isso porque, frisese mais uma vez, tratase de operação comercial realizada entre sociedade empresária brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem Aqui, mais uma vez, reverbero as sábias palavras da relatora da decisão de primeira instância, a quem rendo as merecidas homenagens, transcrevendo excerto de seu voto: ................................................................................................ É oportuno esclarecer que em matéria tributária, qualquer situação excepcional só pode ser acatada se expressamente Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 761 9 prevista na legislação. Observase que a Resolução 232, de 1998, ressalva a interveniência de um operador de um terceiro pais, signatário ou não do acordo em questão. Entretanto, à espécie dos autos não se aplicam as disposições da norma em apreço, visto que da análise das peças processuais, constatase que não há a interveniência de um operador, nos moldes previstos na Resolução retromencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI. 66. De relevo salientar que a interveniência de um operador tal como prevê o art. segundo do Acordo 91, está condicionada ao atendimento dos requisitos exigidos no diploma legal acima transcrito com a redação dada pela Resolução 232 da ALADI, hipótese não confirmada na espécie em análise. 67. Reiterese que as normas que dispõem sobre a certificação de origem, no âmbito na ALADI, trazem, como pressuposto mandamental, a origem da mercadoria acobertada pela fatura comercial emitida pelo pais exportador, fato que deve estar inequivocamente demonstrado em todas as peças que instruem o despacho de importação, tendo em vista que essa documentação materializa, enquanto elemento probatório perante o pais importador, a regularidade da utilização do beneficio pleiteado. 68. à luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas de certificação de origem, no âmbito da ALADI, verifica se que, ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução 232, acima citada, que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato. 69. Cumpre ainda destacar que a indicação das "INVOICES" de n's, 810740 e 810750, que segundo o contribuinte foram emitidas pela PDV S.A Petróleo Y Gas S.A, em um campo das "INVOICES" Pfico PIFSB, de fls. 91/92, não supre as exigências acima destacadas trazidas à colação pela Resolução 232, de 1997. 70. De relevo assinalar que a disposição normativa sobre a certificação de origem deixa evidente que o Regime Geral de Origem, tem o escopo de assegurar perante as partes que a mercadoria negociada é efetivamente originária e procedente do pais declarante. Nesse mister, a necessária correspondência Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 762 10 entre a o Certificado de Origem e a Fatura Comercial nele indicada, longe de ser mera formalidade, tal como dispõe a defesa,traduzse na essência material objetivada pelo acordo, na medida em que constitui o elemento probatório da origem perante o pais importador, conforme já salientado na presente peça. 71. Com efeito, no caso em tela, os certificados de origem apresentados, fls. 60/69, não atendem às exigências previstas na primeira parte do artigo 2° da mencionada Resolução. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. Atentese que, sendo a norma tributária de natureza cogente e estabelecendo o Regime Geral de Origem as exigências para a certificação, complementadas aqui pela Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade desta ou daquela informação, ao argumento de que se trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra a própria literalidade da norma, haja vista que as regras que disciplinam o Regime de Origem, são claras quanto a vinculação do certificado de origem à fatura comercial que ampare a mercadoria efetivamente pactuada. Reiterese que para fazer jus à alíquota preferencial acordada na esfera da ALADI, a mercadoria a ser negociada deverá atender a requisitos de natureza objetiva, tais como aqueles indicados nos artigos PRIMEIRO e QUARTO da citada Resolução 78, quais sejam, o de constituirse de produto efetivamente fabricado dentro do território de um dos países signatários, e de serem despachados diretamente do pais exportador para o importador e ainda que a origem dessa mercadoria seja formalmente atestada por um Certificado de Origem emitido pela entidade competente, de conformidade com o disposto no Capitulo II da mesma Resolução 78 e no Acordo 91, com a descrição do produto negociado e a indicação de sua classificação tarifária e da fatura emitida pelo exportador. 73. Logo, constatase que é inequívoca a impropriedade da operação realizada pela impugnante, não repercutindo na solução do litígio a argumentação trazida à colação na peça impugnatória de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro. Assinalese que sendo essa argumentação de cunho extra legal não tem o condão de convalidar o descumprimento das normas que tratam do regime de origem, envolvendo mercadoria objeto de acordo de redução tarifária. 74. Qualquer que seja o motivo alegado, seja para mera alavancagem financeira ou não, vale dizer, tratandose de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem, não há, como invocar a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 763 11 de execução n° 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina), porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, cuja observância entre os paísesmembros da ALADI se faz mister para o implemento das preferências tarifárias, a vedação da citada operação, dado o caráter cogente da norma que vincula expressamente, por meio do Certificado de Origem, a mercadoria ao emissor da fatura. Assim, não há como invocar a redução tarifária prevista no ACE 39, firmado no âmbito da ALADI, porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, a vedação pretensa redução tarifária, quando não atendidos os requisitos previstos nos Acordos de regência. Em outro giro, devese ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidas no respectivo acordo. Em razão disso, tornase bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. De outro lado, não se pode olvidar que, no presente caso, ainda que a empresa Petrobras International Finance Company Pifco se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução nº 252, acima citada, que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a “observações”, que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro país, identificando além do nome, denominação ou razão social do operador, o domicílio do mesmo, ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro país, o importador deveria apresentar à administração alfandegária correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, na qual deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação.o que não ocorreu. De todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 763DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 15578.000348/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. LIMITADO À EFETIVA APLICAÇÃO DOS RECURSOS NOS INVESTIMENTOS PREVISTOS.
Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado do Espírito Santo com a finalidade de promover investimentos de seu interesse são caracterizados como subvenção para investimento, ao restar provado nos autos: (i) a intenção do subvencionador de direcionar os recursos para investimentos; (ii) a efetiva aplicação, pelo beneficiário, dos recursos auferidos nos investimentos previstos contratualmente; e (iii) que o beneficiário da subvenção é o titular do empreendimento econômico projetado, contudo estes restam limitados ao quantum que fora efetivamente aplicado pelo beneficiário nos investimentos pactuados.
Numero da decisão: 1302-001.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Veiga Rocha e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. LIMITADO À EFETIVA APLICAÇÃO DOS RECURSOS NOS INVESTIMENTOS PREVISTOS. Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado do Espírito Santo com a finalidade de promover investimentos de seu interesse são caracterizados como subvenção para investimento, ao restar provado nos autos: (i) a intenção do subvencionador de direcionar os recursos para investimentos; (ii) a efetiva aplicação, pelo beneficiário, dos recursos auferidos nos investimentos previstos contratualmente; e (iii) que o beneficiário da subvenção é o titular do empreendimento econômico projetado, contudo estes restam limitados ao quantum que fora efetivamente aplicado pelo beneficiário nos investimentos pactuados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 03 48 /2 01 0- 10 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 439 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Veiga Rocha e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 440 3 Relatório TORRES & CIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão nº 1240.838, de 23/09/2011, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, recorre a este Colegiado, a fim de reformar o referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de manifestação de inconformidade da Interessada em face dos despachos decisórios da DRF/Vitória, de fls.256/265 e de fls.308/312, que não homologaram algumas declarações de compensação por ausência de direito creditório de IRPJ, e homologaram parcialmente, outras declarações de compensação até o limite do direito creditório reconhecido de CSLL em base trimestral. Do despacho de fls. 256/265. Consta no Parecer Seort/DRF/VIT 2623/2010, de fls.255/264, que fundamentou este despacho: a Interessada pretende utilizar suposto direito creditório referente ao pagamento indevido ou a maior de IRPJ e de CSLL de diversos trimestres dos anos calendário de 2003 e 2004; a Interessada nestes anoscalendário, tributou o IRPJ e a CSLL com base no lucro real trimestral; Quanto ao anocalendário de 2003: conforme fls.241/253, nos autos do processo 15586.000016/200650, há um auto de infração de IRPJ que constatou como sendo indevido o reconhecimento de redução de IRPJ em virtude de Lucro da Exploração, no valor total de R$365.968,25, referente ao anocalendário de 2003, tendo sido mantido na DRJ/RJI, aguardando julgamento no CARF (fls.254); em decorrência, o direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no anocalendário de 2003, no valor de R$295.620,42, apurado pela Interessada não é líquido e certo, não sendo passível de restituição ou compensação, nos termos do artigo 170 do CTN; além disto, a Interessada possui incentivo fiscal promovido pelo regime especial de recolhimento do ICMS, firmado no Parecer DRBI n° 092/2000, fls.189/195, para reativação e modernização de sua unidade industrial; neste anocalendário, a Interessada retificou a DIPJ alterando a rubrica ICMS, linha 12, ficha 6A, (fls.97/104), uma vez que reconheceu valor de subvenção de ICMS como dedução da receita bruta, fazendo com que os recursos recebidos a título de subvenção para investimentos por meio de redução do ICMS fossem excluídos da determinação do lucro real e da apuração da CSLL; Fl. 440DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 441 4 para tanto, a conta ICMS a Pagar era debitada em contrapartida de um crédito de mesmo valor na conta Reserva de Capital conforme informado pela própria Interessada às fls.214; ocorre que o artigo 443, do RIR/99, combinado com o Parecer Normativo CST n°.112, de 1978, determinam que não serão computados na determinação do lucro real, os recursos recebidos a título de subvenção para investimentos, inclusive mediante redução de impostos, somente se, dentre outras condições, houver a efetiva e especifica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, (alínea “b”, do item 7.1 do referido PN da CST); desta forma, apenas os recursos efetivamente aplicados no ativo imobilizado poderão ser classificados como Reserva de Capital, e o restante deverá ser considerado como receita nãooperacional, incluído na determinação do lucro real; tendo por base que a subvenção foi dada especificamente para a reativação e modernização de unidade industrial, os respectivos recursos deveriam estar contabilizados no ativo imobilizado; portanto, a parcela efetivamente aplicada no ativo imobilizado deve compor a reserva de capital, enquanto que o restante da subvenção para investimentos deve ser reconhecida como receita nãooperacional; tratandose de apuração trimestral, os valores referentes à subvenção para investimentos, informada no Livro Razão (fls.238), no valor total de R$ 5.838.712,97, foram apropriados em função da proporção da receita bruta do trimestre com a receita bruta anual, nas contas de reserva de capital e receita não operacional; refazendo os cálculos com base nesta receita não operacional, constatouse que não havia crédito de IRPJ no anocalendário de 2003, pois ao se reajustar o lucro real com a receita nãooperacional apurouse o IRPJ a Pagar maior do que o IRPJ recolhido; assim, as declarações de compensação que utilizaram valor pago a maior de IRPJ do ano de 2003, não foram homologadas; da mesma forma, os ajustes na classificação dos recursos recebidos a título de subvenção para investimentos também alteraram a base de cálculo da CSLL; adicionandose as receitas nãooperacionais à base de cálculo da CSLL, apurouse novo valor de CSLL a Pagar, dando margem a que se homologue parcialmente as compensações que utilizaram valor pago a maior de tal tributo no anocalendário de 2003; Quanto ao anocalendário de 2004: a Interessada utilizou créditos de IRPJ e CSLL do 1o e 3o Trimestres; com base nos mesmos critérios de análise das solicitações de compensação do ano calendário de 2003, foi apurado o quanto da subvenção para investimentos do ano calendário de 2004, informada no Livro Razão (fls.238/239), que deveria ter sido classificada como reserva de capital e receita nãooperacional; refazendo os cálculos de receita não operacional, constatouse que não havia crédito de IRPJ no anocalendário de 2004, bem como, apurouse novo valor de CSLL a Pagar, dando margem a que as declarações de compensação que utilizaram valor pago a maior de IRPJ do ano de 2004, não fossem homologadas, e que se Fl. 441DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 442 5 homologasse parcialmente as compensações que utilizaram valor pago a maior de CSLL no referido anocalendário. desta forma, o Despacho Decisório de fls.256/265, decidiu por não homologar as declarações de compensação às fls. 02/57, por ausência de direito creditório de IRPJ, e homologar as declarações de compensação, fls. 59/95, até o limite do direito creditório reconhecido de CSLL em cada trimestre, evidenciados na coluna CSLL Recolhida a Maior das Tabelas 6 e 10, de fls.262. Do despacho de fls.308/312. consta no Parecer Seort/DRF/VIT 002/2011, que fundamentou este despacho, que: no Parecer Seort/DRF/VIT 2623/2010, de fls.255/264 e nas planilhas resumo das compensações, fls.58 e 96, foi informado que o crédito de IRPJ solicitado na DCOMP 08007.74514.310106.1.3.044584 era referente ao 1o trimestre de 2004 e que o crédito de CSLL solicitado na DCOMP 21051.82491.240206.1.3.044850 era relativo ao 2° trimestre de 2003; ocorre que, na verdade, tanto o direito creditório de IRPJ quanto o da CSLL pleiteados nestas DCOMP são decorrentes de pagamento indevido ou a maior supostamente ocorridos no 2o trimestre de 2004, apurados pelo lucro real trimestral, surgidos de exclusão da receita de subvenção na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; desta forma, este Parecer retifica o Parecer de fls.255/264, especificamente, no que tange à análise do direito creditório de IRPJ, referente ao 2o trimestre do ano calendário de 2004, utilizado na DCOMP 08007.74514.310106.1.3.044584, fls.48/52, e da análise do direito creditório de CSLL, referente ao 2o trimestre do anocalendário de 2004, utilizado na DCOMP n°.21051.82491.240206.1.3.044850, fls.64/68; as planilhas resumo das compensações, fls.58 e 96, também foram retificadas, passando a ser as de fls.306 e 307; utilizados os mesmos fundamentos descritos no Parecer Seort/DRF/VIT n°.2623/2010, mensurouse o valor da subvenção para investimentos do ano calendário de 2004, informada no Livro Razão (fls. 238/239), que deveria ter sido classificada como reserva de capital e como receita nãooperacional; da mesma forma que foi feito no despacho anterior, o valor referente à subvenção para investimentos, informado no Livro Razão para o ano de 2004, foi apropriado em função da proporção da receita bruta do 2º. trimestre com a receita bruta anual, nas contas de reserva de capital e receita nãooperacional; refazendose os ajustes ao lucro real apurado pela Interessada verificouse que não há crédito de IRPJ para esse anocalendário, pois ao se incluir a receita não operacional, apurouse o IRPJ a Pagar maior do que o IRPJ recolhido; da mesma forma, os ajustes na classificação dos recursos recebidos a título de subvenção para investimentos alteraram a base de cálculo da CSLL, de tal forma que adicionandose as receitas nãooperacionais à base de cálculo da CSLL, apurouse um novo valor para a CSLL a Pagar no respectivo trimestre. assim, o Despacho Decisório de fls.308/312, decidiu por não homologar a declaração de compensação de fls.48/52, por ausência de direito creditório de IRPJ, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 443 6 e homologar a declaração de compensação, fls.64/68, até o limite do direito creditório reconhecido de CSLL no 2º. trimestre, evidenciado na coluna CSLL Recolhida a Maior da Tabela 4, de fls.310. a Interessada apresentou manifestação de inconformidade em face dos dois despachos, alegando que: na subvenção para investimento através da redução de impostos não há uma estreita vinculação de valores entre os investimentos físicos e a própria subvenção isenta; a isenção depende do volume de vendas e do aspecto territorial: venda para dentro do Estado tem redução de 53% do ICMS e para fora, redução de 75% do ICMS; a decisão foi com base em uma interpretação equivocado ao pretender que a empresa imobilizasse toda a subvenção resultante da redução de ICMS, a qual depende da produção e da venda de mercadorias durante o período do incentivo concedido pelo Governo Estadual; está errada a tese que todos os valores de subvenção para investimento têm que ser aplicados no Ativo Imobilizado, tributando a diferença apurada entre o valor aplicado no ativo imobilizado e o valor do incentivo, correspondente à redução do ICMS a pagar, registrado como Reserva de Subvenção para Investimento nos anos calendários de 2003 e 2004; cumpriu os requisitos do artigo 442, do RIR/99; o Parecer CST 112/78 não determina que apenas os recursos efetivamente aplicados no ativo imobilizado devem ser classificados contabilmente como Reserva de Capital, e que o restante do recurso deve ser considerado como receita não operacional, logo, incluído na determinação do lucro real; a Secretaria da Fazenda atestou que todo o projeto de ampliação da fábrica constante do respectivo protocolo de intenções, foi integralmente concluído; infelizmente, pelo transcurso do tempo, o documento não foi localizado nem nos arquivos da indústria, nem no escritório do antigo Contador, que era fora da empresa; protocolou, em 08/12/2010, solicitação para a SEFAZ/ES para que forneça declaração ou certificado de conclusão de projeto de expansão industrial com incentivo fiscal de ICMS, conforme cópia em anexo; considerando que a SEFAZ ainda não expediu tal declaração, requer autorização para que a entrega de tal documento ocorra quando o mesmo for emitido por aquele órgão estadual; o anexo único do Decreto Estadual nº.1.630R, na linha 15, comprova que era detentora de tal benefício; anexa cópia do Livro Razão da conta Reserva de Incentivos Fiscais ICMS a partir do ano de 2002, sendo que estão sendo fiscalizados apenas os exercícios de 2003 e 2004; há decisão em processo de consulta no sentido de que o crédito presumido de ICMS de que trata o Decreto N° 1.152.R/ 2003, baixado pelo Poder Executivo do Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 444 7 Espírito Santo, é suscetível de exclusão no cômputo de lucro real, como receita de subvenção para investimento, desde que, a juízo do Poder Público concedente, estejam realizados os encargos relacionados aos compromissos assumidos pelo beneficiário, na adesão à proposta do Fisco estadual, e satisfeitas as demais condições estipuladas pelo ente político estatal, no exercício de sua competência tributária; há também decisões do Conselho de Contribuintes no sentido de que projetos de ampliação ou modernização de parque fabril, na sistemática de redução de ICMS, concedida por um Governo estadual, é Subvenção de Investimentos desde de que sejam efetiva e especificadamente aplicadas pelo beneficiário aos incentivos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; com a retificação das DIPJ e das DCTF dos anoscalendário de 2003 e 2004, passou a ser credora de IRPJ e CSLL, uma vez que os pagamentos efetuados originalmente não previram este benefício fiscal, (crédito presumido de ICMS). Ciente da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual, após historiar os fatos, sob sua ótica, a recorrente repete, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação e conclui com o pedido de nulidade dos autos de infração ou, se superada, sua integral improcedência. É o Relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 445 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo Gira a lide em torno da não homologação de compensação pleiteada pelo contribuinte em razão de suposta não existência de direito creditório por força da qualificação jurídica dos valores excluídos do lucro líquido pela interessada, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário 2003 e 2004, a título de subvenção para investimentos. Afirma a fiscalização que tais exclusões seriam indevidas, por se tratar de subvenções para custeio, uma vez que não evidenciada a vinculação do benefício concedido pelo fisco estadual com aplicação específica dos respectivos recursos em bens ou direitos referentes à expansão do empreendimento econômico. Em sentido contrário, a interessada sustenta que se trata de subvenções para investimento oriundas de ente público, não sujeitas à tributação e que seria impossível que todo o incentivo concedido pelo Estado do Espírito Santo, fosse todo imobilizado, como quer a fiscalização, uma vez que os investimentos em ativos são fixos e definidos e os incentivos futuros são incertos e dependem do volume de venda futuras do contribuinte. Os argumentos da recorrente se dirigem contra o entendimento do Fisco de que as importâncias aqui discutidas não se enquadrariam como subvenção para investimento, e seriam, portanto tributáveis, pois no entendimento do órgão fiscalizador os incentivos deveriam ter como contrapartida um aumento proporcional do ativo imobilizado do contribuinte, uma vez que o a subvenção deveria ser usada para reativação e modernização de sua unidade industrial. Considero importante, para a solução do litígio, a transcrição do artigo 443 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Como se vê, as subvenções para investimento, desde que atendam aos requisitos legais, não integram o lucro real. Releva, então, estabelecer com clareza quais são os Fl. 445DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 446 9 requisitos legais estabelecidos para que tais subvenções possam ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal esclarecimento já foi feito pelo Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, pelo que peço vênia aos meus pares para transcrever alguns excertos, a seguir: 2.8 – O DL nº 1.598/77, na seção dedicada ao disciplinamento dos "Resultados NãoOperacionais" fez incluir no § 2º de seu art. 38 as seguintes normas sobre as SUBVENÇÕES: "As subvenções para investimento, inclusive mediante a isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos 3º e 4º do art. 19; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniência passivas ou insuficiências ativas". 2.9 A primeira conseqüência que se extrai do citado artigo 38 é que as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO também são tributáveis, na qualidade de integrantes dos "Resultados Não Operacionais". Para não serem tributáveis, devem ser submetidas a um tratamento especial, consistente no registro como reserva de capital, a qual não poderá ser distribuída. [...] 2.11 Uma dos fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do Fl. 446DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 447 10 subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. [...] Lei nº 4.506/64DL nº 1.598/77 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional.As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva. [...] 3. ISENÇÕES E REDUÇÕES DE IMPOSTOS 3.1 Delimitado o leito das duas correntes em que se dividem os recursos provenientes das SUBVENÇÕES, é de se concluir que nem todas as isenções ou reduções de impostos podem ser classificadas de SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. [...] [...] 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. 3.7 É oportuna a advertência para o risco de generalizar as conclusões do item anterior para todos os casos de retorno do Fl. 447DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 448 11 ICM. O contribuinte deverá ter cuidado de examinar caso por caso e verificar se estão presentes, todos os requisitos exigidos. Um retorno de ICM, por exemplo, como prêmio ao incremento das vendas, em relação às de período anterior, acima de determinado percentual, não será uma subvenção para investimento. [...] 7. CONCLUSÃO 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; [...] Da análise do Parecer acima transcrito, podemos concluir que a subvenção para investimento constitui transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos (PN nº 112/78). Contabilmente, os recursos decorrentes da subvenção para investimento melhor se amoldam à classificação no ativo permanente, grupo imobilizado, dada a sua característica como tal. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 449 12 Por oportuno, trago à colação os comentários de Noé Winkler ao art. 443 do RIR/99, que trata das subvenções para investimento: Referese a norma legal a subvenção para investimento, inclusive decorrente de exonerações tributárias como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Tratase de contribuição pecuniária, com destinação, sem retorno. Isto é, não tem contrapartida exigibilidade, de vez que constituirá reserva de capital. E essa destinação é o investimento que a Administração Fiscal entende ser a aplicação dos recursos em bens do ativo fixo, ou mais precisamente, em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos (PN 112/78). À essa interpretação se opõe novamente Bulhões Pedreira (ob cit. pág. 686/687), que afirma ser essa vinculação exclusiva da subvenção sob a forma de isenção ou redução de impostos; e não como requisitos de toda e qualquer subvenção para investimento. Aduz, ainda, este autor, que pode haver transferência de capital sem vinculação à implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos: basta que a intenção do doador seja transferir capital e que a pessoa jurídica registre os recursos recebidos como reserva de capital.‟ Prosseguindo em considerações quanto a tal decisão ser proferida sem base e na lei, adverte que „a legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias – correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, a outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento.‟(...)” Registrese que as ponderações de BULHÕES PEDREIRA foram feitas antes da publicação do Decretolei nº 1.730/79, que restringiu o conceito de subvenções para investimentos, para fins do favor fiscal, aos aportes efetuados pelo Poder Público. Do excerto extraímos as seguintes conclusões: as subvenções para investimentos configuram transferências de capital, que não são nem lucro operacional nem resultados operacionais, porque não constituem renda; as subvenções para investimentos, inclusive as decorrentes de exonerações tributárias como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, caracterizam–se como contribuição pecuniária, com destinação específica, sem retorno; a aplicação dos recursos em bens do ativo fixo, ou mais precisamente, em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos é a destinação do investimento; e toda transferência de capital é uma subvenção para investimento. Eis as razões de as subvenções de investimento feitas pelo Poder Público não se sujeitarem à tributação: os recursos não se ajustam ao conceito de renda e por isso eram registrados como reserva de capital. Por se tratar de uma contribuição pecuniária, com destinação específica, não há retorno ou exigibilidade. Ou seja, o capital transferido para o patrimônio da beneficiária não importa na assunção de dívida ou obrigação. Esta operação Fl. 449DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 450 13 assemelhase aos recursos trazidos pelos sócios da pessoa jurídica na condição de não serem exigidos ou cobrados porque injetados no capital da sociedade. A ciência contábil denominaos “capital próprio”. Diferentes, portanto, do “capital alheio” ou “de terceiros” cujos recursos são sempre exigíveis e cobráveis. Corrobora este entendimento a explicitação do Parecer Normativo CST nº 112/78 no sentido de que “SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. No mesmo diapasão, as decisões proferidas pela administração tributária em processos de consulta. É ver a seguinte ementa, lastreada em diversas outras da própria SRF: “As subvenções para investimentos, que podem ser excluídas da apuração do lucro real, são aquelas que, recebidas do Poder Público, ainda que em função de redução de impostos, sejam efetiva e especificamente aplicadas pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, devendo haver absoluta correspondência e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação de recursos.” (Dec. 7ª RF 87/99, 102/99 e 307/99 e Sol. 10ª RF 218/01) Examinemos, então, o caso concreto, à luz dos fundamentos acima e dos elementos dos autos. No Protocolo de Intenções firmado entre o contribuinte e o Governo do Estado do Espírito Santo ficou estabelecido que a empresa faria a ampliação integralmente com seus recursos e, em contrapartida, poderia utilizar a sistemática de crédito presumido do ICMS até 30/12/2014, conforme se pode verificar da leitura do Decreto nº 1.630R, de 08/02/2006. O projeto tinha duas fases bem distintas. Na primeira, o contribuinte, com seus próprios recursos, faria a modernização de sua unidade fabril, com a concomitante criação de 200 novos empregos diretos e 900 indiretos. Uma vez cumprida tal fase, a empresa passaria a fazer jus ao crédito presumido de ICMS, nos percentuais especificados no acordo firmado entre as partes por quinze anos, contado da data de assinatura do acordo. Dessa forma, os recursos recebidos na segunda fase do projeto, através de subvenção do Governo do Estado do Espírito Santo, por meio de redução do ICMS, foram excluídos da determinação do lucro real e da apuração da CSLL. Para tanto, a conta ICMS a Pagar era debitada em contrapartida de um crédito de mesmo valor na conta Reserva de Capital, como informou o próprio contribuinte. O procedimento acima estaria correto e de acordo com as normas tributárias se houvesse a aplicação específica desses recursos no ativo imobilizado da empresa, já que a subvenção foi dada especificamente para a reativação e modernização de unidade industrial. Ocorre que, como confessado pelo próprio contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, apenas parcela desse valor obteve essa destinação específica. Ou seja, apenas R$ 1.836.023,54 (um milhão e oitocentos e trinta e seis mil e vinte e três reais e cinqüenta e quatro centavos). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 451 14 Por isso, houve a seguinte separação na classificação contábil: até o limite do dispêndio acima, a qual fora efetivamente aplicado no ativo imobilizado da empresa, restou reconhecida como reserva de capital, enquanto que o restante da subvenção foi reconhecida como receita não operacional. Ou seja, como a subvenção para investimento tem destinação específica, aquilo que não foi efetivamente aplicado no imobilizado, passa por conseqüência lógica a ser classificada como subvenção para custeio, uma vez que fiz custear despesas correntes da empresa e não a modernização de seu parque fabril. Portanto, as subvenções na modalidade para investimentos não podem ser desembolsados como convier à beneficiária, mas, sim devem ter a necessária aplicação no ativo imobilizado, independentemente do seu valor, isto é, o registro no imobilizado da subvenção será maior ou menor dependendo da produção e da venda de mercadorias durante o período do incentivo concedido pelo Governo Estadual. Por fim, registrese que o crédito presumido de ICMS de que trata o Decreto N° 1.152.R/ 2003, baixado pelo Poder Executivo do Espírito Santo, é suscetível de exclusão no cômputo de lucro real, como receita de subvenção para investimento, até o limite dos investimentos efetivamente efetuados pelo contribuinte, devendo ser classificado como subvenção para custeio,com as conseqüências tributárias daí advindas, da parcela da subvenção que exceder ao referido investimento. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 05 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 451DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 10980.725291/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2301-004.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 616 1 615 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725291/201332 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.331 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria Contribuição Previdenciária Obrigação Principal e Acessória Recorrente ESTADO DO PARANÁ ASSEMBLEIA LEGISLATIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 52 91 /2 01 3- 32 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), por meio do Acórdão nº 1050.407, cujo dispositivo tratou de rejeitar as preliminares e, no mérito, julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 588/598): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade da peça de autuação quando demonstrada, competência a competência, a composição das bases de cálculo consideradas pela autoridade lançadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITIGIOSIDADE. A fase litigiosa do procedimento administrativo não se instaura em relação àquelas parcelas do lançamento com as quais o contribuinte expressamente concorda. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. Resta precluso o direito do impugnante à apresentação de prova documental, quando este não o faz juntamente com a impugnação. Assim também quando não demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, nem qualquer relação com a ocorrência de fato ou direito superveniente, nem tampouco que os documentos apresentados destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. COMPENSAÇÃO ENTRE REGIMES PREVIDENCIÁRIOS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não é órgão competente para a apreciação de pleito acerca da compensação entre regimes previdenciários, nem a impugnação interposta contra lançamento de crédito tributário é expediente próprio para o exame de pedido dessa natureza. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725291/201332 Acórdão n.º 2301004.331 S2C3T1 Fl. 617 3 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O saláriodecontribuição, para o segurado empregado, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por ele auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o saláriodecontribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. A existência de questões acerca da compensação entre regimes previdenciários não constitui impeditivo à atividade de lançamento, que é vinculada e obrigatória para a autoridade administrativa, nem tampouco faz número dentre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. AUTUAÇÃO. RECOLHIMENTOS. Os recolhimentos efetuados após a autuação da empresa não podem ser considerados, para fins de retificação do lançamento, tendo em vista a perda da espontaneidade do sujeito passivo, ocorrida após o início do procedimento de auditoria fiscal. 2. Conforme se extrai do relatório fiscal, às fls. 218/231, o processo administrativo é composto por dois autos de infração (AI), nesses termos: a) AI nº 51.027.6962 (obrigação principal), referente às contribuições previdenciárias patronais, parte empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados parlamentares (deputados estaduais), nas competências jan/2009 a set/2011, incluindo as gratificações natalinas; e b) AI nº 51.027.6954 (obrigação acessória), referente à aplicação de penalidade por apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas (Código de Fundamentação Legal CFL 78). Fl. 618DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 2.1 Em síntese, o Fisco aponta, em relação ao AI nº 51.027.6962, os seguintes fatos geradores das contribuições previdenciárias: a) pagamentos a título de verba de representação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná; b) pagamentos a título de verba de representação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, posteriormente devolvidos; c) pagamentos a deputado não incluído em folha de pagamento; d) pagamentos a deputados a título de "convocação" e "desconvocação", denominados de "14º" e "15º" salários; e e) pagamentos a deputados, a título de gratificação natalina. 2.2 No que tange ao AI nº 51.027.6954, a acusação fiscal registra o preenchimento incorreto de campos da GFIP, a saber: cadastro do trabalhador, categoria do trabalhador, remuneração e ocorrência. 3. Cientificado da autuação em 14/8/2013, por via postal, às fls. 559, o contribuinte impugnou a exigência fiscal somente quanto ao AI nº 51.027.6962 (fls. 563/573). 3.1 No que diz respeito ao teor da impugnação, reproduzo as palavras do relator "a quo", pois bem sintetizam os argumentos deduzidos na petição (fls. 591/592): (...) Inicialmente, aponta a nulidade do auto de infração, sob o fundamento de que “no lançamento não existe a individualização das bases fiscais apontadas. Isto é, o Auto de Infração não especifica claramente os valores para cada fundamento do lançamento. Não há elementos suficientes no processo físico, sequer na mídia eletrônica. Desta forma, impossibilitada resta a apresentação de defesa pelo Estado do Paraná, tornando nulo o lançamento por ferir o princípio do contraditório.” Em seqüência, afirma que, apesar do acerto da ação fiscalizatória em pequena parte dos autos de infração, “no que toca ao volume mais substancial o Estado do Paraná promoveu o regular recolhimento da verba previdenciária. Assim, especificamente no que toca aos recolhimentos relativos ao 13.º e às convocações extraordinárias (conhecidas como 14.º e 15.º) houve recolhimento efetivo da parcela previdenciária devida.” Requer, portanto, prazo para juntada da documentação comprobatória. “Enfatiza que não pode haver preclusão para a juntada da prova antes da apreciação desta defesa, eis que pagamento inserese entre as matérias de defesa oponíveis a qualquer tempo. Assim, enquanto não apreciada a defesa pela primeira instância administrativa, facultada a juntada da documentação comprobatória dos recolhimentos a que se alude nesta parte da defesa.” Fl. 619DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725291/201332 Acórdão n.º 2301004.331 S2C3T1 Fl. 618 5 Destaca “que [a Portaria] RFB n.º 10.875/2007 prevê – em seu art. 7.º – a possibilidade da apresentação de documentos comprobatórios após o protocolo da defesa propriamente dita. O rol ali definido, contudo, não é exaustivo. O bom senso assim aponta, na medida em que a mesma matéria poderia ser oponível em grau de recurso administrativo, quando a mesma documentação seria apreciada. Assim, desde que juntada antes do julgamento administrativo de primeira instância, não há razões para sua não aceitação.” Sucessivamente, refere o caráter indenizatório das verbas – ajudas de custo – de convocação e desconvocação dos parlamentares. Questiona, também, o lançamento efetuado no tocante às verbas de representação pelo exercício da Presidência da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, as quais possuem natureza indenizatória, “destinada a compensar as despesas inerentes ao exercício de um cargo de maior vulto.” Pondera, ainda, que essas verbas, especificamente no que respeita ao período de fevereiro de 2011 a setembro de 2011, foram devolvidas “pelo primeiro representante daquela casa de leis”. Aliás, “o auditorfiscal reconhece expressamente que a parcela não foi auferida, isto é, não houve a percepção do acréscimo financeiro que estaria sujeito à incidência previdenciária, de tal sorte que é impossível a exigência pela via do auto infracional” (Grifado no original.), não havendo como se aceitar o entendimento de que a devolução dessa verba constituiria “doação que não desvincula a necessidade da incidência previdenciária”. Em relação ao deputado Luiz Hiloshi Nishimori, “a Assembléia Legislativa reconhece a ausência dos recolhimentos, decorrente por falhas do sistema e a uma especificidade em que se encontrava o deputado. Providenciará o recolhimento das parcelas alvo da autuação no prazo mesmo da defesa.” Assim também no que toca ao AI n.º DEBCAD 51.027.6954, referente à competência agosto de 2013, que resultou em uma multa de R$ 7.000,00. “Tais itens do relatório, portanto, deixam de ser alvo desta defesa.” Mantido o lançamento, observa “a necessidade de se compor a compensação de regimes, preconizada pelo art. 201, § 9.º da Constituição Federal.” Afirma, acerca da matéria, que “inúmeras são as normas e as disposições regulamentares a tratar da questão, sem que, efetivamente, se dê uma satisfação ao justo pleito do Estado do Paraná. Assim, enquanto não resolvida a questão da compensação, qualquer lançamento deve ser sustado.” Fl. 620DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ao final, o impugnante requer, a um, seja reconhecida a nulidade dos lançamentos efetuados, ante a absoluta inexistência da especificação dos montantes e sua origem; a dois, seja reconhecido que efetivamente houve recolhimento no que toca aos lançamentos que objetivam o 13.º salário e as convocações extraordinárias (14.º e 15.º salários); a três, seja reconhecida a impossibilidade do lançamento no tocante à verba de representação pelo exercício da Presidência da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, quer pela sua natureza indenizatória, quer pela sua devolução; a quatro, seja reconhecida a impossibilidade da execução de parcelas remanescentes, antes de se proceder à necessária e imprescindível compensação dos sistemas previdenciários. (...) 4. Ao ser intimado em 13/8/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 600/601, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 18/9/2014, em que repete os mesmos argumentos expendidos em sua impugnação e requer a reforma do Acórdão nº 1050.407 (fls. 603/612). 5. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator TEMPESTIVIDADE 6. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 7. Constatase que a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 13/8/2014, quartafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse em 14/8, quintafeira, e finalizou no dia 12/9, sextafeira. 8. Todavia, o recorrente protocolou seu recurso em 18/9/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 9. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 603/612 e dele não tomo conhecimento. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725291/201332 Acórdão n.º 2301004.331 S2C3T1 Fl. 619 7 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 622DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720504/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-002.599
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 05 04 /2 01 1- 06 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 416 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO – COMIGO transmitiu, em 10/02/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 26485.05458.100206.1.1.110904, de créditos da nãocumulatividade de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social mercado interno, apurados com base na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (não foram apresentadas DComp) Para análise do pleito, a Fiscalização intimou a reintimou o interessado a apresentar documentação comprobatória. Após, uma primeira resposta, em que pediu prorrogação do prazo para atendimento do solicitado, este respondeu que se considerava desobrigado da apresentação dos documentos requisitados porque já se havia transcorrido o prazo decadencial. O Despacho Decisório n° 725/2011 – DRF/GOI (fls. 156 a 165) indeferiu o pedido. Em reclamação, fls. 173 a 235, o interessado invoca o princípio da verdade material, para requere a juntada posterior de documentos. No mérito, alega, em síntese, que: (i) em nenhum momento houve recusa de sua parte em apresentar documentos; (ii) suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, depois de decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes; (iii) o crédito tributário que é objeto do despacho decisório, tem como nascituro a data da transmissão eletrônica do PER, que ocorreu em 10/02/2006; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 417 3 (iv) dispunha a Fazenda de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, realizado por meio de PER, a contar da ciência do órgão fazendário da realização desse pedido, ou seja, da sua transmissão eletrônica; (v) poderia o Fisco não homologar o pedido de ressarcimento até 09.02.2011, o que não ocorreu, decaindo o seu direito de se manifestar contrário e; (vi) com a ocorrência da homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente as declarações de compensação dos débitos também devem ser homologadas. A 17ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 12066.755, de 7/10/2014, fls. 298 a 317, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório não está sujeito a prazo decadencial, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 318 a 364, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma, em preliminar a arguição da decadência do direito do Fisco de proceder ao exame do PER. Entende que a Fazenda dispunha de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, contados da data de transmissão, em 10 de fevereiro de 2006. Encerrado o prazo em 09.02.2011, ocorreu a homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente os débitos utilizados nas DCOMPs, devem ser Fl. 417DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 418 4 compensados. Pugna por que se interprete analogicamente o § 5° do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Reclama que informou pessoalmente ao Auditor Fiscal, que suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, após decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes. Informou ainda, que estava e está buscando resgatar os arquivos magnéticos apagados de seus sistemas eletrônico de dados. Conforme já dito, para ela, não mais existiam atos pendentes inerentes aos exercícios de 2003 a 2008, porquanto já fiscalizados e recolhidos pelo Fisco. Destaca que, se o Fisco tivesse cumprido sua obrigação no tempo certo, poderia ele próprio, buscar as informações em seus próprios sistemas e bancos de dados, visto que repassados tempestivamente, quando solicitados: Afirma que o descarte da documentação e sua não apresentação não foram mera opção da Recorrente, mas conseqüência de sua desobrigação de mantêla. Foi impossibilidade física momentânea, tendo em vista o decurso de prazo decadencial de seus efeitos tributários e necessidades operacionais de seus sistemas de processamento eletrônico de dados. Discorre sobre a vedação da utilização de tributo com efeito de confisco. Repete a arguição de falta de fundamentação para as glosas procedidas. Na continuação, repete os termos da sua reclamação, inclusive o pedido de abono de juros Selic ao valor do ressarcimento. Conclui, requerendo a intimação pessoal do patrono da causa da data e hora do julgamento do presente recurso. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 318 a 364 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ117ª Turma nº 12066.755, de 7/10/2014. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto n° 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, inc. II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito Fl. 418DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 419 5 passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Indefiro. Preliminar de decadência do direito do Fisco de apreciar pedido de ressarcimento Tema preliminar, mas que perpassa toda a discussão de mérito proposta pelo recurso voluntário, argúise a decadência do direito de o Fisco indeferir o ressarcimento em prazo superior a cinco anos contados do ingresso do respectivo pedido. Para tanto, a recorrente faz alusões à previsão de homologação da Declaração de Compensação, especificada no artigo 74, § 5° da Lei n°.430, de 1996, introduzido pelo artigo 49 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74 [...] § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação A tese construída traduzse na aplicação analógica desse prazo para a Fazenda rever os cálculos elaborados pela contribuinte, tendentes a lhe conferir o direito ao ressarcimento. Ora, o prazo a homologação tácita de DComp está expressamente definido em lei [justamente o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, transcrito acima, que se aplica exclusivamente à compensação do débito de tributo próprio que o contribuinte interessado declarou/confessou na DCOMP por ele transmitida à Receita Federal]. Já para o exame da legitimidade de créditos não há prazo legalmente estatuído. Em não havendo qualquer restrição temporal ao exame da legitimidade de créditos solicitados pelo contribuinte, conseqüentemente, não decai o direito de o Fisco examinar a escrituração da contribuinte com o fim de verificar o montante de crédito a que faz jus. Se coubesse, ao caso, avaliações de analogia, deverseia, então, buscar seus fundamentos na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, que em seus artigos 97, caput e inciso VI, e 156, caput e inciso II, assim dispõe: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Aplicandose, então, a analogia, verificase que se a compensação, que é hipótese de exclusão do crédito tributário, só pode ser disciplinada através de lei, do mesmo Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 420 6 modo, o respectivo crédito que a ela conduz também só pode ser tratado através de lei. Assim, qualquer estipulação de prazo para o deferimento de pedido de ressarcimento também demanda a existência de lei definidora. Em não havendo a determinação legal concernente a prazo para a concessão do ressarcimento, válida é a averiguação, a qualquer tempo, do quantum a que faz jus o requerente de créditos contra a Fazenda Nacional. Hely Lopes Meirelles, em “O Processo Administrativo e em Especial o Tributário”, interpretando o alcance e as conseqüências do princípio da oficialidade, entende que “... a instância não perime, nem o processo se extingue pelo decurso de prazo, senão quando a lei expressamente o estabelecer”. Portanto, há que se indeferir a preliminar de decadência, em face da falta de disposição legal que obrigue a autoridade administrativa a ressarcir saldos credores independentemente de averiguar o real direito do interessado. Esse entendimento está amparado em sólida jurisprudência desta instância recursal: Acórdão n° 3402002.301, de 29 de janeiro de 2014: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazêla em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo. Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 3403.002.568, de 1º de novembro de 2013: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 421 7 Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Somente é passível de ressarcimento o saldo credor trimestral apurada na escrituração fiscal, o que pressupõe o trânsito obrigatório dos créditos pelo livro de apuração fiscal e o encontro de contas entre os débitos e créditos do imposto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR. Não há que se falar em inversão de ônus de prova em relação à procedimento de adoção legal obrigatória pelo sujeito passivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA. Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI a partir da data do direito de crédito. Recurso Voluntário Negado. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 422 8 Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010 IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI LEI N° 9.36.3/96 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO SATISFATÓRIO A INTIMAÇÃO.De se manter decisão que referendou procedimento do Fisco no sentido de não apreciar o mérito de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, porquanto, devidamente intimada, a.,interessada não logrou apresentar os elementos essenciais para a confirmação do valor pleiteado e, consequentemente, o reconhecimento do favor fiscal envolvido, não obstante, entre a data do pedido e a data da intimação, tivessem se passado mais de sete anos. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA". IMPOSSIBILIDADE. O transcurso de mais de cinco anos entre a data do pedido de ressarcimento de crédito de IPI e a de sua análise pela autoridade administrativa não configura o seu reconhecimento por conta de uma "homologação tácita", instituto existente na legislação apenas para a "declaração de compensação". Muito embora o recorrente não o tenha alegado, convém destacar, incidentalmente, que tampouco há falar em homologação tácita de qualquer das declarações de compensações que se analisa. Ônus da prova em processos de iniciativa do contribuinte Quanto à possibilidade de se deferir pedido de ressarcimento e homologar compensações sem que o interessado tenha feito prova cabal da liquidez e certeza do crédito pleiteado, acolho integralmente os fundamentos da decisão recorrida e os adoto como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A decisão está em linha com o que vem decidindo este Colegiado. Ilustro (Acórdão n° 3403003.168, de 20 de agosto de 2014, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado na DCOMP. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 423 9 Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante. A propósito, este Colegiado vem sufragando o entendimento de que não há violação do princípio da verdade material quando a Fiscalização denega pedidos do contribuinte que, intimado, não tenha feito prova cabal de seu direito. Transcrevo, nesse sentido, excerto do voto condutor do Acórdão n° 3403002.981, de 27 de maio de 2014, da lavra do ínclito Conselheiro Rosaldo Trevisan (unânime): Assim, não há que se falar em violação da verdade material (ou do devido processo legal), pois o fisco cumpriu com seu dever de diligência, somente não tendo logrado êxito na conclusividade da análise em função da falta de cooperação da própria recorrente. Há que se ter em mente que a verdade material conformase em duas feições, como ensina James Marins: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1” E igualmente refutada deve ser a alegação de violação à legalidade, ao direito à propriedade, ou à moralidade, visto que a empresa não faz prova contábil de ser detentora de direito creditório, o que impede o reconhecimento do crédito, até por questão de interesse público. Da mesma forma em que é incabível o locupletamento indevido pelo Erário, é inconcebível que se autorize crédito a contribuinte sem saber conclusivamente se este é devido. Atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusões À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 424 10 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 15956.000365/2009-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização.
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do período de 03/2004 a 10/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final, determinar a exclusão das empresas ATIVA - IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/0001-84, e GBA METALÚRGICA S.A, CNPJ 09.183.673/0001-07 do auto de infração. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator.
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do período de 03/2004 a 10/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final, determinar a exclusão das empresas ATIVA - IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/0001-84, e GBA METALÚRGICA S.A, CNPJ 09.183.673/0001-07 do auto de infração. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto - Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 65 /2 00 9- 69 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do período de 03/2004 a 10/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final, determinar a exclusão das empresas ATIVA IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/000184, e GBA METALÚRGICA S.A, CNPJ 09.183.673/000107 do auto de infração. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 127 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1233.307 – 10ª Turma da DRJ/RJ1, fls. 101/106, que julgou parcialmente improcedente a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.230.0057, referente ao período de 01/03/2004 a 31/12/2006, no valor de R$ 22.939,49 (vinte e dois mil, novecentos e trinta e nove reais e quarenta e nove centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário referente às contribuições não descontadas, calculadas sobre as remunerações dos autônomos, sócio gerente (pro labore) e dos transportadores ferroviários autônomos, apurados em folha de pagamento, (pro labore), GFIP, recibos de pagamentos a autônomos, notas fiscais de prestação de serviços e escrituração contábil, conforme Relatório Fiscal, fls. 46/49. A autuação substitui o DEBCAD 37.180.1311, anulado pelo acórdão da 7ª Turma da DRJ/RPO nº 1422.398, fls. 55/60, que considerou nulo o lançamento anteriormente realizado por omissão na Fundamentação Legal do Lançamento quanto à tipificação da contribuição referente aos contribuintes individuais – sócios gerentes, demais autônomos e transportadores rodoviários autônomos, objeto do presente processo. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 63/66. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 10ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão nº 1233.307, fls. 101/106, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação ofertada, mantendo parcialmente o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/01/2006, 01/03/2006 a 31/12/2006 COBRANÇA EM DUPLICIDADE. RETIFICAÇÃO. Excluemse do lançamento as contribuições previdenciárias apuradas constantes de execuções fiscais, oriundas de Débitos Confessados em GFIP. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando esta se mostra desnecessária. Impugnação Procedente em Parte. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Crédito Tributário Mantido em Parte A parte da qual foi provido o Auto de Infração se refere a cobrança em duplicidade com valores já confessados anteriormente em GFIP e objeto de pela PGFN, dessa forma, foram exonerados os valores das competências 01/2006 e 03/2006 do Levantamento S2, parte da competência 01/2006 do Levantamento S3 e competência 03/2006 do Levantamento S4, conforme fl. 106 do Acórdão. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, GBA CALDEIRARIA E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 113/119, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) Que seja reconhecido o cerceamento de defesa do contribuinte, face à verificação unilateral das cobranças acusadas em duplicidade, pelo agente, sem comparação efetiva com os valores encaminhados e ajuizados nas execuções; 2) Determinar a conversão do julgamento em diligência, a fim de se apurar os valores constantes no presente AI, envolvendo parcelas já objeto de execução fiscal, a fim de se deduzir os valores lançados em duplicidade com as citadas execuções fiscais; 3) Que seja reconhecida a descaracterização dos lançamentos principais e acessórios constantes do presente AI por duplicidade. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 125, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NATUREZA DA NULIDADE DO ACÓRDÃO ANTERIOR DA DECADÊNCIA O DEBCAD 37.180.1311 foi anulado parcialmente pelo fato de os levantamentos S2, S22, S3, S33, S4 e S44, que tratam de contribuintes individuais, terem sido lançados sob codificação legal de segurados empregados, resultando na omissão da tipificação das suas próprias contribuições. O lançamento com omissão na fundamentação legal do débito, bem como contendo alíquotas e rubricas distintas daquelas efetivamente cabíveis, constitui vício insanável na sua motivação e na sua regular constituição. Para tanto vejase a fundamentação no acórdão 1422.398 da 7ª turma da DRJ/RPO que anulou parcialmente o auto de infração originário, fls. 59, in verbis: Preliminarmente – da nulidade insanável Em exame detalhado dos autos, foram constatados vícios que comprometem a constituição regular deste crédito tributário, conforme arrazoado que se segue. Notase que foram lançadas, nos levantamentos S2, S22, S33, S4 e S44 – que tratam de contribuintes individuais (sócios gerentes, demais autônomos e transportadores rodoviários autônomos), as rubricas sob codificação legal de segurados empregados (“item 11 – segurados”). A consequência disso é que no próprio anexo de FLD estão ausentes as fundamentações para a cobrança das contribuições de segurados contribuintes individuais incluindo os transportadores autônomos. Ausentes, também, do Relatório Fiscal, os devidos fundamentos a esse título. Parece ter havido equívoco no enquadramento das rubricas lançadas, referentes às contribuições desses contribuintes individuais, nos levantamentos do crédito constituído. Em função da codificação incorreta na rubrica lançada (“11 – Segurados”) no DAD e no relatório FLD – que são elementos essenciais do lançamento – apresentase a descrição do débito Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 com alíquotas e fundamentações correspondentes, somente, à contribuição dos segurados empregados. ... O lançamento com omissão na fundamentação legal do débito, bem como contendo alíquotas e rubricas distintas daquelas efetivamente cabíveis, constitui vício insanável – na sua motivação jurídica e na sua regular constituição – em face de impedimento apresentado pelos sistemas informatizados da RFB, vez que não permitem a inclusão ou a alteração dos fundamentos legais após o lançamento ou a autuação, o que compromete futura execução fiscal por vício na fundamentação legal constante do título executivo (Certidão de Dívida Ativa – CDA). Apesar de a fiscalização ter entendido que se tratava de nulidade formal, entendo que é de natureza material. No caso concreto, houve vício na determinação da matéria tributável. Neste sentido é o acórdão do processo nº 10073.001965/200702, cuja ementa transcrevese abaixo: NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche os requisitos constantes no art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido. A nulidade declarada no acórdão 1422.398 de 03/03/2009 é de natureza material, não podendo o fisco realizar lançamento substitutivo nos termos do art. 172, II, do CTN, uma vez que o dispositivo se refere apenas às hipóteses de decretação de nulidade por vício formal, o que não é o presente caso, uma vez que foi declarada a nulidade por ausência de tipificação legal. Por esta razão, deve ser analisada a decadência à luz no disposto no art. 150, § 4º, ou mesmo do art. 173, I. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 129 7 Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração no dia 30/11/2009 segundo documento de fl. 4, e se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendo que está extinto o crédito tributário nas competências de 01/03/2004 até 31/10/2004. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Alega a recorrente que os valores constantes as Execuções Fiscais, referentes às competências de 01/2006 a 04/2006 não foram abatidos por ocasião da lavratura do presente crédito tributário. Existem duas Execuções Fiscais com os números citados, que tempor origem dois Débitos Confessados em GFIP, sob os números 35.078.7878 e 35.979.7886, cadastrados em 30/08/2006 e cujos períodos da dívida correspondem ás competências de 12/2005 a 04/2006, fl. 82. As retificações, tendo em vista as competências e débitos em comum do presente Auto de Infração e as DCGs foram devidamente realizadas pela DRJ, onde foram excluídos totalmente o crédito das competências 01/2006 e 03/2006 do Levantamento S2, a competência 03/2006 do Levantamento S4, e excluído parcialmente o crédito da competência de 01/2006 do Levantamento S3. No que se refere ao restante do crédito constituído no presente Auto de Infração, não há que se falar em bis in idem. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 130 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DO GRUPO ECONOMICO O auto de infração foi lavrado em face de GBA CALDEIRARIA, como principal autuado, CNPJ n. 72.842.875/000141 o qual foi o único intimado para se manifestar nos autos. Ocorre que na fl. 23, constam duas empresas como vinculadas a ela, por caracterização de grupo econômico, ATIVA – IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/000184, com endereço no município de Guarabira e GBA METALÚRGICA S.A., CNPJ 09.183.673/000107, com endereço no município de Jaboticabal. No entanto, em momento algum, há prova de que estas outras duas pessoas jurídicas teriam sido intimadas, seja do relatório fiscal e termo de encerramento de procedimento fiscal, seja com relação ao Acórdão da DRJ, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa. No entanto, verifico há uma nulidade de cunho material, que atinge o auto de infração de vício insanável deve ser abordada. Conforme se percebe do relatório fiscal, não há qualquer fundamentação à respeito da caracterização das empresas apontadas na fl. 23, como se grupo econômico fossem, bem como sua solidariedade para fins fiscais. Destaquese também que não há qualquer documento outro anexo ao relatório fiscal que traga essa correlação. Diante do exposto, resta demonstrado o cerceamento do direito de defesa, bem como a não observância do disposto no art. 142 do CTN, qual seja, determinar o sujeito passivo, ensejador de nulidade por vício material. Dessa forma, devem as empresas apontadas como grupo econômico serem excluídas do documento de fl. 23. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, preliminarmente, conhecer a decadência do período de 03/2004 a 10/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, e, no mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 131 11 Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final, determinar a exclusão das empresas ATIVA – IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/000184, e GBA METALÚRGICA S.A., CNPJ 09.183.673/000107 do auto de infração. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000182/2009-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/03/2008 a 16/04/2008
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MERCADORIA CONSUMIDA. IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO.
Verificado que a importadora não logrou comprovar a origem lícita dos recursos empregados na operação de importação e já consumida a mercadoria, aplica-se a multa equivalente ao valor aduaneiro.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.579
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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MERCADORIA CONSUMIDA. IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO. Verificado que a importadora não logrou comprovar a origem lícita dos recursos empregados na operação de importação e já consumida a mercadoria, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 01 82 /2 00 9- 59 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração para exigência da multa prevista no art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, combinado com o art. 73 da Lei nº 10.822/2003. Foram arrolados como responsáveis solidários os sócios DOUGLAS ELIANDRO SCHMAEDECKE, CPF 025.268.98951 e WAGNER BENDO DA SILVA, CPF 968.554.60968. Segundo a descrição dos fatos, a fiscalização constatou que a empresa TARSO IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA declarou que realiza importações diretas (com recursos próprios), mas na verdade não tinha existência real e nem condições físicas ou econômicas de operar. As fotografias de fls. 93 demonstram que a empresa estava fechada em pleno horário comercial. A fiscalização informa que não foi comprovada a origem lícita dos recursos utilizados nas importações e que existem indícios de que a autuada atua no comércio exterior utilizando recursos de terceiros, ocultando os verdadeiros adquirentes das mercadorias. Existe proximidade entre as datas de desembaraço, de entrada e de saída das mercadorias. Existem aportes de recursos de terceiros não identificados na contacorrente da TARSO nas vésperas do fechamento do contrato de câmbio. Não foi apresentada documentação hábil à comprovação da integralização do capital social. O sócio WAGNER BENTO DA SILVA, demonstrou não possuir patrimônio e nem rendimentos suficientes para fazer jus à integralização do capital. A empresa sempre operou sem lucro de forma contínua. As importações excederam em duas vezes o valor do capital social da empresa. Não existem na contabilidade as contas "estoques", "salários a pagar" e "despesas com salários". O responsável solidário DOUGLAS ELIANDRO SCHMAEDECKE foi notificado por via postal em 04/03/2009, conforme AR de fls. 112. Em sede de impugnação subscrita por seu sócio, a TARSO alegou, em síntese, que as operações foram executadas por conta e ordem próprias com créditos fornecidos pelos exportadores, mas sem recursos de terceiros intervenientes nas importações. Por meio de diligência solicitada pela DRJ foi esclarecido que a notificação do sócio DOUGLAS ELIANDRO SCHAMAEDECKE foi feita com o objetivo de notificar a empresa da autuação e não o responsável solidário, pois a empresa não tem existência real no endereço que consta no cadastro da repartição (fls. 197/203) Por meio do Acórdão nº 33.323, de 29 de novembro de 2013, a 2ª Turma da DRJ Florianópolis julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/03/2008 a 16/04/2008 INTERPOSIÇÃO. MERCADORIA CONSUMIDA. CONVERSÃO. MULTA. Verificado que a importadora não logrou comprovar a origem lícita dos recursos empregados na operação de importação e já consumida a mercadoria, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 12/12/2013 (AR fl. 219), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/01/2014. Alegou que a suspeita do fisco é presumida e não corresponde à realidade dos fatos. Apresentou durante a fiscalização todos os documentos que comprovam a posse de recursos suficientes para realizar Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10945.000182/200959 Acórdão n.º 3403003.579 S3C4T3 Fl. 4 3 as importações. Reafirmou que recebeu crédito do importador para realizar as operações e que não existe um importador oculto. Os recursos foram legalmente recebidos das empresas para as quais as mercadorias foram vendidas. A presunção de que há um terceiro oculto está embasada em um erro contábil. O exíguo prazo entre a emissão da nota fiscal de entrada e de saída não significa nada. Nas fls. 131, 139, 147 e 154 as faturas comprovam que a empresa efetuou as importações com prazo de 35 dias para realizar o pagamento após o embarque das mercadorias, ocorrendo um prazo razoável para realizar as vendas e pagar o fornecedor. Essa circunstância torna irrelevante a argumentação do fisco acerca do capital social integralizado e origem dos recursos, que ficou comprovado serem do sócio WAGNER BENDO DA SILVA. Questiona a decisão recorrida alegando que os tributos incidentes na importação são todos sujeitos à alíquota zero e que por tal motivo não há interesse algum em ocultar ninguém. Eventuais erros fiscais ou contábeis não podem gerar a presunção de que a empresa atuou como interposta pessoa. Requereu o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. As alegações contidas no recurso devem ser julgadas improcedentes, pois além de terem vindo desacompanhadas de provas, são insuficientes para infirmar a acusação fiscal. Foi alegado que a presunção da fiscalização baseiase em erro cometido pelo contador, mas o recuso não diz qual foi o erro e nem o comprova. O fato do exportador no exterior ter concedido prazo de 30 dias para pagamento da mercadoria, não afasta a acusação de que a TARSO agiu no comércio exterior ocultando o real importador. Ao contrário do que alegou, até o presente momento a TARSO não conseguiu comprovar a idoneidade das integralizações de capital. Além disso, nas quatro DI objeto desta fiscalização foram importadas 186 toneladas de feijão. Diante dessa quantidade de mercadoria, a empresa não tem estoques, não tem empregados e também não tem despesas relacionadas com estocagem e logística. Do mesmo modo, até o presente momento continuam não explicados e nem justificados os aportes de recursos de terceiros na contacorrente da TARSO, conforme comprova a cópia do extrato bancário de fls. 28. Na referida folha se pode verificar que no dia anterior ao fechamento do contrato de câmbio no valor de R$ 136.136,70 foi feito uma transferência eletrônica de R$ 141.827,75. Verificase que desde a época da fiscalização a empresa foi intimada a explicar a origem desse depósito, mas permaneceu em silêncio, talvez para não identificar o real importador da mercadoria. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Até o presente momento a defesa não esclareceu de onde veio o dinheiro e nem quem o enviou. Não tendo trazido aos autos nenhum motivo de fato ou de direito relevante, capaz de elidir a imputação que lhe foi feita pela fiscalização, voto no sentido de negar provimento ao recurso para manter o acórdão recorrido por seus próprios e legítimos fundamentos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10245.001172/2005-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
Hipótese em que houve pagamento antecipado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Relator
EDITADO EM: 17/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Hipótese em que houve pagamento antecipado. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator EDITADO EM: 17/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Hipótese em que houve pagamento antecipado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 11 72 /2 00 5- 02 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 257 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator EDITADO EM: 17/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em 13 de setembro de 2010 (efls. 227/233), em face do Acórdão n° 220100.487 (efls. 208/222), do qual a Recorrente teve ciência em 10 de setembro de 2010 (efl. 224) e que teve a seguinte ementa: “... DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 1. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 3l de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o., do CTN). 2. Decadência reconhecida em relação ao anocalendário de 2000. ...” (efl. 208). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma o Acórdão 910100.460, que restou assim ementado: “DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 258 3 recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 238/240, não tendo o Recorrido apresentado contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 238/240. Discutese, quanto a este aspecto, se é aplicável, para efeitos de decadência, o disposto no artigo 173, I, do CTN, como quer a Recorrente, ou o artigo 150, §4o., do mesmo Código, como decidiu a Turma Ordinária a quo. Em relação à matéria, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 258DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 259 4 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 260 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passei a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação em situação na qual houve princípio de pagamento do IRPF, verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. No presente caso, tratase de auto de infração lavrado em 22 de setembro de 2005 (ciência em 13/01/2006) relativamente a fato gerador ocorrido no anocalendário de 2000. Ocorre, todavia, que, conforme constou do demonstrativo de apuração anexo ao auto de infração (efls. 154), houve recolhimento antecipado. Assim, aplicável ao presente caso o prazo de 5 (cinco) anos a que se refere o artigo 150, §4o., do CTN, conforme jurisprudência do STJ, devendose, portanto, reconhecer a decadência no presente caso, pois a ciência do auto de infração ocorreu mais de 5 (cinco) anos após o fato gerador. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 261 6 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 10882.905859/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
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Numero da decisão: 1402-001.899
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Recorrida 15ª Turma da DRJ/RPS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. REOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o julgamento até que seja apreciado pelo CARF o processo nº 10882.902454/201234. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, para redigir o voto vencedor. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator ) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 05 85 9/ 20 12 -2 4 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo da não homologação do Pedido de Restituição nº. 16715.08196.171008.1.2.020045 e declarações de compensações indicadas no quadro abaixo, que utilizavam crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007, no valor de R$ 13.625.027,88. Na análise do crédito, foram verificadas todas as parcelas de composição do saldo negativo de IRPJ 2007. Contudo, a partir da consulta realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), a autoridade fiscal não conseguiu confirmar as antecipações de IRPJ de outubro e novembro de 2007, pagas com saldo negativo de períodos anteriores. Em 12/12/2012, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que nenhuma diligência fora efetuada pela DRF de origem buscando comprovar a efetiva extinção das estimativas de outubro e novembro, quitadas através de DCOMP. Entende que para que o Fisco pudesse desconsiderar o saldo negativo apurado, deveria, segundo o que preceituam os princípios da verdade material e da legalidade, ter comprovado plenamente a incorreção dos procedimentos da Contribuinte na apuração desse saldo negativo. No mérito, defende que, estando as referidas estimativas quitadas via DCOMP, por força do art. 156, II do CTN, elas deveriam ser consideras extintas, devendo, portanto, compor o saldo negativo apurado na DIPJ/2008. Questiona, então, o direito do Fisco de rever a apuração do IRPJ dos anos calendário 1999 e 2001 (origem do crédito utilizado nas DCOMP em que foram declaradas as estimativas de outubro e novembro/2007), uma vez que o direito do Fisco revisar os créditos utilizados já estaria decaído. Analisado o caso, a DRJ/CPS enviou o processo em diligência à DRF/Osasco para que a autoridade competente da DRF jurisdicionante da Contribuinte verificasse as informações constantes do processo 10882.902988/201261, especificamente a ocorrência ou não da homologação da compensação declarada na DCOMP 31521.38832.301107.1.3.020306 (referente à quitação da estimativa de outubro/2007, no valor de R$ 11.550.814,34). Em observância, a DRF/Osasco exarou despacho decisório revisando de ofício a análise inicial. Na revisão de ofício, por meio da qual foi aprovado o Parecer SEORT/DRF/OSA nº. 070/2013, as autoridades fiscais novamente deferiram parcialmente o direito creditório da Contribuinte, por entenderem que teriam sido confirmadas parcialmente e 16715.08196.171008.1.2.020045 22882.59667.270209.1.3.021741 06225.97712.051108.1.3.020646 29143.75622.180609.1.3.026477 15854.93257.061108.1.3.020360 37245.05764.300609.1.3.026083 14361.69259.131108.1.3.020060 17592.15080.030709.1.3.021008 08736.63700.211108.1.3.022279 39879.46852.240909.1.3.022082 41918.81444.251108.1.3.020558 20062.64806.240909.1.3.023612 28673.55900.161208.1.3.024901 36153.26510.281009.1.3.024487 17039.78248.050109.1.3.024100 28273.29983.231109.1.3.028930 18408.12664.030209.1.3.025809 32846.19050.301209.1.3.021246 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 4 3 não confirmadas as estimativas mensais de IRPJ de outubro e novembro de 2007, acabando por reconhecer parte da estimativa de outubro/2007, no valor de R$ 11.550.814,34, esclarecendo o quanto solicitado pela DRJ/CPS. Além disso, a fiscalização entendeu por bem aumentar o montante não reconhecido de IRPJ estimativa de outubro/2007, para R$ 9.562.721,45, em relação à estimativa de R$ 14.241.378,63. Restaram, portanto, não homologadas as seguintes estimativas de IRPJ do AC 2007: Em face desta revisão, a Contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade, repisando os argumentos da manifestação anterior e acrescentando novos. De início, afirma que a DRF/Osasco não era competente para revisar de ofício itens não contemplados na diligência solicitada pela DRJ/CPS e que decaiu o direito do Fisco de revisar a apuração do IRPJ do anocalendário 1999. Discorre sobre a análise do crédito utilizado nas DCOMP’s 0857.18108.201107.1.3.020306 e 26913.75305.110108.1.7.029058, objeto de discussão nos processos 10882.902454/201234 e 10882.000619/200936. Ademais, informa ter parcelado o débito referente ao IRPJ estimativa de novembro/2007, no valor de R$ 410.278,89, encontrandose já integralmente liquidado. Por fim, aduz que, caso não sejam consideradas as estimativas de outubro e novembro de 2007 no saldo negativo do período, ocorreria duplicidade de cobrança, uma vez que os débitos constantes de DCOMP não homologada, como é o caso das DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306 e 26913.75305.110108.1.7.029058, seriam encaminhados para cobrança, posto que DCOMP é confissão de dívida. Analisando a nova manifestação de inconformidade, a 15ª Turma da DRJ/RPS entendeu por bem (i) nãoreconhecer R$ 9.562.721,45 dos R$ 14.241.378,63 compensados em relação à estimativa de outubro/2007 (DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306); (ii) acatar a confirmação da DCOMP no valor de R$ 11.550.814,34, referente à estimativa de outubro/2007; (iii) confirmar o crédito de R$ 410.278,89 referente à estimativa de novembro/2007, por se tratar de débito parcelado e pago (Acórdão nº. 1443.269, fls. 433/443). Irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 447/480), repisando os argumentos trazidos nas manifestações de inconformidade, afirmando que a compensação efetuada para quitar a estimativa de outubro/2007 de R$ 14.241.378,63 deve ser confirmada, homologandose integralmente o saldo negativo de IRPJ 2007. É o Relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminarmente, sustenta a Recorrente que em razão (i) da falta de empenho da fiscalização e da DRJ/RPO na aferição da verdade material, no que tange à verificação dos seus créditos; e (ii) do cerceamento do seu direito de defesa por parte da DRJ/RPO, devem ser anulados o acórdão da DRJ/RPO e o despacho decisório da DRF/Osasco, retornando o processo à repartição de origem para regular instrução probatória. Especificamente no tocante ao cerceamento de defesa praticado pela DRJ/RPO, a Recorrente explica que, embora a DRJ/RPO tenha entendido que era possível estabelecer exigência fiscal no presente processo com base em compensação anterior não homologada (que já objeto de cobrança em outro processo administrativo), não permitiu à Recorrente demonstrar a regularidade dessa compensação. De fato, a partir da leitura do acórdão recorrido verificase que a DRJ/RPO limitase a afirmar que, no mérito, as razões de defesa da Recorrente referentes à não homologação das DCOMP’s transmitidas para quitação das estimativas de outubro e novembro de 2007 não integrariam o presente litígio (DCOMP’s 08597.18108.301107.1.3.020306 e 16259.34695.261207.1.3.022778), não sendo possível sua apreciação no âmbito deste processo, tendo em vista serem objeto de análise nos processos 10882.902454/201234 e 10882.000619/200936 (vide fl. 440 do Acórdão nº. 1443.269). Conforme visto, a DRJ/RPO deixou de confirmar apenas R$ 9.562.721,45 dos R$ 14.241.378,63 compensados em relação à estimativa de outubro/2007 (DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306), uma vez que essa DCOMP teria sido anteriormente homologada de forma apenas parcial. Ocorre que, a homologação parcial dessa DCOMP já é objeto de discussão e cobrança nos autos do processo administrativo nº. 10882.902454/201234, o que foi, inclusive, reconhecido pela DRJ/RPO. Nessa toada, vale lembrar que desde a edição da Lei nº. 10.833, que alterou a redação do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, as DCOMP’s passaram a constituir confissão de dívida e são instrumentos hábeis para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Leiase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 538DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 6 5 Por isso, (i) seja em virtude de uma decisão favorável à Recorrente nos autos do PA 10882.902454/201234 (que homologará o crédito); (ii) seja em virtude de uma decisão desfavorável à Recorrente nos autos do PA 10882.902454/201234 (que ensejará o pagamento do débito indevidamente compensado acrescido de multa de mora e juros Selic), o crédito discutido naquele processo (saldo negativo de períodos anteriores) se tornará incontroverso, legitimando a compensação declarada na DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306 e, conseqüentemente, o crédito tributário em discussão no presente processo (saldo negativo de IRPJ 2007). A essa altura, vale ter em mente que, embora seja possível compensar estimativas de IRPJ e CSLL com quaisquer tributos administrados pela RFB, na prática tributária as pessoas jurídicas geralmente utilizam os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados em anoscalendário anteriores para quitar, por meio de compensação, as estimativas de IRPJ e CSLL devidas no anocalendário seguinte. Esse procedimento adotado pelos contribuintes conduz a uma situação bastante peculiar, já que, ao analisar a liquidez e a certeza do crédito utilizado pelo contribuinte para fins de compensação, as Autoridades Fiscais devem confirmar a efetiva existência das antecipações e das retenções que compõem o saldo negativo informado pelo contribuinte em sua DIPJ. Como as antecipações mensais geralmente são quitadas com saldos negativos de períodos anteriores, o Fisco retrocede no tempo para verificar se os saldos negativos anteriores também eram legítimos e passíveis de compensação pelo contribuinte. Entretanto, em virtude dessa íntima relação de interdependência entre os períodos de apuração, a glosa realizada pelo Fisco em relação ao saldo negativo de um determinado anocalendário acaba refletindo na composição dos saldos negativos apurados nos anoscalendário subseqüentes, como aconteceu aqui. Justamente por isso, não constatada falha (i) na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nem (ii) na apuração do saldo do IRPJ e da CSLL – sem entrar no mérito acerca do crédito utilizado nas compensações das estimativas –, deve ser homologado o eventual saldo negativo de IRPJ e CSLL para que o contribuinte exerça seu direito de restituí lo ou compensálo na forma da lei. Assim, não haveria qualquer impedimento na utilização do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL apurado em anocalendário em cuja extinção das estimativas tenha sido promovida compensação não homologada. Isso porque, frisese novamente, a eventual não homologação de compensação em razão da imprestabilidade do crédito já gera, por si só, a cobrança do débito confessado pelo contribuinte, acrescido de multa de mora e juros Selic. A situação em comento gera dificuldades enormes para os contribuintes, pois, como acontece aqui, o saldo negativo não homologado já foi aproveitado em outro ano calendário que também gerou saldo negativo. Admitindose, por hipótese, que fosse possível afirmar que o crédito gerado pela compensação da estimativa era nulo e o saldo negativo era menor ou mesmo inexistente – como pretende o Fisco – a situação implicaria um descontrole absoluto por parte das Fl. 539DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 7 6 Autoridades Fiscais da efetiva situação do contribuinte frente ao Fisco, no tocante a débitos e créditos, ensejando diversas exigências do mesmo débito. Nessa linha de raciocínio, forçoso concluir que não podem ser glosadas as estimativas objeto de compensação ulteriormente não homologada na apuração do IRPJ ou da CSLL a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Tendo em conta que esse não foi o entendimento das Autoridades Fiscais até aqui, a situação da Recorrente é exatamente aquela narrada acima, na qual se verifica um descontrole, por parte das Autoridades, da efetiva situação da Recorrente frente ao Fisco, no tocante a débitos e créditos, ensejando diversas exigências do mesmo débito. Frisese novamente que é incólume de dúvida que o crédito em discussão no PA 10882.902454/201234 se tornará incontroverso, tornando possível a homologação da compensação declarada na DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306. Portanto, salta aos olhos a total improcedência da cobrança em duplicidade perpetrada pelo Fisco. Nesse contexto, vale notar que, a própria Coordenação Geral de Tributação, visando coibir situações como esta, proferiu a Solução de Consulta Interna nº. 18, de 13/10/2006, na qual expressamente orienta as divisões de tributação da RFB a não efetuarem a glosa das estimativas objeto de compensação não homologada na apuração do imposto ou contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Vejamos: 16. Por todo o exposto, no que diz respeito ao tratamento da estimativa não paga ou não compensada, cabe concluir que: ... 16.3 na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DCOMP, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Por tudo isso, no caso concreto, forçoso concluir que devem ser homologados todos os valores compensados em relação à estimativa de outubro/2007, ainda que a DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306 tenha sido não homologada ulteriormente. Caso contrário, a Recorrente será mantida devedora em duplicidade de um único débito, já que esse sistema de compensação nada mais é do que uma “conta corrente” e um eventual crédito indevido somente pode ser cobrado uma vez. Corroborando o exposto, vale trazer à colação a jurisprudência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: DRJ/RJ1 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1251578 de 20 de Dezembro de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. AFASTAMENTO DA ALEGAÇÃO. Afasta se a alegação de nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, se a simples leitura de seu conteúdo demonstra que o seu fundamento é a falta de certeza e liquidez do crédito, tendo em vista que a informação do seu valor é igual a zero na DIPJ, original e retificadora, e positivo nos PER/DCOMP em foco. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 8 7 ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Para efeito de apuração da CSLL anual, poderão ser computadas as estimativas que tenham sido objeto de pagamento ou compensação sob condição resolutória de homologação. Na hipótese de não homologação da compensação, os débitos confessados em DCOMP (§ 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) serão cobrados por força do que determinam os § 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração da CSLL a pagar ou do Saldo Negativo apurado na DIPJ, uma vez que a referida glosa implicaria a dupla cobrança das estimativas, uma diretamente por força do que determina o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e outra, indiretamente, pela glosa das estimativas. Inteligência do Entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil (Cosit) na Solução de Consulta Interna nº 18/2006. DIREITO CREDITÓRIO RECONECIDO. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÕES. Homologamse as compensações efetuadas no limite do direito creditório reconhecido. Anocalendário: : 01/01/2009 a 31/12/2009 DRJ/CTA 2º TURMA ACÓRDÃO Nº 0628602 de 07 de Outubro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA DE IRPJ OU CSLL. SALDO NEGATIVO DE IRPJ OU CSLL. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Tendo o contribuinte declarado, equivocadamente, crédito de estimativas de IRPJ ou CSLL, ao invés do saldo negativo ou base de cálculo negativa dos respectivos períodos, cancelase a decisão de nãohomologação, quando o crédito correto é suficiente para quitar todos os débitos. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 18/2006. COBRANÇA DO DÉBITO NÃO HOMOLOGADO. Nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13/10/2006, na hipótese de compensação não homologada de débitos de estimativas de IRPJ ou CSLL, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Anocalendário: : 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 DRJ/REC 3 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1127099 de 24 de Julho de 2009 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DOS DÉBITOS. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos das estimativas serão cobrados com base e m Dcomp, e, por conseguinte, não cabe sua glosa na apuração do imposto ou contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ (Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2006). Anocalendário: : 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001 Com efeito, uma vez que a não homologação das compensações declaradas na DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306 já é objeto de cobrança por parte da RFB nos autos do PA 10882.902454/201234, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007 deve ser totalmente homologado. Deixo de analisar as demais questões suscitadas pela Recorrente, posto que desnecessárias ao deslinde da controvérsia. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para homologar as compensações realizadas até o limite do direito creditório reconhecido. Carlos Pelá Fl. 541DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Minha divergência do I. Relator dirigese à possibilidade de utilização, na composição do saldo negativo do IRPJ, de estimativas dessa contribuição não quitadas, seja por pagamento ou compensação. De imediato, registrese não haver qualquer impedimento legal à quitação do valor devido a título de estimativas do IRPJ mediante compensação com crédito líquido e certo de titularidade do sujeito passivo. Assim, extinto o débito da estimativa mediante compensação, o valor correspondente pode integrar a composição do eventual saldo negativo apurado no ajuste do período. Por outro lado, não se pode olvidar que as normas regulamentadoras da compensação estabelecem a condição resolutória de ulterior homologação do procedimento. Assim, manifestandose a autoridade pela não homologação, o débito anteriormente compensado passa a ser exigível. No caso da estimativa adimplida mediante compensação, a não homologação pela autoridade retira dos valores em discussão as condições de compor a apuração do saldo negativo do IRPJ no ajuste ao final do período, pela inexistência dos atributos de liquidez e certeza do crédito por eles representado. Em relação a eles, portanto, apenas o pagamento em momento anterior à presente análise permitiria que fosse utilizado na apuração do saldo negativo do IRPJ. Por outro lado, alguns integrantes deste Colegiado entendem que, no que se refere aos pedidos de compensação formalizados a partir do advento da Lei nº 10.833/2003, esse problema é suprido pelo fato do art. 17 dessa norma ter introduzido modificação no art. 74, da Lei nº 9.430/96 estabelecendo que as declarações de compensação representam confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, terseia a certeza quanto a sua cobrança se não adimplidos. Numa tentativa de conciliar os posicionamentos divergentes, ainda que reiterando meu entendimento quanto à impossibilidade da utilização de estimativas não quitadas, penso ser recomendável aguardar que o CARF se pronuncie relativamente ao processo 10882.902454/201234, a fim de que a decisão tomada nestes autos não corra o risco de se mostrar contraditória frente àquela. É como voto. Leonardo de Andrade Couto – Redator Designado Fl. 542DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10715.005579/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA POSTERIOR MAIS BENIGNA (IN RFB 1.096/2010).
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, a e b, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA POSTERIOR MAIS BENIGNA (IN RFB 1.096/2010). A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, a e b, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA POSTERIOR MAIS BENIGNA (IN RFB 1.096/2010). A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, “a” e “b”, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 55 79 /2 00 9- 41 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 3 2 conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 90.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em outubro de 2004 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 071 7700/00/00263/09” (fl. 10), descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo Io da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 15 a 31 alegando, em síntese, que: a autoridade lançadora utilizou norma posterior ã ocorrência dos fatos geradores para aplicar a multa ora impugnada; à época dos referidos fatos não havia norma que estipulasse um prazo especifico e certo para a realização dos referidos registros no Siscomex, devendo ser declarado nulo o auto de infração por ausência de tipificação válida capaz de aplicar penalidade às empresas de transporte aéreo internacional; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; o prazo de dois dias para que o transportador aéreo registre os dados de embarque no Siscomex passou a viger somente em 15.02.2005, com a edição da TN/SRF 510/05, sendo inaplicável aos fatos narrados no presente lançamento, na medida em que Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 5 4 norma de natureza punitiva não gera efeitos para atos praticados anteriormente à sua vigência, por violação aos principios da irretroatividade, da segurança jurídica e da legalidade, evidenciando a nulidade, também por essa razão, do auto de infração, pois em nítida violação ao inciso IV do artigo 10 do Decreto 70.235/72; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2a da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2o do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; tendo em vista a inaplicabilidade da IN/SRF 510/O5, é de ressaltar que a IN/SRF 28/94, em sua redação original, não previa um prazo específico para a inserção das informações de dos dados de embarques das mercadorias no Siscomex, limitandose a afirmar que referido procedimento deveria ser realizado imediatamente após respectivos embarques; o artigo 107 inciso IV alínea "e" do Decretolei 37/66, ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os. dados de embarque das mercadoriasno Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04. que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual devem ser declarados nulos os lançamentos da multa relativamente àquelas averbações Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 6 5 realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; por diversas vezes no decorrer do ano de 2004 o Siscomex permaneceu indisponível, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês dejunho do referido ano. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Datado fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; evidenciada a ausência de qualquer violação às disposições do Processo Administrativo Fiscal ou do Código Tributário Nacional, descabe a nulidade do auto de infração. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 7 6 competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03. a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Datado fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. Posteriormente apresentou petição alegando direito superveniente imprescindível à análise da questão, qual seja, a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, que possibilitaria a Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 8 7 aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram em 2004 e início de 2005, ou seja, no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 10 9 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 11 10 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. No tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Assim, relativamente aos fatos que ocorreram posteriormente a 14/2/2005, devem ser exoneradas as multas com referência aos vôos cujas informações sobre o embarque foram prestadas em prazo inferior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 12 11 Com relação a alegação de aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, não obstante o meu entendimento de que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, a maioria da Turma votou pelas conclusões considerando aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 13 12 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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