Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13896.900141/2017-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.900141/2017-95
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981524
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.958
nome_arquivo_s : Decisao_13896900141201795.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896900141201795_5981524.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7677176
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660012486656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.900141/201795 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.958 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 01 41 /2 01 7- 95 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13896.900141/201795 Acórdão n.º 3201004.958 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.861, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13896.900141/201795 Acórdão n.º 3201004.958 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13896.900141/201795 Acórdão n.º 3201004.958 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000314/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.348
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16349.000314/2010-91
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989562
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.348
nome_arquivo_s : Decisao_16349000314201091.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 16349000314201091_5989562.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7697987
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660014583808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000314/201091 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.348 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente ARLIQUIDO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 14 /2 01 0- 91 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 2 Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.628, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 5 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 6 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900244/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.900244/2006-19
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5971393
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-000.559
nome_arquivo_s : Decisao_13851900244200619.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13851900244200619_5971393.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7649772
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660032409600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.900244/200619 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.559 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente TECNOMOTOR ELETRÔNICA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.559, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 24 4/ 20 06 -1 9 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 3º trimestre de 2001. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 30/06/2001, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001245/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007.
ARROLAMENTO DE BENS.
0 arrolamento previsto na Lei n° 9.532/97 consiste na averbação nos
registros competentes dos bens do contribuinte, e visa o acompanhamento da
evolução patrimonial pelo Fisco, evitando-se, desta forma, a dilapidação dos
mesmos. Não se trata, portanto, de constrição patrimonial.
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSANECIA DAS HIPÓTESES DE NULIDADE.
Não estando presentes nenhuma das hipóteses de nulidade previstas nos arts.
59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do Auto de
Infração.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ
Ano-calendário: 2007
LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E
DOCUMENTOS FISCAIS E CONTABEIS.
A não apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de escrituração
comercial e fiscal, apesar de devidamente intimado, autoriza o arbitramento
do lucro.
LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E
DESPESAS.
A apuração do lucro por meio do arbitramento afasta a dedução de custos ou
despesas da base de cálculo.
C-LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.
0 decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ é aplicavel aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
Numero da decisão: 1101-000.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007. ARROLAMENTO DE BENS. 0 arrolamento previsto na Lei n° 9.532/97 consiste na averbação nos registros competentes dos bens do contribuinte, e visa o acompanhamento da evolução patrimonial pelo Fisco, evitando-se, desta forma, a dilapidação dos mesmos. Não se trata, portanto, de constrição patrimonial. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSANECIA DAS HIPÓTESES DE NULIDADE. Não estando presentes nenhuma das hipóteses de nulidade previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E CONTABEIS. A não apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E DESPESAS. A apuração do lucro por meio do arbitramento afasta a dedução de custos ou despesas da base de cálculo. C-LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. 0 decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ é aplicavel aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10945.001245/2010-28
conteudo_id_s : 5976484
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.685
nome_arquivo_s : Decisao_10945001245201028.pdf
nome_relator_s : NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
nome_arquivo_pdf_s : 10945001245201028_5976484.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
id : 7667869
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660036603904
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-12-06T17:00:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-12-06T17:00:02Z; Last-Modified: 2012-12-06T17:00:02Z; dcterms:modified: 2012-12-06T17:00:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4ef0c67d-324e-48f0-9175-d9ea3f5ac883; Last-Save-Date: 2012-12-06T17:00:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-12-06T17:00:02Z; meta:save-date: 2012-12-06T17:00:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2012-12-06T17:00:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-12-06T17:00:02Z; created: 2012-12-06T17:00:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2012-12-06T17:00:02Z; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-12-06T17:00:02Z | Conteúdo => SI-C1T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10945.001245/2010-28 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-00.685 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012. Matéria Auto de Infração IRPJ, CSLL, PIS e Cofins Recorrente TRANSMATIC Transporte e Comercio Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007. ARROLAMENTO DE BENS. 0 arrolamento previsto na Lei n° 9.532/97 consiste na averbação nos registros competentes dos bens do contribuinte, e visa o acompanhamento da evolução patrimonial pelo Fisco, evitando-se, desta forma, a dilapidação dos mesmos. Não se trata, portanto, de constrição patrimonial. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSANECIA DAS HIPÓTESES DE NULIDADE. Não estando presentes nenhuma das hipóteses de nulidade previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E CONTABEIS. A não apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E DESPESAS. A apuração do lucro por meio do arbitramento afasta a dedução de custos ou despesas da base de cálculo. C-LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. k 0 decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ é have aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito eitre eles existente. 4 1 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros d col giado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e NEGAR PROVIMENT: .o Reel* Voluntário. VALMAR FONSECA OE MENEZES - Presidente. ill I NARA CRISTINA l• KEDA TAGA - Relatora. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 2 ' Turma da DRJ em Curitiba que manteve a integralidade dos créditos lançados por meio dos Autos de Infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Tendo em vista que a contribuinte mesmo após diversas intimações deixou de apresentar seus livros contábeis e fiscais, DCTF, DACON, bem como Balancetes de Verificação, sendo apenas entregue A Receita Federal um pen-drive com Planos de Contas e Registros Contábeis (saldos mensais e lançamentos contábeis), entendeu a Autoridade Fazenddria cabível a realização do arbitramento do lucro com fundamento no art. 530, III do RIR/99. Consta do Termo de Verificação (proc. fls. 49 a 52 — verso) que "conquanto a contribuinte tenha sido regularmente intimada e tenha sido seu direito de defesa devidamente respeitado, deixou de apresentar seus livros contábeis (Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real — Lalur, Livro de Registro de Inventário, e eventuais livros auxiliares), bem como seus livros fiscais (Livro Registro de Entradas, Registro de Saídas, Apuração de ICMS, Registro de Serviços etc), relativos ao ano-calendário de 2007. Também deixou de encaminhar suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários, bem como seus Balancetes de Verificação (inclusive de Suspensão ou Redução) relativos ao período fiscalizado. A Contribuinte não atendeu a qualquer dos itens elencados na intimação inicial. Somente forneceu a fiscalização seus extratos de movimentação financeira, entretanto, nem sempre completos. A fiscalização, por mais que intimasse e reintimasse a contribuinte não conseguiu reunir elementos que possibilitassem a verificao10 da sustentabilidade do lucro real apurado pela empresa". 94f- 2 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 2 Em uma das respostas apresentadas pela contribuinte no curso da ação fiscal (proc. fls. 20 a 23), foi relatado o desaparecimento do responsável por sua contabilidade, Sr. Alves Antonio Farias Damian, sendo juntado aos autos da ação fiscal em curso o Boletim de Ocorrência por meio do qual a companheira do referido funcionário noticiou o ocorrido as autoridades policiais. Além disso, nesta mesma manifestação a contribuinte confirmou os valores atinentes as suas receitas mensais extraídos dos arquivos magnéticos disponibilizados pela interessada, e apresentados pela Autoridade Fazenddria no Termo de Constatação (proc. fls. 18 a 19, verso). Após proceder ao arbitramento do lucro, a Autoridade Fiscalizadora lavrou, em 29/09/2010, os Autos de Infração (proc. fls. 57 a 64 - IRPJ, fls. 69 a 74 - PIS, fls. 79 a 83 — COFINS, e fls. 87 a 94 - CSLL), cuja ciência ocorreu em 04/10/2010. Relativo ao IRPJ, foram tributados os valores correspondentes a Receitas de Transportes de Cargas (fretes nacionais), Receitas de Transportes de Cargas (frete internacionais), Ganhos de Capital, Receitas de Aluguéis e Receitas Financeiras. No tocante ao PIS e A. COFINS, o lançamento se deu frente A. falta ou insuficiência de recolhimento; já quanto à CSLL, em face do lucro arbitrado. A contribuinte apresentou Impugnação em 03/11/2010 (proc. fls. 101 a 132). De inicio afirmou a inconstitucionalidade do arrolamento de bens, visto que impossibilita a comercialização dos mesmos, o que afronta os Princípios da Propriedade, do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório. Manifestou-se ainda pela inconstitucionalidade do art. 64 da Lei n° 9.532/97 e da Instrução Normativa SRF no 264/02. Argumentou a nulidade dos Autos de Infração posto que o caso em tela não seria hipótese que justificasse o arbitramento do lucro. A Impugnante mencionou que não se verificou qualquer situação grave que justificasse o arbitramento e que a Autoridade Lançadora não analisou a DIPJ apresentada dentro dos prazos estabelecidos. Referente aos valores constantes do Demonstrativo Consolidado de Crédito Tributário de IRPJ, a interessada alegou que o montante de imposto está incorreto tanto pela sistemática adotada de lucro real como por não ter levado em conta as despesas e deduções constantes de sua DIPJ, transmitida à Receita Federal em 30/06/2008. Declarou que segundo a DIPJ apresentada houve prejuízo operacional de R$ 41.462,40. Desta forma, não são devidos os valores exigidos de a titulo de IRPJ e CSLL, bem como a multa aplicada. Quanto ao PIS e A. COFINS, asseverou que o Auditor Fiscal apenas excluiu da base de cálculo os valores relativos a fretes internacionais, não se valeu das despesas geradas nas seguintes rubricas: Prestação de Serviços Prestado por Pessoa Jurídica, Arrendamento Mercantil e despesas de veículos. Portanto, entendeu ser credora de R$ 31.610,00 a titulo de PIS e R$ 2.108.355,42, de COFINS. Portanto, ao efetuar um encontro de contas, a Impugnante se declarou credora de R$ 145.599,41 e não devedor de R$ 1.598.554,40. Sustentou que não é de seu conhecimento as razões que levaram o contador a não apresentar os documentos solicitados pelo Fisco, já que os mesmos estavam disponíveis na sede da empresa e agora acompanham esta Impugnação. Alegou ainda que: 3 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS 1) sempre adotou a sistemática de apuração de imposto pelo Lucro Real; 2) no decorrer das intimações, apresentou em primeiro lugar seu pen-drive com as informações solicitadas; 3) seu ex-contador esteve na sede da Receita Federal e levou para ser entregue e protocolado todos os documentos solicitados pelo Auditor em suas intimações mas estes não foram recebidos. 4) existiam informações repassadas pela Impugnante a Receita Federal dentro dos prazos, que dariam elementos para que o Auditor pudesse analisar e jamais lavrar um Auto de Infração; 5) o Auto de Infração deixou de indicar a determinação legal infringida e a penalidade aplicável, limitando-se a declarar que a Impugnante não apresentou documentos solicitados; Argumentou em suas razões que os Autos de Infração estão eivados de vícios posto que a contribuinte efetivamente apresentou tanto a DIPJ como a DCTF, relativas ao ano fiscalizado, de forma que a afirmação de que deixou de apresentar os documentos atinentes aos fatos ocorridos em 2007, por si só, acarretaria a nulidade dos Autos de Infração. Além disso, entendeu que o Fisco não pode impingir a presente exigência com base unicamente na falta de apresentação de arquivos magnéticos da pessoa jurídica. Relatou que seu ex-contador, em 23/04/2010, "se apresentou na Delegacia da Receita Federal, de posse de todos os documentos solicitados, que foram transportados em uma camionete da empresa e que praticamente encheu a caçamba desta, de tudo isso com um protocolo endereçado ao Sr. Aparecido Sidnei Romário, relacionando todos os documentos que estavam sendo entregues em caixas e pastas AZ, conforme faz prova o Protocolo abaixo descrito". A Impugnante descreveu o seguinte rol em que constam os documentos que foram apresentados e segundo ela não recebidos: cópia do contrato social e alterações, pastas contendo movimento de caixa, pastas contendo Cartas de Fretes, pastas contendo Notas Fiscais, pastas de extratos Bancários, pastas contendo faturas telefone e luz, caixas contendo cópia de cheques e depósitos, pastas contendo Faturas de MIC, CRT, CTRC's Nacionais e Internacionais, pastas contendo CTRC's diversos e documentação de janeiro a dezembro de 2007. Continuando seu relato, a Postulante disse que "a informação que a empresa tem, que naquela data o auditor fiscal, quando tomou conhecimento da quantidade de documentos que estavam sendo entregue ao mesmo, não quis ficar com a posse dos documentos, solicitando que o contador retornasse a sede da empresa, pois não iria analisar aquela quantidade de documentos". Com base no art. 61 da Lei n° 9.430/96, no Ato Declaratório (Normativo) n° 01/97 e no art. 5°, XL da Constituição Federal, asseverou ser incabível o percentual aplicado no cálculo da multa de oficio posto que superior ao limite estabelecido em lei. Desta forma, haveria afronta aos Princípios do Não-Confisco, Razoabilidade e Proporcionalidade, frente à aplicação de multa de oficio no percentual de 75%. Entendeu que deve ser aplicada a multa no percentual de 20% de acordo com o previsto no ADN Cosit n° 01/97. Declarou que como não houve qualquer tentativa de omitir informações do Fisco, haja vista que foram apresentadas as declarações dentro dos prazos legais, não sendo 4 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 3 razoável a Administração Pública exigir da contribuinte o pagamento de multa de forma unilateral. Assegurou ainda, que o não cumprimento das obrigações acessórias, apresentação de arquivos magnéticos, se deu por falta de responsabilidade de seu contador à época dos fatos. Segundo despacho de 01/03/2011, a contribuinte apresentou juntamente com a Impugnação documentos que resultaram na formalização de 278 anexos. A 2 Turma da DRJ em Curitiba exarou Acórdão em 07/04/2011 (proc. fls. 178 a 188). De inicio o colegiado esclareceu que não é de sua competência o exame de questões relacionadas a arrolamento de bens ou a depósito recursal, motivo pelo qual o julgamento estaria limitado à lide. Quanto à alegação de nulidade do lançamento, alegou que todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados. Além disso, o mesmo diploma legal prevê no art. 59 as hipóteses de nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, e estas também não ocorreram no presente caso. Concluindo, afirmou que não cabe declarar nulidade sem que a parte demonstre o efetivo prejuízo sofrido e que a forma como foi produzida a Impugnação afasta a tese de nulidade. Relativo ao argumento de que não restou caracterizado situação que ensejasse o arbitramento do lucro, a Turma afirmou que durante todo o transcurso da ação fiscal foi solicitado, pelo menos uma vez ao mês, a apresentação dos livros contáveis e fiscais, bem como diversos outros documentos, os quais, como optante pelo Lucro Real, a contribuinte estaria obrigada a manter. No entanto, parca documentação foi disponibilizada e segundo o disposto no § 2° do art. 259 do Decreto n° 3.000/99, a não manutenção do Livro Razão, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. Desta forma, a negativa em disponibilizar acesso aos registros contábeis, por si só, constitui justificativa ao arbitramento. 0 órgão julgador relatou que desde o inicio da ação fiscal a contribuinte foi intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais, bem como os demonstrativos e arquivos. Asseverou que ao alegar que o ex-contador compareceu A. DRF munido de diversos documentos e que os mesmos não foram recebidos, o que a contribuinte tentou fazer foi transferir para a autoridade fiscal a obrigação de refazer os lançamentos que deveriam constar dos livros solicitados, posto que tais documentos, que agora constam nestes autos como Anexos 1 a 278, não são livros, nem demonstrativos, mas apenas documentos que deveriam dar suporte aos lançamentos na contabilidade, ou seja, aquilo que foi solicitado não consta da entrega. Relativo à alegação de que existem informações passadas à Receita Federal, DIPJ, DCTF e DACON, e que estas seriam suficientes para análise da autoridade lançadora de maneira a afastar a lavratura do Auto de Infração, a DRJ afirmou que a DCTF foi apresentada em branco (proc. fls. 164 a 175) e o DACON não consta nenhum registro (proc. fls. 176), e que isso só comprova a pouca informação disponibilizada. 5 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS . Segundo entendeu a Turma, a contribuinte foi intimada em dezembro de 2009 a apresentar registros referentes a fatos ocorridos em 2007, os quais já deveriam ter sido contabilizados, uma vez que, em 30/06/2008, a contribuinte enviou a DIPJ correspondente. Portanto, não há que se falar que o prazo de 20 dias oferecido pela autoridade fiscal para que a Postulante apresentasse os elementos solicitados pelo Fisco é exíguo. A Turma frisou que a receita bruta tributada objeto do presente Auto de Infração é exatamente a que a contribuinte informou na DIPJ e posteriormente confirmou por meio da correspondência acostada a estes autos a fls. 20. Assim, a Postulante não se mostra coerente quando em sua Impugnação alegou haverem "incorreções" no montante relativo a tal receita. 0 lucro foi arbitrado ante a falta de entrega dos documentos solicitados e evidências de total omissão de receitas na apuração do lucro presumido. 0 órgão julgador afirmou que a ocasião própria para apresentação da escrita contábil e fiscal é durante a fiscalização, haja vista inexistir arbitramento condicional. "Inadmissível, desta forma, a desconsideração do lançamento pela apresentação posterior da documentação antes exigida". Por fim, asseverou que o arbitramento foi feito ao amparo da lei e nada existe no procedimento que vicie o critério adotado, devendo o lançamento, quanto às exigências formuladas a partir da base assim apurada, ser mantido em sua inteireza. Relativo à alegação de que em relação aos lançamentos de PIS e COFINS, não foram considerados os créditos da contribuinte, o órgão julgador a quo esclareceu que na sistemática de lançamento pelo lucro arbitrado não há que se falar em consideração de custos e despesas. A tributação ocorre a partir da aplicação da aliquota correspondente sobre a receita bruta do contribuinte. Por fim, a Turma afirmou que a multa de oficio aplicada está em consonância com a legislação que rege a matéria, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, e, além disso, a graduação da penalidade não se encontra sob a discricionariedade da autoridade administrativa. A contribuinte foi cientificada do Acórdão em 20/04/2011, e apresentou Recurso Voluntário em 23/05/2011. De inicio alegou que não houve qualquer manifestação por parte da Receita Federal no tocante ao direito da Recorrente ter seus documentos juntados quando da Impugnação, efetivamente julgados. Entendeu que deveria ter sido colhida, por meio de oficio, a manifestação do Auditor quanto à alegação de que o ex-contador apresentou vasta documentação em 23/04/2010 a qual não foi recebida. Alertou que também deveria ter sido questionado ao Auditor que lavrou os Autos de Infração, quais foram as poucas informações que subsidiaram a lavratura, posto que a despeito dos documentos apresentados não constou em nenhum momento as despesas da empresa. Afirmou que a duração da ação fiscal não foi causada pela Recorrente, mas sim pela demora do Auditor em analisar o pen-drive e as respostas dadas a cada intimação. Quanto ao arrolamento de bens, argumentou que a autoridade julgadora teceu diversas posições sobre o arrolamento, no entanto não justificou a não necessidade do mesmo, haja vista, ser o patrimônio da Recorrente muito superior ao valor apontado no Auto de Infração. Disse ainda que a Turma não levou em conta o texto do art. 32, § 10 da Lei n° Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 4 11.941/09 que alterou o art. 64 da Lei n° 9.532/97 e que o Auditor que efetuou o arrolamento não respeitou o previsto no art. 64-A do mesmo dispositivo normativo que determina o prioritário arrolamento de bens imóveis. Ainda quanto ao tema arrolamento de bens, a Recorrente afirmou que a constrição dos bens tem atrapalhado sobremaneira o desenvolvimento de suas atividades, e que o órgão julgador foi omisso quanto a este tópico. Além disso, entendeu que a DRJ deveria ter no mínimo, limitado a constrição ao valor do Auto de Infração. No tocante à nulidade do Auto de Infração, alegou que ao contrário do que consta no Acórdão objeto de questionamento, em nenhum momento a Recorrente tentou se esquivar de explicações. Afirmou que os documentos apresentados junto com a Impugnação equivalem aos solicitados e os quais não foram recebidos pelo Auditor. Entendeu que Turma deveria determinar a manifestação do mesmo sobre este incidente, bem como encaminhar a documentação anexada, pois a contribuinte tem o direito de ter seus documentos analisados. Declarou que os Autos de Infração não merecem prosperar posto que eivados de erros e vícios principalmente em relação à descrição das diligências. Entendeu que o próprio agente autuante não observou os prazos para a lavratura visto que demorou 5 meses para analisar o conteúdo do pen-drive e, no entanto, concedeu o exíguo prazo de 20 dias para apresentação de documentos quando do inicio da ação fiscal, bem como concedeu prazos igualmente curtos e sem qualquer urgência real no curso do procedimento de fiscalização. Além disso, afirmou que o Auto de Infração deixou de indicar a determinação legal infringida e a penalidade aplicável, limitando-se a declarar que a Recorrente não apresentou os documentos solicitados por meio de intimações recebidas via correio. Asseverou que apresentou DIPJ e DCTF e, portanto, não procede a alegação de que deixou de apresentar documentos. Entendeu que essa falsa afirmação, por si só, acarretaria a nulidade do referido auto. Voto Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, Relatora. 0 recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Versa o presente processo sobre Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrados frente A constatação de omissão de receitas por meio da sistemática do lucro arbitrado, referente ao ano calendário 2007. Preliminarmente, a Postulante alegou a desnecessidade de arrolamento sob o argumento de que seu patrimônio é muito superior ao valor apontado no Auto de Infração e que a exigibilidade do crédito já se encontra suspensa. Afirmou ser patente a restrição do seu direito de propriedade, que está impossibilitada de comercializar o bem objeto de controle e que se encontra sob "verdadeira constrição patrimonial administrativa". 7 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - Segundo o art. 64 e 64-A da Lei n° 9.532/97, a Autoridade Fiscal esta autorizada a arrolar os bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários for superior a 30% do patrimônio conhecido. Art. 64. A Autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do seu patrimônio conhecido. § 7° 0 disposto neste artigo só se aplica a soma de créditos de valor superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) § 10. Fica o Poder Executivo autorizado a aumentar ou restabelecer o limite de que trata o § 7° deste artigo. Art. 64- A. 0 arrolamento de que trata o art. 64 recairá sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário de responsabilidade do sujeito passivo. Parágrafo único. 0 arrolamento somente poderá alcançar outros bens e direitos para fins de complementar o valor referido no caput. Ao versar sobre o arrolamento de bens imóveis o legislador afirma que se dará de forma prioritária, o que não significa que é obrigatória, como entendeu a Postulante. Entende o Superior Tribunal de Justiça (REsp 686.394/RJ) que o arrolamento fiscal consiste em simples inventário dos bens do devedor, não constituindo qualquer constrição patrimonial. Para o STJ, o objetivo do arrolamento é tão somente permitir ao Fisco monitorar a evolução e a movimentação do patrimônio do contribuinte. Verifica-se que o arrolamento de bens e direitos não acarreta a indisponibilidade dos bens do devedor ou se quer influi na expedição de certidões de regularidade fiscal. Este é o entendimento não só deste Conselho Administrativo como também do STJ, vide: ARROLAMENTO DE BENS — LEI 9.532/97. 0 arrolamento previsto na Lei 9.532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco, ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa e não se confunde com o arrolamento como condição de seguimento de recurso. (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 4' Camara, la Turma Ordinária, acórdão n° 2401-01.182, julgado em 28/04/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARROLAMENTO DE BENS. REQUISITO SUFICIENTE PARA A EXPEDIÇÃO DA CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL (POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA). IMPOSSIBILIDADE. 1. 0 arrolamento de bens, instituído pelo art. 64 da Lei 9.532/97, gera cadastro em favor do Fisco, destinado 8 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CITI Acórcldo n.° 1101-00.685 Fl. 5 apenas a viabilizar o acompanhamento da evolução patrimonial do sujeito passivo da obrigação tributária. Este último permanece no pleno gozo dos atributos da propriedade, tanto que os bens arrolados, por não se vincularem à satisfação do crédito tributário, podem ser transferidos, alienados ou onerados, independentemente da concordância da autoridade fazenddria. 2. Trata-se de procedimento que: a) não versa sobre créditos tributários ainda a vencer; b) não implica qualquer tipo de oneração dos bens do sujeito passivo, em favor do Fisco (penhora), ou medida de antecipação da constrição judicial a ser efetivada na Execução da Divida Ativa da fazenda Pública (caução); e c) não constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 3. Nesse contexto, o arrolamento, isoladamente, não se presta a autorizar a emissão da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (art. 206 do CTN). 4. Recurso Especial provido. (REsp 1.099.026/SC, Rel. Herman Benjamin. Segunda Turma, julgado em 12.5.2009, DJe 20.8.2009) Por fim, vale mais uma vez frisar que o arrolamento não se presta a garantir a execução, não se confundido, portanto, com o instituto da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Caracteriza-se apenas como uma medida acautelatória que visa impedir a dissipação dos bens do contribuinte-devedor. Ainda em preliminar, quanto A. manifestação de nulidade do Auto de Infração, não assiste razão a Postulante. A Recorrente alegou que apresentou documentação idônea e suficiente a afastar o arbitramento do lucro. No entanto, segundo consta dos autos, os únicos documentos apresentados, e que embasaram o arbitramento do lucro, foram a DIPJ, Plano de Contas e Registros Contábeis (saldos mensais e lançamentos contábeis). A DCTF apresentada estava em branco e a DACON não constou registro. Não foram apresentados: Livro Razão, Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, Livro de Registro de Inventário, Livro Registro de Entradas, Registro de Saídas, Apuração do ICMS e Apuração do IPI, Registro de Prestação de Serviços, demonstrativos das bases de cálculo e comprovantes de recolhimento (DRF) para todos os tributos e contribuições administrados pela SRF, Balancetes de Verificação e livros auxiliares. Patente, portanto, que de fato parca documentação foi apresentada pela interessada, o que justifica o arbitramento do lucro. Quanto aos documentos apresentados quando da Impugnação que resultaram nos Anexos 1 a 278 destes autos, conforme afirmação da DRJ em Curitiba, tratam-se na verdade de "documentos que deveriam dar suporte aos lançamentos na contabilidade", não são livros, nem demonstrativos. Segundo o rol apresentado pela própria Recorrente os documentos anexados são: cópia do contrato social e alterações, pastas contendo movimento de caixa, pastas contendo Cartas de Fretes, pastas contendo Notas Fiscais, pastas de extratos Bancários, pastas contendo faturas telefone e luz, caixas contendo cópia de cheques e depósitos, pastas contendo Faturas de MIC, CRT, CTRC's Nacionais e Internacionais, pastas contendo CTRC's diversos e documentação de janeiro a dezembro de 2007. Como já explanado, estes documentos distinguem-se dos solicitados, diferentemente do que afirma a Postulante. 'Pj1( 9 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Verifica-se desta forma que instada a apresentar livros contábeis e fiscais, demonstrativos e balancetes, a que está obrigada a conservar em boa ordem, exibiu apenas documentos que dão suporte e embasamento aos efetivamente solicitados pelo Auditor Fiscal. Neste diapasão, não cabe à Autoridade Fazenddria realizar a escrituração fiscal e contábil da contribuinte, mas sim a análise e verificação destas. Portanto, a exigência da Postulante de ter esses anexos analisados para efeito de afastar o arbitramento do lucro é descabida. Injustificável a postura de empresa de que os documentos solicitados não foram apresentados tendo em vista o desaparecimento do contador. Vale mencionar que a responsabilidade é da contribuinte e as relações desta com seus funcionários não pode ser usada como meio de se eximir de um dever legal. A Recorrente ainda alegou que a duração da ação fiscal seria motivo de nulidade da mesma. Asseverou que a Autoridade Fazenddria demorou 5 meses para analisar o pen-drive apresentado e, no entanto, estabeleceu prazos de 20 ou 5 dias para resposta de intimações. Compulsando os autos, verifica-se que com a ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal foram concedidos 20 dias para que a Recorrente apresentasse documentos (proc. fls. 2 e 3); Intimação n° 382/09, 20 dias (proc. fls. 4 a 6); Reintimação SEFIS n° 58/10, 20 dias (proc. fls. 8 e 9); Intimação SEFIS n° 98/10, 30 dias (proc. fls. 11 e 12); Reintimação SEFIS n° 164/10, 20 dias (proc. fls. 13); Reintimação SEFIS n° 225/10, 20 dias (proc. fls. 14 e 15), e Intimação SEFIS n° 244/10, 5 dias (proc. fls. 16). Dentre as diversas Intimações e Reintimações acostadas a estes autos, constata-se que não procede o argumento da Recorrente. Por diversas vezes foi-lhe aberto prazo para que apresentasse sua escrituração contábil e fiscal bem como declarações prestadas junto à administração tributária. Ou seja, passados mais de nove meses da ciência do inicio da ação fiscal, a Postulante não apresentou os documentos que por lei deveriam estar contabilizados, escriturados e guardados lid no mínimo 2 anos. Não há que se falar no caso em tela de "exiguidade de tempo" ofertado para apresentação dos documentos solicitados. Quanto à alegação de nulidade da ação fiscal em decorrência da sua duração, também não assiste razão a Recorrente. Como é sabido, os prazos de validade e extinção do procedimento de fiscalização estão previstos nos art. 12 e 13 da Portaria SRF n° 6.087/05 a seguir transcritos: "Dos Prazos Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: 1- cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de M191 7-E; 11 - sessenta dias, no caso de MPF-D. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, ern cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. "(grifei) Desta feita, desde que devidamente prorrogado, não há um prazo preestabelecido para o fim da ação fiscal. r*Ilf( 1 0 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 6 Em seu último argumento esposado com o objetivo de anular o Auto de Infração lavrado, a interessada afirmou que não se indicou a determinação legal infringida e a penalidade aplicável. A ação fiscal teve inicio objetivando a verificação da regularidade tributária da contribuinte, e o Auto de Infração foi lavrado ante a evidência de omissão de receitas na apuração do lucro presumido, visto que a Postulante não apresentou os documentos fiscais e contábeis que dariam sustentabilidade ao lucro real apurado. Segue a fundamentação legal que embasou a lavratura do Auto de Infração: RIR/99 Art. 926. Sempre que apurarem infração às disposições deste Decreto, inclusive pela verificaolo de omissão de valores na declaração de bens, os Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional lavrarão o competente auto de infração, com observância do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, que dispõem sobre o Processo Administrativo Fiscal. Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°): III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo tinico do art. 527; Art. 532. 0 lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, 5S. 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n°9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Art. 536. Serão acrescidos a base de cálculo os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 531, auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 e 534 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso II). 5S. 6° Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas jurídicas de que trata este Subtítulo observarão os seguintes procedimentos (Lei n°9.249, de 1995, art. 17): 11 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS I - tratando-se de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser atualizado monetariamente até 31 de dezembro desse ano, não se lhe aplicando qualquer atualização monetária a partir dessa data; II - tratando-se de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuida qualquer atualização monetária. Quanto à penalidade, consta do Auto de Infração a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/96. t o dispositivo legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I — de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Frente a tudo exposto, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. Além disso, os arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72 versam sobre nulidade no processo administrativo fiscal, e o caso em análise não se enquadra nas situações de nulidade previstas pelo ordenamento jurídico pátrio, posto que lavrado o Auto de Infração por pessoa competente e conforme se compulsa os autos foi amplamente franquiada A contribuinte tanto a possibilidade de acesso aos mesmos, como de manifestação. "Art. 59. São nulos: I— os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio." No mérito, o procedimento de fiscalização foi iniciado em 18/12/2009 referente ao ano-calendário 2007, e como é sabido o contribuinte sujeito à tributação pelo lucro real está obrigado a manter em ordem e boa guarda a totalidade dos documentos que consubstanciam os seus registros contábeis. No entanto, após diversas intimações e reintimações, apenas foi entregue A. autoridade fiscalizadora a DIPJ e um pen-drive contendo arquivos relativos A Plano de Contas e Registros Contábeis (saldos mensais e lançamentos contábeis). Desta forma, com base nos arts. 259 e 530, III do RIR/99 a tributação se deu por meio do lucro arbitrado. 12 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 7 "Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei n° 8.218, de 1991, art. 14, e Lei n°8.383, de 1991, art. 62) sS' 2°. A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei n° 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei n°8.383, de 1991, art. 62)". (grifei) "Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°): I — o contribuinte obrigado a tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal" Mesmo frente A evidente não exibição da escrituração fiscal e contábil exigida por lei, a Recorrente aduziu que não estão presentes, no caso em tela, os requisitos para o arbitramento. Não é esse o entendimento já consolidado neste Conselho: OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO ARBITRADO. Inexistente a escrituração regular e não atendidos os requisitos para tributação pelo lucro presumido ou real, impõe-se o regime do lucro arbitrado, que sell aplicado sobre as receitas declaradas e omitidas, compensando-se o imposto recolhido. (CARF, Primeira Seção de Julgamento, 3' Turma Especial, acórdão 1803-00.764, julgado em 26/01/2011) LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 0 fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro. Tendo entregue o livro de Registro de Apuração do ICMS, levam-se em consideração na apuração da base de cálculo as receitas ali escrituradas. (CARF, 4' Camara, P Turma Ordinária, acórdão n° 1401- 00.404, julgado em 16/12/2010) ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS E FISCAIS. /A 13 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS O lucro da pessoa jurídica sell arbitrado quando a interessada, obrigada A. tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. (CARF, 4a Camara, la Turma Ordinária, acórdão n° 1401-00.306, julgado em 05/10/2010) 0 arbitramento foi lastreado em hipótese prevista em lei e em consonância com o entendimento deste Conselho Administrativo, não merecendo, em razão disso, nenhum reparo. Vale mencionar que, no caso em análise, o arbitramento do lucro é a única alternativa e caminho obrigatório a ser seguido pela autoridade lançadora, cuja atividade é vinculada à lei. É importante mais uma vez frisar que os valores auferidos foram obtidos com base na DIPJ, entregue pela contribuinte, e nos poucos documentos apresentados num pen- drive. Além disso, a Recorrente foi instada a se manifestar sobre os cálculos realizados pela autoridade fiscalizadora tendo assentido com os mesmos na correspondência acostada a estes autos A. fls. 20 do dia 30/08/2010. Como é sabido, o arbitramento do lucro não é condicionado, constituído o crédito, é irrelevante a posterior apresentação da escrituração, motivo pelo qual foi requerida a manifestação da interessada antes do lançamento. Em seu pleito, a Postulante ainda questionou a ausência das despesas e deduções quando do arbitramento do lucro. A sistemática que rege o lucro arbitrado prevê apenas a aplicação de uma aliquota sobre a receita bruta. No caso em tela, a Autoridade Fazenddria aplicou o percentual de 8% de conformidade com o disposto no art. 530 e 532 do RIR199. Corroborando COM 0 previsto em lei, segue manifestação deste Colegiado: LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E DESPESAS. 0 arbitramento do lucro se dá por meio de aplicação de um percentual sobre a receita bruta conhecida, não cabendo considerar qualquer tipo de custo ou despesa para determinação da base cálculo. (CARF, 4a Câmara, la Turma Ordinária, acórdão n° 1401-00142, julgado em 11/12/2009) APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação de livros e documentos autoriza o arbitramento do lucro. A apuração afasta a possibilidade de dedução de quaisquer a pretexto de caracterizarem despesa ou custo. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Primeira Camara, acórdão n° 101-96.144, julgado em 23/05/2007) Por derradeiro, não procede a alegação da Postulante de que não restou caracterizada sua má-fé, razão pela qual estaria afastada a cominação da multa de oficio no percentual de 75%, 14 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-C IT! Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 8 No entanto, a aplicação da multa de oficio no percentual de 75% conforme dispõe o art. 44, I da Lei n° 9.430/96, se deu frente à falta de recolhimento do tributo, não se apurando para a sua cominação a ma-fé ou não do contribuinte. "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I — 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Segundo entendeu a Recorrente, "no período da ocorrência do fato gerador do imposto, o percentual de multa estava limitado a 20% conforme o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 01/97 combinado com o art. 61 da Lei n° 9.430196". 0 art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao contrario do que supõe a Postulante, versa sobre o pagamento espontâneo extemporâneo efetuado pelo próprio contribuinte, o que não é o caso em análise. Quanto ao disposto no ADN COSIT n° 01/97, o mesmo versa sobre a retroatividade da aplicação das multas de oficio e de mora aos atos ou fatos pretéritos não definitivamente julgados e aos pagamentos de débitos para com a Unido efetuados a partir de janeiro de 1997. Tais multas estão previstas nos arts. 44 e 61 da Lei n° 9.430/96. Nítido, portanto, que se trata de multas distintas, a multa de oficio e a multa por pagamento espontâneo fora do vencimento. Desta forma, inviável a aplicação dos dispositivos mencionados. Entendo cabível a multa de oficio no percentual de 75%. Por fim, quanto à alegação de que a multa de oficio possui caráter confiscatório, tendo em vista que a aplicação se deu nos exatos termos da lei, não cabe a este juizo a análise da constitucionalidade de lei tributária. Nestes termos segue a súmula n° 2 deste Conselho: Súmula CARE n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por não acolher as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso. Sessão de julgamento, 15 de março de 2012. Nara Cristina Taked aga - Relatora 15 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720195/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS.
Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta adicionado à base tributável do Pis/Cofins conforme documentação anexa aos autos, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação.
Numero da decisão: 1301-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS. Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta adicionado à base tributável do Pis/Cofins conforme documentação anexa aos autos, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15956.720195/2016-61
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986857
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.766
nome_arquivo_s : Decisao_15956720195201661.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
nome_arquivo_pdf_s : 15956720195201661_5986857.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7693149
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660047089664
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-09T13:30:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-09T13:30:35Z; Last-Modified: 2019-04-09T13:30:35Z; dcterms:modified: 2019-04-09T13:30:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:b69663cd-96bb-43f4-b9e5-b14c375faf60; Last-Save-Date: 2019-04-09T13:30:35Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-09T13:30:35Z; meta:save-date: 2019-04-09T13:30:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-09T13:30:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-09T13:30:35Z; created: 2019-04-09T13:30:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-04-09T13:30:35Z; pdf:charsPerPage: 861; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-09T13:30:35Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.997 1 3.996 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.720195/201661 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.766 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria PIS COFINS IRPJ Recorrente CYRELA BRAZIL REALTY SA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS. Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta adicionado à base tributável do Pis/Cofins conforme documentação anexa aos autos, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 95 /2 01 6- 61 Fl. 3997DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Acórdão n.º 1301003.766 S1C3T1 Fl. 3.998 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: 1.Da autuação As infrações imputadas ao sujeito foram : a. Omissão de receita de Juros sobre capital próprio : R$ 26.838.659,98 e b. Omissão de outras receitas financeiras : R$ 8.561.250,86 As receitas omitidas integram também as bases de cálculo da CSLL, Pis e Cofins, razão pela qual os mesmos fatos que fundamentaram a autuação de IRPJ fundamentaram também autos de infração destes outros tributos. 2. Dos fundamentos da autuação Os fatos e informações que fundamentaram a autuação foram expostos no termo de fls 1.255/1272 e, abaixo, resumidamente reproduzidos. 2.1 Omissão de receitas de Juros sobre capital próprio (JSCP) Consultas às Dirfs de terceiros revelam que a Cyrela recebeu R$ 16.076.084,45 a título de JSPC no ano calendário 2012; Apesar dos valores de JSCP informados em DIRF como pagos à Cyrela, na DIPJ referente ao ano calendário 2012 (ND 1385835), Ficha 07 A –“Demonstração do Resultado, PJ em geral” linha 22 – “Receitas de juros sobre capital prórpio” a mencionada empresa não registrou qualquer quantia auferida a este título; Diante de tal inconsistência, o contribuinte foi intimado através do Termo de Início de Procedimento fiscal de 05/08/2015 a apresentar os documentos e esclarecimentos que justificassem a não inclusão dos valores auferidos a título de JSCP na apuração do exercício; Em 13/10/16 o contribuinte protocolou uma resposta à intimação em que apresenta “ planilha com lançamentos dos juros sobre capital próprio, com indicação das contas contábeis onde ocorreram estes lançamentos; planilha com demonstrativos dos valores recebidos a título de JSCP e também quadro demonstativo das contabilizações indicando as contas contábeis envolvidas e demonstrativo de percentual de participação” . Informa ainda, nesta mesma ocasião, que “ os valores informados em DIRF (AC 2012) retratam os rendimentos por ocasião do resgate ou liquidação (regime de caixa) , já os valores contabilizados nas rubricas indicadas são proporcionais porque a empresa é optante pelo lucro real e portanto adota o regime de competência” (sic); Posteriormente, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 01, de 21/03/16, na qual foram solicitados esclarecimentos adicionais sobre a conta “4300101002 – juros ativos diversos”, a pessoa jurídica afirmou, acerca dos registros de JSCP, que “ a contabilização seguiu o texto da Deliberação CVM 207, de 13/12/1996, no entanto , as contas utilizadas para a contabilização e reversão dos juros sobre capital próprio Fl. 3999DF CARF MF 4 pertencem ao mesmo grupo contábil, levando a equívoco no preenchimento da DIPJ referente ao exercício 2013, ano calendário 2012”; A Deliberação CVM 207 de 13/12/96, foi revogada pela Deliberação CVM 683, de 30/08/12, destinada às companhias de capital aberto. . Contudo, para fins tributários prevalecem as disposições do art 347 do RIR/1999 e Lei 9.249/95, conforme determina o § 2º do art 177 da Lei 6.404/76, alterado pela Lei 11.941/2009; Os valores apurados a título de JSCP na contabilidade do contribuinte foram lançados à crédito da conta de resultado “Receitas Financeiras – Juros ativos – 4300101002” “Juros sobre capital próprio 4300401001” . Estes valores totalizam R$ 26.838.659,98, foram tributados a título de omissão de receitas e estão discriminados no Termo de Verificação Fiscal , fls 1265. Conforme a própria interessada reconhece, os valores de JSCP eram registrados como receitas, mas por engano não foram levados a resultado do exercício . 2.2 Omissão de outras receitas financeiras Conforme informações prestadas por terceiros, em suas dirfs, a Cyrela recebeu, em 2012, R$ 71.925.216,31 a título de receitas financeiras referentes a aplicações financeiras de renda fixa, aplicações em fundos de investimento de renda fixa e ganhos líquidos em bolsa; em consulta à DIPJ (referente ao ano calendário 2012 ND 1385835), ficha 07 A – “Demonstração do Resultado PJ em geral” , linha 23 “Outras receitas financeiras”, verificouse que os valores declarados ( R$ 43.139.661,88) são inferiores àqueles informados em DIRF ( R$ 71.925.216,31); Diante de tal inconsistência, o contribuinte foi intimado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal de 05/08/2015, a apresentar esclarecimentos ; Em resposta datada de 13/10/2016, a interessada declara que “ os valores informados em DIRF (AC 2012) retratam os rendimentos por ocasião de resgate ou liquidação (regime de caixa) , já os valores contabilizados nas rubricas indicadas são proporcionais porque a empresa é tributada pelo lucro real, adotando o regime de competência”(sic); Reconhecendo razão às alegações da impugnante, a fiscalização procedeu a apuração das receitas financeiras auferidas em 2012, pelo regime de competência, apurando um novo total de R$ 51.701.112,74, conforme discriminação de fls 1.269; diante deste novo valor, apurado segundo o regime de competência, foi considerado como comprovada a omissão de receitas financeiras no montante de R$ 8.561.250,86 (R$ 51.701.112,74 – 43.139.661,88); 3. Da Impugnação Cientificada da autuação em 26/09/16, a interessada apresentou a impugnação de fls 1284 a 1334 em 08/11/2016, na qual argui, preliminarmente, a nulidade da autuação por cerceamento de direito de defesa com base nas seguintes alegações: a fiscalização foi superficial , sem a adequada apreciação dos documentos que comprovam a tributação das receitas tidas como omitidas. O auto de infração foi lavrado sem que a interessada tenha sido previamente informada da apuração de irregularidades; as omissões de receitas foram presumidas, mas não comprovadas; está sendo exigido da interessada a quantia de R$ 7.100.650,02 a título de Pis e Cofins , mas não foram solicitados quaisquer documentos ou esclarecimentos relativos a apuração destes tributos; Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Acórdão n.º 1301003.766 S1C3T1 Fl. 3.999 5 Quanto ao mérito, a interessada alega , em síntese, que : 3.1 Omissão de receitas de JSCP o exame do Lalur e dos balancetes juntados aos autos (fls 146/163 e 164/718) demonstra que as receitas tidas como omitidas já foram tributadas; houve um equívoco no preenchimento da DIPJ. As receitas de Juros sobre capital próprio, que deveriam ter sido informadas na linha 22 da Ficha 07 A foram registradas na linha 23 da mesma ficha. Logo, o valor de R$ 43.139.861,88 registrado na referida linha 23 inclui o montante de R$ 26.838.659,98, tido como omitido. Tal fato está demonstrado na memória de cálculo e lançamentos contábeis apresentados ao longo da auditoria; no Lalur apresentado (fls 146/163) está evidenciado que os valores de JCP tidos como omitidos foram oferecidos à tributação já que constam como adições ao lucro líquido para fins de apuração ao lucro real. Os R$ 26.838.659,98, tidos como omitidos estão incluídos no total de R$ 90.569.914,08 informado na linha 48 – “Outras adições” da Ficha 9A da DIPJ /2013. Ademais, nos balancetes da impugnante (fls 706 dos autos) , na ficha relativa a dez/2012, constatase que o valor de R$ 26.838.659,98 foi vinculado à conta 4300401001; A comprovação de que os rendimentos de JSCO foram tributados e incluídos na DIPJ é suficiente para legitimar o aproveitamento das respectivas retenções ao fim da apuração anual; No processo administrativo fiscal deve prevalecer o princípio da verdade material; 3.2 Omissão de Outras receitas Financeiras no cálculo da diferença a tributar, no valor de R$ 8.561.250,86, foram considerados como receitas valores que, na verdade, são despesas; ao analisar a conta 4300301002 a autoridade fiscal desconsiderou o sinal do valor de R$ 3.939.000,00, relativo a variações cambiais. Esta quantia, na verdade, corresponde a despesa decorrente de contrato celebrado entre a impugnante e o banco Votorantim. Tais contratos foram juntados aos autos; às fls 47 da impugnação (fls 1330 dos autos) foram elaboradas tabelas que comparam as apurações das receitas finaceiras feitas pela fiscalização e pela interessada. A interpretação equivocada de sinais resultou numa diferença de R$ 7.878.000,00 entre ambas as apurações ( R$ 3.939.000 duplicado pela troca de sinais). A defasagem entre a omissão apontada pela fiscalização (8.561.250,86) e o erro decorrente da troca de sinais ( R$ 7.878.000,00) resulta no montante de R$ 683.250,86, que representa a real e correta diferença a tributar no que se refere ao IRPJ e CSLL; consoante regras estabelecidas no art 5º da Lei 9.779/99, os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa estão sujeitos à incidência de IRRF na modalidade de antecipação. O registro dos rendimentos da pessoa jurídica deve ser feito mês a mês, independentemente de sua efetiva realização, conforme regime de competência; Fl. 4001DF CARF MF 6 Por este motivo, é natural que haja divergências entre a DIRF, que segue o regime de caixa, e a DIPJ; A tributação de rendimentos oriundos de operações de renda fixa conferem à interessada o direito de deduzir de sua apuração anual o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre aqueles rendimentos; 3.3Pis e Cofins a fiscalização agiu como se o Pis e a Cofins fossem meros reflexos do IRPJ. Porém, tal procedimento não pode prosperar uma vez que o fato gerador das contribuições é mensal e o fato gerador do IRPJ é anual; Devem ser consideradas as especificidades das apurações mensais das contribuições ( Pis e Cofins); O Decreto 5.442/2005, que revogou o Decreto 5.164/04, reduziu a zero, para as empresas que adotam a sistemática de não cumulatividade, alíquota do Pis e da Cofins sobre receitas financeiras. As únicas excepcionadas foram as receitas oriundas de Juros sobre capital próprio e operações de hedge; A interessada Incluiu na base de cálculo por ela apurada para o Pis e Cofins os juros sobre capital próprio no valor de R$ 26.838.59,98. A fiscalização não apurou tal fato porque limitouse a tratar o Pis e Cofins como meros reflexos do IRPJ; 3.4 Ilegalidade É ilegal a incidência de juros selic sobre a multa de ofício. A decisão da autoridade de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 2779 e segs. e ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTOS BASE. ALTERAÇÃO Incabível que a auditoria altere informações pontuais constantes do documento que serviu de base para a omissão de receitas sem justificar o fato. OMISSÃO DE RECEITAS. JSCP. Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta como adição ao lucro líquido para fins de apuração ao lucro real, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação. SELIC. INDEXAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por expressa determinação legal, a Selic incide sobre a totalidade do crédito tributário constituído. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS e CSLL Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista a decisão de primeira instância, o lançamento foi revisto em parte de forma a: Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Acórdão n.º 1301003.766 S1C3T1 Fl. 4.000 7 I) Retificar as bases de cálculo do IRPJ e CSLL do ano calendário 2012 para o valor de (R$264.202.338,69) ; II) Considerar devidos o Pis no valor de R$ 442.837,40 e a Cofins no valor de R$ 2.039.735,88, ambos acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Para melhor ilustração, vale citar trecho da conclusão do voto condutor da decisão ora recorrida: 9. Conclusão Por todo o exposto, concluo pelo prosseguimento parcial da exigência tributária. As novas bases tributáveis de IRPJ e CSLL, bem como os novos valores devidos de Pis e Cofins passam a ser os abaixo discriminados : 9.1 IRPJ ()Base de cálculo declarada em DIPJ AC 2012 : ( R$ 264.885.589,55) (+)Base de Cálculo não impugnada : R$ 683.250,86 (+)Base de cálculo reajustada: (R$ 264.202.338,69) 9.2 CSLL ()Base de cálculo declarada em DIPJ AC 2012 : ( R$ 264.885.589,55) (+)Base de Cálculo não impugnada: R$ 683.250,86 (+)Base de cálculo reajustada: (R$ 264.202.338,69) 9.3 COFINS Cofins devida : R$ 26.838.659,25 * (7,60/100) = R$ 2.039.735,88, conforme abaixo discriminado, por período de apuração: Fev/2012 – R$ 440.700,37 Junho/2012 – R$ 512.074,96 Dezembro /2012 R$ 1.086.960,55 9.4 PIS Pis devido : R$ 26.838.659,25 * (1,65/100) = R$ 442.837,40, conforme abaixo discriminado, por período de apuração : Fev/2012 – R$ 95.678,37 Junho/2012 – R$ 111.174,17 Dezembro /2012 R$ 235.984,86 Cientificado da decisão de primeira instancia em 10/04/2017, o contribuinte apresentou, fl. 2822 e segs, em 09/05/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. Em sessão de julgamento de 20 de fevereiro de 2018, este colegiado decidiu por converter o processo diligência pela seguinte motivação: A motivação atribuída pela decisão de primeira instância para manutenção do lançamento em relação a incidência de Pis/Cofins sobre receitas relativa a Juros Sobre Capital Próprio se deu com base na análise de documentação relativa a IRPJ e CSLL. O voto condutor do acórdão recorrido limitouse a afirmar não ter identificado a tributação dessas receitas de JCP na linha 23 da Ficha 7A da DIPJ/2013 e, por isso, manteve a autuação. Neste sentido, transcrevo respectivo trecho do voto condutor da decisão recorrida (fl. 2800): Alega a interessada, em sua impugnação que a receita de R$ 26.838.659,98, relativa a Juros sobre capital Próprio, teria sido incluída, indevidamente, no valor Fl. 4003DF CARF MF 8 de R$ 43.139.661,88, informado na Ficha 7A, linha 23, “ Outras Receitas Financeiras”. Por tal motivo, conforme afirma, a referida receita já teria sofrido a incidência do Pis e da Cofins. Porém, conforme já demonstrado no item 05 deste voto, os Juros sobre Capital Próprios apurados para o ano de 2012 não foram incluídos na Ficha 7A, linha 23, “Outras Receitas Financeiras”, restando, portanto, sem respaldo a alegação de que as receitas em questão já teriam sido tributadas pelo Pis e Cofins. Em analise ao Termo de Verificação Fiscal se verifica que a fiscalização tampouco se debruçou sobre documentação específica do Pis/Cofins (DACON, DCTF, contas contábeis), provavelmente por ter considerado simplesmente que tais tributos são reflexos do IRPJ/CSLL. Em verdade, o que se verifica é que tal documentação sequer foi requerida pela fiscalização a contribuinte. Concluise pela necessária identificação da falta de tributação do Pis/Cofins sobre as receitas de Juros sobre Capital Próprio na documentação específica relativa a tais tributos para que se possa afirmar com precisão que tais tributos são deveras devidos. Vale ressaltar que em sede recursal, alega a contribuinte que os valores foram devidamente pagos mediante compensação com saldo negativo de IRPJ, juntando documentação relativa. Necessária seria a analise de tal documentação acostada aos autos. Neste sentido, encaminho os presentes autos para diligencia de modo que retornem a autoridade fiscalizadora para que esta analise toda a documentação já acostada aos autos e, se necessário, intime a contribuinte a juntar documentação complementar relativa ao Pis/Cofins ora debatido emitindo laudo conclusivo que permita conduzir o julgamento ao convencimento necessário das autoridades em relação ao recolhimento de tais tributos sobre as receitas auferidas a titulo de Juros sobre Capital Próprio. Após a juntada de uma série de documentos comprobatórios e intimações por parte do auditor fiscal responsável pela diligencia, foi apresentado relatório de diligencia fiscal em 09/08/2018, fls. 3929 e segs. Após manifestação da contribuinte acerca do relatório, o processo retornou a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Acórdão n.º 1301003.766 S1C3T1 Fl. 4.001 9 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Conforme acima mencionado, a decisão de primeira instancia reformou o lançamento no que se refere ao IRPJ, CSLL em relação às duas infrações imputadas a contribuinte, quais sejam: a. Omissão de receita de Juros sobre capital próprio : R$ 26.838.659,98 e b. Omissão de outras receitas financeiras : R$ 8.561.250,86 As receitas omitidas integraram também as bases de cálculo da Pis e Cofins, razão pela qual os mesmos fatos que fundamentaram a autuação de IRPJ fundamentaram também autos de infração destes outros tributos. Em relação ao Pis/Cofins incidente sobre as outras receitas financeiras foi reconhecido que não havia indicação do mês de ocorrência dos fatos geradores, cancelando o auto de infração neste ponto. Sendo assim, o único item pendente de divergência, e que se passa a analisar, relacionase à infração de Pis e Cofins sobre receitas relativa a Juros Sobre Capital Próprio, receitas estas que teriam sido omitidas. Conforme acima relatado, o julgamento foi convertido em diligencia para que fossem apreciados os documentos relativos ao recolhimento do Pis/Cofins sobre receitas relativa a Juros Sobre Capital Próprio, juntados aos autos pelo contribuinte oportunamente, tendo em vista omissão na analise de tais documentos por parte da autoridade julgadora de primeira instancia. Relatório fiscal de diligência (fl. 3933 e segs) A conclusão do Relatório fiscal de diligencia após expor através de tabelas ilustrativas sua analise foi no seguinte sentido: "Analisando os esclarecimentos e a documentação acostada neste procedimento podemos concluir pelo provimento do recurso do contribuinte, e asseverar que, das receitas auferidas de Juros Sobre o Capital Próprio do contribuinte nos valores de R$ 5.798.689,07 (02/2012), R$ 6.737.858,39 (06/2012) e R$ 14.302.112,51 (12/2012), totalizando R$ 26.838.659,98, no anocalendário de 2012, foram completamente declaradas e recolhidas em relação às contribuições Fl. 4005DF CARF MF 10 para o PIS e a COFINS. Estes documentos e esclarecimentos são corroborados pelas informações colhidas nos sistemas da Receita Federal do Brasil (...) Desta forma, concluímos que os valores das receitas auferidas de Juros Sobre o Capital Próprio (JCP) do contribuinte nos valores de R$ 5.798.689,07 (02/2012), R$ 6.737.858,39 (06/2012) e R$ 14.302.112,51 (12/2012), totalizando R$ 26.838.659,98, no anocalendário de 2012, foram completamente declaradas e recolhidas em relação às contribuições para o PIS e a COFINS." Considerando o reconhecimento pela autoridade de origem da correta declaração e recolhimento do Pis/Cofins das receitas de JCP, seja através dos documentos apresentados, seja através dos dados dos sistemas informatizados disponíveis, forçoso se faz reconhecer dos argumentos de defesa do contribuinte. As preliminares não serão analisadas no presente voto em conformidade com o disposto no art. 59 Regimento Interno do CARF. Desta forma, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, REJEITAR as preliminares de nulidade para no mérito darlhe PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 4006DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000751/2002-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-008.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10940.000751/2002-30
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986829
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.218
nome_arquivo_s : Decisao_10940000751200230.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10940000751200230_5986829.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7692973
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660051283968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10940.000751/200230 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.218 – 3ª Turma Sessão de 19 de março de 2019 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PROFORTE S/A TRANSPORTE DE VALORES ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 07 51 /2 00 2- 30 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10940.000751/200230 Acórdão n.º 9303008.218 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3802004294, de 19/03/2015, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSUBSISTÊNCIA. EQUÍVOCO. COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO. Diante da insubsistência do motivo do ato administrativo fiscal (“proc. jud. de outro CNPJ”), cumpre à DRJ o acolhimento da impugnação, com o consequente cancelamento do auto de infração. Descabe ingressar no exame da suposta convalidacã̧o da compensação das parcelas dos débitos tributários, uma vez que se trata de matéria estranha à fundamentação originária do auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. A insurgência da Fazenda Nacional centrase no fato de que o CNPJ que consta do processo judicial seria o da matriz e não da filial, subsistindo assim a motivação do lançamento. O recurso especial foi admitido por meio de despacho aprovado pelo então presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em contrarrazões, o contribuinte pede o não conhecimento do recurso especial e, caso conhecido, o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido, por não ter comprovado a necessária divergência jurisprudencial. Nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é necessário que o contribuinte demonstre que outras turmas do Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10940.000751/200230 Acórdão n.º 9303008.218 CSRFT3 Fl. 4 3 CARF, analisaram a mesma matéria e deram à legislação tributária interpretações diferentes em relação ao acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) Portanto, passemos a analisar as situações fáticas do acórdão recorrido em comparação com os dois primeiros acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional. Situação fática do acórdão recorrido Nele foi efetuado lançamento, por meio de auto de infração eletrônico, para exigência de PIS referente aos fatos geradores ocorridos no terceiro trimestre de 1997. A motivação do lançamento foi "PROC JUD DE OUTRO CNPJ". Em sua impugnação, o contribuinte comprovou que possuía a ação judicial, a qual estava registrada com o CNPJ da matriz. Ao julgar a impugnação, a 1ª turma da DRJ/Ribeirão Preto, confirmou a existência da ação judicial, a qual beneciava tanto a matriz quanto a filial. Entrou no mérito da compensação e afastou a exigência da multa de ofício. Para demonstrar esta conclusão, transcrevo o seguinte excerto do voto da DRJ: (..) Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10940.000751/200230 Acórdão n.º 9303008.218 CSRFT3 Fl. 5 4 Em face do exposto, julgo procedente, em parte, a impugnação para (i) excluir do lançamento a multa de ofício, (ii) reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS, (iii) o direito de o interessado compensar os créditos financeiros, decorrentes dos pagamentos a maior do PIS, efetuados nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, em relação aos valores devidos nos termos das LC nº 7. de 1970, e nº 17, de 1973, cabendo à autoridade administrativa apurar os indébitos (créditos financeiros) e seu montante, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, na medida cautelar inominada nº 95.00594188, ação principal nº 96.00021570, e convalidar a compensação dos débitos, objeto do crédito tributário em discussão, até o limite do montante apurado, exigindose possível saldo e/ ou débitos não extintos pela convalidação ora determinada. (...) O acórdão recorrido, como vimos, cancelou o lançamento com o entendimento que, ao comprovar a existência da ação judicial, estaria afastada a motivação do lançamento, sendo incabível entrar no mérito da compensação pois tratariase de matéria estranha ao lançamento. Situação fática do acórdão paradigma nº 20214657 Aqui não se trata de lançamento eletrônico em decorrência de revisão da DCTF do contribuinte. Tratase de lançamento normal de PIS por falta de recolhimentos da contribuição. A discussão nele travada diz respeito à possibilidade de centralização do recolhimento do PIS. A acusação fiscal era de que os pagamentos efetuados pela matriz não aproveitavam a filial. Portanto, esse paradigma não serve para comprovar a divergência, pois fundado em situações fáticas bem diferentes do acórdão recorrido. Situação fática do acórdão paradigma nº 20217205 O processo trata de lançamento eletrônico para exigência da Cofins em razão de "PROC JUD DE OUTRO CNPJ". Ou seja, a situação do lançamento é idêntica ao do acórdão recorrido. Porém, neste o contribuinte não conseguiu comprovar que possuía a ação judicial. Ao contrário, ficou comprovado que nele o provimento judicial não alcançava as filiais. A própria ementa comprova a não inclusão das filiais no pólo ativo da ação judicial: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10940.000751/200230 Acórdão n.º 9303008.218 CSRFT3 Fl. 6 5 Ementa: DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. Rejeitada a inclusão de filial no pólo ativo da ação proposta pela matriz; não prospera a alegação de que a compensação foi efetuada sob amparo judicial, subsistindo exigíveis os débitos que teriam sido compensados, especialmente ante a ausência de pedido administrativo de compensação e de prova da existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado. (...) Importante ressaltar que no acórdão recorrido reconheceuse a existência da ação judicial e que esta amparava tanto o estabelecimento matriz como suas filiais. Diferentemente, como visto, neste paradigma concluiuse que a filial não possuía provimento judicial a amparar as suas compensações. Conforme consta do relatório do acórdão paradigma, a petição inicial do contribuinte foi aditada para inclusão das filiais no pólo ativo da ação judicial. Sendo que o provimento judicial obtido teria sido no seguinte sentido: "(...) JULGANDO PARCIALMENTE PROCEDENTE A AÇÃO DECLARATÓRIA, para declarar o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos, excluídos os montantes recolhidos por filiais situadas em outras cidades (...)" Portanto, diante do exposto, voto por não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.963927/2009-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.968
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.963927/2009-28
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970062
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.968
nome_arquivo_s : Decisao_15374963927200928.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 15374963927200928_5970062.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7646816
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660054429696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15374.963927/200928 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.968 – 3ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria PAF. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 27 /2 00 9- 28 Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.627, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de COFINS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.627 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 4 3 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1838DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002836/2005-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001
TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA. SÚMULA.
É devida a incidência dos juros de mora, à taxa referencial SELIC, sobre a multa de ofício, consoante enunciado da Súmula CARF n.º 108.
Numero da decisão: 9303-008.407
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Acordam os membros do colegiado,
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA. SÚMULA. É devida a incidência dos juros de mora, à taxa referencial SELIC, sobre a multa de ofício, consoante enunciado da Súmula CARF n.º 108.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13839.002836/2005-51
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989653
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.407
nome_arquivo_s : Decisao_13839002836200551.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 13839002836200551_5989653.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam os membros do colegiado, (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7698078
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660082741248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1181; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 625 1 624 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13839.002836/200551 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.407 – 3ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente ENGEPACK EMBALAGENS SÃO PAULO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA. SÚMULA. É devida a incidência dos juros de mora, à taxa referencial SELIC, sobre a multa de ofício, consoante enunciado da Súmula CARF n.º 108. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam os membros do colegiado, (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 28 36 /2 00 5- 51 Fl. 626DF CARF MF Processo nº 13839.002836/200551 Acórdão n.º 9303008.407 CSRFT3 Fl. 626 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3302002.037, de 23 de abril de 2013 (fls. 325 a 334 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, integrado pelo acórdão n° 3302002.769, de 12/11/2014, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado contra o Contribuinte, em razão da falta de lançamento e recolhimento do IPI, pelo aproveitamento de (i) créditos indevidos, os quais se originaram na aquisição de insumos isentos e que (ii) foram transferidos de outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica. Segundo a fiscalização, embora o Contribuinte tenha impetrado Mandado de Segurança n° 1999.61.050185156, para creditar insumos adquiridos com isenção na Zona Franca de Manaus, a liminar foi indeferida e a sentença denegada, portanto, nenhum dos créditos lançados em sua escrituração, relativos à transferência de tais insumos, possuiriam base legal ou respaldo judicial. Desta forma, foi constituído o crédito tributário no valor de R$7.569.611,02, inclusos multa de oficio e juros de mora. Inconformado com a autuação, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que não recebeu insumos isentos, mas sim em transferência, com destaque do IPI, portanto não existiria concomitância entre o presente processo e o judicial, mesmo assim, defende o direito ao crédito na aquisição de insumos isentos com os mesmo argumentos da ação judicial e que os estabelecimentos da pessoa jurídica não devem ser considerados como autônomos e independentes em detrimento da unidade da empresa e que tal transferência de créditos decorre do princípio da nãocumulatividade, sendo que a Fl. 627DF CARF MF Processo nº 13839.002836/200551 Acórdão n.º 9303008.407 CSRFT3 Fl. 627 3 autonomia prevista para o IPI teria apenas o condão de facilitar o controle e administração do imposto, sem interferir no direito constitucional da compensação dos débitos e créditos entre estabelecimentos. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001 CRÉDITOS DE INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. MANDADO DE SEGURANÇA E RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ARGUMENTOS APRESENTADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO E PRECLUSÃO. Consideramse preclusos os argumentos apresentados no recurso voluntário, sem que tenham sido apresentados na impugnação de lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001 PRODUTOS FABRICADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os produtos isentos por terem sido produzidos na Zona Franca de Manaus não perdem tal condição até que tenham sido utilizados na fabricação de Fl. 628DF CARF MF Processo nº 13839.002836/200551 Acórdão n.º 9303008.407 CSRFT3 Fl. 628 4 outro produto. Não se configura, assim, tais saídas como saídas de produtos tributados. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Não há no ordenamento jurídico previsão legal para a transferência de créditos entres estabelecimentos da mesma empresa, à vista do princípio da autonomia dos estabelecimentos. Recurso Voluntário Negado Após a decisão supra, o Redator designado para a redação do voto vencedor interpôs embargos de declaração (fls. 335), arguindo a ocorrência de omissões no acórdão embargado, em razão do fato de que duas das matérias alegadas no recurso voluntário não haviam sido objeto de apreciação pela turma de julgamento, não tendo havido, por conseguinte, pronúncia quanto (i) à não aplicação da multa de ofício por existência de decisão definitiva da CSRF acerca do direito ao crédito na aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e (ii) à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Os embargos de declaração foram acolhidos (fls. 338 a 353), tendo sido exarado o acórdão de nº 3302002.769, de 12/11/2014, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001 EMBARGOS ACOLHIDOS . OMISSÃO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, restando preclusa sua alegação em recurso voluntário. EMBARGOS ACOLHIDOS. OMISSÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 13839.002836/200551 Acórdão n.º 9303008.407 CSRFT3 Fl. 629 5 Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Embargos Acolhidos em Parte. Crédito Tributário Mantido. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 408 a 432) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte dizem respeito às seguintes matérias: i Concomitância. Ausência de perfeita identidade da matéria controvertida nas instâncias administrativa e judicial; ii Inexistência de renúncia à esfera administrativa quando há inequívoco entendimentos dos tribunais superiores; iii Crédito do IPI na aquisição de insumos isentos; iv Transferência de crédito entre estabelecimentos da mesma empresa; v Inaplicabilidade da taxa Selic sobre a multa de ofício. Para comprovar as divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigmas os seguintes acórdãos: i referente à matéria – Concomitância. Ausência de perfeita identidade da matéria controvertida nas instâncias administrativa e judicial, foram indicados os acórdãos de nºs CSRF/0303.460 e 10320.720; ii referente à matéria Inexistência de renúncia à esfera administrativa quando há inequívoco entendimentos dos tribunais superiores, foi indicado o acórdão de nº 20213.738; iii – referente à matéria Inexistência de renúncia à esfera administrativa quando há inequívoco entendimentos dos tribunais superiores, foram indicados os acórdãos de nºs CSRF/0202.154 e CSRF/0202.364; iv referente à matéria Transferência de crédito entre estabelecimentos da mesma empresa, foi indicado o acórdão de nº 20403.200; v referente à matéria Inaplicabilidade da taxa Selic sobre a multa de ofício, foi o acórdão de nº 340301.619. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas – documento de fls. 454 a 576. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de fls. 579 a 588, sob o argumento que somente em relação à matéria referente à aplicação de juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício, restou configurada a divergência jurisprudencial. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 13839.002836/200551 Acórdão n.º 9303008.407 CSRFT3 Fl. 630 6 No reexame de admissibilidade (fls. 589/590), o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto pelo Contribuinte, foi mantido na íntegra. O Contribuinte apresentou agravo às fls. 605 a 609, sendo que este foi rejeitado e também foi tornado sem efeito o despacho de reexame de admissibilidade (fls. 589/590), conforme despacho de fls. 612 a 616. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 592 a 595 manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade parcial do recurso conforme despacho de fls. 579 a 588. Do Mérito No mérito, a controvérsia gravita em torno da possibilidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria submetida a julgamento do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em sessão realizada no dia 03 de outubro de 2018, resultando na edição da Súmula CARF n.º 108: Súmula CARF nº 108 Fl. 631DF CARF MF Processo nº 13839.002836/200551 Acórdão n.º 9303008.407 CSRFT3 Fl. 631 7 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Acórdãos Precedentes: CSRF/0400.651, de 18/09/2007; 10322.290, de 23/02/2006; 10323.290, de 05/12/2007; 10515.211, de 07/07/2005; 10616.949, de 25/06/2008; 303 35.361, de 21/05/2018; 140100.323, de 01/09/2010; 910100.539, de 11/03/2010; 910101.191, de 17/10/2011; 920201.806, de 24/10/2011; 920201.991, de 16/02/2012; 1402002.816, de 24/01/2018; 2202003.644, de 09/02/2017; 2301005.109, de 09/08/2017; 3302001.840, de 23/08/2012; 3401004.403, de 28/02/2018; 3402004.899, de 01/02/2018; 9101001.350, de 15/05/2012; 9101001.474, de 14/08/2012; 9101001.863, de 30/01/2014; 9101002.209, de 03/02/2016; 9101003.009, de 08/08/2017; 9101003.053, de 10/08/2017; 9101003.137 de 04/10/2017; 9101003.199 de 07/11/2017; 9101003.371, de 19/01/2018; 9101003.374, de 19/01/2018; 9101003.376, de 05/02/2018; 9202003.150, de 27/03/2014; 9202004.250, de 23/06/2016; 9202004.345, de 24/08/2016; 9202005.470, de 24/05/2017; 9202005.577, de 28/06/2017; 9202006.473, de 30/01/2018; 9303002.400, de 15/08/2013; 9303003.385, de 25/01/2016; 9303005.293, de 22/06/2017; 9303005.435, de 25/07/2017; 9303005.436, de 25/07/2017; 9303005.843, de 17/10/2017. Nos termos do art. 45, inciso VI do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria CARF n.º 343/2015, o enunciado de súmula do CARF é de observância obrigatória pelos seus conselheiros, razão pela qual, com ressalva ao entendimento pessoal desta Relatora (acórdão n.º 9303004.403), é de ser reconhecida a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 632DF CARF MF Processo nº 13839.002836/200551 Acórdão n.º 9303008.407 CSRFT3 Fl. 632 8 Fl. 633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996933/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.778
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.996933/2012-23
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5973592
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-001.778
nome_arquivo_s : Decisao_10880996933201223.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880996933201223_5973592.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7657415
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660104761344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.996933/201223 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.778 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto PIS/PASEP Recorrente INTERCEMENT BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 93 3/ 20 12 -2 3 Fl. 14917DF CARF MF Processo nº 10880.996933/201223 Resolução nº 3401001.778 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.952. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 14918DF CARF MF Processo nº 10880.996933/201223 Resolução nº 3401001.778 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 14919DF CARF MF Processo nº 10880.996933/201223 Resolução nº 3401001.778 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 14920DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720137/2016-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INTERDEPENDENTE. PRÁTICA DE ATO FRAUDULENTO. REDUÇÃO ARTIFICIAL DA BASE DE CÁLCULO.
A introdução de pessoa jurídica, na condição de comercial-atacadista exclusiva, interdependente de uma outra fabricante de produtos sujeitos à incidência concentrada das Contribuições para o PIS e Cofins, para que se interponha entre o fabricante-vendedor e o cliente, que se revela desnecessária, prescindível e sem comprovação de redução de custos e despesas na etapa de fabricação-venda, com redução artificIal da receita bruta da industrial, mediante a prática de simulação e subfaturamento, revela planejamento tributário abusivo e ilícito cuja finalidade é a redução fraudulenta da base de cálculo dos tributos devidos.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE DOLO.
Não é viável a qualificação da multa de ofício quando inexistir dolo por parte do contribuinte, mas mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DO DOLO.
Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio-administrativa na pessoa jurídica autuada. A conduta dolosa deve ser evidenciada e identificado quem a praticou para que tal seja responsabilizado solidariamente.
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se o pedido de diligência quando seu objeto consubstancia-se elemento de prova cujo ônus é do contribuinte, que não o exerceu em momento regularmente previsto (arts. 12 a 17 do Decreto nº 70.235/72), mormente quando intimado pela autoridade fiscal e manteve-se inerte.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Numero da decisão: 3201-004.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: a) Por maioria de votos, negou-se a realização de diligência suscitada pelo conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, acompanhado pelo conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; b) Por unanimidade de votos, afastou-se a responsabilidade solidária das pessoas físicas; e c) Por maioria de votos, reduziu-se a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, relator, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que mantinham a multa no percentual lançado. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deram provimento ao Recurso Voluntário. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário..
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INTERDEPENDENTE. PRÁTICA DE ATO FRAUDULENTO. REDUÇÃO ARTIFICIAL DA BASE DE CÁLCULO. A introdução de pessoa jurídica, na condição de comercial-atacadista exclusiva, interdependente de uma outra fabricante de produtos sujeitos à incidência concentrada das Contribuições para o PIS e Cofins, para que se interponha entre o fabricante-vendedor e o cliente, que se revela desnecessária, prescindível e sem comprovação de redução de custos e despesas na etapa de fabricação-venda, com redução artificIal da receita bruta da industrial, mediante a prática de simulação e subfaturamento, revela planejamento tributário abusivo e ilícito cuja finalidade é a redução fraudulenta da base de cálculo dos tributos devidos. RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE DOLO. Não é viável a qualificação da multa de ofício quando inexistir dolo por parte do contribuinte, mas mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DO DOLO. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio-administrativa na pessoa jurídica autuada. A conduta dolosa deve ser evidenciada e identificado quem a praticou para que tal seja responsabilizado solidariamente. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se o pedido de diligência quando seu objeto consubstancia-se elemento de prova cujo ônus é do contribuinte, que não o exerceu em momento regularmente previsto (arts. 12 a 17 do Decreto nº 70.235/72), mormente quando intimado pela autoridade fiscal e manteve-se inerte. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16095.720137/2016-88
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5978447
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.699
nome_arquivo_s : Decisao_16095720137201688.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16095720137201688_5978447.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: a) Por maioria de votos, negou-se a realização de diligência suscitada pelo conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, acompanhado pelo conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; b) Por unanimidade de votos, afastou-se a responsabilidade solidária das pessoas físicas; e c) Por maioria de votos, reduziu-se a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, relator, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que mantinham a multa no percentual lançado. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deram provimento ao Recurso Voluntário. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7672949
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660129927168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 3.197 1 3.196 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720137/201688 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.699 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria PIS_COFINS CUMULATIVO Recorrente LABORATORIOS STIEFEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INTERDEPENDENTE. PRÁTICA DE ATO FRAUDULENTO. REDUÇÃO ARTIFICIAL DA BASE DE CÁLCULO. A introdução de pessoa jurídica, na condição de comercialatacadista exclusiva, interdependente de uma outra fabricante de produtos sujeitos à incidência concentrada das Contribuições para o PIS e Cofins, para que se interponha entre o fabricantevendedor e o cliente, que se revela desnecessária, prescindível e sem comprovação de redução de custos e despesas na etapa de fabricaçãovenda, com redução artificIal da receita bruta da industrial, mediante a prática de simulação e subfaturamento, revela planejamento tributário abusivo e ilícito cuja finalidade é a redução fraudulenta da base de cálculo dos tributos devidos. RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE DOLO. Não é viável a qualificação da multa de ofício quando inexistir dolo por parte do contribuinte, mas mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DO DOLO. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócioadministrativa na pessoa jurídica autuada. A conduta dolosa deve ser evidenciada e identificado quem a praticou para que tal seja responsabilizado solidariamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 37 /2 01 6- 88 Fl. 3197DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.198 2 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando seu objeto consubstanciase elemento de prova cujo ônus é do contribuinte, que não o exerceu em momento regularmente previsto (arts. 12 a 17 do Decreto nº 70.235/72), mormente quando intimado pela autoridade fiscal e mantevese inerte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: a) Por maioria de votos, negouse a realização de diligência suscitada pelo conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, acompanhado pelo conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; b) Por unanimidade de votos, afastouse a responsabilidade solidária das pessoas físicas; e c) Por maioria de votos, reduziuse a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, relator, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que mantinham a multa no percentual lançado. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deram provimento ao Recurso Voluntário. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.199 3 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/ RS. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase de impugnação contra os Autos de Infração (fls. 2.490 a 2.546) 1 relativos às contribuições de PIS (lançamento de R$ 14.985.548,61) e de Cofins (lançamento de R$ 70.208.266,97) totalizando um crédito tributário de R$ 85.193.815,58, com multa e juros 2. Os períodos abrangidos foram de dezembro de 2011 a dezembro de 2012. A fiscalização começou em 25/03/2014, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal das fls. 2 a 3. De acordo com os autos, o impugnante foi intimado pela fiscalização a apresentar vasta documentação contábil e fiscal, a seguir discriminada: contrato social e alterações; memória de cálculo para demonstrar os débitos apurados nos DACONs; receitas auferidas no mercado interno e externo; balancetes mensais e demonstrativos para todas as receitas apuradas nos DACONs; relação de todos os produtos fabricados pelo estabelecimento, contendo código da mercadoria, descrição, classificação fiscal e alíquota; demonstrativo identificando todos os produtos vendidos e os respectivos adquirentes; a utilização de serviços de armazenagem e logística; consultas realizadas junto à RFB; ações judiciais envolvendo IPI, PIS e Cofins; nome do responsável da empresa para o presente procedimento fiscal; justificativas e comprovações pela utilização de preços unitários de venda diferentes e inferiores para a empresa GLAXOSMITHKLNE (GSK) em relação aos demais clientes; apresentar planilha demonstrando para cada produto produzido a composição dos preços unitários de venda, segregando os custos de fabricação e financeiros; relação de medicamentos; lista de preços de medicamentos; informação do critério utilizado para a composição dos preços de venda de produtos a GSK; entre outros. Foram juntados aos autos os seguintes documentos: planilha com os preços praticados para GSK (fls. 31 a 39); planilha com os preços praticados para os demais clientes (fls. 40 a 46); contratos entre a Stiefel e a GSK (fls. 47 a 62); forma como os pedidos de compra da GSK são recebidos pela Stiefel (fls. 63 a 65); pedidos da GSK (fls. 66 a 69); DACONs (fls. 118 a 546); Termo de Declaração da GSK (fls. 550 a 552); contrato sobre aquisição da Stiefel pela GSK (fls. 566 a 589); contrato de comodato de imóvel (fls. 590 a 600); instrumentos particulares com alterações contratuais, fornecimentos e distribuições (fls. 601 a 790); notas fiscais de serviço (fls. 791 a 824); listagem de pagamentos da GSK para a Stiefel (fls. 825 a 836); relação de funcionários da GSK (fl.s 837 a 842); fotos da Stiefel e GSK (fl. 843); notas fiscais de remessa da Stiefel para GSK (fls. 844 a 849); notas fiscais de retorno de mercadoria do depósito fechado Fl. 3199DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.200 4 da GSK (fls. 850 a 902); planilha de vendas da Stiefel (fls. 903 a 986); planilha de vendas GSK – Stiefel (fls. 987 a 999); notas fiscais de vendas de produtos monofásicos (fls. 1.000 a 2.396); comparativo de vendas da Stiefel para com a GSK e para com terceiros (fls. 2.397 a 2.400); valores médios de vendas da Stiefel para outras empresas não ligadas (fls. 2.401 a 2.402); valores médios de vendas feitas pela GSK (fls. 2.403 a 2.424); demonstrativo de apuração de diferenças de PIS e de Cofins (fls. 2.472 a 2.489); entre outros. Com base nessa relação de informações prestadas pelo contribuinte a fiscalização teria detectado irregularidades fiscais as quais foram consignadas no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais das fls. 2.425 a 2.471. De acordo com esse Relatório Fiscal não teriam restado dúvidas de uma arquitetura de operações implementada pelo Grupo Stiefel/GSK (vendas de produtos industrializados pela Stiefel por valores subfaturados a GSK), configurando ato ilícito por ser abusivo e ilegal. Essa prática de fraude estaria reduzindo indevidamente as bases de cálculo das contribuições. A tributação monofásica concentraria, por seu próprio conceito, a tributação de toda a fase produtiva, sendo que através de práticas de simulação estabelecidas por esse grupo econômico fraudouse esse sistema através dos referidos subfaturamentos. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária entre os Laboratórios Stiefel Ltda. e a Glaxosmithkline do Brasil Ltda. (GSK), conforme fls. 2.549 a 2.554. Foram também considerados sujeitos passivos solidários: a) Artur Pedro Lemos da Fonseca (fls. 2.557 a 2.562), o qual atuava como Diretor Financeiro da GSK; b) César Martin Rengifo Dussan, o qual era DiretorPresidente da GSK (fls. 2.566 a 2.572); c) Gilberto Francisco Ugalde Chacon, o qual era Diretor VicePresidente da Unidade de Consumo da GSK (fls. 2.574 a 2.580); d) João Márcio Alves Ferreira, o qual era Diretor de Recursos Humanos e Administrativo da GSK (fls. 2.582 a 2.588); e) Milton de Oliveira, o qual era Diretor Industrial da GSK (fls. 2.590 a 2.596); f) Waldir Allan Kardec Bonetti, o qual era Diretor Industrial da Laboratórios Stiefel (fls. 2.599 a 2.605). As ciências para todos os sujeitos passivos solidários se encontram juntadas aos autos através dos Avisos de Recebimentos do Correio. Apensouse a esses autos o processo de nº 16095.720142/201691, em 13/01/2017, o qual trata da Representação Fiscal para Fins Penais de todos os envolvidos (fl. 2.608). Cabe esclarecer que diante da gravidade das Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.201 5 irregularidades constatadas aplicouse a multa qualificada de 150 % para os períodos lançados. O contribuinte e todos os sujeitos passivos solidários arrolados apresentaram a impugnação conjuntamente das fls. 2.611 a 2.660, em 23/01/2017, (conforme Termo de Solicitação de Juntada da fl. 2.610), fazendo, em síntese, as seguintes ponderações: QUE os lançamentos de ofício se basearam na alegação de planejamento tributário abusivo no processo de integração de atividade da Stiefel Brasil e GSK, as quais comporiam um grupo econômico, pela prática de subfaturamento nas vendas de produtos industrializados de uma para outra, produtos esses sob tributação monofásica. QUE seriam necessários alguns esclarecimentos iniciais sobre o procedimento de aquisição global dos Laboratórios Stiefel pelo Grupo GSK, e de sua organização de atividades no Brasil. A GSK adquiriu a totalidade do capital da Stiefel em 22/07/2009. É feito um longo detalhamento do processo de integração dessas atividades. Em que pese a aquisição da totalidade da empresa, é informado que teria ocorrido a opção apenas pela integração das atividades comerciais. QUE sobre a presunção de subfaturamento não tem fundamento nas provas apresentadas, nem existem ilícitos a ensejar a tributação da forma pretendida na autuação, visto que a autoridade fiscal não cumpriu seu ônus de comprova efetivamente a ocorrência de tal subfaturamento. QUE a comparação de vendas feitas pela GSK com vendas feitas pra terceiros seria impraticável, pois essas vendas seriam distintas em suas funções e riscos. Além disso, no período objeto da autuação fiscal, a Stieffel não teria vendido um mesmo produto para a GSK e terceiros ao mesmo tempo. QUE a comparação feita com os preços praticados pela GSK na revenda para terceiros não pode ser considerada, pois as atividades comerciais de promoção, venda e distribuições foram concentradas na GSK. QUE a redução ocorrida na receita bruta da Stieffel decorreu da atividade que a Stiefel passou a desenvolver, o que implicou na sua redução de despesas. Cita decisões do CARF. QUE houve insuficiência de fundamentação legal no tocante à alegação do planejamento tributário abusivo e ilegal, ou seja, não teria ocorrido o devido enquadramento legal. Menciona o princípio da legalidade tributária específica. Diz que para a autoridade administrativa desconsiderar atos ou negócios juridicamente válidos e eficazes, sob alegação de alteração ou dissimulação, teria que observar procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Até o presente Fl. 3201DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.202 6 momento o referido dispositivo legal não teria sido devidamente regulamentado pelo poder legislativo. Diz que não poderia ser utilizado o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Da mesma forma não poderia se fundamentar no art. 187, do Código Civil, pois os mesmos não seriam suficientes para caracterizar o suposto ilícito. O fiscal teria cometido um erro material inescusável ao afirmar que haveria um desequilíbrio na livre concorrência desse setor econômico. Deve ser cancelada a autuação no tocante à alegação de existência de planejamento tributário ilegal por completa insuficiência de fundamentação legal. QUE se observa inexistência de ato contrário a lei, tendo em vista que não existe exigência de um preço mínimo a ser praticado entre empresas interligadas. Cita acórdãos do CARF. Complementa a defesa que as margens de lucro praticadas pela Stiefel são equivalentes ou até mesmo superiores a outras empresas (apresenta um relatório de auditoria da KPMG). QUE não se pode considerar existente planejamento tributário ilegal quando a GSK, após uma aquisição mundial do maior laboratório privado de produtos dermatológicos, decidiu implementar um modelo gradual de união de atividades. Além disso, a autoridade fiscal em nenhum momento aponta que as empresas Stiefel e GSK não existiram de fato. QUE não se pode considerar existente planejamento tributário ilegal quando a GSK, após uma aquisição mundial do maior laboratório privado de produtos dermatológicos, decidiu implementar um modelo gradual de união de atividades. Além disso, a autoridade fiscal em nenhum momento aponta que as empresas Stiefel e GSK não existiram de fato. QUE ocorreu ausência e erro na quantificação das bases de cálculo, visto a inexistência de dispositivo legal que autorize a utilização da base de cálculo adotada pelo fiscal. Isso porque o fiscal autuante tomo como base de cálculo o preço bruto médio de venda dos produtos praticados pela GSK Brasil. Diz que a Stiefel apresentou toda a documentação fiscal e contábil não autorizando a técnica do arbitramento. E, ainda assim, deveria praticar como critério de arbitramento o preço praticado pelas empresas manufatureiras para as distribuidoras, e não destas para o consumidor final. Não teria sido considerada a dedução dos descontos incondicionais, vendas canceladas, IPI e ICMS ST, ao se considerar o preço bruto médio de venda. Também não teriam sido considerados produtos que não teriam a incidência concentrada/monofásica, sob a alegação de que o intuito da operação era apenas reduzir a carga tributária. Cita produtos que não poderiam ser objeto da presente autuação (fl. 2.638). Diz, ainda, que não teriam sido considerado no preço efetivo cobrado as amostras que industrializa e vende para a GSK, visto que essas sequer são vendidas pela empresa ao público. Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.203 7 QUE houve presença de propósito negocial, regulatório e econômico, sendo que em nenhum momento o fiscal teria questionado a composição dos preços praticados pela Stiefel com a GSK. O fiscal teria simplesmente feito uma relação entre a queda drástica no lucro líquido e na receita líquida. Diz que ele teria ignorado que a Stiefel mudara o seu escopo, deixando de ser uma empresa que atuava da fabricação até a venda final de seus produtos no mercado em geral. As atividades comerciais de promoção, venda e distribuição foram transferidas para a GSK Brasil. A Stiefel teria tido uma sensível redução da sua matriz de riscos, migrada para a GSK. Como parte dessa integração 187 funcionários da Stiefel foram transferidos para a GSK. Mesmo após a alteração de escopo a Stiefel teria mantido uma margem de lucro absolutamente compatível com as demais empresas. Ressalta que a Stiefel atuaria apenas na industrialização por encomenda para diversas empresas com margem de lucro inferior ao com a GSK. QUE as alterações contratuais da Stiefel e GSK não traz elementos probatórios que suportem as acusações feitas pela fiscalização. A filial da GSK não teve nenhuma acusação do fiscal de que seria uma empresa “fantasma” ou que inexistisse de fato. O fato da Stiefel e a GSK funcionarem no mesmo endereço não significa ilegalidade, pois duas ou mais empresas podem compartilhar as mesmas estruturas comuns, ainda mais quando do mesmo grupo econômico. Cita acórdão do CARF. A diligência fiscal realizada também não teria sido suficiente para comprovar as acusações fiscais. QUE se verifica a inexistência de fraude penal, afastandose a multa agravada, devendo ser afastado a agravamento para 150 %. Isso porque não foi comprovada a acusação de planejamento tributário abusivo. Repete os motivos já narrados da inexistência de subfaturamento. Comenta que a mera discordância da autoridade fiscal em relação ao modelo adotado pelo contribuinte não é razão por si só suficiente para justificar a apontada fraude. Cita jurisprudência administrativa. QUE deve ser afastada a responsabilização tributária dos diretores pessoas físicas pelas razões comentadas anteriormente e também pelo afastamento da responsabilização tratada no art. 135, do CTN. Nesse ponto o Auto de Infração é completamente genérico, responsabilizando as pessoas responsáveis pela administração das empresas à época dos fatos geradores. A responsabilização dos diretores exige a vinculação direta e a participação efetiva nos atos, não podendo se responsabilizar pela suposta ausência de recolhimento de tributos. Cita a Súmula nº 430 do STJ. Diz que caberia à fiscalização o ônus de provar que os atos dos representante se enquadrariam nas hipóteses do art. 135. Menciona julgamento do art. 13 da Lei nº 8.620/93. Aponta que o STF teria interpretado que o representante da empresa somente responderia por dívidas tributárias decorrentes de descumprimentos de obrigações próprias suas. Defende que o atingimento do patrimônio de pessoas físicas em decorrência de dívidas empresariais fere a Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.204 8 legislação ordinária, inibe a atividade empresarial e afronta a Constituição que estabelece o livre exercício da profissão e da atividade econômica. Por fim, entendem que restou amplamente demonstrado que a presente autuação não se sustenta, seja pelos vícios preliminares que evidenciam a nulidade material do lançamento, seja pelo próprio mérito no qual defende que restou demonstrado pelas provas apresentadas que as acusações da fiscalização não correspondem à verdade dos fatos. Complementam dizendo que se comprovou a imperiosa exclusão dos administradores do polo passivo da presente autuação, em face da inexistência de comprovação de forma específica e pormenorizada de que estes atuaram com infração à lei, ao estatuto, contrato social ou excesso de poderes, como exige o art. 135 do CTN, tratandose a acusação fiscal de verdadeira situação de responsabilização objetiva dos diretores por suposta ausência de recolhimento de tributos, o que é rechaçado pelo entendimento do STJ, do STF e também do CARF. Requerem que seja reconhecida a nulidade material dos Autos de Infração, objeto do processo em epígrafe ou, caso assim não se entenda, que seja reconhecida a improcedência integral da autuação, em face da ausência de comprovação, bem como da inexistência do apontado subfaturamento, assim como do alegado planejamento tributário abusivo ou ilegal, cancelandose a exigência em sua totalidade. Caso não acolhido o pedido antecedente, requerem que seja afastada a multa agravada em face da inexistência de fraude à lei e de conduta dolosa por parte do sujeito passivo e que sejam desconstituídos os vínculos de responsabilidade dos diretores pessoas físicas em virtude da ausência de comprovação das situações descritas no artigo 135 do CTN. Ademais, pugnam pela realização de todas as diligências necessárias à comprovação das suas razões de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 10058.954, sessão de 25/05/201, indeferiu as preliminares de nulidades e pedido de perícia, e julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado e a responsabilidade solidária dos arrolados nos Termos de Sujeição Passiva. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. SUBFATURAMENTO. Para se aferir o limite para as Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.205 9 operações de planejamento tributário é preciso indagar se existe motivo extratributário para a realização do ato ou negócio jurídico, ou seja, se há propósito negocial. Constata se aqui a ausência de propósito negocial, sendo o objetivo único a redução considerável da tributação de PIS e de Cofins, mediante venda simulada subfaturada pela indústria para empresa comercial ligadas ao mesmo grupo econômico, visando reduzir apenas a base de cálculo sujeita à incidência monofásica daquelas contribuições. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. O planejamento tributário abusivo e ilegal praticado pelo grupo econômico evidencia a conduta dolosa de impedir o conhecimento da real base de cálculo dos tributos, ensejando, pois, a qualificação da multa de ofício aplicada. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio, visto o pedido ser feito de forma genérica. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação do próprio contribuinte. ADMINISTRADORES. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os administradores da empresa – diretores, gerentes ou representantes, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte as condutas tipificadas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, respondem pelo crédito tributário de forma solidária, nos termos do art. 124 combinado com o art. 135 do Código Tributário Nacional. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. SUBFATURAMENTO. Para se aferir o limite para as operações de planejamento tributário é preciso indagar se existe motivo extratributário para a realização do ato ou negócio jurídico, ou seja, se há propósito negocial. Constatase aqui a ausência de propósito negocial, sendo o objetivo único a redução considerável da tributação de PIS e de Cofins, mediante venda simulada subfaturada pela indústria para empresa comercial ligadas ao mesmo grupo econômico, visando reduzir apenas a base de cálculo sujeita à incidência monofásica daquelas contribuições. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. O planejamento tributário abusivo e ilegal praticado pelo grupo econômico evidencia a conduta dolosa de impedir o Fl. 3205DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.206 10 conhecimento da real base de cálculo dos tributos, ensejando, pois, a qualificação da multa de ofício aplicada. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio, visto o pedido ser feito de forma genérica. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação do próprio contribuinte. ADMINISTRADORES. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os administradores da empresa – diretores, gerentes ou representantes, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte as condutas tipificadas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, respondem pelo crédito tributário de forma solidária, nos termos do art. 124 combinado com o art. 135 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário reiterando as mesmas matérias versadas em impugnação para reforma da decisão recorrida no sentido de, em preliminar, anular o auto de infração e, no mérito, pugna pelo cancelamento do crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário, que foi interposto empeça única em nome do contribuinte e demais pessoas que compõem o polo passivo na condição de responsáveis solidários, atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne do litígio é o inconformismo dos autuados em face do lançamento de ofício baseado na acusação de planejamento tributário abusivo no processo de integração de atividade do Laboratório Stiefel STIEFEL, e a Glaxosmithkline do Brasil GSK, as quais comporiam um mesmo grupo econômico, tendo a fiscalização afirmado ter constatado a prática de subfaturamento nas vendas de produtos industrializados de uma para outra, produtos esses sob o sistema de tributação monofásica (Lei nº 10.147/2000). As matérias suscitas na preliminar: "Presunção de Subfaturamento"; "Insuficiência de Fundamentação legal no tocante à alegação de planejamento tributário abusivo e ilegal"; e "Inexistência de ato contrário a Lei", como apontaram as recorrentes seriam nulidades materiais e não descumprimento dos requisitos de que tratam os arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Essas matérias confundemse com o próprio mérito do recurso; assim, serão enfrentadas em tópicos próprios. Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.207 11 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS: A incidência concentrada de PIS e Cofins de determinados produtos e a reorganização dos negócios das pessoas jurídicas desse ramo de atividade. É recorrente neste Conselho, julgamentos de matéria análoga ao presente litígio e que merece considerações iniciais para a perfeita elucidação e enfrentamento do contencioso no presente processo. A receita bruta das pessoas jurídicas estava sujeita à incidência das contribuições sociais para o PIS/Pasep e para a Cofins, a teor do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, não havendo qualquer limitação da tributação quanto às etapas da cadeia econômica (produção e comercialização). A Lei nº 10.147/2000, de 21/12/2000, com efeitos somente aos fatos geradores a partir de 01/05/20011, instituiu em seu art. 1º2 a incidência monofásica na tributação de PIS e Cofins para a pessoa jurídica que industrializa ou importa determinados produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, com alíquotas substancialmente superiores (2,02% para o PIS, e 10,3% para a Cofins) à tributação normal do regime nãocumulativo. Para essa gama de produtos, determinou o art. 2º dessa mesma Lei 3 que a incidência sobre a receita bruta da pessoa jurídica industrial/importadora é única (concentrada), e expressamente reduziu a zero as alíquotas de PIS e Cofins nas receitas com a revenda efetuadas pelas pessoas jurídicas adquirentes do fabricante/importador: Em síntese, até 30/04/2001 o PIS e a Cofins sobre a receita bruta na venda ou revenda de determinados produtos farmacêuticos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal alcançavam todas as pessoas jurídicas. A partir de 01/05/2001, essas contribuições passaram a incidir apenas sobre a receita bruta da pessoa jurídica fabricante ou importadora de referidos produtos. A etapa de revenda deixou de ser tributada (alíquota zero) pelas Contribuições. Como consequência da novel tributação no setor, grupos econômicos passaram a reestruturar seus negócios de forma que o padrão de operação tradicional, que 1 Art. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2001, ressalvado o disposto no art. 4o. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 2 Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: [...] 3 Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.208 12 compreendia a industrialização e venda efetuada pelo fabricante a seus clientes, foi substancialmente modificado. A partir de então, pessoa jurídica, do mesmo grupo econômico, (já existente, recém constituída ou com alteração substancial de seu instrumento social com adequação para o fim proposto, com a peculiaridade de ser desprovida de depósitos de armazenagem próprios e compartilhar as mesmas instalações e serviços do fabricante) passa a exercer, com exclusividade, a atividade de comercialatacadista ou simplesmente revendedora na aquisição e revenda dos produtos monofásicos da indústria aos mesmo clientes desta. Assim, o fabricante não mais efetua venda direta de sua produção a clientes (terceiros não vinculados), mas é impelido (contratualmente) a fazêla à pessoa jurídica do grupo ao qual pertence por valores substancialmente reduzidos, que os revende aos mesmos clientes que outrora adquiriam esses produtos diretamente do fabricante, por preços que se aproxima daqueles praticados quando da venda indústriacliente. O efeito imediato desse modelo de negócio foi a redução expressiva na receita bruta da industrial e a consequente redução dos tributos que incidem na operação PIS/Pasep, Cofins e IPI, além do efeito no IRPJ e CSLL. Por outro lado, na revenda da comercialatacadista para o cliente, em que a receita bruta é expressivamente maior em relação à da industrial, não há incidência de PIS/Pasep e de Cofins, a teor do mencionado art. 2º da Lei nº 10.147/2000. É de se presumir que a introdução de uma etapa de operação de revenda realizada por uma pessoa jurídica, que até então não participava da operação de industrializaçãovenda direta a clientes, não traz ganhos operacionais ou econômicos ou redução de custos, pelo simples fato desse acréscimo implicar novos gastos, antes inexistentes, tais como: financeiros, operacionais, trabalhistas, administrativos, armazenamento e logísticos, e outros tantos mais. As fiscalizações setoriais realizadas pela Receita Federal tem concluído amiúde que a citada reorganização dos negócios de grupos econômicos que se dedicam às atividades empresariais com produtos sujeitos à tributação concentrada consubstanciamse em planejamento tributário por vezes abusivos e/ou ilegais e eivadas de conduta fraudulenta que visam à sonegação fiscal, mediante simulação e o subfaturamento de preços praticados nas operações de "vendas" da indústria para a comercialatacadista, pertencentes ao grupo. A acusação fiscal de simulação e subfaturamento recai normalmente no conjunto probatório de ausência de fundamento econômico e financeiro do acréscimo da etapa realizada pela comercialatacadista, sem ganho econômico, no qual a finalidade, via de regra, é exclusivamente a redução do tributo na cadeia de comercialização de produtos de incidência concentrada, e a redução artificial de preços o subfaturamento na operação intragrupo (venda da industrial para a comercial), ao passo que o preço praticado na operação de revenda, da comercialatacadista para o cliente, mantém na mesma faixa que antes era praticado pela industrial. Apresentado o panorama geral das operações de comercialização de produtos sujeitos à tributação estabelecida pela Lei nº 10.147/2000, realizadas antes e após os efeitos de sua vigência, e as adaptações de cunho organizacional de grupos econômicos sujeitos a essa modalidade de tributação, da qual resultou em diminuição da receita bruta na etapa industrial e Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.209 13 consequente redução de PIS/Pasep e Cofins, mantendose a lucratividade na venda a terceiros, cumpre analisar os fatos que permeiam a situação dos autos. Entendo ser indiscutível que a matéria central posta em julgamento é fática, e não de direito. Isto porque incontroverso que o recorrente sujeitase à tributação de que trata a Lei nº 10.147/2000. O Fisco acusou o grupo que compõe a STIEFEL e GSK de alterar o modo de negócio da primeira, que passou a se dedicar à industrialização de medicamentos e/ou produtos farmacêuticos e sua venda com exclusividade a GSK, com a redução artificial de preço, caracterizandose o subfaturamento, por meio de um planejamento tributário abusivo, mediante a simulação da operação de revenda da GSK para os clientes da STIEFEL, sendo que a verdadeira operação permaneceu como anteriormente da STIEFEL a seus clientes. Assim, as matérias submetidas a julgamento neste Colegiado cingemse à comprovação da (i) existência de um planejamento tributário abusivo (ii) mediante a simulação de operações de venda entre SIETEL e GKS, (iii) cujos preços são subfaturados, cujo efeito foi a redução ilegal da base de cálculo das contribuições. 2. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E SIMULAÇÃO Antes de passar aos subtópicos pontuais da matéria, analisamse as considerações gerais da fiscalização para afastar o planejamento tributário no tocante ao objeto do procedimento de auditoria e as contestações dos recorrentes A autoridade fiscal asseverou que o “planejamento tributário” realizado, teve como razão única a diminuição do ônus dos tributos e contribuições incidentes nas operações do grupo econômico, sendo certo que não houve propósito negocial ou razões econômicas que justificassem a venda, para a GSK, de produtos a preços subfaturados. Expõe entendimentos doutrinário e jurisprudencial, no tocante aos limites do poder de autoorganizarse, assentados no princípio de que a essência deve prevalecer sobre a forma e conclui pelo abuso de direito, quanto ao modo do seu exercício cuja finalidade única foi de pagar menos tributo, e afronta aos princípios constitucionais da boafé, dos bons costumes, e do fim econômico e social. Dessa forma, diante das ilicitude constatadas, o Fisco recusou os efeitos da reorganização das atividades do Grupo STIEFEL/GSK, no âmbito tributário, tratando a situação concreta como "planejamento tributário" abusivo e ilegal. Os argumentos e fundamentos do Fisco foram rebatidos pelos recorrentes que sustentaram que o planejamento realizado inserese no modelo de negócio efetivado após a aquisição mundial da STIEFEL pela GSK, não podendo ser considerado abusivo e ilegal. Há evidente propósito negocial, regulatório e econômico na reorganização das pessoas jurídicas e de suas atividades. Passo a enfrentar as situações fáticas em que residem os fundamentos das partes e os pontos de discordâncias em sustentar suas posições. São elas: (i) aquisição global dos Laboratórios Stiefel pelo Grupo GSK e da sua organização de atividades; (ii) alterações Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.210 14 contratuais da Stiefel e GSK; (iii) ausência de propósito negocial, regulatório e econômico; e (iv) simulação. O subfaturamento, enquanto elemento essencial do planejamento tributário abusivo e ilícito, será enfrentado em tópico próprio. 2.1 Aquisição global dos Laboratórios Stiefel pelo Grupo GSK e da sua organização de atividades A narrativa fiscal dá conta de que embora a aquisição da STIEFEL pelo Grupo GSK, as operações no Brasil limitaramse à integração das atividades comerciais que passaram a ser realizadas exclusivamente pela GSK, a teor do contrato de prestação de serviços compartilhados, datado de 30/04/2010. Esse fato caminha no sentido de ser indício de que a finalidade da reorganização foi o de planejar a interrupção da venda direta da STIEFEL para seus clientes de forma que somente a GSK realizasse tal operação. O efeito, como explanado alhures, foi a redução da receita bruta apenas da Sitefel, que fora transferida para a GSK, para que esta não se submetesse à tributação das Contribuições e os valores apurados e recolhidos pela Sitefel sofressem sensível redução. 2.2 As alterações contratuais da Stiefel e GSK Alegam os recorrentes que as alterações contratuais entre a Stiefel e a GSK não trariam elementos probatórios que dessem suporte às acusações feitas pelo Fisco, visto que as empresas existiam de fato. O mesmo endereço da Stiefel e da GSK não significaria ilegalidade, pois duas ou mais empresas podem compartilhar as mesmas estruturas, ainda mais quando do mesmo grupo econômico. De outro lado, a diligência realizada não teria sido suficiente para comprovar as acusações fiscais. Cita acórdão do CARF. O modelo de negócio praticado após a transferência da atividade comercial da STIEFEL para a GSK está amparado em documentos formalmente regulares. Certamente revela uma estrutura de negócios que fora meticulosamente reorganizada para se alcançar o objetivo de redução da tributação por intermédio de planejamento tributário abusivo que, todavia, não coincide com a realidade fática revelada na autuação fiscal o planejamento abusivo/ilegal e o subfaturamento de preços, que se demonstrará a frente. Dessa forma, o compartilhamento da localização física, e dos demais elementos da estrutura empresarial da STIEFEL com a GSK, ambas interdependentes, é apenas um dos componentes do rearranjo da atividade de produção e venda a clientes de produtos sujeitos à tributação concentrada com a finalidade precípua de redução ilícita de tributos. A existência física e jurídica de ambas não afasta a realidade da incompatibilidade entre o negócio declarado e aquele revelado no procedimento fiscal eis que parte da simulação , que ao final permitiu a autoridade fiscal concluir acertadamente pela ilicitude do planejamento tributário empreendido pela contribuinte. 2.3 Propósito negocial, regulatório e econômico Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.211 15 Na matéria, insurgemse os recorrente quanto à acusação fiscal de inexistência de propósito negocial no modelo de negócio que passou a ser empreendido pelo Grupo STIELFEL/GSK. Rebatem as acusações com a afirmação de quer a STIEFEL transferiu funcionários à GSK e ainda manteve margem de lucro compatível em relação às demais empresas. A contribuinte justifica a redução da margem de lucro da Stiefel na diminuição de suas despesas que foram "transferidas" para a GSK. Essa redução de despesas não fora demonstrada nem comprovada. A decisão recorrida discorreu acerca das constatações da autoridade fiscal e os fundamentos que sustentam a ausência de propósito negocial no novo modelo de negócio do Grupo. Procedem os argumentos do Fisco e os fundamentos da DRJ para considerarem inexistentes motivos econômicos e financeiros que excederiam a mera redução da carga tributária, de modo a justificar o novo modelo de negócio que trouxe redução da receita bruta e a consequente queda na margem de lucro. Entendo que a justificativa para tal redução não se encontra na diminuição das despesas, pois que, matematicamente, a redução simultânea de receita e despesa tende a manter a mesma margem de lucro líquido, a menos que a redução da receita bruta seja extremamente superior à redução das despesas para resultar em redução da lucratividade na ordem de 71,83% para 32,57%, comparandose os anos de 2011 (vendas Sitefelclientes) e 2012 (vendas StiefelGSK). Ao meu ver, os fatos apontam para sensível redução na receita bruta da STIEFEL decorrente da redução dos preços praticados entre esta e a comercialatacadista, interdependentes, que não foi proporcionalmente afetada pela redução de custos e despesas. Tratase, em verdade, de arranjo que visa não a prolatada eficiência econômicafinanceira, mas, sobretudo, economia tributária, que no presente caso resultou de prática de atos considerados fraudulento, por meio de simulação e subfaturamento. Não é crível que a inserção de uma comercial atacadista entre a industrial e os clientes (grandes redes de drogarias) tenha resultado maior receita e lucratividade nas vendas totais do Grupo Sitefel/GSK. Vislumbrase que o negócio é extremamente lucrativo para o Grupo não pela redução de custos de "intermediação" da GSK, mas sim pela sensível alteração da receita bruta na venda da industria e na revenda pela comercial, com redução expressiva na primeira e aumento vertiginoso na segunda, cuja explicação reside no planejamento abusivo, simulado, fraudulento e no subfaturamento de preços para reduzir ilicitamente a base de cálculo das Contribuições. Desnecessária maior expertise em negócio e finanças para concluir que a venda direta da STIEFEL para seu cliente final reduziria os custos e despesas incorridos na etapa de transferência para GSK e desta para o cliente. São custos e despesas com pessoal, instalações, ativos, logística e outras mais que certamente incorrerem em ambas. Contudo, é exatamente a inclusão dessa etapa, ao meu ver injustificável, que permite a venda majorada em cerca de até 5 vezes em relação aos custos de produção. Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.212 16 Eis ai o despropósito da venda intermediária da STIEF para GSK. O resultado da operação com produtos de incidência concentrada é que a STIEFEL reduz sua receita e tributação de PIS e Cofins, a GSK nada paga dessas Contribuições e ainda pratica os mesmos preços na venda aos clientes da STIEFEL. 2.4 A simulação É indiscutível a liberalidade de empresas realizarem reorganizações de negócio com fins ao desmembramento de atividades econômicas, pois respaldada em princípios constitucionais, como o da livre iniciativa. Todavia, a legislação pátria não ampara negócios realizados artificialmente mediante fraude, simulação e sonegação fiscal. Plácido e Silva conceitua simulação como “o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui (...) No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Ed Saraiva, 2007, p. 231) Simulação corresponde, portanto, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Em geral, devido a sua própria natureza, a simulação é de difícil comprovação documental. Há a presença de dois atos, o ato simulado, do qual há documento ostensivo, e o ato dissimulado que é o que se intenta esconder. Assim, visto que sua ação é dissimulada sob forma diversa, fica muito difícil que se encontre a chamada prova cabal da sua ocorrência, pois esconder o ato dissimulado é da própria natureza da simulação, sendo assim se faz necessário perquirirse a real intenção dos agentes no momento da prática do ato. Para sua demonstração, devese lançar mão de provas indiciárias e presuntivas. No discorrer de seu relatório, fiscalização trilhou este caminho ao descrever os indícios que apontavam para formas de operação e rearranjo societário que no somatório e conjunção das provas coligidas permitiram afirmar que se tratava de atos e negócios que conferiam certa aparência que, entretanto, não correspondiam à realidade. No Relatório Fiscal a autoridade relata a aparência formal dos atos praticados pela STIEFEL/GSK e a sua realidade material que se consubstanciaram em inúmeras alterações sociais promovidas em estabelecimento da GSK, que estrategicamente fora inserido nas instalações físicas da STIEFEL e dela se utilizou de depósitos, de mãodeobra e de outros Fl. 3212DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.213 17 elementos de infraestrutura próprios de uma pessoa jurídica que se dedica ao comércio atacadista. Com a adequação formal ao modelo de negócio proposto, no dia 29/12/2011, os estoques de mercadorias da STIEFEL foram "transferidos" para os depósitos da GSK4, conforme afirmativa expressa do próprio contribuinte em seu recurso voluntário (fl. 3.010). Portanto, não houve venda, mas sim uma mera "transferência" de produtos acabados cujo preço unitário consignado em notas fiscais foram em cerca de 26,94% do efetivo preço médio de venda praticado no período (fl. 2.449). A partir de então, a STIEFEL deixou formalmente de realizar vendas diretamente a seus clientes, em razão da obrigação contratual de fornecer toda a sua produção à GSK, sendo remunerada pelo custo de fabricação, acrescido dos tributos e markup, que se mostrou inexistente para 54 dos produtos com incidência concentrada de PIS e Cofins, de um total de 78 negociados no período (como se verá no tópico "3. Subfaturamento" desde voto). A economia tributária por intermédio de transações simuladas revelouse a real motivação da cisão de uma única operação de industrialização e venda de produtos (STIEFELcliente) para outro formato de negócio, com a inserção de uma etapa de revenda (GSKcliente) que inevitavelmente haveria de acrescentar custos e despesas relevantes ao Grupo. Todavia, mediante a redução artificiosa dos preços na etapa de (re)venda do produto industrializado, realizada entre empresas interdependentes, proporcionouse a redução dos tributos incidentes sobre produtos destacados pela Lei para sofrer incidência concentrada unicamente na venda pelo estabelecimento industrial e redução a zero nas etapas de comercialização posteriores. Assim demonstrada a simulação nas alterações societárias da GSK com a adequação necessária para interporse entre a indústria e clientes do Grupo, com o propósito de redução da carga tributária na venda de produtos sujeitos à incidência concentrada de PIS e Cofins. A simulação é o elemento fundamental no planejamento tributário abusivo e no subfaturamento dos preços para a evasão tributária aqui comprovada pelo Fisco. Conclusões do planejamento tributário abusivo e ilegal com a prática de atos simulados A comprovação do planejamento abusivo mediante simulação e subfaturamento, pode ser extraída do próprio recurso voluntário quando afirma que a STIEFEL não vendeu, apenas transferiu seus estoques para a GSK, que após todo o rearranjo passou ser "revendedora" exclusiva dos produtos fabricados pela STIEFEL para os clientes desta, sem o pagamento de PIS e Cofins, no tocante à incidência concentrada. Ora, se a remessa da STIEFEL para a GSK caracterizouse transferência de estoques, com a peculiaridade de que a GSK não dispunha de local próprio para armazenagem 4 Operação que não demandou qualquer logística complexa uma vez que o depósito da GSK, conforme revelado em diligência fiscal, resumese apenas a espaço físico dentro do depósito da STIEFEL separado unicamente por grades. Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.214 18 pois compartilhava de espaço do depósito fechado da STIEFEL, a saída desses estoques, promovida apenas no ano de 2012, em operação de venda a clientes, não pode ser atribuída à GSK, uma vez que não era sua propriedade, mas tãosó da STIEFEL. A análise mais detalhada dos contratos celebrados (fls. 738 e ss) entre as pessoas jurídicas do Grupo, permitir afirmar que a STIEFEL deixou de exercer a liberalidade negocial que detinha para vender seus produtos diretamente aos seus clientes ao preço por si definido. Constam das cláusulas "2.6" e "5.1" do contrato a obrigação da STIEFEL fornecer à ordem da GSK os produtos fabricados e nos volumes requeridos. Ora tal disposição não se coaduna com a liberdade em seus negócios, mormente quando a realidade dos preços praticados entre STIEFEL e GSK no ano de 2012 denotavam vendas abaixo dos custos de transferências de estoque em dezembro/2011 em 69% dos produtos (54 de um total de 78), conforme demonstra no tópico de subfaturamento. Dessarte, confirmase a conclusão fiscal, pois que havendo a deliberação da pessoa jurídica de reduzir a tributação de determinadas mercadorias sujeitas ao PIS e Cofins, fezse necessário um planejamento tributário, abusivo e ilícito, por meio de simulação de uma operação desnecessária e prescindível no seio de um grupo econômico, com a prática simultânea de redução artificial de preços nessa operação intragrupo. 3. SUBFATURAMENTO Defendemse os recorrentes que a autoridade fiscal não comprovou o alegado subfaturamento, dada a impossibilidade de se comparar as vendas realizadas da STIEFEL para a GSK com as efetivadas com terceiros, pois de natureza distintas. Alega a inexistência de vendas simultâneas de mesmo produtos e tempo para a GSK e terceiros. Sustenta que um dos componentes da redução da receita na industria foi a correspondente redução de despesas. A DRJ afirma a existência de um conjunto probatório contundente da existência do subfaturamento. Impende identificar exatamente em que se funda e quais as provas apresentadas pelo Fisco para acusar que as vendas da STIEFELGSK são subfaturadas. Primeiramente, o subfaturamento aqui analisado difere daquele comumente constatado nas operações de comércio exterior no qual uma fatura comercial consigna um valor para a mercadoria importada, cujo contrato de câmbio e sua efetiva liquidação expressam exatamente esse mesmo valor, contudo, outro pagamento, à margem das declarações formais aos órgãos de controle, é efetuado (por meios legais ou não) para complementar o verdadeiro valor acordado entre as partes. O subfaturamento no comércio exterior não exige a interdependência entre exportador e importador e se revela por uma simples omissão do preço efetivamente pago ou a pagar por uma mercadoria. Fl. 3214DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.215 19 No presente autos, tratase de outro tipo de subfaturamento que só tem em comum com o descrito acima a intenção de reduzir tributo; a forma e os meios de se alcançar tal objetivo divergem substancialmente. A acusação fiscal foi de que havendo a deliberação da pessoa jurídica de reduzir a tributação de determinadas mercadorias sujeitas ao PIS e Cofins, fezse necessário um planejamento tributário abusivo e ilícito para que, por meio de simulação de uma operação entre empresas do mesmo grupo econômico e, simultaneamente, uma redução artificial de preços praticados o subfaturamento , a venda do produto fabricado aos seus clientes não mais fosse realizado pela pessoa jurídica industrial, mas doravante pela comercial atacadista, antes inexistente ou com arranjo societário para tal fim. De forma alguma o subfaturamento constatado pela fiscalização implicou pagamento a menor que o consignado nas notas fiscais; e esta não foi a acusação. De outra banda, também, o subfaturamento no novo modelo de negócio a introdução de uma operação de venda entre STIEFEL e GSK, antes da venda ao cliente do Grupo não teve por fundamento a redução da margem de lucro da STIEFEL. Esta diminuição foi consequência da redução artificial de preço na venda da STIFELGSK em comparação com a venda STIEFELcliente. Pois bem; no Termo de Verificação (fls. 2.449/2.451) encontrase o fundamento do subfaturamento constatado pelo Fisco, a saber, as vendas da STIEFEL para a GSK foram feitas muito abaixo dos valores de mercado dos produtos. Entendo que a expressão "mercado" aqui utilizada é com referência às vendas aos clientes da STIEFEL, pois a autoridade fiscal ressalta a desproporção entre as vendas para a GSK e as vendas efetuadas para os demais clientes no mês de dezembro/2011, sintetizado à folha 2.4495. Em seguida, para o ano de 2012, o Relatório Fiscal demonstra a continuidade da mesma sistemática de preços: vendas STIEFELGSK equivalem, em média, cerca de 22% do valor na venda GSKclientes. Importa pontuar que em dezembro de 2011 houve a alteração dos negócios, porquanto até esse mês a STIEFEL realizou vendas diretas a terceiro e, simultaneamente, iniciou as vendas para GSK, que a partir de janeiro/2012 revelaramse exclusivas. É exatamente o comparativo dos preços de vendas deste período que revela o subfaturamento através do artifício de reduzir os preços dos produtos destinados à GSK, em média para 26,94% daquele praticado na venda para clientes não interdependentes. A defesa traz suas alegações também para refutar que a evidente diminuição dos preços de venda da fabricante tem outras explicações que não o subfaturamento. 5 Ou seja, apuramos que o preço dos produtos vendidos à GSK em 12/2011 equivale à cerca de 26 % (VINTE E SEIS POR CENTO) do preço praticado pela STIEFEL nas vendas a terceiros (outros clientes da Stiefel). Portanto, as vendas da Stiefel para a GSK foram feitas por valores subfaturados. Portanto, o valor que a STIEFEL pratica em relação a terceiros é cerca de 370% (TREZENTOS E SETENTA) maior do que o praticado com a GSK Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.216 20 A indicação do art. 187 do Código Civil não foi fundamento para caracterizar o subfaturamento, mas para circunscrever a prática fraudulenta do planejamento tributário abusivo, a simulação e o subfaturamento como atos ilícitos. Além do mais, as condutas ilícitas narradas nesses autos estão todas descritas na legislação do PIS e Cofins, no Código Tributário Nacional e demais legislação federal mencionadas pela autoridade fiscal e que prevê a observância obrigatório de seus regramentos e as sanções em face de descumprimento. Nos autos não se encontram quaisquer demonstração de que as operações da STIEFEL para com a GSK em comparação com terceiros encontra justificativa de extrema diferença de preços na distinções de "funções e riscos". Na verdade, quando se trata de industrialização por encomenda de terceiros, com inexpressiva participação na receita bruta da STIEFEL, temse uma operação cuja natureza é de prestação de serviço, e não de venda, e estão segregadas daquelas que originou a autuação, segundo o código de operação fiscal (CFOP). Conquanto tratado em tópico anterior , a contestação quanto à inexistência de venda simultânea para clientes e GSK no mês de dezembro/2011, sob a expressa afirmação no recurso voluntário que em verdade "o que houve foi uma transferência de estoque, ao final o mês" (fl. 3.010) não macula nem desnatura as conclusões fiscais, pois a comparação foi plenamente possibilitada com a identificação de produto comum a essas duas operações de venda (STIEFELclientes e STIEFELGSK) e a constatação de drástica redução dos preços (tema desenvolvido no Relatório Fiscal fls. 2.451/2.456 e demonstrada na planilha comparativa fls. 2.397/2.399) . Em outro ponto do recurso há menção à redução de despesas, riscos e funções desempenhadas pela STIEFEL o que resultou em redução da receita bruta. As alegações não vieram acompanhada de prova da redução de despesas que implicou consequente redução na receita bruta. Será verificado em tópico deste voto que o resultado foi a severa redução de margem de lucro da indústria do Grupo o que é incompatível com redução simultânea de receita bruta e despesas. A recorrente colaciona excertos do Acórdão nº 3401003.266, de 29/09/2016, e aponta para trecho em que seu Relator constata que inexistem nos autos prova do subfaturamento pois o Fisco não efetuou qualquer verificação individualizada da prática de preços diferenciados e a demonstração de proximidade entre preço de custo e de produção. Segue o trecho transcrito: [...] Não foi feita qualquer verificação, individualizada por produtos, da prática de preços diferenciados ou por comparação de preços, ao menos, apontando indícios mais robustos, por meio de histórico de transações e cotações nos mercados, ou ainda, demonstrando a proximidade entre o preço de venda e o custo de produção. [...] As afirmativas e conclusões naquele processo não se aplicam aqui: a uma, o Fisco fez análise detalhada e apresentou demonstrativo comparativo dos preço individualizado praticados antes e após a interposição da GSK nas vendas entre STIEFEL e seus cliente, a duas, em mais de uma oportunidade a autoridade fiscal intimou a contribuinte apresentar a Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.217 21 composição do preço de custo de seus produtos; a três, não constam dos autos o atendimento às intimações ou mesmo em fase recursal a demonstração desses custos e sequer da propalada redução de despesas. A seguir a imagem do item do Termo de Intimação (fls. 27/28) em que é solicitado a demonstração individualizada da composição do preço de venda dos produtos: A contribuinte não apresentou o que lhe fora solicitado, apenas a planilha do preço de venda apontando os valores dos tributos devidos na operação. A análise fiscal quanto ao subfaturamento, embora sucinta, é contundente ao expor as diferenças de preços praticadas pela STIEFEL antes e após a inserção da GSK nas operações com clientes. Os demonstrativos apresentados são objetivos e diretos ao desnudar a prática do subfaturamento. Cumpre também asseverar ser irrelevante a comparação de preços de venda de mesmos produtos sujeitos à incidência concentrada das Contribuições em uma mesma data pela STIEFEL a clientes e à GSK. Basta ter o conhecimento do preço praticado entre STIEFELcliente em dezembro/2011 e STIEFELGSK no ano de 2012 e comparálo, apenas considerando, por força de contrato, um markup sobre o preço de custo na "venda" STIEFEL GSK e que essas vendas somente são reajustadas a cada 12 meses. A seguir apresento o quadro, em maior extensão ao exibido no Relatório Fiscal (fls. 2.449. 2.450 e 2.451) e nos demonstrativos elaborados pela fiscalização (fls. 2.397/2.399) onde se comparam os preços nas operações STIEFELclientes, STIEFELGSK e GSKclientes, em dezembro/2011 e no decorrer de 2012, considerando apenas os produtos de incidência concentrada comercializado em ambos os períodos. dez/2011 2012 Código (1) Descrição (2) Stiefel cliente (3) Stiefel GSK (4) Stiefel GSK (5) GSK Cliente (6) SietelGSK: 2012 / dez11 (7) 6B132328500 AcneAid Wash 60g 19,83 5,16 5,25 24,42 1,7% 59 A113928500 Acnesoap Sabonete I00g 14,24 3,72 3,16 17,24 15,1% A44A132327400 ANSOLAR DAILY USE FPS 30 60G 46,19 12,12 11,90 52,83 1,8% A44A190527400 Ansolar Daily Use FPS30 Cap OR 43,75 15,30 8,49 47,00 44,5% 302844 ANSOLAR FLUID 60ML OR 49,70 13,23 11,96 57,65 9,6% 890A132327400 ANSOLAR LOTION FPS 60 OR 60G 46,24 12,29 10,62 53,54 13,6% 302572 BABIX SAB 100G 12,27 3,30 3,02 14,78 8,5% A38A151828500 BABIX XAMPU INFANTIL OR 25,18 6,54 3,48 30,39 46,8% 970A130628500 Clariderm Clear OR 27,84 7,05 8,06 45,28 14,3% 520C122328500 Claripel Acquagel 30g 37,49 9,74 9,74 36,85 0,0% 3A126328500 CLINAGEL 45G 29,49 7,66 5,51 29,09 28,1% 516C159328500 Clindoxyl 30g 29,48 7,66 6,53 29,24 14,8% Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.218 22 dez/2011 2012 Código (1) Descrição (2) Stiefel cliente (3) Stiefel GSK (4) Stiefel GSK (5) GSK Cliente (6) SietelGSK: 2012 / dez11 (7) 687A370928500 DermaVite comp cf 30 54,26 14,10 13,77 53,59 2,3% 5A152028500 Duofilm 15ml 19,70 5,13 4,76 19,44 7,2% 36A128032800 DUOFILM PLANTAR 20G 29,98 7,80 6,25 29,66 19,9% 523A1306315DC Fisiogel Al cr 3Cg 36,72 9,47 9,22 52,72 2,6% 304763 Fisiogel Al Ic cremo 240 ml OR 55,28 14,37 16,51 83,71 14,9% 304764 FISIOGEL CLEANSER 250ML OR 32,58 8,41 8,15 44,71 3,1% 477B132331500 FISIOGEL CR60GBIL 29,67 7,74 8,85 44,84 14,3% 522A151731500 Fisiogel ic cremo 120ml 36,39 9,40 10,01 53,26 6,5% 522A155731500 Fisiogel Ic cremo 240ml BIL 44,16 11,58 12,81 66,74 10,6% 304766 FISIOGEL SHAMPOO 250ML OR 36,05 9,22 8,52 46,77 7,6% A41A122327400 Hidrafil AntiAging 30g 27,43 6,91 6,65 43,25 3,8% 304211 HIDRAFIL CR ANTIAGING PI MAOS 50G OR 15,49 5,17 4,10 23,63 20,7% 441F127828500 HIDRAFIL EYECARE 15G 27,38 6,91 9,91 42,62 43,4% 1B151628500 HIDRAFIL GEL 60ML 26,90 7,04 7,04 30,64 0,0% 39D151732800 HIDRAFIL LC CREMO 120 ML 46,98 12,59 11,31 53,72 10,2% 39D151632800 HIDRAFIL LC CREMO 60ML 25,34 6,66 6,66 28,07 0,0% 8C113928500 Hidrafil sab 100g 14,75 3,84 3,57 17,63 7,0% 304218 HIDRAFIL SAB HIDRATANTE FACIAL 60ML OR 12,70 3,28 3,97 16,22 21,0% 304224 HIDRAFIL TÓNICO HIDRATANTE 200ML OR 14,41 3,62 3,81 22,17 5,2% 409D151728500 HIDRAPEL PLUS LC 120ML 23,63 6,13 6,49 23,33 5,9% 304931 KIT REVALESKIN (EYE E NIGHT) 83,80 21,52 30,15 137,34 40,1% 49A151732800 LactiCare lc cremo 120ml 38,33 10,01 13,21 56,88 32,0% 45A126328500 MICOSTYL CR 45G 12,34 3,21 3,21 12,29 0,0% 46A151628500 MICOSTYL LC 60ML 13,65 3,56 3,56 13,97 0,0% 77B151628500 Nedax lc cremosa 60ml 23,70 6,16 5,90 23,60 4,2% 291A1518285D7 OILATUM JR OLEO P/BANHO 200ML 25,10 6,34 6,34 33,21 0,0% 946A1139285X Oilatum Junior Sab 100g 9,51 2,45 3,13 11,07 27,8% 27D151728500 OILATUM LOCAO CREMOSA 120ML 24,80 6,19 6,71 33,14 8,4% 41A113932800 OILATUM SAB 100G 11,40 3,03 2,95 13,79 2,6% 53A145728500 Panoxyl 10 45g 16,34 4,24 4,24 16,33 0,0% 52A145728500 PanOxyl gel 5 45g 15,63 4,06 4,06 15,64 0,0% 10A151728500 POLYTAR SH120ML 19,15 4,93 4,93 21,60 0,0% 10A151828500 POLYTAR SH 200ML 28,06 7,19 7,19 32,42 0,0% 81C151731500 Prurix lc 120ml 8IL 23,79 5,81 5,10 32,99 12,2% 302223 REVALESKIN 15 ML EYE THRPY SPPRT 72,08 24,08 12,81 105,42 46,8% 302224 REVALESKIN 30 ML INTENSE RCVRY SPPRT 80,74 27,40 17,11 120,9 37,6% 301378 Revaleskin Day Cream 77,97 29,42 32,15 111,15 9,3% 301185 Revaleskin Facial Cleanser 39,50 23,71 23,71 48,88 0,0% 35A145732800 SOLUGEL 4% 45G 37,07 9,63 8,07 36,57 16,2% 399A1457323DC SOLUGEL PLUS 45G 40,41 10,50 9,99 39,89 4,9% 305587 SPECTRABAN FPS 30 ULTRA 120ML OR 31,78 8,29 9,09 34,79 9,7% 305501 SPECTRABAN FPS 30 ULTRA 60G OR 24,55 6,62 6,08 27,79 8,2% 304190 SPECTRABAN FPS 50 60G OR 27,76 7,31 6,94 30,52 5,1% 304174 SPECTRABAN T BASE FL BG EXTRACLARO OP 31,64 8,36 8,23 36,55 1,6% 304182 SPECTRABAN T BASE FL TRANSLUCIDA 60G O 31,67 8,36 7,62 36,56 8,9% 966A132328500 SPECTRABAN T COL BASE FL BEGEM 32,05 8,36 7,38 36,53 11,7% 302968 SPECTRABAN T COMPACTA BEGE MEDIO OR 48,33 12,56 11,44 56,81 8,9% Fl. 3218DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.219 23 dez/2011 2012 Código (1) Descrição (2) Stiefel cliente (3) Stiefel GSK (4) Stiefel GSK (5) GSK Cliente (6) SietelGSK: 2012 / dez11 (7) 82A151628500 Stiefcortil capilar 60ml 21,87 5,66 5,66 22,13 0,0% 80A122328500 Stiefcortil cr 1 % 30g 15,38 4,00 3,76 15,17 6,0% 369A122328500 STIEFCORTIL POM 1% 30G 16,94 4,40 4,40 16,68 0,0% 32A145028500 STIEMYCIN GEL 2% 60G 17,53 4,56 4,32 17,28 5,3% 19A134028500 STIEMYCIN SOL TOP 2% 120ML 20,12 5,21 5,21 19,86 0,0% 305364 STIPROXAL SH 120ML 39,28 10,28 9,70 45,64 5,6% 555B151628500 SUNMAX AcquaGel FPS 20 60ml 26,63 7,35 7,14 32,00 2,9% 302973 SUNMAX COLOR SENSE BEGE CLARO OR 40,46 10,83 9,47 48,75 12,6% 302978 SUNMAX COLOR SENSE BEGE MEDIO OR 41,41 10,83 9,36 48,62 13,6% 484A132328500 SUNMAX CR FPS 60 60G 43,19 11,76 10,24 50,81 12,9% 303516 SUNMAX FLUID FPS 60 120ML OR 47,29 12,49 13,28 54,42 6,3% 302569 SUNMAX FLUID FPS 60 60ML OR 29,64 7,66 8,02 33,27 4,7% 302507 SUNMAX INTENSE FPS 60 GEL CREME 60G 43,39 11,76 10,53 50,75 10,5% 818A132328500 SUNMAX Sensitive OR gel/cr 42,18 11,02 8,87 47,66 19,5% 303307 UREMOL CREME OR 16,33 4,03 4,94 23,80 22,6% 303300 UREMOL FLUID OR 19,01 4,77 5,79 27,06 21,4% 390A423228500 WARTEC CREAM 5G 70,00 18,20 21,55 72,27 18,4% 304924 ZN SHAMPOO 120ML OR 27,28 7,10 5,99 32,98 15,6% 304926 ZN SHAMPOO 200ML OR 38,32 10,04 8,36 46,65 16,7% coluna 1: código do produto fabricado, utilizado tanto pela STIEFEL como pela GSK; coluna 2: descrição do produto coluna 3: preço médio, no mês 12/2011, na venda da STIEFEL para clientes coluna 4: preço médio, no mês 12/2011, na venda da STIEFEL para GSK, em que em recurso voluntário afirmou tratarse de transferência de estoques coluna 5: preço médio, no ano de 2012, de "venda" da STIEFEL para a GSK coluna 6: preço médio no de 2012, de venda da GSK para clientes coluna 7: variação percentual nos preços de venda da STIEFEL para GSK, em 2012 (coluna 5), em comparação com os preços de venda/transferência de estoque da STIEFEL para GSK, em 12/2011 (coluna 4). Os valores da "coluna 7" expressam o comportamento do preço de venda STIEFELGSK, comparandoos no ano de 2012 e em dezembro/2011, ou seja, aponta se houve coerência na variação de preços em razão de redução de custos e despesas na STIEFEL, conforme afirmado pelos recorrentes; se esses preços tiveram o mesmo índice percentual de variação e ainda, se a variação foi no mesmo sentido: aumento ou diminuição, ou sem alteração. Antecipase que os valores de "venda" da STIEFEL para a GSK, a partir de 2012, deveria refletir um mesmo padrão de variação para todos os produtos pois que no Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.220 24 contrato celebrado entre ambas, o valor de "venda" seria composto pelo custo fiscal FOB dos produtos, acrescido dos tributos e remuneração, expresso nas cláusulas 7 do Instrumento Particular de Fornecimento e Distribuição" (fls. 745/751). Não é o que se constatou, conforme se demonstra a seguir da análise sobre a variação dos preços. Em dezembro/2011 na venda/transferência de estoques para a GSK os produtos estavam acabados e, portanto, era conhecido seus custos, dessa forma o preço da 4ª coluna reflete o preço da referida venda/transferência. Comparando o preço do produto vendido/transferido em dezembro/2011 com o preço do mesmo período no ano de 2012 constatase de um total de 78 produtos: a. 21 deles tiveram aumento de preço em até 43,4%, ou seja foi acrescentado margem de lucro à STIEFEL em apenas 27% dos produtos; b. 13 deles não tiveram qualquer alteração de preço, ou seja, não foi acrescentada nenhuma margem de lucro à STIEFEL; e c. 44 deles tiveram redução de preços em até 46,8%, ou seja, a STIEFEL vendeu com prejuízo em 56% dos produtos Esses números revelam total incompatibilidade com a referida cláusula do contrato, pois no período de 12 meses em que os preços não seriam reajustados e os tributos não se alteraram, o markup apresentou uma variação, entre um extremo negativo de 46,8% (prejuízo) e o outro extremo positivo 43,4% (lucro), contrariando todos os argumentos de que o modelo de negócio permitiu a ambas pessoas jurídicas apropriados níveis de lucratividade. Relevante observar que o procedimento adotado pelo Grupo, em uma visão isolada para cada uma das empresas, denota enorme desvantagem financeira à STIEFEL; ao passo que na "etapa" de venda GSK aos clientes, dos 78 produtos analisados, em 61 deles os preços aumentarem em até 63,9% (na venda do produto "KIT REVALESKIN (EYE E NIGHT"), em relação às vendas realizada pela STIEFEL ate dezembro/2011. Outro dado notável é que na categoria de alguns produtos não se observa nenhuma coerência no padrão de comportamento de preços, pois se constata expressivos aumentos e diminuições em itens de uma mesma categoria. São eles: Fisiogel, Hidrafil, Spectraban, Stiefcortil, Stiemycin e Sunmax. A conclusão é que o planejamento fiscal engendrado impôs redução na receita bruta e lucratividade à STIEFEL, permitindolhe reduzir drasticamente o PIS e Cofins nos produtos com incidência concentrada; e concedeu considerável aumento na receita bruta e lucratividade à GSK, na qual (receita bruta) nenhum pagamento de PIS e Cofins é exigido nas vendas dessa mesma categoria de produtos. Assim, o planejamento fiscal objetivado, mediante a prática dolosa e fraudulenta de simulação e subfaturamento, proporcionou ao Grupo STIEFEL/GSK reduzir seus tributos e, simultaneamente, aumentar sua receita e lucratividade na venda a terceiros dos produtos fabricados pela STIEFEL, contudo, vendido pela GSK Fl. 3220DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.221 25 Por fim, destacase que em momento algum no tópico do subfaturamento a fiscalização menciona as alterações na margem de lucro da STIEFEL como fundamento ou sua prova. As considerações acerca da redução da margem de lucro somente são apresentadas no tópico em que o Fisco assevera a ausência de propósito negocial (fls. 2.457/2.458); ali sim, referida redução é a demonstrada como distorção na obtenção de lucro no comparativo dos anos 2011 e 2012. Vejase com clareza o que consignou o Relatório (fls. 2.457 e 2.461): Já relatamos que a margem bruta mede a capacidade de a empresa gerar lucro uma vez descontado o custo do produto vendido. Deveriam ser semelhantes de um ano a outro em razão de estruturas de custos parecidas. Todavia, verificamos que as vendas subfaturadas efetuadas pela STIEFEL distorceu completamente a margem bruta, no ano de 2012. [...] Cumpre esclarecer que a margem bruta mede a capacidade de a empresa gerar lucro uma vez descontado o custo do produto vendido. Deveriam ser semelhantes de um ano para outro, em razão de estruturas de custos parecidas. Todavia, verificamos que as vendas subfaturadas, efetuadas pela STIEFEL para a GSK, no ano de 2012, distorceu completamente a margem bruta, caindo de 71,83% para 32,57%. Ou seja, é notória a redução da margem bruta da STIEFEL, conseqüência da venda de produtos por valores subfaturados. Portanto, não há propósito negocial nas operações entre a STIEFEL e a GSK, pois estas transações não seguem os padrões e critérios de mercado, mormente no tocante à obtenção de lucros. (grifei) A diminuição simultânea de receita bruta e da lucratividade da STIEFEL sob o fundamento de que reduziram seus custos e despesas em razão de menor riscos não poderia alterar significativamente a margem de lucro bruto uma vez que esta é resultado da razão "receita bruta/custos". O contribuinte não coligiu nenhuma demonstração ou comprovação da redução de despesas; assim a expressiva diminuição da lucratividade somente pode ser atribuída, conforme demonstrado pelo Fisco, à também expressiva queda de receita bruta, o que mostra incompatível com o objetivo de qualquer pessoa jurídica empresarial, a menos que a tal redução tenha finalidade outra a evasão fiscal, como revelada no presente caso. Por tudo que se constatou e demonstrou, entendo irrefutável a comprovação do subfaturamento dos preços das "vendas" dos produtos da STIEFEL para a GSK aqui tratados. 4. Da acusação de erro de matéria inescusável e insuficiência de fundamentação legal no tocante à alegação do planejamento tributário abusivo e ilegal Das várias acusações e alegações dos recorrentes, há de se rechaçar que atribui erro de matéria inescusável por parte do fiscal quando o mesmo menciona desequilíbrio Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.222 26 econômico em relação a concorrência. Não se trata de erro mas de uma consequência decorrente da conduta da pessoa jurídica em reduzir indevidamente os tributos, pois assim procedendo fica em situação privilegiada em relação a outras empresas que recolhem corretamente esses mesmos tributos. Não há insuficiência de fundamentação legal do planejamento abusivo, que inserese na conduta do contribuinte em conhecendo os dispositivos legais de incidência concentrada trilhou o caminho da simulação, da fraude e do subfaturamento para conferir aparência de novo modelo de negócio inserindo artificiosamente operações praticadas pela GSK unicamente com a finalidade de reduzir a base de cálculo das Contribuições. Assim, entendo bastar o correto fundamento e enquadramento legal do planejamento abusivo nos textos da Lei nº 10.147/2000 e nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Todos os demais dispositivos de Lei (art. 187 do CC, arts. 3º, 5º, 145, 146A, 150, 173 da CF/88) apontados na decisão recorrida apenas corroboram a conduta dolosa que visou a evasão de tributos. 5. Da alegação de inexistência de atos contrários a lei Na matéria, o arrazoado do contribuinte quanto a inexistência de prática de atos contrários à lei aborda a ausência de exigência de preço mínimo a ser praticado entre empresas interligadas, e de comprovação pela fiscalização de que as pessoas jurídicas envolvidas são existentes de fato. O contribuinte argumenta que apresentou relatório de auditoria (laudo KMPG) em que se demonstra a venda de produtos assemelhados por outras empresas com preços que se equiparam aos seus. Afastamse os argumentos pois de nenhuma valia a comparação de preços entre produtos que se mostraram diferentes. A comparação entre empresas do setor recai no planejamento tributário adotado por muitas delas e que igualmente submeteramse a procedimentos de fiscalização como mesmo escopo deste. A fiscalização não fundamentou a autuação na exigência de preço mínimo a ser praticado nas operações da STIEFEL para com a GSK, conceito legal adstrito à legislação do IPI e não foi aplicada na apuração da receita bruta. De fato, o Fisco rechaçou os valores declarados na suposta venda da STIEFEL para a GSK e ao fazêlo adotou os preços da verdadeira operação de venda que fora simulada, a saber, o preços de venda da GSK para os clientes da STIEFEL/GSK. Dessa forma, hígido o lançamento e a decisão recorrida nas matérias aqui arguidas pelos recorrentes. 6. Da alegação de ausência de erro na quantificação das bases de cálculo Os recorrentes sustentam a correta apuração da base de cálculo das Contribuições, isto é, defendem a veracidade da receita bruta auferida pela STIEFEL e por consequência o arbitramento de preço foi indevido. A análise da questão não se realiza sob o aspecto formal do conteúdo dos documentos e escrituração do contribuinte. Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.223 27 Nesse ponto, considerase irrefutável o conjunto probatório de que o planejamento tributário foi abusivo com o fim específico de redução indevida da base de cálculo do PIS e Cofins, mediante simulação de operações factualmente inexistente entre STIEFEL e GSK e correspondente subfaturamento dos preços efetivamente praticados na venda a terceiros de produtos fabricados, o que caracteriza a fraude. Desnecessário delongarse nos motivos que conduziram a fiscalização a rechaçar o preço de "venda" declarado nas notas fiscais de venda da STIEFEL para a GSK e a própria operação. Basta rever linhas acima as constatações e fatos que desnudaram o planejamento tributário abusivo e a reorganização dos negócios do Grupo sem que houvesse justificativa de sua eficiência econômica e financeira, mediante a prática de simulação e subfaturamento. Entendo que fora evidenciado a desconsideração da operação simulada, qual seja, a da venda de produtos sujeitos à sistemática de tributação concentrada do PIS e Cofins da STIEFEL para a GSK. A decisão recorrida aponta para 31 (trinta e um) motivos ou situações fáticas constatadas nos autos que permitiram ao Fisco concluir pelo planejamento abusivo e ilícito com a prática de simulação e subfaturamento. Diante de fatos desnudados, a fiscalização desconsiderou a venda realizada entre a STIEFEL e GSK, tomando por verdadeira apenas como transferência documental da industrial para a comercialatacadista, no qual os produtos permanecia em depósito da STIEFEL (compartilhado com a GSK), e somente davam saídas para entrega ao terceiro adquirente do Grupo. Assim, a efetiva operação de venda mantevese como anteriormente praticada, entre a STIEFEL e clientes, sem a interposição formal da GSK. Frisese que os recorrentes no recurso voluntário afirmaram que as vendas da STIEFEL para a GSK em dezembro de 2011 foi em verdade uma transferência de estoques; fato que impõe a conclusão de que a natureza da operação da saída desses estoques para terceiros foi de venda da STIEFEL, e não da GSK. Além disso, a margem de lucro nas venda aos cliente, seja pela STIEFEL (até 2011) ou pela (GSK (a partir de 2012) sempre mantiveram índices expressivos expressiva, sem que os recorrentes comprovassem as reduções de custos e despesas na empresa industrial. Desse modo, desconsiderouse, também, os preços consignados nas NFs de "venda" da STIEFEL para a GSK, que se revelou simulada, pois exsurgiu como verdadeiro negócio da indústria a venda da GSK para aos clientes, com os preços informados nessas operações. À vista do relatado, temse que não se tratou os autos de desconsideração de personalidade jurídica da STIEFEL ou da GSK, mas, repisase, desconsiderouse a pretensa venda da STIEFEL para a GSK, pois apenas formal, fictícia, simulada e subfaturada. Assim, inexistindo a realidade da venda da STIEFEL para a GSK, prevalece a venda efetuada da GSK para seus cliente, e por conseguinte, o preço dos produtos, do qual se apura a receita bruta a ser considerada base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é o consignado nas NFs de venda GSKclientes. Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.224 28 Destarte, é de se concluir a inexistência de uma arbitramento de preço como entendimento exarado pela contribuinte e admitido no voto da Relatora. Arbitramento é procedimento extremo quando não é conhecido ou não se tem em exatidão os valores de determinada base de cálculo a ser oferecida à tributação, o que não é o caso dos autos, pois aos valores da verdadeira operação de venda GSKcliente é plenamente conhecido e corresponde exatamente àquele consignado nas NFs que respaldam tais operações. A efetiva receita bruta de venda da STIEFEL com produtos sujeitos à tributação concentrada é, portanto, aquela informada pela GSK nas venda aos clientes, mediante a utilização do preço médio de venda dos produtos praticado no mercado interno. Incabível, pois, a acusação de arbitramento sem respaldo na Lei ou efetuado em inobservância dos disposto nos arts. 142 e 148 do CTN ou na Lei nº 10.147/2001. Afirma ainda no recurso que não se considerou os vários descontos ou parcelas admitidas na dedução da receita bruta, além de incluir produtos não sujeitos à tributação concentrado e desconsiderar as amostras, que apenas são remetidas para a GSK que não as revende. Essas afirmações foram enfrentadas na decisão recorrida e ali restou consignado, cujos fundamentos acolho, que a apuração da receita bruta teve como esteio as notas fiscais baixadas do ambiente SPED (Escrituração Digital), o qual é informado pelo próprio contribuinte. Portanto, os valores que existiam nessa escrituração digital levaram em conta descontos condicionais, vendas canceladas, IPI, ICMSST, produtos sem incidência monofásica e amostras, de acordo com a própria contabilidade do contribuinte (fl. 2.429). Ademais, os produtos sujeitos à tributação monofásica são identificados com o código de operação CFOP 5401 e 6401, conforme constou do Relatório Fiscal (fl. 2.448). Concluo pela regularidade da apuração da base de cálculo do PIS e Cofins uma vez que obtida do valor efetivo da verdadeira operação de venda a ser tributada aquela entre a GSK e seus clientes. 7. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício nos caso de lançamento de ofício será aplicada no percentual de 150% quando constatada situações caracterizadoras de sonegação, fraude e conluio, a teor do § 1º, do art. 44 da Lei nº 9.430/966 . A fiscalização demonstrou a ocorrência de fraude nos atos praticados após a reorganização dos negócios do Grupo STIEFEL/GSK, mediante a simulação e subfaturamento 6 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.225 29 de preços, evidenciando a ação dolosa de redução artificial a base de cálculo das Contribuições para o PIS e para Cofins, o que configura o ilícito previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Não é demasiado repisar o que restou constatado e comprovado no procedimento fiscal, como bem resumiu a decisão recorrida o que como razão para fundamentar a comprovação a fraude. "A constatação da ocorrência de subfaturamento ficou amplamente provada nos autos por diversos elementos probatórios: mesmo grupo econômico; mesmo endereço dos interessados; serviços utilizados de forma compartilhada; contrato de comodato a título gratuito; mesmo depósito de armazenamento; diligência constando in loco o planejamento engendrado pelo grupo econômico; funcionários de uma empresa prestando serviços para a outra empresa nas mais diversas funções; entrada das empresas e portaria compartilhada, inclusive, com os mesmos funcionários responsáveis; compartilhamento das áreas de portaria, refeitório, segurança patrimonial, segurança do trabalho, limpeza e manutenção; burla do sistema de tributação monofásico passando a maior parte dos valores de venda para a etapa seguinte que se sujeitava a alíquota zero; preços de venda de produtos praticados pela Stiefel para a GSK imensamente inferiores aos praticados para terceiros no ano de 2011; valores de vendas para terceiros 370 % maior do que o valor de venda para a GSK desses mesmos produtos; demonstrativo realizado pela fiscalização apontando o favorecimento para o parceiro do grupo econômico com o objetivo de fraudar a fiscalização; passagem do subfaturamento parcial para o subfaturamento total com celebração de contrato de exclusividade entre a Stiefel e a GSK; cobrança com preços de vendas da Stiefel antes do contrato de exclusividade superiores aos cobrados para GSK para os mesmos clientes a partir dessa data; valores de venda dos produtos pela GSK para terceiros passaram a ser 458,92 % maiores que os cobrados pela Stiefel nas vendas para a GSK; mesmo com toda a produção e industrialização permanecendo a cargo da Stiefel, e a GSK apenas os revendendo para grande parte dos clientes já existentes, sem a necessidade de divulgação e publicidade, seus valores eram quase 5 vezes maiores dos cobrados pela Stiefel; falta de propósito negocial para a Stiefel nas vendas subfaturadas para a GSK, pois teve todos os seus índices econômicos e financeiros decaindo; queda vertiginosa do Lucro Bruto, da Receita Líquida e da Margem Líquida da Stiefel; planejamento abusivo deixando de recolher milhões aos cofres públicos; realização de operações anormais que destoavam das demais padrões do mercado; afronta aos princípios da capacidade contributiva, solidariedade, livre concorrência e da neutralidade da tributação; ocorrência da chamada elusão, ou seja, situação que procurava dar uma aparência de legal, mas que violava as normas jurídicas; e abuso de direito consignado no art. 187 do Código Civil." Destarte, comprovado a prática de atos eivados de fraude com o fim de reduzir dolosamente o PIS/Pasep e Cofins devido, é de se manter a multa qualificada por expressa previsão legal. 8. SOLIDARIEDADE Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.226 30 A autoridade fiscal incluiu como responsáveis solidários pelo crédito tributário apurado a pessoa jurídica GSK e as físicas ocupantes de cargos de administradores (diretores) na STIEFEL e na GSK, responsabilizandoas pela prática de todos os atos necessários ou convenientes à administração dos negócios da companhia. O fundamento legal para as responsabilizações foram os arts. 124, I do CTN, quanto à pessoa jurídica, e 135, III do CTN, em relação aos administradores, pessoas físicas. Os recorrentes afirmam que o Auto de Infração, na matéria, é completamente genérico e aponta a responsabilidade dos diretores simplesmente por estes serem, à época dos fatos geradores, as pessoas responsáveis pela administração. Sustentam que a responsabilização tributária dos diretores das pessoas jurídicas exige a comprovação não apenas de um ilícito penal, como também a vinculação direta e participação efetiva da pessoa supostamente envolvida, com descrição detalhada e comprovação de sua participação. E, por fim, apontam para a Súmula STJ nº 4307, pois entendem que a responsabilização objetiva dos sócios e administradores decorrente de simples não recolhimento de tributos. Primeiramente, pontuase que a responsabilização solidária das pessoas arroladas não decorre da ausência de pagamento de tributo lançado em auto de infração e formalizado no presente processo, mas, segundo a fiscalização, da efetiva prática de atos de gestão que se revelaram fraudulento, mediante simulação e subfaturamento. Quanto à responsabilidade solidária da GSK entendo restar patente, pois que a acusação de planejamento tributário abusivo e ilícito, a simulação e subfaturamento somente tem sentido a partir da efetiva participação da GSK, na condição de pessoa jurídica interdependente, no novel modelo de negócio que resultou na redução indevida das Contribuições sujeitas à incidência concentrada. É de ressaltar que o período de autuação coincide com a vigência do modus operandi comandado pela adquirente da STIEFEL a GSK; antes de dezembro/2011, não há nos autos relato de operações fraudulenta cometida sem a GSK como sócia nos quadro social da STIEFEL. Portanto, no tocante à GSK, mantémse a responsabilização solidária pois teve participação efetiva nos atos eivados de fraude, mediante simulação e subfaturamento, que resultaram no planejamento tributário abusivo e ilícito que culminou em redução artificial da base de cálculo de PIS e Cofins nas operações da indústria do Grupo STIEFELGSK. Em relação à responsabilidade solidária das pessoas físicas, administradoras da STIEFEL/GSK, pelo crédito tributário há razão aos recorrentes. A fiscalização arrolou tais pessoas no polo passivo da autuação pelo simples fato de exercerem a administração sem que, em relação a cada um desses administradores/diretores, reunisse elementos ou apontasse conduta apta a aferir a participação individual nos atos de infração ou contrato social. 7 Súmula nº 430/STJ O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Fl. 3226DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.227 31 Contudo, entendo que não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. É certo que a qualificação da multa de ofício permite inferir o dolo do sujeito passivo, praticado sempre por um agente, pessoa física, todavia a solidariedade somente é aplicada quando restar demonstrada, individualizada e atribuída a conduta a determinada pessoa física (isto é, quem fez o que?), e salvo melhor juízo, neste caso isto não aconteceu. Do exposto, é de se afastar a responsabilidade das pessoas físicas neste caso concreto. 9. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Os recorrentes encerram a peça de defesa com o pedido de diligência para que sejam apurados os custos envolvidos na produção e comercialização dos produtos em questão. Acertadamente a decisão recorrida indeferiu o pedido. Demonstrado nos autos que a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar exatamente o que se pede para apurar em diligência: os custo e despesas de fabricação após a interposição da GSK entre a STIEFEL e seus clientes Causa estranheza o pedido, pois derrui o argumentos da contribuinte de que a reorganização dos negócios do Grupo proporcionou redução de custos e despesas, sem prejudicar a lucratividade das pessoas jurídicas. Ora, os demonstrativos dos custos e despesas, que os recorrentes admitem inexistentes, poderiam ser a prova do contribuinte de que a redução da receita bruta da STIEFEL de fato possui fundamento na reorganização dos negócios. Neste momento, o pedido revelase protelatório e a apresentação de provas preclusa, conforme regramento do PAF, devendo o julgamento realizarse com os elementos coligidos nos autos. Negase o pedido de diligência. Conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a responsabilidade solidária das pessoas físicas. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.228 32 Voto Vencedor Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Redatora Designada Em que pese o bem fundamentado voto do d. Relator, manifesto discordância parcial quanto ao que restou decidido acerca da qualificação de multa de ofício aplicada. prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Com efeito, entendo que assiste razão ao Contribuinte. Entendo não ter ocorrido a necessária tipificação das condutas exigidas, quais sejam aquelas condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Veja que qualquer uma das condutas tipificadas nos dispositivos legais acima exige o dolo por parte do contribuinte, ou seja, a vontade deliberada de cometer o ilícito. Fl. 3228DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.229 33 Notase, contudo, que todas as operações autuadas foram devidamente registradas, contabilizadas e declaradas à Fiscalização. Em nenhum momento se questionou a legitimidade de qualquer um desses documentos ou declarações. O Recorrente atuou com boa fé durante toda a fiscalização, apresentando ampla documentação e diversos esclarecimentos durante todo o curso da ação fiscal. O que fez a Fiscalização foi refutar a forma aplicação da legislação tributária pelas Contribuintes. Ademais, o Contribuinte declarou e recolheu os tributos na forma que entendiam devidas, consoante a regra legal aplicada. Ainda que a Fiscalização pretenda questionar as operações realizadas e a conclusão obtida venha a prevalecer o próprio fato de existirem diversas decisões deste Conselho com posicionamento diametralmente opostos e nenhuma delas proferida à unanimidade, demonstra se tratar de efetiva divergência quanto à interpretação da legislação tributária. Nesse sentido, cito jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão n° 9101003.365, de 18/01/2018: MULTA QUALIFICADA. A acusação de artificialismo de uma operação baseada na ausência de seu propósito negocial revelada pela geração de ágio interno e com uso de empresa veículo, sem a demonstração cabal de invalidades efetivas e do intuito de fraudar, sonegar ou atuar em conluio do sujeito passivo, com a devida subsunção aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64 não autoriza a qualificação da multa de ofício, independentemente do posicionamento que se tenha quanto à dedutibilidade do ágio na questão. E também, o acórdão n° 910101.404 de 17/07/2012: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Pelo exposto, por entender não restar configurada conduta dolosa por parte do Contribuinte, tratandose de típica hipótese de mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária, deve ser afastada a multa qualificada. Tatiana Josefovicz Belisário Declaração de Voto Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.230 34 Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário A presente Declaração de Voto tem por intuito esclarecer o posicionamento por mim adotado relativamente à análise dos fatos ensejadores da desqualificação fiscal, bem como do conjunto probatório apresentado pelo contribuinte no intuito de legitimar a prática adotada. Em se tratando de operações de "planejamento tributário", por vezes é tênue o limite entre a liberdade negocial do contribuinte e o chamado abuso de forma, que deve ser rechaçado. Desse modo, a instrução probatória, tanto a acusatória como a defensiva, deve ser robusta. É certo que a pretensão de redução de despesas fiscais não é, em absoluto, prática reprovável. É imperioso à boa governança que o administrador empresarial otimize seus custos e busque, sim, a ampliação de receitas e lucro. Desse modo, o compartilhamento de atividades administrativas entre empresas do mesmo grupo ou a especialização de atividades, por exemplo, jamais poderão ser reprimidas sob a justificativa de perda de identidade ou de "propósito negocial". Pois bem. Na hipótese dos autos, é incontroverso que após a unificação das empresas fornecedora e adquirente, com o início da exclusividade nas operações de compra e venda, houve expressiva redução do preço de venda por parte da industrial. São fatos expostos nos autos, que independem de qualquer interpretação. É também certo que, em razão da sistemática de apuração do PIS e COFINS monofásicos, tal alteração acarreta significativa redução da base de cálculo dos tributos. A Recorrente, em sua defesa, apresenta de forma consistente o seu desenho operacional e busca justificar a redução de preços pelo industrial. Contudo, não o faz de modo a demonstrar de que forma compõe o seu preço de venda (custos industriais, gerenciais, administrativos, etc), mas alega que tais preços seriam compatíveis com aqueles praticados por seus concorrentes. Pois bem. Ao se examinar os dados apresentados aos autos, constatase que a contribuinte apresenta comparativo com valores extraídos ou praticados no mercado internacional, especialmente europeu e norteamericano (EUA). Com a devida vênia, não vejo como admitir tais dados como comprobatórios de que os valores praticados no Brasil são compatíveis como o efetivo custo de industrialização dos bens (base de cálculo do PIS e COFINS monofásicos). Com efeito, não há como se pretender equiparar "preços de mercado" praticados em países diferentes, com sistemas tributários absolutamente distintos e nos quais os custos empresariais/ comerciais não possuem qualquer paralelo entre si. Assim, em que pese o esforço probatório empreendido pelo contribuinte no sentido de demonstrar uma suposta coerência econômica nos valores de venda praticados pelo estabelecimento industrial, tal prova não é capaz de afastar a demonstração fiscal no sentido de que não há causa fática ou jurídica a justificar a brusca redução de preços que se verificou no estabelecimento industrial no momento em que houve a sua reunião empresarial ao estabelecimento comercial. Ainda no que se refere ao aspecto probatório, é preciso assinalar que foi oportunizado ao contribuinte, durante o processo fiscalizatório, que este apresentasse a forma de composição do preço de venda praticado pelo industrial. Esta demonstração, de forma objetiva, seria suficiente para comprovar que a base de cálculo do PIS e COFINS monofásicos Fl. 3230DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.231 35 (faturamento da pessoa jurídica industrial) estaria sendo corretamente composta pelo contribuinte. Assim, aderindo, nesse ponto, ao bem fundamentado voto proferido pelo Relator, acrescento as presentes razões de me meu convencimento. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator, mas neste caso em concreto, venho por meio desta breve declaração de voto apresentar entendimento divergente com relação à necessidade de busca à verdade material e também com relação ao mérito. A livre iniciativa, a partir do Art. 170 da CF 88 e disposições infra constitucionais decorrentes, permite que as atividades de indústria e comércio sejam segregadas. Na mesma linha, não há qualquer legislação que proíba a segregação de atividades industriais e comerciais. Inclusive, esta linha de entendimento possui diversos precedentes neste conselho, como nos seguintes: 301002.921 e 3302003.138, por exemplo. A conseqüência das segregações de atividades pode ser a redução de alguns fatos geradores de tributos, o que não implica em sonegação. Se o contribuinte pagou menos tributo, isto não significa que reduziu ou suprimiu os tributos que deveria pagar. Pagar menos tributo não é crime tributário quando isto é decorrência de um mero e legal planejamento tributário. Para a desconstituição da legalidade do planejamento tributário, conforme previsto no Art. 116 do CTN, para verificar se o planejamento tributário foi abusivo ou não, o lançamento deveria ter comprovado a disparidade com os preços de mercado, tanto da indústria para o cliente final quanto da indústria para a empresa comerciante e, no presente lançamento, esse procedimento não foi realizado. Conforme disposto no Art. 142 do CTN e no Decreto 70.235/72 (PAF) e inúmeros precedentes neste conselho, o ônus da prova é da fiscalização nos casos de lançamento. Logicamente, durante a fiscalização, a autoridade de origem deveria ter ao menos oportunizado a demonstração dos preços praticados no mercado, de modo mais especifico, para busca da verdade material (de importância pacificamente reconhecida em diversos precedentes neste conselho e prevista no CTN e Decreto 70.235/72). Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.232 36 É a partir desta constatação que verificase que, nem mesmo durante o devido processo legal e decorrer do processo, a busca da verdade material foi prestigiada neste caso. No mínimo, uma diligência é necessária para a averiguação dos preços praticados. O setor em que o contribuinte atua possui cálculos específicos e complexos que devem ser considerados. Por isso, se a empresa comercial vendeu para o cliente final por um preço 2 ou 4 vezes maior, isso pode não configurar subfaturamento se, para este setor em específico, tais proporções forem razoáveis. Cada setor tem um markup específico que, no presente processo, não foi considerado. Não é fraude segregar atividade e pagar menos tributo. Se a empresa obteve lucro alto, inclusive, não há como considerar que houve subfaturamento. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. Declaração de voto proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 3232DF CARF MF
score : 1.0
