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5413995 #
Numero do processo: 10140.900107/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DEFERIDA. Comprovada a existência do direito creditório indicado na PER/DCOMP, impõe-se o seu reconhecimento e a homologação da compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1301-001.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES – Presidente em exercício (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DEFERIDA. Comprovada a existência do direito creditório indicado na PER/DCOMP, impõe-se o seu reconhecimento e a homologação da compensação pleiteada.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/2008­74  Acórdão n.º 1301­001.451  S1­C3T1  Fl. 107          2 Relatório  CETRAL­  CENTRO  DE  TREINAMENTO  E  FORMAÇÃO  DE  VIGILANTES LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra  a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo  Grande/MS, que  indeferiu os pedidos veiculados  através de manifestação de  inconformidade  apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande/MS.  Trata a  lide de pedido de compensação de Saldo Negativo de  IRPJ do ano­ calendário  2001,  formulado  por meio  do PER/DCOMP nº  17005.80652.201106.1.3.02­6830,  mediante  o  qual  a  interessada  pretende  a  compensação  de  débitos  de  contribuição  para  o  PIS/Pasep e Cofins de vários períodos de apuração do ano­calendário 2005.  A unidade administrativa que primeiro analisou o PER/DCOMP formulados  pela  empresa  (Delegacia  da  Receita  Federal  em  Campo  Grande/MS)  não  homologou  a  compensação pleiteada em face de existir divergência entre o saldo negativo constante da DIPJ  e o valor informado na DCOMP.  Inconformada,  a  empresa  apresentou  manifestação  de  inconformidade  à  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 17/20),  trazendo os  seguintes argumentos, sintetizados no acórdão recorrido:  Em 15 de maio de 2008 foi protocolado o documento de f. 17 a 20, no qual é  aduzido, em apertada síntese, que houve erros de preenchimento da DIPJ/2002, das  DCTFs relativas aos trimestres de 2001 e também da DCOMP, mas que existe um  saldo negativo de IRPJ de R$ 3.546,87.  Ao  final  é  pedida  a  reconsideração  do  despacho  decisório  e  requerida  a  homologação da compensação.  A  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campo  Grande/MS  analisou  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte  e,  mediante o Acórdão nº 04­24.110, de 08/04/2011 (fls. 69/71), indeferiu a solicitação, conforme  ementa a seguir transcrita:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Exercício: 2001  DCOMP. SALDO NEGATIVO.  Não  havendo  consistência  quanto  ao  valor  do  saldo  negativo  apurado,  não  pode  haver  reconhecido  de  crédito  para  fins  de  compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Crédito Tributário não reconhecido  Fl. 370DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/2008­74  Acórdão n.º 1301­001.451  S1­C3T1  Fl. 108          3 Ciente da decisão de primeira instância em 27/05/2011, conforme documento  de  fl.  78,  e  com  ela  inconformada,  a  empresa  apresentou  recurso  voluntário  em  22/06/2011  (informação  à  fl.  105,  razões  de  recurso  às  fls.  80/84),  mediante  o  qual  reitera  as  razões  apresentadas  na  manifestação  de  inconformidade,  apontando  vários  erros  que  teriam  sido  cometidos  no  preenchimento  de  sua  DIPJ  e  DCTF,  mas  que  ao  final  resultariam  no  saldo  negativo  pleiteado,  no  valor  de  R$  3.546,87,  que  é  superior  ao  crédito  pleiteado  na  PER/DCOMP. (R$ 3.029,85).   Ao  final  do  recurso,  a  recorrente  questiona  as  conclusões  do  relator  do  acórdão recorrido e propugna pelo provimento do recurso voluntário.  Em  sessão  realizada  em  03/06/2012,  a  2a.  Turma  Ordinária  da  desta  3a.  Câmara, decidiu converte o julgamento do recurso em diligência, a ser realizada nos seguintes  termos:  Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade  da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS adote as seguintes providências:  I ­ Designação de autoridade fiscal para:  a)  analisar,  conclusivamente,  a  regularidade  das  compensações  de  estimativas dos meses de  janeiro, maio e  junho de 2001,  realizadas  por meio de DCTF, com saldo negativo do ano­calendário de 1.999,  conforme indicado na Manifestação de Inconformidade (fls. 19);   b)  analisar,  conclusivamente,  a  existência  dos  valores  informados  a  título de IRRF (informado às fls. 3 e 4 da PER/DCOMP) e a inclusão  da respectiva receita na base de cálculo oferecida à tributação;   c)  intimar  a  recorrente  a  apresentar  a Demonstração  do Resultado  do  Exercício  de  2001  e  da  apuração  do  Lucro  Líquido  (LALUR),  necessárias para aferir o montante do imposto devido anualmente e  prestar  outras  informações  ou  apresentar  outros  elementos  que  entender  necessários  para  a  verificação  do  direito  creditório  pleiteado; e,   d)  elaborar Relatório Fiscal conclusivo, demonstrando o saldo de IRPJ  anual  apurado,  os  valores  dos  créditos  passíveis  de  dedução  do  imposto apurado e o saldo de imposto (negativo ou devido) apurado.  II ­ A Recorrente deve ser cientificada do Relatório Fiscal (subitem I.d acima)  para que, desejando, se manifeste a respeito, observando­se o disposto no parágrafo  único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011.  Encaminhados os autos à unidade de origem, a autoridade fiscal diligenciante  adotou as providências requeridas e elaborou a Informação Fiscal Saort DRF­Campo Grande nº  203/2013 (fls. 353/361), e concluiu que “o saldo negativo de IRPJ, relativo ao ano­calendário  de  2001,  pleiteado  na  Dcomp  de  nº  17005.80652.201106.1.3.02­6830  (R$  3.029,85),  foi  confirmado,  como  também  este  foi  suficiente  para  compensar  os  débitos  objeto  da  referida  Dcomp, conforme detalhado no parágrafo 8º, restando porém um saldo de crédito, em valor  originário, de R$ 1.354,55, o qual não foi utilizado em outras Dcomp’s (e não mais pode ser  utilizado em virtude da decadência)”.  Fl. 371DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/2008­74  Acórdão n.º 1301­001.451  S1­C3T1  Fl. 109          4 Cientificada  do  teor  do  relatório  fiscal,  a  interessada  não  se manifestou  no  prazo assinalado, retornando os autos para julgamento.  É o Relatório.  Fl. 372DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/2008­74  Acórdão n.º 1301­001.451  S1­C3T1  Fl. 110          5 Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência.   Assim, dele tomo conhecimento.  Trata­se  de  pedido  de  compensação,  formulado  pela  recorrente  por  meio  de  Declaração de Compensação, do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano­calendário 2001, com  contribuições  ao  PIS  e  Cofins  do  ano  de  2005,  que  restou  não  homologado  pela  autoridade  administrativa competente (DRF/Campo Grande).   Apresentada manifestação de inconformidade pela interessada, esta também foi  indeferida pela DRJ­Campo Grande.  As  diligências  determinadas  por meio  da Resolução  nº  1302­000.201,  pela  2a.  Turma desta 3a. Câmara foram realizadas pela autoridade fiscal designada que concluiu, após a  análise dos elementos dos autos e dos novos documentos fiscais e contábeis apresentados pela  interessada, que ficou comprovada a existência de  saldo negativo do  IRPJ no ano­calendário  2001 informado na DIPJ, no montante original de R$ 3.546,87 (cfe. subitem 7.1.6 do Relatório  Fiscal)  e  que,  portanto,  foi  confirmada  a  existência  do  valor  pleiteado  na  DCOMP  de  R$  3.029,85, cujo montante é suficiente para compensar os débitos indicados na referida DCOMP  (subitem 9.5 do Relatório Fiscal).  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  para  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado  na  PER/DCOMP  nº  17005.80652.201106.1.3.02­6830, no montante de R$ 3.029,85, e homologar as compensações  indicadas no pedido.  É como voto.  Sala das Sessões, em 13 de março de 2014  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado                            Fl. 373DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/2008­74  Acórdão n.º 1301­001.451  S1­C3T1  Fl. 111          6     Fl. 374DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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5368369 #
Numero do processo: 10980.018066/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva, não comportando a aferição de intenção do agente ou desconhecimento da legislação. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 53          1 52  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.018066/2007­06  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­002.781  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de novembro de 2013  Matéria  IRPF ­ Omissão de rendimentos  Recorrente  CASITO ALVES JUNIOR  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.  A  responsabilidade  por  infrações  à  legislação  tributária  é  objetiva,  não  comportando  a  aferição  de  intenção  do  agente  ou  desconhecimento  da  legislação.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente.  Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Relatora.    EDITADO EM: 22/11/2013    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio  Pitarelli,  Carlos  André  Rodrigues  Pereira  Lima,  José Raimundo  Tosta  Santos,  Núbia Matos  Moura e Rubens Maurício Carvalho.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 80 66 /2 00 7- 06 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018066/2007­06  Acórdão n.º 2102­002.781  S2­C1T2  Fl. 54          2     Relatório  Contra CASITO ALVES  JUNIOR  foi  lavrada Notificação  de  Lançamento,  fls. 22/26, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF),  relativa ao ano­calendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 3.285,89, incluindo multa  de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2007.  A  infração  apurada  pela  autoridade  fiscal  foi  omissão  de  rendimentos  recebidos  do  Banco  Finasa  S/A  e  do  Banco  Dibens  S/A,  nos  valores  de  R$ 4.236,66  e  R$ 12.776,00, respectivamente.  Inconformado  com  a  exigência,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 01,  que  foi  considerada  improcedente  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  conforme Acórdão DRJ/CTA nº 06­26.229, de 20/04/2010, fls. 31/32.  Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/05/2010,  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  36,  o  contribuinte  apresentou,  em  26/05/2010,  recurso  voluntário, fls. 38, no qual traz as alegações a seguir transcritas:  ... que na ocasião do ocorrido ref. ao imposto de renda PF, do  ano­calendário  2004,  que  não  foi  omissão  de  rendimento,  eu  nunca  declarei  sempre  fui  isento,  eu  não  sabia  de  nada  sobre  imposto de renda, eu esta leigo no assunto e por sua vez a fonte  pagadora  dava  incentivo  mas  nunca  poderia  imaginar  esta  desgraça sem eu conhecer do assunto. E agora ficou mais difícil  ainda, eu estou muito doente, e não posso assumir nada mais na  minha vida, solicito o cancelamento e está toda a prova anexada  nesta impugnação estou debilitado a qualquer tipo de atividade,  isto ocorreu em 2009, fim de 2009, ou meados.  É o Relatório.  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018066/2007­06  Acórdão n.º 2102­002.781  S2­C1T2  Fl. 55          3   Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  Cuida­se de infração de omissão de rendimentos e no recurso o contribuinte  solicita  o  cancelamento  do  crédito  tributário  exigido  na  Notificação  de  Lançamento,  sob  a  alegação de que desconhecia a legislação e que se encontra atualmente impossibilitado para o  trabalho.  Nesse sentido, cumpre dizer que a responsabilidade por infrações tributárias  independe  da  intenção  e  da  efetividade,  natureza  e  extensão  dos  efeitos  do  ato,  conforme  disposto no art. 136 do Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional  (CTN):  Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  Por outro lado, insta frisar que a autoridade administrativa não se pode furtar  ao  cumprimento  dos  mandamentos  da  legislação  tributária,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional, pois sua atividade é plenamente vinculada (art. 3º e parágrafo único do art. 142 do  CTN).  Ademais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode  estabelecer  as  hipóteses  de  exclusão,  suspensão  e  extinção  de  créditos  tributários,  ou  de  dispensa ou redução de penalidades.  Diga­se,  ainda,  que  ninguém  pode  alegar  desconhecimento  da  lei  para  não  cumpri­la. (art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro).  Portanto,  a  despeito  das  alegações  trazidas  pela  defesa,  fato  é  que  houve  a  omissão de rendimentos por parte do contribuinte, sendo certo que a infração a ele  imputada  deve ser mantida nos termos em que consubstanciado na Notificação de Lançamento.  Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018066/2007­06  Acórdão n.º 2102­002.781  S2­C1T2  Fl. 56          4                 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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Numero do processo: 10925.905088/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/2012­21  Acórdão n.º 3801­002.870  S3­TE01  Fl. 58          2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/2012­21  Acórdão n.º 3801­002.870  S3­TE01  Fl. 59          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  PER,  apresentado pela contribuinte acima qualificada.  Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Joaçaba/SC decidiu indeferi­lo (Despacho Decisório à folha  5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como  fonte  do  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  débito  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição  solicitada no PER.  Inconformada  com  o  não  deferimento  de  seu  Pedido  de  Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos  pleiteados referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao  PIS  e  da Cofins,  em  razão  da  inclusão  do  ICMS  nas  bases  de  cálculo destas contribuições.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR.  COMPROVAÇÃO  DA  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO. REQUISITO.  A  certeza  e  liquidez  do  crédito  é  requisito  essencial  para  o  deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo  pagamento indevido ou a maior que o devido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  alega  que  a  exigência  da  prévia  retificação  da  DCTF  como  condição  para  reconhecer  o  crédito  tributário  pleiteado  pela  recorrente  não  possui  qualquer  fundamento  legal,  devendo  ser  enfrentado  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/2012­21  Acórdão n.º 3801­002.870  S3­TE01  Fl. 60          4   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial  e  o  acórdão  de  primeira  instância,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente vinculados  a débitos  em DCTF e  não  teriam sido demonstradas  a  liquidez  e  a  certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Apesar  da  alegação  da  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  não  ter  sido  acompanhada  na  peça  impugnatória  da  retificação  da  respectiva  DCTF,  instrumento  de  confissão  de  dívida,  que  a  princípio  estaria  na  esfera  de  responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido  da prevalência da verdade material,  sendo que a  falta de apresentação de DCTF retificadora,  por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito,  nos termos do art. 165 do CTN, in verbis:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  No  mérito,  a  recorrente  alega  que  os  créditos  pleiteados  referem­se  a  pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do  ICMS nas  bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/2012­21  Acórdão n.º 3801­002.870  S3­TE01  Fl. 61          5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do  contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém,  refere­se  a  uma  universalidade,  um  todo  composto  pelas  receitas  da  empresa,  pouco  importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço  de venda.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS  integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou  seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/2012­21  Acórdão n.º 3801­002.870  S3­TE01  Fl. 62          6 INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  No  mais,  o  julgamento  do  Recurso  Especial  (REsp)  no  1.127.877­SP  foi  submetido ao rito do artigo 543­C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá  ser  seguido  pelos  conselheiros  no  âmbito  do  CARF,  conforme  caput  do  artigo  62­A1  do  Regimento  Interno  deste Conselho,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  256/2009,  com  alterações  introduzidas pela Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013.  Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.                                                              1 Art. 62A.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/2012­21  Acórdão n.º 3801­002.870  S3­TE01  Fl. 63          7 (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 11030.905001/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/2009­58  Acórdão n.º 3801­002.970  S3­TE01  Fl. 126          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:Paulo  Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira,  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/2009­58  Acórdão n.º 3801­002.970  S3­TE01  Fl. 127          3   Relatório  Trata­se de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 a 12, contra  despacho  decisório  eletrônico  da  DRF/Passo  Fundo,  nº.  842600890, fl. 06, que não homologou a compensação declarada  no  Per/Dcomp  nº  16307.26773.150306.1.3.04­0727,  em  virtude  do  crédito  apontado  ter  sido  utilizado  integralmente  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  Per/Dcomp.  Cientificada  do  despacho  decisório,  em  29/06/2009,  a  interessada  apresentou,  em  28/07/2009,  manifestação  de  inconformidade, fls. 10 a 12, alegando, em síntese, que:  =>  efetuou  a  opção  pelo  regime  não  cumulativo  e  refez  a  apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de mai/2004,  em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às  cooperativas  de  produção  agropecuária  adotarem  antecipadamente  o  regime  de  incidência  não  cumulativo  da  COFINS, em relação aos  fatos geradores ocorridos a partir de  1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o  prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação  da referida lei;   => após a retificação da apuração do referido mês, o débito que  havia  sido  apurado  deixou  de  existir.  A  DCTF  do  período  foi  retificada;   => requer o recebimento da manifestação de inconformidade e  homologação Per/Dcomp n° 16307.26773.150306.1.3.04­0727.  A  DRJ  em  Salvador  (BA)  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade com base na seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Data do fato gerador: 31/05/2004   COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO.  O  crédito  usado  em  compensação  tem  que  estar  disponível  na  data da transmissão do PER/DCOMP.  RESTITUIÇÃO.  RECOLHIMENTOS  INDEVIDOS.  COMPROVAÇÃO.  A  insuficiência  da  apresentação  de  prova  inequívoca mediante  documentação  hábil  e  idônea  acarreta  a  negação  de  reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/2009­58  Acórdão n.º 3801­002.970  S3­TE01  Fl. 128          4 da  autoridade  administrativa  aferir  a  liquidez  e  certeza  do  pretenso crédito.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   Não concordando com a decisão da DRJ a contribuinte apresentou Recurso  Voluntário  utilizando­se  dos  mesmos  argumentos  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade.  Essa Turma converteu o  julgamento  em diligência para que  a Delegacia  de  origem:  a)  Intimasse  a  contribuinte  para  no  prazo  de  30  dias  apresentar  a  cópia  do  documento comprobatório da adesão antecipada  a que aduz o § único do artigo 4º da Lei nº  10.892/2004, ou confirme a DRF a realização da opção por parte da contribuinte;  b)  anexasse  cópia  da  DCTF  retificadora  ativa  referente  ao  2º  trimestre  de  2004;  c) apurasse o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  (Cofins)  incidente  sobre  o  faturamento  com  base  na  escrituração  fiscal  e  contábil, período de apuração de maio/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo,  nos  termos  do  art.  4º  da Lei  nº  10.892/2004;  d)  cientifique  a  interessada  quanto  ao  teor  dos  cálculos para, desejando, manifestar­se no prazo de dez dias.  Após  a  conclusão  da  diligência,  retornasse  o  processo  a  este  CARF  para  julgamento.  É o que importa relatar.  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/2009­58  Acórdão n.º 3801­002.970  S3­TE01  Fl. 129          5    Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl,  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado.   A  recorrente  sustenta  que  o  seu  direito  creditório  decorre  da  apuração  da  Cofins  faturamento,  em  função  da  lei  nº  10.892/2004,  que,  no  seu  art.  4º,  facultava  às  cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até  o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção  pelo regime não cumulativo.   Do  exame  do  despacho  decisório  que  indeferiu  a  compensação,  verifica­se  que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados  apresentados na DCTF original.  Tal  fundamentação,  por  certo,  decorre  de  análise  superficial,  realizada  nos  limites  de  sistema  informatizado  de  informações  (batimento  entre  o  pagamento  informado  como  indevido  e  sua  situação  no  conta  corrente  –  disponível  ou  não),  no  qual  não  se  está  analisando  efetivamente  o  mérito  da  questão,  cuja  análise  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, espera­se, seja descrita a  origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal.  Registre­se, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da  ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi  intimada a  justificar a origem de  seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo.  Convém  ressaltar que o  simples  erro de preenchimento da DCTF não pode  resultar  em  enriquecimento  ilícito  da Fazenda Nacional. Ademais,  não  há  óbice  legal  para  a  apresentação  de DCTF  retificadora  antes  da  emissão  do  despacho  decisório. De  sorte  que  o  mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à  restituição de tributo pago a maior indevidamente.  No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004:  Art. 4o As sociedades cooperativas de produção agropecuária e  as  de  consumo  poderão  adotar  antecipadamente  o  regime  de  incidência não­cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e  da COFINS.   Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o (décimo) dia  do  mês  subseqüente  ao  da  data  de  publicação  desta  Lei,  de  acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/2009­58  Acórdão n.º 3801­002.970  S3­TE01  Fl. 130          6 da  Receita  Federal,  produzindo  efeitos  em  relação  aos  fatos  geradores ocorridos a partir de 1o de maio de 2004.  Art. 5o Esta Lei entra em vigor em 1o de outubro de 2004, exceto  em  relação  ao  seu  art.  4o,  que  entra  em  vigor  na  data  da  sua  publicação.  A  recorrente,  por  se  tratar  de  sociedade  cooperativa  de  produção  agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de não­cumulatividade de que  trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir  de  1º  de  maio  de  2004.  A  adesão  antecipada  pelo  regime  de  não­cumulatividade  foi  regulamentada pela IN SRF 433/2004.  Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deu­ se de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que  poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência  cumulativo, como alegado pela recorrente.  Conforme  informado  pela Delegacia  de  origem  e  colacionado  nos  autos,  o  contribuinte apresentou cópia do “Termo de Opção” de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de  2004, fazendo jus portanto à apuração antecipada no regime de incidência não cumulativo da  contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.  Ao  realizar  a  diligência  e  constatar,  a  partir  dos  registros  existentes  nos  sistemas da RFB e dos documentos apresentados pela cooperativa, que não houve apuração de  saldo  a  pagar  a  título  de Cofins,  no  regime não  cumulativo,  para o  período  de  apuração  em  referência,  a  Delegacia  de  origem  confirmou  a  legitimidade  do  direito  creditório,  restando  caracterizado o indébito e tendo o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165  do CTN.  Assim  sendo,  pelos  documentos  comprobatórios  colacionados  aos  autos,  e  em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo  o crédito de pagamento indevido ou a maior, constante do presente processo.  Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido  de  reconhecer  um  crédito  originário  no  valor  pleiteado  pela  recorrente  e  homologar  a  compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original  aqui reconhecido, devidamente atualizado.  (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl                             Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/2009­58  Acórdão n.º 3801­002.970  S3­TE01  Fl. 131          7     Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 16682.901948/2011-53
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. JUROS DE MORA E MULTA DE MORA. VALORAÇÃO DOS DÉBITOS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, ou seja, de juros de mora a taxa Selic e aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto que davam provimento para considerar, como efetivamente pagas, as estimativas extintas por compensação solicitadas em DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizan, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 362          1 361  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16682.901948/2011­53  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.151  –  3ª Turma Especial   Sessão de  09 de abril de 2014  Matéria  PER/DCOMP   Recorrente  FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2006  NULIDADE.  No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita  compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando  os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não  há que se falar em nulidade dos atos em litígio.  PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.  A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de  defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob  pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.  PER/DCOMP.  ÔNUS  DA  PROVA.  COMPROVAÇÃO DA  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  Cabe  à  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações,  já  que  o  procedimento  de  apuração  do  direito  creditório  não  prescinde  comprovação  inequívoca  da  liquidez  e  da  certeza  do  valor  de  direito creditório pleiteado.  PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.  Per/DComp  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para a exigência dos débitos indevidamente compensados.  JUROS DE MORA E MULTA DE MORA. VALORAÇÃO DOS DÉBITOS.   Na  compensação  efetuada  pelo  sujeito  passivo,  os  débitos  sofrerão  a  incidência de acréscimos moratórios, ou seja, de juros de mora a taxa Selic e  aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência.  DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 19 48 /2 01 1- 53 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 363          2 Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.   INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  voto  de  qualidade  negaram  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros  Meigan  Sack  Rodrigues,  Sérgio  Rodrigues  Mendes  e  Arthur  José  André  Neto  que  davam  provimento  para  considerar,  como  efetivamente  pagas,  as  estimativas  extintas  por  compensação solicitadas em DComp.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Walter  Adolfo  Maresch,  Meigan  Sack  Rodrigues,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Victor Humberto da Silva Maizan, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.    Relatório  A  Recorrente  formalizou  os  Pedidos  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declarações  de Compensação  (Per/DComp)  nº  01917.24156.190407.1.7.03­5680,  em  19.04.2007,  nº  18542.05485.291106.1.7.03­1524  e  22159.29740.291106.1.3.03­0880,  ambas  em  29.11.2006,  fls.  02­25,  utilizando­se  do  crédito  relativo  ao  saldo  negativo  de  Contribuição Social  sobre  o Lucro Líquido  (CSLL)  no  valor  de R$695.375,07  apurado  pelo  regime de tributação com base no lucro real no ano­calendário de 2005, para compensação dos  débitos ali confessados.  Em  conformidade  com  o  Despacho  Decisório  Eletrônico,  fls.  26­31,  as  informações  relativas  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  foram  analisadas  das  quais  se  concluiu pelo deferimento em parte do pedido:  Analisadas as  informações prestadas no documento acima identificado que a  soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser  suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do  saldo negativo, verificou­se:  PARCELAS  DE  COMPOSIÇÃO  DO  CRÉDITO  INFORMADAS  NO  PER/DCOMP     PARC. CRÉDITO  RETENÇÕES  FONTE  PAGAMENTOS  DEM. ESTIM.  COMP.  Soma das Parcelas  do Crédito  Fl. 368DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 364          3 PER/DCOMP  1.663.253,92  1.273.060,15  95.337,05  3.031.651,13  CONFIRMADAS  1.559.432,84  1.273.060,15  50.444,26  2.882.937,26    Valor  original  do  saldo  negativo  informado  no  PER/DCOMP  com  demonstrativo de crédito: R$695.375,07.  Valor na DIPJ: R$695.375,07.  Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$3.031.651,12.  CSLL devida: R$2.336.276,05  Valor  do  saldo  negativo  disponível  =  (parcelas  confirmadas  limitado  ao  somatório  das  parcelas  na  DIPJ  –  (CSLL  devida)  limitado  ao  menor  valor  entre  saldo  negativo  DIPJ  e  PER/DCOMP,  observado  que  quando  este  cálculo  resultar  negativo, o valor será zero.  Valor do saldo negativo disponível: 546.661,21.  O  crédito  reconhecido  foi  insuficiente  para  compensar  integralmente  os  débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual:  HOMOLOGO  PARCIALMENTE  a  compensação  no  Per/DComp:  18542.05485.291106.1.7.03­1524.  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada  no(s)  seguinte(s)  PER/DCOMP: 22159.29740.291106.1.3.03­0880.  Para  tanto,  cabe  indicar  o  seguinte  enquadramento  legal:  art.  168 da Lei nº  5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN) e art. 6º, art. 28 e art. 74  da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 4º da Instrução Normativa RFB nº  900 de 30 de dezembro de 2008.  Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls.  33­55, com os argumentos a seguir discriminados.  Faz  um  relato  sobre  a  ação  fiscal  e  suscita  que  a  apresentação  regular  da  manifestação  de  inconformidade  suspende  a  exigibilidade  dos  débitos  confessados  em  Per/DComp:  O  artigo  74,  §  11,  da  Lei  n°  9.430/96  é  expresso  ao  afirmar  que  a  Manifestação  de  Inconformidade  tem  o  condão  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário em discussão. O artigo 66, § 5º, da  Instrução Normativa SRF n°  900/08,  também  expressamente  reconhece  que  a Manifestação  de  Inconformidade  contra  o  indeferimento  da  compensação,  enquadra­se  no  disposto  no  artigo  151,  inciso III, do CTN, e suspende a exigibilidade do crédito tributário.  Portanto, não pode o débito  ser objeto de cobrança e  ser  inscrito em Dívida  Ativa. Proceder dessa maneira implicaria afronta ao disposto no artigo 37, § 1°, da  Instrução  Normativa  SRF  n°  900/08,  que  determina  que  o  débito  decorrente  do  pedido de compensação indeferido não poderá ser encaminhado à Fazenda Nacional  para  inscrição  em Dívida Ativa  da União  quando  instaurado  litígio  administrativo  fiscal em decorrência da apresentação de Manifestação de Inconformidade.  Fl. 369DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 365          4 Em relação à nulidade do Despacho Decisório pela descrição deficiente dos  fatos:  Constata­se  que  o  Despacho  Decisório  deve  descrever  todos  os  elementos  indispensáveis à  identificação da obrigação surgida. Mais do que  isso, não basta a  mera  descrição  do  fato  que  deu  ensejo  à  autuação,  é  preciso  que  ela  seja  clara,  precisa e razoável, a fim de que o contribuinte disponha de meios suficientes para,  querendo, se defender das infrações que lhe foram imputadas.  Todavia, não é isso que se verifica na presente exação. O Despacho Decisório  não se  revestiu das  formalidades previstas no Decreto n° 70.235/72, visto que não  traz  elementos  suficientes  a  permitir  a  adequada  defesa  dos  interesses  da  Requerente.  A  fundamentação  do  Despacho  Decisório  é  insuficiente,  contendo  apenas  breve  descrição  justificando  a  não  homologação  da  compensação  na  suposta  insuficiência do crédito utilizado pela Requerente. [...]  Portanto, considerando que a descrição deficiente das supostas irregularidades  cometidas  pela  Requerente  constitui  nulidade  insanável,  por  impedir  o  regular  exercício  do  direito  de  defesa  da  Requerente,  conclui­se  que  a  exigência  consubstanciada no Despacho Decisório deve ser de plano cancelada.  No  que  tange  à  obrigatoriedade  da  formalização  do  crédito  tributário  por  meio de auto de infração ou de notificação de lançamento acrescenta que:  Em conformidade com o caput e o parágrafo único do artigo 142 do CTN, o  lançamento  é  atividade  privativa  da  Fazenda  Pública,  sendo  vinculada  e  imprescindível,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  O  mero  pedido  de  compensação não desobriga o Fisco de promover o lançamento do seu crédito.  Nessa  linha,  o  artigo  9º  do  Decreto  n°  70.235/72  [...]  estabelece  que  a  constituição do  crédito  tributário  somente  se verifica por meio da  formalização de  Auto de Infração ou de Notificação de Lançamento [...]  Da  leitura  conjunta  dos  citados  dispositivos,  pode­se  concluir  que  o  crédito  tributário  só  pode  ser  constituído  por  meio  de  um  Auto  de  Infração  ou  de  uma  Notificação de Lançamento,  respeitados os  requisitos previstos nos artigos 10 e 11  do Decreto n° 70.235/72. Portanto, caso a cobrança seja feita de forma diversa e não  prevista em lei, evidentemente é nula e deve ser cancelada.  No caso em questão, as Autoridades Fiscais, por meio de Despacho Decisório,  não  homologaram  as  compensações  feitas  pela Requerente  e,  além  disso,  fugindo  das suas atribuições, cobraram os créditos decorrentes das referidas compensações.  Ocorre que as Autoridades Tributárias não podem pretender cobrar crédito sem que  ele tenha sido devidamente constituído, seja por meio de um Auto de Infração ou por  meio de uma Notificação de Lançamento. [...]  Ou seja, uma vez  feito o pedido de  compensação pelo  contribuinte,  cabe  às  Autoridades  Fiscais  analisarem  a  procedência  do  crédito  e,  posteriormente,  homologarem ou não a compensação. Se não homologada, deverá obrigatoriamente  ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado.  Diante  do  exposto,  resta  claro  que  a  presente  cobrança  deve  ser  cancelada,  uma vez que o Despacho Decisório não é a via competente para se formalizar um  Fl. 370DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 366          5 crédito,  e  tal  fato  contraria  expressamente  o  disposto  no  artigo  142,  caput  e  parágrafo único do CTN, além do artigo 9º do Decreto n° 70.235/72.  Relativamente à decadência do lançamento aduz que:  Não  obstante  o  que  já  foi  mencionado,  é  irrelevante  a  discussão  acerca  da  compensação  do  saldo  negativo  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ("CSLL") no exercício de 2006, visto que é evidente que se operou a decadência do  direito de o Fisco Federal glosar esses valores apurados no ano­calendário de 2005 e  devidamente informados pelos meios cabíveis.  Nestes  termos,  a  Requerente  tem  como  certo  que  o  presente  Despacho  Decisório  é  insubsistente,  pois  além  das  nulidades  previamente  apontadas,  busca  exigir quantias supostamente devidas pela Requerente, em função da compensação  do saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 2005, o que é inviável em face da  configuração da decadência.  Ora, é óbvio que não  tendo o  lançamento sido feito à época devida, o prazo  decadencial de 5 (cinco) anos já se exauriu e, sendo assim, à Fazenda Pública não  assiste  o  direito  de  cobrar,  nem  mesmo  questionar,  os  valores  relativos  ao  saldo  negativo  de  CSLL,  no  ano­calendário  de  2005,  conforme  pretendem  as  DD.  Autoridades Fiscais. [...]  Saliente­se,  uma  vez  mais,  que  a  presente  exigência  de  crédito  tributário  decorre de suposta compensação indevida de saldo negativo de CSLL, relacionado  ao  ano­calendário  de  2005.  Ocorre  que  a  exigência  formulada  pelas  DD.  Autoridades Fiscais não merece subsistir em virtude da verificação da decadência.  [...]  Ora,  nessas  condições,  tendo  em  vista  que  a  suposta  infração  refere­se  ao  aumento indevido do saldo negativo de CSLL, gerado no ano­calendário de 2005, a  D.  Fiscalização  Federal  não  poderia  mais  se  pronunciar  acerca  dos  valores  registrados no período, tendo em vista que já transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos  previsto na legislação aplicável. [...]  Neste sentido, resta claro que caso o Fisco quisesse verificar a composição do  saldo negativo de CSLL, do ano­calendário de 2005, bem como pretendesse lavrar  auto de  infração  referente  ao  aludido  período,  deveria  tê­lo  feito  anteriormente  ao  ano­calendário de 2010 e não no ano­calendário de 2011. [...]  Ante o exposto, restou amplamente demonstrado que se operou a decadência  do  direito  do  Fisco  de  constituir  o  crédito  ou  desconsiderar  o  saldo  negativo  de  CSLL referente ao ano­calendário de 2005, nos termos do artigo 156, incisos V, do  Código  Tributário  Nacional,  razão  pela  qual  tampouco  merece  substituir  não­ homologação dos pedidos de compensação formulados pela Requerente.  No que diz respeito ao mérito tece esclarecimentos sobre a origem do crédito  e a regularidade da compensação no seguinte sentido:  A Requerente é sociedade limitada que se dedica, dentre outras atividades, à  industrialização e  à venda de  equipamentos voltados para  as  indústrias petrolífera,  energética e de transportes. Em razão de suas atividades está sujeita ao pagamento  da CSLL, apurada conforme a sistemática do lucro real. O pagamento é efetuado por  estimativa mensal, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução.  Fl. 371DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 367          6 Nos  casos  em que  o  contribuinte  apura  saldo negativo  de CSLL,  esse  valor  constitui um crédito que pode ser compensado a partir do ano­calendário seguinte,  nos  termos  do  artigo  40,  incisos  I,  e  II,  ambos  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  900/08.  A Requerente apresentou a Declaração de Informações Econômico­Fiscais da  Pessoa Jurídica ("DIPJ"), na qual apurou saldo negativo de CSLL, no exercício de  2006,  ano­calendário  de  2005,  no  valor  original  de  R$695.375,07  (seiscentos  e  noventa e cinco mil, trezentos e setenta e cinco reais e sete centavos).  Em  respeito  a  essa  sistemática  (também prevista  nas  Instruções Normativas  anteriores à Instrução Normativa SRF n° 900/08), a Requerente utilizou­se de saldo  negativo de CSLL para realizar a compensação descrita na seguinte Declaração de  Compensação  ("DCOMP"),  transmitida  eletronicamente  em  19.4.2007:  PER/DCOMP n° 01917.24156.190407.1.7.03­5680.  Não obstante o  fato de a  compensação objeto da PER/DCOMP mencionada  acima  ter  sido  realizada  em  estrita  consonância  com  a  legislação  vigente  e  estar  suportada  por  documentação  hábil  e  idônea,  a  Fiscalização  houve  por  bem  não  homologá­la, através do Despacho Decisório ora contestado pela Requerente.  Em relação ao Despacho Decisório suscita que:  Em  apertada  síntese,  as  DD.  Autoridades  Fiscais  aduzem  que  não  homologaram a Declaração de Compensação efetuada pela Requerente  em virtude  de  o  crédito  reconhecido  ser,  supostamente,  insuficiente  para  compensar  integralmente os débitos informados.  Após  análise  dos  motivos  de  fato  que  dão  suporte  à  Declaração  de  Compensação  efetuada  pela  Requerente,  passamos  às  razões  de  direito  que  justificam a homologação do pedido de compensação e que, por si só, demonstram a  improcedência da alegação do Despacho Decisório.  Sobre o direito e a exatidão do valor do saldo negativo de CSLL apurado pela  Requerente diz que:  As DD. Autoridades Fiscais aduzem que o saldo negativo de CSLL utilizado  pela  Requerente  na  referida  PER/DCOMP  foi  insuficiente  para  justificar  a  homologação.  Concessa maxima venia, a Requerente não pode concordar com essa assertiva  das D. Autoridades Fiscais, uma vez que o saldo negativo de CSLL registrado pela  Requerente  encontra­se  em  perfeita  consonância  com  as  normas  previstas  na  legislação tributária.  Cabe  assinalar  que  as  DD.  Autoridades  Fiscais  utilizaram  as  informações  relacionadas  ao  saldo  negativo  de CSLL  existentes na Declaração  de  Informações  Econômico­fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") da Requerente.  Ocorre,  no  entanto,  que  o  saldo  negativo  de  CSLL  constante  da  DIPJ  não  refletiu  alguns  valores  retidos  pelas  clientes  da  Requerente  no  ano­calendário  de  2005. Por esse motivo, as DD. Autoridades Fiscais entenderam haver saldo negativo  de CSLL insuficiente para a compensação.  De modo  a  evidenciar  a  existência  de  saldo  negativo  de CSLL  suficiente  a  justificar  a  homologação  da  PER/DCOMP,  a  Requerente  junta  os  anexos  Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 368          7 comprovantes anuais de retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, relativos  ao  ano­calendário  de  2005,  da  Petróleo  Brasileiro  S.A.  ("Petrobrás")  e  da  Shell  Brasil Ltda. ("Shell") [...].  Ressalte­se, na oportunidade, que as fichas da DIPJ da Requerente (i) indicam  valores  inferiores  aos  apresentados  nos  comprovantes  anuais  de  retenção  da  Petrobrás; e (ii) não indicam valores relativos à Shell [...]. Portanto, fica evidente o  equívoco da DIPJ.  Além disso, a Requerente traz à baila planilha que demonstra a diferença entre  os valores informados em sua DIPJ e os constantes dos informes de rendimentos de  seus  clientes,  discriminando  todos  os  valores  relacionados  ao  ano­calendário  de  2005 [...].  Dessa forma, em que pese existir diferença entre a DIPJ e os informes de seus  clientes, não se pode negar validade à compensação levada a cabo pela Requerente,  posto que não paira dúvida quanto à real composição do saldo negativo de CSLL.  Como  se  não  bastasse,  as  DD.  Autoridades  Fiscais  ainda  formularam  questionamentos  acerca  dos  valores  compensados  pela  Requerente  relativos  às  estimativas mensais de CSLL do ano­calendário de 2005.  Com vistas a afastar quaisquer incertezas acerca dos valores utilizados nessas  compensações,  a  Requerente  pede  venia  para  trazer  à  colação  cópia  das  PER/DCOMP's que comprovam essas operações [...].  Desse  modo,  resta  evidenciado  que  a  exigência  fiscal  lançada  no  presente  Despacho  Decisório  é  totalmente  desprovida  de  embasamento  fático  e  jurídico,  motivo pelo qual merece ser integralmente cancelada.  Atinente  às  estimativas  compensadas  com  saldos  negativos  de  CSLL  de  períodos anteriores com processo administrativo argumenta que:  Frise­se  que  as DD. Autoridades Fiscais  já  questionaram  as PER/DCOMP's  ora colacionadas pela Requerente. Todavia, em função da certeza das compensações,  a  Requerente  apresentou  manifestações  de  inconformidade  evidenciando  o  seu  direito  à  homologação  [...].  No  momento,  aguarda­se  a  apreciação  dessas  manifestações.  Contudo, vale lembrar que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as  reclamações  e  os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário  administrativo (artigo 151, inciso III, do CTN).  Dessa forma, caso os Ilustres Julgadores entendam que não se tenha operado a  decadência,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  é  necessário  aguardar  uma  decisão definitiva nas referidas manifestações de inconformidade, para que se possa  eventualmente desconsiderar a compensação realizada pela Requerente.  Neste  caso,  a  Requerente  protesta  pelo  sobrestamento  do  presente  processo  administrativo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos das manifestações  de inconformidade já mencionadas pela Requerente.  Apresenta argumentos contra a  incidência dos  juros de mora equivalentes à  taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção  de todos os meios de prova.  Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 369          8 Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui:  Do acima exposto, conclui­se que:  (i)  a  presente  Manifestação  de  Inconformidade  é  tempestiva  e  deve  ser  acolhida com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário  (ii) merece ser decretada a nulidade da presente cobrança tendo em vista que:  a) a carência das informações fornecidas no Despacho Decisório, representam  óbices instransponíveis à defesa da Requerente, consubstanciando verdadeira afronta  aos  princípios  constitucionais  da  ampla  defesa,  do  contraditório  e  do  devido  processo legal;  b)  o  Despacho  Decisório  não  representa  meio  hábil  para  a  realização  do  lançamento e a conseqüente exigência do crédito tributário; e   c)  se  operou  a  decadência  do  direito  do  Fisco  de  constituir  o  crédito  ou  desconsiderar o  saldo negativo de CSLL referente  ao ano­calendário de 2005, nos  termos do artigo 156, incisos V, do Código Tributário Nacional;  (iii)  em  que  pese  existir  diferença  entre  a  DIPJ  e  os  informes  de  seus  clientes,não se pode negar validade à compensação levada a cabo pela Requerente,  posto que não paira dúvida quanto à real composição do saldo negativo de CSLL;  (iv)  os  questionamentos  formulados  pelo  Fisco  acerca  dos  valores  compensados  pela  Requerente,  relativos  às  estimativas mensais  de CSLL  do  ano­ calendário  de  2005,  não merecem prosperar,  em  virtude  da  indiscutível  existência  dos créditos utilizados na compensação;  (v)  a  cobrança  da multa  no  caso  em  análise  deve  ser  cancelada  pois,  tendo  sido  demonstrada  a  total  improcedência  da  exigência  em  questão,  a  cobrança  da  multa, como acessório, também se mostra totalmente improcedente;  (vi) se, ad argumentandum,  fosse admitida a exigência de multa no caso em  análise,  a  mesma  não  poderia  ser  exigida  no  percentual  de  20%  (vinte  por  cento),tendo  em  vista  que  tal  procedimento  seria,  frontalmente,  contrário  ao  princípio do não confisco; e   (vii) no que se refere aos juros de mora, não se poderia aplicar a Taxa SELIC  aos  créditos  tributários,  uma  vez  que  essa  taxa  não  foi  criada  por  lei  para  fins  tributários, como já vem reconhecendo a jurisprudência de nossos Tribunais.  Por tudo isso, a Requerente requer que seja integralmente anulado o Despacho  Decisório  objeto  desta  Manifestação  de  Inconformidade  uma  vez  que  o  mesmo  contraria o disposto na legislação tributária, o entendimento da melhor doutrina e da  jurisprudência.  Ademais, pleiteia o acolhimento da presente manifestação de inconformidade,  com o objetivo de cancelar o Despacho Decisório em tela, bem como as penalidades  aplicadas,  com  o  conseqüente  arquivamento  do  processo  administrativo.  Protesta,  ainda, pela juntada posterior de documentos e, na hipótese de discussão do valor do  saldo negativo de CSLL da Requerente, pela realização de perícia contábil.  Fl. 374DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 370          9 Termos em que, pede deferimento.  Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº  12­47.685, de 26.06.2012, fls. 239­245: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”:  Restou ementado:  ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES   Ano­calendário: 2005   LANÇAMENTO  VERSUS  RECONHECIMENTO  DE  INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.  A verificação da apuração do tributo não é cabível, apenas, para fundamentar  lançamento  de  ofício,  mas  deve  ser  feita,  também,  no  âmbito  da  análise  das  declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e  liquidez do  crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais.  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  Mantém­se o despacho decisório, se não apresentados elementos de prova ou  de direito que o modifiquem.  Notificada  em  18.01.2013,  fl.  249,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário em 10.02.2013, fls. 255­280 e 317, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de  admissibilidade. Discorre  sobre o procedimento  fiscal contra o qual  se  insurge,  reiterando os  argumentos apresentados na manifestação de inconformidade.   Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente.  Faz  um  relato  sobre  a  ação  fiscal.  Em  relação  à  nulidade  do  Despacho  Decisório pela descrição deficiente dos fatos:  Constata­se  que  o  Despacho  Decisório  deve  descrever  todos  os  elementos  indispensáveis à  identificação da obrigação surgida. Mais do que  isso, não basta a  mera  descrição  do  fato  que  deu  ensejo  à  autuação,  é  preciso  que  ela  seja  clara,  precisa e razoável, a fim de que o contribuinte disponha de meios suficientes para,  querendo, se defender das infrações que lhe foram imputadas.  Todavia, não é isso que se verifica na presente exação. O Despacho Decisório  não se  revestiu das  formalidades previstas no Decreto n° 70.235/72, visto que não  traz  elementos  suficientes  a  permitir  a  adequada  defesa  dos  interesses  da  Requerente.  A  fundamentação  do  Despacho  Decisório  é  insuficiente,  contendo  apenas  breve  descrição  justificando  a  não  homologação  da  compensação  na  suposta  insuficiência do crédito utilizado pela Requerente. [...]  Portanto, considerando que a descrição deficiente das supostas irregularidades  cometidas  pela  Requerente  constitui  nulidade  insanável,  por  impedir  o  regular  exercício  do  direito  de  defesa  da  Requerente,  conclui­se  que  a  exigência  consubstanciada no Despacho Decisório deve ser de plano cancelada com a reforma  da r. decisão.  Fl. 375DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 371          10 No  que  tange  à  obrigatoriedade  da  formalização  do  crédito  tributário  por  meio de auto de infração ou de notificação de lançamento acrescenta que:  Em conformidade com o caput e o parágrafo único do artigo 142 do CTN, o  lançamento  é  atividade  privativa  da  Fazenda  Pública,  sendo  vinculada  e  imprescindível,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  O  mero  pedido  de  compensação não desobriga o Fisco de promover o lançamento do seu crédito.  Nessa  linha,  o  artigo  9º  do  Decreto  n°  70.235/72  [...]  estabelece  que  a  constituição do  crédito  tributário  somente  se verifica por meio da  formalização de  Auto de Infração ou de Notificação de Lançamento [...]  Da  leitura  conjunta  dos  citados  dispositivos,  pode­se  concluir  que  o  crédito  tributário  só  pode  ser  constituído  por  meio  de  um  Auto  de  Infração  ou  de  uma  Notificação de Lançamento,  respeitados os  requisitos previstos nos artigos 10 e 11  do Decreto n° 70.235/72. Portanto, caso a cobrança seja feita de forma diversa e não  prevista em lei, evidentemente é nula e deve ser cancelada.  No caso em questão, as Autoridades Fiscais, por meio de Despacho Decisório,  não  homologaram  as  compensações  feitas  pela Requerente  e,  além  disso,  fugindo  das suas atribuições, cobraram os créditos decorrentes das referidas compensações.  Ocorre que as Autoridades Tributárias não podem pretender cobrar crédito sem que  ele tenha sido devidamente constituído, seja por meio de um Auto de Infração ou por  meio de uma Notificação de Lançamento. [...]  Ou seja, uma vez  feito o pedido de  compensação pelo  contribuinte,  cabe  às  Autoridades  Fiscais  analisarem  a  procedência  do  crédito  e,  posteriormente,  homologarem ou não a compensação. Se não homologada, deverá obrigatoriamente  ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado.  Diante  do  exposto,  resta  claro  que  a  presente  cobrança  deve  ser  cancelada,  uma vez que o Despacho Decisório não é a via competente para se formalizar um  crédito,  e  tal  fato  contraria  expressamente  o  disposto  no  artigo  142,  caput  e  parágrafo único do CTN, além do artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual  a presente cobrança deve ser cancelada.  Relativamente à decadência do lançamento aduz que:  Não  obstante  o  que  já  foi  mencionado,  é  irrelevante  a  discussão  acerca  da  compensação  do  saldo  negativo  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ("CSLL") no exercício de 2006, visto que é evidente que se operou a decadência do  direito de o Fisco Federal glosar esses valores apurados no ano­calendário de 2005 e  devidamente informados pelos meios cabíveis.  Nestes  termos,  a  Requerente  tem  como  certo  que  o  presente  Despacho  Decisório  é  insubsistente,  pois  além  das  nulidades  previamente  apontadas,  busca  exigir quantias supostamente devidas pela Requerente, em função da compensação  do saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 2005, o que é inviável em face da  configuração da decadência.  Ora, é óbvio que não  tendo o  lançamento sido feito à época devida, o prazo  decadencial de 5 (cinco) anos já se exauriu e, sendo assim, à Fazenda Pública não  assiste  o  direito  de  cobrar,  nem  mesmo  questionar,  os  valores  relativos  ao  saldo  negativo  de  CSLL,  no  ano­calendário  de  2005,  conforme  pretendem  as  DD.  Autoridades Fiscais. [...]  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 372          11 Saliente­se,  uma  vez  mais,  que  a  presente  exigência  de  crédito  tributário  decorre de suposta compensação indevida de saldo negativo de CSLL, relacionado  ao  ano­calendário  de  2005.  Ocorre  que  a  exigência  formulada  pelas  DD.  Autoridades Fiscais não merece subsistir em virtude da verificação da decadência.  [...]  Ora,  nessas  condições,  tendo  em  vista  que  a  suposta  infração  refere­se  ao  aumento indevido do saldo negativo de CSLL, gerado no ano­calendário de 2005, a  D.  Fiscalização  Federal  não  poderia  mais  se  pronunciar  acerca  dos  valores  registrados no período, tendo em vista que já transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos  previsto na legislação aplicável. [...]  Neste sentido, resta claro que caso o Fisco quisesse verificar a composição do  saldo negativo de CSLL, do ano­calendário de 2005, bem como pretendesse lavrar  auto de  infração  referente  ao  aludido  período,  deveria  tê­lo  feito  anteriormente  ao  ano­calendário de 2010 e não no ano­calendário de 2011. [...]  Ante o exposto, restou amplamente demonstrado que se operou a decadência  do  direito  do  Fisco  de  constituir  o  crédito  ou  desconsiderar  o  saldo  negativo  de  CSLL referente ao ano­calendário de 2005, nos termos do artigo 156, incisos V, do  Código  Tributário  Nacional,  razão  pela  qual  tampouco  merece  substituir  não­ homologação dos pedidos de compensação formulados pela Requerente.  Sobre o direito e a exatidão do valor do saldo negativo de CSLL apurado pela  Requerente diz que:  As DD. Autoridades Fiscais aduzem que o saldo negativo de CSLL utilizado  pela  Requerente  na  referida  PER/DCOMP  foi  insuficiente  para  justificar  a  homologação.  Concessa maxima venia, a Requerente não pode concordar com essa assertiva  das D. Autoridades Fiscais, uma vez que o saldo negativo de CSLL registrado pela  Requerente  encontra­se  em  perfeita  consonância  com  as  normas  previstas  na  legislação tributária.  Cabe  assinalar  que  as  DD.  Autoridades  Fiscais  utilizaram  as  informações  relacionadas  ao  saldo  negativo  de CSLL  existentes na Declaração  de  Informações  Econômico­fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") da Requerente.  Ocorre,  no  entanto,  que  o  saldo  negativo  de  CSLL  constante  da  DIPJ  não  refletiu  alguns  valores  retidos  pelas  clientes  da  Requerente  no  ano­calendário  de  2005. Por esse motivo, as DD. Autoridades Fiscais entenderam haver saldo negativo  de CSLL insuficiente para a compensação.  De modo  a  evidenciar  a  existência  de  saldo  negativo  de CSLL  suficiente  a  justificar  a  homologação  da  PER/DCOMP,  a  Requerente  junta  os  anexos  comprovantes anuais de retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, relativos  ao  ano­calendário  de  2005,  da  Petróleo  Brasileiro  S.A.  ("Petrobrás")  e  da  Shell  Brasil Ltda. ("Shell") [...].  Ressalte­se, na oportunidade, que as fichas da DIPJ da Requerente (i) indicam  valores  inferiores  aos  apresentados  nos  comprovantes  anuais  de  retenção  da  Petrobrás; e (ii) não indicam valores relativos à Shell [...]. Portanto, fica evidente o  equívoco da DIPJ.  Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 373          12 Além disso, a Requerente traz à baila planilha que demonstra a diferença entre  os valores informados em sua DIPJ e os constantes dos informes de rendimentos de  seus  clientes,  discriminando  todos  os  valores  relacionados  ao  ano­calendário  de  2005 [...].  Dessa forma, em que pese existir diferença entre a DIPJ e os informes de seus  clientes, não se pode negar validade à compensação levada a cabo pela Requerente,  posto que não paira dúvida quanto à real composição do saldo negativo de CSLL.  Como  se  não  bastasse,  as  DD.  Autoridades  Fiscais  ainda  formularam  questionamentos  acerca  dos  valores  compensados  pela  Requerente  relativos  às  estimativas mensais de CSLL do ano­calendário de 2005.  Com vistas a afastar quaisquer incertezas acerca dos valores utilizados nessas  compensações,  a  Requerente  pede  venia  para  trazer  à  colação  cópia  das  PER/DCOMP's que comprovam essas operações [...].  Desse  modo,  resta  evidenciado  que  a  exigência  fiscal  lançada  no  presente  Despacho  Decisório  é  totalmente  desprovida  de  embasamento  fático  e  jurídico,  motivo pelo qual merece ser integralmente cancelada, haja vista que ocorreu apenas  um equívoco no preenchimento da DIPJ da Recorrente.  Apesar  disso,  como  no  processo  administrativo  deve­se  buscar  sempre  a  verdade dos fatos, a incorreção no preenchimento da DIPJ da Recorrente não pode  impedir o reconhecimento de que valores foram retidos pela Petrobrás e pela Shell,  sob pena de enriquecimento ilícito da União Federal (Fazenda Nacional).  Logo, tendo em vista a comprovação dos recolhimentos feitos pela Petrobrás e  pela  Shell,  conforme  does.  n°s  6  e  7  da  impugnação,  a  Recorrente  tem  como  demonstrado que possuía saldo negativo de CSLL suficiente para quitar os débitos  indicados na PER/DCOMP, razão pela qual a r. decisão de fls. deve ser reformada,  com a homologação integral da compensação levada a cabo pela Recorrente.  Atinente  às  estimativas  compensadas  com  saldos  negativos  de  CSLL  de  períodos anteriores com processo administrativo argumenta que:  Frise­se  que  as DD. Autoridades Fiscais  já  questionaram  as PER/DCOMP's  ora colacionadas pela Requerente. Todavia, em função da certeza das compensações,  a  Requerente  apresentou  manifestações  de  inconformidade  evidenciando  o  seu  direito  à  homologação  [...].  No  momento,  aguarda­se  a  apreciação  dessas  manifestações.  Contudo, vale lembrar que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as  reclamações  e  os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário  administrativo (artigo 151, inciso III, do CTN).  Dessa forma, caso os Ilustres Julgadores entendam que não se tenha operado a  decadência,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  é  necessário  aguardar  uma  decisão definitiva nas referidas manifestações de inconformidade, para que se possa  eventualmente desconsiderar a compensação realizada pela Requerente.  Neste  caso,  a  Requerente  protesta  pelo  sobrestamento  do  presente  processo  administrativo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos das manifestações  de inconformidade já mencionadas pela Requerente.  Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 374          13 Apresenta argumentos contra a  incidência dos  juros de mora equivalentes à  taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção  de todos os meios de prova.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui:  Do acima exposto, conclui­se que:  (i)  a  presente  Manifestação  de  Inconformidade  é  tempestiva  e  deve  ser  acolhida com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário;  (ii) merece ser decretada a nulidade da presente cobrança tendo em vista que:  a) a carência das informações fornecidas no Despacho Decisório, representam  óbices instransponíveis à defesa da Requerente, consubstanciando verdadeira afronta  aos  princípios  constitucionais  da  ampla  defesa,  do  contraditório  e  do  devido  processo legal;  b)  se  operou  a  decadência  do  direito  do  Fisco  de  constituir  o  crédito  ou  desconsiderar o  saldo negativo de CSLL referente  ao ano­calendário de 2005, nos  termos do artigo 156, incisos V, do Código Tributário Nacional;  (iii)  em  que  pese  existir  diferença  entre  a  DIPJ  e  os  informes  de  seus  clientes,não se pode negar validade à compensação levada a cabo pela Requerente,  posto que não paira dúvida quanto à real composição do saldo negativo de CSLL;  (iv)  os  questionamentos  formulados  pelo  Fisco  acerca  dos  valores  compensados  pela  Requerente,  relativos  às  estimativas mensais  de CSLL  do  ano­ calendário  de  2005,  não merecem prosperar,  em  virtude  da  indiscutível  existência  dos créditos utilizados na compensação;  (v)  a  cobrança  da multa  no  caso  em  análise  deve  ser  cancelada  pois,  tendo  sido  demonstrada  a  total  improcedência  da  exigência  em  questão,  a  cobrança  da  multa, como acessório, também se mostra totalmente improcedente;  (vi) se, ad argumentandum,  fosse admitida a exigência de multa no caso em  análise,  a  mesma  não  poderia  ser  exigida  no  percentual  de  20%  (vinte  por  cento),tendo  em  vista  que  tal  procedimento  seria,  frontalmente,  contrário  ao  princípio do não confisco; e   (vii) no que se refere aos juros de mora, não se poderia aplicar a Taxa SELIC  aos  créditos  tributários,  uma  vez  que  essa  taxa  não  foi  criada  por  lei  para  fins  tributários, como já vem reconhecendo a jurisprudência de nossos Tribunais.  Por tudo isso, a Requerente requer que seja integralmente anulado o Despacho  Decisório  objeto  desta  Manifestação  de  Inconformidade  uma  vez  que  o  mesmo  contraria o disposto na legislação tributária, o entendimento da melhor doutrina e da  jurisprudência.  Ademais, pleiteia o acolhimento da presente manifestação de inconformidade,  com o objetivo de cancelar o Despacho Decisório em tela, bem como as penalidades  aplicadas,  com  o  conseqüente  arquivamento  do  processo  administrativo.  Protesta,  Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 375          14 ainda, pela juntada posterior de documentos e, na hipótese de discussão do valor do  saldo negativo de CSLL da Requerente, pela realização de perícia contábil.  Termos em que, pede deferimento.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.  Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional  (§ 11 do  art.  74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996).  A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   Os  atos  administrativos  que  instruem  os  autos  foram  lavrados  por  servidor  competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri­los ou impugná­los  no  prazo  legal,  ou  seja,  com  observância  de  todos  os  requisitos  legais  que  lhes  conferem  existência,  validade  e  eficácia.  As  formas  instrumentais  adequadas  foram  respeitadas,  os  documentos  foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas por meios  lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter  privativo,  cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  caso  de  verificação  do  ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória,  sob pena de responsabilidade funcional1.   As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com  os meios e  recursos a ela  inerentes  foram observadas. Ademais os atos administrativos estão  motivados,  com  indicação  dos  fatos  e  dos  fundamentos  jurídicos  decidam  recursos  administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça  de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que  ensejaram  os  procedimentos  de  ofício,  que  foi  regularmente  analisado  pela  autoridade  de  primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova.   Sobre  a  matéria,  vale  esclarecer  que  no  presente  caso  se  aplicam  as  disposições  do  processo  administrativo  fiscal  que  estabelece  que  a  peça  de  defesa  deve  ser  formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se  fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões  em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas,                                                              1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário  Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972  e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 376          15 tais como fique demonstrada  a  impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de  força maior, refira­se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões  posteriormente trazidas aos autos2.   Embora  lhe  fossem  oferecidas  várias  oportunidades  no  curso  do  processo  (ciência  do Despacho Decisório,  fls.  26­32,  e  a  Intimação  do Resultado  do  Julgamento,  fls.  248­250)  a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação  inequívoca  de  quaisquer  fatos  que  tenham correlação  com as  situações  excepcionadas pela  legislação de  regência. A  realização  desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por  meios  lícitos  constantes  nos  autos  são  suficientes  para  a  solução  do  litígio.  A  justificativa  arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova.  A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à data do protocolo.   Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos  indevidamente  compensados,  bem  como  que  o  prazo  para  homologação  tácita  da  compensação  declarada  é  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  sua  entrega.  Ademais,  o  procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para  os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 3.   A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de  dívida,  bem  como  instrumento  hábil  e  suficiente  para  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União  dispensando, para isso, o lançamento de ofício456. Este é o entendimento constante na decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  no  Recurso  Especial  Repetitivo nº 1101728/SP 7, cujo  trânsito em  julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser  reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8.                                                              2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  3 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  4 Fundamentação Legal: Decreto­Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de  1984.  5 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro  Torres,  Segunda  Turma,  Brasília,  DF,  4  de  julho  de  2005.  Disponível  em:  <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:2005­07­ 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012.  6 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº  255  de  11  de  dezembro  de  2002,  Instrução  Normativa  SRF  nº  482,  de  21  de  dezembro  de  2004,  Instrução  Normativa SRF nº 583, de 20  de dezembro de 2005,  Instrução Normativa SRF  nº 695, de 14  de dezembro  de  2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de  dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB  nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010.  7  BRASIL.Superior  Tribunal  de  Justiça.  Recurso  Especial  Repetitivo  nº  1101728/SP.  Ministro  Relator:Teori  Albino  Lawascki,  Primeira  Seção,  Brasília,  DF,  11  de  março  de  2009.  Disponível  em:  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 377          16 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais9.   Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  cabe  à  Recorrente  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar  livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos.   Para  que  haja  o  reconhecimento  do  direito  creditório  é  necessário  um  cuidadoso  exame  do  pagamento  a maior  de  tributo,  uma  vez  que  é  absolutamente  essencial  verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por  legislação  fiscal  específica bem  como os  documentos  e demais  papéis  que  serviram de  base  para escrituração comercial e fiscal.  A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens  nas  operações  de  conta  própria,  o  preço  dos  serviços  prestados  e  o  resultado  auferido  nas  operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via  de  regra,  as  vendas  canceladas,  os  descontos  concedidos  incondicionalmente  e  os  impostos  incidentes  sobre vendas. Excepcionalmente a  legislação prevê  taxativamente as hipóteses em  que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado  da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença  entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos.   O  lucro  operacional  é  o  lucro  bruto  excluídos  os  custos  e  as  despesas  operacionais  necessárias,  usuais  e  normais  à  atividade  da  empresa  e  à  manutenção  da  respectiva  fonte produtora  incorridas para a  realização operações  exigidas pela  sua atividade  econômica  apropriadas  simultaneamente  às  receitas  que  gerarem,  em  conformidade  com  o  regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios.   O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não  operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei  comercial10.                                                                                                                                                                                            <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012.  8 Fundamentação legal: art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.  9 Fundamentação legal  : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  10 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 378          17 A  pessoa  jurídica  que  optar  pelo  pagamento  da  CSLL  pelo  regime  de  tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e  exclusões legais em 31 de dezembro de cada ano. A CSLL deve a ser paga será determinada  mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de oito por cento.11.  A  pessoa  jurídica  pode  deduzir  do  tributo  devido  o  valor  dos  incentivos  fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre  receitas  computadas  na  determinação  do  lucro  real,  bem  como  a CSLL  determinada  sobre  a  base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito  de  determinação  do  saldo  de CSLL  a  pagar  ou  a  ser  compensado  no  encerramento  do  ano­ calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza12.  A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar  pela  apuração  anual  de  CSLL,  o  que  lhe  impõe  o  pagamento  destes  tributos  em  cada  mês,  determinados  sobre  base  de  cálculo  estimada,  ainda  que  venha  a  apurar  base  de  cálculo  negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do ano­calendário.   Pode,  todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos  tributos devidos em  cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias  acumuladas  já  recolhidas  excedem os  valores  dos  tributos  devidos  referentes  ao  período  em  curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis  comerciais  e  fiscais  e  transcritos  no  livro Diário  e  a  demonstração  do  lucro  real  relativa  ao  período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur).   O  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  real  anual  prevê  que  a  pessoa  jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizá­lo ao final  do período de apuração na dedução do devido ou para compor o  saldo negativo, ocasião em  que  se  verifica  a  sua  liquidez  e  certeza13.  Além  disso,  nos  termos  do  enunciado  da  Súmula  CARF nº 84 o “pagamento indevido ou a maior a  título de estimativa caracteriza indébito na  data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”.  Em  relação à dedução de  tributo  retido na  fonte,  a  legislação prevê que no  regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no  encerramento  do  período,  o  valor  retido  na  fonte  sobre  as  receitas  que  integraram  a base  de  cálculo correspondente14. Para tanto, as pessoas  jurídicas qualificadas como fontes pagadoras  são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos  que  pagaram  ou  creditaram  no  ano­calendário  anterior,  por  si  ou  como  representantes  de  terceiros,  com  indicação  da  natureza  das  respectivas  importâncias,  do  nome,  endereço  e                                                              11 Fundamentação legal: art. 2º e art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 20 da Lei nº  9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28, art. 29 e art. 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  12 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995  e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996.  13 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73  da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional,  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.300,  de  20  de  novembro  de  2012,  art.  269  do  Código  de  Processo  Civil,  Lei  Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83  da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.   14 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003.  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 379          18 número de  inscrição no CNPJ, das pessoas que o  receberam, bem como o  imposto de  renda  retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF).   Também  as  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  pagamentos  com  retenção  do  tributo  na  fonte  devem  fornecer  à  pessoa  jurídica  beneficiária,  até  o  dia  31  de  janeiro,  documento  comprobatório,  em  duas  vias,  com  indicação  da  natureza  e  do  montante  do  pagamento,  das  deduções  e  do  imposto  retido  no  ano­calendário  anterior,  que  no  caso  é  o  Informe de Rendimentos. Assim, o valor  retido na  fonte  somente pode ser  compensado  se  a  pessoa  jurídica  possuir  comprovante  de  retenção  emitido  em  seu  nome  pela  fonte  pagadora  para  fins de apuração do saldo negativo de  IRPJ no encerramento do período15. Ademais, na  apuração do saldo negativo da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor  retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na  base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80).  A  CSLL  deve  ser  apurada  conforme  os  critérios  previstos  na  legislação  tributária e a pessoa  jurídica submetida ao regime de tributação com base no  lucro real pode  deduzir  da  CSLL  devida  no  encerramento  do  período  o  fonte  incidente  sobre  as  receitas  computadas  na  sua  determinação,  inclusive  como  antecipação  do  IRPJ  devido  referente  ao  código  de  arrecadação  nº  6190  a  título  de  receita  proveniente  de  prestação  de  serviços  e  relativamente ao código de arrecadação nº 6147 a título proveniente de serviços prestados com  emprego  de  materiais  a  órgãos,  autarquias  e  fundações  da  administração  pública  federal16.  Atualmente  a  matéria  está  regulamentada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.234,  11  de  janeiro de 2012.  Para  o  código  de  pagamento  nº  6190,  a  Tabela  de  Retenção  constante  no  Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que vigora à época,  dispunha  que  a  alíquota  a  ser  aplicada na  retenção  sobre  o  rendimento  é de  9,45%,  do  qual  4,80% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ­  IRPJ, 1,0% corresponde à  CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP.   Para  o  código  de  pagamento  nº  6147,  a  Tabela  de  Retenção  constante  no  Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que vigora à época,  dispunha  que  a  alíquota  a  ser  aplicada na  retenção  sobre  o  rendimento  é de  5,85%,  do  qual  1,20% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ­  IRPJ, 1,0% corresponde à  CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP.   Feitas  essas  considerações normativas,  tem cabimento  a  análise da  situação  fática  tendo  em  vista  os  documentos  já  analisados  pela  autoridade  de  primeira  instância  de  julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário.  CSLL Calculada sobre a Base de Cálculo Estimada  No  Despacho  Decisório  foi  confirmado  o  somatório  nos  valores  de  R$1.273.060,16  e  de  R$50.444,26  a  título  de  CSLL  determinada  sobre  a  base  de  cálculo  estimada paga e compensada, respectivamente, conforme os dados discriminados na Tabela 1.                                                              15 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto­Lei nº 1.968, de 23  de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto­Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.  16 Fundamentação legal: art. 64 da Lei 9.430, de 1996 e art. 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 380          19 Tabela  1  –  CSLL  determinada  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  paga  e  compensada no ano­calendário de 2005    Código de Receita  (A)  Período de Apuração  (B)  Data da Arrecadação  (C)    Valor Confirmado de  Ofício  R$  (D)  Valor Utilizado para  Compor o Saldo  Negativo  R$  (E)  2484  28.02.2005  31.03.2005  246.909,75  246.909,75  2484  30.06.2005  28.07.2005  1.026.150,41  1.026.150,41  Total  1.273.060,16    Período de  Apuração da  Estimativa  Compensada  (A)  Nº do Per/DComp  (B)  Valor da  Estimativa  Compensada  no  Per/DComp  R$  (C)    Valor  Confirmado de  Ofício  R$  (D)  Valor Não  Confirmado  R$  (E)  Justificativa  R$  (F)  Junho de 2005  35876.94946.041105.1.3.04­ 6552  5.994,26  5.994,26  0,00  ­  Junho de 2005  13221.90997.041105.1.3.04­ 5993  44.450,00  44.450,00  0,00  ­  Julho de 2005  05895.48745.041105.1.3.04­ 4270  25.000,00  0,00  25.000,00  Compensação  não  confirmada  Julho de 2005  20395.29426.041105.1.3.04­ 0038  19.890,00  0,00  19.890,00  Compensação  não  confirmada  Total  50.444,26        A Recorrente não produziu o conjunto probatório nos autos de suas alegações  no  sentido  de  que  tem  direito  a  valor  remanescente  de  CSLL  determinada  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  já  que  o  procedimento  de  apuração  do  direito  creditório  não  prescinde  comprovação  inequívoca  da  liquidez  e  da  certeza  do  valor  de  direito  creditório  pleiteado. A  tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada.    CSLL Retida na Fonte  No  Despacho  Decisório  foi  confirmado  o  somatório  no  valor  de  R$1.559.432,84 a título de CSLL retida na fonte, conforme os dados discriminados na Tabela  2.  Tabela 2 – CSLL retida na fonte no ano­calendário de 2005    CNPJ da Fonte  Pagadora  Código de  Receita  Valor Informado  no Per/DComp  Valor Confirmado  de Ofício  Valor Não  Confirmado  Justificativa  R$  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 381          20 (A)  (B)  R$  (C)  R$  (D)  R$  (E)  (F)  33.000.167/0001­01  6190  219.984,13  219.984,13  0,00  ­  33.000.167/0001­01  6147  1.443.269,79  1.339.448,71  103.821,08  Retenção  justificada  parcialmente  Total  1.559.432,84  103.821,08      Em relação às  alegações da Recorrente a  respeito da CSLL  retida na  fonte,  está  registrado  no  Acórdão  da  1ª  TURMA/DRJ/RJO  I/RJ  nº  12­47.685,  de  26.06.2012,  fls.  239­245, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano:  De fato, na DIPJ, o interessado informou possuir retenções referente ao CNPJ  33.000.167/0001­01,  código  6147  (em  relação  ao  qual  a  CSLL  representa  o  percentual  de  1%),  no  montante  de  R$1.333.933,30  (fl.  76)  e  os  informes  apresentados  (fls.  61/63)  confirmam  retenções  no  montante  de  R$1.339.448,71.  Ocorre  que,  no  PER/DCOMP,  o  interessado  informou  retenções  no  montante  de  R$1.443.269,79  e  as DIRF  só  confirmam o montante  de R$1.339.448,71  (mesmo  montante  confirmado  pelos  informes  juntados  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade).  A  diferença  apontada  pela  DEMAC,  R$103.821,08,  não  foi,  portanto, elidida.  Registre­se que o informe de fl. 60 é referente ao CNPJ 33.000.167/0001­01,  código 6190 (em relação ao qual a CSLL representa o percentual de 1%), e confirma  retenções no montante de R$219.984,13, que coincide com o montante já aceito no  quadro Parcelas Comprovadas (fl. 27).  O  interessado  alega,  ainda,  que  a  DIPJ  não  indica  valores  da  Shell.  Junta  informes de fls. 64/65 e planilha de fls. 78/128 (onde tem­se “CSLL Shell 362,33” –  fl. 127).  De fato, a ora pleiteada retenção da Shell (CNPJ 33.453.598/000123) não foi  indicada nem na DIPJ (na ficha pertinente) nem no PER/DCOMP.  A apresentação de comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte  pagadora é requisito exigido por lei para que o beneficiário dos rendimentos utilize o  IRRF como antecipação do IRPJ devido ao final do período (artigos, 815, 942 e 943  do RIR/1999). Mas  não  é  o  único  requisito. De  acordo  com  o  artigo  231,  III,  do  RIR/1999, a pessoa jurídica só pode deduzir, do imposto de renda apurado, o IRRF  sobre receitas que integraram a base de cálculo do IRPJ. O mesmo se aplica à CSLL  (art. 3º da IN SRF nº 390/2004).  Portanto,  a  retenção  não  pode  ser  deduzida  sem  a  prova  do  oferecimento  à  tributação dos rendimentos (prova que não ocorreu), ainda mais quando a retenção  sequer foi informada na DIPJ (na ficha pertinente).  Assim,  os  valores  de CSLL  determinada  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  código  2484,  confessados  em  Per/DComp  mas  sem  o  comprovado  pagamento  em  Darf  correspondente  na  rede  arrecadadora,  não  podem  ser  considerados  como  efetivamente  recolhidos,  líquidos e certos, pois no ordenamento  jurídico somente se admite a dedução das  estimativas  efetivamente  pagas,  na  apuração  do  saldo  negativo  de  CSLL  ao  final  ano­ calendário, em conformidade com o inciso IV do § 4º do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996.   Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 382          21 O pagamento de  tributo é uma modalidade de extinção do crédito  tributário  que faz­se mediante Darf efetuado junto a rede arrecadadora, nos termos do art. 156 e art. 159  do  Código  Tributário  Nacional.  Por  seu  turno,  a  Per/DComp  é  somente  um  modo  de  constituição do crédito tributário, de acordo com a decisão definitiva de mérito proferida pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  no  Recurso  Especial  Repetitivo  nº  1101728/SP,  cujo  trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser  reproduzido pelos conselheiros no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.  Por  essa  razão  não  há  que  se  falar  em  duplicidade  de  exigência  tributária,  a  despeito  desses  débitos  estarem  confessados  em  Per/DComp.   A Recorrente não produziu o conjunto probatório nos autos de suas alegações  no  sentido  de  que  tem  direito  a  valor  remanescente  de  CSLL  retida  na  fonte,  já  que  o  procedimento  de  apuração  do  direito  creditório  não  prescinde  comprovação  inequívoca  da  liquidez  e  da  certeza  do  valor  de  direito  creditório  pleiteado.  A  contestação  proposta  pela  defendente, dessa maneira, não se confirma.  Em relação à natureza jurídica, o Per/DComp é um modo de constituição do  crédito  tributário,  de  acordo  com  a  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  no  Recurso  Especial  Repetitivo  nº  1101728/SP,  cujo  trânsito  em  julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento  dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido "a apresentação de Declaração de Débitos e  Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou  de  outra  declaração  dessa  natureza,  prevista  em  lei,  é  modo  de  constituição  do  crédito  tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco".  Os débitos confessados nos Per/DComp nº 01917.24156.190407.1.7.03­5680,  em  19.04.2007,  nº  18542.05485.291106.1.7.03­1524  e  22159.29740.291106.1.3.03­0880,  ambas em 29.11.2006, fls. 02­25, referentes à CSLL, código 2484, de janeiro, de fevereiro, de  março e de abril 2006 são considerados regularmente constituídos para todos os efeitos legais.  Por essa razão não há que se falar em necessidade de constituição do crédito tributário de ofício  nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional.   Ademais,  a  decadência  pode  ser  definido  como  a  perda  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  tendo  em  vista  decurso  do  lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento  por  homologação,  no  caso  em  que  o  sujeito  passivo  efetue  o  pagamento  antecipado  sem  a  necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa  a fluir da ocorrência do fato gerador. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de  mérito  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  em  recurso  especial  repetitivo  nº  973.733/SC17,  cujo  trânsito  em  julgado  ocorreu  em  29.10.2009  e  que  deve  ser  reproduzido  pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF18.  No  presente  caso,  tratando­se  de  débitos  tributários  referentes  à  CSLL,  código  2484,  de  janeiro,  de  fevereiro,  de  março  e  de  abril  2006  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  o  termo  de  início  da  contagem  do  prazo  decadencial  começa  a  fluir  da                                                              17 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux,  Primeira  Seção,  Brasília,  DF,  12  de  agosto  de  2009.  Dsponível  em:  <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011.  18 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62­A do Anexo  II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil.  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 383          22 ocorrência  do  fato  gerador,  no  caso  em  que  há  pagamentos  antecipados.  As  entregas  dos  Per/DComp  nº  01917.24156.190407.1.7.03­5680,  em  19.04.2007,  nº  18542.05485.291106.1.7.03­1524  e 22159.29740.291106.1.3.03­0880,  ambas  em 29.11.2006,  fls. 02­25, por si sós, determina que não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade.  A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada.  Sobre a possibilidade jurídica de juntada de processos, a Portaria RFB nº 666,  de 24 de abril de 2008, determina:  Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:  I ­ as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo,  formalizadas  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova,  referentes:  a)  ao  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  aos  lançamentos  dele  decorrentes  relativos  à  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na  Fonte  (IRRF),  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins);  b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam  decorrentes do IRPJ;  c)  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  à  Cofins  devidas  na  importação de bens ou serviços;  d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento  de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas  de Pequeno Porte (Simples).  II  ­  a  suspensão  de  imunidade  ou  de  isenção  ou  a  não­ homologação  de  compensação  e  o  lançamento  de  ofício  de  crédito tributário delas decorrentes;  III  ­  as  exigências  de  crédito  tributário  relativo  a  infrações  apuradas  no  Simples  que  tiverem  dado  origem  à  exclusão  do  sujeito  passivo  dessa  forma  de  pagamento  simplificada,  a  exclusão  do  Simples  e  o  lançamento  de  ofício  de  crédito  tributário dela decorrente;  IV  ­  os  Pedidos  de  Restituição  ou  de  Ressarcimento  e  as  Declarações de Compensação  (Dcomp) que  tenham por base o  mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas;  V  ­  as  multas  isoladas  aplicadas  em  decorrência  de  compensação considerada não declarada.   Verifica­se  que  o  presente  processo  trata  do  exame  do  saldo  negativo  de  CSLL do ano­calendário de 2005, e por essa razão não pode ser juntado outro processo senão  por expressa disposição legal. Cada feito fiscal deve ser analisado distintamente, pois tratam de  direitos  creditórios  diferentes.  Assim,  por  falta  de  previsão  legal  não  pode  a  autoridade  julgadora declarar a conexão entre eles.   Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 384          23 Além disso, não se deve aguardar o trânsito em julgado da decisão constante  no processo vinculado para que se possa proceder ao julgamento do presente feito. No processo  administrativo deve ser observado, entre outros, o critério de impulsão, de ofício, do processo  administrativo,  sem  prejuízo  da  atuação  dos  interessados.  A Administração  tem  o  dever  de  explicitamente  emitir  decisão  nos  processos  administrativos  e  sobre  solicitações  ou  reclamações, em matéria de sua competência19.   Em relação às alegações da Recorrente a respeito da CSLL determinada sobre  a base de  cálculo  estimada,  está  registrado no Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO  I/RJ nº 12­ 47.685, de 26.06.2012, fls. 239­245, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano:  Quanto  à  glosa  das  parcelas  informadas  a  título  de  “DEMAIS  ESTIMATIVAS  COMPENSADAS”  JUN/2005  (DCOMP  05895.48745.041105.1.3.044270)  e  JUL/2005  (DCOMP  20395.29426.041105.1.3.040038),  o  interessado  admite  que  as  estimativas  foram  objeto  de  compensações  não  homologadas,  que  estão  sendo  discutidas  administrativamente.  Solicita  o  sobrestamento  do  presente  até  a  decisão  definitiva  daqueles PER/DCOMP.  Descabe o pleito de sobrestamento do presente feito, por conta da pendência  de decisão definitiva daqueles PER/DCOMP, porque só o fato de a compensação das  estimativas  estar  sendo  discutida  é  suficiente  para  justificar  a  glosa  em  face  de  a  compensação não estar confirmada, como apontado no Despacho Decisório.  Tendo em vista essas premissas e o fato de que não há previsão legal para o  sobrestamento  dos  presentes  autos,  o  julgamento  do  recurso  voluntário  deve  prosseguir,  em  conformidade  com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A proposição  afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A  Recorrente  discorda  da  incidência  de  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  Selic e da multa de mora.  Em  relação  à  valoração  dos  créditos  e  dos  débitos  na  data  da  entrega  da  declaração de compensação,  tem­se que no exercício de sua competência de regulamentar da  matéria,  o  procedimento  de  apuração  do  direito  creditório  não  prescinde  comprovação  inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Na compensação efetuada  pelo  sujeito  passivo,  os  débitos  sofrerão  a  incidência  de  acréscimos moratórios,  ou  seja,  de  juros de mora a taxa Selic e aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência.  Os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos:  (a) de  juros de mora equivalentes à  taxa referencial do Sistema Especial de  Liquidação  e  Custódia  –  Selic,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta20.  Este  é  o  entendimento  constante  na  decisão  definitiva  de mérito  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu  em 09.09.200921 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no  âmbito do CARF22;                                                              19 Fundamentação legal: art. 2º e art. 48 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.  20 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional e Súmula CARF nº 4  21 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise  Arruda.  Primeira  Seção,  Brasília,  DF,  10  de  junho  de  2009.  Disponível  em:  <  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 385          24 (b) da aplicação da multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos  por cento, por dia de atraso a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo  previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, sendo que o  percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento 23.   Por conseguinte, os débitos ficam sujeitos a incidência de juros equivalentes  à  taxa  Selic  e  a  aplicação  da  multa  de  mora  a  partir  da  data  do  vencimento  na  forma  da  legislação  de  regência.  A  proposição  afirmada  pela  defendente,  desse  modo,  não  tem  cabimento.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso, inclusive no que se refere à Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 13 de  outubro  de  200624.  A  alegação  relatada  pela  defendente,  consequentemente,  não  está  justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade25.   Tem­se  que  nos  estritos  termos  legais  o  procedimento  fiscal  está  correto,  conforme  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da  Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº  9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art.                                                                                                                                                                                           https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011.  22  Fundamentação  legal:  art.  161  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  5º  e  art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.   23 Fundamentação legal: art. 61 e § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  24 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março  de 1972.  25 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/2011­53  Acórdão n.º 1803­002.151  S1­TE03  Fl. 386          25 41  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  julho  de  2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                              Fl. 391DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Numero do processo: 10580.722087/2009-96
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO PLEITO. Tratando-se de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) cujo crédito apontado se refere especificamente a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), concernente a determinado período de apuração, deve-se ater o procedimento homologatório ao que foi validamente pleiteado.
Numero da decisão: 1803-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 396          1 395  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.722087/2009­96  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.038  –  3ª Turma Especial   Sessão de  11 de fevereiro de 2014  Matéria  IRPJ ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  TERRABRÁS TERRAPLENAGENS DO BRASIL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2006  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO PLEITO.  Tratando­se  de  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação (Per/DComp) cujo crédito apontado se refere especificamente  a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), concernente a  determinado  período  de  apuração,  deve­se  ater  o  procedimento  homologatório ao que foi validamente pleiteado.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 20 87 /2 00 9- 96 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 397          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Walter Adolfo Maresch – Presidente    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Walter  Adolfo  Maresch,  Meigan  Sack  Rodrigues,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Victor  Humberto  da  Silva  Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.    Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 398          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido (fls. 304 a 309 ­ numeração digital ­ ND):  Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fls. 197 a 199)  ao Despacho Decisório nº 711, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  em  Salvador,  em  4  de  junho  de  2009  (fls.  190  a  194),  que  não  homologou  compensações  declaradas  nas  DCOMP  nº  24858.41638.251005.1.3.02­9829,  18494.40145.311005.1.3.02­9788,  00734.29670.060409.1.7.02­8116,  37094.92875.060409.1.7.02­8680,  29487.97834.060409.1.7.02­2404,  18639.25161.060409.1.7.02­4488  e  22804.90413.281108.1.7.02­3868,  nos  termos  que abaixo transcrevo:  01. Trata­se de processo digital, formalizado em 08/05/2009, para tratamento  de  Declarações  de  Compensação  Eletrônicas,  por  meio  das  quais  a  Empresa  pretende  compensar  débitos  de  sua  responsabilidade  com  supostos  créditos  referentes a  saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica  (IRPJ) do 3º  trimestre de 2005.  02. A tabela abaixo relaciona os débitos informados pelo contribuinte nessas  DCOMP:  [...].  03.  Os  débitos  em  destaque  estão  controlados  no  processo  eletrônico  de  cobrança nº 10580.722931/2009­89, conforme extrato à fl. 187 a 188.  04.  O  contribuinte  apresentava,  em  suas  declarações,  os  seguintes  valores  para o saldo negativo de IRPJ no período em análise:  Na DCOMP 24858.41638.251005.1.3.02­9829: R$ 51.500,00;  • Na DCOMP 18494.40145.311005.1.3.02­9788: R$ 15.517,32;  • Na DCOMP 22804.90413.281108.1.7.02­3868: R$ 24.200,00;  •  Na  DIPJ  entregue  em  30/06/2006  (fls.  42  a  58):  Imposto  a  pagar  de  R$  116.656,58;  • Na DCTF (fl. 59): débito apurado de R$ 116.656,58.  05.  As  DCOMP  05485.14843.091105.1.3.02­4035,  21405.85679.301105.1.3.02­0894,  14609.47602.131205.1.3.02­0037  e  24894.28948.211205.1.3.02­0821 referem­se a supostos créditos de saldo negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  2004,  mas  as  retificadoras  apresentadas  (00734.29670.060409.1.7.02­8116,  37094.92875.060409.1.7.02­8680,  29487.97834.060409.1.7.02­2404  e  18639.25161.060409.1.7.02­4488)  são  referentes ao saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre/2005.  06. Em 12/03/2009, o interessado foi intimado a retificar suas declarações, de  forma  a  sanar  as  divergências  apontadas  acima  (vide  Intimação  SEORT  nº  0138/2009, às fls. 60 a 62).  Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 399          4 07.  A  resposta  à  Intimação  está  às  fls.  63  a  149.  Além  das  DCOMP  retificadoras  relacionadas  na  tabela  do  parágrafo  02,  foram  transmitidas  as  declarações  retificadoras: DIPJ  (fls. 170 a 185) e DCTF (fl. 186). Nessa DIPJ, a  apuração  do  Imposto  de  Renda  resulta  em  Imposto  a  pagar  de  R$  57.560,66  no  período. Na nova DCTF, o débito apurado de IRPJ é R$ 116.656,58.  Fundamentos  08.  Como  medida  preliminar  à  análise  das  compensações  postuladas,  compete  ao  SEORT/DRF  Salvador  pronunciar­se  acerca  das  Declarações  de  Compensação retificadoras relacionadas na tabela constante do parágrafo 02.  09. Com respeito à matéria, é  importante  transcrever, por sua relevância, o  disposto nos artigos 77 a 79 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008:  [...].  10.  A  análise  das  DCOMP  retificadoras,  relacionadas  no  demonstrativo  supra, indica que não ocorreu a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do  débito,  inexistindo  óbices  à  admissão  das  retificações  apresentadas,  por  estarem,  inclusive,  as  DCOMP  originais  pendentes  de  decisão  administrativa  à  época  do  envio dos documentos retificadores.  11.  Ficam  afastadas,  portanto,  da  presente  análise  as DCOMP  retificadas,  prevalecendo, no entanto, a data de  transmissão das DCOMP originais, para  fins  de  valoração  do  débito  e  do  crédito  quando  da  execução  da  compensação,  na  hipótese  de  reconhecimento  do  direito  creditório,  conforme  reza  o  art.  81  da  Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  [...].  12.  Cabe  esclarecer  que  a  compensação  constitui  uma  modalidade  de  extinção do crédito  tributário prevista no artigo 156,  II,  da Lei  5.172/66  (Código  Tributário Nacional).  13.  A  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  em  seu  art.  74,  caput,  estabeleceu  condições  essenciais  para  que  fosse  possível  a  efetivação  da  compensação por parte do contribuinte, conforme abaixo transcrito:  [...].  14. Verifica­se então que a existência de crédito é condição necessária para a  compensação. Com base nos  créditos  é que é  efetuado o ajuste de  contas  entre o  sujeito passivo e a Fazenda Nacional.  15. O  suposto  crédito  informado pelo  contribuinte  em  suas Declarações  de  Compensação refere­se a saldo negativo do IRPJ apurado no 3º trimestre de 2005.  Da análise da Declaração de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica  (DIPJ) do exercício 2006, transmitida em 06/04/2009, constata­se que foi apurado,  nesse trimestre, Imposto a Pagar de R$ 57.560,06, e não saldo negativo, conforme  demonstrativo abaixo, extraído da ficha 14A da DIPJ (vide fl. 173):  Imposto apurado com base no Lucro Presumido  Alíquota de 15% R$ 73.593,95  Adicional R$ 43.062,63  Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 400          5 Deduções  IRRF por Órgão Público Federal (R$ 59.096,52)  Imposto de Renda a pagar R$ 57.560,06  16.  Assim,  tendo  em  vista  a  inexistência  de  crédito,  conforme  DIPJ  transmitida  pelo  contribuinte,  proponho  a  NÃO  HOMOLOGAÇÃO  das  compensações  declaradas  nas  DCOMP  nº  24858.41638.251005.1.3.02­9829,  18494.40145.311005.1.3.02­9788,  00734.29670.060409.1.7.02­8116,  37094.92875.060409.1.7.02­8680,  29487.97834.060409.1.7.02­2404,  18639.25161.060409.1.7.02­4488 e 22804.90413.281108.1.7.02­3868.  Decisão  17. Diante do relatório e da fundamentação apresentada e de tudo mais que  consta  do  presente  processo,  e  no  uso  de  competência  atribuída  pela  Portaria  DRF/SDR nº 26, de 22 de maio de 2007, D.O.U. 25/05/2007, DECIDO:  •  Admitir  as  Declarações  de  Compensação  retificadoras  nº  00734.29670.060409.1.7.02­8116,  37094.92875.060409.1.7.02­8680,  29487.97834.060409.1.7.02­2404,  18639.25161.060409.1.7.02­4488  e  22804.90413.281108.1.7.02­3868.  ∙  Não  homologar  as  compensações  declaradas  nas  DCOMP  nº  24858.41638.251005.1.3.02­9829,  18494.40145.311005.1.3.02­9788,  00734.29670.060409.1.7.02­8116,  37094.92875.060409.1.7.02­8680,  29487.97834.060409.1.7.02­2404,  18639.25161.060409.1.7.02­4488  e  22804.90413.281108.1.7.02­3868.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  a  Contribuinte  apresenta  os  argumentos a seguir:  I – DOS FATOS  –  o Despacho Decisório  não  fez  justiça  à manifestante,  por  não  conceder  a  compensação  do  crédito  tributário,  em  função de  retenções  sobre  recebimentos  de  órgãos governamentais;  – anexou­se, no intuito de instruir a análise dos direitos creditórios, a planilha  sob o título de “Comprovantes de Pagamento e Retenções na Fonte”, expedida pelo  Departamento Nacional  de  Infraestrutura  e Transportes  – DNIT,  planilha  esta que  prova  todas  as  retenções  sobre  recebimentos  de  2  de  janeiro  de  2003  até  31  de  dezembro  de  2005,  e  ainda  planilha  “Conta  Corrente”,  que  ilustra  os  direitos  creditórios  (retenções  na  fonte,  Darf  pagos  a  maior)  e  os  débitos  decorrentes  de  compensações  (Dcomp  e/ou  PerDcomp)  ocorridos  no  período  de  1º  de  janeiro  de  2004 a 31 de dezembro de 2005 (anexo 2);  –  a origem do  saldo  remanescente do  “Conta Corrente” de  compensação de  “Dcomp e PerDcomp”, é anexado ao processo em epígrafe, cujo crédito foi de fato  reconhecido  pela  DRF  nos  autos  dos  processos  10580.007114/00­42  e  10580.007115/00­13,  que,  em  nenhum  momento,  foi  exigida  DIPJ  retificadora,  e  simplesmente foram aceitos os valores registrados na contabilidade, na conta “IRPJ  pago  a  maior”  e/ou  “CSLL  pago  a  maior”,  recomendamos  que  seja  analisado  o  Acórdão DRJ/SDR nº 08010 de 1º de setembro de 2005 (anexo 3);  Fl. 429DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 401          6 – como já arguido na resposta à intimação SEORT/SDR nº 0137/2009, jamais  o poder  tributante chegará a uma conclusão aprazível,  se continuar delimitando os  créditos só do período ano­calendário, sem observar os saldos direitos creditórios de  processos já julgados, citados no tópico anterior, e se pautar somente nos créditos do  ano­calendário  extraídos  da  ficha  14A  da DIPJ AC.  2004,  EX.  2005,  e  desprezar  lançados de IRPJ paga a maior, registrados na contabilidade;  – comprovação dos valores informados nos Demonstrativos “Comprovante de  Retenções  de  Imposto  de  Renda”  e  “Relação  de  Cedentes  Pagos  –  Terrabrás”,  emitidos  pelo DNER  (extinto)  e DNIT  citados  anteriormente,  ou  seja,  juntados  os  Comprovantes de Retenção na Fonte, tendo como fonte tomadora, o Ministério dos  Transportes  –  Grupo  Executivo  –  Portaria  MT  nº  971/03  –  Decreto  nº  4803/03  DNER (extinto c/ ofício nº 105/2005/PR/Grupo Executivo de 22/02/2004, Petróleo  Brasileiro S/A – Petrobrás (anexo 2);  –  esclarecimentos  da  vinculação  do  crédito  informado  nas  Declarações  de  Compensação Eletrônicas  (Dcomp),  citadas  no  item  04  do Despacho Decisório  nº  626/SDR,  objeto  da  presente manifestação  de  inconformidade  não  contempla,  em  que  pese  as  declarações  retificadoras  (fls.  162  a  203),  e  bem  como  as  DCTF  Retificadoras  (fl.  204),  o  saldo  de  créditos  de  períodos  anteriores,  do  AC  2004  contabilizados  na  conta  sob  título  “IRPJ  pago  a  maior”,  cuja  movimentação  da  referida  conta  pode  ser  constatada  na  planilha  “conta  corrente  de  compensação”  (anexo  3),  a  qual  serviu  de  parâmetro  para  o  julgamento  dos  processos  nº  10580.007114/00­42 e 10580.007115/00­13 (anexo 3);  –  esclarecimento  quanto  às  informações  prestadas  nas  Dcomp  nº  24858.41638.251005.1.3.02­9829,  18494.40145.311005.1.3.02­978,  e  22804.90413.281108.1.7.02­3868  e  comprova  e  identifica  que  as  Dcomp  estão  relacionadas  com  o  processo  eletrônico  10580.722.931/2009­89  (fls.  187  a  188),  item 3 do Despacho Decisório nº 711, para o período de apuração de 01/04/2005 a  30/06/2005, os créditos serão julgados em conformidade com o descrito no  tópico  anterior;  II – DA DEFESA  –  a  empresa  é  tributada  com  base  no  Lucro  Presumido  desde  o  AC  2004,  sujeitando­se ao recolhimento do IRPJ trimestralmente em conformidade com o art.  1º  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  e  alterações  posteriores.  O  inciso  II  do  aludido  dispositivo legal assegura ao contribuinte o direito à compensação do imposto pago  indevidamente  ou  a maior  durante  os  anos­calendário  com  o  imposto  devido  nos  meses  subsequentes  ao  fixado  para  entrega  da  declaração  de  rendimentos,  concedendo­lhe  a  alternativa  de  requerer  a  restituição  do montante  pago  a maior,  através de processo específico;  –  das  razões  expendidas  no  julgamento  da  instância  administrativa,  em  momento algum foi questionada a qualidade do sistema contábil do contribuinte, o  que implica dizer que ele é bom e confiável, portanto, quanto às questões de que não  foram localizados os recolhimentos das fontes pagadoras nas Dirf ou outra obrigação  acessória, não cabe ao contribuinte tal responsabilidade;  – sendo a fonte pagadora, por imposição legal, obrigada a fazer as retenções  de fonte quando efetua os pagamentos, se eventualmente o faz ou não faz o repasse  dos valores retidos para a União e deixa de informar alguns desses valores em Dirf,  é de se questionar qual a responsabilidade da fonte pagadora nestas situações;  Fl. 430DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 402          7 –  em  uma  empresa  com múltiplas  e  complexas  relações,  querer  o  fisco  lhe  negar  o  direito  de  compensar  os  tributos  retidos,  devidamente  comprovados  nos  extratos  bancários  e  ainda  confessados  pelo  órgão  retentor,  como  no  caso  do  Departamento  Nacional  de  InfraEstrutura  de  Transportes  –  DNIT,  documento  já  acostado  nos  vastos  processos  nº  10580.007114/0042  e  10580.007115/0013,  e  a  Caixa Econômica Federal, CNPJ nº 00.360.305/000104 (AC. 2003 e 2004), agora o  fazemos novamente (anexo 2), apenas para que se veja a que ponto se chega a má  vontade do poder tributante;  – se estes Senhores Julgadores de primeira instância tivessem um mínimo de  conhecimento  das  regras  contábeis,  teriam  refletido  um  pouco mais  sobre  as  suas  decisões;  –  o  período­base  de  apuração  do  imposto  de  renda  é  o  espaço  de  tempo  delimitado  pela  legislação  tributária,  compreendido  no  ano­calendário,  durante  o  qual  são  apurados  os  resultados  econômicos  das  pessoas  jurídicas  e  calculado  o  respectivo imposto;  – o ano­calendário é o período de doze meses consecutivos contados de 1º de  janeiro a 31 de dezembro de cada ano (Art. 220 RIR/99);  – a forma estimada é uma opção, não uma obrigação. O Contribuinte recolhia  seus impostos na trimestralidade (art. 1º da Lei nº 9.430/96);  – existe falha no trabalho fiscal, que se baseou em valores inconsistentes e em  critério  jurídico  sem  sustentação  e  em  total  afronta  à  legislação,  doutrina  e  jurisprudência administrativa e judicial. Por esta razão, não resta alternativa, senão a  realização de diligência para confirmar a correta apuração dos valores compensados  e a impropriedade da glosa que ensejou o crédito tributário;  –  em  face  dos  argumentos  expostos,  conclui­se  que  resta  irrefutavelmente  consubstanciado o direito da impugnante em compensar os valores recolhidos com  imposto de renda a recolher, em vista da prescrição usualmente alegada pelo Fisco  não  lograr  alcançar  os  recolhimentos  efetuados,  conforme  todos  os  argumentos  expendidos;  III – DO SOBRESTAMENTO  –  pede­se  que  o  processo  seja  julgado,  tendo  como  lastro  o  tratamento,  os  relatórios  e  os  pareceres  conclusivos  nº  007/2004  e  nº  006/2005  –  SEORT,  que  nortearam os processos de nº 10580.007114/00­42 e 10580.007115/00­13, por serem  de íntima relação de causa e efeito, estão acostados no anexo 3;  IV – DO PEDIDO  Pede­se:  O  reconhecimento  de que os  valores  compensados  não  estão  submetidos  ao  regime  de  prescrição  quinquenal  puro  e  simples,  porquanto  a  eles  o  prazo  prescricional só se computa a partir da homologação, expressa ou tácita, conforme  preceituam os art. 168, 165,  I,  e 150, § 4º, do Código Tributário Nacional  (CTN),  não  tendo  sido  os  valores  requeridos  alcançados  pela  prescrição  que  o  Fisco  pretende opor ao exercício de seu direito;  Pelo exposto, e os precedentes transcritos, requer que a presente manifestação  de inconformidade seja acolhida, por ser esta uma medida de justiça.  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 403          8 2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 303 ­ ND):  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.  Incabível  a  compensação  quando  na  apuração  do  resultado  constata­se  a  existência  de Saldo  de  Imposto  a Pagar  e  não Saldo Negativo  de  IRPJ,  este,  sim,  passível de restituição ou compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  3.  Cientificada da referida decisão em 10/01/2013 (fls. 316 ­ ND), a tempo, em  08/02/2013, por via postal (fls. 317 – ND), apresenta a interessada Recurso de fls. 318 a 322 ­  ND,  instruído  com  os  documentos  de  fls.  323  a  391  ­  ND,  nele  reiterando  os  argumentos  anteriormente expendidos.  Em mesa para julgamento.  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 404          9 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  4.  Os processos mencionados, de nºs 10580.007114/00­42 e 10580.007115/00­ 13,  dizem  respeito  a  créditos  pleiteados  relativos  aos  anos­calendários  de  1993  a  1999,  conforme segue (fls. 356 e 359 ­ ND):    [...].    Fl. 433DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 405          10 5.  Já as planilhas anexadas ao Recurso se  referem a um conta­corrente que se  estende dos anos de 1995 a 2011, abrangendo créditos não só de IRPJ e IRRF, mas de CSLL e  até de Cofins (pagamento em duplicidade) (fls. 346 a 353 ­ ND).  6.  Sucede,  porém,  que  se  está  diante  de  Pedidos  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComps)  cujos  créditos  apontados  se  referem  especificamente a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), concernente  ao terceiro trimestre de 2005 (fls. 2 a 11, 37 a 41 e 150 a 169 ­ ND):  7.  A origem dos apontados saldos negativos de IRPJ é o IRPJ retido na fonte –  retenção efetuada por órgão público (fls. 4, 9, 39, 152, 157, 162 e 167 ­ ND).  8.  A decisão recorrida, referentemente a  retenções de órgãos públicos (DNIT),  não admitiu qualquer valor, pelo  fato de os documentos emitidos pela DNIT nada  indicarem  com relação ao 3º trimestre de 2005 (fls. 124 a 146).  9.  De todo modo, na planilha de fls. 86 a 88, elaborada pela própria Recorrente,  intitulada  “Controle  das  Retenções  sobre  Notas  Fiscais  Emitidas  pela  Empresa”,  estão  discriminados pagamentos efetuados por SURCAP, DERB e DNIT, durante o 3º  trimestre de  2005, no montante de R$ 6.106.076,17, o que resultou num IRRF no valor de R$ 37.804,87,  insuficiente  para  cobrir,  até mesmo,  o  saldo  de  imposto  a  pagar  apurado  na  correspondente  declaração IRPJ, de R$ 57.560,03 (fls. 173 – ND).  10.  Importante consignar, como o fez a decisão recorrida (fls. 312 – ND) que:  [...]  o  IRRF  sobre  aplicações  financeiras  e/ou  o  IR  e  CSLL  retidos  na  fonte  por  Órgãos  Públicos  contribuem  para  a  apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, ou de CSLL, mas  com ele não se confunde. Somente o saldo negativo de  imposto  de renda, ou de CSLL, a pagar, calculado ao final do período de  apuração,  é  que  se  mostra  passível  de  restituição  e/ou  compensação posterior, nos termos da legislação vigente, desde  que sua base de cálculo englobe as receitas correspondentes ao  imposto ou à CSLL retidos  na  fonte deduzidas do  imposto e/ou  CSLL devidos.  11.  Há  que  se  ressaltar,  por  oportuno,  que  a  “delimitação  dos  créditos  só  do  período  ano­calendário”  (sic)  (fls.  320  –  ND)  foi  feita  pela  própria  Recorrente,  quando  da  apresentação de seus Per/DComps, e não pelo poder tributante, como alegado.  12.  Assim, não cabe qualquer irresignação quanto a esse ponto.  13.  É  que,  tratando­se  de  Per/DComps  cujos  créditos  apontados  se  referem  especificamente a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), concernentes a  determinado  período  de  apuração,  deve­se  ater  o  procedimento  homologatório  ao  que  foi  validamente pleiteado.  14.  Observa­se, por outro lado, que a planilha “conta corrente de compensação”  não  serviu  de  parâmetro  para  o  julgamento  dos  processos  nºs  10580.007114/00­42  e  10580.007115/00­13,  como  afirmado  pela  Recorrente, mas  sim  os  documentos  expedidos,  à  época, pela fonte retentora (fls. 369 – ND):  Fl. 434DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722087/2009­96  Acórdão n.º 1803­002.038  S1­TE03  Fl. 406          11   15.  Além  disso,  naqueles  processos  solicitou­se  a  compensação  de  saldos  acumulados de IRPJ e CSLL de diversos períodos, ao contrário do que aqui ocorreu (terceiro  trimestre de 2005).  16.  Deve,  porém,  a  repartição  de  origem  rever  de  ofício  as  exigências  relativas aos valores de R$ 15.517,32 (fls. 11), R$ 15.517,32 (fls. 41), R$ 26.779,20 (fls. 159) e  R$ 16.800,00  (fls. 169),  em face de  se  tratar de pretenso débito e crédito  relativo ao mesmo  período de apuração  Conclusão  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                            Fl. 435DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH

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Numero do processo: 10783.722457/2011-23
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. NULIDADES. Em observância ao princípio da instrumentalidade das formas, a regularização da representação processual é vício sanável em qualquer instância processual administrativa, devendo ser conhecida a impugnação quando evidente a deficiência do meio empregado na intimação da unidade preparadora, a fim de garantir a expressão da vontade emanada pelo sujeito passivo. NÃO APRECIAÇÃO DAS RAZÕES DE MÉRITO. A falta de apreciação das razões de mérito da impugnação, impedem a apreciação do recurso voluntário por parte do CARF impondo que nova decisão seja prolatada pela primeira instância.
Numero da decisão: 1803-002.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRJ RIO DE JANEIRO/RJ-I, para que nova decisão seja proferida com análise do mérito, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Walter  Adolfo  Maresch  (presidente  da  turma),  Meigan  Sack  Rodrigues,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Victor  Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque.    Relatório  CARLOS AUGUSTO PEIXOTO BARBARIOLI  – ME,  ,pessoa  jurídica  já  qualificada  nestes  autos,  inconformada  com  a  decisão  proferida  pela  DRJ  RIO  DE  JANEIRO/RJ­I,  interpõe  recurso  voluntário  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, objetivando a reforma da decisão.  Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos.  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  contra  empresa  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples).  Os  valores  lançados,  por  tributo,  foram  os  seguintes:  a)IRPJ...........R$ 3.029,03 (fls. 61/78, numeração eletrônica);  b)PIS/Pasep ..R$ 2.166,57 (fls. 79/86);  c)CSLL .......R$ 4.115,72 (fls. 87/95);  d)Cofins ......R$ 12.250,58 (fls. 96/104); e   e)INSS .......R$ 32.342,85 (fls. 105/113).  2. Sobre esses valores incidiram a multa de ofício de 150% e os  juros de mora.  3.  Segundo  o  auto  de  infração  de  IRPJ,  foram  imputadas  à  empresa as seguintes infrações:  1) Omissão de Receitas. Depósitos Bancários não Escriturados;  2) Insuficiência de recolhimento.  4.  A  infração  denominada  Insuficiência  de  Recolhimentos  decorre da infração anterior, haja vista a geração de recálculo  nos valores mensais devidos.  5. Os autos de infração de CSLL, Cofins, PIS/Pasep e INSS são  meros reflexos da matéria apurada no lançamento do IRPJ.  6. Os enquadramentos legais podem ser observados nos campos  respectivos de cada lançamento.  7.  Os  fatos  geradores  lançados  referem­se  aos  seis  primeiros  meses de 2007.  8.  Segundo  o  termo  de  fls.  56/60,  foram  estes  os  fatos  e  circunstâncias que levaram à autuação:  Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10783.722457/2011­23  Acórdão n.º 1803­002.026  S1­TE03  Fl. 368          3 8.1 Foi  identificada omissão de receitas, quando comparadas a  receita  apurada  com  a  declarada,  conforme  demonstrativos  de  fls. 57.  8.2 A contabilidade da empresa foi desconsiderada, uma vez que,  no  período,  não  registrava  “...o  volume  financeiro  relativo  às  vendas realizadas, revelando evidentes indícios de fraude, erros  ou deficiências que a  tornam  imprestável para ser considerada  para fins tributários, ...”.  8.3  Diante  dos  fatos  descritos,  a  fiscalização  justificou  a  aplicação da multa qualificada de 150%.  9.  O  interessado,  por  meio  das  peças  de  fls.  98/104,  120/126,  132/138,  158/164,  186/192,  214/220,  242/248,  impugnou  as  exigências, alegando, em síntese:  9.1  que  todos  os  dados  foram  espontaneamente  informados  à  Receita  Federal;  logo,  não  há  que  se  falar  em  omissão  de  receitas; 9.2 que sua escrituração seguiu os ditames legais; e 9.3  que  os  valores  lançados  não  podem  ser  reconhecidos  como  receita.  10. Encaminhado os autos para julgamento, o então Serviço de  Controle  e  Julgamento  –  Secoj  desta  delegacia,  conforme  despacho  de  fls.  270,  devolveu  os  autos  para  a  autoridade  preparadora, nos seguintes termos:  Senhora  Chefe,  Da  análise  dos  presentes  autos  constata­se  ausência  de  documento  de  identidade  do  signatário  da  impugnação, Sr. HELIO BELOTTI SANTOS.  Em  vista  do  exposto,  proponho  o  encaminhamento  do  presente  processo  à  SECAT  DRF  VITÓRIA  (ES),  para  que  intime  a  interessada a apresentar cópias de documento de identidade ou  assinar  a  impugnação  na  presença  de  um  funcionário  público  conforme art. 9º do Dec. 6932/2009, salientando a necessidade  de  dar  conhecimento  de  que  o  não  atendimento  ao  solicitado  acarretará no não conhecimento do recurso apresentado.  11.  De  sua  vez,  a  autoridade  preparadora  (fls.  271),  em  11/11/2011,  nos  termos  propostos  pelo  Secoj,  emitiu  intimação  ao  contribuinte,  a  qual  foi  dirigida  ao  mesmo  endereço  do  interessado,  conforme  registrado  em  nossos  sistemas.  Como  se  vê às fls. 274, o Aviso de Recebimento retornou sem registro do  recebimento.  12.  Foi,  então,  emitido  o  Edital  Secat  001/2012,  com  afixação  09/01/2012, e desafixação em 31/01/2012, de modo a cientificar  o  contribuinte  da  omissão  na  representação  detectada  na  diligência (fls. 276).  13.  Sem  que  o  interessado  se  manifestasse  com  relação  à  irregularidade  detectada  na  representação,  o  processo,  em  12/04/2012,  retornou  para  a  DRJ/RJ1  para  julgamento  (fls.  277).  Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH     4 A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I,  através do acórdão nº 12­47.727, de 26 de  junho de 2012 (fls. 278/282), não conheceu da impugnação e manifestação de inconformidade,  ementando assim a decisão:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2007   REPRESENTAÇÃO  PROCESSUAL.  DEFICIÊNCIA.  CONFERÊNCIA  DA  ASSINATURA.  DOCUMENTO  DE  IDENTIDADE  DO  PROCURADOR.  FALTA.  IMPUGNAÇÃO  NÃO CONHECIDA.  A  deficiência  na  representação  processual  do  sujeito  passivo,  não sanada após  intimação,  impede o conhecimento das razões  de impugnação.  Ciente da decisão em 25/07/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl.  293), apresentou o recurso voluntário em 22/08/2012 ­ fls. 294/335, onde pugna pela nulidade  da decisão de primeira instância pelo não conhecimento da impugnação e reitera as alegações  da inicial em relação ao mérito.   É o relatório    Voto             Conselheiro Walter Adolfo Maresch  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  legais  para  sua  admissibilidade, dele conheço.  Trata o presente processo de autos de infração SIMPLES FEDERAL (IRPJ,  CSLL, PIS, COFINS e INSS), relativos ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007, lavrados em  virtude da constatação de omissão de receitas.  Alega a recorrente em síntese:  a)  Que  foi  nula  a  decisão  de  primeira  instância  pois  inexiste  nas  normas  processuais  administrativas,  qualquer  exigência  de  juntada  de  documento  de  identidade  do  signatário da impugnação;  b) Que na mera informação no sítio da Receita Federal não se vislumbra os  critérios “autoridade + procedimento” para ser considerada como norma jurídica a ser seguida  pelo administrado, não podendo ser invocada como óbice para o conhecimento da impugnação  apresentada;  c) Que  é  viciada  a  intimação  realizada  por  edital  pois  não  se  esgotaram  as  formas de intimação previstas no art. 23 do Decreto 70.235/72, principalmente a via pessoal;  d) Que sendo o endereço da recorrente o mesmo até o momento, tendo sido  as  intimações  enviadas  todas  sempre  por  via  postal,  deveria  ter  sido  enviado  novamente  a  Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10783.722457/2011­23  Acórdão n.º 1803­002.026  S1­TE03  Fl. 369          5 intimação  via  postal  ou  efetivada  a  ciência  pessoal  da  solicitação  para  apresentação  do  documento de identidade do procurador;  e) Que a intimação deveria ter sido enviada ao procurador já que era o único  que detinha o documento de identidade não havendo tampouco exigência de que o advogado se  identifique no processo mediante apresentação da carteira da OAB.  Assiste razão a interessada.  Não obstante haver  fundadas  razões para  exigência da  correta  identificação  das partes e principalmente do subscritor de petições endereçadas à Administração Tributária,  não se pode olvidar que no presente processo as mais comezinhas regras de conduta na relação  processual foram relegadas pelas autoridades preparadoras.  Com  efeito,  conforme  se  observa  dos  documentos  das  fls.  07,  11  e  16,  as  diversas  intimações  durante  o  procedimento  fiscal  foram  realizadas  através  da  via  postal,  sempre no endereço ainda hoje o domicílio fiscal da recorrente.  Também o auto de infração e o termo de verificação e encerramento da ação  fiscal, ato declaratório de exclusão do simples, foram enviados igualmente pela via postal (fls.  117/118).  Assim, demonstra­se pouco razoável e  incompatível com o devido processo  legal contentar­se a autoridade preparadora, com a suposta não localização do destinatário sem  ao menos procurar efetivar uma nova tentativa ou mesmo um contato telefônico no sentido de  obter a cópia da identidade do subscritor da impugnação.  Fácil  verificar,  que  a  ciência  da decisão  de  primeira  instância  (fls.  293),  se  deu pela via postal e no mesmo endereço em que foram enviadas e recebidas as intimações e o  auto de infração.  Não há outrossim, exigência de reconhecimento de firma ou apresentação de  documento  de  identidade  nas  petições  apresentadas  perante  a  Administração  Pública  Tributária,  exceto  nos  casos  previstos  em  lei;  dúvida  na  autenticidade  da  assinatura  ou  para  resguardo do sigilo, conforme dispõe o art. 4º do Decreto 7.574/2011:  Art.  4o  É  dispensado  o  reconhecimento  de  firma  em  petições  dirigidas à administração pública,  salvo em casos excepcionais  ou naqueles em que a lei imponha explicitamente essa condição,  podendo, no caso de dúvida sobre a autenticidade da assinatura  ou quando a providência servir ao resguardo do sigilo, antes da  decisão final, ser exigida a apresentação de prova de identidade  do  requerente  (Lei  no  4.862,  de  29  de  novembro  de  1965,  art.  31).  Constata­se que não invocou a autoridade preparadora da DRJ qualquer uma  das exceções previstas, para apresentação da carteira de identidade do patrono, limitando­se a  fixar a exigência, enquanto a decisão afirmou vagamente tratar­se de exigência contida no sítio  da  Receita  Federal  do  Brasil,  à  qual  caberia  obediência  cega,  sem  apresentar  qualquer  fundamento legal para a medida.  Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH     6 Por  outro  turno,  por  ocasião  da  formalização  do  recurso  voluntário,  apresentou o patrono da recorrente, fotocópia autenticada de sua carteira de identidade (fl. 314)  suprindo a suposta irregularidade na representação processual.  A  jurisprudência  administrativa  é  enfática  em  dar  guarida  em  ao  desejo  emanado  pela  vontade  do  sujeito  passivo  em  se  fazer  representar  na  lide  do  processo  administrativo, representado por procurador habilitado embora o fazendo após a apresentação  da impugnação na primeira instância.  Colhe­se do julgado contido no Acórdão 101­96.713, da Primeira Câmara do  Primeiro Conselho de Contribuintes:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­IRPJ   Anos­calendário: 1990 a 1992   Ementa:  PROCURAÇÃO —  VÍCIO  SANADO —  PRINCIPIOS  DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA E BOA­FÉ NA RELAÇÃO  COM  O  CONTRIBUINTE  —  De  acordo  com  o  art.  37  da  Constituição Federal, a Administração Pública é regida, dentre  outros, pelos princípios da moralidade e da eficiência, de modo  que, se sanado o vicio na representação da contribuinte, deve ser  conhecida a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim  de  garantir  a  expressão  de  vontade  emanada  pelo  sujeito  passivo.  O  procedimento  administrativo  adequado  deve  estar  ajustado  com o princípio de eficiência da administração pública e com a  boa­fé na relação com o contribuinte.  Acórdão 101­96.713 – 18/04/2008 – 1ª Câmara 1º CC  Do julgado em epígrafe, transcreve­se o seguinte excerto:  Sobre  a  regularidade  da  procuração  de  fls.  51,  outorgada  a  Sônia Pinheiro Gonzaga de Lima Vieira, não obstante haver sido  outorgada  por  um  Diretor  e  um  sócio  da  pessoa  jurídica,  entendo que dita irregularidade foi sanada com a Procuração de  fls.  129,  apresentada  com  o  recurso,  outorgando  à  mesma  procuradora poderes para representar a contribuinte nos autos  do  presente  processo  administrativo,  devidamente  assinada por  dois diretores, conforme exige o Contrato Social da empresa.  Observe­se  que  de  acordo  com  o  art.  37  da  Constituição  Federal, a Administração Pública é regida, dentre outros, pelos  princípios da moralidade e da eficiência, de modo que, uma vez  sanado  o  vício  na  representação  da  contribuinte,  deve  ser  conhecida a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim  de  garantir  a  expressão  de  vontade  emanada  pelo  sujeito  passivo.  O  procedimento  administrativo  adequado  deve  estar  ajustado com o princípio de eficiência da administração pública  e com a boa­fé na relação com o contribuinte.  Da  mesma  forma,  na  seara  judicial  temos  o  recente  julgado  do  Superior  Tribunal de Justiça:  Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10783.722457/2011­23  Acórdão n.º 1803­002.026  S1­TE03  Fl. 370          7 RECURSO  ESPECIAL.  PREVIDÊNCIA  PRIVADA.  AÇÃO  PROPOSTA  PELA  ASSOCIAÇÃO  ­  APCEF  CONTRA  A  FUNCEF  E  A  CEF.  PLANOS  DE  BENEFÍCIOS.  VIOLAÇÃO  DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA Nº  284/STF.  PREQUESTIONAMENTO.  AUSÊNCIA.  SÚMULA  Nº  211/STJ.  AUSÊNCIA  DE  PREJUÍZO.  ASSOCIAÇÃO  QUE  ATUA  EM  JUÍZO  COMO  REPRESENTANTE  PROCESSUAL  DE SEUS FILIADOS. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO EM  ESTATUTO  E  EM  ASSEMBLEIA  GERAL.  REPRESENTAÇÃO  PROCESSUAL.  DEFEITO  SANÁVEL  NAS  INSTÂNCIAS  ORDINÁRIAS.  PRINCÍPIO  DA  INSTRUMENTALIDADE  DAS  FORMAS.  1.  O  recurso  especial  que  indica  violação  do  artigo  535  do  Código de Processo Civil, mas  traz  somente alegação genérica  de  negativa  de  prestação  jurisdicional,  é  deficiente  em  sua  fundamentação,  o  que  atrai  o  óbice  da  Súmula  nº  284  do  Supremo Tribunal Federal.  2.  A  ausência  de  prequestionamento  da  matéria  suscitada  no  recurso  especial,  a  despeito  da  oposição  de  embargos  de  declaração, impede o conhecimento do recurso especial (Súmula  nº 211/STJ).  3.  Assente  a  jurisprudência  desta Corte  no  sentido  de  que  não  supre a exigência do prequestionamento a simples menção feita  pelo  Tribunal  local  de  que  os  embargos  de  declaração  teriam  sido acolhidos "para fins de prequestionamento".  4. Segundo o princípio da instrumentalidade das formas, não se  decreta nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief).  5. Da  associação  que  atua  em  juízo  na  defesa  de  seus  filiados  como representante processual, exige­se, para a propositura de  ação ordinária na defesa de seus interesses, além da autorização  genérica  do  estatuto  da  entidade,  a  autorização  expressa  dos  filiados, conferida por assembléia geral.  6.  Em  observância  ao  princípio  da  instrumentalidade  das  formas,  a  regularização  na  representação  processual  é  vício  sanável nas instâncias ordinárias, mesmo em segundo grau de  jurisdição,  não  devendo  o  julgador  extinguir  o  processo  sem  antes conferir oportunidade à parte de suprir a irregularidade.  REsp  980.716/RS,  03/09/2013,  3ª  Turma  STJ  rel.  Ministro  Ricardo Villas Bôas Cueva.  A oportunidade para  regularização  jamais  foi  concedida à  recorrente pois  a  ciência por edital neste caso, nada mais representou que simples formalidade, inócua sob todos  os aspectos pois jamais atingiria seu objetivo para atendimento da solicitação DRJ.   Destarte, tendo a contribuinte promovido a regularização do suposto vício na  representação  processual  e  sendo  evidente  a  deficiência  no  meio  empregado  para  intimar  o  contribuinte a apresentar documento que a juízo da autoridade julgadora, era essencial para o  Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH     8 conhecimento  da  impugnação,  é  de  ser  respeitada  e  apreciada  a  impugnação  apresentada  tempestivamente.  Isto  posto,  e  considerando que  as  questões  de mérito  não  foram  apreciadas  pela  DRJ  de  origem,  VOTO  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário,  determinando o  retorno  dos  autos  à DRJ RIO DE  JANEIRO/RJ  I  para que  nova  decisão seja proferida e seja julgado o mérito do pedido.   (assinado digitalmente)  Walter Adolfo Maresch – Relator                                  Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH

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Numero do processo: 10880.052647/93-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1989 Auditoria de Produção. Omissão de Receitas Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção e correspondente pagamento do imposto dos estabelecimentos industriais o valor e a quantidade das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão de obra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem(Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigir-se-á o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerar-se-ão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1o. (Decreto n º 7.212, de 15/06/2010, art. 522, §§ 1o. 2o)
Numero da decisão: 1801-001.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1989 Auditoria de Produção. Omissão de Receitas Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção e correspondente pagamento do imposto dos estabelecimentos industriais o valor e a quantidade das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão de obra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem(Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigir-se-á o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerar-se-ão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1o. (Decreto n º 7.212, de 15/06/2010, art. 522, §§ 1o. 2o)

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2          1 1  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.052647/93­58  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­001.824  –  1ª Turma Especial   Sessão de  5 de dezembro de 2013  Matéria  AI ­ IPI  Recorrente  IMCE INDUSTRIA MECÂNICA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 1989  AUDITORIA DE PRODUÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS  Constituem  elementos  subsidiários  para  o  cálculo  da  produção  e  correspondente  pagamento  do  imposto  dos  estabelecimentos  industriais  o  valor e a quantidade das matérias­primas, dos produtos intermediários e dos  materiais  de  embalagem  adquiridos  e  empregados  na  industrialização  e  acondicionamento  dos  produtos,  o  valor  das  despesas  gerais  efetivamente  feitas, o da mão de obra empregada e o dos demais componentes do custo de  produção,  assim  como as variações dos  estoques de matéria­prima, produto  intermediário e material de embalagem(Lei nº 4.502, de 1964, art. 108).  Apurada  qualquer  falta no  confronto  da produção  resultante  do  cálculo  dos  elementos  constantes  desse  artigo  com  a  registrada  pelo  estabelecimento,  exigir­se­á  o  imposto  correspondente,  o  qual,  no  caso  de  fabricante  de  produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas  alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação  pelos elementos da escrita do estabelecimento.  Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerar­se­ ão  provenientes  de  vendas  não  registradas  e  sobre  elas  será  exigido  o  imposto,  mediante  adoção  do  critério  estabelecido  no  §  1o.  (Decreto  n  º  7.212, de 15/06/2010, art. 522, §§ 1o. 2o)      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam,  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  da  Relatora.  Ausente,  justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 05 26 47 /9 3- 58 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     2 Ana de Barros Fernandes – Presidente   (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez – Relatora  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça  Marques, e Ana de Barros Fernandes.  Relatório  Cuida­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  2a.  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Brasilia/DF  que,  por  unanimidade  de  votos  manteve,  em  parte,  as  exigências consubstanciadas nos autos.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Brasília /DF:    Trata­se  de  autos  de  infração  referentes  ao  IRPJ  e  reflexos,  lavrados  em  20/09/2003, no montante de 75.918,88 Ufir, fls. 09/10; 138/139; 158/159; 178/179;  198/199 e 08 do processo 10880.052647/93­58, anexo,  Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi lavrado o  auto  de  infração,  ora  impugnado,  nos  termos  do  artigo  645  do  Regulamento  do  Imposto de Renda, RIR/80, aprovado pelo Decreto n° 85.450 de 04/12/80, tendo em  vista foi apurada a seguinte infração: Omissão de Receita — Mercadorias, Matérias­ Primas e outros insumos não contabilizados.  Enquadramento legal:  Artigos 157 e § 1°; 179; 181; 387, inciso II, do RIR/80.  Das Alegações da Impugnante  A autuada aduz em sua defesa as seguintes alegações:  "1  ­ A Defendente,  foi  autuada  por  suposta  infração na  omissão  de  receitas  relativa a mercadorias, meterias primas e outros insumos não contabilizados no valor  de  NCz$  1.050.798,02,  tributando  sobre  este  valor  o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica de 42.484,31 Ufir, bem como seus reflexos no PIS/Faturamento de 353,91  Ufir; Finsocial/Faturamento de 1.014,70 Ufir; Imposto de Renda Retido na Fonte de  5.034,98 Ufir; Contribuição Social de 10.489,37 Ufir e finalmente IPI de 16.541,81  Ufir,  tudo  conforme  termo  de  encerramento  de  ação  fiscal  de  20  de  setembro  de  1993, Auto de  Infração e Demonstrativos da Apuração do Crédito Tributário com  seus  anexos,  capitulando  as  infrações  no  artigo  728,  II  do  RIR,  aprovado  pelo  Decreto n° 87.981/92;  artigo 6°,  § único da Lei 7.689/88 c.c.  art.  728,  II  do RIR,  aprovado pelo Decreto 85.450/80; art. 729, I, do RIR/80; artigo 2° da Lei 7683/88,  art.  86  §  1°  da  Lei  7450/85  e  art.  728,  II  do  RIR/80,  aprovado  pelo  Decreto  85.450/80; art. 2° da Lei 7683/88, artigo 86, § 1°, da Lei 7.450/85, art. 728,  II  do  RIR/80, aprovado pelo Decreto n° 85.450/80.  Em  que  pese  o  respeito  e  consideração  que  dedicamos  ao  Ilustre  Auditor  Fiscal,  os  autos  de  infração  questionados  não  deverão  prosperar,  uma  vez  que  a  Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.052647/93­58  Acórdão n.º 1801­001.824  S1­TE01  Fl. 3          3 apuração efetuada esta eivada de falhas e erros que pudesse sustentar em tese uma  eventual cobrança dos tributos reclamados.  3  ­  A  autuação  baseou­se  em  levantamento  específico,  levando  em  consideração o estoque inicial lançado no Registro de inventário de 31/12/88 e final  em 31/12/89, tomando como base o estoque físico em quilogramas,  lançando­se as  compras e diminuindo as vendas do ano base de 1989.  Tudo  isto  foi  denominado  como  Auditoria  de  Produção,  acusando  uma  suposta saída de 31.968,300 Kg ao preço de NCz$ 32,87 por Kilograma, no total de  omissão de NCz$ 1.050.798,02, valor este objeto do lançamento de todos os tributos  reclamados.  4 ­ No entanto, não assiste razão ao fisco senão vejamos:  Pelas  informações  contidas  no  documento  de  fls.  03  (esclarecimentos  fornecidos  pelo  contribuinte,  datado  de  27  de  agosto  de  1993)  a  situação  real  se  apresenta da seguinte forma:  Estoque inicial, conforme registro   de Inventário (produtos acabados,   Insumos: Matéria prima, resíduos,   Material de embalagem)...................................................... 129.624,103 Kgs.  Compras de matéria prima e embalagem no   Exercício de 1989................................................................. 292.474,000 Kgs.  Perdas de janeiro a dezembro de 1989, que  constam no retorno das Notas Fiscais de  Beneficiamento da Termomecânica/Remetal........................ 14 051.000 Kgs.  total do estoque inicial e entradas........................................ 436.149,103 Kgs.  ________________  Vendas efetuadas no ano de 1989........................................ 173.147,390 Kgs.  Saídas de resíduos no período conforme notas  Fiscais.................................................................................. 150.164,000 Kgs.  Estoque final em 31­12­89.................................................. 435.647,376 Kgs.  ________________  Resumo Entradas................................................................. 436.149,103 Kgs.  Resumo Saídas.................................................................... 435.647,376 Kgs.  Diferença................................................................................... 501,727 Kgs.  ________________  A diferença acima apurada está perfeitamente justificada, da seguinte forma:  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     4 a) ­ N/F 2202 ­ Termomecânica foi lançada corno entrada de 8.863,000 Kgs.  quando em verdade foi retificada para 8.530,000, conforme comunicação  de irregularidade ­ dif. a menor de 330,000 Kgs.  b) ­ N/F 2264 ­ Termomecânica foi lançada como entrada de 8.500,000 Kgs.,  quando na verdade foi retificada para 8.332,000 Kgs., conforme comunicação  de irregularidade ­ dif. a menor de 168.000 Kgs.  501,000 Kgs.  5  ­  Esclarece,  ainda  a  defendente,  possuir  seção  industrial  complexa,  localizada  à  Av.  Corifeu  de  Azevedo  Marques,  644,  bairro  do  Butantã,  em  São  Paulo, que adquire matéria prima de fornecedores vários, principalmente em lingotes  que são fundidos de alta caloria para posteriormente produzir os produtos acabados.  No processo complexo de industrialização, os lingotes são fundidos através de  fornos  de  indução,  construídos  com  produtos  refratários,  para  conseguir  o  calor  necessário a fusão do material.  Ainda no complexo processo de industrialização, existe perda irrecuperável de  parte  do  material,  através  da  volatização  e  oxidação  cuja  reciclagem  é  pouco  significativa.  Ocorre, todavia, em que pese os presumíveis conhecimentos e experiência do  Ilustre  Auditor  Fiscal  do  Tesouro  Nacional,  incorreu,  ele  em  erro  de  análise  das  operações da Defendente ­ por desconhecer a tecnologia aplicada na industrialização  de lingotes, fundição e acabamento, ramo industrial de características específicas e  de grande especialização e complexidade, conforme se provará.  6  ­ Diz  o Auditor  fiscal  ter  procedido  levantamento  específico  consoante  o  anexo de fls. 05, do Auto de Infração. Diz ainda ter procedido a levantamento entre  entradas  e  saídas  de  produtos  sem  notas  fiscais  de  entradas,  por  auditoria  de  produção levada a efeito no estabelecimento industrial da Defendente, apurados em  livros  fiscais,  documentos  e  dados  quando  somente  fez  deduções  baseadas  em  simples presunções e indícios.  Em  sendo  específico  o  levantamento,  deveria,  o  Ilustre  Auditor  Fiscal,  seguindo  os  mais  elementares  princípios  de  lógica,  'especificar  claramente'  ou  discriminar de forma objetiva e inconteste em quais documentos e dados de estoques  baseara­se  para  concluir  sobre  a  pseudo  irregularidade  alegada.  Onde  estão  tais  documentos? Quais, especificamente, são eles? Seus números? Suas datas? Quanto  foi  a  quebra  considerada  no  processo  de  industrialização  e  perda  final? Nenhuma  dessas  respostas  pode­se,  pelo  menos  inferir,  analisando­se  o  auto  de  infração  e  respectivos anexos.  Destarte  como  pode  a  Defendente  contestar  objetivamente  as  alegações  do  Ilustre  Auditor  Fiscal?  Assim  caracterizasse  o  ato  como  arbitrário,  baseado  simplesmente  em  presunções  e  indícios  que  existe  somente  em  seu  juízo,  e,  cerceador  do  direito  de  defesa  do  contribuinte.  Assim  tal  ato  administrativo  é  flagrante  ilegal  diante  dos dispositivos  do RIR  e  do RIPI,  bem como  a  legislação  complementar.  7  ­  Analisando  o  termo  de  Verificação  de  fls.  05,  notamos  com  absoluta  clareza  que  os  números  ali  apresentados  estão  totalmente  divorciados  dos  esclarecimentos  fornecidos  pela  Defendente  às  fls.  03/04,  apresentando  números  estranhos e obtidos de dados que não foi devidamente esclarecidos.  Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.052647/93­58  Acórdão n.º 1801­001.824  S1­TE01  Fl. 4          5 Pergunta­se:  Onde  o  Ilustre  Auditor  Fiscal  obteve  aquelas  informações  contidas  no  Termo  de  Verificação  de  fls.  05,  que  está  divorciada  dos  esclarecimentos de fls. 03/04?  8 ­ No presente caso e diante dos esclarecimentos fornecidos pela Defendente,  verificamos  que  a  fiscalização  nada  positivou,  ficando  no  terreno  da  simples  conjectura, nem sequer identificando os eventuais vendedores de matéria prima sem  a devida documentação fiscal.  Por outro lado, tributar por presunção é humanamente inadmissível. Torna­se  necessário que o Órgão fiscalizador levante o caso perante quem de direito e jamais  tributar por suposições e uma vez que a Defendente nada deve ao fisco, pois cumpre  rigorosamente em dia com suas obrigações tributárias, facilmente comprovadas pela  fiscalização efetuada em seu estabelecimento industrial.  Assim,  entende  a  Defendente  e  também  está  convencida  que  a  autoridade  fiscal agiu discricionariamente e que a Douta Comissão Julgadora acatará os  fatos  apresentados, como medida de elementar justiça, requer a V. Exa. se digne anular o  auto de infração objeto da presente defesa, primeiramente porque o Auto de Infração  está confuso e eivado de  irregularidades, principalmente o termo de verificação de  fls.  05,  que  não menciona  como  o  Ilustre Auditor  Fiscal  chegou  aos  números  ali  apresentados, não mencionando as perdas, impedindo a adequada defesa da autuada  e,  se  assim  não  for,  seja  anulado  em  razão  de  ser  insubsistente  quanto  à  forma  procedida do levantamento.  A Defendente  está  elaborando  um minucioso  levantamento  das  quantidades  de  entradas  e  saídas,  suas perdas,  durante o  ano de 1989, que oportunamente  será  apresentada para complementação da impugnação ao Auto de Infração, uma vez que  o prazo exíguo para apresentação da defesa não permite oferecer nesta oportunidade.  Em 26/04/99,  o  processo  foi  baixado  em diligência,  conforme Despacho de  fls.  24,  tendo  em  vista  que  a  Impugnação  trouxe  elementos  não  apreciados  pela  fiscalização quando do Termo de Verificação de fls. 05 inclusive quanto à quantia  correspondente a 501,000 Kgs de que tratam as Notas Fiscais n° 2202 e 2264 B­1 de  emissão da termomecânica.  Assim, se fez necessário, para formação de convicção, baixar o processo em  diligência para que fossem trazidos aos autos referidos esclarecimentos.  Concluída  a  diligência,  conforme  Termo  de  Verificação  e  Relatório  de  Diligência Fiscal o processo foi encaminhado para esta Delegacia para julgamento,  tendo em vista o disposto na Portaria/SRF n°1.033, de 27 de agosto de 2002.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Brasília  prolatou  o  Acórdão  DRJ/BSA  n°  7.056/2003  (fls.  228/237)  e,  acatando  integralmente  o  resultado  da  diligência, deu provimento parcial ao pleito. Com isso, a quantidade de insumos que teria sido  adquirida com  recursos  à margem da escrituração baixou de 31.968,300 Kg para 16.267,291  Kg.  Notificada  da  decisão,  em  15/04/2005  (AR  fl.  248)  e,  inconformada,  a  interessada  apresentou  em  17/05/2005,  recurso  voluntário  (fls.  254/265,  com documentos  de  fls. 266/375) deduzindo valores que, segundo afirma, demonstrariam a inexistência de qualquer  diferença a ser  tributada. Questiona a utilização da taxa SELIC como indexador dos juros de  mora e reclama a incidência confiscatória da multa de oficio.  Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     6 Pelo  acórdão  n  º  103­23.424,  de  16/04/2008,  a  3a.  Câmara  do  então  1o.  Conselho de Contribuintes apreciou as razões de defesa deduzidas no recurso voluntário contra  as exigências de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, declinando a competência para apreciação  das razões recursais atinentes a exigência de IPI.  O presente processo foi, então, distribuído à 2a. Turma Especial da 3a. Seção  de Julgamento do CARF que, novamente, declinou a competência para julgamento do recurso  à 1a. Seção.  É o relatório.        Voto             Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora.  O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento.    Como se verifica do relatório trata o presente processo de auto de infração de  Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, como exigência reflexa da autuação principal de  IRPJ – pela apuração de Omissão de Receitas ­ Mercadorias, Matérias­Primas e outros insumos  não contabilizados.  Os autos de infração que tratam das exigências de IRPJ (principal) e demais  reflexos – CSLL, PIS, FINSOCIAL e IRFON. – foram julgados pela Terceira Câmara do então  Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 16/04/2008, na qual foi proferido  o Acórdão n º 103­23.424, de relatoria do Ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto.  Como  resultado  do  julgamento  o  sujeito  passivo  foi  exonerado  daquelas  exigências, unicamente porque à época do  lançamento, a omissão de compras, por si  só, não  poderia dar azo à tributação por omissão de receitas no âmbito do IRPJ, pois no período sob  exame não havia na legislação desse tributo, norma que autorizasse a caracterização desse fato  como tal, sem um aprofundamento das circunstâncias caracterizadoras do ilícito.  Como o resultado da decisão dos autos de infração de IRPJ e demais reflexos  não pode ser aplicado à exigência de IPI, o auto de infração relativo a esse tributo foi apartado  daquele processo principal (n º 10880.052646/93­95).  Em  que  pese  o  resultado  daquele  julgamento  não  ter  sido  refletido  na  exigência de IPI consubstanciada nos presentes autos, as razões de decidir daquele julgado, por  terem se debruçado sobre os mesmos fatos, devem ser aplicadas à presente lide. Por tal motivo  adoto, como minhas, as palavras do Ilustre Conselheiro Relator proferidas no voto condutor do  Acórdão n º 103­23.424, que ora passo a transcrever:  “...  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.052647/93­58  Acórdão n.º 1801­001.824  S1­TE01  Fl. 5          7 [...]  pelo  exame  da  peça  recursal  tem­se  a  impressão  de  que  a  interessada não avaliou o conteúdo do relatório apresentado pela autoridade  diligenciante.  De  fato,  na  intenção  de  demonstrar  a  inexistência  da  omissão  de  compras  apurada  pela  autoridade  lançadora,  a  recorrente  traz  valores  incompatíveis com dados por ela mesma informados em ocasiões anteriores.  No  demonstrativo  de  fl.  257,  a  reclamante  informa  um  volume  de  compra de matéria prima em 1989 da ordem de 185.947,200 Kg que estaria  demonstrado na tabela de fl. 270. Verifica­se no documento de fl. 34, por ela  mesma  apresentado  quando  da  realização  da  diligência,  que  o  volume  de  compras chegou a 284.395,00 Kg. Comparando­se as duas tabelas, constata­ se  facilmente  que  algumas  notas  de  compra  não  foram  lançadas  no  documento apresentado com o recurso.  Em relação à  remessa de resíduos para beneficiamento, a  tabela de fl.  298  também não contém todas as operações realizadas, pois não considerou  as  notas  fiscais  2185  a  2200  e  2273,  conforme  explicado  no  item  07  do  Termo  de  Verificação  decorrente  da  diligência  (fl.  124).  Na  verdade,  a  diligência  apurou  um  valor  muito  próximo  daquele  informado  pela  interessada durante o procedimento fiscal e também na impugnação.  Pode­se afirmar que o resultado da diligência confirmou em sua maior  parte os argumentos trazidos pelo sujeito passivo até então. O único ponto em  relação  ao  qual  o  relatório  da  diligência  manteve  o  entendimento  absolutamente  contrário  ao  sujeito  passivo  refere­se  à  questão  das  perdas  (14.051 Kg.) considerada neutra no cálculo da produção, de acordo com item  08.2  do  Relatório  (fl.  129).  Caberia  ao  sujeito  passivo  contestar  expressamente esse ponto, o que não ocorreu.  Em  vista  do  exposto,  entendo  que  o  sujeito  passivo  não  logrou  demonstrar  a origem da  diferença  objeto  da  autuação,  confirmando­se  assim a omissão de compras.[...]  ...”  (*) destaques acrescidos  Com  efeito,  o  art.  343  do  RIPI/1982,  já  autorizava  o  agente  fiscal  a  reconstituir  a  produção  do  estabelecimento  industrial  a  partir  de  elementos  subsidiários,  entendendo­se  como  tal,  dentre  outros,  o  valor  ou  a  quantidade  dos  insumos  adquiridos  e  empregados na industrialização do produto objeto de auditoria fiscal, assim como as variações  dos estoques daqueles.  Por  seu  turno,  estabelecia,  o  parágrafo  1°  do  art.  343  do RIPI/1982,  que  a  apuração, por meio da auditoria de produção, de compras ou vendas não registradas implicaria  a  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  decorrentes  do  fato  gerador  relativo  a  saídas  de  produtos  tributados,  tornando­se  exigível  o  imposto  correspondente.  Eis  a  redação  do  dispositivo:  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     8 "Art.  343 — Constituem elementos  subsidiários,  para o  cálculo  da  produção,  e  correspondente  pagamento  do  imposto,  dos  estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias­ primas,  produtos  intermediários  e  embalagem  adquiridos  e  empregados  na  industrialização  e  acondicionamento  dos  produtos,  o  valor das despesas gerais  efetivamente  feitas; o da  mão­de­obra  empregada  e o  dos  demais  componentes  do  custo  de produção, assim como as variações dos estoques de matérias­ primas, produtos intermediários e embalagens.  §  1°  ­  Apurada  qualquer  falta  no  confronto  da  produção  resultante do cálculo dos elementos constantes deste artigo com  a  registrada  pelo  estabelecimento,  exigir­se­á  o  imposto  correspondente,  o  qual,  no  caso  de  fabricante  de  produtos  sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base  nas  alíquotas  e  preços mais  elevados,  quando  não  for  possível  fazer  a  separação  pelos  elementos  da  escrita  do  estabelecimento."  Diplomas legais posteriores (Decreto n º 2.637, de 25/06/1998 e Decreto n º  4.544,  de  26/12/2002)  que  sucederam  ao  antigo  RIPI/1982,  e  o  Decreto  n  º  7.212,  de  15/06/2010, atualmente em vigor, mantiveram a tributação com base em auditoria de produção,  como se verifica da redação dos seguintes dispositivos:  Art. 522.  Constituem  elementos  subsidiários  para  o  cálculo  da  produção  e  correspondente  pagamento  do  imposto  dos  estabelecimentos  industriais,  o  valor  e  a  quantidade  das  matérias­primas, dos produtos intermediários e dos materiais de  embalagem  adquiridos  e  empregados  na  industrialização  e  acondicionamento  dos  produtos,  o  valor  das  despesas  gerais  efetivamente feitas, o da mão de obra empregada e o dos demais  componentes do custo de produção, assim como as variações dos  estoques de matéria­prima, produto intermediário e material de  embalagem (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108).  § 1o Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante  do  cálculo  dos  elementos  constantes  desse  artigo  com  a  registrada  pelo  estabelecimento,  exigir­se­á  o  imposto  correspondente,  o  qual,  no  caso  de  fabricante  de  produtos  sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base  nas  alíquotas  e  preços mais  elevados,  quando  não  for  possível  fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento.  § 2o  Apuradas,  também,  receitas  cuja  origem  não  seja  comprovada,  considerar­se­ão  provenientes  de  vendas  não  registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção  do critério estabelecido no § 1o.  Outrossim,  observo  que  a  presunção  de  omissão  de  receitas  com  base  em  auditoria  de  produção  se  caracteriza  como  "relativa"  ou  "juris  tantum",  isto  é,  consta  estabelecida em  lei e é  admitida pela  autoridade  fiscal  cabendo ao sujeito passivo o ônus de  elidi­las  através  da  apresentação  de  efetivas  provas  em  contrário,  o  que  não  foi  feito  pela  defesa, em que pese as oportunidades que lhe foram legalmente oferecidas, não se verificando  qualquer nulidade em lançamentos com esta fundamentação.  Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.052647/93­58  Acórdão n.º 1801­001.824  S1­TE01  Fl. 6          9 Diante  de  ausência  de  provas  que  afastassem  a  presunção  a  omissão  de  receitas foi mantida pela Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, como  também é mantida nesta decisão.  Cumpre reconhecer, entretanto, que, à época do lançamento a multa de ofício  era exigida ao patamar de 100%. Nos termos do artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, a multa de  ofício deve ser reduzida para 75%.  A penalidade prevista no artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do  que uma sanção pecuniária pela prática de um ato  ilícito, qual  seja,  a  falta de pagamento ou  recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração  inexata.  In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos,  por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontra­se em perfeita consonância  com a legislação em vigor.  No que respeita à inconformidade da recorrente com relação à incidência de  juros  calculados  com  base  na  taxa  SELIC,  este  órgão  de  julgamento  já  consolidou  seu  entendimento, como se verifica da Súmula abaixo reproduzida:  Súmula CARF n º 4. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros  moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.  A  propósito,  em  relação  aos  argumentos  de  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  de  comandos  normativos  legitimamente  inseridos  no  sistema  jurídico,  cumpre  transcrever  o  posicionamento  consensual  deste  órgão,  como  se  verifica  da  seguinte  Súmula:  Súmula  CARF  no.  2.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Pelo exposto, voto por dar provimento parcial  ao  recurso voluntário apenas  para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%.  (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez – Relatora                      Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     10                 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/02/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 10945.007290/2003-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. DÉBITO SUSPENSO. PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CRÉDITO INEXISTENTE.INOVAÇÃO.INOCORRÊNCIA. A constatação de que o processo judicial informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF como motivo para a suspensão dos tributos não dispunha de saldo credor para a extinção do crédito tributário exigido do contribuinte não constitui inovação na fundamentação do auto de infração eletrônico.
Numero da decisão: 3102-002.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por Voto de Qualidade, em negar provimento ao Recurso, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa

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PROFORTE S/A TRANSPORTE DE VALORES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO.  AUDITORIA  INTERNA  DE  DCTF. DÉBITO SUSPENSO. PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ.  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  CRÉDITO  INEXISTENTE.  INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  A constatação de que o processo judicial informado na Declaração de Débitos  e Créditos Tributários Federais  ­ DCTF como motivo para a  suspensão dos  tributos  não  dispunha  de  saldo  credor  para  a  extinção  do  crédito  tributário  exigido do contribuinte não constitui inovação na fundamentação do auto de  infração eletrônico.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  Voto  de  Qualidade,  em  negar  provimento  ao  Recurso,  nos  termos  do  Relatorio  e  Voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé  e  Nanci Gama.   (assinatura digital)  Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa ­ Relator   EDITADO EM: 15/12/2013     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 72 90 /2 00 3- 67 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA     2 Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra  de  Castro,  Nanci  Gama,  Ricardo  Paulo  Rosa,  Álvaro Arthur  Lopes  de  Almeida  Filho,  José  Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  que  embasou  a  decisão  de  primeira instância, que passo a transcrever.  Trata o presente processo do Auto de Infração Eletrônico nº 0000311 relativo  à contribuição para o PIS/PASEP, do  terceiro e quarto trimestres de 1997,  lavrado  em 10/05/2002.  Referido lançamento, decorrente de auditoria interna da DCTF, foi realizado  em virtude de ter sido identificado que a contribuinte havia realizado a suspensão da  exigibilidade  das  citadas  contribuições  (por  meio  da  declaração  em  DCTF)  utilizando­se da ação judicial nº 95.00594188/SP que pertence a outro CNPJ.  Uma  vez  cientificada  da  autuação  fiscal  a  contribuinte  apresentou,  em  27/06/2002, impugnação contra a exigência, cujo conteúdo é resumido a seguir.  Após um breve relato dos fatos, a interessada alega que os valores de PIS não  recolhidos  (e  declarados  na  DCTF  com  a  exigibilidade  suspensa)  foram  compensados  com  créditos  reconhecidos  judicialmente,  provenientes  da  Medida  Cautelar  Inominada  nº  95.00594188  e  Ação  Declaratória  nº  96.00021570,  ambas  interpostas perante o juízo da 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo – SP.  Defende  que  nas  mencionadas  ações  judiciais,  propostas  pela  impugnante  (enquanto  pessoa  jurídica),  constou  a  informação  do CNPJ da matriz da  empresa,  mas que isso não é razão suficiente para que os efeitos do provimento judicial não  sejam  estendidos  para  as  filiais  da  contribuinte.  Argumenta  que  a  denominação  social da  empresa  foi modificada de Seg Transporte de Valores S/A para Proforte  S/A Transporte de Valores, mas que essa alteração não resultou em mudanças dos  CNPJ,  nem  da  matriz  e  nem  das  filiais.  Por,  fim  conclui  que  a  compensação  realizada está perfeita, posto que amparada por medida judicial.  Diante  do  exposto  a  contribuinte  requer  o  recebimento  da  impugnação  e  o  cancelamento do auto de infração. Adicionalmente, solicita que todas as intimações  e notificações sejam encaminhadas diretamente aos procuradores da empresa.  Após  a  impugnação,  a  unidade  de  preparo  (DRF/FOZ)  analisou  a  peça  de  defesa  e  os  documentos  apresentados  pela  interessada  e,  identificando  que  a  ação  judicial  acima  mencionada  (Medida  Cautelar  Inominada),  bem  como  a  ação  ordinária  nº  96.00021570/  SP,  tratava  de  crédito  relativo  ao  PISRepique,  o  qual  deveria  ser  apurado  para  toda  a  pessoa  jurídica,  encaminhou  o  processo  para  a  unidade  de  jurisdição  do  estabelecimento  matriz  (DRF/Goiânia)  para  que  fosse  informado  a  respeito  da  apuração  do  crédito  judicial  e  sobre  a  disponibilidade  do  crédito para quitar os débitos do presente processo.  A DRF/Goiânia, por sua vez, consignou, através do despacho de fls. 169, que  o  crédito  já  havia  sido  apurado  (através  do  processo  administrativo  nº  10120.006038/200687)  e  que  todo  ele  já  havia  sido  utilizado  para  compensar  os  débitos  do  estabelecimento  matriz,  não  remanescendo  quaisquer  valores  para  realizar as compensações dos débitos relativos à filial.  Na  sequência,  essa  Delegacia  de  Julgamento,  ao  analisar  os  documentos  juntados  aos  autos,  baixou  o  processo  em  diligência  para  que  fosse  procedida  a  juntada  dos  documentos  relativos  à  apuração  do  crédito  judicial,  efetuada  no  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10945.007290/2003­67  Acórdão n.º 3102­002.118  S3­C1T2  Fl. 3          3 processo  nº  10120.006038/200687,  bem  como  da  comprovação  de  ciência  à  contribuinte dessa apuração.  Cumprindo  as  exigências  impostas  na  diligência,  o  Serviço  de  Controle  e  Acompanhamento Tributário – Sacat, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em  Goiânia, juntou ao processo os documentos de fls. 178 a 209.  Assim a Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  sintetizou, na ementa  correspondente, a decisão proferida.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997  INTIMAÇÃO AO PROCURADOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.  Não encontra amparo  legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal  a  solicitação para que  a Administração Tributária  efetue  as  intimações na pessoa do  procurador do sujeito passivo.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  JUDICIAL.  INEXISTÊNCIA.  Comprovada a inexistência de crédito, relativa à ação judicial que havia sido  informada em DCTF para compensação do débito declarado, é de se manter o auto  de infração.  Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso  Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Acusa  ausência  de  discussão  de  mérito  no  Processo.  O  “seu  cerne  foi  e  continua sendo a singela acusação de “Proc. Jud. de outro CNPJ”.  Esclarece,  Conforme  ali  exposto  [referindo­se  à  impugnação  ao  lançamento],  (i)  o  ajuizamento  de  ação  judicial  pela matriz  referente  ao  PIS  abarcava  toda  a  pessoa  jurídica, ou seja, também as suas filiais e (ii) a modificação da razão social da SEG  Transportes  de  Valores  S/A  para  Proforte  S/A  Transporte  de  Valores  em  nada  alterou a cobertura jurisdicional da Recorrente.  Que a  fundamentação da decisão de primeira  instância para manutenção do  crédito tributário é completamente incongruente com aquela que consta do Auto de Infração.   Isso  porque,  como  dito,  enquanto  o  auto  de  infração  foi  lavrado  sob  o  argumento de que não foi comprovada a existência de processo judicial em nome da  Recorrente, tendo em vista que este fora proposto por empresa supostamente diversa  da  autuada,  a  decisão  de  primeira  instância,  verificando  que  tal  motivação  estava  equivocada, modificou­a para manter a autuação sob a alegação de que a lavratura  era necessária em função de o crédito oriundo da medida judicial já ter sido utilizado  para pagamento de tributos exigidos em processo administrativo diverso.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA     4 Explica porque as ações judiciais foram interpostas pela matriz,  Esta,  porém,  não  é  razão  para  que  não  se  reconheçam  os  efeitos  daquelas  ações  no  presente  caso,  tendo  em  vista  que  as  filiais  do  contribuinte  do  PIS  não  possuem  legitimidade  ativa para propositura de demandas que discutam a  referida  contribuição,  tendo em vista consistir em tributo cujo recolhimento se dá de forma  unificada.  Argumenta que a decisão de piso, na verdade, anulou o Auto de Infração e  efetuou  novo  lançamento,  sob  nova  fundamentação,  em  afronta  à  legislação  tributária,  inclusive às disposições contidas no artigo 142 do Código Tributário Nacional.   Cita e transcreve jurisprudência firmada a respeito do assunto.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.  Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso  Voluntário.  A questão central do Processo refere­se à alegada alteração promovida pela  decisão de primeira instância na fundamentação do Auto de Infração Eletrônico.  O Auto, isso não se contesta, foi lavrado em face da informação prestada na  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF  indicando  a  suspensão  do  débito com base em processo judicial pertencente a outra empresa (outro CNPJ). Demonstrado  que o CNPJ  indicado na DCTF era da empresa matriz, que havia,  regularmente, unificado o  pedido de restituição de todas as filiais (e seu próprio), no entendimento da Recorrente, ter­se­ ia removido o obstáculo inicialmente identificado e, por conseguinte, estaria extinto o crédito  tributário constituído no Auto de Infração controvertido. Não foi o que aconteceu.   Em análise posterior da disponibilidade creditória da Recorrente, a Delegacia  da Receita Federal de Julgamento assim se manifestou.   Ocorre, entretanto, que os documentos juntados ao processo comprovam que  não  existe  crédito,  proveniente  das  citadas  ações  judiciais,  para  a  quitação,  por  compensação, dos débitos objeto do auto de infração contestado.  Na apuração relativa ao crédito judicial, conforme Despacho Secat DRF/Goi  nº  673/2008  (cópia  juntado  às  fls.  178  a  184),  proferido  no  âmbito  do  processo  administrativo  nº  10120.006038/200687,  foram  utilizados  todos  os  pagamentos  considerados  indevidos  (em conformidade  com o provimento  judicial)  da  empresa  (matriz  e  filiais)  que  puderam  ser  confirmados  nos  sistemas  da  RFB,  restando  o  crédito insuficiente, sequer, para extinguir (por compensação) os débitos relativos à  matriz da empresa.  Segundo leitura empregada pela Recorrente, o Auto de Infração foi motivado  pela  indevida suspensão dos  tributos em DCTF com base em processo  judicial pertencente  a  outro CNPJ. Foi mantido porque o  crédito  reconhecido no processo  era  insuficiente,  embora  ele realmente aproveitasse à autuada, acaso disponibilidade de crédito nele houvesse. Seriam  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10945.007290/2003­67  Acórdão n.º 3102­002.118  S3­C1T2  Fl. 4          5 fundamentações distintas, contrárias às mais conhecidas disposições legais de regulamentação  do Procedimento Fiscal e do Processo Administrativo Fiscal.  Código Tributário Nacional  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário pelo  lançamento,  assim entendido o procedimento administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o  sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Decreto 70.235/72.      Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº  8.748, de 1993)      § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização,  a  autoridade  designará  servidor  para,  como  perito  da  União,  a  ela  proceder  e  intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos  apresentar  os  respectivos  laudos  em  prazo  que  será  fixado  segundo  o  grau  de  complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)      §  2º  Os  prazos  para  realização  de  diligência  ou  perícia  poderão  ser  prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)      § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no  curso  do  processo,  forem  verificadas  incorreções,  omissões  ou  inexatidões  de que  resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação  legal  da  exigência,  será  lavrado  auto  de  infração  ou  emitida  notificação  de  lançamento  complementar,  devolvendo­se,  ao  sujeito  passivo,  prazo  para  impugnação  no  concernente  à matéria modificada.  (Incluído  pela Lei  nº  8.748,  de  1993)  Trata­se de uma assunto deveras instigante e que comporta, creio, diferentes  leituras. Apresento a minha.  Primeiro,  de  se  dizer  que  não  há,  de  fato,  permissão  normativa  para  que  o  julgador de primeira instância modifique deliberadamente a fundamentação contida no auto de  infração  controvertido  neste  ou  em  qualquer  outro  processo.  No  jargão  do  PAF,  isso  é  traduzido  na  assertiva  de  que  o  auto  de  infração  não  pode  ser  aperfeiçoado  (reserva  feita  à  hipótese prevista no parágrafo 3º do artigo 18 acima, em rito não observado no presente feito).  Reconhecido  isso,  necessário  que  se  dispense  dedicada  atenção  a  certas  particularidades do processo de exigência do crédito tributário.  Em  determinadas  situações,  fatos  decisivos  para  solução  da  lide  somente  tornam­se conhecidos depois da formalização da exigência.  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA     6 Isso pode acontecer, por exemplo, quando o contribuinte,  inadvertidamente,  se recusa a apresentar à Fiscalização os documentos e/ou esclarecimentos que lhe são exigidos,  tomando tal providência apenas na apresentação da impugnação ao lançamento.   Se isso acontece, o auto de infração lavrado pela Fiscalização Federal haverá  de ser  fundamentado na ausência de provas de determinado direito a que a contribuinte faria  jus;  contudo,  certamente,  não  será mantido,  se  o  for,  por  esse mesmo motivo. Uma vez  que  contribuinte  apresente  junto  à  impugnação  os  documentos  negligenciados  ao  longo  do  procedimento  fiscal,  o  exame de seu  conteúdo é que  conduzirá a decisão do órgão  julgador,  não mais a ausência de provas propriamente dita.  O processo de decisão não escapa a essa dialética.  E vale o mesmo quando os papéis se invertem.  Não há que se falar em preclusão quando a exigência só tornou­se conhecida  depois  de  decisão  superveniente.  Exemplifico.  Se  o  contribuinte  é  autuado  pela  falta  de  retificação de declaração, não se lhe poderá, mais tarde, negar o direito por ausência de provas,  ainda que essa razão seja oposta a seus interesses em caráter suplementar. Embora lhe caiba tal  obrigação,  a  razão  original  da  autuação  foi  outra,  devendo  ser  prorrogado  o  prazo  para  apresentação das provas exigidas pelo Fisco.  Creio  que  tratam­se  de  situações  muito  semelhantes.  Dizem  respeito  ao  momento no qual uma das partes tomou conhecimento de fatos até então desconhecidos.  No  caso  concreto,  a  Recorrente  informou  em  DCTF  processo  judicial  vinculado a outro processo e que não dispunha de créditos para compensação de seus débitos  fiscais.  A  primeira  análise  processada  de  forma  automática  identificou  a  imprecisão  mais  flagrante: Proc. Jud. de outro CNPJ, ou seja, processo judicial de outro CNPJ.   Em primeira instância de julgamento, foi possível reconhecer a legitimidade  da Recorrente,  na  qualidade  de  filial  de  uma matriz  que  concentrou  o  requerimento  de  suas  filiais; contudo, adentrando ao mérito, constatou fato que até então não era possível conhecer.  Os créditos do processo eram insuficientes para liquidar os débitos até mesmo da matriz.  Haverá de se dizer que o fato já poderia ser conhecido não fosse a sistemática  adotada pela Secretaria da Receita Federal no controle desse tipo de ocorrência. Quanto a isso,  creio que seja tentador atribuir à Administração o dever de desincumbir­se de suas atribuições  em irretocáveis métodos de fiscalização, olhando um a um e de forma exaustiva os fatos de seu  interesse.  Contudo,  acredito  que  um  controle  com  tal  precisão  além  de  ser  inviável,  representaria  um  custo  social  injustificável.  Necessariamente,  boa  parte  do  controle  fiscal  precisa ser processada automaticamente, com base nas informações imediatamente disponíveis  nas declarações prestadas pelos contribuintes.  De  resto,  não  será  demais  lembrar  que,  a  teor  da  defesa,  inexiste  o  direito  creditório  neste  controvertido.  Como  afirmar  que  o  Processo  informado  na  DCTF  atribuía  legitimidade  ativa  para matriz  e  filiais  se  os  créditos  nele  reclamados  eram  insuficientes  até  mesmo para compensar os débitos do CNPJ informado no processo judicial (da matriz).  VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário.  Sala de Sessões, 28 de novembro de 2013.  (assinatura digital)  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10945.007290/2003­67  Acórdão n.º 3102­002.118  S3­C1T2  Fl. 5          7 Ricardo Paulo Rosa ­ Relator                                 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 13931.000941/2008-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 3          1  2  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13931.000941/2008­40  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3803­000.421  –  3ª Turma Especial  Data  30 de janeiro de 2014  Assunto  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ­ SOBRESTAMENTO  Recorrente  DINIZ SEMENTES E DEFENSIVOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  unanimidade,  converteu­se  o  julgamento  em  diligência,  para  que  o  processo  seja  encaminhado  à  repartição  de  origem  onde  deverá  aguardar  até  que  sejam  proferidas  as  decisões  nos  processos  nº  12571.000200/2010­57 e 12571.000201/2010­00 as quais devem  ser informadas em seu inteiro teor neste processo.   (Assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Belchior  Melo  de  Sousa,  Juliano  Eduardo  Lirani;  Hélcio  Lafetá  Reis,  Jorge  Victor  Rodrigues,  João  Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).    Relatório Retornam  os  autos  diligência  à  repartição  de  origem  para  onde  foram  encaminhados  por  meio  da  Resolução  nº  3803­000.175,  com  a  finalidade  de  obtenção  do  inteiro  teor  das  decisões  prolatadas  nos  processos  de  nº  12571.000200/2010­57  e  12571.000201/2010­00, respectivamente, haja vista a possibilidade de influência do resultado  daquelas demandas em face desta, uma vez detectada que são conexas.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 94 1/ 20 08 -4 0 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000941/2008­40  Resolução nº  3803­000.421  S3­TE03  Fl. 4          2  Do Relatório anexo pode­se inferir que os acórdãos referentes a esses processos  foram providos, para a anulação dos respectivos autos de infração, sob o fundamento de que as  declarações  de  compensação  constituem  instrumentos  de  confissão  de  dívida  bastante  e  suficiente para a exigência dos débitos e, que vindo a ser objeto de lançamento, ensejariam a  duplicidade  de  cobrança  entre  os  valores  lançados  e  aqueles  objeto  das  compensações  não  homologadas.  Vale dizer que nos referidos acórdãos não foram analisadas a matéria atinente ao  mérito  das  querelas,  a  saber:  o  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  relacionado  à Cofins  não  cumulativa­ mercado externo ­ 3º trimestre/2004.  Outra informação relevante constante do citado relatório é que os acórdãos inda  não são definitivos, pois em face do acórdão proferido nos autos do PAF 12571.000201/2010­ 00 foram interpostos embargos de declaração pela representação da Fazenda Nacional, o que se  presume por conter matéria e decisão semelhante, deverá ocorrer em relação ao outro processo.  A  conclusão  a  que  chegou  o  referido  relatório  é  que  os  dois  processos  retrocitados deveriam ser reunidos ao presente e demais correlatos para análise em conjunto.  É o relatório.  VOTO.  Conselheiro Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  O  código  de  Processo  Civil,  utilizado  subsidiariamente  nos  julgamentos  de  processos administrativos tributários pelos órgãos julgadores do CARF/MF, preceitua em seu  artigo 103, que há conexão entre duas ou mais ações, quando  lhes  for  comum o objeto ou a  causa de pedir, havendo sido  tal situação reconhecida pela Turma e convertido o  julgamento  em diligência, de onde retornaram os autos para este Juízo.    Isto  posto  e  considerando  a  pesquisa  previamente  realizada  acerca  dos  autos,  bem assim a conclusão a que chegou o relatório e, voto pela conversão em diligência, para que  o  processo  seja  encaminhado  à  repartição  de  origem,  onde  deverá  aguardar  até  que  sejam  proferidas  as  decisões  definitivas  nos  processos  nºs  12571.000200/2010­57  e  12571.000201/2010­00, as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo.    É como voto.    Sala de sessões em 30 de janeiro de 2014.    (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000941/2008­40  Resolução nº  3803­000.421  S3­TE03  Fl. 5          3      Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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